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GercinaGercinaGercinaGercinaGercina ¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela BorÈmBorÈmBorÈmBorÈmBorÈm LimaLimaLimaLimaLima

Professora da Escola de CiÍncia da InformaÁ„o da UFMG. Mestre em Library and Information Science pela Clark Atlanta University, EUA. Doutoranda no Programa de PÛs-GraduaÁ„o em CiÍncia da InformaÁ„o da Escola de CiÍncia da InformaÁ„o da UFMG. E-mail: glima@eci.ufmg.br Site: www.eci.ufmg.br/glima

Resumo

Estudo panor‚mico sobre aspectos da ciÍncia da informaÁ„o (CI) e da ciÍncia cognitiva (CC), apontando recentes contribuiÁıes em quatro de suas possÌveis interseÁıes:

categorizaÁ„o, indexaÁ„o, recuperaÁ„o da informaÁ„o (RI) e interaÁ„o homem-computador.

Palavras-chave

CiÍncia da informaÁ„o; CiÍncia cognitiva; Processamento da informaÁ„o; CategorizaÁ„o; IndexaÁ„o; RecuperaÁ„o da informaÁ„o; InteraÁ„o homem-computador.

Interfaces between information science and cognitive science

Abstract

Panoramic study on aspects of Information Science (IS) and Cognitive Science (CS), showing recent contributions in four possible intersections: Categorization, Indexing, Information Retrieval (IR) and Man-Computer Interaction.

Keywords

Information science; Cognitive science; Information processing; Categorization; Indexing; Information retrieval; Man-computer interaction.

Ci. Inf., BrasÌlia, v. 32, n. 1, p. 77-87, jan./abr. 2003

INTRINTRINTRINTRINTRODU«ODU«ODU«ODU«ODU« OOOOO

Existe um consenso entre os estudiosos sobre a excepcional contribuiÁ„o que a ciÍncia cognitiva (CC) poderia dar no processo de representaÁ„o e posterior recuperaÁ„o da informaÁ„o (RI), dentro do campo da ciÍncia da informaÁ„o (CI). O ponto central destacado por eles tem sido o conhecimento prÈvio do usu·rio que busca e utiliza a informaÁ„o, especialmente na sua interaÁ„o com o sistema informacional, e como o cÈrebro processa esta informaÁ„o. O presente trabalho apresenta alguns aspectos da CI e da CC, apontando suas interseÁıes e possÌveis contribuiÁıes no processamento da informaÁ„o e na RI, nos quais o ser humano atua como intermedi·rio.

DEFINI«’ESDEFINI«’ESDEFINI«’ESDEFINI«’ESDEFINI«’ES

S„o in˙meros e diferenciados os aportes conceituais e

as definiÁıes que apresentam a ciÍncia da informaÁ„o.

Diversos autores apontam caracterÌsticas da CI voltadas ao armazenamento, gest„o e disseminaÁ„o da informaÁ„o. Outros ressaltam suas estreitas ligaÁıes com

a tecnologia, e h· outros que destacam sua vinculaÁ„o

aos sistemas de informaÁ„o e aos processos comunicacionais, o que reflete seu inerente aspecto interdisciplinar. Para ilustrar a diversidade de percepÁıes sobre CI, Silva (1999, p. 105) apresenta um esquema

constituÌdo de pontos de vista de especialistas de ·reas diversas, n„o enfocando os objetos de estudos que lhes s„o afetos, mas, sobretudo, sua caracterizaÁ„o como campo autÙnomo constante do universo da ciÍncia.

N„o se pretende, aqui, aprofundar os conceitos dos quais emergem todas essas definiÁıes, mas apresentar apenas trÍs definiÁıes que se adequam aos objetivos desse estudo

ñ enunciadas por Borko, Foskett e Saracevic ñ e que caracterizam a CI enquanto campo de conhecimento que trata da informaÁ„o cientÌfica e social.

A CI, como um campo autÙnomo, surgiu no inÌcio dos

anos 60. Nessa Època, Borko (1968, p.3) a descreveu como:

ìuma disciplina que investiga as propriedades e o comportamento da informaÁ„o, as forÁas que governam seu fluxo, e os meio de process·-la para otimizar sua acessibilidade e uso. A CI est· ligada ao corpo de conhecimentos

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GercinaGercinaGercinaGercinaGercina ¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela BorÈmBorÈmBorÈmBorÈmBorÈm LimaLimaLimaLimaLima

relativos ‡ origem, coleta, organizaÁ„o, armazenagem,

recuperaÁ„o, interpretaÁ„o, transmiss„o, transformaÁ„o e uso

Ela tem tanto um componente de ciÍncia

pura, atravÈs de pesquisa dos fundamentos, sem atentar para sua aplicaÁ„o, quanto um componente de ciÍncia aplicada, ao desenvolver produtos e serviÁos.î

de informaÁ„o

avaliaÁ„o dos sistemas de RI; economia, impacto e valor da informaÁ„o, entre outros. AlÈm disso, o desenvolvimento epistemolÛgico da CI propiciou e influenciou a emergÍncia e a evoluÁ„o da ind˙stria informacional, a partir do pragmatismo observado na aplicaÁ„o empresarial da RI.

Foskett (1980, p.64), privilegiando a CI no aspecto de sua inserÁ„o nos campos das ciÍncia, diz que È

ìuma disciplina que surge de uma ¥fertilizaÁ„o cruzada¥ de idÈias que incluem a velha arte da biblioteconomia, a nova arte da computaÁ„o, as artes dos novos meios de comunicaÁ„o e aquelas ciÍncias como psicologia e ling¸Ìstica que, em suas formas modernas, tÍm a ver diretamente com todos os problemas da comunicaÁ„o ñ a transferÍncia do conhecimento organizadoî.

Um dos mais importantes teÛricos da ·rea, Saracevic (1996, p.47), aponta que

ìa ciÍncia da informaÁ„o È um campo dedicado ‡s questıes cientÌficas e ‡ pr·tica profissional voltadas para os problemas de efetiva comunicaÁ„o do conhecimento e de seus registros entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das necessidades de informaÁ„o. No tratamento destas questıes s„o consideradas de particular interesse as vantagens das modernas tecnologias informacionaisî.

A definiÁ„o de Saracevic, a mais recente das trÍs, mostra

que a CI evoluiu e que, alÈm de conter no seu n˙cleo a

recuperaÁ„o da informaÁ„o (RI) como causa de seu surgimento, relaciona-se tambÈm aos processos da comunicaÁ„o humana.

A CI apareceu como uma nova ·rea do conhecimento a

partir da revoluÁ„o tÈcnico-cientÌfica posterior ‡ II Guerra

Mundial. O grande volume de informaÁıes gerado no crescente n˙mero de ·reas do conhecimento passou a

demandar um nÌvel maior de organizaÁ„o informacional. As questıes relativas ‡ RI desencadearam a busca da construÁ„o de um edifÌcio teÛrico, empÌrico e pr·tico no qual se pudesse abrigar a CI (Saracevic, 1996, p. 45). S„o exemplos desse progresso a evoluÁ„o de sistemas, tÈcnicas e m·quinas para recuperaÁ„o de informaÁ„o, assim como os estudos teÛricos e experimentais sobre a natureza da informaÁ„o; a estrutura do conhecimento e seus registros; os usu·rios da informaÁ„o; o comportamento humano diante da informaÁ„o e sua utilizaÁ„o; a interaÁ„o homem-computador * ; a utilidade

e obsolescÍncia da informaÁ„o; medidas e mÈtodos de

* O termo ìinteraÁ„o homem-computadorî tem sido traduzido para o portuguÍs tambÈm como ìinteraÁ„o homem-m·quinaî.

A

CI, nascida formalmente em 1962 em uma reuni„o

do

Georgia Institute of Tecnology, preocupava-se com

as

propriedades e comportamento da informaÁ„o, com

as

forÁas que governam seu fluxo e com os meios de

process·-la para facilitar seu acesso e uso. Tentavam

as propriedades da informaÁ„o pela aplicaÁ„o

da teoria da informaÁ„o, da teoria das decisıes e outros construtos da ciÍncia cognitiva, da lÛgica e/ou da filosofia; (Saracevic, 1996, p. 46).

formalizar ì

î

Nos anos 70, com o deslocamento do paradigma da RI

em direÁ„o ao usu·rio e suas interaÁıes, a CI buscou imprimir maior sistematicidade aos conhecimentos produzidos, tendo estabelecido um conjunto de princÌpios fundamentais que possibilitassem o estudo dos processos de comunicaÁ„o e sistemas de informaÁ„o

e, a partir daÌ, a construÁ„o de sua teoria.

Nos anos 80, a ·rea de administraÁ„o foi incluÌda como parte fundamental da CI. Nos anos 90, enquanto campo

do conhecimento dedicado a questıes cientÌficas e ‡

pr·tica profissional, a CI passa a enfocar (1) a efetividade

da comunicaÁ„o do conhecimento e sua representaÁ„o

entre os seres humanos, (2) o uso e a necessidade de informaÁ„o e (3) as tecnologias da informaÁ„o.

A

revis„o da literatura sobre CI mostra que ainda n„o

um paradigma, para essa ·rea, que seja consensual,

hegemÙnico e que defina seus limites. V·rios especialistas da ·rea divergem sobre esta quest„o, deixando transparecer a utÛpica tarefa de enquadrar a

CI

dentro de critÈrios e padrıes vigentes que satisfaÁam

os

c‚nones cientÌficos. Considerando o modelo de

evoluÁ„o da ciÍncia segundo Kuhn (1992) * , os autores EugÍnio, FranÁa & Perez (1996, p.34) concluem queì a ciÍncia da informaÁ„o ainda se comporta como uma ciÍncia

imatura em busca de um paradigma que dÍ sustentaÁ„o e abra os horizontes para o estudo e pesquisa nesta ·rea.î Christov„o (1995, p.30) fala sobre a dificuldade de

integraÁ„o da CI com as demais ciÍncias: ì

lugar onde se possa enquadrar a ciÍncia da informaÁ„o no

n„o

atual quadro da ciÍncia ou ciÍncias. Ou a ciÍncia da

* KUHN, T.S. A estrutura das revoluÁıes cientÌfÌcas. 3 ed. S„o Paulo:

Perspectiva, 1992.

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InterfacesInterfacesInterfacesInterfacesInterfaces entreentreentreentreentre aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia dadadadada informaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„o eeeee aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia cognitivacognitivacognitivacognitivacognitiva

informaÁ„o n„o È uma ciÍncia, ou, para que venha a ser, dever„o ser modificados os atuais critÈrios de cientificidade.î

PorÈm, Santos (1997, p.39) d· indÌcios de uma nova perspectiva teÛrica que esboÁa uma ordem denominada Paradigma Emergente, no qual deixaria de fazer sentido

a distinÁ„o entre conhecimento natural e conhecimento

social e, assim, a hierarquia estabelecida pelo paradigma cientÌfico para a sua produÁ„o. Para ele, ìO paradigma emergente da CI tende a ser um conhecimento n„o dualista que supera as dicotomias atÈ ent„o familiares como natureza/ cultura; material/artificial; subjetivo/objetivo.î E complementando este pensamento, Orrico (1999, p.152) acrescenta que ì… sob essa Ûtica que se deve compreender a CI, na medida que ñ filha do sÈculo XX ñ se enquadra no novo paradigma no qual natureza-cultura-subjetivo-objetivo se misturam e se entrelaÁam.

A interdisciplinaridade inerente ‡ CI tornou-se visÌvel

pela prÛpria variedade de profissionais que atuam na ·rea, apresentando como ponto comum uma dependÍncia cada vez maior da tecnologia por profissionais diversos, como engenheiros, cientistas da informaÁ„o, ling¸istas,

cientistas da computaÁ„o, filÛsofos e outros, cujo interesse

È compreender e comunicar a informaÁ„o. A tecnologia

da informaÁ„o veio auxiliar esses profissionais trazendo

uma nova potencialidade ao trabalho de processamento

e agilidade na busca da informaÁ„o. Isso concretizou-se com o surgimento de computadores com grande capacidade de armazenamento e de grande rapidez na recuperaÁ„o da informaÁ„o.

Saracevic (1996, p.48) define quatro ciÍncias que mantÍm uma relaÁ„o estreita com a CI: a biblioteconomia, a ciÍncia da computaÁ„o, a ciÍncia cognitiva e a comunicaÁ„o (figura 1)

A biblioteconomia possui uma ligaÁ„o muito forte com

a CI, a ponto de serem consideradas ou confundidas

como um mesmo campo. A preocupaÁ„o comum È com

os problemas da efetiva utilizaÁ„o dos registros gr·ficos.

No entanto, suas v·rias diferenÁas s„o perceptÌveis: (1) seleÁ„o e forma de definiÁ„o dos problemas propostos;

(2) questıes teÛricas e modelos apresentados; (3) natureza

e grau de experimentaÁ„o, desenvolvimento empÌrico e

conhecimento pr·tico de competÍncias derivadas; (4) instrumentos e enfoques usados; (5) natureza, forÁa, dependÍncia e evoluÁ„o das relaÁıes interdisciplinares

estabelecidas.

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FIGURA 1 RelaÁıesRelaÁıesRelaÁıesRelaÁıesRelaÁıes circunvizinhascircunvizinhascircunvizinhascircunvizinhascircunvizinhas dadadadada CI:CI:CI:CI:CI: biblioteconomia,biblioteconomia,biblioteconomia,biblioteconomia,biblioteconomia, ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia cognitiva,cognitiva,cognitiva,cognitiva,cognitiva, ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia dadadadada computaÁ„ocomputaÁ„ocomputaÁ„ocomputaÁ„ocomputaÁ„o eeeee comunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„o

A ciÍncia da computaÁ„o e a CI tÍm, na base de sua
A ciÍncia da computaÁ„o e a CI tÍm, na base de sua
A ciÍncia da computaÁ„o e a CI tÍm, na base de sua
A ciÍncia da computaÁ„o e a CI tÍm, na base de sua

A ciÍncia da computaÁ„o e a CI tÍm, na base de sua relaÁ„o, a aplicaÁ„o dos computadores e da computaÁ„o na RI, nos produtos, serviÁos e redes associadas.

Saracevic (1996, p. 50) fala de suas diferenÁas: ì

ciÍncia da computaÁ„o trata de algoritmos que transformam informaÁıes, enquanto a CI trata da natureza desta informaÁ„o e sua comunicaÁ„o para uso pelos seres humanosî. Se h· diferentes pontos de vista, modelos explicativos e

paradigmas entre a CI e a ciÍncia da computaÁ„o, tambÈm existe uma ·rea de interseÁ„o entre estas duas ciÍncias que inclui um significativo componente informacional, associado ‡ representaÁ„o da informaÁ„o, sua organizaÁ„o intelectual e encadeamentos (busca e RI, qualidade, valor e uso da informaÁ„o). Alguns exemplos incluem: (1) trabalhos com sistemas inteligentes, bases de conhecimento, hipertextos e sistemas relacionados; (2) interfaces inteligentes e interaÁ„o homem-computador; (3) reutilizaÁ„o de softwares. O uso dos computadores, no campo da CI, trouxe consigo uma revoluÁ„o nessa ·rea. Para agilizar e ter maior precis„o na recuperaÁ„o da informaÁ„o, os profissionais da CI organizaram o acesso aos sistemas de informaÁ„o e se qualificaram para trabalhar com indexaÁ„o, browsing (folheio) e busca em sistemas automatizados.

[a]

As definiÁıes de ìinformaÁ„oî enquanto ìfenÙmenoî e de ìcomunicaÁ„oî enquanto ìprocessoî s„o a base da relaÁ„o entre a CI e a comunicaÁ„o enquanto ciÍncia. Dado o grau de relaÁ„o entre fenÙmeno e processo, pesquisadores das duas ciÍncias concordam que existem questıes emergentes que necessitam de uma atenÁ„o conjunta por parte dessas disciplinas. Entre os tÛpicos que j· foram estudados na interseÁ„o dos dois campos destacam-se: (1) lacunas de conhecimento; (2) colÈgios

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invisÌveis; (3) difus„o de inovaÁıes; (4) interaÁ„o humana com as tecnologias da informaÁ„o; (5) o comportamento na busca de informaÁıes; (6) teoria da informaÁ„o; (7) a teoria de sistemas; (8) a sociedade da informaÁ„o.

Outro campo que possui relaÁ„o interdisciplinar com a

CI È a ciÍncia cognitiva que, segundo Johnson-Laird * ,

citado por Saracevic (1996, p.51), tem por objetivo ì

explicar como funciona a menteî. Apesar do interesse da

CI acerca da compreens„o dos processos cognitivos, o

que se mostra mais atraente para a CC, no momento,

s„o as questıes levantadas e soluÁıes buscadas na inteligÍncia artificial (IA).

CICICICICI

NCIANCIANCIANCIANCIA COGNITIVCOGNITIVCOGNITIVCOGNITIVCOGNITIVAAAAA

De

acordo com Mey (1982), a ciÍncia cognitiva lida com

o estudo sobre o que È o conhecimento, como ele pode

ser representado e manipulado nas suas formas mais

diversas. Gardner (1996, p.19) considera-a como a ìnova ciÍncia da menteî, descrevendo-a como ìum esforÁo

contempor‚neo, com fundamentaÁ„o empÌrica, para responder a questıes epistemolÛgicas de longa data ñ principalmente aquelas relativas ‡ natureza do conhecimento, seus componentes, suas origens, seu desenvolvimento e seu emprego.î J· segundo Casti ** (1989), citado por Saracevic (1996, p. 51), a CC È

de psicologia, filosofia, antropologia,

um ì

neurofisiologia, ciÍncia da computaÁ„o e ling¸Ìstica, organizado em torno do uso do computador enquanto ferramenta capaz de extrair os segredos da menteî. A CC apresentou grande

desenvolvimento na ˙ltima dÈcada, situando-se entre os mais novos campos interdisciplinares do conhecimento.

A raz„o para isto È que ela tem encontrado alternativas

para o estudo da mente, objeto que tem sido problematizado desde tempos remotos. AlÈm disso, os

profissionais da ·rea de CC debruÁam-se sobre estudos

e pesquisas que tÍm por objeto modelos de instrumentos

que permitam buscas relevantes nos sistemas eletrÙnicos

de informaÁ„o, especialmente na WWW. AÌ se inserem

as search engines e as diversas propostas de agentes

inteligentes que pretendem substituir os processos humanos nos trabalhos de tratamento e organizaÁ„o da informaÁ„o.

am·lgama

Pode-se afirmar que as questıes e tÛpicos que hoje s„o estudados por cientistas cognitivos tiveram inÌcio h· alguns sÈculos. Durante anos, filÛsofos enfrentaram questıes como a natureza da representaÁ„o mental,

* JOHNSON-LAIRD, P.N. The computer and the mind.: an introduction to cognitive science. Cambridge, MA: Harvard Press, 1988.

** CASTI, J. L. Paradigms lost: images of man in the mirror of science. New York: William Morrow, 1989.

buscando entender atÈ que ponto o pensamento humano seria meramente um processo humano com base na relaÁ„o entre a raz„o e o sentimento. RenÈ Descartes, citado por Gardner (1996, p.65), pode ser considerado o antecessor filosÛfico do protÛtipo da CC, no sÈculo XVII. Para Descartes * , ìA mente fica separada do corpo humano e opera independentemente dele, È uma espÈcie de entidade totalmente diferenteî, tendo como peÁa central da filosofia sua prÛpria experiÍncia. Gardner (1996), em seu livro Como a mente funciona, descreve as opiniıes de outros filÛsofos. Para John Locke, por exemplo, pode-se ter o conhecimento da existÍncia de qualquer coisa pela sensaÁ„o. George Berkeley, no entanto, acreditava na primazia do ser que experimenta, da mente que percebe, que È a ˙nica que torna possÌvel as sensaÁıes ou a concepÁ„o de idÈias. Compartilhando a opini„o de Berkeley, David Hume afirma que nÛs sÛ conhecemos a mente como conhecemos a matÈria ñ pela percepÁ„o.

O estudioso alem„o Immanuel Kant partiu do

pressuposto da individualidade do ego ñ cada indivÌduo tem sua prÛpria consciÍncia e julgamento. Jerry Fodor,

filÛsofo considerado cognitivista completo, admira a obra

de Descartes 300 anos apÛs ser escrita e enfatiza que se

pode acreditar na existÍncia de estados mentais e em sua efic·cia causal, sem acreditar que existam duas subst‚ncias ñ mente e matÈria ñ que devem de alguma forma interagir uma com a outra. Em sua abordagem, ele acredita que deve haver uma linguagem do pensamento. Se os sistemas cognitivos envolvem representaÁıes, se as operaÁıes cognitivas envolvem a manipulaÁ„o de representaÁıes simbÛlicas, ent„o estas representaÁıes devem existir em algum lugar e ser manipuladas de alguma maneira. Ainda afirma que a linguagem do pensamento deve ser um veÌculo extremamente rico para poder executar os muitos processos cognitivos ñ percepÁ„o, raciocÌnio, aprendizagem da lÌngua e de valores semelhantes ñ que os seres humanos s„o capazes de fazer.

A CC foi reconhecida oficialmente por volta de 1956, a

partir do SimpÛsio sobre Teoria da InformaÁ„o, realizado

no Massachusetts Institute of Technology, onde foram

apresentados trabalhos de estudiosos das ciÍncias humanas e da comunicaÁ„o. O psicÛlogo George Miller destacou-se com a apresentaÁ„o de um artigo em que afirmava que a capacidade da memÛria humana de curto prazo limitava-se a armazenar aproximadamente sete itens.

* Descartes, R. Meditation on first philosophy. Trad. L.J.Laf leur. Nova York, Librar y on Liberal Arts, Liberal Art Press. Obra publicada originalmente em 1641.

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InterfacesInterfacesInterfacesInterfacesInterfaces entreentreentreentreentre aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia dadadadada informaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„o eeeee aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia cognitivacognitivacognitivacognitivacognitiva

A CC cresceu a partir de trÍs pontos distintos:

ï desenvolvimento da psicologia do processamento da informaÁ„o, na qual a meta era especificar o processamento interno envolvido na percepÁ„o, linguagem, memÛria e pensamento;

ï a invenÁ„o dos computadores e as tentativas de projetar programas que pudessem fazer tarefas que as pessoas

fazem;

ï desenvolvimento da teoria da gram·tica generativa e outras derivaÁıes da ling¸Ìstica.

Durante os anos 60, comeÁaram a surgir livros e outras

publicaÁıes sobre a CC, disponibilizados principalmente a partir de estudos realizados em Harvard. Delinearam-

se ent„o, o que seriam as principais linhas de pesquisas

da cogniÁ„o, dando origem a um grupo de doze estudiosos que tinham, como objetivo comum, descobrir as habilidades representacionais e computacionais da mente e sua representaÁ„o estrutural e funcional no cÈrebro. Esses autores definiram seis campos constituintes da CC (filosofia, psicologia, ling¸Ìstica, inteligÍncia artificial, antropologia e neurociÍncia), elaborando um esquema inter-relacional, a que chamaram de hex·gono cognitivo (figura 2). A reaÁ„o da comunidade cientÌfica foi extremamente negativa a essa

proposiÁ„o, por incluir apenas os campos de interesse do grupo. Assim, nesse diagrama (Gardner, 1996, p. 50- 52), a ciÍncia da informaÁ„o n„o È considerada um campo inter-relacional com a CC, diferentemente do que foi sugerido por Saracevic (1996, p. 48), na figura 1.

A tendÍncia em seguida ‡ proposta do grupo de Harvard

foi de autores, como Saracevic, de tentar encontrar seus

prÛprios paradigmas relacionados ‡ cogniÁ„o. Em outro exemplo, Gardner (1996, p. 53) distingue cinco ìsintomasî fundamentais da CC: (a) representaÁıes e (b) computadores, considerados pelo autor como ìpressupostos centraisî, (c) desenfatizaÁ„o da emoÁ„o, do contexto, da cultura e da histÛria; (d) crenÁa em estudos interdisciplinares e (e) raÌzes em problemas filosÛficos cl·ssicos, considerados como ìaspectos metodolÛgicos ou estratÈgicosî.

O objeto de estudo da CC È a mente, com suas idÈias,

conceitos e conhecimentos. O processo cognitivo envolve atividades mentais como o pensamento, a imaginaÁ„o, a

recordaÁ„o, a soluÁ„o de problemas, a percepÁ„o, o julgamento, a aprendizagem da linguagem, entre outras, as quais ocorrem diferentemente em cada indivÌduo, dependendo do grau de habilidade de cada um.

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FIGURA 2 OOOOO hex·gonohex·gonohex·gonohex·gonohex·gono cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo eeeee seusseusseusseusseus seisseisseisseisseis camposcamposcamposcamposcampos constituintesconstituintesconstituintesconstituintesconstituintes

Linhas contÌnuas: fortes vÌnculos interdisciplinares

Linhas contÌnuas:

fortes vÌnculos interdisciplinares

Linhas tracejadas:

fracos vÌnculos interdisciplinares

FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Gardner (1996, p.52).

No Workshop Internacional sobre Ponto de Vista Cognitivo (International Workshop on the Cognitive Viewpoint) realizado na Universidade de Ghent, BÈlgica, em 1977, o principal foco de pesquisa foram os sistemas de conceitos para usu·rios da informaÁ„o. Durante o evento, Marc de Mey (1982, p.4) afirmou que ìO ponto de vista cognitivo da ciÍncia da informaÁ„o implica que cada ato de processamento da informaÁ„o, seja ele perceptivo ou simbÛlico, È mediado por um sistema de categorias e conceitos os quais, para o mecanismo de processamento da informaÁ„o, constituem um modelo de mundo. Essa afirmativa, que ganhou a forÁa de um paradigma, tem sido ostensivamente citada em v·rias pesquisas em diversos campos do conhecimento, como ciÍncia da computaÁ„o, psicologia, sociologia, inteligÍncia artificial, ling¸Ìstica e CI. Conceitualmente, o processamento da informaÁ„o estaria centrado no conhecimento baseado no modelo de mundo do indivÌduo, seja na recuperaÁ„o ou no processamento da informaÁ„o. A informaÁ„o È associada ao contexto e ‡ maneira de cada indivÌduo ver o mundo, consiste no somatÛrio de diferentes estruturas do conhecimento. Assim, todo est·gio cognitivo implica contexto, que È organizado pelo sistema conceitual da informaÁ„o.

Ainda nesse workshop, Brooks (1977) foi um dos primeiros autores a utilizar o ponto de vista cognitivo para

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desenvolver uma teoria mais significativa e de impacto para a CI. Desde 1970, os autores que estudam informaÁ„o e conhecimento, de alguma forma, falam de

ìestruturas cognitivasî e de sua ocorrÍncia no processo

de comunicaÁ„o, j· que seus dois agentes (produtor de

mensagem e receptor/usu·rio) est„o envolvidos em processos cognitivos. Segundo Mostafa & Moreira (1999,

p.2), existe uma preocupaÁ„o em estabelecer um padr„o mÌnimo representativo do modelo mental do usu·rio, a fim de aproxim·-lo do sistema. Assim, as estruturas do conhecimento podem referir-se simultaneamente ao indivÌduo e aos sistemas de informaÁ„o.

Desta forma, o problema principal da pesquisa cognitiva em CI poderia ser apresentado na seguinte quest„o: ìDe que maneira as estruturas conceituais que formam o

universo do usu·rio (enquanto processador da informaÁ„o) tÍm correspondÍncia com a estrutura conceitual que forma

o universo do sistema de recuperaÁ„o?î

A compreens„o de que o processamento da informaÁ„o

desempenhado pelo sistema simula o processamento mental que o indivÌduo faz para entender o mundo È compartilhada por v·rios autores. Ingwersen (1996, p.11) diz que ìEssencialmente, o n˙cleo deste ponto de vista È que

a percepÁ„o e a geraÁ„o da informaÁ„o s„o atos de processamento da informaÁ„oî. Brooks (1977), citado por Belkin (1990,

este ponto de vista È tal, que qualquer

sistema de comunicaÁ„o que a ciÍncia da informaÁ„o tratar

ter·, no seu inÌcio e fim,

O prÛprio Belkin (1990) afirma: ìA maneira como este

p.11), afirma queì

a ocorrÍncia do processo cognitivoî.

processo ocorre depende do modelo de mundo do agente, seja

ele ser humano ou m·quinaî. Mas, acima de todos, o ponto

de vista de Mey (1980), citado anteriormente, È que tem

sido corroborado por diversos pesquisadores cognitivistas

e utilizado como base para suas teorizaÁıes (Allen, 1991; Ingwersen, 1982; Ingwersen, 1996; Jacob & Shaw, 1998; Ellis, 1992; Daniels, 1986), cujo ponto comum tem sido

os aspectos cognitivos em relaÁ„o ao usu·rio e sua interaÁ„o com o sistema, principalmente na RI.

Garcia Marco & Esteban Navarro (1993), autores que citam a CI como parte da CC, apontam que, de maneira geral, tanto a psicologia cognitiva quanto a CI fazem parte da CC. Os dois campos estariam interessados em como a informaÁ„o produz conhecimento, como esta informaÁ„o È processada e como pode ser mais bem adaptada ‡ realidade. Um outro aspecto abordado pelos autores È que o processo psicolÛgico È que faz a mediaÁ„o no cÌrculo do processamento da informaÁ„o.

INTERSE«’ESINTERSE«’ESINTERSE«’ESINTERSE«’ESINTERSE«’ES ENTREENTREENTREENTREENTRE ASASASASAS CICICICICI

NCIASNCIASNCIASNCIASNCIAS

A partir das reflexıes empreendidas no presente estudo,

propıe-se a seguinte representaÁ„o gr·fica, que procura

sintetizar as atividades priorit·rias no processo da informaÁ„o, em que ocorrem as interseÁıes entre a CI e

a CC (figura 3) no processamento da informaÁ„o:

categorizaÁ„o, indexaÁ„o, RI e interaÁ„o homem- computador.

FIGURA 3 InterseÁıesInterseÁıesInterseÁıesInterseÁıesInterseÁıes entreentreentreentreentre aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa CCCCCCCCCC

aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa CCCCCCCCCC CACACACACATEGORIZA«TEGORIZA«TEGORIZA«TEGORIZA«TEGORIZA«

CACACACACATEGORIZA«TEGORIZA«TEGORIZA«TEGORIZA«TEGORIZA« OOOOO

Conforme foi visto, desde a Època de AristÛteles j· havia uma preocupaÁ„o com as pr·ticas de nomear, definir e categorizar. Muitos autores consideram os termos categorizaÁ„o e classificaÁ„o como sinÙnimos (Gardner, 1996; Jacob & Shaw, 1991; Smith & Medin, 1981). Nas ˙ltimas trÍs dÈcadas, com o desenvolvimento de estudos na CC, a vis„o de como categorizamos sofreu modificaÁıes. A categorizaÁ„o passou de um processo cognitivo individual a um processo cultural e social de construÁ„o da realidade, que organiza conceitos baseando-se parcialmente na psicologia do pensamento.

A informaÁ„o perceptiva È fundamental na definiÁ„o

das extensıes de uma categoria porque a categorizaÁ„o n„o È feita artificialmente, mas sim levando em conta as

informaÁıes do mundo a que pertencemos e como respondemos a elas. Na categorizaÁ„o, o reconhecimento das similaridades e diferenÁas leva ‡ criaÁ„o de um conhecimento novo, pelo agrupamento de entidades, de acordo com as similaridades e diferenÁas observadas.

Entre as definiÁıes de categorizaÁ„o que caracterizam o processo cognitivo, algumas se destacam. Para Jacob e Shaw (1998, p.155), ìCategorizaÁ„o È um processo cognitivo de dividir as experiÍncias do mundo em grupos de entidades ou categorias, para construir uma ordem fÌsica e social do mundoî. Markman

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InterfacesInterfacesInterfacesInterfacesInterfaces entreentreentreentreentre aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia dadadadada informaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„o eeeee aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia cognitivacognitivacognitivacognitivacognitiva

(1989)*, citado por Jacob &

Shaw (1998, p.155), descreve

a categorizaÁ„o como ìum

mecanismo fundamental que simplifica a interaÁ„o individual

com o ambiente: n„o somente facilitando o armazenamento e recuperaÁ„o da informaÁ„o, mas tambÈm reduzindo a demanda da memÛria humanaî. Para Piedade (1983), este È um processo mental habitual do homem, pois vivemos

automaticamente

classificando coisas e idÈias, a fim de compreender e conhecer. Finalmente, para Gardner (1996, p.373), ìas categorias tÍm uma estrutura interna, centrada em protÛtipos ou estereÛtipos, e outros exemplares s„o definidos como mais ou menos perifÈricos, dependendo do grau em que eles compartilham caracterÌsticas cruciais com o protÛtipo centralî. Para organizar

o conhecimento de qualquer ·rea, da sua representaÁ„o ‡

sua recuperaÁ„o, estudam-se primeiramente os conceitos que compıem esse campo do conhecimento e as relaÁıes entre eles. A influÍncia do contexto È t„o importante na categorizaÁ„o, que qualquer descriÁ„o individual na classificaÁ„o que o desconsidere pode mostrar-se muito limitada. Categorias e hierarquias de categorias s„o a melhor maneira de organizar o conhecimento para recuperaÁ„o, pelo Ûbvio motivo de que a informaÁ„o estruturada È mais f·cil de ser recuperada do que uma informaÁ„o desorganizada. O processo de categorizaÁ„o estaria no bojo das questıes de interesses das ·reas da CI

e da CC, no que tange ‡ estratÈgia de se classificar objetos da cogniÁ„o, como coisas, fatos e fenÙmenos.

FIGURA 4 Est·giosEst·giosEst·giosEst·giosEst·gios dododododo modelomodelomodelomodelomodelo dedededede processamentoprocessamentoprocessamentoprocessamentoprocessamento cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo dadadadada informaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„o

FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Reed (1992, p.5). O processo

FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Reed (1992, p.5).

O processo de indexaÁ„o possui trÍs etapas: (1) an·lise do documento e estabelecimento do seu assunto; (2) identificaÁ„o dos principais conceitos do documento; (3) traduÁ„o destes conceitos em termos de uma linguagem de indexaÁ„o. A an·lise cognitiva aparece na an·lise e identificaÁ„o de conte˙do do documento e no processo mental entre estÌmulo e resposta que transforma a informaÁ„o. Por isto, È importante entender como a estrutura do sistema de informaÁ„o afeta a interaÁ„o entre a an·lise do documento, a representaÁ„o do conte˙do e a recuperaÁ„o. E, como a indexaÁ„o È um processo de categorizaÁ„o, torna-se essencial considerar como a atividade do indexador e a estrutura da linguagem de indexaÁ„o determinam a formaÁ„o de categorias. As habilidades intelectuais na indexaÁ„o poderiam ser harmonizadas de uma maneira mais eficiente, se as atividades pudessem simular processos cognitivos ou percepÁıes sensoriais. Conforme Reed (1992, p.5), para interpretar o conte˙do de um documento, o indexador certamente passa por um processo cognitivo (figura 4). ApÛs serem filtrados e reconhecidos os padrıes de linguagem, ele utiliza a memÛria de curta duraÁ„o (short- term memory, ou STM) e tambÈm a memÛria de longa duraÁ„o (long-term memory, ou LTM). A informaÁ„o selecionada passa por dentro da STM, onde ela È processada e armazenada temporariamente, ou È transferida, depois, para a LTM, onde È armazenada por perÌodos de tempo maiores.

Nas duas primeiras etapas ñ (1) an·lise do documento e estabelecimento do assunto de que trata o item e (2) identificaÁ„o dos principais conceitos do documento do processo de indexaÁ„o ñ, o indexador capta os conceitos essenciais do documento, com uma compreens„o a partir de sua memÛria, refletindo o processo cognitivo.

INDEXA«INDEXA«INDEXA«INDEXA«INDEXA« OOOOO

IndexaÁ„o È o processo intelectual que envolve atividades cognitivas na compreens„o do texto e a composiÁ„o da representaÁ„o do documento. E, por ser uma atividade intelectual, pode se beneficiar particularmente de teorias

e mÈtodos da Psicologia Cognitiva e da Teoria de SoluÁıes

de Problemas (David et alii, 1995, p.49). Wellish (1995)**,

citado por Jacob & Shaw (1998, p.159), descreve indexaÁ„o como o ato de indicar ou apontar o conte˙do intelectual de uma coleÁ„o. Esta definiÁ„o mascara a

natureza cognitiva do processo de indexaÁ„o, por enfatizar

o produto fÌsico do processo, e n„o a an·lise de conte˙do.

* MARKMAN, Ellen M. Categorization and naming in children: problemas of induction. Cambridge, MA:miT Press, 1989. 250p.

** WELLISH, Hans H. Indexing from A to Z. New York, NY: Wilson,

1995.569p.

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GercinaGercinaGercinaGercinaGercina ¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela BorÈmBorÈmBorÈmBorÈmBorÈm LimaLimaLimaLimaLima

Em uma descriÁ„o mais genÈrica (Ferreira, 1986, p.445),

o termo ìconceitoî È tido como ìa representaÁ„o dum objeto

pelo pensamento, por meio de suas caracterÌsticas gerais. AÁ„o

de formular uma idÈia por meio de palavras; definiÁ„o;

Uma das maiores estudiosas da ·rea de

CI, a alem„ Dalberg (1978, p.143), define ìconceitoî

uma unidade de conhecimento, compreendendo

afirmativas verific·veis sobre um item selecionado de referÍncia,

representado por uma forma verbalî. A autora nos apresenta

o Tri‚ngulo Sem‚ntico de Ogden & Richards (1972,

p.35), que serve como modelo para construÁ„o de

conceitos em que est„o representadas as relaÁıes entre

o objeto, o conceito e termo. O processo mental do

conceito se d· mediante uma linha de pensamento que nos leva ‡ elaboraÁ„o do conhecimento, passando por um processo de assimilaÁ„o pelo nosso cÈrebro e a transformaÁ„o em informaÁ„o. ApÛs uma elaboraÁ„o mental, o conceito pode ser modificado com base no conhecimento prÈvio sobre o assunto, transformando- se, ent„o, de unidade de informaÁ„o em uma unidade conceitual com objetivo de comunicaÁ„o. O conceito pode ser expresso por sÌmbolos ou palavras que formam um termo que, geralmente, tem significado ˙nico.

como ì

caracterizaÁ„o

î.

RECUPERA«RECUPERA«RECUPERA«RECUPERA«RECUPERA« OOOOO DDDDDAAAAA INFINFINFINFINFORMA«ORMA«ORMA«ORMA«ORMA« OOOOO (RI)(RI)(RI)(RI)(RI)

O conceito de recuperaÁ„o da informaÁ„o È muitas vezes

tratado como sinÙnimo de ìbusca de informaÁ„oî, porque a necessidade de informaÁ„o È que dispara o processo de busca da informaÁ„o. Ingwersen (1982, p.167) propıe uma seq¸Íncia de nove etapas para identificar o processo mental no processo da recuperaÁ„o da informaÁ„o: (1) a necessidade de informaÁ„o do usu·rio,

(2) a quest„o sobre a informaÁ„o formulada, (3) a negociaÁ„o usu·rio-bibliotec·rio, (4) a formulaÁ„o da estratÈgia de busca ñ an·lise do tÛpico, (5) a escolha das ferramentas de busca, (6) a procura na lista alfabÈtica ou sistem·tica, (7) o julgamento baseado no Ìndice (termos), (8) o julgamento baseado na descriÁ„o, resumos e tÌtulos

e (9) a avaliaÁ„o do documento pelo usu·rio-bibliotec·rio.

Ilustrando a inferÍncia do aspecto cognitivo na RI, o autor desenvolve um fluxograma (figura 5, a seguir) para demonstrar o funcionamento do sistema de

comunicaÁ„o de uma biblioteca do ponto de vista cognitivo. Neste modelo, ele apresenta trÍs imagens do mundo, ou dos pontos de vista, onde cada uma representa uma diferente estrutura de conhecimento. Essas trÍs imagens ñ do usu·rio, do intermedi·rio (bibliotec·rio) e do gerador da informaÁ„o ñ devem estar em sintonia para que a RI se realize com sucesso.

Para Jacob & Shaw (1998, p.147), a representaÁ„o na RI envolve um processo complexo de correspondÍncia entre

o ìcampo modeladoî (modeling domain) da linguagem de

indexaÁ„o e o ìcampo de objetivos m˙ltiplosî (multiple target domain). O ìcampo modeloî inclui (1) a estrutura de conhecimento do autor do documento, (2) o conhecimento representado no documento, (3) a estrutura do conhecimento no ìcampo do discursoî (discourse domain) a que o documento pertence, (4) a compreens„o do significado da palavra pelo indexador ou pesquisador, tanto do ponto de vista do ìcampo relevanteî (relevant domain) quanto do sistema de recuperaÁ„o. Neste processo, Harbo, Ingwersen & Timmermann (1977) * , citados por Ingwersen (1982, p.169) dizem que:

ìA tarefa [de recuperaÁ„o da informaÁ„o] È trazer as estruturas cognitivas dos autores, dos designers de sistemas e dos indexadores de acordo com as estruturas do profissional que lida com a informaÁ„o e o usu·rio, para cobrir a necessidade atual.î

A organizaÁ„o da informaÁ„o (entendida como um

processo de armazenamento) e a sua recuperaÁ„o fazem

parte do mesmo processo, de tal forma que uma entrada

de dados ineficaz implicar· uma saÌda de dados tambÈm

ineficaz. Nessa comunicaÁ„o, os processos cognitivos influem tanto na entrada como na saÌda da informaÁ„o

e dependem da maneira como se d· nosso processo de abstraÁ„o mental.

Nos ˙ltimos anos, muitas pesquisas destinaram-se ao estudo e compreens„o do processo de transferÍncia da informaÁ„o na recuperaÁ„o. V·rias dessas pesquisas tÍm sido relacionadas com a interaÁ„o entre o sistema de RI

e o usu·rio, com o intuito de melhorar a eficiÍncia dos sistemas de recuperaÁ„o de informaÁ„o e os mÈtodos de indexaÁ„o. Jacob & Shaw (1998) observam que a Ínfase em sistemas amig·veis para o usu·rio, com interfaces inteligentes, caracterizam as tendÍncias de pesquisas cognitivas em ciÍncia da informaÁ„o. A abordagem cognitiva È usada na pesquisa em RI para descobrir caracterÌsticas do comportamento do usu·rio que busca

a informaÁ„o e, ent„o, reprogramar a interface homem- computador para acomodar essas caracterÌsticas (Borgman et alii, 1989, p.86).

O fluxograma elaborado por Ingwerson (1996, p.6),

mostrado na figura 6, a seguir, demonstra que um processo de comunicaÁ„o interativo ocorre entre o homem e a

* Harbo, O., Ingwersen, P., Timmermann, P. Cognitive process in informtion storage and retrieval. In: MEY. Marc de (Ed.) International Workshop on the Cognitive Viwepoint. Belgium: University of Ghent, p. 214-218, 1977.

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InterfacesInterfacesInterfacesInterfacesInterfaces entreentreentreentreentre aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia dadadadada informaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„o eeeee aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia cognitivacognitivacognitivacognitivacognitiva

FIGURA 5 EsquemaEsquemaEsquemaEsquemaEsquema dododododo sistemasistemasistemasistemasistema dedededede comunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„o dedededede bibliotecasbibliotecasbibliotecasbibliotecasbibliotecas dododododo pontopontopontopontoponto dedededede vistavistavistavistavista cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo

cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o
cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo F F F F F o n t o n t o n t o

FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Ingwersen (1982, p.171; 1984, p.469).

FIGURA 6 OOOOO sistemasistemasistemasistemasistema dedededede
FIGURA 6
OOOOO sistemasistemasistemasistemasistema dedededede comunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„ocomunicaÁ„o cognitivocognitivocognitivocognitivocognitivo paraparaparaparapara aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa RIRIRIRIRI
paraparaparaparapara aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa RIRIRIRIRI FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Ingwersen (1996, p.6). Ci.
paraparaparaparapara aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa RIRIRIRIRI FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Ingwersen (1996, p.6). Ci.
paraparaparaparapara aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa RIRIRIRIRI FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Ingwersen (1996, p.6). Ci.
paraparaparaparapara aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa RIRIRIRIRI FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Ingwersen (1996, p.6). Ci.
paraparaparaparapara aaaaa CICICICICI eeeee aaaaa RIRIRIRIRI FFFFFontontontontonte:e:e:e:e: Ingwersen (1996, p.6). Ci.

GercinaGercinaGercinaGercinaGercina ¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela¬ngela BorÈmBorÈmBorÈmBorÈmBorÈm LimaLimaLimaLimaLima

m·quina e que as mensagens enviadas pela m·quina ou pelo homem para um indivÌduo podem transformar a informaÁ„o abstrata em senso real. Entretanto, os sinais enviados pelo homem (ou pela m·quina) para a m·quina

na verdade n„o se transformam em informaÁ„o, embora

eles sejam percebidos e embutidos nas estruturas cognitivas. Estes sinais permanecem como sinais ou continuam como informaÁ„o potencial em suas estruturas

ling¸Ìsticas.

INTERA«INTERA«INTERA«INTERA«INTERA« OOOOO HOMEM-COMPUTHOMEM-COMPUTHOMEM-COMPUTHOMEM-COMPUTHOMEM-COMPUTADORADORADORADORADOR

Com o desenvolvimento da inform·tica, o modelo da

mente humana comeÁou a ser aplicado ao computador.

O cÈrebro e a mente humanos, por sua vez, tÍm sido

comparados ao disco rÌgido e softwares dos computadores:

ìO cÈrebro È somente um computador digital e a mente È somente

o programa de computadorî (Searle, 1984, p.20).

Na interseÁ„o da ciÍncia da computaÁ„o com a CI, tendo como base a aplicaÁ„o dos computadores e da computaÁ„o

na RI, destacam-se as ·reas da inteligÍncia artificial (IA)

e da interaÁ„o homem-computador. A IA busca reproduzir a atividade mental do homem em tarefas como a compreens„o da linguagem, a aprendizagem e o raciocÌnio. Essas tarefas est„o associadas ‡ CI e ‡ CC no

padr„o de representaÁ„o e nas atividades de processamento da informaÁ„o, estabelecendo limites nos modelos de construÁ„o da representaÁ„o do conhecimento.

Como visto anteriormente, s„o v·rias as conceituaÁıes

de IA. Para Minsky (1980) * , citado por Siqueira & Pereira

(1989, p.42)

ì A inteligÍncia artificial È a ciÍncia que permite fazer com que

as m·quinas realizem tarefas que necessitariam de inteligÍncia, se elas fossem efetuadas pelos homensî.

Siqueira e Pereira (1989, p.42) afirmam que

ìInteligÍncia artificial È a arte de escrever programas capazes de

exibir um comportamento inteligente

do conhecimento e est· ligada ‡ ciÍncia cognitiva, mantendo ligaÁıes privilegiadas com a lÛgica, a ling¸Ìstica, a psicologia, a

psicoling¸Ìstica, a biologia e outras ciÍnciasî.

È um ramo da engenharia

Finalmente, Gardner (1996, p.55) diz que a IA È

ì a ciÍncia construÌda em torno da simulaÁ„o computacional,

È por muitos considerada a disciplina central da ciÍncia cognitiva

e a que tem maior probabilidade de excluir, ou tornar supÈrfluos, outros campos de estudo mais antigos.î

De fato, podemos dizer que a IA È a arte e ciÍncia de programar computadores para simular a inteligÍncia humana. Atualmente, a IA est· dividida em IA fraca e IA forte. A primeira concentra-se em tÈcnicas de programaÁ„o, enquanto a IA forte est· mais preocupada com conceitos filosÛficos da mente e do conhecimento.

¿ CI interessam tanto a IA fraca quanto a IA forte.

A primeira, como fonte de inovaÁıes nos sistemas de

informaÁ„o, como os sistemas inteligentes, hipertextos, bases de conhecimento, interfaces inteligentes e questıes sobre a interaÁ„o homem-computador. A segunda, como modelo teÛrico de cogniÁ„o no qual a informaÁ„o desempenha importante papel.

Dentro do processo da recuperaÁ„o da informaÁ„o, È muito importante o sistema informacional possuir uma interface amig·vel. A abordagem cognitiva geralmente È utilizada em pesquisa na RI para descobrir caracterÌsticas cognitivas no comportamento do usu·rio que busca informaÁ„o, com objetivo de reformular a interface homem-computador e acomodar essas caracterÌsticas. Dias (1994, p.1) define interface como ìuma superfÌcie de contato com a informaÁ„o e tambÈm um envelope para o conte˙do, procurando-se adequar esta superfÌcie aos fatores humanos envolvidos no processo de contato e ‡s normas da organizaÁ„o da informaÁ„oî.

CONCLUSCONCLUSCONCLUSCONCLUSCONCLUS OOOOO

O campo da ciÍncia da informaÁ„o (CI) tem consolidado

seus pontos de vistas e valores desde que ela foi reconhecida como uma disciplina social e cientÌfica no anos 60 e, mais recentemente, como uma ·rea interdisciplinar que re˙ne a biblioteconomia, a ciÍncia cognitiva (CC), a ciÍncia da computaÁ„o e a comunicaÁ„o, com Ìntima dependÍncia dos processos da comunicaÁ„o humanos e da tecnologia no seu contexto contempor‚neo. Entretanto, os profissionais da CI ainda n„o chegaram a uma concord‚ncia quanto a um paradigma consensual, muito menos hegemÙnico nessa ·rea.

* MINSKY, M. A framework for representing knowlodge. In: HAUGELAND ed. Mind design: philosophy, psychology, Artificial Intteligence. Bradford Book,1980.

A CC, tambÈm uma ·rea nova que surgiu no anos 50,

inclui valores das ciÍncias humanas, sociais e exatas para explicar os processos mentais (LTM e STM).

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InterfacesInterfacesInterfacesInterfacesInterfaces entreentreentreentreentre aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia dadadadada informaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„oinformaÁ„o eeeee aaaaa ciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍnciaciÍncia cognitivacognitivacognitivacognitivacognitiva

Diferentemente da CI, a CC j· apresenta um paradigma bem aceito na comunidade cientÌfica. A experiÍncia acumulada, investigaÁıes e testes experimentais utilizando abordagens cognitivas na CI j· percorreram um percurso de mais de meio sÈculo.

As possibilidades apontadas neste trabalho a partir da interseÁ„o entre a CI e a CC concentram-se nos processos de (1) categorizaÁ„o, (2) indexaÁ„o, (3) recuperaÁ„o da informaÁ„o (RI) e (4) interaÁ„o homem-computador, cujo potencial tem sido validado pelo campo da inteligÍncia artificial (IA).

Artigo aceito para publicaÁ„o em 02-3-2002

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