Fenômenos de Transporte

Prof a. Mara Nilza Estanislau Reis 1º semestre 2008

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Disciplina: Fenômenos de Transporte Cursos: Prof a.: Engenharia de Controle e Automação Engenharia Elétrica Mara Nilza Estanislau Reis 1º semestre 2008

Objetivos:
Aprender os princípios básicos da Mecânica dos Fluidos e da Transferência de Calor; Analisar as distribuições de pressão em fluidos em repouso; Analisar as distribuições de força em corpos e superfícies submersas; Estudar o escoamento ideal e real no interior de dutos; Analisar as maneiras através das quais o calor é transmitido.

Ementa:
Mecânica dos Fluidos: Propriedades Físicas; Equações Gerais da Estática, Cinemática e Dinâmica dos Fluidos; Cálculos de Pressões Hidrostáticas, de Forças sobre Superfícies Submersas e de Perda de Carga; Medição de Viscosidade, Pressão e Velocidade. Transferência de Calor: Condução, Convecção, Radiação, Aplicações. Transferência de Massa: Difusão, Coeficiente de Transferência de Massa, Teoria da Camada Limite, Aplicações.

1

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Índice
1. Introdução a Mecânica dos Fluidos.................................................................. 1.1. Definição............................................................................................. 1.2. Objetivo............................................................................................... 1.3. Aplicação............................................................................................. 2. Definição de um Fluido..................................................................................... 2.1. Introdução........................................................................................... 2.2. A Hipótese do Contínuo...................................................................... 2.3. Princípio da Aderência........................................................................ 3. Métodos de Análise........................................................................................... 3.1. Sistema................................................................................................ 3.2. Volume de Controle............................................................................ 4. Dimensões e Unidades...................................................................................... 4.1. Introdução............................................................................................ 4.2. Sistemas de Dimensões....................................................................... 4.3. Sistemas de Unidades.......................................................................... 5. Propriedades Físicas dos Fluidos...................................................................... 5.1. Peso Específico.................................................................................... 5.2. Volume Específico.............................................................................. 5.3. Densidade Relativa.............................................................................. 5.4. Massa Específica ou Densidade Absoluta........................................... 5.5. Módulo da Elasticidade Volumétrico.................................................. 5.5.1. Condições Isotérmicas............................................................. 5.5.2. Condições Adiabáticas............................................................ 5.6. Coeficiente de Compressibilidade (C) ............................................... 6. Campo de Velocidade....................................................................................... 7. Regime Permanente e Transiente...................................................................... 7.1. Regime Permanente............................................................................. 7.2. Regime Transiente............................................................................... 7.3. Campo Uniforme de Escoamento........................................................ 8. Escoamentos Uni, Bi, Tridimensional.............................................................. 8.1. Escoamento Unidimensional............................................................... 12 12 12 12 12 12 13 13 14 14 14 14 14 14 15 16 16 17 17 18 19 19 19 19 20 21 21 21 21 21 21

2

1a Lei da Termodinâmica Aplicada ao Volume de Controle............ 11............. Vazão Mássica e Vazão Volumétrica.......................... Linhas de Emissão e Corrente....................... A Relação Entre as Derivadas do Sistema e a Formulação Para Volume de Controle............................................................... 13.............................................4.....2.........1................................6........... Linhas de Tempo................ Equilíbrio dos Corpos Flutuantes.... 13..........................4... 22 23 26 27 27 29 29 30 32 34 34 35 37 38 38 39 41 41 43 43 44 47 47 48 48 49 50 51 53 55 57 3 ....................... Equação da Continuidade (de Conservação da Massa) Para um Volume de Controle Arbitrário. Pressão Absoluta.................... 9..................................... Manômetros de líquido.. 8............................2..........................................5.......1...........................................4..2...........2........... 11...... 11.................................... 13...........................................................4......6............. 13.............. Equação de Bernoulli................................................................................... Manômetros metálicos.................................... 13........ 8..................................... Fluidodinâmica... O Barômetro de Mercúrio.....3..... 11.............. 9......... 13............................................ Viscosidade.. Volume de Controle...6......... 11.......................Fenômenos de Transporte – 01/2008 8....................................................................... Princípio de Arquimedes............................3....... Aplicação para a Manometria................................2.........................................................................2..........4............... 13..................... 10...... 13................1............ 11................................. Tipos de Escoamento...................................1... 11................................................ 11. 12............................................................................................................................1.......................... 11...... Casos Especiais.............. Sistema.......... Fluidoestática.............................................. 12.........................................4...................... Pressão...................................................................................................6...................................1................ Escoamento Bidimensional....................... Campos de Tensão................................ Viscosidade Cinemática: (ν).....6.5...... Lei de Pascal...............1..... Número de Reynolds: (Re) .....................1......................................... 9......... Viscosidade Dinâmica ou Absoluta: (µ).... 10................................... 13.... Tipos de Manômetros.....3............. 9........................... Trajetórias..... 13....... 9........................................... A Equação de Bernoulli Para Fluidos Ideais....3........ Pressão Manométrica..................................... A Equação Básica da Estática dos Fluidos.

...................2. 13.............................................2.......................2............1..1.................6........2.. 15........ Visualização Gráfica da Equação de Bernoulli.............. Equação da Difusão de Calor...................................... 13..... 14..2................2...................2..... Tubo de Venturi........ 57 59 59 60 62 63 65 68 68 69 70 70 74 81 86 86 86 86 87 87 88 89 92 93 96 96 97 98 101 101 104 104 4 ........................................2........ 13...........6......2...... Condução................................ 15......................................................... 13....... Convecção............ Aplicações da Equação de Bernoulli............ 15....................................... Teorema de Torricelli................ 15.. Introdução à Condução..................................2....................................... 14..3..........................................1.........2.................... Propriedades Térmicas da Matéria.................2...............4............... Modos de Transferência de Calor...................1..2............ Condução........Fenômenos de Transporte – 01/2008 13................ Medidores de Vazão...........7.... Introdução...........................7.............................8...........7.............................. Convecção............................3..........1.......................... 13...4............................2............. Perdas de Carga Localizadas........... 14...... 13................................................ 15............................ 13........... 13........4.................... 15................... Perdas de Carga Contínuas......................................... 14. Condução......... 14............2........ Potência Fornecida por uma Bomba.... Radiação............. 14...2.....7........1...........1.............. Transferência de Calor.......... Radiação... Tipos de Perda de Carga............1.... 14... 15... 14............... Conservação de Energia em um Volume de Controle................... Placa de Orifício............2.......... 15..................2..6............3. Coordenadas Esféricas.. Coordenadas Cilíndricas....... Pressão de Estagnação.. 13.......2............................ Coordenadas Cartesianas......1.....6.......3...1.................. Leis Básicas da Transferência de Calor................ 13...................2...........2............3..... 13..4..6...............3....... 14... Equação de Bernoulli Para Fluidos Reais – Perda de Carga.......3........................... 13...............2...............6.........................2... Visualização Gráfica da Equação de Bernoulli Para Fluidos Reais..........................3.....6................................. 13..7.............4.... 14.................2.........2...................................................6........................................1............. Tubo de Pitot............3...

..... Parede Composta............... 15. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Esfera................... Aletas com área da seção transversal constante..4.......2................................. Transferência de Calor em Superfícies Expandidas – Aletas......1......................................... 18..............................1 Condução com Geração de Energia Térmica Parede Plana......................2.......... A Camada Limite Hidrodinâmica.....5................................. 15.......................... 16...... 15......... 15..... 15................. 18.... Condução Unidimensional em Regime Permanente.................2.........4...... 105 108 108 109 113 116 116 119 119 122 125 129 130 130 133 134 134 136 137 138 143 146 146 146 148 148 160 151 152 5 ..............2.........5.................. 15.................................................. Método da Capacitância Global................................................... Parede Cilíndrica Composta.... Balanço de Energia para uma Aleta..................................... Parede Simples............................................................ Espessura Crítica de Isolamento..................8........ 18.. 15............................... As Camadas Limites de Concentração....... Resistência Térmica........................................... 16.................................... Fundamentos da Convecção........... 15........................ Introdução.....5................................................. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Cilindro......................................................6..... 17............ 16.............. 16...... Introdução....7........ Parede Composta: Série-Paralelo............... 15.4....... Condução Transiente........................... Convecção...........................2 Condução com Geração de Energia Térmica – Sistemas Radiais..6...5..............8.......2............................ Resistência de contato... Distribuição de Temperatura.......5......3.................... 15..........8......... 15. 16........................................................... 18..............4........5......................................................1...........................3......... Desempenho da Aleta......................... As Camadas Limites da Convecção.......................................5.................. 17...................Fenômenos de Transporte – 01/2008 15...............1.................................... Condução com Geração de Energia Térmica............................................................. Condições de Contorno e Condição Inicial....1....................2.............. Tipos de Aletas.........6............. 15...............................5............. 15..1............. 15.6..............1................... 17........................2............3............................. 16. 18.......2.............

....................... A Camada Limite Térmica....... Escoamento Laminar e Turbulento.................................................................................................................................... 18..............Fenômenos de Transporte – 01/2008 18.................... REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS................................................... EXERCÍCIOS RECOMENDADOS...................................... Apêndice B............................................................................................3.......................................... 153 156 158 159 160 164 6 ...................................4.......... Apêndice A......

Figura 8 – Exemplo de Escoamento Bidimensional. Figura 21 – Manômetro de Líquido. Sob a Ação de uma Força de Cisalhamento Constante.Possível Classificação da Mecânica dos Fluidos. Figura 30 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento 13 14 14 20 22 22 28 30 31 33 34 35 37 38 39 39 40 41 42 42 43 43 43 47 48 48 52 58 12 13 7 . Figura 2 – Comportamento de (a) um Sólido e (b) um Fluido. Figura 20 – Manômetro de Líquido. Figura 7 – Exemplo de Escoamento Unidimensional. Figura 14 – Volume de Controle Infinitesimal. Figura 23 – Tubo de Bourdon. Figura 28 – Escoamento de um Fluido através de um Tubo. Figura 17 – O Barômetro de Mercúrio. Figura 19 – Ilustração do exemplo acima.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figuras Figura 1 – Elemento Fluido sob a Ação de Esforço Tangencial Constante. Figura 11 . Figura 12 – Exemplo do Cálculo da Pressão na Base de um Recipiente. Figura 24 – Manômetro de Diafragma. Figura 13 – Fluida em Repouso. Figura 5 – Escoamento de um Fluido Através de um Tubo. Figura 22 – Manômetro de Líquido. Figura 6 – Determinação do Campo de Velocidades em um Ponto. Figura 16 – Exemplo do Cálculo das Pressões Absoluta e Manométrica. Figura 15 – Variação de Pressão em um Fluido Estático. Figura 9 – Deformação de um Elemento de Fluido. Figura 25 – Corpo Imerso em um Fluido Estático. Figura 29 – Escoamento Unidimensional. Figura 10 – Exemplo para o Cálculo do Número de Reynolds. Figura 3 – O Perfil de Velocidade Linear no Líquido entre Placas Paralelas ∞ Figura 4 – Conjunto Pistão-Cilindro. Figura 18 – Variação de Pressão em uma Coluna de Múltiplos Fluidos. Figura 26 – Cálculo do Metacentro de um Corpo Submerso. vasos comunicantes. Figura 27 – Conjunto Pistão-Cilindro.

Ábaco de Moody. Figura 39 . (b) Convecção forçada. Figura 33 – Tubo de Venturi. Figura 38 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento de um Fluido Real. Figura 52 – Processos de transferência convectiva de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Unidimensional em um Duto. Figura 43. Figura 35 – Tubo de Pitot com fluido manométrico. Figura 55 – Transferência de Calor em uma Parede Plana. Figura 45 – Válvula de gaveta. 59 60 62 63 64 66 68 69 72 73 74 75 77 78 79 80 80 81 83 86 87 87 88 88 89 8 . Figura 34 – Medição de pressão estática – Tubo de Pitot. Figura 32 – Escoamento Interno através de um Bocal Genérico mostrando o volume de controle usado para análise. Figura 50 . Figura 31 – Escoamento de um Fluido Ideal em um Recipiente de Paredes Delgadas. Figura 54 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças. Figura 53 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças.Transferência de calor. Figura 49 – Conjunto elevatório referente ao exemplo acima. Figura 44 – Coeficiente de Perda de Carga para um Difusor. Figura 41 – Valores aproximados de k. Figura 40 – Determinação da Rugosidade Relativa. Figura 48 – Elevação de um Fluido com uma Bomba. Figura 46 – Válvula Globo. Figura 51 – Associação da transferência de calor por condução à difusão da energia provocada pela atividade molecular. (a) Convecção natural. (b) Placa de Orifício. Figura 36 – (a) Geometria de orifício e localização de tomadas de pressão – Placa de orifício. Figura 37 – Medições simultâneas das pressões de estagnação e estática. Figura 42 – Comprimentos Equivalentes para Tubulações de Ferro fundido e Aço. Figura 47 – Válvula de Retenção.Redução de Área – Bocal.

Figura 77 – Superfície da qual se quer Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Figura 61 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Esféricas).Queda de temperatura devido à resistência térmica de contato. Figura 65 – Circuito térmico equivalente. Figura 66 – Parede Composta. Figura 81 – Balanço de Energia em uma Superfície Expandida. Figura 64 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana. 91 94 97 102 104 105 108 111 113 114 116 116 117 119 121 124 125 128 129 131 134 132 132 133 133 134 139 144 9 . Figura 79 – Trocadores de Calor com tubos aletados.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 56 – Transferência Convectiva de Calor. Figura 73 – Comportamento das Resistências Térmicas com r2. (c) Superfície adiabática no plano intermediário. Figura 57 – Troca Radiativa Líquida entre duas Superfícies. (a) Condições de contorno assimétricas. Figura 78 – Colocação de Aletas para Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Figura 63 – Circuito Térmico. Figura 67 – Circuitos Térmicos Equivalentes numa Parede Composta. tubo com paredes delgadas. Figura 60 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cilíndricas). Figura 72 – Parede Cilíndrica Composta. Figura 59 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cartesianas). Figura 75 – Condução em uma parede plana com geração uniforme de calor. Figura 80 – Configurações de Aletas. Figura 69 – Transferência de Calor através de um Cilindro Oco. Figura 71 – Ilustração do exemplo acima. Figura 58 – Faixas de Condutividade térmica para vários estados da matéria. Figura 74 – Transferência de Calor através de uma Casca Esférica. Figura 70 – Transferência de Calor Através de uma Parede Cilíndrica Composta. Figura 76 – Transferência de Calor em uma superfície expandida. Figura 62 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana. Figura 82 – Aletas com Área da Seção Transversal Constante. (b) Condições de contorno assimétricas. Figura 83 – Eficiência de aletas. Figura 68 .

Transferência convectiva de Calor. Figura 91 – Camada Limite. Figura 85 – Resfriamento de uma peça metálica quente. Figura A1 – Viscosidade Absoluta de Alguns Fluidos Figura A2 – Viscosidade Cinemática de Alguns Fluidos à Pressão Atm.A camada limite fluidodinâmica. 146 147 148 148 149 151 152 153 156 166 167 10 .Perfil de concentração na camada limite.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 84 – Montagem Representativa das Aletas – a) Retang. Figura 88 – Escoamento sobre uma Placa Plana. Figura 86 – Distribuição transiente de temperatura correspondente a diferentes números de Biot. numa parede plana resfriada simetricamente por convecção. Figura 90 . Figura 87 . b) Anulares. Figura 92 – Camada Limite Térmica. Figura 89 .

K) Tabela 9 – Equações de Taxa Tabela 10 – Lei de Fourier para os três sistemas de coordenadas Tabela 11 – Resistência térmica de contato em (a) Interfaces Metálicas sob condições de vácuo e (b) Interface de Alumínio com diferentes fluidos interfaciais Tabela 12 – Resistência Térmica de interfaces sólido/sólido representativas Tabela 13 – Propriedade de Fluidos Gasosos 118 163 118 15 16 71 76 76 77 78 92 96 96 11 . Tabela 5 – Coeficientes de Perda de Carga para Contração e Expansão. Tabela 3 – Rugosidade para Tubos de Materiais comuns de Engenharia. Tabela 7 – Comprimento Equivalente Adimensional para Válvulas e Conexões Tabela 8 – Valores de h (W/m². Tabela 4 – Coeficiente de Perda de Carga para Entrada de Tubos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tabelas Tabela 1 – Sistemas de Unidades. Tabela 6 – Coeficiente de Perda de Carga para Redução Suave da Seção. Tabela 2 – Principais prefixos para unidades de Engenharia.

não importa sua intensidade (figura 1). 12 . 1. 2. ventiladores. Definição de um Fluido 2. etc.2b). compreender e analisar qualquer sistema no qual um fluido é o meio produtor de trabalho. ele se deformará continuamente. Objetivo: conhecer.2a) sobre um sólido fixado entre as duas placas.1. edifícios comerciais.3. enquanto existir uma força tangencial atuando sobre ele (fig. aeronaves. No regime elástico do material. corpos flutuantes. o bloco sofre uma deformação e se estabiliza no novo formato. sistemas de tubulações.2. Estudo do comportamento dos fluidos em repouso (Fluidoestática) e em movimento (Fluidodinâmica).1. Figura 1 – Elemento Fluido sob a Ação de Esforço Tangencial Constante. 1. automóveis. Os fluidos compreendem as fases líquida e gasosa (ou de vapor) das formas físicas nas quais a matéria existe. Definição: é a ciência que estuda o comportamento físico dos fluidos e as leis que regem tal comportamento. A distinção entre um fluido e o estado sólido fica clara ao ser comparado seu comportamento. Repetindo a experiência para um fluido. Introdução: É uma sustância que se deforma continuamente sob a aplicação de uma tensão de cisalhamento (força tangencial). Ao ser aplicada uma força tangencial F (fig. Aplicação: máquinas de fluxo (bombas. submarinos. ao cessar a aplicação da força. medicina. sistemas de aquecimento e ventilação de residências. compressores e turbinas).Fenômenos de Transporte – 01/2008 1. Introdução a Mecânica dos Fluidos 1. o sólido retorna à forma original.

não se alcançando uma posição de equilíbrio estático. A Hipótese do Contínuo: Como o espaço médio entre as moléculas que compõem o fluido é bastante inferior às dimensões físicas dos problemas estudados. 2a Situação: Figura 2b Sob a ação da Ft deforma-se continuamente. Princípio da Aderência: “Os pontos de um fluido em contato com uma superfície sólida possuem a mesma velocidade dos pontos desta com os quais estão em contato. 13 . 2.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 2 – Comportamento de (a) um Sólido e (b) um Fluido.3) Figura 3 – O Perfil de Velocidade Linear no Líquido entre Placas Paralelas Infinitas. 2.2. (fig. considera-se o fluido como uma substância que pode ser dividida ao infinito.3. não há deslizamento naquelas fronteiras”. 1a Situação: Figura 2a Mantida a Ft constante o sólido deformar-se-á até alcançar uma posição de equilíbrio estático. Sob a Ação de uma Força de Cisalhamento Constante.

5. que. devem possuir a mesma dimensão”. calor e trabalho poderão cruzar as fronteiras.1. a fronteira geométrica é chamada superfície de controle. Volume de controle: volume do espaço através do qual o fluido escoa (arbitrário).2. 4. 4. Sistema: quantidade de massa fixa e identificável.1. 3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 3. Introdução Dimensões: são grandezas mensuráveis (quantidades físicas: podem ser primárias (básicas) e secundárias (derivadas)). Métodos de análise 3. Figura 5 – Escoamento de um Fluido Através de um Tubo.2. Unidades: são nomes arbitrários dados às dimensões. Figura 4 – Conjunto Pistão-Cilindro. 4 . traduz um fenômeno físico. Sistemas de Dimensões Lei da Homogeneidade dimensional: “Todos os termos de uma expressão matemática. conforme mostrado na fig. Dimensões e unidades 4. as fronteiras do sistema separam-no do ambiente à volta. Exemplo: x = x 0 + V0 + 1 at 2 2 (L ) = (L ) + (L t × t )+ 1 2 L t 2 × t 2 14 ( ) . conforme mostrado na fig. não há transferência de massa através das mesmas.

quantidade de matéria e intensidade luminosa. L(comprimento).Fenômenos de Transporte – 01/2008 4. uma grandeza secundária. L(comprimento). etc.CORRENTE MENTO QTE DE INTENSIDADE LUMINOSA cd RATURA ELÉTRICA MATÉRIA Força: Força: Massa 1N = 1kg m s2 cm s2 s2 ft 1dina = 1g 1slug = 1lbf No Apêndice B são apresentados os fatores de conversão entre os sistemas para as diferentes grandezas. temperatura. comprimento. tempo. Técnico inglês: F(força). alguns países ainda adotam os antigos sistemas de unidades. Países diferentes podem utilizar sistemas de unidades diferentes. Tabela 1 – Sistemas de Unidades. SI absoluto: M(massa). como uma tentativa de padronização. corrente elétrica. A partir delas. t(tempo). I(corrente elétrica). comprimento. temperatura e tempo. No entanto.). portanto. podem ser derivadas as unidades das outras grandezas (excetuando-se as grandezas elétricas). 15 . A massa passa a ser. Em 1960. comprimento. as grandezas básicas são força. quantidade de matéria e intensidade luminosa) e padronizadas as suas unidades. t(tempo). T(temperatura). SISTEMA DE UNIDADES SI ABSOLUTO TÉCNICO INGLÊS INGLÊS TÉCNICO Kg g utm slug lbm m cm m ft ft s s s s s K K K R R A mol MASSA COMPRI. Foram definidas 7 grandezas básicas (massa. T(temperatura).3. instituiu-se o Sistema Internacional (SI). No Sistema Britânico.TEMPO TEMPE. Sistema de Unidades Pode-se trabalhar com diferentes unidades para as grandezas (massa.

kgf / m3. 2 apresenta prefixos utilizados em engenharia para escrever valores muitos pequenos ou muito grandes de uma maneira mais concisa.1. Peso especifico: (γ) É o peso do fluido contido em uma unidade de volume. Tabela 2 – Principais prefixos para unidades de Engenharia. γ: Peso específico [F/L3] γ = W ∀ W: Peso da substância [F] ∀ : Volume do fluido [L3 ] γ = mg m = g = ρg ∀ ∀ Unidades: (N/m3. Fator Multiplicativo 109 106 10 3 Prefixo Giga Mega Kilo Deci Centi Mili Micro Nano Pico Símbolo G M k d c m µ n p 10-1 10-2 10-3 10-6 10-9 10-12 5.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A Tab. Propriedades físicas dos fluidos 5. lbf / ft3) DIM: [F / L3] 16 .

é comum que a substância de referência seja a água. ft3/ slug. o ar. Densidade relativa: (δ.: Massa específica ou densidade absoluta da substância de referência [M/L3] δ=d = SG= ρfluido ρfluido padrão = γfluido γfluido padraão DIM: [1] 17 . cm3/ g. δ: Densidade relativa [adimensional] δ = d = SG = ρ ρ ref ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] ρref. para os gases. ft3/ lbm) DIM: [L3/ M] 5. υ: Volume específico [L3/M] υ= ∀ 1 = m ρ ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] Unidades: (m3 / kg.3.d ou SG) Razão entre a massa específica de uma substância e a massa específica de uma substância de referência.2. Para líquidos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 5. Volume específico: (ν) Inverso da massa específica. Quando se trabalha com densidades relativas de sólidos. o fluido de referência é a água e.

Fenômenos de Transporte – 01/2008

5.4. Massa específica ou densidade absoluta: ( β ) Também conhecida como densidade absoluta, é a quantidade de massa do fluido contida em uma unidade de volume. ρ: Massa específica [M/L3]
ρ=
m ∀

m: Massa do fluido [M] ∀ : Volume do fluido [L3 ]

Unidades: (kg / m3; g / cm3; slug / ft3) DIM: [M / L3] A densidade dos gases variam bastante quando são alteradas sua pressão, e/ou sua temperatura. Ao contrário, a densidade dos líquidos apresenta pequenas variações com alterações de pressão e temperatura, são, em sua maioria, considerados incompressíveis. Na Tab. A.1 (Apêndice A), são apresentados valores de massa específica para alguns fluidos, a 20°C e 1 atm. As Tab.s A.2 e A.3 apresentam, respectivamente, a variação da massa específica da água e do ar com a temperatura, para a pressão de 1 atm.

5.5. Módulo da Elasticidade Volumétrico: (β) Razão entre uma variação de pressão e a correspondente variação de volume por unidade de volume. β: Módulo de elasticidade volumétrico
β =
− ∆P ∆∀ / ∀

∆P: Variação de pressão [F/L2] ∆∀ : Variação de Volume [L3 ] ∀ : Volume [L3 ]

O sinal negativo indica que um aumento de pressão corresponde a uma redução de volume. Unidades: (N/m2; kgf / m2 ; lbf / ft2) DIM: [F / L2]

18

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Expressa a compressibilidade do fluido. A compressibilidade de uma substância é a medida da variação relativa de volume decorrente de aplicação de pressão. O módulo de compressibilidade de líquidos costuma ser obtido experimentalmente. No caso de gases, o seu valor depende do tipo de processo que resulta da compressão. 5.5.1. Condições isotérmicas: T = constante P.V. = constante
V 1 P2 = V 2 P1

P1V1 = P2V2

P.dV + V.dP = 0 P.dV = - V.dP
dV − dP = V P β =P

5.5.2. Condições adiabáticas: P.Vk = constante k = Cp / Cv P1.V1k = P2.V2k Vk .dP + Vk-1P.k.dV = 0 P.k.dV + V.dP = 0
dV − dP = V kP β = kP

5.6. Coeficiente de Compressibilidade: (C) Inverso do módulo de elasticidade volumétrico.
C=
1

β

C: Coeficiente de compressibilidade [L2/F] β: Módulo de elasticidade volumétrico

[F/L2] Unidades: (m2/N; m2/kgf; ft2/lbf) DIM: [L2/F] 19

Fenômenos de Transporte – 01/2008

6. Campo de velocidade
Entre as propriedades do escoamento, destaca-se o campo de velocidade. Seja o volume de fluido ∀ mostrado na Fig. 6.

Figura 6 – Determinação do Campo de Velocidades em um Ponto. A velocidade instantânea do fluido no ponto C é igual à velocidade instantânea do volume infinitesimal δ∀ que passa pelo ponto C no instante de tempo em questão. r O campo de velocidade, V , é função das coordenadas x, y e z e do tempo t. A completa representação do campo de velocidades é dada por:
r r V = V ( x, y , z , t )

r O vetor velocidade, V , pode ser expresso em termos de suas três componentes

escalares. Chamando estas componentes nas direções x, y e z de, respectivamente, u, v e w, o campo de velocidades pode ser escrito como:
r ˆ ˆ j V = ui + vˆ + wk ,

onde: u = u (x, y, z, t ), v = v(x, y, z, t ) e w = w (x, y, z, t )

Exemplo:
Dados os campos de velocidade listados abaixo, determine: (a) As dimensões de cada campo de velocidade (b) Se está em regime permanente ou não

(1)

(2)

r ˆ V = ae −bx i r ˆ V = ax 2i + bxˆ j

[

]

20

r r r r (4) Bidimensional V = V ( x. 7. Regime Permanente: As propriedades do fluido. ou seja. regime permanente V ≠ V (t ) . y. 7. r r r r (5) Tridimensional V = V ( x.Fenômenos de Transporte – 01/2008 (3) (4) (5) r ˆ V = axi − bxˆ j r ˆ V = (ax + t )i − by 2 ˆ j r 1 V = a (x 2 + y 2 ) 2 1 ( z )kˆ 3 Resolução: r r r r (1) Unidimensional ( V = V ( x ) ). regime permanente V ≠ V (t ) . r r r r (2) Unidimensional ( V = V ( x ) ). Escoamento unidimensional: Exemplo: Suponha o escoamento em regime permanente no interior de um duto de seção transversal constante mostrado na Fig. z ) . Regime Transiente: As propriedades do fluido variam com o tempo. r r r r (3) Bidimensional V = V ( x. y ) . Campo Uniforme de Escoamento: Escoamento no qual o módulo e o sentido do vetor velocidade são constantes. Os escoamentos podem ser classificados em uni-.e tridimensionais de acordo com o número de coordenadas necessárias para se definir seu campo de velocidades. bi. regime não permanente V = V (t ) . Regime permanente e transiente 7. não variam com o tempo. onde η representa uma propriedade qualquer do fluido.3. regime não permanente V = V (t ) . através de toda a extensão do campo. 21 . 8.2. regime permanente V ≠ V (t ) . Escoamentos uni. y ) . 8. ∂t 7. independentes de todas as coordenadas espaciais. em cada ponto do escoamento. tridimensional. bi. A definição matemática do movimento permanente é: ∂η = 0 .1. 7.1.

Figura 8 – Exemplo de Escoamento Bidimensional. bidimensional. 22 . de largura infinita (Fig. 8. o escoamento é unidimensional. Como o canal é considerado infinito na direção do eixo dos z. Conseqüentemente. a velocidade pode ser descrita pela equação: ⎡ ⎛ r ⎞2 ⎤ u = u max ⎢1 − ⎜ ⎟ ⎥ ⎢ ⎝R⎠ ⎥ ⎣ ⎦ Como o campo de velocidades depende apenas da distância radial r.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 7 – Exemplo de Escoamento Unidimensional. O campo do escoamento é. 8). Escoamento bidimensional: Seja agora o escoamento entre placas divergentes. portanto. A partir de uma certa distância da entrada do duto. o campo de velocidades é função somente das coordenadas x e y. o campo das velocidades será idêntico em todos os planos perpendiculares a este eixo.2.

de forma que. novamente pelo emprego do corante. a velocidade em cada ponto do campo permanece constante com o tempo e. pelo emprego de um corante. de emissão e de corrente. Neste caso. Se num campo de escoamento uma quantidade de partículas fluidas adjacentes forem marcadas num dado instante. as trajetórias. Todas elas. elas formarão uma linha no fluido naquele instante. Além disso. 23 . em conseqüência. A linha em que une as partículas fluidas.3. tiramos uma fotografia de exposição prolongada do seu movimento subseqüente. trajetórias e linhas de emissão e de corrente são linhas idênticas no campo de escoamento. A forma das linhas de corrente pode variar de instante a instante se o escoamento for transiente. por exemplo.Fenômenos de Transporte – 01/2008 8. esta linha é chamada de linha de tempo. A linha traçada pela partícula é uma trajetória. No escoamento permanente. não pode haver escoamento através delas. Tal representação é provida de linhas de tempo. teríamos uma certa quantidade de partículas fluidas identificáveis no escoamento. num ponto fixo no espaço. Como as linhas de corrente são tangentes ao vetor velocidade em cada ponto do campo. Após um curto período. subseqüentemente permanecerão nela. todas as partículas fluidas que passam por aquele ponto. as linhas de emissão e as linhas de corrente não coincidem. teriam passado por um local fixo no espaço. as linhas de corrente não variam de um instante a outro. num dado instante. em algum momento. As linhas de corrente são aquelas desenhadas no campo de escoamento. temos que identificar uma partícula fluida. freqüentemente é vantajoso obter uma representação visual de campo de escoamento. são tangentes à direção do escoamento em cada ponto do campo. trajetórias. Então num escoamento permanente. de trajeto. linhas de emissão e linhas de corrente: Na análise de problemas de mecânica dos fluidos. é definida como linha de emissão. poderíamos preferir concentrar a atenção em um lugar fixo do espaço e identificar. Linhas de tempo. Por outro lado. partículas consecutivas passando através de um ponto fixo do espaço estarão sobre a mesma linha de corrente e. Para torná-la visível. em seguida. num dado instante. Isto implica que uma partícula localizada numa determinada linha de corrente permanecerá sobre a mesma. Uma linha de trajeto é o caminho ou trajetória traçada por uma partícula fluida em movimento.

Compare esta trajetória com as linhas de corrente que passam pelo mesmo ponto nos instantes t = 0. então: dt dt dx ∫ x = ∫ at. dx axt Aplicando equações diferenciais temos: y0 ∫ dy = y x0 ∫ at x b dx b ⎛ x⎞ ou y = y0 + ln⎜ ⎟ . dt x t dx dy e v= .5 ln⎜ ⎟ ⎝3⎠ ⎛ x⎞ y = 1 + 5 ln⎜ ⎟ ⎝3⎠ t=2 t=3 24 . e também. As coordenadas são medidas em metros. y = 1 + Para t=1 15 ⎛ x ⎞ ln⎜ ⎟ . dx s u Temos que Logo: dy b = . y) = (3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Exemplo: Considere o campo de escoamento V = axt i − b j . x0 e y0.2 s-2 e b = 3 m/s.1t y = 1 + 3t 2 y0 ∫ dy = ∫ bdt .1t ⎜x ⎟ 2 ⎝ 0⎠ dy =b.dt 0 x0 1 2 at 2 ⎛ x⎞ 1 ln⎜ ⎟ = at 2 e x = x0 e 2 ∴ x = 3e 0.1) no instante t = 0. trace a trajetória durante o intervalo de tempo de t = 0 a t = 3 s. Para a partícula que passa pelo ponto (x. 1 e 3 segundos. 0 y t y = y0 + bt ∴ y = 1 + 3t Região a ser plotada no plano xy. v = dt x = 3e 0. Resolução: → ∧ ∧ Partindo do princípio u = u = axt = dx . b. onde a = 0. t ⎝3⎠ ⎛ x⎞ y = 1 + 15 ln⎜ ⎟ ⎝3⎠ ⎛ x⎞ y = 1 + 7. x at ⎜ x0 ⎟ ⎝ ⎠ Substituindo os valores de a. dy v = .

separamos as variáveis e integramos: ∫ dy b dx = −∫ y a x b ln y = − ln x + c ∴ c = constante a ln y = ln x − b a + ln c ∴ ln c = constante 25 . Trace diversas linhas de corrente no primeiro quadrante. incluindo aquela que passa pelo ponto (x.x → ∧ ∧ Para resolvermos esta equação diferencial. façamos u = ax e v = -by. y = =− dx u a.0). onde a = b = 1 s-1. pode ser interpretado como representando o escoamento numa curva em ângulo reto.y) = (0. Resolução: → ∧ ∧ A inclinação das linhas de corrente no plano xy é dado por: dy v = dx u Para V = ax i − by j .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Exemplo: O campo de velocidade V = ax i − by j . Obtenha uma equação para as linhas de corrente do escoamento. logo: dy v b.

Então campo de 26 . As forças desenvolvidas sem contato físico e distribuídas por todo o volume do fluido são denominadas forças de campo. é dada por ρ gdV . dV. Como a = b = 1 sec-1.4. então a = 1 . Campo de Tensão Tanto forças de superfície quanto forças de campo são encontradas no estudo da mecânica dos meios contínuos. Segue-se que a força de campo gravitacional é ρ g por unidade de volume e g por unidade de massa. As linhas de corrente são obtidas definindo valores diferentes para a constante de integração c. O conceito de tensão nos dá uma forma conveniente de descrever o modo pela qual as forças atuantes na fronteiras do meio são transmitidas através deles.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Portanto: y = cx − b a Para o campo de velocidade dado. x • As curvas estão mostradas para diferentes valores de c. A força gravitacional atuando sobre um elemento de volume. as constantes a e b são fixas. onde ρ é a massa específica (massa por unidade de volume) e g é a aceleração local da gravidade. y = 0 para todo valor de x e x = 0 para todo valor de y. 8. • A equação y = c é a equação da hipérbole. e a equação das linhas de corrente é dada por: b y = cx −1 = c c ou x = x y Para c = 0. As forças de superfícies atuam nas fronteiras de um meio através de um contato direto. As forças gravitacionais e eletromagnéticas são exemplos de forças de campo.

sob a influência de uma força aplicada δ Fx. a dificuldade do fluido em escoar. Uma componente da tensão é positiva quando o seu sentido e o plano no qual atua são ambos positivos ou ambos negativos. e tomando o limite quando δAx se aproxima de zero. ou seja. Como a força e a área são ambas quantidades vetoriais.Fenômenos de Transporte – 01/2008 tensões seria a região através da qual as forças atuantes seriam transmitidas através de toda extensão do material. podemos prever que o campo de tensão não será vetorial. definimos as três componentes da tensão mostradas abaixo: τ xx = lim δA x → 0 δFx δAx ∴ τ xy = lim δF y δA x ∴ τ xy = lim δA x → 0 δA x → 0 δFz δAx Utilizamos o índice duplo para designar tensões. O primeiro índice (neste caso x) indica o plano no qual a tensão atua (neste caso a superfície perpendicular ao eixo x). Viscosidade Dinâmica ou Absoluta: (µ) Propriedade que determina o grau de resistência do fluido à força de cisalhamento. 9. A placa superior move-se a velocidade constante (δu). O segundo índice indica a direção na qual a tensão atua.1. Seja o comportamento de um elemento fluido entre 2 placas infinitas. Viscosidade 9. O campo de tensões normalmente é chamado de campo tensorial devido ao campo possuir nove componentes que se comportam como um tensor de 2ª ordem. Dividindo a magnitude de cada componente da força pela a área . Também é necessário adotar uma convenção de sinais para a tensão. 27 . δAx .

dy dy A constante de proporcionalidade é a viscosidade absoluta ou dinâmica do fluido.s/m2 .t / L2= M/L. kgf. A tensão tangencial ou tensão de cisalhamento do elemento fluido é dada por: τ yx = lim δFx dFx = δAy → 0 δAy dAy A taxa de deformação é igual a: δα dα = δt →0 δt dt lim A distância entre os pontos M e M’é dada por: δl = δVδt (a) (b) Para pequenos ângulos. ou: τ yx ∝ du du ⇒ τ yx = µ . lbf. a tensão tangencial é proporcional à taxa de deformação.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 9 – Deformação de um Elemento de Fluido. o ar e a gasolina.t] Unidades: (N. δl = δyδα Igualando-se (a) e (b). são newtonianos em condições normais. µ. 28 .s /m2 .s /ft2) Os fluidos mais comuns. DIM: [F. como a água. dα du δα δu = ⇒ = δ t δy dt dy Para fluidos Newtonianos.

3. Viscosidade Cinemática: (ν) Razão entre a viscosidade dinâmica e a massa específica.1 e.2. sendo 1 Stokes = 1cm2/s. A. 9. Re: Número de Reynolds [adimensional] ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] Re = ρV * L* µ V*: Velocidade do fluido [L/t] L*: Comprimento característico [L] 29 . então. para os gases.8 apresenta valores de viscosidade absoluta para alguns fluidos. A. Número de Reynolds: (Re) Número adimensional. A. Dizemos. 9.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Se considerarmos as deformações de dois diferentes fluidos newtonianos. O comportamento da viscosidade para alguns fluidos Newtonianos é apresentado na Fig. enquanto que os líquidos apresentam comportamento inverso. verificaremos que eles irão se deformar as taxas diferentes sob a ação da mesma tensão de cisalhamento aplicada. Caracteriza o comportamento global do escoamento de um fluido. Pode-se notar que. A Tab. por exemplo. que ela é muito mais viscosa. a viscosidade aumenta com a temperatura. cm2/s. A glicerina apresenta uma resistência à deformação muito maior do que a água.2. glicerina e água. ν: Viscosidade cinemática [L2/t] υ= µ ρ µ: Viscosidade dinâmica [Ft/L2] ρ: Massa específica ou densidade absoluta [M/L3] DIM: [L2/t] Unidades: (m2/s. ft2/s) Uma unidade comum para a viscosidade cinemática é o Stokes. obtido pela razão entre as forças de inércia e as forças viscosas.

o valor é 5x105.Fenômenos de Transporte – 01/2008 µ = Viscosidade dinâmica [F. 9. Tipos de escoamento: - Escoamento laminar ( em tubulações Re ≤ 2300 ) Escoamento turbulento (Re > 4000) 30 . Para escoamento sobre uma placa plana. tenham comportamentos semelhantes (mesmo número de Reynolds).4. o comprimento da placa. escoando no interior de tubos com o mesmo diâmetro. Figura 10 – Exemplo para o Cálculo do Número de Reynolds. Para escoamentos no interior de tubos. Devese ressaltar que V* e L* correspondem. o valor aceito para se caracterizar a transição do escoamento laminar para turbulento é 2300. Para escoamentos no interior de tubos. respectivamente. Como a viscosidade absoluta da glicerina é 1500 vezes superior à viscosidade da água. V* é a velocidade da corrente livre e L*. à velocidade e ao comprimento característico do escoamento. Para escoamentos sobre placas planas. a velocidade da glicerina deve ser 1174 vezes maior do que a velocidade da água.t/L2] DIM: [1] O número de Reynolds é o adimensional mais importante da Mecânica dos Fluidos. para que os fluidos. o seu diâmetro. Ele determina a natureza do escoamento (laminar ou turbulento). a velocidade V* é a velocidade média no interior do tubo e L*.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Mecânica dos Fluidos Fluido não viscoso µ = 0 Compressível Incompressível Ma < 0. du dy Primeiramente devemos converter a velocidade para uma unidade na qual possamos trabalhar: 31 . que é definido como sendo a razão da velocidade do escoamento ( V ) pela velocidade do som (S) do meio.0036 N.s) Resolução: Para calcular a viscosidade do óleo devemos utilizar a fórmula de tensão de cisalhamento: τ = µ. Uma película de óleo com espessura de 0.m.2 mm preenche a folga anular entre o eixo e o mancal.3 Laminar Re ≤ 2300 Fluido viscoso µ≠ 0 Turbulento Re > 4000 Figura 11 – Possível Classificação da Mecânica dos Fluidos. Estime a viscosidade do óleo que se encontra na folga anular. O torque necessário para girar o eixo é de 0. O escoamento compressível ou incompressível é definido a partir de um parâmetro chamado número de Mach. Ma = V S Exemplo: Um eixo com diâmetro externo de 18 mm gira a 20 rotações por segundo dentro de um mancal de sustentação estacionário de 60 mm de comprimento. em (Pa.

lbf / ft2. m.10 − 3 A = 3.2.0.13 m s ou umax = ωr umax = umax π . Pressão Força exercida em uma unidade de área.a.10 −3 F = 0.r τ F= r 0.13 N .π .6rad / s umax = ωr = 1.L A = π 18.4 N Assim podemos calcular o coeficiente de viscosidade dinâmico fazendo analogia à força: µ= µ= F ⎛ dy ⎞ ⎜ ⎟ A ⎝ du ⎠ 0. mmHg) DIM: [F / L2] 32 . podemos tirar a força: τ = F . atm. lbf / ft2 = psi. P: Pressão [F/L2] P= F A F: Força [F] A: Área [L2] Unidades: (N/ m2 = Pa. onde = −3 dy y 3.39.Fenômenos de Transporte – 01/2008 W = 20rps ⎧1rot → 2.0036 F= 9.r → 125.0208 2 m 10.2.39.π .c.d .D.10 −3 du umax .10 .s µ = 0.n = 60 Devemos calcular agora a área de contato entre o fluido e o material: A = π .60.r ⎨ ⎩20rot → 20.10− 6 m 2 Pelo torque.4.10− 3.1.n d 30 2 π .

a equação pode ser reescrita na forma: P∀ = mRT Onde R é a constante específica de cada gás. for considerada a massa m do gás.9 mostra as propriedades termodinâmicas de gases comuns na condição padrão ou “standard”. a pressão pode ser relacionada à densidade e à temperatura através da seguinte expressão: P∀ = nR T Onde: n: quantidade de matéria [mol] R : constante universal dos gases = 8. sendo MM dada em kg/kmol no sistema Internacional.L ⎤ DIM: ⎢ ⎣ mol. ao invés do número de moles.3144 kJ/kmol. A. Para gases ideais. A Tab.4 apresenta as massas moleculares de alguns gases comuns.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A pressão é uma variável dinâmica muito importante na Mecânica dos Fluidos. A pressão atuando na base de um recipiente contendo um fluido em repouso pode ser calculada da maneira mostrada a seguir: Figura 12 – Exemplo do Cálculo da Pressão na Base de um Recipiente.K ⎡ F . A. 33 . R MM R= A Tab.T ⎥ ⎦ T: temperatura absoluta do gás [T] Se.k . Um escoamento só é possível se houver um gradiente de pressão. relacionada à constante universal dos gases através da massa molecular do gás MM.

11. A condição de velocidade nula do fluido é denominada condição hidrostática. ρ e g são constantes. Lei de Pascal: “No interior de um fluido em repouso.1. Em um problema de hidrostática. Assim. Fluidoestática É a parte da Mecânica dos Fluidos que estuda o comportamento dos fluidos em repouso. obtida como a soma da força na superfície do fluido e do peso da coluna de fluido: F = Fsup erfície + F fluido F = P0 A + ρghA A pressão na base do recipiente é dada pela razão entre a força e a área da base: P= P= F Fsup erfície + F fluido = A A P0 A + Aρgh = P0 + ρgh A Para condições pré-fixadas. a pressão é função apenas da altura da coluna de líquido h. então. o objetivo principal é.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A pressão na superfície do fluido é igual a P0. 34 . em geral. a pressão é constante em cada ponto”. 10. Figura 13 – Fluido em Repouso. A força na superfície do fluido é dada por P0 A A força exercida pela coluna de fluido é devida ao seu peso: F fluido = mg = ρ∀g = ρ ( Ah )g = Aρgh A força na base do recipiente é. P0. a determinação da distribuição de forças ou pressões em um elemento fluido.

14. As forças de corpo. As forças de superfície são aquelas que atuam nas fronteiras de um meio. A equação básica da estática dos fluidos: Dois tipos genéricos de forças podem ser aplicados a um fluido: forças de corpo e forças de superfície. A força de pressão atuando na face esquerda do elemento é: r ⎛ ∂P dy ⎞ ⎟dx. portanto.1. são as forças desenvolvidas sem contato físico com o fluido. a força de pressão. de dimensões dx. Seja um volume fluido infinitesimal. É o caso das forças gravitacionais e eletromagnéticas.g + dFS A força líquida de pressão é dada pela soma da força de pressão em cada uma das faces do elemento. só poderão estar presentes forças normais à superfície (por definição. distribuídas por todo o seu volume. A única força de superfície a ser considerada é.Fenômenos de Transporte – 01/2008 11. z dz y x dy dx Figura 14 – Volume de Controle Infinitesimal.dz − ˆ dFR = ⎜ p + j ⎜ ∂y 2 ⎟ ⎝ ⎠ ( ) 35 . o fluido é a substância incapaz de resistir a forças de cisalhamento sem se deformar). dy e dz. também chamadas de forças de campo.dzˆ dFL = ⎜ p − j ⎜ ∂y 2 ⎟ ⎝ ⎠ A força de pressão na face direita é dada por: r ⎛ ∂P dy ⎞ ⎟dx. através do contato direto. ou o peso. a única força de corpo que deve ser considerada na maioria dos problemas de Mecânica dos Fluidos é a força gravitacional. Se um fluido estiver em repouso. como mostrado na Fig. A força total atuando no elemento é dada por: r r r r r dF = dFC + dFS = dm. De uma maneira geral.

dy.dzi + ⎜ p + ⎜ ∂y 2 ⎟ ∂x 2 ⎠ ∂x 2 ⎠ ⎝ ⎝ ⎝ ⎠ ⎛ ∂P dz ⎞ ∂P dy ⎞ ∂P dz ⎞ ⎛ ˆ ⎛ ˆ ⎟dx.dyk + ⎜ p + ⎟dx. que pode ser decomposta em três equações escalares.dy.dz ⎟ ⎝ ⎠ Como dm = ρ . portanto.d∀ = ρ . ∂P + ρg x = 0 ∂x ∂P + ρg y = 0 ∂y ∂P + ρg z = 0 ∂z − − − Para simplificar a equação.g + dFS = dm.15). r ∂P dy ⎞ ∂P dx ⎞ ∂P dx ⎞ ⎛ ˆ ⎛ ˆ ⎛ ⎟dx. é conveniente adotar um sistema de eixos no qual o vetor gravitacional esteja alinhado com um dos eixos.dy.g − ∇P )d∀ ⎟ ⎝ ⎠ A 2ª Lei de Newton estabelece que: r r dF = dm.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A força líquida de pressão é dada pela soma das forças de pressão em todas as faces do elemento.dz = (ρ . Se o sistema for escolhido com o eixo z r ˆ apontado para cima ( g = − gk ) .g + ⎜ − ⎜ ∂x i − ∂y j − ∂z k ⎟dx.dzˆ dFS = ⎜ p − j ⎟dy. r r ⎛ ∂P ˆ ∂P ˆ ∂P ˆ ⎞ r dF = ρ . por: r r r r ⎛ ∂P ˆ ∂P ˆ ∂P ˆ ⎞ dF = dm.a Para um elemento fluido em repouso. a aceleração deve ser nula e o somatório de todas as forças deve ser zero.g + ⎜ − ⎜ ∂x i − ∂y j − ∂z k ⎟dx. a diferença de pressão entre dois pontos do fluido será diretamente proporcional à diferença de altura entre eles (Fig.dx.dy − k ⎟ ⎜ ∂z 2 ⎠ ∂y 2 ⎠ ∂z 2 ⎠ ⎝ ⎝ ⎝ ( ) ( ) ( ) r ⎛ ∂P ˆ ∂P ˆ ∂P ˆ ⎞ dFS = ⎜ − ⎜ ∂x i − ∂y j − ∂z k ⎟dx.. g − ∇P ) = 0 Esta é uma equação vetorial.dz .dz − ˆ + ⎜ p − +⎜p+ j ⎟dx.dz ⎟ ⎝ ⎠ A força total é dada.dy.dy. as equações podem ser reescritas como: ∂P =0 ∂x ∂P =0 ∂y ∂P =0 ∂z Se o fluido puder ser considerado incompressível. 36 .dz. Assim. r ( ρ .dz − i + ⎜ p − ⎟dy.dx.

Pz = Pn = Px. a pressão em um ponto de um fluido estático é independente da orientação (Lei de Pascal). PB = PC + ρgh Os valores de pressão devem ser estabelecidos em relação a um nível de referência.a. No limite para ∆z infinitamente pequeno (elemento tendendo a um ponto).0332x104 kgf/m2 = 1. 3.0332 kgf/cm2 = 10.15). a diferença de pressão entre dois pontos do fluido será diretamente proporcional à diferença de altura entre eles Equação Fundamental da Hidrostática (Fig. Quando o nível de referência é a pressão atmosférica local. Não há variação de pressão na direção horizontal. ou seja. sendo esta variação devida ao peso da coluna fluida (Equação Fundamental da Hidrostática). As maneiras de se expressar a pressão variam. Patm = 1atm = 101.2. situados a uma mesma altura e no mesmo fluido em repouso. as pressões são denominadas absolutas. as pressões são denominadas pressões manométricas ou efetivas. Se o fluido puder ser considerado incompressível. Figura 15 – Variação de Pressão em um Fluido Estático. = 760 mmHg 37 . dois pontos quaisquer.332 m. estão submetidos à mesma pressão. portanto. 2. com o nível de referência adotado.c. ou seja. A pressão varia na direção vertical. 11.325 kPa = 1. Quando o nível de referência é zero (vácuo).Fenômenos de Transporte – 01/2008 Conclusões: 1. Pressão Manométrica: Pressão medida tomando-se como referência o valor da pressão atmosférica (Patm).

que é um medidor de pressão atmosférica. 38 . um tubo é preenchido com um fluido de alto peso específico (geralmente o mercúrio).4. Figura 16 – Exemplo do Cálculo das Pressões Absoluta e Manométrica. Pman > 0 Se P<Patm. invertido e mergulhado em um reservatório contendo o mesmo fluido. Pabs = Patm + Pman ou Pman = Pabs − Patm A pressão a ser utilizada em cálculos envolvendo equações de gás ideal ou outras equações de estado é a pressão absoluta. Se P>Patm.3. 17. Pressão Absoluta: Pressão medida a partir do zero absoluto. Neste dispositivo. negativos ou nulos. Pman < 0 Se P=Patm. 11. como mostrado na Fig.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A pressão manométrica pode assumir valores positivos. o mercúrio desce. O Barômetro de Mercúrio: A aplicação mais simples da lei da hidrostática é o barômetro. criando vácuo na parte superior do tubo. No processo de inversão do tubo. Pman = 0 11.

PA = Patm PA' = PA pontos isobáros (mesma altura no mesmo fluido em repouso) PA = PE + ρgh PE = 0 PA = ρgh ∴ Patm = ρgh = γh Portanto. 39 .5. a pressão atmosférica pode ser medida a partir da altura de uma coluna líquida de mercúrio. Aplicação para a Manometria: P2 − P = ρg (z2 − z1 ) 1 z2 − z1 = P2 − P P2 − P 1 1 = ρg γ Uma variação na elevação é equivalente a uma variação de pressão.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 17 – O Barômetro de Mercúrio. h = 760mmHg ⇒ 1atm = 760mmHg vácuo 11. Figura 18 – Variação de Pressão em uma Coluna de Múltiplos Fluidos.

254 m 5 pol = 0.381 m 10 pol = 0. Patm dA=0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 1) P5 − P4 = ρ m g (z4 − z5 ) 2) P4 − P3 = ρ g g (z 3 − z 4 ) 3) P3 − P2 = ρ a g (z2 − z3 ) 4) P2 − P = ρo g (z1 − z2 ) 1 Agrupando as equações acima temos: P5 − P = ρ o g (z1 − z2 ) + ρ a g (z2 − z3 ) + ρ g g (z3 − z4 ) + ρ m g (z4 − z5 ) 1 Exemplo: 1) Determine a pressão manométrica no ponto “a”. vasos comunicantes.4 mm 36 pol = 0. se o líquido A tem densidade relativa dA= 0. até chegar em ´´a´´.914 m 15 pol = 0.75 36pol P2 dB=1.20 P1 P3 Figura 19 – Ilustração do exemplo acima. Resolução: Para calcular a pressão no ponto´´a´´.127 m 40 . e o líquido B. devemos calcular a diferença de pressão do ponto em aberto (Patm). O líquido em volta do ponto “a” é água e o tanque à esquerda está aberto para a atmosfera.20.75. dB=1. Primeiramente faremos algumas transformações para simplificar os cálculos: 1 pol = 25.

utilizam-se fluidos com menores pesos específicos. Tipos de Manômetros: 11.h1− 2 P 2 = P1 − ρ f .h4 − 3 + P3 Pa = 1.20.381 = 6.1.0.340.103. utilizam-se fluidos com altos pesos específicos.103.831.759. + 5.g . Manômetros de líquido: São tubos transparentes e curvos.103.81.h2 − 3 P3 = 6.831.SGB . Para medição de altas pressões.g .07 Pa Pa − P3 = ρ h2 o .h1− 2 P 2 = 10.47 Pa P 2 − P3 = ρ A .60 − 1. Figura 20 – Manômetro de Líquido.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Calculamos as diferenças de pressão: P1 − Patm = ρ B .0. como o mercúrio.g .47 − 1.9.75. 41 .h2 − 3 P3 = P 2 − ρ f .h1− atm P1 = ρ f .SGB .1.20.914 = 10. padão .g .g .g .274.h1− atm P1 = 1.g .81.274.340.81Pa 11.9. padão . como água ou óleo.254.9. padrão .0. que contêm o líquido manométrico. geralmente em forma de U.103.9.0.h4 − 3 Pa = ρ h2 o .81.81Pa Temos então como pressão no ponto “a”´: Pa = 7.759.0.g .07 = 7.127 = 5.60 Pa P1 − P 2 = ρ B .6.6. No caso de menores pressões.81.SG A .1.

p A = pB p A = pC + ρ a ghA pB = patm + ρ b ghB pC . p A = pB p A = patm + ρ a ghA pB = patm + ρb ghB Figura 22 – Manômetro de Líquido. man = ρ b ghB − ρ a ghA 42 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 hA = hB p A = patm + ρghA pB = patm + ρghB p A = pB Figura 21 – Manômetro de Líquido.

Manômetros metálicos: São instrumentos usados para medir as pressões dos fluidos através de um tubo metálico curvo (Tubo de Bourdon) ou de um diafragma.Fenômenos de Transporte – 01/2008 11. O empuxo vertical no cilindro elementar de volume d∀ é dado por: 43 . imerso em um fluido em repouso. 12. Seja o objeto mostrado na Fig. a força que nele atua denomina-se empuxo de flutuação. que cobre um recipiente metálico. Se um corpo está imerso ou flutua em um fluido. As densidades dos líquidos podem ser determinadas observando-se a profundidade de flutuação de um densímetro. Figura 25 – Corpo Imerso em um Fluido Estático. Figura 24 – Manômetro de Diafragma. Figura 23 – Tubo de Bourdon.6. Equilíbrio dos Corpos Flutuantes Um corpo flutuante ou submerso em um fluido sofre um empuxo de baixo para cima de uma força igual ao peso do volume do fluido deslocado. São os manômetros mais utilizados em aplicações industriais. 25.2.

ou seja. no entanto.1. imerso ou flutuando no fluido. numericamente igual ao peso do volume deslocado pelo corpo. um empuxo vertical de baixo para cima. por parte do fluido. Princípio de Arquimedes: “Todo corpo imerso em um fluido em equilíbrio recebe.” O corpo pode estar.Fenômenos de Transporte – 01/2008 dF = P2 dA − P dA 1 dF = (Patm + ρgh2 )dA − (Patm + ρgh1 )dA dF = ρg (h2 − h1 )dA = ρgd∀ O empuxo total é obtido integrando-se dF. F = dF = ρgd∀ = ρg∀ ∫ ∫ 12. Corpo Imerso: E = peso do volume de fluido deslocado E = ρ fluido∀corpo g W = ρ corpo∀corpo g Corpo Flutuante: E = peso do volume de fluido deslocado E = ρ fluido∀deslocado g W = ρ corpo∀corpo g 44 .

Corresponde ao centro de gravidade do volume de fluido deslocado.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Situações Possíveis: • Corpo Permanece Totalmente Imerso e em Equilíbrio: E =W ρ fluido = ρcorpo • Corpo Afunda W >E ρcorpo > ρ fluido • Corpo Fica Parcialmente Imerso E >W ρ fluido > ρcorpo O ponto de aplicação do empuxo é chamado Centro de Flutuação ou de Carena (C). 45 .

• Corpo Fica Parcialmente Imerso O centro de flutuação está localizado abaixo do centro de gravidade do corpo.Fenômenos de Transporte – 01/2008 • Corpo Permanece Totalmente Imerso e em Equilíbrio: O centro de flutuação coincide com o centro de gravidade do corpo. Quando o corpo está em equilíbrio. • Corpo Afunda O centro de flutuação coincide com o centro de gravidade do corpo. Se o corpo for afastado da condição de equilíbrio. pode ocorrer uma das seguintes situações: • Corpo imerso 46 . E e W possuem a mesma linha de ação.

Nesta situação.1. haverá um momento restaurador. Assim. o corpo se encontra em equilíbrio estável. Neste caso. Neste caso. • Corpo flutuante Figura 26 – Cálculo do Metacentro de um Corpo Submerso. Fluidodinâmica Os fluidos podem ser analisados utilizando-se o conceito de sistema ou de volume de controle. chamado Metacentro. Se o metacentro estiver localizado abaixo do CG do corpo. provocando uma mudança na posição do centro de flutuação do corpo. 13. figuras 27 e 28. A linha vertical passando por B' irá interceptar a linha de simetria do corpo no ponto M. o momento tenderá a afastar o corpo ainda mais da posição de equilíbrio inicial.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Se for aplicado um afastamento θ do equilíbrio no corpo. que muda de B para B'. 26b). que tenderá a retornar o corpo para a sua posição de equilíbrio inicial. o corpo está em equilíbrio indiferente. Sistema: Quantidade fixa e definida de massa fluida. 13. E e W estarão sempre na mesma linha de ação. ele permanecerá na nova posição. Se o corpo for inclinado de um pequeno ângulo ∆θ (Fig. 47 . o volume da parte de fluido deslocado irá se alterar. o corpo está em equilíbrio instável. Se o metacentro estiver localizado acima do CG do corpo. mas não se verifica transporte de massa através deles. Os limites do sistema podem ser fixos ou móveis.

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Figura 27 – Conjunto Pistão-Cilindro.
13.2. Volume de Controle:

Volume arbitrário do espaço, através do qual o fluido escoa. O contorno geométrico do volume de controle é denominado Superfície de Controle. A superfície de controle pode ser real ou imaginária, e pode estar em repouso ou em movimento.

Figura 28 – Escoamento de um Fluido através de um Tubo.
13.3. A relação entre as derivadas do sistema e a formulação para volume de controle:

As leis da Mecânica são escritas para um sistema. Elas estabelecem o que ocorre quando há uma interação entre o sistema e suas vizinhanças. No entanto, em muitos problemas de Mecânica dos Fluidos, é mais comum a análise dos problemas utilizandose a formulação de volume de controle. O teorema de Transporte de Reynolds permite que as leis da Mecânica sejam escritas para um volume de controle. Se N for uma propriedade extensiva arbitrária qualquer, o Teorema de Transporte de Reynolds estabelece que:

Nsistema =

massa ( sistema )

ηdm =

∀ ( sistema )

∫ηρd∀

(N) é uma propriedade extensiva (varia diretamente com a massa). Exemplo: massa. (η) é uma propriedade intensiva (independente da massa). Exemplo: temperatura.

48

Fenômenos de Transporte – 01/2008

dN dt

=
sistema

∂ ηρd∀ + ηρV • d A ∂t ∀C SC

Onde:
dN sist. : é a taxa de variação total de qualquer propriedade extensiva arbitrária do dt

sistema.
∂ ∫ηρd∀ : é a taxa de variação com o tempo, da propriedade extensiva arbitrária, (N), ∂t ∀C

dentro do volume de controle.

η: é a propriedade intensiva correspondente a N (η=N por unidade de massa).
ρd∀ : é um elemento de massa contido no volume de controle.

∀C

∫ηρd∀ :

é a quantidade total da propriedade extensiva, N, contida no volume de

controle.

SC

∫ηρV •d A :

é a vazão líquida em massa, da propriedade extensiva, N, saindo pela

superfície de controle.

ρV • d A : é a vazão em massa através do elemento de área d A . ηρV •d A : é a vazão em massa da propriedade extensiva, N, através da área d A .
r r V • n : é o produto escalar entre o vetor velocidade e o vetor normal à área.

13.4. Equação da continuidade (de conservação da massa) para um volume de controle arbitrário:

Se este teorema for aplicado à equação de conservação da massa,
N sistema = M

η=

dM =1 dm

r r ∂ ⎛ dM ⎞ = ∫ ρd∀ + ∫ ρ V • n dA ⎜ ⎟ ⎝ dt ⎠ sistema ∂t ∀C SC

(

)

Como a massa não varia no interior do sistema,
⎛ dM ⎞ =0 ⎜ ⎟ ⎝ dt ⎠ sistema

49

Fenômenos de Transporte – 01/2008

∂ ∂t

∀C

ρd∀ + ∫ ρ V • n dA = 0
SC

( r r)

Onde:
r r V • n = u cosθ

Deve ser ressaltado que o produto escalar entre o vetor velocidade e o elemento de área é dado por:
r r r r V .dA = V dA cosθ , onde θ é o ângulo entre o vetor velocidade e o vetor normal à área.

Como o vetor normal à área é sempre perpendicular a ela, apontando para fora, uma entrada de tubulação tem θ = 180° e uma saída de tubulação tem θ = 0° Na entrada de uma tubulação, V • n = −u , e, na saída, V • n = u Para um volume de controle fixo,
SC

r r

r r

∫ ρ V • n dA =

( r r)

saída

∑ ρuA − ∑ ρuA
entrada

Como o volume de controle é fixo,

∀C

⎛ dρ ⎞ ⎜ ⎟d∀ + ∑ ρuA − ∑ ρuA = 0 ⎝ dt ⎠ saída entrada

ou

⎛ dρ ⎞ & & ⎜ ⎟d∀ + ∑ m − ∑ m = 0 ∀C ⎝ dt ⎠ saída entrada

13.4.1. Casos especiais:

Em algumas situações, é possível simplificar a equação de conservação da massa. Para escoamento em regime permanente, não há variação das propriedades do escoamento com o tempo. Assim, a equação é escrita como:

SC

∫ ρV •d A = 0

Ou, para um escoamento com um número finito de entradas e saídas, esta equação é dada por:

50

a massa específica não varia com o tempo ou com a posição. ou: r Q 1 V = = V •d A A A SC ∫ 13. ou seja. Assim. para um número finito de entradas e saídas. Para um fluido incompressível. Define-se a magnitude da velocidade média em uma seção como sendo a razão entre a vazão volumétrica e a área da seção. Como ele não varia ao longo do tempo. por s(t). 51 .2. um escoamento que pode ser descrito por apenas uma coordenada espacial s.4. função do tempo. a equação de conservação da massa pode ser escrita como: ρ r r ∂ d∀ + ρ V • n dA = 0 ∂t ∀C SC ∫ ∫( ) ρentrada = ρ saída A integral de d∀ em todo o volume de controle é simplesmente o volume. ou seja. como: saída ∑Q − ∑Q = 0 entrada A velocidade do escoamento varia em uma dada seção. Vazão Mássica e Vazão Volumétrica: Seja um escoamento unidimensional.Fenômenos de Transporte – 01/2008 saída & & ∑ m − ∑ m = 0 . a equação de conservação da massa para fluidos incompressíveis é dada por: SC ∫ V •d A = 0 ∫ Definindo-se a vazão volumétrica Q por: Q = V •d A SC a equação de conservação da massa pode ser escrita. lembrando que o produto escalar dentro da integral é positivo para entrada saídas e negativo para entradas.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 29 – Escoamento Unidimensional. definida como sendo a taxa de variação da massa com o tempo. é dada por: Q= d∀ = uA dt DIM: [L3/t] A vazão mássica e a vazão volumétrica podem ser relacionadas pela expressão: & m = ρQ 52 . dt DIM: [M/t] Para escoamento incompressível. & m = ρuA A vazão volumétrica. ou a taxa de variação do volume com o tempo. Seja m a massa fluida ocupando a área A no instante de tempo t: & m = ρ∀ A vazão mássica. é dada por: & m= dm d (ρ∀) = dt dt Aplicando-se a regra da cadeia. & m= dm d (ρ∀) = dt dt Mas: d∀ d ds = ( As ) = A = Au dt dt dt Assim: & m = ρuA + ∀ dρ dt dρ = 0.

1a Lei da Termodinâmica aplicada ao volume de controle: A primeira lei da Termodinâmica é uma afirmação da conservação da energia. dada por: E= M ( sistema ) ∫ edm = ∫ eρd∀ ∀ ( sistema ) e = é a energia intensiva. dada pela soma entre a energia interna. . . = . 1 mV 2 + mgz + U 2 V2 e= + gz + u 2 E= As formulações para sistema e volume de controle são relacionadas por: dN dt = sistema ∂ ηρd∀ + ηρV • d A ∂t ∀C SC ∫ ∫ Nsistema = ∀C ∫ ηdn = ∫ηρd∀ ∀ ( sistema ) A fim de deduzir a formulação para volume de controle. estabelecemos: N=E N = η. : é a taxa de trabalho realizada pelo sistema (convencionada positiva) ou pelo meio sobre o sistema (negativa). E: é a energia total do sistema. M η= dE dm η=e Q− W . . da primeira lei da termodinâmica.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. Sua formulação para sistema é: Q− W sist . A convenção de sinais adotada estabelece que a taxa de calor é positiva quando o calor é adicionado ao sistema.5. dE dt sist . W . Onde: Q : é a taxa de transferência de calor trocada entre o sistema e a vizinhança. sistema = r ∂ eρd∀ + eρV • d A ∂t ∀C SC ∫ ∫ no instante t0: 53 . a energia cinética e a energia potencial do sistema (por unidade de massa).

W outros é qualquer taxa de trabalho não considerada. . como trabalho produzido por forças eletromagnéticas. r ∂ eρd∀ + (eρ + p )V • d A ∂t ∀C SC ∫ ∫ 2 r r & & ∂ eρ d∀ + ⎛ V + gz + u + ρυ ⎞ρV • dA ⎟ ⎜ Q −W = ∫C ∫⎜ 2 ⎟ ∂t ∀ ⎠ SC⎝ Sendo: υ = 1 ρ É importante ressaltar que a dedução da equação está além do escopo desta disciplina. W eixo é qualquer taxa de trabalho de eixo (potência) realizado sobre ou pelo volume de controle. O termo W tem um valor numérico positivo quando o trabalho é realizado pelo volume de controle sobre o meio que o cerca. . Q − ⎜W eixo + pV •d A + W cisal + W outros ⎟ = eρd∀ + eρV •d A ⎜ ⎟ ∂t SC ∀C SC ⎝ ⎠ ∫ ∫ ∫ Q− W = . . . . com velocidade de 500 pés/s. . Resolução: Para calcular a taxa de transferência de calor precisamos recorrer à seguinte fórmula: 54 . W = W eixo + W normal + W cisal + W outros W normal = . determine a taxa de transferência de calor. se a potência fornecida ao compressor for 3200 hp e a vazão em massa 20 lbm/s.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Q− W sist . Para maiores informações. Na equação. . A taxa de trabalho realizado sobre o volume de controle é de sinal oposto ao realizado pelo volume de controle. . 80ºF com velocidade desprezível e é descarregado a 70 psia. . SC ∫ pV •d A ⎛ . recomenda-se consultar os livros de Mecânica dos Fluidos sugeridos. . . . ⎞ ∂ . . = Q− W ∀C . Exemplo: Ar entra em compressor a 14 psia. 500ºF. .

com apenas uma entrada e uma saída de massa.24 ⋅ Z1 = Z 2 Btu lbf ⋅ ft e Rar = 53. BTU s 13. a equação da energia pode ser simplificada.6.49.3 lbm ⋅ R lbm ⋅ R 1HP = 550 ⋅ lbf ⋅ ft 1Btu = lbf ⋅ ft e 778 s T (ºR) = 460 + T (ºF) Substituindo os parâmetros acima na equação (A) temos: 2 ⎞ & & & ⎛V Q = m ⋅ ⎜ 2 + C p ⋅ (T 2−T1 )⎟ + W ⎟ ⎜ 2 ⎠ ⎝ 2 2 & ⎛ 500 ⋅ ft + 0 . deseja-se aplicar a equação de conservação da energia para o escoamento em regime permanente de um fluido incompressível no interior de uma tubulação.: Cp é tabelado.(T2 − T1 ) V1 = 0 OBS. Para esta situação. Equação de Bernoulli: Muitas vezes.2399 ⋅ BTU ⋅ (959 − 539 )⎞ ⋅ 20 lbm − 2261. Cpar = 0.106 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 2 r r & − W = ∂ eρ d∀ + ⎛ V + gz + u + ρυ ⎞ρV • dA & ⎟ ⎜ Q ∫⎜ 2 ⎟ ∂t ∀∫ ⎠ C SC⎝ Levando agora em consideração as duas superfícies de controle e o regime permanente: 2 2 & − W = (− ρ V A )⎛ V1 + gz + u + p υ ⎞ + ρ V A ⎛ V2 + gz + u + p υ ⎞ & ⎜ ⎟ ⎜ ⎟ Q 1 1 1 ⎜ 1 1 1 1⎟ 2 2 2⎜ 2 2 2 1⎟ 2 2 ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Colocando a vazão mássica em evidência 2 2 & & & ⎛ V − V1 + g ( z − z ) + (u − u ) + ( p υ − p υ )⎞ Q − W = m⎜ 2 2 1 2 1 2 2 1 1 ⎟ ⎟ ⎜ 2 ⎠ ⎝ (A) h = entalpia específica = u + pυ h2 − h1 = ∆h = (u2 + p2υ 2 ) − (u1 + p1υ1 ) = C p .71 BTU ⎟ Q=⎜ ⎟ ⎜ 2 s2 lbm⋅0 R s s ⎠ ⎝ Q = −2. 2 r r & & ∂ eρ d∀ + ⎛ V + gz + u + ρυ ⎞ρV • dA ⎟ ⎜ Q −W = ∫C ∫⎜ 2 ⎟ ∂t ∀ ⎠ SC⎝ 55 .

tem-se: & & Q W ⎛ V2 V2⎞ − = ⎜ gz2 − gz1 + u2 − u1 + p2υ − p1υ + α 2 2 − α1 1 ⎟ & & ⎝ m m ⎜ 2 2 ⎟ ⎠ Reescrevendo-se a equação. e considerando que. & & ⎛ V2⎞ ⎛ V2⎞ W Q ⎜ gz1 + p1υ + α1 1 ⎟ − ⎜ gz2 + p2υ + α 2 2 ⎟ = + (u2 − u1 ) − ⎟ m ⎟ ⎜ ⎜ & 2 ⎠ ⎝ 2 ⎠ & m ⎝ Os termos entre parênteses do lado esquerdo da equação representam a energia W mecânica por unidade de massa em cada seção transversal do escoamento. sem outras formas de trabalho realizadas. Dividindo-se a equação pela vazão mássica. a equação se reduz a: ⎞ r r ⎛V 2 & & Q −W = ∫ ⎜ + gz + u + ρυ ⎟ρV • dA ⎟ ⎜ 2 ⎠ SC⎝ Chamando a entrada da tubulação de (1) e a saída da tubulação de (2). para escoamento incompressível. sabe-se que. a vazão mássica se conserva. Para escoamento em regime laminar. α = 2. representa a potência de eixo (por unidade de massa) fornecida ou retirada do fluido 56 . a energia interna (u). em uma dada seção. 2 2 & − W = ( gz − gz + u − u + ρ υ − ρ υ )m + ⎛ V2 ⎞ρV • dA − ⎛ V1 ⎞ρV • dA & & ∫⎜ Q 2 1 2 1 1 1 2 ∫⎜ 2 ⎟ 1 1 ⎜ 2 ⎟ 2 ⎟ ⎜ ⎟ ⎠ ⎠ A2 ⎝ A1 ⎝ Definindo-se o coeficiente de energia cinética de forma que: ⎛V 2 ⎞ ⎛V 2 ⎞ ⎟ρVdA = α ∫ ⎜ ⎜ ∫⎜ 2 ⎟ ⎟ ⎜ 2 ⎟ρVdA ⎠ ⎠ ⎝ A A⎝ Onde: α: é o fator de correção da energia cinética Pode-se escrever a equação da energia de uma forma mais compacta: V2 V2⎞ & & ⎛ & Q − W = ⎜ gz2 − gz1 + u2 − u1 + p2υ − p1υ + α 2 2 − α1 1 ⎟m ⎜ 2 2 ⎟ ⎠ ⎝ Para escoamento em regime turbulento. a pressão e a distância vertical (z) não se alteram. O termo & m . a equação pode ser dada por: r r ⎛V 2 ⎞ r ⎛V 2 ⎞ r & & & & Q − W = ( gz1 + u1 + ρ1υ )(− m1 ) + ( gz 2 + u2 + ρ 2υ )m2 + ∫ ⎜ 2 ⎟ρV2 • dA2 − ∫ ⎜ 1 ⎟ρV1 • dA1 ⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ A2 ⎝ A2 ⎝ ⎠ ⎠ No entanto. α é aproximadamente igual à unidade.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Adotando-se as hipóteses de escoamento em regime permanente.

Visualização gráfica da equação de Bernoulli: Muitas vezes. A equação é dada por: ⎛ V2⎞ ⎛ V2⎞ ⎜ gz1 + p1υ + α1 1 ⎟ = ⎜ gz 2 + p2υ + α 2 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ ⎠ ⎠ ⎝ ⎝ ⎛ V2⎞ ⎟ = H = constante ⎜ gz + pυ + α ⎜ 2 ⎟ ⎠ ⎝ Equação de Bernoulli para fluidos ideais A energia em qualquer ponto da massa fluida em um escoamento incompressível em regime permanente é constante. Energia de Posição por unidade de peso do fluido ou carga de elevação. seção (1) em energia térmica não desejada e a perda de energia por transferência de calor.1. além disso. 13. é conveniente representar o nível de energia de um escoamento por meios gráficos. Os termos individuais são: P : ρg z: Energia de Pressão por unidade de peso do fluido ou carda devida à pressão estática local. Cada termo na equação de Bernoulli. A equação de Bernoulli pode ser dada então por: ⎛ V2⎞ ⎛ V2⎞ ⎜ gz1 + p1υ + α1 1 ⎟ − ⎜ gz2 + p2υ + α 2 2 ⎟ = H s ⎜ 2 ⎟ ⎜ 2 ⎟ ⎠ ⎠ ⎝ ⎝ Quando. A Equação de Bernoulli para fluidos ideais: Para escoamentos de fluidos incompressíveis para os quais se pode desprezar os efeitos de atrito (fluidos ideais). 13. toda a energia mecânica se conserva.6. não há nenhuma potência de eixo. têm que: Q (u2 − u1 ) = & m . na forma apresentada tem dimensões de comprimento. 57 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Q (Hs) e o termo (u2 − u1 ) − representa a conversão irreversível de energia mecânica na & m .1.6.1. ou carga do fluido em escoamento.

quando nenhum trabalho é realizado sobre ou pelo fluido. Conforme mostrado na equação de Bernoulli. Para um fluido ideal sem trabalho de eixo. a energia mecânica total se conserva. ρg 58 . A energia total por unidade de peso do fluido (ou carga total do escoamento). p V2 + Linha Energética: z + ρg 2 g Linha Piezométrica: z + P . H: Energia Total por unidade de peso do fluido ou carga total do escoamento. A linha piezométrica representa a soma das alturas de carga devidas à elevação e à pressão estática. Figura 30 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento Unidimensional em um Duto. a altura da linha energética permanece constante para o escoamento sem atrito. A diferença entre as alturas da linha energética e da linha piezométrica representa a altura de carga dinâmica (de velocidade). A linha energética representa a altura de carga total.Fenômenos de Transporte – 01/2008 α V2 : Energia Cinética por unidade de peso do fluido ou carga devida à pressão 2g dinâmica local.

Pode-se considerar. assume-se α1 = α2 = 1 A equação da Continuidade estabelece que a vazão volumétrica seja constante. 59 . escoando em regime permanente através de um orifício lateral. Figura 31 – Escoamento de um Fluido Ideal em um Recipiente de Paredes Delgadas. portanto.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. Aplicações da Equação de Bernoulli: 13.6.1. P = P2 = Patm . z1 − z2 = h Portanto. V1 = 0 .6. Teorema de Torricelli: Seja um recipiente de paredes delgadas com a área da superfície livre constante. h= V22 2g V2 = 2 gh Teorema de Torricelli: “A velocidade de um líquido jorrando por um orifício através de uma parede delgada é igual à velocidade que teria um corpo em queda livre de uma altura h. A1 >> A2 . ou seja.”.2. Q = A1V1 = A2V2 No entanto.2. 1 Além disso. Como o jato de saída é livre à pressão atmosférica. A aplicação da equação de Bernoulli para fluidos ideais conduz a: V1 V2 P P2 + z2 + = 1 + z1 + ρg ρg g g 2 2 Para escoamento turbulento. contendo um fluido ideal.

Fenômenos de Transporte – 01/2008

13.6.2.2. Medidores de vazão:

Freqüentemente, é necessário medir a vazão que passa por uma tubulação. Existem diferentes dispositivos capazes de efetuar esta medição, divididos principalmente em duas classes: instrumentos mecânicos e instrumentos de perda de carga. Os instrumentos mecânicos medem a vazão real do fluido, retendo e medindo uma certa quantidade. Os dispositivos de perda de carga obstruem o escoamento, causando a aceleração de uma corrente fluida, como mostra na fig. 32 para um bocal genérico.

Figura 32 – Escoamento Interno através de um Bocal Genérico mostrando o volume de controle usado para análise.

A separação do escoamento na borda viva da garganta do bocal provoca a formação de uma zona de recirculação, como mostrado pelas linhas tracejadas a jusante do bocal. A corrente principal do escoamento continua a se acelerar após a garganta, formando uma vena contracta na seção 2 e, em seguida, desacelera-se para preencher toda a seção do tubo. Na vena contracta, a área de escoamento é mínima e a velocidade é máxima. A vazão teórica pode ser relacionada ao gradiente de pressão através da aplicação da equação de Bernoulli para fluidos ideais e da equação de conservação de massa. A equação de Bernoulli estabelece que
P2 V2 P V1 + z2 + α 2 = 1 + z1 + α1 ρg 2 g ρg 2g
2 2

Como z1 = z2, a equação se reduz a:
P2 V2 P V1 + α2 = 1 + α1 2 g ρg 2g ρg
2 2

Assim, considerando-se escoamento turbulento, α1= α2 = 1 e: 60

Fenômenos de Transporte – 01/2008

P − P2 = 1
P − P2 = 1

ρ⎛

2 2 ⎜V 2 − V 1 ⎞ ⎟ ⎠ 2⎝
2 V1 ⎞ ⎟ 1− 2 ⎜ V2 ⎟ 2⎠ ⎝ 2

ρV 2 ⎛ ⎜

As velocidades V 1 e V 2 podem ser relacionadas através da equação de conservação de massa,
V 1 A1 = V 2 A2

Ou
V 1 A2 = A1 V2

Assim,
P − P2 = 1

ρV 2 ⎛

A ⎞ ⎜1 − 2 ⎟ ⎜ 2 ⎝ A1 ⎟ ⎠

2

A velocidade teórica (ideal) V 2 é, portanto, dada por:
V2 = 2(P − P2 ) 1 ⎡ ⎛ A ⎞2 ⎤ ρ ⎢1 − ⎜ 2 ⎟ ⎥ ⎢ ⎜ A1 ⎟ ⎥ ⎣ ⎝ ⎠ ⎦

A vazão volumétrica teórica é dada, portanto, por:
Q = V 2 A2

Q=

2(P − P2 ) 1 ⎡ ⎛ A ⎞2 ⎤ ρ ⎢1 − ⎜ 2 ⎟ ⎥ ⎢ ⎜ A1 ⎟ ⎥ ⎣ ⎝ ⎠ ⎦

. A2

No entanto, diversos fatores limitam a utilidade da equação anterior para o cálculo da vazão através do medidor. A área do escoamento real na seção 2 é desconhecida quando a vena contracta é pronunciada. Em geral, os perfis de velocidade não podem ser considerados uniformes na seção. Os efeitos de atrito podem se tornar importantes quando os contornos medidos são abruptos. Finalmente, a localização das tomadas de pressão influencia a leitura da pressão diferencial. A equação teórica é ajustada pela definição de um coeficiente de descarga empírico tal que:

61

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Q=

2(P − P2 ) 1
⎡ ⎛ A ⎞2 ⎤ ρ ⎢1 − ⎜ 2 ⎟ ⎥ ⎢ ⎜ A1 ⎟ ⎥ ⎣ ⎝ ⎠ ⎦

.Cd . At

Deve ser observado que no cálculo da vazão real a área que deve ser utilizada é a área da garganta, e não a área do escoamento na seção 2. São apresentados na literatura valores para os coeficientes dos medidores de vazão, medidos com distribuições de velocidades turbulentas, completamente desenvolvidas na entrada do medidor.
13.6.2.2.1. Tubo de Venturi:

O tubo de Venturi é um dispositivo utilizado para medição da vazão ou da velocidade em uma tubulação. Consiste em uma redução da seção do escoamento, provocando um aumento de velocidade e uma queda na pressão. Em geral, os medidores são fundidos e usinados com pequenas tolerâncias, de modo a reproduzir o desempenho de projeto. A perda de carga total é baixa. Dados experimentais mostram que os coeficientes de descarga variam de 0,98 a 0,995 para altos números de Reynolds (maiores que 2.105). Por isso, C= 0,99 pode ser usado para medir a vazão em massa com cerca de 1% de erro. Para menores números de Reynolds, a literatura dos fabricantes deve ser consultada. A diferença de pressão entre um ponto no escoamento e um ponto no estrangulamento é medida através de um líquido manométrico, como mostrado na fig. 33.

Figura 33 – Tubo de Venturi. Aplicando-se a equação de Bernoulli entre os pontos 1 e 2 (fluido A),
P V1 P V2 1 + + z1 = 2 + + z2 ρ Ag 2g ρ Ag 2g
2 2

62

Fenômenos de Transporte – 01/2008 No entanto. z1 = z2 P V1 P V2 1 + = 2 + ρ A g 2g ρ Ag 2g 2 2 Falta ainda relacionar as velocidades V 1 e V 2 à vazão mássica ou à vazão volumétrica.2.2. 34). Na primeira (Fig. Tubo de Pitot: Assim como o tubo de Venturi. o tubo de Pitot é um dispositivo utilizado para a medição de vazão ou a velocidade de um escoamento. chega-se a: Q = A1 ⋅ 2 ⋅ (P − P2 ) 1 ⎡⎛ A ⎞ 2 ⎤ ρ A ⋅ ⎢⎜ 1 ⎟ − 1⎥ ⎜ ⎟ ⎢⎝ A2 ⎠ ⎥ ⎣ ⎦ 13.6. Aplicando-se a equação de Bernoulli: Figura 34 – Medição de pressão estática – Tubo de Pitot. Podem ser utilizadas 2 configurações. Ao entrar no tubo. a velocidade do fluido é reduzida a zero. um tubo é inserido no escoamento.2. 63 . para fluidos incompressíveis: Q = V 1 A1 = V 2 A2 Ou: V1 = V2 = Q A1 Q A2 A1 A2 V 2 =V1 Igualando-se as expressões P1 e P2 e substituindo-se as expressões para as velocidades. sem atrito. A equação da continuidade estabelece que.

no qual será lida a diferença de cotas (Fig. Aplicando-se a equação de Bernoulli ao fluido A. Figura 35 – Tubo de Pitot com fluido manométrico. P V1 P 1 + = 2 ρg 2 g ρg 2 ou: P2 ρ − P 1 ρ = V1 2 2 As pressões podem ser relacionadas às alturas do fluido: P1 = Patm+ ρgh1 P2 = Patm+ ρgh2 Substituindo-se na equação de Bernoulli.Fenômenos de Transporte – 01/2008 P V1 P V2 1 + + z1 = 2 + + z2 ρg 2 g ρg 2 g 2 2 Mas: z1 = z2 V 2 =0 Assim. 35). 2 2 P V1 P V2 1 + + z1 = 2 + + z2 ρ Ag 2g ρ Ag 2g 64 . é inserido um fluido manométrico. ⎛P −P⎞ V 1 = 2g⎜ 2 1 ⎟ ⎜ ρg ⎟ ⎝ ⎠ V 1 = 2 g (h2 − h1 ) Na segunda configuração.

2.2. valores consistentes devem ser selecionados de manuais. Placa de orifício: A placa de orifício é uma placa fina que pode ser colocada entre flanges.36) é: ⎛D ⎞ C = 0. P2 − P1= ( ρ A − ρ B )(h1 − h2 ) g A velocidade do escoamento é dada.0312⎜ t ⎟ ⎝ Dl ⎠ 2 . PC = P D + ρ B g (h1 − h2 ) Assim. P V1 P 1 + = 2 ρ Ag 2g ρ A g 2 ou: ρA P2 − ρA P1 = V1 2 2 As pressões nos pontos 1 e 2 podem ser relacionadas através das seguintes expressões: PC = P1+ ρ A gh1 PD = P2+ ρ A gh2 Mas.5959 + 0.5 91.3.71 ⎛ D ⎞ ⎛D ⎞ − 0. então.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Mas: z1 = z2 V 2 =0 Assim. é de baixo custo e de fácil instalação e reposição.184⎜ t ⎟ + 0.75 ⎜ t ⎟ ⎝ Dl ⎠ Re Dl ⎝ Dl ⎠ 65 . As principais desvantagens são a sua capacidade limitada e a elevada perda de carga. As tomadas de pressão podem ser posicionadas em diversos locais. Como a localização das tomadas influencia o coeficiente de descarga. Como a sua geometria é simples.1 8 2. A equação de correlação recomendada para um orifício concêntrico com tomadas de canto (fig.6. por: V1 = 2 g ( ρ A − ρ B )(h1 − h2 ) ρA 13.

A1 = área da seção reta do tubo. temos: p1 V1 p V2 + + Z1 = 2 + + Z2 γ 2g γ 2g 2 2 (1) Porém. Figura 36 (b) – Placa de Orifício. A3 = área da seção reta à entrada do orifício (montante). A2 = área da seção reta à saída do orifício (jusante). Equações de correção similares estão disponíveis para placas de orifícios com tomadas de flange e com tomadas de pressão D e D/2. Aplicando a equação de Bernoulli entre A1 e A2. então: A2 = CC A0 66 (2) . a área na seção reta na “vena contracta” será multiplicada por um fator CC chamado coeficiente de contração.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 36 (a) – Geometria de orifício e localização de tomadas de pressão – Placa de orifício.

P 1 γ + Q2 P Q2 = 2+ 2 gA12 γ 2 g( Cc A0 )2 Q2 ⎛ 1 1 ⎞ ⎜ 2 2− 2⎟ ⎜C A 2 g ⎝ C 0 A1 ⎟ ⎠ 2 Q 2 ⎛ A12 − CC A02 ⎞ ⎜ 2 2 2 ⎟ 2 g ⎜ CC A0 A1 ⎟ ⎝ ⎠ h1 − h2 = h1 − h2 = Q= 2 CC A02 A12 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) 2 A12 − CC A02 Q= ⎛A ⎞ C A ⎜ 1⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 C 2 0 2 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) Q= CC A0 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) Para obtermos a vazão real. então: Q= CV CC A0 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 ⋅ 2 g (h1 − h2 ) (4) Definimos o coeficiente de forma do orifício “C” como sendo a relação: C= CV CC 2⎛ A ⎞ 1 − CC ⎜ 0 ⎟ ⎜A ⎟ ⎝ 1⎠ 2 (5) A equação (4) pode ser escrita: Q = CA0 2 g (h1 − h2 ) (6) 67 . Q = V1 A1 = V2Cc A0 (3) Cortando Z1 e Z2 na equação (1) e substituindo (3) em (1). devemos considerar o coeficiente de velocidade “CV” responsável pelas perdas por atrito e choques no orifício. temos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Assim sendo.

pela rugosidade. 68 . V2 + z = constante 2g P P γ P0 + γ = γ + V2 2g onde: P0: é a pressão de estagnação V0 = 0 z0 = z P: pressão estática (é a pressão termodinâmica. Figura 37 – Medições simultâneas das pressões de estagnação e estática.7. quando turbulento o regime de escoamento. dissipada em forma de calor devido à viscosidade e ao desvio de massa pelos acessórios e.2.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13.6. é aquela pressão que seria medida por um instrumento movendo-se com o escoamento).2. Pressão de estagnação: É obtida quando um fluido em movimento é desacelerado até a velocidade zero por meio de um processo sem atrito. Equação de Bernoulli para fluidos reais – perda de carga: P2 V 2 P1 V1 + z2 + = + z1 + + ∆H p 2 g ρg 2g ρg 2 2 Este último termo é denominado perda de carga. (∆HP) que é a energia por unidade de peso do líquido.4. P0 − P γ = V2 2g ⎛P −P⎞ V = 2g⎜ 0 ⎟ ⎜ γ ⎟ ⎠ ⎝ 13.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 13. com a perda de carga local (∆H pL ). devida à perda de pressão pelo atrito do escoamento com os acessórios e conexões. ∆H P = ∆H PC + ∆H PL A perda de carga unitária é definida como sendo a razão entre a perda de carga e o comprimento da tubulação: ∆H P L J = 69 .1. A perda de carga total é. devida ao atrito do escoamento com as paredes ao longo da tubulação. Energia de Posição por unidade de peso do fluido. Energia Cinética por unidade de peso do fluido.7. Visualização gráfica da equação de Bernoulli para fluidos reais: Figura 38 – Linhas Energética e Piezométrica para Escoamento de um Fluido Real. A perda de carga (∆H p ) depende da rugosidade (ε) e do comprimento (L) da tubulação e da presença de acessórios e conexões no sistema. a soma da perda de carga contínua (∆H pC ) . portanto. ∆H p : Perda de Carga entre os pontos 1 e 2. P : ρg z: V2 : 2g Energia de Pressão por unidade de peso do fluido. mudanças de área e outros.

Perdas de carga contínuas: ocorre nos trechos retos. 13. DIM: [L]. o escoamento está na faixa de transição.7. Se 2100 < Re < 4000 . Re ≥ 4000 . f é o coeficiente de atrito. ele depende da rugosidade (ε) e do diâmetro da tubulação (D).Fenômenos de Transporte – 01/2008 A perda de carga entre duas seções quaisquer do escoamento pode ser calculada através de relações empíricas que dependem principalmente do regime de escoamento e da rugosidade relativa do duto. O fator de atrito depende do regime de escoamento. V é a velocidade média do fluido. da velocidade média do escoamento V e das propriedades do fluido (ρ e µ). obtém-se que o fator de atrito é função de 2 adimensionais: a rugosidade relativa (k/D ou ε/D) e o número de Reynolds. O principal problema consiste então na determinação do fator de atrito. o escoamento é laminar.1. o fator de atrito pode ser calculado por: 70 .2. DIM: [L]. o escoamento é turbulento.7. ∆H PC LV = f D 2g D é o diâmetro do duto. Através da análise dimensional. DIM: [L/t2]. 2 onde: L é a distância percorrida pelo fluido entre as 2 seções consideradas. ou Re é dado por: ρV D V D = µ υ () Re = O número de Reynolds caracteriza o regime de escoamento: Re ≤ 2100 . O adimensional de Reynolds.2. DIM: [L/t]. Basicamente. Tipos de perda de carga: 13. g é a aceleração da gravidade. Para escoamentos laminares.

Moody apresenta também uma tabela (Tab. ou seja.5 ⎟ ⎝ ⎠ No entanto. para alguns materiais comuns de engenharia. para escoamentos laminares e turbulentos.7 Re ⎠⎦ −2 Substituindo-se o resultado da equação de Miller na equação de Colebrook. pode-se determinar um valor para o fator de atrito com cerca de 1% de erro. deve ser resolvida por um procedimento iterativo.25⎢log⎜ + 0. Tabela 3 – Rugosidade para Tubos de Materiais comuns de Engenharia. Os valores do fator de atrito.0015 71 .12 0.2 a 0. Miller sugere um valor inicial para o fator de atrito(f0).15 0. Material Rugosidade ε (mm) Aço rebitado Aço comercial Concreto Ferro fundido Ferro fundido asfaltado Ferro galvanizado Madeira Trefilado 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 f = 64 Re Para escoamentos turbulentos.74 ⎞⎤ f 0 = 0.9 ⎟⎥ ⎣ ⎝ 3.26 0.38).7 Re .046 0.9 0.3) para determinação da rugosidade absoluta (ε) em tubos. f 0. a expressão anterior é transcendental. denominado Ábaco de Moody. foram determinados experimentalmente para uma série de valores de Re e de (k/D ou ε/D) e sumarizados em um ábaco (Fig.51 ⎞ ⎟ = −2 log⎜ + ⎜ 3. A expressão mais largamente utilizada é a de Colebrook: 1 f 0. dado por: ⎡ ⎛ ξ / D 5. 5 ⎛ξ / D 2.3 a 3 0. a determinação do fator de atrito é mais complicada.9 a 9 0.

Ábaco de Moody. 72 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 39 .

73 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 40 – Determinação da Rugosidade Relativa.

conexões. o escoamento perde energia e tem sua pressão diminuída. curvas ou mudanças abruptas de seção e direção. muitas vezes o escoamento é obrigado a passar por uma série de acessórios.7.Fenômenos de Transporte – 01/2008 13.2. As perdas de carga locais foram determinadas experimentalmente e modeladas segundo duas equações diferentes. Perdas de carga localizadas: Em um sistema real. 41) Figura 41 – Valores aproximados de k.2. Ao passar por estes obstáculos. 1o método: Método direto ∆H PL = (∑ k )Vg 2 2 k: é o coeficiente de perda local (característica do acessório – Fig. 74 .

41) A perda de carga total é: ∆H P = ∆H Pc + ∆H PL Figura 42 – Comprimentos Equivalentes para Tubulações de Ferro fundido e Aço. se for mal projetada. 4. A entrada do escoamento em tubos pode causar uma perda de carga considerável. ∆H PL 2 L V = f e D 2g Le: é o comprimento equivalente da tubulação (Fig. 75 . são apresentadas 3 geometrias básicas de entradas. Para saídas.0. Na Tab. o coeficiente de perda local vale 1.Fenômenos de Transporte – 01/2008 2o método: Método dos comprimentos equivalentes Consiste em transformar o acessório em trecho reto com o mesmo diâmetro e material.

5 apresenta os coeficientes de perda de carga. Assim. Tabela 5 – Coeficientes de Perda de Carga para Contração e Expansão. não importando a geometria. o coeficiente de perda de carga pode ser modelado pela equação: K = (1-RA)2 76 . em função da razão de área AR (razão entre a menor e a maior área da contração ou expansão). Um escoamento pode ainda sofrer uma expansão ou contração abrupta. Para uma expressão abrupta.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tabela 4 – Coeficiente de Perda de Carga para Entrada de Tubos. a Tab. para uma saída submersa. Para este caso. Toda energia cinética do fluido é dissipada pela mistura quando o escoamento descarrega de um tubo em um grande reservatório ou câmara (saída submersa). o coeficiente de perda é igual a α.

07 0.06 0.24 0.26 0.50 0.18 0.10 θ 10º 0. Tabela 6 – Coeficientes de Perda de Carga para Redução Suave da Seção Kcontração A2 / A1 0.37 180º 0.27 0. Um bocal é um dispositivo utilizado para a redução gradual da seção do escoamento (Fig.05 0. o coeficiente de perda é comumente apresentado em termo de um coeficiente de recuperação de pressão.60º 0.41 0.05 0.05 0. CPi.05 15º .17 0. CP: CP = P2 − P 1 1 ρV12 2 1 − CP AR 2 O coeficiente de perda é dado por K = 1− Definindo-se um coeficiente ideal de recuperação de pressão.08 90º 0.19 120º 0. A Tab.25 0.40º 50º . como o coeficiente de recuperação que existiria se os efeitos de atrito fossem desprezados.29 150º 0.35 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 As perdas decorrentes da variação de área podem ser reduzidas pala instalação de um bocal ou um difusor entre as duas seções de tubo reto. 6 apresenta os coeficientes de perda de carga para bocais. Figura 43 – Redução de Área – Bocal.43 As perdas em difusores (expansão gradual da seção do escoamento) dependem de diversas variáveis geométricas e do escoamento.05 0. Como um difusor provoca um aumento da pressão estática do escoamento (redução da velocidade média).04 0.12 0. CPi = 1 − 1 AR 2 K = CPi − CP 77 . para diferentes razões de área e para diferentes ângulos θ.43).

sempre deve ser usado o maior valor de velocidade. Deve ser observado que as perdas de carga são obtidas ao se multiplicar o coeficiente de perda por (U2/2g).Fenômenos de Transporte – 01/2008 A Fig. Estes valores. Acessórios Le/D Válvula Gaveta Válvula Globo Válvula Angular Válvula de Esfera Válvula Globo de Retenção Válvula Angular de Retenção 8 340 150 3 600 55 78 . 7. 44 apresenta os coeficientes de carga para difusores. a da maior e a da menor seção. Figura 44 – Coeficiente de Perda de Carga para um Difusor. No entanto. em função do ângulo total do difusor. em uma redução ou aumento de seção. Para estes casos. Tabela 7 – Comprimento Equivalente Adimensional para Válvulas e Conexões. há duas velocidades diferentes. são mostrados na Tab. para cada um dos acessórios. As perdas de carga em escoamentos através de válvulas e conexões também podem ser escritas em termos de comprimentos equivalentes de tubos retos.

Quando o volante é girado. Possuem custo relativamente reduzido e permitem a redução da vazão do escoamento através do volante situado na parte superior do corpo da válvula. de fechamento rápido. a casos em que se pretende variar a vazão. vácuo. muito usadas para ar comprimido.45) são válvulas mais empregadas para escoamento de líquidos. gases e líquidos. As válvulas de esfera são válvulas de uso geral. manual. mas apenas abrir ou fechar totalmente a passagem do fluido. da pressão e da temperatura do escoamento e da forma de acionamento pretendida. possuindo uma passagem central e localizada no corpo da válvula. Estas válvulas não se aplicam. controlar e interromper a descarga de fluidos em tubulações. em geral. cuja escolha depende da natureza da operação a realizar. Algumas garantem a segurança da instalação e outras permitem desmontagens para reparos ou substituições de elementos da instalação. vapor. das propriedades físicas e químicas do fluido considerado. As válvulas de gaveta (Fig.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Válvula de pé com Crivo Guiado Válvula de pé com Crivo Articulado Cotovelo Padrão de 90º Cotovelo Padrão de 45º Curva de Retorno – 180º Tê Padrão: Escoamento Principal Tê Padrão: Escoamento Lateral 420 75 30 16 50 20 60 Válvulas são dispositivos destinados a estabelecer. 79 . Existe uma grande variedade de tipos de válvulas. a válvula desliza para baixo na seção. com auxílio de uma alavanca. Figura 45 – Válvula de gaveta. O comando é. O controle do fluxo é feito por meio de uma esfera.

Sempre que possível. Existe um número muito grande de dados experimentais para as perdas da carga localizadas. Eles devem ser considerados como dados representativos para algumas situações comumente encontradas. Quando há a tendência de inversão no sentido do escoamento.47) permitem o escoamento em um só sentido. o projeto irá variar significativamente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 As válvulas globo (Fig. Figura 46 – Válvula Globo. tampão ou disco para controlar a passagem do fluido por orifício. fecham automaticamente pela diferença de pressão provocada. embora acarretem grandes perdas de carga. Figura 47 – Válvula de Retenção. dependendo do fabricante. Servem para regular a vazão. pois podem trabalhar com tampão da vedação do orifício em qualquer posição. Os valores apresentados constituem uma compilação dos dados da literatura. mesmo com abertura máxima. os 80 . As válvulas de retenção (Fig. proposta por Fox e McDonald (2001). Para válvulas. 46) possuem uma haste parcialmente rosqueada em cuja extremidade existe um alargamento.

a potência que a bomba fornece ao fluido é dada por: N B = γQH man Onde: γ: é o peso específico do fluido DIM ⎢ 3 ⎥ ⎣L ⎦ Q: é a vazão volumétrica através da bomba DIM ⎢ 81 ⎡ L3 ⎤ ⎥ ⎣t ⎦ ⎡F⎤ . dependendo dos cuidados tomados durante a fabricação da tubulação. Além disso. por exemplo. A bomba fornecerá ao fluido uma quantidade de energia por unidade de peso do fluido Hman. Potência fornecida por uma bomba Se for necessário transportar um fluido de um ponto a outro situado em uma posição mais elevada. Rebarbas do corte de trechos de tubos. Figura 48 – Elevação de um Fluido com uma Bomba. poderão causar obstruções locais. P V1 2 P2 V22 1 z1 + + + H man = z 2 + + + ∆H p ρg 2 g ρg 2 g A potência real da bomba. pode-se utilizar uma bomba.Fenômenos de Transporte – 01/2008 valores fornecidos pelos fabricantes deverão ser utilizados para a obtenção de dados mais precisos. como as perdas de carga introduzidas por acessórios e válvulas irão variar consideravelmente. com aumento considerável das perdas.8. ou seja. Aplicando-se a equação de Bernoulli para fluidos reais entre os pontos 1 e 2. 13.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Hman: é a energia por unidade de peso do fluido fornecida pela bomba (altura manométrica).014 cv Nm= γQH man η Exemplo: Um conjunto elevatório esquematizado na figura abaixo trabalha nas seguintes condições: Vazão = 100 l.10 − 6 Determinar: a) Perda de carga na linha de sucção em (m). A eficiência da bomba é definida então como sendo a razão entre a energia disponível para o fluido e a energia disponível para a bomba. potência real potência ideal η= A unidade de potência. 82 . b) Perda de carga na linha de recalque em (m). ou seja. d) Potência da bomba de acionamento em (cv). 1 hp = 1. no SI. a energia disponível para a bomba é diferente da energia transferida pela bomba para o fluido. é o W (J/s). a altura de desnível geométrico e a perda de carga DIM [L ] . Uma parte da energia é perdida por fugas de massa e por dissipação por atrito no interior da bomba. a razão entre a potência real da bomba e a sua potência ideal.s-1 Material = Ferro fundido Rendimento total = 75% Diâmetro da tubulação de recalque = 200 mm Diâmetro da tubulação de sucção = 250 mm m2 s µ H 2O = 1. sendo 1 cv = 736W = 75 kgfm/s e 1 hp = 746W = 76 kgfm/s. Uma unidade bastante utilizada é o cavalo-vapor (cv). É a energia fornecida a cada kgf de líquido para que partindo do reservatório inferior atinja o reservatório superior. ou seja. No entanto. c) Altura manométrica em (m). vencendo a diferença de pressão entre os reservatórios.

037 m s .25m s −6 m 2 1× 10 s Re = Re = 5. a) Sucção: (Antes da bomba) *Acessórios na sucção: Le = 65 m + 3 m Q = V×A m3 π 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 49 – Conjunto elevatório referente ao exemplo acima Resolução: Para calcularmos os itens acima.1 válvula de pé e crivo = 65. iremos dividir em dois blocos: Sucção e Recalque.100 = VS × × (250 × 10 −3 )m 2 s 4 VS = 2.0 m * Cálculo do número de Reynolds: Re = ρVD VD = µ υ 2.1 curva de 90º = 3.1× 105 83 .037 m × 0.0 m .

100 π m3 = VR × (200 × 10 −3 )m 2 s 4 s VR = 3.4 m + 1.0 m + 2.183 m * Cálculo do número de Reynolds: Re = ρVD VD = µ υ 3.2m s Re = −6 m 2 1×10 s Re = 6.1 curva de 90º = 2.4 . * Cálculo da perda de carga na sucção usando o método do comprimento equivalente: ∆H S = f × (L + Le) × VS 2 D 2g 2 ∆H S (4.257m b) Recalque: (Depois da bomba) *Acessórios no Recalque: .Fenômenos de Transporte – 01/2008 * Obtenção do fator de atrito: Pelo fato do número de Reynolds ter sido maior que 4.183 m × 0. 84 .0 .037 m s ) = 0.4 Le = 25.1 válvula de retenção = 25.5 + 65 + 3)m × (2.000 o escoamento se caracteriza turbulento.1 registro gaveta = 1.4 m Q = V×A 0.37 ×105 * Obtenção do fator de atrito: Pelo fato do número de Reynolds ter sido maior que 4.00104 ⎟ e o ⎝D ⎠ ábaco de Moody. ⎛ε ⎞ Depois de consultado a tabela de rugosidade relativa ⎜ = 0.81 m s2 ∆Hs = 1.000 o escoamento se caracteriza turbulento.0205. obtemos o fator de atrito de f = 0.0205 × 250 × 10 −3 m 2 × 9.

m s 1c.0013 ⎟ e o ⎠ ⎝D ábaco de Moody.1m d) Cálculo da potência da bomba: * Rearranjando a equação de Bernoulli temos: Nm = γQH man η * Substituindo os valores teremos: γ × Q × H man 1× 10 Nm = = η 3 kgf m 3 × 100 ×10 −3 m 3 s × 26 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 ⎞ ⎛ε Depois de consultado a tabela de rugosidade relativa ⎜ = 0.183 m s ) = 0.0215 × 2 ×10 −3 m 2 × 9.597m = 4.75 N m = 3480 N m = 46.1m 0 .183 m s ) = 2 × 9.g + perdas ( ∆H T ) P1man=0 . Z1=0 .257m + 3.18m/s (3.854m c) Cálculo da altura manométrica: * Pela equação de Bernoulli temos: P 1 P V V + 1 + H man = 2 + 2 + Perdas γ 2g γ 2g 2 2 P1+ V1 2/2. kgf .v. P2man=0 .584m 2 H man = 26.81 m s2 ∆H R = 3.0215.v.597m ∆H T = ∆H S + ∆H R = 1. = 75 kgf . * Cálculo da perda de carga na sucção: ∆H R = f × (L + Le) × VR 2 D 2g 2 ∆H R (36 + 25 + 1.4 + 2. V 2= V H man R =3.g + Hman = P2+ V2 2/2.m s 85 . V 1=0 . obtemos o fator de atrito de f = 0.4c. Z2=21 m .81 m s 2 + 21m + 4.4)m × (3.

Os modos de transferência de calor são: condução. 2a Lei da Termodinâmica: É impossível existir um processo cujo único resultado seja a transferência de calor de uma região de baixa temperatura para outra de temperatura mais alta. 14. S1 Calor T1 > T2 S2 Figura 50 . Introdução Sempre que existir um gradiente de temperatura no interior de um sistema ou dois sistemas a diferentes temperaturas colocadas em contato. no sentido da temperatura mais alta para a mais baixa.1. mas apenas transformada de uma forma para outra. Modos de Transferência de Calor: Os diferentes processos através dos quais o calor é transmitido são chamados modos. convecção e radiação.2. Condução: Transferência de calor que ocorre em um meio estacionário. sem apreciável deslocamento das moléculas.2. É um processo pelo qual o calor flui de uma região de temperatura mais alta para outra de temperatura mais baixa dentro de um meio (sólido.Transferência de calor. 86 . Os processos de transferência de calor devem obedecer às leis da Termodinâmica: 1a Lei da Termodinâmica: A energia não pode ser criada ou destruída. que pode ser um sólido ou um fluido. haverá transferência de energia por calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 14.1. 14. A transferência de calor é o trânsito de energia provocado por uma diferença de temperatura. A energia é transferida através de comunicação molecular direta. líquido ou gasoso) ou entre meios diferentes em contato físico direto. Transferência de Calor 14.

É a energia emitida por toda matéria que se encontra a uma temperatura não nula. Convecção: Transferência de calor que ocorre entre uma superfície e um fluido em movimento.2. ou quantas de energia. (a) Convecção natural. Tar Tar qc T1 CONVECÇÃO NATURAL qc T1 CONVECÇÃO FORÇADA Figura 52 – Processos de transferência convectiva de calor. O calor radiante é emitido por um corpo na forma de impulsos.2. É um processo de transferência de energia através da ação combinada de condução de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 T1 T2 Figura 51 – Associação da transferência de calor por condução à difusão da energia provocada pela atividade molecular. 14. (b) Convecção forçada.2.3. Radiação: Energia emitida na forma de ondas eletromagnéticas por uma superfície a uma temperatura finita. quando estiverem em temperaturas diferentes. É importante principalmente como mecanismo de transferência de energia entre uma superfície sólida e um fluido. armazenamento de energia e movimentação da mistura. 87 . 14.

Uma vez que a emissão resulta de variações nos estados eletrônicos. Estas faixas e os comprimentos de onda representando os limites aproximados são mostrados na Fig.3. moléculas ou elétrons são excitados e retornam espontaneamente para os estados de menor energia. a radiação emitida é usualmente distribuída sobre uma faixa de comprimentos de onda. Neste processo. rotacional e vibracional dos átomos e moléculas. 14. emitem energia na forma de radiação eletromagnética. Leis Básicas da Transferência de Calor: Equações de Taxa 88 . A radiação térmica é a energia eletromagnética propagada na velocidade da luz. Figura 54 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tviz q T Figura 53 – Troca radiativa entre uma superfície e as suas vizinhanças. 54. Os átomos. emitida pelos corpos em virtude de sua temperatura.

A taxa de energia é denotada por q. líquidos e gases).3. 89 . desde que estejam em repouso. 14. Outra maneira de se quantificar a transferência de energia é através do fluxo de calor.1. A equação pode ser usada para se calcular a quantidade de energia transferida por unidade de tempo. Figura 55 – Transferência de Calor em uma Parede Plana. Seja a transferência unidimensional de calor em uma parede plana (Figura 55).Fenômenos de Transporte – 01/2008 Todos os processos de transferência de calor podem ser quantificados através da equação de taxa apropriada. Condução Equação de taxa: Lei de Fourier " qcond = −k dT dx 2 onde q"cond : Fluxo de calor por condução na direção x (W/m ) k: Condutividade térmica do material da parede (W/m. que é a taxa de energia por unidade de área (perpendicular à direção da troca de calor). q " . e tem unidade de (W – Watt) no sistema internacional. a unidade do fluxo é (W/m2). qcond = − kA dT dx O sinal negativo aparece porque o calor está sendo transferido na direção da temperatura decrescente. No sistema internacional.K) dT : Gradiente de temperatura na direção do fluxo de calor (K/m) dx A taxa de calor pode ser obtida multiplicando-se o fluxo de calor pela área perpendicular à direção da transferência de calor. A lei de Fourier se aplica a todos os estados da matéria (sólidos.

pode-se considerar que a distribuição de temperaturas no interior da parede é linear.cond a partir da resistência elétrica R. é dada por: " qcond = qcond A ⎛T −T ⎞ qcond = kA⎜ 1 2 ⎟ ⎝ L ⎠ Utilizando a analogia com circuitos elétricos.cond. e a condutividade térmica do concreto é 1W/m. cond = Rt . o gradiente de temperatura pode ser dado por: dT T2 − T1 = dx L O fluxo de calor é dado por: ∆T ⎛T −T ⎞ ⎛T −T ⎞ " qcond = − k ⎜ 2 1 ⎟ = k ⎜ 1 2 ⎟ = k L ⎝ L ⎠ ⎝ L ⎠ A taxa de condução de calor pode ser obtida multiplicando-se o fluxo pela área perpendicular à direção da transferência de calor. R= V1 − V2 i Rt . separa uma sala de ar condicionado do ar ambiente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Considere que. na parede mostrada na figura 55.30 m. unidimensional (direção x). Assim. Para regime permanente sem geração interna de calor. = resistência térmica à condução de calor (W/K)-1 Exemplo: 1) Uma parede de concreto. a superfície em x = 0 se encontra a uma temperatura T1 e a superfície em x = L se encontra a T2. A temperatura da superfície interna da parede é mantida a 25ºC.K. 90 . Determine a perda de calor através da parede para as temperaturas ambientes internas de – 15 ºC e 38 ºC que correspondem aos extremos atingidos no inverno e no verão. A transferência de calor é. cond = T1 − T2 qcond L kA onde: Rt. pode-se definir a resistência térmica à condução Rt. portanto. área superficial de 20 m2 e espessura de 0.

3. T1 − T2 L Substituindo os valores em relação à temperatura de –15ºC temos a condução térmica como: qcond = k . 0. A.K = −867W 14. 0. A. qcond = 1 qcond T1 − T2 L 25º C − (− 15º C ) W .3m m. Convecção Equação de taxa: Lei de Resfriamento de Newton Figura 56 – Transferência Convectiva de Calor.20m 2 .3m m.K = 2667W Substituindo em relação à temperatura de 38ºC temos: qcond = k . " qconv = h(Ts − T∞ ) onde: q " . qcond = 1 qcond T1 − T2 L 25º C − 38º C W .2. A.20m 2 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para calcularmos a perda de calor através da parede devemos utilizar a equação que rege a lei básica de transferência de calor referente à condução térmica em uma parede plana: qcond = k . : Fluxo de calor por convecção (W/m2) conv h: Coeficiente convectivo de calor (W/m2K) Ts: Temperatura da superfície (K) T∞: Temperatura do fluido (K) A taxa de transferência de calor por convecção é dada por: " qconv = qconv A 91 .

000 2 m q"conv = 200 92 . A partir de testes de controle de qualidade.K. com coeficiente de transferência de calor por convecção correspondente de h= 200 W/m2. Resolução: Para calcular a potência máxima dissipada pelo chip temos que calcular o fluxo de transferência de calor gerada pelo sistema.000 2. conv = T1 − T2 qconv Líquido 50-1. enquanto sua superfície superior encontra-se exposta ao escoamento de uma substância refrigerante a T∞ = 15ºC. conv = 1 hA onde: Rt.conv.K m 2 . = resistência térmica à convecção de calor (W/K)-1 Exemplo: 1) Um circuito integrado (chip) quadrado com lado w = 5 mm opera em condições isotérmicas. levando em consideração a temperatura máxima à qual o chip pode atingir: q"conv = h(Tsup − T∞ ) W (85º −15º ). Se a substância refrigerante é o ar.000 50-20. O chip está alojado no interior de um substrato de modo que suas superfícies laterais e inferior estão bem isoladas termicamente. Determine a potência máxima que pode ser dissipada pelo chip.K W q"conv = 14.500-100000 5-25 25-250 Rt . 8 apresenta valores típicos do coeficiente de convecção h: Tabela 8 – Valores de h (W/m². sabe-se que a temperatura do chip não deve exceder a T= 85ºC.K) Gás Convecção Natural Convecção Forçada Ebulição ou Condensação A resistência térmica à convecção é dada por: Rt .Fenômenos de Transporte – 01/2008 qconv = hA(Ts − T∞ ) A Tab.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Calculamos agora a potência máxima utilizando o valor acima encontrado: qconv = q' 'conv . Um corpo negro pode ser definido também como um perfeito absorvedor de radiação. Radiação Lei de Stefan-Boltzmann A radiação com comprimento de onda de aproximadamente 0.2 µm a 1000 µm é chamada radiação térmica e é emitida por todas as substâncias em virtude de sua temperatura.35W ( ) 14.A qconv = 14000 qconv = Pmax 2 W . Toda a radiação incidente sobre um corpo negro (independentemente do comprimento de onda ou da direção) será absorvida. O fluxo de calor emitido por uma superfície real é menor do que aquele emitido por um corpo negro à mesma temperatura e é dado por: " qrad = εσTs4 93 .3. Uma superfície capaz de emitir esta quantidade de energia é chamada um irradiador perfeito ou “corpo negro”. Por exemplo. uma camada fina de carbono preto pode absorver aproximadamente 99% da radiação térmica incidente.67x10-8W/m2K4) Uma superfície capaz de emitir esta quantidade de energia é chamada um radiador ideal ou um corpo negro. O fluxo máximo que pode ser emitido por uma superfície é: " qrad = σTs4 onde: q”rad: Energia emitida por unidade de área da superfície (W/m2) Ts: Temperatura absoluta da superfície (K) σ: Constante de Stefan-Boltzmann (5. Embora um corpo negro não exista na natureza.10 −3 m 2 2 m = 0 .3. 5. alguns materiais se aproximam de um corpo negro. A quantidade de energia liberada de uma superfície como calor radiante depende da temperatura absoluta e da natureza da superfície.

a 300 K. o fluxo radiativo líquido pode ser dado por: " 4 qrad = εσ Ts4 − Tviz ( ) ) A taxa líquida de troca de calor é: 4 qrad = εσA Ts4 − Tviz ( onde: A: Área da superfície menor Ts: Temperatura da superfície menor Tviz. Figura 57 – Troca Radiativa Líquida entre duas Superfícies. Outra propriedade radiativa importante é a absortividade α. Esta propriedade indica a eficiência de emissão da superfície em relação a um corpo negro (0 ≤ ε ≤ 1) . Um caso especial que ocorre com freqüência envolve a troca líquida de radiação entre uma pequena superfície a uma temperatura Tsup e uma superfície isotérmica bem maior que a primeira. dependendo das propriedades radiativas das superfícies e de seu formato.: Temperatura da superfície maior Manipulando-se a equação anterior. Considerando-se a superfície menor cinzenta (ε = α ) .Fenômenos de Transporte – 01/2008 onde: ε é a emissividade da superfície. pode-se escrever a taxa líquida como: 94 . que indica a eficiência de absorção da superfície. A Tabela A. que a envolve completamente (Figura 57). A taxa líquida na qual a radiação é trocada entre duas superfícies é bastante complicada.5 (Apêndice A) apresenta a emissividade de alguns materiais comuns.

pela soma da taxa de calor por radiação com a taxa de calor por convecção. portanto.8 × 5 .T 4 sup q' ' rad = 0 . já que nenhuma parcela da radiação emitida pela superfície menor seria refletida de volta para ela. A taxa total de transferência de calor é dada. 57 podem também. 95 .rad. rad = Rt . = resistência térmica à radiação de calor (W/K)-1 Deve ser ressaltado que o resultado independe das propriedades da superfície maior. Determine a taxa de emissão de radiação pela superfície? Resolução: Para calcular a taxa de emissão de radiação devemos utilizar a fórmula referente à radiação para uma superfície: qrad = ε .22 W m2 W 4 × (150 + 273 ) K 4 2 4 m K ( ) A Tab. q = qrad + qconv Exemplo: 1) Uma superfície com área de 0. emissividade igual a 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 2 qrad = εAσ (Ts − Tviz )(Ts + Tviz ) Ts2 + Tviz ou ( ) qrad = hr A(Ts − Tviz ) onde: 2 hr = εσ (Ts + Tviz ) Ts2 + Tviz ( ) Assim. As superfícies mostradas na Fig.67 × 10 −8 q' ' rad = 1452 . rad = Ts − Tviz qrad 1 hr A onde: Rt. 9 apresenta um resumo das equações de taxa dos diferentes modos de transferência de calor.8 e temperatura de 150ºC é colocada no interior de uma grande câmara de vácuo cujas paredes são mantidas a 25ºC. trocar calor por convecção com um fluido adjacente. simultaneamente.5 m2. a resistência térmica à radiação é dada por: Rt .σ .

Sistemas de coordenadas Cartesianas ⎛ ∂T ˆ ∂T ˆ ∂T q" = −k ⎜ ⎜ ∂x i + ∂y j + ∂z ⎝ ˆ⎞ k⎟ ⎟ ⎠ ˆ⎞ k⎟ ⎟ ⎠ ˆ ˆ q" = q" x i + q" y ˆ + q" z k j ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ∂T q" = − k ⎜ ⎜ ∂r i + r ∂φ j + ∂z ⎝ ˆ⎞ k⎟ ⎟ ⎠ Lei de Fourier Forma compacta Cilíndricas ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ∂T q" = −k ⎜ ⎜ ∂r i + r ∂φ j + ∂z ⎝ Esféricas 1 ∂T ˆ ⎞ 1 ∂T ˆ ⎞ ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ k ⎟ q" = − k ⎜ k⎟ q" = − k ⎜ j+ j+ i+ i+ r sen θ ∂θ ⎠ r sen θ ∂θ ⎠ r ∂θ r ∂θ ⎝ ∂r ⎝ ∂r 96 . a lei de Fourier. Introdução à Condução A Lei de Fourier é uma lei fenomenológica. " Para a condução unidimensional.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Tabela 9 – Equações de Taxa Taxa Condução Convecção Radiação Fluxo qcond = − KA dT dx q" cond = − K dT dx qconv = −hA(Ts − T∞ ) qrad = hrA(Ts − Tviz ) q" conv = h(Ts − T∞ ) 4 q" rad = εσ T 4 − T viz s ( ) 15. ˆ ˆ q" = q " i + q " j + q " k x y z onde: q" = −k x ∂T ∂x q" = −k y ∂T ∂y q" = −k z ∂T ∂z A Tab. qcond = −k dT dx O fluxo de calor é uma grandeza vetorial. e não deduzida a partir de princípios fundamentais.10 apresenta. Tabela 10 – Lei de Fourier para os três sistemas de coordenadas.1. desenvolvida a partir de fenômenos observados. ou seja. para os três sistemas de coordenadas cartesianas. Condução 15. dado por: ⎛ ∂T ˆ ∂T ˆ ∂T ˆ ⎞ q" = − k ⎜ ⎟ ⎜ ∂x i + ∂y j + ∂z k ⎟ = − k∇T ⎠ ⎝ onde ∇ é o operador gradiente.

é maior que a de um gás. Para uma taxa de calor fixa. Esta tendência se deve. por sua vez. a 300 K. um aumento na condutividade térmica representa uma redução do gradiente de temperatura ao longo da direção da transferência de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. a condutividade térmica de um sólido é maior que a de um líquido que. Figura 58 – Faixas de Condutividade térmica para vários estados da matéria. No sistema internacional. Propriedades térmicas da matéria: A condutividade térmica (K) apresenta a capacidade de um corpo de transferir calor. Ela depende da estrutura física da matéria. A Figura 58 apresenta valores da condutividade térmica para alguns materiais. 97 . a níveis atômico e molecular. às diferenças de espaçamento intermolecular nos estados da matéria.2. em geral. Conforme mostrado na figura 58. em grande parte.K). a unidade de k é (W/m.

que são considerados meios bons para o armazenamento de energia possuem capacidades caloríficas de magnitude apreciável.Num instante (t): a taxa com que as energias térmica e a energia mecânica entram num volume de controle. comumente chamado de capacidade calorífica. deve haver um equilíbrio entre todas as taxas de energia. Ao contrário. devido às suas baixas densidades. Em geral. Ela mede a capacidade do material de conduzir a energia térmica em relação à sua capacidade de armazená-la. . Uma vez que substâncias que possuem densidade elevada são tipicamente caracterizados por reduzidos calores específicos.3. No sistema internacional. Materiais com valores elevados de α responderão rapidamente a mudanças nas condições térmicas a eles impostas.K). taxa de aumento da energia 98 . enquanto os sólidos não metálicos apresentam menores valores desta propriedade. mais a taxa com que a energia térmica é gerada no interior do volume de controle. mede a capacidade de um material de armazenar energia térmica. muitos sólidos e líquidos. A difusividade térmica (α) é definida como sendo a razão entre a condutividade térmica e a capacidade calorífica: α= k ρc p onde k é a condutividade térmica e ρc p é a capacidade calorífica. os gases são muito pouco adequados para o armazenamento de energia térmica. Conservação de energia em um volume de controle Em qualquer instante. os sólidos metálicos têm maiores difusividades térmicas. levando mais tempo para atingir uma nova condição de equilíbrio. devem ser iguais à armazenada no interior do volume de controle. a unidade de α é (m2/s). No sistema internacional. de tempo (t) e intervalo de tempo (∆t). 15. menos a taxa com que as energias térmica e a energia mecânica deixam o volume de controle. enquanto materiais com valores reduzidos de α responderão mais lentamente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 O produto ρcp. a unidade de ρcp é (J/m3.

convertendo energia química em térmica. o efeito a ser computado é um aumento na energia térmica da matéria no interior 99 . uma reação química exotérmica pode estar acontecendo. Ou seja. cinética e potencial. é obtida pela integração da equação ao longo do tempo: Eaf + E g − Eef = ∆Eac Em palavras essa relação diz que as quantidades de energia que entram e que são geradas atuam em favor do crescimento da quantidade de energia acumulada no interior do volume de controle. elétrica.Num intervalo de tempo(∆t): a quantidade de energia térmica e a energia mecânica que entra num volume de controle. Esse é um fenômeno volumétrico. eles estão associados exclusivamente aos processos que ocorrem na superfície de controle e são proporcionais a sua área.Fenômenos de Transporte – 01/2008 . enquanto a energia que sai atua diminuindo a quantidade de energia armazenada. dEac & & & & Eaf + E g − Eef = Eac = dt a equação acima pode ser utilizada em qualquer instante de tempo. convecção e ou radiação. menos a quantidade de energia térmica e a energia mecânica que deixa o volume de controle. A forma alternativa. Os termos de entrada e saída podem também incluir as interações referentes ao trabalho que ocorre nas fronteiras do sistema. os termos também incluem a energia transportada pela matéria que entra e sai do volume de controle. Em situações que envolvem o escoamento de um fluido através da superfície de controle. eletromagnética. ou nuclear) em energia térmica. devem ser iguais ao aumento na quantidade de energia armazenada no interior do volume de controle. mais a quantidade de energia térmica gerada no interior do volume de controle. Por exemplo. que se aplica a um intervalo de tempo (∆t). Essa energia pode compreender as formas interna. Ou seja. O termo da geração de energia está associado à conversão de uma outra forma de energia qualquer (química. Nesse caso. Os termos relativos à entrada e saída de energia são fenômenos de superfície. ele ocorre no interior do volume de controle e é proporcional a magnitude do seu volume. Uma situação comum envolve a entrada e a saída de energia por meio da transferência de calor por condução.

Tviz. que compreende a energia armazenada nas ligações químicas entre os átomos. Embora esse processo possa ser alternativamente tratado como se houvesse a realização de trabalho elétrico no sistema (entrada de energia). o termo relativo ao armazenamento de energia. pode ser igualado a soma ∆U + ∆KE + ∆PE.R. Resolução: Para calcular o coeficiente convectivo do ar devemos utilizar a equação que rege a lei de conservação de energia em um volume de controle: Eaf + E g − Eef = ∆Eac 100 . ∆ Eac. à qual passa por suas aletas. A variação na energia interna. Isto é. para um intervalo de tempo ∆t. um componente latente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 do volume de controle. O armazenamento ou acúmulo de energia também é um fenômeno volumétrico. energia elétrica é dissipada a uma taxa igual a I².045m2. cinética e ou potencial do seu conteúdo. e um componente nuclear. que leva em consideração os movimentos de translação. se uma corrente elétrica I passa através de uma resistência R no interior do volume de controle. respectivamente. é de T∞ =27ºC e sua área é de 0. o efeito líquido continua sendo a criação de energia térmica. líquido e gasoso. ∆U. Outra fonte de energia térmica é a conversão de energia elétrica que ocorre devido ao aquecimento resistivo quando se passa uma corrente elétrica através de um material condutor. Qual o coeficiente convectivo de calor do ar (h). cuja temperatura da vizinhança e da superfície são. um componente químico. consiste em um componente sensível ou térmico. Portanto. rotação e ou vibração dos átomos/moléculas que compõem a matéria. que está relacionado às forças intermoleculares que influenciam as mudanças de fase entre os estados sólido. que representa as forças de coesão existentes nos núcleos dos átomos. A potência dissipada pelo equipamento é de 20 W.= 27ºC e Tsup= 42ºC e a emissividade è de 0. Exemplo: 1) Um equipamento eletrônico possui um dissipador de potência agregado à sua estrutura. que corresponde à taxa na qual a energia térmica é gerada (liberada) no interior do volume de controle. e variações no interior do volume de controle podem ser devido a mudanças nas energias internas. Tal dissipador está em um ambiente cuja temperatura do ar.8.

045(315 − 300 ) ( ) 15.0.10 −8. + Tviz.56 0.67. considere o volume de controle infinitesimal de dimensões dx. Coordenadas cartesianas Um dos objetivos principais da análise da condução de calor é determinar o campo de temperaturas em um meio. Para se determinar a distribuição de temperaturas. Assim.8. + qconv. A(Tsup .1. ou seja. 101 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Como o equipamento não gera energia e o termo referente ao armazenamento de energia não varia com o tempo.4.045 3154 − 300 4 + h.0. pode-se determinar o fluxo de calor por condução em qualquer ponto do meio ou em sua superfície utilizando-se a lei de Fourier. a geração interna de calor e o acúmulo de energia que podem existir no volume de controle e qx . Substituindo os valores temos: E af = 20W E ef = εσA(Tsup . dy e dz mostrado na figura & & 59. − T∞ ) 4 4 E ef = 0. E g e E a representam.35 2 m .045 315 4 − 300 4 + h.10 −8. Equação da Difusão de Calor 15.5.0. temos: Eaf − Eef = 0 Identificando os termos acima em parâmetros de convecção e radiação temos: Eaf = P Eef = qrad.8. a distribuição de temperaturas em seu interior.5.0.4.K h= : 20 = 0. ) + h. qy e qz são as taxas de calor por condução nas três direções.67. respectivamente.675 W h = 24.045(315 − 300 ) ( ) Substituindo os termos acima na equação Eaf = Eef 20 − 3.

Fazendo-se um balanço de energia no volume de controle & & & & Ee − Es + E g = Ea (q x & + q y + q z − q x + dx + q y + dy + q z + dz + qdxdydz = ρc p ) ( ) ∂T dxdydz ∂t 3 & q : Taxa de geração de energia por unidade de volume do meio (W/m ) ρc p ∂T : Taxa de variação de energia térmica do meio.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 59 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cartesianas). ∂q y ⎛ ⎞ ∂T ∂q ∂q qx + q y + qz − ⎜ q x + x dx + q y + dy + qz + z dz ⎟ + qdxdydz = ρc p dxdydz ⎜ ⎟ & ∂t ∂x ∂y ∂z ⎠ ⎝ − ∂q y ∂T ∂q ∂q x & dxdydz dx − dy − z dz + qdxdydz = ρc p ∂t ∂z ∂x ∂y 102 . q x + dx = q x + ∂q x dx ∂x q y + dy = q y + ∂q y ∂y dy q z + dz = q z + ∂q z dz ∂z Assim. por unidade de volume (W/m3) ∂t Fazendo-se uma expansão em série de Taylor nas 3 direções coordenadas.

adotando-se algumas hipóteses: • Condutividade térmica constante (k constante): & ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T q ρc p ∂T + 2 + 2 + = 2 k k ∂t ∂y ∂z ∂x ou & ∂ 2T ∂ 2T ∂ 2T q 1 ∂T + 2 + 2 + = 2 k α ∂t ∂y ∂z ∂x onde: α = k = difusividade térmica do material (m2/s) ρc p • Regime Permanente ∂T ∂t = 0 : ( ) ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎟ + ⎜k ⎜k ⎟ + ⎜k ⎟+q = 0 ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎜ ∂y ⎟ ∂z ⎝ ∂z ⎠ ⎠ ⎝ • Condução unidimensional de calor em regime permanente. qx = −k − ∂T dydz ∂x q y = −k ∂T dxdz ∂y qz = −k ∂T dxdy ∂z ∂ & (qx )dx − ∂ q y dy − ∂ (qz )dz + qdxdydz = ρc p ∂T dxdydz ∂t ∂x ∂y ∂z ( ) − ⎞ ∂T ∂⎛ ∂T ∂ ⎛ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ ⎞ & dydz ⎟dx − ⎜ − k dxdz ⎟dy − ⎜ − k dxdy ⎟dz + qdxdydz = ρc p dxdydz ⎜− k ⎜ ⎟ ∂t ∂z ⎝ ∂z ∂y ⎝ ∂y ∂x ⎝ ∂x ⎠ ⎠ ⎠ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T & ⎜k ⎟dxdydz + ⎜ k ⎜ ∂y ⎟dxdydz + ∂z ⎜ k ∂z ⎟dxdydz + qdxdydz = ρc p ∂t dxdydz ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Dividindo-se pelo volume infinitesimal dxdydz. qy e qz podem ser determinadas utilizando-se a Lei de Fourier.Fenômenos de Transporte – 01/2008 As taxas qx . ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T & ⎜k ⎟ + ⎜k ⎜ ∂y ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Muitas vezes. é possível operar com versões simplificadas desta equação. no entanto. sem geração interna de calor: d ⎛ dT ⎞ ⎜k ⎟=0 dx ⎝ dx ⎠ 103 .

Coordenadas Cilíndricas Efetuando-se uma análise similar à realizada para coordenadas cartesianas. o fluxo de calor é constante na direção da análise. 104 . Figura 60 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Cilíndricas).Fenômenos de Transporte – 01/2008 Neste caso. ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ∂T ˆ ⎞ q" = −k∇T = −k ⎜ ⎜ ∂r i + r ∂φ j + ∂z k ⎟ ⎟ ⎝ ⎠ q ′′ = − k r ∂T ∂r ′ qφ′ = − k ∂T r ∂φ q ′′ = − k z ∂T ∂z ∂T 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎜k ⎜ kr ⎟+ 2 ⎜ ∂φ ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ r ∂r ⎝ ∂r ⎠ r ∂φ ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ 15. Seja o volume de controle em coordenadas cilíndricas mostrado na Figura 60. k dT = constante dx q x = constante Em condições de transferência de calor unidimensional em regime permanente. 15. Coordenadas Esféricas Seja o volume de controle em coordenadas esféricas mostrado na Figura 61.2.4. pode-se escrever a equação da difusão de calor em coordenadas cilíndricas e esféricas.4. sem geração interna de energia.3.

t ) = Ts 105 . Como a equação da condução de calor é uma equação de Segunda ordem nas coordenadas espaciais. com a transferência de calor ocorrendo na direção dos x positivos. Elas ilustram a situação para um sistema unidimensional.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 61 – Volume de Controle Infinitesimal (Coordenadas Esféricas). também das condições que existem em um certo instante inicial (condição inicial). Como a equação é de primeira ordem no tempo. basta apenas uma condição inicial. Condições de Contorno e Condição Inicial A solução das equações que governam problema depende ainda das condições físicas que existem nas fronteiras do meio (condições de contorno) e. quando a situação for dependente do tempo. 1) Temperatura da Superfície Constante – condição de Dirichlet T (0. As figuras a seguir mostram as 3 espécies de condições de contorno comumente encontradas na transferência de calor. especificando a condição de contorno na superfície x = 0. ⎛ ∂T ˆ 1 ∂T ˆ 1 ∂T ˆ ⎞ q" = − k∇T = − k ⎜ ⎟ ⎜ ∂r i + r ∂θ j + r sen θ ∂φ k ⎟ ⎠ ⎝ ′ qr′ = − k ∂T ∂r ′ qθ′ = − k ∂T r ∂θ ′ qφ′ = − k ∂T r senθ ∂φ 1 ∂ ⎛ 2 ∂T ⎞ 1 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎜k ⎜ kr ⎟+ 2 2 2 ⎟ ⎜ ∂φ ⎟ + r 2 sen θ ∂θ ⎜ k sen θ ∂θ ⎟ + q = ρc p ∂t ∂r ⎠ r sen θ ∂φ ⎝ r ∂r ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ 15.4.4. são necessárias 2 condições de contorno para cada coordenada espacial que descreve o sistema.

De repente uma corrente elétrica é passada através da barra. A superfície inferior continua mantida a Td. encontra-se com a sua superfície inferior em contato com um sorvedouro de calor de tal modo que a temperatura ao longo de toda a barra é aproximadamente igual à do sorvedouro. Obtenha a equação diferencial e as condições inicial e de contorno que poderiam ser usadas para determinar a temperatura da barra em função da posição e do tempo. com temperatura T = 15ºC e coeficiente convectivo h = 10 W/m2. e uma corrente de ar.Fenômenos de Transporte – 01/2008 2) Fluxo de Calor Constante na Superfície –condição de Neumann −k ∂T ∂x = q " ( 0) x x =0 a) Fluxo de Calor Diferente de Zero ∂T ∂x −k " = qS x =0 b) Fluxo de Calor Nulo (Parede Isolada ou Adiabática) ∂T ∂x =0 x=0 3) Condição Convectiva na Superfície ∂T ∂x = h[T∞ − T (0. Resolução: Para obtermos a equação e as condições de contorno e inicial devemos primeiramente fazer algumas considerações: 106 . é soprada por sobre a sua superfície superior.K. Td = 30ºC. cuja largura W é muito maior que sua espessura L. t )] x =0 −k Exemplo: 1) Uma longa barra de cobre com seção reta retangular.

A distribuição de temperatura é governada pela equação de calor: ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ . t ) − T∞ ] x=L A condição inicial é inferida a partir do reconhecimento de que. A condição de contorno para a superfície inferior sendo esta mantida em um valor constante em relação ao tempo. a equação se reduz a: ∂ 2T q 1 ∂T + = ∂x 2 k α ∂t . os efeitos causados pelas superfícies laterais são desprezíveis. e a transferência de calor no interior de barra é basicamente unidimensional na direção do eixo do x. sendo: T (x. ∂T ∂x = h[T (L. q .Fenômenos de Transporte – 01/2008 * Uma vez que W>>L. temos: T (0.0) = Td = 30º C 107 . * * Taxa volumétrica de geração de calor uniforme. t ) = Td = 30º C A condição de contorno em relação à superfície superior da barra será: − k. a barra encontrava-se a uma temperatura uniforme Td. ∂T ⎟ + ⎜k ⎜k ⎜ ∂y ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Para as considerações do problema de transferência de calor unidimensional com propriedades físicas constantes. antes da mudança das condições. Propriedades físicas constantes. .

a d ⎛ dT ⎞ ⎜k ⎟=0 dx ⎝ dx ⎠ Considerando-se a condutividade térmica do material constante. Parede Simples Seja uma parede plana separando dois fluidos em temperaturas diferentes (Figura 62).1. esta equação é dada por: Equação da Condução de Calor em Coordenadas Cartesianas: ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂T & ⎜k ⎟ + ⎜k ⎜ ∂y ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ ∂x ⎝ ∂x ⎠ ∂y ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ Hipóteses: • • • Condução unidimensional ⎛ ∂T ∂y = ∂T ∂z = 0 ⎞ ⎟ ⎜ ⎝ ⎠ & Sem geração interna (q = 0) Regime permanente ∂T ∂t = 0 ( ) A equação se reduz. sem geração interna.5 Condução Unidimensional em Regime Permanente 15. em regime permanente. A transferência de calor ocorre por convecção do fluido quente a T∞1 para a superfície da parede a Ts1 em x = 0. Figura 62 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana . A temperatura é função somente de uma coordenada espacial (no caso x) e o calor é transferido unicamente nesta direção. Considere a condução unidimensional de calor através da parede. então. A determinação da distribuição de temperaturas no interior da parede é feita através da solução da equação de calor. Em coordenadas cartesianas.5.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. 108 . por condução através da parede e por convecção da superfície da parede em x = L a Ts2 para o fluido frio a T∞2 .

para a condução unidimensional através de uma parede plana : 109 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 k d 2T =0 dx 2 ou d 2T =0 dx 2 Integrando-se 2 vezes em x. dT = C1 dx T = C1 x + C2 Para se determinar as constantes de integração C1 e C2. Resistência Térmica Da mesma maneira que uma resistência elétrica se opõe à passagem de corrente em um circuito.1 Na condução unidimensional. que.1 T (L ) = TS . portanto. T (x ) = x + TS .5. em regime permanente.2. 2 − TS . conclui-se que a resistência térmica assume a forma: Rt = ∆T q Assim. a taxa e o fluxo de calor são constantes.1 L TS .1 − TS . numa parede plana. 2 Pode-se então determinar as constantes de integração: C1 = TS . A taxa de calor por condução no interior da parede é dada pela lei de Fourier: q x = −kA dT kA (TS . sem geração de calor e com condutividade térmica constante. uma resistência térmica se opõe à passagem de calor.1 L C 2 = TS .1 − TS . 15. no interior da parede.2 ) = dx L O fluxo de calor é dado por: q" = x qx k = (TS . a temperatura é uma função linear de x.2 − TS .1 Assim. aplicam-se as condições de contorno: T (0) = TS . Definindo-se a resistência como sendo a razão entre o potencial motriz e a correspondente taxa de transferência. 2 ) A L Percebe-se.

a taxa de calor é constante. toda a energia transferida do fluido quente para a superfície é conduzida através da parede e.1 − TS . com a forma 110 . cond .2 − T∞. Pode-se fazer um balanço de energia entre os fluidos quente e frio.1 − TS .2 ) 1 h1 A L kA 1 h2 A Utilizando-se o conceito de resistência térmica. por sua vez.1 ) = (TS . para o fluido frio.1 ) = (TS .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Rt .1 − TS .2 − T∞. = 1 hr A Onde hr = εσ (Ts + T∞ ) Ts 2 + T∞ 2 ( ) Deve-se ressaltar que as resistências térmicas à convecção e à radiação assumem a mesma forma para qualquer sistema de coordenadas.1 − TS . conv. No entanto.2 ) Rconv1 Rcond Rconv 2 Pode-se então fazer um circuito térmico. qx = (T∞. variando-se apenas a expressão utilizada para a área.1 ) = kA (TS . = L kA Para a convecção: Rt .2 ) = (TS .2 ) L Reescrevendo-se a equação anterior. q x = h1 A(T∞ . ou seja. rad .1 − TS . No exemplo da parede plana. q x = qconv1 = qcond = qconv 2 Aplicando-se as equações de taxa apropriadas.2 ) = (TS . qx = (T∞.2 − T∞. = 1 hA Para a radiação: Rt .2 ) = h2 A(TS .1 − TS . análogo a um circuito elétrico. a resistência à condução assume diferentes expressões para os diferentes sistemas de coordenadas.

isolamento à base de fibra de vidro e gesso. conforme indicado no desenho.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 63 – Circuito Térmico. fazer um circuito térmico equivalente. A área total da superfície da parede é de 350 m2. definindo-se a resistência térmica total Rtot. Em um dia frio de inverno.K e hi=30 W/m2. em função da diferença global de temperatura. da mesma forma.2 = diferença de temperatura global (K).1 − T∞ .T∞. 2 Rtot Como as resistências térmicas condutivas e convectivas estão em série. Pode-se. Exemplo: 1) Uma casa possui uma parede composta com camadas de madeira. Rtot = Resistência térmica total (K/W).1. 111 . os coeficientes de transferência de calor por convecção são de he=60 W/m2.K. Rtot = Rconv1 + Rcond + Rconv 2 Rtot = 1 1 L + + h1 A kA h2 A onde: T∞. qx = T∞ .

Rtotal = Lg Lf L 1 1 + + + m + hi .e Resolução: a) Para calcular a expressão para a resistência térmica total da parede devemos utilizar a seguinte fórmula que rege a resistência térmica. A he .e T∞. levando em consideração as camadas da parede. A k m . Rconv.i= 20ºC he.i RCond1 RCond2 RCond3 Rconv.i − T∞ .e Rtotal Calculando a resistência total temos: 112 . determine uma expressão para a resistência térmica total da parede. b) Determine a perda total de calor através da parede. km Interior Exterior Exterior hi. T∞e= -15ºC 10mm Lg 100 Lf Lm 20mm a) Para as condições dadas. kf Compensado de Madeira. A b) Para determinar a perda total de calor através da parede devemos utilizar uma fórmula que relaciona a temperatura das extremidades com a resistência térmica total. T∞. incluindo os efeitos da convecção térmica nas superfícies interna e externa da parede. A k g . q= T∞ .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Camada de gesso kg Isolamento à base de fibra de vidro (28Kg/m3).i T1 T2 T3 T4 T∞. A k f .

A k f .i − T∞ .1 − TS . A he .3 × 10 −3 q = 4216 . A k g . A k m .10 −3 W T∞ .1 TS .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Rtotal = Rtotal = Rtotal Rtotal Lg Lf L 1 1 + + + m + hi . 4 T∞ .1 − T∞ . 4 − T∞ .86W 15. através de uma parede composta.3. 2 TS .3 − TS .e Rtotal Determinando agora a perda total de calor através da parede: q= q= 20 − (− 15 ) 8 . 2 − TS .1 0. constituída por materiais de espessuras e condutividades térmicas diferentes (Figura 64). Figura 64 – Transferência de Calor através de uma Parede Plana. em regime permanente. Parede Composta Seja a condução de calor unidimensional. 4 TS .3 TS .01 0.5.17 0.1 − TS .02 1 ⎞ = + + + ⎟ ⎜ + 350 ⎝ 30 0. 4 = = = = = LA LB LC 1 1 Rtot h1 A h4 A kA A kB A kC A 113 . A taxa de transferência de calor qx é dada por: qx = T∞ .038 0.3.12 60 ⎠ K = 8. A 1 ⎛ 1 L g L f Lm 1⎞ ⎜ + + + + ⎟ A ⎜ hi k g k f k m he ⎟ ⎠ ⎝ 1 ⎛ 1 0.

15m.K. mas sua condutividade térmica é desconhecida. já o potencial (∆T) entre a superfície e o fluido seria o mesmo.30m e LC= 0. o fluxo total de calor entre a superfície e o fluido seria dado como a soma dos fluxos de convecção e radiação.15m. dois dos quais com condutividade térmica conhecida.K e kC= 50 W/m. Ao se considerar estas trocas. A resistência térmica à radiação seria inserida no circuito térmico associada em paralelo à resistência à convecção. possui espessura LB= 0. Muitas vezes. kA= 20 W/m. e também espessura de LA= 0. q x = UA∆T onde: U : Coeficiente global de transferência de calor ⎛ W 2 ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ m K⎠ ∆T : Diferença global de temperatura (K) A : Área de troca de calor (m 2 ) U = 1 Rtot A Exemplo: 1) A parede composta de um forno possui três materiais. O terceiro material B que se encontra entre os materiais A e C. é mais conveniente trabalhar com um coeficiente global de transferência de calor U. 114 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 onde Rtot = ∑ Rt = L L L 1 1 + A + B + C + h1 A k A A k B A kC A h2 A No exemplo anterior. O circuito térmico para a parede constituída por apenas um material é: Figura 65 – Circuito térmico equivalente. desprezaram-se as trocas de calor por radiação entre as superfícies da parede e os fluidos.

i − Text Rtotal Rconv. A + Rcond . Encontramos agora a condutividade térmica kB pela soma das resistências: Rtotal = Rconv.e= 20ºC.156 = 0. i − Text ).K kB = 15.156 A 200 200 800 − 600 = T∞ .i − Tint (T∞ . A A 0.15 ⎞ ⎟ = ⎜ + + + 50 ⎟ A A ⎜ 25 20 kB ⎝ ⎠ 0. Rcond .K. O coeficiente de transferência de calor por convecção no interior do forno é igual a 25 W/m2. A = 25. uma temperatura na superfície interna de Tsup.C Rcond .5.Rconv T∞ . i − Tint Rconv.15 0.4. A 50.3 0. = Tint − TA.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Rconv1 RCondA RCondB RCondC T∞.15 = + + + 25. A = A = 0.3 0. Parede Composta: Série-Paralelo Seja a parede composta apresentada na Figura 66. 115 . A = TA.15 0.156 1 0. + Rcond .i Tint TAB TBC Text Em condições de regime estacionário.i= 600ºC e uma temperatura do ar no interior de forno de T∞= 800ºC. A 20. A k B . devemos primeiro calcular o valor da resistência total do circuito térmico: qx = ∆T Rtérmica = = T∞ .53 m.15 0. B − TB . medidas revelam uma temperatura na superfície externa do forno de Tsup.C 0.C − Text .2 h.003 + kB 0.B + Rcond .098 W k B = 1. 780 1 31.i − Text . B Rcond .B = TB .015 + 0. Qual é o valor de kB? Resolução: Para calcular o valor de kB.15 0. = (800 − 20).C T∞ . i − Tint .04 + 0. Rtotal Rtotal = T∞ .156 1 ⎛ 1 0.

c = T A − TB q" X 116 . no caso (b). supõe-se que as superfícies normais à direção x são isotérmicas e. Essa mudança de temperatura é atribuída ao que é conhecido como resistência térmica de contato.5. Para uma área de superfície unitária.5. representando um intervalo dentro do qual está a taxa real de transferência de calor.c. Rt. Figura 67 – Circuitos Térmicos Equivalentes numa Parede Composta. No caso (a). pode-se representar o circuito térmico de uma das maneiras mostradas na Figura 67. que as superfícies paralelas a x são adiabáticas. Resistência de contato É importante reconhecer que. 15. Se for adotada a hipótese de transferência unidimensional de calor. Seu efeito é mostrado na figura abaixo.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 66 – Parede Composta. As taxas de calor são diferentes em cada caso. a resistência térmica de contato é definida pela expressão: R"t . a queda de temperatura nas interfaces entre os vários materiais pode ser considerável. em sistemas compostos.

O efeito de carga ou pressão em interfaces metálicas pode ser visto na tabela 10. na maioria dos casos. e/ou uma ampla variedade de materiais intersticiais (enchimentos) tabela 11. 117 . Pontos de contato se entremeiam com falhas que são. a área de contato é pequena e.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 68 . O efeito da presença de um fluido nas falhas na resistência térmica de contato em uma interface de alumínio é mostrado na tabela 11. que apresenta uma faixa aproximada de resistências térmicas em condições de vácuo. Tal aumento pode ser obtido por um acréscimo na pressão de contato ou na junção e/ou pela redução da rugosidade das superfícies de contato. Nesse sentido. preenchidas com ar. A contrário da tabela 10. devida à condução de calor através da área de contato real e à condução e/ou radiação através das falhas. A transferência de calor é. contribuindo para a elevação da resistência de contato. portanto. muitas aplicações envolvem o contato entre sólidos diferentes. Tipicamente.Queda de temperatura devido à resistência térmica de contato A existência da resistência de contato se deve principalmente aos efeitos da rugosidade da superfície. A resistência de contato pode ser vista como duas resistências térmicas em paralelo: aquela que se deve aos pontos de contato e aquela que está vinculada às falhas. a resistência de contato pode ser reduzida pelo aumento da área dos pontos de contato. sobretudo no caso de superfícies rugosas. a ausência de um fluido nas falhas (vácuo na interface) elimina a condução de calor através da falha. a principal contribuição para a resistência térmica de contato é fornecida pelas falhas. Para sólidos cujas condutividades térmicas são superiores à do fluido presente nas falhas (fluido interfacial). A resistência de contato também pode ser reduzida pela seleção de um fluido com elevada condutividade térmica para preencher as falhas.

RHt.5 0.0 0.c × 104 (m2.K/W) (a) Vácuo na Interface Pressão de Contato Aço Inoxidável Cobre Magnésio Alumínio 100 kN/m2 6 a 25 1 a 10 1.0 10000 kN/m2 0.07 ~0.5 a 5. com folha de índio (~100 kN/m ) Aço inoxidável / aço inoxidável.2 a 0. De forma distinta das interfaces anteriores.265 Tabela 11 – Resistência térmica de contato em (a) Interfaces Metálicas sob condições de vácuo e (b) Interface de Alumínio com diferentes fluidos interfaciais.4 (b) Fluido Interfacial Ar Hélio Hidrogênio Óleo de Silicone Glicerina 2.05 0.4 0. Interface RHt.07 Chip de silício / alumínio esmerilhado com ar (27 a 500 kN/m2) Alumínio / alumínio.7 a 4. a resistência térmica real do contato excede o valor teórico.6 ~0. com graxa Dow Corning 340 118 2 .04 0. com folha de índio (~3500 kN/m2) Alumínio / alumínio.1 a 0. muitas juntas são aderidas definitivamente.75 1. que não são permanentes.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Qualquer substância intersticial que preencha as falhas entre as superfícies em contato e cuja condutividade térmica exceda a do ar irá causar uma redução na resistência de contato.5 1.c × 104 (m2. Devido às resistências interfaciais entre o material da superfície original e o da junta de ligação.1 ~0. A resistência térmica dessas juntas permanentes também é afetada de maneira adversa por vazios e rachaduras que podem se formar durante a fabricação da peça ou como resultado de ciclos térmicos que ocorram durante a sua operação normal.01 a 0. Resistência Térmica. calculado a partir da espessura L e da condutividade térmica k do material da junta.K/W) 0.3 a 0.5 a 3.525 0. com revestimento metálico (Pb) Alumínio / alumínio.720 0.2 a 0. Duas classes de materiais são bastante adequadas para este propósito são os metais macios e as graxas térmicas.

04 0. Figura 69 – Transferência de Calor através de um Cilindro Oco 15. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Cilindro Com freqüência. a um fluido frio (Figura 69). Distribuição de Temperatura Equação da Condução de Calor em Coordenadas Cilíndricas ∂T 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ 1 ∂ ⎛ ∂T ⎞ ∂ ⎛ ∂T ⎞ & ⎜k ⎜ kr ⎟+ 2 ⎜ ∂φ ⎟ + ∂z ⎜ k ∂z ⎟ + q = ρc p ∂t ⎟ r ∂r ⎝ ∂r ⎠ r ∂φ ⎝ ⎝ ⎠ ⎠ 119 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 (~100 kN/m2) Aço inoxidável / aço inoxidável com graxa Dow Corning (~3500 kN/m2) ~0. o que possibilita analisá-los como sistemas unidimensionais.1.2 a 0. com 15 µm de solda à base de estanho Tabela 12 – Resistência Térmica de interfaces sólido/sólido representativas 15. em regime permanente. com 0.14 Chip de silício / alumínio.025 a 0.02 mm de epóxi Latão / latão. sem geração interna no interior do cilindro.6. Considere a transferência de calor unidimensional. em sistemas cilíndricos e esféricos há gradientes de temperatura somente na direção radial.6. Seja um cilindro oco cuja superfície interna se encontra exposta a um fluido quente e a superfície externa.9 0.

k d ⎛ dT ⎞ ⎜r ⎟=0 r dr ⎝ dr ⎠ d ⎛ dT ⎞ ⎜r ⎟=0 dr ⎝ dr ⎠ Integrando-se uma vez em r. r dT dT C1 = C1 ou = dr r dr Integrando-se outra vez em r. T= Ts1 − Ts 2 ⎛ r ln⎜ ln(r1 / r2 ) ⎜ r2 ⎝ ⎞ ⎟ + Ts 2 ⎟ ⎠ A taxa de transferência de calor é dada por: qr = −kA 120 dT dT = −k (2πrL) dr dr . T (r ) = C1 ln r + C2 Aplicando-se as condições de contorno T (r = r1 ) = Ts1 T (r = r2 ) = Ts 2 . pode-se obter as constantes de integração C1 e C2 C1 = T −T Ts1 − Ts 2 C2 = Ts 2 − s1 s 2 ln r2 ln(r1 / r2 ) ln(r1 / r2 ) Assim.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Hipóteses: Condução unidimensional ⎛ ∂T ∂φ = ∂T ∂z = 0 ⎞ ⎜ ⎟ ⎝ ⎠ • • • Sem geração interna Regime permanente & (q = 0) (∂T ∂t = 0) Após serem feitas as simplificações. a equação se reduz a: 1 d ⎛ dT ⎞ ⎜ kr ⎟=0 r dr ⎝ dr ⎠ kr dT = constante ⇒ q r = constante dr Considerando-se a condutividade térmica k constante.

Determinar a perda de calor por unidade de comprimento do cilindro.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Onde: A=2πrL é a área normal à direção da transferência de calor. portanto. que é função de r. portanto. A temperatura no interior e na superfície do cilindro são respectivamente 800 K e 490 K. constante no interior da parede do cilindro.089 W/m. 121 .K). possui um revestimento isolante de espessura 20 mm. de diâmetro 12 mm. d ⎛ dT ⎞ ⎜ Kr ⎟=0 dr ⎝ dr ⎠ d ⎛ qr ⎞ ⎟=0 ⎜− dr ⎝ 2πL ⎠ d (qr ) = 0 dr A taxa de calor é. sendo que o isolante térmico é silicato de cálcio (k= 0. dT 1 Ts1 − Ts 2 = dr r ln (r1 / r2 ) q r = 2πLk Ts1 − Ts 2 ln(r2 / r1 ) O fluxo de calor é dado por: q r " = −k dT dr qr " = k Ts1 − Ts 2 r ln(r2 / r1 ) A taxa de calor. é constante para qualquer posição radial (não depende do raio r). o que não acontece com o fluxo de calor. A resistência térmica à condução para sistemas radiais é dada por: Rcond = Rcond = Ts1 − Ts 2 qr ln(r2 / r1 ) 2πLk Exemplo: 1) Uma barra cilíndrica.

como mostrado na Figura 70.h1 Figura 70 – Transferência de Calor Através de uma Parede Cilíndrica Composta. qr = onde: T∞1 − T∞ 4 T∞1 − Ts1 Ts1 − Ts 2 Ts 2 − Ts 3 Ts 3 − Ts 4 Ts 4 − T∞1 = = = = = Rtot Rconv1 Rcond 1 Rcond 2 Rcond 3 Rconv 2 Rtot = ∑R t = ln (r2 / r1 ) ln (r3 / r2 ) ln (r4 / r3 ) 1 1 + + + + 2πr1 Lh1 2πk A L 2πk B L 2πk C L 2πr4 Lh 4 1 Rtotal A Definindo: U = 122 .089 .10−3 ⎟ ⎝ ⎠ qr W = 118.0.K ⎛ 26.h4 T∞1.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para determinar a perda de calor por unidade de comprimento do cilindro devemos utilizar a fórmula que rege a taxa de transferência de calor: qr = 2πLk Ts1 − Ts 2 ln(r2 / r1 ) qr W 800K − 490K = 2. A taxa de calor é constante através do cilindro. em regime permanente. T∞4.2.6.π . Parede Cilíndrica Composta Considere a condução unidimensional de calor.10−3 ⎞ ⎟ ln⎜ ⎜ 6. sem geração interna. através de uma parede cilíndrica composta. Assim.16 L m 15. L m.

123 . A superfície externa está exposta ao ar onde T∞ = 3000 K e h = 25 W/m. Suponha existir entre os materiais uma resistência térmica de contato infinito. mantém a sua parede a uma temperatura de 500 K. A e B. O coeficiente global de transferência de calor pode ser definido em termos de A4 ou qualquer uma das outras áreas intermediárias.K kB=0.K) ∆T= diferença global de temperatura (K) A = área de troca de calor (m2) Se U for definido em termos da área da superfície interna do cilindro A1 = 2πr1L. tem-se que: U1 = 1 1 r1 ⎛ r2 ⎞ r1 ⎛ r3 ⎞ r1 ⎛ r4 ⎞ r1 1 + ln⎜ ⎟ + ln⎜ ⎟ + ln⎜ ⎟ + h1 k A ⎜ r1 ⎟ k B ⎜ r2 ⎟ k C ⎜ r3 ⎟ r4 h4 ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Esta definição é arbitrária. tubo com paredes delgadas.K.K TsupB Tsup1 T∞ . Qual é a temperatura na superfície externa TsupB? TsupA kA=5W/m.25W/m. h Figura 71 – Ilustração do exemplo acima.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Utilizando-se a definição do coeficiente global de transferência de calor. q r = U i Ai (T∞1 − T∞ 4 ) = UA∆T = UA(T∞1 − T∞ 4 ) U = coeficiente global de transferência de calor (W/m2. O tubo é coberto por uma manta de isolamento térmico composta por dois materiais diferentes. com paredes delgadas. U i Ai = U 1 A1 = U 2 A2 = U 3 A3 = U 4 A4 = 1 Rtot Exemplo: 1) Vapor escoando em um tubo longo.

25 .B = = Tsup B − T∞ Rconv . Tsup B Rconv .44 ln (r2 / r1 ) ⎠= = ⎝ Rcond .B − Tsup B Rcond . − T∞ Rconv .0.10− 2 = = Rconv.10 − 2 = = 325.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para calcularmos a temperatura na superfície externa TsupB. Tsup B = ⎛ 1 1 ⎞ ⎟ ⎜ + ⎟ ⎜R ⎝ cond .B ⎛ 1 ⎜ ⎜R ⎝ cond .44 6. Tsup 1 Rcond .: ⎛ 100.36.B + 500 K 300 K + 0.K Substituindo agora o resultado acima obtido na equação referente a TsupB para obtermos tal temperatura: Tsup 1 Tsup B = R cond . ⎠ Para obtermos o resultado devemos primeiramente calcular as resistências: Rcond. ⎟ ⎜ 0.L.K 1 1 6.10 − 2 ⎟ ⎠ ⎠ ⎝ T∞ Rconv. cond . B Rconv . Tsup.25 K ⎞ 1 1 ⎞ ⎛ 1 ⎟ ⎜ ⎟ + + Rconv. B ⎝ cond . 124 .10− 3.36.1 Tsup.L m.44 6. B Rconv . B ⎛ 1 T 1 ⎞ Tsup 1 ⎟= Tsup B ⎜ + ∞ + ⎟ R ⎜R Rconv .10− 3 m ⎟ 0. devemos utilizar a seguinte fórmula referente à taxa de calor: Rcond.36.B Rconv.25 W L m 2 . = 2πr2 Lh∞ 2π . B Rconv . ⎠ Tsup 1 T + ∞ Rcond .B T∞ qr = Tsup 1 − Tsup B Rcond .B e Rconv.B = W 2πk B L L 2π .100.10−3 m ⎞ ⎟ ln⎜ ⎜ 50.

do raio externo do “novo” cilindro. a resistência convectiva diminui devido ao aumento da área superficial externa. Seja um cilindro oco. ou seja. do raio externo do cilindro. Como a resistência à condução aumenta com o raio e a resistência à convecção apresenta comportamento inverso. com condutividade térmica diferente do material do cilindro.6. mas sim. uma espessura de isolamento ótima não existe. A possibilidade de existência de uma espessura de isolamento ótima para sistemas radiais é sugerida pela presença de efeitos contrários associados a um aumento nessa espessura. pois embora a resistência condutiva aumente com a adição de isolante. A taxa de transferência de calor da superfície interna para o fluido frio irá depender da espessura de material colocado. 72). onde o fluxo de calor é máximo (minimiza a perda térmica graças a maximização da resistência total à transferência de calor). pode-se colocar uma camada de um segundo material sobre o cilindro.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15. ou seja. Como a resistência à condução aumenta com o raio e a resistência à convecção 125 . deve existir uma espessura capaz de minimizar a resistência térmica equivalente. maximizando a perda térmica (Fig. Para esta espessura a perda de calor seria mínima. Espessura Crítica de Isolamento Para se aumentar ou diminuir a taxa de calor retirada do cilindro sem alterar as condições do escoamento externo. Figura 72 – Parede Cilíndrica Composta.3. a um fluido frio (Figura 72). A taxa de transferência de calor do fluido quente para o fluido frio irá depender da espessura de isolamento. com a superfície interna exposta a um fluido quente e a superfície externa. Na realidade. e a resistência total à transferência de calor seria máxima. um raio crítico de isolamento.

qr = 2πL(Ts1 − T∞ ) ln(r2 / r1 ) 1 + k r2 h Uma espessura ótima para o isolamento térmico está associada ao valor de r que minimiza o valor de q’ ou que maximiza o valor de R’tot.Fenômenos de Transporte – 01/2008 apresenta comportamento inverso. Tal valor pode ser obtido a partir da exigência de que: dR 'tot =0 dr Assim: 1 1 − =0 2πkr 2πr 2 h ou r= O mínimo valor de qr é obtido fazendo-se: dqr =0 dr2 k h ⎛ 1 1 ⎞ − 2πL(Ts1 − T∞ )⎜ ⎜ kr − hr 2 ⎟ ⎟ dqr 2 ⎠ ⎝ 2 = =0 2 dr2 ⎡ ln(r2 / r1 ) 1 ⎤ + ⎢ ⎥ r2 h ⎦ ⎣ k Esta condição é satisfeita quando: 126 . deve existir uma espessura capaz de maximizar a perda de calor através da parede do cilindro. A taxa de calor é dada por: qr = onde Rtot = (Ts1 − T∞ 2 ) Rtot ln(r2 / r1 ) 1 + 2πkL 2πr2 hL Assim.

Em uma parede plana. diminue a perda de calor. 127 . a resistência térmica total decresce e. qr tem o seu valor máximo em r = rc. a resistência total ainda não é tão grande quanto o valor para o tubo sem qualquer isolamento. → O efeito do raio crítico é revelado pelo fato de que. → Se r < rcr .Fenômenos de Transporte – 01/2008 r2 = k = rc h rc = Raio crítico de isolamento. 73. portanto. → Para sistemas radiais. Como a derivada segunda de qr em relação a r2 é negativa. → A existência de um raio crítico exige que a área de transferência de calor varie na direção da transferência. a área normal à direção da transferência de calor é constante . portanto.Essa tendência permanece até que o raio externo da camada de isolamento atinja o raio crítico. como mostrado na Fig. De forma contrária. onde usualmente r > rcr. não havendo uma espessura crítica para o isolamento térmico (a resistência total sempre aumenta com o aumento da espessura da camada de isolamento). como é o caso da condução radial em um cilindro (ou em uma esfera). a taxa de transferência de calor aumenta com a adição de isolamento. qualquer adição de isolamento aumenta a resistência térmica total e. O comportamento da resistência total é inverso. se r > rcr. o problema de reduzir a resistência térmica total através da aplicação de uma camada de isolamento térmico existe somente para o caso de tubos ou fios de pequeno diâmetro e para coeficientes de transferência de calor por convecção pequenos. mesmo para uma camada de isolamento térmico com pouca espessura. Para valores de r menores que rc a taxa de transferência de calor aumenta com o aumento da espessura de isolamento. para valores de r maiores que rc a taxa de transferência de calor diminui com o aumento da espessura de isolamento.

menor do que a temperatura do ambiente T∞ ao redor do tubo. Sendo que.k 2πrh E a taxa de transferência de calor por unidade de comprimento do tubo será: T∞ − Ti R'tot q' = Uma espessura ótima para o isolamento térmico está associada ao valor de r que minimiza o valor de q’ ou maximiza o valor de R’tot.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 73 – Comportamento das Resistências Térmicas com r2. com raio ri. Existe uma espessura ótima associada à aplicação de uma camada de isolamento térmico sobre o tubo com h= 5 W/m2.055 W/m. a resistência térmica total por unidade de comprimento do tubo è: ⎛r⎞ ln⎜ ⎟ ⎜r ⎟ 1 R 'tot = ⎝ i ⎠ + 2π . Exemplo: 1) Um tubo delgado de cobre.K? Resolução: A resistência à transferência de calor entre o fluido refrigerante e o ar é denominada pela condução de calor através da camada de isolamento térmico e pela convecção no ar. Tal valor pode ser obtido a partir de: r= k h 128 . é usado para transportar uma substância refrigerante que está a uma temperatura Ti.K e k= 0.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Uma vez que o resultado da resistência térmica total é sempre positivo. sem geração interna no interior da esfera. Considere a transferência de calor unidimensional. Figura 74 – Transferência de Calor através de uma Casca Esférica.K rcr = 0. em regime permanente.055 m. Condução Unidimensional em Regime Permanente – Sistemas Radiais – Esfera Seja uma esfera oca cuja superfície interna se encontra a uma temperatura Ts1 e a superfície externa a Ts2 (Figura 74).K rcr = W 0.011m 15. 129 .7. com Ts1>Ts2. Logo uma espessura ótima para a camada de isolamento térmico não existe. r = k éo h raio de isolamento para o qual a resistência térmica é mínima. rcr = k h Abaixo do qual q’ aumenta com o aumento de r acima do qual q’ diminue com o aumento de r. e não um máximo. Calculando em termos de raio crítico: rcr = k h 5 W m 2 . Porém faz sentido pensar em raio crítico de isolamento.

A partir daí.2. Note. contudo. dada por: qr = 4kπ (Ts1 − Ts 2 ) ⎛1 1⎞ ⎜ − ⎟ ⎜r r ⎟ 2⎠ ⎝ 1 Assim. têm sobre a distribuição de temperatura nesse meio. 2 ⎜ ⎟ 2k ⎝ 2 2 L L ⎠ O fluxo de calor em qualquer ponto da parede pode ser determinado pela equação acima. Condução com Geração de Energia Térmica Iremos analisar agora o efeito adicional que processos. a resistência condutiva é dada por: R cond = 1 4kπ ⎛1 1⎞ ⎜ − ⎟ ⎜r r ⎟ 2 ⎠ ⎝ 1 15. que com a geração interna de calor o fluxo de calor não é mais independente de x.75.1 + sup. Para uma condutividade térmica constante k.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Partindo-se da equação da condução do calor em coordenadas esféricas. É importante ter atenção para não confundir geração de energia com armazenamento de energia. obtemos a distribuição de temperatura correspondente: T ( x) = −T −T q' L2 ⎛ x2 ⎞ T x T ⎜1 − 2 ⎟ + sup.8.1 sup. a forma apropriada da equação do calor: d 2T q' + =0 dx 2 k Aplicando as condições de contorno e todos os parâmetros. 15. onde existe geração uniforme de energia térmica por unidade de volume (q’ é constante) e as superfícies são mantidas em Tsup. 2 sup. pode-se obter o perfil de temperaturas no interior da esfera. obtém-se a taxa de calor.1 e Tsup.8. 130 .1. Condução com Geração de Energia Térmica – Parede Plana Seja a parede plana da Fig. que podem ocorrer no interior do meio.

106 W m3 . enquanto a sua superfície externa (material B) é resfriada por uma corrente de água com T∞ = 30ºC e 131 . tem condutividade térmica k B = 150 W K e espessura LB = 20 mm. encontra-se no plano intermediário: T (0) = T0 = q' L2 + Tsup 2k Exemplo: 1) Uma parede plana composta possui duas camadas de materiais.5.2= Tsup.(b) Condições de contorno assimétricas.1= Tsup.(c) Superfície adiabática no plano intermediário. A camada do & material A possui uma geração de calor uniforme q = 1. A e B. Tsup. condutividade térmica k A = 75 W K e espessura de LA=50 mm. neste caso.. O resultado anterior é simplificado quando as duas superfícies são mantidas a uma mesma temperatura. A temperatura máxima.(a) Condições de contorno assimétricas. A superfície interna da parede (material A) está perfeitamente isolada. A camada do material B não apresenta geração de calor.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 75 – Condução em uma parede plana com geração uniforme de calor.

k A 2 .L A T2 = T∞ + h T2 = 30º C + T2 = 105º C 1.05m m3 W 1000 2 m .05m ⎟ ⎟ ⎠ Determinando agora To. . Onde T1 será determinado visando o circuito térmico equivalente do processo: T1 = T∞ + (R"cond .(LA ) To = + T1 2. substituindo o valor acima na equação .q" LB ⎧ ⎪ R"cond .(LA ) + T1 To = 2. obteremos: q .Fenômenos de Transporte – 01/2008 h = 1000 W m2 K .1. Determine a temperatura To da superfície isolada e a temperatura T2 da superfície resfriada.106 132 . Para determinar a temperatura na superfície isolada termicamente temos: q .05m ) 3 m To = + 115º C W 2.5.K To = 140º C 1.0. B = k ⎪ B ⎨ ⎪ R" = 1 ⎪ conv h ⎩ ⎛ ⎜ 0.02m 1 + T1 = 30º C + ⎜ W W ⎜ 1000 2 ⎜ 150 m.k A 2 W 2 . Sendo assim obteremos T2: q . Resolução: A temperatura na superfície externa T2 pode ser obtida através de um balanço de energia em um volume de controle ao redor da camada do material. B + R"conv ).5.5.0.(0.75 m.106 W .K .K ⎝ T1 = 115º C ⎞ ⎟ ⎟.K m .106.

5 W/m.K.10 − 3 m m3 W 2. Considere um cilindro sólido. a taxa na qual o calor é gerado no interior do cilindro deve ser igual à taxa de calor transferido por convecção da superfície do cilindro para o fluido em movimento. longo.h 24000 W . tanto o balanço de energia na superfície quanto o balanço de energia total podem ser utilizados.r = 0 4k .25 2 m . Resolução: Para determinar a temperatura da superfície externa em contato com o ar devemos utilizar um balanço global de energia. T∞ . com a temperatura do fluido. de um material com condutividade térmica de 4 W/m. há a geração de volumétrica uniforme de calor a uma taxa de 24000 W/m3.8. 2 2 ⎞ ⎛ ⎜1 − r ⎟ + Ts 2 ⎜ r0 ⎟ ⎝ ⎠ Para relacionar a temperatura da superfície Ts . O bastão está encapsulado por uma camada cilíndrica com diâmetro externo igual a 400 mm. que poderia representar um fio condutor de corrente elétrica. Tsup = 27 + 273º K + Tsup = 396º K 133 .K. Essa condição permite que a temperatura da superfície seja mantida a um valor fixo Ts .r = T∞ + 2. Exemplo: 1) Em um bastão cilíndrico e longo.Fenômenos de Transporte – 01/2008 15.K . e na superfície externa em contato com o ar.2 Condução com Geração de Energia Térmica – Sistemas Radiais A geração de calor pode ocorrer em uma variedade de geometrias radiais. com 200 mm de diâmetro e condutividade térmica de 0. Determine a temperatura na interface entre o bastão e a camada cilíndrica. A superfície externa desta camada está exposta a um escoamento perpendicular de ar a 27ºC com um coeficiente de convecção de 25 W/m2.K. Em condições de regime estacionário.200. Sendo assim temos a distribuição de temperatura como: T( r ) q . Sendo assim obteremos: Tsup q .

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Para determinar agora a temperatura na interface entre o bastão e a camada cilíndrica devemos utilizar a fórmula que rege a distribuição de temperatura em relação ao raio: T( r ) 2 ⎞ ⎛ ⎜1 − r ⎟ + Tsup ⎜ r2⎟ 0 ⎠ ⎝ 2 W 24000 3 .10 4. Transferência de Calor em Superfícies Expandidas – Aletas 16.10 = −3 2 ⎟ ⎜ W 200. 200. q . O aumento da taxa de transferência de calor de uma superfície a temperatura constante para um fluido externo (Fig. 77) pode ser feito através do aumento do coeficiente de convecção h ou através da redução da temperatura do fluido T∞.K = 441º K . 134 . Figura 76 – Transferência de Calor em uma superfície expandida.r = 0 4k 2 T( r ) T( r ) ( ) ( ( ) ) 16.1. 4 ⎠ ⎝ m. Introdução Aleta é um elemento sólido que transfere energia por condução dentro de suas fronteiras e por convecção (e/ou radiação) entre suas fronteiras e o ambiente.10− 3 m ⎛ −3 2 ⎞ m ⎟ + 396 º K ⎜1 − 100. As aletas são utilizadas para aumentar a taxa de transferência de calor entre um corpo sólido e um fluido adjacente.

que são elementos sólidos que transferem energia por condução dentro de suas fronteiras e por convecção (e/ou radiação) entre suas fronteiras e o ambiente. Figura 78 – Colocação de Aletas para Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Quando não é possível aumentar a taxa de calor por um destes modos. através da utilização de aletas (Figura 78). aumenta-se a área de troca de calor. Elas são utilizadas para aumentar a taxa de transferência de calor entre um corpo sólido e um fluido adjacente.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 77 – Superfície da qual se quer Aumentar a Taxa de Transferência de Calor. Esquemas Típicos de Trocadores de Calor com Tubos Aletados 135 .

de seção reta uniforme Plana. de seção transversal não uniforme Anular Piniforme (pino) Figura 80 – Configurações de Aletas. 16.2. 136 .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 79 –Trocadores de Calor com tubos aletados. Plana. Tipos de Aletas A Figura 80 ilustra diferentes configurações de aletas.

81). vale: Calor transferido por condução para dentro do elemento em x por unidade de tempo Calor transferido por condução para fora do elemento em (x +dx) por unidade de tempo. Calor transferido por convecção da superfície entre x e (x + dx) por unidade de tempo = + qx = qx + dx + dqconv onde ⎧q x = Energia transferida por condução para o volume infinitesimal ⎪ ⎨q x + dx = Energia transferida por condução do volume infinitesimal ⎪dq ⎩ conv = Energia perdida por convecção para o fluido 137 . Considerando-se um elemento infinitesimal de uma aleta de seção reta variável (Fig. Neste caso. Figura 81 – Balanço de Energia em uma Superfície Expandida.3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 16. Balanço de Energia para uma Aleta Hipóteses: • • • • • • Condução unidimensional de calor Regime permanente Condutividade térmica da aleta constante Radiação térmica desprezível Sem geração de calor Coeficiente de convecção uniforme Através de um balanço de energia. pode-se obter a equação da condução de calor.

138 . a equação anterior pode ser simplificada. em condições unidimensionais. Substituindo-se as equações de taxa na equação do balanço de energia. pode-se determinar a taxa de calor por condução na posição (x+dx) q x + dx = q x + ∂q dx ∂x q x + dx = − kAc dT d ⎛ dT ⎞ + ⎜ − kAc ⎟dx dx dx ⎝ dx ⎠ q x + dx = − kAc dT d ⎛ dT ⎞ − k ⎜ − Ac ⎟dx dx dx ⎝ dx ⎠ A taxa de calor por convecção transmitida do elemento infinitesimal para o fluido é dada pela Lei de Resfriamento de Newton: dqconv = hdAs (T − T∞ ) onde: dAs é a área superficial infinitesimal do elemento. − kAc dT dT d ⎛ dT ⎞ = −kAc − k ⎜ − Ac ⎟dx + hdAs (T − T∞ ) dx dx dx ⎝ dx ⎠ d ⎛ dT ⎞ h ⎜ Ac ⎟dx − dAs (T − T∞ ) = 0 dx ⎝ dx ⎠ k como a área da seção reta Ac pode variar com x. em uma superfície expandida. Fazendo-se uma expansão em série de Taylor. 16. 82). dT dAc d 2T h dAs (T − T∞ ) = 0 + Ac 2 − dx dx k dx dx d 2T ⎛ 1 dAc ⎞ dT ⎛ 1 h dAs ⎞ ⎟ ⎟(T − T∞ ) = 0 +⎜ −⎜ dx 2 ⎜ Ac dx ⎟ dx ⎜ Ac k dx ⎟ ⎝ ⎠ ⎝ ⎠ Forma geral da equação da energia.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A taxa de calor por condução na posição x é determinada pela Lei de Fourier: q x = − kAc dT dx onde: Ac é a área da seção reta da aleta na posição x considerada.4. Aletas com área da seção transversal constante Quando a área da seção transversal da aleta é uniforme (Fig.

A solução geral tem a forma: θ ( x ) = C1e mx + C2e − mx 139 . homogênea. dAc =0 dx Ac = constante ⇒ As = Px ⇒ dAs =P dx d 2T hP (T − T∞ ) = 0 − dx 2 kAc Definindo-se a variável θ (Excesso de Temperatura) θ = T − T∞ dθ dT = dx dx d 2θ d 2T = dx 2 dx 2 d 2θ hP − θ =0 dx 2 kAc Definindo-se: m2 = hP kAc d 2θ − m 2θ = 0 2 dx Esta é uma equação diferencial de segunda ordem.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Cada aleta está ligada na base a uma superfície T (0) = Tb e imersa num fluido na temperatura T∞. Figura 82 – Aletas com Área da Seção Transversal Constante. com coeficientes constantes.

Uma destas condições pode ser especificada em termos da temperatura na base da aleta (x = 0) Temperatura constante na base da aleta T (x = 0) = Tb θ (x = 0) = Tb − T∞ = θ b A segunda condição de contorno deve ser definida na ponta da aleta (x = L). Fazendo-se um balanço de energia.θ b senh( mL ) + ( h / mk ) cosh( mL ) cosh( mL ) + ( h / mk ) senh( mL ) Para simplificar a solução. falta definir as condições de contorno apropriadas. A.θ b . define-se: M = ( hPkAc . a equação para a taxa de calor pode ser dada por: 140 . hAc (T ( L) − T∞ ) = − kAc dT dx x=L ou hθ ( L ) = − k dθ dx x=L Aplicando-se as condições de contorno. Transferência convectiva de calor A taxa de calor que chega à extremidade da aleta por condução é dissipada por convecção. ) Assim. chega-se a: θ ( x) cosh [m( L − x)] + ( h / mk ) senh [m( L − x)] = θb cosh( mL ) + ( h / mk ) senh( mL ) A taxa de calor pode ser determinada através da aplicação da lei de Fourier q f = qb = − kAc dT dx = − kAc x =0 dθ dx x =0 ou q f = hPkAc .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Para resolver esta equação. cada uma correspondendo uma situação física e levando a uma solução diferente. Podem ser especificadas quatro condições diferentes.

tem uma extremidade mantida a 100ºC. A superfície da base está exposta ao ar ambiente a 25ºC.Fenômenos de Transporte – 01/2008 qf = M senh( mL ) + ( h / mk ) cosh( mL ) cosh( mL ) + ( h / mk ) senh( mL ) B. 141 . Ponta da aleta adiabática (considerando que a perda de calor por convecção na extremidade da aleta é desprezível) dT dx =0 x=L ou dθ dx =0 x=L Neste caso. θ ( x) = e − mx θb qf = M Exemplo: 1) Uma barra cilíndrica de diâmetro 25mm e comprimento 0. determine a temperatura da barra em x=L e a sua perda térmica para a condição de transferência convectiva de calor. θ L → 0 . Temperatura Fixa θ (x = L ) = θ L θ ( x) (θ L / θ b ) senh(mx) + senh[m( L − x)] = θb senh(mL) qf = M cosh( mL ) − (θ L / θ b ) senh( mL ) D. θ ( x ) cosh [m( L − x)] = θb cosh( mL ) q f = M .25m. Se a barra é construída em aço inoxidável. quando L → ∞.K.K. com um coeficiente convectivo de 10 W/m2. com condutividade térmica k = 14 W/m. Aleta muito longa Neste caso.tgh ( mL ) C.

10 − 2.(TB − T∞ ) = 5.r = 7.25) + ⎜ ⎜ 10.L) ⎝ m.14 ⎟. Ac .10 − 4.θ b = 10.7.14 ⎟.k ⎠ qr = M .L) + ⎜ ⎟. ⎛ 10 ⎞ cosh(10. senh(m.d 2 4 = 3.58 + 25 = 34.25) ⎠ ⎝ θ ( x = L ) = 9.10 −3 ) 2 = 4.0.0. senh(10.25) ⎟ ⎝ ⎠ qr = 5. senh(10.73.25) + ⎜ ⎜ 10.L) ⎝ m. senh[m.73.73.0.52.14 ⎟.k ⎠ = ⎛ h ⎞ cosh(m. senh(m.k ⎠ Calculando alguns parâmetros para obter o resultado: Ac = π .π.0.L) + ⎜ ⎟.52W Calculando agora a temperatura da barra em x=L θ ( x = L) = θb θ ( x = L) 75 ⎛ h ⎞ cosh[m( L − L)] + ⎜ ⎟.73.10 − 4 M = h.73.58K θ ( x = L ) = T( x = L ) − T∞ T( x = L ) = 9.9.L) ⎝ m.L) ⎝ m.10 −2 m m= h.4. senh(m.73. cosh(10. senh[m.73m kAc 14.P.14 .L) + ⎜ ⎟.14.(25.9.P 10.( L − x)] ⎝ m. ⎛ h ⎞ cosh(m.k ⎠ ⎛ 10 ⎞ senh(10.4.7.k .47W 142 .9.9.73. cosh(m.( L − L)] ⎝ m.k ⎠ ⎛ h ⎞ cosh(m.25) + ⎜ ⎟ ⎜ 10.73.L) + ⎜ ⎟.73.10 −2 = = 10.58 K Calculando agora a perda térmica para a condição proposta: ⎛ h ⎞ senh(m.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Resolução: Para calcular a temperatura de barra em x=L devemos utilizar a fórmula para transferência convectiva de calor: θ( x) θb ⎛ h ⎞ cosh[m( L − x)] + ⎜ ⎟.0.9.9.25) ⎟ ⎝ ⎠ qr = 5.k ⎠ 1 = ⎛ 10 ⎞ cosh(10.0.10 − 4 m 2 4 P = 2.

Para aletas com seção reta uniforme. A efetividade de uma aleta aumenta com a escolha de um material de condutividade térmica elevada.b é a área da seção reta da aleta. f Eficiência: Razão entre a taxa de transferência de calor pela aleta e a taxa máxima de transferência de calor que existiria pela aleta. Efetividade: Razão entre a taxa de transferência de calor pela aleta e a taxa de transferência de calor que existiria sem a presença da aleta. Desempenho da Aleta As aletas são utilizadas para se aumentar a taxa de transferência de calor de uma superfície devido ao aumento da área. εf = qf hAc .b = Ac Pode-se definir a resistência da aleta por: Rt . Aumenta quando aumenta a razão entre o perímetro e a área da seção reta.5. a aleta impõe uma resistência térmica à condução na superfície original. Ac . f = θb qf 1 hAc . A utilização de aletas somente se justifica se εf ≥ 2.b = A efetividade pode ser definida.Fenômenos de Transporte – 01/2008 16. se toda a aleta estivesse na temperatura da base.b Rt . na base. por εf = Rt . ηf = qf q max = qf hA f θ b onde: Af = área superficial da aleta Para uma aleta com a extremidade adiabática (caso B): 143 .b Utilizando-se a resistência à convecção na base: R t . então.bθ b onde: Ac. Deve ser feita uma análise sobre o desempenho da aleta. No entanto.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 ηf = hPkA c .θ b . tanh( mL ) hPL θ b = tanh( mL ) . mLc Lc = L + t D ou Lc = L + 2 4 Figura 83 – Eficiência de aletas. 144 . mL m= hP kA c Este resultado pode ser utilizado para os casos em que há transferência de calor pela extremidade da aleta: ηf = tanh(mLc ) .

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Eficiência Global da Superfície: A eficiência da aleta ηf caracteriza o desempenho de uma única aleta. ⎡ NA f ⎤ (1 − η f ⎥θ b qt = h Nη f A f + ( At − NA f ) θ b = hAt ⎢1 − At ⎣ ⎦ [ ] Assim. fosse mantida a Tb . A eficiência global da superfície ηg caracteriza o desempenho de um conjunto de aletas e da superfície da base sobre a qual este conjunto está montado. assim com a base exposta. ηo = qt qt = q max hAtθ b onde: qt = taxa total de transferência de calor At = área total exposta At = NA f + Ab Ab = área da superfície exposta – área das aletas Af = área superficial de cada aleta N = número total de aletas A taxa de transferência de calor máxima ocorreria se toda a superfície da aleta. ηo = 1− NA f At (1 − η f ) 145 . A taxa total de transferência de calor por convecção das aletas e da superfície exposta (sem aletas) para o fluido é dada por: q t = Nη f hA f θ b + hAbθ b onde ηf é a eficiência de uma aleta.

Introdução Condução transiente ocorre em várias aplicações da engenharia e pode ser tratada por diferentes métodos. a equação de condução de calor não pode ser empregada. Condução Transiente 17. que é resfriado por imersão em um líquido de temperatura T∞ < Ti. A essência deste método é a consideração de que a temperatura do sólido é espacialmente uniforme em qualquer instante durante o processo transiente. Neste caso. o método da capacitância global pode ser aplicado. que relaciona a resistência à condução no sólido e a resistência à convecção na superfície sólidolíquido. De início. Caso contrário. e outros métodos são usados. 17.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura 84 – Montagem Representativa das Aletas – a) Retangulares b) Anulares. deve ser calculado o número de Biot. Se o resfriamento se inicia no tempo t = 0. e a temperatura transiente é determinada por um balanço global de energia no sólido. efeitos espaciais ocorrem.2.1. a temperatura do sólido decrescerá até que eventualmente atinja T∞. 17. Se o número de Biot for muito menor que a unidade. Nas superfícies aletadas. Método da Capacitância Global Considere um metal com temperatura inicial uniforme Ti. Esta hipótese é satisfatória quando a resistência à condução dentro do material for muito menor que a resistência à convecção na interface sólido-líquido. S representa o passo das aletas. 146 .

2 − T∞ = L / kA Rcond hL = = ≡ Bi 1 / hA Rconv k 147 .1 − Ts . − hAs (T − T∞ ) = ρ∀c ∂T ∂t Definindo: Resulta: Onde: Integrando: ρ ∀c hAs ln θ = T − T∞ ρ∀c dθ hAs dt = −θ ⇒ ρ∀c hAs ∫θ θ i dθ θ = − dt 0 ∫ t θ i = Ti − T∞ θi = t ou θ ⎡ ⎛ hA ⎞ ⎤ θ T − T∞ = exp ⎢− ⎜ s ⎟t ⎥ = ⎜ ⎟ θ i Ti − T∞ ⎣ ⎝ ρ∀c ⎠ ⎦ Validade do Método da Capacitância Global Sob condições de regime permanente.1 − Ts .2 − T∞ ) L Rearranjando: Ts . 2 Ts .Fenômenos de Transporte – 01/2008 Aplicando o balanço de energia ao sólido: & & − E s = Ea Figura 85 – Resfriamento de uma peça metálica quente. o balanço de energia na superfície do sólido se reduz a: kA (Ts.2 ) = hA(Ts .

T∞ q Ts Figura 87 . Fundamentos da Convecção Considere um fluido qualquer. haverá uma transferência de calor por convecção da superfície para o fluido. Convecção 18. numa parede plana resfriada simetricamente por convecção. como mostrado na Fig. 148 .(Ts − T∞ ) onde h é o coeficiente local de transferência de calor por convecção. Se a temperatura da superfície for superior à temperatura do fluido. 87. a resistência à condução dentro do sólido é muito menor que a resistência à convecção através da camada limite do fluido. escoando com velocidade V e temperatura T∞ sobre uma superfície de forma arbitrária e área superficial A.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Se Bi << 1.1. e o erro associado à utilização do método da capacitância global é pequeno. Figura 86 – Distribuição transiente de temperatura correspondente a diferentes números de Biot. 18. q ′′ = h.Transferência convectiva de Calor. O fluido térmico local é dado pela lei de resfriamento de Newton.

q = q′′dAs = (Ts − T∞ )dAs ∫ ∫ q = (Ts − T∞ )dAs Pode-se definir um coeficiente médio de transferência de calor por convecção h para toda a superfície. A taxa total de transferência de calor é obtida integrando-se o fluxo ao longo da superfície. q” e h irão variar ao longo da superfície.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Como as condições variam de ponto para ponto. os coeficientes local e médio podem ser relacionados por: h= 1 As ∫ As h.(Ts − T∞ ) Igualando-se as expressões para a taxa de calor. K). de maneira a representar toda a transferência de calor q′′ = h . As (x ) = bx h= 1 bL hbdx As ∫ h= 1 hdx L0 ∫ L h = coeficiente médio de transferência de calor por convecção (W/m2.dAs Para uma placa plana de comprimento L e largura b (Fig. 149 . 88) Figura 88 – Escoamento sobre uma Placa Plana.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 h = coeficiente local de transferência de calor por convecção (W/m2. K). Se CA.∞ escoa sobre uma superfície cuja concentração molar de A é mantida em um valor uniforme CA. As Camadas Limites da Convecção 150 .CA. se um fluido com concentração molar de um componente A igual a CA. através do fluxo mássico n”A (Kg/s.S − ρA . n" A = hm (ρA . De maneira análoga.∞ ) onde hm : coeficiente local de transferência de massa por convecção (m/s) De modo análogo à transferência de calor.m²) Hm: coeficiente local de transferência de massa por convecção (m/s) CA.∞. haverá transferência deste componente por convecção.S −CA .∞ N”A = hm(CA.s: concentração molar de A na superfície (Kmol/m³) CA.s > CA. o coeficiente médio é relacionado ao coeficiente local por hm = 1 As dAs ∫ h dA m s A transferência de uma espécie química também pode ser expressa em termos da massa.∞ ) 18.∞) onde: N”A: fluxo molar da espécie A (Kmol/s. Multiplicando-se a equação para o fluxo molar pela massa molecular de A.m²) ou da taxa de transferência de massa nA (Kg/s).s .∞ ) n A = h m A s ( ρ A .∞: concentração molar de A no fluido (Kmol/m³) A taxa total de transferência de massa pode ser escrita na forma NA = hm As (CA .2. A taxa de transferência de massa pode ser calculada através de um coeficiente local hm.s ≠ CA. S − ρ A .

u∞ y CORRENTE u∞ δ (x) CAMADA LIMITE τ HIDRODINÂMICA x Figura 89 . A velocidade u aumenta até atingir o valor da corrente livre. são desprezíveis. atuam no retardamento do movimento das partículas da próxima camada e assim sucessivamente. Quando as partículas do fluido entram em contato com a superfície. δ. 89. onde o efeito de retardamento se torna desprezível. por sua vez.A camada limite fluidodinâmica. u∞. O perfil de velocidade na camada limite é a maneira com que u varia com y através da camada limite.1. até uma distância y = δ. fora da camada limite. Estas partículas atuam no retardamento do movimento das partículas da camada de fluido adjacente que. 1) 2) 3) 4) A espessura da camada limite. Na camada limite. elas passam a ter velocidade nula (condição de não deslizamento). A Camada Limite Hidrodinâmica Seja o escoamento sobre uma placa plana mostrada na Fig.Fenômenos de Transporte – 01/2008 18.2. os gradientes de velocidade e as tensões de cisalhamento são elevados. é definida como o valor de y para o qual u = 0. define-se o coeficiente de atrito local (Cf) a partir do conceito de camada limite: Cf = τs 2 ρu ∞ 2 onde: τs = tensão de cisalhamento na superfície (N/m2) ρ = massa específica do fluido (kg/m3) u∞ = velocidade do fluido na corrente livre (m/s) 151 . Para escoamentos externos.99 u∞.

S − CA CA . y =0 Com µ = viscosidade dinâmica do fluido (kg/m.Fenômenos de Transporte – 01/2008 5) Para uma fluido Newtoniano τs = µ ∂u ∂y . O objetivo da definição das camadas limite é a simplificação das equações que governam o escoamento. ou seja. Ela é a região do fluido onde existem gradientes de concentração. No interior da camada limite fluidodinâmica. As Camadas Limites de Concentração A camada limite de concentração determina a transferência de massa por convecção em uma parede. s).2. as camadas limite fluidodinâmica.Perfil de concentração na camada limite. 18. 90). ∞ O perfil de concentração na camada limite é similar ao perfil de temperatura na camada limite térmica (Fig. Se uma mistura de duas espécies químicas A e B escoa sobre uma superfície e a concentração da espécie A na superfície é diferente da concentração na corrente livre. 152 . térmica e de concentração não se desenvolvem simultaneamente. em geral. Em um escoamento sobre uma superfície com diferença de temperatura e concentração entre ambos.2. s − CA . sendo sua espessura definida como o valor de y no qual CA . não possuem a mesma espessura (δ ≠ δt ≠ δc ) . uma camada limite de concentração irá se desenvolver. Figura 90 .

do regime do escoamento. ∂T ∂T >> ∂y ∂x Desta maneira. através de sua definição. já que tanto o atrito superficial como as taxas de transferência de calor por convecção dependem das condições da camada. as equações podem ser simplificadas e a solução do problema se torna mais fácil. 153 . se a convecção é natural ou forçada. Figura 91 – Camada Limite. Escoamento Laminar e Turbulento Os problemas de convecção consistem. etc. . Com eles. Estas correlações dependem da geometria do escoamento (escoamento interno ou externo. Em geral. calculam-se os coeficientes convectivos. são obtidas equações empíricas para o cálculo dos adimensionais e.). basicamente. na determinação dos coeficientes de convecção.3. etc. Para o escoamento sobre uma placa plana. Para o tratamento de qualquer problema de convecção é relevante determinar se a camada limite é laminar ou turbulenta.Fenômenos de Transporte – 01/2008 u >> v ∂u ∂u ∂v ∂v = . pode-se então determinar as taxas de transferência de calor. no interior de um tubo. sobre placa plana. o comprimento característico para o qual são definidos os adimensionais é a distância x a partir da origem. 18. ∂y ∂x ∂y ∂x No interior da camada limite térmica.

xc µ Rex.c ≤ 3 × 106.c = ρ .é a relação entre as forças de inércia e as forças viscosas: Re L = ρVL VL = µ ν Número de Prandtl .u ∞ . e para óleos δ << δ t . 105 ≤ Rex.Fenômenos de Transporte – 01/2008 A transição para a turbulência. Para gases δ ≈ δ t .é o gradiente de temperatura adimensional na interface fluidosuperfície: Nu L = hL kf Coeficiente de atrito . o número de Reynolds crítico (ou de transição) é dado por: Re x = onde: ρ . no interior de tubos. Número de Nusselt . Para o escoamento sobre uma placa plana. Um valor representativo é Rex.c = no de Reynolds crítico (início de transição do regime laminar para turbulento) Número de Reynolds . ou seja.é a relação entre a difusividade de momento e a difusividade térmica – relaciona a distribuição de temperatura à distribuição de velocidade: Pr = µc p k = ν α Para escoamentos laminares δ δ t ≈ Pr n .c = 5 × 105.é tensão de cisalhamento adimensional na superfície: Cf = τs ρV 2 2 ∆p Fator de atrito – é a queda de pressão adimensional para escoamento interno: f = 2 (L D )(ρ u m 2 ) Parâmetros Adimensionais • Número de Reynolds Re = ρud µ 154 . metais líquidos δ >> δ t .u ∞ . acontecia para números de Reynolds de aproximadamente 2300. x µ e Re x .

A transição para a turbulência. o comprimento característico para o qual são definidos os adimensionais é a distância x a partir da origem. Para o escoamento sobre uma placa plana. c = ρu∞xc = 5 x10 5 µ onde u∞ é a velocidade da corrente livre. no interior de tubos.332 Re1 / 2 Pr1 / 3 . esta transição ocorre para Re=5x105. o numero do Reynolds crítico (ou de transição) é dado por: Re x . válida para Pr ≥0. Para escoamento laminar (Rex< 5x105). ou seja. a espessura da camada limite fluidodinâmica é 5x Re x δlam = A espessura da camada limite térmica é dada por δ = Pr 3 δt 1 O número de Nusselt local é dado por Nux = hxx = 0.Fenômenos de Transporte – 01/2008 • Número de Nusselt hd Kf Nu = • Número de Prandtl Pr = ν Cpµ = α Kf hmd DAB • Número de Sherwood Sh = • Número de Schmidt Sc = ν DAB onde DAB é a difusividade de massa (m²/s) Para o escoamento sobre uma placa plana. acontecia para números de Reynolds de aproximadamente 2300.6 x K 155 .

ou seja. percebe-se que a turbulenta cresce muito mais rápido.4. No entanto. enquanto no escoamento laminar.37 Re ⎛ ρu∞ ⎞ . Por sua 156 . a espessura varia com x1/2.0) = T∞ . y T∞ CORRENTE T∞ δ (x) CAMADA LIMITE TÉRMICA x Tsup. com T(y) = T∞. Para escoamentos turbulentos. é dada por Nux = [1 + ( 0. 92. o perfil de temperaturas no fluido é uniforme. já que sua espessura varia com x4/5. Figura 92 – Camada Limite Térmica. uma camada limite térmica deve se desenvolver se houver uma diferença entre as temperaturas do fluido na corrente livre e na superfície.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Uma outra expressão para o número de Nusselt local. No início da placa (x = 0). válida para 0.6<Pr<60 x 18. T (x.x = 0.x Quando as camadas limite laminar e turbulenta são comparadas. A Camada Limite Térmica Da mesma forma que há a formação de uma camada limite fluidodinâmica no escoamento de um fluido sobre uma superfície.0468 / Pr ) ] −1 / 5 x 0.3387 Re1 / 2 Pr1 / 3 x 2 / 3 1/ 4 Para escoamento turbulento (Re>5x105) δturb = 0. as partículas do fluido que entram em contato com a placa atingem o equilíbrio térmico na temperatura superficial da placa.37⎜ ⎜ µ ⎟ ⎟ ⎝ ⎠ −1 / 5 x −1 / 5 . Considere o escoamento sobre uma placa plana isotérmica mostrada na Fig. δ ≈ δt O número d Nusselt local é dado por Nux = 0. válida para qualquer valor de Prandtl.0296 Re4 / 5 Pr1 / 3 .

δt. ∂T q ′′ = − k f s ∂y onde y =0 e h= − k f ∂T ∂y Ts − T∞ y =0 kf = condutividade térmica do fluido (W/m.K) 157 . é definida como o valor y para o qual: (Ts − T ) (Ts − T∞ ) = 0. 1) A espessura da camada limite térmica. criando um gradiente de temperatura. Com isso.99 2) Na superfície não existe movimentação do fluido e a transferência de calor ocorre unicamente por condução.Fenômenos de Transporte – 01/2008 vez estas partículas do fluido em contato com a superfície atingem o equilíbrio térmico com essa superfície. e trocam energia com partículas fluidas em camadas adjacentes.

CAPÍTULO 6: 6.24 a 1.26. CAPÍTULO 2: 2.10 a 1.15. 3.40.34 e 2. 6.39 e 1.17 a 1. 158 .28.39.2. 1. 2. 4.27. 4. 2.2.15. 3.22 e 3.35.12. Livros Técnicos e Científicos Editora S.17 a 4.27.14. Livros Técnicos e Científicos Editora S.18.21. 1998. * INCROPERA.29 e 4.27. 6.A. 6.13.44 e 3. CAPÍTULO 3: 3.35. Fundamentos de Transferência de Calor e Massa. 3.19. 2. 3.Fenômenos de Transporte – 01/2008 EXERCÍCIOS RECOMENDADOS: * FOX.23. 4. 3.42 a 1.10. 1.7.36.13 a 3. 2. 4.66.1 a 1.38.9 a 4. Robert W. 1.19.34.42.. 2. CAPÍTULO 3: 3. 1. CAPÍTULO 2: 2. 2. Frank P.36 a 2. 2. 2. 2001..30 e 1.13.4. (Quinta Edição) CAPÍTULO 1: 1. 3.1.32. 1. 1.28. 6. 6. 3.39.33.25.32. 2. 3.23.24. e Alan T.37. 1. 2. 1. 4.12. CAPÍTULO 4: 4.20.37.10. 6.A.182 a 4.40.7 a 2. Rio de Janeiro. Rio de Janeiro.33 e 2.2.41 e 6. McDonald.38. 1. Introdução à Mecânica dos Fluidos.. (Quinta Edição) CAPÍTULO 1: 1. 3.49.188. 2. 1.

Rio de Janeiro. Projeto e Desenho. São Paulo. McDonald. * CARVALHO.A. Problemas de Mecânica dos Fluidos.Fenômenos de Transporte – 01/2008 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: * BASTOS.. Belo Horizonte. Introdução à Mecânica dos Fluidos. * SHAMES. Editora Edgard Blucher Ltda. Mecânica dos Fluidos. Pitts. Livros Técnicos e Científicos Editora S. 1977. Francisco de Assis A. * FOX. * MACINTYRE. Irving H. Fumarc. Calor e Massa. Bombas. Livros Técnicos e Científicos Editora S.A..A.. e Alan T.. Robert L. Transferência de calor: um texto básico. Vennard. c1990. Mecânica dos Fluidos. Fenômenos de Transporte.. J. * TELLES. 2001. 1978. Djalma Francisco. 1984. Tubulações Industriais . * OZISIK.A. * MYERS. Pedro Silva. Editora Guanabara Koogan S. McGraw-Hill do Brasil Ltda.A. 1994. McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda. E Donald r. Mecânica dos Fluidos. 1987. 159 . * WHITE. Editora Guanabara Koogan S.. M. Rio de Janeiro. Livros Técnicos e Científicos Editora S.P.Cálculo.. J. * TELLES. Leighton E. Rio de Janeiro.A... Prentice-Hall do Brasil.. Rio de Janeiro. Robert W.. Frank M. Rio de Janeiro. Frank P. * SCHIOZER. 1998.A. 1983. Pedro Silva.A. 1988. * SISSOM. 1978.. Editora Guanabara Koogan S.. 1983. McGraw-Hill do Brasil Ltda. Fundamentos de Transferência de Calor e Massa. * STREET. Archibald Joseph. Dayr. Fenômenos de Transporte. 2002.A. Livros Técnicos e Científicos Editora S. Editora Guanabara S. São Paulo. Editora Guanabara Koogan S.. * INCROPERA. Editora Guanabara Koogan S.E. 1985. Instalações Elevatórias.A.O. Bombas e Instalações de Bombeamento.Materiais.. e C. e John K. Lindon C. Bennett. Elementos de Mecânica dos Fluidos. Fundamentos da Transferência de calor. Volume I e II. Necati. Tubulações Industriais . 1994. Rio de Janeiro. Transferência de Calor. * THOMAS. 1996.. Quantidade de Movimento. * HOLMAN.

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Apêndice A Tabela A.1 – Propriedades de Fluidos Comuns a 20ºC e 1atm.
Massa Específica Viscosidade Absoluta Fluido Kg/m3 Kg/(m.s) ____________________________________________________________________________

Água Freon -12 Gasolina Glicerina Mercúrio Óleo SAE 10W Óleo SAE 10W30 Óleo SAE 30W Óleo SAE 50W Querosene Hidrogênio Hélio Ar seco CO2

998 1327 680 1260 13550 870 876 891 902 804 0,084 0,166 1,203 1,825

1,00x10-3 2,62x10-4 2,92x10-4 1,49 1,56x10-3 1,04x10-1 1,70x10-1 2,90x10-1 8,60x10-1 1,92x10-3 9,05x10-6 1,97x10-5 1,80x10-5 1,48x10-5

Tabela A.2 – Massa Específica da Água a 1 atm. T(ºC) 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 100 Massa Específica (Kg/m3) 1000 1000 998 996 992 988 983 978 972 965 958

Tabela A.3 - Massa Específica do Ar a 1 atm. T(ºC) -40 0 20 50 100 150 200 250 300 400 500
160

Massa Específica (Kg/m3) 1,520 1,290 1,203 1,090 0,946 0,835 0,746 0,675 0,616 0,525 0,457

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Tabela A.4 - Massa Moleculares de Gases Comuns. Fluido Massa Molecular (Kg/Kmol) H2 2,016 He 4,003 H2O 18,02 Ar seco 28,96 44,01 CO2 CO 28,01 28,02 N2 32,00 O2 NO 30,01 N2O 44,02 7,091 Cl2 CH4 16,04 Tabela A.5 – Emissividades a 300K. Superfície Água Concreto Folha de amianto Tijolo vermelho Placa de gesso Madeira Pavimentação de asfalto Vidro de janela Teflon Alumínio polido Solo Pele Emissividade 0,96 0,88-0,93 0,93-0,96 0,93-0,96 0,90-0,92 0,82-0,92 0,85-0,93 0,90-0,95 0,85 0,03 0,93-0,96 0,95

Tabela A.6 – Condutividades Térmicas a 300K. Material Aço inoxidável AISI 304 Alumínio puro Chumbo Cobre puro Ferro puro Algodão Asfalto Compensado de madeira Manta de fibra de vidro Pele Solo Tijolo comum Vidro pyrex Ar seco K (W/m.K) 14,9 237 35,3 401 80,2 0,06 0,062 0,12 0,038 0,37 0,52 0,72 1,4
0,0263

161

Fenômenos de Transporte – 01/2008

Tabela A.7 – Valores de Densidade para alguns fluidos a 20 °C.
Fluido Hidrogênio Ar Gasolina Água Mercúrio Óleo SAE 30 Glicerina Densidade (Kg/m3) 0,087 1,205 680 998 13580 891 1264

Tabela A.8 – Valores de Viscosidade para alguns fluidos a 20 °C.
Fluido Hidrogênio Ar Gasolina Água Mercúrio Óleo SAE 30 Glicerina Viscosidade (Kg/m.s) 8,8x10-6 1,8x10-5 2,9x10-4 1,0x10-3 1,5x10-3 0,29 1,5

Tabela A.9 – Propriedades Termodinâmicas de Gases Comuns na Condição Padrão ou “ Standard” .

162

O vapor d’água comporta-se como um gás ideal quando superaquecido de 55ºC (100ºF) ou mais.3 pé · lbf/(lbmol · ºR).17 0.4 4.060 1672 742. T = 15º = 59ºF e p = 101. Ru = 8314.30 53.4 ~2000 Hélio Hidrogênio Metano Monóxido de Carbono Nitrogênio Oxigênio Vapor – 28.1551 ~0.29 85.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Gás Ar Bióxido de Carbono CO2 He H2 CH4 CO N2 O2 H2O 28.41 1.40 1.2 pé · lbf.01 188.3 J/(kgmol·K) = 1545.016 16.04 2077 4124 518.1 766.180 2190 1039 1039 909.7517 2.98 286.66 1.5231 0.40 1.2481 0.9 1004 717.2007 0.02 28.2399 0.3993 55. 1 Btu = 778.8 461.) = 14696 psia.8 259.9 840.248 3.478 0. c Tabela 13 – Propriedade de Fluidos Gasosos 163 .368 a Temperatura e pressão na condição padrão ou “standard”.2481 0. b R ≡ Ru/Mm.2172 ~0.78 0.01 296.402 0.3 44.40 1.1713 35.32 1.33 0.1772 55.01 32.388 0.00 18. Mm 1.1 742 649.16 48.1772 0.4 3147 10.1556 386.325 kPa (abs.8 296.11 0.6 ~1540 Símbolo Químico Massa Molecular.5 96.40 ~1.29 1.4 5225 14.4 651.31 1.003 2.

s) 1 Ns/m2 = 1 kg/ms = 10 poise 1 stokes (St) = 1 cm2/s = 1x10-4 m2/s 1 ft3 = 0.88 kg/(m.lbf = 1.4536 kg 1 tonelada = 1000 kg Comprimento Temperatura 1 ft = 12 in = 0.76 Pa 1 N = 1Pa = 10 −5 bar = 0.15 1R = 1.lbf/s = 745.344 m T (K) = T (°C) + 273.4482N 1dina = 1g cm = 1x10 −5 N 2 s 1 onça = 0.2046 lbf 1lbf = 4.1– Grandezas e Unidades utilizadas em Mecânica dos Fluidos.014 cv 1 cv = 735 W 1 slug/ft3 = 515.4 Kg/m3 1 slug/(ft.7 W = 1.3558 J 1 Btu = 252 cal = 1055.88 Pa 1 psi = 1 lbf/in2 = 144 lbf/ft 2 = 6895 Pa 1 atm = 101325 Pa 1 bar = 1x105 Pa linHg (a 20ºC) = 3375 Pa Potência Densidade Viscosidade Viscosidade Cinemática Volume 1 hp = 550 ft.Fenômenos de Transporte – 01/2008 Apêndice B Tabela B.8K Força 1 kgf = 9.028317 m3 164 .3048 m 1 mi = 5280 ft = 1609.594 kg = 32.6x106 J Pressão 1 psi = 6894.s) = 47.9872x10 −5 atm 2 m 1 lbf/ft2 = 47. Grandeza Fatores de Conversão Massa 1 slug = 14.174 lbm 1 lbm = 0.80665 N = 2.27801 N Energia 1 ft.056 J 1 kWh = 3.

09 N/m3 1 slug/ft3 = 515.59x106 m2 1 acre = 4046.38 kg/m3 1 lbm/ft3 = 16.0037854 m3 1 litro = 0.092903 m2 1 mi2 = 2.78784x107 ft2 = 2.Fenômenos de Transporte – 01/2008 1 galão = 231 pol3 = 0.9 m2 = 43560 ft2 Peso Específico Massa Específica 1 lbf/ft3 = 157.0185 kg/m3 1 g/cm3 = 1000 kg/m3 165 .035315 ft3 Área 1 ft2 = 0.001 m3 = 0.

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura A1 166 .

Fenômenos de Transporte – 01/2008 Figura A2 167 .

Sign up to vote on this title
UsefulNot useful