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DIPLOMA DE JORNALISTA

Hoje a TV e Rádio Justiça iniciaram a solenidade do dia às 14h10. Logo no


início do programa a apresentadora da rádio adiantou alguns aspectos de outro assunto
que iria ser discutido ali também, a Lei de Imprensa. Segundo a apresentadora, havia
alguns tramites, como a Descumprição de Preceitos (5250, 1967, 22 dispositivos
suspensos, dos 77 existentes). O senador responsável pela leitura do voto foi Carlos
Aires Brito. “Hoje provavelmente não conseguiremos fazer a leitura dos dois assuntos
em pauta, pois o voto da Lei de Imprensa tem mais de 100 páginas”, declarou Brito.
Mais tarde, os dois assuntos ficaram para ser discutidos no dia 15 de abril. Existiam
vários manifestantes no local e muitos integrantes da FENAJ estavam presentes.
A história do Diploma de Jornalista no Brasil, a obrigatoriedade ou não de ter,
sempre foi assunto polêmico e que causa enormes controvérsias até mesmo entre figuras
importantes da comunicação brasileira (seja ela impressa, audiovisual e rádio). Marcelo
Tas, atual apresentador do humorístico ácido Custe O Que Custar, da Rede
Bandeirantes, defende um lado totalmente a favor de derrubar o Diploma. “Faço
jornalismo há 20 anos e não tenho graduação na área. O que fazer desses 20 anos de
experiência se a Lei vigorar e não permitir a aceitação de não-diplomados num veículo
de comunicação?, desabafa Tas.
Bóris Casoy, atual apresentador do Jornal da Record (tendo também apresentado
jornais no SBT durante sua carreira, além do trabalho como Editor-Chefe da F. de S.
Paulo durante anos), também é contra. Ele afirma que “o diploma de jornalismo é
totalmente desnecessário”.
Em contrapartida, Nelson Penteado, diplomado em Comunicação Social pela
UnB, professor universitário que atuou durante vários anos em meios de comunicação
impresso, como a F. de S. Paulo e veículos públicos, defende um lado totalmente contra
a atuação dos profissionais sem diploma. “As pessoas costumam alegar que nós
jornalistas fazemos isso por cooperativismo. Fazemos sim. Eu faço. E eu tenho orgulho
de dizer isso”, sentencia ele de forma direta. E continua: “A história do jornalismo
brasileiro está totalmente arraigado, preso na Ditadura Militar”. Categoricamente,
finaliza: “E aliás é neste ponto que quem é contra gosta de tocar: falam que o diploma
só foi inserido como algo requerido após a Ditadura; dizem que temos de nos libertar
destes laços”.
Como analisar os dois lados da moeda sem prejudicar o cidadão brasileiro,
consumidor do que ambos os lados produzem? Até que ponto um dos lados está certo e
limitando o espaço do outro, bem como o inverso? Um dos pontos importantes para a
manutenção obrigatória do Diploma de Jornalista é a questão da Reserva de Mercado.
Se um cidadão tem a oportunidade de cursar um curso de Comunicação ou Jornalismo,
ou a integração dos dois, ele tem de ter certa garantia que não está, grosseiramente
falando, “jogando fora” anos de sua vida .
Como Penteado cita, o jornalismo vem desenvolvendo alguns de seus problemas
desde a instauração da Ditadura. Mas, nem tudo deve ser visto só de grosso modo ou
então de um modo perfilado. O conceito que temos hoje de Democracia no Brasil surgiu
logo após a queda da Ditadura. Alguns males contribuem para um bem.
Nelson Lage, jornalista santo-catarinense, hoje com seus 81 anos e dezenas de
livros lançados sobre a Comunicação Social e também sobre o Jornalismo, é totalmente
a favor da defesa do Diploma. Um de seus textos mais completos sobre o assunto, “Em
defesa do diploma para jornalistas”, ele já instaura um grande paradigma desde o título:
“À frente, o passado”. Dispensa comentários.
Diante de opiniões contra e a favor, cabe aos estudantes de Jornalismo e
Comunicação Social, assim como aos profissionais que já atuam na área (com ou sem
diploma) esperar. A próxima sessão acontecerá no dia 15 de abril, às 14h10, no Superior
Tribunal Federal em Brasília.