Você está na página 1de 21

Educação Especial e

Inclusiva

Aula 2
Unidade 2
Educação Especial e Inclusiva
Aula 2
Sumário
Aula 02
Educação Especial e Inclusiva
Deficiências
Objetivos da Unidade
Conteúdos da Unidade
Para Pensar
Programa mundial, Educação Para Todos, EPT
Deficiências
Já andei por tantos caminhos e já vivi tantas coisas,
que hoje vejo que o preconceito e discriminação estão
em cada um de nós, e cabe-nos quebrá-los para que
possamos viver numa sociedade mais justa e humana.
Hoje posso afirmar que:
"Deficiente" é aquele que não consegue modificar
sua vida, aceitando as imposições de outras pessoas
ou da sociedade em que vive, sem ter consciência de
que é dono do seu destino.
"Louco" é quem não procura ser feliz.
"Cego" é aquele que não vê seu próximo morrer
de frio, de fome, de miséria.
"Surdo" é aquele que não tem tempo de ouvir um
desabafo de um amigo, ou o apelo de um irmão.
"Mudo" é aquele que não consegue falar o que
sente e se esconde por trás da máscara da hipocrisia.
"Paralítico" é quem não consegue andar na direção
daqueles que precisam de sua ajuda.
"Diabético" é quem não consegue ser doce.
"Anão" é quem não sabe deixar o amor crescer.
E "Miserável" somos todos que não conseguimos
falar com Deus.
Autor: Luiz Fernando Veríssimo

Extraído do blog:
http://www.floramarela.com.br/pag.asp?id=4&sub=8

4
Objetivos da Unidade
A partir deste texto, proponho refletir sobre o tema
desta disciplina, e você deverá ser capaz de:
▪ Identificar os princípios que fundamentam a Educa-
ção Especial no Brasil.
▪ Reconhecer documentos que discutem o processo
e estratégias de inserção das pessoas com deficiência
na sociedade.

Conteúdos da Unidade
Proponho pensar sobre as mudanças comportamen-
tais da sociedade, provocadas por necessidades atuais
da civilização, estas avançam em um ritmo acelerado,
no que se refere, principalmente, a ciência e tecnolo-
gia, recursos e possibilidades antes não imaginados.
Vivemos um processo de globalização mundial da
economia, das informações, o que acarreta competi-
ção e desigualdades entre os povos, empobrecimen-
to de nações, elevando os índices de injustiça social.
Diante de tais fatos, assegurar os direitos a todos, a
uma educação de qualidade é meta do governo e da
sociedade, que através de lutas, esforços buscam ins-
trumentos legais para garantir cidadania; neste curso
cabe destacar das pessoas com deficiência.

5
“A verdadeira deficiência é aquela que prende o ser
humano por dentro e não por fora, pois até os
incapacitados de andar podem ser livres para voar.”
Thaís Moraes

Com a evolução humana, a sociedade produziu


movimentos como o da exclusão social daqueles que
a mesma considerou como diferentes. Este proces-
so se acelerou com a globalização onde o capital dita
normas e padrões. Para aqueles que enfrentam esta
realidade, tornou-se necessário a busca de dignidade,
de ser cidadão. A escola, espaço para onde convergem
todos os conflitos econômicos, culturais, políticos,
possui o papel transformador de atitudes, valores que
venham humanizar as relações. Cabe a ela repensar
suas práticas, construções teóricas diante de suas ne-
cessidades. Para isso, são necessários parceiros, pois o
lugar de tensão em que se encontra, deve ser dividido
com outras instituições, que também são responsáveis,
como o poder público e toda sociedade organizada.
Para tal prática, na atualidade precisa haver mu-
danças de paradigmas de forma a viabilizar a inclusão
desses, que foram colocados à margem da história
da humanidade. Os profissionais da educação devem
buscar formação contínua no cotidiano escolar, pois
assim, a postura – reflexão/ação/reflexão, poderá vir
a acontecer trazendo em seu bojo transformações
efetivas que estão longe de serem imediatas, pois, faz
parte da construção de uma nova forma de ler o mun-
do, distante dos valores arraigados, tradicionais. De-
vemos, aqui, perceber o limite das pessoas envolvidas,

6
seus desejos, construções históricas e imaginárias.
O direito a educação à “em igualdade de condi-
ções de acesso e permanência na escola” (art.206, in-
ciso I da Constituição Brasileira de 1988) visando “ao
pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o
exercício da cidadania e sua qualificação para o traba-
lho” (art.205) são dispositivos nacionais, que tem pro-
duzido movimento nos espaços e em políticas públicas
educacionais, resultado de um complexo processo in-
ternacional, de onde saíram documentos importantes
como, por exemplo, a Conferência Mundial de Educa-
ção para todos, em 1990, em Jomtien, Tailândia.
A civilização avança em um ritmo acelerado no
que se refere, principalmente, à ciência e tecnologia,
isto tem provocado mudanças comportamentais na
sociedade, e coloca para a mesma, recursos e possi-
bilidades antes não imaginados, que podem sanar as
necessidades e sonhos do homem.
Estamos em um processo de globalização mun-
dial da economia, das informações, o que acarreta com-
petição e desigualdades entre os povos, empobrecimen-
to de nações, elevando os índices de injustiça social.
Neste cenário é um desafio efetivar a prática dos direi-
tos assegurados a todos e a uma educação de qualidade.

Para Pensar
*Como buscar uma realidade educacional na perspec-
tiva inclusiva, ou seja, trazer para o seio das escolas
condições favoráveis para oferecer ações educativas,
adequadas às necessidades individuais de aprendiza-
gem de todos?

7
*Como elevar os níveis de qualidade de aprendiza-
gem no processo educacional escolar?

Dispositivos legais e deliberações nos textos


de políticas públicas educacionais já estão colocados
e apontados, para isto, é necessário prover recursos de
toda ordem de forma a viabilizar para que os direitos
humanos para que sejam respeitados de fato. Para as
escolas oferecerem respostas educativas de qualidade,
diversificada, é necessária uma articulação de recur-
sos financeiros, programas de saúde, nutrição, bem-
-estar familiar, trabalho, emprego, ciência e tecnolo-
gia, transportes, desporto e lazer, assistência social,
portanto um modelo inclusivo de educação depende
de providências para além do âmbito educacional,
para identificar e satisfazer as necessidades da popu-
lação. Documentos internacionais de cooperação e
os intercâmbios internacionais são estimulados em
co-responsabilidade dos Ministérios Brasileiros para
assegurar e garantir a integração entre programas de
educação com outros setores, principalmente saúde,
trabalho e assistência social.
A Educação Infantil, o Ensino Fundamental,
Médio, Educação de Jovens e Adultos, Educação pro-
fissionalizante e a superior deverão estar articulados
para a consolidação de uma política educacional inclu-
siva e sólida, envolvendo todos os setores nacionais e
a cooperação internacional.
Carvalho (2004, p78) diz que:... “para tanto é
necessário que a Educação Especial deixe de ser um
subsistema que se ocupa de um determinado tipo de
alunos com deficiências, para converter-se num conjun-

8
to de serviços e de recursos de apoio, orientado para a
educação regular, em benefício de todos os aprendizes”.

Para Pensar
Quais são os princípios que fundamentam os sistemas edu-
cacionais inclusivos?

Os sistemas educacionais inclusivos devem


prever os ideais democráticos nos programas, proje-
tos e atividades, de forma a permitir o pleno desen-
volvimento da personalidade dos indivíduos, fortale-
cendo o respeito aos direitos humanos e as liberdades
fundamentais, proclamados na Declaração Universal
dos Direitos Humanos, 1948:

Considerando que o reconhecimento da dignidade


inerente a todos os membros da família humana e de
seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da
liberdade, da justiça e da paz no mundo,

Artigo II
Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos
e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem
distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo,
língua, religião, opinião política ou de outra nature-
za, origem nacional ou social, riqueza, nascimento,
ou qualquer outra condição.
Artigo XXIII
1. Toda pessoa tem direito ao trabalho, à livre esco-
lha de emprego, a condições justas e favoráveis de
trabalho e à proteção contra o desemprego.

9
2. Toda pessoa, sem qualquer distinção, tem direito a
igual remuneração por igual trabalho.
3. Toda pessoa que trabalhe tem direito a uma remu-
neração justa e satisfatória, que lhe assegure, assim
como à sua família, uma existência compatível com
a dignidade humana, e a que se acrescentarão, se ne-
cessário, outros meios de proteção social.
Artigo XXV
1. Toda pessoa tem direito a um padrão de vida ca-
paz de assegurar a si e a sua família saúde e bem es-
tar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cui-
dados médicos e os serviços sociais indispensáveis, e
direito à segurança em caso de desemprego, doença,
invalidez, viuvez, velhice ou outros casos de perda
dos meios de subsistência fora de seu controle.
2. A maternidade e a infância têm direito a cuidados
e assistência especiais. Todas as crianças nascidas
dentro ou fora do matrimônio, gozarão da mesma
proteção social.
Artigo XXVI
1. Toda pessoa tem direito à instrução. A instrução será
gratuita, pelo menos nos graus elementares e funda-
mentais. A instrução elementar será obrigatória. A ins-
trução técnico-profissional será acessível a todos, bem
como a instrução superior, esta baseada no mérito.
2. A instrução será orientada no sentido do pleno
desenvolvimento da personalidade humana e do
fortalecimento do respeito pelos direitos humanos e
pelas liberdades fundamentais. A instrução promo-
verá a compreensão, a tolerância e a amizade entre
todas as nações e grupos raciais ou religiosos, e co-
adjuvará as atividades das Nações Unidas em prol da

10
manutenção da paz.

A compreensão comum desses direitos e liber-


dades é de grande importância para o pleno cumpri-
mento desse compromisso, tendo sempre em mente
esta Declaração, através do ensino e da educação é
possível alcançá-los agregando a adoção de medidas
progressivas de caráter nacional e internacional, que
assegurem o seu reconhecimento e a sua observância
universal e efetiva.

Para Pensar
Como traduzir discursos, leis, documentos politica-
mente corretos em ações efetivas?

Não é tarefa fácil, mas não se trata de um traba-


lho impossível, já sabendo que é o resultado de lutas de
grupos, de movimentos sociais contra todas as formas
de discriminação, que impedem o exercício da cida-
dania das pessoas com deficiência, emerge, em nível
mundial, a defesa de uma sociedade inclusiva. É funda-
mental que coloquemos como meta, e que acreditemos
no potencial humano, no empoderamento, no exercí-
cio da cidadania, da participação de fato nos diversos
espaços sociais, com capacidade de escolha e autono-
mia para dirigir seu próprio destino, e, desta forma ve-
nham também a contribuir com o bem-estar coletivo.
A sociedade deve fortalecer-se à crítica, às práticas de
categorização e segregação de estudantes encaminha-
dos para ambientes especiais e ao questionamento dos
modelos homogeneizadores de ensino e de aprendiza-

11
gem, geradores de exclusão nos espaços escolares.

Programa mundial, Educação Para Todos, EPT


O programa mundial Educação Para Todos,
EPT, é fruto do compromisso dos países que parti-
ciparam buscando o êxito de uma educação de qua-
lidade à qual toda a população, sem exclusões, tenha
acesso e que permita um pleno desenvolvimento na
vida cotidiana. No Fórum Mundial de Educação, re-
alizado em 2000 em Dakar, no Senegal, os governos
e as organizações participantes reafirmaram a visão
ampliada da educação básica com igualdade e qualida-
de, colocada pela primeira vez na Declaração Mundial
sobre Educação Para Todos, em Jomtien (Tailândia,
1990). O Marco de Ação de Dakar, adotado no Fó-
rum Mundial da Educação, estabelece seis objetivos
que levam a fortalecer a educação de qualidade como
“direito humano fundamental, e elemento-chave do
desenvolvimento sustentável, da paz e da estabilidade
de cada país e entre nações”
Os objetivos propostos, considerados essen-
ciais para a educação no século XXI e alcançáveis
através de um compromisso real de toda a sociedade
e de uma decisão internacional firme, têm como hori-
zonte o ano de 2015. São eles:

i)” ampliar e melhorar a proteção e educação inte-


grais da primeira infância, especialmente das crian-
ças mais vulneráveis e desfavorecidas;
ii) zelar para que, até 2015, todos os meninos, e so-
bretudo as meninas, que se encontrem em situação
difícil e que pertençam a minorias étnicas, tenham

12
acesso a ensino primário gratuito e obrigatório de
boa qualidade e o concluam;
iii) zelar para que sejam atendidas as necessidades de
aprendizagem de todos os jovens e adultos, median-
te um acesso equitativo a programas adequados de
aprendizagem e de preparação para a vida cotidiana;
iv) aumentar em 50%, até 2015, os níveis de alfabeti-
zação dos adultos, particularmente no caso das mu-
lheres, e facilitar a todos os adultos um acesso equi-
tativo à educação básica e à educação permanente;
v) suprimir as disparidades entre os sexos no ensino
primário e secundário até 2005, alcançando até 2015
a igualdade entre os sexos na educação, em particu-
lar garantindo às meninas um acesso pleno e equita-
tivo a uma educação básica de boa qualidade, com as
mesmas possibilidades de obter bons resultados; e
vi) melhorar todos os aspectos qualitativos da edu-
cação, garantindo os parâmetros mais elevados, para
conseguir para todos os resultados de aprendizagem
reconhecidos e mensuráveis, especialmente em lei-
tura, escrita, aritmética e aptidões práticas essenciais
para a vida cotidiana.Os compromissos assumidos
em Dakar contemplam um monitoramento perma-
nente dos resultados obtidos em relação aos objeti-
vos propostos. A UNESCO foi designada como Se-
cretaria no Fórum Mundial da Educação em Dakar,
recebendo o mandato de coordenar e dinamizar
as atividades de cooperação em prol da Educação
Para Todos. O Diretor Geral da UNESCO convoca
anualmente uma reunião do Grupo de Alto Nível,
cuja função é estimular a mobilização política e fi-
nanceira em favor de EPT. A cada ano, também, a

13
UNESCO encarrega uma equipe independente, si-
tuada em sua sede, de preparar um relatório mundial
de acompanhamento de EPT, que é apresentado
na reunião do Grupo de Alto Nível; esse relatório
mostra os progressos realizados em relação aos seis
objetivos de Dakar e dá conta dos compromissos
assumidos em Dakar. O relatório global de acom-
panhamento de 2002, intitulado La Educación para
Todos: ¿Va el Mundo por el Buen Camino? Mostrou
que os progressos em direção aos seis objetivos são
insuficientes e que “o mundo não está bem enca-
minhado para alcançar o EPT em 2015”, já que é
provável que 28 países, correspondendo a 26% da
população mundial, não consigam atingir nenhuma
das três metas quantitativas: a educação primária
universal, a igualdade dos sexos e a redução à meta-
de das taxas de analfabetismo. Da mesma maneira,
outros 43 países, que constituem 36% da população
mundial, correm o risco de não conseguir alcançar
uma dessas metas.”
Foro Mundial de la Educación. Marco de Acción
de Dakar.Educación para Todos: cumplir nuestros
compromisos comunes.Paris, UNESCO, 2000.

No contexto internacional do movimento polí-


tico para o alcance das metas de educação para todos,
a Conferência Mundial de Necessidades Educativas
Especiais: Acesso e Qualidade, realizada pela UNES-
CO em 1994, propõe aprofundar a discussão, proble-
matizando os aspectos acerca da escola não acessível
a todos estudantes. Surge assim, o documento Decla-
ração de Salamanca e Linhas de Ação sobre Necessi-

14
dades Educativas Especiais, que define que as escolas
comuns representam o meio mais eficaz para comba-
ter as atitudes discriminatórias, ressaltando que:

“O princípio fundamental desta Linha de Ação é de


que as escolas devem acolher todas as crianças, in-
dependentemente de suas condições físicas, intelec-
tuais, sociais, emocionais, linguístico ou outras. De-
vem acolher crianças com deficiência e crianças bem
dotadas; crianças que vivem nas ruas e que traba-
lham; crianças de populações distantes ou nômades;
crianças de minorias linguísticas, étnicos ou culturais
e crianças de outros grupos e zonas desfavorecidas
ou marginalizadas. “
(Brasil, 1997, p. 17 e 18).

O debate sobre os rumos da Educação Especial


torna-se fundamental para a construção de políticas de
formação, financiamento e gestão, necessárias para a
transformação da estrutura educacional a fim de asse-
gurar as condições de acesso, participação e aprendiza-
gem de todos os estudantes, entendendo a escola como
um espaço que reconhece e valoriza as diferenças.
Cresce o movimento mundial pela inclusão,
mas em 1994 no Brasil, publica-se o documento Polí-
tica Nacional de Educação Especial, com paradigma
integracionista, fundamentado no princípio da nor-
malização, com foco no modelo clínico de deficiên-
cia, atribuindo às características físicas, intelectuais ou
sensoriais dos estudantes, um caráter incapacitante
que dificulta a inclusão educacional e social.

15
Tal documento define como modalidades de
atendimento em Educação Especial, no Brasil: as es-
colas e classes especiais; o atendimento domiciliar, em
classe hospitalar e em sala de recursos; o ensino itine-
rante, as oficinas pedagógicas; a estimulação essencial
e as classes comuns. Tal fato estimula a manter a es-
trutura paralela e substitutiva da Educação Especial,
com concepção integralista, o acesso de estudantes
com deficiência ao ensino regular é condicionado:

“Ambiente dito regular de ensino/aprendizagem, no


qual também, são matriculados, em processo de in-
tegração instrucional, os portadores de necessidades
especiais que possuem condições de acompanhar e
desenvolver as atividades curriculares programadas
do ensino comum, no mesmo ritmo que os alunos
ditos normais.” (Brasil,1994, p.19)

Na contramão de impulsionar a mudança de


ideias favorecendo os avanços no processo de in-
clusão escolar, essa política demonstra fragilidade
perante os desafios impostos à construção do novo
paradigma educacional. Sustentando o modelo de or-
ganização e classificação de estudantes, estabelece-se
o antagonismo entre o discurso inovador de inclusão
e o conservadorismo das ações que não possibilitam
na escola comum a ressignificação e mantém a escola
especial como espaço de acolhimento daqueles estu-
dantes considerados inaptos para alcançar os objeti-
vos educacionais estabelecidos. Ação que fragiliza as
práticas, que produzem mudanças e são capazes de

16
propor alternativas e estratégias de formação e esta-
belecimento de recursos nas escolas que respondam
afirmativamente às demandas dos sistemas de ensino.
As práticas tradicionais que reproduzem a segregação
em razão da deficiência e do suposto despreparo da
escola comum, historicamente privadas de investi-
mentos necessários ao atendimento das especificida-
des educacionais desse grupo, continuam.
Numa prática, na óptica do paradigma da inclu-
são, todos podem estar favorecidos quando: as escolas
promovem respostas pedagógicas às diferenças indi-
viduais de estudantes, pois a mesma é impulsionada
aos projetos de mudanças, e, para a gestão, nas políti-
cas públicas implantadas. Para ser gerada é necessário
ações, movimentos que busquem repensar o espaço
escolar e da identificação das diferentes formas de ex-
clusão, geracional, territorial, étnico racial e de gênero.
Nessa fase, as diretrizes educacionais brasileiras
endossam o caráter substitutivo da Educação Especial,
embora expressem a necessidade de atendimento às
especificidades apresentadas pelo estudante na escola
comum. Tanto a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (1996) quanto a Resolução 02 do Conselho
Nacional de Educação (2001) denotam ambiguidade
quanto à organização da Educação Especial e da es-
cola comum no contexto inclusivo. Ao mesmo tempo
em que orientam a matrícula de estudantes, público
alvo da Educação Especial nas escolas comuns da rede
regular de ensino, mantém a prática do atendimento
educacional especializado substitutivo à escolarização.
No início do século XXI, esta realidade levanta
mobilização mais ampla em torno do questionamento

17
à estrutura segregativa que aparece nos sistemas de
ensino, que mantém um alto índice de pessoas com
deficiência em idade escolar fora da escola e a matrí-
cula de estudantes público alvo da Educação Especial,
majoritariamente, em escolas e classes especiais.
Numa dimensão histórica, a proposta de um
sistema educacional inclusivo, impõe um processo de
reflexão e prática, que possibilita efetivar mudanças
conceituais, político e pedagógicas, coerentes com o
propósito de tornar efetivo o direito de todos à edu-
cação, preconizado pela Constituição Federal de 1988.
A Convenção sobre os direitos das pessoas com
deficiência outorgada pela ONU em 2006 é ratificada
pelo Brasil como emenda constitucional, por meio do
decreto Legislativo 186/2008 e pelo Decreto Executi-
vo 6949/2009. Este documento sistematiza estudos e
debates mundiais realizados ao longo da última década
do séc. XX e nos primeiros anos deste século, criando
um quadro favorável à definição de políticas públicas
fundamentadas no paradigma da inclusão social.
Esse acordo internacional altera o conceito de
deficiência que, até então, denotava o paradigma in-
tegracionista, que era protegido pelo modelo clínico
de deficiência, em que a condição física, sensorial ou
intelectual da pessoa se caracterizava como obstáculo
a sua integração social, cabendo à pessoa com defici-
ência, se adaptar às condições existentes na sociedade.
De acordo com a Convenção sobre os Direitos
das Pessoas com Deficiência “Pessoas com deficiên-
cia são aquelas que têm impedimentos de longo pra-
zo de natureza física, mental intelectual ou sensorial,
os quais, em interação com diversas barreiras, podem

18
obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade
em igualdade de condições com as demais pessoas”.
(ONU Art. 1)
No paradigma da inclusão, à sociedade cabe
dar as condições de acessibilidade necessárias a fim
de promover às pessoas com deficiência uma forma
independente de participação plena de todos os as-
pectos da vida. Nesse contexto, a educação inclusiva
torna-se um direito inquestionável e incondicional. O
artigo 24 fala sobre o direito da pessoa com deficiên-
cia à educação, ao afirmar que:

[..]” para efetivar esse direito sem discriminação e


com base na igualdade de oportunidades, os estados
partes assegurarão sistema educacional inclusivo em
todos os níveis, bem como o aprendizado ao longo
de toda a vida[..].”
(ONU,2006).

A construção de novos limites legais, políticos


e pedagógicos da Educação Especial, promovem as
mudanças nos processos de elaboração e desenvolvi-
mento de propostas pedagógicas que possibilitam ga-
rantir as condições de acesso e participação de todos
os estudantes no ensino regular. É meta a transfor-
maçãodossistemaseducacionaisemsistemaseducacionais
inclusivos, a partir de 2003. Estratégias como: o Pro-
grama Educação Inclusiva: direito à diversidade, que
desenvolve o amplo processo de formação de gesto-
res e de educadores, por meio de parceria entre o Mi-
nistério da Educação, os estados, os municípios e o

19
Distrito Federal dão início à construção de uma nova
política de Educação Especial que enfrenta o desafio
de se constituir uma modalidade transversal desde a
educação infantil à educação superior. Desta forma
são repensadas as práticas educacionais concebidas a
partir de um padrão de estudante, de professor, de
currículo e de gestão, rediscutindo a compreensão
acerca das condições de infra-estrutura escolar e dos
recursos pedagógicos fundamentados na concepção
de desenho universal.

20

Você também pode gostar