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FICHAMENTO DO LIVRO DE DIREITO CIVIL I

INTRODUÇÃO AO DIREITO CIVIL:

CAPÍTULO I - CONCEITO E DIVISÃO DE DIREITO.

1. CONCEITO DE DIREITO:

O homem como um ser eminentemente social


O fim do direito é justamente o de determinar as regras que permitam aos homens viver em
sociedade;
Não há um consenso sobre o conceito de direito;
Conceito usado: Direito como um conjunto de normas gerais e positivas que regulam a vida
social;
Origem da palavra direito: "directum"; aquilo que é reto;
As regras de direito são caracterizadas por serem genéricas e por serem jurídicas;
Direito como a ciência do "dever ser".

2 . DISTINÇÃO ENTRE DIREITO E MORAL:

As pessoas devem pautar a sua conduta pela ética;


A ética possui conteúdo mais abrangente do que o direito porque compreende normas
jurídicas e normas morais;
A diferença entre as normas jurídicas e as normas morais é o elemento sanção;
Visualização entre círculos concêntricos: moral engloba o direito;
Às vezes o direito traz para sua esfera de aplicação conceitos de ordem moral (ex.: art. 557;
1.638; 1.735, V, todos do CC);

3 . DISTINÇÃO ENTRE DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL:

Direito positivo é o ordenamento jurídico posto em vigor;


Direito natural é a idéia abstrata do direito, corresponde a uma justiça superior e suprema. É
chamado de jusnaturalismo e foi defendido especialmente por Santo Agostino e Santo Tomás
de Aquino;
Resquícios de regras de direito natural no direito codificado: pagamento de dívida de jogo e
pagamento de dívida prescrita (arts 814 e 882 CC);

4. DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO:

Direito objetivo é o conjunto de normas impostas pelo Estado, de caráter geral, dotadas de
coerção. É chamado de norma agendi. Esse direito objetivamente posto pelo Estado gera ao
titular de tal direito a prerrogativa de exigir do Estado o cumprimento do direito
objetivamente posto, o que é chamado de facultas agendi.
Direito subjetivo nada mais é do que a faculdade individual de agir de acordo com o direito
objetivo, de invocar a aplicação do direito objetivo.

Teoria do direito subjetivo:


a) Teorias negativistas - negam a existência do direito subjetivo. O direito subjetivo não é
senão o direito objetivo. É defendida por Kelsen. está em desuso;
b) Teoria afirmativa da vontade - defendida por Savigny. O direito subjetivo constitui um
poder de vontade reconhecido pela ordem jurídica. O Estado somente intervém quando
estritamente necessário. O titular do direito é o único juiz da conveniência ou não de sua
utilização;
c) Teoria afirmativa do interesse - defendida por Jhering. para essa corrente o direito
subjetivo é o interesse juridicamente protegido;
d) Teoria afirmativa eclética - defendida por Jellinek. conjuga os elementos vontade e
interesse. O direito subjetivo seria o interesse protegido que a vontade tem o poder de
realizar.

5. DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO

Tal divisão remonta ao direito romano;


Para o direito romano direito público é o que corresponde às coisas do Estado;
Para o direito romano direito privado é o que corresponde à utilidade das pessoas;
Na realidade não se pode dissociar o interesse público do interesse privado;
Pelo critério da natureza do sujeito:
Direito público é o que regula as relações do estado;
Direito privado é o que regula as relações entre particulares;
É criticado porque o estado pode valer-se de institutos de direito privado.
Critério Finalístico:
É com base no interesse jurídico tutelado.
São de direito público as normas que predominam o interesse geral;
São de direito privado as normas que predominar o interesse das partes;

Teoria do jus imperium:


É com base no jus imperium (poder de autoridade do Estado);
Direito público é aquele no qual o Estado age com jus imperium;
Direito privado é aquele que não há utilização de jus imperium, as partes tem igualdade
jurídica.
Na realidade a divisão é meramente teórica e o direito deve ser visto como um todo. A divisão
é meramente didática.
Pela doutrina são de direito privado: direito civil; direito comercial; direito agrário; direito
marítimo; direito do trabalho; direito do consumidor e direito aeronáutico;

6. UNIFICAÇÃO DO DIREITO PRIVADO:

Desde o final do século 19 se tenta unificar o direito privado;


Não é exatamente correta a afirmação de que o NCC unificou o direito privado, porque além
da existência de outros direitos privados como visto acima, o próprio código comercial
continua em vigor. O que houve, na realidade foi uma unificação do direito obrigacional, como,
aliás, o próprio Miguel Reale deixou claro.

CAPÍTULO II - DIREITO CIVIL.

1. CONCEITO DE DIREITO CIVIL:

O direito civil é o direito comum, que rege as relações entre particulares. É a constituição do
homem comum. Disciplina a vida das pessoas desde a concepção (ou até mesmo antes dela
como na prole individual - art. 1799, I) até a morte e depois dela.
No direito civil estudam-se as relações puramente pessoais e patrimoniais.
O direito civil não está restrito ao código (ex.: lei de registros públicos, lei de alimentos, lei de
divórcio).

2 . HISTÓRICO DO DIREITO CIVIL:

A noção de direito civil como direito privado remonta ao direito romano. No princípio o direito
era um só. Depois passou a se pregar o jus civile (dos romanos) e o jus gentium (aplicado aos
estrangeiros).
Na idade média o direito civil passou a ter influências do direito canônico e do direito
germânico. O direito romano era individualista e o direito germânico era mais social.
Nosso código trás influências do direito romano, canônico e germânico.

3. CODIFICAÇÃO:

No período do Brasil colônia não existia código civil. Vigoravam as ordenações filipinas
(legislação de Portugal).
Com a independência (1822) a legislação portuguesa continuou a ser aplicada no Brasil;
O projeto do código bevilácqua começou a tramitar em 1900 e somente foi aprovado em
janeiro de 1916, para entrar em vigor em janeiro de 1917.
Apesar da complexidade do código, ainda persistem micro sistemas como o ECA, CDC, LRP etc.
Há hoje uma tendência à constitucionalização do direito civil, até mesmo porque importantes
institutos do direito civil derivam de preceitos constitucionais. Falar da eficácia horizontal dos
direito fundamentais.
O CC 16 tinha influências do CC de Napoleão e do CC da Alemanha (BGB).

4. O CÓDIGO CIVIL BRASILEIRO:

a) O código civil de 1916 - Era excessivamente individualista e refletia a sociedade colonial da


época, privilegiava o patrimônio, o primogênito e vilipendiava as mulheres, que eram
consideradas relativamente incapazes. Diferenciava filhos naturais e adotados etc. Ficou
incompatível com a CF/88.
b) O código civil de 2002 - Entrou em vigor em janeiro de 2003. É o código Reale. É pautado
em valores éticos e sociais, abandonando o individualismo do CC anterior.
O novo código tem a seguinte estrutura: parte geral (pessoas, bens, fatos jurídicos), parte
especial (obrigações, empresa, coisa, família e sucessões).
A estrutura da parte geral do CC se deve à influência dos pandectistas alemães.

Princípios básicos do novo código civil -


a) Princípio da solidariedade - prevalência dos valores coletivos sobre os individuais. Exemplo:
igualdade de condições entre homem e mulher e entre filhos havidos ou não do casamento.
Diminuição do prazo de usucapião para uma melhor circulação da riqueza.
b) Princício da eticidade - o valor da pessoa humana é a fonte de todos os demais valores.
Prioriza a equidade, a boa-fé, a justa causa e todos os demais valores éticos. Ex.: princípio do
equilíbrio econômico dos contratos.
c) Princípio da operabilidade - o direito é feito para ser efetivado, para ser operacional, para
se realizar, afastando-se complexidades desnecessárias. Ex.: diferenciação entre prescrição e
decadência.
d) Princípio da concretude - decorre da operabilidade, o legislador deve legislar visando
situações concretas, a fim de melhor solucioná-las (dar o exemplo dos gêmeos xipófagos).

LEI DE INTRODUÇÃO AO CÓDIGO CIVIL

1. CONTEÚDO E FUNÇÃO.

É chamada de norma de sobredireito, pois tem caráter universal, aplicando-se a todos os


ramos do direito;
É o decreto lei n. 4.657/1942 e contém 19 artigos;
A LICC é um conjunto de normas que dispõe sobre normas;
O art. 4 aplica-se a todos os ramos do direito, exceto ao direito penal e ao direito tributário;

A LICC tem como funções:

a) Regular a vigência e a eficácia das normas jurídicas (arts. 1 e 2);


b) Solucionar o conflito de normas no tempo (art. 6) e no espaço (arts. 7 a 19);
c) Fornecer critérios de hermenêutica (art. 5);
d) Estabelecer mecanismos de integração das normas, quando houver lacunas (art. 4); garantir
a eficácia global do ordenamento jurídico, repudiando o erro de direito (art. 3); preservar a
estabilidade e a segurança da ordem jurídica (art. 6).

2. FONTES DO DIREITO.

A expressão "fontes" tem várias acepções.


Tanto pode ser o poder de criar normas jurídicas como a forma de expressão dessas normas.
A Lei é a principal fonte do direito.
São fontes históricas aquelas que socorrem os estudiosos quando querem analisar a origem de
um instituto.
São fontes atuais aquelas que se reportam ao indivíduo, para afirmar seu direito, e o juiz, para
fundamentar a sentença .
O costume é a primeira fonte do direito. Deve ser uma conduta reiterada e com convicção de
obrigatoriedade. É chamado de common law e deriva do direito anglo saxão.
São fontes formais do direito: a lei, a analogia, o costume e os princípios gerais do direito.
São fontes não formais: a doutrina e a jurisprudência.
Para alguns a jurisprudência não é fonte do direito. Essa tese vem enfraquecendo em face da
adoção das súmulas vinculantes do STF.
A lei é a fonte principal e as demais são as fontes acessórias.
As fontes de direito também são divididas em:
a) Diretas ou imediatas - lei e costume, porque por si só geram a regra jurídica;
b) Indiretas ou mediatas - a doutrina e a jurisprudência, porque apenas contribui para que a
regra jurídica seja elaborada.

3. A LEI

É a fonte primária do nosso ordenamento.


Em nosso direito vigora a supremacia da norma escrita.
É fonte formal porque deriva do Estado legiferante.
Conceito: em sentido amplo é sinônimo de norma jurídica; em sentido estrito indica a norma
elaborada pelo Estado, através do processo legislativo (art. 59 CF).
Para alguns a verdadeira fonte formal seria o processo legislativo, sendo a lei mero resultado
daquele.

Principais características:
a) Generalidade - a lei dirigi-se a todos os cidadãos, indistintamente (exceção: lei de efeitos
concretos);
b) Imperatividade - impõe um dever, uma conduta aos indivíduos. É uma ordem, um
comando;
c) Autorizamento - é o que a distingue das normas éticas. A lei autoriza o lesado a exigir o
cumprimento da lei ou a reparação do dano sofrido. Ela autoriza o uso da faculdade de coagir,
compelir, por esse motivo Maria Helena Diniz conceitua a norma jurídica como "imperativo
autorizante".
d) permanência - A lei não e exaure numa só aplicação, ela se destina a vigorar até que outra a
revogue (exceção: existem leis temporárias como as ADCTS e as leis orçamentárias);
e) Emanação de autoridade competente - a lei emana do Estado legiferante, de acordo com as
competências constitucionais.

Classificação das leis:

Quanto à imperatividade:
a) Cogentes - São as leis de ordem pública e de imperatividade absoluta. Podem ser
mandamentais ou proibitivas (ex.: arts. 1.619 e 1.521 CC). Vide artigo 2.035 CC.
b) Não cogentes - são as leis dispositivas ou de imperatividade relativa. Há um espaço de
atuação do particular, uma vez que não determinam e nem proíbem de modo absoluto.
Podem ser permissivas, quando permitem ao interessado agir como melhor lhe aprouver (ex.:
regime de bens) ou supletivas, que se aplicam na falta de manifestação expressa da vontade (é
o chamado "salvo se estipulado em contrário") (ex.: dívidas quesíveis (art. 327), tempo de
pagamento etc).
Toda lei dotada de sanção, o que varia é a sua intensidade.

Quanto à intensidade da sanção:


a) Mais que perfeitas - quando violadas anula a sanção (exemplo: bigamia - anula o segundo
casamento e ainda tem a sanção criminal. exemplo: fraude processual anula o ato fraudatório
e ainda pode ensejar em multa processual);
b) Perfeitas - impõe a nulidade do ato, sem cogitar a aplicação de pena ao violador (ex.: art.
166, I, CC);
c) Menos que perfeitas - não acarretam em nulidade do ato jurídico, mas impõe uma
penalidade (ex.: art. 1.641, I, CC);
d) Imperfeitas - a violação não acarreta nenhuma conseqüência. é o que acontece com o
descumprimento de obrigações naturais (ex.: art. 814 CC).
Quanto a natureza as leis podem ser:
a) substantivas - disciplinam os direitos e deveres dos sujeitos de direito e por isso são
chamadas de materiais;
b) adjetivas - tratam dos meios de realização dos direitos e deveres e por isso são chamadas
de processuais ou formais.
Há normas no CPC que tem natureza substantiva: direito de ação (art. 3), autoridade da
sentença (art. 467).
Quanto à hierarquia as leis se classificam em:
a) Normas constitucionais;
b) Leis complementares;
c) Leis ordinárias;
d) Leis delegadas;
e) Medidas provisórias.
Quanto a competência ou extensão territorial as leis se classificam em:
a) Leis federais (art. 22 CF);
b) Leis estaduais (art. 25, p. 1, CF);
c) Leis municipais (art. 30 CF).
Quanto ao alcance as leis se classificam em:
a) Gerais - quando se aplicam a todo um sistema de relações jurídicas (ex.: CC);
b) Especiais - quando se aplicam a determinadas relações jurídicas (ex.: CDC).
4. VIGÊNCIA DA LEI

As leis também tem um ciclo vital de nascimento e morte. Esse ciclo vital é a sua vigência.
Início da vigência - o processo de criação de lei passa por três fases:
a) Elaboração;
b) Promulgação;
c) Publicação.
Embora a lei nasça com a promulgação somente com a publicação começa a entrar em vigor.
A vigência é o que indica o início e o fim da validade de uma norma.
A eficácia é a aptidão que a norma tem para produzir efeitos jurídicos (exemplo do NCC).
Ver artigo 1 da LICC - Vacatio legis (intervalo entre a publicação e a entrada em vigor de uma
lei).
Se durante a vacatio legis ocorrer nova publicação da lei é como se nova lei fosse (art. 1, p. 3,
LICC), mas apenas os artigos republicados terão novo prazo de vigência.
A contagem do prazo da vacatio legis faz-se com a inclusão da data da publicação e do último
dia do prazo (art. 8 da LC 95). exemplo se o prazo é de um ano (NCC) e o prazo iniciou em
10.01.2002, a vacatio cessa em 11.01.2003.
De regra os decretos e regulamentos passam a vigorar na data de sua publicação, não se
aplicando a LICC.
Revogação da lei - cessa a vigência da lei com a sua revogação (art. 2 da LICC). a regra é que a
lei tem caráter permanente (princípio da continuidade).
O costume não tem força para revogar a lei, a lei não perde sua eficácia pelo não uso.
Em alguns casos a lei pode ter vigência temporária.
Revogação é a supressão da obrigatoriedade da lei, cessando sua eficácia. Na realidade é a sua
retirada do ordenamento jurídico.
A revogação da lei pode ser total (ab-rogação) ou parcial (derrogação).
A perda da eficácia da lei pode ocorrem sem revogação. Exemplo: quando o STF reconhece a
sua inconstitucionalidade, cabendo ao Senado suspender-lhe a execução (art. 52, X, CF).
Quanto a forma de execução a revogação pode ser:
a) expressa;
b) tácita (art. 2 LICC).
Regras de revogação tácita:
A) LEX POSTERIOR DEROGAT LEGI PRIORI;
B) LEX SUPERIOR DEROGART LEGI INFERIORI;
C) LEX SPECIALIS DEROGAT LEGI GENERANDI.
Explicar o artigo 2, p. 2. da LICC (falar da penhora dos bens do devedor e da impenhorabilidade
do bem de família).

Represtinação: De regra não é admitido em nosso sistema, salvo quando expressamente


disposto (art. 2, p. 3, LICC).

5. OBRIGATORIEDADE DAS LEIS

O princípio da obrigatoriedade está previsto no art. 3 da LICC. "ninguém se escusa de cumprir a


lei alegando que não a conhece".
Visa garantir a eficácia global do ordenamento jurídico.
Tem como conseqüência o princípio de que o juiz conhece o direito (art. 337 do CPC).
A ignorância da lei (que é inescusável) não se confunde com o erro de direito.
O erro de direito é o conhecimento falso da lei, sua má interpretação, e serve como base para
anulação dos negócios jurídicos, desde que haja boa-fé.
O CC/02 trás hipóteses de erro substancial (art. 139).
A lei das contravenções penais é exceção, pois admite a alegação de erro de direito como
justificativa para o descumprimento da pena (art. 8).

6. INTEGRAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS

O legislador não consegue prever todas as situações sociais.


Nosso sistema não admite lacunas (integração).
O juiz não pode se eximir de julgar - art. 126 CPC.
Havendo lacunas o juiz deve valer-se dos métodos integrativos, quais sejam: analogia, ostumes
e princípios gerais do direito (art. 4 LICC).
A aplicação da lei pode ser lacunosa, mas o sistema não.

6.1 ANALOGIA

Há uma hierarquia na utilização desses mecanismos, sendo a analogia o principal método.


Isso porque o direito consagra a supremacia da lei esxrita.
O fundamento da analogia encontra-se no adágio ubi eadem ratio, ibi idem jus.
Para o emprego da analogia são necessários três requisitos:
a) Inexistência de dispositivo legal regulando o caso concreto;
b) Semelhança entre a situação não prevista e outra prevista na lei;
c) Identidade de fundamentos lógicos e jurídicos das duas situações.
Distinguem-se a analogia legis da analogia iuris.
A analogia legis consiste na aplicação de uma norma já existente a um caso semelhante.
A analogia iuris consiste na aplicação de um conjunto de normas já existentes para aplicar em
um caso sub judice não previsto, mas similar.
Também não se deve confundir analogia com interpretação extensiva. A primeira implica o
recurso de aplicação de outra norma do sistema jurídico.
A segunda, por sua vez, consiste na interpretação dada a extensão, ao âmbito de aplicação, da
própria norma a situações não expressamente previstas, mas compreendidas em seu espírito
(ex.: art. 25 do CC).
Exceção: os negócios jurídicos benéficos e a renúncia não admitem analogia ou interpretação
extensiva (art. 114 CC).
Exceção: a fiança não admite interpretação extensiva (art. 819 CC).
Exceção: a analogia não é admitida em direito penal, salvo para beneficiar o réu; nas leis
excepcionais ou de exceção (nessas hipóteses se resolve por normas de caráter geral); nas leis
que impõem tributos.

6.2 COSTUME

É fonte supletiva do direito (suprir lacunas) e é subsidiária em relação à analogia.


O costume tem origem incerta e imprevista, ao contrário da lei.
Deriva do direito consuetudinário.
É composto de dois elementos:
a) Prática reiterada (elemento externo)
b) Convicção de obrigatoriedade (elemento interno).
Pode ser conceituado como a prática uniforme, constante, pública e geral de determinado ato,
com a convicção de sua necessidade.
Para virar de costume para costume jurídico é necessário haver a confirmação jurisprudencial.
Não se aplica no Brasil a tese da confirmação legislativa (pois aí viraria lei).

Existem três espécies de costumes:


a) Secundum legem - quando a lei faz menção ao uso do costume (ex.: art. 1.297, p.1, CC);
b) Praeter legem - quando se destina a suprir a lei, nos casos omissos (art. 4 LICC; art. 126 CPC;
cheque pré-datado),
c) Contra legem - é o que se opõe a lei. não é admitido. não se reconhece o desuetudo (não
aplicação da lei em face do desuso).

6.3 PRINCÍPIOS GERAIS DO DIREITO


É o terceiro método de suprimento de lacuna.
São regras que se encontram na consciência geral dos povos e são universalmente aceitas,
mesmo não escritas.
Tem caráter genérico.
Exemplos: art. 186 CC, arts. 1216; 1220; 1255; 876 CC; art. 3 LICC.
Em sua maioria são implícitos ao sistema (ninguém pode valer-se da própria torpeza, a boa-fé
se presume, ninguém pode transferir mais do que tem, favorecer mais aquele que busca evitar
um dano do que realizar um ganho).
Pode ser positivado, vide artigo 150 CC (torpeza bilateral).
Os princípios gerais do direito não se confundem com as máximas jurídicas (adágios ou
brocardos), porque essas últimas não tem jurisdicidade, mas somente conteúdo pedagógico.
Algumas dessas máximas podem vir a ter jurisdicidade (ex.: o acessório segue o principal),
algumas podem não ter jurisdicidade atual (tetis unnus testis nullus).

6.4 EQUIDADE

Não é método supletivo de lacuna da lei. é mero recurso auxiliar na aplicação dessa.
Equidade lato sensu se confunde com o ideal de justiça.
Equidade estrito sensu é quando a própria lei cria espaços para o juis aplicar a norma no caso
concreto (art. 127 CC). exemplo: art. 1.740, II, CC).
Está prevista no artigo 5 da LICC.

7. APLICAÇÃO E INTERPRETAÇÃO DAS NORMAS JURÍDICAS.

As normas são genéricas e impessoais e contêm comandos abstratos.


Subsunção é quando o fato concreto se amolda perfeitamente a uma previsão legal.
Quando não há essa subsunção é que se aplica a integração normativa, mediante a analogia,
os costumes e os princípios gerais do direito.
Interpretar é descobrir o sentido e o alcance da norma jurídica. toda norma está sujeita a
Interpretação, ainda que literal.
A corrente da interpretação subjetiva busca a vontade do legislador ao editar a norma
(voluntas legislatoris).
A teoria da interpretação objetiva busca a vontade da lei ao editar a norma,
independentemente da vontade do legislador (voluntas legis).
A teoria da livre interpretação do direito indica que cabe ao juiz uma função criadora na
aplicação da norma, que deve se adequar as realidades morais e sociais da época.
Hermenêutica é a ciência interpretação das leis.

Quanto às fontes, os métodos de interpretação das leis se dividem em:


a) Interpretação autêntica ou legislativa (pelo próprio legislador. ele edita uma norma para
explicar a anterior, ambígua);
b) Interpretação jurisprudencial ou judicial (súmulas vinculantes);
c) Interpretação doutrinária (não se exige doutorado, basta forma metodológica).

Quanto aos meios, os métodos de interpretação podem ser:


a) Gramatical;
b) Lógica ou racional (o sentido da norma, sua finalidade);
c) Sistemática;
d) Histórica;
e) Teleológica (adaptar o sentido da norma as exigências sociais da época vigente. ex.: art. 5
LICC).

Quanto aos resultados:


a) Declarativa (o texto legal corresponde ao pensamento do legislador);
b) Extensiva ou ampliativa (o espírito da lei é mais amplo do que seu texto);
c) Restritiva (o texto legal é menos amplo do que seu texto).
Não há uma preponderância entre os métodos de interpretação, eles se completam em um
processo gradativo.

8. CONFLITO DE LEIS NO TEMPO

As leis são elaboradas em regra para valer para o futuro (princípio da segurança jurídica).
A regra é a irretroatividade das leis.
A dúvida é se aplica ou não a lei nova em situações pretéritas.
Para solucionar tal dúvida são aplicados dois critérios:
a) Disposições transitórias;
b) Irretroatividade das normas.
Exemplo de disposições transitórias (art. 2.028 CC, art. 2.035 CC).
Irretroativa é a lei que não se aplica a situações pretéritas.
A CF e a LICC adotaram como regra a irretroatividade das leis e a retroatividade como exceção
(TEORIA DE GABBA).
Aplica-se a lei nova aos casos pendentes e aos casos futuros, somente podendo retroagir para
atingir os casos pretéritos.
Pela teoria de GABBA, mesmo quando a lei retroagir ela não pode ofender o ato jurídico
perfeito, o direito adquirido e a coisa julgada.
A retroatividade que não atinja o ato jurídico perfeito, coisa julgada e o direito adquirido é
chamada de retroatividade justa.
A retroatividade pode ser máxima, média ou mínima.
É máxima quando atinge o direito adquirido e o ato jurídico perfeito.
É média quando alcança os atos pendentes e os direitos já existentes mais ainda não
integrados ao patrimônio do titular.
É mínima quando se confunde com o efeito imediato da lei, não havendo, na verdade
retroação relevante, salvo quanto aos efeitos dos atos praticados na forma da legislação
anterior.
Entre a retroatividade e a irretroatividade das leis existe, ainda, uma situação intermediária: a
aplicação imediata da lei nova a relações que, nascidas sob a vigência da lei antiga, ainda não
se aperfeiçoaram.
O artigo 6 da LICC consagra a Teoria de Gabba.

Ato jurídico perfeito é o já consumado segundo a lei vigente ao tempo em que se efetuou (art.
6, p.1, LICC).
Direito adquirido é o que já se incorporou definitivamente ao patrimônio jurídico do titular.
Coisa julgada é a imutabilidade dos efeitos da sentença, da qual não cabe mais recursos.

9. EFICÁCIA DA LEI NO TEMPO


Em razão da soberania a lei tem aplicação dentro do território nacional (princípio da
territorialidade).
O princípio da territorialidade não é absoluto. O Brasil segue a territorialidade moderada, pois
há casos em que a lei estrangeira se aplica no território nacional.
Denomina-se estatuto pessoal o ordenamento jurídico que regula o estrangeiro pelas leis de
origem de sua país.
Ver artigo 7 da LICC e a primeira regra de ouro: domicílio. vide súmula 381 do STF.
O conceito de domicílio é legal (art. 70 CC).
Casamento de estrangeiros - art. 7 da LICC.
Regras de sucessão causa mortis - local do domicílio do de cujos (art. 10 LICC), com limites (art.
17 LICC).
Capacidade de suceder - lei do herdeiro (art. 10, p. 2, LICC).
Sucessão de bens de estrangeiros situados no país - pela lei brasileira, salvo se a lei do de cujos
for mais favorável.
Se tiver imóveis no Brasil - compete à justiça brasileira (art. 12 LICC).
As sentença estrangeiras podem ser aplicadas no Brasil desde que preenchidos os requisitos
do artigo 15 da LICC.
Não dependem de homologação as sentenças meramente declaratórias do estado de pessoas.

LIVRO I - DAS PESSOAS

TÍTULO I - DAS PESSOAS NATURAIS

CAPÍTULO I - DA PERSONALIDADE E DA CAPACIDADE

1. Introdução

O CC disciplina as relações privadas que nascem da vida em sociedade.


Somente existe relação jurídica ente pessoas e não entre pessoas e coisas.
A parte geral do CC contém três livros: sobre as pessoas, sobre os bens e sobre os fatos
jurídicos.
O livro I das pessoas se divide em três partes (títulos): pessoas naturais, pessoas jurídicas,
domicílio.
O título da pessoa natural se divide em três capítulos: personalidade e capacidade, direitos da
personalidade, ausência.

2. PERSONALIDADE JURÍDICA.

O conceito de personalidade está ligado ao conceito de pessoa.


A personalidade é um atributo do ser humano.
Personalidade é a aptidão genérica para adquirir direitos e contrair obrigações.
Nem sempre o homem teve personalidade, no direito romano o escravo era considerado coisa.
O direito reconhece a personalidade de entidades não humanas, as chamadas pessoas
jurídicas.

3. CAPACIDADE JURÍDICA E LEGITIMAÇÃO.

O artigo 1º do CC entrosa o conceito de capacidade com o de personalidade.


Capacidade pode ser definida como a medida da personalidade.
A capacidade pode ser plena ou limitada.
Todos tem capacidade de direito ou de gozo (aquisição).
Nem todos tem capacidade de exercício dos direitos ou de ação (capacidade de fato).
A capacidade plena ocorre quando a mesma pessoa tem capacidade de direito e capacidade
de fato.
Capacidade não se confunde com legitimação. Capacidade é a aptidão genérica para praticar
atos jurídicos. Legitimação é uma espécie de capacidade especial, exigida para certos atos (ex.:
art. 496 CC).
Exemplos de falta de legitimação (art. 1.749, I, CC, art. 1.647 CC).

4. OS SUJEITOS DA RELAÇÃO JURÍDICA.

O direito regula a vida em sociedade e esta é composta por pessoas.


O direito subjetivo é chamado de facultas agendi. é a faculdade que tem o titular de um direito
de exigir o seu implemento.
Relação jurídica é toda relação social regulada pelo direito.
Estão excluídas do conceito de sujeitos de direito as entidades místicas (almas, santos etc.).
A palavra pessoa vem do latin pernona, que quer dizer máscara (teatro antigo romano). no
direito moderno pessoa é sinônimo de sujeito de direitos.

Nosso sistema conhece duas espécies de pessoas: pessoa natural e pessoa jurídica (moral ou
coletiva).

5. CONCEITO DE PESSOA NATURAL.

Ver artigo 1 do CC.


A expressão pessoa se refere a todos os seres humanos, homens ou mulheres.
Pessoa natural é o ser humano, basta nascer com vida para adquirir personalidade.

6. COMEÇO DA PERSONALIDADE NATURAL.

Vide artigo 2 cc.


Tem-se no nascimento com vida o marco inicial da personalidade.
É necessário que se desfaça a unidade biológica do bebê com a mãe, mesmo que ainda não
tenha havido o corte do cordão umbilical.
Para ter nascido com vida é necessário que tenha respirado.
Não se exige que o feto tenha figura humana (como no direito espanhol) nem que seja viável.
Docimasia hidrostática de Galeno, outras técnicas: docimasia pulmonar histológica (alvéolos),
docimasia óptica de Icard (exame microscópio de bolhas de ar em fragmentos do pulmão) etc.
Nascituro é o ser já concebido, mas que ainda se encontra no ventre materno (art. 2 CC).
O CC adota a teoria natalista ao exigir o nascimento com vida para o início da personalidade.
Os direitos conferidos ao nascituro são potenciais, sob condição suspensiva.
Ver art. 130 do CC e o nascituro como titular de direitos eventuais.
Nascituro é conceito diverso de indivíduo não concebido. O nascituro já está no ventre o outro
nem isso. O indivíduo não concebido pode adquirir direitos como prole eventual (art. 1.799, I,
CC).
Sistema de proteção ao nascituro: arts. 1.799, 1.609, p. único, 542, 1.798, ECA 8.
Nosso sistema não adota a teoria concepcionista do direito francês.
O STF já se posicionou pela teoria natalista noi julgamento do RE n.99.038.
O nascituro pode ser titular de pretensão alimentícia? debate superado pela lei dos alimentos
gravídicos.
O STJ não reconhece o nascituro como titular de pretensão indenizatória, ainda que moral. já
há precedentes contrários.
O embrião somente é considerado nascituro depois de implantado no ventre.
Posse em nome de nascituro: art. 877 CPC.

7. DAS INCAPACIDADES
Nem todas as pessoas naturais possuem capacidade plena.
Todos possuem capacidade de direitos, mas nem todos possuem capacidade de fato.
Os que não possuem capacidade de fato são chamados incapazes.
Os incapazes, para praticar atos da vida civil, serão representados ou assistidos.
No nosso sistema não existe a figura da incapacidade de direito.
O artigo 3 do CC traz o rol dos absolutamente incapazes.
Os atos dos absolutamente incapazes podem ser declarados nulos (art. 166, I, CC).
O artigo 4 do CC traz o rol dos relativamente incapazes.
Os atos dos relativamente incapazes podem ser anulados (art. 171, I, CC).

7.1. Incapacidade absoluta.

Acarreta a proibição total do exercício, por si só, do direito.


O ato deve ser praticado por representante legal, sob pena de nulidade absoluta (art. 166 I)
O artigo 3 do CC traz três hipóteses de incapacidade absoluta.

7.1.1 - Os menores de 16 anos.

Aqui o critério é meramente etário, não levando em consideração o grau de amadurecimento.

7.1.2 - Os privados do necessário discernimento por enfermidade ou por deficiência mental.

Compreende todos os casos de insanidade mental permanente e duradoura.


Foi abolida a expressão "loucos de todo o gênero"
Abrange casos de oligofrenia, esquizofrenia, doença do pânico etc., desde que em grau
suficientemente alto.
Nossa lei não admite os intervalos lúcidos. a incapacidade mental é considerada um estado
permanente e contínuo.
A incapacidade deve ser reconhecida por um processo de interdição (art. 1.177 CPC). É
obrigatório o exame pessoal e o interrogatório do interditado, sob pena de nulidade.
A sentença de interdição tem natureza declaratória., mas seus efeitos são ex nunc (por isso
alguns a entendem como constitutiva). a apelação tem efeito devolutivo.
MARIA HELENA DINIZ sustenta a possibilidade de se invalidar ato negocial praticado pelo
alienado mental antes de sua interdição. O TJSP tem aceito, salvo em relação a terceiros de
boa-fé.
Para assegurar a eficácia erga omnes a sentença de interdição deve ser levada a registro e
publicada três vezes na imprensa local.
Velhice ou senilidade não é causa de incapacidade, por si só.

7.1.3. Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

Aqui o elemento característico é a transitoriedade, ainda que normalmente a pessoa seja sã.
É o caso clássico do abuso de álcool, drogas, intoxicação medicamentosa etc.
Os ébrios habituais e os viciados em tóxico são considerados relativamente incapazes (art. 4, II)
não se confundido com o dispositivo em comento.
A surdo-mudez deixou de ser caso de incapacidade, por si só.

7.2. Incapacidade Relativa.

Permite que o incapaz pratique os atos da vida civil, desde que devidamente assistido, sob
pena de anulabilidade (art. 171, I).
Podem praticar, excepcionalmente, certos atos sem assistência: ser testemunha, aceitar
mandato, fazer testamento, exercer empregos públicos nos quais não se exija a maioridade,
ser eleitor, celebrar contrato de trabalho etc.
O artigo 4 do cc traz o rol dos incapazes relativos.

7.2.1 - Os maiores de 16 e menores de 18 anos.


O CC reduziu a maioridade civil de 21 para 18 anos.
crítica.
Os atos são assinados pelos dois.
Quando houver conflito com seu representante deve ser nomeado curador especial (art. 1.692
CC).
Sistema de proteção aos incapazes - exceção: art. 180 CC.
O CC não mais aceita o chamado benefício de restituição.
O menor absoluta ou relativamente incapaz, pode ser responsabilizado civilmente (art. 928
CC), mas a indenização não é integral e sim equitativa, além de subsidiária.

7.2.2 -Os ébrios habituais, os viciados em tóxicos e os deficientes mentais de discernimento


reduzido.

Incluem-se aqui os alcoólatras e os toxicômanos.


Os usuários habituais no momento do efeito toxicológico se encontram no rol do art. 3.
Na interdição o juiz fixará os limites da curatela (art. 1.772 e 1.782 CC).
Curando-se do vício a interdição poderá ser levantada.

7.2.3 - Os excepcionais sem desenvolvimento mental completo.

Não são só os portadores de síndrome de down, mas todos os que possuam desenvolvimento
mental incompleto.
Pode ou não abranger os surdos-mudos.
O juiz fixará os limites da curatela.

7.2.4. Os pródigos.

Pródigo é o indivíduo que dissipa seu patrimônio desvairadamente.


É uma compulsão, defeito na personalidade e não uma doença mental.
crítica.
É comumente ligada à bebida e à jogatina.
O pródigo é considerado capaz até a interdição.
A curatela dos pródigos pode ser promovida por seus pais ou tutores, cônjuge ou
companheiro, qualquer parente ou pelo MP.
O CC atual permite a interdição do pródigo não para proteger seus parentes (como o anterior),
mas para protegê-lo de si mesmo, persistindo, assim, a interdição mesmo quando não houver
mais parentes.
A interdição do pródigo se limita a atos de disposição e oneração patrimonial, não a atos de
mera administração.
O pródigo pode casar, mas não pode firmar pacto antenupcial.

8. A SITUAÇÃO JURÍDICA DOS ÍNDIOS.

Eram os chamados silvículas (habitantes das selvas).


O CC adotou a nomenclatura da CF (arts. 231 a 232).
Tem regulamentação jurídica própria (estatuto do índio - lei 6001/73). Já nascem sob tutela
administrativa especial da União (FUNAI). É considerado nulo um ato jurídico praticado entre
um índio e um não-índio, sem a intermediação da FUNAI.
Tal ato pode ser considerado válido se o índio demonstrar ter consciência do ato e se ele não
lhe for prejudicial.
Os índios não integrados não precisam registrar nascimento.
A emancipação do índio necessita de reconhecimento judicial, devendo ter 21 anos, falar o
vernáculo e ter razoável conhecimento dos usos e costumes da comunhão nacional, além de
ter habilitação para o exercício de atividade útil à comunhão nacional).
O presidente, por decreto, pode emancipar uma comunidade indígena inteira.

9. MODOS DE SUPRIMENTO DE INCAPACIDADE.

Os modos de suprimento de incapacidade se destinam a assegurar ao incapaz o exercício dos


atos da vida civil.
O CC traz as regras sobre representação legal dos incapazes (art. 1.634, V). regra repetida no
artigo 1.690 cc,
E quando os menores não possuem pais vivos? deve-se nomear tutor, ex vi art. 1.747,I,cc.
Os menores de 16 anos serão representados e os menores de 18 anos serão assistidos.
Quando houver incapacidade relativa ambos praticam o ato, o menor e o assistente. Na
incapacidade absoluta somente quem realiza o ato é o representante do menor.

10. SISTEMA DE PROTEÇÃO AOS INCAPAZES.

Principal método de proteção aos incapazes é a imposição do ordenamento jurídico proibindo


que eles, por si só, realizem atos da vida civil.
Exige, pois, o sistema, a intermediação de representantes legais ou de assistentes legais aos
incapazes.
A figura do tutor civil.
A figura do curador civil(art. 1.767 cc).
Algumas garantias do código inerentes ao sistema de proteção dos incapazes: não corre a
prescrição contra o absolutamente incapaz (art. 197,I); o mútuo feito a menor não pode ser
reavido (art.588), salvo nos casos do art. 589;
Pode o menor ou interdito recobrar dívida de jogo que voluntariamente pagou (art. 814) etc.
Exceção: caso o menor relativamente incapaz oculte dolosamente a sua idade, perde os
benefícios do sistema de proteção (art. 180 cc).
O menor incapaz pode ser responsabilizado civilmente, mas a indenização é equitativa (não é
integral) e é subsidiária (não é principal).
A figura do curador especial: conflito entre o menor e o representante/assistente (art. 1.692
CC).
O ato praticado em conflito entre o menor e o representante/assistente pode dar ensejo à
anulação (art. 119 cc).
A figura do benefício de restituição: é de direito romano. não é atual. consistia na possibilidade
de se anular negócio válido, simplesmente porque se mostrou de alguma forma prejudicial ao
incapaz (exemplo da valorização posterior do imóvel).

11. CESSAÇÃO DA INCAPACIDADE.

Cessa a incapacidade quando desaparecem o motivos que a determinaram.


Pode se dar pelo fim da enfermidade, pela emancipação ou pela maioridade.

11.1 Maioridade.

O critério é cronológico, independente da maturidade.


O CC reduziu a maioridade civil para 18 anos (conta-se no primeiro momento do dia em que a
pessoa faz dezoito anos).
Se nascido em 29 de fevereiro (ano bissexto) vai para 1 de março.
Em casos de dívida: in dúbio pro capacidade (realiza perícia médica).
A capacidade civil é diversa da capacidade eleitoral (16 anos), para o serviço militar (17 anos)
etc.
Crítica a redução da maioridade civil: complexidade da vida moderna.

11.2 Emancipação.

É a antecipação da maioridade civil.


Está prevista no artigo 5 do CC.

11.2.1. Emancipação Voluntária.

É a concedida pelos pais quando o menor tiver 16 anos completos.


Decorre de ato unilateral dos pais.
Somente pode conceder emancipação quem esteja no pleno exercício do poder familiar.
Havendo divergência entre os pais a questão será dirimida pelo juiz (ainda assim a
emancipação será por instrumento público).
Exige a forma de instrumento público e independe de homologação judicial.
Tal emancipação não se presta a isentar o dever dos pais de indenizar por ilícitos cometidos
pelos filhos (precedentes do STF).
A emancipação somente pode ser outorgada pelos pais em função dos interesses do menor.
A emancipação é sempre irrevogável.
A irrevogabilidade não se confunde com a invalidade do ato.

11.2.2 emancipação judicial.

A única hipótese de emancipação judicial, que depende de sentença, é a do menor com mais
de 16 anos que se encontre sob tutela.
O tutor, por si só, não pode emancipar o tutelado.
Procedimento: art. 1.103 do CPC.
Tal emancipação somente pode ser concedida se representar favorável ao menor.
As emancipações voluntária e judicial tem que ser registradas em livro próprio no 1º ofício do
registro civil da comarca do domicílio do menor.
Antes do registro tais emancipações não produzirão efeito (LRP. 91).
A emancipação legal independe de registro e produz os efeitos desde o fato que a provocou.

11.2.3 Emancipação legal.

Decorre de determinados acontecimentos aos quais a lei atribui tal efeito.


O casamento válido emancipa o menor. O casamento nulo não emancipa o menor, salvo se o
menor casou de boa-fé (casamento putativo - art. 1.561 cc).
Idade núbil: 16 anos (com autorização dos representantes legais - art. 1.517).
Exceção à idade núbil: mediante suprimento de idade. para evitar imposição de pena criminal
ou em casos de gravidez (art. 1.520 cc). contudo, o CP revogou o crime de sedução.
O menor emancipado pelo casamento pode ter sua entrada berrada em locais que se exija a
maioridade de 18 anos (ECA).
O exercício do emprego público efetivo também é caso de emancipação legal.
Alguns posicionamentos jurisprudenciais abrandam a restrição dos termos "emprego público"
e "efetivo".
Para VENOSA com o fim do emprego público volta a situação de incapacidade.
De regra, a idade mínima para o ingresso em serviço público é de 18 anos. A colação de grau
em ensino superior, o estabelecimento civil ou comercial e a existência de relação de emprego
também emancipam, desde que o menor tenha mais de 16 anos.
Para o TJSP se o menor exerce mercancia por sucessão causa mortis não há emancipação, pois
não foi com o exercício de economia própria.
Há autores que admitem que o menor com 16 anos completos se emancipa pela relação de
emprego, mesmo que a relação empregatícia seja informal, o que não pode é ser trabalho
eventual.

EXTINÇÃO DA PERSONALIDADE NATURAL

12. MODOS DE EXTINÇÃO.

Vide artigo 6 CC.


Somente a morte real termina a existência da pessoa natural.
A morte simultânea é chamada comoriência.
A doutrina admite os termos: morte real, morte simultânea, morte civil e morte presumida.

12.1 Morte real.

A morte real é aquela que põe termo a existência da pessoa natural.


Sua prova se faz por atestado de óbito ou por ação declaratória de morte presumida sem
declaração de ausência (art.7 cc).
Existe ainda um procedimento de justificação de óbito (art. 88 LRP), quando houver uma
catástrofe e o corpo não for encontrado.
A morte real extingue a personalidade e portanto a capacidade (mors omnia solvit).
Militares e servidores públicos podem ser promovidos post mortem.
A falência pode ser decretada mesmo após a morte do comerciante.

12.2 Morte simultânea ou comoriência.

A comoriência está prevista no artigo 8 do cc.


O CC exige que os mortos tenham falecido na mesma ocasião, não precisam ser no mesmo
lugar.
Somente interessa saber se há comoriência quando os mortos forem herdeiros ou
beneficiários um dos outros, do contrário não há interesse algum.
O principal efeito da morte simultânea é que um morto não herda do outro.

12.3 Morte civil.

A morte civil existiu na idade média.


Algumas pessoas eram, em vida, privados dos seus direitos civis e consideradas mortas para o
mundo.
Pode-se dizer que há um resquício de morte civil no art. 1.816 que trata do herdeiro afastado
da herança.
Também na legislação militar há um resquício de morte civil quando trata do indigno para o
oficialato (decreto lei 3038/41).

12.4 Morte Presumida.

A morte presumida pode ocorrer com ou sem declaração de ausência.


Presumi-se a morte, quanto aos ausentes, nos casos em que a lei autoriza a abertura da
sucessão definitiva (art. 6 CC).
A declaração de ausência se destina a iniciar a sucessão provisória do desaparecido.
A sucessão definitiva constitui causa de dissolução da sociedade conjugal (art. 1.571, p. 1).
Se o ausente estiver vivo e aparecer depois de presumida a sua morte e aberta a sucessão
definitiva, com a dissolução da sociedade conjugal, e seu cônjuge tiver contraído novo
matrimônio, prevalece esse último.
Morte presumida sem declaração de ausência: art. 7 CC.
A sentença de declaração de ausência e de morte presumida deverão ser registradas em
registro público (cc, art.9, IV).
Justificação: para suprir a falta de confecção de atestado de óbito (art. 88 da LRP).
Importante: quando os parentes apenas requerem a declaração da ausência, para posterior
abertura de sucessão provisória, e depois definitiva,
Não querem a declaração de morte do ausente, mas apenas a sua sucessão. já na hipótese do
art. 7 pretende-se o contrário, que se declare a morte do desaparecido, mesmo sem declarar a
ausência antes.

INDIVIDUALIZAÇÃO DA PESSOA NATURAL

13. Modos De Individualização.

Já se disse que o homem é um ser gregário por natureza.


Por viver em sociedade deve ser devidamente identificado no meio da massa.
Essa identificação interessa tanto ao particular quanto ao Estado e a terceiros, tudo para se ter
maior segurança nas relações jurídicas.
Os principais elementos de identificação são: o nome, o estado e o domicílio.

13.1 Nome.

Nome é a designação ou sinal exterior pelo qual a pessoa se identifica no meio da família e da
sociedade.
Características: é inalienável e imprescritível.
Natureza jurídica: atributo da personalidade.
O nome é composto de um aspecto público, pois o Estado tem interesse na identificação dos
indivíduos que nele habitam (LRP) e um aspecto privado, pois o próprio indivíduo tem
interesse em ter e na proteção de seu nome (art. 16 cc).
As ações judiciais relacionadas ao nome podem ter duas finalidades: ou de retificação (art. 109
LRP) ou de contestação (defesa, mudança de nomes ridículos).

Ver artigo 17 CC.


Ver art. 18 cc.

O nome civil é inalienável (coisa fora do comércio).


O nome comercial é alienável, podendo integrar o fundo de comércio, como propriedade
incorpórea e cessível.

O CC autoriza a defesa do pseudônimo, desde que para fins lícitos, ex vi art. 19. esse
pseudônimo não precisa de notoriedade.
Exemplo de pseudônimo: stanislaw ponte petra - sérgio porto.

13.1.2. Natureza Jurídica.

Divergem os autores sobre a natureza jurídica do nome.


Para uns é propriedade.
Para outros é propriedade sui generis.
Para outros não é um direito (negativistas).
A corrente atual caracteriza o nome como um atributo da personalidade.

13.1.3. Elementos Do Nome.

Segundo o artigo 16 do cc toda pessoa tem direito a um nome.


O nome completo é composto por dois elementos: prenome e sobrenome (apelido familiar).
Em alguns casos se usa o agnome (distingue a pessoa dentro da própria família. ex.: filho,
neto).
Axiônimo é uma forma cortês de tratamento, de reverência, e pode integrar o nome para
todos os efeitos (ex.: desembargador).

13.1.4. Prenome

É o primeiro nome.
Pode ser simples (Pedro) ou composto (Pedro Henrique).
O prenome pode ser livremente escolhido pelos pais, desde que não exponha o filho ao
ridículo (art. 55 LRP)
A combinação dos nomes pode resultar no ridículo.
NOMES CURIOSOS:

Abecê Nogueira
Abrilina Décima Nona Caçapavana Piratininga de Almeida
Acheropita Papazone
Adegesto Pataca
Além Mar Paranhos
Alfredo Prazeirozo Texugueiro Alma de Vera
Amado Amoroso Amazonas Rio do Brasil Pimpão
Amim Amou Amado
Amor de Deus Rosales Brasil
Ana Maria Mosca
Analgesina Costa Pinto
Barrigudinha Seleida
Bende Sande Branquinho Maracajá
Benemérita do Rêgo Grande

A LRP protege também os apelidos populares que podem substituir o prenome oficial (art. 58).

13.1.3.2 Sobrenome.

Sobrenome é o sinal que identifica a procedência da pessoa, indicando sua filiação ou estirpe.
O sobrenome é transmissível por sucessão.
É também conhecido como patronímico ou apelido familiar.
O pai deve levar a declaração de nascido vivo do hospital ao cartório para registro. se não o
fizer a mãe deve registrar e entrar com uma ação de investigação de paternidade. falar sobre
as peculiaridades do DF.
Alcunha é o apelido depreciativo lançado sobre uma pessoa.
Epíteto é sinônimo de alcunha.
Hipocorístico é o diminutivo do nome.
O registro dos filhos havidos fora do casamento é regido pela LRP (59 e 60).

13.1.4 Imutabilidade Do Nome.

1.3.1.4.1 Retificação Do Prenome.

Retificar é diferente de ratificar.


A retificação está prevista no artigo 58 da LRP.
São casos de retificação (arts.109 e 110): evidente erro gráfico (não precisa de processo
judicial, corre no próprio cartório com participação do MP e do Juiz); exposição ao ridículo;
colaboração com apuração de crime (lei 9.807/99);
Substituição do prenome oficial pelo prenome de uso; apelidos públicos notórios (LULA),
adoção (art. 1.627 Cc), tradução de nomes estrangeiros.

13.1.4.2 Adições Intermediárias


Tem se admitido a inclusão de alcunha ou apelido públicos notórios no nome, bem como o
acréscimo de mais um prenome ou sobrenome para evitar homonímia.
Esses acréscimos ao nome são as chamadas adições intermediárias.
Permite o artigo 56 da LRP que o interessado no primeiro ano após a maioridade postule a
alteração de seu nome pela via administrativa e por decisão judicial (art. 110 LRP).
Justifica-se a inclusão dos apelidos públicos notórios ao nome em razão do uso prevalecer,
nesse caso, ao registro.

13.1.4.3 Mudanças No Sobrenome

O sobrenome ou patrimônio somente deve ser alterado em situações excepcionais, como em


casos de adoção, casamento, programa de proteção de testemunha, divórcio etc.
O padastro pode ter seu sobrenome adicionado ao sobrenome do entiado.
O companheiro em união estável pode adotar o sobrenome do outro.

13.1.4.4 Outras Hipóteses

Há casos autorizando a mudança de nome em caso de transexualismo - precedentes do Rio


Grande do Sul.
União estável homoafetiva?
Separação com cônjuge culpado e manutenção do nome.
A alteração do nome em razão do casamento não é obrigatória (cc 1565).
Casamento nulo: cessa o direito à mudança do nome, para alguns autores mesmo em caso de
casamento putativo. O STF já se manifestou em sentido contrário.
Adoção.
Reconhecimento de filho.

13.2 Estado

A palavra estado vem do latim status.


O Estado da pessoa é a soma das qualidades da pessoa na sociedade, como nome, estado civil,
origem etc.

13.2.1 ASPECTOS

A doutrina distingue três ordens de estado:


a) o individual ou físico;
b) o familiar;
c) o político.

Estado individual: diz respeito à idade, sexo, cor, altura, saúde, etc.
Estado familiar: indica a situação da pessoa na família, em relação ao matrimônio e ao
parentesco.
Estado político: indica a posição do indivíduo na sociedade política como nacionalidade,
naturalidade etc.
Nacionalidade X cidadania: cidadania é para aquele que está no pleno gozo dos direitos
políticos, necessita de título de eleitor.
13.2.2.2 Caracteres

As características ou atributos do estado são:


a) indivisibilidade (não se pode ser casado e solteiro ao mesmo tempo. exceção: dupla
cidadania);
b) indisponibilidade (coisa fora do comércio);
c) imprescritibilidade (exemplo da usucapião).

13.3. Domicílio

A noção de domicílio é de grande importância para a estabilidade das relações jurídicas.


O conceito de domicílio é legal (70 CPC).
Foro comum é o domicílio do réu.
Existem várias hipótese de foro especial.
Domicílio é o local onde o indivíduo se estabelece como sede principal de sua residência e de
seus negócios.
Domicílio é a sede jurídica da pessoa.
É composto de dois elementos: residência (objetivo) e definitividade (subjetivo).

Domicílio: residência com ânimo de definitividade.


Residência: local habitual.
Morada ou habitação: local eventual, esporádico.
O cc adota a pluralidade do domicílio (cc 71).
Admite-se a figura do domicílio sem a residência determinada. é a teoria do domicílio
aparente. (circenses) (art. 73 cc).
mudança de domicílio (cc 74).
casos de mudança de domicílio: vontade, imposição legal, eleição das partes.

13.3.1.2 Espécies

O domicílio pode ser: a) voluntário, b) necessário ou legal.


O domicílio voluntário pode ser: a) geral (para tudo); b) especial (para determinados atos. é o
foro eleito ou contratual- cpc 111).
Afastamento do foro eleito: contratos de adesão, com prejuízo do aderente; CDC (51, IV).
nesses casos a incompetência relativa do juiz pode ser declarada de ofício.
Domicílio necessário ou legal: art. 76 cc.
Outras hipóteses de domicílio legal: art. 1.569 (casal), diplomata (sede do DF ou último local de
residência).

13.3.2 Domicílio Da Pessoa Jurídica

A rigor a pessoa jurídica não possui residência. fala-se em domicílio especial.


Está previsto no artigo 75, IV,CC.
A pessoa jurídica também pode ter vários domicílios (art. 75, p.1)
As pessoas jurídicas de direito público interno tem domicílio na sede do governo.

14. Atos Do Registro Civil


O registro civil consiste na perpetuação dos dados pessoais dos membros da coletividade, por
um agente autorizado, para fins de autenticidade, publicidade, segurança e eficácia.
O registro civil é regido pela Lei 6.015/73.
O artigo 9 do cc indica quais atos estão sujeitos a registro civil.o artigo 10 do cc indica quais
atos são averbados em registro civil. Aberbação é qualquer anotação realizada em registro já
existente, para indicar alterações ocorridas.

Exemplo: o casamento é registrado, o divórcio é averbado.

São obrigados a declarar o nascimento:


a) os pais,
b) parentes próximos,
c) pessoa idônea;
d) pessoas encarregadas da guarda do menor (LRP 52).
Procedimento registral: artigos 29 a 113 da LRP.

A CF tornou gratuitos o registro de nascimento e a certidão de óbito (art. 5, LXXVI).

CAPÍTULO II - DOS DIREITOS DA PERSONALIDADE.

1. CONCEITO

Certas prerrogativas pessoais são direitos inalienáveis, como o direito à vida, à liberdade, ao
nome, ao próprio corpo, à imagem e à honra.
O reconhecimento dos direitos da personalidade como direito subjetivo deriva, com a feição
atual, da Declaração dos Direitos do Homem.
Ver CF art. 5, X.
O CC cuida dos direitos da personalidade nos artigos 11 a 21.
MARIA HELENA DINIZ divide os direitos da personalidade entre direito à integridade física,
integridade intelectual, integridade moral.
Conceito de FRANCISCO AMARAL: direitos subjetivos que têm por objeto bens e valores
essenciais da pessoa, no seu aspecto físico, intelectual e moral.

2. Fundamentos Dos Direitos Da Personalidade

Uma corrente desprestigiada nega a existência dos direitos da personalidade.


A doutrina tradicional, nacional e estrangeira, reconhece os direitos da personalidade como
direitos inalienáveis.
Os direitos da personalidade se dividem em duas categorias: a) inatos (direito à vida,
integridade física e moral etc), b) adquiridos (direitos intelectuais, artísticos etc.).

3. Características Dos Direitos Da Personalidade

Vide artigo 11 do cc.

a) Intransmissibilidade e Irrenunciabilidade - acarretam a indisponibilidade. contudo, alguns


atributos da personalidade admitem cessão de seu uso: ex.: direito à imagem. permite-se a
cessão gratuita de órgãos e tecidos.
Embora os direitos à personalidade sejam intrasmissíveis, a pretensão de reparação civil, por
ter natureza patrimonial, não o é, vide art. 943 cc.
b) Absolutismo - deriva de sua oponibilidade erga omnes. todos os outros tem um dever de
abstenção.
c) Não-limitação: o rol do cc nos artigos 11 a 21 não é exaustivo, mas meramente
exemplificativo. não é numerus clausus, mas numerus apertus (ex.: direito à velhice digna).
d) Imprescindibilidade - não extinguem pelo decurso do tempo.
e) Impenhorabilidade - não podem ser penhorados. essa vedação não é absoluta, pois alguns
direitos, como os direitos autorais podem ser penhorados.
f) não sujeição à desapropriação.
g) vitaciliedade: se destinam a vigorar pela vida toda, mas mesmo após a morte reclamam
proteção (art. 12, p. único).

4. Disciplina No Código Civil

A CC reverbera o preceito constitucional da dignidade da pessoa humana (art. 1), assegurando


a proteção aos direitos da personalidade (art. 5, X, CF).
O CC determina, ainda, que as pessoas jurídicas também fazem jus a proteção dos direitos da
personalidade (art. 52)

4.1. Da Proteção Aos Direitos Da Personalidade

Decorre do respeito à dignidade da pessoa humana a que se propõe um Estado Democrático


de Direito.
Ver artigo 12 e p. único do cc.
A proteção pode ter caráter preventivo (ações cominatórias) ou repressivo.
A violação a direito da personalidade acarreta responsabilização civil extra-contratual, pois
caracteriza ato ilícito.

4.2. Os atos de disposição do próprio corpo