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Letras e Poemas Desclassificados 1

Letras & Poemas Desclassificados


Letras e Poemas Desclassificados 2
Letras e Poemas Desclassificados 3

Banda Desclassificados

LETRAS & POEMAS DESCLASSIFICADOS

D. Scopel
F. Foresti
Fabiano F.
L. Manzoni

Florianópolis, 2009
Letras e Poemas Desclassificados 4

© Copyright 2007-2009
Todos os direitos reservados, Fabricio Foresti
email: contato@desclassificados.com

_____________________________________
Direitos reservados e protegidos. Nenhuma parte deste livro poderá ser
reproduzida por qualquer meio, sem autorização prévia do autor.
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Foresti, Fabricio (Org.), 1978-


Letras e poemas desclassificadas / Fabricio Foresti,
Leonardo Manzoni, Fabiano Foresti. Daniel Scopel .
Florianópolis: Edição do Autor, 2009. 106p.

ISBN:

1 Poesia. 2 Música - Letras. I. Banda Desclassificados. II.


Manzoni, Leonardo. III. Foresti, Fabiano. IV. Scopel., Daniel
Letras e Poemas Desclassificados 5

Aos artistas da fome de Florianópolis


Letras e Poemas Desclassificados 6
Letras e Poemas Desclassificados 7

"Dormita, alma, dormita!


Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita
É a véspera de não partir nunca!"

Álvaro de Campos
Letras e Poemas Desclassificados 8
Letras e Poemas Desclassificados 9

Sumário

Letras .................................................................................... 13
Coleira de prata ...................................................................... 15
Hell cultural ........................................................................... 17
Não me mace com a verdade …............................................. 18
O homem sem qualidades ...................................................... 19
Me deixem respirar ................................................................ 20
Grande dose ........................................................................... 21
Proteção .................................................................................. 22
Escutei o som ......................................................................... 23
Bêbado de tanto sentir ............................................................ 24
Meu coração objeto ................................................................ 26
Naquele local ......................................................................... 28
Boneco sem menino ............................................................... 29
O universo sou eu ................................................................... 30
Melhor ângulo de si ............................................................... 32
Quebra coração ...................................................................... 33
Brasil nunca mais ................................................................... 35
Um retrato não te retrata ........................................................ 37
Felicidade à venda .................................................................. 38
Na véspera de não partir nunca .............................................. 39
Nos cornos do diabo ............................................................... 41
Não sentem ............................................................................. 43
Permita-se .............................................................................. 45
A dor não dura ........................................................................ 46
Letras e Poemas Desclassificados 10

Monotonia de mim ................................................................. 47


Sensações inúteis ................................................................... 48
Desclassificado ...................................................................... 49
Coleira de prata II .................................................................. 50
Nada de emoções ................................................................... 52
Mortos sob tortura .................................................................. 53
Meu pobre coração ................................................................. 54
Garrafas pelo chão ................................................................. 56
Pra que a verdade? ................................................................. 57
Saiu fumaça de mim ............................................................... 58
Saia do meu inconsciente ....................................................... 59
Toda gente quer ...................................................................... 60
Gosto de você ......................................................................... 61
Ouça-me em silêncio .............................................................. 62
Nada no meu coração ............................................................. 63
Para iludir-me ......................................................................... 65
Adeus ao corpo ...................................................................... 66
Vou com você ......................................................................... 67
Ainda tenho a minha guitarra ................................................. 68
Blues da exigência ................................................................. 70
Apenas sentimentos ............................................................... 71
Vazaram meu coração ............................................................ 72
Mate-me por favor …............................................................. 73
Fernanda minha cara ….......................................................... 75
Garrafas cheias …................................................................. 77
Eles disseram …..................................................................... 79
Letras e Poemas Desclassificados 11

Não tenho futuro …................................................................ 80


Eu fico doente ….................................................................... 81
Mais uma canalha ….............................................................. 82
Não quero mais viver …......................................................... 83

Poemas …...............................................................................85
Soneto espiritual ..................................................................... 87
Muitos corações ..................................................................... 88
Soneto do trabalho forçado .................................................... 89
Ego de artista .......................................................................... 90
Poema para quem ousa escrever ............................................ 91
Soneto do operário de escritório ............................................ 92
Coração: fica bem ...................................................................93
Nem pense ...............................................................................94
Minha companhia ....................................................................95
Pote mágico de cachaça …..................................................... 96
Geometria do amor …............................................................ 97
Soneto, em tese ….................................................................. 98
Ajuda brother, ajuda a minha loucura …................................ 99
Sentimental depois de uns goles de vinho …....................... 100
Um dia na vida …................................................................. 101
A velha e o órfão ….............................................................. 102
Cronus ….............................................................................. 103
Sacrossanto bar …................................................................ 104
Evidência dos corpos mortos …........................................... 106
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LETRAS
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COLEIRA DE PRATA
(f. foresti)

"Tirem-me a coleira de prata


Com que fui cão do Destino,
Meu coração que se parta
Como um boneco sem menino"

Álvaro de Campos

Tirem-me a coleira de prata.


Tirem-me a coleira de prata.
Tirem-me a coleira de prata.
Tirem-me a coleira de prata.

(repete verso)

(refrão)
Eu não sou cachorro.
Eu não sou cachorro.
Eu não sou cachorro.
Eu não sou cachorro.
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“Não! Só quero a liberdade!


Amor, glória, dinheiro são prisões.
Onde quero dormir? No quintal!
Eu e o universo.
Dêem-me a liberdade
Quero ser igual a mim mesmo,
Não me capem com ideais,
Não me matem em vida”

(Álvaro de Campos)
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HELL CULTURAL
(f. foresti & fabiano foresti)

Estava no hell cultural, estava no hell.


Estava no hell cultural, estava no hell.
Estava no hell cultural, estava no hell.
Estava no hell cultural, estava no hell.

(refrão)
Saí do hell, saí do hell.
Saí do hell, saí do hell.
Saí do hell, saí do hell.
Saí do hell, saí do hell.

Estava no hell conjugal, estava no hell.


Estava no hell conjugal, estava no hell.
Estava no hell conjugal, estava no hell.
Estava no hell conjugal, estava no hell.

(refrão)
Queimei no hell, queimei no hell.
Queimei no hell, queimei no hell.
Queimei no hell, queimei no hell.
Queimei no hell, queimei no hell.
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NÃO ME MACE COM A VERDADE


(f. foresti)
"Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada. [...]
Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica! [...]
Se têm a verdade, guardem-na! [...]
Não me macem, por amor de Deus!"
Álvaro de Campos, Lisbon revisited

Ei você! Não me mace com a verdade.


Ei você! Não me mace com a verdade.
Ei você! Não me mace com a verdade.
Ei você! Não me mace com a verdade .
Prefiro o sonho, prefiro a ilusão.
Prefiro o sonho, prefiro a ilusão.
Prefiro o sonho, prefiro a ilusão.
Prefiro o sonho, prefiro a ilusão.
(refrão)
Não me mate em vida!
Não me mate em vida!
Não me mate em vida!
Não me mate em vida!
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O HOMEM SEM QUALIDADES*


(f. foresti & fabiano foresti)

"É a realidade que traz as possibilidades, e nada mais errado do que negar
isso. Mesmo assim, no total ou na média serão sempre as mesmas
possibilidades repetidas, até chegar uma pessoa para a qual uma coisa real
não signifique mais do que o imaginado. Será ela quem dará sentido e
destinação às novas possibilidades, que há de provocar"

Robert Musil, O homem sem qualidades

Eu sou o homem sem qualidades,


O homem sem qualidades. (4x)

(refrão)
Diante desta sociedade,
Não tenho nenhuma qualidade.

Iso 9000, qualidade total,


Não tenho qualidade!
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ME DEIXEM RESPIRAR
(f. foresti)

"Quero ser livre, insincero,


Sem crença, dever ou posto.
Prisões, nem de amor as quero,
Não me amem, porque não gosto"
Fernando Pessoa

Me deixem respirar,
Me deixem respirar,
Me deixem respirar,
Me deixe, me deixe, me deixe. (4x)
(refrão)
Me deixe,
Me deixe. (2x)
Estou sufocando, estou sufocando,
Me deixe, me deixe, me deixe.

Me deixem respirar,
Me deixem respirar,
Me deixem respirar,
Me deixe, me deixe, me deixe. (4x)
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GRANDE DOSE
(f. foresti)

Que grande dose seria,


Que grande dose seria,
Que grande dose seria,
Se eu tomasse, na sua companhia (2x)
(refrão)
Uma dose de quê?
Uma dose de quê?
Uma dose de quê?
Uma dose de quê?
Que overdose seria,
Que overdose seria,
Que overdose seria,
Se eu tomasse, na sua companhia (2x)
(refrão)
Overdose de quê?
Overdose de quê?
Overdose de quê?
Overdose de quê?
Que paranóia seria,
Que paranóia seria,
Letras e Poemas Desclassificados 22

Que paranóia seria,


Se eu ficasse, na sua companhia. (2x)

(refrão)
Paranóia de você!
Paranóia de você!
Paranóia de você!
Paranóia de você!

PROTEÇÃO
(f. foresti)
Proteção,
Eu preciso de
Proteção,
Eu preciso de
Proteção. (4x)
(refrão)
Será que alguma coisa vai me proteger?
Será que alguma coisa vai me proteger?
Será que alguma coisa vai me proteger?
Será que alguma coisa vai...
Letras e Poemas Desclassificados 23

ESCUTEI O SOM
(f. foresti; fabiano foresti; l. manzoni)

Escutei o som, escutei o som,


Escutei o som, escutei o som,
Escutei o som, escutei o som,
Escutei o som, escutei o som,(2x)
(refrão)
Escutei o som que Deus criou,
Escutei o som e era o meu amor.
Escutei o som e me apaixonei,
Escutei o som e eu aumentei...
E aumentei o som, e aumentei o som,
E aumentei o som, e aumentei o som.
Escutei o som, escutei o som,
Escutei o som, escutei o som,
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BÊBADO DE TANTO SENTIR


(f. foresti)

"Bêbado de me sentir, vagueio e ando certo. [...]


E por detrás de isso, céu meu, constelo-me às escondidas e tenho o meu
infinito"

Fernando Pessoa

Eu estou bêbado de tanto sentir,


Bêbado de tanto sentir. (4x)

(refrão)
Minhas sensações, minhas sensações.
Eu sinto tanto, eu sinto tanto frio.
Eu sinto tanto, eu sinto tanto frio.

Cheio de mim,
Cheio de mim,
Cheio de mim,
Cheio de mim mesmo. (2x)
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Eu estou bêbado e quero fugir,


Bêbado e quero fugir (4x)

(refrão)
Das minhas sensações, minhas sensações.
Eu sinto tanto, eu sinto tanto frio.
Eu sinto tanto, eu sinto tanto frio.

Cheio de mim,
Cheio de mim,
Cheio de mim,
Cheio de mim mesmo. (2x)

Bêbado de tanto sentir.


Bêbado, Bêbado, Bêbado (4x)
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MEU CORAÇÃO OBJETO


(f. foresti)

“Meu coração, bandeira içada


Em festas onde não há ninguém...
Meu coração, barco atado atado à margem,
Esperando o dono, cadáver amarelado entre os juncais.
Meu coração, a mulher do forçado,
A estalajadeira dos mortos da noite,
[...]
Meu coração, algema partida"...

Fernando Pessoa

Meu coração pedra (meu coração)


Meu coração fogo (meu coração)
Meu coração gelo (meu coração)
Meu coração tolo (meu coração)

Meu coração grita (meu coração)


Meu coração chora (meu coração)
Meu coração canta (meu coração)
Meu coração joga (meu coração)
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(refrão)
Meu coração besta,
Meu coração sujo,
Coração palhaço,
Coração imundo.

Parado aí! (meu coração)


Parado aí! (olha a emoção)
Parado, parado, parado!
Meu coração!

Meu coração errado (meu coração)


Meu coração mundo (meu coração)
Meu coração guerra (meu coração)
Meu coração escuro (meu coração)

Meu coração carro (meu coração)


Meu coração grana (meu coração)
Meu coração casa (meu coração)
Meu coração fama (meu coração)
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NAQUELE LOCAL*
(f. foresti & l. manzoni)

Naquele local, eu vi morrer.


Naquele local, eu vi nascer.

Naquele local tinha um quadro,


De Cristo crucificado. (2x)

Também tinha o quadro de um negro


Tentando agarrar o sol. (2x)

* música em homenagem ao meu pai, Dr. Eroni Foresti.


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BONECO SEM MENINO


(f. foresti)

"Meu coração que se parta


Como um boneco sem menino"
Álvaro de Campos

Uma boneca sem menina,


Está procurando uma menina,
Que queira ter uma boneca,
Uma boneca sem menina.
Um boneco sem menino,
Está procurando um menino,
Que queira ter um boneco,
Um boneco sem menino.
(refrão)
Somos todos bonecos,
Brinquedos sem esperança.
Somos todos bonecos,
Brinquedos sem crianças.
Letras e Poemas Desclassificados 30

O UNIVERSO SOU EU
(f. foresti)

"Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. [...]


Se viajasse, encontraria a cópia débil
do que já vira sem viajar"
"Paisagens são repetições [...]
Só não há tédio nas paisagens que não existem, nos livros que nunca lerei [...]
Ah, viagem os que não existem! [...]
Que me pode dar a China que a minha alma já não me tenha dado? [...]
Compreendo que viaje quem é incapaz de sentir [...]
Transeuntes eternos por nós mesmos, não há paisagem senão o que somos.
Nada possuímos, porque nem a nós possuímos. Nada temos porque nada
somos. Que mãos estenderei para que universo? O universo não é meu: sou
eu."
Fernando Pessoa, O livro do desassossego

O universo não é meu.


O universo não é meu.
O universo não é meu.
O universo não é meu.
O universo não é meu: sou eu.
O universo não é meu: sou eu.
Letras e Poemas Desclassificados 31

O universo não é meu: sou eu.


O universo não é meu: sou eu.

(refrão)
O universo sou eu:
Eu não preciso viajar!
O universo sou eu:
Conheço todo lugar!
O universo sou eu:
Paisagens são repetições!
O universo sou eu:
Que viaje quem não sabe sentir!
Letras e Poemas Desclassificados 32

MELHOR ÂNGULO DE SI
(f. foresti)

Cada um sabe qual é


O seu melhor ângulo.
Cada um sabe qual é
A sua melhor forma.
Cada um sabe qual é
O seu melhor perfil.

(refrão)
Cada um sabe muito bem,
Cada um sabe muito bem,
Cada um sabe muito bem de si.

Apenas eu,
Apenas eu não sei de mim. (2x)

Não sei onde eu começo,


Não sei onde eu termino,
Não lembro o que eu era,
Nem sei mais o que sou!
Letras e Poemas Desclassificados 33

Alguém pode me dizer, alguém pode me dizer,


No que me transformei, no que me transformei.

QUEBRA CORAÇÃO
(f. foresti)

"Quebro o meu coração fatidicamente como um espelho,


E toda a injustiça do mundo é um mundo dentro de mim.
Meu coração esquife [...] meu coração cadafalso -
Todos os crimes se deram e se pagaram dentro de mim"
Fernando Pessoa

Quebra, quebra, quebra, quebra, quebra!


Quebra, quebra, quebra, quebra, quebra!
Quebra coração de vidro pintado,*
Quebra de uma vez por todas
Em mil pedaços no chão imundo.
Da minha vida perdida,
Da minha vida. (2x)
Quebra coração farrapo velho,
Veste minha existência com seus trapos
Abusar, usar cada pedaço.
Na minha vida perdida,
Na minha vida. (2x)
Letras e Poemas Desclassificados 34

Quebra coração tolo, coração palhaço,


Diante da frieza das portas,
Quebra corta faca navalha.

A minha vida perdida,


A minha vida, (2x)
Quebra coração de vidro pintado,
Quebra coração farrapo velho,
Quebra coração tolo, coração palhaço!
A minha vida perdida,
A minha vida. (2x)
Quebra, quebra, quebra, quebra, quebra!
Quebra, quebra, quebra, quebra, quebra!

* “Estala, coração de vidro pintado!”, Álvaro de Campos


Letras e Poemas Desclassificados 35

BRASIL NUNCA MAIS*


(f. foresti)

Em memória daqueles que sofreram abuso por parte dos militares no Brasil e
América Latina

Brasil nunca mais


Nunca mais Brasil
Mais Brasil... nunca! (4x)
Choque elétrico!
Choque elétrico!
Afogamento,
Tapa na cara,
Sem julgamento.
Nem grávida escapa,
Pau de arara,
Palmatória,
Choque elétrico.
(refrão)
É no bico dos seios,
Letras e Poemas Desclassificados 36

É no clitóris,
Nos dentes, ouvidos e dedos...

Pimentinha,
Dobrador de tensão,
Afogamento,
Cadeira do Dragão.
(refrão)
É no bico dos seios,
É no clitóris,
Nos dentes, ouvidos e dedos...
Choque elétrico!
Choque elétrico!
Choque elétrico!
Choque elétrico!
Geladeira,
Ruído infernal,
Insetos, animais,
Produtos químicos.

* música inspirada na obra “Brasil Nunca Mais”, de Arns.


Letras e Poemas Desclassificados 37

UM RETRATO NÃO TE RETRATA


(f. foresti)

“Quem sou não sei, quer pense, quer só sinta.


Mas se te veja há consolação.
Pode ser que a tua imagem também minta,
Mas sossega com têla, o coração.”

Fernando Pessoa

Toda gente gosta de fotos


Porque as fotos
Não retratam elas. (4x)

Pode ser que a tua imagem também minta! *

Uma retrato não te retrata,


As imagens, disfarçam,
As imagens, mentem,
Em um mundo que é
Todo das imagens!
Letras e Poemas Desclassificados 38

FELICIDADE À VENDA
(f. foresti)

Um dia na cidade,
Coisas pra se ver,
Minha felicidade
Eu vou ter, eu vou ter!

Não está tão caro,


Está na liquidação,
Minha felicidade
Em promoção!

Turboconsumidor! *
Hipermercadoria!*
Minha felicidade
Na galeria!
(refrão)
Tudo está lá,
Tudo tem preço, eu sei...
Até o amor da minha mulher eu comprei...
Letras e Poemas Desclassificados 39

* LIPOVETSKY, Gilles, A felicidade paradoxal

A VÉSPERA DE NÃO PARTIR NUNCA


(f. foresti)
"Dormita, alma, dormita!
Aproveita, dormita!
Dormita!
É pouco o tempo que tens! Dormita.
É a véspera de não partir nunca!"
Álvaro de Campos

Na véspera de não partir nunca!


Na véspera de não partir nunca!
Na véspera de não partir nunca:
Arrumar as malas.
Na véspera de não partir nunca:
Despedir-se dos amigos.
Na véspera de não partir nunca:
Adeus à família.
Na véspera de não partir nunca:
Adeus à minha terra!
(refrão)
Calma coração, calma!
É a véspera de não partir nunca.
Ahhhhhhhhhh!
Letras e Poemas Desclassificados 40

Na véspera de não partir nunca:


Guardar os livros.
Na véspera de não partir nunca:
Recolher os retratos.
Na véspera de não partir nunca:
Calçar os sapatos.
Na véspera de não partir nunca:
Cuspir naquele prato!
(refrão)
Calma coração, calma!
É a véspera de não partir nunca.
Ahhhhhhhhhh!
Na véspera de não partir nunca!
Na véspera de não partir nunca!
Na véspera de não partir nunca!
Na véspera de não partir nunca!
(refrão)
Calma coração, calma!
É a véspera de não partir nunca.
Ahhhhhhhhhh!
Letras e Poemas Desclassificados 41

NOS CORNOS DO DIABO


(f. foresti)
"Não saiam das vielas,
Não cantem que eu acabo,
Quero beber as estrelas
Num dos cornos do diabo"
Álvaro de Campos

Nos cornos do diabo


Vou fazer a minha festa.
Nos cornos do diabo
Vou fazer minha seresta.
Nos cornos do diabo
Vou cantar pro meu amor.
Nos cornos do diabo
Botar terra e plantar flor.
Nos cornos do diabo
Vou fazer uma flauta.
Nos cornos do diabo
Vou tocar umas notas.
Nos cornos do diabo
Vou falar com Deus.
Nos cornos do diabo
Vou dizer adeus.
Letras e Poemas Desclassificados 42

Nos cornos do diabo


Vou ficar comigo.
Nos cornos do diabo
Com meus inimigos.
Nos cornos do diabo
Eu procuro abrigo.
Nos cornos do diabo
Vou dançar contigo.
(refrão)
Nos cornos do diabo
Vem beber comigo.
Onde toda a dor do mundo
Encontrou abrigo.
Vem aqui se embriagar!
Com as dores do mundo.
Letras e Poemas Desclassificados 43

NÃO SENTEM
(f. foresti)

"Que somos nós? Navios que passam um pelo outro na noite, [...]
E cada um sabendo do outro só que há vida lá dentro e mais nada"
[...]
"Não sentem o que há de morte em toda partida,
De mistério em toda a chegada,
De horrível em todo o novo...
Não sentem: por isso são deputados e financeiros,
Dançam e são empregados no comércio,
Vão a todos os teatros e conhecem gente...
Não sentem: para que haveriam de sentir?" *
Álvaro de Campos, *Nuvens

(refrão)
Somos todos barcos,
Navegando na escuridão,
Não reconheço meu irmão.
Não reconheço meu irmão.
O meu barco,
É habitado por mim mesmo,
Não tenho tripulação.
Não tenho tripulação.
Não sentem, não sentem, não sentem...
Letras e Poemas Desclassificados 44

A desgraça do outro (não sentem)


A humanidade verdadeira (não sentem)
A morte do filho (não sentem)
O olhar sincero (não sentem)
As guerras presentes (não sentem)
O amor verdadeiro (não sentem)
As crianças morrendo (não sentem)
(refrão)
Somos todos barcos
Navegando na escuridão
Não reconheço meu irmão
Não reconheço meu irmão
A ferida roendo (não sentem)
A bomba explodindo (não sentem)
O pós-modernismo (não sentem)
O ódio crescente (não sentem)
A desumanidade (não sentem)
As desigualdades (não sentem)
A sociedade doente (não sentem)
Letras e Poemas Desclassificados 45

PERMITA-SE
(f. foresti & fabiano foresti)

Se quiserem lhe falar de amor (você deixa)


Se quiserem lhe dar uma flor (você deixa)
Se o dia lhe sorrir em cor (você deixa)
Se acaso surgir novo amor (você deixa)

(refrão)
Se quiserem lhe falar de amor você deixa.
Se quiserem lhe dar uma flor você deixa.
Se o dia lhe sorrir em cor você deixa.
Se acaso surgir novo amor você deixa!

Permita-se, permita-se, permita-se...


E se deixa!
Letras e Poemas Desclassificados 46

A DOR NÃO DURA


(f. Foresti)

[...]
"Está certo: é a vida.
A dor não dura porque a dor não dura.
Está certo.
Repito: está certo.
Mas o meu coração não está certo.
O meu coração romântico faz enigmas do egoísmo da vida".
Álvaro de Campos, Diluente

A dor não dura porque a dor não dura.


A dor não dura porque a dor não dura.
A dor não dura porque a dor não dura.
A dor não dura porque a dor não dura.
Mas eu ainda tenho coração!
Letras e Poemas Desclassificados 47

MONOTONIA DE MIM
(f. foresti)

"Quem cruzou todos os mares cruzou somente a monotonia de si mesmo"


Fernando Pessoa
O dia sem graça,
A manhã me maça,
A tarde é tão chata,
E a noite não passa ah...
(refrão)
Monotonia de mim,
Monotonia de mim,
Monotonia de mim.
O trabalho sem graça,
O chefe me maça,
O dia me mata,
E o salário não passa ah...
(repete refrão)
O meses sem graça,
As semanas não passam,
O dias me matam,
E as noites me maçam ah...
(repete refrão)
Letras e Poemas Desclassificados 48

SENSAÇÕES INÚTEIS
(f. foresti)

Inúteis sensações,
Sensações inúteis, sensações inúteis.
Inúteis emoções,
Emoções inúteis, emoções inúteis.

Inúteis sentimentos,
Que se deixem levar pelo vento.
Inúteis pensamentos,
Que caiam no esquecimento.
Que caiam no esquecimento.
Que caiam no esquecimento.
Que caiam no esquecimento.

Inúteis corações,
Corações inúteis, corações inúteis.
Inúteis expressões,
Expressões inúteis, expressões inúteis.

Inúteis sentimentos,
Que se deixem levar pelo vento.
Inúteis pensamentos,
Que caiam no esquecimento. (4x)
Letras e Poemas Desclassificados 49

DESCLASSIFICADO
(f. foresti)

(refrão)
Desclassificado
Eu fui,
Desclassificado
Pelo seu coração. (2x)

Você não me escutou,


Você nem me olhou,
Você não quis saber,
Mandou eu me fuder,

Você não me avisou,


Você me maltratou,
Você não me acudiu,
Mandou-me à puta que o pariu!

(refrão)
Desclassificado
Eu fui,
Desclassificado
Pelo seu coração. (2x)
Letras e Poemas Desclassificados 50

COLEIRA DE PRATA II
(f. foresti)

"Tirem-me a coleira de prata


com que fui cão do Destino"
Álvaro de Campos

Tirem-me a coleira de prata,


Cuidado com a menina que mata,
E ela vem segurando uma faca,
Agora não me importo que parta.
Tirem-me a coleira de prata,
Pensamento abismal que me mata,
Que vem chegando batendo lata,
Prefiro esquecer com cachaça.
Eu não sou cachorro,
Mas cuidado que eu mordo,
Nem vem que eu não corro,
Nem peço socorro.
Tirem-me a coleira de prata,
Agora não brinco mais de casa,
Quero voltar correndo pro nada,
Beber um trago com os camaradas.
Letras e Poemas Desclassificados 51

Tirem-me a coleira de prata,


Se ela pensou que fosse amada,
Estava totalmente enganada,
Era só uma menina mimada.
Eu não sou cachorro,
Não vivo não morro,
Não brinca com fogo,
Cuidado que eu mordo.
Letras e Poemas Desclassificados 52

NADA DE EMOÇÕES
(f. foresti)

"Pouca verdade! Pouca verdade!


Tenho razão enquanto não penso.
Pouca verdade...
Devagar...
Pode alguém chegar à vidraça...
Nada de emoções!...
Cautela! [...]"
Álvaro de Campos , Diagnóstico

Nada de emoções: Cautela!


Todos corações: Cautela!
Nada de emoções: Cautela!
Todos corações: Cautela!
Cautela!
Cautela!
Cautela!
Cautela!
Pode alguém chegar à vidraça!
Pode alguém chegar...
A brincadeira perdeu a graça!
Não quero mais brincar... (2x)
Letras e Poemas Desclassificados 53

MORTOS SOB TORTURA


(f. foresti)

Olha o sensor, olha a censura.


Olha o sensor, olha a censura.
Presta atenção minha mãe:
Que hoje a noite tem tortura.

As pessoas vão sofrer


Tem gente que vai torturar...
Mortos sob tortura!
Mortos sob tortura!
As pessoas vão morrer
Tem gente que vai se amarrar...
Mortos sob tortura!
Mortos sob tortura!

Vai ter festa


Na casa de São Conrado,
Na casa de Petrópolis,
No Local Ignorado,
No Colégio Militar,
E na Fazenda de São Paulo.

E na Casa dos Horrores!


E na Casa dos Horrores!
Letras e Poemas Desclassificados 54

MEU POBRE CORAÇÃO


(f. foresti)

“Pobre criança a quem não deram nada,


Choras? É em vão.
Como tu choro à beira da erma estrada.
Perdi o coração”

Fernando Pessoa

Pobre criança a quem não deram nada

Choras? É em vão:
Como tu choro à beira da estrada.
Pecado? Remissão.
Já faz tempo não rezo por nada.
A noite? Claridão.
Minha'alma coração no chão.
Dor? Salvação.
Já faz tempo não peço perdão.

Pobre coração que nunca teve nada.

Morte? Traição.
Meu caminho não tem defensão.
Minha vida? Não sei.
Já faz tempo e não questionei.
Nos sonhos? Falhei.
Letras e Poemas Desclassificados 55

Meu destino eu sempre evitei.


E agora? Cansei.
Vou cantar e mentir que te amei.

(refrão)
Meu pobre coração, pobre,
Meu pobre coração.
Meu pobre coração, pobre,
Meu pobre coração.
Letras e Poemas Desclassificados 56

GARRAFAS PELO CHÃO


(f. Foresti)

Garrafas pelo chão,


E a gente de chinelo...

Cacos pelo chão,


E a gente de chinelo...

Tanto tempo sem você,


Estou vivendo de saudade...

Corações pelo chão,


E a gente de chinelo...

(refrão)
Era só o meu coração que estava no chão!
Letras e Poemas Desclassificados 57

PARA QUE A VERDADE?


(f. foresti)

Para que e porque a verdade?


Para que e porque a verdade?
Para que e porque a verdade?
Para que e porque a verdade?

(refrão)
Não me conta não! Não quero saber!
Não me conta não! Prefiro esquecer!
Não me conta não! Guarda pra você!
Não me conta não! Só me faz sofrer!

(repete verso)

(refrão)
Não maltrata não! Não quero sofrer!
Deixa pra depois! Depois que eu morrer!
Não me conta não! Guarda pra você!
Não me conta não! Não quero saber!
Letras e Poemas Desclassificados 58

SAIU FUMAÇA DE MIM (Forró sexual)


(f. foresti)

Saiu fumaça de mim (2x)

Saiu fumaça de mim (enquanto eu fazia amor)


Saiu fumaça de mim (enquanto eu fazia amor)
Saiu fumaça de mim (enquanto eu fazia amor)

Meu coração pegou fogo...


Minha mulher se apavorou.

Saiu de dentro de mim.(2x)

Saiu de dentro de mim (enquanto eu fazia amor)


Saiu de dentro de mim (enquanto eu fazia amor)
Saiu de dentro de mim (enquanto eu fazia amor)

Um bebezinho choroso...
Minha mulher despirocou .

É tão gostoso assim.(2x)

É tão gostoso assim (quanto a gente faz amor)


É tão gostoso assim (quanto a gente faz amor)
É tão gostoso assim (quanto a gente faz amor)
Meu coração pega fogo....
Letras e Poemas Desclassificados 59

SAIA DO MEU INCONSCIENTE


(f. foresti & fabiano foresti)

Saia do meu inconsciente,


Não quero mais pensar em você,
Não quero mais fazer associações,
Não quero mais bater por você.

Saia do meu fato presente,


Me deixe descobrir quem eu sou,
Não quero parecer com ninguém,
Não quero mais brigar por você.
Letras e Poemas Desclassificados 60

TODA GENTE QUER


(f. foresti)

Toda a gente quer


Toda a gente quer.
Toda a gente quer
Toda a gente quer.

Dinheiro (toda a gente quer, toda a gente quer)


Mulher (toda a gente quer, toda a gente quer)
Carro (toda a gente quer, toda a gente quer)
Salário (toda a gente quer, toda a gente quer)
Comida (toda a gente quer, toda a gente quer)
Amor (toda a gente quer, toda a gente quer)
Sapatos (toda a gente quer, toda a gente quer)
Amigos (toda a gente quer, toda a gente quer)
Família (toda a gente quer, toda a gente quer)
Fama (toda a gente quer, toda a gente quer)

(refrão)
Mas será vai ter para todo mundo?
(Ah meu Deus!)
Mas será que vai ter para toda gente?
(Oh meu Pai!)
Letras e Poemas Desclassificados 61

GOSTO DE VOCÊ
(f. foresti)

Gosto de você,
Gosto muito de você,
Gosto de ficar com você.

Gosto de te ver,
Gosto muito de te ver,
Gosto de estar você.

Gosto de fazer,
Gosto muito de fazer,
Qualquer coisa eu e você.

(refrão)
Eu gosto de você
Eu gosto... ah eu gosto.

Eu gosto de você
Eu gosto... eu gosto.
Letras e Poemas Desclassificados 62

OUÇA-ME EM SILÊNCIO
(f. foresti)

“Possuímos nossa alma? Ouça-me em silêncio: nós não a possuímos”

Fernando Pessoa, “O livro do desassossego”

Possuímos nosso corpo?


Possuímos nossa sorte?
Possuímos nossa vida?
Possuímos nossa morte?

Possuímos nossos olhos?


Possuímos nosso ventre?
Possuímos nossa s pernas?
Possuímos nossa mente?

(refrão)
Possuímos nossa alma?
Ouça-me em silêncio:
Nós não a possuímos.
Letras e Poemas Desclassificados 63

NADA NO MEU CORAÇÃO


(f. foresti)

“Mataram à machadada
A criança a brincar.
No meu coração não há nada.
Só a sensação magoada
De isso em mim se passar.”

Fernando Pessoa

Mataram à machadada a criança a brincar,


No meu coração não há nada.
No meu coração não há nada.

Onde a minha visão alcança tentaram cegar,


Nesses corações não há nada.
Nesses corações não há nada.

O que falei foi tão pouco e tentaram calar,


Nesses corações não há nada.
Nesses corações não há nada.

Deixaram à beira da estrada coração sangrar,


No meu coração não há nada.
No meu coração não há nada.
Letras e Poemas Desclassificados 64

Medo de olhar no espelho e ver o que há,


O meu coração está morto.
O meu coração está morto.

Ferido coração sentido só sabe chorar,


Meus olhos não tem mais lágrimas.
Meus olhos não tem mais lágrimas.

Errante coração perdido infinito buscar,


Pois no meu coração não há nada.
Pois no meu coração não há nada.

Amor amado que amei a me atormentar,


No seu coração não há nada.
No seu coração não há nada.

(refrão)
No coração dela não há nada,
Minha vida parece piada,
Romance de beira de estrada,
Destino de alma guardada.
Letras e Poemas Desclassificados 65

PARA ILUDIR-ME
(f. foresti)

É preciso de, pra se iludir.


É preciso de, pra se iludir.
É preciso de, pra se iludir.
É preciso de, pra se iludir.

Eu preciso de, pra me iludir.


Eu preciso de, pra me iludir.
Eu preciso de, pra me iludir.
Eu preciso de, pra me iludir.

(refrão)
Eu preciso de!
Eu preciso de!
Eu preciso de!
Eu preciso de!
Letras e Poemas Desclassificados 66

ADEUS AO CORPO *
(f. foresti & fabiano foresti)

O corpo inerte, imóvel, trágico, patético:


O corpo estático.
O corpo caído, pútrido, fétido, horizontal:
O corpo morto.
O corpo aberto, sincero, franco, descoberto:
O corpo exposto.
O corpo deitado, gélido, pálido, inanimado:
Apenas o corpo.

(refrão)
Chegou a hora de dizer adeus.
Chegou a hora de dizer adeus ao corpo.

* Nietzsche, Assim falou Zaratustra


Letras e Poemas Desclassificados 67

VOU COM VOCÊ


(f. foresti)

Eu quero ir com você,


Vou pra qualquer lugar,
Só quero estar com você,
Nada mais importa.

Vou pra São Paulo, pro Rio,


Vou até Paraná,
Vou pra Bahia, Londrina,
E até Ceará.

Não quero mais compromisso,


Não quero nem trabalhar,
Eu já perdi meu emprego,
Agora só quero amar.

Só importa agora
O que se passa em você,
Agora a vida é nós juntos
Então vamos viver.
Letras e Poemas Desclassificados 68

AINDA TENHO A MINHA GUITARRA


(f. foresti)

Ontem...
Botei os pés pelas mãos,
Chutei minha televisão,
Depois quebrei o meu som.

Ontem...
A nossa casa caiu,
E o nosso amor se partiu,
Por uma briga de graça.

Ontem...
Pisei no meu videogame,
Queimei o computador,
Joguei no chão a lamparina.

Ontem...
Quebrei minha televisão,
Depois chutei o meu som,
Quase quebrei minha guitarra.

Hoje...
Eu já não tenho você,
Letras e Poemas Desclassificados 69

Mas eu aguento sofrer,


Porque ainda tenho minha guitarra!

(refrão)
Ainda tenho minha guitarra pra cantar,
Ainda tenho minha guitarra pra chorar,
Ainda tenho minha guitarra pra sorrir,
Ainda tenho minha guitarra pra partir.

Minha guitarra pra partir!


Ela partiu minha guitarra!
Ela partiu minha guitarra!

(refrão)
Sem minha guitarra eu não posso sorrir,
Sem minha guitarra eu não posso chorar,
Sem minha guitarra eu não posso partir,
Sem minha guitarra eu não posso te amar.

Hoje...
Eu já não tenho mais nada,
Eu to com o pé na estrada,
Foi bom enquanto durou.
Letras e Poemas Desclassificados 70

BLUES DA EXIGÊNCIA
(f. foresti)

Faz tanto tempo,


Faz tanto tempo amor.
Faz tanto tempo,
Faz tanto tempo atrás...

Você não vai me deixar sozinho,


Você vai ter que aceitar meu não,
Vai me aceitar como seu destino,
Você não vai me deixar na mão.

(refrão)
Você vai ter que ficar,
Você vai ter que aceitar,
Você vai ter que me amar,
Você vai ter que...
Letras e Poemas Desclassificados 71

APENAS SENTIMENTOS
(f. foresti)

São apenas sentimentos e fortes...


Emoções.

São apenas pensamentos e algumas...


Conclusões.

Sofro mais a cada dia tenho muitos....


Corações.

Me apaixono todo dia amor....


Mil perdões.

(refrão)
Porque estou muito louco,
Porque sinto demais,
Porque estou cheio de sentidos...

Porque estou cheio de tanto sentir!


Letras e Poemas Desclassificados 72

VAZARAM O MEU CORAÇÃO


(f. foresti & fabiano foresti)

Chamem o encanador,
Chamem o bombeiro, o síndico,
O responsável técnico,
Preciso de ajuda, porque...

(refrão)
Vazaram o meu coração,
Mataram o o meu coração,
Sangraram o meu coração,
Zombaram o meu coração.

Quebraram o meu coração,


Amaram o meu coração,
Rasgaram o meu coração,
Pisaram o meu coração.

Chamem o Cardeal,
O Bispo, a Madre,
O representante local,
O gerente, eu preciso de ajuda...
Letras e Poemas Desclassificados 73

MATE-ME POR FAVOR *


(l. manzoni)

Mate-me por favor,


Eu não mereço existir.
Mate-me por favor,
Já não consigo sorrir.
Mate-me por favor,
Qualquer faca vai servir.
Mate-me por favor,
Faça um amigo feliz.

(refrão)
Enterre meu corpo na cova mais funda
Escreva na tumba uma frase banal
Aqui jazz um home honesto e leal
Não quero nem reza, nem choro, nem vela
Conte por aí que eu fui viajar
Depois por favor só me esqueça, me
esqueça.

Mate-me sem pavor,


É tudo tão natural.
Mate-me sem amor,
Não sou um cara legal.
Mate-me sem rancor,
Eu não te devo um real.
Letras e Poemas Desclassificados 74

Esqueça-me sem pudor,


É meu pedido final.

(refrão)
Enterre meu corpo na cova mais funda
Escreva na tumba uma frase banal
Aqui jazz um home honesto e leal
Não quero nem reza, nem choro nem vela
Conte por aí que eu fui viajar
Depois por favor só me esqueça, me
esqueça.

* Título inspirado na obra de Larry "Legs" McNeil


Letras e Poemas Desclassificados 75

FULANA MINHA CARA


(f. foresti, l. manzoni, fabiano f.)

Fulana minha cara


Não consigo entender
Porque tão repente
Não posso mais te ver.

Fulana minha marra


Preciso muito te ver
Se você não quiser
Olha, eu não vou entender

(refrão)
Mas se você quiser eu posso dar um telefonema
Mas se você quiser eu posso resolver o problema

Beltrana minha tara


Tudo é bom com você
Cinema, praia, bar
Até assistir tv.
Letras e Poemas Desclassificados 76

Beltrana minha cara


Tudo é tão natural
Sei que não valho nada
Sou um cara de pau.

(refrão)
Mas se você quiser eu posso dar um telefonema
Mas se você quiser eu posso resolver o problema

Ciclana minha amada


Quero muito conversar
E para falar contigo
Vou à qualquer lugar.

Ciclana minha vida


Fica um pouco mais comigo
Se me deixar sozinho
Estou correndo perigo

(refrão)
Mas se você quiser eu posso dar um telefonema
Mas se você quiser eu posso resolver o problema
Letras e Poemas Desclassificados 77

GARRAFAS CHEIAS *
(f. foresti)

(refrão)
Sonhei que só tinha
Sonhei que só tinha
Garrafas cheias
E mulheres vazias (2x)

Entrei no bar
Pedi uma cerveja
Disse oi meu bem
O que você deseja

Ela ficou muda


Não tinha nada a dizer
Eu disse: ah meu amor
Como eu gosto de você

(repete refrão)
Letras e Poemas Desclassificados 78

Entrei no bar
Pedi uma cachaça
Disse meu amor
Você é tão cheia de graça

Ela ficou louca


Disse que era poesia
Eu disse: ah meu bem
Beijar você é uma alegria

* letra inspirada no quadrinho "Equação da


felicidade" de Joatan Preis Dutra.
Letras e Poemas Desclassificados 79

ELES DISSERAM
f. foresti

Eles viram, eles viram


O diabo no meu corpo

Eles disseram que ele tava lá,


Pra me atazanar.
Eles disseram ele vai te pegar,
Você não vai durar.
Agora é tarde pra você rezar,
Não vai adiantar.
Também é tarde pra você chorar,
Só vai se desgastar.

Eles riram, eles riram


Do meu destino roto.

Eles disseram você vai fracassar,


Não adianta lutar.
Eles disseram você vai falhar,
E depois vai chorar.
Ainda é cedo pra você pensar,
Que um dia vai ganhar.
Ainda há tempo de se ajoelhar,
E também de implorar.
Letras e Poemas Desclassificados 80

NÃO TENHO FUTURO


(f. foresti )

Eu não lembro de nada, Eu não tenho meias,


Eu esqueço tudo, Eu não tenho chinelo,
Eu não presto pra nada, Eu não uso sapatos,
Eu não tenho futuro. Também não uso terno.

Não tenho namorada, (refrão)


Eu não tenho seguro, Porque tudo o que eu quero
Eu não construo casas, É ficar com você,
Eu não levanto muros. Eu faço qualquer coisa
Eu pago pra ver.
Eu não tiro férias,
Eu não saio de casa, E se você topar
Eu não bebo cerveja, Sair comigo agora,
Também não como nada. Receberá tanto amor...
Que não vai mais embora.
Eu não uso drogas,
Também não fico louco,
Eu não tenhos roupas,
Eu só ando roto.
Letras e Poemas Desclassificados 81

EU FICO DOENTE
(f. foresti )

Preste atenção garota


Escute esta canção
Eu não sou seu amigo
Eu não sou seu irmão

Eu perco as minhas pernas


Eu fico doente
Quando você me olha
Quando mostra os seus dentes

Me ataca a alergia
Eu viro um demente...
Quando você chega junto
Quando você está contente

Me atacam as hemorróidas
Quando você me beija
Quando sinto seu perfume
Me dá brotoejas

A minha pressão fica alta


As minhas veias se rompem
Quando estais de costas
Quando estais de fronte
Letras e Poemas Desclassificados 82

(refrão)
Mas eu quero você mesmo assim
Vem, ficar perto de mim

MAIS UMA CANALHA


(f. foresti)

Ah, abram-me outra realidade […]


Quero encontrar as fadas na rua!
Quero desimaginar-me desse mundo feito com garras,
Desta civilização feita com pregos.
Quero viver como uma bandeira a brisa,
Símbolo de qualquer coisa no alto de uma coisa qualquer.
Depois encerrem-me onde queiram.
Meu coração verdadeiro continuará velando
[…]
No alto do mastro das visões
Aos quatro ventos do mistério.

Álvaro de Campos

Abram-me outra realidade


Quero encontrar as fadas na rua!
Abram-me outra realidade
Quero encontrar as fadas na rua!

Tire o seu cinto de castidade


Quero encontrar você semi-nua
Vamos brincar com a realidade
Não vamos ficar esperando as alturas

Tragam-me mais uma cerveja


Quero beber todas até esquecê-la
Tragam-me mais uma vodka
Quero beber até entrar em órbita
Letras e Poemas Desclassificados 83

Tragam-me mais uma canalha


Quero transformar minha vida um inferno
Tragam-me mais uma canalha
Quero transformar minha vida um inferno

NÃO QUERO MAIS VIVER


(f. foresti)

Não quero mais viver (3x)

Não é que eu esteja louco


Enciumado por ver ao seu lado
Outro homem assim tão perto
De você

Não é que eu esteja aflito


Chorando muito, pedindo a deus
Que me leve pra algum lugar bem longe
De você

Não é que esteja carente


Deprimido, sem um amigo, pedindo ao diabo
Que não demore pra me levar bem longe
De você

É quando eu lembro de tudo o que aconteceu


De todo carinho, do amor que morreu
É que me dá mais vontade...
De morrer

E é por isto que estou aqui neste bar


Cantando para os meus colegas de copo esta canção
Letras e Poemas Desclassificados 84

É tudo tudo por causa


De você

Eu não quero mais viver (3x)


Sem você
Letras e Poemas Desclassificados 85

POEMAS
Letras e Poemas Desclassificados 86
Letras e Poemas Desclassificados 87

SONETO ESPIRITUAL
(f. foresti)

Mas que vida! Este mundo é o inferno!


Odeio trabalhar, o escritório é uma jaula
Onde ficam presos todos aqueles que não tem alma.
Deveríamos trazer conosco um cutelo
E ao final do expediente um ao outro atacar,
Para acabar com essa tortura que dizem que enobrece,
Este sentimento masoquista que a muitos apetece,
Esta coisa chata que é trabalhar.
Outro dia estava lendo sobre o mundo espiritual
E fiquei atordoado, pasmo de espanto:
Descobri que nem após a morte temos descanso.

No mundo espiritual também existe classe social,


Existem os menos e os mais evoluídos...
Apaguem a luz que eu não quero ser espírito!
Letras e Poemas Desclassificados 88

MUITOS CORAÇÕES
(f. foresti)

Eu tenho um coração de vidro:


Ele pode quebrar-se a qualquer hora.
Eu também tenho um coração de osso,
Que os cachorros já roeram, pasmem: até o osso.
Eu tenho um coração de pedra,
Que uma criança má jogou em todas as vidraças.
Eu tenho muitos corações
E um coração dentro de cada coração que eu tenho.
Eu tenho um coração para cada segundo do meu dia.
Eu tenho um coração que toda semana me encontra
E outro que todo dia me deixa.
Tenho um coração que está sempre comigo, mas quer
ir embora.
Já não entendo mais o meu coração.
Já não entendo mais o meu coração.
Acho que vou mandá-lo à merda.
Adeus coração: vai à merda!
Letras e Poemas Desclassificados 89

SONETO DO TRABALHO FORÇADO


(f. foresti)

Mais um dia de trabalhos forçados,


Mais um dia para morrer mais um pouco,
Não suporto mais tanto trabalho,
De tanto trabalhar já estou ficando morto.

Quem se importa com a minha condição?


Ora! Eu, e é isso que importa,
Não espero ajuda de sindicatos ou mesmo de religião,
Mantenho-me em silêncio como uma porta.

Não há o que fazer,


Este mundo estranho não permite o ócio,
Temos de trabalhar para sobreviver.

Mas um dia eu fecho um bom negócio


E mando todo mundo se foder,
Depois chamo meu amor para ser meu sócio.
Letras e Poemas Desclassificados 90

EGO DE ARTISTA
(f. foresti)

Tenho de escrever urgentemente,


Perdi meus versos em um acidente.
Foi tão duro ficar triste para escrever
E agora não consigo mais sofrer.

Preciso fingir urgentemente


Os sentimentos todos de toda gente,
Para que possa produzir algo de bom...
Porque a alegria não permite minha produção?

Gostaria tanto de escrever uns versos,


Fazer qualquer coisa, mesmo incerto,
Só para confortar meu ego de artista,

Somos todos tão vaidosos, tão egoístas.


De qualquer forma, escrevo qualquer coisa assim,
E ao final dou risada de mim.
Letras e Poemas Desclassificados 91

POEMA PARA QUEM OUSA ESCREVER


(f. foresti)

A folha em branco espera


Que não seja apenas suporte da escrita
De algum escritor ou poeta.

Mas sim que seja escrita, apagada,


Reescrita, copiada, revista e ampliada,
Que enfim, não seja abandonada.

Não prive o mundo de suas impressões,


Experiências, amores, paixões.
Sê persistente, e maravilhas surgirão à sua frente.

Para quem ousa escrever,


Eu, a folha em branco, lhe digo:
Acabes o que começou, senão estarás perdido.

Pode parecer ameaça, mas não é.


De fato ocorrerá uma desgraça, a psicologia atenta:
O peso de uma folha em branco ninguém agüenta.
Letras e Poemas Desclassificados 92

SONETO DO OPERÁRIO DE ESCRITÓRIO


(f. foresti)

Como um pedreiro em meio ao mobiliário,


Tenta sentir-se seguro observando a pompa do seu
local de trabalho,
Imaginando que um dia será beneficiado,
E que até ganhará aumento de salário.

No fundo ele sabe que não tem salário que pague:


Embrutece e morre todo dia um pouco,
No contato com a gente impaciente
Que só deseja o seu préstimo silente.

Através das palavras frias dos documentos,


Em meio às máquinas e os papéis sebosos,
Vai seguindo cego os procedimentos,

Ininterrupto, assina, carimba, despacha,


Expede, oficializa, protocola,
Tudo são nomes, datas, tudo tem hora.
Letras e Poemas Desclassificados 93

CORAÇÃO: FICA BEM


(f. foresti)

Deus, estou tão triste,


Ando chorando tanto...
Mas sem música não consigo chorar.
Preciso de trilha sonora para penar.

Será que meu sentimento é verdadeiro?


E a minha tristeza, como veio?
Pode ser que seja banal,
Mas minh'alma insiste que ele é todo o mal...

Preciso suplantar estes sentimentos


Deixar de lado meus tormentos,
Já disse para a minh'alma:

Metade da culpa é minha,


A outra metade eu não sei.
Coração: fica bem.
Letras e Poemas Desclassificados 94

NEM PENSE
(f. foresti)

Pensar e não chegar,


Ah conclusão...
Nenhuma!
Que conclusão?

Sem pensar
poderia
bastar...
Nem pense!

Não chegar
a conclusão
nenhuma....

Nem mesmo através dos versos


Nem mesmo através dos gestos,
Nem mesmo através da vida.
Letras e Poemas Desclassificados 95

MINHA COMPANHIA
(f. foresti)

Pensar e pensar e pensar


Para não chegar
A conclusão nenhuma.
Toda decisão é prematura,

Não conseguimos perceber nada,


A realidade nos trespassa,
A vida zomba de nós
E dá risada quando acabamos sós.

Mas eu sei que nunca estamos sozinhos...


Não que acredite em Deus ou religião,
Apenas sei que não posso sair de mim mesmo.

Em minha companhia sempre estarei com apreço,


Conversando com mortos e livros
Sobre amores, poesias e amigos.
Letras e Poemas Desclassificados 96

POTE MÁGICO DE CACHAÇA


(f. foresti)

Tantas coisas perderam-se entre os corações:


Meu pote mágico de cachaça,
Minha meia fedida que rechassa,
Meu caderninho de escrever ilusões.

Tantas coisas perderam-se entre os corações...


Sofridos, tristes, queridos,
Amados, meigos, amigos,
Histórias e mentiras sussurradas sobre os colchões.

Tantas coisas perderam-se entre os corações...


Que de tanto amar deixaram de ser amados,
Flor que desperta o ódio em meio àqueles
abandonados.

Apesar de tantas coisas que perderam-se entre os


Letras e Poemas Desclassificados 97

corações,
O que eu sinto mais falta não é nem do amor nem do
pote mágico: é da cachaça!
A minha sorte é que ela é barata....

GEOMETRIA DO AMOR
(fabiano foresti)

Você não respeitou


A pessoa que entre nós se colocava.
Pensou ser traição
Existir outro além de nós na relação.
Porém, lhe digo amor, é justo e natural.
Forçoso do ponto de vista conjugal
Que esse triângulo se estabeleça
Como geometria fundamental.
Porquanto não seja lógico,
Visto que resulta de dois pontos,
Entretanto note com atenção:
Cada ponto é um ponto,
Dois pontos juntos é um novo ponto então.
Letras e Poemas Desclassificados 98

SONETO, EM TESE
(fabiano foresti)

Atrás da banca botando banca


Para a numerosa audiência fantasma
A renomada e sisuda orientanda
Ataca a tese da orientada,

Da quem a vida em tese anda.


Quanta tese emudece na estante
De tantas vidas vividas em tese
Por quem não foi cavaleiro andante

Anos em tese embebidos no café


Pelo fátuo fogo do louvor, em tese,
Enquanto a vida é posta de ré.

A tese é do tesão a antítese


De quem vivendo no rodapé
Vê seus anos passarem em síntese
Letras e Poemas Desclassificados 99

AJUDA BROTHER, AJUDA MINHA LOUCURA!


(d. scopel)

Estou pintando o que vi pelas ruas da miséria urbana!


Vou ser pregador, vou ser pregador!
Meu nome na lápide de meu irmão morto!
Vincent, o que você está fazendo?
Vincent, o que você está pintando?
Cornélia tinha tendências artísticas e eu cortei minha orelha.
Vou ser missionário, vou ser missionário!
Só encontro miséria por todo lugar.
Vincent, o que você está fazendo?
Vincent, o que você está pintando?
Cornélia tinha tendências artísticas e eu cortei minha orelha.
Vou ser artista, vou ser artista!
Amei a filha do senhorio.
Amei a prima Kee.
E a prostituta Sien e seus cinco filhos...
Letras e Poemas Desclassificados 100

SENTIMENTAL DEPOIS DE UNS GOLES DE VINHO


(d. scopel)

Estamos no fim do outono, mas já sinto um ar de primavera.


Pressinto o anúncio da tua presença!
Mágica, eu busco a Aurora por trás da sebe.
Réstia!
Afundada em lágrimas de alegria, Aurora, és fim da noite e
nascer do dia!
Olhas por trás da colina negra!
Sol maravilhoso, aqueçe meu coração!
Teu presente é a certeza da primavera no outono,
tão certa quanto o calor de um gole de vinho tinto!
Letras e Poemas Desclassificados 101

UM DIA NA VIDA
(d. scopel)

Um café, um cigarro, um gole de whisky. Arquimedes.


Um café, um cigarro, um gole de whisky. Saio pela rua.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Pensamentos a mil.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Joy Division.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Que equilíbrio.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Caminhando.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Pensando, fabulando.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Punk clean, rebelde fashion.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Ah! Vida sem graça.
Um café, um cigarro, um gole de whisky. Ah! Poesia desdentada.
Um gole de whisky.
Café.
No more cigarros!
Foram pro espaço, Epicuro e Arquimedes.
Viraram constelações cadentes. Gira mundo, gira minha cabeça de
whisky.
Por favor, água!

***
Letras e Poemas Desclassificados 102

Bom dia sol! Um passo além. Tambores africanos comunicam-se em


minha cabeça.
Tomo um café.
Ascendo um cigarro...

A VELHA E O ÓRFÃO
(d. scopel)

Eu tentei em vão cala-te minha Voz senil,


mas a Dor do Silêncio não quis assentar...
Quiseste sair, velha sorrateira, com palavras mil,
De dentro do peito, que é teu lugar!
Comentário: -Volta, Indecifrável (Voz)! Miséria dos
Miseráveis!
Quiseste armar corações com chamas iradas
e converter meu pesar em desilusão!
Porém, contra Tudo e pelas Razões erradas,
só fizeste cavar mais chagas em meu Coração.
Comentário: Sou Eu, minha Voz, velha sorrateira, que engano e
por quem sou enganado!
És Voz que grita a Mentira e a Dor,
pronunciando maldades aos Ouvidos mudos (de nascença).
Empedras minha Mente, esfrias meu Calor...
És uma Voz de ressentimento e mágoa!
Porque já É tempo de calares, Voz senil!
Letras e Poemas Desclassificados 103

Deixa falar alto o Pensamento!


Comentário: Pensamento órfão, tão só! De que Puta és filho?

CRONUS
(fabiano f.)

Lembra aquele tempo que não volta,


Um lugar e um momento
Perdido no espaço e no tempo
Quem desacreditou que existiria
Vida após a juventude.
Desconheço-me na sombra projetada no muro
Um pé no passado, outro no futuro.
Efêmera vida, implacável o tempo.
Vivo, existo.
Penso, logo resisto.
Letras e Poemas Desclassificados 104

SACROSSANTO BAR
(fabiano f.)

No crepúsculo do vesperal
Deita-se o lume brando,
Do inverno na cidade ardia

Minha tez comprimida


Expressa mais um dia de dor.
Eloqüo preces e dou graças,

Genuflexo no sacrossanto altar


Que macula as gentes esparsas.
E eu, sacrílego cidadão,

Homem de fé, imperfeito feito


Deito meu peito no leito
Do santuário profano.
Letras e Poemas Desclassificados 105

Mor altar do cidadão.


Cauterizo minhas chagas
Libando benta destilada.

Não blasfemo ou rogo pragas.


Rio apenas dessa vida pequena
Que cabe em minha mão.

Ínfima condição
Que todo fim de tarde
Leva-me ao santuário.

Onde sou grão duque


Marquês, rei ou apenas irmão.
Toda dor traz em si

Um contentamento detido.
Dessa dor mesma que me corrói
Sorvo o prazer que dela destilo.
Letras e Poemas Desclassificados 106

EVIDÊNCIA DOS CORPOS MORTOS


(l. manzoni)

Morrer está sempre à mão


Essa é uma verdade suprema
Aprendi desde criança
Basta uma arma, uma corda, um facão
Se a escolha é o longo prazo
Tem o cigarro,a nicotina o alcatrão.

A morte de gente amada


Traz sempre um grande pesar
Descabela, faz chorar
Tem gente que não aguenta
O encerramento da vida
Apela pro seu vigário
Faz promessa suicida.
Letras e Poemas Desclassificados 107

Mas no fim tudo se ajeita


Se encomenda o caixão
Faz reza pro falecido
Nessa hora a crença é sorte
Ajuda a esquecer a dor
Com promessas de pós-morte

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