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CONVERSÃO E CONSERVAÇÃO DE

ENERGIA
MARCIO BELLONI
,

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO À CONVERSÃO E CONSERVAÇÃO DE ENERGIA .................. 3


2 TRANSFORMADORES ELÉTRICOS ........................................................... 40
3 PRINCÍPIOS DE CONVERSÃO ELETROMECÂNICA DE ENERGIA ................ 57
4. Geradores e Motores síncronos ........................................................... 73
5 GERADORES E MOTORES ASSÍNCRONOS ............................................... 88
6 GERADORES E MOTORES CC ................................................................ 104

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1 INTRODUÇÃO À CONVERSÃO E CONSERVAÇÃO DE ENERGIA


Apresentação

Neste bloco, vamos verificar as fontes de energia na conservação de energia elétrica.


Veremos como se utiliza a energia hidráulica, térmica, e os mais recentes avanços em
energia renovável. Também analisaremos preliminarmente os instrumentos de
conversão de energia como transdutores e como utilizá-los para o nosso benefício.

1.1 Fontes de energia na conversão de energia elétrica

Energia hidráulica

A matriz energética brasileira se baseia na geração via energia hidráulica. As


hidrelétricas buscam converter energia hidráulica em elétrica, baseando-se na
diferença de energia potencial e cinética existente na coluna d’água.

Figura 1.1 - Produção de Energia em uma Hidroelétrica

Fonte: Elaborado pelo autor

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Desta forma, em um nível mais alto, o reservatório de água promove energia


potencial. À medida que a água desce pela coluna d’água, essa energia potencial será
convertida em energia cinética, promovendo a movimentação das pás da turbina. A
energia elétrica gerada dependerá então da altura da coluna d’água (não importa a sua
inclinação, mas a sua diferença em relação ao nível da turbina) e do rendimento do
conjunto turbina-gerador. Assim tem-se a fórmula:

𝑷 = 𝝆. 𝒈. 𝑯. 𝑽. 𝜼
Onde:

P = Potência [W]

ρ = Densidade do fluido [para a água 1000 kg/m3]

g = Gravidade [≈9,81 m/s²]

h = Altura da coluna d’água [m]

V = Vazão [m³/s]

η = Rendimento percentual do conjunto turbina-gerador.

Figura 1.2 – Usina Hidrelétrica de Itaipú

Fonte: ANGELOLEITHOLD, 2005.

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Figura 1.3 – Pequena central hidrelétrica PCH – Palmeiras no Rio Sapucai 16000 kW –
1 turbina

Fonte: ESPARZ, 2011.

Neste cenário, o Brasil se encontra entre os primeiros quando se fala de energia


renovável. Experimentamos uma posição vantajosa juntamente com a China, graças às
nossas hidrelétricas. Entretanto, após as constantes estiagens que se verificaram no
sudeste do país, está sendo colocada em prova a matriz energética, demonstrando o
quão frágil é o sistema pouco diversificado, basicamente formado pelas hidrelétricas
que dependem da vazão dos rios.

Térmica (nuclear, carvão e óleo diesel)

Usinas térmicas utilizam da quantidade de energia térmica presente em reações físico-


químicas para gerar energia elétrica.

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Uma das maiores fontes de poluição é a geração de eletricidade por meio de


combustíveis fósseis. Esta realidade é bastante distante do Brasil e suas hidrelétricas.
Muitos países possuem sua matriz energética baseada em termelétricas à carvão, e
muitos no mundo todo utilizam-se dos geradores à diesel. Com o crescimento
populacional, e o aumento exponencial na demanda por energia elétrica, as fontes
renováveis de energia são a saída mais viável. Então verificamos ainda, a situação de
crise que o país passa, juntamente com o resto do mundo, o que dificulta o incremento
da matriz energética nacional com geradores próximos dos consumidores finais. Criar
pequenos núcleos de geração distribuída seria viável, mas o investimento é deveras
volumoso, e segue na contramão da economia nacional.

Tabela 1.1 - Gráfico de Geração de Energia Elétrica a partir do carvão em 2006

Fonte: ANEEL, 2008.

Neste sentido, ainda é muito utilizada a geração de energia por carvão e diesel, sendo
o diesel empregado em menor escala. As usinas termoelétricas à carvão estão ainda
muito presentes em países do oriente como a China, mas vem tendo uma diminuição
escalar devido ao apelo ecológico e diversos protocolos internacionais de diminuição
de emissão de CO2 na atmosfera.

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Um meio muito eficaz de geração de energia elétrica é a utilização de reações


nucleares. Na usina nuclear, fissão de átomos muito pesados causam a emissão de
nêutrons de alta energia que aquecem o fluído à que tem contato.

Figura 1.4 - Esquema simplificado de uma usina nuclear

Fonte: TOMINAGA; MELQUIADES; CERCONI, 2013.

As usinas nucleares podem ser divididas em duas partes. Uma que é a parte onde
ocorre a reação nuclear propriamente dita e outra que é uma usina termoelétrica
convencional, onde o vapor gerado é secado e enviado às turbinas. Usualmente,
utiliza-se dois circuitos de transporte do calor. Um que está em contato com o núcleo
do reator e outro que recebe o calor gerador no trocador de calor. Assim, cria-se um
sistema mais seguro, onde o fluído que vai para as turbinas não é o mesmo que passa
pelo núcleo radioativo do reator.

No núcleo, ocorrem reações nucleares de fissão, onde átomos mais pesados se


dividem para formar átomos mais levem. O produto desta fissão é formado por
nêutrons de alta energia e radiação gama e beta, além de dois elementos novos.

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Figura 1.5 - Fissão do Urânio formando Bário e Criptônio além de 3 nêutrons de alta
energia

Fonte: MIKERUN, 2017.

Usinas nucleares demonstraram seus riscos em acidentes que ocorreram em vários


momentos da história. Podemos citar como exemplo o caso de Chernobyl (RMBK1000)
(SOUZA, 2014). Também é possível mencionar o incidente de Fukushima que ocorreu
devido a problemas elétricos enfrentados por conta de um terremoto e um tsunami
(SOUZA, 2014).

Apesar disso, recentes pesquisas formaram conceitos de segurança inovadores. As


usinas nucleares de 4ª geração apostam em uma segurança muito maior, inclusive em
Inteligência Artificial, onde a mesa de controle é operada, em caso de acidente, pelo
computador que possui muito mais condições de analisar todas as variáveis. Ainda,
avanços em engenharia de materiais trouxeram novas soluções como fluído
refrigerante, transporte de energia e o uso de sódio para o circuito primário.

Fontes alternativas

Atualmente, com a escassez dos combustíveis fósseis, poluição gerada pelas usinas, e
as alterações climáticas provocadas pela queima indiscriminada desses combustíveis,
procura-se uma saída para uma eletricidade limpa e fontes renováveis de energia.
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Embora, nos últimos anos, tenham ocorridos apelos para a utilização da energia
renovável, o petróleo e o carvão foram as fontes mais utilizadas na geração de energia
elétrica. O carvão é hoje, o responsável pela produção de energia em vários países,
como o caso dos EUA e China que produzem a maior parte da energia elétrica utilizada
no mundo. Trata-se de quase metade da produção mundial.

Vivemos uma crise generalizada de combustíveis fósseis. Além disto, alterações no


clima mundial foram verificadas pelo efeito estufa. Desde os anos 70, estamos na
berlinda para a total escassez de petróleo. A crise do petróleo em 1970 forçou o
governo brasileiro a apostar em fontes alternativas de combustível, o programa do
álcool. Além disto, diversos engenheiros e inventores pelo mundo criaram suas opções
ao petróleo como o motor à óleo vegetal de Diesel ou o motor à hidrogênio de Meyer.
Porém, o Brasil prefere apostar no petróleo escasso ao inovador e abundante
programa do álcool.

Porém as queimadas geradas na plantação de cana-de-açúcar retiram desta potencial


fonte energética o caráter de melhor relação custo-benefício-renovabilidade, embora
seja bem mais limpa que o petróleo.

Cogita-se a construção de usinas hidrelétricas de fio d’água, que são usinas menores e
sem reservatório, mas as mesmas ficam a mercê das chuvas, e o clima já deu provas
mais que suficientes de sua instabilidade, e a tendência é piorar. Alguns países já se
conscientizam há décadas, aplicando a geração solar à sua matriz energética, como é o
caso da Alemanha. De 1990 a 2013, o país partiu do zero para uma capacidade de 35,9
milhões de quilowatts instalados. Durante o ano de 2013, foram instalados 3.305
quilowatts em geradores solares conectados à rede.

O governo já mantinha as usinas térmicas ligadas ininterruptamente em 2016,


poluindo o ar e causando toda sorte de efeitos nocivos, piorando ainda mais o clima e
a instabilidade das chuvas. Buscando uma saída com esforço conjunto entre os países,
foi assinado um protocolo internacional, o protocolo de Quioto que iniciou o Programa
Brasileiro de Mudanças Climáticas e, com isto, busca-se mudanças no modo como
tratamos as energias, como tratamos o clima e, principalmente, quais as medidas
efetivadas para diminuir a poluição. No artigo 2 do protocolo, podemos verificar as
medidas recomendadas para a diminuição da poluição.

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“Cada Parte incluída no Anexo I, ao cumprir seus compromissos


quantificados de limitação e redução de emissões assumidos sob o Artigo 3,
a fim de promover o desenvolvimento sustentável, deve:

(a) Implementar e/ou aprimorar políticas e medidas de acordo com suas


circunstâncias nacionais, tais como:

(i) O aumento da eficiência energética em setores relevantes da


economia nacional;

(...);

(ii) A pesquisa, a promoção, o desenvolvimento e o aumento do uso de


formas novas e renováveis de energia, de tecnologias de sequestro de
dióxido de carbono e de tecnologias ambientalmente seguras, que sejam
avançadas e inovadoras“ (G.N.) (Convenção Quadro das Nações Unidas
sobre Mudança do Clima) 1997. Protocolo de Quioto e legislação correlata
(Senado Federal: Subsecretaria de Edições Técnicas. Brasília, 2004. pág. 18).

Geradores que utilizam energia renovável são a melhor opção para a solução do
problema da poluição e escassez de matéria prima. Com quase nenhuma degradação
ao meio ambiente, estes geradores são o que há de mais moderno em termos de
geração de energia elétrica, principalmente nas versões de geração descentralizadas.
Gerar energia elétrica próximo do consumidor final evita a necessidade de grandes
faixas de tensão e corrente, frequentes alterações pelos transformadores e a
resistência dos materiais condutores, onde, quanto mais quilômetros a percorrer nos
fios, mais eletricidade é perdida. Inclusive, podemos enumerar o fator temperatura
que aumenta a resistividade dos materiais.

Eólica

A energia dos ventos é aliada da humanidade há muitos séculos. Das caravelas aos
geradores eólicos, usamos a energia dos ventos em prol da humanidade, onde o que
se aproveita é a energia cinética criada pelo deslocamento de massas de ar
proporcionados por diferenças de pressão e temperatura.

𝟏 𝟏
𝜺𝒄 = 𝒎𝒗² = 𝝆𝑽𝒗²
𝟐 𝟐

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Onde:

𝜺𝒄 = Energia cinética

𝒎 = massa

𝒗= velocidade

𝝆= massa específica

𝑽 = volume

Considerando uma área circular, a potência fornecida às pás do aerogerador será:

𝟏
𝑷= 𝝆𝝅𝑫²𝒗³
𝟖
Onde:

𝑷 = Potência

𝝆 = massa específica

𝑫 = diâmetro

𝒗 = velocidade

A potência efetiva considera o valor da eficiência do aerogerador, pois uma parte da


energia cinética do vento é transferida para as pás, o restante continua com o vento
em momentum, e ainda se considera as perdas por atrito com o ar. Pode-se considerar
essa eficiência como sendo o produto da eficiência de Betz (0,592), a eficiência
aerodinâmica (0,5) eficiência mecânica (0,8) e a eficiência do gerador (0,9),
culminando em 0,21312.

𝑷𝒆 = 𝑷. 𝜼

Onde:

𝜼 = eficiência do aerogerador

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Figura 1.6 – Parque eólico

Fonte: MFUENTE, S.D.

Solar (fotovoltaica)

A energia captada pelas placas solares advém do sol, que é, por excelência, um
gerador de fusão nuclear. As ondas eletromagnéticas que chegam à superfície do
planeta, vencendo os obstáculos como a atmosfera e o campo magnético do planeta,
são reconhecidas como irradiância solar. A irradiância solar é importante para o
dimensionamento do gerador solar, para que ele possa suprir satisfatoriamente a
carga sem desperdícios. O conjunto de placas solares deve ser dimensionado segundo
a potência necessária para a utilização confortável dos equipamentos da casa.

Figura 1.7 - Irradiação global anual

Fonte: ALMEIDA, 2012.

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Verifica-se, por meio do quadro da figura 1.4, que a região onde se localiza o Brasil é a
mais vantajosa em termos de irradiância solar de todo o globo terrestre. Para se falar
em um sistema totalmente renovável, este gerador solar deve ser acessível, não-
poluente e simples, uma vez que são requisitos para que o sistema seja difundido
entre as pessoas, e que a eficácia da norma 482/12 da ANEEL seja plena.

Uma das grandes vantagens da conexão do gerador fotovoltaico à rede de distribuição


é de fator econômico. O sistema se torna simples e abre mão de alguns equipamentos,
sendo um deles, o controlador de carga, também denominado como gerenciador de
carga, regulador de carga ou regulador de tensão.

Tal equipamento serve para proteger o banco de baterias contra cargas e descargas
excessivas, aumentando a vida útil do banco de baterias. Mas no sistema proposto
pela NR 482/12 da ANEEL, com a conexão do gerador na rede de distribuição, fica
totalmente dispensável o controlador de carga para os acumuladores. Não significa
que um inversor não deva ser protegido por um controlador de carga na sua entrada,
mas é que a maioria dos novos modelos já possuem um sistema de proteção. Outro
fator de extrema importância é dispensar o próprio banco de baterias (BELLONI,
CONTI, & TOMIATO, 2017).

Um problema que gera dificuldades ao gerador solar é a temperatura. Por estarmos


localizados em uma das regiões mais quentes do planeta, onde pode-se chegar a
temperaturas maiores que 40ºC, a geração centralizada se mostra ineficaz.

Efeito Fotoelétrico

Denominam-se células solares os materiais que, por meio do efeito fotovoltaico,


possuem a capacidade de conversão direta da luz em eletricidade. Segundo Marcelo
Pinho Almeida, o gerador fotovoltáico é “um conversor estático que transforma luz em
eletricidade. Fisicamente corresponde a uma variedade de dispositivos capazes de
realizar esta conversão ” (ALMEIDA, 2012).

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São diversos os meios de se conseguir o efeito fotovoltaico. Pode-se utilizar materiais


semicondutores, ou ainda, fomentar reações elétricas que, com o auxílio da irradiação
solar, leva à diferença de potencial gerando corrente elétrica. Para ilustrar o gerador
solar, focar-se-á mais nas células fotoelétricas para explicar o efeito fotoelétrico.

Existe uma série de células solares com o intuito de geração de eletricidade e, dentre
elas, podemos elencar as feitas com silício (Monocristalino, Policristalino, Amorfo,
Nanocristalino e filmes finos transferidos), Células Sensibilizadas Por Corantes (DSSC),
Arsenieto de Gálio (GaAs), Calcogênios Compostos (CIGS e CdTe) e a diversidade de
Multijunções (InGa/GaAsInGaAs) e (a-Si/nc-Si/nc-Si).

O que se observa em semicondutores denominados puros, não garante por si só o


fenômeno fotoelétrico, havendo a necessidade de criar uma junção pn. Assim, são
acrescentados aos átomos de silício, átomos de fósforo e boro em um processo
conhecido como dopagem do silício. A escolha do silício deu-se por ser um material
abundante na natureza, além de já existir vasto conhecimento tecnológico sobre este
material e da matéria-prima que lhe dá origem. Isto, de certa forma, barateia o custo
para a construção das células em larga escala.

Quando o silício está em um arranjo denominado cristal de silício, ele, por natureza, é
um isolante, um semicondutor intrínseco. Ou seja, sua camada de valência se encontra
totalmente completa, estável, e assim, ele não conduzirá elétrons. O silício possui 14
elétrons e, na sua camada de valência, possui 4 elétrons. Quando se unem em formato
de cristal, que inclusive se assemelha ao diamante, cria-se, por meio de ligações
covalentes, uma estrutura forte com 8 elétrons na camada de valência. Daí fazer-se a
dopagem do silício. Para que exista a junção np, ou seja, para que um semicondutor
tenha características de cátion e ânion, átomos de outros elementos, denominados
impurezas, devem ser adicionados em meio aos átomos de silício, utiliza-se
geralmente, como foi dito, o fósforo e o bromo.

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Figura 1.8 – Cristal de silício puro

Ao adicionar átomos de fósforo, que possuem 15 elétrons, teremos na camada de


valência 5 elétrons, ao contrário dos 4 do silício. Contudo, a estrutura possui agora um
elétron à mais, livre, pois necessita de apenas 4 elétrons para se estabilizar. Deste
modo, teremos uma junção negativa, ou um ânion.

Figura 1.9 - Silício (Si) dopado com Fósforo (P) criando ânions

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Figura 1.10 - Silício (Si) dopado com Boro (B) criando cátions

Adicionando como impureza elementos com elétrons na camada de valência, como o


Boro (B), teremos um cátion, uma junção tipo negativa (n) e, por consequência, uma
situação onde haverá o gap entre a banda de valência. Esta junção é realmente a união
entre os dois materiais manipulados. Isto cria uma junção positiva-negativa,
possibilitando assim a diferença de potencial e, por consequência, a corrente elétrica.
Quando uma junção pn é exposta à luz, fótons incidem neste material. Contudo, esse
material deve ter o gap de tal maneira que a energia do fóton inserido seja maior que
o gap. REIS trata da junção pn explicando o seguinte:

“... quando uma junção pn fica exposta a fótons com energia maior que o gap
existente entre a banda de valência e condução, ocorre a geração de pares
elétron-lacuna; se isto acontecer na região onde o campo elétrico é diferente
de zero, as cargas são aceleradas, gerando, assim, uma corrente através da
junção; esse deslocamento de carga dá origem a uma diferença de potencial,
chamada efeito fotovoltaico” (REIS, 2010).

Na célula solar obtida, adiciona-se contatos de condutores que captam os elétrons


gerados e, por conta da força eletromotriz, cria-se a corrente elétrica nos terminais.
Cogita-se a otimização desta captação dos elétrons livres para aumentar a eficácia das
células fotovoltaicas. O silício dopado é a maneira mais usual de se criar uma célula
fotoelétrica, nas suas formas monocristalino, policristalino ou amorfo. Além do silício,
pesquisas têm sido feitas para a utilização de outros materiais com relativa eficiência,
como o caso do Sulfeto de Cádmio, Arseneto de Gálio e o mais recente material, o
Grafeno onde estudos liderados por Frank Koppens tem mostrado grande evolução.

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Geotérmica

O planeta Terra possui aquecimento do seu núcleo, segundo alguns teóricos, devido à
corrente elétrica criada pelo campo magnético, e outro fatores como a gravidade que
propõe grande pressão no núcleo terrestre. Este aquecimento representa um
gradiente de temperatura que se esfria à medida que chega próximo à crosta terrestre
na ordem de 20 à 40 °C.km⁻¹. Pode-se associar esta fonte de calor à presença de água
tornando-se uma fonte hidrotérmica. A forma de captação dependerá da existência de
água subterrânea ou não.

a) Com água subterrânea na forma de vapor: o vapor é enviado diretamente às


turbinas após passares pelos secadores;

b) Com água subterrânea na forma líquida: é enviada a um trocador de calor que


vaporiza outro líquido de menor temperatura de vaporização, como amônia;

c) Sem água subterrânea: água ou outro fluido deverá ser bombeado para o
interior de um poço e o vapor será captado.

Em 2010, os EUA possuíam uma capacidade instalada de 3086 MW sendo que a


principal usina geotérmica se encontra na Indonésia com capacidade para 375 MW. As
usinas geotérmicas se encontram em regiões onde a camada da crosta terrestre é
muito fina, geralmente havendo nessas locais falhas geológicas, sendo comuns os
abalos sísmicos (SILVA,2014).

As emissões de vapor de água, CO2 e até ácido sulfídrico (H2S) podem alterar
climaticamente a região, poluir leitos de água e, no caso de gêiseres, perde-se a beleza
local em prol da geração de energia elétrica. Além disto, a usina geotérmica irá estar
limitada às características do local. A capacidade da potência elétrica deixa a desejar
em comparação com usinas a gás natural ou a carvão, que chegam de 1000MW à
5000MW.

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Biomassa

De um modo geral, biomassa é qualquer matéria orgânica de origem animal ou vegetal


e que podem ser utilizadas para a geração de energia elétrica. A energia solar é
transformada e estocada e um dos meios dessa transformação e estocagem é por
meio da fotossíntese. Esta mesma energia é utilizada para transformação em energia
elétrica na biomassa.

Assim, a eficiência na capacidade da biomassa em gerar energia elétrica é


essencialmente conexa à qualidade de sua fotossíntese. Por exemplo, no Texas (EUA)
utiliza-se muito o sorgo sacarino com eficiência de 0,77% e na Tailândia, a aga verde
oferece eficiência de 4,9%. Isto provoca a alteração da capacidade calorífica média; no
caso da madeira seca, 19,72 MJ.kg-1.

Contudo, a técnica de aproveitamento da biomassa impacta na eficiência final na


geração de energia elétrica. Desde o início dos tempos, a forma mais utilizada de uso
da energia da madeira foi a queima direta. Contudo, modernas técnicas buscam
aproveitar melhor a capacidade calorífica.

A produção de carvão gera melhor aproveitamento da capacidade calorífica. A madeira


seca possui 16,73 MJ.kg-1 enquanto o carvão vegetal possui 29,72 MJ.kg-1.

Na gaseificação, reatores denominados gaseificadores geram gás a partir da pirólise,


oxidação e redução da biomassa seca. Estes reatores podem ser classificados segundo
a fonte de energia térmica usada:

a) Alotérmicos: onde a fonte é um outro combustível (reator Lacotte);

b) Autotérmicos: quando a fonte é a própria biomassa.

Quanto ao tipo de leito gaseificador:

a) Leito fixo;

b) Leito móvel (reator Purox);

c) Leito em suspensão: geralmente em fluído.

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Quanto à direção do movimento do combustível e dos gases:

a) Concorrente (reator Lacotte e Purox);

b) Contracorrente;

c) Misto (o reator é dividido em dois fluxos ou possui um fluxo transversal).

Quanto à pressão de trabalho:

a) Alta pressão (acima da atmosférica);

b) Baixa pressão (próxima à atmosférica).

Células combustíveis (hidrogênio)

Com as alterações climáticas provocadas pela queima indiscriminada de combustíveis


fósseis e o aumento da taxa de poluição se tornando cada vez mais alarmante,
procura-se uma saída para uma eletricidade limpa e fontes renováveis de energia. Os
proveitos da geração distribuída são desde otimização da matriz energética, até a
diminuição de perdas com indução e impedância nas redes.

As células de combustível são um meio eficaz e renovável de geração de energia


elétrica que poderá ser utilizado de forma distribuída ou como acumuladores. Estas
“pilhas” apostam no fenômeno eletroquímico do hidrogênio e oxigênio em eletrodos
de carbono ou níquel, revertendo a energia das reações químicas em energia elétrica
diretamente para gerar eletricidade com extrema eficiência e produção zero de
resíduos.

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Figura 1.11 - Protótipo de célula combustível do laboratório de células combustível


do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN).

Fonte: Alves, 2012.

Soluções estão sendo buscadas como evitar o uso de platina como catalizador da
reação eletroquímica e a melhoria da camada difusora utilizando carbono e teflon na
obtenção de uma célula de combustível a hidrogênio comercialmente viável. Para
produzir hidrogênio com a pureza necessária ao uso em células combustível, utilizam-
se da reforma do etanol em reatores catalizadores.

O Brasil é pioneiro nos estudos do etanol, tornando a tecnologia bastante viável neste
sentido. Os usos para a célula combustível são inúmeros, sendo estas modulares,
móveis, renováveis e com potencial comercial futuro. Com as células, o usuário poderá
gerar sua própria energia, e usinas poderão armazenar energia na forma de hidrogênio
e utilizar o mesmo em épocas de estiagem.

As células unitárias são formadas basicamente de um eletrodo e um cátodo porosos


em um meio eletrólito. As células mais utilizadas em pesquisa são as que utilizam
reações com Hidrogênio e Oxigênio. A fórmula basicamente será a seguinte.

𝑯𝟐 + 𝟏/𝟐𝑶𝟐 = 𝑯𝟐 𝑶

Nestas células, o hidrogênio penetra pela estrutura porosa do ânodo, acessa o meio
eletrólito e chega no cátodo. Ali o hidrogênio libera elétrons e forma cátions (H+),
sendo estes elétrons mobilizados no circuito externo conectado à carga. A mobilização
destes elétrons forma a corrente elétrica. Então, os cátions (H+) formam a reação junto
ao cátodo e reage com o oxigênio formando o produto final da célula: água.
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Figura 1.12 - Esquema simplificado de uma célula combustível à hidrogênio.

Fonte: Alves, 2012.

Fusão Nuclear (Tokamak)

Dominar a fusão nuclear é dominar a energia que “acende” as estrelas. Para muitos,
este conceito parece ficção científica, mas segundo estudos efetuados, é totalmente
possível e caminha para a viabilidade econômica.

Fusão nuclear é a reação físico-química entre átomos de forma a vencer as barreiras


de coesão dos mesmos átomos propiciando a união dos elementos para gerar um novo
átomo e desprendendo energia termo-cinética. Basicamente, acelera-se átomos leves
e promove-se sua colisão com outros átomos. Esta colisão, em situações propícias, irá
gerar um novo átomo, mais pesado que os dois anteriores e evidentemente, haverá
um decréscimo no valor da variação da massa total. Isto ocorrerá porque uma parte da
massa do átomo será convertida em energia (BELLONI & CONTI, Analysis of Materials
for Heat Transport in Tokamaks, 2020).

Para tratar das reações que ocorrem em fusão controlada do hidrogênio, é necessário
compreender quais os detalhes dos conceitos envolvidos. Segundo a doutrina da física
de partículas, no átomo, tem-se 4 forças que influenciam na formação do átomo. São
denominadas interações fundamentais.

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a) Interação gravitacional;

b) Interação eletromagnética;

c) Interações nucleares fortes - Possuem natureza atrativa e repulsiva,


dependendo da distância;

d) Interações nucleares fracas.

Para o estudo em pauta, não é interessante, à primeira ótica, buscar caminho na


interação gravitacional, uma vez que as partículas subatômicas possuem massa
bastante pequena, causando pouco efeito gravitacional. Assim, será de interesse as
interações eletromagnéticas e as interações nucleares fortes.

Inicialmente, observou-se que a massa de um próton e um nêutron isolados era


diferente da massa deles quando em condição de deuteron. A massa desses nucleons
isolados, quando somadas, era maior que a massa do deuteron. Existia então uma
espécie de “perda de massa” quando estavam na condição de deuteron, mas quando
este deuteron é “quebrado”, a massa individual de cada nucleon retorna ao status
quo, mantendo aquela mesma quantia de massa atômica.

Tabela 1.2 - Tabela das Reações de Fusão Possíveis.

Temperatura Ganho de Energia


Reações de Fusão
do Plasma Por Reação

𝑫𝟐𝟏 + 𝑫𝟑𝟏 = 𝑯𝒆𝟒𝟐 (𝟑, 𝟓𝑴𝒆𝑽) 10 KeV


1760
+ 𝒏𝟏𝟎 (𝟏𝟒, 𝟏𝑴𝒆𝑽) (1,16 .108 ºK)

𝑫𝟐𝟏 + 𝑫𝟐𝟏 = 𝑯𝒆𝟑𝟐 (𝟎, 𝟖𝟐𝑴𝒆𝑽) 50 KeV


70
+ 𝒏𝟏𝟎 (𝟐, 𝟒𝟓𝑴𝒆𝑽) (5,8 .108 ºK)

50 KeV
𝑫𝟐𝟏 + 𝑫𝟐𝟏 = 𝑻𝟑𝟏 (𝟎, 𝟎𝟏𝑴𝒆𝑽) + 𝒑𝟏𝟏 (𝟑, 𝟎𝟐𝑴𝒆𝑽) 70
8
(5,8 .10 ºK)

𝑫𝟐𝟏 + 𝑯𝒆𝟑𝟐 = 𝑯𝒆𝟒𝟐 (𝟑, 𝟔𝑴𝒆𝑽) 100 KeV


1860
+ 𝒏𝟏𝟏 (𝟏𝟒, 𝟕𝑴𝒆𝑽) (11,6 .108 ºK)

Fonte: GOES, 1978.

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Assim, pode-se declarar, para estudo, a seguinte reação, pois atende a corrente
doutrinária majoritária:

D + T = He4 + n + 17,58 MeV

Esta energia de 17,58 MeV deve ser encarada neste momento como uma
quantificação ideal, sem considerar as perdas que ocorrem no plasma.

Encontra-se em construção atualmente, a maior perspectiva mundial para geração de


energia elétrica por meio de um reator de fusão nuclear, denominado ITER. O Fator de
potência do reator de fusão nuclear deve ser maior que 1 para que seja considerado
viável economicamente, pois não basta produzir a fusão nuclear dos isótopos de
hidrogênio, mas sim, que isto ocorra de forma sustentável, e de maneira a ser
economicamente viável.

Segue abaixo, um modelo de reator de fusão nuclear que demonstra a forma de


captura do calor gerado. Neste caso, verifica-se que o transporte é efetuado por
radiação, uma vez que o plasma impossibilita a condução ou convecção.

Figura 1.13 - Modelo Aproximado de um Reator de Fusão Nuclear.

Fonte: MANSO; VARANDAS, 2009.

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1.2 Relações eletromecânicas e exemplos de componentes

Veremos agora como ocorrem as relações eletromecânicas entre diversos


componentes transdutores. Transdutor é aquele componente que converte uma
forma de energia em outra, com a finalidade de análise do ambiente, sendo que esta
energia quase sempre é convertida em uma grandeza elétrica. Esta conversão pode
ocorrer de forma linear ou de forma não linear.

Resolução

Trata-se do tamanho do passo mínimo dentro do intervalo de medição. É a


quantificação do valor mínimo possível no transdutoramento. Para dispositivos
digitais:

𝑨𝒍𝒄𝒂𝒏𝒄𝒆𝒕𝒐𝒕𝒂𝒍
𝑹𝒆𝒔𝒐𝒍𝒖çã𝒐 =
𝟐𝒏

Por exemplo: Um transdutor de movimento consegue detectar o movimento em um


arco de 180°. Sendo o sinal formado por um binário de 4 bits, a resolução será de
11,25°.

𝟏𝟖𝟎°
𝑹𝒆𝒔𝒐𝒍𝒖çã𝒐 = = 𝟏𝟏, 𝟐𝟓°
𝟐𝟒
Para os dispositivos analógicos, considera-se os valores das grandezas físicas em
questão. Por exemplo, em um potenciômetro, a resolução é a própria resistência do
mesmo.

Sensibilidade

O transdutor sempre vai transformar uma grandeza física em outra (geralmente uma
grandeza elétrica), e assim a sensibilidade é a relação entre a entrada e a saída do
transdutor.

𝑺𝒂í𝒅𝒂
𝑺𝒆𝒏𝒔𝒊𝒃𝒊𝒍𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 =
𝑬𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂

24
,

Um transdutor de posição é usado para verificar o quanto de uma persiana está


aberta. Esta abertura considera de 0 cm até 100 cm e deverá indicar de 0V á 5V na
saída. Sua sensibilidade será de 0,05 V/cm:

𝟓𝑽 𝑽
𝑺𝒆𝒏𝒔𝒊𝒃𝒊𝒍𝒊𝒅𝒂𝒅𝒆 = = 𝟎, 𝟎𝟓
𝟏𝟎𝟎𝒄𝒎 𝒄𝒎

Linearidade

O sinal do transdutor deve ser o mais linear possível, podendo assim, ser traduzido
com uma expressão que se aproxima de seu sinal real de saída. Esta expressão é linear.
Por exemplo, um transdutor que define, em sua saída, uma reta de tensão (U),
segundo um movimento de uma boia em um reservatório (L), poderá ser representado
por uma expressão 𝑼𝑺 = 𝟐𝑳 + 𝟑[𝑽], sendo que o reservatório nunca fica totalmente
cheio (mantendo sempre 3 Litros no seu interior quando considerado vazio pelo
transdutor).

Veja então que é possível ajustar a expressão de linearização ao caso real. Também se
sabe que nenhum transdutor é completamente linear devendo-se observar os
métodos de linearização, como cálculos numéricos, por exemplo, elevando o valor ao
quadrado para forçar uma expressão de segunda ordem para o sinal. Esta linearização
pode ser providenciada na programação do microcontrolador.

a) Transformadores diferenciais variáveis lineares (TDVL) - Um transformador linear


variável (ou transdutor) é, na verdade, um transformador cujo núcleo se move com a
distância medida e que gera uma tensão variável analógica como resultado desse
deslocamento. Em função de sua construção, deve ser utilizado para medir posições
lineares.

b) Resolvedores - Semelhante a um TDVL, um resolvedor também é um transformador,


no qual uma bobina primária conectada a um rotor transporta uma corrente alternada,
fazendo o papel do núcleo. Duas bobinas secundárias estão defasadas em 90° uma da
outra. Quando o rotor gira, uma bobina desenvolve uma tensão proporcional ao seno,
e a outra, ao cosseno do ângulo medido, eliminando a necessidade de calcular esses
valores mais tarde. Além disso, o resolvedor é confiável, robusto e preciso, tornando-o
a melhor alternativa para essa aplicação.

25
,

Gama

Trata-se da diferença entre o menor e maior valor que o transdutor poderá oferecer
como saída. Assim, está ligado diretamente a sensibilidade, mas o microprocessador
trabalhará com valores discretos, assim, estes valores também está relacionado com a
capacidade de tratar os dados pelo microprocessador.

Leis utilizadas na eletromecânica

Campo Magnético [B]

Campo Magnético é a região ao redor de um imã, na qual ocorre um efeito magnético.


Esse efeito é percebido pela ação de uma Força Magnética de atração ou de repulsão.

O campo magnético pode ser definido pela medida da força que o campo exerce sobre
o movimento das partículas de carga, tal como um elétron. A representação visual do
Campo Magnético é feita por meio de Linhas de campo magnético, também
conhecidas por linhas de indução magnética ou linhas de fluxo magnético. Essas linhas
são envoltórias imaginarias fechadas, que saem do polo norte e entram no polo sul.

Elas possuem as seguintes características:

a) São sempre linhas fechadas: saem e voltam a um mesmo ponto;

b) As linhas nunca se cruzam;

c) Fora do ímã, as linhas saem do polo norte e se dirigem para o polo sul;

d) Dentro do ímã, as linhas são orientadas do polo Sul para o polo norte;

26
,

e) As linhas saem e entram na direção perpendicular às superfícies dos polos.

Figura 1.14 – Linhas de campo magnético

A unidade de medida ao campo magnético é o Tesla (T). Outra unidade muito utilizada
é o Gauss (G): 𝟏𝑮 = 𝟏𝟎−𝟒 𝑻. Experimentalmente, verificou-se que o módulo da força
magnética sobre uma carga em movimento é proporcional:

1ª À carga em movimento;

⃗⃗ na região;
2ª Ao módulo do campo elétrico 𝑩

3ª À velocidade com que a carga se move.

Este campo magnético constitui o mecanismo fundamental pelo qual a energia é


convertida de uma forma em outra nos motores, geradores e transformadores. E desta
forma, depende do valor da corrente intrinsecamente e segue a lei de Ampére. Se a
intensidade do campo magnético H pode ser considerada como a intensidade com que
o campo interage com o material, ao longo de um caminho, pode-se definir esta
intensidade H como:

𝑵𝑰 𝑨𝒆
𝑯= [ ]
𝒍 𝒎

27
,

Sendo I a corrente que corre nas espiras, N o número de espiras e l comprimento do


caminho médio no núcleo. Assim destes dependerá de forma proporcionalmente
direta.

Desta forma, a intensidade de campo magnético H é a capacidade de a corrente criar


um campo magnético, mas esse campo dependerá do material do núcleo, ou seja, a
facilidade com que este campo interage com o material, denominada permeabilidade
magnética µm.

Deste modo, este valor será representado por:

𝑩 = 𝝁𝒎 . 𝑯[𝑻]

Onde H é a intensidade de campo magnético, µm é a permeabilidade magnética e B a


densidade do campo magnético.

Fluxo Magnético [∅]

A intensidade do campo magnético B gerado em torno de um condutor retilíneo


percorrido por corrente elétrica depende da intensidade dessa corrente. Uma corrente
intensa produzirá um campo magnético B intenso, com inúmeras linhas de campo que
se distribuem até regiões bem distantes do condutor. Uma corrente menos intensa
produzirá poucas linhas em uma região próxima ao condutor.

O campo magnético B pode ser comprovado pela observação da orientação da agulha


de uma bússola em torno de um condutor percorrido por uma corrente elétrica. A
densidade de campo magnético B em um ponto p considerado é diretamente
proporcional à corrente no condutor, inversamente proporcional à distância entre o
centro do condutor e o ponto, e depende do meio.

Verifique que esta densidade do campo magnético B considera um valor


infinitesimalmente pequeno de comprimento de núcleo (pois divide por este), mas
para verificar o valor total deste fluxo em uma área deve-se lançar mão da integração.

∅=∫ 𝑩. 𝒅𝑨[𝑾𝒃]
𝑨

Onde dA é a unidade diferencial de área

28
,

Da mesma forma, pode-se utilizar a interpretação trigonométrica para encontrar o


fluxo total de campo magnético.

∅ = 𝑩. 𝑨. 𝒄𝒐𝒔𝜽 [𝑾𝒃]

Onde A é a área, mas θ é o ângulo entre o vetor campo magnético B e a normal em


relação à área.

Figura 1.15 - Espira em um fluxo de campo magnético

Fonte: JEWETT e SERWAY, 2011.

Se o vetor de densidade de fluxo for perpendicular a um plano de área A e se a


densidade de fluxo for constante através da área, então essa equação se reduzirá, já
que [cos (0⁰) = 1].

∅ = 𝑩. 𝑨[𝑾𝒃]

A denominada Lei de Gauss do Magnetismo afirma que o fluxo magnético líquido por
qualquer superfície fechada é sempre zero.

∮ ⃗⃗ . 𝒅𝑨
𝑩 ⃗ =𝟎

29
,

Força Magneto Motriz [Fmm]

A Força Magnetomotriz indica a tensão que cria o movimento das linhas magnéticas,
de forma que cria o fluxo magnético ∅. E isto ocorre de tal forma que interage com a
corrente que percorre a espira e o número de espiras.

𝑭 = 𝑵. 𝑰[𝑨𝒆]

Onde N é o número de espiras e I, a corrente que as percorre.

Relutância Magnética

A relutância magnética é a medida da oposição que um meio oferece ao


estabelecimento e concentração das linhas de campo magnético. A relutância de um
circuito magnético é o equivalente da resistência elétrica, sendo a sua unidade o
ampère-espira (A.e) por weber (Wb).

𝒍 𝑨𝒆
𝑹= [ ]
𝝁. 𝑨 𝑾𝒃

Há também um equivalente magnético da condutância. Assim como a condutância de


um circuito elétrico é o inverso de sua resistência, a permeância Ƥ é o inverso de sua
relutância.

𝟏 𝝁. 𝑨 𝑾𝒃
Ƥ= = [ ]
𝑹 𝒍 𝑨𝒆

As relutâncias em um circuito magnético obedecem às mesmas regras que as


resistências em um circuito elétrico. A relutância equivalente de diversas relutâncias
em série é simplesmente a soma das relutâncias individuais. De modo similar,
relutâncias em paralelo combinam-se conforme a equação com resistências paralelas.
Permeâncias em série e em paralelo obedecem às mesmas regras que as condutâncias
elétricas.

30
,

Permeabilidade eletromagnética

A permeabilidade magnética (μm) mede a facilidade com que as linhas de campo


podem atravessar um dado material. É utilizado como base o seu valor no vácuo, ou
seja, µo = 4π. 10-7 H/m. Desta forma, a razão entre a permeabilidade magnética do
material em relação ao vácuo apresentará uma permeabilidade magnética relativa (µr)
que é uma maneira conveniente de comparar a capacidade de magnetização dos
materiais.

𝝁𝒎
𝝁𝒓 =
𝝁𝒐
Onde µo (4π . 10-7 H/m) é a permeabilidade magnética no vácuo, µm é a
permeabilidade magnética do material e µr permeabilidade magnética relativa. Assim,
se µr =1000, significa que este material é 1000 mais permeável ao campo magnético
que o vácuo.

Havendo uma distância entre o material polarizado, o campo magnético se dispersa


levemente, criando um espraiamento no entreferro. Neste momento, considera-se
como valor de impermeabilidade magnética o vácuo, que é próximo ao do ar (µo).

1.3 Aplicações

Transdutores para oscilações mecânicas (cápsula piezoelétrica, dinâmica e de


relutância)

Transdutor Piezoelétrico

Os transdutores piezoelétricos são formados por materiais que sofrem o efeito


piezoelétrico. Este efeito cria uma corrente elétrica quando existe uma pressão, tensão
ou vibração, sendo impressa na sua superfície. O contrário também ocorre quando há
a formação de uma força mecânica pela circulação de uma corrente pelo material. Por
isto são utilizados na construção de conversores de energia mecânica e elétrica.
Existem na natureza materiais piezoelétricos, como os cristais de quartzo, sendo
formados por sílica cristalina em estrutura hexagonal e de forma industrializada como
uma cerâmica de titanato de bário, onde um tratamento químico ativa o efeito
piezoelétrico.

31
,

Ao aplicar uma pressão, tensão ou vibração na superfície do material piezoelétrico, a


deformação elástica sofrida pelo material separa as cargas em seu interior (cargas de
polarização) que desenvolve uma corrente.

Transdutores de velocidade angular (tacômetros CA, CC e de indução)

Codificador incremental

Este transdutor possui, basicamente, o funcionamento de um transdutor ótico. Uma


régua ou disco é dividido de forma que setores opacos e transparentes podem
bloquear ou permitir a passagem da luz. De um lado do disco é posicionada uma fonte
luminosa e do outro lado, um transdutor ótico. Com o giro do disco, dois estados serão
verificados, como transdutor iluminado e não iluminado. Assim, o circuito detetor
receberá um sinal digital. Pela posição dos espaços do disco e pelos pulsos gerados,
pode-se localizar a posição do disco. Além disto, é possível obter a velocidade do giro.
Uma desvantagem é a necessidade de um circuito ou microcontrolador para analisar o
ângulo do giro e contar os pulsos.

Figura 1.16 – Codificador Incremental

Fonte: Chagas, 2013.

32
,

Figura 1.17 - Disco do codificador incremental

Fonte: CBURNETT, 2006.

Transdutores eletromecânicos (transdutores de deslocamento e transdutores de


solicitações mecânicas e acústicas)

Potenciômetro

Geralmente é utilizado como reostato ou como divisores de tensão ajustáveis.


Possuem a vantagem de serem baratos e simples. Um potenciômetro transforma uma
informação de posição em uma tensão variável por resistor. À medida que o contato se
desloca devido à variação de posição, a resistência varia, alterando a tensão. Embora
seja confiável, robusto e preciso, o sinal de tensão ainda deve ser convertido para o
seno do ângulo. O ideal é um transdutor que faça isso diretamente como o resolvedor.

Figura 1.18 - Pontenciometro

Fonte: AMOS, 2019.

33
,

Chave de fim de curso ou limitadora

As chaves de fim de curso possuem uma haste de contato que, ao encostar no objeto,
são movidas e acionam um sistema de contatos elétricos que podem executar diversas
tarefas, inclusive a de interromper o contato. Uma das muitas funções deste
dispositivo é a contagem. Eles são simples, de baixo custo e podem ser encontrados
em diversas variedades e tamanhos, portanto podem ser aplicados em uma ampla
gama de projetos.

Figura 1.19 - Chave de fim de curso ou limitadora

Fonte: ESHAN, 2007.

Transdutor de ultrassom

Estes transdutores são utilizados para detectar o posicionamento de objetos.


Costumam ser bastante precisos. Com a excitação de um sistema acústico, emite-se
som na faixa de ultrassom. O ultrassom possui a vantagem de ecoar quando toca em
objetos sólidos, retornando a origem, podendo ser percebido por um transdutor.
Desta forma, o tempo de ida e retorno do ultrassom é bastante conhecido, e por esta
razão, é sabido a distância e posição do objeto refletor.

34
,

Figura 1.20 - Funcionamento do transdutor de posição por ultrassom

Transdutor de efeito hall

O efeito Hall é uma propriedade que se manifesta em um condutor quando um campo


magnético perpendicular ao fluxo de corrente é aplicado sobre ele. Quando isso
ocorre, uma diferença de potencial no condutor é gerada, chamada de Tensão de Hall.
Ao ser inserido em um campo magnético, o transdutor Hall responderá com uma
tensão elétrica que varia de acordo com a intensidade do campo magnético.

Esse transdutor pode ser utilizado como transdutor de proximidade. Nele, a tensão de
saída de um condutor que transporta uma corrente varia na presença de um campo
magnético, por efeito Hall. Logo, quando um imã (ou uma bobina) está perto do
transdutor, a tensão de saída varia. Há a necessidade posterior de conversão da tensão
no seno do ângulo caso queira-se trabalhar com este transdutor de forma
trigonométrica.

Transdutores Ópticos Retrorreflexivos

Um dos transdutores que oferece o nível mais elevado de confiabilidade é o


retrorreflexivo. Nele, o emissor e o receptor de luz são montados em um único corpo.
A luz transmitida pelo emissor deve refletir no material retrorrefletor a ser detectado e
retornar no receptor que emitirá o sinal elétrico de saída.

Transdutores Capacitivos

Os transdutores de proximidade capacitivos são dispositivos capazes de identificar a


presença de objetos como papel, madeira, plástico, vidro e até líquidos e materiais que
interferem na capacitância do transdutor. Diferentemente dos demais transdutores,
seu princípio de funcionamento é baseado na mudança da capacitância do sistema que
ocorre quando existe variação na distância entre o objeto e a placa, fazendo o
oscilador emitir um sinal para o mecanismo.

35
,

Transdutores Indutivos

Transdutores de proximidade desse tipo usam campos magnéticos para detectarem a


presença de objetos. Quando um objeto perturba esse campo, ocorre a mudança da
corrente e o circuito é aberto ou fechado, dependendo de como foi ajustado.

Integração de sistemas transdutores e atuadores.

Sistemas são conjuntos de integrantes que processam sinais de entrada e geram sinais
de saída. Estes processos são descritos por operações matemáticas simples ou
complexas, como ganhos, ou até Transformada de Fourier. Desta forma, os sistemas
são conjuntos que processam e emitem sinais como resultado deste processamento.
Assim, integrar sistemas significa unir diversos sistemas distintos entre si, porém
conectados de forma a se comunicar influenciando uns aos outros.

Com a integração entre os sistemas, pode-se incluir a conexão entre o ser humano e a
máquina, denominada interface. Mais que isto, a interface ou HMI (Human Machine
Interface), é o meio de interação entre o ser humano e a máquina, formando um
sistema integrado complexo, que interage com o ambiente e com o humano, de forma
a poder ser configurado e ajustado para as funções que se espera. Recomenda-se
assim, um sistema de comunicação fácil e amigável, devidamente conectado e com
uma eficiência que permita o uso real do sistema num todo.

Sistemas como SCADA, touch screen, teclados, scanners e reconhecimento de voz


podem ou não ser auxiliados por inteligência artificial (IA), possuindo assim, tecnologia
de ponta a serviço da relação amigável entre humano e máquina.

Conclusão

Neste material foram analisados os diversos meios de conversão de energia para


geração de energia elétrica, suas características e mecanismos. Foi verificado também
as teorias e técnicas para o estudo da conversão e conservação de energia. Por fim,
podemos analisar as diversas aplicações dos conceitos de conversão de energia em
transdutores.

36
,

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39
,

2 TRANSFORMADORES ELÉTRICOS

Apresentação

Neste bloco, vamos adentrar aos conhecimentos de máquinas elétricas, mais


precisamente os transformadores elétricos. Veremos seu funcionamento e como o
circuito eletromagnético promove as alterações de tensão e corrente para adequar a
energia elétrica ao uso à que se destina. Veremos também, os aspectos construtivos e
demais detalhes referentes à estas máquinas.

2.1 Introdução aos transformadores elétricos

As máquinas elétricas já estão sendo utilizadas pela humanidade há muitos anos. Por
esta razão, podemos acreditar que a sociedade moderna seria impossível sem o
domínio dessa tecnologia.

Utiliza-se das máquinas elétricas para a conversão de energia das mais diversas
formas, sendo os transformadores as máquinas elétricas que utilizam de circuitos
elétricos e magnéticos para alterar as características físicas da energia elétrica. Por
exemplo, um transformador elétrico pode ser utilizado para alterar os valores de 220V
para 127V, com diferenciação de número de suas espiras.

Para iniciar nossos estudos sobre os transformadores, podemos imaginar um sistema


de transmissão de energia elétrica. Para a correta utilização da energia elétrica pelo
consumidor final, para viabilizar economicamente a sua transmissão da geração à
distribuição, e daí ao consumidor final, é necessário adequar diversas vezes as
características físicas desta energia, como tensão e corrente. O transformador é uma
máquina elétrica constituída por duas bobinas estreitamente acopladas
magneticamente. Trata-se de um meio de alterar os valores de tensão e corrente que
entra por um de seus lados (denominado Primário), em valores adequados no lado de
saída (denominado Secundário), através da indução eletromagnética.

40
,

Os transformadores isolam os circuitos eletrônicos da rede elétrica, pois seus


enrolamentos encontram-se eletricamente isolados. Transformadores de alta
frequência possuem núcleos feitos de materiais especiais, e quando em baixa
frequência, possuem núcleos grandes e pesados.

São formados de dois ou mais enrolamentos sobre um núcleo que pode ser feito de
material ferromagnético, de forma que a bobina em que passa uma corrente elétrica
consegue, por meio do fluxo magnético, causar a mobilidade eletrônica na outra
bobina, criando uma corrente elétrica.

A corrente no transformador deve ser alternada, pois, enquanto o campo magnético


criado pela corrente no enrolamento primário cresce, é gerada uma corrente no
enrolamento secundário, pois a corrente no primário é variável e crescente. Quando o
campo no enrolamento primário se estabiliza (se torna constante) a corrente cessa no
enrolamento secundário. Enquanto o campo magnético permanece constante no
enrolamento primário, não há corrente no enrolamento secundário. Em contrapartida,
enquanto o campo magnético diminui no enrolamento primário, é gerada uma
corrente no enrolamento secundário, com sentido oposto à anterior. Isto cessa logo
após o campo magnético se anular no enrolamento primário.

Figura 2.1 - Transformador trifásico da Weg que possui um sistema de resfriamento à


óleo.

Fonte: WEG, 2015.

41
,

Ao analisar a figura 2.1, podemos dizer que se trata de um transformador trifásico


resfriado a óleo. Veja que ele possui três estruturas em sua parte superior de cor
marrom. Trata-se dos isoladores. Isto evita que as fases fechem circuito com a carcaça
do transformador. Tem também estruturas laterais que correspondem aos radiadores
de calor que auxiliam na troca de calor com o lado externo, resfriando o óleo do
transformador.

Outras características podem ser apresentadas. Quanto às fases em que trabalham, os


transformadores podem ser:

● Monofásicos: trabalham com sistemas monofásicos ou bifásicos,


transformando tensões de 127V em 220V ou 220V em 127V.

● Trifásicos: possuem três conexões correspondentes às 3 fases.

● Polifásicos: Utilizam mais fases e geralmente são utilizados para retificação de


onda, muito comum por oferecerem diversas faixas de tensão aos circuitos.

Quanto à finalidade

● Transformadores de corrente: Atuam alterando os valores de corrente. Por sua


forma construtiva, entregam valores de corrente bem definidos.

● Transformadores de potência: Atuam alterando os valores de tensão. Por sua


forma construtiva, entregam valores de tensão bem definidos. São os mais
conhecidos.

● Transformadores de distribuição: São próprios para uso como abaixadores


para adequar a energia elétrica a ser entregue aos consumidores na
distribuição da energia.

● Transformadores de força: Ou transformadores de alta potência, possuem


potência de até 300MW e podem atuar em 750kV, utilizados em estações
abaixadoras de transmissão e distribuição.

42
,

Quanto ao tipo do núcleo:

● Dois ou mais enrolamentos: Podem oferecer duas ou mais saídas.

● Autotransformador: As características construtivas da bobina permitem a


tomada de várias tensões, baseado no divisor de tensão.

● Núcleo ferromagnético: o núcleo é formado de material ferromagnético,


geralmente de chapas muito finas dispostas umas sobre as outras a fim de
diminuir a corrente parasita.

● Núcleo de ar: o núcleo nas bobinas é preenchido com ar, de forma a criar
grande isolamento.

● Transformadores toroidais: Devido à sua forma, causam um baixo campo


magnético em sua área externa provocando baixa interferência magnética nos
circuitos.

O uso mais proeminente dos transformadores é na transmissão e distribuição de


energia elétrica. Para manter o sistema sempre em funcionamento, costuma-se utilizar
os transformadores em uma configuração em paralelo. Isto é muito utilizado em
estações de energia elétrica, para garantir a continuidade de fornecimento de energia
e diminuir as perdas.

Contudo, para se utilizar os transformadores em paralelo, deve-se atentar aos


seguintes requisitos:

a) Igualdade de tensões e relação de transformação.

b) Igualdade de defasagem dos diagramas vectoriais (do secundário em relação ao


primário).

c) Igualdade de sequência.

d) Igualdade de tensões de curto-circuito.

e) Uma relação de potência compatível.

43
,

Figura 2.2 - Diagrama unifilar do paralelismo de transformadores.

Transformador
Transformador
B
A

Fonte: Elaborado pelo autor.

2.2 Circuito equivalente e diagrama fasorial dos transformadores

Existem duas formas de encarar o transformador em estudos. Ao encará-lo como um


transformador ideal, assume-se que não possui perdas. Mas ao encarar o
transformador como real, existem perdas na transformação.

O transformador, basicamente, possuirá um lado onde se aplica a corrente e outro


onde toma-se uma corrente diversa. Estes são nomeados de primário (N1) e
secundário (N2). Entre estes enrolamentos, primário e secundário, existe uma
diferença de números de espiras, e denotam uma relação N1:N2.

Dependendo das grandezas “a”e “b” o transformador pode ser classificado como:

a) Abaixador: quando N1>N2

b) Elevador: quando N1<N2

c) Isolador: quando N1=N2

44
,

Esta relação costuma ser nomeada como “a” e é indicada da seguinte forma:

𝑵𝟏
𝒂=
𝑵𝟐

Assim, a tensão e corrente do secundário serão consideradas:

𝑽𝟐 = 𝑽𝟏 /𝒂

𝑰𝟐 = 𝑰𝟏 . 𝒂

Um dos efeitos da passagem da corrente no condutor é a perda pelo efeito da


resistência. O efeito Joule proporciona o aquecimento do condutor e a perda por
resistência Ôhmica.

Para compreender como se comportam as reatâncias em um transformador, pode-se


utilizar de um circuito equivalente onde se apresente essas reatâncias definidas. No
enrolamento primário tem-se a presença de uma reatância (R1) e um indutância (L1)
características deste enrolamento. A reatância indutiva provocada por L1 ocorre
porque o fluxo magnético presente no primário é formado por duas componentes:

a) O fluxo magnético que ocorre por conta da corrente do primário e do


secundário, e que se localiza essencialmente no núcleo.

b) O fluxo magnético que é criado pelo primário e é dispersado por ele.

Este fluxo disperso no primário é o L1, sendo então parte do fluxo total existente no
primário. Desta forma esta reatância é denominada reatância de dispersão.

𝑿𝑳 = 𝟐𝝅𝒇𝑳𝟏

O R1 representa a queda de tensão no primário, devido à resistividade dos materiais. A


tensão presente no primário é formada pela queda de tensão em R1, a queda de
tensão em XL1, e a tensão criada pela FEM.

45
,

Ainda no primário, é possível perceber que a corrente que percorre por R1 e L1 é a


corrente necessária para magnetizar o núcleo e criar uma corrente no secundário. Ou
seja, a magnetização do núcleo pelo primário deve ser considerada incluindo R3 e L3.
R3 representa a resistência de perdas no núcleo que ocorre pela indutância mútua, e
L3 é a indutância de magnetização, formando a reatância de magnetização XL3. A
corrente que percorre esse divisor estará 90° defasada com a tensão do primário. À
esta relação que ocorre no núcleo R3 e XL3 denomina-se impedância do núcleo.

No secundário, teremos os valores de resistência e indutância como ocorre no


primário. Lembre-se que este valor de impedância no secundário é independente da
impedância da carga. A tensão do secundário é formada pelas quedas de tensão que
ocorrem em R2 e XL2 e a FEM gerada no núcleo.

Figura 2.3 - Circuito equivalente

Fonte: o autor.

O número de espiras impacta diretamente o valor da corrente e tensão. Pois, a


quantidade de espiras no enrolamento altera os valores de R e L no circuito. T1
representa o acoplamento magnético dos circuitos do primário e secundário, e as
correntes que estão presentes são a corrente do primário (I 1), do secundário (I2), e de
magnetização (Im). Assim, temos a seguinte relação:

𝑵𝟏 𝑵𝒎 = 𝑵𝟏 𝑰𝟏 − 𝑵𝟐 𝑰𝟐

𝑵𝟐
𝑰𝟏 = 𝑰
𝑵𝟏 𝟐

Da mesma forma que o valor de corrente pode ser considerado, podemos construir
uma relação entre o número de espiras e os valores de tensão gerados.

46
,

𝑵𝟏
𝑽𝟏 = 𝑽
𝑵𝟐 𝟐

A reatância XL2 provocada pela indutância no secundário L2 também é reatância de


dispersão.

Desta forma, pode-se analisar alguns valores pelo diagrama fasorial em um


transformador. Os valores e características elétricas podem ser demonstradas pelos
fasores. Iniciaremos analisando um transformador sem carga.

Assim, podemos chegar ao seguinte diagrama de circuito equivalente do


transformador.

Figura 2.4 - Circuito equivalente do transformador demonstrando as correntes


atuantes.

Fonte: (FITZGERALD, 2015)

Veja que E1 e E2 são respectivamente FEMs geradas pela indução, no primário e no


secundário. A corrente que corre no primário é I 1 e é requerida pelas impedâncias no
primário, sendo que pelo nó verificado na magnetização, percebe-se que a corrente I1
é formada por outras correntes.

𝑰𝟏 = 𝑰𝑽 + 𝑰′𝟐

A corrente que promove a magnetização é Iv, sendo certo que é formada pela corrente
que se perde em Rc e a que magnetiza em Xm também se perdendo.

47
,

Evidentemente, partindo do princípio que a tensão induzida E1 está em fase, o fluxo


magnético 𝛗 e a corrente de magnetização Im que forma Iv estão defasados em 90°
desta FEM. A corrente de perdas no núcleo I c e que passa por Rc e forma Iv está em
fase com a FEM E1.

Como vimos, a corrente Iv é formada pela corrente Ic que se percorre em Rc e a


corrente I m que magnetiza em Xm . Assim, sua representação é a soma vetorial.

𝑰̅𝑽 = 𝑰̅𝑪 + ̅̅
𝑰𝒎̅̅

Figura 2.5 - Fasor do transformador em vazio. O valor de IV é formado pelas


componentes Im e Ic.

Fonte: (FITZGERALD, 2015).

Contudo, em uma situação de carga, o secundário irá possuir uma corrente I 2, haverá
de ser considerada a impedância de curto-circuito ZCC e existirá uma defasagem entre a
corrente e a tensão no secundário φ que dependerá da carga.

Na figura a seguir, temos o primeiro caso de diagrama fasorial de um transformador


com varga. Lembre-se que a carga indutiva oferecerá um ângulo de defasagem da
corrente negativo. Os fasores de corrente (em amarelo) e de tensão da resistência (em
verde) são paralelos a tensão na reatância (em preto) está à noventa graus destes
versores. Perceba que a tensão oferecida do primário e que sofre a atuação de “a” é
maior que a tensão na carga V2 (UMANS, 2014).
48
,

Figura 2.6 - Diagrama fasorial do transformador com carga indutiva.

V1/a
I jX

φ
IR
I
Fonte: o autor.

Na segunda hipótese, com uma carga capacitiva, teremos uma corrente defasada em
relação à tensão em um ângulo positivo. O fasor da tensão na resistência será
igualmente paralela ao fasor de corrente. O valor da tensão na reatância será de 90°
em relação à tensão na resistência. (UMANS, 2014)

Figura 2.7 - Diagrama fasorial do transformador.

I V1/ I jX
a
φ
V2 IR

Fonte: o autor.

2.3 Características elétricas dos transformadores

Agora que já conhecemos os circuitos elétricos e eletricidade básica e sabemos que o


valor da potência de um sistema elétrico pode ser calculado com o produto da tensão
pela corrente.

49
,

𝑷 = 𝑽. 𝑰

Podemos considerar o seguinte (CHAPMAN, 2013):

𝑵𝟏 𝑬𝟏
= =𝒂
𝑵𝟐 𝑬𝟐

𝑵𝟐 𝑰𝟏 𝟏
= =
𝑵𝟏 𝑰𝟐 𝒂

2.3.1. Ensaio em vazio e ensaio em curto-circuito

Para se obter os valores de impedância dos transformadores, pode-se efetuar testes


chamados ensaios, de forma a conhecer os valores das características elétricas,
especialmente as perdas nos transformadores. Apenas para relembrar, as perdas
Ôhmicas ocorrem no enrolamento, tanto no primário como no secundário e, portanto,
costumam ser denominadas perdas no cobre. Para desenvolver o fenômeno da
magnetização, existem perdas no núcleo denominadas perdas de magnetização, como
a corrente de histerese. Estes valores são verificados em ensaios. Estes ensaios são:

a) Ensaio em vazio;

b) Ensaio em curto circuito;

c) Ensaio em carga.

2.3.1.1. Ensaio em vazio

Mantendo o secundário em aberto, ou seja, sem carga, alimenta-se o primário com


tensão nominal V e mede-se a corrente A e a potência dissipada W.

Figura 2.8 - Esquema para montagem do ensaio em vazio.

Fonte: EPUSP, 2016.

50
,

Neste caso, a corrente i1 é basicamente formada pela corrente iv que corresponde às


correntes que passam por Rc e Xm. Assim, pode-se desprezar os valores de R1 e X1
obtendo-se uma boa aproximação dos valores de perdas no núcleo.

𝐖
𝐜𝐨𝐬 𝛗 =
𝐕. 𝐈
𝐕
𝐑𝐂 =
𝐈. 𝐜𝐨𝐬 𝛗

𝐕
𝐗𝐦 =
𝐈. 𝐬𝐞𝐧 𝛗

Figura 2.9 - Circuito equivalente do ensaio em vazio. Prefere-se deixar o secundário


como o lado de alta, e o ensaio no lado de baixa por motivos de ordem prática.

Fonte: (FITZGERALD, 2015)

Este ensaio irá apresentar com um valor bastante aproximado a resistência RC e a


reatância Xm.

2.3.1.2. Ensaio em curto-circuito

No ensaio em vazio, será fechado um curto-circuito no secundário. No primário, aplica-


se uma tensão V crescente até que a corrente A alcance seu valor nominal. Mede-se a
potência dissipada W. Veja que a tensão aplicada será muito menor que a tensão
nominal (geralmente descrita na documentação do transformador) e, desta forma,
deve-se aplicar uma tensão crescente com muito cuidado no primário para não
exceder o valor de corrente nominal que será alcançado rapidamente (cerca de 3 a
10% da tensão nominal).

51
,

Figura 2.10 - Esquema para montagem do ensaio em curto-circuito

Fonte: EPUSP, 2016.

A resposta será uma impedância de curto-circuito.

Figura 2.11. Circuito equivalente do ensaio em curto-circuito. É preferível que o


ensaio ocorra no lado de alta e o curto-circuito ocorra no lado de baixa tensão.

Fonte: o autor

Assim sendo, a reatância e resistência formam uma só impedância, denominada


impedância de curto-circuito (Zcc) formada por uma resistência rCC e uma reatância Xcc.
A corrente i1 é a corrente de curto-circuito (icc). Como o lado secundário está “curto-
circuitado", temos o valor de perda com magnetização do núcleo (RC e Xm) como
valores desprezíveis. E o que se obtém são os valores de perdas nos enrolamentos.
Assim, os parâmetros podem ser obtidos da seguinte forma.

𝑽
𝒁𝒄𝒄 =
𝑰
𝑷
𝒓𝒄𝒄 =
𝑰²

𝑿𝒄𝒄 = √𝒁𝒄𝒄 ² − 𝒓𝒄𝒄²

52
,

2.3.2. Regulação em carga

Por meio dos ensaios em vazio e em curto-circuito, pode-se obter o valor de regulação
em carga. Trata-se de valor que representa a alteração do valor de tensão nominal
segundo a carga aplicada.

𝑽𝟐𝑽𝒂𝒛𝒊𝒐 − 𝑽𝟐𝑪𝒂𝒓𝒈𝒂
ℝ= . 𝟏𝟎𝟎%
𝑽𝟐𝑪𝒂𝒓𝒈𝒂

Assim, podemos concluir que, em um transformador ideal, a regulação seria zero, pois
o valor da tensão em vazio seria o mesmo que a tensão em carga, afinal não há perdas.
Isto significa que a regulação está intimamente ligada à impedância de curto-circuito
(ZCC) (KOSOW, 1982).

A natureza da carga influencia os valores elétricos do transformador alterando o cos φ.

2.3.3. Rendimento de Transformadores

O valor de potência de saída, em um transformador real, não possui o mesmo valor da


potência na entrada, pois, como vimos, existem perdas a serem consideradas. Assim,
um transformador ideal nunca possuirá um rendimento de 100%.

Este rendimento pode ser verificado da seguinte forma.

𝑷𝑺𝒂í𝒅𝒂 𝑷𝑬𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 − 𝑷𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔 𝑷𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔


𝜼= = =𝟏−
𝑷𝑬𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 𝑷𝑬𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 𝑷𝑬𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂
2.4 Autotransformador

Até agora, verificamos transformadores que possuem enrolamentos separados,


conectados magneticamente entre si. Contudo, o autotransformador possui
enrolamentos conectados, e seu funcionamento baseia-se na teoria dos divisores de
tensão e de corrente. Os enrolamentos do autotransformador não são eletricamente
separados.

Autotransformadores possuem reatâncias de dispersão menores, poucas perdas e


possuem valor mais atrativo.

53
,

Figura 2.12 - Autotransformador demonstrando as bobinas conectadas


eletricamente.

Fonte: (FITZGERALD, 2015).

O autotransformador poderá ser conectado como abaixador ou elevador, como ocorre


com os transformadores de duas bobinas separadas, mas funcionará de forma diversa.
A relação de tensão no autotransformador funciona de forma diversa devido à sua
conexão elétrica. A tensão no lado de alta será a soma da tensão de N1+N2. Na baixa
será a tensão de N1.

𝑽𝑵𝟏 +𝑵𝟐 = 𝑽𝑵𝟏 + 𝑽𝑵𝟐

𝑵𝟏
𝑽𝑵𝟏 +𝑵𝟐 = 𝑽𝑵𝟏 + 𝑽𝑵𝟐 = 𝑽 𝑵𝟏 + 𝑽 𝑵𝟏
𝑵𝟐

A corrente que entra em b, é a soma das correntes ba e bc.

𝑰𝒃 = 𝑰𝒃𝒂 + 𝑰𝒃𝒄

Assim, como exemplo, podemos considerar um autotransformador de 50kVA e


2400:240 V, que recebe 2400V no lado de alta. Este colherá uma tensão (N1+N2) de
2640V.

𝑽𝑵𝟏 +𝑵𝟐 = 𝟐𝟒𝟎𝟎 + 𝟐𝟒𝟎 = 𝟐𝟔𝟒𝟎𝑽


54
,

A corrente funcionará de forma diversa também, pois se fosse um transformador de


dois enrolamentos separados, teria uma corrente de 208A na alta e 20,8 na baixa.

Mas como autotransformador recebe 228 no enrolamento de 240V, pois como os


enrolamentos estão conectados entre si, existe um nó que soma as correntes de 208A
e 20,8A.

Figura 2.13 - Resultados e diagrama do exemplo. Verifique o nó que existe quando


conecta os dois enrolamentos no autotransformador.

Fonte: (FITZGERALD, 2015)

Conclusão

Neste material foram analisados os detalhes técnicos e físicos dos transformadores,


notadamente suas características elétricas, funcionamento, ensaios para obtenção dos
valores de corrente e tensão e de perdas de potência na forma dissipada. Foi
verificado também os transformadores abaixadores, elevadores, isoladores e
autotransformadores, seu rendimento e potência.

REFERÊNCIAS

CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5 ed. Porto Alegre: Mac Grae


Hill, 2013.

55
,

ESCOLA POLITÉCNICA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Transformadores: resumo


teórico - parte II. 2016. Disponível em: <https://bit.ly/2NTVi9x>. Acesso em: 22 fev.
2020.

FITZGERALD, A. E. Máquinas Elétricas: Com introdução à eletrônica de potência. 6 ed.


São Paulo: Editora Artmed, 2015.

KOSOW, I. L. Máquinas elétricas e transformadores. Porto Alegre: Globo, 1982.

UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7 ed. Porto Alegre: AMGH,


2014.

WEG. Manual: Transformador a óleo de distribuição até 300 kVA. 2015. Disponível em:
<https://bit.ly/2ZER8oH>. Acesso em: 22 fev. 2020.

56
,

3 PRINCÍPIOS DE CONVERSÃO ELETROMECÂNICA DE ENERGIA

Apresentação

Neste bloco, vamos verificar as fontes de energia na conservação de energia elétrica.


Daremos os primeiros passos para a compreensão do funcionamento de máquinas
elétricas rotativas, conhecendo o conjugado de motores elétricos. Já serão
apresentados alguns aspectos característicos de motores e geradores.

3.1 Relações de Energia

Desde a física clássica, a energia é conceituada como a capacidade de realizar


trabalho”. Mas o conceito é mais amplo.

A conversão eletromecânica de energia põe em jogo quatro formas de energia:

❖ A energia elétrica recebida (ou fornecida) pelo conversor eletromecânico;

❖ A energia mecânica restituída (ou absorvida);

❖ A energia térmica decorrente das perdas (calor);

❖ A energia magnética armazenada no campo de acoplamento.

Desta forma, pode-se conceituar energia como a um resultado das variações dos
estados de substâncias e sistemas.

3.1.1. Conservação de energia, Energia cinética, Energia potencial, energias


armazenadas e dissipadas, balanço na conservação de energia

A energia cinética pode ser compreendida como o movimento de coisas, um estado de


movimento de um objeto, ou seja, se o objeto está em repouso, sua energia cinética
pode ser considerada nula, e se está em movimento a energia cinética é maior que
zero.

Neste conceito, pode-se compreender as grandezas utilizadas para o cálculo da


quantidade de energia cinética, pois, se o corpo está em movimento, possui uma
velocidade (v), e se é um corpo, então possui massa (m). Assim, a energia cinética pode
ser calculada da seguinte forma.
57
,

𝟏
𝜺= 𝒎𝒗²
𝟐

Ou seja, um corpo de 3 kg que se movimenta à 2 m/s, terá uma energia cinética de 6


kg/m²/s² ou 6J (joule). Desta forma, quanto maior a massa ou a velocidade de um
corpo, maior sua energia cinética.

O aluno bem sabe que a conversão de energia se pauta na transferência de energia de


um corpo a outro, ou a alteração de formas de energias. Deste modo, deve-se analisar
esta transferência. Quando um corpo tem alterada sua energia cinética por fatores
externos (por exemplo, uma força), têm-se o trabalho. Isso significa que, a diferença de
energia cinética em um corpo, em dado momento, é o trabalho (𝜞). Imagine que um
corpo possua uma energia cinética (𝜺𝟎 ) e que, após a ação de uma força, passa à uma
energia cinética diversa (𝜺𝒇 ) (JEWETT, 2011).

𝟏 𝟏
𝜞 = 𝜺𝒇 − 𝜺𝟎 = 𝒎𝒗𝒐 ² − 𝒎𝒗𝒇 ²
𝟐 𝟐
Dissemos que uma força externa imprime alteração de energia cinética. E que o
movimento do corpo também a influencia. Assim, uma força (F) que atua sobre um
corpo, sob um ângulo específico (𝝓), deslocando-o a uma certa distância (d), produzirá
trabalho. Na mecânica, o trabalho considera uma força, então pode ser calculado da
seguinte forma.

𝜞 = 𝑭. 𝒅. 𝒄𝒐𝒔 𝝓
Desta forma, se o corpo do exemplo anterior possui energia cinética, e ele sofreu uma
alteração nela, ele sofreu ou executou trabalho. Então, um corpo de 3 kg que se
movimenta à 2 m/s, terá uma energia cinética de 6J. Mas se sua velocidade foi alterada
por meio de uma força paralela à direção do movimento, tendo colocado o objeto em
repouso, este objeto terá sofrido um trabalho.

𝚪 = 𝟎𝐉 − 𝟔𝐉 = −𝟔𝐉

Veja que o trabalho negativo apenas indica que o corpo sofreu um trabalho.

58
,

Se o trabalho pode ser aplicado relacionado a uma força, lembrando que a força é o
produto da massa e aceleração do corpo, então a gravidade também produzirá
trabalho, certo?

Contudo, a aceleração gravitacional (g) produzirá uma força peso (P) em uma massa
(m) em uma certa distância (d) (JEWETT, 2011).

𝚪 = 𝐦. 𝐠. 𝐝 𝐜𝐨𝐬(𝛟)

Assim, quando a água desce montanha abaixo para girar uma turbina, ela está
produzindo trabalho, já que a força que a impulsiona é o Peso (P=mg).

A energia não pode ser criada nem destruída. Ela pode sim ser convertida de um tipo
em outro. Então, um corpo parado, tendo movimento nulo e, portanto, velocidade
nula, não possui energia?

Este corpo possui sim energia, mas numa forma que possa ser convertida em energia
cinética. Esta energia é denominada potencial, pois é verificada em relação à um
diferencial.

A água em um dique, pronta para descer duto abaixo e ser utilizada em uma turbina de
uma hidrelétrica, possui energia potencial em relação às pás desta turbina. Assim, ela
possuirá condição de ter esta energia potencial transformada em energia cinética apta
a movimentar as pás da turbina (momentum).

Esta água, enquanto está no dique, possui energia potencial gravitacional em relação
às pás da turbina, ou seja, está ligada à altura em que se encontra do ponto de
referência. A massa do objeto também é considerada, e a aceleração da gravidade.
(JEWETT, 2011).

𝜺𝒑 = 𝒎. 𝒈. 𝒉

59
,

Figura 3.1 - Energia potencial gravitacional e cinética em uma hidrelétrica (modelo


simplificado).

Reservatório
de água

Ep = m.g.h

Ec = 0,5 . m .

Turbina

Fonte: Elaborado pelo autor.

Muitas formas de energia possuem energia potencial, como a energia potencial


elástica e energia potencial elétrica. Cada uma considerando as suas grandezas físicas
peculiares, mas com o mesmo conceito, ou seja, sempre em relação a um referencial.

Por exemplo, quando dizemos que uma tomada possui 220V, significa que, entre seus
polos, existe uma diferença de energia potencial elétrica de 220V. Assim, esta tomada
pode possuir quaisquer valores de em seus polos desde que a diferença entre eles seja
de 220V.

Em mecânica, a energia total em um sistema, é a soma das energias cinética e


potencial, denominada energia mecânica, que apresenta ao aluno toda a energia em
um sistema. Da mesma forma, isto ocorre em todas as formas de energia, como
denomina a Conservação de Energia.

𝜺𝒎 = 𝜺𝒑 + 𝜺𝒄

60
,

O sistema em que a energia mecânica não se altera, ou seja, que a energia potencial e
gravitacional aumenta e diminua proporcionalmente, é denominado Sistema
Conservativo, e segue o princípio da conservação de energia.

Assim, um sistema sobre forças conservativas não produz trabalho e sua energia
mecânica será nula. Todo sistema deve possuir perdas, geralmente com atrito e na
forma térmica, como no caso do atrito da água nas paredes dos dutos, ou do motor
quando se aquece em funcionamento. Estes sistemas que dissipam energia em outra
forma de energia são denominados dissipativos.

3.1.2. Cálculo de forças e conjugados em sistemas de excitação única e dupla –


equação do conjugado e equação de força; conjugado de mútua indutância e de
relutância.

Vimos no título anterior que o trabalho pode ser calculado tanto em referência à
energia quanto à força. Isto ocorre porque elas estão intimamente ligadas, já que
ambas consideram uma massa e um movimento. Para compreender o conjugado,
devemos iniciar nossos estudos relembrando o movimento circular ou rotacional.

A força de Lorentz (FL) nos apresenta que em um sistema em um campo elétrico (E),
temos a relação entre a carga (q) e o campo. Já em um sistema em um campo
puramente magnético (B), temos a relação entre a carga, o campo magnético e a
velocidade do corpo (v). A soma destas duas situações apresenta a força segundo o
que segue. (JEWETT, 2011)

𝑭𝑳 = 𝒒(𝑬 + 𝒗 × 𝑩)

Para situações em que se considera um corpo, deve-se considerar a densidade de


cargas, ou seja.

𝑭𝑳 = 𝑱 × 𝑩

Baseando-se no princípio de conservação de energia, pode-se chegar aos dispositivos


de conversão de energia elétrica em mecânica e vice-versa. Imagine um dispositivo
que armazena energia magnética sem perdas. Este dispositivo é composto por uma
bobina (lembre-se que é ideal pois não considera perdas) e um núcleo magnético.
Imerso ao campo magnético criado, tem-se um êmbolo livre para movimentar-se em
duas direções.
61
,

Figura 3.2 - Dispositivo ideal de conversão eletromecânica.

Fonte: (FITZGERALD, 2006)

No terminal da bobina temos tensão e corrente sendo aplicados e no lado mecânico


onde há o êmbolo temos a presença de uma força denominada força de campo e uma
movimentação representada pelo deslocamento “x”.

As perdas, desconsideradas por hora, são elétricas (impedâncias) e mecânicas (atrito e


deslocamento do ar por exemplo). A energia armazenada do campo magnético, em
relação ao tempo, pode ser verificada se encontrar a diferença de potência elétrica e
mecânica. (UMANS, 2014)

𝒅𝑾 𝒅𝒙
= 𝒗𝒊 − 𝒇𝒄𝒂𝒎𝒑𝒐
𝒅𝒕 𝒅𝒕
Considerando o fluxo concatenado (𝝀), que é o produto do fluxo magnético (𝝋) pelo
número de espiras da bobina, pode ser considerado resultando no seguinte (UMANS,
2014).

𝒅𝑾 = 𝒊. 𝒅𝝀 − 𝒇𝒄𝒂𝒎𝒑𝒐 . 𝒅𝒙

Pode-se apresentar a energia magnética armazenada também por meio de densidade


de energia integrada em um volume específico.

62
,

3.2 Aplicações

Motores e geradores são basicamente transdutores de energia. Isto significa que eles
possuem o condão de alterar a forma de energia, sendo basicamente de energia
elétrica para energia mecânica no caso dos motores e de energia mecânica para
energia elétrica no caso dos geradores. A utilização da energia elétrica depende da
quantidade de energia que pode ser transformada em trabalho. Isto significa que a
utilização das máquinas girantes está centrada dentro da possibilidade de transformar
energia elétrica em energia mecânica, e vice-versa. Desta forma, com a criação de
campos magnéticos girantes, é possível criar uma força que movimenta motores. Da
mesma maneira, o movimento que cria um campo magnético girante gera o
aparecimento de uma corrente elétrica nos geradores.

Todo motor é essencialmente um gerador, e vice-versa, pois a força eletromotriz (fem)


sempre será produzida, já que sempre temos condutores em campos magnéticos
variáveis, e o que diferencia o motor do gerador é que um é construído para gerar o
máximo de fem e o outro o máximo de conjugado.

O valor da fem é dependente da velocidade angular. Assim:

𝒇𝒆𝒎 = 𝑵𝑨𝑩𝝎

Sendo a fem em volts.

63
,

Figura 3.3 - Conversão de energias entre motores e geradores.

MOTO
R

ENERGIA ENERGIA
ELÉTRICA MECÂNICA

GERADO
R
Fonte: Elaborado pelo autor.

Um motor elétrico recebe potência da rede elétrica como potência de entrada (Pe) e a
transforma em potência mecânica como potência na saída (Ps) para o acionamento de
uma carga acoplada ao eixo.

Assim, a potência de entrada e de saída serão diferentes. Ainda, existe uma grande
diferença entre o motor saindo da inércia e do motor em movimento. O motor que
parte da inércia precisará de uma corrente suficiente para vencer a inércia, vencer o
atrito nos mancais e movimentar a massa do rotor. Esta corrente é mais alta que a
corrente nominal (corrente de trabalho do motor), onde o rotor já está girando e a
massa do rotor trabalha a favor da continuidade do movimento. Isto se traduz na
existência ou não de uma fem induzida, pois, ao mesmo tempo que a inércia foi
vencida, uma fem estará sendo gerada, e se contrapõe à corrente que alimenta as
bobinas do motor.

Lembre-se que, como o motor parte com uma velocidade nula (parado), a fem é
igualmente nula. Assim, a corrente que alimentará a bobina será a máxima (corrente
de partida), e isto auxiliará o motor partir. Após atingir sua velocidade nominal, a fem
será máxima, e o motor atingirá uma corrente nominal que será sensivelmente menor
que a corrente de partida.
64
,

Veja que, na partida do motor, havendo uma corrente muito maior, este quadro não
pode permanecer por muito tempo, sob pena de danos ao motor. Assim, a partida do
motor deve ocorrer o mais rápido possível, geralmente em frações de segundos para
motores pequenos ou alguns segundos para motores de grande porte.

Daí o perigo de motores ligados com o rotor emperrado, ou atuando movendo cargas
muito acima do especificado. A potência excessiva gerada será dissipada
predominantemente por efeito joule, causando o aquecimento das bobinas do motor.
O torque elevado de partida poderá trazer danos físicos em grandes motores (JEWETT,
2011).

3.2.1. Motor síncrono monofásico de relutância (conjugado de relutância senoidal)

O motor síncrono recebe este nome porque a velocidade de giro do campo girante
encontra-se em sincronia com o eixo do motor. Para isto, é necessário que ele possua
dois campos magnéticos distintos:

a) um provocado pela tensão alternada aplicada na parte do estator do motor;

b) outro provocado pela aplicação de tensão fixa no rotor do motor ou por um ímã
permanente.

Os motores síncronos de relutância se baseiam na relutância magnética, uma


característica dos materiais em um circuito magnético. Neste motor, o conjugado é
produzido quando, sobre a influência de um campo magnético, o rotor desloca-se para
a posição com maior indutância provocada pelo enrolamento de excitação. Existem
diversas formas de construção destes motores, pois o rotor pode ficar na parte interna
ou na parte externa, criando movimentos de translação ou de rotação.

A relutância magnética é a “resistência” ao campo magnético, e pode ser representada


pela razão entre a força magnetomotriz (Fmm) e o fluxo magnético (φ).

𝑭𝒎𝒎
𝕽= [𝑨𝒆/𝑾𝒃]
𝝋

A relutância também pode ser calculada como o inverso da permeância (CHAPMAN,


2013).
65
,

𝟏
𝕽=
𝓟

Antes eram pouco utilizados, mas com o avanço dos microcontroladores e sistemas
embarcados, possuem larga escala de uso, especialmente quando se necessita de
precisão, como é o caso da robótica.

Em sua construção, o estator possui saliências como um motor CC escovado, mas o


rotor possui alterações de relutância. Quando o polo do rotor está desalinhado com o
polo do estator, está em máxima relutância e quando está alinhado, está em mínima
relutância.

Os motores de relutância síncronos são assim denominados, pois possuem os mesmos


números de polo do estator e rotor.

Figura 3.4 - Pólos do motor de relutância. Os enrolamentos encontram-se


concentrados no estator, e as saliências do rotor encontram-se alinhadas com as do
estator segundo a energização destes.

Fonte: MAJO STATT SENF, 2015.

Uma vez, em velocidade nominal, poderá ser movido por meio de sinal senoidal, e sua
velocidade pode ser controlada por inversor de frequência.

66
,

3.3 Força e conjugado mecânico nos conversores de campo elétrico

Ao girar uma única espira feita com material condutor, sob a ação de um campo
magnético qualquer, este campo que atua sobre a espira irá variar como resultado do
próprio giro. Significa dizer que, estando sob um campo magnético fixo, cada lado da
espira irá receber, ora a ação em uma direção, ora em outra. Com esta variação, a
indução fará aparecer uma corrente na espira, de sentido dependente da posição da
mesma. As máquinas elétricas dependem deste campo magnético para produzirem o
conjugado e tensão.

O conjugado é o resultado de uma força que gira um corpo, e assim, pode-se


compreender facilmente se imaginar um disco livre para girar para qualquer lado e que
um “x” marque o centro deste disco. Imagine que uma força atue sobre este disco em
diversas posições. Esta força, inicialmente atua sobre o centro do disco, sobre o “x”.

Figura 3.5 - Uma força (F) qualquer atua sobre o centro de um círculo.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Neste momento o círculo não se movimenta, pois a força, atuando sobre seu centro
exatamente, não causa movimento rotacional no círculo. O conjugado é nulo.
Contudo, se esta força aturar sobre o círculo à uma distância do centro, o círculo irá se
mover e teremos um conjugado.
67
,

Figura 3.6 - Uma força (F) qualquer atua sobre um círculo, à uma distância (r) do
centro.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Neste momento, o disco irá assumir um movimento rotacional por conta da força que
lhe foi aplicada. Este movimento irá gerar uma velocidade angular (ω) e irá então
formar um conjugado. Esta distância (r) é perpendicular e tem como origem, o centro
do disco. Veja que se a força não é perpendicular ao centro, é necessário verificar o
ângulo (θ).

𝐂 = 𝐅 . 𝐫 . 𝐬𝐞𝐧(𝛉)

Ainda, para Newton, pode-se apresentar o torque em relação ao momento de inércia,


onde se possui a mesma relação acima, mas considerando o momento de inércia (J) e a
aceleração (a).

𝑪 = 𝑱.𝒂

No caso dos motores, esta força descende basicamente da interação entre campos
magnéticos e nos geradores, descende do movimento mecânico externo, como uma
turbina ou um pistão. Veja que isto, em um caráter ideal, pois, na realidade, existe um
conjunto de forças atuantes que entram em concurso entre si, como o atrito, o torque
da carga e o peso.

68
,

Para Lenz, o movimento de uma espira sobre um campo magnético causará uma
corrente (até aqui, Faraday), e esta corrente criará um campo próprio, que se opõe ao
campo que à originou. É interessante frisar que esta lei está em concordância à lei de
ação e reação de Newton e de Le Chatelier, mas implica na criação de reações
eletromagnéticas. O campo resultante destes campos magnéticos é denominado
campo concatenado, e relaciona magneticamente os dois corpos básicos de uma
máquina elétrica: o estator e o rotor (KOSOW, 1982).

Da mesma forma que uma força atua sobre uma partícula que se movimenta à uma
certa velocidade, este campo magnético atuará sobre uma espira em que passa uma
corrente (corrente esta que pode ter sido induzida pelo próprio campo ou que seja
aplicada à espira por meios externos).

Esta expira, estando livre para girar em um eixo, será impulsionada por uma força
magnética.

𝐛
⃗⃗
𝐅𝐁 = 𝐈 ∫ 𝐝𝐬 𝐱 𝐁
𝐚

Peguemos agora uma espira de forma quadrada, que se encontra energizada sobre a
influência de uma corrente e imersa em um campo magnético. Esta espira terá duas
situações especificamente: uma em que a espira está em posição perpendicular ao
campo magnético (“a” e “c”) e outra em que está em posição paralela (“b” e “d”).

69
,

Figura 3.7 - Espira sobre um campo magnético.

Fonte: Elaborado pelo autor.

O conjugado total sobre esta espira dependerá basicamente desta força, e será
verificada com o produto da corrente que passa pelo condutor (I), a área da espira (A)
e o módulo do campo magnético (B).

𝐂=𝐈𝐀𝐁

Considerando que os lados das espiras podem não ser perfeitamente perpendiculares
ao campo magnético, a equação acima ficará da seguinte forma.

𝐂 = 𝐈 𝐀 𝐁 𝐬𝐞𝐧(𝛉)

⃗ × 𝐁
𝐂 = 𝐈𝐀 ⃗

Os motores de dupla excitação são aqueles que possuem a bobina do rotor e do


estator, e a qual uma tensão alternada CA é aplicada a ambos os enrolamentos. A
tensão aplicada ao enrolamento da armadura é uma tensão de excitação de frequência
(normalmente) constante e de potencial também (normalmente) constante, suprida
por um barramento polifásico ou monofásico, da mesma maneira que nas máquinas
síncronas. A tensão aplicada ao rotor é uma tensão induzida de frequência e potencial
variáveis, produzida como consequência da velocidade do rotor com relação à
velocidade síncrona.

70
,

Assim, é interessante se atentar para o momento dipolar de uma espira de corrente.


Isto porque o campo magnético gerará uma força para cada lado da espira, e deve-se
considerar este fato para o cálculo do conjugado.

Figura 3.8 - Forças atuantes no momento magnético dipolar de uma espira de


corrente.

Fonte: elaborado pelo autor

O momento dipolar de uma bobina com um número de espiras (N) de corrente será
⃗⃗ ).
efetuado considerando a corrente (I) e a normal à área (𝑨

⃗⃗
⃗ = 𝐍𝐈𝐀
𝛍

⃗⃗ ).
Ao estar relacionado ao vetor campo magnético (𝑩

⃗𝑪 = 𝝁
⃗ × ⃗⃗𝑩

Exemplo. Uma bobina retangular de dimensões 5,4cm x 8,5cm consiste em 25 voltas


de fio e transporta uma corrente de 15 mA. Um campo magnético de 0,35 T é aplicado
em paralelo à bobina. Qual o módulo do conjugado que age nesta espira?

Solução.

Primeiramente, relacione as equações do momento dipolo magnético com o


conjugado.

𝛍 = 𝐍𝐈𝐀

𝐂 = 𝛍𝐁

𝐂 = 𝐍. 𝐈. 𝐀 . 𝐁
71
,

Então, aplicam-se as constantes dos dados do problema.

𝐂 = 𝟐𝟓 . 𝟎, 𝟎𝟏𝟓. (𝟎, 𝟎𝟓𝟒 ∗ 𝟎, 𝟎𝟖𝟓) . 𝟎, 𝟑𝟓 = 𝟔𝟎𝟐, 𝟒𝟒 . 𝟏𝟎−𝟔 𝐍𝐦

Conclusão

Nesta unidade aprendemos sobre princípios de conversão eletromecânica como


conservação de energia. Vimos os principais conceitos a respeito das máquinas
elétricas rotativas, como conjugado do motor, as forças que estão envolvidas na
geração do campo magnético girante e o conjugado do motor. Podemos ver a relação
entre o conjugado e a velocidade angular e também aprendemos as relações entre
corrente de partida e corrente nominal do motor elétrico.

REFERÊNCIAS

CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5 ed. Porto Alegre: Mac Grae


Hill, 2013.

FITZGERALD, A. Máquinas Elétricas com introdução à eletrônica de potência. 6 ed.


Porto Alegre: Bookman, 2006.

JEWETT, J. S. Física para cientistas e engenheiros: Eletricidade e magnetismo. Vol. 3.


São Paulo: Ed. Cengage Learning, 2011.

KOSOW, I. L. Máquinas elétricas e transformadores. Porto Alegre: Globo, 1982.

MAJO STATT SENF. Reluktanzmotor. Wikimedia Commons, 2015. Disponível em:


<https://bit.ly/3bASG8G>. Acesso em: 23 fev. 2020.

UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7 ed. Porto Alegre: AMGH,


2014.

72
,

4. Geradores e Motores síncronos

Apresentação

Neste bloco, iremos iniciar nossos estudos sobre as máquinas elétricas rotativas
síncronas, onde poderemos conhecer os princípios de funcionamento e os detalhes
construtivos. Iremos ver também que as máquinas elétricas podem ser analisadas
como um circuito elétrico, denominado circuito equivalente.

4.1 Princípios de funcionamento e aspectos construtivos

A principal aplicação das máquinas síncronas é na geração de energia elétrica. O


estator é constituído de uma coroa cilíndrica com ranhuras espaçadas. Nestas ranhuras
são alojados os enrolamentos trifásicos. O rotor pode ser construído de duas maneiras
(UMANS, 2014):

a) No rotor liso, existe um cilindro maciço onde são criadas ranhuras e nestas
estão alojados os enrolamentos de caráter monofásico. Assim, é necessária a
utilização de anéis comutadores e escovas. Neste enrolamento injeta-se
corrente contínua.

b) O rotor de polos salientes possui ranhuras salientes onde se alojam os


condutores.

c) Os enrolamentos são conectados em série e também é injetada corrente


contínua.

73
,

Figuras 4.1 - (a) Rotor de seis polos salientes. (b) Rotor de oito polos salientes
podendo-se ver os enrolamentos dos polos individuais do rotor. (c) Um único polo
saliente de um rotor, sem que os enrolamentos de campo tenham sido colocados no
lugar. (d) Um único polo saliente, mostrado depois que os enrolamentos de campo já
foram instalados, mas antes que ele tenha sido montado no rotor.

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

Nas máquinas síncronas, o rotor possui um campo magnético estático, geralmente


criado por meio de anéis comutadores e escovas, que alimentam com corrente
contínua enrolamentos ligados em série em ranhuras. Em alguns casos, o rotor pode
possuir ímãs permanentes e estas máquinas são denominadas máquinas síncronas de
imãs permanentes.

O enrolamento do rotor em corrente contínua suporta baixas correntes se comparado


com as correntes nos enrolamentos do estator, e o movimento rotativo do rotor faz
com que, isoladamente, a cada enrolamento do estator, crie-se um fluxo magnético
variável. Veja que, ao girar o rotor, o campo magnético já não é mais estático.

74
,

Em máquinas maiores, a corrente contínua é providenciada por um equipamento


denominado excitatriz no lugar dos anéis comutadores e escovas. Este equipamento é
composto de um pequeno gerador para providenciar corrente alternada para
alimentar as bobinas do rotor e esta corrente, sendo alternada passa por retificadores
que podem ser, desde simples ponte de diodos, até elaborados circuitos eletrônicos
para retificar a corrente de alternada para contínua, alimentando assim as bobinas do
rotor.

Figura 4.2 - Circuito de ponte de diodos da excitatriz elimina a necessidade de anéis


comutadores e escovas

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

Máquinas síncronas podem ser construídas para funcionarem tanto como motores
quanto como geradores, dependendo apenas em relação à detalhes construtivos e do
uso. Assim, no gerador, um sistema mecânico providencia o giro no rotor que gera
uma velocidade angular com um torque específico, gerando corrente elétrica e, em
contrapartida, um motor recebe corrente elétrica e gera movimento e torque em uma
velocidade específica.

75
,

Esta velocidade é igual à velocidade no rotor, pois, em máquinas síncronas, há um


sincronismo entre o campo girante e o rotor. O campo magnético, que dependerá do
número de pólos (P), apontará para a direção em que o giro do rotor indicar e sua
velocidade em RPM (n), indicará qual a frequência elétrica (f) será regulada pelo giro
do rotor.

𝐧. 𝐏
𝐟=
𝟏𝟐𝟎
A tensão induzida (e) poderá ser encontrada pela diferencial do fluxo magnético
concatenado (𝝋) pelas espiras e este, por sua vez, é multiplicado pelo número de
espiras (N). Interessante frisar então, que a tensão induzida pode ser calculada pelo
seguinte.

𝐝𝛗
𝐞=𝐍
𝐝𝐭
Esta tensão representa uma onda senoidal que é criada também pelo distanciamento
irregular do entreferro (UMANS, 2014).

Figura 4.3 - Distância irregular do entreferro.

Fonte: o autor

76
,

4.2 Dedução do circuito equivalente de máquinas síncronas

Nas máquinas síncronas, o sentido do fluxo de corrente no estator é invertido em


relação ao uso (motor ou gerador), pois o sentido do fluxo de potência também o é.
Vamos analisar a máquina síncrona como um motor, lembrando que o circuito
equivalente é o mesmo, mudando apenas o sentido da corrente.

Por conta da forma como funciona a máquina síncrona, podemos relevar quatro
peculiaridades do circuito equivalente. A tensão induzida pelo fluxo do enrolamento
de campo, também denominada tensão gerada ou tensão interna (Ea), no enrolamento
do estator é o maior efeito a ser considerado. Nos terminais teremos uma tensão (V φ)
que é igual à tensão gerada, se o gerador não for conectado a uma carga. No caso de
ser conectado à carga, esses valores se alteram, pois, haverá uma corrente nos
enrolamentos do estator alterando o campo magnético gerado pelo enrolamento de
campo. Esta alteração é denominada como reação de armadura (no estator) e ocorre
porque foi criada uma corrente pelo próprio campo magnético que está sendo
afetado.

A tensão de fase será formada pela tensão gerada e a tensão da reação da armadura.
Esta reação da armadura é apresentada na forma de uma reatância onde:

𝑬𝒆𝒔𝒕 = −𝒋𝑿 𝒊𝑨

Além desta reatância, existe também a reatância da indução do reator na armadura.


Esta indutância poderá ser denominada XA e da mesma forma:

𝑬𝑨 = −𝒋𝑿𝑨 𝒊𝑨

O enrolamento do estator, onde se forma a corrente I a, é considerado com resistência


como Ra e, desta forma, contrapõe-se à tensão gerada. Então, podemos concluir que a
tensão na fase será:

𝑽∅ = 𝑬𝒄 − 𝒋𝑿𝑨 𝒊𝑨 − 𝒋𝑿𝒊𝑨 − 𝑹𝑨 𝒊𝑨

As reatâncias podem ser consideradas como uma única reatância denominada


reatância síncrona (XS).

77
,

𝑿𝑺 = 𝑿𝑨 + 𝑿

Então:

𝐕∅ = 𝐄𝐜 − 𝐣𝐗 𝐒 𝐢𝐀 − 𝐑 𝐀 𝐢𝐀

Deste modo, pode-se construir um circuito equivalente do gerador síncrono trifásico,


utilizando-se da análise de Kirchoff e chegando ao diagrama abaixo descrito.

Figura 4.4 - Circuito equivalente de uma fase para o gerador.

Fonte: o autor.

No caso do gerador trifásico, a única alteração que se observará é a que ocorre na fase
(120°). Lembre-se que poderá haver desbalanceamento destas fases se as cargas
estiverem desbalanceadas ou desequilibradas.

Pode-se expressar esses valores por meio de fasores, onde, em um diagrama fasorial,
pode-se ver os valores de tensão e corrente no circuito equivalente.

4.3 Máquinas síncronas em um sistema de potência

Em uma máquina síncrona, a corrente de campo pode ser facilmente ajustada gerando
efeitos diversos no seu funcionamento. Para o caso de subexcitação da corrente de
campo, efeitos diversos ocorrem no funcionamento da máquina.

78
,

Inicialmente, ao variar corrente de campo, teremos variações na corrente de


armadura, e na potência da máquina. Também ocorrerá variações de fator de
potência. Contudo, mantendo-se a potência constante, teremos efeitos interessantes
na corrente de armadura.

Em um diagrama fasorial, podemos analisar um motor síncrono operando com


potência constante, e variamos a corrente de campo, teremos alterações da corrente
de armadura (IA). Quando a corrente de campo é aumentada, ocorre o aumento da
tensão de armadura (EA) e a corrente de armadura diminui e depois volta a aumentar.
Um efeito interessante é a mudança do ângulo entre corrente e tensão, e, por
consequência, a alteração do fator de potência.

Para uma potência constante, existe então uma mudança do ângulo de fase da
corrente IA, da Tensão EA, mas não há mudanças da tensão da fase (Vφ). Veja este
efeito no diagrama fasorial a seguir:

79
,

Figura 4.5 - Em cima, um motor com corrente de armadura atrasada demonstra um


fator de potência fp≠1 (a). Abaixo, percebe-se uma mudança do ângulo de fase, e
principalmente a oscilação do módulo de corrente e tensão para uma potência
constante (b).

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

Quando a tensão de armadura (EA) aumenta, a corrente oscila diminuindo e depois


aumentando, tendo um valor de ângulo de fase alterado, sempre aumentando.

Sabemos que, ao aumentar ou diminuir o ângulo de fase, alteramos entre uma carga
indutiva e capacitiva, mudando o fator de potência e entregando (para geradores) ou
utilizando (para motores) ao sistema uma potência reativa capacitiva ou indutiva.

Pode-se perceber isto ao analisar mais minuciosamente o diagrama fasorial acima.

80
,

Em IA2 a corrente está em fase em relação à tensão de fase (Vφ) e o ângulo de fase é 0°.
Neste momento, a tensão EA é tal que proporciona um fator de potência fp=1, e o que
se tem é uma potência reativa igual à 0. A máquina síncrona assemelha-se a um
resistor e não há alterações no sistema elétrico. Neste caso, há uma excitação normal
do campo.

Em IA2 a corrente está atrasada em relação à tensão de fase (Vφ) e o ângulo de fase é
menor que 0°. Então, o que se pode verificar é a diminuição da tensão da armadura E A1
mas o aumento da corrente IA1. Lembre-se que a potência sempre se manterá
constante, e há apenas a alteração da fase entre IA e Vφ . A máquina se comporta agora
como um indutor, entregando ou utilizando potência indutiva do sistema.

Quando ocorre o aumento gradativo de tensão de armadura (EA3 e EA4), as correntes


de armadura IA3 e IA4 também aumentam e encontram-se adiantadas em relação à
tensão de fase (Vφ), mas a potência permanece constante. Não há como negar que a
máquina síncrona agora possui potência reativa e se comporta como um capacitor.

Ao analisarmos a relação entre corrente de fase e corrente de armadura, podemos


traçar um gráfico que se denomina gráfico corrente de campo x corrente de armadura
ou comumente gráfico “V” pela sua característica visual.

Neste gráfico, relacionamos uma corrente de armadura (IA) à uma corrente de campo
(If) em uma potência fixa. Verifica-se uma alteração também de fator de potência.
Vejamos o gráfico “V” de um gerador genérico abaixo.

81
,

Figura 4.6 - Gráfico “V” de um gerador síncrono.

Fonte: FITZGERALD, 2006.

No gráfico “V”, a potência é apresentada por unidade (pu) e, desta forma, pode-se
analisar valores de 25%, 50%, 75% e 100% da potência. Também são apresentados os
momentos em que o fator de potência é de 0,8, 1 e após, novamente 0,8 já que o
atraso ou adiantamento da corrente em relação à tensão leva à valores de fator de
potência sempre menor ou igual à 1. Quando o fator de potência é 1, o motor está
sobre excitação de campo normal.

É interessante como com valores de potência abaixo do nominal, as alterações de


corrente de armadura são mais bruscas. Quanto menor a potência, menor é a faixa de
corrente de fase onde se pode obter um fator de potência entre 0,8 e 1.

Neste gráfico podemos ver também que o valor de corrente de fase baixo, quando o
motor está sub-excitado, o fator de potência possui características capacitivas, e
superexcitado, características indutivas.

Esta peculiaridade das máquinas elétricas rotativas pode ser utilizada para correção de
fator de potência, sem que sejam necessários bancos de capacitores, aproveitando-se
ainda a conversão de energia providenciada pelas máquinas (KOSOW, 1982).
82
,

Vamos verificar o exemplo abaixo para compreender como o valor de corrente de


campo altera a corrente de armadura:

Exemplo. Um motor síncrono de 208 V, 45 HP, FP 0,8 adiantado, ligado em Δ e com


frequência de 60 Hz tem uma reatância síncrona de 2,5 Ω e uma resistência de
armadura desprezível. Suas perdas por atrito e ventilação são 1,5 kW e as perdas no
núcleo são 1,0 kW. O eixo está impulsionando uma carga de 15 HP com um fator de
potência inicial de FP 0,85 atrasado. Qual o valor da corrente de Armadura IA quando a
corrente de campo IF é 4,0 A?

Inicialmente, adeque o valor de potência de saída.

𝑷𝑺𝒂í𝒅𝒂 = 𝟏𝟓𝑯𝑷 = 𝟏𝟓 . 𝟎, 𝟕𝟒𝟔 = 𝟏𝟏, 𝟏𝟗 𝒌𝑾

Encontramos o valor de potência de entrada.

𝑷𝒆𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 = 𝑷𝒔𝒂í𝒅𝒂 + 𝑷𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔 𝑵𝒖𝒄 + 𝑷𝑷𝒆𝒓𝒅𝒂𝒔𝑴𝒆𝒄 + 𝑷𝑬𝒍é𝒕

𝑷𝒆𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 = 𝟏𝟏, 𝟏𝟗 + 𝟏 + 𝟏, 𝟓 + 𝟎 = 𝟏𝟑, 𝟔𝟗 𝒌𝑾

Assim, pode-se analisar o valor de Corrente de Armadura IA.

𝑷𝑬𝒏𝒕𝒓𝒂𝒅𝒂 𝟏𝟑, 𝟓𝟗. 𝟏𝟎𝟑


𝑰𝑨 = = = 𝟐𝟓, 𝟖 𝑨
𝟑. 𝑽𝝓 . 𝐜𝐨𝐬(𝜽) 𝟑 . 𝟐𝟎𝟖 . 𝟎, 𝟖𝟓

𝜽 = 𝐜𝐨𝐬 −𝟏 (𝟎, 𝟖𝟓) = 𝟑𝟏, 𝟖°

𝑰𝑨 = 𝟐𝟓, 𝟖∠ − 𝟑𝟏, 𝟖° 𝑨

Encontramos a tensão EA (Lembre-se que a reatância XS possui um ângulo de 90°):

𝐄𝐀 = 𝐕∅ − 𝐣𝐗 𝐬 𝐈𝐀

𝐄𝐀 = 𝟐𝟎𝟖∠𝟎° − 𝟐, 𝟓∠𝟗𝟎° 𝟐𝟓, 𝟖∠ − 𝟑𝟏, 𝟖°.

𝐄𝐀 = 𝟐𝟎𝟖∠𝟎° − 𝟔𝟒∠𝟓𝟖, 𝟐°

𝐄𝐀 = 𝟏𝟖𝟐∠ − 𝟏𝟕, 𝟓° 𝐕

83
,

A função de Ea para qualquer valor de corrente de campo If será:

𝐢𝐟 𝐄𝐚
=
𝟒𝐀 𝟏𝟖𝟐𝐕

𝐄𝐚 (𝐈𝐟 ) = 𝟒𝟓, 𝟓. 𝐈𝐟

Pode-se plotar o gráfico “V” de um motor real por meio do software de tratamento
matemático Octave ®.

Utilizaremos para tanto o motor hipotético do exemplo anterior com as seguintes


características:

Corrente de campo: 3.8A ≤ If ≤ 5.8A

Reatância síncrona (XS) = 2,5Ω

Tensão de fase (Vφ) = 208V

Potência de entrada = 13,69kW

Fp = 0,85

Primeiro, declare o valor do intervalo da corrente de campo I F.

i_f = (3.8:0.1:5.8);

Prepare a matriz de IA, para que o sistema aloque o espaço previamente para os
resultados.

i_a = zeros(1,21);

A tensão de fase e a reatância síncrona serão uma constante.

x_s = 2.5;

v_phase = 208;

Apresentamos a tensão EA na forma retangular:

delta1 = -17.5 * pi/180;

84
,

e_a1 = 182*(cos(deltal) + j*sin(deltal));

Abra em uma seção “for” para calcular a corrente de armadura para cada valor:

for ii = 1:21

A função de EA para qualquer valor de corrente de campo If será:

e_a2 = 45.5 * i_f(ii);

Crie a função IA(IF), ainda dentro da função “for”:

delta2 = asin (abs(e_al) / abs(e_a2) * sin(deltal));

e_a2 = e_a2 * (cos(delta2) + j * sin(delta2));

i_a(ii) = (v_phase-e_a2)/(j * x_s);

end

Vamos plotar o gráfico:

plot(i_f,abs(i_a),'Color','k','Linewidth',2.0,4,25.8,'o');

xlabel("Corrente de campo (A)",'Fontweight','Bold');

ylabel("Corrente de armadura (A)",'Fontweight','Bold');

title ("Curva V de Motor Síncrono",'Fontweight','Bold');

grid on;

O resultado será o gráfico “V” do exemplo dado.

85
,

Figura 4.7 - Gráfico “V” do motor do exemplo dado. O círculo vermelho indica a
corrente de campo de 4A e o resultado de corrente armadura de A, segundo o que
foi calculado.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Conclusão
Neste bloco, foram apresentadas as máquinas elétricas síncronas, onde o campo
magnético girante possui mesma velocidade que o rotor, e geralmente são utilizadas
como geradores de energia elétrica. Podemos ver seus princípios físicos e as
características que envolvem seu processo construtivo. Deduzimos um circuito elétrico
equivalente que representam com detalhes suas características elétricas e estudamos
o comportamento destas máquinas em diversas situações reais.

86
,

REFERÊNCIAS

CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5 ed. Porto Alegre: Mac Grae


Hill, 2013.

FITZGERALD, A. Máquinas Elétricas com introdução à eletrônica de potência. 6 ed.


Porto Alegre: Bookman, 2006.

KOSOW, I. L. Máquinas elétricas e transformadores. Porto Alegre: Globo, 1982.

UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7 ed. Porto Alegre: AMGH,


2014.

87
,

5 GERADORES E MOTORES ASSÍNCRONOS

Apresentação

Neste bloco, vamos estudar as maquinas elétricas rotativas assíncronas, suas


características, seu processo construtivo e deduziremos um circuito elétrico que
representa suas características elétricas para análise.

5.1 Princípios de funcionamento e aspectos construtivos das máquinas assíncronas

As máquinas assíncronas, que também podem ser denominadas máquinas de indução,


são as mais utilizadas em motores elétricos. Seus aspectos construtivos são bastante
semelhantes às síncronas, com a diferença quanto à relação entre o campo girante e a
velocidade na ponta do eixo. Outra diferença da máquina assíncrona para a máquina
síncrona é que não há necessidade de uma corrente CC para seu funcionamento.

Figura 5.1 - Partes em uma máquina assíncrona.

Fonte: WAARD, 2011.


Na imagem, em cinza, existe a carcaça, projetada para dissipar calor. Internamente,
em vermelho, a parte interna onde está a bobina trifásica. As bobinas trifásicas do
estator são conectadas à caixa de conectores onde se conecta a máquina elétrica à
rede trifásica. Os mancais do eixo são responsáveis pela movimentação livre do eixo e
devem estar bem lubrificados para evitar atrito e perda de torque.

88
,

Figura 5.2 - Estator e mancais

Carcaça
dissipadora
de calor

Bobina do
estator

Mancais do
eixo
Fonte: Adaptado de WAARD, 2011

Nas máquinas assíncronas, podemos ter duas espécies de rotores: Rotor em gaiola e
rotor bobinado. O rotor em gaiola é o mais simples e mais utilizado principalmente na
indústria.

Figura 5.3 - Eixo e rotor

Rotor
Fonte: Adaptado de WAARD, 2011.

No rotor em gaiola, o que se tem é uma construção em curto circuito onde condutores
são encaixados no rotor e curtocircuitados em suas extremidades por anéis. Esta
estrutura é forte e independe de demais peças móveis (KOSOW, 1982).

89
,

Figura 5.4 - Rotor em gaiola.

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

O rotor bobinado será construído por bobinas trifásicas onde a corrente trifásica possa
criar campos magnéticos distintos, em 120° e, desta forma, haverá a dependência de
anéis deslizantes e escovas, mas não com a intenção de comutar a corrente como os
rotores dos motores síncronos, mas de transmitir a corrente às bobinas do rotor. Desta
forma, são 3 anéis e 3 escovas, portanto, são mais caros do que a simples construção
em gaiola, pois possuem enrolamentos e necessitam de manutenção nos anéis e
escovas. Desta forma, são raramente utilizados, mas permitem maior flexibilidade de
utilização.

Figura 5.5 - Rotor bobinado

Fonte: (CHAPMAN, 2013)


90
,

No caso do estator, os enrolamentos trifásicos são instalados em 120° uns dos outros,
conectados em entradas e saídas.

Figura 5.6 - Um diagrama das bobinas do estator. A bobina a e á são entrada e saída
da bobina a. Esta bobina pode ser ligada em estrela ou triângulo para oferecer
diversas configurações de corrente e tensão.

Fonte: o autor

A máquina elétrica é preparada para trabalhar com correntes trifásicas, e desta forma,
suas bobinas são moldadas com esta finalidade. Na imagem acima, em a’ b’ c’ pode-se
perceber o neutro. E também um nó, onde a corrente que entra é a mesma que sai.

Sabemos que o trifásico trabalha com correntes em 120° uma da outra, e desta forma,
suas fórmulas matemáticas são:

𝐈𝐚 (𝐭) = 𝐈𝐦 𝐜𝐨𝐬(𝛚𝐭 + 𝟎°)

𝐈𝐛 (𝐭) = 𝐈𝐦 𝐜𝐨𝐬(𝛚𝐭 − 𝟏𝟐𝟎°)

𝐈𝐜 (𝐭) = 𝐈𝐦 𝐜𝐨𝐬(𝛚𝐭 − 𝟐𝟒𝟎°)

Onde Im será a corrente média e θ o ângulo de defasagem que são 0°, 120° e -120°
respectivamente às fases do trifásico.

Como a corrente que entra no nó é a mesma que sai, teremos então, em um t=0,
correntes da seguinte forma:

91
,

𝐈𝐚 (𝐭) = 𝐈𝐦

−𝐈𝐦
𝐈𝐛 (𝐭) =
𝟐

−𝐈𝐦
𝐈𝐜 (𝐭) =
𝟐

Este aparelho hipotético é considerado uma máquina de dois polos. A passagem da


corrente pelos condutores gera um campo magnético de polo norte e sul, por isso, é
denominada dois polos. O número de polos sempre será par, pois sempre serão
considerados os polos norte e sul. Assim, os seis terminais da figura anterior geram
dois polos.

Figura 5.7 - A corrente trifásica que circula no estator entrando em “a”, “b” e “c” gera
um campo magnético de dois polos.

Fonte: Elaborado pelo autor.

92
,

Conforme as correntes começam a alterar, pois, na função Ia, Ib e Ic, agora possui t>0, o
campo magnético começa à rotacionar e a velocidade de rotação deste campo
magnético (ns) será igual à frequência da corrente (f) pois a mesma respeita a rotação
do campo. Para encontrar p, divida o número de polos por dois, pois é igual ao par de
polos N-S. No caso de dois polos, p=1.

𝐟
𝐧𝐬 = [𝐫𝐩𝐬]
𝐩
Ou em rotações por minuto:
𝟔𝟎𝐟
𝐧𝐬 = [𝐫𝐩𝐦]
𝐩
Fonte: FITZGERALD, 2006.

Contudo, não existem somente estatores de dois polos. Com 6 bobinas, este estator
pode possuir 4 polos (4 polos de 3 fases cada, 12 terminais). Veja que a1 e a’1 estão
em 90° e a’1 e a2 também está em 90°. Para 4 polos, p=2.

Figura 5.8 - Estator com 2 polos e fechamento em estrela deste estator.

Fonte: Elaborado pelo autor.

No caso do rotor bobinado, também existem as bobinas com terminais semelhantes ao


estator, contudo, em posicionamento de diferentes ângulos em relação ao estator.
93
,

Figura 5.9 - Rotor e estator. Os enrolamentos não se encontram alinhados para


propiciar o torque a partir do movimento e campo girante por conta de diferenças de
indutância e resistência.

Fonte: Elaborado pelo autor.

O estator induzirá uma corrente no rotor e este terá também um campo magnético
próprio criado a partir de sua própria corrente. A relação de força magnética criada
pelo campo agora denominado campo girante, pois gira por conta da frequência das
correntes, respeitando uma velocidade (ns) que está ligada à frequência da corrente.

O rotor inicia seu giro também, mas com certo atraso em relação à velocidade do
campo girante, assim ele gira atrasado em relação ao campo girante. À medida que o
rotor gira, as correntes iniciam a troca de fases. Neste caso, a fórmula para encontrar a
velocidade do campo girante é a seguinte (FITZGERALD A. , Máquinas Elétricascom
introdução à eletrônica de potência, 2006):

𝒇
𝒏𝒔 = [𝒓𝒑𝒔]
𝒑

Veja que, em ambos os casos, a velocidade do rotor (n) e da rotação síncrona (n s) ou


rotação do campo girante, é diferente, e esta fração de atraso denominamos
escorregamento (S). Assim:

𝒏𝑺 − 𝒏
𝑺=
𝒏𝒔
94
,

Vejamos um exemplo de cálculo:

Um motor assíncrono de rotor em gaiola com 12 polos é alimentado com corrente


trifásica em 60Hz. Determine a rotação do eixo sendo que o escorregamento deste
motor é de 3,5%.

Para iniciar a solução, deve-se ter em mente que, para um motor de 12 polos,
considere p=6.

𝒇
𝒏𝒔 =
𝒑

𝒏𝑺 − 𝒏
𝑺=
𝒏𝒔

𝒇
𝒑 − 𝒏 𝒇 − 𝒏𝒑 𝒑
𝑺= = .
𝒇 𝒑 𝒇
𝒑

𝒇 − 𝒏𝒑 𝒑 𝒇 − 𝒏𝒑 𝒏𝒑
𝑺= . = =𝟏−
𝒑 𝒇 𝒇 𝒇

𝒏𝒑 𝒇(𝟏 − 𝑺) 𝟔𝟎(𝟏 − 𝟎, 𝟎𝟑𝟓)


𝟏−𝑺= → 𝒏= = = 𝟏𝟎 − 𝟎, 𝟑𝟓
𝒇 𝒑 𝟔
= 𝟗, 𝟔𝟓 𝒓𝒑𝒔 𝒐𝒖 𝟓𝟕𝟗 𝒓𝒑𝒎

5.2 Dedução do circuito equivalente e diagrama de fasores para máquinas


assíncronas

Na máquina elétrica assíncrona, pode-se verificar a existência de impedâncias


relacionadas ao circuito equivalente do motor ou gerador.

O circuito do rotor possui características resistivas e preponderantemente indutivas. A


frequência da corrente no rotor é diferente da frequência de corrente no estator, e
isto se percebe pois existe o escorregamento (S) que vimos anteriormente. E isto é
saudável para a indução de corrente no estator, pois com o escorregamento é que esta
corrente é induzida.

95
,

Veja que o valor da frequência da corrente no rotor (Fr) dependerá do escorregamento


(S) e da frequência da corrente do estator (f est) e, por sua vez, a reatância do rotor
também dependerá destes valores (UMANS, 2014).

𝒇𝒓 = 𝑺 . 𝒇𝒆𝒔𝒕

𝑿𝒔 = 𝟐 . 𝝅 . 𝒇𝒓 . 𝑳𝒓

Onde a reatância no rotor (Xs) por escorregamento será diretamente proporcional à


frequência da corrente no rotor (fr) e à indutância no rotor (Lr). Isto nos leva a
conclusão de que o circuito equivalente do rotor é dependente de uma impedância
variável, sendo muito presente a reatância no circuito para escorregamentos muito
altos e a resistência em escorregamentos muito baixos. Inclusive, podemos concluir
que isto pode ser controlado pela velocidade do rotor, e que o torque será impactado
por esta variação de escorregamento, pois altera os valores de corrente no rotor.

Veja que a impedância total do rotor será variável pelo escorregamento (S) e, desta
forma, podemos concluir (UMANS, 2014).

𝑿𝒔 = 𝟐 . 𝝅 . 𝑺 . 𝒇𝒆𝒔𝒕 . 𝑳𝒓 = 𝑺 . 𝑿

𝒁𝒓 = 𝑹 + 𝒋𝑺𝑿 [𝛀]

A corrente no rotor (Ir) pode ser considerada em relação ao escorregamento e tensão


induzida (e0) pela impedância (Zr) onde tem-se o seguinte.

𝐒. 𝐞𝟎 (𝛉)
𝐈𝐫 (𝛉) =
𝐫 + 𝐣𝐒𝐗

Assim, perceba que tanto a corrente quanto a tensão no rotor irão variar segundo o
escorregamento. O próprio conjugado irá variar, pois depende da corrente induzida.

96
,

Figura 5.10 - Diagrama fasorial de corrente e tensão do rotor em relação ao


escorregamento.

Fonte: o autor.

Com o escorregamento nulo (S=0), não haverá a corrente induzida e, desta forma, a
tensão e corrente no rotor serão nulos. Da mesma maneira, não há conjugado, pois o
valor de corrente é zero. Á partir disto, com escorregamento muito pequeno (que é o
caso da maior parte dos motores), o valor de fator de potência (fp) se aproxima de 1
pois o ângulo (θ) estará próximo de zero. A impedância do motor terá um valor muito
pequeno de reatância indutiva, tornando-se praticamente resistivo.

Aumentando-se o escorregamento, aumenta-se a corrente ativa do motor, e diminui-


se o valor de fator de potência. Naturalmente, o valor da corrente do rotor aumenta, e
a ativa também. O conjugado aumenta até seu valor máximo em S=0,2(pu). O valor
máximo de escorregamento ocorre em S=1 e o valor do conjugado é o conjugado de
partida, pois o motor deve estar com o rotor parado para que a velocidade seja 0
(n=0). Assim, trata-se de uma situação de corrente máxima, momento onde o fator de
potência é muito alto e existe grande quantidade de corrente de rotor.

97
,

5.3 Outros aspectos importantes de geradores e motores assíncronos

5.3.1. Classificação NEMA/IEC

Para facilitar a construção e aplicação dos motores assíncronos, a National Electrical


Manufacturers Association (NEMA) nos EUA e a International Electrotechnical
Comission (IEC) na Europa definiram uma série de classes padronizadas de construção
de motores com curvas de velocidade e de conjugados definidas, próprias para cada
aplicação (KOSOW, 1982).

Classe A - Constituem motores com conjugado de partida normal, corrente de partida


normais (500% a 800% da corrente nominal) e escorregamento baixo (5%). O
conjugado máximo ocorre de 200% a 300% do conjugado de plena carga e será
alcançado com escorregamentos menores que 20% (0,2pu). Em motores de menos de
7,5 HP estes motores funcionam bem, mas acima desta potência, devem ser utilizados
com partida assistida, geralmente utilizando um autotransformador especial
denominado compensador de partida, que oferece tensões reduzidas. São
normalmente utilizados para ventiladores, bombas e máquinas-ferramentas.

Classe B - Os motores desta classe gradativamente substituíram os motores de classe


A, pois mantém as vantagens dos motores de classe A (conjugado de partida normal e
baixo escorregamento), mas com corrente de partida baixa (75% menor que na classe
A). Para uma partida com corrente plena, pode ser utilizado motores de tamanho
maiores. Para tanto utiliza-se o rotor de gaiola dupla ou de barras profundas. Ao
trabalhar em plena carga, os conjugados e escorregamentos são bons, mas o
conjugado máximo é menor que a classe A (cerca de 200% do conjugado em plena
carga).

Classe C - Conjugado de partida alto e corrente de partida baixa. Com um rotor de


gaiola dupla e resistência mais alta do que da classe B, estes motores possuem um
conjugado de partida mais elevado, mas com rendimento de funcionamento um pouco
inferior e alto escorregamento. Aplicáveis em transportadores e compressores.

98
,

Classe D - Contando com conjugado de partida alto e alto escorregamento, estes


motores apresentam gaiolas simples, mas de alta resistência. Produz um conjugado de
partida bastante elevado e uma corrente de partida baixa. O conjugado máximo
também é elevado e o escorregamento é de 50% à 100%. Pelo seu alto
escorregamento, possui baixo rendimento. São muito utilizados em acionamento de
cargas variáveis e como prensas e máquinas de estampagem ou corte de chapas.

5.3.2. Partida em Motores Assíncronos Monofásicos e Bifásicos

Observamos o funcionamento dos motores de indução trifásico, mas os motores de


indução podem ser bifásicos ou monofásicos. Neste caso, precisam de um auxílio para
sua partida, ou seja, não são capazes de iniciar o movimento do rotor sem uma ajuda.
Contudo, após o motor de indução monofásico alcançar a sua velocidade nominal, a
inércia e o conjugado criados manterão o rotor em movimento. Na prática, não se dá
partida em motores de indução monofásicos ou bifásicos por meios manuais, mas sim
com técnicas de criação do campo magnético girante.

a) Enrolamentos de fase dividida

Os motores de fase dividida possuirão dois enrolamentos. O enrolamento do estator e


um enrolamento de partida que possui a missão de iniciar o movimento do rotor. Estes
enrolamentos são instalados em 90° um do outro de forma a iniciar a rotação. Quando
o rotor atinge uma velocidade próxima da velocidade nominal, quando o motor pode
sustentar o giro e conjugado, uma chave centrífuga desligará o enrolamento de partida
(UMANS, 2014).

99
,

Figura 5.11 - Motor de indução de fase dividida.

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

O enrolamento auxiliar de partida possuirá uma impedância menor, pois seus fios
podem possuir bitola de menor valor, já que apenas estarão sujeitos à corrente
durante a partida.

Figura 5.12 - Conjugado providenciado pelos enrolamentos na partida por fase


dividida.

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

100
,

Contudo, o escorregamento no caso do enrolamento de partida possui valor diverso


do proveniente dos campos do enrolamento principal. Desta forma, a corrente do
enrolamento de partida (auxiliar) estará adiantada em relação à corrente do
enrolamento principal.

Figura 5.13 - Fasores demonstram a corrente do enrolamento auxiliar adiantada em


relação à corrente do motor, e ambas as correntes atrasadas em relação à tensão.

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

b) Enrolamentos com capacitores

Em alguns, especialmente quando o motor deve partir com a carga, o conjugado


oferecido pelo enrolamento auxiliar não é o bastante para levar o motor próximo da
sua velocidade nominal e faz-se necessário a conexão de um capacitor de partida.
Neste caso, um capacitor é colocado em série com o enrolamento auxiliar, de forma
que se cria uma defasagem no campo magnético onde se assemelha ao campo,
magnético girante de um motor trifásico. Assim, o conjugado de partida do motor
chega à 300% do seu valor nominal.

Figura 5.14 - Motor de indução com enrolamento auxiliar e capacitor.

Fonte: (CHAPMAN, 2013)

101
,

Em alguns casos, opta-se por um capacitor que seja instalado permanentemente,


criando o campo magnético girante à semelhança de um motor de indução trifásico,
mas com a desvantagem na partida. Este capacitor, estando instalado
permanentemente, irá causar correntes no enrolamento em valor nominal e, portanto,
não poderá causar um conjugado de partida tão alto quanto o capacitor de partida.
Assim, em alguns casos, opta-se pelos dois capacitores. Um capacitor permanente
conectado no motor e um capacitor de partida que é desconectado por uma chave
centrífuga quando o motor se aproxima de sua velocidade nominal. Isto encarece um
pouco a máquina elétrica, mas, em contrapartida, apresenta um conjugado de partida
e um conjugado nominal otimizados.

c) Polos sombreados de estator

Por fim, pode-se utilizar polos sombreados no estator, que cria uma força magnética
auxiliar impulsionando o rotor. Veja que o rotor e o estator possuirão polos opostos, o
que não possibilita por si só o giro do rotor. Então, bobinas curti-circuitadas são
adicionadas no rotor, e o enrolamento do rotor criará uma corrente induzida nesta
bobina. Por isto é denominado polos sombreados, já que esta bobina criará polos
adicionais dependentes da corrente do estator, e que irão providenciar o campo
magnético girante. Este tipo de partida possuirá um conjugado de partida muito
pequeno, e será utilizada em motores de potência reduzida (menor que 1/20 HP) mas
entregará muita eficiência ao motor. Para se controlar a direção do giro do rotor,
utilizam-se duas bobinas e cada uma será colocada em curto-circuito para o controle
da direção do campo magnético girante.

Conclusão

Nesta unidade, podemos ver os aspectos principais das máquinas elétricas rotativas
assíncronas, onde a velocidade do campo girante é diferente da velocidade do rotor.
Analisamos os seus aspectos construtivos, e deduzimos um circuito elétrico
equivalente representativo de suas características elétricas. Podemos ver o
comportamento do motor em diversos escorregamentos diferentes, e aprendemos
sobre a partida em motores elétricos monofásicos.

102
,

REFERÊNCIAS

CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. 5 ed. Porto Alegre: Mac Grae


Hill, 2013.

FITZGERALD, A. Máquinas Elétricascom introdução à eletrônica de potência. 6 ed.


Porto Alegre: Bookman, 2006.

KOSOW, I. L. Máquinas elétricas e transformadores. Porto Alegre: Globo, 1982.

UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7 ed. Porto Alegre: AMGH,


2014.

WAARD. S. J. Corte de um Motor de Indução. Wikimedia Commons, 2011. Disponível


em: <https://bit.ly/2ZO3MBO>. Acesso em: 24 fev. 2020.

103
,

6 GERADORES E MOTORES CC

Apresentação

Neste bloco, vamos verificar as fontes de energia na conservação de energia elétrica.


Veremos como se utiliza a energia hidráulica, térmica, e os mais recentes avanços em
energia renovável. Também analisaremos preliminarmente os instrumentos de
conversão de energia como transdutores e como utiliza-los para o nosso benefício.

6.1 Princípio de funcionamento e aspectos construtivos das máquinas CC

Até agora, vimos máquinas elétricas que funcionam baseadas em corrente alternada, o
que, de certa forma, auxilia na movimentação do rotor, na conversão de energia
elétrica para mecânica e vice-versa, de forma que a corrente alternada, sendo um
sistema senoidal e comutado, facilita a movimentação do rotor, a movimentação do
próprio campo girante.

Mas e quando a corrente é fornecida na forma contínua? Assim como as máquinas


elétricas em CA, existe uma máquina de corrente contínua para atuar sobre correntes
que não se alteram no tempo. E estas máquinas estão presentes nos metrôs, trens e
até em brinquedos.

A máquina de corrente contínua é formada, como as outras, por duas partes


primordiais: o estator e o rotor. Existem motores de corrente contínua em uso na
indústria de forma a criar todo um aparato de conceitos técnicos referentes aos
mesmos. Contudo, desde a sua criação, pouco se inovou em relação aos motores de
corrente contínua. Ainda, existe uma grande gama de aplicações dentro da indústria,
especialmente quando se trata de cargas que variam no decorrer do uso das
máquinas. Desta forma, serão necessários estudos efetuados na armadura, forças
contrárias como contra-eletromotriz e viscosidade magnética, para fundamentar o
procedimento.

104
,

As máquinas elétricas rotativas de corrente contínua, basicamente, são muito


parecidas com as máquinas de corrente alternada, com a diferença que um aparato
interno faz com que ela posa trabalhar com correntes contínuas. Deste modo também
são conhecidas como máquinas elétricas de comutação.

Esta parte interna das máquinas CC criam a comutação da corrente e, desta forma, são
chamados retificadores mecânicos. Trata-se de anéis de comutação que giram em
escovas de contato.

O conjugado (C) dos motores em corrente contínua consideram que as escovas


estejam dispostas em quadratura criando uma formulação que dependerá da corrente
no circuito externo de armadura (ia), o número total de condutores no enrolamento de
armadura (N), o número de caminhos em paralelo no enrolamento (M) e como nos
outros tipos de motores, do fluxo magnético (ϕ). Assim, considere o seguinte.

𝒑𝒐𝒍𝒐𝒔 . 𝑵
𝑪=( ) 𝝋 . 𝒊𝒂
𝟐. 𝝅. 𝑴

Contudo, a constante de construção do motor que define os valores de seu


enrolamento (ka) é dada pela seguinte equação.

𝒑𝒐𝒍𝒐𝒔 . 𝑵
𝑲𝒂 = ( )
𝟐. 𝝅. 𝑴

Então, o conjugado, considerando a constante do enrolamento (ka), será o seguinte:

𝑪 = 𝒌𝒂 𝝋 . 𝒊𝒂

É interessante ter em mente esta equação, pois a constante (ka) é a que geralmente
aparece no projeto de motores, uma vez que suprime detalhes sobre a construção do
enrolamento do motor e assim garante os segredos de fabricação e patente.

A tensão gerada e apresentada nas escovas é também em fator da constante


construtiva do enrolamento, do fluxo magnético e também da velocidade angular do
rotor. Desta forma:

𝒆𝒂 = 𝒌𝒂 . 𝝋 . 𝝎𝒎

105
,

Assim, pode-se concluir que do conjugado podemos chegar à potência mecânica do


motor, se considerar a armadura.

𝑷𝒎𝒆𝒄 = 𝑪 . 𝝎𝒎

6.2 Dedução do circuito equivalente – motores e geradores

Motores são máquinas que convertem energia elétrica em energia mecânica, ou seja,
produzem um esforço rotacional (torque) para produzirem rotação mecânica.

“Motor é um dispositivo no qual a energia é transmitida por transmissão


elétrica enquanto a energia é transferida para fora por trabalho. É
essencialmente um gerador operando inversamente. Ao invés de gerar uma
corrente ao girar uma bobina, uma corrente é oferecida à bobina por uma
bateria, e o torque atuante na bobina que transporta corrente faz que ela
gire.” (JEWETT, 2011)

Sendo responsáveis pelo funcionamento de diversas máquinas, tanto em uso


residencial como em uso industrial.

Os motores possuem alguns componentes essenciais, como a armadura, comutadores,


escovas e enrolamento de campo, onde cada uma possui uma funcionalidade
específica de cada qual.

Nos motores, a armadura recebe corrente produzida de uma fonte externa de


eletricidade (fonte de alimentação), fazendo assim com que a mesma gire. A armadura
também pode ser chamada de rotor pelo fato de a mesma girar. É um rotor bobinado
cujas bobinas também receberão corrente contínua e produzirão campo magnético.

Na armadura, as bobinas já vêm pré-montadas, bastando apenas colocá-las entre as


fendas do núcleo laminado da armadura. Temos duas formas de se conectar as
bobinas, por meio de enrolamento imbricado (podendo ser simples, duplo ou triplo) e
do enrolamento ondulado ou em série.

106
,

Em motores de corrente contínua, para a correta fluidez da corrente no sentido


correto, mantendo o movimento do rotor no campo, existe o comutador. Sendo este
constituído de segmentos de cobre, onde cada segmento é isolado dos demais por
meio de lâminas de mica.

As escovas são conectores fixos, que fazem o contato entre os enrolamentos da


armadura e sua carga externa. Escovas são conectores de grafita fixos, montados sobre
molas que permitem que eles deslizem (ou “escovem”) sobre o comutador no eixo da
armadura.

A velocidade é expressa em unidades de rotações por minuto (rpm), pois é uma


relação entre o número de rotações do eixo com o tempo. A velocidade pode ser
influenciada pelo fluxo do campo do motor.

Uma redução no fluxo do campo do motor provoca um acréscimo na sua velocidade.


Ou, ao contrário, um aumento no fluxo do campo provoca uma diminuição na
velocidade do motor. Como a velocidade do motor varia com a excitação do campo,
uma forma conveniente de se controlar a velocidade é variar o fluxo do campo através
do ajuste da resistência no circuito do campo.

Figura 6.1 - Circuito do motor elétrico de corrente contínua detalhando a armadura e


a geração de campo.

Fonte: Acervo do autor.

107
,

O motor pode ser reduzido, para fins de análise, a um sistema simplificado em um


circuito elétrico resistivo-indutivo. Assim, consegue-se fazer a análise em separado dos
dois circuitos e após, uni-los em um só conceito.

Inicialmente, quanto ao circuito da armadura, têm-se a resistência criada pelo próprio


cabo utilizado no enrolamento da armadura.

𝐥
A equação 𝐑 = 𝛒 𝐀 demonstra que a resistência de um determinado
condutor cilíndrico, como um fio, é diretamente proporcional ao seu
comprimento e inversamente à sua área de seção transversal (JEWETT,
2011).

Ainda, sendo a armadura uma espira, é necessário considerar a indutância da mesma.


A corrente, passando pelo condutor espiralado, na forma de um solenoide, cria um
campo eletromagnético. Assim, é necessária a consideração da indutância do sistema.

6.2.1. Força Contra-Eletromotriz

Mesmo que se aplique uma força eletromotriz à bobina da armadura do motor, ainda
assim o motor é essencialmente um gerador e, como tal, o movimentar de suas
bobinas por um campo magnético gera uma força eletromotriz mas de corrente
contrária à corrente de armadura (Ia).

Conforme a bobina gira em um campo magnético, entretanto, o fluxo


magnético variante induz uma fem na bobina, que sempre atua para reduzir
a corrente na bobina. Se este não fosse o caso, a Lei de Lentz seria violada. A
fem redutora aumenta em módulo conforme a velocidade de giro na bobina
aumenta. (JEWETT, 2011).

Trata-se de uma autoindução, onde se reconhece, em relação à velocidade do rotor,


como:

𝒖𝑳 = 𝑲𝒆 . 𝝎(𝒕)

Este valor deve ser considerado ao modelar o motor, uma vez que se deve analisar as
perdas significativas. Podemos utilizar um motor hipotético para aplicar o circuito
equivalente e simular um motor de corrente contínua com velocidade controlada pela
armadura utilizando o MATLAB® ou OCTAVE®.

108
,

Para a simulação, optou-se por utilizar os motores da série DMI 180B produzidos pela
ABB, motores estes de alta performance e bastante difundidos na indústria. O modelo
selecionado foi o 3BSM003050, que possui as seguintes características:

Figura 6.2 - . Motor série DMI 180B modelo 3BSM003050. Cortesia: ABB.

Ra = 427 mΩ

La = 4,72 mH

Ua= 440 V

J = 0,5 kgm²

B=0

109
,

À princípio, inicia-se observando a tensão aplicada na entrada do motor, que excita a


armadura criando o campo magnético. Assim, aplica-se o cálculo de Kirchhoff:

Equação 1: 𝐔𝐚 − 𝐔𝐑𝐚 − 𝐔𝐋𝐚 − 𝐔𝐞 = 𝟎

Ua : Tensão de Entrada.

URa: Tensão no Resistor.

ULa: Tensão do indutor.

Ue: Tensão da Força Contra-Eletromotriz.

A Tensão que existe na resistência é determinada pelo produto da tensão com a


resistência:

Equação 2: 𝑼𝑹𝒂 = 𝑹𝒂 . 𝑰𝒂

110
,

Da mesma forma, identifica-se como tensão gerada pelo indutor, o produto da


Indução e a diferencial da corrente que pode ser encarada como Ia:

Equação 3: 𝑼𝑳𝒂 = 𝑳 . 𝑰𝒂

O valor da força contra-eletromotriz é obtido pelo produto do número de espiras (N),


pela área da secção do condutor da espira (A), o campo magnético (B) e a velocidade
angular do movimento mecânico (ω):

Equação 4: 𝑼𝒆 = 𝑵 . 𝑨 . 𝑩 . 𝝎

(JEWETT, 2011)

Substituindo as equações 4, 3 e 2 na 1 (Kirchhoff), temos o seguinte:

𝐝𝐈𝐚
Equação 5: 𝐔𝐚 − 𝐑 𝐚 . 𝐈𝐚 − 𝐋 . − 𝐍 .𝐀 .𝐁 .𝛚 = 𝟎
𝐝𝐭

Se NAB = Ka (constante da força contra-eletromotriz formada pelos aspectos


construtivos da espira), então:

𝒅𝑰𝒂
Equação 5a: 𝐔𝐚 − 𝑹𝒂 . 𝑰𝒂 − 𝑳 . − 𝑲𝒂 . 𝝎 = 𝟎
𝒅𝒕

Aplica-se Laplace à equação 5ª, obtendo-se:

Equação 6: 𝐔𝐚(𝐬) = 𝑹𝒂 . 𝑰𝒂 (𝐬) + 𝑳 . 𝑰𝒂 (𝐬) + 𝑲𝒂 . 𝝎(𝒔)

Equação 6a: 𝐔𝐚(𝐬) − 𝑲𝒂 . 𝝎(𝒔) = (𝑹𝒂 + 𝑳 ). 𝑰𝒂 (𝐬)


𝐔𝐚(𝐬)−𝑲𝒂 .𝝎(𝒔)
Equação 6b: 𝑰𝒂 (𝐬) = (𝑹𝒂 +𝑳 )

Da mesma forma, do outro lado, a força criada pelo fluxo magnético cria um torque,
denominado torque magnético, representado pela seguinte equação, lembrando que
K’ e Kf são constantes da construção do motor e podem ser encarados como Km:

Equação 7: 𝐓𝐦 = 𝐈𝒂 (𝐊´. 𝐊𝐟. 𝐈𝐟) ∴ 𝑻𝒎 = 𝐈𝒂 . 𝐊 𝒎

(MAYA, 2014)

Assim, aplicando-se a equação 6ª em 7, têm-se o Torque Magnético como saída:

𝐔𝐚(𝐬)−𝑲𝒂 .𝝎(𝒔)
Equação 8: 𝑻𝒎 = . 𝐊𝒎
(𝑹𝒂 +𝑳 )

111
,

De outro lado, têm-se o torque mecânico na carga (TL), onde pode-se ignorar o torque
perturbador. Segundo Basilio e Moreira, “usando-se a lei de Newton para o
𝒅
movimento rotacional, pode-se escrever”: 𝒕𝒎 (𝒕) − 𝒕𝒅 (𝒕) − 𝒇𝝎(𝒕) = 𝑱. 𝒅𝒕 𝝎(𝒕)”

(BASILIO & MOREIRA, 2001).

𝒅
Equação 9: 𝑻𝑳 (𝒕) = 𝑱. . 𝝎(𝒕) + 𝒃. 𝝎(𝒕)
𝒅𝒕

Equação 9a: 𝑻𝑳 (𝒔) = 𝑱𝒔. 𝝎(𝒔) + 𝒃𝒔. 𝝎(𝒔)

Equação 10: 𝑻𝑴 = 𝑻𝑳 + 𝑻𝑫

Equação 10a: 𝑻𝑴 = 𝑻𝑳

Fonte: (MAYA, 2014)

Desta forma, igualam-se os torques, chegando-se à relação saída-entrada, ou função


de transferência.

𝐔𝐚(𝐬)−𝑲𝒂 .𝝎(𝒔)
Equação 11: . 𝐊 𝒎 = 𝑱𝒔. 𝝎(𝒔) + 𝒃. 𝝎(𝒔)
(𝑹𝒂 +𝑳𝒂 𝒔 )

𝐔𝐚(𝐬)−𝑲𝒂 .𝝎(𝒔)
Equação 11a: . 𝐊 𝒎 = 𝑱𝒔. 𝝎(𝒔) + 𝒃. 𝝎(𝒔)
(𝑹𝒂 +𝑳𝒂𝒔)

𝝎(𝒔) 𝐊𝐦
Equação 11b: = ((𝑹 )
𝐔𝐚(𝐬) 𝒂 +𝑳𝒂 𝒔).(𝑱𝒔 +𝒃)+𝑲𝒎.𝑲𝒂

Função de Transferência
𝝎(𝒔)
𝐔𝐚(𝐬)
𝐊𝐦
=
(𝑹𝒂acima,
Pela função de transferência 𝒔). (𝑱𝒔
+ 𝑳𝒂segue + 𝒃o)diagrama
abaixo + 𝑲𝒎. 𝑲𝒃 de blocos definido.

112
,

Figura 6.3 - Diagrama de blocos de um motor em corrente contínua.

ka

Fonte: Elaborado pelo autor.

Adiciona-se a carga que varia no momento “t”.

Figura 6.4 - Diagrama de blocos de um motor elétrico em corrente contínua com


carga representada por um torque perturbador no eixo.

Fonte: Elaborado pelo autor.

Junto ao SIMULINK® constante no MATLAB®, pode-se criar uma simulação do


diagrama de blocos acima.

113
,

Figura 6.5 - Diagrama de blocos no SIMULINK®.

Fonte: o autor.

Figura 6.6 - Gráficos gerados por meio do “scope” no SIMULINK®.

Fonte: o autor.

114
,

No gráfico, o motor sai da inércia a partir do momento em que começa a fluir uma
corrente em sua armadura, criando o campo magnético, e o torque magnético (Tm),
possibilitando a rotação do rotor e eixo. Após este torque gerado causa a elevação da
velocidade angular do rotor (ω). Verifica-se uma perturbação na velocidade ao iniciar o
motor á vazio, mas logo se estabiliza. Após, engrenar a carga, o motor sofre outra
desestabilização na velocidade e a diminuição da velocidade causa diminuição do
movimento.

6.3 Excitação e controle de tensão de armadura em máquinas CC

As máquinas elétricas em corrente contínua possuem uma grande variedade de


configurações de excitação de suas bobinas de campo. Isto possibilita uma notável
diversidade de características de operações e, para melhor compreender estas
características, vamos estudar separadamente os geradores e os motores. Pode-se
conectar as máquinas elétricas em corrente contínua da forma de excitação
independente, onde a armadura e o campo recebem excitação em circuitos
independentes entre si.

Figura 6.7 - Excitação independente em máquinas elétricas em corrente contínua.

Fonte: (UMANS, 2014)

Para os geradores, a corrente de campo é de uma fração muito menor do que a


corrente de armadura (1% à 3%), assim, ele funciona como um amplificador de
potência e é utilizado em sistemas onde é necessário controlar uma grande faixa de
tensão de armadura.

115
,

No caso de motores, o fluxo de campo é aproximadamente constante. Aumentando a


corrente de armadura, ocorrerá um aumento de conjugado causando um decréscimo
pequeno de força eletromotriz, o que impacta numa diminuição de velocidade (6%).

O campo pode ser conectado à armadura por uma derivação de resistência, dando
origem à excitação por derivação. No caso dos motores, os efeitos são semelhantes à
configuração de excitação independente. Contudo, a utilização de um reostato pode
acarretar em um controle ótimo da velocidade do motor. Então é muito aplicado em
caso de motores em que se deseja o controle de velocidade.

Figura 6.8 - Máquinas elétricas em corrente contínua excitadas por derivação.

Fonte: (UMANS, 2014)

Os geradores nesta modalidade costumam ser denominados autoexcitados. Também


recebem essa denominação os geradores excitados em série e com excitação
composta. Com esta configuração, a corrente cairá um pouco com o acréscimo da
carga, mas isto não impede de serem utilizados.

Há, ainda, a excitação em série, onde o campo e a armadura estão conectados em


série. Partilhando da mesma corrente e assim, tanto o fluxo no entreferro e a tensão
variam muito com a carga. Portanto, essa configuração não é muito usada para
geradores. Nos motores em corrente contínua excitados em série, estes efeitos
causam um bom controle de velocidade, com pouca variação entre velocidade e
conjugado. Isto torna esses motores indicados para situações que necessitam de um
grande valor de conjugado.

116
,

Os motores com excitação em série possuem uma grande vantagem, pois podem ser
utilizados tanto em corrente contínua como em alternada, sendo normalmente
chamados de motores universais ou motores em série universal. São utilizados para
aplicações de pequena carga e grandes velocidades como eletrodomésticos e
ferramentas manuais (FITZGERALD, 2006).

Figura 6.9 - Excitação em série.

Fonte: (UMANS, 2014).

Pode-se, por último, executar a configuração tal que a máquina elétrica


experimentaria os efeitos tanto da excitação em série como em derivação, que são os
motores com excitação composta. Nos geradores, esta combinação fornece
favoravelmente uma tensão que se mantém estável, sob aumento de carga e até se
eleva ligeiramente com esse aumento na carga.

Figura 6.10 - Máquinas elétricas em corrente contínua com excitação composta.

Fonte: (UMANS, 2014)

Nos motores, pode-se configurar a excitação composta aditiva ou derivativa. Na


aditiva, a força magnetomotriz (fmm) soma-se a do campo em derivação e na
derivativa, opõe-se deste campo.

117
,

Pode-se perceber as vantagens e desvantagens descritas analisando-se a relação entre


tensão e corrente no caso dos geradores, e velocidade e conjugado nos motores.

Figura 6.11 - Relação entre tensão e corrente em geradores.

Fonte: (UMANS, 2014)

6.12 - Relação entre velocidade e conjugado em motores.

Fonte: (UMANS, 2014)

118
,

Conclusão

Nesta unidade nós aprendemos as características construtivas e os princípios de


funcionamento das máquinas elétricas em corrente contínua. Vimos, também, como
chegar ao circuito equivalente do motor de corrente contínua e simulamos um motor
real observando os efeitos da carga sobre a velocidade do rotor. Podemos ver as
diversas formas de se excitar as bobinas de campo e de armadura em motores e
geradores de corrente contínua e seus efeitos.

REFERÊNCIAS

BASILIO, J.; MOREIRA, M. Experimento para estimar os parâmetros de motores de


corrente contínua. Anais do Congresso Brasileiro de Educação em Engenharia, 2001.

FITZGERALD, A. Máquinas Elétricas com introdução à eletrônica de potência. 6 ed.


Porto Alegre: Bookman, 2006.

JEWETT, J. S. Física para cientistas e engenheiros: Eletricidade e magnetismo. Vol. 3.


São Paulo: Ed. Cengage Learning, 2011.

MAYA, P. A. Contorle Essencial. 2 ed. São Paulo: Pearson Education, 2014.

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