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UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO

GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO

MARKETING DE DIFERENCIAÇÃO

NOME DOS INTEGRANTES

Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao


Curso de Graduação em Administração da
Universidade Nove de Julho, Unidade Inserir,
mediante orientação do Prof. Dr. Inserir.

São Paulo
2017
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RESUMO: A preocupação básica deste estudo é refletir sobre como é possível utilizar o
marketing de diferenciação, baseado na inovação, fazendo com que a marca se destaque no
mercado e seja lembrada por seus consumidores, aumentando a carteira de clientes, resultando
em um faturamento fora do esperado, minimizando os efeitos da crise que o país tem
enfrentado. Por conseguinte, este artigo tem como objetivo analisar as principais definições de
inovação e diferenciação. No desenrolar do trabalho se investiga, com base em uma breve
revisão da literatura, sobre os conceitos da estratégia do oceano azul e o oceano vermelho e
quais os impactos desses conceitos na formulação de estratégias de marketing. Realizou-se
uma pesquisa bibliográfica considerando as contribuições de autores como: KIM &
MAUBORGNE (2005), SCHUMPETER (1982), MINTZBERG (2010), PORTER (1991) e
OSTERWALDER (2015), entre outros, procurando enfatizar a importância da diferenciação o
posicionamento da empresa no mercado globalizado. Concluiu-se que uma o marketing de
diferenciação é fator predominante nas organizações que valorizam desenvolvimento de
estratégias vencedoras, com base na inovação, uma vez que cria visibilidade para a marca,
além de fidelizar os seus clientes, alcançando assim, o sucesso tão desejado.

Palavras-chave: Estratégia competitiva. Oceano azul. Diferenciação. Inovação.


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1 INTRODUÇÃO

O Brasil vem enfrentando uma crise econômica e atualmente são mais de 10 milhões
de desempregados no país, segundo dados divulgados pelo IBGE. Milhares de pessoas estão
mudando de hábitos e consequentemente a sua rotina. Essa realidade tem feito com que cada
vez mais brasileiros façam uso da criatividade e abram um negócio próprio. Ter o negócio
próprio é uma oportunidade de realizar muitos sonhos antigos e atingir uma realização
pessoal.
Devido ao aumento da concorrência, uma empresa nova no mercado ou até mesmo
uma empresa existente, pode passar despercebido pelos clientes. Consumidores passam a dar
preferência para irem até uma determinada loja ou serviço mesmo que distante, ao invés de
frequentarem alguma que esteja próxima de suas residências, devido ao atendimento
diferenciado, qualidade superior do produto, eficácia da empresa com o consumidor.
O presente trabalho tem como tema analisar como é possível utilizar o marketing de
diferenciação, baseado na inovação, fazendo com que a marca se destaque no mercado e seja
lembrada por seus consumidores, aumentando a carteira de clientes, resultando em um
faturamento fora do esperado, minimizando os efeitos da crise que o país tem enfrentado.
Nessa perspectiva, construíram-se as seguintes questões que nortearam este trabalho:
 Analisar quais os principais conceitos de diferenciação e
inovação, com base na literatura de referência?
 Investigar, com base em uma breve revisão da literatura, sobre
os conceitos da estratégia do oceano azul e o oceano vermelho?
 Pesquisar quais os impactos dos princípios do oceano azul na
formulação de estratégias de marketing?
Nesse contexto, Chan Kim e Renée Mauborgne escreveram, no ano de 2005, o livro:
“A Estratégia do Oceano Azul - como criar novos mercados e tornar a concorrência
irrelevante”, que avalia o ponto de vista de empresas que se focaram na inovação e não na
batalha com os concorrentes. Desta maneira, os autores colocam o foco do empreendedor na
ação de detectar e explorar novos mercados que ainda se encontram livres de concorrentes.
Assim, a metodologia apregoada pelos dois autores apresenta uma série de ferramentas e entre
elas, se destacam oitos pontos fundamentais que devem ser seguidos por empreendedores que
desejam fugir do oceano vermelho, que é atribuído o mercado competitivo, para percorrer
com eficiência as calmas águas de um oceano azul da inovação.
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Desta maneira, o marketing de diferenciação assume uma grande importância em


como são analisados os mercados e no foco que o empreendedor deve dar ao seu negócio.
Empresas que adotam essa medida podem ter um destaque e um maior reconhecimento no
mercado. Esse é um dos fatores importantes; estar sempre em busca de inovações e estar
sempre de acordo com o que o mercado exige. Assim, quando uma estratégia de marketing de
diferenciação, com base na inovação, é bem aplicada, ela cria visibilidade para a marca, além
de fidelizar os seus clientes, alcançando assim o sucesso tão desejado.

2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

O objetivo principal deste artigo é, portanto, analisar como é possível utilizar o


marketing de diferenciação, baseado na concepção de inovação e nos conceitos levantados
pelos autores Chan Kim e Renée Mauborgne por meio do livro: “A Estratégia do Oceano
Azul - como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante”, publicado no Brasil
pela Editora Campus, em 2005.
Para alcançar os objetivos propostos, utilizou-se como recurso metodológico, a
pesquisa bibliográfica qualitativa, classificada como descritiva realizada a partir da leitura dos
autores de referência da área e a análise pormenorizada de materiais já publicados em revistas
digitais e ainda, artigos científicos, divulgados por meio eletrônico, através de três bases de
pesquisa: o Google Acadêmico disponível em: https://scholar.google.com.br/, o Spell, por
meio do site http://www.spell.org.br/ e o Scielo, com acesso pelo website
http://www.scielo.org/php/index.php.
Tendo em vista que o livro de Kim e Mauborgne foi publicado em 2005, os artigos e
revistas selecionados datam de 2005 a 2017 e tratam das palavras chaves: inovação, oceano
azul, diferenciação e estratégia competitiva. Já o software utilizado para a elaboração de
tabelas e figuras foi o Word 2017.
O texto final foi fundamentado nas ideias e concepções de autores como: KIM &
MAUBORGNE (2005), SCHUMPETER (1982), MINTZBERG (2010), PORTER (1991) e
OSTERWALDER (2015).
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3 RESULTADOS DA REVISÃO DE LITERATURA

Em resumo pode-se observar que, até a década de 70, as estratégias de crescimento das
empresas foram baseadas na existência de um negócio dominante e no aumento das vendas de
produtos ou a busca de novos mercados para esse negócio, tendo por foco a redução do custo
e a venda em valores de preço baixo.
Nas décadas de 70 e 80 há destaque para os pensadores da estratégia, como Michael
Porter. Assim, o foco passa a ser a definição da estratégia e a administração da estratégia. Para
tanto, a análise ambiental externa torna-se mais técnica e analítica. È desenvolvido o modelo
de análise das cinco forças competitivas desenvolvido por Porter (1991), que também
estabeleceu o conceito das estratégias genéricas de custo, diferenciação e enfoque e, ainda, de
cadeia de valor. Os executivos e os gestores assumem um papel mais ativo na formulação e na
execução da estratégia.
Nos anos 90 o crescimento das empresas teve por base os seus recursos e
competências, sendo que as empresas passaram a se focalizar em seus negócios principais,
especializando sua atuação. A abordagem do planejamento estratégico torna-se mais ampla e
sistêmica, sendo que a estratégia passa a ser tratada como um processo formal e deliberado.
Tem início o processo de integração entre o processo de planejamento e o controle da
execução. Incorpora-se à temática da estratégia a questão das competências essenciais, da
sustentabilidade ambiental e dos princípios e valores.
Após os anos 2000, o crescimento das empresas ultrapassou nos limites dos mercados
e passaram a depender de uma forte estratégia competitiva. Nesta fase são iniciados negócios
voltados totalmente para a inovação de um segmento e que na sua visão diferenciada,
extrapolam a competitividade dos mercados concorrentes. A execução da estratégia torna-se
um dos maiores desafios das organizações e é desenvolvido o Balanced Scorecard e a
inovação passa a ser um dos elementos mais importantes no processo de formulação de
estratégias. Nasce a estratégia do oceano azul, na qual foram identificadas empresas que
conseguiram obter a vantagem de custo e diferenciação, simultaneamente. Como se pode
observar na tabela 1, baixo, o conceito de estratégia evoluiu de uma abordagem fechada com
foco no crescimento da empresa, para uma abordagem mais dilatada, fundamentada na
competição. Se analisarmos o desenvolvimento dos mercados é possível verificar que o
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crescimento ocorria de forma natural, baseado apenas na competição por preços, e, a partir da
segunda metade do século, passou a considerar também a diferenciação dos produtos.

Tabela 1 – Desenvolvimento histórico de estratégias e autores de referência

Período Autor de referência Estratégias Competitivas


Antes de 1970 Ansoff (1965) e Chandler  Objetivo é a redução de custos corporativos.
(1962).  Estratégia do negócio baseada na busca de volume e
preço baixo.
 Crescimento corporativo baseado em um negócio
dominante;
 Produtos pouco diferenciados e de preço baixo.
Anos 70 e 80 Wrigley (1970), Rumelt (1974),  Redução do risco corporativo pelo investimento em
e Galbraith (1983). vários negócios.
 Crescimento corporativo baseado na diversificação de
negócios e da linha de produtos.
 Estratégia do negócio baseada na liderança de custo,
diferenciação e/ou foco na indústria.
 Estratégia de foco e posicionamento dos produtos.
Anos 1990 Hax & Majluf (1991), Porter  Estratégia corporativa baseada nas competências
(1991), Charan e Tichy (1998) essenciais da corporação.
Hamel e Prahalad (1995), Kaplan  Crescimento do negócio baseado em: penetração de
e Norton (1997). mercado; desenvolvimento/expansão para novos
mercados; desenvolvimento de novos produtos;
 Estratégia do negócio baseada no custo, diferenciação
e/ou foco;
 Estratégia de foco e posicionamento estratégico dos
produtos.
Depois de 2000 Chan Kim e Renée Mauborgne.  Estratégia do negócio baseada na diferenciação e
(2005), Mintzberg (2006), David inovação tecnológica de mercado.
Collis e Cintia Montgomery
(2008).
FONTE: Realizado pelo autor e adaptado do trabalho de Anselmo e Toledo (2003)1.

4 DISCUSSÕES TEÓRICAS

4.1 CONCEITOS DE INOVAÇÃO

Segundo o Relatório da DTI2, inovação é conceituada como:


“A exploração bem sucedida de novas ideias que envolvem investimentos em novos
produtos, processos ou serviços e em formas originais de fazer negócios. As
medidas para desenvolver a habilidades e a criatividade da força de trabalho são um
pré-requisito essencial, para que este movimento possa surgir. A velocidade de
mudança tecnológica do mercado faz com que o desafio de inovar e de encontrar
novas respostas seja urgente e continuo.”

1
ANSELMO, Estevão; TOLEDO, Geraldo Luciano. MARKETING ESTRATÉGICO: ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO E
COMPETITIVA um estudo de caso sobre a evolução dos conceitos em uma empresa metalúrgica. Semead: Estudo de Caso
Marketing. São Paulo, p. 01-15. mar. 2003.
2
DTI (2001), UK Business Clusters in the UK: A First Assessment, Publications du DTI, Londres. DTI (2003). Disponível em: <
http://webarchive.nationalarchives.gov.uk/+/http:/www.dti.gov.uk/files/file12093.pdf> Acesso em: 12 no. 2017.
7

Assim, a palavra inovação é um dos principais termos do novo século, não apenas no
mundo dos negócios, mas no mundo da tecnologia, da moda, da comunicação e das empresas.
Conforme o professor Sandro Cortezia (2017). A melhor forma de definir o que é,
realmente, inovação, é compreender o que ela não é. Portanto, uma nova ideia, não é
inovação, apesar de que uma ideia criativa pode ser o início para o desenvolvimento de uma
inovação. A partir de uma ideia, pode-se evoluir para seu desenvolvimento, criando um
protótipo, ou invenção. Porém a invenção, por si só, também não é inovação.
O pesquisador Schumpeter (1982) foi o primeiro a fazer essa distinção. Para ele as
inovações “não precisam necessariamente ser invenções, e as invenções, enquanto não forem
levadas à prática, são economicamente irrelevantes” (SCHUMPETER, 1982, p. 36). Desta
maneira, toda e invenção é uma solução técnica para viabilizar uma ideia, para suprir a uma
necessidade previamente existente.
Já o Manual de Oslo (2005)3, publicado pela Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico (OCDE), define inovação como:
“[...] a implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou um
processo, ou um novo método de marketing, ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, na
organização do local de trabalho ou nas relações externas” (MANUAL DE OSLO, 2005, p. 55).

À vista disso, Cortezia (2017) complementa:


“não basta inventar, desenvolver e lançar um produto no mercado, Os produtos
precisam ser aceitos pelos consumidores e gerar algum resultado para a organização.
A inovação é a implantação de ideias capazes de gerar valor para um negócio. Esse
valor gerado pode ser expresso através de diferentes formas, como: valor econômico
(lucro acima do esperado); valor estratégico (posicionamento de mercado, aumento
da fatia de mercado que a empresa detém); ou outra forma de valor que seja
relevante para a empresa.” (CORTEZIA, 2017 p.5).

Significa dizer que uma ideia somente não gera inovação, mas a inovação pode partir de uma
invenção ou pode ter origem em uma nova disposição de meios já existentes na organização,
porém, para que seja considerada inovação, ela deve, obrigatoriamente, ser implementada na
prática e agregar valor, produzindo resultados para a empresa. Desta forma, como
esquematizam as figuras abaixo, a inovação sempre agrega valor:

3
Oslo manual. Third edition, OECD and Eurostat, Paris. 2005. Disponível em:< http://www.finep.gov.br/images/apoio-e-
financiamento/manualoslo.pdf> Acesso em: 12 nov. 2017.
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Figura 1 Conceito de inovação

VALOR (produto,
INOVAÇÃ
INOVAÇÃ agrega abrangência, ou
O
O
implemeta originalidade)
implemeta
da
da

FONTE: Realizado pelo autor.

4.2 CONCEITOS DE MARKETING DE DIFERENCIAÇÃO

Para Kotler (1994, p. 269), diferenciação é "[...] o ato de desenhar um conjunto de


diferenças significativas para distinguir a oferta da empresa das ofertas dos concorrentes"
“[...]a diferenciação permite à organização cobrar um preço mais alto no produto embasado
no valor extra percebido e oferecido aos clientes”. O autor salienta que, existem quatro
maneiras de se pensar sobre a diferenciação da oferta de uma organização, uma vez que ela
poderá criar valor oferecendo: um produto ‘melhor’, um produto ‘mais novo’, um produto
‘mais rápido’ ou ainda, um produto ‘mais barato’.
A diferenciação pode ser compreendida também enquanto estratégica de marketing
para orientar as especificidades de um produto ou serviço, tendo em vista que os produtos não
irão satisfazer necessidades e desejos de todos os consumidores dos mercados globais. Por
conseguinte, o marketing de diferenciação consiste em um conjunto de estratégias e de planos
de promoção e divulgação que têm como objetivo principal arquitetar a capacidade de uma
marca de ser reconhecida como única perante a concorrência, em função de uma particular
diferenciação. Para tanto, é possível partir da segmentação no setor, do posicionamento dos
produtos ou da empresa, da inovação ou da qualidade de produtos, dos preços entre outros
fatores. Mais do que os diferenciais baseados em preço, Mintzberg (2006) apresenta
diferenciais baseados em imagem, qualidade, suporte e design, além de estratégias que
estendem a escala dos produtos oferecidos, tais como: penetração - baseada em promoção e
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propaganda para realizar mais vendas dentro de um mesmo mercado; pacote - oferecendo
soluções mais completas às necessidades de seus clientes, por exemplo, hardware e software;
desenvolvimento de mercado e/ou de produto - busca por novos mercados onde oferecer seus
produtos/serviços ou o desenvolvimento de novos produtos/serviços para oferecer nos
mercados atuais. Nesta abordagem também cabe à diversificação, caracterizada pelo
desenvolvimento de produtos e serviços novos para mercados novos.
Na figura abaixo, foi demonstrada a diferenciação em produto, canal, serviço, pessoal
e imagem, que são considerados os fatores de diversificação para o posicionamento de
marketing.

Figura 2 – Diferenciação e seus fatores

DIFERENCIAÇÃO

Produtos
Canal Serviço Pessoal Imagem

FONTE: Realizada pelo autor.

Assim, quando uma estratégia de marketing de diferenciação é bem executada, a


empresa gera confiabilidade para a marca e lealdade dos consumidores, atingindo os objetivos
organizacionais, uma vez que os concorrentes terão uma maior dificuldade em se estabelecer
no mercado. A diferenciação poderá abrir uma margem de lucro maior, conferindo mais poder
para lidar com parceiros e fornecedores devido à escassez de alternativas similares. São várias
as características de marketing de diferenciação, bem sucedido, são algumas delas se
encontram na tabela 2, abaixo:

Tabela 2 – Característica de diferenciação bem sucedida:

Exclusividade Valor Lucratividade Sustentabilidade


Os atributos da Os atributos da O preço mais O tempo em que
oferta são difíceis oferta justificam alto da oferta a oferta
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de copiar. um preço mais alto. compensa os diferenciada


custos. sobrevive no
mercado é maior.
FONTE: Realizada pelo autor.

4.3 OCEANO AZUL E OCEANO VERMELHO: O QUE SÃO E COMO NAVEGAR

A estratégia do oceano azul é o resultado de um longo estudo de 150 movimentos


estratégicos que foram pesquisados pelos autores Kim e Mauborgne. Este estudo analisou
mais de 30 indústrias durante os anos de 1880 a 2000. E, concluíram que, existe um universo
que pode ser explorado pelos empresários, fora do aparente e restrito mercado competitivo.
Desta maneira, os autores, denominaram os mercados de: oceano vermelho e oceano azul.
Para Kim e Mauborgne (2005), os oceanos vermelhos representam todos os setores
hoje existentes, é definido assim, o espaço de mercado conhecido. Já os oceanos azuis
abrangem todos os setores ainda não existentes hoje, sendo o espaço de mercado
desconhecido, ou não explorado.
Nos oceanos vermelhos são os espaços competitivos compostos por todos os setores
existentes atualmente. As fronteiras setoriais e as regras competitivas do mercado já são
conhecidas e as empresas tentam superar seus rivais para obter a maior fatia de demanda
existente. E, os oceanos azuis, em contraste, se caracterizam por espaços de mercado
inexplorados, pela criação de demanda e pelo crescimento altamente lucrativo. Nos oceanos
azuis a competição é irrelevante, pois as regras do jogo ainda não estão totalmente definidas,
conforme demonstrado abaixo:

Figura 3 - Diferenças entre o oceano azul e o oceano vermelho

Estratégia do oceano vermelho Estratégia do oceano azul


Competir nos espaços de mercado existentes Criar espaços de mercado inexplorados
Vencer os concorrentes Tornar a concorrência irrelevante
Aproveitar a demanda existente Criar e capturar a nova demanda
Exercer o trade-off valor-custo Romper o trade-off valor-custo
Alinhar todo o sistema de atividades da Alinha todo o sistema de atividades da
empresa com sua escolha estratégica de diferenciação empresa em busca da diferenciação e baixo
ou baixo custo custo.
FONTE: KIM E MAUBORGNE (2005).
Com base na premissa dos mercados-oceanos, os autores levantam uma série
de questões que são discutidas durante o transcorrer do livro, são elas: como uma empresa é
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capaz de transpor os limites do oceano vermelho da competição sangrenta? Como é possível


criar oceanos azuis? Será que existe uma abordagem sistemática para alcançar e sustentar alto
nível de desempenho?
Tentaremos abordar sinteticamente algumas respostas no capítulo 4.4.

4.4 IMPACTOS DOS PRINCÍPIOS DO OCEANO AZUL EM ESTRATÉGIAS DE

MARKETING

O livro de Kim e Mauborgne (2005) revela que o “movimento estratégico” é a unidade


de analise adequada para explicar a criação de oceanos azuis e sustentação de alto
desempenho. Para eles o movimento estratégico é:
“um conjunto de decisões e ações gerenciais que resultam em importantes
produtos e serviços capazes de criar novos mercados". [...] “Os movimentos
estratégicos analisados envolvem grandes historias de crescimento lucrativo,
assim como relatos instigantes de oportunidades perdidas por empresas que
ficaram à deriva em oceanos vermelhos.” KIM e MAUBORGNE (2005 p. 35).

Na análise do livro em questão os autores informam que não identificaram nenhuma


empresa ou setor que se pautasse pela excelência perpétua, mas sim, por um padrão comum e
constante entre os movimentos estratégicos para criação e exploração de oceanos azuis. Este
padrão é chamado de inovação de valor que é a pedra angular da estratégia do oceano azul,
sendo que a diferença entre os vencedores e os perdedores na criação de oceanos azuis, foi à
maneira como eles encaravam a estratégia.
As empresas perdedoras adotavam uma abordagem convencional, empenhando-se
para construção de posições defensáveis. E, por outro lado, as empresas criadoras de oceanos
azuis não recorreram aos concorrentes como paradigmas. Em vez disso, adotaram uma lógica
estratégica distinta, que foi conceituada pelos pesquisadores como a inovação de valor.
Segundo Kim e Mauborgne (2005), a inovação de valor atribui uma correlação entre
os fatores: valor e inovação. Desta forma, para eles:
“Valor sem inovação tende a concentrar-se na criação de valor em escala
incremental, algo que aumenta valor, mas não é suficiente para sobressair-se no
mercado. Inovação sem valor tende a ser movida a tecnologia, promovendo
pioneirismos ou futurismos que talvez se situem além do que os compradores
estejam dispostos a aceitar e a comprar.” KIM e MAUBORGNE (2005 p. 38).
A inovação de valor é uma nova maneira de raciocinar sobre a execução da
estratégia, que resulta na criação de um novo espaço de mercado e no rompimento com
a concorrência.
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Como mostra a Figura 4, a criação de oceanos azuis consiste em reduzir os custos


e, ao mesmo tempo, aumentar o valor para os compradores. Essa é a maneira como se
empreende um salto de valor tanto para a empresa quanto para os compradores. Em
contraste, outras inovações, como as de produção, que ocorrem no nível dos
subsistemas, sem impactar a estratégia geral da empresa. As inovações no processo de
produção, por exemplo, podem reduzir a estrutura de custos da empresa para reforçar a
estratégia de liderança de custo vigente, sem alterar a proposta de utilidade de suas
ofertas.
Figura 4 – Criação de valor

FONTE: KIM E MAUBORGNE (2005).

No livro, a estratégia dos oceanos azuis é analisada por meio do case do Cirque
du Soleil, conforme explicam os autores já citados:
“O Cirque du Soleil rompeu a regra das melhores práticas do setor circense,
alcançando ao mesmo tempo diferenciação e baixo custo, mediante a reconstrução
de elementos em ambos os lados das fronteiras setoriais vigentes.” KIM e
MAUBORGNE (2005 p. 80).

São listados também, no livro, seis princípios da estratégia do oceano azul e


destacados os riscos atenuados por cada um deles. Os princípios se dividem em dois, são: os
princípios da formulação: reconstruir as fronteiras do mercado – que elimina o risco da busca;
concentrar-se no panorama geral, não nos números – que elimina o risco do planejamento; ir
além da demanda existente – que elimina o risco da escala e acertar na sequencia estratégica –
que elimina o risco do modelo de negócios. Já, como princípios da execução, são citados:
superar as principais barreiras – que eliminaria o risco organizacional e introduzir a execução
na estratégia, para eliminar o risco da gestão.
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5 CONCLUSÕES

Diante do exposto, concluiu-se que a inovação é a introdução de novidade ou


aperfeiçoamento no ambiente produtivo ou social que resulte em novos produtos, processos
ou serviços. Já o marketing de diferenciação procura diferenciar a oferta da empresa, dos
concorrentes, por meio da criação de um diferencial competitivo, que pode ocorrer sob as
formas de marcas e atendimento personalizado, dentre outras dimensões.
O importante é que esta estratégia não considera grandes volumes e preço baixo e ao
contrário, busca atender um número menor de clientes de uma forma mais personalizada.
Assim, as organizações criam barreiras de entrada aos concorrentes em virtude da
lealdade obtida dos consumidores e o poder de barganha dos compradores diminui à medida
que os mesmos são menos sensíveis ao preço e também por causa da escassez de alternativas
que atendam às suas necessidades de forma satisfatória.
O marketing de diferenciação procura obter retornos acima da média, como modo de
defender sua posição no mercado, perante as forças competitivas. Já a estratégia do oceano
azul é uma abordagem dirigida à inovação que foca em estabelecer a organização em um
mercado que ainda não foi explorado, deixando para traz o foco na competitividade de
mercado. O que ficaria ao cargo das empresas que navegam nos oceanos vermelhos.
Esta nova forma de pensar, com outro paradigma, fornece elementos para: avaliação
do mercado de um segmento de negócio; identificação dos atributos de negócio que regem a
competição atual; definição do nível de atendimento a estes atributos por meio de uma curva
de valor; e uma proposição de curva de valor diferenciada que reorienta o mercado.
Nesse ínterim, o artigo além de analisar quais os principais conceitos de diferenciação
e inovação, com base na literatura de referência e investigar, os conceitos da estratégia do
oceano azul e o oceano vermelho, buscou avaliar ainda os impactos dos princípios do oceano
azul na formulação de estratégias de marketing. E, sendo assim, se provou que é possível
utilizar o marketing de diferenciação, baseado na inovação, fazendo com que as marcas se
destaquem no mercado e sejam lembradas por seus consumidores, aumentando a carteira de
clientes, resultando em um faturamento de sucesso, minimizando os efeitos da crise que os
empreendedores têm enfrentado no país.
REFERÊNCIAS

ANSELMO, Estevão; TOLEDO, Geraldo Luciano. MARKETING ESTRATÉGICO:


estratégias de crescimento e competitiva, um estudo de caso sobre a evolução dos conceitos
em uma empresa metalúrgica. Semead: Estudo de Caso Marketing. São Paulo, p. 01-15. mar.
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Acesso em: 12 no. 2017.

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KAPLAN, R. S.; NORTON, D. P. A estratégia em ação: balanced scorecard. 4. ed. Rio de
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KIM, Chan & MAUBORGNE, Renée. A Estratégia do Oceano Azul – como criar novos
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