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Acórdãos STJ Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça

Processo: 472/15.9T8VRL.G1.S1
Nº Convencional: 2.ª SECÇÃO
Relator: ROSA TCHING
Data do Acordão: 23-09-2021
Votação: UNANIMIDADE
Texto Integral: S
Privacidade: 1
Meio Processual: REVISTA
Decisão: RECLAMAÇÃO INDEFERIDA
Sumário :
Não padece das nulidades previstas no artigo 615º, nº 1, alíneas c) e d),
ex vi artigos 666º, nº 1 e 685º, todos do Código de Processo Civil, o
acórdão que decide que, inexistindo relação de “ prejudicialidade
lógica” entre  uma decisão anterior,  transitada em julgado, e o objeto
de uma ação posterior, os fundamentos daquela primeira decisão  não 
gozam de força de caso julgado, para o efeito de se extrair deles  outras
consequências além das contidas naquela decisão final.
Decisão Texto Integral: ACORDAM NO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA
2ª SECÇÃO CÍVEL

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I. Relatório

1. Banco Comercial Português, S.A., notificado do acórdão proferido


por este Supremo Tribunal nos presentes autos, em  17 de junho de
2021,  veio arguir a nulidade deste mesmo acórdão, nos termos do art.
615º, nº 1, als. c) e d), aplicável ex vi arts 666º, nº 1 e 685º, todos do
C.P. Civil.
Alega, no essencial,  que nele « decide-se pela inexistência de violação
de caso julgado  por se ter considerado que o acórdão recorrido  do
tribunal da relação de Guimarães apenas se socorreu  dos documentos
relativos aos IMI’s anteriores a 2011  como meio de prova  para dar
como provados  os factos  7 e 35, quando, na verdade (…), o Tribunal
da Relação, proferiu  a sua decisão tendo por base o juízo sobre a
legalidade daqueles   IMI’s, tendo-os declarados ilegais », pelo  que
padece o mesmo de contradição entre os fundamentos e a decisão e de
excesso de pronúncia.
Termos em que requer seja declarado nulo o referido acórdão e a sua
substituição por outro que julgue verificada a exceção de caso julgado.

2. A recorrida não respondeu.


3. Cumpre, pois, apreciar e decidir.

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II. Fundamentação

A questão a decidir consiste em saber se o acórdão deste Supremo


Tribunal proferido nos presentes autos em 17 de junho de 2021, está,
ou não, afetado das nulidades previstas no art. 615º, nº 1, als. c) e d),
aplicável ex vi arts 666º, nº 1 e 685º, todos do C.P. Civil.

E a este respeito diremos que a resposta não pode deixar de ser


negativa.
Desde logo, porque basta atentar no ponto 3.2.4. do acórdão ora sob
censura  para facilmente se constatar que o que aí se afirmou foi que,
inexistindo  qualquer relação de   “ prejudicialidade lógica” entre a
decisão proferida na ação  nº 230/14.8T8VRL e o objeto da presente
ação, os fundamentos daquela  primeira  decisão não  gozam de força
de caso julgado, para o efeito de se extrair deles  outras consequências
além das contidas naquela decisão final, não condicionando, por isso, a
apreciação  do objeto desta ação e que, tal como já se havia deixado
dito no ponto 3.2.2, o Tribunal da Relação  não estava impedido de
socorrer-se e valorar a prova documental referente aos   IMIs debitados
à ré  em data anterior a Setembro de 2011, para formar a sua  convicção
 e com base nela  fundamentar as alterações introduzidas  nos pontos 7º
e 35º dos factos dados como provados pelo Tribunal de 1ª Instância.
Mas sendo assim, como é de facto, não se vislumbra que o acórdão
proferido padeça de qualquer contradição entre os fundamentos e a
decisão ou de excesso de pronúncia, carecendo de total fundamento as
nulidades invocadas pela recorrente.

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III – Decisão
Pelo exposto, acordam os Juízes deste Supremo Tribunal em julgar
improcedentes as invocadas nulidades.
Custas pela recorrente, fixando-se a taxa de justiça em 4 UC.
Notifique.
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Nos termos do art. 15º-A do DL nº 10-A, de 13-3, aditado pelo DL nº


20/20, de 1-5, declaro que o presente acórdão tem o voto de
conformidade da Exmª. Senhora Conselheira Catarina Serra e do Exmº
Senhor Conselheiro João Cura Mariano que compõem este coletivo.

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Supremo Tribunal de Justiça, 23 de setembro de 2021


Maria Rosa Oliveira Tching
Catarina Serra

Cura Mariano