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SISTEMAS DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

H
G I
5

A C D F
T = 20 o C
ρ = 1,08 kg/m3
B E

1 2 3

Material Preparado por


Prof. Jorge Villar Alé
LSFM – FENG - PUCRS
www.em.pucrs.br/lsfm

Agosto 2011

Sistemas de Ventilação Industrial Dimensionamento 1


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1. SISTEMAS DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL.................................................................................................... 3


1.1 VENTILAÇÃO LOCAL EXAUSTORA - VLE ............................................................................................................ 3
1.2 VENTILAÇÃO GERAL DILUIDORA - VLE.............................................................................................................. 3
1.3 VENTILAÇÃO GERAL DILUIDORA - VGD............................................................................................................. 3
1.4 TIPOS DE VENTILAÇÃO GERAL DILUIDORA - VGD.............................................................................................. 4
1.5 VENTILAÇÃO LOCAL EXAUSTORA - VLE ............................................................................................................ 4
2. ENERGIA EM SISTEMAS DE VENTILAÇÃO................................................................................................... 5
CURVA DO SISTEMA ........................................................................................................................................................ 5
EQUAÇÃO DE ENERGIA ENTRE "E" E "0" .......................................................................................................................... 5
EQUAÇÃO DE ENERGIA ENTRE "3" E "4" .......................................................................................................................... 6
ALTURA ÚTIL DE ELEVAÇÃO:.......................................................................................................................................... 6
CURVAS DO SISTEMA ...................................................................................................................................................... 7
3. PERDA DE CARGA EM SISTEMAS DE VENTILAÇÃO.................................................................................. 8
PERDA DE CARGA DE CARGA UNITÁRIA .......................................................................................................................... 9
DIÂMETRO EQUIVALENTE ............................................................................................................................................. 10
4. DIMENSIONAMENTO DE DUTOS.................................................................................................................... 11
CLASSIFICAÇÃO: PRESSÃO EM DUTOS - SEGUNDO ABNT NB-10/1978 ........................................................................ 11
4.1 PROCEDIMENTOS PARA PROJETO DE SISTEMAS DE VENTILAÇÃO ....................................................................... 12
4.2 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE VENTILAÇÃO SIMPLES ........................................................................... 12
4.3 DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS DE VENTILAÇÃO COMPLEXOS ..................................................................... 13
4.4 RUÍDO NO SISTEMA DE VENTILAÇÃO................................................................................................................. 14
ANEXO TABELAS - DIMENSIONAMENTO DE SISTEMAS ......................................................................................... 15
INFORMAÇÃO SOBRE VENTILADORES............................................................................................................... 17
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................................................................... 17

Sistemas de Ventilação Industrial Dimensionamento 2


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1. SISTEMAS DE VENTILAÇÃO INDUSTRIAL

A ventilação é um processo de renovação do ar em recintos


• Pode ser por meios naturais (ventilação natural) ou por meios mecânicos (ventilação forçada)
• Seu objetivo é controlar a pureza do ar dando bem estar e segurança das pessoas.

A Ventilação Industrial pode ser adotada para:


• Controle de contaminantes em níveis aceitáveis
• Controle da temperatura e umidade para conforto
• Prevenção ao fogo e a explosões.

1.1 Ventilação Local Exaustora - VLE

• Realizada com equipamento captor de ar junto à fonte poluidora.


• As fontes de poluição são localizadas e identificadas no interior do ambiente.
• O contaminante é capturado antes de se espalhar pelo recinto.
• Ambientes industrias com cabinas de pintura, aparelhos de solda, forjas, fogões, tanques de tratamentos
químicos, esmeris, máquinas de beneficiamento de madeira, transporte de materiais pulvurentos, etc.

1.2 Ventilação Geral Diluidora - VLE

• Ventilação do ambiente de modo geral.


• No existe fontes de poluição localizadas em pontos perfeitamente identificáveis.
• Para ambiente limpos (auditórios, lojas) pode se adotar o insuflamento
• Para salas de máquinas e ambientes com pó pode ser adotado processo de aspiração.
• Processos mistos são adotados quando se deseja extrair o contaminante e ao mesmo tempo manter o
ambiente estanque ao ar exterior e suprido com ar filtrado (Ex. sala de fumantes).

1.3 Ventilação Geral Diluidora - VGD

A ventilação geral diluidora atua de maneira a minimizar a concentração do contaminante por meio de sua
diluição. A ventilação geral diluidora permite dentro de certos limites o controle da temperatura, da umidade
e da velocidade do ar.

Infliltração: movimentação do ar não controlado, através de aberturas e frestas existentes.


Ventilação: deslocamento controlador do ar através de aberturas específicas e dispositivos para ventilação.
Ventilação Natural: movimentação do ar (infiltrado ou ventilado) pelo diferencial de pressão provocado pela
ação do vento ou diferença de massa especifica entre o ar externo e o interno.
Ventilação Forçada ou Mecânica: Diferença de pressão provocada pela ação de um ventilador (insuflamento
ou por exaustão).
Componentes de uma Instalação de
Ventilação Geral Diluidora:

( a ) Toma de ar externo
( b ) Filtro
( c ) Ventilador de insuflamento
( d ) Dutos
( e ) Bocas de insuflamentoBocas
( f ) Exautão
( g ) Ventilador de exaustão

Figura 1. Esquema de Ventilação Geral Diluidora

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1.4 Tipos de Ventilação Geral Diluidora - VGD

1. VGD - Sistema por Insuflamento:


• O ventilador sopra o ar novo para dentro do
recinto ventilado.
• A pressão do ar no interior do ambiente (Ps)
torna-se maior que a pressão do ar da vizinhança
(Pe).
• O ambiente fica pressurizado.
• O diferencia de pressão (Ps - Pe) permite a saída
do ar para o entorno pelas aberturas especificas e
frestas existentes.
• Permite o controle da qualidade do ar (filtros).

Figura 2. Tipos de insuflamento


2. VGD - Sistema por Exaustão.
• ventilador aspira o ar contaminado fora do recinto ventilado.
• A pressão do ar no interior do ambiente (Ps) torna-se menor que a pressão do ar na vizinhança (Pe).
• O ambiente torna-se despressurizado ou com pressão negativa.
• O diferencial de pressão (Pe - Ps) permite a entrada de ar novo do entorno pelas aberturas.
• Difícil de controlar a pureza do ar novo em função das aberturas e frestas.
• Permite facilmente o controle do ar lançado no ambiente externo.

3. VGD - Sistema Misto.


• Combina os dois tipos anteriores, podendo ser o ambiente interno pressurizado ou despressurizado.
• Ventilação de sanitários e cozinhas deve manter o ambiente em pressão negativa, evitando que os
contaminantes e odores gerados se espalhem pelos ambientes vizinhos.

1.5 Ventilação Local Exaustora - VLE

• O contaminante é removido junto ao ponto onde é gerado evitando que se espalhe no ar do recinto,
requerendo quantidades menores de ar.

Componentes:
Captor: Ponto de entrada do contaminante a ser aspirado
pelo sistema. O sucesso ou falha de um sistema de VLE
esta diretamente relacionado com o projeto do captor.
Dutos: Utilizados para condução do ar contaminante,
interligando os componentes do sistema.
Ventilador: fornece a energia requerida para o
escoamento.
Coletor: Remoção dos contaminantes do ar.
Equipamento de controle da poluição. Evita a
contaminação atmosférica no meio ambiente.

Podem ser sistema centralizados ou sistemas unitários.

Figura 3. Ventilação Local exaustora

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2. ENERGIA EM SISTEMAS DE VENTILAÇÃO

Curva do Sistema
Os sistemas de ventilação industrial são constituídos pelos dutos com peças e acessórios (filtros, lavadores,
registros e outros). O sistema oferece resistência ao escoamento provocando a denominada perda de carga
que é a dissipação de energia ocorrida pela resistência ao escoamento do gás pelo sistema.

A figura abaixo mostra um sistema típico de ventilação exaustora para captação e filtragem ou lavagem do ar
que contém impurezas.

Figura 4. Sistemas de ventilação industrial


Ponto "e": Ponto de captação do gás contaminado na coifa.
Ponto "o": Ponto de aspiração do gás contaminado do gás na entrada do ventilador.
Ponto "3": Ponto de insuflamento do gás na boca de saída do ventilador.
Ponto "4": Ponto de saída do gás já limpo lançado na atmosfera.

Equação de Energia entre "e" e "0"


• Considera-se como plano de referência que passa por "0", sendo Jr a perda de carga entre "e" e "0" .

pe ve2 p v2
he + + = h0 + 0 + 0 + J a
γ 2g γ 2g

Observa-se que pe representa a pressão atmosférica. A relação pe/γ representa a altura equivalente da pressão
atmosférica (Hatm) que pode ser fornecida por exemplo em mm de coluna de água. Jr representa a perda de
carga na tubulação de aspiração (dutos + acessórios).

ve2
Fazendo: J = J a −
*
a , substituindo pe/γ por Hatm e considerando desprezível o termo he .
2g

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p e ve2 p v2
he + + = h0 + 0 + 0 + J a
γ 2g γ 2g
p 0 v 02
0 + H atm = 0+ + + J a*
γ 2g
a partir desta expressão podemos explicitar a pressão total na boca de entrada do ventilador:

 p0 v02 
 +  = H atm − J a*
 γ 2 g 

Equação de Energia entre "3" e "4"

• Considera-se como plano de referência o que passa por "0".

p3 v32 p v2
i+ + = h4 + 4 + 4 + J r
γ 2g γ 2g

Observa-se que p4 representa a pressão atmosférica, e a relação p4/γ representa a altura equivalente da
pressão atmosférica (Hatm) que pode ser fornecida por ex: em mmH20. Fazendo desprezível a pressão
equivalente da coluna de gás "i" e h4 a expressão anterior fica simplificada como:

p 3 v32 p 4 v 42
i+ + = h4 + + + Jr
γ 2g γ 2g
p3 v32 v2
0+ + = 0 + H atm + 4 + J r
γ 2g 2g

desta forma se obtém a pressão total na saída do ventilador:

 p3 v32 
 +  = H atm + 4 + J r
v2
γ 2g  2g

Altura Útil de Elevação:

 p − p 0   v32 − v02 
H u =  3  +  
 γ   2g 

também podemos escrever:

p v2   p v2 
H u =  3 + 3  −  0 + 0 
γ 2g   γ 2g 

substituindo as expressões obtidas anteriormente se obtém:

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 p 3 v32   p 0 v02 
H u =  + − 
  γ + 2g 
 γ 2 g    Hu Curva do ventilador
 
H u =  H atm + (
+ J r  − H atm − J a* )
2
v
 
4

2g

H u = 4 + J r + J a*
2
v Pressão de operação
2g
Ponto de operação
Considerando como JT a perda de carga
total do sistema (soma das perdas de carga
de todos os componentes do sistema)
obtemos finalmente a equação
característica do sistema de ventilação. Curva do sistema

v 42
Hu = JT + Vazão de operação
2g
Q
Que pode ser representada numa curva
característica como:

H = kQ 2

Figura 5. Curva característica do sistema

Curvas do Sistema

A curva do sistema representa a perda de carga total no sistema incluindo a perda de carga dos dutos,
equipamentos de controle, dampers e outros componentes do sistema. O ponto de operação do ventilador
deve coincidir com o ponto de operação do sistema, tal como representado na Fig.5

• A vazão do sistema é exatamente igual a capacidade do ventilador.


• A pressão desenvolvida pelo ventilador coincide exatamente com a resistência do sistema.

Dependendo do tipo de perda de carga, o sistema pode apresentar diferentes equacionamentos.

Tabela 1. Curva Característica de diferentes tipos de sistemas


Tipo de sistema Tipo de escoamento Tipo de perda de carga Tipo de equação
Reservatório Borbulhante Turbulento Constante H= cte.
Filtro de mangas Laminar Linear com a vazão H=kQ
Silo para grãos Levemente turbulento Muda com a vazão H=kQ1,5
Sistema de ventilação Turbulento Muda com a vazão H=kQ2

O Boletim Técnico No 8 da OTAM (Característica dos Sistemas de Ventilação e dos Ventiladores) apresenta
uma explicação detalhada de cada um destes sistemas.

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3. Perda de Carga em Sistemas de Ventilação


Tal como nos sistemas de bombeamento de água, nos dutos de ventilação industrial carateriza-se o
escoamento em função do número de Reynols.

Re < 2000 escoamento laminar.


Re > 2000 e menor que 4000 escoamento de transição (escoamento instável)
Re > 4000 escoamento turbulento.

VD
Re =
ν
onde V é a velocidade media no duto, D o diâmetro interno do duto e ν, é viscosidade cinemática do gás.

Perda de Carga em tubulações de seção circular

Em sistemas de bombeamento a perda de carga era dada em m de coluna de fluido. Nos sistemas de
ventilação industrial se trabalha diretamente com a pressão (Pa) ou em milímetros de coluna de água
(mmH20). Expressa em Pascal é dada pela expressão:
L V2
∆P = f ρ (Pa)
D 2

Onde é a massa específica do gás e f é o fator (ou coeficiente) de atrito da tubulação. Para regime laminar
pode ser utilizado f = Re/64 e para regime turbulento e transição pode ser utilizada o diagrama de Moody
ou equações que representam tal diagrama.

Coeficiente de Atrito:
Determina-se em graficamente pelo diagrama de Moody em função de Re e ε/D, onde ε é a rugosidade do
material da tubulação, ou com equações que dependem do regime de escoamento. Podemos utilizar por
exemplo a seguinte expressão:

Rugosidade Absoluta da tubulações (ε)


f =
0,25
  ε / D 5,74 
log + 0,9 
2

  3,7 Re 

A eq. é válida para:

10-6 < ε/D < 10-2


5000 < Re < 108

Perda de Carga dos Acessórios

∆P = (K acc1 + K acc 2 + K acc 3 + ...)ρ


V2
(Pa)
2

Em anexo apresentam-se diferentes valores do coeficiente de perda de carga K.

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Perda de Carga de Carga Unitária

Podemos expressar a perda de carga em milímetros de coluna de água (mmH20), desta forma:

∆P
hH 2 0 = x1000 (mmH20)
ρ H2 0 g

considerando a massa especifica da água igual a ρH20=1000kg/m3,

∆P
hH 2 0 = (mmH20)
g
Desta forma:
L V2
h H 20 = f ρ (mmH20)
D 2g

considerando a perda de carga por metro de tubulação denominado Ju=hH20/L


ρ V2
Ju = f (mmH20/m)
D 2g

Para uma tubulação com um comprimento L a perda de carga será

J L = J u xL (mmH20) ou em Pascal ∆P = gJ L (Pa)


Expressando a Eq. de Ju, em função da vazão e da área (Q=vA) onde Q é dada em m3/s e A em m2.

ρ Q2
Ju = f
D 2gA 2

Expressão a área da seção transversal da tubulação em função do diâmetro:

8 ρ
Ju = f 5 Q2
gπ 2
D

f ρ 2
Ju = Q (mmH20/m)
12,1 D 5

Quando se utiliza o método de igual perda de carga, se fixa o valor de perda unitária Ju. Assim,
podemos dimensionar, para outros trechos do sistema com vazões diferentes, o diâmetro da
tubulação:

 f   ρ8 
D =     Q 0, 4
0, 2 0, 2

 Ju   gπ 
2

 f 
D = 0,607 ρ   Q 0, 4
0, 2

 Ju 
0,2
(m)

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Diâmetro Equivalente

Se utiliza para determinar o comprimento característico de uma seção não circular. O Deq fundamenta-se na
determinação do diâmetro de um duto circular, que apresenta uma força media resistente ao escoamento,
igual à que apresente o duto de seção qualquer. Isto é com perda de carga equivalente.

Diâmetro Hidráulico:
Representa um diâmetro equivalente, considerando uma mesma velocidade do escoamento.

2ab
Deq =
a+b

Diâmetro Equivalente Industrial:


Representa o diâmetro equivalente para uma mesma vazão do escoamento. Utilizado no âmbito de ventilação
industrial e condicionamento de ar.

Deq = 1,3
(ab )0,625
(a + b )0,25
Exemplo1. Ar escoa com uma vazão de 100 m3/h. Determinar o diâmetro do duto e a perda de carga por
unidade de comprimento (metros) no duto. Resposta. J= 0,17mmH20/m D=60cm

Exemplo2. Determinar a dimensão do duto de ar de seção retangular de lados igual a 1 (seção quadrada) , que
é equivalente ao duto de seção circular do exemplo anterior. Resposta. Lados: a=55cm b=55cm.

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4. Dimensionamento de Dutos
O dimensionamento de dutos é realizado em função da vazão e perda de carga total do sistema. São
levados em consideração critérios de espaço disponível (por exemplo, no forro dos vários andares do
edifício, ou sob o piso falso de um ambiente), economia, geração de ruídos e deposição de particulado sólido
e pó.

• Um duto de grande diâmetro vai provocar perda de carga reduzida (baixo custo operacional, menor custo
de investimento no ventilador), baixo nível de ruído (proporcional à velocidade do escoamento), mas
poderá apresentar deposição de material sólido e poeira e, consequentemente, de ser um meio de cultura
de bactérias, além de ter um custo inicial elevado.

• Um duto de pequeno diâmetro, por outro lado, terá um custo inicial reduzido, a velocidade será superior
à minima para provocar deposição de pó, mas ocasionará uma elevada perda de carga e alto nível de
ruído.

• Como então estabelecer as dimensões dos dutos de ventilação, levando em conta estes múltiplos
critérios?

• Existem normas que fixam valores máximos para a velocidade do gás em dutos, dependendo da
finalidade a que se destina o sistema de ventilação, como a da tabela reproduzida a seguir, que foi obtida
da NB-10.

• A velocidade mínima pode ser ditada pelo critério de deposição de particulado sólido ou pó. Mas, entre
este valor mínimo e o valor máximo estabelecido por norma, qual é o valor adequado?

• A economicidade do sistema e, principalmente, os requisitos impostos pela distribuição de ar em um


sistema de ventilação complexo, que tem dutos principais, dutos secundários e ramificações, é que
ditarão o valor ideal da velocidade do escoamento e, consequentemente, do tamanho do duto a ser
utilizado.

• O cálculo da perda de carga em dutos de sistema de ventilação utiliza os mesmos conceitos e


metodologia dos sistemas de bombeamento.

• Referências fundamentais : Publicações (Handbooks) da ASHRAE – American Society of Heating,


Refrigeration and Air-Conditioning Engineers (Hanbook of Fundamentals e o Handbook of
Applications).

Classificação: Pressão em Dutos - Segundo ABNT NB-10/1978

Pressão Baixa: 50mm H2O e V até 10m/s


Pressão Média: 150mm H2O e V maior que 10m/s
Pressão Baixa: 150 a 250mm de H2O e V maior que 10m/s

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4.1 Procedimentos para Projeto de Sistemas de Ventilação

Projeto de Sistema de Ventilação Simples (Com um duto somente, sem ramificações)


• Fixação das dimensões do duto e o cálculo da perda de carga.
• Seleção do ventilador, nas condições operacionais e em critérios como a geração de ruído, tipo de
acionamento.
• Correção da curva característica do ventilador para o estado do ar na sucção.
• Determinação do ponto de operação entre a curva do sistema com a curva corrigida do ventilador.

Projeto de Sistema de Ventilação Complexo (Com várias ramificações)


• Fixar as dimensões dos dutos, seleção de elementos auxiliares e cálculo da perda de carga, a partir do
estabelecimento da vazão total e das vazões em derivações e ramificações.
• Seleção do ventilador em função das condições operacionais (vazão e pressão total) considerando
critérios como nível de ruído, tipo de curva característica, tipo de acionamento, tamanho.
• Correção da curva característica do ventilador para o estado do ar na aspiração.
• Determinação do ponto de operação do sistema (vazão e pressão total do ventilador), e vazão e pressões
ao longo dos dutos de insuflamento e retorno, principais, secundários e derivações.
• Projeto do sistema de dutos: traçado, seleção do material, sustentação e ancoragem, desenhos para
construção e montagem.
• Distribuição de ar no ambiente a ser insuflado e/ou aspirado.

4.2 Dimensionamento de Sistemas de Ventilação Simples

Os sistemas de ventilação simples são formados pelos dutos de aspiração e insuflamento (à montante e à
jusante, isto é, antes e depois do ventilador), e têm poucas ou nenhuma ramificação. Nestes casos se utiliza o
procedimento de cálculo conhecido como o método da velocidade. O método da velocidade utiliza os limites
de velocidade em vários trechos do sistema de ventilação impostos por normas, como a NB-10.
As etapas do dimensionamento serão as seguintes:
• Pré-seleção do ventilador baseada nas condições operacionais.
• Correção da curva característica; especificação dos limites de velocidade nos vários trechos do sistema e
os valores-limite para as dimensões dos dutos neste trechos.
• Determinação do ponto de operação do sistema.
• Se o escoamento no sistema é incompressível
∆PT < 500 mmH20 ou v < 100 m/s

O tratamento do problema é exatamente igual àquele adotado para bombas e sistemas de ventilação, desde
que a curva característica do ventilador tenha sido corrigida para as condições ‘in-situ’ do ar. Em síntese:

1- Pré-seleção de ventilador com características apropriadas: vazão, pressão total, rotação, ruído,
acionamento, fluido de trabalho, eficiência, peso, custo.
2- Correção da curva característica do ventilador para a condição real de operação, isto é, a densidade do
fluido na sucção do ventilador.
3- Especificação dos valores-limite de velocidade do ar nos vários trechos do sistema e o consequente
estabelecimento dos valores-limite de diâmetro hidráulico dos dutos.
4- Cálculo da curva característica do sistema de ventilação, aplicando a equação da energia ao
escoamento entre as extremidades do sistema de ventilação.

O procedimento implica em conhecer as características físicas do sistema, algumas determinadas nos


ítens 1 e 3, anteriores: condições de entrada e saída (pressões), comprimento e diâmetros de dutos,
material do duto, singularidades (curvas, dampers, ramificações e derivações, etc). Obtém-se, então, a
pressão total do sistema de ventilação

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4.3 Dimensionamento de Sistemas de Ventilação Complexos

O dimensionamento de sistemas complexos, com muitas ramificações, vários dutos secundários, ramais,
e outros elementos envolve a solução simultânea de um grande número de equações. Fora disto o sistema
esta sujeito a restrições de normas (velocidade máxima, por exemplo) ou restrições físicas (espaço
disponível). O dimensionamento é geralmente realizado com programas computacionais apropriados, com
algorítmos para a solução simultânea das equações e esquemas lógicos para contemplar as várias restrições
existentes. Nestes casos o método da velocidade pode ser utilizado para o pré-dimensionamento do
sistema. Dois outros procedimentos de cálculo são utilizados:

• Método da igual perda de carga


• Método da recuperação estática

O método da recuperação estática produz melhores resultados, em termos de balanceamento do sistema, de


consumo de energia e geração de ruído.

Método da Igual Perda de Carga

• Se trabalha com uma perda de carga constante por unidade de comprimento de duto, isto é, um gradiente
de pressão constante ao longo do sistema de ventilação.
• Utilizado para projetar os chamados sistemas de baixa velocidade e baixa pressão (0 – 50 mmH2O).
• Sua principal vantagem é que a velocidade reduz-se no sentido do escoamento, e assim há uma menor
geração de ruído.

Não é simples obter um gradiente de pressão constante ao longo do sistema: pode haver restrição de
dimensões para o duto principal e ramais, os comprimentos podem ser longos, a quantidade de
singularidades pode variar substancialmente nos vários ramais. Por mais que o sistema seja favorável para
dimensionamento com este método, quase sempre o ajuste final do sistema será obtido com atuação nos
‘dampers’, embora de forma menos drástica que no pré-dimensionamento com o método da velocidade.

Método da Recuperação Estática

• O método da recuperação estática é mais utilizado nos sistemas de média pressão (50 – 125 mmH2O) e
e alta pressão (125 – 250 mmH2O).
• Consiste em desacelerar o escoamento à medida em que energia é dissipada como perda de carga.
• A desaceleração do escoamento é obtida com o aumento da seção do duto. O duto cresce no sentido do
escoamento.
• A queda de pressão provocada pela dissipação viscosa é compensada com a redução da energia cinética
do escoamento.
• A pressão no interior do sistema de ventilação é uniforme e qualquer desbalanceamento (por exemplo, o
‘damper‘ de um dos ambientes é fechado) é ajustado igualmente entre todos os outros ambientes (a
vazão que não será mais insuflada no ambiente que teve o ‘damper’ fechado será distribuída igualmente
entre todos os demais).
• A principal desvantagem do método é que o duto aumenta de seção transversal no sentido do
escoamento.

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4.4 Ruído no Sistema de Ventilação

Se utiliza com um critério importante da qualidade do projeto já que pode interferir na saúde dos
usuários dos ambientes ventilados e refrigerados, é o nível de ruído provocado pelo sistema de ventilação ( o
ar, escoando em um duto, ao passar por “dampers” e grelhas, gera ruído, assim como o ventilador. Estes
ruídos se propagam pelos dutos e atinge o ambiente habitado).

Os níveis de pressão sonora (isto é, os níveis de ruído por banda de freqüência em que ocorrem) dos
ambientes habitados são estabelecidos por normas, é o que se denomina de padrão de conforto acústico. O
sistema de ventilação tem que atender estas normas de saúde pública. A tabela mostra como exemplo, os
valores-limite, por banda de freqüência, especificados pela norma uma norma específica, a NC-65.

Freq. (Hz) 63 125 250 500 1000 2000 4000 8000

Norma
NC-65 (dB) 80 75 71 68 66 64 63 62

O fabricante do equipamento deve fornecer a pressão sonora gerada por ventiladores. Caso tal
informação não esteja disponível, deve-se utilizar níveis sonoros de referência, aplicáveis a equipamentos
similares aos que serão utilizados no sistema de ventilação. Uma referência são os manuais ASHRAE
Applications da American Society of Heating, Refrigerating and Air Conditioning Engineers – USA. Tais
manuais indicam uma metodologia de cálculo para valores médios de referência da pressão sonora
provocada por ventiladores de vários tipos, de acordo com a vazão e a pressão de operação.

Como exemplo, a tabela abaixo ilustra os valores dos níveis de pressão sonora, por banda de
frequência, obtidos para um ventilador axial (tipo "vane-axial") de 1,80 metros de diâmetro, operando com
Q=100 m3/s e uma pressão total H =32 mmH2O:

f (Hz) 63 125 250 500 1000 2000 4000 8000

P(dB) 95,3 98,2 94,2 95,2 93,2 90,2 88,2 86,2


Cálculos de acordo com o ASHRAE Applications, 1980

Neste caso o ruído provocado pelo ventilador supera os valores máximos da norma NC-65. Se esta
for a norma que deve ser aplicada ao ambiente onde serão instalados estes ventiladores (situação hipotética),
será necessário instalar atenuadores para atender o nível de conforto acústico.

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ANEXO - TABELAS - Dimensionamento de Sistemas

Tabela A-1 Velocidades Recomendadas para Dimensionamento de Dutos


Contaminantes Velocidade (m/s)
Gases e vapores 5a5
Fumos 7 a 10
Poeira fina 10 a 13
Poeira média 18 a 20
Poeira grossa 20 a 23
Partículas grandes, materiais úmidos > 23

Tabela A-2 Velocidade do ar em dutos e Difusores


Elemento Edifícios Industrias
públicos (m/min)
(m/min)
Entrada de ar no duto 150-270 150-360
Filtros 90-110 110-120
Lavador de ar 150 - 210 150-210
Aspiração do ventilador 250 - 300 300-430
Saída do ventilador 600 - 660 720-840
Ramais horizontais 270-390 180-540
Ramais verticais 210-360 240-480
Difusores (bocas) de insuflamento 30-120 60-300
Tabela 9.2 Macintyre

Tabela A-3 Renovações de ar para recintos a serem ventilados


Recinto a ser ventilado Duração em minutos Renovações de
de ar por hora
cada renovação de ar
Auditórios 6-3 10-20
Salas de conferência 2,4-1,7 25-35
Restaurantes 10-3 6-20
Escritórios 10-3 6-20
Oficinas 7,5-5 8-12
Cozinhas 3-2 20-30
Fundições 12-3 5-20
Casas de caldeira 3-2 20-30
Sanitários 7,5-3 8-20
Tabela 6.2 Macintyre

Sistemas de Ventilação Industrial Dimensionamento 15


PUCRS- Departamento de Engenharia Mecânica e Mecatrônica Sistemas Fluidomecânicos

Tabela A-4 Velocidades em dutos de ar e equipamentos (extrato da NB-10):


Designação Recomendada (m/s) Máxima (m/s)
Residências Escolas, teatros, Residências Escolas, teatros,
edifícios públicos edifícios públicos
Tomada de ar 2,50 2,5 4,0 4,5
do exterior
Serpentina 2,25 2,5 2,25 2,5
Resfriamento
Aquecimento
Descarga ventilador
Min 5,0 6,5 --- ---
Máx 8,0 10,0 8,5 11,0
Duto principal
Min 3,5 5,0 ---- ----
Máx 4,5 6,5 6,0 8,0
Ramal horizontal
Min 3,0 --- ---
Máx 3,0 4,5 5,0 6,5
Ramal vertical
Min 3,0 --- ---
Máx 2,5 3,5 4,0 6,0
Tabela 9.3 Macintyre

Tabela A-4. Bitolas Recomendadas para Chapas de Aço - Bitola (U.S.S.G)


Diâmetro (cm) Contaminantes Contaminante Contaminante
não abrasivo, abrasivo, concentração abrasivo, concentração
serviço normal fraca, alta,
Serviço severo serviço muito severo
≤ 20 24 22 20
20 a 46 22 20 18
46 a 76 20 18 16
> 76 18 16 14

Tabela A-4 Espessuras das Chapas de Aço (U.S.S.G) U.S Standar Gauge
Bitola (U.S.S.G) Espessura (mm)
24 0,64
22 0,79
20 0,95
18 1,27
16 1,59
14 1,98

Sistemas de Ventilação Industrial Dimensionamento 16


PUCRS- Departamento de Engenharia Mecânica e Mecatrônica Sistemas Fluidomecânicos

INFORMAÇÃO SOBRE VENTILADORES


Tabela A-6 Informações sobre Fabricantes de Ventiladores
Empresa Site na Internent
Aulas da UNICAMP www.fem.unicamp.br/~em712

(material de ventiladores e bombas)


Ventiladores OTAM www.otam.com.br

Ventiladores VentiSilva Ltda. www.ventisilva.com.br/Index.htm

Ventiladores Pfaudler www.pfaudler.com.br/torin.htm

Ventiladores e artigos técnicos www.howden.com/library/technicalinfo.html

Fabricante Canadence www.leaderfan.com

Ventiladores Industrias www.fansandblowers.com

Penn Ventilation www.pennvent.com

Air Moviment and Control Association www.amca.org

Associação com normas de ventiladores


Continental fan www.continental-fan.com

Indutrial Ventilations www.indvent.org/articles.html

Artigos, programas
Software www.elitesoft.com/web/hvacr/heavent.htm

Twin City Fan Companies, Ltd. www.tcaxial.com/tcaxial/index.html

Informação técnica
Calculo de dutos e perda de carga www.connel.net/freeware/download.shtml

Calculo de dutos e perda de carga www.aardweb.com/tims-tools/airtools.htm

Ventiladores para computadores www.comairrotron.com/ACFans/default.htm

Referência Bibliográficas
• Ventilação industrial: Controle da Poluição, A. J. Macintyre. RJ, Ed. Guanabara, S.A, 1990.
• Ventilação Industrial, C. A. Clezar. A. C.Ribeiro Nogueira., Ed. Da UFSC., 1999
• Instalações de Ar Condicionado, H. Creder. Ed. LTC. S.A., 2 Edição, 1985.
• Tecnologia do Condicionamento de Ar, E. Yamae e Heizo Saito. Ed. Edgar Blucher Ltda., 1986.
• Industrial Ventilation Workbook, D.Jeff Burton. Carr Printing, 1997.
• Material SFM Unicamp. Disciplina de Sistemas Fluidomecânicos., 1999
• Manual Técnico da OTAM, 2001.
• O Boletim Técnico No 8 da OTAM (Característica dos Sistemas de Ventilação e dos Ventiladores).

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