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Disciplina: Direito das Relações de Consumo

Prof.: Luis Carlos Laurenço


Curso: Direito

Aula III – Política Nacional das relações de consumo e Direitos básicos do consumidor

1 – Política Nacional de Relações de consumo (art. 4° CDC)

Consiste no estabelecimento de alguns parâmetros previstos pela lei, a serem observados pela
sociedade, que servem de diretrizes para todo e qualquer ato de governo, seja no âmbito do
legislativo, executivo ou judiciário, quanto ao tratamento das relações de consumo. Esta política
visa à harmonia das relações de consumo.

Preocupa-se com o atendimento das necessidades básicas dos consumidores – dignidade, saúde,
segurança e aos seus interesses econômicos, além de visar proteger as boas relações comerciais,
a proteção da livre concorrência, do livre mercado, da tutela das marcas e patentes, programas
de qualidade e produtividade, etc

Objetivos da Política Nacional: atender necessidades de consumidores; respeito à dignidade,


saúde e segurança; proteção dos interesses econômicos; melhoria da qualidade de vida;
transparência e harmonia nas relações de consumo

1.1) Vulnerabilidade (art. 4º, I CDC)

O consumidor é a parte fraca da relação jurídica de consumo. A vulnerabilidade do consumidor


pessoa física constitui presunção absoluta, não necessitando de qualquer comprovação outra
para demonstrar o desequilíbrio existente entre as parte. No caso de consumidor pessoa jurídica
ou profissional, a comprovação da vulnerabilidade é pressuposto, sem o qual não será possível a
utilização das regras do CDC

A vulnerabilidade do consumidor poderá ser identificada nas seguintes espécies:

a) ordem técnica – o conhecimento dos meios de produção é de monopólio do fornecedor.


É ele quem decide o que produzir, como produzir, quanto produzir e para quem produzir
b) ordem econômica (vulnerabilidade fática): o fornecedor, via de regra, tem maior
capacidade econômica que o consumidor
c) ordem jurídica ou científica: é a falta de conhecimentos jurídico, contábil ou econômico
específicos
d) ordem informacional: o consumidor é frágil em relaçaõ às informações veiculadas dos
produtos e serviços

1.2) Princípio do Dever Governamental (art. 4°, II c/c art. 5° CDC)

O Estado pode intervir diretamente para proteger efetivamente o consumidor. A efetividade


desta proteção será alcançada pelo Estado da seguinte forma: por iniciativa direta; por meio de
incentivos à criação e desenvolvimento de associações representativas; pela sua presença no
mercado de consumo; pela garantia de qualidade, segurança, durabilidade e desempenho dos
produtos e serviços e pelo estudo constante das modificações do mercado de consumo.

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1.3) Harmonização das Relações de Consumo (art. 4°,III CDC)

O princípio da harmonia/harmonização apresenta dois objetivos a serem alcançados:


compatibilização dos interesses dos participantes das relações de consumo e compatibilização
da proteção do consumidor com a necessidade
de desenvolvimento econômico e tecnológico.

Todo o esforço do Estado ao regular os contratos de consumo tem que ter por base o princípio
da boa-fé, que pode ser entendida como o princípio máximo orientador do CDC, devendo se
destacar também o princípio da transparência.

A boa-fé objetiva pode ser definida como o dever das partes de agir conforme certos parâmetros
de honestidade e lealdade, a fim de se estabelecer o equilíbrio nas relações de consumo.

1.4) Educação e Informação (art. 4°, IV CDC)

O fornecedor está obrigado a prestar todas as informações acerca do produto e do serviço, suas
características, qualidades, riscos, preços, etc, de maneira clara e precisa, não se admitindo
falhas ou omissões.

1.5) Controle de qualidade e mecanismos de atendimento pelas próprias empresas (art. 4°, V
CDC)

O princípio da qualidade e segurança está cercado dos seguintes preceitos: dever de bem
informar sobre a qualidade e segurança; informação ostensiva e adequada sobre a nocividade e
periculosidade; vedado o alto grau de nocividade e periculosidade e dever de comunicar da
periculosidade por anúncios publicitários

1.6) Proibição e repressão de abusos no mercado (art. 4°, VI CDC)

Funda-se na coibição e repressão eficiente de todos os abusos praticados no mercado de


consumo, inclusive a concorrência desleal e utilização indevida de inventos e criações
industriais, das marcas e nomes comerciais e signos distintivos que possam causar prejuízos aos
consumidores,

1.7) Racionalização e melhoria dos serviços públicos (art. 4°, VII CDC)

O serviço tem de ser realmente eficiente, ou seja, tem de cumprir sua finalidade na realidade
concreta. O significado de eficiência remete ao resultado: é eficiente aquilo que funciona.

1.8) – Estudo das Modificações do Mercado (art. 4°, VIII CDC)

Os fornecedores devem estar atentos às novas exigências do mercado e às suas necessidades

2 – Dos Direitos básicos do consumidor (art. 6° CDC)

Refletem claramente os princípios estampados no art. 4° CDC e podem ser definidos como
“aqueles interesses mínimos, materiais ou instrumentais, relacionados a direitos fundamentais

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universalmente consagrados que, diante de sua relevância social e econômica, pretendeu o
legislador ver expressamente tutelados”

2.1) Proteção da vida, saúde e segurança (art. 6°, I CDC)

Têm os consumidores e terceiros não envolvidos em dada relação de consumo incontestável


direito de não serem expostos a perigos que atinjam sua incolumidade física e psíquica

2.2) Direito à liberdade de escolha e igualdade nas contratações (art. 6°, II CDC)

A educação e divulgação sobre o consumo adequado dos produtos e serviços assegurarão a


liberdade mínima de escolha ao consumidor e, consequentemente, estará concretizada a
igualdade nas contratações realizadas no mercado de consumo.

2.3) Informação sobre produtos e serviços (art. 6°, III CDC)

A informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação


correta de quantidade, características, composição, qualidade, tributos incidentes e preço, bem
como sobre os riscos que apresentem”.

2.4) Direito à proteção contra as práticas comerciais e contratuais abusivas (art. 6°, IV CDC)

Considera-se abusivo tudo o que afronte a principiologia e a finalidade do sistema protetivo do


consumidor, bem assim se relacione à noção de abuso do direito (art. 187 CC). Fica proibido
o abuso de direito, devendo haver na relação consumerista transparência e boa-fé nos métodos
comerciais, na publicidade e nos contratos.

2.5) Direito à modificação e revisão como formas de preservação (implícita) do contrato de


consumo (art. 6°, V CDC)

O CDC traz dois direitos ao consumidor que, implicitamente, visam garantir a preservação do
contrato de consumo: modificação das cláusulas contratuais que estabeleçam prestações
desproporcionais e revisão das cláusulas em razão de fatos supervenientes que as tornem
excessivamente onerosas.

2.6) Prevenção e reparação de danos materiais e morais (art. 6°, VI CDC)

A efetiva prevenção e a efetiva reparação abrange: danos patrimoniais; danos morais; danos
individuais (incluídos os individuais homogêneos) e danos coletivos;

2.7) Acesso à justiça (art. 6°, VII CDC)

A proteção de acesso aos órgãos administrativos e judicias para prevenção e garantia de seus
direitos enquanto consumidores é ampla, o que implica abono e isenção de taxas e custas

2.8) Inversão do ônus da prova (art. 6°, VIII CDC)

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A facilitação da defesa do consumidor em juízo tem como principal manifestação de ordem
processual a inversão do ônus probante. Pode o juiz proceder à inversão do ônus da prova
quando verossímil a alegação do consumidor ou em face da sua hipossuficiência.

Bibliografia de referência para aprofundamento

BENJAMIM. Antonio Herman; MARQUES, Claudia Lima e BESSA, Leonardo Roscoe.


Manual de Direito do Consumidor. RT: 7ª Ed, 2016
CAVALIEIRI FILHO, Sergio. Programa de Direito do Consumidor. Atlas: 4ª ed, 2014
NUNES, Rizzato. Curso de Direito do Consumidor. Saraiva: 11ª ed, 2017
FILOMENO, José Geraldo Brito. Manual de Direitos do Consumidor. Atlas: 14ª ed, 2016

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