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Cotia, 02 de Fevereiro de 2011

Atividade complementar 10

Livro : Cidade do Sol


Autor: Klaled Hosseini
Editora: Nova Fronteira S.A

O autor consegue nos envolver com sua narrativa, escrita em linguagem simples, com dose
controladas de emoção, curiosidade e ansiedade para saber como termina a história.

Mariam e Laila são as protagonistas desta história. Mariam viveu toda a sua infância com
sua mãe em uma kolba(casa pequena) em Herat e as vezes recebia a visita de seu pai. Nunca fora a
escola, pois sua mãe não permitia, por ser sua filha uma harami(bastarda). O pouco que sabia foi
passado por mulá Faizullah, o mais velho dos guardiões do Corão na aldeia Uma ou duas vezes por
semana, ele vinha de Gul Daman para ensinar a Mariam as cinco preces nanaz diárias e iniciar a
menina na recitação do Corão, exatamente como tinha feito com sua mãe, Nana. Faizullah também
ensinou a menina a ler .

Jalil tinha três esposas e nove filhos legítimos e Mariam. Era um dos homens mais ricos de
Herat. Era dono de um cinema que Mariam jamais tinha visto, além disso era dono de terras, tinha
lojas de tapete, de roupas . Era um dos homens mais bem relacionados de Herat, amigo do prefeito e
do governador da província. Tinha uma cozinheira, um motorista e três empregadas.

Nana havia sido uma dessas empregada até a sua barriga começar a crescer . O seu pai a
repudiou e foi morar no Irã, a família de Jalil a obrigou expulsá- la de casa e após um acordo de
portas fechadas e para manter as aparência, Jalil a fez arrumar as malas, levando- a para morar na
kolba, porém alegou as esposas que foi Nana que forçou a situação. Não teve coragem de assumir a
responsabilidade.

Nana era uma mulher amargurada com a vida que tinha, porque não ter conseguido se casar.
Aos 15 anos ela quase se casou com um vendedor de periquitos, mas a uma semana antes do
casamento, o seu noivo soube de suas crises de convulsão e desistiu do casamento. Também se
sentia mal de ser mãe solteira, de ter que viver escondida da sociedade e principalmente pelo
desprezo de Jalil para com ela, que não teve a capacidade de levá-la ao hospital para ter Mariam,
teve a filha em casa, sozinha. Não houve quem lhe segurasse a mão na hora da dor, quem lhe
enxugasse o seu suor e muito menos quem lhe ajudasse a cortar o cordão umbilical.

Mariam sonhava um dia poder estar com a família de seu pai, poder conhecer os seus meios
irmãos e assim que completou quinze anos, pediu ao pai que a levasse ao cinema para assistir
Pinóquio, com os seus irmãos e seu pai não atendeu o seu pedido, a fez ficar a sua espera no dia do
seu aniversário. Mariam acreditando que o seu pai estava muito ocupado, já que era um homem de

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negócios, resolveu ir ao seu encontro. Chegando a casa onde seu pai morava, Mariam viu o carro de
seu pai na porta da casa, mas recebeu a informação que ele não estava, porém ela decidiu esperar.
Passou a noite inteira a porta da casa a aguardar o retorno de Jalil. Levaram – lhe comida,
ofereceram levá- la de volta a sua casa, porém a moça decidiu esperar e nada de seu pai chegar,
sendo assim decidiu se adentrar a casa de Jalil sem ter sido convidada, quando o motorista a forçou
levá-la para casa e no jardim avistou o seu pai na janela, que fitou-a por um momento, fechando a
cortina logo a seguir. A menina ficou muito triste e permitiu que a levassem para casa e quando
chegou, se deparou com a mãe morta, que cometera homicídio. Achou que perdera Mariam e tirou
a própria vida.

Mariam foi levada a casa de seu pai e ficou por lá alguns dias. Refletiu sobre tudo que estava
acontecendo e percebeu que sua mãe é quem tinha razão, que ela era motivo de vergonha e
constrangimento para seu pai, que nunca deveria ter acreditado nele e atribuía a si a culpa pela
morte da mãe, se não a tivesse abandonado, nada teria acontecido.

Após alguns dias, Jalil e suas esposas se reuniram com Mariam e lhe deram a noticia sobre
um pretendente, que tinha interesse de casar-se com ela, mas a moça foi contrária ao casamento e o
seu pai não teve coragem de defendê-la. Alegaram que ela não teria uma outra oportunidade tão boa
quanto esta, mas na verdade nem elas, pois o seu nascimento tinha sido uma desonra para aquelas
mulheres e ali estava a chance delas de passar uma borracha, de uma vez por todas, sobre o erro
escandaloso de seu marido. Mariam estava sendo mandada embora porque era a encarnação viva da
vergonha que elas sentiam.

Mariam pediu a família para deixá- la morar com mulá Faizullah, mas a resposta é que ele
estava velho e fraco, desta forma, ela seria um estorvo para a família de mulá quando este morresse.
Ela suplicou a intervenção do pai, mas foi em vão. Mariam foi trancada em seu quarto para esperar
o dia do casamento, na manhã seguinte. Jalil já havia consentido a sua mão a Rashid.

Rashid era um homem alto, meio barrigudo e de ombros largos, aproximadamente tinha uns
de 45 anos de idade, víúvo e também tinha perdido um filho que morrera afogado em um lago,
desde então, ele vivia só. Morava em Cabul e era sapateiro.

No dia seguinte a moça se casou com Rashid,. No começo Rashid foi muito amoroso e
gentil com a moça e em pouco tempo ficara grávida, fazendo com que o marido ficasse muito feliz,
mas logo o perdera o bebê, foi assim por mais seis vezes. Não era nada fácil aguentar aquele jeito
de falar, aquele tom de deboche, aqueles insultos, aceitar que o marido passasse ao seu lado como
se ela fosse um gato da casa... Depois de quatro anos de casamento, porém Mariam compreendia
claramente o que uma mulher tem de suportar quando está assustada. E ela estava. Vivia com medo
das mudanças de humor de Rashid, de seu temperamento inconstante, de sua insistência em
transformar a conversa mais banal em discussões ocasionalmente resolvidas com socos, tapas e
pontapés.

Durante estas sete vezes que Mariam ficou grávida, cada ida ao consultório do médico era
ainda mais arrasadora que anterior. A cada desapontamento, Rashid foi ficando mais distante e
ressentido. Nada do que ela fazia o agradava o que a deixava apavorada só de ouví- lo chegar em
casa. Pensava sempre qual seria a desculpa da noite para ele agredí-la. Mariam não pôde lhe

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devolver o seu filho. Ela tinha falhado sete vezes e não passava de um fardo para o marido. Podia
ver isso no jeito que ele olhava para ela. Era um fardo para ele.

A guerra se manifestou no Afeganistão.

Laila foi criada em Cabul, e em 1987 estava com nove anos de idade. Era era loira de
cabelos ondulados que lhe batiam no ombro e tinha o olhos verdes, quase turquesa, com cílios
espessos, a maçã do rosto saliente, muito bonita.

O pai de Laila, Hakim, era um homem baixinho, de ombros estreitos e mãos esbeltas e
delicadas, parecendo até mãos de mulher. Sempre estava com o rosto enfiado num livo e óculos na
ponta do nariz. Era professor e os alunos os adoravam, e não apenas porque não espancava com a
régua, como os outros professores, ele era respeitado pois respeitava as crianças

A mãe de Laila, Fariba tinha o cabelo cortado curto e um rosto bem- humorado de formato
quase redondo, tinha os lábios carnudos e grandes olhos esverdeados. O seu casamento não ia nada
bem, já dormiam em quartos separados, desde o momento que Hakim havia permitido os filhos,
Ahmad e Noor irem para a guerra. A ausência de seus filhos lhe causava muita dor, ficava trancada
quase que o dia inteiro no quarto, esquecendo de cuidar de sua pequena filha.

Em uma de suas idas ao colégio, Laila avista um carro estacionado defronte a casa do
sapateiro Rashid e dois homens dentro do carro e achou curioso. Os pais de Laila faziam questão
que a garota fosse instruída. Seu pai dizia “ Sei que você ainda é pequena, mas quero que ouça o
que vou lhe dizer e entenda isso desde já. O casamento pode esperar, a educação não. Você é uma
menina inteligentíssima, vai poder ser o que quiser e também quando esta guerra terminar, o
Afeganistão vai precisar de você tanto quanto dos homens. Porque uma sociedade não tem qualquer
chance de sucesso se as mulheres não forem instruídas.

Laila era uma criança muito feliz e o que a deixava mais contente era ter a presença do seu
vizinho Tariq. Laila adorava ir a casa de Tariq e principalmente comer em sua casa, pois não havia
história de almoçar ou jantar sozinho; as refeições eram sempre feitas em família, diferente do que
acontecia em sua casa. Laila e Tariq viviam juntos e no quarto de Tariq jogavam jogo de carta,
faziam lição de casa juntos, construíam castelo de cartas e desenhavam retratos ridículos um do
outro. Quando chovia, ficavam junto da janela, tomando Fanta Laranja quente e vendo as gotas de
chuva que escorriam pela vidraça.

Aos seis anos de idade, Tariq teve parte de uma das pernas amputada, após ter pisado em
um campo minado.

Ahmad e Noor morrem na guerra pelo Afeganistão.

Agrava a guerra no Afeganistão, uma amiga de Laila, Giti, é atingida por um míssil a três
quarteirões de sua casa e é despedaçada. Os acontecimentos de guerra faz com que em agosto de
1992, a família de Tariq resolva sair do país, para o Paquistão, pois o coração do pai de Tariq estava
fraco e não suportaria a guerra, toda aquela matança. Laila ficou muito triste e chateada com ele,
porém sabia que desde o combate entre as façções mujahedins, ela praticamente não reconhecia

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mais ninguém nas ruas. Todos estavam indo embora e agora Tariq também. Laila começou a chorar
e Tariq tentou enxugar suas lágrimas, porém ela estava furiosa porque ele a estava abandonado. Ele
que era um prolongamento dela própria; ele cujo vulto estava ao seu lado em todas as suas
recordações. Como podia deixá-la? Laila começou a bater nele e ele a segurou e beijou- a e eles se
amaram no tapete da sala sem que ninguém soubesse.

Tariq pediu Laila em casamento, que não pode aceitar, por não querer abandonar o seu pai,
pois ela era tudo o que lhe restara. Tariq sabia disso e prometeu que não haveria despedidas, jurou
que iria voltar para ela.

Duas semanas após Tariq ter ido embora, a família de Laila decidiu sair de Cabul para fugir
da guerra, já perdera dois filhos, tinham a intenção de preservar a vida da filha. Laila ficou muito
feliz, pois iriam para onde Tariq fora com a família. Passaram dois dias para juntar os seus pertences
e separar o que iriam vender. Na terceira manhã Laila começou a levar a pilha de coisas para o
quintal e foi pondo tudo aquilo perto da porta da frente, para posteriormente chamarem um taxi para
levar tudo aquilo à casa de penhores. Enquanto a moça realizava esta tarefa, ouviu um gigantesco
estrondo e ás suas costas um clarão branco. O chão tremeu sob seus pés. Algo quente e fortíssimo a
atingiu. Ergueu o seu corpo do chão e depois bateu na parede e caiu. Recebeu no rosto uma chuva
de terra, pedrinhas e vidro.

Laila acorda na casa de Mariam, muito ferida. Rashid e a esposa cuidam da menina , foi ele
que retirou Laila dos escombros. Os pais da moça morreram na explosão e após um mês depois do
ocorrido, apareceu um homem a casa de Mariam para falar com Laila.

Abdul Sharif era o seu nome e disse que viajou para Peshawar, Paquistão e como ele não
estava se sentindo bem foi parar no hospital, conheceu Tariq, que lhe disse que estava em um
caminhão repleto de refugiados, rumando a Peshawar. Perto da fronteira, viram-se em meio ao fogo
cruzado. Um míssil atingiu o caminhão. Houve seis sobrevivente e Tariq era um deles, porém estava
muito ferido. Havia tubos saindo de todas as partes do seu corpo, percebeu que não tinha as duas
pernas. Havia também problemas internos, já tinha sofrido três cirurgia, retiraram parte do seu
intestino. Além disso ele ficou muito queimado, por esse quadro necessitava ficar a maior parte do
tempo drogado, porém nos momentos de lucidez, falava de Laila e o fez prometer que assim, que
recebesse alta que viesse ao seu encontro e lhe contasse o que ocorrera. Tariq morrera no hospital.

Essa noticia abalara muito Laila, tinha perdidos os seus irmãos, seus pais e agora o amor de
sua vida. O que lhe restara? Rashid tentou consolar a moça e a maneira com que ele tratava fez
Mariam desconfiar da atitude do marido e perceber que ele a cortejava.

Mariam conversou com o esposo sobre a sua desconfiança e Rashid confirmou dizendo que
precisava legitimar essa situação, pois as pessoas iriam começar a falar, porque não era uma atitude
honrada para uma moça solteira ficar morando com eles. Não era bom para a sua reputação e nem
da moça e muito menos para Mariam.

Mariam relutou, porém Rashid não cedeu. Ele estava com sessenta e cinco anos de idade e
Laila com quatorze, mas disse que deixaria a moça ir embora se fosse a vontade dela, porém era
pouco provável que iria, pois sem comida, sem água, sem uma rúpia no bolso e misseis por toda

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parte … Quantos dias ela conseguiria viver antes de ser raptada, estrupada ou atirada em alguma
vala com a garganta cortada?

Mariam desistiu de argumentar e foi falar da proposta para a moça, que aceitou se casar com
Rashid. Laila percebera que estava enjoando muito, que os seios haviam aumentado de volume e
que sua menstruação estava atrasada. Laila sabia que sua atitude não era honrada. Era infame,
calculada e vergonhosa e tremendamente injusta com Mariam, mas embora o seu filho fosse maior
que uma amora, ela percebeu os sacrifícios que uma mãe tem que fazer e a virtude era uma das
coisas que seriam sacrificadas.

Rashid se apaixonara por Laila e o seu tratamento com as esposas era diferenciado. Ele
agradava a Laila e desprezava Mariam, que via a segunda esposa como inimiga.

Laila logo anunciou que estava grávida, o que deixou Rashid ainda mais feliz, ficou muito
ansioso para que fosse um menino. Em 1993 Laila é levada ao hospital e volta com Aziza nos
braços .

Desde esse dia, Rashid volta a ser ranzinza, reclama do choro da bebê, das fraldas sujas, da
falta de sossego. Era tanto descontentamento que ele não era capaz de chamar a menina pelo nome,
era sempre o bebê ou essa coisinha.

Laila era uma mãe muito dedicada e embora a visse como uma inimiga, Mariam admirava
muito a moça por isso, já Rashid não dava a mínima para Aziza.

Houve um dia, Laila e Rashid estavam discutindo e ele saiu bravo e foi até o quarto de
Mariam com o cinto de couro enrolado no pulso a ponta perfurada, atribuindo a ela a culpa de Laila
não querer fazer sexo com ele, pois a ensinou a dizer não. Ao longo do tempo Mariam aprendeu a
criar uma couraça contra o desprezo, as censuras, o deboche e as brigas do marido, mas não havia
conseguido a dominar o medo que sentia. Depois de tanto tempo ainda tremia apavorada quando o
via furioso, com o cinto na mão. Laila entrou no quarto desafiando o marido e lhe implorando que
não batesse em Mariam, prometendo atender ao seu pedido e Rashid recuou e desistiu de bater na
esposa.

Desde esse dia, as duas se tornaram amigas. Mariam ficou muito grata por Laila a ter
defendido. As duas passaram a fazer juntas as tarefas de casa e a cuidar de Aziza. A noite tomavam
chá juntas e conversavam.

Laila pretendia fugir de casa e para isso roubava diariamente dinheiro do marido e guardava.
Contou todos os seus segredos para Mariam. Laila queria levá- la também. As duas planejaram a
fuga, pegaram um taxí e foram até a estação e lá procuraram um homem bondoso que pudesse
comprar a passagens para elas e viajar junto delas, dizendo ser primos. Dentre os homens da
estação, Laila escolheu um homem de olhar e rosto bondoso que estava com sua esposa e um filho
da idade de Aziza e lhe pediu ajuda, dizendo que era viúva e iria morar com um tio em Peshawar e
já que era proibido as mulheres viajar sem um parente do sexo masculino, ela precisava de auxílio.
O rapaz comprou as passagens e entregou a Laila, porém na hora do embarque ele anunciou que não
era da família e o soldado não permitiu o embarque, encaminhando -as para o posto policial, onde

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as interrogaram e descobriram que elas estavam fugindo de casa e as devolveram a Rashid.

Rashid bateu em Laila e a trancou com Aziza no quarto, depois espancou Mariam e a
trancou num galpão de ferramentas, após pegou tábuas e pregos e vedou inteiramente a janela onde
estava Laila e Aziza. A escuridão era total, impenetrável e constante. Com os olhos eram impossível
perceber a passagem do tempo. Ela não conseguia ver a filha quando chorava, nem quando saia
engatinhando.

Laila acreditara que morreria junto com Aziza, pois Rashid não as alimentava e nem lhes
dava água, então a moça se pôs a argumentar e a implorar o seu perdão, fazendo- lhe mil promessa .
Rashid as libertou da escuridão, porém prometeu que se houvesse uma próxima vez que iria atrás
delas, mataria Mariam, Aziza e depois ela para que assista a tudo e sai lhe dando um chute nas
costas que a fez urinar sangrando por vários dias.

Em 1994, começou a se falar nos talibãs. Eles haviam derrotado os senhores da guerra em
Kandahar e tomado a cidade. Era um grupo de jovens pashutuns, cujas famílias tinham fugido para
o Paquistão durante a guerra contra os soviéticos. A maioria cresceu e até mesmo nasceu em
campos de refugiados. Quando eles começaram a agir, destruíram o museu de Cabul, a universidade
foi fechada. Os televisores foram destruídos, todos os livros, exceto do Corão foram queimados. Os
cinemas foram fechados e foi determinado: que todos os cidadãos rezassem cinco vezes ao dia, que
os homens deviam deixar a barba crescer, os meninos usarem turbantes. Foi proibido cantar, dançar,
qualquer tipo de jogo, escrever livros, ver filmes e pintar quadros. Quem possuísse periquitos seria
espancado, quem roubasse teria a mão direita cortada. Com relação as mulheres, era proibido a sair
de casa, exceto na companhia de um homem da família, eram obrigadas a se trajarem de burca.
Foram proibidos os cosméticos, uso de jóias, roupas atraentes. Não era permitido olhar um homem
nos olhos, rir em público, pintar as unha sob o risco de perder um dedo. Ainda era proibido ir a
escola e a trabalhar. Todas essas obrigações quando não cumprida, tinha a pena que geralmente era
o espancamento e no caso da mulher adulterar, morte por apedrejamento.

Em Setembro e 1997, Laila deu à luz um menino, que recebeu o nome de Zalmai . O parto
foi realizado com muita dificuldade, já que os talibãs, separaram os hospitais para mulheres e para
os homens e os destinados as mulheres eram em menores quantidades e com atendimento precário.
Foi necessário fazer cesária, sem anestesia, pois não havia no hospital.

No verão de 2000, a Seca atingiu o seu terceiro ano, o pior de todos e no fim do verão, a loja
de Rashid pegou fogo, tentou arrumar outros empregos, mas fora demitido. Quando o dinheiro
acabou, a fome começou a rondar a família. Mariam tentou pedir ajuda ao seu pai, mas descobriu
que ele morrera em 1987.

Em uma manhã fria de abril de 2001, Laila foi obrigada a deixar Aziza em um orfanato, em
virtude de não haver comida para todos. Sempre que podia ia visitá-la, as vezes, Rashid a
acompanhava, mas a maioria das vezes, era obrigada a ir sozinha, correndo o risco e muitas vezes
sendo espancada, por estar sem a companhia de um homem da família, tudo para poder estar
próximo da filha.

Um belo dia, um homem aparece a porta atrás de Laila, que não acredita no que está vendo,

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Tariq a sua porta. Eles conversa a horas sobre o passado e ela contou – lhe sobre Aziza, filha deles e
que gostaria que fosse conhecê- la.

Quando Rashid descobre a visita do rapaz, fica furioso com Laila, que o acusa de ter
mentido para ela sobre a morte de Tariq, pois se ela soubesse que ele estava vivo, iria fugir com ele
e Rashid a acusa de também ter mentido, sobre a sua filha bastarda. Tranca o filho no quarto e volta
com o cinto na mão, a ponta com os furinhos bem enrolado em seus dedos e vai na direção de Laila,
Mariam tenta detê-lo, mas é golpeada com um tapa nas costas. Sem dizer uma palavra , ergue o
cinto na direção de Laila, e golpeia Laila, esta tentou revidar, o que fez com que o marido ficasse
ainda mais furioso a ponto de pegar em sua garganta e não soltar mais. Mariam percebendo que
Rashid mataria Laila, pois o rosto da moça já estava ficando azulado e seus olhos se reviravam.
Mariam viu que ela já não lutava. “Ele vai matá- la” , pensou. “Vai mesmo”. E não podia, não ia
deixar que isso acontecesse. Rashid já tinha lhe tirado tantas coisas durante aqueles 27 anos de
casamento... Não ia ficar ali parada, vendo ele lhe roubar Laila também.

Então, firmou bem os pés no chão e segurou o cabo da pá com toda a força. Ergueu a
ferramenta. Chamou-o pelo nome. Ele ergueu a cabeça e Mariam o golpeou por duas vezes e
Rashid morreu.

Laila queria que Mariam fugisse com ela, as crianças e Tariq, porém Mariam não aceitou,
dizendo que tudo terminara. Que não havia mais nada que ela desejasse, pois Laila e seus filhos a
fizeram muito feliz.

Mariam foi manda para a prisão e foi julgada, sendo condenada a morte pelo seu assassinato.

Laila fugiu com Tariq e as crianças para o Paquistão, ficarão um tempo e depois voltaram
para Cabul, mas antes passaram em Herat e Laila foi até a casa de mulá Faizullah, que descobriu
que havia morrido e o seu filho Hamza, a guiou até a kolba onde Mariam morou com sua mãe e
depois, o rapaz, entregou uma caixa, que Jalil havia deixado com mulá Faizulllah para ser entregue
a Mariam. Laila tentou abrir, mas a caixa estava trancada, então ela perguntou o que continha na
caixa e o rapaz informou que o seu pai jamais abrira a caixa e ele também não. Entregou- lhe a
chave e disse: - Acho que era a vontade de Deus que a senhora a abrisse.

Quando Laila abriu a caixa, que havia três coisas: um envelope, um saco de aniagem e uma
fita de vídeo. O filme que esta passando na fita era Pinóquio e aquilo não fazia o menor sentido para
ela. No envelope havia uma carta de Jalil para Mariam, pedindo desculpas por tudo que havia feito
a ela e pedindo para que ela fosse vê-lo porque em breve morreria, pois a sua saúde estava frágil.
Disse também que ficou muito triste no dia em que foi visitá-la em Cabul e ela não o deixara entrar,
porém compreendeu a sua dor e lhe pedia perdão. Junto com a carta ele mandou a parte de sua
herança.

Chegando a Cabul, Laila e Tariq se dedicaram a cuidar do orfanato, onde Aziza ficou. Tariq
ajudou na reforma do prédio e Laila dava aula aos pequeninos. Tariq foi trabalhar na ONG
francesa, que tratava de fornecer próteses ao sobreviventes das explosões de minas e amputados em
geral.

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Laila descobre que está grávida e a cada integrante pensa em um nome a dar a criança caso
seja homem, porque se fosse menina, já tinha o nome a dar.

Assim, termina essa história fascinante e ao mesmo tempo triste. Laila agradece muito a
liberdade que Mariam a dera, matando o marido, pois assim, ela conseguiu realizar o seu sonho, que
era casar e ter uma família com Tariq e ajudar o seu país.