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Ulo ECONOMIA BRASILEIRA - 2º SEMESTRE 2010

1ª e 2ª. Aulas: Conceitos Macroeconômicos Básicos

Bibliografia:
GREMAUD, M. P., VASCONCELLOS, M. A. S. de & TONETO Jr, R. Op. Cit. Capítulos 2
a 10.
VASCONCELLOS, M. A. S. de & GARCIA, M. E. Fundamentos de Economia. São Paulo:
Saraiva, 2006, 246 p. (2ª. Edição). Capítulos 8 a 15.

1- Introdução
Ao longo do curso serão utilizados especialmente os conceitos da Macroeconomia,
vistos na disciplina de Introdução à Economia.

2 – Objetivos da Política Macroeconômica


a) Alcançar o Pleno Emprego – especialmente da força de trabalho;
b) Controlar a Inflação
c) Promover Distribuição de Renda
d) Promover Crescimento Econômico
Enquanto os dois primeiros são de curto prazo, os outros dois são de longo prazo.
Pode haver conflito entre emprego e inflação.

3 – Contabilidade Nacional: Produto Interno Bruto (PIB)


A renda ou a produção de um País, normalmente é expressa pelo PIB, que é a
produção de bens e serviços dos diversos setores econômicos no prazo de 1 ano. Em sua
medida consideram-se apenas o valor dos chamados bens finais ou o valor adicionado por
cada ramo da economia.
Costuma-se dividir a economia em três setores, que por sua vez, são divididos em
ramos:
A - Agricultura (Primário): Agricultura, Pecuária, Pesca, Extrativismo;
B - Indústria (Secundário):
- Construção Civil;
- Mineração;
- Serviços Industriais de Utilidade Pública;
- Indústria de Transformação
Bens de Capital;
Bens Intermediários (este e o anterior são os Bens de Produção);
Bens de Consumo não Durável;
Bens de Consumo Durável.
C - Serviços (Terciário): Transporte (Frete), Comunicações, Comércio, Instituições
Financeiras, Serviços Pessoais, Administração Pública.
Costuma-se comparar os PIB de diferentes países; dividi-lo pela população e obtendo
o PIB/capita; calcular a taxa de crescimento anual do PIB. Neste caso, tem-se diferenciar o
PIB nominal do PIB real.

4 - Inflação
É a variação generalizada dos preços de mercadorias e serviços, durante determinado
período de tempo, um mês ou um ano. É medida levando-se em conta determinada cesta de
consumo, ponderando-se a variação de preço de cada mercadoria pela sua participação na
cesta considerada.
5 – Desocupação (Desemprego)
É a porcentagem da população economicamente ativa (PEA) de um país que não
encontra ocupação. Os critérios de avaliação do desocupação são variáveis entre os diversos
institutos. Os índices de desemprego mais conhecidos no Brasil são os do IBGE e do
SEADE/DIEESE, sendo o segundo mais abrangente na medida do desemprego.

6 – Determinantes (Condicionantes) do Produto Nacional


Consideraremos o Produto Nacional, no curto prazo, como determinado pela demanda
que é composta por: consumo privado, investimento, consumo governamental, e exportação
líquida de mercadorias e serviços não fatores. Com muita capacidade ociosa, o crescimento da
demanda provoca crescimento do produto, com pouca capacidade ociosa, crescimento do
produto e preço, com nenhuma capacidade ociosa, crescimento de preços.

7 – Crescimento Econômico
Está se falando do longo prazo. Tem-se considerar nesse caso tanto a quantidade de
trabalhadores, quanto à disponibilidade e qualidade de capital. No primeiro caso, interessa o
crescimento da população e investimentos em educação e qualificação profissional. No
segundo, além da quantidade física, deve-se considerar a questão tecnológica e plano de
desenvolvimento que permita maior integração ao mercado globalizado.

8 – Tipos de Política Econômica


Fiscal, monetária, cambial, comercial, de rendas. Para atender as funções alocativas,
distributivas e estabilizadoras.

9 - Política Fiscal
Diz respeito ao orçamento do governo: o que ele arrecada e o que gasta. A diferença
entre os dois é o superávit ou déficit público. Quando se fala em superávit (déficit) primário
não se consideram as despesas com juros. Quando se fala em superávit (déficit) operacional,
se consideram as despesas com juros reais, ou seja, as despesas para rolagem da dívida
pública. Se adicionarmos a correção monetária e a correção cambial, teremos o superávit
(déficit) nominal.
O déficit público pode ser administrado ou financiado com ajustes orçamentários,
emissão de moeda (com efeitos na inflação) ou com emissão de títulos públicos (aumento da
dívida pública). A política fiscal pode ser utilizada na tentativa de estimular ou conter a
economia.

10 - Política Monetária
Diz respeito ao controle da quantidade de dinheiro disponível na economia, das
condições de crédito e do valor da taxa de juros. A taxa básica de juros da economia brasileira
é a SELIC (Sistema Especial de Liquidez e Custódia), arbitrada oito vezes por ano pelo
Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central.
Há várias maneiras de se controlar a disponibilidade de dinheiro na economia: taxa de
redesconto, compulsório, compra e venda de títulos públicos, condições de crédito. A Política
Monetária é expansionista quando se injeta e barateia o dinheiro na economia. É
contencionista, quando se retira e encarece o dinheiro da economia.

11 – Setor Externo
Balanço de Pagamentos: registro contábil, em dado período, normalmente 1 ano, das
operações econômicas de um País com o resto do mundo. Seus componentes são:
A - Balança de Transações Correntes
A.1 - Balança Comercial - exportações e importações de mercadorias, FOB.
A.2 - Balanço de Serviços (não fatores) e Rendas (fatores): transportes,
viagens, seguros, financeiros, computação e informações, royalties e licenças, aluguéis de
equipamentos, serviços governamentais, outros serviços; salários e ordenados, lucros de
investimentos, juros de empréstimos e financiamentos.
A.3 - Transferências Unilaterais - transferências financeiras e de mercadorias
sem contra- partida de mercadorias ou serviços.
B - Balanço de Capitais: doações de capital, investimentos diretos (de risco),
investimento de portfólio, empréstimos e financiamentos, amortizações, inclusive
empréstimos junto ao FMI.
C - Erros e Omissões.
Saldo do Balanço de Pagamentos: A + B + C, superavitário ou deficitário.
D - Transações Compensatórias
D.1 - Variações de Reserva;
D.2 - Atrasados Comerciais.

12 - Política Comercial e Blocos Econômicos


Trata das relações comerciais, da compra e venda de mercadorias, do País com outros
países do mundo. Composta por barreiras tarifárias e não tarifárias, os incentivos à exportação
(Lei Kandir, p. ex.). A formação de blocos econômicos, como o Mercosul, a ALCA e o
acordo com a União Européia, relaciona-se com a Política Comercial. Há diferentes níveis de
integração entre os países, como a Área de Livre Comércio, a União Aduaneira, o Mercado
Comum e a União Monetária.

13 – Política Cambial
Taxa de câmbio é a relação do dinheiro brasileiro (nacional) com dinheiro de outro
país, normalmente o dólar. Valorização do real significa que, com menos reais, se compra um
dólar - favorece importações e prejudica exportações, facilita o combate à inflação.
Desvalorização - significa perda do valor relativo do real ao dólar - favorece exportações e
prejudica importações, tende a estimular a inflação.
Situação 0: R$ 1,8 = U$ 1,0.
Situação 1 (Valorização): R$ 1,7 = U$ 1,0.
Situação 2 (Desvalorização): R$ 1,9 = U$ 1,0.
Existem dois tipos de regime cambial: o fixo e o flutuante. Normalmente, os países
adotam o regime de flutuação suja, com o Banco Central intervindo episodicamente, em
momentos de grande instabilidade.