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27/09/2021 18:58 Direitos Humanos e Cultura da Paz.

Uma Política Social de Prevenção à Violência

Direitos Humanos e Cultura da Paz. Uma Política Social de Prevenção à Violência


Ariana Bazzano de Oliveira *

* Socióloga, graduada em .Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Londrina


soc_ari@yahoo.com.br

RESUMO:
Políticas públicas são programas de ação governamental que visam a coordenar os meios à
disposição do Estado e as atividades privadas para a realização de objetivos socialmente relevantes e
politicamente determinados. Pensando no contexto brasileiro, hoje se tem uma demanda pública que
pede por paz, então quais seriam as políticas públicas que o Estado deveria adotar a fim de promovê-
la?
Para se compreender um pouco, como Estado Brasileiro está lidando com a elaboração de políticas
públicas referentes à promoção da cultura de paz e aos direitos humanos, foi feita uma pesquisa de
campo na prefeitura de Londrina–PR, para avaliar se há projetos por parte desta, destinados a esse
fomento. Neste trabalho serão apresentados dois projetos: Rede da Cidadania e o projeto Viva Vida.

PALAVRAS CHAVE : cultura de paz, direitos humanos, políticas públicas, cidade de Londrina

HUMAN RIGHTS AND PEACE CULTURE. A SOCIAL POLICY TO PREVENT VIOLENCE

ABSTRACT:
Public policies are governmental action programs which aim to coordinate the means at the State
disposition and the private activities to accomplish the relevant and political determined social
objectives. Focusing the Brazilian context, today we have a public demand that claims for peace, and
so which are the public policies that the State should adopt, in order to promote them? For us to
understand a little, how the Brazilian State is dealing with the public policies concerning the peace
culture promotion and human rights, a field research was conducted at the City Government of
Londrina to evaluate if there projects destined to this purpose.
In this work two projects will be presented: Citizenship Net and the Pro-Life project.

KEY WORDS: peace culture, human rights, public policies, Londrina City .

A Declaração Universal dos Direitos do Homem , de 1948 foi criada como uma forma de garantir paz
no mundo, pois parte-se do princípio de que “ desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem
resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade” (Preâmbulo da Declaração
Universal dos Direitos do Homem) . Portanto, cabe ao Estado reconhecê-los, consolidá-los,
institucionalizá-los para que os direitos humanos sejam componentes do direito vigente. Com esta
positivação, os direitos humanos não têm mais o significado de idéias e esperanças. Eles se tornam
parte obrigatória da ordem do direito e do Estado. Do ponto de vista do conteúdo, os direitos humanos
e os direitos fundamentais são iguais, mas os seus modos de existência são diferentes. Os direitos
humanos são padrões morais aos quais uma ordem jurídica deveria se submeter quando signatária da
referida carta da ONU. Enquanto, os direitos fundamentais são os direitos humanos efetivamente
reconhecidos por uma ordem jurídica ou constitucional (HÖFFE:2001:417).

Já a cultura de paz é uma proposta para que as relações humanas sejam permeadas pelo diálogo,
pela tolerância, pela consciência da diversidade dos seres humanos e de suas culturas. A ONU definiu
cultura de paz na Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz , em 13 de setembro de
1999, da seguinte maneira:

“ Uma Cultura de Paz é um conjunto de valores, atitudes, tradições, comportamentos e


estilos de vida baseados: No respeito à vida, no fim da violência e na promoção e
prática da não-violência por meio da educação, do diálogo e da cooperação; No pleno
respeito aos princípios de soberania, integridade territorial e independência política dos
Estados e de não ingerência nos assuntos que são, essencialmente, de jurisdição
interna dos Estados, em conformidade com a Carta das Nações Unidas e o direito
internacional; No pleno respeito e na promoção de todos os direitos humanos e
liberdades fundamentais; No compromisso com a solução pacífica dos conflitos; Nos
esforços para satisfazer as necessidades de desenvolvimento e proteção do meio-
ambiente para as gerações presente e futuras; No respeito e promoção do direito ao
desenvolvimento; No respeito e fomento à igualdade de direitos e oportunidades de
mulheres e homens; No respeito e fomento ao direito de todas as pessoas à liberdade
de expressão, opinião e informação; Na adesão aos princípios de liberdade, justiça,
democracia, tolerância, solidariedade, cooperação, pluralismo, diversidade cultural,
diálogo e entendimento em todos os níveis da sociedade e entre as nações; e
animados por uma atmosfera nacional e internacional que favoreça a paz” (ONU:2004).

Nesta mesma Declaração, também foram definidos os oito campos de ação em que o Estado e a
sociedade civil devem atuar para garantir a promoção da cultura de paz. São eles: educação para a
paz; desenvolvimento econômico e social sustentável; direitos humanos; igualdade entre os gêneros;

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participação democrática; compreensão, tolerância e solidariedade; comunicação participativa e livre
circulação de informação e conhecimento; paz e segurança internacionais.

Com base nesta definição da ONU, a idéia de paz não deve ser associada à passividade ou à inércia,
mas a esforços dinâmicos, pela via democrática, para que as tensões e os conflitos sejam superados
sem o uso de meios violentos. Dessa forma, a cultura de paz não é uma cultura na qual não existam
conflitos, mas sim que estes são resolvidos de forma pacífica.

“ Cultura de paz é uma cultura que promove a diversidade pacífica. Tal cultura inclui
modos de vida, padrões de crença, valores e comportamento, bem como os
correspondentes arranjos institucionais que promovem o cuidado mútuo e bem-estar,
bem como uma igualdade que inclui o reconhecimento das diferenças, a guarda
responsável e partilha justa dos recursos da Terra entre seus membros e com todos
seres vivos” (apud JESUS; MILANI:2003:35).

Ao observar a Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz, da ONU, percebe-se que o
Estado Democrático de Direito deve estar aberto à sociedade civil e estimulá-la a formatar as suas
demandas; e cabe a esse Estado receber tais demandas, normatizá-las e atender à população, na
forma de políticas públicas.

Normalmente, quando se pensa em políticas públicas, toma-se por base ações implementadas pelo
Estado. De um modo geral, as políticas públicas buscam a introdução de mudanças na cultura e no
pensar popular, lançando uma nova leitura, um novo olhar sobre algum aspecto específico do
cotidiano. As ações do Estado na implantação de políticas públicas podem estar relacionadas a
diversas áreas da sociedade, tais como segurança pública, educação, assistência social, importação e
exportação, economia, habitação, pesquisa científica, reforma agrária, desenvolvimento tecnológico,
desburocratização, produção agrícola, saúde, trabalho, direitos humanos, etc.

Políticas públicas são programas de ação governamental que visam a coordenar os meios à
disposição do Estado e as atividades privadas para a realização de objetivos socialmente relevantes e
politicamente determinados (BUCCI:2002:241). E quem determina essas políticas públicas num
Estado Democrático de Direito é a sociedade civil. Portanto, por mais que as políticas públicas sejam
reguladas e freqüentemente promovidas pelo Estado, elas englobam preferências, escolhas e
decisões particulares que podem e devem ser controladas pelos cidadãos. Isto significa, que a política
pública expressa a conversão de decisões privadas em decisões e ações públicas, que afetam a
todos.

As políticas públicas são criadas como resposta do Estado às demandas que emergem da sociedade
e do seu próprio interior, o que demonstra a expressão do compromisso público de atuação numa
determinada área em longo prazo. A política pública “ é [uma] linha de ação coletiva que concretiza
direitos sociais declarados e garantidos em lei. É mediante as políticas públicas que são distribuídos
ou redistribuídos bens e serviços sociais, em resposta às demandas da sociedade” (apud CARVALHO:
2002:12).

O processo de formulação de uma política pública envolve a identificação dos diversos atores e dos
diferentes interesses que permeiam a disputa pela inclusão de determinada questão na agenda
pública e, posteriormente, a sua regulamentação como política pública. Percebe-se, então, a
mobilização de grupos representantes da sociedade civil e do Estado que discutem e fundamentam
suas argumentações, no sentido de regulamentar os direitos sociais e formular uma política pública
que expresse os interesses e as necessidades de todos os envolvidos. Deste processo de formulação
de políticas públicas, deriva outro elemento que é essencial num Estado Democrático de Direito: a
participação cidadã 1.

A participação cidadã pode ser compreendida como um processo complexo entre sociedade civil,
Estado e mercado, no qual os papéis se redefinem com o fortalecimento da sociedade civil por meio
da atuação organizada dos indivíduos, grupos e associações. Esse fortalecimento pode ser
conquistado de duas maneiras: com a ascensão de deveres e responsabilidades políticas específicas
e com a criação e exercício de direitos. E isto implica em controle social do Estado e do mercado,
seguindo parâmetros definidos e negociados nos espaços públicos, pelos diversos agentes sociais e
políticos (TEIXEIRA:2002:31).

Para tanto, a participação cidadã não se utiliza apenas de mecanismos institucionais existentes ou a
serem criados, além disso, articula-os com outros mecanismos e canais que são legitimados pelo
processo social. Dessa maneira, não se nega o processo de representação, mas se busca aperfeiçoá-
lo, requerendo a responsabilização política e jurídica dos mandatários, o controle social e a
transparência das decisões, que pode ser feita, por exemplo, com a prestação de contas. Além disso,
tem-se que tornar mais freqüentes e eficazes instrumentos de participação semi-direta, como o
plebiscito, referendo, iniciativa popular de projeto de lei, as tribunas populares, os conselhos e os
outros canais institucionais de participação popular. (TEIXEIRA:2002:31-2).

“O artigo 14 da Constituição de 1988 garantiu a iniciativa popular como iniciadora de


processos legislativos. O artigo 29 sobre a organização das cidades requereu a
participação dos representantes de associações populares no processo de organização
das cidades. Outros artigos requereram a participação das associações civis na
implementação das políticas de saúde e assistência social” (apud SANTOS:2000:65).

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De acordo com Bordenave, a participação facilita o crescimento da consciência crítica da população,
fortalece seu poder de reivindicação e a prepara para adquirir mais poder na sociedade. Além disso, a
participação garante o controle das autoridades por parte da sociedade, pois lideranças altamente
centralizadas podem ser levadas à corrupção. Assim, a participação pode ser compreendida, como um
processo de intervenção ativa na construção da sociedade, o que é feito por meio da tomada de
decisões e das atividades sociais em todos os níveis (BORDENAVE:1983:12-20).

Num Estado democrático de Direito, a participação tem que se basear em três tipos de canais
institucionais. Em primeiro lugar, num canal de informação. Não ocorre participação cidadã, se não há
informação qualitativamente pertinente e quantitativamente abundante sobre os problemas, os planos
e os recursos públicos. Em segundo lugar, canais de consulta, tais como o plebiscito, referendo,
tribunais populares, entre outros. E por fim, canais de reivindicação e de protesto. Para serem
eficientes, esses canais têm que ser visíveis, de amplo e fácil acesso, e com limites claramente
definidos (idem:68).

A qualidade da participação, para Bordenave, aumenta quando as pessoas aprendem a conhecer sua
realidade; a refletir; a superar contradições reais ou aparentes; a identificar premissas subjacentes; a
antecipar conseqüências; a entender novos significados das palavras; a distinguir efeitos de causas,
observações de inferências e fatos de julgamentos. Além do mais, a qualidade da participação também
melhora quando as pessoas aprendem a manejar conflitos; a compreender seus sentimentos e
comportamentos; a tolerar divergências e a respeitar opiniões. E por fim, quando as pessoas
aprendem a organizar e coordenar encontros, assembléias e mutirões; a formar comissões de
trabalho; a pesquisar problemas; elaborar relatório e usar meios técnicos de comunicação. Portanto, a
presença desses pontos indicam que está havendo um aprendizado da participação, pois “ a
participação é uma vivência coletiva e não individual, de modo que somente se pode aprender na
práxis grupal. Parece que só se aprende a participar, participando” (idem: 73-74).

Contudo, a participação não corresponde a uma assembléia permanente, nem pode prescindir de
utilizar mecanismos de representação. A participação é compatível com a presença de uma autoridade
escolhida democraticamente. Assim, a participação pode e deve ser um instrumento de reforço dos
canais democráticos de representação e “não a eterna devolução ao povo dos problemas da própria
comunidade” (idem:80). Desta forma, com a demarcação clara dos canais de participação, a
autoridade pública cumpre o seu papel e assume as suas responsabilidades de governar.

Para se formular uma política pública que tenha a participação estatal e da sociedade civil, é
necessário haver a construção de espaços públicos, que podem ser implementados nas escolas, nas
associações de bairro, nas câmaras legislativas, etc. Os espaços públicos são espaços de debate, de
conflito de idéias, que têm a argumentação, a negociação, as alianças e produção de consensos
possíveis como seus procedimentos fundamentais, nos quais se reconhece a pluralidade e a
legitimidade dos interlocutores, condição esta não só do espaço público, mas de toda convivência
democrática (DAGNINO:2002:285).

“ Nesses procedimentos os participantes tratam uns aos outros como iguais; eles têm a
intenção de defender e de criticar instituições e programas em termos que os outros
teriam razão para aceitar, dado que o fato do pluralismo supõe que o outro é razoável.
Os indivíduos estão preparados para cooperar de acordo com os resultados dessa
discussão tratando tais resultados como dotados de autoridade” (apud
AVRITZER:2000:41-2).

Segundo Dagnino, os espaços públicos estão exigindo o aprendizado da tarefa da construção


hegemônica, o que “ requer o reconhecimento da pluralidade como ponto de partida de um processo
de busca de princípios e interesses comuns em torno dos quais a articulação das diferenças abra
caminho para a configuração do interesse público” (DAGNINO:2002:286). Assim, a convivência com
as diferenças no interior do espaço público, promove o aprendizado do reconhecimento do outro
enquanto sujeito portador de direitos, assim como, a existência e a legitimidade do conflito, enquanto
categorias constitutivas da democracia e da cidadania.

Neste processo de convivência com a pluralidade, é essencial que se tenha um diálogo, porém diálogo
não significa só conversa. É também se colocar no lugar do outro para compreender seu ponto de
vista, respeitar a opinião alheia, compartilhar as experiências vividas, sejam boas ou ruins, repartir a
informação disponível e tolerar longas discussões para se chegar a um consenso satisfatório para
todos. Isso mostra, que um diálogo verdadeiro só é possível entre iguais ou entre pessoas que
desejam igualar-se (BORDENAVE:1983:50-51).

Estes espaços, também propiciam o conhecimento e a disputa entre as demandas das diversas
regiões da cidade, o que faz com que as lideranças sociais desenvolvam: uma compreensão mais
geral dos problemas da cidade; um sentimento de solidariedade; uma capacidade de construir
parâmetros públicos; procedimentos de transparência e regras de funcionamento que tensionam
práticas corporativas, o que evita e pode superar critérios particulares, ideológicos, comunitários ou
partidários (ALBUQUERQUE: 2004:24). Dessa forma, o reconhecimento dos diferentes interesses, a
capacidade de negociação sem a perda da autonomia, a construção do interesse público e a
participação na formulação de políticas públicas que efetivamente expressem esse interesse são
algumas das dimensões que constituem a democracia participativa.

“A articulação da democracia representativa parlamentar com canais institucionais de


gestão participativa tem contribuído para desprivatizar a gestão pública, alterando os
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arranjos e espaços institucionais definidores das políticas, contribuindo para
desestabilizar tradicionais relações simbióticas entre o Estado e grupos de interesse,
para publicizar e democratizar as políticas sociais. Esta articulação entre democracia
representativa parlamentar e novos canais de participação direta tem gestado uma
nova concepção de democracia, mais densa e mais abrangente; tem construído uma
concepção de democracia participativa potencialmente capaz de ampliar a democracia
através de uma efetiva partilha do poder de gestão da sociedade” (idem:25).

Além disso, os espaços públicos com participação da sociedade civil confrontam as concepções de
democracia elitista e também as concepções tecnocráticas e autoritárias sobre a natureza do processo
de decisão no interior do Estado. Assim, questiona-se o histórico monopólio estatal sobre a definição
do que é público e também se contribui para dar uma maior transparência às ações estatais. Além do
mais, a convivência com as diferenças existentes nos espaços públicos promovem o aprendizado do
reconhecimento do outro enquanto portador de direitos. E, do mesmo modo, o aprendizado da
existência e legitimidade do conflito, como dimensões constitutivas da democracia e da cidadania
(DAGNINO:2002:295).

Para se compreender um pouco como o Estado brasileiro está lidando com a elaboração de políticas
públicas referentes à promoção da cultura de paz, foi feita uma pesquisa de campo na prefeitura de
Londrina – PR, para avaliar se há projetos por parte desta destinados ao fomento da cultura de paz.

Analisando-se o “Plano de Governo: Coligação Compromisso com Londrina – Gestão 2001/2004”,


foram encontrados alguns projetos destinados a garantir aos direitos humanos, contudo, não foi
encontrado entre estes projetos, nenhum projeto municipal que tenha entre os seus objetivos a
promoção de uma cultura de paz. Porém, levando-se em conta, os oito campos de ação da Declaração
da ONU de 1999, existem alguns projetos municipais que podem ser considerados como projetos que
visam à cultura de paz. E neste trabalho serão apresentados dois projetos: Rede da Cidadania e o
projeto Viva Vida.

O projeto Rede da Cidadania começou a ser idealizado na campanha eleitoral de 2000. Durante a
campanha, as pesquisas eleitorais, especialmente as qualitativas, apontavam um fenômeno
importante: a demanda por alternativas de lazer, cultura e renda, associadas diretamente a qualidade
de vida, estava sempre entre as cinco prioridades da população, atravessando todas as camadas
sociais. Deste fato, surgiu a idéia de um programa cujo centro de atenção seriam as pessoas vistas
como seres integrais, que deveriam ser beneficiadas por políticas públicas integradas de saúde,
educação, renda e lazer. A cultura deveria ser o elemento mobilizador, integrador e de resgate da
subjetividade: o programa foi batizado de Rede da Cidadania .

Esta concepção de política cultural apresentada no debate eleitoral explicitou o contraste de posições
entre os candidatos a prefeito. Até então, os políticos discutiam a cultura dentro do viés da cultura
artística, do fomento cultural, numa interlocução apenas com os produtores culturais já consolidados. A
proposta de uma política pública voltada para toda a população era um fato novo.

Tendo este horizonte em vista, a primeira atitude concreta da gestão que assumiu em 2001 foi iniciar
um processo de interlocução com a comunidade e os grupos de criação cultural, centrada na idéia de
realizar uma política pública de cultura. Dessa maneira se tentou superar a distância entre os
produtores e os receptores de informação e cultura por meio da criação de condições de intercâmbio
desses papéis na comunidade. Coerente com estes princípios, propôs-se a realização de uma
Conferência Municipal de Cultura com participação ampla dos agentes sociais.

Antes da Conferência, houve assembléias preparatórias em 6 regiões da cidade, com o objetivo de


debater a tese apresentada pelo poder público para construir a pauta da Conferência e eleger os
delegados que iriam representar suas categorias nas deliberações da Conferência.

De forma esquemática, o documento de tese trazia:

- As atribuições da Política Municipal de Cultura segundo a lei que instituiu a Secretaria Municipal de
Cultura.

- O conceito de Cultura como Política Pública.

- Proposta de implantação da Rede da Cidadania — o programa de integração sociocultural do


município.

- O Contexto do Incentivo Cultural

- Proposta de um novo Conselho Municipal de Cultura.

Nas Assembléias Preparatórias foram escolhidos 5 cinco delegados e dois suplentes, com poder de
voto, das seguintes categorias:

- por regiões da cidade: Zona Norte / Zona Sul / Zona Leste / Zona Oeste / Centro/Distritos;

- por áreas culturais: Artes Cênicas (teatro / circo); Dança (contemporânea / clássica / salão);
Linguagens Plásticas (pintura / escultura / fotografia); Cinema e Vídeo; Artes Gráficas; Artes de Rua;
Artesanato; Literatura; Música; Patrimônio (histórico / urbano / ambiental / memória); Produção e
Divulgação de Conhecimento Científico e Comunicação e Mídia.
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A I Conferência de Cultura da Cidade de Londrina aconteceu dos dias 13 a 15 de Setembro de 2001, e
dela participaram 108 delegados das categorias descritas acima, além de representantes dos
sindicatos de trabalhadores, do setor empresarial e do Executivo e Legislativo municipais. O que
esteve em pauta foi: uma nova política de cultura, um novo modelo de financiamento e um novo
modelo de conselho. A grande “novidade” da Conferência foi a pluralidade de agentes participando e a
percepção de que havia espaço e disposição para o diálogo e não apenas para discussão ou
monólogos. Relatos dão conta de que as pessoas foram se arriscando a falar e que, ao final da
Conferência, apesar do cansaço, a produção de idéias ainda era grande.

Na avaliação da Secretaria, os objetivos foram atingidos principalmente no que tange ao compromisso


deste mandato de fazer com que a população seja partícipe da construção de uma Política Pública
Popular. Nesse sentido, a pluralidade da participação democrática foi um indicador de êxito da
Conferência. Pois partia-se do pressuposto de que, para haver uma continuidade política, deveria se
ter uma mobilização e organização dos cidadãos para que estivessem juntamente com o poder público
gerenciando esta política. E que para haver essa mobilização e organização cidadã, o processo teria
que incluir as pessoas desde a concepção dos programas como produtores, e não apenas como
consumidores.

A Rede da Cidadania é um programa estratégico que constitui o eixo da Nova Política Pública de
Cultura, articulando vários projetos. Sua finalidade é a integração dos espaços urbanos através de
circuitos culturais. Esta percepção de integração socioespacial é ilustrada pela imagem da cidade
como três círculos concêntricos: O círculo mais externo representa os bairros periféricos que têm muito
pouca participação e acesso aos equipamentos e à produção cultural. Nestes lugares, o trabalho da
Rede tem uma marca de inclusão social e um caráter fortemente interdisciplinar (educação, saúde,
ação social etc.). No círculo intermediário encontram-se os bairros mais antigos que aqui serão
denominados entorno do centro . Eles apresentam problemas de exclusão menos acentuados do que
na periferia. São bairros com infra-estrutura urbana e comunidades mais enraizadas. A proposta da
Rede aqui é de inclusão cidadã na área da cultura. Por fim, tem-se o centro dos círculos,
representando o centro da cidade que concentra a maior parte dos equipamentos culturais.

A proposta é que a Rede seja implantada em todas as regiões da cidade, com a criação de núcleos
culturais no Centro, bairros e distritos londrinenses. Estes núcleos, chamados de Pontos de Rede ,
que, interligados entre si comporão um circuito integrador, além de oferecer alternativas de lazer e
fruição, pretendem organizar os grupos locais de produção cultural. A idéia de Rede e circuito sugere
que as comunidades mantenham uma relação horizontal entre si, recebendo grupos no seu ponto de
rede e “exportando” os seus para os pontos de rede de outras comunidades.

No final de 2004, a Rede da Cidadania contava com oito oficinas oferecidas nas regiões urbanas e
rurais da cidade, que eram de: Dança de Salão, Teatro, Circo, Capoeira Expressiva, Hip Hop, Iniciação
à Dança, Corredor da Pintura e Criação Literária.

Até essa data, a Rede da Cidadania atuava em 34 pontos da cidade, instalados das mais diversas
formas, como em escolas, centros de esporte, centros comunitários, barracões de igrejas, creches,
bibliotecas, centros culturais e, o que chama mais a atenção, no distrito de São Luís, zona rural de
Londrina, as oficinas ocorriam no Bar da Dona Nilda. No total, no ano de 2004, foram atendidas cerca
de 1000 pessoas, entre crianças, adolescentes e adultos.

Pode-se perceber por este relato que as políticas culturais desenvolvidas atualmente na cidade visam
à inclusão dos setores populares na produção e fruição dos bens culturais. A maioria dos projetos se
encontra em estágio embrionário, mas já chamam a atenção pela articulação que se criou entre o
poder público e a comunidade.

Em pouco tempo, a gestão da Secretaria Municipal de Cultura de Londrina (2001/2004) criou as bases
para execução da política e abriu importantes frentes de trabalho. No entanto, os mecanismos de
acompanhamento dos projetos parecem ainda incipientes. Outro ponto de fragilidade é o escasso
número de pessoas existentes na Secretaria Municipal de Cultura responsáveis por tocar um volume
grande de trabalho.

Com base em algumas entrevistas feitas com os agentes culturais (oficineiros) da Rede da Cidadania,
percebe-se um certo de grau de insatisfação entre eles, pois afirmam que várias vezes os seus
salários atrasam e que há uma demora para a aprovação dos projetos e liberação da verba. A Rede da
Cidadania explica que ela não controla a verba disponibilizada para os projetos e salários dos agentes
culturais, essa verba é disponibilizada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura).
Sinteticamente, é assim, o PROMIC aprova os projetos culturais e libera a verba e a Rede da
Cidadania, executa e coordena os projetos. Esse atraso na aprovação dos projetos, segundo os
agentes culturais, impede uma continuidade do acompanhamento das crianças, de um ano para outro.
Com a demora da aprovação dos projetos, eles acabam por iniciar já quase em abril. E como os
projetos geralmente, se encerram em dezembro, as crianças passam até cinco meses sem projeto, o
que gera um desinteresse e muita desistência de um ano para outro.

Outra observação dos agentes culturais é que no ano de 2005, está havendo um acompanhamento
maior das oficinas por parte da Rede de Cidadania, além dos agentes culturais, estão presentes
também, psicólogos e assistentes sociais. Além disso, as reuniões com os coordenadores da Rede e
os agentes culturais estão mais freqüentes e nestas estão presentes psicólogos, pedagogos e
assistentes sociais, E também, neste ano, já ocorreram quatro capacitações dos agentes culturais, a

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fim de que estes estejam preparados para ensinar as crianças, jovens e adultos a se descobrirem
como cidadãos, além de aprenderem uma linguagem artística.

Portanto, a Rede da Cidadania é um projeto que visa à cultura de paz, pois têm a participação da
comunidade na construção e execução do projeto, porém necessita de uma maior agilidade do poder
público, principalmente, no que diz respeito a aprovação dos projetos e liberação da verba para que
não haja uma descontinuidade do trabalho com a comunidade.

O outro projeto a ser analisado é o projeto Viva Vida. A proposta desse trabalho consiste em promover
a educação para a cidadania e a participação comunitária. De acordo com os elaboradores do projeto
Viva Vida, este rompe com a idéia de “política pobre para pobres” e imprimi um caráter “alternativo” à
atenção dada à criança e ao adolescente que moram em regiões ou bairros periféricos da cidade ou
zona rural, viabilizando maior possibilidade de acesso e propiciando a inclusão social.

Além disso, o projeto Viva Vida articula-se a outras redes de serviços e comunidade, como forma de
buscar atingir não somente as crianças e aos adolescentes envolvidos no processo, mas também suas
famílias.

O Projeto Viva Vida foi implantado em janeiro de 2002, numa parceria feita entre a Secretaria
Municipal de Assistência Social, Secretaria Municipal de Cultura, Fundação de Esportes e com as
ONGs, APEART e PROVOPAR – LD. Porém, no ano de 2004, o projeto passou a ser gerenciado
somente pela Secretaria Municipal de Assistência Social e PROVOPAR –LD., contando com a
contribuição da Secretaria Municipal da Educação, que contrata o serviço de merendeiras para as
unidades do projeto.

Este se caracteriza por ser um projeto de apoio socioeducativo e é prestado a crianças e adolescentes
de 7 a 14 anos em diferentes horários, no período de contra turno, das 8h às 17h. Dessa forma, a
criança que estuda pela manhã freqüenta o programa à tarde, e vice-versa. Este projeto proporciona a
mais de 1.300 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social o contato com a arte,
buscando desenvolver a criatividade, a expressão e a convivência, devolvendo a essas pessoas a
esperança que a pobreza e a exclusão social insistem em tirar.

O projeto Viva Vida entende que contribui para o desenvolvimento da cidade de Londrina, a partir do
que ela tem de mais precioso: as pessoas, já que promove ações que desenvolvem a sociabilidade, a
convivência familiar e comunitária, e o acesso a melhores condições de vida.

O Viva Vida oferece oficinas de diversas linguagens, como capoeira expressiva, teatro, hip-hop, artes
plásticas, artesanato, música e recreação, entre outras atividades. Todas essas linguagens artísticas
funcionam como elementos de educação, afetividade e aprendizado da liberdade com respeito ao
próximo. Pois, segundo este projeto, crescer com arte é uma resposta humana contra o crescimento
da exclusão e da violência. “É nosso dever, portanto, assegurar os direitos da criança e do
adolescente. Seja como cidadão, seja como educador, é necessário ter a sensibilidade em ouvir e
questionar as crianças e adolescentes em busca de uma educação pela Paz, pela não-violência e com
menos exclusão social” (PROJETO PEDAGÓGICO VIVA VIDA:28).

De acordo com os elaboradores do projeto, o ambiente e a educação são fatores essenciais para que
haja uma modificação nas crianças e o Viva Vida se destacaria por constituir este ambiente, pois
quando se tem um ambiente afetuoso e uma educação rica em estímulos é possível superar muitas
privações e amenizar os efeitos de seqüelas emocionais.

De acordo com uma avaliação feita pela equipe do Viva Vida, existem ainda, alguns desafios a serem
superados, como por exemplo, na qualificação dos educadores e uma diminuição na rotatividade do
pessoal, pois a criação do vínculo afetivo é essencial para que se atinja os objetivos do projeto.

Uma entrevista que chamou a atenção foi feita com um educador que já trabalhou no Viva Vida e hoje
trabalha na Rede da Cidadania. Ele acredita que a Rede da Cidadania apresenta uma vantagem, em
relação ao Viva Vida, que é a liberdade que as crianças têm de escolher as oficinas. No Viva Vida, as
crianças não escolhem as oficinas, elas circulam periodicamente pelas oficinas, assim, a cada mês,
elas participam de uma oficina. Nas palavras do educador: “Um mesmo trabalho que eu faço em um
ano e vejo resultado na Rede, demorou uns três anos para eu ter o mesmo resultado no Viva Vida”. E
de acordo com ele, isto decorre pelo desinteresse das crianças por aquela linguagem artística, assim,
fica mais difícil de conquistar a criança atendida no Viva Vida. O que já não ocorre no Rede da
Cidadania, pois a criança se matricula na oficina que ela quer fazer, portanto, já um interesse da
criança no ato da matrícula, o que facilita o trabalho dos agentes culturais em conquistar o afeto das
crianças.

Este projeto pode ser considerado um fomentador da cultura de paz, pois quando se analisa a
Declaração e Programa de Ação sobre uma Cultura de Paz , da ONU, de 1999, vê-se que dentre as
medidas para promover a cultura de paz está:

“ Zelar para que as crianças, desde a primeira infância, recebam formação sobre
valores, atitudes, comportamentos e estilos de vida que lhes permitam resolver conflitos
por meios pacíficos e com espírito de respeito pela dignidade humana e de tolerância e
não discriminação”.

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Dessa maneira, por meio das linguagens artísticas, o projeto Viva Vida, ensina às crianças um novo
estilo de vida, baseado na solidariedade e no respeito ao próximo.

A partir dos dois projetos aqui apresentados, pode-se concluir que é importante o Estado se
comprometer com a promoção da cultura de paz e dos direitos humanos, pois sem essa
institucionalização as ações que visam a essa promoção podem correr o risco de permanecer no
voluntarismo. Como escreve Habermas:

“ O que nós necessitamos é de um pouco mais de práticas solidárias; sem isso, o


próprio agir inteligente permanece sem consistência e sem conseqüências. No entanto,
tais práticas necessitam de instituições racionais, de regras e formas de comunicação,
que não sobrecarreguem moralmente os cidadãos e sim elevem em pequenas doses a
virtude de se orientar pelo bem comum” (apud GUIMARÃES:2004:118).

E a pesquisa de campo feita para este trabalho veio corroborar o entendimento da importância do
Estado na construção da cultura de paz. Pois os dois projetos municipais aqui apresentados têm
conteúdos que levam à cultura de paz, embora o poder público pareça não ter essa clareza.

Portanto, este trabalho entende que para construir uma cultura de paz é necessário promover as
transformações necessárias e indispensáveis para que a paz seja o princípio regente de todas as
relações humanas e sociais. E essas transformações vão desde a dimensão dos valores, atitudes,
estilos de vida até as estruturas políticas, econômicas, jurídicas e as relações políticas internacionais.
Enfim, promover a cultura de paz significa e pressupõe trabalhar de forma integrada a favor das
grandes mudanças desejadas por uma imensa parte da humanidade: justiça social, igualdade entre os
sexos, eliminação do racismo, tolerância religiosa, respeito às minorias, educação universal, equilíbrio
ecológico e liberdade política. A cultura de paz poderia se transformar no elo que interliga e abrange
todos esses ideais num único processo de transformação, como esta pesquisa procurou demonstrar e
sustentar.

BIBLIOGRAFIA

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NOTAS

[1] Este trabalho compreende que a ciência política possui um extenso debate teórico sobre as várias
concepções de participação, contudo, o conceito de participação cidadã é o que mais se aproxima do
ideário do Estado democrático de direito, sendo assim, será o conceito adotado para esta pesquisa.

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