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MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO SEMI-ÁRIDO - UFERSA

CENTRO MULTIDISCIPLINAR DE PAU DOS FERROS - CMPF

BACHARELADO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA

DICIPLINA FILOSOFIA DA CIÊNCIA

DOCENTE: CLAUDIO DE SOUZA ROCHA

SEMESTRE 2021.1

FICHA DE LEITURA TEMÁTICA DO CAPÍTULO 3 DO LIVRO “O QUE É


CIÊNCIA, AFINAL?”. CAPÍTULO 3 - A DEPENDÊNCIA QUE A
OBSERVAÇÃO TEM DA TEORIA.

PAU DOS FERROS – RN

2021

CAPÍTULO 3 - A DEPENDÊNCIA QUE A OBSERVAÇÃO TEM DA TEORIA.


Alan Francis Chalmers, nasceu em 1939 em Bristol na Inglaterra. Obteve licenciatura
em física na Universidade de Bristol e mestrado em física pela Universidade de
Manchester. Aos 32 anos mudou-se para Austrália, onde trabalhou por alguns anos na
Universidade de Sydney. Seu interesse de pesquisa primária é a filosofia da ciência e ele
é autor do livro best-seller que foi traduzido para muitas línguas. Autor do livro “O que
é ciência, afinal?”, que teve sua primeira edição em 1976, que desde então é
considerado uma das melhoras introduções à filosofia da ciência. Diante isso, o
fichamento de leitura temática aqui presente, busca apresentar comentários sobre o
capítulo 3 desta obra, no qual o autor mostra a ciência como algo obtido através de
observações, desenvolvendo objeções indutivistas e criticas das suposições do
indutivismo ao papel da própria observação.

CITAÇÃO COMENTÁRIO
“Dois pontos são fortemente sugeridos No trecho o autor nos mostra que a visão
pelo esboço que se segue da observação é o principal instrumento de acesso para
via sentido da visão, que são pontos- observação. Todos os fatores e
chave para o indutivista. O primeiro é propriedades advindas externamente
que um observador humano tem acesso serão gravadas pelo cérebro, ou seja, esse
mais ou menos direto a algumas experimento é a base da qual as leis e
propriedades do mundo externo à medida teorias geram o conhecimento científico.
que essas propriedades são registradas
pelo cérebro no ato da visão. O segundo é
que dois observadores normais vendo o
mesmo objeto ou cena do mesmo lugar
“verão” a mesma coisa. Uma combinação
idêntica de raios de luz vai atingir o olho
de cada observador, vai ser focada em
suas retinas normais pelas suas lentes
normais e produzirá imagens similares.”.
(p.48)
“Dois observadores normais vendo o Neste fragmento, o autor faz uso de uma
mesmo objeto do mesmo lugar sob as figura geométrica como exemplo para
mesmas circunstâncias físicas não têm nos mostrar que mais de um observador
necessariamente experiências visuais normal não tem a mesma experiencia
idênticas, mesmo considerando-se que as visual. As preposições de observação
imagens em suas respectivas retinas presumem a formação de teorias e
possam ser virtualmente idênticas. Há um afirmações, moldando assim, o raciocínio
importante sentido no qual os dois indutivo como também dedutivo.
observadores não “vêem”
necessariamente a mesma coisa. Como
diz N. R. Hanson, “Há mais coisas no ato
de enxergar que o que chega aos olhos”
Alguns exemplos simples ilustrarão isto.
A maioria de nós, ao olhar pela primeira
vez a Figura 3, vê o desenho de uma
escada com a superfície superior dos
degraus visível.”. (p.49)
“Presumo que a natureza das imagens O autor Chalmers, considera que todas as
formadas nas retinas dos observadores preposições de observações são sujeitas a
seja relativamente independente de sua falhas tanto quanto as teorias, pois isso
cultura. Além disso, parece seguir-se que tudo é apenas um conjunto de princípios
as experiências perceptivas que os fundamentais da ciência. O que fazem
observadores têm no ato de ver não são delas bases não confiáveis para leis e
determinadas unicamente pelas imagens teorias, mas para defender seu ponto de
sobre suas retinas. Este ponto foi vista, o autor nos dá inúmeros exemplos,
colocado e ilustrado com vários mas isso também depende de todos os
exemplos por Hanson(¹¹). O que um fatores pessoais e subjetivos.
observador vê, isto é, a experiência visual
que um observador tem ao ver um objeto,
depende em parte de sua experiência
passada, de seu conhecimento e de suas
expectativas.”. (p.50)
“Essas experiências não são dadas como Nesse trecho o autor nos mostra que as
únicas e imutáveis mas variam com as imagens em nossas retinas são a
expectativas e conhecimento do explicação do que vemos, porém elas
observador. O que é dado unicamente nem sempre são as únicas causas. Muito
pela situação física é a imagem sobre a do que vemos é decorrência da nossa
retina de um observador, mas um mente, enxergamos o que queremos ver,
observador não tem contato perceptivo parte disso tem muito haver com nossa a
direto com essa imagem. Quando o cultura, costumes, expectativas e variação
indutivista ingênuo e muitos outros de humor. Mesmo assim, ainda existe
empiristas supõem que algo único nos é uma instabilidade no que vemos, a nossa
dado pela experiência e que pode ser mente não é tão sensível tornando a
interpretado de várias maneiras, eles ciência impossível, nossos argumentos
estão supondo, sem argumento e a são baseados no nosso mundo físico,
despeito de muitas provas em contrário, todas as nossas experiencias através da
alguma correspondência entre as imagens observação são diferentes, porém vemos
sobre nossas retinas e as experiências as mesmas coisas. .
subjetivas que temos quando vemos.”.
(p.52)
“Podemos supor que experiências O autor explana que as bases da ciência
perceptivas de algum tipo são para os indutivistas não são as
diretamente acessíveis a um observador, experiencia das concepções individuais,
mas proposições de observação mas sim, premissas de observações
certamente não o são. Estas são entidades públicas. Todas as preposições indutivas
públicas, formuladas numa linguagem e dedutivas, envolvem as afirmações e
pública, envolvendo teorias de vários não as experiencias de visão. Quando
graus de generalidade e sofisticação. conseguimos considerar as observações
Uma vez que a atenção é focada sobre as como base segura para ciência, vemos
proposições de observação como que ao contrario das preposições que os
formando a base segura alegada para a indutivistas mostram, as teorias de
ciência, pode-se ver que, contrariamente observação também estão sujeitas a
à reivindicação do indutivista, algum tipo falhas.
de teoria deve preceder todas as
proposições de observação e elas são tão
sujeitas a falhas quanto as teorias que
pressupõem.”. (p. 54)

REFERÊNCIA: CHALMERS, A.F. O que é ciência, afinal? São Paulo, Brasiliense,


1993.

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