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O documentário original da Netflix “O Dilema das Redes” traz diversos profissionais da área de

tecnologia que trabalharam em grandes nomes como Google, Facebook, Instagram e outros para
compartilhar sobre percepções que tiveram sobre o que está por trás de tudo que vemos.

No início, um dos entrevistados fala “When I was there, I Always felt like, fundamentally, it was
a force for good” Mas completa: “I don’t know if I feel that way anymore”. Outro entrevistado fala sobre
como essas plataformas foram positivas em diversos aspectos e logo após: “... I think we were naive
about the flip side of that coin”. Após essas percepções iniciais, surge a pergunta: Mas qual é o
problema?

Tristan Harris cita alguns problemas como vício, escândalos, fake news, polarização mas diz que
existe um problema que não tem um nome específico mas está acima desses outros e está relacionada
a uma fonte. Quando ele trabalhava no Google, estava numa equipe de desenvolvimento de uma parte
gmail e ele próprio estava viciado. Ao olhar ao redor, uma equipe de aproximadamente 50 pessoas
estava preocupada com aspectos da aparência, mas ninguém estava se preocupando em maneiras de
torná-lo menos viciante e como influenciaria a vida de bilhões de pessoas.

Uma das frases marcantes do documentário “If you’re not paying for the product, then you are
the product”. Fica evidente, então, que um dos principais problemas é que essas plataformas têm
ganhado cada vez mais dinheiro, “vendendo” seus usuários e competindo pela atenção (tempo de tela)
deles. Elas deixaram de ser apenas ferramentas que são úteis para interação, compartilhamento,
pesquisa, fonte de informações, entre outras funcionalidades e desenvolveram algoritmos que
monitoram tudo o que o usuário faz, aprendendo seu perfil e levando a ele o que o algoritmo julga mais
importante, que vai prendê-lo mais e, assim, “ganhar” o máximo de atenção que for possível, até mesmo
de certa forma manipulando-o. Quanto maior for a atenção recebida do usuário no aplicativo tal, maior
será o ganho a partir de anúncios.

Depois de entender um pouco mais sobre o problema, surge a pergunta “Como resolvê-lo?”.
Penso que não tenha uma fórmula para isso pois envolve muitos fatores e, com certeza, muito dinheiro.
Não acredito que apenas com o alerta feito a nós, que usamos essas plataformas, e com o conhecimento
de um pouco do que está por traz de tudo isso seja possível fazer as mudanças necessárias. Mas entendo
que, como vimos em algum dos capítulos do livro que estamos estudando, refletir sobre essa questão
já é o primeiro passo na direção de uma solução.

Quando entendemos o impacto que estar presos nas redes traz às nossas vidas, podemos tomar
algumas medidas para tentar diminuir essa influência negativa. Uma delas, citada no próprio
documentário, é desativar as notificações. Eu, particularmente, tenho as notificações de alguns
aplicativos desativadas e vejo que realmente entro muito menos e gasto muito menos tempo neles.
Além disso, utilizo o “temporizador de aplicativo” que limita a quantidade de horas que posso passar
em determinado aplicativo; quando atinjo esse limite, o próprio celular me avisa que o tempo se esgotou
e bloqueia o aplicativo até o dia seguinte.

Essas são medidas que eu chamaria de “corretivas”, mas não acredito que sejam suficientes pra
resolver o problema. Mas se cada um compreender o impacto que traz sobre nossas vidas, buscar
minimizá-los e começarmos a cobrar medidas e políticas que limitem esse “poder” das plataformas,
penso que estaríamos no caminho para uma mudança efetiva. É bastante complexo, pois ao mesmo
tempo que a tecnologia traz muitas facilidades e benefícios pode ser bastante prejudicial, então é
importante achar um equilíbrio e trabalhar baseado nele, usando as ferramentas disponíveis para nos
auxiliar e ao nosso favor, não o contrário.

“It’s not about the technology being the existential threat; it’s the technology’s ability to bring out the
worst in society, and the worst in society being the existential threat.” (Tristan Harris)

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