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TEA: Introdução,

Políticas Públicas e
Ética
Profª Drª Gabriela Fernandes Rocha
● Bases do
Desenvolvimento
Humano
TEA: Introdução, ● Conceituação de TEA
● Aprendizagem do
Políticas Públicas e Autista
● Dificuldades dos
Ética Autistas e como auxiliar
● Políticas Públicas no
Profª Drª Gabriela Fernandes Rocha TEA
● Noções de Ética para o
AT
 O desenvolvimento acontece em estágios
descontínuos;
 Progressos e regressos ao longo do tempo;
 Normalidade relativa;
Desenvolvimento  Importância de conhecer as fases do
Humano desenvolvimento;
 Estudando três teóricos:
 Sigmund Freud
 Erik Erickson
 Jean Piaget
 Sigmund FREUD
 Teoria Psicossexual;
 A força propulsora do desenvolvimento é a
libido;
Desenvolvimento
 Fases do desenvolvimento
Humano
 Oral (0 a 18 meses)
 Anal (18 meses a 3 anos)
 Fálica (4 a 5 anos)
 Genital (13 a 18 anos)
 Erik ERIKSON
 Teoria da Identidade;
 Resolução de dilemas e crises;
Desenvolvimento  Fases do desenvolvimento
Humano • Bebê • Adolescência
• Primeira infância • Adulto jovem
• Infância intermediária • Adulto
• Idade escolar • Idoso
 Jean PIAGET
 Teoria do desenvolvimento cognitivo;
 O foco é a aprendizagem na aquisição do
pensamento;
Desenvolvimento
 Fases
Humano
 Sensório motor (0 a 2 anos)
 Pré-operacional (2 a 6 anos)
 Operacional concreto (7 a 12 anos)
 Operacional formal (12 anos em diante)
 A partir do DSM-5 (2013), todos os distúrbios
do autismo, incluindo o transtorno autista,
transtorno desintegrativo da infância,
Síndrome de Asperger, fundiram-se em um
Conceituação de único diagnóstico chamado Transtorno do
TEA Espectro Autista – TEA;
 O TEA é uma condição geral para um grupo
de desordens complexas do desenvolvimento
do cérebro.
 O TEA é uma condição geral para um grupo
de desordens complexas do desenvolvimento
do cérebro;
 Esses distúrbios se caracterizam por:
Conceituação de  Déficits persistentes na comunicação
TEA social e na interação social em múltiplos
contextos;
 Padrões restritos e repetitivos de
comportamento, interesses ou
atividades.
 Embora todas as pessoas com TEA partilhem
essas dificuldades, o seu estado irá afetá-las
com intensidades (grau) diferentes;
Conceituação de
 Essas diferenças podem existir desde o
TEA nascimento e serem óbvias para todos; ou
podem ser mais sutis e tornarem-se mais
visíveis ao longo do desenvolvimento.
Interação Social
Socialmente Interação social Tolera as Interessado nas
inconsciente limitada interações sociais interações sociais

Brincadeiras Prefere Brincadeiras Brincadeiras


exclusivamente brincadeiras paralelas associativas
Conceituação de solitárias solitárias

TEA Comunicação
Sem sistema de Linguagem Sistema Sistema
linguagem limitada lingüístico lingüístico
idiossincrático gramatical

Não verbal Ecolalia Responde se Espontâneo e nos


prevalente abordado dois sentidos
O autismo é uma condição
Conceituação de permanente, a criança nasce
TEA com autismo e torna-se um
adulto com autismo.
 Crianças que estão no espectro do autismo
não aprendem de forma convencional –
vendo e repetindo comportamentos usuais e
palavras simples sem serem formalmente
ensinados – como acontece normalmente;
Aprendizagem do
Autista
Imitação Contexto
 “A criança com transtorno autista precisa ser
estimulada e o aprendizado vem via
repetição”.
 Preferência e potencial para processar
informações visuais;
 Atenção dirigida a detalhes, mas dificuldade
para compreender a relação entre estes
detalhes (parte/todo);
Aprendizagem do  Dificuldade para combinar ideias;
Autista  Dificuldade com a atenção focada e dirigida;
 Dificuldades comunicativas;
 Tendência em se manter em rotinas;
 Interesses restritos;
 Preferências ou repulsas sensoriais.
Empatia
Conceitos
Abstratos

Exemplos fora
da realidade
Dificuldades pessoal

Compreensão e
 Suposições uso de
metáforas
 Com rotinas estabelecidas, antecipações e
estratégias de flexibilizações das mesmas;
 Com conteúdos que podem ser aprendidos
Como podemos visualmente;
ajudar  Com memorização;
 Selecionando estímulos que podem ser
processados de forma irregular.
 Visualizando estímulos;
 Em sequências organizadas;
Como podemos  Por níveis de complexidade;
ajudar  Mediante a necessidade;
 Por meio de regularidade, intensidade e
frequência nas tarefas.
 EVITANDO...
 Exigências excessivas;
 Alteração na rotina;
 Barulho excessivo;
Como podemos  Excesso de estimulação;
ajudar
 Ser impedindo de finalizar rituais;
 Incerteza, espera;
 Viagem;
 Conflito.
 Lei nº 12.764, que “Institui a Política Nacional
de Proteção dos Direitos da Pessoa com
Transtorno do Espectro Autista”;
Políticas Públicas
no TEA
 Lei nº 6.193, de 31/07/18, que acrescentou a
pessoa com Transtorno do Espectro Autista
na relação de prioridade de atendimento.
 Lei nº 12.764 - Política Nacional de Proteção
dos Direitos da Pessoa com Transtorno do
Espectro Autista

 Art. 1º Esta Lei institui a Política Nacional de


Políticas Públicas Proteção dos Direitos da Pessoa com
Transtorno do Espectro Autista e estabelece
no TEA diretrizes para sua consecução.
 § 1º Para os efeitos desta Lei, é considerada
pessoa com transtorno do espectro autista
aquela portadora de síndrome clínica
caracterizada na forma dos seguintes incisos
I ou II:
 I - deficiência persistente e clinicamente
significativa da comunicação e da interação
sociais, manifestada por deficiência
marcada de comunicação verbal e não
verbal usada para interação social; ausência
de reciprocidade social; falência em
desenvolver e manter relações apropriadas
Políticas Públicas ao seu nível de desenvolvimento;
no TEA  II - padrões restritivos e repetitivos de
comportamentos, interesses e atividades,
manifestados por comportamentos
motores ou verbais estereotipados ou por
comportamentos sensoriais incomuns;
excessiva aderência a rotinas e padrões de
comportamento ritualizados; interesses
restritos e fixos.
 Art. 2º São diretrizes da Política Nacional de
Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do
Espectro Autista:
 I - a intersetorialidade no desenvolvimento das
ações e das políticas e no atendimento à pessoa
com transtorno do espectro autista;
Políticas Públicas  II - a participação da comunidade na formulação de
no TEA políticas públicas voltadas para as pessoas com
transtorno do espectro autista e o controle social da
sua implantação, acompanhamento e avaliação;
 III - a atenção integral às necessidades de saúde da
pessoa com transtorno do espectro autista,
objetivando o diagnóstico precoce, o atendimento
multiprofissional e o acesso a medicamentos e
nutrientes;
 V - o estímulo à inserção da pessoa com transtorno
do espectro autista no mercado de trabalho,
observadas as peculiaridades da deficiência;
 VI - a responsabilidade do poder público quanto à
informação pública relativa ao transtorno e suas
implicações;
Políticas Públicas  VII - o incentivo à formação e à capacitação de
no TEA profissionais especializados no atendimento à
pessoa com transtorno do espectro autista, bem
como a pais e responsáveis;
 VIII - o estímulo à pesquisa científica, com
prioridade para estudos epidemiológicos tendentes
a dimensionar a magnitude e as características do
problema relativo ao transtorno do espectro autista
no País.
 Art. 3º São direitos da pessoa com transtorno do
espectro autista:
 I - a vida digna, a integridade física e moral, o livre
desenvolvimento da personalidade, a segurança e o
lazer;
 II - a proteção contra qualquer forma de abuso e
exploração;
Políticas Públicas
 III - o acesso a ações e serviços de saúde, com vistas à
no TEA atenção integral às suas necessidades de saúde,
incluindo:
 a) o diagnóstico precoce, ainda que não definitivo;
 b) o atendimento multiprofissional;
 c) a nutrição adequada e a terapia nutricional;
 d) os medicamentos;
 e) informações que auxiliem no diagnóstico e no
tratamento;
 IV - o acesso:
 a) à educação e ao ensino profissionalizante;
 b) à moradia, inclusive à residência protegida;
Políticas Públicas  c) ao mercado de trabalho;
no TEA  d) à previdência social e à assistência social;
 Parágrafo único. Em casos de comprovada
necessidade, a pessoa com transtorno do espectro
autista incluída nas classes comuns de ensino
regular, nos termos do inciso IV do art. 2º , terá
direito a acompanhante especializado.
 Art. 3º-A. É criada a Carteira de Identificação da Pessoa
com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea), com vistas
a garantir atenção integral, pronto atendimento e
prioridade no atendimento e no acesso aos serviços
públicos e privados, em especial nas áreas de saúde,
educação e assistência social; (Incluído pela Lei nº
Políticas Públicas 13.977, de 2020)
no TEA  § 1º A Ciptea será expedida pelos órgãos responsáveis
pela execução da Política Nacional de Proteção dos
Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios,
mediante requerimento, acompanhado de relatório
médico, com indicação do código da Classificação
Estatística Internacional de Doenças e Problemas
Relacionados à Saúde (CID).
 Art. 4º A pessoa com transtorno do espectro autista não
será submetida a tratamento desumano ou degradante,
não será privada de sua liberdade ou do convívio familiar
nem sofrerá discriminação por motivo da deficiência;
 Art. 5º A pessoa com transtorno do espectro autista não
será impedida de participar de planos privados de
Políticas Públicas assistência à saúde em razão de sua condição de pessoa
com deficiência;
no TEA
 Art. 6º (VETADO);
 Art. 7º O gestor escolar, ou autoridade competente, que
recusar a matrícula de aluno com transtorno do espectro
autista, ou qualquer outro tipo de deficiência, será
punido com multa de 3 (três) a 20 (vinte) salários-
mínimos.
 Lei nº 6.193, de 31/07/18, que acrescentou a pessoa com
Transtorno do Espectro Autista na relação de prioridade
de atendimento.
 Dispõe sobre a prioridade de atendimento às gestantes,
às lactantes, às pessoas acompanhadas de criança no
colo, aos idosos com idade igual ou superior a 60 anos,
às pessoas com deficiência, às pessoas com obesidade
Políticas Públicas grave ou mórbida, às pessoas que se submetem à
no TEA hemodiálise e às pessoas portadoras de neoplasia
maligna;
 Art. 1º O art. 1º da Lei nº 4.027, de 16 de outubro de
2007, passa a vigorar acrescido do seguinte § 2º,
renumerando-se para § 1º o atual parágrafo único:
 § 2º A pessoa com Transtorno do Espectro Autista é
considerada como pessoa com deficiência, sendo
amparada pelo atendimento prioritário.
Saúde Assistência

Políticas
Políticas Públicas
Educação Trabalho
no TEA

 São insuficientes;
 Capacitação dos Profissionais;
 Crianças, Adolescentes, Jovens e Adultos.
 “Toda clínica é social, e toda política diz
respeito à vida subjetiva de cada indivíduo”
(Benilton Bezerra, 1999);
 A singularidade do sujeito só pode surgir e
ser experimentada no campo das relações
sociais, com outros sujeitos;
Ética:
 O AT é um dispositivo cuja especificidade
Introdução está no fato de ocorrer na cidade, na rua, na
casa do paciente, na escola, em seu
cotidiano, fora dos contextos institucionais
de tratamento e que tem como objetivo a
construção de projetos de vida viáveis aos
pacientes.
 O que é ÉTICA?
 “Princípios que motivam, disciplinam ou
orientam o comportamento humano,
refletindo a respeito da essência das normas,
Ética: valores, prescrições e exortações presentes
Introdução em qualquer realidade social”;
 “Conjunto de regras e preceitos de ordem
valorativa e moral de um indivíduo, de um
grupo social ou de uma sociedade”.
 O papel do acompanhante, a rigor, é auxiliar
as crianças com dificuldades severas, como o
autismo, atuando como mediador e
facilitador do processo de inclusão (Barros &
Ética no Brandão, 2011);
Ambiente  Como o AT deve se portar no ambiente
escolar?
Escolar
 Como contribuir nessa inclusão?
 Pode intervir nas relações?
 Pode intervir na relação com a professora?
 Kupfer (1997) aponta que a intenção com
esse processo é aproveitar o potencial
terapêutico que está presente em todo ato
educativo voltado para o sujeito;
Ética no  O trabalho do acompanhante terapêutico
Ambiente escolar se dá sobre uma criança com
dificuldades de diversas ordens,
Escolar principalmente simbólicas, e se orienta para
a emergência, retomada e fortalecimento do
sujeito;
 De que forma esse fortalecimento?
 Um caso: Assumindo uma função de
presença ativa na escola, ocupando o lugar
de intérprete e tradutor das diversas
linguagens (da criança, da escola, da família),
a acompanhante percebia que Tiago
Ética no começava a utilizar mais frases que pareciam
expressar algo que ele desejava comunicar;
Ambiente
 Fortalecimento das vontades e do querer de
Escolar Tiago;
 Uso da linguagem de outros: quando a
interação com os colegas se tornava difícil,
ele passava a utilizar "agora eu não posso,
Lary!".
 O acompanhante trabalha em um lugar do
"entre": entre a criança e as outras crianças,
"entre" a criança e o professor, "entre" a
criança e a escola e, em alguns casos, "entre"
Ética no a criança e a família;
Ambiente  Busca-se ajudar a criança a permanecer na
sala, convidando-a incessantemente para as
Escolar atividades propostas, aproveitando e
significando as suas iniciativas, envolvendo-a
em um contexto social e educacional;
 Regras e rotina.
 Trabalho multidisciplinar;
 Próximo da informalidade;
 Papel importante na aquisição das AVD´s
Ética no juntamente com os TO´s;
Ambiente  Como o AT deve se portar no ambiente
Domiciliar domiciliar?
 Pode intervir nas relações?
 Pode intervir na relação com a professora?
 Como não há código de ética específico,
precisamos considerar uma questão chave
que pode nortear a postura ética:

Ética do AT Os AT´s são considerados MODELOS DE


IDENTIFICAÇÃO

 Quais as consequências disso?


 Pensamos na ética a partir do nosso
comportamento, nossa postura, nossos
atos...
Ética do AT
 E o sigilo???
 SIGILO PROFISSIONAL

 Art. 6º - Compartilhará somente informações


relevantes para qualificar o serviço prestado,
Código de resguardando o caráter confidencial das
comunicações, assinalando a
Ética do responsabilidade, de quem as receber, de
preservar o sigilo;
Psicólogo
 Art. 9º - É dever do psicólogo respeitar o
sigilo profissional a fim de proteger, por meio
da confidencialidade, a intimidade das
pessoas, grupos ou organizações, a que
tenha acesso no exercício profissional;
 SIGILO PROFISSIONAL

 Art. 10º - Nas situações em que se configure


Código de conflito entre as exigências decorrentes do
Ética do disposto no Art. 9º e as afirmações dos
princípios fundamentais deste Código,
Psicólogo excetuando-se os casos previstos em lei, o
psicólogo poderá decidir pela quebra de
sigilo, baseando sua decisão na busca do
menor prejuízo;
 SIGILO PROFISSIONAL

Código de  Parágrafo único – Em caso de quebra do


Ética do sigilo previsto no caput deste artigo, o
Psicólogo psicólogo deverá restringir-se a prestar as
informações estritamente necessárias.
Obrigada!
 Contato:
 profgabrielafernandespsi@gmail.com

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