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UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO


CENTRO TECNOLÓGICO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA AMBIENTAL

FRANCISCO AUGUSTO TAVARES BORGES

BIODEGRADAÇÃO DE FLUIDOS BASE E DE CASCALHOS


ORIUNDOS DA PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO E
GÁS

VITÓRIA
2006
1

FRANCISCO AUGUSTO TAVARES BORGES

BIODEGRADAÇÃO DE FLUIDOS BASE E DE CASCALHOS


ORIUNDOS DA PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO E
GÁS

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-


Graduação em Engenharia Ambiental do Centro
Tecnológico, Departamento de Hidráulica e
Saneamento da Universidade Federal do Espírito Santo,
como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre
em Engenharia Ambiental.
Orientador: Prof. Dr. Sérvio Túlio Cassini
Co-Orientador: Prof. Dr. Honério Coutinho de Jesus

VITÓRIA
2006
2

FRANCISCO AUGUSTO TAVARES BORGES

BIODEGRADAÇÃO DE FLUIDOS BASE E DE CASCALHOS


ORIUNDOS DA PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO E
GÁS
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental do
Centro Tecnológico, Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal
do Espírito Santo, como requisito parcial para obtenção do Grau de Mestre em Engenharia
Ambienta!.

Aprovada em ____ de ______ de 2006.

COMISSÃO EXAMINADORA

___________________________________
Prof. Dr. Sérvio Túlio Cassini
Orientador

_____________________________________
Prof. Dra. Regina de Pinho Keller
Examinador Interno

____________________________________
Dra. Lúcia de Toledo Câmara Neder
Examinador Externo
3

Esta Dissertação é dedicada à minha


esposa Luiza e a meus filhos Ana Carolina,
Laís e Luís Henrique pelo amor, paciência e
compreensão.
4

Agradecimentos

Aos meus pais, Luiz Valença e Maria Altany pelo exemplo de vida, principalmente
honestidade e perseverança, que me foram presenteados ao longo da minha
educação e aos meus irmãos Luiz Alberto, Lucy e Jorge.

Ao meu amigo Piotr Krupka pelo encorajamento no início da pesquisa, extensivo às


minhas queridas Daniela e Ana Beatriz.

Ao estagiário e amigo Eudrades Júnior pela ajuda e dedicação na condução dos


experimentos e apoio ao longo de toda a pesquisa.

Aos colegas, professores e funcionários do PPGEA - Programa de Mestrado em


Engenharia Ambiental - pela amizade e apoio, em especial a : Renata Itavo, Aline
Louzada, Rachel Chiabai, Letícia, Danielle, Daniela Izoton, Michel, Elene, Élcio
Rocha, Fernanda, Camilla, Simone e Wesley.

À PETROBRÁS através de suas gerências E&P/SERV/US-PO/SF e UN-ES/SMS


pelo apoio institucional e de recursos nas pessoas de Álvaro Cintra, Sérgio
Rodriguez e Eros Braga, como também dos outros colegas que muito me ajudaram
e apoiaram, tais como: Cézar Siqueira, Jackson Burjack, Antônia Volpon, Adriana
Ururahy, Ronaldo Garcia, Carlos Henrique, Letícia Veiga, Cristiano Pamphili, Paulo
Nogueira, Renato Mansano, Antônio Aristeu, Shirley Regina, Rogério Marques, Luiz
Carlos Marques, Leandro Leme, Mauricio Rovere, Thomaz Gonçalves, Sônia Stutz,
Aluísio Nascimento, Maurício Freitas e tantos outros.

À FCAA pelo apoio institucional nesta pesquisa e á empresa MI-Swaco pela suas
contribuições técnicas através de Luciano Genúncio e Júlio Morillo.

Aos meus orientadores: Sérvio Túlio Cassini e Honério de Jesus pelo apoio,
orientações e por acreditarem na viabilidade dessa pesquisa.

Aos examinadores Regina de Pinho Keller e Lúcia de Toledo Câmara Néder pela
disponibilidade e pela análise do trabalho.
5

Homem, estimule o cérebro.


Que diz a profunda meia noite?
“Tenho dormido, tenho dormido!
De um profundo sono despertei:
O mundo é insondável, mais insondável do
que o dia pensava.
Inexplicável é a sua dor e a alegria mais
inexplicável que o sofrimento!
A dor diz: Passa!
Mas toda felicidade deseja eternidade,
deseja a misteriosa eternidade “.

Nietzsche
6

RESUMO

Na perfuração de poços de petróleo e gás são gerados fragmentos de rocha,


denominados cascalhos, resultantes da desagregação destas. Estes cascalhos são
carreados até a superfície por um fluido que circula pelo poço, denominado de fluido
de perfuração. Estes cascalhos tornam-se um resíduo pois saem do poço
impregnados por esses fluido que contêm aditivos químicos, e em alguns casos são
preparados com bases orgânicas. Esta pesquisa teve como proposta caracterizar,
pela norma NBR 10004/04, estes cascalhos impregnados com fluidos de base
orgânica, também chamados de fluidos base sintética (FBS). Os cascalhos
impregnados com os fluidos de perfuração usados foram classificados como de
classe II-A, não perigosos, à luz das análises químicas efetuadas e da bibliografia
conhecida sobre a toxicidade destes cascalhos. Neste trabalho também foram
isoladas 72 cepas de bactérias com aptidão pelas bases orgânicas desses fluidos,
também chamadas de CBFP (Componentes Base de Fluidos de Perfuração
Sintéticos) a partir de diversos tipos de sedimentos e lodos que serviram como fonte
de inóculo. Foi desenvolvido um respirômetro aeróbio com sistema multiplexado com
capacidade de leitura de 10 amostras sólidas ou líquidas, de forma contínua e
automática, utilizando o princípio de espectrometria no infravermelho. Paralelamente
construiu-se um sistema manual, baseado no método respirométrico de Bartha
(ABNT, 14283) modificado para leitura através de condutivimetria. Com esses dois
equipamentos foram conduzidos ensaios de biodegradabilidade dos CBFP e dos
cascalhos impregnados. Os resultados de biodegradabilidade dos CBFP indicaram
que utilizando-se o substrato n-parafina os valores de CO2 gerados após 240 h
variaram de 71,0 a 86,7 mg , enquanto que para os cascalhos desse mesmo CBFP
essa variação foi de 25,4 a 39,4 mg. Para as olefinas os valores obtidos foram de
71,8 a 82,0 mg, e seus cascalhos geraram de 26,0 a 62,7 mg de CO2 após as 240
horas de ensaio. Finalmente quando utilizando o CBFP éster como substrato obteve-
se de 56,3 a 117,3 mg, e quando usando seu cascalho como substrato os valores
obtidos de CO2 gerados foram de 27,2 a 37,0 mg.

Destes resultados podemos concluir que os ensaios conduzidos no respirômetro


aeróbio desenvolvido neste trabalho apresentou resultados coerentes com os
obtidos pelo equipamento de medição conduvimétrica e com os dados de literatura,
7

sendo que o respirômetro aeróbio apresenta valores de medição de CO2 um pouco


maiores que no outro sistema, por ser um sistema fechado e estar menos sujeito a
perdas de massa.

Observa-se ainda que os resultados dos ensaios de biodegradação dependem da


cepa de microrganismo utilizada, para cada tipo e concentração de substrato.

Por fim, observou-se que tanto os componentes base de fluidos de perfuração


sintéticos (CBFP) quanto os cascalhos impregnados por estes apresentaram
geração de CO2 e conseqüentemente potencial de biodegradabilidade.
8

ABSTRACT

During the drilling of oil and gas wells rock fragments called cuttings are generated,
resultant of the disaggregation of the rock. These cuttings are carried to the surface
by a drilling fluid that circulates in the well. These cuttings become a harmful residue
because they leave the well impregnated by drilling fluid which contains chemicals,
and which is in some cases prepared with an organic base. This research has as its
proposal the characterization, based on the norm NBR 10004/04, of the cuttings
impregnated with these organic base fluids, also called synthetic base fluids (SBF).
The cuttings impregnated with the drilling fluids used were classified as class II-A,
non-hazardous, in the light of the chemical analyses made and on the literature
known on the toxicity of these cuttings. In this work there were also isolated 72 class
of bacteria with an affinity for the organic bases of those fluids, also calls of CBFP
(Components of Synthetic Base Fluids) obtained from several types of sediments and
wastewater that served as source of the inoculate. An aerobic respirometer with
multiplex system, capable of automated continuous reading of 10 samples, solid or
liquid, using the spectrometry beginning in the infrared was developed. A parallel
manual system was built, based on the respirometric method of Bartha (ABNT,
14283) and modified for reading through condutivimetry. Models of the
biodegradability of CBFP and cuttings impregmented were setup in the two systems.
The results of the evaluation of biodegradability of CBFP indicated that being used
the substratum n-paraffin the values of CO2 generated after 240 h varied from 71,0 to
86,7 mg, while for the cuttings of that same CBFP that variation was from 25,4 to
39,4 mg. For the olefins the obtained values were from 71,8 to 82,0 mg, and their
cuttings generated from 26,0 to 62,7 mg of CO2 after 240 h. Finally when using the
CBFP ester as substratum was obtained from 56,3 to 117,3 mg, and when using its
cuttings as substratum the obtained values of generated CO2 were from 27,2 to 37,0
mg.
Of these results we can conclude that the research driven in the aerobic respirometer
developed in this work presented coherent results with obtained them by the
equipment of measurement conduvimétrica and with the literature data, and the
aerobic respirometer presents values of measurement of CO2 a little larger than in
9

the other system, for to be a closed system and to be less subject to mass losses.
It is observed although that the results of the biodegradation research depend of the
microorganism stump used, for each type and substratum concentration.
Finally, it was observed that so much the components base of synthetic drilling fluids
(CBFP) as the cuttings impregnated by these presented generation of CO2 and
consequently biodegradability potential.
10

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Sondas de Perfuração Marítima....................................................... 24

Figura 2 - Sonda de Perfuração Terrestre.......................................................... 25

Figura 3 - Sonda de perfuração com seus componentes básicos.................. 27

Figura 4 - Esquemático de um sistema de circulação de fluidos numa


sonda de perfuração............................................................................ 28

Figura 5 - O fluido de perfuração......................................................................... 30

Figura 6 - Sistema de separação de sólidos mostrando o fluxo de fluido


recuperado e o descarte do cascalho............................................... 34

Figura 7 - Cascalhos resultantes da perfuração de poço de petróleo........... 35

Figura 8 - Espectrômetro de absorção atômica com chama, modelo 1275


da Varian, mostrando a unidade geradora de hidretos
acoplada................................................................................................. 53

Figura 9 - Espectrômetro de absorção atômica com forno de grafite AAS 5


EA (marca Carl Zeiss) com unidade geradora de vapor frio
acoplada (para análise de Hg)........................................................... 53

Figura 10 - Equipamento para determinação de teores de água, fase


oleosa e sólidos – RETORTA............................................................. 54

Figura 11 - Amostras de sedimentos enriquecidos com os CBFP e


crescimento aparente de microrganismos na superfície das
amostras................................................................................................ 59

Figura 12 - Fluxograma de isolamento das cepas de bactérias com


capacidade de biodegradação dos CPFP’s..................................... 63

Figura 13 - Box-corer sendo usado na aquisição de amostras de solo de


assoalho marinho................................................................................. 64

Figura 14 - Coletores de amostras de sedimento provenientes de assoalho


marinho.................................................................................................. 65

Figura 15 - Respirômetro aeróbio com leitura por espectrometria no


infravermelho................................................................................ 67

Figura 16 - Detalhes de componentes do respirômetro aeróbio..................... 68

Figura 17 - Esquema do equipamento multiplexado para ensaios de


11

biodegradação aeróbia para amostras sólidas ou líquidas


através da medição do CO2 gerado por espectrometria no
infravermelho – Respirömetro Aeróbio............................................. 69

Figura 18 - Tela principal do software utilizado para permitir a comunicação


e programação do respirömetro aeróbio através do
computador............................................................................................ 71

Figura 19 - Aparelho para análise de concentração de CO2 por


espectrometria no infravermelho em amostras ambientais
gasosas marca LI-COR 820............................................................... 72

Figura 20 - Respirömetro aeróbio conectado com computador através de


cabo serial.............................................................................................. 73

Figura 21 - Curvas de medições massa de CO2 quando da abertura da


válvula e passagem de fluxo de ar isento de CO2 e
conseqüente arraste do CO2 gerado em um determinado
frasco para um dado intervalo de tempo.......................................... 74

Figura 22 - Sistema para ensaio de respirometria aeróbia adaptado da


NBR 14283 usado para determinação da biodegradabilidade
dos substratos orgânicos estudados................................................. 78

Figura 23 - Curva de relação entre a condutividade da solução receptora


(KOH 0,252 M) e a condutividade dessa solução, para um
volume final de 30,00 ml dessa solução........................................... 79

Figura 24 - Etapa de enriquecimento mostrando amostras de sedimentos


servindo de inoculo misturadas com substratos ............................ 90

Figura 25 - Etapa de isolamento de microrganismos em Placas de Petri


contendo agar, meio mínimo e substratos orgânicos..................... 90

Figura 26 - Etapa de isolamento de microrganismos em Placas de Petri e


tubos de ensaio contendo agar, meio mínimo e substratos
orgânicos...................................................................................... 91

Figura 27 - Ensaio de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia


(BARTHA modificado) dos CBFP utilizando isolados
específicos para: éster (cepa 11), olefina (cepa 26) e n-parafina
(cepa 70)...................................................................................... 92

Figura 28 - Ensaio de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia


(BARTHA modificado) dos CBFP utilizando isolados
específicos para: éster (cepa 3; cepa 4), olefina (cepa 39) e n-
parafina (cepa 57)................................................................................ 93

Figura 29 - Ensaio de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia


(BARTHA modificado) dos CBFP utilizando isolados
12

específicos para: éster (cepa 7); olefina (cepa 42 e cepa 43);


n-parafina (cepa 53 e cepa 63).................................................... 93

Figura 30 - Ensaios de Biodegradabilidade dos cascalhos impregnados


com fluidos de perfuração base sintética por respirometria
aeróbia utilizando espectrometria no infravermelho: éster (cepa
9); olefina (cepa 30); n-parafina (cepa 72)....................................... 95

Figura 31 - Ensaios de Biodegradabilidade dos cascalhos impregnados


com fluidos de perfuração base sintética por respirometria
aeróbia utilizando espectrometria no infravermelho: éster (cepa
11); olefina (cepa 31); n-parafina (cepa 66).................................. 96

Figura 32 - Curvas de biodegradação versus tempo, considerando a


produção de CO2 e as medidas de condutividade......................... 97

Figura 33 - Curvas comparativas da biodegradabilidade de cascalho


impregnado com fluido de perfuração à base de éster sendo
degradado pela cepa 9, empregando os métodos de
respirometria aeróbia (BARTHA modificado) e o método
respirométrico aeróbio com aquisição de dados por
espectrometria no infravermelho.................................................. 98

Figura 34 - Curvas comparativas da biodegradabilidade de cascalho


impregnado com fluido de perfuração à base de éster sendo
degradado pela cepa 72 empregando os métodos de
respirometria aeróbia (BARTHA modificado) e o método
respirométrico aeróbio com aquisição de dados por
espectrometria no infravermelho………………………….............. 99

Figura 35 - Curvas comparativas da biodegradabilidade de cascalho


impregnado com fluido de perfuração à base de éster sendo
degradado pela cepa 72 empregando os métodos de
respirometria aeróbia (BARTHA modificado) e o método
respirométrico aeróbio com aquisição de dados por
espectrometria no infravermelho.................................................. 99

Figura 36 - Curva de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia


utilizando leitura por espectrometria no infravermelho com o
substrato éster e as cepas 03 e 07.............................................. 101

Figura 37 - Curva de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia


utilizando leitura por espectrometria no infravermelho com o
substrato parafina e as cepas 53 e 69.............................................. 102

Figura 38 - Curva de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia


utilizando leitura por espectrometria no infravermelho com o
substrato olefina e as cepas 39 e 42............................................... 102
13

LISTA DE TABELAS

TABELA 1 - PARÂMETROS INSTRUMENTAIS PARA OS METAIS


ANALISADOS............................................................................. 52

TABELA 2 - ETAPA DE ENRIQUECIMENTO DAS AMOSTRAS.................. 58

TABELA 3 - COMPOSIÇÃO DO MEIO DE CULTURA.................................. 60

TABELA 4 - SOLUÇÃO DE MICRONUTRIENTES........................................ 60

TABELA 5 - ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DA AMOSTRA BRUTA DE


RESÍDUO DA PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO,
SEGUNDO STANDARD METHODS.......................................... 82

TABELA 6 - ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DA AMOSTRA BRUTA DE


RESÍDUO DA PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO,
SEGUNDO API RECOMMENDED PRACTICE 13B-2 (2005).... 82

TABELA 7 - CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DOS CASCALHOS


IMPREGNADOS COM FLUIDOS DE PERFURAÇÃO APÓS
ADIÇÃO DE MEIO MÍNIMO....................................................... 84

TABELA 8 - TEORES DE METAIS, ÂNIONS E COMPOSTOS


ORGÂNICOS PRESENTES NOS LIXIVIADOS E
SOLUBILIZADOS OBTIDOS DOS CASCALHOS
IMPREGNADOS COM FLUIDOS DE PERFURAÇÃO............... 85

TABELA 9 - QUANTIDADE, CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO


DAS COLÔNIAS DE MICRORGANISMOS ISOLADAS NO
SUBSTRATO ÉSTER................................................................ 89
14

LISTA DE SÍMBOLOS E ABREVIAÇÕES

CBFP Componente Base do Fluido de Perfuração Sintético


FBA Fluido Base Aquosa
FNA Fluido não Aquoso
FBS Fluido Base Sintética
FBO Fluido Base Óleo
PVC Policloreto de Vinila
mg Miligrama
mg/l Miligrama por litro
g/kg Grama por kilograma
h Hora
°F Grau Fahrenheit
°C Grau Centígrado
cm3 Centímetro cúbico
ppm Partes por Milhão
µg Micrograma
ml Mililitro
l Litro
Ag Prata
UI Unidade Internacional
Cr Cromo
NTU Unidade de Turbidez Nefelométrica
Fe Ferro
Zn Zinco
IBAMA Instuto Brasileiro do Meio Ambiente
CONAMA Conselho Nacional de Meio Ambiente
OSPAR Oslo and Paris Commission
M Concentração Molar
KOH Hidróxido de Potássio
DBO Demanda Bioquímica de Oxigênio
COD Carbono Orgânico Dissolvido
OECD Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento
15

LAO Linear Alfa Olefina


PAO Poli Alfa Olefina
m Metro
mg/kg Miligrama por kilograma
C Carbono
N Nitrogênio
P Fósforo
K2CO3 Carbonato de Potássio
RCA Relatório de Controle Ambiental
% p/p Percentagem em peso por peso
% v/v Percentagem em volume por volume
IO Olefina Interna
LP Linear parafinas
HPA Hidrocarbonetos Poli Aromáticos
NaCl Cloreto de Sódio
KCl Cloreto de Potássio
NaOH Hidróxido de Sódio
CaCO3 Carbonato de Cálcio
pH Concentração Hidrogeniônica
BOP Blowout Preventer
l/min Litro por minuto
nm Nanômetro
mA Mili-Ampére
mS/cm Mili –Siemen por centímetro
CO Carbono Orgânico
O&G Óleos e Graxas
(NH4)2SO4 Sulfato de Amônia
KH2PO4 Fosfato ácido de Potássio
Na2HPO4 Fosfato ácido de Sódio
MgSO4.7H2O Sulfato de Magnésio Heptahidratado
FeCl3. 6H2O Cloreto Férrico Hexahidratado
ZnCl2 Cloreto de Zinco
CuCl2. 2H2O Cloreto de Cobre Dihidratado
MnCl2. 2H2O Cloreto de Manganês Dihidratado
16

(NH4)6.Mo7O24.4H2O Heptamolibdato de amônio tetrahidratado


AlCl3 Cloreto de Alumínio
CoCl3. 6H2O Cloreto de Cobalto Hexahidratado
HCl Ácido Clorídrico
17

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO............................................................................................... 19

2 OBJETIVOS................................................................................................... 22
2.1 OBJETIVO GERAL....................................................................................... 22
2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS....................................................................... 22

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA.......................................................................... 23
3.1 A EXPLORAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL E A
GERAÇÃO DE RESÍDUOS................................................................................ 23
3.1.1 A sonda de perfuração e o projeto de poço......................................... 23
3.1.2 Fluidos de Perfuração …………………………………………………… 28
3.1.2.1 Fluidos sintéticos (FBS ou FNA)............................................................. 31
3.1.3 Sistemas de Separação de Sólidos....................................................... 33
3.2 BIODEGRADABILIDADE E BIORREMEDIAÇÃO....................................... 35
3.3 LEGISLAÇÃO............................................................................................... 43
3.4 ESPECTROMETRIA NO INFRAVERMELHO............................................. 48

4 MATERIAL E MÉTODOS............................................................................... 49
4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS........................................................ 49
4.1.1 Amostragem dos Resíduos.................................................................... 49
4.1.2 Caracterização Físico – Química........................................................... 50
4.1.2.1 Procedimento de determinação de teores de água, fase oleosa e
sólidos em cascalhos de perfuração de poços segundo API (2005).................. 54
4.1.2.1.1 Descrição............................................................................................. 54
4.1.2.1.2. Equipamento....................................................................................... 55
4.1.2.1.3. Procedimento...................................................................................... 55
4.2 ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DE CEPAS DE BACTÉRIAS COM
CAPACIDADE DE BIODEGRADAÇÃO DOS CBFP SINTÉTICOS.................... 57
4.2.1 Coleta das amostras ambientais utilizadas como fonte de Inoculo... 57
4.2.2 Enriquecimento das Amostras Ambientais.......................................... 57
4.2.3 Preparação do Meio de Cultura............................................................. 59
4.2.4 Preparação das Placas............................................................................ 61
4.2.5 Inoculação das Placas............................................................................ 61
4.2.6 Isolamento dos Microrganismos............................................................ 62
4.3 ENSAIOS DE BIODEGRADABILIDADE..................................................... 65
4.3.1 Ensaio de Biodegradabilidade utilizando Respirômetro Aeróbio
com aquisição de dados por Espectrometria no Infra-Vermelho................ 66
4.3.1.1 Desenvolvimento do Equipamento........................................................ 66
4.3.1.2 Aquisição, armazenamento e comunicação dos dados........................ 72
4.3.1.3 Preparação e realização dos ensaios de biodegradabilidade dos
CBFP e dos Cascalhos....................................................................................... 74
4.3.2 Método de Ensaio – CONDUTIVIMETRIA.............................................. 76
4.3.2.1 Descrição do Método........................................................................... 76
4.3.2.1.1 Montagem dos respirômetros para Ensaio e Controle da
biodegradabilidade dos resíduos em estudo...................................................... 76
18

4.3.2 Medida da biodegradabilidade.............................................................. 78

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO...................................................................... 81
5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS....................................................... 81
5.1.1 Cracterização físico-química das amostras brutas............................. 81
5.1.2 Caracterização dos resíduos através da análise de lixiviados................. 85
5.1.2.1 Análises de metais, ânions e compostos............................................... 85
5.2 ISOLAMENTO DE BACTÉRIAS BIODEGRADADORAS DOS CBFP......... 88
5.3 AVALIAÇÃO DA BIODEGRADABILIDADE AERÓBIA................................ 92
5.3.1 Ensaios de biodegradabilidade de substratos (CBFP) pelo método
respirométrico de bartha modificado (ABNT – NBR 14283)......................... 92
5.3.2 Ensaios de biodegradabilidade de fluidos sintéticos impregnados
em cascalhos utilizando equipamento de respirometria com leitura de
CO2 por espectrometria no infravermelho..................................................... 95
5.3.3 Ensaios de biodegradabilidade de substratos pelos método
respirométrico de bartha modificado (condutivimetria) e espectrometria
no infravermelho - curvas comparativas de ensaios com os dois
métodos............................................................................................................. 98
5.3.4 Ensaios de biodegradabilidade de substratos pelo método de
leitura por espectrometria no infravermelho - curvas comparativas de
ensaios com mesmo substrato e cepas diferentes....................................... 101

6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÔES........................................................ 104

7 REFERËNCIAS.............................................................................................. 107

ANEXOS............................................................................................................. 113
19

1 INTRODUÇÃO

Na década de 80, o meio ambiente passou a fazer parte da agenda de política dos
governos, dos organismos internacionais e das empresas. Novas legislações de
preservação ambiental, que objetivavam reduzir o nível de emissão de gases que
provocam o efeito estufa foram implementadas. Estas legislações se traduziram na
criação de impostos e taxas sobre a produção e o consumo de derivados de petróleo
(ALVEAL, 2003).

Devido à sua grande complexidade e dificuldade, a indústria do petróleo é uma das


que mais avançaram tecnologicamente, mas, ao mesmo tempo, é a que mais risco
potencial apresenta ao equilíbrio ambiental. Apesar disso, há muito ainda a
pesquisar e desenvolver. Os desafios nesse setor são enormes e só poderão ser
superados pela aplicação conjunta de esforços da comunidade científica e
tecnológica e das empresas produtoras e fornecedoras da cadeia do petróleo e gás.

No desenvolvimento das atividades de exploração e produção de óleo e gás são


gerados efluentes que, uma vez lançados no meio ambiente, possuem potencial
para afetar a biota local. Dentre estes efluentes, destacam-se os fluidos e cascalhos
de perfuração e a água de produção (VEIGA, 1998).

No projeto e na execução do poço tradicionalmente são considerados os fatores


econômicos e os aspectos de segurança inerentes à operação, mas a variável
ambiental vem se tornando cada vez mais importante, assumindo o poder de impor
limites ou até mesmo de impedir a exploração petrolífera em áreas consideradas de
grande sensibilidade.

A exploração de rochas que contêm hidrocarbonetos é feita através de vários


métodos, diretos e indiretos. Os métodos indiretos, tais como as pesquisas
geológicas e geofísicas, identificam as propriedades físicas e químicas das
formações através de instrumentação de superfície. As pesquisas geológicas
determinam a estratigrafia de sub-superfície para identificar as formações rochosas
que são tipicamente associadas à presença de hidrocarbonetos.
20

Após a identificação das formações com possibilidade de conterem hidrocarbonetos,


as disciplinas de geofísica, reservatório e geologia indicam uma locação, ou seja as
coordenadas de um objetivo em superfície, correspondente à localização dessa
estrutura; esse ponto será definido como alvo da perfuração.

Ao perfurarmos um poço de petróleo devemos utilizar um fluido de perfuração, que


circula no poço e tem várias funções, entre as quais remover os cascalhos gerados
na perfuração das rochas de sub-superfície; estes fluidos podem ter basicamente
três bases: base água, base sintética (produtos orgânicos) ou base ar. Parte do
fluido que retorna do poço vem impregnando o cascalho, e no caso de utilização de
um fluido base sintética este resíduo deve sofrer algum tipo de tratamento antes do
descarte.

De uma maneira geral podemos dizer que um fluido de perfuração deve atender a
dois requisitos básicos: atender às necessidades técnicas para perfurar o poço e ter
uma composição que apresente um baixo risco à saúde humana e ao meio ambiente
(VISSER et al, 2002). Porém, isso nem sempre é possível e devem-se tomar ações
para minimizar ou eliminar o impacto desses resíduos no meio ambiente.

Uma dessas ações seria o tratamento desse cascalho, que estará impregnado com
o fluido de perfuração e que será posteriormente descartado. Estes resíduos são
compostos por minerais das formações do poço perfurado e do fluido de perfuração
utilizado; utilizam-se vários tratamentos para diminuir a concentração do fluido no
cascalho, entre eles, a secagem por centrifugação, a dessorção térmica, etc.; nos
últimos anos tem-se estudado a biorremediação, ou seja, a estimulação de
microrganismos degradadores para a remediação de ambientes contaminados como
um método de tratamento alternativo ou complementar para tratar solos poluídos
com resíduos oleosos (CHAÎNEAU, 2003).

Os microrganismos conduzem a biodegradação em diferentes tipos de ambientes;


de particular relevância para os poluentes ou poluentes em potencial são os
sistemas de tratamento de esgotos, solos, sítios subterrâneos para disposição de
resíduos químicos, águas subterrâneas e superficiais, oceanos, sedimentos e
estuários; os processos microbiológicos nos vários tipos de sistemas aeróbios e
anaeróbios para tratamento industrial, agricultura e de resíduos municipais são
21

extremamente importantes porque esses sistemas de tratamento representam o


primeiro ponto da descarga de muitos produtos químicos no ambiente, de
importância para o ser humano e outros organismos vivos (ALEXANDER, 1999).

Tendo em vista as atividades de perfuração utilizando fluidos base não aquosa


(FNA) que estão sendo realizadas no Brasil e no mundo, e a necessidade de se
conhecer melhor os resíduos gerados ao se perfurar poços utilizando diferentes tipos
de fluidos, essa pesquisa se propõe a caracterizar esses resíduos, a isolar
microrganismos com aptidão a degradar os compostos orgânicos utilizados na
preparação dos principais fluidos sintéticos e conduzir testes de modo a mensurar o
potencial de biodegradabilidade destes.
22

2 OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

O objetivo geral deste trabalho é avaliar o potencial de biodegradabilidade de fluidos


de perfuração base não-aquosa (n-parafinas, ésteres e olefinas) impregnados em
cascalhos resultantes da perfuração de poços de petróleo e gás e de seus
componentes base.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

• Caracterizar resíduos de perfuração de poços de petróleo e gás.

• Identificar microrganismos ambientais com crescimento em componentes


base de fluidos de perfuração sintéticos usados na perfuração de poços de
petróleo.

• Desenvolver respirömetro aeróbio com sistema multiplexado para ensaios de


biodegradabilidade através da leitura do CO2 gerado pelo método da
espectrometria no infravermelho.

• Avaliar a biodegradabilidade de substratos orgânicos utilizados em fluidos de


perfuração e de resíduos impregnados com este, utilizando os
microrganismos previamente identificados e comparando estes resultados
entre os dois métodos respirométricos – medida de CO2 pelo método de
Bartha modificado e pelo método de espectrometria no infravermelho.
23

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 A EXPLORAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO E GÁS NATURAL E


A GERAÇÃO DE RESÍDUOS

3.1.1 A sonda de perfuração e o projeto de poço

No processo de exploração do petróleo e gás natural, a confirmação da existência


ou não de óleo e/ou gás num poço se dá na etapa de perfuração. Em linhas gerais a
perfuração ocorre em duas fases: a de exploração e a de desenvolvimento. Os
poços inicialmente perfurados são denominados pioneiros e têm como objetivo
sondar as regiões ainda não produtoras. Caso o pioneiro indique alguma
descoberta, serão perfurados outros poços para demarcar os limites do campo. Na
fase de avaliação da extensão da jazida os poços perfurados são classificados como
exploratórios. Quando se conclui que o campo é economicamente viável, dá-se
então início à perfuração dos poços de desenvolvimento, que colocam o campo em
produção, podendo os poços pioneiros e de delimitação ser aproveitados para
produzir (PETROBRÁS, 1997).

A perfuração de um poço de petróleo é um processo complexo que requer grandes e


pesados equipamentos; uma sonda de perfuração convencional consiste
basicamente de uma estrutura que pode suportar toneladas de peso. Os poços de
petróleo podem ser verticais, direcionais ou horizontais, sendo estes dois últimos
mais usados em perfuração marítima, para reduzir principalmente os custos de
sonda e de linhas submarinas (ECONOMIDES, 1988).

Na perfuração rotativa de um poço de petróleo, que é realizada através de uma


sonda (Figuras 1 e 2), as rochas são perfuradas pela ação da rotação e peso
aplicados a uma broca existente na extremidade de uma coluna de perfuração, a
qual consiste basicamente de tubos que são conectados à medida que a perfuração
24

avança. Ao atingir determinada profundidade, a coluna de perfuração é retirada do


poço e uma coluna de revestimento de aço, de diâmetro inferior ao da broca é
descida no poço (THOMAS, 2001).

A B C D

Figura 1 - Sondas de Perfuração Marítima


Fonte: Thomas (2001).

LEGENDA:
a. Sonda Fixa
b. Sonda Auto-elevatória
c. Sonda Semi- submersível
d. Navio-sonda
25

Figura 2 - Sonda de Perfuração Terrestre


Fonte: Dados do autor.

As sondas de perfuração rotativa (Fig. 3) são de maneira geral compostas dos


seguintes sistemas:

• Sistema de Sustentação de Cargas – consiste basicamente dos elementos


que compõem a estrutura da sonda, que são o mastro ou torre, a subestrutura
que sustenta o mastro e a fundação feita no solo para o apoio do restante do
sistema.

• Sistema de Geração e Transmissão de Energia – sistema onde é gerada


toda a energia a ser utilizada nos equipamentos da sonda, tais como: mesa
rotativa, guincho, bombas de fluido, top-drive, etc.

• Sistema de Movimentação de Cargas – no método rotativo a coluna de


perfuração é movimentada através do cabo de perfuração de dois conjuntos
de polias: um estacionário no topo da torre, chamado bloco de coroamento e
outro móvel, chamado Catarina. A coluna se eleva quando é acionado o
tambor do guincho onde se enrola o cabo de perfuração.
26

• Sistema de Rotação – Nas sondas convencionais a coluna de perfuração é


girada pela mesa rotativa localizada na plataforma da sonda. O torque é
transmitido a um tubo de parede hexagonal – o Kelly; atualmente usa-se
substituir a mesa e o Kelly pelo Top Drive, que é um sistema que desliza
verticalmente pela torre e onde é conectado diretamente a coluna de
perfuração.

• Sistema de Circulação – são os equipamentos que permitem a circulação do


fluido de perfuração – tanques, tubo bengala, mangueira de fluido, bombas de
fluido, sistema de separação de sólidos e swivel.

• Sistema de Monitoração – são os equipamentos necessários ao controle


dos parâmetros de perfuração: manômetros, indicador de peso, indicador de
torque, tacômetro, etc.

• Sistema de Segurança – seu componente principal é o BOP (Blowout


Preventer), que é um conjunto de válvulas que permite controlar influxos
indesejáveis de fluidos da formação para a superfície(kick) (LIMA, 2004).
27

Figura 3 – Sonda de perfuração com seus componentes básicos


Fonte: ECONOMIDES (1988)

No processo anterior à perfuração de um poço, usualmente um grupo de geólogos


recomenda as locações de poços do tipo exploratórios, enquanto que o grupo de
engenheiros de reservatório indica as locações de poço explotatórios. A partir
desses indicativos o grupo de engenheiros de perfuração faz o projeto preliminar de
poço, bem como uma estimativa de custos do projeto.

Uma vez que o corpo gerencial da empresa decide perfurar o poço, os engenheiros
fazem então um projeto de perfuração mais detalhado (BOURGOYNE JR, 1984).
Para a preparação desse projeto forma-se um grupo multidisciplinar com a
participação de engenheiros de diversas especialidades de perfuração tais: fluidos,
28

perfuração direcional, revestimento e cimentação, brocas, e outras dependendo se a


perfuração for no mar ou em terra.

Os fragmentos de rocha – cascalhos – são removidos continuamente através de um


fluido chamado de fluido de perfuração; este fluido é injetado por bombas para o
interior da coluna de perfuração, passa pelos jatos (orifícios) da broca e retorna à
superfície através do espaço anular (Fig. 4).

Figura 4 – Esquemático de um sistema de circulação de fluidos numa sonda de perfuração


Fonte: Lima (2004).

3.1.2 Fluidos de Perfuração

O fluido de perfuração é uma mistura de aditivos químicos dispersos em água ou em


uma emulsão; uma das mais funções mais importantes dos fluidos de perfuração é a
remoção de cascalhos do fundo do poço. O fluxo de fluido através da broca exerce
uma ação de jateamento (no fundo do poço), o que promove a limpeza do poço e
carreia os cascalhos até a superfície. Embora a gravidade tenda a puxar estes
29

cascalhos para baixo (velocidade de queda), se a vazão de circulação é


suficientemente maior que a velocidade de queda os cascalhos podem assim ser
removidos (CHILINGARIAN, 1981).

Os fluidos de perfuração (Fig. 5) devem apresentar as seguintes características e


propriedades:

• Limpar o poço dos cascalhos gerados pela broca, transportando-os até a


superfície

• Resfriar e lubrificar a coluna de perfuração

• Exercer pressão hidrostática sobre as formações, de modo a evitar o influxo


de fluidos indesejáveis (kick)

• Estabilizar as paredes do poço, mecânica e quimicamente

• Facilitar a separação dos cascalhos na superfície

• Manter os sólidos em suspensão quando em repouso

• Ser inerte a danos às rochas produtoras;

• Inibir a corrosão da coluna de perfuração (THOMAS, 2001).

Para que se tenha um fluido de perfuração com características constantes e


conseqüentemente que se possa construir um poço com qualidade, são analisadas
várias propriedades físico-químicas, tais como: peso específico, filtrado, parâmetros
reológicos, alcalinidades, teores de água, sólidos e óleos, salinidade, dureza, entre
outros; para alcançar esses objetivos os fluidos recebem uma série de aditivos
durante sua preparação, podendo-se destacar como principais: os controladores de
pH, bactericidas, viscosificantes e redutores de filtrado, surfactantes, agentes
obturantes e adensantes. Outros aditivos podem ser empregados nas formulações,
variando com o tipo de fluido e as características da formação a ser perfurada
(SCHAFEL, 2002).
30

Figura 5 - O fluido de perfuração


Fonte: Dados do autor.

Os fluidos de perfuração podem ser formulados com três diferentes bases: base
aquosa (FBA), base não aquosa (FNA) e base gás.

Os fluidos FBA são os mais utilizados devido a fatores como: facilidade de


preparação (na própria sonda de perfuração), custo baixo, baixa toxicidade e alta
biodegradabilidade.

Os fluidos à base óleo tornaram-se comercialmente disponíveis na década de 40,


mas sua maior utilização entre 1935 e 1950 era, de longe, na perfuração de
reservatórios de baixa pressão e permeabilidade. Sua aplicação em operações de
perfuração tinha, na época, como principais obstáculos a menor taxa de penetração
e os riscos de incêndio.

Os desenvolvimentos iniciais empregaram asfalto como fase contínua, evoluindo


para a utilização óleo diesel ou de petróleo cru, emulsionados através de sais de
ácido resínico de metais alcalino-terrosos. Tais sistemas continham cerca de 5 % de
água emulsionada em sua composição, e um aumento da quantidade de fase
aquosa para mais de 10 % causava espessamento indesejável do fluido,
particularmente se o óleo base tivesse alto peso molecular (óleo asfáltico)
(CHILINGARIAN, 1988).
31

Em casos onde se esperam encontrar formações muito reativas, principalmente


argilas do tipo esmectita, ou quando da necessidade de se construir um poço de
grande inclinação, ou ainda, quando se faz necessário perfurar formações salinas,
torna-se necessário utilizar os fluidos chamados sintéticos ou fluidos não aquosos
(FBNA), os quais são emulsões e utilizam diversos produtos orgânicos como fase
contínua, tais como: óleo diesel, n-parafinas, ésteres, olefinas internas, etc. , além de
outros aditivos: orgânicos (surfactantes, polietoxilados, aldeídos, aminas,
polissacarídeos, etc.) e inorgânicos (NaCl, KCl, NaOH, CaCO3, etc.) que podem
apresentar toxicidade e, em casos excepcionais (na perfuração de formações
rochosas muito duras, por exemplo) são utilizados os fluidos base gás (ar,
nitrogênio, espumas,etc.).

3.1.2.1 Fluidos sintéticos (FBS ou FNA)

O termo fluido sintético significa um material produzido pela reação de uma


substância química específica, purificada, diferentemente dos óleos diesel e minerais
tradicionais que são derivados do petróleo através de processos de separação
física, tais como fracionamento, destilação e/ou em menor proporção através de
processos de craqueamento ou hidrotratamento. Os materiais sintéticos indicados
são aqueles livres de hidrocarbonetos poli-aromáticos (HPA), mas os testes
normalmente indicam valores até 0,001% de HPA’s, expressos como fenantreno.
Polialfaolefinas, éteres e ésteres vegetais são exemplos de materiais utilizados em
fluidos de perfuração pelas indústrias de extração de óleo e gás (VEIGA, 1998 apud
FEDERAL REGISTER, 1996).

Fluidos de perfuração sintéticos (FBS) são uma classe relativamente nova de fluidos
e foram desenvolvidos para combinar as vantagens técnicas dos fluidos base óleo
(FBO) com a baixa toxicidade dos fluidos base água (NEFF, 2000).

Os fluidos sintéticos podem ser fabricados a partir de hidrocarbonetos – lineares ou


normal parafinas (LP), linear-alfa-olefinas (LAO), poli-alfa-olefinas (PAO) e olefinas
internas (IO) – ésteres, éteres e acetais. A maioria das perfurações atualmente no
32

Golfo do México é feita com fluidos base água, quando isto não é possível, utilizam-
se quase que exclusivamente fluidos sintéticos base IO e LAO.

Para superar os problemas advindos do emprego dos fluidos à base de óleo, foram
desenvolvidos os sistemas “invertidos” (ou emulsões inversas), que contêm entre
5 % e 50 % de água emulsionada como agente de suspensão e o óleo como fase
contínua (UKOOA, 1999).

A emulsão inversa geralmente possui emulsificantes solúveis em água e


emulsificantes solúveis em óleo (formados in situ pela adição de compostos de
cálcio e magnésio a ácidos graxos específicos).

Algumas composições utilizam surfactantes não iônicos à base de lecitina, que


constituem ponto chave da composição do preparo do sistema emulsificante (GRAY
e DARLEY, 1981).

O desenvolvimento de argilas organofílicas (bentonita aminada) (IRP, 2002) capazes


de formar gel em óleo (similarmente ao efeito da bentonita em água) ampliaram as
aplicações das formulações à base de óleo durante as décadas de 60 e 70 (GRAY e
DARLEY, 1981). As principais vantagens relacionadas ao desempenho dos fluidos à
base de óleo quando comparados aos de base aquosa são a baixa compatibilidade
com as formações reativas (sensíveis à água), a maior estabilidade térmica e
estrutural (para perfuração de poços profundos e com altas temperaturas), uma
melhor lubrificação (facilitando a perfuração de poços direcionais), menores taxas de
corrosão (fase contínua não eletrolítica) e maior facilidade de reaproveitamento
(menor produção de resíduos) (SCHAFFEL, 2002; UKOOA, 1999; GRAY e DARLEY,
1981).

Devido à toxicidade de alguns hidrocarbonetos presentes no óleo utilizado como


base ( óleo diesel ), estes foram substituídos por óleo mineral de baixa toxidade
(óleo parafínico) a partir da segunda metade da década de 80 (UKOOA, 1999).

Um resumo dos principais tipos de fluidos de base oleosa, de acordo com suas
principais aplicações, é apresentado no Anexo A.
33

3.1.3 Sistemas de Separação de Sólidos

Além do uso de aditivos químicos para manter as propriedades e características de


um fluido é fundamental o uso de técnicas de separação de sólidos.

O controle de sólidos ocorre a partir do momento que o fluido de perfuração retorna


do poço, junto com os cascalhos das formações perfuradas e é feito num sistema
chamado de sistema de separação de sólidos (Fig. 6) composto por vários
equipamentos em série como visto a seguir:

• Peneiras – são peneiras vibratórias com telas especificadas de acordo com a


formação perfurada e com a vazão de fluido utilizada. É o primeiro e mais
importante equipamento do sistema, separando até 90 % dos sólidos de
tamanho até 74 micrômetros incorporados ao fluido. Uma bomba centrífuga
envia o fluido para o equipamento seguinte;

• Desareiadores – conjunto de 4 a 6 hidrociclones de diâmetro de 8 a 12


polegadas, recebem o fluido das peneiras e por ação de força centrífuga
separam uma fração com granulometria menor (areia – 45 a 74 micrômetros)
do fluido;

• Dessiltadores – conjunto de 8 a 12 hidrociclones de diâmetro de 4 polegadas


que recebem o fluido do desareador e retira uma fração de menor
granulometria (silte – 15 a 35 micrômetros);

• Mud-Cleaners – equipamento composto por hidrociclones de 4 polegadas e


peneira onde ocorre a separação de partículas ainda menores dando um
acabamento ao fluido;

• Centrífugas – centrifugadora horizontal com telas que permite retirar


partículas ainda menores (até 2 micrômetros), usada principalmente para
reduzir a densidade e/ou o teor de sólidos de um fluido.
34

Figura 6 – Sistema de separação de sólidos mostrando o fluxo de fluido recuperado e o descarte do


cascalho.
Fonte: Lima, (2004)

O cascalho gerado ao longo de toda a perfuração é separado do fluido e então


descartado. Entretanto, estima-se que o fluido incorporado ao cascalho descartado
corresponda a cerca de 25% v/v do volume total descartado. Estima-se que ao longo
da perfuração de um poço, cerca de 3000 a 6000 barris (equivalente a 480 a 960 m3)
de sólidos úmidos do sistema de separação sejam descartados, numa taxa de 1 a 10
barris/hora (VEIGA, 1998).
35

a b

Figura 7 - Cascalhos resultantes da perfuração de poço de petróleo


Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
a. cascalho recolhido em caçamba para disposição ex-situ,
b. cascalho sendo descartado na peneira vibratória.

A atividade de perfuração de poços de petróleo e gás é potencialmente geradora de


resíduos, uma vez que o cascalho que sai do poço perfurado está impregnado com
o fluido de perfuração que é elemento importante e fundamental para esta operação.

Estes cascalhos são descartados às vezes no próprio local de perfuração: em


diques, no caso de perfuração terrestre, e no mar, durante perfurações marítimas,
afetando, neste caso, todas as comunidades marinhas, principalmente a bentônica.

3.2 BIODEGRADABILIDADE E BIORREMEDIAÇÃO

A biodegradação pode ser definida como a redução biológica de substâncias


químicas complexas catalisada por microrganismos. No caso de compostos
orgânicos a biodegradação frequentemente, mas não necessariamente, conduz a
uma conversão da maior parte dos elementos C, N, P, S e outros elementos nos
36

compostos originais em produtos inorgânicos. Essa conversão de substrato orgânico


em produtos inorgânicos é conhecida como mineralização, ou seja, em última
análise, biodegradação é um termo usado como sinônimo de mineralização.

Desse modo a mineralização de C, N, P, S ou outros elementos conduzem à


liberação de elementos pelos organismos que ficam no ambiente. A respiração de
plantas e animais é um processo de mineralização que destrói numerosas
moléculas orgânicas de organismos vivos, mas a mineralização de produtos
químicos sintéticos por processos biológicos aparenta ser em sua maioria devido à
atividade microbiana. Com certeza, os microrganismos são freqüentemente os meios
exclusivos de conversão de produtos químicos sintéticos em produtos inorgânicos.

Poucas reações não-biológicas na natureza trazem mudanças comparáveis; isto


ocorre devido à grande capacidade de mineralização de compostos antropogênicos
que os microrganismos apresentam em solos, águas e sedimentos.

Muitos produtos sintéticos descartados nestes ambientes são diretamente tóxicos ou


tornam-se perigosos após a bioaumentação. Desde que a mineralização resulte na
total destruição dos componentes originais e sua conversão a produtos inorgânicos
tais processos são benéficos, porém, quando processos biológicos ou não-
biológicos degradam compostos orgânicos e convertem-nos em outros produtos
orgânicos, podemos ter um aumento da toxicidade.

Alguns destes produtos são tóxicos, mas outros não trazem nenhuma resposta
desfavorável; não obstante a acumulação na natureza de um produto orgânico é
causa ainda de preocupações, já que mesmo que um material não seja considerado
como tóxico nos dias de hoje, pode com novas técnicas de medições de toxicidade ,
revelar-se indesejável.

Os solos recebem incontáveis moléculas de produtos sintéticos de operações de


“landfarming”, “landspreading”, derramamentos acidentais ou disposição de borras
de resíduos industriais e a degradação de materiais naturais nos solos são
reconhecidas como ocorrendo desde os tempos pré-históricos. As comunidades
naturais de microrganismos nos vários habitats apresentam uma versatilidade
fisiológica incrível. Eles são capazes de metabolizar e frequentemente mineralizar
um número enorme de moléculas orgânicas. Provavelmente todo produto natural,
37

independente da sua complexidade é degradado por uma ou outra espécie em


algum ambiente particular (ALEXANDER, 1999).

Várias condições são necessárias para que ocorra a biodegradação num


determinado ambiente. Dentre estas condições podemos citar: (a) um organismo
que tenha as enzimas necessárias para permitir a ocorrência da biodegradação; a
mera existência de um organismo com o potencial catabólico apropriado é
necessária, mas não é suficiente para que a biodegradação ocorra. (b) Aquele
organismo deve estar presente no ambiente que contém a substância química.

Muitas substâncias químicas persistem mesmo em ambientes que contêm as


espécies biodegradadoras simplesmente porque o organismo não tem acesso aos
compostos que possibilitariam esta degradação. A inacessibilidade pode ser o
resultado do substrato que está em um micro-ambiente diferente do organismo, em
um solvente não miscível em água. (d) Se a enzima inicial que possibilita a
biodegradação é extracelular, as ligações que atuam sobre essa devem estar
expostas sobre o catalisador para que funcione. Esse não é sempre o caso devido à
adsorção de muitas moléculas orgânicas. (e) As enzimas catalisadoras precisam ser
intracelulares para iniciarem a biodegradação, essa molécula deve penetrar a
superfície celular para locais onde a enzima atue. Alternativamente, os produtos de
uma reação extracelular devem penetrar a célula para que se transformem e sejam
processados. (l) Como a população ou biomassa de bactérias ou fungos atuando
inicialmente sobre os compostos sintéticos é pequena, as condições ambientais
devem ser controladas para permitirem a proliferação dos microrganismos ativos em
potencial (ALEXANDER, 1999).

Após atravessar a membrana, os contaminantes podem ser catabolizados através


de três vias metabólicas distintas: respiração aeróbica, respiração anaeróbica e
fermentação. Quando se trata da respiração aeróbica de bactérias, a primeira etapa
da biodegradação consiste na introdução de oxigênio no hidrocarboneto, que é
promovida por enzimas oxigenases. Nesta via, as substâncias químicas vão a CO2 e
H2O ou outros, sendo utilizado o oxigênio como aceptor final de elétrons (SORIANO
apud ENGLERT e KENZIE, 1993).
38

A biodegradabilidade expressa qualidades que representam a susceptibilidade das


substâncias em serem alteradas por processos microbianos. A biodegradação de
compostos orgânicos é a simplificação parcial ou completa destruição da estrutura
das suas moléculas por reações fisiológicas catalisadas por microrganismos. A
biodegradação é rotineiramente medida pela aplicação de análises físico-químicas,
através da incubação de frascos contendo culturas pura de microrganismos, culturas
mistas ou amostras ambientais, por exemplo, solos, água, sedimentos ou lodos
industriais (MADSEN, 2000).

Dentre os principais métodos de tratamento onde se usa a biorremediação podemos


citar: o seu espalhamento superficial no solo (land treatment), incorporação em vias
rodoviárias (road spreading), a sua diluição em áreas de aterro (dilution burial) e a
formação de biopilhas (DEUEL e HOLLIDAY, 1997).

Geralmente não é permitido o descarte de fluidos SBF no ambiente, entretanto os


cascalhos gerados perfurando com esse tipo de fluido podem ser tratados para
remover parte do SBF e descartá-los no mar.

Os cascalhos de fluidos sintéticos são molháveis ao óleo quase que exclusivamente


e quando descartados no mar tendem a se agregar em grandes partículas que se
depositam rapidamente no assoalho marinho. Cascalhos de fluidos sintéticos base
éster são mais facilmente dispersos que os cascalhos de fluidos base poli-alfa-
olefinas Se a concentração de fluido base for reduzida para menos de 5 %, os
cascalhos se dispersarão mais efetivamente e o acúmulo de pilhas de cascalho será
menor no assoalho marinho.

Os cascalhos ajustam-se em um padrão muito heterogêneo no fundo perto da


plataforma e a direção da deposição depende da corrente e da velocidade em
diferentes profundidades da coluna d’água. Pilhas de cascalho são ocasionalmente
observadas em águas rasas, mas raramente são maiores que 1 m. Pilhas de
cascalho raramente ocorrem em águas profundas ou em ambientes marinhos de alta
energia.

Vários estudos de campo têm mostrado que as mais altas concentrações de fluidos
sintéticos em cascalhos são encontradas usualmente num raio de 100 m da
plataforma, entretanto estes cascalhos podem também se depositar de 1 a 2 km do
39

ponto de descarte. Concentrações de fluido base da ordem 200.000 mg/kg em peso


seco já foram observadas, porém o mais comum é termos concentrações menores
que 10.000 mg/kg a distâncias inferiores a 200 m. A concentração de fluidos base
nos sedimentos usualmente decresce com o tempo logo após para o descarte dos
cascalhos, embora seja difícil estabelecer a taxa de decaimento devido à
heterogeneidade na distribuição de cascalhos nos sedimentos.As concentrações de
fluido base sintéticos em sedimentos podem decrescer com o tempo após a
descarga por ressuspensão, transporte de leito, mistura ou por biodegradação
(MUNRO et. al., 1997)

As bactérias e fungos presentes nos sedimentos são capazes de utilizar fluidos


sintéticos como fonte de nutrição, liberando produtos de degradação simples e não-
tóxicos.

Vários estudos de laboratório têm sido feitos para medir a taxa de biodegradação de
fluidos base sintéticos em sedimentos, utilizando diferentes metodologias. A
biodegradação de fluidos base sintéticos em sedimentos resulta em um decréscimo
nas concentrações de oxigênio nos sedimentos. Se a concentração inicial de fluidos
base é alta o suficiente os sedimentos tornam-se anóxicos, portanto, idealmente os
fluidos base sintética deveriam ser biodegradáveis em condições aeróbias e
anaeróbias (NEFF, 2000).

Um dos objetivos iniciais do desenvolvimento de fluidos sintéticos foi o de maximizar


a taxa de biodegradação para minimizar o potencial dos impactos ambientais,
inclusive pelo aumento da taxa de recuperação da fauna bentônica. As
concentrações de fluidos à base sintética nos sedimentos pode diminuir com o
tempo, pela ressuspensão e mistura ou pela biodegradação (CANTARINO, 2001).

Os fluidos de base sintética são projetados pra apresentar biodegradabilidade nas


condições presentes nos sedimentos em área off-shore e com possibilidade de ser
biorremediados ou bioatenuados em áreas on-shore. Bactérias e fungos presentes
nos sedimentos são capazes de usar os fluidos sintéticos como fonte de nutrição,
liberando um metabólito simples e não tóxico como produto de degradação (NEFF,
2000).
40

Como regra geral os éteres de glicóis são biodegradáveis; historicamente, a


quantidade de oxigênio consumido em um período de 5 dias em uma amostra
conhecida é utilizada como padrão para comparação da degradação de qualquer
produto químico. Mais recentemente, períodos mais longos na ordem de 20 dias ou
mais, são utilizados para se avaliar a propensão do químico a se biodegradar.
Diferentes microrganismos podem ter diferentes capacidades de utilizar o produto
químico em teste como alimento. Comumente, o inóculo do lodo pode ser aclimatado
ao produto químico em teste simplesmente colocando o microorganismo em contato
com o produto químico por períodos prolongados (LYONDELL, 2005).

Segundo Neff et al. (2000), testes de biodegradação em laboratório demonstram que


os fluidos de base sintética são muito mais biodegradáveis sob condições aeróbias
do que anaeróbias. Os diferentes fluidos sintéticos podem apresentar diferenças
consideráveis na sua biodegradabilidade. Ainda de acordo com Neff nos testes de
biodegradação utilizados no Mar do Norte os fluidos de base sintética possuem a
seguinte ordem de biodegradabilidade:

Éster > LinearAlfaOlefina (LAO) IsoOlefinas (IO) > PoliAlfaOlefinas (PAO) > Éter

Um estudo realizado no Oceano Atlântico, a oeste da Irlanda, com uma mistura de


fluidos à base de n-parafinas / LAOs / PAOS, demonstrou a rápida biodegradação
das n-parafinas e das LAOs, mas as PAOs foram degradadas lentamente. Mais que
90% da parafina e LAO foram degradados em 2anos. Testes simulados no leito
submarino com sedimentos, realizados na Noruega, mostrou que os ésteres, LAOs e
IOs biodegradam sob condições naturais simuladas mais rapidamente do que óleo
mineral. Os resultados obtidos para fluidos à base PAOs mostraram que sua
biodegradação é lenta (CANTARINO, 2001).

A rápida biodegradação de alguns fluidos à base sintética, particularmente os


ésteres, podem produzir anoxia nos sedimentos, resultando em mudanças na
estrutura e função da comunidade bentônica (NEFF, 2000).

Contudo, a quantificação das taxas de biodegradação tem sido problemática devido


a uma variedade de fatores que afetam as taxas tanto em testes de laboratório
quanto de campo, dando margem a diferentes resultados. Estes problemas têm
conduzido à determinação de testes de biodegradação de fluidos de perfuração de
41

base não aquosa através de quatro tipos de experimentos: testes-padrão de


laboratório, testes de fase sólida, testes simulados no fundo do mar e monitoramento
efetivo do fundo do mar (CANTARINO, 2001).

Aspectos de toxicidade têm sido objeto de estudo para demonstrar a viabilidade de


uso desses fluidos, mas, existem poucos estudos sobre o grau de biodegradação
destes resíduos. Uma técnica que pode ser utilizada para avaliar a
biodegradabilidade de determinado produto é a medição do CO2 gerado após a
estimulação de uma biodegradação utilizando cepas de bactérias isoladas e
enriquecidas para esse fim.

O comportamento da respiração do solo é considerado como um indicador de sua


atividade microbiana, bem como do efeito de toxicidade e da biodegradação de
compostos orgânicos adicionados ao solo. O comportamento da respiração pode ser
avaliado através da medida do oxigênio consumido ou da medida do gás carbônico
produzido, durante a biodegradação dos compostos orgânicos (CETESB, 1990).

O CO2 em amostras ambientais pode ser monitorado usando um analisador de gás


infravermelho, o qual detecta o CO2 gerado no processo de respiração pela
absorção de um específico componente de onda eletromagnético (MAIER, 2000).

Um novo teste de biodegradação, baseado em um sistema simples de jarros de


vidro preenchido com sedimento marinho homogeneizado e misturado com fluidos
NAF, foi capaz de distinguir entre dois diferentes tipos de fluidos NAF com respeito
à sua biodegradabilidade. O fluido base éster degradou mais rapidamente que um
fluido à base de alcanos / alcenos, com o fluido de éster degradando de 95 a 98 %
no fluido contendo 500 ppm deste aditivo no fluido e na mistura fluido / areia e 39 %
a 5.000 ppm do aditivo na mistura fluido / areia num período de 60 dias de
experimento. O fluido à base de alcanos / alcenos foi mais recalcitrante com um
máximo de 53 % de degradação a 500 ppm de aditivos na mistura fluido/areia e
apenas 7 % de degradação a 500 ppm na areia. (MUNRO, 1997). Munro et. al.
(1997) utilizando e implementando o método SOAEFD, demonstraram que a
biodegradação dos ésteres ocorria com maior eficiência quando comparada aos
alcanos e alcenos.
42

Além disso, Munro et. al. (1997) ainda mostraram que matrizes de solo arenáceas
possuem uma menor capacidade de biodegradação em relação aos fluidos quando
comparada com solos com maior relação argila/areia.

Dittavong (apud TAMULONIS e RUBIN, 2000), seguindo o método SOAEFD


também demonstrou a seguinte relação para a biodegradação de fluidos com base
sintética para um tempo total de incubação de 112 dias (2688 horas): éster >
olefinas > parafinas.

A biodegradação de éster impregnado em cascalhos pode ser conduzida mais


eficientemente com uma hidrólise enzimática prévia das ligações do éster antes da
biodegradação; A aceleração observada da biodegradação é um resultado de uma
melhor transferência da matéria orgânica, embora pouco solúvel em água, dentro da
bactéria (PERIE, 1995).

Segundo Visser (2002) a biodegradabilidade relativa de olefina isomerizada, alfa


olefina, tetradeceno isomerizado, parafina isomerizada, óleo mineral e óleo diesel
misturado com um solo de floresta, com as seguintes características: pH – 5,1;
composição – 41,2 % areia, 39,6 % silte , 19,2 % argila e 2,6 % de matéria-prima.
Cada amostra de fluido foi misturada com solo e recebeu suplemento de nitrogênio;
após misturar bem, cada amostra foi colocada em um frasco de vidro, fechada com
tampa e incubada a 22° C para determinar o potencial de biodegradabilidade e
identificar o melhor tratamento biológico. A medida da respiração foi determinada a
intervalos regulares nos 93 dias para determinar o potencial de biodegradabilidade e
identificar o melhor tratamento biológico no “endpoint”.

O tratamento “endpoint” é definido como o ponto onde a respiração estabiliza,


havendo muito pouca liberação de CO2. Este “endpoint” sinaliza a exaustão dos
hidrocarbonetos facilmente disponíveis e o início da lenta fase de decaimento. Foi
verificado também que a atividade microbiana foi mais estimulada pela aplicação de
olefinas isomerizadas, linear alfa olefina e tetradeceno isomerizado demonstrando
que estes três fluidos são mais degradáveis. A grande rapidez no aumento na
respiração nos primeiros 7 dias quando aplicado olefinas é uma evidência forte que
estes fluidos são altamente biodisponíveis e prontamente utilizados pela biomassa
microbiana para crescimento e reprodução. A parafina isomerizada, o óleo mineral e
43

o diesel também estimularam a atividade microbiana , mas não com a mesma


extensão que as olefinas.

3.3 LEGISLAÇÃO

Enquanto no mundo as restrições se asseveram, no Brasil, uma única lei que


contempla o descarte de tais materiais não é específica quanto aos critérios de
toxidade e concentração dos fluidos a serem descartados, e transfere toda a
responsabilidade do controle da descarga de resíduos para o IBAMA1 (FERREIRA,
2003).

A Lei 9.966 de 28 de Abril de 2.000 dispõe sobre a prevenção, o controle e a


fiscalização da poluição causada por lançamento de óleo e outras substâncias
nocivas ou perigosas em águas sob jurisdição nacional e dá outras providências, diz
no seu Art. 20: “A descarga de resíduos sólidos das operações de perfuração de
poços de petróleo será objeto de regulamentação específica pelo órgão federal de
meio ambiente”.

No entanto essa lei ainda não foi regulamentada, e o IBAMA tem usado como
critérios nos Termos de Referência atuais para fornecimento de licença ambiental
para a atividade de perfuração marítima algumas condicionantes, tais como:

• Na perfuração com fluidos sintéticos base parafinas e olefinas o resíduo deve


conter no máximo 6,9 % p/p de fluido aderido ao cascalho.

• Na perfuração com fluidos sintéticos base éster o resíduo deve conter no


máximo 9,4 % p/p de fluido aderido ao cascalho.

• O descarte de qualquer tipo de cascalho (oriundo de perfuração com fluido


base água ou de fluido base sintética) não pode ser feito em lâminas d’água
inferiores a 60 m de profundidade ou em áreas que o IBAMA considere
ambientalmente sensíveis.

1
DOU, Lei 9966, 2000
44

No Brasil não há ainda uma regulamentação quanto ao uso e descarte dos fluidos
de base sintética (FNA) e dos cascalhos provenientes da perfuração de poços com
esses tipos de fluidos. Não há nenhum requisito legal sobre o uso e o descarte dos
fluidos sintéticos ou os cascalhos impregnados com fluidos sintéticos no Brasil. Para
preencher esta lacuna, o IBAMA tem requerido que o Relatório de Controle
Ambiental (estudo necessário para o licenciamento da atividade de perfuração em
áreas off-shore), apresente testes de toxicidade aguda e crônica com o misidáceo
Mysidopsis juniae, e o ouriço do mar Lytechinus variegatus. Além disso, a
composição do fluido e a estimativa da quantidade a ser utilizada por intervalo do
poço, bem como, a estimativa da quantidade de cascalho gerada também é
requerida. As concentrações de mercúrio e cádmio devem ser apresentadas para a
barita e bentonita utilizada.

Adicionalmente, é requerida a apresentação de uma modelagem de dispersão de


cascalhos, que deve considerar, entre outras coisas, a espessura da camada de
cascalhos no fundo do mar, de acordo com a distância do poço. Durante a
realização da atividade de perfuração, o IBAMA determina a implementação de
projetos de controle de poluição e monitoramento ambiental. No projeto de controle
de poluição, devem-se realizar testes de eficiência de separação fluido/cascalho,
sendo o mais comum, o teste de retorta. As quantidades de fluidos utilizados,
descartados e reciclados devem ser apresentados. O volume de cascalhos gerados
deve ser apresentado para cada intervalo do poço. No projeto de monitoramento, é
necessária a realização de testes de toxicidade aguda e crônica para cada tipo de
fluido de perfuração coletado no sistema de separação fluido / cascalho, além de
testes de biodegradabilidade, potencial de oxi-redução, concentração de Hg e Cd,
entre outros.

O descarte no mar de fluidos de perfuração de base sintética não tem sido permitido.
É possível que, em algumas condições, os cascalhos também venham a ter seu
descarte proibido, a depender da sensibilidade ambiental da área de influência, dos
resultados dos testes de toxicidade do fluido, da eficiência do sistema de separação
fluido / cascalho e da modelagem da dispersão dos cascalhos. Neste caso, os
empreendedores deverão estudar as alternativas mais viáveis, como o transporte e
disposição em aterros, em áreas com baixa sensibilidade ou, até mesmo, rejeição.
Em relação aos requisitos determinados pelas principais agências ambientais e
45

órgãos internacionais, pode-se considerar que os requisitos adotados no Brasil são


restritivos, garantindo, principalmente, a adoção de medidas preventivas em relação
à proteção ambiental, embora não haja uma regulamentação normativa
(CANTARINO, 2001).

Nas atividades em terra os cascalhos são dispostos em diques revestidos com lonas
plásticas e aterrados ao final da perfuração; em alguns Estados do Brasil esta
prática vem sendo substituída pela secagem do material através de equipamentos
adequados para este fim, e ou enviado para a disposição final em locais apropriados
(aterro industrial, re-injeção em poços, land-treatment) porém o processo ainda não
é 100 % eficaz. A disposição dos resíduos em terra é fiscalizada pelos órgãos
ambientais regionais e muitas vezes as exigências são diferentes entre eles.

Entretanto os cascalhos são considerados como toxicologicamente inertes, sendo a


principal preocupação que os aditivos do fluido de perfuração aderidos a estes
cascalhos sejam tóxicos, particularmente os cascalhos produzidos quando
perfurando com fluidos base sintética (FBS) ou fluidos base óleo (FBO) (NEFF,
2000).

Os fluidos de perfuração sintéticos mais frequentemente usados no Golfo do México


são a linear alfa-olefinas (LAO) e as olefinas internas (IO). No golfo do México não é
permitido o descarte de fluidos sintéticos no mar, porém, os cascalhos impregnados
por este podem ser descartados; estes cascalhos contêm de 5% a 15% de fluido
sintético aderido. Fluidos de base sintética são biodegradáveis. Ésteres degradam
mais rapidamente. LAO e IO degradam em taxas moderadas sob condições
aeróbias e anaeróbias, mas poli-α-olefinas e acetatos não degradam
significantemente quanto os óleos minerais em OBF. A biodegradação geralmente
causa depleção de oxigênio nos sedimentos.

Os fluidos de base sintética possuem baixa toxidade na coluna d’água e sedimento.


Contudo, altas concentrações de fluidos de base sintética em sedimentos produzem
efeitos adversos nas comunidades bentônicas. A resposta usual é a perda ou
decaimento em abundância de algumas espécies da fauna bêntica e um
crescimento na abundância de espécies oportunistas, levando a uma queda na
diversidade de espécies. Este efeito é causado provavelmente pelo enriquecimento
46

de matéria orgânica nos sedimentos com os fluidos de base sintética, que leva à
hipoxia do sedimento (NEFF, 2000).

O recobrimento da comunidade bentônica ocorre de maneira lenta, à medida que o


fluido sintético é biodegradado ou removido do ambiente pelo transporte de
sedimento. O recobrimento pode requerer três ou cinco anos. Efeitos adversos de
descargas de cascalhos impregnados com fluidos de base sintética não têm sido
observados na coluna d’água e não é esperado devido à baixa toxidade desses
fluidos e ao rápido assentamento dos cascalhos no fundo marinho.

Contudo, condições gerais foram firmadas entre os países da OSPAR (Oslo and
Paris Commission) em 1994, estabelecendo parâmetros de aprovação para uso e
descarga de fluidos de perfuração, existem ainda algumas variações práticas sobre
a implementação. Todos os padrões ambientais, como toxidade, bioacumulação e
biodegradação, têm sido avaliados cuidadosamente quanto a mudanças.
Recentemente acordos têm sido firmados com relação às espécies teste para
avaliação da toxidade e descarte de fluidos de perfuração no Mar do Norte.

A biodegradabilidade tem sido provavelmente, o item mais controverso com relação


ao método de análise, resultados, taxas e impactos sobre o meio ambiente. Fluidos
de perfuração usados em FBS (Fluidos Base Sintética) possuem baixa solubilidade
em água e adsorção nos cascalhos; a OSPAR requer testes de biodegradabilidade
aeróbia e anaeróbia para fluidos de base sintética. Atualmente, um protocolo de
teste de biodegradabilidade foi desenvolvido pelo OECD para materiais solúveis em
água, mas não existem testes para matérias pouco ou insolúveis em água. Este é o
caso para ambos testes de biodegradação aeróbia e anaeróbia. Alguns testes já se
encontram descritos, porém nenhum deles é tido como padrão, dessa forma, várias
são as metodologias empregadas em todo o mundo. Pequenas diferenças nos
protocolos existentes para testes aeróbios em águas marinhas resultam em grandes
variações (PERIE, 1995).

Testes de biodegradação já estabelecidos empregam o CO2 como parâmetro


analítico para determinar a biodegradabilidade de substâncias. Uma técnica
inovadora baseada na medição contínua da condutividade mostrou ser apropriado
de acordo com as demais técnicas já descritas. Pode ser demonstrado que o método
47

atende todos os critérios estabelecidos para os testes de biodegradação, gerando


curvas de biodegradação contínuas, sendo mais real que outros testes. Em
experimentos paralelos, apenas pequenas variações nos padrões de biodegradação
foram observados.

Quando comparados, o novo teste de biodegradação on-line e os demais testes já


descritos, as taxas de crescimento e fase lag foram similares. Foi efetuado um teste
adicional para a medição paralela de três importantes parâmetros para a
biodegradação: evolução de CO2, determinação da demanda bioquímica de oxigênio
(DBO) e remoção do carbono orgânico dissolvido (COD), em um teste de
biodegradação com sistema de multicomponentes. Esse teste tem vantagens para
componentes pobremente solúveis em água e altamente voláteis. Os somatórios de
CO2 e DBO produziram curvas de degradação contínuas.

Os métodos de biodegradação existentes baseados nas medições de CO2 e COD é


possível com o emprego de respirômetros. A maior vantagem do método contínuo
de biodegradação é, não somente a diminuição dos trabalhos manuais, mas também
a obtenção de curvas de biodegradação mais precisas, que são muito vantajosas na
determinação da biodegradabilidade. De acordo com o guia da Organização para a
Co-operação Econômica e Desenvolvimento (OECD), uma substância é considerada
biodegradável se o grau de biodegradação baseado na remoção de COD é igual ou
superior a 70 %.

No caso da produção de CO2 ou da DBO, 60 % dos valores teóricos tem sido


alcançados. Esses limites têm sido alcançados em um período de 10 dias (janela de
10 dias), ao longo de um teste de 28 dias. Os métodos que utilizam as medidas
contínuas de parâmetros analíticos reduzem o risco de perda da janela de 10 dias.

O método da condutivimetria usa a relação direta entre as produções de CO2 e as


mudanças de condutividade da solução básica receptora. Junto com os íons de uma
solução aquosa de hidróxido de potássio (KOH), o CO2 gerado produz carbonato de
potássio (K2CO3). O carbonato é menos dissociado que a base, e mostra uma menor
condutividade. A relação linear entre a quantidade de CO2 liberada e as mudanças
na condutividade podem ser usadas para determinar a formação de CO2 com
bastante precisão. Este teste cumpriu os requerimentos dos testes padrões e pode
48

servir como base para novos desenvolvimentos de testes de biodegradação em


diferentes áreas.

Portanto, vários autores têm descrito métodos alternativos para a detecção de


dióxido de carbono. Estes incluem amostragem de gás que permanece no espaço
vazio e subseqüente análise em infravermelho a o aprisionamento de dióxido de
carbono em uma solução 0,1 M de KOH e medição da condutividade elétrica da
solução base (ALEXANDER, 1999).

3.4 ESPECTROMETRIA NO INFRAVERMELHO

Os compostos orgânicos também absorvem radiações na região do infravermelho


(IV) do espectro. A radiação infravermelha não tem energia suficiente para excitar os
elétrons e provocar transições eletrônicas, mas ela faz com que os átomos ou
grupos de átomos vibrem com maior rapidez e com maior amplitude em torno das
ligações covalentes que os unem. Estas vibrações são quantizadas e, quando
ocorrem, os compostos absorvem energia IV em certas regiões do espectro. Nas
vibrações, as ligações covalentes comportam-se como se fossem pequenas molas
unindo os átomos. Quando os átomos vibram, só podem oscilar com certas
freqüências, e as ligações sofrem várias deformações. Quando a ligação absorve
energia, ela sofre alterações e, ao retornar ao estado original, libera essa energia,
que então é detectada pelo espectrômetro (ROCHA,1999).

Este é o princípio utilizado no aparelho de aquisição de dados que faz parte do


respirômetro aeróbio montado para conduzir os ensaios de biodegradabilidade.
49

4 MATERIAL E MÉTODOS

4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS

4.1.1 Amostragem dos Resíduos

As amostragens dos resíduos (cascalhos) contendo fluidos de perfuração à base


ésteres e parafinas foram feitas em sondas de perfuração marítima e terrestre,
durante a perfuração das fases de poços onde se utilizam esses tipos de fluidos,
que é principalmente na fase direcional do poço ou quando da presença de alguns
tipos de rochas (folhelhos reativos, halitas, etc.) que possam ocasionar problemas se
utilizarmos fluido de perfuração base água.

A coleta das amostras foi feita num equipamento da sonda chamado peneira de
separação, onde se separa o fluido de perfuração dos cascalhos (resíduos) que
retornam do poço; esta coleta foi feita por técnico especializado sob nossa
orientação de forma que a amostra fosse coletada do início até o fim da perfuração
da fase, tendo assim a maior representatividade possível.

As quantidades amostradas de cascalhos impregnados com fluidos base n-parafinas


e ésteres foram de 20 kg e 50 kg respectivamente, sendo que a primeira foi oriunda
da perfuração de um poço marítimo perfurado na costa do Espírito Santo e a
segunda foi coletada na perfuração de um poço terrestre no Rio Grande do Norte.

A terceira amostra foi de cascalho impregnado com fluido base olefina e foi fabricada
em laboratório, onde se utilizaram todos os produtos normalmente utilizados na
preparação desse fluido e um cascalho argiloso oriundo de mineração e que é
normalmente utilizado para efetuar-se testes de interação rocha-fluido; o resíduo
assim obtido foi submetido um processo de agitação a temperaturas de 120º F
durante 16 horas, processo esse chamado de envelhecimento; esse processo simula
as condições de temperatura e dinâmica de circulação do fluido no poço e
50

conseqüentemente as prováveis interações rocha-fluido que venham a ocorrer numa


situação real; considera-se então na indústria do petróleo que esta amostra seja tão
significativa quanto às outras para os testes e ensaios propostos neste trabalho;
foram coletados 10 kg deste resíduo.

Após a coleta, esses resíduos foram acondicionados em embalagens plásticas,


sendo parte deles utilizado para caracterização físico-química e outra parte
armazenada sob refrigeração para os estudos posteriores de biodegradabilidade.

4.1.2 Caracterização Físico - Química

Nesta etapa foram analisados na massa bruta os seguintes parâmetros pelas


metodologias do Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater
(APHA,1995): carbono orgânico total, óleos e graxas, nitrogênio total, fósforo total,
cinzas; além destes, foram analisados os teores de água, fase oleosa e sólidos
utilizando-se a metodologia apresentada pela API (2005).

Extraiu-se o solubilizado e o lixiviado da matriz sólida de acordo com as normas


NBR-1005 e NBR-1006 da ABNT com os objetivo de analisá-los, utilizando-se as
metodologias constantes no Standard Methods for the Examination of Water and
Wastewater (APHA,1995), classificar os resíduos conforme a NBR-10004 e
conhecer possíveis interferentes no processo da biodegradação.

As análises para determinação de teores de sulfatos, óleos e graxas, fluoretos,


surfactantes, carbono orgânico e fenóis foram efetuadas no Laboratório de
Saneamento (LABSAN) da UFES, e as análises de nitratos, cianetos, fósforo total,
nitrogênio total e foram realizadas em laboratório externo (AGROLAB).

As análises de metais nas soluções obtidas a partir da solubilização (NBR 10005) e


lixiviação (NBR 10006) das amostras de cascalhos impregnados com fluidos de
perfuração base sintética foram realizadas por espectrometria de absorção atômica,
utilizando as técnicas mais adequadas para cada metal, aliada às faixas de
concentração esperadas, conforme tabela 1.
51

Para a técnica de absorção atômica com chama foi utilizado o espectrômetro Varian
1275 do Laboratório de Química Analítica do DQUI/UFES. Na técnica de geração de
hidretos foi utilizado o gerador de hidretos VGA76 da Varian, acoplado ao
espectrômetro de chama citado (Fig. 8).

Na técnica de forno de grafite foi utilizado o espectrômetro AAS 5 EA da Carl Zeiss,


que possui carrossel com 6 lâmpadas, correção de fundo por lâmpada de deutério,
tubo de grafite com aquecimento transversal e amostrador MPE 5 com capacidade
para 40 amostras (Fig. 9).

Foram utilizadas as recomendações instrumentais dos fabricantes dos equipamentos


e metodologias analíticas descritas no Standard Methods (APHA, 1995).

As soluções obtidas foram analisadas nos espectrômetros citados, com as


condições da tabela 1 e após a construção das curvas analíticas a partir de solução
padrão 1.000 mg/L do metal, e diluição adequada das amostras.
52

TABELA 1 – PARÂMETROS INSTRUMENTAIS PARA OS METAIS ANALISADOS

Técnica Comp. de Corrente Fenda Faixa ótima LD


metal
utilizada onda (nm) LCO (mA) (nm) de trabalho (mg/L)

Al GF-AAS 309,3 6,0 0,8 0-50ppb 0,005

As HG-AAS 193,7 10,0 0,5 0-20ppb 0,0005

Ba GF-AAS 553,6 6,0 0,2 0-50ppb 0,05

Cd GF-AAS 228,8 3,0 0,8 0-5ppb 0,0001

Pb GF-AAS 217,0 3,0 0,8 0-50ppb 0,02

Cu GF-AAS 324,8 9,0 0,5 0-50ppb 0,002

Cr GF-AAS 357,9 5,0 0,8 0-50ppb 0,001

Fe GF-AAS 248,3 6,0 0,2 0-50ppb 0,01

Mn GF-AAS 279,5 6,0 0,8 0-10ppb 0,0002

Hg CV-GF-AAS 253,7 3,0 0,8 0-10ppb 0,0001

Ag GF-AAS 328,1 4,0 0,8 0-50ppb 0,001

Se HG-AAS 196,0 10,0 1,0 0-20ppb 0,0005

Na F-AAS 589,0 5,0 0,5 0-1ppm 0,0002

Zn F-AAS 213,9 5,0 1,0 0-2ppm 0,0005

Ca F-AAS 422,7 4,0 0,5 0-4ppm 0,02

LEGENDA:
LCO = lâmpada de catodo oco
LD = limite de detecção (3 x desvio padrão do branco de preparação / inclinação da curva).
GF-AAS = espectrometria de absorção atômica com forno de grafite. Para análise de Hg utilizou-se a
geração de vapor frio acoplado ao espectrômetro de forno de grafite (CV-GF-AAS).
HG-AAS = espectrometria de absorção atômica com gerador de hidretos
F-AAS = espectrometria de absorção atômica com chama.
53

Figura 8 - Espectrômetro de absorção atômica com chama, modelo 1275 da Varian, mostrando a
unidade geradora de hidretos acoplada.
Fonte: Dados do autor.

Figura 9 - Espectrômetro de absorção atômica com forno de grafite AAS 5 EA (marca Carl Zeiss)
com unidade geradora de vapor frio acoplada (para análise de Hg).
Fonte: Dados do autor.

As análises dos teores de fase oleosa, água e sólidos presentes nas amostras de
cascalho foram efetuadas segundo API (2005) e realizadas no laboratório do
LABSAN, utilizando um equipamento denominado retorta (Fig. 10) que é
basicamente um destilador onde se separam as fases água, óleo e sólidos. A
descrição do equipamento e o procedimento seguido estão apresentados a seguir:
54

Figura 10 - Equipamento para determinação de teores de água, fase oleosa e sólidos – RETORTA
Fonte: Dados do autor.

4.1.2.1 Procedimento de determinação de teores de água, fase oleosa e


sólidos em cascalhos de perfuração de poços segundo API (2005)

4.1.2.1.1 Descrição

a. Este procedimento é especificamente indicado para a medição de quantidades


de fluidos não–aquosos (FNA) de cascalhos gerados durante a operação de
perfuração do poço. Neste procedimento todo o material oleoso (CBFP) do fluido
não aquoso (FNA) e toda a água liberados da amostra de cascalho quando
aquecidos num equipamento calibrado e chamado de Retorta.

b. Neste teste de retorta uma massa conhecida de cascalhos é aquecida numa


câmara apropriada, para vaporizar os líquidos associados à amostra de cascalho.
Os vapores de CBFP e água gerada são então condensados, coletados e
medidos em uma proveta graduada.
55

4.1.2.1.2. Equipamento

a. Retorta - A retorta recomendada e utilizada foi aquela que tem uma câmara
(copo) de análise com volume de 50 ml e jaqueta externa de aquecimento.

Especificações da Retorta:

1. Montagem da Retorta – corpo, copo ou câmara e tampa.

(a) Material: aço 303 ou equivalente

(b) Volume: Copo da retorta com tampa

Volume do copo: 50 cm3.

Precisão: ±0.25 cm3.

2. Condensador – capacidade de resfriamento dos vapores da fase oleosa e


da água das suas temperaturas de liquefação.

3. Resistência de aquecimento elétrico – potência nominal 350 watts.

4. Controle de temperatura – calibrada para 920° F

b. Recipiente de recebimento de líquidos – proveta de vidro graduada de 25 ml

4.1.2.1.3. Procedimento

a. Limpar e secar o conjunto retorta / condensador;

b. Completar o corpo da retorta com palha de aço;

c. Pesar o copo com a tampa em balança adequada;


56

d. Coletar uma massa representativa da amostra, e triturar em gral com pistilo para
desagregar ao máximo a amostra de cascalho;

e. Preencher o copo com a amostra até a extremidade superior sem pressioná-la


para dentro de forma a mantermos espaços vazios para os vapores dos líquidos
se deslocarem. Colocar a tampa, pesar e registrar o peso do copo, com amostra
e tampa;

f. Aplicar produto lubrificante / selante na rosca do copo e enroscar na base da


retorta;

g. Fixar o condensador na base da retorta. Colocar a base da retorta na jaqueta de


aquecimento. Ligue a retorta na tomada e no botão de liga;

h. Colocar a proveta de vidro graduada sob o condensador para receber os


líquidos;

i. Deixar a retorta ligada por pelo menos 1 hora; após esse tempo monitorar o
gotejamento dos líquidos do condensador; ao verificar que já não existe mais
gotejamento desligar o equipamento;

j. Remover a proveta, verificar e registrar os volumes dos líquidos - fase oleosa e


água;

k. Esperar o resfriamento do equipamento para limpeza e nova utilização;

Além desse, também foram feitas análises de teor de umidade, óleos e graxas e
sólidos voláteis presentes nos cascalhos impregnados com fluidos de perfuração
sintéticos, seguindo o método descrito por APHA (1995).
57

4.2 ISOLAMENTO E IDENTIFICAÇÃO DE CEPAS DE BACTÉRIAS


COM CAPACIDADE DE BIODEGRADAÇÃO DOS CBFP SINTÉTICOS

4.2.1 Coleta das amostras ambientais utilizadas como fonte de


inóculo

Foram coletadas amostras em 7 (sete) diferentes ambientes selecionados como


fonte de inóculo para o isolamento das cepas de bactérias com capacidade de
biodegradação dos componentes base dos fluidos de perfuração sintéticos (CBFP),
conforme mostrado na tabela 2.

Essas amostras foram coletadas de acordo com uma metodologia descrita por
Néder (1992), e em seguida pesados 100 g de cada uma delas e colocadas em
recipientes plásticos sendo posteriormente enriquecidas com os hidrocarbonetos e
éster em estudo.

4.2.2 Enriquecimento das Amostras Ambientais

O enriquecimento das amostras ambientais foi realizado de acordo com a


metodologia descrita por Soriano (2003), e está apresentado abaixo, na tabela 2:

• A cada amostra de solo ou sedimento de 100 g foi adicionado o componente


principal do fluido de perfuração (CPFP), em doses crescentes, em
proporções diferentes para cada CPFP, sendo 1,8%, 3,7% e 5,7% (p/p) para
n-parafina e olefina e 2,2%, 4,2% e 6,0% (p/p) para éster;

• Cada amostra enriquecida foi devidamente identificada e acondicionada em


ambiente aerado e úmido sem um período pré-determinado como observado
58

na figura 11, pois se optou por observar alguma atividade microbiana antes de
inocular-se as placas.

TABELA 2 – ETAPA DE ENRIQUECIMENTO DAS AMOSTRAS

Componente Base dos Fluidos de Perfuração Sintético

n-Parafina Éster Olefina

FONTE DE
Local de Coleta Doses Doses Doses
INÓCULO

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Área de
Solo turfoso perfuração –São 3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
Mateus _(ES)
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Área de produção
Solo de São Mateus 3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
(ES)
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Mangue contíguo
Mangue 3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
à UFES
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Lodo Filtro BF1 da ETE-
3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
Aeróbio UFES
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Lodo Reator UASB da
3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
Anaeróbio ETE-UFES
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Solo de
Horta 3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
Horta
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p

1,8% p/p 2,2% p/p 1,8% p/p


Profundidades de
Assoalho
18 a 55m no litoral 3,7% p/p 4,2% p/p 3,7% p/p
Marinho
norte do ES
5,7% p/p 6,0% p/p 5,7% p/p
59

Figura 11 – Amostras de sedimentos enriquecidos com os CBFP e crescimento aparente de


microrganismos na superfície das amostras.
Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
a. Lodo anaeróbio do sistema ETE-UFES enriquecido de olefina;
b. Solo turfoso enriquecido de olefina;
c. Solo de mangue enriquecido de n-Parafina;
d. Solo de Horta enriquecido de éster.

4.2.3 Preparação do Meio de Cultura

Para a preparação do meio de cultura adotou-se o seguinte procedimento baseado


em Pelczar (1996) e Neder (1992):

• Pesaram-se as massas descritas nas tabelas 3 e 4, e completaram-se essas


soluções com água destilada deionizada para os volumes finais descritos
nessas tabelas.
60

• Depois de misturadas em um misturador tipo agitador magnético, as soluções


foram transferidas para erlenmeyeres de 2000 ml que foram levados para a
autoclave, para esterilização, sendo em seguida identificados e armazenado.

TABELA 3 – COMPOSIÇÃO DO MEIO DE CULTURA

Substância Quantidade Função

Água 1.000 ml Base

(NH4)2SO4 5,0 g Fonte de nitrogênio, tampão e íons essenciais

KH2PO4 0,9 g Fonte de fósforo, tampão e íons essenciais

Na2HPO4 6,2 g Fonte de fósforo, tampão e íons essenciais

NaCl 1,0 g Íons essenciais

MgSO4.7H2O 0,3 g Íons essenciais

Solução de
1 ml Íons essenciais
micronutrientes

Agar 15 g Solidificação do meio de cultura

Fonte: Pelczar (1996).

TABELA 4 – SOLUÇÃO DE MICRONUTRIENTES

Substância Concentração

FeCl3. 6H2O 2000 mg/l

ZnCl2 50 mg/l

CuCl2. 2H2O 30 mg/l

MnCl2. 2H2O 500 mg/l

(NH4)6.Mo7O244H2O 50 mg/l

AlCl3 50 mg/l

CoCl3. 6H2O 2000 mg/l

HCl (concentrado) 1ml

Fonte: Chernicharo (1997).


61

4.2.4 Preparação das Placas

Na preparação das placas com meio de cultura utilizou-se metodologia sugerida por
NEDER (1992), na seguinte seqüência:

• O meio de cultura foi fundido no forno microondas em erlenmeyer de 2.000 ml


e adicionados 5% (v/v) dos CPFP em 3 erlenmeyers de 500 ml (um para cada
CBFP) e em seguida adicionados os antifúngicos anfotericina (1 mg/l) e
nistatina (20.000 UI/l);Com auxílio de uma pipeta descartável de 25 ml e
pipetador automático, foram vertidos em placa de Petri, 20 ml da mistura
meio cultura + CBFP;

• Depois de devidamente identificadas às placas recém preparadas foram


acondicionadas em geladeira até o momento em que seriam inoculadas com
microrganismos.

4.2.5 Inoculação das Placas

A inoculação das placas com os microrganismos selecionados na etapa de


enriquecimento foi feita segundo o método descrito por NEDER (1992) e realizado
da seguinte maneira:

• Nas amostras preparadas no item 4.2.2 (sedimentos e lodos + CBFP) foi


verificado o desenvolvimento microbiano visualmente e estes foram
observados após 15 a 30 dias nos diferentes sistemas inoculados;

• Foram diluídas pequenas frações dessas amostras de sedimentos e lodos, e


enriquecidas em tubos de ensaio contendo 5 ml de solução salina (0.75%
NaCl);

• Depois de misturados em agitador de tubos foram deixadas em repouso para


sedimentação das frações mais pesadas dos sedimentos;
62

• Após a sedimentação, coletou-se 0,3 ml do sobrenadante com auxílio de uma


micropipeta e inoculou-se em placa de Petri contendo o meio de cultura
previamente preparado utilizando a técnica do espalhamento com auxílio de
uma alça de inoculação de níquel;

• Depois de devidamente identificadas as placas foram embaladas em papel


alumínio e levadas para estufa a temperatura constante de 25°C e
examinadas periodicamente para verificação de crescimento microbiano;

4.2.6 Isolamento dos Microrganismos

O isolamento de colônias de bactérias que apresentaram crescimento em placa foi


feito segundo o método descrito por Neder (1992), e realizado como segue:

• Inicialmente foram isoladas colônias de bactérias que cresceram nas placas


inoculada com auxílio da alça de inoculação; essas colônias foram
espalhadas em uma nova placa contendo o mesmo meio de cultura + CPFP
por meio da técnica de estriamento;

• Depois de devidamente identificadas, essas placas foram embaladas em


papel alumínio e levadas à estufa à temperatura de 25° C e monitoradas
periodicamente para verificação de crescimento microbiano;

• Ao verificar-se o crescimento de colônias já isoladas as placas foram levadas


à geladeira a 4 °C para conservação e retardamento do crescimento das
colônias até sua utilização nos experimentos de biodegradabilidade;

• Caso contrário, ou seja, quando não se observava crescimento isolado de


colônias, as colônias dessas novas placas (chamadas réplicas e identificadas
com a letra R), eram diluídas em água de diluição (0,75 % p/v) e
posteriormente inoculadas em uma nova placa contendo o mesmo CPFP por
meio da técnica de esgotamento de alça;
63

• Tendo ocorrido crescimento isolado, as colônias foram inoculadas em tubos


inclinados contendo meio de cultura e CBFP, para caracterização bioquímica
do Teste de Gram, de acordo com Silva (1999) e/ou armazenadas sob
refrigeração a 4°C até a sua utilização nos ensaios respirométricos de
biodegradabilidade.

Esta etapa está resumida no esquema apresentado na figura 12 a seguir:

Figura 12 - Fluxograma de isolamento das cepas de bactérias com capacidade de biodegradação


dos CPFP’s.
Fonte: Dados do autor
64

Considerando-se as peculiaridades da amostra de assoalho marinho, estas foram


coletadas de forma diferenciada; essas amostras foram coletadas em operação na
embarcação Squalo, através do uso da técnica do Box-Corer (Fig. 13), tendo sido
retiradas alíquotas do Box-Corer e transferidas de forma asséptica para tubos de
PVC com tampa, previamente higienizados (Fig. 14). Essas amostras armazenadas
em geladeira a 4 °C, para posterior utilização desse sedimento como fonte de
inóculo para o isolamento de microrganismos com capacidade de degradação dos
CBFP em estudo.

As amostras foram coletadas de assoalho marinho na costa do Espírito Santo, a


profundidades variando de 20 a 75 m, temperatura de 22,1 °C , oxigênio dissolvido
de 8 mg/l, turbidez < 0,01 NTU, condições essas que sugerem a possibilidade de
biodegradação aeróbia no assoalho marinho.

Figura 13 - Box-corer sendo usado na aquisição de amostras de solo de assoalho marinho.


Fonte: OXFORD, 2005.
65

Figura 14 - Coletores de amostras de sedimento provenientes de assoalho marinho


Fonte: Dados do autor.

4.3 ENSAIOS DE BIODEGRADABILIDADE

Tendo em vista os isolamentos realizados na etapa acima se verificou a rota


predominante de biodegradabilidade a ser utilizada, no caso a biodegradabilidade
aeróbia; os dados de literatura (NEFF, 2000) evidenciam que a maioria dos
processos de biodegradabilidade destes resíduos são pela via aeróbia.

Os métodos utilizados para determinação da eficiência de biodegradação baseiam-


se na medição do CO2 gerado no processo de biodegradação e construção de uma
curva da massa acumulada deste CO2 em função do tempo, que deverão apresentar
fases distintas, tais como: início da curva com baixíssima inclinação, que deverá
corresponder à fase de adaptação dos microrganismos, seguida de um elevado
crescimento exponencial, uma vez que nesta fase estará ocorrendo elevada
atividade microbiana e por fim, a formação de um patamar, onde a eficiência da
biodegradação é drasticamente reduzida.
66

Tendo em vista a necessidade da medição do CO2 gerado pelo processo de


biodegradação aeróbia resolveu-se construir um equipamento de laboratório,
chamado respirômetro aeróbio com leitura de CO2 por espectrometria no
infravermelho, que possibilitasse a aquisição e armazenamento automático dos
dados coletados e oferecesse precisão e reprodutibilidade na medição da produção
do gás CO2, além de possibilitar a realização de vários testes simultaneamente.

Além deste equipamento foi construído um equipamento não-automático baseado no


método respirométrico de Bartha, descrito pela NBR 14283 (1999), modificado para
leitura do CO2 por condutivimetria para servir de fonte de dados para comparação e
validação dos dois equipamentos e para obtenção de dados enquanto o
equipamento principal estivesse em fase de montagem e calibração (não
operacional). Os dois aparatos construídos para este fim estão apresentados a
seguir.

4.3.1 Ensaio de Biodegradabilidade utilizando Respirômetro


Aeróbio com aquisição de dados por Espectrometria no Infra-
Vermelho

4.3.1.1 Desenvolvimento do Equipamento

a) Introdução ao Equipamento

Este equipamento foi desenvolvido no Laboratório de Saneamento (LABSAN) da


UFES em parceria com a empresa ENGER Consultoria e Automação e construído
por esta conforme especificações técnicas fornecidas pelo fabricante do aparelho de
leitura e necessidades técnicas / operacionais apresentadas pelo mestrando e
orientador.

Esse equipamento possibilita a leitura e aquisição de dados de 10 frascos de


amostras simultaneamente, com funcionamento de forma contínua e automática,
67

segundo os parâmetros de tempo de abertura de válvulas para fluxo e purga pré-


estabelecidos pelo operador.

O respirômetro aeróbio está capacitado para realização de ensaios respirométricos


em diferentes tipos de matrizes, podendo ser sólidas ou líquidas, e tem a vantagem
de ser um sistema totalmente fechado e com controle de temperatura.

b) Projeto do Equipamento

O respirômetro aeróbio com leitura por infravermelho (Figura 15) consiste


basicamente de uma caixa de acrílico com tampa, uma base onde foram instalados
o Analisador de Gás LI-820 – LI-COR , um manifold de válvulas para direcionamento
de fluxo de ar sintético e CO2, cilindro contendo ar sintético ultrapuro (isento de CO2)
com válvula reguladora de fluxo e rotâmetro, sistema de controle de temperatura,
sistema eletrônico de controle do equipamento (válvulas, termostato, software) e
para armazenamento e envio dos dados adquiridos para computador. A descrição
detalhada do equipamento e da sua seqüência operacional estão descritas no Anexo
F.

Figura 15 – Respirômetro aeróbio com leitura por espectrometria no infravermelho


Fonte: Dados do autor.
68

A figura 16 mostra detalhes do painel de controle e dos cilindros de gás sintético, e


gás de calibração.

Figura 16 - Detalhes de componentes do respirômetro aeróbio.


Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
1. Cabo de comunicação serial,
2. visor indicativo de frascos em operação, tempos de fluxo, intervalo de abertura de válvulas e
percentual de memória ocupada;
3. regulador e indicador de temperatura;
4. cilindro com gás de calibração;
5. rotâmetro;
6. válvula reguladora e cilindro com gás sintético.

Na figura 17 vemos um esquema básico de projeto do equipamento que foi definido


na fase inicial de desenvolvimento do mesmo, onde vemos a válvula reguladora (VR)
as válvulas de entrada de ar sintético (E), as válvulas de saída de gases - ar sintético
+ CO2 – (S), válvulas de purga (P) , os frascos (F1 a F10) e os demais acessórios
que compõem o mesmo.
69

Figura 17 - Esquema do equipamento multiplexado para ensaios de biodegradação aeróbia para


amostras sólidas ou líquidas através da medição do CO2 gerado por espectrometria no infravermelho
– Respirömetro Aeróbio.
Fonte: Dados do autor.

LEGENDA :
VR – Válvula reguladora do cilindro de ar sintético
F1 a F10 – Frascos de teste 1 a 10
E1 a E10 – Entrada de ar sintético dos frascos 1 a 10
S1 a S10 – Saída da mistura de CO2 e ar sintético dos frascos 1 a 10
P – Válvula de purga

c) Funcionamento do Equipamento

O equipamento foi desenvolvido para trabalhar como um sistema multiplexado, ou


seja, permitir que através de uma única linha de fluxo ocorra a passagem do CO2
gerado nos diversos frascos de amostras e do ar sintético que serve como eluente,
através da abertura e fechamento de válvula com programação previamente feita no
software instalado no computador conectado ao mesmo. As aberturas e
70

fechamentos de válvulas são feitos através de comandos enviados pela placa de


hardware que armazena dados e a programação feita no computador pelo operador.
Os principais parâmetros programados são:

• Intervalo de abertura das válvulas E e S – este tempo é função da


quantidade de CO2 que se espera ser gerada e do limite de detecção do
aparelho;

• Tempo de abertura das válvulas E e S – é definido em função das


quantidades estimadas de produção de CO2 e do limite de detecção do
aparelho de leitura;

• Tempo de Purga – definido tendo-se como base o conhecimento prévio do


volume das linhas de fluxo de ar, para garantir uma completa exaustão de
CO2 no sistema, antes do início da leitura de um novo frasco, de forma a não
haver interferência das quantidades produzidas por um frasco no outro;

• Vazão – Controlada pela válvula reguladora de pressão e monitorada no


medidor de vazão, do tipo rotâmetro, deve ser alta o suficiente para garantir
uma rápida eluição do CO2 do interior do frasco e do sistema, porém deve ser
inferior a 1 l/min, especificado pelo fabricante do aparelho de leitura de CO2;

• Temperatura – regulada no item 3 da figura 16 e controlada através de


sistema interno de controle de temperatura (termostato, ventiladores e
termopar).

O equipamento foi projetado para operar da seguinte forma:

• Inicialmente com a válvula VR aberta de forma a garantir a vazão


especificada e após o tempo previamente programado entre aberturas de
válvulas, abre-se a válvula de purga (P) automaticamente durante um tempo
previamente definido, para limpeza do sistema;

• Após o tempo de purga do sistema, o sistema envia um comando que fecha a


válvula de purga e abre as válvulas E e S do Frasco 1, permitindo que o ar
sintético flua do cilindro de armazenamento pelas linhas e remova o CO2 que
foi gerado naquele intervalo de tempo e forçando a passagem deste gás pelo
71

aparelho de leitura de CO2, por um tempo também previamente estabelecido


para que tenhamos eluído e conseqüentemente medido todo o CO2;

• Em seguida as válvulas E e S do Frasco 1 são fechadas e é então aberta


mais uma vez a válvula de purga para garantir a completa ausência de CO2
antes da próxima leitura;

• Reinicia-se então o processo para os frascos seguintes.

Abaixo na figura 18 temos uma tela do software para configuração do equipamento:

Figura 18 - Tela principal do software utilizado para permitir a comunicação e programação do


respirômetro aeróbio através do computador.
Fonte: Dados do autor.
72

4.3.1.2 Aquisição, armazenamento e comunicação dos dados

Foi desenvolvido um software que é instalado em qualquer computador para que


possa ser feita a programação do equipamento e aquisição dos dados armazenados
no respirômetro na forma de arquivo TXT. O analisador de gás faz uma leitura a
cada 0,5 segundo e o somatório dessas leituras fornece um valor para cada ponto
em um determinado tempo.

O aparelho para aquisição de dados é um Analisador de Gás para CO2, para


aplicações ambientais e range de leitura de 0 – 2000 ppm, modelo LI-820, marca LI-
COR Biosciences (Fig. 17) e foi importado para tal fim (Fig. 19)

Figura 19 - Aparelho para análise de concentração de CO2 por espectrometria no infravermelho em


amostras ambientais gasosas marca LI-COR 820
Fonte: LI-COR, (2003).

Os dados obtidos nas leituras dos 10 frascos são armazenados numa memória
interna do equipamento de respirometria aeróbia e periodicamente devem ser
transferidos para um computador; esta comunicação é feita através de um cabo
serial e o comando é executado através da tela de software apresentada na figura
15. Na figura 20 vemos o respirômetro aeróbio ligado ao computador através de
cabo serial:
73

Figura 20 - Respirömetro aeróbio conectado com computador através de cabo serial.


Fonte: Dados do autor.

Foi montada uma planilha em Excel, que contém uma macro que copia os dados do
arquivo TXT e monta um gráfico que chamamos de “gráfico de consistência de
dados” (Fig. 21) para cada um destes pontos; cada curva é analisada onde
verificamos seu formato que deve ter um trecho crescente, um patamar máximo e
em seguida decrescer .

Só então os valores de cada ponto serão plotados no gráfico principal de massa


acumulada de CO2 em função do tempo e conseqüentemente obtém-se a curva de
Eficiência de Biodegradação.
74

Figura 21 - Curvas de medição da massa de CO2 quando da abertura da válvula e passagem de


fluxo de ar isento de CO2 e conseqüente arraste do CO2 gerado em um determinado frasco para um
dado intervalo de tempo:
Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
a. Curva apresentando consistência nos dados, começando do zero aumentando até um valor
máximo e em seguida decrescendo até um valor próximo do zero;
b. Esta curva inicia de forma similar à curva A, porém, antes de atingir um valor máximo foi truncada
provavelmente devido ter atingido o limite de detecção do aparelho (2.000 ppm).

4.3.1.3 Preparação e realização dos ensaios de biodegradabilidade dos


CBFP e dos Cascalhos

a. Preparação do experimento;

b. Aos frascos de teste foi adicionado um volume de 22,0 ml da solução de


nutrientes, correspondente a 70 % da capacidade máxima de retenção de
líquidos, também denominada capacidade de campo. Essa capacidade de
retenção de líquidos foi determinada da seguinte forma:
75

• Pesou-se uma massa de solo contendo areia quartzoza e vermiculita


expandida seca em estufa (45 g de areia e 5 g de vermiculita o que nos
dá uma proporção de 50 % cada em volume).

• Adicionou-se essa massa a um funil de vidro contendo filtro de papel,


previamente umedecido com água destilada deionizada. Esse sistema
de filtração foi acoplado a uma proveta de volume igual a 100,0 ml.

• Adicionou-se lentamente um volume (V1) de 100,0 ml de água


destilada deionizada à mistura de solo, e mediu-se o volume final (V2)
de água armazenado na proveta.

A capacidade máxima de retenção de líquidos (CMRL) foi expressa como:

CMRL = V1 - V2

a. Em seguida foi adicionada à solução contendo o inóculo, solução contendo a


cepa de bactéria selecionada, contendo aproximadamente 106 UFC. Essas
colônias foram contadas de acordo com os métodos usuais de contagem de
Unidades Formadoras de Colônias em placas (NEDER, 1992).

b. Feito isso, adicionou-se à fonte de carbono, no caso os CBFP´s (0,25 ml) ou o


cascalho (0,5 g), e homogeneizou-se a mistura de nutrientes, inóculo e
substrato.

c. Em seguida verteu-se a mistura de solo, preparado da maneira anteriormente


descrita, no frasco. Optou-se por proceder dessa maneira para a garantir uma
distribuição homogênea da água no solo por capilaridade.

d. Homogeneizou-se o respirômetro novamente, para evitar a compactação do solo,


bem como aumentar a aeração dessa matriz.
76

4.3.2 Método de Ensaio – CONDUTIVIMETRIA

Os ensaios de biodegradação aeróbia das bases sintéticas: parafina, éster e olefina,


bem como, dos cascalhos impregnados com fluidos sintéticos formulados com essas
bases orgânicas, foram realizados adaptando-se o sistema estático descrito pela
NBR 14.283 – Resíduos em solos - Determinação da Biodegradação pelo método
Respirométrico, para um sistema semi-estático.

A NBR 14.283 prescreve o método respirométrico estático de Bartha, que se baseia


na avaliação da evolução da produção de CO2 e conseqüente reação desse gás em
solução alcalina, como meio de determinar as taxas de biodegradação de resíduos
orgânicos em matrizes sólidas.

A esse método foi adaptado um sistema semi-estático de absorção de CO2 que


consiste na utilização de ar sintético, isento de CO2, como gás de arraste,
conduzindo o dióxido de carbono (CO2) resultante da degradação aeróbia da base
sintética no respirômetro, à solução alcalina e em seguida é realizada uma medida
da condutividade dessa solução, o que nos dá uma medida indireta da produção
desse gás por meio da condutividade da solução alcalina receptora, segundo o
método descrito por Rodella e Saboya (1999) e Strotmann et. al. (2004).

4.3.2.1 Descrição do Método

4.3.2.1.1 Montagem dos respirômetros para Ensaio e Controle da


biodegradabilidade dos resíduos em estudo

A montagem dos respirômetros para análise da biodegradação de CBFP e


cascalhos segundo o método adaptado acima descrito, procedeu-se da mesma
77

maneira que descrita pelos sub-itens “a” a “f” do item 4.3.1.3, com a diferença de que
foram usados erlenmeyers ao invés dos frascos de teste.

Em seqüência a esses sub-itens, procedemos da seguinte forma:

a. Ao “braço” (tubo Falcon de volume igual a 50,0 ml) anexo ao respirômetro foram
adicionados 30,0 ml da solução alcalina (KOH 0,252 M) responsável por absorver
o CO2 resultante dos processos de biodegradação dos compostos orgânicos
adicionados.

b. As pinças de Mohr foram conectadas às mangueiras de silicone que conduzem


os gases no respirômetro, de modo que a solução de KOH entre em contato com
o ar proveniente do respirômetro somente no momento em que o ar sintético
fosse empregado na leitura da massa de CO2 gerada. Além disso, essas pinças
também serviram para manter o respirômetro isolado do ar atmosférico.

c. Os frascos para controle foram montados da mesma maneira que a descrita


anteriormente, excetuando-se a adição de substratos – CBFP ou cascalho - e
das cepas isoladas.

d. Os respirômetros foram incubados a uma temperatura de 28 ± 2 °C, ao abrigo da


luz.

A configuração final do respirômetro pode ser observada na figura 22, a seguir:


78

Figura 22 - Sistema para ensaio de respirometria aeróbia adaptado da NBR 14283 usado para
determinação da biodegradabilidade dos substratos orgânicos estudados.
Fonte: Dados do autor.

4.1.2 Medida da biodegradabilidade

Através de medidas de CO2 produzido durante o período de incubação, é possível


estimar tempos de indução para início da biodegradação.

O arraste do CO2 gerado a partir da biodegradação aeróbia dos substratos orgânicos


estudados foi realizado da seguinte maneira:

a. Conectou-se a mangueira condutora de ar sintético do cilindro ao respirômetro e


foi aberta a pinça de Mohr correspondente.

b. Foi aberto o manômetro do cilindro de ar e regulou-se a saída de ar em


aproximadamente 0,5 l / min.
79

c. Foi aberta a pinça de Mohr do respirômetro, que dá vazão ao ar arrastado do


respirômetro, e aguardou-se o arraste desse ar por, pelo menos, 1 (um) minuto,
tempo suficiente para purgar pelo menos duas vezes o volume contido no
erlenmeyer.

d. Fechou-se a pinça de Mohr de entrada de ar sintético do respirômetro.

e. Fechou-se o manômetro do cilindro de ar.

f. Aguardou-se até a parada total de borbulhamento da solução absorvedora de


CO2 para que pudesse ser fechada a segunda válvula.

A medida da condutividade da solução absorvedora de CO2, foi realizada em


condutivímetro previamente calibrado para este fim. A relação entre a medida de
condutividade da solução de KOH e a quantidade de CO2 (em massa) reagido nessa
solução foi determinada de acordo com o método descrito por Rodella & Saboya
(1999) e Strotmann et. al. (2004), e pode ser conferido na figura 23, a seguir:

150,00 y = -3,923x + 281,57


2
R = 0,9997
125,00

100,00
CO2 total (mg)

75,00

50,00

25,00

0,00
35 38 41 44 47 50 53 56 59 62 65 68 71 74
Condutividade (mS/cm)

Figura 23 - Curva de relação entre a condutividade da solução receptora (KOH 0,252 M) e a


condutividade dessa solução, para um volume final de 30,00 ml dessa solução.
Fonte: Dados do autor.
80

A determinação da massa de CO2 total presente na solução alcalina é então


determinada de acordo com a regressão linear do gráfico apresentado na figura
acima, expressa na equação abaixo:

CO2 (mg) = - 3,923 * X + 281,57

Onde X é a medida, em ms/cm, da condutividade da solução alcalina empregada na


absorção do CO2 proveniente do arraste realizado nos respirômetros.

As curvas de biodegradação dos resíduos orgânicos estudados foram então


determinadas pela quantidade total de CO2 produzida em cada frasco ao longo do
período de incubação.
81

5 RESULTADOS E DISCUSSÃO

5.1 CARACTERIZAÇÃO DOS RESÍDUOS

Os cascalhos impregnados com fluidos de perfuração resultantes da perfuração de


poços de petróleo foram analisados com os objetivos de conhecer os conteúdos de
carbono, nitrogênio, fósforo, óleo e graxas, cinzas, teores de água, fase oleosa e
sólidos e seus solubilizados e lixiviados analisados conforme a norma ABNT NBR-
10.004 enfatizando o conteúdo de metais, ânions e compostos presentes nessas
amostras.

5.1.1 Caracterização físico-química das amostras brutas

Os resultados das análises físico-químicas realizadas nos cascalhos impregnados


por fluidos de perfuração segundo Standard Methods for the Examination of Water
and Wastewater (APHA, 1995) para carbono orgânico, nitrogênio total, fósforo total,
óleos e graxas, cinzas, umidade, relações C/N e C/P e estão apresentados na
tabela 5.

Foram efetuadas análises de teores de água, base oleosa (CBFP) e sólidos


analisados pela metodologia recomendada pelo API Recommended Practice 13B-2
(2005) - Análise de Retorta – que estão relacionados na tabela 6. Os cálculos
efetuados das análises de retorta estão apresentados abaixo.

Todas as análises foram realizadas em duplicata.


82

TABELA 5 - ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DA AMOSTRA BRUTA DE RESÍDUO DA


PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO, SEGUNDO STANDARD METHODS

Cascalho com fluido Cascalho com fluido Cascalho com


PARÂMETROS
base n-parafina base olefinas fluido base éster

Carbono Orgânico (g/kg) 98,6 117,4 146,4

Nitrogênio Total (g/kg) 0,88 1,02 0,91

Fósforo Total (g P/ kg) 0,19 0,07 0,16

Óleos e Graxas (g / kg) 84,90 124,46 114,25

Cinzas (g / kg) 131,0 107,5 148,9

Relação C/N 112,1 115,2 160,9

Relação C/P 519,2 1677,9 914,9

Umidade ( g/kg ) 231,0 234,8 87,5

Fonte: Dados do autor.

TABELA 6 - ANÁLISES FÍSICO-QUÍMICAS DA AMOSTRA BRUTA DE RESÍDUO DA


PERFURAÇÃO DE POÇOS DE PETRÓLEO, SEGUNDO API RECOMMENDED PRACTICE 13B-2
(2005).

Cascalho com fluido Cascalho com fluido Cascalho com


PARÂMETROS
base n-parafina base olefinas fluido base éster

Teor de Água (g / kg) 197,25 213,35 59,3

Teor de CBFP (g/kg) 77,0 126,5 99,0

Teor de Sólidos (g/kg) 725,85 660,1 824,6

Fonte: Dados do autor.

A avaliação de carbono orgânico mostra que os resultados variam de 98,6 a 146,4 g


/ kg, evidenciando-se assim a sua elevada concentração nestes resíduos, devido
principalmente à adição dos compostos orgânicos tais como parafinas, olefinas e
ésteres na preparação dos fluidos. Considerando-se que essas concentrações giram
em torno de 180 g de base orgânica por kg de amostra, e que desta quantidade 40 a
60% são basicamente constituídos de carbono orgânico estes valores são os
esperados para esse tipo de análise.
83

Deuel, et al. (1977) sugeriram que a realização da análise pelos dois métodos (óleos
e graxas e carbono orgânico) serve como validação para ambos; verificamos que os
valores obtidos nos cascalhos dos fluidos sintéticos ficam bem próximos : n-
parafinas - 98,6 g/kg para CO e 84,9 g/kg de O&G; olefinas – 117,4 g/kg para CO e
124,5 g/kg para O&G e ésteres – 146,4 g/kg para CO e 114,2 de O&G. Além disso,
os valores obtidos através do teste de retorta para o teor de CBFP também
apresenta valores próximos aos verificados quando utilizando as outras
metodologias: teor de n-parafina = 77,0 g /kg, teor de olefinas = 126,5 g/kg e teor de
ésteres = 99,0 g / kg.

Para a determinação de teor de umidade, esperava-se obter altos valores nos


resultados de análise uma vez que na preparação dos fluidos sintéticos utiliza-se
uma emulsão com pelo menos 30 % v/v de salmoura; comparando os resultados
obtidos utilizando as duas metodologias (Standard Methods e API Recommended
Practice 13B-2) verificamos que os valores de teor de água no cascalho de n-
parafina são de 231,0 e 197,25 g/kg e nas olefinas são de 234,8 e 213,5 g/kg
respectvamente, mostrando valores bem próximos e confiáveis; já os valores da
umidade do cascalho de éster apresentam diferença (87,5 g/kg para o Standard
Methods e 59,3 g/kg para o API 13B-2) , possivelmente devido à amostragem.

No caso da avaliação dos teores de cinzas nas referidas amostras, verifica-se que
estão coerentes com a origem do material analisado, uma vez que este material
contém elevados teores de arenitos, que são rochas sedimentares resultantes da
consolidação da areia por um cimento de natureza química (caldítica, ferruginosa ou
silicosa), areias essas que são compostas basicamente por quartzo e feldspato; este
material também é rico em folhelhos, que são rochas compostas por argilominerais
que são minerais de granulometria muito fina (diâmetros inferiores a 2 micrômetros)
formados por silicatos hidratados, contendo em sua estrutura principalmente Si, Al,
Mg e H2O (SUGUIO, 1998).

Considerando-se os critérios de biodegrabilidade aeróbia, segundo norma NBR


14.283 , verifica-se a necessidade de adequação das quantidades de nutrientes,
principalmente nitrogênio e fósforo, para se conseguir relações C/N e C/P
adequadas à atividade biológica de conversão de biomassa, ajustando-se essa
relação em torno de C/N = 60 e C/P = 300, através da adição de meio mínimo,
84

contendo nitrogênio forma de (NH4)2SO4 e fósforo na forma de Na2HPO4 e KH2PO4;


a adição deste meio mínimo e da solução de micronutrientes favorece a proporção
de nutrientes na mistura para os ensaios respirométricos.

As características físico-químicas dos cascalhos impregnados com fluidos de


perfuração após adição do meio mínimo e solução de micronutrientes estão
descritas na tabela 7.

TABELA 7 – CARACTERÍSTICAS FÍSICO-QUÍMICAS DOS CASCALHOS IMPREGNADOS COM


FLUIDOS DE PERFURAÇÃO APÓS ADIÇÃO DE MEIO MÍNIMO
Cascalho com
Cascalho com Cascalho com
PARÂMETROS fluido base n-
fluido base olefina fluido base éster
parafina
Quantidade de fósforo
adicionadas (g de P/Kg de 6,36 6,36 6,36
cascalho)

Concentração final de Fósforo


6,55 6,43 6,52
(g de P / Kg de cascalho)

Relação C/P 15,1 18,1 22,5

Quantidade de Nitrogênio
adicionada (g de N / Kg de 4,46 4,46 4,46
cascalho)
Concentração final de
Nitrogênio (g de N / Kg de 5,34 5,48 5,37
cascalho)
Relação C/N 18,5 21,4 27,3

Fonte: Dados do autor.

Na tabela 7 verifica-se que com a adição do meio mínimo aos referidos cascalhos,
as relações de C/N e C/P tornaram-se adequadas para o processo de
biodegradação, sendo estes novos valores de relação C/N e C/P compatíveis com
os sugeridos por Bartha (1999).
85

5.1.2 Caracterização dos resíduos através da análise de lixiviados


e solubilizados – norma ABNT-10004

Amostras dos cascalhos resultantes de perfuração de poços de petróleo foram


submetidas a processos de solubilização e lixiviação conforme as normas NBR-
10005 e NBR-10006 da ABNT. Nos solubilizados e lixiviados obtidos foram
efetuadas análises físico-químicas e de teores de metais de acordo com o Standard
Methods for the Examination of Water and Wastewater (APHA,1995).

5.1.2.1 Análises de metais, ânions e compostos

Os resultados referentes às análises de teores de metais, ânions e compostos


presentes nos lixiviados e solubilizados estão relacionados na tabela 8.

TABELA 8 - TEORES DE METAIS, ÂNIONS E COMPOSTOS ORGÂNICOS PRESENTES NOS


LIXIVIADOS E SOLUBILIZADOS OBTIDOS DOS CASCALHOS IMPREGNADOS COM FLUIDOS DE
PERFURAÇÃO.

SOLUBILIZADOS (mg/l) LIXIVIADOS (mg/l)

PARÂMETRO LMT LMT


SO SE SP LO LE LP
NBR10004 NBR10004

Alumínio 0,064 0,295 0,24 0,20 0,225 0,88 1,155 n.a.

Arsênio <0,001 0,0016 0,0009 0,05 <0,001 <0,001 <0,001 5,0

Bário 0,875 <0,1 0,31 1,0 3,4 0,815 2,75 100,0

Cádmio 0,00265 0,0028 0,0044 0,005 0,0041 0,0008 0,00325 0,5

Chumbo 0,056 0,058 0,0575 0,05 0,18 0,1 <0,006 5,0

Cobre 0,0075 0,014 0,031 1,0 0,0595 0,136 0,0335 n.a.

Cromo 0,0016 0,0074 0,0033 0,05 0,006 0,0285 0,00375 5,0


86

Ferro 0,0335 0,165 0,055 0,30 0,0395 0,7 0,31 n.a.

Manganês 0,00385 0,0165 0,00285 0,10 0,19 5 0,375 n.a.

Mercúrio 0,0002 0,0003 <0,0002 0,001 0,0002 0,0002 <0,0002 0,1

Prata 0,00245 0,0026 0,0075 0,050 0,0016 0,0032 0,00055 5,0

Selênio < 0,001 0,0015 0,0025 0,01 0,005 0,003 0,006 1,0

Sódio 1090,0 952,5 1110,0 200,0 1725 371 580 n.a.

Zinco 0,115 0,12 0,09 5,00 1,00 6,65 0,14 n.a.

Cianetos <0,03 <0,03 <0,03 0,1 n.a. n.a. n.a. n.a.

Fluoretos 1,86 0,51 1,08 1,5 0,04 0,45 1,17 150,0

Nitratos 0,080 0,085 0,320 10,0 n.a. n.a. n.a. n.a.

Cloretos 2142,6 1659,0 2519,4 250,0 n.a. n.a. n.a. n.a.

Sulfatos 9,94 53,52 45,2 400,0 n.a. n.a. n.a. n.a.

Surfactantes 1,01 1,84 1,36 0,2 n.a. n.a. n.a. n.a.

Fenóis 0,006 0,005 0,019 0,001 n.a. n.a. n.a. n.a.

Fonte: Dados do autor.

LEGENDA
SO - Solubilizado da amostra de cascalho impregnada com fluido base olefina;
SE - Solubilizado da amostra de cascalho impregnada com fluido base éster;
SP - Solubilizado da amostra de cascalho impregnada com fluido base parafina;
LO - lixiviado da amostra de cascalho impregnada com fluido base olefina;
LE - lixiviado da amostra de cascalho impregnada com fluido base éster;
LP - lixiviado da amostra de cascalho impregnada com fluido base parafina;
LMT – Limite Máximo de Tolerância estabelecido pela norma ABNT NBR-10004; n.a. – não aplicável.

Verifica-se que a maioria dos metais analisados atende à legislação pertinente


representada pela norma NBR-10004. Desses metais analisados apenas o sódio,
chumbo e alumínio encontram-se em níveis superiores àqueles constantes nos
limites preconizados pela norma. O elevado teor de sódio pode ser explicado pela
adição de grandes quantidades de cloreto de sódio na preparação da solução
aquosa com a qual são preparados os fluidos sintéticos que são emulsões; esta
87

solução deve ter alta salinidade para doar densidade ao fluido de perfuração e
auxiliar na inibição do inchamento de argilas reativas (DARLEY,1988).

Com relação aos teores de chumbo e alumínio verificados nas amostras são
provavelmente devidos à presença desses metais nos cascalhos resultantes das
formações rochosas perfuradas, principalmente em folhelhos onde é freqüente
encontrar-se valores altos de teor de alumínio (GARCIA, 2004), uma vez que este
tipo de rocha é constituída por argilominerais, que têm esse elemento em sua
estrutura cristalina e que pode ser mobilizada para a fase aquosa do solubilizado.

Avaliando-se os teores de ânions encontrados nas referidas amostras pode-se


verificar a pequena elevação de fluoretos no solubilizado de parafina e altos teores
de cloretos devido à aplicação de cloreto de sódio aos fluidos de perfuração;
avaliando-se os teores dos compostos verifica-se as elevadas concentrações de
surfactantes e fenóis; o alto teor de surfactantes deve-se ao fato de que os
surfactantes são usados em todos os tipos de fluidos de perfuração com várias
funções tais como: emulsificantes, anti-espumantes, agentes molhantes, lubrificantes
e inibidores de corrosão (DARLEY, 1988). Para os teores de fluoretos e fenóis não
há ainda uma explicação plausível, mas estes últimos já foram verificados por Garcia
(2003) em fluidos base n-parafinas.

De posse dos resultados das análises físico-químicas e de metais efetuadas nos


resíduos de cascalhos resultantes da perfuração de poços e sabendo-se que os
fluidos de perfuração que impregnam estes cascalhos já foram submetidos a testes
de toxicidade crônica e aguda utilizando-se os organismos Lytechinus Variegatus e
Mysidopsis Juniae respectivamente (PETROBRÁS 2001, 2002 e 2005 e MI-
DRILLING 2003) e aprovados quanto a esses itens pelo órgão ambiental
competente IBAMA, segundo CONAMA (2005) pode-se classificar os cascalhos
impregnados com fluidos de perfuração base ésteres, olefinas ou n-parafinas, de
acordo com a NBR-10.004 como de classe II-A, ou seja, resíduos não-perigosos e
não-inertes, considerando as análises realizadas e a bibliografia citada.
88

5.2 ISOLAMENTO DE BACTÉRIAS BIODEGRADADORAS DOS CBFP

Nas amostras de sedimentos e lodos adicionadas de Componentes Base de Fluidos


de Perfuração Sintéticos (CBFP) – éster, olefina e n-parafina – ocorreu crescimento
microbiano, verificado visualmente. Nessa etapa de enriquecimento a verificação
visual de crescimento microbiano ficou evidenciada em quase todos os sistemas
substrato / inóculo, com uma única exceção para o sistema éster / assoalho marinho
onde não se observou nenhuma atividade microbiana visível.

Essa etapa caracteriza-se pelo crescimento irrestrito de microrganismos na amostra,


utilizando a fonte de carbono ofertada, neste caso a fonte de carbono foram os
Componentes Base de Fluidos de Perfuração Sintéticos (CBFP), que no caso foram
as olefinas, os ésteres e as n-parafinas. Esse crescimento ocorreu nos diferentes
sistemas apresentando uma grande biodiversidade tanto no aspecto e morfologia
dos microrganismos isolados, como na presença de cepas gram-positivas e gram-
negativas.

Após a etapa de enriquecimento, as cepas obtidas de cada sistema foram então


submetidas à etapa de isolamento; nesta etapa de isolamento as bactérias foram
isoladas e armazenadas em tubos de ensaio contendo ágar com meio mínimo e
CBFP e foram isoladas 72 cepas; estas cepas estão apresentadas nas tabelas do
Anexo G.

Das 72 cepas obtidas na etapa de enriquecimento foram efetivamente utilizadas


para os ensaios de biodegradabilidade 18 cepas escolhidas aleatoriamente,
baseando-se principalmente no aspecto da colônia e buscando-se manter uma
maior biodiversidade de isolados possível. Essa diversidade pode ser observada
nas figuras 24, 25 e 26 e nos Anexo C e G, onde verifica-se a ocorrência de
biodiversidade tanto a partir de características morfológicas tais como, cor, forma,
borda, elevação, superfície e conformação, serviram, portanto, como ponto de
partida para o isolamento, como já identificado por Soriano (1998)
89

As cepas obtidas estão listadas na tabela 9 e nas figuras 24, 25 e 26; a descrição
de todas as cepas isoladas encontra-se no Anexo G:

TABELA 9 - QUANTIDADE, CLASSIFICAÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DAS COLÔNIAS DE


MICRORGANISMOS ISOLADAS NO SUBSTRATO ÉSTER.

CEPAS ISOLADAS SUBSTRATO


Caracterização da Colônia Gram

N° Identificação

3 ETE-E1 amarelo +

4 H-E1 marrom -
ÉSTER
7 M-E2 branco -

9 T-E3-B marrom claro -

11 SO-E3-B rosa -

26 AM-O3-A rosa +

30 H-O1-C amarelo +

31 H-O2-A amarelo -
OLEFINA
39 T-O3-A laranja +

42 SO-O2 laranja claro -

43 SO-O3-A branco +

53 ETE-P2 laranja claro +

57 AM-P3 branco +

63 M-P2-A amarelo claro -

66 T-P1-B PARAFINA amarelo -

69 T-P2-A laranja +

70 T-P3-B branco -

72 SO-P3 laranja claro -

Fonte: Dados do autor.


90

a b

Figura 24 - Etapa de enriquecimento mostrando amostras de sedimentos servindo de inoculo


misturadas com substratos
Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
a. Sedimento de mangue adicionado de n-parafina; verifica-se crescimento microbiano ( manchas
amarelas )
b. Solo impregnado com petróleo enriquecido com olefina; observa-se crescimento microbiano visível
(manchas brancas)

a b

Figura 25 - Etapa de isolamento de microrganismos em Placas de Petri contendo agar, meio mínimo
e substratos orgânicos
Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
a. Cultura de bactérias isoladas de lodo anaeróbio em substrato olefina;
b. Cultura de bactérias isoladas de sedimento de assoalho marinho em substrato olefina.
91

a b

Figura 26 - Etapa de isolamento de microrganismos em Placas de Petri e tubos de ensaio contendo


agar, meio mínimo e substratos orgânicos
Fonte: Dados do autor.

LEGENDA:
a. Cultura de bactérias isoladas de sedimentos de assoalho marinho em substrato olefina em placa
de Petri;
b. Cultura dos diversos microrganismos isolados em tubos de ensaio contendo ágar, meio mínimo e
substratos orgânicos, mostrando a grande biodiversidade.
92

5.3 AVALIAÇÃO DA BIODEGRADABILIDADE AERÓBIA

5.3.1 Ensaios de biodegradabilidade de substratos (CBFP) pelo


método respirométrico de Bartha modificado (ABNT – NBR 14283)

Os ensaios de biodegradabilidade foram realizados avaliando-se a produção


cumulativa de CO2 utilizando as cepas isoladas a partir desses substratos, com base
na maior diversidade possível dos isolados.

Nas figuras 27, 28 e 29 encontram-se os resultados dos ensaios de


biodegradabilidade aeróbia utilizando as 3 (três) fontes de carbono (CBFP) como
substrato e as cepas selecionadas como fontes de inóculo, sendo a leitura do CO2
gerado efetuada através do método de Bartha modificado (método condutivimétrico),
conforme descrito no item 4– Material e Métodos.

CBFP-éster + cepa 11 CBFP-olefina + cepa 26 CBFP-n-parafina + cepa 70 Controle

140

120

100
CO2 total gerado (mg)

80

60

40

20

0
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264
Tempo total de incubação (h)

Figura 27 - Ensaio de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia (BARTHA modificado) dos CBFP
utilizando isolados específicos para: éster (cepa 11) , olefina (cepa 26) e n-parafina (cepa 70).
Fonte: Dados do autor.
93

CBFP-éster + cepa 03 CBFP-éster + cepa 04 CBFP-olefina + cepa 39 CBFP-n-parafina + cepa 57 Controle

140

120

100
CO2 total gerado (mg)

80

60

40

20

0
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264
Tempo total de incubação (horas)

Figura 28 - Ensaio de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia (BARTHA modificado) dos CBFP
utilizando isolados específicos para: éster (cepa 3; cepa 4), olefina (cepa 39) e n-parafina (cepa 57).
Fonte: Dados do autor.

CBFP-éster + cepa 07 CBFP-olefina + cepa 42 CBFP-olefina + cepa 43


CBFP-n-parafina + cepa 53 CBFP-n-parafina + cepa 63 Controle

140

120

100
CO2 total gerado (mg)

80

60

40

20

0
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264
Tempo Total de Incubação (horas)

Figura 29 - Ensaio de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia (BARTHA modificado) dos CBFP
utilizando isolados específicos para: éster (cepa 7); olefina (cepa 42 e cepa 43); n-parafina (cepa 53
e cepa 63).
Fonte: Dados do autor.
94

Foi verificada geração cumulativa de CO2 devido à atividade microbiana e


biodegradação em todos os Componentes Base dos Fluidos de Perfuração Sintético
(n-parafinas, olefina e ésteres) com as diversas cepas de microrganismos isoladas.

A análise das curvas de biodegradabilidade evidencia uma produção média de 67 a


125 mg de CO2. Verifica-se que a biodegradabilidade é função, principalmente, do
tipo de cepa utilizado. Por exemplo, na figura 27 verifica-se a tendência de menor
biodegradabilidade no substrato éster quando utilizamos a cepa 11, ao passo que
quando se utiliza as cepas 3 e 4 verifica-se que para a cepa 3 apresenta maior
biodegradabilidade relativa, inclusive para outros substratos e para a cepa 4 verifica-
se a menor biodegradabilidade relativa, indicando assim a variabilidade da resposta
em biodegradabilidade em função da cepa utilizada.

Algumas das curvas deste (Figuras 28 e 29) correlacionam-se com aqueles


verificados por Munro et al. (1997), Dittavong (2000) e Neff (2000) onde se verifica
que, geralmente, os ésteres apresentam maior biodegradabilidade aeróbia do que
as olefinas (alcenos), que por sua vez são mais biodegradáveis que as parafinas
(alcanos). Porém, nem sempre estes resultados foram verificados ao longo desta
pesquisa onde em alguns ensaios verificou-se maior biodegradabilidade em outros
substratos, por exemplo, na figura 27 verificou-se que a n-parafina apresentou maior
biodegradabilidade que a olefina e o éster.
95

5.3.2 Ensaios de biodegradabilidade de fluidos sintéticos


impregnados em cascalhos utilizando equipamento de
respirometria com leitura de CO2 por espectrometria no
infravermelho

As figuras 30 e 31 apresentam resultados dos ensaios de biodegradabilidade


aeróbia utilizando-se como substratos os cascalhos impregnados com fluidos de
perfuração fabricados a partir dos três CBFP - éster, olefina e n-parafina –
inoculados com as cepas selecionadas de acordo com o seu isolamento a partir
dessas bases. Os ensaios de biodegradabilidade foram conduzidos no aparelho de
respirometria aeróbia com medição do CO2 através de espectrometria no
infravermelho.

Cacalho-éster + cepa 9 Cascalho-olefina + cepa 30


Cascalho-n-parafina + cepa 72 Controle
70

60

50
CO2 total gerado (mg)

40

30

20

10

0
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264

Tempo total de incubação (h)

Figura 30 - Ensaios de Biodegradabilidade dos cascalhos impregnados com fluidos de perfuração


base sintética por respirometria aeróbia utilizando espectrometria no infravermelho: éster (cepa 9);
olefina (cepa 30); n-parafina (cepa 72)
Fonte: Dados do autor.
96

Cascalho-éster + cepa 11 Cascalho n-parafina+ cepa 66 Cascalho olefina + cepa 31 Controle

70

60

50
CO2 total gerado (mg)

40

30

20

10

0
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264

Tempo total de incubação (h)

Figura 31 - Ensaios de Biodegradabilidade dos cascalhos impregnados com fluidos de perfuração


base sintética por respirometria aeróbia utilizando espectrometria no infravermelho: éster (cepa 11);
olefina (cepa 31); n-parafina (cepa 66).
Fonte: Dados do autor.

Nos ensaios apresentados na figura 30 obtiveram-se os seguintes valores para os


três substratos; para o substrato impregnado com fluido base éster o valor obtido foi
de 37 mg de CO2 total gerado; com os cascalhos impregnados com fluidos base
olefinas o valor de CO2 total gerado foi de 49 mg e com os cascalhos impregnados
com fluido base n-parafina alcançou-se um resultado de CO2 gerado de 39 mg.

Nos ensaios mostrados na figura 31 os valores obtidos foram os seguintes: para o


teste com cascalho impregnado com éster o valor de CO2 total gerado foi de 27 mg,
no teste com cascalho impregnado com fluido base n-parafina obteve-se um valor
total de CO2 gerado de 25 mg e para os cascalhos impregnados com fluido base
olefina obteve-se um resultado de CO2 total gerado de 62 mg.

Dos gráficos apresentados nas figuras 30 e 31 observa-se que as curvas de geração


de CO2 acumulado total apresentam um incremento constante o que indica atividade
microbiana; verifica-se ainda em todas as curvas que essa atividade inicialmente é
lenta, o que identifica a fase de adaptação microbiana, e em seguida a curva toma a
forma exponencial evidenciando a fase de elevada atividade metabólica dos
97

microrganismos. Esse comportamento das curvas é o esperado em função do


formato similar ao verificado nas curvas de crescimento microbiano, como mostrado
na figura 32. por Strotmann et al. (2004) e é um indicativo direto da
biodegradabilidade do substrato. Estes resultados colimados aos testes de curvas
de consistência de dados efetuados e citados no Item do capítulo Material e
Métodos, permite-nos considerar como válidos os ensaios realizados no referido
equipamento.

Figura 32 - Curvas de biodegradação versus tempo, considerando a produção de CO2 e as medidas


de condutividade.
Fonte: Strotmann et al. (1994)
98

5.3.3 Ensaios de biodegradabilidade de substratos pelos métodos


respirométrico de Bartha modificado (condutivimetria) e
Espectrometria no infravermelho - curvas comparativas de
ensaios com os dois métodos

As figuras 33, 34 e 35 apresentam resultados dos ensaios de biodegradabilidade


aeróbia utilizando cascalhos impregnados com fluidos de perfuração sintéticos
fabricados a partir dos 3 (três) CBFP em estudo.

A leitura do CO2 gerado foi obtida através dos dois métodos: respirômetro aeróbio
com leitura por espectrometria no infravermelho e método respirométrico de Bartha
modificado, utilizando condutivimetria.

Cascalho-Éster + cepa 9 (Infravermelho) Cascalho-Éster + cepa 09 (Condutivimetria)


70,00

60,00

50,00
CO2 total gerado (mg)

40,00

30,00

20,00

10,00

0,00
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264
Tempo total de incubação (h)

Figura 33 - Curvas comparativas da biodegradabilidade de cascalho impregnado com fluido de


perfuração à base de éster sendo degradado pela cepa 9, empregando os métodos de respirometria
aeróbia (BARTHA modificado) e o método respirométrico aeróbio com aquisição de dados por
espectrometria no infravermelho.
Fonte: Dados do autor.
99

Cascalho-n-Parafina + cepa 72 (Condutivimetria) Cascalho-n-Parafina + cepa 72 (Infravermelho)


70,00

60,00

50,00
CO2 total gerado (mg)

40,00

30,00

20,00

10,00

0,00
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264
Tempo total de incubação (h)

Figura 34 - Curvas comparativas da biodegradabilidade de cascalho impregnado com fluido de


perfuração à base de éster sendo degradado pela cepa 72 empregando os métodos de respirometria
aeróbia (BARTHA modificado) e o método respirométrico aeróbio com aquisição de dados por
espectrometria no infravermelho.
Fonte: Dados do autor.

Cascalho-Olefina+cepa 30 (Infravermelho) Cascalho-Olefina + cepa 30 (Condutivimetria)


70,00

60,00

50,00
CO2 total gerado (mg)

40,00

30,00

20,00

10,00

0,00
0 24 48 72 96 120 144 168 192 216 240 264
Tempo total de incubação (h)

Figura 35 - Curvas comparativas da biodegradabilidade de cascalho impregnado com fluido de


perfuração à base de éster sendo degradado pela cepa 72 empregando os métodos de respirometria
aeróbia (BARTHA modificado) e o método respirométrico aeróbio com aquisição de dados por
espectrometria no infravermelho.
Fonte: Dados do autor.
100

A figura 33 mostra que a fase de adaptação dos microrganismos (cepa 9), com
substrato cascalho impregnado com fluido de perfuração base éster, que foi
relativamente curta, foi similar para os dois métodos, em seguida, houve um
incremento maior na curva do método de espectrometria por infravermelho, porém,
após aproximadamente 48 horas, ambas as curvas seguiram uma mesma inclinação
com crescimento exponencial menos intenso; observa-se ainda que os valores
pontual e final obtidos de CO2 gerado no método por infravermelho, com massa final
chegando a 37 mg, é pouco maior que a conseguida com o método
condutivimétrico que foi de 33 mg de CO2.

A figura 34 que apresenta os resultados do ensaio onde se utilizou a cepa 72 e


como substrato cascalho impregnado com fluido de perfuração base n-parafina,
mostra comportamento entre as curvas bastante similar ao do teste 7.12, inclusive
no aspecto comparativo entre estas. A massa total de CO2 gerado foi de 39 mg teste
com leitura por infravermelho e 33 mg com leitura por condutivimetria.

Na figura 35 onde se utilizou como microrganismo a cepa 30 e como substrato o


cascalho impregnado com fluido de perfuração base olefina observou-se maiores
diferenças nos valores acumulados de massa de CO2, quando usando o método de
leitura por infravermelho, no intervalo entre 24 e 168 horas, em detrimento do
método com leitura por condutivimetria, porém a partir das 168 horas as curvas dois
métodos apresentaram mesmo padrão de inclinação, aproximando-se e mostrando
resultados finais de geração de CO2 não muito diferentes; o valor de CO2 total
gerado obtido pelo método de espectrometria no infravermelho foi de 50,6 mg e
através do método por condutivimetria foi de 39,2 mg.

A análise dos resultados das três curvas mostra a consistência dos dados obtidos e
a confiabilidade de ambos os equipamentos. De maneira geral observa-se que a
quantidade de CO2 gerada e medida em cada intervalo de tempo é um pouco menor
utilizando o método de Bartha, devido a possíveis perdas de CO2 durante a leitura
da condutivimetria, quando são abertos os frascos, uma vez por dia; no sistema de
infravermelho não existe possibilidade de perdas do gênero por ser totalmente
fechado.Todos os valores finais de leitura de CO2 nas curvas 33, 34 e 35 foram
obtidos após 240 horas de experimento.
101

5.3.4 Ensaios de biodegradabilidade de substratos (CBFP) pelo


método de leitura por espectrometria no infravermelho - curvas
comparativas de ensaios com mesmo substrato e cepas diferentes.

As figuras 36, 37 e 38 apresentam resultados dos ensaios de biodegradabilidade


aeróbia utilizando os componentes base dos fluidos de perfuração sintéticos (CBFP),
comparando os resultados de 2 diferentes cepas selecionadas para cada substrato.
A leitura do CO2 gerado foi efetuada através do método de espectrometria no
infravermelho.

CBFP-éster+cepa 03 CBFP-éster+cepa 07 Controle

160

140

120
CO2 total gerado (mg)

100

80

60

40

20

0
0 24 48 72 96 120 144 168 192
Tempo total de incubação (h)

Figura 36 - Curva de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia utilizando leitura por


espectrometria no infravermelho com o substrato éster e as cepas 03 e 07
Fonte: Dados do autor.
102

CBFP-parafina+cepa 53 CBFP-n-parafina + cepa 69 Controle


160,00

140,00

120,00
CO2 total gerado (mg)

100,00

80,00

60,00

40,00

20,00

0,00
0 24 48 72 96 120 144 168 192
Tempo total de incubação (h)

Figura 37 - Curva de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia utilizando leitura por


espectrometria no infravermelho com o substrato parafina e as cepas 53 e 69.
Fonte: Dados do autor.

CBFP-olefina + cepa 39 CBFP-olefina+cepa 42 Controle

160,00

140,00

120,00
CO2 total gerado (mg)

100,00

80,00

60,00

40,00

20,00

0,00
0 24 48 72 96 120 144 168 192
Tempo total de incubação (h)

Figura 38 - Curva de Biodegradabilidade por respirometria aeróbia utilizando leitura por


espectrometria no infravermelho com o substrato olefina e as cepas 39 e 42.
Fonte: Dados do autor.
103

Analisando-se os gráficos 36, 37 e 38 verifica-se que para todos os substratos


utilizados – éster, n-parafinas e olefinas - existe uma grande influência da cepa
utilizada no processo de biodegradação; no gráfico 36 observa-se que o tipo de
resposta das curvas utilizando-se as cepas 3 e 7 e o substrato éster é semelhante
porém os valores finais de CO2 gerado acumulado diferem, enquanto que para a
cepa 3 este valor após 167 horas foi de 142 mg, para a cepa 3 o valor de CO2
gerado foi de 108 mg, para o mesmo intervalo de tempo.

Observando-se o gráfico da figura 37 verifica-se também uma diferença no tipo de


resposta das curvas, e observa-se que o valor de massa de CO2 gerado após 167
horas foi de 122 mg, já utilizando-se a cepa 69 foi gerada uma massa de CO2 de 54
mg no mesmo intervalo de tempo, indicando uma diferença significativa da resposta
de produção de CO2 utilizando-se as duas diferentes cepas.

Analisando-se a figura 38 verifica-se o comportamento totalmente diferente das


curvas, enquanto uma tem uma fase adaptativa mais prolongada e só após 120
horas começa a haver geração de CO2, na outra curva a fase de produção de CO2 ,
iniciou após 48 horas porém estabilizando em seguida, verificando-se até uma
convergência das duas curvas para valores finais próximos. Os valores obtidos para
as cepas 39 e 42 para um intervalo de tempo de 167 horas foram de 50 mg e 40 mg
de CO2 total gerado, respectivamente.
104

6 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÔES

6.1 CONCLUSÕES

• A caracterização físico-química dos cascalhos impregnados com fluidos de


perfuração sintéticos, à base n-parafinas, olefinas e ésteres, mostrou que
considerando os metais, ânions e compostos analisados e considerando os
testes de toxicidade constantes na literatura, podem ser classificados como
de classe II-A, resíduos não perigosos, segundo a NBR-10.0004.

• Foram isoladas 72 cepas de microrganismos com aptidão para se


desenvolver nos substratos escolhidos – ésteres, parafinas e olefinas – a
partir de uma diversidade de sedimentos ambientais.

• Foi desenvolvido um equipamento multiplexado e automatizado para ensaios


de biodegradação aeróbia para amostras sólidas ou líquidas através da
medição do CO2 gerado por espectrometria no infravermelho, que foi
denominado de Respirômetro Aeróbio por Infravermelho; através desta
medição poderão ser construídas curvas de eficiência de biodegração.

• Foi montado um sistema para ensaio de respirometria aeróbia adaptado da


NBR 14283 – Método Respirométrico de Bartha – com medição do CO2
gerado por condutivimetria, usado para determinação da biodegradabilidade
dos substratos orgânicos estudados e comparação e posterior validação do
Respirômetro Aeróbio por Infravermelho.

• Os dois equipamentos utilizados para os ensaios – respirômetro aeróbio com


leitura por espectrometria no infravermelho e respirômetro aeróbio com leitura
por condutivimetria – apresentaram resultados similares quando comparados
e principalmente geraram curvas de geração de CO2 compatíveis com as
verificadas na literatura.
105

• Todos os substratos testados, tanto os componentes base de fluidos de


perfuração sintéticos (CBFP) quanto os cascalhos impregnados por estes
apresentaram geração de CO2, indicando potencial de biodegradabilidade.

• Ficou evidenciado que a cepa do microrganismo utilizado influencia


diretamente os resultados dos ensaios de biodegradabilidade.
106

6.2 RECOMENDAÇÕES

• Recomenda-se que sejam efetuados novos testes utilizando o respirômetro


aeróbio com leitura por espectrometria no infravermelho em programas de
gerenciamento de qualidade laboratorial para validação de análises.

• Sugerimos que sejam procedidos testes com o respirômetro aeróbio com


Infravermelho por tempo suficiente para que seja atingida a fase de
estabilização no crescimento microbiano, e a partir daí poder-se realmente
mensurar a eficiência de biodegradabilidade dos substratos.

• Recomendamos que seja feito um estudo comparativo da biodegradabilidade


dos CBFPs ( éster, parafina e olefina ) versus a dos cascalhos impregnados
com fluidos destas bases, para verificação da influência dos outros aditivos
dos fluidos na biodegradação dos cascalhos.
107

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113

ANEXOS
114

ANEXO A
FOTOS DAS CEPAS DE CULTURAS ISOLADAS E UTILIZADAS NOS
ENSAIOS DE BIODEGRADABILIDADE

a b

c d

e f

Figura 1 – Culturas de bactérias isoladas – Sedimento ou lodo + CBFP

LEGENDA:
a. assoalho marinho + olefina
b. lodo da ETE + éster
c. lodo da ETE + parafina
d. solo de horta + olefina
e. solo de horta + olefina
f. assoalho marinho + parafina
115

g h

i i j

l m

Figura 2 – Culturas de bactérias isoladas – Sedimento ou lodo + CBFP

LEGENDA:
g. sedimento de mangue + éster
h. sedimento de mangue + parafina
i. solo + olefina
j. solo + parafina
k. solo + éster
l. solo turfoso + éster
116

n o

p q

r s

Figura 3 – Culturas de bactérias isoladas – Sedimento ou lodo + CBFP :

LEGENDA:
n. solo turfoso + olefina
o. solo turfoso + parafina
p. solo + olefina
q. solo turfoso + parafina
r. solo turfoso + parafina
s. solo de horta + éster
117

ANEXO B
DADOS COLETADOS NOS EXPERIMENTOS DE
BIODEGRADABILIDADE DE SUBSTRATOS EMPREGANDO OS
MÉTODOS DE CONDUTIVIMETRIA E DE INFRAVERMELHO

Onde:
Tempo - tempo de incubação no ensaio
R1 – resultado do ensaio expresso em massa acumulada de CO2 gerado (mg)
R2 - resultado do ensaio expresso em massa acumulada de CO2 gerado (mg)
(duplicata)
Média – Média aritmética dos dois resultados
Desvio padrão – Desvio padrão dos dois resultados
Erro Médio – Média aritmética dos desvios-padrão

II.a - Tabelas de dados obtidos a partir dos experimentos de respirometria aeróbia


dos substratos orgânicos, realizados segundo o método respirométrico de Bartha
modificado, utilizando condutivimetria

CBFP - Éster

CBFP-Éster + cepa 03
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
18 3,1 4,8 4,0 1,2
43 18,8 11,4 15,1 5,2
96 36,5 29,8 33,2 4,7
115 48,3 41,2 44,8 5,0
139 56,9 50,0 53,5 4,9
164 61,8 63,2 62,5 1,0
185 65,9 67,3 66,6 1,0
238 75,7 86,7 81,2 7,8
erro médio 3,9

CBFP-Éster + cepa 04
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
18 2,7 2,5 2,6 0,1
43 9,0 6,0 7,5 2,1
96 21,6 15,3 18,5 4,5
115 31,4 19,2 25,3 8,6
139 42,4 28,0 35,2 10,2
164 48,8 42,4 45,6 4,5
185 54,1 47,7 50,9 4,5
238 62,4 72,2 67,3 6,9
erro médio 5,2
118

CBFP-Éster + cepa 7
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
44 14,5 14,5 14,5 0,0
46 20,0 15,4 17,7 3,3
72 36,9 27,1 32,0 6,9
88 54,1 33,9 44,0 14,3
96 57,5 37,3 47,4 14,3
120 67,4 44,7 56,1 16,1
219 108,6 81,2 94,9 19,4
240 117,3 117,3 117,3 0,0
erro médio 9,3

CBFP-Éster + cepa 11
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
26 2,0 2,0 2,0 0,0
75 6,3 5,1 5,7 0,8
97 19,6 18,1 18,9 1,1
124 23,5 22,0 22,8 1,1
145 30,2 28,3 29,3 1,3
172 39,6 38,5 39,1 0,8
193 45,9 44,7 45,3 0,8
239 58,9 53,8 56,4 3,6
erro médio 1,2

CBFP-Olefina

CBFP-Olefina + cepa 26
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
26 1,6 1,6 1,6 0,0
75 1,6 1,6 1,6 0,0
97 16,9 18,4 17,7 1,1
124 22,4 25,1 23,8 1,9
145 33,7 34,9 34,3 0,8
172 52,6 49,4 51,0 2,3
193 62,4 61,2 61,8 0,8
239 73,8 74,1 74,0 0,2
erro médio 0,9

CBFP-Olefina + cepa 39
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
18 2,7 2,1 2,4 0,4
43 11,0 4,8 7,9 4,4
96 23,9 14,9 19,4 6,4
115 41,2 25,9 33,6 10,8
139 58,1 34,7 46,4 16,5
164 64,9 48,6 56,8 11,5
185 70,6 52,6 61,6 12,7
238 76,9 66,7 71,8 7,2
erro médio 8,8
119

CBFP-Olefina + cepa 42
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
44 4,7 4,7 4,7 0,0
46 9,8 5,3 7,6 3,2
72 13,0 13,0 13,0 0,0
88 23,9 20,8 22,4 2,2
96 26,6 24,7 25,7 1,3
120 34,5 35,7 35,1 0,8
219 67,2 75,3 71,3 5,7
240 74,1 78,6 76,3 3,1
erro médio 2,1

CBFP-Olefina + cepa 43
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
44 9,4 9,4 9,4 0,0
46 13,3 10,3 11,8 2,1
72 29,0 21,8 25,4 5,1
88 45,5 29,8 37,7 11,1
96 47,5 33,7 40,6 9,8
120 53,4 44,3 48,9 6,4
219 77,6 76,5 77,1 0,8
240 82,8 81,2 82,0 1,1
erro médio 4,6

CBFP-n-Parafina

CBFP-n-Parafina + cepa 53
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
44 6,7 6,7 6,7 0,0
46 13,0 7,5 10,2 3,9
72 26,7 18,8 22,8 5,6
88 42,4 26,7 34,6 11,1
96 43,9 30,6 37,3 9,4
120 48,6 40,8 44,7 5,5
219 67,7 73,4 70,6 4,0
240 71,8 76,9 74,4 3,6
erro médio 5,4

CBFP-n-Parafina + cepa 57
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,00 0,00 0,0 0,0
18 2,70 4,50 3,6 1,3
43 10,20 10,90 10,6 0,5
96 25,50 28,40 27,0 2,1
115 42,00 37,30 39,7 3,3
139 57,70 42,80 50,3 10,5
164 62,10 53,70 57,9 5,9
185 65,90 57,10 61,5 6,2
238 73,40 68,70 71,1 3,3
erro médio 4,1
120

CBFP-n-Parafina + 63
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
44 5,5 5,5 5,5 0,0
46 9,8 6,1 8,0 2,6
72 19,6 13,7 16,7 4,2
88 37,7 21,6 29,7 11,4
96 40,5 25,5 33,0 10,6
120 48,9 36,9 42,9 8,5
219 83,6 67,9 75,8 11,1
240 91,0 70,7 80,9 14,4
erro médio 7,8

CBFP-n-Parafina + cepa 70
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,00 0,00 0,00 0,00
26 2,00 1,60 1,80 0,28
75 10,20 11,00 10,60 0,57
97 28,60 28,60 28,60 0,00
124 34,90 35,70 35,30 0,57
145 46,30 45,90 46,10 0,28
172 60,40 61,60 61,00 0,85
193 71,40 69,80 70,60 1,13
239 87,50 85,90 86,70 1,13
erro médio 0,60

II.b - Tabelas de dados obtidos a partir dos experimentos de respirometria aeróbia


dos cascalhos, realizados segundo o método respirométrico de Bartha modificado,
utilizando condutivimetria

Cascalhos impregnados com fluido sintético a base de éster

Cascalho-Éster + cepa 9
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
21 7,5 7,1 7,3 0,3
45 14,9 14,1 14,5 0,6
61 17,7 18,0 17,9 0,2
85 22,0 21,6 21,8 0,3
109 23,9 23,1 23,5 0,6
133 28,2 27,1 27,7 0,8
165 29,8 29,8 29,8 0,0
236 32,6 33,0 32,8 0,3
erro médio 0,4

Cascalho-Éster + cepa 11
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
18 2,7 2,7 2,7 0,0
43 11,4 11,0 11,2 0,3
96 21,2 19,6 20,4 1,1
115 25,5 23,1 24,3 1,7
139 27,9 24,3 26,1 2,5
164 29,1 25,0 27,1 2,9
185 30,2 25,5 27,9 3,3
237 31,0 25,5 28,3 3,9
erro médio 2,0
Cascalhos impregnados com fluido sintético a base de olefina
121

Cascalho-Olefina + cepa 30
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
21 5,5 5,6 5,6 0,1
45 9,0 8,8 8,9 0,1
61 12,2 12,0 12,1 0,1
85 18,4 18,6 18,5 0,1
109 23,5 23,2 23,4 0,2
133 29,0 28,8 28,9 0,1
165 36,1 36,1 36,1 0,0
236 39,2 38,9 39,1 0,2
erro médio 0,1

Cascalho-Olefina + cepa 42
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
18 2,4 2,4 2,4 0,0
43 9,4 9,0 9,2 0,3
96 16,5 16,5 16,5 0,0
115 19,6 19,6 19,6 0,0
139 20,8 20,8 20,8 0,0
164 22,1 21,6 21,9 0,4
185 23,1 22,4 22,8 0,5
237 26,7 24,3 25,5 1,7
erro médio 0,4

Cascalhos impregnados com fluido sintético a base de n-Parafina


Cascalho-n-Parafina + cepa 66
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
18 2,4 2,4 2,4 0,0
43 9,8 9,8 9,8 0,0
96 14,9 15,3 15,1 0,3
115 17,3 19,2 18,3 1,3
139 19,2 23,1 21,2 2,8
164 20,9 24,2 22,6 2,3
185 22,4 25,1 23,8 1,9
237 23,1 26,3 24,7 2,3
erro médio 1,4

Cascalho-n-Parafina + cepa 72
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
21 6,3 6,3 6,3 0,0
45 14,1 14,9 14,5 0,6
61 18,0 18,0 18,0 0,0
85 23,1 22,4 22,8 0,5
109 25,1 25,1 25,1 0,0
133 29,4 27,9 28,7 1,1
165 31,8 31,0 31,4 0,6
236 33,7 32,2 33,0 1,1
erro médio 0,5
122

II.c - Tabelas de dados obtidos a partir dos experimentos de respirometria aeróbia


dos substratos orgânicos, realizados segundo o método de leitura de CO2 por
espectrometria no infravermelho:

CBFP-Éster
CBFP-Éster + cepa 3 C BFP-É ster + cepa 3
tem po R1 R2 M édia Desvio Padrão tem po R1 R2 M édia Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0 139 118,5 127,4 122,9 6,3
3 0,6 0,7 0,6 0,0 141 120,0 128,5 124,3 6,0
6 1,0 1,1 1,0 0,1 143 121,5 129,7 125,6 5,8
9 1,7 2,1 1,9 0,3 145 123,0 130,9 126,9 5,6
12 3,0 4,1 3,5 0,8 147 124,4 132,0 128,2 5,4
15 4,5 6,4 5,5 1,3 149 128,7 133,2 131,0 3,1
18 6,2 8,8 7,5 1,8 151 130,1 134,3 132,2 3,0
21 8,2 11,6 9,9 2,4 153 131,5 135,4 133,4 2,8
24 10,4 14,5 12,4 2,9 155 132,8 136,6 134,7 2,6
27 17,1 22,0 19,5 3,4 157 134,2 137,7 135,9 2,5
30 20,0 26,1 23,1 4,4 159 135,5 138,8 137,1 2,3
33 22,8 27,4 25,1 3,2 161 136,8 139,9 138,4 2,2
36 25,6 31,2 28,4 3,9 163 138,1 141,0 139,5 2,1
39 28,4 32,5 30,4 2,9 165 139,3 142,1 140,7 1,9
42 30,5 35,5 33,0 3,5 167 140,6 143,1 141,9 1,8
45 32,9 38,9 35,9 4,2 erro m édio 6,3
47 34,8 41,3 38,0 4,6
49 36,6 43,7 40,2 5,0
51 38,4 46,1 42,2 5,4
53 40,2 48,3 44,3 5,7
55 42,0 50,5 46,2 6,0
57 43,8 52,6 48,2 6,2
59 45,6 54,7 50,2 6,4
61 47,4 56,9 52,1 6,7
63 49,2 58,9 54,1 6,8
65 51,8 62,0 56,9 7,2
67 53,7 64,4 59,0 7,6
69 54,9 66,9 60,9 8,5
71 56,7 69,2 63,0 8,8
73 58,5 71,4 65,0 9,1
75 60,3 73,5 66,9 9,3
77 62,1 75,7 68,9 9,6
79 63,9 77,7 70,8 9,8
81 65,7 79,8 72,8 9,9
83 67,6 81,8 74,7 10,0
85 69,4 83,7 76,5 10,1
87 71,2 85,6 78,4 10,2
89 73,1 87,5 80,3 10,2
91 75,0 89,5 82,2 10,3
93 76,9 91,4 84,2 10,3
95 78,9 93,4 86,1 10,3
97 80,8 95,3 88,1 10,2
99 82,8 97,2 90,0 10,1
101 84,8 99,0 91,9 10,0
103 86,7 100,8 93,8 9,9
105 88,7 102,5 95,6 9,8
107 90,6 104,3 97,4 9,7
109 92,5 106,0 99,2 9,6
111 94,4 107,7 101,1 9,4
113 96,3 109,4 102,8 9,2
115 98,1 110,9 104,5 9,0
117 99,9 112,4 106,2 8,8
119 101,7 113,9 107,8 8,6
121 103,4 115,4 109,4 8,4
123 105,2 116,8 111,0 8,2
125 106,9 118,2 112,6 8,0
127 108,6 119,6 114,1 7,8
129 110,3 121,0 115,7 7,5
131 112,0 122,3 117,2 7,3
133 113,7 123,6 118,7 7,0
135 115,3 124,9 120,1 6,8
137 116,9 126,1 121,5 6,5
123

CBFP-Éster + cepa 7
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
4 1,3 1,2 1,2 0,0
8 2,6 2,8 2,7 0,1
12 5,3 6,7 6,0 1,0
16 8,0 10,0 9,0 1,4
20 10,7 13,1 11,9 1,7
24 13,6 16,7 15,1 2,2
28 16,3 19,9 18,1 2,5
32 19,3 23,4 21,3 2,9
36 22,3 26,5 24,4 3,0
40 25,1 29,6 27,3 3,2
44 29,0 33,2 31,1 3,0
48 32,0 36,5 34,3 3,2
52 34,9 39,9 37,4 3,6
56 36,8 42,1 39,5 3,8
60 38,9 44,3 41,6 3,8
64 41,1 46,4 43,8 3,8
68 43,2 48,3 45,8 3,6
72 45,2 50,0 47,6 3,4
76 46,9 51,5 49,2 3,2
80 48,6 52,9 50,7 3,1
84 50,1 54,3 52,2 3,0
88 51,7 55,9 53,8 2,9
92 53,3 57,3 55,3 2,9
96 54,7 58,7 56,7 2,9
100 56,0 60,1 58,1 2,9
104 57,4 61,5 59,4 2,9
108 58,9 62,9 60,9 2,9
112 60,3 64,4 62,4 2,9
116 61,7 65,9 63,8 3,0
120 63,0 67,3 65,1 3,0
124 64,2 68,6 66,4 3,1
128 65,3 69,8 67,6 3,2
132 66,7 71,3 69,0 3,2
136 67,8 72,6 70,2 3,4
140 69,0 74,0 71,5 3,5
144 70,1 75,3 72,7 3,6
148 71,2 76,5 73,9 3,8
152 72,2 77,8 75,0 3,9
156 73,4 79,2 76,3 4,1
160 74,6 80,7 77,7 4,3
164 75,8 82,2 79,0 4,5
168 76,7 83,5 80,1 4,8
erro médio 3,0
124

CBFP-Olefina

CBFP-Olefina + cepa 39
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
4 1,3 1,2 1,3 0,1
8 1,6 1,5 1,6 0,1
12 1,8 1,7 1,7 0,1
16 2,1 2,0 2,0 0,1
20 2,3 2,2 2,3 0,1
24 2,5 2,4 2,5 0,1
28 2,7 2,6 2,7 0,1
32 3,0 2,9 2,9 0,1
36 3,3 3,2 3,2 0,0
40 3,8 3,7 3,7 0,0
44 4,6 4,6 4,6 0,0
48 6,0 5,9 5,9 0,0
52 8,0 7,9 8,0 0,1
56 14,1 11,9 13,0 1,5
60 17,7 14,7 16,2 2,1
64 20,3 17,0 18,6 2,3
68 22,4 18,8 20,6 2,5
72 24,1 20,5 22,3 2,6
76 25,5 21,9 23,7 2,5
80 26,8 23,2 25,0 2,5
84 28,0 24,5 26,3 2,5
88 29,4 25,9 27,7 2,5
92 30,8 27,2 29,0 2,5
96 32,0 28,5 30,3 2,5
100 33,3 29,7 31,5 2,5
104 34,5 30,9 32,7 2,6
108 35,9 32,2 34,0 2,6
112 37,1 33,5 35,3 2,6
116 38,3 34,7 36,5 2,6
120 39,5 35,9 37,7 2,6
124 40,7 37,0 38,8 2,6
128 41,7 38,0 39,9 2,6
132 43,0 39,3 41,1 2,6
136 44,1 40,4 42,2 2,6
140 45,2 41,5 43,3 2,6
144 46,2 42,5 44,4 2,6
148 47,1 43,5 45,3 2,6
152 48,1 44,5 46,3 2,5
156 49,1 45,5 47,3 2,5
160 50,2 46,7 48,4 2,5
164 51,2 47,8 49,5 2,4
168 52,0 48,7 50,3 2,4
erro médio 1,7
125

CBFP-Olefina + cepa 42 CBFP-Olefina + cepa 42


tempo R1 R2 Média Desvio Padrão tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0 139 21,6 21,8 21,7 0,2
3 0,7 0,8 0,8 0,1 141 23,4 23,4 23,4 0,0
6 0,9 1,2 1,1 0,2 143 24,8 24,6 24,7 0,1
9 1,3 1,6 1,5 0,3 145 26,2 25,8 26,0 0,3
12 1,7 2,1 1,9 0,3 147 27,5 26,9 27,2 0,4
15 2,1 2,6 2,3 0,4 149 28,8 28,1 28,5 0,5
18 2,5 3,0 2,7 0,4 151 30,1 29,3 29,7 0,6
21 2,8 3,3 3,1 0,4 153 31,4 30,5 31,0 0,6
24 3,1 3,6 3,4 0,4 155 32,7 31,7 32,2 0,7
27 3,4 3,9 3,6 0,4 157 34,0 32,9 33,5 0,8
30 3,6 4,1 3,9 0,3 159 35,3 34,2 34,7 0,8
33 3,9 4,3 4,1 0,3 161 36,6 35,4 36,0 0,8
36 4,1 4,6 4,3 0,3 163 37,9 36,7 37,3 0,8
39 4,4 4,8 4,6 0,3 165 39,2 38,0 38,6 0,8
42 4,5 4,9 4,7 0,3 167 40,5 39,3 39,9 0,9
45 4,7 5,1 4,9 0,3 erro médio 0,3
47 4,9 5,2 5,0 0,2
49 5,0 5,3 5,2 0,2
51 5,1 5,4 5,3 0,2
53 5,2 5,5 5,4 0,2
55 5,3 5,6 5,5 0,2
57 5,4 5,7 5,6 0,2
59 5,6 5,8 5,7 0,2
61 5,7 6,0 5,8 0,2
63 5,8 6,1 5,9 0,2
65 6,0 6,2 6,1 0,2
67 6,1 6,4 6,2 0,2
69 6,2 6,5 6,3 0,2
71 6,3 6,6 6,5 0,2
73 6,5 6,7 6,6 0,2
75 6,6 6,8 6,7 0,1
77 6,7 6,9 6,8 0,1
79 6,8 7,0 6,9 0,1
81 6,9 7,1 7,0 0,1
83 7,0 7,2 7,1 0,1
85 7,1 7,3 7,2 0,2
87 7,3 7,5 7,4 0,2
89 7,4 7,6 7,5 0,2
91 7,5 7,8 7,6 0,2
93 7,7 7,9 7,8 0,2
95 7,8 8,1 8,0 0,2
97 8,0 8,3 8,1 0,2
99 8,1 8,5 8,3 0,2
101 8,3 8,7 8,5 0,3
103 8,5 8,9 8,7 0,3
105 8,8 9,2 9,0 0,3
107 9,0 9,4 9,2 0,3
109 9,3 9,7 9,5 0,3
111 9,6 10,1 9,9 0,3
113 10,0 10,4 10,2 0,3
115 10,4 10,8 10,6 0,3
117 10,8 11,3 11,1 0,3
119 11,3 11,8 11,5 0,3
121 11,9 12,3 12,1 0,3
123 12,5 12,9 12,7 0,3
125 13,2 13,5 13,4 0,3
127 13,9 14,3 14,1 0,2
129 14,8 15,1 14,9 0,2
131 15,8 16,1 16,0 0,2
133 17,0 17,3 17,2 0,2
135 18,4 18,6 18,5 0,2
137 19,9 20,1 20,0 0,2
126

CBFP-n-Parafina

CBFP-n-Parafina + cepa 53 CBFP-n-Parafina + cepa 53


tempo R1 R2 Média Desvio Padrão tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0 137 103,7 111,8 107,7 5,8
3 0,7 0,7 0,7 0,0 139 104,6 113,0 108,8 6,0
6 1,0 1,0 1,0 0,0 141 105,5 114,2 109,8 6,2
9 1,3 1,4 1,3 0,1 143 106,4 115,3 110,9 6,3
12 1,7 1,8 1,7 0,1 145 107,3 116,5 111,9 6,5
15 2,0 2,2 2,1 0,1 147 108,2 117,6 112,9 6,6
18 2,4 2,6 2,5 0,1 149 109,1 118,6 113,8 6,8
21 2,7 2,9 2,8 0,1 151 109,9 119,7 114,8 6,9
24 2,9 3,1 3,0 0,1 153 110,8 120,8 115,8 7,0
27 3,7 3,9 3,8 0,2 155 111,7 121,8 116,7 7,1
30 3,9 4,2 4,1 0,2 157 112,6 122,8 117,7 7,2
33 4,2 4,5 4,3 0,2 159 113,5 123,8 118,6 7,3
36 4,5 4,8 4,7 0,2 161 114,3 124,8 119,5 7,4
39 5,0 5,3 5,2 0,2 163 115,2 125,7 120,5 7,5
42 5,6 6,0 5,8 0,2 165 116,0 126,7 121,3 7,5
45 7,5 8,0 7,7 0,3 167 116,9 127,6 122,2 7,6
47 9,4 10,0 9,7 0,4 erro médio 2,8
49 11,8 12,6 12,2 0,5
51 14,5 15,4 15,0 0,7
53 17,3 18,8 18,0 1,0
55 20,5 22,0 21,3 1,1
57 24,0 25,1 24,6 0,8
59 27,3 28,7 28,0 1,0
61 30,7 32,1 31,4 0,9
63 34,0 35,2 34,6 0,8
65 35,9 37,2 36,5 0,9
67 37,8 39,2 38,5 1,0
69 39,8 41,5 40,7 1,2
71 42,8 44,4 43,6 1,1
73 45,9 47,7 46,8 1,3
75 49,1 51,1 50,1 1,4
77 52,6 54,6 53,6 1,4
79 56,1 58,1 57,1 1,4
81 59,5 61,5 60,5 1,4
83 62,6 64,6 63,6 1,4
85 65,3 67,5 66,4 1,6
87 67,9 70,1 69,0 1,5
89 70,4 72,6 71,5 1,6
91 72,8 75,1 73,9 1,7
93 75,0 77,4 76,2 1,7
95 77,1 79,6 78,4 1,8
97 79,1 81,7 80,4 1,8
99 81,0 83,8 82,4 1,9
101 82,8 85,7 84,2 2,0
103 84,4 87,4 85,9 2,1
105 86,0 89,2 87,6 2,2
107 87,5 90,9 89,2 2,4
109 88,9 92,6 90,7 2,6
111 90,2 94,1 92,2 2,8
113 91,4 95,6 93,5 3,0
115 92,6 97,1 94,8 3,2
117 93,7 98,5 96,1 3,4
119 94,8 99,9 97,4 3,6
121 95,9 101,3 98,6 3,9
123 96,9 102,7 99,8 4,1
125 97,9 104,0 101,0 4,3
127 98,9 105,4 102,2 4,6
129 99,9 106,7 103,3 4,8
131 100,9 108,0 104,4 5,1
133 101,8 109,3 105,6 5,3
135 102,7 110,6 106,7 5,6
127

CBFP-n-Parafina + cepa 69
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
4 1,0 1,0 1,0 0,0
8 1,3 1,2 1,3 0,0
12 1,9 1,4 1,6 0,4
16 2,2 1,7 1,9 0,4
20 2,4 1,8 2,1 0,4
24 2,5 2,0 2,3 0,4
28 2,7 2,1 2,4 0,4
32 2,9 2,3 2,6 0,4
36 3,2 2,7 2,9 0,4
40 3,6 3,2 3,4 0,3
44 4,6 4,5 4,5 0,1
48 6,3 7,0 6,6 0,5
52 9,4 10,8 10,1 1,0
56 13,4 14,4 13,9 0,7
60 16,5 17,7 17,1 0,8
64 18,9 20,3 19,6 0,9
68 21,1 22,4 21,7 1,0
72 22,8 24,2 23,5 1,0
76 24,3 25,8 25,1 1,0
80 25,7 27,1 26,4 1,0
84 27,1 28,5 27,8 1,0
88 28,7 29,9 29,3 0,9
92 30,2 31,2 30,7 0,7
96 31,6 32,4 32,0 0,6
100 32,9 33,6 33,3 0,5
104 34,3 34,8 34,5 0,4
108 35,8 36,0 35,9 0,2
112 37,3 37,3 37,3 0,0
116 38,7 38,5 38,6 0,1
120 40,0 39,7 39,8 0,2
124 41,3 40,8 41,0 0,3
128 42,5 41,8 42,1 0,4
132 43,8 43,0 43,4 0,6
136 45,1 44,2 44,6 0,7
140 46,4 45,2 45,8 0,8
144 47,6 46,3 46,9 0,9
148 48,7 47,3 48,0 1,0
152 49,8 48,3 49,1 1,0
156 51,1 49,5 50,3 1,2
160 52,5 50,7 51,6 1,3
164 53,8 51,9 52,9 1,4
168 54,7 52,7 53,7 1,4
erro médio 0,6
128

II.d - Tabelas de dados obtidos a partir dos experimentos de respirometria aeróbia


dos cascalhos, realizados segundo o método de leitura de CO2 por espectrometria
no infravermelho:

Cascalhos impregnados com fluido sintético a base de Éster

C ascalho-É ster + cepa 9


tem po R1 R2 M édia D esvio P adrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
2 1,3 1,2 1,2 0,1
4 2,0 1,9 1,9 0,1
6 2,8 2,6 2,7 0,1
8 3,7 3,5 3,6 0,1
10 5,0 4,8 4,9 0,2
12 7,0 6,7 6,8 0,2
14 9,5 9,4 9,4 0,1
16 11,6 11,6 11,6 0,0
18 13,8 14,0 13,9 0,1
20 15,1 15,5 15,3 0,3
22 15,8 16,4 16,1 0,4
24 16,3 17,0 16,7 0,5
26 16,7 17,6 17,2 0,6
28 17,1 18,2 17,6 0,8
30 17,4 18,6 18,0 0,9
32 17,7 19,1 18,4 1,0
34 18,0 19,5 18,8 1,1
36 18,3 20,0 19,1 1,2
38 18,6 20,4 19,5 1,3
40 18,9 20,9 19,9 1,4
42 19,1 21,2 20,2 1,5
44 19,4 21,6 20,5 1,6
46 19,6 22,0 20,8 1,7
48 19,9 22,3 21,1 1,7
50 20,1 22,7 21,4 1,8
52 20,4 23,1 21,7 1,9
54 20,6 23,4 22,0 2,0
56 20,8 23,7 22,3 2,1
58 21,2 24,3 22,8 2,2
60 21,5 24,7 23,1 2,3
63 21,7 25,1 23,4 2,4
68 22,1 25,6 23,9 2,5
72 22,4 26,0 24,2 2,6
76 22,6 26,4 24,5 2,7
80 23,0 27,0 25,0 2,8
84 23,3 27,4 25,3 2,9
88 23,5 27,7 25,6 3,0
92 23,8 28,1 26,0 3,0
96 24,1 28,5 26,3 3,1
100 24,3 28,7 26,5 3,1
104 24,8 29,2 27,0 3,1
108 25,4 29,9 27,7 3,1
112 26,2 30,7 28,5 3,1
116 27,2 31,6 29,4 3,1
120 28,1 32,4 30,2 3,1
124 28,2 32,7 30,5 3,2
128 28,4 33,1 30,8 3,3
132 28,9 34,1 31,5 3,7
140 29,2 34,8 32,0 3,9
148 29,6 35,4 32,5 4,1
156 29,9 36,0 32,9 4,3
164 30,2 36,5 33,3 4,5
erro m edio 1,9
129

Cascalho-Éster + cepa 11
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
2 0,9 1,1 1,0 0,1
4 1,4 1,6 1,5 0,2
10 2,7 2,8 2,7 0,1
16 3,9 3,9 3,9 0,0
22 5,0 5,0 5,0 0,0
28 6,0 6,1 6,0 0,1
34 6,9 7,2 7,0 0,2
40 8,0 8,4 8,2 0,3
46 9,3 9,8 9,5 0,4
52 10,7 11,1 10,9 0,3
58 12,0 12,3 12,2 0,2
64 13,2 13,3 13,3 0,1
70 14,3 14,3 14,3 0,0
76 15,2 15,1 15,1 0,0
82 15,9 15,9 15,9 0,0
88 16,6 16,6 16,6 0,0
94 17,2 17,3 17,2 0,0
100 17,7 17,9 17,8 0,1
106 18,2 18,4 18,3 0,2
112 18,6 19,0 18,8 0,2
118 19,0 19,5 19,3 0,3
124 19,4 20,1 19,8 0,5
130 19,8 20,7 20,3 0,6
136 20,2 21,3 20,8 0,8
142 20,6 21,8 21,2 0,9
148 20,9 22,3 21,6 1,0
154 21,2 22,7 22,0 1,0
160 21,6 23,1 22,4 1,1
166 22,0 23,6 22,8 1,1
erro médio 0,3
130

Cascalho impregnado com fluido sintético a base de Olefina

Cascalho-Olefina + cepa 30
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
2 1,0 0,8 0,9 0,2
4 1,5 1,1 1,3 0,3
6 2,0 1,4 1,7 0,4
8 2,5 1,8 2,2 0,6
10 3,1 2,1 2,6 0,7
12 3,7 2,5 3,1 0,9
14 4,2 2,9 3,6 1,0
16 4,8 3,4 4,1 1,0
18 5,4 4,1 4,7 0,9
20 5,8 4,9 5,3 0,6
22 6,0 5,9 6,0 0,0
24 6,2 7,2 6,7 0,7
26 6,3 8,3 7,3 1,4
28 6,5 9,1 7,8 1,8
30 6,8 10,4 8,6 2,5
32 7,1 11,4 9,2 3,0
34 7,4 12,6 10,0 3,6
36 7,7 13,9 10,8 4,4
38 8,1 15,5 11,8 5,2
40 8,4 17,1 12,8 6,1
42 8,8 18,7 13,8 7,0
44 9,3 20,2 14,8 7,7
46 9,9 21,5 15,7 8,3
48 10,6 22,6 16,6 8,5
50 11,4 23,8 17,6 8,8
52 12,2 24,9 18,6 8,9
54 13,0 26,0 19,5 9,2
56 13,6 27,4 20,5 9,7
58 14,3 28,9 21,6 10,4
60 14,6 30,6 22,6 11,3
63 15,0 32,2 23,6 12,2
68 15,6 33,7 24,6 12,8
72 16,0 35,0 25,5 13,4
76 16,5 36,1 26,3 13,8
80 17,1 37,1 27,1 14,1
84 17,6 38,0 27,8 14,4
88 18,1 38,8 28,4 14,6
92 18,6 39,6 29,1 14,8
96 19,2 40,3 29,8 14,9
100 19,4 41,0 30,2 15,3
104 19,9 41,7 30,8 15,4
108 20,6 42,3 31,4 15,4
112 21,4 42,9 32,1 15,2
116 22,3 43,4 32,9 14,9
120 23,1 44,0 33,5 14,8
124 23,6 44,5 34,1 14,8
128 24,2 45,0 34,6 14,7
132 25,6 45,5 35,5 14,0
140 26,7 45,9 36,3 13,6
148 27,9 46,4 37,1 13,1
156 29,1 46,8 38,0 12,5
164 30,3 47,2 38,8 12,0
erro médio 8,4
131

Cascalho-Olefina + cepa 31
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
2 0,9 0,9 0,9 0,0
4 1,4 1,4 1,4 0,0
10 4,7 4,7 4,7 0,0
16 9,2 9,2 9,2 0,0
22 10,9 10,9 10,9 0,0
28 11,6 11,6 11,6 0,0
34 12,2 12,2 12,2 0,0
40 13,6 13,6 13,6 0,0
46 15,1 14,9 15,0 0,1
52 16,6 16,6 16,6 0,1
58 18,1 18,4 18,3 0,3
64 19,5 20,1 19,8 0,4
70 21,0 21,8 21,4 0,6
76 22,6 23,5 23,0 0,7
82 24,1 25,2 24,6 0,8
88 25,6 26,9 26,3 0,9
94 27,2 28,7 28,0 1,0
100 28,8 30,4 29,6 1,1
106 30,7 32,2 31,5 1,0
112 32,5 34,1 33,3 1,1
118 34,4 35,9 35,2 1,1
124 36,2 37,9 37,0 1,2
130 38,0 39,8 38,9 1,2
136 39,7 41,6 40,6 1,3
142 41,3 43,3 42,3 1,4
148 42,8 44,9 43,8 1,5
154 44,2 46,4 45,3 1,6
160 45,6 48,0 46,8 1,7
166 47,0 49,5 48,2 1,8
erro médio 0,7
132

Cascalhos impregnados com fluido sintético a base de n-Parafina

Cascalho-n-Parafina + cepa 66
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
2 1,2 1,0 1,1 0,1
4 1,7 1,5 1,6 0,2
10 3,6 3,1 3,4 0,3
16 5,0 4,6 4,8 0,3
22 6,0 5,7 5,9 0,2
28 6,7 6,4 6,5 0,2
34 7,3 7,0 7,2 0,2
40 8,6 8,5 8,5 0,1
46 9,5 9,5 9,5 0,0
52 10,4 10,6 10,5 0,1
58 11,5 11,6 11,5 0,1
64 12,4 12,6 12,5 0,1
70 13,4 13,6 13,5 0,2
76 14,3 14,6 14,5 0,2
82 15,1 15,6 15,3 0,3
88 15,9 16,5 16,2 0,4
94 16,6 17,3 17,0 0,5
100 17,2 18,0 17,6 0,6
106 17,7 18,7 18,2 0,7
112 18,2 19,4 18,8 0,8
118 18,7 20,0 19,3 0,9
124 19,1 20,5 19,8 1,0
130 19,5 21,0 20,3 1,1
136 19,8 21,5 20,7 1,2
142 20,1 21,9 21,0 1,2
148 20,4 22,3 21,4 1,3
154 20,7 22,7 21,7 1,4
160 21,0 23,1 22,0 1,5
166 21,2 23,4 22,3 1,5
erro médio 0,6
133

Cascalho-n-Parafina + cepa 72
tempo R1 R2 Média Desvio Padrão
0 0,0 0,0 0,0 0,0
2 1,3 1,5 1,4 0,1
4 1,9 2,2 2,0 0,2
6 2,5 2,8 2,6 0,3
8 3,1 3,5 3,3 0,3
10 3,9 4,4 4,1 0,3
12 5,0 5,7 5,3 0,5
14 6,3 6,8 6,5 0,4
16 7,7 8,3 8,0 0,4
18 9,5 10,1 9,8 0,4
20 11,4 11,7 11,5 0,2
22 12,7 12,8 12,7 0,1
24 13,6 13,6 13,6 0,0
26 14,4 14,4 14,4 0,0
28 15,2 15,0 15,1 0,1
30 15,8 15,6 15,7 0,2
32 16,5 16,1 16,3 0,3
34 17,2 16,6 16,9 0,4
36 17,8 17,1 17,5 0,5
38 18,4 17,6 18,0 0,6
40 19,0 18,0 18,5 0,7
42 19,6 18,4 19,0 0,8
44 20,1 18,8 19,5 0,9
46 20,6 19,2 19,9 1,0
48 21,1 19,6 20,4 1,1
50 21,6 20,0 20,8 1,1
52 22,1 20,4 21,2 1,2
54 22,5 20,7 21,6 1,3
56 22,9 21,1 22,0 1,3
58 23,6 21,7 22,7 1,4
60 24,1 22,2 23,2 1,4
63 24,6 22,6 23,6 1,4
68 25,3 23,2 24,3 1,5
72 25,9 23,7 24,8 1,5
76 26,3 24,1 25,2 1,6
80 27,1 24,8 25,9 1,6
84 27,6 25,2 26,4 1,7
88 28,1 25,6 26,9 1,7
92 28,6 26,1 27,3 1,8
96 29,0 26,5 27,8 1,8
100 29,3 26,8 28,0 1,8
104 29,8 27,4 28,6 1,7
108 30,4 28,1 29,3 1,6
112 31,3 29,0 30,1 1,6
116 32,1 29,9 31,0 1,6
120 32,9 30,7 31,8 1,5
124 33,2 31,0 32,1 1,6
128 33,5 31,3 32,4 1,6
132 34,3 31,9 33,1 1,7
140 34,9 32,3 33,6 1,8
148 35,5 32,7 34,1 1,9
156 36,0 33,2 34,6 2,0
164 36,6 33,6 35,1 2,1
erro medio 1,0
134

ANEXO C
COMPOSIÇÃO DOS FLUIDOS SINTÉTICOS IMPREGNADOS NOS
CASCALHOS ORIUNDOS DA PERFURAÇÃO DE POÇOS DE
PETRÓLEO E GÁS NATURAL

Fluido base olefina

COMPOSIÇÃO DO FLUIDO

NOME DO PRODUTO FUNÇÃO CONCENTRAÇÃO

Olefinas Internas Fase contínua 51 %


Ácidos graxos aminados Emulsificante primário 22,90 Kg/m3
Solução Saturada de NaCl Fase aquosa 122,4 Kg/m3
Cal hidratada Saponificante/Alcalinizante 22,90 Kg/m3
Argila organofílica Viscosificante 14,30 Kg/m3
Derivados de ácidos graxos Redutor de filtrado 2,86 Kg/m3
Barita Adensante 286,0 Kg/m3

Fluido base n-Parafina

COMPOSIÇÃO DO FLUIDO

NOME DO PRODUTO FUNÇÃO CONCENTRAÇÃO

n-Parafina Fase contínua 67 %


Ácidos graxos aminados Emulsificante primário 25,74 Kg/m3
Solução Saturada de NaCl Fase aquosa 104,4 Kg/m3
Cal hidratada Saponificante/Alcalinizante 28,60 Kg/m3
Argila organofílica Viscosificante 5,72 Kg/m3
Derivados de ácidos graxos Redutor de filtrado 2,86 Kg/m3
Ácidos graxos
Modificador reológico 0,86 Kg/m3
polimerizados
Baritina Adensante 85,80 Kg/m3
135

Fluido base Éster

COMPOSIÇÃO DO FLUIDO

NOME DO PRODUTO FUNÇÃO CONCENTRAÇÃO

Éster metílico (Oleato de


Fase contínua 55 %
metila)
Ácidos graxos aminados Emulsificante primário 12,83 Kg/m3
Solução Saturada de NaCl Fase aquosa 100,8 Kg/m3
Calcário Adensante/Obturante 71,50 Kg/m3
Argila organofílica Viscosificante 10,00 Kg/m3
Poliacrilatos Redutor de filtrado 4,30 Kg/m3
Ácidos graxos
Modificador reológico 0,86 Kg/m3
polimerizados
Baritina Adensante 57,20 Kg/m3
136

ANEXO D
INFORMAÇÕES TÉCNICAS DISPONÍVEIS SOBRE OS FLUIDOS
BASE EMPREGADOS NOS EXPERIMENTOS DE
BIODEGRADABILIDADE

a. CBFP-Éster

Nome: Éster metílico de óleo de soja


Estado físico: líquido
Forma: transparente
Cor: amarela
Odor: leve
Ponto de Ebulição: > 200 °C
Densidade (g/cm3 a 25 °C): 0,88
Solubilidade: insolúvel em água, solúvel em solventes orgânicos.
Persistência/degradabilidade: biodegradável

Os ésteres metílicos presentes na mistura são derivados dos seguintes ácidos


carboxílicos:
• Ácido palmítico;
• Ácido esteárico;
• Ácido oléico;
• Ácido linoléico;
• Ácido linolênico.

O éster encontrado em maior concentração na mistura é o éster metílico do ácido


linoléico de fórmula estrutural:
Éster metílico de ácido linoleico

H H H H H H H H H H H H H H H O

H–C–C–C–C–C–C=C–C–C=C–C–C–C–C–C–C–C–C H

H H H H H H H H H H H H H H H O–C–H

H
137

b. CBFP-Olefina

Nome: Olefina
Densidade (g/ml a 15,6 °C): 0,781
Aplicações: Fluido de perfuração de poços de petróleo off-shore.
Cadeias carbônicas presentes: Alfa olefinas de cadeias C14-16.

7 - Hexadeceno (Olefina Interna)

H H H H H H H H H H H H H

H–C–C–C–C–C–C–C=C–C–C–C–C–C–C–H

H H H H H H H H H H H H H

c. CBFP-n-Parafina

Nome: n-Parafina C13+ Hidrogenada


Estado físico: líquido
Forma: transparente
Cor: incolor
Odor: inodoro
Ponto de Ebulição: 235 °C
Ponto de Fulgor: 108 °C (mínimo)
Ponto de Auto-Ignição: 180 °C (aproximadamente)
Ponto de Inflamação: 120 °C (aproximadamente)
Densidade (g/cm3 a 20 °C): 0,7640 – 0,7900
Solubilidade: insolúvel em água, solúvel em solventes orgânicos
Persistência/degradabilidade: biodegradável

Tetradecano (n-Parafina)

H H H H H H H H H H H H H H

H–C–C–C–C–C–C–C–C–C–C–C–C–C–C–H

H H H H H H H H H H H H H H
138

ANEXO E
FOTOS DOS CBFP E CASCALHOS USADOS NOS EXPERIMENTOS
DE BIODEGRADABILIDADE

Figura 1 - Amostras dos Componentes Base dos Fluidos Sintéticos utilizados nos ensaios.

Figura 2 - Amostras de cascalhos impregnados com fluidos dos três componentes base (CBFP)
utilizadas nos ensaios.
139

ANEXO F
DESCRIÇÃO DO FUNCIONAMENTO DO RESPIRÔMETRO AERÓBIO

ENGER - Consultoria e Automação


O Respirômetro Aeróbio é um equipamento automatizado para ensaio simultâneo de
até 10 frascos cujos conteúdos são submetidos à avaliação da produção de gás
carbônico (CO2). As medidas de concentração de CO2 (em ppm), da pressão e da
temperatura na célula de medição são armazenadas em memória não-volátil no
próprio equipamento e posteriormente transferidas para um computador por meio de
um software desenvolvido para este fim. Este software já disponibiliza as medições
de CO2 em microgramas, após aplicar a equação mostrada adiante.

Listagem das partes do equipamento


O equipamento, mostrado na foto da figura 1, é composto das seguintes partes:
• Base, caixa e tampa em acrílico com capacidade para 10 frascos de 500 ml.
• Medidor de CO2 (marca LI-COR, modelo LI-820) com câmara para medição de
concentrações na faixa de 0 a 2000 ppm.
• 10 frascos com tampas adaptadas com conectores do tipo engate-rápido.
• Mangueiras para conexão dos frascos ao barramento.
• Barramento em tubulação em PVC.
• 21 Válvulas para controle do fluxo dos frascos e da purga.
• Cilindro com CO2 em concentração conhecida (1832 ppm de CO2 ou qualquer
outra concentração conhecida na faixa de 1800 a 1990 ppm), para calibração do
SPAN.
• Cilindro com oxigênio puro (0 ppm de CO2), para calibração de ZERO e utilização
durante os ensaios.
• Rotâmetro, para verificação da vazão de entrada de gás.
• Circuito de controle de temperatura, composto de resistências para aquecimento,
ventiladores para difusão, controlador eletrônico de temperatura com algoritmo
PID (Proporcional, integral, derivativo) e sensor de temperatura tipo Pt-100 (altas
sensibilidade e precisão).
• Mostrador digital de 2 linhas e 16 colunas, para disponibilização de informações
operacionais ao usuário.
• Fonte de alimentação de todo o equipamento.
• Sistema microprocessado baseado no microcontrolador PIC16F877, que realiza
as funções de controle das válvulas baseado no tempo, comunicação com o
computador, comunicação com o medidor de CO2 e armazenamento de dados
em memória.
• Cabo de comunicação serial entre o computador e o equipamento, no caso da
operação normal, ou entre o computador e o medidor de CO2, no caso da
calibração.
• Software de comunicação com o equipamento, utilizado na leitura dos dados
armazenados no equipamento e na configuração dos parâmetros dos ensaios.
140

• Software de calibração do medidor de CO2, utilizado apenas na calibração do


mesmo.
Para iniciar os ensaios, os softwares devem estar instalados no computador, que
deve ter uma porta serial disponível para comunicação com o equipamento e com o
medidor de CO2.

Figura 1

Durante a aquisição, o medidor de CO2 é configurado para enviar a média das 2


últimas medições a cada 2 segundos. Este valor, definido após vários testes, não
pode ser alterado pelo usuário.

Uso do software de comunicação com o equipamento

O software de comunicação com o equipamento é representado por um arquivo


executável (extensão .exe), que pode ser simplesmente copiado para o computador
e executado. Ao executá-lo, a janela da figura 2 é mostrada por alguns segundos e,
em seguida, a janela da figura 3 é mostrada.
141

Figura 2

Figura 3

A janela da figura 3 permite que o usuário escolha entre criar um novo arquivo de
ensaio ou abrir o arquivo de um ensaio em andamento. Ao escolher a opção Novo
teste, a janela da figura 4 é mostrada. O usuário deve escrever ou mostrar
(pressionando sobre o botão Procurar...) em qual diretório e com qual nome os três
arquivos relativos ao ensaio serão armazenados.

Figura 4
142

Pressionando o botão Procurar... relativo ao arquivo principal, que é o arquivo onde


os dados do ensaio são armazenados, como diretório (pasta) e configurações dos
parâmetros, a janela mostrada na figura 5 é mostrada.

Figura 5

Na janela da figura 5, o usuário pode escolher os nomes do diretório e do arquivo


principal (que é um arquivo-texto, com extensão .txt), com a restrição de que esses
nomes não podem conter espaços (por exemplo, C:\Meus Documentos) nem
acentos. O mesmo procedimento deve ser adotado para escolher os nomes dos
arquivos de dados e de erros. O arquivo de dados é o que armazena os dados lidos
do equipamento, enquanto o arquivo de erros armazena os erros registrados pelo
equipamento. O modo de escrita em ambos é do tipo APPEND, ou seja, novos
dados são sempre adicionados no final do arquivo. Desta forma, a fim de evitar que
dois conjuntos idênticos de dados sejam analisados, o usuário deve apagar as
memórias logo após fazer a leitura das mesmas. Isto também permite que as
memórias (de dados e de erros) tenham suas capacidades máximas restabelecidas.
A janela da figura 6 mostra todos os arquivos configurados.
143

Figura 6

É interessante que após qualquer modificação no nome dos arquivos, diretórios ou


parâmetros de configuração do ensaio o usuário as salve. Isto é feito pressionando o
botão Salvar em arquivo, localizado sempre na parte inferior da janela.
Após definir o nome de diretório e arquivos, o usuário deve estabelecer a
comunicação com o equipamento. Isto é feito através da pasta Comunicação,
mostrada na janela da figura 7. O usuário deve conectar o cabo serial no
computador e no equipamento, escolher a porta serial a ser utilizada e pressionar o
botão CONECTAR. A janela da figura 7 já mostra a indicação de conexão entre
computador e equipamento.

Figura 7
144

A partir disso, o usuário pode transferir os parâmetros para o equipamento. Sempre


que o botão Enviar para Resp., mostrado na janela da figura 8, for pressionado,
TODOS os parâmetros são enviados, e não apenas os modificados. Esta janela
mostra três tipos de parâmetros que o usuário pode alterar: Teste em execução,
Frascos em teste e Tempos.

Figura 8

• Teste em execução
o Sim: ensaio em funcionamento
o Não: ensaio parado
• Frascos em teste
o Seleciona-se individualmente os frascos que participam do ensaio, que pode
ser de 1 a 10 (NF)
• Tempos
o Intervalo de amostragem (IA): tempo, em minutos, entre dois inícios
consecutivos de ensaios em todos os frascos.
o Tempo máximo de teste por frasco (TF): tempo, em minutos, de ensaio em
cada um dos frascos.
o Tempo de abertura da válvula de purga (TP): tempo, em minutos, de purga do
barramento.
Os parâmetros Tempos devem ser definidos no início do ensaio, e, durante o
mesmo, não devem ser modificados. O item Configuração dos parâmetros de
tempo mostra como fazer a configuração dos mesmos.
A janela da figura 9 mostra a pasta Memória. A partir da mesma é possível ler e
apagar as memórias de dados e de erros.
145

Figura 9

Clicando sobre qualquer um dos botões LER, o software se comunicará com o


equipamento para que este envie os dados ou os erros, que são automaticamente
adicionados ao arquivo correspondente (arquivo de dados e arquivo de erros,
respectivamente). Caso ocorra um erro de comunicação, a mensagem de erro
mostrada na janela da figura 10 é mostrada. Essa mensagem pode demorar alguns
minutos.
Ao pressionar qualquer um dos botões APAGAR, uma janela de confirmação é
aberta. Caso se confirme a ação, o software envia um comando para apagar a
memória correspondente.
A recomendação é que, após fazer uma leitura de memória com sucesso, a mesma
seja imediatamente apagada, a fim de se evitar a interpretação de dados repetidos.

Figura 10
146

Modo de funcionamento

Para executar um ensaio, os seguintes procedimentos devem ser adotados, na


seqüência descrita.
1. Antes de iniciar o ensaio, o medidor deve ficar energizado por pelo menos
uma hora e meia. Isto é necessário para que o medidor de CO2 entre em
regime. Para que o ensaio já inicie com a temperatura desejada no interior da
caixa, deve-se habilitar o controle de temperatura, pressionando a tecla à
esquerda até que apareça escrito rom no mostrador digital. Em seguida,
pressionam-se as setas até que o valor passe de 0 para 1. A figura 11 mostra
o controlador de temperatura

Figura 11

2. O cilindro de CO2 puro deve ser conectado à entrada de ar do equipamento. A


vazão deve ser ajustada em 0,8 litro por segundo, e assim permanecer
durante todos os ensaios.
3. Os frascos a serem ensaiados devem estar em suas posições, com as
mangueiras corretamente conectadas.
4. No software de comunicação com o equipamento, um arquivo para o novo
ensaio deve ser criado, as memórias de dados e de erros devem ser
apagadas, os parâmetros do ensaio devem ser configurados e transferidos
para o equipamento e o teste deve ser iniciado.
5. A partir de então, o usuário deve, em intervalos de tempo definidos de acordo
com os cálculos mostrados em Configurações modificáveis pelo usuário,
fazer a leitura e limpeza das memórias. Quando a memória é totalmente
preenchida, o sistema continua funcionando, abrindo as válvulas de acordo
com as configurações, mas as medidas de temperatura, pressão e CO2
deixam de ser armazenadas.
6. Para finalizar o ensaio, o usuário deve enviar o comando de interrupção do
teste via o software de comunicação com o equipamento.
Durante o teste, a tampa da caixa deve estar fechada, garantindo a
homogeneização da temperatura.
147

Calibração
A calibração do medidor de CO2 deve ser feita periodicamente. Inicialmente, deve-se
fazer antes do início de cada ensaio. Esta freqüência pode ser reduzida caso se
verifique que não há alterações significativas entre calibrações consecutivas.
A seqüência de passos da calibração é descrita a seguir.
1. O equipamento deve ficar energizado por pelo menos uma hora e meia antes
da calibração ser iniciada. Isto é necessário para que o medidor de CO2 entre
em regime.
2. Na calibração, o controle de temperatura não é necessário, já que a caixa de
acrílico foi retirada. Assim, pode-se desabilitar o funcionamento de tal
controle, evitando que a resistência de aquecimento e os ventiladores
permaneçam desligados. Para isto, deve-se desabilitar o controlador de
temperatura, pressionando a tecla à esquerda até que apareça escrito run no
mostrador digital. Em seguida, pressionam-se as setas até que o valor passe
de 1 para 0. A figura 11 mostra o controlador de temperatura.
3. Sem nenhum frasco e nenhuma mangueira dentro do equipamento, retirar a
caixa do mesmo, deixando a base aberta, de modo que seja possível acessar
o medidor de CO2 e os cabos de comunicação.
4. Desconectar o cabo interno de comunicação do medidor de CO2 e conectar o
cabo externo diretamente do computador ao medidor.
5. Executar o software de calibração do medidor de CO2, estabelecendo
comunicação com o medidor através da janela mostrada na figura 12. Em
comunicação, o software mostra o valor instantâneo medido, como mostrado
na janela da figura 13.

Figura 12

Figura 13
148

6. Conectar o cilindro com oxigênio puro na entrada de ar do equipamento,


abrindo sua válvula de saída em tal ponto que a vazão de entrada observada
no rotâmetro seja de aproximadamente 0,8 litros por minuto. Antes de efetuar
a calibração, o fluxo deve ser mantido constante de modo a garantir que o
barramento fique preenchido de forma praticamente homogênea do gás
inserido no instante da calibração do ZERO.
7. Com o barramento preenchido, faz-se a calibração de ZERO através da
opção correspondente no software (menu View, opção Calibration). A figura
14 mostra a janela onde se faz a calibração de ZERO.

Figura 14

8. Conectar o cilindro com concentração conhecida de CO2 na entrada de ar do


equipamento, abrindo sua válvula de saída em tal ponto que a vazão de
entrada observada no rotâmetro seja de aproximadamente 0,8 litros por
minuto. Antes de efetuar a calibração, o fluxo deve ser mantido constante de
modo a garantir que o barramento fique preenchido de forma praticamente
homogênea do gás inserido no instante da calibração do SPAN.
9. Com o barramento preenchido, faz-se a calibração de SPAN através da
opção correspondente no software, especificando a concentração do gás. A
figura 14 mostra a janela onde se faz esta especificação e a calibração de
SPAN.
10. Ao terminar, restabelece-se a situação inicial. Deve-se desligar o
equipamento, desconectar o cabo externo de comunicação do computador
com o medidor, conectar o cabo interno ao medidor de CO2 e ligar o
equipamento. Caso se inicie um teste logo em seguida, este procedimento
deve ser realizado rapidamente, a fim de preservar a estabilização da câmara
de medição de CO2.
11. A caixa de acrílico deve ser colocada novamente em cima da base.
149

Mensagens no mostrador digital


O mostrador digital, de 2 linhas e 16 colunas de caracteres alfanuméricos, está
localizado na parte frontal do equipamento e tem a função de mostrar as
configurações e as mensagens mais relevantes. As figuras de 15 a 19 ilustram
alguns exemplos de informações no mostrador.
Na figura 15, a primeira linha mostra o tempo que falta para o início do ensaio (1.440
min = 24 horas) e o percentual ocupado da memória de dados (0%, ou seja, a
memória está vazia). A segunda linha relaciona os frascos selecionados para o
ensaio. No caso, todos os frascos (de 1 a 10) foram selecionados. O último caractere
da segunda linha, que aparece em branco, indica que o teste não está em execução.

1 4 4 0 m i n 0 %
F r = 1 2 3 4 5 6 7 8 9 1 0

Figura 15

Na figura 16, a primeira linha mostra que faltam 480 minutos para o início do ensaio
e que o percentual ocupado da memória de dados é de 37%. A segunda linha
mostra que os frascos 3, 4 e 7 não foram selecionados para o ensaio. O último
caractere da segunda linha, que é um asterisco, indica que o teste está em
execução.

4 8 0 m i n 3 7 %
F r = 1 2 5 6 8 9 1 0 *

Figura 16

Sempre que um ensaio estiver em andamento, a primeira linha mostra que falta 0
minuto, ou seja, nada, e a segunda linha mostra o frasco que está sendo ensaiado
naquele instante (no caso, o frasco 7).

0 m i n 4 1 %
E m t e s t e F 7 *

Figura 17

As figuras 18 e 19 mostram exemplos de mensagens de erros detectados pelo


equipamento. No caso da figura 18, a memória de dados encheu, o que pode ser
comprovado pela indicação de 100% na primeira linha e pela mensagem de erro na
segunda linha.
150

1 2 5 m i n 1 0 0 %
M e m . D A D c h e i a *

Figura 18

A figura 19 ilustra uma situação em que o ensaio estava sendo realizado, mas foi
detectado um problema no frasco. A detecção deste problema ocorre quando o
equipamento envia um sinal para abertura das válvulas, mas o medidor de CO2 não
detecta nenhuma variação significativa na medição. Isto pode ocorrer em função de
vazamento no frasco ou problema na abertura das válvulas.

0 m i n 1 0 %
F a l h a e m f r a s c o *

Figura 19

As outras mensagens de erro que podem aparecer na segunda linha são:


Falha COM LI820 → Falha de comunicação entre o equipamento e o medidor de
CO2
Mem. ERR cheia → Memória de erros cheia
Falha COM PC → Falha de comunicação entre o equipamento e o computador
Qualquer outro caractere que apareça no mostrador durante os ensaios deve ser
anotado para posterior auxílio na manutenção do equipamento.

Configuração dos parâmetros de tempo


A figura 20 mostra um diagrama de tempo de três conjuntos de leituras dos NF
frascos selecionados. Os conjuntos são identificados como N-1, N e N+1.
O intervalo de amostragem (IA) deve ser sempre maior que a soma do tempo de
purga (TP) e o tempo de ensaio (TE). TP é configurado pelo usuário, enquanto TE
pode ser calculado da seguinte forma:

TE = (TF + 12 segundos) x NF

Os 12 segundos presentes na equação acima correspondem ao tempo de leitura da


pressão e temperatura antes da leitura das medidas de CO2 para cada frasco.
151

IA IA IA

TP TE TP TE TP TE

aN-1 bN-1 cN-1 aN bN cN aN+1 bN+1 cN+1 aN+2

Figura 20

Assim, caso o usuário tenha selecionado todos os frascos (NF = 10), TP igual a 5
minutos e TF igual a 8 minutos, tem-se:

TE = (480 + 12) x 10 = 4.920 s = 82 min = 1h 22 min

Somando-se TE ao TP, tem-se que IA deve ser maior que 87 minutos (1 h 27 min).

Memória interna do equipamento


A quantidade de memória necessária para cada intervalo de armazenamento (MIA) é
dada por:

MIA = (60 x TF + 7) x NF em Bytes

Como o equipamento possui uma memória interna de 64 Kbytes, o número de


intervalos de armazenamento (NIA) pode ser calculado por:

NIA = 65534 / MIA

E o tempo total de ensaio para que a memória fique cheia (TMC) pode ser calculado
por:

TMC = NIA x IA em horas

Assim, considerando que o usuário selecionou NF igual a 10, IA igual a 6 horas e TF


igual a 8 minutos, tem-se:

MIA = 4.870 Bytes → NIA = 13,45 → TMC = 80,74 h (3 d 8 h 44 min)


152

Equação de conversão
A equação abaixo é a utilizada na conversão do valor da medida de CO2 em ppm
para gramas.

VCA .M CO 2 X .P
m CO 2 = . (gramas )
R.10 6 T

Onde

VCA = Volume da Câmara de Amostragem (m3) (8,91 cm3 = 8,91.10-6 m3)


MCO2 = Peso Molecular CO2 (44,01)
ηCO2 = Número de Moles CO2
ηAR = Número de Moles Ar
X = Concentração (ppm, dado em µmol / mol)
R = Constante Universal (8,3145 kJ/kmol.K)
P = Pressão em Pascal
T = temperatura em Kelvin

Manutenção

O medidor de CO2 LI-820 – Lycor acompanha diversos itens para manutenção e


reposição. O manual do medidor deve ser lido para que o usuário tome
conhecimento da freqüência e da forma de se fazer as corretas manutenções.
Vazões muito altas no equipamento, mesmo que momentâneas, podem carrear
cascalhos ou outros sólidos para as válvulas. Isto pode ter como conseqüência o
impedimento da válvula abrir ou fechar. Caso perceba-se problema em uma válvula,
deve-se retirar, desmontar e limpar a mesma.
Qualquer manutenção deve ser feita com o equipamento desenergizado, desligado
da tomada.
153

ANEXO G
TABELA DAS CEPAS ISOLADAS DAS AMOSTRAS DE SOLO

ISOLADOS Carcterização da Gram + Gram -


CBFP Gram TOTAL
n° identificação Colônia (%) (%)
1 ETEA-E2-A branco +
2 ETEA-E3 amarelo -
3 ETE-E1 amarelo +
4 H-E1 marrom -
5 H-E3 amarelo -
ÉSTER

6 M-E1-B marrom - 11 18 82
7 M-E2 branco -
8 T-E3-A rosa -
9 T-E3-B marrom claro -
10 SO-E2 marrom claro -
11 SO-E3-B rosa -
20 ETEA-O1-A amarelo +
21 ETEA-O1-B branco +
22 ETE-O1-A branco +
23 ETE-O1-B amarelo opaco +
24 AM-O1-A laranja +
25 AM-O2-B branco +
26 AM-O3-A rosa +
27 AM-O3-B branco +
28 H-O1-A branco +
29 H-O1-B marrom claro -
30 H-O1-C amarelo +
OLEFINA

31 H-O2-A amarelo -
32 H-O3-A branco + 25 68 32
33 H-O3-B branco -
34 M-O2-B laranja -
35 M-O2-C amarelo +
36 M-O3-A branco +
37 T-O1-A branco -
38 T-O1-B amarelo -
39 T-O3-A laranja +
40 T-O3-B branco +
41 SO-O1 amarelo -
42 SO-O2 laranja claro -
43 SO-O3-A branco +
44 ETEA-O3-A amarelo +
50 ETEA-P1 branco opaco + 23 65 35
51 ETEA-P3-A branco translúcido +
52 ETE-P1-B laranja claro opaco +
53 ETE-P2 laranja claro +
n-PARAFINA

54 ETE-P3-A amarelo claro translúcido +


55 ETE-P3-B amarelo claro opaco +
56 AM-P2-B marrom translúcido +
57 AM-P3 branco +
58 H-P1-A amarelo -
59 H-P1-B branco +
60 H-P1-C amarelo claro +
61 H-P2-B branco -
154

62 M-P1-A amarelo -
63 M-P2-A amarelo claro -
64 M-P2-B laranja claro +
65 M-P3 marrom translúcido +
66 T-P1-B amarelo -
67 T-P1-D amarelo +
68 T-P1-E laranja claro -
69 T-P2-A laranja +
70 T-P3-B branco -
71 SO-P1 laranja escuro +
72 SO-P3 laranja claro -

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