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Equações Diferenciais

Elementares e Problemas de
Valores de Contorno
OITAVA EDIÇÃO

William E. Boyce
Professor Emérito Edward P. Hamilton

Richard C. DiPrima
Anteriormente Professor da
Fundação Eliza Ricketts
Departamento de Ciências Matemáticas
Instituto Politécnico Rensselaer

Tradução

Valéria de Magalhães Iorio


Fundação Educacional Serra dos Órgãos, Ten:sópolis

LTC
EDITORA
SUMÁRIO

Prefácio, ix 4.3 O Método dos Coeficientes lndeterminados, 126


4.4 O Método de Variação dos Parâmetros. 128
Capítulo 1 Introdução, 1
L l Alguns Modelos Matemáticos Básicos; Campos de Capítulo 5 Soluções em Série para Equações
Direçào, 1 Lineares de Segunda Ordem, 131
l .2 Soluções de Algumas Equações Diferenciais , 7 5.1 Rev isão de Séries de Potências, 13 1
1.3 Classificação de Equações Diferenciais, 11 5.2 Soluções em Série na Vizinhança ele um Pomo
1.4 No tas Históricas, 15 Ordinário, Parte 1, 135
5.3 Soluções em Série na Vizinhança de um Ponto
Capítulo 2 Equações Diferenciais de Primeira Ordi nário , Pane 11, 141
Ordem, 18 5.4 Pontos Singulares Regulares, 145
5.5 Equações de Euler , 148
2.1 Equações Lineares; Métodos dos Fatores lmegrantes, 18
5. 6 Soluções em Série na Vizinhança de um Pomo Singular
2.2 Equações Separáveis, 24
Regular, Parte l, 152
2.3 Modelagem com Equações de Primeira Ordem, 28
5. 7 Soluções em Série na Vizinhança de um Ponto Singular
2.4 Diferenças entre Equações Lineares e Não- Lineares, 38
2.5 Equações Autônomas e Dinâmica Populacional, 43 Regular, Parte ll, 155
2.6 Equações Exatas e Fatores lmegrantes. 51 5.8 Equação de Bessel. 158
2. 7 Aproximaçõt>s Numéricas: o Método de Euler. 55
2.8 O Teorema de Existência e Unicidade, 60 Capítulo 6 A Transformada de Laplace, 165
2-9 Equações de Diferenças de Primeira Ordem, 65 6.1 Definição da Transformada de Laplace, 165
6.2 Solução de Problemas de Valores lnici ais, 169
Capitulo 3 Equações lineares de Segunda Ordem, 74 6.3 Funções Degrau, 175
3.1 Equações Homogêneas com Coeficien tes Constantes, 74 6.4 Equações Diferenciais com Forçamentos
3.2 So luções Fu ndamentais de Equações Lineares Descontínuos, 180
Homogêneas, 78 6.5 Funções de lmpulso, 183
3.3 lndependência Lin ear e o Wro nskiano, 83 6.6 A Convolução, 186
3.4 Raízes Complexas da Equação Caractertstica, 87
3.5 Raízes Repetidas; Redução de Ordem, 91 Capítulo 7 Sistemas de Equações lineares de
3.6 Equações Não-Homogêneas; Método dos Coeficientes Primeira Ordem, 192
lndetermi nados, 95
3. 7 Variação dos Parárnetros, 101 7. 1 Introdução, 192
3.8 Vibrações Mecânicas e Elétiicas, 104 7.2 Revisão de Matrizes , 196
3.9 Vibrações Forçadas, l 12 7.3 Equações Lineares Algébricas; lnclependência Linear,
Autovalores e Autovetores, 20 1
7.4 Teoria Básica de Sisremas de Equações Lineares de
Capítulo 4 Equações lineares de Ordem
Prime ira Ordem, 206
Mais Alta, 119 7.5 Sistemas Lineares Homogêneos com Coeficientes
4.1 Teoria Geral para Equações Lineares de Ordem n, 119 Constantes, 209
4. 2 Equações Homogêneas com Coeficientes Constantes, 121 7.6 Autovalores Complexos, 215
xvi Sumário

7. 7 Matrizes fundamentais, 222 10.2 Séries de Fourier, 310


7.8 AUlovalores Repetidos, 226 10.3 O Teorema de Convergência de Fourier, 315
7.9 Sistemas Lineares Não-homogêneos, 230 10.4 funções Pares e Ímpares, 318
10.5 Separação de Variáveis; Condução de Calor em uma
Capítulo 8 Métodos Numéricos, 236 Barra, 323
10.6 Outros Problemas de Condução de Calor, 327
8.1 O Método de Euler ou MéLOdo da Reta Tangente, 236 10. 7 A Equação de Onda: Vibrações de uma Corda
8.2 Aprimoramentos no Método de Euler, 241 Elástica, 332
8.3 O Método de Runge-Kutta, 244 10.8 A Equação de Laplace, 340
8.4 Métodos de Passos Múltiplos, 247 Apêndice A. Dedução da Equação de Calor, 345
8.5 Mais sobre Erros; Estabilidade, 250 Apêndice B. Dedução da Equação de Onda, 34 7
8.6 Sistemas de Equações de Primeira Ordem, 255

Capítulo l l Problemas de Valores de Contorno, 349


Capítulo 9 Equações Diferenciais Não-lineares e
Estabilidade, 258 11.1 A Ocorrência de Problema de Valores de Conto mo em
Fronteiras com Dois Pontos , 349
9.1 O Plano de Fase: Sistemas Lineares, 258
11.2 Problemas de Valores de Contorno de
9.2 Sistemas Autônomos e Estabilidade, 265
Sturm-Liouville, 353
9.3 Sistemas Quase Lineares, 269
11.3 Problemas de Valores de Contorno
9.4 Espécies em Competição, 276
Não-Homogêneos, 360
9.5 Equações Predador-Presa, 284
11.4 Problemas de Sturm-Liouvi.lle Singulares, 367
9.6 O Segundo Método de Uapunov, 288
11.5 Observações Adicionais sobre o Método de Separação
9. 7 Soluções Periódicas e Ciclos-Limite, 294
de Variáveis: Uma Expansão em Funções de Bessel, 370
9.8 Caos e Atratores Estranhos: as Equações de Lorenz, 300
11 .6 Séries de Funções Ortogonais: Convergência na
Média, 373
Capítulo 10 Equações Diferenciais Parciais e Séries de
Fourier, 306 Respostas dos Problemas, 379
10.1 Problemas de Valores de Contorno para Fronteiras com
Dois Pontos, 306 Índice, 430
.-

e A-. p L

Tentamos, neste capítulo, olhar nosso estudo de equaçõe.s diferen- ter alguma idéia de como isso pode auxiliá-lo. Para alguns estu-
ciais sob diversos ângulos diferentes, de modo a obter uma boa pers- dantes, o interesse intrínseco do assunto é motivação sufidcntc,
pectiva. Usamos, primeiro, dois problemas para ilustrar algumas das mas, para a maioria, as possíveis aplicações importantes cm ou-
idéias básicas a que retomaremos com freqüência e que serão tros campos é o que faz com que tal estudo valha a pena.
aprofundadas ao longo deste livro. Indicamos, mais tarde, diversos Muitos dos princípios, ou leis, que regem o comportamento do
modos de classificar equações, com o objetivo de fornecer uma es- mundo físico são pmposiçõcs, ou relações, envolvendo a taxa se-
trutura organizacional para o 1ivro. Finalmente, fazemos um esbo- gundo a qual as coisas acontecem. Expressas em linguagem mate-
ço das tendências principais no desenvolvimento histórico desse mática, as relações são equações e as taxas são derivadas , Equações
campo e mencionamos alguns dos matemáticos extraorclinários que contendo derivada<; são equações diferenciais. Portanto, para com-
contribuíram para ele. O estudo das equações diferenciais atraiu a preender e investigar problemas envolvendo o movimento de fluí-
atenção dos maiores matemáticos do mundo durante os três últimos dos, o fluxo de corrente elétrica em circuitos, a dissipação de calor
séculos. Apesar disso, continua sendo uma área de pesquisa dinâ- cm objetos sólidos, a propagação e detecção de ondas sísmicas, ou
mica hoje em dia, com muitas questões interessantes em aberto. o aumento ou diminuição de populações, entre muitos outros, é
necessário saber alguma coisa sobre equações diferenciais.
Uma equação diferencial que descreve algum processo físico
é chamada., muitas vezes, de modelo matemático do processo,
1.1 Alguns Modelos Matemáticos e muitos desses modelos são discutidos ao longo do texto . Co-
Básicos; Campos de., P,t@,Ǫ9 meçamos esta seção com dois modelos que nos levam a equa-
ções fáceis de rcsol ver. Vale a pena observar que mesmo as equa-
Antes de começar um estudo sério de equações diferenciais (len- ções diferenciais mais simples fornecem modelos úteis de pro-
do este livro ou panes substanciais dele. por exemplo). você deve cessos físicos importantes.

Exemplo 1
Um Objeto em Queda ciado do problema que sugira unidades apropriada<;, de modo que
estamos livres para escolher unidades que nos par~am razoáveis.
Suponha que um objeto está caindo na atmosfera., perto do nível do Especificamente, vamos medir o tempo t cm segundos (s) e a velo-
mar. Formule uma equação diferencial que descreva o movimento. cidade v em metros por segundo (m/s). Além disso, vamos supor
Começamos usando letra<; para representarª" diversas quanti- que a velocidade v é positiva quando o sentido do movimento é para
dades de interesse nesse problema. O movimento ocorre durante um baixo, isto é, quando o objeto está caindo.
detenninado intervalo de tempo, logo vamos usar t para denotar o A lei física que governa o movimento de objetos é a segunda
tempo. Além disso, vamos usar v para representar a velocidade do lei de Newton, que diz que a massa do objeto vezes sua acelera-
objeto em queda. A velocidade deve variar com o tempo, de modo ção é igual à força total atuando sobre o objeto. Em linguagem
que vamos considerar vcomo uma função der, em outras palavras, matemática, essa lei é expressa pela equação
t é a variável independente e vé a variável dependente. A escolha
de unidades de medida é um tanto arbitrária e não há nada no enun- F=ma, (1)
Z lncrodução

onde m é a massa do objeto, a sua aceleração e F a força total sitivo), enquanto a resistência do ar age para cima (no sentido
agindo sobre o objeto. Para manter nossas unidades consisten- negativo), como ilustrado na Fig. 1.1.1. Logo,
tes, mediremos m em quilogramas (kg), a em metros por segun-
do ao quadrado (m/s 2) e F em newtons (N). É claro que a e vestão F = mg- yv (3)
relacionadas por a == dvldt, de modo que podemos reescrever a e a Eq. (2) toma-se
Eq . (1) na forma
dv
F = m(dv/dt) . (2) m-=mg-yv . (4)
dt
A seguir, considere as forças que agem sobre um objeto em que-
A Eq. (4) é um modelo matemático de um objeto caindo na atmos-
da. A gravidade exerce uma força igual ao peso do objeto, ou
fera, próximo do nível do mar. Note que o modelo contém as três
mg, onde g é a aceleração devida à gravidade . Nas unidades de
constantes m, g e y.As constantes me y dependem bastante do OQjeto
medida que escolhemos, g foi determinada experimentalmente
particular que está caindo e serão diferentes, em geral, para objetos
como sendo aproximadamente igual a 9,8 rn/s2 próximo à super-
diferentes. É comum referir-se a essas constantes como parâmetros,
fície da Terra. Existe, também, uma força devido à resistência
do ar, que é mais difícil de modelar. Este não é o local para uma
já que podem tomar um conjunto de valores dumnte um experimento.
Por outro lado, o valor de g é o mesmo para todos os objetos.
discussão aprofundada da força de resistência do ar; basta dizer
que se supõe, muitas vezes, que a resistência do ar é proporcio-
nal à velocidade e faremos essa hipótese aqui. Dessa forma, a
força de resistência do ar tem tamanho (ou módulo) yv, onde yé
uma constante chamada de coeficiente de resistência do ar. O
valor numérico do coeficiente de resistência do ar varia muito
de um objeto para outro; objetos lisos com fonnato aerodinâmi-
co têm coeficientes de resistência do ar muito menores do que mg
objetos rugosos com formatos não-aerodinâmicos.
Ao escrever uma expressão para a força total F, precisamos
lembrar que a gravidade sempre age para baixo (no sentido po- FIG. 1.1.1 Diagrnma de forças agindo sobre um objeto cm queda livre.

Para resolvermos aEq . (4), precisamos encontrar uma fun- dos valores escolhidos. Vamos supor, então, quem= 1Okg e
ção v == v(t) que satisfaça a equação. Isso não é difícil de fa- y = 2 kg/s . Se as unidades de y parecem estranhas, lembre-
zer, e vamos mostrar como na próxima seção. Entretanto, va- se de que y tem que ter unidades de força, isto é, kg·m/s 2 • A
mos ver o que podemos descobrir sobre soluções sem encon- Eq. (4) fica, então,
trar, de fato, qualquer uma delas. Nossa tarefa pode ser ligei-
ramente simplificada se atribuirmos valores numéricos para (5)
me y, mas o procedimento é o mesmo, independentemente

Exemplo 2
Um Objeto em Queda (continuação) encontrado qualquer solução e não aparecendo o grdfico de nenhuma
solução na figura, podemos fazer deduções qualitativas sobre o com-
Investigue o componamento das soluções da Eq. (5) sem resol- portamento das soluções. Por exemplo, se v for menor do que certo
ver a equação diferencial. valor critico, então todos os segmentos de reta têm coeficientes angu-
Vamos proceder analisando a Eq. (5) de um ponto de vista geo- lares positivos, e a velocidade do objeto em queda aumenta enquanto
métrico. Suponha que vtem um detenninado valor. Então, calculan- ele cai. Por outro lado, se v for maior do que o valor critico, então os
do a expressão à direita do sinal de igualdade na Eq. (5), encontramos segmentos de reta têm coeficientes angulares negativos, e o objeto em
o valor correspondente de dv!dt. Por exemplo, se v = 40, então dv/dt queda vai diminuindo a velocidade à medida que cai. Qual é esse valor
= 1,8. faso significa que a inclinação1 de uma solução v v(t) tem o = crítico de v que separa os objetos cuja velocidade está aumentando
valor 1,8 em qualquer ponto onde v = 40. Podemos apresentar essa daqueles cuja velocidade está diminuindo? Referimo-nos, novamen-
informação graficamente no plano tv desenhando pequenos seg- te, à Eq, (5), e perguntamos quais os valores de v que farão com que
mentos de reta com coeficiente angular 1,8 em diversos pontos ao dvldt seja zero. A resposta é v = (5)(9,8) = 49 m/s.
longo da reta v = 40. Analogamente, se v = 50, então dvldt = =
De fato, a função constante v 49 é uma solução da Eq. (5).
-0,2, logo desenhamos segmentos de reta com coeficiente angu- Para verificar essa afinnação, substitua v(t) = 49 na Eq. (5) e
lar -0,2 em diversos pontos ao longo da reta v = 50. Procedendo note que as expressões dos dois lados do sinal de igualdade são
da mesma maneira com outros valores de v, obtemos a Fig. 1.1.2, iguais a zero . Como essa solução não varia com o tempo, v(t) =
que é um exemplo do que é chamado de um campo de direções . 49 é chamada de solução de equilíbrio. Essa é a solução que cor-
A importância da Fig. L 1.2 é que cada segmento de reta é tangen- responde a um equilíbrio entre a gravidade e a resistência do ar.
te ao gráfico de wna solução da Eq. (5). Assim, mesmo não tendo Mostramos, na Fig. 1.1 .3, a solução de equilíbrio superposta no
campo de direções. Dessa figura podemos chegar a uma outra
conclusão, a saber, que todas as outras soluções parecem estar
' hto é. o coeficience aogular da reta caogemc ao gráfico. (N. T.) convergindo para a solução de equilíbrio quando t aumenta.
JntrodU(ãO 3

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FIG. 1.1.2 Um campo de direções para a Eq. (5).

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FIG. 1.1.3 Campo de direções e solução de equilíbrio para a Eq. (5).

A abordagem ilustrada no Exemplo 2 pode ser igualmente segmento de reta é tangente ao gráfico de uma solução contendo
aplicada à Eq. (4), mais gemi, onde os parâmetros me '}'são aquele ponto. Um campo de direções desenhado em uma malha
números positivos não especificados. Os resultados são, essen- razoavelmente fina fornece uma boa idéia do comportamento glo-
cialmente, idênticos aos do Exemplo 2. A solução de equilíbrio bal das soluções de uma equação diferencial. A construção de um
da Eq. (4) é i.(t) = mg/y Soluções abaixo da equação de equilí- campo de direções é, muitas vezes, um primeiro passo bastante
brio aumentam de velocidade com o tempo, soluções acima di- útil na investigação sobre uma equação diferencial.
minuem de velocidade e todas as soluções se aproximam da so- Vale a pena fazer duas observações. A primeira é que, para
lução de equilíbrio quando t fica muito grande. construir um campo de direções, não precisamos resolver a Eq.
(6), bastando calcular a função f(t, y) dada muitas vezes. Dessa
Campos de Direções. Campos de direções são ferramentas vali- fonna, campos de direção podem ser construídos com facilida-
osas no estudo de soluções de equações diferenciais da forma de mesmo para equações muito difíceis de resolver. A segunda
dy é que cálculos repetidos de uma função dada é uma tarefa para a
- ::::: f(t, y), (6) qual um computador é particularmente apropriado e você deve ,
dt em geral, usar um computador para desenhar um campo de dire-
onde fé uma função dada de duas variáveis, te y, algumas vezes ções. Todos os campos de direção mostrados neste livro, como
chamada de função taxa de variação. Um campo de direções o da Fig. 1.1.2, foram gerados em um computador.
útil para equações da fonna (6) pode ser construído calculando-
sefem cada ponto de uma malha retangular consistindo em. pelo Rato .~ do Campo e Corujas . Vamos olhar, agora, um exem-
menos, algumas centenas de pontos. Então, em cada ponto da plo bem diferente. Considere uma população de ratos do cam-
malha desenha-se um pequeno segmento de reta cujo coeficien- po que habitam uma certa área rural. Vamos ... upor qi.:e. ::.:.
te angular é o valor da função f naquele ponto. Dessa fonna, cada ausência de predadores, a população de ratos cre~..::c := .J::":;:. ::.;.t,.:.
4 Introdução

proporcional à população atuai. Essa hipótese não é uma lei de 0 ,5 por mês . Então, cada uma das expressões na Eq . (7) tem
física muito bem estabelecida (como a lei de Newton para o unidades de ratos/mês.
movimento no Exemplo 1), mas é uma hipótese inicial usuaF Vamos aumentar o problema supondo que diversas corujas
em um estudo de crescimento populacional. Se denotarmos o moram na mesma vizinhança e que elas matam 15 ratos do cam-
tempo porte a população de ratos por p (t), então a hipótese po por dia. Para incorporar essa informação ao modelo,_precisa-
sobre o crescimento populacional pode ser expressa pela equa- mos acrescentar uma outra expressão à equação diferencial (7),
ção de modo que ela se transforma em
dp dp
-=rp,
dt
(7) dt = 0,5p - 450. (8)
onde o fator de proporcionalidade ré chamado de taxa constante Observe que a expressão correspondente à ação do predador é
ou taxa de crescimento. Para sennos específicos, suponhamos -450 em vez de - 15, já que o tempo está sendo medido em
que o tempo seja medido em meses e que a taxa r tenha o valor meses e o que precisamos é a taxa predatória mensal.

Exemplo 3
Investigue graficamente as soluções da Eq. (8). soluções que crescem das que decrescem é o valor de p para o qual
A Fig. 1.1.4 mostra um campo de direções para a Eq. (8). Pode- dpldt é igual a zero. Fazendo dp/dt igual a zero na Eq. (8) e resol-
se observar da figum, ou mesmo diretamente da Eq. (8), que, para vendo, depois, para p, encontramos a solução de equilíbrio p(t) =
valores suficientemente grandes de p. dpldt é positivo, de modo 900, quando as expressões para o crescimento e para a ação pre-
que a solução cresce. Por outro lado, acontece o oposto para valo- datória na Eq. (8) estão perfeitamente equilibradas. A solução de
res pequenos de p . Novamente, o valor crítico de p que separaª" equilíbrio também está ilustrada na Fig. 1.1.4.

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' "' FIG. 1.1.4 Campo de direções e ~olução de equilíbrio para a
1 2 3 4 5 t
Eq. (8).

Comparando os Exemplos 2 e 3, vemos que, em ambos os ca- movendo próximo à velocidade de equilíbrio. Por outro lado, no
sos, a solução de equih'brio separa as soluções crescentes da~ de- Exemplo 3 as outras soluções divergem da solução de equilíbrio
créscentes. No Exemplo 2, as outras soluções convergem para a ou são repelldas por ela. Em ambos os problemas, no entanto, a
solução de equilíbrio ou são atraídas para ela, de modo que, de- solução de equilfbrio é muito importante para a compreemão do
pois de o objeto cair tempo suficiente, um observador o verá se comportamento das soluções da equação diferencial dada.

Uma versão mais geral da Eq. (8) é Hbrio da Eq. (9) é p{t) = klr. As soluções acima da solução de equi-
líbrio crescem, enquanto as que estão abaixo decrescem.
dp
dt = rp -k , (9) Você deve manter em mente que ambos os modelos discutidos
nesta seção têm suas limitações. O modelo (5) do objeto em que-
onde a taxa de crescimento r e a taxa predatória k não estão espe- da é válido apenas enquanto o objeto está caindo livremente, sem
cificadas. As soluções dessa equação mais geral comportam-se de encontrar obstáculos. O modelo populacional (8) prevê a existên-
maneira bem semelhante às soluções daEq. (8) . A solução de equi- cia, após um longo tempo, de um número negativo (se p < 900)
ou de um número imenso (se p > 900) de ratos. Essas previsões
não são realistas, de modo que esse modelo se toma inaceitável
, Um modelo de crescimento populacional um pouco melhor é discutido na Seção 2.5. apó~ um período de tempo mzoa velmente curto.
Introdução 5

A Construção de Modelos Matemálicos. Para se usar as equações Em cada um dos problemas de 7 a l O, escreva uma equaçíio diferen-
diferenciais nos diversos campos em que são úteis é preciso, pri- cial da fonna dyldt = ay + b cujas soluções têm o comportamento
meiro, formular a equação diferencial apropriada que descreve, ou descrito quando t ~ ac .
modela, o problema em questão. Consideramos, nesta seção, dois
7. Todas as soluções tendem a y = 3.
exemplos desse processo de modelagem. um vindo da física e outro 8. Todas as soluções tendem a y = 2/3.
da ecologia. Ao construir modelos matemáticos futuros, você deve 9. Todas as outras soluções se afastam de y = 2.
reconhecer que cada problema é diferente e que a arte de modelar 10. Todas as outras soluções se afastam de y = 113.
não é uma habilidade que pode ser reduzida a uma lista de regras.
De fato, a construção de wn modelo satisfatório é, algumas vezes, a Nos problemas de II a I4, desenhe um campo de direções para a
parte mais difícil de um problema. Apesar disso, pode ser útil listar equação diferencial dada. Baseado no campo de direções, determi-
alguns passos que fazem, freqüentemente, parte do processo: ne o componamento de y quando t ~ oo. Se esse comportamento de-
pender do valor inicial de y em t = O, descreva essa dependência.
Note que, nesses problemas, as equaçõe.~ não são da fom1a y' = ay +
1. Identifique as variáveis independente e dependente e atribua
b, e o comportamento de suas soluções é um pouco mais complíca-
letras para representá-las. Muitas vezes, a variável indepen- do do que o dns soluções das equações no texto.
dente é o tempo.
2. Escolha as unidades de medida de cada variável. Essa esco- #'(/ 1 l. y' = y(4 - y)
lha é, de certa forma, arbitrária, mas algumas escolhas podem ~ 12. /=-y(5-y)
ser mais convenientes do que outras. Por exemplo, escolhe- ~/ 13. y' = y2
mos medir o tempo em segundos, no caso de um objeto em ,r;~ 14. y' = y(y - 2) 2
queda, e em meses no problema populacional .
3. Use o principio básico subjacente ou a lei que rege o proble- Considere a lista a seguir de equações diferenciais, algumas das quais
ma em investigação. Isso pode ser uma lei física amplamente produziram os campos de direção ilustrados nas figuras de l. 1.5 até
reconhecida, como a lei do movimento de Newton, ou pode I. l.10. Em cada um dos problemas de IS a 20, identifique a equa-
ser uma hipótese um tanto especulativa baseada na sua pró- ção diferencial que corresponde ao campo de direções dado.
pria experiência ou observações. De qualquer modo, essa eta- (a) y' = 2y - 1 (b) y' = 2 + y
pa não será, provavelmente, uma etapa puramente matemáti- (c) y':y - 2 (d) y'=y(y + 3)
ca, mas uma em que será necessário familiaridade com o cam- (e) y' =y(y-3) (f) y' = 1 + 2y
po de aplicação, onde o problema se originou.
(g) y' = -2 - y (h) y' = y(3 - y)
4. Expresse o princípio ou lei do passo 3 em função das variá-
veis escolhidas no passo 1. Isso pode não ser muito fácil, pois (i) y' = i - 2y m y' = 2 - Y
pode necessitar de constantes físicas ou parâmetros (como o 15. O campo de direções da Fig. l.1.5 .
coeficiente de resistência do ar no Exemplo l) e da detenni- 16. O campo de direções da Fig . 1.1 .6.
nação de valores apropriados para eles. Pode, também, envol- 17 .O campo de direções da Fig . 1.1.7.
ver o uso de variáveis auxiliares, ou intermediárias, que têm 18. O campo de direções da Fig. l.1.8.
19. O campo de direções da Fig. l.1.9.
que estar relacionadas com as variáveis primárias. 20. O campo de direções da Fig. 1 .1.1O.
5. Certifique-se de que cada parcela em sua equação está nas 21. Um pequeno lago contém, inicialmente, l.000.000 de galões (apro-
mesmas medidas físicas. Se isso não acontecer, sua equação ximadamente 4.550.000 litros) de água e uma quantidade desco-
está errada e você deve tentar consertá-la. Se as unidades são nhecida de um produto químico indesejável. O lago recebe água
as mesmas, então sua equação está, pelo menos, consistente contendo 0,01 grama dessa substância por galão a uma taxa de 300
do ponto de vista dimensional, embora possa conter outros galões por hora. A mistura sai à mesma taxa, de modo que a quan-
erros que esse teste não revela. tidade de água no lago pem1anece constante. Suponha que o pro-
6. Nos problemas considerados neste texto, o resultado dopas- duto químico est('.ja distribuído unifonnemente no lago.
(a) Escreva uma equação diferencial para a quantidade de pro-
so 4 é uma única equação diferencial que constitui o modelo duto químico no lago em um instante qualquer.
matemáúco desejado. Lembre-se, no entanto, que, em proble- (b) Qual a quantidade do produto químico que estará no lago
mas mais complexos, o modelo matemático resultante pode após um período muito longo de tempo'! Essa quantidade-limi-
ser muito mais complicado, podendo envolver, por exemplo. te depende da quantidade presente inicialmente?
um sistema com várias equações diferenciais. 22. Uma gota de chuva esférica evapora a uma taxa proporcional à
sua área de superfície. Escreva uma equação diferencial para o
volume de uma gota de chuva cm função do tempo.
23. A lei do resfriamento de Newton dlz que a temperatura de um obje-
Problemas to varia a uma taxa propQrcional à díferença entre a temperatura do
objeto e a temperatura do meio em que está inserido (a temperatu-
Nos problemas de l a 6, desenhe um campo de direções para a equa- ra do ar ambiente, na maior parte dos casos). Suponha que atempe-
ção diferencial dada. Detennine o comportamento de y quando t ~ '-"'. ratura ambiente é 70"F (<..-erca de 21 ºC) e que a taxa é de 0,05 por
Se esse comportamento depender do valor inicial de y em l = O. minuto. Escreva uma e.quação diferencial para a temperatura do
descreva essa dependência. o~jeto em qualquer instante t.

~ 1. y' = 3-2y
24. Um detenninado remédio é injetado na veia de um paciente de
hospital. O líquido, contendo 5 mgfcmJ do remédio, entn1 na cor-

•0
#l
«'>
2.
3.
~l· 4.
y' = 2y - 3
y' = 3 + 2y
y' = - 1 - 2y
rente sangüínea do paciente a uma ta.Jea de 100 cmJ/h. O remédio
é absorvido pelos tecidos do corpo, ou deixa a corrente sangüínea
de outro modo, a uma taxa proporcional à quantidade presente, com
L.) um coeficiente de proporcionalidade igual a 0,4 h · 1,
..V 5. y' = 1 + 2y (a) Supondo que o remédio é distribuído unifonnemente na cor-
#?./6. y' = y + 2 rente sangüínea, escreva uma equação diferencial para a quanti-
- ~--~---~---------­
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1 2 3 4 l 2 3 4 t
FIG.1.1.5 Campo de direções para o Problema FIG. 1.1.6 Cmnpo de direções para o Problema
15. 16.

y 2 3 2 3
~ 5~ :P.&?. :?.5'g:~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~ ~
:- ;; ::; ;;}/j·fi:(. Ç·;,? ~ : ;: ;, ;, :- ;; ;, ::.
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FIG.1.1.7 Campo de direções para o Problema FlG.1.1.8 Campo <le direções para o Problema
17. J 8.

FlG.1.1.9 Campo de direções para o Problema FIG. t.1.16 Campo de direções para o Problema
19. 20.

dade de remédio presente na corrente sangüínea em qualquer Nos problemas de 26 a 33, desenhe um campo <le direções para a
instante de tempo. equação diferencial dada. Baseado no campo de direções, determi-
(b) Quanto do remédio contínua presente na corrente sangüí- ne o comportamento de y quando t --+ oo. Se esse comportamento
nea ap6s muito tempo? depender do valor inicial de y em t = O, descreva essa depen<lêncía.
f12, 25. Para objetos pequenos, caindo devagar, a hipótese feita no texto Note que a expressão à direita do sinal <le igualdade em ca<la uma
sobre a resistência do ar ser proporcional à velocidmle é boa. Parn dessas equações depende de t, além de depender de y; portanto, suas
objetos maiore8, caindo mais rapidamente. é mais preciso supor soluções podem exibir um comportamento mais complicado que as
que a resistência do ar é proporcional ao quadrado da velocictade. 3 do texto,
(a) Escreva urna equação diferencial para a velocidade de um tl'2,
26. y' = -2 + t - y
objeto em queda de massa m se a resistência do ar é proporcio-
nal à velocidade.
(b) Determine a velocidade-limite após um longo período de
tempo.
27.
28. y',2,
'1?,,,
y' = te-21 - 2y

#2
e-1 + y
29. y' = t + 2y
=
(c) Sem = 10 kg, encontre o coeficiente de resistência do ar de ,6['
modo que a velocidade-limite seja 49 mls. ., l
30. y' 3 sen t + 1 + y =
(d) Usando os dados em (c), desenhe um campo de direções e #2-
31. y 1 = 2t - 1 - y2
compare-o como da Fig. l , 1.3. ~2, 32 y' = -(2t + y)/2y
33. y' = y 3 /6 - y- 2
/3
' Veja Lyle N. Longe Howard Weiss, "The Vclocity Dependence of Aerodynmnics Drug: A
~2, t
Primer for M.athem•ticians", Ameri<'an Muthemariwl Monthly 106, (l999), 2. pp. 127-135.
lntrodil{àu 7

1.2 Soluções de Algumas Equações A Eq. (l) modela um objeto em queda e a Eq. (2) uma população de
ratos do campo caçados por corujas. Ambas são da fonna geral
Diferenciais
Na seção anterior deduzimos as equações diferenciais
-dy
dt
= ay - b, (3)
dv
m- =mg-yv (1) onde a e b são constantes dadas. Fomos capazes de descobrir
dt algumas propriedades qualitativas importantes sobre o compor-
e tamento de soluções das Eqs. (1) e (2) analisando o campo de
direções associado. Para responder perguntas de natureza quan-
dp titativa, no entanto, precisamos encontrar as soluções propria-
- =rp-k. (2)
dt mente ditas. Vamos ver, agora, como fazer isso.

Exemplo 1
Ratos do Campo e Corujas (continuação) Integrando as expressões na Eq. (7), obtemos
Considere a equação t
ln IP - 9001 = '.2 + C, (8)
dp
- = 05p-450
1
(4) onde C é uma constante de integração arbitrária. Portanto, apli-
dt '

que descreve a interação de determinadas populações de ratos cando a exponencial à Eq. (8~, vemos que
do campo e corujas [veja a Eq. (8) da Seção 1.1 ]. Encontre solu- p - 9001 = e<rl2)+C = ece1 /2, C9:
ções dessa equação.
Para resolver a Eq. (4 ), precisamos encontrar funções p(t) que, ou
ao serem substituídas na equação, transformam-na em uma iden-
tidade óbvia. Um modo de proceder é o seguinte: primeiro, co- (10)
loque a Eq. (4) na forma e, finalmente,
dp p-900 p = 900 + ce'l 2 , (11)
(5)
dt 2 onde e = ±ec é, também, uma constante (não nula) arbitrária.
ou, se p * 900, Note que a função constante p = 900 também é solução da Eq.
dp/dt (5) e está contida na Eq. (l l) se permitirmos que e tome o valor
(6) zero. A Fig. 1.2. l mostra gráficos da Eq. ( 11) para diversos va-
p-900 = 2· lores de e.
Pela regra da cadeia, a expressão à esquerda do sinal de igualdade Note que o comportamento dessas soluções é do tipo inferi-
na Eq. (6) é a derivada de ln !r -
900j em relação a t, logo temos do pelo campo de direções na Fig. 1.1.4. Por exemplo, soluções
d 1 em qualquer dos lados da solução de equi lfbrio p = 900 tendem
dt ln IP - 9001 = 2' (7) a se afastar dessa solução.

p
1200

1100

1000

800

700

600
2 3 4 5

FIG. 1.2.1 Gráficos da Eq. (11) para diversos valores de e.


8 Introdução

Encontramos, no Exemplo 1, uma infüúdade de soluções da onde C é arbitrário. Aplicando a exponencial na Eq. ( 16) e re-
equação diferencial (4), correspondendo à infinidade de valores solvendo para y, vemos que
possíveis que a constante arbitrária e, na Eq. ( 11), pode assumir.
Isso é típico do que acontece ao se resolver uma equação dife- y = (b/a) + ceª 1 , (l 7)
rencial. O processo de solução envolve uma integração, que trnz onde e = ±ec também é arbitrário. Note que e Ocorresponde =
consigo uma constante arbitrária, cujos valores possíveis geram à solução de equilíbrio y = b/a. Finalmente, a condição inicial
uma infinidade de soluções. (14) implica que e= y 0 - (bla), de modo que a solução do pro-
Vamos querer focalizar nossa atenção, muitas vezes, em um blema de valor inicial (3), (14) é
único elemento dessa família infinita de soluções, especifican-
do o valor da const.ante arbitrária. Na maior parte das vezes, isso y = (b/a) + [y0 - (b/a)]eª
1
• (18)
é feito indiretamente através de um ponto dado que tem que per- A Eq. (17) contém todas as soluções possíveis da Eq. (3) e é
tencer ao gráfico da solução. Por exemplo, para determinar a chamada de solução geral. A representação geométrica da solu-
constante e na Eq. ( l 1), poderíamos dar a quantidade de elemen- ção geral (17) é uma família infinita de curvas, chamadas de
tos na população em um determinado instante, tal como 850 ele- curvas integrais. Cada curva integral está associada a um valor
mentos no instante t = O. Em outras palavras, o gráfico da solu- particular de e e é o gráfico da solução correspondente àquele
ção tem que conter o ponto (0, 850). Simbolicamente, essa con- valor de e. Satisfazer uma condição inicial significa identificar a
dição pode ser expressa como curva integral que contém o ponto inicial dado.
Para relacionar a solução ( 18) à Eq. (2), que modela a popu-
p(O) = 850. (12)
lação de ratos do campo, basta substituir a pela taxa de cresci-
Substituindo, então, os valores t = Oe p = 850 na Eq . ( 11 ), ob- mento re b pela taxa predatória k. A solução (18) fica, então,
temos
P = (k/r) + [p 0 - (k/r)]e' 1 , (19)
850 = 900 +e.
onde p 0 é a população inicial de ratos do campo. A solução ( 19)
Logo, e = -50 e, inserindo esse valor na Eq. (11), obtemos a confirma as conclusões obtidas baseando-se no campo de dire-
solução desejada, a saber, ções e no Exemplo 1. Se p 0 = klr, então, segue da Eq. ( 19) que p =
p = 900 - 50e1l 2 _ (13) klrpara todo t; essa é a solução constante, ou de equilfürio. Se p0 =!=
klr, então o comportamento da solução depende do sinal do co-
A condição adicional (12) que usamos para determinar e é um eficiente p 0 - (klr) da exponencial na Eq. ( 19). Se p 0 > klr. en-
exemplo de uma condição inicial A equação diferencial (4) junto tão p cresce exponencialmente com o tempo t; se p11 < klr, então
com a condição inicial (12) forma um problema de valor inicial. p decresce e acaba se tornando nulo, o que corresponde à
Vamos considerar, agora, o problema mais geral consistindo extinção dos ratos. Valores negativos de p, embora sendo possí-
na equação diferencial (3) veis na Eq. ( 19), não fazem sentido no contexto desse problema
dy particular.
- =ay-b Para colocar a Eq. (I ), que descreve a queda de um objeto, na
dt forma (3), precisamos identificar a com --ylm e b com - g. Fa-
e a condição inicial zendo essas substituições na Eq. ( 18), obtemos
y(O) = Yo• (14) v = (mg/y) + [v0 - (mg/y)]e - yt/m, (20)
onde y0 é um valor inicial arbitrário. Podemos resolver esse pro- onde t-n é a velocidade inicial. Mais uma vez, essa solução con-
blema pelo mesmo método que usamos no Exemplo L Se a *O
*
e y bla, então podemos reescrever a Eq. (3) como
firma as conclusões a que chegamos na Seção 1. 1 baseados no
campo de direções. Existe uma solução de equilfürio, ou cons-
dy/dt tante, v = mg/y, e todas as outras soluções tendem a essa solu-
----=a. (15) ção de equilíbrio. A velocidade de convergência para essa solu-
y - (b/a) ção de equilíbrio é determinada pelo expoente -ylm. Assim, para
Integrando essa equação, obtemos, um objeto com massa m dada, a velocidade se aproxima do va-
lor de equilíbrio mais depressa à medida que o coeficiente da re-
ln IY - (b/a)I = at +e, (16) sistência do ar 'Y aumenta.

Um Objeto em Queda (continuação) para ele chegar no chão e quão rápido estará se movendo no ins-
tante do impacto?
V amos considerar, como no Exemplo 2 da Seção 1.1, um objeto
O primeiro passo é enunciar uma condição inicial apropriada
em queda com massa m = 10 kg e coeficiente de resistência do
ar 'Y = 2 kg/s. A Eq. (1) de movimento fica, então, para a Eq. (2 l ). A palavra "cai", no enunciado do problema, su-
gere que a velocidade inicial é zero, de modo que usaremos a
dv V condição inicial
dt = 9,8 - 5.. (21)
v(O) =O. (22)
Suponha que esse objeto cai de uma altura de 300 m. Encontre A solução da Eq. (2J) pode ser encontrada substituindo-se os
velocidade em qualquer instante t. Quanto tempo vai levar
<;Ua valores dos coeficientes na solução C20). ma~ . em 'cz disso, va-
lnfToduçãn 9

mos resolver diretamente a Eq. (21). Em primeiro lugar, colo- e = - 49. Logo, a solução do problema de Yalor inicial (21),
que a equação na forma (22) é
dv/dt 1 (26)
V - 49 = - S, <23 )
Integrando, obtemos A Eq. (26) dá a velocidade do objeto em queda em qualquer ins-
tante positivo (antes de atingir o chão, é claro}.
t
lnlv-491 = -5 +e, (24) A Fig. l.2.2 mostra gráficos da solução (251 para di\·ersos
valores de e, com a solução (26) destacada por uma linha mais
e a solução geral da Eq. (21) ê, então,
grossa. É evidente que todas as soluções tendem à solução de
v = 49 +ce- 115 , (25) equilíbrio v = 49. Isso confirma as conclusões a que chegamos
na Seção 1.1 através da análise dos campos de direção nas Figs.
onde e é arbitrário. Para determinar e, colocamos os valores l. l.2 e 1.1.3.
na condição inicial (22), t = O e v = O, na Eq. (25), obtendo

100

80

{10,51: 43,0lJ

20

2 . 4 8 10 12 t

FIG. 1.2.2 Gráficos da solução (25) para diversos valores de e.

Para encontrar a velocidade do objeto quando ele atinge o solo, O. Da Eq. (28), segue que e= -245, logo, a distância percorrida
precisamos saber o instante do impacto. Em outras palavras, pre- pelo objeto até um instante t é dada por
cisamos saber quanto tempo leva para o objeto cair 300 m. Para
isso, observamos que a distância x percorrida pelo objeto está X = 49t + 245e-t/S - 245. (29)
relacionada à sua velocidade pela equação v = dx/dt, ou Seja To instante em que o objeto atinge o solo; então x := 300 quan-
do t = T. Substituindo esses valores na Eq. (29), obtemos a equação
-dx = 49(1 - e- i/5 ). (27)
49T + 245e-T/S - 545 = 0.
dt (30)
Portanto, integrando a Eq. (27), obtemos O valor de T que satisfaz a Eq. (30) pode ser facilmente calculado
aproximadamente usando-se uma calculadora científica ou um com-
x = 49t + 245e- rfs +e, (28) putador, com o resultado que T;;;;; l 0,51 s. Nesse instante, a veloci-
onde e é uma constante de integração arbitrária. O objeto come- dade correspondente vré encontrada, da Eq. (26), como sendo vr sr ·
ça a cair em t = O, de modo que sabemos que x = O quando t = 43,01 m/s. O ponto ( 1O, 51; 43, O1) está ilustrado na Fig. 1.2.2.

Observações Adicionais sobre Modelagem Matemática. Até No caso de um objeto em queda, o princípio físico subjacen-
agora, nossa discussão de equações diferenciais esteve restrita a te (a lei do movimento de Newton) está bem estabelecido e é am-
modelos matemáticos de um objeto em queda e de uma relação plamente aplicável. No entanto, a hipótese sobre a resistência do
hipotética entre ratos do campo e corujas. A dedução desses ar ser proporeional à velocidade não está tão comprovada. Mes-
modelos pode ter sido plausível, ou talvez até convincente, mas mo que essa hipótese esteja correta, a determinação do coefici-
você deve lembrar que o teste decisivo de qualquer modelo ma- ente 'Y de resistência do ar através de medidas düetas apresenta
temático é se suas previsões coincidem com observações ou re- dificuldades. De fato, algumas vezes o coeficiente de resistên-
sultados experimentais. Não temos nenhuma observação da rea- cia do ar é encontrado indiretamente, por exemplo, medindo-se
lidade nem resultados experimentais aqui para comparação, mas o tempo de queda de uma determinada altura e, depois, calcu-
existem diversas fontes possíveis de discrepância. lando-se o valor de 'Y que prevê esse tempo observado.
1 O lntroouçáv

O modelo populacional dos ratos do campo está sujeito adi- (b) Observe que a única diferença entre as Eqs. (i) e (ií) é a cons-
versas incertezas. A determinação da taxa de crescimento r e da tante - b na Eq . (i). Parece razoável, portanto, supor que as
taxa predatória k depende de observações sobre populações re- soluções dessas duas equações diferem apenas por uma cons-
tante. Teste essa hipólese lentando encontrar uma constante k
ais, que podem sofrer uma variação considerável. A hipótese de
tal que y = y 1(t) + k é uma solução da Eq. (i) .
que re k são coastantes também pode 11er questionada. Por exem- (c) Compare sua solução em (b) com a dada no texto pelaEq. (17).
plo, uma taxa predatória constante toma-se difícil de sustentar Obs .: Esse método também pode ser usado cm alguns casos em
se a população de ratos do campo torna-se menor. Além disso, o que a constante b é substituída por uma função g(t) . Depende
modelo prevê que uma população acima do valor de equilíbrio de você ser capaz de prever a forma que a solução deve ter. Esse
cresce exponencialmente, ficando cada vez maior. Isso não pa- método é descrito em detalhe na Seção 3.6 em conexão com
rece estar de acordo com a observação sobre populações reais; equações de segunda ordem.
veja a discussão adicional sobre dinâmica populacional na Se- 6. Use o método do Problema 5 para resolver a equação
ção 2.5. dy/dt = -ay + b .
Se as diferenças entre as observações e as previsões de um
7. A população de ratos do campo no Exemplo l satisfaz a equa-
modelo matemático forem muito grandes, então é necessário ção diferencial
refinar o modelo, fazer observações mais cuidadosas, ou ambas
as coisas. Sempre há uma troca catre precisão e simplicidade. dp/dt = 0,5p - 450.
Ambas são desejáveis, mas um ganho em uma delas envolve, em (a) Encontre o instante cm que a população é extinta se p(O) ""
geral, uma perda na outra. No entanto, mesmo se um modelo 850.
matemático estiver incompleto ou for um tanto impreciso, ele ain- (b) Encontre o instante de extinção se p(O) = p 0 , onde O < p 0 <
da pode ser útil para explicar características qualitativas do pro- 900,
(c) Encontre a população inicial se a população é extinta em 1
blema sob investigação. Ele pode, também, dar resultados
ano.
satisfatórios em alguma<; drçunstâncias e não em outras. Portanto, 8. Considere uma população p de ralos do campo que crescem a
você deve sempre usar seu julgamento e bom senso na constru- wna taxa proporcional à população atual, de modo que dp/dt =
ção de modelos matemáticos e ao usar suas previsões. rp .
(a) Encontre a taxa de crescimento r se a população dobra em
30 dias.
(b) Encontre r se a população dobra em N dias.
Problemas 9. O objeto em queda no Exemplo 2 satisfaz o problema de valor
inicial
#(., 1. Resolva cada um dos problemas de valor inicial a seguir e de-
senhe os gráficos das soluções para diversos valores de y0 . dv/dt = 9,8 - (v/5) , v(O) =O.
Depois descreva, em poucas palavras, as semelhanças, ou di-
(a) Encontre o tempo decorrido quando o objeto atinge 98% de
ferenças, encre as soluções.
sua velocidade-limite.
(a) dy/dt = -y + 5, y(O) = Yo (b) Qual a distância percorrida pelo objeto até o instante encon-
(b) dy/dt = - 2y + 5, y(O) = Yo trado no item (a)?
10. Modifique o Exemplo 2 de modo que o objeto cm queda não
(e) dy/dt = -2y + 10, y(O) = Yo sofra resistência do ar.
Siga as instruções do Problema 1 para os problemas de valor (a) Escreva o problema de valor inicial modificado.
inicial a seguir: (h) Determine quanto tempo leva para o objeto atingir o solo.
(c) Delennine sua velocidade no instante de impacto.
(a) dy/dt =
y - 5, y(O) = Yo 12,, 11 . Considere o objeto em queda de massa 1Okg no Exemplo 2,
{b) dy/dt = 2y - 5, y(O) = Yo mas suponha que a rcsistencia do ar é proporcional ao quadra-
(c) dy/dt = 2y - 10, y(O) = Yo do da velocidade.
3. Considere a equação difcrcm:ial (a) Se a velocidade-limite é 49 m/s (a mesma que no Exemplo
2), mostre que a equação de movimento pode ser escrita como
dy/dt = - ay + b,
onde a e b são números positivos.
d11 / dt = f(49)2 - v2 J/ 245.
(a) Resolva a equação diferencíal. Veja, também, o Problema 25 da Seção 1.1 .
(b) Esboce a solução para diversas condições iniciais diferentes. (b) Se v(O) =O, encontre uma expressão para v(t) em qualquer
(c) Descreva como as soluções mudam· sob cada uma das se- instante t.
guintes condições; (e) Faça os gráficos da solução enconlrada em (b) e da solução
i. a aumenta; (26) do Exemplo (2) no mesmo conjunto de eixos.
ii. b aumenta: (d) Baseado em seus gráficos do item (c), compare o efeito de
iii. a e b aumentam, mas a razão bla permanece constante. uma resistência quadrática com uma linear.
4. Considere a equação diferencial dyldt = ay - b. (e) Encontre a distância x(t) percorrida pelo objeto até o ins-
(a) Encontre a solução de equilíbrio Y,. tante t.
=
(b) Seja Y(t) y - y,; então Y(t) é o desvio da solução de equi- (t) Encontre o tempo T necessário para que o objeto percorra
líbrio. Encontre a equação diferencial satisfeita por Y(t). 300 metros.
5. Coeficientes Indeterminados. Vamos mostrar um modo dife- 12. Um materialradioativo, tal como um dos isótopos de tório, o
rente de resolver a equação tório-234, desintegra a uma taxa proporcional à quantidade pre-
sente. Se Q(t) é a quantidade presente no instante t, então dQ/
dy/dt = ay - b. (i) dt = -rQ, onde r > O é a taxa de decaimento.
(a) Resolva a equação mais simples (a) Se 100 rng de tório-234 decaem a 82.04 mg cm l semana,
detennioe a taxa de decaimento r.
dy/dt = ay . (ii)
(b) Encontre uma equação para a quantidade de lório-234 pre-
Chame a solução de y,(t). sente em qualquer instante t.
lntroduçao 11

(e) Encontre o tempo necessário para que o tório-234 decaia à (d) Resolva o problema de valor inicial do item (c). Qual a
metade da quantidade original. quantidade de produto químico que ainda permanece no lago
c3. A meia-vida de um material radioativo é o tempo necessário para após mais 1 ano (2 anos após o início do problema)?
que uma quantidade desse material decaia à metade de sua quan- (e) Quanto tempo vai levar para que Q(t) seja igual a 1O g?
tidade original. Mostre que, para qualquer material radioativo que (f) Faça o gráfico de Q(t) em função de t para t até 3 anos.
decaia de acordo com a equação Q' = -rQ, a meia-vida ; e a 19. Sua piscina, contendo 60.000 galões (cerca de 273 .000 litros)
taxa de decaimento r estão relacionadas pela equação r; = ln 2. de água, foi contaminada por 5 kg de urna tinta não tóxica que
!-t O rádio-226 tem uma meia-vida de 1620 anos. Encontre o tempo deixa a pele de um nadador com uma cor verde nada atraente.
necessário para que uma determinada quantidade desse mate- O sistema de filtragem da piscina pode retirar a iigua, remover
rial seja reduzida da quarta parte. a tinta e devolver água para a piscina a uma taxa de 200 gal/
15. De acordo com as leis do resfriamento de Newton (veja o Pro- rrún.
blema 23 da Seção 1.1), a cemperatura u(t) de um objeto satis- (a) Escreva o problema de valor inicial para o processo de
faz a equação diferencial filtragem; seja q(t) a quantidade de tinta na piscina em qual-
quer instante t.
du/dt = - k(u - T) ,
(b) Resolva o problema encontrado em (a).
onde T é a temperatura runbicnte constante e k é uma constante (c) Você convidou diversas dúzias de amigos para uma festa
positiva Suponha que a temperatura inicial do objeto é u(O) = Uc- em torno da piscina que está marcada para começar cm 4 ho-
(a) Encontre a temperatura do objeto cm qualquer instante t. ras. Você já verificou que o efeito da tinta é imperceptível se a
(b) Seja ; o instante no qual a diferença inicial de temperatura concentração é menor do que 0,02 g/gal. Seu sistema de
u0 - T foi reduzida à metade. Encontre a relação entre k e ; . filtragem é capaz de reduzir a concentração de tinta a esse ní-
16. Suponha que um prédio perde calor de acordo com a lei do resfri- vel dentro de 4 horas?
amento de Newton (veja o Problema 15) e que a taxa constante k (d) Encontre o instante Tem que a concentração de tinta alcan-
tem o valor O, 15/h. Suponha que o interior está a uma temperatura ça, pela primeira vez, o valor de 0,02 g/gal.
de 70ºF (cerca de 21 ºC) quando há uma falha no sistema de aque- (e) Encontre a taxa do fluxo de água que é suficiente para obter
cimento. Se a temperatura externa é 1OºF (cerca de - t 2ºC), quanto a concentração de 0 ,02 g/gal dentro de 4 horas.
tempo vai lcvarparn a temperatura no interior chegar a 32ºF(OºC)? - • ,· • '

17. Considere um circuito elétrico contendo um capacitor, um


resistor e uma bateria; veja a Fig. l.2.3. A carga Q(t) no capa-
citor satisfaz a equaçiio4 1.3 Classificação de Equações
dQ
R-+-= V
Q Diferenciais
dt e ·
onde Ré a resistência, C a capacitância e V a voltagem cons- O objetivo principal deste livro é discutir algumas das proprie-
tante fornecida pela bateria.
dades de soluções de equações diferenciais e apresentar alguns
dos métodos que se mostraram eficazes para encontrar soluções
R ou, em alguns casos, aproximá-las. Com o objetivo de fornecer
uma estrutura organizacional para a nossa apresentação, vamos
V ) descrever, agora, diversas maneiras úteis de se classificar equa-
ções diferenciais.
e Equações Diferenciais Ordinárias e Parciais. Uma das classi-
FIG. 1.2.3 O circuito elétrico do Problema 17. ficações mais óbvias é baseada em se descobrir se a função des-
conhecida depende de uma única variável independente ou de
diversas variáveis independentes. No primeiro caso, aparecem
(a) Se Q(O) = O. encontre Q(t) em qualquer insmnte te esboce
o gráfico de Q cm função de ! . na equação diferencial apenas derivadas simples e ela é dit.a equa-
(b) Encontre o valor-limite QL para onde Q(t) tende apó~ um ção diferencial ordinária. No segundo caso, as derivadas são
longo período de tempo. derivadas parciais e a equação é chamada de equação diferen-
(c) Suponha que Q(t1) = QL e que. no instante t = t 1, a bateria cial parcial.
é removida e o circuito é fechado novamente. Encontre Q( t) para Todas as equações diferenciais discutidas nas duas seções
t > t1 e esboce seu gráfico. precedentes são equações diferenciais ordimirias. Um outro
18. Um pequeno lago contendo 1.000.000 de galões (cerca de exemplo de uma equação diferencial ordinária é
4.550.000 litros) de água não contém, inicialmente, um produ-
to quírrúco indesejável (veja o Problema 21 da Seção 1.1 ). O L d2Q(t) + RdQ(t) + .!._ Q(t) =E(t), {1)
lago recebe água contendo 0 ,01 g/gal a uma taxa de 300 gal/h e
a água sai do lago à mesma taxa. Suponha que o produto quí-
dt 2 dt e
mico esteja distribuído uniformemente no lago. para a carga Q(t) em um capacitor em um círcuito com
(a) Seja Q(t) a quantidade de produto químico no lago no ins- capacitância C, resistência R e indutância L: essa equação é
tante t. Escreva um problema de valor inicial para Q(t). deduzida na Seção 3.8. Ex.emplos típicos de equações diferenci-
(b) Resolva o problema no item (a) para Q(t). Quanto produto ais parciais são a equação de calor
químico o lago terá ao final de 1 ano?
(c) Ao final de 1 ano, a fonte do produto quírrúco despejado no au(x ,t)
(2)
lago é retirada; a partir daí, o lago recebe água pura e a mistura Ôt
sai à mesma taxa de antes. Escreva o problema de valor inicial
e a equação de onda
que descreve essa nova situação.
2 ô2u(x,t)
a
ax
2 = (3)
~E.~•• equação resulla das leis de Kirchhoff, que são disc utidas mais tarde. na Seção 3.8.
12 lntroduçao

Aqui, a.2 e a 2 são certa<; constantes físicas . A equação de calor Equações Lineares e Não-Li.neares. Uma classificação cmcial
descreve a condução de calor em um corpo sólido, e a equação de equações diferenciais é se elas são lineares ou não. A equa-
de onda aparece em uma variedade de problemas envolvendo ção diferencial
movimento ondulatório cm sólidos ou fluidos. Note que nas Eq:-;.
(2) e (3) a variável dependente u depende das duas variáveis in- F( t,y,y,
1
. .. ,y (n)) -O
-
dependentes x e t . é dita linear se Fé uma função linear das variáveis y, y', ... , )~"l;
uma definição análoga se aplica às equações dlferenciais parciais.
Sistemas de Equações Diferenciais. Uma outra classificação de Assim, a equação diferencial ordinária linear geral de ordem n é
equações diferenciais depende do número de funções desconhe- ªo(t)y<") +a1(t)y<11-l) + ... + a,,(t)y = g(t) . (11)
cidas. Se existe uma única função a ser determinada, uma equa-
ção é suficiente. Se existem, no entanto, duas ou mais funções A maioria das equações que vimos até agora neste livro são li-
que devem ser detenninadas, precisamos de um sistema de equa- neares; exemplos são as equações nas Seções 1.1 e 1.2 que des-
ções. Por exemplo, as equações de Lotka-Volterra, ou equações crevem um objeto em queda e a população de ratos do campo.
predador-presa, são importantes em modelagem ecológica. Elas Analogamente, nesta seção, a Eq. (1) é uma equação diferencial
têm a forma ordinária linear e as Eqs. (2) e (3) são equações diferenciais par-
dx/dt :::: ax - a.xy ciais lineares. Uma equação que não é da forma (l l) é uma equa-
(4) ção não-linear. A Eq. (7) é não-linear devido à expressão yy'.
dy/dt:::: -cy + yxy ,
Analogamente, cada equação no sistema (4) é não-linear, por cau-
onde x(t) e y(t) são as populações respectivas das espécies presa sa de expressões envolvendo o produto .xy.
e predadora. As constantes a, a , e e y são baseadas cm observa- Um problema fí.c,ico simples que leva a uma equação diferen-
ções empíricas e dependem das espécies particulares em estudo. o
cial não-linear é o problema do pêndulo. ângulo que um pên- e
Sistemas de equações são discutidos nos Caps. 7 e 9; em parti- dulo de comprimento L oscilando faz com a direção vertical (veja
cular, as equações de Lotka-Volterra são examinadas na Seção a Fig. 1.3.l) satisfaz a equação
9.5 . Não é fora do comum, em algumas áreas, encontrar si.o;te-
mas muito grandes contendo centenas, ou até milhares de equa- d2
-
e + -g sene =O, (12)
ções. dt 2 L
cuja dedução está delineada nos problemas de 29 a 31. A pre-
Ordem. A ordem de uma equação diferencial é a ordem da de-
sença da parcela envolvendo sen e faz com que a Eq. ( 12) seja
rivada de maior ordem que aparece na equação. As equações nas
não-linear.
seções anteriores são todas de primeira ordem, enquanto a Eq .
( 1) é uma equação de segunda ordem. As Eqs. (2) e (3) são equa-
A teoria matemática e os métodos para resolver equações line-
ares estão bastante desenvolvidos . Em contraste, a teoria para equa-
ções diferenciais parciais de segunda ordem. Mais geralmente,
ções não-lineares é mais complicada e os métodos de resolução
a equação
são menos satisfatórios. Em vista disso, é auspicioso que muitos
Fit, u(t), u' (t), . .. , u("l(t)J =O (5) problemas significativos levam a equações diferenciais ordlnári-
é uma equação diferencial ordinária de ordem n. A Eq. (5) ex- as lineares ou que podem ser aproximadas por equaçôes lineares.
pressa uma relação entre a variável independente t e os valores Por exemplo, para o pêndulo, se o ângulo 6 for pequeno, então sen
da função u e de suas n primeiras derivadas, u', u", .. ., u (•J. É con- e= ()e a Eq. O2) pode ser aproximada pela equação linear
veniente, e usual, substituir u(t) por y e u' (t), u''(t), ... , u{n) (t) por
y' , y", .. . , yni. Assim, a Eq . (5) fica d2e +!e =O. (13)
dt 2 L
F(t , y, y', ... , y<n>) ==O. (6) Esse processo de aproximar uma equação não-linear por uma
Por exemplo, linear é chamado de linearização e é extremamente útil para tr a-
y
111
+ 2e'y" + yy' = t
4
(7) tar equações não-lineares . Apesar disso, existem muitos fenôme-
nos físicos que não podem ser representados adequadamente por
é uma equação diferencial de terceira ordem para y = u(I). Al- equações lineares. Para estudar esses fenômenos é imprescindí-
gumas vezes, outras letra1> serão usadas no lugar de te y para as vel lidar com equações não-lineares.
variáveis independentes e dependentes ; o significado deve ficar Em um texto elementar, é natural enfatizar as partes mais sim-
claro pelo contexto. ples e diretas do assunto. Portanto, a maior parte deste livro trata
Vamos supor que é sempre possível resolver uma equação de equações lineares e diversos métodos para resolvê-las. No
diferencial ordinária dada para a maior derivada, obtendo
y (n) _- /( /
t,y , y,y 11
,. .. ,y (n - 1))
. (8)
Estudaremos apenas equações da forma (8). A razão principal
disso é evitar ambigüidades que possam aparecer, já que uma
úni.c a equação da forma (6) pode corresponder a diversas equa-
ções da forma (8). Por exemplo, a equação
/
2
+ ty' + 4y ==o (9) \
1
leva a duas equações, 1 ,,,., .... J

~ - - ---- +
= -t + Jt -t-Jt 2 -16y
2
-16y mg
y' ~~~~~~ ou
I
y= (10)
2 2 FJG. I.3 .1 Um pêndulo oscilando.
lntroduçiW 13

entanto, os Caps. 8 e 9 , assim como partes do Cap. 2, conside- Se supusennos que uma equação diferencial dada tem pelo
ram equações não-lineares. Sempre que for apropriado. vamos menos uma solução, uma segunda questão natural se apresenta,
observar por que as equações não-lineares são, em geral, mais a saber, quantas soluções ela tem e que condições adicionais
difíceis e por que muitas das técnicas úteis na resolução de equa- devem ser específicadas para se obter uma única solução. Essa é
ções lineares não podem ser aplicadas às equações não-lineares. a questão de unicidade. Em geral, soluções de equações diferen-
ciais contêm uma ou mais constantes arbitrárias, como a solu-
Soluções. Uma solução da equação diferencial ordinária (8) no ção (16) da Eq . (15). A Eq. (16) representa uma infuúdade de
intervalo a< t < f3 é uma função</> tal que</>', <J>", ... , </>'"1 exis- funções, correspondendo à infinidade de escolhas possíveis para
tem e satisfazem a constante e. Como vimos na Seção 1.2, se p for especificado
em um instante t, essa condição determina um valor para e; mes-
</> (n)(t) = Jf t , </>(t), </>'(t), . .. , </>(ll - l )(t)J (14) mo assim, não descartamos a possibilidade de que possam exis-
para todo tem a < t < {3. A menos que explicitado o contrário. tir outras soluções da Eq. (l 5) para as quais p tem o valor espe-
vamos supor que a função f na Eq. (8) toma valores reais e que cificado no instante t dado. Essa questão de unicidade também
estamos interessados em encontrar soluções reais y = </i(.t). tem implicações práticas. Se fonnos suficientemente felizes para
Encontramos, na Seção 1.2, soluções de determinadas equa- encontrar uma solução de um problema dado e se soubennos que
ções por um processo de integração direta. Por exemplo, vimos o problema tem uma única solução, então podemos ter certeza
que a equação de que resolvemos completamente o problema. Se existem ou-
tras soluções, talvez devamos continuar procurando.
dp Uma terceira ques~ão importante é: dada uma equação dife-
-dt =05p
, - 450 (15) rencial da fonna (8), podemos determinar, de fato , uma solução?
E, se for esse o caso, como? Note que, se encontrarmos uma
tem solução
solução da equação dada, respondemos, ao mesmo tempo , a
p = 900 + ce' 12 , (16) questão de existência de solução. No entanto, sem conhecer a
teoria de existência poderíamos. por exemplo, usar um compu-
onde e é uma constante arbitrária. Muitas vezes não é tão fácil en-
tador para encontrar uma aproximação numérica para uma "so-
contrar soluções de equações diferenciais. No entanto, se você en-
lução" que não existe. Por outro lado, mesmo sabendo que a
contrar uma função que pode ser solução de uma equação diferen-
solução existe, pode não ser possível expressá-la em termos das
cial dada, é muito fácil, em geral, verificar se a função é de fato so-
funções elementares usuais - funções polinomiais, trigonomé-
lução: basta substituir a função na equação. Por exemplo, dessa
tricas, exponenciais, logarítmicas e hiperbólicas. Infelizmente,
maneira é fácil mostrar que a função y 1(t) = cos t é uma solução de
essa é a situação para a maioria das equações diferenciais. As-
y'' +Y = 0 (17) sim, discutimos tanto métodos elementares que podem ser usa-
dos para se obter soluções de determinados problemas relativa-
para todo t. Para confirmar isso, note que y 1'(t) = - sen t e mente simples, como, também, métodos de natureza mais geral
y/'(t) = - cos t; temos, então, yi"(t) + y 1(t) = O. Da mesma for- que podem ser usados para se aproximar soluções de problemas
T!1a, é tacil mostrar que y2(t) = sen t também é solução da Eq. ( 17). mais difíceis.
E claro que isso não é um modo satisfatório de resolver a maioria
das equações diferenciais, já que existe um número grande demais Uso de Computadores em Equações Di.ferenciais. Um computa-
de funções possíveis para que se tenha alguma chance de encon- dor pode ser uma ferramenta extremamente útil no estudo de equa-
trar a função correta aleatoriamente. De qualquer modo, você deve ções diferenciais. Há muitos anos os computadores têm sido utili-
compreender que é possível verificar se qualquer solução propos- zados para executar algoritmos numéricos, como os descritos no
ta está correta substituindo-a na equação diferencial. Para qualquer Cap. 8, que constroem aproximações numéricas para soluções de
problema importante para você, essa pode ser uma verificação útil equações diterenciais. Esses algoritmos foram refinados a um ní-
e você deve transfonnar essa verificação em hábito. vel extremamente alto de generalidade e eficiência. Algumas pou-
cas linhas de código. escritas em uma linguagem de programação
Algumas Questões Relevantes. Embora tenhamos sído capazes de de alto nível e executadas (em alguns segundos, freqüentemente)
verificar que determinadas funções simples são soluções das Eqs. em um computador relativamente barato, são suficientes para apro-
(J5) e (17), não temos. em geral, tais soluções disponíveis. Uma ximar, com bastante precisão, soluções de um amplo espectro de
questão fundamental, então, é a seguinte: uma equação da forma (8) equações diferenciais. Rotina<> mais sofisticadas também estão dis-
sempre tem solução? A resposta é "não". Escrever, simplesmente, poníveis com facilidade . Essas rotinas combinam a habilidade de
uma equação da fomm (8) não significa, necessariamente, que existe tratar sistemas mui to grandes e complicados com diversas carac-
uma função y = </i(.t) que a satisfaça. Como podemos saber, então, terísticas de diagnósticos. que alertam o usuário quanto a proble-
se uma determinada equação tem solução? Essa é a questão de exis- mas possíveis à medida que vão sendo encontrados.
tência de solução e é respondida por teoremas que afirmam que. sob A saída usual de um algoritmo numérico é uma tabela de
cenas condições sobre a função f na Eq. (8), a equação sempre tem números, listando valores selecionados da variável independen-
solução. Essa não é, no entanto, uma preocupação puramente mate- te e os valores correspondentes da variável dependente . Com
mática por, pelo menos, duas razões. Se um problema não tem so- programas apropriados, é fácil mostrar graficamente a solução
lução, gostaríamos de saber disso antes de investir tempo e esforço de uma equação diferencial, quer ela tenha sido obtida numeri-
na tentativa de resolvê-lo. Além disso, se um problema físico r'dZO- camente ou como resultado de um procedimento analftíco de
ável está sendo modelado matematicamente por uma equação dife- alguma espécie. Tais apresentações gráficas são, com freqüên-
rencial, então a equação deveria ter solução. Se não ti ver, presume- cia, mais claras e úteis para a compreensão e interpretação da
se que há algo de errado com a formulação. Nesse sentido, o enge- solução de uma equação diferencial do que uma tabela de nú me·
nheiro ou cientista pode verificar se o modelo matemático é válido. ros ou uma fórmula analítica complicada. Existem diversos paco-
l4 In1rodu~·ão

tes de programas especiais no mercado, muito bem construídos Nos problemas de 7 a 14, verifique que cada função dada é uma so-
e relativamente baratos, para a investigação gráfica de equações lução da equação diferencial.
diferenciais. A ampla disponibilidade de computadores pesso- 7. y" - y =O; Y1(t) = e.t' y2 (t) cosh t =
ais tomou acessíveis para os estudantes poderosa'\ capacidades 8. y"+2y'-3y=0; y 1(t)=e- 3', Y2(1) = e1
computacional e gráfica. Voe~ deve considerar, dependendo de 9. ty' - y = t 2 ; y = 31 + t 2
suas circunstâncias, como aproveitar melhor os recursos com-
putacionaís disponíveis. Você certamente achará isso instrutivo. 10. y"''+4y'"+3y=t; y 1 (t)=t/3, y2 (t)=e-'+t/3
Um outro aspecto da utilização de computadores bastante li. 21 2 y''+3ty'-y=0, 1 > 0: y 1(t)=t 112 • y 2 (t)=t- 1
relevante para o estudo de equações diferenciais é a disponibili- 12. 1\11 +5ty'+4y=O, t > O; y,(t)=t- 2 . Y2<tl=r 2lnl
dade de pacotes gerais extremamente poderosos que podem efe- 13. _v ''+y=sect, O<t <7r/2; y=(cost)lncost+1sen1
tuar uma gama muito grande de operac,:ões matemáticas. Entre
esses estão o Mapte, o Mathematica e o MATLAB, cada um dos
14. y' - 2ty = l; y = e1 210
1
e-• 2 ds +e' 2
quais pode ser usado em diversos tipos de computadores pesso-
Nos problemas de 15 a 18, determine os valores de rpara os quais a
ais ou estações. Todos esses três programas podem executar cál- equação diferencial dada tem urna solução da forma y = e".
culos numéricos extensos e têm facilidades gráficas versáteis. O
Maple e o Mathematica também têm capacidades analíticas muito 15. y' + 2y =o
grandes. Por exemplo, podem executar passos analíticos neces· l6. y" -y =0
sários para a resolução de equac,:ões diferenciais, muitas vezes 17. y" + y' - 6y =o
em resposta a um único comando. Qualquer pessoa que espera 18. y'" - 3y'' + 2y' =o
tratar equações diferenciais de um modo mais do que superficial
deve se tornar familiar com pelo menos um desses produtos e Nos problemas 19 e 20, deLermineos valores de rpara os quais a equa-
explorar de que maneiras pode ser usado. ção diferencial dada tem uma solução da fonna y = t' para t > O.
Para você, estudante, esses recursos computacionais afetam 19. t 2 y'' + 4ty' + 2y =o
a maneira de estudar equações diferenciais . Para se tornar confi- 20. t 2 y'' - 4ty' + 4y =o
ante no uso de equações diferenciais, é essencial compreender
como os métodos de soluc,:ão funcionam, e essa compreensão é Nos problemas de 21 a 24, determine a ordem da equação diferenci-
obtida, em parte, fazendo-se um número suficiente de exemplos al parcial dada e diga se ela é linear ou não-linear. Derivadas parci-
ais são denotadas por índices.
detalhadamente. No entanto, você deve planejar, após algum trei-
no, delegar, tanto quanto possível, os detalhes de rotina (muitas 21.
vezes repetitivos) a um computador, enquanto você presta mais
22.
atenção à formulação correta do problema e à interpretação da
23.
solução. Nosso ponto de vista é que você deve sempre tentar usar
os melhores métodos e ferramentas disponíveis para cada tare- 24.
fa. Em particular, voce deve tentar combinar métodos numéri- Nus problemas de 25 a 28 , verifique que cada função dada é uma
cos, gráficos e analíticos de modo a obter a maior compreensão solução da equação diferencial.
possível sobre o comportamento da solução e dos processos sub-
jacentes que o problema modela. Você deve se lembrar, também, 25. uxx + U YY =O;
de que algumas tarefas são executadas melhor com lápis e pa-
pel, enquanto outras necessitam de uma calculadora ou um com-
u 1(x, y) = cus x coshy , u 2 (x , y) = ln(x 2
+ y2)
putador. Muitas vezes é necessário ter bom senso para selecio- 26.
u/x, t) =e-ah, t sen Àx,
2
nar uma combinação equilibrada.
À uma constante real
27.
u 1 (x,1) = senÀX senÀat, u 2 (x,t) =sen(x - at),
Problemas . Àuma constante real
28. a 2 uxx = u 1 ,
Nos problemas de l a 6, determine a ordem da equação diferencial e
diga se ela é linear ou não-linear. u = 2 2
(rr/1) 1I 2 e-x /4a 1 , t >O

2d2y dy 29. Siga os passos indicados aqui para deduzir a equação de mo"i-
1. t df2 + tdt + 2y = sent mento de um pêndulo, Eq. (12) no texto. Suponha que a barra
do pêndulo é rígida e sem peso, que a massa é pontual e que
d 2y dy
2. (t+y2) - +1-d +y=e' não existe atrito ou resistência em algum ponto do sistema.
dt 2 t (a) Suponha que a massa está em uma posição deslocada arbi-
4
d y d 3y 2
d y dy trária, indicada pelo ângulo e. Desenhe um diagrama mostran-
3
· dt 4 + dt3 + dt 2 + dt + y =1 do as forças que agem sobre a massa.
(b) Aplique a lei do movimento de Newton na direção tangen-
dy cial ao arco circular sobre o qual a massa se move. Então, a força
4. - +ty 2
dt
=o de tensão sobre a barra não aparece na equação. Note que é ne-
cessário encontrar a componente da força grn-.ritacional na di-
d2y
reção tangencial. Note, também, que a aceleração linear (para
5. dt 2 + sen(t + y) = sent diferenciá-la da aceleração angular) é Ld'-fJ/dt 1, onde L é o com"
primento da barra.
d3 y dy
6. - 3 + t-+(cos 2 t)y==1 3 (c) Simplifique o resultado obtido nu item (b) para obter a Eq.
dt dt (12) do texto.
Introdução 15

30. Um outro modo de obter a equação do pêndulo (12) baseia-se Leibniz nasceu em Leipzig e completou seu doutorado em fi-
no princípio de conservação de energia. losofia na Universidade de Altdorf quando tinha 20 anos. Ao
(a) Mostre que a energia cinética T do pêndulo em movimento longo de sua vida, engajou-se em atividades acadêmicas em di-
é
versos campos diferentes. Era basicamente autodidata em mate-
2
2 de
t mática. já que seu interesse no assunto desenvolveu-se quando
T = zmL ( dt ) tinha vinte e poucos anos. Leibniz chegou aos resultados funda-
mentais do cálculo independentemente, embora um pouco de-
(b) Mostre que a energia potencial V do pêndulo, em relação à pois de Newton, mas foi o primeiro a publicá-los, em 1684.
sua posição de repouso, é Leibniz compreendia o poder de uma boa notação matemática.
V= mgL(l - cos 8). e a nossa notação para derivada, dyldx, e o sinal de integral são
(c) Pelo princípio de conservar,:ão de energia, a energia total devidos a ele. Descobriu o método de separação de variáveis
E= T + Vé constante. Calcule dE/dt , iguale a zero e mostre {Seção 2.2) em 1691, a redução de equações homogêneas a equa-
que a equação resultante pode ser reduzida à Eq . ( 12). ções separáveis (Seção 2 .2, Problema 30) em 1691 e o procedi-
31. Uma terceira dedução da equação do pêndulo depende do prin- mento para resolver equações lineares de primeira ordem (Se-
cípio do momento angular: a taxa de variação do momento ção 2.1) em 1694. Passou sua vida como embaixador e conse-
angular em tomo de um ponto é igual ao momento externo to- lheiro de diversas fanu1ias reais alemãs, o que permitiu que via-
tal em torno do mesmo ponto. jasse muito e mantivesse uma correspondência, extensa com ou-
(a) Mostre que o momento angular M em tomo do ponto de tros matemáticos, especialmente os irmãos Bernoulli. No decor-
apoio é dado por M = mL2d81dt.
rer dessa correspondência, foram resolvidos muitos problemas
(b) Iguale dM/dt ao momento da força gravitacional e mostre
que a equação resultante pode serredu7.ída à Eq. (12). Note que em equações diferenciais durante a parte final do século XVll .
os momentos positivos são no sentido trigonométrico. Os irmãos Jakob (1654-1705) e Johann (1667-1748)
Bernoulli, de Base!, fizeram muito sobre o desenvolvimento de
métodos para resolver equações diferenciais e para ampliar o
campo de suas aplicações. Jakob tomou-se professor de mate-
1.4 Notas Históricas mática em Base! em 1687, e Johann foi nomeado para a mesma
posição quando seu irmão faleceu, em 1705. Ambos eram
Sem saber alguma coisa sobre equações diferenciais e métodos briguentos, ciumentos e estavam freqüentemente envolvidos em
para resolvê-las é difícil apreciar a história desse ramo impor- disputas, especialmente entre si. Apesar disso, ambos fizeram
tante da matemática. Além disso, o desenvolvimento das equa- contribuições significativas em diversas áreas da matemática.
ções diferenciais está intimamente ligado ao desenvolvimento Com a ajuda do cálculo, resolveram diversos problemas em
geral da matemática e não pode ser separado dele. Apesar disso, mecânica, formulando-os como equações diferenciais . Por exem-
para fornecer alguma perspectiva histórica, vamos indicar aqui plo, Jakob Bernoulli resolveu a equação diferencial y' = [a3 /
algumas das tendências principais na história desse assunto e (b 2y - a 3)] 112 em 1690 e, no mesmo artigo, usou pela primeira
identificar os matemáticos atuantes no período inicial de desen- vez a palavra "integral" no sentido moderno. Em 1694, Johann
volvimento que mais se destacaram. Outras informações histó- Bernoulli foi capaz de resolver a equaçãody/dx. = ylax. Um pro-
ricas estão contidas em notas de rodapé ao longo do livro e nas blema que ambos os irmãos resolveram e que gerou muito atrito
referências listadas ao final do capitulo. entre eles foi o problema da braquistócrona (veja o Problema
As equações diferenciais começaram com o estudo de cálculo 32 da Seção 2_3). O problema da braquistócrona foi resolvido,
por Isaac Newton ( 1642-1727) e Gottfried Wilhelm Leibniz ( 1646- também, por Leibniz, Newton e pelo Marquês de L'Hôpital. Diz-
1716) durante o século XVII. Newton cresceu no interior da Ingla- se, embora sem comprovação. que Newton soube do problema
terra, foi educado no Trinity College, em Cambridge, e se tomou no final da tarde de um dia cansativo na Casa da Moeda e que o
Professor de Matemática, na cadeira Lucasian, em 1669. Suas des- resolveu naquela noite após o jantar. Ele publicou a solução ano-
cobe~ sobre o cálculo e as leis da mecânica datam de I 665. Elas nimamente mas, ao vê-la, Johann Bernoulli observou: "Ah, co-
circularam privadamente entre seus amigos, mas Newton era muito nheço o leão pela sua pata."
sensível a críticas e só começou a publicar seus resultados a partir Daniel Bemoulli {1700-1782), filho de Johann, enúgrou para
de 1687, quando apareceu seu livro mais famoso, Philosophiae São Petersburgo na juventude para se incorporar à Academia de
Naturafü Principia Mathematica. Embora Newton tenha atuado São Petersburgo, recém-fundada, mas retomou a BaseJ em 1733
relativamente pouco na área de equações diferenciais propriamente como professor de botânica e, mais tarde, de físíca. Seus inte-
dita, seu desenvolvimento do cálculo e a elucidação dos princípios resses eram, principalmente, em equações diferenciais e suas apli-
básicos da mecânica forneceram a base para a aplicação das equa- cações. Por exemplo, é seu nome que está associado à equação
i;ões diferenciais no século X VIII, especialmente por Euler. Newton de Bernoulli em mecânica dos tluidos. Foi, também, o primeiro
classificou as equações diferenciais de primeira ordem de acordo a encontrar as funções que seJiam conhecidas um século mais
com as formas dyldx = ftx), dyldx = ff.y) e dy!dx = f(.x, y). Ele de- tarde como funções de Bessel (Seção 5.8).
senvolveu um método para resolver a líltima equa.c;ão, no caso em O maior matemático do século XVIII, Leonhard Euler ( 1707-
quef{.x, y) é um polinônúo emx e y , usando séries ínfinira.s. Newton 1783), cresceu perto de Base! e foi aluno de Johann Bernoulli.
parou de fazer pesquisa matemática no ínício da década de 1690, Ele seguiu seu amigo Daniel Bernoulli, indo para São Petersburgo
exceto pela solução de "problemas desafiadores" oca-;ionais e pela em 1727. Durante o resto de sua vida esteve a~sociado à Acade-
revisão e publicação de resultados obtidos anteriormente. Foi no- núa de São Petersburgo ( 1727-1741 e 1766-1783) e à Academia
meado Warden of the British Mint (responsável pela Casa da Mo- de Berlim (1741-1766) . Euler foi o matemático mais prolífico
eda britânica) em 1696 e pediu demissão da sua posição de pro- de todos os tempos; suas obras completas enchem mais de 70
fessor alguns anos depois. Recebeu o título de cavaleiro em 1705 volumes grossos. Seus interesses incluíam todas as áreas da
e, após sua morte, foi enterrado na capela de Westminster. matemática e muitos campos de aplicação. Embora tenha ficado
16 Introduçào

cego durante os 17 últimos anos de sua vida, seu trabalho conti- teóricas de existência e unicidade, assim como o desenvolvimento
nuou no mesmo ritmo até o dia de sua morte. Sua formulação de métodos menos elementares, como os baseados em expansão
matemática de problemas em mecânica e seu desenvolvimento em séries de potências (veja o Cap. 5). Esses métodos encontram
de métodos para resolvê-los nos interessa particularmente aqui . seu ambiente natural no plano complexo. Por causa disso, eles
Sobre o rrabalho de Euler em mecânica, Lagrange disse ser "o foram estimulados pelo desenvolvimento mais ou menos simul-
primeiro trabalho importante no qual a análise é aplicada à ciên- tâneo, que, de certa forma, estimularam, da teoria de funções
cia do movimento". Entre outras coisas, Euler identificou a con- analíticas complexas. As equações diferenciais parciais come-
dição para que equações diferenciais de primeira ordem sejam çaram, também, a ser estudadas intensamente, à medida que se
exatas (Seção 2.6) em 1734-1735, desenvolveu a teoria de fato- tomava claro seu papel crucial em físíca matemática. Com isso,
res integrantes (Seção 2.6) no mesmo artigo e encontrou a solu- muitas funções, soluções de certas equações diferenciais ordi-
ção geral para equações lineares homogêneas com coeficientes nárias, começaram a aparecer em muitas situações e foram estu-
constantes (Seções 3.J, 3.4, 3.5 e 4.2) em 1743. Estendeu esse dadas exaustivamente. Conhecidas, coletivamente, como funções
último resultado para equações não-homogêneas em 1750-1751. transcendentais, muitas delas estão associadas a nomes de mate-
Começando em tomo de 17 50, Euler usou, com freqüência, sé- máticos, incluindo Bessel, Legendre, Hermite, Chebyshev e
ries de potências (Cap. 5) para resolver equações diferenciais. Hankel, entre outros.
Propôs, também, um procedimento numérico (Seções 2.7 e 8. 1) As inúmeras equações diferenciais que resistiram a métodos
em 1768-1769, fez contribuições importantes em equações di- analíticos levaram à investigação de métodos de aproximação
ferenciais parciais e deu o primeiro tratamento sistemático do numérica (veja o Cap. 8). Por volta de J 900 já haviam sido de-
cálculo de variações. senvolvidos métodos efetivos de integração numérica, mas sua
Joseph-Louis Lagrange ( 1736-J 813) tomou-se professor de implementação estava severamente prejudicada pela necessida-
matemática em sua cidade natal, Turim, com 19 anos. Sucedeu de de se executar os cálculos a mão ou com equípamentos com-
Euler na cadeira de matemática na Academia de Berlím em 1766 putacionais muito primitivos. Nos últímos 50 anos, o desenvol-
e foi para a Academia de Paris em 1787. Ele é mais conhecido vimento de computadores cada vez mais poderosos e versáteis
pelo seu trabalho monumental Mécanique analytique, publica- aumentou muito a gama de problemas que podem ser investiga-
do em 1788, um tratado elegante e completo sobre mecânica dos, de maneira efetiva, por métodos numéricos. Durante esse
newtoniana. Em relação a equações diferenciais elementares, mesmo período, foram desenvolvidos integradores numéricos
Lagrange mostrou , no período 1762-1765, que a solução geral extremamente refinados e robustos, facilmente disponíveis. Ver-
de uma equação diferencial linear homogênea de ordem n é uma sões apropriadas para computadores pessoais tornaram possfvel,
combinação línear de n soluções independentes (Seções 3.2, 3.3 para os estudantes , a resolução de muitos problemas significati-
e 4 . 1). Mais tarde, em 1774-1775, desenvolveu completamente vos.
o método de variação dos parâmetros (Seções 3. 7 e 4.4). Lagrange Uma outra característica das equações diferenciais no século
também é conhecido pelo seu trabalho fundamental em equações XX foi a criação de métodos geométricos ou topológicos, espe-
diferenciais parciais e cálculo de variações. cialmente para equações não-lineares. O objetivo é compreen-
Pierre-Simon de Laplace (1749-J 827) viveu na Normandia der, pelo menos qualitativamente, o comportamento de soluções
quando menino, mas foi para Paris em 1768 e deixou, rapida- de um ponto de vista geométrico, assim como analítico. Se há
mente, sua marca nos meios científicos, sendo eleito para a Aca- necessidade de maiores detalhes, isso pode ser obtido, em geral,
demia de Ciências em 1773. Destacou-se, particularmente, no usando-se aproximações numéricas. O Cap. 9 contém uma in-
campo da mecânica celeste; seu trabalho mais imponante, Traité trodução a esses métodos geométricos.
de mécanique céleste, foi publicado em cinco volumes entre 1799 Nos últimos anos, essas duas tendências se juntaram. Com-
e 1825. A equação de Laplace é fundamental em muitos ramos putadores e, especialmente, computação gráfica, trouxeram um
da física matemática, e Laplace a estudou extensamente em co- novo ímpeto ao estudo de sistemas de equações diferenciais não-
nexão com a atração gravitacional. A transformada de Laplace lineares. Foram descobertos fenômenos inesperados (Seção 9.8),
(Cap. 6) recebeu o nome em sua homenagem, embora sua utili- como atratores estranhos, caos e fractais, que estão sendo inten-
dade na resolução de equações diferenciais só tenha sido reco- samente estudados e estão gerando novas e importantes idéias
nhecida muito mais tarde. em diversas aplicações diferentes. Embora seja um assunto anti-
No final do século XVlII, muitos métodos elementares para go sobre o qual muito se sabe, as equações diferenciais na auro-
resolver equações diferenciais ordmárias já tinham sido desco- ra do século XXI continuam uma fonte fértil de problemas fas-
bertos. No século XIX. iniciou-se a investigação de questões cinantes e importantes ainda não resolvidos.

REFERÊNCIAS
Prugr.nnas de computador para equações diferenciais mudam muito rápido para se poder dar boas referências
em um livro como esse. Uma boa fonte de informação são as seções Software Review e Computa Corner de The
College Mathematics Joumnl, publicado pela Mathem.aJical Association of America.

Existem muitos livros sobre o uso de si~temas de álgebra computacional, alguns dos quais enfatizam sua
utilização em equações diferenciais.

Para ler mais sobre a his!ória da mat.emática, procure livros como os listados a seguir:
Boyer, C. B., and Merzbach, U. C., A History of Mathematics (2nd ed.) (New York: Wiley, 1989).
Kline, M., Mathematical Thought from Ancient to Modem Times (New York: Oxford UníveI:Sity
Press, 1972).
Jntrodução 17

Um apêndice histórico útil sobre o desenvolvimento inicial <las equações <liferendais aparece em:

lnce. E. L.• Ordinary Dijferential Equations (London: Longmans, Green, 1927; New York: Dover,
1956).

Uma fonte enciclopédica <le informação sobre vidas e feitos de matemáticos do passado é:
Gillespie, C. C., ed., Dictionary of Scientific Biography (15 vols.) (New York: Scribner's, 1971).

Na Internet pode ser encontrada uma boa quantidade de informação histórica. Um excelente endereço é

www-gap.dcs .s t-and.ac.uk/-history/Biolndex.html

Esse sítio foi criado por John J. O 'Connor e Edmund F. Robenson do Departamento de Matemática e Es-
talística da Universidade de St. Andrews, na Escócia.
L o ··:·:

-..·'.

Este capítulo trata de equações diferenciais de primeira ordem, onde a e b são constantes dadas. Lembre-se de que uma equação
dessa forma descreve o movimento de um objeto em queda na
dy atmosfera. Queremos, agora, considerar a equação linear de pri-
- = f(t, y), (1)
dt meira ordem mais geral possível, que é obtida substituindo-se os
onde fé uma função de duas variáveis dada. Qualquer função coeficientes a e b na Eq. (2) por funções arbitrárias de t. Escre-
diferenciável y = </J(t) que satisfaça essa equação para todo tem veremos, em geral, a equação linear de primeira ordem geral
algum intervalo é dita uma solução. e nosso objetivo é determi- na forma
nar se tais funções existem e, caso existam, desenvolver méto- dy
dos para encontrá-las. Infelizmente, para uma função arbitrária dt + p(t)y = g(t), (3)
f, não existe método geral para rcsol ver a equação em tennos de
funções elementares. Em vez disso, descreveremos vários mé-
todos, cada um dos quais aplicável a detenninada subclasse de onde p e R são funções dadas da variável independente t.
equações de primeira ordem. As mais importantes delas são as A Eq. (2) pode ser resolvida pelo método de integração dire-
equações lineares (Seção 2.l). as equações separáveis (Seção 2.2) to dado na Seção 1.2. Isto é, se a t= O e y t= b!a, reescrevemos a
e as equações exatas (Seção 2.6). As outras seções deste capítu- equação na forma
lo descrevem algumas das aplicações importantes de equações dy/dr
diferenciais de primeira ordem, introduzem a idéia de aproximar =-a. (4)
uma solução através de cálculos numéricos e discutem algumas y - (b/a)
questões teóricas relacionadas à existência e à unicidade de so-
Depois. integrando, obtemos
luções. A última seção inclui um exemplo de soluções caóticas
no contexto de equações de diferença de primeira ordem, que têm ln IY - (b/a)I = -at +e,
alguns pontos importantes de semelhança com as equações di-
ferenciais e são, sob certos aspectos, mais fáceis de estudar. da qual segue que a solução geral da Eq. (2) é

Y = (b/a) + ce-ª 1
, (5)
2.1 Equações Lineares; Métodos dos onde e é uma constante arbitrária.
Fatores lntegr~nl@§ Infelizmente, esse método direto de solução não pode ser usa-
do para resolver a Eq. (3), de modo que precisamos usar um
Se a função f na Eq. (1) depende linearmente da variável y, en- método diferente. O método que usaremos é devido a Leibniz;
tão a Eq. (1) é chamada de uma equação linear de primeira or- ele envolve multiplicar a equação diferencial (3) por uma deter-
dem . Discutimos, nas Seções l . l e 1.2, um tipo restrito de equa- minada função µ,(t), escolhida de modo que a equação resultan-
ções lineares de primeira ordem nos quais os coeficientes são te seja facilmente integrável. A função f.L(.t) é chamada fator
constantes. Um exemplo típico é integrante, e a maior dificuldade do método é saber como
encontrá-la. Vamos introduzir esse método em um exemplo sim-
dy ples e depois mostrar como estendê-lo a outras equações linea-
dt = -ay +b , (2)
res de primeira ordem, incluindo a equação geral (3 ).
Equações D1fern10<1is de PTimrira Cffdem 19

Exemplo 1
Resolva a equção diferencial Temos, então, que

_ 1 y = _l e''1.
dy + _ 1
dt 2. 2
(6) lnlµ,(t) 1= 2 t +e,
Faça os gráficos de diversas soluções e encontre a solução parti-
ou
cular cujo gráfico contém o ponto (0, 1).
O primeiro passo é multiplicar a Eq. (6) por uma funçãoµ,(/) , µ(t) = ce1f2_ 1131
indeterminada por enquanto; assim,
A função µ,(t)dada pelaEq. (13) é um fatorintegrante paraaEq.
dy 1 1 (6). Como não precisamos do fator integrante mais geral. esco-
µ,(t) dt + 2 µ(t)y = 2 µ,(t)e'l~ · (7) lhemos e como sendo 1 na Eq. (13) e usamos µJ,,t) = r.
Voltando à Eq. (6), multiplicamos pelo fator integrante é:
A pergunta agora é se podemos escolher µ(t) de modo que a ex- para obter
pressão à esquerda do sinal de igualdade na Eq. (7) seja reco-
nhech·el como a derivada de alguma função particular. Se esse for o dy 1 1
o caso, podemos integrar a Eq. (7), mesmo sem conhecer a função
e''- - + - e' 12 y = - e 5' 16
dt 2 2
y. Para guiar a nossa escolha do fator integrante µ,(t), note que a
expressão à esquerda do sinal de igualdade na Eq. (7) contém duas Pela escolha que fizemos do fator integrante, a expressão à es-
parcelas e que a primeira é parte do resultado de derivar o produto querda do sinal de igualdade na Eq. (14) é a derivada de e2'y, de
µ,(t)y. Vamos tentar, então, determinar µ,(t) de modo que a expres- modo que a Eq. (14) fica
são à esquerda do sinal de igualdade na Eq. (7) seja a derivada de
µ,(t)y. Comparando essa expressão com a fórmula de diferenciação !!... (e''2 y) = _!_ e'''6. (15)
dt 2
d dy dµ(t)
dt[µ,(t)yJ = µ,(t) dt + ---;J"ty, (&) Integrando a Eq. (15), obtemos

obseJVamos queª" dua<; primeiras parcelas são iguais e que as segun- e''1 y = _3 e5tt6 +e (16)
dai; t.ambém podem ficar iguais se escolhermos µJ,,t) de modo que 5 '

dµ(t} 1 onde e é uma constante arbitrária. Finalmente, ao resolver a Eq.


dt = 2 µ,(t) (9) (16) para y, temos a solução geral da Eq. (6), a saber,

Portanto, nossa procura por um fator integrante terá sucesso se 3 .


encontrarmos uma solução da Eq. (9). Talvez você possa identifi-
v = - e''3 + ce- 112 • (17)
- 5
car imediatamente uma função que satisfaça a Eq. (9): que função
bem conhecida do cáleu lo tem urna derivada que é a metade da fun- Para encontrar a solução cujo gráfico contém o ponto (O, 1),
ção original? De maneira mais sistemática, reescreva a Eq. (9) como =
fazemos t O e y = 1 na Eq. (17), obtendo l = (3/5) + e. Logo
e = 2/5, e a solução desejada é
dµ,(t)ldt = .!
µ,(t) 2
(10) y = _3 e''J + _2 e t12 (18)
5 5
que é equivalente a
A Fig. 2.1.1 inclui os gráficos da Eq . (17) para diversos valo-
d 1 res de e com um campo de direções atrás. A solução cujo gráfi-
- lnlµ,(t) 1= - . (11)
dt 2 co contém o ponto (O, 1) corresponde à curva mais grossa.

1 1
FIG. 2.1.1 Curvas integrais para y' + - y
2
=-e'
2
13
.
20 Equ~õe.s Dijár:ndaí.ç de. Primeira Ordem

Vamos estender o método dos fatores integrantes a equações d


-(eª1 y) = eªt g(t). (21)
da forma dt
dy Integrando a Eq. (21), vemos que
- +ay = g(t) ' (19)
dt
onde a é uma constante dada e g(t) é uma função dada. Proce-
dendo como no Exemplo 1, vemos que o fator integrante µ.,(t)
eªt y = J eª 1 g ( t) d t + e, (22)

tem que satisfazer onde e é uma constante arbitrária. Podemos calcular a integral
na Eq. (22) e expressar a solução y em termos de funções ele-
dµ =aµ mentares para muitas funções simples g(t), como no Exemplo l .
(20) No entanto, para funções mais complicadas g(t), precisamos dei-
dt '
xar a solução em forma integral. Nesse caso
em vez da Eq. (9). Logo o fator integrante é µ,(t} = eª'. Multipli-
cando a Eq. ( 19) por µ.(t), obtemos y = e- at jteª 5 g(s) ds + ce-" 1 • (23)
to
eat dy + aeªt y = eªt g(t),
dt Note que usamos s para denotar a variável de integração na Eq.
ou (23) para distingui-la da variável independente te escolhemos
algum valor conveniente t0 para o limite inferior de integração.

Exemplo 2
Resolva a equação diferencial l ]
e-21y = -2e -21 + 2 te-2' + 4 e-21 + e,
dy
--2y=4-t (24) onde usamos integração por partes no último termo da Eq. (26).
dt
Portanto, a solução geral da Eq. (24) é
e faça o gráfico de diversas soluções. Discuta o comportamento 7 1
das soluções quanto t ~ oo. y = - - + -t + ce 2' (27)
4 2
AEq. (24)é daforma(l9)coma = - 2; logo, o fatorintegrane
A Fig. 2.1 .2 mostra um campo de direções e gráficos da solução
é µ,(t) = e-2' . Multiplicando a equação diferencial (24} por µ.(t),
(27) para diversos valores de e. O comportamento das soluções
obtemos
para valores grandes de t é determinado pelo termo ce2'. Se e
O, a so1ução cresce exponencialmente em módulo, tendo o mes-
*
mo sina1 que e. Assim, as soluções divergem quando t fica mui-
to grande. A fronteira entre as soluções que acabam ficando po-
ou sitivas e as que acabam ficando negativas ocorre quando e =O.
Substituindo e = O na Eq. (27) e fazendo t = O, vemos que y =
d -7/4 é o ponto de separação no eixo dos y. Note que, para esse
- (e· 2•y) = 4e-2' - te 2r (26) 7 1
dt valor inicial, a solução é Y = - 4 + 2 t ; ela cresce linearmen-
Integrando essa equação, temos te, ao invés de ex.ponencialmente.

FIG. 2.1.2 Curvas integrais para y' - 2y =4 - t.


Equações Diferenciais de Primeira Orde:m 21

Vamos voltar à equação linear de primeira ordem geral (3), Escolhendo a constante arbitrária k como zero, obtemos a fun-
ção mais simples possível paraµ,, a saber,
dy
dí + p(t)y = g(t),

onde p e g são funções dadas. Para determinar um fator integrante


µ(t) = exp f p(t) dt . (30)

Note que µ,(t) é positiva para todo t, como supusemos. Voltando


apropriado, multiplicamos a Eq. (3) por uma função µ,(t) ainda
à Eq. 28, temos
indeterminada, obtendo
d
dv -[µ(t)yj = µ(t)g(t). (31)
µ(t) d,t + p(t)µ(t)y = µ(t)g(t). (28) dt
Portanto,
Seguindo a mesma linha de dedução usada no Exemplo l, vemos
que a expressão à esquerda do sinal de igualdade na Eq. (28) é a
derivada do produto µ,(t)y , desde que µ,(t) satisfaça a equação
µ,(t)y = f µ(t)g(t) dt +e, (32)

dµ(t) onde e é uma constante arbitrária. Algumas vezes a integral na


-;Jt = p(t)µ(t) . (29) Eq . (32) pode ser calculada em termos de funções elementares.
No entanto, isso não é possível em geraL de modo que a solução
Supondo, temporariamente, que µ.(f) seja positiva, temos geral da Eq. (3) é

dµ(t)/dt
µ.(t) = p(t), y =- - [J
1
µ(t)
1

ti
µ(s)g(s)ds +e], (33)
e, portanto,

lnµ(t} = f p(t)dt + k.
onde, mais uma vez, t0 é algum limite inferior de integração con-
veniente.

, Exemplo 3
Resolva o problema de valor inicial e, portanto,
1
ty +2y = 4t 2
, (34) t2y = r4 +e,
y(l) = 2. (35) onde e é uma constante arbitrária. Segue que
Para determinar p(t) e J?(t) corretamente, precisamos primei- e
ro reescrever a Eq. (34) na forma padrão (3) . Temos
Y = t2+ 2t (37)

l + (2/t)y = 4t, (36) é a solução geral da Eq. (34). A Fig. 2.1.3 mostra curvas inte-
grais da Eq. (34) para diversos valores de e. Para satisfazer a
de modo que p(t) = 2/t e g(t) = 4t. Para resolver a Eq. (36), cal- condição inicial (35), precisamos escolher e 1; logo, =
culamos, primeiro, o fator integrante µ.(t):

µ(t) = exp f~ dt = e
210 2
1TI = t • .
1
}' = t 2 + -t2' t > o (38)

é a solução do problema de valor inicial (34), (35). Esta solução


Multiplicando a Eq. (36) por µ(t) = t2, obtemos aparece como uma curva mais grossa na Fig. 2.1.3. Note que ela
t 2 y' +lty = (t 2 y)' = 4t 3 , é ilimitada e é assintótica ao semi-eixo positivo dos y quando

FIG. 2.1.3 Curvas integrais para ty' + 2y = 4f.


22 Equaçõe~ Difertncíais de Primeira Ordem

t - O pela direita. Esse é o efeito da descontinuidade infinita na respondente a e = O, y = i2, permanece limitada e diferenciável cm
origem do coeficiente p(t). A função y = t2 + {I/t2) para t <O t = O. Se generalizarmos a condição inicial (35) para
não é parte da solução desse problema de valor inicial. y (l) = Yo, (39)
Esse é o primeiro exemplo no qual a solução deixa de existir
para alguns valores de t. Mais uma vez, isso é devido à descon- então e = y0 - 1 e a !iolução (38) fica
tinuidade infinita de p(t) em t = O, que restringe a solução ao
intervalo O < t < oo. y= t
2
+ -Yo2- -1, t > o. (40)
Olhando novamente pa.m a Fig. 2.1 .3, vemos que algumas solu- t
ções (aquelas para as quais e> O) são assintóticas ao semi-eixo po· Como no Exemplo 2, aqui também existe um valor crítico, a
sitivo dos y quando t-+ Opela dkeita, enquanto outras (para as quais saber, .Yo = 1, que separa as soluções que se comportam de duas
e <O) são assintóticas ao semi-eixo negativo dos y . A solução cor- maneiras bem diferentes.

'·,:

Resolva o problema de valor inicial onde cê uma constante arbitrária. Segue então que a solução geral
da Eq. (41) é dada por
2y' + ty = 2, (41)
y(O) = 1. (42)
Primeiro divida a equação diferencial (41) por 2, obtendo (47)

y' + (t/2)y = 1. (43)


A condição inicial (42) implica em e = l.
Então p(t) ::::: t/2 e o fator integrante é µ,(t) = exp (12/4). Agora O objetivo principal deste exemplo é ilustrar que, algumas
multiplique a Eq. (43) por µ(t), de modo que vezes, a solução tem que ser deixada cm forma integral. Em ge-
ral , isso é apenas uma pequena inconveniência, não um obstácu-
l
e'214 v' + _ e'214 Y = e• 214. (44) lo sério. Para um determinado valor de ta integral na Eq. (47) é
. 2 uma integral definida e pode ser aproximada, com qualquer pre-
A expressão à esquerda do sinal de igualdade na Eq . (44) é a cisão desejada, usando-se integradores numéricos prontamente
disponíveis. Repetindo esse processo para muitos valores de te
derivada de e' 214 y; logo, integrando a Eq. (44), obtemos
colocando os resultados em um gráfico, você pode obter um grá-
= Je•214 dt + e.
fico de uma solução. Uma alternativa é usar um método de apro-
e•2/4 y (45) ximação numérica, como os discutidos no Cap. 8, que utiliza
diretamente a equação diferencial e não precisa de nenhuma
A integral na Eq. (45) não pode ser calculada em tennos das fun- expressão para a solução. Pacotes de programas como o Maple
ções elementares usuais, de modo que não calculamos a integral. e o Mathematica executam tais procedimentos e produzem grá-
No entanto, escolhendo o limite inferior de integração como sen- ficos de soluções de equações diferenciais.
do o ponto inicial t = O, podemos substituir a Eq. (45) por A Fig. 2.1.4 mostra gráficos da solução (47) para diversos
valores de e. Da figura, parece plausível conjccturar que todas
e'2r4 y = J;e"2.1 4ds + e, (46) as soluções tendem a um limite quando t-+ oo . O limite pode ser
encontrado analiticamente (veja o Problema 32).

FIG. 2.1.4 Curvas integrais de 2y' + ty = 2.


Equações Diferenciais de Primeira Ordem 23

Problemas
~os problemas dela 12: ~2 26. (sen t )y' + (cos r)y = e', y(l) = a, O< t < 7T
(a) Desenhe um campo de direções para a equação diferencial ~- 27 . Considere o problema de valor inicial
dada.
(b) Baseado cm uma análise do campo de direções. descreva o
y' + !Y = 2cost, y(O) = -1.
comportamento das soluções para valores grandes de t. Encontre as coordenadas do primeiro ponto de máximo local
(c) Encontre a solução geral da equação diferencial dada e &'! da solução para t > O.
use-a para determinar o comportamento das soluções quan- •'--'· 28. Considere o problema de valor inicial

y '+ 3Y=
do(--+ CO,
2 1 - 2t,
1 y(O) = Jo·
#. l. y' +3y =t +e - 21 Encontre o valor de y0 para o qual a solução encosta no eixo
#~ 2. y' - 2y = t 2e 21 dos t, mas não o atravessa.
#-- ~ 29. Considere o problema de valor inicial
3. y 1 + y = te - 1 + l
y' + ~y = 3+2cos2r,
#~ 4. y' + (l/t)y = 3 cos 2t' t >o y(O) =O.
(a) Encontre a solução desse problema de valor inicial e des-
Í- 5. /-2y = 3e1
creva seu comportamento para valores grandes de t.
,~ 6. ty' + 2y = sent, t >o (b) Determine o valor de t para o qual a solução intersecta, pela
,~ 1
7. y +2ty = 2te-
12 primeira vez, a retay = 12.
30. Encontre o valor de :Vo para o qual a solução do problema de
#-~ 8. (1+t 2 )y'+4ty = (1 + t 2 ) - 2
valor inicial
#-- 9. 2y' + y= 3t y' - y = l + 3 sen t, y(O) = Yu
#~- 10. ty' - y = t 2e ', t >o permanece finita quando t--+ oo •
.-,_,li. y' + y = 5 sen 2t 31. Considere o problema de valor inicial
,~ 12. 2y' + y = 3t 2 J
y I - iY = ~
_1! + 2e '
I
y(O) = Yo·
~os problemas de J 3 a 20, encontre a solução do problema de valor Encontre o valor de y0 que separa as soluções que crescem po-
inicial dado. sitivamente quando t--+ °" das que crescem em módulo com
sinal negativo. Como a solução correspondente a esse valor crí-
13. y' - y = 2te 21 , y(O) = 1
tico de y0 se comporta quando t-+ co?
14. y' + 2y = te - 21 , y(l) =o 32. Mostre que todas as soluções de 2/ + ty = 2 1Eq. (41) do tex-
15. =
t y' + 2y t 2 - t + 1,
2
y(l)=!, t>O to! tendem a um limite quando t--+ ex: e encontre o valor desse
16. y'+(2/t)y=(cost)/t y(rr)=O, t>O limite.
17. y' - 2y = e 2', y(O) 2 = Sugestão: Considere a solução geral, Eq. (47), e use a regra de
L'Hôpital no primeiro termo.
18. ty'+2y=sent . y(rr/2) = 1, t>O
33. Mostre que, se a e,\ são constantes positivas e se b é qualquer
19. t 3 y' +4t 2 y = e- 1 , y(- 1) =o . t<O número real, então toda solução da equação
20. ty' + (t + l)y = t, y(ln2) = 1. t>O
y' + ay = be - :.t
~os Problemas de 21 a 23:
(a) Desenhe um campo de direções para a equação diferencial tem a propriedade que y--+ Oquando t--+ oo.
dada. Corno as soluções parecem se comportar quando t fica SugeJtân: Considere os casos a = A e a i= ,\ separadamente .
grande? O comportamento depende da escolha do valor inicial
a? Seja a0 o valor de a para o qual ocorre a transição de um tipo Nos problemas de 34 a 37, construa uma equação diferencial linear
de comportamento para outro. Estime o valor de a 0• de primeira ordem cujas soluções têm o comportamento estipulado
(b) Resolva o problema de valor inicial e encontre o valor crí- quando 1--+ x . Depois resolva sua equação e confirme que as solu-
tico a 0 exatamente. ções têm, de fato, a propriedade especificada.
(c) Descreva o comportamento da solução correspondente ao 34. Todas as soluções têm limite 3 quando t-+ oo.
valor inicial a 0. 35. Todas as soluções são assintóticas à retay = 3 - t quando t-+ oo,
36. Todas as soluções são assintóticas à reta y = 2t - 5 quando
~ 21 . y' - +y = 2 cos t, y(O) "" a ( - !XI.
#"l 22. 2y' - ; = e'13 , y(O) = a 37. Todas as soluções se aproximam da rnrva y = 4 - t2 quando
#~, 23 . 3y' - 2y = e " 112 , y(O) ""'a [-+CX: .
38. Variação dos Parâmetros. Considere o seguinte método de
Nos Problemas de 24 a 26: resolução da equação linear geral de primeira ordem:
(a) Desenhe um campo de direções para a equação diferencial
dada. Como as soluções parecem se comportar quando t--+ O?
y' + p(t)y = g(t). (i)
O comportamento depende da escolha do valor inici11l a? Seja (a) Se g(t) = O para todo e, mostre que a solução é
a0 o valor de a para o qual ocorre a transição de um tipo de
comportamento para outro. Estime o valor de a 0•
(b) Resolva o problema de valor inicia] e encontre o valor crí-
y = Aexp [- f p(t) dt] , (ii)

tico a0 exatamente. onde A é constante.


(c) Descreva o comportamento da solu~iío correspondente ao (b) Se g(t) não for identicamente nula, suponha que a solução
valor inicial a 0 • da Eq. (i) é da forma
íl!4.ty' +(t+l)y=2te-1 , y(l)=a,
~!5. ty' + 2y = (f>ent)/t , y(-rr/2) =a ,
t>O
t<O
y = A(t) exp [- f p(t) dt] , (iíi)
24 Equações Diferenciais de Primeira Ordem

onde A, agora, é uma funçíio de t. Substituindo y na equação dependente. Além disso, queremos reservar t para outra coisa
diferern.:ial dada por essa expressão, mostre que A(t) tem que mais tarde na seção.
satisfazer a condição A equação geral de primeira ordem é

A'(t) =g(t)exp[j p(t)dt] . (iv) dy


dx = f(x, y). (2)
(e) Encontre A(t) da Eq. (iv) . Depois substitua A(t) na Eq. (iii) As equações lineares foram consideradas na seção anterior ma.~.
pela expressão enrnntrada e determine y. Verifique que a solu- se a Eq. (2) for não-linear, então não existe método universal-
ção obtida desse modo coincide com a obtida na Eq. (35) no mente aplicável para resolver a equação. Vamos considerar aqui
texto. Essa técnica é conhecida pelo método de variação dos uma subclasse de equações de primeira ordem que podem ser
parâmetros; ela é discutida em detalhes na Seção 3.7 em co- resolvidas por um processo de integração direta.
nexão com equações lineares de segunda ordem.
Nos Problemas de 39 a 42, use o método do Problema 38 pard resol-
Para identificar essa classe de equações, vamos colocar, pri-
ver a equação diferencial dada. meiro, a Eq. (2) na forma
39. y' -= 2y = t2é 1 dy
40. y' + (l/t)y = 3 cos 2t, t> o
M(x, y) + N(x, y) dx =O. (3)
41. ty' + 2y = sen t, t >O
É sempre possível fazer isso definindo M(x, y) = -f(x, y) e N(x,
42. 2y' + y = 312
y) = 1, mas podem existir, também, outras maneiras. No caso
em que M depende apenas de x e N depende apenas de y, a Eq.
(3) fica
dv
M(x) + N(y)-d'
. X
=O. (4)
Usamos um processo de integração direta, nas Seções 1.2 e 2.1,
para resolver equações lineares de primeira ordem da forma Essa equação é dita separável, porque, se for escrita na forma
diferencial
dy
dt = ay+b, (1)
M(x) dx + N(y) dy =O, (5)

onde a e b são constantes. Vamos mostrar que esse processo pode então, caso se queira, as parcelas envolvendo cada variável po-
ser aplicado, de fato, em uma classe muito maior de equações. dem ser separadas pelo sinal de igualdade. A fonna diferencial
Nesta seção usaremos a letra x para denotar a variável inde- (5) também é mais simétrica e tende a dinúnuir a distinção entre
pendente, em vez de t, por duas razões. Em primeiro lugar, le- as variáveis independente e dependente.
tras diferentes são usadas, muitas vezes, para as variáveis em uma Uma equação separável pode ser resolvida integrando-se as
equação diferencial e você não deve se acostumar a usar um único funções Me N . Vamos ilustrar o processo através de um exem-
par. Em partícular, x é usada freqüentemente como a variável in- plo e depois discuti-lo, em geral, para a Eq. (4).

Exemplo 1
Mostre que a equação
dy x2
dx = 1 - y2
(6) ____ ........,,,,"'
_____ ...._......_......._ ........

é separável e depois encontre uma equação para suas cur-


vas integrais.
Se escrevennos a Eq. (6) na forma
\.
\ \ '
\ \
2 2 dy \ \
-x + (1 ~ y ) dx = 0, (7) \ \
l 1
então ela tem a forma (4) e é, portanto, separável. A
1
seguir, note que a primeira parcela na Eq. (7) é aderi- 1
vada de -x?/3 e que a segunda, pela regra da cadeia, é
a derivada em relação a·x de y - y313. Assim, a Eq . (7) -4 1 l 4 X

pode ser escrita na fonna l , 1 1


1 1 1 1
!!_ (- x3) + !!_ (y _y3) =O, \ \
\ \
\
.\
1
\
dx 3 dx 3
\ \

....... ''
,....._,, _ _ _ _ _
......_ _____ _ -4
FIG. 2.2.1 Campo de direções e curvas integrais de y' = x"!
(1 - y2),
EquQ{ôes Diferenciais tk Primeira Ordem 25

onde e é uma constante arbitrária. A Eq. (8) é uma equação para


as curvas integrais da Eq. (6). A Fig. 2.2.l mostra o campo de di-
d ( x
dx - 3
3
+Y - 3 y3) = O. reções e diversas curvas integrais. Qualquer função diferenciável
y = </>(x) que satisfaz Eq. (8) é uma solução da Eq. (6). Uma
equação da curva integral que contém um ponto particular (xu. y0 )
Pmta.nto, integrando, obtemos
pode ser encontrada substituindo-se x e y por Xi! e y°' respectiva-
3 (8)
-x 3 + 3y - y =e, mente, na Eq. (8) e determinando o valor correspondente de e.

O mesmo procedimento pode ser seguido, essencialmente. Se, além da equação diferencial, é dada uma condição inicial
para qualquer equação separável. Voltando àEq . (4), sejamH1 e
(14)
H~ primitivas de M e N, respectivamente. Então
então a solução da Eq. (4) que satisfaz essa condição é obtida
H{(x) = M(x), H~(y) = N(y); (9)
fazendo-se x = Xi! e y = y 0 na Eq. ( 13). Isso implica que
e. a Eq. (4) fica
e= H I (Xo) + H2(Yo). (15)
dy
H 1 (x) + H 2 (y)- =O.
1 1
(10) Substituindo esse valor de e na Eq. (l 3) e observando que
dx
PeJa regra da cadeia,
1 dy d
Hl(x) - H 1(x 0 ) = lx
-'()
M(s) ds ,

H2(Y) dx = dx H2(y). (l l)
H 2 (y) - H 2 (y0 ) = fY N(s) ds,
Logo, podemos escrever a Eq. (10) na forma }Yo
d . obtemos
+ Hz(y)] (12)
dx [H 1 (x)

Integrando a Eq. (12), obtemos


= 0.
L<
~o
M(s) ds + I~· N(s) ds =O.
•o
(16)

H 1 (x) + H2 (v) =e, (13)


A Eq. (16) é uma representação implícita da solução da equação
onde e é uma constante arbitrária. Qualquer função diferenciá- diferencial (4) que também satisfaz a condição inicial (14). Você
vel y = </J(x) que satisfaça a Eq. (13) é uma solução da Eq. (4); deve ter em mente que, para a detenninação de uma fórmula
em outras palavras, a Eq. (13) define a solução implicitamente, explícita para a solução, é necessário que a Eq. (16) seja resolvi-
em vez de explicitamente. As funções H 1 e H 2 são primitivas da para y como função de x. Infelizmente, é muitas vezes impos-
arbitrárias de Me N, respectivamente. Na prática, a Eq . (13) é sível fazer isso analiticamente; em tais casos, pode-se recorrer a
obtida da Eq. (5), em geral, integrando-se a primeira parcela em métodos numéricos para se encontrar valores aproximados de y
relação a x e a segunda em relação a y. para valores dados de x.

Exemplo 2
Resolva o problema de valor inicial Para obter a solução explicitamente, precisamos resolver a Eq.
(l 9) para y em função de x. isso é fácil nesse caso, já que a Eq.
dy 3x 2 + 4x + 2 (l 9) é quadrática em y, e obtemos
- = - - - -- y(O) = -1, (17)
dx 2(y - 1)

e determine o intervalo no qual a solução existe. y = 1± Jx 3 + 2x 2 + 2x + 4. (20)


A equação diferencial pode ser escrita como A Eq. (20) fornece duas soluções da equação diferencial, mas
2(y - 1) dy = (3x 2 + 4x + 2) dx. apenas uma delas, no entanto, satisfaz a condição inicial dada.
Essa é a solução correspondente ao sinal de menos na Eq. (20) ,
Integrando a expressão à esquerda do sinal de igualdade em re- de modo que obtemos, finalmente,
lação a y e a expressão à direi ta em relação a x, obtemos

y2 - 2y = x 3 + 2x 2 + 2x +e, (18) y = ef> (x) = 1 - Jx 3 + 2x 2 + 2x + 4 (21)

onde e é uma constante arbitrária. Para determinar a solução que como solução do problema de valor inicial ( 17). Note que, se o
satisfaz a condição inicial dada, substituímos os valores x = O e sinal de mais for escolhido erroneamente na Eq. (20), então ob-
y = -1 na Eq. (18), obtendo e = 3. Portanto, a solução do pro-
temos a solução da mesma equação diferencial que satisfaz a con-
blema de valor inicial é dada implicitamente por dição inicial y(O) =
3. Finalmente, para determinar o intervaJo
no qual a soJução (21) é válida, precisamos encontrar o interva-
y2-2y = x 3 +2t 2 + 2t +3. (19) lo no qual a quantidade debaixo da raiz quadrada é positiva. O
26 Equat;iies Diferenciais de Primeira Ordem

único zero real dessa expressão é x = -2, logo, o intervalo de- ferencíal. Note que a fronteira do intervalo de existência da so-
sejado é x > -2. A Fig. 2.2.2 mostra a so1ução do problema de Jução (21) é deterntinado pelo ponto (-2, 1), no qual a reta tan-
valor inicial e algumas outras curvas integrais para a equação di- gente é vertical.

// I
1

FlC. 2.2.2 Curva~ integrais de y'


= (3x• + 4x + 2)/2(y - 1).

Exemplo 3
Resolva a equação integrando cada lado, multiplicando por 4 e rearrumando os ter-
3 mos, obtemos
dy '= 4X - X
(22) y4 + 16y + x4 - 8x2 = e,
dx 4 + y3 (23)
e desenhe gráficos de diversas curvas integrais. Encontre, tam- onde e é uma constante arbitrária. Qualquer função diferenciável
bém, a solução cujo gráfico contém o ponto (0, I) e determine y = </J(x) que satisfaz a Eq. (23) é uma solução da equação dife-
seu intervalo de validade. rencial (22). A Fig. 2.2.3 mostra gráficos da Eq. (23) para diver-
Escrevendo a Eq. (22) na forma sos valores de e.
(4 + y3)dy = (4x - x3)dx, Para encontrar a solução particular cujo gráfico contém (O, 1),

- -- -------~
\
\

\
\
\
\

FIG. 2.2.3 Curvas integrais de y' = (4x - x')/


(4y + y 1). A solução cujo gráfico contém (0, 1)
corresponde à curva mais grossa.
Equações Diferenciais dr Primeira Ordr.m 27

:::zemos x = O e y =
1 na Eq. (23), obtendo e = 17. Logo aso- dos do ponto inicial enquanto a função permanecer diferenciá-
~ :r;ão em questão é dada implicitamente por vel . Da figura vemos que o intervalo termina quando encontra-
mos pontos onde a reta tangente é vertical. Segue da equação
y 4 + 16y + x4 - 8x2 :::: 17. (24) diferencial (22) que esses são pontos onde 4 + y3 = O ou y =
( - 4) 113 ;;;: - 1,5874. Da Eq. (24), os valores correspondentes
Essa solução está ilustrada pela curva mais grossa na Fig. 2.2.3. de x são x ~ ±:3,3488. Esses pontos estão marcados no gráfico
O intervalo de validade dessa solução estende-se dos dois la- na Fig. 2.2.3

Algumas vezes uma equação da forma (2), Nos problemas de 9 a 20:


(a) Encontre a solução do problema de valor inicial em forma
dy explícita.
dx = f(x,y) (b) Desenhe o gráfir.;o da solução.
(e) Detennine. pelo menos aproximadamente, o intervalo no
=
rem uma solução constante y Yw Em geral, uma tal solução é qual a solução está definida.
iácil de encontrar, pois se.f{x, y 0) = Opara algum valor Yo e para A )
todos os valores de x, então a função constante y = y 0 é uma so-
lução da equação diferencial (2). Por exemplo, a equação
•v
9 · y' = (l - 2x)y2 ,
#2, l O. y' = (1 - 2x)/y,
y(O) = -1/6
y(l) = -2

dy = (y - 3) COS X
#l
11. x dx + ye - -'dy =O, y(O) = 1
2
dx 1 + 2y2 (25) #2 12. dr/d()= r /O, r(l) = 2
# 2 13. y' = 2x /(y + x 2y). y(O) = -2
tem a solução constante y = 3. Outras sol uç~es ~essa equação#(,. 14 _ y' = xy3(1 + x2) - 112, y(O) =1
podem ser encontradas separando-se as variáveis e integrando-se. ~ )
A investigação de uma equação de primeira ordem não-line- fi 0 15. y' = 2;r/(l + 2y), y(2) =o
ar pode ser facilitada, algumas vezes, considerando-se x e y como #(., 16. y' = x(x 2 + l)/4y 3 , y(O) = -1/./2
fuuções de uma terceira variável t. A ssim, ' "(_, 17. y' = (3x 2 - ex)/(2y - 5), y(O) 1 =
dy = dy/dt c26) I~ 18. y' = (e - x - e-'")/ (3 + 4y), y(O) = 1
dx dx/dt ll 19. sen2x dx + cos 3ydy =O, y(rr/2) rr/3 =
Se a equação diferencial for 16 20. y2(1-x 2) 112 dy=arcsenxdx , y(O) =l
dy F(x, y)
(27) Alguns dos resultados pedidos nos problemas de 21 a 28 podem ser
dx G (x, y) ' obtidos resolvendo-se a equação analiticamente ou colocando em um
então comparando-se numeradores e denominadores nas Eqs. gráfico ~~ximaçõcs da solução geradas numericamente. Tente fomuu
'26) ~ (27), obtemos 0 sistema . urna opmião sobre as vantagens e desvantagens de cada abordagem.
' 4•?, 21. Resolva o problema de valor inicial
dx/dt = G(x, y), dy/dt = F(x , y). (28)
y' = (1 +3x 2)/(3/ -
6y), y(O) = 1
À primeira vista, pode parecer improvável que um problema seja e determine o intervalo de validade da solução.
simplificado substituindo-se uma única equação por um par de Sugestão: Para encontrar o intervalo de definição, procure por
equações, mas, de fato, o sistema (28) pode ser muito mais fácil pontos onde a curva integral tem uma tangente vertical.
de tratar do que a Eq. (27) . O Cap. 9 trata sistema.,; não-lineares I ~;- 22. Re&olva o problema de valor inicial
da fonna (28).
Nota: No Exemplo 2 não foi difícil resolver explicitamente y' 3x 2 /(3y2 - 4), = y(I) =o
para y em função de x e determinar o intervalo exato de existên- e determine o intervalo de validade da solução.
cia da solução. Essa situação, no entanto, é excepcional e será Sugestão: Para encontrar o intervalo de definição, procure por
melhor, muitas vezes, deixar a solução em forma implícita, como . pontos onde a curva integral tem uma tangente vertical.
nos Exemplos l e 3. Assim, nos problemas a seguir e nas outras #!.
23. Resolva o problema de valor inicial
seções onde aparecem equações não-lineares, as palavras "resolva
a seguinte equação diferencial" significam encontrar a solução y' = 2y2 +xy2, y(O) 1 =
explicitamente se for conveniente, caso contrário, encontrar uma e determine onde a solução atinge seu valor núnimo.
equação que defina a solução implicitamente. ~?., 24. Resolva o problema de valor inicial
y' = (2 - e')/(3 + 2y). y(O) =O
e determine onde a solução atinge seu valor máximo.
· Problemas í(_, 25 . Resolva o problema de valor inicial
Nos problemas de l a 8, resolva a equação diferencial dada. y' = 2cos2x /(3 + 2y), y(O) = -1
1. y' = x2 /y 2. y' = x2 /y(I + x3) e determine onde a solução atinge seu valor máximo.
3. y' + y2 senx = O 4. y' = (3x 2 - 1)/(3 + 2y).2, 26. Resolva o problema de valor ini<.:ial
5. y' = (cos2 x)(cos 2 2y) 6. xy' = (1 _ y2)112
dy X- e-x dy x2 y' = 2(1 +x)(I + y2), y(O) =O
7. - -- 8.
dx y+e' dx = 1 + y2 e determine onde a solução atinge seu valor mínimo.
28 Equiu;ões Diferenciais de Primeira Ordem

~ 27. Considere o problema de valor inicial O método esquematizado no Problema 30 pode ser usado para qual -
quer equação homogênea, isto é, a substitui~o y = xt.(x) transfor-
y' = ty(4 - y)/3. y(O) = y0 . ma uma equação homogênea em uma equação separável. Essa últi-
(a) Determine como o comportamento da solução quando t ma pode ser resolvida por integração direta, e a substituição de vpor
aumenta depende do valor inicial y0 . ylx. depois, fornece a solução da equação original. Nos problemas
(b) Suponha que y 0 = 0,5 . Encontre o instante T no qual a solu- de 31 a 38:
ção atinge, pela primeira ve:1., o val0r 3,98.
(a) Mostre que a equação dada é homogênea.
1'2- 28. Considere o problema de valor inicial
(b) Resolva a equação diferencial.
y' = ty(4 - y)/0 + t), y(O) = y 0 >O. (c) Desenhe um campo de direções e algumas curvas integrais.
Eles ~ão simétricos em relação à origem'>
(a) Detennine o comportamento da solução quando t___,, ""'·
(b) Se y0 = 2, encontre o instante Tno qual a ~olução atinge, #"l 3 l. dy x 2 +xy + y2
pela primeira vez, o valor 3,99.
(c) Encontre o conjunto de valores iniciais para os quais a solu-
dx = x2

ção pertence ao ~ntervalo 3,99 < y < 4,01 no instante t = 2 . #l 32. dy x 2


+ 3y 2
29. Resolva a equaçao
- -
dx 2xy
dy ay + b dy 4y- 3x
fi2, 33.
=
dx = cy +d ' d.x 2x - y
onde a, b, e e d são constantes. dy 4.x + 3y
#('.· 34. dx == - 2x + y
Equações Homogêneas. Se a expressão ti direita do sinal de igual-
dy X+ 3y
dade na equação dyldx == fi..x, y) pode ser escrita em função apenas ~ 35. - =---
da razão yl:c, então a equação é dita homogênea.' Tais equações sem- dx .x - y
pre podem ser transformadas em equações separáveis por uma mu- I~ 36. (x 2 + 3xy + y2) dx - x 2 dy ==O
dança da variáveJ dependente. O Problema 30 ilustra como resolver
equações de prímeira ordem homogêneas. . dy
37 - =
#2,,
x 2 - 3y2
dx 2xy
.<{., 30. Considere a equação 2
dy y-4x ~l 38 . dy - 3y2- x
(i) dx 2.xy
dx "" X - y
(a) Mostre que a Eq. (i) pode ser escrita na forma
dy (y/x) - 4
(ii)
2.3 Modelagem com Equações
dx ::: l - (y j X) ;
d~,,erirn~ltª. Q~~m
logo, a Eq. (i) é homogênea.
{b) Defina uma nova variável dependente v tal que v = y/x, ou Equações diferenciais são interessantes para os não-matemáti-
y = xt(x). Expresse dy/dx em função de x. v e dlidx. cos principalmente devido à possibilidade de serem usadas para
(c) Substitua y e dy!dx na Eq. (ii) pelas expre~sões encontradas investigar uma ampla gama de problemas nas ciências físicas ,
no item {b) que envolvem ue dlid-r:. Mostre que a equação di- biológicas e sociais. Uma razão para isso é que os modelos ma-
ferencial resultante é temáticos e suas i.oluções levam a equações que relacionam as
dv V -4 variáveis e parâmetros do problema. Essas equações pem1item,
v+x-
dx
= --,
1- V muitas vezes, que se façam previsões sobre o comportamento do
processo natural em circunstâncias diversas. É fácil, com freqüên-
ou
cia, fazer com que os parâmetros no modelo matemático variem
2
dv v - 4 em intervalos grandes, mas isso pode ser um processo muito lon-
xdx=~ · (iíi)
go ou caro, ou até impossível. em um contexto experimental. De
qualquer jeito, a modelagem matemática e a experimentação ou
Observe que a Eq. (iii) é separável. observação têm, ambas, uma importância crítica e um papel um
(d) Resolva a Eq. (iii) obtendo 1.1 implicitamente em tennos de x.
tanto ou quanto complementar nas investigações científicas .
(e)Encontre a solução da Eq. (i) substituindo vpor yl.r na solu-
ção encontrada no item (d).
Modelos matemáticos são validados comparando-se suas previ-
(t) Desenhe um campo de direções e algumas curvas integrais sões com os resultados experimentais. Por outro lado, análises
para a Eq . {i). Lembre-se de que a expressão à direita do sinal matemáticas podem sugerir as direções mais promissoras a se-
de igualdade na Eq. (f) depende apenas da razão y!x. Isso sig- rem exploradas experimentalmente e podem indicar, com preci-
mfica que as curvas integrais têm tangentes com o mesmo co- são razoável, que dados experimentais serão mais úteis.
eficie11te angular em todos os pontos pertencentes a qualquer Nas Seções 1.1 e 1.2 fomiulamos e investigamos uns poucos
reta contendo a orígem, embora o coeficiente angular varie de modelos matemáticos simples. Começamos recapitulando e ex-
uma reta para outra. Portanto, o campo de direções e as curvas pandindo algumas das conclusões a que chegamos nessas seções.
integrais são simétricas em relação à origem. Ess::i propriedade Independente do campo específico de aplicação, existem três
de simetria é evidente no seu gráfico?
estágios identificáveis que estão sempre presentes no processo
de modelagem matemática.
1
A palavra "ho mogênea" tem •ignificadQs diferentes em contexms matemáticos diferentes.
As equações homogêneas consideradas aqui não têm nada a ver com '" equaçõt:s que vão
Construção do Modelo. Nesta etapa você traduz a situação físi-
aparecer no capítulo 3 e em outros lugares. ca em linguagem matemática, usando, muitas vezes, as etapas
Equaçõt>S Diferenciais de Primeira Orde.m 29

~:5tadas no final da Seção 1. 1. Talvez o mais crucial nesse está- seja muito difícil e, nesse caso, podem ser indicadas mais apro-
~o seja enunciar claramente o(s) princípio(s) físico(s) que, acre- ximações para tomar o problema tratável do ponto de vista ma-
iita-se, governa(m) o processo. Por exemplo, foi observado que, temático. Por exemplo, uma equação não-linear pode ser apro-
l!tn algumas circunstâncias, o calor passa de um corpo mais quen- ximada por uma linear, ou um coeficiente que varia lentamente
te para outro mais frio a uma razão proporcional à diferença en- pode ser substituído por uma constante. É claro que qualquer
tre as temperaturas, que objetos se movem de acordo com a lei aproximação desse tipo também tem que ser examinada do pon-
do movimento de Newton e que populações isoladas de inseto~ to de vista físico, para se ter certeza de que o problema matemá-
crescem a uma taxa proporcional à população atual. Cada uma tíco ainda reflete as características essenciais do processo físico
dessas afirmações envolve uma taxa de variação (derivada) e, em sendo investigado. Ao mesmo tempo, um conhecimento profundo
conseqüência, ao serem expressas matematicamente, levam a da física do problema pode sugerir aproxímações matemáticas
uma equação diferencial. A equação diferencial é um modelo razoáveis que tomarão o problema matemático mais fácil de
matemático do processo. analisar. Essa interação, entre a compreensão do fenômeno físi-
É importante compreender que as equações matemáticas são, co e o conhecimento das técnicas matemáticas e suas limitações,
quase sempre, descrições aproximadas do processo real. Por é característica da matemática aplicada de excelência e é indis-
exemplo, corpos movendo-se a velocidades comparáveis à ve- pensável para a construção bem-sucedida de modelos matemá-
locidade da luz não são governados pelas leis de Newton, as ticos úteis e processos físicos complexos.
populações de insetos não crescem indefinidamente como enun-
ciado devido a possíveis limitações no suprimento de comida e Comparação com Experimentos ou Observações. Finalmente,
a transferência de calor é afetada por outros fatores além da di- tendo obtido a solução (ou, pelo menos, alguma informação so-
ferença entre as temperaturas . De outro modo, pode-se adotar o bre ela), você precisa interpretar essa infonnação no contexto
ponto de vista de que equações matemáticas descrevem exata- onde o problema apareceu. Em particular, você deve sempre
mente a operação de um modelo físico simplificado, que foi cons- verificar que a solução matemática parece razoável do ponto de
D1lído (ou concebido) de modo a incorporar as características vista físico. Se possível, calcule a solução em pontos seleciona-
mais importantes do processo real . O proce~so de modelagem dos e compare-a com valores ob~rvados experimentalmente. Ou
matemática envolve, algumas vezes, a substituição conceituai de questione se o comportamento da solução após muito tempo é
um processo discreto por um contínuo. Por exemplo, o número consistente com as observações. Ou examine as soluções corres-
de elementos em uma população de insetos muda por quantida- pondentes a determinados valores especiais dos parâmetros no
des discretas; no entanto, se a população é grande, parece razo- problema. É claro que o fato de a solução matemática parecer
á,-el considerá-la como uma variável contínua e até falar sobre razoável não garante que esteja correta. No entanto, se as previ-
sua derivada. sões do modelo matemático são seriamente inconsistentes com
as observações do sistema físico que o modelo é suposto de des-
Análise do M<Jdelo. Uma vez formulado matematicamente o crever, isso sugere que foram feitos erros na resolução do pro-
processo, você se depara, muita~ vezes, com o problema de se blema matemático, que o modelo matemático precisa ser refina-
resolver uma ou mais equações diferenciais ou, se isso não for do, ou que as observações precisam ser feitas com mais cuidado.
possível, de descobrir tudo que for possível sobre as proprieda- Os exemplos nesta seção são típicos de aplicações onde apa-
des da solução. Pode acontecer que esse problema matemático recem equações diferenciais de primeira ordem.

Exemplo 1
Misturas r gal/min, i lb/gal
~o instante t =O, um tanque contém Q0 lb de sal dissolvido em
100 gal(cercade455 l); veja a Fig. 2.3.1. Suponha que água con-
tendo 1/4 lb (cerca de 1J3 g) de sal por galão está entrando no
tanque a uma taxa de r galões por minuto e que o líquido, bem
misturado, está saindo do tanque à mesma taxa. Escreva o pro-
blema de valor inicial que descreve esse fluxo . Encontre a quan-
tidade de sal Q(t) no tanque cm qualquer instante t e ache. tam-
bém, a quantidade Iimi te QLpresente após um período muito lon-
go de tempo. Se r = 3 e Q0 = 2QL• encontre o instante T após o
qual o nível de sal está dentro de uma faixa a 2% de QL. Encon-
tre, também, a taxa de fluxo necessária para que o valor de Tnão
exceda 45 minutos .
Vamos supor que o sal não é criado nem destruído no tanque.
Portanto, as variações na quantidade de sal devem-se, apenas, aos FIG. 2.3.1 O tanque de água do Exemplo l.
fluxos de entrada e saída no tanque. Mais precisamente, a taxa
de variação de sal no tanque, dQ!dt, é igual à razão de entrada
do sal menos a razão de saída. Em símbolos, A taxa de entrada no tanque é a concentração 114 Jb/gal vezes a
taxa do fluxo de entrada r gal/min, ou (r/4) lb/min. Para calcular
dQ a taxa de saída de sal do tanque, precisamos multiplicar a con-
dt = taxa de entrada - taxa de saída ( J)
centração de sal no tanque pela taxa do tl uxo de saída, r gallmin.
30 Equações Diferenciais de Primeira Ordem

Como as taxas dos fluxos de entrada e de saída são iguais, o Da Eq. (6) ou (7), você pode ver que Q(t) ~ 25 quando t ~ YJ,
volume de água no tanque permanece constante em l 00 galões logo o valor limíte QL é 25, confirmando nossa intuição física.
e, como o líquido está "bem mexido", a com:entração em todo o Além disso, Q(t) se aproxima mais rapidamente do limite quan-
tanque é a mesma, a saber, [Q(t)/100] lb/gal. Portanto, a taxa do r aumenta. Ao interpretar a solução (7), note que a segunda
segundo a qual o sal deixa o tanque é (rQ(t)/JOOJ lb/mín. Assim, parcela na expressão à direita do sinal de igualdade é a porção
a equação diferencial que governa esse processo é do sal original que permanece no instante t, enquanto a primeira
parcela fornece a quantidade de sal no tanque devido à ação dos
(2) processos de fluxo. A Fig. 2.3.2 mostra gráficos da solução para
r = 3 e diversos valores de Q0 .
A condição inicial é
= =
Suponha, agora, quer= 3 e Q0 2Q1. 50; então a Eq. (6)
fica
(3)
Q(t) = 25 + 25e-0 •03 '. (8)
Pensando sobre o problema do ponto de vista físico , podería-
mos antecipar que a mistura originalmente no tanque será subs- Como 2% de 25 é 0,5, queremos encontrar o instante 1' no qual
tituída, finahnente, pela mistura que está entrando, cuja concen- Q(t) tem o valor 25,5. Substituindo t = Te Q = 25,5 na Eq. (8)
tração é de 1/4 lb/gal. Em conseqüência, poderíamos esperar que e resolvendo para T, encontramos
a quantidade de sal no tanque, após um longo período, estará perto
de 25 lb. Podemos também encontrar a quantidade limite QL = T == (ln 50) /0,03 ~ 130,4 (min). (9)
25 igualando dQ!dt a zero na Eq. (2) e resolvendo a equação al- Para determinar r de modo que T = 45, volte àEq . (6) , faça t
gébrica resultante para Q. = 45, Q0 """ 50, Q(t) =:: 25,5 e resolva parar. O resultado é
Para resolver o problema analiticamente, note que a Eq. (2) é
linear e separável. Escrevendo-a na forma usual para uma equa- r :::: (l 00/45) ln 50 :::::= 8,69 gal/mín. ( 10)
ção linear, temos
Como esse exemplo é hipotético, a validade do modelo não
dQ rQ r está em questão. Se as taxas de fluxo são como enunciadas e se
-+-=-. (4)
a concentração de sal no tanque é uniforme, então a equação
dt 100 4
diferencial ( l) fornece uma descrição precisa do processo de flu-
Logo, o fator integrante é e''1100 e a solução geral é xo. Embora esse exemplo particular não tenha um significado
Q(t) = 25 + ce-r1,:wo . especial, modelos desse tipo são usados, freqüentemente, em
(5)
problemas envolvendo poluentes em um lago, ou quantidade de
onde e é uma constante arbitrária. Para satisfazer a condição ini- remédio em um órgão do corpo, por exemplo, em vez de um tan-
cial (3), precisamos escolher e = Q0 - 25. Portanto, a solução que de água salgada. Nesses casos, as taxas de fluxo podem não
do problema de valor inicial (2), (3) é ser fáceis de detenninar, ou podem variar com o tempo. Analo-
gamente, a concentração pode estar longe de ser uniforme em
Q(t) = 25 + (Q 0 - 25)e - rt /\ OO (6) alguns casos. Finalmente, as taxas de fluxo de entrada e de saída
ou podem ser diferentes, o que significa que a variação da quanti-
dade de líquido no problema também tem que ser levada em con-
sideração.

FIG. 2.3.2 Soluções do problema de valor inicial (2), (3) parar = 3 e diversos valore~ de Q0 .
Equações Diferenciais de Prlmeim O~dem 31

Exemplo 2
Juros Compostos TABELA 2.3.1 Crescimento de Capital a uma Taxa de
Rendimento der= 8% para Diversas Composições dos Juros
Suponha que uma certa quantidade de dinheiro é depositada em
um banco ou fundo de investimento que paga juros a uma taxa S(t)IS(t0 ) da Eq. (14) S(t)IS(t0 )
anual r. O valor S(t) do investimento em qualquer instante t de- Anos m=4 m=365 daEq.(13)
pende da freqüência na qual os juros são compostos, bem como 1 1,0824 1,0833 1,0833
da taxa de juros. Instituições financeiras têm políticas diferentes 2 1,1717 1,1735 1,1735
sobre a composição dos juros: algumas calculam os juros men- 5 1,4859 1,4918 1,4918
salmente, outras semanalmente, outras até diariamente. Se su- 10 2,2080 2,2253 2,2255
pusermos que os juros são calculados continuamente, podemos 20 4,8754 4,9522 4,9530
escrever um problema de valor inicial que descreva o crescimento 30 10,7652 11,0203 11,0232
do investimento. 40 23,7699 24,5239 24,5325
A taxa de variação do valor do investimento é dS/dt e essa
quantidade é igual à taxa segundo a qual o investimento aumen-
ta, que é a taxa de juros r vezes o valor corrente do investimento tram que a freqüência de cálculo não é particularmente impor-
S. Assim, tante na maioria dos casos. Por exemplo, durnnte um período de
dS/dt = rS (11) 1Oanos, a diferença entre o cálculo trimestral e o contínuo é de
R$ I 7 ,50 por R$ l 000,00 investidos, ou menos de R$2,00 por ano.
é a equação diferencial que governa o processo. Suponha que
A diferença seria um pouco maior para taxas de rendimento
sabemos, também, o valor do investimento em um instante par-
maiores e seria um pouco menor para taxas de rendimento me-
ticular, por exemplo,
nores. Pela primeira linha da tabela, vemos que, para a taxa de
S(O) = S0 • (12)
rendimento r = 8% , os juros compostos anuais calculados tri-
Enr.ão, a solução do problema de valor inicial (11), ( 12) nos dá o sal- mestralmente correspondem a 8,24% e os calculados diariamente
do S(t) na conta em qualquer instante t. Esse problema de valor inicial ou continuamente correspondem a 8,33% .
pode ser resolvido facilmente, já que a equação diterencial ( 11) é li- Voltando ao caso da composição contínua, vamos supor que
near e separável. Logo, resolvendo as Eqs. ( 11) e ( 12), encontramos podem existir depósitos e saques, além do acréscimo de juros,
dividendos ou ganhos de capital. Se supusennos que os depósi-
S(t) = S0 e,.' . (13)
tos ou saques são feitos a uma taxa constante k, então a Eq. ( 11)
Portanto, uma conta bancâría onde os juros são compostos con- é substituída por
tinuamente cresce exponencialmente.
Vamos comparar, agora, os resultados desse modelo contínuo com
dS/dr = rS + k,
a situação onde os juros são compostos em intervalos de tempo finitos. ou, em fonna padrão,
Se os juros são calculados uma vez por ano, então, após t anos, dS/dt - rS = k, (15)
S(t) = S0 (1 + r) 1
• onde a consr.ante k é positiva para depósitos e negativa para saques.
Se os juros são calculados duas vezes por ano, então, ao final de A Eq. (15) é claramente linear com fator integrante e- n, logo
6 meses, o valor do investimento é S0 [1 + (r/2)] e, ao final de 1 sua solução geral é
ano, é S0[J + (r/2)]2. Assim, ao final de t anos, temos S(t) = ce" - (k/r),

= S0 ( 1 + ~) ~
1
onde e é uma constante arbitrária. Para satisfazer a condição ini-
S(t)
cial (12), precisamos escolher e = S0 + (kfr) . Logo, a solução
Em geral, se os juros são calculados m vezes ao ano, então do problema de valor inicial (15), (12) é

r )m1
S(t) = S0 er + (k / r)(e" -
1
1). (16)
S(t) = S0 ( l + m (14) A primeira parcela na fónnula ( 16) é a parte de S(t) devida ao ren-
dimento acumulado sobre o investimento inicial S0 e a segunda
A relação entre as fórmulas (13) e (14) fica mais clara selem- parcela é a parte devida à taxa k de depósito ou saque.
brarmos, do cálculo, que A vantagem de enunciar o problema dessa forma geral, sem
valores específicos para S0, r ou k, é a generalidade da fónnula
lim S0 ( l + -mr )'"1 = S0 e'1 • resultante, ( 16), para S(t) . Com essa fórmula, podemos compa-
m-?oo rar, facílmente, os resultados de programas de investimento di-
ferentes ou taxas diferentes de rendimento.
Esse mesmo modelo pode ser aplicado da mesma forma a
Por exemplo, suponha que uma pessoa abre uma conta
investimentos em geral, onde se pode acumular dividendos e até
(PREV) para complementar sua aposentadoria com 25 anos e faz
ganhos de capital, além de juros. Devido a isso, vamos nos refe-
investimentos anuais de R$2000,00 daí para a frente de um modo
rir de agora em diante a r como sendo a taxa de rendimento.
contínuo. Supondo uma taxa de rendimento de 8% ao ano, qual
A Tabela 2.3. J mostra o efeito do aumento da freqüência de
será o saldo na conta PREV quando a pessoa tiver 65 anos? Te-
cálculo para uma taxa de rendimento r de 8%. As segunda e ter-
mos S0 =O, r = 0,08, k""' R$2000,00 e queremos determinar
ceira colunas são calculadas usando-se a Eq. ( 14) para o cálculo S(40). Da Eq. (16), temos
trimestral e o diário, respectivamente, e a quarta coluna é calcu-
lada pela Eq. (13) para o cálculo contínuo. Os resultados mos- S(40) = (25.000)(e 3•2 - 1) = $588.313. (17J
32 Equações Diferenciais de Primeira Ordtmt

É interessante observar que a quantia total investida é de te durante todo o período em questão, enquanto, de fato, ela pro-
R$80.000, de modo que a quantia a mais, R$508.313, resulta vavelmente flutuará bastante. Embora não possamos prever ta-
do rendimento acumulado sobre o investimento. O saldo depois xas futuras de maneira confiável, podemos usar a fórmula (16)
de 40 anos é bastante sensível à taxa suposta. Por exemplo, para determinar os efeitos aproximados das projeções de taxas
S(40) = R$508 .948 ser= 0,075 e S(40) "'"R$681.508 ser= diferentes. É possível, também, considerar re k na Eq. (15) como
0,085. funções de t, em vez de constantes; é claro que, nesse caso, a
V amos examinar, agora, as hipóteses que usamos no mode- solução pode ser muito mais complicada do que a Eq. ( 16).
lo. Primeiro, supusemos que o rendimento é composto continu- O problema de valor inicial (15), (12) e a solução (16) tam-
amente e que o capital adicional é investido continuamente. bém podem ser usados para analisar outras diversas situações
Nenhum desses fatos é verdadeiro em uma situação financeira financeiras, incluindo pensões, hipotecas, financiamentos de
real. Supusemos, também , que a taxa de rendimento ré constan- imóveis e financiamentos de carros.

Produtos Químicos em um Açude taxa de entrada= (5 x 106 ) gal/ano (2 + sen 2t) giga!. ( J8)
Considere um açude contendo, inicialmente, 1O milhões de ga-
lões (cerca de 45 milhões de litros) de água fresca . O açude re- A concentração de produtos químicos no açude é Q(t)l 101 g/gal ,
cebe um fluxo indesejável de produtos químicos a uma taxa de 5 de modo que a taxa de saída é
milhões de galões por ano e a mistura sai do açude a uma mes-
ma taxa. A concentração ')'(t) de produtos químicos na água que taxa de saída== (5 x 106 ) ga1/ano [Q(t)/10 7] g/gal (19)
. está entrando varia periodicamente com o tempo de acordo com = Q(t)/2 g/ano.
a fórmula ')'(t) = 2 + sen 2t g/gal. Construa um modelo mate-
mático desse processo de fluxo e detemúne a quantidade de pro- Obtemos. então, a equação diferencial
dutos químicos no açude em qualquer instante. Faça um gráfico
da solução e descreva, em palavras, o efeito da variação na con-
centração de produtos químicos entrando. ddQ = (5
t
x 106 )(2 + sen2t) - Q(t) ,
2 (20)
Como os fluxos de entrada e saída de água são iguais, a quan-
tidade de água no açude pennanece constante e igual a 107 ga- onde cada parcela tem unidades de g/ano.
lões. V amos denotar o tempo por t, medido em anos, e a quanti- Para tomar os coeficientes mais tratáveis, é conveniente usar
dade de produtos químicos por Q(t), medido em gramas. Esse uma nova variável dependente definida por q(t) = Q(t)ll O(J ou
exemplo é semelhante ao Exemplo l e ap1ica-5e o mesmo prin- Q(t) = 106 q(t). Isso significa que q(t) é medido em núlhões de
cípio de fluxos de entrada e saída. Assim, gramas, ou megagramas. Fazendo essa substituição na Eq. (20),
cada parcela passa a conter o fator 106 , que pode ser cancelado.
dQ
dt = taxa de entrada - taxa de saída Se trocarmos o lado da parcela envolvendo q(t), do lado direito,
em relação ao sinal de igualdade, para o esquerdo, temos, final-
mente,
onde "taxa de entrada" e "taxa de saída" se referem às taxas se-
gundo as quais os produtos químicos entram e saem do açude,
dq 1
respectivamente. A taxa segundo a qual os produtos químicos - + -q 10 + 5 sen 2t.
2 =
dt
(21)
entram é dada por

22
201------+-~-+-~--+-~--+---'~-l---''t----l-
l8
16
14
12
10
8
6
4
2
2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 t

FIG. 2.3.3 Solução do problema de valor inicial (21), (22).


I::qu~ões Diferencíais de Primeira Ordem 33

Originalmente, não existiam produtos químicos no açude, logo ]ores pequenos de t, mas diminui rapidamente quando t cresce.
a condição inicial é Mais tarde, a solução consiste em uma oscilação, devido às par-
(22) celas sen 2t ecos 2t, em torno do nível constante q = 20. Note
q(O) =O.
que, se a parcela sen 2t não estivesse presente na Eq. (21), então
A Eq. (21) é linear e, embora a expressão à direita do sinal de q = 20 seria a solllção de equilíbrio da equação.
igualdade seja uma função do tempo, o coeficiente de q(t) é cons- Vamos considerar, agora, o quão adequado é esse modelo
IaJite. Portanto, o fator integrante é e'ri.. Multiplicando a Eq. (21) matemático para esse problema. O modelo baseia-se em diver-
por esse fator e integrando a equação resultante, obtemos a solu- sas hipóteses ainda não enunciadas explicitamente. Em primeiro
~ão geral lugar, a quantidade de água no açude é inteiramente controla-
da pelas laxas de fluxo de entrada e saída - nada é perdido
q(t) = 20 - ~ coslt +~ sen2t + ce- 112 . (23) por evaporação ou absorção pelo solo e nada é acrescentado pe-
_.\ condição inicial (22) implica que e = - 300/ 17, logo a solu- las chllvas. O mesmo é válido para os prodlltos químicos; eles
ção do problema de valor inicial (21), (22) é entram e saem do açude, mas nem um pouco é absorvido por
peixes ou outros organismos que vivem no açude. Além disso,
q(t) = 20 - ~ cos 2t + ~ sen2t - 1~e - 1
3 1 2
• (24) supusemos que a concentração de produtos quínúcos no açude
é uniforme no açude inteiro. Se os resultados obtidos desse mo-
A Fig. 2.3.3 mostra o gráfico da solução (24) junto com a reta delo são precisos ou não depende fortemente da validade des-
q = 20. A parcela exponencial na solução é importante parava- sas hipóteses que simplificam o problema.
:.·:·.::•.•.·:.·

Exemplo 4
Velocidade de Escape Como não existem oulras forças agindo sobre o corpo, a equa-
ção de movimento é
Cm corpo de massa constante m é projetado para fora da Terra
c!m uma direção perpendicular à superfície da Terra com uma dv mgR 2
velocidade inicial 1..\J. Supondo desprezível a resistência do ar, mas m- -- ---~2 (26)
dt - (R+x) '
levando em consideração a variação do campo gravitacional da
Terra com a distância, encontre uma fórmula para a velocidade e a condição inicial é
desse corpo em movimento. Encontre, também, a velocidade (27)
v(O) = v0 .
inicial necessária para levantar o corpo até uma altitude máxima
dada~ acima da superfície da Terra e a menor velocidade inicial Infelizmente, a Eq. (26) envolve variáveis demais, já que de-
para a qual o corpo não retoma à Terra; essa última é a ''elod- pende de t, x e v. Para consertar essa situação, podemos eliminar
dade de escape. t úa Eq. (26) considerando x, em vez de t, como a variável inde-
Vamos colocar o eixo positivo dos x apontando para fora do cen- pendente. Precisamos expressar, então, dtldt em função de dv/
rro da Terra, ao longo da linha do movimento, com x = Ona super- dx pela regra da cadeia; logo,
ffcie da Terra; veja a Fig. 2.3.4. A figura está desenhada horizontal-
mente para lembrá-lo de que a gravidade está direcionada para o dv dvdx dv
- =--=v- .
centro da Terra, o que não é, necessariamente, para baixo de uma dt dx dt dx
perspectiva longe da superfície da Terra. A força gravitacional abrindo
e a Eq. (26) é substituída por
sobre o corpo (isto é, seu peso) é inversamente proporcional. ao qua-
drado da distância ao centro da Terra e é dada por w(x) = -kJ(x + dv gR 1
lJ - = ----- (28)
Rf, onde k é uma constante, Ré o raio da Terra e o sinal de menos dx (R+x) 2 .
significa que w (x) aponta na direção negativa dos x . Sabemos que,
na supetfície da Terra, w (O) é dada por - mR, onde R é a ac.:elcração A E:q. (28) é !leparável, mas não-linear, Iogo, separando as vari-
da gravidade no nível do mar. Portanto, k = mgR1 e áveis e integrando, obtemos

mgR 2 vi gR2
w(x) = - 2
. (25) - = - - +e. (29)
(R + x) 2 R +X
Como x = O quando t = O, a condição inicial (27) cm t = O pode
ser substituída pela condição v"" 1..\iquandox =O. Portanto, e=
(l.b 2/2) - gR e

~
2
2gR
(R + x )< V =± Vã - 2g R + --. (30)
- - - 0 - - - - -x R +x
m
Note que a Eq. (30) fornece a velocidade em função da altitude,
em vez. de em função do tempo. O sinal de mais tem que seres-
colhido se o corpo está subindo e o sinal de menos se o corpo
FIG. 2.3.4 Um corpo no campo gravitacioruil da Terra. está caindo de volta na Terra.
34 liqtta(<'ies Difercnciais de Primeira Ordem

Para determinar a altitude máxima atingida pelo corpo fazemos O valor numérico de v. é de, aproximadamente, 6,9 milhas/sou
v:::; O ex = gna Eq. (30} e depois resolvemos para g, obtendo 11,l km/s .
Esses cálculos para a velocidade de escape desprezam os
v 2R
~ = o 2 • (31) efeitos da resistência do ar, de modo que a velocida9e de esca-
2gR - v0 pe real (incluindo o efeito da resistência do ar) é um pouco
Resolvendo a Eq. (31) para l1J, encontramos a velocidade inicial maior. Por outro lado, a velocidade de escape efetiva pode ser
necessária para levantar o corpo até a altitude g, a saber, reduzida substancialmente se o corpo for transportado a uma
distância considerável acima do nível do mar antes de ser lan-

~ J2gR R+;
çado. Ambas as forças gravitacional e de atrito ficam bastante
v0 I; . (32) reduzidas; a resistência do ar, em particular, diminui rapidamen-
te quando a altitude aumenta. Você deve manter em mente,
A velocidade de escape v, é encontrada, então, fazendo-se g~ também, que pode ser impossível, na prática, dar uma veloci-
:x:. Temos, então, dade inicial muito grande instantaneamente; veículos espaci-
ais, por exemplo, recebem sua aceleração inicial durante um
ve = J2iii. (33) período de vários minutos.

Problemas 6. Suponha que um tanque contendo um determinado líquido tem


um dreno perto do fundo. Seja h(t) a altura da superfície acima
1. Considere um tanque usado cm determinados experimentos do dreno no instante t. O princípio de Torócelli 2 afim1a que a
bidrodinâmicos. Após um experimento, o tauque contém 200 velocidade v do fluxo no dreno é igual à velocidade de uma
litros de urna solução de tinta a urna concentração de 1 gil. Para partícula em queda livre (sem atrito) de uma altura h.
preparar para o próximo experimento, o tanque tem que ser (a) Mostre que v = jlgh, onde g é a aceleração da gravidade.
lavado com água fresca entrando a uma taxa de 2 litros por
(b) lgualando a taxa do íluxo no dreno à taxa de variação da
minuto, a solução bem misturada saindo à mesma taxa. Encon-
quantidade de líquido no tanque, mostre que h(r) satisfaz a
tre o tempo necessário para que a concentração de tinta no tan-
equação
que atinja 1% de seu valor original.
2. Um tanque contém, inicialmente, 120 litros de água pura. Uma dh 1-
mistura contendo urna concentração de y gil de sal entra no A(h) dt = -aa".12gh. (i)
tanque a uma taxa de 2 l/min e a solução, bem misturada, saí
do tanque à mesma taxa. Encontre uma fórmula, em função de onde A (h) é a área da seção reta do tanque à altura h e a é a área
y, para a quantidade de sal no tanque em qualquer instante t. da abertura do dreno. A constante a é o coeficiente de contra-
Encontre, também, a quantidade limite de sal no tanque quan- ção que considera o fato observado que a seção reta do jato de
do t--+ oo. líquido fluindo é menor do que a. O valor de a para a água é
3. Um tanque contém, originalmente, 100 galões (cerca de 455 ccrt:a de 0,6.
litros) de água fresca. É despejada, então, água no tanque con- (e) Considere um tanque de água com o formato de um cilin-
tendo 1/2 lb (cerca de 227 g) de sal por galão a uma taxa de 2 dro circular reto com 3 rn de altura acima do dreno . O tanque
galões por minuto e a mistura sai do tllllque à mesma taxa. Após tem 1 m de raio e o raio da abertura circular do dreno é de 0,1
10 minutos, o processo é parado e é despejada água fresca no m. Se o tanque está cheio de água inicialmente, determine quan-
tanque a uma taxa de 2 galões por min, com a mistura saindo, to tempo vai levar para esvaziar o tanque até o nível do dreno.
novamente, à mesma taxa. Encontre a quantidade de sal no tan- 7. Suponha que é investida uma quantia S0 a uma taxa de rendi-
que após mais 10 minutos. mento anual r composto contiilllamcnte.
4. Um tanque, com uma capacidade de 500 galões . contém, origi- (a) Encontre o tempo Tnecessário. em função der, para a quan-
nalmente, 200 galões (cerca de 91 Olitros) de uma solução de tia original dobrar de valor.
água com 100 lb (cerca de 45,4 kg) de sal. Uma solução de água (b) Determine Tsc r = 7%.
contendo l lb de sal por galão entra a uma taxa de 3 galões por (e) Encontre a taxa de rendimento que tem que ser usada para
minuto e pennite-se que a mistura saia a urrui taxa de 2 galões que o investimento inicial dobre em 8 anos.
por minuto. Encontre a quantidade de sal no tanque cm qual- 8. Um jovem, sem capital inicial, investe k reais por ano a uma
quer instante anterior ao instante em que o tanque começa a taxa ailllal de rendimento r. Suponha que os investimentos são
transbordar. Encontre a concentração (em libras por galão) de feitos continuamente e que o rendimento é composto continu-
sal no tanque quando ele está a ponto de transbordar. Compare amente .
essa concentração com o limite teórico de concentração se o (a) Determine a quantia S(t) acumulada em qualquer instante t.
tanque tivesse capacidade infinita. (b} Se r = 7,5%, determine k de modo que esteja disponível
Í2- 5. Um tanque contém IOO galões (cerca de 455 litros) de água e R$1 milhão para a aposentadoria após 40 anos.
50 onças (cerca de 1,42 kg) de sal. Água contendo uma con. (e} Se k = R$2000/ano, detem1ine a taxa de rendimento r que
centração de sal de 1/4 (l + 1/2 sen t) oz/gal entra no tanque a precisa ser aplicada para se ter R$1 milhão após 40 anos.
uma taxa de 2 galões por minuto e a mistura no tanque sai à 9. Uma pessoa, ao se formar na faculdade, pega R$8000 empres-
mesma taxa. tados para comprar um carro. A financeira cobra taxas de juros
(a) Encontre a quantidade de sal no tanque cm qualquer instmite. anuais de 10%. Supondo que os juros são compostos continua-
(b) Desenhe a solução para um período de tempo suficientemen-
te grande de modo que você possa ver o comportamento limite
da solução .
'Evangelista Torricelli ( 1608-1647), sucessor de C.l;tlil.eu como matemático da corte em Ho-
(c) O comportamento limite da solução é uma oscilação em
rcnça. publicou este resultado em 1644 . Ele iamti.:m ~ conhecido por ter constniído o pri·
tomo de um determinado nível constante. Qual é esse nível? meiro barômetro de mercllrio e por ter feito contribuições importantes na área de geome-
Qual a amplitude da oscilação? lria..
Equações D!feratdals de Primeira Ordem 35

mente e que a pessoa fa7. pagamentos contínuos a uma taxa (a) Se y(O) = 1, encontre (ou estime) o instante T no qual a
constante anual k, determine a taxa de pagamento k necessária população dobra. Escolha outra condição inicial e detennine se
para que o empréstimo seja pago cm 3 anos. Dctcnnine , tam- o tempo Tem que ela dobra depende da população inicial.
bém, o total de juros pagos durante o período de 3 anos. (b) Suponha que a taxa de crescimento é substituída pelo seu
1O. Um comprador de imóvel não pode pagar mais que R$800/mês valor médio 1/10. Detenninc o tempo 1 nesse caso .
para o financiamento de sua casa própria. Suponha que a taxa (c) Suponha que a parcela sen t na equação diferencial é subs-
de juros é de 9% ao ano e que o financiamento é de 20 anos. tituída por sen 2m, isto é, a variação na taxa de crescimento
Suponha que os juros são compostos continuamente e que os tem uma freqüência substanciahnentc maior. Qual o efeito dis-
paglilllentos também são feitos continuamente. so sobre o tempo cm que a população dobra?
(a) Detennine o empréstimo máximo que esse comprador pode (d) Faça os gráficos das soluções obtidas em (a), (b) e (c) em
pedir. um mesmo par de eixos.
(b) Determine os juros totais pagos durante todo o empréstimo. ~:, 15. Suponha que uma determinada população satisfaz o problema
·~ li. Uma pessoa recém-graduada obteve um empréstimo de de valor inicial
R$100.000 a uma taxa de 9% ao ano para comprar um aparta-
mento. Antecipando aumentos regulares de salário. o compra- dy/dt = r(t)y - k, y(O) Yo • =
dor espera efetuar pagamentos a uma taxa mensal de 800( 1 + onde a taxa de crescimento 1íJ) é dada por r(r) = ( 1 + sen t)/5
t/120) , onde ré o número de meses desde que o empréstimo foi e k representa a taxa predatória.
feito. (a) Suponha que k = 115 . Faça o gráfico de y em função de t
(a) Supondo que essa programação de pagamentos possa ser para diversos valores de y0 entre 1/2 e 1.
manúda, quando o empréstimo estará liquidado? (b) Estime a população inicial críúca y, abaixo da qual a popu-
(b) Supondo o mesmo programa de pagamento. qual o emprés- lação se toma extinta.
timo máximo que pode ser liquidado cm exatamente 20 anos? (c) Escolha outros valores para k e encontre o Yc corresponden-
12. Uma ferramenta importante em pesquisa arqueológica é a te para cada um deles.
datação por carbono radioativo desenvolvida pelo químico (d) Use os dados encontrados em (a) e (b) para fazer o gráfico
americano Willard F. Libby.3 Essa é uma maneira de determi - de y( em função de k.
nar a idade de restos de certas madeiras e plantas, assim como 16. A lei do resftiamento de Newton diz que a temperatura de um
de ossos, humanos ou de animais, ou de artefatos enterrados nos objeto muda a uma taxa proporcíonal à diferença entre sua tem-
mesmos níveis. A datação por carbono radioativo é baseada no peratura e a do ambiente que o rodeia. Suponha que a tempera-
fato de que algumas madeiras ou plantas contêm quantidades tura de uma xícara de café obedece à foi do resfriamento de
residuais de carbono-14, um isótopo radioativo do carbono. Esse Newton. Se o café estava a uma temperatura de 200ºF (cerca
isótopo é acwnulado durante a vida da planta e começa a decair de 93ºC) 5 ao ser colocado na xícara e, 1 minuto depois, esfriou
na sua morte. Como a meia-vida do carbono é longa (aproxi- para J90ºF ein uma sala a 70ºF, detennine quando o café atin-
madamente 5730 anos 4), podem ser medidas quantidades rema- __ ge a temperatura de 1:'\0ºF.
ncscentes de carbono-14 após muitos milhares de anos. Mesmo #&
17 . A transferência de calor de um corpo para o ambiente que o
que a fração da quantidade original de carbuno-14 ainda presen- rodeia por radição, segundo a lei de Stcfan-Boltzmann6 • é des-
te seja muito pequena, através de medidas adequadas feitas em crita pela equação diferencial
laboratório, a proporção da quantidade original de carbono-14
que permanece pode ser determinada precisamente. Em outras du
palavras. se Q(/) é a quantidade de carbono-14 no instante te se
= -a(u 4 - T"), dt (i)
Q0 é a quantidade original, então a razão Q(t)/º6 pude ser de-
terminada, pelo menos se essa quantidade não for pequena de- onde u(t) é a temperntura absoluta do corpo no instante t. T é a
mais. Técnicas atuais de medida permitem a utilização desse temperatura absoluta do ambiente e a é uma constante que de-
método para períodos de tempo até cm tomo de 50.000 anos ou pende dos parâmetros físicos corpo. No entanto, se u é muito
mais. maior do que T. então as soluções da Eq. (i) podem ser bem
(a) Supondo que Q satisfaz a equação diferencial Q' =- rQ . aproximadas pelas soluções da equação mais simples
detennine a constante de decaimento r para o carbono-14.
du
(b) Encontre uma expressão para Q(t) em qualquer instante t se - =- au 4 _ (ii)
Q(O) = Qo· dt
(c) Suponha que são descobertos certos restos de plantas nos Suponha que um corpo com temperatura inicial de 2000º K está
quais a quantidade residual atual de carbonu-14 é 20% da quan- imerso cm um meio à temperatura de 300ºK e que a :::: 2.0 X
tidade original. Determine a idade desses restos . 10 12 ºK->/s.
J3. A população de mosquitos cm detcmúnada área cresce a uma (a) Determine a temperatura do corpo em qualquer instante
taxa proporcional à popula<;ão atual e, na ausência de outros fa- resolvendo a Eq . (ii).
tores, a população dobra a cada semana. Existem. inicialmen- (b) Faça o gráfico deu em função de t.
te, 200.000 mosquitos na área e os predadores (pássaros, mor- (c) Encontre o instante Tno qual u(T) = 600, isto é, o dobro da
cegos, etc .) comem 20.000 mosquitos/dia. Determine a popu- tcmpcrnrura ambiente. Até esse instante, o erro na utilização da Eq.
lação de mosquitos na área em qualquer instante t. __ (ii) para aproximar a~ soluções da Eq. (i) não é maior do que 1%.
Suponha que uma detenninada população tem uma taxa de cres- 1 :.'. 18. Considere uma caixa isolada tcrmicamente (um edifício, talvez)
cimento que varia com o tempo e que essa população satisfaz a com temperatura interna u(t) . De acor<lo com a lei do resfria-
equação diferencial mento de Newton, u satisfaz a equação diferencial
dy/dt = (0,5 + sent)y/S. -
du
= - k[u - T(t)], (i)
dt

'Willard F. Libby (1908-1980) nasceu nu zona rural do Colorado, nos Estados Unidos. e
es1udou na Universidade da Califórnia em Berkeley. Começou a <lesenvol\'er o méludo de 'A f6m1ula que relaciona graus Fahrc11bei1 e graus Celsiu~ é (F - 32)/9 = C/5. (!V~ T. )
datação por caibono ra<liua1ivo em 1947 na Uni versidade de Chicago. Recebeu o Prêmio •Jozel Stefan ( 1835-1893), professor de Física.::m Viena, enunciou a lei de radinç!lo em bases
Nobel de química em L960 por esse trabalho. empírica' em 1879. Seu discípulo f.u<lwig Boltzml)nn ( 1844-1906) a deduziu teoricamente
' McGraw. Hill Encyc/opedia ofSdence ond Techrwiogy (8"' Ed,) (New York: Md}raw-HilL atrnvés dos princípios de termo<liuâmicu em 1884. Boltzm:lJ1n é mais conhecido por seu
1997), Vol. 5, p. 48. trabalho pioneiro em mecânica estatística.
36 Equações JJiferencíais de Primeira Ordem

onde T(J) é a temperatura ambicne (externa). Suponha que T(t) (b) Supondo que a bola não bate no prédio ao descer, encontre
varia scnoidalmcnte: por exemplo, suponha que T(t) = T 0 + o instante em que ela atinge o solo.
T1 cos wt. (c) Desenhe os gráficos da. velocidade e da. posição em função
(a) Resolva a Eq. (i) e expresse u(l) em função de t, k, T 0 , T 1 e .s: do tempo.
w. Observe que parte de sua solução tende a zero quando t tor- .- 0 21 . Suponha que as condições são como no Problema 20 exceto que
na-se muilo grande; essa 6 chamada de parte tnmsicntc. A par- existe uma força devido à resistência do ar de lt.A/30, onde vé a
le restante da solução é chamada de estado estacionário; deno- velocidade medida em mls. ·
te-a por S(t). (a) Encontre a altura máxima, acima do chão, atingida pela bola.
(b) Suponha que t é medido em horas e que w = 7T/l 2, corres- (b) Encontre o instante cm que a bola atinge o solo.
pondendo a um período de 24 horas parn T(t). Além disso, su- (c) Desenhe os gráficos da velocidade e da posição em função
ponha que T0 "" 60ºF (cerca de 15,5 ºC), T1 = l5 ºF (cerca de do tempo. Compare esses gráficos com os gráficos correspon-
-9.4ºC) ek = 0,2/h. Desenhe os gráficos de S(t) e T(t) em fun- , dentes do Problema 20.
ção de t no mesmo conjunto de eixos. A partir de seu gráfico, Íé 22. Suponha que as condições são como no Problema 20 exceto que
estime a amplitude R da parte oscilatória de S(t). Além disso, existe uma força devido à resistência do arde v/] 325. onde vé
estime a defasagem de tempo entre os máximos corresponden- a velocidade medida em m/s.
tes de T(t) e de S(t) . (a} Encontre a altura máxima, acima do chão. atingida pela bola.
(e) Suponha agora que k, T0 , T1 e w não estão especificados. (b) Encontre o instante em que a bola atinge o solo.
Escreva a parte oscilatória de S(t) na forma R cos [w(t - T)]. (c) Desenhe os gráficos da velocidade e da posição cm função
Use identidades trigonométricas para encontrar expressões para do tempo. Compare esses gráficos com os gráficos correspon-
R e T. Suponha que T, e w assumem os valores dados no item 4.--:' dentes dos Problemas 20 e 21.
(b) e desenhe os gráficos de R e T cm função de k. 9 ._,. 23. Um homem de l 80 lb (cerca de 82 kg) cai verticalmente de uma
19. Considere um lago de volume constante V con1endo, no instante altitude de 5000 ft (cerca de l 524 m) e abre o pára-quedas após
J, uma quantidade Q(I) de poluentes, distribuídos uniformemen- 1Osegundos de queda livre. Suponha que a força da resistência
te no lago, com uma concentração c(t), onde c(t) = Q(t)IV. Su- do ar é de 0,751tA quando o pára-quedas está fechado e de 1211~
ponha que entra no lago água contendo uma concentrnção k de quando está aberto, onde a velocidade v é medida em pés/s.
poluentes a uma taxa re que a água deixa o lago à mesma taxa. (a) Encontre a velocidade do homem quando o pára-quedas abre.
Suponha que os poluentes são, também, adicionados diretamen- (b) Encontre a distância que ele caiu até a abertura do pára-
te ao lago a uma taxa constante P. Note que as hipóteses feitas qucdas.
negligenciam uma s6ric de fatores que podem ser importantes em (c) Qual é a velocidade limite V1. depois que o pára-quedas abrc 9
alguns casos - por exemplo. a água adicionada ou perdida por (d) Detennine por quanto tempo o homem permanece no ar após
precipitação, absorção ou evaporação; o efeito estratificador de a abertura do pára-quedas.
diferenças de temperatura em um lago profundo: a tendência de (e) Faça o gráfico da velocidade cm função do tempo desde o
irrcgularid ades na costa produzirem baías protegidas; e o fato de início da queda até o homem atingir o solo.
que os poluentes não são depositados uniformemente no lago. 24. Um trenó foguete com velocidade inicial de 150 milhas/h (cer-
mas (em geral) cm pontos isolados de soa periferia. Os resulta- ca de 241 kmlhj tem sua velocidade diminuída por um canal
dos a seguir têm que ser interpretados levando-se em considera- de água. Suponha que durante o processo de freagem a acele-
ção que fatores desse tipo foram desprezados. ração a é dada por a( v) = - µ.i.l, onde v é a velocidade e µ.é
(a) Se. no instante t = O, a conçentrnção de poluentes é cQ. en- uma constante.
contre uma fórmula para a concentração c(t) cm qualquer ins- (a) Como no Exemplo 4 do texto, use a relação dddt = ii,dd
tante J. Qual a concentração limite quando t-"' ~ 9 dx) para escrever a equação de movimento em função deve de
(b) Se termina a adição de poluentes ao lago (k = O e P "" O .x.
pan1 t > O), determine o intervalo de tempo T necessário para (b) Se é necessária uma distância de 2000 pés (cerca de 6562
que a conccntn1ção de poluentes seja reduzida a 50% de seu m) para o trenó atingir a velocidade de 15 rnilhas/h. determine
valor original; e a 10% de seu valor original. o valor deµ..
(c) A Tabela 2.3.2 contém dados 7 para diversos lagos na região (e) Encontre o tempo T necessário para o trenó atingir a veloci-
dos grandes lagos americanos. Usando esses dados. determine, dade de 15 rnilhas/h.
do item (b), o tempo Tncccssário para reduzir a contaminação 25. Um corpo de massa cons lante m é projetado verticalmente para
de cada um desses lagos a 10% de seu valor original. cima com uma velocidade inicial l.\i em um meio que oferece
urna resistência kit.A, onde k é uma constante. Despreze mudan-
TABELA 2.3.2 Dados sobre Volume e ças na força gravitacional.
(a) Encontre a alturn máxima x,. atingid:i pelo corpo e o instan-
Fluxo nos Grandes Lagos Americanos te tm no qual essa altura máxima é atingida.
Lago V(km' X 103) r (km'/ano) (b) Mostre que. se kvJmg < l, então t., ex,. são iguais a

l~ 1 _ + ~ (kv 0 ·)~ _
Superior 12,2 65.2
Michigan 4,9 158 1 = v0 .!_ kv 0 . . ·],
Erie 0,46 175 m g 2 mg 3 mg

1·2· 20.
Ontário 1,6 209

Uma bola de massa 0.15 kg é atirada parn cima com velocida-


x = uo
"'
2

lg
l
~
I - ~ kvn
3 mg
+ ~
2
'
( k Vo).
mg
]
- . .. .

de inicial de 20 rnls do tcw de um cdifü:ío com 30 m de <iltura. (c) Mostre que a quantidade kvJmR 6 adimcnsional.
Despreze a resistência do ar. 26. Um corpo de ffillssa m é projetado vcrticalmcmepara cima com
(a)Encontre a altura máxima., acima do chão, atingida pela bola. uma velocidade inicial v0 em um meio que oferece uma resis-
tência kit.A, onde k é uma constante. Suponha que a atração gra-
vitacional da Terra é constante.
(a} Encontre a velocidade t.(t) do corpo em qualquer instante t.
'Esse problema bascia·sc no anig,o de R. H. Raincy, ''NarMal l>i.\plaament of l'ollurion
from tlie Great lAkes'". Science 155 ( 1961 ), pp. 1242-1243. <!e onde foi tirnda a infonnação (bJ Use o resultado do item (a) para calcular o limite de t.(tl
comida na tabela. quando k--+ O. islo é. quando a resistência do ar tende a zero.
Equações Diferenciais de Primeira Ordem 37

Esse resultado coincide com a velocí<la<le de uma massa m pro- (h) Encontre o tempo necessário para o foguete percorrer
jetada verticalmente para cima com uma velocidade inicial tt,
oo•~
(c) Use o resultado do item (a) para calcular o limite de tÚ)
..
# ·:
240.000 milhas (a distância aproximada da Terra à Lua). Su-
ponha que R = 4000 milhas.
30. Sejam t(t) e w(t), respectivamente, as componentes horizontal
quando m--> O, isto é, quando a ma~sa tende a zero. . e vertical da velocidade de uma hola de beisebol rehatida (ou
27. Três forças (veja a Fig. 2.3.5) agem em um corpo caindo em jogada). Na ausência de resistência do ar, ve w satisfazem as
um fluido relativamente denso (óleo. por exemplo): uma força equações diferenciais
de resistência R, uma força de empuxo B e seu peso w devido
dv/dt =O, dw/dt = -g.
à gravidade. A força <le empuxo é igual ao peso <lo tlui<lo deslo-
cado pelo objeto. Para um corpo esférico de raio a movendo-se (a) Mostre que
lemamente, a força de resistência é dada pela lei de Stokes• v = ucosA. w = -gt +uscnA ,
R = 61Tµ.altA, on<lc vé a velocidade do corpo eµ, é o coeficien-
te de viscosidade do fluido . onde ué a velocidade inicial da bola e A é o ângulo inicial de
elevação.
(b) Sejam x(I) e y(t), respectivamente, as coordenadas horizon-
tal e vertical da bola no instante t. Se x(O) "" O e y(O) "" h, en-
contre x(t) e y(t) em qualquer instante t.
(c) Sejam g"" 32 ft/s 1, u = 125 ft/s eh= 3 ft (1 ft tem, aproxi-
madamente, 30,5 cm). Desenhe a trajetória da bola para diver-
sos valores do ângulo inicial /\,isto é, faça o gráfico
paramétricorn de x(1) e y(t).
(d) Suponha que o muro que limita o campo externo está a uma
distância L e tem altura H. Encontre uma relação entre u e A
que tem que ser satisfeita para que a bola pa~se por cima do
muro.
(e) Suponha que L = 350 ft e H = 1O ft. Usando a relação no
item (dJ, encontre (ou estime através de um gráfico) o conjun-
to de valores de A que correspondem a uma velocidade inicial
•w u"" 110 fl/s .
l<'IG. 2.3.5 Um corpo caindo em um fluido denso. (f) Para L '-"'- 350 e li= l O, encontre a velocidade inicial míni-
ma u e o ângulo ótimo correspondente A para os quais a bola
passa por cima do muro.
(a) Encontre a velocidade limite de uma esfera sólida de raio a (/ ._, 31 · Um modelo mais realista (do que o do Problema 30) para a tra-
e densidade p em queda livre em um meio de densidade p' e jetória de uma bola de beisebol inclui a resistência do ar. Nesse
coeficiente de viscosidade µ,. caso, as equações de movimento são
(b) Em 1910, o físico americano R. A. Millikan9 estudou o mo -
vimento de gotículas minúsculas de óleo caindo em um campo
dv/ dt =- rn , dw/dt = -g - rw.
elétrico. O campo de intensidade E exerce uma força Ee em uma onde ré o coeficiente da resistência do ar.
gotícula com carga e. Suponha que E tenha sido ajustada de (a) Determine t(I) e W(t) em função da velocidade inicial u e
modo que a gotícula é mantida estacionária (v"" O) e que w e do ângulo inicial de elevação A.
B são corno descritos anteriormente. Encontre uma fórmula para (b) Encontre x(t) e y(t) se x(O) ""O e y(O) "" h.
e. Millikan repetiu esse experimento muitas vezes e foi capaz (c) Faça o gráfico da trajetória da bola parar= l /5, u "" I 25,
de deduzir a carga de um elétron a partir dos dados obtidos. h = 3 e diversos valores de/\ . Como essas trajetórias diferem
#-:_. 28. Uma massa de 0,25 kg cai, a partir do repouso. cm um meio das do Problema 30 com r "" O?
com uma resistência de 0,21tA, onde vé medida em m/s. (d) Supondo quer= 115 eh "" 3. encontre a velocidade inicial
(a) Se a massa cai de uma altura de 30 m, encontre sua veloci- mínima e o ângulo ótimo A para os quais a bola passa pur cima
dade ao atingir o solo. de um muro que dista 350 ft e tem l Oft de altura. Compare esse
(b) Se a massa oào atinge uma velocidade de mais <le 10 m/s, resultado com o do Problema 30(f).
encontre a altura máxima <la qual ela pode cair. 32. O Problema da Braquistócrona. Um dos problemas famosos
(c) Suponha que a força de resistência é kltA, onde v é medida na história da matemática é o problema da braquistócrona": en-
em m/s e k é uma constante. Se a massa cai de urna altura de 30 contrar a curva ao longo da qual uma partícula de~liza, sem fric-
me tem que atingir o solo com uma velocidade que não pode ção, cm tempo mínimo, de um ponto dado P para um outro ponto
ser maior do que 1O m/s, determine o coeficiente k. Q. o segundo ponto estando mais baixo do que o primeiro, mas
29. Suponha que um foguete é projetado da supertkie da Terra não diretamente abaixo (veja a Fig. 2.3.6). Esse problema foi
diretamente para cima com velocidade inicial v 0 = .J2gR , colocado por Johunn Bernoulli cm 1696 como um desafio aos
onde Ré o raio da Terra. Despreze a resistência do ar. matemáticos de sua época. Soluções corretas foram encontra-
(a) Encontre uma fónnula para a velocidade vem função da das por Johann Bernoulli e por seu irmão Jakob Bernoulli, além
distílnciax à superfície da Terra. de Isaac Newton, Gottfried Leibniz e Marquês de L'Hospital.
O problema da braquistócrona é importante no desenvolvimento
da matemática como um dos precursores do cálculo das varia-
ções.
'<Jeorgc Gabrie l Stokes (1819-1903), prokssor em Cambridge, foi um dos matemático' Para resolver esse problema, é conveniente colocar o ponto
.;qilicados mais imponances do século XIX. As equações básicas da mec1nica dos fluidos superior P na origem e orientar os eixos como na Fig. 2.3.6. O
equaçôe> de Navier-S1ok.e') levam seu nome. assim çomo um dos teorema' fundamentais
Jocálculo vet(•riaL 1-'oi, t.ambérn, um dos pioneiros no uso de séries divergentes (assimóti ca~),
um a.•sunlo de grande interesse e importância hoje em dia.
~obcrt A. Millikan (1868-1953) eGtUdou em Obertin College e 11a Univer<idade de Colúmbia.
}lais tarde fo i profes.or na Universidade de Chi cago e no ln>lit11tu de Tec nologia da 'ºDe,enhe o gráfico usando os eixos x e >"· cak11l•ndo pares (.\Ír), y( r)) paradiven;os valores
Califórnia. Seu trabalho contendo a dctcmiinaçao da carga de um elétron foi publi::ado em do parâmetro 1. (N.'f'.)
1910. Por esse e outros trabalhos sobre o efeito fotoeléui:.:o recebeu o Prêmio :-!obel em ' 'A palawa .. braquisc6crooa.. vem das pala\Tas grego' hracliislu5. que ,,ignitira o moi~ cur-
1923. to. e chronos. que significa tempo.
38 Equll{ões Difcrenciai~ de Prime.ira Ordr.m

p X co. Se você encontrar um problema de valor inicial durante a in-


vestigação de um problema físico, você pode querer saber se ele
tem solução antes de ga'ltar um bocado de tempo e esforço para
resolvê-lo. Além disso, se conseguir encontrar uma solução, você
pode estar interessado em saber se deve continuar a procurar ou-
tras soluções possíveis ou se pode ter certeza de que não existem
outras soluções. Para equações lineares, as respostas a essa<> per-
guntas são dadas pelo teorema fundamental a seguir.

y
Teorema 2.4.1 .. // .:.; :-:·;_;:: '.
••..·::.·.·.·.··.·
:·:~.:~ ;: ..... '

FIG. 2.3.6 A braquistócrona.


Se as funções p e g são continuas em tlfrfi~~~~lo aberto/'.
a < t < f3 contendo o ponto t = ta, etit~f~*fate uma única
ponto infcrjor Q tem coordenadas (x0 , y 0 ). É possível, então, função y = </>(t) que satisfaz a equaçãod~(er.'efü:íaI
mostrar que a curva de tempo mínimo é dada por uma função y y' + p(t)y = g(t) . (1)
= q,(,x) que satisfaz a equação diferencial ·. .·.···'

(i) para cada tem! e que também satisfaz a~o~ão ínicíal


1
onde k é uma certa constante positiva a ser determinada mais YUo) = Yo· (2)
tarde.
(a) Resolva a Eq. (i) pura y'. Por que é necessário escolher a onde y0 é um valor inicial arbitrário presento~ ·•·• ·
rai:.c quadrada positiva?
(b} Defina uma nova variável t pela relação
Observe que o Teorema 2.4.1 afirma que o problema deva-
y = k 2 sen 2 I . (ii)
lor inicial dado tem solução e, também, que tem apenas uma
Mostre que a equação encontrada em (a) fica, então, na forma solução. Em outras palavras, o teorema afirma tanto a existência
quanto a unicidade da solução do problema de valor inicial (1) ,
(iii)
(2). Além disso, ele diz que a solução existe em qualquer inter-
(c) Fa:.cendo () = 21, mostre que a solução daEq. (iii) para a qual valo /, contendo o ponto inicial 10 , no qual os coeficientes p e g
x "" Oquando y = O é dada por são contínuos. Isto é, a solução pode ser descontínua, ou deixar
de existir, apenas em pontos onde pelo menos uma das funções,
x = k2 (e - senB)/2, y = k 2 (1 - co~&) / 2 . (iv)
p ou g, é descontínua. Tais pontos podem ser identificados, com
As Eqs. (iv) são as equações paramétricas da solução daEq. (i) freqüência, com um simples olhar.
cujo gráfico contém o ponto (O, 0). O gráfico das Eqs. (iv) é A demonstração desse teorema está parcialmente contida na
chamado de dclótde. discussão, na Seção 2.1, que leva à fórmula [Eq. (32) na Seção
(d) Fazendo uma escolha apropriada da constante k, o gráfico 2.1]
da ciclóide também contém o ponto (xQ, yo) e é solução do pro-
blema da braquistócrona. Encontre k se x0 = 1 e Ya == 2.
µ(t)y = J
µ(t)g(t)dJ+c, (3)

onde LEq. (30) na Seção 2. IJ

2.4 Diferenças entre Equações


Lineares e Não'."Lineares
,·.···>>·:·:-·:·:·.·:···''
µ (t) == exp f p ( t) d t. (4)

A dedução na Seção 2.1 mostra que, se a Eq. (1) tem solução,


Até agora, esli vemos preocupados, principalmente, em mostrar então ela tem que ser dada pela Eq. (3). Analisando um pouco
que equações diferenciais de primeira ordem podem ser usadas mais a fundo essa dedução, podemos concluir, também, que a
para se investigar muitos tipos diferentes de pmblemas nasci- Eq. ( 1) tem que ter, de fato, solução. Como pé contínua para
ências naturais e apresentar métodos de resolução de tais equa- a < t < /3, µ.. está definida nesse intervalo e é uma função dife-
ções se elas forem lineares ou separáveis. Agora está na hora de renciável não-nula. Multiplicando a Eq. (1) por µ,(t), obtemos
voltar nossa atenção para questões mais gerais sobre equações
dífereuciais e de explorar, mais detalhadamente, alguma<> manei- fµ(t)yJ' = µ,(t)g(t). (5)
ras importantes em que as equações não-lineares diferem das li- Como ambas as funções µ..e g são contínuas, a função µ,g é in-
neares. tegráve1 e a Eq. (3) segue da Eq. (5). Além dísso, a integral de
µ,g é diferenciável, de modo que y dado pela Eq. (3) existe e é
Existência e Unicidade de Soluções. Discutimos, até agora, di- diferenciável no intervalo a < t < {3. Substituindo a fórmula
versos problemas de valor inicial, cada um dos quais tendo solu- paray dada pe1a Eq. (3) na Eq. (!)ou na Eq. (5), pode-se veri-
ção e, aparentemente, apenas uma solução. Isso nos leva a per- ficar facilmente que y satisfaz a equação diferencial no inter-
guntar se isso é verdade para todos os problemas de valor inicial valo a < t < f3. Finalmente, a condição inicial (2) determina a
para equações de primeira ordem. Em outras palavras. todo pro- constante e de maneira única, de modo que existe apenas uma
blema de valor inicial tem exatamente uma solução? Essa pode solução do problema de valor inicial, completando, então, a
ser uma pergunta relevante mesmo para quem uão é matemáti- demonstração.
Equuçóes Dlferenciuis de Primeiru Ordem 39

A Eq. (4) determina o fator integrante µ.(t) a menos de um fator


multiplicativo que depende do limite inferior de integração. Se
escolhermos esse limite inferior como sendo t0 , então

µ(t) = exp [ ' p(s) ds , (6)


lt)
Observe que as hipóteses no Teorema 2 .4. 2 se reduzem às do
e segue que µ,(t0 ) = 1. Usando o fator integrante dado pela Eq. Teorema 2.4. l se a equação diferencial for linear. De fato, nesse
(6) e escolhendo o limite inferior de integração na Eq. (3) tam- caso fi.t, y) = - p(t)y + g(t) e fi.t, y)I y = -p(t), de modo que a
bém como t°' obtemos a solução geral da Eq. ( l) na forma continuidade de .fe de fl }'é equivalente à continuidade de p e
g. A demonstração do Teorema 2.4.1 foi relativamente simples
1
y = - - [ í' µ(s)g(s)ds+c] (7) porque pôde se basear na fórmula (3) que dá a solução para uma
µ(t) lio equação linear arbitrária. Não existe fórmula correspondente para
Para satisfazer a condição inicial (2), precisamos escolher e = a solução da equação diferencial (9), de modo que a demonstra-
y0 . Assim, a solução do problema de valor inicial (l ), (2) é ção do Teorema 2.4.2 é muito mais difícil. Ela é discutida, até
certo ponto, na Seção 2.8, e em maior profundidade em livros

)' = µ~t) [f~µ(s)g(s)ds+ _v 0 J (8)


mais avançados de equações diferenciais.
Observamos que as condições enunciadas no Teorema 2.4.2
são suficientes, mas não necessárias, para garantir a existência
onde µ,(t) é dado pela Eq. (6). de uma única solução do problema de valor inicial (9) em algum
Considerando, agora, equações diferenciais não-lineares, pre- intervalo t0 - h < t < t0 + h. Isto é, a conclusão permanece válida
cisamos substituir o Teorema 2.4.1 por um teorema mais geral, sob hipóteses ligeiramente mais fracas sobre a função f De fato,
tal como o seguinte: a existência de uma solução (mas não sua unicidade) pode ser
estabelecida baseando-se apenas na continuidade def
Uma conseqüência geométrica importante da unicidade nos
Teoremas 2.4.1 e 2.4.2 é que os gráficos de duas soluções não
~ijponha que as funçõesfe fl y são contínuas em umret.ân- podem se intersectar. Caso contrário, ex.istiriam duas soluções
gruo a< t < (3, ')' < y < ô contendo o ponto (t 0, y0) . Então, satisfazendo a condição inicial correspondente ao ponto de in-
~fü: hlgum intervalo
,,·.;._.·.·,,
t0 - h < t < t0 + h contido em d < t < . terseção, contradizendo o Teorema 2.4,l ou o 2.4.2.
_··-:-·:·:·· Vamos considerar alguns exemplos.

·Exemplo 1
Use o Teorema 2.4.1 para encontrar um intervalo no qual o pro- Teorema 2.4. l garante que o problema ( 1O), ( 11) tem uma única
blema de valor inicial solução no intervalo O< t < oo _ No Exemplo 3 da Seção 2.1 vi-
mos que a solução desse problema de valor inicial é
ty' + 2y = 4t 2 , (10)
y(I) = 2 (l 1) y=r 2 +~. t>O. (12)
t
tem uma única solução.
Escrevendo a Eq. ( J O) na forma padrão ( 1), temos Suponha, agora, que a condição inicial é modificada para
y(-1) = 2. Então, o Teorema 2.4. l garante a existência de uma
+ (2/t)y = 4t,
y' única solução para t <O. Como você pode verificar facilmente,
de modo que p(t) = 2/t e g(t) = 4t. Logo, para essa equação, g é a solução é dada, novamente, pela Eq. ( 12) mas, agora, no inter-
contínua para todo t, enquanto p é contínua apenas para t < O ou valo -oo < t < O.
t > O. O intervalo t > O contém a condição inicial, portanto, o

' Exemplo 2
Aplique o Teorema 2.4.2 ao problema de valor inicial 3x 2 + 4x + 2 af 2
f(x Y) -
·· - 2ü - i) • ay
-(x,y) = - 3x2cy+ -4x1)+2 2 .
dy 3x 2 + 4x + 2
-= y(O) = -1. (13)
dx 2(y - 1)
Assim, cada uma dessas funções é contínua em toda parte exce-
Note que o Teorema 2.4. l não se aplica a esse problema, já to na reta)' = 1. Em conseqüência, pode-se desenhar um re-
que a equação diferencial não é linear. Para aplicar o Teorema tângulo contendo o ponto inicial (O, -1) no qual ambas f e
2.4.2, observe que ~flay são contínuas. Portanto, o Teorema 2.4.2 garante que o
40 Equações Diferenciais de Primeira Ordem

problema de valor inicial tem uma única solução em algum in- modificado. No entanto, se separarmos as variáveis e integrar-
tervalo em tomo de x = O. No entanto, mesmo que o retângulo mos, como na Seção 2.2, encontramos que
possa ser esticado infinitamente nas direções dos x positivo e
negativo, isso não significa, necessariamente, que a solução y~' - 2y ::: r \
+ 2.c? + 2.x +e.
existe para todo x. De fato, o problema de valor inicial ( 13) foi =
Além disso, se x Oe y = J. então e = - J. Finalmente, resol-
resolvido no Exemplo 2 da Seção 2.2 e a solução existe apenas vendo para y, obtemos
parax > -2.
Suponha, agora, que mudamos a condição inicial para y(O) = (14)
l. O ponto inicial pertence, agora, à reta y =
1, de modo que não
é possível desenhar nenhum retângulo contendo esse ponto den- A Eq. (14) fornece duas funções que satisfazem a equação dife-
tro do qual/ e aflay são contínuas. Em conseqüência, o Teorema rencial dada para x > O e que também satisfazem a condição
2.4.2 não diz nada sobre soluções possíveis desse problema inicial y(O) = 1.

Exemplo3
Considere o problema de valor inicial é ainda outra solução. De fato, não é difícil mostrar que, para
qualquer t0 positivo, as funções
y' = yl/3, y(O) =O (15)
O, se O :=:: t < t0 ,
para t ;;:-: O. Aplique o Teorema 2.4.2 a esse problema de valor Y = X(t) = { [2 J112 (19)
inicial e depois resolva o problema. ± 3 (t - t0 ) • se t ?: t0
A funçãoj{t, y) = y 111 é contínua em toda a parte mas iJflõy =
y - 213/3 não existe 4uando y = O, logo não é contínua aí. Assim, o
são contínuas, diferenciáveis (em particular em t =
t0 ) e solu-
ções do problema de valor inicial (15). Portanto, esse problema
Teorema 2.4.2 não se aplica a esse problema e não podemos con-
tem uma fanu1ia infinita de soluções; veja a Fig. 2.4. l, onde apa-
cluir nada dele. No entanto, pela observação após o Teorema 2.4.2,
recem algumas dessas soluções.
a continuidade de/garante a existência de soluções, embora não
Como já observamos, a não unicidade das soluções do proble-
garanta a unicidade.
ma (15) não contradiz o teorema de existência e unicidade, já que
Para compreender a situação mais claramente, predsamos re-
o teorema não é aplicável se o ponto inü:ial pertence ao eixo dos t.
solver, de fato, o problema, o que é fácil de fazer, já 4ue a equa-
Se (t11 , y0 ) é qualquer ponto que não pertence ao eixo dos t, no en-
ção é separável. Temos, então,
tanto, então o teorema garante que existe uma única solução da
y-lf3Jy = dt, equação diferencial y' = y1 13 cujo gráfo.:o contém o ponto (t0, y0).

logo

~y2 13 ;::: t +e
e
1
= [~(t + c)]J/2 .
y

A condição inicial é satisfeita se e = O, de modo que

2 )~/2
y = 4J, (t) = ( 3! ' t:::: o (16)

satisfaz ambas as Eqs. (15). Por outro lado, a função

t ~o (17) -1

é, também. uma solução do problema de valor inicial. Além dis-


so, a função
y = 1/f(t)::: O, t?: o (18) FIG.2.4.1 Diversas soluções do problema de valorinicialy' = y 11J, y(ü) =O. '.

Intervalo de Definição. De acordo com o Teorema 2.4. l, a so- assíntotas verticais ou outras descontinuidades na solução só po-
lução da equação linear (l ), dem ocorrer em pontos de descontinuidade de p ou de p,. Por
exemplo, as soluções no Exemplo l (com uma exceção) são as-
y' + p(t)y = g(t), sintóticas ao eixo dos y, correspondendo à descontinuidade em t
sujeita à condição inicial y(t0 ) = y 0 , existe em 4ual4uer intervalo =O do coeficiente p(t) = 2/t, mas nenhuma das soluções deixa
em tomo de t = t0 no 4ual as funções p e p, são contínuas. Assim, de existir ou de ser diferenciável em outro ponto. A solução ex-
I:quaçôes Diferenciais de Piimei,.a Ordem 41

~epcional mostra que as soluções podem permanecer contínuas, em uma região na qual as hipóteses do Teorema 2.4.2 são satis-
.llgumas vezes, mesmo nos pontos de descontinuidade dos coe- feitas. Isso é o que determina o valor de h no teorema. No entan-
ficientes . to, como c/J(t) não é conhecida em geral, pode ser impossível
Por outro lado, para um problema de valor inicial não-linear localizar o ponto [t, c/J{t)] em relação a essa região. De qualquer
satisfazendo as hipóteses do Teorema 2.4.2, o intervalo no qual jeito, o intervalo no qual existe uma solução pode não ter uma
a solução existe pode ser difícil de determinar. A solução y = relação simples com a função fna equação diferencial y' = j(t,
tb(t) existe, com certeza, enquanto o ponto [t, lf>(t)] pem1anece y) . lsso é ilustrado pelo exemplo a seguir.

Exemplo 4
Resolva o problema de valor inicial é a solução do problema de valor inicial dado. É claro que aso-
lução torna-se ilimitada quando t-+ l; portanto, a solução exis-
.y' = .)'2 , y(O) = l. (20) te apenas no intervalo -~ < t < 1. Não existe, no entanto, ne-
e determine o intervalo no qual a solução existe. nhuma indicação na equação diferencial propriamente dita de que
O Teorema 2.4.2 garante que esse problema tem solução úni- =
o ponto t 1 é especial de algum modo. Além disso, se a condi-
ca, já qucj{t, y) = y2 e 1ifl<iy = 2y são contínuas cm toda a parte. ção inicial for substituída por
Para encontrar a solução, separamos as variáveis e integramos,
obtendo y(O) = y0 , (24)

(21) então a constante e na Eq. (22) tem que ser escolhida como e =
- lly0 , e segue que

-y- 1 =t+c. Yo (25)


y""
1 - Yot
Então, resolvendo para y, temos
é a solução do problema de valor inicial com condição inicial (24 ).
1 Note que a solução (25) toma-se ilimitada quando t ~ 1/y0, de
y=::: - - - . (22)
· t +e modo que o intervalo de existência dessa solução é -oc < t < li
Para satisfazer a condição inicial, precisamos escolher e = - 1, logo y 0 se y 0 >O e é lly0 < t < oc se y0 < O. Esse exemplo ilustra uma
outra característica de equações não-lineares: as singularidades
1 da solução podem depender, de modo essencial, tanto das con-
y==-- (23)
1- t dições iniciais quanto da equação diferencial.

Solução Geral. Uma outra maneira na qual as equações lineares tituindo-se, simplesmente, o valor apropriado de t na equação.
e não-lineares diferem é cm relação ao conceito de solução ge- A situação para equações não-lineares é muito menos satisfató-
ral. Para uma equação linear de primeira ordem, pode-se obter ria. Em geral, o melhor que podemos esperar é encontrar uma
uma solução contendo uma constante arbitrária, a partir da qual equação
obtêm-se todas as soluções possíveis atribuindo-se valores a essa
constante. Para equações não-lineares, isso pode não acontecer; F(t,y)=O (26)
mesmo que se cn<.:ontrc uma solução contendo uma constante
arbitrária, podem existir outras soluções que não podem ser ob- envolvendo te y que é saúsfeita pela solução y = <f>(t). E isso
tidas atribuindo-se valores a essa constante. Por exemplo, para a pode ser feito apenas para equações diferenciais de detemtina-
equação diferencial y' "" y no Exemplo 4, a fórmula na Eq. (22) dos tipos específicos, das quais as equações separáveis são as
contém uma constante arbitrária, mas não inclui todas as solu- mais importantes. A Eq. (26) é dita uma integral, ou a primeira
ções da equação diferencial. Para ver isso, note que a função y integral, da equação diferencial e (como já observamos) seu grá-
= Opara todo t é certamente uma solução da equação diferenci- fico é uma curva integral, ou, talvez, umafamfüa de curvas inte-
al, mas não pode ser obtida da Eq. (22) atribuindo-se um valor grais . Supondo que a Eq. (26) possa ser encontrada, ela define a
para e. Poderíamos antecipar que algo desse tipo fosse acontecer solução implicitamente, isto é. para cada valor de t, precisamos
nesse exemplo, já que, ao colocar a equação na fom1a (21), preci- resolver a Eq. (26) para encontrar o valor correspondente de y.
samos supor que y não é zero. No entanto, a existência de solu- Se a Eq. (26) for suficientemente simples, pode ser possível rc-
ções "adicionais" não é raro para equações não-lineares; um exem- so 1ver para y por métodos analíticos obtendo-se, assim, uma fór-
plo menos óbvio é dado no Problema 22. Portanto, usaremos a ex- mula explícita para a solução. No entanto, na maioria das vezes,
pressão "solução geral" apenas ao discutir equações lineares. isso não será possível e você terá que recorrer a cálculos numéri-
cos para determinar o valor de y para um valor dado de t. Uma vez
Soluçõe,ç Implícitas. Lembre-se novamente de que, para um pro- calculados diversos pares de valores de t e de y, muitas vezes é
blema de valor inicial para uma equação linear de primeira or- útil colocá-los em um gráfico e traçar uma curva integral que os
dem, a Eq . (8) fornece uma fórmula explícita para a solução y = contém. Você deveria fazer isso em um computador, se possível.
</J(t). Desde que as primitivas necessárias sejam encontradas, o Os Exemplos 2, 3 e 4 são problemas não-lineares nos quais é
valor da solução em qualquer ponto pode ser determinado subs- fácil obter uma fórmula explícita para a solução y = <P(t). Por
42 Equações Diferenciais de Primeira Ordem

outro lado, os Exemplos l e 3 na Seção 2.2 são casos nos quais Problemas
é melhor deixar a so1ução em forma implícita e usar meios nu-
méricos para calculá-la para valores particulares da variável in- Nos problemas de l a 6. dctennine (sem resolver o problema) um
dependente. Essa última situação é mais típica; a menos que a intervalo no qual a solução do problema de valor inicial dado certa-
relação implícita seja quadrática em y, ou tenha outra forma mente existe.
particulannente simples, as chances são de que ela não pode-
rá ser resolvida exatamente por mélodos analíticos. De fato, 1. <t-3Jy'+Ont)y=2t . _v0 ) =2
na maior parte dos casos, é impossível encontrar uma fórmula 2. t(f - 4)y' + y =O, y(2) =- !
implícita para a solução de uma equação não-linear de primeira 3 . y'+(tgt)y:::senl, \'(.7r)=0
ordem. =
4. (4 - t\1.r + 2ty 31 2 , y(-3) = l
5_ (4-t 2 )y'+2ty=3tz. y(l) =-3
Construção Gráfica ou Numérica de Curvas Integrais. Devi- 6. (lnt)y'+y=cotgt. y(2)=3
do à dificuldade em se obter soluções analíticas exatas de equa-
ções diferenciais não-lineares, métodos que geram soluções Nos problemas de 7 a 12, determine a região do plano ty onde as
aproximadas ou outras informações qualitativas sobre as solu- hipóteses do Teorema 2.4.2 são satisfeitas.
ções têm uma importância correspondentemente maior. Já vi-
mos, na Seção l . l , como construir campos de direções pam uma r f - Y
7. Y = - - - 8. y':::(l-t2 - / ) ! /2
equação diferencial. O campo de direções mostra, muitas ve- . 2t + 5y
zes, a forma qualitativa das soluções e pode ajudar, também, a ln ltyj
9, y' = !O. y' = (t2 + y2)3;2
ídentíficar regiões no plano ty onde as soluções apresentam
características interessantes que merecem uma investigação
1- ,2+ y2
analítica ou numérica mais profunda. A Seção 2.5 discute mais dy 1+ [2 dy (cotg t)y
11. 12 . -=
métodos gráficos para equações de primeira ordem. É dada, na dt = 3y - )'2 dr l+y
Seção 2.7, uma introdução a métodos numéricos para equações
de primeira ordem, e uma discussão sistemática de métodos Nos problemas de l3 a 16, resolva o problema de valor inicial dado
numéricos aparece nu Cap. 8. No entanto, não é necessário e detcmúnc de que modo o intervalo no qual a solução existe de-
estudar os algoritmos numéricos propriamente ditos para usar pende do valor inicial y0 •
efetivamente um dos muitos pacotes de programas que geram
e fazem os gráficos de aproximações de soluções de problemas 13. y' = -41/y , y(O) = Yo
de valor inicial. 14. y' = 21/, y(O) = Yo
Resumo. A equação linear y' + p(t)y = g(t) tem diversas pro- 15 . v'•
+ v·~ =O
• !
y(O) = "
~ ro

priedades boas que podem ser resumidas nas seguintes afirma- 16. y ' = t /y(1 2
+ tJ), y(O) = Yo
ções:
Nos problemas de 17 a 20, desenhe um campo de direções e faça
1. Supondo que os coeficiente!; são contínuos, existe uma solu- um gráfico (ou esboço do gráfico) de diversas soluções da cqwação
ção geral contendo urna constante arbitrária que inclui todas diferencial. Descreva como as soluções parecem se comportar quan-
as soluções da equação diferencial. Uma solução particular do t cresce e como esse comportamento depende do valor inicial Yu
que satisfaz uma condição inicial dada pode ser obtida esco- quando t =- O.
lhendo-se o valor apropriado da constante arbitrária. í 2 17 y ' = ty(3 - y) #l- 18. y' = y(3 - ty)
2. Existe uma fórmula para a solução, a saber, Eq. (7) ou Eq. (8). ' ·
A1ém disso, embora envolva duas integrações, a fóm1ula para #),. 19. y' = -y(3 - ty) #l 20. y' =t - l - y2
a solução y = <f>(t) é explícita, em ver. <le ser uma equação que
21. Considere o problema de valor inicial y' ""' yw , y(O) = O do
define <P implicitamente.
Exemplo 3 no texto.
3. Os possíveis pontos de descontinuidade, ou singularidades, (a) Existe uma solução cujo gráfico contém o ponto { l, 1)? Se
da solução podem ser identificados (sem resolver o proble- existir, encontre-a.
ma) encontrando-se, simplesmente, os pontos de descon- (b) Existe uma solução cujo gráfico contém o ponto (2, 1)? Se
tinuidade dos coeficientes. Dessa forma, se os coeficientes existir, encontre-a.
forem contínuos para todo t, então a solução existe e é contí- (e) Considere todas as soluções possíveis do problema deva-
nua para todo t. lor inicial dado. Dctcnninc o conjunto de valores que essas
soluções ;issumem cm t = 2.
Nenhuma dessas afirmações é verdadeira, em geral, para equa- 22. (a) Verifique que mnbas as funções y 1(t) "' 1 - te y2(t) = - f/4
ções não-lineares. Embora uma equação não-linear possa ter uma são soluções do problema de valor inicial
solução envolvendo uma constante arbitrária, podem existir ou-
tros tipos de solução. Não existe fórmula geral para soluções de _, + (12 + 4y) l/2
y'=-------
2
y(l) == -l.
equações não-1ineares. Se você for capaz de integrar wna equa-
ção não-linear, provavelmente obterá uma equação que define
Onde essas soluções são válidas?
soluções implicitamente, ao invés de explicitamente. Finalmen- (h) Explique por que a existência de duas soluções do pro
te, as singularidades das soluções de equações não-lineares po- blema dado não contradiz a parte de unicidade do Teorem;
dem ser encontradas, em geral, só quando se resolve a equação e 2.4 .2.
se examina a solução. É provável que as singularidades depen- (e) Mostre que y = cl + c2, onde e é uma constante arbitrárit
rutm tanto da condição inicial quanto da equação diferencial. satisfaz a equação diferencial no item (a) para t ~ -2c. Se e ~
Equações Diferenciais de Primeira Ordem 43

- 1, a condição inicial também é satisfeita e obtém-se a solu- const<'ntes arbitrárias. Os dois problemas a seguir ilustram essa si-
ção y = y 1(1). Mostre que não existe escolha de e que forneça a tuação. Observe que, em cada caso, é impossível fazer com que y'
segunda so!uçào, y = yil) . também seja contínua em 10 .
23. (a) Mostre que r/J(f) = e 2' é uma solução de y' - 2y = O e que 32. Resolva o problema de valor inicial
y = e ./><.t) também é solução dessa equação para qualquer va-
y' + 2y = g(I), y(O) = 0.
lor da constante e.
(b) Mostre que r/J(f) = llt é uma solução de y' + yi = O para onde
l > O, mas que y = e </J(t) não é solução dessa equação a menos
que e = Oou e= 1. Note que a equação no item {b) é não-li ne- g(t) = { l , 0:::1~1.
ar, enquanto a no item (a) é linear. o. t > l.
24. Mostre que, se y = </>(t) é uma solução de y ' + p(r)y = O, então 33. Resolva o problema de valor inicial
y = e <fl( t) também é solução para qualquer valor da constante e.
=
25 . Seja y y 1(l) urna solução de y' + p(t) y = º· y(O) = 1.

y' + p(l)y = º· (i) onde

= { ~:
O ::s: t ~ l.
e seja y = yi(t) uma solução de p(t) t > l.
y' + p(t)y = g(!). (ii)
Mostre que y = y 1(t) + y 2(1) também é solução da Eq. (ii).
26. (a) Mostre que a solução (7) da equação linear geral ( l) pode 2.5 Equações Autônomas e
ser escrita na fonna
Dinâmica Populacional
(i)
Uma classe importante de equações de primeira ordem consiste
onde e é urna constante arbitrária. ldemifiq ue as funções y 1 e y2• naquelas nas quais a variável independente não aparece explici-
{b) Mostre que y 1 é uma solução da equação diferencial tamente. Tais equações são ditas autônomas e têm a forma
y ' + p(t )y = º· (ii)
dy/dt = f(y). (1)
correspondente a g(t) = O. Discutiremos essas equações no contexto de crescimento ou
(e) Mostre que y2 é uma solução da equação linear completa ( l ). declínio populacional de uma espécie dada, wn assunto impor-
Veremos mais tarde (por exemplo, na Seção 3.6) que soluções tante em campos que vão da medicina à ecologia, passando pela
de equações lineares de ordem maior têm propriedades seme-
economia global. Diversas outras aplicações são mencionadas
lhantes à Eq. (i).
nos problemas. Lembre-se de que já consideramos, nas Seções
Equações de Bernoulli. Algumas vezes é possível resolver uma 1.1 e 1.2, o caso particular da Eq. (1) onde.f(_v) = ay + h.
equação não-linear fazendo-se uma mudança na variável dependen- A Eq. (1) é separável, de modo que podemos aplicar adis-
te que a transforma em uma equação linear. A mais importante des- cussão feita na Seção 2.2, mas nosso objetivo principal nesta
o;as equações tem a fo1ma seção é mostrar como usar métodos numéricos para obter infor-
mação qualitativa importante sobre a equação diferencial sem
y' + p(l)y = q(t)yn, resolvê-la. Os conceitos de estabilidade e instabilidade de solu-
e é chamada de equação de Bernoulli. em honra a Jakob Bernoulli. ções de equações diferenciais têm importância fundamental ncs:;e
Os problemas de 27 a 31 tratam de equações desse tipo. esforço. Essas idéias foram introduzidas informalmente no Cap.
"27. (a) Resolva a equação de Bernoulli quando n =O; quando n = 1. 1, mas sem a utilização dessa terminologia. Elas são discutidas
*
(b) Mostre que, se r1 O, 1, então a substituição v = yi- " reduz
a equação de Bernoulli a urna equação linear. Esse método de
um pouco mais aqui e serão examinadas em maior profundidade
e em um contexto mais geral no Cap. 9.
solução foi encontrado por Leibniz em 1696.
Crescimento Exponencial. Seja y = c!J(t) a população de uma
Nos problemas de 28 a 31 , a equação dada é uma equação de
Bernoulli. Resolva-a, em cada caso, usando o método de substitui-
espécie dada no instante t. A hipótese mais simples sobre a vari-
ção mencionado no Problema 27(b). ação da população é que a taxa de variação de y é proporcionalu
ao valor atual de y, isto é
28. t 2 y' + 2ty - y3 = O, t > O
dy/dt = ry, (2)
29. y' = rv - ky 2,
r >O e k > O. Essa equação é importante em
onde a constante de proporcionalidade ré chàIIlacUi taxa de cres-
dinâmica populacional e é discutida cm detalhes na Seção 2.5 .
30. y' = ey - oy·3, E > Oe íT > O. Essa equação aparece no estudo cimento ou declínio. dependendo se é positiva ou negativa. Vamos
da estabilidade de fluxos de fluidos. supor aqui quer> O. de modo que a população está crescendo.
31 . dyldt = (f cus t + Dy - ).3, onde f e Tsão constantes. Essa Resolvendo a Eq. (2) sujeita à condição inicial
equação também aparece no estudo da estabilidade de fluxos
de fluídos . y(O) = Yo · (3)
obtemos
Coeficientes Descontínuos. Muitas vezes aparecem equações dife- Y = Yoe'' . (4)
renciais lineares com uma ou ambas as funções p e g contendo des-
continuidades do tipo salto. Se t 0 é um ponto de descontinuidade,
então é preciso resolver a equação separadamente para l < 10 e 1 >
' ·'Aparen1emen1e. o economista britânlco Thomas Mali.bus ( l 766-1 834) foi o primeiro a
10• Depois, as duas soluções podem ser combinadas de modo a y ser observHr que muitas populações biológicas crescem a uma taxa proporcional à população.
contínua cm tn; isso é feito através de uma escolha apropriada das Seu prime iro artigo sobre populações apareceu cm i 798.
44 Equações Vif,..,-enciais de Primeira Ordem

você pode desenhar, facilmente, um esboço qualitativamente


correto das soluções. Os mesmos métodos também podem ser
aplicados à equação mais geral ( 1).
Vamos. primeiro, procurar soluções da Eq. (7) do tipo mais
simples possível, isto é, funções constantes. Para tal solução, dyl
6 dt = O para todo t, logo, qualquer solução con.~tante da Eq. (7)
tem que satisfazer a equação algébrica
4
r(I -y/K)y = O.

2 Portanto, as soluções constantes são y = cp1 (t) = Oe y = <Plt) =


K. Essas soluções são chamadas de soluções de equilíbrJo da
Eq. (7) porque correspondem ao caso em que não há variação no
llr 2/r 3/r 41r 1 valor de y quando t cresce. De maneira análoga, qualquer solu -
ção de equilíbrio da Eq. (1), mais geral, pode ser encontrada
FIG. 2.5.l CrescimentoexponenciaI:yem função de rpara dy!dt = ry. encontrando-se as raízes de fi.j) = O. Os zeros de f(y) também
são chamados de pontos críticos.
Para visualizar outras soluções da Eq. (7) e esboçar seus gráfi-
cos rapidamente, começamos desenhando o gráfico de fl.y) em fu n-
Logo, o modelo matemático que consiste no problema de valor
inicial (2), (3) com r > O prevê que a população crescerá expo- ção de y. No caso da Eq. (7),ft.y) = r( 1 - y/K)y, de modo que o
nencialmente sempre, como ilustrado na Fig. 2.5. J para diver- gráfico é a parábola ilustrada na Fig. 2.5.2. Os pontos de interse-
ção com o eixo dos y são (0, O) e (K, 0), correspondendo aos pon-
sos valores de y0 • Sob condições ideais, observou-se que a Eq_
tos criticos da Eq. (7), e o vértice da parábola está em (K/2, rK/4).
(4) é razoavelmente precisa para muitas populações, pelo menos
por períodos limitados de tempo. No entanto, é claro que tais con- Observe que dyldt > O para O < y < K ; portanto, y é uma função
crescente de t quando y está nesse intervalo; isso é indicado pelas
dições ideais não podem perdurar indefinidamente; alguma hora
setas apontando para a direita próximas ao eixo dos y na Fig. 2.5 .2.
as limitações sobre o espaço, o suprimento de comida ou outros
Analogamente, se y > K, então dyfdt < O; portanto, y é decrescen-
recursos reduzirá a taxa de crescimento e acabará inibindo o cres-
oc, como indicado pela seta apontando pam a esquerda na Fig. 2.5 .2.
cimento exponencial
Nesse contexto, o eixo dos y é multas vezes chamado de reta de
fase e está reproduzida na Fig. 2.5 .3a na sua orientação vertical, a
Crescimento Logístico. Para levar em consideração o fato de que
a taxa de crescimento depende, realmente, da população, vamos mais comum. Os pontos em y = Oe y = K são os pontos críticos ou
substituir a constante r na Eq. (2) por uma função h(y), obtendo, soluções de equilíbrio. As setas indicam mais uma vez que y é cres-
assim, a equação modificada cente sempre que O < y < K e decrescente sempre que y > K.
Além disso, da Fig. 2.5.2, note que, se y está próximo de Oou
dy/dt = h(y)y . (5) de K, então o coeficiente angularf(y) fica próximo de zero , de
modo que as curvas soluções são quase horizontais. Elas se tor-
Queremos, agora, escolher h(y) de modo que h(y) ""' r > O
nam mais inclinadas quando o valor de y se afasta de O ou de K.
quando y for pequeno, h(y) decresça quando y crescer e h(y) < O
Para esboçar os gráficos das soluções da Eq. (7) no plano ty,
quando y for suficientemente grande. A função mais simples que
começamos com as soluções de equilíbrio y =O e y = K; depois
tem essas propriedades é h(y) = r - ay, onde a é, também, uma
desenhamos outras curvas crescentes quando O< y < K, decres-
constante positiva. Usando essa função na Eq. (5), obtemos
centes quando y > K e que se aproximam de uma curva horizon-
dy/dt = (r -ay)y . (6) tal quando y se aproxima de um dos valores O ou K. Logo os
gráficos das soluções da Eq. (7) têm que ter a forma geral ilus-
A Eq. (6) é conhecida como a equação de Verhulst 13 ou equa-
trada na Fig. 2 .5.3b, independente dos valores de rede K.
ção logística. Muitas vezes, é conveniente escrever a equação
A Fig. 2.5.3b pode parecer mostrar que outras soluções
logística na fonna equivalente
intersectam a solução de equilíbrio y = K, mas isso é possível?
Não; a unicidade no Teorema 2,4.2, o teorema fundamental de
-dv
· =r ( 1--=- y) y (7) existência e unicidade, afirma que apenas uma solução pode
dt K · '
conter um ponto dado no plano ty. Assim , embora outras soluções
onde K =ria. A constante ré chamada de taxa de crescimento possam ser assintóticas à solução de equilíbrio quando t--i. x, elas
intrínseco, isto é, a taxa de crescimento na ausência de qualquer não podem intersectá-la em um instante finito.
fator limitador. A interpretação de K ficará clara em breve. Para continuar nossa investigação, podemos detenninar a
Investigaremos as soluções da Eq. (7) em algum detalhe mais concavidade das curvas soluções e a localização dos pontos de
adiante nesta seção. Antes disso, no entanto, vamos mostrar como inflexão encontrando d.2y!dt2 • Da equação diferencial (1) obtemos
(pela regra da cadeia)
2
y
-d = -d -'-
dy
=
d
- f(v)
dy
= J'(y)-'- ' .
= f (v)j(y) . (8)
L'P. F. Vcrhulst e J 804-1849) foi um mate111ático belga que introduziu a Eq. (6) como um dt 1 dt dt dt . dt .
modelo para o crescimento populacional humano em 1838. Ele se referiu" esse cre~ci mento
como crescimento logíMko; por i;so, a Eq . (6)é chamada, muitas vezes, de equação logística. O gráfico de y em função de t é convexo 14 quando y" > O, isto é,
Ele não foi capaz de testar" precisão de seu modelo Jevido a d;Jdos inadequados de censo quando fe f' têm o mesmo sinal. Analogamente, o gráfico é côn-
e não recebeu muita atenção até muitos anos depois. A concordância ra7.oável do mode lo
com dedos experimentais foi demonstrada por R. Pearl ( 1930) para populações dcDroJop/ii/a
meluna11a-<ter1 mo-.c• das frula') e por G. F. Gause ( (935) para populações de Paramrciwn
e Tribolium (besouro da farinhal. "I 'to é. te m a concavidade volt~da para cima. (N.T. )
fqtwções Difere11ciais de Primeira Ordem 45

f (y) limite quando t"" o:·. Assim , mesmo uma minúscula parcela não-
lK/2, rK/4) linear na equação diferencial tem um efeiro decisivo na solução
rK/4 para valores grandes de t.
É suficiente. em muitas situações, ter informação qualitativa
sobre a solução y = cfJ(t) da Eq. (7) ilustrada na Fig. 2.5.3b. Essa
informação foi inteiramenre obtida a partir do gráfico dc}t_y) em
função de y e sem resolver a equação diferencial (7). No cntan-
ro, se quisermos ter uma descrição mais detalhada sobre o cres-
y cimento logísrico - por exemplo, se quisermos saber o valor da
população cm algum instante particular - então precisamos
resolver a Eq. (7) sujeira à condição inicial (3). Se y *O e y * K,
podemos escrever a Eq. {7) na forma
FIG. 2.5.2 Gráfico defú) em furn,:âo deyparadyldr = r(l - y/K}y.
dy
- = rdt .
(1 - y/K)y

y y Usando expansão cm frações parciais na expressão à esquerda


do sinal de igualdade, temos

l · l/ K )
( -y + 1 - y/K dy=rdt
-
.
K
integrando, obtemos

1nlyl-lnll- ~l=rt+c. (9)

onde e é uma constante arbitrária de integração a ser determina-


=
da pela condição inicial y(O) Yo- Já observamos que, se O < Yo
< K. então y permanece nesse intervalo para todo o tempo. As-
o sim, nesse caso, podemos remover o módulo na Eq. (9) e, apli-
cando a exponencial nas expressões dos dois lados do sinal de
(a) (b)
igualdade, encontramos que
FIG. 2.5.3 Cresl:imento logístico: dyldt = r(l - y/K')y. (a} A reta de y
fase. (b} Gráficos de y cm função de t. - - - - =Ce' 1 , (10)
l - (y / K)
onde C = ec. Para satisfazer a condição inicial y(O) = Yo. preci-
samos escolher C = y,/[l - (y,jK)]_ Substituindo esse valor de
cavo quando y'' < O, o que ocorre quando f e f' têm sinais opos- C na Eq. (l 0 ) e resolvendo para y, obtemos
ros. Os sinais de f e de f' podem ser identificados, facilmente,
do gráfico deflr) em função de y. Podem ocorrer pontos de in- YoK
(11)
Yo + (K -
flexão qua11dof'(y) =O . Y =
No caso da Eq. (7), as soluções são convexas para O< y < KI
Yo ) e -rr ·
2 ondcf é positiva e crescente (veja a Fig. 2 .5.2), de modo que Deduzimos a solução (11) sob a hipótese de que O< y0 < K.
ambas as funções! ef' são positivas. As soluções também são Se Y<1 > K , então os detalhes de tratamento da Eq. (9) são apenas
convexas para y > K, ondef é negativa e decrescente (jef' são, ligeiramente diferentes e deixa.mos a seu cargo mostrar que a Eq.
amba~. negativa~) . Para K/2 < y < K , as soluções são côncavas, (11) também é válida nesse caso. Finalmente, note que a Eq. (11)
já que aqui.fé positiva e decresce nte, de modo que.fé positiva e também contém as soluções de equilíbrio y = cp 1(t) = O e y =
f' é negativa. Exisre um ponro de inflexão sempre que o gráfico c/J2(t) = K, corrcspomlendo às condições iniciais Yo = Oe Yo = K,
de y cm função de t cruza a reta y = Kl2. Os gráficos na Fig. 2.5 .3b respectivamente.
exibem essas propriedades . Todas as conclusões qualitalivas a que chegamos ameriormen-
Finalmente, note que K é uma cota superior que é aproxima- tc por raciocínio geométrico podem ser confirmadas examinan-
da, mas 11unca atingida. para populações crescemes começando do-se a solução ( 11 ). Em particular, se y0 = O, então a Eq. ( l l)
abaixo desse valor. Portanto, é natural se referir a K como sendo diz que y(t) ::::: Opara todo t. Se y 0 > O e se fizermos r- cc na Eq.
o nível de saturação, ou a capacidade ambiental de sustenta- (l J ), obtemos
ção, para a espécie dada.
Uma comparação entre as Figs. 2.5. l e 2.5 .3b revela que as lim y(t)
r-+X
= y 0 K /y0 = K .
soluções da equação não-linear (7) são surpreendenremente di-
fcrcr1tcs das da equação linear ( 1), pelo menos para valores gran- Dessa forma, para cada y0 > O, a solução tende à solução de equi-
des de t. lndependemememe do valor de K. isto é, não imcrcs- líbrio y = c/J'!.(t) = K assinroticamente quando t --7 ""· Portall(o,
sando quão pequeno seja a parcela não-linear da Eq. (7), asso- dizemos que a solução consranre <Pc(t) = K é uma solução as-
luções da equação rendem a um valor finito quanto t ---? x , en- sintoticamente estável da Eq. (7), ou que o ponro y = K é um
quanto as soluções da Eq . (1) crescem (expo11encialmentc) sem ponto de equilíhrio, ou crítico, assintoticamcr1tc estável. Após um
46 Eq1«1.ções Diferenciafa de Primeira Ordem

longo tempo, a população fica próxima ao nível de saturação K mas de zero crescem quando t cresce e, como vimos, tendem a K
independente do tamanho inicial da população, desde que seja quando t ~ oc. Dizemos que cfJ 1(t) = Oé uma solução de equilí-
positivo. Outras soluções tendem à solução de equilíbrio mais brio instável ou que y = O é um ponto de equilíbrio, ou crítico,
rapidamente quando r aumenta. instável. Isso significa que a única maneira de garantir que a
Por outro lado, a situação para a solução de equilíbrio y = cp 1(t) solução permaneça nula é certificar-se de que seu valor inicial é
= Oé bem diferente. Mesmo soluções que começam bem próxi- exatamente igual a zero.

.·.·.:.· ...... •.·.··.·.·.···.


Exemplo 1
O modelo logístico foi aplicado à população de linguados gigan- Usando os valores dados der e yJK, e fazendo y/K = 0,75, en-
tes em deternúnadas áreas do Oceano Pacífico.•~ Suponha que contramos
y, medido em quilogramas, seja a massa total , ou biomassa, da
população de linguados gigantes em um instante t. Os parâme- 1 (0,25)(0.25) 1 "'
r = - - - ln · = - - ln 9 ::::: 3 095 anos
tros na equação logística são estimados como tendo os valores r 0,71 (0,75)(0,75) 0 ,71 '
= 0,71/ano e K == 80,5 X 106 kg. Se a bioma~sa inicial é y" ""'
0,25K, encontre a biomassa 2 anos depois . Encontre, também, o Os gráficos de y/K em função de tparaos parâmetros dados e
instante T para o qual y( T) = 0,75K. para diversas condições iniciais estão ilustmdos na Fig. 2.5.4.
É conveniente fazer uma mudança de escala na solução ( 1 l)
em função da capacidade de sustentação K; escrevemos, então,
a Eq. (11) na forma
y Yo/K ylK
(12)
K = (y 0 / K) + (1 - (y / K)]e - rr ·
0 1,75
Usando os dados do problema, encontramos que 1,50
y(2) 0,25 .-.., 1,25
-K- = = 0,5797.
0,25 + 0,15e - 1·42 1 ,001-.:.......-=====~~~~~~~~
6
Em conseqüência, y(2) = 46,7 X 10 kg. 0,75
Para encontrar 'T, podemos resolver, primeiro, a Eq. ( 12) para 0,50
t. Obtemos
0,25
-rr (y0 / K)l l - (y / K)J
e = .
(y/K)[l - (y 0 /K)J' 31 4 5 6
1
logo, r::: 3,095
t =-~ln (yo/K)ll - (y/K)] . FIG. 2.5.4 Gráfico de y/K cm função de t para o modelo de população
(13)
r (y/K)[l-(y0 /K)] de linguados gigantes no Oceano Pacífico .

Um Limiar Crítico. Vamos considerar, agora, a equação dyldt <O, e y decresce quando t cresce. Por outro lado, se y > T,
então dyldt > O e y cresce quando t cresce. Assim, cp 1(1) Oé =
dy
dt == -r ( y)
1- T y , (14) uma solução de equilíbrio assintoticamente estável e cpi(t) = T é
uma instável. Além disso,.f '(y) é negativa para O < y < T/2 e
onde r e T são constantes positivas dadas. Observe que (exceto positiva para T/2 < y < T, de modo que o gráfico de y em fun-
pela substituição do parâmetro K por 1) essa equação difere da ção de t é convexo e côncavo, respectivamente, nesses interva-
equação logística (7) apenas pela presença do sinal de menos na los. Como f' (y) é positiva para y > T, o gráfico de y em função
expressão à direita do sinal de igualdade. No entanto, comove- de t também é convexo aí.
remos, as soluções da Eq. ( 14) se comportam de maneira muito A Fig. 2.5.6a mostra a reta de fase (o eixo dos y) para a Eq.
diferente das da Eq. (7) . ( 14). Os pontos em y = Oe y = T são pontos críticos, ou solu-
Para a Eq. (14), o gráfico defly) em função de y é a parábola ções de equilíbrio, e as setas indicam se as soluções são crescen-
ilustrada na Fig. 2.5.5. Os pontos de interseção com o eixo dos y tes ou decrescentes.
são os pontos críticos y =
O e y = T, correspondendo às solu- As curvas solução da Eq. (14) podem ser esboçadas rapida-
ções de equilíbrio cp 1(t) "" O e cfJ2 (t) >= T. Se O < y < T, então mente. Primeiro desenhe as soluções de equilíbrio y = O e y =
T. Depois esboce curvas na flrixa O< y < T que decrescem quan-
do t cresce e que mudam de concavidade quando cruzam a reta y
"Uma boa fonte de informação sobre questões de din;irnica populacional e economia que = T/2. A seguir desenhe algumas curvas acima de y = Tque cres-
tomam eficiente a utilização de r~s~íl•as renováv~is, com ênfase panicul:u na pesca, é o livm
de Clark listado nas referência' ao llo:il deste capítulo. Os valores dos parllmetros usados cem cada vez, mais rapidamente quando te y aumentam. Certi -
aqui $âO dados na página 53 desse livro e foram obtidos de um e<,tudo feito por M. S. Mohring.. fique-se de que todas as curvas se aproximam da horizontal quan-
J::qunções Diferenciais de Primeira Ordem 47

f(y) o que nos dá

t* = -
l l n -Yo- - . (16)
r Yo-T
y
Assim, se a população inicial y 0 está acima do limiar T, o mode-
lo de limiar prevê que o gráfico de y em função de t tem uma
assíntota vertical em 1 = t*; em outras palavras, a população
toma-se ilimitada em um tempo finito, cujo valor depende de y 11,
-rTl4 Te r. A existência e localização dessa assíntota não apareceu na
(T/2. -rT/4) análise geométrica, logo, nesse caso, a solução explícita forne-
ceu informação adicional importante do ponto de vista qualitati-
RG. 2.5.5 Gráfico de fty) cm função de y para dyldt = - r( 1 - ylT)y. vo, além do quantitativo.
As populações de algumas espécies exibem o fenômeno de
limiar. Se está presente uma quantidade muito pequena, a espé-
cie não pode se propagar com sucesso e a população toma-se
.Jo t se aproxima de O ou de T. O resultado é a Fig. 2.5.6b, que é extinta. No entanto, se for possível juntar uma população maior
~esboço qualitativamente preciso das soluções da Eq. (14) para do que o limiar crítico, então ocone um crescimento ainda mai-
-iuaisquer valores de rede T. É claro dessa figura que, à medida or. Como é claro que uma população não pode se tomar ilimita-
que o tempo cresce, y tende a zero ou cresce sem limite, depen- da, a Eq. ( 14) tem que ser modificada, finalmente. para se levar
dendo se o valor inicial y 0 é menor ou maior do que T. Dessa for- isso em consideração.
ma. T é um limiar crítico abaixo do qual não existe crescimen- Limiares críticos também ocorrem em outras situações. Por
m. exemplo, em mecânica dos fluidos, equações da forma (7) ou ( J4)
Podemos confinnar as conclusões a que chegamos através de modelam, muitas vezes, a evolução de pequenas perturbações y
raciocínio geométrico resolvendo a equação diferencial ( 14). lsso em um fluxo laminar (ou suave). Por exemplo, se a Eq. (14) for
pode ser feito separando as variáveis e integrando, como fize- válida e se y < T, então a perturbação é amortecida e o fluxo
mos para a Eq. (7). No entanto, se notarmos que a Eq. (14) pode laminar persiste. No entanto, se y > T, a perturbação cresce e o
ser obtida da (7) substituindo-se K por Ter por - r, então pode- fluxo laminar toma-se turbulento. Nesse caso, é costume se re-
mos fazer essas mesmas substituições na Eq. (11) obtendo, as- ferir a T como a amplitude crítica. Experimentadores falam so·
~. bre manter o nível de perturbação suficientemente baixo de modo
que possam estudar o fluxo laminar sobre um aerofólio, por
(15) exemplo.
Y = Yo + (T - Yo)e'' '
que é a solução da Eq. (14) sujeita à condição inicial y(O) = y0 . Crescimento Logístico com um Limiar. Como mencionamos na
Se O < y 0 < T, então segue da Eq. (15) quey-) Oquando t~ última subseção, o modelo de limiar ( 14) precisa ser modificado
::r::. Isso está de acordo com nossa análise geométrica qualitativa. de modo que não ocorra o crescimento ilimitado quando y está
Se y0 > T, então o denominador na expressão à direita do sinal acima do limiar T. A maneira mais simples de fazer isso é intro·
de igualdade na Eq . ( 15) é zero para um determinado valor fini- duzir um outro fator que tem o efeito de tomar dyldt negativo
to de t. Vamos denotar esse valor por t* e calculá-lo de quando y for grande. Assim, consideramos

y0 - (y0 - T)err• = O,
( 17)

onde r > O e O < T < K.


O gráfico dej(y) em função de y é ilustrado na Fig. 2.5 .7. Nesse
problema existem três pontos críticos: y = O, y = T e y = K,
T correspondendo às soluçôes de equilíbrio </J 1(t) = O, </J.i(t) = Te
=
</JJ(I) K, respectivamente. Da Fig. 2.5.7, é claro que dy/d1 >O
para T < y < K, logo y é crescente aí. O contrário é verdadeiro
para y < Te y > K. Em conseqüência, as soluções de equilfürio
c/> 1(1) e </J 3(t) são assintoticamente estáveis, enquanto </>2(1) é ins-
tável.
A reta de fase para a Eq. (J 7) está ilustrada na Fig. 2.5.8a e os
gráficos de algumas soluções estão esboçados na Fig. 2.5.8h.
Você deve se certificar de que compreende a relação entre essas
o duas figuras , assim como a relação entre as Figs . 2.5 .7 e 2 .5.8a.
Da Fig. 2.5. 8b vemos que, se y começa abaixo do limiar T, então
(a) (b)
y decresce até chegar à extinção. Por outro lado. se y começa aci-
ma de T, encão y acaba se aproximando, finalmente, da capaci-
FIG. 2.5.6 Crescimento com limiar: d_yldt == - r(l - yrI)y . (a) A reta dade de sustentação K. Os pontos de inflexão nos gráficos de y
de fase . (b) Gráfic.:o de y em função de t. em função de t na Fig. 2.S.8h correspondem aos pontos de máxi-
48 Equ~ões Dife rendais de Primeira Ordem

f(y} Problemas
Os problemas de 1 a 6 envolvem equações da forma d_vldt = /(y).
Em cada problema, esboce o grãfico de j{y) em função de y, deter-
mine os pontos críticos (de equilíbrio) e classifique cada um deles
como assintoticamente estável ou instável. Desenhe a reta de fase e
y e~boce diversos gráficos das soluções no plano ty.

1. dy/dt=ay+by2, a>O, b>O, y0 :;::0


2. dy/dt=ay+by2, a>O, b>O, - oo<y0 <oo
FIG. 2.5.7 Gráfico dej{y) em função de y para dyldt = -r( 1- y/D
y ~0
(l - y/K)y.
3. dy/dt=y(y-l)(y-2), 0
4. dy/dt = eY - 1, -oo < y0 < oc
5. dy/dt =e_,, - 1. - oo < y < oo
0
6. dy/dt = - 2(arctgy)/(l + y2), - oo < y0 < oo
y y
7. Soluções de Equilíbrio Semi-estável. Algumas vezes uma
solução de equilíbrio tem a propriedade que soluções de um lado
da solução de equilíbrio tendem a ela, enquanto as do outro lado
se afastam dela (veja a Fig. 2.5.9). Nesse caso, a solução de equi-
líbrio é dita semi-estável.
(a) Considere a equação
dy/dt = k(I - v) 2 . (i)

onde k é uma constante positiva. Mostre que y = 1 é o único ponto


crítico, com a solução de equilíbrio correspondente 1.>(t) = 1.

y y

(a) (b)

F1G. 2.5.8Crescimento logístico com limiar: dyldt = -r(J - y/T){l - yl


K)y. (a) A reta de fase . (b) Gráficos de y em função de t. ~(!)::: k

mo e mínimo, y 1 e y", respectivamente, no gráfico de fty) em (a) (b)


função de y na Fig. 2.5.7. Esses valores podem ser obtidos dit'e-
renciando-se a expressão à direita do sinal de igualdade na Eq. FIG. 2.5.9 Em ambos os casos a solução de equilíbrio cfi_t) = k é semi-
(17) em relação a y, igualando o resultado a zero e resolvendo estável. (a) dyldt s O; (b) dyldt ~ O.
para y. Obtemos

Yi, 2 = (K + T ± Jx 2 - KT + T 2 )/3. (18) (b) Esboce o gráfico de j(y) em função de y. Mostre que y é
crescente como função de t se y < 1 e se y > 1. A reta de fase
onde o sinal de mais fornece y, e o de menos, Yz. tem ~elas apontando para cima tanto abaixo quanto acima de y
Um modelo desse tipo geral descreve, aparentemente, a po- = 1. Assim, soluções abaixo da solução de equilíbrio tendem a
pulação de pombos selvagens 16 que existia nos Estados Unidos ela, e as acima se afastam dela. Portanto, <f>(t) = l é semi-está-
vel.
em números imensos até o final do século XIX. Foi muito caça-
(c) Resolva a Eq. (i) sujeita à condição inicial y(O) = y 0 e coc\-
do para comida e por esporte e, em conseqüência, seus números firme as conclusões a que chegou no item (b).
estavam drasticamente reduzidos na década de 1880. Infelizmen-
te, esses pombos selvagens só podiam se reproduzir com suces- Os problemas de 8 a 13 envolvem equações da forma dyldt = j(y).
so quando presentes em grandes concentrações, corresponden- Em cada problema, esboce o gráfico defly) em função de y, deter-
do a um limiar relativamente grande T. Embora ainda existisse mine os pontos cáticos (de equilíbrio) e classifique cada um deles
um número relativamente grande de pássaros individuais ao fi- como assintoticamente estável, instável ou semi-estável (veja o
nal da década de 1880, não havia um número suficiente concen- Problema 7). Desenhe a reta de fase e esboce diversos gráfü:os das
soluções no plano ty.
trado em nenhum lugar que permitisse reprodução com sucesso
e a população diminuiu rapidamente até a extinção. O último so- 8. dy/dt =
-k(y - 1) 2 , k > O, -oo < y0 < oo
brevivente mon-eu em 1914. O declínio desenfreado na popula- 9. dy/dt =
y2(.y 2 - 1), -oo < Yo < oo
ção de pombos selvagens de números imensos até a extinção em 10. dy/dt=y(t-y2), -oo < Yo < oo
pouco mais de três décadas foi um dos primeiros fatores na pre- 11. dy/dt =
ay - bJY, a> O. b >O,
ocupação sobre conservação naquele país. =
12. dy/dt y2(4 - /) . -oo < Yo < oc
13. dy/dt=l0-y) 1 , - oo < Yo < oo
"Ver, pr>rcxcmplo. Oliver L. Austín , Jr .. Hird.1ofthe Wor/d(New York: GoJden Press, 19R3l. 14. Considere a equação dyldt = j{y) e suponha que y 1 é um ponto
pp. 143-145. c.:rític.:o, isto éfiy 1) =O. Mostre que a solução de equihbrio cons-
Equações Diferenciais de Primeira Ordem 49

hmtc </>(t) = )' 1 é assintoticamente estável sef'(J•1) <O e instá- Explorando Recursos Renováveis. Suponha que a população y de
vel sef'(v 1) >O. uma dctcnninada espécie de peixe (atum ou linguado gigante, por
15. Suponha que uma determinada população obedece à equação exemplo) em uma determinada área do oceano é descrita pela equa-
logístíca dyldt = ry[l - (v/K)]. ção logística
(a) Se Yu = K/3, encontre o instante T no qual a população ini- dy/dt = r(l - y/ K)y.
cial dobrou. Encontre o valor de T correspondente ar = 0,025
por ano. Embora seja desejável usar essa fonte de alimentos, é intuitivamen-
(b) Se yJK = a, enc.:ontrc o instante T no qual y(DI K = {3, te claro que, se peixes demais forem pegos, então a população de
peixes pode ficar reduzida abaixo de um nível útil, podendo até ser
onde O < a, {3 < 1. Note que T - oo quando a - O ou {3 -
1. Encontre o valor de T para r = 0,025 por ano, a ""' 0.1 e {3 levada à extinção. Os Problemas 20 e 21 exploram algumas das ques-
= 0,9. tões envolvidas na formulação de uma estratégia racional para se gerir
a exploração do peixe. 1i
16. Uma outra equação que tem sido usada para modelar o cresci-
mento populacional é a equação de Gompertz 17 , 20. Para um dado nível de esforço, é razoável supor que a taxa se-
gundo a qual os peixes são pegm dependa da população y: quan-
dy/dt = ry ln(K /y) . to mais peixes existirem, mais fácil será pescá-los. Vamos su-
por, então, que a taxa segundo a qual os pei'4:S são pegos é dada
onde r e K são constantes positivas.
por Ey , onde E é uma constante positiva. em unidades de l/tem-
(a) Esboce o gráfico dej(y) em função de y, encontre os pontos
po, que mede o esforço total para explorar a espécie de peixe
críticos e determine se cada um deles é assintoticarneme está-
cm consideração. Para incluir esse efeito. a equação logística é
vel ou instável.
substituída por
(b) Para O :s y :s K, determine onde o gráfico de y em função
de t é convexo e onde é côncavo. dy/dt = r(I - y/ K)y - Ey. (i)
(c) Para cada yem O< y ~ K, mostrequedy!dt dado pela equa-
Essa equação é conhecida por modelo de Schaefer, em honra
ção de Gompertz nunca é menor do que dyldt dado pela equa-
ao biólogo M . B . Schaefer, que o aplicou a populações de pei-
ção logística.
xes.
17. (a) Resolva a equação de Gompertz
(a) Mostre que, se E< r, então existem dois pontos de equilí-
dy/dt = ry ln(K /y), brio, y 1 =O e y 2 = K(l - F:lr) >O.
(b) Mostre que y = y 1 é assintoticamente instável e que y = y 2
sujeita à condição inicial y(O) = y 0 • é estável.
Sugestão: Considere u = ln(y/K). (e) Uma produção sustentável Y de peixes é uma taxa segundo
(b) Para os dados no Exemplo 1 no texto [r = 0,71 por ano, K a qual os peixes podem ser pcgos indefinidamente. Essa pro-
= 80,5 X l0 6 kg,yJK= 0,25], use o modelodeGompcrtzpara dução é o produto do esforço E e da população assintoticamen-
encontrar o valor previsto para y(2). te estável h Encontre Y em função do esforço E; o gráfico dessa
(e) Para os mesmos dados do item (b), use o modelo de função é conhecido como a curva produção-esforço.
Gompertz para encontrar o instante T no qual y(r) = 0,75K. (d) Determine E de modo a maximizar Ye encontre, assim, a
18. Um pequeno lago é fom1ado à medida que se acumula água em produção máxima sustentável Ym.
uma depressão em fonna de cone de raio a e profundidade h. 21. Vamos supor, neste problema, que os peixes são pegos a uma
Suponha que a água é acumulada a uma tax:a constante k e é taxa constante h independente do tamanho da população. En-
perdida, através de evaporação, a uma taxa proporcional à área tão y satisfaz
de superfície.
(a) Mostre que o volume V(t) de água no lago em um instante t dy/dt = r(I - y/K)y - h. (i)
satisfaz a equação diferencial A hipótese de uma taxa constante de pesca h pode ser razoável
quando y for grande, mas torna-se cada vez menor quando y vai
d V /dt = k - a7r(3a/7rh/13 y 213 ,
diminuindo.
onde a é o cocficicnlc de evaporação. (a) Se h < rK/4, mostre que a Eq. (i) tem dois pontos de equi-
(b) Encontre a profundidade de equilíbrio de água no lago. O lfbrio, y 1 e y,, com y, < y,; determine esses pontos.
equilíbrio é assintoticamente estável? (b) Mostre que y, é assintoticamente instável e y 1 é estável.
(c) Encontre uma condição que tem que ser satisfeita para que (e) Através do gráfico de .f{y) em função de y, mostre que, se a
o lago não ttansbordc. população inicialy0 > y 1, então y - .v2 quando r- x, mas que,
19. Considere um tanque de água cilíndrico com a área da seção se y0 < y 1, então y diminui à medida que t cresce. Note que y =
reta constante igual a A. A água é bombeada para o ianque a Onão é um ponto de equilíbrio, de modo que, se y0 < y 1, a ex-
uma taxa constante k e escapa por \lm pequeno buraco de área tinção será atingida em um instante finito.
a no fundo do tanque. Pelo princípio de Torricelli em hidrodi- (d) Se h > rK/4, mostre que y tende a zero quando t cresce,
nâmica (veja o Problema 6 na Seção 2.3), a taxa segundo a qual independente do valor de y 0 •
(e) Se h "" rK/4, moslre que existe um único ponto de equilí-
a água sai pelo buraco é cxaf2gh. onde h é a profundidade atual
brio y = K/2 e que esse ponto é semi-estável (veja o Problema
da água no tanque, g é a aceleração da gravídadc e a é um co- 7). Assim, a produção máxima sustentável é h'" '-" rK/4, corres-
eficiente de contração que satisfaz 0,5 s a s 1,0. pondente ao valor de equihôrio y = K/2. Observe que h., tem o
(a) Mostre que a profundidade da água no tanque em qualquer mesmo valor que Y., no Problema 20( d). A produção de peixes
instante satisfaz a equação é considerada superexplorada se y é reduzido a um nível abai-
xo de K/2 .
dh/dt = (k - aa/2ih )/A .
(b) Determine a profundidade de equilíbrio h, da água e mos- Epidemias.. A utilização de métodos matemáticos para estudar a
tre que é assintoticamente estável. Observe que h, não depen- disseminação de doenças contagiosas vem da década de 1760, quan-
de de A. do Daniel Bernoulli fez lrabalhos sobre a varíola. Em anos mais

'Benjamin GompettL (1779-1R65) foi um atuário inglés. Oe' envolveu seu modelo para " Um tr"Jtumento excelente de>se tipo de problema. em prof"und1tlade mui10 maior do que o que
=imento populacional . publicado cm 1825. ao cons1ruir tabela., de monalidade para sua e>h<içamos lll.jui. pc.1d1: saeromtr•d11 no livm de Clark mencionado Bll~rionneute. cspecialnieull>
Z311panhia de seguros. nos dois primeiros capítulos. Diversas referências adicionais silo mencionadas lá.
50 Equações Diferenciai.ç de Primeira Ordem

recentes, muitos modelos matemáticos têm sido propostos e estu- A primeira parcela na expressão entre colchetes na Eq. (i) é a
dados para diversas doenças diferentes. 19 Os problemas de 22 a 24 taxa segundo a qual os indivíduos suscetíveis contraem varíola
consideram alguns dos modelos mais simples e as conclusões que e a segunda é a taxa de mortalidade de todas as outras causas .
podem ser inferidas <lesses. Modelos semelhantes têm si<lo usados, Temos, também,
também, para descrever a disseminação de boatos e de produtos de
dn / dt = - v~.x - JL(t)n, (ii)
consumo.
22. Suponha que uma detenninada população pode ser dividida em onde dnldt é a taxa de mortalidade de todo o grupo e as duas
duas partes: os que têm a doença e podem infectar outros e os parcelas na expressão à direita do sinal de igualdade correspon-
que não a têm, mas são suscetíveis. Sejam x a proporção dos dem às taxas de mortalidade devido à varíola e a todas as ou-
indivíduos suscetíveis e y a proporção dos indivíduos infecta- tras causas, respectivamente.
dos; então x + y = J. Suponha que a doença espalha-se através (a) Seja z = xln e mostre que z satisfaz o problema de valor ini-
do contato entre elementos doentes e sãos da população. e que cial
a taxa de disseminação dyldr é proporcional ao número de tais
contatos. Além disso, suponha que elementos de ambos os gru- d z/dt = - .BzO - vz). z(O) = 1. (iii)
pos se movem livremente entre si, de modo que o número de Observe que o problema de valor inicial (iii) não depende de
contatos é proporcional ao produto de x e y. Como x = 1 - y , µ{r) .
obtemos o problema de valor inicial (b) Encontre z(t) resolvendo Eq. (iii).
(c) Bernoulli estimou que v = f3 = 1/8. Usando esses valores,
dy / dt = ay(I - y). y(O) = Yo, (i) determine a proporção de pessoas com 20 anos que não tive-
ram varíola.
onde a é um fator de proporcionalidade positiva e y 0 é a popu- Ob.v.: Baseado no modelo que acabamos de descrever e usan-
lação inicial de indivíduos infectados. do os melhores dados sobre mortalidade disponíveis na época,
(a) Encontre os pontos de equilíbrio para a equação diferencial Bernoulli calculou que, se as mortes por varíola pudessem ser
em (i) e determine se cada um é assintoticamente estável, semi- eliminadas (v= O), poder-se-ia adicionar aproximadamente 3
estável ou instável. anos à vida média esperada (em 1760) de 26 anos e 7 meses.
(b) Resolva o problema de valor inicial (i) e verifique que as Portanto, ele apoiou o programa de vacinação.
conclusões a que você chegou no item (a) estão corretas. Mos-
tre que y(f) - 1 quando t - oo, o que significa que, certamen- Pontos de Bifurcação. Para uma equação da forma
te, a doença se espalhará por toda a população.
23 . Algumas doenças (como o tifo) são disseminadas basicamente dy/dt = f(a, y) . (i)
por portadores, indivíduos q uc podem transmitir a doença, mas
onde a é um par.lmctro real, os pontos críticos (soluções de equilí-
que não exibem seus sintomas. Denote por x e y, respectiva-
brio) dependem. em geral , do valor de a. Quando a aumenta ou di-
mente, a proporção de suscetíveis e portadores na população.
minui, muitas vezes ocorre que em um detenninado valor de a, de-
Suponha que os portadores são identificados e removidos da
nominado ponto de bifurcação, pontos críticos coincidem ou se
população a uma taxa {3. de modo que
afastam e soluções de equilíbrio podem se perder ou podem apare-
dy/dt = -{3y . (i) cer. Pontos de bifurcação são de muito interesse cm diversas aplica-
ções . porque perto deles a natureza da solução da equação diferen-
Suponha, também. que a doença se propaga a uma taxa propor-
cial em questão sofre uma mudança abrupta. Por exemplo. em me-
cional ao produto de x e y; assim,
cânica dos fluidos, um fluxo suave (laminar) pode se tomar turbu-
dx/dt ::= - crxy . (ii) lento. Ou uma coluna carregada axial mente pode entortar subitamen-
te e exibir um deslocamento lateral grande. Ou, quando a quantida-
(a) Determine y cm qualquer instante t resolvendo a Eq. (i) su-
de de um dos elementos cm uma determinada mistura química é
jeita à condição inicial y(O) = y0 • aumentada, padrões de ondas espirais de cores variadas pode apare-
(b) Use o resultado do item (a) para encontrar x em qualquer ins-
cer de repente em um fluido originalmente inerte. Os Problemas de
tante r resolvendo a Eq. (ii) sujeita à condição inicial x(O) == ·'.l:c· 25 a 27 descrevem três tipos de bifurcação que podem ocorrer em
(c) Encontre a proporção da população que escapa à epidemia equações simples da forma (i).
encontrando o valor limite de x quando t - "'· 25 . Considere a equação
24. O trabalho de Daniel Bernoulli na década de 1760 tinha como
objetivo avaliar a eficácia de um programa controverso deva- l/}'ldt
. = a - ,V1. (ii)
cinação contra a varíola, que era, na época, uma grande amea-
ça à saódc pública. Seu modelo pode ser aplicado, igualmente (a) Encontre todos os pontos críticos da equação (ii) . Observe
bem, a qualquer outra doença que, se uma pessoa a contrai e que não existe ponto crítico se a < O, existe um ponto crítico
sobrevive, tem imunidade para o resto da vida. se a = O e existem dois pontos críticos se a > O.
Considere o grupo de indivíduos nascidos em um dctenni- (b) Desenhe a reta de fase em cada caso e determine se cada
nado ano (r = O) e seja n(t) o número de sobreviventes. t anos ponto crítico é assintoticamente estável, semi-estável ou instá-
depois, entre esses indivíduos. Seja x(t) o número de elemen- vel.
tos desse grupo que não tiveram varíola até o ano t e que são, (c) Esboce diversas soluções da Eq. (ii) no plano ty para cada
portanto, suscetíveis . Seja f3 a taxa segundo a qual os indivídu- caso.
os suscetíveis contraem varíola e seja v a tax.a segundo a qual (d) Se fizermos o gráfico de localização dos pontos críticos em
as pessoas que contraíram varíola morrem da doença. Fi nalmen- função dea no plano ay. obteremos a Fig. 2.5.10. Essa figura é
te, seja µ,(t) a taxa de mortes de todas as outras causas, exceto chamada de diagrama de bifurcação para a Eq. (ii). A bifur-
a varíola. Então, dxldt, a taxa segundo a qual o número de indi- cação em a = Oé chamada de nó-sela. Esse nome é mais natu-
víduos suscetíveis decresce, é dada por ral no contexto de sistemas de segunda ordem, que são discuti-
dos no Cap. 9.
dx/dr =-[IJ+µ(t)Jx . (i) 26. Considere a equação
dyldr = ay - y3 ~ y (a - y2) (iji)

1
'Uma fonte padrão é o livrn de Bailey listadoºª' rererências. Os modelos nos problemas
(a) Considere novamente os casos a < O, a = O e a > O. Em
de 22 a 24 siío d1sçutidos por Bailey nos Caps. 5. LO e 20. respectivameole . cada caso, encontre os pontos críticos, desenhe a reta de fase e
Equaçi!es Diferenciais de Primeira Ordem 51

y a é instável, enquanto, para a > O, a situação é invertida. Hou-


2 ve. então uma mudança de estabilidade quando a passa pelo
ponto a = O. Esse tipo de bifurcação é chamado de bifurcação
transccítica.
1 28. Reações Químicas.Uma reação química de segunda ordem en-
volve a interação (colisão) de uma molécula de uma substân-
cia P com uma molécula de uma substância Q para produzir
uma molécula de uma nova ~ubstância X: isso é denotado por
P + Q ~X. Suponha quepe q, onde p -#= q. são as concentra-
-2 -1 1 2 3 4 a
ções iniciais de P e Q, respectivameme. e seja x(t) a concentra-
'' ' ção de X no instante t. Então, p - x(t) e q - .t(t) são as concen-
-1 "'-........ Instável trações de P e Q no instante te a taxa segundo a qual ocorre a
, .......... ~ reação é dada pela equação

--- --- -.
.......

dx/dt = cx(p - x)(q - x), (i)


-2
onde a é uma constante positiva.
(a) Se x(O) = O, detenninc o valor limite de x(t) quando 1 - :r.
nG. 2.5.10 Diagrama de bifurcação para y' = a ~ y 2•
sem resolver a equação diferencial. Depois, resolva a equação
diferencial e encontre x(r) para todo r.
(b) Se as substâncias P e Q são as mesmas, então p = q e a Eq.
determine se cada ponto crítico é assint.olicamenteest.ável, semi- (i) é substituída por
estável ou instável_
(b) Esboce diversas soluções da Eq. (iii) no plano ty cm cada dx/dt = ct(p - X}~. (ii}
caso. Se x(O) = O, dctcnninc o valor limite de x(t) quando r - cc sem
(e) Desenhe o diagrama de bifurcação para a Eq . (iii), isto é. resolver a equação diferencial. Depois. resolva a equação dife-
faça o gráfico da localização dos pontos críticos cm função de rencial e encontre x(t) para todo t.
a. Para a Eq. (iii), o ponto de bifurcação em a = O é chamado
de bifurcação sela-nó; seu diagrama pode sugerir porque esse
nome é apropriado. 2.6 Equações Exatas e Fatores
27. Considere a equação Integrantes
dyldt = ay - y 2 = y(a - y) (iv)
Para equações de primeira ordem, existem vários métodos de
(a) Mais uma vez, considere o:<; casos a < O. a = Oe a> O. Em integração aplicáveis a diversas classes de problemas. As mais
cada caso, encontre os pontos críticos . desenhe a reta de fase e importantes entre essas são as equações lineares e as separáveis,
determine se cada ponto critico é as~intoticamente estável, semi- já discutidas anteriormente. Vamos considenrr, agora, uma clas-
estável ou instável.
se de equações conhecidas como equações exatas, para as quais
(b) Esboce diversas soluções da Eq. (iv) no plano ty em cada
caso.
existe, também, um método bem definido de solução. Mantenha
(c) Desenhe o diagrama de bifurcação para aEq. (iv). Ob~ervc em mente, no entanto. que essas equações de primeira ordem que
que. para a Eq. (iv), existe o mesmo número de polilOS críticos. podem ser resolvidas por métodos de integração elementares são
para a < O, a = O e a > O, mas a estabilidade muda. Para a < bastante especiais; a maior parte da~ equações de primeira or-
Oa solução de equilíbrio y =O é assintoticamente e~tável e y = dem não pode ser resolvida desse modo.

Exemplo 1
Resolva a equação diferencial ol/I <Jl/f dy
- + - - = 0. (3)
(Jx iJy dx
2x + y2 + 2xyy' =O. (1)
Supondo que y é uma função de x e usando a regra da cadeia,
A equação não é linear nem separável, logo os métodos podemos escrever a Eq. (3) na fonna equivalente
apropriado15 para esse15 tipos de equação não são aplicáveit5.
No entanto, note que a função ifJ(.x, y) = x 2 + xy 2 tem a pro- dl/J d 2 2
(4)
- = -(x +xv) =0 .
priedade dx dx ·
Logo,
2 ol/I () 1/1 ij1(x, y) = x 2 + xy 2 =e, (5)
2x+y· = - 2xv= - . (2)
Jx . . ôy
onde e é uma constante arbitrária, é uma equa<,:ão que define,
Portanto, a equação diferencial pode ser escrita na fonna implicitamente, as soluções da Eq. (1).

O passo-chave na resolução da Eq. ( 1) foi o reconhecimento Suponha que podemos identificar uma função if! tal que
de que existe uma função if! que satisfaz a Eq. (2), Mais geral-
mente, suponha dada a equação diferencial ª1/1 i) 1/1
ox (x,y) = M(x,y), oy (X , y) = N(x, _\').
M(x , y) + N(x , y)y' = O. (6)
52 Equaçôes Diferenciais de Primeira Ordem

e tal que 1'f_x, y) = e define y == <f>(x) implicitamente como uma Começamos integrando a primeira das Eqs. (7) em relação a x
função diferenciável de x. Então, mantendo y constante. Obtemos

olfr olfr d d r/J(.x, y) = Q(x, y) + g(v) (12)


M(x, y) + N(x, y)y' = - + -, -1'.. = - lfr[x, q'>(x)]
()x oy dx dx
onde Q(x, y) é qualquer função diferenciável tal que aQ(x, y)lox
e a equação diferencial (6) torna-se = M(x, y). Por exemplo, podemos escolher
d
dx lfrLx . q'>(x)) =O. (8)
Q(x, y) = rM(s,y)ds, (13)
Nesse caso, (6) é dita uma equação diferencial exata. Soluções da
·'•
Eq. (6), ou da equação equivalente (8), são dadas implicitamente por onde.X;i é a1guma constante especificada no intervalo a< Xu < {3.
A função p, na Eq. (12) é uma função arbitrária de y, fazendo o
lfr(x, y ) =e , (9)
papel de uma constante arbitrária. Precisamos mostrar. agora, que
onde e é uma constante arbitrária. sempre é possível escolher g(v) de modo que a segunda das Eqs.
Foi relativamente fácil, no Exemplo 1, ver que a equação di- (7) seja satisfeita, isto é, l/ly = N. Diferenciando a Eq. (12) cm
ferencial era exata e, de fato, foi fácil encontrar sua solução, re- relação a y e igualando o resultado a N(x, y), obtemos
conhecendo-se a função necessária 1/J. Para equações mais com-
plicadas, pode não ser possível fazer isso tão facilmente. O teo-
rema a seguir fornece um método sistemático de determinar se 1/1,. (x, y) = ~Q (.x, y) + g'(y) = N(x, y)
oy
uma equação diferencial dada é exata.
Resolvendo, então, para g ' (y), temos
·-.·'.-.·.···.··· . ··:.. :·:·;·;::·:·;·······
:}féorema 2.s.1. .................... ·.:. :.::--·t·:::··:':-:._,,\:::\:;

Íli9tlt~f~i
g'(v) = N(x, y) - ay
ªº (.x, y). (14)

Para que possamos determinar g(y) da Eq. ( 14), a expressão à


·.:-:~·.·>:· ..... •.·.•.·,·.•.·.·.•' ·. ' •. direita do sinal de igualdade, apesar de sua aparência, tem que
\::)'.·-:::·: : ; · M(x, y) + N(x, y)y' =O, ser uma função só de y . Para estabelecer que isso é verdade,
podemos diferenciar a expressão em questão em relação a x,
· éiúna equação diferencial exata em R se, e somente se, obtendo

cm cad~pQn~ de R. Isto é, existe uma função rpsatisfazcnào


(10)
aN
-(x, y)- - - (x. y)
a:r ax ~·
a ªº (15)

.·-~ Eqs:.
. '.·'
,-:;
.
c1x ·: .. ·.
;,.;._;::::.:,;.::.;_,· ....;•,·.·· Trocando a ordem de integração na segunda parcela da Eq. ( 15),
temos
·:·:::::·:·:i w;:~ê~! ]r~=if "1.f~:l). lfry<x. y) = N(x, y),

~~t·~: a
......... ~~#t~~à~~;
.._ ...
.M~ :~~tjsfazem a Eq. (1 O).
'
CJN
dx (x, y ) - dy ax (x, y),
dQ

A demonstração desse teorema tem duas partes. Primeiro, va- ou, já que aQI ax = M,
mos mostrar que, se existe uma função r/I tal que as Eqs. (7) são
válidas, então a Eq. ( 1O) é satisfeita. Calculando M, e N, das Eqs. 'dN aM
(7), obtemos · -;- (x, y) - --;-- (x, y),
ox oy

que é zero por causa da Eq. (1 O). Portanto, apesar de sua forma
aparente, a expressão à direita do sinal de igualdade na Eq. (14)
Como M,. e N, são contínuas, 1/1.ry e «fl.,x também são contínuas . Isso não depende, de fato, dex. Logo, encontramos g(y) integrando a
garante a igualdade entre elas e a Eq. (10) segue. Eq. 04) e, substituindo o resultado na Eq . (12), obtemos a fun-
Vamos mostrar agora que, se Me N satisfazem a Eq. (10), ção desejada 1'{,x, y ). Isso completa a demonstração do Teorema
então a Eq. (6) é exata. A demonstração envolve a construção de 2 .6.1 .
uma função lf! satisfazendo as Eqs. (7), É possfvel obter uma expressão explícita para 1'{,x, y) através
de integrais (veja o Problema 17) mas, ao resolver equações exa-
i/t,(x , y) = M(x. y ) . lfr/x. y) = N(x, y) . tas específicas é mais simples e mais fácil, em geral, repetir o
procedimento usado na demonstração acima. Em outras palavras,
integrar r/f,(x, y) = M em relação ax, incluindo uma função arbi-
trária g(v) de y ao invés de uma constante, depois diferenciar o
"'Não é essencial que a região seja rcranyular. ba,ta que sej a simplesmente co11exa. Em duas resultado em relação a y e igualar a N. Finalmente, usar essa úl-
dimen,i'es. isso significa que a região não tem .. buracos·· em seu interior. Assim, por e~emplo,
regiões retangulares. ou circulares Jo.ão simplesmt:n1e conexas. mas uma região anular não o tima equação para resolver para g(y). O próximo exemplo ilus-
é, Podem ser encontrados maiores detalhes na inaíor parte do• livros de cálculo avançado. tra esse procedimento.
Equaçôes Diftrenciais de Primeira Ordem 53

Exemplo 2
?_-=solva a equação diferencial Fazendo r./I,. = N, temos
(ycosx + 2xe-'') + (senx + x 2 e" - l)y' =O. (16) 1/1_ = senx + x 2 eY + g'(y) = senx + x 2eY - 1.
,.(x, y)
É fácil ver que Portanto, R'6·) = -1 e g(y) = - y. A constante de integração
M,.(x. y) = cosx + 2xe·'' = N_((x. y), pode ser omitida. já que serve qualquer solução da equação di-
ferencial precedente; não precisamos da mais geral. Substituin-
~modo que a equação dada é exata. Logo. existe 1/1(.x, y) tal que do g(y) na Eq. ( 17) temos
1/lx(x, y) = ycosx + 2xeY, 1/J(x,y) = ysenx +x 2e·' -y .
lf!.v ( x, y ) = sen x + x 2e·\' - l .
Logo, as soluções da Eq. (16) são dadas implicitamente
btegrando a primeíra dessas equações. obtemos por
l/f(x , y)=ysenx+x-e· +g(y) .
") \"
( 17) ysenx + x 2e 1
· - y =e. 08)

Exemplo 3
Resolva a equação diferencial onde g é uma função arbitrária dependendo apenas de y. Para
tentar satisfazer a segunda das Eqs. (19), vamos calcular t/Jr da
(3xy + y2) + (x 2 + xy)y' =O. ( 19) Eq. (21) e igualá-la a N, obtendo
Aqui.
MY(x. y) = 3x + 2y, Nx(x , y) = 2x + y: 2~x
2
+ 2xy +g'(v)
. = x + xv
2

*
wmo My N,, a equação diferencial dada não é exata. Para ver ou
que ela não pode ser resolvida pelo método descrito acima, va-
mos procurar uma função 1/1 tal que g ' (y)
. = _ lx
2
2
- XV.
. (22)

lf!x(x, y) = 3xy + y 2• l/f..(x, y) = x 2 + xy . (20)


Como a expressão à direita do sinal de igualdade na Eq. (22)
Integrando a primeira das Eqs. (20) , obtemos depende tanto de x quanto de y. é impossível resolver a Eq.
(22) para g(v). Portanto , não existe 1fl(x, y) satisfazendo as Eqs.
l/l(x,y) = ~x 2 y + xy2 + g(y ). (21) (20) .

Fatores Integrantes. Algumas vezes é possível transformar uma obtida. então, pelo método descrito na primeira parte desta se-
equação diferencial que não é exata em uma exata, multiplican- ção. A solução encontrada dessa maneira também satisfaz a Eq.
do-se a equação por um fator integrante apropriado. Lembre-se (23), já que o fator integrante µpode ser cancelado da Eq. (24).
de que esse procedimento foi utilizado para resolver equações li- Uma equação diferencial parcial da fonna (26) pode ter mais
neares na Seção 2. 1. Para investigar a possibilidade de implementar de uma solução; se for esse o caso, qualquer uma das soluções
essa idéia mais geralmente, vamos multiplicar a equação pode ser usada como fator integrante para a Eq. (23). Essa possi-
bilidade de não unicidade do fator integrante está ilustrada no
M(x , y) dx + N(x, y) dy =O (23)
Exemplo4.
por uma funçãoµ e depois tentar escolherµ de modo que a equa- fnfelizmente, a Eq. (24), que determina o fator integrante µ,
ção resultante é, em geral, pelo menos tão difícil de resolver quanto a equação
original (23). Portanto, embora fatores integrantes sejam. em prin-
µ(x, y)M(x, y) dx + µ(x , y)N(x, y) dy =O (24) cípio, ferramentas poderosas para a resolução de equações dife-
seja exata. Pelo Teorema 2.6.1, a Eq. (23) é exata se, e somente se, renciais, eles só podem ser encontrados, na prática, em casos es-
peciais. As situações mais importantes em que se pode encon-
(µM)y = (µN) ,. (25) trar fatores integrantes simples ocorre quando J..L é uma função
de apenas uma das variáveis x ou y, em vez de depender de am-
Como Me N são funções dadas, a Eq. (24) diz que o fator integran- bas. Vamos determinar condições necessárias sobre Me N para
te µ,tem que satisfazer a equação diferencial de primeira ordem que a Eq. (22) tenha um fator integrante µ dependendo apenas
M µ y - N µx + (M, - N t )µ = 0. (26) de x. Supondo que µ,é uma função só de x, temos

Se for possível encontrar uma funçãoµ, satisfazendo a Eq. (26). dµ


então a Eq. (24) vai ser exata. A solução da Eq . (24) pode ser , = µM.1. ,
(µM) _ (µN).r = µN, +N dx .
54 Equa<:ões Diferenciais de Primeira Ordem

Assím, para que (µM),. seja igual a (µN) " é necessário que ser encontrado resolvendo-se a Eq. (27), que é, ao mesmo tem-
po, linear e separável.

(27) Um procedimento semelhante pode ser usado para se deter-
dx minar sob que condição a Eq . (23) tem um fator integrante que
Se (M,. - N,)IN depende apenas de x, então existe um fator inte- depende apenas de y; veja o Problema 23 .
grante µ que depende, também, só de x; além disso, µ(x) pode

Exemplo 4
Encontre um fator integrante para a equação Portanto,
µ(x) =X . (30)
(3xy + y2) + (x 2 + xy)y' =O (19)
Multiplicando a Eq. (19) por esse fator integrante, obtemos
e, depois , resolva a equação.
Mostramos, no Exemplo 3, que essa equação não é exata. (3x 2 y + xy2) + (x :> + x 2 y)y' =O. (31)
Vamos verificar se existe um fator integrante que depende ape-
Essa última equação é exata e é fácil mostrar que suas soluções
nas de x. Calculando a quantidade (My - N,)IN, encontramos
são dadas implicitamente por
que
(32)
M_.(x , y) - N,(x , y) 3x + 2y - (2x + y) (28) As soluções também podem ser encontradas, sem dificuldades, de
x + xy
N(x, y) 2 X fonna explícita, já que a Eq. (32) é quadrática em y. Você também
pode verificar que um segundo fator integrante para a Eq. ( 19) é
Logo, existe um fator integrante µ que é função só de x e que
l
satisfaz a equação diferencial µ(x, y) = (2 ) .
xy X +y
dµ µ (29) e que a mesma solução é obtida, embora com dificuldade muito
-=-
dx X maior, se esse fator integrante for usado (veja o Problema 32).

Problemas Nos Problemas 15 e 16, encontre o valor de b para o qual a equação


dada é exata e, então, resolva-a usando esse valor de b.
Determine se cada uma das equações nos problemas de 1 a 12 são 15. (xy2 + bx 2 y) dx + (x + y)x 2 dy =O
exatas. Para as exatas, encontre a solução.
16. (yeh~ + x) dx + bxe 2·'." dy O =
1. (2.x +3) + (2y -2)y' =o 17. Suponha que a Eq. (6) satisfaz as condições do Teorema 2.6. l
2 . (2x + 4y) + (2.x - 2y)y' =O em um retângulo Reé portanto, exata. Mostre que uma função
tfi(x, y ) possível é
3. (3x 2 - 2xy + 2) d.x + (6y2 - x 2 + 3) dy =O
4. c2x.v2 +2.v) + c2.x 2 y +2.x)/ =o
dy ax +by tfi(x, y) = J,:M(s, y0 )ds + J:.N(x, t) dt
5.
d.x bx + ry
onde (x0 , y0 ) é um ponto em R.
6.
dy = ax - by 18. Mostre que qualquer equação separável
d.x bx - cy
M(x) +N(y)y' =O.
7. (e" seny - 2ysenx)dx +(e" cosy +2cosx) dy =O
8. (e' seny + 3y)dx - (3x -e' seny) dy =O também é exata.
9. (yexy cos2r - 2e·'-~ sen2x + 2x) dx
Mostre que as equações nos problemas de 19 a 22 não são exatas,
+(xexy cos2x - 3) dy =O
mas tornam-se exata<> ao serem multiplicadas por um fator integran-
10. (y/x +6.x)dx + (ln.x - 2) dy =O, .x >O te. Depois resolva as equações.
li. (.xlny+xy)d.x+(ylnx+xy)dy=O; x>O , Y>Ü
xdx ydy 19. x 2 y 3 +x(l + y2)y' =O, µ,(x , y) = l/xy 3
2 3/2 + 0 =
12. 2
(x + y )·
2 2 V2
(x + y )- seny -x
20. ( - - - 2 e sen x
y
) d
x + (cos y + 2ey - x cos x) d
y =O,
Nos Problemas 13 e 14, resolva o problema de valor inicial dado e
detennine, pelo menos aproximadamente, onde a solução é válida. µ(x, y) = yex
13. (2x - y)dx+(2y - x)dy=O, y(l)=3 2 l. y d x + (2x - ye>') d y = O, µ(x, y) =Y
14. (9x 2 + y- l)dx -(4y - x) dy =O, y(I) =O 22. (x + 2) seny dx + x cos y dy = O, µ,(x, y) = xex
Equações Diferenciais de Primeira Ordem 55

~fostreque, se (N, - M ,)IM = Q, onde Qéuma função apenas Uma outra maneira é calcular valores aproximados da solu-
de y, então a equação d.iferencial ção y = <f>(t) do problema de valor inicial (1) para valores sele-
M +N y' =Ü cionados de 1. Idealmente, os valores aproximados da solução
serão acompanhados de cotas para os erros que garantem um nível
tem um fator integrante da forma

µ(y) =exp f Q(y) dy .


de preci são para as aproximações. Existem inúmeros métodos,
hoje em dia, que produzem aproximações numéricas de soluções
de equações diferenciais e o Cap. 8 é devotado a uma discussão
:.;_ Mostre que. se (N, - M,)/(xM - yN) = R , onde R depende mais completa de alguns deles. Vamos introduzir. aqui. o mais
apenas da quantidade .ry.- então a equação diferencial velho e mais simples de tais métodos, desenvol\.ido por Euler
M + Ny' =O por volta de l 768. É chamado o método da reta tangente ou o
método de Euler.
tem um fator integrante da forma µ.(x:v). Encontre uma fónnula
Vamos considerar como poderíamos aproximar a solução y
geral para esse fator integrante.
= <f>(t) das Eqs. ( 1) próximo de t = 10 • Sabemos que o gráfico da
~os problemas de 25 a 31 , encontre um fator integrante e resolva a solução contém o ponto (t0, y 0) e, da equação diferencial. sabe-
equação dada, mos, também, que a inclinação da reta tangente ao gráfico nesse
ponto é f<J0 , y0 ). Podemos escrever, então, uma equação para a
~5. (3x 2 y +2xy + y)) dx + (x 2 + y2) dy =O
reta tangente à curva solução em (t0 , y 0), a saber,
26. y' = e2" + y - 1
17. dx + (x/y - seny) dy =O y = Yo + f(t 0 , Y1>)(t - t0 ) . (2)
.!8. y dx + (2x y - e- 2Y) dy =O A reta tangente é wna boa aproximação para a curva solução em
29. ex dx +(ex COI y +2ycscy) dy Ü = um intervalo suficientemente curto, de modo que a inclinação da
30. [4(x 3/y2} + (3/y)] dx + f3(x/y 2) + 4y] dy =O reta tangente à curva solução não seja muito diferente de seu valor
31. (3x + ~)
)'
+ (x + ]~) dy =O
y
2

dx X
no ponto inicial: veja a Fig. 2.7.1 . Assim, se t, estiver suficiente-
mente próximo de t0 , podemos aproximar <f>(tt) pelo valor y 1
obtido substituindo-se t = t 1 na equação da reta tangente no ponto
Sugestão: Veja o Problema 24. r = t0 ; logo,
3:?. Resolva a equação diferencial
(3)
(3xy + y2) + (x 2 + xy)y' =O
Para continuar, podemos tentar repetir o processo. Infelizmen-
usando o fator integrante µ(x, .v) = [.xy(2x + y)] '.Verifique
que a solução é a mesma que a obtida no Exemplo 4 com um te, não sabemos o valor <f>(t1) da solução em t 1• O melhor que po-
fator integrante diferente. demos fazer é usar o valor aproximado y 1 em seu lugar. Cons-
truímos, então, a reta contendo o ponto (t1 , y 1) com coeficiente
angular .f(t,, y,),
2.7 Aproximações Numéricas: (4)
oJVlétodo de Euler Para aproximar o valor de </>(1) em um ponto próximo 12, usamos
a Eq. (4), obtendo
Lembre-se de dois fatos importantes sobre o problema de valor
inicial de primeira ordem Y2 = Y1 + f(ti, Y1)(t2 - t,). (5)
d\' Continuando desse modo, usamos o valor de y calculado em
d.t = f(t. y), (1)
cada etapa para determinar o coeficiente angular para a próxima
aproximação. A expressão geral paray" + 1 em função de'"' '"+ 1
Primeiro, se f e aj/ay são contínuas, então o problema de valor e Yn é
inicial (1) tem uma única solução y = </>(E) em algum intervalo
contendo o ponto inicial t = t0 • Segundo, não é possível, em geral,
encontrar a solução </>por manipulações simbólicas da equação
diferencial. Consideramos, até agora, as principais exceções dessa
afirmação, a saber, equações diferenciais que são lineares, sepa-
ráveis ou exatas, ou que podem ser transformadas em um desses
y
tipos. De qualquer jeito, continua sendo verdade que, para a vasta
maioria dos problemas de valor inicial de primeira ordem, as Reta tangente
soluções não podem ser encontradas por meios analíticos como ---~--
--- Y=Yot-_f<to,Yo><t-tol
os considerados na primeira parte deste capítulo. ___ _ _ _ 1 Soluçao
Portanto, é importante sermos capazes de abordar o proble-
: y =-~(t}
ma de outras maneiras . Como já vimos, uma dessas maneiras é
Yo -- :
desenhar um campo de direções para a equação diferencial (o que 1
não envolve resolver a equação) e, depois, visualizar o compor- 1
1
tamento das soluções pelo campo de direções. Isso tem a vanta- 1
1
gem de ser um processo relativamente simples, mesmo para equa-
ções diferenciais complicadas. No entanto, por si mesmo ele não
serve para cálculos quantitativos ou comparações e isso é, mui-
tas vezes, um defeito grave. FIG. 2.7.1 Uma aproximação pela reta tangente.
56 Equaçõrs Diferrrn;iais de Primeira Ordem

Se introduzirmos a notaçãof. = .fit., y.), podemos escrever a Eq. do o resullado de cada passo para calcular o próximo. Dessa
(6) como maneira gera-se uma seqüência de valores y., y2• y3, • . • que apro-
ximam o valor da solução nos pontos ti> t1 , t, , .. . . Se, em vez de
Yn+I = Yn + Ín . (tn+I - t,,), n =O, 1, 2,. ... (7) uma seqüência de pontos, você precisa de uma função para apro-
ximar a solução <J>(t), então você pode usar a função linear por
Finahnente, se supusermos que existe um tamanho uniforme para partes construída da coleção de segmentos de retas tangentes. Em
o passo h entre os pontos t0 , t 1, t, ... , então 1. + 1 = t. + h para outras palavras, y é dado pela Eq. (2) em lt0 , 11], pela Eq. (4) em
cada n e oblemos a fórmula de Euler como
Lt 1, t2 j e, em geral, por
n =O, 1, 2, .. .. (8) (9)
Para usar o mélodo de Euler, basta calculara Eq . (7) ou a Eq. (8) em [t., 1. .. 1] .
repetidamente, dependendo se o passo é constante ou não, usan-

Exemplo 1
Considere o problema de valor inicial e, então,

dy -( J
y(O) = 1. (10)
Y2 = y 1 + / 1h ;;::; 1,35 + (3,229837)(0, l) ;;::; 1,672984.
dt =3+e -p,
Repetindo os cálculos duas vezes mais, obtemos
Use o método de Euler com passos de tamanho h "" O, 1 para en-
j~ ;;::; 2.982239, y3 ;;::; 1,971208
contrar valores aproximados das soluções das Eqs. (1 O) em t =
O, 1; 0,2; 0,3 e 0,4. Compare-os com os valores reais da solução e
do problema de valor inicial f-:.;;::; 2,755214. y4 ;:: 2,246729.
Procedendo como na Seção 2.1 , encontramos as soluções das
Eqs. (10), A Tahela 2.7. I mostra esses valores calculados, os valores cor-
respondentes da solução (11) e a diferença entre os dois, que é o
y = <f>(t) = 6 - 2e - t - 3e- 112 . (11)
erro na aproximação numérica.
Para usar o método de Euler, observamos que, nesse caso.fit, y) = 3
+ e- 1 - y/2. Usando os valores iniciais 10 =O e y0 = 1, vemos que TABELA 2.7.1 Uma Comparação entre a
Solução Exala e o Método de Euler com h
! 0 =f(t0 , y0 ) =/(O, 1) = 3 +e0 -o,5=3+1-0,5=3 ,5 = 0,1 paray' ""' 3 + e -'~ y/2,y(O) = l.
e então, usando a Eq. (8) com n =O, Euler
Exata comh=0,1 Erro
Y1 = Yo + J0h = 1 + (3,5)(0,1) = t,35 .
0,0 l.0000 1,0000 0,0000
No próximo passo, temos 0,1 1,3366 1,3500 0,0134
0,2 1,6480 1,6730 0,0250
/ 1 = j(O,I; 1, 35) = 3 + e-0• 1 - (0,5)(1,35);;::; 3 0,3 1,9362 l,9712 0,0350
+ 0,904837 - 0 ,675 ;;::; 3,229837 0,4 2 .2032 2,2467 0,0435

O objetivo do Exemplo 1 é mostrar os detalhes da implemen- Passo 3. entrada tamanho do passo h e número
tação de alguns poucos passos do método de Euler, de modo a n de passos
deixar bastante claro quais os cálculos que são executados. É claro Pa<iso 4. saída tO e yO
que cálculos como os executados no Exemplo 1 são feitos , em Passo S. para j de l até n faça
geral, por um computador. Alguns pacotes de programas inclu- Passo 6. kl = fit, y)
em o código para o método de Euler, enquanto oulros não. De y = y + h * ki
qualquer modo, é fácil escrever um programa de computador para t =t+h
executar as opera9ões necessárias e produzir resultados como os Pa~so 7. saídatey
da Tabela 2 .7.l. E dado a seguir um esboço de um programa; as Passo 8. fim
instruções específicas podem ser escritas em qualquer linguagem
de programação de alto nível. A saída desse algoritmo pode ser listar os números na tela ou
imprimi-los por uma impressora, como na terceira coluna da
Método de Euler Tabela 2.7. 1. Uma outra possibilidade é apresentar os resultados
Passo]. defina.f(t, y) calculados de modo gráfico.
Passo 2. entrada valores iniciais tO e yO
Equaçóes Diferenciais de Primeira Ordem 57

Exemplo 2
Considere, novamente, o problema de valor inicial ( 10), TABELA 2.7.2 Uma Comparação entre a Solução Exata e o
Método de Euler com Diversos Tamanhos de Passos h para y'
~~ = 3 + e- e - h·· y(O) = l. = 3 +e-' - y/2, y(O) = 1.
Exata h = 0,1 h = 0,05 h = 0,025 h = 0,01
Use o método de Euler com passo de vários tamanhos para cal-
cular valores aproximados da solução para Os t s 5 . Compare o.o 1,0000 l ,0000 1,0000 1,0000 1,0000
os resultados calculados com os valores correspondentes da so- 1,0 3,4446 3,5175 3,4805 3,4624 3,4517
lução exata (11), 2.0 4,6257 4,7017 4,6632 4.6443 4,6331
3,0 5,2310 5,2918 5,2612 5.2460 5,2370
4,0 5,5574 5.6014 5,5793 5,5683 5,5617
- 3e - r' - .
11
2 -
y=f/J(t)= 6 - e 1
5,0 5,7403 5,7707 5,7555 5,7479 5,7433
Usamos os tamanhos de pa<;so h = O,l; 0,05 ; 0,025 e 0,01 ,
cotrespondendo a 50, l 00. 200 e 500 passos, respectivamente,
para ir de t = O até t = 5. Os resultados desses cálculos, juntos zes mais cálculos) também se reduz o erro por um fator de apro-
com os valores da solução exata, estão apresentados na Tabela ximadamente 1O. Uma segunda observação que pode ser feita a
2.7.2. Todos os valores computados foram arredondados para partir da Tabela 2.7.2 é que, para um tamanho de passo fixo h,
quatro casas decimais, embora tenham sido usados mais dígitos as aproximações tornam-se mais precisas quando t aumenta. Por
durante os cálculos intermediários. exemplo. para h = O, 1, o erro para t = 5 fica em tomo de 0,5 %,
Que conclusões podemos tirar dos dados na Tabela 2 .7 .2? Em =
comparado com 2 % para t 1. Um exame dos dados em pontos
primeiro lugar, para um t fixo, os valores aproximados calcula- intermediários que não aparecem na Tabela 2. 7 .2 revelaria onde
dos tomam-se mais preci sos quando o tamanho do passo h di- ocorre o erro máximo para um tamanho dado de passo e quão
minui. Isso é o que esperaríamos, é claro, mas é encorajador grande ele é.
verificar que os dados confirmam nossa expectativa. Por exem- Levando tudo em consideração, o método de Euler parece
plo, para t = 1 o valor aproximado com h = O,1 ultrapassa o valor funcionar bastante bem para esse problema. Resultados razoa-
exato por aproximadamente 2%, enquanto o valor aproximado velmente bons podem ser obtidos mesmo para um tamanho de
com h = 0,01 só o ultrapassa por 0,2%. Nesse caso, reduzindo- passo moderadamente grande como h ::::: O, l e a aproximação
se o tamanho do passo por um fator de 10 (e executando 10 ve- pode ser melhorada diminuindo-se h.

Vamos considerar um outro exemplo.

Exemplo 3
i Considere o problema de valor inicial 5. Compare os resultados com os valores correspondentes da
solução (13).
dv Usando o mesmo conjunto de valores para o tamanho dopas-
d't =4-t+2y, y(O) = 1. ( 12)
so utilizado no Exemplo 2, obtemos os resultados apresentados
A solução geral dessa equação diferencial foi encontrada no na Tabela 2.7.3.
Os dados na Tabela 2.7 .3 confirmam, novamente, nossa ex-
Exemplo 2 da Seção 2. l e a solução do problema de valor inicial
112) é pectativa de que, para um valor dado de t, a precisão melhora
ao se reduzir o tamanho do passo h. Por exemplo, para 1 = 1. o
(13) erro percentual diminui de 17,3%, quando h = O, I , para 2, \ %,
quando h = 0,0l . No entanto, o elTo cresce bem rapidamente,
Use o método de Euler com diversos tamanhos de passos para quando t cresce, para um h fixo . Mesmo para h = 0,0 l, o erro
encontrar valores aproximados da solução no intervalo Os t :5 em t = 5 é de 9,4% e é muito maior para tamanhos de passos

TABELA 2. 7.3 Uma Comparação entre a Solução Exata e o Método de Euler com
Diversos Tamanhos de Passos h para y' = 4 - t + 2y, y(O) = l .
Exata h = 0.1 h == 0,05 h = 0,025 h = 0.01
0,0 l,000000 l,000000 1,000000 l,000000 1,000000
1.0 19,06990 15,77728 17,25062 18,10997 18,67278
2,0 149.3949 104,6784 123,7130 135 ,5440 143,5835
3,0 1109, 179 652,5349 837 .0745 959.2580 1045,395
4,0 8197,884 4042.122 5633.351 6755 .175 7575,577
5,0 60,573.53 25.026,95 37 .897.43 47 .555,35 54.881.32
58 Equações DiffTenciaís de Primeira Ordem

maiores. É claro que a precisão necessária depende de para que passos ainda menores ou restringir os cálculos a um intervalo
serão usados os resultados, mas os erros na Tabela 2.7 .3 são bem pequeno a partir do ponto inicial. De qualquer modo, é
grandes demais para a maioria das aplicações em ciências ou claro que o método de Euler funciona bem pior nesse exemplo ··
em engenharia. Para melhorar a situação, poderíamos tentar do que no Exemplo 2.

Para compreender melhor o que está acontecendo nesses que todas as soluções estão ficando cada ve:L mais pr6ximas
exemplos, vamos olhar de novo o método de Euler para o pro- quando t aumenta.
blema de valor inicial geral Por outro lado, no Exemplo 3, a solução geral da equação
diferencial é
dy
- = f(t , Y), (15)
dt .
cuja solução denotamos por <f>(t). Lembre-se de que uma equa- e essa é uma familia divergente. Note que as soluções correspon-
ção diferencial de primeira ordem tem uma fanúlia infinita de dentes a dois valores próximos de e tornam-se arbitrariamente
soluções, indexadas por uma constante arbitrária e, e que a con- longe uma da outra quando t aumenta. No Exemplo 3, estamos
dição inicial determina um dos elementos dessa farrulia infinita tentando seguir a solução para e = l lf4 mas, ao usar o método
espedficando o valor de e. Assjm, <f>{t) é o elemento dessa famí- de Euler, estamos, de fato, em cada passo, seguindo uma outra
lia infinita de soluções que satisfaz a condição inicial c/>(t0 ) = Yo· solução que se afasta da de.~ejada cada vez mais rápido quando t
Em seu primeiro passo, o método de Euler aproxima o gráfi- aumenta. Isso explica por que os erros no Exemplo 3 são muito
co de y = <f>(t) por sua reta tangente ao ponto inicial (t0 , y0) e isso maiores do que os erros no Exemplo 2.
produz o valor aproximado y 1 em t 1• Em geral Y1 =F </i(J 1), de modo Ao se usar um procedimento numérico como o método de
que, em seu segundo passo, o método de Euler usa a reta tangen- Euler, deve-se sempre manter em mente a questão de se os re-
te a uma solução próxima y = c/> 1(t) no ponto (11> y 1), não a tan- sultados são suficientemente precisos para serem úteis. Nos
gente a y = <f>(t). E é desse modo em cada passo. O método de exemplos precedentes, a precisão dos resultados numéricos pode
Euler usa uma sucessão de retas tangentes a uma seqüência de ser calculada diretamente, comparando-se com a solução obtida
soluções diferentes <f>(t), 1f>i(t), <f>2(t), .. . da equação diferencial. analiticamente. Mas, em geral. é claro que uma solução analíti-
Em cada passo, é construída a reta tangente à solução cujo grá- ca não está disponível ao se empregar um procedimento numé-
fico contém o ponto determinado pelo passo precedente, como rico, de modo que precisamos de cotas, ou, pelo menos, estima-
ilustrado na Fig. 2.7.2. A qualidade da aproximação depois de tivas . para o erro que não necessite de informação sobre a solu-
muitos passos depende fortemente do comportamento do con- ção exata. Apresentaremos, no Cap. 8, alguma informação so-
junto de soluções cujos gráficos contêm os pontos (tn• Yn) para n bre a análise de erros e discutiremos, também, diversos algorit-
= 1, 2, 3, .... mos mais eficientes, do ponto de vista computacional, do que o
No Exemplo 2, a solução geral da equação diferencial é método de Euler. No entanto, o melhor que podemos esperar de
uma aproximação numérica é que ela reflita o comportamento
y = 6 - 2e
- 1
+ ce - 1/2 (14)
da solução exata. Dessa forma, um elemento de uma fanu1ia di-
e a solução do problema de valor inicial ( l 0) corresponde a e = vergente de soluções sempre vai ser mais difícil de aproximar
- 3. Essa família de soluções é uma família convergente, já que do que um elemento de uma faml1ia convergente . Finalmente,
a parcela envolvendo a constante arbitrária e tende a zero quan- lembre-se de que desenhar um campo de direções é, muitas ve-
do t----7 oo. Não importa muito quais soluções estamos aproximan- zes, uma primeira etapa bastante útil parn compreender o com-
do por retas tangentes na implementação do método de Euler, já portamento das equações diferenciais e suas soluções.

Yo

. 'º
FIG. 2.7.2 O método de Euler.
Equações Diferoicluis de Primeira Ordtm 59

Problemas (b) Repita o item (a) com h = 0,05 .


(c) Compare os resultados dos itens (a) e(b) . Note que eles cstlo
razoavelmente próximos para t = l,2; ! ,4 e 1,6, mas são bem
Muitos dos problemas nesta seção dependem de cálculos numéricos
diferentes para t = 1,8. Note também (da equação diferencial)
bastante extensos. A quantidade de cálculos razoáveis que você deve
que a reta tangente à solução é paralela ao eixo dos y quando
fazer depende, foncmcntc, do tipo de equipamento computacional
disponível. Alguns passos dos cálculos necessários podem ser exe- =
y = ± 2 / .f3 ± 1, 155. Explique como isso pode causar tanta
cutados em praticamente qualquer calculadora, ou até mesmo a mão. diferença nos valores calculados .
se necessário. Para fazer mais, você vai ver que é desejável ter pelo ~2 16. Considere o problema de valor inicial
menos UOUI calculadont programável, enquanto, para alguns problc·
mas, é necessário um computador. y' = t2 + y2, y(O) == I .
Lembre-se, também, de que resultados numéricos podem variar Use o método de Euler com h = 0, l; 0,05: 0.025 e 0.01 para
um pouco, dependendo de como seu programa é construído e como explorar a solução desse problellUI para O :s; t :::; l . Qual a sua
seu computador executa os passos aritméticos, arredonda etc. V ari- melhor estimativa para o valor da solução em t = 0.8? Em t =
ações pequenas na última casa decimal podem ser atribuídas a cau- 17 Seus resultados são consistentes com o campo de direções
sas desse tipo e não indicam. necessariamente. que alguma coisa está :;:i no Problema 9?
errada. As respostas no final do livro são dadas com seis dígitos na # _, 17. Considere o problema de valor inicial
maior parte das vezes, embora OU1is dígitos tenham sido usados nos
cálculos intermediários. y' = (y2 + 2ty)/(3 + t 2 ), y(l) = 2.
Use o método de Euler com h = 0,1 ; 0,05; 0 ,025 e 0,01 para
Nos problemas de 1 até 4: explorar a solução desse problema para ! :::; t :s; 3. Qual a sua
(a) Encontre valores aproxiOU1dos da soJuçilo para o problema melhor estimativa para o valor da solução em t = 2.57 Em l =
de valor inicial dado em t = 0,1 ; 0,2; 0,3 e 0,4 usando o méto- 37 Seus resultados são consistentes com o campo de direções
do de Euler com h = 0,1 .
(b) Repita o item (a) com h = 0,05. Compare com os resulta- #l no Problema 1O?
18. Considere o problema de valor inicial
dos encontrados em (a).
(e) RepitH o item (a) com h = 0,025. Compare com os resulta- y' = - ty +O.Jy 3 , y (O) =a,
dos encontrados em (a) e (b) .
(d) Encontre a solução y = </J(_t) do problema dado e calcule cf>(t) onde a é um número dado.
em t = 0,1; 0,2; 0 ,3 e 0.4. Compare esses valores com os resul- (a) Desenhe um campo de direções para a equação diferencial
tados encontrados em (a). (b) e (c). (ou examine, novamente, o do Problema 8). Observe que exis-
te um valor crítico de a no intervalo 2 :s; a :::; 3 que separa as
.~ 1. y' = 3 +t - y, y(O) = l soluções convergentes das divergentes. Denote esse valor crí-

.
.~ 2. y' = 2y -1,

·-~-;
3. y' = 0 ,5 - t + 2y,
y(O) = I

4. y' = 3 cos t - 2y ,
y(O) = J
y(O) =0
Nos problemas de 5 a 1O, desenhe um campo de direções para a
equação diferencial dada e diga se você acha que as soluções estão
#-~
tico por a 0 .
(b) Use o método de Euler com h = 0,01 para estimar a 0 • Faça
isso restringindo a 0 a um intervalo [a, b], onde b - a= 0,01.
19 . Considere o problema de valor inicial
y' = )'2 - t2. y(O) =a ,
onde a é um número dado.

._, convergindo ou divergindo.

5. y 1
=5-3JY
(a) Desenhe um campo de direções para a equação diferencial.
Observe que existe um valor crítico de ano intervalo O:::; a:::; l
que separa as soluções convergentes das divergentes. Denote
.~. 6. y' =y(3- !y) esse valor crítico por ª<>·
•'2 7. y' = (4 - ty)/(1 + y
2
)
(b) Use o método de Euler com h = 0,01 para estimar a 0 • Faça
isso restringindo a 0 a um intervalo [a. b] , onde b - a = 0,0!.
•~ 8. y' = - ty +0,ly 3
20. Convergência do Método de Euler. Pode-se mostrar que, sob
#:_. 9. y' = ,2
+ y2 condições apropriadas para/, a aproximação numérica gerada
#~ 10. y' = <l + 2ty)/(3 + t 2 ) pelo método de Euler para o problema de valor inicial y' fi.t, =
y), y(t0 ) = y0 converge para a solução exata quando o tamanho
Nos problemas de l I a 14, use o método de Euler para encontrar h do passo diminui. Isso é ilustrado pelo exemplo a seguir.
valores aproximados da solução do problema de valor inicial dado Considere o problema de valor inicial
emt = 0.5; 1: l ,5;2;2,Se3:
(a) Com h = 0, 1.
y' = 1 - t + Y, Y U0 ) = Yo·
(b) Com h = 0,05 . (a) Mostre que a solução exata é y= cf>(1)=(.y0 - 10)e' - 10 +t.
(c) Com h = 0,025 .
(b) Use a fórmula de Euler para mostrar que
(d) Com h = O.OI.
k = 1. 2, . .. .
#111 . y' =5 - 3Jy, y(O) =2 (e) Notando que y, = (1 + h)(}0 - t") + l 1o mostre, por indu-
~12. y' = y (3 - ry ) , y(O) = 0,5 ção. que
~ 13 . y' = (4 - ty)/(l + y2), y(O) = - 2 (i)
~14. y' = -ty +0.1/. y(O) = l para cada inteiro positivo n.
~15. Considere o problema de valor inicial (d) Considere um ponto fixo t > 10 e, para um n dado, escolha
h = (t - t0 )/n. Então, t. = t para todo n. Note, também, que h
y' = 3t 2 /(3/- 4). y(I) =O. ~O quando n ~ oo. Substituindo h na Eq, (i) e fazendo n - ""·
mostre que :v. - </>(t) quando n - x .
(a) Use a fónnula de Euler (6) com lz = O, 1 para obter valores
aproximados da solução em t = 1.2; 1,4: 1,6 e 1,8. Sugestão: lim (l
n ~ oo
+ a/ n )'' = eª.
60 Equações Diferenciais de Primeira Ordem

No~ problemas de 2 l a 23, use a técnica discutida no Problema 20 Para a demonstração discutida aqui, é necessário colocar o pro-
para mostrar que a aproximação obtida pelo método de Euler con- blema de valor inicial (2) em uma forma mais conveniente. Se su-
verge à solução exata cm qualquer ponto fixo quando h -+ O. pusennos, temporariamente, que existe uma função y = <fi._t) que
21. y' = y , y(O) =l satisfaz o problema de valor irucial, então ,f[t, <Ji._t) J é uma função
22. y ' = 2y - 1, y(O) = 1 Suges1ão: y 1 =(l-t-2h)/2+1/2 contínua que só depende de t. Logo, podemos integrar y' = flt, y)
23. y' = t - t + 2y, y(O) = 1 Sugestão: y 1 = (1 + 2h) + tif2 do ponto inicial t = Opara um valor arbitrário de t, obtendo

cp(t) = r J[s, r/1(s)] ds,


./o
(3)

2.8 O Teorema de Existência onde usamos a condição inicial r/1(0) = O. Usamos, também, .1·
e Unicidade para denotar a variável de integração.
Como a Eq . (3) contém uma integral da função desconhecida
Vamos discutir, nesta seção. a demonstração do Teorema 2.4.2, r/1. ela é chamada de equação integral. Essa equação integral não
o teorema fundamental de existência e unicidade para problemas é uma fórmula para a solução do problema de valor inicial. mas
de valor inicial de primeira ordem. Esse teorema diz que, sob fornece outra relação que é satisfeita por qualquer solução das
certas condições emfit, y), o problema de valor inicial Eqs. (2). Reciprocamente, suponha que existe uma função con-
tínua y:::: c/J(t) que satisfaz a equação integral (3); então essa fun-
_v' = f(t , y), ( 1) ção também satisfaz o problema de valor inicial (2). Para mos-
tem uma ónica solução em algum intervalo contendo o ponto t0 • trar isso, substituímos, primeiro, t por zero na Eq. (3) , o que
Em alguns casos (por exemplo, se a equação diferencial for mostra que a condição irucial é satisfeita. Além disso, como o
linear), a existência de uma solução para o problema de valor iru- integrando na Eq . (3) é contínuo, segue do teorema fundamental
cial ( 1) pode ser estabelecida diretamente resolvendo-se o pro- do cálculo que cp' (t) = J[t, cp(l)j . Portanto, o problema de valor
blema e exibindo-se uma fórmula para a solução. No entanto, essa inicial e a equação integral são equivalentes, ou seja, qualquer
abordagem não é factível em geral, pois não existe um método solução de um desses problemas também é solução do outro. É
de resolução de equações diferenciais que se aplique a todos os mais conveniente mostrar que existe uma únicà solução da equa-
casos. Portanto. para o caso geral, é necessário adotar uma abor- ção integral em algum intervalo ltl s: h. A mesma conclusão será
dagem indireta que demonstre a existência de uma solução para válida, então , para o problema de valor inicial.
as Eqs. (1), mas que, normalmente, não fornece um modo práti- Um método para mostrar que a equação integral (3) tem uma
co para encontrá-la. O ponto crucial desse método é a constru- única solução é conhecido como método das aproximações
ção de uma seqiiência de funções que converge a uma função- sucessivas ou método de iteração de Picard-2' Ao usar esse
limite satisfazendo o problema de valor inicial, embora o~ ele- método, começamos escolhendo uma função inicial </Jo, arbitrá-
mentos individuais da seqüência não o satisfaçam. Como regra ria ou que aproxima, de alguma forma. a solução do problema
geral, é impossível calcular explicitamente mais do que alguns de valor irucial. A escolha mais simples é
poucos elementos da seqüência; portanto, a função limite só pode c/10 (t) =O; (4)
ser determinada em casos raros . Apesar disso, sob as restrições
sobre ft.t, y) enunciadas no Teorema 2.4.2, é possível mostrar que então <Po pelo menos satisfaz a condição inicial nas Eqs. (2),
a seqüência em questão converge e que a função-limite tem as embora, presume-se, não satisfaça a equação diferencial. A pró-
propriedades desejadas . O argumento é razoavelmente compli- xima aproximação, cp 1, é obtida substituindo-se cp(s) por <Po(s)
cado e depende, em parte, de técnicas e resultados normalmente na integral na Eq. (3) e chamando o resultado dessa operação
encontrados pela primeira vez em cursos de cálculo avançado. <Pi(t) . Assim,
Em conseqüência, não entraremos em todos os detalhes da de-
monstração aqui; indicaremos, no entanto, suas características
principais e apontaremos algumas das dificuldades envolvidas.
rPi (t) = 1' f[s, cp0 (s)] ds . (5)

Em primeiro lugar, note que é suficiente considerar o proble-


ma no qual o ponto inicial (t0 • y 0} é a origem; isto é. considerar o
Analogamente, cjJ2 é obtida de cp 1:
problema

y' = f (t, y) . y(O) =O. (2)


c/J2 (1) = 1 1

f[s . c/J 1(s)] ds, (6)


e, em geral,
Se for dado algum outro ponto inicial, então sempre podemos 1
fazer uma mudança de variáveis preliminar, correspondendo à <Pn+l(t) = fo .fls, r/1,.(s)j ds . (7)
translação dos eixos, que leva o ponto dado (trr yo) para a ori-
gem. O teorema de existência e unicidade pode ser enunciado Desse modo, geramos a seqüência de funções [ cfJ.J = cp0 , cp 1, .. ..
agora da seguinte forma : c/Jn, ... . Cada elemento da seqüência satisfaz a condição inicial, mas.

" Chlu:les-Émile Picard (1 856·19!4) foi. com exceção de Henri Poincuré, o ma1elllático

aftà~~~~-~~fifüas
francês mais famo so de sua geração. Foi nomeado professor na Sorhonnc ante\ dos 30 anos.
Se f e em um retângulo R: ltl s a, lyi s b, É conhecido por teoremas imporr:mtes em variáveis comple•as e geometria algébrica. bem
como e111cquaçõe, difere nciai•. Um caso panic\llar do método de aproximações suce.si ,·as
então existê iillMii:iritervalo ltl :s h :5 a no qual existe uma foi publicado primeiro por Liooville em 1838. No entanto, o crédito do mêtodo é no1malmentc
y
única soluçãú ~ i/>(t) do problema de valor inicial (2). atribuído a l'icanl, que o estabeleceu em uma forma geral e amplamente aplicável em uma
série de artigo~ a partir de 1890.
Equações Diferenciais de Primeira Ordem 61

em geral, nenhum deles satisfaz. a equação difcrencia1. No entanto, 2. A seqüência converge?


se, em algum estágio, por exemplo, para n = k, encontrarmos 3. Quaís são as propriedades da função limite? Em particular,
</J, + 1(t) = cb,(t), então segue que </J; é uma solução da equação in- ela satisfaz a equação integral (3) e, portanto, o problema de
tegral (3). Portanto, <P. também é solução do problema de valor ini- valor inicial (2)'?
cial (2) e a seqüência pára nesse ponto. Isso normalmente não acon- 4. Essa é a única solução ou podem existir outras?
tece e é necessário considerar toda a seqüência infinita.
Para estabelecer o Teorema 2.8. 1, temos que responder qua- Vamos mostrar, primeíro, como essas perguntas podem serres-
tro perguntas importantes: pondidas em um exemplo específico relativamente simples e
comentar, depois, sobre algumas dificuldades que podem ser
1. Existem todos os elementos da seqüência {<{>,,),ou o prm:es- encontradas no caso geral .
so pode ter que ser interrompido em algum estágio?

:··•·•·.··· ...
Exemplo 1 '

Resolva o problema de valor inicial Os gráficos dos quatro primeiros iterados <{J 1(t), ... , c/Jit) es-
tão ilustrados na Fig. 2.8. 1. Quando k aumenta, os iterados pare-
y' = 2t(l + y) , y(O) =O . (8) cem pennanecer próximos em um intervalo gradualmente cres-
cente, sugerindo convergência para uma função-limite.
pelo método de aproximações sucessivas. Segue da Eq. (13) que <f>n(t) é a n-ésima soma parcial da série
Note primeiro que, se y = <f.><.t), então a equação integral cor-
00 121:.
respondente é
L -k!; (15)
k=I •
</>(!) = {1 2s[1 + cp(s)J ds. (9) logo, lim cb,,(t) existe se, e somente se, a série (15) converge.
lo . 11-,"'
Api 1canao o teste da razão, vemos que, para cada t,
Se a aproximação inicial é </J0(t) == O, temos que
t2k+2 k! t2
2 (k + l)! k - k+ -. O quando k -+ oo; (16)
<fJ 1(t)= (2s[l+</J0 (s)Jds= {12sds=t . (10) 12 1
~) ~
logo, a série ( 15) converge para todo te sua soma <fJ(t) é o limite

it
Analogamente,
da seqüência {<{>,,(!)) . Além disso, como a série (15) é uma série
de Taylor, ela pode ser diferenciada ou integrada termo a termo
<P2(t)=
i o
l
2s[l+</> 1(s)]ds=
o
2~[l+s 2 ]d.r=t 2 +-
(4

2
desde que t pcnnaneça no intervalo de convergência que, nesse
caso, é todo o eixo dos .,,t. Ponanto, podemos verificar por cálcu-
(11)
los diretos que cp(t) =L f" !k! é uma solução da equação inte-
•=i

<{>3 (1) = i 2~[1


1

+</>2 (s)J ds
gral (9). De outro modo, substituindo y por <f.><.1) nas Eqs. (8), po-
demos verificar que essa função satisfaz o problema de valor ini-
cial. Neste exemplo, também é possível. a partir da série ( 1S),
s4] ds identifü:ar <P em termos de funções elementares, a saber, . ,,.

1 1 [ 14 t6
= 2s 1+ s2 + - = t2+ - + -~ _ (12) <{J(r) = e' - 1. No entanto, isso não é necessário para a discus~
2

o 2 2 2·3 são de existência e unicidade.


As Eqs . (10), (11) e (12) sugerem que

para cada n 2:: 1 e esse resultado pode ser estabelecido por indu-
ção matemática. A Eq. (13) é (;ertamente verdadeira para n = 1;
veja a Eq. (10). Precisamos mostrar que, se ela é válida para n =
k, então também é válida para n = k + 1. Temos

<Pk-..i (t) = i 1

2s[l + <Pk(s)J ds

= [12s
lo
(1 + s2 + s4 + ... + s2k)
2! k!
ds

') !4 !6 t2k -..2


= r- + 2! + 3! + .. · + (k + J)! ' (14)
-1.5 -1 - 0,5 0,5 1 1.5

e a demonstração por indução está completa. FIG. 2.8.1 Gráficos de </>i(t), .. . , <f>it) para o Exemplo 1.
62 Equ(J\ões Diferenciais de. Primeira Ordem

O conhec:imento explícito de c/>(t) não torna possível visuali- y


k=2
zar a convergência da seqüência de iterndos mais claramente do 1
que fazendo o gráfico de <P(t) - cf>t(t) para diversos valores de k.
A Fig. 2.8.2 mostra essa diferença para k = l, ... , 4. Essa figura
0,8 k=3
mostra claramente o intervalo gradualmente crescente sobre o k =l
qual iterações socessivas fornecem uma boa aproximação da so-
lução do problema de valor inicial.
0,6
Finalmente, para tratar a questão de unicidade, vamos supor
que o problema de valor inicial tenha duas soluções <P e l/f. Como
ambas <P e t/! satisfazem a equação integral (9), subtraindo, obte- 0,4
mos

= fo' 2s[<fJ(s) -
0,2
</J(t) -1{1(!) 1/l(s)] ds .

Tomando valores absolutos, temos, se t > O, -1.5 -1 --0.5 0,5 1,5 t

1 FIG. 2.8.2 Gráficos de cf>(_t) - ef>,,(t) para o Exemplo l e k = l, .. ., 4.


l<P(t) -1{1(t)I = l fo 2s[</J(s) - 1{!(s)] dsl

~ fo' 2slq'>(s) -1{!(s)I ds. Além disso, Ué diferenciável e U ' (t)


pela Eq. (17),
= l</J(t) - 4/i(t)I. Portanto,

Restringindo t ao intervalo O s t ~ A/2 , onde A é arbitrário, te- U'(t) - AU(t) ~O . (2 l)


mos 2t :5 A e
A multiplicação da Eq. (21) pela quantidade positiva e - Ai fornece

lcf>(t) -1/l(t) I ~A lo' jq'>(s) -1/!(s)I ds . (17) (22)


Então, integrando a Eq. (22) de zero a t e usando a Eq. (19),
Agora é conveniente definir a função U por obtemos

U(t) = i' l</>(s) - 1/J(s) I ds. ( 18)


para t ~O .

Portanto, U(t) :s O para t ;;::: O e, juntando com a Eq . (20), isso


implica que U(t) = Opara todo t ~ O. Assim, U' (t) -= Oe, então,
Então, segue imediatamente que =
4/i{t) <fJ(t), o que contradiz a hipótese original. Em conseqüên-
cia, não pode haver duas soluções diferentes do problema de valor
U(O) =O, (19) inicial para te: O. Uma ligeira modificação desse argumento leva
U(t) ~ O, para t :::::-_O. (20) à mesma conclusão para t s O.

Voltando ao problema geral de resolução da equação integral gião fechada limitada é limitada. Portanto.[ é limitada em R;
(3), vamos considerar rapidamente cada uma das questões levan- logo, existe um número positivo M tal que
tadas anteriormente: lf(t, y)I :S M, (t, y) em R. (23)

1. Existem todos os elementos da seqüência { c/>n}? No exemplo. Mencionamos anterionnente que


f e rJj7ay eram contínuas em todo o plano ty e cada elemento
da seqüência podia ser calculado explicitamente. Em contras-
te, no caso geral, supusemos que f e íJfliJy eram contínuas para cada n. Comoflt, <Pk(t)I é igual a cf>\ ~ 1(t), o coeficiente
apenas em um retânguloR: ltl :5 a, lyl :5 b (veja a Fig. 2 .8.3). angular máximo para as retas tangentes ao gráfico da função
Além disso, os elementos da seqüência não podem, normal-
mente, ser calculados explicitamente. O perigo é que, em al-
y
guma etapa, por exemplo, n = k, o gráfico de y = c/>,(t) con-
(-a .b) (a,b)
tenha pontos fora do retânguloR. Portanto, no próximo pas-
so - o cálculo de <fJ. _,_ 1(t) ~ seria necessário calcular a fun- R
ção f(t, y) em pontos onde não sabemos se ela é contínua, ou
mesmo se existe. Assim, o cálculo de cf>k + 1(t) poderia ser 1

impossível. 1

l '
Para evitar esse perigo, pode ser necessário restringir t a (-a ,-b} (a ,-b)
um intervalo menor do que ltl :5 a. Para encontrar esse inter-
valo, usamos o fato de que uma função contínua cm uma re- FIG. 2.8.3 Região de definição para o Teorema 2.8.J .
Equações Diferenciais de Primelru Ordem 63

y = <Pk " 1(!) é M. Como esse gráfico contém (0, O), ele tem Fazendo n tender a oo, obtemos
que estar contido nas regiões triangulares sombreadas na Fig.
2.8.4 . Portanto, o ponto [t, cfJH 1(t)] permanece em R, pelo
menos enquanto R contiver as regiões triangulares, o que ocor-
í/J(!) = lim
n-:>0
r
Jo f[s, </> (s)] ds.
" (26)

re se ltl :::; h/M. Daqui para a frente, vamos considerar apena~


o retângulo D: ltl :::; h, lyl :s b, onde h é igual ao menor dos Gostaríamos de trocar a ordem da integral e do limite na ex-
números a ou b/M. Com essa restrição, todos os elementos pressão à direita do sinal de igualdade na Eq. (26), de modo a
da seqüência f 4>.(t)} existem. Note que, sempre que b/M < obter
ct, você po<le tentar obtt:r h encontram.lo uma cota melhor (isto
é. menor) M para !/{t, y)I, se for possível. cp(t) = [' lim f[s, <P,.(s)] ds. (27)
2. A seqüência { cfJ0 (t)} converge'! Como no exemplo, podemos Jo n-+oo
identificar cfJ.(t) = cp 1(t) + [</Jlt) - ef>1(t)] + ... + [cp.(t) - Esse tipo de troca não é, em geral, permitida (veja o Proble-
<P. _1(t)] como a n-ésima soma parcial da série ma 14, por exemplo), ma!', mais uma vez, o fato de a seqüên-
"" cia {<P.J convergir uniformemente é suficiente para nos per-
cfJ,(t) +L [</Jk+1(t)-c/J,1:U)]. (24) mitir colocar o limite dentro do sinal de integral. A seguir,
k= I gostaríamos de colocar o limite dentro da funçãof, o que nos
daria
A convergência da seqüência {</J.(t)} é estabelecida mos-
trando-se que a série (24) converge. Para fazer isso, é ne-
cessário estimar o módulo lcfJ<+ 1(t) - c,bk(t)I do termo geral.
cfJ{t) = 1 }~1!
1

f[s, <jJ11 (s)l ds (28)


O argumento usado para fazer isso está indicado nos proble- e, portanto,
mas de 15 a 18 e será omitido aqui. Supondo que a seqüên-
cia converge, denotamos a função limite por </J(t), de modo
que <f>(t) = 1 1

.fls. í/J(s)] ds. (29)

A afinnação que li~~ J[s, <P. (s)] =


0 }~"!, i (s) é equi-
f[.\·, J
</>(t)::::: Tim <f>n(t) . (25)
n~oo

3. Quais as propriedades da função-limite ef>? Em primeiro lu- valente ao fato de que fé contínua cm sua segunda variável, o
gar, gostaríamos de saber se <Pé contínua. Isso não é, no en- que é conhecido por hipótese. Logo, a Eq. (29) é válida e a
tanto, uma conseqüência necessária da convergência da se- função <f> satisfaz a equação integral (3). Portanto, <P também
qüência {ef>nJ, mesmo que cada membro da seqüência seja é solução do problema de valor inicial (2).
contínuo. Algumas vezes uma seqüência de funções contf- 4. Existem outras soluções da equação integral (3) além de y =
nuas converge a uma função descontínua. Um exemplo sim- <P(r)? Para mostrar a unicidade da solução, vamos proceder
ples desse fenômeno é dado no Problema 13. Um modo de de maneira semelhante à do exemplo. Primeiro, suponha a
provar que <jJ é contínua é mostrar não só que a seqüência existência de uma outra solução y = l/J(,t). Então, é possível
( cfJ,,} converge, mas que ela converge de uma determinada mostrar (veja o Problema 19) que a diferença cfJ(t) - l/J(,t) sa~
maneira, conhecida como convergência uniforme. Não va- tisfaz a desigualdade
mos discutir essa questão aquí; observamos, apenas, que o 1

argumento a que nos referimos no parágrafo 2 é suficiente l</J(t) -1/f(t)I:;:: A fo l<f.i(s) -1/r(s)I ds (30)
para estabelecer a convergência uniforme da seqüência {cfJ,. J
e, portanto, a continuidade da função limite <P no intervalo para O :s t :s h e um número positivo apropriado A. A partir
ltl:::; h. desse ponto, o argumento é idêntico ao dado no exemplo, e
Vamos voltar à Eq. (7), concluímos que não existe outra solução do problema deva-
lor inicial (2) além da gerada pelo método de aproximações

cPn+I (t) = 1 1

fls. cP,, (s)J ds .


sucessivas.

Problemas
Nos Problemas l e 2, transforme o problema de valor inicial dado
em um prohlema equivalente com ponto inicial na origem .
-- - y =b ·~----, - - Y =b
1. dy/dt=t~ + y'.' . y(l)=2
2. dy/dt = l -y1, y(-1) 3 =
Nos problemas de 3 a 6, defina <f>u(t) = O e use o método das aproxi-
mações sucessivas para resolver o problema de valor inicial dado .
1 1
•- - y =-b ,- - y = -b (a) Determine <f>.(t) para um valor arbitrário de n.
1 1 b
'
1h
'' 1
1 1
(b) Faça o gráfico de <f>n{l) para n = 1, .. ., 4. Observe se os
t =- a t=: - - t..,, - 1 t =-a t;a
M M I iterados parecem estar convergindo.
t;;;; a
(c) Expresse Jim </>.(t) = <f>(t) em termos de funções elemen-
(a) (b) tares, isto é, rcsôíva o problema de valor inicial dado.
(d) Faça o gráfü:o de 14'(1) - <f>.(t)I para n = l , .. . , 4. Par<1 cada
FIG. 2.8.4 Regiões onde estão os iterados sucessivos . (a) b/M < a; (b) </>,(!), .. .. <bit), estime o intervalo onde a função é uma aproxi-
b/M > a. mação razoavelmente boa para a solução exata.
64 Equações D!fcrenciais de Primeira Ordem

~·" 3. y ' = 2(y + 1), y(O) =O onde (t, y 1) e (1, yJ são dois pontos em D com a mesma coorde-
~/. 4. y /
=
- y - l, y(O) =O nada t. Essa desigualdade é conhecida como uma condição de
Lipsl:hitz22 •
li~. 5. y /
= -y/2 +t. y(O) =O Sugestão: Mantenha t fixo e use o teorema do valor médio em
li'· /
6. y =y+l - t. y(O) =O f corno funçâo só de y. Escolha K como sendo o valor máximo
de liljliíyl em D.
Nos Problemas 7 e 8, defina <f>v(t) =O e use o método das aproxima- J 6. Se </>. ,(t) e cb.(t) são elementos da seqüência ( cb.(t)) , use o
ções sucessivas para resolver o problema de valor inicial dado. resultado do Problema 15 para mostrar que
(a) Determine </>.(t) para um valor arbitrário de n.
(h) Faça o gráfico de cb.(t) para n = 1, .. .. 4. ObserYe se os lf(t , </Jn{t)] - J(t,</Jn - l(t)]I::; K l</J,,(t)-<Pn l(t) I .
iterados parecem estar convergindo. 17. (a) Mostre que, se ltl s h, então
.~ ~- 7. V ' = ty + 1, y(O) =O l</J 1 (t)I ~ Mltl,
li":- ,2
8. y' = y - t , y(O) :;;:Ü
onde M é escolhido de modo tiue !fi:t, y)I s M para (1, y) em D.
Nos Problemas 9 e 1O, defina c/Jo(t) = Oe use o método das aproxi- (b) Use os resultados do Problema 16 e o item (a) deste proble-
mações sucessivas para resolver o problema de valor inicial dado. ma para mostrar que
(a) Calcule cbi(t), • . ., <f>J(t). 2
MK111
(b) Faça o gráfico de 4> 1(t), .. ., <i>.l(t) e observe se os iterados l<P2Ct) - <P1U)I.::: - 2- ·
parecem estar convergindo.
(c) Mostre, por indução matemática, tiue
, .L 9. y'=1 2 +/. y(O) =O
M K 11 • 1ltl" M K"- 1h"
~! 10. y' =l - y3, y(O) =O l<t>,,(t) - </>,, _1(r)I::; n! < n!
Nos Problemas l I e 12, defina <f>o(t) =O e use o método das aproxi-
mações sucessivas para resolver o problema de valor inicial dado.
18. Note que
(a) Calcule </J,(t), .. ., <fait) ou (se necessário) aproximações de </>,, (t) = 4>1 (!) + l<P2(1) - <P, (/)] + ... + [</J/l (1) - t/J,,-1(1)1.
Taylor desses iterados .
(b) Faça o gráfico das funções encontradas cm (a) e ob~crve se (a) Mostre que
ela5 parecem e5tar convergindo.
# 2- 11. y' =- seny + 1, y(O) =O
~2. 12. y' = (3t 2 + 4t + 2)/2(y - 1). y(O) =O (b) Use os resultados do Problema 17 para mostrar que
2
13. Seja <i>.,(x) = x" para O ::i x s l e mostre que M [ (Kh) (Kht]
I"'
'l'n
(t) i < -
- K
Kh+--+
2! .. ·+--
n! .
0 ~X<),
lim
n - oo
</J,1 (x) = { OI,, X= l. (c) Mostre que a sorna no item (b) converge quando n __.,. cc e,
portanto, a soma no item (a) também converge quando n __.,. x .
Esse exemplo mostra que uma seqüência de funções contínuas pode Conclua, então, que a seqüência l </>.(r)} converge. já que é a se-
convergir a uma função-limite que é descontínua. qüência das sornas parciais de uma ~érie convergente infinita.
14. Considere a seqüência ~' ( x) = 2nxe- "' 2 • O s x ::S 1. 19. Vamos tratar, nesse problema, da questão de unicidade de so-
lução para a equação integral (3),
lim <4, (x) = O para O ::S x ::S
(a) Mostre que
n-"
1
1; logo,
<jJ(t) = f f[s, <f>( s )] ds .

1 O n-oo
lirn </J (x)dx = O.
n
(a) Suponha que </>e ijJ são duas soluções da Eq. (3). Mostre
que, para t ~O,

(b) Mostre que j~2nxe-"" 2 dx = 1 - e- •; então, <fi(t) - l/t(t) = [ {f[s. <f>(s)J - f[s. l/t(s)]J ds.

lirn
,,___....CX>
1'
O
<Pn (x)dx = l.
(b) Mostre que

l</J(t) - l/t(l) I .::; [ lf[s , tjJ(s)J - f[s, l/t(s)]I ds .


Assim, nesse exemplo,

1,
(c) Use o resultado do Problema 15 para mostrar que

lim
n -+ X> a
<jJ (x)dx -::j:.
n
lb lim <jJ (x)dx.
a n-+oo n !</>(/) - l/t{t)l.::; K L l<fJ(s) - l/t(s) I ds.

embora lim </J,, (x) exista e seja contínuo. onde K é uma cota superior para lilf/ilyl em D. Essa equação é
0 _, T
igual à Eq. (30), e o resto da demonstração pode ser feito como
Nos problemas de 15 a 18, indicamos como provar que a seqüência indicado no texto.
{ </>.(t)}. definida pelas equações de (4) a (7), converge.

15. Se iljlily é con.tínua no retângulo D, mostre que existe urna cons-


tante positiva K tal que
12 Rudolf LipS<:hit1. ( 18:1 ~-190)), professor na lloiversida<le de Bonn durante muitos aoo;.
trabalhou cm diversa' áreas da matemáLica. A desigualdade (i) pode sub•tituir a loipóte...: de
que af/iJy é contí1>ua no Teorema 2.8. l : isso resulta em um teorema ligeiramente mais fom
Equ~ões Diferenciais de Primeira Ordem 65

2.9 Equações de Diferenças Equações Lineares. Suponha que a população de certa espécie
em uma dada região no ano n + 1, denotada por Yn 1, é um
d.~ Primeira Ordem 1
múltiplo positivo p. da população Yn no ano n, isto é,
Embora um modelo contínuo que leva a wna equação diferenci- n =0, 1, 2, .... (5)
.:il seja razoável e atraente para muitos problemas, existem alguns
;:asos nos quais um modelo discreto pode ser mais natural . Por Note que a taxa de reprodução pode variar de ano para ano. A
-:xemplo, o modelo contínuo para juros compostos usado na equação de diferenças (5) é linear e pode ser facilmente resolvi-
Seção 2.3 é apenas uma aproximação do processo real, que é da por iteração. Obtemos
fucreto. Analogamente, algumas vezes o crescimento popula-
~onal pode ser descrito de modo mais preciso por um modelo Yt = PoYo,
iiscreto, em vez de contínuo. Isso é verdade, por exemplo, para Y2 = PtYt = P1P0Yo,
~spécies cujas gerações não se sobrepõem e que se propagam a
e, em geral,
mtervalos regulares, tais como em épocas determinadas do ano.
Então, a população Yn + \ da espécie no ano n + 1 é uma função Yn = Pn - 1 · · · PoYo• n = 1, 2, .. . . (6)
Je n e da população Yn do ano anterior, isto é,
Assim, se a população inicial y0 é dada, então a população de cada
n =0. 1, 2, .. .. ( 1) geração seguinte é determinada pela Eq. (6) . Embora, para um
problema populacional, Pn seja intrinsecamente positivo, a solu-
A Eq. (l) é chamada equação de diferenças de primeira or-
ção (6) também é válida se p. for negativo para alguns ou todos
dem. Ela é de primeira ordem porque o valor de Yn-!- 1 depende
os valores de n . Note, no entanto, que, se p. for zero para algum
do valor de y"' mas não de valores anteriores como Yn _ 1, Y. _ 2, e
n, então Yn + 1 e todos os valores a seguir de y são nulos; em ou-
assim por diante. Como para as equações diferenciais, a equa-
trns palavras, a espécie torna-se extinta.
~ão de diferenças (1) é linear sefé uma função linear de Yn; caso
Se a taxa de reprodução p. tiver o mesmo valor ppara todo n,
wntrário, ela é não-linear. Uma solução da equação de diferen-
então a equação de diferenças (5) fica
ças (l) é uma seqüência de números y 0, Yi. y~, ... que satisfazem
a equação para cada n. Além da equação de diferenças, pode tam- (7)
bém haver uma condição inicial
e sua solução é
Yo =a (2)
(8)
que fornece o valor do primeiro elemento da seqüência solução.
Vamos supor, temporariamente, que a função f na Eq. (1) A Eq . (7) também tem uma solução de equilíbrio, a saber, Yn =
depende apenas de y 0 , mas não de n. Nesse caso, O para todo n, correspondendo ao valor inicial Yo = O. O com-
portamento-limite de Yn é fácil de determinar da Eq. (8). De fato,
Yn+I = f(y,), n ::::0.1 , 2, .... (3)
o,

l
Se y0 for dado, então os elementos sucessivos da solução podem selpl<l;
ser encontrados pela Eq. (3). Assim, lim Yn
n-+oo
= Yo• sep =1; (9)
não existe, caso contrário.

e Em outras palavras, a solução de equilíbrio é assintoúcamente


estável se lpl < 1 e instável se lpl > 1.
Vamos modificar, agora, o modelo populacional representa-
A quantidade f[fly 11)] é chamada de segunda iterada da equação do pela Eq. (5) para incluir o efeito de imigração ou emigração.
de diferenças e é, algumas vezes, denotada por / 2(y0). Analoga- Se b. é o aumento total da população no ano n devido à imigra-
mente, o terceiro iterado y 3 é dado por ção, então a população no ano n + J é a soma dos aumentos
devido à reprodução natural e à imigração . Assim,
Y3 :::: f(Yz) :::: f (f[f (yo)]} :::: f 3(y0 ),
n =O, 1, 2, ... , (10)
e assim por diante. Em geral, o n-ésimo iterado Yn é
onde estamos supondo, agora, que a taxa de reprodução pé cons-
Y,, = f(y,,_,) = r<Yo) . tante. Podemos resolver a Eq. ( 1O) iterando como antes. Temos
Referimo-nos a esse procedimento como a iteração da equação
de diferenças. É, muitas vezes, de interesse primordial detemli- Y1 = PYo + bo,
nar o comportamento de y. quando n - oc; em particular, Yn ten-
de a um limite? E, nesse caso, qual é o limite?
Y2 :::: P<PYo + bo) + b, :::: P2Yo + Pho + h1,
2
Soluções para as quais Yn tem o mesmo valor para todo n são y3 = p(p y0 + pb0 + b 1) + b2 =p 3 y0 + p 2b0 + pb 1 + b2 ,
chamadas de soluções de equilíbrio. Elas têm, com freqüência,
importância especial, como no estudo de equações diferenciais. e assim por diante. Em geral, obtemos
Se existirem soluções de equilíbrio, podemos achá-las fazendo 1
Y~ + 1 igual a Y. na Eq. (3) e resolvendo a equação resultante Yn = P Yo
11
+P 11
- ho + ··· + pbn-2 + bn-1

parà y,,.
(4)
= Pn Yo +""
n- \

L,; Pn-1-jbr
j=<J
(ll)
66 Equações Diferenciais de Primeira Ordem

Note que a primeira parcela na Eq . (11) representa os descen-


dentes da população original, enquanto as outras parcelas repre-
sentam a população no ano n resultante da imigração em todos
v
,n
= pn (v·O - 1 _b_)+ _b_
-p l -p '
(15)

os anos precedentes.
*
No caso especial em que b. = b O para todo n, a equação
de diferenças é
toma o comportamento de Y. a longo prazo mais evidente. Se -
gue da Eq. (15) que y"~ bl(I - p) se lpl < 1. Se lpl > 1 ou se
p = -1, então y. não tem limite, a menos que y0 = bl( 1 - p) .
Y11+1 = PY., + b, (12) A quantidade bl(l - p), para p *
1, é uma solução de equilí-
brio da Eq. ( 12), como pode ser visto diretamente daquela
cuja solução, pela Eq. ( 11 ), é
equação. É claro que a Eq. (14) não é válida para p = l. Para
Y,, = p"yo -t- (1-r p + p2 -t- ... + pn-l)b. (13) tratar esse caso, precisamos voltar à Eq. ( 13) e fazer p = 1 aí.
Segue que
Se p * 1, podemos escrever essa solução na forma mais com- Yn = Yo +nb , (16)
pacta
1 - p" de modo que, nesse caso, Yn toma-se ilimitada quando n ~ x.
11
Y11 = P Yo -t- - - - b, ( 14) O mesmo modelo fornece, também, um arcabouço para re-
1-p solver muitos problemas de natureza financeira. Em tais proble-
onde, novamente, as duas parcelas na expressão à direíta do si- mas. y,, é o saldo na conta no n-ésimo período de tempo, p,. = l
nal de igualdade representam os efeitos da população original e + r•• onde r,, é a taxa de juros para aquele período e b. é a quan-
da imigração, respectivamente. Escrevendo a Eq. (14) na forma tia depositada ou retirada. O exemplo a seguir é típico.

Exemplo 1
Um recém-graduado da faculdade faz um empréstimo de Yn = (l,Ol)n(lo.ooo+ 100b)- lOOb. (17)
R$10.000 para comprar um carro. Se a taxa de juros é de 12%
O pagamento b necessário para que o empréstimo seja pago em
ao ano, quais os pagamentos mensais necessários para ele pagar
4 anos é encontrado fazendo-se y 48 = Oe resolvendo para b. Isso
o empréstimo em 4 anos?
nos dá
A equação de diferenças relevante é a Eq. ( 12), onde Y. é o
saldo do empréstimo no n-ésimo mês, p = 1 + r, ré a taxa de (1,01)48
juros mensal e b é o pagamento mensal. Note que b tem que ser b = -JOO (l,Ol) 48 - l = -263,34. (18)
negativo e p = 1,01, correspondente a uma taxa de juros de 1%
ao mês. O pagamento total do empréstimo é 48 vezes b, ou RS 12.640,32.
A solução da equação de diferenças ( 12) com esse valor de p Desse total, R$ l 0.000 é o pagamento do principal e os R$2640,32
e a condição inicialy0 = 10.000 é dada pela Eq. (15), ou seja, restantes correspondem aos juros .

Equações Não-lineares. Equações de diferenças não-lineares são tradas igualando-se un , 1 a u,, na Eq. (21), o que corresponde a
muito mais complicadas e têm soluções muito mais variadas do fazer dyldt = Ona Eq. (20). A equação resultante é
que as equações lineares. Vamos restringir nossa atenção a uma
única equação, a equação de diferença logística u,, -- pu 11 - pu 211 , (22)
logo, as soluções de equilibrio da Eq. (21) são
Yn+I = PY 11 ( 1- -:n) · (19)
p-1
que é análoga à equação diferencial logística
u,, = º· un =-p- . (23)

A próxima pergunta é se as soluções de equilíbrio são assin-


dy ( y) (20) toticamente estáveis ou instáveis, isto é, para uma condição ini-
dt = ry l - K
cial próxima a uma das soluções de equilíbrio, a seqüência solu-
ção resultante se aproxima ou se afasta da solução de equilíbrio?
discutida na Seção 2.5 . Note que, se a derivada dyldt na Eq. (20)
Um modo de examinar essa questão é aproximar a Eq. (21) por
é substituída pela diferença (y.; 1 - Yn)/h, então a Eq. (20) se
uma equação linear na vizinhança de uma solução de equilíbrio.
reduz à Eq. ( 19) com p = 1 + hr e k = (1 + hr)K/hr. Para sim-
Por exemplo, próximo à solução de equilíbrio un = O, a quanti-
plificar a Eq. (19) um pouco mais, podemos fazer uma mudança
dade u,.2 é pequena comparada a u11 , logo podemos supor despre-
de escala na variável y. definindo uma nova variável u" = yjk.
zível a parcela quadrática na Eq. (21) em comparação com as
Então, a Eq. ( 19) fica
parcelas lineares. Isso nos deixa com uma equação de diferen-
(21) ças linear
(24)
onde pé um parâmetro positivo.
Começamos nossa investigação da Eq. (21) procurando as que é, presume-se, uma boa aproximação para a Eq. (21) para u,
soluções de equilíbrio, ou constantes . Essas podem ser encon- suficientemente próximo de zero . No entanto, a Eq . (24) é igual
Equcu;ões Diferenciais de Primeira Ordem 67

à Eq. (7) e já concluímos, na Eq. (9), que""--+ Oquaudo n----'> x Estão ilustradas as soluções de equilíbrio u = Oe u = (p - 1)!
se, e somente se, lpl < J ou (como p tem que ser positivo) se O< p. Os intervalos cm que cada uma delas é assintoticamente es-
p < J. Assim, a solução de equilíbrio é assintoticamente estável tável são indicados pelas parles sólidas das curvas. Há uma
para a aproximação linear (24) para esse conjunto de valores, mudança de estabilidade de uma solução de equilíbrio para a
logo, concluímos que é, também, assintoticamente estável para outra em p = l .
a equação não-linear completa (21 ). Essa conclusão está corre- Para p > 3, nenhuma das solui.;ões de equilíbrio é estável, e
ta, embora nosso argumento não esteja completo. O que está as soluções da Eq. (21) exibem complexidade cada vez maior à
faltando é um teorema que diz que as soluções da equação não- medida que pcresce. Para pum pouco maior do que 3, a seqüêu-
linear (21) parecem com as da equação linear (24) próximas à cia aproxima-se, rapidamente, de uma oscilação estacionária de
solução de equilíbrio u0 = O. Não vamos discutir essa questão perfodo 2, isto é, u. oscila entre dois valores distintos. A Fig. 2.9.4
aqui; a mesma questão é tratada, para equações diferenciais, na mostra a solução para p = 3.2. Para n maior do que cerca de 20,
Seção9.3. os valores da solução alternam entre 0,5130 e 0,7995. O gráfico
Vamos considerar agora a outra solução de equilíbrio u. = (p foi feito para a condição inicial particular u0 = 0,3, mas é seme-
- l )! p. Para estudar soluções em uma vizinhança desse ponto, lhante para todos os outros valores iniciais entre O e l. A Fig.
escrevemos 2.9.4h também mostra a mesma oscilação estacionária como um
caminho retangular que é percorrido repetidamente no sentido
p-1 horário. Para p aproximadamente igual a 3,449, cada estado na
u = --+v,.,
p •
(25)
li o~cilação de período 2 ~e divide crndoi~ estados distintos e a ~o­
lução toma-se periódica com período 4; veja a Fig. 2.9.5, que
onde supomos que v. é pequeno. Substituindo a Eq. (25) na Eq. mostra uma solução de período 4 para p = 3,5. Quando p conti-
(21) e simplificando a equação resultante, obtemos, ao final, nua crescendo, aparecem soluções periódicas com períodos 8, 16,
(2ó) .. .. A aparição de uma nova solução em um determinado valor
do parâmetro é chamada bifurcação.
Como v. é pequeno, desprezamos, novamente, o termo quadrá- Os valores de p nos quais ocorrem os sucessivos dobros do
tico em comparação com os lineares e obtemos, assim, a equa- período tendem a um limite que é aproximadamente igual a 3,57.
ção linear Para p > 3,57, as soluções possuem alguma regularidade, mas
(27) não dá para discernir um padrão detalhado para a maioria dos
valores de p. Por exemplo, a Fig. 2.9.6 mostra uma solução para
Referindo-nos, mais uma vez, à Eq. (9), vemos que v.--+ Oquando p = 3,65. Ela oscila entre 0.3 e 0,9 aproximadamente, mas sua
n----'> oo para 12 - pi < 1, isto é, 1 < p < 3. Portanto, concluímos estrutura mais fina é imprevisível. A expressão caótica é usada
que, para esse conjunto de valores de p, a solução de equilíbrio para descrever essa situação. Uma das características de solui.;õcs
u,, = (p - l )/pé assintoticamente estável. caóticas é sua extrema sensibilidade às condições iniciais. Isso é
A Fig. 2.9.1 contém os gráficos das soluções daEq. (21) para ilustrado na Fig. 2.9.7, onde aparecem duas soluções da Eq. (21)
p = 0,8, p = 1,5 e p = 2,8, respectivamente. Observe que aso- parap = 3,65. Uma solução é a mesma que aparece na Fig. 2.9.ó
lução converge para zero quando p = 0,8 e para a solução de e tem valor inicial u0 = 0,3 , enquanto a outra solui.;ão tem valor
equilíbrio diferente de zero quando p = l ,5 e p = 2,8. A conver- inicial u0 = 0,305. Por aproximadamente 15 iterações, as duas
gência é monótona para p = 0,8 e p = 1,5, e é oscilatória parar soluções pcnnanecem próximas e são difíceis de distinguir uma
= 2,8. Embora estejam ilustrados os gráficos para condições da outra na figura. Depois disso, embora elas continuem circu-
iniciais particulares, os gráficos para outras condições iniciais são lando em aproximadamente o mesmo conjunto de valores, seus
semelhantes . gráficos são bem diferentes. Certamente não seria possível usar
Uma outra maneira ele apresentar a solução de uma equação uma dessas soluções para estimar o valor da outra para valores
de diferenças está ilustrada na Fig. 2.9.2. Em cada parte dessa de n maiores do que cerca 9-e-15.--
figura, aparecem os gráficos da parábola y = px( l - .x) e da reta A pcnas recentemente é que as soluções caóticas de equações
y = x. As soluções de equilíbrio correspondem aos pontos de de diferenças e diferenciais tomaram-se amplamente conhecidas.
interseção dessas duas curvas. O gráfico linear por partes, con- A Eq. (20) foi um dos primeiros exemplos de caos matemático a
sistindo em segmentos de retas verticais e horizontais sucessi- ser encontrado e estudado em detalhe por Robert May 2:1 em 1974.
vos, é chamado, algumas vezes, de diagrama escada, e represen- Baseado cm sua análise dessa equação como um modelo para a
ta a seqüência solução. A seqüência começa no ponto uu no eixo população de detenninada espécie de inseto, May sugeriu que,
dos x. O segmento de reta vertical desenhado em u11 até a pará- se a taxa de crescimento pé grande demais, então será impossí-
bola corresponde ao cálculo de puu(l - u11 ) = u 1• Esse valor é vel fazer previsões efetivas a longo prazo sobre essas populações
transferido. então, do eixo dos y para o eixo dos x; esse passo é de insetos. A ocorrência de soluções caóticas em problemas sim-
representado pelo segmento de reta horizontal da parábola à reta ples estimulou uma enorme quantidade de pesquisa em anos re-
y = x. O processo é, então, repetido indefinidamente. É claro que centes, mas muitas perguntas permanecem sem resposta. É cada
a seqüência converge para a origem na Fig. 2.9.2a e para a solu- vez mais claro, no entanto, que soluções caóticas são muito mais
ção de equilíbrio não-nula nos dois outros casos. comuns do que se suspeitava inicialmente e podem fazer parte
Para resumir nossos resultados até agora: a equação de dife- da investigação de um amplo leque de fenômenos.
renças (21) tem duas soluções de equilíbrio, un = oe un = (p -
1 )/p: a primeira é assintoúcamenle estável para O :s p < l e a
segunda é assintoticamente estável para l < p < 3. Quando p
= 1 as duas soluções de equilíbrio coincidem em u = O; pode- "R M . May. "Biulogical Populations with Noooverlapping Gcnenuioos: Stable Point~, Stable
Cycles, and Chaos". Science 186 ( 1974). pp. 645-647: '"Biologirnl 1-'upulations Obeying
'"" mostrar que essa solução é assintoticamente estável. Na Fig. Oifference Equations: Stabl~ Points. Stnble Cycles. and Chao,", .lmmwl ufTlieorrtiml
.:'.. 9 .3 o parâmetro p está no eixo horizontal e u no eixo vertical. Biu/ogy 5 1 ( 19751. pp. 511-524.
Un u,. Un
8
0.8 0.8 0,8 u,. = 2t...8 = .
- 06429

0,6 0,6 0,6


u,. =~
0.4 0.4 _______\ ____ 0.4

0,2 0,2 0.2

2 4 6 8 n 2 4 6 8 n 2 4 6 8 n
(a) (b) (e)

FIG. 2.9.1 Soluções deu. + 1 = pu.(1 - u.): (a) p = 0,8; (b) p = 1,5; (e) p = 2,8.

0,8

0,6

0,4

0.2

0.2 0,4 0,6 0,8 1X


(a)

y
1

0,4

0.2

0.2 0,4 0,6 0,8 x FIG. 2,9.2 Iterados deu.+ 1 = pu.( 1 - u.). (a) p = 0,8; (b)
(e) p = 1,5; (e) p ~ 2,8.

u .

_,.. ____ _

FIG. 2.9.3 Mudança de estabilidade para


u-+ 1 "" pu.(1 - u.).
Eqllaçôes Diferemiai~ de Primeira Ordem 69

u,.
0.8

0.6
0.5130 .
0,4

0.2

10 20 30 40 n
(a)

y
1

o.a

0,6

0,4

0,2

0.2 0.4 0,6 0,8 1 X

FIG. 2.9.4 Uma solução deu,,+ 1 = pu.( 1 - u.) para p = 3,2; período 2.(a) u0 em função de n; (b) um ciclo de período 2.

y
l
y=:c

0,8
0,5
0,4

lo.~
0,3828
4 8 12 16 20 24 28 32 36 40 n
(a)

0.5
(b)

F1G. 2.9.5 Uma solução de u0 + 1 = pu.(l - u.) para p = 3,5; período quatro. (a) u 0 em função de n ; (b) um ciclo de período 4 .
70 Equações Diferenr.iais de Primeira Ordem

Un
0.9

0,8

0.7
0,6

0.5

0,4

0,3
FIG. 2.9.6 Uma solução deu,, _, = pu.( l - u.) para p = J ,65 ;
10 20 30 40 50 60 n uma solução caótica.

0,6

0,5

0,4

0,3

10 20 30 40 50 60 n

FIG. 2.9.7 Duas soluções deu •. 1 = pu.( 1 - u.) para p = 3,65; u0 = 0,3 e u0 = 0,305 .

Problemas empréstimo em 3 anos? Compare seu resultado com o do Pro-


blema 9 da Seção 2.3.
Nos problemas de 1 a 6, resolva a equação de diferenças dada em 10. Um comprador deseja adquirir um imóvel com financiamen-
função do valor inicial y 0• Descreva o comportamento da solução to de R$100.000 para ser pago em 30 anos. Qual o pagamen-
quando n--+ oo. to mensal necessário se a taxa de juros é (a) 9%, (b) J 0%, (e}
fl +1 12%'1
1. Y,, + 1 = -0,9y,, 2. V -
- 11+ 1 - n
- - \'
+ 2· 11 11 . Um comprador recebe um financiamento de R$100.000, para
comprar um imóvel, com caxa de juros anuais de 9%. Qual o
3. Y,1+ 1 =.@.Y. 4. \'
- n +l
= (- 1)n+! \'
· >•
pagamento mensal necessário para 4uitar o empréstimo em JO
anos? E em 20 anos? Qual a quantia total paga em cada um
5. Yn+I =0,5y 11
+6
12.
desses casos?
Se a taxa de juros, em um financiamento de 20 anos, permane-
7. Encontre o rendimento efetivo anual de uma conta bancária que ce fixa em 10% e se um pagamento mensal de R$1000 é o
paga juros a uma taxa de 7% ao ano, composta díariamente, isto máximo que o comprador pode pagar, qual o empréstimo má-
é, divida a diferença entre os saldos final e inicial pelo saldo ximo que pode ser feito sob essas condições?
inicial. 13. Um comprador gostaria de comprar um imóvel com financi~­
8. Um investidor deposita R$1000 em uma conta que rende juros mento de R$95.000pagávcl durante 20 anos. Qual a maior taxa
de 8% ao ano compostos mensalmente e faz, também, depósi- de juros 4ue o comprador pode pagar se os pagamentos men-
tos adicionais de R$25 por mês. Encontre o saldo na conta após sais não podem exceder R$900?
J anos.
9. Um recém-formado faz um empréstimo de R$8000 para com- A Equação de Diferenças Logística. Os problemas de 14 a 19 tra-
prar um carro, O empréstimo é feito com juros anuais de 10%. tam <la ec.iuaçâo de diferenças (21). u. _ 1 = pu.(l - u.) .
Que taxa de pagamento mensal é necessária para liquidar o 14. Faça os detalhes para a análise de estabilidade linear da sul~
Equaçõe~ Diferenciai~ de Primeira Ordem 71

ção de equilíbrio u. = (p - 1)/p, isto é, deduza a equação de Problemas


diferenças (26) no texto para a perturbação v,.
* :5. (a) Para p = 3,2, faça o gráfico ou calcule a solução da equa- Problemas Variados Urna das dificuldade~ em resolver equações de
ção logística (21) para diversas condições inic.:iais . por exem- primeira ordem é que existem diversos métodos de resolução, cada um
plo, uoJ = 0.2; 0,4; 0,6 e 0.8 . Observe que, em cada caso, aso- dos quais podendo ser usado em cenos tipos de equações. Pode levar
lução se aproxima de uma oscilação estacionária entre os rne~­ algum tempo para se tomar proficiente em escolher o método melhor
mos dois valores. Isso ilustra que o comportamento a longo para urna equação. Os 32 primeiros problemas a seguir são apre~enta­
prazo da solução é independente do valor inicial. dos para você obter alguma prática na identificação do método ou mé-
(b) Faça cálculos semelhantes e verifique que a natureza da todos aplicáveis a uma equação dada. Os problemas restantes envolvem
solução para n grande é independente da condição inicial para determinados tipos de equações que podem ser resolvidos por métodos
outros valores de p, como 2,6: 2,8 e 3,4. especia!iLados.
16. Suponha que p > l na Eq. (21 ). Nos problemas de 1 a 32, resolva a equação diferencial. Se for dada
(a) Desenhe um diagrd!Ila escada qualitativamente correto, mos- uma condição inicial, encontre, também, a solução que a satisfaz.
trando, assim, que, se Uo < O, então u 0 --+ - 'JC quando n --+ x .
(h) De maneira análoga, detennine o que acontece quando n--+ dy x 3 - 2y
ocseu0 >1. 1. - = - - -
dx X
#~· 17. As soluções da Eq. (21) mudam de seqüências convergentes
para oscilações periódicas de período 2 quando o parâmetro p 2. (x + y)dx - (x - y) dy =O
passa pelo valor 3. Para ver mais claramente como isso ocorre, dy 2x + y
3 - - y(O) =O
efetue os cálculos indicados a seguir. . dx - 3 + 3y2 - X ,
(a) Faça o gráfico ou calcule a solução para p = 2,9; 2,95 e 2,99.
4, (x +e·'')dy - dx =O
respet:tivarnente, usando um valor inicial uG de sua escolha no
intervalo (O, 1). Estime, em cada caso, quantas iterações são dy 2.xy + y2 + 1
5. 2
necessárias para a solução tomar-se '·muito próxima'" do valor dx x +2xy
limite. Use qualquer interpretação conveniente para o signifi- dy
cado de " muito próximo" na frase anterior. 6. x dx + xy = 1 - y, y(I) =O
(b) Faça o gráfico ou calcule a solução paraµ = 3Jll; 3,05 e
3, 1, respectivamente, usando a mesma condição inicial que no dy X 2
7 - Sugestão:considere u = x .
item (a). Estime, em cada caso, quantas iterações são necessá- · dx - x 2 y+y 3
rias para se atingir uma solução estado estacionário. Encontre dy senx
ou estime, também . os dois valores na oscilação estado estacio- 8. X.....:.... + 2 Y
dx .
= --
X
V(2) 1 =
nário.
~'.. 18. Calculando ou fazendo o gráfico da solução da Eq. (21) para
9
dy 2xy+I
valores diferentes de p, estime o valor de p para o qual a solu- · dx = x 2 + 2y
ção muda de urna o~cilação de período 2 para uma de período
4. De modo análogo, estime o valor de p para o qual a solução
10. (3y 2 + 2xy) dx - (2xy + .( 2 ) dy =O
muda de período 4 para período 8. 11. (x 2 + y) dx + (x + eY) dy =O
#~19. Seja Pk o valor de p para o qual a solução da Eq . (21) muda do
dy J
período 2' 1 para o período 2'. Então, como observado no tex- 12. - +y= - - .
=
to, p 1 = 3, p1 3,449 e p3 3,544. = dx J + e-'
(a) Usando esses valores para p,. Pi e p3 , ou os que você encon- 13. xdy - ydx = (xy) 112 dx
trou no Problema 18, calcule (fJ1 - p 1)1(p3 - p~).
(b) Seja ô,. = (p. - p,. _ ,)l(p,. +, - P.) . Foi demonstrado que ô. 14. (x + y) dx + (x + 2y) dy = O, y(2) =3
tende a um limite ó quando n-+ -x. onde ô= 4,6692 é conhe- dy
15. (e'+l)-=y-yex
cido como o número de Feigenbaum 2~ . Determine a diferença dx
percentual entre o valor limite ó e lJi, como calculado no item dy x + y2
2
(a). 16. dx = _ x_2_
(c) Suponha que Ó3 = 8 e use essa relação para estimar p4 , o
valor de p para o qual aparecem soluções de período 16. dy
(d) Fazendo o gráfico ou calculando soluções próximas para o
17. -'-
dx
=
e 2x + 3y
valor de p. encontrado no item (ci, tente detectar a aparição de
18. (2y + 3x) dx = - x dy
uma solução de peáodo 16.
(e) Observe que 19. xdy - ydx=2x 2/dy, y(l) =- 2
Pn = P1 + (P2 - Pi ) + (P3 - P2) + ... + (pn - P,, _1 ) . 20. y' =ex+.•·
21. xy' = y + xe>'/x
Supondo que (p; - PJ) - (p, - p,)8- 1, (p, - p.) ~ (PJ ·· p~)s - ~,
e assim por diante, expresse p, como uma soma geométrica. dy x2 ~ 1
22. y( - 1) = 1
Depois encontre o limite de p. quando n --> x . Isso é uma esti- dx - y2 + 1 '
mativa do valor de p no qual começa a aparecer componamen-
to caótico na solução da equação logística (21 ).
23 . X y' + y-
y2 e x = O
2

24. 2senycosxdx +cosysenxdy =O

"Es., e resuhado par a a equaçào de dife renç as logística foi descobe1co por Mitchell
25. (2~y - _ J_· - ) dx
x2 + y~ +(--X
+- -
x2 y2
X. )
y2
2
dy
.

Feigenbaum í l 944- >em agosto de 197 5. quando trabalhava no Laboratório Nacional de
Los Alamos. Algumas semanas depois ele estabeleceu que esse mesmo valor limite também 2
aparece t m uma das!ie grande <le equaçõe. de <li rerença.' que dobram o período. Ftigenbaum. 26. (2y + l)dx + (-'" :·'') dy=O
que tem doutorado cm física pelo M.1.T (l1Ntiruto de Tecnologia de Y!assachussct>!. cscá
atualmente na Universidade Rockefeller.
72 Equações Dlferendals de Primeira Or-dern

27. (cos2y - scnx)d.x - 2tg .xscn2ydy =O Algumas Equações de Segunda Ordem Especiais. Equações de se-
gunda ordem envolvem a derivada segunda de alguma função des-
dy 3x2 - 2y - /
28. - = -----,:-- conhecida e têm a forma geral y" = f(r, y, y'). Tais equações não
dx 2x + 3xy 2 podem ser resolvidas, em geral, por métodos projetados para equa-

29. dy = 2y+~ ções de primeira ordem. No entanto, existem dois tipos de equações
de segunda ordem que podem ser transformadas em equações de
dx 2x primeira ordem por uma mudança de variável apropriada. A equa-
dv y3 ção resultante pode ser resolvida, algumas vezes, por métodos apre-
30. - · = y(O) = 1
dx 1 - 2xy 2 ' sentados neste capítulo . Os problemas de 36 a 51 tratam de equa-
31. (x y + xy - y) dx
2
+ (x 1 y - 2x 1 ) dy =O ções desse tipo.
2
dy 3x y + y2
32 Equações onde Falta a Variável Dependente. Para uma equação de
· dx == 2x 3 + 3xy ' y(l) =-2 segunda ordem da fonna y'' = fl..t, y'), a substituição v = y', v' == y" leva
33. Equações de Riccati. A equação a uma equação de primeira ordem da forma ú = j{t, v) . Se essa equa-
ção puder ser resolvida para v, então y pode ser obtida integrando-se
dy dy/dt = v. Note que uma constante arbitrária na resolução da equação
dt = q\ (t) + q1(t)y + q3 (t)/ de primeira ordem para v e uma segunda é introduzida na integração
paray. Em cada um dos problemas de 36 a4I, use essa substituição para
é conhecida como uma equação de Riccati 25 • Suponha que al-
resolver a equação dada.
guma solução particular y 1 dessa equação é conhecida. Uma
solução mais geral contendo uma constante arbitrária pode ser
obtida através da substituição 36. t 1 y" + 2ty' ~ 1 ::::: º· t > o
l
37. ty" + y' =1. t > o
y =yi(I ) -( -
v(t )
. 38. y" + t(y ')~ :::: o
39. 2t 2y" + (y') 1 == 2ty°, t > o
Mostre que t.(t) satisfaz a equação linear de primeira ordem
40. y" + y' ~ e~'
dv
dt =- (q2 + 2q3)'1)v - qJ.
41. t 2y" = (y') 2 , t >o
Note que t.(t) vai conter uma única constante arbitrária. Equações onde Falta a Variável Independente. Considere equações
34. Usando o método do Problema 33 e a solução particular dada. diferenciais da forma y" = j'f.y, y'), na qual a variável independente t
resolva cada uma das equações de Riccati a seguir: não aparece explicitamente. Se definirmos v = y', obteremos dvldt =
f(y, v). Como a expressão à direita do sinal de igualdade nessa equa-
(a) y'=l+t2 -2ty+y2; y 1(t)=t ção depeqde de y e de v, em vez de te v, essa equação contém variá-
1 y l l veis demais. No entanto, se considerarmos y como sendo a variável
(b) Y = - -t 2 - -t + y ,.
I

,\11 (1) = -t independente, então, pela regra da cadeia, dtldt = (dtldy) (dy/dt) =
t(dtldy) . Ponanto, a equação diferencial original pode ser escrita como
dy 2 cos 2 t -sen2 t + y2 v {dtldy) = f(y, v). Se essa equação de primeira ordem puder ser re-
(c) dt = 2cost ; )'1(t) =sent
solvida, obteremos v como função de y . A relação entre y e t é obtida
35. A propagação de uma única ação em uma população grande (por da resolução de dy!dt = i(y), que é uma equação separável. Novamente,
ex:emplo, motoristas acendendo os faróis quando o sol se põe) o resultado final contém duas constantes arbitrárias. Em cada um dos
muitas vezes depende parcialmente de circunstâncias externas problemas de 42 a 47 , use esse método para resolver a equação dife-
(o escurecimento) e parcialmente de uma tendência de imitar rencial dada.
outros que já fizeram a ação em questão. Ne~se caso, a propor-
ção y(t) de pessoas que efetuaram a ação pode ser descrita26 pela 42 . yy'' + (y') 2 o =
equação 43. y'' +Y =0
dy/dt = (l - y)[x(t) + hy], (i) +
44. y" y(y') 3 =o
onde x(t) mede o estímulo externo e h é o coeficiente de imi- 45 . 2y2y'' + 2y(y') 2 =1
tação. 46. yy" - (y')~ = o
(a) Observe que a Eq. (i) é uma equação de Riccati e que y 1(t)
= 1 é uma solução. Use a transformação sugerida no Problema
47. y" + (y') 2 = 2e-Y
33 e encontre a equação linear satisfeita por t.(t).
Sugestão: No Problema 47 a equação transformada é uma equação de
(b) Encontre t(t) no caso em que x(t) = at, onde a é uma cons-
Bernoulli. Veja o Problema 27 na Seção 2.4.
tante. Deixe sua resposta na forma de uma integral.
Em cada um dos problemas de 48 a 51, resolva o problema de valor
inicial dado usando os métodos dos problemas de 36 a 47.
"A• equações de Riccati receber= e.se nome em honra a Jacopo Fmncesco Riccati ( 1676-
1754), um nobre natural de Veneza que oão aeeiiou ofena.• de posiçõe• em universidade da
Ilália, na Áustria e oa Rússia para c ontinuar seus estudos matemáticos na privacidade do 48. y'y" = 2, y(O)::::: 1, y'(O) = 2
seu lar. Riccati esw<lou essas equações extensamente; oo entaoto, foi Euler (em 1760) que
descobriu o resultado enunciado neste problema.
49. y" - 3y2 =O, y(O) == 2, y'(O l =4
"'veja Anato! Rapoport, ·'Coolributioo !O the Mathematical Theocy of Mass Behavior: 1. The 50. 0+t 2 )y''+ 2ty' +3t- 2 =0. y(1)=2, y'(l)=-1
= º·
Pr<'lpagation of Siogle Acts", B11lletln of Mathematical Bíophysi~ J4 (1952), pp. 159-169,
e John Z. Hearon, "Note on the Theory of Mass Behavior", ~U!letin of Mathemalic11I 51. y'y" - t y(l) = 2, y'(l) = 1
Biophysks 17 (1955). pp. 7-13.
Equ~óes Diferenciais de Primeira Ordem 73

REFERÊNCIAS
Os dois livros mencionados na Seção 2.5 são:
Bailey, N. T. J., The Mathematical Theory ofInfectious Diseases arul Its Applications (2nd ed.) (New
York: Hafner Prcss, l 975).
Clark, Colin W., Mathemarical Bioeconomics (2nd cd.) (Ncw York: Wiley-Intersc:ience, 1990).
Uma boa introdução à dinâmica populacional em geral é:
Frauenthal, J. C., lntroduction to Population Modeling (Boston: Birlchauser, 1980).
Urna discussão mais completa da demonstração do teorema fundamental de existência e unicidade pode ser
encontrada em muitos livros mais avançados de equações diferenciais. üois que são razoavelmente acessíveis
para leitores iniciantes são:
Coddingcon, E. A., An lntroduction to Ordinary Differenria/ Equations (Englewood Cliffs, NJ: Pren-
tice-Hall, 1961; New York: Dovcr, 1989).
Braucr, F., and Nohel, J., The Qualitative Theory of Ordinary Differenrial Equations (New York:
Benjamin, 1969; New York: Dover, 1989).
Um compêndio valioso de métodos de resolução de equações diferenciais é:
Zwillinger, D .• Handbook of Dijferenria/ Equations (3rd ed.) (San Diego: Acadernic Prcss, 1998).
Para discussão e exemplos adicionais de fenômenos não-lineares, incluindo bifurcação e caos, veja:
Strogtaz, Steven H., Nonlinear Dynamics and Chaos (Reading, MA: Addison-Wesley, 1994).
Uma referência geral sobre equações de diferenças é:
Mickens, R. E., Difference Equations, Theory and Applicatiom (2nd ed.) (New York: Van Nostrand
Reinhold, 1990).
Um tratamento elementar de soluções caóticas de equações de diferenças pode ser encontrado em:
Dcvaney, R. L., Chaos, Fractais, and Dynamics (Reading, MA: Addison-Wesley, 1990).
C. A u L

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Equa cêta=aN~l·:·Ji:ti:D°ó'rà.b<: :ill'.~p (~f,·~:~.;.~~f;,'.~u-:~>y~'. :~· ; :


~~~~ .:. ·~&tt~~~1Y~O·'· tl~ . .~ ~ ., ~r"~""~~~ .....::·.:i: (>,. ~~ ·· ... · ·

~~·í~~,1!'..~ü;:;;~l~Biil~~f~::': . ;, . . ,. .·

Equações lineares de segunda ordem têm uma importância cru- isto é, sef é linear em y e y'. Na Eq. (2), g, p e q são funções
cial no estudo de equações diferenciais por duas ra1i5es princi- especificadas da variável independente t, mas não dependem de
pais. A primeira é que equações lineares têm uma estrutura teó- y. Nesse caso, reescrevemos, em geral, a Eq. ( l) como
rica rica, subjacente a díversos métodos sistemáticos de resolu-
ção. Além disso, uma parte substancial dessa estrutura e desses y" + p(t)y' + q(t)y
= g(t), (3)
métodos é compreensível a um nível matemático relativamente onde a linha denota diferenciação em relação a t. No lugar da Eq.
elementar. Para apresentar as idéias fundamentais em um con- (3), encontramos, com freqüência, a equação
texto o mais simples possível, vamos descrevê-las neste capítu-
lo para equações de segunda ordem. Outra razão para estudar
P(t)y'' + Q(t)y + R(t)y = G(r).
1
(4}
equações lineares de segunda ordem é que elas são essenciais para É claro que, se P(t) *
O, podemos dividir a Eq. (4) por P(t), ob-
tendo, assim, a Eq. (3) com
qualquer investigação séria das áreas clássicas da física matemá-
tíca. Não se pode ir muito longe no desenvolvimento de mecâni- Q(t) R(t) G(t)
ca dos fluidos, condução de calor, movimento ondulatório ou fe- p(t) = P(t)' q(t)= P(t)' g(t) = P(t) . (5)
nômenos eletromagnéticos sem esbarrar na necessidade de re-
solver equações diferenciais lineares de segunda ordem. Como Ao discutir a Eq. (3) e tentar resolvê-la, vamos nos restringir a
exemplo, vamos discutir oscilações de alguns sistemas mecâni- intervalos nos quais as funções p, q e g sejam contínuas. 1
cos e elétricos báskos no final deste capítulo. Se a Eq. (l) não for da forma (3) ou (4), então ela é dita
não-linear. Investigações analíticas de equações não-linea-
res são relativamente difíceis , de modo que teremos pouco a
3.1 Equações Homogêneas com dizer sobre elas neste livro. Abordagens numéricas ou geo-
métricas são, freqüentemente, mais apropriadas, e serão dis-
Coefici~nt~,, ,Ççm~.~ntes cutidas nos Caps. 8 e 9.
Um problema de valor inicial consiste em uma equação dife-
Uma equação diferencial de segunda ordem tem a fonna rencial , como as Eqs. (1 ), (3)ou (4),junto com um par de condi-
ções iniciais
ddt y = f
2

2
( dy) ,
t,y , dt 0) (6)
onde y0 e y' 0 são números dados . Note que as condições inici-
onde fé alguma função dada. Em geral , denotaremos a variável ais para uma equação de segunda ordem não indicam, apenas,
independente por t, já que o tempo é, com freqüência, a variável um ponto particular <to, )'o) que tem que pertencer ao gráficc
independente em fenômenos físicos, mas, algumas vezes, usa- da solução mas, também, o coeficiente angular y' 0 da reta tan·
remos x em seu lugar. Usaremos y ou, ocasionalmente, outra le- gente ao gráfico naquele ponto. É razoável esperar que sejarr
tra, para denotar a variável dependente. A Eq. (l) é dita lineur
se a função/tem a fonna

f ( t y dy)
- = dy - q(t)y
g(t) - p(t)- (2) 'Fazemo~ um tratamento corresrondeme para equaçõe&lineare& de ordern mais alta no Cai
' 'dt dt ' 4 Se voe~ quiser. pode ler as partes apropriadas do Cnp. 4 em paralelo com o Cap. 3.
Et(uações Lineares de SegwuJa Ordem 75

necessárias duas condições iniciais para uma equação de segun- são arbilrários, essa expressão representa uma família infinita de
da ordem, já que, grosso modo, precisa-se de duas integrações soluções da equação diferencial (9) .
para se encontrar a solução e cada integração introduz uma Vamos considerar, agora, como escolher um elemento parti-
constante arbitrária. Presume-se que duas condições iniciais cular dessa família infinita de soluções que satisfaça. também,
serão suficientes para a determinação dos valores dessas duas ao conjunto dado de condições iniciais. Por exemplo, suponha
constantes. que queremos a solução da Eq. (9) que satisfaça, também, as
Uma equação linear de segunda ordem é dita homogênea se condições iniciais
a função g(t) na Eq. (3), ou G(t) na Eq. (4), for igual a zero para
y(O) = 2, y'(O) = -1. (11)
todo t. Caso contrário, a equação é dita não-homogênea. Em
conseqüência, a função g(t), ou G(t) , é chamada, muitas vezes , Em outras palavras, procuramos a solução cujo gráfico contém
de termo não-homogêneo. Vamos começar nossa discussão com o ponto (0, 2) e tal que o coeficiente angular da tangente ao grá-
equações homogêneas, que escreveremos na forma fico nesse ponto seja - 1. Primeiro, fazemos t = Oe y 2 na Eq. =
( 1O); isso nos dá a equação
P(t)y" Q(t)y' + R(t)y =O. (7)
Mais tarde, nas Seções 3.6 e 3.7, mostraremos que, uma vez
c 1 + c2 = 2. (12)
resolvida a equação homogênea, sempre é possível resolver a A seguir, derivamos a Eq. (10), obtendo
equação não-homogênea correspondente (4) ou, pelo menos,
y 1 =c 1e1 - c. 2 e-1 .
expressar sua solução em função de uma integral. Assim, o
problema de resolver a equação homogênea é o mais funda- Depois, fazendo t = O e y' = - 1, obtemos
mental.
Vamos concentrar nossa atenção, neste capítulo, em equações
c 1 - c2 = -J. (13)
nas quais as funções P, Q e R são constantes. Nesse caso, a Eq. Resolvendo simultaneamente as Eqs. ( 12) e ( 13) para e 1 e c2,
(7) toma-se encontramos
e 1 3
ay'' + by' + cy =O, (8) l =
2• C2 2· = (14)
onde a, b e e são constantes dadas. Acontece que a Eq. (8) sem- Finalmente, inserindo esses valores na Eq. ( 10), obtemos
pte pode ser facilmente resolvida em termos das funções elemen-
tares do Cálculo. Por outro lado, é muito mais difícil , em geral, Y -- le'
2 + 2~e- 1
, (15)
resolver a Eq. (7) quando os coeficientes não são constantes, e a solução do problema de valor inicial que consiste na equação
vamos adiar o tratamento desse caso até o Cap. 5. diferencial (9) e nas condições iniciais (11 ) .
Antes de atacar a Eq. (8), vamos adquirir alguma experiência Vamos voltar agora para a equação mais geral (8),
analisando um problema simples, porém típico. Considere a equa-
ção ay'' + by' + cy = O,
que tem coeficientes constantes (reais) arbitrários . Baseados em
y'' - y = O, (9)
nossa experiência com a Eq. (9), vamos procurar, também, solu-
que é a Eq. (8) com a = L b = O e e = - 1. Em outras pala- ções exponenciais para a Eq. (8). Suponhamos, então, que y =
vras , a Eq. (9) diz que procuramos uma função com a propri- erl, onde ré um parâmetro a ser determinado. Segue que y' =
edade de que a derivada segunda dessa mesma função seja igual re" e y'' = r2eff. Substituindo y, y' e y" na Eq. (8) por essas ex -
a ela mesma. Um pouco de reflexão produzirá, provavelmen- pressões, obtemos
te, pelo menos uma função bem conhecida do Cálculo com essa
propriedade, a saber, a funçãoexponencialy 1(t) = e1 . Um pou- (ar 2 + br + c)e'1 = O,
co mais de reflexão poderia produzir, também, uma segunda ou, como e" i= O,
função, y 2(t) = e- r. Um pouco de experimentação revela que
múltiplos constantes dessas duas soluções também são solu- ar 2 + br +e = O. (16)
ções . Por exemplo. as funções 2é e 5e · 1 também satisfazem a A Eq. (16) é chamada de equação característica da equação
Eq. (9), como você pode verificar cakulando suas derivadas diferencial (8) . Seu significado reside no fato de que, ser é uma
segundas . Da mesma forma. as funções c 1y 1(t) = c 1 e1 e c2}·2(t) raiz da equação polinomial ( 16), então y = eff é solução da equa-
= c 2e-r satisfazem a equação diferencial (9) para todos os ção diferencial (8). Como a Eq. (16) é uma equação de segundo
valores das constantes c 1 e c 2. A seguir , é fundamental que se grau com coeficientes reais, ela tem duas raízes que podem ser
note que qualquer soma de soluções da Eq. (9) também é so- reais e distintas, reais e iguais ou complexas conjugadas. Vamos
lução. Em particular, como e 1y 1(t) e c2)'i(t) são soluções da Eq. considerar o primeiro caso aqui e os dois últimos nas Seções 3.4
(9), a função e 3.5.
Supondo que as raízes da equação característica ( 16) sejam
y = C1Y1 (t) + C2Y/t) = Cie
1
+ C2e 1
(10)
reai~ e distintas, vamos denotá-las por r 1 e r2 , onde r1 *
r2 . En-
também o é, quaisquer que sejam os valores de c 1 e c 2 • Mais uma tão, y1(t) = e~' e y2(t) = e'2' são duas soluções da Eq. (8). Como
vez, isso pode ser verificado calculando-se a derivada segunda, no exemplo precedente, segue que
·:/'. a partir da Eq . (1 O). Temos y' = c 1é - c2e -r e y" = c 1é +
c2e- 1; logo, y" é igual a y e a Eq. (9) é satisfeita. Y = c y (t) + c y (t) = c er,r + c e'21
1 1 2 2 1 2
(17)
Vamos resumir o que fizemos até agora nesse exemplo. Uma também é uma solução da Eq. (8). Para verificar que isso é ver-
vez observado que as funções y 1(t) = e' e y 2(t) =
e-1 são solu- dade, podemos diferenciar a expressão na Eq . (17); portanto,
ções da Eq. (9), segue que a combinação linear (10) dessas fun-
1 1
ções também é solução. Como os coeficientes c 1 e c2 na Eq. (10) Y' -- e 1r l e'1 +e2 r2 e'2 (18)
76 Equações Lineares de Segunda Ordem

e Resolvendo simultaneamente as Eqs. (21) e (22) para c 1 e c 2, en-


y'' = c 1r?er•t + c2 rie'2 1
• (19) contramos

Substituindo y, y' e y" na Eq. (8) por essas expressões e


rearrumando os termos, obtemos c 1 = YÓ - Yo'2 e-r 1r0 , c2 = Yo'1 - YÓe- r2r0 (
23 )
'1 - '2 '1 - '2
ay" + by' +cy = c 1 (ar~ + br1 + c)e'• 1 *
Lembre-se de que r 1 - r 2 O, de modo que as expressões na Eq.
+c 2 (ari +br2 +c)e'2'. (20) (23) sempre fazem sentido. Assim, não importa que condições ini-
ciais sejam dadas - isto é, independente dos valores de t0 , y0 e y~
As quantidades entre parênteses na Eq. (20) são nulas, pois r 1 e nas Eqs. (6)-, sempre é possível determinar c 1 e c2 de modo que
r2 são raízes da Eq. (16); logo, y dado pela Eq. (17) é, de fato, as condições iniciais sejam satisfeitas. Além disso, existe apenas
uma solução da Eq. (8), como queríamos verificar. uma escolha possível de c1 e c2 para cada conjunto dado de condi-
V amos supor agora que queremos encontrar o elemento par- ções iniciais. Com os valores de c 1 e c2 dados pela Eq. (23), a ex-
ticular da família de soluções (17) que satisfaz as condições ini- pressão (17) é a solução do problema de valor inicial
ciais (6),
ay" + by' + cy =O, y(t0 ) = y 0 • y'(t0 ) = _v;J. (24)
É possível mostrar, com base no teorema fundamental citado
Fazendo t = t0 e y = y0 na Eq. (17), obtemos na próxima seção, que todas as soluções da Eq. (8) estão incluí·
das na expressão (17), pelo menos no caso em que as raízes da
c 1er1 0 + c2 e'2'0 = y0.
1
(21) Eq. (16) são reais e distintas. Portanto, chamamos a Eq. (l 7) de
Analogamente, fazendo t = t0 e y' = YÓ na Eq. (18), temos solução geral da Eq. (8). O fato de quaisquer condições iniciais
possíveis poderem ser satisfeitas pela escolha adequada das cons-
(22) tantes na Eq. ( 17) toma mais plausível a idéia de que essa ex-
pressão inclui, de fato, todas as soluções da Eq. (8) .

.... · . ..
Exemplo 1
Encontre a solução geral de Assim, os valores possíveis der são r 1 = -2 e r 2 =- 3; a solu-
ção geral da Eq. (25) é
y" +5y' +6y =O . (25)
Vamos supor que y = e''; então, r tem que ser raiz da equa- (26)
ção característica

r2 + 5r + 6 = (r + 2)(r + 3) =O.

Encontre a solução do problema de valor inicial Para usar a segunda condição inicial, precisamos primeiro deri-
var a Eq. (26). Isso nos dá y' = -2c 1e- 21 - 3c2 e- 31 • Fazendo,
y'' + 5y' + 6y =O, y(O) = 2, y'(O) = 3. (27) agora, t = Oe y' = 3, obtemos
A solução geral da equação diferencial foi encontrada no Exem-
plo 1 e é dada pela Eq. (26). Para satisfazer a primeira condição
-2c 1 - 3c2 = 3. (29)
inicial, fazemos t = Oe y = 2 na Eq. (26); assim, e 1 e c2 têm que Resolvendo as Eqs. (28) e (29), vemos que c 1 =
9 e c2 = -7.
satisfazer Usando esses valores na expressão (26), obtemos a solução
(28) y = 9e-2r - ?e- 3' (30)
do problema de valor inicial (27) . A Fig. 3. L1 mostra o gráfico
y da solução.

t FIG. 3.1.1 Solução de y" + 5y' + 6y = O, y(O) = 2, y '(O) = 3.


J
'
Equaçõe5 Líneares de Segunda Ordem 77

''" Exemplo 3
Encontre a solução do problema de valor inicial Usando as condições iniciais, obtemos as duas equações seguin-

4y" - 8y' + 3y = º· y(O) = 2, y'(O) = ~ . (31)


tes para cr e c2:

e, + C2 = 2• 3
2CI
1
+ ÍC2 =
1
2'
Se y = ert, então a equação característica é
A solução dessas equações é c 1 = - 1/2, c2 = 512 e a solução do
4r2 -8r +3 =0 problema de valor inicial (31) é
e suas raízes são r = 3/2 e r = J/2. Portanto, a solução geral da
equação diferencial é y = -te3r/2 + ~er/2. (33)
A Fig. 3.1.2 mostra o gráfico da solução.
(32)

0,5

-1 FIG. 3.1.2 Solução de 4y" - 8y' + 3y


=
=O, y(O) = 2, y' (O) 0,5 .

·==· Exemplo 4
· A solução (30) do problema de valor inicial (27) começa cres- Igualando y' a zero e multiplicando por e 3'. encontramos o valor
cendo Uá que o coeficiente angular da tangente a seu gráfico é crítico te que satisfaz e1 = 7/6; logo
positivo, inicialmente), mas acaba tendendo a zero (pois ambas
te= ln(7/6) ;::= 0,15415. (35)
as parcelas contêm exponenciais com ex.poentes negativos).
Portanto, a solução tem que atingir um máximo, e o gráfico da O valor máximo correspondente, YM· é dado por
Fig. 3.1. l confirma isso. Determine a localização desse ponto de
máximo. 108
YM = 9e- 21c - 7e- 3'c =~ 2,20408. (36)
Pode-se estimar as coordenadas do ponto de máximo através 49
do gráfico mas, para encontrá-las precisamente, procuramos o Neste exemplo, o coeficiente angular inicial é 3, mas a solu-
ponto onde o gráfico da solução tem reta tangente horizontal. ção da equação diferencial dada se comporta de maneira análo-
Derivando a solução (30), y === 9e- 21 - 1e- 31, em relação a t, ob- ga para qualquer coeficiente angular inicial positivo. O Proble-
temos ma 26 pede que você determine como as coordenadas do ponto
y1=-l8e- 21 +21e-3'. (34) de máximo dependem do coeficiente angular inicial.

Voltando para a equação ay" + by' + cy =O com coefici- te. Existe um terceiro caso menos freqüente: a solução tende
entes arbitrários , lembre-se de que, quando r 1 ot r 2 , sua so- a uma constante se um dos expoentes for nulo e o outro for
lução geral ( 17) é a soma de duas funções exponenciais. Por- negativo.
tanto, a solução tem um comportamento geométrico relati- Nas Seções 3.4 e 3.5, respectivamente, voltaremos ao pro-
vamente simples: quando t aumenta, a solução, em módulo, blema de resolver a equação ay" + by' + cy ""' O quando as
ou tende a zero (quando ambos os expoentes forem negati- raízes da equação característica são complexos conjugados ou
vos) ou cresce rapidamente (quando pelo menos um dos ex- são reais e iguais . Antes disso, nas Seções 3.2 e 3.3, vamos
poentes for positivo). Esses dois casos aparecem nos Exem- fazer um estudo sistemático da estrutura matemática das so-
plos 2 e 3, ilustrados nas Figs. 3.1.J e 3.1.2, respectivamen- luções de todas as equações lineares de segunda ordem.
78 Equ~ões Lineares de Segunda Ordem

Problemas 27 . Considere a equação ay" + by' + cy = d, onde a, b, e e d são


constantes.
Nos problemas de 1 a 8, encontre a solução geral da equação dife- (a) Encontre todas as soluções de equilíbrio, ou soluções cons-
rencial dada. tantes, dessa equação diferencial.
1. y" +2y' -3y =o 2. y" + 3 y' + 2 y = o (b) Denote por y, uma solução de equilíbrio e seja Y = y - y,.
3. 6y" - y' - y =o 4. 2y" - 3y' + y = o Logo Y é o desvio de uma solução y de uma solução de equilí-
brio. Encontre a equação diferencial satisfeita por Y.
5. y" +5y' =o 6. 4y" - 9y =o
28. Considere a equação ay' + by' + cy = O, onde a, b e e são
7. y"-9y'+9y=0 8. y'' - 2/ - 2y = o constantes com a > O. Encontre condições sobre a, b e e para
Nos problemas de 9 a 16. encontre a solução do problema de valor que as raízes da equação característica sejam:
inicial dado. Esboce o gráfico da solução e descreva seu comporta- (a) reais, diferentes e negativas:
mento quando t aumenta. (b) reais com sinais opostos;
(c) reais, diferentes e positivas.
9. y" + y' - 2y =O, y(O) = 1, y'(O) = 1
10. y" + 4y' + 3y =O, y(O) = 2, y' (O) = -1
11. 6y" -5y' + y =0, y(O) = 4, y'(O) =O
12. y" + 3y' =O, y(O) = -2, y' (O) = 3 3.2 Soluções Fundamentais de
13. y" + 5y' + 3y =O, y(O) = 1, y'(O) =O
14. 2y'' + y' - 4y =O, y(O) =O, y'(O) = l
Equações Lineares Homogêneas
15. y'' + 8y' -9y =O, y(l) = l, y'(l) =O
16. 4y" - y =O, .Y (-2) = 1, y'(-2) = -1 Na seção precedente, mostramos como resolver algumas equa-
ções diferenciais da fonna
17. Encontre uma equação diferencial cuja solução geral éy ""c 1e21
+ C2e - .1'. ay'
1
+ by' + cy = O,
18. Encontre uma equação diferencial cuja solução ger.il é y = c 1e-t12 onde a, b e e são constantes. A partir desses resultados, vamos
+ c ?e- 2r. obter uma visão mais clara da estrutura das soluções de todas as
#'°2- 19. EncÕntre a solução do problema de valor inicial equações lineares homogêneas de segunda ordem. Essa compre-
ensão irá nos auxiliar, por sua vez, a resolver outros problemas
y" - y =0, y(O) = ~. y' (O) = -~.
que encontraremos mais tarde.
Faça o gráfico da solução para O :5 t :5 2 e determine seu valor Ao desenvolver a teoria das equações diferenciais lineares, é
mínimo. conveniente usar a notação de operador diferencial. Sejam p e q
20. Encontre a solução do problema de valor inicial
funções contínuas cm um intervalo aberto!, isto é, para a < t <
2y
11
- 3y' +y =O, y(O) = 2, y'(O) = !· f3. Os casos a = ~ oo e/ou f3 = +ao estão incluídos. Então, para
qualquer função 1> duas vezes diferenciável cm!, definimos o
Depois, detellrline o valor máximo da solução e encontre, tam- operador diferencial /,pela fórmula
bém, o ponto onde a solução se anula.
21. Resolva o problema de valor inicial y" - y' - 2,v =- O, y{O) =
a, y'(O) -= 2. Depois, encontre a de modo que a solução tenda
L 14'] = </>" + p<J1 + qf/>.
1
(1)
a zero quando t --+ xr. Note que L[</>] é wna função em l. O valor de L[cf.il cm um ponto té
22. Resolva o problema de valor inicial 4v" - v = O, v(O) = 2, y' (0)
= {3. Depois, encontre {3 de modo q·ue a solução tenda a· zero L[<J1](t) = 4>"(t) + p(t)f/>'(t) + q(t)f/>(t).
quando t ....+ oo.
Por exemplo, se p(t) = t 2, q(t)= 1 + te </i(_t) == sen 3t, então
Nos Problemas 23 e 24, detennine os valores de a , se existirem, para
os quais todas as soluções tendem a zero quando t --+ :xi; detennine, L[<J1](t) = (sen3t)"+ t 2 (sen3t)' + (1 + t)sen3t
também, os valores de a, se existirem, para os quais todas as solu-
ções (não-nulas) tornam-se ilimitadas quando t ....+ oo,
= -9 sen 3t + 3t 2 cos 3t + (1 -i- t) sen3t.
23. y'' - (2a - l)y' + a(a - l)y =O O operador/, é, muitas vezes, escrito na forma/, = D 2 + pD +
. 24. y" +(3-a)y' -2(a- l)y =0 q, onde D é o operador derivada.
12. 25. Con~idere o problema de valor inicial Vamos estudar, nesta seção, a equação linear homogênea de
segunda ordem L[ </>] (1) = O. Como é costume usar o símbolo y
2y" + 3y' - 2y =O, y(O) = l, y'(O) = -/3, para denotar cf><.t), escreveremos, normalmente, essa equação na
onde {3 >O. forma
(a) Resolva o problema de valor inicial.
(b) Faça o gráfico da solução quando f:3 =o 1. Encontre as coor- L[y] = y" + p(t)y' + q(t)y =O. (2)
denadas (t0. y0) do ponto de mínimo da solução nesse caso.
(c) Encontre o menor valor de {3 para o qual a solução não tem Associamos à Eq. (2) um conjunto de condições iniciais,
ponto de mínimo.
Considere o problema de valor inicial (veja o Exemplo 4) (3)

y" + 5y' + 6y =O. y(O) = 2, y'(O) = {3 , onde t0 é qualquer ponto no intervalo /, e y0 e YÓ são números
onde {3 >O.
reais dados. Gostaríamos de saber se o problema de valor inicial
(a) Resolva o problema de valor inicial. (2), (3) sempre tem solução e se pode ter mais de uma solução.
(b) Detennine as coordenadas tm e Ym do ponto de máximo da Gostaríamos, também, de saber se é possível dizer alguma coisa
solução como funções de (3. sobre a forma e a estrutura das soluções que possa ajudar are-
(c) Determine o menor valor de {3 para o qual Ym :.::: 4. solver problemas específicos_ As respostas a essas questões es-
(d) Determine o comportamento de tm e Ym quando f:3 --7 ro. tão contidas nos teoremas desta seção.
Equações Lineares de Segunda Ordem 79

O resultado teórico fundamental para problemas de valor ini - Para alguns problemas, algumas dessa<> afirmações são fáceis
cial para equações lineares de segunda ordem está enunciado no de provar. Por exemplo, vimos na Seção 3.1 que o problema de
Teorema 3.2. l, que é análogo ao Teorema 2.4.1 para equações valor inicial
de primeira ordem. Como o resultado é igual para equações não-
homogêneas, o teorema está enunciado nessa forma mais geral. y'' - y =O, y(O) = 2, y'(O) = -1 (5)
tem a solução

!Teorema 3.2.1 y = 2e
1 J + 2e
3 _,
. (6)

Ç~:nsidere o problema de valor inicial


·:·:·:·;·:.·
O làto de encontrarmos uma solução certamente estabelece que
existe uma solução para esse problema de valor inicial. Além
.'.i .!::+
..
p(t)y' + q(t)y = g(t),
.·:~:-:·.· .•
disso, a solução (6) é duas vezes diferenciável, na verdade
diferenciável um número qualquer de vezes, em todo o interva-
(4) lo ( -x, x ), onde os coeficientes na equação diferencial são con-
.&íí:ile p, q e g são continuas em um intervalo aberto l . Então, tínuos. Por outro lado, não é óhvio, e é mais difícil provar, que o
\ij~te exatamente uma solução y = <P(t) desse problema, e a problema de valor inicial (5) não tem outras soluções além da dada
lfüJição existe em todo o intervalo /. pela Eq. (6). Não obstante, o Teorema 3.2. l afinna que essa solu-
:.·.--;.·.··. ção é, de fato , a única solução do problema de valor inicial (5).
No encanto, para a maior parte dos problemas da forma (4), não
Enfatizamos que o teorema diz três coisas: é possível escrever uma expressão útil para a solução. Essa é uma
1. O problema de valor inicial tem uma solução; em outras pa- grande diferença entre equações lineares de primeira e de segunda
lavras, existe uma solução. ordens. Portanto, todas as partes do teorema têm que ser demons-
2. O problema de valor inicial tem apenas uma solução; isto é, tradas por métodos geraL'>, que não envolvem a ohtenção desse tipo
a solução é única. de expressão. A demonstração do Teorema 3.2.\ é razoavelmente
3. A solução cp está definida em todo o intervalo!, onde os coefici- difícil e não será discutida aqui.2 Aceitaremos, entretanto, o Teore-
entes são contínuos e onde é, pelo menos, duas vezes diferenciável. ma 3.2.J como verdadeiro e o utilizaremos sempre que necessário.

·· Exemplo 1
Encontre o maior intervalo no qual a solução do problema de Se a equação diferencial dada for colocada na forma (4), então
valor inicial p(t) = ll(t - 3), q(t) "" -(t + 3)/t(t - 3) e g(t) = O. Os únicos
pontos de descontinuidade dos coeficientes são t =O e t = 3. Logo,
(t 2 - 3t)y" + ty' - (t + 3)y = º· y(l) = 2, y'(l) = 1 o maior intervalo, contendo o ponto inicial t = 1, no qual todos os
coeficientes são contínuos é O < t < 3. Portanto, esse é o maior
certamente existe. intervalo no qual o Teorema 3.2. I garante que a solução existe.

Exemplo 2
Encontre a única solução do problema de valor inicial A função y = r:p(t) =O para todo tcertamente satisfaz a equa-
ção diferencial e as condições iniciais. Pela parte referente à uni-
y" + p(t)y' + q(t)y ==o, cidade no Teorema 3 .2 . l, essa é a única solução do problema
dado.
onde p e q são contínuas em um intervalo aberto l contendo t0 •

Vamos supor, agora, que y 1 ey 2 são duas soluções daEq. (2);


em outras palavras, Teorema 3.2.2
(Princípio da Superposição) Se y 1 e y2 são soluções d#it1~f:,';,
(7) ção diferencial (2), . .. ':~:~>:/(:
e analogamente para y2. Então, como nos exemplos na Seção . ::\)}/i)~~~~~t~~;r ;'.:·:
3.1, podemos gerar mais soluções formando as combinações L[yJ = y" + p(t)y' + q(t)y = o.·.:Ht:'i.,:.;1::.:.;r··
lineares de y 1 e Y2· Enunciamos esse resultado como um teo- então a combinação linear c 1y 1 + c,y2 t~~:[~[ ~q'MÇ~o,
rema. quaisquer que sejam os valores das cons~~~gj;;Jf?if~ .:· · ·
. ··:···.·:···<·>.<·'.-.•:·>.·:·>:·~>X:·.•;·.·.

'Uma de monstração do Teorema 3.2 .J pode ser encontrada. por exemplo, no Cap. 6. Seção 8. do livro de autoria de Coddrngton. listado nas refcri!ncias ao final deste c apítulo.
80 Equações l.inl'ares de Sl'gunda Ordl'm

Quando c 1 ou c 2 é igual a zero, temos um caso particular do Yo


Teorema 3.2.2. Podemos concluir, então, que qualquer múltiplo
de uma solução da Eq. (2) também é solução. 1 y~
Para provar o Teorema 3.2.2, precisamos apenas substituir y Yt Cto) Y2Cto) ' ,
na Eq. (2) pela expressão Y; Cto) y;(to) 1
(8) (11)

O resultado é 1
Y1 (to)
y;
(to)
y~
Yo
l
Lk1Y1 + C2Y21 == [c,y, + C2Y21" + p[C1Y1 + C2Y21'
+ q[C1Y1 +c2Y2]
= C1Yi + C2Y~ + c,pyi + C2PY; + clqy, Com esses valores para c 1 e c2, a expressão (8) satisfaz as condi-
1

+ c2qY2 ções iniciais (3), assim como a equação diferencial (2).


= C1 [ Y1li + PY1f +qyl ]+ C2 [Y2li + PY2f + qy21 Para que as fórmulas para c 1 e c2 nas Eqs. (10) ou ( 11) façam
sentido, é preciso que os denominadores sejam diferentes de zero.
= C1 L[Y1l + C2LlY2l· Ambas as expressões para c 1 e c2 têm o mesmo denominador, a
saber, o detenninante
Como L[yi] =O e L[y2] =O, segue que L[c 1yi + C2}'2] =O. Por-
tanto, independentemente dos valores de c 1 e c2, y dado pela Eq.
(8) satisfaz a equação diferencial (2), e a demonstração do Teo-
rema 3.2.2 está completa.
O Teorema 3.2.2 diz que, começando com apenas duas solu- O determinante W é chamado detenninante wronskiano, 3 ou,
ções da Eq. (2), podemos construir uma família duplamente in- simplesmente, wronskiano, das soluções y 1 e y 2 . Usamos, algu-
finita de soluções definida pela Eq. (8). A próxima pergunta é se mas vezes, a notação completa W(y 1, y 2)(t0) para a expressão mais
todas as soluções da Eq. (2) estão incluídas na Eq. (8) ou se po- à direita na Eq. ( 12) enfatizando, desse modo, o fato de que o
dem existir soluções com formas diferentes. Começamos a estu- wronskiano depende das funções y 1 e y2, e que é calculado no ponto
dar essa questão examinando se as constantes c 1 e c2 na Eq. (8) t0 . O argumento precedente estabelece o seguinte resultado.
podem ser escolhidas de modo que a solução satisfaça as condi-
ções iniciais (3). Essas condições iniciais obrigam c 1 e c2 a satis-
fazerem as equações teorema 3.2~3
C1Y1Cto) + C2Y2Cto) = Yo·
(9)
Suponha que Yi e. y. são duas soluçÕ~ da Eq. (2),. •· .
. ·, '·
2
. . . . '

C1Yi Cto) + c2y;(ro) == Y~· L[y)...; y" + p(r)y+. q(t)y .:. _Q,
Resolvendo as Eqs. (9) para c 1 e c2, encontramos e:que o Wronskiaoo ' -·': .'· '''' • . ·!:·~~:·:
..W =YiYi :~Y~Yz tM
c 1 = Y1(to)Y;(to)- y;(to)Y2(to)'
.tW'> se anulano pOnto Í(l, bode são dadas as®diçõeS iniciais d1!
(10) .. . • . . : .. y(i.)) ~ Yo• . _,· •.. f(t~) = Y6· . . .·: 11
-YoYi (to) + Y~Yt Cto) ·. : ·;: .. . " . <· . ...... _: .: .· .... ;· ...·::: :;·::::t~~r.
: Então, existe uma escolha~$ c;ot$~tes c1 e c2 para as qu~f
.Y ;;:: cá1(r) ~ c1.)'z(t) sàtjsf<!Z ~ · eq~ dif~~cial (2) ~: @.:l
ou, em termos de determinantes,
condições iniciais _(3). ''' wrn
........'.•'.-:·:

Exemplo 3 . ., .-,,,,,,,,,,,·''''"''''·'''''''''''!'''''''''''''~''''~'''"'''':<l'''·'''''/'~'''''~,.'"'''''"''''''i''''''''*'''' ,., , __.,_ ·. ·


No Exemplo 1 da Seção 3.1, vimos que y 1(t) = e - 21 e y2(t) = Como W é diferente de zero para todos os valores de t, as
e- 31 são soluções da equação diferencial funções y 1 e y2 podem ser usadas para se construir soluções

y" +5y'+ 6y =º· da equação diferencial dada junto com quaisquer condições
iniciais prescritas para qualquer valor de t. Um desses pro-
Encontre o wronskiano de y 1 e Y2 · blemas de valor inicial foi resolvido no Exemplo 2 da Se-
O wronskiano dessas duas funções é ção 3.1.
-2t e-31
w = 1 -~-21 - 3e -31
1
=-e-51 .

'Os dctenninantes wronskianos recebem esse nome devido a Jósef Maria Hoené-Wronski ( 1776· l 853), que nasceu na Polônia, inas viveu a maior parte da sua vida na França. Wronski ern
um hoinem talentoso, inas coinplicado. e sua vida fui man:ada por disputas acaloradas freqüentes com outrus indivíduos e instituições.
Equnções Líneares de Segunda Ordem 81

O próximo teorema justifica a expressão "solução geral" in- c 1y 1(t) + c 1 y 2(t) também é solução do problema de valor ini-
troduzida na Seção 3.1 para a combinação linear c 1y 1 + l'2,)1 2• cial ( 13 ). De fato, os valores apropriados de c1 e c2 são dados
pelas Eqs. (1 O) ou ( 1 1). A parte relativa à unicidade no Teore-
ma 3.2 .1 garante que essas duas soluções do mesmo problema
~orema 3.2.4 de valor inicial são iguais; assim, para uma escolha apropria-
da de c 1 e c2,
~·jy 1 e y2 são duas soluções da equação diferencial (2),
</>(t) = C1Y1U) + C2Y2(l),
L[yJ = y" + p(t)y' + q(t)y =O, e, portanto, <P está incluída na família de funções c 1y 1 + C:?.)'2·
J.:~ existe um ponto t0 onde o wroniliano de Yi e y2 é dife- Finalmente, como <Pé uma solução arbitrária da Eq. (2), segue
rêüte de zero, então a fanu1ia de soluções que toda solução dessa equação está incluída nessa família. Isso
:\~~g;;::· ' completa a demonstração do Teorema 3.2.4.
O Teorema 3.2.4 diz que, enquanto o wronskiano de y 1 e y 2
~ coeficiente& arbitrários c 1 e c 2 inclui todas as soluções não for identicamente nulo, a combinação linear c1y 1 + CiJ2 con-
d~::gq . (2). . tém todas as soluções da Eq. (2). É, portanto, natural (e já o fize-
·.·:···.·:·:··· mos na seção precedente) chamar a expressão

Seja <fi uma solução qualquer da Eq . (2). Para provar o Teore- Y = C1Y1 (!) + C2Y2(t)
ma 3.2.4, precisamos mostrar que <P está incluída no conjunlo com coeficientes constantes arbitrários de solução geral da Eq.
de combinações lineares CtY 1 + l'2,)' 2; isto é, para alguma esco- (2). As soluções y 1 e y 2 , com wronskiano não-nulo, formam um
lha das constantes c 1 e ci, a combinação linear é igual a </J. Seja conjunto fundamental de solações da Eq. (2) .
t0 um ponto onde o wronskiano de y 1 e y 2 é diferente de zero. Podemos escrever o resultado do Teorema 3.2.4 em lingua-
Calcule <P e </J' nesse ponto e chame esses valores de y0 e y~, res- gem ligeiramente diferente: para encontrar a solução geral e, por-
pectivamente; assim, tanto, todas as soluções, de uma equação da forma (2), precisa-
mos. apenas, achar duas soluções da equação dada com
wronskiano diferente de zero. Fizemos precisamence isso em
A seguir, considere o problema de valor inicial diversos exemplos na Seção 3.1, embora não tenhamos calcula-
do aí os wronskianos . Você deveria voltar e fazer isso, verifican-
y'' + p(t)y' + q(t)y =O, y(to) = Yo · y'(to) = YÓ· (13) do, assim, que todas as soluções que chamamos de "solução
geral" na Seção 3. l satisfazem, de fato, a condição necessária
A função <Pé, certamente, solução desse problema de valor ini- sobre o wronskiano. De outro modo, os exemplos a seguir in-
cial. Por outro lado, como Wü·1> Ji)(t0 ) é diferente de zero, é cluem todos os mencionados na Seção 3.1, assim como muitos
possível (pelo Teorema 3 .2 .3) escolher e, e c 2 tais que y = outros problemas semelhantes.

Exemplo 4
Suponha que y 1(t) = e1' e y 2(t) = e'21 são duas soluções de uma Como a função exponencial nunca se anula e como estamos su-
equação da forma (2). Mostre que elas fonnam um conjunto fun- *
pondo que r2 - r1 O, segue que W é cliferente de zero para todo
damental de soluções se r 1 r 2 • * valor de t. Logo, y 1 e y2 fonnam um conjunto fundamental de
Vamos calcular o wronskiano de y 1 e _Yi: soluções.

W=I

f Exemplo 5
i Mostre que y 1(t) = t 112 e y 2 (t)
• mental de soluções da equação
= t- 1 formam um co~junto funda- Analogamente, y2(t) = -r- 2 ey'2(t) = 2t- 3, logo

2t 2 y" + 3ty' - y =O, t > O. (14)


Vamos mostrar, na Seção 5.5, como resolver a Eq. (14); veja, A seguir. vamos calcular o wronskiano de y 1 e y2 :
também, o Problema 38 na Seção 3.4. No entanto, neste estágio,
t 1/2
podemos verificar por substituição direta que y 1 e y 2 são solu- ' -1 1= _lr3/2 (15)
ções da equação diferencial. Como YÍ {t) = (1/2 )r 112 e y'í (t) = w= ~i-112 -t - 2 2 •
1
(-1/4)r 312, temos

212(-~1-J/2) + 3td1 - 112) - 1112 = (-! + ~ - l)t112 =O.


*
Como W O para t > O, concluímos que y 1 e y2 formam um
conjunto fundamental de soluções.
82 Equações Lineares de Segunda Ordem

Fomos capazes de encontrar, em diversos casos, um conjunto Observe, em primeiro lugar, que a existência das funções y 1 e
fundamental de soluções e, portanto, a solução geral de uma equa- y2 é garantida pelo Teorema 3.2.1. Para mostrar que elas fonnam
ção diferencial dada. No entanto, isso é, muitas vezes, uma tarefa um conjunto fundamental de soluções, precisamos, apenas, cal-
difícil e uma pergunta natural é se uma equação diferencial da for- cular seu wronskiano em t0 :
ma (2) sempre tem um conjunto fundamental de soluções. O teore-
ma a seguir nos dá uma resposta afirmativa a essa pergunta .
~ 1= l.

.:.~frema a.2.s
Gtfü~idere a equação diferencial (2),
Como seu wronskiano não é nulo em to. as funções y 1 e y2 for-
mam, de fato, um conjunto fundamental de soluções, completan-
do, assim, a demonstração do Teorema 3.2.5 .
.]i(l.~[:.t L[y] = y" + p(t)y' + q(t)y =O, Note que a parte que poderia ser mais difícil dessa demons-
tração, mostrar a existência de um par de soluções, é obtida in-
,\.(i i s coeficientes p e q são contínuos em algum intervalo vocando-se o Teorema 3.2. J_Note, também, que o Teorema 3.2.5
J~rto /. Escolha algum ponto t0 em /. Seja Yi a solução da não fala nada sobre como resolver os problemas de valor inicial
:;}~: (2) que satisfaz, também, as condições iniciais especificados, de modo a encontrar as soluções y 1 e y2 indicadas
J·:.:.:
>.·.·-· y (t0 ) =
l, y' (t0 ) = O, no teorema. Não obstante, pode ser confortador saber que sem-
pre existe um conjunto fundamental de soluções.
) e seja y2 a solução da Eq. (2) que satisfaz as condições iniciais
y(t0) =O, y'(t0 ) = 1.
Então y1 eY2 fo~:HW conjunto fundamental de soluções.

Encontre o conjunto fundamental de soluções especificado pelo Analogamente, se y4(t) satisfaz as condições iniciais
Teorema 3 .2.5 para a equação diferencial
y(O) ==O, y'(O) = l, (19)
y'' - y = º· (16)
então
usando o ponto inicial t0 = O.
y4 (t) =~e' - ~e- 1 =senht .
Vimos, na Seção 3.1, que duas soluções da Eq. (l 6) são y 1(t)
= e1 e y2(t) = e 1• O wronskiano dessas soluções é W(y 1, Y2)(t) Como o wronskiano de y 3 e y 4 é
= -2 :f:. O, logo elas formam um conjunto fundamental de solu-
ções. Não são, no entanto, o conjunto fundamental de soluções W(y3 ,y4 )(t) = cosh 2 t -senh2 t = 1,
indicado no Teorema 3.2.5, já que não satisfazem as condições
iniciais mencionadas nesse teorema no ponto t = O. essas funções também formam um conjunto fundamental de so-
Para encontrar o conjunto fundamental de soluções especifi- luções , como enunciado no Teorema 3.2.S . Portanto, a solução
cado no teorema, precisamos achar as soluções que satisfazem geral da Eq. ( 16) pode ser escrita como
as condições iniciais apropriadas. Vamos denotar por y 3(t) aso-
(20)
lução da Eq. (J6) que satisfaz as condições iniciais
assim como na forma (18). Usamos k1 e k2 para as constantes
y(O) = 1, y'(O) =O. (17) arbitrárias na Eq. (20) porque não são as mesmas constantes
c 1 e c 2 da Eq. (18). Um dos objetivos deste exemplo é tornar
A solução geral da Eq. ( 16) é
claro que uma equação diferencial dada tem mais de um con-
(18) junto fundamental de soluções; de fato , tem uma infinidade
deles. Como regra, você deve escolher o conjunto mais con-
e as condições iniciais (J 7) são satisfeitas se c 1 = 1/2 e c 2 = 1/2. veniente.
Assim,

:;·.:-:;:::_;:::;_.:.::..:~

Podemos resumir a discussão desta seção da seguinte manei- mos nos certificar de que existe um ponto no intervalo onde o
ra: para encontrar a solução geral da equação diferencial wronskiano de y 1 e y 2 não se anula. Nessas circunstâncias, y 1 e
y 2 formam um conjunto fundamental de soluções e a solução
y" + p(t)y' + q(t)y =O, a < t < {3, geral é
precisamos, primeiro, encontrar duas soluções y 1 e y 2 que sa-
tisfazem a equação diferencial em a< t < /l Depois, precisa-
Equações Lineares de Segunda Ordem 83

onde c 1 e c2 são constantes arbitrárias. Se as condições iniciais (a) Mostre que y 1(t) = e-' e y2(t) = e21 formam um conjunto
são dadas em um ponto em a. < t < .8 onde W :f:. O, então e 1 e c2 fumdamcntal de soluções.
podem ser escolhidos de modo que as condições iniciais sejam (b) Sejam YJ(l) = -1e2', y 4(t) = y 1(t) + 2:'2(t) e y5(t} = 2y 1(t)
satisfeitas. - 2.YJ(f). y 3(1), y 4{t) e y 5{t) também são soluções da equação
di fcrcncial?
(c) Determine se cada par a seguir forma um conjunto funda-
mental de soluções: [y 1(/), y3(t)]; [y2(r). Y;(r)] ; [y 1(t), yit>I ; fy4(t),
Problemas )'5(1)].
28 . Equações Exata'i. A equação P(x)y" + Q(x)y' + R(x)y = O é
Nos problemas de 1 a 6, encontre o wronskiano do par de funções dila exata se puder ser escrita nll fonna [P(x)y']' + (flx)yl ' =
dado. O, onde f(.x) pode ser determinada em função de P(x), Q(x) e
1. e2' , e-31/2 2. cos t , sen t R(x) . Essa última equação pode ser integrada uma vez imedia-
t e -21 tamente, resultando cm uma equação de primeira ordem para y
3. e -2t ' 4. x, xex
que pode ser resolvida como na Seção 2 .1. Igualando os coefi-
5. 1
e sent , e
1
cos I 6. cos 2 8, 1 + cos W cientes das equações precedentes e eliminandofi.x), mostre que
Nos problemlls de 7 a l 2, determine o ml:lior intervlllo no qual o pro- uma condição necessária para que a equação seja exalll é que
blema de valor inicial dado cenamente tem uma única solução duas P"(x) - Q ' (x) + R(x) =O. Pode-se mostrar que essa condição
vezes diferenciável. .Não tente encontrar a solução. também é suficiente.

7. ty"+3y=t, y(IJ=I.
y'(l)=2 Nos problemas de 29 a 32, use o resultado do Problema 28 para de-
8. (t-l)y''-3ty'+4y=sent , y(-2)=2, y'(-2)=1 terminar se a equação dada é exata. Se for, resolva-a .
9. t(t - 4)v'' + 3ty' + 4y 2, =
y(3) =O, y'(3) = -1
10. y" + (c~st)y' + 3(1n ltl)y =O, y(2) 3, y'(2) = 1 = 29. y" + xy' + y =O
l I. (x - 3)y'' + xy' +(ln lxl)y =O, y(l) 0, y ' (I) 1 = = 30. y" + 3x 2 y' +xy =O
12. (x-2)y" +y'+(x-2)(tgx)y=Ü. y(3)=1, y ' (3)=2 31. xy" - (cosx)y' + (senx)y =O, x >O
32 . x 2 / + xy ' - y = O, x > O
13. Verifiquequey1(t) = t 2 e Yz(I) = , - i são duas soluções da equa- 33. A l!:quação Adjunta. Se uma equação linear homogênea de
ção diferencial P.y' - 2y =
Opara t > O. Depois mostre que segunda ordem não é exata, pode ser tomada exata multiplican-
c1 t2 + c2 t- 1 também é solução dessa eq1rnção quaisquer que do-se por um fator integrante apropriado µ,(x). Precisamos .
sejam c 1 e c2 . então, que µ,(x> seja rnl que µ,(x)P(x)y" + µ,(x)Q(x)y ' +
14. Verifique que y 1(r) = l e y 2(t) = 1112 são soluções da equação =
µ,(x)R(x )y Opode ser escritll nll formll [µ,(x)P(x)y']' + l/(x)yl '
diferencilll yy'' + (y')1 = O para t > O. Depois mostre que e1 + =O. Igualando os coeficientes nessas duas equações e elimi-
c2t 112 não é, cm geral, solução dessa equação. Explique por que nando fix), mostre que ll função µ,precisa satisfaLer
esse resultado nílo contradiL o Teorema 3.2.2.
15. Mostre que. se y = c/>(t) é umll solução da equação diferencial Pµ, 11 + (2P' - Q)µ ' + (P" - Q' + R)/L = 0.
/' + p(t)y' + q(t)y = g(t). onde g(t) não é identicamente nula,
então y = ct/>(t) , onde e é qualquer constante diferente de L não Essll equação é conhecida como a adjunta da equaçào original
é solução. Explique por que esse resultado não contradi" a ob- e é imporcante na teoria avançada de equações diferenciais. Em
servação llpós o Teorema 3 .2 .2. geral, o problema de resolver a equação diferencial adjunta é
16. A função)' = sen(t1) pode ser solução de uma equação da for- tão difícil quanto o de resolver a equação original, de modo que
ma y" + p(t)y' + q(z)y = O, com coeficientes constantes. em só é possível encontrar um fator integrante para uma equação
um intervalo contendo t = O? Explique sua resposta. de segunda ordem ocasionalmente.
17. Se o wronskiano def e g é 3e41, e se fit) - e 21 , encontre g(t).
18. Se o wronskiano de f e g é 12e1. e se fl..z) = t , encontte g(t) . Nos problemas de 34 a 36, use o resultado do Problema 33 para en-
19. Se W(f.g)é o wronskianode/eg, e seu= 2/ - g, v = f+ 2g. contrar a adjunta da equação diforenc illl dada.
encontre o wronskiano W(u , v) deu e vem função de W(f. g). 2
20. Se o wronskiano de f e g é t cos t - sen te se u = f + 3g, v = 34. x 2 y " +xy' + (x - v )y 2
=O , equaçãodeBessel
2
f - g , encontre o wronskiano de u e v. 35 . (l - x )y" - 2xy' + a (a + l)y =O, equação de Legendre
36. :/' - x y = O, equação de Airy
Nos Problemas 21 e 22, encontre o conjunto fundamental de solu-
37. Para a equaçí1o linear de segunda ordem P(x)y11 + Q(x)y' +
ções especificado pelo Teorema 3 .2.5 parn a eq1rnção diferencial e
R(x)y = O, mostre que a adjunta da equação adjunta é a equa-
os pontos iniciais dados.
ção original.
21. y'' + y' - 2y =O, z0 =O 38. Uma equação linear de segunda ordem P(x)y" + Q(x )y' + R(x)y
22. y" + 4y' +3y =O, 'o= 1 =O é dita auto-adjunta se sua adjunta é igual à equação origi-
nlll. Mostre que umll condição necessária para essa equação ser
Nos problemlls de 23 a 26, verifique que as soluções y 1 e y 2 são so- auto-adjunta é que P ' (x) =
Q(x). Determine se cada uma das
luções da equação diferencial dada. Elas constituem um conjunto equações nos problemas de 34 a 36 é auto-adjunta.
fundamental de soluções?

23 . y"+4y=0; y 1 (t)=cos2t. y2 (t) =scn2t


24. y"-2y'+y=0; y1 (t)=e 1 , h(I) = te 1 3.3 Independência Linear e o
25. x y" - x(x + 2)y' + (x + 2)y =O , X> O;
2
Wronskiano
y1(x)=x, y2 (x)=xe.r
26. (1-xcotx)y'' - xy'+y=O, O<x<rr; Nei;ta seção vamos relacionar as idéias de uma solução geral e
y 1 (x) = x, y 2(XJ = senx um conjunto fundamental de soluções de uma equação diferen-
cial linear ao conceito de independência linear, que é central ao
27 . Considere a equação r·• - y' - 2y = O. estudo de álgebra linear. Essa relação entre equações diferenciais
e álgebra linear é mais significativa para equações de ordem Duas funções f e g são ditas linearmente dependentes em
maior e para sistemas de equações, mas a explicaremos aqui um intervalo! se existem duas constantes k 1 e k2 , com uma delas
primeiro em um contexto mais simples. Os resultados apresen- diferente de zero, tais que
tados aqui irão reaparecer em formas mais gerais nas Seções
4.1 e 7.4. (2)
Vamos lembrar a seguinte propriedade hásica de sistemas para todo t em !. As funções .f e R são ditas linearmente inde-
de equações algébricas lineares. Considere o sistema dois por pendentes em um intervalo I se não forem linearmente depen-
dois dentes nesse intervalo, isto é, a Eq. (2) só é válida para todo tem
I se k 1 = k2 = O. Estenderemos essas definições, na Seção 4.1,
ª1 1X1 + ª12X2 = O,
para um número arbitrário de funções. Embora possa ser difícil
( 1)
ª21X 1 + ª22X2 = O, determinar se um conjunto grande de funções é linearmente in-
dependente ou linearmente dependente, é fácil responder essa
e seja à = a 11 a2 2 - a 12a 21 o determinante da matriz dos coefici- pergunta, em geral, para um conjunto com apenas duas funções:
entes. Então x 1 = O, x2 ""' Oé a única solução do sistema ( J) se, ele é linearmente dependente se as funções forem proporcionais
e somente se, .:l 4'- O. Além disso, o sistema (J) tem soluções não- e lineannenle independente caso contrário. Os exemplos a seguir
nulas se, e somente se, ~ = O. ilustram essas definições.

·· Exemplo 1
•·•. Determine se as furn;ões sen t e cos(t - 'TTl2) são linearmente k sen t
1
+ k2 cos(t - rr /2) = O
independentes ou linearmente dependentes em um intervalo ar-
bitrário. para todo t se escolhermos kJ = 1 e k2 =- 1.
As funções dadas são lineannente dependentes em qualquer
intervalo. já que

Mostre que as funções e1 e e21são linearmente independentes em k1 ero + k2e2'o =O,


qualquer intervalo. (4)
Para estabelecer esse resultado, vamos supor que k1 e11 + k2e21, = O.
O determinante da matriz dos coeficientes é
(3)
e 1oe 211 - e 21oe 11 = e 10e 1• (e 11 - e 10) .
para todo t no intervalo; precisamos mostrar, então, que k 1 = k2 Como esse determinante é diferente de zero, segue que a única
= O. Escolha dois pomos t0 e t 1 no intervalo, onde t0 t 1. Colo- * solução da Eq. (4) é k 1 = k2 "" O. Logo. e1 e e21 são linearmente
cando esses valores na Eq. (3), obtemos independentes.
'•·.·.·-··.··.·-:-·::

O teorema a seguir relaciona independência e dependência O determinante da matriz dos coeficientes do sistema (5) é pre-
linear ao wronskiano. cisamente W(f, g)(t0) , que é diferente de zero por hipótese. Por-
tanto, a única solução das Eqs. (5) é k 1 = k2 =O, de modo que/
·.. \.'."'.;:;:~)>;::~:;::::::··· .;.•. ·'·· . . . . e R são linearmente independentes.
Teorema 3.3.1 :·:J.1:_::.;:! .'.f:i·! ·~!: . ~::_.;j'::)\ · A segunda parte do Teorema 3.3. l segue imediatamente da
primeira. De fato, suponha que/ e g são linearmente dependen-
~: '(f,;:c~o~;çg~~d!{;~~c!!:~~t~~m~lll.i~lte~ tes e suponha que a conclusão é falsa - isto é, W(f, g) não é iden-
ticamente nulo em I. Então, existe um ponto t0 tal que W(f, R)(t0)
armente independentes em I. Além dissú~ :~f~\ii~~Çiµnear­ *O; pela primeira parte do Teorema 3.3 . I, isso implica que/ eg
rnente dependentes em l, então W(f,g) (t) 6.p·ei~fa::~Ç,qô l:etn l. são líneannente independentes, uma contradição, o que comple-
ta a demonstração.
Para provar a primeira parte do T eorerna 3. 3 .l , considere uma Podemos aplicar esse resultado às duas funções.f{t) = e1 e R(t)
combinação linear kt.f(t) + kú{(t) e suponha que essa expressão = e 21 discutidas no Exemplo 2. Para qualquer pomo t0 , temos
é igual a zero cm todo o intervalo. Calculando a expressão e sua
derivada em t0, temos (6)
k 1f (t0 ) + k2 g(t0 ) =O,
(5) portanto, as funções e1 e e21 são linearmente independentes em
k 1f' (t0 ) + k2 g' (t0 ) = O. qualquer intervalo l.
Equações Lineares de Segu11da Ordem 85

Você deve tomar cuidado para não ler mais do que o Teore- Multiplicando a primeira equação por -y2, multiplicando a se-
ma 3.3.l diz. Em particular, duas funçõesf eg podem ser linear- gunda por y 1 e somando as equações resultantes, obtemos
mente independentes mesmo quando W(f, R)(t) = Opara todo t
em/. Isso está ilustrado no Problema 28.
V amos agora examinar outras propriedades do wronskiano de
duas soluções de uma equação diferencial linear homogênea de A seguir, seja W(t) = W(yi. y2)(t) e note que
segunda ordem. O teorema a seguir, talvez de maneira surpreen-
dente, fornece uma fórmula explícita simples para o wronskiano
( 1 1)
de duas soluções quaisquer de tais equações, mesmo que as so-
luções não sejam conhecidas.
Então, podemos escrever a Eq. ( 10) na forma
.. :.::::::::·

teorema 3.3.2 W' + p(t)W =O. ( 12)

tT~i-ema de Abel) 4 Se y 1 e y 2 são duas soluções da equação A Eq. (12) pode ser resolvida imediatamente, já que é tanto uma
-- difetencial equação linear de primeira ordem (Seção 2.1) quanto uma equa-
ção separável (Seção 2.2). Logo,
·.·.·-:-·····
L[y] = y + p(t)y' +q(t)y ==O,
11
(7)
'';.::;:;::;.:.
. qq~-p e q são funções contínuas cm um intervalo aberto/,
_é~ o wronskiano W(y 1, y2 )(t) é dado por W(t) = cexp [- j p(t) dt]. ( 13)

-=···:.•••'•
·-·-·-:···:.-:. W(yl'y 2)(t) == cexp [- J p(t) dt J, (8) onde e é uma constante. O valor de e depende do par de soluções
da Eq. (7) envolvido. No entanto, como a função exponencial
~~e é uma constante determinada que depende de y 1 e Y2, nunca se anula, W(t) não é zero, ameno<> que e= Oe, ne<>se caso,
AfM:t:ião de t. Além disso, W(y 1, y2)(t) ou é zero para todo t W(t) é zero para todo t, o que completa a demonstração do Teo-
éfü':t( se e = 0) ou nunca se anula em I (se e =F 0) . rema 3.3.2.
. >.<.:;::::_:.
Note que o wronskiano de dois conjuntos fundamentais de
soluções da mesma equação diferencial pode diferir apenas por
Para provar o teorema de Abel, começamos observando que uma constante multiplicativa e que o wronskiano de qualquer
Y1 e Y2 satisfazem conjunto fundamental de soluções pode ser determinado, a me-
nos de uma constante multiplicativa, sem resolver a equação
y;' + p(t)y; + q(t)y 1 =O, díferencial.
(9)
y; + p(t)y~ +q(t)y2 =o.

Exemplo 3
No Exemplo 5 da Seção 3.2, verificamos que y 1(t) = t 112 e y2(t) de modo que p(t) = 3!2t. Portanto,
= 1- 1 são soluções da equação
~ li
2ry + 3ty ' - y = o, t > o. ( 14) W(_v 1,y2 )(t)=cexp[-/ ;
1
dt]=cexp(-~lnt)
Verifique que o wronsk.iano de y 1 e y2 é dado pela Eq. ( l 3). =cr - 312. (15)
Do exemplo mencionado, sabemos que W(v 1• y 2)(t) = -(3/
2)r 312 . Para usar a Eq. ( 13), precisamos escrever a equação di- A Eq. ( 15) nos dá o wronsk.iano de qualquer par de soluções da
ferencial (14) na forma padrão, com o coeficiente de y" igual a Eq. ( 14). Para as soluções particulares dadas neste exemplo, pre-
1. Obtemos, então, cisamos escolher e = - 3/2.
li 3 I 1
y + - y - - v2= O
2t 2t • ,

"O result:tdo no Teorema 3.3.2 foi obtido pelo matem:ítko nonoegués Niels Hcnrik Abel ( !80.'!· 1829) cm J 827 e é conhecido como fórmula de Abel. Abel mostrou, também, que nãl) existe
Fórmula geral para"'-' º'""' uma e4uação polino1nial de quimo grau em renno; de operaç&• algébrica' explicita' ., obre os roefideot"'. resolvendo. ""im , uma pergunta em aberto desde
o sé<'ulo XVI. Suas maiorc' conlribuiçõcs. no entanto. foram cm análise. particulannellle no e•tudo de funções elípticas. lnfeJim1ente, -.u trabalho pennancceu pouco conhecido até após
sua mone. O importante matemático kancês Legendre disse que""" concribuição era "um monumento mai1 duradouro do que bronze" .
l1ó Equ~ões Lineares ele !:.eguncta Urdl.'»1

Uma versão mais forte do Teorema 3.3. l pode ser estabeleci- quando k1 = k2 = O, os vetores i e j são linearmente independen-
da se as duas funções envolvidas forem soluções de uma equa- tes . Além disso, sabemos que qualquer vetor a, com componentes
ção diferencial linear homogênea de segunda ordem. a 1 e a 2, pode ser escrito como a ;;. a 1i + a:J, isto é, como combi-
nação linear dos dois vetores linearmente independentes i e j. Não
é difícil mostrar que qualquer vetor de dimensão dois pode ser
\ Teorema 3.3.3 expresso como combinação linear de dois vetores quaisquer de
dimensão dois linearmente independentes (veja o Problema 14).
S~ja y 1 e y 2 soluções da Eq. (7), Esse par de vetores linearmente independentes forma uma base
para o espaço vetorial dos vetores de dimensão dois .
L[y] = y
11
+ p(t)y' + q(t)y =O, A expressão espaço vetorial também é aplicada a outras co-
leções de objetos matemáticos que obedecem às mesmas leis de
onde p e q são contínuas em um intervalo aberto / . Então y 1 e y2 soma e multiplicação por escalar que os vetores geométricos . Por
são 11nearmente dependentes em l se, e somente se, W(y 1, y2)(t) é exemplo, pode-se mostrar que o conjunto de funções duas vezes
zero para todo tem/. De outro modo, y1 e Y2 são linearmente inde- diferenciável em um intervalo 1 forma um espaço vetorial. Ana-
pendentes em/ se, e somente se, W(yt• y2,)(t) nunca se anula em/. logamente, o conjunto de funções V satisfazendo a Eq. (7) tam-
bém forma um espaço vetorial.
Como todos os elementos de V podem ser expressos como uma
É claro que já sabemos, pelo Teorema 3.3 .2, que W(y 1, y 2)(1)
combinação linear de dois elementos linearmente independen-
ou é identicamente nulo ou nunca se anula em !. Ao provar o
tes y 1 e y 2 , dizemos que esse par forma uma base pam V. Isso
Teorema 3.3.3, observe, em primeiro lugar, que, se Yt e }'2 são
nos leva à conclusão de que V tem dimensão dois; portanto, é
linearmente dependentes , então W(yi, y 2)(t) é zero para todo tem
análogo, em muitos aspectos , ao espaço de vetores geométricos
J pelo Teorema 3.3. l. Falta provar a recíproca, isto é, se W(y.,
em um plano. Veremos, mais tarde, que o conjunto de soluções
y 2 )(t) é zero para todo tem/, então y 1 e y2 são linearmente inde-
de uma equação diferencial linear homogênea de ordem n forma
pendentes. Seja t 0 qualquer ponto em/; emão, por hipótese, W(y 1,
um espaço vetorial de dimensão n e que qualquer conjunto de n
}2)(10) = O. Em conseqüência, o sistema de equações
soluções linearmente independentes da equação diferencial for-
ma uma base para o espaço. Essa conexão entre equações dife-
C1Y1 (to)+ C2Y2(to) == 0,
( 16) renciais e vetores constitui uma boa razão para se estudar álge-
c 1y;(t0) + c 2y;(t0) =O bra linear abstrata.

parac 1 e c2 tem uma solução não-trivial . Usando esses valores para


=
c 1 e c 2, seja </J(t) c 1y 1(t) + c 2 v2(t). Então <!Jé uma solução da Eq.
(7) e, pelas Eqs. ( 16), </>também satisfaz as condições iniciais Problemas
Nos problemas de 1 a 8, detenninc se o par de funções dadas é line-
( 17) annente independente ou lineam1ente dependente.
Portanto, pela parte referente à unicidade no Teorema 3.2. l. ou l. f (t) = 2
t + 5t, 2
g(t) = t - 5t
pelo Exemplo 2 da Seção 3.2, ef:i(t) = O para todo tem/, Como 2. f(8 ) =cosW-2cos 2 8, g(tl) =cos2tl+2sen2 8
</>(t) = c1y 1(t) + c 2v2(t), com uma das constantes e 1 e c 2 não-nula, 1
3. f(t) = e À cosµt , g(t) = e'-1senµ.t, µ. =I= O
isso significa que y 1 e y 2 são linearmente dependentes. A outra =
4. f (x) e3x, g(x) = e3ü-ll
afirmação do teorema segue imediatamente. =
5. f (t) 3t - 5, g(I) .:= 9t - 15
Podemos resumir, agora, os fatos sobre conjuntos fundamen- 6. f (t) == t, g(t) = ,-i
tais de soluções, wronskianos e independência linear da seguin- 7. f (r) = 3t, g(t) =\ti
te maneira. Sejam y 1 e y 2 soluções da Eq. (7), 8. f (x) = x ,
3
g(x) =\x1
3

y" + p(t)y' + q(t)y =O, 9. O wronskiano de duas funções é W(t) "'" t sen 2 t. As funções
são linearmente independentes ou linearmente dependentes? Por
onde p e q são contínuas em um intervalo aberto I. Então, as qua- quê?
tro afirmaçf-ies a seguir são equivalentes, no sentido que cada uma 10. O wronskiano de dua~ funções é W(t) = t 2 - 4. As funções são
delas implica as outras três : linearmente independentes ou linearmente dependentes? Por
quê?
1. As funções Yt e y2 formam um conjunto fundamental de so- 11 . Se as funções y 1 e y 2 são soluções linearmente independentes
luções em/. de y'' + p(t)y' + q(t)y -= O, prove que c 1y 1 e C2)12 são, Utmbém,
2. As funções y 1 e y2 são linearmente independentes. soluções lineannentc independentes, desde que nem c 1 nem c2
3. W(y 1• Y2)Cto) * O para algum to em/.
4. W()·1, y 2 )(t) =t- O para todo t em 1.
sejam nulos.
12. Se as funções y 1 e y1 5.ão soluções linearmente independentes
de y" + p(t)y' + q(t)y =O, prove que )'3 = y 1 + Y2 e )'4 = Y1 -
y 2 também fom1am um conjunto linearmente independente de
É interessante observar a semelhança entre equações diferen-
soluções. Reciprocamente , se y3 e y4 são soluções linearmente
ciais lineares homogêneas de segunda ordem e álgebra vetorial
independentes da equação diferencial, mostre que y1 e y2 tam-
bidimensional . Dois vetores a e b são ditos linearmente dependen- bém o são.
tes se existem escalares k 1 e k 2, um deles não-nulo, tais que k 1a + 13. Se y 1 e y2 são soluções linearmente independentes dey" + p(t)y'
k2 b =O; caso contrário, eles são ditos linearmente independentes. + q( t)y = O, determine sob que condições as funções y 3 = a 1y 1
Sejam i e j os vetores unitários com direções e sentidos dos eixos vy
+ a2)12 e Y4 : 1 1 + Ú2)'2 formam,' também, um conjunto line-
positivos de x e y, respectivamente. Como k 1i + k:J == O apenas armente independente de soluções .
Equações Lineares de Segunda Ordem 87

14. (a) Prove que qualquer vetor de dimensão dois pode ser escrito onde a. b e e são números reais dados. Vimos, na Seção 3.1, que,
como urna combinação linear de i + j e i - j. se procurarmos soluções da forma y = e'1, então r tem que ser
(b) Prove que, se os vetores x == x 1i + xl.i e y = y 1i + yzi são raiz da equação característica
lincanncntc independentes, então qualquer vetor z = z1i + zzj
pode ser escrito como urna combinação linear de x e y. Note
que, se x e y são linearmente independentes, então x 1y2 - X!)' 1
ar
2
+ br + e = O. (2)
=t- O. Porquê? Se as raízes r 1 e r2 são reais e distintas, o que ocorre sempre que
o discriminante b2 - 4ac for positivo, então a solução geral da
Nos problema~ de 15 a 1R, encontre o wronskiano de duas soluções Eq. (1) é
da equação diferencial dada sem resolver a equação.
(3)
15. t~y" - l(l + 2)y' + (l + 2)y =o
16. (cost)y" + (sent)y' - ty =O
Suponha, agora, que b2 - 4ac é negativo. Então, as raízes da
17. x 2 y " +xy' + (x 2 - 1/ )y =Ü, cquar,:ãodcBcsscl Eq. (2) são números complexos conjugados; vamos denotá-los
18. (1 - x 2 )y" - 2xy' +a(a + l)_v =Ü, equaçãodeLcgendre por
19. Mostre que se pé diferenciável e p(t) > O, então o wronskiano
W(t) de duas soluções de [p(t)y']' + q(t)y = O é W(t) = clp(t), r2 =;i..-iµ. , (4)
onde e é uma constante.
·20. Se y 1 e y2 são duas soluções linearmente independentes de ty" onde A e µ,são reais. As expressões correspondentes para y
+ 2y' + te'y = Oe se W(yhy 2)(J ) = 2, encontre o valor de W()•., são
Yz)(5).
21 . Se y 1 e y 2 são duas soluções linearmente independentes de t 2y" Y1(t) = exp[(À+ iµ.)t], y 2 (t) == exp[(À - iµ.)t]. (5)
- 2y' + (3 + t)y = O e se W(v 1, y2)(2) = 3, encontre o valor de
W(Yi. Yz)(4). Nossa primeira tarefa é explorar o significado dessas expressões,
22. Se o wronskiano de duas soluções quaísquer de y" + p(t)y' + o que envolve o cálculo de uma função exponencial com expo-
q( t)y = O é constante, o que isso í mplica sobre os coeficientes ente complexo. Por exemplo, se A = - J, µ, = 2 e t = 3, então,
pc q? da Eq. (5),
23. Se f, g eh são funções diferenciáveis, mostre que W(jg, fh) =
f 2 W(g, h). Y1 (3) = e - 3+6i. (6)
Nos problemas de 24 a 26, suponha quepe q são contínuas e que as O que significa elevar o número e a uma potência complexa? A
funções y 1 e y 2 são soluções da equação diferencial y" + p(t)y' + resposta é dada por uma relação importante conhecida como
q(t)y = O cm um intervalo aberto l .
fórmula de Euler.
24. Prove que, se y 1 e Yz se anulam no mesmo ponto cm/, então
não podem formar um conjunto fundamental de soluções nes- Fórmula de Euler. Para atribuir significado às expressões nas
se intervalo. Eqs . (5), precisamos definir a função exponencial complexa. É
25. Prove que, se y 1 e y 2 atingem máximo ou mínimo em um mes- claro que queremos que a definição se reduza à função exponen-
mo ponto cm l, então não podem formar um conjunto funda- cial real habitual quando o expoente for real. Existem várias
mental de soluções nesse intervalo. maneiras de se obter essa extensão da função exponencial. Va-
26. Prove que, se y 1 e y 2 têm um ponto de inflexão comum to em/, mos usar aqui um método baseado em séries infinitas; um méto-
então não podem formar um conjunto fundamental de soluções do alternativo é esquematizado no Problema 28.
nesse íntervalo.
Lembre-se do cálculo que a série de Taylor para e1 em tomo
27. Mostre que te t2 são linearmente independentes cm - J < f <
1; de fato, são linearmente independentes em qualquer interva-
det=Oé
lo. Mostte, também, que W(t, P) é zero em t = O. O que você oo n
1
pode concluir sobre a possibilidade de te t2 serem soluções de
uma equação diferencial da forma y" + p(t)y' + q(t)y = O? e'=:L-.
n! n=O
-oo < l < 00. (7)
Verifique que te t 2 são soluções da equação t2y'' - 2ty' + 2y "'
O. Isso contradiz sua conclusão? O comportamcnLO do Se supusermos que podemos substituir t por it na Eq. (7), tere-
wronskiano de te t 2 contradiz o Teorema 3.3.2?
mos
28. Mostre que as funções j(t) = t 21tl e g(t) = t3 são linearmente
dependentes em O < t < J e em -1 < t < O. mas são linear-
mente independentes em -1 < t < l . Emborafc g sejam line- e. ,= 2::-z_r_
oo ( ' )n
armente independentes nesse intervalo, mostre que W(f, g) é zero _,., n!
n=v
para todo tem - 1 < r < 1. Logo,f e g não podem ser soluções
de uma equação do tipo y'' + p(t)y' + q(t)y = O com p e q con- oo (-l)nt2n . oo ( - l /- lt2n-l
tínuas em -1 < t < 1. =L
n=O
(2n)! L
+ t n;I (2n - 1)!
(8)

onde separamos a soma em suas partes real e imaginária, usan-


3.4 Raízes Complexas da Equação do o fato de que i2 = - J, i 3 = - i, i4 = i e assim por diante . A
Característica primeira série na Eq. (8) é precisamente a série de Taylor para
cos tem tomo de t = O, e a segunda é a série de Taylor para sen
Vamos continuar nossa discussão da equação tem t = O. Temos, então,

ay" + by' + cy = O, ( 1) ei1 = cost + i sent . (9)


88 Equnções Lineares de Segunda Ordem

A Eq. (9) é conhecida como fórmula de Euler e é uma relação é válida para valores complexos de r.
matemática extremamente importante. Embora nossa dedução da
Eq . (9) esteja baseada na hipótese não verificada de que a série Soluções Reais. As funções y 1(t) e y 2(t), dadas pelas Eqs . (5)
(7) pode serusada para números complexos da mesma forma que e como o significado expresso pela Eq. (l 3), são soluções da
para números reais da variável independente, nossa intenção é Eq. ( 1) quando as raízes da equação característica (2) são nú-
usar essa dedução apenas para tornar a Eq. (9) mais plausível. meros complexos ,\ ± iµ.. infelizmente, as soluções y 1 e Y2
Vamos colocar as coisas em uma fundação sólida agora adotan- são funções que têm valores complexos , ao passo que, em
do a Eq. (9) como definição de ei1• Em outras palavras, sempre geral , preferiríamos ter soluções reais, se possível, já que a
que escrevermos é', queremos dizer a expressão à direita do si- própria equação diferencial só tem coeficientes reais. Tais
nal de igualdade na Eq. (9). soluções podem ser encontradas como conseqüência do Te-
Existem alguns variantes da fórmula de Euler que vale a pena orema 3.2.2, que diz que, se y 1 e y 2 são soluções da Eq. (l ) ,
notar. Substituindotpor - tua Eq. (9) e lembrando que cos (- t)=: então qualquer combinação linear de y 1 e Y'.! também é solu-
cos te sen( - t) = -sen t, temos ção. Em particular, vamos formar a soma e a diferença de y 1
e Y2- Temos
e-it =cosi - isent . (10)
Além disso, se t for substiluído por µt na Eq. (9), então obtemos Yt (/) + y2 (t) = e,;.. 1 (cos µt + i senµt)
uma versão generalizada da fórmula de Euler, a saber, + e,;.. (cosµ.t
1
- iscnµt)
e;µi = cos µ.t + i sen µ.t . (li)
:=: 2eÁI COS µf

A seguir, queremos estender a definição de exponencial complexa e


para expoentes complexos arbitrários da forma(,\+ iµ.)t. Como
y 1(t)-y2 (t) = e>-1 (cos µ.t + isenµ.t)- eÀI (cosµt-ísenµt)
queremos que as propriedades usuais da função exponencial
continuem válidas para expoentes complexos, queremos. certa- = 2ieÀ 1 senµ.t .
mente , que expf(,\ + iµ.)tl satisfaça
Logo, desprezando os fatores constantes 2 e 2i, respectivamen-
(12) te, obtivemos um par de soluções reais,
Usando, então, a Eq. (11), obtemos u(t) = eM cosµt . u(t) = é' sen µ.t . (15)

e<>-+iµ)i = e).' (cos µt + i sen µt) Note que u e v são, simplesmente, as partes real e imaginária,
= eM cos µ.t + ie'·1 sen µ.t . ( 13) respectivamente, de y 1•
Por um cálculo direto, você pode mostrar que o wronskiano
Tomamos agora a Eq. (13) como a definição de exp[(,\ + iµ.)tJ . deu e vé
O valor da função exponencial com coeficiente complexo é um
número complexo cujas partes real e imaginária são dadas pelas W(u , v)(r) = 1u 2 Àt. (16)
expressões à direita do sinal de igualdade na Eq. (13). Note que
as partes real e imaginária de exp[(A + iµ.)t Jsão escritas inteira- Portanto , desde que µ. *
O, o wronskiano W não é nulo , de
modo que u e v formam um conjunto fundamental de solu-
mente em termos de funções elementares reais. Por exemplo, a
quantidade na Eq . (6) tem o valor ções. (E claro que , se µ. = O, então as raízes são reais e dis-
tintas e a discussão nesta seção não se aplica.) Em conse-
e- 3+tii = e- 3 cos6 + ie- 3 sen6;:;:: 0,0478041 -0,0139113i. qüência, se as raízes da equação característica são números
<.:omplexos ,\ ± iµ., comµ =t- O, então a solução geral da Eq.
Com as definições (9) e (13), é fácil mostrar que as regras (1) é
usuais de exponenciação são válidas para a função exponencial
complexa. Também é fácil verificar que a fónnnla de diferenci- y = e 1e Àf cos µ.t + c2e À/ sen µ.t, (17)
ação
onde c 1 e c 2 são constantes arbitrárias . Note que a solução
(14) ( 17) pode ser escrita tão logo sejam conhecidos os valores
de,\ eµ .

Exemplo 1
Encontre a solução geral de - 1 ± (1 - 4) 1/ 2 1 . ./3
r= - - - - - - = - - ± l -
y" + y' + y =o. (18) 2 2 2

A equação característica é Logo, A = -1/2 eµ. = f 3!2, de modo que a solução geral da
Eq. (18)é ~
r2 + r + 1 =O,
e suas raízes são
Equações Lineares de Segunda Ordem 89

Exemplo 2
Encontre a solução geral de (21)
y" + 9y =0. (20) note que, se a parte real das raízes é zero, como neste exemplo,
então a solução não tem fator exponencial.
A equação carac1eríslica é t2 + 9 "" O, com raízes r = ± 3i:
logo A = O eµ = 3. A solução geral é

Exemplo 3
-; Encontre a solução do problema de valor inicial y(O) = c1 = -2.

16y" - 8y' + 145y = O, y(O) = -2. y' (O) = I. (22) Para a segunda condição inicial, precisamos derivar a Eq. (23) e
=
depois fazer t O. Desse modo , encontramos
- A equação caracterfstica é 16t2 - 8r + 145 =O e suas raízes
são r = 114 ± 3i. Portanto, a solução geral da equação diferen- y'(O) = ~c 1 +3c2 = 1,
cial é donde c2 = 1/2. Usando os valores encontrados de c1 e c2 na Eq.
(23), obtemos

y = -2e 114 cos3t+ !e 1' 4 sen3t (24)


Para usar a primeira condição inicial, fazemos t =O na Eq. (23);
isso nos dá como solução do problema de valor inicial (22).

Vamos discutir as propriedades de soluções como essas de y


maneira mais completa na Seção 3.8, de modo que seremos bas-
tante breves aqui. Cada uma das soluções u e v nas Eqs. (15) 10 y = -2é14 cos 3t + .!em sen3t
2
representam uma oscilação, devido aos fatores trigonomélricos
e. também, ou crescem ou decaem exponencialmente, depen-
dendo do sinal de A (a menos que A = O). No Exemplo 1, te- 5
mos A = - 1/2 < O, de modo que as soluções são oscilações
que diminuem_ O gráfico de uma solução típica da Eq. ( 18) está
ilustrado na Fig. 3.4.1. Por outro lado, A = 1/4 > O no Exem-
plo 3, de modo que as soluções da Eq. (22) são oscilações que 6 8 t
aumentam . O gráfico da solução (24) do problema de valor
inicial dado está ilustrado na Fig. 3.4.2. O caso intermediário é -5
ilustrado pelo Exemplo 2 no qual A = O. Nesse caso, a solução
nem aumenta nem diminui exponencialmente, mas em vez dis-
so, oscila todo o tempo; uma solução típica da Eq. (20) apare-
-10
ce na Fig. 3.4.3.

FIG. 3.4.2 Solução de 16y" - 8y' + 145 y = O, y(O) = - 2, y '(O) = 1.

8 t ~1

l<' IG. 3.4.l Uma solução típica de y' + y' + y = O. FIG. 3.4.3 Uma sol~âo típica dey" + 9y"' O.
90 Equações Lineares de Segunda Ordem

Problemas (c) Faça t"" Ona Eq. (i) para mostrar que c 1 = 1.
(d) Supondo que a Eq. (14) é válida, derive a Eq. (i) e depois
Nos problemas de 1 a 6, use a fórmula de Euler para escrever a ex- faça t = Opara mostrar que c2 == i. Use os valores de c 1 e c2 na
pressão dada na forma a + ib. Eq. (i) para chegar à fórmula de Euler.
29. Usando a fórmula de Euler. mostre que
1. exp(l + 2i) 2. exp(2 - 3i)
3. ei" 4 . e2-(1?/2}i
5. 21 - i 6. ;r - 1+2i
Nos problemas de 7 a 16, encontre a solução geral da equação dife- 30. Se e" é dado pela Eq. ( 13), mostre que e1'• • '2 •' =e'•' e'2'
rencial dada. quaisquer que sejam os números complexos r 1 e r2.
31 . Se e'1 é dado pela Eq. ( 13 ), mostre que
7. y - 2y' + 2y =o
11
8. y'' - 2y' + 6y =o
9. y 11 + 2y' - 8y =o 10. y'' + 2y' + 2y = o d
1L y" + 6y' + 13y =O 12. 4y" + 9y =o - é1 =rerr
n y" + 2y' + 1,2sy
15. y" + y' + l ,25y =o
=º 14. 9y" +9y' - 4y
16. y" +4y' + 6,25y =o
=º dt
para qualquer número complexo r.
32. Suponha que as funçõe~ reais p e q são contínuas em um inter-
Nos problemas de 17 a 22, encontre a solução do problema de valor
inicial dado. Esboce o gráfico da solução e descreva seu comporta-
valo aberto I e seja y = <fi(t) "" u(t) + iv(t) uma solução com-
plexa de
mento para valores cada vez maiores der.
17. y'' + 4y =O. y(O) =O, y'(O) = 1 y" + p(t)y' + q(t)y ==O, (i)
18. y" +4y' +5y =O, y(O) = J, y'(O) =O
19. y"-2y'+5y=O, y(rr/2)=0, y' (rr/2)=2 onde u e v são funções reais. Mostre que u e v são, também,
20. y" + y =O, y(rr/3) = 2, y'(rr/3) = - 4 soluções da Eq. (i). Sugestão: Substituay por c/>(t) na Eq. (i) e
21. y" + y' + l,25y ==O, y(O) = 3, y'(O) = 1 separe em partes real e imaginária.
22. y"+2y'+2Y=0, y(rr/4)=2. y'(n/4)=-2 33. Se as funções y 1 e y2 são soluções linearmente independentes
de j' + p(t)y' + q(t)y ""O, mostre que entre dois zeros conse-
~2 23. Considere o problema de valor inicial cutivos de y 1 existe um, e apenas um, zero de y 2. Note que esse
comportamento é ilustrado pelas soluções y 1 "" cos te y 2 = sen
3u'' - u' + 2u == O, u(O) = 2, u' (0) = O.
t da equação y' + y = O.
(a) Encontre a solução u(t) desse problema. Sugestão: Suponha que t 1 e t2 são dois zeros de y 1 entre os quais
lb) Encontre o primeiro instante no qual ju(t)f "" 10. não há zeros e y 2• Aplique o teorema de Rolle a /;~
#2, 24. Considere o problema de valor inicial
gar a uma contradição.
para che-

5u" +2u' + 7u =0, u(O) = 2, u ' (O) = 1.


Mudança de Variáveis. Muitas vezes, uma equação diferencial com
(a) Encontre a solução u(t) desse problema. coeficientes variáveis,
(b) Encontre o menor Tpara o qual lu<t)I
~O, 1 para todo t > 1'.
~?,, 25. Considere o problema de valor inicial y'' + p(t)y' + q(t)y =O, (i)

i' + 2y' + 6_y = O, y(O) = 2, y'(O) =a ::;: O. pode ser colocada de uma maneira mais adequada para resolvê-la
através de uma mudança das variáveis independente e/ou depen-
(a) Encontre a solução y(t) desse problema. dente. Vamos explorar essas idéias nos problemas de 34 a 42. Em
(b) Encontre a tal que y = Oquando t = J. particular, no Problema 34 determinamos condições sob as quais
(c) Encontre o menor valor positivo de t, em função de a. para a Eq. (i) pode ser transformada em uma equação diferencial com
o qualy =O. coeficientes constantes, tomando-se, assim, facilmente solúvel. Os
(ti) Detennine o limite da expressão encontrada no item (e)
problemas de 35 a 42 fornecem aplicações específicas desse pro-
") quando a~ ""'· cedimento.
# e- 26. Considere o problema de valor inicial

= 1, 34. Neste problema vamos determinar condições sobre p e q que


y" + 2ay' + (a 2 + l)y =O, y(O) y'(O)::::: O.
permitam que a Eq. (i) seja transfonnada em uma equação di-
(a) Encontre a solução y(t) desse problema. ferencial com coeficientes constantes através de uma mudan-
(b) Para a = 1, encontre o menor Tpara o qual lv(t)! < 0.1 para ça da variável independente. Sejax ,_ u(t) a nova variável in-
t > T. dependente, com a relação entre ..t e t a ser especificada mais
(c) Repita o item (b) para a= 114, 112 e 2. tarde .
(d) Usando os resultados dos itens (b) e (c ), coloque em um gráfico (a) Mostre que
os valores de Tem função de a e descreva a relação entre Te a.
27. Moslre que W(eM cos µJ, e)J sen µJ) = µ.e2At.
28. Neste problema, esquematizamos um modo diferente de obter
a fórmula de Euler.
(a) Mostre que y 1(t) = c:os te y 2(t) = sen t formam um conjun- (b) Mostre que a equação diferencial (i) toma-se
to fundamental de soluções de y'' + y == O; isto é, mostre que
são soluções e que seu wronskiano não se anula.
(b) Mostre (formalmente) que y == eil também é solução de y"
+ y = O. Portanto, (dx)
-
2 2
d y
-+2
(d- +x2 p ( t )dx)
2
-
dy
-+q(t)y=O. (ii)
dt dx dt dt dx
eí' == e 1 cos t + (,·2 seu! (i)
(c) Para que a Eq. (ii) tenha coeficientes constantes, é precise
para constantes c 1 e c2 apropriadas. Por que isso é válido? que os coeficientes de tfayl!V. 2 e de y sejam proporcionais. S1
Equnções Linrnres de Segunda Ordem 91

q(r)> O. então podemos escolher a constante de proporciona- Nos problemas de 39 a 42 , use o resultado do Problema 38 para re-
lidade como sendo 1; logo, solver a equação dada para 1 > O.
39. t 2 y" +ty' + y =0 40. t 2 y" + 4ty' + 2y =o
12
u(t) = J[q(t)j 1 dt . (iii) 4J. t 2 y" +3ty'+l ,25y=0 42. t 2 y - 4t / - 6y =o
11
X=

(d) Com x escolhido como no item (c), mostre que o coefici-


ente de dy!dt na Eq. (ii) também é constante, desde que a ex.-
pressão 3.5 Raízes Repetidas; Redução de
q'(t) + 2p(t)q(t) (iv)
Ordem
2[q (t)}3 /2
Em seções ameriores, mostramos como resolver a equação
seja constante. Assim, a Eq . (i) pode ser transformada em uma
equação com coeficientes constantes através de uma mudan-
ça da variável independente, desde que a função (q ' + 2pq )I
ay
11
+ by' + cy =O (1)
q 312 seja constante. Corno esse resultado pode ser modificado quando as raízes da equação característica
se q(r) <O?
ar 2 + br + e =O (2)
No~ problemas de 35 a 37, tente ttansfonnar a equação dada cm uma são reais e distintas ou complexas conjugadas. Vamos conside-
com coeficientes constantes pelo método do Problema 34. Se isso
rar agora a terceira possibilidade, a saber, quando as duas raízes
for possível, encontre a solução geral da equação dada.
r 1 e r2 são iguais. Esse caso corresponde à transição entre os
z
35. y" + ty' + e - r y =O, - oc < t < oo outros dois e ocorre quando o discriminante b2 - 4ac é zero.
36. y" + 3ty' + t 2 y = O, -oo < t < oo Então, segue da fórmula para as soluções de uma equação do
37. ty'' + (t 2 - J)y' + t 3 y =O, O < t < oo segundo grau que
38. Equações de Euler. Uma equação da forma r1 = r2 = -b/2a . (3)
2
t y" + cxty' + {Jy =O, t > O, A dificuldade é imediatamente aparente: ambas as raízes geram
onde a e {3 são constantes reais, é chamada urna equação de a mesma solução
Euler. Mostre que a substituição x "' ln t transforma uma Yi (t) = e-b1/2a (4)
equaç ão de Euler em uma equação com coeficientes cons-
tantes. Equações de Euler são discutidas em detalhe na Se- da equação diferencial ( 1), e não é nada óbvio como encontrar
ção 5 .5: uma segunda solução.

f Exemplo 1
;
j Resolva a equação diferencial temos
t li 1
y + 4y + 4y =o. (5) y' = v'(l)e- 2' - 2v(I)e 21
(7)
A equação característica é e

r
2
+ 4r + 4 = (r + 2) 2 = O, y" = v"(t)e 21
- 4v' (t)e - 21
+ 4v(t)e- 21 , (8)
de modo que r 1 = r 2 = -2. Portanlo, uma solução da Eq. (5), é Substituindo as expressões nas Eqs. (6), (7) e (8) na Eq. (5) e
y 1(t) ""' e- 21 . Para encontrar a solução geral da Eq. (5), precisa- juntando os termos, obtemos
mos de uma segunda solução que não seja múltiplo de y 1• Essa
segunda solução pode ser encontrada de diversas maneiras (veja 1
[u''(t) - 4v (l) + 4v(t) + 4v'(t) - 8v(I) + 4v(t)]e - 2' =O,
os problemas de 20 a 22); usaremos aqui um método descoberto
por D' Alembert 5 no século XVJIJ. Lembre-se que, como y 1(t) é que pode ser simplificada para
uma solução da Eq. (1), cy 1(f) também o é para qualquer cons-
tante e. A idéia básica é generalizar essa observação substituin- (9)
do-se e por uma função v(l) e depois tentando determinar v(t) de
modo que o prodmo v(t)y 1(t) seja solução da Eq. (1) . Logo,
Para seguir esse programa, vamos substituir y = v(t)y 1(t) na V
1
(t) = c 1
Eq. (1) e usar a equação resullante para encontrar v(t). Come-
e
çando com
(10)
(6)
onde c 1 e c2 são constantes arbitrárias. Finalmente, substituindo
v(t) na Eq. (6), obtemos
' Jea1i d ' Alcmhert ( 17 17·1 7831. matemático francês, foi contemporâneo de Eukr e Daniel
Bemonlli. e é conhecido, principalmente. por se11 trabalho em mecãnica e equaçõe1 diferen- (11)
ciais. O prindpio de d' Akmbert em mecânica e o par.1doxo de d' Alem hert em hidrodi11àmica
n:ceberam es'e nome em sua home1iagcm, e a equação da ouda apareceu pela primeira vez
cm.<eu anigo sobre cordas vibrantes em 1747. Em seus últimos anos, d~votou_,;e princip~l­
A segunda parcela na Eq. ( 1 1) corresponde à solução original y 1(1)
menre à filosofia e às soas tarefas como editor de ciência 1fa Enciclnpédia de Didero1. = exp( - 2!) , mas a primeira parcela corresponde a uma segunda
92 :Eq11a{ões Lineares k Segunda Ordem

solução, a saber, y2 (t) = t exp(-2t). Essas duas soluções não são seqüência, todas as soluções da Eq. (5) se comportam desse
proporcionais , obviamente, mas podemos verificar que são line- modo. A Fig. 3.5.I mostra o gráfico de uma solução típica.
armente independentes calculando seu wronskiano:

t y
(~ -
- 21 1
2t)e- 21
2

Portanto,
1
(12)

formam um conjunto fundamental de soluções da Eq. (5), e a 0,5 1 1,5 2 t


solução geral dessa equação é dada pela Eq. (11 ). Note que am-
bas as funções y 1(t) e }2(t) tendem a zero quando t-? x ; em con- FIG. 3.5.1 Uma solução t(pica de I' + 4y' + 4)' = O.

O procedimento usado no Exemplo 1 pode ser estendido a uma A parcela envolvendo il(t) é ohviamente nula. Além disso, o
equação geral cuja equação caracteristica tenha raízes repetidas. coeficiente de v(t) é e - (b 2/4a), que também é zero. pois b 2 -
Isto é, supomos que os coeficientes na Eq. ( I) satisfazem b2 - 4ac = Ono problema em consideração. Assim, como no Exem-
4ac = O, caso em que plo l , a Eq. ( 17) se reduz a

Yi (t) = e-br/ 2a v"(t) =O;

é uma solução. Depois, supomos que


logo,
v(t) = c 1t + c2 .
y = v(t)y 1
(t) = v(t)e-h 12ª 1
(13)
Portanto, da Eq. (13), temos
e substituímos na Eq. (1) para determinar v(t). Temos
y = c,te-bti2a + c:2e - br /2.u (18)
b
y' = v'(t)e-b1 /2a - -v(t)e-b1 /2a
(14) Então, y é uma combinação linear de duas soluções
2a
e Yi (t) = e ~bt /2u, (19)
b bi
y'' = v"(t)e - bt /2a - -v'(t)e· bt /2a + -v(t)e - b1/2a . (15) O wronskiano dessas duas soluções é
a 4a2
e - b1 /2.u
Então, substituindo na Eq. (1), obtemos
W(v 1, y2 )(t) = _.!!._e - b1 /2a

1 +" ~v'
(!) - (1) + ::, v(t)] + +
+ cv(I)
(1) -

l
! v(I)]

, - h</ 2a - O, (16)
2a

1e - b1 / 2a

1 - -
-bt la
bt) e- bt/2a =e r ~ (20)
( 2a
Como W(y 1, y2 )(t) nunca se anula, as soluções y 1 e y 2 dadas pela
Cancelando o fator exp(-btl2a), que não se anula, e rearrumando Eq. ( 19) formam um conjunto fundamental de soluções. Além
os termos restantes, encontramos disso, a Eq. (18) é a solução geral da Eq. ( l) quando as raízes da
equação característica são iguais. Em outras palavras, nesse caso,
2 2 existe uma solução exponencial correspondente à raiz repetida,
1
av 11 (t)+( - b+b)v (t)+(b -b +c)v(t)=O. (17) enquanto uma segunda solução é obtida multiplicando-se a so-
_ 4a 2a lução exponencial por t.

Exemplo 2
Encontre a solução do problema de valor inicial A equação característica é

y" - y' + 0,25y = O, y(O) = 2, y'(O) = ~ - (21) r2 - r + ü,25 = O,


Equações Lineares de Segunda Ordem 93

de modo que as raízes são r 1 = r 2 = 1/2. Logo, a ~olução geral y


da equação diferencial é 4
y'(O)= ~: y = 2e'ª + te"'l
y = c 1e 112 + c 2te' 12 (22)
3
A primeira condição inicial implica que
t: ~2e1'2- ~te 112
y(O) == c 1 == 2.
Para satisfazer a segunda equação diferencial, primeiro deriva-
2 -------- y'(Ol = y_

mos a Eq. (22) e depois fazemos t = O. Isso nos dá

y' (O) = te, + c2 = 1. 1

de modo que c2 = -2/3. Portanlo, asoluçãodoproblemade valor


ínicial é
1
(23)
A Fig. 3.5.2 mostra o gráfico dessa solução. -1
· Vamos modificar, agora, o problema de valor inicial (21)
mudando o coeficiente angular inicial; especificamenle, vamos
FIG. 3.5.2 Soluções de/' - y' + 0,25y = O, y(O) = 2, com y'(O) = li
trocar a segunda condição inicial por y' (0) = 2. A solução desse 3 e y'(O) == 2, respectivamente.
problema modificado é

Y = 2et!2 + te112 .
e seu gráfico também aparece na Fig. 3.5.2. Os gráficos mostra- que crescem positivamente das que crescem em módulo, mas
dos nessa figura sugerem a existência de um coeficiente angular tomam-se negativas. O Problema 16 pede que você determine
inicial crítico, com valor entre 113 e 2, que separa as soluções esse coeficiente angular crítico .
..::-:-.·.···

O comportamento geométrico de soluções, nesse caso. é se- tes constantes é aplicável mais geralmente. Suponha que conhe-
melhante a quando as raízes são reais e distintas. Se os exponentes cemos uma solução y 1(t), não identicamente nula, de
são positivos ou negativos, então a solução. em módulo, aumen-
ta ou diminui de acordo, o fator linear t tem pouca influência. A y'' + p(t) y ' + q(t)y =O. (27)
Fig. 3.5. I mostra uma solução decaindo e a Fig. 3.5.2 mostra duas
Para encontrar uma segunda solução, seja
soluções crescendo em módulo. No entanto, se a raiz repetida é
nula, então a equação diferencial é y" = Oe a solução geral é uma y = v(t)y 1 (t); (28)
função linear de t.
então,
Resumo. Podemos resumir, agora, os resultados obtidos para
equações lineares homogêneas de segunda ordem com coefici- e
entes constantes,
y" = v" (t)y 1 (t) + 2v'(t)y; (t) + v(t)y;' (t).
ay" + hy' + cy == O. (1) Substituindo essas expressões para y, y' e y" na Eq. (27) e jun-
Sejam r1 e r2 as raízes do polinômio característico correspondente tando os termos , encontramos

ar 2 + br + e = O. (2) Y1 v // + (2 Y1 + PY1
I )
v
/
+ (
Y1li + PY1
I
+ qyt ) v == o· (29)
Como y 1 é uma solução da Eq. (27), o coeficiente de v na Eq.
Se r 1 e r 2 são reais e distintos, então a solução geral da equa-
(29) é zero, logo a Eq. (29) fica
ção diferencial (l) é
(30)
(24)
Apesar de sua aparência, a Eq. (30) é, de fato, uma equação de
Se r1 e r 2 são complexos conjugados À .:t:: iµ,, então a solução
primeira ordem para a função 11 e pode ser resolvída como uma
geral é
equação de primeira ordem ou como uma equação separável.
y = c 1e)..1 cosµt + c2 e)..( senµt . (25) Uma vez encontrada iJ , v é obtida por integração. Finalmente, a
solução y é detenninada da Eq. (28). Esse procedimento é cha-
Se r 1 = r 2, então a solução geral é mado de método de redução de ordem, já que o passo crucial é a
resolução de uma equação diferencial de primeira ordem para v',
y = c 1e'11 +c2 teri'. (26)
em vez da equação de segunda ordem original para y. Embora
Redução de Ordem. Vale a pena observar que o procedimento seja possível escrever uma fónnula para v(t), vamos, em vez dis-
usado anteriormente nesta seção para equações com coeficien- so, ilustrar como o método funciona através de um exemplo.
94 Equações Une.ares de Segunda Ordem

Exemplo 3 · · ·
Dado que y1(t) = 1- 1 é uma solução de Separando as variáveis na Eq. (32) e resolvendo para v' (t).
2 encontramos
2t y'' + 3ty' - y =O, t > O, (31)
encontre uma segunda solução linearmente independente. v'(t) = ct 112 ;
Vamos fazer y v(t)t- 1; então = então,
y' = v't - 1
- vt - 2
,
11
y" = v t - 1
- 2v't- 2 + 2vt - 3.
v(t) = ~ct 3 1 2 + k.
Substituindo y, y' e y'' na Eq. (31) e juntando os termos, obtemos
Segue que
2t 2
2v't - +
(v''t- 1 - + 3t(v't - -
2
2vt-3 ) 1
vt- 2 ) - vt- 1
(33)
= 211/ + (-4 + 3)v' + (41 - 1 - 31 - 1 - t- 1)v
1

onde e e k são constantes arbitrárias. A segunda parcela na Eq.


= 2t v' 1
- v' = O. (32)
(33) é um múltiplo de y 1 e pode ser retirada, mas a primeira par- l
Note que o coeficiente de vé nulo, como deveria; isso nos dá um cela nos dá uma solução nova independente . Desprezando a cons-
ponto útil de verificação dos nossos cálculos. tante multiplicativa temos v2
, J
=
t 112. f•
~

Problemas (c) Mude a segunda condição inicial para y'(O) -= b > O e en-
contre a solução em função de b.
Nos problemas de 1 a 1O, encontre a solução geral da equação dife- (d) Encontte as coordenadas do ponto de máximo (tM, YM) em
rencial dada. função de b. Descreva a dependência cm b de TMe de YM quan-
do b cresce.
1. y" - 2y' + y o = 2. 9y" + 6y' + y =o 1R. Considere o problema de valor inicial
3. 4y'' - 4y ' - 3y o = 4. 4y" + l 2y' + 9y = o
5. y'' - 2y' + lOy =o 6. y1' - 6y' + 9y =o 9y" + 12y' +4y = º· y(O)=a>O, y'(0)= - 1.
7. 4y''+ 17y'+4y=O 8. 16y" + 24y' + 9y = o
(a) Resolva o problema de valor inicial.
9. 25y'' - 20y' + 4y =o 10. 2y'' + 2y' + y =o (b) Encontre o valor cático de a que scparn as soluções que se
Nos problemas de l l a 14. resolva o problema de valor inicial dado. tomam negativas das que pennancccm positivas.
Esboce o gráfico da solução e descreva seu comporttlIIlcnto quando 19. Se as rafzes da equação característica são reais, mostre que uma
t cresce. solução de uy" + hy' + cy = O pode assumir o valor zero no
11. 9y" - 12y' + 4y =O, y(O) = 2, y'(O) = - 1 máximo uma vez.
12. y" - 6y' + 9y = o, y(O) =O, y'(O) = 2
Os problemas de 20 a 22 indicam outras maneiras de se encontrar
13. 9y" + 6y' + 82y =O, y(O) -l, y'(O) 2 = = uma ~egunda solução quando a equação característica tem rnízcs
14. y'' + 4y' + 4y =O, y(-1) 2, y'( -1) 1 = = repetidas.
~(,IS. Considere o problema de valor inicial
20. (a) Considere a equação y" + 2ay' + a2y =O. Mostre que as
4y" + 12y' + 9y =O, y(O) = l, y'(O) = -4 . raízes da equação característica são r 1 = r2 = -a, de modo que
uma solução da equação é e - ar.
(a) Resolva o problema de valor inicial e faça o gráfico de sua (b) Use a fórmula de Abel [Eq. (8) da Seção 3.3] para mos,
solução para O::; 1 ::; 5. trar que o wronskiano de duas soluções quaisquer da equação
(b) Determine onde a solução tem valor zero. dada é
(e) Determine as coordenadas (r0 , y 0) do ponto de mínimo.
(d) Mude a segunda condição inicial para y' (0) = h e enconttc W(t) = y 1 (t)y~(t) - y;(t)y2 (t) = c,e - :w' .
a solução como função de b. Depois encontre o valor crítico de
b que separa as soluções que permanecem positivas das que onde c 1 é constante.
acabam se tornando negativas. (c) Seja y 1(í) = e - ate use o resultado do item (b) para obter
16. Considere a seguinte modificação do problema de valor inicial uma equação diferencial satisfeita pela segunda solução y 2 (r).
Resolvendo essa equação, mostre que y2 (t) "' te ·ar.
no Exemplo 2:
21. Suponha que r 1 e r2 são raízes de ail + br + e= Oe que r 1 *
.v'' - y' + 0,25y = º· y(O) = 2. y'(O) = b. r2 ; então, exp(r 1t) e exp(r2t) são soluções da equação diferen-
cial ay' + hy' + cy = O. Mostre que <f;(.t; r 1• r 2) = fexp(r2t) -
Encontre a solução cm função de b e depois determine o va- cxp(r 1t)]/(r2 - r 1) também é solução da equação para r 2 r 1•*
lor crítico de b que separa as soluções que c rescem positiva- Depois, fixe r 1 e use a regra de L'Hôpital para calcular o limite
mente das que acabam crescendo em módulo, mas com valo- de <f>(t; r 1, rú quando r 2 __, r 1 obtendo, assim, a segunda solu-
res negativos. ção no caso de raízes repetidas .
#l11. Considere o problema de valor inicial 22. (a) Se a? + hr +e= Otem raízes iguais ri. mostre que

4y
11
+ 4y ' + y = º· y(O) = l, y'(O) = 2. (i)
(a) Resolva o problema de valor inicial e faça o gráfico da so- Como a última expressão à direita na Eq. (i) é nula quando r =
lução. ri. segue que cxp(r 1t) é uma solução de Lly] = ay" + hy' +
(b) Determine as coordenadas (rM, YM) do ponto de máximo. cy =O.
Equações Lineares de Segunda Ordtm 95

(b) Derive a Eq . O) em relação are mude as ordens das deriva- Comportamento de Soluções quando t .....+°"·Os problema~ de
da~ em relação ar e a t, mostrando, assim, que 38 a 40 tratam do comportamento de soluções quando
f~X.

38. Se a, b e e são consiames positivas, mostre que todas as solu-


ções de ay" + l>y' + cy = O tendem a zero quando t ~ :e.
39. (a) Se a> O e e >O. mas b = O, mostre que o resultado do
Como a última expressão à direita na Eq. (ií) é zero quando r Prohlema 38 não é mais válido, mas que todas as soluções per-
= r 1, conclua que t exp(r1t) também é solução de L[y] =O. manecem limitadas quando t ~ oo .
(b) Se a >O e b > O. mas e = O, mostre que o resultado do Pro-
Nos problema~ de 23 a 30, use o método de redução de ordem para blema 38 não é mais válido, mas que todas as soluções tendem a
encontrar uma segunda solução da equação diferencial dada. uma constante, que depende da condição inicial, quando t ~ x.
Determinar esta constante para a condição inicial y(O) = )'o,
23 . t 2 y'' - 4ty' + 6y =O, t >O; y 1(t) = t 2
24. t y" + 21y' - 2y = O, t > O;
2
y 1(t) = t
y'(O) = YÚ·
1
=
40. Mostre que y sen t é uma solução de
25. t 2 y"+3ty' +y=0, !>0; .Y1(/)=1-
26. t 2 y" - 1(1+2)y' + (1 + 2)y =O. t > O; y 1 (t) = t y'' + (ksen 2 1)y 1 + (l - k cos tsent)y =O
27. xy''-y'+4x 3 y=0 , x>O: y 1(x)=senx 2
para qualquer valor da constante k. Se O < k < 2, mostre que 1
28. (x - l)y'' - xy'+y=O, X > I; y 1(x)=ex
- k cos t sen t > O e k sen 2 t ~ O. Observe então que, embora
29. x 2 y"-(.x-0,1875)y=0. x>O; y 1(x)=x'l 4e 2 ./i os coeficientes dessa equação diferencial com coeficientes va-
30. x y" + xy' + (x - 0.25)y =O, x >O;
2 2
y 1 (x) = x 1t 2 senx riáveis sejam não-negativos (e o coeficiente de y' se anule ape-
nas nos pontos t = O, -rr, 2-rr, . .. ), ela tem uma solução que não
tende a zero quando t ~ oc. Compare e.'.~ª _,ituação com o re -
31 . A equação diferencial
sultado do Problema 38. Observamm, assim, uma situação que
xy" - (x + N)y' + Ny =O, não é incomum na teoria das equaçõe~ diferenciais: equações
aparentemente ba~tante semelhantes podem ter propriedades
onde N é um inteiro não-negativo, foi discutida por diversos muito diferentes.
autores.6 Uma razão para e.~se interesse é que tem uma solução
exponencial e uma solução polinomial . Equações de Euler. Use a substituição dada no Problema 38 da
(a) Verifique que uma solução é y 1(x) =é. Seção 3.4 para resolver cada uma das equaçõe~ nos Problemas 41
(b) Mostre que uma segunda solução tem a fonna J2(X) = ce' J e 42 .
x" e -x tlx. Calcule y1(x) para N-= l e N = 2; convença-se de
que, com e:= - 1/N!, 41. t 2 y'' -3ty' +4y =o. t >o
42. r 2 y'' + 2ty' + 0,25y =O, r >O
X X2 XN
Y2(X) = ] + LJ + 2! + ... + N! .

Note que Ji(x) é precisamente a .~oma da~ N + l primeira~ par- 3.6 Equações Não-homogêneas; Método
celas da série de Taylor para é em tomo de x = O, isto é, da
série de Taylor para y 1(x). dos Coeficientes Indeterminados
32. A equação diferencial
Vamos retomar à equação não-homogênea
y" + ô(xy' + y) =O
aparece no estudo da turbulência em um fluxo uniforme ao L[y] = y" + p(t)y' + q(t)y = g(t). (1)
pa~sarporum cilindro circular. Verifique que y 1(x) = exp( - &2/ onde p, q e g são funções (contínuas) dadas em um intervalo
2) é uma .~olução e depois encontre a solução geral como uma
abeno 1. A equação
integral.
33. O método do Problema 20 pode ser estendido para equações
de segunda ordem com coeficientes variáveis. Se y 1 é uma
L[y] = y '' + p(t)y' + q(t)y =O, (2)
solução conhecida de y" + p(x)y' + q(x)y "" O que não se onde g(t) =O e p e q são as mesmas que na Eq. ( l ), é chamada
anula. mostre que uma segunda solução y 2 safüfaz (y 2/y 1)' de equação homogênea associada à Eq . ( 1). Os dois resultados
""' W(}·1 , y~)lyf, onde W()·1, J2) é o wronskiano de y 1 e J2. De- a seguir descrevem a estrutura de soluções da equação não-ho-
pois use a fórmula de Abel 1Eq. (8) da Seção 3.3) para deter- mogênea ( 1) e fornecem uma base para se construir sua solu-
minar y 2.
ção geral.
Nos problemas de 34 a 37. use o método do Problema 33 para en-
contrar uma segunda solução independente da equação dada.
Teorema 3.6.1
34. t 2 y"+3ty'+y=0, t>O; y 1 (t)=t - 1
35. ty" - y' + 41 y =O, t >O; y 1(t) = sen(t 2 )
3 Se Y1 e Y2 são duas soluções da equação 11§2jfilJ,~g~nea (1).
36. (x - l)y 11 - xy'+y=O, x>1 ; y 1(x)=e" então sua diferença Y 1 - Y2 é uma soluçãtjijij~~o homo-.
37. x 2 y''+xy'+(x 2 - 0.25)y=0, x > O; y 1(x)=x- 112 senx gênea associada (2). Se, além disso, .Yi:#&ilJpijijfü]l'um CQn-~
junto fundamental de soluções PaJ.1i , ~ §i.f~g)t~i:itão ··
Y,(t)-Y,(t)-c1 1(t) y +~'llz;x . {3)
'T. A. Newton, "On Usiog a Differential Equatioo 10 Generate Polynomials". Ame rican onde c 1 e c2 são constantes
.
. Q~.tffijµ)l;Qãs:
.· ·. >-·:·:::::
:·:~·;-..:::~{:;:;-:·:::::·::<:: ·
Jltllhemntica/ Monthly IJJ (1974j, pp. 592-601. Vej;t, 1ambêm, as referêoci;ts dadas aí.
96 Equações Lineares de Segunda Ordem

Para provar esse resultado, note que Y1 e Y2 satisfazem as Reescrevendo de maneira um pouco diferente, o Teorema
equações 3.6.2 diz que, para resolver a equação não-homogênea (1 ), pre-
cisamos fazer três coisas:
L[Y1](t) = g(t) , L[Y2 ](t) = g(t). (4)
1. Encontrar a solução geral c 1y 1(f) + c2.}'2 (t) da equação homo-
Subtraindo a segunda da primeira dessas equações, temos gênea associada. Essa solução é chamada, muitas vezes, de
solução complementar e pode ser denotada por Yc(t).
L[Y1](t) - L[Y2 ](t) = g{t) - g(t) =O. (5) 2. Encontrar uma única solução Y(t) da equação não-homogê-
nea. Referimo-nos a essa solução, muitas vezes, como uma
No entanto, solução particular.
3. Somar as duas funções encontradas nas duas etapas precedentes.
L[Y1] - L[Y2 ] = L[Y 1 - Y2 ],
Já discutimos como encontrar Yc(t), pelo menos quando a equação
de modo que a Eq. (5) fica homogênea tem coeficientes constantes. Portanto, no restante desta
seção e na próxima, focalizaremos nossa atenção em encontrar uma
(6) solução particular Y(t) cLl equação não-homogênea ( l ). Existem dois
A Eq. (6) diz que f 1 - f 2 é uma solução da Eq. (2). Finalmente, métodos que gostaríamos de discutir. Eles são conhecidos como o mé-
como todas as soluções da Eq. (2) podem ser expressas como uma todo dos coeficientes indeterminados e o método de variação dos pa-
combinação linear das funções em wn conjunto fundamental de râmetros, respectivamente. Cada um tem vantagens e desvantagens.
soluções pelo Teorema 3.2.4, segue que a solução Y1 - Y2 tam-
O Método dos Coeficientes Indeterminados. O método dos coe-
bém pode ser expressa nessa fonna. Logo, a Eq. (3) é válida e a
ficientes indeterminados, também conhecido como método dos
demonstração está completa.
coeficientes a detenninar, requer uma hipótese inicial sobre a for-
ma da solução particular Y(t) , mas com os coeficientes não espe-
cificados. Substiruímos, então, a expressão hipotética na Eq. ( 1) e
. ·Teorema 3.6.2 tentamos detemrinar os coeficientes de modo que a equação seja
tes. soiução geral da equação não-homogênea ( 1) pode seres- satisfeita. Se tivermos sucesso, teremos encontrado uma solução
da equação diferencial ( 1) e podemos usá-la como a solução par-
@Çttti,{t.1<j. f<;>rma ticular Y(t). Se não pudermos determinar os coeficientes, isso sig-
;:::;·i:.:;· •

. ...,u:::·::::::1:::··.::?:r<f>~t)~ C1Y1(i) +c2Y2(t)+ Y(t), (7) nifica que não existe solução da forma que supusemos. Nesse caso,
temos que modificar a hipótese inicial e tentar de novo.
·ohdê::Vi:: ~::f:i::(~f.~m çgajµnto .f'uád~iue!ltal de~h,~Çf)~ .. A maior vantagem do método dos coeficientes indeterminados
da equaǪ§:li\:ím§gªij~~::*l§w~•((4kf:i~:~i ~tj [Çfü\~l#ij~\ é que ele é fácil de executar, uma vez feita a hipótese sobre a forma
arbitrárias·· e•:'r::~:· ~u~~@:iWÇ•®: ~~~fi;~: AA ·ª1ffi®.®.•'~fü:':••' de Y(t) . Sua maior limitação é que é útil principalmente para equa-
:::·::::·::]''j':f:t:;r
homogênea ( l): X •:::?···]:;·j/,:[f] .'::.::.:::·.·o;::s: :,::::::::::::.:. : :(.]f ções Pill'ª as quais é fácil escrever a forma correta da solução parti-
cular imediatamente. Por essa razão, esse método só é usado, em
geral, para problemas nos quais a equação homogênea tem coefici-
A demonstração do Teorema 3.6.2 segue rapidamente do te-
entes constantes e o termo não-homogêneo pertence a uma classe
orema precedente. Note que a Eq. (3) é válida se identificarmos
relativamente pequena de funções. Em particular, consideramos
Y1 com uma solução arbi1rária <fi da Eq. (J) e Y2 com a solução
apenas termos homogêneos consistindo em polinômios, funções
específica Y. Da Eq. (3) obtemos, assim,
exponenciais, senos eco-senos. Apesar dessa limitação, o método
(8) dos coeficientes indeterminados é útil para resolver muitos proble-
mas que têm aplicações importantes. No entanto, os detalhes dos .
que é equivalente à Eq. (7). Como <f>é uma solução arbitrária da cálculos podem ser bastante tediosos e um sistema de álgebra
Eq. ( 1), a expressão à direita do sirlal de igualdade na Eq. (7) inclui computacional pode ser muito útil nas aplicações práticas. Ilustra-
todas as soluções da Eq . (l); é natural, portanto, chamá-la de remos o método dos coeficientes indeterminados através de diver-
solução geral da Eq. (1). sos exemplos e depois resumiremos algumas regras para usá-lo.

Exemplo 1
Encontre uma solução particular de Y'(t) = 2Ae 2 r, Y"(t) = 4Ae 21 ,
y" - 3y' - 4y = 3e 21 • (9) e substituir na Eq. (9) . Obtemos
Procuramos uma função Ytal que Y'(t) - 3Y'(t) - 4Y(t) é igual
(4A - 6A - 4A)e 21 = 3e 21 .
a 3e21 • Como a derivada de uma função exponencial é um múlti-
plo dela mesma, a maneira mais plausível de se obter o resulta- Portanto, -6Ae11 tem que ser igual a 3e21 , Jogo A= - l/2. As-
do desejado é supondo que Y(t) é algum múltiplo de e 21 , isto é sim, uma solução particular é
Y(t) = Ae 21 , Y(f) = -te21. (10)
onde o coeficiente A ainda precisa ser determinado. Para encon-
trar A, vamos calcular
Equaçôes Lineares ck Segunda Orckm 97

í Exemplo 2
1Encontre uma solução particular de
t
Y(t) = Ascnt + Bcost,
y" - 3y' - 4y = 2sent. (11) onde A e B são constantes a serem determinadas. Logo,
Por analogia com o Exemplo 1, vamos supor, primeiro, que
Y ' (t) =A cos t - Bsen t, Y 11 (t) = -Asent - B cost.
Y(t) =A sen t, onde A é uma constante a ser determinada. Subs-
tituindo na Eq. (11) e rearrumando os termos, obtemos Substituindo na Eq. ( 1J) e juntando os termos, obtemos
-5Asent - 3Acost = 2scnt, (-A+ 3B -4A)sent + (-8 - 3A - 4B) cos t = 2sent.
ou
(13)
(2 + 5A) sen t + 3A cos t = O. (12) Para satisfazer a Eq. ( 13), precisamos igualar os coeficientes de
As funções sente cos t são linearmente independentes, de modo sente de cos t nos dois lados da equação; assim, A e B têm que
que a Eq. (12) só pode ser válida em um intervalo se os coefici- satisfazer as equações
entes 2 + 5A e 3A são ambos iguais a zero. Essas condições con- -5A +3B = 2, -3A-5B =O.
traditórias significam que não existe escolha da constante A que
tome a Eq. (12) válida para todo t. Podemos concluir, então, que Portanto, A = - 5117 e B = 3/17, de modo que uma solução par-
nossa hipótese sobre Y(t) nào foi adequada. A aparição de um ticular da Eq. ( 11) é
tenno em co-seno na Eq. (12) sugere que modifiquemos nossa
hipótese original, incluindo um termo em co-seno em Y(t) , isto é, Y(t) = -f;sent + 1~ cost.

O método ilustrado nos exemplos precedentes também pode Para resumir nossas conclusões até agora: se o termo não-
ser usado quando a expressão à direita do sinal de igualdade é homogêneo g(t) na Eq. (J) for uma função exponencial eªr, su-
um polinômio. Assim, para encontrar uma solução particular ponha, então, que Y(t) é proporcional a essa mesma função ex -
de ponencial; se g(t) for igual a sen f3t ou a cos f3t, suponha que Y é
uma combinação linear de sen f3t e cos {3t; se g(t) for um
y li - 3 y t - 4 y = 4t 2 - 1, (14) polinômio, suponha que Y(t) é um polinômio de mesmo grau. O
mesmo princípio se estende ao caso em que g(t) é um produto de
supomos, inicialmente, que Y(t) é um polinômio de mesmo grau quaisquer dois ou três desses tipos de funções, como mostra o
que o tenno não-homogêneo, isto é, Y(t) = At2 + Bt + C. próximo exemplo.

r Exemplo3
1Encontre uma solução particular de e
y" -3y' - 4y =-Se' cos2t . (15) Y" (t) = (-3A + 4B)er cos 2t + (-4A - 3B)e' sen 2t.
Nesse caso, supomos que Y(t) é o produto de e' com uma com- Substituindo essas expressões na Eq. (15), encontramos que A e
binação linear de cos 2t e sen 2t, isto é, B têm que satisfazer
Y(t) = Ae1 cos2t + Be scn2t.
1
IOA +2B = 8, 2A - IOB =O.
Os cálculos algébricos são mais tediosos neste exemplo, mas Portanto, A = 10/13 e B ;;:;; 2113; logo, uma solução particular da
segue que Eq. (15)é

Y'(t) =(A+ 2B)e 1 cos2t + (-2A + B)e scn2t 1


Y(t) = .ill/
13 cos2t + 1-e 1
13 sen2t .

Suponha, agora, que g(t) é uma soma de dois termos, R(t) = Para provar essa afinnação, substitua y na Eq. (18) por Y1(t) +
g 1(t) + R2(t), e suponha que Y1 e Y2 são soluções das equações Y2 (t) e use as Eqs. (16) e (17). Uma conclusão análoga é válida
se g(t) é uma soma de um número finito de parcelas. O signifi-
ay" + by + C}' = g 1(t)
1
(16) cado prático desse resultado é que, para resolver uma equação
e cuja função não-homogênea g(t) pode ser expressa como uma
ay" + by' + cy = g2 (t), (17) soma, pode-se resolver diversas equações mais simples e de-
pois somar os resultados. O exemplo a seguir ilustra esse pm-
respectivamente. Então, Y1 + Y2 é uma solução da equação
cedimento.
ay" + by 1 + cy = g(t) . (18)
98 Equações Lineares de. Segunda Ordem

Exemplo 4 · ,,,,
Encontre uma solução particular de e

y" -- 3y' - 4y = 3e21 + 2scnt - 8e 1 cos 2t . (19) y


1
' - 3y' - 4y = -8e 1 cos2t .
Foram encontradas soluções dessas rrês equações nos Exemplos
Separando a expressão à direita do sinal de igualdade, obte-
1. 2 e 3, respectivamente. Portanto, uma solução particular da Eq.
mos tr:ê.s..equações:
.. ·. (9) é a soma, isto é,
y'' - 3y' - 4y = 3e 21,
y" - 3y' - 4y = 2sent.
'·,· . ::·; ..

O procedimento ilustrado nesses exemplos nos permite resol- te eficiente. No entanto, existe uma dificuldade que ocorre às
ver uma grande classe de problemas de um modo razoavelmen- vezes. O próximo exemplo mostra corno isso acontece.

Exemplo 5
Encontre uma solução particular de usar sua solução para sugerir como poderíamos proceder com a
Eq. (20) . Adotando essa última abordagem, vamos procurar uma
y'' - 3y' - 4y = 2e - 1
(20)
equação de primeira ordem análoga à Eq. (20). Uma possibili-
Procedendo como no Exemplo !, supomos que Y(t) = Ae- 1
• dade é
Substituindo na Eq. (20), obtemos
y' + y = 2e - r (23)
(A+ 3A - 4A)e- 1 = 2e- 1 (21)
Se tentarmos encontrar uma solução particular da Eq. (23) da
Como a expressão à esquerda do sinal de igualdade na Eq. (21) forma Ae- 1, falharemos, porque e-r é uma solução da equação
é zero, não existe escolha de A e B que satisfaça a equação. Por- homogênea y' + y = O. No entanto, já vimos como resolver a
tanto, não exi ste solução particular da Eq. (20) que tenha a for- Eq. (23) na Seção 2 .1. Um fator integrante é µ(t) =e'; multipli-
ma suposta. A razão para esse resulrado possivelmente inespe- cando por µ(t) e depois integrando, obtemos a solução
rado toma-se clara se resolvermos a equação homogênea
y = 2te- r + ce _, (24)
y" - 3y' - 4y = o (22)
A segunda parcela à direita do sinal de igualdade na Eq. (24) é a
associada à Eq. (20). Um conjunto fundamental de soluções para solução geral da equação homogêneay' + y =O, mas a primei-
aEq. (22) é formado pory 1(t) =e 1 e y 2(t) = e4'. Assim, a fom1a ra parcela é uma solução da equação não-homogênea completa
suposta da solução particular para a Eq. (20) era, de fato, solu- (23). Observe que ela envolve um fator exponencial multiplica-
ção da equação homogênea (22); em conseqüência, não pode ser do pelo fator t. Essa é a pista que estávamos procurando.
solução da equação não-homogênea (20). Para encontrar uma Vamos voltar para a Eq. (20) e supor uma solução particular
solução daEq. (20), temos, portanto, que considerar funções com da forma Y(t) = Ate- 1. Então
forma um pouco diferente.
Nesse ponto temos várias alternativas possíveis. Uma é sim- Y' (t) = Ae- 1 - Are-- 1, Y''(t) = - 2Ae 1
+Ate-' (25)
plesmente tentar adivinhar a fonna adequada da solução parti-
Colocando essas expressões no lugar de y, y' e y" na Eq. (20),
cular da Eq. (20). Outra é resolver essa equação de outro modo e
obtemos - 5A = 2. de modo que A= ~ 2/5. Logo, uma solução
tentar usar o resultado para orientar nossas hipóteses se essa si-
particular da Eq. (20) é
tuação aparecer novamente no fururo; veja os Problemas 27 e 33
para outros métodos de solução. Outra possibilidade ainda é pro- 2
Y(t) = - - te-r (26)
curar uma equação mais simples onde essa dificuldade ocorre e 5
. ··:······

O resultado do Exemplo 5 sugere uma modificação do princípio Resumo. Vàmos resumir as etapas envolvidas em encontrar a
enunciado anteriormente: se a fonna suposta da solução duplica uma solução de um problema de valor inicial consistindo em uma
solução da equação homogênea associada. modifique então sua hi- equação não-homogênea da forma
pótese multiplicando a suposta solução particular por t. De vez em ay" + by' + cy = g(t) , (27)
quando, essa modificação não será suficiente para remover todas ao;
duplicações com as soluções da equação homogênea, caso em que é onde os coeficientes a, b e e são constantes, junto com um par
necessário multiplicar por t uma segunda vez. Para uma equação de de condições iniciais dado:
segunda ordem, nunca será necessário continuar esse processo. 1. Encontre a solução geral da equação homogênea associada.
Equações Lineares de Segunda Ordem 99

2. Certifique-se de que a função g(t) na Eq. (27) pertence à clas- o procedimento sempre fwKiona como enunciado, vamos dar um
se de funções discutidas nesta seção, isto é, certifique-se de argumento geral, onde consideramos diversos casos correspon-
que não envolve outras funções além de exponenciais, senos, dendo a formas diferentes do termo não-homogêneo g(t).
co-senos, polinômios ou somas ou produtos de tais funções.
Se não for esse o caso, use o método de variação dos parâme- g(t) = P,,(t) = arf' + a 1f"- 1 + .. . + aN. Nesse caso a Eq. (27)
tros (discutido na próxima seção). fica
3. Se g(t) = g 1(t) 1- •.• 1- gn(t), isto é, se g(t) é uma soma de n
parcelas, então forme n subproblemas, cada um dos quais ay'' + by' + cy = a0 t" + a 1t"- 1 + ·· · + a11 • (28)
contendo apenas uma das parcelas g 1(t), ... , gn(t). Oi-ésimo Para obter uma solução particular, supomos que
subproblema consiste na equação
Y(t) = A 0 t" + A 1t"- 1 + · · · + A,, _2 t 2 + A _
1t +A,,. (29)
ay" + by' + cy = 11
gi(t),
Substituindo na Eq. (28), obtemos
onde i varia de l a n.
4. Para o i-ésímo subproblema, suponha uma solução particular
Y;(t) consistindo da função apropriada, seja ela exponencial,
a[n(n - 1)A 0 t"
2
+ · · · + 2An _2] + b(nA 0t"" 1 + · · ·
11
seno, co-seno, polinomial ou uma combinação dessas . Se +An _ 1 )+c(A 0t +A 1 tn- I+ · · · +A,.)=a0 t 11 + · · · +a,,.
existe qualquer duplicação na forma suposta de Y;(t) com as (30)
soluções da equação homogênea (encontrada na etapa l ).
então multiplique Y;(t) portou (se necessário) por i2, de modo Igualando os coeficientes das potências iguais de t nos dá
a remover a duplicação. Veja a Tabela 3.6.1.
5. Encontre uma solução particular Y;(t) para cada um dos
cA 0 = a0 ,
subproblemas. Então, a soma Y1(t) + ... + Y,,(t) é uma solu- cA 1 + nbA 0 = a 1,
ção particular da equação homogênea completa (27).
6. Forme a soma da solução geral da equação homogênea (eta-
pa 1) com a solução particular da equação não-homogênea
(etapa 5). Essa é a solução geral da equação não-homogênea.
7. Use as condições iniciais para determinar os valores das cons- *
Se e O, a solução da primeira equação é Ao = aofc, e as equa-
tantes arbitrárias na solução geral. ções restantes deternúnam A 1, • • ., A,, sucessivamente. Se e= O,

Para alguns problema.~. todo esse procedimento é fácil de ser


*
mas b O, então o polinômio à esquerda do sinal de igualdade
na Eq. (30) tem grau n - 1 e ela não pode ser satisfeita. Para
feito à mão, mas, em muitos casos, necessita de uma quantidade garantir que aY''(t) + bY'(t) é um polinônúo de grau n, precisa-
considerável de cálculos algébricos. Uma vez que você tenha mos escolher Y(t) como sendo um polinômio de grau n + l. Su-
compreendido claramente como o método funciona, um sistema pomos, então, que
de álgebra computacional pode ser de grande auxílio para exe-
cutar os detalhes. Y(t) = t (A 0 t" + · ·· + A,,).
O método dos coeficientes indeterminados se autocorrige, no
Não existe termo constante nessa expressão para Y(t), mas não
seguinte sentido: supondo-se muito pouco sobre Y(t), chega-se,
há necessidade de incluir esse tem10,já que constantes são solu-
rapidamente, a uma contradição que, em geral, aponta o canú-
nho para a modificação necessária na fomla suposta. Por outro
ções da equação homogênea quando e = O. Como b O, temos *
A 0 = aofb(n + l) e os outros coeficientes A" .. ., An podem ser
lado, supondo-se muitos tennos, então faz-se um trabalho des-
detenuinados analogamenre. Se ambos e e b são iguais a zero,
necessário e alguns coeficientes ficam iguais a zero, mas, pelo
supomos que
menos, chega-se à resposta correta.
Y(t) = t 2 (A 0 t" + ··· +A,,).
Demonstração do Método dos Coeficientes Indeterminados. Na
discussão precedente, descrevemos o método dos coeficientes O tenno aY'(t) é um polinômio de grau n e podemos proceder
indeterminados baseados em diversos exemplos . Para provar que como anteriom1ente. Novamente, os termos constante e linear em

TABELA 3.6.1 A Solução Particular de ay" + by' + L)' = gi (t).

Pn(t) = ªot" +altn- 1 + ... + ªn t"(A otn +A 1t" - 1 + · · · +A 11 )

P,,(t)eª 1 ts(A t"


0
+ A 1tn-I + · · · + A,,)eª'
P (t )eª' {sen/3t r'[(A 0 t"+ A 1t"- 1 + · · · + A 11 )eª 1 cosf3t
n COS /3t
+(B0 t" + B 1t 1 + · ·. + B,,)eª'sen,StJ
11
-

Ob.wm'llrão: Aqui. s denutu u menor inteiro não-negativo(.< ~ O, 1 ou 2)que garant.a q_ue nenhuma parcela de J".(l)scja solução
da equação homogênea correspondente. Equivalentemente, para os crês casos.sé o número de vezes que Oé uma raiz da equação
caracteristica. a é uma raiz da equação caracteristica e a - i/J é uma raiz da equ~ão característica, respectivamente_
100 Equações Lineares de Segunda Ordem

Y(t) são omitidos, já que, nesse caso, ambos são soluções da Se a função não-homogênea envolve ambos cos f3t e sen /31, é
equação homogênea. conveniente, em geral, tratar esses tcnnos em conjunto, já que cada
um, individualmente, pode gerar a mesma f orrna de solução parti-
g(t) = eatPn(t). O problema de determinar uma solução particu- cular. Por exemplo, seg(t) = t sen t + 2cos t, a forma de Y(t) seria
lar de
Y(t) = (A 0 t + A1)sent + (B0 t + B1)cost,
ay" + by' + cy = eª 1
Pn(t) (31)
desde que sente cos 1não fossem soluções da equação homogê-
pode ser reduzido ao caso precedente através de uma substitui- nea .
ção. Seja

Problemas
então
Nos problemas de l a 12, encontre a solução geral da equação dife- ::
Y'(t) = eªt[u'(t) +au(t)] reocial dada.

e
1. y" - 2y' - 3y = 3e2 t

Y"(t) = eªr[u"(t) + 2au'(t) + a 2


u(l)]. 2. y" + 2y' 5y + = 3sen2t
3. y'' - 2y' - 3y = -3te- •
Substituindo na Eq. (31 ), cancelando o fator eª1 e juntando os ter- 4. y'' + 2y'
= 3 + 4sen21
mos semelhantes, obtemos 5. + 9y = t 2e 3' + 6
y"
6. y" + 2/ + y = 2e_,
au" (t) + (2aa+h)u (t) + (aa 2 + ba + c)u(t) = Pn (t).
1
(32) 7 . 2y" + 3y' + y = t 2 + 3sent
A determinação de uma solução particular da Eq. (32) é pre- 8. y" + y = 3scn2t + t cos2t
cisamente o mesmo problema, exceto pelo nome das constantes, 9. u" + m~u = cos wt , w2 i= úJ~
que resolver a Eq. (28). Portanto, se aa.2 + ba + e não for zero, lo. u"+ w02 u = cosw0 t
supomos que u(t) = A0t" + ... + A 0 ; logo, uma solução particu- 11. y" + y' + 4y = 2 senh t Sugestão: senh t =(e' - e-')/2
lar da Eq. (31) tem a forma 12. y'' - y' - 2y = cosh2t Sugestão: cosht = (e 1 + e- 1 )/2

(33) Nos problemas de 13 a 18. encontre a solução do problema de valor


inicial dado.
Por outro lado, se aa. + ba + e for zero, mas 2aa + b não o
2

for, precisamos tomar u(t) da fonna t(A 0 t" + ... + A0). A fonna 13. y" + y' - 2y = 2t, y(O) =O, y'(O) = 1
correspondente para Y(t) é 1 vezes a expressão à direita do sinal 14. yr1 +4y = t 2 + 3e' , y(O) =O, y'(O) = 2
de igualdade na Eq. (33). Note que, se aa.2 + ba + e for zero, 15 . y" - 2y' + y =te'+ 4, y(O) = 1. y'(O) = 1
então ew é uma solução da equação homogênea. Se ambos acl 16. y'' - 2y' - 3y = 3te 2', y(O) = l, y'(O) =O
+ ba + e e 2aa + b forem nulos (e isso implica que tanto ea1 17. y'' +4y = 3scn2t, y(O) = 2, y'(O) = -1
quanto teªt "ão soluções da equação homogênea), ent:ao a forma 18. y"+2y'+5y=4e-'cos2t, y(O)=l, y'(O)=O
correta para u(t) é r2(A 0 t" + ... + A0). Portanto, Y(t) é 12 vezes a
expressão à direita do sinal de igualdade na Eq. (33). Nos problemas de 19 a 26:
(a) Determine urna forma adequada para Y(t) para se usar o
método dos coeficientes indeterminados.
g(t) = eatPn(t) cos /Jt ou e01Pn(t) sen /Jt.
Esses dois casos são
(b) Use um sistema de álgebra computacional para encontrar
semelhantes, logo consideraremos apenas o último. Podemos uma solução particular da equação dada.
reduzir esse problema ao precedente ~otando que, emconseqüên-
eia da fórmula de Euler, sen f3t =(e 1f3i - e- 1f31)/2i. Portanto, g(t) •v
4f"J
=
19. y'' + 3y' 2t 4 + t 2 e- 3' +sen 3t
é da forma #2 20. y" + y = t(l +sent)
Íl· 21. - 5y' + 6y = e1cos2t +é' (3t +4)senr
11
y
12- 22. y" + 2y' + 2y = 3e-t + 2e -t cos t + 4e-' t 2 sent
e devemos escolher
~2,23. y" - 4y' + 4y = 2t 2 + 4te2' + tsen 2t
Í(, 24. y" +4y = t 2 sen2t + (6t + 7)cos2t
Y(t)=e(a+i,8)t(A 0 t"+ · · · +An)+é~-í,8)t(B0 t"+ · · · +Bn) , ~ 25. y" + 3y' + 2y =e' (1 2 + l)seo2t + 3e- • cos t + 4e'
ou, equivalentemente, ~26. y" + 2y' + 5y = 3te- ' cos 2t - 2te-2' cos t
27 . Considere a equação
Y (t) =eª' (A 0 t" + ·· ·+ An) cos ,8t
+eª'(B0 t"+ · · +B,,)scn,8t . y" - 3y' - 4y = 2e- r (i)
do Exemplo 5. Lembre-se de que y 1(t) = e-' e y 2(t) = e 41 são
Em geral, prefere-se essa última forma. Se a ::':: if3 satisfazem a soluções da equação homogênea associada. Adaptando o mé-
equação característica correspondente à equação homogênea, todo de redução de ordem (Seção 3.5), procure urna solução da
temos, é claro, que multiplicar cada um dos polinômios por t para equação não-homogênea da forma Y(t) = v(l)y 1 (t) = v(t) e- '.
aumentar o grau de um. onde v (t) deverá ser determinado.
Equações Lineares de Segunda Ordem 1O1

(a) Substitua Y(t), Y'(t) e Y" (t) na Eq. (i) e mostre que v(t) tem 32. Se g(I) = d, uma constante, mostre que toda solução da Eq. (i)
que satisfazer v '' - 5v' = 2. tende a d/e quando t ~ °"· O que acontece se e = O? E se b tam-
(b) Seja w(t) = v '(t) e mostre que w(t) tem que satisfazer w' - bém for nulo?
5w = 2. Resolva essa equação para w(t). 33. Indicamos, neste problema, um procedimento7 diferente para
(c) Integre w(t) para encontrar v (t) e depois mostre que resolver a equação diferencial
2 1 1
Yi(t) =
5 1e - + -e
-- 5 1 e +ce-
41
2
1
. y'' +by' + cy = (D 2 + bD + c)y = g(t), (i)
A primeira parcela na expressão à direita do sinal de igualdade onde b e e são constantes, e D denota diferenciação em relação
é a solução particular desejada da equação não-homogênea. a t. Sejam r1 e r2 os zeros do polinômio característico da equa-
Note que ela contém um produto de fede e- 1• ção homogênea associada. Essas raízes podem ser reais e dis-
28. Detennine a solução geral de tintas, reais e iguais, ou números complexos conjugados.
N
(a) Verifique que a Eq. (i) pode ser escrita na forma fatorada
y" + l. 2 y = Lªmsenm;rrt , (D - r 1)(D - r2 )y = g(t),
m=I
onde r1 + r2 = - b e rtr2 = e.
onde À > O e A =t- m7T para m = 1, .. ., N. (b) Seja u = (D - r2)y. Mostre que a solução da Eq. (i) pode
#2,. 29. Em muitos problemas físicos , o termo não-homogêneo pode ser encontrada resolvendo-se as duas equações de primeira or-
ser especificado por fórmulas diferentes em períodos de tem· dem a seguir;
po diferentes. Como exemplo, determine a solução y == <f;<t)
de
(D - r 1 )u = g(t), (D - r 2 )y u(t) . =
Nos problemas de 34 a 37, use o método do Problema 33 para resol-
o ~ t ~ 7(, ver a equação diferencial dada.
y" +y = { t ' 11 - 1
7re , 1 > :rr,
34. y'' - 3y' - 4y = 3e 2' (veja o Exemplo 1)
satisfazendo as condições iniciais y(O) = O e y'(O) = 1. Supo- 35. 2y" + 3 y' + y = t2 + 3sen t (veja o Problema 7)
nha, também. que y e y' são contínuas cm t 7T. Faça o gráfico = 36. y" + 2y' + y = 2e - 1 (veja o Problema 6)
do tenno não-homogêneo e da solução em função do tempo. 37. y" + 2y' =
J + 4sen2t (veja o Problema 4)
Sugestão: Resolva, primeiro, o problema de valor inicial para
1 ~ ~ depois, resolva para t > 7T, determinando as constantes
nessa última solução a partir da~ condições de continuidade em
t = 1T. 3. 7 Variação dos Parâmetros
~2, 30. Siga as instruções do Problema 29 para resolver a equação di-
ferencial
Vamos descrever, nesta seção, um outro método para encontrar
o.::: t.::: ;rr/2, uma solução particular de uma equação não-homogênea. Esse
y'' + 2y' + 5y = {
o,I, método, conhecido como variação dos parâmetros, é devido a
t > 7r/2
Lagrange e complementa muito bem o método dos coeficientes
com condições iniciais y(O) = O e y' (0) = O. indeterminados. A principal vantagem do método de variação dos
parâmetros é que é um método geral; pelo menos em princípio,
Comportamento de Soluções quando t ~ oe. Nos Problemas 31 e pode ser aplicado a qualquer equação e não precisa de hipóteses
32, continuamos a discussão iniciada nos problemas de 38 a 40 da detalhadas sobre a forma da solução. De fato, usaremos esse
Seção 3.5. Considere a equação diferencial método mais tarde nesta seção para deduzir uma fórmula para
uma solução particular de uma equação diferencial linear não-
ay'' + by' + cy = g(t} , (i} homogênea de segunda ordem. Por outro lado, o método de va-
onde a, b e e são constantes positivas . riação dos parâmetros pode precisar que calculemos determina-
das integrais envolvendo o termo não-homogêneo da equação
3 l. Se Y1(1) e Y 2(t) são soluções da Eq. (i). mostre que Y1(f) - Y2(l) diferencial, o que pode apresentar dificuldades. Antes de olhar o
~ O quando t ~ x . Esse resultado é verdadeiro se b = O? método no caso geral, vamos ilustrar seu uso em um exemplo.

,;,,, Exemplo 1
·. Encontre uma solução particular de e que a solução geral da Eq. (2) é

y" + 4y = 3 csc t. (1) (3)

Observe que esse problema não é um bom candidato para A idéia básica no método de variação dos parâmelios é substi-
o método de coeficientes indeterminados, como descrito na tuir as constantes e 1 e c2 na Eq. (3) por fW1ções u1(t) e u2(t), res-
Seção 3.6, já que o termo não-homogêneo, g(t) = 3 csc t,
envolve um quociente (em vez de uma soma ou produto) de
sentou cos t. Precisamos, portanto, de uma abordagem dife-
rente. Note, também, que a equação homogênea associada à ' R. S . Lulhar, .. Anothcr Appruach to a Standard Diffcrcntial Equation··. Two Year Cottege
Eq. (1) é Mathematü:s Joumal 10 (1979), pp. 201}.201; veja também D. C . Sandell e F. M. SreiD.
"Facmrization of OperJ.tors of Second Order Linear Homogem:ous Ordinary Differeruial
F.quations". Two YetJr C:u//ege MmhemtJlic" Jo11mal /? (1977), pp. 132-141 , para uma dis-
y"+ 4y =O, (2) cussão mais gctal de operadores que fatoram .
lUL. Equações Line:an:s de .!leg11nda LJrde:m

pectivarnente, e depois de1erminar essa~ funções de modo que a podem ser consideradas como um par de equações lineares al-
expressão resultante gébricas para as quantidades desconhecidas u í (t) e ui(t). As
Eqs. (6) e (9) podem ser resolvidas de diversas maneiras. Por
y == u 1 (t) cos 2t + u 2 (t) sen2t (4) exemplo, resolvendo a Eq . (6) para u2(t). remos
seja solução da equação não-homogênea ( 1).
I CQS 2t
Para determinar Ui e u2, precisamos substituir y da Eq. (4) na 1
u~(t) = - u1( t ) - - . (10)
Eq, ( 1). No entanto, mesmo sem fa1.er essa substituição, podemos - scn2t
antecipar que o resultado será uma única equação envolvendo al-
Substituindo u2(t) na Eq . (9) por essa expressão e simplificaa-
guma combinação de ui. u2 e suas derivadas primeiras e segundas. <lo, obtemos
Como temos apenas uma equação e duas funções, esperamos que
existam muitas escolhas possíveis para u 1 e u2 que satisfaçam nos- , 3csctsen2t
sa~ necessidades. De outra forma, podemos ser capazes de impor u 1 (t) =- 2 = -3 cos t. (l I)
uma segunda conclição de nossa escolha, obtendo, a~sim , duas equa-
ções para as dua<; funções desconhecida<; ui e u2 • Vamos mostrar
Agora. substituíndo essa expressão para u] (t) de volta na Eq. (1 O)
em breve (seguindo Lagrange) que é possível escolher essa segun-
e usando as fórmulas para o ângulo duplo, vemos que
da condíção de maneira a tomar os cálculos bem mais eficientes.
Voltando à Eq. (4), derivando-a e rearrumando os termos ,
3 cos t cos 2t 3(1 - 2sen2 t) 3
obtemos u; (t) = -----
sen 2t 2 scnt
=-
2
csc t - 3 sen t.
y' = -2u 1 (t)scn2t + 2u 2 (t)cos2r + u~(t)cos2t (12)
+ uí(t)scn2t. (5)
Tendo obtido uj(t) e uí(t), integramos a seguir para encon-
Mantendo em mente a possibilidade de se escolher uma segun- trar u 1(t) e u2 (t). O resultado é
da condição sobre u 1 e u 2, vamos supor que a soma das duas úl-
timas parcelas à direíta do sinal de igualdade na Eq. (5) seja nula; (I 3)
isto é, supomos que e
u'1(t)cos2t +uí(t)sen2t =O. (6)
u2 (t) == 1tn1 csc t - cotgtl + 3 cos t + c2 • (14)
Segue, então da Eq. (5) que
Substituindo essas expressões na Eq. (4), temos
y' = ~ 2u 1 (t)sen2t + 2u 2 (t)cos2t. (7)
y =-3sent cos 2t + ~ln 1 csc t - cotgtlsen 2t + 3 cos tsen2t
Embora o efeito, em última análise, da condição (6) ainda não
esteja claro, pelo menos simplificou a expressão para y' . Conti- + c 1 cos2t + c 2 sen2t.
nuando, derivando a Eq . (7), obtemos
Finalmente, usando mais uma vez as fórmulas para o dobro do
y 11
= -4u 1 (t)cos2t -4u 2 (t)scn2t ângulo, obtemos

- 2uí (t)sen 2t + 2uí(l) cos 2t. (8) y= 3sen t + ~ln 1csc t- cotgt lscn 2t + c 1 cos2t+ c2 sen 2t.
Então, substituindo y e y" na Eq. ( 1) pelas Eqs. (4) e (8), respec- (15)
tivamente, vemos que u 1 e u2 têm que satisfazer
As parcelas na Eq . ( 15) envolvendo as constantes arbitrárias c 1 e
-2u~(l)sen2t + 2u;(t)cos2t = 3cscr. (9) c2 correspondem à solução geral da equação homogênea associ-
ada, enquanto a soma restante forma uma ~olução particular da
Resumindo nossos resultados até agora, queremos escolher equação não-homogênea ( l ). Ponanto, a Eq. ( l 5) é a solução geral
u 1 e u2 de modo a satisfazer as Eqs. (6) e (9). Essas equações da Eq. O).

No exemplo pro.:cdcnte, o método de variação dos parâmetros fim- Essa é uma hi pórese importante. já que, até agora, só mostramos
cionou bem parn determinar uma solução particular e. portanto, a solu- como resolver a Eq. ( 18) se tiver coeficientes constantes. Se a
ção geral, daf.q. (1). A próxima pergunta é se esse método pode ser apli- Eq. (l 8) tem coeficientes que dependem de t, então, em geral, os
cado efetivamente a wna equação arbitrária Vamrn considernr, enlão, métodos descritos no Cap. 5 têm que ser usados para se obter yç(t).
A idéia crucial, como ilustrado no Exemplo J, é substituir as
y" + p(t)y' + q(t)y = g(t) . (16) constantes c 1 e c 2 na Eq. (l 7) por funções u 1(t) e u2(t), respectiva-
onde p, q e g são funções contínuas dadas. Como ponto de par- mente; isso nos dá
tida, vamos supor que conhecemos a solução geral (19)
Yc(t) = c 1 y 1(t) + c2 y 2 (t) ( 17) Podemos, então, tentar determinar u1(t) e u2(t) de modo que a ex-
pressão na Eq. (l 9) seja solução da (!{)Uação não-homogênea (16),
da equação homogênea associada em vez da equação homogênea(l 8). Derivando aEq. (19), obtemos
y" + p(t)y' + q(t)y ==O. (18} y' =u'1(t)y 1(t) + u 1(t)y; (t) + u; (t)y2 (t) + u 2 (t)y~(t) . (20)
Equoçàes Lineares de Segunda Ordem 103

Como no Exemplo 1, vamos igualar a zero a soma dos termos


então uma solução particular dá·.w.t\:(_l6) é
envolvendo uí(t) e uí(t) na Eq. (20): isto é, vamos supor que

u; (t)y (!) + u;(t)y (t) =O.


1 2
(21)
Então, da Eq . (20), temos ·· ..•.·.:•.<::::<

y' =U I (t)y;

Derivando mais uma vez, obtemos


(1) + u 2 (t)y~ (f). (22)
+ y,(r) f ::::·):g1;~,ffiJ' (28)

onde lo é qualquer ponto em 1 escolhido conve~~fü~~emente.


y" =u~ (t)y; (t)+u 1 (t)y; (r)+u;(t)y~ (t)+ u 2 (t)y~(t) .
1
(23)
A solução geral é .)f :-'.:·
Agora, vamos substituir y, y' e y" na Eq. (16) pelas expres- y = c 1,Y1 (t) + c 2 y 2 (t) + Y (t), :\;(::( (29)
~ões nas Eqs. (19), (22) e (23 ), respectivamente. Após rearrumar ;:}·;;_:;-::_:.:··
os termos na equação resultante, vemos que como enunciado no Teorema 3.6.2.

u 1 (t)[y;'( t) + p(rh'; (t) + q(t)y 1 (t))


Examinando a expressão (28) e revendo o processo segundo
+ u 2 (t)[y;(t) + p(t)y1(t) + q(t)y 2 (t)) o qual a deduzimos, vemos que podem existir duas grandes difi-
+ u'1(t )y; (t) + u;(t )y; (t)= g (t ). culdades na utilização do método de variação dos parâmetros.
(24) Como mencionamos anteriormente, uma é a detenninação de y 1
e y 2, ou seja, a determinação de um conjunto fundamenral de
Cada uma das expressões entre colchetes na Eq . (24) é nula, pois soluções da equação homogênea (l 8), quando os coeficientes da
ambas as funções y 1 e y 2 são soluções da equacrão homogênea equacrão não são constantes. Uma outra possível dificuldade é o
( 18). Portanto , a Eq. {24) se reduz a cálculo das integrais que aparecem na Eq . (28). lsso depende
1
u 1 (t)y; (t) + u;{r) .v; (t) = g(t ). (25) inteiramente da natureza das funções Y1t y2 e g. Ao usar a Eq.
(2 8), certifique-se de que a equação diferencial é exatamente da
As Eqs. (21) e (25) formam um sistema de duas equações linea- forma ( 16); caso contrário, o termo não-homogêneo g(t) não será
res algébricas para as derivadas u '1(t) e u2(t) das funções desco- identificado corretamente.
nhecidas. Elas correspondem, exatamente. às Eqs. (6) e (9) no Uma grande vantagem do método de variação dos parâme-
Exemplo 1. tros é que a Eq. (28) fornece uma expressão para a solução par-
Resolvendo o sistema (21 ), (25), obtemos ticular Y(t) em termos de uma função não-homogênea arbitrária
g(t). Essa expressão é um bom ponto de partida se você quiser
ínvestigar o efeito de variações no termo não-homogêneo , ou se
quiser analisar a resposta de um sistema sujeito a um número de
forças externas diferentes.
onde W(y 1, y2) é o wronskiano de y 1 e y2 . Note que a divisão por
lV é permitida, já que .\'i e y 2 formam um conjunto fundamental
de soluções e, portanto, seu wronskiano não se anula. Integran-
do a Eq . (26), encontramos as funções desejadas u1(t) e u2(1), a Problemas
saber, Nos problemas de 1 a 4, use o método de variação dos parâmetros ·
para encontrar uma solução particular da equação diferencial dada.
Depois verifique sua resposta usando o método dos coeficientes in-
determinados.
l. y" - Sy ' + 6.v = 2er 2. y 1' - y' - 2y = 2e- 1
3. y" + 2.v' + y = 3e- ' 4. 4y 11 - 4y' + y = 16e' / 2
Nus problemas de 5 a l 2, encontre a solução geral da equação di-
Se as integrais nas Eqs. (27) puderem ser calculadas em termos rerencial dada. Nos Problema ~ 11 e l 2. g é uma função contínua
arbitrária.
de funcrões elementares, então substituímos os resultados na Eq .
11
(19), obtendo, assim, a solução geraJ da Eq. (16). Mais geralmen- 5. y +_1· =tgt . Ü < T < rr: / 2
te, a solução sempre pode ser expressa em termos de integrais, 6. y" + 9y = 9 sec~ Jt , O < f < n/6
como enunciado no teorema a seguir. 7. v" + 4y' + -4y = , - ie- 21 , t > O
8. v'' + 4v = 3csc2t. O < t < rr:/2
,.,()rema 3.7.1 =
9. 4y" + y 2 sec(t / 2),