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EXMO(A). SR(A). DR(A).

DESEMBARGADOR(A)
PRESIDENTE(A) DO EGRÉGIO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO
ESTADO DE SÃO PAULO.

GASTÃO PINTO PACHE DE FARIA JÚNIOR, advogado,


inscrito na OAB/RS sob o n.º52E029, com escritório profissional
sito na cidade de Porto Alegre/RS, na rua Carlos Gomes, nº
1.000, bairro Petrópolis, CEP 98765-432,
gastao@pachedefaria.adv.br, onde recebe intimações, vem
respeitosamente perante esse Egrégio Tribunal, com fulcro no
art. 5º, LXVIII, CF, arts. 647 e seguintes do CPP, impetrar o
presente:

HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE


CONCESSÃO DE LIMINAR

Em benefício do paciente ROBERTO JEFFERSON, brasileiro,


casado, advogado, nascido aos 04/05/1954, portador da cédula
de identidade RG no 987654321, inscrito no CPF/ MF sob o nº
123.456.789-00 , residente e domiciliado na cidade de São Paulo/
SP, na rua Pedro Afonso, no 12, bairro Moema, CEP 12345-678,
roberto.jefferson@gmail.com, atualmente recolhido na
Penitenciária Valentim Alves da Silva" de Álvaro de Carvalho, o
qual vem sofrendo violenta coação em sua liberdade, por ato do
Excelentíssimo Senhor Juiz a quo, pelos motivos de fato e de
direito a seguir delineados:
DOS FATOS:

Preso em flagrante delito, no dia 01/04/2020 como incurso nas


sanções previstas no art. 33 da Lei n.º 11.343/2006 (tráfico de
drogas) e no art. 16, parágrafo único, IV, da Lei n.º 10.826/2003
(estatuto do desarmamento) pelo porte de arma de fogo de uso
restrito, com a numeração raspada, de acordo com o que dispõe
o art. 69 do Código Penal brasileiro.

Encaminhado para o Juiz de plantão da custódia pleiteou-se a


liberdade provisória do seu cliente.

Indeferido pelo juiz a quo que entendeu não merecer acolhida o


pedido, fundamentou seu entendimento na gravidade dos crimes
impostos ao paciente, bem como ao que ele portava no instante
ato da prisão em flagrante (10 cápsulas de cocaína destinadas à
traficância, e arma de fogo de uso restrito).

Referindo-se, ainda, que a primariedade e os bons antecedentes


não eram pressupostos a impor a liberdade de forma
incontinente, o magistrado de primeira entrância concluiu sua
cognição coadunando com o que fora pautado pelo Ministério
Público, “que melhor razão estava com a bem pautada alegação
feita pelo Parket, que se colocou contrariamente à liberdade
provisória, (I) consoante o disposto no art. 21, da Lei n.º
10.826/2003 (estatuto do desarmamento), que proíbe a
liberdade provisória no caso de crime previsto no artigo 16, e (II)
da mesma forma o disposto no artigo 44, da Lei de Drogas.”.
DO DIREITO:

A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988


prescreve em seu art. 5º, inciso LXVIII, que será concedido ao
impetrado habeas corpus ante violência ou coação em sua
liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder da
autoridade coatora.

Sempre, que alguém sofrer constrangimento ilegal, já efetivado,


para afastá-lo pedirá alvará de soltura (habeas corpus
liberatório), ou quando se achar em iminente ameaça à liberdade
de locomoção a que possa vir sofrer, para se resguardar pedirá
salvo conduto (habeas corpus preventivo).

Em igual substrato, o Código de Processo Penal contempla em


seus artigos 647 e 648:

"Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou


se achar na iminência de sofrer violência ou coação ilegal na sua
liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição disciplinar";
"Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:
I - Quando não houver justa causa; (...)".
A exigência de fundamentação do decreto judicial de prisão
cautelar, seja temporária ou preventiva, tem atualmente o
inegável respaldo da doutrina jurídica e da jurisprudência dos
tribunais do país, sendo, em regra, inaceitável fundamentar,
arrazoando rasamente, que a só gravidade do crime imputada à
pessoa seja suficiente para justificar a sua segregação, antes de a
decisão condenatória penal transitar em julgado, em face do
princípio da presunção de inocência expresso no art. 5°, LVII, da
CF.
A simples reprodução das expressões ou dos termos legais
expostos na norma de regência, divorciada dos fatos concretos ou
baseada em meras suposições ou pressentimentos, não é
suficiente para atrair a incidência do art. 312 do Código de
Processo Penal, tendo em vista que o referido dispositivo legal
não admite conjecturas.

Por conseguinte, é fora de dúvida que o decreto de prisão cautelar


há de explicitar a necessidade dessa medida extrema, indicando
os motivos que a tornam indispensável, entre os elencados nos
arts. 312 e 313 do CPP, como, aliás, impõe o art. 315 do mesmo
Diploma.

Como é cediço, a prisão cautelar é medida excepcional e deve ser


decretada, apenas quando devidamente amparada pelos
requisitos legais, em observância ao princípio constitucional da
presunção de inocência ou da não-culpabilidade, sob pena de
antecipar a reprimenda a ser cumprida, quando sim, correto
seria do momento após a condenação.

A mera alusão à requisito legal da segregação cautelar, sem


apresentação de fato concreto, determinante, não pode servir de
motivação à custódia, segundo jurisprudência pacífica do STJ e
do STF.
Em que pese, não fundamentou sua cognição o magistrado de
chão, a quo, ao fato de simplesmente coadunar com o arguido
pelo Ministério Público, não satisfeito de, anteriormente, já ter
feito a construção do seu julgamento de valor no entendimento,
simples, acerca da gravidade dos crimes impostos ao paciente,
bem como ao que aquele tão só portava no ato da prisão em
flagrante.

Senão vejamos a incoerência da arguição do Parket, na sua


própria fundamentação a qual acompanhou o juízo a quo, ambos
transcorreram com base em suposições que não encontram
qualquer amparo nas provas colhidas, consubstanciando ainda
no presente WRIT, a exacerbação e reiterados erros na
interpretação e aplicação da lei após incorreta subsunção.

Irrefutável, de rigor, é a compreensão extraída das correções que


elucidam o válido e exigível entendimento, que deve ser
interpretado às duas leis, afastadas as conjecturas
equivocadamente pelos doutos citadas. Conforme segue, agora
cândidas e bem posicionadas se mostram não aplicáveis ao caso
concreto:

(I) Anote-se, ainda, que, por ocasião do julgamento da ADIN


3.112-1/DF, do STF, Rel. Min. Ricardo Lewandowski,
considerou-se inconstitucional o disposto no art. 21 da Lei
10.826/2003 (estatuto do desarmamento) grifo meu, que proibia
a liberdade provisória no caso dos crimes de posse ou porte ilegal
de arma de fogo de uso restrito, comércio ilegal de arma de fogo
e tráfico internacional de arma de fogo.
(II) Com relação ao artigo 44 da Lei 11.343/2006, a
jurisprudência dos Tribunais Superiores já pacificou o
entendimento de que a proibição da liberdade provisória pelo
legislador é inconstitucional, uma vez que a lei não pode vedar a
liberdade em razão tão somente da gravidade abstrata do delito.
Grifos meus.

Ademais, para ocorrer o cerceamento da liberdade de qualquer


cidadão deve-se observar os princípios e garantias previstos na
Carta Magna, o que foi gritantemente violado, além de,
vislumbrar que, no caso em tela, não ocorreram os requisitos do
artigo 312 do CPP (prisão preventiva) do paciente, na inteligência
do parágrafo 2 deste artigo (redação dada pela Lei 13.964/2019),
onde prevê, que: “A decisão que decretar a prisão preventiva deve
ser motivada e fundamentada em receio de perigo e existência
concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a
aplicação da medida adotada”.

Por outro lado, o artigo 282, parágrafo 6 do Código de Processo


Penal (Lei 13.964/2019) dispõe, que: “A prisão preventiva
somente será determinada quando não for cabível a sua
substituição por outra medida cautelar, observado o art. 319
deste Código, e o não cabimento da substituição por outra
medida cautelar deverá ser justificado de forma fundamentada
nos elementos presentes do caso concreto, de forma
individualizada. ”.

Posto isto, as medidas cautelares dispostas no artigo 319 do CPP


se mostram bastante suficientes ao caso em tela.
DA LIMINAR:

Vislumbra-se, em face do que fartamente se expôs até aqui, a


congruência da situação constrangedora e ilegal a que se impôs
ao paciente por mera conjectura jurídica sem respaldo legal.

De tal forma isto posto, funda-se presente no fumus boni iuris e


no periculum in mora, para que se consolide toda a matéria de
direito arguida pelo impetrante. Uma vez que há plausibilidade
do direito alegado ante a ofensa à liberdade de locomoção do
paciente, conforme demonstrada, bem como da possibilidade, de
que a demora na sua satisfação venha a causar grave dano ou de
difícil reparação a ele, cuja liberdade, somente ao final do
processo importará em inaceitável e injusta manutenção da
violação ao seu status libertatis.

De rigor, a presente ordem de habeas corpus deve ser concedida


liminarmente com o fim de obstar a prisão preventiva do ora
paciente.

Agindo assim, essa Colenda Corte de Justiça, aplicará o direito à


espécie fazendo cessar a ilegalidade advinda do ato da autoridade
coatora a quo que se abateu sobre o paciente, devendo ser
remediada por esse Colendo Tribunal ao conceder o WRIT,
deixa-se respeitosamente, conforme exposto.
DOS PEDIDOS:

Portanto, com base nos arts. 5º, LXVIII da Constituição Federal,


647 e seguintes do Código de Processo Penal, requer do(a) nobre
desembargador(a) a CONCESSÃO DA MEDIDA LIMINAR para
revogar a prisão preventiva, com a competente expedição do
ALVARÁ DE SOLTURA, a fim de que seja o paciente posto em
liberdade, ou caso seja o entendimento de V. Exa., sem prejuízo
das cautelas cabíveis, ao menos substituí-la, em análise da
possibilidade, da aplicação de uma das medidas cautelares
alternativas, além dos demais dispositivos que regulam a matéria
e instrumentalizam a cidadania para o exercício da ação
constitucional, o remédio que garante a liberdade pessoal,
impetra-se em favor de ROBERTO JEFFERSON, seja
confirmada esta ordem de HABEAS CORPUS, ao final.

Nestes Termos,

Pede Deferimento.

Porto Alegre/RS 28/09/2021.

GASTÃO PINTO PACHE DE FARIA JUNIOR – OAB/RS 52E029

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