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CÁLCULO I

Prof. Marcos Diniz | Prof. André Almeida | Prof. Edilson Neri Júnior | Prof. Emerson Veiga | Prof. Tiago Coelho

Aula no 02: Funções.

Objetivos da Aula
• Denir função e conhecer os seus elementos;
• Reconhecer o gráco de uma função;
• Listar as principais funções e seus grácos.

1 Funções
Consideremos A e B dois conjuntos. Uma função f é uma lei que associa a cada elemento x ∈ A um
único elemento y ∈ B . O conjunto A é chamado domínio da função f , às vezes denotado também por
Df , e o conjunto B é chamado contradomínio da função f . Costuma-se representar uma função pela
seguinte notação:
f :A→B
Para armarmos que a um determinado x ∈ A está associado certo y ∈ B através da função f ,
costumamos utilizar a notação:
y = f (x)
e dizemos que este y é a imagem de x por f . Denimos também o seguinte subconjunto do contradomínio,
chamado conjunto imagem da função f
Imf = {y ∈ B| y = f (x), x ∈ A}.
Isto é, o conjunto imagem de f é o conjunto de todas as imagens de pontos do domínio por f .
Uma forma de representarmos uma função é por meio do diagrama de echas, como ilustrado a seguir

Figura 1: Representação de uma função por um diagrama de echas

Observe que a cada elemento do domínio está associado um (e apenas um) elemento do contradomínio.
Por exemplo, seja A = {1, 2, 3, 4, 5}, B = {1, 2, 3, 4, 5, 6, 7} e considere que
f (1) = 2
f (2) = 3
f (3) = 4
f (4) = 5
f (5) = 6

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Note que Imf = {2, 3, 4, 5, 6}. A representação dessa função pelo diagrama de echas é feita da seguinte
forma:

Figura 2: Exemplo de uma função representada por um diagrama de echas

Outra forma de representar uma função é através de seus valores numéricos. Por exemplo, considere a
seguinte tabela:
Dia Valor da Compra
02 2, 8942
03 2, 9260
04 2, 9787
05 3, 0100
06 3, 0550
09 3, 1285
Embora não tenhamos uma regra explícita, a tabela acima é função do conjunto
D = {02, 03, 04, 05, 06, 09}
em R, uma vez que para cada dia t ∈ D, existe um único valor correspondente de V (t) = Valor doa Compra
no dia t.
Em muitas situações não existe uma regra explícita que estabeleça a correspondência entre os elementos
do domínio e contradomínio, sendo isto feito por meio de tabela de valores. Usando técnicas apropriadas é
possível encontrar uma expressão para uma função que aproxime os valores dados na tabela.
Contudo, tanto o diagrama de echas quanto a tabela de valores não são ecientes para representar
uma função cujo domínio é um conjunto innito. Por isso, a representação gráca de uma função é a
melhor forma de visualizá-la e entender o seu comportamento. E, para entendermos melhor esse tipo de
representação, segue a denição de gráco de uma função:
Denição 1. Seja f : A → B uma função. O gráco de f , denotado por Gf , é o seguinte subconjunto do
produto cartesiano A × B :
Gf = {(x, f (x)) ∈ A × B|x ∈ A}
O gráco de uma função f nos dá uma imagem útil sobre o comportamento da função pois, uma vez
que a coordenada y de qualquer ponto (x, y) pertencente ao gráco, é da forma y = f (x), podemos ler o
valor f (x) como sendo a "altura"do ponto no gráco acima de x.

Figura 3: Entendendo f (x) como uma altura do ponto x no gráco de f .

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Observe que cada ponto do gráco equivale a uma echa associando a um elemento do domínio um
elemento do contradomínio, como na gura abaixo:

Figura 4: Gráco e Diagrama de Flechas

Note que a representação do gráco da função como este equivale a representar "innitas echas"de
forma sintética. Essa talvez seja a característica mais genial da representação gráca de uma função.
O gráco também nos permite visualizar o domínio e a imagem da função f sobre o eixo y .

Figura 5: Determinando a imagem e o domínio de um função através do seu gráco.

Assim como no diagrama de echas, podemos determinar se uma curva desenhada no plano cartesiano
xy é o gráco de uma função ou não. Para isso, utilizamos o teste da reta vertical, descrito abaixo:

Uma curva no plano xy é o gráco de uma função de x se, e somente se, nenhuma
reta vertical cortar a curva mais de uma vez.
Como exemplo, temos que o gráco abaixo é de uma função. Note que toda reta vertical (paralela ao
eixo y ) intersecta a curva em exatamente um ponto.

Figura 6: Teste da Reta Vertical: Exemplo de curva que é gráco de uma função

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A seguinte curva não é gráco de uma função, pois pelo menos uma reta vertical intersecta mais de um
ponto da curva.

Figura 7: Teste da Reta Vertical: Exemplo de curva que não é gráco de uma função.

1.1 Restrições no domínio


Quando não especicado, o domínio de uma função é o maior subconjunto A ⊂ R tal que a função
esteja denida. Contudo, para determinar esse maior subconjunto é necessário fazer algumas considerações,
pois podem haver restrições sobre o domínio de uma função. Por exemplo,
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Exemplo 1. Considere a função dada por f (x) = . Determine o seu domínio.
x2 −1
Devemos determinar o maior subconjunto dos números reais, onde a função f esteja denida. Para isso,
note que a função é dada por um quociente de funções. Com isso, note que a função no denominador não
pode ser 0, pois não existe divisão por 0. Logo, os pontos onde a função não está denida são os valores
que zeram a função x2 − 1. Dessa forma, fazemos

x2 − 1 6= 0 ⇒ x2 6= 1 ⇒ x 6= 1 e x 6= −1

Logo, o domínio de f é o conjunto A = {x ∈ R|x 6= −1 e x 6= 1} 

Exemplo 2. Seja g(x) = 4 x2 − 2x. Determine o conjunto domínio de g .


p

Para isso, devemos notar que nenhum radical de índice par admite radicando negativo. Logo, o domínio
de g devem ser os números reais tais que x2 − 2x ≥ 0. Logo,

x2 − 2x ≥ 0 ⇒ x(x − 2) ≥ 0

Estudando o sinal desse produto de polinômios, obtemos que

Figura 8: Estudo do Sinal de x(x − 2).

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Logo, o domínio de g é o conjunto


A = {x ∈ R|x ≤ 0 ou x ≥ 2} = (−∞, 0] ∪ [2, +∞)

2x − 4
Exemplo 3. Determine o domínio da função h(x) = √ .
x3 − 8
Note que no denominador, agora temos uma função raiz quadrada, logo, os valores reais que anulam ou
que tornam a função x3 − 8 negativa não podem estar no domínio de h. Desse modo, calculamos

x3 − 8 > 0 ⇒ x3 > 8 ⇒ x >
3
8⇒x>2
Assim, o domínio de h é o conjunto Dh = {x ∈ R|x > 2}. 

2 Funções Elementares
Existem vários tipos de funções que podem modelar problemas e situações do cotidiano. Apresentaremos,
a seguir, algumas funções elementares e que serão muito utilizadas ao longo deste curso.

2.1 Funções Polinomiais


Denição 2 (Função Polinomial). Uma função f cuja regra é dada por:
f (x) = an xn + an−1 xn−1 + an−2 xn−2 + · · · + a2 x2 + a1 x + a0
onde n é um número inteiro não negativo e an , an−1 , an−2 , ..., a2 , a1 , a0 são números reais (ou constantes)
chamados de coecientes do polinômio, é chamada polinomial. O número inteiro n é chamado grau do
polinômio.
Dependendo do grau do polinômio, temos algumas classes de funções polinomiais que são muito co-
nhecidas e que já foram amplamente discutidas no ensino médio. A seguir, mostraremos algumas dessas
funções e seus respectivos grácos.
Exemplo 4 (Função Polinomial do 1 Grau ou Função Am). A função polinomial do 1o grau (ou simples-
o

mente função do 1o
grau) é toda função que associa a cada número real x o valor numérico do polinômio
ax + b, com a 6= 0. Os números reais a e b são chamados, respectivamente, de coeciente angular e
coeciente linear. Simbolicamente:
f: R → R
x 7→ ax + b
O gráco da funçãof (x) = ax + b é uma reta não paralela aos eixos coordenados. A depender do valor
de a, a função f pode ser dita crescente (para a > 0) ou decrescente (para a < 0). Observe, a seguir, o
gráco da função do 1o grau:

Figura 9: Grácos da Função Am. À esquerda, temos o gráco de uma função crescente e à direita,
o gráco de uma função decrescente.

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Exemplo 5 (Função Polinomial do 2 Grau ou Função Quadrática). A função do 2o grau é denida por:
o

f: R → R
x 7→ ax2 + bx + c,

com a 6= 0. O gráco desta função é uma parábola, com eixo de simetria paralelo ao eixo y . Se o
coeciente de x2 for positivo (a > 0), a parábola tem concavidade voltada para cima, enquanto que, se o
coeciente de x2 for negativo (a < 0), a parábola tem concavidade voltada para baixo.
Observe, a seguir o gráco da função do 2o grau:

Figura 10: Grácos da Função Quadrática. À esquerda, temos o gráco de uma função quadrática
com a > 0. À direita, o gráco de uma função quadrática com a < 0.

Na função quadrática, a interseção do gráco com o eixo de simetria é um ponto chamado vértice. Este
ponto pode ser considerado máximo (quando a parábola tem concavidade voltada para baixo) ou mínimo
(quando a parábola tem concavidade voltada para cima).
Exemplo 6 (Função Polinomial do 3 Grau ou Função Cúbica). A função do 3o grau é denida por:
o

f: R → R
x 7→ ax3 + bx2 + cx + d,

com a 6= 0.
O gráco de uma função cúbica será apresentado a seguir.

Figura 11: Gráco de uma função polinomial do 3o grau.

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2.2 Funções Racionais


Denição 3 (Função Racional). Uma função racional f é a razão de dois polinômios:
P (x)
f (x) = ,
Q(x)
em que P e Q são polinômios. O domínio consiste em todos os valores de x tais que Q(x) 6= 0.
x−1
Exemplo 7. A função f (x) = é uma função racional, cujo domínio R − {−1}. Observe o gráco:
x+1

x−1
Figura 12: Gráco da Função f (x) =
x+1


(x2 + 3x − 4)(x2
− 9)
Exemplo 8. A função f (x) = é racional e seu domínio é R − {−4, −3, 3}. Observe
(x2 + x − 12)(x + 3)
o gráco:

(x2 + 3x − 4)(x2 − 9)
Figura 13: Gráco da Função f (x) =
(x2 + x − 12)(x + 3)

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2.3 Função Potência


Denição 4 (Função Potência). Uma função da forma
f (x) = xα ,

onde α é uma constante, é chamada função potência. Observe que, se α = 1, 2, 3, ..., a função potência é
uma função polinomial. Se α = 1/n, com n positivo, dizemos que a função é do tipo raiz.

Exemplo 9. A função f (x) = x é uma função raiz, onde α = 1/2. Observe o gráco:


Figura 14: Gráco da Função f (x) = x

Observe que essa função só está denida para x ≥ 0.



1
Exemplo 10. A função f (x) = é uma função potência. Seu gráco é um tipo de curva denominada
x
hipérbole.

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Figura 15: Gráco da Função f (x) =
x

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Observação 1. Uma função f é dita algébrica se puder ser construída por meio de operações algébricas
(soma, multiplicação, divisão e extração de raízes) envolvendo a função identidade e funções constantes.
As funções não algébricas são chamadas de transcendentes. Como exemplo destas funções, podemos citar
as funções trigonométricas, exponenciais e logarítmicas, que serão descritas nas próximas aulas.

2.4 Funções Denidas por Partes


As funções denidas por expressões algébricas distintas em diferentes partes de seus domínios são cha-
madas funções denidas por partes. Vejamos alguns exemplos.
Exemplo 11. Seja a função denida por:
x2 , se, x ≥ −1

f (x) =
1 − x, se, x < −1

O domínio desta função é R e como imagem, o intervalo [0, +∞). Gracamente:

Figura 16: Gráco de f (x).


O próximo importante exemplo pode ser visto como uma função denida por partes: é a função modular.
Exemplo 12 (Função Modular). Seja:
x, se, x ≥ 0

f (x) = |x| =
−x, se, x < 0
O gráco da função modular é:

Figura 17: Gráco de f (x) = |x|.

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Observe que o domínio da função modular é o conjunto R e a imagem desta função é o conjunto R+ .


Exemplo 13 (Função Heaviside). A Função Heaviside, muito utilizada na eletricidade para representar
chaves que ligam e desligam, é denida por:

0, se, t < 0

H(t) =
1, se, t ≥ 0

Note que o domínio desta função é R e a imagem é o conjunto {0, 1}, formado apenas de dois elementos.
Representamos gracamente esta função a seguir.

Figura 18: Gráco de H(t).

Exemplo 14 (Função Maior Inteiro ou Função Escada). A função maior inteiro denotada entre colchetes e
denida por:
f (x) = [x], ∀ x ∈ R
representa o maior inteiro que é menor que ou igual a x. Atribuindo alguns valores para x, ela tem como
imagem números inteiros. Por exemplo: [0, 8] = 0, [1, 5] = 1, [−1, 75] = −2, [−0, 4] = −1, [π] = 3, etc.
Gracamente, temos:

Figura 19: Gráco da Função Maior Inteiro.

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Resumo
Faça um resumo dos principais resultados vistos nesta aula.

Aprofundando o conteúdo
Leia mais sobre o conteúdo desta aula nas seções 1.1, 1.2 e 1.6 do livro texto.

Sugestão de exercícios
Resolva os exercícios das seções 1.1 e 1.2 do livro texto.

Dica importante
Utilize algum software matemático, como por exemplo o Geogebra, para plotar grácos de funções e
vericar os conceitos geométricos apresentados nessa aula, como o teste da reta vertical.

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