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Universidade Federal de São João del-Rei

Campus Alto Paraopeba

LEIS EXPERIMENTAIS DOS GASES

Relatório apresentado como parte das


exigências da disciplina de Físico-Química
Experimental sob responsabilidade do
Professor Dane Tadeu Cestarolli.

Fernanda Fagundes Braga – Subturma A


Iury Martins Pedrosa – Subturma A
Júlia Carolina Dias Gomes Otoni – Subturma A

Ouro Branco - MG
Maio/2021
1. INTRODUÇÃO
Um gás pode ser definido como uma forma de matéria que preenche o
recipiente que ela ocupa, qualquer que seja ela. (ATKINS; PAULA, 2018)
Antes de apresentar as leis experimentais dos gases e suas variáveis, é
importante que se saiba alguns conceitos. O primeiro conceito a ser abordado é o de
sistema. Pode-se chamar de sistema, a parte do universo a qual se deseja analisar.
Todo o resto do universo que não compõe o sistema é chamado de vizinhança.
Dessa forma, há três classificações de sistema. O sistema aberto é aquele que
permite troca de massa e energia com a vizinhança; o sistema fechado, permite
apenas troca de energia; e o sistema isolado impossibilita qualquer tipo de troca com
a vizinhança. (CHANG, 2008)
Agora, sabendo a definição de sistema, pode-se conhecer as variáveis que
caracterizam o estado do sistema.
O estado físico, ou estado do sistema, pode ser descrito através de
propriedades físicas. As variáveis do sistema são a pressão, temperatura, volume e
número de mols. A seguir, será abordado sobre cada uma delas.

1.1 PRESSÃO
A pressão é resultado das inúmeras colisões das moléculas do sistema.
Essas colisões, em grande quantidade, exercem uma força efetivamente constante
que se manifesta como pressão (ATKINS; PAULA, 2018). Dessa forma, a pressão
pode ser calculada pela razão entre a força e a área e sua unidade no SI é o pascal
(1 Pa = 1 N.m-2).
Em um sistema contendo dois gases separados por um pistão, o gás de maior
pressão tenderá a comprimir o gás de menor pressão, reduzindo seu volume. Com
isso, a pressão do gás de maior pressão irá reduzir à medida que ele se expande, e
a pressão do gás de menor pressão irá aumentar à medida que ele é comprimido.
Os dois gases atingirão um estado em que suas pressões são iguais e o pistão não
tem tendência a se mover. Essa igualdade é chamada de equilíbrio mecânico e isso
prova que pressão é um parâmetro para indicar se um gás está em equilíbrio
mecânico com outro, quando separados por um pistão ou parede móvel. (ATKINS;
PAULA, 2018)

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O equilíbrio mecânico é o fenômeno que ocorre em um barômetro para medir
a pressão da atmosfera. Quando a coluna de mercúrio está em equilíbrio mecânico
com a atmosfera, a pressão na base de sua coluna é proporcional à pressão
exercida pela atmosfera e, portanto, a altura da coluna de mercúrio é proporcional à
pressão externa. (ATKINS; PAULA, 2018)

1.2 TEMPERATURA
A temperatura é uma propriedade que determina a direção em que a energia
irá fluir de uma amostra para outra na forma de calor, quando colocadas em contato
por meio de paredes termicamente condutoras. A energia irá fluir da amostra de
maior temperatura para a amostra de menor temperatura. (ATKINS; PAULA, 2018)
Para que um sistema esteja em equilíbrio térmico, a sua temperatura deve ser
constante. O gráfico que representa a variação de pressão e volume à temperatura
constante apresenta uma curva isoterma ou isotérmica. (CHANG, 2008)
A temperatura, convencionalmente, é representada pela letra T e sua unidade
no S.I é em Kelvin.

1.3 VOLUME
O volume, que pode ser representado pela letra V, é a propriedade que
representa a quantidade de espaço que uma amostra ocupa. Sua unidade no S.I é
metro cúbico (m3). (ATKINS; PAULA, 2018)

1.4 NÚMERO DE MOLS


O número de mols, ou quantidade de substância, é representado pela letra n
e é uma propriedade que mede o número de espécies presentes. Sua unidade no S.I
é o mol. (ATKINS; PAULA, 2018)

Algumas leis dos gases foram conhecidas de formas experimentais e auxiliam


a entender os comportamentos das variáveis PVT de um gás:

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1.5 LEI DE BOYLE
Essa lei, descoberta pelo químico inglês Robert Boyle, constata que o volume
(V) de uma determinada quantidade de gás, à temperatura constante, é
inversamente proporcional à pressão (P). (CHANG,2018)
Dessa forma: P.V = constante.
O gráfico de P em função de V, à temperatura constante, é um hipérbole e
representa a curva isotérmica. (ATKINS; PAULA, 2018)

Figura 1: A dependência entre a pressão e o volume de uma quantidade de gás perfeito, em


diferentes temperaturas. Cada curva é uma hipérbole (pV=constante) e é chamada de isoterma ou
isotérmica.

Fonte: ATKINS; PAULA, 2018, p.32

Tomando os valores de P1 e V1 para valores do estado inicial e P2 e V2 para


valores do estado final, temos:

P1V1=P2V2 (Equação 1)

onde n e T são constantes. (CHANG, 2008)

1.6 LEI DE CHARLES E DE GAY-LUSSAC


Estudando sobre o efeito da temperatura sobre o volume de um gás, Charles
e Gay-Lussac observaram que, à pressão constante, o volume de um gás se
expande quando é aquecido e retrai quando é resfriado. (CHANG, 2008)
Em outras palavras, o volume de um gás, à pressão constante, é
inversamente proporcional à temperatura: V/T = constante.

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Outra forma da Lei de Charles, relaciona a pressão de um gás à sua
temperatura, a um volume constante: P/T = constante. (CHANG, 2008)
Analogamente ao que fizemos para a lei de Boyle, podemos relacionar os
estados iniciais e finais de um gás e aplicar na Lei de Charles e de Gay-Lussac:
𝑽𝟏 𝑽𝟐
= (Equação 2)
𝑻𝟏 𝑻𝟐

𝑷𝟏 𝑷𝟐
= (Equação 3)
𝑻𝟏 𝑻𝟐

A variação linear do volume com a temperatura, à pressão constante, é um


exemplo de retas isóbaras ou isobáricas. (ATKINS; PAULA, 2018)

Figura 2: Variação do volume de uma quantidade constante de gás com a temperatura, à pressão
constante. Observe que, em cada caso, as isóbaras extrapoladas para volume nulo se encontram em
T=0 OU 𝜃 = −273,15°𝐶.

Fonte: ATKINS; PAULA, 2018, p.33

A variação linear da pressão com a temperatura, a volume constante, é um


exemplo de retas isócoras ou isocóricas.

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Figura 3: A pressão também varia linearmente com a temperatura, a volume constante, e as retas
extrapoladas para zero encontram-se em T=0.

Fonte: ATKINS; PAULA, 2018, p.33

1.7 LEI DE AVOGADRO


Essa lei dos gases, formulada por Amedeo Avogadro, afirma que volumes
iguais de gases, à temperatura e pressão constantes, têm o mesmo número de
mols, ou seja:
𝑣
= 𝑐𝑜𝑛𝑠𝑡𝑎𝑛𝑡𝑒 (Equação 4)
𝑛

1.8 LEI DO GÁS PERFEITO


A lei do gás perfeito, ou equação dos gases ideais, é uma equação de estado
que relaciona, matematicamente, as propriedades de um sistema. (ATKINS; PAULA,
2018)
Como visto nas leis anteriores, o volume de um gás depende da temperatura,
pressão e número de mols. Dessa forma, V deve ser um produto desses três termos:
PV = nRT (Equação 5)
onde R é uma constante de proporcionalidade, conhecida com a constante
dos gases. (CHANG, 2008)

2. RESULTADOS DA DISCUSSÃO
Este relatório tem como finalidade apresentar os resultados obtidos em
diversos experimentos que abordavam as leis experimentais dos gases e as
relações entre os parâmetros dos gases.

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2.1 EXPERIMENTO 1
Iniciamos com o experimento que teve como instrumentos utilizados, um
borrifador com álcool, um papel toalha, um secador de cabelo, um balão volumétrico
com uma rolha de borracha, uma seringa transpassada e uma torneira instalada na
saída lateral.
Neste experimento, observou-se que quando aberta a torneira lateral, o ar
dentro do balão volumétrico sai, tendo em vista a pressão exercida pelo êmbolo
sobre o gás. Em seguida, o balão foi aquecido com o calor do atrito entre as mãos e,
posteriormente, pelo secador de cabelo. Em ambos notou-se uma elevação do
êmbolo. Por fim, foi adicionado álcool na superfície do vidro, fazendo o êmbolo
descer.
O experimento descrito acima representa uma transformação isobárica e
podemos descrever brevemente seu fenômeno em dois momentos. No primeiro
momento o êmbolo sobe devido ao aumento da agitação das partículas, em virtude
do aquecimento do balão volumétrico e assim, consequentemente, ao aquecimento
do gás. Esse momento resultou em expansão volumétrica. E no segundo momento o
êmbolo desce por causa da adição de álcool na superfície do balão. Isso ocorre
porque o álcool retira calor da superfície e, consequentemente, resfria o gás interno,
realizando a compressão volumétrica.
De uma forma teórica estes fenômenos podem ser comprovados através da
equação ideal dos gases:

PV = nRT (Equação 5)

Tem-se como consideração que a pressão é constante, assim como, o


número de mols e a constante universal dos gases (R).
Assim tem-se que:
V1 V2
= (Equação 2)
T1 T2

Conclui-se com o primeiro experimento que as pressões se mantiveram


constantes, enquanto o volume e as temperaturas se alteraram. Assim, como
podemos ver na Figura 2.

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2.2 EXPERIMENTO 2
No segundo experimento foram utilizados como instrumentos um manômetro
de tubo, instrumento que utiliza o princípio da pressão hidrostática para identificação
de variação de pressão, e um balão volumétrico possuindo as mesmas
características do balão volumétrico usado no primeiro experimento. O manômetro
era composto por um tubo que possui abertura nas duas extremidades. Uma dessas
extremidades foi conectada na torneira do balão volumétrico, mas, como inicialmente
em ambas as extremidades o gás estava sob pressão atmosférica, não foi possível
observar variação de pressão no manômetro (figura 4). Após isso, o êmbolo do
balão volumétrico foi colocado de forma quase estática, permitindo considerar que
não houve variação de temperatura. Entretanto, à medida que o êmbolo ia sendo
colocado no balão, foi possível observar no manômetro um aumento da pressão do
gás interno (figura 5).

Figura 4: Manômetro em estado inicial, pressão igual nas duas extremidades.

Fonte: Vídeo da USP, disponibilizado pelo professor. Link: <(12) Tema 07 - Teoria Cinética dos
Gases | Experimento - Transformação isotérmica - YouTube>

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Figura 5: Manômetro indicando por diferença de altura a variação de pressão nas suas extremidades.

Fonte: Vídeo da USP, disponibilizado pelo professor. Link: <(12) Tema 07 - Teoria Cinética dos
Gases | Experimento - Transformação isotérmica - YouTube>

Este experimento nos permitiu ver, de modo prático, o que acontece em um


processo isotérmico. Sendo este experimento um sistema sem variação de
temperatura, ao colocar o êmbolo no balão volumétrico, ocorre uma diminuição no
volume e, por consequência, um aumento da pressão.
De modo teórico, o que aconteceu nesse processo é explicado pela equação
geral dos gases (Equação 5), pela qual a temperatura constante (isotérmica),
podemos relacionar a pressão e o volume por:

P1V1=P2V2 (Equação 1)

Através da equação 1, assim como foi visto no experimento e pode ser


observado no gráfico da figura 1, é possível concluir que, em um processo
isotérmico, a variação da pressão é inversamente proporcional à variação do
volume.

2.3 EXPERIMENTO 3
O terceiro experimento utiliza uma garrafa plástica com um líquido vermelho e
um canudo fixado no centro da tampa do objeto. A garrafa foi colocada em um
recipiente que, em seguida, recebeu uma quantidade de água quente.
Quando a garrafa entrou em contato com a água quente foi observado que o
líquido vermelho, que estava dentro da garrafa, subiu pelo canudo e vazou pela sua

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extremidade. Esse acontecimento anterior representa uma transformação
isovolumétrica, onde o volume dentro da garrafa se manteve constante, contudo a
temperatura e a pressão se alteraram.
E de uma forma teórica estes fenômenos podem ser comprovados através da
equação ideal dos gases:

𝑃𝑉 = 𝑛𝑅𝑇 (Equação 5)

Tem-se como consideração que o volume é constante, assim como o número


de mols e a constante universal dos gases (R).
Tendo então:

𝑃1 𝑃2
= (Equação 3)
𝑇1 𝑇2

2.4 EXPERIMENTO 4
O quarto experimento nos permitiu realizar, assim como no experimento 1,
uma análise prática de um processo isobárico. Para o experimento foram utilizados
dois potes plásticos, um com água quente e outro com água fria. Além disso, foi
utilizada uma garrafa pet com uma bexiga presa em sua boca. O experimento foi
constituído de duas etapas.
Em um primeiro momento a garrafa com a bexiga foi mergulhada em água
quente, ocasionando um enchimento da bexiga e, possibilitando assim observar, a
expansão do gás com o aumento da temperatura. Logo após, a mesma garrafa foi
inserida no pote em que a água fria se encontrava. Dessa vez ocorreu uma
compressão da bexiga, permitindo concluir que com a diminuição da temperatura
ocorre também uma redução do volume.
Nas duas etapas não ocorre variação de pressão, visto que a bexiga
possibilita diminuir e aumentar o volume do gás sem muito esforço.
Assim como nos demais experimentos, o que aconteceu pode ser explicado
pela equação geral gases (Equação 5). Como o sistema é isobárico, através dessa
equação é possível obter a relação entre volume e temperatura, sendo:

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𝑉1 𝑉2
= (Equação 2)
𝑇1 𝑇2

2.5 EXPERIMENTO 5
O quinto e último experimento, assim como o segundo, mostra um processo
isotérmico. Para essa demonstração foi utilizada apenas uma seringa com sua
respectiva tampa. Esse experimento foi o mais simples, constituído de apenas uma
etapa, onde o êmbolo da seringa foi pressionado de forma lenta (para que a variação
de temperatura pudesse ser considerada nula) até o ponto em que a compressão do
gás fosse tanta a ponto de aumentar a pressão de forma significativa, expelindo
assim a tampa da seringa e permitindo concluir que a pressão do gás no interior da
seringa se tornou maior que a do ambiente externo.
O resultado desse experimento nos permitiu visualizar de modo prático a
relação entre a pressão e o volume em um processo isotérmico (ao diminuir o
volume ocorre um aumento de pressão e vice-versa). De modo matemático essa
relação pode ser observada pela equação 1 abaixo, a qual é uma derivação da
equação geral dos gases (Equação 5).

P1V1=P2V2 (Equação 1)

3. CONCLUSÃO
Conclui-se que as transformações isotérmicas são fenômenos onde a
temperatura se mantém constante, enquanto o volume e a pressão variam. E de
forma análoga também temos as transformações isovolumétricas e isobáricas. A
primeira, refere-se às transformações em que podem ser observadas as variações
de pressão e temperatura, mantendo o volume constante; e a segunda
representando as alterações de volume e temperatura, à pressão constante.

4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ATKINS, Peter; PAULA, Julio de. Físico-Química. 10. ed. Rio de Janeiro: Ltc,
2018. 1 v.

CHANG, Raymond. Físico-Química: para as ciências químicas e biológicas.


3. ed. Porto Alegre: Amgh Editora Ltda, 2008. 1 v.
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