Você está na página 1de 182

MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM

Geografia

1º Ano
Disciplina: Climatogeografia
Código:
Total Horas/1o Semestre:
Créditos (SNATCA):
Número de Temas:

INSTITUTO SUPER

INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA- ISCED


ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Direitos de autor (copyright)


Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância
(ISCED), e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução
parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios
(electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de
entidade editora (Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED).

A não observância do acima estipulado infractor é passível a aplicação de processos


judiciais em vigor no País.

Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED)


Direcção Académica
Rua Dr. Almeida Lacerda, No212 Ponta - Gêa
Beira - Moçambique
Telefone: +258 23 323501
Cel: +258 823055839

Fax:23323501
E-mail:isced@isced.ac.mz
Website:www.isced.ac.mz

i
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Agradecimentos
O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente
manual agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na
elaboração deste manual:

Pela Coordenação Direção Académica do ISCED

Pelo design Direção de Qualidade e Avaliação do


ISCED

Financiamento e Logística Instituto Africano de Promoção da


Educação a Distancia (IAPED)

Pela Revisão

Elaborado Por:

ii
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Contends

Visão geral 1
Benvindo à Disciplina/Módulo de Climatogeografia ........................................................ 1
Objectivos do Módulo....................................................................................................... 1
Quem deveria estudar este módulo ................................................................................. 1
Como está estruturado este módulo ................................................................................ 2
Ícones de actividade ......................................................................................................... 3
Habilidades de estudo ...................................................................................................... 4
Precisa de apoio? .............................................................................................................. 6
Tarefas (avaliação e auto-avaliação) ................................................................................ 6
Avaliação ........................................................................................................................... 7

TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS. 9


UNIDADE Temática 1.1.Climatologia: Conceito, Objecto de Estudo e Métodos ............ 9
Sumario ........................................................................................................................... 19
Execicios de AUTO-AVALIACAO ...................................................................................... 19
Exercícios de AVALIAÇÃO................................................................................................ 20
Exercicios ........................................................................................................................ 20
TEMA – II: Características gerais da atmosfera terrestre ............................................... 21
UNIDADE Temática 2.1. Estrutura e Composição da Atmosfera .................................... 22
Resumo ........................................................................................................................... 33
Exercícios de AUTO-AVALIACAO ..................................................................................... 33
Exercícios de AVALIACAO................................................................................................ 33
Exercícios ........................................................................................................................ 34
TEMA – III: Radiacao Solar .............................................................................................. 36
Unidade Temática 3.1. Radiação Solar ........................................................................... 36
1.1.1. Mecanismos de transferência de calor ............................................... 40
1.1.2. Transferência de Energia no Seio da Atmosfera ................................. 42
1.1.3. Balanço Energético do Sistema Terra - Atmosfera .............................. 42

iii
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Sumario ........................................................................................................................... 48
Exercícios de AUTO-AVALIACAO ..................................................................................... 48
Exercícios de AVALIACAO................................................................................................ 48
UNIDADE Temática 3.2. Factores que influenciam a radiação solar .............................. 49
3.2.1. Latitude ................................................................................................ 50

iv
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Sumario ........................................................................................................................... 51
Exercícios de AUTO-AVALIACAO ..................................................................................... 51
Exercícios de AVALIACAO................................................................................................ 51
Exercícios ........................................................................................................................ 51
TEMA – III: Circulacao Geral da Atmosfera (CGA) .......................................................... 53
UNIDADE Temática 3.1.Distribuição dos ventos e da pressão a superfície ................... 53
Introdução........................................................................ Erro! Marcador não definido.
Sumario ........................................................................................................................... 65
Exercicios de Auto-avaliacao .......................................................................................... 65
Exercicios de Avaliacao ................................................................................................... 66
UNIDADE Temática 3.2. Massas de Ar ............................................................................ 68
Sumário ........................................................................................................................... 73
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 73
Exercícios de AVALIAÇÃO................................................................................................ 74
TEMA – IV: Elementos e Factores Climaticos ................................................................. 76
Introdução....................................................................................................................... 76
Sumário ........................................................................................................................... 82
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ..................................................................................... 82
Exercícios de AVALIAÇÃO................................................................................................ 82
Exercicios ........................................................................................................................ 83
UNIDADE Temática 4.2 . Humidade ................................................................................ 85
Sumario ........................................................................................................................... 88
Exercícios de AUTO- avaliação ........................................................................................ 88
Exercícios de Avaliação ................................................................................................... 88
Bibliografia ...................................................................................................................... 89
UNIDADE Temática 4.3. Pressão Atmosférica ................................................................ 90
Sumario ........................................................................................................................... 93
Exercicios de AUTO-avaliacao ......................................................................................... 93
Exercícios de Avaliação ................................................................................................... 94
Bilbiografia ..................................................................................................................... 95
UNIDADE Tematica 4.4 - Ventos .................................................................................... 96
Sumario ......................................................................................................................... 100
Exercicios de Auto-avaliacao ........................................................................................ 101

v
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercícios de Avaliação ................................................................................................. 101


Unidade Temática 4.5– Nebulosidade.......................................................................... 102
Sumário ......................................................................................................................... 109
Exercícios de Auto - avaliação....................................................................................... 109
Exercicios de Avaliacao ................................................................................................. 110
Unidade Temática 4.6 - Precipitação ............................................................................ 111
Sumário ......................................................................................................................... 119
Exercícios de Auto-avaliação ........................................................................................ 120
Exercícios ...................................................................................................................... 120
Exercícios ...................................................................................................................... 120
Bilbiografia ................................................................................................................... 121
TEMA IV – Factores do Clima ........................................................................................ 122
Sumário ......................................................................................................................... 130
UNIDADE Temática 5.2.Fenómenos Atmosféricos produtores do tempo ................... 131
Sumario ......................................................................................................................... 143
Exercícios de Auto – Avaliação ..................................................................................... 143
Exercícios de Avaliação ................................................................................................. 143
Exercicios ...................................................................................................................... 145
Bilbiografia ................................................................................................................... 145

TEMA VI : Classificação Climática 147


Unidade Tematica 6.1 – Sistemas Climáticos do Globo ............................................... 148
Sumario ......................................................................................................................... 157
Exercícios de Auto - Avaliação ...................................................................................... 157
Unidade Tematica 6.2 – Classificação Climática ........................................................... 158
Sumario ......................................................................................................................... 163
Exercicios de Auto-Avaliacao ........................................................................................ 163
Bilbiografia ................................................................................................................... 163
TEMA VII : Mudancas Climaticas .................................................................................. 165
Introdução..................................................................................................................... 165
UNIDADE Temática 7.1 Variacoes e Oscilacoes climaticas ........................................... 166
Sumario ......................................................................................................................... 168
Exercicios ...................................................................................................................... 169

vi
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Temática 7.2 Mudanças climáticas antropogênicas ..................................... 169


Sumário ......................................................................................................................... 172
Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ................................................................................... 173
Bilbiografia ................................................................................................................... 173
Exercicios...................................................................................................................... 174

vii
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Visão geral

Benvindo à Disciplina/Módulo de Climatogeografia

Objectivos do Módulo

Ao terminar o estudo deste módulo de Climatogeografia


deverá ser capaz de: Conhecer o âmbito de estudo da
climatologia, destacando seus objectivos, sua utilidade,
descrever os fenômenos meteorológicos e climáticos ao
longo da superfície do globo terrestre, sua distribuição e
causas desta distribuição e as causas de mudanças
climáticas.

 Definir Climatologia

 Caracterizar a atmosfera terrestre

 Conhecer os Elementos e Factores Climáticos


Objectivos
Específicos  Descrever a Circulação Geral da Atmosfera

 Descrever os sistemas meteorológicos que actuam na formação


do tempo

 Conhecer os tipos climáticos ao longo da superfície do globo

 Descrever as causas das mudanças climáticas

 Compreender a influencia do clima da vida do homem

Quem deveria estudar este módulo

Este Módulo foi concebido para estudantes do 1º ano do


curso de Geografia do ISCED e outra como Gestão de
Recursos Humanos, Administração, etc. Poderá ocorrer,

1
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e


consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão
bem vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas
poderá adquirir o manual.

Como está estruturado este módulo

Este módulo de Climatogeografia, para estudantes do 1º


ano do curso de licenciatura em Geografia, à semelhança
dos restantes do ISCED, está estruturado como se segue:
Páginas introdutórias
 Um índice completo.
 Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo,
resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para
melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção
com atenção antes de começar o seu estudo, como componente
de habilidades de estudos.

Conteúdo desta Disciplina / módulo


Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por
sua vez comporta certo número de unidades temáticas ou
simplesmente unidades. Cada unidade temática se
caracteriza por conter uma introdução, objectivos,
conteúdos.
No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são
incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação,
só depois é que aparecem os exercícios de avaliação.
Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas:
Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não
resolvidos e actividades práticas algumas incluído estudo de
caso.

2
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Outros recursos
A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando
em si, num cantinho, recóndito deste nosso vasto
Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu
processo de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos
didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar.
Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de
recursos mais material de estudos relacionado com o seu
curso como: Livros e/ou módulos,CD, CD-ROOM, DVD. Para
além deste material físico ou electrónico disponível na
biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para
alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos.

Auto - avaliação e Tarefas de avaliação


Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se
no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas
dos exercícios de auto-avaliação apresentam duas
características: primeiro apresentam exercícios resolvidos
com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas
respostas.
Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-
avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o
grau crescente de dificuldades do processo de
aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das tarefas de
avaliação será objecto dos trabalhos de campo a serem
entregues aos tutores/docentes para efeitos de correcção e
subsequentemente nota. Também constará do exame do
fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os
exercícios de avaliação é uma grande vantagem.
Comentários e sugestões
Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre
determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de
natureza diadáctico-Pedagógica, etc, sobre como deveriam
ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas
observações que, em gozo de confiança, classificamo-las de
úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado.

Ícones de actividade

Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones


nas margens das folhas. Estes icones servem para identificar

3
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem


indicar uma parcela específica de texto, uma nova
actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc.

Habilidades de estudo

O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a


aprender. Aprender aprende-se.
Durante a formação e desenvolvimento de competências,
para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores
resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no
estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com
estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber
como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas
sugestões com as quais esperamos que caro estudante possa
rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo
como se segue:
1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio
de leitura.
2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida).
3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e
assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR).
4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a
sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com
o padrão.
5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades
práticas ou as de estudo de caso se existirem.
IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-
tempo, respectivamente como, onde e quando...estudar
como foi referido no início deste item, antes de organizar os
seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de
estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em
casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de
manhã/de tarde/fins-de-semana/ao longo da semana?
Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio
barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em
cada hora, etc.
É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido
estudado durante um determinado período de tempo; Deve
estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só
ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior.

4
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que


puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a
melhor opção é juntar o útil ao agradável: Saber com
profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo.
Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente
por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma
hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de
descanso (chama-se descanso à mudança de actividades). Ou
seja, que durante o intervalo não se continuar a tratar dos
mesmos assuntos das actividades obrigatórias.
Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalho intelectual
obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o
rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula
um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em
pouco tempo, criando interferência entre os conhecimentos,
perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda
tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e
desespero, por se achar injustamente incapaz!
Não estude na última da hora; quando se trate de fazer
alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele
que estuda sistematicamente), não estudar apenas para
responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude
para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade
como futuro profissional, na área em que está a se formar.
Organize na sua agenda um horário onde define a que horas
e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao
tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar
produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao
estudo e a outras actividades.
É importante identificar as ideias principais de um texto,
pois será uma necessidade para o estudo das diversas
matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas
margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que
seja mais fácil identificar as partes que está a estudar e Pode
escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições,
datas, nomes, pode também utilizar a margem para colocar
comentários seus relacionados com o que está a ler; a
melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à
compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura;
Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo
significado não conhece ou não lhe é familiar;

5
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Precisa de apoio?

Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra


razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar
algumas dúvidas como falta de clareza, alguns erros de
concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza,
fraca visibilidade, páginas trocadas ou invertidas, etc).
Nestes casos, contacte os serviços de atendimento e apoio
ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone,
sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta
participando a preocupação.
Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes
(Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a
sua aprendizagem com qualidade e sucesso.Dai a relevância
da comunicação no Ensino a Distância (EAD), ondeo recurso
as TIC se torna incontornável: entre estudantes, estudante –
Tutor, estudante – CR, etc.
As sessões presenciais são um momento em que você caro
estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com
staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central
do ISCED indigetada para acompanhar as sua sessões
presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar
assuntos de natureza pedagógica e/ou administrativa.
O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de
30% do tempo de estudos a distância, é muita importância,
na medida em que permite lhe situar, em termos do grau de
aprendizagem com relação aos outros colegas. Desta
maneira ficara, a saber, se precisa de apoio ou precisa apoiar
aos colegas. Desenvolver hábito de debater assuntos
relacionados com os conteúdos programáticos, constantes
nos diferentes temas e unidade temática, no módulo.

Tarefas (avaliação e auto-avaliação)

O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios,


actividades e autoavaliação), contudo nem todas deverão
ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As
tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões
presenciais seguintes.
Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o
não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não
classificação do estudante. Tenha sempre presente que a
nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser
admitido ao exame final da disciplina/módulo.

6
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos


(CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente.
Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de
pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente
referenciados, respeitando os direitos do autor.
O plágio1é uma violação do direito intelectual do(s) autor
(es).Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do
testo de um autor, sem o citar é considerado plágio. A
honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos
autoriais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu
autor (estudante do ISCED).

Avaliação

Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à


distância, estando eles fisicamente separados e muito
distantes do docente/turor!? Nós dissemos: Sim é muito
possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e consistente.
Você será avaliado durante os estudos à distância que
contam com um mínimo de 90% do total de tempo que
precisa estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o
tempo de contacto presencial conta com um máximo de
10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante
consta detalhada do regulamentada de avaliação.
Os trabalhos de campo por si realizados, durante estudos e
aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota
de frequência para ir aos exames.
Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou
modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os
exames pesam no mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da
média de frequência, determinam a nota final com a qual o
estudante conclui a cadeira.
A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da
cadeira.
Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2
(dois) trabalhos e 1 (um) (exame).
Algumas actividades práticas, relatórios e reflexões serão
utilizados como ferramentas de avaliação formativa.

1
Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária,
propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização.

7
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter


em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau
de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as
recomendações, a identificação das referências
bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor,
entre outros.
Os objectivos e critérios de avaliação constam do
Regulamento de Avaliação.

8
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA – I: CONSIDERAÇÕES GERAIS.

UNIDADE Temática 1.1.Climatologia: Conceito, objecto de Estudo e


Métodos

UNIDADE Temática 1.1.Climatologia: Conceito, Objecto de Estudo e Métodos

Introdução
Uma das maiores preocupações do século XXI é a
disponibilidade de água e alimentos para o consumo humano, a
geração de energia e a preservação do meio ambiente. Por este
motivo o estudo dos climas e a previsão meteorológica têm
grande importância chegando a ter valor estratégico para a
humanidade. A Meteorologia, ciência que estuda os fenômenos
atmosféricos, vem cada vez mais fazendo parte do dia-a-dia das
pessoas.
A climatologia é um ramo das Ciências naturais que é estudado
tanto pela geografia, quanto pela meteorologia. A meteorologia
(do grego meteoros, que significa elevado no ar, e logos, que
significa estudo) é a ciência que estuda a atmosfera terrestre.
Seus aspectos mais tradicionais e conhecidos são a previsão do
tempo e a climatologia. Esses estudos são importantes para a
planificação das actividades antropogênicas.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:


 Conhecer: as diferenças entre climatologia e meteorologia e entre
tempo e clima

 Conhecer: o objecto e os métodos da estudo da Climatologia

 Conhecer: os instrumentos meteorológicos

 Conhecer: as divisões da climatologia

 Conhecer: A evolução da ciênciaclimatológica

 Explicar:a importância do conhecimento do clima para a vida do


homem

9
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

 Saber:como são feitas as observações meteorológicas

 Conhecer: a composição da rede mundial de vigilância do tempo

1.1.1 Conceito de Climatologia


A climatologia é um ramo importante da Geografia e parte
integrante da Meteorologia, embora seja abordada de maneira
diversa por essas duas ciências. A base de dados meteorológicos
é a mesma, entretanto a Climatologia Geográfica analisa o
comportamento da atmosfera e suas repercussões na
caracterização das paisagens e organização espacial da
superfície da Terra, enquanto a Climatologia, enquanto ramo da
Meteorologia, busca a compreensão, principalmente da física,
dos fenômenos atmosféricos e sua dinâmica.
Os estudos climatológicos aplicam-se a um período de tempo
longo. Por sua vez, à meteorologia compete o estudo dos
fenómenos físicos da atmosfera, a que se convencionou chamar
de tempo, que se manifestam num lugar preciso e num período
de tempo relativamente curto.
A metodologia desenvolvida pela meteorologia permite
actualmente a realização de previsões fiáveis do estado do
tempo a curto prazo, fundamentais para a organização de
inúmeras actividades humanas.
O estudo dos fenômenos atmosféricos é realizado pela
Metereologia e pela climatologia. A Climatologia nasce baseada
nos estudos da Meteorologia, que estuda a atmosfera e seus
fenômenos preocupando-se com o registo e a medição destes
fenômenos cuja finalidade seria determinar as condições físicas
sob as quais foram produzidos.

1.1.2. Conceitos de tempo e clima


As definições do conceito clima têm evoluído juntamente com a
Climatologia, durante o século XX.
A Organização Mundial de Meteorologia (OMM) (1972) define
Clima como “o conjunto flutuante das condições atmosféricas,
caracterizado pelos estados e evoluções do tempo numa dada
área”. (Retallack 1976; Pag. 1).
Entre as definições mais tradicionais destacam-se as concebidas
por Julius Hann que define clima como "um conjunto de
fenômenos meteorológicos que caracterizam o estado médio da
atmosfera em um ponto da superfície terrestre; Wilhelm
Köppen, que considera clima como "o estado médio e a
evolução habitual do tempo de um

10
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

determinado lugar e Max. Sorre, que entende que clima é "a


série de estados da atmosfera acima de um lugar da Terra, em
sua sucessão habitual" (Maitelli s/d, Publicações UFTM, Brasil).
É uma abordagem que evidencia a influência do clima sobre a
superfície terrestre e dos factores geográficos sobre o clima sem
levar em consideração que ambos podem ser modificados tanto
por forças da natureza como pelas ações humanas. São
definições que ressaltam mais condições estáticas do que
dinâmicas do clima onde dados são mais importantes do que os
processos que os originam.
Quando falamos de Clima de uma determinada região referimo-
nos ao conjunto de condições meteorológicas, característico
desse local e que pode sofrer certas modificações. Às condições
meteorológicas ou atmosféricas que são o estado de expressão
de um conjunto de elementos meteorológicos num dado
período ou local e que variam constantemente dá-se o nome de
tempo meteorológico ou atmosférico. Por exemplo, as
condições meteorológicas da cidade da Beira variam ao longo
do dia e de um dia para o outro. O céu pode estar nublado de
manhã e apresentar-se limpo a tarde. Pode estar frio hoje e
quente amanha. É por isso que as estações televisivas e outra
mídia dão informações sobre a previsão do tempo de dia para
dia
Em resumo, o clima e o tempo atmosférico são duas formas
complementares de descrever o ambiente atmosférico,
utilizando essencialmente os mesmos elementos (pressão
atmosférica, temperatura, humidade, precipitação, radiação,
etc.), mas fazendo referência a diferentes escalas de tempo.
1.1.3. Divisões da Climatologia
A duração e o período de dados utilizados nos estudos de Tempo
e Clima dependem dos objetivos e da escala climática que se
pretende adotar, ou seja, as observações podem ser de séculos
quando relacionadas as eras geológicas, de várias décadas para
fazer caracterização climática, ou de períodos de menor duração
como meses, semanas ou horas, para analisar interações mais
específicas entre superfície e atmosfera.
Estes estudos atendem as escalas climáticas, ou seja,
macroclima, mesoclima, clima local e de microclima.
Na escala macroclimática destacam-se as interações em nível
global, capazes de modificar o clima da Terra. Trata-se da
circulação geral da atmosfera e do funcionamento das massas
de ar no planeta podendo abranger áreas da terra com mais de
10 000 km de largura (ex: el ninõ e la ninã); na escala
mesoclimática destacam-se as interações que ocorrem em áreas
menores, entre 100 e 500 km de
11
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

largura (ex: clima regional); na escala de clima local destacam-


se as interações que ocorrem em áreas pequenas, entre 10 e
100 km de extensão horizontal (ex: clima urbano, tornados,
temporais etc) e na escala microclimática destacam-se as
interações que ocorrem em áreas muito pequenas, de 100
metros até 1 km de extensão horizontal e poucos metros acima
da superfície considerada.
Os estudos climáticos nas várias escalas permitem avaliar as
mudanças climáticas ocasionadas pelos diversos processos que
regulam o clima no planeta.
O campo da climatologia é bastante amplo e pode ter
subdivisões, com base nos tópicos enfatizados ou na escala de
fenômenos atmosféricos que são ressaltados. Assim podemos
ter, além de outras, as seguintes subdivisões:
Climatologia regional – refere-se a estudos climáticos em áreas
selecionadas da terra.
Climatologia sinóptica – é o estudo do tempo e clima em uma
área com relação ao padrão de circulação atmosférica
predominante (abordagem de climatologia regional)
Climatologia física – trata da investigação do comportamento
dos atributos climáticos ou processos atmosféricos em termos
de princípios físicos da atmosfera com ênfase na energia global
e nos regimes de balanço hídrico da terra e das trocas desses
com a atmosfera.
Climatologia dinâmica – enfatiza os movimentos atmosféricos
em várias escalas, principalmente da circulação geral da
atmosfera
Climatologia aplicada – aplicação do conhecimento
climatológico na solução dos problemas práticos que afectam a
humanidade;
Climatologia histórica – é o estudo do desenvolvimento dos
climas através dos tempos.
Climatologia urbana- enfatiza as interações entre a superfície
urbana e a atmosfera.

1.1.4 Desenvolvimento da climatologia


O interesse do homem pelas condições de tempo e clima é
antigo. A compreensão dos fenômenos relacionados ao clima
era pouco abrangente até por volta do quinto século antes de
Cristo, quando os gregos começaram a fazer observações
meteorológicas, utilizando observações visuais. Entretanto a
ciência atmosférica teve uma evolução mais significativa o
período do Renascentismo.

12
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Em 1593, Galileu inventou o termômetro e em 1643 o princípio


do barômetro de mercúrio foi descoberto por Torricelli, um dos
discípulos de Galileu. Em 1832, foi inventado o telégrafo e os
dados de tempo puderam ser reunidos rapidamente a partir de
uma rede de postos meteorológicos localizados em vários
pontos da superfície terrestre. Atualmente as observações
climatológicas e a instrumentação utilizada permitem estudos
mais avançados de tempo e clima.

1.1.5 Os Métodos da Climatologia


Climatologia Tradicional - A climatologia tradicional está
fundamentada nas descrições dos padrões de distribuição
temporal e espacial dos elementos do clima.
O método de descrição é cartográfico, consistindo
principalmente de mapas de médias ou gráficas que mostram
variações diurnas e sazonais e diferenças espaciais nos valores
dos elementos climáticos, tais como a temperatura, a
precipitação, a pressão, a umidade, a velocidade e a direção dos
ventos, a quantidade de nuvens etc.
A classificação climática é também feita com base na
distribuição espacial e temporal dos elementos climáticos com
uma conotação mais da influência do clima sobre a superfície
terrestre do que sobre as interações que ocorrem entre
superfície e atmosfera capazes de modificar os climas da terra.
Essa abordagem essencialmente descritiva do estudo do tempo
e do clima apresenta várias deficiências e tem propiciado o
surgimento de concepções errôneas sobre a maneira pela qual
funcionam os processos atmosféricos. Entre as deficiências
discutidas por Atkinson (1972) destacam-se: a climatologia
tradicional é descritiva com mapas de médias dos elementos
sem dar ideia sobre os processos que originam sua distribuição;
a abordagem tradicional no estudo do tempo e do clima tende
a dar a impressão de uma atmosfera estática, enquanto a
atmosfera é dinâmica e está em constante turbulência.
As características atmosféricas em um dado lugar podem mudar
nas escalas de tempo, variando desde os microssegundos até
centenas de anos; a utilização de períodos de 30-35 anos para
cálculos de valores médios dos elementos climáticos, sob a
perspectiva da climatologia tradicional, não leva em conta as
mudanças contínuas que ocorrem dentro da atmosfera; o
método tradicional do estudo do tempo e do clima tende a
negligenciar as interações, isto é, os mecanismos de feedback
que operam na atmosfera sem considerar que os processos
interagem e se afectam mutuamente e frequentemente os
efeitos retomam reagindo para provocar mudanças ou

13
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

modificações em suas causas. Tais mecanismos de feedback são


vitais na luta constante da atmosfera para amenizar a ação dos
eventos extremos e para alcançar um estado de equilíbrio.
Os métodos da climatologia tradicional relacionam-se com a
classificação climática.
As linhas traçadas nos mapas climáticos dão a impressão
errônea de mudanças abruptas do clima em tais linhas
demarcatórias; naturalmente, isso não ocorre. O que existe é
uma alteração gradativa das características a partir de um tipo
climático para outro. Da mesma forma, os climas das áreas assim
definidos são frequentemente considerados como entidades
climáticas separadas e explicadas como tais, usualmente com
referência apenas aos fenômenos de superfície. Essa
abordagem é errada na medida em que ela ignora o fato de que
o clima tem uma terceira dimensão (na vertical), e que as
características atmosféricas em determinado local somente
podem ser explicadas de maneira significativa quando
consideradas no contexto das atividades da atmosfera como um
todo.

1.1.6 Climatologia Moderna


A climatologia moderna procura eliminar as deficiências
descritas para a climatologia tradicional. A ênfase atualmente
incide na explicação dos fenômenos atmosféricos, além de
descrevê-los.
A atmosfera é dinâmica e é necessário compreender os
processos e interações que ocorrem na atmosfera e na interação
atmosfera - superfície da Terra.
O aparecimento da moderna climatologia pode estar ligado a
factores, como aos desafios colocados pelas necessidades da
sociedade e pela melhoria na coleta e análise dos dados. A
climatologia tradicional é de pouca utilidade prática para o
homem.
O homem moderno é afectado pelo tempo e pelo clima, da
mesma forma que seus antepassados. Mas, ao contrário dos
antigos, o homem moderno almeja controlo as condições
meteorológicas. Para essa finalidade, o homem necessita
capacitar-se a entender os fenômenos atmosféricos de modo
que possa prevê-los, modificá-los ou controlá-los quando
possível. Daí a necessidade de enfatizar a explicação dos
processos atmosféricos, que é a base da moderna meteorologia.
Para predizer ou prever o tempo temos que entender as ações
da atmosfera. No principio, os desafios colocados aos
meteorologistas e climatologistas estavam situados
principalmente na agricultura (na
14
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

escolha de culturas apropriadas para o tipo de clima,


conhecimento da época das sementeiras e das colheitas, do tipo
de pragas, etc) e na navegação (aérea e marítima). Os desafios
também surgem com a necessidade de proteger o homem e sua
propriedade contra os efeitos dos eventos climáticos extremos.
Actualmente reconhece-se o valor do conhecimento do tempo
em todas as esferas da vida humana: saúde, desporto, turismo,
indústria, cozinha etc.

1.1.7 Observações Meteorológicas


Os dados meteorológicos podem ser obtidos mediante leituras
ou registos contínuos, que podem ser obtidos por instrumentos.
A reunião desses instrumentos em um mesmo local,
tecnicamente escolhido e preparado é denominada estação
meteorológica. E o conjunto dessas estações distribuídas por
uma região, é denominado rede de estações meteorológicas.
Estas podem ser:
Estação Meteorológica de Superfície (EMS)
A observação da superfície consiste de procedimentos
sistemáticos e padronizados, visando à obtenção de
informações qualitativas e quantitativas referentes aos
parâmetros meteorológicos, capazes de caracterizar
plenamente o estado instantâneo da atmosfera. A padronização
foi determinada pela OMM, incluindo tipos de equipamentos
usados, técnicas de calibração, aferição, ajuste, manuseio e
procedimentos observacionais. Além disso, os horários das
observações, o tratamento dos dados observados, as correções
efetuadas indiretas de outros parâmetros derivados, a
transmissão e o uso operacional são igualmente realizados
segundo padrões rígidos.
Estação Meteorológica de Altitude (EMA)

As Estações Meteorológicas de Altitude têm por finalidade


coletar, através de Radiossodagem, dados de pressão,
temperatura, humidade, direção e velocidade do vento, nos
diversos níveis da atmosfera.

Estação de Radar Meteorológico (ERM)

As Estações de Radares Meteorológicos têm por finalidade fazer


vigilância constante na área de cobertura dos radares e divulgar
as informações obtidas por meio rápido e confiável aos Centros
Meteorológicos de Vigilância.
Além dos balões, na actualidade são igualmente utilizados para
observações, helicópteros e aeronaves, até foguetes e satélites.

15
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Houve aperfeiçoamento muito expressivo no tipo e na precisão


dos instrumentos meteorológicos criados para as estações
meteorológicas convencionais.
Um avanço espetacular para a observação do tempo foi o
desenvolvimento de satélites meteorológicos. Os satélites
fornecem uma cobertura objectiva, abrangendo grandes áreas
dos sistemas de tempo e tornam possível medidas da radiação
proveniente de uma posição situada fora da atmosfera
terrestre.
Os satélites meteorológicos desempenham três importantes
papéis: observam os sistemas terrestres e sua atmosfera;
funcionam como plataformas para a recolha de dados; servem
de elos de comunicação entre as estações terrestres muito
distanciadas, que necessitam permutar dados climáticos
diariamente. Os satélites meteorológicos actualmente
constituem importante recurso de informações climatológicas
para os cientistas da atmosfera, aperfeiçoando grandemente a
cobertura de dados da Terra, oferecendo informações (em
tempo real) sobre o tempo em áreas remotas, como os oceanos
e os desertos, assim como dos trópicos e das áreas polares, que
não são bem servidas por estações meteorológicas
convencionais.
Os dados colectados por instrumentos simples ganham
fundamental importância quando adicionados a outros dados,
obtidos por sistemas mais complexos como os radares, balões e
satélites meteorológicos.
As previsões meteorológicas actuais são feitas por
computadores de alta velocidade que analisam um enorme
volume de dados históricos e medições recentes, colectadas por
milhares de estações espalhadas por todo o mundo, além de
dados recebidos via satélites.

Ainda de acordo com a finalidade das observações, as Estações


Meteorológicas, podendo ser:

Estações sinópticas: são as que realizam observações em


horários padronizados internacionalmente, para fins de
previsão do tempo. O horário padrão usado é o Tempo Médio
de Greenwich – TMG. Sendo assim, todas as observações são
efetuadas ao mesmo tempo, independente da localização
geográfica da estação. Quando são reunidas em um mapa, todas
as observações efetuadas no mesmo TMG denominam-se Carta
Sinóptica, que constitui um “flash” do estado atmosférico para
toda a área coberta pelas estações.
Estações climatológicas: para fins climatológicos Medem os
elementos meteorológicos necessários aos estudos climáticos.

16
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

As instalações são padronizadas em níveis detalhados, a fim de


evitar influências anômalas nas medições.
Estações agrometeorológicas: fornecem informações
relacionadas aos elementos meteorológicos e às atividades
agrícolas.
Estações meteorológicas aeronáuticas: destinam-se à coleta de
informações necessárias à segurança de aeronaves. Instaladas
nos grandes aeroportos, fazem inúmeras observações diárias.

Estações especiais: todas as demais estações com qualidades


distintas.

1.1.8 Instrumentos Meteorológicos

Anemógrafo - Registra continuamente a direção (em graus) e a


velocidade instantânea do vento (em m/s), a distância total (em
km) percorrida pelo vento com relação ao instrumento e as
rajadas (em m/s).

Anemômetro - Mede a velocidade do vento (em m/s) e, em


alguns tipos, também a direção (em graus).

Barógrafo - Registra continuamente a pressão atmosférica em


milímetros de mercúrio (mm Hg) ou em milibares (mb).

Barômetro de Mercúrio - Mede a pressão atmosférica em


coluna de milímetros de mercúrio (mm Hg) e em hectopascal
(hPa).

Evaporímetro de Piche - Mede a evaporação - em mililitro (ml)


ou em milímetros de água evaporada - a partir de uma superfície
porosa, mantida permanentemente umedecida por água.

Heliógrafo - Regista a insolação ou a duração do brilho solar, em


horas e décimos.

Higrógrafo - Regista a humidade do ar, em valores relativos,


expressos em porcentagem (%).

Microbarógrafo - Regista continuamente a pressão atmosférica


- em milímetros de mercúrio (mm Hg) ou em hectopascal (hPa),
numa escala maior que a do Barógrafo, registrando as menores
variações de pressão, o que lhe confere maior precisão.

Piranógrafo - Regista continuamente as variações da


intensidade da radiação solar global, em cal.cm².mm.

17
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Piranômetro - Mede a radiação solar global ou difusa, em


cal.cm².mm.

Pluviógrafo - Regista a quantidade de precipitação pluvial


(chuva), em milímetros (mm).

Pluviômetro - Mede a quantidade de precipitação pluvial


(chuva), em milímetros (mm).

Psicrômetro - Mede a humidade relativa do ar - de modo


indireto - em porcentagem (%). Compõe-se de dois
termômetros idênticos, um denominado termômetro de bulbo
seco, e outro com o bulbo envolvido em gaze ou cadarço de
algodão mantido constantemente molhado, denominado
termômetro de bulbo húmido.

Tanque Evaporimétrico Classe A - Mede a evaporação - em


milímetros (mm) - numa superfície livre de água.

Termógrafo - Regista a temperatura do ar, em graus Celsius (°C).

Termohigrógrafo - Registra, simultaneamente, a temperatura


(°C) e a umidade relativa do ar (%).

Termômetros de Máxima e Mínima - Indicam as temperaturas


máxima e mínima do ar (°C), ocorridas no dia.

Termômetros de Solo - Indicam as temperaturas do solo, a


diversas profundidades, em graus Celsius (°C).

1.1.9 Sistema Mundial de Vigilância do Tempo


(WWW)
Em 1951 foi criada a Organização Meteorológica Mundial –
OMM (WMO), que tem sua sede em Genebra (Suíça) e tem
como finalidade coordenar e estimular o desenvolvimento da
Meteorologia no mundo. É um organismo da Organização das
Nações Unidas (ONU). Em 23 de Março de 1950, foi assinado o
convênio com a ONU e a referida data passou a ser comemorada
como o “Dia Meteorológico Mundial” a partir de 1961. A partir
do convênio com a ONU foi necessária a criação de um sistema
mundial muito eficaz de observação e controlo da atmosfera.
Trata-se da Vigilância Meteorológica Mundial (VMM), que tem
como finalidade três grandes articulações:

18
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

1. Um sistema Mundial de Observação – compreendendo


estações meteorológicas terrestres, marítimas, automáticas e
satélites meteorológicos.
2. Um sistema Mundial de Telecomunicações – compreendendo
um complexo de comunicações, destinado a veicular as
informações meteorológicas.
3. Um sistema Mundial de Processamento de Dados.

Sumario

Nesta Unidade temática 1.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente o seguinte:

1. Conceito de climatogeografia e climatologia e meteorologia,


tempo e clima
2. Objecto, objectivos e métodos da Climatologia
3. Evolução da Climatologia
4. Observações e Instrumentos de observação meteorológica
5. Rede mundial de observação do tempo

Execicios de AUTO-AVALIACAO
1. Defina a Climatogeografia
2. O que é Climatologia?
3. O que e a Meteorologia?
4. De 4 exemplos concretos de áreas de actividade do homem em
que e necessário ter conhecimentos sobre o clima.
5. O que e o tempo?
6. O que e o clima?
7. Como são feitas as Observações Meteorológicas?
8. O que são estações meteorológicas?
9. O que são observações sinópticas?
10. Quais são os componentes da rede mundial de vigilância do
tempo?
Respostas:
1. Rever página 10
2. Rever página 10
3. Rever página10
4. Rever página 14;
19
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

5. Rever página 10;


6. Rever página 10;
7. Rever da página 14
8. Rever página 14
9. Página 16
10. Página 17 (últimos parágrafos)

Exercícios de AVALIAÇÃO

Considere as frases abaixo:


1. Fará muito calor hoje na Beira. No Chimoio, as temperaturas
serão mais amenas.
2. As temperaturas em todo o mundo estão cada vez maiores e
vêm causando preocupações entre os cientistas.
3. Costuma chover muito em Lichinga nesta época do ano, é
melhor estarmos preparados!
4. Li no jornal que esta semana será de muita chuva no Maputo.
Com base nas afirmações acima, é possível afirmar que:
a) Todas fazem referência ao clima
b) 1, 2 e 3 fazem referência ao clima e 4 faz referência ao tempo.
c) 2 e 3 fazem referência ao clima e 1 e 4 fazem referência ao
tempo.
d) 2 faz referência ao clima e 1, 3 e 4 fazem referência ao tempo.

Exercicios
1. O clima e o tempo atmosférico são duas formas
complementares de descrever o ambiente atmosférico,
utilizando os mesmos elementos. Comente esta afirmação.

20
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA – II: Características gerais da


atmosfera terrestre
O tempo que conhecemos forma-se na atmosfera também
conhecida como o oceano de ar que envolve o planeta e o
acompanha nos seus movimentos (de translação e de rotação).
As condições atmosféricas estão em mudança constante e o
clima é o resultado de um padrão de variações contínuas.
Portanto, para se prosseguir com o estudo do clima torna-se
necessário entender o funcionamento da atmosfera, que é
descrita como uma camada relativamente fina de gases e
material particulado (aerossóis) que envolve a Terra. Esta
camada é essencial para a vida e o funcionamento ordenado dos
processos físicos e biológicos sobre a Terra. A atmosfera protege
os organismos da exposição a níveis arriscados de radiação
ultravioleta, contém os gases necessários para os processos
vitais de respiração celular e fotossíntese e fornece a água
necessária para a vida.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: a origem e formação da atmosfera


 Descrever: a estrutura e composição da atmosfera terrestre
 Explicar: a importância da atmosfera na formação dos fenômenos
meteorológicos e climáticos
 Demonstrar: a importância da atmosfera para a vida na superfície do
globo terrestre

21
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Temática 2.1. Estrutura e Composição da


Atmosfera

A atmosfera não e uniforme na sua composição e por isso sujeita a uma


estratificação em altitude. Sua estrutura sofre igualmente uma
influencia da latitude.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
Específicos
Descrever: a composição e estrutura da atmosfera
Conhecer: a origem e formação da atmosfera terrestre
Conhecer: a importância da atmosfera

2.1.1. O que é a atmosfera terrestre?


A atmosfera, palco dos eventos meteorológicos pode ser
definida como uma camada fina de gases, sem cheiro, sem cor e
sem gosto, que envolve e acompanha a Terra em todos os seus
movimentos. Ela é composta de gases que se encontram junto à
superfície terrestre, tornando-se rarefeitos e desaparecendo
com a altitude. A atmosfera alcança uma altura (espessura) de
cerca de 800 a 1.000 km, ligando-se à Terra pela Força da
Gravidade. Caracteriza-se ainda por apresentar uma espessura
menor na região equatorial e maior sobre os pólos, em função
da forma característica do planeta (Geóide) (AYOADE, 2003)
como citado em Torres e Machado (2008, P. 8)

2.1.2. Origem da atmosfera


A formação da atmosfera terrestre está intrinsecamente ligada
as origens do planeta Terra. Diz a teoria do Big Bang que há cerca
de 4,6 bilhões de anos houve a contração de uma gigante nuvem
de gás e poeira. Essa matéria formou o Sol e os planetas. O alto
grau de radioatividade das rochas teria feito com que a Terra
derretesse e que a sua superfície fosse tomada de matéria
incandescente. Através da fundição de ferro e níquel se formou
o núcleo do nosso planeta. Há 4 milhões de anos a Terra
começou a ganhar forma com a criação de placas sólidas que

22
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

flutuavam sobre a rocha incandescente.


Milhões de anos depois a crosta terrestre já estava bem mais
espessa e houve a formação, entre outras coisas, dos vulcões.
Ao entrarem em erupção esses vulcões expeliam gases e vapor
de água para o espaço. Esta actividade vulcânica permitiu
igualmente a ruptura de ligações que «prendiam» outros gases
a rochas e minerais, que assim também escaparam para o
exterior da crosta terrestre. Estes gases libertados
constituíram a atmosfera primitiva da Terra.
À medida que a Terra foi arrefecendo e os gases foram-se
libertando, a atmosfera primitiva começou a ficar saturada de
vapor de água.
A água começou a cair sob a forma de chuva, originando os
mares e os oceanos, arrastando consigo grande parte de
Dióxido de Carbono da atmosfera, e este reagiu com as rochas
existentes, formando os carbonatos, componentes das rochas
sedimentares.
Na atmosfera, ficou o Azoto, vestígios de Dióxido de Carbono,
vapor de água, Metano e Amoníaco.
Por acção da radiação solar, as moléculas de Metano e de
Amoníaco foram em grande parte destruídas, originando o
hidrogénio, assim como outras moléculas mais complexas.
Estas terão sido arrastadas pelas chuvas e, mais tarde, terão
participado na formação dos primeiros organismos vivos.
Da atmosfera primitiva à atmosfera actual
Nesta época da história da Terra, o oxigénio ainda não existia
na Terra. Apesar disso, vários factores contribuíram para o
desenvolvimento progressivo deste. Nesta altura, as radiações
ultravioletas solares atingiam a superfície terrestre,
interatuando com as moléculas aí existentes. Crê-se que um
dos efeitos dessas radiações foi a “ruptura” de algumas
moléculas de água, com formação de Hidrogénio e Oxigénio:
As moléculas de Hidrogénio escaparam para o espaço. Quanto
ao Oxigénio, foi fixado inicialmente pelo Ferro e outros metais,
formando os respectivos dióxidos e só mais tarde, há cerca de
2100 a 2300 milhões de anos, começou a ser libertado para a
atmosfera.

2.1.3. Composição média da atmosfera actual


De acordo com Soares e Batista (2004) como citado em Torres e
Machado (2008; P. 8) a atmosfera é constituída por uma
combinação de diversos gases, como o Nitrogênio, o Oxigênio,
os chamados gases raros (Argônio, Neônio, Criptônio e
Xenônio), o Dióxido de carbono, o Ozônio, o Vapor de água, o

23
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Hélio, o Metano, o Hidrogênio, etc. A concentração do vapor de


água e o dióxido de carbono flutua de acordo com as condições.
O vapor de água vária de 0 a 4% em volume. Alem destes,
Monóxido de carbono (CO), o Ozono (O3), o dióxido de enxofre
e o dióxido de nitrogênio (NO2) também variam na sua
concentração.
Além desses gases, encontram-se na atmosfera partículas de pó,
cinzas vulcânicas, fumaça, matéria orgânica e resíduos
industriais em suspensão, os quais são denominados de
“aerossóis”, de acordo com Vianello e Alves (1991), como citado
em Torres e Machado (2008, P. 8) termo usualmente reservado
para partículas materiais que não sejam água ou gelo. Os
aerossóis são importantes na atmosfera como núcleos de
condensação de cristalização, como absorvedores e difusores de
radiação e também como participantes de vários ciclos
químicos. Ayoade (2003) como citado em Torres e Machado
(2008; P. 8) destaca que os aerossóis produzidos pelo homem
são avaliados actualmente como sendo responsáveis por 30%
dos aerossóis contidos na atmosfera. Contudo, destacam-se,
especialmente nas camadas mais baixas o nitrogênio (N2) e o
Oxigênio (O2), embora todos os demais desempenhem
importante papel no balanço atmosférico, pois absorvem,
refletem e/ou difundem tanto a radiação solar quanto a
radiação terrestre.
Gás Volume em %
Argônio (Ar) 0,93
Criptônio (Kr) 0,0001
Dióxido de carbono (CO2) 0,036
Hélio (He) 0,0005
Hidrogênio (H2) 0,00005
Neônio (Ne) 0,0018
Nitrogênio (N2) 78,08
Metano (CH4) 0,00017
Óxido nitroso (N2O) 0,00003
Oxigênio (O2) 20,95
Ozono (O3) 0,000004
Xenônio (Xe) 0,000001
Tabela 1. Alguns gases que compõem o ar seco
Fonte: Adaptado de Torres e Machado (2008)

24
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

2.1.4. Importância dos gases atmosféricos


Oxigénio (O2):
O Oxigénio é importante na atmosfera para os seres vivos e na
formação camada de ozono.Com uma atmosfera mais pobre
em oxigénio a vida tal como a conhecemos não se teria
desenvolvido.
No entanto, uma atmosfera demasiado rica em oxigénio
tornaria também a vida impossível.
A libertação do oxigénio para a atmosfera permitiu, também,
a formação da camada de ozono, que absorve as radiações
ultravioletas solares mais energéticas, mortais para os seres
vivos.
Assim se tornou possível a evolução da vida na Terra para
formas cada vez mais complexas.
O azoto atmosférico ou Nitrogénio (N2)
O Azoto atmosférico é um “moderador” da acção química do oxigénio,
pois as suas moléculas são muito pouco reactivas.
Uma boa parte das substâncias orgânicas que constituem os seres
vivos inclui átomos de azoto.
Estes átomos são incorporados na matéria orgânica por
absorção do azoto da atmosfera, tarefa que é desempenhada,
naturalmente, por microrganismos existentes nas raízes de
algumas plantas, que o transformam em compostos azotados.
Estes são absorvidos pelas plantas, que estes compostos usam,
para o seu crescimento. Em seguida, os animais digerem as
plantas, conseguindo assim obter o azoto necessário ao seu
organismo.
O azoto desempenha um papel muito importante na vida
deste planeta, na medida em que:
É um moderador doa acção do oxigénio, pois é uma substância
bastante inerte.
É essencial para o crescimento dos seres vivos, pois este entra
na constituição dos aminoácidos, unidades estruturais das
proteínas.
A indústria também retira o azoto da atmosfera para produzir
adubos azotados que tornam o solo mais fértil. O azoto passa de
novo para a atmosfera quando a matéria orgânica se decompõe.
O vapor de água e o dióxido de carbono atmosféricos
O vapor de água e o dióxido de carbono, apesar de existirem
em quantidades mínimas na atmosfera, são importantes para
a vida na Terra.

25
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Para além de participarem nos processos biológicos que dão


vida aos organismos, exercem um papel fundamental na
regulação do clima na Terra.
O vapor de água existente na atmosfera provém da evaporação
da água dos oceanos, mares, rios e lagos. Em contacto com as
camadas mais frias da atmosfera o vapor condensa podendo
solidificar formando nuvens. A precipitação (na forma de chuva
neve ou granizo) devolve a água aos locais originais. Tudo isto
constitui o ciclo da água que permite a transferência de energia
entre a superfície da Terra e a camada mais baixa da atmosfera.
O dióxido de carbono atmosférico é essencial à vida, pois é a
matéria-prima para a fotossíntese das plantas, e é reposto na
atmosfera através da respiração dos seres vivos.
O dióxido de carbono e o vapor de água têm um papel muito
importante como reguladores do clima. As moléculas destas
substâncias absorvem as radiações IV emitidas pela superfície
terrestre, impedindo que se escapem para o espaço. Assim, a
temperatura do ar aumenta, originando o que se chama – Efeito
de estufa. Existe também o dióxido de carbono com uma
concentração de apenas 0,0335% mas que tem um efeito muito
importante no balanço térmico da atmosfera porque deixa
passar a radiação solar para o globo terrestre mas absorve a
radiação emitida pelo mesmo garantido o aquecimento da
atmosfera
O Ozono (O3)

O ozono é um gás instável, uma molécula constituída por 3


átomos de oxigênio e é um dos gases minoritários da atmosfera
terrestre, que encontra-se concentrado entre os 20 e os 30 km
de altitude, sendo possível encontrar concentrações até cerca
de 10 ppm (partes por milhão).O ozono está presente na
troposfera e na estratosfera. O ozono troposférico é um gás
poluente e na baixa estratosfera é considerado um filtro natural
para o planeta, já que faz a interceptação dos raios ultravioleta
prejudiciais aos seres vivos.
Nesta região (estratosfera), a temperatura começa a aumentar
com a altura porque, ao absorver radiação ultravioleta, o ozono
liberta energia na forma de calor. Isso influencia decisivamente
na estrutura da atmosfera na medida em que determina a
inversão do perfil de temperatura na Tropopausa (limite entre a
Troposfera e a Estratosfera).
A presença do ozono é vital devido a sua capacidade de absorver
a radiação ultravioleta do sol na reação de fotodissociação. Na
estratosfera, a energia da radiação UV é suficientemente
intensa para produzir a dissociação do oxigênio molecular (O2),

26
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

que posteriormente, através da associação de um terceiro


corpo, forma o ozono (O3) estratosférico. Por sua vez, o
processo de dissociação do ozono (destruição), absorve
radiação UV. Assim, tanto na formação de ozônio como na sua
destruição há absorção de energia hv correspondente à
radiação UV, sendo o processo de destruição de ozônio o mais
efectivo na absorção da radiação UVB. Conforme o modelo de
Chapman, os processos ocorrem segundo as reações:
FORMAÇÃO: 1 - O2 + hv = O + O; 2 - O + O2 + M = O3 + M

DESTRUIÇÃO: 3 - O3 + hv = O + O2 4 - O + O3 = O2 + O2

A distribuição do ozono na atmosfera vária com a latitude,


estação do ano, horário e padrões de tempo.
Na ausência de qualquer outro factor, poderia pensar-se que
níveis da coluna total de ozônio seriam mais altos em cima dos
trópicos e correspondentemente baixaria nas regiões polares,
isso tudo, por causa da maior intensidade de radiação
ultravioleta solar nas regiões equatoriais tendo em vista as
reações do ciclo de produção e perda de ozono. Porém,
distribuição de ozono simplesmente não é um equilíbrio entre
produção e perda. Ventos podem transportar ozono para longe
da região de produção, alterando a distribuição básica do ozono
na atmosfera. Para uma média anual, a concentração total de
ozônio possui um mínimo nas latitudes equatoriais e aumenta
em ambos os hemisférios para um máximo nas latitudes de
subpolar. A máxima densidade do ozônio ocorre nas altas
latitudes devido o resultado de transporte do ozônio da região
de produção primária que se dá em latitudes equatoriais e na
estratosfera superior para a baixa estratosfera em regiões
polares, onde tem um tempo de relaxamento fotoquímico
relativamente longo. As variações da concentração de ozono
estratosférico estão igualmente relacionadas com os sistemas
de pressão actuantes na troposfera. Assim, as baixas
concentrações do ozônio estratosférico estão relacionadas com
centros de alta pressão e as altas concentrações de ozono estão
associadas a centros de baixa pressão.
Os maiores valores da concentração do ozônio são encontrados
na faixa de baixa pressão das frentes polares, denominado de
cinturão das altas concentrações de ozônio. Contudo, após a
dissipação e ruptura do vórtice, este cinturão, localizado nas
baixas subpolares, invade a região polar, sendo que no final de
novembro o Pólo Sul é totalmente ocupado por altas
concentrações de ozono.

O meteorologista G. M. B. Dobson descobriu, na década de


1920, as relações entre a concentração de ozônio estratosférico

27
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

e os sistemas atmosféricos. Esse pesquisador conseguiu avaliar


as variações do ozono atmosférico em diversas localidades do
planeta e comprovar uma correlação negativa entre os sistemas
de pressão e a concentração de ozônio (a concentração do
ozono é menor nos centros de alta pressão e maior nos centros
de baixa pressão). Este pesquisador conseguiu aperfeiçoar um
instrumento capaz de determinar com muita precisão a
concentração do ozônio. Assim, em sua homenagem, a unidade
de medição de ozono é denominada Unidade de Dobson (UD).
(Andre & Zavattini; s/d; P. 28)

O buraco do Ozono
A libertação de compostos químicos artificiais (CFCs –
clorofluorcarbonetos) despertou a comunidade científica para a
possibilidade da redução na concentração do ozono
estratosférico desde a década de 1970, segundo Molina e
Rowland, 1974 como citado em (Andre & Zavattini; s/d; Pag.28)
Farman et al. (1985) analisaram a série de dados registados na
estação de Halley (75°S, 26°W) e afirmaram haver uma redução
da concentração do ozono sobre a Antártida no período da
primavera. Esta diminuição sazonal foi denominada de buraco
na camada de ozono.

O buraco na camada de ozônio pode ser definido como a região


estratosférica antártica, no período da primavera, que
apresenta valores de concentração de ozônio abaixo de 200 UD,
ou ainda, que apresenta reduções em 2/3 dos valores da
concentração habitual. (Andre & Zavattini; s/d; P. 29)
Factores naturais como erupções vulcânicas e variações no ciclo
solar são relevantes na redução da camada de ozono, porém é
comprovado que a ação antropogénica pode potencializar a
redução desta camada, já que os compostos químicos são
utilizados em grande escala pelas indústrias. De uma maneira
natural, a cada primavera acontece o buraco da camada de
ozônio na Antártida como resultado do aquecimento gradativo
do pólo, após a chegada dos primeiros raios solares que fa-
vorece as reações químicas destruidoras do ozônio. Este buraco
volta a fechar-se no verão, e, quando o vórtice polar se se
aquece e dissipa-se. Durante o inverno no Hemisfério Sul, a
presença do vórtice polar com ventos fortes oriundos de oeste
no continente antártico, não possibilita a troca de massas de ar
e, consequentemente isola o ar com baixa temperatura e pouca
concentração de ozônio. Para Dobson (1968b) a concentração
do ozono estratosférico e a temperatura aumentam
consideravelmente quando o vórtice polar antártico perde
repentinamente sua intensidade no mês de novembro. (Andre
& Zavattini; s/d; P. 31)

28
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

2.1.5. Estrutura vertical da Atmosfera


A estrutura e composição da atmosfera não e uniforme a
medida que a altitude aumenta. Por vezes a temperatura
diminui à medida que a altitude aumenta e, outras vezes, a
temperatura aumenta com a altitude. A pressão, densidade e
temperatura variam com a altitude formando camadas de
temperatura distintas, cada uma separada por uma superfície
ou pausa. E o comportamento da atmosfera na camada mais
baixa que determina o tempo que conhecemos no dia-a-dia.
Para Grimm (999) o ar é compressível, isto é, seu volume e sua
densidade são variáveis. A força da gravidade comprime a
atmosfera de modo que a máxima densidade do ar (massa por
unidade de volume) ocorre na superfície da Terra. O decréscimo
da densidade do ar com a altura é bastante rápido (decréscimo
exponencial) de modo que na altitude de aproximadamente 5,6
km a densidade já é a metade da densidade ao nível do mar e
em aproximadamente 16 km já é de apenas 10% deste valor e
em aproximadamente 32 km apenas de 1%.O rápido decréscimo
da densidade do ar significa também um rápido declínio da
pressão do ar com a altitude. A pressão da atmosfera numa
determinada altitude é simplesmente o peso da coluna de ar
com área de seção reta unitária, situada acima daquela altitude.
No nível do mar a pressão média é 1013,25 mb o que
corresponde a um peso de 1kg de ar em cada cm2.
Os cientistas dividem a atmosfera em cinco camadas
concêntricas, baseando-se nas suas variações de temperatura
características: troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera
e exosfera. Os seus limites correspondem aos valores máximos
e mínimos de temperatura.

Figura 1. Perfil vertical da Pressão (Grimm; 1999)

29
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Troposfera
A troposfera é a camada mais importante em termos
meteorológicos. É a camada adjacente a superfície terrestre
onde se concentram cerca de ¾ da massa total da atmosfera e
quase todo o vapor de água, e onde ocorrem nuvens e sistemas
meteorológicos. Geralmente a temperatura decresce com a
altitude na troposfera cerca de 6,5°c /Km (Ayoade, 1996, Pag
20). A parte superior da troposfera e chamada tropopausa e é
caracterizada por uma inversão da temperatura limitando a
convecção e outras actividades do tempo atmosférico. A
altitude da tropopausa não e uniforme. Ela varia de lugar para
lugar e de estação para estação. Regra geral, a altitude da
tropopausa pode alcançar os 18 Km na zona intertropical (nas
latitudes baixas) as temperaturas são elevadas e existe
turbulência convectiva vertical (sendo a atmosfera um corpo
gasoso estes elementos afectam o seu volume). A altitude da
tropopausa vai diminuindo a medida que caminhamos para as
altitudes altas chegando a alcançar os 8 Km nos pólos.
Nas latitudes médias ocorrem tropopausas múltiplas que se
sobrepõem parcialmente devido a influência das correntes de
jacto.
Além disso, podem ocorrer num dado local, rápidas alterações
na temperatura e na altitude da tropopausa. Os sistemas
meteorológicos em deslocação e as nuvens que lhes estão
associadas e que afectam a nossa vida diária confinam-se quase
inteiramente a troposfera. À medida que estes sistemas mudam
de posição as características da tropopausa variam no tempo e
no espaço.
A troposfera e aquecida pelo calor irradiado pela superfície
terrestre.
Estratosfera
E a região situada acima da troposfera. Estende-se desde a
tropopausa até altitudes entre 50 e 55 Km. Em qualquer
localidade a temperatura da estratosfera mantem-se
praticamente constante até cerca dos 20Km e esta camada
chama-se isotérmica. A partir desse nível a temperatura sobe
lentamente ate cerca de 32 km, aumentando depois
rapidamente.
Na parte superior da estratosfera as temperaturas são quase tão
elevadas como as que se verificam junto a superfície terrestre,
como resultado da absorção da radiação solar ultravioleta pelo
ozono atmosférico que conhece a sua concentração máxima
nesta região “em torno da altitude de 22 Km acima da superfície
terrestre”(Ayoade, 1996, P. 21) a chamada camada de ozono.

30
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

O calor aqui produzido e transferido para a parte inferior da


estratosfera por subsidência e radiação. Assim a estratosfera e
aquecida por cima e é mais fria em baixo, possui pouco ou quase
nenhum vapor de água resultando em pouca convecção nesta
camada, tornando-a pouco activa em termos meteorológicos
embora se observem algumas nuvens. (Retallack, 1970; P. 9).
Acontecem mudanças sazonais marcantes nas características da
atmosfera. Visto que a densidade do ar e muito baixa nesta
camada uma pequena absorção da radiação solar pelos
constituintes atmosféricos, principalmente o ozono como já
referido antes, produz um grande aumento da temperatura.
O limite superior da estratosfera e marcado por uma zona
isotérmica denominada estratopausa.
A troposfera e a estratosfera constituem a atmosfera inferior.
Mesosfera
A atmosfera superior e geralmente considerada como
começando a partir da estratopausa e termina onde a atmosfera
se funde com o espaço exterior.
Na mesosfera, a temperatura decresce com a altitude ate
alcançar um mínimo de -90°C ou menos a cerca de 80Km de
altitude. Este e o limite superior da Mesosfera e toma o nome
de mesopausa. Nesta camada a pressão atmosférica e muito
baixa diminuindo de aproximadamente de 1 mb na base ate 0.01
mb na mesopausa. A composição do ar e constante
exceptuando as concentrações de ozono e vapor de água que
variam. E nesta camada que ocorrem as temperaturas mais
baixas da atmosfera. Nas latitudes elevadas observam-se
ocasionalmente, a este nível, nuvens noctilucentes que se
pressupõe que sejam constituídas por partículas de poeira
cobertas de gelo. (Retallack, 1970; Pag 9)

31
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 2. Estrutura vertical da Atmosfera


Termosfera
É a região acima da mesopausa caracterizada por uma
atmosfera muito rarefeita e uma subida regular da temperatura
devido a absorção da radiação ultravioleta pelo oxigênio
atômico. Aqui, a composição da atmosfera altera-se
consideravelmente devido a separação de moléculas de muitos
dos gases em átomos isolados por acção dos raios X e
ultravioleta vindos do sol, que igualmente provocam um
fenômeno chamado ionização ou carregamento elétrico
levando a que esta camada também receba o nome de ionosfera
que tem particular importância por ser capaz de de reflectir
ondas de radio. Esta camada estende-se ate os cerca de 400 Km
ou 500 Km de altitude (quando a actividade solar e muito
intensa) onde se situa a termopausa.
Exosfera
Estende-se de uma altitude de 500 Km para cima. Os átomos de
oxigênio, hidrogênio e Helio formam uma atmosfera tênue e a
lei dos gases deixa de ser válidas. A atmosfera não tem um limite
superior definido, porem a densidade do ar baixa progressiva e
rapidamente ate confundir-se com o espaço exterior. Aqui
ocorrem as auroras boreais.

32
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Resumo

A atmosfera é composta de vários gases importantes para a


vida, como o oxigênio, o nitrogênio e o gás carbônico, que
formam uma mistura transparente, incolor e inodora chamada
de ar atmosférico. Além dos gases, há também vapor de água,
partículas em pó, micro-organismos etc.
A composição e as condições físicas da atmosfera não são
uniformes em toda a sua espessura, mas variam de modo
acentuado. Assim, a atmosfera se divide em diversas camadas
sobrepostas das quais três relativamente quentes separadas por
duas camadas relativamente frias com camadas de transição
entre as cinco camadas principais denominadas “pausas” –
troposfera, estratosfera, mesosfera, termosfera e exosfera.
A atmosfera e essencial para a vida na terra pelo papel que
exerce na filtragem dos raios solares e ciclos bioquímicos da
terra.

Exercícios de AUTO-AVALIACAO

1. O que e a atmosfera terrestre?


2. Enumere quatro gases constantes e dois gases variaveis e suas
proporções no ar atmosférico.
3. Quantas e quais são as camadas da atmosfera?
4. O que e a camada de ozono?
5. Onde se situa a camada de ozono?
6. Enumere dois gases importantes na regulação da temperatura
do planeta.
7. Em que camada se forma grande parte dos fenômenos
meteorológicos?
8. Em que camadas se concentra grande parte dos gases
atmosféricos?
9. O que e o buraco do ozono?

Exercícios de AVALIACAO

1. Considere as frases abaixo:


1. Fará muito calor hoje na Beira. No Chimoio, as temperaturas
serão mais amenas.
2. As temperaturas em todo o mundo estão cada vez maiores e
vêm causando preocupações entre os cientistas.
3. Costuma chover muito em Lichinga nesta época do ano, é
melhor estarmos preparados!
33
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

4. Li no jornal que esta semana será de muita chuva no Maputo.


Com base nas afirmações acima, é possível afirmar que:
a) Todas fazem referência ao clima
b) 1, 2 e 3 fazem referência ao clima e 4 faz referência ao tempo.
c) 2 e 3 fazem referência ao clima e 1 e 4 fazem referência ao
tempo.
d) 2 Faz referência ao clima e 1, 3 e 4 fazem referência ao tempo.
e) Todas fazem referência ao tempo.
2. Assinale com V as afirmações verdadeiras e com F as falsas
a) Próximo da superfície da Terra, as moléculas dos gases do ar
ficam muito afastadas.
b) Próximo da superfície da Terra, as moléculas dos gases do ar
ficam mais próximas umas das outras.
c) A medida que nos aproximamos da superfície da Terra, o ar
vai se tornando cada vez mais rarefeito.
d) A medida que nos afastamos da superfície da Terra o ar vai se
tornando cada vez mais concentrado.
3. O ar é constituído por muitos gases. Qual é o gás mais
predominante?
A. Nitrogénio
B. Oxigénio
C. Dióxido de carbono
D. Hidrogénio

Exercícios

1. Explique as razões que estão na origem da estratificação da


atmosfera com a altitude?
2. Explique a variação da altitude da tropopausa com a latitude
3. Explique as causas do comportamento da pressão e da
temperatura atmosféricas na atmosfera inferior
4. “A atmosfera pode comparar-se ao liquido amniótico face a sua
importância para os seres vivos da terra”. Concorda com esta
afirmação? Fundamente.
5. Porque e que e na troposfera onde acontece grande parte dos
fenômenos meteorológicos?

34
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Bilbiografia
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre
classificações climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
MINUZZI R. B. ET AL (s/d); Influência Do Fenômeno Climático El
Niño No Período Chuvoso Da Região Sudeste Do Brasil; Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E
Estrutura Da Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física
Molecular Instituto Superior Técnico;Brasil; 2008

RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do


pessoal de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto
Nacional de Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970

AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos.


TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.;
Introducao a Climatologia; Brasil; 2008,

ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio


E Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)

MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas


Meteorológicos Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio
Atmosférico Observado No Sul Do Brasil, Em São Martinho Da
Serra, Rs; Relatório Final de Projeto de Iniciação Científica INPE
– Brasil; São José dos Campos; 2005

GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de


Aula1999; http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo

AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os


Trópicos;Tradução: Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia
Actual de Previsão ; Tradução: AZEVEDO, A. J. (1990)

OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências


Ambientais Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ;
Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC;
Rodovia Presidente Dutra, km 49 – Cachoeira Paulista – SP –
Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

35
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA – III: Radiacao Solar


UNIDADE Temática 3.1.Radiação Solar
UNIDADE Temática 3.2. Factores que influenciam a radiação
solar

Introdução
A radiação solar é fonte primária de energia para os processos
biológicos e meteorológicos que ocorrem na superfície. Ao
alcançar a atmosfera terrestre esta fica sujeita a vários
processos ate atingir a superfície terrestre. A radiação solar e
igualmente sujeita a leis e factores.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir:a radiação solar


 Explicar: como se processa o balanço energético da terra do sistema
terra – atmosfera - espaço
 Explicar:os processos que a radiação solar sofre quando atinge a
superfície terrestre
 Analisar:os factores que afectam a radiação solar
 Conhecer: as leis da radiação

Unidade Temática 3.1. Radiação Solar

O sol é a fonte primordial de energia para a terra que e


transmitida em forma de ondas electromagnéticas curtas.
Todavia, o nosso planeta só intercepta uma pequena do total da
radiação que e submetida à vários processos quando alcança a
terra devido a uma serie de factores.

36
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: A radiação solar


 Explicar: Como se processa o balanço energético da terra do sistema
terra – atmosfera - espaço
 Explicar: Os processos que a radiação solar sofre quando atinge a
superfície terrestre
 Conhecer: As leis da radiação

A principal fonte de energia da terra é a radiação solar recebida


em forma de ondas eletromagnéticas, provenientes do Sol que
alcança a superfície terrestre, de maneira directa ou
indirectamente.

Para Soares e Batista (2004), como citado em Torres e Machado


(2008; Pag. 29) “radiação é uma forma de energia que emana,
sob forma de ondas eletromagnéticas, de todos os corpos com
temperaturas superiores ao zero absoluto (-273 ºC)”

A radiação eletromagnética pode ser considerada como um


conjunto de ondas (elétricas e magnéticas) cuja velocidade no
vácuo é ( ). As várias formas de radiação,
caracterizadas pelo seu comprimento de onda, compõem o
espectro eletromagnético (Fig. 1).

Figura 1. Espectro Eletromagnético (Grimm; 1999)

O comprimento de onda (l ) é a distância entre cristas (ou


cavados) sucessivos (Fig. 2); a
37
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

frequência de onda (u) é o número de ondas completas (1 ciclo)


que passa por um dado ponto por unidade de tempo (s). A
relação entre l, u e a velocidade c éc= lu

Figura 2 - Características de uma onda

Embora o espectro eletromagnético seja contínuo, nomes


diferentes são atribuídos a diferentes intervalos porque seus
efeitos, geração, medida e uso são diferentes. Por exemplo, as
células da retina do olho humano são sensíveis a uma radiação
num estreito intervalo chamado luz visível, com l
entre e .(Grimm; 1999)
A maior parte da energia radiante do sol está concentrada nas
partes visível e próximo do visível do espectro. A luz visível
corresponde a ~43% do total emitido, 49% estão no
infravermelho próximo e 7% no ultravioleta. Menos de 1% da
radiação solar é emitida como raios X, raios gama e ondas de
rádio. (Grimm; 1999)
Apesar da divisão do espectro em intervalos, todas as formas de
radiação são basicamente iguais. Quando qualquer forma de
energia radiante é absorvida por um objeto, o resultado é um
crescimento do movimento molecular e um correspondente
crescimento da temperatura. (Grimm; 1999)

3.1.1 Balanço da Radiação

O sistema Terra-atmosfera está constantemente absorvendo


radiação solar e emitindo sua própria radiação para o espaço.
Numa média de longo prazo, as taxas de absorção e emissão são
aproximadamente iguais, de modo que o sistema está muito
próximo ao equilíbrio radiativo.

Balanço é a diferença entre a entrada e a saída de elementos de


um sistema. Os principais componentes para o balanço de

38
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

radiação no sistema terrestre são: superfície, atmosfera e


nuvens.
O sol emite uma radiação de onda curta a uma razão que varia
pouco e é por isso, designada constante solar. De acordo com
Retallack (1977) como citado em Torres e Machado (2008; Pag.
29), a radiação solar ao atravessar a atmosfera é atenuada por 3
processos:
Difusão
A dispersão pelas partículas da atmosfera, tais como gases,
cristais e aerossóis. Uma parte dessa radiação difundida é,
portanto, devolvida ao espaço, enquanto outra parte atinge a
superfície e é chamada de radiação difusa;
Absorção
A absorção selectiva por certos constituintes atmosféricos para
certos comprimentos de ondas, como por exemplo a absorção
da radiação ultravioleta pelo ozono (O3); através da absorção, a
radiação é convertida em calor. Quando uma molécula de gás
absorve radiação esta energia é transformada em movimento
molecular interno, detectável como aumento de temperatura.
Portanto, são os gases que são bons absorvedores da radiação
disponível que tem papel preponderante no aquecimento da
atmosfera.
Reflexão
A reflexão pelas nuvens depende principalmente de sua
espessura, estrutura e constituição.
De acordo com Tubelis e Nascimento (1984) como citado em
Torres e Machado (2008; Pag. 30), em média dos 100% da
energia do Sol que chega à atmosfera, como visto na Figura 3.2,
cerca de 40%incidem sobre as nuvens e desse total são
absorvidos 1% e refletidos 25%, que se perdem para o espaço,
chegando apenas 14% à superfície. Dos outros 60% que incidem
sobre áreas sem cobertura de nuvens, 7% são
reflectidos/difundidos por aerossóis, 16% absorvidos por gases
atmosféricos, chegando 37% à superfície. Destes 51% que
chegam à superfície, subtrai-se ainda 5% que são reflectidos por
esta, com isso, tem-se que cerca de 46% da energia que incide
sobre a atmosfera é absorvida pela superfície terrestre.
A energia absorvida pela superfície terrestre em ondas curtas é
irradiada, através de ondas longas, promovendo o aquecimento
do ar atmosférico. A parte absorvida é usada no aquecimento
da superfície do Planeta (terras e água). Dessa forma, a
atmosfera (ou o ar) não é aquecida directamente pelos raios

39
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

solares, que passam por ela, mas sim, pelo calor irradiado da
Terra,ou seja, de forma indireta.
Por sua vez a terra (parte solida da terra) emite uma radiação de
onda conhecida por radiação terrestre, da qual 90% absorvida
pelo vapor de água e dióxido de carbono atmosféricos. 80%
desta é devolvida para o solo, processo conhecido como efeito
de estufa . Assim, a atmosfera actua como uma cobertura e
apenas uma pequena parte da radiação terrestre escapa
directamente para o espaço. (Atkinson B. W. & Gadd A. 1990 p.
46). (Obra original publicada em 1986)

Figura 3 - Esquema geral do balanço de radiação solar médio;


Torres e Machado (2008)
Durante a noite cessa a recepção de radiação solar mas os
outros processos continuam. Assim, há uma perda de energia
para o espaço em contraste com o ganho que se verifica durante
o dia.
E importante notar que cada gás atmosférico no tipo de
radiação que absorve, por exemplo, o Ozono absorve a maior
parte da radiação ultravioleta enquanto o vapor de água
absorve grande parte da radiação visível.

1.1.1. Mecanismos de transferência de calor


A troca de calor entre a superfície do globo e a atmosfera
também processa-se por processos chamados Condução e
Convecção

Condução
A condução ocorre dentro de uma substância ou entre
substâncias que estão em contato físico directo. Na condução a
energia cinética dos átomos e
40
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

moléculas (isto é, o calor) é transferida por colisões entre


átomos e moléculas vizinhas. O calor flui das temperaturas mais
altas (moléculas com maior energia cinética) para as
temperaturas mais baixas (moléculas com menor energia
cinética), isto e, o calor passa de um corpo mais quente para um
corpo mais frio sem que haja transferência de matéria. A
capacidade das substâncias para conduzir calor (condutividade)
varia consideravelmente. Por regra, sólidos são melhores
condutores que líquidos e líquidos são melhores condutores que
gases. Sendo os gases maus condutores a condução só é
importante na transferência de calor para camadas de ar
extremamente finas ( de apenas alguns centímetros)que
estejam em contacto directo com a superfície do
globo.(Retallack, 1970; P. 14).
Como meio de transferência de calor para a atmosfera como
um todo a condução é o menos significativo e pode ser omisso
na maioria dos fenômenos meteorológicos.
Convecção

A Convecção e o processo mais importante de transferência de


energia no sistema terra – atmosfera. A convecção somente
ocorre em líquidos e gases. Consiste na transferência de calor
dentro de um fluido através de movimentos do próprio fluído.
Aqui o próprio corpo portador de calor desloca-se de um local
para o outro. O calor ganho na camada mais baixa da atmosfera
através de radiação ou condução é mais frequentemente
transferido por convecção. Com o aquecimento da atmosfera,
geram-se nela diferenças de pressão. Assim o ar quente sobe e
o ar frio desce originando correntes de convecção que
transportam para as altitudes elevadas calor sensível e calor
latente (armazenado no vapor de água); este último e libertado
nas camadas superiores quando o vapor de água se condensa
formando nuvens. O termo convecção é usualmente restrito à
transferência vertical de calor na atmosfera.

Desta forma, a circulação convectiva do ar transporta calor


verticalmente da superfície da Terra para a troposfera, sendo
responsável pela redistribuição de calor das regiões equatoriais
para os pólos.

Advecção

Ocorre quando um dado volume do ar é forçado a deslocar-se


horizontalmente, como consequência da instalação de um
gradiente de pressão entre as áreas contíguas (isto é, o ar
desloca-se da área de maior para a área de maior pressão),

41
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

levando consigo as características térmicas da superfície sobre a


qual repousava.

Condensação

Transfere para o ar quantidades consideráveis de energia que


foram consumidas do ambiente durante a evaporação da água
da superfície. Envolve a transformação do calor latente mantido
pela molécula de vapor em calor sensível.

1.1.2. Transferência de Energia no Seio da Atmosfera


A atmosfera recebe calor da radiação solar de onda curta, da
radiação terrestre de onda longa da convecção e da adição
(transporte horizontal de calor através do vapor de água que e
transportado das baixas latitudes para as altas). A atmosfera
perde calor irradiando para o espaço e para o globo. Assim o
sistema terra – atmosfera mantém o seu equilibro radiativo.

1.1.3. Balanço Energético do Sistema Terra - Atmosfera


Se se deixar de lado o papel da Convecção na transferência de
calor para a atmosfera pode-se fazer um balanço entre a
radiação que entra e a que sai, e, ter-se - á a radiação resultante.
O balanço de radiação na superfície terrestre e positivo de dia e
negativo a noite. O balanço da atmosfera e negativo ao longo de
todo o ano e em todas as latitudes. Para o sistema terra -
atmosfera como um todo o balanço e positivo entre as latitudes
de 30°S e 40°N e negativo no restante. Assim teríamos a
radiação resultante, particularmente alta nos trópicos e a
medida que se caminha para os pólos o balanço torna-se
negativo. Esta distribuição da radiação sugere que os trópicos
tornar-se iam progressivamente mais quentes e o inverso
aconteceria com os pólos. Mas a transferência de calor dos
trópicos para as latitudes médias e para os pólos também
conhecida por fluxo meridional quebra este padrão e assegura a
regulação estabilidade das temperaturas. Essa transferência de
calor e exercida por:
Transferência de calor sensível em direcção aos pólos pela
circulação atmosférica e correntes oceânicas das baixas
latitudes. Esta transferência é a razão de ser da Circulação Geral
da Atmosfera.”(Ayoade, 1996, P. 39).
Libertação do calor latente quando o vapor de água
transportado das baixas latitudes em direcção aos pólos se
condensa na atmosfera.

42
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 4 - Balanço de radiação da terra, Torres e Machado


(2008)

3.1.5. Leis da Radiação


1. LEI DE PLANCK

A luz viaja no universo por pequenas partículas chamadas de


fótons. Quantum (plural é quanta) é a energia de um fóton. Viaja
no espaço formando ondas eletromagnéticas. O comprimento
de cada onda é a distância entre uma crista e outra de uma
mesma onda.

E=hf f = c/λ E = h (c/ λ)


“A energia de um fóton é diretamente proporcional à frequência
da onda e inversamente proporcional ao comprimento da onda”
(Lei de Planck). Quanto maior a frequência de onda, maior a
quantidade de energia contida nos fótons. Quanto maior a
energia contida menor o comprimento da onda. O comprimento
de onda é inversamente proporcional a frequência, uma vez que
o produto entre estes (frequência x comprimento) é uma
constante, a velocidade da luz. onde: E é a energia de um fóton
de radiação (J); h é constante de Planck 6,6262 10-34 J/s f é a
frequência da radiação (Hz ou s): é o número de cristas de ondas
que ocorrem na unidade de tempo c é a velocidade da luz (3 108
m/s); λ é o comprimento de onda (µm)

Principais unidades de comprimento de onda: µm e nm, onde: 1


µm = 1000nm

Comprimentos de ondas emitidas pelo sol: ultravioleta até 200-


400 nm; visível 400 nm a 700 nm; infravermelho acima de 700

43
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

nm (infravermelho próximo: 770 nm – 2500 nm; infravermelho


distante: 2500nm – 10.0 nm).

2. LEI DE KIRCHHOFF

Para um dado comprimento de onda e uma dada temperatura,


a absortividade de um corpo é igual a sua emissividade”, ou seja,
para um determinado comprimento de onda o poder emissivo
de uma superfície é igual ao poder de absorção.

Todo bom absorvedor é um bom emissor aλ = eλ

Propriedades de uma superfície: a) toda superfície tem um


poder emissivo (eλ); b) toda superfície tem um poder de
reflexão (rλ); c) toda superfície tem um poder de absorção (aλ);
d) toda superfície tem um poder de transmissão (tλ).

CORPO NEGRO: é um material hipotético capaz de absorver


integralmente toda a energia incidente sobre ele. O corpo negro
tem absortividade e emissividade igual a 1 e reflectividade e
transmitividade igual a 0.

EMISSIVIDADE (eλ): razão entre a emitância monocromática de


um corpo e a correspondente emitância monocromática de um
corpo a mesma temperatura.

ABSORTIVIDADE (aλ): razão entre a quantidade de energia


radiante absorvida pela substância ou corpo e o total incidente,
para um dado comprimento de onda.

REFLETIVIDADE (rλ): razão entre a quantidade de energia


radiante refletida pela substância/corpo e o total incidente, para
um dado comprimento de onda.

TRANSMISSIVIDADE (tλ): razão entre a quantidade de energia


radiante transmitida e o total incidente, para um dado
comprimento de onda.

A reflectividade de uma cultura depende da sua cor, das


condições de humidade, densidade de copa, da disposição das
folhas e do ângulo do sol. Os valores da absortividade, da
refletividade e da transmitividade para um dado material variam
de 0 a 1, sendo que a soma destes terá que ser 1. Pela
conservação de energia: aλ + rλ + tλ = 1

44
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

3. LEI DE WIEN

Essa lei estabelece que o comprimento de onda de máxima


emissão (λ max) é inversamente proporcional a temperatura da
superfície (T, em K). λ max = 2897/T λ T = 2897 µm K ou 2,897
106 nm K (o produto entre λ e T é constante)

Terra: temperatura ~ λ max = 9,6 µm (radiação


300 K infravermelha 960 nm)
Sol: temperatura ~ λ max = 0,482 µm (radiação visível
6000 K (verde) 482 nm)
Exemplo:

4.LEI DE STEFAN-BOLTZMAN

Essa lei diz que a densidade de fluxo de energia (unidade de


energia por unidade de área e tempo) emitida, em w/m2, é
proporcional a quarta potência da sua temperatura absoluta,
em K.

E = eλ σ T4

σ = Constante de Stefan-Boltzman ou 0,827 10-10


5,67 10-8 W/m2 K4 cal/cm2 K4
E = densidade de fluxo de energia eλ = poder emissivo do corpo
(emissividade) Para a maioria dos objetos o poder emissivo varia
entre 0,95 e 1,0. Para fins agrometeorógicos adota-se eλ = 1.

Dessa forma, um corpo se aquece e se resfria numa razão


proporcional a quarta potência da sua própria temperatura e a
quarta potência da temperatura do ambiente que o rodeia.

5. LEI DE LAMBERT

A quantidade de energia recebida por uma superfície é função


do ângulo de incidência da radiação. Quando um fluxo de
energia radiante incide sobre uma superfície formando um
ângulo z com a normal a esta superfície, a irradiância sobre a
superfície considerada será o produto da irradiância na
superfície normal aos raios pelo co-seno do ângulo de
incidência.

45
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

I = Io cos z

I é a irradiância incidente sobre uma superfície; Io é a irradiância


normal incidente sobre essa superfície; z é o ângulo de
incidência

6. LEI DE BEER

“Um feixe monocromático de radiação ao atravessar um meio


homogêneo sofrerá uma atenuação exponencial”.

Indica como obter a radiação solar instantânea incidente em


uma superfície horizontal considerando a atmosfera presente.
Por essa lei verifica-se que a radiação ao atravessar um meio
isotrópico e homogêneo ela sofrerá uma atenuação exponencial
a qual é função da espessura e do coeficiente de extinção desse
meio. I= Io e-kx

I é a irradiância considerada; Io é a irradiância normal k é o


coeficiente de extinção que para uma comunidade vegetal com
folhas eretas o seu valor varia de 0,3 a 0,5 e para folhas
horizontais varia entre 0,7 a 1,0. x = distância na qual o feixe
atravessa esse meio ou, no caso de comunidade de plantas,
deve ser utilizado índice de área foliar.

Acredita-se que a energia solar é produzida pela fusão de 4


átomos de hidrogênio formando um átomo de hélio (do grego
hélios = sol).

1. Constante solar (Fo) A constante solar é o fluxo de radiação


(taxa de transferência de energia = J/s) solar que chega ao topo
da atmosfera terrestre e é recebida em uma superfície
perpendicular a direção do sol. Ou, ainda, é a quantidade de
energia radiante do sol que incide perpendicularmente a uma
unidade de superfície na ausência de partículas (topo da
atmosfera) a uma distância média Terra-sol. Além desses
conceitos, a constante solar pode ser definida como sendo a
irradiância solar sobre uma superfície normal aos raios solares,
à distância média Terra-Sol, na ausência de atmosfera. 38 km de
altura ~ 1373 W/m2 ~ 1,96 a 1,98 cal/cm2 min1 ou seja, a área
(1,27 1014 m2) da Terra voltada para o sol recebe, no topo da
atmosfera, aproximadamente, a irradiância solar de 1,74 1017
J/s.

46
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

No entanto, a constante solar é influenciada pela variação na


atividade solar, pela variação na distância Terra-Sol, pelo ângulo
zenital, pela declinação solar (δ), pela latitude (φ) e pelo ângulo
horário (h) por isso faz-se algumas correções. Assim, na
passagem do sol sobre o meridiano do local, ao meio dia h=0o.

Foc = Fo /R2 R2 = (d/D)2 (tabelado) ou (d/D)2 = 1 + 0,033


cos z cos ( J 360/365 )
Foc = Fo (d/D)2 cos z

Foc = Fo (d/D)2 (sen φ sen δ + cos φ cos δ cos h) R: raio da elipse


Terra-Sol

d= distância média Terra-Sol Tn = tempo ao nascer do sol


D= distância Terra-Sol no dia Tp = tempo ao pôr do sol
Para o período de um dia integra-se a equação anterior do
nascer ao por do sol, fixando-se φ e δ e variando h.

Qo = tn∫tp Fo (d/D)2 (sen φ sen δ + cos φ cos δ cos h) ðt

Qo = 37,6 (d/D)2 [(π/180) hn sen φ sen δ + cos φ cos δ sen hn ]

Qo é a radiação solar no topo da atmosfera (MJ m-2 dia-1)

Total de radiação de onda curta: - ultravioleta: ~ 4%

- visível: ~ 4%

- infravermelha: ~ 52%

2. Declinação solar É o ângulo formado entre o plano do equador


e o vector posição de um astro que é uma linha imaginária que
vai do centro da Terra ao Sol.

A Terra sempre gira inclinada com ângulo máximo de 23º 27´


entre o plano do equador e o plano da elipse. As posições do sol
nas quais a sua declinação é igual aos valores extremos (23º27’)
são denominadas de solstícios. As posições de declinação nula
são denominadas de equinócio, ou seja, quando o sol, em seu
movimento aparente, posiciona-se sobre

47
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

o plano do equador terrestre (δ = 0º). Isto ocorre duas vezes


durante o ano. Cada solstício ou equinócio define o início de
uma estação do ano. A posição dos trópicos de Câncer e de
Capricórnio foi definida em função da declinação solar de
valores extremos (23º 27N e 23º 27S), respectivamente. Em
nenhum dia do ano, nas latitudes superiores a 23º 27´, o sol
culmina zenitalmente.

Sumario

Nesta unidade falamos do radiação solar como a principal fonte


energética da terra e de como se processa o balanço da radiação
e o balanço energético do sistema terra – atmosfera. Falamos
igualmente de seis leis da radiação solar, a saber, Lei de Planck,
lei de Kirchoff, lei de Wien, lei de Stefan-Boltzman, lei de
Lambert e lei de Beer

Exercícios de AUTO-AVALIACAO

1. O que e a radiação solar?


2. Como se chama a quantidade de luz emitida pelo sol que
alcança a atmosfera terrestre
3. Indique os processos envolvidos no balanço da radiação.
4. Indique os processos envolvidos no balanço energético da terra
5. O que e a difusão?
6. O que e Reflexão?
7. O que e absorção?
8. Qual e os mecanismos mais importantes na transferência de
calor entre terra e atmosfera
9. O que e a condução?
10. O que e a advecção?
11. O que e um corpo negro?

Exercícios de AVALIACAO

1. A principal fonte de energia da terra é


A. o vento
B. a radiação solar
C. a radiação da terra
D. a gravidade do sol

48
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Temática 3.2. Factores que influenciam a


radiação solar

A radiação solar esta sujeita a uma serie de processos e


transformações quando alcança a terra. Isso deve-se a uma serie
de factores que são descritos nesta unidade.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos
 Identificar:os factores que afectam a radiação solar
 Explicar:a influencia de cada factor sobre a radiação solar

3.2.1 Nebulosidade
A nebulosidade tem uma relação directa com a insolação. A
insolação é a quantidade da energia emitida directamente pelo
Sol (radiação electromagnética) que incide sobre o solo, na
ausência de nuvens. E medida em numero de horas.
Para Ayoade (2003), como citado em Torres e Machado (2008;
Pag. 28) a distribuição latitudinal da insolação indica que as
maiores quantidades de insolação são recebidas nas zonas
subtropicais sobre os principais desertos do globo, devido à
baixa nebulosidade em comparação com a região equatorial. Os
valores de insolação diminuem em direção aos Pólos, atingindo
seu mínimo em torno das latitudes de 70º – 80º no hemisfério
Norte e de 60º – 70º no hemisfério Sul. Esta diferença entre os
dois hemisférios, é decorrente da maior proporção de oceanos
em relação aos continentes do hemisfério Sul, ou seja, maior
quantidade de água evaporando, significando maior
nebulosidade.

3.2.2 Albedo
A radiação solar que atinge a superfície do globo e afetada de
diverso modos desde a reflecção quase total ate a absorção
praticamente completa dependendo da natureza da superfície.
O albedo de uma superfície e a razão entre a radiação global
reflectida pela superfície e radiação global recebida pela

49
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

superfície. E expresso em percentagem. A neve fresca e fria


atinge valores de 80% e a neve antiga atinge o albedo de 50%.
Para florestas fechadas e areia seca os valores oscilam entre 30
e 50%. A água absorve grande parte da radiação quando o sol
esta alto e reflecte uma grande parte quando o sol esta muito
inclinado.
A subida da temperatura a superfície do globo depende em
parte da distancia a que o calor penetra e o calor especifico da
substancia. A água tem um calor específico elevado enquanto a
areia e as rochas tem um calor específico baixo. Como resultado
a temperatura a superfície da área sobe rapidamente durante o
dia e quando deixa de receber radiação solar a noite perde o
calor por irradiação vai arrefecendo. Assim as superfícies de
areia estão sujeitas a grandes amplitudes térmicas entre o dia e
a noite. O inverso acontece com as superfícies marítimas.

3.2.1. Latitude
Quanto maior for o angulo de incidência dos raios solares menor
será a massa atmosférica, consequentemente, maior será a
concentração de energia por unidade de superfície e vice-versa
Assim, na zona intertropical (entre os trópicos de Câncer e de
Capricórnio), a inclinação dos raios solares é menor resultando
em maior aquecimento (temperaturas mais elevadas)
A partir dos trópicos em direcção aos pólos a inclinação dos
raios solares vai ser cada vez maior resultando em menor
aquecimento (temperaturas mais baixas)
Duração do dia natural
O dia natural e o período em que o Sol se encontra acima da
linha do horizonte, ou seja, entre o nascer e o pôr-do-sol. Quanto
mais tempo o Sol estiver acima da linha do horizonte maior é a
duração do dia, logo maior será a quantidade diária de energia
solar recebida por unidade de superfície. Em consequência
maior aquecimento e temperaturas mais elevadas
O movimento de translação e a inclinação do eixo terrestre são
responsáveis pela duração dos dias e das noites, bem como pela
sua variação ao longo do ano e de lugar para lugar. O dia natural
varia então ao longo do ano e de lugar para lugar, com excepção
do equador, onde o dia é sempre igual à noite: 12 horas dia e 12
horas noite.
Assim, nas regiões extratropicais (para Norte do trópico de
Câncer e para Sul do trópico de Capricórnio), o Sol nunca chega
ao Zénite - nunca faz um ângulo de 90º com o plano tangente à
superfície da Terra. O ângulo de incidência nunca atinge, assim,
o seu valor máximo. Este facto vai

50
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

influenciar a duração dos dias e das noites e,


consequentemente, a concentração de energia por unidade de
superfície.
No Solstício de Junho, o Sol encontra-se no Zénite do trópico de
Câncer. Em qualquer lugar do H. Norte: O dia natural é maior que
a
noite (o ângulo de incidência atinge o seu valor mais elevado e a
massa atmosférica o seu valor mais reduzido)

Sumario

Nesta unidade falamos dos factores que afectam a distribuição


da radiação solar sobre o planeta e suas conseqüências

Exercícios de AUTO-AVALIACAO

1. O que e calor especifico?


2. O que e Albedo?
3. O que e insolação

Exercícios de AVALIACAO

1. Indique os factores que afectam a radiação solar e descreva a


acção de cada um deles.

Exercícios

1. Qual e a importância do balanço energético da terra e como


se processa?

2. Descreva o efeito de estufa.

3. A absorção da radiação solar por constituintes da atmosfera


é um processo de conversão de energia. Explique isto.

4. Debruce-se sobre os conceitos albedo e calor específico e


explique as diferenças de comportamento das amplitudes
térmicas diurnas entre as superfícies de areia do deserto e
as superfícies marítimas

5. A radiação solar não alcança a superfície terrestre de


maneira igual. A que se deve tal facto?

51
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Bibliografia

BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E


Estrutura Da Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física
Molecular Instituto Superior Técnico; Brasil; 2008

RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formação Profissional do


pessoal de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto
Nacional de Meteorologia e Geofísica; Portugal; 1970

AYOADE, J. O. Introdução à climatologia para os trópicos.


TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.;
Introdução a Climatologia; Brasil; 2008,

ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio


E Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)

MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas


Meteorológicos Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio
Atmosférico Observado No Sul Do Brasil, Em São Martinho Da
Serra, Rs; Relatório Final de Projeto de Iniciação Científica INPE
– Brasil; São José dos Campos; 2005

GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula


1999; http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo

AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;


Tradução: Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro:
Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia
Actual de Previsão ; Tradução: AZEVEDO, A. J. (1990).

52
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA – III: Circulacão Geral da Atmosfera (CGA)

UNIDADE Temática 3.1.Distribuição dos ventos e da pressão a


superfície
UNIDADE Temática 3.2. Massas de Ar

Introdução
A atmosfera esta em constante movimento em relação a
superfície terrestre e em conjunto com ela no movimento de
rotação. A circulação Geral da Atmosfera e definida por como
sendo os padrões em larga escala ou globais de vento e de
pressão que se mantêm ao longo do ano ou se repetem
sazonalmente” E a circulação geral da atmosfera que realmente
determina o padrão da distribuição dos climas no planeta

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir : a Circulação Geral da Atmosfera


 Definir : massas de ar
 Descrever: o padrão da distribuição da pressão e dos ventos médios
ao longo da superfície terrestre
 Explicar: as causas dessa distribuição
 Descrever: o mecanismo de funcionamento dos centro de acção
 Conhecer: os principais tipos de massas de ar e suas características
 Conhecer: o mecanismo de formação de frentes
 Descrever: a influência da CGA sobre o Clima

UNIDADE Temática 3.1.Distribuição dos ventos e da pressão a superfície

Introdução
A circulação planetária é acompanhada por uma distribuição
compatível de pressão na superfície. Nesta unidade

53
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

abordaremos a relação entre os ventos médios na superfície e


essa distribuição de pressão

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: a Circulação Geral da Atmosfera


 Conhecer: o padrão da distribuição da pressão ao longo da
superfície terrestre
 Conhecer:o padrão de distribuição dos ventos médios ao longo
da superfície terrestre
 Explicar: a relação entre a distribuição dos ventos e da pressão
atmosférica ao longo da superfície do globo terrestre
 Descrever: o mecanismo de funcionamento dos centro de
acção
 Definir: correntes de jacto

De acordo com Forsdyke (1969), as diferenças climáticas são


causadas pelas quantidades diferentes de radiação solar
recebidas em áreas distintas da superfície terrestre. Contudo, se
a radiação solar fosse o único factor em questão, todos os
lugares na Terra de mesma latitude teriam a mesma
temperatura média.
O balanço médio da radiação anual do Globo mostra que a
região intertropical apresenta valor positivo, crescente à medida
que se aproxima do Equador. O balanço é negativo para as
regiões temperadas, ocorrendo os menores valores nas calotas
polares. Como consequência, a massa de ar no equador sofre
aquecimento, diminuição de densidade e se eleva na atmosfera
(ascendência). Por outro lado, massas de ar nas calotas polares
sofrem resfriamento, aumento de densidade e descendem na
atmosfera (subsidência).
A condição de aquecimento de massas de ar no Equador cria aí
uma região de Baixa Pressão (BP), enquanto a constante
condição de resfriamento do ar nos pólos gera uma região de
alta pressão (AP). Se a Terra não tivesse movimento de rotação
(efeito de Coriolis) e apresentasse uma superfície homogênea,
estabelecer-se-ia, teoricamente, um
54
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

gradiente contínuo de pressão dirigido dos pólos para o


Equador, junto á superfície do solo. Formar-se-iam “células” de
circulação, constituídas de massas frias dirigindo-se dos pólos
para o Equador, viajando pelas partes mais baixas da Troposfera
e massas de ar quentes dirigindo-se do Equador para os pólos,
pelas partes superiores da Troposfera. O vento de superfície
seria então, de sul no Hemisfério Sul e de norte no Hemisfério
Norte.

Figura 1 – Circulação Geral da atmosfera sem tomar e


consideração a forca de Coriolis

As diferenças no balanço da radiação solar, ou seja, a incidência


diferenciada dos raios solares na superfície da Terra (que varia
de acordo comas latitudes), associadas à heterogeneidade da
superfície terrestre (formas e disposição do relevo, repartição
diferenciada entre as superfícies continentais e oceânicas, bem
como as diferenças de calor especifico da terra e das águas),
aliadas ao Movimento de Rotação da Terra, geram diferenças
depressão que mantém a atmosfera em constante movimento.
Esse movimento doar (vento) tende a eliminar ou equilibrar
estas diferenças de pressão. Em seus deslocamentos, as massas
de ar interagem entre si e/ou com a superfície do Planeta,
gerando alterações nas condições meteorológicas locais. A
maior freqüência dessas condições meteorológicas específicas é
que vai determinar o clima local.
Como resumido por Molion (1988), “a circulação geral da
atmosfera é a forma como as massas de ar se deslocam ou
escoam sobre o planeta, provocando ventos com direcções
distintas nas regiões tropicais, temperadas e polares”.

55
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

3.1.1.1 Factores que controlam o movimento do ar junto


a superfície terrestre

Ayoade (1996, P. 72) refere que existem quatro factores que


controlam o movimento do ar junto a superfície terrestre:

A força do gradiente de pressão é a causa primordial do


movimento horizontal do ar resultante das diferenças
horizontais de pressão que faz o ar deslocar-se das áreas de altas
pressões para as áreas de baixas pressões. Estas diferenças
horizontais de pressão são resultado da acção de factores
térmicos e/ou mecânicos. Esta forca e inversamente
proporcional a densidade do ar. Quanto mais forte for a
diferença entre as pressões altas e baixas, mais forte será o
vento.

A força de Coriolis é a forca deflectora dos ventos. E na verdade


o efeito do movimento de rotação da terra que desvia os
objectos que se movem, incluindo o ar, para a direita da sua
trajectória de movimentação no hemisfério norte e para a
esquerda no hemisfério Sul. A Força de Coriolis é máxima nos
pólos e mínima no Equador.
A força centrípeta resulta da forma curva das isóbaras que
influencia o fluxo de ar puxando-o para o centro.

A força de fricção ou de atrito controla a velocidade e a direcção


do vento. Esta forca e nula junto a superfície e acima de 1km o
seu efeito desaparece. Ao longo desta camada a velocidade do
vento aumenta com a altura
As quatro forças descritas combinam de modos diferentes para
gerar uma multidão de fluxos de ar que causam o movimento da
atmosfera em faixas de vento de escala grande sobre a terra: as
calmas equatoriais, os ventos alísios, os ventos predominantes
de oeste e os ventos do leste polar.
Os padrões dos sistemas de pressão dos ventos globais, próximo
à superfície terrestre, são mostrados na Figura 2.
Os efeitos do aquecimento diferencial das superfícies terrestres
e aquáticas são negligenciados, mas o efeito produzido pela
Força de Coriolis é levado em consideração, de modo que os
ventos mostrados são desviados em relação à sua trajectória
inicial.

56
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 2 - Esquema da Circulação geral da Atmosfera numa


superfície homogénea, Torres e Machado 2008

3.1.1.2 Padrao de distribuicao da Pressao


Depressões Equatoriais e a Zona de Convergência Intertropical
(ZCIT)
Na convergência dos ventos Alísios dos dois hemisférios, de
Nordeste (NE) e de Sudeste (SE), na zona do Equador cria-se a
Zona de Convergência Intertropical (ZCIT). Nesta região, (de
baixas pressões junto à superfície e receptora de ventos), os
ventos são fracos, as calmarias são constantes e as correntes de
ar ascendentes originam nuvens convectivas e precipitações
frequentes resultando em uma zona de aguaceiros e trovoadas.
A ZCIT forma uma faixa em torno do globo terrestre que
corresponde à região chuvosa equatorial, dela se
“aproveitando” para seu desenvolvimento, uma rica, variada e
exuberante biodiversidade, principalmente, vegetal (floresta
equatorial). A ZCIT configura um divisor entre as circulações
atmosféricas celulares que se localizam nas proximidades do
Equador, sejam as células norte ou sul de Hadley. Ela é móvel,
uma vez que se desloca durante o ano sob a ação do movimento
aparente do Sol. A sua disposição diária e sazonal está
condicionada a vários factores, dentre os quais se destacam a
continentalidade ou a maritimidade, o relevo e a vegetação
Torres e Machado (2008; P. 95)
Altas Pressões subtropicais
O ar aquecido na zona equatorial desloca-se em altitude para
regiões mais afastadas do Equador e passa a arrefecer, com
aumento da densidade. As zonas de altas pressões subtropicais,
próximas à latitude

57
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

de 30º, em ambos os hemisférios, têm sido explicadas como


decorrência dos efeitos do mecanismo de “mergulho” de
correntes dirigidas para os pólos, por arrefecimento, ou como
enuncia Forsdyke (1969), como citado em Torres e Machado
(2008; Pag 92)
Baixas Pressões Subpolares
As zonas de baixas pressões subpolares, em torno das latitudes
de 60º, em ambos os hemisférios, são essencialmente de origem
dinâmica. De acordo com Ayoade (2003), elas são causadas pelo
Movimento de Rotação da Terra que provoca um turbilhão polar
e, assim, uma tendência para baixa pressão em torno dos pólos.
“Entretanto, por causa do frio intenso nos pólos, o efeito
dinâmico é mascarado pelo efeito térmico”. (como citado em
Torres & Machado 2008; P. 91)
Altas Pressões Polares
As zonas de altas pressões polares têm igualmente origem
térmica, devido à incidência menor e mais oblíqua dos raios
solares

3.1.1.3 Padrão de Distribuição dos ventos


Célula Tropical de Circulação Meridional ou Célula de Hadley
A massa de ar que se eleva no Equador desloca-se, na parte
superior da atmosfera, em direção aos pólos, originando ventos
de noroeste ou de sudoeste em altitude (Contra-Alísios). À
medida esta se desloca em direção aos polos, arrefece (pelo
aumento da latitude) e desce gradativamente na atmosfera,
indo atingir a superfície do solo (“mecanismo de mergulho”) na
latitude aproximada de 30° N/S. Esse fluxo descendente de ar na
atmosfera gera uma região de alta pressão junto à superfície
terrestre. Parte dessa massa de ar que descendeu na atmosfera,
na região dos 30° sul, encaminha-se para o Equador e outra
parte para os pólos. As massas de ar que se orientam para o
Equador passam a sofrer deflexão, por efeito da Força de
Coriolis constituído os ventos alísios de nordeste e de sudeste.
Esta circulação recebe também o nome de “Célula de Hadley”,
uma homenagem ao cientista inglês George Hadley, que em
1735, lançou as bases para a identificação desse modelo de
circulação. (Torres e Machado; 2008; P. 92).
Célula Temperada de Circulação Meridional ou “Célula de
Ferrel”
A outra parte da massa de ar que descendeu na faixa dos 30° de
latitude sul, orienta-se para os pólos, formando “Ventos de
Oeste” em torno da latitude de 60° (N/S) - área de baixa pressão
de origem dinâmica. Esta massa de ar encontra-se com as

58
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

massas polares mais densas, elevando-se na atmosfera. O


contacto entre estas massas de ar dá origem a uma
descontinuidade, conhecida como “Frente Polar”.
Parte da massa de arque se eleva na Frente Polar adquire a
orientação sul/norte (rumo à latitude de 30°, por influência da
baixa pressão na alta atmosfera, criada pela descendência do ar
nos 30° H/S. Esta massa de ar, dá origem a ventos de sudeste e
nordeste em altitude. Esta célula recebe o nome de célula de
Ferrel. (Torres e Machado 2008; P. 92)
Célula polar
Parte da massa de ar que foi elevada na Frente Polar é induzida
a apresentar deslocamento rumo aos pólos, em consequência
da baixa pressão que se estabeleceu na alta atmosfera pela
descendência de ar sobre os pólos. Esta massa de ar dá origem
a ventos de noroeste/sudoeste em altitude.
A circulação constituída pela elevação do ar na Frente Polar,
ventos noroeste em altitude, descendência de ar nos pólos e
ventos de sudeste/nordeste em superfície – ventos do leste
polar- forma a “Célula Polar de Circulação Meridional”.

Figura 3 – Células de circulação


O modelo de Circulação Geral da Atmosfera, descrito
anteriormente para a Terra em Rotação e com superfície
uniforme, permite explicar a existência das grandes zonas
climáticas do globo terrestre. Contudo, a pronunciada diferença
no balanço da radiação entre os continentes e os oceanos (e
ainda, outros vários factores climáticos), modifica de maneira
acentuada a circulação na atmosfera, principalmente junto à
superfície terrestre. O padrão médio da circulação descrito
anteriormente, está submetido, ainda, à diversas variações
importantes, que ocorrem regularmente em ciclos sazonais
e/ou diurnos, promovendo alterações nos centros de alta e de
baixa pressão (como as brisas, as monções, etc.) e, sendo assim,
a direção dos ventos descrita no modelo de Circulação Geral
sofre modificações locais importantes sobre a distribuição e
localização das espécies vivas do Planeta (especialmente as

59
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

vegetais), bem como das correlações entre tais distribuições e


localizações com a ocorrência das diversas áreas planetárias de
altas e baixas pressões observadas.

Figura 4 – a) Distribuição idealizada zonal de pressão e dos


ventos
b) Distribuição zonal de pressão e ventos influenciada pela
diferenciação na distribuição dos continentes e oceanos
Centros de Acção
Os centros de ação constituem-se em extensas zonas de alta ou
de baixa pressão atmosférica que dão origem aos movimentos
da atmosfera, portanto, aos fluxos de ventos predominantes e
aos diferentes tipos de tempo.
O movimento do ar se faz geralmente dos centros de ação
positivos, de alta pressão (anti-ciclonais), para os negativos, de
baixa pressão (ciclonais ou depressionários), como já dito.
Influenciados pela força de Coriolis, os movimentos do ar
tendem a deslocar-se do centro de ação positivo (A) em direção
ao centro de ação negativo (B), movendo-se para a esquerda ao
sair do centro anticiclonal no hemisfério sul e para a direita no
hemisfério norte.
A dimensão horizontal dos centros de ação positivos e dos
depressionários varia de algumas centenas a alguns milhares de
quilômetros, e, na dimensão vertical, eles podem estender-se
desde algumas centenas de metros a mais de 15 km.
Os centros de ação atmosférica são, de maneira geral,
sazonalmente móveis, ou seja, apresentam deslocamentos ao
longo do ano, sobretudo devido à variação na distribuição da
radiação pelos dois hemisférios. Assim, quando é verão no
hemisfério Sul, os anticiclones e suas massas de ar apresentam
seus mais expressivos deslocamentos em direção sul, ocorrendo
o oposto no inverno, e vice-versa para o hemisfério Norte.
Os centros mais relevantes são as altas subtropicais. Estes
sistemas estão centrados entre 20° e 35°de latitude, sobre todos

60
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

os maiores oceanos. É possível notar também que as altas


subtropicais estão situadas mais para leste destes oceanos,
particularmente no Pacífico Norte e Sul e Atlântico Norte. Este
facto afecta bastante os climas na costa oeste dos continentes
adjacentes. Esta distribuição é ainda complicada por grandes
variações sazonais de temperatura, que servem para fortalecer
ou enfraquecer estas células de pressão. Como consequência, as
configurações de pressão na Terra variam consideravelmente
durante o curso de um ano.

(a) Pressão e circulação na superfície em janeiro.

(b) Pressão e circulação na superfície em julho


Figura 6 – Grimm (1999).
61
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Se compararmos as figuras 6a e 6b, vemos que algumas células


de pressão são configurações mais ou menos permanentes,
como as altas subtropicais, e podem ser vistas em Janeiro e
Julho. Outras, contudo, são sazonais. A variação sazonal é mais
evidente no HN. Relativamente pouca variação de pressão
ocorre do inverno para o verão no HS, devido a grande extensão
de superfícies liquidas, as variações mais notáveis são os
deslocamentos sazonais de 5° a 10° em latitude das altas
subtropicais, que acompanham a incidência vertical dos raios
solares.

Um aspecto importante a ressaltar é a migração sazonal da ZCIT,


que acompanha a migração da zona de baixa pressão equatorial.
Estes movimentos são maiores sobre os continentes que sobre
os oceanos, devido à maior estabilidade térmica dos oceanos. A
ZCIT é um dos melhores exemplos de depressão de origem
termodinâmica. (Torres & Machado; 2008; P. 99)

Os principais centros de ação positivos, segundo Torres &


Machado (2008; P. 99) que actuam na configuração climática do
Globo, se dividem em dinâmicos como os subtropicais e
térmicos como os polares, podendo ser encontrados 3
dinâmicos no Hemisfério Sul e 2 no Hemisfério Norte:
No Hemisfério Sul:
 Anticiclone de Santa Helena, anticiclone Semifixo do Atlântico
ou anticiclone Subtropical do Atlântico Sul, localizado sobre o
oceano Atlântico;
 Anticiclone da Ilha de Páscoa, anticiclone Semifixo do Pacífico ou
anticiclone Subtropical do Pacífico Sul, localizado sobre o
oceano Pacífico;
 Anticiclone de Mascarenhas, localizado sobre o oceano Índico.
No Hemisfério Norte:
 Anticiclone dos Açores, localizado sobre o oceano Atlântico;
 Anticiclone da Califórnia ou anticiclone do Havaí, localizado sobre o
Oceano Pacífico.
Os centros de ação negativos sobre a superfície da Terra são 4,
mas outras células depressionárias de gênese sazonal também
podem formar-se sobre os continentes superaquecidos das
latitudes tropicais e temperadas. Além da zona equatorial, as 3
células depressionárias mais expressivas localizadas nas zonas
de 50/60° estão distribuídas em 2 no Hemisfério Norte e 1 no
Hemisfério Sul:
 Depressão do Mar de Weddel sobre o Atlântico;
Hemisfério Norte
62
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

 Depressão da Islândia, sobre o Atlântico;


 Depressão das Aleutas, sobre o Pacífico.
Influência da CGA sobre o Clima
Levando-se em consideração os conhecimentos sobre a
Circulação Geral de ar na atmosfera, podem-se compreender
algumas importantes situações climáticas do Planeta.

Figura 5 – Influencia da CGA no clima


Nas proximidades da latitude dos 30° (tanto no Hemisfério
Norte quanto no Hemisfério Sul), ocorre ausência de
nebulosidade e pouca precipitação. Essa região define uma faixa
em torno do globo terrestre que corresponde à região seca
subtropical (áreas de altas pressões junto à superfície terrestre,
dispersoras de ventos), caracterizando-se por pouca vegetação,
com destaque para a ocorrência de áreas desérticas e
semidesérticas.
Em torno das latitudes de 60°, o encontro das massas de ar de
características opostas, vistas anteriormente (Frente Polar), cria
uma zona de descontinuidade. Nesta área, ocorre um “relativo
aumento” da nebulosidade e da precipitação (área de baixa
pressão dinâmica próxima à superfície e, pois, receptora de
ventos), definindo uma faixa em torno da Terra que
corresponde à região “húmida fria”. A vegetação característica
é a Floresta de Coníferas, que se estende entre,
aproximadamente, 55° e 70° de latitude (norte).
Na região polar, outra área de alta pressão à superfície terrestre
(e, pois, caracterizada pela dispersão de ventos), de clima muito
frio e precipitação muito reduzida (inferior a 100 mm/ano),
predominam, quando muito, líquenes, musgos e fungos, que
constituem essencialmente a vegetação de Tundra, arbustos
que atingem a altura máxima de um metro e que possui um
“ciclo de vida activo” muito curto durante o ano.
Correntes de jacto
A velocidade da sinuosidade de ventos de oeste superiores não
é uniforme em todo lugar, pois em
63
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

certas regiões o escoamento se torna concentrado em núcleos


estreitos de ventos mais fortes do que o normal, conhecidos
como correntes de jacto.

A definição da OMM de uma corrente de jacto é a que segue:


"Uma corrente forte, estreita, concentrada ao longo de um eixo
quase horizontal na troposfera superior ou na estratosfera,
caracterizada por forte cisalhamento vertical e lateral do vento
e apresentando uma ou mais velocidade máxima". Além disso,
os seguintes critérios característicos são recomendados:
"normalmente, uma corrente de jacto tem milhares de
quilômetros de comprimento, centenas de quilômetros de
largura e alguns quilômetros de profundidade. O cisalhamento
vertical do vento é da ordem de 5-10 m/s por km (i.e., a
velocidade do vento diminui de 5-10 m/s a cada quilômetro
acima ou abaixo do jacto).

O jacto polar tem um papel muito importante no tempo em


latitudes médias. Além de fornecer energia à circulação de
tempestades na superfície, ele também dirige suas trajetórias.
Consequentemente, o seu monitoramento é importante para a
previsão de tempo.

O jacto polar apresenta velocidade média de 125 km/h no


inverno e aproximadamente a metade no verão. A velocidade
pode chegar a 350 km/h. A diferença sazonal é devida ao
gradiente mais forte de temperatura que existe em latitudes
médias durante o inverno. Durante o inverno, o jato polar pode
desviar-se em direção ao equador até 30° de latitude. No verão,
sua posição média é usualmente em torno de 50° de latitude.
Como a frente polar, o jato polar não é uniformemente bem
definido ao redor do globo. Onde a frente polar é bem definida,
com grandes gradientes de temperatura, os ventos no jacto são
acelerados. O jacto não tem uma trajectória rectilínea leste-
oeste, mas apresenta ondulações, com grande componente
norte-sul.

O papel do jacto polar na geração e manutenção de


tempestades em escala sinóptica está ligado à produção de
convergência e divergência em nível superior quando o ar é
acelerado e desacelerado ao entrar e sair de faixas de máxima
velocidade do jato. Onde o jato produz divergência em altitude
ele contribui para o desenvolvimento de ciclones que se formam
e deslocam ao longo da frente polar.

O jacto polar não é a única corrente de jato. Existem outros, mas


importa citar o jacto subtropical que ocorre próximo à

64
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

descontinuidade da tropopausa, em torno de 25° de latitude, no


extremo da célula de Hadley. Ele está localizado a
aproximadamente 13 km de altitude. É mais forte e menos
variável em latitude que o jacto polar.

As correntes de jacto têm um importante papel na rápida


transferência de energia sobre longas distâncias na atmosfera,
pois em latitudes de 40˚-50˚N, o ar pode facilmente ser
transportado em torno da Terra em uma semana.

Sumario

Nesta unidade falamos da distribuição global da pressão e dos


ventos médios ao longo da superfície terrestre, a saber : a zona
das depressões equatoriais para onde convergem os ventos
alísios; o cinturão das altas pressões subtropicais de onde
partem os ventos de oeste que vão convergir com os ventos do
leste polar - que partem das altas pressões polares - nas baixas
pressões subpolares. Fizemos referencia ao relacionamento
entre a CGA e a distribuição dos climas ao longo da superfície
terrestre.
Falamos igualmente dos centros de alta e baixa pressão
permanentes e semi-permantes e como são influenciados pelo
movimento de translacção da terra e pela irregular distribuição
das massas continentais e oceânicas.

Exercicios de Auto-avaliacao

1 – O que e a Circulação Geral da Atmosfera?


2 – Qual e a principal causa da movimentação do ar
atmosférico?
3 – Quais são os factores que afectam a circulação do ar na
superfície terrestre?
4 - Esquematize a CGA, tomando em consideração o efeito de
coriolis.
5 – Esquematize as três células de circulação do ar
6 – Qual e o sentido de deslocação do ar?
7 – Qual e efeito da forca de Coriolis sobre a direcção dos
ventos?
8 – Indique os grandes sistemas de ventos que conhece dentro
da CGA

65
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

9 – Indique os principais cinturões de pressão ao longo do globo


terrestre
10 – O que são correntes de jacto?

Exercicios de Avaliacao

1 – A que sistema de pressões esta associada a ZCIT:


a) Baixas pressões equatoriais
b) Altas pressões subtropicais
c) Baixas pressões subpolares
d) Altas pressões polares
2. Observe as proposições abaixo:
1.As zonas de alta pressão atmosférica são chamadas áreas
anticiclonais. São áreas para onde convergem ventos e massas
de ar.
2.A pressão atmosférica é menor nas regiões de baixas latitudes
em função das maiores temperaturas aí existentes.
3.A velocidade do vento é inversamente proporcional à
diferença de pressão do ar atmosférico entre dois lugares.
4.O movimento de rotação terrestre, que gira no sentido oeste-
leste, interfere na circulação geral da atmosfera, pois os ventos
sofrem um desvio ocasionado pela força de Coriolis. No
hemisfério sul o vento tende a se desviar para a direita e no
hemisfério norte para a esquerda.
Estão incorretas:
a) 1, 2 e 3
b) 1, 3 e 5
c) 2, 3 e 4
d) 3 e 4 apenas
e) 2, 4 e 5
3 – A que se deve o movimento sazonal dos centros de acção
deve-se
a) Forca de Coriolis
b) Forca de gradiente de Pressão
c) Movimento anual aparente do sol
d) Forca de atrito

4 - Destas afirmações indique as falsas e as verdadeiras:


a) O ar desloca-se das baixas pressões para as altas pressões
b) O anticiclone e um centro de alta pressão
c) Os ventos alísios sopram das altas pressões polares para as
baixas pressões equatoriais

66
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

d) A forca de Coriolis resulta do movimento de translação da terra


e) A forca de gradiente barométrico e resultado da diferença de
pressão atmosférica entre 2 pontos da superfície terrestre
f) Nos centros de altas pressões o movimento do ar e divergente
em altitude
g) Nos centros baixas pressões o movimento do ar convergente a
superfície e divergente em altitude

5. Assinale a alternativa que não apresenta uma correlação com


a formação das células de circulação atmosférica:

a) Desequilíbrio da radiação solar ao longo da superfície


terrestre

b) Diferenças de pressão atmosférica

c) Diferenças de temperatura

d) Diferenças nas formas de relevo

Bibliografia

SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações


climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo

67
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:


Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; Meteorologia e Climatologia; Versão Digital 2;


Brasil

UNIDADE Temática 3.2. Massas de Ar

Introdução
As massas de ar são grandes porções de ar com características
praticamente homogêneas em toda a sua extensão que se
deslocam na superfície terrestre influenciando o estado do
tempo nos locais por onde passam.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir : massas de ar
 Conhecer: os principais tipos de massas de ar e suas características
 Conhecer: o mecanismo de formação de frentes
 Conhecer: os tipos de frentes
 Descrever: o estado de tempo associado a cada tipo de frente

68
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

3.2.1 As Massas De Ar
Para Atkinson B. W. e Gadd A. 1990 (pag 8)“as massas de ar são
volumes imensos da atmosfera em que os gradientes
horizontais da temperatura e da unidade são relativamente
pequenos”
Uma massa de ar pode ser descrita como uma porção
individualizada da atmosfera quanto às suas características ou
qualidades. Abrangem uma grande extensão horizontal,
apresentando espessura bem desenvolvida, homogeneidade
horizontal de suas propriedades físicas, principalmente
temperatura e humidade são, pequena ou mesmo nenhuma
variação dessas propriedades no sentido vertical. Para que uma
massa de ar adquira tais propriedades ou características
uniformes é necessário que ela permaneça estacionária,
durante algum tempo, sobre uma extensa região, cuja superfície
tenha igualmente características bastante uniformes ou
homogêneas (como os oceanos, os pólos, ou, os desertos, gelo,
florestas). Quanto mais tempo a massa de ar permanecer sobre
esta área, antes de se deslocar, mais afectada ela será pelas
características térmicas e/ou hídricas da mesma. Esta região é
denominada “Região de Origem”, “Área Fonte” ou “Região
Nascente”. As principais, mas não as únicas, regiões de origem
de massas de ar são os grandes centros de alta pressão, como as
regiões polares e subtropicais. Ayoade (1996; P. 99) refere que
tais áreas devem possuir estagnação da circulação atmosférica.
Áreas de terreno irregular ou onde a terra e a água estão
justapostas, áreas com fluxo predominante convergente não
servem com regiões de formação de massas de ar.
As principais áreas produtoras de massas de ar no mundo não
são só homogêneas, mas também apresentam circulação
anticlonica.
As massas de ar estão constantemente deslocando-se sobre o
globo terrestre, pois a Atmosfera está sempre em movimento
(Circulação Geral). As massas de ar são muito importantes no
estudo e na caracterização do tempo e do clima, pois durante
seus deslocamentos influenciam directamente as áreas nas
quais predominam. Porém, à medida que uma massa de ar se
afasta de sua região de origem, têm modificadas suas
propriedades iniciais, principalmente temperatura e humidade,
sendo assim modificada durante seu percurso ou deslocamento
pelas condições presentes nos locais que atravessa.
Dessa forma, se a massa de ar se desloca sobre uma superfície
hídrica, sua humidade aumenta. Se,se desloca sobre o
continente, absorve menos humidade ou mesmo a perde.

69
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

O mesmo acontece quanto às suas propriedades térmicas: ao


deslocar-se sobre uma superfície mais fria que ela própria, a
massa de ar perde calor nos seus níveis mais baixos
(resfriamento basal). Ao contrário, se ela se desloca sobre uma
superfície mais quente que ela, tende a modificar suas
propriedades na base, pelo aquecimento (aquecimento basal).
Uma massa de ar é assim modificada pelas diferentes
quantidades de radiação e/ou umidade que recebe e/ou perde.
Dessa forma, nota-se que existem vários tipos de massa de ar e
estas são classificadas (ou denominadas) de acordo com sua
região de origem, levando-se em consideração, essencialmente,
a temperatura e a humidade. Se originada numa área quente, é
uma massa de ar quente; se originada em uma região fria, é uma
massa de ar fria.
Em decorrência da Circulação Geral da Atmosfera, as massas de
ar podem ser originadas em diferentes áreas, de diferentes
latitudes e, assim, recebem denominações distintas, baseadas
na respectiva área de origem:
 Polares (P),
 Tropicais (T),
 Equatoriais (E).
Porém, para uma mesma condição de latitude, a massa de ar
pode se formar sobre continentes ou sobre oceanos, sendo
então denominadas: Continental (c) ou Marítima (m),
respectivamente. Torres e Machado (2008 Pag.100) refere como
importantes fontes produtoras de massas de ar:
• As planícies arcticas da Europa, Ásia e América do Norte
• Os oceanos subtropicais e tropicais
• Deserto do Sahara
• Os interiores continentais Europa, Ásia e América do Norte
Em geral, ocorre que as massas de ar continentais são “secas” e
as marítimas são “húmidas”.

3.2.2 Frentes
As frentes podem ser definidas como sendo as regiões de
transição ou “zonas limite” entre massas de ar de propriedades
ou características diferentes.
Uma frente é assim, uma zona de transição ou de contato, na
qual as propriedades do ar passam gradativamente de uma
massa para outra (mistura ou troca). Onde elas ocorrem, o ar é
muito agitado e o tempo é instável. Como citado por Tubelis e
Nascimento (1984), no contacto entre duas massas de ar de
temperaturas diferentes forma-se uma superfície de
descontinuidade, conhecida como
70
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

superfície frontal. Essa descontinuidade é uma zona de


transição, estreita e inclinada, na qual os elementos
meteorológicos variam mais ou menos abruptamente. A linha
ou zona de contacto da superfície frontal com a superfície do
solo, ou qualquer outro plano horizontal, é chamada de Frente
(Torres & Machado; 2008 P.105)
Os mesmo autores referem ainda que estas descontinuidades
frontais podem ser classificadas tendo-se como fundamentos o
seu deslocamento e as mudanças de temperatura que elas
causam, em, basicamente: Frente Fria, Frente Quente Frente
Estacionária e Frente Oclusa. Em todos os casos, a massa de ar
de menor temperatura, e consequentemente, maior densidade,
permanece em conctato com a superfície do solo, fazendo com
que a massa de ar de maior temperatura e menor densidade se
eleve sobre a superfície frontal. (Torres & Machado; 2008 P.107)
Por definição e, ainda segundo Tubelis e Nascimento (1984),
uma frente fria é uma descontinuidade frontal na qual uma
massa de ar de menor temperatura desloca, da superfície do
solo, uma massa de ar de maior temperatura.” Uma frente
quente é uma descontinuidade frontal na qual uma massa de ar
de menor temperatura é substituída, de junto do solo, por uma
massa de ar de maior temperatura. (Torres & Machado; 2008 P.
107)
A frente estacionária é toda descontinuidade frontal que
apresenta pequeno ou nenhum deslocamento horizontal. Às
vezes, ocorre que o ar polar não tem força para avançar mais
para o norte, nem o ar quente tem energia suficiente para
empurrar a massa polar para trás. Formam-se dessa maneira as
chamadas frentes estacionárias, responsáveis por chuvas
continuadas sobre a área em que se localizam. Quando isso
acontece, podem ocorrer enchentes, que causam grandes
prejuízos aos habitantes das regiões atingidas. (Torres &
Machado; 2008 P. 107)
Frente oclusa: Uma frente oclusa, também chamada de oclusão,
é uma zona de transição onde uma frente fria, movendo-se mais
depressa, ultrapassa (e obstrui) uma frente quente, fazendo
elevar-se todo o ar quente. A chuva contínua característica das
frentes quentes é seguida imediatamente pelos aguaceiros
associados às frentes frias.
Frontogênese (formação de uma frente)
Ayoade (1996 Pag. 102), faz referência a três condições para que
haja frontogênese:
 Existência de duas massas de ar adjacentes com temperaturas
diferentes

71
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

 Circulação atmosférica com forte fluxo convergente para


transportar as massas de ar uma em direcção a outra
 Suficiente forca de Coriolis para garantir que o ar quente não
permaneça sobre o frio
Sempre que as condições acima deixam de se verificar as frentes
enfraquecem e desaparecem – acontece a frontólise

3.2.3 Tempo associado aos sistemas frontais


A passagem de uma frente é caracterizada pela sequência de
tempo” ou seja, ocorre uma sequência de tipos de tempo que
acompanha a passagem de uma frente, fria ou quente, e que
caracteriza o estado atmosférico do lugar durante a actuação de
uma ou de outra, notadamente, quanto aos elementos: pressão
atmosférica, ventos, temperatura, umidade do ar,
nebulosidade, visibilidade e ocorrência de fenômenos
meteorológicos associados a elas, como chuva, nevoeiro etc.
As frentes frias tendem a se deslocar no sentido pólo - equador.
A passagem de uma frente fria por um determinado local da
superfície terrestre provoca chuvas fortes podendo haver,
fortes rajadas de vento ou violentas tempestades. Com a
passagem da frente ha um aumento na força do vento e uma
variação na sua direcção.
Frente Quente
A passagem de uma frente quente, por um determinado local da
superfície, acarreta a formação de nuvens ao longo da frente. À
medida que a frente quente se aproxima, ha uma queda maior
da pressão. A nebulosidade, temperatura mantêm-se
constantes ou sobem lentamente. O estado de tempo associado
a uma frente quente e menos pronunciado que a passagem de

72
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

uma frente fria.

Figura 6 - Frentes. (Torres & Machado; 2008 Pag.107)

Sumário

Nesta Unidade temática 3.2 estudamos e discutimos


fundamentalmente o conceito de massas de ar, sua gênese,
características e tipos. Falamos igualmente do mecanismo da
formação de frentes e o tempo a elas associado

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

1. O que e uma massa de ar?

2. Qual deve ser a característica da pressão no local onde se forma


uma massa de ar?
3. Mencione os tipos de massa de ar que conhece?
4. O que provoca a deslocação das massas de ar?
5. O que e uma frente?
6. Mencione os tipos de frente que conhece.
7. O que e a frontogênese?
8. O que e a fróontolise?

73
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercícios de AVALIAÇÃO

1. Das afirmações que se seguem diga qual e a falsa e qual e


verdadeira
a) Originalmente as massas de necessitam de uma atmosfera
“estagnada” para poderem desenvolver-se.
b) As massas de ar formam-se apenas nas regiões polares
c) Locais com correntes convectivas fortes não são favoráveis
a formação de massas de ar
d) Massas de ar com origem na mesma latitude podem ser
marítimas ou continentais
e) Uma massa de ar não ê homogênea nas suas características
físicas
f) Uma frente forma-se quando duas massas de ar com a
mesma temperatura encontram-se
g) As massas de ar deslocam-se com base em um determinado
padrão global, responsável pela articulação da circulação
geral atmosférica.
h) As frentes de ar ocorrem quando há um choque entre
massas de ar, geralmente de características diferentes.
i) Quando as massas de ar originam-se em regiões oceânicas,
costumam ser frias e secas, e quando se originam em regiões
continentais, costumam ser quentes e húmidas.
j) As massas de ar polar recebem esse nome porque se
originam nos pólos do planeta, ou seja, em regiões de
elevadas latitudes.

2. Os deslocamentos de massas de ar ocorrem na:

a) Estratosfera

b) Troposfera

c) Mesosfera

d) Termosfera

3. O fenômeno de choque entre uma massa de ar frio e uma


massa de ar quente, em que a primeira avança, fazendo a
segunda recuar, é responsável pela formação:

a) de frentes frias

b) de frentes quentes

c) de frentes isotérmicas

74
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

d) de frentes chuvosas

e) de frentes secas

Bibliografia

SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações


climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compêndio para a Formação Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsão ; Tradução: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

75
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA – IV: Elementos e Factores Climaticos

UNIDADE Temática 4.1 . Temperatura


UNIDADE Temática 4.2 - Humidade
UNIDADE Temática 4.3. Pressão

Introdução

O entendimento e a caracterização do clima de um lugar


dependem do estudo do comportamento do tempo durante
pelo menos 30 anos: das variações da temperatura e da
umidade, do tipo de precipitação , da sucessão das estações
húmidas e secas, etc.
Os factores climáticos são os responsáveis pelas características
ou modificações dos elementos do clima e devem ser analisados
em conjunto
Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: os factores climáticos


 Conhecer: os elementos climáticos
 Analisar: os elementos climáticos e sua variação
 Explicar: a influência dos factores climáticos sobre cada elemento
climático

4.1.1 Temperatura do ar
De acordo com Ayoade (2003), a temperatura pode ser definida
em termos do movimento de moléculas, onde quanto mais
rápido este movimento, mais elevada a temperatura. Podendo
ser definida também tomando por base o grau de calor que um
corpo possui. “A temperatura é a condição que determinado
fluxo de calor que passa de uma substância para outra”.

Retallack (1970) define a temperatura de um corpo como a


condição que determina a sua capacidade de transferir calor
para outros ou de receber deles.
76
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

O calor desloca-se de um corpo de maior temperatura para


outro com menor temperatura. O Calor é definido como
energia cinética total dos átomos e moléculas que compõem
uma substância. A distinção fica mais clara pelo seguinte
exemplo. A temperatura de um copo de água fervente é a
mesma que a da água fervente de uma balde. Contudo, a balde
de água fervente tem uma maior quantidade de energia que o
copo de água fervente. Portanto, a quantidade de calor depende
da massa do material, a temperatura não.

A temperatura de um corpo é determinada pelo balanço entre


a radiação que chega (ondas curtas) e a que sai (ondas longas) e
pela sua transformação em calor latente e sensível. “Calor
sensível é o calor que se detecta, estando associado à mudança
de temperatura. Já o calor latente é o calor que deve ser
absorvido por uma substancia para que ela mude seu estado
físico” (VIANELLO e ALVES, 1991) como citado em Torres e
Machado (2008 P. 32)

Existem três escalas de medição: o Celsius (°C), a Fahrenheit (°F)


e a Kelvin (ou absoluta). O ponto de fusão do gelo corresponde
a 0º C na escala Celsius, 32º F na escala Fahrenheit e 273 K na
escala Kelvin. O ponto de ebulição da água corresponde,
respectivamente, a 100º C 212º F e 373 K. O instrumento usual
para monitorar variações na temperatura do ar é o termômetro.

Variações na temperatura do ar por expansão ou compressão


recebem o nome de variações adiabáticas.

Às linhas que, num mapa, unem pontos ou lugares da Terra que


possuem a mesma temperatura média mensal ou anual dá-se o
nome de isotermas.

4.1.1 Índices de Desconforto Humano


A sensação de temperatura que o corpo humano sente é
frequentemente afectada por vários factores. O corpo humano
é uma máquina térmica que constantemente libera energia e
qualquer factor que interfira na taxa de perda de calor do corpo
afecta sua sensação de temperatura. Além da temperatura do
ar, outros factores significativos que controlam o conforto
térmico do corpo humano são: a humidade relativa, vento e
radiação solar. Como a evaporação é um processo de
resfriamento, a evaporação do suor é uma maneira natural de
regular a temperatura do corpo. Quando o ar está muito
húmido, contudo, a perda de calor por evaporação é reduzida.
Por isso, um dia quente e húmido parecerá mais quente e
desconfortável que um dia quente e
77
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

seco No inverno, o desconforto humano com o frio é aumentado


pelo vento, que afeta a sensação de temperatura. O vento não
apenas aumenta o resfriamento por evaporação, devido ao
aumento da taxa de evaporação, mas também aumenta a taxa
de perda de calor sensível (efeito combinado de condução e
convecção) devido à constante troca do ar aquecido junto ao
corpo por ar frio.
Variação da temperatura com a latitude

De forma geral, a temperatura diminui em função do aumento


da latitude, ou seja, a temperatura diminui à medida que se
afasta do Equador, indo em direção aos Pólos. Essa modificação
na temperatura está basicamente ligada à forma como se dá a
incidência dos raios solares na superfície terrestre, que é
“perpendicular” na faixa equatorial e de forma mais oblíqua em
direção aos Pólos.

É importante frisar ainda, que a temperatura é mínima nos


pólos, não só porque os raios solares incidem com uma grande
obliquidade, mas também devido à grande capacidade de
reflexão (albedo) da neve que cobre a superfície destas regiões.
Menor absorção implicará em menor aquecimento do ar
atmosférico.
Variação sazonal da temperatura
Resulta da variação sazonal da radiação solar recebida em
qualquer parte da superfície do globo. Assim, as temperaturas
são mais elevadas no verão quando os volumes de insolação
radiação recebidos são altos e mais baixas no inverno porque os
volumes de radiação recebidos são baixos. As variações sazonais
da temperatura do ar são maiores nas regiões extratropicais,
principalmente no interior dos continentes e baixas na faixa
equatorial principalmente nas superfícies hídricas

78
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Variação da temperatura com a altitude


De um modo geral, na Troposfera, a temperatura diminui à
medida que se aumenta a altitude. Em média, a temperatura do
ar diminui cerca de 0,6 ºC para cada 100 metros de altitude,
sendo que esse gradiente pode variar de 1 ºC para cada 105
metros quando o ar esta ligeiramente húmido até 1ºC para cada
200 metros quando o ar está saturado. Isto se dá, pois, a
atmosfera é aquecida de forma indirecta, através do calor que é
irradiado pela superfície e logo, tem-se que as regiões mais
aquecidas são aquelas em contacto mais directo com a “fonte”
de irradiação (a superfície terrestre e as águas).
Como o aquecimento da atmosfera dá-se a partir da superfície
terrestre, o mesmo se processa de baixo para cima, resultando
na observação de Tubelis e Nascimento (1984) que diz: a
temperatura máxima do ar em contacto com o solo ocorre
simultaneamente com a temperatura máxima da superfície do
solo; à medida que se afasta do solo, a temperatura máxima se
atrasa continuamente indo ocorrer a dois metros de altura,
cerca de duas horas depois. (Torres & Machado; 2008; P. 33)
Além disso, sabe-se que o ar é mais rarefeito nas regiões mais
elevadas. Assim, quanto menos ar, menor quantidade de calor
possível de ser contida nesse ar, ou seja, menor a temperatura.
Um exemplo prático é a ocorrência de neve em montanhas altas
situadas ao longo da linha do equador como o monte
Kilimanjaro na Tanzânia e a cordilheira dos Andes na América do
Sul.

79
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Com isso, tira-se a seguinte conclusão de acordo com a hora em


que há maior ganho energético do Sol é justamente a hora do
dia em que ele está mais próximo à superfície, ou seja, a hora
em que ele está no zênite, (12:00 horas), e analisando os
primeiros 2 metros de superfície como área de maior actividade
biológica, tem-se que o horário de maior temperatura do dia é
por volta de 14:00 horas, altura em que se intensifica a radiação
terrestre. Por outro lado, sabendo-se que depois do pôr-do-sol
a superfície perde sua fonte de energia e que, com isso, o ar
começa a perder temperatura culminando nos instantes
anteriores ao primeiro raio solar do outro dia, quando é atingida
sua temperatura mínima, variando o horário de acordo com a
época do ano e latitude.
Variação da temperatura com a continentalidade e
maritimidade
A influência dos factores continentalidade e maritimidade sobre
a temperatura do ar dá-se devido, basicamente, à diferença de
calor específico entre a terra e as superfícies hídricas.
As regiões próximas a grandes corpos hídricos, apresentam
temperaturas mais regulares devido ao efeito amenizador das
brisas e das correntes marítimas amplitudes térmicas pequenas,
mas principalmente pela propriedade que tem a água de manter
o calor absorvido por mais tempo e misturá-lo a maiores
profundidades que o solo. Amplitude térmica é a diferença entre
a maior e a menor temperatura do dia. Quando a amplitude
térmica é alta, significa que a diferença entre temperatura
mínima e temperatura máxima foi muito grande.
Como conseguimos prever com bastante eficiência a maior e a
menor temperatura do dia, é possível também prever a
amplitude térmica.
No continente, de acordo com Troppmair (2004), a partir de
determinada profundidade (aproximadamente 1,5 metros) a
temperatura mantém-se constante, ou seja, o solo tem uma
capacidade menor de transportar calor. (Torres & Machado;
2008 P. 33)
O calor específico da superfície terrestre (solo, rocha,
vegetação) é bastante diferente do da água. “O calor específico
de uma substância é a quantidade de calor necessário para
elevar em um grau centígrado a temperatura de sua unidade de
massa” (Retallack, 1970).
Ayoade (2003), afirma que o calor específico da água do mar é,
por exemplo, cerca de 0,94, enquanto o do granito é 0,2.

80
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

“No geral, a água absorve 5 vezes mais calor afim de aumentar


a sua temperatura em quantidade igual ao aumento do
solo”(Torres & Machado; 2008 P. 35)
Concluindo, regiões próximas a grandes corpos hídricos têm um
gradiente térmico menor que o de regiões longe destes corpos,
visto que como água ganha calor mais lentamente, o perde
lentamente também, assim, mesmo com o pôr do Sol, o ar
atmosférico apesar de parar de receber calor da superfície
terrestre, continua ganhando das superfícies hídricas. Uma
localidade costeira na qual os ventos dominantes são dirigidos
do mar para a terra e outra na qual os ventos são dirigidos da
terra para o mar podem ter temperaturas consideravelmente
diferentes. No 1º caso, o lugar sofrerá a influência moderadora
do oceano de forma mais completa enquanto o 2º terá um
regime de temperatura mais continental, com maior contraste
entre as temperaturas de inverno e verão.
Equador Térmico
O equador térmico, não acompanha a linha do equador
geográfico, de acordo com Varejão-Silva (2006; P. 84), a
distância entre o equador térmico e o geográfico é normalmente
maior sobre os continentes que sobre os oceanos.
Sobre os continentes, a oscilação do equador térmico em torno
do geográfico amplia-se consideravelmente e, dependendo da
região e época do ano, chega ultrapassar os trópicos. Sobre os
oceanos, há áreas em que o equador térmico permanece,
durante o ano todo, ao norte do equador geográfico, graças à
influência das correntes marítimas. A posição média do equador
térmico pode ser observada na abaixo.

Figura 1 - Posição média do equador térmico durante o ano


Fonte: Varejão-Silva (2006)

81
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Sumário

Nesta Unidade temática 4.2.1 estudamos e discutimos


fundamentalmente a Temperatura como elemento climático, da
sua distribuição ao longo da superfície terrestre, sua variação
com a altitude, latitude, sua variação sazonal, diurna, etc

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

1- Que e a temperatura?
2- O que e o calor?
3- Indique as escalas de temperatura
4- O que e o ponto de ebulição?
5- O que e ponto de fusão?
6- O que são amplitudes térmicas?
7- Quando acontecem as temperaturas máximas e mínimas do
dia?
8- O que e uma isoterma?
9- A que valores corresponde o ponto de fusão do gelo e o ponto
de ebulição da água em cada uma das escalas de temperatura
apresentadas?

Exercícios de AVALIAÇÃO

1. Assinale a alternativa que define de forma correcta o que é


temperatura:

(a) É a energia que se transmite de um corpo a outro em virtude


de uma diferença de temperatura.

(b) Uma grandeza associada ao grau de agitação das partículas


que compõe um corpo, quanto mais agitadas as partículas de
um corpo, menor será sua temperatura.

(c) Energia térmica em trânsito.

(d) É uma forma de calor.

(e) Uma grandeza associada ao grau de agitação das partículas


que compõe um corpo, quanto mais agitadas as partículas de
um corpo, maior será sua temperatura.

2. Assinale a alternativa que define corretamente calor

(a) Trata-se de um sinônimo de temperatura em um sistema.

82
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

(b) É uma forma de energia contida nos sistemas.

(c) É uma energia de trânsito, de um sistema a outro, devido à


diferença de temperatura entre eles.

(d) É uma forma de energia superabundante nos corpos


quentes.

(e) É uma forma de energia em trânsito, do corpo mais frio para


o mais quente.

3. Têm-se dois corpos, com a mesma quantidade de água, um


de alumínio A e outro negro N, que ficam expostos ao sol
durante uma hora. Sendo inicialmente as temperaturas iguais, é
mais provável que ocorra o seguinte:

(a) Ao fim de uma hora não se pode dizer qual temperatura é


maior.

(b) As temperaturas são sempre iguais em qualquer instante.

(c) Após uma hora a temperatura de N é maior que a de A.

(d) De início a temperatura de A decresce (devido à reflexão) e


a de N aumenta.

(e) As temperaturas de N e de A decrescem (devido à


evaporação) e depois crescem.

Exercicios

1. Explique brevemente porque um dia com vento calmo e


ensolarado parece mais quente que a leitura de um termômetro
indica.

2. Por que a temperatura do ar é variável, no tempo e no espaço?

3. Que factores influem no balanço local de radiação e


consequentemente na temperatura local?

4. Por que a temperatura mais alta durante o dia tende a ocorrer


usualmente no começo ou meio da tarde e não ao meio-dia?

5. Que factores podem afetar a amplitude média do ciclo diurno


da temperatura?

83
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

6. Por que a terra e a água se aquecem e se arrefecem modo


diferenciado?
7. Dê exemplos de como a proximidade de grandes massas de
água pode influir no regime de temperaturas do ar.

8. Se estamos interessados na temperatura da atmosfera, por que


nos importamos com as características de aquecimento da
superfície da Terra?
9. Duas cidades estão situadas na mesma latitude. Uma está
localizada no litoral, com o vento dominante vindo do mar para
o continente e a outra está no centro do continente. Com base
apenas nestas informações, o que você esperaria a respeito das
amplitudes do ciclo anual de temperatura dessas cidades?

10. Fale sobre a influência da altitude sobre a temperatura.


11. Qual seria a diferença entre a variação diurna da temperatura
num dia completamente nublado e num dia sem nuvens e
ensolarado? Explique.

Bibliografia
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)

84
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no


período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

UNIDADE Temática 4.2 . Humidade

A humidade do ar é um elemento atmosférico que exerce


influências sobre as temperaturas, as chuvas, a sensação
térmica e até mesmo sobre a nossa saúde.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: Humidade do ar
 Definir: Humidade Absoluta
 Definir: a Humidade Relativa
 Explicar: as variações da Humidade do ar

4.2.Humidade do ar
Embora o vapor de água represente somente 2% da massa total
da atmosfera e 4% de seu volume, ele é o componente
atmosférico mais importante na determinação do tempo e do
clima. A quantidade de vapor de água contida na atmosfera
vária de lugar par alugar e no transcurso do tempo em
determinada localidade. Ela pode variar de quase zero, em áreas
quentes e áridas, até um máximo de 3% nas latitudes médias e
4% nos trópicos húmidos.

85
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Humidade do ar é o termo utilizado para descrever a presença


de vapor de água no atmosférico. Esta presença de vapor de
água pode ser descrita quantitativamente de várias maneiras.
Entre elas estão a pressão de vapor, a humidade absoluta, a
razão de mistura e a humidade relativa.
A humidade do ar resulta da evaporação das águas a partir das
superfícies terrestres e hídricas e da evapotranspiração de
animais e vegetais, e, portanto, depende de calor para produzir
a evaporação da água e, logicamente, necessita de água para ser
evaporada. Assim, por exemplo, um deserto tem calor suficiente
para promover o processo de evaporação, mas não dispõe de
água para ser evaporada e a humidade do ar permanece baixa.
Uma forma de se expressar a concentração de vapor de água no
ar é através da Humidade Absoluta, que é a massa do vapor de
água existente na unidade de volume de ar, sendo expressa em
g/m3.
Tubelis e Nascimento (1984) referem que o ar está saturado
quando ele apresenta a concentração máxima de vapor de água
que pode conter. Geralmente, o ar encontra-se com uma
concentração de vapor de água menor que a de saturação. A
relação percentual entre a concentração de vapor de água
existente no ar e a concentração de saturação (concentração
máxima), na pressão e temperatura em que o ar se encontra, é
definida como Humidade Relativa do ar (Torres & Machado;
2008 P. 35). Para medir humidade relativa usam-se higrômetros.

4.2.1 Variação da Humidade do ar com a temperatura


A concentração máxima de vapor de água ou saturação cresce
com o aumento da temperatura, ou seja, com maior
temperatura, logo com maior grau de calor, o ar se torna mais
quente e se expande, podendo assim, conter maior quantidade
de vapor de água. Portanto, quanto maior a temperatura, maior
a capacidade do ar em reter o vapor de água.
O ar poderá também chegar à saturação, mesmo sem ocorrer
aumento da quantidade de vapor de água, se a temperatura
diminuir. A Humidade Relativa pode variar mesmo se o
conteúdo de vapor de água permanecer constante. Isso ocorre
quando muda a temperatura da amostra de ar. Por isso a
Humidade Relativa alcança seus valores máximos pela
madrugada quando ocorre a temperatura mínima do ar. Nesse
caso, o ar pode atingir a saturação.
Durante o dia, a temperatura aumenta e isto implica numa
diminuição da Humidade Relativa, pois o ar se dilata podendo
conter mais vapor de água, sendo assim, pode-se dizer que a

86
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Humidade Relativa é inversamente proporcional à temperatura.


A temperatura na qual ocorrerá a saturação, se o ar se esfriar à
uma pressão constante, sem aumento ou diminuição do vapor
de água, é chamada de temperatura do ponto de orvalho
(Soares &Batista, 2004) como citado em (Torres & Machado;
2008 P. 37) Sendo assim, de acordo com Vianello e Alves (1991),
a temperatura do ponto de orvalho é definida como a
temperatura na qual a saturação ocorreria se o ar fosse resfriado
à pressão constante e sem adição ou remoção de vapor de água.

Em outras palavras, é a temperatura na qual a quantidade de


vapor de água presente na atmosfera estaria em sua máxima
concentração. Em condições normais, a temperatura do ponto
de orvalho, é uma temperatura crítica entre o estado de vapor
e a condensação de água na atmosfera, ou seja, acima da
Temperatura do ponto de orvalho, a água mantém-se na forma
de vapor e abaixo dela, passa gradativamente à fase líquida.
Como já dito, a temperatura diminui com o aumento da altitude,
e sabe-se que quanto menor a temperatura, menor o volume de
vapor de água contido no ar. Assim, pode-se concluir, que
quanto maior a altitude, menor será a temperatura e menor
será o volume de vapor de água contido no ar (Humidade
Absoluta), mesmo que assim, esteja mais próximo à saturação
(maior Humidade Relativa).

4.4.2 Variação da Humidade ao longo da superficie


terrestre
Verifica-se também, que a humidade relativa média anual
apresenta uma estreita correlação com o total anual de
precipitação, pois que a precipitação é o processo de
alimentação das fontes naturais de vapor de água.
O vapor de água desempenha um papel muito importante no
balanço térmico da atmosfera, principalmente na manutenção
da temperatura junto às camadas mais baixas. Como absorve
parte do calor irradiado da superfície terrestre, sua presença na
atmosfera evita perdas mais substanciais desse calor.
A cobertura das nuvens, por exemplo, impede a propagação do
calor que a Terra irradia, mantendo as temperaturas suaves
durante a noite.
Esse facto é especialmente importante nas áreas desérticas,
onde a perda de energia é máxima. Nos desertos, onde a
evaporação é quase nula, toda energia solar recebida durante o
dia serve para aquecer a superfície, que restitui quase
imediatamente este calor às camadas

87
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

inferiores da atmosfera por simples condução térmica, ativada


pela turbulência. Durante a noite, a ausência de nuvens e a
secura do ar, fazem com que a superfície terrestre se resfrie
rapidamente, o que faz com que a “variação entre as
temperaturas do dia e da noite seja muito elevada (a amplitude
do ciclo diurno pode atingir cerca de 30 graus).
Fenômeno semelhante ocorre mesmo em latitudes tropicais –
naturalmente mais húmidas – por ocasião do inverno. Com a
menor quantidade de energia recebida durante esse período, a
atmosfera se apresenta com menor quantidade de vapor de
água, sendo comuns as noites de céu limpo.
Contudo, esta ausência de nebulosidade acaba favorecendo,
como no caso dos desertos, uma perda maior e mais rápida do
calor irradiado pela superfície, arrefecendo as noites e tornando
mais destacadas as amplitudes térmicas diárias.
Em certa medida, a menor quantidade de vapor também é
responsável pelas baixas temperaturas em altitude. Como nas
áreas mais elevadas ocorre menor concentração de vapor (ar
mais rarefeito), e este, é um dos responsáveis pela diminuição
das perdas de radiação da superfície, menos calor estará
disponível nessa atmosfera. Isso acaba se tornando um ciclo:
mais elevado o lugar = menor temperatura = sendo mais frio o
ar, ele retém menos vapor de água = com menos vapor, mais
calor é perdido.

Sumario

Nesta unidade temática 4.2. Falamos da Humidade do ar


Atmosférico suas variações em termos de grandezas e sua
ocorrência ao logo da superfície do globo terrestre.

Exercícios de AUTO- avaliação

1. O que e Humidade do ar?


2. O que Humidade Absoluta?
3. O que e Humidade Relativa?
4. O que e temperatura do ponto de orvalho?

Exercícios de Avaliação

1- Como varia a Humidade Absoluta do ar com a temperatura?


2- Como varia a Humidade Relativa com a temperatura?
3- Donde e que vem o vapor de água presente no ar atmosférico?

88
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Bibliografia

SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações


climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

89
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Temática 4.3. Pressão Atmosférica

Pressão atmosférica é a pressão que a atmosfera exerce sobre a


superfície da Terra. Essa pressão se deve ao facto de a
atmosfera ser composta por uma mistura de gases, sendo a
maior parte formada pelos gases oxigênio e nitrogênio. Esses
gases formam o ar que sofre a ação do campo gravitacional
terrestre e assim exerce pressão em todos os corpos na
superfície da Terra. Normalmente não se sente a pressão
atmosférica porque ela se aplica igualmente em todos os pontos
do corpo, porém, seu valor varia de acordo com as condições do
tempo e a altitude.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

 Definir: Pressão Atmosférica


 Explicar: A variação da Pressão Atmosférica com a temperatura,
altitude, humidade
 Identificar: os centros barométricos
 Explicar: os movimentos do ar nos centros barométricos para cada
hemisfério da terra
Objectivos
 Conhecer:a origem dos centros barométricos e sua distribuição ao
específicos
longo da superfície terrestre

4.3 Pressão Atmosférica


A terra acha-se completamente envolvida por uma grande
camada de ar, a Atmosfera. O ar, como todos os corpos, tem
peso. Sendo assim, qualquer ponto dentro da superfície está
sujeito a uma pressão correspondente ao peso da coluna de ar
que lhe fica sobreposta. Esta pressão, chamada pressão
atmosférica, tem papel muito importante no clima, pois suas
variações estão intimamente relacionadas aos diferentes
estados do tempo. Em outras palavras, de acordo com Soares e
Batista (2004), o ar atmosférico tem peso e este se manifesta
sob a forma de uma pressão que a atmosfera exerce em todas
as direções, especialmente sobre a superfície terrestre. (Torres
& Machado; 2008 P. 38)
Após a redução das pressões superficiais ao nível do mar, pode-
se traçar mapas de superfície nos quais pontos com mesma
pressão atmosférica são ligados por linhas chamadas isóbaras.

90
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

A pressão, em qualquer lugar da superfície, se deve ao peso do


ar sobre este lugar. Para as áreas de menor pressão, utiliza-se a
denominação baixa pressão (BP) geralmente representada nas
cartas pela letra B, e, ao contrário, para áreas onde ocorrem
maiores pressões atmosféricas, alta pressão (AP) representadas
nas cartas pela letra A.
A pressão atmosférica altera-se em função da temperatura e
também vai sofrer alterações em função da latitude e altitude
(AYOADE, 1996) como citado em (Torres & Machado; 2008 P.
38).
4.3.1 Variação da Pressão com a Temperatura
A temperatura faz variar a pressão atmosférica por que o calor
“dilata” o ar, tornando-o mais leve e determinando, por
consequência, uma menor pressão do ar sobre a superfície
(baixa pressão), ou seja, para uma mesma condição de altitude
entre dois pontos quaisquer, a pressão sofrerá variação desde
que a temperatura entre esses dois pontos seja diferente.
Assim, por exemplo, a faixa equatorial, por ser uma zona de altas
temperaturas, determina a existência de uma área de BP e, ao
contrário, nos pólos, bem mais frios, com o ar mais denso e
pesado, ocorrem áreas de AP. Daí pode-se concluir que regra
geral, a pressão atmosférica aumenta do Equador em direção
aos Pólos, ou seja, a pressão atmosférica aumenta com o
aumento da latitude. A influência da temperatura sobre a
pressão atmosférica, também pode ser notada quando se
compara a variação anual da pressão atmosférica com o
desenvolvimento das temperaturas no decorrer das estações do
ano.

4.3.2 Variação da Prãssao com a altitude


A pressão atmosférica também sofre variações em função da
altitude, pois quanto mais elevado for o local, menor será a
camada de ar a pesar sobre ele (além de se ter o ar mais
rarefeito em altitude) é logicamente, menor será o peso
exercido por este ar sobre a superfície terrestre.
Assim, pode-se dizer que a pressão atmosférica diminui com a
altitude, como resultado da diminuição da densidade do ar, da
aceleração de gravidade e da temperatura do ar.
4.3.3 Variação da Pressão com a humidade

Em latitudes médias o tempo é dominado por uma contínua


procissão de diferentes massas de ar que trazem junto
mudanças na pressão atmosférica e mudanças no tempo. Em
geral, o tempo torna-se tempestuoso quando a pressão cai e
bom quando pressão sobe. A maior
91
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

presença de vapor de água no ar diminui a densidade do ar


porque o peso molecular da água (18,016 kg/mol) é menor que
o peso molecular médio do ar (28,97 kg/mol). Portanto, em
iguais temperaturas e volumes, uma massa de ar mais húmido
exerce menos pressão que uma massa de ar mais seca. Grimm
(1999)

4.3.4 Centros barometricos

O traçado curvilíneo e fechado das isóbaras dá origem aos


denominados centros barométricos. Existem dois tipos de
centros barométricos:
 Centro de baixas pressões ou depressão barométrica, em que os
valores da pressão atmosférica diminuem da periferia para o
centro, onde se regista uma baixa pressão.
 Centro de altas pressões ou anticiclone apresenta valores
crescentes da pressão atmosférica da periferia para o centro,
sendo aí a pressão alta

4.3.4.1A origem dos centros barométricos


Baixas pressões ou depressão
 Dinâmica – a ascensão do ar é provocada pela convergência
de ar proveniente de direções opostas, como exemplo temos
as baixas pressões subpolares que resultam do encontro das
massas de ar das regiões polares e das massas de ar quentes
tropicais.
 Térmica – o aquecimento do ar, pelo contacto com a
superfície da Terra muito quente, torna-o menos denso,
provocando a sua ascensão. É o que acontece no verão, no
interior dos continentes e na península Ibérica.
Altas pressões ou anticiclones
 Dinâmica – resultam do movimento descendente do ar frio
que se encontra a maior altitude. Ex: as altas pressões tropicais e
anticiclone dos Açores.
 Térmica – o arrefecimento do ar, pelo contacto com a
superfície da Terra muito fria, torna-o mais denso e pesado. É o
que acontece no inverno no interior dos continentes e sobre a
península ibérica.
À superfície (na horizontal), o ar apresenta um movimento
convergente nos centros de baixas pressões e divergentes nos
centros anticiclónicos. Mas o ar também se desloca na vertical
segundo um movimento turbilhonar.

92
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 1 - Esquema de movimento vertical de ar nos centros


barométricos do Hemisfério Norte

Figura 2 - Esquema de movimento horizontal de ar nos centros


barométricos do Hemisfério Norte

Sumario

Nesta unidade temática 4.3, falamos da Pressão Atmosférica e


suas variações com a temperatura, altitude e humidade.
Falamos igualmente dos centros barométricos, sua origem,
características do movimento vertical e horizontal do ar nestes
centros de acordo com os hemisférios.

Exercicios de AUTO-avaliacao

1. O que e Pressão Atmosférica?


2. O que e um centro de baixas pressões?
3. O que e um centro de altas pressões?

93
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

4. De que origem podem ser os centros barométricos?


5. O que são isóbaras?

Exercícios de Avaliação

1. “A equipa do Ferroviário da Beira embarca hoje para La Paz,


capital da Bolívia, situada a 3.700 metros de altitude, onde fará
jogos amigáveis com algumas equipas locais. A adaptação
deverá ocorrer em um prazo de 10 dias, aproximadamente. O
organismo humano, em atitudes elevadas, necessita desse
tempo para se adaptar, evitando-se, assim, risco de um colapso
circulatório”.

Adaptado

A adaptação da equipe foi necessária principalmente porque a


atmosfera de La Paz, quando comparada à da cidade da Beira,
apresenta:

a) Menor pressão e menor concentração de oxigênio.

b) Maior pressão e maior quantidade de oxigênio.

c) Maior pressão e maior concentração de gás carbônico

d) Menor pressão e maior temperatura.

e) Maior pressão e menor temperatura.

2 - Observe as proposições abaixo:


1.As zonas de alta pressão atmosférica são chamadas áreas anti-
ciclonais. São áreas para onde convergem ventos e massas de
ar.
2.A pressão atmosférica é menor nas regiões de baixas latitudes
em função das maiores temperaturas aí existentes.
3.A velocidade do vento é inversamente proporcional à
diferença de pressão do ar atmosférico entre dois lugares.
4.Quando dizemos que a velocidade do vento é de, por exemplo
2 m/s, significa que qualquer partícula desse ar, localizada no
nível de observação considerado, percorre uma distância de
dois metros a cada segundo.
5.O movimento de rotação terrestre, que gira no sentido oeste-
leste, interfere na circulação geral da atmosfera, pois os ventos
sofrem um desvio ocasionado pela força de Coriolis. No
hemisfério sul o vento tende a se desviar para a direita e no
hemisfério norte para a esquerda.
94
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Estão incorretas:
a) 1, 2 e 3
b) 1, 3 e 5
c) 2, 3 e 4
d) 3 e 4 apenas
e) 2, 4 e 5

Bibliografia
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

95
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Tematica 4.4 - Ventos

O vento e o ar em movimento como resultado do gradiente de


pressão ao longo da superfície terrestre. Estes dividem-se em
constantes, periódicos, globais e locais conforme ocorram num
determinado período ou local. No tema referente a circulação
geral da atmosfera falamos dos ventos globais, numa situação
em que se tomava em consideração apenas a forcas do
gradiente de pressão, de Coriolis e centrifuga. Nesta unidade
temática iremos abordar a circulação atmosférica dado
tomando em consideração, alem dos factores já mencionados,
aspectos como a diferente distribuição dos mares e oceanos, a
influencia da topografia do terreno e fenômenos localizados que
originam ventos bem localizáveis.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: Vento
 Explicar: a origem dos ventos
 Diferenciar: ventos constantes dos ventos periódicos, locais e
variáveis
 Explicar: o factores que originam ventos periódicos

O vento é o movimento do ar em relação à superfície terrestre,


movimento este, que se processa tanto no sentido horizontal, quanto
no sentido vertical (AYOADE, 2003).O aquecimento diferencial de locais
próximos ou distantes da superfície terrestre gera diferenças de
pressão atmosférica” (Tubelis e Nascimento,1984) como citado em
(Torres & Machado; 2008 P. 43). Dessa forma, o vento é geração de
gradientes de pressão atmosférica, ou seja, é gerado em função da
existência de pressões diferentes, mas sofre influências modificadoras
do Movimento de Rotação da Terra, da Força Centrífuga ao seu
movimento e do atrito com a superfície terrestre. Assim, para
estabelecer o equilíbrio destas pressões diferentes, o vento se desloca,
das áreas de Alta Pressão para as Áreas de Baixa Pressão, mantendo em
geral, características próprias da atmosfera de onde procede (frio,
quente, húmido, seco, etc).

96
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Com maior temperatura, ou seja, com maior grau de calor, o ar


é aquecido, se expande, fica mais leve e sobe (ascende) dando
“lugar” a outro ar (vento), em geral de características mais frias,
que vem para ocupar o “espaço” então criado.
Assim, nota-se que o ar quente “viaja” pelas camadas superiores
da Troposfera, enquanto o ar mais frio (mais denso e mais
pesado) se desloca pelas partes mais baixas.
Em geral, o vento é mais forte e de maior velocidade nas partes
mais altas, pois a velocidade próxima ao solo é diminuída pela
fricção ou atrito do mesmo com os obstáculos da superfície
(LEINZ e AMARAL, 1989) como citado em (Torres & Machado;
2008 P. 43).
De acordo com Soares e Batista (2004), se a superfície for
coberta por vegetação, o perfil do vento só se estabelece a partir
de uma determinada altura acima do solo, isto é, a velocidade
do vento se anula na altura da vegetação.
Para Soares e Batista (2004), a velocidade do vento é uma
grandeza vectorial, da qual se medem, normalmente,
parâmetros da sua componente horizontal. Os parâmetros
medidos são: velocidade, direção e força do vento, direção do
vento, ainda de acordo com os autores, é o ponto cardeal de
onde o vento vem.
A força do vento é a força exercida pela massa de ar, em
decorrência de sua velocidade sobre um obstáculo
perpendicular à sua direção. (Torres & Machado; 2008 P. 43)
Os ventos podem ser constantes, periódicos e locais ou
variáveis.
No capítulo da Circulação Geral da Atmosfera falamos dos
ventos constantes, relacionados ao padrão de distribuição da
pressão ao longo da superfície terrestre. Neste capítulo iremos
falar dos restantes tipos.

4.4.1.1 Ventos periódicos


As brisas terrestres e marítimas
São ventos locais que ocorrem principalmente nas costas
tropicais, são causadas pela diferença de pressão existente
entre o continente e o mar, e esta, por sua vez, tem origem nas
diferenças térmicas (calor específico) entre a superfície terrestre
e a superfície hídrica.
Superfícies de água e terra têm respostas térmicas diferentes à
mesma quantidade de insolação, e a maior parte das superfícies
no continente tem uma amplitude

97
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

térmica muito maior (temperaturas máximas mais altas e


mínimas mais baixas) do que os corpos de água, que tendem a
caracterizar-se por temperaturas mais uniformes ao longo do
dia

Figura 1 - Brisa marítima e brisa terrestre


As principais razões para isto são:
Enquanto a insolação é utilizada para aquecer a superfície da
terra, a mesma energia é absorvida por um maior volume de
água. A radiação incidente de ondas curtas penetra até uma
profundidade de cerca de 10 m na maior parte dos corpos de
água, mas até centenas de metros em águas tropicais límpidas.
A capacidade térmica ou calorífica (calor especifico) da água é
excepcionalmente grande. Ela requer quatro vezes mais calor
para aquecer uma determinada quantidade de volume no
mesmo intervalo de temperatura do que a mesma quantidade
de solo. Por estas razões, gradientes de temperatura se
estabelecem entre o continente e o mar, e isto tem um ciclo
diurno (a terra é mais quente do que o mar durante o dia e o
mar é mais quente que a terra à noite). Em situações sinópticas
específicas, as diferenças de temperatura induzem gradientes
locais de densidade e pressão, que fornecem as forças
governantes para que as brisas se estabeleçam na faixa costeira
com um ritmo diurno. A brisa do mar sopra do mar para o
continente durante o dia, com um escoamento compensatório
inverso em altitude; já a brisa continental, mais fraca, sopra do
continente para o mar à noite (e também com um escoamento
de retorno mais fraco em altitude).
Torres e Machado (2008, P. 44) explicam o fenômeno da
seguinte maneira: durante o dia, a terra se aquece mais
rapidamente que o mar, e assim, o ar sobre o continente se
aquece mais rapidamente, se expandindo, tornando-se mais
leve e determinando uma área de Baixa Pressão, receptora de
ventos.
98
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Dessa forma, durante o dia, o continente funciona como um


centro de baixa pressão e os ventos sopram do mar (ou de
grandes lagos) para a terra, é a brisa Marítima ou Lacustre.
À noite, ocorre um fenômeno oposto, ou seja, a terra arrefece
rapidamente, enquanto o mar (ou um grande lago) permanece
mais tempo aquecido, havendo assim uma inversão dos centros
de pressão, funcionando o oceano como área de Baixa Pressão,
receptora de ventos, e o vento, agora mais fraco, sopra da terra
para o mar, é a brisa Terrestre.
Ventos de vale e de montanha
Esses ventos também, em parte, são de origem térmica. Durante
o dia, quando a radiação do Sol é intensa, algumas vertentes
montanhosas mais expostas, são aquecidas mais rapidamente
que os fundos dos vales, formando-se assim, uma área de Baixa
Pressão receptora de ventos nas partes mais elevadas e, com
isso, os ventos deslocam-se vertente acima, são os ventos de
Vale ou Anabáticos.
Ayoade, (2003) refere que são muitas vezes acompanhados pela
formação de nuvens cúmulos sobre as montanhas ou perto
delas. Com o decorrer das horas do dia, ocorre o inverso, ou
seja, as áreas mais elevadas esfriam-se, perdem calor muito
rapidamente em função das perdas de radiação. Assim, forma-
se no vale uma área mais aquecida, de Baixa Pressão, e então, o
ar se desloca vertente abaixo, em direção às depressões e vales,
são ventos frios, conhecidos como ventos de Montanha ou
Catabáticos. (Torres e Machado, 2008; P. 45)

Figura 2 - Esquema de ventos de vale e de montanha

Monções
São os ventos que, durante o verão, sopram do oceano do Índico
para a Ásia Meridional e durante o inverno, sopram da Ásia
Meridional para o oceano Índico.

99
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

As monções são classificadas da seguinte forma:


Monções Marítimas: São ventos quentes e húmido que sopram
do oceano Índico para o continente durante o verão no
Hemisfério Norte e provocam fortes chuvas na Ásia Meridional,
causando enchentes e inundações.
Monções Continentais: São ventos secos e frios que sopram do
continente para o oceano Índico no inverno do Hemisfério Norte
Ventos locais e variáveis
O vento local acontece numa certa região em determinadas
épocas. Por exemplo, No deserto do Saara, ocorre um vento
extremamente forte conhecido como simum, que provoca
enormes tempestades de areia. Já os ventos variáveis, são
massas de ar irregulares que varrem uma determinada área de
maneira inesperada.
As diferenças das zonas anti-ciclonal e ciclonal determinam a
velocidade do vento.

Figura 3 - Ventos moncônicos

Sumario

Nesta unidade temática 4.1.1, falamos dos ventos periódicos,


locais, e variáveis com destaque para

100
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

as monções e brisas, cuja ocorrência esta relacionada com a


topografia e outros factores locais.

Exercicios de Auto-avaliacao

1- O quê e o ventos?
2- O que são as monções?
3- Defina brisa marítima e brisa terrestre
4- Defina brisa do vale e brisa da montanha

Exercícios de Avaliação

1. O deslocamento das massas de ar, que dão origem aos ventos,


se fazem sempre:
a) Das áreas mais elevadas para as mais baixas;
b) Das áreas de temperaturas mais altas para as de temperatura
mais baixa;
c) Das áreas de alta pressão para as de baixa pressão;
d) Das áreas mais úmidas para as mais secas;
e) De oeste para leste.
2. Os ventos monçônicos sopram do oceano Indico para a Ásia
meridional quando:
a) E inverno no hemisfério norte
b) E noite no hemisfério norte
C) E verão no hemisfério norte
d) E verão no hemisfério sul

3. Destas afirmações indique qual e a falsa e qual e verdadeira:


a) Os ventos alísios dirigem-se das áreas tropicais para as
equatoriais, em sentido horário no hemisfério norte e anti-
horário no hemisfério sul, graças à ação da Força de Coriolis,
associada à movimentação da Terra.

b) Os ventos alísios dirigem-se das áreas de alta pressão,


características dos trópicos, em direção às áreas de baixa
pressão, próximas ao equador, movimentando-se em sentido
anti-horário no hemisfério norte e em sentido horário no
hemisfério sul.

101
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

c) Os ventos contra-alísios dirigem-se dos trópicos em direção


ao equador, movimentando-se em sentido horário no
hemisfério norte e anti-horário no hemisfério sul, graças à ação
da Força de Coriolis.

d) Os ventos contra-alísios dirigem-se da área tropical em


direção aos pólos, provocando quedas bruscas de temperatura
e eventualmente queda de neve, movimentando-se em sentido
anti-horário no hemisfério sul e em sentido horário no
hemisfério norte.

Unidade Temática 4.5– Nebulosidade

Introdução

O vapor de água é um gás invisível, mas os produtos da


condensação e deposição de vapor de água são visíveis. As
nuvens são manifestações visíveis da condensação e deposição
de vapor de água na atmosfera. Nesta unidade, trataremos do
processo de formação das nuvens e seu esquema de
classificação. Falaremos igualmente do nevoeiro.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: nuvem
 Definir: nevoeiro
 Explicar: a origem das nuvens
 Conhecer: os tipos de nuvens
 Explicar: a formação das nuvens
 Caracterizar: as nuvens
 Conhecer: o tempo associado a cada tipo de nuvem
 Explicar: como se forma o nevoeiro
 Conhecer: os tipos de nevoeiro

Uma nuvem pode ser definida segundo Tubelis e Nascimento


(1984) como “um conjunto visível de
102
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

partículas de água líquida e/ou de gelo, em suspensão na


atmosfera” (Torres & Machado; 2008; P. 47). O vapor de água
presente no ar atmosférico pode passar (ou voltar) para a fase
líquida pelo processo de condensação, processo este que dá
origem às nuvens. Há duas propriedades em comum nos vários
processos de condensação: Primeiro, o ar deve estar saturado,
o que ocorre quando o ar é resfriado abaixo de seu ponto de
orvalho, o que é mais comum ou quando o vapor de água é
adicionado ao ar. Segundo, deve haver geralmente uma
superfície sobre a qual o vapor de água possa condensar. O
orvalho forma-se, a superfície servindo-se de objetos próximos
ou sobre o solo. Quando a condensação ocorre no ar acima do
solo, minúsculas partículas conhecidas como núcleos de
condensação, constituídos por impurezas sólidas que servem de
superfícies de contacto sobre as quais o vapor de água
condensa. Para Soares e Baptista (2004), o principal processo de
formação de nuvens é o resfriamento por expansão adiabática,
que ocorre quando uma massa de ar se eleva na atmosfera. À
medida que a mesma se eleva, ela se expande, em decorrência
da diminuição da pressão atmosférica com a altura e arrefece,
provocando uma diminuição da capacidade de retenção de
vapor de água. Então ocorre a saturação e a condensação. De
acordo com Tubelis e Nascimento (1984), a nuvem é constituída
de gotículas de água que pelas suas pequenas dimensões, de 2
a 20 mícrons, permanecem em suspensão na atmosfera. Cada
gotícula fica sujeita à Força Gravitacional, e a acção das
correntes ascendentes de ar. Enquanto predominam as forças
ascendentes sobre a Força Gravitacional, as gotículas se elevam
na atmosfera. (Torres & Machado; 2008; P. 47)

Quando a componente gravitacional predomina, as gotículas


descendem na atmosfera, dando origem à precipitação. A
predominância da gravidade ocorre quando as gotículas
crescem até uma dimensão suficiente para sobrepujar as
correntes ascendentes. De acordo com Tubelis e Nascimento
(1984), também ocorre o processo inverso ao da expansão
adiabática. O ar ao descer na atmosfera, sofre uma compressão
adiabática em decorrência do aumento da pressão. O processo
provocado pelo aumento da temperatura da massa de ar, com
consequente aumento da capacidade de retenção de vapor
diminui a humidade relativa do ar.
Sob a acção desses mecanismos, uma nuvem pode dissolver-se.
Da mesma forma pode-se concluir que a dissipação das nuvens
ocorre quando cessa o processo que lhe deu origem, ou seja,
quando ocorre o reaquecimento do ar, após as precipitações ou
pela “mistura” (encontro) com uma massa de ar mais seco.

103
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Tipos de movimentos verticais que conduzem a formação de


nuvens

4.5.1 Tipos de Nuvens


Com base na aparência, distinguem-se três tipos de nuvens:
cirrus, cumulus e stratus. Cirrus são nuvens fibrosas, altas,
brancas e finas. Stratus são camadas que cobrem grande parte
ou todo o céu. Cumulus são massas individuais globulares de
nuvens, com aparência de domos salientes. Qualquer nuvem
reflecte uma destas formas básicas ou é combinação delas.
(Grimm; 1999).
Para Torres e Machado (2008; Pg. 48), de acordo com a altitude
e aparência, as nuvens são classificadas em quatro grupos:
baixas, médias, altas e de desenvolvimento vertical como
observado na tabela. As nuvens das três primeiras famílias são
produzidas por levantamento brando sobre áreas extensas.
Estas nuvens se espalham lateralmente e são chamadas
estratiformes. Nuvens com desenvolvimento vertical
geralmente cobrem pequenas áreas e são associadas com
levantamento bem mais vigoroso. São chamadas nuvens
cumuliformes.

Tabela 1 – Grupos de nuvens e seus tipos


A maior parte das nuvens se encontra na Troposfera, ou seja,
entre a superfície terrestre e a Tropopausa (limite superior da
Troposfera, variável conforme a latitude).

Camadas Altura das camadas (Km)

104
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Região
Região Tempera Região
Tropical da Polar
Superior 6 a 18 5 a 13 3a8
Média 2a8 2a7 2a4
Inferior <2 <2 <2
Tabela 2 - Variação da altura da camada das nuvens de acordo
com a latitude; Adaptado: Torres e Machado (2008)
Numa observação meteorológica, a Nebulosidade, “definida
como a fração do céu que se apresenta coberta por nuvens no
momento da observação” (TUBELIS e NASCIMENTO, 1984), ou
seja, a parcela do céu encoberta por nuvens, é dada em décimos
(1/10 a 10/10), como observado na tabela 3. Estas frações
decimais são posteriormente transformadas, para mensagem
sinóptica, em oitavos, com o auxílio de uma tabela de
conversão, de 1/8 a 8/8.

Denominações Partes do céu cobertas


Céu limpo de 0 a 2/10
Céu nublado de 3/10 a 7/10
Céu coberto de 8/10 a 10/10
Tabela 3 - Tipos de céu, segundo a cobertura de nuvens;
Adaptado Torres e Machado (2008)
A Nebulosidade relaciona-se com a Radiação Solar, com a
Insolação e, indiretamente, com a temperatura do ar e com o
aquecimento da atmosfera. A cobertura de nuvens pode
reflectir, difundir mesmo absorver a radiação solar. A reflexão
dos raios solares depende de sua cor, espessura, estrutura e
constituição.

Há variações sazonais e latitudinais. Em altas latitudes ou


durante o inverno em latitudes médias as nuvens altas são
geralmente encontradas em altitudes menores.

Devido às baixas temperaturas e pequenas quantidades de


vapor de água em altas altitudes, todas as nuvens altas são finas
e formadas de cristais de gelo. Como há mais vapor de água
disponível em altitudes mais baixas, as nuvens médias e baixas
são mais densas.

105
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 1 - Nuvens

Nuvens em camadas em qualquer dessas altitudes geralmente


indicam que o ar é estável. O desenvolvimento de nuvens desse
tipo é comum quando o ar é forçado a subir, como ao longo de
uma frente ou próximo ao centro de um ciclone, quando ventos
convergentes provocam a subida do ar. Tal subida forçada de ar
estável leva à formação de uma camada estratificada de nuvens
que tem uma extensão horizontal grande comparada com sua
profundidade.

Nuvens com desenvolvimento vertical estão relacionadas com


ar instável. Correntes convectivas associadas ao ar instável
podem produzir nuvens cumulus, cumulus congestus e
cumulonimbus. Como a convecção é controlada pelo
aquecimento solar, o desenvolvimento de nuvens cumulus
frequentemente segue a variação diurna da insolação. Num dia
de bom tempo as nuvens cumulus começam a formar-se do
meio para o final da manhã, após o sol ter aquecido o solo. A
cobertura de cumulus no céu é maior à tarde - usualmente o
período mais quente do dia. Se as nuvens cumulus apresentam
algum crescimento vertical, estas normalmente chamadas
cumulus de "bom - tempo" podem produzir leve chuva. Ao
aproximar-se o pôr-do-sol a convecção se enfraquece e as
nuvens cumulus começam a dissipar-se.

106
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Uma vez formados os cumulus, o perfil de estabilidade da


troposfera determina o seu crescimento. Se o ar ambiente é
estável mais para cima o crescimento vertical é inibido. Se é
instável para ar saturado, então o movimento vertical é
aumentado e os topos das nuvens cumulus sobem. Se o ar
ambiente é instável até grande altitude, a massa da nuvem toma
a aparência de uma couve-flor, enquanto se transforma em
cumulus congestus e então em cumulonimbus, que produz
tempestades.

Família de Características
Tipo de nuvem
Nuvens e altura
Nuvens finas, delicadas,
Cirrus( Ci) fibrosas, formadas de
cristais de gelo.
Nuvens finas, brancas, de
cristais de gelo, na forma
Cirrocumulus de ondas ou massas
Nuvens altas (Cc) globulares em linhas. É a
(acima de 6000 menos comum das
m) nuvens altas.
Camada fina de nuvens
brancas de cristais de
gelo que podem dar ao
Cirrostratus(Cs)
céu um aspecto leitoso.
As vezes produz halos em
torno do sol ou da Lua
Nuvens brancas a cinzas
Altocumulus(Ac) constituídas de glóbulos
separados ou ondas.
Nuvens médias
Camada uniforme branca
(2000 - 6000 m)
ou cinza, que pode
Altostratus(As)
produzir precipitação
muito leve.
Nuvens cinzas em rolos
Stratocumulus ou formas globulares,
(Sc) que formam uma
camada.
Camada baixa, uniforme,
cinza, parecida com
Nuvens baixas
nevoeiro, mas não
(abaixo de 2000 Stratus
baseada sobre o
m)
solo.Pode produzir
chuvisco.
Camada amorfa de
Nimbostratus nuvens cinza escuro.
(Ns) Uma das mais associadas
à precipitação.

107
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Nuvens densas, com


contornos salientes,
ondulados e bases
freqüentemente planas,
com extensão vertical
Cumulus (Cu)
pequena ou moderada.
Podem ocorrer
Nuvens com isoladamente ou
desenvolvimento dispostas próximas umas
vertical das outras
Nuvens altas, algumas
vezes espalhadas no
topo de modo a formar
Cumulonimbus
uma "bigorna".
(Cb)
Associadas com chuvas
fortes, raios, granizo e
tornados.

Quadro 1 – Tipos de nuvens e suas características; adaptado de


Grimm (1999)

4.5.2 Nevoeiro
Nevoeiro é uma suspensão de minúsculas gotículas de água ou
cristais de gelo numa camada de ar próxima à superfície da
Terra.
Por convenção internacional, usa-se o termo nevoeiro quando a
visibilidade horizontal no solo é inferior a 1 km; quando a
visibilidade horizontal no solo é superior a 1 km, a suspensão é
denominada neblina (Grimm, 1999). O nevoeiro é uma nuvem
com base em contacto com o solo. O nevoeiro pode formar-se
quando o ar torna-se saturado através de resfriamento
radiativo, resfriamento advectivo, resfriamento por expansão
(adiabático) ou por adição de vapor de água.

Nevoeiro de radiação

Resulta do resfriamento radiativo da superfície e do ar


adjacente. Ocorre em noites de céu limpo, ventos fracos e
humidade relativamente alta. Se a humidade relativa é alta,
apenas um pequeno resfriamento abaixará a temperatura até o
ponto de orvalho e uma nuvem se formará. O ar resfriado por
radiação tende a escoar para áreas mais baixas. Como resultado,
o nevoeiro de radiação é mais espesso em vales, enquanto as
elevações em volta estão claras. Normalmente estes nevoeiros
se dissipam em 1 a 3 horas após o nascer do sol. O Sol aquece a
Terra que, por sua vez, aquece inicialmente o ar superficial e o
nevoeiro evapora-se a partir da base.

108
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

No inverno, quando a radiação solar mais fraca é reflectida mais


facilmente pelo topo da camada de nevoeiro, ele pode ser mais
persistente.

Nevoeiro de advecção

Ocorre quando ar quente e húmida passa sobre uma superfície


fria, resfriando-se por contacto e também por mistura com o ar
frio que estava sobre a superfície fria, até atingir a saturação.
Diferentemente dos nevoeiros de radiação, nevoeiros de
advecção são frequentemente profundos (300-600 m) e
persistentes.

Nevoeiro orográfico

É criado quando ar húmido sobe terreno inclinado, como


encostas de colinas ou montanhas. Devido ao movimento
ascendente, o ar se expande e resfria adiabaticamente.

Se o ponto de orvalho é atingido, pode-se formar uma extensa


camada de nevoeiro.

Nevoeiro de vapor

Forma-se quando o ar frio se move sobre água mais quente, é


aquecido por baixo, é instabilizado, sobe, e o vapor de água
encontra o ar mais frio, condensando-se e subindo com o ar que
está sendo aquecido por baixo. O nevoeiro então aparece como
correntes ascendentes que lembram fumaça ou vapor. Ocorre
frequentemente sobre lagos e rios no início do inverno, quando
a água pode ainda estar relativamente quente.

Nevoeiro frontal ou de precipitação

A saturação por adição de vapor pode ocorrer também por


evaporação de chuva em ar frio próximo ao ponto de orvalho.

Sumário

Nesta Unidade temática 4.5 falamos da nebulosidade, do


processo de formação de nuvens, da classificação das nuvens de
acordo com a altitude e com a aparência.Falamos igualmente de
nevoeiro e seus tipos.

Exercícios de Auto - avaliação

1. O que e uma nuvem?


109
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

2. Quais são as duas condições principais para a formação de uma


nuvem?
3. O que são núcleos de condensação
4. Qual e o processo de saturação mais importante na formação de
uma nuvem?
5. Classifique as nuvens quanto a aparência e a altitude.
6. Indique os tipos de céus de acordo com a cobertura de nuvens
7. O que e nevoeiro?
8. Indique os tipos de nevoeiro que conhece
9. O que e neblina?
10. Defina nevoeiro de radiação e de advecção
11. Explique porque as nuvens cumulus tendem a evaporar-se
quando se aproxima o pôr-do-sol.

Exercicios de Avaliacao

1. As nuvens altas são finas em comparação com as nuvens


médias e baixas porque:
a) A pressão aumenta com a altitude
b) A temperatura e o vapor de água diminuem com a altitude
c) A temperatura e o vapor de água aumentam com a altitude
d) O nevoeiro aumenta com a altitude
e) O clima aumenta com a altitude

2. O que e que as nuvens em camadas indicam a respeito da


estabilidade do ar?
a) que o ar esta estável
b) que o ar esta instável
c) que vai haver nevoeiro
d) que vai chover
e) que vai haver saturação

3. O que as nuvens com desenvolvimento vertical indicam a


respeito da estabilidade do ar?
a) que o ar esta estável
b) que o ar esta instável
c) que vai haver nevoeiro
d) que vai chover
e) que vai haver saturação

4. Das frases abaixo qual é a que não se enquadra nas


características do nevoeiro
a) O nevoeiro é uma nuvem com base em contacto com o solo.
b) O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado
através de resfriamento radiativo
110
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

c) O nevoeiro pode formar-se quando o céu esta limpo


d) O nevoeiro pode formar-se quando as nuvens se dissipam
e) O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado por
resfriamento adiabático
f) O nevoeiro pode formar-se quando o ar torna-se saturado por
adição de vapor de água

Unidade Temática 4.6 - Precipitação

Introdução
A água condensada na atmosfera volta para a superfície
terrestre através da precipitação que é o resultado de um
estado avançado de condensação. Ela ocorre quando a força
gravitacional supera a força que mantém a humidade suspensa
e esta atinge o solo sob a forma líquida (chuva ou chuvisco) ou
sólida (granizo, saraiva e neve).

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: precipitação
 Explicar: como se forma a precipitação
 Conhecer: as formas de precipitação
 Explicar: como se formam os diferentes tipos de chuva
 Caracterizar:os diferentes tipos de chuva
 Conhecer:o ciclo hidrológico
 Explicar:a distribuição latitudinal e sazonal da precipitação

111
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

4.6.1 O Ciclo Hidrológico


A água é sem dúvidas, um dos principais, senão o mais
importante elemento natural da manutenção da vida no
Planeta. Inicialmente, torna-se necessário destacar o ciclo
hidrológico que de forma geral, pode-se dizer, tem origem na
evaporação das águas, com posterior formação de nuvens
(condensação) e finalmente, a precipitação quando novamente
o ciclo tem início. Este ciclo e que garante o balanço hídrico do
planeta.

Figura 1 – Esquema do ciclo hidrológico

O Ciclo Hidrológico
I – Evaporação: A evaporação ou vaporização é a passagem da
água do estado líquido para o de vapor. Aqui se inclui a
evapotranspiração, ou seja, a evaporação, por transpiração, das
águas presentes nos seres vivos (animais e vegetais). Para haver
evaporação, dois agentes são fundamentais: água para ser
evaporada e temperatura (calor) para promover a passagem da
água do estado líquido para o gasoso.
2 – Condensação: A condensação é o processo pelo qual o vapor
de água contido no ar atmosférico é novamente transformado
em água líquida. O início do processo de condensação é
visualizado pela formação de uma nuvem no céu. A
condensação do vapor de água no interior de uma massa de ar
tem início quando esta atinge a saturação. Na verdade, a
saturação acarreta uma diminuição da capacidade de retenção
de vapor de água.

112
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

A nuvem é formada por microgotículas de água e/ou


microcristais de gelo. Embora todas as nuvens contenham água,
nem todas produzem precipitação. As gotículas de nuvem são
minúsculas. Primeiro, devido ao pequeno tamanho, sua
velocidade de queda seria tão pequena, de modo que, mesmo
na ausência de correntes ascendentes, ela se evaporaria poucos
metros abaixo da base da nuvem. Segundo, as nuvens consistem
de muitas destas gotículas, todas competindo pela água
disponível; assim, seu crescimento via condensação é pequeno.

Portanto, as gotículas de nuvem precisam crescer o suficiente


para vencer as correntes ascendentes nas nuvens e sobreviver
como gotas ou flocos de neve a uma descida até a superfície sem
se evaporar. Para isso, seria necessário juntar em torno de um
milhão de gotículas de nuvem numa gota de chuva. Dois
importantes mecanismos foram identificados para explicar a
formação de gotas de chuva:

O processo de Bergeron – aplica-se a nuvens frias, que estão em


temperaturas abaixo de 0° C onde o crescimento processa-se
pela junção de gelo com gelo ao que se chama agregação e gelo
com água ao que se chama acreção. Na agregação os cristais de
gelo colidem e se colam uns aos outros, processo
particularmente eficiente a baixas temperaturas, sendo o
principal processo explicativo para a neve e as chuvas
extratropicais. A acreção é o processo fundamental por que se
formam os grãos de saraiva: um embrião de gelo que capta
gotículas de água que gelam ao chocarem com ele. O processo
de Bergeron e o principio aplicado quando se faz o cultivo de
nuvens.

O processo de colisão – coalescência, processo em que “gotas


maiores, caindo pelas gotinhas que se formam mais lentamente,
colidem com elas e, por assim funciona nas regiões tropicais
para a precipitação das nuvens onde não há gelo. (Atkinson e
Gadd; 1986; P. 89).
3 – Precipitação: é o processo pelo qual a água condensada na
atmosfera atinge a superfície terrestre, sob a forma líquida
(chuva ou chuvisco) ou sólida (granizo, saraiva ou neve). Estas
são as diferentes formas de precipitação:
Chuva – é a precipitação de partículas de água líquida sob a
forma de gotas com diâmetro mínimo de 0,5 mm e velocidade
de queda de 3m.s -1 (Soares e Baptista, 2004) como citado em
Torres e Machado (2008; P. 54)
De acordo com Tubelis e Nascimento (1984), a chuva inicia-se
quando é atingido o nível de condensação, e se prolonga até o

113
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

nível em que a temperatura do ar torna-se igual a -12ºC. Neste


estágio, a nuvem é caracterizada por vapor de água e gotículas
de água líquida, e se resfria na ascensão segundo o gradiente
adiabático húmido que se estabelece. A precipitação que se
forma, a partir de nuvens até este estágio é sempre pluvial. As
gotículas da nuvem, entre as temperaturas de 0ºC e -12ºC não
se solidificam e por esta razão são denominadas gotículas de
água super - resfriadas, ou seja, a água é resfriada a uma
temperatura inferior a seu ponto de congelamento (0ºC à
pressão normal) e permanece, todavia, no estado líquido, em
função, basicamente, das condições atmosféricas diferenciadas
em altitude, onde se destaca, principalmente, a menor pressão
atmosférica.
Chuvisco – precipitação de gotas de água muito pequenas, com
diâmetros inferiores á 0,5mm dispersas uniformemente,
parecendo flutuar no ar acompanhando o movimento da brisa.
O chuvisco cai de nuvens Estratus (Soares e Baptista, 2004).
Convém ressaltar que o chuvisco é a precipitação líquida inferior
a 1 mm/hora (Retallack, 1977).
Granizo – precipitação de grãos redondos ou cônicos de gelo
(Soares e Baptista, 2004). Quando a solidificação é muito rápida,
ou seja, quando ocorre a Sublimação (passagem do estado
gasoso diretamente para o estado sólido), ou quando se produz
em um meio contendo pequenas gotas super-resfriadas, como
resultado de um resfriamento muito rápido as temperaturas
entre -12ºC e -40ºC, o gelo se forma em massas amorfas ou
apresenta pequenos traços de cristalização, precipitando em
forma de granizo. (Torres &Machado (2008; P. 57)
Saraiva – precipitação de pedras de gelo mais ou menos ovais,
com diâmetros entre 0 e 50 mm ou mais, e que caem ora
separados uns dos outros, ora aglomerados em blocos
irregulares. “Os grânulos de saraiva ocorrem quando se formam
gotas de chuva em Cumulunimbus, porque podem ser
arrastadas para cima e ultrapassar o nível de congelação por
várias vezes. Adquirem assim camadas sucessivas de gelo até
que o peso adquirido as faça finalmente cair. (Torres &Machado
2008; P. 57)
Outra forma de Saraiva forma-se quando a temperatura da
nuvem de que provém está acima de 0ºC, enquanto as camadas
inferiores de ar se acham ainda abaixo do ponto de
congelamento. Resulta daí, que o pingo da chuva congela-se na
queda, alcançando o solo na forma de saraiva.
Neve – se a condensação (sublimação) se dá à temperaturas
muito baixas (em torno ou abaixo de -40ºC) e de forma lenta e
progressiva, o vapor de água também

114
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

passa diretamente para o estado sólido, e aqui o gelo toma


formas cristalinas mais ou menos regulares, simples ou
complexas que constituem a neve.
Observa-se que a precipitação de neve demanda mesmo junto
à superfície, temperaturas bastante baixas (0ºC ou menor) e por
isso este tipo de precipitação é mais comum em áreas de altas
latitudes e altas montanhas. Caso contrário se a temperatura
entre o nível das nuvens e o solo estiver suficientemente
elevada, a neve derreterá na sua queda e será transformada em
chuva.

4.6.2 Tipos precipitação quanto a origem


A precipitação pode ser classificada em 3 tipos principais, de
acordo com sua gênese: precipitação do tipo Convectivo ou de
Convecção, Frontal ou Ciclónico e Orográfico ou de Relevo.
1 – Precipitação Convectiva: as nuvens de convecção (grandes
Cúmulos ou Cumulonimbus) são formadas a partir da ascensão
vertical de uma massa de ar húmido, comum em regiões
quentes e húmidos, originando chuvas pesadas e intensas,
embora de duração mais curta. Nas regiões equatoriais, onde
ocorrem baixas pressões e a evaporação é constante e intensa,
devido às elevadas temperaturas, ocorrem, comumente, chuvas
de convecção, (as vezes acompanhados por granizo) também
provocadas pela ação dos ventos alísios. Estas chuvas são
comuns no verão, quando, depois de atingida a temperatura
máxima do dia, com o decréscimo da mesma no final da tarde
ou início da noite caem fortes aguaceiros, em geral de curta
duração, acompanhados de raios, relâmpagos e trovões.

Figura 1 – Esquematizacao de chuvas convectivas

2 – Precipitação frontal: este tipo, também chamado precipitação


ciclónica, está associado à instabilidade causada pelo encontro de
duas massas de ar de características térmicas diferentes (uma

115
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

massa de ar quente e outra de ar frio). É uma precipitação


moderadamente intensa, contínua e que afecta áreas bastante
extensas. São comuns nas áreas de médias latitudes, onde
ocorrem, normalmente (principalmente no período do inverno) o
encontro de massas de ar de características opostas.

Figura 2 – Esquematizacao de chuvas frontais

3 – Precipitação Orográfica: a precipitação orográfica


(orogênicas ou de relevo) ocorre devido à ascensão forçada de
ventos húmidos ante um obstáculo do relevo. O ar, obrigado a
se elevar para transpor o obstáculo, resfria-se (coma altitude),
podendo saturar-se. As vertentes do obstáculo voltadas para o
vento ficam cobertas de nuvens das quais cai a precipitação. Do
outro lado do obstáculo, o ar descendente é seco e, em geral,
frio, com suas características iniciais modificadas.

Figura 3 - esquematização de chuvas orográficas

4.6.2 Distribuição mundial da precipitação


Por causa do mecanismo de formação da precipitação-
arrefecimento adiabático das massas de ar em ascensão – as
precipitações são mais elevadas nas áreas de ascensão das
massas de ar da região equatorial, nas perturbações

116
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

atmosféricas das latitudes médias e áreas a barlavento das


cadeias montanhosas. Assim para Ayoade (1996; P. 164):
1 A precipitação e abundante na zona equatorial e moderada nas
latitudes médias.
2 As zonas subtropicais e áreas circunvizinhas aos pólos são
relativamente secas
3 Nos subtópicos a zona litorânea ocidental tende a ser seca
enquanto que a zona litorânea oriental tende a ser húmida.
4 Nas altas latitudes as costas ocidentais são em geral mais
húmidas que as costas orientais
5 A precipitação e abundante nas vertentes a barlavento das
montanhas e esparsa a sotavento
6 As áreas próximas aos grandes corpos hídricos registam mais
precipitação que o interior dos continentes distante da fonte de
suprimento de humidade, com excepção para a zona equatorial
onde os valores de precipitação são praticamente iguais entre o
oceano e a terra.
Em geral, “verifica-se que a quantidade de precipitação, diminui
do Equador para os Pólos em ambos hemisférios, alcançado
mínimos secundários nas regiões de altas pressões subtropicais,
votando a aumentar em direcção aos pólos ate alcançar um
máximo secundário nas latitudes entre 40° e 50°N/S, zona de
convergência das latitudes medias (a depressão subpolar). A
partir daqui – 50 – 55°N/S a precipitação diminui ate alcançar os
mínimos polares nas latitudes de 75° N/S.

4.6.3 Variação sazonal da precipitação


A distribuição sazonal da precipitação também é elemento
importante do tempo atmosférico e do clima nas latitudes
médias e altas. Enquanto nos trópicos a precipitação pluvial é
efectiva para o crescimento da planta, qualquer que seja a
época do ano em que ocorra, nas latitudes médias somente a
precipitação que cai durante a estação isenta de congelamento
pode ser efectiva.
A precipitação no inverno ocorre principalmente na forma de
neve, que não pode ser utilizada pelas plantas até que venha a
se derreter. Além disso, nessa época as temperaturas
frequentemente são muito baixas para que haja o crescimento
das mesmas.
A precipitação tende a ser mais sazonal em sua incidência nos
trópicos, em comparação com as áreas extratropicais. A marcha
sazonal da precipitação nas latitudes baixas é controlada
principalmente pela migração norte - sul do cinturão de ventos
que, juntamente com suas zonas associadas de convergência e
divergência, segue o curso do Sol. Nas latitudes médias os

117
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

continentes e os oceanos exercem considerável influência sobre


o padrão de distribuição da precipitação. Finalmente, as áreas
oceânicas não somente recebem mais precipitação durante o
ano do que as áreas continentais, como também a precipitação
é menos sazonal em sua incidência. (Torres & Machado, 2008;
P. 57)

Figura 4 – Distribuição latitudinal da precipitação


Fonte: Ayoade (1996, P. 168)

Para Ayoade (2003) a ênfase no diagrama da figura 4 está na


migração norte - sul das zonas de convergência e de divergência.
As variações sazonais na precipitação, que surgem de factores
não sazonais, como a distribuição dos continentes e dos
oceanos, a disposição das terras altas e das variações
longitudinais na circulação atmosférica, não são consideradas.
(Torres & Machado, 2008; P. 58)
Em geral, podem-se reconhecer, ainda de acordo com Ayoade
(1996 Pag; 169), os seguintes regimes principais de precipitação
pluvial, isto é, padrões de precipitação pluvial sazonal:

1. Precipitação pluvial equatorial - a precipitação pluvial é


abundante, ocorre durante todo o ano e é amplamente
convectiva quanto à origem;

118
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

2. Precipitação pluvial de savana - a precipitação pluvial é


amplamente convectiva e ocorre durante o verão;
3. Precipitação pluvial de deserto tropical - a precipitação é baixa
em todas as estações;
4. Precipitação pluvial mediterrânea - a precipitação é
principalmente ciclónica (isto é, frontal) e ocorre no inverno. O
verão é seco;
5. Precipitação do oeste europeu - a precipitação é abundante,
com mais chuvas no inverno do que no verão. A precipitação é
principalmente ciclónica quanto à origem;
6. Precipitação pluvial continental - a chuva cai principalmente
no verão;
7. Precipitação pluvial costeira de leste - a precipitação pluvial é
elevada, provinda de ventos marítimos em baixas latitudes; nas
latitudes médias a precipitação é derivada a partir de massa de
ar húmida e moderadamente quente que se dirige para o
interior no verão, e de tormentas ciclónicas no inverno;
8. Precipitação pluvial polar - a precipitação é baixa com a
precipitação máxima ocorrendo no verão, quando há mais
humidade no ar e a influência ciclónica pode alcançar a área
circunvizinha aos pólos.

4.6.4 Variação Diúrna da Precipitação


O regime diurno da precipitação é de grande influencia para as
actividades diárias do homem por afectar, por exemplo, o sector
dos transportes e comunicações como o trafego aéreo e a
transitabilidade de estradas não pavimentadas, etc. A variação
diurna da precipitação e mais regular nos trópicos que nas
latitudes medias. Na variação diurna é necessário destacar dois
tipos de regime:
O tipo continental, que ocorre sobre as grandes massas de terra
- a precipitação e do tipo pluvial convectivo que atinge o seu
Maximo no final da manha ou a tarde .
O tipo marítimo ou litorâneo, que ocorre sobre o oceano, áreas
costeiras ou nas proximidades de grandes lagos – o máximo de
precipitação ocorre a noite ou as primeiras horas da manha
quando ao ar marítimo e instável.

Sumário

Nesta unidade 4.6 falamos da precipitação, sua origem, as


formas de precipitação, sua distribuição global, variação sazonal
e diurna. Falamos igualmente dos tipos de precipitação de
acordo com a sua origem.

119
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercícios de Auto-avaliação

1. O que e a precipitação?
2. Quais são as formas de precipitação que conhece?
3. Indique os tipos de precipitação quanto a sua origem
4. O que são precipitações convectivas?
5. O que são precipitações orográficas?
6. O que são precipitações frontais?

Exercícios

1. Dos fenômenos listados abaixo indique os que não corresponde


a precipitação
a) Neve
b) Geada
c) Granizo
d) Chuva
e) Nevoeiro
f) Neblina

2. Relacione os tipos de precipitação em a), b) c) com as frases 1, 2, 3.


a) orográfica
b) convectiva
c) frontal
( ) o encontro com barreiras de montanhas provocam precipitação nas
encostas.
( ) provocada pelo encontro de uma massa de ar quente com uma
massa fria.
( ) provocada pela intensa evapo-transpiração principalmente em
regiões tropicais.

Exercícios

1. Como se processa o balanço hídrico da terra?


2. Relacione o padrão de distribuição da precipitação com a CGA

120
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Bibliografia

SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações


climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

121
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA V – Factores do Clima

Unidade Tematica 5.1 – Factores do Clima


Unidade Tematica 5.2 – Eventos especiais

Introdução
Os factores climáticos são as condições que determinam ou
interferem nos elementos climáticos e os climas deles
resultantes. São eles que ajudam a explicar o porquê de uma
região ser quente e húmida e outra ser fria e seca, por exemplo.
Neste capítulo falaremos dos principais factores climáticos,
nomeadamente, latitude, altitude, maritimidade e
continentalidade, vegetação, correntes marítimas relevo, ate a
actividade antropogénica. Serão também tratados alguns
fenômenos a que chamaremos eventos especiais que tem um
papel muito importante na formação do tempo e do clima.

Ao completar este Tema, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Definir: factores climáticos


 Explicar: como cada factor influencia os elementos climáticos
 Conhecer: os factores climáticos
 Descrever:alguns eventos especiais produtores do tempo e do clima

5.1.1 Latitude
Como já observado anteriormente, existe uma correlação entre
a variação da latitude e a modificação geral dos valores da
temperatura, da pressão atmosférica (e consequentemente do
processo de formação dos ventos),e ainda a radiação solar, uma
vez que, sua perpendicularidade só se dá na zona intertropical,
incidindo tanto mais obliquamente quanto maior fora
proximidade dos pólos. Em consequência isso, os climas terão
seus valores térmicos na razão inversa da latitude. Quanto à
precipitação, há um máximo principal no Equador (Figura 5.1) e
dois secundários na altura das latitudes médias, ambos

122
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

coincidindo com áreas de baixa pressão; dois mínimos nas


latitudes em torno dos 30º e nos pólos Norte e Sul,
correspondendo ás zonas de alta pressão.

Figura 1 – Variação de alguns elementos climáticos com a


latitude
Fonte: Torres e Machado (2008; P. 74)

5.1.2 Altitude
Existe uma relação entre a variação altimétrica e os elementos
climáticos como temperatura e pressão. A pressão avaria no
sentido inverso da altitude.
A altitude modifica os valores de temperatura, e esta é um forte
determinante da localização e distribuição de espécies vegetais.
Pode-se entender que a variação altimétrica da vegetação, que
em linhas gerais, se dá quase da mesma forma que a variação
latitudinal. (Torres &Machado 2008; P. 76)

123
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 2 - Variação altimétrica e latitudinal das espécies vegetais


A figura tenta representar esta variação altimétrica e latitudinal
das espécies vegetais. Observa-se que a distribuição altimétrica
é, em geral, a mesma encontrada quando se observa a variação
latitudinal das espécies vegetais, numa situação de distribuição
uniforme dos continentes e oceanos.

5.1.3 Continentalidade e Maritimidade


A diferença de calor específico entre a superfície terrestre e as
massas de água merece um destaque como factor climático. Os
continentes aquece e arrefece mais rapidamente que as
superfícies aquáticas, sendo que estas superfícies hídricas
possuem a propriedade de “misturar” o calor recebido a
maiores profundidades, ao contrário do solo, de forma geral,
muito mais opaco. Isso gera, direta e/ou indiretamente,
inversões dos centros de alta e baixa pressões, alterando, por
consequência, a direção dos ventos, como pode ser observado
nos casos das brisas marítimas e terrestres.
Assim, o efeito da Maritimidade atenua as diferenças térmicas,
homogeneizando as temperaturas costeiras. Já o efeito da
Continentalidade, é inverso, ou seja, nas áreas do interior, mais
afastadas da costa, as amplitudes térmicas diárias, sazonais e
anuais tendem a ser maiores.
Como citado por Molion (1988), “a Terra é formada por cerca de
70% de oceanos e 30% de continentes, sendo que o Hemisfério
Norte possui 60% de oceanos e 40% de continentes e o
Hemisfério Sul 80% e 20%respectivamente”.

124
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

(Torres &Machado; 2008 P. 77)


Essa desigual repartição entre as terras e os mares nos dois
hemisférios, torna os invernos mais longos e rígidos e verões
mais curtos e quentes no Hemisfério Norte por causa da maior
continentalidade. Situação contrária ocorre no Hemisfério Sul
como consequência da maior influência da Maritimidade.

Figura 3 - Influencia da continentalidade e maritimidade sobre


clima
5.1.4 Vegetação
Nas palavras de Sadourny (1994), “entre o clima e a vegetação
existe uma estreita Simbiose”. O clima exerce influência
marcante e decisiva na vida vegetal, sobretudo através de seus
elementos: humidade, precipitação, temperatura, radiação
solar, insolação e ventos. (Torres &Machado,2008; P. 79)
Por seu turno, a vegetação age poderosamente sobre o clima.
Tem-se assim que a densa vegetação das áreas intertropicais,
por exemplo, com sua enorme evapotranspiração, aumenta a
humidade do ar, facilitando a produção de chuvas. As matas
influem na temperatura, especialmente nas máximas, que são
mais moderadas em função da sombra que proporcionam, do
calor que absorvem e da evaporação da água que transpiram. A
vegetação tem influência sobre a velocidade dos ventos. (Torres
&Machado,2008; P. 78)

5.1.5 Solos
O aspecto mais importante do solo como factor climático é o seu
albedo. De acordo com Miller (1982) a formação geológica e a
resultante natureza do solo figuram também entre os factores
que determinam o clima. As superfícies de cores escuras
absorvem os raios solares mais do que as claras estando, em
geral, mais quentes durante o dia,

125
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

aquecendo o ar sobre elas. Os terrenos secos, tais como as


areias, têm um calor específico baixo e variam rapidamente de
temperatura, ao contrário dos húmidos, como os argilosos, que
retém a humidade e tendem a conservar o calor e o frio.
Nota-se assim, que a radiação que chega à superfície da Terra
sofre diversas influências. Pode ser reflectida em sua totalidade
ou quase inteiramente absorvida. Essas influências dependem
em muito da natureza da superfície que recebe radiação. (Torres
& Machado,2008; P. 79)
5.1.6 Disposição do Relevo
Os acidentes do relevo desempenham um importante papel nos
climas e nos tipos de tempo. A orientação das linhas do relevo
contribui eficazmente para determinar, por exemplo, a direção
dos ventos. Além disso, a altitude, como já dito, é um
importante fator que influencia as temperaturas, a pressão
atmosférica e as precipitações.
A influência das elevações do relevo dependerá, em muito, de
sua disposição e orientação geral, norte/sul (como os Andes) ou
leste/oeste (como o Himalaia). Tubelis e Nascimento (1984)
chamam a atenção a este respeito, correlacionando disposição
do relevo, radiação solar e vegetação: superfícies com
orientações e inclinações diferentes recebem quantidades
diferentes de radiação solar global em comparação com uma
superfície horizontal, em uma mesma localidade e época do
ano. A importância desse facto é que a produção de matéria
vegetal é condicionada pela disponibilidade de energia solar.
(Torres & Machado,2008; P. 79)
Ross (1995) diz que os maciços montanhosos apresentam uma
variedade de microclimas graças a diferentes exposições das
vertentes à incidência dos raios solares e os ventos dominantes.
“As características paisagísticas refletem esses contrastes. As
que recebem os ventos húmidos (barlavento) são chuvosas e
recobertas por florestas exuberantes, “ao contrário das que se
encontram em situação inversa (vertentes a sotavento) são mais
secas e apresentam cobertura. (Torres &Machado,2008; Pag.
79)

126
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Figura 4 - Esquema da influência da exposição do relevo sobre o


clima
5.1.7 Intervenção Humana
O impacto do Homem no clima faz-se sentir através de suas
várias actividades, podendo ter influência local, regional e até
mesmo global sobre as condições climáticas, ou seja, influências
sobre o microclima, o mesoclima ou sobre o clima.
O Homem pode influenciar o clima deliberadamente ou
inadvertidamente. Um dos maiores impactos antrópicos sobre o
clima, são as cidades, ou seja, o meio urbano. O Homem tem
exercido um impacto tão grande nestas áreas, que o clima
urbano é totalmente distinto, em suas características, do clima
das áreas rurais circundantes.
De acordo com Mota (1981), o processo de urbanização pode
causar alterações sensíveis no ciclo da água, como aumento da
precipitação; diminuição da evapotranspiração, como
consequência da redução da vegetação; aumento do
escoamento superficial; diminuição da infiltração da água,
devido à impermeabilização do solo; mudanças no nível freático,
podendo haver redução ou esgotamento da mesmo; maior
erosão do solo e consequente assoreamento dos corpos
hídricos; aumento da ocorrência de enchentes; poluição das
águas superficiais e subterrâneas. (Torres &Machado,2008; P.
81)
A velocidade dos ventos é menor nas cidades, em consequência
das barreiras (edificações). As calmarias são também mais
frequentes nas áreas urbanas (TORRES, 2003). Devido aos
“corredores urbanos” formados por
127
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

ruas e avenidas, pode ocorrer, no entanto, que quando a


velocidade dos ventos em toda área for muito baixa, nas cidades
ela poderá ser maior. (Torres &Machado,2008; P. 81)
Nas cidades observa-se maior precipitação pluvial do que nos
campos e áreas periféricas, pois as actividades humanas nesse
meio produzem maior número de núcleos de condensação
(poluentes). Soma-se a isso, o facto de as temperaturas serem
maiores nas cidades:
“As temperaturas mais elevadas nos centros das cidades
desempenham as funções de um centro de baixa pressão que
atrai o ar circundante. Este ar, pelo processo de convecção
alcança grande altitude, atinge o ponto de orvalho e provoca
precipitação” (TROPPMAIR, 2004) como citado em (Torres &
Machado, 2008; P. 79)
Corroborando, Torres (2003) diz que: as alterações ambientais
causadas por processos antrópicos tendem a produzir
modificações em alguns elementos climáticos, originando
fenômenos como o da “Ilha de Calor”, responsáveis por
temperaturas mais elevadas na área central da cidade, além de
pluviosidades quantitativamente maiores nas áreas
urbanizadas. (Torres &Machado,2008; Pag. 79)
A visibilidade nas cidades, em geral, é menor que no campo.
Normalmente, há nas cidades mais partículas de pó em
suspensão na atmosfera, resultando em mais neblina e
nevoeiros (TORRES, 2003) como citado em (Torres & Machado,
2008; P. 81)
O desmatamento e/ou a retirada da vegetação para a prática de
actividades também pode provocar várias alterações climáticas,
pois a vegetação é responsável pela regularidade das
temperaturas, da humidade e da evaporação, contribuindo
ainda para uma maior ventilação.

5.1.8 Correntes marítimas


De acordo com Miller (1982) muitos aspectos dos climas
marítimos e continentais não podem ser explicados
adequadamente pelos contrastes entre terra e mar, geralmente
se devem às correntes oceânicas. (Torres & Machado, 2008; P.
84)
Assim como os ventos, elas influenciam na temperatura do ar,
pois pode transportar ou transmitir “calor” ou “frio” de uma
área para outra, dependendo de suas características e das
características térmicas junto às áreas onde influenciam. Por
exemplo, áreas costeiras banhadas por correntes frias têm
temperaturas mais baixas do que outras situadas na mesma

128
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

latitude, mas que não são afectadas por elas. Em linhas gerais,
no globo, tem-se um vasto movimento de leste para oeste na
zona equatorial compensado por um movimento no sentido
inverso na zona temperada, completando a circulação por um
movimento em direção ao Pólo nas bordas orientais dos
continentes e outro em direção ao Equador, ao longo das costas
ocidentais dos continentes. O resultado, nas baixas latitudes, é
um aquecimento das costas orientais dos continentes e um
resfriamento das costas ocidentais. (MILLER, 1982) como citado
em (Torres & Machado, 2008; P. 84)
As causas principais das correntes marítimas, de acordo com
Leinz e Amaral (1970), são agrupadas em duas categorias: as
intrínsecas à água do mar e as extrínsecas. As causas intrínsecas
são representadas pela temperatura e salinidade, factores que
alteram a densidade da água, tornando-a mais pesada ou mais
leve. Por outro lado, a flutuação da própria salinidade é
consequência de causas extrínsecas, como o vento e a chuva.
(Torres & Machado, 2008; P. 84)
De acordo com Strahler (1982), nas áreas subtropicais de alta
pressão, a maior evaporação da água promove um aumento
relativo da salinidade tornando essa mais densa. Por outro lado,
nas áreas de baixa pressão, como a equatorial, a maior
precipitação promove um aumento relativo da quantidade de
água em relação à de sal, tornando essa menos densa,
produzindo o movimento superficial da água. “A salinidade da
água do oceano guarda estreita relação com o quociente entre
a evaporação e a chuva e varia de uma maneira sistemática com
a latitude”. (Torres & Machado, 2008; P. 84)
Quanto às causas extrínsecas, consideram-se os ventos, as
diferenças depressão e a força das marés. Há ainda a considerar
dois tipos de forças que modificam a direção das correntes. Uma
é a Força de Coriolis, análoga ao vento, e outra é a exercida pelo
atrito da água contra si mesma, ou contra as partes sólidas.
As correntes marinhas são “imensos volumes de água que se
acham em circulação, sendo que a conhecida corrente do Golfo
que movimenta, em certos trechos muito mais água do que
todos os rios do mundo reunidos” (LEINZ &AMARAL, 1970)
como citado em (Torres & Machado, 2008; P. 85)
Ainda de acordo com os autores, a velocidade das correntes são
pequenas, cerca de 5 cm/s, contudo quando se trata da citada
Gulfstream, sua velocidade atinge 5km/h. A mesma é
responsável pelo transporte de água quente para as altas
latitudes, amenizando o clima do norte europeu ocidental.
(Torres & Machado, 2008; P. 85)

129
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Segundo Ross (1995) as correntes quentes, que estimulam a


evaporação e a condensação, produzem climas chuvosos, ao
passo que as frias estabilizam o ar, sendo responsáveis por áreas
mais secas. Estas diferenças na quantidade de água no sistema
vão promover diferenças também na vegetação, onde com
maior quantidade de água, mais favorável o aparecimento de
áreas com maior biodiversidade, e menor quantidade de água,
menor biodiversidade. (Torres & Machado, 2008; P. 85). As
correntes frias de Humboldt, de Benguela, da Califórnia
costumam ser apontadas como estando na origem dos desertos
de Patagónia e Atacama, do Kalahari, da Califórnia
respectivamente.

Figura 5 - Disposição das correntes oceânicas

Sumário
Nesta unidade temática 5.1 falamos dos factores do clima e sua
forma de influenciar os elementos climáticos

130
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Temática 5.2. Fenómenos Atmosféricos


produtores do tempo

Introdução
Em capítulos anteriores falamos de uma serie de sistemas
produtores do tempo e do clima. Nesta unidade falaremos de
alguns fenômenos atmosféricos produtores de tempo como
“eventos especiais” tanto pelas suas características como pela
sua localização e freqüência.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: Alguns eventos especiais que actuam na produção do


tempo ao longo do globo terrestre
 Caracterizar: o tempo associado a cada um desses fenômenos
meteorológicos

5.2.1 Efeito de estufa


Como didacticamente explicado por Branco (1988), um tipo de
impacto ambiental de longo alcance é o Efeito Estufa,
comparando-o com as estufas empregadas nos países de clima
frio para proteger as plantas do rigor do inverno. (Torres &
Machado, 2008; P. 186).
Tais estufas possuem paredes e teto de vidro, e o seu
aquecimento se dá devido a uma propriedade interessante do
próprio vidro, que embora transparente, é um completo
isolante térmico: ele deixa que as radiações do sol passem para
dentro da estufa, mas não deixa que o calor saia do seu interior.
Dessa forma, o calor acumula-se, mantendo o interior da estufa
cada vez mais quente. Esta propriedade é conhecida dos
jardineiros desde o século XV, permitindo que se cultivem
plantas tropicais em climas frios como os da Europa.
De acordo com Salgado-Labouriau (1994), as nuvens do céu
agem como o vidro da estufa e fazem com que a temperatura
na parte baixa da atmosfera aumente.
131
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Sem as mesmas nuvens o calor escapa, diminuindo a


temperatura. Por isso, durante o inverno, as noites estreladas
são mais frias, pois a superfície perde calor pela falta das nuvens.
(Torres & Machado, 2008; P. 186).
A atmosfera é praticamente transparente às radiações solares
de ondas curtas, mas absorve as radiações infravermelhas
emitidas pela superfície terrestre. Os principais absorventes
desta energia na atmosfera são o vapor de água, o dióxido de
carbono e as nuvens. Somente cerca de 6% do infravermelho
irradiado pela superfície escapa para o espaço. O resto é
absorvido pela atmosfera e re-irradiado pela mesma.
Ainda de acordo com a autora, o efeito estufa é fundamental
para a manutenção da vida na Terra. Mede-se este efeito com a
comparação entre a temperatura na superfície e a temperatura
irradiada. A temperatura média global da Terra é hoje de +15ºC
mas a temperatura efectiva de radiação é hoje de -18ºC.
Portanto, o efeito-estufa da atmosfera causa um aquecimento
de cerca de 33ºC (Torres & Machado, 2008; P. 186).
Quando o CO2 aumenta, a absorção de infravermelho aumenta
elevando a temperatura, esta por sua vez aumenta a
evaporação da água, elevando a quantidade de vapor de água.
Com isso tem-se um aumento da nebulosidade favorecendo
ainda mais o efeito estufa resultando numa “bola-de-neve” que
incrementará mais a temperatura média global.

Figura 1 - Efeito de estufa

132
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

5.2.2 Inversão Térmica


O fenômeno da Inversão Térmica ocorre quando uma camada
de ar quente fica sobreposta a uma camada menos quente (mais
fria), o que impede a mistura da atmosfera em ascensão vertical.
O referido fenômeno funciona assim: normalmente, o ar
próximo à superfície do solo está em constante movimento
vertical, devido ao processo convectivo (correntes de
convecção). A radiação solar aquece a superfície do solo e este,
por sua vez, aquece o ar que o circunda; este ar quente é menos
denso que o ar frio, desse modo, o mesmo sobe (movimento
vertical ascendente) e o ar frio, mais denso, desce (movimento
vertical descendente). O ar frio no que toca a superfície do solo
recebe calor do mesmo, aquece, fica menos denso, então sobe,
dando lugar a um novo movimento descendente de ar frio. E o
ciclo se repete. O normal, portanto, é que se tenha ar quente
numa camada próxima ao solo, ar frio numa camada logo acima
desta e ar ainda mais frio em camadas mais altas, porém, em
constantes trocas por correntes de convecção.
Na inversão térmica, condições desfavoráveis podem,
entretanto, provocar uma alteração na disposição das camadas
na atmosfera. Geralmente no inverno, pode ocorrer um rápido
resfriamento do solo por uma entrada de massa de ar fria ou um
rápido aquecimento das camadas atmosféricas superiores,
quando, por exemplo, nas primeiras horas do dia o Sol iluminar
as partes mais elevadas em detrimento ao fundo do vale, isso
faz com que se tenha a formação de uma camada de ar mais
quente nas partes mais elevadas e uma camada mais fria no
fundo do vale. Quando isso ocorre, o ar quente fica por cima da
camada de ar frio, passando a funcionar como um bloqueio, não
permitindo os movimentos verticais de convecção: o ar frio
próximo ao solo não sobe porque é o mais denso e o ar quente
que lhe está por cima não desce, porque é o menos denso. (
Torres & Machado, 2008 P. 189)
5.2.3 Tempestades Tropicais
Segundo Ayoade (2003) as Tempestades Tropicais ocorrem em
várias partes dos oceanos tropicais com diferentes
denominações: assim, são furacões no Caribe e no oceano
Atlântico, ciclones no oceano índico e Baía de Bengala, tufões
nos mares da China e Oceano pacífico, ciclones tropicais ao largo
da Oceania, willy-willies na Austrália ou baguiós nas Filipinas.
(Torres & Machado, 2008; Pag190)
As Tempestades Tropicais são centros ciclónicos, quase
circulares, com pressão extremamente baixa, na qual os ventos
giram em espiral. Seu diâmetro varia de 160 a 650 km e a

133
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

velocidade de seus ventos varia de 120 a 200 km/h..(Torres &


Machado, 2008; Pag190)
Deslocam-se à uma razão de 15 a 30 km/h. Nunca se originam
sobre superfícies terrestres. “De fato, eles enfraquecem quando
se movimentam sobre o continente e sobre superfícies
aquáticas frias”. (Torres & Machado, 2008; Pag190). Além das
águas quentes dos oceanos (acima de 27 graus), um furacão
depende de outras duas condições para existir: alta humidade
do ar e ventos no mesmo sentido na baixa Troposfera (até 2.000
metros de altitude) e na alta Troposfera (até 10.000 metros).
Sob a influência desses três factores, um aglomerado de
Cumulonimbus viaja, muitas vezes, milhares de quilômetros
para se transformar em um furacão. Uma das rotas mais
conhecidas no Ocidente, por exemplo, começa na costa oeste
da África, onde os aglomerados, empurrados pelos ventos
Alísios, cruzam o Atlântico e atingem a escala de furacões
(caracterizada por velocidades superiores a 115 km/h) no
Caribe. Essa evolução, acompanhada atentamente pelos
satélites meteorológicos, dura de quatro a seis dias. Do Caribe,
podem entrar pelo território mexicano ou assolar a costa sul dos
Esta os Unidos. (Torres & Machado, 2008; P. 190)
Atkinson e Gadd (1990) afirmam que numa estação de furacões
média, que vai normalmente de Junho a Novembro, mais de 100
perturbações, potencialmente furacões, são observadas no
Atlântico, golfo do México e mar das Caraíbas. Destes, cerca de
10 atingem o estado de Tempestade Tropical e apenas cerca de
6 chegam a ser furacões. Uma Tempestade tropical é designada
por um nome quando os ventos associados atingem, ou
ultrapassam, a velocidade de 62 Km/h. Passa a ser furacão
quando os ventos associados aumentam para 119 Km/h (Torres

134
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

& Machado 2008 ; Pag. 191)

Figura 2 . Imagem de um ciclone no Hemisferio Norte -Furacão


Fran, ocorrido na Flórida emSetembro de 1996

Figura 3 - Imagem de um ciclone no Hemisfério Sul – Ciclone


Funso que afectou Moçambique em Janeiro de 2012
Nestas duas imagens e bem notável a influencia da forca de
coriolis sobre o sentido da circulação do ar nestes centros.

135
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

A formação e evolução de um furacão pode resumir-se em 7


etapas de acordo com Machado (2001):
1) intensa evaporação da faixa tropical, durante o verão, dá
origem a grandes aglomerados Cumulonimbus que chegam a
medir mais de 10 km de altura;
2) o movimento ascendente do ar úmido e aquecido gera uma
zona de baixa pressão que atrai o ar das regiões próximas,
produzindo, ventos paralelos ao oceano. O movimento de
Rotação da Terra faz os ventos girarem horizontalmente,
formando um ciclone;
3) a torção é transmitida à coluna de ar ascendente e ao
aglomerado de nuvens (Cumulonimbus, geralmente cobertos
por Cirros);
4) os ventos levantam ondas e aumentam a evaporação,
alimentando as nuvens com mais humidade;
5) à medida que sobe, o vapor de água se expande, pois a
pressão externa é menor nas altas camadas e se transforma em
chuva;
6) a condensação do vapor de água aquece a atmosfera e faz a
pressão cair ainda mais;
7) a velocidade dos ventos aumenta, levando,
conseqüentemente, a mais evaporação, condensação,
aquecimento e queda de pressão. O furacão atinge sua força
máxima.(Torres & Machado 2008; P. 191)
De acordo com Ayoade (2003), o furacão consiste de dois
vórtices separados por uma área central de calmaria conhecida
como “olho”(Torres & Machado 2008; P. 191) . Ver figuras 1 e 2.
Quando o centro de um furacão se aproxima, a algumas
centenas de quilômetros verifica-se um aumento das nuvens
cirros e a pressão atmosférica começa a baixar lentamente. À
medida que o centro se aproxima mais, essas nuvens tornam-se
mais espessas e mais baixas, com o vento aumentando a força e
a chuva começando a cair. Mais perto do centro, o vento
aumenta para uma força de furacão, cerca de 100 km/h, por
vezes muito mais. Velocidades de ventos persistentes acima de
160 km/h já têm sido registradas em muitas oportunidades.
Com os furacões severos, a velocidade do vento está acima do
alcance dos anemômetros comuns e estes são destruídos. A
chuva torna-se então, torrencial e a pressão cai muito
rapidamente. As condições tornam-se cada vez mais violentas
até à beira do “olho”. Mas, de repente, há uma súbita calmaria,
o vento torna-se leve, a chuva cessa e as nuvens diminuem
visualmente. O “olho” pode ter de 8 a 80 km de diâmetro e

136
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

concede alguns minutos ou até algumas horas de calmaria,


enquanto passa sobre uma região.
Depois de ter passado, o furacão recomeça subitamente com
toda sua força - nuvens, chuva e vento como antes, excepto que
o vento, então, sopra de uma direção oposta, o que é óbvio, por
sua circulação em volta do centro. Depois, o furacão se afasta, a
chuva e o vento diminuem gradualmente e a pressão eleva-se
rapidamente.(Torres & Machado 2008 ; P. 192)

Figura 4 – Corte transversal de um ciclone tropical (Torres e


Machado, 2008, P. 191)
A maioria dos furacões ocorre no final do verão e do outono, de
Agosto a Novembro no Hemisfério Norte, e de Janeiro a Maio
no Hemisfério Sul. Os ventos do furacão causam enormes danos
à edificações, cabos elétricos e telefônicos, à vegetação,
residências e às vidas humanas. Outro dos perigos é a agitação
do mar causada pelo vento e as ondas que invadem áreas
costeiras baixas causando grandes inundações
Machado (2001) refere que um furacão se extingue em dias ou
até horas, ao viajar sobre águas frias ou continente. Isso
acontece devido à queda no nível de humidade do ar. Sem o
indispensável suprimento de ar quente e húmido, diminui o
movimento ascendente e o aquecimento extra por condensação
do vapor; a pressão interna aumenta e a velocidade dos ventos
cai. Em pouco tempo, a estrutura do
vórtice se desorganiza, as nuvens invadem o “olho” do furacão
e o aglomerado dispersa-se e morre.(Torres & Machado 2008 ;
P. 193).

137
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

5.2.3 Tornados
Vianello e Alves (1991) explicam que os tornados são
considerados como os fenômenos meteorológicos mais
violentos, em conseqüência da alta concentração de energia
que envolvem, em dimensões espaciais relativamente
pequenas. Felizmente, são bastante pequenos em relação aos
padrões atmosféricos e as áreas afectadas por eles, são muito
limitadas. Um tornado é visto como uma coluna ondulante de
nuvens, aparentemente suspensa de uma espessa nuvem
escura (Cumulunimbus) e tocando a terra. No seu centro, o ar
toma-se rarefeito sob a influência da força centrífuga e sua
pressão cai para quase a metade do seu valor normal. As
velocidades dos ventos perto do centro da coluna só podem ser
calculadas, pois quaisquer instrumentos na sua proximidade são
destruídos. A área central que produz danos sérios tem apenas
100 metros de largura, mas à medida que o tornado avança, a
coluna deixa atrás de si um longo rasto de destruição completa,
numa faixa com aproximadamente essa largura. Os tornados
ocorrem em frentes frias, quando o ar quente está muito
húmido e instável. Aparecem onde há diferenças extremas entre
a direção das massas de ar frio e quente.(Torres &Machado
2008 ; Pag. 193).

Figura 5 - Imagem de um tornado


Fonte: BBC (http://www.bbc.com/news/education-33136737)
Os piores tornados ocorrem nos estados do centro-oeste dos
Estados Unidos, na primavera/verão (a partir de Abril/Maio) e,
embora menos, também na Austrália e África do Sul. Eles têm
duração mais efêmera. Em compensação, os ventos dentro do
tornado podem atingir até 360 quilômetros horários, causando

138
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

uma destruição maior que a dos furacões, embora muito mais


localizada.

5.2.4 Depressões extratropicais


São menos violentas que os ciclones, são maiores e duram mais
tempo; ocorrem com frequência e afectam o estado do tempo
em áreas muito vastas. Ocorrem nas latitudes medias elevadas
entre 50 a 60° S com uma variação sazonal pequena em relação
ao hemisfério Norte, onde no inverno ocorrem nos 50° de
latitude N e no verão passam para os 60° N. São exemplos a
Baixa das Aleutas no Atlântico Norte e a Baixa da Islândia, que
não são depressões permanentes mas áreas frequentemente
atravessadas por depressões(Atkinson & Gadd, 1990, P. 25)

5.2.5Tempestades de areia
Colunas giratórias de ar ocorrem em áreas de deserto e “sugam”
grandes quantidades de areia e poeira, sendo chamadas “Diabos
de Poeira”. Diferem dos tornados pelo facto de se
desenvolverem do solo para cima. Sua causa é a instabilidade
provocada por calor intenso e, logicamente, intenso
aquecimento do deserto pelo Sol.
As tempestades de areia ocorrem em áreas de desertos secos
quando as correntes ascendentes, que antecedem a penetração
de “frentes frias”, elevam grandes quantidades de areia à
alturas de centenas de metros. Sua aparência é a de uma vasta
parede de areia avançando ao longo da linha de frente. As
tempestades de areia mais conhecidas são as do Saara Oriental
e as do Sudão, onde são conhecidas pelo nome de Haboobs.
(Torres & Machado; 2008; P. 195)

Figura 6 - Tempestade de areia

139
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

5.2.6 Eventos de Oscilacao Sul (El Niño e La Niña)


Oliveira (2001) afirma que o ENOS, ou El Niño Oscilação Sul
representa de forma mais genérica um fenômeno de interação
atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais
da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios
na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e no
Pacifico Oeste próximo à Austrália. O fenômeno atinge seu ápice
no final de Dezembro, daí seu nome, por acontecer na época do
natal. (Torres & Machado; 2008; P. 196)
O La Niña é um fenômeno quase que oposto, ou seja, acontece
em função de uma redução acentuada da temperatura das
águas desse mesmo local.
Da mesma forma, tem suas causas pouco conhecidas, embora
também semostre um evento modificador das condições
climáticas globais.
Assim sendo, tanto o El Niño quanto o seu oposto, a La Niña, são
resultados de alterações no comportamento normal da
chamada “célula de Walker”, circuito de circulação de ventos de
sentido oeste/leste e que ocorre normalmente entre o Pacífico
Leste (costa Peruana) e Oeste (Indonésia/Austrália), ao sul do
Equador. As causas das modificações é que ainda não são claras,
embora saiba-se que estejam envolvidos no processo de
aumento e/ou diminuição da temperatura das águas do Pacífico
Austral, modificações no comportamento dos ventos alísios de
Sudeste, nas correntes marítimas e nas ressurgências da
corrente fria de Humboldt na costa oeste da América do Sul
(Equador e Peru).
Efeitos
Eventos de El Niño e La Niña tem uma tendência a se alternar
cada 3-7 anos. Porém, de um evento ao seguinte o intervalo
pode mudar de 1 a 10 anos. Quando da situação do El Niño, pode
até mesmo haver uma inversão da Célula de Walker, ou seja,
ventos que seguiam da costa da América do Sul para a costa
Australiana, em situações normais, fazem o oposto. Por causa à
mudança dos centros de pressão, seguem da costa oriental da
Austrália até a costa ocidental da América do Sul, implicando em
mudanças climáticas globais. (Torres & Machado; 2008; P. 197)

140
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Efeitos do El Niño em todo o globo


Fonte:http://www.lookfordiagnosis.com/mesh_info.php?term
Ocorrem, por exemplo grandes secas na Índia, no Nordeste do
Brasil, na Austrália, Indonésia e áfrica, assim como algumas
enchentes no Sul e Sudeste do Brasil, no Peru, Equador e no
meio- oeste dos Estados Unidos. Em algumas áreas, observam-
se temperaturas mais elevadas que o normal (como é o caso das
regiões Central e Sudeste do Brasil, durante sua estação de
inverno), enquanto em outras ocorrem frio e neve em excesso.
Portanto, as anomalias climáticas associadas ao fenômeno EL
NIÑO são desastrosas e provocam sérios prejuízos
socioeconômicos e ambientais. O EL NIÑO ocorrido em 1982/83,
os mais fortes deste século deixou muitos desabrigados devido
as enchentes e muitas mortes pela fome e em enchentes. Os
nascidos até 1977 ainda têm memória da terrível fome que
assolou o país em 1983 por causa da seca provocada por este
fenômeno em Moçambique.
Existem ainda algumas evidências de que o EL NIÑO modifica a
circulação das águas frias do fundo do Oceano Pacífico, fazendo
com que diminua a quantidade de nutrientes que naturalmente
existe em abundância nas proximidades do Peru e Equador. Em
decorrências deste fato, há quebra na produção pesqueira
daquele país e uma interferência na fauna das Ilhas Galápagos.
Alguns cientistas já relacionaram, inclusive a influência do EL
NIÑO no favorecimento da propagação de epidemias ou surtos
de algumas doenças como a cólera, a dengue, a malária, etc.
Em Moçambique episódios de El Niño estão associados a
situações de seca generalizada.
Já durante os episódios de La Niña, ocorre quase que o oposto:
a costa sul-americana, que em situações normais, é mais fria que
a costa australiana, fica ainda mais fria, em contrapartida,

141
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

reforçando a área de alta pressão aí observada. (Torres &


Machado; 2008; P. 197) Seus efeitos globais podem ser
observados na Figura 11.8.

Figura 11.8 Efeitos globais do La Niña


Fonte: http://www.ebah.com.br/content/ABAAABCCAAL
Origens do fenômeno
Segundo Mendonça e Danni-Oliveira (2007) como citado em
(Torres &Machado; 2008; P. 199), pesquisas desenvolvidas até
o presente apontam quatro possíveis origens do fenômeno:
A tese dos oceanógrafos
A origem do EI Niño é interna ao próprio oceano Pacífico. Para
os oceanógrafos, o fenômeno seria resultante do acúmulo de
águas quentes na porção oeste desse oceano devido a uma
intensificação prolongada dos ventos de leste nos meses que
antecedem o El Niño, o que faz com que o nível do mar se eleve
ali em alguns centímetros. Com o enfraquecimento dos alísios
de sudeste, a água desliza para leste, bloqueando o caminho das
águas frias provenientes do sul.
A tese dos meteorologistas
A origem do fenômeno é externa ao oceano Pacífico, pois o
estudo da atmosfera tropical mostra uma propagação em
direção leste das anomalias de pressão em altitude. Essa
propagação estaria relacionada a uma acentuação das quedas
térmicas sobre a Ásia Central, o que reduz a intensidade da
monção de verão na Índia, resultando na formação de condições
de baixas pressões mais expressivas sobre o oceano Índico. Os
ventos alísios do leste do Índico e do oeste do Pacífico tornam-
se, assim, menos ativos e criam condições para a formação do El
Niño.

142
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

A tese dos geólogos


O fenômeno do El Niño é derivado de erupções vulcânicas
submarinas e/ou continentais. Coincidentemente, os eventos
ocorridos em 1982, 1985 e 1991 estiveram relacionados a
erupções no México (El Chichón), na Colômbia (El Nevado del
Ruiz) e nas Filipinas (Pinatubo), respectivamente. A influência
das erupções vulcânicas continentais sobre o El Niño estaria
ligada, sobretudo, às cinzas vulcânicas injetadas na Troposfera,
o que gera alteração do balanço de radiação na superfície e
perturba a circulação atmosférica.
A tese dos astrônomos
O El Niño está ligado aos ciclos solares de 11 anos.
Estas teses, além de outras de menor difusão, revelam o estágio
de elevada especulação dos conhecimentos relativos à origem
do El Niño, do que se pode imaginar que todas essas origens
sejam possíveis e apresentam uma interação.

Sumario

Nesta unidade temática 5.1 abordamos os factores climáticos.


Falamos da influência da latitude e da altitude na distribuição
dos elementos climáticos. Falamos da influência da topografia,
da vegetação, das correntes marítimas, dos solos e do factor
humano na variação dos elementos climáticos. Falamos
igualmente de alguns sistemas produtores do tempo que não
foram tratados em capítulos anteriores, com destaque para as
tempestades tropicais e o fenômeno El Niño.

Exercícios de Auto – Avaliação

1. O que são factores climáticos?


2. Indique os factores climáticos que conhece.
3. O que são correntes marítimas?
4. Indique as teorias de formação do fenômeno El Niño.
5. Em que período e que Moçambique e susceptível de ser
afectado por ciclones tropicais.
6. Qual e o sentido de circulação das correntes marítimas e
porquê?
7. Porque e que os ciclones tropicais formam-se nos oceanos?

Exercícios de Avaliação

1. Destas palavras quais não são factores climáticos


a) Precipitação
b) Condensação
143
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

c) Latitude
d) Altitude
e) Pressão
f) Correntes marítimas

2. Relacione os fenômenos descritos em a), b), c) com as palavras


em 1, 2, 3
a) Quanto mais longe do Equador mais inclinados são os raios
solares.
b) O ar mais rarefeito provoca a diminuição da atmosfera.
c) A terra arrefece e se aquece mais rapidamente que a água.
( 1) altitude
( 2) continentalidade
( 3) latitude

3. Atente para as seguintes preposições:

1. A latitude influencia na distribuição espacial das


temperaturas. Dessa forma, quanto maior for latitude, menores
serão as temperaturas.
2. A pressão atmosférica varia em função da altitude e da
temperatura. Assim, quanto maior for a altitude, menor será a
pressão atmosférica e quanto mais alta a temperatura, menor
será a pressão.
3. O planeta Terra é aquecido uniformemente, tanto ao longo
da sua superfície quanto ao longo do tempo (anos), e isto
condiciona a circulação atmosférica com a produção de centros
de alta e de baixa pressão, que se alteram continuadamente.
4. Dependendo das condições locais, a precipitação pode o
ocorrer na forma de chuva, granizo ou neve e está relacionada,
principalmente, à humidade atmosférica.
5. A diferença entre as temperaturas máxima e mínima é maior
no interior dos continentes e a continentalidade exerce grande
influência sobre essa amplitude térmica.

a) Estão incorretas as preposições 1, 3 e 4.


b) Estão incorretas as preposições2, 4.
c) Estão incorretas as preposições 1, 4 e 5.
d) Apenas a preposição 3 está incorreta.
e) Todas as preposições estão incorretas

144
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercicios

1. Explique como e que cada um dos factores climáticos que


estudou influenciam os elementos climáticos.

2. Descreva o estado de tempo associado aos ciclones tropicais

3. Qual e o impacto do fenômeno El Niño em Moçambique e


fale da sua influencia sobre a actividade agrária no pais.

4. Relacione a ocorrência do deserto de Kalahari com a


corrente fria de Benguela

5. A costa Moçambicana é banhada pela corrente quente do


canal de Moçambique. Usando os conhecimentos que tem
sobre a influência das correntes marítimas nos elementos
climáticos fale do comportamento ideal da temperatura e da
precipitação em toda a região costeira moçambicana.

Bilbiografia
SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações
climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo

145
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:


Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

146
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA VI : Classificação Climática

Unidade Temática 6.1 –Sistemas Climáticos do Globo


Unidade Temática 6.2 – Classificação Climática

Introdução

O clima de qualquer lugar é a síntese de todos os elementos


climáticos em uma combinação de certa forma singular,
determinada pela interação dos controlos e dos processos
climáticos. Portanto, existe uma rica variedade de climas ou de
tipos climáticos sobre a superfície do Planeta. Para facilitar o
mapeamento das regiões climáticas, os numerosos tipos
climáticos são classificados por meio de vários e diversificados
critérios.

Ao completar este tema, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: os grandes sistemas climáticos do globo


 Conhecer: os vários critérios utilizados para a classificação climática
 Conhecer: a classificação climática de Koppen
 Caracterizar: o clima de Moçambique

147
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Unidade Tematica 6.1 – Sistemas Climáticos do Globo

Introdução
De acordo com a inclinação do eixo da Terra, influenciando os
diferentes ganhos energéticos conforme a latitude, e
desconsiderando os outros factores do clima, como visto nos
capítulos anteriores, pode-se de maneira generalizada
identificar as zonas climáticas da Terra.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: Os grandes sistemas Climáticos da Terra


 Explicar: os critérios para a classificação desses sistemas
 Explicar: as causas da sua distribuição ao longo do globo terrestre

6.1. Sistemas Climáticos


Os climas do planeta são determinados pela combinação e interacção
destes sistemas:

 Atmosfera (massas de ar);

 Hidrosfera (corpo de água, doce e salgada);

 Criosfera (massas de gelo);

 Litosfera (rochas e solo); e

 Biosfera (formas de vida).

Para a Organização Meteorológica Mundial (1977), o sistema climático


constitui a atmosfera, os oceanos, massas de neve e gelo, massas
continentais e a vegetação, cujos vínculos físicos e químicos, os mais
variados e complexos, têm um papel primordial no estabelecimento do
modelo de clima mundial.

A temperatura e a precipitação são os elementos mais tradicionais do


clima. Eles representam à base de muitas classificações climáticas. O

148
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

regime térmico permite distinguir os climas quentes, temperados e


frios, o regime pluviométrico permite diferenciar os climas húmidos e
secos. A distribuição espacial desses elementos mostra climas quentes
e húmidos em baixas latitudes, quentes e mais secos nos subtópicos,
temperados e húmidos nas latitudes médias, e frios e secos nas latitudes
subpolares e polares.

Figura 1 – Climas do globo com base no critério térmico

6.1.1 Climas Quentes

Os climas quentes, num modo muito simples, podem-se subdividir em


três: clima equatorial, clima tropical, e clima desértico (quente).

Clima equatorial
O Clima equatorial, como o próprio nome indica, localiza-se numa faixa
que envolve o Equador, limitada, sensivelmente, pelos paralelos 5º S e
5 º N, podendo chegar, em algumas regiões, aos 10º S e 10º N. Abrange,
por isso, áreas como, por exemplo, o Zaire, a bacia do Amazonas, a bacia
do Congo, Madagáscar e a maior parte das ilhas situadas entre os
oceanos Índico e Pacífico, na zona equatorial.
A temperatura mensal sempre superior à 18º C se deve à localização
destas áreas próximas à linha do Equador e à grande humidade
diminuindo significativamente o gradiente térmico mensal e anual.
Observa-se, porém, dois períodos máximos durante os Equinócios,
período em que o Sol faz zênite na região. Estas regiões não apresentam
estação seca, sendo influenciadas, além da convergência da humidade
de ambos os hemisférios, pela evapotranspiração vegetal, responsável

149
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

por mais de 50% da precipitação local. Localizam-se exactamente nos


domínios das Massas Equatoriais Continentais durante a estação do
inverno, ou seja, são as únicas áreas de actuação destas massas durante
todos os meses do ano, promovendo frequentes chuvas convectivas.

Clima Tropical
Os climas tropicais localizam-se entre os Trópicos de Câncer e
Capricórnio, a seguir à faixa do Clima Equatorial. Sua principal
característica e apresentar duas estações distintas: uma estação
húmida e uma estação seca Se a estação pluviosa é mais longa do que
a estação seca, o clima é Tropical Húmido. Se, pelo contrário, a estação
seca for mais longa do que a estação húmida, o clima é Tropical seco.
Está associado à alternância das massas de ar equatoriais e tropicais
que provocam a estação chuvosa e massas polares, responsáveis pela
estação seca do ano. Esta estação seca se deve à maior força das massas
polares durante o inverno, diminuindo a temperatura e “empurrando”
as massas húmidas para latitudes menores. Em alguns casos, as próprias
massas tropicais actuam como a massa seca, visto que para chegar em
regiões localizadas nas partes mais centrais dos continentes, deixam
grande parte de sua humidade antes de atingi-las. Alcançam
temperaturas médias durante o verão de 24º C e 18º C durante o
inverno, sendo as amplitudes térmicas, diária e anual, mais destacadas
que as do clima Equatorial. Quanto mais afastadas das superfícies
hídricas, maior o gradiente térmico pelo efeito da continentalidade. A
duração dos meses secos varia em função da força das massas polares
(e algumas tropicais) entre 3 e 8 meses dependendo do local e da
localização em relação aos oceanos.

Clima Desértico
Encontra-se a seguir à faixa dos climas tropicais e, localiza-se entre as
latitudes 15º e 30º Norte e Sul. Abrange, por isso, áreas como, por
exemplo, os desertos do Sahara, da Namíbia (Kalahári), do Arizona
(Mojave), do Atacama e do Grande Deserto Australiano. Contudo
podemos encontrar desertos em latitudes mais elevadas do globo em
virtude de factores locais como: a continentalidade, as barreiras
orográficas e as correntes marítimas.
Nas grandes faixas de altas pressões subtropicais, predomina um clima
quente e muito seco: é o clima desértico quente. A enorme aridez, é a
característica principal deste género de climas. Encontra-se em áreas
sob a atuação directa da zona de alta pressão dos 30°. Por causa do
movimento primeiro descendente e depois dispersor de massas secas,
dificultam a chegada da humidade, promovendo o aparecimento dos
maiores desertos quentes do Globo. Apesar da precipitação existente,
todos os meses são secos (Evaporação> Precipitação). Podem ocorrer,
contudo, vários anos consecutivos sem chuvas. Por isso, as médias

150
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

mensais e anuais não têm grande importância. Uma única chuva


torrencial de 15 mm, por exemplo, é responsável por uma média
mensal distante da realidade. Em certas áreas as poucas chuvas tendem
a se concentrar no inverno e em outras no verão. Por causa da baixa
humidade, estas regiões são caracterizadas por altas amplitudes
térmicas anuais (perto dos 200C) e diárias, sendo as últimas mais
destacadas. Durante o dia, as temperaturas chegam a atingir os 500C,
mas durante a noite a temperatura tem valores próximos dos 00C e até
mesmo temperaturas negativas, originando assim, amplitudes térmicas
diurnas de mais de 500C. Os altos valores da temperatura diurna caem
vertiginosamente à noite por causa da falta de nebulosidade que
actuaria como estufa.

6.1.2 Climas Temperados


Ao estudar os climas, e principalmente os climas temperados e
necessário perceber a grande influencia dos factores climáticos: a
influência da latitude, a continentalidade, as correntes marítimas (que
afectam bastante o litoral Atlântico da Europa), e o relevo. Convém
também ter presente, que na zona temperada, há regiões que são
afectadas por uma "luta" entre massas de ar polar e massas de ar
tropical, ou seja, o ar frio (polar) está numa área de contacto com o ar
quente (tropical), originando aquilo a que se chama de superfície
frontal.
Os climas temperados podem-se subdividir em quatro sub-grupos:
Clima subtropical húmido, clima Temperado Mediterrâneo (ou sub-
tropical seco); clima Temperado Marítimo (ou Oceânico); e
clima Temperado Continental.

Clima subtropical húmido

Invernos suaves e Verões quentes

Amplitudes térmicas moderadas, superiores a 20ºC

A precipitação é elevada durante todo o ano embora mais abundante


no Verão, podendo ser de neve no Inverno.

Atendendo às características das estações do ano, este clima é um


misto de continental, pelas grandes amplitudes térmicas, e oceânico,
pela elevada precipitação.

Esta combinação resulta do facto de na zona temperada as massas


atmosféricas se deslocarem de oeste para este, o que leva a que as
fachadas orientais sejam atingido por massas se ar mais frio no Inverno
e mais quente no Verão, resultantes do percurso feito nos continentes,
ao contrário das fachadas ocidentais, que são atingidas por massas de

151
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

ar de temperaturas mais amenas, resultantes do percurso feito nos


oceanos.

Esta região acusa a instabilidade de massas de ar de natureza e trajectos


diferentes. No verão, as massas de ar tropicais marítimas, húmidas e
instáveis alcançam as costas orientais dos continentes e dirigem-se para
o interior, arrastando ar quente e húmido, o que origina grandes
precipitações. No Inverno, é mais comum a invasão de ar polar de
trajecto continental (que origina secura, que é amenizada pela presença
próxima do oceano.

Clima subtropical seco


Também chamado Clima Mediterrânico, distribui-se pela bacia do mar
Mediterrâneo (Sul da Europa e Norte de África), Califórnia, região
central do Chile, região do Cabo na África do Sul e Sudoeste da Austrália.
Possui verões quentes, longos e secos (temperatura média do mês mais
quente compreendida entre os 21º e os 27º C e temperaturas máximas
que podem atingir os 40º C) - (o número de meses secos é por vezes
superior a 5);
- Invernos são curtos, húmidos e suaves (temperatura média do
mês mais frio entre 6 e 10º C);
- amplitudes térmicas anuais moderadas (entre 6 e 17º C);
- A média do mês mais quente é superior a 20ºC, por sua vez, a
média do mês mais frio nunca é inferior a 0ºC.
- A TMA (Temperatura Média Anual), também é próxima dos
15ºC (sendo inferior a 20ºC);
- Fraca nebulosidade. Mesmo no Inverno, registam-se longos
períodos de céu limpo e brilhante (normalmente associados à
presença de anticiclones);
-Precipitação escassa e irregular, concentrando-se
essencialmente nos meses de Outono e Inverno, devido à maior
influência das baixas pressões subpolares nesta altura do ano (o
total anual pode variar de 400 a 900 mm).

A secura do Clima Mediterrânico, em particular no Verão,


explica-se pelo facto de as regiões entre os paralelos de 30º e
40º de latitude serem invadidas, durante grande parte do ano,
pelos anticiclones subtropicais que dificultam a formação de
nuvens e, portanto, de chuvas. No Outono e no Inverno, os
mesmos anticiclones deslocam-se para latitudes inferiores
(acompanhando o movimento anual aparente do Sol), deixando
então, o caminho livre às perturbações frontais vindas de oeste,
as quais originam chuvas mais ou menos abundantes e, muitas
vezes, acompanhadas de trovoadas.

152
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Sendo a precipitação de origem frontal (associada à passagem


das frentes);

- o número de meses secos pode variar entre 4 e 7;


- Quatro estações bem marcadas e distintas (Primavera, Verão,
Outono e Inverno);
Para distingui-lo com alguma facilidade dos restantes climas
temperados, é o único dos climas temperados que apresenta
período seco. Tem período seco no Verão.

Clima temperado Marítimo ou Oceânico


Este género de clima está essencialmente localizado nas fachadas
ocidentais dos continentes, entre os paralelos 40 e 60º de cada
hemisfério (norte e sul). Predomina na parte litoral da Europa ocidental,
desde o extremo norte de Portugal até à costa setentrional e ocidental
da Escandinávia, (embora, devido à influência da deriva da corrente
quente do golfo, possa atingir, na costa norueguesa, o círculo polar
árctico). Existe também em pequenas áreas do Noroeste dos EUA, no
Sudoeste do Canadá, no litoral sul do Chile, no sudeste da Austrália e na
Nova Zelândia.
O clima temperado marítimo (ou oceânico) caracteriza-se, no
essencial, por:
- Temperaturas médias mensais amenas, sendo o Verão fresco
(temperatura média compreendida entre os 15 e os 20º C) e o
Inverno pouco frio (temperatura média superior a 5º C);
- Amplitude térmica anual pouco acentuada;
A amenidade das temperaturas deve-se à proximidade do mar.
- Precipitações mais ou menos abundantes, e mais ou menos
regulares distribuídas ao longo do ano, embora com máximos
no Outono e Inverno e mínimos no Verão.
- não tem meses secos;
- Grande nebulosidade, podendo o céu manter-se encoberto
durante vários dias ou semanas.
- apresenta também as quatro estações bem distintas entre si.
É, dos climas temperados, o único em que chove durante todo o
ano e não tem temperaturas negativas.
A abundância de precipitação deve-se aos ventos húmidos que
sopram do oceano e à influência das baixas pressões subpolares,
durante o Outono e Inverno, e à passagem de superfícies
frontais (a convergência frontal é característica das latitudes
médias e ocorre na fronteira de massas de ar diferentes

153
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

(temperatura e humidade), uma vez que estas regiões são áreas


de encontro de massas de ar de características
diferentes, sobretudo durante a época de
Inverno, altura em que, no hemisfério Norte, esses centros
barométricos se localizam mais para Sul. Na primavera e no
Verão, a proximidade do oceano como factor de clima
determina a humidade e a precipitação. é também devido à
presença do mar que as temperaturas se mantêm amenas todo
o ano.
Clima Temperado Continental
Localizado sensivelmente à mesma latitude do clima
temperado marítimo, mas no interior dos continentes, como no
Canadá, no centro dos EUA, no interior da Europa, no interior
Norte da Ásia, longe das influências marítimas. Trata-se
portanto dum clima rigoroso e agreste, que quanto maior for a
continentalidade, maior será o rigor dos Invernos. Em termos
práticos, só tem duas estações: O Verão e o Inverno, pois as
estações intermédias (Primavera e Outono) são de curta
duração e passam despercebidas.

Caracteriza-se por possuir invernos longos, secos e muito frios


(as temperaturas podem atingir com frequência valores
inferiores a -15º C), enquanto os Verões são quentes, curtos e
relativamente pluviosos;

- Amplitude térmica anual muito elevada, superior a 20º C,


chegando a atingir, em algumas estações, os 40º C;
- Precipitações relativamente escassas com máximos no Verão e
mínimos no Inverno, frequentemente sob a forma de neve;
Neste tipo de clima, vemos que as precipitações são muitas
vezes de origem convectiva;
Esta distribuição da precipitação relaciona-se com a
temperatura do ar. No Inverno, o ar, em contacto com o solo
muito frio, torna-se mais pesado e desce, formando centros de
altas pressões. No Verão, pelo contrário, em contacto com o
solo muito quente, torna-se mais leve e sobe, formando centros
de baixas pressões, responsáveis pela precipitação mais
abundante nesta altura do ano.
6.1.3 Climas Frios

A latitude, a Continentalidade e a altitude são factores que


jogam um papel importante nestes climas. Assim, pode-se
dividir os climas frios em: clima subpolar (ou continental
frio); clima polar (ou desértico frio); e climas de altitude (ou de
montanha).
154
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Clima Frio Continental ou Clima Subpolar ou Subártico

Localiza-se no interior dos continentes nas áreas de


prolongamento do clima temperado continental, sensivelmente
entre as latitudes 55º e 65º N. É próprio do Norte da Europa, da
Sibéria, do Alasca e do Norte do Canadá).

Nas zonas frias dos 60º Norte e sul estendem-se as zonas frias,
onde a zonalidade dos climas se restabelece e onde o factor
latitude volta a ser determinante. Alguns países como o Canadá
e a Sibéria têm um clima subpolar. Diferenciam-se nestas zonas
climáticas vários tipos de clima que correspondem às versões
frias dos climas temperados, ou seja, regimes térmicos e
pluviométricos idênticos, onde o efeito da latitude se acentua
cada vez mais à medida que nos aproximamos do pólo. Daí que
se possa falar em clima frio continental (siberiano) e clima frio
oceânico).

Os invernos muito frios e longos, com temperaturas médias


mensais negativas, podendo atingir, nos meses mais frios,
valores inferiores a -200C (durante cerca de seis a oito meses a
temperatura desce abaixo dos 0º C), a temperatura média anual
é de aproximadamente -50C);
Verões pouco quentes e curtos, com temperaturas médias
mensais que raramente atingem os 18ºC;
Amplitudes térmicas anuais muito elevadas (que pode
ultrapassa os 300C);
Precipitações bastante reduzidas (diminuindo
progressivamente com a proximidade do pólo), ocorrendo os
seus máximos no verão). No Inverno, ocorre sob a forma de
neve;
As regiões de Clima Polar
Este clima surge nas altas latitudes (70º a 80º) a norte dos
continentes americano (Alasca e Canadá) e asiático (norte da
Sibéria) e junto às regiões polares da Europa (Norte da
Escandinávia) e na maior parte da Islândia. Faz-se sentir também
em grande parte da Gronelândia e na Antártida.
Os invernos muito frios e prolongados, com temperaturas
negativas e que chegam a atingir os -600C, ou mesmo, em alguns
casos raros, a ultrapassar os -800C (o recorde da temperatura
mais baixa registada - na Antártida - é de quase -900C);
Verões quase inexistentes, embora durante um curto período
de tempo (cerca de 2 meses) a temperatura possa atingir valores
positivos, as temperaturas do mês mais quente não

155
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

ultrapassam, em média, os 10º C- temperaturas médias mensais


negativas na maior parte dos meses do ano;
Amplitudes térmicas anuais muito acentuadas;
Chuvas muito reduzidas e concentradas, em grande parte, no
período menos frio. Nos restantes meses ocorre sob a forma de
neve;
Os climas de altitude (de montanha)

Estes climas correspondem às áreas que independentemente da


sua localização em latitude, vêm alteradas as características dos
elementos climáticos, devido à existência de montanhas. Nas
regiões de montanhas a influência da altitude manifesta-se de
forma diferente na região intertropical e temperadas. Nas
regiões temperadas vamos encontrar neves perpétuas a uma
altitude mais baixa. Pelo contrário, nas regiões quentes o factor
altitude tem um papel amenizador das temperaturas o que as
torna áreas mais atractivas.

Características:

Dum modo geral, poder-se-á dizer que este clima, caracteriza-se


por:

 Precipitação abundante, ocorrendo em todos os meses do


ano, normalmente, sob a forma de neve;
 Invernos muito frios. A temperatura, durante o Inverno,
regista valores negativos;
 Verão: curto e fresco, praticamente inexistentes. A
temperatura raramente vai além dos 12ºC;
 Amplitude térmica anual pode ir de fraca a moderada.

Amplitude térmica diurna bastante significativa (chegando a


atingir os 25º C e os 30º C, devido; ao rápido aquecimento do ar
durante o dia e ao arrefecimento muito brusco durante a noite);

6.1.4 Climas de Moçambique

A maior parte do território moçambicano localiza-se na zona


inter-tropical, na costa sul-oriental de África, entre os paralelos
10º. 27´ e 26º . 52´ de latitude sul, o que lhe confere um clima
do tipo tropical com quatro variações – tropical húmido, tropical
seco, tropical semi - árido e climas modificados pela altitude.
As temperaturas no território apresentam variações regionais,
em função da interferência de factores como a latitude,
continentalidade e o próprio relevo. Em geral, os valores da

156
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

temperatura tendem a aumentar para as menores latitudes.


Porém, por interferência do factor relevo, verificam-se menores
temperaturas, nas regiões mais altas e a oeste do país, que se
situam, de norte para sul, nas províncias do Niassa, Zambézia,
Tete, Manica e Maputo. De um modo geral, as temperaturas
médias anuais distribuem-se do seguinte modo: de 18 a 20 º C,
nas regiões montanhosas; de 22 a 24 º C, nas regiões centrais e
planálticas do norte e do cento, bem como nas zonas leste e
oeste, das províncias do sul ; de 24 a 26º C., todo o leste das
regiões norte e centro e o interior das regiões ao sul do país. A
estação das chuvas vai de Outubro a Marco e a estação seca, é
mais demarcada nas regiões do centro e norte do país. A
precipitação média varia de valores inferiores a 400 mm, por
exemplo no Pafuri, na província de Gaza, até valores de 2000
mm, em Tacuane na província da Zambézia. Diversos fenómenos
influenciam o clima moçambicano com a zona de convergência
inter-tropical, ciclones tropicais, massas de ar polar, etc. As
regiões mais afectadas por ciclones tropicais incluem a faixa
costeira que vai desde Angoche até o Sul de Inhambane. Em
Moçambique ocorrem em média três ciclones tropicais por ano.

Sumario
Nesta unidade temática 6.1 falamos dos principais sistemas climáticos
Climas quentes, temperados e frios tendo como base a distribuição da
temperatura e da precipitação ao longo do globo e algumas variações
derivadas da influência de factores climáticos. Fizemos também
referencia aos climas de Moçambique, que se considera tropical com as
suas variações.

Exercícios de Auto - Avaliação


1. Quais são os componentes de um sistema climático?
2. De acordo com os padrões de distribuição da temperatura e
da precipitação quais são as zonas climáticas que podemos
encontrar ao longo do globo terrestre?
3. Justifique a localização dos climas desérticos

157
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Unidade Tematica 6.2 – Classificação Climática

Introdução
Nesta unidade falaremos dos vários critérios de classificação
climática utilizados pelos vários cientistas.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: os vários critérios utilizados para a classificação climática


 Conhecer: a classificação climática de Koppen

6.2.1 Criterios de Classificacao Climatica


Devido aos diferentes factores que exercem sua influência sobre
os elementos do clima, são enormes as diferenças existentes de
uma região para outra. Cada área tem particularidades
climáticas que muitas vezes não se encontram em uma área
vizinha, embora ambas possam ser incluídas num mesmo tipo
de clima, por terem características gerais semelhantes. Por isso,
uma classificação rigorosa torna-se impossível, o que explica a
variedade de critérios e as numerosas tentativas já realizadas.
Em 1950, Flohn propôs uma classificação genética dos climas,
levando em consideração dois critérios: as zonas de ventos
globais e as características gerais das precipitações,
estabelecendo 7 tipos climáticos. Outra classificação foi
proposta por Strahler em 1969, onde os critérios levados em
consideração foram: as características das massas de ar
dominantes e as características das precipitações; Nesta
classificação são reconhecidos 3grandes grupos climáticos, cada
um tendo 5 subtipos.
A classificação, proposta por Budyko em 1956, reconheceu 5
tipos climáticos principais, tendo este baseado sua classificação
em valores do “Índice Radioativo de Aridez”, que na verdade é
um balanço de energia, envolvendo os diferentes albedos da
superfície, a evaporação, a precipitação etc.

158
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Uma classificação considerando o balanço de energia no mundo


(input/output) foi proposta por Terjung e Louie, em 1972,
quando foram reconhecidos 6 tipos climáticos principais e 62
subtipos.
Em 1948, W. Thornthwaite, propôs uma classificação baseada
em índices de efetividade da precipitação e da eficácia da
temperatura, de acordo com os quais se determinam,
respectivamente, os graus de umidade dos climas e as naturezas
térmicas dos mesmos, suficientes para caracterizar a adequação
agrícola de uma área, uma vez que sua classificação levou em
conta as repercussões do clima na agricultura. “Com a utilização
desses índices e critérios adicionais, 120 tipos climáticos foram
hipotetizados por Thornthwaite, dos quais apenas 32 puderam
ser expressos num mapa-múndi” (AYOADE,2003). (Torres &
Machado, 2008, P. 123)

O sistema de classificação climática mais utilizado, de acordo


com Ayoade (2003), quer seja na sua forma original ou com
modificações/adaptações, é o de Wilhelm Köppen (1846/1940),
biólogo e climatologista russo, nascido em São Petersburgo e
que desenvolveu seu trabalho na Alemanha.
Essencialmente quantitativo, o modelo de Köppen,
desenvolvido entre 1900 e 1936, foi publicado pela primeira vez
em 1901, sendo sucessivamente aperfeiçoado e modificado
pelo próprio autor. (Torres & Machado, 2008, P. 123)

Apoiado nas zonas de vegetação do mapa do francês Alphonse


de Candolle, o modelo relaciona, basicamente, os tipos de clima
com os tipos de vegetação. Embora critérios numéricos sejam
usados para definir os tipos climáticos em termos de elementos
climáticos (temperatura, precipitação e distribuição sazonal das
chuvas), Köppen aceitou a vegetação natural como a melhor
expressão do clima. Seu modelo ainda é largamente utilizado e
estudado, embora tivesse recebido muitas críticas quanto ao
seu caráter empírico, quantitativo e tradicional e ainda por
desconsiderar as influências das massas de ar.
O esquema de Köppen tem 5 tipos climáticos principais,
reconhecidos com base na temperatura e designados por letras
maiúsculas:
A - climas tropicais chuvosos: não conhecem estação fria, sendo
que o mês mais frio tem temperatura média superior a 18°C
(megatérmicos). A medida da precipitação pluvial anual é maior
que a da evaporação evapotranspiração.
B - climas secos: caracterizam os tipos áridos e/ou semi-áridos e
por terem evaporação e evapotranspiração anuais superiores
aos valores das precipitações. A vegetação característica é do
tipo desértico ou estepes.

159
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

C - climas mesotérmicos: o mês mais frio tem temperatura


média entre -3°C e 18°C, de invernos brandos (mesotérmicos).
O mês mais moderadamente quente tem temperatura média
maior que 10ºC.
D - climas frios húmidos: o mês mais frio tem temperatura média
abaixo de -3°C e o mês mais moderadamente quente tem
temperatura média maior que10°C (microtérmicos).
Corresponde às florestas frias.
E - climas polares: não conhecem estação quente, sendo que o
mês mais moderadamente quente tem temperatura média
menor que 10°C. Na variedade ET, a temperatura média do mês
mais moderadamente quente fica entre 0ºC e 10ºC. Na
variedade EF, o mês mais moderadamente quente tem
temperatura média menor que 0ºC. Aparecem nas grandes
latitudes ou nas mais altas montanhas.
A estes tipos climáticos acrescenta-se um grupo de climas de
terras altas não diferenciados e representados genericamente
pela letra H.
Cada um dos climas A, B, C, D e E, é posteriormente subdividido
com a utilização de características adicionais de temperatura e
precipitação pluvial.
Os climas húmidos (A, C e D), foram subdivididos de acordo com
a repartição das estações das chuvas. Estas subdivisões são
representadas pelas iniciais minúsculas das palavras alemãs
caracterizadoras da estação seca ou de sua inexistência. Assim,
s de “sommer” (verão), indica seca de verão e chuvas de
inverno; w de “winter” (inverno), índica seca de inverno e
chuvas concentradas no verão; f de “feucht” (húmido) indica
chuvas em todas as estações; m de “monção” indica uma
estação seca e chuvas intensas durante o resto do ano.
Os climas áridos (B) diferenciam-se pela temperatura e pela
precipitação. Essa diferenciação é caracterizada pela inicial
maiúscula da palavra alemã definidora da natureza do terreno.
Assim, W de “Waste” (deserto) e S de “steppe” (estepe
vegetação constituída de ervas de pequeno crescimento e raízes
pouco profundas), caracterizam os tipos de climas áridos
BW e semi-áridos BS.
Para os climas polares (E), considera-se somente a temperatura:
ET (T de “toundra” tundra) e EF (F de “freezer”, que significa
geleira).
Desta forma, as subdivisões de cada uma das principais
categorias são feitas com referência à distribuição sazonal da
precipitação e características adicionais de temperatura, como
observado a seguir:

160
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

- Distribuição sazonal da precipitação (corresponde à segunda


letra)

f: sem estação seca, húmido o ano todo;


m: de monção ou com pequena estação seca e com chuvas
intensas durante o resto do ano;
w: chuvas concentradas no verão e estação seca no inverno;
s: chuvas de inverno e estação seca no verão;
w’: chuvas no verão e outono (adaptação do modelo original);
S: de estepe (semi-árido);
W: clima desértico, chuvas escassas e mal distribuídas (sequidão
extrema).
Dessa forma, têm-se na Tabela 8.5, as seguintes combinações
possíveis (sendo 24 os tipos originais):

- Características adicionais de temperatura (corresponde à


terceira letra)

a: verões quentes (o mês mais quente tem temperatura média


maior que22°C);
b: verões brandos ou moderadamente quentes (o mês mais
quente tem temperatura média inferior a 22°C e durante pelo
menos 4 meses é superior a10°C);
c: verão breve e moderadamente frio (a temperatura do mês
mais quente é inferior a 22°C e menos do que 4 meses no ano,
tem temperatura média maior que 10°C, enquanto que o mês
mais frio é superior a -38°C);
d: inverno muito frio e rigoroso (o mês mais frio tem
temperatura média inferior à -38°C);
Obs.: para os climas áridos (BW e BS) são usadas como terceira
letra diferenciadora (minúscula):
h: quente (temperatura média anual maior do que 18°C);
k: (“Kalt”, significando frio) moderadamente frio (temperatura
média anual menor que 18°C, mas a do mês mais quente é
superior a 18°C).

A seguir o quadro contento as combinações climáticas de


Koppen:

Grupos Subgrupos
Af – clima tropical chuvoso de
A – Climas floresta
Tropicais
Chuvosos Aw – clima tropical de savana, com
chuvas no verão

161
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Am – clima tropical de monção


(As) – clima tropical, quente e
úmido, com chuvasde inverno
(adaptação do modelo original)
BSh – clima quente de estepe,
semi-árido
BSk – clima frio de estepe, semi-
B – Climas árido
Secos
BWh – clima quente de deserto,
árido
BWk – clima frio de deserto, árido
Cfa – úmido em todas as estações,
verões quentes
Cfb – úmido em todas as estações,
verões moderadamente quentes
Cfc – úmido em todas as estações,
verões mais frios e curtos
Cwa – clima mesotérmico, com
C – Climas chuvas de verão e verões quentes
Mesotérmicos
Cwb – clima mesotérmico, com
chuvas de verão e verões
moderadamente quentes
Csa – chuvas de inverno com
verões quentes
Csb – chuvas de inverno com
verões moderadamente quentes,
(brandos)
D – Climas Dfa – úmido em todas as estações,
Frios Úmidos com verões quentes
Dfb – úmido em todas as estações,
com verões brandos
Dfc – úmido em todas as estações,
com verões mais frios e curtos
Dfd – úmido em todas as estações,
com inverno intenso
Dwa – chuvas de verão e verões
quentes

162
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Dwb – chuvas de verão e verões


moderadamente quentes(ou
brandos)
Dwc – chuvas de verão e verões
moderadamente frios e curtos
Dwd – chuvas de verão e inverno
intenso
E – Climas ET – clima polar de tundra
Polares
EF – clima polar de neves e gelos
perpétuos
Quadro 1 – Classificacao Climatica de Koppen

Sumario

Nesta Unidade Temática 6.2 falamos dos critérios de


classificação climática. Fizemos referencia aos vários cientistas e
sua proposta de critérios para modelo de Classificação Climática.
Destacamos o modelo de Koppen por ser o mais popular, mais
aceite e mais utilizado.

Exercicios de Auto-Avaliacao

1. Quais são principais elementos utilizados na classificação


climática?
2. As freqüentes e abundantes chuvas que caracterizam a zona
equatorial em todo o globo são explicadas:
a) pelo relevo acidentado.
b) pela proximidade dos oceanos.
c) pelas baixas pressões atmosféricas.
d) pelas altas temperaturas médias.
e) pela dispersão dos ventos.

Bibliografia

SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações


climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008

163
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal


de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

164
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

TEMA VII : Mudancas Climaticas

UNIDADE Temática 7.1Variações e Oscilações climáticas


UNIDADE Temática 7.2 Mudancas Climaticas

Introdução

O clima do planeta é determinado por um sistema complexo,


que engloba as várias esferas do planeta terra. Estes elementos
interagem continuamente, trocando matéria e energia de
diversas formas, dando lugar a formação de diversos padrões
climáticos ao longo do globo conforme a variação das
interacções ao longo deste. No decorrer do tempo há evidências
de que os sistemas climáticos nem sempre foram como os
conhecemos hoje e que estiveram sujeitos a uma serie de
mudanças. Entretanto, neste capítulo, ênfase será dada as
mudanças climáticas devidas a acção antropogênica.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: variações e oscilações climáticas ao longo do tempo


 Explicar: as causas das variações e oscilações climáticas
 Explicar: as causas das mudanças climáticas
 Descrever: os efeitos das mudanças climáticas

165
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

UNIDADE Temática 7.1 Variações e Oscilações climaticas

Introdução

Os climas do mundo e outras evidências geologicas demonstram


que de uma maneira ciclica foram acontecendo variacoes e
oscilacoes climaticas, cuja explicacao esta confiada a uma serie
de teorias.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Conhecer: Variações e oscilacoes climaticas ao longo do tempo


 Explicar: as causas das variações e oscilacoes climaticas

Para a Organização Meteorológica Mundial (1977), o sistema climático


constitui a atmosfera, os oceanos, massas de neve e gelo, massas
continentais e a vegetação, cujos vínculos físicos e químicos, os mais
variados e complexos, têm um papel primordial no estabelecimento do
modelo de clima mundial. Esta definição evidencia a importância das
interações entre superfície e atmosfera o que supõe que mudanças na
superfície provocam alterações na atmosfera e no clima e que a
inserção de materiais e gases na atmosfera pode modificar as
características climáticas de uma região, remetendo-nos a questão dos
processos que originam os climas, as escalas climáticas e de suas
abordagens tanto espacial como temporal.

O sistema climático está normalmente em uma situação de Equilíbrio


Térmico: a energia que ele recebe do Sol é igual à que ele emite para o
espaço. Assim, a Temperatura Média do planeta é constante.

Este equilíbrio, no entanto, é rompido se houver alguma alteração no


Balanço Energético do sistema: se por algum motivo a energia perdida
para o espaço tornar-se menor que a recebida, a temperatura média do
planeta começa a subir. A poluição atmosférica, por exemplo, pode
causar um desequilíbrio dessa natureza.

Se a Perturbação Inicial for mantida constante, o sistema climático


tende a uma nova situação de
166
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

equilíbrio, porém a uma temperatura média mais alta. Este retorno ao


equilíbrio térmico ocorre porque a elevação da temperatura provoca
um aumento da energia emitida para o espaço (fenômeno conhecido
como "dumping" radiativo).

Entretanto, este retorno ao equilíbrio não é instantâneo: ele demora


um período de tempo que pode ser mais longo ou mais curto,
dependendo da intensidade e da natureza da perturbação inicial. Isto é
o que se chama de Inércia do sistema climático: há um tempo de ajuste
entre a perturbação inicial do equilíbrio térmico e o retorno ao
equilíbrio, a uma temperatura mais alta.

No caso do desequilíbrio provocado pelo efeito estufa actual, o tempo


de ajuste do sistema climático é da ordem de séculos (principalmente
devido à enorme capacidade térmica dos oceanos).

7.1.1 Oscilações e Variações Climáticas


O planeta Terra está em constante transformação em suas várias
esferas, a litosfera com o movimento das placas tectônicas, a hidrosfera
através do ciclo da água, a atmosfera com as variações climáticas e a
biosfera com a expansão e contração das áreas ocupadas por
determinada espécie ou grupo de espécies.
Nas últimas décadas, vários estudos (HAFFER 1969, AB' SABER 1977,
BRADLEY 1985, ABSY et al. l993, TURCQ et al. 1993) têm demonstrado
que desde sua formação, a Terra vem experimentando de maneira
cíclica e natural, períodos mais quentes e períodos mais frios. (Torres &
Machado, 2008, P. 202)
De acordo com Torres & Machado (2008, P. 202) chamam-se oscilações
climáticas as altas e baixos das médias de séries consecutivas de 30
anos. Denomina-se variações climáticas períodos superiores à 30 anos.
Oscilações e variações não diferem senão pela amplitude e duração
sendo ligadas pelos mesmos processos de circulação geral. Entretanto
a maior parte dos meteorologistas usa o termo oscilações precisando
sua escala no tempo:
 Oscilações geológicas: os períodos se contam em milhões ou
milhares de anos;
 Oscilações climáticas: período de vários séculos, posteriores à
última glaciação quaternária;
 Oscilações seculares: períodos de 10, 20, 30 ou 50 anos
(considerados no interior de um século);
 Oscilações irregulares: são as oscilações de uma semana a outra,
de um mês a outro, de um ano a outro.
Varias teorias, em relação as quais não entraremos em detalhes, são
usadas para explicar oscilações.

167
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

De acordo com Salgado-Labouriau (1994), como citado em (Torres &


Machado, 2008 P. 205) os factores que podem iniciar ou terminar uma
glaciação são:
a) Mudanças no relevo topográfico:
b) Mudanças de radiação por efeito de meteoros
c) Mudanças de radiação por efeito de vulcanismo
d) Mudanças na inclinação do eixo de rotação

e) O ciclo solar
f) Teoria de Milankovitch
g) Movimentação Tectônica

7.1.2 Efeitos Das Variações Climáticas


As variações climáticas ocorridas, sobretudo durante o Pleistoceno,
trouxeram várias consequências para a superfície terrestre, sendo as
principais apresentadas a seguir:
a) Mudanças no nível do mar
b) Efeitos sobre os continentes – maior amplitude térmica em
áreas longe de grandes superfícies hídricas.
c) Efeito sobre a quantidade de água na atmosfera
Com uma menor superfície de água nos oceanos e menor poder
evaporativo da radiação solar, diminui a quantidade de vapor de água
na atmosfera, diminuindo o índice pluviométrico e a humidade absoluta
do ar.
d) Efeitos sobre a distribuição da biota terrestre
De acordo com Haffer e Prance (2002), as variações climáticas
provocaram mudanças globais na distribuição de florestas tropicais e
demais vegetações não-florestais antes e durante o Cenozóico
(Terciário-Quaternário). (Torres & Machado, 2008, P. 210)

Sumario
Nesta Unidade Temática 7.1 falamos de variações e oscilações
climáticas, a saber Oscilações geológicas, oscilações climáticas,
oscilações seculares e oscilações irregulares. Falamos também
das teorias que tentam explicar estas oscilações e os efeitos das
variações e oscilações climáticas.

168
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercicios
1. Quais são os componentes de um sistema climático?
2. O clima do mundo, tal como o conhecemos hoje, nem
sempre foi assim. Concorda com esta afirmação? Explique-
se
3. Quais são os efeitos das variações e oscilações climáticas?

UNIDADE Temática 7.2 Mudanças climáticas


antropogênicas

Introdução

Apesar de o clima variar naturalmente, resultados de pesquisas


constataram que o aumento substancial nas concentrações
globais de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso deve-se,
desde 1750, às actividades humanas – principalmente emissões
devido ao uso de combustíveis fósseis e a mudanças de uso do
solo. Nesse âmbito esta sub–unidade abordara mudanças
climáticas como resultado da humanização do espaço.

Ao completar esta unidade, você deverá ser capaz de:

Objectivos
específicos

 Explicar: as causas das mudanças climáticas


 Descrever: os efeitos das mudanças climáticas

169
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

7.2.1 Mudanças Climáticas

O interesse dos climatologistas está nas mudanças ocorridas em


períodos mais curtos e recentes por se suspeitar que algumas
destas mudanças tenham sido causadas por actividades
humanas e ganhar vantagem estratégica no sentido de prevenir
as mudanças ou precaver-se de seus efeitos.
As mudanças climáticas antropogénicas estão associadas às
actividades humanas com o aumento da poluição, de
queimadas, com o desmatamento, a formação de ilhas de calor,
urbanização, industrialização etc. A partir do final do século 19
e no século 20 há um aumento significativo da produção
industrial e um crescente aumento da quantidade de poluentes
na atmosfera e consequente aumento da temperatura global.
A redução da temperatura pode estar ligada ao aumento de
aerossóis lançados na atmosfera que interferem no balanço
radiativo da terra.
O gradativo aumento da temperatura é atribuído
principalmente às emissões de poluentes na atmosfera,
sobretudo a partir dos últimos 70 anos, com um aumento da
quantidade de CO2 atmosférico e portanto um aumento do
efeito estufa.
Já foi visto que de uma maneira natural o clima foi sofrendo
variações ao longo dos tempos. A grande dificuldade, no
entanto, está em separar o sinal devido às mudanças naturais
das mudanças antropogénicas, e ainda projectar os efeitos
destas mudanças para o futuro.

7.2.2 Conseqüências da Mudanças Climáticas

 Pressupõe-se que o aquecimento global irá fazer com


que haja um derretimento das calotas polares, com
aumento do nível médio do mar e inundação de regiões
mais baixas.
 O aquecimento global poderá fazer com que a
evaporação nas regiões equatoriais aumente e com isto
aumente a freqüência e a intensidade dos sistemas
meteorológicos, como furacões e tempestades tropicais,
El niño etc.
 Surgimento de microclimas em locais urbanizados: A
cidade é um grande modificador do clima. A camada de
ar mais próxima ao solo é mais aquecida nas cidades do
que nas áreas rurais. A actividade humana, o grande
número de veículos, indústrias, prédios, o asfalto das
ruas e a diminuição das áreas verdes criam mudanças

170
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

muito profundas na atmosfera local, modificando


também a temperatura e as chuvas da região. O
aumento do calor na cidade modifica a circulação dos
ventos, a humidade e até as chuvas. As cidades
apresentam um alto índice de impermeabilização por
causa de componentes como asfalto e betão que
reduzem a infiltração, aumentando o escoamento
superficial e a evaporação. As partículas (núcleos de
condensação) lançadas na atmosfera pelos carros e
indústrias propiciam o aumento da quantidade de
nuvens e consequentemente de chuvas.
 Alteração do ciclo hidrológico e ocorrência de enchentes
devido ao aumento do escoamento superficial; redução
do vapor de água na atmosfera sobre área desflorestada,
aumento da temperatura em cerca de 1 a 3ºC, redução
da evapotranspiração e consequente da redução da
precipitação caso não haja uma outra fonte de
suprimento de humidade para a área em questão.
 Alteração ou destruição de ecossistemas
 Ocorrência de chuvas acidas: A emissão de poluentes na
atmosfera, provenientes dos automóveis e indústrias,
principalmente os provenientes de óxidos de enxofre e
óxidos de nitrogênio, irão reagir com o vapor de água
presente na atmosfera produzindo ácidos nítricos e
sulfúricos que irão precipitar juntamente com as
gotículas de água de chuva. A precipitação destes ácidos,
juntamente com a água de chuva, é chamada de chuva
ácida, muito comum em grandes centros urbanos.
 Ocorrência de ilhas de calor, uma anomalia térmica,
onde o ar da cidade se torna mais quente que o das
regiões vizinhas. A ilha de calor associada à alta
intensidade de poluição possibilita a ocorrência de
doenças respiratórias na população mais idosa que pode
sofrer riscos fatais, principalmente nos que possuem
problemas cardíacos.
 Aumento do efeito de estufa
 Degradação do ozono atmosférico. No último século,
devido ao desenvolvimento industrial, passaram a ser
utilizados produtos que emitem os chamados
clorofluorcarbonos (CFCs), um gás, que passa
praticamente ileso pela troposfera e chega até a
estratosfera destruindo as moléculas que formam o
ozônio (O3), causando assim a destruição dessa camada
da atmosfera.

171
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

7.2.3 Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e o


Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1992
Nas quatro últimas décadas, várias mudanças climáticas começaram a
ser percebidas e atribuídas ao aquecimento global. Então, passou a
existir uma preocupação muito grande de que ocorressem mudanças
ainda mais drásticas, caso os seres humanos continuassem a emitir
gases industriais em larga escala.
Embora alguns cientistas não acreditem no risco do planeta se
superaquecer, durante a Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente
e o Desenvolvimento, que aconteceu no Rio de Janeiro, em 1992, os
representantes dos países participantes escreveram a Convenção
Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças do Clima.

Nela, reconhecia-se que as mudanças climáticas eram um problema


real, planetário, e que as atividades humanas têm papel fundamental
nessas alterações. Sendo assim, é preciso que todos os países se
esforcem para diminuir o problema, reduzindo a emissão dos gases que
promovem o aquecimento do planeta (efeito estufa).

7.2.4 O Protocolo de Kyoto


Para transformar a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre
Mudanças do Clima em propostas objectivas, em 1997, foi criado
o Protocolo de Kyoto, que tem por objetivo lutar contra alterações
climáticas, através de uma ação internacional de redução de
determinados gases que provocam o efeito estufa - dióxido de
carbono(CO2); metano (CH4); protóxido de azoto(N2O);
hidrofluorcarbonos (HFC); hidrocarbonetos perflorados (PFC);
hexafluoreto de enxofre (SF6).

O protocolo de Kyoto só entrou em vigor em 16 de fevereiro de 2005,


quando os países que assinaram, iniciaram o desenvolvimento de
projetos para diminuir a taxa de emissão de gases do efeito estufa até
2012. Contudo, nem todos os países aderiram a ele, devido a questões
econômicas. Até o momento a questão parece estar se agravando. No
entanto, já se questiona se o papel da actividade humana no
aquecimento global é efectivamente decisivo.

Sumário
Nesta Unidade temática 7.2 estudamos e discutimos
fundamentalmente: Mudanças Climáticas causadas pela
actividade antrópica e seus efeitos.

172
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO

1. Como se processam as mudanças climáticas


antropogénicas?
2. Quais são as consequências das mudanças climáticas?

Bilbiografia

SILVA, RANYÉRE (2009) Um pensamento crítico sobre classificações


climáticas: de Köppen até Strahler . Brasil
BERBERAN E SANTOS, M. N. M. S.; Composição Química E Estrutura Da
Atmosfera Terrestre; Centro de Química-Física Molecular Instituto
Superior Técnico;Brasil; 2008
RETALLACK, B. J. , Compendio para a Formacao Profissional do pessoal
de Meteorologia da Classe IV; 1ª parte; Vol. II; Instituto Nacional de
Meteorologia e Geofisica; Portugal; 1970
TORRES, Fillipe Tamiozzo P. e MACHADO, Pedro José de O.; Introducao
a Climatologia; Brasil; 2008,
ANDRÉ, Iára Regina Nocentini e ZAVATTINI, João Afonso; Ozônio E
Dinâmica Atmosférica: Uma Análise Geográfica; Brasil (s/d)
MANFRO, Robinson Luciano; Influências Dos Sistemas Meteorológicos
Nas Variações Da Coluna Total De Ozônio Atmosférico Observado No
Sul Do Brasil, Em São Martinho Da Serra, Rs; Relatório Final de Projeto
de Iniciação Científica INPE – Brasil; São José dos Campos; 2005
GRIMM, Alice Marlene, Meteorologia Básica - Notas de Aula1999;
http://fisica.ufpr.br/grimm/aposmeteo
AYOADE, J.O. Introdução à Climatologia para os Trópicos;Tradução:
Maria Juraci dos Santos. 4.ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1996.
ATKINSON, B. W. e GADD, Alan (1986); O Tempo – Um Guia Actual de
Previsao ; Traducao: AZEVEDO, A. J. (1990)
MINUZZI, R. B.; et al. Influência do fenômeno climático El Nino no
período chuvoso. Geografia - v. 15, n. 2, jul./dez. 2006. Disponível em
http://www.uel.br/revistas/geografia
OLIVEIRA, GILVAN SAMPAIO (s/d) Meteorologia E Ciências Ambientais
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – INPE ; Centro de Previsão de
Tempo e Estudos Climáticos – CPTEC; Rodovia Presidente Dutra, km 49
– Cachoeira Paulista – SP – Caixa Postal 001; sampaio@cptec .inpe.br

VAREJAO-SILVA, M. A.; (2006) Meteorologia e Climatologia; Versão


Digital 2; Brasil

173
ISCED CURSO: GEOGRAFIA; 10 Ano Disciplina/Módulo:Climatogeografia

Exercicios
1. Diferencie o tempo do clima
2. Mencione quatro exemplos de actividades do homem em
que e pertinente o conhecimento das condições climáticas
da região.
3. A principal fonte de energia da terra é a radiação solar. Fale
dos factores que influenciam a radiação solar
4. Como se processa o balanço energético da terra?
5. Qual e a camada mais importante da atmosfera para a
formação dos fenômenos meteorológicos. Fundamente a
sua resposta.
6. Fale da importância do dióxido de carbono, ozono e vapor
de água atmosféricos.
7. Indique os quatro factores da circulação atmosférica
8. O que é e como se manifesta na CGA a forca de coriolis? Use
esquemas para apoiar a sua explicação
9. Que sistema de ventos e de pressão actuam na faixa
equatorial?
10. Relacione a CGA com os desertos subtropicais
11. Fale de dois elementos climáticos a sua escolha e descreva a
sua variação espacial e temporal e os factores que a
determinam
12. Como se processam as mudanças climáticas
antropogénicas?

174

Você também pode gostar