Você está na página 1de 50

Exercı́cio 2.

17:
Seja f : X → X uma função. Um subconjunto Y ⊂ X chama-se estável relativamente à f quando f (Y ) ⊂ Y. Prove
que um subconjunto X é finito se, e somente existe um função f : X → X que só admite os subconjuntos estáveis
∅ e X.

(⇒) Seja X = {x1 , x2 , ..., xn } e f : X → X dado por f (xi ) = xi+1 se 1 ≤ i < n e f (xn ) = x1 . Se f é estável em
A e xp ∈ A, temos que xq = f q−p(modn) (xp ) ∈ A. Logo, A = X.
(⇐) Dado x0 ∈ X (se X ̸= ∅, X é finito) consideremos o conjunto A = {x0 , f (x0 ), f 2 (x0 ), ..., f n (x0 ), ...}. Daı́
X = A, pois f é estável em A e A ̸= ∅.
Se não existir k ∈ N tal que f k (x0 ) = x0 , A − {x0 } é estável por f e logo A − {x0 } = X − {x0 } = ∅, ou seja,
X = {x0 }, ou A = X = A − {x0 }, absurdo.
Por outro lado, se existir k ∈ N tal que f k (x0 ) = x0 o conjunto {x0 , f (x0 ), f 2 (x0 ), ..., f k−1 (x0 )} é estável por A
e não vazio, logo é igual a X.

50
Exercı́cio 2.18:
Seja f : X → X uma função injetiva tal que f (X) ̸= X. Tomando x ∈ X − f (X), prove que os elementos
x, f (x), f (f (x)), ... são dois a dois distintos.

Provaremos por indução em n que para todo p ∈ N, temos que f n (x) ̸= f n+p (x) e a proposiç ao estar´a
demonstrada. Com x ∈ / f (X), temos que x ̸= f p (x), para todo p ∈ N. Suponhamos que f n (x) ̸= f n+p (x). Então
f n+1
(x) ̸= f n+1+p
(x) pois f é injetora. Pelo PIF o resultado segue.

51
Exercı́cio 2.19:
Dado um conjunto finito X, prove que uma função f : X → X é injetora se, e somente se, é sobrejetora.

(⇒) Temos que g : X → f (X) dada por g(x) = f (x) é uma bijeção. Se f (X) ̸= X terı́amos um absurdo pois
não pode haver bijeção entre um conjunto finito e um subconjunto próprio deste conjunto.
(⇐) Seja X = {x1 , x2 , ..., xn }. Suponha que f não seja injetora, ou seja, existem xi ̸= xj em X tais que
f (x1 ) = f (x2 ). Assim, f (X) = {f (x1 ), f (x2 ), ..., f (xn )} teria no máximo n − 1 elementos e desta forma f (X) ̸= X,
o que é um absurdo. Logo, f é injetora.

52
Exercı́cio 2.20:
(a) Se X é finito e Y é enumerável, então F(X, Y ) é enumerável.

(b) Para cada função f : N → N seja Af = {n ∈ N; f (n) ̸= 1}. Prove que o conjunto X das funções f : N → N
tais que Af é finito é um conjunto enumerável.

Item (a)
Seja X = {x1 , ..., xn }. Definimos

ϕ : F(X, Y ) → Yn
f → (f (x1 ), ..., f (xn )).

Temos que ϕ é claramente injetiva. Logo, F(X, Y ) está em bijeção com o conjunto ϕ(F(X, Y )) ⊂ Y n . Como
Y é enumerável, Y n é enumerável (pois é produto finito de conjuntos enumeráveis). Assim, ϕ(F(X, Y )) ⊂ Y n é
anumerável e, consequentemente, F(X, Y ) é enumerável.
Item (b)
Seja
Fn := {Y ⊂ N; cardY = n}.
Definimos
ϕ: Fn → Yn
Y = {y1 , ..., yn } → (y1 , ..., yn ).
Claramente, ϕ é injetiva. Como Y n é enumerável, segue que Fn é enumerável. Portanto,


F := Fn
n=1

é enumerável.
Seja ∪
ψ: X → Y ∈F F(Y, N)
f → f |Af .
Temos que ψ é injetiva. De fato, se f, g ∈ X são tais que ψ(f ) = ψ(g) temos que

f |Af = g|Ag

implicando que Af = Ag ,
f |Af = g|Ag ,
e
f =g
já que
f |N\Af = 1 = g|N\Af .
∪ ∪
Pelo item anterior, Y ∈F F(Y, N) é uma união enumerável de conjuntos enumeráveis. Logo, Y ∈F F(Y, N) é
enumerável. Assim, como ψ é injetiva, segue que X é enumerável.

53
Exercı́cio 2.21:
Obtenha uma decomposição N = ∪∞
i=1 Xi tal que os conjuntos Xi são infinitos e dois à dois disjuntos.

Para todo n ∈ N, existe um único k ∈ Z>0 tal que

2k 6 n < 2k+1 .

Por isso, fica bem definida a função f : N → Z>0 dada por

f (n) = n − 2k ,

onde 2k 6 n < 2k+1 . Desta forma, temos, para

Xi := f −1 (i − 1),

que


N= Xi
i=1

com os conjuntos Xi sendo dois à dois disjuntos. Adiante, como

Xi = {2k + i − 1 | k ∈ Z>0 , i − 1 < 2k },

temos que cada Xi é infinito.

54
Exercı́cio 2.22:
Defina f : N × N → N, pondo f (1, n) = 2n − 1 e f (m + 1, n) = 2m (2n − 1). Prove que f é uma bijeção.

Para cada número natural p, temos, pela unicidade da decomposição de números naturais em números primos,
que existem únicos m e q ∈ Z+ tais que p = 2m−1 q e q é ı́mpar. Sendo q ı́mpar, existe um único n ∈ Z+ tal que
q = 2n − 1. Assim, existem únicos m e n ∈ Z>0 tais que p = 2m−1 (2n − 1). Portanto, é bem definida a função

g: Z+ → Z+ × Z+
p = 2m−1 (2n − 1) → (m, n).

Como g é uma inversa para f , temos que f é bijetiva.

55
Exercı́cio 2.23:
Seja X ⊂ N um subconjunto infinito. Prove que existe uma única bijeção crescente f : N → X.

Definimos, indutivamente f : N → X por


f (1) = min(X)
e ( )

n−1
f (n) = min X − {f (i)} ,
i=1

para n > 1. Temos, pelo PIF e pelo fato de X ⊂ N ser bem ordenado, que f está bem definida.
Dados m < n ∈ N, temos que ( )

n−1
f (m) < min X − {f (i)} = f (n)
i=1
∪m−1 ∪n−1 ∪n−1
pois f (m) 6 x, para todo x ∈ X − i=1 ⊃ X − i=1 , e f (m) ∈ / X − i=1 . Com isso, concluimos que f é
estritamente crescente e, consequentemente que f é injetiva.
Provaremos, agora que f é sobrejetiva. Começaremos mostrando, por indução que

n 6 f (n).

Para n = 1, temos de X ⊂ N, que


1 = min(N) 6 min(X) = f (1).
Usando o passo indutivo, temos que
n 6 f (n) < f (n + 1)
implicando que
n + 1 6 f (n + 1).
Logo, vale a desigualdade acima. Adiante, dado x ∈ XN, provaremos que x ∈ f (N). Suponhamos por absurdo que
exista x ∈ X − f (N). Existe, pela arquimedianidade de N, n ∈ N tal que

x < n 6 f (n).

Mas, como

n−1
x∈X− {f (i)},
i=1

terı́amos uma contradição com o fato de que


( )

n−1
x < min X − {f (i)} .
i=1

Portanto, f é sobrejetiva.
Provaremos, agora, que se g : N → X é uma bijeção crescente então f = g. Devemos ter que

g(1) = min(X) = f (1)

pois, caso contrário, existiria n ∈ N, com n > 1, tal que

g(n) = min(X) < g(1).

Contradizendo o fato de g ser crescente. Usando o passo indutivo,

g(k) = f (k),

para todo k < n + 1, devemos que ter


( ) ( )

n ∪
n
g(n + 1) = min X − {g(i)} = min X − {f (i)} = f (n + 1)
i=1 i=1

56
pois, caso contrário, existiria p > n + 1 tal que
( )

n
g(p) = min X − {g(i)} < g(n + 1).
i=1

Contradizendo o fato de g ser crescente. E o resultado segue.

57
Exercı́cio 2.24:
Prove que todo conjunto infinito se decompõe como reunião de uma infinidade enumerável de conjuntos infinitos,
dois a dois disjuntos.

Seja C um conjunto infinito.


Pelo exercı́cio 2.21, existe uma decomposição

N= Xi
i∈N

na qual os conjuntos Xi são infitos e dois à dois disjuntos.


Se C é enumerável, existe uma bijeção f : N → C. Logo,

C= f (Xi )
i∈N

é uma decomposição na qual os conjuntos f (Xi ) são infitos e dois à dois disjuntos.
Se C é não-enumerável, existe uma aplicação injetiva f : N → C tal que C − f (N) é infinito. Assim,

C = (C − f (N)) ∪ f (Xi )
i∈N

é uma decomposição na qual os conjuntos C − f (N) e f (Xi ) são infitos e dois à dois disjuntos.

58
Exercı́cio 2.25:
Seja A um conjunto. Dadas funções f, g : A → N, defina a soma f + g : A → N, o produto f · g : A → N, e dê o
significado da afirmação f 6 g. Indicando com ξX a função caracterı́stica de um subconjunto X ⊂ A, prove:
a) ξX∩Y = ξX · ξY ;
b) ξX∪Y = ξX + ξY − ξX∩Y . Em particular, ξX∪Y = ξX + ξY ⇔ X ∩ Y = ∅;
c) X ⊂ Y ⇔ ξX 6 ξY ;
d) ξA−X = 1 − ξX .

Definimos
f +g : A → N
a → f (a) + g(a)
e
f ·g : A → N
a → f (a)g(a).
E dizemos que f 6 g se e somente se
f (a) 6 g(a)
para todo a ∈ A.
a)
Seja a ∈ A.
Se ξX∩Y (a) = 0, então a ∈
/ X ∩Y e, consequentemente, a ∈ / X ou a ∈
/ Y . Assim, ξX∩Y (a) = 0 implica ξX (a) = 0
ou ξY (a) = 0. Logo, ξX∩Y (a) = 0 implica ξX (a)ξY (a) = 0 = ξX∩Y (a).
Se ξX∩Y (a) = 1, então a ∈ X ∩ Y e, consequentemente, a ∈ X e a ∈ Y . Assim, ξX∩Y (a) = 1 implica ξX (a) = 1
e ξY (a) = 1. Logo, ξX∩Y (a) = 1 implica ξX (a)ξY (a) = 1 = ξX∩Y (a).
Como ξX∩Y (a) = 0 ou 1, temos que ξX (a)ξY (a) = ξX∩Y (a) em todos os casos. E, como a ∈ A é arbitrário,
temos que ξX · ξY = ξX∩Y .
b)
Seja a ∈ A.
Se ξX∪Y (a) = 0, então a ∈
/ X ∪ Y e, consequentemente, a ∈/X ea∈ / Y . Assim, ξX∪Y (a) = 0 implica ξX (a) = 0,
ξY (a) = 0 e ξX∩Y (a) = 0. Logo, ξX∪Y (a) = 0 implica ξX (a) + ξY (a) − ξX∩Y (a) = 0 = ξX∪Y (a).
Se ξX∪Y (a) = 1 e ξX∩Y (a) = 0, então a ∈ X ∪Y −X ∩Y = (X −Y )∪(Y −X) e, consequentemente, a ∈ X −Y ou
a ∈ Y − X. Se a ∈ X − Y então ξX (a) = 1, ξY (a) = 0 e, consequentemente, ξX (a) + ξY (a) = 1. Se a ∈ Y − X então
ξX (a) = 0, ξY (a) = 1 e, consequentemente, ξX (a) + ξY (a) = 1. Logo, ξX∪Y (a) = 1 e ξX∩Y (a) = 0 implicam que
ξX (a) + ξY (a) = 1. Portanto, ξX∪Y (a) = 1 e ξX∩Y (a) = 0 implicam que ξX (a) + ξY (a) − ξX∩Y (a) = 1 = ξX∪Y (a).
Se ξX∪Y (a) = 1 e ξX∩Y (a) = 1, então a ∈ X ∩ Y e, consequentemente, a ∈ X e a ∈ Y . Assim, ξX∪Y (a) = 1 e
ξX∩Y (a) = 1 implicam que ξX (a) = ξY (a) = 1. Logo, ξX∪Y (a) = 1 e ξX∩Y (a) = 1 implicam que ξX (a) + ξY (a) = 2.
Portanto, ξX∪Y (a) = 1 e ξX∩Y (a) = 1 implicam que ξX (a) + ξY (a) − ξX∩Y (a) = 1 = ξX∪Y (a).
Como ξX∪Y (a) = 0 ou 1 e ξX∩Y (a) = 0 ou 1, temos que ξX (a) + ξY (a) − ξX∩Y (a) = ξX∪Y (a) em todos os
casos. E, como a ∈ A é arbitrário, temos que ξX + ξY − ξX∩Y = ξX∪Y .
Em particular, temos que X ∩ Y = ∅ é equivalente à ξX∩Y = 0 (i.e. ξX∩Y é a função nula) que é equivalente
(pelo que foi demonstrado acima) à ξX + ξY = ξX∪Y .
c)
Suponhamos que X ⊂ Y . Dado a ∈ A, temos que ξX (a) = 0 ou 1. No primeiro caso, temos imediatamente que
ξX (a) 6 ξY (a) = 0 ou 1. No segundo, temos que a ∈ X ⊂ Y e, consequentemente, ξX (a) = 1 = ξY (a). Em todo
caso, ξX (a) 6 ξY (a). Como a ∈ A é arbitrário, concluimos que ξX 6 ξY .
Suponhamos que ξX 6 ξY . Dado x ∈ X, temos que ξX (x) 6 ξY (x) e, consequentemente, ξY (x) = 1. Logo,
x ∈ X implica que x ∈ Y . E temos que X ⊂ Y .
d)
Seja a ∈ A.
Se ξA−X (a) = 0 temos que a ∈ / A − X e, consequentemente, a ∈ X. Logo, ξA−X (a) = 0 implica que ξX (a) = 0.
Assim, ξA−X (a) = 0 implica que 1(a) − ξX (a) = 0 = ξA−X (a).
Se ξA−X (a) = 1 temos que a ∈ A − X e, consequentemente, a ∈ / X. Logo, ξA−X (a) = 1 implica que ξX (a) = 0.
Assim, ξA−X (a) = 1 implica que 1(a) − ξX (a) = 1 = ξA−X (a).
Em todos casos, temos que 1(a) − ξX (a) = ξA−X (a). E, como a ∈ A é arbitrário, temos que 1 − ξX = ξA−X .

59
Exercı́cio 2.26:
Prove que o conjunta das sequências crescentes (n1 < n2 < n3 < ...) de números naturais não é enumerável.

Usaremos o argumento da diagonal de Cantor.


Suponhamos, por absurdo, que exista um enumeração a1 , a2 , a3 , ... das sequências crescentes de números naturais
a , i ∈ N, dadas por
i

ai1 < ai2 < ai3 < ...


Temos que a sequência b, definida indutivamente por

b1 = a1 + 1

e
bn+1 = max(bn , an+1 ) + 1
não pertence à enumeração acima. De fato, temos, pela definição de b, que

aii < bi

e,consequentemente,
b ̸= ai
para todo i ∈ N.

60
Exercı́cio 2.27:
Sejan (N, s) e (N′ , s′ ) dois pares formados, cada um, por um conjunto e uma função. Suponhamos que ambos
cumpram os axiomas de Peano. Prove que existe uma única bijeção f : N → N′ tal que f (1) = 1′ , f (s(n)) = s′ (f (n)).
Conclua que:

a) m < n ⇔ f (m) < f (n);


b) f (m + n) = f (m) + f (n);

c) f (m · n) = f (m) · f (n).

Como (N, s) e (N′ , s′ ) satisfazem os axiomas de Peano, devemos ter que a função f : N → N fica bem definida
por
f (1) = 1′
e
f (s(n)) = s′ (f (n))
para todo n ∈ N. De fato, f está definida em todo N = {1} ∪ s(N) pois está definida em {1} e s(N). Como s
é injetiva, segue que f está bem definida. Em particular, segue que f é a única função N → N′ satisfazendo as
condições do enunciado. Temos, também, que f é injetiva. De fato, seja

X = {n ∈ N; f (n) ∈
/ f (N − {n})}.

Temos que 1 ∈ X pois, pela definição de f ,

f (N − {1}) = f (s(N)) ⊂ s′ (N′ ) = N′ − {1′ } = N′ − {f (1)}.

E, se n ∈ X, temos que s(n) ∈ X. De fato, temos que f (s(n)) ̸= f (1) = 1′ pois

f (s(n)) = s′ (f (n)) ∈ s′ (N′ ) = N′ − {1′ }

e, se m ̸= n e f (m) ̸= f (s(m)), então temos que

f (n) ̸= f (m),

pois n ∈ X, e, consequentemente,

f (s(n)) = s′ (f (n)) ̸= s′ (f (m)) = f (s(m)).

Implicando, pelo PIF, que f (s(n)) ∈ / f (N − {s(n)} ou, equivalentemente, s(n) ∈ X. Portanto, pelo PIF, temos
que X = N e, da definição de X, concluı́mos que f é injetiva. Temos, também, que f é sobrejetiva. De fato,
1′ = f (1) ∈ f (N) e, se n = f (k) ∈ f (N) temos que

s′ (n) = s′ (f (k)) = f (s(k)) ∈ f (N).

Assim, pelo PIF, temos que f (N) = N′ . Portanto, f é uma bijeção.


a)
Provaremos primeiro que m < n implica f (m) < f (n). Seja

X = {p ∈ N; f (n + p) > f (n), ∀n ∈ N}.

Temos que 1 ∈ N pois, dado n ∈ N,

f (n + 1) = f (s(n)) = s′ (f (n)) > f (n).

Supondo que p ∈ X, temos, para qualquer n ∈ N, que

f (n + s(p)) = f (s(n) + p) > f (s(n)) = s′ (f (n)) > f (n).

61
Logo, p ∈ X implica que s(p) ∈ X. Assim, concluı́mos, pelo PIF, X = N. Portanto, se m < n, temos, para p ∈ N
tal que n = m + p, que
f (m) < f (m + p) = f (n).
Agora, provaremos que f (m) < f (n) implica que m < n. Seja

X = {p ∈ N′ ; f (n) = f (m) + p implica m < n}.

Temos que 1′ ∈ X. De fato,


f (n) = f (m) + 1′
implica que
f (n) = s′ (f (m)) = f (s(m))
e, consequentemente,
n = s(m) > m.
Supondo que p ∈ X, temos que
f (n) = f (m) + s′ (p)
implica que
f (n) = s′ (f (m)) + p = f (s(m)) + p
e, consequentemente,
n > s(m) > m.
Logo, p ∈ X implica que s′ (p) ∈ X. Assim, concluı́mos que X = N′ . Portanto, se f (m) < f (n), temos, para p ∈ N′
tal que f (n) = f (m) + p, que
m < n.
b)
Seja
X = {n ∈ N; f (n + m) = f (n) + f (m), ∀m ∈ N}.
Provaremos que X = N e teremos, assim, o resultado.
Começamos mostrando que 1 ∈ X. Temos que

f (1 + 1) = f (s(1)) = s′ (f (1)) = f (1) + 1′ = f (1) + f (1).

E, se
f (1 + m) = f (1) + f (m),
temos que
f (1 + s(m)) = f (s(s(m))) = s′ (f (s(m))) = 1′ + f (s(m)) = f (1) + f (s(m)).
Logo, pelo PIF, temos que f (1 + m) = f (1) + f (m) para todo m ∈ N. Ou seja, 1 ∈ X.
Suponhamos que n ∈ X. Provaremos que s(n) ∈ X. Temos que

f (s(n) + 1) = f (s(s(n))) = s′ (f (s(n))) = f (s(n)) + 1′ = f (s(n)) + f (1).

Adiante, se
f (s(n) + m) = f (s(n)) + f (m),
temos que
f (s(n) + s(m)) = f (s(s(n) + m))
= s′ (f (s(n) + m))
= f (s(n) + m) + 1′
= f (s(n)) + f (m) + 1′
= f (s(n)) + f (1) + f (m)
= f (s(n)) + f (1 + m)
= f (s(n)) + f (s(m)).
Assim, concluı́mos, pelo PIF, que f (s(n) + m) = f (s(n)) + f (m) para todo m ∈ N. Logo, n ∈ X implica que
s(n) ∈ X.
Portanto, concluı́mos, pelo PIF, que X = N.

62
c)
Seja
X = {n ∈ N; f (n · m) = f (n) · f (m), ∀m ∈ N}.
Provaremos que X = N e teremos, assim, o resultado.
Começamos mostrando que 1 ∈ X. De fato, dado m ∈ N, temos que

f (1 · m) = f (m) = 1′ · f (m) = f (1) · f (m).

Suponhamos que n ∈ X. Provaremos que s(n) ∈ X. Temos que

f (s(n) · 1) = f (s(n)) = f (s(n)) · 1′ = f (s(n)) · f (1)

Adiante, se
f (s(n) · m) = f (s(n)) · f (m),
temos que
f (s(n) · s(m)) = f (s(n) · m + s(n) · 1)
= f (s(n) · m) + f (s(n) · 1)
= f (s(n) · f (m) + f (s(n)) · 1′
= f (s(n)) · (f (m) + 1′ )
= f (s(n)) · s′ (f (m))
= f (s(n)) · f (s(m)).
Assim, concluı́mos, pelo PIF, que f (s(n)·m) = f (s(n))·f (m) para todo m ∈ N. Logo, n ∈ X implica que s(n) ∈ X.
Portanto, concluı́mos, pelo PIF, que X = N.

63
Exercı́cio 2.28:
Dada uma sequência de conjuntos A1 , A2 , ...,An , ..., considere os conjuntos lim supAn = ∩∞ ∞
n=1 (∪i=n Ai ) e lim infAn =
∪∞
n=1 (∩∞
A
i=n i ).
a) Prove que lim supAn é o conjunto dos elementos que pertencem à An para uma infinidade de valores de n e que
lim infAn é o conjunto dos elementos que que pertencem a todo An salvo para um número finito de valores
de n.
b) Conclua que lim infAn ⊂ lim supAn ;
c) Mostre que se An ⊂ An+1 para todo n então lim infAn = lim supAn = ∪∞
n=1 An ;

d) Por outro lado, se An ⊃ An+1 para todo n então lim infAn = lim supAn = ∩∞
n=1 An ;

e) Dê exemplo de uma sequência (An ) tal que lim supAn = lim infAn ;
f ) Dê exemplo de uma sequência para a qual os dois limites coincidem mas Am ̸⊂ An para todos m ̸= n.

a)
Sejam
X := {a ∈ ∪∞
n=1 An | a ∈ An para uma infinidade de valores de n}

e
Y := {a ∈ ∪∞
n=1 An | a ∈ An para todos exceto uma quantidade finita de valores de n}.

Dado a ∈ X, temos que


{i ∈ N | a ∈ Ai }
é ilimitado. Sendo assim, dado n ∈ N, existe i ∈ N tal que n < i e a ∈ Ai . Isso implica que

a ∈ ∪∞
i=n Ai

para todo n ∈ N. Portanto,


a ∈ ∩∞ ∞
n=1 (∪i=n Ai ) = lim supAn .

E, como a é um elemento arbitrário de X, temos que X ⊂ lim supAn .


Seja a ∈ lim supAn . Temos que
a ∈ ∪∞
i=n Ai

para todo n ∈ N. Segue daı́ que


I := {i ∈ N | a ∈ Ai }
é infinito, pois, caso contrário, existiria n ∈ N tal que n > i para todo i ∈ I e, consequentemente, terı́amos que
a ̸∈ ∪∞
i=n Ai . Portanto, a ∈ X. E, como a é um elemento arbitrário de lim supAn , temos que X ⊃ lim supAn .
Dado a ∈ Y , temos que
I := {i ∈ N | a ∈ Ai } = N − J,
para alum J ⊂ N finito. E, como J é finito e, consequentemente, limitado, existe k ∈ N tal que i > k implica
i ̸∈ J. Logo, para todo i > k, temos que i ∈ I e, consequentemente,

a ∈ ∩∞
i=k Ai .

Assim, como ∩∞ ∞ ∞
i=k Ai ⊂ ∪n=1 (∩i=n Ai ), temos que

a ∈ ∪∞ ∞
n=1 (∩i=n Ai ) = lim infAn .

Como a é um elemento arbitrário de Y , concluı́mos daı́ que Y ⊂ lim infAn .


Seja a ∈ lim infAn . Temos que existe k ∈ N tal que

a ∈ ∩∞
i=k Ai .

Isso implica que o conjunto


I := {i ∈ N | a ∈ Ai }

64
é tal que
N − I ⊂ {1, ..., k − 1}.
Logo, a ∈ Y . Como a é um elemento arbitrário de lim infAn , temos que Y ⊃ lim infAn .
b)
Pelo ı́tem anterior, temos que

lim supAn := {a ∈ ∪∞
n=1 An | a ∈ An para uma infinidade de valores de n}

e
lim infAn := {a ∈ ∪∞
n=1 An | a ∈ An para todos exceto uma quantidade finita de valores de n}.

Assim, segue que


lim infAn ⊂ lim supAn .
c)
Como
∪∞ ∞
i=n Ai ⊂ ∪i=1 Ai

para todo n ∈ N, temos, imediatamente que

lim supAn = ∩∞ ∞ ∞
n=1 (∪i=n Ai ) ⊂ ∪n=1 An .

Por outro lado, dado a ∈ ∪∞


n=1 An , temos que a ∈ Ak para algum k ∈ N. Por indução em p ∈ N, prova-se que

Ak ⊂ Ak+p

para todo p ∈ N. Portanto,

a ∈ Ak ⊂ ∩∞ ∞ ∞ ∞
p=0 Ak+p = ∩i=k Ai ⊂ ∪n=1 (∩i=n Ai ) = lim infAn .

Assim, a ∈ lim infAn e, como a é um elemento arbitrário de ∪∞ ∞


n=1 An , concluimos que ∪n=1 An ⊂ lim infAn .
Concluı́mos, então, do ı́tem b) e do que foi discutido acima, que

∪∞ ∞
n=1 An ⊂ lim infAn ⊂ lim supAn ⊂ ∪n=1 An .

Logo, temos que


lim infAn = lim supAn = ∪∞
n=1 An .

d)
Temos imediatamente que

∩∞ ∞ ∞ ∞
n=1 An = ∩i=1 Ai ⊂ ∪n=1 (∩i=n Ai ) = lim infAn .

Seja a ∈ lim supAn . Por indução em p, temos que

Ak ⊂ Ak+p ,

para todo k e p ∈ N. Assim,


Ak ⊃ ∪∞ ∞
p=0 Ak+p = ∪i=k Ai .

E, temos que a ∈ Ak , para todo k ∈ N, pois

a ∈ lim supAn = ∩∞ ∞ ∞
n=1 (∪i=n Ai ) ⊂ ∪i=k Ai ⊂ Ak .

Ou seja, a ∈ ∩∞ ∞
n=1 An . Como a é um elemento arbitrário de lim supAn , temos que lim supAn ⊂ ∩n=1 An .
Concluı́mos, então, do ı́tem b) e do que foi discutido acima, que

∩∞ ∞
n=1 An ⊂ lim infAn ⊂ lim supAn ⊂ ∩n=1 An .

Logo, temos que


lim infAn = lim supAn = ∩∞
n=1 An .

e)

65
Definindo
A2k−1 := {1}
e
A2k := ∅,
para todo k ∈ N, temos que
lim supAn = ∩∞ ∞ ∞
n=1 (∪i=n Ai ) = ∩n=1 {1} = {1}

e
lim infAn = ∪∞ ∞ ∞
n=1 (∩i=n Ai ) = ∪n=1 ∅ = ∅.

f)
Definindo
An := {n},
temos que
An ̸⊂ Am ,
para todos n ̸= m,
lim supAn = ∩∞ ∞ ∞
n=1 (∪i=n Ai ) = ∩n=1 {k ∈ N | k > n} = ∅

e
lim infAn = ∪∞ ∞ ∞
n=1 (∩i=n Ai ) = ∪n=1 ∅ = ∅.

66
Exercı́cio 2.29:
(Teorema de Bernstein-Schroeder) Dados conjuntos A e B, suponha que existam funções injetivas f : A → B e
g : B → A. Prove que existe uma bijeção h : A → B.

Solução 1:

Seja C := g(B) ⊂ A. Mostraremos que existe uma bijecção H : A → C. Assim, como g : B → C é uma bijeção,
temos que h := g −1 ◦ H : A → B é uma bijeção.
Como f : A → B e g : B → C são funções injetivas, temos que F := g ◦ f : A → C é uma função injetiva. Logo,
F (X − Y ) = F (X) − F (Y ), para todos X e Y ⊂ A.
Definimos A1 := A e C1 := C. E, pelo princı́pio da definição recursiva, podemos definir

An := F (An−1 )

e
Cn := F (Cn−1 )
para todo n > 1.
Desta forma, dado x ∈ A, temos que x ∈ An − Cn , para algum n ∈ Z+ , ou x ∈ C (pois x ∈
/ A1 − C1 = A − C
implica que x ∈ C). Então, a função H : A → C dada por
{
F (x) se x ∈ An − Cn para algum n ∈ Z+ ;
H(x) =
x caso contrário,

para todo x ∈ A, é bem definida.


Sejam x e y ∈ A tais que H(x) = H(y). Se x ∈ An − Cn , para algum n ∈ Z+ , então y ∈ Ak − Ck , para algum
k ∈ Z+ . De fato, se y ∈
/ Ak − Bk , para todo k ∈ Z+ , então

y = H(y) = H(x) = F (x) ∈ F (An − Bn ) = F (An ) − F (Bn ) = An+1 − Bn+1

(pois F é injetivo). Uma contradição. Assim, se x ∈ An − Cn , para algum n ∈ Z+ , então

F (x) = H(x) = H(y) = F (y)

e, consequentemente, x = y. Além disso, se x ∈/ An − Cn , para todo n ∈ Z+ , então, como no caso anterior, temos
que y ∈/ An − Cn , para todo n ∈ Z+ , e, consequentemente,

x = H(x) = H(y) = y.

Logo, em todo caso, x = y. Portanto, podemos concluir que H é injetivo.


Seja x ∈ C. Se x ∈ An − Cn = F (An−1 ) − F (Cn−1 ) = F (An−1 − Cn−1 ), para algum n > 1, temos que

x = F (y) = H(y)

para algum y ∈ An−1 − Cn−1 . Por outro lado, se x ∈


/ An − Cn , para todo n ∈ Z+ , Temos que

x = h(x).

Logo, podemos concluir que H é sobrejetiva.


Portanto, temos que H : A → C é uma bijeção. E o resultado segue.

Solução 2:

A grosso modo analizaremos as quantidades de elmentos das sequências das formas

x, g −1 (x), f −1 ◦ g −1 (x), g −1 ◦ f −1 ◦ g −1 (x), ...,

x ∈ A, e
y, f −1 (y), g −1 ◦ f −1 (y), f −1 ◦ g −1 ◦ f −1 (y), ...,

67
y ∈ B. Daı́ particionaremos A e B de modo a obter uma função entre A e B cuja bijetividade é herdada da
injetividade de f e g.
Sejam
AI = {x ∈ A; existe k ∈ Z>0 tal que (g ◦ f )−k (x) ̸= ∅ e g −1 ◦ (g ◦ f )−k (x) = ∅},
AP = {x ∈ A; existe k ∈ Z>0 tal que g −1 ◦ (g ◦ f )−k (x) ̸= ∅ e (g ◦ f )−(k+1) (x) = ∅},
A∞ = {x ∈ A; para todo k ∈ Z>0 vale (g ◦ f )−k (x) ̸= ∅ e g −1 ◦ (g ◦ f )−k (x) ̸= ∅},
BI = {y ∈ B; existe k ∈ Z>0 tal que (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) = ∅},
BP = {y ∈ A; existe k ∈ Z>0 tal que f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e (f ◦ g)−(k+1) (x) = ∅}
e
B∞ = {y ∈ A; para todo k ∈ Z>0 vale (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅}.
Segue que
A = AI ∪A
˙ P ∪A
˙ ∞
e
B = BI ∪B
˙ P ∪B
˙ ∞.
Agora, provaremos três detalhes técnicos sobre f e g:

(I) f (AI ) = BP

y ∈ BP ⇐⇒ ∃k ∈ Z>0 tal que f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e (f ◦ g)−(k+1) (x) = ∅


⇐⇒ f −1 = {x} onde
∃k ∈ Z>0 tal que (g ◦ f )−k (x) = f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e g −1 ◦ (g ◦ f )−k (x) = (f ◦ g)−(k+1) = ∅
⇐⇒ ∃x ∈ AI tal que f (x) = y
⇐⇒ y ∈ f (AI ).

(II) g(BI ) = AP

Prova-se de modo análogo à prova de (I).

(III) f (A∞ ) = B∞

y ∈ B∞ ⇐⇒ ∀k ∈ Z>0 vale f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e (f ◦ g)k (x) ̸= ∅


⇐⇒ f −1 = {x} onde
∀k ∈ Z>0 vale (g ◦ f )−k (x) = f −1 ◦ (f ◦ g)−k (y) ̸= ∅ e g −1 ◦ (g ◦ f )−k (x) = (f ◦ g)−k ̸= ∅
⇐⇒ ∃x ∈ A∞ tal que f (x) = y
⇐⇒ y ∈ f (A∞ ).

Agora, segue de A = AI ∪A
˙ P ∪A
˙ ∞ e de (II), que a função

H: A → B
x ∈ AI → f (x) ∈ BP
x ∈ AP → y ∈ BI , tal que g(y) = x
x ∈ A∞ → f (x) ∈ B∞ .

é bem definida e, da injetividade de f e g e de (I)-(III), que esta é uma bijeção.

68
Capı́tulo 3

Números Reais

69
Exercı́cio 3.01:
Dados a, b, c, d num corpo K, sendo b e d diferentes de zero, prove:
a c ad + bc
(1) + = ;
b d bd
a c a·c
(2) · = .
b d b·d

(1)

Temos que
a ad
= b−1 a = b−1 d−1 da = (bd)−1 (ad) =
b bd
e, analogamente,
c bc
= .
d bd
Assim,
a c ad bc
+ = +
b d bd −1bd
= (bd) (ad) + (bd)−1 (bc)
= (bd)−1 (ad + bc)
ad + bc
= .
bd
(2)

Temos que
a c a·c
· = (b−1 a) · (d−1 c) = acb−1 d−1 = (bd)−1 (ac) = .
b d b·d

70
Exercı́cio 3.02:

Questão 2-1◦
Propriedade 1. Para todo m inteiro vale
am .a = am+1 .

Demonstração. Para m natural vale pela definição de potência, agora para m = −n, n > 0 ∈ N um inteiro vamos
provar a−n .a = a−n+1 . Para n = 1 temos

a−1 a = a−1+1 = a0 = 1.

Vamos provar agora para n > 1, n − 1 > 0

a−n = (an )−1 = (an−1 a)−1 = a−n+1 a−1

multiplicando por a de ambos lados a−n .a = a−n+1 como querı́amos demonstrar.

Propriedade 2.
am .an = am+n .

Demonstração. Primeiro seja m um inteiro qualquer e n natural, vamos provar a identidade por indução sobre n,
para n = 0 vale
am .a0 = am = am+0
para n = 1 vale
am a1 = am a = am+1 .
Supondo válido para n
am .an = am+n
vamos provar para n + 1
am .an+1 = am+n+1
temos
am .an+1 = am an a = am+n .a = am+n+1 .
Agora para −n com n natural , se m é natural temos que a propriedade já foi demonstrada

am a−n = am−n

se m é inteiro negativo temos


am a−n = am−n
pois o inverso de am a−n é a−m an = a−m+n propriedade que já está provada por −m e n serem naturais e
am−n an−m = 1 por unicidade do inverso de = a−m an = a−m+n é am a−n logo fica provado para n e m inteiros.
Para potência negativa −n podemos fazer como se segue

am a−n = (a−m )−1 (an )−1 = (a−m an )−1 = (a−m+n )−1 = am−n .

71
Questão 2-2◦
Propriedade 3.
(am )n = amn
para m e n inteiros.
Demonstração. Primeiro por indução para m inteiro e n natural

(am )0 = 1 = am.0

(am )1 = am = am.1 .
Supondo válido para n
(am )n = amn
vamos provar para n + 1
(am )n+1 = am(n+1)
temos pela definição de potência e pela hipótese da indução que

(am )n+1 = (am )n am = amn am = amn+m = am(n+1)

onde usamos a propriedade do produto de potência de mesma base. Para n inteiro negativo

(am )−n = ((am )n )−1 = (amn )(−1) = a−mn .

72
Exercı́cio 3.03:


n
Exemplo 1. Se xk
yk = xs
ys para todos k, s ∈ In , num corpo K, prove que dados, ak ∈ K, k ∈ In tais que ak yk ̸= 0
k=1
tem-se

n
ak xk
k=1 x1

n = .
y1
ak yk
k=1
x1 xk
Chamando y1 = p temos yk = p logo xk = pyk e a soma


n ∑
n
ak x k = p ak y k
k=1 k=1

logo

n
ak xk
k=1 x1

n =p= .
y1
ak yk
k=1

73
Exercı́cio 3.04:

Definição 1 (Homomorfismo de corpos). Sejam A, B corpos. Uma função f : A → B chama-se um homomorfismo


quando se tem
f (x + y) = f (x) + f (y)
f (x.y) = f (x).f (y)
f (1A ) = 1B
para quaisquer x, y ∈ A. Denotaremos nesse caso as unidades 1A e 1B pelos mesmos sı́mbolos e escrevemos f (1) = 1.

Propriedade 4. Se f é homomorfismo então f (0) = 0.


Demonstração. Temos
f (0 + 0) = f (0) + f (0) = f (0)
somando −f (0) a ambos lados segue
f (0) = 0.

Propriedade 5. Vale f (−a) = −f (a).


Demonstração. Pois
f (a − a) = f (0) = 0 = f (a) + f (−a)
daı́ f (−a) = −f (a).

Corolário 1.
f (a − b) = f (a) + f (−b) = f (a) − f (b).

Propriedade 6. Se a é invertı́vel então f (a) é invertı́vel e vale f (a−1 ) = f (a)−1 .


Demonstração.
f (a.a−1 ) = f (1) = 1 = f (a).f (a−1 )
então pela unicidade de inverso em corpos segue que f (a)−1 = f (a−1 ).

Propriedade 7. f é injetora.

Demonstração. Sejam x, y tais que f (x) = f (y), logo f (x) − f (y) = 0, f (x − y) = 0, se x ̸= y então x − y seria
invertı́vel logo f (x − y) não seria nulo, então segue que x = y.

Propriedade 8. Se f : A → B com f (x + y) = f (x) + f (y) e f (x.y) = f (x)f (y) para x, y arbitrários, então
f (x) = 0 ∀x ou f (1) = 1.
Demonstração. f (1) = f (1.1) = f (1)f (1), logo f (1) = f (1)2 por isso f (1) = 1 ou f (1) = 0. Se f (1) = 0 então
f (x.1) = f (x)f (1) = 0, f (x) = 0 ∀x.

74
Exercı́cio 3.05:

Propriedade 9. Se f : Q → Q é um homomorfismo então f (x) = x ∀x ∈ Q.


Demonstração. Vale que f (x + y) = f (x) + f (y), tomando x = kh e y = h fixo, tem-se

f ((k + 1)h) − f (kh) = f (h)


∑n−1
aplicamos a soma k=0 de ambos lados, a soma é telescópica e resulta em

f (nh) = nf (h)
p
tomando h = 1 segue que f (n) = n, tomando h = n segue
p p p p
f (n ) = f (p) = p = nf ( ) ⇒ f ( ) = .
n n n n

75
Exercı́cio 3.08:

Propriedade 10. Seja K um conjunto onde valem todos os axiomas de corpo, exceto a existência de inverso
multiplicativo. Seja a ̸= 0. f : K → K com f (x) = ax é bijeção ⇔ ∃ a−1 ∈ K.

Demonstração. ⇒). A função é sobrejetora logo existe x tal que f (x) = 1 = ax portanto a é invertı́vel com
a−1 = x ∈ K.
⇐). Dado qualquer y ∈ K tomamos x = ya−1 daı́ f (x) = aa−1 y = y e a função é sobrejetiva. f também é
injetiva, pois se f (x1 ) = f (x2 ), ax1 = ax2 implica por lei do corte que x1 = x2 .. Em geral f é injetiva ⇔ vale a lei
do corte por essa observação.
Propriedade 11. Seja K finito. Vale a lei do corte em A ⇔ existe inverso para cada elemento não nulo de K,

Demonstração. ⇒). Se vale a lei do corte, pela propriedade anterior tem-se que para qualquer a = ̸ 0 em K,
f : K → K com f (x) = ax é injetiva, como f é injetiva de K em K que é um conjunto finito, então f é bijetiva, o
que implica a ser invertı́vel.
⇐). A volta é trivial pois existência de inverso implica lei do corte.

76
Exercı́cio 3.09:

Exemplo 2. O conjunto dos polinômios de coeficiente racionais


∑n Q[t] não é um ∑
corpo, pois por exemplo
∑n o elemento
n
x não possui inverso multiplicativo, se houvesse haveria k=0 ak xk tal que∑n x k=0 a k xk
= 1 = k=0 ak x
k+1
o
0 k+1
que não é possı́vel pois o coeficiente do termo independente x é zero em k=0 ak x e deveria ser 1.
O conjunto dos inteiros Z não é um corpo, pois não possui inverso multiplicativo para todo elementos, por
exemplo não temos o inverso de 2.

77
Exercı́cio 3.10:

Propriedade 12. Dados x, y ∈ R, x2 + y 2 = 0 ⇔ x = y = 0.


Demonstração. ⇒).Suponha que x ̸= 0, então x2 > 0 e y 2 ≥ 0 de onde segue que x2 + y 2 > 0 , absurdo então deve
valer x2 = 0 ⇒ x = 0 logo temos também y 2 = 0 ⇒ y = 0, portanto x = y = 0.
⇐). Basta substituir x = y = 0 resultando em 0.

78
Exercı́cio 3.11:

Exemplo∏n 3. A ∏ função f : K + → K + com f (x) = xn , n ∈ N é crescente. Sejam x > y > 0 então xn > y n pois
n
x = k=1 x > k=1 y = y n , por propriedade de multiplicação de positivos. Se f : Q+ → Q+ , Q+ o conjunto dos
n

racionais positivos, então f não é sobrejetiva para n = 2, pois não existe x ∈ Q tal que x2 = 2 ∈ Q+ .
f (K + ) não é um conjunto limitado superiormente de K, isto é, dado qualquer x ∈ K existe y ∈ K + tal que
n
y > x. O limitante superior do conjunto, se existisse, não poderia ser um número negativou ou zero, pois para
todo y positivo tem-se y n positivo, que é maior que 0 ou qualquer número negativo. Suponha que x positivo seja,
tomando y = x + 1 temos y n = (x + 1)n ≥ 1 + nx > x, logo f (K + ) não é limitado superiormente.

79
Exercı́cio 3.12:

Propriedade 13. Sejam X um conjunto qualquer e K um corpo, então o conjunto F (X, K) munido de adição
e multiplicação de funções é um anel comutativo com unidade, não existindo inverso para todo elemento. Lem-
brando que em um anel comutativo com unidade temos as propriedades, associativa, comutativa, elemento neutro e
existência de inverso aditivo, para adição. valendo também a comutatividade, associatividade, existência de unidade
1 para o produto e distributividade que relaciona as duas operações.
Demonstração. • Vale a associatividade da adição

((f + g) + h)(x) = (f (x) + g(x)) + h(x) = f (x) + (g(x) + h(x)) = (f + (g + h))(x)

• Existe elemento neutro da adição 0 ∈ K e a função constante 0(x) = 0 ∀ x ∈ K, daı́

(g + 0)(x) = g(x) + 0(x) = g(x).

• Comutatividade da adição

(f + g)(x) = f (x) + g(x) = g(x) + f (x) = (g + f )(x)

• Existe a função simétrica, dado g(x), temos f com f (x) = −g(x) e daı́

(g + f )(x) = g(x) − g(x) = 0.

• Vale a associatividade da multiplicação

(f (x).g(x)).h(x) = f (x).(g(x).h(x))

• Existe elemento neutro da multiplicação 1 ∈ K e a função constante I(x) = 1 ∀ x ∈ K, daı́

(g.I)(x) = g(x).1 = g(x).

• Comutatividade da multiplicação

(f.g)(x) = f (x)g(x) = g(x)f (x) = (g.f )(x)

Por último vale a distributividade (f (g + h))(x) = f (x)(g(x) + h(x)) = f (x)g(x) + f (x)h(x) = (f.g + f.h)(x).
Não temos inverso multiplicativo para toda função, pois dada uma função, tal que f (1) = 0 e f (x) = 1 para
todo x ̸= 1 em K, não existe função g tal que g(1)f (1) = 1, pois f (1) = 0, assim o produto de f por nenhuma
outra função gera a identidade.

80
Exercı́cio 3.13:

Propriedade 14. Sejam x, y > 0 . x < y ⇔ x−1 > y −1 .


Demonstração. ⇒). Como y > x e x−1 e y −1 são positivos, multiplicamos a desigualdade por x−1 y −1 em ambos
lados x−1 y −1 y > x−1 y −1 x implicando x−1 > y −1 , então se y > x temos x1 > y1 .
⇐). Se x−1 > y −1 . x, y são positivos, multiplicamos a desigualdade por xy em ambos lados, de onde segue que
y > x.

81
Exercı́cio 3.14:

Propriedade 15. Sejam a > 0 em K e f : Z → K com f (n) = an . Nessas condições f é crescente se a > 1,
decrescente se a < 1 e constante se a = 1.

Demonstração. Para qualquer n ∈ Z vale f (n + 1) − f (n) = an+1 − an = an (a − 1), an é sempre positivo, então
o sinal da diferença depende do sinal de a − 1. Se a = 1 vale f (n + 1) = f (n) ∀ n ∈ Z logo f é constante, se
a − 1 < 0, a < 1 então f (n + 1) − f (n) < 0, f (n + 1) < f (n), f é decrescente e finalmente se a − 1 > 0, a > 1 então
f (n + 1) > f (n) e a função é crescente.
Perceba que as propriedades citadas valem para todo n ∈ Z, por exemplo no caso de a > 1 temos

· · · < f (−4) < f (−3) < f (−2) < f (−1) < f (0) < f (1) < f (2) < f (3) < · · · < f (n) < f (n + 1) < · · ·

analogamente para os outros casos.

82
Exercı́cio 3.15:

Exemplo 4. Para todo x ̸= 0 real, prove que (1 + x)2n > 1 + 2nx.


Se x > −1 tomamos a desigualdade de bernoulli com 2n no expoente. Se x < −1 vale 1 + x < 0 porém elevando
a uma potência par resulta num número positivo, por outro lado 2nx < −2n logo 1 + 2nx < 1 − 2n < 0 então
(1 + x)2n é positivo e 1 + 2nx é negativo, logo nesse caso vale (1 + x)2n > 1 + 2nx .

83
Exercı́cio 3.16:

Exemplo 5. Se n ∈ N e x < 1 então (1 − x)n ≥ 1 − nx, pois de x < 1 segue que −x > −1 e daı́ aplicamos a
desigualdade de Bernoulli (1 + y)n ≥ 1 + ny com y = −x.

84
Exercı́cio 3.17:

Corolário 2. Se a e a + x são positivos, então vale

(a + x)n ≥ an + nan−1 x.

Pois a+x
a = (1 + xa ) > 0 então podemos aplicar a desigualdade de Bernoulli (1 + y)n ≥ 1 + ny com y = xa , resultando
em

(a + x)n ≥ an + nan−1 x.
Se a ̸= 0, arbitrário em R, podendo agora ser negativo, substituı́mos y = x
a em (1 + x)2n > 1 + 2nx. chegando
na desigualdade
(a + x)2n > a2n + a2n−1 2nx.
Se vale x
a < 1 então da desigualdade (1 − y)n ≥ 1 − ny, novamente tomamos y = x
a de onde segue

(a − x)n ≥ an − an−1 nx.

85
Exercı́cio 3.18:

a1
Propriedade 16. Sejam sequências (ak ) , (bk ) em um corpo ordenado K onde cada bk é positivo, sendo b1 o
mı́nimo e abnn o máximo dos termos da sequência de termo abkk então vale


n
ak
a1 an
≤ k=1

n ≤ .
b1 bn
bk
k=1
∑n
Demonstração. Para todo k vale a1
b1 ≤ ak
bk ≤ an
bn ⇒ bk ab11 ≤ ak ≤ bk abnn pois bk > 0, aplicamos a soma k=1 em
ambos lados, de onde segue

n
a1 ∑
n ∑ an n
bk ≤ ak ≤ bk
b1 bn
k=1 k=1 k=1
∑n
dividindo por k=1 bk que é positivo, temos finalmente


n
ak
a1 an
≤ k=1

n ≤ .
b1 bn
bk
k=1

86
Exercı́cio 3.19:

Propriedade 17 (Multiplicatividade).
|a||b| = |a.b|
para a e b reais quaisquer.

Demonstração. Vale que |x.y|2 = (x.y)2 = x2 y 2 e (|x||y|)2 = |x|2 |y|2 = x2 .y 2 os quadrados desses números são
iguais e eles são não negativos, então segue que |x.y| = |x||y|.
√ √ √ √
2. |a.b| = (a.b)2 = a2 .b2 = a2 . b2 = |a||b|.

Propriedade 18. Se x ̸= 0 então | x1 | = 1


|x| .

Demonstração. Vale |x|| x1 | = | xx | = 1 daı́ | x1 | é inverso de |x|, sendo 1


|x| .

Corolário 3 (Preserva divisão).


x |x|
| |= .
y |y|

87
Exercı́cio 3.20:

Propriedade 19.

n ∏
n
|ak | = | ak |
k=1 k=1

Demonstração. Por indução, para n = 1 vale, supondo para n números



n ∏
n
|ak | = | ak |
k=1 k=1

vamos provar para n + 1



n+1 ∏
n+1
|ak | = | ak |
k=1 k=1

temos

n+1 ∏
n ∏
n ∏
n ∏
n+1
|ak | = |ak |.|an+1 | = | ak ||an+1 | = | ak an+1 | = | ak | .
k=1 k=1 k=1 k=1 k=1

Propriedade 20 (Desigualdade triangular generalizada). Sejam g(k) definida para k inteiro ,a, b ∈ Z, então vale


b ∑
b
| g(k)| ≤ |g(k)|.
k=a k=a

Demonstração. Para cada k vale


−|g(k)| ≤ g(k) ≤ |g(k)|
aplicando o somatório em ambos lados segue


b ∑
b ∑
b
− |g(k)| ≤ g(k) ≤ |g(k)|
k=a k=a k=a

que implica

b ∑
b ∑
b
| g(k)| ≤ | |g(k)|| = |g(k)|
k=a k=a k=a

pois os termos |g(k)| somados são não negativos ,logo a soma desses termos é não-negativa e o módulo da soma é
igual a soma.

Propriedade 21. A identidade que provamos acima vale para números reais, vamos provar agora por indução que
se vale |z + w| ≤ |z| + |w| para quaisquer z, w então vale


n ∑
n
| zk | ≤ |zk |
k=1 k=1

de maneira que possa ser usada para números complexos , normas e outras estruturas que satisfazem a desigualdade
triangular.

2. Por indução sobre n, para n = 1 tem-se


1 ∑
1
| zk | = |z1 | ≤ |zk | = |z1 |
k=1 k=1

88
logo vale. Supondo a validade para n

n ∑
n
| zk | ≤ |zk |
k=1 k=1

vamos provar para n + 1



n+1 ∑
n+1
| zk | ≤ |zk |.
k=1 k=1

Da hipótese da indução somamos |zn+1 | em ambos lados, logo


n+1 ∑
n ∑
n ∑
n+1
| zk | = |zn+1 + zk | ≤ |zn+1 | + | zk | ≤ |zk |
k=1 k=1 k=1 k=1

Vejamos outras1 demonstrações da desigualdade triangular

1 Essas demonstrações aprendi com Pedro Kenzo, obrigado por compartilhar as soluções.

89
Exercı́cio 3.22:

Vamos resolver um caso mais geral do problema.


Definição 2 (Mediana). Dada uma sequência finita (yk )n1 seus termos podem ser rearranjados para forma uma
e é definida da seguinte maneira
sequência não-decrescente (xk )n1 . A mediana X

e = x n+1 .
• Se n é ı́mpar X
2

x n +1 +x n
e=
• Se n é par X 2 2
.
2
∑n
Exemplo 6. Seja (xk )n1 uma sequência crescente f : R → R com f (x) = k=1 |x − xk |. Se x < x1 então


n
f (x) = −nx + xk
k=1

logo f é decrescente para x < x1 . Tomando x > xn



n
f (x) = nx − xk
k=1

logo f é crescente para x > xn .


Seja agora x ∈ [xt , xt+1 ), t variando de 1 até n − 1


t ∑
n ∑
t ∑
n
f (x) = (x − xk ) − (x − xk ) = (2t − n)x + xk − xk
k=1 k=t+1 k=1 k=t+1

portanto a função é decrescente se t < n2 e crescente se t > n2 , de t = 1 até t = ⌊ n2 ⌋ em cada intervalo [xt , xt+1 ) a
função é decrescente, sendo ⌊ n2 ⌋ segmentos decrescentes, de t = ⌊ n2 ⌋ + 1 até n − 1, temos n − 1 − ⌊ n2 ⌋ segmentos
crescentes.

• Se n é ı́mpar f é decrescente em [x⌊ n2 ⌋ , x⌊ n2 ⌋+1 ) e crescente em [x⌊ n2 ⌋+1 , x⌊ n2 ⌋+2 ) logo o ponto x⌊ n2 ⌋+1 = x n+1
2
é o único ponto de mı́nimo.
• Se n é par a função é constante em [x n2 , x n2 +1 ), todos os pontos desse intervalo são pontos de mı́nimo. Em
x n +x n +1
especial o ponto 2
2
2
é ponto de mı́nimo.

Concluı́mos que um ponto de mı́nimo acontece sempre na mediana da sequência.


∑n
Exemplo 7. Achar o mı́nimo da função f (x) = k=1 |x − k| para n ı́mpar e para n par.
Trocando n por 2n temos que o mı́nimo acontece no ponto x 2n
2
= xn = n, substituı́mos então tal valor na função


2n ∑
n ∑
2n ∑
n ∑
2n
|n − k| = |n − k| + |n − k| = (n − k) + (−n + k) =
k=1 k=1 k=n+1 k=1 k=n+1


n ∑
n ∑
n
= (n − k) + (k) = n = n.n = n2 .
k=1 k=1 k=1
∑2n
portanto o mı́nimo de k=1 |x − k| é n . 2

• min{|x − 1| + |x − 2|} = 1
• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3| + |x − 4|} = 4
• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3| + |x − 4| + |x − 5| + |x − 6|} = 9
• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3| + |x − 4| + |x − 5| + |x − 6| + |x − 7| + |x − 8|} = 16.

90
Agora para n ı́mpar, trocamos n por 2n + 1 o mı́nimo acontece no ponto x (2n+1)+1 = xn+1 = n + 1, aplicando na
2
função temos


2n+1 ∑
n+1 ∑
2n+1 ∑
n+1 ∑
2n+1
|n + 1 − k| = |n + 1 − k| + |n + 1 − k| = (n + 1 − k) + −(n + 1) + k =
k=1 k=1 k=n+2 k=1 k=n+2


n ∑
n ∑
n
= (n + 1 − k) + k= (n + 1) = n(n + 1).
k=1 k=1 k=1

• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3|} = 2
• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3| + |x − 4| + |x − 5|} = 6

• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3| + |x − 4| + |x − 5| + |x − 6| + |x − 7|} = 12
• min{|x − 1| + |x − 2| + |x − 3| + |x − 4| + |x − 5| + |x − 6| + |x − 7| + |x − 8| + |x − 9|} = 20.

91
Exercı́cio 3.23:

Propriedade 22. |a − b| < ε ⇒ |a| < |b| + ε.


Demonstração. Partindo da desigualdade |a − b| < ε, somamos |b| a ambos lados

|a − b| + |b| < ε + |b|

e usamos agora a desigualdade triangular

|a| ≤ |a − b| + |b| < ε + |b|

daı́ segue
|a| ≤ ε + |b|.
Da mesma forma vale se |a − b| < ε então |b| ≤ ε + |a| ⇒ |b| − ε ≤ |a| e com |a| ≤ ε + |b|. temos

|b| − ε ≤ |a| ≤ ε + |b|.

Vimos que |a − b| < ε implica |a| < |b| + ε, mas como a ≤ |a| segue a < |b| + ε.

92
Exercı́cio 3.24:

Propriedade 23. Dado um corpo ordenado K , são equivalentes


1. K é arquimediano.

2. Z é ilimitado superiormente e inferiormente.


3. Q é ilimitado superiormente e inferiormente.

Demonstração. • 1 ⇒ 2. N ⊂ Z então Z é ilimitado superiormente. Suponha por absurdo que Z seja limitado
inferiormente, então existe a ∈ K tal que a < x ∀x ∈ Z, logo −a > −x, porém existe n natural tal que
n > −a ⇒ −n < a o que contraria a hipótese.
|{z}
∈Z

• 2 ⇒ 3 . Z ⊂ Q portanto Q é ilimitado superiormente e inferiormente.

• 3 ⇒ 1 . Para todo y ∈ K existe ab ∈ Q com a, b > 0 naturais tal que ab > y, daı́ a > yb, podemos tomar
y = xb , logo a > x, a ∈ N , portanto N é ilimitado superiormente e o corpo é arquimediano.

93
Exercı́cio 3.25:

Propriedade 24. Seja K um corpo ordenado. K é arquimediado ⇔ ∀ε > 0 em K existe n ∈ N tal que 1
2n < ε.
Demonstração. ⇒). Como K é arquimediano, então ∀ε > 0 existe n ∈ N tal que n > 1ε ⇒ n + 1 > n > 1ε por
desigualdade de Bernoulli temos 2n > n + 1 > 1ε ⇒ 21n < ε.
⇐). Se ∀ε > 0 em K existe n ∈ N tal que 21n < ε, tomamos ε = x1 , x > 0 arbitrário então x < 2n , com
2 = m ∈ N então K é arquimediano, N não é limitado superiormente.
n

94
Exercı́cio 3.26:

Propriedade 25. Seja a > 1, K corpo arquimediano, f : Z → K com f (n) = an , então

• f (Z) não é limitado superiormente.

• inf(F (Z)) = 0.

Demonstração. • Vale que a > 1 então a = p + 1 onde p > 0, por desigualdade de Bernoulli temos (p + 1)n ≥
1 + pn. ∀ x > 0 ∈ K existe n tal que n > xp ⇒ pn > x ⇒ (p + 1)n ≥ 1 + pn > x, logo f (Z) não é limitado
superiormente.
• 0 é cota inferior de f (Z) pois vale 0 < an ∀n ∈ Z. Suponha que exista x tal que 0 < x < am ∀ m ∈ Z,
sabemos que existe n ∈ N tal que an > x1 daı́ x > a1n = a−n , absurdo, então 0 deve ser o ı́nfimo.

95
Exercı́cio 3.27:

Propriedade 26. Se s é irracional e u ̸= 0 é racional então u.s é irracional.


Demonstração. Suponha que s é irracional e u.s seja racional, então u.s = p
q com p ̸= 0 e q ̸= 0 inteiros e como
u ̸= 0 é racional ele é da forma u = vj , j ̸= 0 e v ̸= 0, inteiros, logo

j p
s=
v q
v
multiplicando por j ambos lados segue
p.v
s=
j.q
que é um número racional, logo chegamos a um absurdo.

Propriedade 27. Se s é irracional e t racional, então s + t é irracional.


Demonstração. Suponha s + t racional, então s + t = pq daı́ s = p
q − t que seria racional por ser diferença de dois
racionais, um absurdo então segue que s + t é irracional.

√ √
Exemplo 8. Existem irracionais a e b tais que a + b e a.b sejam racionais. Exemplos a = 1 + 5 , b = 1− 5
daı́ a + b = 2 e a.b = 1 − 5 = −4.

96
Exercı́cio 3.28:

Propriedade 28. Sejam a, b, c, d racionais então


√ √
a + b 2 = c + d 2 ⇔ a = c e b = d.
√ √
Demonstração. ⇐). Se√a = c e b =
√d a temos a + b √2 = c + d 2.
⇒). Suponha a + b 2 = c + d 2 então a − c = 2(d − b), se d = b então a = c e terminamos, se não vale que
a−c √
= 2
d−b

o que é absurdo pois 2 é irracional.

97
Exercı́cio 3.29:


Exemplo 9. O conjunto da forma {x + y p} onde x e y são racionais é subcorpo dos números reais.

• O elemento neutro da adição 0 pertence ao conjunto. Pois 0 = 0 + 0 p

• O elemento neutro da multiplicação 1 pertence ao conjunto. Pois 1 = 1 + 0 p
√ √ √
• A adição é fechada. Pois x + y p + z + w p = x + z + (y + w) p.
√ √ √ √
• O produto é fechado. Pois (x + y p)(z + w p) = xz + xw p + yz p + y.wp.
√ √
• Dado x ∈ A implica −x ∈ A. Pois dado x + y p temos o simétrico −x − y p.

• Dado x ̸= 0 ∈ A tem-se x−1 ∈ A. Pois dado x + y p temos inverso

x−y p
x2 − y 2 p
como inverso multiplicativo.

Exemplo 10. O conjunto dos elementos da forma a + bα onde α = 3 2 não é um corpo pois o produto não é
fechado, vamos mostrar que α2 não pertence ao conjunto.
Suponha que α2 = a + bα então α3 = aα + bα2 = 2 substituindo a primeira na segunda temos que

aα + b(a + bα) = aα + ab + b2 α = α(b2 + a) + ab = 2 ⇒ α(b2 + a) = 2 − ab

se b2 + a ̸= 0 então α = 2−ab
b2 +a o que é absurdo pois α é irracional, então devemos ter a = −b , multiplicamos a
2
2 2 2
expressão aα + bα = 2 por α, de onde segue aα + 2b = 2α, substituindo α = a + bα nessa última temos

a(a + bα) + 2b = a2 + abα + 2b = 2α ⇒ α(2 − ab) = 2b + a2


2
se 2 ̸= ab chegamos num absurdo de α = 2b+a 2−ab , temos que ter então 2 = ab e a = −b de onde segue 2 = −b ,
2 3

porém não existe racional que satisfaz essa identidade, daı́ não podemos escrever α2 da forma a + bα com a e b
racionais, portanto o produto de elementos não é fechado e assim não temos um corpo.

98
Exercı́cio 3.30:

√ √ √ √
Propriedade 29. Sejam a, b ∈ Q+ . a + b é racional ⇔ a e b são racionais.
Demonstração. ⇒).√ √ √
Se a = b então 2 a ∈ Q o que implica a = b ∈ Q. Agora o caso de a ̸= b.√ √
√ √ √ √
Suponha que a + b é racional então seu inverso também racional , que é a− b
, daı́ a − b ∈ Q , a soma
√ √ √ √ √ √ a−b
(√a + √b) + (√ a − √ b) = 2 a ∈ √ √ a ∈ Q, a diferença de números racionais também é um número racional
Q logo
( a + b) − a = b, portanto a e b são racionais.
⇐). A volta vale pois a soma de racionais é um racional.

99

Você também pode gostar