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1) Intercessão dos santos

Antes de mais nada, Tony Tornado, a afirmação óbvia: é certo que só Deus pode nos conceder a
graça, o verdadeiro perdão, a verdadeira salvação. Isso não está e nunca esteve em discussão.
Partimos desse ponto, beleza?
Porém, podemos também dirigir as orações aos anjos e aos santos, não exatamente para que Deus
as conheça mediante eles, mas para que, devido à excelência e bem-aventurança deles e aos seus
pedidos e méritos, as nossas orações sejam (mais) eficazes. É por isso que se lê no livro do Apoca-
lipse que “(...) Foi-lhe dado muito incenso, para ser oferecido com as orações de todos os san-
tos, sobre o altar (...) E da mão do anjo a fumaça do incenso com as orações dos santos subia
até Deus” (8,3-4) [A relação entre o incenso e as orações dos santos aparece também, por exemplo,
em Ap 5,8, com a mediação dos anjos e dos anciãos no Céu.]. Isto evidencia-se também pelo modo
com que, desde os primórdios, a Igreja ora. Pedimos a Deus que seja misericordioso e nos guie pelo
caminho da salvação; aos anjos e santos, pedimos que orem/intercedam por nós.

Obs: diz a Igreja que a condição dos santos é diferente da condição dos mortos “comuns”. Aos santos
– que são bem-aventurados, e cujos méritos em vida foram concedidos pela graça divina – lhes é
manifestado no Verbo o que convém que eles conheçam daquilo que se passa a nosso respeito, e
mesmo o que se refere aos sentimentos do coração. Sobretudo convém à excelência deles conhecer
os pedidos que lhes são feitos pela oração vocal ou pela oração interior. Por isso, conhecem os pedi-
dos que lhes fazemos por revelação divina. As suas orações possuem impetração eficaz por causa
dos seus méritos anteriores e da aceitação divina.
[Ah, e vale lembrar: os “santos do Deus Altíssimo” recebem e tomam posse do Reino (Dn 7,18), além
de chegarem à perfeição (Hb 12,22-23) e formarem a nuvem de testemunhas junto com os anjos
(Hb 11;12,1).]

Obs 2: sabemos bem que precisamos de outros pra um monte de coisas na vida espiritual (alguém
nos batiza, alguém nos casa, alguém nos ajuda a estudar as Escrituras, etc.). E, se todos sabemos
muito bem que não há problema algum em que uma pessoa ore por outra – e isso nada mais é do
que uma forma de intercessão –, quanto mais os santos! Sobre essa intercessão de vivos pra vivos e
o poder da oração daqueles que estão mais mergulhados na fé, lê-se nas Escrituras, por exemplo:
“Alguém dentre vós está enfermo? Mande chamar os anciãos [presbíteros/sacerdotes] da Igreja
para que orem sobre ele, ungindo-o com óleo em nome do Senhor. A oração da fé salvará o
enfermo e o Senhor o reerguerá; e, se tiver cometido pecados, estes lhe serão perdoados. Con-
fessai, pois, vossos pecados e orai uns pelos outros, para que sejais curados. A oração fervo-
rosa do justo tem grande poder” (Tg 5,14-16).
E assim diz São Jerônimo (corroborado pelo brilhante apologista Carlos De Laet): “Se os após-
tolos e os mártires, ainda no corpo, podiam orar pelos outros quando deviam preocupar-se por
eles mesmos, quanto mais o poderão após coroados, vitoriosos e triunfantes!”. Na mesma linha,
diz São Domingos, pouco antes de morrer, a seus irmãos: “Não choreis! Serei mais útil para vós
após a minha morte, e vos ajudarei de modo mais eficaz do que durante minha vida”. E a frase
emblemática de Sta. Teresinha, perto da morte, depois de expressar que não havia se arrependido
de ter se entregado ao amor por Deus: “Passarei meu Céu fazendo o bem na Terra”.
Nesse mesmo sentido, quanto ao suposto “argumento infalível” de 1Tm 2,5 (“um só mediador”),
basta olhar o que o próprio Paulo diz logo acima, em 1Tm 2,1-2: “Recomendo, pois, antes de tudo,
que se façam pedidos, orações, súplicas e ações de graças por todos os homens, pelos reis (...)
a fim de que levemos uma vida calma e serena, com toda piedade e dignidade”. Ora, não está
Paulo nos pedindo para que sejamos intercessores (mediadores) junto a Deus por todas as pessoas
da Terra? Estaria então o apóstolo se contradizendo? É claro que não. A questão é que a natureza
da mediação tratada no versículo 1 é diferente da do versículo 5. A mediação tratada em 1Tm 2,5
refere-se à Nova e Eterna Aliança. No AT a mediação entre Deus e os homens se dava através da
prática da Lei; no NT, é o Cristo que nos reconcilia com Deus, por meio de seu sacrifício na cruz. É
neste sentido que Ele é nosso único mediador, pois foi somente através d’Ele que recuperamos para
sempre a “amizade” com Deus, como bem foi exposto por Paulo: “(...) assim como pela falta de
um só resultou a condenação de todos os homens, do mesmo modo, da obra de justiça de um
só resultou para todos os homens justificação que traz a vida. De modo que, como pela deso-
bediência de um só homem todos se tornaram pecadores, assim, pela obediência de um só,
todos se tornarão justos” (Rm 5,18-19).

Portanto, a exclusividade da medição do Cristo refere-se à justificação e redenção dos homens, à


salvação, à Nova Aliança (Hb 8,6; 9,15; 12,24. Conferir paralelo com Gl 3,19). A mediação da inter-
cessão dos santos, chamada por alguns de “mediação subordinada”, é de outra natureza, referindo-
se apenas ao clamor pela providência de Deus em favor de nós e do nosso semelhante. Desta forma,
o texto de 1Tm 2,5, analisado corretamente dentro de seu contexto, não oferece qualquer obstáculo
à doutrina da intercessão dos santos. A “objeção” protestante baseada nesse trecho das Escrituras
nada mais é que uma interpretação errada (imediatista, superficial) do trecho.
Diz a Igreja, por exemplo, especificamente sobre Maria: “A missão materna de Maria em favor dos
homens de modo algum obscurece nem diminui a mediação única do Cristo; ao contrário, mostra
sua eficácia. De fato, toda salutar ação da bem-aventurada Virgem deriva dos superabundantes
méritos do Cristo, apoia-se em Sua mediação, d’Ela depende inteiramente e d’Ela aufere toda a sua
força. (...) Com efeito, nenhuma criatura jamais pode ser equiparada ao Verbo encarnado e Reden-
tor. Entretanto, da mesma forma que o sacerdócio do Cristo é participado de vários modos – na
Sua Igreja, seja pelos ministros, seja pelo povo fiel –, e da mesma forma que a indivisa bondade de
Deus é realmente difundida nas criaturas de modos diversos, assim também a única mediação do
Redentor não exclui (mas antes suscita) nas criaturas diversificada cooperação que participa de uma
única fonte”.

Obs 3: São Paulo exorta os fiéis pelo menos 5 vezes a que o imitem (1Cor 4,16; 11,1 / Fl 3,17 /
Gl 4,12 / 2Ts 3,7-9), e em Hebreus somos exortados a imitar aqueles que foram modelos de fé ( 6,12
/ 13,7), inclusive com uma aula sobre a fé dos patriarcas e profetas (cap. 11 inteiro). Além disso, São
Paulo se refere a eles e aos apóstolos como o fundamento edificante dos novos membros da Igreja
do Cristo (Ef 2,20a). A Igreja honra os santos porque isso sempre foi um ensinamento importante
para a vida cristã, conforme atestado na própria Bíblia.
Obs 4: quanto a Ecl 9,5-6, duas coisas simples a dizer. 1º: esse é um texto escrito por um cara de
fé (Salomão, ao que parece), mas ainda meio perdido, lutando pra entender o sentido da própria
vida diante das aparentes contradições, do aspecto “vão” (fútil, passageiro, etc.) dela. Apesar de ser
um texto sapiencial, ele foi escrito antes da vinda de Jesus, então ainda havia muito desconheci-
mento, muita sensação de “incompletude”, afinal Jesus veio pra estabelecer a Nova Aliança e pra
completar e aprofundar todo o conhecimento que havia antes. Detalhe importante: Eclesiastes ga-
nha seu complemento, seu “fechamento” – com a atenuação de seu ceticismo fatalista – no livro
Sabedoria de Salomão (ou simplesmente “Livro da Sabedoria”), que você não tem aí na sua Bíblia
mutilada, e que tem paralelos com Is, Mt, Lc, Jo, Rm, Ef, Hb e Tg. 2º, e principal: esses trechos
não fazem referência a um estado mental dos mortos, mas sim ao infortúnio espiritual em que se
encontram por causa do lugar onde estão. Os mortos aos quais os textos se referem são aqueles
que morreram na inimizade de Deus, e não exatamente qualquer pessoa que morreu. O lugar desses
mortos aos quais o texto faz referência – a “morada/mansão dos mortos”, o Sheol nos seus níveis
mais baixos – é uma região de desgraça, onde os que viveram em contradição com Deus estão pri-
vados da Graça. A interpretação é específica, restritiva, e não geral.
Além disso, há trechos das Escrituras que indicam com clareza “a vibe” dessa região desgraçada (por
exemplo Is 14,9-15 ou Sl 88,12-13), inclusive aquele que alude à descida de Jesus a este lugar ( 1Pd
3,19-20), e logicamente esse não é o mesmo lugar onde habitam os salvos, os bem-aventurados, os
santos etc., principalmente a partir do novo caminho que o Cristo abriu.
Eclesiastes tem de ser lido com muito cuidado. Não dá pra levar tudo na literalidade absoluta (e
nem algum versículo de forma isolada)! Fazendo isso, qualquer louco ou burro poderia pensar por
exemplo que a) aqui só existem homens maus fazendo obras más, e o destino (eterno) de todos é o
mesmo (9,3), o que é obviamente absurdo; e b) não haverá retribuição aos justos/santos (9,5), con-
trariando flagrantemente algumas passagens do Apocalipse, por exemplo.
Ah, e sobre a ideia de que os mortos estão “dormindo”, “apagados”, “desligados” de tudo e por isso
não poderiam entender nada e interceder, isso cai por terra lendo alguns trechos das Escrituras, o
mais simbólico provavelmente sendo o da parábola do mau rico e do pobre Lázaro (Lc 16,19-31),
em que Jesus deixa claro que Abraão está acordadasso lá em cima  Outros trechos: Mt 22,30 +
Lc 15,7.10 (os anjos obviamente estão “acordados”); Hb 11; 12,1 ("nuvem de testemunhas" = anjos e
santos); 1Sm 28,11-16 + Sr(Eclo) 6,19-20 (Samuel aparecendo a Saul depois de morto); 1Cor 13,12
(só quem está “acordado” vê a Deus face a face e o conhece totalmente/perfeitamente); 2Cor 5,8-9 (só
quem está “acordado” se esforça para agradar); Sb 3,1-4 (só quem está “acordado” está na paz e tem
esperança); e Ap 11,3-12 (acredita-se que as "duas testemunhas" são Moisés e Elias, que aparecem tam-
bém em Mt 17,1-3 / Mc 9,4 / Lc 9,30-31); entre outros exemplos. Mais: se as almas entrassem em
estado de “dormição” após a morte do corpo, como poderiam sofrer no inferno ou viver a felicidade
plena no céu?  [A teoria da “dormição” é uma velha concepção escatológica entre os judeus, mas que foi
superada pelos próprios judeus alguns séculos ainda antes do Cristianismo.]

Obs 5: eis uma boa analogia, pra entender algo essencial: São Paulo deixa claro em vários trechos
das Escrituras que a Igreja – a ekklesia, a assembleia do Cristo, com todos os seus membros – é o
corpo do Cristo, enquanto o próprio Cristo é (logicamente) a cabeça, certo? Bom, assim
como minha mão direita não pode se comunicar com a esquerda sem que esse comando tenha sido
coordenado pela minha cabeça (caso contrário seria um movimento involuntário), da mesma forma,
no corpo do Cristo os membros não podem se comunicar sem que essa comunicação aconteça por
meio da cabeça, que é o Cristo. Desta forma, quando nós pedimos para que os santos intercedam
por nós junto a Deus – comunicação de um membro com o outro no corpo do Cristo –, isso acontece
por meio do Cristo. Assim como a nossa cabeça pode coordenar movimentos simultâneos entre os
vários membros de nosso corpo, Cristo, que é a cabeça da Igreja e é onisciente e onipresente, possi-
bilita a comunicação entre os membros do Seu corpo. A gente tem de pensar no “Cristo total”,
cabeça e corpo, Nosso Senhor e Sua Igreja, todos agindo pra que nós busquemos a salvação e
façamos parte do Reino de Deus.
Só pra não deixar passar, aí vai um trecho clássico sobre a força e perenialidade do corpo do Cristo,
em que São Paulo se refere aos amados de Deus / chamados à santidade / justificados / glorificados
(ou seja, os membros reais desse corpo): “Quem nos separará do amor de Cristo? A tribulação,
a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, os perigos, a espada? (...) Pois estou convencido
de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o
futuro, nem os poderes, nem a altura, nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá
nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,35-39).

A morte não separa a “Igreja do Céu” da “Igreja da Terra”; é tudo um só corpo, o corpo do Cristo.
[Ver também Jo 11,25-26 + Lc 20,38.] E não se pode esquecer da Communio Sanctorum: 1Jo 1,3
+ 1Cor 6,17 + 1Cor 12,26, etc.

Obs 6: conforme trechos de Deuteronômio e Levítico, Deus abomina e condena a invocação dos
espíritos e a necromancia. Tudo certo. No entanto, há uma diferença grande e clara entre fazer essas
coisas e dirigir nossos pedidos de orações aos santos. A prática que é condenada é caracterizada pelo
pedido de que o espírito do defunto se apresente e então se comunique com os vivos como se ainda
estivesse na terra. Esta prática é abominada por Deus porque, em vez de confiarmos na Providência
Divina quanto ao futuro e às coisas de que necessitamos, deseja-se confiar nas instruções dos espí-
ritos. Na intercessão dos santos, por outro lado, não estamos pedindo que o santo se apresente para
“bater um papo” a fim obter qualquer tipo de informação, mas, sim, dirigimos a eles nossos pedidos
de oração, como se estivéssemos “enviando uma carta” solicitando algo. Na intercessão dos santos,
continuamos confiando na Providência Divina (afinal, em última instância, quem atende aos nos-
sos pedidos é Deus, de acordo com Seu plano na esfera da eternidade). E, claro, a Igreja acredita que
os santos – que dedicaram suas vidas a Deus e estão muito mais perto d’Ele que nós – querem,
afinal, a mesma coisa que Ele: “(...) que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conheci-
mento da verdade” (1Tm 2,4).

Por fim, mato de vez a questão citando cinco emblemáticas passagens. Analisando uma a uma em
sequência, a gente chega lá. A primeira é 1Rs 11,11-13, em que fica explícita a questão de que Deus
tem consideração (atenção, amor) por seus servos falecidos (no caso, Davi, a quem Ele demonstra
consideração por duas vezes no trecho, prometendo a Salomão que não lhe tirará o reino em vida e
nem tirará o reino todo de seu filho). À luz dessa passagem, e somando com tudo o que já disse
antes, infere-se que tem gente lá em cima que “tem moral com o Homi”, e consequentemente ima-
gina-se que essa galera pode interceder de forma eficaz. [Obs: Jó 42,7-8 corrobora essa ideia!, ape-
sar de Jó ainda estar vivo no momento descrito no trecho.] Beleza.
Temos então a segunda: “(...) mas os que forem julgados dignos de ter parte no outro mundo e
na ressurreição dos mortos (...) não podem morrer: são semelhantes aos anjos e são filhos de
Deus, sendo filhos da ressurreição. (...) Ora, ele não é Deus de mortos, mas sim de vivos; to-
dos, com efeito, vivem para ele” (Lc 20,35-38). [Essa última ideia, particularmente, também está
em Mc 12,26-27 e em Hb 12,22-24, onde inclusive fala-se dos “espíritos dos justos que chegaram à
perfeição” habitando a “Cidade do Deus vivo” junto com Jesus e os anjos.] Bom, sabemos pelo já
citado no início Ap 5,8, por Jó 33,23-24 e por Tb 12,12-13 (outro livro que você não tem) que os
anjos certamente intercedem junto a Deus. Somando tudo... you do the math.
A terceira: “Quando abriu o quinto selo, vi sob o altar as almas dos que tinham sido imolados
por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado. E clamavam em voz
alta: ‘Até quando, ó Senhor santo e verdadeiro, tardarás em julgar [ou fazer justiça] e reivindi-
car dos habitantes da terra o nosso sangue [ou vingar nosso sangue contra os habitantes da
terra]?’” (Ap 6,9-10). Almas de mártires/justos/santos clamando a Deus por justiça na terra: é um
tipo – forte! – de intercessão, né? [E, retomando a Obs4: mais gente acordadassa!]
Aí vem a quarta passagem (obs: Moisés e Samuel são conhecidos como “os grandes intercessores”,
junto com Jeremias): “Disse-me o SENHOR: mesmo que Moisés e Samuel se apresentassem di-
ante de mim, não me importaria com esse povo [ou minha alma não se voltaria para esse povo]
(...)” (Jr 15,1). Ora, nesse tempo, ambos Moisés e Samuel estavam mortos. Que sentido teria este
trecho caso não fosse possível que os dois intercedessem por Israel?
E finalmente a quinta, só que esta é de mais um livro que você não tem aí – isso que dá querer
entender as coisas com uma Bíblia mutilada! –, e diz o seguinte: “(...) Onias, que tinha sido sumo
sacerdote, homem honesto e bom, modesto no trato e de caráter manso, que falava com dig-
nidade e desde criança praticara todas as virtudes, estava com as mãos estendidas, orando
por todo o povo judeu. Apareceu a seguir, da mesma forma, um homem notável pelos cabelos
brancos e pela dignidade, envolto numa superioridade maravilhosa e de grande esplendor.
Tomando então a palavra, disse Onias: ‘Este é o amigo dos seus irmãos, aquele que muito ora
pelo povo e pela cidade santa, Jeremias, o profeta de Deus’” (2Mac 15,12-14). As duas observa-
ções a serem feitas sobre este trecho são a) Onias e Jeremias já haviam falecido, portanto esta é uma
atestação cabal da possibilidade de intercessão de justos falecidos pelos vivos, confirmando as ou-
tras quatro passagens e fechando toda a ideia; e b) a Bíblia verdadeira* tem, além de outros 5 livros
que a protestante não tem, os dois livros dos Macabeus (entre Ester e Jó), e você precisa urgente-
mente comprar uma 
[*Falo mais sobre isso lá embaixo no final.]

Agora, pra fechar esse tópico, cito... nosso querido Olavão heheh. Abre aspas:
 “Se São Paulo Apóstolo não mentiu ao dizer ‘Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em
mim’ (Gl 2,20), aquele que afirma que os santos estão mortos mata Jesus milhares de vezes.”
 “Quem nega a intercessão dos santos nega a Jesus: ‘(...) quem crê em mim fará as obras que faço,
e fará ainda maiores do que estas, pois eu vou para o Pai. E o que pedirdes em meu nome,
eu o farei, a fim de que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes algo em meu nome, eu o
farei’ (Jo 14,12-14).”

2) Imagens
Como no tópico anterior, vou começar atestando o óbvio: a Igreja Católica conhece o 1º Manda-
mento e é tradicionalmente e institucionalmente fidelíssima a ele. Isso não está e nem nunca esteve
em discussão.
Na verdade, essa confusão protestante em relação às imagens nasce, mais uma vez, de um erro gros-
seiro: entender determinado trecho das Escrituras (notadamente a apresentação do Decálogo, em
Ex e Dt) de forma superficial e imediatista, sem confrontá-lo com outros trechos e sem atentar a
certos detalhes da tradução. Os protestantes dizem “Mas está escrito...” – como se simplesmente
afirmar que algo está escrito de tal forma nas Escrituras garantisse automaticamente uma deter-
minada interpretação específica que esta ou aquela linhagem protestante segue –, só que infeliz-
mente eles sempre se esquecem de Mt 4,6 e Lc 4,9-10, trechos que mostram que o diabo, querendo
pôr Jesus em tentação, aludiu também às Escrituras e disse exatamente “(...) está escrito...”.

Pra começar a resolver a questão, temos primeiro que ler as diversas passagens que parecem “con-
tradizer” o Decálogo em Ex e Dt: "Farás dois querubins de ouro, de ouro batido/polido os farás, nas
duas extremidades do propiciatório; faze-me um dos querubins numa extremidade e o outro na outra:
farás os querubins formando um só corpo com o propiciatório, nas duas extremidades (...)" (Ex 25,18-
22; 37, 7).

"(...) e o SENHOR respondeu-lhe: ‘Faze uma serpente abrasadora/venenosa e coloca-a em uma haste.
Todo aquele que for mordido e a contemplar viverá.’ Moisés fez, portanto, uma serpente de bronze e a
colocou em uma haste (...)" (Nm 21,8-9 / Sb 16,6-7 / Jo 3,14-15).

"(...) os lingotes de ouro fino destinados ao altar dos perfumes. Deu-lhe o modelo do carro divino, dos
querubins de ouro com as asas abertas cobrindo a Arca da Aliança do SENHOR, tudo isso seguindo o que
o SENHOR tinha escrito com sua própria mão (...)" (1Cr 28,18-19).

"No Debir, ele (Salomão) fez dois querubins de oliveira selvagem de dez côvados cada um (...). Revestiu
de ouro os querubins. Em todas as paredes do Templo, ao redor, tanto no interior quanto no exterior,
mandou esculpir figuras de querubins, palmas e flores (...)" (1Rs 6,23-35 / Ez 41,17-18).

"Ele fez, de metal fundido, o Mar, com dez côvados (...) O Mar repousava sobre doze touros (...) Sobre
as molduras/os painéis, entre as travessas, havia leões, touros e querubins (...)" (1Rs 7,23-29).

"(...) com o altar de ouro para os perfumes, a arca da aliança toda recoberta de ouro e, nesta, o vaso de
ouro com o maná (...) por cima da arca, os querubins da glória cobriam com sua sombra o propiciató-
rio" (Hb 9,4-5).

Esses são trechos tanto do AT quanto do NT. Haja “contradição”, hein... haja Deus mandando fazer
e considerando agradável o que ele mesmo tinha “proibido”...

Matando de vez a confusão: quanto às passagens de Ex e Dt, a proibição refere-se aos ídolos e,
portanto, às imagens dos ídolos. Um ídolo é uma figura representativa de um deus falso, comum
entre os povos pagãos. Quando Deus diz: "Não farás para ti imagem esculpida", a palavra utilizada
para "imagem" é temunah (‫)הנּומְּת‬,
ָ empregada justamente para falar dos ídolos, dos deuses pagãos,
tanto que, na famosa versão da Septuaginta*, a palavra é traduzida por eidolon (εἴδωλον), ídolo,
com acepção muito diversa da palavra eikon (εἰκών), ícone. Imagem do tipo “ídolo” é uma coisa;
imagem do tipo “ícone” é outra. Veja Cl 1,15 e 2Cor 4,4: São Paulo se refere ao próprio Cristo como
eikon (imagem do tipo “ícone”) do Deus invisível. Jesus é imagem! E você também é (Gn 1,27)!
[*Falo da Septuaginta mais à frente.]

O que primeiro Mandamento condena, afinal, é basicamente o politeísmo. Exige do homem que não
acredite em outros “deuses” além de Deus, que não adore outras “divindades” além da única. A
Igreja entende inclusive e expressamente que a idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do
paganismo, e continua a ser uma tentação constante para a fé. “Há idolatria desde o momento em
que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus".
Diz Sto. Tomás: "'Não terás outros deuses diante de mim'. Para compreendê-lo, é preciso dizer que
os antigos de muitos modos transgrediam este Mandamento. Alguns, com efeito, prestavam culto aos
demônios: ‘Os deuses dos povos – os demônios – são todos vazios' (Sl 96,5). Este é o maior de todos os
pecados, é horrível. Ainda hoje muitos transgridem esse Mandamento ao dar ouvidos aos adivinhos e
sortilégios. Santo Agostinho ensinava que tais coisas não se fazem sem que se contraia algum pacto
com o demônio: 'Não quero que entreis em comunhão com os demônios' ( 1Cor 10,20) [...]. Outros cul-
tuavam os corpos celestes, julgando serem deuses os astros [...]. Outros cultuavam os elementos infe-
riores: 'Mas foi o fogo, ou o vento, ou o ar sutil (...) príncipes do mundo, que eles consideraram como
deuses' (Sb 13, 2). Os homens que usam mal as coisas inferiores, amando-as excessivamente, caem no
mesmo erro. Diz o Apóstolo: '(...) ou o avarento, que é um idólatra (...)' (Ef 5,5). Outros erravam cul-
tuando homens, aves ou outros animais, ou a si mesmos [...]"

Para a Igreja Católica, as imagens do Cristo, de Maria, dos anjos e dos santos não são ídolos, e: “o
culto cristão das imagens não é contrário ao primeiro Mandamento, que proíbe os ídolos. Com
efeito, 'a honra prestada a uma imagem remonta ao modelo original' e 'quem venera uma imagem
venera nela a pessoa representada'. A honra prestada às santas imagens é uma 'veneração respeito-
sa', e não uma adoração, que só a Deus se deve”. O movimento que se dirige à imagem enquanto tal
não termina nela, mas tende exatamente para a realidade da qual é a imagem, para “o protótipo
que está nos céus”, como que conduzindo-nos ao Deus encarnado. É um “culto relativo”, dirigido a
determinada pessoa (Cristo, Maria, o santo X ou Y) mas usando a imagem – o ícone – simples-
mente como um símbolo que atrai os olhos e leva a mente a se concentrar naquilo. [ Fazendo uma
analogia talvez simplista, é como um porta-retratos: obviamente não estamos preocupados com a mol-
dura de madeira/metal e com o papel colorido, mas aquele conjunto tem um significado, simboliza al-
gum momento ou alguma pessoa marcante que merece lembrança/“veneração” no pensamento e no
coração.] E tudo isso sempre com base no conhecimento de que dulia (veneração) é uma coisa, que
cabe aos anjos e santos e a Maria, e latria (adoração) é outra, que, como dito no II Concílio de Niceia
(séc. VIII), “só convém, segundo a nossa fé, ao Cristo/a Deus”.

O fato é que os próprios judeus do AT compreenderam que a proibição de fazer imagens era condi-
cionada por circunstâncias transitórias, de modo que aos poucos foram introduzindo o uso de ima-
gens em suas sinagogas. Cito como exemplo a famosa sinagoga de Dura-Êuropos, na Babilônia, na
qual estavam representados Moisés diante da sarça ardente, o sacrifício de Abraão, a saída do Egito
e a visão de Ezequiel.
Mais: conforme o tempo foi passando, a prática da idolatria foi se tornando menos “atraente” para
o povo. A proibição de adorar imagens já havia cumprido seu papel, digamos assim, e a educação do
povo nos caminhos de Deus foi avançando. Principalmente depois da vida de Jesus, prevaleceria a
pedagogia divina exercitada na Encarnação, que levava os homens a passar do contato com as coi-
sas visíveis ao amor pelas invisíveis. A representação imagética e artística da vida do Cristo se tor-
nou um importantíssimo recurso pedagógico para aproximar as pessoas da Verdade, do Caminho.
Em consequência, tanto nos antigos cemitérios cristãos (catacumbas) quanto nas igrejas eram feitos
afrescos inspirados em textos bíblicos: Noé salvo das águas do dilúvio, os três jovens na fornalha
cantando, Daniel na cova dos leões, os pães e peixes restantes da multiplicação feita por Jesus, várias
passagens da Paixão, etc. Além de ilustrar e alimentar vivamente o imaginário dos cristãos e servir
de suporte para a vida de oração, as imagens passaram também a ser a própria “Bíblia dos
iletrados”. Disse o Papa São Gregório Magno, no séc. VI, escrevendo ao bispo de Marselha: “Tu não
devias quebrar o que foi colocado nas igrejas não para ser adorado, mas simplesmente para ser
venerado. Uma coisa é adorar uma imagem; outra é aprender, mediante essa imagem, a
quem se dirigem as tuas preces. O que a Escritura é para aqueles que sabem ler, a imagem o é
para os ignorantes. Por meio das imagens, eles aprendem o caminho a seguir. A imagem é o
livro daqueles que não sabem ler”. São Thomas More, mártir, também falou muito sobre isso.

Pra fechar: sobre as relíquias, elas são apenas veneradas (novamente: dulia, não latria) de forma
relativa, como símbolos da honra concedida aos santos e mártires em sua memória. Isso é prática
comum historicamente, desde os primórdios. No livro “Confissões”, Sto. Agostinho fala sobre as
relíquias. E São Tomás, por sua vez, chega a dizer: “(...) Por isso, o próprio Deus honra como con-
vém as suas relíquias [dos ‘santos de Deus’], pelos milagres que faz na presença delas”. Olha aí os
milagres da beatificação de João XXIII e Carlo Acutis, e o da canonização de João Paulo II!
Conferir, por exemplo: 2Rs 13,21 e At 19,11-12, ambos à luz de Sl 116, 15.

Um exemplo, entre tantos e tantos, de imagens numa igreja. Ensino do Evangelho, ampliação do
imaginário, contemplação artística, meio de oração...

3) Complement0
Como diria nosso querido Max Pierre, EM SUMA: o protestantismo está, desde o início, imerso
numa nuvem de equívocos doutrinais que 500 anos de literatura católica anti-protestante já refu-
taram inúmeras vezes, assim como há 2000 anos a Igreja vive combatendo diversas heresias.
[Você nunca pode esquecer quem foi Lutero, um revolucionário bêbado que, apesar de ter uma ou
outra queixa compreensível, jogou fora a água suja do banho com o bebê junto. Fez absurdos ir-
reparáveis em relação à Bíblia e à imagem da Igreja, e efetivamente iniciou um processo catas-
trófico que foi um dos principais fatores de enfraquecimento do Cristianismo a partir da idade
moderna. Falo sobre isso mais à frente.]
E isso vale pra qualquer uma das objeções clássicas dos protestantes que são repetidas ad nauseam,
Tornado... Vale também, por exemplo:
– pro lance da sucessão apostólica (basta uma simples, mas completa, compreensão de alguns tre-
chos da Bíblia – tanto AT quanto NT –, somada ao conhecimento dos relatos históricos e a uma
pequena dose de lógica e bom senso, pra entender);

– pro lance do cânon católico da Bíblia, que os católicos consideram a lista oficial e verdadeira
das Sagradas Escrituras, sem nenhuma mutilação (basta conhecer a história da Septuaginta, a tradu-
ção em grego – o “inglês” da época – do AT mais popular e conhecida no tempo de Jesus e os Apóstolos,
e que foi exatamente a tradução usada por eles quando saíram ao mundo pra pregar o Evangelho), e
da autoridade do Magistério da Igreja Católica na oficialização desse cânon (que os protestantes
não aceitam de forma alguma em relação ao AT, mas misteriosamente aceitam sem problema em relação
ao NT, sendo que no próprio NT há referências ao AT – inclusive a alguns livros do cânon católico! –
que foram escritas usando exatamente a tradução da Septuaginta);

– pro lance da oração da Ave Maria, que nada mais é do que um compiladinho de trechos das
Escrituras (Lc 1,28; 1,42) somado a uma parte de súplica que é perfeitamente compreensível em
função de tudo o que eu disse antes, lá no tópicos 1 e 2. E o fato de que essa oração se tornou tão
popular e tradicional se deve a mais uma das coisas que os protestantes absurdamente jogam fora
desde sempre, que é – well, I already said it – a Tradição (cuja profunda raiz explicativa está,
inclusive, no Antigo Testamento).
A gente não pode esquecer nunca que o Cristianismo, em essência, não é um livro, mas sim a vida de
uma pessoa, e essa vida a) é muito maior do que um livro; e b) foi prefigurada antes (na história dos
patriarcas e profetas) e continua através dos séculos por meio da Igreja (especialmente na história dos
santos). E essa Igreja é seu corpo, com todos os seus membros constituintes, membros esses que vivem
também da Tradição – a transmissão ou “passagem adiante” da Palavra de geração em geração (tra-
dere/paradosis) –, de algo grandioso que vai muito além de qualquer livro que pudesse ser escrito. Aliás,
a importância absolutamente crucial da Tradição na vida cristã aparece muito fartamente nas próprias
Escrituras, como por exemplo em Gn 17,9-14 / Sl 78,1-6 / Jr 3,15; 25,1-8 / Mt 2,23; 23,2-3 / At 2,42;
15; 16,4 / 1Cor 11,2; 11,23; 15,1-3 / 1Ts 2,13 / 2Ts 2,15; 3,6-9 / 1Tm 6,20 / 2Tm 1,13-14; 2,2; 3,8 / 1Jo
2,24; 4,6 / Jd 3.9.14, etc., tudo isso quando a Bíblia ainda nem existia. A Tradição é anterior ao livro –
e compilou/definiu o livro! A Tradição serve também de guiamento para a correta interpretação
da Bíblia, além de ter sido vastamente usada pelos teólogos cristãos dos primeiros séculos como o “fiel
da balança” para combater os hereges que surgiam, justamente porque esses hereges argumentavam
citando as Escrituras (exatamente como fazem os protestantes). A Tradição está no coração do
Cristianismo, desde o AT. Como diz o Papa Bento XVI, grande teólogo: “A Tradição é a continuação
orgânica da Igreja, o conjunto da realidade sempre atual do dom de Jesus; é o rio vivo que nos une,
em qualquer tempo, às origens”;

– e pro lance protestante do sola fide (que contradiz o que Jesus e São Paulo explicitamente ensi-
naram) e principalmente do sola scriptura, que, além do que eu acabei de falar aqui em cima (sobre
a essência do Cristianismo e a Tradição), é uma ideia que não está na própria Bíblia, o que a torna
flagrantemente autocontraditória. Além disso, tem o fato de existirem várias passagens das Escri-
turas que, em conjunto e somadas ao bom senso, refutam essa ideia*. Mais: querendo instituciona-
lizar a Bíblia como referência única, o que os protestantes na verdade conseguiram foi só dividir o
Cristianismo de uma maneira tão absurda – pô, literalmente MILHARES DE DENOMINAÇÕES DI-
FERENTES!?, cada uma “interpretando” a Bíblia (mutilada e mal traduzida) do seu jeito particular
– que a própria legitimidade do protestantismo acaba minando-se a si mesma em função da história
do seu desenvolvimento de 500 anos pra cá.
Estes gráficos mostram apenas um resuminho estrutural da situação do protestantismo...
*Quebrando o “sola scriptura”
[Obs: “solo/nuda”, “sola” e “prima” só diferem em ênfase, não em substância. No fim das contas, em
todos os casos, só a Bíblia – interpretada individualmente – é tida como referência autoritativa.]

Ótimo texto sobre o assunto: https://www.bibliacatolica.com.br/conhecendo-a-biblia-sagrada/60/#05

Passagens que, por si sós ou especialmente quando analisadas em conjunto, destroem qualquer jus-
tificativa para a ideia do “sola scriptura” e da validade da interpretação individual da Bíblia (sem um
guiamento autoritativo extra-bíblico):
Esd 7,6.10.25 / Ne 8,7-8 / Mt 18,15-18 / At 8,30-31 / 1Cor 3,1-2 / 2Pe 1,20-21 / 2Pe 3,16-17.

Isso tudo, fora:


a) o fato de que, por diversas vezes, até os apóstolos não entendiam o que Jesus falava ou fazia
(como fica evidente principalmente, mas não só, no evangelho de Mc), precisando de explicações
posteriores. E isso acontecia também em relação à compreensão das Escrituras (Lc 24, 27.45);
b) a simples questão da tradução e interpretação errada de 2Tm 3,16-17, que os protestantes adoram
tanto. A passagem diz “Toda Escritura” (e não “Toda a Escritura”), e diz que toda/qualquer escritura
é útil, proveitosa (e não que é “suficiente”). É, por exemplo, como a água: ela é utilíssima à manuten-
ção da vida, mas de forma alguma suficiente. Ler essa passagem com a ideia do “sola scriptura” na
cabeça significa, na verdade, endossar o absurdo de que toda e qualquer escritura tomada isolada-
mente – ou seja, qualquer livro bíblico isolado (e Paulo se referiu apenas ao AT, claro!) – é fonte
suficiente para a perfeição cristã;
c) a questão da confrontação de 2Tm 3,16-17 com duas passagens que os protestantes solenemente
ignoram: Ef 4,11-16 e Tg 1,4 (que, numa interpretação ao estilo “sola scriptura”, necessariamente
gerariam as ideias igualmente absurdas de “sola obedientia” e “sola patientia”, respectivamente).

E mais:
a Bíblia deixa claríssimo, em diversos trechos, que ela é uma condensação da vida do Cristo e dos
ensinamentos cristãos em geral. Claro, ela é importantíssima, fundamental, um dos pilares do tripé
da Igreja (Bíblia-Tradição-Magistério), mas ainda assim é apenas um registro resumido, limitado de
tudo o que aconteceu, tudo o que foi pensado e tudo o que foi ensinado até aqueles primeiros momentos
depois da partida d’Ele. Trechos:
Mc 4,33 / Mc 6,34 / Jo 16,12 / Jo 20,30 / Jo 21,25 / At 1,3 / 2Jo 1,12 / 3Jo 1,13-14.
Ou seja: aos apóstolos foi confiado um depósito de fé muito maior do que aquilo que a Bíblia, por si
só, é capaz de nos mostrar. Isso significa, portanto, o óbvio: o centro do guiamento da vida cristã pelos
séculos é a Tradição Apostólica da Igreja – de onde a Bíblia é derivada –, e não simplesmente a
Bíblia sozinha.

Por fim:
1) onde está escrito na Bíblia que, logo depois de o último Apóstolo morrer, a Igreja do Cristo perma-
neceria em erro durante 1500 anos até que aparecesse um “reformador iluminado” pra “consertar”
as coisas?
2) onde está escrito na Bíblia que seria correto e eficaz – ou até mesmo possível – adotar um livro
como o centro de uma nova religião, sabendo que mais de 90% da população era iletrada e, ainda
por cima, não tinha condiçõe$ de ter livros?
3) onde está escrito na Bíblia que o que o Cristo de fato deixou pra nós foi um livro (e não sua Igreja
– seu Corpo, sua Esposa, na qual será dada a glória a Deus; a autoridade final, com dirigentes/guias
a serem seguidos, obedecidos e imitados)? [At 15 / At 16,4-5 / Ef 5,23-32 / Ap 21,9ss; 22,17/ Ef 3,21 / Mt
18,17 / Lc 10,16 / Hb 13,7.17]

4) onde está escrito na Bíblia que a coluna/o sustentáculo/o fundamento da verdade – conduzido pelo
próprio Espírito da Verdade – é um livro (e não a Igreja do Cristo)? [1Tm 3,15 / Jo 16,13]
5) onde está escrito na Bíblia que o mandamento do Cristo aos apóstolos foi “escrever” o evangelho (e
não “pregar/ensinar/anunciar” o evangelho)? [Fim de cada evangelho sinótico / Rm 10,14-17]
6) onde está escrito na Bíblia que os principados e potestades celestes conheceriam a multiforme sa-
bedoria de Deus por meio de um livro (e não da Igreja do Cristo)? [Ef 3,10-11]
7) onde está escrito na Bíblia que o cânon correto dela é o que os protestantes utilizam (com estes
exatos 66 livros)? E como ela prova, por si própria, que é inspirada e que foi escrita de fato por
aquelas pessoas?
8) como foi possível, por exemplo, o Apóstolo Tomé estabelecer o Cristianismo na Índia, que sobrevive
até hoje (em comunhão com a Igreja), sem ter deixado para eles uma única palavra escrita do Novo
Testamento da Bíblia?
9) que garantia a Bíblia te dá de que a sua igreja/linha – especificamente a sua, em meio a todo o
absolutamente caótico denominacionalismo protestante – é a única e verdadeira?
10) que garantia a Bíblia te dá de que a sua edição da Bíblia – especificamente a sua, em meio a tantas
que existem há muito tempo – é a que tem a melhor tradução, ou seja, a mais fiel às Escrituras origi-
nais? [Obs: várias edições protestantes clássicas, como por exemplo a KJV (King James original), a NKJV (King
James nova) e a NVI (Nova Versão Internacional), além de conter diversos erros de tradução, têm conflitos de
tradução entre si.]
11) que garantia a Bíblia te dá de que, entre tantas e tantas, a interpretação que o seu pastor faz dos
textos dela (que são extremamente ricos, complexos, polissêmicos) é a correta e infalível?

Obs: Tudo o que eu mostro e explico na apostila inteira, do começo ao fim, é pra você questionar o
protestantismo e sua visão sobre o “catolicismo”. Mas as perguntas 9, 10 e 11, em especial, deixam
no ar o seguinte: qual razão objetiva – relacionada à busca pela Verdade – você tem para fre-
quentar (ou ainda frequentar) especificamente a igreja/linha que você frequenta? Não vale se en-
ganar com bobagens do tipo “é porque lá eu me sinto bem” ou “é porque já estou acostumado há
muito tempo”... Só há uma Verdade!
Existe uma máxima no universo jurídico que diz: Non in legendo, sed in intelligendo leges consis-
tunt (A Lei não consiste em ser lida, mas em ser compreendida). A mesmíssima ideia vale para a
Bíblia. Ainda nesta linha, segue Sto. Afonso de Ligório, Doutor da Igreja, no séc. XVIII, num dos
maiores tratados cristãos sobre a história das heresias:
“Todos os hereges se valem da Escritura para fundamentar seus erros; mas nós
não devemos entender a Escritura como nós a interpretamos – com nosso próprio
entendimento privado, que frequentemente se engana –, mas segundo o que
nos ensina a santa Igreja, a qual nos foi designada como mestra da verdadeira
Doutrina, e à qual Deus manifesta o verdadeiro sentido dos sacros Livros. Essa
Igreja, diz o Apóstolo [S. Paulo], é a que foi constituída por Deus como coluna e
sustentáculo da verdade.”
Segue Sto. Afonso, sobre as heresias:
“A heresia foi, pelo Apóstolo, chamada de câncer porque, assim como o câncer infesta
todo o corpo, assim a heresia infesta toda a alma; infesta a mente e o coração, o inte-
lecto e a vontade. Ela ainda mais se chama peste, pois não só infesta a pessoa por ela
contaminada, mas também os outros que dela se aproximam (...) Disse São Paulo: ‘É
preciso também que haja heresias [do grego haireseis – diferenças, divisões/cisões, fac-
ções/partidos], para que também os que são provados se manifestem entre vós’ (1Cor
11,19). Santo Agostinho, ao explicar o uso do termo oportet (‘É preciso’), diz que, assim
como o fogo é necessário para purificar a prata e separá-la da escória, assim é pre-
ciso que haja heresias para separar os bons cristãos dos maus, e a verdadeira
doutrina da falsa.”

Já no séc. XX, mas também se valendo de uma linguagem “dura” e direta, escreveu Hilaire Belloc,
grande escritor e historiador franco-britânico:
“Não existe essa religião chamada ‘Cristianismo’; jamais existiu tal religião.
Existe e sempre existiu a Igreja [Católica], e as várias heresias procedentes
da rejeição de algumas das doutrinas da Igreja por homens que desejam
ainda manter o restante de Seu ensinamento e moral. Mas jamais existiu e jamais
poderá existir uma religião cristã genérica professada por homens que aceitam
algumas doutrinas centrais importantes, enquanto concordam em diferir a res-
peito de outras. Sempre existiu desde o início e sempre existirá a Igreja, e diversas
heresias fadadas à decadência (ou, como o Maometanismo, a transformar-se em
uma religião separada [Islamismo]). De um Cristianismo comum, não houve nem
poderá haver uma definição, pois nunca existiu.
Não há nenhuma doutrina essencial de modo que, se concordarmos com ela, pos-
samos diferir acerca do restante – por exemplo, aceitar a imortalidade, mas negar
a Trindade; um homem dizer-se cristão, embora negue a unidade da Igreja Cristã;
dizer-se cristão, embora negue a presença de Jesus Cristo no Santíssimo Sacra-
mento; dizer-se alegremente cristão, negando a Encarnação.”
A Igreja venera a Sagrada Escritura
“A Igreja venerou sempre as divinas Escrituras como venera o próprio Corpo do Senhor, não dei-
xando jamais, sobretudo na sagrada Liturgia, de tomar e distribuir aos fiéis o Pão da vida, quer da
mesa da Palavra de Deus, quer da do Corpo do Cristo. Sempre as considerou, e continua a conside-
rar, juntamente com a Sagrada Tradição, como regra suprema da sua fé; elas, com efeito, inspi-
radas como são por Deus, e exaradas por escrito duma vez para sempre, continuam a dar-nos imu-
tavelmente a palavra do próprio Deus, e fazem ouvir a voz do Espírito Santo através das palavras
dos profetas e dos Apóstolos. É preciso, pois, que toda a pregação eclesiástica, assim como a própria
religião cristã, seja alimentada e regida pela Sagrada Escritura. Com efeito, nos livros sagrados, o
Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de Seus filhos, a conversar com eles; e é tão
grande a força e a virtude da palavra de Deus que se torna o apoio vigoroso da Igreja, solidez da fé
para os filhos da Igreja, alimento da alma, fonte pura e perene de vida espiritual. Por isso se devem
aplicar por excelência à Sagrada Escritura estes ensinamentos: ‘A palavra de Deus é viva e eficaz’
(Hb 4,12), ‘capaz de edificar e dar a herança a todos os santificados’ (At 20,32; 1Ts 2,13)”. [Obs: as
Escrituras são, em essência, desde o tempo de Moisés, as leituras litúrgicas dos judeus e cristãos, ou seja,
as proclamações públicas e ensinamentos feitos por sacerdotes nos ritos litúrgicos próprios dos cultos do
Judaísmo e Cristianismo.]

Relação entre a Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura


“A sagrada Tradição, portanto, e a Sagrada Escritura estão intimamente unidas e compenetradas
entre si. Com efeito, derivando ambas da mesma fonte divina, fazem como que uma coisa só e
tendem ao mesmo fim. A Sagrada Escritura é a palavra de Deus enquanto foi escrita por inspiração
do Espírito Santo; a sagrada Tradição, por sua vez, transmite integralmente aos sucessores dos
Apóstolos a palavra de Deus confiada por Cristo Senhor e pelo Espírito Santo aos Apóstolos, para
que eles, com a luz do Espírito da verdade, a conservem, a exponham e a difundam fielmente na sua
pregação; donde resulta assim que a Igreja não tira só da Sagrada Escritura a sua certeza a respeito
de todas as coisas reveladas. Por isso ambas, Escritura e Tradição, devem ser recebidas e veneradas
com igual espírito de piedade e reverência”.

Relação de uma e outra com a Igreja e com o Magistério eclesiástico


“A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um só depósito sagrado da palavra de Deus,
confiado à Igreja; aderindo a este, todo o Povo santo persevera unido aos seus pastores na doutrina
dos Apóstolos e na comunhão, na fração do pão e na oração, de tal modo que, na conservação, atu-
ação e profissão da fé transmitida, haja uma especial concordância dos pastores e dos fiéis.
Porém, o encargo de interpretar autenticamente a palavra de Deus escrita ou contida na Tradição
foi confiado só ao magistério vivo da Igreja, cuja autoridade é exercida em nome de Jesus Cristo.
Este magistério não está acima da Palavra de Deus, mas sim ao seu serviço, ensinando apenas o que
foi transmitido, enquanto, por mandato divino e com a assistência do Espírito Santo, a ouve pia-
mente, a guarda religiosamente e a expõe fielmente, haurindo deste depósito único da fé tudo
quanto propõe à fé como divinamente revelado.
É claro, portanto, que a sagrada Tradição, a sagrada Escritura e o magistério da Igreja, segundo o
sapientíssimo desígnio de Deus, de tal maneira se unem e se associam que um sem os outros não se
mantém, e todos juntos, cada um a seu modo, sob a ação do mesmo Espírito Santo, contribuem
eficazmente para a salvação das almas”.
Obs: você provavelmente nunca parou pra pensar, mas... refletindo cá com meus botões... não con-
sigo deixar de pensar na semelhança entre os protestantes e os fariseus e saduceus. Assim como os
protestantes, os fariseus – os “segregados”, “separados” – nasceram de um racha com respeitados
líderes religiosos (os hassidim/assideus), e nem mesmo os fariseus convertidos pararam de “protes-
tar”, como se vê em At 15,5. Haja teimosia e visão obtusa... Também assim como os protestantes, os
saduceus rejeitavam a tradição oral, prendendo-se de maneira cega ao livro, à Escritura (e especifi-
camente à Torah). Não são lá comparações desejáveis...

Outra coisa que lembrei aqui, ainda nessa linha da semelhança entre protestantes e judeus: João
deixa escancaradamente claro em Jo 5,37-44 o CACETE que Jesus está dando nos judeus justa-
mente por eles se prenderem cegamente às Escrituras. Jesus diz “Ok, tem as Escrituras, e elas falam
de mim, mas EU SOU O CAMINHO PARA A VIDA ETERNA, e não um livro”. Novamente: Cristia-
nismo é sobre a vida de uma pessoa, não sobre um livro que só ficou pronto 350 anos depois
de a pessoa em questão ter finalizado sua passagem na Terra.

O Verbo se encarnou, não se encadernou.


Deus falou em definitivo por meio do Cristo, e não de um livro. [Hb 1,1-2]
Pô, a flagrante contradição do sola scriptura (com o consequente desprezo pela cronologia dos fatos
históricos, pela Tradição e pela própria realidade da encarnação do Verbo) me parece muito, muito
evidente, a ponto de eu sinceramente não conseguir entender muito bem – do ponto de vista psico-
lógico dos protestantes, mesmo – como isso consegue sobreviver até hoje...

Aí vai um trechinho de um livro do grande G.K. Chesterton: [Obs: aqui ele chama de “Fundamen-
talismo” o que seria basicamente o protestantismo ferrenhamente preso ao sola scriptura.]

Acreditar no sola scriptura e ao mesmo tempo bater na Igreja Católica é como, sei lá, fazendo uma
analogia tosca (e guardadas as devidas diferenças), ficar vidrado com o futebol do Messi mas se
esquecer completamente de que ele é um jogador do Barcelona, clube que o formou desde a base e
o projetou. Ainda que você pense que o AT da Bíblia protestante é o certo, acreditar na infalibilidade
da Bíblia em relação ao NT é exatamente acreditar na infalibilidade da Igreja Católica quando ela
definiu o que é e o que não é a verdadeira Palavra de Deus escrita no NT. :)
Peter Kreeft (filósofo; ex-protestante que se converteu e se tornou um dos maiores escritores ca-
tólicos dos últimos 40 anos): “O sola scriptura, sem uma Igreja autoritativa, significa que cada pupilo
interpretará o livro do professor à sua maneira, não à maneira do professor, tornando-o, assim,
supérfluo. Eventualmente, haverá tantas interpretações quantos pupilos; de fato, tantos livros quan-
tos pupilos. Desta feita, o sola scriptura mina a autoridade da própria Escritura que exalta. A conclu-
são lógica da interpretação privada são igrejas privadas — eventualmente, tantos protestantismos
quanto protestantes. Há ainda o argumento causal: uma causa falível não pode produzir um efeito
infalível, mas a Igreja é a causa eficiente da Escritura. Ela escreveu-a. Ela é, também, sua causa for-
mal: Ela definiu seu cânone. Assim, se a Igreja é apenas falível, a Escritura é falível. Novamente, o
sola scriptura rebaixa a autoridade daquilo mesmo que deseja exaltar”.

Ao fim e ao cabo, o protestantismo, com base no sola scriptura, é como um parasita: só sobrevive
dentro de um hospedeiro que já existe e lhe fornece toda a estrutura para se desenvolver. É como o
comunismo/socialismo: só nasce e sobrevive dentro de um arranjo político-cultural e econômico
criado por ideias conservadoras. É um desvio do reto caminho, mas paradoxalmente com um pezi-
nho ainda fincado nele. É por isso que a Igreja diz, de maneira benevolente (bem mais do que eu
consigo ser...) que os protestantes também são cristãos, são “irmãos no Cristo”, mas que não estão
em comunhão perfeita/plena com a Igreja. É uma comunhão apenas parcial; estão com um pé
dentro e o outro fora, longe. [Obs: isso se a pessoa em questão foi batizada validamente... Tem muito
protestante por aí que recebeu um batismo inválido, ou simplesmente nem foi batizado.]

Escreveu São Francisco de Sales, que no séc. XVI conseguiu que muitos protestantes franceses
– literalmente milhares – retornassem à fé católica (ou seja, à verdadeira fé cristã): “Como pode uma
boa alma não deixar de arder em santo zelo e de sentir uma indignação cristã, considerando com que
temeridade aqueles que não falam senão em Escritura Sagrada desprezaram, aviltaram e profana-
ram este divino testamento do Pai Eterno e falsificaram a sagrada aliança de Deus com os homens? Ó
Calvino! Ó Lutero! como ousais vós riscar, trancar e mutilar tantas nobres partes do sagrado texto da
Bíblia? Tirastes Baruc, Tobias, Judite, a Sabedoria, o Eclesiástico e os dois Macabeus [além de trechos
de Ester e Daniel]. Por que alterastes desta forma a Sagrada Escritura? Quem vos disse que não são
livros sagrados? (...) Confessai francamente que só o fizestes para contradizer a Igreja. Incomodava-
os os Macabeus porque neles vedes afirmada a intercessão dos santos e a oração pelos defuntos; o
Eclesiático, porque atesta o livre arbítrio e a honra devida às relíquias dos santos. Antes de inclinar a
vossa fronte e venerar a Escritura, violastes a integridade dela para acomodá-la aos vossos
erros e às vossas paixões. Suprimistes a Santa Palavra para não refrear as vossas fantasias. Como
vos justificareis deste sacrilégio diante de Deus?”

E, alguns séculos depois, complementou o Pe. Henry Graham (cresceu como calvinista, chegou
a ser pastor, mas depois se converteu): “A Igreja existe desde antes da Bíblia; Ela a fez, selecionou
seus livros, preservou-os e os ensinou (...) e portanto tentar, a esta altura, como muitos fazem, derru-
bar a Igreja em função da Bíblia, e colocar a Bíblia acima da própria Igreja, e criticá-la duramente
por destruir e corromper a Bíblia – o que é isso senão golpear a mãe que os criou; amaldiçoar a mão
que os alimentou; voltar-se contra seu melhor amigo e benfeitor; e pagar com ingratidão e difamação
exatamente o guia e protetor que os levou a beber da fonte do Salvador?”
Só existe uma Igreja; só há um Caminho.

Nosso Senhor Jesus Cristo está vivo e presente em Sua Igreja, que é una, santa, católica e apostó-
lica. [Falo disso mais à frente.] Ela celebra, em sucessão apostólica, os mesmos Sacramentos, crê no
mesmo depósito de fé e nas mesmas Escrituras, e está sob o mesmo governo eclesiástico em co-
munhão com Ele. Como disse Sto. Agostinho: “Ego vero Evangelio nos crederem, nisi me catho-
licae Ecclesiae commoveret auctoritas” (“Eu não creria no Evangelho, se a isto não me levasse a
autoridade da Igreja Católica”).

Ô Tim Maia, volta pra Igreja que escreveu a Bíblia (NT) que vc lê... Volta pra Igreja que fechou
(declarou de forma infalível e definitiva) o cânon do NT que vc lê... Volta pra Igreja que atesta até
hoje a autenticidade e a legitimidade da Bíblia que vc lê... Volta pra Igreja à qual foi conferida a
autoridade pra cuidar de TODAS as coisas referentes à doutrina cristã na Terra... Volta pra Igreja
que, em cumprimento ao espírito da Nova Aliança (e criando Tradição dentro de um sistema
hierárquico criado pelo Cristo), limou a necessidade de vc ter o PREPÚCIO desse micropênis aí
arrancado... Volta pro corpo místico do Cristo, a continuação histórica da vida d’Ele através dos
séculos na Terra... Em SUMA: volta pra nave-mãe 😊 Anda logo, vai, não me irrita
Sto. Irineu: “Omnes a Romana Ecclesia
necesse est ut pendant, tanquam a fonte et
capite. Ad hanc enim Ecclesiam propter
potiorem principalitatem necesse est
omnem convenire Ecclesiam, hoc est eos,
qui sunt undique, fideles; in qua semper ab
his, qui sunt ubique, conservata est ea,
quae ab Apostoli est, traditio”
(É necessário que todos dependam da
Igreja Romana, como de sua fonte e
cabeça. Todas as igrejas devem concordar
com essa Igreja em razão de sua
prioridade ou primazia, pois nela a
Tradição transmitida pelos Apóstolos é
sempre preservada)
Assim como São Francisco de Sales – que o chamava de “o Padre mais santo do século” –, São
Vicente combateu heresias (principalmente o jansenismo) e foi responsável por um amplo
movimento de evangelização.

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