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MATERIAL DE APOIO

AULA 3
Palavra do Preletor
Rev. Hernandes Dias Lopes

O apóstolo Paulo foi o grande bandeirante do


cristianismo, talvez tenha sido o maior pregador
de todos os tempos. Em sua última carta, a
segunda carta a Timóteo, ele nos oferece quatro
ordens absolutamente importantes:

1. No capítulo 1 ele fala que precisamos guardar


o evangelho;

2. No capítulo 2 ele fala que precisamos sofrer


pelo evangelho;

3. No capítulo 3 ele fala que precisamos per-


manecer no evangelho;

4. No capítulo 4 ele fala que precisamos pregar


o evangelho.
Guarda a Palavra, sofre pela Palavra, permanece
na Palavra e prega a Palavra.

Pregar a palavra de Deus é a tarefa mais nobre,


mais importante e mais urgente que temos neste
mundo. Os próprios apóstolos entenderam isso,
pois em Atos 6:4 eles decidiram: “Quanto a nós,
nos consagraremos à oração e ao ministério da
Palavra”.

Na aula de hoje eu gostaria de tratar com vocês


sobre os maus hábitos que devemos evitar na
pregação da Palavra. São hábitos que, muitas
vezes, cultivamos sem observar e que servem de
entraves, são obstáculos para a clareza e para
a boa aceitação da Palavra. Vejamos, portanto,
alguns desses erros que você e eu não podemos
cometer.
AULA 3
Erros que devemos
evitar na pregação da
palavra de Deus.
1
Descuido na preparação

Não podemos achar que já conhecemos tanto a


Bíblia a ponto de não precisarmos nos preparar
convenientemente. Nosso papel é sermos
‘obreiros aprovados que manejam bem a Palavra
da Verdade’, como disse Paulo. Ele também nos
orienta para que nos afadiguemos na Palavra,
que nos esmeremos no ensino, e isso exige de
nós dedicação aos estudos. Precisamos ser
estudiosos porque ninguém dá o que não tem!

Não conseguiremos ensinar se não aprendermos.


Quem cessa de aprender, cessa de ensinar!

Quero reiteradamente repetir isso, e repetir: você


que é pregador precisa formar a sua biblioteca,
você precisa ter livros!

Como um médico cirurgião precisa de um bisturi,


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como um agricultor precisa de uma enxada ou
de um trator para arar a terra, o pregador precisa
de bons livros! Para poder mergulhar em águas
mais profundas e estudar com mais cuidado o
texto Divino e inesgotável. Isso possibilitará uma
pregação com clareza, com simplicidade, mas
com profundidade na Palavra de Deus.

Então, não nos descuidemos no preparo!

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2
É necessário ler o texto
e ler o auditório

Quando você for convidado para pregar, procure


chegar mais cedo, procure conhecer o local
primeiro, procure saber se está tudo certinho
dentro daquilo que você imagina, para não ser
pego de surpresa.

Tente conhecer o seu auditório!

Quem vai estar te ouvindo?

São jovens, adolescentes, casais? É um grupo


misto? É um grupo de crentes maduros ou é um
grupo de não crentes?

É importante saber porque, dependendo do


auditório, a abordagem terá de ser diferente.

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Por exemplo: Quando Pedro esteve pregando
em Jerusalém, no Dia de Pentecostes, ele estava
falando para um grupo de judeus de diversas
partes do mundo, gente já conhecia e já estudava
a lei, era um grupo familiarizado com a lei.

Paulo não precisa gastar tempo para argumentar


sobre a existência de Deus, sobre a criação do
Universo, ele vai direto ao ponto falando sobre
Jesus: sua vida, sua morte e ressurreição, sua
exaltação e Seu senhorio.

Porém, quando Paulo está falando em Atenas, a


capital intelectual da filosofia, para pessoas que
não conheciam o Evangelho, ele prega o mesmo
Evangelho, mas com abordagem diferente. Ele
não começa falando da vida, morte, ressurreição,
exaltação e senhorio de Cristo; ele começa
afirmando que Deus é o criador, que Deus é o
provedor, que Deus é o sustentador da vida.

Ele começa mostrando que esse Deus é espiritual


e não habita em casas feitas por mãos humanas,
ele começa dizendo que esse Deus não precisa
de nada que você faça, porque é Ele quem lhe
dá vida, a respiração e tudo mais. Só depois de
dizer tudo isso é que Paulo vai falar de Cristo e
mostrar que Deus exige arrependimento porque

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já marcou o dia do juízo.

Dependendo do auditório a quem pregaremos,


teremos de usar abordagens com nuances
diferentes.

É preciso ler o texto e ler o povo, ler a passagem


e ler o auditório.

Você precisa conhecer a cidade onde você está,


sua cultura, suas indústrias, seu comércio, pois,
assim, você poderá ser pertinente em suas
colocações.

Jesus esteve falando para a região metropolitana


de Laodicéia, e Ele falava de quente, morno, frio,
ouro puro, vestes brancas, colírio. Por que Jesus
usa todas essas figuras? Porque Ele conhecia,
sabia qual era o contexto geográfico, histórico,
cultural e comercial daquelas cidades.

Por isso, o pregador precisa ser uma pessoa


antenada. Imagine um país tropical com
temperaturas de 40ºC à época do Natal e o
pregador usa ilustrações norte americanas,
onde a temperatura chega a -20ºC negativos na
época do Natal!

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É uma boa ilustração para ser usada quando
você estiver pregando lá, mas aqui, falar de
inverno no Natal, não faz tanto sentido. Isso é
uma desconexão geográfica!

Por isso a importância de ler o texto e ler o


auditório.

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3
Evite rodeios e mantenha
o foco no sermão

Um pregador não pode subir ao púlpito e pedir


desculpas.

“Peço desculpas porque eu fui pego de surpresa.”

“Desculpem-me porque eu não me preparei como


eu gostaria de ter me preparado.”

“Desculpem-me porque eu não tenho eloquência.”

“Desculpem-me porque tem gente mais preparada


para pregar do que eu.”

“Desculpem-me porque eu me sinto incapacitado,


inabilitado para falar para vocês.”

Não, de modo algum!

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Isso pré-dispõe as pessoas a não te ouvirem.

Se você subiu ao púlpito, e se você teve a opor-


tunidade de ler o texto, expor o texto, explicar e
aplicar o texto, você não tem que pedir descul-
pas.

Você não tem que ter uma falsa humildade, uma


falsa piedade. Você pode sim agradecer o privi-
légio daquele momento, daquela oportunidade,
sem ficar fazendo muitos rodeios e ir direto ao
ponto: ler, explicar e aplicar o texto.

Algo que merece destaque aqui é um erro que


eu vejo com muita frequência: O pregador se
levanta e começa a fazer as saudações que se
prolongam.

“Quero cumprimentar o Fulano, pastor presiden-


te, quero cumprimentar o Ciclano, pastor vice-
-presidente, quero cumprimentar o Fulano de Tal
que tem o cargo tal, eu quero também saudar um
Ciclano de Tal porque é líder tal!”

Ninguém aguenta isso! É uma espécie de jogo de


confete que ninguém tolera. Ainda pior do que
isso, podem ser aquelas saudações: “Eu trago
um abraço do Fulano, do Beltrano, do Ciclano,

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da minha igreja, também do meu concílio, da
minha região...” e gasta tanto tempo com essas
amenidades.

Não fomos chamados para isso!

Fomos convidados para pregar a Palavra de


Deus.

Vamos evitar esse tipo de saudação longa e cheia


de confetes, vamos evitar muita conversa antes
de ler a Bíblia, pois esses hábitos não passam
de um ritual vazio. O tempo de todos é precioso
demais! Use-o para ler a Bíblia, para pregar a
Palavra, para abençoar o povo.

O pregador não é um político que se levanta para


fazer um discurso e tem umas 30 fichinhas na
mão que a assessoria entregou em sua mão para
cumprimentar o Fulano, o Beltrano, o Ciclano,
mais esse, mais aquele! Não! Você não é um
político, você é um pregador!

Ao assumir o púlpito, seja breve em seus


agradecimentos: “eu quero agradecer o privilégio
de estar aqui”. É de bom tom você mencionar
o nome do pastor da igreja ao agradecer o
privilégio. “E agora, meus irmãos, vamos abrir a

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Palavra de Deus.” E começa o seu sermão, entra
naquilo que você foi chamado para fazer, sem
rodeios, sem perda de tempo, sem perder o foco!

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Cuidado para não
enaltecer a si mesmo

Às vezes, o pregador convidado também é um


cantor, ou então, às vezes, o pregador convidado
também é um escritor e ele leva os seus livros.
Ele se levanta para ler a Bíblia, mas leva consigo
uma pilha de seus livros e começa a falar de cada
livro, recomendando-os, enaltecendo-os: “eu
escrevi este livro, porque este livro é maravilhoso,
esse é o melhor livro do mundo!”.

Isso não fica nada bem! Nada bem! Você elogiar


o seu próprio livro? Você enaltecer a sua própria
obra? Você se auto promover como escritor ou
como cantor? E às vezes a pessoa fica nisso 5
minutos, 10 minutos, 15 minutos e quando ele
vai ler o texto bíblico, o povo já está cansado, o
auditório já não está mais disponível para ouvir.

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Essa postura passa ideia clara de que a motiva-
ção dele estar ali é fazer merchandising, fazer
comércio. Muitas vezes, ele nem bem terminou
de pregar e já corre lá para frente para vender os
livros, para passar o cartão na maquininha, para
assinar o livro das pessoas! Não precisa disso!

Você foi chamado para pregar, então pregue!

Você não foi chamado para falar de você, você


não foi chamado para falar das suas obras ou
de sua expertise, nem mesmo dos seus títulos.
Você foi chamado para pregar, então, pregue a
palavra! Não cometa esse erro! Isso desprepara
o seu auditório!

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5
Cuidado com a duração do sermão

Outro cuidado que considero fundamental é a


duração do sermão.

Não existe uma regra sobre isso. É claro que


a igreja deve dar supremacia às Escrituras e
a primazia para a pregação. Por isso, quando
estivermos pregando na igreja onde somos o
pastor, podemos dar prioridade à pregação.

Quando uma igreja separa mais de uma hora


para cantar e depois dá apenas 10 minutos para
a pregação, ela está dando um recado: a Bíblia
aqui não é prioridade, a Palavra de Deus aqui não
é primazia!

A liturgia do culto deve preparar o auditório para


receber a palavra de Deus, ou seja, o povo adora a
Deus, confessa seus pecados, pede a benção do
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Eterno e assim prepara o coração para receber a
mensagem, que deve merecer prioridade!

Mas, se você for pregar em outra igreja, ou em uma


conferência ou congresso, ou em um salão que
não é no templo, em uma programação especial,
ou você foi convidado por uma autoridade para
falar, é muito importante que você saiba: quanto
tempo eu tenho para pregar?

Imagine que eles esperam que você pregue 40


minutos e você prega apenas 5 minutos. Ou
imagine que você só tem 10 minutos e você
estende o sermão para mais de uma hora!

É necessário ter controle da mensagem a tal


ponto que ela possa ser pregada em 5 minutos
ou em 50 minutos, e ainda assim ser uma
mensagem clara, com começo meio e fim.

É fundamental ter essa definição de tempo, esse


controle do tempo. Nós conhecemos pregadores
que, se não tiverem todo o tempo que gostariam,
não conseguem desenvolver o raciocínio.

Portanto, se o tempo for pouco, você precisará


saber usá-lo de tal maneira que a mensagem
central seja exposta claramente. Será necessário

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enxugar a mensagem deixando apenas a
essência, aquilo que é o néctar do assunto que
você pretendia anunciar.

Se você não tiver esse controle do tempo para


explanar a mensagem, pode ser um erro fatal e
você terá perdido seu auditório.

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Cuidado com a sua aparência

Nós homens, muitas vezes, somos um pouco


descuidados, inclusive na combinação das
roupas. As mulheres, via de regra, são mais
qualificadas nisso. Eu não estou dizendo que
toda mulher é qualificada e nem estou dizendo
que todo homem é desqualificado, mas nós
devíamos pensar bem sobre isso.

Vamos analisar algumas coisas:

• Antes de sair de casa para a igreja, ou para o


local que você vai pregar, dê uma olhadinha
no espelho. Perceba se a sua roupa está
combinando. Às vezes, a calça é de um jeito,
a camisa é de outro, o paletó é de outro, a
gravata é de outro, e tem cores sobrando
nessas roupas. Se você for estiloso demais
ou demonstrar falta de cuidado com as
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roupas, você chamará a atenção para você.
O papel do pregador não é chamar atenção
para ele. Ele tem que ser discreto, humilde,
contextualizado, e precisa chamar a atenção
para a mensagem.

• Se você vai usar uma gravata, procure


saber se o colarinho da sua camisa não
está quebrado. Já viu aquela pessoa que
coloca uma gravata e o colarinho está todo
amarrotado? Essa pessoa chamou a atenção
para si! Ou, às vezes, a gravata está com o nó
torto, ou está completamente fora de moda!

• Ou ainda, a calça é listrada e o paletó é


xadrez. Ou então, o paletó é pequeno demais
ou grande demais. A manga alcança na mão
ou está dando no meio do braço.

Tudo isso é muito importante porque não é


possível separar a mensagem do mensageiro.
O zelo que o mensageiro tem em sua apresentação
é fundamental para que as pessoas recebam a
mensagem que ele vai apresentar.

Nem tanto ao mar nem tanto a terra. Nem com


ostentação, nem com falta de zelo e cuidado.
A apresentação é fundamental!

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Não estou dizendo precisamos ter um guarda-
roupas cheio. Não, é apenas zelo, é cuidado!

Tudo isso carrega uma mensagem para nosso


ouvinte: eu respeito as pessoas que vão me ouvir,
e eu respeito a mensagem que eu vou pregar.
Tudo isso contribui para o bom desempenho
da pregação e a boa aceitação da mensagem.
Cuidado com a sua aparência.

• Dá uma olhadinha em seu cabelo, veja se está


bem alinhado. Dá uma olhadinha se seu rosto
está bem trabalhado. Dá uma olhadinha se o
seu cabelo não precisa de um cortezinho ou
de um pente.

• Verifique se o seu sapato está bem engraxado.


Não estou falando de um sapato caro e nem
de um sapato novo, mas de um sapato limpo.

• Veja se a roupa que você está usando combina


com o seu sapato.

Repare que não estou falando de luxo, não estou


falando de ostentação, eu estou falando de zelo.
É isso que é importante.

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Cuidado na hora de
contar ilustrações

Na primeira aula desse curso falamos que


ilustração vem da palavra luz. Luz! Ilustração
é quando você abre uma janela no seu sermão
para entrar a luz do entendimento, para ficar
mais claro. Porém, um sermão que só conta
historinhas, que está recheado de ilustrações,
não é um sermão!

Quero deixar um alerta para que você tenha


cuidado para não contar ilustrações pessoais
demais. Eu conheço pregadores que ficam
pedantes, pois todas as vezes contam uma
ilustração da própria vida. Se ele é sempre o
herói de suas ilustrações, ele vai passar uma
ideia de uma piedade autopromovida, como a
dos fariseus.

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Ou então, ele só conta histórias para mostrar
seus erros. Nesse caso, ele passa a ideia de ser
uma pessoa relaxada ou descuidada.

Pior do que isso, é quando o pregador conta


ilustrações de sua própria casa para lavar roupa
suja no púlpito e acaba por expor a família ao
constrangimento.

Eu não estou dizendo que nunca podemos contar


uma ilustração pessoal, ou de casa, ou dos filhos,
ou do cônjuge, estou dizendo para ter cuidado
para não expor a família. Cuidado para não cair
no ridículo! Cuidado para que a ilustração, em
vez de ajudar, piore a situação.

Seja muito zeloso quando você for tratar de


ilustrações pessoais. Policie-se para não bater
palmas para você mesmo, e nem para passar
a ideia de que você é uma pessoa relaxada, ou
expor sua família a um vexame. Não corra o
risco de ficar endeusando sua família, dizendo
que a sua família é a melhor família do mundo.
Então cuidado, muito cuidado com esse tipo de
ilustração!

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Cuidado com a conclusão

Outra dica importante tem a ver com a conclusão


do seu sermão.

Nós conhecemos pregadores que dizem assim:


“Vamos concluir!”, mas, então, ele lembra de
um fato novo e emenda no sermão. O povo está
agarrado na promessa dele: “Vamos concluir!”,
mas ele estica o discurso por mais 5 minutos,
mais 10 minutos. Nesse ponto, o povo já começa
a torcer contra ele, começa a orar contra! Ele
falou que vai concluir, o auditório começa a
remexer no banco, a olhar no relógio, um se
levanta, outro vai embora. E então, quando ele
vai concluir, lembra de novo de um outro fato e
emenda outra vez.

Esse pregador não planejou a sua conclusão. O


sermão precisa terminar lá em cima, no ápice.
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Você precisa concluir o seu sermão de maneira
que as pessoas sejam impactadas. Então,
planeje e programe a conclusão.

Todo sermão precisa ter começo, meio e fim!

O pregador não pode ser aquela pessoa que entra


em um ônibus para ser o motorista e os crentes
embarcam com ele, mas, daqui a um pouquinho,
o povo começa a desembarcar, desembarcar,
desembarcar! E ele fica dirigindo sozinho. Só ele
ficou preso ao sermão, mais ninguém!

Por isso a importância de ler o seu auditório.

Há gente que prega 10 minutos e o povo não quer


ouvir mais; há gente que prega 50 minutos e o
povo quer um pouco mais!

Então, olhe nos olhos das pessoas. Identifique


em seu auditório pessoas que estejam olho no
olho com você. Se você percebeu que tem um
monte de gente folheando Bíblia, olhando no
relógio, revirando no banco ou levantando, é um
sinal para o pregador. É hora de parar! O pregador
precisa ler o auditório para saber se ele pode ou
não continuar.

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Tem hora para concluir, então, precisa concluir.

Tenha o cuidado de preparar a conclusão do


sermão.

Se você disser: “vamos concluir”, então você


deve mesmo concluir e concluir de maneira bem
concluída, lá no alto, lá no ápice!

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9
Seja autêntico

Há algo mais que eu quero partilhar com vocês e


que eu acho importante.

Todos nós admiramos certos os pregadores,


certo?

As pessoas têm dons diferentes, é claro. Por


exemplo, há pregadores que tem o dom do
humor!

Eu sou um pastor colaborador com o pastor Arival


na Igreja Presbiteriana de Pinheiros. O pastor Arival
tem o dom do humor. Se eu falar o que o Arival fala
no púlpito, é um escândalo, não combina comigo,
o povo não vai rir e, se rir, vai rir por misericórdia,
vai sentir mais raiva do que vontade de rir. Porque
não é meu estilo, se eu for tentar imitar o Arival,
vai ser um fracasso.
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Ele recebeu de Deus o dom do humor, por isso
ele brinca, ele fala coisas que eu não posso falar,
que eu não devo falar, que eu não sei falar. Tais
coisas, ditas por mim, não têm o mesmo impacto
de quando são ditas por ele.

Então, não queira imitar uma pessoa só porque


você a admira. Deus fez aquela pessoa daquele
jeito, você é outra pessoa, de outro jeito. Deus vai
usar aquela pessoa e Deus vai usar você. Cada
um com seu dom, cada um com seu talento,
cada um com seu estilo, cada um com a sua
formação.

Você pode imitar, sim! Imitar o zelo, a fidelidade,


a coragem, a humildade, mas não o estilo.
O estilo é pessoal, por isso, é muito importante
não imitar para não parecer uma coisa forçada.

Nós vemos na televisão gente imitando o jeito


do outro, a tonalidade da voz, os trejeitos. Para
quê? Cada um é cada um. Deus fez você e jogou
a forma fora. Se você não for você, ninguém mais
será. Então, seja autêntico.

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Cuidado com a língua portuguesa

Minha última dica tem a ver com o cuidado com


a língua portuguesa.

Nós estamos falando aqui no Brasil, se você está


assistindo essa aula de outro país, então é outro
contexto.

Há alguns erros graves que nós cometemos e


que podem ser evitados com muita facilidade.

Eu tinha um grande amigo, ainda tenho, embora


eu esteja longe dele, que frequentava a Primeira
Igreja Presbiteriana de Vitória, onde eu tenho a
bênção de ainda ser um dos pastores da equipe,
e ele me ajudava muito dizendo assim: “pastor
Hernandes, mais de 90% dos pastores cometem
erros graves na Língua Portuguesa quando estão
no púlpito.”
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A maioria esmagadora comete erros graves
quando ora, por exemplo, e isso é muito comum,
até gente com pós-doutorado faz isso. Você
começa uma oração na segunda pessoa
do singular: “Deus, nós te adoramos, nós te
agradecemos, nós louvamos o teu nome”.

Você tá começando na segunda pessoa, Tu! E


aí você emenda a segunda frase: “O Senhor é
maravilhoso, o Senhor é bom, O Senhor é miseri-
cordioso”. Já está errado, pois ‘Senhor’ é tercei-
ra pessoa do singular. Você passou da segunda
para terceira pessoa, faltou consistência gra-
matical.

É possível que você esteja em uma congregação


que ninguém vai prestar atenção, isso vai passar
batido e você nunca vai receber uma observação
sobre isso. Mas, se você for pregar em outro local,
se for convidado para uma cerimônia especial,
se for falar para um grupo mais seleto, um grupo
que tem um conhecimento da língua portuguesa
mais apurado e mais refinado, e se houver
deslizes como esse e outros da gramática, isso
vai criar obstáculos para que essas pessoas
ouçam a palavra de Deus com a mente e o
coração abertos.

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Portanto, zelo na língua portuguesa é funda-
mental!

Outra coisa que é muito comum nas pregações


e você vê gente com formação, com pós-
graduação, com mestrado e doutorado
cometendo esse erro: “Senhor abençoa as nossas
vidas”.

Você só tem uma vida, mesmo que você esteja


falando para mil pessoas, você diz: “Senhor
abençoa a nossa vida” ou alguém diz assim:
“Vamos abrir as nossas bíblias”, mas você só
tem uma Bíblia, e mesmo que você fale para mil
pessoas, você diz: “Vamos abrir a nossa Bíblia”.
Também escutamos assim: “Vamos abrir as
nossas bocas para cantar”, não, “vamos abrir a
nossa boca”. Mas está correto quando dizemos:
“Vamos abrir os nossos lábios”, pois temos mais
de um. “Vamos fechar os nossos olhos”, “vamos
levantar as nossas mãos”.

Outro exemplo, você ora assim: “Óh, Deus,


abençoa as nossas mulheres”, mas você só tem
uma mulher! “Senhor, abençoa a nossa mulher”.

Mulheres, prestem bem atenção nisso: “Senhor,


visita o nosso marido”. Deixa-me exemplificar

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isso à luz da Bíblia. Vamos abrir lá em Efésios
5:22-33, quando Paulo se dirige às mulheres.

“Mulheres, sede vós submissas ao vosso próprio


marido” - não está escrito aos vossos maridos -
mulheres no plural, marido no singular. Maridos
no plural: “amai a vossa mulher”, não as vossas
mulheres. Maridos no plural, mulher no singular.

Isso é importante para não criar barreiras na


recepção do Evangelho.

Há outras expressões mais complicadas ainda


que nós chamamos de cacófato. Um exemplo
de oração que é muito comum: “Senhor, nós te
agradecemos por cada pessoa, por cada visitante,
por cada família, por cada igreja aqui presente”.
Por cada, por cada, por cada! Essa junção da
preposição ‘por’ mais a palavra ‘cada’ gera um
cacófato, uma palavra feia, uma pronúncia feia,
‘por cada’!

Por isso, o zelo na maneira de se expressar é


fundamental.

Ouça meu conselho: leia uma boa gramática.

Outro conselho: desenvolva o hábito de escutar

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pessoas que falam a língua portuguesa de
maneira correta. Observe, observe! Pratique! Por
quê?

Porque a língua portuguesa é um instrumento


que Deus nos deu para comunicar essa gloriosa
mensagem.

Se eu não cuido zelosamente da gramática, eu


posso criar entraves para as pessoas ouvirem a
mensagem do Evangelho. Então, nós não temos
o direito de cometer esses erros se nós podemos
corrigi-los!

Termino aqui as minhas breves, concisas e


objetivas orientações e meus conselhos acerca
dos erros que nós devemos evitar à medida em
que pregamos a bendita palavra de Deus.

Eu espero que estas dicas sejam importantes


para você e te alertem, te ajudem em sua
linda jornada como pregador e pregadora do
Evangelho de Jesus Cristo.

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ATÉ A PRÓXIMA AULA!

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Este eBook é parte integrante do conteúdo
de curso da 2ª Semana Pregação Transformadora
realizado pelo Ministério Luz Para o Caminho.

WWW.LPC.ORG.BR

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