Você está na página 1de 39

Prefácio

Sou bacharel e licenciado em Ciências Biológicas pela USP e mestre em


genética pela mesma instituição. Leciono em Universidade há 17 anos.
Este livro pretende apresentar o conteúdo de Citologia (Biologia Celular) de
maneira fácil e muito direta, ou seja, sem rodeios e com muitas ilustrações.
Nos textos constam o conteúdo que um profissional da área da saúde
deveria saber sobre Citologia.
Eu acredito que um profissional da saúde que saiba todo o conteúdo desse
livro terá os conhecimentos necessários a cerca da Citologia e tudo o que é
necessário para ser introduzido em disciplinas tais como Microbiologia,
Histologia, Anatomia, Embriologia, Genética, Biologia Molecular,
Parasitologia e Imunologia.
O livro pode ser utilizado como guia de estudo rápido quando se está
desesperado para uma prova e como introdução para o entendimento de
livros mais completos e complexos.
Querendo me contactar escreva para micropropagador@gmail.com
Não é permitida a cópia total ou parcial deste livro.
Obrigado
Índice
1.Introdução
2.Citoplasma e Citoesqueleto
3.Funções da Membrana Plasmática
4.Estrutura da Membrana Plasmática
5.O transporte através da membrana
6.Especializações de membrana
7.Organelas
8.Núcleo
9.Ciclo celular
10.Divisão celular (Mitose e Meiose)

1.Introdução

A célula é a menor unidade viva em nosso organismo, ou no organismo de


qualquer ser vivo, excetuando-se aí os vírus. Existem seres vivos que são
formados por duas ou mais células, chamados de pluricelulares e outros, são
formados por uma única célula e são chamados de unicelulares, como
protozoários, por exemplo. Existem dois tipos principais de células – a
célula bacteriana chamada também de Procarionte e os outros tipos de
células que incluem as nossas células, as dos fungos, protozoários, vermes,
animais e plantas denominadas de forma geral de células Eucariontes. Para
sobreviver, a célula precisa interagir com o ambiente que vive, realizando
várias atividades e tendo várias funções, estas funções muitas vezes
ocorrem nessas estruturas celulares especializadas denominadas organelas.
Os seres procariontes possuem apenas organelas celulares que não possuem
envoltório denominadas organelas não-membranosas e os seres eucariontes
possuem também estruturas delimitadas por um envoltório formado por
membrana e são ditas organelas membranosas. As organelas existentes nos
procariontes são os Ribossomos. Os eucariontes possuem várias outras
organelas (figura 1).

Figura 1: Essa imagem representa as diferenças e semelhanças entre seres Eucariontes e Procariontes,
Cada círculo é delimitado pela membrana plasmática, ou seja, existe nos dois tipos de células. Na
intersecção entre as células há os Ribossomos, ou seja, essa intersecção significa que os Ribossomos
são organelas não membranosas presentes nos dois tipos de células. Apenas na célula Eucarionte há
as organelas membranosas. O DNA está no núcleo da célula Eucarionte e no Citoplasma da
Procarionte
Toda célula procarionte ou eucarionte é delimitada por uma estrutura
denominada membrana plasmática (figura1). Preenchendo a célula há um
líquido gelatinoso denominado Citoplasma (figura1) e nele ocorrem várias
reações químicas vitais para o funcionamento da célula, outras reações
extremamente importantes também ocorrem nas organelas. As células
eucariontes possuem ainda uma central de comando denominada núcleo
(figura 1) onde existe o DNA (ácido desoxirribonucléico). Na célula
procarionte não existe núcleo sendo que o DNA está em contato com o
citoplasma.

2.Citoplasma e Citoesqueleto

No citoplasma dos seres eucariontes ocorrem outras organelas além dos


Ribossomos, porém estas são membranosas, são elas: Retículo
Endoplasmático Liso, Retículo Endoplasmático Rugoso, Complexo de
Golgi, Lisossomo, Mitocôndria e Peroxissomo (figura2).

Figura 2: Principais organelas celulares eucariontes.


Para movimentar uma organela para um lugar ou para outro há proteínas
estruturais que formam trilhos e outras proteínas motoras que carregam
estas organelas, estas proteínas formam filamentos denominados
microtúbulos que são compostos pela união de proteínas denominadas
tubulinas (figura 3).

Figura 3: Estrutura dos microtúbulos (o todo) compostos por unidades de tubulinas (cada bolinha)
Existe o intercâmbio de moléculas entre as organelas e isso é realizado
através de vesículas. As vesículas são importantes para o lançamento de
substâncias grandes (macromoléculas) para fora das células (figura 4). Uma
organela que quer enviar uma molécula para a outra empacota esta
molécula em uma vesícula de membrana e endereça esta vesícula para a
organela destino.
Figura 4: Detalhe de vesículas dentro de um neurônio. Essas vesículas estão repletas de
neurotransmissores que serão lançados na célula seguinte.
O trajeto destas vesículas também se dá por estes trilhos de microtúbulos.
Os microtúbulos possuem ainda outras funções como tracionar os
cromossomos para os pólos opostos das células durante a divisão celular
(figura 5) e compor estruturas motoras como cílios e flagelos (figura 5).

Figura 5: As estruturas mostradas nas células acima (fibra do fuso e flagelo) são compostas por
microtúbulos
Os microtúbulos celulares são organizados por uma estrutura denominada
de centrossoma que forma os corpos basais de cílios e flagelos e dá origem
aos centríolos que formam as fibras do fuso que tracionam os cromossomos
na divisão celular.
Os filamentos de actina atuam na célula para determinar o formato celular e
para possibilitar que células realizem evaginações (projeções da membrana
no sentido extracelular) e invaginações (projeções da membrana no sentido
intracelular) (figura 6).
Figura 6: Imagem ilustrando a invaginação e evaginação da membrana plasmática
Os filamentos de actina se tornam muito importantes juntamente com
filamentos de miosina para possibilitar a contração de células musculares
(figura 7).

Figura 7: Imagem do processo de contração no qual a cabeça da proteína miosina (vermelha) se liga e
puxa a proteína actina (azul) para ocorrer o processo de contração muscular
Os filamentos intermediários possuem vários componentes e funções mais
variadas. Um tipo de filamento intermediário é a queratina que dá uma certa
rigidez á células do tecido epitelial e forma uma camada protetora na pele
(figura 7).

Figura 7: Ilustração de uma porção de pele onde é possível se observar pêlo e cutícula que são
estruturas compostas por queratina que é um filamento intermediário.
3.Funções da Membrana Plasmática
A célula é uma unidade delimitada pela membrana celular (também
chamada de membrana plasmática, membrana citoplasmática, plasmalema,
etc).
A membrana celular é bem maleável e não rígida, e seus componentes se
movimentam constantemente, como um fluido. A membrana celular possui
vários componentes, tendo a estrutura de um mosaico (figura 8).

Figura 8: Ilustração da membrana plasmática e seus componentes determinando uma estrutura de


mosaico. O receptor também é uma proteína
Diz-se então que a membrana celular forma um sistema mosaico-fluído. A
membrana celular desempenha algumas funções essenciais para a
manutenção da vida celular:
I. Possui permeabilidade seletiva; isto significa que controla o que entra e o
que sai dependendo das necessidades da célula.
II. Regula o volume celular.
III. Mantém condições químicas para garantir o funcionamento dos
processos celulares; as substâncias celulares têm que estar em
concentrações determinadas para que o metabolismo celular ocorra
normalmente, desta forma algumas substâncias devem estar concentradas
dentro da célula, outras devem estar diluídas e outras ainda são tóxicas e
devem ser retiradas.
IV. Mantém o desequilíbrio eletro-químico: a carga elétrica dentro da célula
é diferente da encontrada fora dela. Esta é uma característica muito
importante para a manutenção dos processos celulares, especialmente, em
organismos dotados de sistema nervoso, como nós humanos. Toda a
transmissão da informação através de um neurônio é dada através de
impulsos elétricos, e esta depende da diferença de carga elétrica entre o
meio intracelular (dentro da célula) e extracelular (fora da célula). No caso
dos neurônios, por exemplo, existe uma concentração alta do íon potássio
(K+) dentro da célula e uma alta concentração do íon sódio (Na+) fora da
célula, esta diferença é que torna possível a transmissão do impulso elétrico
no neurônio (figura 9).
Figura 9: Ilustração mostrando a Bomba de Na+/K+ na membrana plasmática
V. Atuar na comunicação celular: A célula envia sinais de uma à outra
liberando hormônios, neurotransmissores e citocinas enquanto que uma
outra célula receberá estes sinais através de proteínas na membrana
denominadas de receptores.

Figura 10: ilustração mostrando uma célula com seu receptor recebendo um ligante.
4.Estrutura da Membrana Plasmática
Os componentes da membrana que formam o sistema mosaico-fluido são
fosfolipídios, proteínas, colesterol e acima destes componentes, na face
externa da membrana plasmática, encontram-se carboidratos (figura 8).
Os fosfolipídios possuem duas regiões distintas, uma denominada cabeça e
outra denominada cauda (figura11). A cabeça possui carga elétrica e a
cauda não. As
estruturas que possuem carga elétrica são denominadas polares e as que
não possuem são denominadas apolares. A cabeça dos fosfolipídios é polar
e a cauda apolar.
Figura 11: Estrutura geral de um fosfolipídio mostrando a cabeça polar e a cauda apolar.
Moléculas polares possuem afinidade entre si, as apolares também entre
si. Polares não possuem afinidade com apolares.
A água é a substância mais abundante no organismo humano, Assim como
a cabeça dos fosfolipídios a água é polar, ou seja, existe afinidade entre um
e outra. Em relação à cauda dos fosfolipídios esta não possui afinidade pela
água, pois é apolar. A água está presente em abundância tanto no meio
intracelular quanto extracelular. As cabeças dos fosfolipídios sempre estão
em contato com a água e as caudas em contato entre si. O que gera uma
dupla camada de fosfolipídios (figura 8).
As proteínas também fazem parte da membrana e elas podem estar
presentes em locais diferentes (figura 8). Existem ainda as proteínas
periféricas que ficam em contato com o meio intracelular ou extracelular,
estas então devem ser polares, por causa da água nesses meios.
As proteínas transmembranas atravessam toda a bicamada fosfolipídica,
formando uma ponte entre o meio intracelular e o extracelular (figura 8).
As proteínas transmembranas precisam ter uma região apolar que fica em
contato com a cauda dos fosfolipídios e uma região polar que fica em
contato com a cabeça destes (figura 8). Outro componente da membrana
celular é o colesterol, que é uma gordura (figuras 8 e 11). O colesterol é
muito importante para manter a fluidez da membrana celular.
Os carboidratos sempre estão presentes na camada externa da membrana
plasmática ligados à proteínas ou a fosfolipídeos. Ao conjunto dos
carboidratos alojados no meio externo à célula denominamos glicocálice
(figura 8).
Este glicocálice possui função muito importante na identificação e adesão
entre as células.
5.O transporte através da membrana
Na natureza, tudo tende a ir de um local com maior quantidade de algo para
um de menor quantidade de algo até manter-se o equilíbrio entre esses dois
locais. Se eu tirar o pino de proteção do pneu de meu carro, o ar que está lá
sob pressão vai sair para o local de menor pressão, até a pressão interna do
pneu se igualar à pressão atmosférica. Se eu deixar uma colher de açúcar
descansando num copo com água o açúcar do fundo vai subindo o copo,
indo do local de maior concentração para o de menor concentração, até a
quantidade de açúcar ficar igualmente distribuída pelo corpo.
Osmose
O transporte de água através da membrana celular é estudado à
parte e denominado osmose. A osmose é o processo de passagem da água
de um local com menor concentração de soluto para um local com maior
concentração de soluto (figura 12). Neste caso, soluto é qualquer substância
dissolvida
na água, e a água no caso é o solvente. Sempre falamos de osmose em
relação à água. A água atravessa pela membrana celular por entre os
fosfolipídios e também por entre proteínas transmembrana específicas
denominadas de aquaporinas.
Figura 12: Mecanismo de Osmose
Difusão
O transporte de soluto é denominado difusão. E é a passagem da
substância dissolvida, de um lugar com maior concentração desse soluto
para um local com menor concentração (Figura 13). A difusão depende
então da concentração do soluto que está passando de um meio para o
outro.

Figura 13: Mecanismo de Difusão


Nas células, osmose e difusão ocorrem ao mesmo tempo (figura 14).
Figura 14: Mecanismos de osmose e difusão ocorrendo ao mesmo tempo. Veja que o resultado é
diferente do que ocorre separadamente na osmo (figura 12) e difusão (figura 13)
Transportes passivo e ativo
O transporte através da membrana plasmática pode ocorrer sem gasto de
energia ou utilizando-se energia. A seguir, veremos os que não
utilizam energia para ocorrer, ou seja, difusão simples e difusão facilitada e
após isso, veremos o transporte com gasto de energia, ou seja, as bombas,
também denominadas ATPases.
É importante salientar que a mesma substância ou íon, pode ser
transportada por diferentes mecanismos ao mesmo tempo. Por exemplo, o
Na + pode ser transportado por uma bomba de Na + e K + , pode ser
transportado através de canais de sódio e através de outros processos.
Assim, como o sódio, esta variabilidade nos sistemas de transporte ocorrem
com a glicose e com muitas outras substâncias, inclusive podendo variar de
tecido para tecido.
Difusão simples
A difusão simples (figura 15) é a passagem de soluto apolar através da
bicamada fosfolipídica, ou seja, entre as moléculas de fosfolipídios. Não há
gasto de energia para que ela ocorra. Substâncias que conseguem difundir-
se por este processo são CO 2 , O 2 , uréia e etc.
Figura 15: Mecanismo da difusão simples através da bicamada fosfolipídica
Difusão facilitada
A difusão facilitada (figura 16) ocorre para a passagem de solutos de
tamanho pequeno e polar em relação à membrana celular, mas, que não
conseguem transpor a bicamada fosfolipídica. Exemplos de molécula que
são transportadas através deste mecanismo são íons (Na + , K + , Ca ++ , etc),
glicose, aminoácidos,
etc.
Figura 16: Mecanismo da difusão facilitada através de uma canal iônico.
Os íons não conseguem transpor a membrana celular através dos
fosfolipídios por serem carregados eletricamente e estarem ligados à muitas
moléculas de água, desta forma, não possuem afinidade com a cauda do
fosfolipídio, então, não atravessam a bicamada. Para que eles consigam
passar pela bicamada precisam passar por proteínas transmembranas como
aquelas que discutimos anteriormente.
As proteínas transmembranas funcionam como pontes entre o meio
intracelular e o extracelular, assim como as pontes podem ser interditadas
para o tráfego, as proteínas transmembranas também podem estar
interrompidas, ou seja, dependendo da necessidade celular, ou de sinais
enviados à célula, elas podem estar fechadas ou abertas.
Assim como as pontes podem ser feitas para a passagem de pedestres, de
carros ou de ambos. As proteínas transmembranas também são
especializadas nas substâncias que transportam. Existe um tipo de proteína
transmembrana denominada canal que é específica para a passagem de
íons (figura 16). Cada canal permite a passagem de um íon específico.
Existem canais específicos para a passagem de Na + , outros para a
passagem de K + , outros para Ca ++ , e etc.
A abertura de canais de Sódio voltagem dependentes estão envolvidos na
despolarização dos neurônios que é um fenômeno primordial para o
processo de transmissão de informação de um neurônio para o outro no
sistema nervoso. canais de Potássio estão envolvidos na repolarização
desses neurônios.
Em um neurônio em repouso, o Sódio e o Potássio estão relativamente
muito concentrados no meio extracelular e intracelular, respectivamente, ou
seja, há grande concentração de Sódio no meio extracelular e baixa
concentração no meio intracelular e em relação ao Potássio se dá o
contrário. Desta forma pelo transporte passivo quando se abrem os canais
de Sódio, a tendência desse íon é entrar na célula gerando uma
despolarização e ao contrário quando se abrem os canais de potássio a
tendência é que o potássio saia da célula ocasionando uma hiperpolarização.
Para que os íons consigam passar
através dos canais estes têm que possuir sua região interna polar, do
contrário, não haveria possibilidade de passagem. Os canais não se ligam
ao íon a ser transportado.
A abertura ou fechamento dos canais depende da recepção de um estímulo
elétrico ou da ligação de uma substância sinalizadora a este canal. No
primeiro caso, seria como o canal necessitando levar um choque para abrir
ou para fechar e no outro como se o canal recebesse um cutucão para ser
aberto.
O outro tipo de proteína transmembrana que ocorre são os carreadores
(figura 17). Os carreadores permitem a passagem de íons ou de outras
moléculas como monossacarídeos, aminoácidos, etc, cada carreador
também é específico para o material a ser transportado. Os carreadores
possuem um sítio de ligação para molécula ou íon que deve ser
transportado, em outras palavras, existe um local no qual a molécula/íon
transportado tem que se ligar dentro do carreador. Esta ligação permite que
o carreador identifique a molécula e então a deixa passar, se não for a
molécula que teria que ser transportada, não há a ligação ao sítio.
Figura 17: Mecanismo de ação de um carreador. Perceba que o carreador possui duas configurações,
ou seja, abre e fecha. Perceba ainda que a molécula a ser transportada se liga a um sítio de ligação
antes do transporte. Este carreador realiza tranporte de duas moléculas ao mesmo tempo, portanto, é
um cotransporte e estas moláculas vão para a mesma direção e sentido sendo assim um simporte..
Por exemplo, se eu tenho um carreador que transporta glicose, esta se liga
ao sítio de ligação e será liberada para passagem, pois, foi reconhecida.
Porém, se o carreador é para passagem de glicose e um aminoácido entra no
canal, este não consegue se ligar ao sítio de ligação, então, não será
transportado, pois, não houve reconhecimento.
Os carreadores podem ser específicos para transportarem apenas uma
substância e então este fenômeno recebe o nome de monotransporte
(ocorre sem gasto de energia). Porém, podem ser específicos para
transportar duas substâncias ao mesmo tempo, nesse caso, o fenômeno
recebe o nome de co-transporte (figura 17). As duas substâncias têm que se
ligar ao
sítio de ligação para serem reconhecidas e transportadas. Se as duas
substâncias estiverem indo para o mesmo sentido, por exemplo, sendo
transportadas do meio extracelular para o meio intracelular, o fenômeno
recebe o nome de simporte (figura 17). Se estiverem sendo transportadas
para
direções opostas, por exemplo, uma para dentro da célula e outra para fora
da célula, o fenômeno recebe o nome de antiporte.
Bombas (ATPases)
São proteínas transmembranas que funcionam como carreadores, mas, que
necessitam de energia liberada pela quebra do ATP para que o transporte
seja efetivado. O transporte através de bombas ocorre contra o gradiente de
concentração entre o meio intracelular e extracelular, ou seja, ocorre do
meio menos concentrado em soluto para o mais concentrado em soluto, o
que é exatamente contra a tendência natural do processo passivo de difusão.
Um exemplo importantes de bombas são a Bombas de Sódio e Potássio (Na
+
/K + ATPases) (figura 9) que bombeia ao mesmo tempo três íons Sódio
para fora da célula e dois íons Potássio para dentro. Estas bombas são
primordiais para a repolarização dos neurônios após a ocorrência de um
impulso elétrico. Outro exemplo importante são as bombas de íons
Hidrogênio também chamadas no jargão científico de bombas de prótons,
estas bombas são importantes para a produção de ambiente ácido no
estômago e para o processo de respiração celular aeróbia.
Endocitose
É o processo ativo de entrada de moléculas na célula por meio da
invaginação da membrana plasmática (figura 18).

Figura 18: Célula bacteriana será englobada por fagocitose, que é um tipo de endocitose.
Existem dois tipos de endocitose, são eles:
Na pinocitose há o englobamento de macromoléculas dissolvidas no meio
extracelular.
Na fagocitose (figura 18) há o englobamento de material particulado, restos
celulares ou mesmo células inteiras (bactérias ou células cancerígenas, por
exemplo). A fagocitose é de extrema importância para a imunidade celular
que é aquela em que células de defesa englobam microorganismos para
neutralizar o ataque ao corpo humano.
A fagocitose é um processo que necessita de ligação à receptores da
membrana das estruturas a serem internalizadas na célula.
A endocitose gera uma vesícula que funde-se ao lisossomo.
6.Especializações de membrana
São regiões especializadas da membrana. São elas:
Microvilosidades (figura 19) ou interdigitações são expansões
citoplasmáticas recobertas por membrana cuja forma de “dedos de luva” é
dada por filamentos de actina do
citoesqueleto são visíveis ao microscópio óptico (m.o) “como um todo”,
individualmente só ao microscópio eletrônico (m.e). A função das
microvilosidades é aumentar a área da membrana plasmática para absorção
de substâncias diversas por pinocitose. Está presente na maior parte das
células, notoriamente no intestino
delgado e rins.

Figura 19: Imagem de microscopia eletrônica de microvilosidades. fonte: Franz J, Grünebaum J,


Schäfer M, Mulac D, Rehfeldt F, Langer K, et al. [CC BY 4.0
(https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
Estereocílios (figura 20) são expansões longas e filiformes. Parecem com
microvilos, porém, são mais longos e se ramificam, possuem a função de
aumentar muito a área celular, facilitando o transporte de água e outras
moléculas. Os estereocílios localizam-se na
superfície livre de células epiteliais do epidídimo e ductos do aparelho
genital
masculino.

Figura 20: Imagem de microscopia eletrônica de estereocílios. fonte: A. James Hudspeth, M.D.,
Ph.D. [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]
Desmossomos (figura 21) são especializações de membrana em forma de
uma placa arredondada constituídas pelas membranas de duas células
vizinhas. Possuem filamentos intermediários que se aprofundam no interior
da célula. São locais onde o citoesqueleto se prende à membrana plasmática
formando um elo de ligação entre células vizinhas. A natureza dos
filamentos intermediários depende do tipo celular.
Estas especializações são sensíveis a íons cálcio. Possuem a função de Unir
fortemente as células umas às outras e à matriz extracelular principalmente
em células submetidas a tração como células da epiderme, revestimento da
língua e do esôfago fibras musculares cardíacas.

Figura 21: Imagem de microscopia eletrônica de desmossomo apontado pela seta laranja. perceba
que esta especialização de membrana é formada por duas placas proteicas. Caso houvesse apenas
uma das placas, seria um hemidesmossomo fonte: Louisa Howard [domínio público]
Hemidesmossomos (figura 21) são estrutura de membrana parecida como
os desmossomos, porém, a ligação é entre uma célula e sua lâmina basal. A
função dos hemidesmossomos é unir as células à sua lâmina basal. Estão
presentes em células epiteliais.
Junções aderentes ou zônulas aderentes estão presentes na parte apical da
célula, formando uma estrutura em forma de cinto, ou em forma oval ou
circular como nos desmossomos. Formam placas como os desmossomos
nas quais se inserem
filamentos de actina contrácteis na região citoplasmática da membrana.
Também como os desmossomos são sensíveis a íons cálcio. A função das
Junções aderentes é unir fortemente as células umas às outras e à matriz
extracelular. Propriamente no caso de células do epitélio intestinal, fornece
apoio para que os filamentos de actina
formem os microvilos. As junções aderentes estão presentes em células de
diversos tecidos como epitélios de revestimento, particularmente
desenvolvido no epitélio intestinal.

Figura 22: Ilustração mostrando as Junções Aderentes e seus componentes. fonte: LadyofHats
Mariana Ruiz, traduction Pilar Saenz [domínio público]
Junção oclusiva (figura 23) ou zônula oclusiva é uma faixa contínua em
torno da porção apical das células que vedam total ou parcialmente, o
trânsito de íons e moléculas por entre as células, sendo que estas
substâncias têm que atravessar a membrana plasmática sendo submetidas ao
controle celular. A junção oclusiva promove a vedação entre as células
permitindo, por exemplo, a existência de potenciais elétricos diferentes,
dentro e fora das células ou formar compartimentos funcionalmente
separados como a luz do intestino sendo infestada por bactérias e o sangue
que o irriga abaixo do epitélio sendo totalmente estéril.
Figura 23: Microscopia eletrônica mostrando uma Junção Oclusiva. fonte: Eric Yale Hayden [CC
BY-SA 2.5 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.5)]
Junções comunicantes (figura 24) (gap junctions, junções em hiato, nexos)
são tubos protéicos paralelos que atravessam as membranas de células
vizinhas. Permitem a passagem de substâncias tais como nucleotídeos,
aminoácidos, sinalizadores celulares como o AMPc e íons mas, não
macromoléculas. As junções comunicantes estabelecem comunicação entre
uma célula e outra, rapidamente, sem o crivo da membrana
plasmática, possibilita que grupos celulares funcionem de forma
coordenada e harmônica, formando um conjunto funcional como no
coração. Estão presentes em células epiteliais, musculares lisas e cardíacas
e nas células nervosas.

Figura 24: Ilustração mostrando as Junções Comunicantes e seus componentes. legenda: a-fechado,
b-aberto, c-conexon, d-monômero de conexina, e-membranas plasmáticas, f-espaços intercelulares,
g-espaço de 2-4nm, h-canal hidrofílico fonte: Mariana Ruiz LadyofHats [domínio público]
Cílios (figura 25) são estruturas filiformes formadas por feixes paralelos de
microtúbulos envoltos por membrana plasmática. São curtos, múltiplos e
encontram-se na superfície apical das células. tem como funções
movimentar o muco na árvore respiratória, e o ovócito na tuba uterina. O
movimento dos cílios é ondulatório e ritmado

Figura 25: Imagem ilustrando os cílios do epitélio da traquéia.


Flagelos (figura 26) possuem estrutura básica similar aos cílios, mas, são
únicos e longos, encontrados apenas nos espermatozóides. O movimento
dos flagelos é serpentiforme.

Figura 26: Ilustração de um flagelo bacteriano.


7.Organelas
Ribossomos
Os ribossomos (figura 27) são organelas não membranosas cuja função é
síntese de proteínas.

Figura 27: Ilustração de um ribossomo. fonte:somersault1824.com/science-illustrations [CC BY 4.0


(https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
Todas as proteínas que uma célula produz são produzidas no ribossomo. Os
ribossomos podem estar livres no citoplasma e produzirem proteínas para o
uso interno desta célula ou podem estar associadas externamente à
membrana do Retículo Endoplasmático Rugoso (RER) (figura 28). Se
estiver associado ao RER o ribossomo produz a proteína ao mesmo tempo
em que insere essa proteína dentro do RER.

Figura 28: Estrutura geral do Retículo Endoplasmático Rugoso. fonte:somersault1824.com/science-


illustrations [CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
Os ribossomos produzem proteínas a partir de uma receita lida. Esta receita
é o RNA mensageiro (RNAm) produzido pelo gene que codifica esta
proteína, este processo é denominado Tradução (figura 29).

Figura 29: Ribossomo fazendo a leitura do RNA mensageiro (RNAm) e produzindo uma proteína.
Na tradução, o anti-códon (trinca de nucleotídeos no RNA transportador) se pareia ao códon (trinca
de nucleotídeos do RNAm) . Como o RNA transportador trás os aminoácidos, estes são ligados um
ao outro em sequência produzindo uma proteína no Ribossomo.
Para maiores esclarecimentos é necessário entender os processos de
transcrição e tradução abordados em Biologia Molecular. O ribossomo
realiza a tradução do RNAm.
As proteínas produzidas pelo Ribossomo podem ter várias funções como
aquelas já comentadas, ou seja, estrutural, enzima, etc.
Os Ribossomos são formados por duas subunidades e composto por
proteína e RNA ribossômico (RNAr).
Existem ribossomos ainda internamente a outra organela que é a
mitocôndria.
Retículo Endoplasmático (RE) Estruturalmente os RE são formados pela
continuidade da membrana nuclear
(carioteca), possuem a estrutura de túbulos interligados.
O RE possui dois setores o Retículo Endoplasmático Liso (REL) e o
Retículo
endoplasmático Rugoso (RER).
As moléculas produzidas pelo Retículo Endoplasmático são destinadas para
o
Complexo de Golgi através de vesículas.
Algumas funções são armazenar cálcio, produzir membrana para a célula.
O RE possui um papel extremamente importante nas células musculares e lá
se chama Retículo Sarcoplasmático. Seu papel nas células musculares é
controlar a disponibilidade do íon cálcio, já que este é de extrema
importância para a contração muscular.
O RER é uma organela membranosa cuja função específica é a síntese de
proteínas que terão destino fora da célula. Mas não é ele que libera essas
moléculas no meio extracelular e sim o CG.
As proteínas produzidas aqui e que podem sair da célula são, por exemplo,
colágeno (presente na matriz extracelular), enzimas digestivas da boca,
estômago e intestino, hormônios como a insulina e muitos outros. Todas
estas proteínas citadas foram produzidas em um RER.
Retículo Endoplasmático Liso (REL)
Estruturalmente o REL (figura 30) ocorre sem Ribossomos. As moléculas
produzidas pelo Retículo Endoplasmático Liso são os carboidratos e os
lipídios que serão enviados para fora da célula pelo CG. Por exemplo o
REL pode produzir um hormônio esteróide, ou seja, uma hormônio à base
de colesterol que é um lipídio, podemos citar como um desses hormônios a
testosterona.
Figura 30: Ilustração do Retículo Endoplasmático Liso. fonte:somersault1824.com/science-
illustrations [CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
Complexo de Golgi
O Complexo de Golgi (figura 31) recebe, armazena e pode modificar as
moléculas provenientes do Retículo Endoplásmático.

Figura 31: Ilustração do Complexo de Golgi. fonte:somersault1824.com/science-illustrations [CC BY


4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
A função final do Complexo de Golgi é liberar para o meio extracelular
estas moléculas que ficam armazenadas. A este processo de liberação de
moléculas para o meio extracelular se dá o nome de exocitose (figura 32).

Figura 32: Detalhe da exocitose mediada por de


vesículas dentro de um neurônio. Essas vesículas estão repletas de neurotransmissores que serão
lançados na célula seguinte.
Para que a exocitose ocorra o Complexo de Golgi produz vesículas com as
macromoléculas a
serem enviadas para fora da célula. Estas vesículas se fundem com a
membrana plasmática como uma bolinha de sabão pequena se funde com
uma bola de sabão maior, o conteúdo da vesícula, desta forma é liberado no
meio extracelular.
A exocitose deve ocorrer porque estas macromoléculas não conseguem
passar por entre os fosfolipídeos da membrana por serem muito grandes ou
por não terem afinidade com os componentes da membrana a ponto de
atravessarem esta.
O processo de exocitose adiciona membrana á célula.
O Complexo de Golgi possui estrutura típica. É composto por “saquinhos
empilhados” que denominamos de cisternas. A cisterna mais próxima ao
Retículo Endoplasmático é denominada cisterna cis e a mais próxima da
membrana plasmática é denominada cisterna trans. As vesículas
provenientes do RE chegam ao CG na cisterna cis, estes conteúdo vai sendo
enviado para cisternas intermediárias cada vez mais distais (distantes)
também por formação de vesículas e finalmente chegam à cisterna mais
distal que é a trans.
O colágeno, as enzimas digestivas e os hormônios citados acima (insulina e
testosterona) são armazenados no CG e liberados oportunamente no meio
extracelular.
Lisossomo
O Lisossomo (figura 33) é a organela que faz a digestão de moléculas que
são internalizadas na célula por meio de endocitose.

Figura 33: Ilustração mostrando o Lisossomo e o processo de digestão intracelular. legenta: 1-


material extracelular entrando por endocitose, 2-a vesícula produzida no processo de endocitose se
fundirá ao Lisossomo (em azul) que possui enzimas digestivas (em vermelho), em 3- a fusão em
processo e em 4-o processo de digestão ocorrendo com o material que entrou já fragmentado
(digerido) fonte: Jordan Hawes [CC BY-SA 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)]
As vesículas da endocitose (figura 33) que são as vesículas endocíticas ou
fagocíticas se unem ao Lisossomo que possui internamente a si ambiente
ácido e enzimas digestivas. Quando a digestão ocorre são liberadas as
moléculas básicas que faziam parte das macromoléculas, por exemplo, são
liberados os aminoácidos derivados dos processos de digestão das proteínas
e assim por diante. Estas moléculas menores então podem atravessar a
membrana do lisossomo por um dos processos abordados anteriormente no
item transporte através da membrana e ficarem disponíveis para a utilização
da célula como nutrientes.
Organelas envelhecidas podem ser digeridas por um processo denominado
autofagia e então novas organelas podem ser produzidas.
Mitocôndria
A mitocôndria (figura 34) é a organela onde ocorre a respiração aeróbia,
onde é produzido a maior parte do ATP celular.

Figura 34: Mitocôndria com seus componentes..


A mitocôndria é constituída por duas membranas e internamente possui
várias cópias de DNA circular e Ribossomos. A mitocôndria gera CO 2 ,
água e radicais livres no processo de respiração e estes radicais livres são
responsáveis pelo envelhecimento celular. Também é sabido que estes
radicais livres podem danificar o DNA celular bem como qualquer parte da
célula, desta forma, pode causar câncer e outras doenças degenerativas.
Então a mitocôndria gera um paradoxo celular no qual respiramos para
viver e também para morrer.
Existe uma teoria chamada teoria endossimbionte que postula que a
mitocôndria é derivada de uma bactéria que entrou em simbioose com a
célula e virou organela.
Esta teoria é baseada no fato de a mitocôndria possuir duas membranas,
uma seria a membrana original bacteriana e a mais externa seria a
membrana fagocítica. O DNA mitocondrial é circular como todos as
moléculas de DNA presentes em bactérias, além de internamente ela
possuir ribossomos como as bactérias. Tudo isso implica nesta hipótese.
O DNA mitocondrial é muito utilizado para estudos evolutivos. Também
utiliza-se para testes de DNA em casos onde espera-se ter pouco DNA
disponível como em casos de exumação ou acidentes aéreos com corpos
carbonizados.
Peroxissomo
Para contrapor este processo de geração espontânea de radicais livres na
mitocôndria existe a organela Peroxissomo (Figura 35).

Figura 35: Ilustração de um Peroxissomo. fonte:somersault1824.com/science-illustrations [CC BY


4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
Os Peroxissomos possuem a função de inativar radicais livres e substâncias
tóxicas.
A principal enzima presente nos Peroxissomos é a catalase. A catalase tem
a capacidade de aumentar a velocidade da transformação espontânea de H 2
O 2 (peróxido de hidrogênio) em água e O 2 . Como descrito na reação a
seguir:
2H2O22H2O+O2
A maior parte do peróxido de hidrogênio é eliminado antes de causar algum
dano a célula. Existem doenças no qual esta organela está defeituosa e um
dos quadros clínicos presentes é o envelhecimento precoce e propensão ao
câncer.
Na presença de substâncias tóxicas ao organismo estas são encaminhadas
para o Peroxissomo e é suspenso o efeito da catalase, desta forma, as
substâncias tóxicas acabam por ser inativadas pelo próprio radical livre o
que seria um perfeito caso de combate de veneno utilizando outro veneno
como remédio.
8.Núcleo
O núcleo (figura 36) é formado por duas membranas (carioteca) que se
encontram na região dos poros e pelo conteúdo nuclear. No conteúdo
nuclear encontra-se a cromatina.

Figura 36: Ilustração do núcleo celular com poros, nucléolo e cromatina. A Carioteca está
representada externamente em laranja. fonte: Mariana Ruiz Villarreal LadyofHats [domínio público]
A cromatina (figura 36 e 37) é o material do qual são feitos os
cromossomos que aparecem em um período muito específico da vida da
célula. A cromatina é composta por DNA associado a proteínas
denominadas histonas.

Figura 37: Imagem representando a cromatina e seus componentes. Fonte : adaptado de


somersault1824.com/science-illustrations [CC BY 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by/4.0)]
No núcleo, a cromatina ativa encontra-se com DNA descondensado, ou
seja, muito pouco associada às histonas e a cromatina pouco ativa encontra-
se com DNA condensado, ou seja, bem enrolado nas histonas, parte dessa
cromatina é o nucléolo (figura 36).
Os genes presentes na cromatina, quando ativos estão a transcrever (figura
38), ou seja, gerar cópias de si em forma de RNA.
Figura 38: Ilustração de cromatina condensada e descondensada. Imagem adaptada de: Deema108
[CC BY-SA 4.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0)]
Este RNA vai ao citoplasma para ser lido (figura 29) nos Ribossomos. A
passagem do RNA se dá pelos poros (figura 36) presentes na carioteca
nuclear.
Muitas proteínas geradas no citoplasma pelos Ribossomos entram no núcleo
também através dos poros nucleares. Dentre estas proteínas algumas são
fatores de transcrição (figura 39) que farão com que genes sejam ligados ou
desligados.

Figura 39: Esquema de transcrição de um gene onde são mostrados componentes que ativam e
regulam a transcrição gênica como enhancers e fatores de transcrição. dréditos: adaptado de: Philippe
Hupé [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]
O núcleo é o controle da célula eucarionte e este controle se dá pela ação
dos genes, ou seja, formação de RNA que é usado como informação para
produzir proteínas. Como cada proteína tem um papel diverso, toda ação
das proteínas da célula gera a ação geral da célula que é controlada pelo
núcleo, pois, os genes é que podem possibilitar a produção ou não de
proteínas.
Os genes são como uma abelha rainha que produz as abelhas operárias da
colmeia, se a abelha rainha parar de trabalhar, não se faz mais operárias, daí
não tem mais mel, não tem mais defesa da colmeia e nem quem reforme a
colmeia.
A ação do núcleo está sujeita à ação hormonal que vem de outras células.
Um hormônio pode atravessar a membrana passar pelo citoplasma,
atravessar os poros da carioteca e agir nos genes do núcleo, determinando
atividade celular. A sinalização de um hormônio ligando-se a um receptor
de membrana também pode gerar uma cascata de reações que tem como
destino final o núcleo. O DNA dos vírus atua no núcleo das células
escravizando-as.
9.Ciclo celular
O ciclo celular é o ciclo de vida das células que inclui o surgimento, o
crescimento, a diferenciação e a divisão celular. Algumas células não se
dividem, então entram em uma fase G0 que dura até o fim de suas vidas.
O ciclo celular é subdividido em dois momentos distintos: Intérfase e
Divisão Celular.
A intérfase é a fase do ciclo celular que a célula entra logo que surge depois
de uma divisão celular. A intérfase é subdividida em três fases: a primeira é
a G1 seguida por S e G2.
Na intérfase não é possível observar cromossomos, pois, a cromatina está
descondensada, somente é possível ver cromossomos na divisão celular . O
que se pode ver em microscopia eletrônica na intérfase é a cromatina
(figura 40).

Figura 40: Imagem de cromatina em microscopia eletrônica de transmissão.Microfilamentos típicos


(fibras de 11 nanômetros) são vistas. colchetes realçam nucleossomos individuais; a seta preta aponta
para a unidade do nucleossomo, a seta branca aponta para o DNA que liga os nucleossomos). Brassa
de escala: 50 nm. fonte: Chromatin_nucleofilaments.png: Chris Woodcockderivative work: Gouttegd
[CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]
A célula cresce, se desenvolve, se compromete e se diferencia na fase G1.
No comprometimento a célula fica mais propensa a originar alguma
linhagem celular mas, ainda pode ser encaminhada para outros rumos, por
exemplo, pode se comprometer em virar um mioblasto mas ainda tem
possibilidade de se transformar num fibroblasto, por exemplo. Na
diferenciação, a célula assume um tipo celular e não pode ser transformar
em outros por vias normais. Por exemplo, um mioblasto não se tornará mais
um fibroblasto.
As células do corpo que estão realizando suas funções normais estão em
G1, porém , quando estiverem se preparando para a divisão celular, elas
param suas atividades normais e entram em S depois G2. Células que não
se dividem possuem G0 e só.
A fase S é a fase de duplicação (replicação) do DNA (figura 41), cada dupla
fita de DNA da célula gera uma outra dupla fita.

Figura 41: Imagem mostrando a replicação do DNA que é a formação de duas duplas fitas de DNA à
partir de uma dupla fita. fonte: LadyofHats traduzido por Lijealso [domínio público]
Esta dupla fita nova fica unida à anterior por uma estrutura denominada
centrômero e são consideradas cromátides irmãs (figura 42). Portanto, as
duas duplas fitas formam uma única estrutura física, então, na fase S há
uma duplicação do DNA sem alterar o número de estruturas compostas de
DNA (cromossomos descondensados), continuam havendo 46
cromossomos descondensados, mas, cada cromossomo agora composto por
duas
duplas fitas de DNA unidas (cromátides irmãs) uma a outra por um
centrômero.
Figura 42: Esquema mostrando um cromossomo duplicado com um
centrômero unindo duas cromátides irmãs, cada cromátide irmã é composta
por uma dupla fita de DNA e é um clone da outra.
Em G2, a célula cresce um pouco para a divisão celular ocorrer. Há aqui o
surgimento de dois pares de centríolos (figura 43) se for célula animal, pois,
célula vegetal não possui centríolo.

Figura 43: Um par de centríolos que são organelas que surgem com o intuito único de tracionar os
cromossomos. fonte: Kelvinsong [CC0- domínio público]
10.Divisão celular (Mitose e Meiose)
Existem dois tipos de divisão celular: Mitose e Meiose.
A mitose é a divisão celular que tem como objetivo a formação, o
crescimento, o desenvolvimento e a regeneração do corpo. Também através
de mitose as células germinativas se multiplicam. A mitose gera duas
células filhas com a mesma constituição genética que a célula mãe e com o
mesmo número de cromossomos.
Numa célula humana típica o número é 46.
A meiose é a divisão celular que tem como objetivo a produção de gametas
(espermatozóides e ovócitos).Também está envolvida com a formação de
organismos haplóides com alternância de gerações. A meiose gera quatro
células filhas com constituição genética diferente da célula mãe e com
metade do número de cromossomos que a célula mãe, ou seja, 23, pois, há a
necessidade de se juntar dois gametas provenientes de sexos opostos para
reconstituir o número total.
Mitose
A mitose é subdividida em quatro fases: Prófase, Metáfase, Anáfase e
Telófase.
Prófase
Na prófase (figura 44), os cromossomos vão ficando cada vez mais
condensados e próximos da carioteca. O núcleo da célula se degenera, mas,
ficam pedaços remanescentes dispersos pelo
citoplasma. Os centríolos se direcionam para os pólos da célula, cada um
deles
começa a produzir filamentos denominados de fibras do fuso que são
compostas de
microtúbulos. Células vegetais não possuem centríolos.

Figura 44: Esquema ilustrando uma Prófase de Metáfase. fonte: MITOSIS_cells_secuence.svg:


LadyofHatscutting: Matt [domínio público]
Metáfase
Na metáfase (figura 45) os cromossomos se emparelham lado a lado no
equador da célula (centro da célula) e atingem a condensação máxima. No
período final da metáfase há a duplicação dos centrômeros de cada
cromossomo, de tal forma que cada cromossomo duplicado transforma-se
em dois cromossomos simples, cada qual com apenas uma cromátide, ou
seja, as cromátides irmãs que estavam unidas por um centrômero agora
possuem cada qual seu próprio centrômero compondo cromossomos
distintos. As fibras do fuso se ligam a
cada um dos centrômeros.
Figura 45: Esquema ilustrando uma Metáfase de Mitose. fonte: MITOSIS_cells_secuence.svg:
LadyofHatscutting: Matt [domínio público]
Na metáfase observa-se os cromossomos e fotografa-se para realizar o
cariótipo (figura 46) .

Figura 46: cariótipo humano masculino. fonte: cortesia do National Human Genome Research
Institute [domínio público]
Anáfase
Na Anáfase (figura 47), as fibras do fuso puxam os centrômeros para pólos
opostos da célula o que acarreta na separação das cromátides irmãs. Ficam
46 cromossomos num pólo da célula e
outros 46 no polo oposto.
Figura 47: Esquema ilustrando uma Anáfase da Mitose. fonte: MITOSIS_cells_secuence.svg:
LadyofHatscutting: Matt [domínio público]
Ao final da anáfase, uma pequena invaginação da membrana plasmática na
região do equador começa a aparecer nas células animais (figura 48) e aí a
fase se encerra iniciando a Telófase (figura 49). Já nas células vegetais,
ocorre o início da deposição de membrana no centro da célula (figura 48).

Figura 48: Citocinese centrípeta em célula animal (1) mostrando a invaginação da membrana e na
célula vegetal (2) mostrando a deposição de membrana, em telófase. fonte:
MITOSIS_cells_secuence.svg: LadyofHatscutting: Matt [domínio público]
Telófase
Na Telófase (figura 49) ocorre o processo de citocinese que é a divisão do
citoplasma em duas células filhas.
Figura 49: Esquema ilustrando uma Telófase em progressão. fonte: MITOSIS_cells_secuence.svg:
LadyofHatscutting: Matt [domínio público]
As invaginações da membrana plasmática na região do equador da célula
progridem até que se encontram no meio da célula animal (figura 48). Este
tipo de citocinese é chamada centrípeta.
Na célula vegetal a citocinese é centrífuga visto que a membrana deposita-
se no centro da célula e expande-se até a periferia (figura 48).
Os centríolos somem e os fragmentos de núcleo que permaneceram até
então se rearranjam ao redor do grupo de cromossomos recompondo a
carioteca.
Meiose
A meiose é subdividida em oito fases: Prófase, Metáfase I, Anáfase I e
Telófase I, Prófase II, Metáfase II, Anáfase II e Telófase II (estas quatro
últimas fases compõem a meiose II).
Prófase I
Na Prófase I (figura 50) da Meiose. os eventos da Prófase (figura 44) da
mitose também ocorrem aqui mas algo peculiar ocorre em relação aos pares
de cromossomos de mesmo tipo (por exemplo, o cromossomo número 5 de
origem materna e número 5 de origem paterna), estes cromossomos são
denominados homólogos se emaranham nesta fase da meiose I.

Figura 50: Imagem de célula de pólen em progressão na Prófase I. fonte: Doc. RNDr. Josef Reischig,
CSc. [CC BY-SA 3.0 (https://creativecommons.org/licenses/by-sa/3.0)]
A região de contato entre as cromátides dos cromossomos homólogos é
denominada de quiasma (figura 51), neles há troca de material genético e o
DNA das cromátides de origem materna e paterna do indivíduo, se
misturam através de um processo denominado "crossing over"
também denominado permutação.

Figura 51: Imagem ilustrando o crossing over (permutação) na Prófase I da Meiose. A dupla de
cromossomos é chamada de bivalente e a região de contato entre as cromátides dos diferentes
homólogos é o quiasma.
Metáfase I
Na Metáfase I (figura 52), os cromossomos homólogos ficam emparelhados
no equador da célula e atingem máxima condensação. Não há a duplicação
dos centrômeros. As fibras do fuso ligam-se aos centrômeros dos
cromossomos duplicados.

Figura 52: Esquema ilustrando uma Metáfase I de Meiose. fonte: adaptado de


MITOSIS_cells_secuence.svg: LadyofHatscutting: Matt [domínio público]
Anáfase I
Na Anáfase I (figura 53), as fibras do fuso puxam os centrômeros para
pólos opostos da célula o que acarreta na separação dos cromossomos
homólogos.
Figura 53: Esquema ilustrando uma Anáfase I de Meiose mostrando a separação dos cromossomos
homólogos. fonte: adaptado de MITOSIS_cells_secuence.svg: LadyofHatscutting: Matt [domínio
público]
Ao final da anáfase, uma pequena invaginação da membrana plasmática na
região do equador começa a aparecer nas células animais. Já nas células
vegetais, ocorre o início da deposição de membrana no centro da célula
(figura 48). Com a separação dos cromossomos homólogos cada célula filha
fica com 23 cromossomos duplicados.
Telófase I
A Telófase II é semelhante à Telófase da mitose (figura 49), porém, as
células filhas têm metade do número de cromossomos que teriam se a
divisão fosse mitose.
A Prófase II, Metáfase II, Anáfase II e Telófase II ocorrem da mesma forma
que na mitose, porém, cada célula que passa por esse processo possui
metade dos cromossomos que uma célula em mitose tem.

Você também pode gostar