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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA – UFSM

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE – CCS

PSICOLOGIA DO DESENVOLVIMENTO HUMANO ‘’A’’

Tema: Resenha do artigo sobre Erikson e a teoria psicossocial do desenvolvimento


Data: 09 / 04 / 2020
Aluno (a): Vinicius da Silva Schwert

No texto sobre Erikson e a teoria psicossocial do desenvolvimento, o autor nos traz uma
descrição a respeito do desenvolvimento humano em fases. Diferentemente do que foi estudado em
Freud (fases iniciais do desenvolvimento), no texto percebe-se que Erikson descreve as fases do
desenvolvimento humano partindo do início da vida do ser e nos leva até o final da vida. Além disso,
sua teoria trabalha o “ciclo vital” como algo contínuo onde cada fase influenciará a seguinte.
A teoria de Erikson possui algumas características peculiares. O texto nos mostra que a
personalidade, que começou a ser contruída na infância, não é fixa e pode ser modificada por
experiências posteriores e que a cada etapa, o indivíduo cresce a partir das exigências internas de seu
ego, mas também das exigências do meio no qual ele está inserido. Ainda assim, a passagem por cada
estágio pode ter um desfecho positivo ou negativo, que irá influenciar nas fases seguintes. A partir de
um desfecho positivo, surge um ego mais rico e forte e a partir de um desfecho negativo o ego fica
fragilizado. Assim, a cada crise, ocorre uma reestruturação e reformulação da personalidade e o ego vai
se adaptando aos sucessos e fracassos.
A primeira fase descrita por Erikson é sobre a relação Confiança básica x Desconfiança básica.
Essa fase corresponde ao estágio oral freudiano. Nela, a atenção do bebê é voltada à mãe. No momento
em que a criança sente falta da mãe, ela começa a lidar com a força básica, que nessa fase é a
esperança.
Resumidamente, quando o bebê percebe que a mãe não está perto, ele cria uma esperança de que ela irá
voltar e quando a mãe volta, ele compreende que é possível querer e esperar, pois isso irá se realizar. Se
o bebê vivencia positivamente essas descobertas, surge a confiança básica, onde ele tem a sensação de
que o mundo é bom. Ao contrário, surge a desconfiança básica, onde ele sente que não há uma
correspondência do mundo. Além disso, a criança precisa conviver com pequenas frustrações, pois é a
partir disso que ela vai aprender a definir quais esperanças são possíveis de serem realizadas. Visto
isso, sabendo que é nesse estágio que ocorre a identificação com a mãe, o bebê pode criar um conceito
bom de si e do mundo a partir de uma identificação positiva ou pode desenvolver um idolismo, ou seja,
ele “acha” que nunca vai chegar ao nível de sua mãe.
A segunda fase é a da Autonomia x Vergonha e Dúvida, que corresponde ao estágio anal
freudiano. Aqui a criança já tem algum controle de seus movimentos musculares e, então, direciona sua
energia às experiências ligadas à atividade explanatória e a conquista da autonomia. Entretanto, a
criança compreende que não pode usar essa energia à vontade pois ela precisa respeitar certas regras
sociais e incorporá-las ao seu ser (o que é descrito no texto como equação entre manutenção muscular,
conservação e controle). A aceitação desse controle social implicará no aprendizado do que se espera
dela, ou seja, quais são seus deveres, direitos e limitações. Porém o que pode afetar a criança nessa fase
é o modo como os adultos dão autonomia para ela. Um ponto importante dessa fase é que a partir da
aprendizagem do controle, surge a força básica vontade que, manifestada na livre escolha, é o
precedente essencial para o crescimento sadio da autonomia.
A terceira fase nos diz respeito à relação Autonomia x Culpa e corresponde à fase fálica
freudiana. A partir dessa fase, a criança já conseguiu a confiaça e autonomia, com o contato inical com
a mãe e com a expansão motora e o controle. Com a alfebetização e ampliação de seu círculo de
contatos, a criança adquire o crescimento intelectual necessário para apurar sua capacidade de
planejamento e realização, ou seja, a iniciativa é associada à autonomia e à confiança, pela expansão
intelectual. Quando a criança começa a buscar seus objetivos além de suas possibilidades, ela pode se
sentir culpada por não conseguir realizá-los e precisa de alguma forma de conter e reinvestir a carga de
energia que utilizou podendo fantasiar a realidade para fugir da tensão. Se, na mente da criança, ela
desenvolver um sentimento de culpa, ela poderá ter a sensação de fracasso, o que pode gerar uma
ansiedade perante suas atitudes futuras. Ainda assim, a criança, por se sentir incapaz, pode se tornar
compulsiva por esconder seu verdadeiro “eu” (personificação). Porém, o propósito e a iniciativa podem
ser direcionados positivamente, quando o senso de obrigação e desempenho se encontram ligados à
ansiedade de aprender. Por isso é nessa fase que as crianças querem que os adultos lhes deem
responsabilidades.
A quarta fase, Diligência x Inferioridade, corresponde à fase de latência freudiana. Nessa fase a
criança aprende o que é valorizado no mundo adulto, e tenta se adaptar a ele. Da ideia de propósito, ela
passa a ideia de perseverança. A criança reconhece que suas atitudes atuais têm recompensa no longo
prazo, e assim surge o interesse pelo futuro. A criança sente que adquiriu competência para dedicar-se e
concluir uma tarefa e o prazer de realização é o que dá forças para o ego não regredir nem se sentir
inteferior. Aqui, a ordem e as formas técnicas passam a ser importantes para a criança e é quando ela
começa a dizer o que “quer ser quando crescer”.
A fase da Identidade x Confusão de Identidade, é onde pode ocorrer a crise de identidade. Nessa
fase, já na adolescência, o indivíduo precisa de segurança frente a todas as transformações do período e
essa segurança ele encontra na forma de sua identidade, que foi construído por seu ego nas fases
anteriores. Além disso, o adolescente precisa de um apoio de suas ideias e de sua identidade
(sentimento de pertencer a um grupo) e é aqui que ocorre o surgimento do envolvimento ideológico. Se
for algo muito forte, surge o fanatismo e ele passa a defender cegamente algo que tomou posse de suas
ideias próprias. É claro que, a partir dessa preocupação em encontrar um papel social, pode ocorrer
uma confusão de identidade, pois existe a preocupação com a opinião alheia e, com isso, os
sentimentos de isolamento e vazio podem levar a uma regressão. Porém, se essa confusão tiver um bom
desfecho, pode ocorrer a estabilização da identidade.
Na fase de Intimidade x Isolamento, o indivíduo, ao estabelecer uma identidade definitiva e bem
fortalecida, estará pronto para uni-lá à identidade de outra pessoa. Ocorre uma associação de um ego ao
outro e, para que isso seja positivo, é preciso que a pessoa tenha construído um ego forte e autônomo
ao longo das fases anteriores. Se isso não acontece, a pessoa irá preferir o isolamento, pois terá medo
de compromissos e pode desenvolver um elitismo.
A fase de Generatividade x Estagnação, existe a preocupação com tudo que pode ser gerado. O
indivíduo, aqui, se dedica à geração e ao cuidado com o que gerou. É uma fase em que o ser humano
sente que sua personalidade foi enriquecida. Entretando, pode ser que surja o autoritarismo, pois o
indivíduo pensa que pode utilizar sua autoridade por ser “mais velho”.
A última fase, Integridade x Desespero, é a fase de reflexão sobre a vida. O que o indivíduo fez
e o que deixou de fazer tomam conta do pensamento. A pessoa pode entrar em desespero ao ver a
morte se aproximando e ter percebido que deixou de realizar algumas coisas ou ela tem a sensação de
dever cumprido, de dignidade e integridade. Assim ela pode procurar novas forma de estruturar seu
tempo e utilizar sua experiência de vida para viver bem seus últimos anos ou estagnar diante do
“terrível fim”.
Diante disso, após conhecer as fases descritas por Erikson, fica possível entender que durante o
ciclo vital contruímos um plano de vida no qual as crises do ego irão se desenrolar de certa maneira,
que parece ter sido determinada pela infância (pelas primeiras crises do sujeito). Ainda assim, é
possível compreender que a vida é uma construção progressiva baseada em contextos individuais,
históricos e culturais, que é construída a partir da integração entre o social e o individual.

Após tomar conhecimento da teoria de Erikson juntamente com os conhecimentos obtidos nas
resenhas anteriores é possível entender que, ao longo de sua vida, o ser humano constrói uma biografia.
Essa construção da biografia se dá por um eixo narrativo (maneira na qual você conta sua história).
Esse eixo narrativo se desenrola a partir das fases passadas pelo indivíduo. Dessa maneira, uma forma
de entender, como um todo, o processo de amadurecimento durante a vida, é tomando como exemplo a
frase do famoso filósofo espanhol Ortega y Gasset: “Eu sou eu e minhas circunstâncias, e se eu não
salvo à elas, eu não salvo a mim.”. A partir dessa frase, fica claro, para mim, que se o sujeito tem uma
boa progressão de seu ciclo vital, ele irá conseguir integrar o seu EU às suas circunstâncias e, dessa
forma, viver uma vida instalada na realidade. Sendo assim, e tomando como exemplo a última fase
descrita por Erikson (Integridade x Desespero), irá olhar para trás e perceber que ele conseguiu
desenvolver uma biografia verdadeira, ou seja, ele conseguiu, ao longo de sua vida falar “EU”. No
decorrer de seu ciclo vital, suas ações foram baseadas na sua personalidade e ele não “se perdeu” em
meio à possíveis falhas biográficas (como por exemplo na fase de Identidade x Confusão de
Identidade), tendo, assim, um eixo narrativo sólido.

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