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Turismo de Base Comunitária em

Unidades de Conservação ambiental


paulistas: do mapeamento de iniciativas
aos grandes desafios
V EICPOG 2020

Érika Sayuri Koga Di Napoli


Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de São Paulo – Câmpus São Paulo
Curso de Tecnologia em Gestão de Turismo
kogadinapoli@ifsp.edu.br

Joyce Hiromi Uyeti


Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia de São Paulo – Câmpus São Paulo
Curso de Tecnologia em Gestão de Turismo
joyce.uyeti@gmail.com

V Encontro de Iniciação Científica e Pós-Graduação do Campus São Paulo – 2020


http://ocs.spo.ifsp.edu.br/index.php/eicpog/eicpog2020
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V EICPOG 2020
V Encontro de Iniciação Científica e Pós-Graduação
http://ocs.spo.ifsp.edu.br/index.php/eicpog/eicpog2020

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INTRODUÇÃO

4
Introdução

Nos últimos anos as iniciativas chamadas Turismo de Base


Comunitária, Turismo Comunitário ou Turismo Rural Comunitário (TBC)
ganham visibilidade como formas de resistências delineadas por
estratégias culturais e políticas enraizadas localmente, frente aos
padrões convencionais do turismo massificado. Estas iniciativas são
apontadas como oportunidades para melhorias de qualidade de vida por
grupos sociais, tais como: pescadores artesanais, etnias indígenas,
agricultores familiares, populações extrativistas, camponeses e diversos
outros que vivem em situação de vulnerabilidade social e ambiental
(MORAES et al. 2017).
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Introdução

A presente pesquisa analisou e mapeou as diversas atividades turísticas


de TBC que são elaboradas dentro ou no entorno das Unidades de
Conservação (UC), sendo realizadas pelos grupos sociais — nesta
sendo chamadas de comunidades tradicionais.
Assim, o estudo salientou que diversos benefícios, avanços e desafios
do TBC, ocorrem dentro das Dimensões da Sustentabilidade e que a
temática pode ser fortemente explorada ainda com outros
desdobramentos e contribuições para a área do turismo.
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FUNDAMENTO TEÓRICO

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Fundamento Teórico

O TBC tem como premissa fundamental a base endógena em


planejamento e desenvolvimento do turismo (MORAES et al. 2017).
Para Irving (2009) o endógeno depende do “saber endógeno”,
conhecimento sobre a própria realidade e, a iniciativa turística deve
resultar da inspiração e da motivação real dos grupos humanos que
interagem diretamente e cotidianamente no lugar turístico, pois sem
isso, é apenas formal e de duração limitada.

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Fundamento Teórico

Segundo Carlos Maldonado (2009, p. 31 apud MTUR, 2010), entende-se


por turismo comunitário:
toda forma de organização empresarial sustentada na propriedade e na autogestão
sustentável dos recursos patrimoniais comunitários, de acordo com as práticas de
cooperação e equidade no trabalho e na distribuição dos benefícios gerados pela
prestação dos serviços turísticos. A característica distinta do turismo comunitário é
sua dimensão humana e cultural, vale dizer antropológica, com objetivo de incentivar
o diálogo entre iguais e encontros interculturais de qualidade com nossos visitantes,
na perspectiva de conhecer e aprender com seus respectivos modos de vida.

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Fundamento Teórico

As atividades de TBC são elaboradas por comunidades tradicionais,


dentro ou no entorno das UC, denominadas pelo Sistema Nacional de
Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) por meio da Lei Nº
9.985/2000, como:
espaços territoriais, incluindo seus recursos ambientais, com características
naturais relevantes, que têm a função de assegurar a representatividade de
amostras significativas e ecologicamente viáveis das diferentes populações,
habitats e ecossistemas do território nacional e das águas jurisdicionais,
preservando o patrimônio biológico existente (BRASIL, 2018).

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OBJETIVOS

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Objetivos

Objetivo Geral: O presente estudo salientou discutir e analisar os


benefícios, avanços e desafios do TBC dentro ou no entorno de UC do
estado de São Paulo.
Já os objetivos específicos, nortearam:
1. Compreender a evolução e os contextos atuais do TBC no Brasil e no Mundo;
2. Mapear TBC que acontecem dentro ou no entorno de UC paulistas;
3. Caracterizar algumas comunidades e ilustrar quais são as ações turísticas destas;
4. Identificar possíveis ações públicas para a condução do TBC dentro e no entorno das UC;
5. Estabelecer relações entre os agentes: comunidades, governo e visitantes/ turistas, por
meio de fatores da sustentabilidade segundo Ignacy Sachs.

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METODOLOGIA

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Metodologia

• A primeira parte da pesquisa foi elaborada com dados secundários de fontes bibliográficas e
documentais em livros, artigos, registros oficiais e sítios eletrônicos que pudessem apresentar
Dados algumas iniciativas de TBC e UC paulistas existentes.
Secundários

• Seriam feitas pesquisas de campo em comunidades tradicionais, contudo adaptou-se o


planejamento por conta das medidas de distanciamento social no Estado de São Paulo.
Covid-19

• Realizou-se a coleta de dados primários através de entrevistas por videoconferência com as


lideranças comunitárias de diferentes comunidades tradicionais. Assim, optou-se por utilizar a
Dados análise de conteúdo, baseada no roteiro elaborado por Laurence Bardin, para expor os resultados
Primários finais em forma de tabela, relacionando-os com as oito Dimensões da Sustentabilidade de Sachs.

Figura 1: Etapas sequenciais da metodologia da pesquisa. 14


Metodologia

Dados primários:
Entrevistas — gestor público de uma UC (APA Quilombos do Médio
Ribeira) e lideranças comunitárias de diferentes regiões: quilombola
(Quilombo da Fazenda), caiçara (Comunidade do Marujá), indígena
(Aldeia Boa Vista), rural (Comunidade do Rio Preto) e urbana
(Comunidades Cantinho do Céu e Lagoa Azul).

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RESULTADOS
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DESENVOLVIMENTO DO TBC

Primórdios do TBC TBC no Mundo TBC no Brasil

• Globalização; • Grande destaque • Pontos de


• Turismo de na América ascensão e
massa; Latina. queda.
• Desenvolvimento
sustentável.

Figura 2: Processo da evolução do TBC no mundo e no Brasil. 17


MAPEAMENTO DE AÇÕES DE TBC NAS UC PAULISTAS

Unidades de Atividades
Comunidades
Conservação de TBC

25 29 71

Figura 3: Resumo da tabulação das atividades de TBC paulistas. 18


Mapeamento de ações de TBC nas UC paulistas

Neste estudo, houve uma grande dificuldade para encontrar dados


precisos que corroborassem com a identificação das atividades de TBC
que acontecem dentro ou no entorno das UC, assim grande parte das
informações foram coletadas pela internet por meio de sites, de
mapeamentos do Instituto Socioambiental e de alguns documentos
oficiais do Governo do Estado de São Paulo, com decretos de criação de
UC paulistas.

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DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE E TBC NAS COMUNIDADES
CATEGORIA INTERMEDIÁRIA CRÍTÉRIO CATEGORIA FINAL COMUNIDADES TRADICIONAIS
 Aldeia Boa Vista
Preservação dos ecossistemas naturais;
15 Benefícios  Comunidades Cantinho do
Equilíbrio comunidade e meio ambiente;
0 Desafios Ambiental Céu e Lagoa Azul
Educação e sensibilização ambiental.
Saber endógeno e identidade;  Comunidade do Rio Preto
Planejamento e desenv. de projetos; 18 Benefícios  Comunidade do Marujá
Abertura e trocas interculturais; 2 Desafios Cultural  Quilombo da Fazenda
Adaptação e inovação cultural.
Emprego e distribuição de renda; DIMENSÕES DE SACHS
9 Benefícios
Investimentos dos meios produtivos;
6 Desafios Econômica Social — Cultural — Ecológica
Autonomia e inserção na economia.
Ambiental — Territorial
Relacionamento comunitário/coletivo;
10 Benefícios Econômica — Política Nac.
Qualidade de vida;
5 Desafios Social
Igualdade social . Política Int.

Figura 4: Recorte da tabulação com base nas ideias de Sachs (2004) e Bardin (2016). 20
Aldeia Indígena

21
Fonte: samaumaviagens.com.br/samauma/aldeia-boa-vista/
Caiçara
Fonte: chickenorpasta.com.br/2017/bate-volta-ilha-do-cardoso-o-
paraiso-intocado-de-sao-paulo

22
Quilombola

23
Fonte: samaumaviagens.com.br/samauma/quilombo-da-fazenda/
Rural

24
Fonte: Acervo pessoal
Urbana

25
Fonte: Acervo pessoal
Dimensões da sustentabilidade e TBC

Conforme obtenção de coleta de dados da entrevista com gestor da


APA Quilombos do Médio Ribeira (APA-QMR), foram levadas em
consideração as necessidades de uma tabulação diferenciada com os
critérios de avanços e desafios.
Além disso, foram mantidas as mesmas categorias intermediárias e
finais com base nas ideias de Sachs e Bardin.
APA-QMR:
Pedro Cubas; Pedro Cubas de Cima; Sapatu; Ostras; André Lopes; Nhunguara;
Ivaporanduva; Galvão; São Pedro; Piririca; Pilões; Maria Rosa e Praia Grande.
26
APA-QMR

Grupo: Uso Sustentável


Área: 64.625,04 hectares
Criação: Lei Estadual nº 12.810/2008
Bioma: Mata Atlântica
Localização: Eldorado e Iporanga
Órgão Gestor: Fundação Florestal

Fonte: sigam.ambiente.sp.gov.br/sigam3/Default.aspx?idPagina=16479 27
DIMENSÕES DA SUSTENTABILIDADE E TBC

Comunidades Social Cultural Ecológica Ambiental Territorial Econômica Pol. Nac. Pol. Int.
Benefício 96 10 18 13 15 13 9 8 10
Desafio 29 5 2 2 0 2 6 7 5
Total 125 15 20 15 15 15 15 15 15

UC - APA
Avanço 23 Demais categorias
Social = Igualdade social
Desafio 2
Política Nac. = Parcerias c/ empreendedores

Figura 5: Recorte da tabulação final. 28


CONSIDERAÇÕES FINAIS

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Considerações Finais

Conforme levantamento e análise dos materiais os benefícios e avanços do


TBC dentro e no entorno de UC acontecem quando as comunidades e iniciativas
são fortalecidas por meio de redes de TBC, organização interna ou com a
gestão pública mais acessível e que presta maior comunicação ou suporte.
Os desafios foram fortemente observados nos casos estudados, em por
exemplo, na Comunidade do Marujá e na Comunidade do Rio Preto, nas quais
o protagonismo destas não são desenvolvidos por diversos fatores internos e
que também não contam com aportes de redes de TBC ou políticas públicas
para incentivar seus crescimentos e desenvolvimentos de atividades.

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Considerações Finais

A temática estudada se apresentou como um ótimo condutor de geração de


mudanças e fortalecimento das comunidades, podendo ainda explorar:
 Aprofundamento do mapeamento de TBC paulista e também em outros
estados;
 Demais formas de divulgação das atividades, um bom exemplo é o Projeto
“Circuito Quilombola Paulista”;
 Indicação de novas políticas públicas para o desenvolvimento deste segmento;
 Redes de TBC ativas em âmbito nacional/estadual/regional e ações que podem
contribuir para o desenvolvimento destas.

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BIBLIOGRAFIA

• BARDIN, L. (2016). Análise de Conteúdo. São Paulo: Almedina.


• IRVING, M. de A. Reinventando a reflexão sobre turismo de base comunitária inovar é possível? In: BARTHOLO , R;
SANSOLO , D; BURSZTYN, I. (Orgs.). Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de
Janeiro: Letra e Imagem, 2009, p. 108-121.
• LEI nº 9.985 de 18 de julho de 2000. Institui o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza e dá outras
providências. Planalto: Presidência da República. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9985.htm>.
Acesso em: 07 de Nov. 2018.
• MALDONADO, C. O turismo rural comunitário na América Latina: Gênesis, características e políticas. In: BARTHOLO, R.;
SANSOLO, D.; BURSZTYN, I. (Orgs). Turismo de base comunitária: diversidade de olhares e experiências brasileiras. Rio de
Janeiro: Letra e Imagem, 2009, p. 25-44.
• MORAES, E. A.; IRVING, M. A.; SANTOS, J. S. C.; SANTOS, H.Q.; PINTO, M.C. Redes de turismo de base comunitária:
reflexões no contexto latino-americano. Revista Brasileira de Ecoturismo, São Paulo, v.9, n.6, nov-2016/jan-2017, p.612-623.
• SACHS, I. (2004). Desenvolvimento: Includente, Sustentável, Sustentado. Rio de Janeiro: Garamond.

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OBRIGADA
Érika Sayuri Koga Di Napoli
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Joyce Hiromi Uyeti


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