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14/04/2011 Explorações mente e cérebro

Explorações mente e cérebro - Parte X

Fundações da modelagem neurocognitiva:


o movimento dos olhos – uma janela para o cérebro
Mark E. Furman

A janela para a atividade neurocognitiva:

Desde o começo da PNL, seus fundadores acreditavam que era possível modelar virtualmente qualquer forma
de excelência humana mesmo que a essência desta excelência humana estivesse invisivelmente presa no
espaço cognitivo. Apesar de ser relativamente fácil modelar os visíveis programas de ação estabelecida
auxiliados pelo nosso sistema motor sensorial, também é igualmente possível modelar alguma atividade
cognitiva a partir da linguagem, a maior peça ausente que torna tudo isso possível é a atividade cognitiva que
coloca todo o processo em movimento. Os primeiros dois tipos de modelagem tiveram indicadores de padrões
externos muito confiáveis. Porém o terceiro tipo conta com os padrões de escaneamento do olho para fornecer
uma janela na atividade cognitiva. Para modelar a atividade cognitiva evasiva com mais precisão, é necessário
aprender como usar com mais precisão os padrões de escaneamento dos olhos, por que esses padrões retêm
a chave para a competência a qual nós estamos completamente inconscientes e incapazes de acessar.
Entender o movimento dos olhos com uma precisão maior irá nos dar acesso a informação inconsciente que
nunca poderia ser conscientemente reconhecida pelo modelo do expert.

Construindo novas distinções através dos contra-exemplos:

A fim de iniciar a montagem de um modelo mais acurado das pistas de acesso visual, certamente nós
podemos começar onde a PNL desistiu 20 anos atrás e construir novas distinções através da análise dos
contra-exemplos. Com um pequeno conhecimento da neurofísica e o velho modelo de acesso visual em mãos,
nós estamos prontos para começar.

No último artigo (parte IX), nós discutimos porque certas pessoas têm mais problemas do que outras na
visualização e, também, estabelecemos a base neurofisiológica do porquê os nossos olhos têm que se mover
quando nós pensamos. Neurofisiologicamente, é impossível pensar o que nós faríamos sem esses dois
movimentos – o dos olhos e da cabeça. Como já afirmamos antes, esses movimentos são controlados pela
base do cérebro.

Ilusões cognitivas e movimentos verticais do olho:

Você já notou porque parece ser tão universal que o acesso à informação visual exige que os olhos estejam
para cima e o acesso à informação cinestésica exige que os olhos estejam para baixo? Na realidade isso é só
uma ilusão. Primeiro, aqueles de vocês que tentaram calibrar com atenção usando as pistas de acesso visual,
notaram, sem dúvida, que a pessoa pode visualizar com os seus olhos para baixo na posição cinestésica.
Aqui está o primeiro contra-exemplo que precisamos analisar. Se for possível visualizar quando os seus olhos
estão para baixo na posição cinestésica, então os modelos de pistas de acesso visual não podem nos dar
uma correta representação da ativação do sistema sensorial. Visto que a ativação do sistema sensorial é vital
para os processos cognitivos de modelagem, esses contra exemplos têm que ser resolvidos. A primeira
distinção que precisamos fazer é qual a posição do olho que indica a ativação e qual a da manutenção de uma
imagem. Você pode notar que quando você faz uma pergunta visual para alguém, os seus olhos, por um curto
período de tempo, se movem rápido para cima e para esquerda, direita ou para o centro. Isso é uma pista de
acesso. Entretanto, quando ele pega ou mantém esta imagem na mente, ele pode movê-la para virtualmente
qualquer parte do seu campo visual sobrepondo-a paradoxalmente com pistas auditivas e pistas cinestésicas.
A ativação inicial de uma imagem exige sempre uma maior atividade neural do que a manutenção desta
imagem. Por essa razão, na ativação você pode ver os olhos se moverem para cima e a cabeça se mover para
trás para permitir o fluxo sanguíneo cerebral regional para o córtex visual. Esse aumento no volume de sangue
temporariamente impulsiona o nível de energia dos circuitos visuais necessários para juntar a imagem. Uma
vez montada, a imagem pode ser movida para o córtex pré-frontal (atrás da testa), e projetada para qualquer
área do campo visual. As células nervosas que mantém essa imagem são chamadas de células piramidais.
Devido a uma propriedade da neurofísica, chamada de degeneração, qualquer uma das células piramidais pode
ser selecionada pelo cérebro para representar essa imagem. Isso significa que uma imagem inicialmente
gerada na posição superior do seu campo visual pode ser expandida ou reduzida e ser movida virtualmente
para qualquer local. Sem essa flexibilidade, o pensar como nós o conhecemos, não seria possível.

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Quando uma imagem que foi previamente ativada é movida de uma parte do campo visual para outro, diferentes
aspectos da representação sensorial são intensificados. Fisiologicamente, a informação dos sistemas
sensoriais se sobrepõe. É por essa razão que, em algumas partes do seu campo visual, você pode realmente
ver uma imagem perfeita. Porém, em outras partes do seu campo visual, você pode ver uma imagem e ouvir
também os sons desta experiência. Em outros locais, você pode ver uma imagem, ouvir os sons e sentir as
sensações que você sentiu nesta experiência muito vividamente. Essa intensificação dos sinais visuais,
auditivos e cinestésicos é possível porque as células nervosas no cérebro combinam a informação sensorial de
mais de um sistema. Esses neurônios repousam na associação dos córtices e o córtex pré-frontal é um deles.
Esses neurônios são chamados de bimodal ou de trimodal. Neurônios bimodais transportam a informação de
dois sistemas sensoriais como a visão e a audição, a audição e a cinestésica, e a visão e a cinestésica. Os
neurônios trimodais transportam a informação de todos os três sistemas sensoriais.

Quando você move uma imagem sobre áreas específicas dos neurônios bimodais ou trimodais, você
obviamente irá intensificar as diferentes combinações da informação visual, auditiva e cinestésica. Por isso,
uma das calibrações mais valiosas que nós podemos fazer depende dos padrões correlativos entre a posição
dos olhos e o tipo de associação de neurônios que está sendo usado. Se nós dividirmos o nosso campo visual
em três setores horizontais, quando os nossos olhos estão na seção superior, a informação visual irá se
sobrepor com a informação auditiva do nível do olho para baixo e com a informação cinestésica da área
superior da cabeça. Isso significa que é possível "sintonizar" a informação cinestésica embora estarmos
olhando para cima. Contudo, as células nervosas que se sobrepõe com esta área do córtex da associação
visual são somente células nervosas que transportam a informação cinestésica da área superior da cabeça.
Isso significa que é muito fácil e possível "sintonizar" ou intensificar a informação cinestésica sobre uma dor de
cabeça previamente experimentada ou um ferimento na cabeça olhando para cima. Quando os nossos olhos
se movem para a área do meio da divisão horizontal do campo visual, nós somos capazes de intensificar a
informação sensorial auditiva que veio de baixo do nível do ouvido para aproximadamente o nível do esterno e a
informação cinestésica se torna intensificada do nível do ouvido para um pouco abaixo dos ombros e do tórax
superior. Isso significa que se nós queríamos "sintonizar" a informação cinestésica do nível do ouvido para o
tórax superior, seria melhor mover as nossas imagens visuais para a divisão horizontal central do campo visual.
Também, como os ouvidos têm o seu ponto focal de coleta de informação sensorial a esse nível, para
intensificar mais o processo auditivo deve-se manter os nossos olhos no nível da linha média. Quando
movemos os nossos olhos para baixo na posição inferior do nosso campo visual, nós somos inteiramente
capazes de "sintonizar" ou intensificar a informação auditiva e cinestésica vinda da parte superior do tórax
baixo. É por essa razão que nós, geralmente, notamos que o acesso cinestésico está no corpo – como a
maior parte das nossas sensações - emocional, tátil e motora, que será gerada entre o tórax superior e os
nossos pés. Obviamente, nós temos mais corpo abaixo da parte superior do tórax do que acima dele. Agora
com esse conhecimento, é mais fácil ver como uma pessoa que recorda o som do miado de um gato no chão,
precisa colocar os seus olhos no que agora nós chamamos de posição cinestésica. Na realidade ela está
apenas sobrepondo a imagem visual que ela tem do gato com o som do seu miado. Mas o som do seu miado
vem do nível do chão o que significa que os neurônios que o representam deveriam estar na parte mais baixa
do campo visual (córtex pré-frontal). Se isso soa complicado para você – você está certo – isso é muito
complicado e exige um grau muito fino de acuidade sensorial para notá-lo. É melhor começar notando isso em
você primeiro, antes de tentar notá-lo nos outros.

Como você pode ver, os neurônios bi e trimodais tornam impossível organicamente separar o processo visual,
auditivo e cinestésico em divisões claras que o velho mapa das pistas de acesso visual nos fez acreditar que
era possível. Sem essa informação fisiológica adicional, nós certamente iríamos provocar turbulências quando
fossemos tentar modelar a função cognitiva. Essa informação neurofisiológica nos dá a fundação para a
modelagem neurocognitiva. Já que todas as funções da mente exigem o uso do tecido biológico do cérebro, as
tecnologias de modelagem que esperam capturar a essência invisível da mente, precisam levar em conta a sua
contraparte neural. Se você parar e refletir apenas sobre essa informação que eu lhe dei até agora nesse
artigo, literalmente, centenas de incongruências dos padrões prévios e dos contra exemplos irão começar a
fazer sentido para você.

Descobrindo o mistério dos padrões de escaneamento horizontal dos olhos:

Essa informação deve esclarecer as razões pelas quais os nossos olhos se movem verticalmente quando
pensamos. Contudo, isso é somente parte da história porque como você sabe, os nossos olhos também se
movem horizontalmente quando pensamos. Do mesmo modo que a nossa cabeça segue o movimento dos
olhos nos padrões verticais, ela também o faz nos padrões horizontais. O movimento do nosso olho é o
sistema guia para a função vestibular. Os nossos olhos nos ajudam a manter a posição e o balanço da cabeça
e, para onde os nossos olhos se movem, a nossa cabeça e o corpo seguem. Isso, naturalmente, também
ajuda a dirigir o fluxo sanguíneo cerebral regional para os circuitos sensoriais sendo ativados mais
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pesadamente.

Deste modo, porque, quando nós pensamos, os nossos olhos se movem tanto para direita como para a
esquerda? Há muito tempo que se sabe que o nosso cérebro é dividido em hemisfério direito e esquerdo. Cada
um desses hemisférios tem estruturas celulares diferentes possibilitando diferentes tipos de função. O estudo
da ciência dessa área do cérebro é chamada de citoarquitetônica. Os nossos olhos irão se mover para a direita
ou para a esquerda dependendo da função cortical que nós precisamos efetuar. Vamos falar primeiro do córtex
visual. Por que parece que muitas pessoas destras olham para cima e a esquerda quando estão recuperando
uma imagem visual e para cima e a direita quando estão construindo uma imagem visual ou pensando no
futuro? De novo, muito disso é somente uma ilusão. Como certamente você notou, esta mesma pessoa pode
recuperar as memórias olhando para cima e a direita e, ela pode construir visualmente ou pensar no futuro
olhando para cima e a esquerda. Isto significa que existem mais coisas acontecendo do que "o olho pode
enxergar".Lembre-se: sempre que existir um contra-exemplo, existe uma nova distinção a ser aprendida. Para
entender melhor as áreas funcionais do campo direito e esquerdo, você pode querer recorrer ao diagrama
abaixo que mostra como uma casa seria representada nos campos receptores visuais de cada hemisfério.
Essas distinções são consistentes com a predominância da mão direita.

DIAGRAMA
CAMPO VISUAL ESQUERDO CAMPO VISUAL DIREITO
GLOBAL, VAGO LOCAL, DETALHE & ZOOM

CAMPO VISUAL RECEPTIVO CAMPO VISUAL RECEPTIVO


ESQUERDO / HEMISFÉRIO DIREITO DIREITO / HEMISFÉRIO ESQUERDO
- SOBREPOSIÇÃO AMPLA / 3D - PEQUENA NÃO-SOBREPOSIÇÃO

- IMAGEM SE MOVE COMO UM TODO - PEÇAS SE MOVEM INDEPENDENTEMENTE

- CODIFICA O MOVIMENTO - CODIFICA A COR

- VELOCIDADE PROCESSAMENTO:RÁPIDA - VELOCIDADE PROCESSAMENTO: LENTA

- BAIXA RESOLUÇÃO / FREQÜÊNCIA - ALTA RESOLUÇÃO: FREQÜÊNCIA

- SINTONIZAÇÃO GROSSEIRA /POUCOS DETALHES - SINTONIZAÇÃO ÓTIMA /MUITOS DETALHES

Assimetria cortical e o campo visual:

O campo visual esquerdo se serve do hemisfério direito. As células cerebrais do hemisfério visual direito têm
uma sobreposição muito ampla dos campos receptores (veja diagrama). Por esses campos receptores serem
muito extensos, muito poucos são necessários para codificar uma imagem do que no campo visual direito. No
campo visual direito, como você pode ver no diagrama, os campos receptores das células cerebrais no córtex
visual são muito menores e elas não se sobrepõe. A primeira propriedade de valor para você entender é que a
velocidade de processamento do campo visual esquerdo (cve) será maior (mais rápida) do que o campo visual
direito (cvd). Isso está correto porque existem menos neurônios envolvidos no processo de codificação e
decodificação. Esse único fato fisiológico lança luz num grande número de atividades cognitivas. Como a
velocidade de montagem da imagem é mais rápida no cve do que no cvd, qualquer imagem recuperada irá ser
montada mais ligeiro no cve. Essa é a razão porque nós notamos a memória muitas vezes ser acessada para
cima a esquerda. Enquanto a imagem está sendo montada e a correta estrutura citoarquitetônica está sendo
selecionada, os olhos são direcionados imediatamente para este campo. Nos casos da recuperação de

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memórias, os olhos raramente irão ser direcionados para cima e a direita a menos que as funções do córtex
visual esquerdo sejam necessárias para a recuperação.

Como o córtex visual direito é feito de campos sobrepostos, é possível codificar e decodificar as imagens
tridimensionais. O córtex visual esquerdo e o cvd não são habilitados para codificar e decodificar as imagens
3D porque os campos receptivos são não-sobrepostos. Conseqüentemente, o cvd irá decodificar somente 2D,
imagens planas. Como as imagens de 3D parecem mais reais e eram originalmente codificadas e
armazenadas pelos campos receptivos sobrepostos, é muito comum para as pessoas colocarem sua "linha do
passado" no seu cve e sua "linha do futuro" no seu cvd. O cve também codifica as imagens moventes pois
assim se uma imagem que se move precisa ser recuperada ela muito provavelmente será recuperada no cve.
Decodificar o movimento necessita de novo dos campos receptivos sobrepostos. Como o cve é feito de
receptores amplos, as imagens são sintonizadas grosseiramente com um baixo grau de detalhes. Quando
você fizer perguntas para uma pessoa que exijam maiores detalhes visuais, você irá observar que ela move a
imagem para o campo visual oposto. Esse movimento ajuda na recuperação de uma imagem mais detalhada
num processo de duas etapas. Primeiro, a área da imagem onde vamos fazer o foco é marcada. Depois a
porção marcada da imagem é restaurada no cvd, utilizando as células nervosas com baixa velocidade de
processamento e uma resolução muito alta (grandes detalhes). Esse processo é se torna possível pelo
principio da degeneração, mencionado antes. A degeneração significa que diferentes redes neurais podem
representar a mesma informação.

Os hemisférios cerebrais também diferem na sua capacidade de processar a cor. A codificação e a


decodificação da informação da cor é feita pelos caminhos parvo-celulares a maioria localizados no córtex
visual esquerdo (projetando a informação para o campo visual direito – cvd). A codificação e a decodificação
das escalas do preto, branco e cinza são realizadas melhor pelos caminhos parvo-celulares localizados no
córtex visual direito (campo visual esquerdo – cve). Isso significa que se uma tarefa cognitiva exige informação
de cor, uma imagem originalmente recuperada no cve terá que ser intensificada por meio da degeneração
movendo-a para o cvd.

Uma outra função cognitiva interessante que varia de hemisfério é a capacidade de mover e de organizar as
peças de uma imagem independentemente. Essa função não é possível com os campos receptivos se
sobrepondo que ligam a imagem numa só peça coerente. Conseqüentemente, é muito mais difícil separar e
reorganizar as peças de uma imagem com o cve. Como o cvd não tem receptores não-sobrepostos, as peças
são facilmente separadas e re-arranjadas independentemente. Essa informação fisiológica nos ajuda a
entender porque as pessoas movem as imagens para a direita quando estão realizando as operações de
"construção visual". Como você pode ver, acrescentando um pouco de conhecimento de neurofisiologia e de
neurofísica às nossas observações anteriores dos padrões de escaneamento dos olhos, nós poderemos fazer
muito mais do que as dez distinções originalmente possíveis. Isso acrescenta um poder ilimitado para a nossa
eliciação dos processos cognitivos inconscientes, os quais podem formar a base das habilidades e
capacidades tão difíceis de compreender como a memória fotográfica, os gênios e assim por diante. A fim de
calibrar corretamente a atividade cognitiva inconsciente, também deve ser entendido que apenas o movimento
dos olhos não nos conta toda a história. A calibração correta exige um conhecimento de como a cabeça se
movimenta, tanto horizontal como vertical, como age a sinergia funcional com os padrões de escaneamento
dos olhos para produzir o que eu chamo de pistas de ativação do campo cortical (em inglês - CFAC Calibration
Model ™). Esse modelo nos permite eliciar a informação a nível neurocognitivo ao igualar as sinergias
funcionais dos olhos e da cabeça com as áreas corticais correspondentes do cérebro sendo ativadas durante a
codificação e decodificação da informação. Com esse novo conhecimento, é possível construir modelos da
função cognitiva muito além do nível das submodalidades e muito mais precisos. Agora também deveria estar
evidente que todas as submodalidades estão sobre o controle da citoarquitetura biológica previamente
discutida.

Padrões do escaneamento horizontal dos olhos do sistema auditivo:

Agora que nós introduzimos algumas das funções do campo visual direito e esquerdo, vamos discutir,
brevemente, algumas das funções do campo auditivo direito e do esquerdo.Pensava-se antes que o cve
indicava a informação recordada auditiva e o cvd indicava a informação construída auditiva. Como você vai ver
em breve, isso é também uma radical generalização similar àquelas feitas sobre o visual recordado e
construído. Num um exame mais completo, você vai notar que o campo visual auditivo esquerdo indica o
processamento fonético, seqüencial e rítmico, enquanto que o campo visual auditivo direito processa os
componentes analógicos da linguagem e o som chamado de versificação. Mudanças analógicas nos
elementos como o tom e a inflexão são decodificados quando os olhos se movem em direção ao campo visual
auditivo direito. Essas são apenas algumas das distinções que são responsáveis pelo grosso dos contra-
exemplos para o modelo original das pistas de acesso visual. Você pode notar que quando pedir para um
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amigo recuperar a memória de uma conversa, ele irá olhar para a esquerda para ouvir as palavras que foram
ditas, e irá olhar para a direita se você lhe perguntar sobre o tom de voz que foi usado ou sobre uma inflexão
especifica que foi dada a certas palavras.

Agora nós chegamos à enganosa "terceira" posição auditiva que supostamente existe para baixo e para a sua
esquerda. Para desenredar essa confusão, seria preciso entender mais um pouco sobre a citoarquitetônica do
córtex auditivo. As funções previamente discutidas são executadas numa área particular do cérebro chamada
de área de Wernicke. Essas áreas existem aproximadamente um pouco acima de cada ouvido e estão
correlacionadas com o movimento para a direita e esquerda do olho auditivo horizontal. No córtex frontal, uma
parte do cérebro chamada de área Broca controla os movimentos motores articulatórios. Quando nós olhamos
para baixo e para a esquerda e inclinamos a cabeça na mesma direção, o fluxo sangüíneo cerebral regional se
move em direção a área Broca, tornando-se mais fácil construir uma conversa. Conseqüentemente, em vez da
distinção sem sentido do "digital auditivo", nós agora podemos entender que quando os olhos se movem para
baixo e a esquerda nós estamos acessando as funções motoras articulatórias que nos ajudam a converter o
diálogo interno em movimentos do maxilar, da língua e da laringe. Isso pode ser considerado como a
contraparte cinestésica ao diálogo interno auditivo. Muitos de nós que estudamos de perto as pistas de acesso
visuais, reparamos que quando os olhos de uma pessoa estão para baixo e para a esquerda, seus lábios
podem vazar, não intencionalmente, as verdadeiras palavras que ela está pensando. Agora você pode entender
o porquê.

Finalmente, nós estamos prontos para introduzir a posição cinestésica que é classicamente para baixo e para
a direita. Na realidade, esse movimento do olho nos ajuda a intensificar a informação vinda do córtex
somatosensorial dominante que está localizado no hemisfério direito. Não é acidente que quando os olhos de
uma pessoa se movem para baixo e para a direita, sua cabeça também se inclina para baixo na mesma
direção graças ao sistema vestibular. Isso auxilia o fluxo sangüíneo cerebral regional no aumento do volume de
sangue para o córtex somatosensorial. Essa área cortical é responsável pela coleta de toda informação
motora, tátil, vestibular e emocional (bioquímica) de dentro do corpo e pela retransmissão de volta para as
outras áreas corticais relevantes para a representação cognitiva. Quando os nossos olhos se movem para
baixo e para a direita, a informação, conduzidas por esses caminhos desde o tórax superior para baixo, fica
intensificada.

Isso foi apenas uma pequena introdução para a grande quantidade de funções que, realmente, se escondem
sob a superfície dos padrões de escaneamento dos olhos. Uma quantidade incrível de informações sobre o
processamento cognitivo pode ser fácil e prontamente discernida através dessa valiosa janela para o cérebro.
Eu o desafio a começar a prestar mais atenção para essas Pistas de Ativação do Campo Cortical porque elas
são indicadores vitais das funções neurocognitivas e que a próxima geração dos modeladores do Desempenho
Humano estará usando. Acrescente isso ao seu conhecimento da Modelagem e Engenharia do Desempenho
Humano e na sua caixa de ferramentas de PNL e você irá se movimentar através do mundo com novos olhos,
voltado para capturar a essência da invisível excelência humana disponível em torno de você.

Artigo publicado na revista Anchor Point de dezembro de 1996.


Tradução publicada no www.golfinho.com.br em SET/2005

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