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Arnaldo freire

Marcelo Menezes
ADVOGADOS

EXMO. SR. DR. JUIZ FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA SEÇÃO


JUDICIÁRIA DO RIO DE JANEIRO/RJ. JFRJ
Fls 1

GILMAR RODRIGUES DA SILVA, brasileiro, casado, militar da reserva


da Marinha do Brasil, Carteira Identidade nº 434552 da Marinha do Brasil, CPF nº
889.990.177-53, (Anexo 01 ), residente e domiciliado na Rua Quiririm, nº 902, Rua F,
casa 31, Vila Valqueire, Rio de Janeiro/RJ, CEP: 21330-650 (Anexo 2), vem por
intermédio de seu advogado in fine assinados, ut instrumento de procuração (Anexo 03),
com endereço para recebimento de intimações e avisos na Rua Colina, nº 60, Loja nº 4,
Jardim Guanabara, Ilha do Governador, Rio de Janeiro (RJ), CEP: 21931-380, para efeito
do artigo 39, inciso I, do Código de Processo Civil, propor a presente, pelas razões de
fato e de direito a que passa a expor:

AÇÃO INDENIZATÓRIA

em face da UNIÃO FEDERAL (COMANDO DA MARINHA DO BRASIL - CORPO DE


FUZILEIROS NAVAIS), Pessoa Jurídica de Direito Público Interno, com sede nesta
capital, a ser representada por seus procuradores, nos termos de nossa Constituição
Federal, pelas razões de fato e de direito a que passa a expor:

Rua Colina nº 60, Grupo 4, Jardim Guanabara, Ilha do Governador, Rio de Janeiro/RJ, CEP.: 21931-380

Tels.: (21) 98176-7304/(21) 3684-874 e Tel/fax.: (21) 3435-8004/3435-6003

e-mail: uirapurutorax@yahoo.com.br

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Protocolada por MARCELO MENEZES RAMOS em 18/12/2017 20:54. (Processo: 0229651-75.2017.4.02.5151 - Petição: 0229651-75.2017.4.02.5151) .
Assinado eletronicamente. Certificação digital pertencente a MARCIA HELENA SCHUCK MAGALHAES VAZ.
Documento No: 78835004-1-0-1-13-443291 - consulta à autenticidade do documento através do site http://www.jfrj.jus.br/autenticidade .
PRELIMINARMENTE
JFRJ
Fls 2
DA GRATUIDADE DE
JUSTIÇA

O Autor, vem requer as Vossa Excelência a CONCESSÃO DA GRATUIDADE DE


JUSTIÇA, nos termos dos artigos 98 e 99 do CPC/15, pelo fato de não poder arcar, no
presente momento, com custas judiciais e os honorários advocatícios sem prejuízo de
seu próprio sustento e de sua família, visto que possui um grande número de despesas e
a renda da família provêm exclusivamente de seu salário, não comportando, com isso, o
pagamento das custas judiciais e honorários advocatícios, o que oneraria, ainda mais, o
orçamento do Autor e de sua família, conforme declaração do (Anexo 04A).

DA COMPETÊNCIA DO JUIZADO ESPECIAL e DA DECLARAÇÃO DE RENÚNCIA

Observando a regra do §4º do Art. 17 da Lei 10.259/2001, o autor


declara que renuncia aos valores, que eventualmente, excedam ao teto dos
Juizados Especiais, para fim de fixação de competência (Anexo 04).

DO PREQUESTIONAMENTO

A Constituição da República/88, em seu Art. 1º, assevera que a


República Federativa do Brasil, constitui-se em Estado Democrático de Direito, onde o
mesmo Estado que cria as normas deve se submeter a elas. A via é de mão dupla! Trata-
se de relação bilateral (Cidadão-Estado / Estado-Cidadão).

Destarte, fica, portanto, prequestionada a decisão do Administrador Público


Militar da Marinha do Brasil em não reconhecer o direito do Autor de receber em pecúnia
a Licença Especial de Seis Meses (LESM), não gozadas por ocasião de sua
aposentadoria (Transferência para a Reserva Remunerada), conforme os ditames da Lei,
visto que o Autor não poderá mais usufruir do aludido direito, caracterizando assim,
enriquecimento sem causa da União Federal (Marinha do Brasil), pelo fato de afrontar

os Princípios da
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Dignidade da Pessoa Humana, Igualdade (Isonomia) e Legalidade externados, nos
JFRJ
artigos: 1º, III; 5º caput e 37 caput, da Constituição da República Federativa do Fls 3
Brasil, de 05 de outubro de 1988, a saber:

“Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada


pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e
do Distrito Federal, constitui-se em Estado
Democrático de Direito e tem como fundamentos:

I - a soberania;

II - a cidadania;

III - a dignidade da pessoa humana;


..............................................................................................

“Art. 5º- Todos são iguais perante a lei, sem distinção de


qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito
á vida, à liberdade, À IGUALDADE, à segurança e à
propriedade, nos termos seguintes:” (Grifos Nossos)

..............................................................................................

“Art. 37- A administração pública direta e indireta de


qualquer dos poderes da União, dos Estados e dos
Municípios, obedecerá aos princípios de LEGALIDADE,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência, e
também ao seguinte:” (Grifos Nossos)

DOS FATOS

Excelência, o Autor, ingressou no Serviço Militar (por inclusão no


CPCFN) na Marinha do Brasil, em 29/08/1984 ( fls. 02, do Anexo 05), completando dez
(10) anos de efetivo serviço em 29/08/1994 e dessa forma, adquirindo o direito de gozar
Licença Especial de Seis Meses (LESM), requerendo no ano de 2001 à sua Organização
Militar (OM) o direito ao gozo desta licença, relativo ao 1º decênio, sendo determinado
que aguardasse autorização do Setor de Distribuição de Pessoal (SDP) de sua OM ( fls.
83 e 84, do Anexo 05), sendo que o Autor não gozou a LESM, tendo sido Transferido
para Reserva Remunerada da Marinha sem usufruí-la, consoante Planilha de Mapa de
Cômputo de Tempo de Serviço (Anexo 06), por motivo de necessidade de serviço,
sendo
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que esta licença em nada lhe aproveitou para sua transferência à inatividade.
JFRJ
Fls 4
Ocorre que em 27 de setembro de 2016 foi expedida a Planilha de Computo de
Tempo de Serviço Militar (Anexo 06), a qual consta que o Autor tinha até aquela data,
32 nos e 31 dias de tempo de serviço, sendo que, até a data do efetivo desligamento, em
07 de novembro de 2016 (fl. 178,do Anexo 05), o Autor obteve 32 anos 71 dias de tempo
de serviço, não tendo gozado a referida LESM e nem tendo utilizada a mesma para
contagem em dobro ao ser transferido para a Reserva Remunerada (Anexo 05), pois
mesmo sendo retirado o tempo relativo a LESM no computo de tempo de serviço do
militar para reserva, que seria 365 dias ( 1 ano ), o militar ainda ficaria com um total de 31
anos 71 dias, ou seja, de nada lhe aproveitando o acréscimo feito pela administração da
Marinha, conforme (Anexo 06).

Dessa forma se faz necessário, como já pacificado pelo STF, que o


militar seja indenizado em pecúnia, pelo motivo de não ter gozado a Licença Especial
de Seis Meses (LESM) e este tempo não ter sido necessário para que o Autor viesse a
ter o direito de ser Transferido para a Reserva Remunerada, devendo a LESM ser
convertida em Pecúnia, para que não haja o enriquecimento ilícito da administração
pública, consoante decisão do STF adiante apresentada.

DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS

Meritíssimo, o Autor teve sua Transferência para Reserva


Remunerada da Marinha ( TRRM ) em 17 de novembro de 2016, logo estando dentro do
prazo legal de 5 anos do ato da sua passagem à inatividade para o ingresso da ação
em questão, pois após a data de sua passagem à inatividade, não haveria mais a
possibilidade de gozo da Licença Especial de Seis Meses (LESM), assim originando o
direito do Autor da conversão da LESM em pecúnia, para que não haja o
enriquecimento sem causa por parte da Administração Pública, estando o prazo
legal para o ingresso da ação, que se inicia a partir do ato da sua passagem à
inatividade, consoante

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determina o artigo 1º do Decreto, nº 20.910, de 06 de Janeiro de 1932, in verbis:
JFRJ
Fls 5
Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e
dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou
ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal,
seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco
anos contados da data do ato ou fato do qual se
originarem. (Grifos nossos)

É esse também o entendimento do Supremo Tribunal Federal, conforme a


seguir exposto:

“[...] Prescrição. Inocorrência. Não há que se falar em


prescrição da pretensão de se pleitear indenização
das férias não gozadas, eis que, seu termo a quo se
inicia apenas com a aposentadoria do servidor, o
que sequer ocorreu no presente caso. O direito do
servidor de reivindicar o pagamento da indenização
decorrente da não fruição de férias tem início com a
aposentadoria, momento em que também inicia o
prazo prescricional. Reforma da Sentença.Parcial
Provimento do Recurso, para condenar o Estado ao
pagamento da indenização pelas férias não gozadas
relativas ao ano de 1999, 2000,2002, 2006 e 2008. [...]”
(STF - ARE: 712889 RJ , Relator: Min.RICARDO
LEWANDOWSKI, Data de Julgamento: 05/12/2012,
Data de Publicação: DJe-242 DIVULG 10/12/2012
PUBLIC 11/12/2012) (Negritos nossos)

Estando também já pacificado este entendimento, nesse mesmo sentido no


Superior Tribunal de Justiça, conforme pode ser observado em vários julgamentos,
dentre estes o julgamento do recurso do REsp 1.322.857, senão vejamos:

“PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. RECURSO


ESPECIAL. SERVIDOR ESTADUAL.POLICIAL MILITAR.
PAGAMENTO DE FÉRIAS. PRESCRIÇÃO. TERMO
INICIAL. APOSENTADORIA. ART. 535 DO CPC. NÃO
VIOLADO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO.
SÚMULAS N.º 282 E 356 DO CPC. FUNDAMENTAÇÃO
DEFICIENTE. SÚMULA Nº 284/STF. REVISÃO DO
PERCENTUAL ARBITRADO A TÍTULO DE HONORÁRIOS.
ART.21 DO CPC. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA Nº
7/STJ. [...] O termo inicial para contagem do prazo
prescricional, nas ações em que se discute o direito à

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indenização de férias não gozadas, é a data da
aposentadoria. Precedentes.[...]” JFRJ
(REsp 1.322.857; Proc. 2012/0096805-8; BA; Segunda Fls 6
Turma; Rel. Minª Eliana Calmon Alves; DJE 01/10/2013; Pág.
2119) (Negritos nossos)

Ainda nesse contexto, fica claro que o Autor sem o acréscimo da LESM
obtém um total de 31 anos e 71 dias. Assim, para efeitos de direito à reserva remunerada,
o cômputo em dobro dos meses de licença não gozada como tempo de serviço em nada
beneficiou o autor ao ser Transferido para a Reserva Remunerada (TRRM), pois o tempo
mínimo exigido é de 30 anos de serviço.

Excelência, no tocante à Licença Especial deferida com base no art. 68


do Estatuto dos Militares, mas não gozada pelo Autor, até o momento de sua passagem
para a inatividade, a administração naval fez incidir a regra de conversão em tempo de
serviço ficto, em dobro (Anexo 05), e não de conversão em pecúnia, por interpretação
restritiva, quanto aos termos do Art. 33, caput, da MP 2.215-10/2001, in verbis:

“Art. 33. Os períodos de licença especial, adquiridos até


29 de dezembro de 2000, poderão ser usufruídos ou
contados em dobro para efeito de inatividade, e nessa
situação para todos os efeitos legais, ou convertidos em
pecúnia no caso de falecimento do militar.”

Não obstante, o Decreto nº 4.307, de 18 de julho de 2002, que regulamenta a


MP 2.215-10, de 31 de agosto de 2001, em seu art. 95, estabelece o quantum devido a
título de indenização da licença especial não gozada:

“Art. 95. Será devido o valor de uma remuneração para


cada mês de licença especial não gozada, caso
convertido em pecúnia, conforme disposto no art. 33da
Medida Provisória no 2.215-10, de 2001.” (Negritos nossos)

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Destarte, a Lei permite a conversão da licença especial não gozada, em pecúnia
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nos termos da legislação de regência, a conversão dos períodos de licença especial em Fls 7
pecúnia somente seria admissível, em princípio, no caso de falecimento do militar.
Contudo, foge à razoabilidade jurídica que o servidor militar seja tolhido de receber a
compensação pelo não exercício de um direito que incorporara ao seu patrimônio
funcional e, de outra parte, permitir que tal retribuição seja paga a seus herdeiros
somente no caso de seu óbito.

Por conseguinte, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça tem


reconhecido que, ao prever a lei hipótese de conversão da licença especial não gozada
em pecúnia no caso de falecimento do servidor/militar, deve-se reconhecer, de forma
análoga, o direito do aposentado/reformado à conversão em pecúnia da licença não
gozada, nem contada em dobro para aposentadoria, sob pena de enriquecimento
ilícito da Administração, senão vejamos:

"ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. SERVIDOR


PÚBLICO. APOSENTADORIA. LICENÇA-PRÊMIO NÃO
GOZADA OU NÃO CONTADA EM DOBRO. CONVERSÃO
EM PECÚNIA. POSSIBILIDADE.
PRECEDENTES.DISPENSA, NO CASO, DO INCIDENTE DE
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 7º DA LEI 9.527/97.
1. É firme a orientação no STJ no sentido de que é devida
ao servidor público aposentado a conversão em pecúnia
da licença-prêmio não gozada, ou não contada em dobro
para aposentadoria. Tal orientação não é incompatível com
o art.7º da Lei 9.527/97, já que, ao prever a conversão em
pecúnia de licença prêmio não gozada no caso de
falecimento do servidor, esse dispositivo não proíbe, nem
exclui a possibilidade de idêntico direito ser reconhecido
em casos análogos ou fundados em outra fonte
normativa.
2. Agravo regimental a que se nega provimento"
(AgRg no Ag 1.404.779/RS, Rel. Ministro Teori Albino
Zavascki, Primeira Turma, julgado em 19.4.2012, DJe
25.4.2012.)"(Negritos nossos)

Ademais, também é verdade que a contagem em dobro (tempo ficto)


não resultou em efeito prático algum para o Autor, que ultrapassou mais de 30 anos de
efetivo serviço, pois não houve a redução do tempo mínimo de serviço militar.
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Assim Excelência, não é outra a conclusão senão que restou caracterizado o
JFRJ
enriquecimento sem causa da União, pois a adoção de tal inteligência, não albergada Fls 8
pelo artigo 33 da Medida Provisória nº 2.215-10, de 31 de agosto de 2001, prescinde de
disposição legal expressa e não importa usurpação da competência do Poder Legislativo,
porque resulta da aplicação do princípio que veda o enriquecimento ilícito da
Administração Pública e da regra que prevê a responsabilidade civil objetiva do Estado,
conforme previsão insculpida no artigo 37, § 6º, da Constituição Republicana, regrada
pelo artigo 884, da Lei 10.406/2002 (Código Civil), seguindo assim o mesmo raciocínio as
jurisprudência a seguir.

DA JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA

Excelência, recentemente a própria Advocacia Geral da União (AGU), em


resposta a uma consulta feita pelo GABINETE DO COMANDANTE DO EXÉRCITO
BRASILEIRO, sobre o tema, exarou o seguinte parecer:

PARECER n. 00626/2016/CONJURMD/CGU/AGU NUP:


64536.026088/201519 INTERESSADOS: GABINETE DO COMANDANTE
DO EXÉRCITO BRASILEIRO
Documento de: ADVOCACIA GERAL DA UNIÃO CONSULTORIA -
GERAL DA UNIÃO CONSULTORIA JURÍDICA JUNTO AO MINISTÉRIO
DA DEFESA
ASSUNTO: Consulta sobre os efeitos jurídicos decorrentes de Licença
Especial não gozada e não computada em dobro para efeitos de
inatividade. EMENTA: MILITAR. LICENÇA ESPECIAL NÃO GOZADA.
ART. 68 DA LEI Nº 6.880/80. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 2.21510/2001.
ENTENDIMENTO SEDIMENTADO EM SEDE DE REPERCUSSÃO
GERAL PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. ARE 721.001RG.
(…) sugere-se o encaminhamento da presente manifestação ao
Gabinete do Ministro da Defesa, apresentando-se como
entendimento deste órgão de assessoramento jurídico o que segue:
1. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do ARE 721.001RG,
fixou seu entendimento no sentido de que é cabível a indenização em
pecúnia das férias não gozadas na atividade, bem como de outras
parcelas de natureza remuneratória que não possam mais ser usufruídas
como, in casu, a licença especial
2.O direito à compensação pecuniária surge a partir do momento em
que o militar não poderá mais usufruir dos períodos de licença
especiais regularmente adquiridos, seja pelo rompimento do vínculo
com a Administração Castrense, seja pela passagem à inatividade, seja
pelo seu falecimento.
3.Assim, o direito à compensação pecuniária pelas licenças especiais não
gozadas nem computadas em dobro para os fins de inatividade será

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transferido tanto aos sucessores do militar que tenha falecido no serviço
ativo como do militar falecido já na inatividade. JFRJ
4. Por se tratar de indenização devida ao militar com fundamento na Fls 9
vedação de enriquecimento ilícito pela Administração que não se
confunde com o direito à pensão militar transferido aos beneficiários e
regulamentado pela Lei nº 3.765, de 4 de maio de 1960, ou com qualquer
outro direito assegurado aos dependentes do militar pela Lei nº 6.880/80
o direito à compensação pecuniária passa a integrar a herança a ser
transmitida aos seus sucessores, herdeiros legítimos ou testamentários,
conforme o caso, de acordo com as disposições do Código Civil de 2002.
5. Os sucessores dispõem de 05 (cinco) anos, ainda nos termos do
art. 1º do Decreto nº 20.910/32, contados do falecimento do militar, para
perseguir o direito à compensação pecuniária, sob pena de se ter por
prescrita sua pretensão à indenização pelas licenças especiais não
gozadas em tempo oportuno nem computadas em dobro para os fins de
passagem à inatividade pelo militar.
6. A decisão proferida no ARE nº 721001 RG/RJ passa a ser vinculante
para os demais Tribunais, Turmas de Uniformização ou Turmas Recursais
e os
fundamentos da decisão se tornam vinculantes tanto para os processos
futuros quanto para os processos já julgados. Dessa forma, o militar
ainda em vida que possua períodos de licença especial adquiridos
até 21.12.2000, não gozados nem computados em dobro para os fins
de passagem à inatividade, faz jus à indenização pecuniária.
7. Ressalte-se, contudo, que o militar inativo ou aquele que
tenha rompido vínculo com a Administração Castrense e,
portanto, não mais poderá gozar dos períodos de licença nem
computá-los para a inatividade dispõe de 05 (cinco) anos, ainda
nos termos do art. 1º do Decreto nº 20.910/32, contados da sua
passagem para a inatividade ou do rompimento do vínculo com a
Administração Castrense, para perseguir o direito à compensação
pecuniária, sob pena de se ter por prescrita sua pretensão à
indenização pelas licenças especiais não gozadas em tempo
oportuno nem computadas em dobro para os fins de passagem à
inatividade.
Revista Sociedade Militar – A Revista Militar do Brasil – Portal Militar
de Forças Armadas, política, geopolítica, estratégia, inteligência.
(Negritos nossos)

Ainda neste contexto segue o entendimento do Supremo Tribunal Federal no


sentido de que o dever de indenizar o servidor ou o militar, como in casu pelas licenças
especiais não gozadas decorre de responsabilidade objetiva, sob pena de locupletamento
indevido por parte da Administração Pública.

No julgamento do Recurso Extraordinário com Agravo nº 721.001 RG foi


reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à conversão de férias

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não gozadas, assim como de outros direitos de natureza remuneratória e, dentre eles, a
JFRJ
licença especial, portanto , em indenização pecuniária, por aqueles que não mais Fls 10
podem delas usufruir, fixando-se, nesse sentido, a situação dos inativos, a saber:

“Recurso extraordinário com agravo. 2. Administrativo. Servidor


Público. 3. Conversão de férias não gozadas – bem como
outros direitos de natureza remuneratória – em indenização
pecuniária, por aqueles que não mais podem delas usufruir.
Possibilidade. Vedação do enriquecimento sem causa da
Administração. 4. Repercussão Geral reconhecida para
reafirmar a jurisprudência desta Corte.(ARE 721001 RG,
Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 28/02/2013,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO
DJe044
DIVULG 06032013 PUBLIC 07032013)” (Negritos nossos)

Assim Meritíssimo, colham-se, por oportunas, as considerações tecidas pelo


Exmo. Sr. Ministro Gilmar Mendes, na relatoria do julgado em referência supracitada:

"No caso dos autos, diferentemente, o acórdão recorrido


assegurou ao servidor público a conversão de férias não
gozadas em pecúnia, em razão da vedação ao locupletamento
ilícito por parte da Administração, uma vez que as férias devidas
não foram gozadas no momento oportuno, quando o servidor
ainda se encontrava em atividade.
Assim, com o advento da inatividade, há que se assegurar a
conversão em pecúnia de férias ou de quaisquer outros direitos
de natureza remuneratória, entre eles a licença prêmio não
gozadas, em face da vedação ao enriquecimento sem causa.
Assim, a fundamentação adotada encontra amparo em pacífica
jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que se firmou
no sentido de que é assegurada ao servidor público a conversão
de férias não gozadas ou de outros direitos de natureza
remuneratória em indenização
pecuniária, dada a responsabilidade objetiva da Administração
Pública em virtude da vedação ao enriquecimento sem causa.

(...)

Ante o exposto, manifesto-me pelo reconhecimento da


repercussão geral da matéria debatida nos presentes autos
para reafirmar a jurisprudência desta Corte, no sentido de que é
devida a conversão de férias não gozadas bem como de outros
direitos de natureza remuneratória em indenização pecuniária
por aqueles que não mais podem delas usufruir, seja por conta
do rompimento do vínculo com a Administração, seja pela
inatividade, em virtude da vedação ao
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enriquecimento sem causa da Administração;
consequentemente, conheço do agravo, desde já, para negar JFRJ
provimento ao recurso extraordinário (art. 544, § 4º, II, b, do Fls 11
CPC)." (ARE 721001 RG,
Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 28/02/2013,
ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO
DJe044 DIVULG 06032013 PUBLIC 07032013)” Negritos
nossos)

Além do mais Excelência quanto à incidência do imposto de renda sobre tais


verbas, tem-se que o trabalhador que não goza o período de afastamento não sofre
acréscimo patrimonial com o recebimento de indenização pecuniária, porquanto se trata
de mera compensação do dano em face da perda do direito de ausentar-se do trabalho,
não havendo que se falar, assim, em configuração de fato gerador de imposto de renda.

Portanto, a conversão em pecúnia da licença especial constitui verba de natureza


indenizatória, ainda que tenha se dado por opção do militar, até porque a sua concessão
está condicionada ao interesse da Administração Militar.

Assim, deve ser afastada a incidência do imposto de renda sobre as verbas a


serem recebidas pelo autor a título de conversão dos períodos de licença especial não
gozada em pecúnia.

No particular, eis o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal de Justiça:

“TRIBUTÁRIO - RECURSO ESPECIAL - LICENÇA-


PRÊMIO CONVERTIDA EM PECÚNIA - NÃO INCIDÊNCIA
DE IMPOSTO DE RENDA. ENTENDIMENTO PACÍFICO
NESTA CORTE.

1. Esta Corte firmou entendimento de que as verbas


recebidas pelas licenças-prêmio convertidas em pecúnia
por opção do próprio servidor não constituem
acréscimo patrimonial e possuem natureza
indenizatória, razão pela qual sobre elas não pode incidir
o imposto de renda.
2. Recurso especial provido. (STJ; RESP 1385683; Segunda
Turma; Relatora Eliana Calmon; DJE em 10/12/2013) - grifo
acrescido.” (Negritos nossos)
Rua Colina nº 60, Grupo 4, Jardim Guanabara, Ilha do Governador, Rio de Janeiro/RJ, CEP.: 21931-380

Tels.: (21) 98176-7304/(21) 3684-874 e Tel/fax.: (21) 3435-8004/3435-6003

e-mail: uirapurutorax@yahoo.com.br

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Isto posto, diante das decisões proferidas pelos tribunais superiores, fica
JFRJ
claro o direito do Autor, não só de que seja convertida a LESM, por não ter sido gozada e Fls 12
nem muito menos utilizada a sua contagem em dobro para que o militar fosse transferido
para a Reserva Remunerada da Marinha, em indenização pecuniária, tendo em vista que
não poderá mais usufruir dos períodos de licença especial regularmente adquiridos, pelo
motivo de ter sido transferido à inatividade, o que caracterizaria o enriquecimento sem
causa da União, mas também de que não incida imposto de renda sobre tais valores, por
ser estes de natureza indenizatória.

DO PEDIDO

Diante do exposto, requer a Vossa Excelência:

1. A citação da Ré (União Federal - Comando da Marinha do Brasil), na pessoa de seu


procurador para responder a presente ação;

2. A CONCESSÃO DA GRATUIDADE DE JUSTIÇA, nos termos dos artigos 98 e 99 do


CPC/15.
3. Notificar a Comando da Marinha do Brasil - Corpo de Fuzileiros Navais, na
pessoa de seu representante legal, para que preste as informações que V. Exª
necessitar, com endereço na Praça Mauá, nº 65, Centro/RJ, CEP: 20081-240;

4. A procedência do pedido para que a Ré seja condenada a pagar ao autor 6


pagamentos brutos de sua atual graduação de Suboficial, referentes aos seis meses da
Licença Premio não gozada, a título de indenização pecuniária, incidindo correção
monetária e juros moratórios, entre outros encargos legais;

5. . A procedência do pedido para que não incida imposto de renda sobre os


valores da presente ação, tendo em vista que se trata de verba indenizatória, consoante
decisão do STJ - (STJ; RESP 1385683; Segunda Turma; Relatora Eliana Calmon; DJE
em 10/12/2013) - grifo acrescido);
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6. Requer que a Ré efetue o pagamento administrativamente, no prazo máximo
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de 60 (sessenta) dias, nos termos do art. 17, da Lei 10.259/01 c/c os Enunciados n.º 52 e Fls 13
53 das Turmas Recursais do Rio de Janeiro. Ressalvando que a parte Autora renuncia a
valores porventura excedentes, para fins de fixação de competência dos Juizados
Especiais Federais; impondo à Ré multa diária, no percentual a que V. Exª. entender
compatível com a obrigação, para o cumprimento do preceito, nos moldes do disposto do
inciso IV , do art. 139, do CPC/15; e

7. A condenação da Ré em custas processuais e honorários advocatícios no


percentual de até 20% do valor da causa, na forma do artigo 85, § 3º, I do CPC/15.

DAS PROVAS
Requer a produção de todos os meios de provas admitidas no art. 369
do CPC/15, bem como prova documental superveniente, testemunhal e demais meios
admitidos em Direito.

DO VALOR DA CAUSA

Dá-se à causa o valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais).

Nestes Termos

Pede Deferimento.

Rio de Janeiro, RJ., em 18 de dezembro de 2017.

MARCELO MENEZES RAMOS

OAB/RJ 203.563

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