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DIREITO CIVIL

Do Direito das Obrigações

SISTEMA DE ENSINO

Livro Eletrônico
DIREITO CIVIL
Do Direito das Obrigações
Fabiana Borges

Apresentação................................................................................................................................4
Obrigações....................................................................................................................................5
Conceito.........................................................................................................................................5
Princípios.......................................................................................................................................6
Fontes Obrigacionais....................................................................................................................7
Elementos da Obrigação...............................................................................................................7
Classificação das Obrigações.......................................................................................................7
Da transmissão de Obrigações.................................................................................................. 26
a) Cessão de Crédito.................................................................................................................. 26
b) Assunção de Dívida................................................................................................................ 28
Adimplemento das Obrigações.................................................................................................. 28
a) Consignação em Pagamento................................................................................................. 29
b) Pagamento com Sub-Rogação.............................................................................................. 30
c) Da Imputação do Pagamento................................................................................................. 31
d) Dação em Pagamento........................................................................................................... 32
e) Da Novação............................................................................................................................ 32
f) Compensação......................................................................................................................... 33
g) Confusão................................................................................................................................ 34
h) Da Remissão das Dívidas....................................................................................................... 34
Do Inadimplemento das obrigações.......................................................................................... 35
a) Mora....................................................................................................................................... 36
b) Perdas e Danos...................................................................................................................... 39
c) Juros Legais............................................................................................................................ 40

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d) Cláusula Penal....................................................................................................................... 40
e) Arras ou Sinal........................................................................................................................ 43
Resumo...................................................................................................................................... 45
Questões de Concurso............................................................................................................... 52
Gabarito...................................................................................................................................... 65
Gabarito Comentado.................................................................................................................. 66

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Apresentação

Prezado(a) aluno(a)
Chegamos à apostila de obrigações, direito civil.
Lembrando que a banca do Cespe se utiliza de dois modelos que questões: Certo ou Erra-
do; e enunciado com 5 alternativas, para que se localize a correta. Neste material, inseri os dois
modelos de questão para que seu preparo seja de excelência.
Ressalto que a banca do Cespe, tem-se utilizado muito dos enunciados das Jornadas de
Direito Civil, debatidas no Conselho de Justiça Federal. O que foi pertinente eu inseri nas ques-
tões e no conteúdo descrito, todavia fique atenta (o) a essa informação.
Insisto com você treine o máximo possível, o que fará que na hora da prova você tenha
maior tranquilidade em realizar as questões.
Se houver dúvida, conte comigo, estou por aqui para saná-la.
Vamos juntos com muita força, foco e fé.
Fabi.

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OBRIGAÇÕES
Pretende-se em apertada síntese abordar o tema do direito das obrigações em seus pontos
principais, e de maior incidência em provas, considerando que o conteúdo é muito vasto.
Pode-se afirmar que obrigações é um dos temas mais importantes do direito civil que re-
verbera para diversas outras áreas.

Conceito
Obrigação é relação jurídica pessoal e transitória de direito e natureza econômica, que há
conteúdo de dar, fazer e não fazer. É relação existente entre sujeito ativo (credor) e sujeito pas-
sivo (devedor).
Numa visão mais moderna pode-se afirmar que a obrigação é um processo, com uma série
de atos praticados pelo devedor e credor para que seus interesses sejam alcançados.
Pode-se ainda conceituar através do esquema abaixo:

A obrigação, historicamente sempre foi marcada pelo caráter patrimonialista, contudo com
o passar do tempo, e mudança de paradigmas, houve lenta transição de responsabilidade pes-
soal do devedor que respondia com seu corpo diante do inadimplemento, para a responsabili-
dade patrimonial, ou seja, para a responsabilidade diante do inadimplemento do devedor, sobre
o patrimônio do devedor (solvens).

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Princípios
Diante do narrado, hoje o direito das obrigações deve ser analisado, ou então visto, sob
ótica do direito civil constitucionalizado, observando que as questões existenciais devem
preponderar sobre questões patrimoniais, e para tanto é necessário observância dos seguin-
tes princípios:

Dignidade da pessoa humana:

Sobre este princípio pode-se citar, como exemplo, que outrora era possível à prisão do
devedor quando não adimplisse a obrigação assumida. Com as mudanças paradigmática, re-
manesceram no ordenamento jurídico brasileiro tão somente, a prisão do depositário infiel e
do devedor de pensão alimentícia.
Contudo, hoje não mais se admite a prisão do devedor, salvo na hipótese de inadimplemen-
to de pensão alimentícia.
Sobre o tema vale lembrar-se da Súmula Vinculante 25 do Supremo Tribunal Federal:

É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.

Função Social:

Tal princípio deriva do princípio geral do direito civil, a socialidade, e tem previsão no artigo
421 do Código Civil:

A liberdade contratual será exercida nos limites da função social do contrato.


Parágrafo único. Nas relações contratuais privadas, prevalecerão o princípio da intervenção mínima
e a excepcionalidade da revisão contratual.

Boa-fé objetiva:

Esse princípio deriva do princípio geral do Direito Civil, a eticidade. Tem amparo em diversos
momentos da Codificação Civil, cita-se como exemplo o artigo 422 do citado diploma legal:

Art. 422. Os contratantes são obrigados a guardar, assim na conclusão do contrato, como em sua
execução, os princípios de probidade e boa-fé.

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Autonomia da vontade

Brevemente, esse princípio pode ser afirmar que é eixo estruturante do direito civil, como
didaticamente essa disciplina está no campo do direito privado, no qual, em regra, as pessoas
têm privilégio em sua autonomia, e menor intervenção estatal.

Fontes Obrigacionais

A fonte é de onde surge algo, o nascedouro. Quanto à fonte das obrigações tem-se a clas-
sificação clássica:
• Contrato;
• Quase-Contrato, também denominado ato negocial: promessa de recompensa)
• Delito;
• Quase-delito (ilícito culposo)

E a classificação moderna:
• Lei (fonte imediata)
• Contratos;
• Títulos de crédito
• Atos ilícitos.

Elementos da Obrigação
• Sujeitos: ativo (credor/accipiens) e passivo (devedor/ solvens)
• Vínculo jurídico;
• Objeto;

Classificação das Obrigações

a) Classificação quanto a presença dos elementos obrigacionais

As obrigações podem ser classificadas como simples ou compostas. Veja o esquema:

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Quanto às obrigações compostas, há uma subclassificação, veja o esquema:

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Nas obrigações alternativas, pelo princípio da concentração da prestação, a escolha cabe-


rá ao devedor, caso não tenha sido acordado de outra forma (Art. 252, CC).
Prevê o §3º. do art. 252 que se houver vários optantes, o acordo tem de ser unânime, caso
contrário o juiz decidirá.
Nas obrigações alternativas, se uma das prestações não puder ser exequível, subsistirá o
débito quanto à outra (art. 253, CC).
E por fim, nestes casos, a questão da responsabilidade ficará da seguinte forma, a teor dos
artigos 254, 255 e 256 do Código Civil. Veja:

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b) Classificação quanto à multiplicidade de sujeitos

A multiplicidade de sujeitos pode se dar no polo passivo (solidariedade passiva), polo ativo
(solidariedade ativa), ou ainda em ambos os polos (solidariedade mista), conforme previsão
do artigo 264, CC.
Sobre a solidariedade tem se de destacar algumas características:
• Decorre da vontade das partes (Art. 265, CC); ou da lei
• Manutenção da autonomia da vontade.

Solidariedade Ativa

A solidariedade ativa consiste na multiplicidade de credores, assim, o artigo 267, do Códi-


go Civil: “Cada um dos credores solidários tem direito a exigir do devedor o cumprimento da
prestação por inteiro”. Veja o esquema:

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Sobre a PREVENÇÃO JUDICIAL, citado no quadro 1, acima, traduz-se na ideia de que en-
quanto o credor, de forma extrajudicial cobrar, poderá receber todo valor, todavia, a partir do
momento da cobrança JUDICIAL, nenhum outro credor poderá mais cobrar extrajudicialmente,
e a questão será resolvida em juízo.
A REFRAÇÃO DE CRÉDITO está prevista no artigo 270, CC que determina:

Se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada um destes só terá direito a exigir
e receber a quota do crédito que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação
for indivisível.

Vale lembrar que pelo princípio da intra vires hereditatis, a obrigação será transmitida até o
limite das forças da herança, vez que a morte cessa a solidariedade.
Sobre a REMISSÃO DA DÍVIDA, o artigo 272, do Código Civil: “O credor que tiver remitido
a dívida ou recebido o pagamento RESPONDERÁ AOS OUTROS PELA PARTE QUE LHES CAIBA”.

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Portanto, se um dos credores remir a dívida (perdoar), ou então se receber sozinho o pagamen-
to, ficará obrigado diante dos demais credores.

Solidariedade Passiva

Na solidariedade passiva, temos a situação inversa, ou seja, múltiplos devedores, confor-


me esquema abaixo:

No que tange ao pagamento parcial, previsto no artigo 275, CC, vale a leitura do Enuncia-
do 348 CJF:

Sobre a refração do débito, prevê o artigo 276 do Código Civil:

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Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar
senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas
todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.

Todavia, note que, se a dívida for indivisível, QUALQUER HERDEIRO pode ser obrigado a
realizar a prestação inteira.
Quanto à renúncia a solidariedade, o artigo 284 do CC prevê:

No caso de rateio entre os codevedores, contribuirão também os exonerados da solidariedade pelo


credor, pela parte que na obrigação incumbia ao insolvente.

Nesse mesmo sentido, o Conselho de Justiça Federal se manifestou através do Enunciado


350, que determina:

A renúncia à solidariedade diferencia-se da remissão, em que o devedor fica inteiramente


liberado do vínculo obrigacional, inclusive no que tange ao rateio da quota do eventual
codevedor insolvente, nos termos do art. 284.

c) Classificação quanto a Divisibilidade das Obrigações

Esta classificação refere-se ao objeto da prestação, e tais obrigações podem ser divisíveis
e indivisíveis. No que tange a divisibilidade remetemo-nos ao artigo 87 do Código Civil quando
da classificação dos bens, que define: “Bens divisíveis são os que se podem fracionar sem
alteração na sua substância, diminuição considerável de valor, ou prejuízo do uso a que se
destinam”.
Algumas regras específicas sobre obrigação divisível estão previstas no artigo 257 do CC:

Havendo mais de um devedor ou mais de um credor em OBRIGAÇÃO DIVISÍVEL, esta PRESUME-SE


dividida em tantas obrigações, iguais e distintas, quantos os credores ou devedores.

Sobre a indivisibilidade o artigo 258, do Código Civil prevê:

A obrigação é indivisível quando a prestação tem por objeto uma coisa ou um fato não suscetíveis
de divisão, por sua natureza, por motivo de ordem econômica, ou dada a razão determinante do
negócio jurídico.

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A indivisibilidade pode se dar conforme esquema abaixo:

Sobre o tema o artigo 259, que prevê:

Presunção solida- Se, havendo dois ou mais devedores, a prestação NÃO FOR DIVISÍVEL, cada um será obrigado pela
riedade passiva
dívida toda.
Sub-rogação do Parágrafo único. O devedor, que paga a dívida, sub-roga-se no direito do credor em relação aos
direito do credor
outros coobrigados.

Por sua vez o artigo 260 complementa:

Se a pluralidade for dos credores, poderá cada um destes exigir a dívida inteira; mas o devedor ou
devedores se desobrigarão, pagando:
I – a todos conjuntamente;
II – a um, dando este caução de ratificação dos outros credores.

Caso, a qualidade de indivisível se perderá, caso a obrigação se resolver em perdas e da-


nos, a teor do artigo 263 do Código Civil:

Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.


§ 1º Se, para efeito do disposto neste artigo, houver culpa de todos os devedores, responderão to-
dos por partes iguais.
§ 2º Se for de um só a culpa, ficarão exonerados os outros, respondendo só esse pelas perdas e
danos.

Sobre o tema, o Conselho de Justiça Federal emitiu seu parecer através do Enunciado 5401:
1
Disponível em: < https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/151> Acesso em 23 Fev 2020.

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Havendo perecimento do objeto da prestação indivisível por culpa de apenas um dos


devedores, todos respondem, de maneira divisível, pelo equivalente e só o culpado, pelas
perdas e danos.

d) Classificação quanto ao Fim

A classificação quanto ao fim, se dividem em obrigações de meio, de resultado e de garan-


tia.
As obrigações de meio o devedor não se comprometerá com o resultado, todavia o deve-
dor se comprometerá a usar de toda habilidade e meios possíveis para melhor resultado, com
isso se dá o adimplemento.
As obrigações de resultado, o devedor assume o risco da realização da atividade e o re-
sultado pelo pretendido pelo credor. Sobre tais obrigações vale verificar o entendimento do
Superior Tribunal de Justiça2, diante de algumas situações:
Tratamento odontológico:

RESPONSABILIDADE CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRATAMENTO ODONTOLÓGICO.APRE-


CIAÇÃO DE MATÉRIA CONSTITUCIONAL. INVIABILIDADE. TRATAMENTOORTODÔNTICO.
EM REGRA, OBRIGAÇÃO CONTRATUAL DE RESULTADO. REEXAME DEPROVAS. INAD-
MISSIBILIDADE. 1. As obrigações contratuais dos profissionais liberais, no mais das
vezes, são consideradas como “de meio”, sendo suficiente que o profissional atue com
Responsabilidade
Civil
a diligência e técnica necessárias, buscando a obtenção do resultado esperado. Con-
tudo, há hipóteses em que o compromisso é com o “resultado”, tornando-se necessário
o alcance do objetivo almejado para que se possa considerar cumprido o contrato. 2.
Nos procedimentos odontológicos, mormente os ortodônticos, os profissionais da saúde
especializados nessa ciência, em regra, comprometem-se pelo resultado, visto que os
objetivos relativos aos tratamentos, de cunho estético e funcional, podem ser atingidos
com previsibilidade. 3. O acórdão recorrido registra que, além de o tratamento não ter
obtido os resultados esperados, “foi equivocado e causou danos à autora, tanto é que os
dentes extraídos terão que ser recolocados”.Com efeito, em sendo obrigação “de resul-
2
Disponível em: < https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/21059784/recurso-especial-resp-1238746-ms-2010-0046894-5-stj/intei-
ro-teor-21059785?ref=juris-tabs> Acesso em 23 Fev 2020.

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tado”, tendo a autora demonstrado não ter sido atingida a meta avençada, há presunção
de culpa do profissional, com a consequente inversão do ônus da prova, cabendo ao réu
demonstrar que não agiu com negligência, imprudência ou imperícia, ou mesmo que o
insucesso se deu em decorrência de culpa exclusiva da autora. 4. A par disso, as instân-
cias ordinárias salientam também que, mesmo que se tratasse de obrigação “de meio”, o
réu teria “faltado com o dever de cuidado e de emprego da técnica adequada”, impondo
igualmente a sua responsabilidade. 5. Recurso especial não provido.
(STJ - REsp: 1238746 MS 2010/0046894-5, Relator: Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, Data
de Julgamento: 18/10/2011, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJe 04/11/2011)

Médico cirurgião plástico estético3:

CIVIL. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. RESPONSABILIDADE CIVIL. NULIDADE


DOS ACÓRDÃOS PROFERIDOS EM SEDE DE EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NÃO CONFI-
GURADA. CIRURGIA PLÁSTICA ESTÉTICA. OBRIGAÇÃO DE RESULTADO. DANO COM-
PROVADO. PRESUNÇÃO DE CULPA DO MÉDICO NÃO AFASTADA. PRECEDENTES. 1. Não
há falar em nulidade de acórdão exarado em sede de embargos de declaração que, nos
estreitos limites em que proposta a controvérsia, assevera inexistente omissão do aresto
embargado, acerca da especificação da modalidade culposa imputada ao demandado,
porquanto assentado na tese de que presumida a culpa do cirurgião plástico em decorrên-
cia do insucesso de cirurgia plástica meramente estética. 2. A obrigação assumida pelo
médico, normalmente, é obrigação de meios, posto que objeto do contrato estabelecido
com o paciente não é a cura assegurada, mas sim o compromisso do profissional no
sentido de um prestação de cuidados precisos e em consonância com a ciência médica
na busca pela cura. 3. Apesar de abalizada doutrina em sentido contrário, este Superior
Tribunal de Justiça tem entendido que a situação é distinta, todavia, quando o médico se
compromete com o paciente a alcançar um determinado resultado, o que ocorre no caso
da cirurgia plástica meramente estética. Nesta hipótese, segundo o entendimento nesta
Corte Superior, o que se tem é uma obrigação de resultados e não de meios. 4. No caso
das obrigações de meio, à vítima incumbe, mais do que demonstrar o dano, provar que
este decorreu de culpa por parte do médico. Já nas obrigações de resultado, como a que

3
Disponível em: < https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/4173668/recurso-especial-resp-236708-mg-1999-0099099-4/
inteiro-teor-12208523?ref=juris-tabs> Acesso em 23 Fev 2020.

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serviu de origem à controvérsia, basta que a vítima demonstre, como fez, o dano (que o
médico não alcançou o resultado prometido e contratado) para que a culpa se presuma,
havendo, destarte, a inversão do ônus da prova. 5. Não se priva, assim, o médico da pos-
sibilidade de demonstrar, pelos meios de prova admissíveis, que o evento danoso tenha
decorrido, por exemplo, de motivo de força maior, caso fortuito ou mesmo de culpa exclu-
siva da “vítima” (paciente). 6. Recurso especial a que se nega provimento
(STJ - REsp: 236708 MG 1999/0099099-4, Relator: Ministro CARLOS FERNANDO MATHIAS
(JUIZ FEDERAL CONVOCADO DO TRF, Data de Julgamento: 10/02/2009, T4 - QUARTA
TURMA, Data de Publicação: 20090518 --> DJe 18/05/2009)

E por fim, a obrigação de garantia, o devedor, mediante pecúnia assume um risco face ao
inadimplemento do devedor principal, cita-se como exemplo, o contrato de fiança.

E) Classificação quanto ao Momento de Execução

Esta classificação refere-se ao tempo da execução da obrigação e se divide em: instantâ-


nea, execução diferida, continuada.
• As obrigações instantâneas são aquelas que se consumem imediatamente, com, por
exemplo: A celebra de contrato de compra e venda com B, mediante pagamento a vista,
assim A entrega o objeto e B imediatamente efetua o pagamento.
• As obrigações diferidas são aquelas em que há a celebração de um contrato, onde cujos
contratantes se obrigam a entregar respectivamente pagamento e objeto com um só
prazo posterior. Veja o exemplo: A celebra contrato de compra e venda com B. As partes
contratantes ajustam que em 60 dias, uma parte entregará o objeto e a outra o valor
do pagamento, ou seja, a obrigação deverá ser cumprida numa parcela, lançada para o
futuro.
• As obrigações de execução continuada são aquelas que se repetem no decorrer do tem-
po, por exemplo, pagamento de aluguel, de pensão alimentícia.

F) Classificação quanto a Liquidez

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A obrigação quanto sua liquidez, se divide em líquida e ilíquida. A obrigação líquida é a


certa quanto sua existência, e determinada quanto a seu objeto.
E a obrigação ilíquida, o objeto não está certo, definido.

G) Classificação quanto Existência de Elementos Eficaciais

Os elementos eficaciais ou acidentais estão previstos na parte geral do Código Civil, são
eles: Condição, termo e encargo. As obrigações com incidência de tais elementos repercutem
na eficácia do cumprimento da obrigação.

H) Classificação quanto a Dependência

Novamente essa classificação se remete a parte geral do direito civil, no que toca a clas-
sificação dos bens. Veja o artigo 92 do Código Civil:” Principal é o bem que existe sobre si,
abstrata ou concretamente; acessório, aquele cuja existência supõe a do principal”.
As obrigações acessórias dependem da existência da obrigação principal, e nos remete ao
princípio da gravitação jurídica: “A sorte do acessório segue a do principal”.

Modalidade das obrigações

Quanto ao objeto as obrigações se dividem em:


• Obrigação de dar (coisa incerta ou coisa certa);
• Obrigação de Fazer;
• Obrigação de Não Fazer;

A divisão das obrigações merece análise individualizada.


Sobre a obrigação de dar, consiste em transferir propriedade ou transferir a posse da coisa
ou ainda, restituir o credor da posse. E a obrigação de dar se subdivide da seguinte forma:

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Comecemos pela obrigação de dar coisa certa.

a) Obrigação de dar Coisa Certa

A obrigação de dar coisa certa pode ser ilustrada no seguinte exemplo: Compro na con-
cessionária um veículo X, ano Y, da cor verde, que me será entregue em 30 dias. De modo que
remanesce para a concessionária a obrigação de me entregar coisa certa, ou seja, um veículo
X, ano Y, da cor verde.
O artigo 233 do Código Civil inicia a temática, invocando como regra o princípio da gravi-
tação jurídica, nos seguintes termos:

A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.

O princípio da gravitação jurídica consiste na seguinte regra: “A sorte do acessório segue


sempre a sorte do bem principal”.
Faz-se necessário a leitura do artigo 313 do Código Civil:

O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida, ainda que mais valiosa.

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A ESCOLHA É DO CREDOR, SOB PENA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA EXATIDÃO.


A coisa certa precisa ser entregue (traditio) ou levada a registro, para que aconteça a efe-
tiva transferência, e neste caso, prevalece à regra do res perit domino, ou seja, a coisa perece
para seu dono.
Ainda sobre o tema, e no que toca a responsabilidade civil decorrente pela perda coisa, vale
leitura do artigo 234 do Código Civil:

Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou
pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas às partes; se a perda resul-
tar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.

Nesse sentido o artigo 238:

Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição,
sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.

O artigo 241 complementa o artigo acima referido:

Se, no caso do art. 238, sobrevier melhoramento ou acréscimo à coisa, sem despesa ou trabalho do
devedor, lucrará o credor, desobrigado de indenização.

Nesta mesma hipótese, todavia diante da culpa do devedor, estabelece o artigo 239:

Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.

E ainda o artigo 235 do mesmo diploma legal:

Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar
a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

E por fim, o artigo 236:

Sendo culpado o devedor, poderá o credor exigir o equivalente, ou aceitar a coisa no estado em que
se acha, com direito a reclamar, em um ou em outro caso, indenização das perdas e danos.

No que tange aos melhoramentos incidentes sobre a coisa, vejamos o artigo 237 do CC:

Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais
poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação.

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Sobre os frutos, vejamos o parágrafo único do artigo 237 do Código Civil:

Parágrafo único. Os frutos percebidos são do devedor, cabendo ao credor os pendentes.

E ainda o artigo 242:

Se para o melhoramento, ou aumento, empregou o devedor trabalho ou dispêndio, o caso se regu-


lará pelas normas deste Código atinentes às benfeitorias realizadas pelo possuidor de boa-fé ou de
má-fé.
Parágrafo único. Quanto aos frutos percebidos, observar-se-á, do mesmo modo, o disposto neste
Código, acerca do possuidor de boa-fé ou de má-fé.

Questão 1 (FUMARC/2007/MPE-MG/TÉCNICO DO MP/DIREITO) Assinale a afirmativa


INCORRETA:
a) Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta se perder antes da tradição, responderá o
devedor pelo equivalente, independentemente de culpa, sendo acrescido o valor de perdas e
danos, se houver culpa.
b) A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo
se o contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.
c) Se, no caso da alternativa anterior, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradi-
ção, ou pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se
a perda resultar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.
d) Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou
aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Letra a.
Novamente a banca procura a assertiva incorreta.
Sem culpa

a) Errado. A assertiva A está INCORRETA, uma vez que o artigo 238 do Código Civil determina:

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Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição,
sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.

E a assertiva afirma: “Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta se perder antes da tra-
dição, responderá o devedor pelo equivalente, independentemente de culpa, sendo acrescido o
valor de perdas e danos, se houver culpa.”
b) Certo. A assertiva B está CORRETA, a teor da literalidade do artigo 233 do Código Civil:

A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.

c) Certo. A assertiva C está CORRETA, vez que se harmoniza com o artigo 234 do Código Civil,
que afirma:

Se, no caso do artigo antecedente, a coisa se perder, sem culpa do devedor, antes da tradição, ou
pendente a condição suspensiva, fica resolvida a obrigação para ambas as partes; se a perda resul-
tar de culpa do devedor, responderá este pelo equivalente e mais perdas e danos.

d) Certo. A assertiva D está CORRETA, conforme previsão do artigo 235 do Código Civil:

Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar
a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

Questão 2 (FGV/2013/FUNDAÇÃO PRÓ-SANGUE/ADVOGADO) Em relação às obrigações


de dar coisa certa, assinale a afirmativa incorreta.
a) Em caso de deterioração da coisa e não havendo culpa do devedor, o credor poderá resolver
a obrigação, ou aceitar a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.
b) A coisa pertence ao devedor até a tradição e este poderá exigir aumento do preço em caso
de melhoramentos e acrescidos.
c) Nos casos de obrigação de restituição de coisa certa, ocorrendo a perda da coisa antes da
tradição, sem culpa do devedor, sofrerá o credor a perda e a obrigação se resolverá, ressalva-
dos os seus direitos até o dia da perda.
d) Em caso de perda da coisa por culpa do devedor, este responderá pelo equivalente, mais
perdas e danos.
e) A obrigação de dar coisa certa não abrange os acessórios dela, salvo se o contrário resultar
do título ou das circunstâncias do caso.

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Letra e.

Note que o enunciado procura a assertiva INCORRETA. De modo, que a literalidade dos artigos
de lei responde a questão.
A assertiva E está ERRADA, pois viola o artigo 233 do Código Civil: “A obrigação de dar coisa
certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o contrário resultar do
título ou das circunstâncias do caso”. E a assertiva fala que não abrange os acessórios.
a) Certo. A assertiva A está CORRETA, pois é literalidade do artigo 235, CC que prevê:

Deteriorada a coisa, não sendo o devedor culpado, poderá o credor resolver a obrigação, ou aceitar
a coisa, abatido de seu preço o valor que perdeu.

b) Certo. A assertiva B está CORRETA, pois está em acordo com o artigo 237 do Código Civil:

Até a tradição pertence ao devedor a coisa, com os seus melhoramentos e acrescidos, pelos quais
poderá exigir aumento no preço; se o credor não anuir, poderá o devedor resolver a obrigação

c) Certo. A assertiva C está CORRETA, a teor do artigo 238 do Código Civil:

Se a obrigação for de restituir coisa certa, e esta, sem culpa do devedor, se perder antes da tradição,
sofrerá o credor a perda, e a obrigação se resolverá, ressalvados os seus direitos até o dia da perda.

d) Certo. A assertiva D, por sua vez, está CORRETA conforme previsão do artigo 239 do Código
Civil que diz:

Se a coisa se perder por culpa do devedor, responderá este pelo equivalente, mais perdas e danos.

Encerrado esta modalidade de obrigação, vale por fim, registrar que quando a obrigação de dar
for dinheiro, deve ser preservado o princípio do nominalismo, previsto no artigo 315 do Código
Civil:

As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal,
salvo o disposto nos artigos subsequentes.

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b) Obrigação de dar Coisa Incerta

Refere-se a obrigação genérica, onde o objeto está individualizado tão somente pela sua
espécie e quantidade (Art. 243, CC), como por exemplo 1 saca de grãos de feijão.

Neste caso, a escolha compete ao DEVEDOR, salvo acordo contrário, todavia, não poderá
coisa pior e nem será obrigado a dar a melhor, estima-se pela qualidade média, conforme pre-
visão do art. 244, CC.

Obrigação de Fazer

A obrigação de fazer consiste na prestação (obrigação específica) que deve ser prestada
pelo devedor. A obrigação de fazer se subdivide conforme mapa abaixo:

a) Obrigação de fazer (fungível)

Quanto a fungibilidade significa possibilidade de substituição, ou seja, que a prestação


pode ser feita por qualquer pessoa para se dar por adimplida, importa que seja feita.
Cita como se exemplo: A contrata empresa de prestação de serviço B para que refaça o
jardim de sua casa. Neste caso, não importa se o serviço seja feito por C ou D. A obrigação terá
sido adimplida pela execução em si.

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b) Obrigação de fazer (infungível)

Sobre a infungibilidade, inversamente ao conceito anterior, tem se a impossibilidade de


substituição, ou seja, importa determinada pessoa, a obrigação foi assumida em razão da pes-
soa, o que se chama de obrigação intuitu personae.
Cita-se como exemplo, a contratação de determinado cantor para realização de um show,
neste caso, a obrigação terá sido adimplida tão somente com a presença deste cantor reali-
zando o show.
Neste caso, se o devedor recusar a prestação, só por ele exequível, incorrerá no dever de
indenizar em perdas e danos, a teor do artigo 247 do Código Civil, todavia nestes casos, deve-
-se apurar a culpa e então ter-se-ão as seguintes possibilidades de responsabilidade:

Se a prestação se tornar impossível


Sem culpa do devedor Com culpa do devedor
Obrigação tem se por resolvida Perdas e danos (vide artigo 402, CC)
Todavia, se o fato puder ser executado por terceiro, será livre ao credor mandá-lo executar
à custa do devedor, havendo recusa ou mora deste, sem prejuízo da indenização cabível.
E em caso de urgência, pode o credor, independentemente de autorização judicial, executar
ou mandar executar o fato, sendo depois ressarcido.

Obrigação de Não Fazer

Trata-se da única hipótese de obrigação negativa, onde gera uma obrigação de abster-se
de determinada conduta, sob pena de inadimplemento.
Tem-se como exemplo, o design de uma indústria, que assume o dever de não divulgar
segredos da indústria.
Caso o ato seja praticado pelo devedor, cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir
dele que o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado perdas e da-
nos, e em caso de urgência, pode o credor desfazer ou mandar desfazer, INDEPENDENTE DE
AUTORIZAÇÃO JUDICIAL, sem prejuízo do ressarcimento devido, assim determina o artigo
251, caput e parágrafo único, do Código Civil.
Quanto ao inadimplemento da obrigação, tem de ser analisada a culpa, assim:

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Da transmissão de Obrigações

O direito civil prevê formas possíveis de transmitir a obrigação dado seu caráter dinâmico,
portanto veremos cada uma de forma individualizada. São elas:
• Cessão de Crédito
• Assunção de Dívida

a) Cessão de Crédito

Flávio Tartuce4 conceitua cessão de crédito da seguinte forma:

A cessão de crédito pode ser conceituada como um negócio jurídico bilateral ou sinalagmático,
gratuito ou oneroso, pelo qual o credor, sujeito ativo de uma obrigação, transfere a outrem, no todo
ou em parte, a sua posição na relação obrigacional.

Aquele que realiza a cessão a outrem é denominado cedente. A pessoa que recebe o direito
de credor é o cessionário.

4
TARTUCE. Flávio. Manual de Direito Civil. P.392.

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Os personagens da cessão de crédito são:


• Cedente: o que transfere seu crédito;
• Cessionário: o destinatário do crédito;
• Cedido: o devedor.

O artigo 286 do Código Civil prevê:

O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a con-
venção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de
boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

Na cessão de crédito aplica-se o princípio da gravitação jurídica, conforme artigo 287 do CC:

Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios.

A cessão de crédito requer forma, de acordo com o artigo do Código Civil:

É ineficaz, em relação a terceiros, a transmissão de um crédito, se não celebrar-se mediante instru-


mento público, ou instrumento particular revestido das solenidades do § 1 o do art. 654.

E quando a cessão versar sobre crédito hipotecário é facultado ao cessionário averbar no


registro do imóvel.
Quanto ao devedor, se faz necessário observar alguns artigos:

Art. 290. A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, SENÃO QUANDO A ESTE
NOTIFICADA; mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou
ciente da cessão feita.
Art. 292. Fica desobrigado o devedor que, antes de ter conhecimento da cessão, paga ao credor
Importância da
notificação primitivo, ou que, no caso de mais de uma cessão notificada, paga ao cessionário que lhe apresenta,
com o título de cessão, o da obrigação cedida; quando o crédito constar de escritura pública, preva-
lecerá a prioridade da notificação.
Art. 293. Independentemente do conhecimento da cessão pelo devedor, pode o cessionário exercer
os atos conservatórios do direito cedido.
Art. 294. O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que,
Exceção = Defesa
no momento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente.

O cedente não responde pela solvência do devedor, salvo acordo contrário.

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b) Assunção de Dívida
A assunção de dívida se refere ao comportamento de terceiro assumir a obrigação me-
diante consentimento expresso do credor, exonerando o devedor primitivo, conforme previsão
artigo 299 do Código Civil, o que são denominadas assunção liberatória, primitiva ou exclusiva.
Quanto a este tema, o Conselho de Justiça Federal, através do Enunciado 16 da I Jornada de
Direito Civil5, que estabelece:

O art. 299 do Código Civil não exclui a possibilidade da assunção cumulativa da dívida
quando dois ou mais devedores se tornam responsáveis pelo débito com a concordân-
cia do credor.

Importante ressaltar que as garantias especiais dadas originariamente pelo credor tornam-
-se extintas a partir da assunção da dívida, salvo disposição contrária, conforme previsão arti-
go 300, do Código Civil.
Na hipótese da anulabilidade da substituição do devedor, o débito será restaurado, confor-
me o artigo 301 do Código Civil.
Sobre os mecanismos de defesa, o novo devedor não pode opor ao credor as exceções
pessoais que competiam ao devedor primitivo.
Por fim, vale registrar o artigo 303 do Código Civil que afirma:

O adquirente de imóvel hipotecado pode tomar a seu cargo o pagamento do crédito garantido; se
o credor, notificado, não impugnar em trinta dias a transferência do débito, entender-se-á dado o
assentimento.

Adimplemento das Obrigações

O adimplemento da obrigação, de forma natural é o pagamento em si, que fora previamente


pactuado entre as partes, todavia, a legislação civil prevê outras hipóteses de pagamento, que
são denominadas formas indiretas de pagamento, são elas:
• Consignação em pagamento;

5
Disponível em: < https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/662> Acesso em 25 Fev. 2020

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• Imputação ao pagamento;
• Dação em pagamento;
• Novação;
• Compensação;
• Remissão;
• Confusão.

Veremos cada uma delas, de forma individualizada.

a) Consignação em Pagamento

A consignação em pagamento é instituto de direito material cujo objetivo é a extinção da


relação obrigacional mediante o depósito (judicial ou bancário) do bem devido a fim de se
evitar a mora. A previsão legal do tema está tanto na codificação material (Código Civil), como
na processual (Código de Processo Civil), é, portanto, instituto híbrido. Veja o artigo 539 do
Código de Processo Civil:

Nos casos previstos em lei, poderá o devedor ou terceiro, com efeito de pagamento, a consignação
da quantia ou da coisa devida.

A consignação pode versar sobre: dinheiro, bens móveis, imóveis e semoventes. E ainda, pode
se dar de forma judicial ou extrajudicial, esta última tem amparo no artigo 539, §1º, do CPC:

Tratando-se de obrigação em dinheiro, poderá o valor ser depositado em estabelecimento bancário,


oficial onde houver, situado no lugar do pagamento, cientificando-se o credor por carta com aviso de
recebimento, assinado o prazo de 10 dias para a manifestação de recusa.

Nesses casos, segundo a Lei 8951/94 se faz necessário a observância dos seguintes re-
quisitos: credor certo, o depósito seja efetuado no lugar do pagamento, depósito em estabele-
cimento bancário e obrigação em dinheiro.
O depósito extrajudicial NEUTRALIZA a mora do devedor, sobre o valor depositado não
mais incidirão juros e atualização.

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O artigo 335 do Código Civil determina as hipóteses possíveis de se fazer o pagamento em


consignação, veja:
• Se o credor não puder, ou, sem justa causa, recusar receber o pagamento, ou dar quita-
ção na devida forma;
• Se o credor não for, nem mandar receber a coisa no lugar, tempo e condição devidos;
• Se o credor for incapaz de receber, for desconhecido, declarado ausente, ou residir em
lugar incerto ou de acesso perigoso ou difícil;
• Se ocorrer dúvida sobre quem deva legitimamente receber o objeto do pagamento;
• Se pender litígio sobre o objeto do pagamento.

O depósito deve ser feito no lugar do pagamento, a teor do artigo 337 do Código Civil.

b) Pagamento com Sub-Rogação

A sub-rogação visa substituir os sujeitos ou o objeto da relação jurídica. É espécie de pa-


gamento indireto, onde terceiro e adimple a obrigação, assim:
Relação obrigacional originária:

Relação obrigacional mediante a sub-rogação:

Portanto,

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Conforme demonstração vê-se que a liberação se dá em relação ao credor originário, e o


terceiro ingressou na relação jurídica e tronou-se novo credor. O devedor, neste caso, mantém-
-se inalterado.
Importante registrar que a sub-rogação pode ser convencional ou legal. O artigo 346, do
Código Civil prevê a sub-rogação legal, a saber:

Art. 346. A sub-rogação opera-se, de pleno direito, em favor:


I - do credor que paga a dívida do devedor comum;
II – do adquirente do imóvel hipotecado, que paga a credor hipotecário, bem como do terceiro que
efetiva o pagamento para não ser privado de direito sobre imóvel;
III – do terceiro interessado, que paga a dívida pela qual era ou podia ser obrigado, no todo ou em parte.

E por sua vez, o artigo 347 do Código Civil prevê sobre a sub-rogação convencional:

Art. 347. A sub-rogação é convencional:


I – quando o credor recebe o pagamento de terceiro e expressamente lhe transfere todos os seus
direitos;
II – quando terceira pessoa empresta ao devedor a quantia precisa para solver a dívida, sob a condi-
ção expressa de ficar o mutuante sub-rogado nos direitos do credor satisfeito.

A transferência gera ao novo credor todos os direitos, ações, privilégios, e garantias do


primitivo, em relação ao devedor principal e aos fiadores, conforme previsão do artigo 349 do
Código Civil.
Todavia, na sub-rogação legal o sub-rogado não poderá exercer os direitos e as ações do
credor, senão até a soma que tiver desembolsado para desobrigar o devedor, assim prevê o
artigo 350 do Código Civil.

c) Da Imputação do Pagamento

A imputação ao pagamento refere-se a um comportamento do devedor. Neste caso a lei


permite ao devedor indicar qual dentre os débitos com o mesmo credor, estará adimplindo. O
artigo 352 do Código Civil estabelece:

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A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de
indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos.

A regra do artigo 352, acima descrito, está no campo da autonomia da vontade dos con-
tratantes.
Vale lembrar que a imputação ao pagamento pode ser feita pelo devedor, como também
pelo fiador ou avalista.
Já a imputação legal está descrita nos artigos 354 e 355, do Código Civil:

Art. 354, CC: Havendo capital e juros, o pagamento imputar-se-á primeiro nos juros vencidos, e
depois no capital, salvo estipulação em contrário, ou se o credor passar a quitação por conta do
capital.
Art. 355, CC: Se o devedor não fizer a indicação do art. 352, e a quitação for omissa quanto à im-
putação, esta se fará nas dívidas líquidas e vencidas em primeiro lugar. Se as dívidas forem todas
líquidas e vencidas ao mesmo tempo, a imputação far-se-á na mais onerosa.

d) Dação em Pagamento

Para tratar este tema, se faz necessário retomar o princípio da exatidão previsto no artigo
313 do Código Civil: “O credor não é obrigado a receber prestação diversa da que lhe é devida,
ainda que mais valiosa”.
A dação em pagamento excepciona a regra do princípio da exatidão. No artigo 356 do Có-
digo Civil tem sua previsão: “O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe
é devida”. Note que, por razões óbvias, o credor precisa CONSENTIR.

e) Da Novação

A novação consiste no comportamento do credor de assumir dívida nova para substituir e


extinguir dívida anterior, sua possibilidade se fundamenta na autonomia da vontade, razão pela
qual é necessário o ânimo de novar sob pena de tão somente confirmar a primeira obrigação
(Art. 361, CC).
Na novação ocorre substituição de pessoas (credor e devedor), e/ou objeto. O artigo 360
do Código Civil apresenta as possibilidades de novação:

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Art. 360. Dá-se a novação:


I – quando o devedor contrai com o credor nova dívida para extinguir e substituir a anterior;
II – quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor;
III – quando, em virtude de obrigação nova, outro credor é substituído ao antigo, ficando o devedor
quite com este.

A novação independe do consentimento do devedor, a teor do previsto no artigo 362 do CC.


Todavia, se o novo devedor for insolvente, se o credor o aceitou, não terá direito a ação regres-
siva contra o primeiro, salvo na hipótese de má-fé.
Em regra, quando da novação, aplica-se o princípio da gravitação jurídica, que afirma que
o acessório segue a sorte do bem principal, conforme o previsto no artigo 364 do Código Civil:

A novação extingue os acessórios e garantias da dívida, sempre que não houver estipulação em
contrário. Não aproveitará, contudo, ao credor ressalvar o penhor, a hipoteca ou a anticrese, se os
bens dados em garantia pertencerem a terceiro que não foi parte na novação.

Quanto ao fiador, com a novação ele poderá se desobrigar, a teor do previsto no artigo 366
do Código Civil:

Importa exoneração do fiador a novação feita sem seu consenso com o devedor principal.

E por fim, as obrigações NULAS ou EXTINTAS não podem ser objeto de NOVAÇÃO, previsão
do artigo 367, do Código Civil.

f) Compensação

Refere-se a hipótese em que as partes são, simultaneamente, credor e devedor, cujas obri-
gações se extinguem até se compensarem. A compensação efetua-se entre dívidas líquidas,
vencidas e de coisas fungíveis.
O código Civil estabelece diversas hipóteses em que não haverá compensação:
1. Quando as obrigações foram diferentes na qualidade, não haverá compensação a teor
do previsto no artigo 370 do Código Civil;
2. Todavia, segundo artigo 373 do mesmo diploma legal, a diferença de causa nas dívidas
não impede compensação, exceto:

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I – se provier de esbulho, furto ou roubo;


II – se uma se originar de comodato, depósito ou alimentos;
III – se uma for de coisa não suscetível de penhora.

3. Quando as partes, por mútuo acordo a excluírem, ou no caso de renúncia prévia de uma
delas (Art. 375, CC);
4. Obrigando-se por terceiro uma pessoa, não pode compensar essa dívida com a que o
credor dele lhe dever (Art. 376, CC);
5. Não se admite a compensação em prejuízo de direito de terceiro. O devedor que se tor-
ne credor do seu credor, depois de penhorado o crédito deste, não pode opor ao exequente a
compensação, de que contra o próprio credor disporia (Art. 380, CC).
E por fim, quando as duas dívidas não são pagáveis no mesmo lugar, não se podem com-
pensar sem dedução das despesas necessárias à operação.

g) Confusão

O instituto da confusão surge, quando a mesma pessoa se confunde na qualidade de cre-


dor e de devedor, pode ser sobre toda a dívida ou sobre parte dela, a teor dos artigos 381 e 382
do Código Civil.
Contundo, cessando a confusão, se restabelece a obrigação anterior.
Exemplificando: João emite cheque, que é um título de crédito, portanto tem circulação, e
em razão desta, o cheque acaba retornando a Joao, ou seja, o mesmo se tornar credor de si. 
Confusão. Todavia, se o cheque volta a circular a obrigação surge novamente.

h) Da Remissão das Dívidas

Remir a dívida é o mesmo que perdoar a dívida. O artigo 385 do Código Civil prevê:
A remissão da dívida, aceita pelo devedor, extingue a obrigação, mas sem prejuízo de terceiro.

Note que é necessário o aceite do devedor.

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Quando houver solidariedade passiva, a remissão concedida a um dos codevedores extin-


gue a dívida na parte a ele correspondente; de modo que, ainda reservando o credor a solidarie-
dade contra os outros, já lhes não pode cobrar o débito sem dedução da parte remitida.

Do Inadimplemento das obrigações


Como dito alhures, o que se espera ao final de uma relação obrigacional, é que esta seja
devidamente cumprida, sob pena de violação ao núcleo obrigacional, o que se pode denominar
como violação dos deveres anexos. Quando o cumprimento espontâneo não ocorre gera preju-
ízo ao credor e a legislação cria mecanismos para aplicar sanção civil ao devedor.
Sobre violação dos deveres anexos, o Conselho de Justiça Federal, se pronunciou através
do Enunciado 246:

Em virtude do princípio da boa-fé, positivado no art. 422 do novo Código Civil, a violação
dos deveres anexos constitui espécie de inadimplemento, independentemente de culpa.

Todavia, é importante lembrar que o instituto das obrigações, com o passar dos séculos,
sofreu diversas mudanças, especialmente a partir da ótica da dignidade da pessoa humana.
Outrora, o devedor (solvens) poderia até mesmo, responder com sua vida, por inadimplemento
obrigacional, o que hoje é absolutamente vedado. A responsabilidade civil pessoal ficou no pas-
sado. Hoje a responsabilidade existente é a PATRIMONIAL, o que se depreende do artigo 391 do
Código Civil:”Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor”.
Contudo, na Constituição Federal de 198, em seu artigo 5º., LXVII, remanescem duas pos-
sibilidades de prisão civil:
a) depositário infiel;
b) devedor de alimentos.
Entretanto, quanto ao depositário infiel, o Superior Tribunal Federal7 editou a Súmula vincu-
lante no. 25 que afirma:

6
Disponível em: https://cjf.jus.br/enunciados/enunciado/670 Acesso em 25 Fev 2020.
7
Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaSumulaVinculante> Acesso em 25
Fev 2020

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É ILÍCITA A PRISÃO CIVIL DE DEPOSITÁRIO INFIEL, qualquer que seja a modalidade


do depósito.

Diante desta súmula, remanesce no ordenamento jurídico brasileiro, única possibilidade de


prisão civil: devedor de alimentos.
O tema do inadimplemento está esculpido no Código Civil, artigos 389 ao 393. O legisla-
dor, diante ao inadimplemento, estabelece as possíveis consequências judiciais, contratuais
e legais.
Diante do inadimplemento, o artigo 389 do Código Civil estabelece:

Não cumprida a obrigação, responde o devedor por perdas e danos, mais juros e atualização mone-
tária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.

Contudo, em situações excepcionais, o artigo 393 do mesmo diploma flexibiliza:

O devedor não responde pelos prejuízos resultantes de caso fortuito ou força maior, se expressa-
mente não se houver por eles responsabilizado.

Sobre o inadimplemento o Código Civil apresenta: Mora, Perdas e Danos, Juros Legais,
Cláusula Penal, e Arras. Veremos cada instituto de forma individualizada.

a) Mora

A mora tem a ver com o atraso, de uma das partes da relação obrigacional: credor (ac-
cepiens) ou devedor (solvens). Amora pode ser caracterizada quando houve adimplemento
tardio, quando o credor se recusou a receber, etc. Portanto, a mora se dá conforme o previsto
no artigo 394 do Código Civil:

Considera-se em mora O DEVEDOR QUE NÃO EFETUAR O PAGAMENTO E O CREDOR QUE NÃO QUI-
SER RECEBÊ-LO NO TEMPO, LUGAR E FORMA QUE A LEI OU A CONVENÇÃO ESTABELECER.

Como dito a mora pode ser por parte de uma das partes da relação obrigacional. Vejamos
a responsabilidade incidente sobre a mora de cada uma das partes.

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Mora do Devedor

É possível identificar mora do devedor nas obrigações positivas (dar e fazer). Vale registrar
que nas obrigações negativas não há mora, mas inadimplemento absoluto que deve ser resol-
vido em perdas e danos (Art. 402, CC). O artigo 397, do Código Civil estabelece o momento da
mora:

O inadimplemento da obrigação, positiva e líquida, no seu termo, constitui de pleno direito em mora
o devedor.

E o parágrafo único, trata da figura da mora ex persona, ou seja, quando não se estabeleceu
prazo, se faz necessário a interpelação:

Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial.

Sobre a mora ex persona, diante das novas realidades sobre os meios de comunicação, o
Conselho de Justiça Federal8, se pronunciou através do Enunciado 619:

A interpelação extrajudicial de que trata o parágrafo único do artigo 397 do Código Civil admite
meios eletrônicos como e-mail ou aplicativos de conversas on-line, desde que demonstrada a
ciência inequívoca do interpelado, salvo disposição em contrário no contrato.

Ainda sobre o momento da caracterização da mora, em situações oriundas de ato ilícito,


prevê o artigo 398 do Código Civil:

Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em mora, desde que o praticou.

Ainda sobre a mora oriunda de ato ilícito, o Superior Tribunal de Justiça9 editou a Súmula 54:
8
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/cjf/corregedoria-da-justica-federal/centro-de-estudos-judiciarios-1/publicacoes-1/
jornadas-cej/viii-enunciados-publicacao-site-com-justificativa.pdf> Acesso em 25 Fev 2020
9
Disponível em: <https://scon.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?livre=(sumula%20adj1%20%2754%27).sub.> Acesso em 25
Fev 2020

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Os juros moratórios fluem a partir do evento danoso, em caso de responsabilidade extra-


contratual. (Súmula 54, CORTE ESPECIAL, julgado em 24/09/1992, DJ 01/10/1992)

O Tribunal10acima citado editou outras súmulas estabelecendo critérios para cálculo das
atualizações, veja:

Súmula 43 - Incide correção monetária sobre dívida por ato ilícito a partir da data do efe-
tivo prejuízo. (Súmula 43, CORTE ESPECIAL, julgado em 14/05/1992, DJ 20/05/1992)
Súmula 36211- A correção monetária do valor da indenização do dano moral incide desde
a data do arbitramento.

Diante da mora do devedor o artigo 395 do Código Civil repete a regra geral do artigo 393
do mesmo diploma, veja:

Responde o devedor pelos prejuízos a que sua mora der causa, mais juros, atualização dos valores
monetários segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, e honorários de advogado.

Em homenagem a doutrina da perpetuação da obrigação o artigo 399 do Código Civil prevê:

O DEVEDOR EM MORA responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade


resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar
isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desem-
penhada.

Note que, se durante a mora, ocorrer à impossibilidade da prestação, mesmo assim, o de-
vedor responderá.
Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça12editou a Súmula 380, que afirma:

A simples propositura da ação de revisão de contrato não inibe a caracterização da mora


do autor.
10
Disponível em: <https://scon.stj.jus.br/SCON/sumanot/toc.jsp?livre=(sumula%20adj1%20%2743%27).sub.> Acesso em 25
Fev 2020
11
Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-sumulas-2012_32_capSumula362.pdf>
Acesso em 25 Fev 2020
12
Disponível em: <https://ww2.stj.jus.br/docs_internet/revista/eletronica/stj-revista-sumulas-2013_34_capSumula380.pdf>
Acesso em 25 Fev 2020.

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E ainda, o parágrafo único, do artigo 395 enfatiza:

Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e exigir a satisfação
das perdas e danos.

Mora do Credor

A mora do credor está prevista na parte b do artigo 394 do Código Civil:

Considera-se em mora [...] e o credor que não quiser recebê-lo no tempo, lugar e forma que a lei ou
a convenção estabelecer.

O artigo 400 do CC determina a consequência da mora do credor:

A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa,
obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela es-
timação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento
e o da sua efetivação.

Por fim, o artigo 401 do Código Civil determina como se deve purgar a mora. Vale lembrar que
purgar a moral significa fazer desaparecer o estado de atraso no cumprimento da obrigação:

Art. 401. Purga-se a mora:


I – por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes
do dia da oferta;
II – por parte do credor, oferecendo-se este a receber o pagamento e sujeitando-se aos efeitos da
mora até a mesma data.

b) Perdas e Danos

Quando há descumprimento da obrigação, pode gerar o dever jurídico de indenizar o dano


suportado pela parte credora, o que se denomina perdas e danos, conforme previsão do artigo
402 do Código Civil:
Salvo as exceções expressamente previstas em lei, as perdas e danos devidas ao credor
abrangem, além do que ele efetivamente perdeu, o que razoavelmente deixou de lucrar.

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O tema do inadimplemento obrigacional está atrelado a responsabilidade civil, que fora


visto na apostila 05 (Ato ilícito), vale revisão.
Devem ser somados as perdas e danos a atualização monetária segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogado, sem prejuízo
da pena convencional.
Os juros de mora, nestes casos, contam-se desde a citação inicial, a teor do previsto no
artigo 405 do Código Civil.

c) Juros Legais
Os juros legais serão aplicados quando os juros moratórios não forem fixados pelas partes,
ou seja, caráter subsidiário da norma. Veja o disposto no artigo 406 do Código Civil:

Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando
provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora
do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional.

Sobre o artigo 406, acima descrito, o Conselho de Justiça Federal13, se pronunciou através
do Enunciado 20:

A taxa de juros moratórios a que se refere o art. 406 é a do art. 161, § 1º, do Código Tribu-
tário Nacional, ou seja, um por cento ao mês.

E o artigo 407 do mesmo diploma finaliza o tema:

Ainda que se não alegue prejuízo, é obrigado o devedor aos juros da mora que se contarão assim às
dívidas em dinheiro, como às prestações de outra natureza, uma vez que lhes esteja fixado o valor
pecuniário por sentença judicial, arbitramento, ou acordo entre as partes.

d) Cláusula Penal
A cláusula penal é uma sanção que decorre da vontade das partes, a ser aplicada quando
o devedor culposamente deixe de adimplir uma obrigação ou se constitua em mora, conforme
previsão dos artigos 408 e 409 do CC.
13
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/666> Acesso em 25 Fev 2020

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A cláusula penal pode ser compensatória, conforme previsão do artigo 410 do Código Civil:

Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta con-
verter-se-á em alternativa a benefício do credor.

Neste caso, as partes pré-ajustam, que haverá indenização substitutiva para hipótese de
inadimplemento total, pré-fixando o valor das perdas e danos.
Quanto a conversão alternativa do benefício do credor, que consta no final do artigo 410, o
credor poderá optar entre:
• Pleitear o cumprimento da obrigação;
OU
• Exigir a pena convencional

A cláusula penal pode ainda ser moratória, conforme disposição do artigo 411 do Código Civil:

Quando se estipular a cláusula penal para o caso de mora, ou em segurança especial de outra cláu-
sula determinada, terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, juntamente com
o desempenho da obrigação principal.

Observe que neste caso, da inserção de cláusula penal moratória, o legislador permite uma
mudança de comportamento por parte do credor, um padrão CUMULATIVO, reveja o trecho do
artigo: “Art. 411, CC: [...]terá o credor o arbítrio de exigir a satisfação da pena cominada, JUN-
TAMENTE com o desempenho da obrigação principal.
Sobre o assunto o Superior Tribunal de Justiça14, na data de 18 de junho de 2018, através
do item 01 da jurisprudência em teses no. 107, decidiu:

Na hipótese de descumprimento do prazo de entrega de imóvel objeto de contrato de


compromisso de compra e venda ou de compra e venda, é possível cumular a cláusula
penal decorrente da mora com a indenização por lucros cessantes pela não fruição do
imóvel, pois aquela tem natureza moratória, enquanto esta tem natureza compensatória.

E o item 02 da mesma jurisprudência:


14
Disponível em: < http://www.stj.jus.br/internet_docs/jurisprudencia/jurisprudenciaemteses/Jurisprudência%20em%20
Teses%20107%20-%20Da%20Promessa%20e%20da%20Compra%20e%20Venda%20de%20Imóveis%20-%20I.pdf> Acesso
em 25 Fev 2020

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A inexecução do contrato de promessa de compra e venda ou de compra e venda, con-


substanciada na ausência de entrega do imóvel na data acordada, acarreta, além da
indenização correspondente à cláusula penal moratória, o pagamento de indenização
por lucros cessantes.

Quanto o valor da cláusula penal, o artigo 412 do Código Civil prevê:

O valor da cominação imposta na cláusula penal não pode exceder o da obrigação principal.

E o artigo 413 complementa:

A penalidade deve ser reduzida equitativamente pelo juiz se a obrigação principal tiver sido cumpri-
da em parte, ou se o montante da penalidade for manifestamente excessivo, tendo-se em vista a
natureza e a finalidade do negócio.

Sobre o artigo 413, o Conselho de Justiça Federal, manifestou seu entendimento através
do Enunciado 356:

Nas hipóteses previstas no art. 413 do Código Civil, o juiz deverá reduzir a cláusula penal
Ius cogente
de ofício.

Quando se tratar de obrigação indivisível deve se observar a regra do artigo 414 do CC:

Sendo indivisível a obrigação, todos os devedores, caindo em falta um deles, incorrerão na pena;
mas esta só se poderá demandar integralmente do culpado, respondendo cada um dos outros so-
mente pela sua quota.
Parágrafo único. Aos não culpados fica reservada a ação regressiva contra aquele que deu causa
à aplicação da pena.

E quando a obrigação for divisível aplicar-se-á o artigo 415 do Código Civil:

Quando a obrigação for divisível, só incorre na pena o devedor ou o herdeiro do devedor que a infrin-
gir, e proporcionalmente à sua parte na obrigação.

Por fim, para se exigir a pena convencional não é necessário que o credor alegue prejuízo.

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e) Arras ou Sinal

Sobre as arras pode se afirmar que é uma garantia do cumprimento de um contrato, muito
utilizado no contrato de compra e venda de imóvel.

O comprador se obriga a arras, caso se arrependa e desista do contrato. É também uma


forma de pré-ajustar perdas e danos. Veja o que prevê o artigo 418 do Código Civil:

Art. 418: Se a parte que deu as ARRAS não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito,
Arras
retendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato
confirmatórias
por desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.

No caso do dano sofrido for superior ao valor das arras, o artigo 419 do Código Civil prevê
a possibilidade de indenização complementar:

A parte inocente pode pedir indenização suplementar, se provar maior prejuízo, valendo as arras
como taxa mínima. Pode, também, a parte inocente exigir a execução do contrato, com as perdas e
danos, valendo as arras como o mínimo da indenização.

Todavia se no contrato prever direito ao arrependimento, deve ser aplicado à regra do artigo
420:

Se no contrato for estipulado o direito de arrependimento para qualquer das partes, as arras ou sinal
Arras terão função unicamente indenizatória. Neste caso, quem as deu perdê-las-á em benefício da outra
penitenciais
parte; e quem as recebeu devolvê-las-á, mais o equivalente. Em ambos os casos não haverá direito
a indenização suplementar.

O dobro

Sobre esse tema, o Supremo Tribunal Federal15 editou a Súmula 412:


15
Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaSumula&pagina=sumula_401_500>
Acesso em 25 Fev 2020

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No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do


sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indeniza-
ção maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo.

O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, no ano de 2016 decidiu sobre o tema, o que
gerou o Enunciado Info 577:

Cálculo das arras confirmatórias e desproporção entre a quantia paga inicialmente e o


preço ajustado.

Portanto, para conclusão pode-se afirmar que as arras têm duas funções:
a) Antecipação de perdas e danos ou penalidade;
b) tornar definitivo o contrato preliminar

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RESUMO
Obrigações
• Conceito: é relação jurídica pessoal e transitória de direito e natureza econômica, que
há conteúdo de dar, fazer e não fazer. É relação existente entre sujeito ativo (credor) e
sujeito passivo (devedor).
• Esquema:

• Princípios:
– Dignidade da pessoa humana. Observar a Súmula vinculante 25:

É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.

– Função social;
– Boa-fé objetiva;
– Autonomia da vontade.

• Fontes obrigacionais:

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• Elementos da Obrigação

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Classificação das Obrigações


− Classificação quanto à presença dos elementos obrigacionais:

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– Classificação quanto à multiplicidade de sujeitos


◦ A multiplicidade de sujeitos pode se dar no polo passivo (solidariedade passiva),
polo ativo (solidariedade ativa);
– Classificação quanto a divisibilidade das obrigações
◦ Esta classificação refere-se ao objeto da prestação, e tais obrigações podem ser
divisíveis e indivisíveis;
◦ A indivisibilidade pode se dar:

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– Classificação quanto ao fim


◦ Obrigações de meio o devedor não se comprometerá com o resultado, todavia o
devedor se comprometerá a usar de toda habilidade e meios possíveis para melhor
resultado, com isso se dá o adimplemento.
◦ Obrigações de resultado, o devedor assume o risco da realização da atividade e o
resultado pelo pretendido pelo credor.
◦ Classificação quanto ao momento de execução:
◦ Obrigações instantâneas são aqueles que se consumem imediatamente, com, por
exemplo: A celebra de contrato de compra e venda com B, mediante pagamento a
vista, assim A entrega o objeto e B imediatamente efetua o pagamento.
◦ Obrigações diferidas são aquelas em que há a celebração de um contrato, onde
cujos contratantes se obrigam a entregar respectivamente pagamento e objeto
com um só prazo posterior. Veja o exemplo: A celebra contrato de compra e venda
com B. As partes contratantes ajustam que em 60 dias, uma parte entregará o ob-
jeto e a outra o valor do pagamento, ou seja, a obrigação deverá ser cumprida numa
parcela, lançada para o futuro.
◦ Obrigações de execução continuada são aquelas que se repetem no decorrer do
tempo, por exemplo, pagamento de aluguel, de pensão alimentícia.
– Classificação quanto a liquidez
◦ A obrigação quanto sua liquidez, se divide em líquida e ilíquida. A obrigação líquida
é a certa quanto sua existência, e determinada quanto a seu objeto.

E a obrigação ilíquida, o objeto não está certo, definido.


– Classificação quanto existência de elementos eficaciais
◦ Os elementos eficaciais ou acidentais estão previstos na parte geral do Código
Civil, são eles: Condição, termo e encargo. As obrigações com incidência de tais
elementos repercutem na eficácia do cumprimento da obrigação.
– Classificação quanto a dependência
◦ Principal é o bem que existe sobre si, abstrata ou concretamente; acessório, aque-
le cuja existência supõe a do principal.

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◦ Acessórias dependem da existência da obrigação principal, e nos remete ao princí-


pio da gravitação jurídica: “A sorte do acessório segue a do principal”.
• Modalidade das obrigações

– Obrigação de dar (coisa incerta ou coisa certa);


– Obrigação de Fazer;
– Obrigação de Não Fazer;
– Obrigação de não fazer: obrigação negativa
– Da transmissão das obrigações: cessão de crédito e assunção da dívida.
– Do adimplemento das obrigações:
◦ Consignação em pagamento;
◦ Imputação ao pagamento;
◦ Dação em pagamento;

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◦ Novação;
◦ Compensação;
◦ Remissão;
◦ Confusão.
– Sobre o inadimplemento das obrigações:
◦ Mora;
◦ Perdas e Danos;
◦ Juros Legais;
◦ Cláusula Penal
◦ Arras

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QUESTÕES DE CONCURSO
Questão 1 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-
nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do direito das
obrigações.
Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor, ainda que se trate
de obrigação de fazer materialmente infungível.

Questão 2 (CESPE/2010/BRB/ADVOGADO) Quanto às partes e ao litisconsórcio, julgue os


itens que se seguem.
Considere que Luiz, André e Marcos tenham se obrigado solidariamente a pagar a Felipe a
importância de R$ 2.100,00. Nessa situação, em caso de inadimplência, Felipe deve propor a
ação de cobrança contra os três devedores, visto que há entre eles um litisconsórcio unitário.

Questão 3 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-

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neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do direito das
obrigações.
A mora ex persona se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial do devedor, nas
hipóteses de não haver tempo certo fixado para o cumprimento da prestação ou de a obriga-
ção não ser positiva e líquida.

Questão 4 (CESPE/2010/AGU/CONTADOR) O inadimplemento absoluto caracteriza-se


pelo fato de não ser mais útil ao credor receber a prestação em atraso.

Questão 5 (CESPE/2012/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE AVIAÇÃO CIVIL/


ÁREA 5) Ainda com base no Código Civil, julgue o item seguinte, referente ao direito das obri-
gações.
Não se pode imputar mora ao credor, visto que cabe apenas ao devedor cumprir a obrigação
na forma considerada no contrato.

Questão 6 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CON-


SULTOR LEGISLATIVO ÁREA II) No caso de responsabilidade solidária, se o credor fizer acor-
do parcial com um dos devedores para receber indenização por prejuízos decorrentes de ato
ilícito, os demais devedores estarão exonerados da obrigação.

Questão 7 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSUL-


TOR LEGISLATIVO ÁREA III)
Texto associado

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Segundo entendimento dominante traduzido em enunciado de jornada de direito civil, não po-
derão as partes renunciar à possibilidade de redução da cláusula penal se ocorrer qualquer das
hipóteses previstas em lei que autorizem a redução da penalidade pelo juiz, por se tratar de
dispositivo de ordem pública.

Questão 8 (CESPE/2008/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Na assunção de dívida, ocor-


re a substituição do sujeito passivo da relação de crédito, com a modificação da obrigação pri-
mitiva, extinguindo-se o vínculo obrigacional, os acessórios e as garantias do débito, exceto as
garantias do crédito que tiverem sido prestadas por terceiro.

Questão 9 (2008/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/EXECUÇÃO DE


MANDADOS) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se es-
tipulou.

Questão 10 (CESPE/2009/DPE-AL/DEFENSOR PÚBLICO) A assunção de dívida transfere a


terceira pessoa os encargos obrigacionais da exata forma como estabelecidos entre o credor e
o devedor original, de modo que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento
do débito importará a manutenção dessa garantia.

Questão 11 (CESPE/2012/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO) É possível a cessão


de um crédito sem que todos os seus acessórios estejam abrangidos pela operação.

Questão 12 (CESPE/2013/TRT - 10ª REGIÃO/DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO/EXECU-


ÇÃO DE MANDADOS) Em situações excepcionais elencadas em dispositivo do Código Civil, é
possível que o credor de uma obrigação de alimentos ceda o seu crédito a terceiro.

Questão 13 (CESPE/2008/MC/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/DIREITO) Suponha que em


uma obrigação alternativa, por culpa do devedor, tornou-se impossível cumprir com qualquer
das prestações e, conforme estabelecido entre as partes, o direito de escolha é do devedor.
Nesse caso, o devedor ficará obrigado a pagar o valor do bem que por último se impossibilitou,
mais as perdas e danos que o caso determinar.

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Questão 14 (CESPE/2005/TRT - 16ª REGIÃOMA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁ-


RIA) Considere que, em uma obrigação alternativa, não ficou estipulado a quem pertence o
direito de escolha, e todas as prestações se tornaram inexequíveis por culpa do devedor. Nessa
situação, conforme determina o direito das obrigações, o devedor terá de pagar o valor do bem
que por último se impossibilitou, e mais as perdas e os danos que o caso determinar:

Questão 15 (CESPE/2009/IBRAM-DF/ADVOGADO) É considerado em mora o devedor que


não efetuar o pagamento e o credor que não o quiser receber no tempo, no lugar e na forma
que a lei ou a convenção estabelece.

Questão 16 (CESPE/2011/TJ-ES/COMISSÁRIO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE/ESPECÍ-


FICOS) O crédito é um direito que pode ser cedido pelo seu titular (credor). Entretanto, a ces-
são de crédito, em regra, dependerá da anuência tanto do cessionário quanto do devedor.

Questão 17 (CESPE/2006/IPAJM/ADVOGADO) Quando as partes contratantes estipulam


uma cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, o credor pode, ao recor-
rer às vias judiciais, optar livremente entre a exigência da pena convencional e o adimplemento
da obrigação, visto que a cláusula penal se converte em alternativa em seu benefício.

Questão 18 (CESPE/2006/CAIXA/ADVOGADO) Considere que uma cláusula que prevê a


perda total da quantia paga pelo devedor inadimplente seja inserida no contrato de compra
e venda a prestações. Nessa situação, a cláusula é corretamente denominada multa comi-
natória, inserida no contrato com a finalidade de garantir alternativamente o cumprimento da
obrigação principal.

Questão 19 (CESPE/2013/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO) Considere


que, em relação ao mesmo crédito, tenham ocorrido várias cessões e que os envolvidos te-
nham ingressado com ação judicial. Nessa situação, deve prevalecer a cessão que se comple-
tar com a tradição do título de crédito cedido.

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Questão 20 (CESPE/2014/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO) De acordo com o entendi-


mento do STJ, havendo cláusula de arrependimento em compromisso de compra e venda, a de-
volução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui inde-
nização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo.

Questão 21 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue os seguintes itens, acerca do direito
das obrigações.
Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolve em perdas e danos.

Questão 22 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.

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Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.


In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do direito das
obrigações:
Se a prestação se converte em perdas e danos, extingue-se a solidariedade.

Questão 23 (CESPE/2013/DPE-DF/DEFENSOR PÚBLICO) No que se refere ao direito das


obrigações, julgue o item a seguir.
A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos cocredores ou codevedores, e con-
dicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro. Esse tipo de obrigação não se
presume, devendo ser sempre resultante da lei ou da vontade das partes.

Questão 24 (CESPE/2016/PGE-AM/PROCURADOR DO ESTADO) Situação hipotética: Isa-


bel firmou com Davi contrato em que se comprometia a dar-lhe coisa certa em data aprazada.
Em função da mora no recebimento, ocasionada por Davi, a coisa estragou-se, sem que Isabel
tenha concorrido para tal. Assertiva: Nesse caso, Davi poderá exigir indenização equivalente à
metade do dano suportado.

Questão 25 (CESPE/2015/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO/CONHECI-


MENTOS GERAIS) Acerca da prescrição, da decadência, das obrigações e da responsabilida-
de civil, julgue o item que se segue.
O autor de ato ilícito que resulte em obrigações é considerado em mora a partir do momento
em que pratica o ato.

Questão 26 (CESPE/2009/SECONT-ES/AUDITOR DO ESTADO/DIREITO) Considere a se-


guinte situação hipotética.
Submetido a um contrato escrito, Jurandir, pecuarista da região do sul do Mato Grosso, deveria
restituir, no dia 11 de agosto, o touro reprodutor Mimoso, pertencente a Marculino, que tem sua
fazenda em Minas Gerais. Porém, Jurandir não devolveu o touro por puro descaso. Recente-

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mente, forte e inesperada chuva causou a morte inevitável do touro. Nessa situação, não existe
amparo da imprevisibilidade ou do caso fortuito e força maior.

Questão 27 (CESPE/2010/AGU/CONTADOR) Se o pagamento de uma obrigação ocorrer na


data estipulada, ainda que em lugar diverso, não se poderá considerar em mora o devedor.

Questão 28 (CESPE/2010/BRB/ADVOGADO) Considere que Luís e Paulo sejam devedores


solidários de Márcio e que Luís venha a falecer. Nesse caso, Márcio não poderá cobrar dos
herdeiros a quota devida pelo falecido, pois a eles não pode ser imposta a solidariedade
dessa dívida.

Questão 29 (CESPE/2007/AGU/PROCURADOR FEDERAL/PROVA 1) No Código Civil de


2002, no capítulo da parte geral dedicado aos bens reciprocamente considerados, introduziu-
-se a figura das pertenças, verdadeira novidade legislativa no âmbito do direito privado brasilei-
ro. A respeito dos bens reciprocamente considerados, julgue o item a seguir.
De acordo com o direito das obrigações, em regra, a obrigação de dar coisa certa abrange os
acessórios dessa coisa, ainda que não mencionados.

Questão 30 (CESPE/2012/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE AVIAÇÃO CIVIL/


ÁREA 5) Ainda com base no Código Civil, julgue o item seguinte, referente ao direito das obri-
gações.
Se, por culpa de um dos devedores solidários, a prestação tornar-se impossível de cumprimen-
to, todos devem responder por perdas e danos perante o credor.

Questão 31 (CESPE/2012/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE AVIAÇÃO CIVIL/


ÁREA 5) Ainda com base no Código Civil, julgue o item seguinte, referente ao direito das obri-
gações.
Considere que um artista tenha se comprometido a fazer uma escultura para uma pessoa por
determinado valor, que seria pago no momento da entrega, mas que a realização da escultura
tenha se tornado impossível em razão das condições climáticas de sua região, e não por culpa

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do artista. Nessa situação, estará resolvida a obrigação, sem a necessidade de imposição de


reparação de perdas e danos.

Questão 32 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CON-


SULTOR LEGISLATIVO ÁREA III) Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela
solvência do devedor, mas a lei confere a este a possibilidade de opor ao cessionário as exce-
ções que lhe competirem, bem como as que tiver contra o cedente no momento em que vier a
ter conhecimento da cessão.

Questão 33 (CESPE/2010/AGU/AGENTE ADMINISTRATIVO) Quando os juros moratórios


não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determi-
nação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de
impostos devidos à fazenda nacional.

Questão 34 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CON-


SULTOR LEGISLATIVO ÁREA V) A fonte das obrigações é o fato jurídico, uma vez que o fato
jurídico lato sensu é o elemento que dá origem aos direitos subjetivos, entre eles os obriga-
cionais, impulsionando a criação da relação jurídica e concretizando as normas de direito. A
obrigação encontra sua gênese na ordem jurídica, pois temos como fonte das relações obri-
gacionais a lei - fonte imediata - e a vontade humana - fonte mediata. O fato jurídico poder ser
natural ou humano, voluntário ou involuntário, unilateral ou bilateral/ plurilateral.
Maria Helena Diniz. Teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. In: Curso de direito civil brasileiro, v.3.
23.ª ed, São Paulo: Saraiva, 2007, p. 3 (com adaptações).

No que se refere às disposições gerais dos contratos e às ideias explanadas no texto acima,
julgue o item a seguir.
São fontes mediatas das obrigações em geral os contratos, as declarações unilaterais de von-
tade e os atos ilícitos.

Questão 35 (CESPE/2014/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO) Em regra, as obrigações


pecuniárias somente podem ser quitadas em moeda nacional e pelo seu valor nominal.

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Questão 36 (CESPE/2010/PGM – RR/PROCURADOR MUNICIPAL) Aroldo, pessoa afortu-


nada, resolveu assumir uma dívida que seu cunhado, Batista, possuía junto a Carlos, sem que
este tivesse anuído à assunção da dívida. Nessa situação, Batista será exonerado da obriga-
ção e Carlos somente poderá exigir de Aroldo o cumprimento da obrigação.

Questão 37 (CESPE/2009/TCE-RN/ASSESSOR TÉCNICO JURÍDICO) Configura supressio o


pagamento reiteradamente feito em local diferente daquele previsto no contrato.

Questão 38 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
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A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue os seguintes itens, acerca do direito
das obrigações.
O fiador que paga a dívida em seu próprio nome não se sub-roga nos direitos do credor.

Questão 39 (2008/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/EXECUÇÃO DE


MANDADOS) Quanto às obrigações, julgue os itens a seguir.
Pagamento ou quitação é ato que compete exclusivamente ao devedor.

Questão 40 (CESPE/2006/IPAJM/ADVOGADO) Sendo a compensação uma das formas de


extinção das obrigações de fazer e de dar, e, portanto, norma cogente, as partes não podem
acordar a sua exclusão nem podem a ela renunciar.

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Questão 41 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
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A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item acerca do direito das
obrigações:
Se o devedor age de boa-fé e amparado pela escusabilidade do erro, considera-se válido o pa-
gamento feito por ele ao credor putativo.

Questão 42 (CESPE/2007/BANCO DA AMAZÔNIA/ADVOGADO) Tratando-se de obriga-


ções alternativas, o devedor somente se libera prestando a coisa devida, pois o objeto, embora
inicialmente plúrimo e indeterminado, após a escolha, é individualizado e certo, não se poden-
do obrigar o credor a receber coisa diversa.

Questão 43 (CESPE/2008/MC/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/DIREITO) Não há mora sol-


vendi se não houver fato ou omissão imputável ao devedor, mas o devedor em mora responde
pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito, ou de
força maior, se estes ocorrerem durante o atraso. Isso só não ocorre se for provada isenção de
culpa, ou que o dano sobrevenha ainda quando a obrigação for oportunamente desempenhada.

Questão 44 (CESPE/2013/DPE-DF/DEFENSOR PÚBLICO) No que se refere ao direito das


obrigações, julgue os itens a seguir.

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Se o devedor que assumiu obrigação de abster-se da prática de determinado ato vier a praticá-
-lo, o credor poderá exigir que ele o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo
o culpado perdas e danos. No entanto, extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem
culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato que se obrigou a não praticar.

Questão 45 (CESPE/2013/TRF - 1ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL) Suponha que um fazendeiro,


mediante contrato escrito, tenha doado 10% da safra produzida em sua fazenda para uma insti-
tuição de caridade que, posteriormente, havia transferido essa vantagem para terceira pessoa.
Nessa situação, o segundo negócio se configura como
a) novação.
b) sub-rogação legal.
c) subcontrato.
d) cessão de contrato.
e) cessão de crédito.

Questão 46 (CESPE/2014/TJ-CE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA) Rebeca,


obrigada por três débitos da mesma natureza a Joana, pretende indicar a qual deles oferecerá
pagamento, já que todos os débitos são líquidos e vencidos.
Nessa situação hipotética, Rebeca deverá valer-se da
a) imputação do pagamento.
b) dação em pagamento.
c) compensação.
d) sub-rogação legal.
e) sub-rogação convencional.

Questão 47 (CESPE/2013/TRT - 8ª REGIÃO/PA E AP/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE


JUSTIÇA AVALIADOR) Considere que determinada pessoa tenha reunido as qualidades opos-
tas de credor e devedor da obrigação, tendo, com isso, desaparecido a pluralidade de situações
jurídicas referentes à dívida. Essa situação configura a modalidade de pagamento denominada
a) remissão.
b) assunção de dívida.

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c) sub-rogação.
d) compensação.
e) confusão.

Questão 48 (CESPE/2013/MPE-RO/PROMOTOR DE JUSTIÇA) João assinou nota promissó-


ria em garantia a empréstimo tomado de Carlos, no valor de R$ 5.000,00. Não tendo conseguido
pagar a dívida no prazo acordado, João solicitou a sua irmã, Cláudia, que assinasse nova nota
promissória, comprometendo-se a realizar o pagamento do débito em sessenta dias. Carlos
concordou com o negócio e o título assinado por João foi inutilizado. Nessa situação, houve:
a) assunção de dívida.
b) cessão de crédito.
c) novação
d) imputação do pagamento.
e) pagamento com sub-rogação

Questão 49 (CESPE/2012/TJ-PA – JUIZ) Quatro pessoas contraíram um empréstimo de R$


100.000,00, tendo ficado estipulada, no contrato, a solidariedade entre elas quanto ao paga-
mento do débito. Contudo, a obrigação contratual não foi cumprida.
A respeito dessa situação, assinale a opção correta.
a) Aceitando o credor o recebimento parcial da dívida, presume- se a renúncia da solidariedade,
mas não do restante da dívida.
b) Se o devedor solidário demandado chamar os outros ao processo, na sentença deverá ser
fixado o valor a ser pago ao credor por cada um.
c) A lei admite que o credor exija de um ou de mais de um devedor solidário o pagamento par-
cial ou total da dívida comum.
d) Caso um dos devedores faleça, qualquer herdeiro poderá ser acionado pelo credor, ficando,
então, suscetível de responder por um quarto da dívida, nas forças da herança, após a partilha.
e) Aquele que solver a dívida poderá cobrar R$ 75.000,00 de apenas um dos outros três, se os
demais devedores forem insolventes.

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Questão 50 (CESPE/2017/TRT - 7ª REGIÃOCE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁ-


RIA) Maria, credora de Pedro no valor de R$ 50 mil, aceitou no vencimento da dívida, para
adimplir a obrigação, um veículo de igual valor oferecido por Pedro. A dívida foi, então, quitada.
Nessa situação hipotética, de acordo com disposições do Código Civil, o adimplemento se
deu por
a) compensação.
b) pagamento em consignação.
c) dação em pagamento.
d) imputação do pagamento.

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GABARITO
1. C 28. E
2. E 29. C
3. C 30. E
4. C 31. C
5. E 32. C
6. E 33. C
7. C 34. C
8. E 35. C
9. E 36. E
10. E 37. C
11. C 38. E
12. E 39. E
13. C 40. E
14. C 41. C
15. C 42. C
16. E 43. C
17. C 44. C
18. E 45. e
19. C 46. a
20. C 47. e
21. C 48. c
22. E 49. c
23. C 50. c
24. E
25. C
26. C
27. E

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Do Direito das Obrigações
Fabiana Borges

GABARITO COMENTADO
Questão 1 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO)
Texto associado
O regime econômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do di-
reito das obrigações, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na
esfera patrimonial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na
vida econômica, em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mun-
do contemporâneo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas
modalidades e, também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do
direito civil que tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em
um complexo de normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por ob-
jeto prestações (dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do direito das
obrigações.
Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor, ainda que se trate
de obrigação de fazer materialmente infungível.

Certo.
A assertiva foi considerada CORRETA, por ser transcrição do artigo 391 do Código Civil
que afirma:

Pelo inadimplemento das obrigações respondem todos os bens do devedor.

Claro que a assertiva dá margem para uma interpretação extensiva, vez que existe a proteção
ao patrimônio mínimo, como por exemplo, o bem de família, previsto na Lei 8009/90.

Questão 2 (CESPE/2010/BRB/ADVOGADO) Quanto às partes e ao litisconsórcio, julgue os


itens que se seguem.

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Considere que Luiz, André e Marcos tenham se obrigado solidariamente a pagar a Felipe a
importância de R$ 2.100,00. Nessa situação, em caso de inadimplência, Felipe deve propor a
ação de cobrança contra os três devedores, visto que há entre eles um litisconsórcio unitário.

Errado.
Observe que Luiz, André e Marcos assumiram solidariedade passiva, assim, Felipe (credor),
tem direito de receber de um ou de todos os devedores, conforme determinação do artigo 275
do Código Civil:

O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a
dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados
solidariamente pelo resto.

Questão 3 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do direito das
obrigações.
A mora ex persona se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial do devedor, nas
hipóteses de não haver tempo certo fixado para o cumprimento da prestação ou de a obriga-
ção não ser positiva e líquida.

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Certo.
Primeiro importante lembrar o significado de mora ex persona. A mora ex persona é aquela que
depende de interpelação prevista no artigo 397, parágrafo único, do Código Civil:

Não havendo termo, a mora se constitui mediante interpelação judicial ou extrajudicial.

Questão 4 (CESPE/2010/AGU/CONTADOR) O inadimplemento absoluto caracteriza-se


pelo fato de não ser mais útil ao credor receber a prestação em atraso.

Certo.
O inadimplemento absoluto refere-se ao pagamento tardio que não há mais interesse ao credor.

Exemplo: Contrato fotógrafo para a formatura de minha filha, e o mesmo não vai. Posterior-
mente adimplir a obrigação previamente entabulada, não há mais o porquê.
A fundamentação legal está no artigo 395, parágrafo único, do Código Civil:

Parágrafo único. Se a prestação, devido à mora, se tornar inútil ao credor, este poderá enjeitá-la, e
exigir a satisfação das perdas e danos.

Questão 5 (CESPE/2012/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE AVIAÇÃO CIVIL/


ÁREA 5) Ainda com base no Código Civil, julgue o item seguinte, referente ao direito das obri-
gações.
Não se pode imputar mora ao credor, visto que cabe apenas ao devedor cumprir a obrigação
na forma considerada no contrato.

Errado.
A mora pode ser imputável tanto ao credor como ao devedor, assim prevê o artigo 394 do Có-
digo Civil:

Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo
no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer.

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Razão pela qual a assertiva está ERRADA.

Questão 6 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CON-


SULTOR LEGISLATIVO ÁREA II) No caso de responsabilidade solidária, se o credor fizer acor-
do parcial com um dos devedores para receber indenização por prejuízos decorrentes de ato
ilícito, os demais devedores estarão exonerados da obrigação.

Errado.
Está ERRADA, uma vez que o artigo 275 do Código Civil prevê:
O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmen-
te, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam
obrigados solidariamente pelo resto.
Parágrafo único. Não importará renúncia da solidariedade à propositura de ação pelo credor
contra um ou alguns dos devedores.
Assim, havendo acordo parcial com um dos devedores, os demais devedores NÃO ESTARÃO
EXONERADOS DA OBRIGAÇÃO.

Questão 7 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CONSUL-


TOR LEGISLATIVO ÁREA III)
Texto associado
Segundo entendimento dominante traduzido em enunciado de jornada de direito civil, não po-
derão as partes renunciar à possibilidade de redução da cláusula penal se ocorrer qualquer das
hipóteses previstas em lei que autorizem a redução da penalidade pelo juiz, por se tratar de
dispositivo de ordem pública.

Certo.
Observe que a questão se refere ao entendimento conforme Enunciado das Jornadas de Direi-
to Civil, razão pela qual a assertiva está CORRETA.
Prevê o Enunciado 355 da IV Jornada de Direito Civil16:

16
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/431> Acesso em 26 Fev 2020.

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Não podem as partes renunciar à possibilidade de redução da cláusula penal se ocorrer


qualquer das hipóteses previstas no art. 413 do Código Civil, por se tratar de preceito de
ordem pública.

Questão 8 (CESPE/2008/MPE-RR/PROMOTOR DE JUSTIÇA) Na assunção de dívida, ocor-


re a substituição do sujeito passivo da relação de crédito, com a modificação da obrigação pri-
mitiva, extinguindo-se o vínculo obrigacional, os acessórios e as garantias do débito, exceto as
garantias do crédito que tiverem sido prestadas por terceiro.
Errado.
A assertiva está ERRADA, por previsão expressa do artigo 300 do Código Civil:

Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da


dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor.

Completando o entendimento, o conselho de Justiça Federal17 se manifestou através do Enun-


ciado 352:

Salvo expressa concordância dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem
com a assunção da dívida; já as garantias prestadas pelo devedor primitivo somente
serão mantidas se este concordar com a assunção.

E ainda, o Enunciado 422 da V Jornada de Direito Civil18:

A expressão “garantias especiais” constante do art. 300 do CC/2002 refere-se a todas as


garantias, quaisquer delas, reais ou fidejussórias, que tenham sido prestadas voluntária
e originariamente pelo devedor primitivo ou por terceiro, vale dizer, aquelas que depende-
ram da vontade do garantidor, devedor ou terceiro para se constituírem.

Questão 9 (2008/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/EXECUÇÃO DE


MANDADOS) Nas obrigações alternativas, a escolha cabe ao credor, se outra coisa não se es-
tipulou.

17
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/421> Acesso em 26 Fev 2020.
18
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/265 Acesso em 26 Fev 2020.

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Errado.
A assertiva está ERRADA, pois o artigo 252 do Código Civil prevê:

Nas obrigações alternativas, A ESCOLHA CABE AO DEVEDOR, se outra coisa não se estipulou, trata-
-se do princípio da concentração do débito.

Questão 10 (CESPE/2009/DPE-AL/DEFENSOR PÚBLICO) A assunção de dívida transfere a


terceira pessoa os encargos obrigacionais da exata forma como estabelecidos entre o credor e
o devedor original, de modo que o silêncio daquele que prestou garantia pessoal ao pagamento
do débito importará a manutenção dessa garantia.

Errado.
A assertiva está ERRADA, pois viola o artigo 300 do Código Civil:

Salvo assentimento expresso do devedor primitivo, consideram-se extintas, a partir da assunção da


dívida, as garantias especiais por ele originariamente dadas ao credor.

Completando o entendimento, o conselho de Justiça Federal19se manifestou através do Enun-


ciado 352:

Salvo expressa concordância dos terceiros, as garantias por eles prestadas se extinguem
com a assunção da dívida; já as garantias prestadas pelo devedor primitivo somente
serão mantidas se este concordar com a assunção.

Questão 11 (CESPE/2012/TC-DF/AUDITOR DE CONTROLE EXTERNO) É possível a cessão


de um crédito sem que todos os seus acessórios estejam abrangidos pela operação.

Certo.
É possível a não aplicação do princípio da gravitação jurídica, todavia, depende de disposição
expressa, a teor do previsto no artigo 287 do Código Civil:

Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangem-se todos os seus acessórios.

19
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/421> Acesso em 26 Fev 2020.

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Questão 12 (CESPE/2013/TRT - 10ª REGIÃO/DF E TO/ANALISTA JUDICIÁRIO/EXECU-


ÇÃO DE MANDADOS) Em situações excepcionais elencadas em dispositivo do Código Civil, é
possível que o credor de uma obrigação de alimentos ceda o seu crédito a terceiro.

Errado.
Importante frisar que obrigação alimentar é personalíssima, e insuscetível de cessão, confor-
me previsto no artigo 1.707 do Código Civil:

Pode o credor não exercer, porém lhe é vedado renunciar o direito a alimentos, sendo o respectivo
crédito insuscetível de cessão, compensação ou penhora.

Por fim, o artigo 286 do mesmo diploma legal estabelece:

O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a con-
venção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de
boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

Questão 13 (CESPE/2008/MC/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/DIREITO) Suponha que em


uma obrigação alternativa, por culpa do devedor, tornou-se impossível cumprir com qualquer
das prestações e, conforme estabelecido entre as partes, o direito de escolha é do devedor.
Nesse caso, o devedor ficará obrigado a pagar o valor do bem que por último se impossibilitou,
mais as perdas e danos que o caso determinar.

Certo.
A assertiva está CORRETA, conforme a literalidade da legislação, que prevê o artigo 254 do
Código Civil:

Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor
a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas
e danos que o caso determinar.

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Questão 14 (CESPE/2005/TRT - 16ª REGIÃO MA/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICI-


ÁRIA) Considere que, em uma obrigação alternativa, não ficou estipulado a quem pertence o
direito de escolha, e todas as prestações se tornaram inexequíveis por culpa do devedor. Nessa
situação, conforme determina o direito das obrigações, o devedor terá de pagar o valor do bem
que por último se impossibilitou, e mais as perdas e os danos que o caso determinar:

Certo.
A assertiva está CORRETA, conforme determina o artigo 254 do Código Civil:

Se, por culpa do devedor, não se puder cumprir nenhuma das prestações, não competindo ao credor
a escolha, ficará aquele obrigado a pagar o valor da que por último se impossibilitou, mais as perdas
e danos que o caso determinar.

Questão 15 (CESPE/2009/IBRAM-DF/ADVOGADO) É considerado em mora o devedor que


não efetuar o pagamento e o credor que não o quiser receber no tempo, no lugar e na forma
que a lei ou a convenção estabelece.

Certo.
A assertiva está CORRETA, conforme o previsto no artigo 394 do Código Civil:

Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo
no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer.

Questão 16 (CESPE/2011/TJ-ES/COMISSÁRIO DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE/ESPECÍ-


FICOS) O crédito é um direito que pode ser cedido pelo seu titular (credor). Entretanto, a ces-
são de crédito, em regra, dependerá da anuência tanto do cessionário quanto do devedor.

Errado.
A cessão de crédito pode ocorrer, todavia dependerá do aceite do DEVEDOR, assim preconiza
o artigo 290 do Código Civil:

A cessão do crédito não tem eficácia em relação ao devedor, senão quando a este notificada;
mas por notificado se tem o devedor que, em escrito público ou particular, se declarou ciente da
cessão feita.

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Questão 17 (CESPE/2006/IPAJM/ADVOGADO) Quando as partes contratantes estipulam


uma cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, o credor pode, ao recor-
rer às vias judiciais, optar livremente entre a exigência da pena convencional e o adimplemento
da obrigação, visto que a cláusula penal se converte em alternativa em seu benefício.

Certo.
O enunciado está correto, a teor do previsto no artigo 410 do Código Civil:

Quando se estipular a cláusula penal para o caso de total inadimplemento da obrigação, esta con-
verter-se-á em alternativa a benefício do credor.

Questão 18 (CESPE/2006/CAIXA/ADVOGADO) Considere que uma cláusula que prevê a


perda total da quantia paga pelo devedor inadimplente seja inserida no contrato de compra
e venda a prestações. Nessa situação, a cláusula é corretamente denominada multa comi-
natória, inserida no contrato com a finalidade de garantir alternativamente o cumprimento da
obrigação principal.

Errado.
A cláusula inserida no contrato acima descrito refere-se a arras, prevista no artigo 417 e se-
guintes do Código Civil:

Art. 417. Se, por ocasião da conclusão do contrato, uma parte der à outra, a título de arras, dinheiro
ou outro bem móvel, deverão as arras, em caso de execução, ser restituídas ou computadas na pres-
tação devida, se do mesmo gênero da principal.
Art. 418. Se a parte que deu as arras não executar o contrato, poderá a outra tê-lo por desfeito, re-
tendo-as; se a inexecução for de quem recebeu as arras, poderá quem as deu haver o contrato por
desfeito, e exigir sua devolução mais o equivalente, com atualização monetária segundo índices
oficiais regularmente estabelecidos, juros e honorários de advogado.

A multa cominatória está atrelada ao processo, pois é fixada pelo juiz, para que o devedor seja
compelido a cumprir sua obrigação.

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Questão 19 (CESPE/2013/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO) Considere


que, em relação ao mesmo crédito, tenham ocorrido várias cessões e que os envolvidos te-
nham ingressado com ação judicial. Nessa situação, deve prevalecer a cessão que se comple-
tar com a tradição do título de crédito cedido.

Certo.
A assertiva está CORRETA a teor do artigo 291 do Código Civil:

Ocorrendo várias cessões do mesmo crédito, prevalece a que se completar com a tradição do título
do crédito cedido.

Questão 20 (CESPE/2014/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO) De acordo com o enten-


dimento do STJ, havendo cláusula de arrependimento em compromisso de compra e venda,
a devolução do sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu,
exclui indenização maior a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos
do processo.

Certo.
O enunciado refere-se ao entendimento do Superior Tribunal de Justiça20, portanto, transcreve-
-se abaixo decisão do citado Tribunal:

PROMESSA DE VENDA E COMPRA. ARRAS PENITENCIAIS. PERDAS E DANOS. ARGUIÇÃO


DE COISA JULGADA. - INEXISTE COISA JULGADA SE, NA DEMANDA PRECEDENTE, NÃO
SE EXAMINOU O “MERITUM CAUSAE”, RESTRITA QUE FICOU A DECISÃO ALI PROFERIDA
A MATERIA DE NATUREZA PROCESSUAL. - TRATANDO-SE DE ARRAS PENITENCIAIS, A
RESTITUIÇÃO EM DOBRO DO SINAL, DEVIDAMENTE CORRIGIDO, PELO PROMITENTE-
-VENDEDOR, EXCLUI INDENIZAÇÃO MAIOR A TITULO DE PERDAS E DANOS. SUM. 412-
STF E PRECEDENTES DO STJ. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO.
(STJ - REsp: 34793 SP 1993/0012573-7, Relator: Ministro BARROS MONTEIRO, Data de
Julgamento: 09/12/1997, T4 - QUARTA TURMA, Data de Publicação: DJ 30.03.1998 p. 66
RSTJ vol. 110 p. 281)

20
Disponível em: < https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/2232462/recurso-especial-resp-212937-sp-1999-0039779-7/inteiro-teor-12225368>
Acesso em 26 Fev 2020

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O Supremo Tribunal Federal21, também caminha nesse sentindo através da Súmula 412:

No compromisso de compra e venda com cláusula de arrependimento, a devolução do


sinal, por quem o deu, ou a sua restituição em dobro, por quem o recebeu, exclui indeniza-
ção maior, a título de perdas e danos, salvo os juros moratórios e os encargos do processo.

Questão 21 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue os seguintes itens, acerca do direito
das obrigações.
Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolve em perdas e danos.

Certo.
Literalidade da lei. Prevê o artigo 263 do Código Civil:

Perde a qualidade de indivisível a obrigação que se resolver em perdas e danos.

Questão 22 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
21
Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaSumula&pagina=sumula_401_500> Acesso
em 26 Fev 2020

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nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
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A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item, acerca do direito das
obrigações:
Se a prestação se converte em perdas e danos, extingue-se a solidariedade.

Errado.
A assertiva está ERRADA, a teor da previsão do artigo 271 do Código Civil:

Convertendo-se a prestação em perdas e danos, SUBSISTE, PARA TODOS OS EFEITOS, A SOLI-


DARIEDADE.

Questão 23 (CESPE/2013/DPE-DF/DEFENSOR PÚBLICO) No que se refere ao direito das


obrigações, julgue o item a seguir.
A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos cocredores ou codevedores, e con-
dicional, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro. Esse tipo de obrigação não se
presume, devendo ser sempre resultante da lei ou da vontade das partes.

Certo.
A assertiva está CORRETA, conforme previsão do artigo 266 do Código Civil:

A obrigação solidária pode ser pura e simples para um dos cocredores ou codevedores, e condicio-
nal, ou a prazo, ou pagável em lugar diferente, para o outro.

Ademais, o Enunciado 347 da IV Jornada de Direito Civil22 determina:

22
Disponível em: <https://www.cjf.jus.br/enunciados/enunciado/404> Acesso em 26 Fev 2020

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A solidariedade admite outras disposições de conteúdo particular além do rol previsto


no art. 266 do Código Civil.

O que a doutrina denomina: VARIABILIDADE DAS OBRIGAÇÕES.

Questão 24 (CESPE/2016/PGE-AM/PROCURADOR DO ESTADO) Situação hipotética: Isa-


bel firmou com Davi contrato em que se comprometia a dar-lhe coisa certa em data aprazada.
Em função da mora no recebimento, ocasionada por Davi, a coisa estragou-se, sem que Isabel
tenha concorrido para tal. Assertiva: Nesse caso, Davi poderá exigir indenização equivalente à
metade do dano suportado.

Errado.
Observe que Davi é o credor da obrigação, e deu causa a mora, neste caso a regra aplicável é
do artigo 400 do Código Civil:

A mora do credor subtrai o devedor isento de dolo à responsabilidade pela conservação da coisa,
obriga o credor a ressarcir as despesas empregadas em conservá-la, e sujeita-o a recebê-la pela es-
timação mais favorável ao devedor, se o seu valor oscilar entre o dia estabelecido para o pagamento
e o da sua efetivação.

Diante do exposto Davi não tem direito a nenhuma indenização, porque deu causa a mora.

Questão 25 (CESPE/2015/TCU/AUDITOR FEDERAL DE CONTROLE EXTERNO/CONHECI-


MENTOS GERAIS) Acerca da prescrição, da decadência, das obrigações e da responsabilida-
de civil, julgue o item que se segue.
O autor de ato ilícito que resulte em obrigações é considerado em mora a partir do momento
em que pratica o ato.

Certo.
Considerando que o enunciado se refere ao tema, de forma geral, o artigo a ser aplicado é o
398 do Código Civil, que afirma:

Nas obrigações provenientes de ato ilícito, considera-se o devedor em MORA, desde que o praticou.

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Questão 26 (CESPE/2009/SECONT-ES/AUDITOR DO ESTADO/DIREITO) Considere a se-


guinte situação hipotética.
Submetido a um contrato escrito, Jurandir, pecuarista da região do sul do Mato Grosso, deveria
restituir, no dia 11 de agosto, o touro reprodutor Mimoso, pertencente a Marculino, que tem sua
fazenda em Minas Gerais. Porém, Jurandir não devolveu o touro por puro descaso. Recente-
mente, forte e inesperada chuva causou a morte inevitável do touro. Nessa situação, não existe
amparo da imprevisibilidade ou do caso fortuito e força maior.

Certo.
Jurandir teria de devolver o touro e não o fez por descaso, ou seja, deu causa a mora, diante
deste comportamento, não lhe assiste amparo legal diante da imprevisibilidade ou do caso
fortuito e força maior.
Assim, estabelece o artigo 399 do Código Civil:

O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade


resulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar
isenção de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente de-
sempenhada.

Questão 27 (CESPE/2010/AGU/CONTADOR) Se o pagamento de uma obrigação ocorrer na


data estipulada, ainda que em lugar diverso, não se poderá considerar em mora o devedor.

Errado.
A assertiva está ERRADA, a teor do artigo 394 do Código Civil:

Considera-se em mora o devedor que não efetuar o pagamento e o credor que não quiser recebê-lo
no tempo, lugar e forma que a lei ou a convenção estabelecer.

Questão 28 (CESPE/2010/BRB/ADVOGADO) Considere que Luís e Paulo sejam devedores so-


lidários de Márcio e que Luís venha a falecer. Nesse caso, Márcio não poderá cobrar dos herdei-
ros a quota devida pelo falecido, pois a eles não pode ser imposta a solidariedade dessa dívida.

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Errado.
Márcio poderá cobrar os herdeiros de Luís nos limites da força da herança, a teor do previsto
no artigo 276 do Código Civil:

Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar
senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas
todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.

Questão 29 (CESPE/2007/AGU/PROCURADOR FEDERAL/PROVA 1) No Código Civil de


2002, no capítulo da parte geral dedicado aos bens reciprocamente considerados, introduziu-
-se a figura das pertenças, verdadeira novidade legislativa no âmbito do direito privado brasilei-
ro. A respeito dos bens reciprocamente considerados, julgue o item a seguir.
De acordo com o direito das obrigações, em regra, a obrigação de dar coisa certa abrange os
acessórios dessa coisa, ainda que não mencionados.

Certo.
A regra geral, quanto a obrigação de dar coisa certa, a aplicação do princípio da gravitação
jurídica, ou seja, o acessório segue a sorte do principal, inclusive com precisão no artigo 233
do Código Civil.

A obrigação de dar coisa certa abrange os acessórios dela embora não mencionados, salvo se o
contrário resultar do título ou das circunstâncias do caso.

Questão 30 (CESPE/2012/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE AVIAÇÃO CIVIL/


ÁREA 5) Ainda com base no Código Civil, julgue o item seguinte, referente ao direito das obri-
gações.
Se, por culpa de um dos devedores solidários, a prestação tornar-se impossível de cumprimen-
to, todos devem responder por perdas e danos perante o credor.

Errado.
A assertiva está ERRADA, por disposição do artigo 279 do Código Civil, que diz:

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Impossibilitando-se a prestação por culpa de um dos devedores solidários, subsiste para todos o
encargo de pagar o equivalente; mas pelas perdas e danos só responde o culpado.

Questão 31 (CESPE/2012/ANAC/ESPECIALISTA EM REGULAÇÃO DE AVIAÇÃO CIVIL/


ÁREA 5) Ainda com base no Código Civil, julgue o item seguinte, referente ao direito das obri-
gações.
Considere que um artista tenha se comprometido a fazer uma escultura para uma pessoa por
determinado valor, que seria pago no momento da entrega, mas que a realização da escultura
tenha se tornado impossível em razão das condições climáticas de sua região, e não por culpa
do artista. Nessa situação, estará resolvida a obrigação, sem a necessidade de imposição de
reparação de perdas e danos.

Certo.
A assertiva está correta a teor do artigo 393 do Código Civil:

O DEVEDOR NÃO RESPONDE PELOS PREJUÍZOS RESULTANTES DE CASO FORTUITO OU FORÇA


MAIOR, se expressamente não se houver por eles responsabilizado.

E de forma específica quanto a obrigação de fazer, ainda cabe o artigo 248 do mesmo diploma:

Se a prestação do fato tornar-se impossível sem culpa do devedor, resolver-se-á a obrigação; se


por culpa dele, responderá por perdas e danos.

Questão 32 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CON-


SULTOR LEGISLATIVO ÁREA III) Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela
solvência do devedor, mas a lei confere a este a possibilidade de opor ao cessionário as exce-
ções que lhe competirem, bem como as que tiver contra o cedente no momento em que vier a
ter conhecimento da cessão.

Certo.
A assertiva está CORRETA, a teor da soma dos artigos 296 e 294 do Código Civil, que afirmam:
Art. 296, CC:

Salvo estipulação em contrário, o cedente não responde pela solvência do devedor.

Art. 294, CC:

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O devedor pode opor ao cessionário as exceções que lhe competirem, bem como as que, no mo-
mento em que veio a ter conhecimento da cessão, tinha contra o cedente.

Questão 33 (CESPE/2010/AGU/AGENTE ADMINISTRATIVO) Quando os juros moratórios


não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de determi-
nação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do pagamento de
impostos devidos à fazenda nacional.

Certo.
A assertiva está CORRETA, literalidade do artigo 406 do Código Civil:

Quando os juros moratórios não forem convencionados, ou o forem sem taxa estipulada, ou quando
provierem de determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em vigor para a mora do
pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional.

Questão 34 (CESPE/2014/CÂMARA DOS DEPUTADOS/ANALISTA LEGISLATIVO/CON-


SULTOR LEGISLATIVO ÁREA V) A fonte das obrigações é o fato jurídico, uma vez que o fato
jurídico lato sensu é o elemento que dá origem aos direitos subjetivos, entre eles os obriga-
cionais, impulsionando a criação da relação jurídica e concretizando as normas de direito. A
obrigação encontra sua gênese na ordem jurídica, pois temos como fonte das relações obri-
gacionais a lei - fonte imediata - e a vontade humana - fonte mediata. O fato jurídico poder ser
natural ou humano, voluntário ou involuntário, unilateral ou bilateral/ plurilateral.
Maria Helena Diniz. Teoria das obrigações contratuais e extracontratuais. In: Curso de direito civil brasileiro, v.3.
23.ª ed, São Paulo: Saraiva, 2007, p. 3 (com adaptações).

No que se refere às disposições gerais dos contratos e às ideias explanadas no texto acima,
julgue o item a seguir.
São fontes mediatas das obrigações em geral os contratos, as declarações unilaterais de von-
tade e os atos ilícitos.

Certo.
A assertiva está correta.
A fonte imediata é a lei.
E as fontes mediatas: os contratos, as declarações unilaterais de vontade e os atos ilícitos.

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Questão 35 (CESPE/2014/PGE-BA/PROCURADOR DO ESTADO) Em regra, as obrigações


pecuniárias somente podem ser quitadas em moeda nacional e pelo seu valor nominal.

Certo.
A assertiva está correta a teor do artigo 315 do Código Civil:

As dívidas em dinheiro deverão ser pagas no vencimento, em moeda corrente e pelo valor nominal,
salvo o disposto nos artigos subsequentes.

Tal artigo se refere ao princípio do nominalismo.

Questão 36 (CESPE/2010/PGM – RR/PROCURADOR MUNICIPAL) Aroldo, pessoa afortu-


nada, resolveu assumir uma dívida que seu cunhado, Batista, possuía junto a Carlos, sem que
este tivesse anuído à assunção da dívida. Nessa situação, Batista será exonerado da obriga-
ção e Carlos somente poderá exigir de Aroldo o cumprimento da obrigação.

Errado.
A assertiva está ERRADA, pois o artigo 299 do Código Civil determina:

É facultado a terceiro assumir a obrigação do devedor, com o consentimento expresso do credor,


ficando exonerado o devedor primitivo, salvo se aquele, ao tempo da assunção, era insolvente e o
credor o ignorava.

E o enunciado fala que Carlos, o credor, não anuiu a assunção da dívida, por isso está ERRADA.

Questão 37 (CESPE/2009/TCE-RN/ASSESSOR TÉCNICO JURÍDICO) Configura supressio o


pagamento reiteradamente feito em local diferente daquele previsto no contrato.

Certo.
Importante lembrar que a supressio deriva do princípio da boa-fé objetiva e significa supressão
de determinadas relações jurídicas por decurso do tempo, face o comportamento da parte.
Nesse sentido o artigo 330, do Código Civil determina:

O pagamento reiteradamente feito em outro local faz presumir renúncia do credor relativamente ao
previsto no contrato.

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Questão 38 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue os seguintes itens, acerca do direito
das obrigações.
O fiador que paga a dívida em seu próprio nome não se sub-roga nos direitos do credor.

Errado.
A assertiva está ERRADA, pois viola o disposto no artigo 831 do Código Civil:

O fiador que pagar integralmente a dívida fica sub-rogado nos direitos do credor; mas só poderá
demandar a cada um dos outros fiadores pela respectiva quota.

Questão 39 (2008/TJ-DFT/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA/EXECUÇÃO DE


MANDADOS) Quanto às obrigações, julgue os itens a seguir.
Pagamento ou quitação é ato que compete exclusivamente ao devedor.

Errado.
A assertiva está ERRADA, vez que o artigo 304 do Código Civil prevê: Qualquer interessado
na extinção da dívida pode pagá-la, usando, se o credor se opuser, dos meios conducentes à
exoneração do devedor.

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Parágrafo único. Igual direito cabe ao terceiro não interessado, se o fizer em nome e à conta do
devedor, salvo oposição deste.

Portanto, o pagamento é ato de competência exclusiva do devedor.

Questão 40 (CESPE/2006/IPAJM/ADVOGADO) Sendo a compensação uma das formas de


extinção das obrigações de fazer e de dar, e, portanto, norma cogente, as partes não podem
acordar a sua exclusão nem podem a ela renunciar.

Errado.
A assertiva está ERRADA, sobre a compensação reside o princípio da autonomia da vontade
das partes. Deste modo, é aplicável o artigo 375 do Código Civil:

Não haverá compensação quando as partes, por mútuo acordo, a excluírem, ou no caso de renúncia
prévia de uma delas.

Questão 41 (CESPE/2008/INSS/ANALISTA DO SEGURO SOCIAL/DIREITO) O regime eco-


nômico se estrutura mediante as relações obrigacionais; assim, por meio do direito das obriga-
ções, se estabelece também a autonomia da vontade entre os particulares na esfera patrimo-
nial. Pode-se afirmar que o direito das obrigações exerce grande influência na vida econômica,
em razão da inegável constância das relações jurídicas obrigacionais no mundo contemporâ-
neo; ele intervém na vida econômica, nas relações de consumo sob diversas modalidades e,
também, na distribuição dos bens. O direito das obrigações é, pois, um ramo do direito civil que
tem por fim contrapesar as relações entre credores e devedores. Consiste em um complexo de
normas que regem relações jurídicas de ordem patrimonial e que têm por objeto prestações
(dar, restituir, fazer e não fazer) cumpridas por um sujeito em proveito de outro.
Bruna Lyra Duque. Análise histórica do direito das obrigações.
In: Jus Navigandi. Internet: (com adaptações).

A partir das ideias apresentadas no texto acima, julgue o seguinte item acerca do direito das
obrigações:
Se o devedor age de boa-fé e amparado pela escusabilidade do erro, considera-se válido o pa-
gamento feito por ele ao credor putativo.

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Certo.

A assertiva está CORRETA. É derivada do princípio da boa-fé objetiva. Neste sentido o artigo

309 do Código Civil prevê:

O pagamento feito de boa-fé ao credor putativo é válido, ainda provado depois que não era credor.

Questão 42 (CESPE/2007/BANCO DA AMAZÔNIA/ADVOGADO) Tratando-se de obriga-


ções alternativas, o devedor somente se libera prestando a coisa devida, pois o objeto, embora
inicialmente plúrimo e indeterminado, após a escolha, é individualizado e certo, não se poden-
do obrigar o credor a receber coisa diversa.

Certo.
A assertiva está CORRETA, pois o artigo 313 do Código Civil determina:

O CREDOR NÃO É OBRIGADO A RECEBER PRESTAÇÃO DIVERSA DA QUE LHE É DEVIDA, ainda que
mais valiosa.

Questão 43 (CESPE/2008/MC/TÉCNICO DE NÍVEL SUPERIOR/DIREITO) Não há mora sol-

vendi se não houver fato ou omissão imputável ao devedor, mas o devedor em mora responde

pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade resulte de caso fortuito, ou de

força maior, se estes ocorrerem durante o atraso. Isso só não ocorre se for provada isenção de

culpa, ou que o dano sobrevenha ainda quando a obrigação for oportunamente desempenhada.

Certo.

A assertiva está CORRETA a teor do artigo 399 do Código Civil:

O devedor em mora responde pela impossibilidade da prestação, embora essa impossibilidade re-
sulte de caso fortuito ou de força maior, se estes ocorrerem durante o atraso; salvo se provar isenção
de culpa, ou que o dano sobreviria ainda quando a obrigação fosse oportunamente desempenhada.

Questão 44 (CESPE/2013/DPE-DF/DEFENSOR PÚBLICO) No que se refere ao direito das


obrigações, julgue os itens a seguir.

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Se o devedor que assumiu obrigação de abster-se da prática de determinado ato vier a praticá-
-lo, o credor poderá exigir que ele o desfaça, sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo
o culpado perdas e danos. No entanto, extingue-se a obrigação de não fazer, desde que, sem
culpa do devedor, se lhe torne impossível abster-se do ato que se obrigou a não praticar.

Certo.
A assertiva está CORRETA A luz do artigo 251 do Código Civil que determina:

Praticado pelo devedor o ato, cuja abstenção se obrigara, o credor pode exigir dele que o desfaça,
sob pena de se desfazer à sua custa, ressarcindo o culpado, perdas e danos.

Questão 45 (CESPE/2013/TRF - 1ª REGIÃO/JUIZ FEDERAL) Suponha que um fazendeiro,


mediante contrato escrito, tenha doado 10% da safra produzida em sua fazenda para uma insti-
tuição de caridade que, posteriormente, havia transferido essa vantagem para terceira pessoa.
Nessa situação, o segundo negócio se configura como
a) novação.
b) sub-rogação legal.
c) subcontrato.
d) cessão de contrato.
e) cessão de crédito.

Letra e.
A cessão de crédito é modalidade de transmissão de obrigações.
Prevê o artigo 286 do Código Civil:

O credor pode ceder o seu crédito, se a isso não se opuser a natureza da obrigação, a lei, ou a con-
venção com o devedor; a cláusula proibitiva da cessão não poderá ser oposta ao cessionário de
boa-fé, se não constar do instrumento da obrigação.

Razão pela qual a assertiva E está correta.


a) Errado. A novação refere-se a conduta do devedor contrair nova dívida para extinguir e subs-
tituir a anterior. (arts. 360 a 367, cc).
b) Errado. A sub-rogação no direito das obrigações é instrumento utilizado para efetuar pa-
gamento e um dívida, substituindo o sujeito da obrigação, portanto não é o caso narrado no
enunciado.

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c) Errado. Subcontrato vem da ideia de terceirizar, em razão da mão de obra específica, o que
não está conforme o enunciado da questão.
d) Errado. A cessão de contrato o cedente transfere a sua própria posição contratual a um ter-
ceiro, que é o cessionário, que o substituirá na relação jurídica originária.

Questão 46 (CESPE/2014/TJ-CE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁRIA) Rebeca,


obrigada por três débitos da mesma natureza a Joana, pretende indicar a qual deles oferecerá
pagamento, já que todos os débitos são líquidos e vencidos.
Nessa situação hipotética, Rebeca deverá valer-se da
a) imputação do pagamento.
b) dação em pagamento.
c) compensação.
d) sub-rogação legal.
e) sub-rogação convencional.

Letra a.
A assertiva A está CORRETA, pois a imputação do pagamento está disposta no artigo 352 do
Código Civil:

A pessoa obrigada por dois ou mais débitos da mesma natureza, a um só credor, tem o direito de
indicar a qual deles oferece pagamento, se todos forem líquidos e vencidos.

Questão 47 (CESPE/2013/TRT - 8ª REGIÃO/PA E AP/ANALISTA JUDICIÁRIO/OFICIAL DE


JUSTIÇA AVALIADOR) Considere que determinada pessoa tenha reunido as qualidades opos-
tas de credor e devedor da obrigação, tendo, com isso, desaparecido a pluralidade de situações
jurídicas referentes à dívida. Essa situação configura a modalidade de pagamento denominada
a) remissão.
b) assunção de dívida.
c) sub-rogação.

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d) compensação.
e) confusão.

Letra e.
O enunciado refere-se à hipótese de confusão, previsto no artigo 381 do Código Civil:

Extingue-se a obrigação, desde que na mesma pessoa se confundam as qualidades de credor e


devedor.

Ninguém pode ser devedor e credor de si mesmo, assim quando a pessoa reúne as qualidades
de credor e devedor, ou seja, uma única pessoa relativamente à mesma relação jurídica, que é
hipótese de confusão.

Questão 48 (CESPE/2013/MPE-RO/PROMOTOR DE JUSTIÇA) João assinou nota promissó-


ria em garantia a empréstimo tomado de Carlos, no valor de R$ 5.000,00. Não tendo conseguido
pagar a dívida no prazo acordado, João solicitou a sua irmã, Cláudia, que assinasse nova nota
promissória, comprometendo-se a realizar o pagamento do débito em sessenta dias. Carlos
concordou com o negócio e o título assinado por João foi inutilizado. Nessa situação, houve:
a) assunção de dívida.
b) cessão de crédito.
c) novação
d) imputação do pagamento.
e) pagamento com sub-rogação

Letra c.
O enunciado narra hipótese de NOVAÇÃO, conforme o teor do artigo 360 do Código Civil:

Art. 360. Dá-se a novação:


[...]
II – quando novo devedor sucede ao antigo, ficando este quite com o credor;

Diante deste artigo as demais assertivas naturalmente estão ERRADAS.

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Questão 49 (CESPE/2012/TJ-PA – JUIZ) Quatro pessoas contraíram um empréstimo de R$


100.000,00, tendo ficado estipulada, no contrato, a solidariedade entre elas quanto ao paga-
mento do débito. Contudo, a obrigação contratual não foi cumprida.
A respeito dessa situação, assinale a opção correta.
a) Aceitando o credor o recebimento parcial da dívida, presume- se a renúncia da solidariedade,
mas não do restante da dívida.
b) Se o devedor solidário demandado chamar os outros ao processo, na sentença deverá ser
fixado o valor a ser pago ao credor por cada um.
c) A lei admite que o credor exija de um ou de mais de um devedor solidário o pagamento par-
cial ou total da dívida comum.
d) Caso um dos devedores faleça, qualquer herdeiro poderá ser acionado pelo credor, ficando,
então, suscetível de responder por um quarto da dívida, nas forças da herança, após a partilha.
e) Aquele que solver a dívida poderá cobrar R$ 75.000,00 de apenas um dos outros três, se os
demais devedores forem insolventes.

Letra c.
A assertiva C está CORRETA, conforme o artigo 275 do Código Civil:

O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a
dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais devedores continuam obrigados
solidariamente pelo resto.

a) Errado. A previsão do artigo 275 do Código Civil, de forma diferente:

O credor tem direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou totalmente, a
dívida comum; SE O PAGAMENTO TIVER SIDO PARCIAL, TODOS OS DEMAIS DEVEDORES CONTI-
NUAM OBRIGADOS SOLIDARIAMENTE PELO RESTO.

b) Errado. Se houver o chamamento ao processo, o devedor mantém-se obrigado a saldar o


débito diante do credor.
d) Errado. Diante do princípio da droit de saisine e também conforme o artigo 276 do Có-
digo Civil:

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Se um dos devedores solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar
senão a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível; mas
todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em relação aos demais devedores.

e) Errado. O artigo 283 do Código Civil preconiza:

O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem direito a exigir de cada um dos codevedores a sua
quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente, se o houver, presumindo-se iguais, no
débito, as partes de todos os codevedores.

Questão 50 (CESPE/2017/TRT - 7ª REGIÃO CE/ANALISTA JUDICIÁRIO/ÁREA JUDICIÁ-


RIA) Maria, credora de Pedro no valor de R$ 50 mil, aceitou no vencimento da dívida, para
adimplir a obrigação, um veículo de igual valor oferecido por Pedro. A dívida foi, então, quitada.
Nessa situação hipotética, de acordo com disposições do Código Civil, o adimplemento se deu por
a) compensação.
b) pagamento em consignação.
c) dação em pagamento.
d) imputação do pagamento.

Letra c.
Note que conforme o narrado, Maria (credora) aceitou um veículo no valor da dívida ($).
O Capítulo V do Código Civil estabelece regras sobre a dação em pagamento, desse modo o
artigo 356 determina:

O credor pode consentir em receber prestação diversa da que lhe é devida.

Fabiana Borges
Graduada e pós-graduada pela Universidade de Franca. Advogada. Professora de cursinhos. Professora do
curso de Direito e supervisora de Atividade Complementar do Centro Universitário do Planalto. Professora
do curso de Direito do UniCEUB.

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