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UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA

“Júlio de Mesquita Filho”


Faculdade de Filosofia e Ciências–Campus de Marília
Programa de Pós-Graduação em Educação

JEAN CUSTÓDIO DE LIMA

Sistematização de fontes para uma análise do uso das TDICs para o


ensino de língua inglesa: do prescrito ao materializado no cotidiano do
IFCE – Campus Fortaleza

Marília – SP
2018
1 INTRODUÇÃO

Em tese desenvolvida durante o período de 2012 a 2015 junto ao


Programa de Doutorado em Educação da Universidade Estadual Paulista –
Campus Marília (UNESP), tivemos como objeto de pesquisa o uso das
Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDICs) no ensino de
Língua Inglesa no Instituto Federal do Ceará – campus Fortaleza.
Ora, o ensino de língua inglesa (LI), especialmente, nas duas últimas
décadas, vem recebendo um crescente e precioso auxílio, oriundo do uso das
TDICs em ambientes de ensino-aprendizagem, particularmente, a partir dos
anos 90, quando o computador passa a ser utilizado de forma mais intensiva e
sistemática tanto por professores como por alunos de línguas estrangeiras
(LE), quebrando paradigmas e questionando o modelo de escola que vigora já
há tanto tempo e que parece não vislumbrar grandes mudanças para atender
as necessidades das novas gerações, principalmente do público dos institutos
federais, uma vez que além das disciplinas propedêuticas, esses alunos têm
uma sólida formação técnica.

Contudo, vale ressaltar ainda que mesmo sem grandes rupturas da


estrutura escolar até agora, sabe-se que o processo de ensino-aprendizagem
tem sido objeto de preocupação e pesquisa científica nas últimas décadas. Ao
longo desse período, foram planejados, criados e implantados vários métodos,
abordagens e princípios pedagógicos com objetivos diferenciados e cada vez
mais específicos, que se propunham a auxiliar da maneira mais satisfatória
possível, como no uso das TDICs em sala de aula, os agentes do processo de
transferência e aquisição de conhecimento, ou seja, o professor e o aluno
(MEIRA, 2014).

Enfim, da pesquisa, foi-se possível concluir que a instituição em estudo


deve redesenhar a sua cultura educacional atual, absorvendo a cultura digital
pulverizada ao seu redor e desenvolver, no chão de sua escola, dentro das
estruturas de ensino existentes (19 laboratórios), uma verdadeira atitude digital,
isto é, a implementação de um conjunto de diretrizes metodológicas, que
tornem o uso da TDICs, para o ensino de LE, eficaz, eficiente e efetivo dentro
da instituição como já é indicado nos documentos oficiais como os projetos dos
cursos, com o intuito de se aproximar mais do mundo conectado dos jovens de
hoje, permitindo, assim, que eles sejam também coautores do processo de
ensino-aprendizagem, trazendo, no futuro, o que está fora dos muros do IFCE
ou escondido dentro dos laboratórios de informática para todos os ambientes
escolares, garantindo dessa forma, em termos práticos, além da motivação, do
engajamento, da inclusão digital e da sintonia dessas gerações com as TDICs
no ambiente escolar, uma melhora nos resultados acadêmicos da disciplina em
questão através do que Longo (2014, p. 16) chamou de “alma digital”, ou seja,
a capacidade, despertada nos alunos e nos professores, para conhecer a fundo
esses câmbios em relação à tecnologia e atuar efetivamente como cidadão
neste mundo virtual dos dias de hoje. Ainda para o autor (idem, 2014, p. 16):

Deve-se ir muito além de sites, blogs ou páginas no Youtube,


mais que e-commerce, redes sociais, banners ou compra
programática, estamos falando de outra dimensão do
envolvimento digital, aproveitando a onisciência, onipotência e
onipresença que ele proporciona. Precisamos abraçar o big
data e os algoritmos, incentivar o home office e o digital back
no planejamento, nos acostumarmos com reuniões por vídeo
conferência, implementar sistemas colaborativos e generativos,
eliminar estruturas piramidais para operar em rede, rever
hierarquias de poder e estabelecer diálogo em todos os
aspectos da comunicação.

Deve-se destacar que apesar dessa conclusões, embora constem, no


Projeto Pedagógico dos Cursos Técnicos Integrados (2005, p. 4), a ênfase na
formação de profissionais capazes de operar frente ao avanço da tecnologia
por meio de uma formação científico-tecnológica sólida, a busca por um
desenvolvimento de capacidades de convivência coletiva e o do entendimento
da complexidade do mundo contemporâneo, de suas incertezas e de sua
volatilidade, indaga-se, diante das possibilidades apresentadas anteriormente
pelo uso das TDICs no locus estudado e da própria prescrição em documento
norteadores da própria instituição: se os professores foram preparados para
lidar com esses gadgets em sala de aula?
No que concerne a essa questão, Goodson (1995, p. 33) afirma:

[...] o que está prescrito não é necessariamente o que é


apreendido, e o que se planeja não é necessariamente o que
acontece. Todavia, como já afirmamos, isto não implica que
devamos abandonar nossos estudos sobre prescrição, como
formulação social, e adotar, de forma única, o prático. Pelo
contrário, devemos procurar estudar a construção social do
currículo tanto em nível de prescrição quanto em nível de
interação.

Ainda sobre essa questão, Chervel (1990) aponta também que há uma
incongruência entre o que é prescrito (finalidade real) e o que de fato acontece
nas salas de aula, haja vista que há de se considerar “o caráter eminentemente
criativo do sistema escolar”. Isto é, a escola é, em diferentes momentos,
tributária de um complexo de objetivos que se sobrepõe e se combina numa
arquitetura que se pode consolidar como modelo. Esta é a razão pela qual, o
pesquisador defende ainda que para que se possa apreender essa verdade, ou
parte dela, deve-se voltar a pesquisa para fontes primárias como os planos de
aula, os manuais didáticos e os cadernos escolares, uma vez que esse corpus
pode revelar uma história ainda não relatada que, em algum nível, apresenta
um currículo real. Na verdade, mostrando que o currículo não se reduz apenas
aos ensinamentos programados. Nessa linha, Chervel (1990, p. 8) diz ainda
que:

Em suma, as disciplinas literárias não estão sozinhas em jogo.


Demonstrou-se que alguns conceitos matemáticos introduzidos
há uns vinte anos no primeiro ciclo do secundário não têm
muito em comum com seus homônimos eruditos que lhe
serviriam de sustentação: os didáticos da matemática medem
hoje a distância existente entre o "saber erudito" e o "saber
ensinado".

Isso posto, este estudo se propõe, em nível de estágio pós-doutoral, a


compreender a cultura escolar do IFCE – Campus Fortaleza no que concerne
ao ensino de LI e ao uso das TDICs e, para tal, se faz necessário analisar o
conjunto das normas e práticas definidoras dos conhecimentos que os
documentos oficiais determinam e o que concretamente acontece, o que
realmente é apropriado no contexto escolar, no chão da escola, tendo como
fontes de pesquisa cadernos, planos de ensino, livros, provas e material
didático em geral. Diante disso, para realizar esta pesquisa, teremos como
objetivos:

 Objetivo geral:
a. Identificar, recuperar e sistematizar fontes para uma análise do uso
das TDICS para o ensino de língua inglesa: do prescrito ao
materializado no cotidiano do IFCE – Campus Fortaleza;

 Objetivos específicos:
a. Descrever os documentos oficiais (Projeto Pedagógico dos Cursos
Técnicos Integrados, PUDs etc) que regem o uso das TDICs no
ensino de LI;
b. Identificar e recuperar aspectos da formação dos professores
(currículo Lattes e outros) que apresentem dados voltados para o
trabalho em sala de aula com as TDICs.

Deve-se destacar que esta pesquisa será realizada seguindo o


seguinte cronograma:

CRONOGRAMA

2019 M A M J J A S O N D J F M
Pesquisa X X X X X X X X X X X X
Seminári x
o de
História
da
educação
Ministrar x
disciplina
Entrega x
do artigo

Referências bibliográficas

CHERVEL, A. História das disciplinas escolares: reflexões sobre um


campo de pesquisa. Teoria e Educação, Porto Alegre, Panonica, nº 2, p. 177-
229. 1990.

GOODSON, I. F. Currículo: teoria e história. Rio de Janeiro: Vozes, 1995.


Projeto Pedagógico de Cursos Integrados. 2005. IFCE.

MEIRA, M. Entrevistas com Luciano Vieira. Disponível em:


http://www.revistapontocom.org.br/entrevistas/entrevista-com-luciano-meira> Acesso
em 20 de Julho de 2014.

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