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LEGISLAÇÃO PENAL ESPECIAL

Juizados Especiais Criminais I


Renato Brasileiro de Lima
Aula 01

ROTEIRO DE AULA

JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS I

1. Previsão Constitucional.

Constituição Federal

Art. 98. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:


I - juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a
conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais
de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo, permitidos, nas
hipóteses previstas em lei, a transação e o julgamento de recursos por turmas de juízes de
primeiro grau;

=> A competência está vinculada às infrações de menor potencial ofensivo (IMPO).


=> Adotado o princípio da oralidade; primazia da palavra falada sobre a palavra escrita.
=> A transação representa a introdução de uma jurisdição consensual (ex. transação penal,
composição dos danos civis, suspensão condicional, etc).
=> As turmas de juízes de primeiro grau são as Turmas Recursais (economia processual).

Art. 98. (...)


§1º Lei federal disporá sobre a criação de juizados especiais no âmbito da Justiça Federal.

=> Lei n. 10.259/01

1.1. Constitucionalidade da Lei 9.099/95.

=> 1ª Corrente: Inconstitucionalidade


=> Alberto Silva Franco
=> Aduz que as transações e neociações no processo penal violam a Constituição.

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=> 2ª Corrente: Constitucionalide
=> A própria Constituição autoriza a transação penal.
=> A transação jamais poderá envolver o cumprimento de pena privativa de liberdade, mas sim
apenas pena restritiva de direitos.

=> Jurisprudência:

STF: “(...) LEI N. 9.099/95 - CONSAGRAÇÃO DE MEDIDAS DESPENALIZADORAS - NORMAS BENEFICAS -


RETROATIVIDADE VIRTUAL. - Os processos tecnicos de despenalização abrangem, no plano do direito
positivo, tanto as medidas que permitem afastar a propria incidencia da sanção penal quanto aquelas
que, inspiradas no postulado da minima intervenção penal, tem por objetivo evitar que a pena seja
aplicada, como ocorre na hipótese de conversão da ação pública incondicionada em ação penal
dependente de representação do
ofendido (Lei n. 9.099/95, arts. 88 e 91). (...)
(...) A Lei n. 9.099/95, que constitui o estatuto disciplinador dos Juizados Especiais, mais do que a
regulamentação normativa desses órgãos judiciarios de primeira instância, importou em expressiva
transformação do panorama penal vigente no Brasil, criando instrumentos destinados a viabilizar,
juridicamente, processos de despenalização, com a inequivoca finalidade de forjar um novo modelo
de Justiça criminal, que privilegie a ampliação do espaco de consenso, valorizando, desse modo, na
definição das controversias oriundas do ilicito criminal, a adoção de soluções fundadas na propria
vontade dos sujeitos que integram a relação processual penal. (...)
(...) Esse novíssimo estatuto normativo, ao conferir expressão formal e positiva as premissas
ideológicas que dão suporte as medidas despenalizadoras previstas na Lei n. 9.099/95, atribui, de
modo consequente, especial primazia aos institutos (a) da composição civil (art. 74, paragrafo único),
(b) da transação penal (art. 76), (c) da representação nos delitos de lesões culposas ou dolosas de
natureza leve (arts. 88 e 91) e (d) da suspensão condicional do processo (art. 89). As prescrições que
consagram as medidas despenalizadoras em causa qualificam-se como normas penais beneficas,
necessariamente impulsionadas, quanto a sua aplicabilidade, pelo princípio constitucional que impõe
a lex mitior uma insuprimivel carga de retroatividade virtual e, também, de incidencia imediata”.
(STF, Pleno, Inq. 1.055/ QO/AM, Rel. Min. Celso de Mello, j. 24/04/1996).

=> Aplicação retroativa.

2. Critérios orientadores e finalidades dos Juizados.

Lei n. 9.099/95
Art. 62. O processo perante o Juizado Especial orientar-se-á pelos critérios da oralidade,
simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade, objetivando, sempre que possível, a
reparação dos danos sofridos pela vítima e a aplicação de pena não privativa de liberdade. (Redação
dada pela Lei n. 13.603/18).

=> Alteração em 10/01/2018, que acrescentou o princípio da simplicidade.

a. Princípio da oralidade: deve se dar preferência à palavra falada sobre a escrita, sem que esta seja
excluída;

=> Ex: Denúncia Oral.

Lei n. 9.099/95

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Art. 77. Na ação penal de iniciativa pública, quando não houver aplicação de pena, pela ausência do
autor do fato, ou pela não ocorrência da hipótese prevista no art. 76 desta Lei, o Ministério Público
oferecerá ao Juiz, de imediato, denúncia oral, se não houver necessidade de diligências
imprescindíveis.

=> Deste princípio derivam 4 (quatro) subprincípios.

a.1. Princípio da concentração: consiste na tentativa de redução do procedimento a uma única


audiência, objetivando encurtar o lapso temporal entre a data do fato e a do julgamento;

=> Concentrar todos os atos processuais em uma única audiência.


=> Atende à celeridade, economia processual e busca da verdade.

a.2. Princípio do imediatismo: deve o juiz proceder diretamente à colheita de todas as provas, em
contato imediato com as partes;

=> O contato imediato poderá ser físico/real (sala de audiência) ou remoto/virtual


(videoconferência).

a.3. Princípio da irrecorribilidade das decisões interlocutórias: pelo menos em regra, as decisões
interlocutórias não são recorríveis;

=> O fato de eventual de eventual decisão interlocutória não ser recorrível não impede sua arguição
como preliminar de futura e eventual apelação (ex. nulidade por cerceamento de defesa).

a.4. Princípio da identidade física do juiz: o juiz que presidir a instrução deverá, pelo menos em regra,
proferir sentença;

=> Deixou de existir no Novo Código de Processo Civil, o qual não poderá revogar legislação
processual penal, mas apenas preencher lacunas.
=> Permanece válido no processo penal.

b. Princípio da simplicidade: procura-se diminuir o quanto possível a massa dos materiais que são
juntados aos autos do processo sem que se prejudique o resultado final da prestação jurisdicional;

=> Ex: Comprovação da materialidade do delito para oferecimento da denúncia.


=> Art. 158 do Código de Processo Penal.

Lei n. 9.099/95
Art. 77. (...)
§ 1º Para o oferecimento da denúncia, que será elaborada com base no termo de ocorrência
referido no art. 69 desta Lei, com dispensa do inquérito policial, prescindir-se-á do exame do corpo
de delito quando a materialidade do crime estiver aferida por boletim médico ou prova equivalente.

=> A posição majoritária da doutrina entende que o exame de corpo de delito não é necessário para
o oferecimento da denúncia, mas o será por ocasião da sentença.
=> Mediante interpretação extensiva tem-se a desnecessidade do corpo de delito inclusive para a
sentença.

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c. Princípio da informalidade: não há necessidade de se adotar formas sacramentais, nem tampouco
de se observar o rigorismo formal do processo, desde que a finalidade do ato processual seja
atingida;

=> Instrumentalidade das formas.


=> Preza pelo atingimento da finalidade do ato.

=> Ex: Desnecessidade de degravação de depoimentos.

Lei n. 9.099/95
Art. 65. Os atos processuais serão válidos sempre que preencherem as finalidades para as quais
foram realizados, atendidos os critérios indicados no art. 62 desta Lei.
§1º Não se pronunciará qualquer nulidade sem que tenha havido prejuízo.
§2º A prática de atos processuais em outras comarcas poderá ser solicitada por qualquer meio hábil
de comunicação.
§3º Serão objeto de registro escrito exclusivamente os atos havidos por essenciais. Os atos realizados
em audiência de instrução e julgamento poderão ser gravados em fita magnética ou equivalente.

d. Princípio da economia processual: entre duas alternativas igualmente válidas, deve se optar pela
menos onerosa às partes e ao próprio Estado;

e. Princípio da celeridade processual: guarda relação com a necessidade de rapidez e agilidade do


processo, objetivando-se atingir a prestação jurisdicional no menor tempo possível;

=> Garantia da razoável duração do processo.

Slide Adicional

=> Art. 12-A da Lei n. 9.099/95 (incluído pela Lei n. 13.728/18)

“Art. 12-A. Na contagem de prazo em dias, estabelecido por lei ou pelo juiz, para a prática de
qualquer ato processual, inclusive para a interposição de recursos, computar-se-ão somente os dias
úteis.”

=> Objetivo da alteração na legislação foi assemelhar os procedimentos dos Juizados Cíveis e o Novo
CPC.
=> A contagem em dias úteis não se aplica ao processo penal, uma vez que a inovação normativa foi
introduzida apenas no capítulo que trata dos Juizados Especiais Cíveis, bem como o CPP possui
disposição expressa no sentido de que não são computados apenas dias úteis.

3. Competência dos Juizados Especiais Criminais.

a. Natureza da infração penal:


=> Infração de Menor Potencial Ofensivo (IMPO).

b. Inexistência de circunstâncias que desloquem a competência para o juízo comum;

b.1. Conexão e continência;

=> Ex: Ameaça (1 a 6 meses) em conexão com homicídio (12 a 30 anos).

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=> Inexistindo conexão, o homicídio seria de competência do Tribunal do Júri e a ameaça do JECRIM.
=> Havendo conexão, ambos os delitos serão de competência do Tribunal do Júri.

Lei 9.099/95
Art. 60. O Juizado Especial Criminal, provido por juízes togados ou togados e leigos, tem
competência para a conciliação, o julgamento e a execução das infrações penais de menor potencial
ofensivo, respeitadas as regras de conexão e continência. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de
2006)
Parágrafo único. Na reunião de processos, perante o juízo comum ou o tribunal do júri,
decorrentes da aplicação das regras de conexão e continência, observar-se-ão os institutos da
transação penal e da composição dos danos civis. (Incluído pela Lei nº 11.313, de 2006)

=> Preenchidos os pressuposto legais, o deslocamento de competência não impede a aplicação dos
institutos de transação penal e composição dos danos civis.

b.2. Impossibilidade de citação pessoal:

=> O JECRIM não admite citação por edital.

Lei 9.099/95
Art. 66. A citação será pessoal e far-se-á no próprio Juizado, sempre que possível, ou por mandado.
Parágrafo único. Não encontrado o acusado para ser citado, o Juiz encaminhará as peças existentes
ao Juízo comum para adoção do procedimento previsto em lei.

=> Encontrado o indivíduo após a remessa dos autos, este não retorna ao Juizado Especial.
=> Eventual recurso será julgado pelo Tribunal de Justiça e não por Turma Recursal.

b.3. Complexidade da causa:

Lei 9.099/95
Art. 77 (...)
2º Se a complexidade ou circunstâncias do caso não permitirem a formulação da denúncia, o
Ministério Público poderá requerer ao Juiz o encaminhamento das peças existentes, na forma do
parágrafo único do art. 66 desta Lei.

=> Ex: Prova pericial complexa ou grande número de acusados.

3.1. Natureza da competência dos Juizados.

=> 1ª Corrente: Natureza Absoluta


=> Eventual violação acarreta em nulidade absoluta, que poderá ser arguida a qualquer momento,
inclusive após trânsito em julgado.
=> Gustavo Badaró, Ana Pellegrini e Julio Mirabete

=> 2ª Corrente (prevalente): Natureza Relativa


=> Nulidade relativa.
=> Prevalência dos atos e institutos despenalizadores sobre a “competência” de julgamento.
=> Arguição tempestiva.

4. Infração de menor potencial ofensivo.

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=> Conceito alterado no decorrer do tempo.

Redação original do art. 61 da Lei 9.099/95:


Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a um ano,
excetuados os casos em que a lei preveja procedimento especial.

Lei 10.259/01
Art. 2º Compete ao Juizado Especial Federal Criminal processar e julgar os feitos de competência da
Justiça Federal relativos às infrações de menor potencial ofensivo.
Parágrafo único. Consideram-se infrações de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, os
crimes a que a lei comine pena máxima não superior a dois anos, ou multa.

a) Sistema unitário;
=> Prevalente à época.
=> Revogação tácita do art. 61: mesmo conceito para o JECRIM estadual e federal.

b) Sistema bipartido;
=> Dois conceitos de IMPO: uma para o JECRIM estadual e outro para o JECRIM federal.

=> Redação atual:


Lei n. 9.099/95
Art. 61. Consideram-se infrações penais de menor potencial ofensivo, para os efeitos desta Lei, as
contravenções penais e os crimes a que a lei comine pena máxima não superior a 2 (dois) anos,
cumulada ou não com multa. (Redação dada pela Lei nº 11.313, de 2006)

=> Não há ressalva aos procedimentos especiais.

=> Conceito:
- Infração de menor potencial ofensivo: contravenções e crimes com pena máxima não superior a 2
anos, cumulada ou não com multa, submetidos ou não a procedimento especial, ressalvadas as
hipóteses praticadas no contexto da violência doméstica e familiar contra a mulher;

=> Art. 41 da Lei n. 11.340/06

4.1. Infração de ofensividade insignificante, infração de médio potencial ofensivo e infração de


máximo potencial ofensivo.

=> Insignificante: aplica-se o princípio da insignificância e a excludente da tipicidade.


=> Médio Potencial: admite suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei n. 9.099/95); pena
mímina igual ou inferior a 1 ano.
=> Máximo Potencial: não admite suspensão condicional do; pena mímina superior a 1 ano.
=> Ínfimo Potencial: refere-se ao art. 28 da Lei n. 11.343/06 (Lei de Drogas); embora seja crime, não é
cominada pena privativa de liberdade.

- Pressupostos para a aplicação do princípio da insignificância:


a) Mínima ofensividade da conduta do agente;
b) Nenhuma periculosidade social da ação;
c) Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;

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d) Inexpressividade da lesão jurídica provocada.

4.2. Estatuto do Idoso (Lei 10.741/03).

Lei n. 10.741/03
Art. 94. Aos crimes previstos nesta Lei, cuja pena máxima privativa de liberdade não
ultrapasse 4 (quatro) anos, aplica-se o procedimento previsto na Lei no 9.099, de 26 de
setembro de 1995, e, subsidiariamente, no que couber, as disposições do Código Penal e do Código
de Processo Penal. (Vide ADI 3.096-5 - STF).

=> Quando da publicação da Lei, houve quem tivesse sugerido a introdução de um novo conceito de
IMPO. Entendimento não prevaleceu em decorrência de especialidade da norma, que protege idoso.

=> Crime com pena máima não superior a 2 anos – JECRIM (institutos despenalizadores).
=> Crime com pena máxima superior a 2 anos e não superior a 4 anos – Juízo Comum (procedimento
sumaríssimo).
=> Crime com pena máxima superior a 4 anos – Juízo Comum (procedimento ordinário).

4.3. Acusados com Foro por Prerrogativa de Função.

=> Ex: Crime de lesão corporal leve cometido por Deputado no exercício das funções
=> Deve ser respeitada a competência originária dos tribunais, sem prejuízo da aplicação da Lei n.
9.099/95.

4.4. Crimes Eleitorais.

=> Julgamento pela Justiça Eleitoral, sem prejuízo da aplicação da Lei n. 9.099/95.

=> Ressalva: se o crime eleitoral em questão tiver sistema punitivo especial.


=> Ex:
CE.
Art. 334. Utilizar organização comercial de vendas, distribuição de mercadorias, prêmios e sorteios
para propaganda ou aliciamento de eleitores:
Pena - detenção de seis meses a um ano e cassação do registro se o responsável for
candidato.

4.5. Instrumentos de menor potencial ofensivo.

=> Instrumentos não letais (ex: gás de pimenta, teaser, etc).

Lei n. 13.060 (vigência em 23/12/2014)


Art. 4º Para os efeitos desta Lei, consideram-se instrumentos de menor potencial ofensivo aqueles
projetados especificamente para, com baixa probabilidade de causar mortes ou lesões permanentes,
conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas.

Lei n. 13.060/14

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Art. 2º Os órgãos de segurança pública deverão priorizar a utilização dos instrumentos de menor
potencial ofensivo, desde que o seu uso não coloque em risco a integridade física ou psíquica dos
policiais, e deverão obedecer aos seguintes princípios:
I - legalidade;
II - necessidade;
III - razoabilidade e proporcionalidade.

Lei n. 13.060/14
Art. 2º (...)
Parágrafo único. Não é legítimo o uso de arma de fogo:
I - contra pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não represente risco imediato de morte ou
de lesão aos agentes de segurança pública ou a terceiros; e
II - contra veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, exceto quando o ato represente
risco de morte ou lesão aos agentes de segurança pública ou a terceiros.

4.6. Violência doméstica e familiar contra a mulher.


=> Obs: “Lei Maria da Penha” será objeto de aula específica.

Lei 11.340/06.
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher,
independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099, de 26 de setembro de 1995.

=> O STF entende que se aplica, inclusive, a contravenções penais.


=> Arts. 5º e 7º + Sujeito Passivo Mulher.
=> Não se aplica a Lei n. 9.099/95 (STF entendeu que a vedação é constitucional).

Lei 11.340/06
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra a mulher qualquer
ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou
psicológico e dano moral ou patrimonial:
I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de
pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas;

Art. 5º (...)
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se
consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a
ofendida, independentemente de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de orientação sexual.
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre outras:
I - a violência física, entendida como qualquer conduta que ofenda sua integridade ou saúde
corporal;

Art. 7º (...)
II - a violência psicológica, entendida como qualquer conduta que lhe cause dano emocional e
diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise
degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz,
insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro
meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação;

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Art. 7º (...)
III - a violência sexual, entendida como qualquer conduta que a constranja a presenciar, a manter ou
a participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força;
que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar
qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à
prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o
exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;

Art. 7º (...)
IV - a violência patrimonial, entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração,
destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens,
valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;

Art. 7º (...)
V - a violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria

=> Jurisprudência:

STF: “(...) AÇÃO PENAL – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA A MULHER – LESÃO CORPORAL –
NATUREZA. A ação penal relativa a lesão corporal resultante de violência doméstica contra a mulher
é pública incondicionada – considerações”. (STF, Pleno, ADI 4.424/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j.
09/02/2012).

STF: “(...) VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LEI Nº 11.340/06 – GÊNEROS MASCULINO E FEMININO –


TRATAMENTO DIFERENCIADO. O artigo 1º da Lei nº 11.340/06 surge, sob o ângulo do tratamento
diferenciado entre os gêneros – mulher e homem –, harmônica com a Constituição Federal, no que
necessária a proteção ante as peculiaridades física e moral da mulher e a cultura brasileira.
COMPETÊNCIA – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA – LEI Nº 11.340/06 – JUIZADOS DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E
FAMILIAR CONTRA A MULHER. O artigo 33 da Lei nº 11.340/06, no que revela a conveniência de
criação dos juizados de violência doméstica e familiar contra a mulher, não implica usurpação da
competência normativa dos estados quanto à própria organização judiciária. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
E FAMILIAR CONTRA A MULHER – REGÊNCIA – LEI Nº 9.099/95 – AFASTAMENTO. O artigo 41 da Lei
nº 11.340/06, a afastar, nos crimes de violência doméstica contra a mulher, a Lei nº 9.099/95,
mostra-se em consonância com o disposto no § 8º do artigo 226 da Carta da República, a prever a
obrigatoriedade de o Estado adotar mecanismos que coíbam a violência no âmbito das relações
familiares”. (STF, Pleno, ADC 19/DF, Rel. Min. Marco Aurélio, j. 09/02/2012).

Súmula 536 do STJ: “A suspensão condicional do processo e a transação penal não se aplicam na
hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da Penha”. Terceira Seção, aprovada em 10/6/2015,
DJe 15/6/2015.

Súmula n. 542 do STJ: “A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência
doméstica e familiar contra a mulher é pública incondicionada”;

4.6.1. Juizados de Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher.

Lei 11.340/06.

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Art. 14. Os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, órgãos da Justiça Ordinária
com competência cível e criminal, poderão ser criados pela União, no Distrito Federal e nos
Territórios, e pelos Estados, para o processo, o julgamento e a execução das causas decorrentes da
prática de violência doméstica e familiar contra a mulher.

Parágrafo único. Os atos processuais poderão realizar-se em horário noturno, conforme


dispuserem as normas de organização judiciária.

=> O termo Juizado é inadequado e deve ser interpretado como Varas Especializadas.
=> Não viola a auto-organização do Judiciário Estadual.

Art. 33. Enquanto não estruturados os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher,
as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar as causas
decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, observadas as previsões do
Título IV desta Lei, subsidiada pela legislação processual pertinente.

Parágrafo único. Será garantido o direito de preferência, nas varas criminais, para o processo e o
julgamento das causas referidas no caput.

=> Ex:

5.

Aplicação da Lei 9.099/95 na Justiça Militar.

=> Na redação original da Lei . 9.099/95 não havia vedação.


=> Alteração (vedação):

Lei 9.099/95.
Art. 90-A. As disposições desta Lei não se aplicam no âmbito da Justiça Militar. (Artigo incluído
pela Lei nº 9.839, de 27.9.1999)

=> Lex Gravior (lei penal mais gravosa); não retroage.


=> Constitucionalidade da vedação vem sendo questionada.
- Constitucional quando crime militar cometido por militar.
- Inconstitucinal quando crime militar cometido por civil.

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=> “Obter Dictum” (HC 99.743 – STF)

6. Competência Territorial.

CPP
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consumar a infração, ou,
no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último ato de execução.

=> Local da consumação.

Lei 9.099/95

Art. 63. A competência do Juizado será determinada pelo lugar em que foi praticada a infração penal.

=> Local da da conduta (entendimento prevalente).

7. Termo circunstanciado.

=> Os princípios da simplicidade e da economia processual são aplicáveis tanto na fase investigatória
quanto na fase judicial.
=> Em regra, o inquérito policial é dispensável.

Lei 9.099/95
Art. 69. A autoridade policial que tomar conhecimento da ocorrência lavrará termo circunstanciado e
o encaminhará imediatamente ao Juizado, com o autor do fato e a vítima, providenciando-se as
requisições dos exames periciais necessários.

Conceito: trata-se de um relatório sumário da infração de menor potencial ofensivo, contendo a


identificação das partes envolvidas, a menção à infração praticada, bem como todos os dados
básicos e fundamentais que possibilitem a perfeita individualização dos fatos, a indicação das provas,
visando à formação da opinio delicti pelo titular da ação penal.

7.1. Atribuições para a lavratura do Termo Circunstanciado.

=> Prevalece o entendimento de que a polícia militar não possui competência para lavrar Termo
Circunstanciado, uma vez que o termo possui natureza investigatória.

- Por ocasião do julgamento da ADI 3.614, concluiu a Suprema Corte que a lavratura de termos
circunstanciados pela Polícia Militar caracteriza hipótese de usurpação de atribuições exclusivas da
Polícia Judiciária, seja ela a Polícia Civil, seja ela a Polícia Federal. (STF, Pleno, ADI 3.614/PR, Rel. Min.
Cármen Lúcia, j. 20/09/2007, DJe 147 22/11/2007). Com entendimento semelhante: STF, 1ª Turma,
RE 702.617 AgR/AM, Rel. Min. Luiz Fux, j. 26/02/2013, DJe 54 20/03/2013.

7.2. Situação de Flagrante e Infrações de Menor Potencial Ofensivo.

Art. 69 (...)
Parágrafo único. Ao autor do fato que, após a lavratura do termo, for imediatamente encaminhado
ao juizado ou assumir o compromisso de a ele comparecer, não se imporá prisão em flagrante, nem
se exigirá fiança. Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela,

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seu afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima. (Redação dada pela Lei nº
10.455, de 13.5.2002)

=> Não cabe prisão em flagrante.


=> Parte da doutrina entende que a parte final do dispositivo foi revogada tacitamente pela Lei Maria
da Penha (“Em caso de violência doméstica, o juiz poderá determinar, como medida de cautela, seu
afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a vítima”).

=> Situação de flagrância – IMPO


- Captura do agente;
- Condução coercitiva à delegacia;
- Lavratura do Termo Circunstanciado (com compromisso de comparecimento ao JECRIM)
- Na hipótese de não assumir compromisso, será lavrado Auto de Prisão em Flagrante (sem prejuízo
de concessão de liberdade provisória com fiança; 322 CPP).

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