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Estudo DIP II
Prof. Osvaldo 1ª prova

I - Organismos Internacionais da Paz:

1.0 Liga das Nações:


Criada em 1919 no Tratado de Versalhes, com sede em Hara na Holanda, é dotada
de órgão judiciário, o Core Permanente de Justiça Internacional. Foi criada pelos
E.U.A, apesar deste não participar de sua composição devido a imposição do
Senado Americano em retificar o Tratado de Versalhes. A liga era constituída por 9
membros, sendo 5 permanentes (ITA,FRA,ING,JAP,BRA) havia também uma
Assembléia Geral e um Secretariado. A organização falha na detenção da II
Guerrra Mundial.

2.0 Organização das Nações Unidas (ONU):

- Objetivos principais são:


a) limitar agressões internacionais, b) manter a paz e a segurança mundiais c)
desenvolvimento e respeito aos direitos humanos.
- Estrutura:

a) Assembléia Geral:

Absoluta paridade jurídica entre os membros, não é órgão permanente é órgão


anual (3ª feira do mês de setembro). O Brasil é quem abre a assembléia Geral, o
primeiro presidente foi Oswaldo Aranha. Nas questões processuais decide por ½ +
1 dos membros votantes. Nas questões substantivas maioria qualificada de 2/3 dos
presentes votantes. Para decidir se questão é subjetiva ou adjetiva: ½+1 (ou seja,
ela mesma é uma questão adjetiva.)

b) Conselho de Segurança:

Órgão restrito é previsto o uso da força. É pedra fundamental das nações unidas. É
órgão executivo permanente, tem competência política maior, mas não exclusiva,
divide com a assembléia geral. Tem 5 membros permanentes
(E.U.A,ING,FRA,RÚSSIA,CHI) (eleitos por 2 anos s/ subseqüência) e 10 não
permanentes (total 15). Questões substantivas decisão por voto afirmativo dos 9
membros, inclusive os 5 permanentes. (este é o direito de veto disfarçado). Dúvida
sobre a natureza da matéria é considerada questão substantiva (duplo veto, que
não necessita de fundamentação e nem possibilita instrumento recursal). Questões
adjetivas decisões serão tomadas por 9 membros quaisquer.
O conselho tem competência para: a)Manutenção da Paz: hipótese em que os
litigantes concordam com a intervenção da ONU. B) Restauração da Paz: Não há
inimigo, há fim humanitário e visa garantir integridade da nação. Neutralidade dos
EUA. C) Imposição da Paz: Há um inimigo (determinado governo) as forças da ONU
fazem guerra, não há imparcialidade.

c) Secretariado (Secretario Geral é chefe do administrativo):

Poder de incluir automaticamente um assunto qualquer dentre os importantes no


Conselho de Segurança. O mandato é de 5 anos e pode ser reeleito. Ele existe
devido a uma emenda ao projeto de carta da ONU proposta pelo Brasil, que
propunha dotar o secretario geral de iniciativa política, ou seja, poderia chamar
atenção do conselho de segurança para todo assunto que em sei entendimento era
perturbador da paz e da segurança internacional, sendo obrigado ao conselho
apreciar a questão.
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d) Conselho de Tutela:

Sucede ao sistema de mandato das Ligas das nações. A finalidade dele foi
conseguir independência estável dos territórios que pertenciam às potências
derrotadas na 1ª guerra Mundial. São chamados territórios fiduciários quando
estavam sem governo. Hoje a tutela dos paises que restaram nestas condições esta
nas mãos dos EUA e Japão. Hoje a função do Conselho é manter os paises
independentes, através da tutela estratégica que é relação entre o Conselho de
Segurança e as potências exercedoras desta tutela.

e) Conselho Econômico e Social:

Teve papel de coordenar os direitos humanos. Hoje virou Conselho de Direitos


humanos e se reporta à Assembléia Geral. Foi de onde nasceu o CEPAL
(desenvolvimento da América latina). Depois vieram também comissões
econômicas para outras partes pobres do globo.

d) Corte Internacional de Justiça:

Órgão judicial permanente com papel de dirimir conflitos. Poder de dizer o direito
internacional. Tem sede em Haia na Holanda, composta de 15 magistrados,
mandato de 9 anos c/ reeleição. Nenhum individuo ou organismo internacional pode
ser parte perante este tribunal. Porém a jurisdição consultiva esta aberta a
organismos internacionais autorizados pela Assembléia Geral, dentre eles as O.Is, e
é feita através de parecer. Todavia, a obediência às decisões, segundo as grandes
potências deve ser facultativa. Esta questão foi resolvida pela cláusula Raul
Fernandes (brasileira), conhecida como cláusula facultativa de jurisdição
compulsória, ela estabelece o aspecto da reciprocidade, só vale decisão sobre o
litígio entre países que tiverem assinado a clausula antes. A aceitação da clausula
deve ser enviada por nota diplomática ao Secretariado Geral por aqueles Estados
que quiserem aderir.
Assim, a clausula configura a seguintes situações: Os Estados membros poderão
a qualquer hora declarar que aceitam a jurisdição da Corte Internacional para as
decisões de controvérsia jurídica. Dai acontece que: A ajuíza questão contra B. B é
citado a comparecer. B pode comparecer e aceitar jurisdição somente para este
caso, ou aceitar para sempre. No entanto, se B não for membro, não pode obrigar
A, que é membro, a comparecer em juízo. Já se, ambos forem membros e nenhum
aparecer julga-se revelia (são obrigados a parecer sob pena de que o ausente perde
a razão).
A sentença da Corte é obtida através de nove votos entre os 15 membros. Sendo
definitiva e inapelável. Mas são permitidos os recursos de interpretação da
sentença e da revisão da sentença, seriam os embargos do plano interno. Na feitura
da sentença, pode haver discordância entre os magistrados quanto ao motivos que
fundamentam a sentença, a isso da-se o nome de opinião individual da sentença
que pode ter importantes desdobramentos posteriores. Há ainda possibilidade de
discordância em relação ao dispositivo que permite ao juiz discordante a
apresentação de sua opinião dissidente que será inserida na sentença. A
importância da opinião dissidente e da opinião individual estão no recurso de
interpretação, cuja natureza seria o clareamento da sentença. Em caso de
descumprimento de sentença decidida o Conselho de Segurança pode ser acionado.
O recurso de revisão deve ser fundamentado num fato novo surgido até 10 anos
após a sentença proferida.

OBS: Juiz Nacional- O Estado que não tiver representante na Corte, pode optar por
ter um juiz na causa específica.Este não precisa ter vínculo de nacionalidade.

II - Nacionalidade:

Defini-se como vínculo entre individuo e Estado. A corrente Alemã diz que seria o
resultado de raça, língua, religião comuns (ênfase aos elementos materiais). Já a
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corrente Francesa diz que se deve a aspecto psicológico, a nação é caracterizada


pelo querer viver junto. Conceito Jurídico de nacionalidade é vinculo jurídico entre
individuo e Estado.Isto porque dele decorrem vários direitos e deveres tanto do
estado quanto do individuo.

OBS: Estado ≠ Nação entre ambos não há identidade absoluta

1.0 Legislação Internacional sobre Nacionalidade:

 Art. 15 da Declaração Universal de Direitos Humanos estabelece que todo


indivíduo tenha direito a nacionalidade.
 Pacto São José da Costa Rica acrescenta que toda pessoa tem direito à
nacionalidade do território onde nasceu, se outra não for possível.

2.0 Características/Princípios da Nacionalidade:

 Vínculo jurídico da nacionalidade tenha efetividade: Ou seja, relação entre norma


e fato social. Deve haver confusão entre os interesses do cidadão e o daquela
comunidade adotada.
 Impermanente: Este vínculo deve ser estreito e durável, mas não permanente,
uma vez que o individuo deve ter o direito de alterar a nacionalidade.
 Individual: Antigamente o pai perdia a nacionalidade, todos perdiam hoje ela
é individual.

Obs.: A nacionalidade da Pessoa Jurídica é o lugar da sede e não de acordo com


sua maioria acionária.
Obs.: Nos territórios sem soberania, cada pais se responsabiliza por sua unidade
(barco etc).

3.0 Histórico:

Historicamente os critérios para atribuir nacionalidade são: nacionalidade originária


(individuo adquiri ao nascer) e nacionalidade adquirida ( adquirida ao longo da vida
do individuo).
 Nacionalidade Originária: Regida por dois critérios: A) Ius sanguinis nacional
é filho do nacional, não importa onde nasça (Europa). B) Ius Soli:
nacionalidade definida pelo local do nascimento.
 Nacionalidade adquirida/Derivada: Regida pelos seguintes critérios: A)
Mutações territoriais: Da-se opção de manter identidade original, no caso em
que há mudança de soberania do território (anexação ou requisição
territorial). B) Por Casamento: usado em alguns paises, não há vontade
inequívoca. C) Por benefício da Lei: pode ser por vontade ou permissão da
lei. Alguns não perguntam ao individuo, outros permitem a aquisição. D) Ius
labore: vinculo empregatício. E) Por Naturalização: Permite que o individuo
mude sua nacionalidade, ou volte a ter a anterior, desde que preencha
condições legais do país. A maioria dos Estado faz o individuo perder a
nacionalidade anterior à naturalização, a naturalização não tem efeito
retroativo (extradição).

Obs.: Brasil adota sistema Misto, adquirida e originária.

4.0 Apátridas e Polipátridas:

 Apátrida: aquele que não tem nacionalidade. E.C de 2007.


 Polipátrida: Dupla Nacionalidade

Convenções que lutam contra estes fenômenos:

Convenção de Aya (1930):


outro Estado se houver revestimento e efetividade.
Condena na constância do casamento a mudança de pleno direito da mulher casada
por fato de mudança da nacionalidade do marido. (Faz surgir que a nacionalidade é
individual)
Determina que a perda da nacionalidade da mulher em casamento c/ estrangeiro seja 4
feita somente após a certificação de que o cônjuge adquiri nova nacionalidade (visa
evitar apatridiase)

Convenção sobre a Nacionalidade da Mulher (Montevidel 1933):


Condena qualquer legislação discriminatória, em relação aos apátridas, polipatridas ou
a mulher.

Convenção sobre a Nacionalidade da Mulher casada (NY 1987):

Imuniza na constância do vinculo matrimonial a nacionalidade da mulher casada em


relação ao efeito automático do casamento, do divorcio ou da mudança de
nacionalidade do marido.

Convenção de Aya (1930):


Liberdade do Estado em conceder sua nacionalidade ao indivíduo só é oponível a
outro Estado se houver revestimento e efetividade.
Condena na constância do casamento a mudança de pleno direito da mulher casada
por fato de mudança da nacionalidade do marido. (Faz surgir que a nacionalidade é
individual)
Determina que a perda da nacionalidade da mulher em casamento c/ estrangeiro seja
feita somente após a certificação de que o cônjuge adquiri nova nacionalidade (visa
evitar apatridiase)
Convenção sobre a Nacionalidade da Mulher (Montevidel 1933):
Condena qualquer legislação discriminatória, em relação aos apátridas, polipatridas ou
a mulher.
Convenção sobre a Nacionalidade d Mulher casada (NY 1987):
IV - Exclusão
Imuniza do Estrangeiro
na constância do vinculo matrimonial a nacionalidade da mulher casada em
relação ao efeito automático do casamento, do divorcio ou da mudança de
 Impedimento
nacionalidade Irregular:
do marido.
É recusa de indivíduo estrangeiro por falta de documento exigido para adentrar o país, ele
não chega a entrar. É atribuição da polícia da fronteira. Não cria registro, nem seqüela, se
ele conseguir o documento ele pode voltar. Ex.: Falta de visto, passaporte etc.

 Deportação:
É o estrangeiro que se encontra ilegalmente no Estado e é obrigado a sair dele. Não cria
ficha suja, o individuo pode voltar legalmente, deixa registro. Ex: Pessoa que entra ilegal e
a que fica com visto expirado.

 Expulsão de Estrangeiro:
Ato pelo qual Estado expulsa estrangeiro, domiciliado, residente ou de passagem, e este
não pode retornar enquanto o decreto que o expulsou estiver em vigor, mas ele sai em
liberdade do território. Fundamento no direito da hospitalidade, mas na verdade é ato
soberano, de um Estado que tenta se conservar diante de individuo que o ameaça (direito
de conservação). Assim a expulsão não é pena, mas medida preventiva do Estado. O
poder judiciário avalia a legalidade da expulsão que é ato discricionário do Poder
Executivo. Contra a expulsão cabem habeas corpus e mandado de segurança. Como
forma de vedar a expulsão arbitraria por questões políticas a Convenção interamericana
sobre comissão de estrangeiros, em 1928, art.6º: “Os Estado podem por motivo de ordem
ou segurança pública expulsar estrangeiro...” E o Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políticos no art 13º: Estrangeiro legalmente no Estado só pode ser dele expulso em
decisão conforme a lei ou ameaça nacional”. Assim evita-se que se expulse por capricho.

 Extradição:
Ação pela qual um Estado entrega a outro individuo para punição,contanto que o Estado seja
competente para puni-lo. Solidariedade em combate ao crime. Aqui o individuo é arrastado,
preso para fora. Hoje não se extradita por motivos políticos, não serem caso de ameaça a
chefe de Estado (maioria dos países), mas se extradita por crime comum. (Graças a Rev.
Francesa).

• Este instituto atravessou diversas fases históricas:


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 1ª Fase (contratual): Só se extraditava entre países que tinham contrato de


extradição, ou compromisso de reciprocidade. Não havia controle jurisdicional, era ato
meramente executivo.
 2ª Fase (Legislativa): As legislações internas falam sobre o instituto de forma
a oferecer garantias, e a passar pela avaliação do judiciário, e da ao extraditado direito
ao contraditório.
 3ª Fase (Internacional): É uma volta a primeira, só que aquela era bilateral
esta é entre vários Estados. Ou seja, é multilateral.

• Tipos de Extradição:

 Extradição de Fato: Não é propriamente Extradição, é cortesia entre policias de


fronteira, é sumária entrega do individuo sem obedecer a processo, é condenada pois
pode envolver arbitrariedade, e tirar o cidadão da proteção legal.
 Extradição de Direito: Obedece a norma e ao devido processo legal.

• Finalidade da Extradição:

 Execução Instrutória: Quando visa abertura de inquérito contra sujeito.


 Execução Executória: Quando visa entrega de indivíduo já sentenciado em seu país de
origem, para cumprimento de pena.
 Execução de Trânsito: é mera passagem inocente do Ind. Acompanhado de policia
estangeira sobre território intermediário entre os Estados envolvidos num processo de
extradição. Só pode ser feito com autorização do Estado de passagem.
 Re-Extradição: Em decorrência de um individuo que cometeu crime em diversos
Estados, ou os atingiu com eles. Assim, A é Estado do qual o Ind. foi requerido
originalmente por B que alega que Ind. cometeu crime em seu país. Se durante o
trâmite C infomar ter razões mais grave para puni-lo e o Estado original consentir, e
Estado B extraditar ind. ao Estado C estará configurada a Re-extradição. O estado de
refúgio (original), sempre terá a palavra final na re-extradição.

Obs.: extraditando = individuo sobre o qual pesa o processo de extradição/ Extraditado =


Ind. Já entregue ao Estado adquirente.

• Princípios basilares da Extradição:

 Princípio Especialidade: visa proteção do extraditado, ele não poderá ser processado
ou punido por crime diferente daquele que motivou sua extradição. Exceções a
esse princípio são: a) hipótese em que o extraditado consente em ser processado
por outros crimes não constantes no pedido de extradição, não aceito pela
Convenção Interamericana de 1981. b) No caso de o individuo desrespeitar o prazo
máximo de estadia no Estado de origem, após ter sido julgado inocente (30 dias)
(45 na Europa).
 Princípio Identidade: Estabelece que não se dará extradição se no território de refúgio
não for considerado crime a conduta que fundamenta pedido de extradição.
Estende-se a a pena, a extradição é vedada quando no país de refugio não houver
pena tão grave quanto a do pais requerente deseja. Ex.: Pena de morte, ou prisão
perpétua, pena degradante. Hoje no Brasil STF tem usado só para pena de morte,
converte em 30 anos de prisão.
 Principio da Não Extradição de Nacional: Nossa constituição (desde a de 1934)
acredita que a pena deve ser cumprida na casa do Individuo, mas admite
extradição no caso de tráfico de entorpecentes. Mas hoje existe acórdão do STF
dizendo que só os Brasileiros Naturalizados poderiam ser extraditados, visto eu a
concessão de nacionalidade poderia ser cassada e o Ind. Voltaria a ser estrangeiro,
podendo ser então extraditado.
Obs: Só há extradição em crimes comuns, ou delitos de crime internacional (crime de
guerra,contra a paz, genocídio). Crimes Militares NÃO são motivo de extradição, nem os
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de motivos políticos. Nos crimes de ambos os aspectos predomina caráter de crime


político e não se extradita.

• Exigências da Extradição ao País Requerente:

O Executivo exige cumprimento de compromissos oficiais do País requerente, sem os


quais o extraditado não será entregue:

 Respeito ao princípio da Especialidade.


 Respeito ao princípio da Identidade: Compromisso em adotar pena privativa de
liberdade apenas. (Se o país requerido não tiver pena de morte etc).
 Obter prévia autorização se quiser re-extraditar.

• Trâmites do Pedido de Extradição:

Pedido em via
Diplomática Ministério

ição
extrad
so de
proces
so de
proces
de
Aviso
Ao Ministério das da Justiça
Relações Itamaraty
Exteriores

Poder Executivo STF avalia legalidade, abre


através do Ministro da processo,decisão inapelável
Justiça declara ou não com embargos declaratórios,
Extradição. Presidente se considerar improcedente e
assina Decreto de Exec. Não pode fazer nad.
expulsão.