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Estado, sociedade e educação

1Unidade
SEÇÃO 2
RELAÇÃO ESTADO, SOCIEDADE E EDUCAÇÃO

1 INTRODUÇÃO

Na primeira seção, você aprendeu sobre os conceitos


e concepções de Estado, sua natureza, forma ou regime,
e sua relação com a sociedade. Nesta aula, vamos avançar
um pouco mais, compreendendo como o Estado estabelece
interface com a Sociedade, apropriando-se da educação.

1.1 Relação Estado, Sociedade e Educação e os


Princípios e Teóricos Clássicos Liberais

Você viu, na primeira seção, que o Estado, na sociedade


capitalista, exerce uma função de mediar as relações entre
a sociedade e o mercado, para consolidar suas ideias e seu
poder. E, para que se mantenham seus pensamentos, utiliza-
se da ideologia dominante de uma determinada classe, para
manter sob seu poder as demais classes.
Neste texto, utilizaremos como referência constante
o clássico artigo de Cunha (1980), o qual examinou o papel
atribuído à educação para a construção de uma sociedade
aberta, explicitando a presença do discurso liberal entre
os teóricos liberais clássicos, na pedagogia da escola nova
e no plano do Estado para a educação. O autor partiu da
análise da revolução burguesa do século XVIII e da

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ideologia dominante liberal corporificada, mais precisamente,


na França. O liberalismo, como foi conhecido, estabeleceu-se
como um sistema de ideias elaboradas por pensadores ingleses
e franceses no contexto das lutas de classe da burguesia contra
a aristocracia. Foi um sistema de crenças e convicções, ou seja,
uma ideologia. Os principais valores da doutrina liberal eram:
individualismo, liberdade, propriedade, igualdade e democracia.

Figura: 1.2.1 - Pirâmide social na Clero


época da Revolução Francesa. (125 Mil) 1º
Essa pirâmide representa os três
Estados na França antes da Revo-
Nobreza
lução Francesa. O 1º e 2º Esta- do
(135 Mil)
monopolizavam os privilégios e 2º
estavam isentos de impostos
enquanto que a burguesia, os ar- BURGUESIA
tesãos, camponeses e operários (250 MIL)
pagavam altas taxas de impostos. ARTESÃOS
Imagem: “Wikemedia Commons”. (250 MIL)
Fonte: http://historiacaldasjunior71.
Camponeses e Operários
wikispaces.com/file/view/untitled-2.
(24 milhões)
jpg/240819029/untitled-2.jpg

O princípio do individualismo concebe o indivíduo


enquanto sujeito que deve ser respeitado por possuir aptidões e
talentos próprios, atualizados ou em potencial. Os defensores
desse pensamento acreditam que os diferentes indivíduos
possuem atributos diversos e é de acordo com eles que
atingem uma posição social vantajosa ou não. Cabe ao Estado
a autoridade de administrar e de permitir que cada indivíduo
desenvolva suas potencialidades. Com esse argumento,
transfere ao indivíduo a responsabilidade pelo seu sucesso ou
fracasso social e exime a organização social. Em outros termos,
a doutrina liberal admite a sociedade de classe e, além disso,
fornece argumentos que legitimam e sancionam essa sociedade
(CUNHA, 1980).
A liberdade é outro princípio defendido pelos liberais,
mas pleiteia-se, antes de tudo, a liberdade individual, dela
decorrendo todas as outras: liberdade econômica, intelectual,
religiosa e política. É condição necessária para a defesa da ação
e das potencialidades individuais, enquanto não-liberdade é um

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desrespeito à personalidade de cada um. De acordo com

1
Cunha, “quanto menos poder o Estado possui, menos

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será sua esfera de ação e maior será a liberdade que o
indivíduo poderá desfrutar” (1980, p. 30).
A propriedade é um princípio justificado pelo
liberalismo como fruto do trabalho e do talento de
cada um, e são reconhecidos como meios legítimos de
ascensão social e de aquisição de riquezas. Para os
liberais, qualquer indivíduo pobre, mas que trabalhe e
tenha talento, pode adquirir propriedade e riquezas;
assim, qualquer privilégio decorrente do nascimento não
é tolerado.
A igualdade defendida pelos liberais não significa
igualdade de condições materiais. Nos argumentos,
os homens não são tidos como iguais em talentos e
capacidades; dessa maneira, também não podem ser
iguais em riquezas. A igualdade social é nociva, pois
provoca uma padronização, uma uniformização entre os
indivíduos, o que seria um desrespeito à individualidade
de cada um. A verdadeira posição liberal exige a
“igualdade perante a lei”, igualdade de direitos entre os
homens, igualdade civil (CUNHA, 1980).
A democracia consiste no igual direito de todos
de participarem do governo através de representantes
de sua própria escolha. A democracia consiste e exige o
individualismo, a propriedade, a liberdade e a igualdade. Figura 1.2.2 - Imagem da Revolução
Francesa. Em 1789 teve início, na
A não realização de um desses princípios implica na França, uma revolução política, sím-
bolo da destruição do poder absolu-
impossibilidade de todos os outros. No entanto, a sua tista dos reis e do início do poder da
burguesia no mundo ocidental. A Re-
realização resultaria numa sociedade aberta, onde todos volução Francesa tornou-se tão signifi-
cativa, que os historiadores a colocam
os homens teriam iguais oportunidades de ocupação das como marco divisor da história, na
passagem da Idade Moderna para a
posições nela existentes (CUNHA, 1980). Idade Contemporânea.
Fonte: “Wikemedia Commons”.
Como se pode perceber, a ideologia liberal
apregoa e transfere para o indivíduo a responsabilidade
de sua ascensão social e oculta as contradições da
sociedade marcadamente excludente. Para perpetuar

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tais ideias, a ideologia, como destacamos anteriormente,


tem papel fundamental na transmissão de valores e
pensamentos. No caso em estudo, estamos nos referindo
à ideologia advinda da Revolução Francesa (1789), cujas
novas ideologias, trazidas da revolução social, visavam
combater e dominar a velha ordem social estabelecida,
a da aristocracia, e ascender a ideologia da nova classe
social, a burguesa.
Para a ascensão do capitalismo, foram anunciadas
grandes lutas ideológicas, grandes combates ideológicos,
grandes revoluções ideológicas. No entanto, numa linha
crítica do marxismo, também foi necessário estabelecer
o poder da burguesia (tanto como campo político como
Figura 1.2.3 - Jean-Jacques Rousseau
econômico) e dos donos das indústrias, a exploração dos
(1712-1778). Suíço, em 1742, foi para
Paris e vinculou-se ao movimento ilu-
meios de produção por um pequeno grupo, a propriedade
minista. Publicou o Discurso sobre as privada e a acumulação capitalista. Tal revolução social
ciências e as artes (1750), rompendo
com o otimismo do “Século das Lu- exigiu, também, que grupos de indivíduos respeitáveis
zes”; o Discurso sobre a origem da
desigualdade (1755); o Contrato So- na sociedade emitam e reafirmem ideias que assegurem a
cial (1762), em que mostrou que os
governos foram criados por vontade
dos cidadãos e, portanto, estes ti-
nova ordem estabelecida. Cunha (1980) destacou alguns
nham o direito de mudá-los. Preferia teóricos clássicos do liberalismo e seus pensamentos,
um governo de assembléias popula-
res. (KONDER, Leandro. Histórias
das idéias socialistas no Brasil. São
para que possamos perceber a influência de suas ideias na
Paulo: Expressão Popular, 2003.
sociedade moderna, do século XVIII.
p. 11). “O que o homem perde pelo
contrato social é a sua liberdade na-
tural e um direito ilimitado a tudo o
Jonh Locke (1632 – 1704), inglês, foi um dos
que tenta e que pode atingir; o que ele
ganha é a liberdade civil e a proprieda-
maiores expoentes do liberalismo. Seu pensamento, de
de de tudo o que possui”. (ROUSSEAU,
Jean-Jacques. Contrato Social, 1762).
uma maneira geral, refletia na negação da doutrina das
Fonte: “Wikemedia Commons”.
ideias inatas, ou seja, antes de seu pensamento tornar-
se conhecido, pensava-se que a barreira suprema ao
progresso intelectual e moral estava no fato de que as
ideias são inatas.
Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), em sua
obra “Contrato Social”, analisa o processo de
transformação da sociedade que deixa de ser regida
segundo o direito natural e passa a se organizar segundo
o direito positivo que é estabelecido formalmente por
convenção contratual e se traduz nas Constituições

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escritas. No campo da educação, não pensou em educação

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para as massas, mas na educação de um indivíduo suficiente

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rico para custear um preceptor.
François Marie Arout Voltaire (1694 – 1778) foi um
defensor da discriminação social. Para ele, a plebe é a fonte
e o alimento de toda superstição e de todo fanatismo. Em
seus discursos, destacava o temor pela instrução das massas,
pois a via como perigosa à ordem social.
Denis Diderot (1713 – 1784) pertencia ao mesmo
grupo de Voltaire, contudo suas ideias divergiam do grupo.
Para Diderot, era preciso incentivar os artesãos e os operários
para a instrução escolar. Para ele, todos precisariam ler,
escrever e contar, desde os ministros de Estado até o último
dos camponeses. Em seus discursos e escritos, deixava
explícita sua antipatia ao luxo e a recusa em acreditar que a
pobreza e a felicidade sejam facilmente compatíveis.
Jean Antoine Nicolas de Caritat, Marquês de
Condorcet (1743 – 1794), foi discípulo de Rousseau. Foi um
dos primeiros liberais a discutir sobre um sistema público
e gratuito de educação, com a finalidade de estabelecer a
igualdade de oportunidades. Para Condorcet, o Estado deve
assegurar a cada cidadão o gozo dos seus direitos, intervindo
na supressão das desigualdades. Em seus discursos, apontava
três desigualdades sociais: a desigualdade de riqueza, de
profissão e a de instrução.
Apesar de discípulo de Rousseau, suas ideias
apresentavam diferenças. Para Condorcet, a ciência da
educação é um capítulo da política e deve ser assumida
pelo Estado, portanto deve ser retirada das mãos dos
particulares. Rousseau, por outro lado, pregava que a
educação é um domínio à parte da economia e da política.
Condorcet reforçava que o Estado tem de ter o controle
do ensino, como também a obrigação de instruir, não a de
educar, esta tarefa deixa a cargo das famílias e dos padres.
O Estado deve apenas ensinar as ciências positivas. Além

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disso, discursava sobre a gratuidade e afirmava que esta


não constitui sozinha um meio eficaz para a igualdade: ela
só se completaria se houvesse um sistema de pensões e
distribuição de uniformes. Além de Condorcet, Lepelletier
e Horace Mann viam a educação como um direito a ser
garantido pelo Estado a todos, sem distinção de fortuna e
justamente para diminuí-la, em contrapartida aos teóricos
liberais elitistas ou classistas, como Locke, Rosseau, Voltaire
(CUNHA, 1980).
Essas ideias liberais, de acordo com Cunha (1980),
atravessaram o século XIX e influenciaram outros países,
com novos seguidores. É o caso de John Dewey (1859 –
1952), norte-americano, defensor da “pedagogia da escola
nova”. Suas reflexões partiram da crítica a Platão, pois para
este as pessoas se classificariam naturalmente em três castas e,
então, a função da educação seria unicamente a de descobrir
a qual delas pertence um dado indivíduo. Dewey contesta
Platão, mas admite a dificuldade de a sociedade produzir,
espontaneamente, a democracia, isto é, de promover a
ascensão social. No entanto, ele apontou a tendência, esta
sim espontânea, de a educação ser utilizada como um meio
de diferenciar os indivíduos, de reproduzir as “iniquidades”.
Nesse sentido, a educação vocacional pensada por Dewey
não seria uma mera preparação para os ofícios ou para a
progressão no sistema educacional, visando a uma ilustração
distintiva, mas sim uma educação geral que desse condição
ao indivíduo a passar de uma classe social para outra. As
ideias de Dewey para o sistema educacional foram muito
importantes, principalmente, para reafirmar a instrução não
para a prática de ofícios.
No Brasil, o pensamento de Dewey influenciou
Anísio Teixeira, que o “utilizou para propor o papel social da
escola: tornar-se aparelho de equalização de oportunidades
econômicas e sociais de cada indivíduo” (p. 45). Para
Anísio Teixeira, a escola seria a grande reguladora social,

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e tal regulação permitiria que um indivíduo nascido em

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uma classe pudesse passar para outra. Para Cunha (1980),

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essa foi a expressão mais completa e radical da corrente
do pensamento liberal, que se orientou para a abertura
das oportunidades sociais, na linha de Rosseau, Diderot,
Condorcet e Lepelletier. Isto significa que, para os liberais,
a educação tem papel de instrumento de correção das
desigualdades produzidas pela ordem econômica.
Anísio Teixeira trabalhou incessantemente no
plano do Estado brasileiro para que as ideias liberais, mais
precisamente as de Dewey, fossem admitidas nas escolas
brasileiras. No entanto, segundo Cunha (1980), ele sofreu
sérias distorções no plano da execução, quando a política
educacional no Brasil, principalmente, a partir dos anos
50, utilizou a escola como instrumento de preparação
para ocupações, totalmente inverso às ideias liberais, ao
pensamento de Dewey e ao de Anísio Teixeira.
Cunha analisou vários textos oficiais que
supostamente se basearam nos princípios liberais da
sociedade aberta. Esses textos, de acordo com o autor,
apresentaram distância entre o discurso democrático e
a prática discriminatória, pois o discurso culpabilizava
os indivíduos pelas condições adversas em que viviam e
propunha o Estado como interessado na sociedade aberta,
portanto um caráter ambíguo nos textos oficiais. Diante
dessas contradições, Cunha (1980) afirmou que o papel
atribuído à educação no Brasil pelas ideias liberais, pela
escola nova e pelo plano de Estado mostrou ter uma função
ideológica de dissimular os mecanismos de discriminação da
própria educação e também da ordem econômica e política.
Para completar sua tese, Cunha demonstrou a
distância entre o discurso democrático e a prática
discriminatória com dados da realidade educacional 1.2.4 - O SENHOR GLUTÃO CAPI-
TALISMO VERSUS O ESTADO DE-
brasileira. Para ele, não existe igualdade de oportunidade MOCRÁTICO DE DIREITO. Imagem:
“Wikemedia Commons”.
e de qualidade da educação oferecida. A concretização da

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aptidão de cada indivíduo está ligada às condições materiais


saiba mais
de vida e o que prevalece é o currículo oculto, a ideologia da
carência, da competência, do mérito e do progresso.
É importante destacar, antes de finalizar este texto,
que o papel social da educação proposta pela ideologia liberal,
analisada por Cunha, é que a escola não deve estar a serviço de
nenhuma classe, de nenhum grupo privilegiado de herança ou
dinheiro, de nenhum credo religioso ou político. A educação
deve estar a serviço do indivíduo, do “homem total”, liberado e
pleno. Nesse sentido, a função da escola é a realização individual
para a construção do progresso geral. A escola liberal trata os
alunos igualmente, procurando habilitá-los a participar da vida
social na medida e proporção de seus valores intrínsecos.

para conhecer

Anísio Spínola Teixeira – Baiano, nasceu em


Caetité, sertão da Bahia, em 12 de julho de
1900. Difundiu o movimento da Escola Nova e
defendeu como nenhum outro a Educação
pública: gratuita, laica e obrigatória. O
educador começou a vida estudantil em
instituições jesuíticas, entre as quais, o
Instituto São Luiz Gonzaga, em Caetité, e o
Colégio Antônio Vieira, em Salvador, onde
concluiu o ensino secundário. Em 1922,
ingressou na Universidade de Direito do Rio de
Janeiro, seguindo os anseios do pai, que
Figura 1.2.5 - Anísio Spínola sonhava com a carreira política para o filho.
Teixeira. Fonte: http://anisio-
paracaetite.wikispaces.com/file/ Após concluir o curso, foi convidado para ser
view/capa_Anisio_para_Caetité. Inspetor Geral de Ensino da Bahia. Começara
jpg/240152589/capa_Anisio_
para_Caetité.jpg aí a sua marcante trajetória no âmbito
educacional. Em 1925, Anísio transformou a

concepção de ensino na Bahia, defendendo a ideia de que toda escola deveria


oferecer uma educação gratuita, integral e de qualidade com o objetivo de
desenvolver nos alunos características não só intelectuais, como também
cívicas e morais. Anísio Teixeira atuou como educador, filósofo da educação e
gestor de grandes reformas educacionais. Precursor na implantação de
escolas públicas para todos os níveis, Anísio propôs que o ensino público fosse
articulado em uma rede que se estendesse até a universidade. Uma de suas
iniciativas mais importantes como secretário de Educação e Saúde foi a
construção do Centro Popular de Educação Carneiro Ribeiro, popularmente
conhecido como Escola-Parque, localizada na Caixa D’água, em Salvador, e
fundada em 1950.
“Só existirá democracia no Brasil o dia em que se montar no país a máquina
que prepara as democracias. Essa máquina é a da escola pública”. Anísio
Teixeira.
http://www.bvanisioteixeira.ufba.br/

30 Pedagogia EAD

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