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Pratica de morfossintaxe

qualquer outro termo da oração, solto no eixo sintagmático, mas se re


. . lí . ,,.,
outro termo da oração, geralmente um SUJe1to e ptico. 1 em, no contcxt
Porta a
. o, Ull)
função semântica extremamente bem definida, pois serve apenas Para h a
invocar a pessoa ou c01sa. personifica . portanto, erne ªtna,-_,
. da a que se d"inge.
· hab"itualmente aparece ernraZào
dessa sua característica semântica, o vocativo
. . antecedendo-se ou podendoora-
ções cujos verbos estão no modo 1mperat1vo,
. .. .. , ser
antecedido por uma mtel']e1çao o:

(216) Ponha as mãos para o alto, seu bandido!


(217) Ó Senhor, dai-me paz para os dias de tormenta!
(218) Não voltes tarde para casa, minha querida, poisfará muitofrio.

Observe como nos exemplos existe um sujeito oculto: você, vós e tu, res-
pectivamente, o que prova que o sujeito e o vocativo nunca podem ser repre-
sentados pelo mesmo sintagma. Além disso, não se pode esquecer da carac-
terística bem marcante do vocativo, que é a de poder ser retirado da oração,
sem provocar qualquer alteração semântica ou defeito de natureza sintática.
Veja mais alguns exemplos de orações com vocativo:

(219) Não vás ao monte, Nise, com teu gado! (Camões)


(220) Que me quereis, perpétuas saudades? (Camões)
(221) Serenai, verdes mares, e alisai docemente a vaga impetuosa(.. .) (José
de Alencar)
(222) Deus te leve a salvo, brioso e altivo barco, por entre as vagas revol-
'
tas (. ..) (José de Alencar)
1

COMPLEMENTO NOMINAL

Por constituir um sintagma interno a outro sintagma, mas, ao mesmo


1,
tempo, ser um termo sintático obrigatório, à semelhança dos complementos
\' verbais de verbos transitivos, o complemento nominal (CN) merece ser des-
crito em item à parte.
\
1 Todo complemento nominal será sempre representado por um sintagma P~
.
pos1aona . do, pedido obngatonamente
. . pelo sentido incompleto de um substantlVO
.
\
1
(geralmente abstrato), de um adjetivo ou de um advérbio. Como não é termo sm-
. o·eamente_
1, 1
1 '
ta' ti'co autonomo,
.. podera, .integrar outro sintagma que funcione smta
como sujeito, predicativo, objeto direto ou indireto, agente da passiva, adjunto ad

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Estudo dos termos da oração (Período simples)

.a1 p<>sto ou vocativo, isto é, qualquer sintagma que apresente em sua cons-
ver~1':m
titulçao
demento de base substantiva, adjetiva ou adverbial.
Na condição de comp1emento d: adº~et1v~ · ou d_e advérbio, não se pode
di-lo com qualquer outra.funçao smtátíca: nao há outro termo sintá-
co. nfuue
n possa integrar obrtgatortamente
· · o senti·do de certos adjetivos ou ad-
nco .q nucleares de smtagmas
. - ser o comp1emento nomi-
aut"onomos, a nao
vérb10s
23
nal. Observe :
(223) [A/hei.o à algazarra dos alunos}, oprofessor sorria sem parar.
(224) Sua vida é [necessária aos.filhos].
(225) Estamos [ansiosos pelasférias].
(226) Sentia-se {temerosa de tudo}.
(227) Pareciam [distantes de tudo}.
(228) Sentou-se [perto de mim}.
(229) Decidiram-se [favoravelmente à sua ahsolvifão}.
(230) [Relativamente ao processo}, acho que podemos esperar.

A dificuldade de identificar um complemento nominal surge quando ele


passa a ser termo semanticamente complementar de um núcleo substantivo.
Essa dificuldade ocorre porque é possível confundi-lo com o adjunto adno-
minal preposicionado, que também se prende a um substantivo, internamen-
te a outro termo sintático. Não basta dizer que o complemento nominal é ter-
mo obrigatório e o adjunto adnominal é acessório: ambos servem para
expandir o núcleo substantivo de um sintagma, e o conceito de "obrigatorie-
dade" acaba sendo muito relativo e subjetivo, portanto, falho.
Parece-nos que o complemento nominal tem, na construção das ora-
ções, uma importância muito mais semântica, exigida pelo significado in-
completo de certos nomes em português, do que sintática. Se observarmos
u~a construção como (231), veremos que certamente o complemento no-
minal da penicilina é semanticamente imprescindível, mas, estruturalmen-
te ~p~rtanto, sintaticamente), o adjunto adverbial no século XIX é muito
mais importante:

(231 ) [A descoberta da penicilina} ocorreu {no século XIX]

ci:t~os os exemplos dados, os sintagmas entre colchetes são adjetivais (223 a 22 7), fim-
verb 0 como predicativos, ou adverbiais (228 a 230), funcionando como adjuntos ad-
iais. O comP1emento nominal está posicionado internamente a esses sintagmas.
.

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A 1111/111 /Q (• 1J lm(n @lwu}


A (• (jtJrAi-nl»saJwu-,e)
(J túJlj~ 1k 11/Mrdlllk, (• tk1eíou-1e /í/,erdm/e)
A Jlllllíl "'1-IH«II, (• 111ln1m da eJUJla)
A fflflffl 1111 ( •,,,1,-,e na humanidmk)
~, ,w11 de 4:MJplemenu, nomí~ também, aqueles cm que se pode dc-
rlv~, um 1wtdítu'wo, conw tm:

A t1rt1:1,a IÚ 11111 '110/ta, (• sua volta é ,erta)


A lmprutllntla do mottJrúta, (• () mot1Jrista é imprudente)

ICm toda CtJ#a pcq~na relação de exemplos de sintagmas com comple-


mento 1111mlr,al, o llm! rw, parca: ímportantc, por ora, é perceber que um ter-
mo ,•omr1lcmcntó nominal não pode ,cr •ímplesmcnte "apagado" da oração
prejufao ba,tante acentuado cm seu sentido24 • Obser-
#CHI (fUC: cli& 1ofta um
v"o ,,uc o,:orrerh, como• teguíntcs enunciados se o complemento nominal
fo•-o OflllKftdo:

(232) A fl()//a d, m,u jllho deixou-me muito feliz.


(2;1:t) l1'oi lm:rfv,I fJ salvamento do cllo~,nho pelo bombeiro.
MIII/Jr, 11p1rança da certeza d11ua vlt6rla.

i, lt111h111- h-.J11 Uill flll tfUCI o 11JJunto •dnomlnlll ramb~m não possa ser apagado da ora·

.
\ 111, (1111111 rlll MtN l'/J;jt ,,,,, liHfR tioi: "pllM.
Estudo dos termos da oração (Período simples)

QUADRO MORFOSSINTATICO DOS TERMOS DA ORAÇÃO

Podemos, agora, resumir didaticamente a base ou a natureza sintática de


cada um dos termos da oração, bem como o tipo de sintagma pelo qual é re-
presentado na construção do enunciado. O quadro a seguir demonstra que os
termos sintáticos são definidos ou autorizados por sua natureza morfológica
e por sua representatividade como determinado tipo de sintagma, além, evi-
dentemente, de apresentarem características inerentes ao contraírem funções
com outros termos da oração.

Sujeito Substantiva Sintagma nominal (autônomo)


Objeto direto Substantiva Sintagma nominal (autônomo)
Objeto indireto Preposicionada Sintagma preposicionado (autônomo)
Predicativo do sujeito ou do objeto Adjetiva Sintagma adjetival/sintagma nominal/
sintagma preposicionado (autônomos)
Agente da passiva Preposicionada Sintagma preposicionado (autônomo)
Complemento nominal Preposicionada Sintagma preposicionado (interno)
Adjunto adverbial Adverbial Sintagma adverbial/sintagma
preposicionado (autônomo)
Sintagma adjetival ou modificador/
Adjunto adnomlnal Adjetiva sintagma preposicionado/
determinante (internos)
Aposto/vocativo Substantiva Sintagma nominal (autônomo)

CRUZAMENTO DOS EIXOS DE CONSTRUÇÃO MORFOSSINTATICA

Também resumida e didaticamente, vejamos como se formam duas es-


truturas básicas de frases em português, a partir do cruzamento de ambos os
eixos de construção.

Nesse modelo de construção, temos:

• Ele= S

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