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AULAS PRINCÍPIOS DA ELETROSTÁTICA

1E2
COMPETÊNCIAS: 1e5 HABILIDADES: 3 e 17

O ramo da Física que estuda as propriedades das cargas Nesse modelo, o átomo é constituído de prótons, elétrons
elétricas em repouso e suas interações é denominado e nêutrons. O átomo pode ser divido em duas partes: a
eletrostática. primeira, o núcleo (composto de prótons e nêutrons); a
segunda, a eletrosfera (composta de elétrons). A atração
elétrica descrita por Tales e por tantos outros físicos é justi-
ficada pela existência da carga elétrica. A carga elétrica
é uma propriedade intrínseca da matéria e existem dois
tipos: as positivas e as negativas.
No modelo atômico, a carga elétrica dos prótons foi deno-
minada de carga positiva, e a carga elétrica dos elétrons,
de carga negativa. O nêutron, como o próprio nome su-
gere, não possui carga elétrica. As denominações de cargas
positivas e negativas e sua associação com os prótons e
multimídia: vídeo elétrons se devem a razões históricas.
FONTE: YOUTUBE A constatação do módulo e das características das cargas
Eletrostática História e teoria 15 elétricas que prótons e elétrons portam só se mostrou pos-
sível empiricamente. A carga elétrica que cada umas dessas

1. CARGAS ELÉTRICAS partículas porta é chamada carga elétrica elementar, e


esse é o menor valor percebido livremente na natureza. Des-
Há mais de dois mil anos a humanidade observa e descreve sa forma, é possível dizer que a carga elétrica é quantizada, e
os fenômenos elétricos. O filósofo grego Tales de Mileto seu valor em módulo é dado por: |e| = 1,6 · 10–19 C.
(640-548 a.C.) constatou que, após atritar âmbar com lã,
os materiais se atraíam. Da palavra âmbar originou-se a carga elétrica do próton: e+ = + 1,6 · 10–19 C
palavra elétron e eletricidade. Ao longo da história, inú- carga elétrica do elétron: e– = – 1,6 · 10–19 C
meros cientistas contribuíram para o desenvolvimento da
teoria da eletricidade. No entanto, para que houvesse uma No Sistema Internacional de Unidades (SI), a unidade de
profunda compreensão do assunto, foi necessário o desen- carga elétrica é o coulomb, cujo símbolo é C, em homena-
volvimento do modelo atômico, sendo o átomo o bloco bá- gem a Charles Coulomb.
sico de toda matéria. Atualmente, o modelo atômico mais
difundido é o modelo planetário. Um corpo é dito neutro quando possui a mesma quantidade
de prótons e elétrons. Por sua vez, um corpo será chamado
Elétron de corpo eletrizado se o número de cargas elétricas posi-
Próton
tivas for diferente do número de cargas elétricas negativas.
Sabe-se que, em módulo, um próton possui a mesma quan-
tidade de carga elétrica do que um elétron. Dessa forma,
o excesso de carga elétrica que um corpo tem só pode ser
múltiplo natural da carga elétrica elementar, ou seja:

Q = n · |e|

Neutron Na qual a carga Q é positiva se houver prótons em excesso,


Núcleo
ou negativa se houver elétrons em excesso. A quantidade
de elétrons ou prótons em excesso é dada por n.

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CONEXÃO ENTRE DISCIPLINAS

Desde a antiguidade, o homem se pergunta do que é feita Depois de realizar diversas experiências, Ernest Rutherford
a matéria. Demócrito de Abdera foi um dos primeiros pen- percebeu que, na verdade, o átomo era composto por um
sadores a postular a existência de um componente básico núcleo maciço composto pelas cargas positivas, sendo or-
para todas as coisas: o átomo. Muito tempo depois, foi bitado pelas cargas negativas.
na química que a ideia atômica ressurgiu. Primeiramente,
Por fim, o modelo atômico foi corrigido por Niels Henrick Da-
com John Dalton, que no começo do século XIX reinven-
vid Bohr, utilizando a mecânica quântica. Ele postulou que:
tou a ideia, postulando a existência de esferas maciças e
indivisíveis, extremamente pequenas, onde cada elemen- I. Os elétrons descrevem ao redor do núcleo órbitas cir-
to químico distinto era composto de um átomo diferente, culares, chamadas de camadas eletrônicas, com energia
com propriedades iguais ao elemento, mas diferente entre constante e determinada. Cada órbita permitida para os
elétrons possui energia diferente.
os diferentes átomos; por fim, as reações químicas seriam
apenas a união ou separação de diferentes arranjos atômi- II. Os elétrons, ao se movimentarem numa camada, não
cos. Seu átomo ficou conhecido como bolas de bilhar. absorvem nem emitem energia espontaneamente.
Após Dalton, Joseph John Thomson sugeriu outro mod- III. Ao receber energia, o elétron pode saltar para ou-
elo atômico, incluindo propriedades elétricas, uma vez tra órbita mais energética. Dessa forma, o átomo fica
que a eletricidade já era conhecida e estudada. Seu instável, pois o elétron tende
modelo ficou conhecido como pudim de passas, pois a voltar à sua órbita original.
o átomo seria constituído de um pudim, representando Quando o átomo volta à sua
carga elétrica positiva, e pequenas passas espalhadas, órbita original, ele devolve a
que representariam a carga negativa, uniformemente energia que foi recebida em for-
distribuídas pelo pudim. ma de luz ou calor.

Aplicação do conteúdo 2. PRINCÍPIO DA


1. Um corpo condutor inicialmente neutro perde 5 · 1013 ATRAÇÃO E REPULSÃO
elétrons. Considerando a carga elementar e = 1,6 · 10–19 C,
qual será a carga elétrica no corpo após essa perda de elétrons? A percepção das interações elétricas entre portadores de
excessos de cargas elétricas é dada por forças que podem
Resolução: ser atrativas ou repulsivas. Em uma situação em que exis-
Sendo a carga do corpo igual a Q, segue que: tem corpos eletrizados com o mesmo tipo de cargas elé-
tricas, por exemplo, cargas elétricas positivas, a repulsão
Q = n · |e|
é percebida. Essa força surge, por exemplo, ao se aproxi-
Sendo n o número de elétrons ou prótons em excesso, marem dois bastões de vidro eletrizados positivamente ou
nesse caso, prótons, portanto: dois panos de lã eletrizados negativamente.
Q = 5 · 1013 · |1,6 · 10–19|
Terminando os cálculos, obtém-se:
Q = 8 · 10–6 C
Isto é:
Q = 8 μC
Lembrando que Q > 0, pois o corpo tem prótons em excesso.

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Entretanto, caso um dos bastões de vidro seja carregado
positivamente e um dos panos de lã seja carregado negati- 4. CONDUTORES E ISOLANTES
vamente, haverá atração entre os corpos. Assim: Um bastão de vidro e um pano de lã, ao serem atritados
um com o outro, evidenciam, em cada um dos corpos,
Cargas elétricas de sinais opostos se atraem, e cargas
um excesso de cargas elétricas nas regiões atritadas. Isso
elétricas do mesmo tipo se repelem.
ocorre porque o vidro é um material isolante ou dielé-
trico. As cargas elétricas, nesses materiais, conservam-se
no local onde houve o processo de eletrização.

3. PRINCÍPIO DA CONSERVAÇÃO
DAS CARGAS ELÉTRICAS
O princípio da conservação das cargas elétricas estabelece que:

Em um sistema isolado eletricamente (ou seja, em


que não há transferências de cargas elétricas com o
ambiente externo), a quantidade de carga elétrica em Entretanto, se essa experiência for repetida com um bastão
excesso de que um sistema isolado se mostra porta- metálico sendo segurado por um cabo de vidro conectado
dor é constante. ao bastão, a eletrização também ocorre, mas o excesso de
elétrons se espalha por toda a sua superfície. As cargas em
excesso se distribuem pela superfície externa dos materiais
Por exemplo, considere um corpo A carregado com carga
metálicos devido ao fato de existirem, em sua superfície,
Q1, e um corpo B carregado com carga Q2.
elétrons conhecidos por elétrons livres. Assim, esse tipo de
Suponha que, após haver troca de carga entre os corpos, material é denominado condutor.
as novas quantidades de carga sejam Q’1, para o corpo A,
e Q’2, para o corpo B.

OS CORPOS A E B ESTÃO ELETRIZADOS COM QUANTIDADES DE CARGAS Q1 E Q2.


APÓS A TROCA DE CARGAS ENTRE OS CORPOS, A E B ESTÃO
ELETRIZADOS COM QUANTIDADES DE CARGAS Q’1 E Q’2.

Pelo princípio da conservação das cargas elétricas, a quan-


tidade de carga elétrica total é igual antes e depois da tro-
ca, ou seja:

Q1 + Q2 = Q’1 + Q’2 = constante

Essa expressão é válida somente se o sistema for eletrica-


mente isolado.

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Esses elétrons ocupam as posições mais distantes do nú-
cleo do átomo, e, por isso, estão ligados fracamente a ele. 5. ELETRIZAÇÃO POR ATRITO
Em consequência, esses elétrons abandonam mais facil- Quando dois corpos compostos por diferentes materiais
mente o átomo. Nos materiais isolantes, a forma como são são atritados, é possível perceber, em ambos, o que é de-
distribuídos e como ocorrem as interações faz com que es- nominado desequilíbrio eletrostático, ou seja, corpos com
ses elétrons não possuam os mesmos graus de liberdade excesso de um determinado tipo de carga elétrica. Isso
que existem nos elétrons presentes em superfícies metáli- ocorre porque um dos dois materiais possui uma tendência
cas; os elétrons estão fortemente ligados. maior em portar o excesso de elétrons. Da mesma forma,
Como não existem condutores e isolamentos perfeitos, em relação ao primeiro, o segundo corpo possui uma maior
a denominação de materiais condutores ou isolantes é tendência em ceder os elétrons de camadas mais externas,
apenas prática. A melhor forma para a classificação é ficando com excesso de cargas elétricas positivas.
dada por bons condutores elétricos e maus condu- Como exemplo, ao se atritar um pedaço de seda e um bas-
tores elétricos. tão de vidro inicialmente neutros, uma certa quantidade
Assim, todos os corpos são condutores elétricos, bons ou de elétrons do vidro é transferida para o pedaço de seda.
maus. Se o experimento anterior fosse repetido sem o isola- Então, a seda adquire eletrização negativa (excesso de
mento devido, ao segurar o bastão diretamente com a mão, elétrons) e o vidro adquire eletrização positiva (excesso de
o corpo se comportaria como um bom condutor, e não se- prótons). É importante destacar que, ao final do processo
riam percebidos quaisquer excessos de cargas elétricas. Des- de eletrização, devido à conservação da quantidade de car-
se modo, o bastão não se eletriza, pois suas dimensões são gas elétricas que compõem o sistema de corpos, a quanti-
muito reduzidas em relação às dimensões da Terra. dade de carga que um dos dois corpos envolvidos terá em
excesso será, em módulo, idêntica a do outro corpo.

Um condutor eletrizado é neutralizado quando em


contato com a Terra.

Quando um condutor isolado, carregado positivamente,


é conectado à Terra, sua carga é neutralizada por cargas
elétricas negativas que são transferidas da Terra para o
condutor. Caso o condutor esteja carregado negativa-
mente, a transferência de cargas ocorre de modo con-
trário: as cargas negativas são transferidas do condutor
para a Terra.

CONDUTOR POSITIVAMENTE ELETRIZADO LIGADO À TERRA,


NEUTRALIZADO DEVIDO A ELÉTRONS PROVENIENTES DA TERRA.

No processo de eletrização por atrito, os corpos eletri-


zados apresentam, ao final do processo, cargas elétri-
cas de sinais opostos.

A chamada série triboelétrica é uma lista de diferentes


materiais postos em ordem de tal forma que, quando atri-
tados dois materiais, aquele que está numa posição acima
CONDUTOR NEGATIVAMENTE ELETRIZADO LIGADO À TERRA, na lista fica carregado positivamente, e aquele que está
NEUTRALIZADO DEVIDO AO ESCOAMENTO DE ELÉTRONS PARA A TERRA. mais abaixo na lista fica carregado negativamente.

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1. pele humana seca 11. alumínio 21. prata Sabe-se que, inicialmente, tanto a lã quanto o bastão de
2. couro 12. papel 22. ouro
vidro estavam descarregados, assim, temos que: Q1 = Q2
= 0. Logo:
3. pele de coelho 13. algodão 23. platina
4. vidro 14. aço 24. poliéster 0 + 0 = –12 μC + Q’2
5. cabelo humano 15. madeira 25. isopor Terminando os cálculos, obtém-se:
6. nylon 16. âmbar 26. filmes PVC
Q’2 = + 12 μC
7. lã 17. borracha dura 27. vinil
8. chumbo 18. níquel 28. silicone Assim, resulta que o vidro está com um carga de +12 μC.
9. pele de gato 19. cobre 29. teflon 3. Um pedaço de papel higiênico e uma régua de plás-
10. seda 20. latão tico estão eletricamente neutros. A régua de plástico é,
então, friccionada no papel higiênico. Depois do atrito,
Por exemplo, se forem atritados seda e isopor, a seda, que deve-se esperar que:
antecede o isopor na ordem da lista, ficará carregada po- a) somente a régua fique eletrizada.
sitivamente, enquanto o isopor ficará carregado negativa- b) somente o papel fique eletrizado.
mente. Já se forem atritados seda e lã, como a seda sucede c) ambos fiquem eletrizados com cargas de
a lã na ordem da lista, a seda ficará carregada negativa- mesmo sinal e mesmo valor absoluto.
mente, enquanto a lã ficará carregada positivamente. d) ambos fiquem eletrizados com cargas de
sinais contrários e mesmo valor absoluto.
e) nenhum deles ficará eletrizado.

Resolução:

A eletrização por atrito faz com que os corpos atrita-


dos adquiram cargas de sinais contrários, pois um dos
corpos vai retirar elétrons do outro, ou seja, um corpo
ficará com excesso de elétrons, e o outro com excesso
de prótons, ficando, respectivamente, um negativo e o
outro positivo. Além disso, pelo princípio da conserva-
multimídia: vídeo ção das cargas elétricas, ambos terão o mesmo valor
absoluto de carga.
FONTE: YOUTUBE
Processos de eletrização Alternativa D

Aplicação do conteúdo 6. ELETRIZAÇÃO POR CONTATO


1. Um aluno realiza um experimento que consiste em A eletrização por contato é o processo de eletrização
atritar lã num bastão de vidro, fazendo, assim, a lã ga-
nhar elétrons e, por consequência, fazendo o vidro per-
associado ao contato entre um corpo eletrizado e outro
der elétrons. Após o experimento, quando estes dois que pode ou não estar eletrizado. É importante destacar
corpos forem aproximados, haverá atração ou repulsão? que, nesse processo, assim como em qualquer outro, a
quantidade de carga do sistema é conservada; contudo, ao
Resolução: final do processo, os corpos ficam com o mesmo tipo de
Como os corpos possuem cargas de sinais opostos, have- carga elétrica.
rá atração, isto é, a lã está com carga negativa, enquanto
Ao colocar em contato um condutor A, eletrizado positiva-
o vidro apresenta carga positiva.
mente, com um condutor B, inicialmente neutro, o condu-
2. Com base no exercício anterior, se a lã ganhou uma car- tor B adquire eletrização positiva. Essa eletrização ocorre
ga no valor –12 μC, de qual foi a carga que o vidro ficou? quando o condutor A retira parte dos elétrons livres de B.
Entretanto, A continua eletrizado positivamente, mas com
Resolução:
menor quantidade de carga, uma vez que a quantidade
Sabe-se, pelo princípio da conservação das cargas elétricas, de prótons em excesso diminuiu. O condutor B, por sua
que as cargas se conservam, ou seja: vez, fica com uma menor quantidade de elétrons depois do
Q1 + Q2 = Q’1 + Q’2 contato e, portanto, eletriza-se positivamente.

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Aplicação do conteúdo
1. Antes de sair do banheiro de sua casa, um garoto
que estava com os pés descalços toca no interruptor
instalado incorretamente, com o objetivo de apagar
a lâmpada, mas recebe um choque elétrico. O menino
então chama o seu pai, que averigua a situação e toca
também no interruptor, mas, calçado com um par de
chinelos de borracha, não recebe choque. Explique con-
ceitualmente por que o pai do garoto não recebeu o
choque elétrico.
A POSITIVO E B NEUTRO ESTÃO ISOLADOS E AFASTADOS; COLOCADOS EM CONTATO,
DURANTE BREVE INTERVALO DE TEMPO,
ELÉTRONS LIVRES VÃO DE B PARA A; APÓS O PROCESSO, A
Resolução:
E B APRESENTAM-SE ELETRIZADOS POSITIVAMENTE. A borracha é um material isolante, ou seja, um mau condu-
No entanto, se A estivesse carregado negativamente, par- tor elétrico, por isso dificulta a transmissão e/ou corrente de
te de seus elétrons em excesso seriam transferidos para o elétrons. Quando o pai usa o calçado de borracha, impede
condutor B. Dessa forma, o condutor A permaneceria ne- o contato elétrico entre o interruptor e o solo, por isso não
gativo (apesar de ficar com um menor número de elétrons recebe o choque. Já o menino tinha seus pés como ligação
em excesso), e o condutor B, por adquirir mais elétrons, entre o solo e o interruptor. Sabe-se que o corpo huma-
seria eletrizado negativamente. no é um bom condutor de eletricidade, por isso recebeu
o choque.
2. Um corpo eletrizado com carga Q a = –5 ∙ 10 –9 C é
colocado em contato com outro corpo com carga
Qb = 7 ∙ 10–9 C. Qual é a carga dos dois objetos
após ter sido atingido o equilíbrio eletrostático?
A NEGATIVO E B NEUTRO ESTÃO ISOLADOS E AFASTADOS: COLOCADOS EM
CONTATO, DURANTE BREVE INTERVALO DE TEMPO, ELÉTRONS VÃO DE A PARA B; Resolução:
DEPOIS DO PROCESSO, A E B APRESENTAM-SE ELETRIZADOS NEGATIVAMENTE.
Para descobrir qual é a situação final de equilíbrio, deve-se
Se os condutores A e B forem iguais, por exemplo, a duas aplicar a fórmula:
esferas condutoras de mesmo material e dimensão, as Qa + Qb
Q’ = __
cargas em quantidade e sinais serão idênticas para os 2
dois corpos. Substituindo os valores, temos:
-9 -9
–5 · 10 + 7 · 10
Q’ = __
2
Finalizando a conta, obtém-se:
Q’ = 1 · 10–9 C
Ou seja:
Q’ = 1 nC
ELETRIZAÇÃO POR CONTATO ENTRE ESFERAS CONDUTORAS DE MESMO RAIO.

Nesse caso de condutores idênticos, a carga final para cada 7. ELETRIZAÇÃO POR INDUÇÃO
condutor pode ser calculada pela média aritmética das cargas: Ao aproximarmos um condutor A, carregado positivamen-
te, de um condutor B neutro, sem que haja contato, alguns
Q1 + Q2 + ...+Qn elétrons livres de B serão atraídos por A e serão acumula-
Q' = _____________
n dos na região de B mais próxima de A. Isso faz com que a
região de B mais afastada de A fique com uma quantidade
No processo de eletrização por contato, os corpos ele- menor de elétrons e, portanto, com excesso de cargas po-
trizados, ao final do processo, ficam eletrizados com sitivas. Esse processo de separação de cargas em um con-
cargas elétricas de mesmo sinal. dutor pela presença de outro corpo eletrizado é chamado
de indução eletrostática. O condutor A é chamado de
indutor, e B, de induzido.

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de suas cargas elétricas negativas é atraída pelo corpo A, e
suas cargas positivas são repelidas. As forças de atração e
repulsão dependem das distâncias entre as cargas e, nes-
se caso, como as cargas negativas do induzido estão mais
próximas das cargas positivas do indutor, a intensidade da
força de atração é maior que a de repulsão, de modo que a
força resultante é de atração.
Caso o indutor seja afastado, o induzido voltará à sua con-
dição inicial, na qual as cargas elétricas não estavam sepa-
radas. Pode-se realizar o seguinte procedimento para que
o induzido se mantenha eletrizado:
1. Aproxima-se o indutor do induzido;
2. Conecta-se ao induzido um outro condutor, e este à Ter-
ra (fio-terra);
3. Retira-se o fio-terra;
4. Somente após os procedimentos acima, afasta-se o indutor. Caso um corpo eletrizado A atraia um condutor B, po-
derá B estar eletrizado com carga de sinal oposto ao
de A ou estar neutro.

Nota: Só existe atração ou repulsão elétrica entre partícu-


las quando se trata de partículas elétricas, ou seja, prótons
No condutor induzido, os elétrons em excesso se espalham ou elétrons; não havendo força elétrica, trata-se de uma
pela superfície do condutor. Caso o indutor esteja carrega- partícula neutra, um nêutron, por exemplo. Diferentemen-
do negativamente, os elétrons livres do induzido vão escoar te, quando analisamos corpos extensos, em que um corpo
para a Terra, quando a conexão do fio-terra for feita. Desse neutro é atraído por um corpo carregado, pode haver atra-
modo, no final do processo, o induzido ficará carregado ção ou repulsão caso estejam carregados.
positivamente.

CONDUTOR B, NEUTRO E ISOLADO; APROXIMANDO A DE B, OCORRE INDUÇÃO


ELETROSTÁTICA; LIGANDO B À TERRA, ELÉTRONS DE B
ESCOAM PARA A TERRA; A LIGAÇÃO DE B COM A TERRA É DESFEITA;
O INDUTOR A É AFASTADO E B ESTÁ POSITIVAMENTE.
UMA PEQUENA ESFERA NEUTRA DE ISOPOR É ATRAÍDA QUANDO APROXIMADA
DA ESFERA METÁLICA ELETRIZADA DE UM GERADOR ELETROSTÁTICO.
Na eletrização por indução, o induzido ficará eletriza-
REPRODUÇÃO

do com cargas elétricas de sinais opostos às cargas


elétricas apresentadas pelo indutor. A carga do indutor
não se altera.

É possível explicar porque ocorre atração dos corpos ao se


aproximar um corpo eletrizado de um condutor neutro, a
partir do fenômeno da indução eletrostática.
Considere um condutor metálico B, neutro, suspenso por
um fio isolante. Quando é aproximado de B um corpo A O FILETE DE ÁGUA DESVIA-SE DA VERTICAL AO SER ATRAÍDO POR UM BASTÃO
com carga positiva, o condutor B é induzido, uma parcela PLÁSTICO PREVIAMENTE ELETRIZADO POR ATRITO COM UM PEDAÇO DE FLANELA.

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O primeiro registro de observações de fenômenos elétri-
cos, como dito anteriormente, pertence a Tales de Mileto. 8. ELETROSCÓPIOS
O estudo científico só foi ocorrer muito tempo depois com Os aparelhos utilizados para verificar a eletrização de um
William Gilbert (1544-1603). Em seus estudos sobre ele- corpo são denominados eletroscópios. O pêndulo elétri-
tricidade estática, Gilbert utilizou âmbar, que, em grego, é co é um desses aparelhos e é constituído por uma esfera
chamado elektron, dando origem à palavra eletricidade, de material leve (isopor ou cortiça), recoberta por uma ca-
cunhando, assim, entre outros termos, a força elétrica. mada metálica fina e suspensa por um fio isolante (seda ou
náilon) em uma haste-suporte.
Inúmeros cientistas contribuíram para o desenvolvimento
da teoria da eletricidade. Entre eles é possível citar Ben- Pode-se determinar a eletrização de um corpo A aproxi-
jamin Franklin (1706-1790), inventor do para-raios, que mando-o da esfera do pêndulo elétrico. Se a esfera não se
imaginou o fluido elétrico como sendo apenas um tipo mover, o corpo A não está eletrizado. Contudo, se a esfera
de espécie, onde um corpo poderia ficar eletrizado posi- for atraída, o corpo A está eletrizado.
tivamente ou negativamente. Quando atritado, um corpo
ganharia e outro perderia a mesma quantidade do flui-
do, mantendo a soma líquida total das cargas constante.
Franklin percebeu também que um globo metálico não
conseguiria manter eletricidade no seu interior. Além disso,
ele relacionou o relâmpago com descargas elétricas iguais
às produzidas por uma garrafa de Leiden.
Foram os franceses Charles Augustin Coulomb (1736-
Aplicação do conteúdo
1806) e Charles Fraçois de Cisternay du Fay (1698-1739) 1. Uma esfera metálica, positivamente carregada, é
que perceberam que existiam apenas dois tipos de fluidos aproximada, sem encostar, da esfera do eletroscópio. Em
elétricos, sendo que a designação de positivo e negativo foi qual das seguintes alternativas melhor se representa a
configuração das folhas do eletroscópio, e suas cargas,
dada por Benjamin Franklin.
enquanto a esfera positiva estiver perto de sua esfera?

Aplicação do conteúdo
1. A figura abaixo representa um condutor A, eletri-
camente neutro, ligado à Terra. Aproxima-se de A um
corpo B carregado positivamente. Pode-se afirmar que:

Resolução:
Ao se aproximar uma carga positiva, pelo princípio da
atração e repulsão, elétrons de todo o eletroscópio serão
atraídos a ficarem fixos na esfera, inclusive das folhas, ou
seja, os elétrons das folhas vão migrar e se concentrar na
a) os elétrons da Terra são atraídos para A. esfera. Com essa migração, as folhas ficarão com excesso
b) os elétrons de A escoam para a Terra. de prótons e, assim, ficarão positivas. Ficando ambas posi-
c) os prótons de A escoam para a Terra. tivas, elas irão se repelir, logo, irão abrir.
d) os prótons da Terra são atraídos para A. Alternativa C
e) há troca de prótons e elétrons entre A e B.
Resolução: 8.1. Gerador de Van de Graaff
Há elétrons e prótons em abundância na Terra. Isso causa
como consequência o fato de que todo corpo carregado,
quando conectado à Terra, fica descarregado. Quando o
corpo B, positivamente carregado, é aproximado do corpo
A, ocorre, pelo princípio da atração e repulsão, a tendên-
cia para atrair elétrons. Assim, os elétrons da Terra serão
atraídos e irão migrar para a esfera A.

Alternativa A

101
O gerador Van de Graaff, criado por Robert Van de Graaff
(1901-1967), é uma máquina utilizada para acumular car-
ga elétrica, produzindo, assim, altas tensões elétricas em
uma esfera de metal. Baseia-se no princípio de eletrização
por atrito, no qual uma correia é atritada com uma roldana
de plástico. Hoje em dia, é muito comum a utilização de um
gerador de Van de Graaff em shows de Física.

multimídia: vídeo
FONTE: YOUTUBE
Aprenda a fazer uma máquina de choques caseira

multimídia: sites
educacao.uol.com.br/disciplinas/fisica/eletriza-
cao-eletrizacao-por-atrito-contato-e-inducao.htm
www.efeitojoule.com/2008/04/eletrizacao-
-condutores-e-isolantes.html
educacao.globo.com/fisica/assunto/eletro-
magnetismo/carga-eletrica-e-eletrizacao.html
mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/proces-
sos-eletrizacao.htma multimídia: vídeo
mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/condu- FONTE: YOUTUBE
tores-isolantes-eletricos.htm FIBRA - GERADOR DE VAN DER GRAAF (18/03/15)

VIVENCIANDO

A eletricidade está presente em todos os lugares no dia a dia moderno e tecnológico. Fu-
gindo um pouco do óbvio, observe algumas aplicações cotidianas da eletricidade. Em cami-
nhões que carregam combustíveis, existe uma corrente metálica que é arrastada pelo chão
a fim de descarregar para a Terra um possível excesso de carga elétrica, que se deve ao
atrito do caminhão com o ar e que poderia originar uma faísca e provocar uma explosão. Ao
caminhar sobre carpetes com os pés descalços, é possível, através do atrito entre eles, que
a pessoa possua um excesso de cargas, e, ao encostar em um objeto ou em outra pessoa,
pode-se gerar um pequeno choque devido à descarga elétrica. Em dias secos, é mais fácil eletrizar por atrito, por
exemplo, ao escovarmos os cabelos; a repulsão elétrica entre os fios de cabelo será maior, e atrair pequenos objetos
com a escova será mais fácil. Já em dias úmidos, o efeito é menor. Isso se deve ao fato de que as moléculas de água
presentes no ar acabam roubando os elétrons e dificultando a eletrização por atrito.

102
DIAGRAMA DE IDEIAS

CARGA
ELÉTRICA

ELETRIZAÇÃO DOIS TIPOS

CONTATO INDUÇÃO ATRITO

CARGA CARGA
POSITIVA NEGATIVA

CARGA
FUNDAMENTAL

103
AULAS LEI DE COULOMB
3E4
COMPETÊNCIAS: 5e6 HABILIDADES: 17 e 20

Ao aplicar sistematicamente o método científico em seus


problemas, o físico francês Charles Augustin Coulomb
(1736-1806) desmistificou a eletricidade. Para a deter-
minação da força elétrica, Coulomb utilizou da fórmula
newtoniana para atração gravitacional entre dois corpos. O físico Charles Coulomb determinou a relação que expri-
Era de conhecimento geral a lei da gravitação de Newton me o módulo da interação existente entre dois portadores
m1· m2 de cargas elétricas, conhecida como lei de Coulomb.
Fg a __ , isto é, que a atração era proporcional ao
d2
produto das massas e inversamente proporcional ao qua-
drado da distância que as separava. Coulomb, ao perceber A intensidade da força de interação entre duas cargas
elétricas puntiformes é diretamente proporcional ao
semelhanças entre essas forças, pois em ambas atuava a
produto dos módulos das cargas e inversamente pro-
distância (ação fantasmagórica à distância), utilizou-se
porcional ao quadrado da distância entre as cargas.
dessa fórmula para supor a sua fórmula para força elétri-
ca. Para provar sua teoria, Coulomb utilizou a balança de
torção, utilizada por Henry Cavendish, fazendo algumas
alterações e melhorias.

Na qual k é uma constante eletrostática que depende do


meio físico em que estão inseridas as cargas elétricas que
compõem o sistema estudado. Para o vácuo, essa constan-
te é denotada por k0 e é chamada de constante eletrostáti-
ca do vácuo ou simplesmente constante eletrostática, e seu
valor, determinado experimentalmente, é:

1. FORÇAS ENTRE CARGAS


ELÉTRICAS PUNTIFORMES: Nota: A constante eletrostática k é definida a partir da
constante de permissividade elétrica «, que, no vácuo, as-
LEI DE COULOMB sume o valor «0 = 8,854187 · 10–12 F · m–1. Assim, a cons-
tante eletrostática no vácuo é:
1
k0 = ____
As interações eletrostáticas podem ser evidenciadas 4S«0
pela força percebida entre portadores de cargas elé-
tricas. Essas interações podem ser atrativas ou repul- Aplicação do conteúdo
sivas, sendo atrativas entre portadores de cargas elé- 1. Duas partículas de cargas elétricas Q1 = 4 · 10–16 C
tricas de sinais opostos e repulsivas entre portadores e Q2 = 6 · 10–16 C estão separadas no vácuo por uma
de cargas elétricas de mesmo sinal. De acordo com distância de 3,0 · 10–9 m. Sendo k0 = 9 · 109 N · m2/C2,
a terceira lei de Newton, para cada ação existe uma a intensidade da força de inte ação entre elas, em
newtons, é de:
reação, de mesma direção, mesma intensidade, senti-
dos opostos e que atuam em corpos diferentes. Assim, Resolução:
serão caracterizadas as forças de interações elétricas. Para o cálculo da força entre as partículas, é preciso aplicar
a fórmula da lei de Coulomb:

104
k0 · |Q1| · |Q2|
F = __ .
d2
Substituindo os valores do exercício, obtém-se:
9 · 109 · 4 · 10-16 · 6 · 10-16.
F = _____________________
(3 · 10-9)2
Finalizando os cálculos, temos:
F = 2,4 · 10–4 N
2. Duas cargas elétricas puntiformes encontram-se num
determinado meio e interagem mutuamente por meio
de uma força eletrostática, cuja a intensidade F varia multimídia: vídeo
com a distância d entre elas de acordo com o diagrama FONTE: YOUTUBE
da figura. Determine a intensidade da força de intera-
ção eletrostática entre essas cargas, quando a distância Força Elétrica - Lei de Coulomb
entre elas for de 0,5 m.

multimídia: vídeo
FONTE: YOUTUBE
Resolução: Lei de Coulomb
Para calcular, é preciso retirar alguns valores do gráfico,
como para d = 0,1 m, temos F = 9 N, assim:
ko · |Q1| · |Q2|
F = __
d2
ko · |Q1| · |Q2|
9 = __
0,12
Por consequência, tem-se:

9 · 0,12 = k0 · |Q1| · |Q2|

Assim:

k0 · |Q1| · |Q2| = 9 · 10–2 multimídia: sites


O valor do produto dos valores constantes foi encontrado;
pt.khanacademy.org/science/physics/electri-
agora é possível encontrar o valor da força:
c-charge-electric-force-and-voltage#charge-
k0 · |Q1| · |Q2| electricforce
F = __ . mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/forca-
d2
9 · 0,12 -eletrica.htm
F = __ . www.if.ufrgs.br/fis/EMVirtual/cap1/cargas.htm
(5 · 10-1)2
Finalizando, temos: educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-
-ensino/medindo-forca-eletrica-repulsao.htm
F = 0,36 N

105
2. FORÇA ELÉTRICA DE VÁRIAS
CARGAS PUNTIFORMES FIXAS
Sendo n o número de elétrons em excesso de um corpo ele-
Considere cargas puntiformes fixas Q1, Q2, Q3. A cada par trizado negativamente, sua carga elétrica, em módulo, vale:
de cargas, tem-se uma_____›força_____› elétrica,
_____› _____›seja_____›de atração
_____› ou de
repulsão; logo, temos F 1,2, F 1,3, F 2,3, F 2,1, F 3,1 e F 3,2. A força
resultante elétrica que atua em cada partícula será a soma
vetorial de todas as forças que as outras cargas exercem Essa expressão é utilizada para calcular a carga elétrica de
sobre ela, ou seja: um corpo carregado positivamente, e, nesse caso, n é o nú-
mero de prótons em excesso ou o número de elétrons em
falta no corpo. O excesso de cargas elétricas que um corpo
porta, é múltiplo natural da carga elétrica elementar.
É preciso lembrar que força é uma grandeza vetorial. Dessa for-
ma, suas operações, causas e consequências devem respeitar
os métodos e procedimentos inerentes aos estudos vetoriais.

Aplicação do conteúdo
1. Três cargas elétricas encontram-se alinhadas no vá-
cuo. Sendo Q1 = 2 μC, que está a 3 m de Q3 = 4 μC, e Q2 =
2 μC, que está a 3 m de Q3; determine a força resultante
sobre Q3.

_____› _____› _____›


Na carga Q1: F e1 = F 2,1 + F 3,1
_____› _____› _____›
Na carga Q2: F e2 = F 1,2 + F 3,2
_____› _____› _____› Resolução:
Na carga Q3: F e3 = F 1,3 + F 2,3
Se elas estão alinhadas, então há duas forças aplicadas em
Quanto maior for a quantidade de cargas elétricas envolvi-
Q3, na mesma direção, mas em sentidos opostos, pois Q1
das, mais complicado será calcular a força elétrica resultan-
e Q2 possuem o mesmo sinal de carga. Aplicando a lei de
te. Por isso será importante detalhar cada força envolvida,
Coulomb, a resultante será:
representar geometricamente seu vetor, prestando atenção
se a força é de atração ou de repulsão, para o cálculo veto-
* *
k0 · |Q1| · |Q3| __
k · |Q | · |Q3|
rial da força resultante. Fr = __ 2
– 0 22 .
d d
Substituindo os valores, temos:
Considerações importantes
ƒ Massa do elétron: 9,1 · 10–31 kg
*
9 · 109 · 2 · 10-6 · 4 · 10-6 – __
Fr = __
9 *
9 · 109 · 2 · 10-6 · 4 · 10-6
9
ƒ Massa do próton: 1,67 · 10–27 kg
Observa-se que os valores das forças são os mesmos; logo,
1 C é, em eletrostática, uma carga enorme. Em virtude dis-
temos:
so, são muito utilizados os submúltiplos do Coulomb:
ƒ 1 milicoulomb = 1 mC = 10–3 C Fr = 0 N
ƒ 1 microcoulomb = 1 mC = 10 C –6
2. Considere duas cargas elétricas pontuais, sendo uma
ƒ 1 nanocoulomb = 1 nC = 10–9 C delas Q1, localizada na origem de um eixo x, e a outra
ƒ 1 picocoulomb = 1 pC = 10–12 C Q2, localizada em x = L. Uma terceira carga pontual, Q3,
é colocada em x = 0,4 L. Considerando apenas a intera-
A carga de um elétron ou de um próton é a menor car- ção entre as três cargas pontuais e sabendo que todas
ga elétrica livre encontrada na natureza. Essas cargas são Q2
elas possuem o mesmo sinal, qual é a razão __ para
iguais em valores absolutos, constituindo a chamada carga Q1
elementar (e): que fique submetida a uma força resultante nula?

106
Resolução: Simplificando, tem-se:

Segue a representação do caso: F = 1 · 106 · q


Como o módulo da força já é conhecido, é interessante
saber a direção e sentido; para somá-las vetorialmente,
temos então:
__› __›
*F 1 * = * F 2 *
Usando a lei de Coulomb, temos:

k0 · |Q1| · |Q3| __
__ k · |Q | · |Q3|
2
= 0 22
d d Como já se sabe que as forças têm mesmo módulo, é fá-
Assim, temos: cil concluir que, na horizontal, a soma das componentes é
|Q1| __ |Q2| nula, enquanto que, na vertical, a soma das componentes
__ =
(0,4L) (0,6L)2
2 será o dobro.
Retirando, por geometria, temos:
Por consequência, temos:
FQ1Y = F · sen(30º)
Q
(0,6L)2 __
__ = 2
(0,4L)2 Q1 Assim, teremos como FER a força elétrica resultante,
Q2 de módulo:
__ = 2,25 FER = 2 · F · sen(30º)
Q1
3. Duas cargas elétricas puntiformes idênticas Q1 e Q2, cada Logo:
uma com 1 · 10–7 C, encontram-se fixas sobre um plano
horizontal, como pode ser observado na figura abaixo. FER = 2 · 1 · 106 · q · 0,5
Uma terceira carga q, de massa 10 g, encontra-se em equi-
Terminando os cálculos, obtém-se:
líbrio no ponto P, formando, assim, um triângulo isósceles
vertical. Sabendo que as únicas forças que agem em q são FER = 1 · 106 · q
as de interação eletrostática com Q1 e Q2 e seu próprio
peso, o valor dessa terceira carga é: Por fim, sabe-se que a deve anular a própria força peso do
corpo q, logo:
FER = P
Substituindo:
1 · 106 · q = 10 · 10–3 · 10

Adote: k0 = 9 · 109 N · m2/C2; g = 10 m/s2 Finalizando:

Resolução: q = 1 · 10–7 C

Para que o corpo de carga q fique em equilíbrio, é neces-


sário que a força resultante seja nula, ou seja, a soma das
forças elétricas com a força peso deve ser zero.
Sabendo que Q1 e Q2 são positivas, é fácil concluir que q
deve ser positiva também, para que ocorra força de repul-
são; caso contrário, q nunca iria ficar em equilíbrio.
Assim, há duas forças de repulsão aplicadas em q com
direções diferentes, mas de mesmo módulo, F, que vale:
k0 · |Q1| · |q| multimídia: vídeo
F = __
d2 FONTE: YOUTUBE
9 · 109 · 1 · 10-7 · q Cabo de guerra elétrico - experiência de Física
F = _____________________
9 · 10-4

107
2.1. Medição da carga elementar
A carga elementar, cujo valor corresponde em módulo a
1,6021176462 ∙ 10–19 C, possui uma incerteza apenas no
dois últimos algarismos. Deve-se a Robert Andrews Milli-
kan (1858-1953) a primeira medida. Em um atomizador,
Millikan eletrizou gotículas de óleo; quando era atingido
o equilíbrio dinâmico, Millikan igualou a força peso com a
força elétrica, percebendo que todos os valores de carga
elétrica em excesso para cada gotícula de óleo era múl-
tiplo de um certo valor. Ele deduziu que o valor de cada
carga elementar era de 1,64 ∙ 10–19 C. multimídia: sites
pt.khanacademy.org/science/physics/electri-
Atomizador c-charge-electric-force-and-voltage#charge-
Lâmina positivamente
electricforce
Bateria
energizada
Goticolas mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/forca-
de Óleo
Fonte de
alta tensão
-eletrica.htm
Microscópio
www.if.ufrgs.br/fis/EMVirtual/cap1/cargas.htm
educador.brasilescola.uol.com.br/estrategias-
Campo
Lâmina negativamente
energizada
elétrico uniforme -ensino/medindo-forca-eletrica-repulsao.htm

VIVENCIANDO

A força elétrica é uma das quatro forças fundamentais da Natureza. Graças à força
elétrica, há união entre os diferentes átomos, moléculas etc., possibilitando condições
para que a vida exista. A atração e a repulsão elétrica estão presentes quando um
pente é capaz de atrair pequenos corpos depois de ser atritado com o cabelo de uma
pessoa. Elas também ocorrem nos processos em que gotículas de água são ionizadas
a fim de atrair pequenas partículas de poeira ou sujeira, processo que ocorre nas cha-
minés industriais ou em climatizadores, por exemplo.

108
DIAGRAMA DE IDEIAS

CARGA
ELÉTRICA

GRANDEZA
VETORIAL
DEPENDE DO INVERSO
FORÇA ELÉTRICA DA DISTÂNCIA AO
AÇÃO A QUADRADO
DISTÂNCIA

NATUREZAS NATUREZAS
OPOSTAS IGUAIS

ATRAÇÃO REPULSÃO

109
AULAS CAMPO ELÉTRICO
5E6
COMPETÊNCIAS: 5e6 HABILIDADES: 17 e 21

1. CONCEITO DE CAMPO ELÉTRICO


Em Física, é muito comum criarmos modelos que possam
tornar nossa compreensão da natureza mais adequada às
nossas observações e aos dados coletados. Exatamente
aqui se enquadra o conceito de campo elétrico. Como vi-
mos anteriormente, as interações entre portadores de car-
gas elétricas podem ser analisadas do ponto de vista das
forças existentes entre esses portadores. Uma carga elétri-
ca puntiforme Q, ou uma distribuição de cargas, origina um
campo elétrico no espaço ao seu redor. Ao colocamos multimídia: vídeo
uma carga de prova__› q, puntiforme, em um ponto P dessa
região, uma força F e, de origem elétrica, age sobre a carga q. FONTE: YOUTUBE
Campo elétrico

De modo equivalente, a carga elétrica de prova q também


produz um campo elétrico, a força de origem elétrica tam-
bém age sobre Q ou sobre as cargas da distribuição.
Michael Faraday (1791-1867) inovou ao introduzir na Físi-
ca o conceito das linhas de força, que, mais tarde, origina-
riam a ideia de campo. James Clerk Maxwell (1831-1879), multimídia: vídeo
aluno de Faraday, apoiou-se principalmente nos trabalhos FONTE: YOUTUBE
de seu professor e de Ampère para a formulação da sua Linhas de campo elétrico - Cargas iguais e anel
teoria eletromagnética, descrevendo desde os campos ele-
tromagnéticos até a sua propagação em seu trabalho Tre-
atise on Eletricity and Magnetism. Nesse trabalho, Maxwell
unificou as leis de Coulomb, Oersted, Ampère, Biot-Savart,
2. INTENSIDADE
___
DE CAMPO ELÉTRICO

O
__› campo elétrico E foi definido a partir da força elétrica
Faraday e Lenz expressando todas essas leis em apenas
F , sendo a razão entre a força eletrostática e o módulo da
quatro equações.
carga de prova q.

A unidade de campo elétrico é definida por:

110
No Sistema Internacional de Unidades (SI), tem-se:
3. CAMPO ELÉTRICO DE UMA
CARGA PUNTIFORME Q FIXA
newton = 1__
1 unidade de E = 1 _______ N
coulomb C

No SI, é utilizado o volt por metro (V/m), que é equivalente A seguir, são___›apresentadas as características do vetor cam-
ao newton por coulomb (N/C). po elétrico E em um ponto P, devido a uma carga punti-
forme Q, fixa no ponto O.
Aplicação do conteúdo Intensidade:
1. Um corpo esférico carregado com uma carga Q = 5 C
positiva provocou em uma carga de prova q = 2 C uma Igualando as equações Fe = |q| · E (definida acima) e a lei
força de repulsão de 20 N de intensidade. Calcule qual |Q| . |q|
de Coulomb, Fe = k0 ·______, tem-se:
foi o valor do campo gerado pelo corpo. d²
|Q| · |q|
Resolução: |q| · E = k0 · ______

Pela definição de campo elétrico, tem-se:
|Q|
F E = k0 · ___
E = __q d²

Sendo F a força elétrica provocada, e q a carga de prova, O gráfico de E em função de d, mantendo a carga Q fixa, é
cujo valor, nesse caso, é 2 C. apresentado na figura a seguir:
Assim, substituindo na fórmula, temos:
20
E = __
2
Terminando os cálculos, temos:
E = 10 N/C

GRÁFICO DE E VERSUS D

Aplicação do conteúdo
1. Calcule o valor do campo elétrico produzido por uma
carga Q = 5 μC, num ponto que dista 5 cm dessa carga.

Adote: k0 = 9 · 109 N · m2/C2


Resolução:
Aplicando a fórmula do campo elétrico, tem-se:

k0 · |Q|
multimídia: sites E = __ .
d2
Substituindo os valores, obtém-se:
guiadoestudante.abril.com.br/estudo/resumo-
-de-fisica-campo-eletrico/ 9 · 109 · 5 · 10-6.
E = __
mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/campo- 52 · 10-4
-eletrico.htm Realizando os cálculos, resulta:
www.todamateria.com.br/campo-eletrico/
www.efeitojoule.com/2009/01/campo-eletri- E = 1,8 · 107 N/C
co-e-conceito-campo.html Direção:
www.rc.unesp.br/showdesica/99_Explor_Ele- __›
A direção do campo é a mesma da força F e.
trizacao/paginas%20htmls/Campo%20el%-
C3%A9trico.htm Sentido:

111
ƒ 1.° caso: a carga Q é positiva (Q > 0) ƒ 2° caso: a carga Q é negativa (Q < 0)
Se em P for colocada a carga pontual ___› q > 0, as cargas se Se em P for colocada a carga de prova___› q > 0, as cargas se
repelem (pois
__› Q > 0 e q > 0). Então E , em P, tem o mesmo __› q > 0, segue-se que E em P tem o mesmo
atraem. Como
sentido de F e, isto é, de Q para P. sentido de F e, isto é, de P para Q.

Se em P for colocada a carga ___› pontual q < 0, as cargas se


atraem.
__› Como q < 0, então E , em P, tem sentido oposto ao
de F e, e, isto é, de Q para P. Observando as duas situações,
Se em P for colocada a carga ___› q < 0, as cargas se repelem.
é possível___› verificar que, Q > 0, o sentido do vetor campo Como__› q < 0, segue-se que E em P tem sentido oposto ao
elétrico E em P é de Q para P, qualquer que seja o sinal da
de F e, isto é, de P para Q. Observe agora
___› que, sendo Q <
carga de prova.
0, o sentido do vetor campo elétrico E em P é de P para Q.

___›
O campo elétrico E produzido por uma carga posi- ___›
O campo elétrico E produzido por carga negativa fixa
tiva fixa é de afastamento (divergente) em qual-
é de aproximação (convergente) em qualquer ponto.
quer ponto.

VETORES CAMPO ELÉTRICO PRODUZIDO POR Q > 0 FIXA VETORES CAMPO ELÉTRICO PRODUZIDO POR Q < 0 FIXA

112
4. CAMPO ELÉTRICO DE VÁRIAS k0 · |Q|
E = __
d2
CARGAS PUNTIFORMES FIXAS Substituindo os valores, tem-se:
Considere as cargas puntiformes fixas Q1, Q2..., Qn. Caso a 9 · 109 · 12
E = __
carga___›Q1 estivesse sozinha, originaria em P o campo elé- 22
___› Q2 estivesse sozinha, originaria em P o
trico E 1. Se a carga Assim:
campo elétrico E 2, e assim por diante,
___› até Qn que, sozinha, E = 2,7 · 1010 N/C
originaria em P o campo elétrico E n.
Calculando o valor do campo elétrico produzido pela
carga B:
9 · 109 · 20
E = __
22
Assim:
E = 4,5 · 1010 N/C
Lembre-se de que, para cargas positivas, o campo tem sen-
tido divergente à carga; para cargas negativas, o campo
tem sentido convergente à carga, ou seja:
___›
O campo elétrico resultante E R em P, devido
a várias___ cargas Q1, Q2, ..., Qn, é dado pela soma veto-
› ___› ___

rial de E 1,E 2, ...,E n, na qual cada campo elétrico parcial
é determinado como se a carga correspondente esti-
vesse sozinha:
___› ___› ___› ___›
E R = E 1 + E 2 + ... + E n
Esse é o princípio da superposição dos campos elé-
tricos.

Aplicação do conteúdo
1. Represente abaixo, separadamente, os vetores 2. Sabendo-se que o vetor campo elétrico no ponto A é
campo elétrico produzidos por duas cargas QA = 12 nulo, a relação entre d1 e d2 é:
C e QB = –20 C, no ponto P, situado a 2 m de distân- q
cia de ambas as cargas.

d1
__
a) = 4.
d2
d1
__
b) = 2.
d2
d1
__
c) = 1.
d2
d1 __
d) __ = 1.
Resolução: d2 2
Calculando o valor do campo elétrico produzido pela d1 __
e) __ = 1.
carga A: d2 4

113
Resolução: Sendo E-q o campo produzido pela carga –Q, e Eq o campo
produzido pela carga +Q.
Para que as distâncias sejam encontradas, é preciso anali- Decompondo-se os campos, obtém-se:
sar os campos elétricos no ponto A gerado por cada carga.
Se o campo no ponto A é nulo, isso significa que os campos
de A e B possuem o mesmo módulo e direção, mas em
sentidos opostos.
Sendo Ed1 e Ed2, os campos produzidos pela carga +4q e
+q, respectivamente, temos:
Ed1 = Ed2
Lembrando que:
Substituindo:
|E–q| = |Eq|
k · |+q|
k0 · |+4q| ________
________
2
= 0 2 Calculando o módulo de Eq:
d1 d2
Simplificando: k0 · 125 · 10-6
Eq = ________
d2
+4q ________
________ +q
2
= 2 Por Pitágoras, é possível descobrir que d = 5 cm, segue então:
d1 d2
9 · 109 · 125 · 10-6
Eq = __
Logo: (5 · 10-2)2
d12
__ Terminando os cálculos, tem-se:
=4
d22 Eq = 45 · 107 N/C
d1
__ =2 Calculando as componentes, temos:
d2
Eqy = E–qy = Eq · sen(a) e Eqx = E–qx = Eq · cos(a)
Alternativa B
Analisando os sentidos, observa-se que as componentes ho-
3. Duas cargas puntiformes no vácuo, de mesmo valor rizontais se anulam, enquanto as verticais são somadas, logo:
Q = 125 μC e de sinais opostos, geram campos elétricos
no ponto P (vide figura). Qual o módulo do campo elé-
ER = 2 · Eqy
trico resultante, em P, em unidades de 107 N/C? Substituindo:
ER = 2 · Eq · sen(a)
Sabendo que o sen(a) = 3/5, temos:
ER = 2 · 45 · 107 · __3
5 ()
Concluindo, temos:
ER = 54 · 107 N/C

Resolução:
Para o cálculo do valor do campo elétrico resultante no
5. LINHAS DE FORÇA ___›
ponto P, é preciso somar, vetorialmente, os campos produ- A cada ponto de um campo elétrico associa-se um vetor E .
zidos por –Q e +Q . Esse campo elétrico pode ser representado
___› desenhando-se
Esquematizando os vetores, segue: um número conveniente de vetores E , conforme indicado
na figura a seguir:

114
Um campo elétrico também pode ser representado utili-
zando linhas de força.

As linhas de força são linhas tangentes, em cada pon-


to, ao vetor campo elétrico naquele ponto. O sentido
de orientação é o mesmo do campo elétrico.

DUAS CARGAS PUNTIFORMES DE SINAIS OPOSTOS E MÓDULOS DIFERENTES

As linhas de força em uma determinada região represen-


___›
tam, aproximadamente, a direção e sentido do vetor E nes-
sa região.
As figuras a seguir mostram linhas de força de alguns cam-
DUAS CARGAS PUNTIFORMES DE MESMO MÓDULO E POSITIVAS.
pos elétricos particulares:
EM N, O VETOR CAMPO ELÉTRICO É NULO.

CARGA PUNTIFORME Q > 0.


AS LINHAS DE FORÇAS PARTEM DAS CARGAS POSITIVAS.

DUAS CARGAS PUNTIFORMES DE MESMO MÓDULO E DE SINAIS OPOSTOS

O número de linhas de força por unidade de área é


proporcional à quantidade de carga elétrica do corpo
ou partícula.

Aplicação do conteúdo
1. Observe o desenho das linhas de força do campo ele-
CARGA PUNTIFORME Q < 0. trostático gerado pelas pequenas esferas carregadas
AS LINHAS DE FORÇAS CHEGAM ÀS CARGAS NEGATIVAS. com cargas elétricas e.
Quanto maior for o módulo da carga que origina o campo
elétrico, maior será o número de linhas de força. Na figura
a seguir, o módulo da carga positiva é maior que o da carga
negativa. Nas regiões em que as linhas estão mais próxi-
mas, a concentração de linhas de força é maior e o campo
elétrico é mais intenso. O campo elétrico é mais intenso
em A do que em B, por exemplo. No ponto N, o campo
elétrico é nulo.

115
a) Qual é o sinal do produto QA · QB?
b) Em que ponto, C ou D, o vetor cam-
po elétrico resultante é mais intenso?
Resolução:
a) Observando a figura, é possível notar que as
linhas de campo saem de QA e entram em QB.
Assim, a carga QA é positiva, e QB é negativa.
Portanto, o produto entre suas cargas resul-
tará num valor negativo. Assim, QA · QB < 0.
b) No ponto C, o vetor campo elétrico é mais
intenso, pois ele se encontra numa região em que as multimídia: vídeo
linhas de campo são mais próximas umas das outras.
FONTE: YOUTUBE
Física Geral III - Aula 2 - Campo Elétrico - Parte 1

ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

Habilidade
Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter-
21 modinâmica e/ou do eletromagnetismo.

Fenômenos eletromagnéticos estão presentes no cotidiano do mundo moderno. Desde a Segunda Revolução
Industrial, a eletricidade tomou conta da vida das pessoas. Entretanto, ainda trata-se de uma área mais abstrata
da física, uma vez que o objeto de estudo é pequeno demais aos olhos. A habilidade 21 cobra justamente que
o estudante seja capaz de perceber, relacionar e interpretar os fenômenos eletromagnéticos cotidianos e trazer
à luz a verdade por meio de respostas científicas.

Modelo 1
(Enem) Em museus de ciências, é comum encontrarem-se máquinas que eletrizam materiais e geram intensas descar-
gas elétricas. O gerador de Van de Graaff (Figura 1) é um exemplo, como atestam as faíscas (Figura 2) que ele produz.
O experimento fica mais interessante quando se aproxima do gerador em funcionamento, com a mão, uma lâmpada
fluorescente (Figura 3). Quando a descarga atinge a lâmpada, mesmo desconectada da rede elétrica, ela brilha por
breves instantes. Muitas pessoas pensam que é o fato de a descarga atingir a lâmpada que a faz brilhar. Contudo, se
a lâmpada for aproximada dos corpos da situação (Figura 2), no momento em que a descarga ocorrer entre eles, a
lâmpada também brilhará, apesar de não receber nenhuma descarga elétrica.

116
A grandeza física associada ao brilho instantâneo da lâmpada fluorescente, por estar próxima a uma descarga elétri-
ca, é o(a):
a) carga elétrica.
b) campo elétrico.
c) corrente elétrica.
d) capacitância elétrica.
e) condutividade elétrica.

Análise expositiva 1 - Habilidades 21: Talvez pelo fato de ser um assunto mais abstrato em comparação
B a outros da Física, o eletromagnetismo, quando cobrado, possui um viés mais teórico que outros assuntos
abordados. Essa questão é de rápida resolução e cobra do aluno a capacidade de identificar o fenômeno
físico corretamente.
O campo elétrico gerado pelos corpos eletrizados faz com que as partículas existentes no interior das lâmpadas mo-
vam-se, chocando-se umas com as outras, emitindo luz.
Alternativa B

Modelo 2
(Enem) Durante a formação de uma tempestade, são observadas várias descargas elétricas, os raios, que podem
ocorrer: das nuvens para o solo (descarga descendente), do solo para as nuvens (descarga ascendente) ou entre uma
nuvem e outra. As descargas ascendentes e descendentes podem ocorrer por causa do acúmulo de cargas elétricas
positivas ou negativas, que induz uma polarização oposta no solo.

Essas descargas elétricas ocorrem devido ao aumento da intensidade do(a):


a) campo magnético da Terra.
b) corrente elétrica gerada dentro das nuvens.
c) resistividade elétrica do ar entre as nuvens e o solo.
d) campo elétrico entre as nuvens e a superfície da Terra.
e) força eletromotriz induzida nas cargas acumuladas no solo.
Análise expositiva 2 - Habilidades 21: Excelente questão, pois cobra do aluno a explicação de um fe-
D nômeno natural muito comum, que é a ocorrência de relâmpagos. O estudante deve ser capaz de explicar
cientificamente o fato, utilizando-se dos seus conhecimentos em eletricidade.
O aumento do campo elétrico entre as nuvens e o solo favorece o deslocamento de partículas carregadas (íons) que
causam as descargas elétricas.
Alternativa D

117
DIAGRAMA DE IDEIAS

CARGA
ELÉTRICA

DEPENDE DO INVERSO
GRANDEZA
CAMPO ELÉTRICO DA DISTÂNCIA AO
VETORIAL
QUADRADO

CARGA NEGATIVA CARGA POSITIVA

CAMPO CAMPO
CONVERGENTE DIVERGENTE

118
FORÇA ELÉTRICA E
AULAS
CAMPO ELÉTRICO
7E8
COMPETÊNCIAS: 5e6 HABILIDADES: 17 e 20

__› ___›
1. FORÇA ELÉTRICA E Observe que F e e E são grandezas
__› físicas diferentes,
___› ainda
que sejam grandezas vetoriais: F e é força e E é vetor campo
CAMPO ELÉTRICO elétrico.

Como foi visto nas aulas anteriores, se houver uma distri-


buição de partículas, a força resultante que atua sobre uma
partícula é a soma vetorial de todas as forças individuais
que atuam sobre a partícula. Da mesma forma, se hou-
ver uma distribuição de partículas, o campo resultante é a
soma vetorial dos campos individuais.
O módulo da força elétrica entre duas partículas é dado por: Aplicação do conteúdo
1. Uma partícula carregada com uma carga de 5 C está
imersa num campo elétrico de 10 N/C. Qual é o módulo
da força que irá atuar na partícula?

E o módulo do campo criado por uma partícula é dado pela Resolução:


expressão: Para o cálculo da força, é preciso utilizar a fórmula de rela-
ção entre força elétrica e campo elétrico:
F=q·E

Substituindo pelos valores do exercício, obtém-se:


O campo elétrico existe independentemente da carga de pro-
va. Ele só depende da carga Q que origina o campo, porém só F = 5 · 10
é possível perceber a existência dele quando é colocada uma Assim:
carga de prova q e constatada a existência da força elétrica.
F = 50 N
No entanto, a relação entre força e campo elétrico tende a
facilitar o processo. Caso seja conhecido o campo resultan- 2. Uma carga elétrica puntiforme com carga de 4,0 C é
te num determinado ponto, o cálculo para se conhecer a colocada em um ponto P do vácuo e fica sujeita a uma
força elétrica de intensidade 1,2 N. O campo elétrico
força resultante nesse ponto se torna muito mais simples.
nesse ponto P tem intensidade de:

Resolução:

Para o cálculo do campo, é preciso utilizar a fórmula de


relação entre força elétrica e campo elétrico:
Assim como a força elétrica, o campo elétrico é uma gran-
F=q·E
deza vetorial. Os dois sempre terão a mesma direção, mas
o sentido depende do sinal da carga de prova q. Substituindo pelos valores do exercício, obtém-se:

1,2 = 4 · E
Assim:
F = 0,3 N/C

119
2. CAMPO ELÉTRICO UNIFORME (CEU)
___›
Campo elétrico uniforme é aquele em que o vetor E é o
mesmo em todos os___› pontos. Dessa forma, em cada ponto
do campo, o vetor E tem a mesma intensidade, a mesma
direção e o mesmo sentido.
As linhas de força de um campo elétrico uniforme são retas
paralelas igualmente espaçadas e com o mesmo sentido.

E E E
multimídia: vídeo
E E E
FONTE: YOUTUBE
Força Elétrica E E

LINHAS DE FORÇA DE UM CAMPO UNIFORME

É possível criar um campo uniforme com duas placas


eletrizadas com cargas elétricas de sinais opostos.
Para que isso ocorra, a distância entre as placas deve
ser muito pequena comparada com suas dimensões.

multimídia: vídeo
FONTE: YOUTUBE
A Lei de Coulomb (atração e re-
pulsão) entre duas cargas...
CAMPO ELÉTRICO UNIFORME ENTRE DUAS PLACAS ELETRIZADAS

Aplicação do conteúdo
___›
1. Considere o campo elétrico uniforme, E , representa-
do pelo conjunto de linhas de força na figura a seguir.
Sobre o campo elétrico nos pontos A, B e C, marcados
com o sinal, é correto afirmar que:

multimídia: sites
educacao.uol.com.br/disciplinas/fisica/eletriza-
cao-eletrizacao-por-atrito-contato-e-inducao.htm
www.efeitojoule.com/2008/04/eletrizacao- a) é mesmo em todos os pontos;
-condutores-e-isolantes.html b) o campo elétrico do pon-
mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/proces- to A é igual ao do ponto B;
sos-eletrizacao.htma c) o campo elétrico do pon-
mundoeducacao.bol.uol.com.br/fisica/condu- to A é igual ao do ponto C;
tores-isolantes-eletricos.htm d) o campo elétrico do ponto B é
educacao.globo.com/fisica/assunto/eletromag- maior que o do ponto C;
netismo/forca-eletrica-e-campo-eletrico.html e) o campo elétrico do ponto A é me-
nor que o do ponto B.

120
Resolução: 2.º caso: a carga é lançada
Por definição, um campo elétrico uniforme é um campo perpendicularmente às linhas de força
que tem a mesma intensidade em todos os pontos. →
E
Alternativa A

V0

2.1. Movimento de uma carga q + →

elétrica puntiforme num CEU F



E

1.º caso: a carga é lançada →


V0
paralelamente às linhas de força
ou abandonada do repouso → − q
F

E Nesse caso, a carga executará um lançamento horizontal.

3.º caso: a carga é lançada


obliquamente às linhas de força
q
+ → + y

m v0 v hmáx → →
E g
A B +

V0 →
P

F

q α
Considere uma partícula de massa m, eletrizada com carga +
0 A x
elétrica q, a partir do repouso ou lançada com velocidade
v0 do ponto A, como mostra a figura. Sobre a carga atuará Nesse caso. a carga executará um lançamento oblíquo.
uma força F de intensidade F = IqI ∙ E. Pela segunda lei de
Newton, FR = m ∙ a. Aplicação do conteúdo
Então, IqI ∙ E = m ∙ a Ÿ a = rIqI ∙ __ E
m 1. Uma carga elétrica puntiforme q = 4 μC, cuja massa
é m = 2 ∙ 10– 6 kg, é abandonada, a partir do repouso,
Analisando a fórmula acima, é possível perceber que a ace-
num ponto P de um campo elétrico uniforme de módulo
leração é constante e que a partícula executará um MRUV. E = 2 ∙ 105 N/C, conforme a figura. Determine:
Notas: a) o módulo da força elétrica que age na carga elétrica;
1. v = v0 + a ∙ t; b) a aceleração do movimento da carga elétrica q;
2
t ;e c) a velocidade da carga elétrica q ao passar por Q,
S = S0 + v0 ∙ t + a ∙ __ distante 20 cm de P.
2
v2 = v02 + 2 ∙ a ∙ 'S Despreze as ações gravitacionais.

2. Análise do sinal da aceleração. E

Considere o eixo referencial do movimento, orientado no q, m, v0 = 0


sentido do campo elétrico. P Q
A aceleração será positiva para cargas elétricas positivas
d
que se deslocam no sentido positivo do eixo ou para car-
gas elétricas negativas que se deslocam no sentido nega-
tivo do eixo. Resolução:
a) Sendo a carga elétrica positiva, implica que a força elétri-
A aceleração será negativa para cargas elétricas posi- ca tem o mesmo sentido que o campo elétrico. O módulo
tivas que se deslocam no sentido negativo do eixo ou da força elétrica que atua na carga elétrica q é dado por:
para cargas elétricas negativas que se deslocam no sen- F = IqI ∙ E Ÿ F = 4 ∙ 10– 6 ∙ 2 ∙ 105 Ÿ
tido positivo do eixo. ŸF = 8 ∙ 10–1 N Ÿ F = 0,8 N

121
b) Pelo Princípio Fundamental da Dinâmica, FR = m ∙ a.
F
Sendo a força elétrica a força resultante que atua na car- tgθ = __e
ga elétrica, tem-se: P
E
a = r IqI ∙ __ 105
___
m Ÿ a = 4 ∙ 10 ∙ 2 ∙ 2 ∙ 10 Ÿ
–6 6

a = 4 ∙ 105 m/s2
θ θ
c) Sendo o movimento da carga elétrica um MRUV, é
possível aplicar a equação de Torricelli: T
P
vQ2 = vP2 + 2 ∙ a ∙ DS Ÿ
ŸvQ2 = 0 + 2 ∙ 4 ∙ 105 ∙ 0,2 Ÿ T

ŸvQ = 4 ∙ 102 m/s A


Fe
Fe
A

3. PÊNDULO ELETROSTÁTICO
P

Essa relação trigonométrica entre a força elétrica e o peso é


Como foi visto, dois corpos carregados com cargas opostas uma poderosa informação, pois simplifica significativamen-
se atraem. Considere dois corpos esféricos idênticos (de te a resolução dos exercícios. Um raciocínio semelhante po-
mesma massa m) A e B, presos por fios ideais e isolantes deria ser realizado caso as cargas fossem de sinais iguais e
carregados com cargas de mesmo módulo, mas de sinais houvesse repulsão ou se fosse informado o campo elétrico.
opostos. Quando próximos a eles, passa a atuar em cada
um uma força elétrica. No entanto, já atuavam, e conti- Aplicação do conteúdo
nuam atuando, a força peso, uma vez que o corpo possui 1. Um pêndulo simples, cuja extremidade inferior é com-
massa e está imerso no campo gravitacional terrestre, e a posta por um corpo de massa “m“ e carga elétrica posi-
força tensora no fio, pois o fio está tencionado. tiva “q“, está imerso em um campo elétrico uniforme de
intensidade “E“, conforme a ilustração a seguir. Conside-
re como “g“ o módulo da aceleração da gravidade local.

A B
A B

Primeiramente, deve-se indicar cada força que atua


em cada corpo. A força peso é dada pela fórmula
k0 |Q1| · |Q2| a) Represente, em uma figura, todas as forças
P = m · g, e a força elétrica é dada por Fe =_________ . que atuam sobre o corpo de massa “m“.
d2
b) Expresse, em termos das grandezas “m“,
“q“, “E“ e “g“, se o ângulo é correspon-
dente à situação de equilíbrio acima.
Resolução:

T T
a) Seguem as forças que estão sen-
do aplicadas no corpo:
Fe Fe
A B
A P P
B
Assim, no equilíbrio, a soma das forças será nula, e é pos-
sível afirmar que o módulo da força tensora é igual ao mó-
dulo da soma vetorial da força elétrica e da força peso.
______
T = √ P2 + Fe2

No equilíbrio, o fio e a horizontal formam um ângulo fixo b) A soma da força P com a força elétrica resultará
θ. Utilizando as relações métricas no triângulo retângulo, é em uma força que irá igualar a força T em módu-
possível escrever que: lo. Por geometria, não é difícil visualizar que:

122
Fel Resolução:
tan(θ) = __
P
Logo: De modo análogo à solução anterior, tem-se:
E·q
tan(θ) = ____

Então:
m·g
( )
E·q
θ = arctan ____
m·g
Além disso, sabe-se que:

( )
E·q
θ = arctan ____
m·g
k0 · |q|
E = _____
d2
2. Duas bolinhas iguais, de material dielétrico, de massa
m, estão suspensas por fios isolantes de comprimento 1
k0 = _______
L, presos no ponto P (ver a figura a seguir). 4 · π · «0
Substituindo a segunda e a terceira equações na primeira,
obtém-se:

(
θ = arctan ____2
q2
4 · π. «0 · m · g · d )

As bolinhas são carregadas com cargas “q”, iguais em mó-


dulo e sinal, permanecendo na posição indicada. Calcule o multimídia: vídeo
ângulo θ em função de “m”, “g”, “q”, “d” e «0 (permissi- FONTE: YOUTUBE
vidade elétrica do ar). Péndulo eletrostático

DIAGRAMA DE IDEIAS

CARGAS
ELÉTRICAS

DEPENDEM DO INVERSO
GRANDEZA
CAMPOS ELÉTRICOS DO QUADRADO
VETORIAL
DA DISTÂNCIA

NA PRESENÇA DE
OUTRA CARGA:
FORÇA ELÉTRICA

123
AULAS Potencial elétrico
9 e 10
Competências: 5e6 Habilidades: 17 e 20

1. Energia potencial elétrica q = +3,0 nC = 3,0 ∙ 10–9 C  

A seguir, serão estudadas duas grandezas associadas a um Q = +4,0 mC = +4,0 ∙ 10–6 C  
campo vetorial conservativo: energia potencial elétrica
d = 2,0 cm = 2,0 ∙ 10–2 m
e potencial elétrico. Em um campo elétrico conservativo,
o trabalho realizado ao se mover uma carga de prova in- k ⋅Q⋅q 4,0 ∙ 10–6 ⋅ 3,0 ∙ 10–9
Epot =_______
​  0  ​  = (9,0 ∙ 109)_________________
  
​      ​ =
depende da trajetória realizada pela carga; com efeito, ele d 2,0 ∙ 10–2
depende apenas da posição inicial e final da carga. 5,4 ∙ 10–3 J.
Considere um sistema formado por uma carga elétrica A carga de prova possui energia potencial de 5,4 ∙ 10–3 J.
pontual Q (carga fonte) e uma carga de prova q, separadas É possível dizer também que a energia potencial elétrica
pelas distancia d. associada ao par de cargas q e Q vale 5,4 ∙ 10–3 J.
A energia potencial elétrica para esse sistema formado
pelo par de cargas é: 2. Potencial elétrico
§ proporcional ao produto das duas cargas, Q e q; Uma carga elétrica isolada Q (chamada de carga fonte)
§ inversamente proporcional à distância d entre as cargas. gera à sua volta um campo elétrico. Considere um ponto P,
fixo próximo à carga fonte, como na figura a seguir. Con-
Considerando que a energia potencial é zero no infinito, no
referencial adotado, a energia potencial vale: sidere também que uma carga de prova q seja trazida do
infinito até o ponto P.
Q
Epot = k0 ∙ __
​   ​  q
d

Como ensina a Mecãnica, a unidade de energia no Sl


é o joule (J). Como foi visto, a energia potencial da carga de prova é
Epot. O potencial elétrico V associado ao ponto P é a
Nesse sistema composto por somente uma carga fonte (Q), grandeza escalar dada por:
a equação acima relaciona a energia potencial da carga de Epot
prova q em relação à carga Q. V = ___
​  q ​ 

Aplicação do conteúdo
A unidade de potencial elétrico no SI é o volt, homenagem
1. No vácuo, uma carga de prova q = +3,0 nC está a uma ao pesquisador italiano Alessandro Volta (1745-1827).
distância de 2,0 cm de uma carga fonte Q = +4,0 mC.
Determine a energia potencial da carga de prova. (k0 = Assim, as unidades volt, joule e coulomb estão relaciona-
9,0 ∙ 109 unidades SI). das por:
Resolução: 1 joule
1 volt = ​ ________   ​ 
Para aplicar a equação, é preciso ter todas as unidades 1 coulomb
no SI:

88
Em geral, a grandeza física potencial é simbolizada pela equação. Dessa forma, o potencial elétrico no ponto P não
letra V. Atente-se para não confundir com a respectiva uni- depende da carga de prova. Se o ponto P estiver no infinito,
dade, o volt, também simbolizado por V. a distância d é infinita e o potencial no infinito é nulo.
É importante ressaltar que:
§ O potencial elétrico é definido para um ponto P próxi-
mo a uma carga elétrica (carga fonte Q).
§ O potencial elétrico é uma grandeza escalar e pode ser
positivo ou negativo, conforme o sinal da carga fonte Q.

Q>0⇔V>0
Q<0⇔V<0

multimídia: vídeo Aplicação do conteúdo


Fonte: Youtube 1. Considere uma carga elétrica Q = +8,0 µC no vácuo.
Energia potencial elétrica Determine o potencial elétrico no ponto P distante 4,0
cm da carga fonte.

Resolução:
2.1. Potencial elétrico gerado Inicialmente, é necessário deixar todas as unidades no SI:
por uma carga elétrica pontual Q = +8,0 µC = +8,0 ∙ 10–6 C
Considere novamente o sistema de cargas formado por
d = 4,0 cm = 4,0 ∙ 10–2 m
uma carga fonte Q e uma carga de prova q, separadas por
uma distância d, como na figura a seguir. A carga de prova Substituindo na equação do potencial elétrico, tem-se:
q possui energia potencial elétrica dada pela equação: Q +8,0 · 10-6
Vp = k0 __
​   ​ = (9,0 ∙ 109) _________
​  = +18 ∙ 105 V ⇒
 ​ 
d 4,0 · 10-2
Vp = +1,8 ∙ 106 V

O potencial elétrico é uma grandeza escalar, e, portanto,


Q⋅q basta dizer que no ponto P ele vale 1,8 ∙ 106 V. Não há di-
Epot = k0 ____
​   ​   reção e nem sentido para serem especificados. O potencial
d
elétrico representa um nível de energia no ponto P.
2. (UEG) Uma carga Q está fixa no espaço; a uma distân-
O potencial elétrico no ponto P, pela definição, é dado por:
cia d dela existe um ponto P, no qual é colocada uma
Epot carga de prova q0. Considerando-se esses dados, verifi-
V = ​ ___
q ​ ⇒ ca-se que no ponto P:
a) O potencial elétrico devido a Q diminui com in-
Epot = q ⋅ V verso de d.
b) A força elétrica tem direção radial e aproximando
de Q.
Igualando o termo da energia potencial das duas equa- c) O campo elétrico depende apenas do módulo da
ções, obtém-se: carga Q.
q⋅Q d) A energia potencial elétrica das cargas depende
q ⋅ V = k0 ____
​   ​  ⇒ com o inverso de d2.
d
Q Resolução:
V = k0 __
​   ​ 
d Com as expressões de força elétrica, campo elétrico, poten-
cial elétrico e energia potencial elétrica abaixo, é possível
Essa equação representa o potencial elétrico gerado pela tecer algumas considerações sobre as alternativas expostas.
carga fonte no ponto P, distante d da carga fonte. Note O potencial elétrico de uma carga puntiforme é dado pelo
que a carga de prova q foi cancelada e não aparece na produto do campo elétrico pela distância à carga geradora

89
Q Q
V = E ∙ d = k0 __
​  2  ​∙ d ⇒ V = k0 __
​   ​.  Q = 8,0 pC = 8,0 ∙ 10–12 C;
d d
Q ∙ q d = 2,0 mm = 2,0 ∙ 10–3 m.
A força elétrica, dada pela lei de Coulomb Fe = k0_____
​  2 ​,0  
d Então, pela equação do potencial, calcula-se V:
tem a direção da reta que une os centros das duas cargas,
podendo ter o sentido de afastamento, caso as cargas se- Q 8,0 ∙ 10–12
V = k0 __
​   ​ = 9,0 ∙ 109 ∙ _________
​  ⇒
 ​  
jam de mesmo sinal (repulsão), ou de aproximação (atra- d 2,0 ∙ 10–3
ção), caso as cargas sejam de sinais contrários. Alternativa
​ 72 ∙ 10  ​  
–3
⇒ V = ________ ⇒ V = 36 V

[B] incorreta. 2,0 ∙ 10–3
O campo elétrico é a razão entre a força e a carga de prova b) A energia potencial é dada por:
Fe Q Epot = q ⋅ V.
E = __ __
q​  0 ​ = k0 d​  2  ​. Assim, ele não depende apenas da carga Q,
mas também da distância entre as cargas. Alternativa [C] Sendo q = 5,0 ∙ 10–12 C, tem-se:
incorreta.
Epot = 5,0 ∙ 10–12 ∙ 36 = 180 ∙ 10–12 ⇒
A energia potencial elétrica é dada pelo produto do po-
⇒ Epot = 1,8 ∙ 10–10 J
tencial elétrico e a carga de prova, então Ep = q0 ∙ V = q0 ∙
Q k ∙ Qq
k0 __
​   ​ ⇒ Ep = ______
​  0  ​.0  A alternativa [D] está incorreta, pois
d d 2.2. Potencial elétrico de
a dependência é com o inverso de d.
diversas cargas elétricas
Alternativa A
Foi visto como calcular o potencial elétrico de uma carga.
Agora, considere que, em uma certa região do espaço, esté
2. 1. 1. Comparações entre o campo um conjunto de n partículas eletrizadas com cargas elétricas
elétrico e o potencial elétrico Q1, Q2,..., Qn. Juntas, essas cargas geram um campo elétrico
§ Ambos são gerados por uma carga fonte Q e aplicam- nessa região. Considere também um ponto P fixo próximo a
-se a um ponto P, distante d da carga fonte. essas partículas. Calcule o potencial elétrico resultante nesse
ponto P. Para isso, siga o seguinte procedimento:
§ O potencial elétrico em P é uma grandeza escalar, en-
quanto o campo elétrico é vetorial, isto é, tem módulo,
direção e sentido.
§ O potencial elétrico depende do sinal da carga gera-
dora (pode ser positivo ou negativo); o campo elétrico,
porém, só depende do módulo dessa carga.

§ O potencial elétrico varia com o inverso da distância ​__


d (  )
​ 1 ​  ​,
e o módulo do campo elétrico varia com o inverso do
quadrado da distância ​__ (  )
​  1  ​   ​.
d2
§ O campo elétrico está relacionado com a força elétrica,
enquanto o potencial elétrico está relacionado com a 1. Calcule o potencial que cada uma das cargas elétricas
energia potencial elétrica. gera em P isoladamente. Esse potencial é dado pela equa-
ção do potencial vista anteriormente:
Aplicação do conteúdo
Q
1. Uma partícula eletrizada com carga elétrica V = k0 __
​   ​  
Q = 8,0 pC está em um meio onde é criado vácuo. Ado- d
tando-se k0 = 9,0 ∙ 109 unidade SI, determine:
A distância d é variável e corresponde à distância de cada
a) O potencial elétrico no ponto P distante 2 mm da
carga elétrica Q. uma das cargas até o ponto P.
b) A energia potencial adquirida por uma segunda 2. Por ser uma grandeza escalar, o potencial resultante no
partícula dotada de carga elétrica q = 5,0 ∙ 10–12 C ponto P é “cumulativo”, ou seja, é dado pela soma dos
colocada no ponto P.
potenciais de cada uma das cargas que o geram. Dessa
Resolução: forma, somando todos os potenciais obtidos pelo cálculo
a) É preciso ajustar as unidades: anterior, obtém-se o potencial resultante Vres:

90
Vres = V1 + V2 + V3 + ... + Vn

Aplicação do conteúdo
multimídia: vídeo
1. Duas partículas eletrizadas com cargas elétricas Q1 =
4,0 ∙ 10–7 C e Q2 = –2,0 ∙ 10–7 C estão fixas nos extremos Fonte: Youtube
do segmento AB, cujo ponto médio é M. Mapeamento de equipotenciais de terminais
Conjunto de superfícies equipotenciais
lineares

Geralmente, uma superfície equipotencial é uma superfície


Usando k0 = 9,0 ∙ 10+9 Vm/C, determine: complicada. Para facilitar a visualização, será apresentada
a) o potencial elétrico no ponto M gerado por cada apenas a intersecção dessa superfície com o plano da fo-
uma das cargas; lha, obtendo as linhas equipotenciais.
b) o potencial elétrico resultante no ponto M.
Para um carga puntiforme, as equipotenciais são superfícies
Resolução: esféricas concêntricas. Assim, a intersecção com o plano da
a) O potencial de cada uma das cargas em M é cal-
Q folha resulta em círculos concêntricos. Na figura a seguir, es-
culado usando a equação V = k0 __
​   ​  , em que d = 2,0
cm = 2,0 ∙ 10–2 m. d tão representadas as equipotenciais em torno de uma carga
elétrica pontual Q. Os pontos A, B e C estão na mesma equi-
Para a carga Q1 = +4,0 ∙ 10–7 C, tem-se: potencial, e, portanto, seus potenciais são iguais:
+4,0 ∙ 10-7
V1 = 9,0 ∙ 109 ∙ __________
​  = +18 ∙ 104 ⇒ ⇒ V1 =
 ​ 
  VA = VB = VC = +10 V
2 ∙ 10–2
+1,8 ∙ 105 V

Para a carga Q2 = –2,0 ∙ 10–7 C, tem-se:

​ –2 ∙ 10 ​  
–7
V2 = 9,0 ∙ 109 ∙ _________ = –9 ∙ 104 ⇒
2 ∙ 10–2
⇒ V2 = –9,0 ∙ 104 V
b) O potencial elétrico resultante no ponto M é dado
pela soma dos dois valores anteriores: VM = V1 + V2
(levando-se em conta os sinais).
Para facilitar a conta, são expressados os dois valores na
mesma potência 104:
VM = (+18 ∙ 104) + (–9,0 ∙ 104) ⇒
Linhas de equipotenciais de uma carga pontual Q positiva
⇒ VM = +9,0 ∙ 104 V
Quando as linhas de força aparecem juntamente com as
linhas equipotenciais, ambas devem formar um ângulo
3. Equipotenciais reto em cada cruzamento, uma vez que são sempre per-
pendiculares.
São denominadas de equipotenciais as linhas ou superfí-
cies imaginárias cujos pontos possuem o mesmo potencial. As linhas de força de um campo elétrico uniforme são retas
Em geral, as representações de campo elétrico são feitas paralelas. As linhas equipotenciais são, assim, perpendicu-
por um conjunto de superfícies equipotenciais. lares a cada uma delas. Nesse caso, as equipotenciais são
paralelas entre si.

91
08) dois objetos eletrizados por contato são afasta-
dos um do outro por uma distância D. Nesta situa-
ção, podemos afirmar que existe um ponto entre eles
onde o vetor campo elétrico resultante é zero;
16) o meio em que os corpos eletrizados estão imer-
sos tem influência direta no valor do potencial elétri-
co e do campo elétrico criado por eles.
Campo elétrico uniforme. As linhas de força estão representadas Resolução:
por linhas cheias, e as linhas equipotenciais por linhas tracejadas
01) Falsa. As cargas somente se distribuem unifor-
Nas figuras abaixo, é possível identificar dois casos particu- memente pela superfície de um corpo eletrizado se
lares. O campo elétrico é gerado por duas cargas elétricas ele for de material condutor perfeitamente esférico e
do mesmo módulo. estiver em equilíbrio eletrostático.
02) Falsa. São as cargas negativas, isto é, os elétrons
Em ambas as figuras, convenciona-se que: são transferidos de um corpo para outro por meio da
§ linhas cheias são linhas de força; eletrização por atrito.
04) Falsa. Pelo contrário, dias úmidos prejudicam a
§ linhas tracejadas são linhas equipotenciais. eletrização dos corpos devido ao excesso de umidade
do ar, que funciona como se fosse um fio terra, des-
carregando os corpos mais rapidamente através das
moléculas polares da água na fase vapor.
08) Verdadeira. Quando se faz eletrização por conta-
to, depois de separadas as cargas assumem o mesmo
sinal de carga elétrica; com isso, o vetor campo elétrico
se anula em um ponto entre os dois corpos eletrizados.
16) Verdadeira. Tanto o potencial elétrico como o
campo elétrico são influenciados pelo meio em que
Campo elétrico de duas cargas elétricas opostas estão imersos, basta verificar a presença da constante
eletrostática do meio (k) nas equações de ambas.
Q Q
V = k __
​   ​ e E = k __
​  2  ​ 
d d
2. (Udesc) Ao longo de um processo de aproximação de
duas partículas de mesma carga elétrica, a energia po-
tencial elétrica do sistema:
a) diminui;
b) aumenta;
c) aumenta inicialmente e, em seguida, diminui.
d) permanece constante;
e) diminui inicialmente e, em seguida, aumenta.
Resolução:
Campo elétrico de duas cargas elétricas positivas
Sabendo que a energia potencial elétrica é dada por Ep
k∙Q∙q
= ​  ______
 ​,  
se a distância entre as partículas diminui, a
Aplicação do conteúdo d
energia potencial Ep aumenta.
1. (UFSC) O ato de eletrizar um corpo consiste em gerar
uma desigualdade entre o número de cargas positivas e Alternativa B
negativas, ou seja, em gerar uma carga resultante dife-
rente de zero. Em relação aos processos de eletrização
e às características elétricas de um objeto eletrizado, é 4. Gráfico do potencial elétrico
correto afirmar que:
Dada a expressão para o potencial elétrico de carga pun-
01) em qualquer corpo eletrizado, as cargas se distri- tiforme, sendo o potencial uma função da distância, V = V
buem uniformemente por toda a sua superfície; (d), tem-se:
02) no processo de eletrização por atrito, as cargas
positivas são transferidas de um corpo para outro; k ∙Q
04) em dias úmidos, o fenômeno da eletrização é poten- V(d) = _____
​  0  ​  

d
cializado, ou seja, os objetos ficam facilmente eletrizados;

92
Analisando o gráfico, é possível observar que, quanto mais
próximo à carga negativa, menor é o potencial elétrico; por
outro lado, quanto mais distante à carga elétrica negativa,
maior é o potencial elétrico.

4. 1. Linhas de força e potencial elétrico


Considere uma carga elétrica Q positiva (Q > 0). Considere
também que, quanto mais próximo a ela, maior é o valor
do potencial elétrico; por outro lado, enquanto mais dis-
multimídia: sites tante da carga, menor é o potencial elétrico. Assim, VA >
VB > VC. É sabido que, no campo elétrico, a carga positiva
puntiforme é divergente, ou seja, o campo é de afastamen-
pt.khanacademy.org/science/physics/electric- to. Dessa forma, o sentido da linha de força também é de
charge-electric-force-and-voltage afastamento, coincidentemente na mesma direção em que
www.estudopratico.com.br/potencial-eletrico- o potencial diminui.
historia-definicao-e-superficie-equipotencial/
www.tecnogerageradores.com.br/blog/saiba-
o-que-e-diferenca-de-potencial-eletrico-e- +
como-calcular/ Carga Q > 0

Para uma carga positiva (Q > 0), o gráfico do potencial em Sendo uma carga elétrica Q negativa (Q < 0), foi visto que,
função da distância à partícula é da seguinte forma: quanto mais próximo a ela, menor será o valor do poten-
cial elétrico; e, quanto mais distante da carga, maior será
o potencial elétrico. Assim, VA < VB < VC. É sabido que, no
campo elétrico, a carga puntiforme negativa é convergente,
ou seja, o campo é de aproximação. Dessa forma, o sentido
da linha de força também é de aproximação, coincidente-
mente na mesma direção em que o potencial diminui.

Carga Q < 0
(Q > 0)
De maneira geral, podemos dizer que:
Analisando o gráfico, é possível perceber que, quanto mais
próximo à carga positiva, maior é o potencial elétrico; e, O potencial elétrico diminui no mesmo sentido da li-
quanto mais distante da carga, menor é o potencial elétrico. nha de força.
Para uma carga negativa (Q < 0), todos os valores do po-
tencial elétrico serão negativos; Assim, o gráfico da função Por exemplo, analisando a figura a seguir:
do potencial elétrico em função da distância à partícula é
da seguinte forma:

Percebemos que o potencial elétrico é maior no ponto C do


(Q < 0) que no ponto B.

93
ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

Habilidade
Relacionar informações apresentadas em diferentes formas de linguagem e representação usadas nas ciências físi-
17 cas, químicas ou biológicas, como texto discursivo, gráficos, tabelas, relações matemáticas ou linguagem simbólica.

A habilidade 17 é quase onipresente nos exercícios da prova de ciências da natureza, uma vez que ela cobra do aluno a
capacidade de relacionar os fenômenos naturais com diferentes formas de linguagem, fórmulas matemáticas e a capaci-
dade de interpretação gráfica.

Habilidade
Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter-
21 modinâmica e/ou do eletromagnetismo.

A habilidade 21 cobra do aluno a capacidade de interpretar os processos naturais ou tecnológicos relacionados ao eletro-
magnetismo e termodinâmica. De forma abrangente esta habilidade cobra do aluno conhecimento em duas grandes
áreas. Por isso, talvez questões relacionadas ao eletromagnetismo tenham aparecido um pouco menos em provas anteri-
ores, salvo é claro a prova de 2017, na qual esteve muito mais presente.

Modelo
(Enem) As células possuem potencial de membrana, que pode ser classificado em repouso ou ação, e é uma estratégia
eletrofisiológica interessante e simples do ponto de vista físico. Essa característica eletrofisiológica está presente
na figura a seguir, que mostra um potencial de ação disparado por uma célula que compõe as fibras de Purkinje,
responsáveis por conduzir os impulsos elétricos para o tecido cardíaco, possibilitando assim a contração cardíaca.
Observa-se que existem quatro fases envolvidas nesse potencial de ação, sendo denominadas fases 0, 1, 2 e 3.

O potencial de repouso dessa célula é –100 mV e quando ocorre influxo de íons Na+ e Ca2+ a polaridade celular pode
atingir valores de até +10 mV o que se denomina despolarização celular. A modificação no potencial de repouso pode
disparar um potencial de ação quando a voltagem da membrana atinge o limiar de disparo que está representado
na figura pela linha pontilhada. Contudo, a célula não pode se manter despolarizada, pois isso acarretaria a morte

94
celular. Assim, ocorre a repolarização celular, mecanismo que reverte a despolarização e retorna a célula ao potencial
de repouso. Para tanto, há o efluxo celular de íons K+

Qual das fases, presentes na figura, indica o processo de despolarização e repolarização celular, respectivamente?
a) Fases 0 e 2.
b) Fases 0 e 3.
c) Fases 1 e 2.
d) Fases 2 e 0.
e) Fases 3 e 1.

Análise expositiva - Habilidade 17 e 21: Essa é uma excelente questão, onde o estudante é cobrado tanto na parte
B interdisciplinar, quanto na interpretação gráfica do potencial de membrana em relação ao tempo. o estudante deve
relacionar conceitos, fenômenos com as fases destacadas no gráfico.
A despolarização ocorre na fase em que o potencial sobe, que é a fase 0. A repolarização ocorre quando o potencial
está voltando ao potencial de repouso, como acontece na fase 3.
Alternativa B

DIAGRAMA DE IDEIAS

CARGA
ELÉTRICA

GRANDEZA DEPENDE DO INVERSO


POTENCIAL ELÉTRICO
ESCALAR DA DISTÂNCIA

NA PRESENÇA DE OUTRA CARGA:


ENERGIA POTENCIAL ELÉTRICA

95
AULAS Trabalho no campo elétrico
11 e 12
Competências: 5e6 Habilidades: 17 e 21

1. Introdução Sendo tAB o trabalho total realizado pelas forças que atuam
na partícula entre os pontos A e B, pode-se demonstrar que:
O trabalho da energia elétrica será abordado a partir do
mv 2 mvA2
potencial e da energia potencial elétrica. Antes, porém, é τAB = ____
​   ​B   - ____
​   ​  
2 2
necessário definir alguns conceitos, como trabalho, energia
cinética e energia mecânica. Tais conceitos vão ser revistos Note que, na equação acima, vB é o módulo da velocidade
mais detalhadamente em outra oportunidade. no fim do percurso, e vA é o módulo da velocidade no início
do percurso.
1.1. Trabalho de uma força Como será visto, a equação acima tem bastante utilidade,
Considere um corpo que se move _____ em trajetória
_____ retilínea, e, por esse motivo, os físicos decidiram definir a energia
​› ​›
efetuando um deslocamento d ​ ​ .  Sendo F ​ ​   uma das forças cinética (Ec) de uma partícula de massa m e velocidade v
que atuam sobre corpo, suponha que essa força seja constan- do seguinte modo:
te (em módulo, direção e sentido) e forme​_____› um ângulo u com
​ ​  mv ​
2
​_____› Ec = ____   
o deslocamento d ​
​ .  O trabalho da força F ​
​   é definido por: 2

3. Princípio da
conservação da energia
Todo movimento ou atividade ocorre por meio da transfor-
t = F · d · cos u
mação de um tipo de energia em outra forma de energia.
No SI, a unidade de trabalho é o joule, cujo símbolo é J.

1.2. O trabalho total “Energia não se cria, energia não se perde, en-
ergia apenas se transforma de um tipo em outro, em
Suponha que um corpo esteja sob a ação de várias forças. quantidades iguais”
O trabalho total ao longo de um deslocamento é definido
como a soma dos trabalhos de cada força:
ttotal = tF1 + tF2 + tF3 + tF4 + ... A soma de energia cinética com todas as energias poten-
​___›
ciais de um corpo é denominada energia mecânica (EM):
das forças for F​ r ​,   é possível demonstrar que
Se a resultante___
​› EM = EC + EP
o trabalho de F​ r ​  é igual ao trabalho total:
Assim: Ec é a energia cinética do corpo; e Ep é a energia
tFr = ttotal
potencial desse corpo (incluindo-se todas as energias po-
tenciais)
2. Teorema da energia cinética É possível demonstrar que:
Considere que uma partícula de massa m passe por um
ponto A com velocidade A e, em seguida, passe por um A energia mecânica do corpo será constante se, dentre
ponto B com velocidade B, movendo-se ao longo de uma todas as forças que atuarem sobre ele, as únicas que
trajetória qualquer. realizarem trabalho não nulo forem conservativas.

Esse enunciado é denominado Princípio da Conservação


VB
da Energia Mecânica.

96
4. Trabalho da força elétrica Essa maneira de calcular o trabalho pode ser aplicada
apenas para campos ditos conservativos. Como o campo
elétrico é um campo conservativo, é possível utilizar esse
método para obter o trabalho.

Aplicação do conteúdo
1. Em uma região onde há campo elétrico, uma carga
elétrica negativa q = –4,0 nC é deslocada de um pon-
to A, de potencial +5,0 V, até um ponto B, de potencial
–5,0 V. Determine o trabalho da força elétrica.

multimídia: vídeo
Resolução:
Fonte: Youtube
TRABALHO FORÇA ELÉTRICA HD Calcule o trabalho usando a equação:
τAB = q(VA – VB).
Para determinar o trabalho da força elétrica sobre uma car-
ga de prova, considere a situação da figura a seguir. Uma Substituindo os valores dados, tem-se:
carga de prova q é movida do ponto A para o ponto B, em
τAB = –4,0 · 10–9 [(+5,0) – (–5,0)] = –4,0 · 10–9 · 10
uma região onde existe um campo elétrico. A carga elétrica
⇒ ⇒ τAB = –4,0 · 10–8 J
fonte que dá origem ao campo elétrico foi omitida por sim-
plificação. O movimento da carga de prova pode ocorrer
espontaneamente por ação de um agente externo (oper-  sinal negativo do trabalho indica que ocorre uma re-
O
ador). Devido ao fato de estar em uma região de campo sistência ao movimento, isto é, na situação considerada, a
elétrico, uma força elétrica F atua sobre a partícula. força elétrica opõe-se ao deslocamento da carga.

2. A figura a seguir representa um campo elétrico uni-


forme e suas linhas de forças e equipotenciais. Uma
partícula de carga q = 2,0 pC foi deslocada do ponto A
para o ponto B.

Deslocamento da carga de prova entre A e B

Como será visto em Mecânica, o trabalho da força elétri-


ca não é obtido pela aplicação da definição de trabalho,
uma vez que a força elétrica pode não se manter constante
durante o deslocamento. Entretanto, o trabalho pode ser
obtido por meio da variação da energia potencial da carga.
Quando a carga está no ponto A, sua energia potencial é
proporcional ao potencial VA. Do mesmo modo, no ponto Determine o trabalho da força elétrica.
B, a carga tem energia potencial proporcional ao potencial Resolução:
VB. Assim:
Da figura são obtidos os potenciais de A e B:
Epot = q ⋅ VA   e   EpotB = q ⋅ VB
A
VA = +20 V e VB = +5,0 V
O trabalho da força elétrica é dado pela diferença entre
a energia potencial no ponto A (ponto inicial) e a energia
Como o trabalho da força elétrica não depende da traje-
potencial no ponto B (ponto final):
tória, apenas dos potenciais em A e B, calcule:
τAB = Epot – Epot ⇒ τAB = q ⋅ V – q ⋅ V
A B A B
τAB = q (VA – VB) ⇒
⇒ τAB = 2,0 · 10–12 · (20 – 5,0) = 2,0 · 10–12 · 15
τAB = q(VA – VB)
= 30 · 10–12

97
Então: Uma carga puntiforme q > 0 abandonada livremente no
τAB = 3,0 · 10 –11
J ponto A sofrerá a ação exclusiva da força elétrica F e se
deslocará ao longo da linha de força que liga o ponto A e o
É importante saber: o trabalho da força elétrica é es-
ponto B. Nesse deslocamento, o trabalho será:
pontâneo. Uma carga livre deixada em um local onde há
campo elétrico vai se deslocar naturalmente e, por conse- ——
τAB = F ⋅ AB​
​  ⇒ τAB = F ⋅ d
quência, haverá trabalho da força elétrica. As cargas posi-
tivas se deslocam naturalmente no sentido decrescente do
potencial elétrico, enquanto as cargas negativas se deslo- Considerando que F = q ⋅ E, obtém-se:
cam no sentido crescente do potencial elétrico. Resumindo:
τAB = q ⋅ E ⋅ d

Carga positiva procura menor potencial.


Caso fosse abandonada uma carga elétrica negativa em
Carga negativa procura maior potencial.
B, o sentido da força elétrica atuante seria inverso e o des-
locamento da carga ocorreria do ponto B para o ponto A.
Nesse deslocamento, o trabalho realizado seria:
5. Trabalho da força elétrica ——
τBA = F ⋅ AB​
​  ⇒ τBA = F ⋅ d
em um campo elétrico uniforme Considerando que F = |–q| ⋅ E, obtém-se:
τBA = |–q| ⋅ E ⋅ d

Ou seja, em ambos os casos o trabalho realizado pela força


elétrica é o mesmo.
É preciso cuidado quando o deslocamento de uma partícu-
la em um campo elétrico uniforme não ocorre sobre uma
mesma linha de força, como mostra a figura a seguir. Nes-
ses casos, o deslocamento da partícula é sempre calculado
paralelamente às linhas de forças.

multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
Campo elétrico | Carga elétrica, energia
elétrica e voltagem

O campo elétrico uniforme é um caso muito particular de


campo elétrico. As linhas de forças desse campo são re-
tas paralelas, e o módulo da força elétrica é constante em
qualquer local do campo. Em consequência, o trabalho re-
alizado pela força elétrica nesse campo pode ser calculado
usando-se as simples equações da Mecânica.
Em um campo elétrico uniforme, representado na figura a
seguir, os pontos A e B possuem potenciais elétricos iguais
a VA e VB, respectivamente.

multimídia: vídeo
Fonte: Youtube
Potencial elétrico, trabalho no campo elétrico
Carga puntiforme deslocada de A para B sob a ação - Fisica
de uma força elétrica

98
6. Diferença de potencial (d.d.p.) a) a velocidade dos elétrons ao atingirem a placa cole-
tora é a mesma dos elétrons no fio externo à ampola;
b) se quisermos saber a velocidade dos elétrons é
É chamada de d.d.p. entre dois pontos de um campo elétrico
necessário conhecermos a distância entre as placas;
a razão entre o trabalho realizado pela força elétrica para
c) a energia fornecida pela fonte aos elétrons coletados
deslocar uma carga entre esses pontos e o valor da carga: é proporcional ao quadrado da diferença de potencial.
τ
VA – VB = UAB = U = ___
​  AB ​  d) a velocidade dos elétrons ao atingirem a placa co-
|q| letora é de aproximadamente 1,0 × 107 m/s;
Notas: e) depois de algum tempo a corrente vai se tornando
§ no SI, a d.d.p. é expressa em J/C = V(volt); nula, pois a placa coletora vai ficando cada vez mais
negativa pela absorção dos elétrons que nela chegam.
§ se q é + ⇒ VA – VB > 0 ⇒ VA > VB;
Resolução:
se q é – ⇒ VA – VB < 0 ⇒ VA < VB.
U = 250 V qe = – 1,6 ∙ 10-19 C
Aplicação do conteúdo i = 5 mA me = 9,11 ∙ 10-31C
1. Na figura a seguir, o campo elétrico tem intensidade
E = 4,5 N/C. No ponto A, é abandonada uma partícula Pelo teorema da energia cinética:
eletrizada de carga elétrica q = 4,0 pC. Despreze a ação
da força gravitacional. A partícula desloca-se espontan- DEc = DFR
eamente no sentido da linha de força. Determine o tra- mv02
​ m ∙ ​
v   
2
_____ – ____
​   ​   = |q| U
balho da força elétrica no deslocamento AB. 2 2
9,11 · 10 ∙ v
____________
-31 2
  
​   ​  = 1,6 ∙ 10-19 ∙ 250
2
v2 ≈ 87,82 ∙ 10-2

v ≈ 9,3 ∙ 106 m/s


v ≈ 1 ∙ 107 m/s

Resolução: Alternativa D
Tem-se:
q = 4,0 pC = 4,0 · 10–12 C
E = 4,5 N/C
d = AB = 20 cm = 20 · 10–2 m

O trabalho no deslocamento AB é dado por:


τAB = q ⋅ E ⋅ d = 4,0 × 10–12 · 4,5 · 20 · 10–2
= 360 · 10–4 ⇒ τAB = 3,6 · 10–12 J

2. (Ita) Um feixe de elétrons é formado com a aplicação


de uma diferença de potencial de 250 V entre duas
placas metálicas, uma emissora e outra coletora, colo-
cadas em uma ampola na qual se fez vácuo. A corrente multimídia: sites
medida em um amperímetro devidamente ligado é de
5,0 mA. Se os elétrons podem ser considerados como
emitidos com velocidade nula, então: osfundamentosdafisica.blogspot.com.
br/2013/04/cursos-do-blog-eletricidade_10.
html
hyperphysics.phy-astr.gsu.edu/hbase/electric/
elewor.html
www.physicsclassroom.com/class/circuits/
Lesson-1/Electric-Field-and-the-Movement-
of-Charge

99
ÁREAS DE CONHECIMENTO DO ENEM

Habilidade
Utilizar leis físicas e/ou químicas para interpretar processos naturais ou tecnológicos inseridos no contexto da ter-
21 modinâmica e/ou do eletromagnetismo.

Nesse caso, a habilidade 21 exige que o aluno domine conceitos eletromagnéticos, especificamente a definição de po-
tencial elétrico, de polarização e despolarização. Como se trata de uma área mais abstrata, os exercícios são altamente
contextualizados com o intuito de mostrar ao aluno que, apesar de abstrato, o tema está presente no cotidiano.

Modelo
(Enem) As células possuem potencial de membrana, que pode ser classificado em repouso ou ação, e é uma estratégia
eletrofisiológica interessante e simples do ponto de vista físico. Essa característica eletrofisiológica está presente
na figura a seguir, que mostra um potencial de ação disparado por uma célula que compõe as fibras de Purkinje,
responsáveis por conduzir os impulsos elétricos para o tecido cardíaco, possibilitando assim a contração cardíaca.
Observa-se que existem quatro fases envolvidas nesse potencial de ação, sendo denominadas fases 0, 1, 2 e 3.

O potencial de repouso dessa célula é –100 mV, e quando ocorre influxo de íons Na+ e Ca2+, a polaridade celular pode
atingir valores de até +10 mV, o que se denomina despolarização celular. A modificação no potencial de repouso pode
disparar um potencial de ação quando a voltagem da membrana atinge o limiar de disparo que está representado
na figura pela linha pontilhada. Contudo, a célula não pode se manter despolarizada, pois isso acarretaria a morte
celular. Assim, ocorre a repolarização celular, mecanismo que reverte a despolarização e retorna a célula ao potencial
de repouso. Para tanto, há o efluxo celular de íons K+.

Qual das fases, presentes na figura, indica o processo de despolarização e repolarização celular, respectivamente?
a) Fases 0 e 2
b) Fases 0 e 3
c) Fases 1 e 2
d) Fases 2 e 0
e) Fases 3 e 1

Análise expositiva - Habilidade 21: Mesmo apresentando um texto acompanhado de um gráfico, o exercício possui
B rápida resolução. Cabe ao aluno saber reconhecer aquilo que é pedido e extrair a resposta do gráfico fornecido.
A despolarização ocorre na fase em que o potencial sobe, que é a fase 0. A repolarização ocorre quando o
potencial está voltando ao potencial de repouso, o que ocorre na fase 3.
Alternativa B

100
DIAGRAMA DE IDEIAS

TRABALHO NO CAMPO ELÉTRICO

TRABALHO DE
FORÇA ELÉTRICA

VARIAÇÃO DE
ENERGIA CINÉTICA

ΔEC > 0 ΔEC < 0

TRABALHO TRABALHO
MOTOR RESISTENTE

CARGA POSITIVA CARGA NEGATIVA

MAIOR PARA MENOR PARA


MENOR POTENCIAL MAIOR POTENCIAL

101
AULAS Potencial elétrico no CEU
13 e 14 e equilíbrio eletrostático

Competências: 5e6 Habilidades: 17 e 21

1. Potencial elétrico no Essa equação será demonstrada a seguir. Para isso,


suponha que uma partícula de prova com carga elétrica
campo elétrico uniforme positiva q é abandonada no ponto A. Despreze a ação da
aceleração gravitacional. Assim, a partícula se desloca e
Apesar de a intensidade de um campo elétrico uniforme pontaneamente de A para B, e o trabalho do campo nesse
ser constante em qualquer ponto do campo, o valor do deslocamento AB é calculado pela equação:
potencial elétrico não é constante. O campo elétrico varia
uniformemente ao longo de uma linha de força. Para uma τAB = E ⋅ d · q
carga positiva, percorrendo uma linha de força, no mesmo
sentido do campo, o potencial decrescerá uniformemente, Entretanto, o trabalho também é dado pela diferença entre
como é possível observar no gráfico a seguir. os potenciais em A e B:

τAB = q(VA – VB) = q ⋅ U

Juntando ambas as equações:


q⋅E⋅d=q⋅U

Variação da intensidade do campo elétrico E e variação do potencial


elétrico V em função da abcissa x tomando em uma linha de força, E⋅d=U
e no mesmo sentido desta, para uma carga geradora positiva.

A unidade oficial de campo elétrico vem da equação anterior:


1.1. Relação entre o potencial e a
intensidade do campo elétrico ​ U ​ 
E = __
d
Considere os pontos A e B em uma mesma linha de força
de um campo elétrico uniforme de intensidade E. Os po- Então:
tenciais elétricos nesses pontos são, respectivamente, VA
e VB. ​  volt  ​ = V/m
unidade (E) = _____
metro

No SI, a unidade oficial de campo elétrico é V/m. A unidade


N/C é equivalente, ou seja:

V ___
1​ __ 1N
m  ​ = ​  C ​ 
Assim:

§ U = VA – VB (diferença de potencial (d.d.p.)) entre 1.2. O elétron-volt


os pontos A e B;
A unidade de energia igual à energia adquirida por um
§ d = distância entre os pontos A e B. elétron acelerado a partir do repouso, entre dois pontos de
ddp 1,0 V, sob um campo elétrico uniforme, é o elétron-
A diferença de potencial U é dada por:
volt (eV).
A energia cinética de 1 eV, atingida pelo elétron, é equiva-
E⋅d=U
lente a 1,6 · 10–19 J.

102
02) A diferença de potencial elétrico, na atmosfera,
entre um ponto A e um ponto B, situando 2 m abaixo
de A, é de 200 V.
04) Cátions existentes na atmosfera tendem a mov-
er-se para cima, enquanto que ânions tendem a mov-
er-se para a superfície terrestre.
08) O trabalho realizado pela força elétrica para des-
locar uma carga elétrica de 1 μC entre dois pontos, A
e C, distantes 2 m entre si e situados a uma mesma
altitude, é 200 μJ.
16) Este campo elétrico induzirá cargas elétricas em
uma nuvem, fazendo com que a parte inferior desta,
multimídia: vídeo voltada para a Terra, seja carregada positivamente.
Fonte: Youtube Resolução:
O elétron-volt 01) Verdadeira. A Terra é geralmente negativa.
02) Verdadeira. U = Ed ⇒ U = 100 ∙ 2 = 200 V
04) Falsa. O campo elétrico está orientado para baixo. As-
Aplicação do conteúdo sim, as cargas positivas tendem a se mover para baixo.
08) Falsa. Eles estão numa mesma superfície de
1. Dois planos equipotenciais, p1 e p2, são represen- equipotencial.
tados na figura abaixo. Os potenciais elétricos nesse
16) Verdadeira. Igual ao item 4.
planos são V1 = 40 V e V2 = 5,0 V, respectivamente. Sa-
bendo que a intensidade do campo elétrico é constan- 01 + 02 + 16 = 19
te e igual a 5 V/m , determine a distância (d) entre os
dois planos equipotenciais. 3. (Unirio)

Resolução:
Uma superfície plana e infinita, positivamente carregada, ori-
Aplica-se a equação da diferença de potencial em um campo gina um campo elétrico de módulo 6,0 · 107 N/C. Considere
elétrico uniforme: que os pontos B e C da figura são equidistantes da superfície
carregada e, além disso, considere também que a distância
​ U ​ 
E ⋅ d = U ⇒ d = __ entre os pontos A e B é de 3,0 m, e entre os pontos B e C é de
E
Mas: 4,0 m. Com isso, os valores encontrados para a diferença
de potencial elétrico entre os pontos A, B e C, ou seja: UAB,
U = V1 – V2 UBC e UAC são, respectivamente, iguais a:
a) Zero; 3,0 · 108 V; 1,8 · 108 V.
Substituindo os valores dos potenciais, obtém-se: b) 1,8 · 108 V; zero; 3,0 · 108 V.
V1 – V2 _______
40 – 5,0 ___ c) 1,8 · 108 V; 1,8 · 108 V; 3,0 · 108 V.
d = ​ ______
 ​ 
 = ​   = ​  35  ​ m ⇒ d = 7,0 m
 ​  d) 1,8 · 108 V; 3,0 · 108 V; zero.
E 5,0 5,0
e) 1,8 · 108 V; zero; 1,8 · 108 V.
2. (UFPR) Um físico realiza experimentos na atmosfera
Resolução:
terrestre e conclui que há um campo elétrico vertical e
orientado para a superfície da Terra, com módulo E = UAB = E ∙ dAB = 6 ∙ 107 ∙ 3 = 1,8 · 108 V
100 N/C. Considerando que para uma pequena região
da superfície terrestre o campo elétrico é uniforme, é UBC = 0 V, pois estão numa mesma superfície de equipotencial
correto afirmar:
UAC = UAB = 1,8 ∙ 108 V
01) A Terra é um corpo eletrizado, com carga elétrica
negativa em excesso. Alternativa E

103
2. O equilíbrio eletrostático No interior de um condutor eletrizado em equilíbrio
As cargas elétricas em um condutor se movimentam à eletrostático, o potencial não é nulo e tem o mesmo
procura de uma posição de equilíbrio. Quando as cargas valor em todos os pontos.
atingem essa posição, e não há mais movimento, afirma-se
que o condutor atingiu o seu equilíbrio eletrostático. Caso houvesse dois pontos, A e B, no interior do condutor
Depois de atingir o equilíbrio eletrostático, o condutor adquire tal que VA > VB, existiria trabalho da força elétrica que mov-
certas propriedades físicas que serão abordadas a seguir. imentaria espontaneamente os elétrons livres de B para
A, o que perturbaria o equilíbrio eletrostático do condutor.
Em um condutor eletrizado em equilíbrio eletrostá-
Dessa maneira, o potencial deve ser o mesmo em todos os
tico, as cargas elétricas em excesso se localizam na
pontos do interior do condutor.
sua superfície. O pesquisador inglês Michael Faraday (1791-1867)
elaborou um experimento interessante. Em um dia de
tempestades elétricas, permaneceu dentro de uma grande
As cargas em excesso possuem o mesmo sinal, isto é, ou são gaiola construída de arame metálico. Apesar de a gaiola ter
positivas ou são negativas. Por se repelirem mutuamente e sido atingida por raios (descargas elétricas), conta-se que
por não se movimentarem no condutor, ficam na superfície. Faraday, ao sair dela, relatou não ter sentido nenhum choque
No caso de um condutor esférico, a distribuição de cargas elétrico. Essa gaiola foi denominada Gaiola de Faraday.
é simétrica e uniforme, como é possível observar na figura.
O uso da Gaiola de Faraday se tornou consagrado, e, atu-
almente, uma malha de ferro, que não aparece externa-
mente, é construída em torno de grandes edifícios para
proteger as pessoas que estejam em seu interior contra
descargas elétricas provocadas por tempestades.

Esfera eletrizada com Esfera eletrizada com


Nos carros, aviões ou ônibus, o conceito da Gaiola de Fa-
cargas positivas cargas negativas raday também é aplicado. Os veículos metálicos estão blin-
Se a forma do condutor não for esférica, as cargas não se dados eletricamente, o que torna seguro permanecer em
espalham uniformemente, e a maior densidade de carga seu interior.
elétrica fica localizada nas extremidades.

Fórmula da densidade

A Gaiola de Faraday

Condutor alongado com cargas elétricas Adiante, será estudado o que ocorre com uma esfera eletri-
aglomeradas nas suas extremidades zada isolada de outras cargas. A partir daqui, será admitido
que a esfera sempre está em equilíbrio eletrostático. Con-
Nos pontos internos de um condutor eletrizado em forme foi visto anteriormente, em uma esfera, as cargas
equilíbrio eletrostático, o campo elétrico é sempre elétricas em excesso distribuem-se uniformemente pela
nulo, independentemente de sua forma geométrica. sua superfície, como mostra a figura a seguir.

Lembre-se de que, no interior do condutor, os elétrons não


se movimentam, pois, por definição, essa é uma das prem-
issas do equilíbrio eletrostático. Caso houvesse no interior
do condutor um campo elétrico não nulo, o campo atuaria
sobre os elétrons livres e os aceleraria, o que pertubaria o
equilíbrio eletrostático do condutor. Assim, o campo elétri-
co interno do condutor em equilíbrio eletrostático é nulo. Superfície esférica uniformemente eletrizada

104
Convém recordar duas propriedades importantes: Para qualquer ponto no interior da esfera, foi visto que o po-
tencial é constante e igual ao potencial na superfície. Assim:
§ Em todos os pontos internos o campo elétrico é nulo.
§ Em todos os pontos (internos ou da superfície da esfera) Q
Vint = Vsup = k0 __
​    ​
o potencial elétrico é constante, ou seja, todos os pontos R 
têm o mesmo valor de potencial elétrico, não nulo.
A seguir, será demonstrado como determinar o valor do po- 4. Cálculo do campo elétrico
tencial elétrico e a intensidade do campo elétrico e do po- Foi visto que, nos pontos internos da esfera, o campo elé-
tencial elétrico para os pontos externos e próximos da esfera. trico é nulo. Será determinado agora o campo elétrico nos
pontos externos. Nas figuras a seguir, foi representado o
campo elétrico em um ponto P, através do seu vetor E.
Lembre-se de que as cargas positivas geram um campo de
afastamento, e as negativas, um campo de aproximação.

Campo de uma esfera Campo de uma esfera


com carga positiva com carga negativa

multimídia: vídeo A intensidade do campo elétrico no ponto P também é cal-


culada com a mesma equação vista anteriormente, de uma
Fonte: Youtube carga puntiforme:
A terrível gaiola de celular (ex-
periência de Física) |Q|
Ep = k0 ___
​  2 ​ 
d

3. Cálculo do potencial elétrico Note que essa equação não é válida para calcular o campo
elétrico em pontos na superfície da esfera.
Inicialmente, será calculado o potencial elétrico em um pon-
to P fora da esfera. Existe uma simetria na distribuição de
Aplicação do conteúdo
cargas na esfera, além da uniformidade na distribuição em
sua superfície. Assim, podemos admitir que toda a carga Q 1. Uma esfera metálica de raio R = 4,0 cm, no vácuo,
esteja concentrada no centro (ponto O) da esfera. Sendo d a tem a sua superfície uniformemente carregada com
uma carga elétrica de 12 nC. Adotando k0 = 9,0 · 109
distância do centro O ao ponto P, o potencial pode ser obtido
unidades do SI, determine:
pela seguinte equação, vista em aulas anteriores:
a) O potencial elétrico em um ponto da superfície da esfera.
b) O potencial elétrico em um ponto P distante 12 cm
do centro da esfera.
c) A intensidade do campo elétrico no ponto P do
item anterior.
Resolução:
a) Cálculo potencial elétrico é igual para qualquer
ponto da superfície da esfera:
Dessa forma, ajustando as unidades:

Q R = 4,0 cm = 4,0 · 10–2 m


Vext = k0 __
​   ​  Q = 12 nC = 12 · 10–9 C
d
​  Nm² ​ 
k0 = 9 · 109 ____

Essa equação também é válida para a superfície da esfera,
onde d = R: Calculando o potencial elétrico na superfície da esfera:
Q
​  12 · 10 –2 
–9
Vsup = k0 __
​   ​ = 9 · 109 · ________ = 27 · 102 ⇒
 ​ 
Q R 4,0 · 10
Vsup = k0 __
​    ​
R  ⇒ Vsup = 2,7 · 103 V

105
b) Como a esfera tem raio de 4,0 cm, e o ponto P está
a 12 cm do centro, o ponto P é externo à esfera.
4.1. Gráfico do Potencial Elétrico
Assim: d = 12 cm = 12 · 10–2 m
de um Condutor Carregado
Considere o potencial elétrico uma função da distância,
Então:
isto é, V = V (d). Seu gráfico é do tipo:
Q
​ 12 · 10–2 
–9
Vext = k0 __
​   ​ ⇒ VP = 9 · 109 · _______  ​
d 12 · 10
= 9,0 · 102 ⇒ VP = 9,0 · 102 V

c) Cálculo da intensidade do campo elétrico no ponto P:


Q
​ 12 · 10–2 
–9
EP = k0 __
​    ​ = 9 · 109 · _______  ​= 0,75 · 104 ⇒
d² 12 · 10
⇒ EP = 7,5 · 103 N/C
Para uma distribuição positiva (Q > 0)
2. (Ufrgs) A figura a seguir representa uma esfera
metálica oca, de raio R e espessura desprezível. A es-
fera é mantida eletricamente isolada e muito distante
de quaisquer outros objetos, num ambiente onde se
fez vácuo.

Para uma distribuição negativa (Q < 0)

Analisando ambos os gráficos, é possível perceber que


Em certo instante, uma quantidade de carga elétrica nega- o potencial é constante enquanto d ≤ R, e a partir de
tiva, de módulo Q, é depositada no ponto P da superfície d > R uma hipérbole equilátera (da mesma forma que uma
da esfera. Considerando nulo o potencial elétrico em pon- partícula puntiforme centrada na origem).
tos infinitamente afastados da esfera e designando por k a
“constante eletrostática”, podemos afirmar que, após terem 4.2. Gráfico do Campo Elétrico
decorrido alguns segundos, o potencial elétrico no ponto S,
situado à distância 2R da superfície da esfera, é dado por
de um Condutor Carregado
–kQ Sendo o campo elétrico uma função da distância, ou seja,
a) ​  ___ ​ . E = E (d), para um condutor carregado, o gráfico será da
2R
–kQ seguinte forma:
b) ​  ___ ​ .
3R
+kQ
c) ____
​   ​. 
3R
–kQ
d) ​  ____ ​.  
9R2
+kQ
e) ​ ____
 ​. 
9R2
Resolução:
O cálculo do potencial num ponto externo é dado por:
k∙q
V = ____
​   ​   
d Analisando o gráfico é possível perceber que, se
k(–Q) d < R, tem-se E = 0, isto é, o campo interno do condutor
V = ​ ____ ​  
3R carregado é nulo. Quando d = R, o campo elétrico é dado
kQ k |Q|
V = – ___
​   ​  por E (R) = _____
​  0 2 ​  . Já para pontos mais distantes d > R,
3R 2R
tem-se que o gráfico é idêntico ao de uma carga puntifor-
Alternativa B me centrada na origem.

106
VIVENCIANDO

Os para-raios
De que maneira as indústrias fabricantes de para-raios costumam testar seus produtos antes de colocá-los à venda?
Um dos testes consiste em submeter o produto a descargas elétricas semelhantes aos raios. Para simular um raio
causado por uma nuvem eletrizada, uma esfera de cobre de aproximadamente 1 metro de diâmetro é suspensa, a
mais ou menos 10 metros do chão, e ligada a um gerador de cargas elétricas para ser eletrizada. Abaixo da esfera
é colocado o para-raios que será testado. A esfera, eletrizada, atinge potenciais de alguns milhões de volts e produz
uma descarga elétrica que salta e atinge o para-raios. Um engenheiro elétrico de operações verifica pessoalmente, a
poucos metros do local, o funcionamento correto do para-raios. Entretanto, o engenheiro se protege dentro de uma
Gaiola de Faraday contra as descargas elétricas que circulam no ambiente.
O efeito de blindagem eletrostática, conhecido como Gaiola de Faraday, é amplamente utilizado para proteger equi-
pamentos que não podem ser submetidos a influências elétricas externas, ou na proteção de passageiros de aviões
ou carros. Os veículos, ao serem atingidos por relâmpagos, protegem seus tripulantes, uma vez que as cargas elétricas
serão distribuídas pelas estruturas metálicas.
O forno de micro-ondas e a ressonância magnética são outras duas aplicações cotidianas da blindagem eletrostática.
No micro-ondas, a blindagem eletrostática não permite que escapem as ondas eletromagnéticas que esquentam
os alimentos, pois a casca metálica que reveste o interior do equipamento e
a malha metálica que cobre o visor de vidro funcionam como uma Gaiola de
Faraday. Para o exame de ressonância magnética, são necessárias salas de
exames equipadas com uma cabine de radiofrequência. Essa cabine consiste
numa caixa de alumínio ou outro material similar e serve para proteger o fun-
cionamento do equipamento, que pode sofrer alteração de ondas de radiof-
requência externas que causariam interferências nos resultados dos exames.

5. Equilíbrio eletrostático § As cargas das duas esferas passam a ser Q’1 e Q’2, res-
pectivamente, e por conservação da carga elétrica:
entre duas esferas interligadas
Na figura a seguir, duas esferas condutoras, 1 e 2, inicial- Q’1 + Q’2 = Q1 + Q2
mente isoladas uma da outra, foram carregadas com car-
gas elétricas Q1 e Q2, respectivamente. As esferas foram
interligadas por um fio condutor, mas foram mantidas  u seja, a soma das cargas das duas esferas permanece
O
constante, uma vez que nenhuma carga foi inserida ou
afastadas a fim de evitar a indução eletrostática. Depois de
retirada do sistema.
serem conectadas, ocorreu uma troca de cargas elétricas
devido à diferença de potencial elétrico entre ambas. § Devido ao equilíbrio, os potenciais se igualam, V1 = V2,
assim:
Q’ Q’ Q’ Q’2
k0 ___
​  1 ​ = k0 ___
​  2 ​ ⇒ ___
​  1 ​ = ___
​   ​ 
R1 R2 R1 R2

Essa equação mostra que, após as esferas atingirem o


Depois de um período de tempo, os potenciais das duas esfe- equilíbrio eletrostático, as novas cargas elétricas de cada
ras se equilibram e a troca de cargas termina. Após o equilíbrio: esfera são proporcionais ao raio de cada uma.

107
Aplicação do conteúdo
1. Uma esfera de raio R1 = 2,0 cm e carregada com carga
Q1 = 6,0 pC e uma esfera de raio R2 = 6,0 cm carrega-
da com carga Q2 = –2,0 pC são conectadas por um fio e
mantidas afastadas uma da outra. Depois de atingirem o
equilíbrio eletrostático, qual é a carga de cada uma delas?

Resolução:

Devido à conservação da carga e à relação de proporciona-


lidade da carga e do raio da esfera: multimídia: sites
Q’1 + Q’2 = Q1 + Q2 ⇒ Q’1 + Q’2 www.sabereletrica.com.br/gaiola-de-faraday
= 6,0 pC + (-2,0) pC ⇒ Q’1 + Q’2
www.differencebetween.net/science/difference-
= + 4,0 pC
between-electric-field-and-electric-potential/
Q’ Q’2 ___
___ Q’ Q’
​  1 ​ = ___
​   ​ ⇒ ​  1  ​ = ___
​  2  ​ ⇒ 3Q’1 = Q’2 physics.bu.edu/~duffy/PY106/Potential.html
R1 R2 2,0 6,0

Resolvendo o sistema para Q’1, obtém-se:


Q’1 + 3Q’1 = 4,0 ⇒ 4Q’1 = 4,0 pC ⇒
⇒ Q’1 = 1,0 pC

Voltando à equação anterior, obtém-se Q’2:


Q’2 = 3,0 pC

108
DIAGRAMA DE IDEIAS

POTENCIAL ELÉTRICO NO CEU E


EQUILÍBRIO ELETROSTÁTICO

CAMPO UNIFORME Ed = U

GAIOLA DE
FARADAY

CARGA NA DENSIDADE
EQ. ELETROSTÁTICO
SUPERFÍCIE SUPERFICIAL

CAMPO
INTERIOR NULO
POTENCIAIS
IGUAIS

109

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