Você está na página 1de 3

C. I.

HUMBERTO DE CAMPOS
ARAIOSES(MA) - SETEMBRO DE 2021
ALUNO(A)___________________________________Nº______ NOTA___________
II ETAPA NOTURNO FILOSOFIA
PROFESSOR: FRANZ LEEHART

POLÍTICA, AMOR E ÓDIO


Estudando ética e moral, entendemos que o amor é um vivo desejo, uma inclinação oposta ao egoísmo, direcionada a
pessoas e objetos considerados bons. Lembremos que Platão, em O Banquete, conceituou o poderoso amor como
uma “aspiração em geral na direção das coisas boas e na direção da felicidade...” Na Ética, de Spinoza, encontramos
o amor descrito como a “Alegria acompanhada pela ideia de uma causa exterior, [...] quem ama se esforça
necessariamente por ter presente e conservar a coisa que ama.” Sobre o ódio, o mesmo filósofo define: “Tristeza que
acompanha a ideia de uma causa exterior [...] aquele que odeia se esforça por afastar e destruir a coisa da qual ele
tem ódio.” E a política? Devemos amá-la ou odiá-la? Uma frase muito interessante, cujo autor desconhecemos, nos
responde com sabedoria: “a infelicidade dos que odeiam a política é serem governados pelos que a amam”.
Geralmente quem divulga seu ódio pela política – e não são poucos – demonstram, além de uma grande insatisfação,
uma completa incompreensão acerca dos fenômenos políticos que atuam em nosso cotidiano. Desconhecem seus
próprios potenciais transformadores, e por omissão colaboram com a manutenção daquilo que tanto reprovam:
injustiça, corrupção, desigualdade, etc.. Este pensamento, equivocado e tendente ao conformismo, resume a política
nos espaços onde transitam senadores, deputados, vereadores, prefeitos, governadores e presidentes. Por isso, é
comum odiarem a política quando se odeiam as atitudes de parlamentares e chefes do executivo, dividindo
erroneamente a sociedade em políticos e não políticos. O grande poeta Alemão, Bertold Brecht, escreveu “o
analfabeto político” e criticou os não participantes dos “acontecimentos políticos”, só que não resumiu esta
participação no voto. Apenas, o poeta quis destacar um ódio ignorante, favorecedor das causas do próprio ódio.
Não devemos odiar a política, afastando-nos – até porque qualquer afastamento é ilusório –, sob o risco de tornarmo-
nos espectadores de acontecimentos quase sempre cruéis e injustos, onde o destino de toda humanidade é traçado.
Devemos, ao contrário, transformarmos este ódio em força crítica e participativa, nos colocando como atores
políticos, amantes e contribuintes da justiça. Muitos são os motivos para se amar a política, como sinônimo de amor
à vida. Basta analisar e refletir sobre a situação social de hoje, no mundo e no Brasil.
Política é politicagem?
Fazendo esta pergunta a diversas pessoas, teremos inúmeras respostas, uma bem diferente da outra. Perguntamos
para uma professora da Universidade Nacional de Brasília, localizada na cidade mais comentada nos assuntos
políticos brasileiros, e ela lucidamente nos respondeu: Política não é politicagem.
"Os jovens vêm se distanciando da política porque a confundem com os políticos ou com aquilo que alguns chamam
de "politicagem". Se os eleitores escolhem mal ou preferem se omitir, então os políticos certamente não terão as
qualidades e o comportamento que idealmente se esperaria deles. Já a ‘politicagem’ é uma forma de expressão da
pequenez do jogo de interesses humanos e pode ocorrer em qualquer situação, inclusive fora das instituições
políticas.
Na realidade, a política é o conjunto de procedimentos e de instituições por meio dos quais é possível solucionar
pacificamente conflitos que envolvem interesses coletivos. Todos que defendem o benefício coletivo frente aos
interesses particulares devem refletir cuidadosamente sobre o significado da política. E participar, pois só assim
poderão utilizá-la como instrumento na construção de um mundo melhor."
Maria das Graças Rua – professora da UNB
* depoimento cedido gentilmente para esta apostila

ATIVIDADE

1. Após cantar – ou somente ler as letras das músicas abaixo, tente elaborar uma nova música, ou poesia, com os
mesmos temas. Depois, faça uma dissertação (pode ser uma música ou um poema), abordando a relação entre:
política, desigualdade, miséria e violência (o que uma coisa tem a ver com a outra):

QUINHENTOS ANOS DE HISTÓRIA


Tribo de Jah

500 anos de história


Se não me falha a memória
Não há muito que comemorar
Melhor que se investir de glórias ilusórias
E se pôr em seu devido lugar
Os anos e danos da colonização
Índios dizimados, a escravidão
Ainda se fazem lembrar
De que vale Ter riquezas em demasia
No mundo ser a oitava economia
Se poucos podem desfrutar
A educação entre as piores do terceiro mundo
A saúde é um poço profundo
(que humilhação)
Onde se lança a sorte da população
A dignidade não se irá conquistar
Nem com dez copas mundiais
Se a injustiça é a premissa da
Ordem a nos desgovernar
Com a ditadura sem compostura
De quem pode mais
O salário mínimo é um salário mísero
O máximo da hipocrisia
(Tente Sr. Presidente, passar ao menos um
dia com um salário tão indecente)
É uma afronta a cidadania
Uma ofensa aos direitos do cidadão
Do trabalhador, da família
Uma verdadeira agressão
A justiça omissa e submissa
Poderosos imunes a punição
(A impunidade é uma crônica enfermidade
que corrói o corpo da sociedade assim
como a corrupção
Sem falar no fisiologismo
Na politicagem e no banditismo
De um capitalismo selvagem
Sem lei e sem restrição)

PERFEIÇÃO
Renato Russo (Legião Urbana)

"Vamos celebrar (...) nossa polícia e televisão


Vamos celebrar nosso governo e nosso Estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escola
As crianças mortas
Celebrar a nossa desunião (...)
Vamos Celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas a cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de Hospitais
Vamos celebrar nossa Justiça
A ganância e a difamação (...)
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre e todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
Não se ter a quem amar
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Vamos cantar juntos o Hino Nacional
(A lágrima é verdadeira)
Vamos celebrar nossa saudade e comemorar a nossa solidão
Vamos celebrar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer a nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada! (...)"

2. Leia o poema de Bertolt Brecht, e após lê-lo produza um texto seu sobre como você a política dentro da nossa
sociedade (Tente explicar o que você entende como política, sua importância – ou não, como ela está presente em
nossas vidas, aponte sugestões de como melhorá-la em benefício de todos).

O analfabeto político

O pior analfabeto é o analfabeto político.


Ele não ouve, não fala, nem participa dos
acontecimentos políticos.
Ele não sabe que o custo de vida, o preço do
feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e
do remédio depende das decisões políticas.
O analfabeto político é tão burro que se orgulha e
estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe
o imbecil que da sua ignorância política nasce a
prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os
bandidos que é o político vigarista, pilantra, o
corrupto e lacaio dos exploradores do povo.
Bertolt Brecht

3. Ainda com base no texto acima, converse com a sua família sobre o papel da política e os males do analfabetismo
político. Quais as impressões deles? Resuma o que eles pensam.

4. No período eleitoral, sempre se ouvirá diversas propostas e se deverá fazer a opção dentre os candidatos, daquele
que possui as melhores propostas.
Vamos exercitar a interpretação, compreensão e a comparação entre as duas propostas abaixo?

Proposta 1
“As minhas prioridades são o empoderamento das mulheres, a promoção da igualdade racial, os direitos juvenis,
segurança pública cidadã, ocupação democrática dos espaços públicos e participação popular. Vamos fazer uma
construção aberta para a cidade. É um mandato coletivo. Vamos criar mecanismos para que as pessoas construam a
cidade junto com a gente, opinem, participem. Isso é a minha prioridade máxima, e é resultado do movimento.
“Muitas pela Cidade que Queremos”, do qual faço parte. Vamos criar instâncias para construir essa participação,
(…)”
Proposta 2
“As minhas áreas de atuação são educação, cultura e o terceiro setor. Estou à frente da nova lei de incentivo à
cultura, para qual temos o objetivo de descentralizar, já que está focada na Região Centro-Sul. Na educação, a minha
bandeira é a valorização dos professores, já fui autor de uma emenda para aumentar o salário desses profissionais na
educação infantil. Além disso, para o terceiro setor, vamos trabalhar para ampliar os recursos para as instituições.
(…)”
Fonte: https://www.em.com.br/app/noticia/politica/2016/10/09/interna_politica,812432/conheca-propostas-vereadores-mais-
votados-em-belo-horizonte.shtml

Qual das duas propostas vocês acham que estaria mais próxima dos interesses da comunidade, que vocês vivem?

Você também pode gostar