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Escola Secundária de Nampaco


12ª Classe

Comércio

Nome:

Evenaldo Victor Escova

Nampula

2021
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Índice

Introdução...................................................................................................................................2

1. O COMÉRCIO........................................................................................................................3

1.1. Comércio: Discussão Teórica Conceptual...........................................................................3

1.2. O Aparecimento da Moeda..................................................................................................4

2. O COMÉRCIO INTERNACIONAL DE BENS....................................................................4

2.1. Tipos e Formas de Comércio...............................................................................................4

2.2. Importação e Exportação.....................................................................................................6

2.3. O Equilíbrio da Balança Comercial.....................................................................................7

2.4. Os Principais Importadores e Exportadores de Bens...........................................................8

2.5. O Endividamento Externo....................................................................................................9

2.6. A Intensificação das Trocas Comerciais à Escala Mundial.................................................9

2.7. O Papel das Organizações Internacionais do Comércio....................................................10

2.8. A Mundialização das Trocas Comerciais: Os Principais Fluxos Comerciais....................10

3. O COMÉRCIO EM MOÇAMBIQUE..................................................................................11

3.1. Comércio Interno...............................................................................................................11

3.2. A Comercialização Agrícola..............................................................................................12

3.3. O Comércio Externo no Passado Colonial em Moçambique.............................................12

3.4. Balança Comercial de Moçambique..................................................................................13

3.5. Importação.........................................................................................................................13

3.6. Exportação.........................................................................................................................13

3.7. Comércio nos Países Desenvolvidos.................................................................................14

3.8. Comércio nos Países em Via de Desenvolvimento............................................................14

3.9. Principais Grupos de Produtos e Grandes Regiões do Mundo..........................................15

Conclusão..................................................................................................................................17

Bibliografia...............................................................................................................................18
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Introdução

O presente trabalho apresenta como tema: O Comercio. Portanto, no desenrolar desta tarefa
vão se enunciar aspectos como o comércio depois da revolução industrial e na actualidade,
comercio internacional, comercio nos países desenvolvidos e em via de desenvolvimento,
principais grupos de produtos e grandes regiões do mundo.

Tratando-se dum tema abordado no contexto das ciências geográficas na Geografia humana
ou económica, o tema centra a sua abordagem no contexto do ensino da geografia,
contribuindo desta forma para a compreensão dos aspectos económicos na sociedade.

Para elaboração deste trabalho, foi possível com base na consulta bibliográfica entre
divaricados livros que ressaltam sobre o tema em alusão. Contudo, o trabalho encontra-se
estruturado em introdução, conclusão e a respectiva bibliografia.
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1. O COMÉRCIO

1.1. Comércio: Discussão Teórica Conceptual

O comércio tem o significado etimológico de troca de mercadorias. Este conceito de comércio


sofreu um grande alargamento essencialmente pela criação da moeda, que veio proporcionar
um enorme desenvolvimento, facilitando as trocas.

O comércio passa então a configurar-se como actividade de compra de bens para obter um
ganho com a respectiva revenda. Entre os povos da antiguidade que se dedicavam ao
comércio. Há que destacar os Fenícios, pelo o desenvolvimento que conferiram. A partir do
século XV os descobrimentos marítimos, protagonizadas por portugueses e espanhóis,
proporcionaram ao comércio um enorme incremento internacionalizando-o definitivamente o
comércio.

O comércio (economia), designa em geral, trocas económicas de uma


sociedade ou segundo colquelim, o "conjunto das relações que os Homens
mantém entre si por tudo o que se relaciona com a satisfação das
necessidades", (ENCICLOPÉDIA MIRADORA INTERNACINAL DE
CULTURA, 1998: 276)
Segundo CABRITO; et all, (1990:51) "O Comércio é uma actividade de compra e venda que
permite pôr a disposição do consumidor os bens e os serviços que lhe deseja consumir."

A actividade comercial è decorrente da incapacidade do homem ser auto-suficiente no tocante


á satisfação das suas necessidades.

Inicialmente era o próprio homem quem se encarregava de produzir os bens de quem


precisava para satisfazer nas suas necessidades. Quando não conseguia produzi-los o homem
trocava um produto que possuía em excesso pelo produto de que necessitava criando assim
um sistema de trocas directas. Essas trocas nem sempre surtiam bons efeitos devido aos vários
factores naturais e artificiais como é o caso da localização geográfica no que diz respeito as
distancias para que pudesse efectuar as trocas, mas também, o transporte deficiente de
transportar produtos para os mercados.

Segundo NAKATA (1985:23), afirma que com a ampliação de suas necessidades e também
do horizonte geográfico este sistema começou a apresentar inúmeras dificuldades tais como:

 O transporte de produtos até o local de trocas isto è no mercado;


 Nem sempre o homem conseguiu trocar o seu produto por aquele que necessitava;
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 O estabelecimento dos valores dos produtos era problemático.

1.2. O Aparecimento da Moeda

O homem introduziu um instrumento que veio facilitar enormemente essas trocas que è a
moeda.Com a introdução da moeda a possibilidade do alargamento das trocas tornou bem mas
sendo estes sistemas de trocas substituídas pela actividade comercial.

Com grandes descobrimentos nos séculos 15 e 16, a actividade comercial á longa distancia
mantinha se em torno de alguns artigos de luxo de alto valor e pequeno volume com excessao
do comércio de chá entre a Europa e o Oriente, do comércio triangular entre a Europa, a
África e as colónias Europeias da América do Norte, Central e Antilhas, e do domínio entre as
colónias da América Tropical e a Europa caso do açúcar. É um cenário que contrariou o
comércio no início este que se caracterizava por ser local.

2. O COMÉRCIO INTERNACIONAL DE BENS

O comércio internacional é a proporção das importações e das exportações. As pessoas


necessitam de produtos e de serviços como ninguém, e nenhum país produz tudo o que
precisa, nem consome tudo o que produz, é necessário haver vendas, compras e trocas de
bens, serviços e informação.

O comércio aproxima a produção (obtenção de bens matérias ou de serviços)


do consumo (destinado a satisfação das novas necessidades individuais e
colectivas). Para alguns autores como: PROENÇA e MARTINS, (2003:114),
"o consumo é o verdadeiro motor da economia, isto é, quanto maior for o
consumo, maior é a procura, maior é a quantidade produzida e a riqueza gerada
".
Com a intenção de aumentar as compras, criam-se novas necessidades. As técnicas de
marketig1, publicidade que induz a sua aquisição através de slogans, anúncios e imagens que
tem alterado os hábitos de consumo e aumentado a procura de certos produtos ou de serviços.

2.1. Tipos e Formas de Comércio

Pode se falar do comércio a dois níveis, conforme os agentes que nele intervêm:

 O Comércio interno ou doméstico, compreende os intercâmbios de bens, serviços e


informações efectuados num país.

1
Marketing- meios que visam expandir as vendas de um bem ou seviços.
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 O Comércio Internacional, compreende os intercâmbios de bens, serviços e


informações realizados entre os cidadãos e as empresas de países diferentes.

Naturalmente, o comércio internacional assume características específicas que não se


encontram no comércio efectuado dentro do mesmo país. Este facto resulta, de um comércio
efectuado por comerciantes de diversos espaços económicos nacionais.

Assim, as mercadorias transaccionadas tem de passar de um para o outro espaço económico


nacional, tem de passar as fronteiras que separam os países de acordo com as normas do
comércio internacional estabelecidas por cada país relativamente aos restantes. O comércio
Internacional exige a convertibilidade das moedas ou seja torna necessário que se estabeleça
uma relação entre as moedas dos diversos países. Outro problema do Comércio Internacional
que diz respeito ao transporte e acondicionamento ligado das mercadorias.

Muito embora não seja especifica do comércio exterior ( as mercadorias têm sempre de ser
transportadas e acondicionadas, quer a troca se efectue entre nacionais quer não), esta questão
é bastante importante e prende-se com a distância com as mercadorias transaccionadas são
obrigadas a percorrer. Por esta razão, a política de transportes prosseguidos no comércio
internacional tem em conta numerosos factores tais como, a distância, o volume e tonelagem
das mercadorias, a sua fragilidade, os custos de transportes por unidade de produto
transportado, etc.

Actualmente, o comércio internacional caracteriza-se por três formas de relações:

 As relações Norte-Sul, são particularmente importantes, estabelece-se fluxos


comercias entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento.

Os países exportam matérias-primas e fontes de energia para os países desenvolvidos aquém


compram serviços e produtos transformados. Este tipo de comércio tem vantagens para ambas
as partes. O preço dos produtos primários exportados pelos países em desenvolvimento, é
muito baixo, quando comparado com o seu valor, depois de transformados nos países
desenvolvidos.

Assim, nos países pobres, é frequente que o rendimento obtido com as exportações não chega
para pagar os alimentos importados. Nos países ricos a transformação das matérias-primas
(alimentos, minerais, energia) em bens de consumo e equipamentos gera riquezas e empregos.
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Por outro lado, as economias dos países pobres, dependem, das exportações de poucas
matérias-primas para os países ricos, que impõem os preços e as quantidades produzidas. É
pois frequente que a balança de pagamentos dos países em desenvolvimento se apresente
deficitária, contra um superavite da balança de pagamentos dos países desenvolvidos

Os países pobres tornam-se devedores, pois têm de contrair dívidas que pagam com juros
elevados enquanto os países ricos são os credores, pois concedem aqueles empréstimos dos
quais são reembolsados num dado prazo. Deste modo, a subordinação das economias dos
países mais pobres dos países mais ricos gera relações de dependência/dominação.

 As relações Norte-Norte, decorre entre os países desenvolvidos. Com estas relações


comercias pretendem manter os ritmos de crescimento económico em que vivem.
Procuram satisfazer necessidades e interesses recíprocos, pelo que aprofundam
relações de interdependência. São esses países que geram a maior parte dos fluxos
internacionais de produtos transformados.

 As relações Sul-Sul, estabelecem-se entre os países em desenvolvimento, são relações


muito mais frágeis, constituindo apenas uma pequena parte do comércio internacional.

2.2. Importação e Exportação

O comércio internacional origina duas relações económicas fundamentais: a importação e a


exportação. A importação engloba a entrada de bens de consumo ou de produção num
determinado país; a prestação de serviços a esse mesmo país por parte de sujeitos económicos
pertencentes ao resto do mundo.

A estes dois aspectos de importação que traduzem a entrada no país de bens reais,
correspondem em princípio, fluxos monetários em direcção ao exterior, de valor equivalente.
Quando importamos bens ou serviços, saem divisas para o estrangeiro, ou seja, moeda com
aceitação internacional, por exemplo Dólar ou Marcos ou Ouro. É esta saída de divisas que
corresponde ao pagamento dos bens e dos serviços por nós comprados no exterior.

A exportação é uma relação idêntica a importação, mas em sentido inverso. Assim a


exportação engloba a saída de bens de consumo ou de produção de determinado país; engloba
também a prestação de serviços ao resto do mundo por parte de sujeitos económicos
pertencentes ao país.
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A estes dois aspectos de exportação, que traduzem fluxos reais em direcção ao resto do
mundo, correspondem, em principio fluxos monetários vindos de lá em direcção ao país.
Quando exportamos bens ou serviços, entram divisas no país que correspondem ao pagamento
das exportações por parte dos agentes económicos de outros países. Estes movimentos de
bens e de serviços bem como de divisas, podem ser representados num circuito económico, a
partir de fluxos económicos reais e monetários que os representam.

As importações e as exportações, são as relações comerciais que se estabelecem mais


vulgarmente entre os países e, integram um movimento real (bens e serviços) e um
movimento monetário (divisas, ou seja moedas com cotação internacional, moedas, ouro etc).

2.3. O Equilíbrio da Balança Comercial

A balança comercial regista a diferença entre as exportações (vendas feitas por um país) e as
importações (compras feitas aos estrangeiros).

Segundo PROENÇA, MARTINS (2003:114)

Os Governos tem a responsabilidade de regular a balança comercial, através do


equilíbrio entre as exportações e importações, por isso muitas vezes dá
aplicação de medidas proteccionistas, por exemplo quando aplicarem tarifas ou
taxas alfandegárias aos produtos importados, esses produtos ficarem mais
caros protegendo-se a produção nacional da concorrência externa.
Por outro lado por serem mais caros são menos procurados pela população, logo as
importações diminuem e a balança comercial pode equilibrar-se. O Estado tem ainda de
controlar todas as transacções económicas realizadas com outros países. Isso é feito através
das balanças de pagamentos, esta que regista todas as entradas e saídas de produtos (balança
comercial), de serviços (Balança de serviços) e de dinheiro (Balança de movimento de
capital)

 Se o valor das exportações é inferior ao das importações a balança comercial possui


um saldo negativo ou défice;

 Se o valor das importações è igual ao das importações a balança comercial esta


equilibrada;

 Se o valor das exportações excede o das importações a balança comercial apresenta


um saldo positivo.
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Existem muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento com um saldo negativo na


balança comercial, assim como também a muitos países desenvolvidos e em desenvolvimento
que apresentam um saldo positivo. A situação de equilíbrio entre as importações e
exportações não se verificam em nenhum pais.

Com o objectivo de diminuir e até de eliminar o défice de respectiva balança comercial alguns
países ainda utilizam medidas proteccionistas para reduzir as importações e ou estimular as
exportações, baixando o preço de venda dos seus produtos para torna los mais competitivos
no mercado internacional. De modo a atenuar os desequilíbrios da balança comercial e reduzir
a dependência económica dos países em desenvolvimento, é necessário:

 Estabelecer preços mais justos para as matérias-primas e os produtos agrícolas;

 Rever os acordos comerciais que beneficiam os produtos dos países desenvolvidos;

 Acelerar a eliminação do apoio à agricultura nacional por parte dos países


industrializados, o que ajudaria a garantir acesso aos mercados dos produtos agrícolas
dos países em desenvolvimento em condições de concorrência;

 Promover a cooperação Sul-Sul e a formação de alianças regionais ou sectoriais para


garantir maior poder negocial aos países em desenvolvimento;

 Reforçar a participação dos países do sul no comércio mundial, de modo a garantir


maiores benefícios através da melhoria dos termos de troca e do acesso aos mercados

2.4. Os Principais Importadores e Exportadores de Bens

Os países desenvolvidos são simultaneamente os que mais exportam e importam bens ao nível
mundial, o que se deve quer ao elevado poder de compra da população quer ao grande
desenvolvimento das actividades económicas. Embora o comércio internacional seja
dominado pelos países desenvolvidos, é de salientar o rápido aumento das exportações e das
importações registados por alguns países em desenvolvimento, como por exemplo: a China, o
México e a Correia do Sul, nestes países assiste-se a uma grande explosão do sector industrial
e consequentemente, os produtos industriais já lideram os fluxos comerciais.

Os doze (12) primeiros países exportadores de bens são:

 Estados unidos, China, Alemanha, Japão, França, Reino Unido, Itália, Canadá,
Holanda, Bélgica, Correia do sul e México.
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Os doze (12) primeiros países importadores de bens, são:

 Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido, a França, Japão, Itália, Canadá, Holanda,
Bélgica, China, Espanha e México. ( DIOGO; ALEXANDRE, s/d: 157)

2.5. O Endividamento Externo

O comércio internacional de bens contribui para um progresso endividamento de muitos


países, sobretudo dos mais dependentes da exportação de produtos agrícolas. O facto de um
país apresentar a balança comercial sistematicamente deficitária pode aumentar a sua dívida
externa. No entanto é o saldo da respectiva balança de pagamento2 que mais influencia.

O saldo da balança resulta da conjugação de diversos fluxos de capitais dentre os quais


destacam-se:

 O saldo da balança comercial;


 Os gastos dos turistas estrangeiros, dentro e fora do país;
 Os lucros das empresas nacionais que investem dentro e fora do país;
 As remessas dos emigrantes recebidas pelo país, e as que são enviadas pelos
imigrantes para os respectivos países de origem.

2.6. A Intensificação das Trocas Comerciais à Escala Mundial

Segundo LEMOS (2000:156) "As trocas mundiais tiveram uma aceleração muito
significativa após a II GM, entre 1948 e 1993, o comércio mundial aumentou seis vezes,
enquanto a produção mundial triplicou".

Este rápido crescimento foi estimulado pela liberalização dos mercados e pela abertura
progressiva das fronteiras que resultou em primeiro lugar de organizações internacionais
como GATT- Acordos Gerais sobre Tarifas e Comércio, pelos movimentos de integração
económicas europeus a Comunidade Económica Europeia- CEE, actual União Europeia, e a
EFTA- Associação Europeia de Comércio Livre, e extra-europeus (NAFTA- Acordo de
Comércio Livre da América do Norte, Mercosul- mercado comum do sul) e pela dispersão
espacial da produção, facilitada pelos progressos dos meios de transportes. A explosão
demográfica e a melhoria do nível de vida, também influenciaram a expansão do comércio,
assim como as grandes assimetrias na distribuição dos recursos.

2
Balança de pagamento é saldo das trocas de bens, serviços e capitais realizados entre um país e o estrangeiro
durante um ano. ( DIOGO; ALEXANDRE, s/d: 157)
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A descida das taxas alfandegárias, muito significativa nesse período, passando de 40% para
cerca de 5% no início dos anos 90 do século XX, ajudou a intensificar os fluxos mundiais de
mercadorias.

O GATT, serve igualmente de árbitro eventual nos casos de conflitos comerciais entre vários
dos seus Estados membros, nele se reúnem as principais potências comerciais do mundo,
numa composição que recentemente se viu alargada pela entra dos antigos países socialistas
da Europa central e Oriental.

A CNUCED (Conferência das Nações Unidas Para o Comércio e o Desenvolvimento),


fundada em 1964, esforça-se por promover uma nova ordem económica internacional,
favorecendo as trocas dos países em desenvolvimento.

2.7. O Papel das Organizações Internacionais do Comércio

O comércio tem beneficiado da criação de organizações internacionais como por exemplo a


OMC (Organização Mundial do Comércio), que entre outros objectivos promovem as trocas
de bens entre os seus membros, através da redução ou abulição das taxas alfandegárias.

"As organizações mais relevantes para o comércio internacional, além da OMC


destaca-se a União Europeia, NFTTA (Acordo Norte americano de Comércio
Livre), MECOSUL (Mercado do Comércio do Sul), SADAC (Conferência
Para o Desenvolvimento da África Austral), ASEAN (Associação das Nações
do Sudeste Asiático); Estados Unidos, CCDDAA (Conferência de Cooperação
para o Desenvolvimento da Àfrica Austral), CEAO (Comunidade Económica
da África Ocidental ". ( DIOGO; ALEXANDRE, s/d: 133).
Além destas organizações que defendem a progressiva liberalização do comércio, existem
outras do carácter sectorial, isto é, ligadas a comercialização de produtos específicos, dentre
as quais destaca-se a OPEP (Organização dos Países Exportadores do Petróleo), influencia a
fixação dos preços e das condições de circulação do petróleo bruto e derivados.

2.8. A Mundialização das Trocas Comerciais: Os Principais Fluxos Comerciais

A intensificação dos fluxos de mercadorias não se repercutiu igualmente em todo o mundo, ¾


das exportações realizaram-se entre os países mais desenvolvidos, como o EUA, o Japão e os
Estados membros da União Europeia:

 A Europa assegura 40% das exportações mundiais;


 Os EUA realizam 15% das exportações;
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 O Japão é responsável por 8% das exportações mundial.


Os grandes fluxos realizam-se entre estes centros, intensificando-se a competição, sobretudo
nos sectores de alta tecnologias que necessitam de grandes investimentos.

Os principais fluxos comerciais ao nível mundial estão relacionados com o transporte de


produtos industriais, minerais e agrícolas. Muitos países em desenvolvimento exportam
essencialmente produtos minerais e agrícolas e importam sobretudo, produtos industriais,
enquanto na maioria dos países desenvolvidos os produtos industriais dominam tanto as
exportações como as importações. De um modo geral os produtos minerais e agrícolas são
vendidos a preços cada vez mais baixos, o que se explica através da redução e do consequente
aparecimento de produções excedentárias ao nível mundial. Assim os seus principais
exportadores são levados a descer os preços, com o objectivo de exportarem a produção.

A valorização dos produtos industriais e a descida do preço dos produtos minerais e agrícolas
colocam muitos países em desenvolvimento perante a degradação dos termos de troca, isto é,
o aumento do valor das suas importações em simultâneo com o decréscimo do valor das suas
exportações o que tem consequências negativas para a evolução das perspectivas económicas.

Segundo LEMOS (2000:157), em termos globais o comércio mundial de mercadorias é


constituído de três grandes fluxos de importância muito diferente:"

 As trocas de produtos alimentares, que representam 15% do comércio viram o seu


valor diminuir desde 1960;
 Os fluxos dos produtos minerais e energéticos, que continuam a representar 14% do
comércio mundial, em consequência das regiões produtoras e regiões consumidoras
não serem coincidentes.
 Os fluxos de bens manufacturados, que representam 2/3 das trocas mundiais e que são
os que mais tem aumentado em resultado da crescente importância dos produtos de
alta tecnologia (electrónica, informática, telecomunicações, a aeroespacial).

3. O COMÉRCIO EM MOÇAMBIQUE

3.1. Comércio Interno

A troca dos excedentes agrícolas de uma dada região com os de outros, constituiu a forma
mais primitiva de intercâmbio comercial entre os povos de Moçambique. A chegada de
comerciantes oriundos da Ásia e das arábias e mais tarde da Europa na nossa costa e a sua
12

penetração nas terras interior, desenvolveu a tradicional pratica comercial das sociedades
moçambicanas, imprimindo uma nova dinâmica e reflectindo as características modernas
desta actividade económica.

3.2. A Comercialização Agrícola

Com a mercantilização da economia rural de Moçambique, no contexto de dominação


colonial, os camponeses foram integrados num processe económico novo, em os seus
excedentes agrícolas passaram a adquirir bens de consumo industrializados, cujo valor era
muitas vezes inferior ao dos seus produtos. Arde de comercialização implantada durante o
passado colonial, era basicamente controlada por comerciantes portuguesas que garantiam a
troca dos produtos agrícolas com bens de consumo industrializadas, se estabelecendo assim a
ligação entre o meio rural e o urbano.

Com a independência nacional, assistiu-se uma desintegração quase completa daquela rede
comercial em virtude dos comerciantes portugueses terem deixado o país. No inicio da década
80, os primeiros sintomas de guerra que assolou o campo, vieram acelerar o deterioramento
da fraca rede de comercialização.

Para fazer face a crise de comercialização, o Estado assumiu a responsabilidade de recuperar


esta actividade, como forma de garantir a continuidade das trocas campo-cidade, procurando
manter um certo equilíbrio de desenvolvimento regional, de acordo com as condições da
época.

Para o efeito foi criada uma empresa estatal de comercialização agrícola ( AGRICOM), com
Delegações províncias apetrechadas de recursos humanos. O papel do Estado na
comercialização agrícola resume-se da seguinte maneira:

 Definir a política de preços de produtos;


 Investir em infra-estruturas físicas, como armazéns ao nível dos Distritos e das
Províncias, com forma de garantir reservas alimentares, assim como vias de acesso
sobretudo nas zonas de alto potencial agrário.

3.3. O Comércio Externo no Passado Colonial em Moçambique

O comércio externo em Moçambique, reflectiu a sua condição de colónia pois durante a


dominação colonial, assistiu-se a exportação dos seus melhores recursos naturais em benefício
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do colonizador. O regime colonial português procedeu a um processo de exploração a partir


do qual emergiu uma nova política económica com duas vertentes na sua essência:

 A aceleração da pilhagem dos países através de todos os meios possíveis,


inviabilizando assim a economia daqueles territórios;
 Criação de uma sociedade de consumo artificial através do aumento da importação de
artigos de menor importância para o desenvolvimento económico daqueles países.

A balança de pagamentos permanentemente deficitária e enorme acumulação de pedidos de


transferência monetária levou a adopção de medidas de restrição de importação, cujas
consequências foi a agravação das contradições de um sistema desintegração.

3.4. Balança Comercial de Moçambique

O comércio externo de Moçambique, apresenta um balanço negativo que cresce nos últimos
anos.

Segundo ANDRADE et all, (1981: 54), "o balanço negativo decresceu em


17,5% em relação aos anos precedentes ( a importação baixou 7% e a
exportação subiu 7%), como resultado lógico das medidas restritivas aplicadas
nos finais de 1971".
A evolução do crescimento negativo da balança comercial mostra-nos que houve uma
tendência de deteorização do mercado na respectiva taxa de troca. Assim o preço baixo por
tonelada, embora flutuando fica aquém do crescimento desfavorável por tonelada importada.
Este facto explica-se pela não liberalização das vendas dos produtos que constituíam a base de
exportação de Moçambique que até então era feita numa base colonial com Portugal.

3.5. Importação

As importações de Moçambique, não eram muito diversificadas e consistiam essencialmente


de produtos acabados, também havia participação de matérias-primas.

3.6. Exportação

A exportação caracterizou-se por uma marcada especialização de produtos, dos quais eram
agrícolas e os outros resultavam da transformação de crude importado. Esta situação é
característica dos países em vias de desenvolvimento e reflecte a forte dependência de
Moçambique em relação aos países estrangeiros.
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3.7. Comércio nos Países Desenvolvidos

Hoje a economia é mais complexa e diversificada, apresentando exportações de produtos


industrializados e processados (semi-manufacturados), calçados, suco de laranja, tecidos,
combustíveis, bebidas, alimentos industrializados, caldeiras, armamentos, produtos químicos,
veículos de todo tamanho e suas respectivas peças de reposição e aviões.

Produtos industrializados e semi-manufacturados, correspondem uma gradativa economia dos


países desenvolvidos. O percentual sofre variações de acordo com o rendimento do ano, por
exemplo, no ano que ocorre aumento na venda de aviões esses dados são elevados. Em
contrapartida quando há aumento na produção e exportação agrícola, como no caso da soja,
ocorre um crescimento no percentual de produtos primários.

Os países desenvolvidos possuem muitos parceiros comerciais, com destaque para os


seguintes mercados: toda União Europeia, principalmente Alemanha, Itália, França, Espanha
e Holanda, além de Estados Unidos, Argentina, Japão, Paraguai, Uruguai, México, Chile,
China, Taiwan, Coreia do Sul e Arábia Saudita.

Outra evidência da mudança económica e industrial dos países desenvolvidos é os tipos de


exportação, no passado eram compostas basicamente por produtos manufacturados, na
actualidade esse contexto mudou, pois as importações, cerca de 40%, são de matéria-prima
como combustíveis, minérios, trigo, carne, bebidas, artigos de informática, telefonia,
máquinas, motores, material eléctrico, produtos químicos, insumos agrícolas, automóveis,
tractores, peças, electroeletrónico etc.

Os principais exportadores de produtos para os [países desenvolvidos são: Estados Unidos,


União Europeia principalmente Alemanha, Itália, Espanha e França, Argentina, Arábia
Saudita, Japão, Venezuela, México, Uruguai, Chile, China, Coreia do Sul, Kuwait e Nigéria.

3.8. Comércio nos Países em Via de Desenvolvimento

Os países em desenvolvimento são as nações que mais defendem o comércio. E isso é porque
sabem a enorme ligação que há entre comércio e desenvolvimento, e como o primeiro ajuda o
segundo. Além da importância crescente dos países em desenvolvimento no comércio
mundial, o relatório destaca outras três conclusões, designadamente o auge das cadeias de
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valor acrescentado mundiais, a nova função das matérias-primas nas estratégias de


desenvolvimento e a maior sincronização e globalização das crises macroeconómicas.

Quer as principais exportações quer as principais importações dos PED são realizadas com os
países desenvolvidos (PD). Os fluxos comerciais entre PED são muito reduzidos. As
exportações dos PED são essencialmente de produtos primários (produtos agrícolas, matérias
primas e energia). Os produtos manufacturados exportados pelos PED são intensivos em
trabalho e tecnologia banalizada (NANJOLO, 2005).

No entanto nas últimas três décadas os PED têm aumentado as suas exportações de produtos
manufacturados em relação às de produtos primários.

Muitos PED caracterizam-se pela quase monocultura o que implica que a sua capacidade
exportadora se restringe a poucos produtos (ex. o café representa 70% das exportações da
Etiópia). Assim, estas economias são muito vulneráveis às variações do preço internacional
dos produtos em causa. As variações dos preços dos produtos primários são frequentes dado
que tanto a procura como a oferta têm elasticidade preço baixa.

3.9. Principais Grupos de Produtos e Grandes Regiões do Mundo

Países Importadores % Valor (Biliões de Dólares)


Estados Unidos da América 9,8 427
China 7,6 329
Alemanha 7,2 315
França 4,3 188
Reino Unido 4 173
Japão 3,7 161
Índia 2,9 127
Rússia 2,8 123
Singapura 2,8 122
Holanda 2,8 121
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A regionalização socioeconómica do mundo classifica os países com base no


desenvolvimento económico e na qualidade de vida de sua população. Para facilitar a
compreensão e o controle sobre espaço, muitas vezes é necessário regionalizá-lo, ou seja,
dividi-lo em partes menores que permitam uma análise e uma gestão adequada do espaço.
Assim, a regionalização só é possível quando observadas diferentes características em um
mesmo espaço, que permitam a sua divisão e classificação em diferentes regiões. Ao conjunto
de características adoptadas para se definir regiões mundiais damos o nome de Critérios.

As regiões socioeconómicas do mundo: Essa classificação foi bastante utilizada durante o


período conhecido como Guerra Fria, pois levava em consideração a situação económica,
política e social dos países diante da divisão bipolar do mundo, dividindo o mundo em três
regiões: Países de primeiro mundo – Países capitalistas desenvolvidos, formados,
principalmente, pelos Estados Unidos e países da Europa ocidental; Países de segundo mundo
- Formado por países socialistas que tinham como principal representante a União Soviética;
Países de terceiro Mundo – Países subdesenvolvidos, como por exemplo os países da África,
da América latina etc. Com a crise no mundo socialista essa forma de regionalização entrou
em desuso, sendo substituída pela regionalização do país em países do Norte e Países do Sul. 
17

Conclusão

Chegados nesta recta final conclui-se que o comércio baseia-se na troca voluntária de
produtos. As trocas podem ter lugar entre dois parceiros (comércio bilateral) ou entre mais do
que dois parceiros (comércio multilateral). Na sua forma original, o comércio fazia-se por
troca directa de produtos de valor reconhecido como diferente pelos dois parceiros, cada um
valoriza mais o produto do outro. Os comerciantes modernos costumam negociar com o uso
de um meio de troca indirecta, o dinheiro. É raro fazer-se troca directa hoje em dia,
principalmente nos países industrializados. Como consequência, hoje podemos separar a
compra da venda.

Após a II Guerra Mundial, verificou-se que o comércio internacional, cresceu muito, não
obstante, os fluxos comerciais cresceram mais entre os países desenvolvidos. Este
crescimento não beneficiou igualmente todos os países, assentou o fosso entre os países ricos
e os países pobres.

Este rápido crescimento foi estimulado pela liberalização dos mercados, proporcionados pelos
acordos do GATT, CEE, UN, EFTA; NAFTA; MAERCO-SUL e outras organizações, e pela
dispersão espacial da produção, facilitada pelos progressos dos meios de transporte, as
explosão demográfica e a melhoria do nível de vida, são alguns factores de destaque que
contribuíram bastante para a expansão do comércio.

A expressão Comércio Internacional designa o conjunto de fluxos de mercadorias que são


objecto de troca entre os diferentes espaços económicos nacionais, sendo medido pelo total
das exportações mundiais. No seu sentido mais amplo, além das mercadorias, podem ser
também considerados os fluxos de serviços.

São várias as formas de avaliação quantitativa do comércio internacional, entre elas o saldo da
balança comercial (diferença entre as exportações e as importações), a taxa de cobertura
(coeficiente entre as exportações e as importações), o esforço de exportação (exportações
medidas em percentagem do PIB) e taxa de penetração (importações medidas em
percentagem da procura interna).
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Bibliografia

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