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Livro: Lévi-Straus, Claude.

Raça e História – Resumo/Síntese


Principais argumentos que criticam a idéia de uma história Linear.
Raça e Cultura
 A Humanidade se desenvolve através de modos extraordinariamente diversificados
de
sociedades e civilizações.
 As diversas civilizações não se desenvolveram em nenhum momento dado ao seu
“plano
Biológico”
 Constatações que corroboram estas afirmações: 1) Existem mais culturas do que
raças; 2)
As culturas estão ligadas ao local(espaço geográfico) que cada raça ocupa.
 Como explicar que os homens da raça branca tenham feitos imensos progressos?
(Mas que
tipos de progressos foram estes sociais?econômicos?culturais? será?)
 1º Argumento: A diversidade cultural.
Diversidade das Culturas.
 2º Argumento: A História das culturas limita-se a documentos escritos. Não há como
registrar (pelo menos pela nossa ciência) argumentos orais ou...(p. 14)
 O contato com subculturas faz com que ocorra a evolução. (p. 18) pelas comparações
se dá
a evolução. ( Mas as pesquisas que comprovaram que a evolução se deu numa mesma
época
em macacos em diferentes lugares)
Nossa realidade cultural não admite diversidade – Etnocentrismo . (p. 20)
 3º argumento: O Etnocentrismo nas pesquisas
 Mesmo que o darwinismo explique a evolução biológica – Na questão cultural tudo
se
complica. (p. 26)
Culturas Arcaicas e Culturas primárias
 4º Argumento: Todas as culturas tiveram progressos. Não encontramos “povos
primitivos” na expressão ocidental do termo. Não existem povos crianças. (p. 35)
A Idéia de progresso
 5º Argumento: Várias civilizações progrediram sem necessáriamente subir os
mesmos
degraus. ( Afinal o que é progresso? Não podemos querer que progresso seja uma
escada que
segue uma seqüência lógica e linear sempre no mesmo sentido)
História Estacionária e História Cumulativa
6 º Argumento: Todos os homens/civilização possuem uma trajetória própria na
história que lhe é original e particular com valores diversos.Lugar da Civilização
ocidental
 As culturas reconhecem a superioridade da cultura ocidental?.( Será???!!)(p.57)
 Todos querem a cultura ocidental???(p. 58)- INTERROGAÇÕES MINHAS
Acaso e Civilização
7º Argumento: A Cultura ocidental é recente na história geológica da terra (representa
meio milésimo da vida decorrida da humanidade e nada diz que ela modificará
totalmente a sua significação (p. 71)
 “Todos os povos possuem e transformam , melhoram e esquecem técnicas
suficientemene
complexa que lhes permitem dominar o meio”(p 75)
 8 º Argumento: A Humanidade não evoluiu em sentido único (p. 78)
 Definir Progresso e definir o gosto de cada um. (p. 78)
A colaboração das culturas
 Na verdade vivemos observando várias culturas. A somo de culturas. ( No Brasil
vivemos
na soma de várias culturas. O Banho dos índios, por exemplo)
Duplo sentido do progresso
 Todo o progresso cultural é uma coligação entre culturas.
 A relação/coligação entre dois grupos( dominantes e dominados) se faz também de
trocas
(p. 94)
 É preciso conservar a diversidade. (p.97)
A Obra de Levis-Straus ( por Jean Ponillon)
 A verdade é descontínua e nunca se manifesta em sua totalidade.
 O observador afeta e é afetado pelo objeto, quanto este é o homem.
 O fato não tem sentido muitas vezes, porque não o conhecemos seu

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mu
m,
não
dife
rem
da
mes
ma
for
ma
que
dua
s
soci
eda
des
que
em
nen
hu
m
mo
me
nto
do
seu
des
env
olvi
me
nto
ma
ntiv
era
m
qua
isqu
er
rela
çõe
s.
Assi
m o
anti
go
imp
ério
dos
Inc
as,
noP
eru,
e o
do
Dao
mé,
na
Áfri
ca,
dife
rem
entr
e si
de
ma
neir
a
mai
sab
solu
ta
do
que
,
por
exe
mpl
o, a
Ingl
ater
ra e
os
Est
ado
s
Uni
dos
de
hoj
e,se
be
m
que
esta
s
dua
s
soci
eda
des
dev
am
tam

m
ser
trat
ada
s
co
mos
ocie
dad
es
dist
inta
s.
Inv
ersa
me
nte,
soci
eda
des
que
mui
to
rece
nte
me
nte
esta
bele
cera
m
um
con
tato
mui
to
inti
mo,
par
ece
m
ofer
ecer
a
ima
ge
m
deu
ma
e
mes
ma
civil
izaç
ão,
ain
da
que
a
ten
ha
m
atin
gid
o
por
cam
inh
osdi
fere
ntes
,
que
não
tem
os o
dire
ito
de
negl
ige
ncia
r.
Ope
ram
sim
ulta
nea
me
nte,
nas
soci
eda
des
hu
ma
nas,
forç
as
que
atu
am
em
dire
çõe
s
opo
stas
,
um
as
ten
den
do
par
a a
ma
nut
enç
ão e
mes
mo
par
aa
3
ace
ntu
açã
o
dos
part
icul
aris
mos
,
outr
as
agi
ndo
no
sent
ido
dac
onv
erg
ênci
a e
da
afin
ida
de.
O
estu
do
da
ling
uag
em
ofer
ece
exe
mpl
oss
urp
ree
nde
ntes
de
tais
fen
ôm
eno
s.
Assi
m,
ao
mes
mo
tem
po
que
aslí
ngu
as
da
mes
ma
orig
em
têm
ten
dên
cia
par
a se
dife
ren
ciar
em
um
asd
as
outr
as
(tai
s
co
mo
o
russ
o, o
fran
cês
e o
ingl
ês),
líng
uas
de
orig
ens
dive
rsas
,
mas
fala
das
em
terr
itór
ios
con
tígu
os,
des
env
olve
mca
ract
erís
tica
s
co
mu
ns;
por
exe
mpl
o, o
russ
o
dife
ren
ciou
-se,
sob
det
erm
ina
dos
asp
ecto
s,
de
outr
as
líng
uas
esla
vas
par
a se
apr
oxi
mar
,pel
o
me
nos
por
det
erm
ina
dos
traç
os
fon
étic
os,
das
líng
uas
ugr
o-
finl
and
esas
e
turc
as
fala
das
na
sua
ime
diat
a
vizi
nha
nça
geo
gráf
ica.
Qu
and
o
estu
da
mos
tais
fato
s-e
outr
os
do
mín
ios
da
civil
izaç
ão,t
ais
co
mo
as
inst
itui
çõe
s
soci
ais,
a
arte
, a
reli
gião
que
forn
ecer
iam
facil
me
nte
exe
mpl
os
sem
elha
ntes
-
aca
ba
mos
por
per
gun
tar-
nos
se
ass
ocie
dad
es
hu
ma
nas
não
se
defi
ne
m, f
ace
às
sua
s
rela
çõe
s
mút
uas,
por
um
det
erm
ina
doo
ptim
um d
e
dive
rsid
ade
par
a
alé
m
do
qua
l
elas
não
pod
eria
m
ir,
mas
abai
xo
do
qua
l
tam

m
não
pod
em
des
cer
sem
peri
go.
Est
eopti
mum
vari
aria
em
fun
ção
do

mer
o
das
soci
eda
des,
da
suai
mp
ortâ
ncia
nu
mér
ica,
do
seu
afas
tam
ent
o
geo
gráf
ico
e
dos
mei
os
dec
om
uni
caç
ão
(ma
teri
ais
e
inte
lect
uais
) de
que
disp
õe
m.
Co
m
efei
to,
opr
oble
ma
da
dive
rsid
ade
não
se
põe
ape
nas
a
pro
pósi
to
das
cult
ura
sen
cara
das
nas
sua
s
rela
çõe
s
recí
pro
cas,
exis
te
no
seio
de
cad
aso
cied
ade,
em
tod
os
os
gru
pos
que
a
con
stit
ue
m:
clas
ses,
mei
osp
rofi
ssio
nais
ou
con
fess
ion
ais,
etc.,
des
env
olve
m
det
erm
ina
das
dife
ren
ças
às
qua
is
cad
a
um
a de
las
atri
bui
um
a ex
tre
ma
imp
ortâ
ncia
.Po
de
mos
per
gun
tar-
nos
se
esta
diver
sifica
ção i
nter
na
não
ten
de
aau
me
ntar
qua
ndo
a
soci
eda
de
se
tor
na,
sob
outr
as
rela
çõe
s,
mai
svol
um
osa
e
mai
s
ho
mo
gên
ea;
esse
foi
talv
ez o
cas
o da
Índi
a
anti
ga,c
om
o
seu
sist
ema
de
cast
as a
des
env
olve
r-se
apó
s o
esta
bele
cim
ent
o
dah
ege
mo
nia
aria
na.
Ve
mos
,
pois
,
que
a
noç
ão
da
dive
rsid
ade
das
cult
ura
s
hu
ma
nas
não
dev
e
ser
con
cebi
da
de
um
am
anei
ra
está
tica.
Est
a
dive
rsid
ade
não
éa
mes
ma
que
é
dad
a
por
um
cort
e de
am
ostr
as
iner
te
ou
por
um
catá
log
o
diss
eca
do.
É
ind
ubit
ável
que
os
ho
me
ns
elab
orar
am
cult
ura
sdif
ere
ntes
em
virt
ude
do
seu
afas
tam
ent
o
geo
gráf
ico,
das
pro
prie
dad
es
part
icul
ares
do
mei
o e
da
ign
orâ
ncia
em
que
se
enc
ont
rav
am
em
rela
ção
ao
rest
o da
hu
ma
nid
ade,
mas
isso

seri
a
rigo
ros
ame
nte
ver
dad
eiro
sec
ada
cult
ura
ou
cad
a
soci
eda
de
esti
vess
e
liga
da e
se
tive
sse
des
env
olvi
do
no
isol
ame
nto
de
tod
as
as
outr
as.
Ora
,
isso
nun
caa
con
tece
u,
salv
o
talv
ez
em
cas
os
exc
epci
ona
is
co
mo
o
dos
Tas
ma
nia
nos
(e
ain
da

par
a
um
perí
odo
limi
tad
o).
As s
ocie
dad
esh
um
ana
s
nun
ca
se
enc
ont
ram
isol
ada
s;
qua
ndo
par
ece
m
mai
s
sep
ara
das,
é
ain
da
sob
a
for
ma
de
gru
pos
ou
de
feix
es.
Assi
m
não
é
exa
ger
o
sup
orq
ue
as
cult
ura
s
nor
te-
ame
rica
nas
e as
sul-
ame
rica
nas
ten
ha
mp
erm
ane
cido
sep
ara
das
de
qua
se
tod
o o
con
tato
co
m o
rest
o
do
mu
ndo
dur
ant
e
um
perí
odo
cuja
dur
açã
o se
situ
a
entr
e
dez
mil
e
vint
e e
cinc
omi
l
ano
s.
Mas
este
gra
nde
frag
me
nto
da
hu
ma
nid
ade
sep
ara
do
con
sisti
anu
ma
mul
tidã
o de
soci
eda
des
gra
nde
s e
peq
uen
as,
que
ma
ntin
ha
m
entr
esi
con
tato
s
mui
to
estr
eito
s. E
ao
lad
o
das
dife
ren
ças
devi
das
aois
ola
me
nto,
exis
tem
aqu
elas
,
tam

m
imp
orta
ntes
,
devi
das
àpr
oxi
mid
ade
:
des
ejo
de
opo
siçã
o,
de
se
dist
ing
uire
m,
de
sere
m
elas
pró
pria
s.
Mui
tos
cost
um
es
nas
cera
m,
não
de
qua
lqu
er
nec
essi
dad
eint
ern
a ou
acid
ent
e
favo
ráv
el,
mas
ape
nas
da
von
tad
e de
não
per
ma
nec
ere
m
atra
sad
os
em
rela
ção
a
um
gru
po
vizi
nho
que
sub
met
ia
au
m
uso
pre
ciso
um
do
mín
io
em
que
ne
m
seq
uer
se
hav
ia
son
had
oest
abel
ecer
leis.
Por
con
seg
uint
e, a
dive
rsid
ade
das
cult
ura
s
hu
ma
nas
não
nos
dev
e
ind
uzir
a
um
a ob
serv
açã
o
frag
me
ntár
ia
ou
frag
me
nta
da.
Ela
é
me
nos
fun
ção
do
isol
ame
nto
dos
gru
pos
que
das
rela
çõe
s
que
osu
ne
m.
3
O
Etn
oce
ntri
smo
E,
no
ent
ant
o,
par
ece
que
a
dive
rsid
ade
das
cult
ura
s
rara
me
ntes
urgi
u
aos
ho
me
ns
tal
co
mo
é:
um
fen
ôm
eno
nat
ural
,
res
ulta
nte
das
rela
çõe
s
dire
tas
ou
indi
reta
s
entr
e as
soci
eda
des;
sem
pre
se
viu
nela
,