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CENTRO UNIVERSITÁRIO RITTER DOS REIS - UNIRITTER

FACULDADE DE ENGENHARIA

Termodinâmica Aplicada

RELATÓRIO DE ATIVIDADE PRÁTICA:

BALANÇO DE ENERGIA EM UM PROCESSO DE EXTRAÇÃO

Autores: João Pedro Barcelos, Leonardo Mancio, Pedro Estante

Professor: Everton Hansen

Porto Alegre
2019
1. INTRODUÇÃO

O café é uma bebida produzida a partir dos grãos torrados do fruto do


cafeeiro. Atualmente o Brasil consome anualmente 20 milhões de sacas de
café, o que corresponde a 173 bilhões de xícaras. É servido tradicionalmente
quente, já que o café geralmente é extraído dos grãos por um processo de
infusão com solvente, que no caso é a própria água.

Outro método para a extração da bebida é a extração por soxhlet. O soxhlet


utiliza o mesmo princípio de embeber os grãos de café em solvente quente,
porém faz o fluido recircular pelo sistema fechado, sendo evaporado na base e
condensado no topo, otimizando o processo. O método citado é muito utilizado
em situações onde tem-se o produto a ser extraído parcialmente solúvel no
solvente e o resto de massa, não. Nesse caso, a amostra é seca, moída e
colocada em um cartucho poroso. Ele é colocado na câmara de extração que
está suspensa acima do balão que contém solvente, e abaixo de um
condensador. O balão é aquecido e o solvente, evaporado, subindo em fase
gasosa ao condensador, o qual passa para a fase liquida novamente, pingando
no cartucho que contém a amostra.

Com a realização do experimento de extração, medem-se os dados e torna-


se possível realizar os balanços de massa e energia no soxhlet através dos
conceitos de termodinâmica e a aplicação de sua primeira lei: a conservação
de energia.

A primeira lei da termodinâmica diz o seguinte: “Embora a energia assuma


várias formas, a quantidade total de energia é constante e, quando energia em
uma forma desaparece, ela reaparece simultaneamente em outras formas.”
Portanto, pode-se chegar a conclusão de que para um sistema fechado, a
variação de energia interna de um sistema será igual ao calor trocado menos o
trabalho realizado, sendo expresso pela equação: ∆U=Q-W.

Já para um sistema aberto, a primeira lei pode ser descrita como: o


acumulo de energia em dado volume de controle será igual ao somatório das
taxas mássicas que entram no sistema vezes a somas das energias na
entrada: interna, potencial e cinética, menos o somatório das taxas mássicas
que saem do sistema vezes as energias na saída: interna, potencial e cinética,
tudo isso mais a taxa de calor trocado e mais a taxa de trabalho de eixo. A lei
pode ser melhor visualizada matematicamente pela equação do balanço de
energia de um sistema aberto:

A primeira lei da termodinâmica pode ser aplicada ainda em um balanço


de massa, que pode ser descrito como a taxa mássica acumulada no sistema
será igual a taxa mássica que entra no sistema menos a taxa mássica que saí
do sistema, escrita matematicamente como:
2. OBJETIVO DA PRÁTICA

Aplicar os devidos conhecimentos já abordados durante o curso para


a realização dos balanços de massa e de energia em um experimento
de extração de café através de um Soxhlet.

3. MATERIAIS E MÉTODOS

Materiais utilizados:
 Manta de aquecimento
 Balão de fundo redondo
 Béquer
 Proveta
 Extrator Soxhlet
 Balança
 Filtro de fibra
 Vidro de relógio
 Torneira com vazão de água constante
 Mangueiras para conexões

Reagentes utilizados:
 Café em pó
 Água

Descrição do método:
Primeiramente foi feita a pesagem do café para iniciarmos o experimento,
utilizando uma espátula e um vidro de relógio, pesamos a quantidade de café
que definimos para realizar o procedimento, este valor não é tabelado ou
específico de nenhum método antes realizado, determinamos o valor de 10g de
café apenas para fins acadêmicos. A alteração deste valor para mais ou para
menos apenas alterará a concentração final do extrato obtido. O valor pesado
foi de 10,05g.
Em seguida transferimos o café pesado para o filtro de fibra.
O filtro de fibra foi inserido dentro de seu devido compartimento dentro do
soxhlet.
Adicionamos uma quantidade que consideramos ideal para o devido
funcionamento do equipamento dentro do balão de fundo redondo. O Volume
de água adicionado não é mencionado em nenhum método anterior ou
procedimento. Adotamos o valor de 200mL pois o equipamento atua de tal
maneira que é necessário um certo volume para que o mesmo possa percorrer
o sifão que existe no soxhlet, avaliamos o valor aproximado de 200mL para que
isso pudesse acontecer.
Com tudo posto em seu devido lugar, abrimos a torneira para que o processo
de resfriamento tivesse início. A manta de aquecimento foi ligada em seguida
aquecendo a água no interior do balão. De maneira rápida para fácil
entendimento o processo ocorre com a evaporação da água presente no balão
que percorrendo o soxhlet e sendo condensada pela água que circula da
torneira, como a água que circula está mais fria do que a água evaporada,
existe uma troca de calor entre as duas que acaba resultando na condensação
do vapor, que retorna ao estado líquido, dirigindo-se ao compartimento onde
estava armazenado o café. Desta forma o vapor condensado vai se
concentrando no compartimento até que atinja o nível necessário para que o
sifão pudesse efetuar a devida evacuação do compartimento enviando todo o
extrato de volta a fase inicial para dentro do balão, onde o processo tem início
novamente, porém desta vez contendo uma parte do extrato que já circulou
anteriormente.
O procedimento teve um tempo total de 2h e este tempo foi suficiente para o
completo esvaziamento de dois sifões de extrato e mais uma quantidade que
foi preciso ser removida manualmente para o balão.
Ao termino do processo de extração, pesamos o valor de café presente dentro
do filtro, e medimos o volume de extrato obtido, obtendo os seguintes valores:
Café pesado após o processo: 12g
Volume de extrato: 180mL
4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

Para o correto cálculo dos valores de balanço de massa e energia foi


necessário conhecer a quantidade de calor fornecida pela manta de
aquecimento, para isso no primeiro momento medimos a vazão que iria
percorrer o soxhlet realizando a troca de calor.

Para obter a vazão, foi deixada a torneira aberta em uma posição


demarcada e em seguida com o auxilio de um cronometro medimos quanto
tempo a torneira demoraria para encher uma proveta de 100mL. Desta forma
percebemos que levou apenas 5 segundos para completar os 100mL, assim,
temos uma vazão de 20mL/s no sistema internacional por meio de uma regra
de três simples temos o valor de 0,02L/s.
Assim que obtivemos o valor correspondente a vazão, foi possível
calcular qual a quantidade de calor fornecida pela manta de aquecimento, para
isso, iniciamos o processo de aquecimento do sohxlet com 100mL de água
apenas a fim de obtermos informações para o respectivo cálculo. Desta forma
foi cronometrado quanto tempo a manta em potência máxima levaria para
aquecer a água até a sua temperatura de ebulição, então com o auxílio de um
termômetro e um cronometro tivemos que a manta levou 9 min e 27s para
elevar a temperatura da água de 23ºC para 100ºC. Levando em consideração
alguns fatores, temos as seguintes informações:
Vazão Volumétrica: 0,02L/s
Vazão Mássica: 0,02Kg/s
Temperatura de entrada da água: 23ºC
Temperatura de saída da água: 100ºC
Tempo total para o aquecimento (s): 567s
Calor específico da água: 4,18 J/gºC
Massa de água inicialmente aquecida: 100ml

Utilizando a seguinte equação para o valor da taxa calor temos:

Q=m. CP .(Tf −Ti)


Substituindo os valores que temos, ficamos com:

Q=100.4,18 .(100−23)
Realizando as devidas manipulações em relação as unidades temos:
Q=32186 J
Ou seja, a manta gastou 32186 Joules para elevar a temperatura da
água de 23ºC à 100ºC.
Para sabermos a potência, dividimos esse valor pelo tempo gasto para
que isso acontecesse. Desta forma temos:
32186 J
Q. =
567 s
Assim temos que Q. =56,76J/s

Sabendo o valor da potência da bomba, podemos calcular qual foi o


gasto total durante todo o procedimento. Para isso vamos multiplicar a potencia
pelo tempo total decorrido, no caso 1 hora de experimento, ou, no sistema
internacional 3600s. Assim, temos:
J
Qtotal=56,76 . 3600 s
s
Qtotal=204355,5 J
Ou:
Q=204,35 KJ

Para o devido balanço de energia no condensador, temos a seguinte


relação:

Q=ṁ. Cp(Tf −Ti )


Onde:

Q = Calor trocado por segundo


ṁ = Taxa mássica (0,02Kg/s)
Cp = Calor específico da água (4,18 Kj/KgºC)
Tf = Temperatura final que sai da mangueira de condensação (24ºC)
Ti = Temperatura Inicial que entra na mangueira de condensação(23ºC)

Com todos os dados em mãos temos:


Kg Kj
Q=0,02 . 4,18 ( 24−23 ) ºC
s KgºC
KJ
Com isso temos um valor de Q=0,0836
s
Decorridos 3600 segundos temos que a troca total de calor no
condensador é representada por:
KJ
Q=0,0836 . 3600 s
s
O que nos leva ao valor total de 300,96 KJ trocados durante todo o
procedimento.

As contas acima referenciam a primeira lei da termodinâmica em relação


ao balanço de energia. Para o balanço de massa devemos usar a seguinte
relação:
ṁe=ṁs
onde:
ṁe=taxa mássica da entrada
ṁs=taxa mássica da saída

Desta forma temos:

Taxa mássica da entrada:


mCafé +mSolvente . densidade
Desta forma explicando as relações temos:
mCafé = massa de café pesada inicialmente para a realização do
experimento(10,05g)
mSolvente = massa de solvente utilizada na extração, no caso, água. (200mL)
densidade = massa específica do solvente, água (1g/cm 3)

Para a taxa mássica da saída temos:


mCafé +mSolvente . densidade
Podemos observar que a equação é exatamente a mesma, porém iremos
adotar os valores obtidos no final do experimento, desta forma temos:
mCafé = massa de café pesada após todo o processo de extração (12g)
mSolvente = massa de solvente somada ao extrato no final do experimento.
(180mL)
densidade = massa específica do solvente, água (1g/cm 3)

Levando em consideração que o somatório das massas que entram no volume


de controle deve ser igual ao somatório das massas que saem, devemos
igualar ambas as equações, ficando com a seguinte equação:

1g 1g
10,05 g +200 mL . 3
=12 g +180 mL . 3
cm cm
Ao utilizarmos todos os valores nas mesmas unidades temos:
1g 1g
10,05 g +200 cm 3 . 3
=12 g+180 cm 3 . 3
cm cm
O que nos leva a equação:
210,05 g=192 g

Podemos observar que isso não é uma igualdade, porém, é um resultado


esperado, tendo em vista diversos fatores. É possível imaginar que valores
teóricos divergem de valores reais, um dos principais fatores se dá a condições
experimentais não previstas na teoria, como imprecisão de equipamentos,
variações de temperatura não desejadas e inesperadas, além de diversos
outros.
5. CONCLUSÕES

Foi possível observar que as devidas equações de balanço de energia e


balanço de massa realmente se aplicam a fatos reais sendo possível obter
valores satisfatórios para ambos os casos.
Quando é realizada de forma correta, a extração deve analisar uma série
de fatores que irão influenciar no resultado real final obtido, quando comparado
a um resultado teórico.
O fato de não termos obtidos valores de igualdade em ambas as
equações se deve muitas vezes a erros de precisão e arredondamentos
obtidos em equipamentos analíticos como balanças. E também a erros
humanos como precisão na medida volumétrica ao utilizar-se de vidrarias.
É impossível obter o valor exato obtido na teoria, pois erros mínimos
devem ser considerados, levando em consideração valores aproximados tanto
de volume quanto de massa. Desta forma levando em consideração que
nossos resultados foram muito próximos do que era esperado teoricamente, é
possível concluir que obtivemos êxito durante a realização do experimento e
interpretação dos cálculos apresentados.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Disponível em:< http://www.splabor.com.br/blog/vidraria/como-funciona-o-


extrator-de-soxhlet-saiba-mais/>. Acesso em 12/11/2019.

Disponível em:< https://pt.wikipedia.org/wiki/Caf%C3%A9>. Acesso em


12/11/2019.

Disponível em:< https://www.slideshare.net/LylaVieira/mtodo-de-extrao-por-


solvente>. Acesso em 12/11/2019.

Disponível em:<
http://www.cempeqc.iq.unesp.br/Jose_Eduardo/Blog2013/Aula_22_03/Extra
%C3%A7%C3%A3o%20com%20solventes%20BAC%202007.pdf>. Acesso em
12/11/2019.

Disponível em:<
http://www.if.ufrgs.br/tex/fis01043/20041/Melissa/semnome2.htm>. Acesso em
12/11/2019.