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UNIDADE CURRICULAR

FUNDAMENTOS
DA TECNOLOGIA
MECÂNICA
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FUNDAMENTOS
DA TECNOLOGIA
MECÂNICA
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA - DIRET

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL - SENAI

Robson Braga de Andrade


Presidente do Conselho Nacional

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor-Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações
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© 2021. SENAI – Departamento Nacional

© 2021. SENAI – Departamento Regional de Santa Catarina

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SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica - UNIEP

SENAI Departamento Regional de Santa Catarina


Gerência de Educação

FICHA CATALOGRÁFICA

S491f
Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.
Fundamentos da tecnologia mecânica / Serviço Nacional de Aprendizagem
Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de Santa Catarina. Brasília : SENAI/DN, 2021.
773 p. il. (Série Metalmecânica - Mecânica).

ISBN

1. Mecânica. 2. Física. 3. Instrumentos de medição. 4. Desenho técnico -


Mecânica. 5. Ferramentas da qualidade - Mecânica. 6. Segurança do trabalho –
Mecânica. I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Regional
de Santa Catarina. II. Título. III. Série.

CDU: 621.7
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SUMÁRIO

Matemática Aplicada à Mecânica - UE1................................................................................. 20


Contexto!.......................................................................................................................... 21
Problematizando............................................................................................................. 22
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 22
Solução do Problematizando......................................................................................... 26
Agora é com você!........................................................................................................... 28

Matemática Aplicada à Mecânica: Proporção - UE2............................................................ 31


Contexto!.......................................................................................................................... 33
Problematizando............................................................................................................. 34
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 34
Como aplico?.................................................................................................................... 35
Solução do Problematizando......................................................................................... 37
Agora é com você!........................................................................................................... 39

Matemática Aplicada à Mecânica: Áreas - UE1..................................................................... 41


Contexto!.......................................................................................................................... 43
Problematizando............................................................................................................. 44
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 44
Solução do Problematizando......................................................................................... 55
Agora é com você!........................................................................................................... 56

Matemática Aplicada à Mecânica: Volumes - UE1............................................................... 59


Contexto!.......................................................................................................................... 61
Problematizando............................................................................................................. 62
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 62
Fique por dentro!............................................................................................................ 65
Solução do Problematizando......................................................................................... 66
Fique por dentro!............................................................................................................ 66
Agora é com você!........................................................................................................... 67

A Geometria como Ferramenta para a Mecânica - UE1...................................................... 69


Contexto!.......................................................................................................................... 71
Problematizando............................................................................................................. 73
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 73
Você Sabia?...................................................................................................................... 77
Solução do Problematizando......................................................................................... 80
Agora é com você!........................................................................................................... 81
A Geometria como Ferramenta para a Mecânica - UE2...................................................... 83
Contexto!.......................................................................................................................... 85
Problematizando............................................................................................................. 86
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 86
Solução do Problematizando......................................................................................... 89
Agora é com você!........................................................................................................... 90

Física Aplicada: Grandezas Físicas - UE1................................................................................ 93


Contexto!.......................................................................................................................... 95
Problematizando............................................................................................................. 96
Conhecimento em pauta!............................................................................................... 96
Você Sabia?....................................................................................................................101
Solução do Problematizando.......................................................................................105
Agora é com você!.........................................................................................................106

Física Aplicada: Equilíbrio - UE2.............................................................................................109


Contexto!........................................................................................................................111
Problematizando...........................................................................................................112
Conhecimento em pauta!.............................................................................................112
Solução do Problematizando.......................................................................................116
Agora é com você!.........................................................................................................117

O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços - UE1.....................................................119


Contexto!........................................................................................................................121
Problematizando...........................................................................................................123
Conhecimento em pauta!.............................................................................................123
Solução do Problematizando.......................................................................................130
Agora é com você!.........................................................................................................130

Física Aplicada: Dilatação - UE2.............................................................................................133


Contexto!........................................................................................................................135
Problematizando...........................................................................................................137
Conhecimento em pauta!.............................................................................................137
Você Sabia?....................................................................................................................139
Solução do Problematizando.......................................................................................144
Referenciando!..............................................................................................................146
Agora é com você!.........................................................................................................146

Metais Ferrosos: Conceitos; obtenção - UE1.......................................................................149


Contexto!........................................................................................................................151
Problematizando...........................................................................................................152
Conhecimento em pauta!.............................................................................................152
Fique por dentro!..........................................................................................................159
Solução do Problematizando.......................................................................................161
Fique por dentro!..........................................................................................................161
Agora é com você!.........................................................................................................162
Referenciando!..............................................................................................................163
Metais Ferrosos - UE2..............................................................................................................165
Contexto!........................................................................................................................167
Problematizando...........................................................................................................168
Conhecimento em pauta!.............................................................................................168
Fique de Olho?...............................................................................................................169
Você Sabia?....................................................................................................................171
Solução do Problematizando.......................................................................................172
Agora é com você!.........................................................................................................172

Metais Não Ferrosos - UE1.....................................................................................................175


Contexto!........................................................................................................................177
Problematizando...........................................................................................................178
Conhecimento em pauta!.............................................................................................178
Solução do Problematizando.......................................................................................180
Agora é com você!.........................................................................................................182

Metais Não Ferrosos - UE2.....................................................................................................185


Contexto!........................................................................................................................187
Problematizando...........................................................................................................188
Conhecimento em pauta!.............................................................................................188
Solução do Problematizando.......................................................................................191
Você Sabia?....................................................................................................................191
Agora é com você!.........................................................................................................192

Não Metais: Poliméricos e Naturais - UE1...........................................................................195


Contexto!........................................................................................................................197
Problematizando...........................................................................................................198
Conhecimento em pauta!.............................................................................................198
Solução do Problematizando.......................................................................................202
Você Sabia?....................................................................................................................202
Agora é com você!.........................................................................................................203

Não Metais: Compósitos - UE2..............................................................................................205


Contexto!........................................................................................................................207
Problematizando...........................................................................................................208
Conhecimento em pauta!.............................................................................................208
Você Sabia?....................................................................................................................209
Você Sabia?....................................................................................................................212
Solução do Problematizando.......................................................................................213
Agora é com você!.........................................................................................................214

Não Metais: Cerâmicos - UE3................................................................................................217


Contexto!........................................................................................................................219
Problematizando...........................................................................................................220
Conhecimento em pauta!.............................................................................................220
Solução do Problematizando.......................................................................................224
Agora é com você!.........................................................................................................225
Elementos de Fixação: Roscas - UE1.....................................................................................227
Contexto!........................................................................................................................229
Problematizando...........................................................................................................231
Conhecimento em pauta!.............................................................................................231
Solução do Problematizando.......................................................................................236
Agora é com você!.........................................................................................................237

Elementos de Fixação: Parafusos, Porcas e Arruelas - UE2..............................................239


Contexto!........................................................................................................................241
Problematizando...........................................................................................................242
Conhecimento em pauta!.............................................................................................242
Para saber mais!............................................................................................................247
Trocando Ideias!............................................................................................................250
Solução do Problematizando.......................................................................................252
Você Sabia?....................................................................................................................252
Agora é com você!.........................................................................................................253

Guias - UE1................................................................................................................................255
Contexto!........................................................................................................................257
Problematizando...........................................................................................................258
Conhecimento em pauta!.............................................................................................258
Solução do Problematizando.......................................................................................264
Agora é com você!.........................................................................................................265

Mancais de Deslizamento e de Rolamento - UE2...............................................................267


Contexto!........................................................................................................................269
Problematizando...........................................................................................................270
Conhecimento em pauta!.............................................................................................270
Para saber mais!............................................................................................................273
Para saber mais!............................................................................................................275
Solução do Problematizando.......................................................................................276
Agora é com você!.........................................................................................................277
Referenciando!..............................................................................................................277

O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões - UE1................................279


Contexto!........................................................................................................................281
Problematizando...........................................................................................................283
Conhecimento em pauta!.............................................................................................283
Você sabia?!....................................................................................................................284
Fique por dentro!..........................................................................................................288
Solução do Problematizando.......................................................................................292
Agora é com você!.........................................................................................................293
Engrenagens - UE2..................................................................................................................295
Contexto!........................................................................................................................297
Problematizando...........................................................................................................298
Conhecimento em pauta!.............................................................................................298
Você sabia?!....................................................................................................................301
Para saber mais!............................................................................................................305
Solução do Problematizando.......................................................................................306
Agora é com você!.........................................................................................................306

Elementos de Vedação: Vedantes químicos, juntas e gaxetas - UE1..............................309


Contexto!........................................................................................................................311
Problematizando...........................................................................................................312
Conhecimento em pauta!.............................................................................................312
Fique por dentro!..........................................................................................................314
Fique de olho!................................................................................................................314
Solução do Problematizando.......................................................................................319
Agora é com você!.........................................................................................................319
Referenciando!..............................................................................................................320

Elementos de Vedação: Anéis de vedação, retentores e selos mecânicos - UE2.........323


Contexto!........................................................................................................................325
Problematizando...........................................................................................................326
Conhecimento em pauta!.............................................................................................326
Para saber mais!............................................................................................................330
Solução do Problematizando.......................................................................................337
Agora é com você!.........................................................................................................338

Elementos Elásticos - UE1.......................................................................................................341


Contexto!........................................................................................................................343
Problematizando...........................................................................................................344
Conhecimento em pauta!.............................................................................................344
Fique por dentro!..........................................................................................................347
Solução do Problematizando.......................................................................................348
Agora é com você!.........................................................................................................348

Elementos de Elevação e Transporte - UE1........................................................................351


Contexto!........................................................................................................................353
Problematizando...........................................................................................................354
Conhecimento em pauta!.............................................................................................354
Fique de olho!................................................................................................................356
Fique por dentro!..........................................................................................................358
Solução do Problematizando.......................................................................................359
Para saber mais!............................................................................................................359
Agora é com você!.........................................................................................................360
Referenciando!..............................................................................................................360
Metrologia - UE1......................................................................................................................363
Contexto!........................................................................................................................365
Problematizando...........................................................................................................366
Conhecimento em pauta!.............................................................................................366
Historiando!...................................................................................................................366
Trocando Ideias!............................................................................................................369
Solução do Problematizando.......................................................................................370
Você sabia?!....................................................................................................................370
Agora é com você!.........................................................................................................371
Referenciando!..............................................................................................................371

Metrologia: Unidades de Medida e Conversões - UE1......................................................373


Contexto!........................................................................................................................375
Problematizando...........................................................................................................376
Conhecimento em pauta!.............................................................................................376
Você sabia?!....................................................................................................................376
Fique por dentro!..........................................................................................................377
Fique de olho!................................................................................................................379
Você sabia?!....................................................................................................................380
Solução do Problematizando.......................................................................................381
Agora é com você!.........................................................................................................382

Metrologia: Tipos, caracteristicas, aplicações, uso e conservação dos instrumentos - UE1...385


Contexto!........................................................................................................................387
Problematizando...........................................................................................................388
Conhecimento em pauta!.............................................................................................388
Solução do Problematizando.......................................................................................397
Agora é com você!.........................................................................................................398

Metrologia: Instrumentos Essenciais para Inspeção - UE2..............................................401


Contexto!........................................................................................................................403
Problematizando...........................................................................................................404
Conhecimento em pauta!.............................................................................................404
Solução do Problematizando.......................................................................................415
Agora é com você!.........................................................................................................416

Metrologia: Os padrões para Medidas - UE1......................................................................419


Contexto!........................................................................................................................421
Problematizando...........................................................................................................422
Conhecimento em pauta!.............................................................................................422
Fique por dentro!..........................................................................................................427
Solução do Problematizando.......................................................................................430
Agora é com você!.........................................................................................................431
Metrologia: O Controle Geométrico na Mecânica - UE1...................................................433
Contexto!........................................................................................................................435
Problematizando...........................................................................................................437
Conhecimento em pauta!.............................................................................................437
Fique por dentro!..........................................................................................................438
Solução do Problematizando.......................................................................................446
Agora é com você!.........................................................................................................447

Metrologia: Tolerâncias dimensionais, geométricas - UE1..............................................449


Contexto!........................................................................................................................451
Problematizando...........................................................................................................453
Conhecimento em pauta!.............................................................................................453
Como aplico?..................................................................................................................456
Fique por dentro!..........................................................................................................457
Solução do Problematizando.......................................................................................466
Agora é com você!.........................................................................................................468

Metrologia: Máquinas de Medição por Coordenadas - UE1.............................................471


Contexto!........................................................................................................................473
Problematizando...........................................................................................................474
Conhecimento em pauta!.............................................................................................474
Você sabia?!....................................................................................................................477
Solução do Problematizando.......................................................................................480
Agora é com você!.........................................................................................................481

Desenho Técnico Mecânico - UE1.........................................................................................483


Contexto!........................................................................................................................485
Problematizando...........................................................................................................486
Conhecimento em pauta!.............................................................................................486
Historiando!...................................................................................................................487
Para saber mais!............................................................................................................490
Solução do Problematizando.......................................................................................491
Agora é com você!.........................................................................................................492
Referenciando!..............................................................................................................492

Desenho Técnico Mecânico: Formatos de papéis, dobras margens e legendas, normas


aplicadas ao desenho técnico - UE2.....................................................................................495
Contexto!........................................................................................................................497
Problematizando...........................................................................................................498
Conhecimento em pauta!.............................................................................................498
Solução do Problematizando.......................................................................................501
Agora é com você!.........................................................................................................501
Para saber mais!............................................................................................................501
Desenho Técnico Mecânico - UE1.........................................................................................503
Contexto!........................................................................................................................505
Problematizando...........................................................................................................506
Conhecimento em pauta!.............................................................................................506
Fique por dentro!..........................................................................................................508
Para saber mais!............................................................................................................512
Solução do Problematizando.......................................................................................513
Agora é com você!.........................................................................................................513
Referenciando!..............................................................................................................513

Desenho Técnico Mecânico: Tolerância Dimensional - UE1.............................................515


Contexto!........................................................................................................................517
Problematizando...........................................................................................................519
Conhecimento em pauta!.............................................................................................519
Historiando!...................................................................................................................520
Para saber mais!............................................................................................................521
Solução do Problematizando.......................................................................................523
Agora é com você!.........................................................................................................525
Referenciando!..............................................................................................................525

Desenho Técnico Mecânico: Tolerância Geométrica - UE2..............................................527


Contexto!........................................................................................................................529
Problematizando...........................................................................................................530
Conhecimento em pauta!.............................................................................................530
Atenção!..........................................................................................................................531
Fique por dentro!..........................................................................................................535
Solução do Problematizando.......................................................................................535
Agora é com você!.........................................................................................................535
Referenciando!..............................................................................................................536

Estados de Superfície - UE1....................................................................................................539


Contexto!........................................................................................................................541
Problematizando...........................................................................................................543
Conhecimento em pauta!.............................................................................................543
Historiando!...................................................................................................................545
Solução do Problematizando.......................................................................................551
Agora é com você!.........................................................................................................552

Desenho Técnico Mecânico: Representação em Corte - UE1...........................................555


Contexto!........................................................................................................................557
Problematizando...........................................................................................................559
Conhecimento em pauta!.............................................................................................559
Para saber mais!............................................................................................................567
Solução do Problematizando.......................................................................................568
Agora é com você!.........................................................................................................569
Referenciando!..............................................................................................................569
Desenho Técnico Mecânico: Omissão de corte, seções, rupturas - UE1........................571
Contexto!........................................................................................................................573
Problematizando...........................................................................................................574
Conhecimento em pauta!.............................................................................................574
Solução do Problematizando.......................................................................................582
Agora é com você!.........................................................................................................583
Referenciando!..............................................................................................................583

Desenho Técnico Mecânico: Perspectivas - UE1.................................................................585


Contexto!........................................................................................................................587
Problematizando...........................................................................................................588
Conhecimento em pauta!.............................................................................................588
Fique por dentro!..........................................................................................................594
Solução do Problematizando.......................................................................................595
Agora é com você!.........................................................................................................595

Desenho Técnico Mecânico: Projeções - UE1......................................................................597


Contexto!........................................................................................................................599
Problematizando...........................................................................................................601
Conhecimento em pauta!.............................................................................................601
Para saber mais!............................................................................................................603
Fique por dentro!..........................................................................................................604
Solução do Problematizando.......................................................................................606
Agora é com você!.........................................................................................................607

Desenho Técnico Mecânico: Vistas - UE2.............................................................................609


Contexto!........................................................................................................................611
Problematizando...........................................................................................................612
Conhecimento em pauta!.............................................................................................612
Solução do Problematizando.......................................................................................618
Agora é com você!.........................................................................................................619
Referenciando!..............................................................................................................619

Desenho Técnico Mecânico: Desenho de conjuntos e Elementos de Máquinas - UE1......621


Contexto!........................................................................................................................623
Problematizando...........................................................................................................624
Conhecimento em pauta!.............................................................................................624
Fique de olho!................................................................................................................625
Solução do Problematizando.......................................................................................632
Agora é com você!.........................................................................................................633

Desenho Técnico Mecânico: Desenho de conjuntos, vistas explodidas - UE2....................635


Contexto!........................................................................................................................637
Problematizando...........................................................................................................638
Conhecimento em pauta!.............................................................................................638
Solução do Problematizando.......................................................................................642
Agora é com você!.........................................................................................................643

Desenho Técnico Mecânico: Simbologia de Solda - UE1.......................................................645


Contexto!........................................................................................................................647
Problematizando...........................................................................................................648
Conhecimento em pauta!.............................................................................................648
Fique por dentro!..........................................................................................................648
Fique de olho!................................................................................................................650
Fique por dentro!..........................................................................................................651
Solução do Problematizando.......................................................................................651
Agora é com você!.........................................................................................................653
Referenciando!..............................................................................................................653

Desenho Técnico Mecânico: Desenho Assistido por Computador - UE1.............................655


Contexto!........................................................................................................................657
Problematizando...........................................................................................................658
Conhecimento em pauta!.............................................................................................658
Historiando!...................................................................................................................659
Fique por dentro!..........................................................................................................660
Você sabia?!....................................................................................................................664
Solução do Problematizando.......................................................................................668
Agora é com você!.........................................................................................................668

Desenho Técnico Mecânico: Desenho Assistido por Computador - UE2.............................671


Contexto!........................................................................................................................673
Problematizando...........................................................................................................675
Conhecimento em pauta!.............................................................................................675
Fique por dentro!..........................................................................................................677
Fique por dentro!..........................................................................................................679
Você sabia?!....................................................................................................................682
Solução do Problematizando.......................................................................................684
Agora é com você!.........................................................................................................685

Qualidade: Conceito, aplicação - UE1......................................................................................687


Contexto!........................................................................................................................689
Problematizando...........................................................................................................691
Conhecimento em pauta!.............................................................................................691
Historiando!...................................................................................................................691
Você sabia?!....................................................................................................................692
Você sabia?!....................................................................................................................694
Solução do Problematizando.......................................................................................695
Qualidade: Ferramentas da Qualidade - UE1.........................................................................697
Contexto!........................................................................................................................699
Problematizando...........................................................................................................700
Conhecimento em pauta!.............................................................................................700
Fique por dentro!..........................................................................................................701
Trocando Ideias!............................................................................................................701
Solução do Problematizando.......................................................................................704
Agora é com você!.........................................................................................................704
Você sabia?!....................................................................................................................704

Organização no Ambiente Laboral - UE1................................................................................707


Contexto!........................................................................................................................709
Problematizando...........................................................................................................710
Conhecimento em pauta!.............................................................................................710
Solução do Problematizando.......................................................................................715
Agora é com você!.........................................................................................................715

Qualidade: Organizando o Ambiente de Trabalho - UE1......................................................717


Contexto!........................................................................................................................719
Problematizando...........................................................................................................720
Conhecimento em pauta!.............................................................................................720
Você sabia?!....................................................................................................................721
Fique por dentro!..........................................................................................................724
Solução do Problematizando.......................................................................................725
Agora é com você!.........................................................................................................725

Meio Ambiente: Preservação ambiental com os processos de fabricação e


manutenção - UE1..................................................................................................................727

Contexto!........................................................................................................................729
Problematizando...........................................................................................................730
Conhecimento em pauta!.............................................................................................730
Para saber mais!............................................................................................................733
Como aplico?..................................................................................................................734
Solução do Problematizando.......................................................................................736
Agora é com você!.........................................................................................................737

Meio Ambiente: Causas de problemas ambientais em processos de fabricação


mecânica - UE1..........................................................................................................................739
Contexto!........................................................................................................................741
Problematizando...........................................................................................................742
Conhecimento em pauta!.............................................................................................742
Fique por dentro!..........................................................................................................744
Solução do Problematizando.......................................................................................745
Agora é com você!.........................................................................................................747

Saúde e Segurança: Identificando Situações de Risco - UE1.................................................749


Contexto!........................................................................................................................751
Problematizando...........................................................................................................752
Conhecimento em pauta!.............................................................................................752
Fique por dentro!..........................................................................................................758
Fique de olho!................................................................................................................759
Para saber mais!............................................................................................................760
Solução do Problematizando.......................................................................................761
Agora é com você!.........................................................................................................762

Saúde e Segurança: O uso dos equipamentos de segurança - UE1.....................................765


Contexto!........................................................................................................................767
Problematizando...........................................................................................................768
Conhecimento em pauta!.............................................................................................768
Fique por dentro!..........................................................................................................770
Fique por dentro!..........................................................................................................771
Solução do Problematizando.......................................................................................772
Agora é com você!.........................................................................................................773
Unidade de Estudo
01

MATEMÁTICA
APLICADA À
MECÂNICA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!

?
?

Na oficina mecânica na empresa em que Quando ele estava finalizando uma


trabalha, Vagner é técnico mecânico e peça, o fluido de corte do torno
está operando o torno convencional. mecânico ficou abaixo do nível mínimo
de segurança.

Não posso continuar a trabalhar


assim. Se eu insistir, vou danificar
a aresta de corte da ferramenta e
poderá estragar a peça.

Para finalizá-la, Vagner precisava


completar o tanque do fluido de corte da
máquina.

Aqui, diz que a razão do fluido de corte é


de 1/20, mas a quantidade de água que
tenho disponível corresponde a 10 litros.
E agora, como usar o fluido?
OILE
R

Existem instruções precisas na tabela de


instrução do fabricante do óleo. É essencial
consultá-las antes do uso.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Quantos litros de fluido de corte Vagner precisa colocar no tanque do torno mecânico
para 10 litros de água??

Conhecimento em pauta!

NÚMEROS DECIMAIS, FRAÇÃO, RAZÃO E PROPORÇÃO

Você já percebeu como a matemática está presente em nosso cotidiano? Em atividades


diversas, utilizamos os números e fazemos comparação entre as grandezas. Vamos ver um
exemplo? Assista ao vídeo.

A proporção de componentes que o pedreiro tem para fazer a massa do cimento é simi-
lar à proporção que o técnico em mecânica deve ter para realizar a mistura da água com o
fluido de corte.

Mas o que é fluido de corte?

Fluido de corte é uma solução utilizada na usinagem de peças que tem a finalidade de
reduzir o atrito, da ferramenta de corte com a peça/superfície que está sendo usinada, e
diminuir a temperatura na região de corte. Ou seja, o fluido de corte lubrifica, refrigera e
protege contra a oxidação, equilibrando o processo de usinagem. Para conseguir estabilizar
o processo, o fluido contém uma razão de água e fluido de corte correta, geralmente indica-
da pelo fabricante do fluido de corte.

22
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica

Para fazer a proporção correta do fluido de corte, o mecânico deve ter como base alguns
conhecimentos matemáticos, como: número decimal, fração, razão e proporção, conforme
veremos no próximo vídeo:

Não é simples?

Esta relação de igualdade entre duas razões chama-se proporção e possui uma proprie-
dade que diz que o produto da multiplicação dos extremos é igual ao produto dos meios.
Vejamos um exemplo:

23
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Conforme mostra a animação acima, um motor consegue realizar trezentas voltas totais
a cada dois minutos. Considerando o mesmo motor na mesma proporção, quantas voltas o
motor irá realizar em cinco minutos?

Primeiro precisamos montar a proporção:

Número
Minutos
de Voltas

X 5
=
300 2

Em seguida, iremos realizar a multiplicação dos meios pelos extremos:

2 . x = 300 . 5

1500
X=
2

X = 750

Quando encontramos o valor de x, encontramos a quantidade de voltas que o motor irá


realizar em 5 minutos, que serão 750 voltas.

As proporções podem também ser inversamente proporcionais, quando alteramos uma


proporção, e ocorre o inverso na outra. Observe esse exemplo:

24
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica

Um automóvel, em velocidade constante de 80Km/h, percorre uma certa distância em


6 horas. Em quantas horas fará o mesmo percurso se diminuir a velocidade para 60Km/h?

As grandezas são inversamente proporcionais, pois, diminuindo a velocidade, aumentará


o tempo de percurso. Com isso, precisaremos escrever do seguinte modo:

60 x 60 6
Precisamremos inverter = =
uma das razões para 80 6 80 x
60 . x = 80 . 6
conseguirmos o
resultado esperado 60 . x = 480

480
X=
60

X=8

Confirmamos que reduzindo a velocidade para 60Km/h, o tempo de percurso irá aumen-
tar para oito horas.

A porcentagem é a razão com o denominador igual a 100 e é acompanhada pelo símbolo


de porcentagem (%). Vamos à mais um exemplo:

25
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Um técnico em mecânica precisa aplicar, em um parafuso normalizado, um torque de


60% do indicado para o mesmo. Sendo que é indicado para o parafuso o torque máximo de
2N, qual o torque que o técnico irá aplicar?

60
60% = = 0,6 Sendo assim 0,6 x 2 = 1,2 N
100

Então 60% de 2N corresponde a 1,2N.

Utilizando o exemplo das porcas, qual a porcentagem que representa as porcas que não
utilizou?

Vamos lá!

A razão representa a quantidade que ele não utilizou.


6 6
Realizando a divisão: = 0,666, como temos a parte decimal que representa a quanti-
9 9
dade que ele não utilizou, precisaremos fazer a operação inversa da divisão que é a multi-
plicação:

0,666 x 100 = 66,6%

Não foram utilizados 66,6% das porcas que foram separadas.

!
Solução do Problematizando...

Vamos voltar para a nossa questão inicial: Quantos litros de fluido de corte Vagner pre-
cisa colocar no tanque do torno mecânico para 10 litros de água? Acompanhe essa história:

PROPORÇÃO
1
20

OILE
R

Na tabela de instrução do óleo, consta a


informação de que a razão da quantidade é 1/20
L e a quantidade disponível de água que ele
possui é de 10 litros.

26 1 1 litro para 20
litros de água
20
OILE
R

Na tabela de instrução do óleo, consta a


informação de que a razão da quantidade é 1/20 UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica
L e a quantidade disponível de água que ele
possui é de 10 litros.

1 1 litro para 20
litros de água
20

1 1 litro para 20
litros de água
20

Entendemos que a razão 1/20, expressa


que, para cada 1 litro de fluido de corte,
precisamos colocar 20 L de água.

1 1 litro para 20 litros de


água
20

1 x 10
= 20 . x = 1 . 10 x= x = 0,5
20 10 20

Agora, vamos calcular... Vagner calculou e encontrou o resultado


de 0,5 litros, ou seja, 500 ml de óleo. Ele
1 x 10 1 precisa então realizar a mistura de 500 ml
= 20 . x = 1 . 10 x= x= x = 0,5
20 10 20 2 de fluido de corte, para 10 litros de água.

Então, basta colocar a mistura


no tanque do torno mecânico.

Agora sim! Vagner poderá


continuar realizando o seu
trabalho com perfeição!

27
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.


Sucesso!

28
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica

Anotações

29
Unidade de Estudo
02

MATEMÁTICA
APLICADA À
MECÂNICA
PROPORÇÃO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

32
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica: Proporção

Contexto!

Amarildo precisou fazer um serviço em uma


esteira, ele montou um conjunto de rodas
dentadas onde a roda dentada motora de 30
dentes girava a 300 rpm e a roda dentada movida
de 50 dentes girava a 180 rpm.

MOVIDA
AMARILDO
TÉCNICO

MOTORA

Algum tempo depois...


Amarildo, preciso que você veja a esteira
que você fez a troca das rodas dentadas,
preciso que você aumente a velocidade
dela para 225 rpm.

AMARILDO
TÉCNICO

AMARILDO
TÉCNICO

Amarildo começou a pensar em como


fazer para realizar a troca das rodas
dentadas, onde a roda dentada movida
passe a operar a 225 rpm.

33
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual o número de dentes que a roda dentada movida deve ter para girar a 225 rpm?

Conhecimento em pauta!

RODAS DENTADAS

O sistema de transmissão por


correntes é feito em conjunto com
outro elemento de transmissão já
visto antes: as rodas dentadas. Ele é
feito com o engate dos elos da
corrente nos dentes das rodas. Não
há deslizamento, perdas de energia e
potência são minimizadas. Assim,
este tipo de transmissão é eficiente,
tendo um bom rendimento no
trabalho.

Esse sistema de transmissão por correntes e rodas dentadas, de acordo com a combi-
nação de diferentes rodas, é capaz de aumentar ou reduzir a velocidade para atender às
necessidades operacionais da máquina.

Para calcular o conjunto de correntes e rodas dentadas adequados para determinada


necessidade, por exemplo, a rpm (rotação por minuto) e a quantidade de dentes necessá-
rios para a operação, utilizamos o conhecimento matemático sobre proporção. Mas, antes
de conhecermos sobre sua aplicação na mecânica, vamos relembrar sobre o seu conceito?

PROPORÇÃO
A igualdade entre duas razões forma uma proporção. Vale lembrar que razão é a com-
paração entre duas grandezas (tudo que pode ser medido, contado, como volume, massa,
superfície, comprimento, velocidade, tempo, etc.).

As proporções estão presentes no nosso cotidiano e são aplicadas em situações que en-
volvem proporcionalidade direta e inversa. Veja a seguir alguns exemplos:

34
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica: Proporção

Exemplo 1. Abastecimento no posto de combustível

Você pede ao frentista do posto de


combustível para abastecer 10 litros de
gasolina no seu carro. O valor a ser pago será
devido a esta quantidade de litros que você
solicitou. Neste exemplo, a proporção é
direta porque quanto mais combustível for
inserido no carro, maior será o valor pago.

Exemplo 2. Construção de uma casa

Suponhamos que 10 trabalhadores levem 20


dias para construir uma casa. Aumentando a
quantidade de trabalhadores para 15, os dias
para construção irão reduzir. Este é um
exemplo de proporção inversa, porque,
quando aumenta a quantidade de
trabalhadores, ocorre o inverso com o tempo
de construção, reduz.

Como aplico?

As proporções diretas e inversas podem ser aplicadas em várias situações na área da me-
cânica. Vamos ver dois exemplos que fazem parte do trabalho de um profissional mecânico.

• Exemplo 1. Colocar graxa nas máquinas da oficina.

O técnico em mecânica
precisa colocar graxa nas
máquinas da oficina. A
quantidade de graxa utilizada
é de 100 g e a oficina possui
13 máquinas que precisam
dessa mesma quantidade.
Quantos gramas de graxa o
técnico irá precisar?

35
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vamos calcular juntos? Vamos lá!

Resposta: O técnico precisará de 1300 g de graxa para colocar nas máquinas da oficina.

• Exemplo 2. Calcular o tempo de corte de uma serra fita.

É preciso calcular o tempo de


corte de uma serra fita. O
operador a coloca na
velocidade A, efetua o corte
em 15 min. Quando colocar
na velocidade B, que é maior
que a velocidade A em 1,5
vezes, em quantos minutos o
corte será realizado?

Vamos realizar outro cálculo?

Resposta: Aumentando a velocidade em 1,5 vezes, a serra realizará o corte em 10 min.

36
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica: Proporção

Com base nos exemplos anteriores, você consegue identificar qual das situações é a pro-
porção direta e qual é a proporção inversa?

Caso você tenha respondido que o Exemplo1 é uma proporção direta e o Exemplo 2 é
uma proporção inversa, acertou. O Exemplo 1 é uma proporção direta porque quando au-
menta a quantidade máquinas, aumenta também a quantidade de graxa para ser colocada
nessas máquinas. O Exemplo 2 é uma proporção inversa porque, à medida que aumentar a
velocidade, reduzirá o tempo para realizar o corte.

!
Solução do Problematizando...

Enfim, vamos retomar e solucionar o nosso problematizando?

Qual o número de dentes que a roda dentada movida deve ter para girar a 225 rpm?

AMARILDO
TÉCNICO

AMARILDO
TÉCNICO

37
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Amarildo recordou que precisa realizar o cálculo para encontrar o número de dentes da
roda dentada que garanta 225 rpm, utilizando a mesma fórmula:

Como se trata de uma proporção inversamente


proporcional, precisamos inverter um dos lados da
igualdade. Vamos ver no vídeo a seguir.

6
9
AMARILDO
TÉCNICO

Amarildo calculou que a roda dentada movida precisa ter 40 dentes para fornecer o valor
de 225 rpm.

É importante lembrar que, com o uso de combinações de rodas dentadas, com números
de dentes diferentes, teremos duas situações na relação de transmissão:

38
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica: Proporção

• 1ª - A rpm, na roda dentada movida, será menor quando o diâmetro da roda dentada
movida for maior que o diâmetro da roda dentada motora.

Menor rpm

Motora Movida

• 2ª – A rpm, na roda dentada movida, será maior quando o diâmetro da roda dentada
movida for menor que o diâmetro da roda dentada motora.

Maior rpm

Motora Movida

Agora é com você!


Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não
perca tempo, aplique-os! Sucesso!

39
Unidade de Estudo
01

MATEMÁTICA
APLICADA À
MECÂNICA
ÁREAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

42
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

Contexto!

Fernando recebeu a tarefa de produzir pequenas peças em forma triangular a


partir de uma tira de alumínio. As peças deverão ser obtidas por meio de uma
prensa para corte de chapas em processos de estampagem, através de uma matriz.

A produção deve ser


otimizada, de forma
a se obter o maior Então... a matriz deve
número possível de ser confeccionada
peças por tira. levando em conta a
área da peça e a área
FERNANDO
TÉCNICO
da tira, aproveitando
ao máximo a tira de
alumínio.
ANA
TÉCNICA

Preciso analisar Peça


as possíveis
disposições dos
triângulos para
otimizar toda a Tira de chapa de alumínio
produção!

130

FERNANDO
150

TÉCNICO

ANA
TÉCNICA

Tenho que definir alguma


dessas disposições para a
confecção da matriz...

FERNANDO
TÉCNICO

43
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual a melhor disposição dos triângulos para confecção da matriz, de forma a otimizar o
processo?

Conhecimento em pauta!

CÁLCULO DE ÁREAS

Você já observou como as figuras geométricas fazem parte de nossa vida? Quando anda-
mos na rua, vemos triângulos, retângulos, círculos e outras mais. Por exemplo, as placas de
sinalização costumam ter essas geometrias e o telhado de uma casa, dependendo do tipo,
nos lembra o triângulo.

44
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

Algumas vezes, um técnico em mecânica precisa calcular a área de uma dessas figuras.
Por exemplo, para produzir a base de um reservatório industrial, precisamos conhecer sua
área. Mas será que você sabe calcular essas áreas? Cada figura tem o cálculo diferente, em
função de suas características. Então, vamos conhecer os principais polígonos regulares, o
retângulo, o triângulo, o círculo, o trapézio e o losango.

POLÍGONOS REGULARES
Um polígono regular tem os lados e os ângulos internos iguais. Isso facilita o cálculo e
permite padronizar a fórmula. Para todos os polígonos regulares, a área pode ser calculada
pela fórmula:

A = ap.P

Onde ap é o apótema do polígono e P é o seu perímetro, que é a soma dos lados do po-
lígono. Se o polígono tem n lados e cada lado tem comprimento “a” determinado, então, o
seu valor é dado por:

P = n.a

O apótema é a distância do centro do polígono até o ponto médio de um dos lados. Veja,
na figura a seguir, essas medidas.
ap

45
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Para cada polígono, o apótema é calculado de uma forma. Sem entrar na dedução, pode-
mos observar um exemplo de cálculo do apótema pela seguinte fórmula:

a é o lado do
polígono

ap = a
2.tan 180
n
n é o número de lados

A tabela a seguir ilustra as fórmulas para apótema e área, para alguns polígonos regulares.

Polígono regular Apótema Área

3 .a 3 .a2
Triângulo
6 4

a
Quadrado a2
2

Pentágono 0,6882.a 4,129.a2

Hexágono
3 .a 3. 3 .a2
2

Com base na tabela, se tivermos um triângulo equilátero com lado de 20 mm, podemos
calcular:

46
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

Retângulo
O retângulo talvez seja a figura mais usada na Mecânica, seja diretamente ou indireta-
mente. Para um retângulo, a área é calculada pelo produto de seus lados. Veja a figura a
seguir:

A=a.b
b

Note que um quadrado é um caso particular do retângulo, em que os lados são iguais.
Chamando esses lados de “a”, então a área do quadrado é:

A = a2
a

Triângulo
O triângulo também é uma figura bastante encontrada na Mecânica. Genericamente, um
triângulo tem os três lados diferentes. Então, sua área é calculada multiplicando-se a base
pela altura e dividindo-se por 2. A figura a seguir ilustra esse cálculo.

A = b.a
a

47
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Note que, caso os três lados sejam iguais, o triângulo é chamado “equilátero”. Neste caso,
sendo o lado do triângulo “a”, a fórmula da área simplificada fica:

A = 3 . a2
4

Círculo
O círculo é outra figura sempre presente na mecânica. Por exemplo, tarugos para usina-
gem são, em sua maioria, cilíndricos, ou seja, possuem uma seção circular. A figura a seguir
mostra um círculo e seu cálculo de área.

D A= π . D2
4

A fórmula anterior é calculada com base no diâmetro do círculo. Se considerarmos o raio,


a fórmula torna-se:

A = π.r2

Trapézio
O trapézio é um quadrilátero (tem 4 lados) com dois lados paralelos (diferentes) e outros
dois que ligam os primeiros. Os lados paralelos são chamados de bases. Temos, então, a

48
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

base maior e a base menor. A distância entre as bases é chamada de altura. Veja, na figura
a seguir, como se calcula a área desta figura:

A= B+b .a
2

a
B

Então, para o trapézio, multiplicamos a média das bases pela altura.

Losango
O losango é uma figura pouco encontrada. É um quadrilátero, também, e seus lados são
todos iguais. Os ângulos internos são diferentes, o que torna suas diagonais também dife-
rentes. A ilustração a seguir representa essa figura, com o cálculo de sua área.

AA==Dπ. .dD
2

24
D

Agora que já vimos os cálculos de áreas das figuras básicas, vamos acompanhar uma
breve aplicação. Imagine que você tenha uma chapa de aço quadrada com 1 m de lado.
Você deve usar esta chapa para recortar pedaços em formato de trapézio, de forma a obter
o maior número possível de trapézios. Veja o desenho a seguir, com as medidas do trapézio
em metros.

49
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

1
0,1

0,15
0,2

1
Uma disposição possível é mostrada a seguir.

Vamos calcular, com base na figura anterior, qual a área total aproveitada da chapa. Como
a chapa é um quadrado de 1 m de lado, sua área é:

50
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

Ac = 1 . 1 = 1m2, sendo Ac a área da chapa.

Cada trapézio tem a área dada por:

0,1 + 0,2
AT = *0,15 = 0,0225m2, sendo AT a área de um trapézio.
2

Pela figura anterior, couberam 20 trapézios, cuja área total é 0,45 m². Isso quer dizer que
mais da metade da área da chapa (0,55 m², ou 55%) está sendo desperdiçada. Vamos, então,
tentar de outra forma.

Note que invertemos a posição dos trapézios da segunda e quarta colunas e, por isso,
coube mais uma coluna. Agora temos 25 trapézios, com área total de 0,563 m² e desperdício
de 43,7%.

Figuras quaisquer
No caso de uma figura qualquer, para calcular a sua área, é preciso subdividi-la em figu-
ras básicas. Por exemplo:

51
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

R
a

R
2R

Após dividi-la, temos um retângulo somado a um semicírculo.

a
R
2R

Nesse caso, a área da figura é a soma da área do retângulo com a do semicírculo. Sendo
AR a área do retângulo, e ASC a área do semicírculo, portanto:

A = AR +ASC

52
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

Se os valores em milímetros forem:

a = 40 mm
R = 15 mm

A área pode ser obtida aplicando os valores na fórmula:

A = a . 2R + π . R2
2

A = 40 . 30 + π . 152
2

A = 1553 mm2

Já no próximo caso, temos uma figura mais complexa, que inclusive tem um círculo inter-
no que representa um furo na peça. Neste caso, a área deste furo deve ser subtraída do total.

50
R1
0

5
R2

20
30
20

20 10

Então, para o cálculo da área da figura, devemos dividi-la em outras figuras básicas, como
mostrado a seguir.

53
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

S1
R1 S2 C1

Q1
T1

Note que agora temos figuras conhecidas, com áreas facilmente calculáveis. Temos 2 se-
micírculos, 1 retângulo, 1 quadrado, 1 triângulo e 1 círculo. Considerando que a identificação
em cada figura equivale à sua área, então, o valor total da área desta figura é calculada por:

A = S1 + R1 + Q1 + T1 + S2 – C1

Considerando as cotas em milímetros e aplicando os valores na fórmula, temos o valor


da área:

A = AR + ASC

O que resulta em A = 4.668 mm².

Note que, para figuras muito complexas, o que dá trabalho é identificar onde dividi-la para
obter as figuras básicas. Mas, uma vez feito isso, o restante é apenas aplicar as fórmulas.

54
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o nosso problematizando? Qual a melhor disposição das figuras, para
confecção da matriz, de forma a otimizar o processo?

A melhor forma
é essa aqui!

ODNANREF
OCINCÉT

ANA
TÉCNICA

A distância mínima entre os triângulos não pode ser aleatória. Deve ser calculada
de acordo com as regras de estampagem, que levam em conta a resistência do
material, sua espessura e algumas características da prensa e do punção.

Mas ainda preciso considerar


algumas condições de resistência
dos materiais para calcular a
distância mínima entre os triângulos.

ODNANREF
OCINCÉT

ANA
TÉCNICA

55
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.

56
UE1 | Matemática Aplicada à Mecânica | Áreas

Anotações

57
Unidade de Estudo
02

MATEMÁTICA
APLICADA À
MECÂNICA
VOLUMES

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

60
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica | Volumes

Contexto!

O fluido de corte está quase


acabando. Preciso solicitar a
compra para não atrapalhar a
produção.

Para especificar a quantidade de O reservatório do


fluido, Ana precisa calcular o torno fica na parte
volume do reservatório, pois não traseira e tem uma
há esta informação. base retangular que
mede 600 x 400 mm e
altura de 550 mm.

ANA
TÉCNICO

61
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

O que Ana deve fazer para saber a capacidade de litros que o reservatório do torno su-
porta?

Conhecimento em pauta!

CÁLCULO DE VOLUMES

Você já notou como as figuras geométricas estão presentes em nossas vidas? Basta olhar à
sua volta e lá estão elas: é a lâmpada fluorescente, que lembra um cilindro; o globo terrestre,
lembrando uma esfera; ou a geladeira, que tem a forma de um paralelepípedo. Esses são
apenas alguns dos vários exemplos que encontramos.

62
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica | Volumes

E se precisarmos saber o volume de uma dessas figuras geométricas? O que fazer? Nesta
hora, temos que lembrar de uma coisa: cálculo de volume se aplica somente a figuras tridi-
mensionais, que são figuras com três dimensões e, dependendo das figuras, podem ser um
cálculo mais complexo. Nesta aula, vamos abordar os sólidos geométricos básicos.

ESFERA
A esfera é um dos sólidos mais simples e básicos de todos. O cálculo de seu volume é
simples, basta aplicar a fórmula, conforme mostrado na ilustração a seguir.

V = 4 π.R3
3

O volume das demais figuras é calculado por meio da área da base, que é multiplicada
por um fator. Para algumas figuras, este fator é a altura e para outras, é um terço da altura.
A seguir, veja um infográfico com algumas figuras básicas, suas características e como se
calcula o volume.

PARALELEPÍPEDO
Em um prisma, suas arestas se encontram a 90°. VOLUME
De um modo geral, seus lados são diferentes. O V=Ab*h
volume é calculado como o produto de seus 3
lados.
V=(a*b)*h
a

PIRÂMIDE
Uma pirâmide pode ter vários
h tipos de base: quadrada,
triangular, retangular ou outras.
63 O volume de uma pirâmide pode
ser calculado pelo produto da
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

PIRÂMIDE
Uma pirâmide pode ter vários
h tipos de base: quadrada,
triangular, retangular ou outras.
O volume de uma pirâmide pode
ser calculado pelo produto da
área da base pela altura, dividido
por três.
b a
VOLUME
V= Ab * h
3
h
V = (a * b) *
3

R
CILINDRO
Como muitos sólidos básicos, seu
volume pode ser calculado pelo
produto da área da base pela sua
altura.
VOLUME
V=Ab*h
h
V=πr2*h

CONE
Um cone tem um círculo em sua
base e seu volume pode ser
calculado de forma semelhante à
pirâmide. VOLUME
V= Ab * h
3
h
V = (π * R ) *
2
3
h
R

No caso do prisma e da pirâmide,


caso a figura não seja regular, ou
seja, se seu ápice não se projetar
sobre o centro da base, as
fórmulas apresentadas ainda h
valerão.
VOLUME
V= Ab * h
3 R
h
V = (π * R ) *
2
3
64
R
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica | Volumes

No caso do prisma e da pirâmide,


caso a figura não seja regular, ou
seja, se seu ápice não se projetar
sobre o centro da base, as
fórmulas apresentadas ainda h
valerão.
VOLUME
V= Ab * h
3 R
h
V = (π * R ) *
2
3

! Fique por dentro!


Quando trabalhamos com diferentes unidades de medida, ou grandezas, é necessário
tomar cuidado com os valores usados, para não comprometer o resultado do cálculo.
Por exemplo: se as medidas da base estão em milímetros e a altura em metros, é neces-
sário realizar a conversão para uma mesma unidade.

CÁLCULO DE VOLUMES COMPLEXOS


Quando consideramos figuras geométricas que fogem às figuras básicas, para calcular
o volume, deve-se dividir a figura em vários componentes regulares e proceder ao cálculo
individual, para depois somar e subtrair os volumes.

Em muitos casos, o objeto tridimensional é uma figura plana (bidimensional) que foi ex-
trudada. Nestes casos, o volume é a área da figura bidimensional multiplicada pela altura da
extrusão. Observe alguns exemplos a seguir.

Se pegarmos uma figura plana (bidimensional) e a elevarmos, temos o que se chama de


“extrusão”. Neste exemplo, começamos com um triângulo de linhas; depois, o transforma-
mos em uma figura plana e, por último, fazemos sua extrusão.

65
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vamos ver, no vídeo a seguir, alguns cálculos envolvendo figuras complexas:

! Fique por dentro!


Alguns programas de desenho em 3D calculam automaticamente o volume das figuras,
mas você deve saber operar o programa e construir a figura em 3 dimensões! Por exem-
plo, existem o Inventor, o SolidWorks e o AutoCAD.

!
Solução do Problematizando...

No início dessa aula vimos que Ana precisava solicitar a compra do fluido de corte para
que o torno continuasse funcionando. Então, o que Ana deve fazer para saber a capacidade
de litros que o reservatório do torno suporta?

66
UE2 | Matemática Aplicada à Mecânica | Volumes

Já verifiquei que o formato do


reservatório é um sólido prismático,
regular, com base de dimensões 600 x
400 mm e altura de 550 mm.

ANA
TÉCNICO

Agora só falta fazer


a conversão de
mm³ para litros e
pronto!
132000000
V=
1000000
V=132 litros
V=Ab*h
V=a*b*h
V=600*400*550
V=132000000 mm3

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não


perca tempo, aplique-os! Sucesso!

67
Unidade de Estudo
01

A GEOMETRIA COMO
FERRAMENTA PARA
A MECÂNICA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

70
UE1 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Contexto!

Fernando recebeu de seu supervisor um croqui, com o esboço de uma peça para
usinagem.

Fernando, preciso que você usine esta peça aqui, tal


como está no desenho, com uma certa urgência,
pode ser?

FERNANDO
TÉCNICO

ORIMODLAV
ETNEREG

Sim, Senhor! Pode


deixar comigo.

Embora possua informações de algumas dimensões da peça, faltam outras. Para con-
seguir atender o pedido do supervisor, Fernando precisa descobrir a distância e entre os
centros dos furos.

71
centros dos furos.

Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Observe que Fernando tem as distâncias na horizontal e na vertical


entre os furos, mas precisa saber a distância X entre eles. Para isso,
vai precisar fazer alguns cálculos.

72
UE1 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

?
Problematizando...

Que cálculo Fernando deve fazer para determinar a distância x e conseguir realizar a usi-
nagem da peça?

Conhecimento em pauta!

RELAÇÕES EXISTENTES EM TRIÂNGULOS

Observe a imagem a seguir... Nota algo nela?

São elas, as figuras geométricas que fazem parte de nosso cotidiano e, muitas vezes, nem
percebemos isso. Na imagem anterior, por exemplo, o semáforo representa duas figuras ge-
ométricas diferentes: o retângulo e o círculo. Se observarmos a faixa de pedestres, veremos
que ela é composta de vários retângulos pintados de branco, as placas de trânsito com suas
formas variadas, o formato cilíndrico dos postes, tudo possui formas geométricas.

73
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Os triângulos também estão presentes em nosso dia a dia. Observe alguns telhados de
casas, eles normalmente são triangulares.

Na geometria, o triângulo é uma figura composta por três segmentos de reta conectados
pelas extremidades, formando três ângulos internos.

É possível observar ângulos externos entre um lado do triângulo e o prolongamento do


lado adjacente a ele, como nos mostra a figura a seguir.

74
UE1 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Vértice

Lado

Ângulo interno Ângulo externo

Veja, a seguir, algumas propriedades que valem para todos os tipos de triângulos:

A soma dos ängulos


internos é sempre
igual a 180°

A medida de um ängulo
externo é igual à soma
A soma dos ängulos
das medidas dos dois
externos sempre é
ângulos internos não
igual a 360°
adjacentes a ele

A soma das medidas


de dois lados é sempre
maior que a medida
do terceiro lado

Quando temos dois ou mais triângulos, pode haver semelhanças entre eles. Mas o que
isso quer dizer? Vamos ver?

Dois triângulos são ditos semelhantes quando têm os mesmos ângulos internos. Observe
a figura a seguir:

75
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Veja que um triângulo é igual ao outro, mas com um fator de escala aplicado, ou seja, se
multiplicarmos todos os lados do triângulo menor por 2, por exemplo, teremos um triângulo
duas vezes maior de forma proporcional. Como pôde ser visto na imagem anterior, as medi-
das 8, 12 e 16 do triângulo menor ficaram com 16, 24 e 32 no triângulo maior.

O vídeo a seguir nos mostra como podemos usar os triângulos para definir o teorema
fundamental da proporcionalidade:

76
UE1 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Você Sabia?
Muitos séculos atrás, um matemático grego de nome Pitágoras descobriu algumas re-
lações existentes entre os lados de um triângulo retângulo (aquele que tem um de seus
ângulos com o valor de 90 °, ou seja, ângulo reto). A principal relação que ele descobriu foi
que o quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos catetos:

b^2=a^2+c²

Agora que você já viu as relações existentes em triângulos e conheceu suas propriedades,
veja como se aplicam essas relações na imagem a seguir.

77
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Imagine que você tenha uma peça com as mesmas dimensões mostradas na figura ante-
rior e precise calcular a distância x. Vamos ver de que forma é possível? Sendo ABC um triân-
gulo retângulo (ou seja, um dos seus ângulos internos é reto), vamos aplicar nele o teorema
de Pitágoras. Geometricamente, temos:

BC2 = CA2 + AB2

O lado BC elevado ao quadrado é igual ao lado CA elevado ao quadrado, mais o lado AB


elevado ao quadrado. Aplicando esta fórmula para nosso caso, teremos:

x2 = 602 + 802

x elevado ao quadrado é igual a 60 elevado ao quadrado, mais 80 elevado ao quadrado.


Ou seja:

x2 = 3600 + 6400

x2 = 10000

x = √10000 = 100 mm

78
UE1 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Então, x elevado ao quadrado é igual a 3.600 mais 6.400. Ou seja, x elevado ao quadrado
é igual a 10.000. Então, x é a raiz quadrada de 10.000, que resulta em 100. Como a unidade
de medida é o milímetro, a resposta é:

x = 100 mm

Viu como uma situação corriqueira de trabalho pode ser resolvida com uma relação geo-
métrica? Vamos ver outro caso, o da triangulação. Este processo é empregado para calcular
uma distância usando o conceito de triângulos semelhantes. Imagine que você esteja na
margem de um rio e precise saber a distância até um ponto no outro lado.

De que forma calcularemos a distância?

α
D
A
C
E

Você está no ponto A e quer saber a distância para o ponto B. Você vai até o ponto C e
mede o ângulo α para poder olhar para o ponto B. Depois, traça o triângulo CDE, que é se-
melhante ao triângulo CAB. Note que, pela semelhança, o ângulo (ECD) é α.

Então, podemos fazer as proporções:

AC/AB=DC/DE

Agora, se tivermos as medidas AC, DC e DE é só fazer as contas.

Outra forma de fazer as contas anteriores é usar um pouco de trigonometria. Conside-


rando apenas o triângulo ABC, temos que:

tan=AB/CA

79
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Como o ângulo α é conhecido e a distância CA também é conhecida, podemos escrever:

AB=CA.tan∝

E o resultado será o mesmo anterior.

!
Solução do Problematizando...

Vamos recordar o nosso problematizando? Que cálculo Fernando deve fazer para deter-
minar a distância x entre os furos e conseguir realizar a usinagem?

FERNANDO
TÉCNICO

Fernando fez o cálculo trigonométrico, através do teorema de Pitágoras, que possibilita


determinar a distância x.

Veja como ele chegou ao resultado final, aplicando a fórmula:

x2 = 192,52 - 1752 = 80,195...


x = 80,2 mm

Supondo que a precisão da peça admita apenas uma casa decimal após a vírgula, dizemos
então que a distância calculada é de 80 milímetros e 2 décimos.

Depois de resolver todos os cálculos corretamente, Fernando pode usinar a


peça pedida por Valdomiro com sucesso. Mostrando mais uma vez o poder
da matemática na vida do profissional!

80
UE1 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Mostre que você
aproveitou tudo que foi mostrado aqui. Bom desempenho!

81
Unidade de Estudo
02

A GEOMETRIA COMO
FERRAMENTA PARA
A MECÂNICA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

84
UE2 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Contexto!

100º
30 40 50
20 50
150 140 130
8
70
10 160 120
0 0 11 80

6
17 0
0 9 10
18 0

90
Punção
10

100
80
11

110
70
12

120 130
60
1
13

50
0

40
14

140
1
60

30

15
15

0
2

20
16
0
10
3
17
0 0

4
18
0
2

5
Nº.
HB

6
h

Matriz

Fernando, técnico em mecânica na empresa Metaltech, recebeu a


responsabilidade de preparar uma chapa para dobramento por
Fernando, técnico em mecânica na empresa Metaltech, recebeu a responsabilidade de
estampagem. Será
preparar uma chapa preciso
para calcular
dobramento a profundidade
por estampagem. de penetração
Será preciso do
calcular a profundidade
punção
de na peça,
penetração conforme
do punção na peça,desenho técnico.técnico.
conforme desenho

100º
Punção

60

Matriz

Fernando precisa calcular a cota h, que é a distância que o


punção deve se deslocar a partir do momento que tocar a
chapa. Ele sabe que a largura da abertura é 60 mm e o ângulo
do punção é 100°.

85
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Fernando pode calcular a distância h, que é a distância que o punção deve se des-
locar a partir do momento que tocar a chapa?

Conhecimento em pauta!

FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS

Embora não pareça, as funções trigonométricas têm grande utilidade em nosso dia a dia.

As principais funções são o seno e o cosseno, como podemos visualizar a seguir.

Perceba que o ponto A está na circunferência. Ao projetarmos este ponto para baixo, so-
bre o eixo X, obtemos o ponto B. O ângulo (AOB) está identificado como α (alfa).

0
B X

86
UE2 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Vamos olhar mais de perto o triângulo OAB.

y
α
O
x B

Considerando o triângulo retângulo da figura, definimos o lado maior como hipotenusa


e os outros dois como catetos. Sendo um cateto oposto ao ângulo e o outro adjacente, ou
junto, ao ângulo.

Assim, o seno do ângulo α é definido como o comprimento do cateto oposto ao ângulo di-
vidido pela hipotenusa. Matematicamente, isso se representa como senα (seno de alfa). E o
cosseno é definido como o cateto adjacente ao ângulo dividido pela hipotenusa. Matemati-
camente, isso se representa como cosα (cosseno de alfa). Em termos geométricos, podemos
definir as funções trigonométricas da seguinte maneira:

senα
= BA
OA
cosα OB
=
OA
87
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Também há outra função trigonométrica importante, que é o quociente entre o seno e o


cosseno: a tangente. É definida como o cateto oposto dividido pelo cateto adjacente. Mate-
maticamente, isso se representa como tanα (tangente de alfa). Ou seja:

BA
=
OB

Além dessas, há outras funções menos empregadas, como a cotangente, a secante e a


cossecante.

APLICAÇÕES DAS FUNÇÕES TRIGONOMÉTRICAS


Mas quais as aplicações práticas das funções trigonométricas? Veremos isso no vídeo a
seguir.

88
UE2 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Voltando ao problema, como Fernando pode calcular a distância h?

Fernando realizou os cálculos necessários e chegou à conclusão de que o punção deve


penetrar 25 mm.

Vamos analisar como ele chegou a essa conclusão:

Usando os conceitos e relações da trigonometria, Fernando pôde simular a ponta do pun-


ção conforme figura a seguir:

30

O
A
º
50

Considerando o triângulo retângulo OAB, podemos escrever:

tan 50° =30/h

De onde tiramos h=30/(tan 50° )= 30/1,19=25,173

Então h = 25,173 mm. Mas, nesse caso, devido à precisão do processo, pode ser conside-
rado 25 mm.

89
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

mìå Кç
NMMŸ

SM

Ü
j~íêáò

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Mostre que você
aproveitou tudo que foi mostrado aqui. Bom desempenho!

90
UE2 | A Geometria como Ferramenta para a Mecânica

Anotações

91
Unidade de Estudo
01

FÍSICA APLICADA
GRANDEZAS FÍSICAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

94
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

Contexto!

Lucas, observe bem


como é o processo de Pode deixar,
torneamento. Valdomiro.

VALDOMIRO
GERENTE

LUCAS
ESTAGIÁRIO

Preciso que você verifique se Mas Lucas está no início do curso, é recém-contratado
os parâmetros de corte estão como estagiário na Metaltech.
adequados.

VALDOMIRO
GERENTE

LUCAS
ESTAGIÁRIO

Por isso, ele ficou em dúvida sobre alguns


parâmetros, como velocidade e temperatura.

VALDOMIRO
GERENTE

Valdomiro explicou sobre algumas grandezas


físicas, mas a dúvida de Lucas continuou.

VALDOMIRO
GERENTE

LUCAS
ESTAGIÁRIO

95
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Lucas pode aplicar as principais grandezas físicas na sua atividade profissional?

Conhecimento em pauta!

GRANDEZAS FÍSICAS

Você já notou que, ao abastecer um automóvel, é comum as pessoas solicitarem o valor


que desejam pagar ou a quantidade desejada de combustível?

R$ 40,00, ’

por favor.

10 litros,
por favor.

Tanto uma opção quanto a outra, trata-se de uma grandeza física. Você já ouviu falar em
grandeza física?

Grandezas físicas são as características, ou propriedades, de algo, ou fenômeno, que po-


dem ser medidas direta ou indiretamente. Elas podem ser:

• Grandezas escalares: que se definem com apenas um valor. Por exemplo, massa e tem-
po;

96
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

• Grandezas vetoriais: que, além do valor, também precisam de uma direção de aplicação
e um sentido de aplicação. Por exemplo, velocidade e força.

Para medir as grandezas é necessário haver uma quantidade de referência. Mas o que
isso significa? Que deve haver uma unidade de medida para que se possa medir uma gran-
deza.

Por exemplo, para comprarmos leite no supermercado, devemos saber quanto quere-
mos do produto. 2 litros, talvez? Neste caso, a unidade de medida é o litro.

O SI (Sistema Internacional de Unidades) estabelece sete grandezas básicas e suas res-


pectivas unidades. São elas: o comprimento, a massa, o tempo, a corrente elétrica, a tempe-
ratura, a quantidade de substância e a intensidade luminosa. A partir das unidades de base
dessas grandezas, podemos obter suas unidades derivadas.

UNIDADES DE BASE
Vamos conhecer algumas grandezas físicas, suas unidades e simbologias.

97
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

COMPRIMENTO: é a grandeza física que se refere às


dimensões de um objeto, como o comprimento de um
parafuso. Para medir distâncias ou comprimentos, usam-se
instrumentos de medição, como réguas que possuem
graduação com divisões da unidade de medida. As
unidades empregadas para medidas lineares são o metro
(m), seus múltiplos e submúltiplos, além de unidades como
polegadas (in) - do inglês inch, ou pé (ft) - do inglês foot,
entre outras.

MASSA: é a grandeza física que se refere à quantidade de


matéria de um objeto, como a massa de cavaco (material
removido) produzido em uma operação de usinagem para
armazená-la adequadamente. Uma vez que não é possível
medir a massa diretamente, é necessário medir outras
grandezas para realizar esse cálculo. Normalmente,
mede-se o peso do objeto para então calcular a massa.
Em seguida, basta dividir seu peso pela aceleração da
gravidade. No SI (Sistema Internacional), a massa é medida
em quilogramas (kg). Um submúltiplo muito utilizado é o
grama (g). Um quilograma equivale a mil gramas.

TEMPO: é uma grandeza física usada para controle. Ele


determina o início e o fim, ou seja, a duração de um
acontecimento, como a duração de usinagem de uma peça.
Esta grandeza possibilita o controle da variação de outras
grandezas e pode ser aplicado para medir velocidades,
acelerações, variações de temperaturas, de volume e
outras. Suas unidades mais comuns são o segundo (s) e a
hora (h).

Temperatura: é uma grandeza física que define o quanto


um corpo ou ambiente está quente ou frio. De modo geral,
podemos dizer que a temperatura de um corpo é a medida
do “garu de agitação de suas moléculas”. Suas principais
unidades são o Kelvin (k), no SI, e o grau Celsius (ºC), mas
também é usada a unidade grau Fahrenheit (ºF),
principalmente nos países de língua inglesa.

Agora que você já conhece as unidades de base, vamos conhecer as unidades derivadas.

UNIDADES DERIVADAS
Volume: é a grandeza física que define a quantidade de espaço ocupado por um corpo.
Um corpo físico ocupa três dimensões no espaço (comprimento, largura e altura), por isso,
as unidades de volume são unidades lineares elevadas à terceira potência, como metro cú-
bico (m3) ou milímetro cúbico (mm3). Além dessas, também há outras, como o litro (l).

Observe as dimensões de uma caixa:

98
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

20

60
40

Perceba que a caixa tem volume de 48000 mm³. Este valor é obtido por meio da multi-
plicação de suas dimensões, 60 x 40 x 20, supondo que elas estejam em milímetros. Muitas
vezes não pensamos apenas em um objeto, mas também na sua localização ou posição. E a
mudança da posição nos dá a velocidade.

Velocidade: é o resultado da distância para sair de um local e chegar a outro, além do


tempo necessário para percorrer este percurso.

De acordo com a física, velocidade é a distância percorrida por um corpo em um deter-


minado tempo. Esta é uma grandeza vetorial, ou seja, possui um valor (ou módulo), uma
direção e um sentido de aplicação. Suas unidades mais comuns são m/s e km/h.

Quando a velocidade de um objeto muda, significa que ele está submetido a uma acele-
ração.

99
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Mas você sabe o que é aceleração?

Aceleração: é a variação da velocidade, ou seja, a mudança na velocidade de um corpo


em um determinado tempo. Esta é uma grandeza vetorial. Sua unidade mais comum é o m/
s2.

Se um objeto tem uma aceleração de 2 m/s², isso significa que a cada segundo, sua veloci-
dade aumenta em 2 m. Perceba que na medida em que aumentamos a força aplicada sobre
o carro, a sua aceleração aumenta na mesma proporção.

a1 a2 a3

F1 F2 F3

Portanto, para haver uma aceleração, é preciso haver também uma força aplicada ao
objeto.

Força: é uma grandeza física que resulta na alteração do estado de um corpo. Uma das
consequências da aplicação de uma força é tirar um corpo da inércia, concedendo movi-
mento ou aceleração a ele.

No entanto, embora apresente esta capacidade, nem sempre a aplicação de uma força
altera o estado de movimento de um corpo. Se você empurrar uma parede, por exemplo,
provavelmente não a moverá, apesar de exercer muita força sobre ela. Outra consequência
comum da ação de uma força é a deformação. Se você apertar uma lata de refrigerante,
certamente poderá amassá-la.

100
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

Assim, podemos definir que a força é uma grandeza vetorial que pode ser definida pela
aceleração de uma massa. Suas principais unidades são o Newton (N) e o quilograma-força
(kgf), além da libra-força (lbf).

Mas a força também pode resultar em pressão. Lembra-se do caso da parede?

Pressão: a pressão considera a força e a área em que ela está sendo aplicada. Se pres-
sionamos o dedo contra uma bola de futebol, nada acontecerá. Mas, se você empregar a
mesma força para pressionar a ponta de um prego contra a mesma bola, provavelmente
vamos fazer um furo na bola.

Note que a área de contato de seu dedo na bola é muito maior que a área de contato da
ponta do prego contra a bola, o que faz toda a diferença. Ou seja, podemos dizer que se um
corpo tem a sua massa acelerada contra uma área, está ocorrendo pressão. O que, de forma
sucinta, define pressão como a força aplicada em uma área.

Você Sabia?
As unidades de pressão são as unidades de força divididas por unidades de área. As mais
comuns são: o Pascal (Pa), que equivale ao (N/m²) e seus múltiplos (MPa e GPa), além de
kgf/mm², kgf/cm², lbf/in² (psi).

A ideia de pressão frequentemente está associada à temperatura, pois uma interfere


sobre a outra. A panela de pressão, por exemplo, utiliza a pressão para aumentar sua tem-
peratura interna.

101
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

A pressão em fluidos que não estejam confinados, no entanto, provoca um escoamento,


ou seja, uma vazão do fluido. Quando abrimos uma torneira, por exemplo, a pressão da
água no encanamento permite que ela escoe pela torneira.

Vazão: é a grandeza vetorial usada para controle ou medição do escoamento de líquidos


e gases. A vazão pode ser entendida como o volume de um determinado fluido que passa
por uma seção de controle em um determinado tempo.

Suas unidades são de volume por tempo, como m³/s, l / h e outras. Os fluidos podem ter
sua vazão por tubos ou por canais abertos, como em um rio. Observe alguns tipos de tubos
e conexões usados em escoamento de fluidos.

APLICAÇÕES DAS GRANDEZAS FÍSICAS


Você já deve ter percebido que as grandezas físicas estão presentes em vários momentos
de nossas vidas. E na mecânica, vamos ver como elas são aplicadas?

Quando usinamos uma peça, removemos cavaco dela, certo? Essa quantidade de cavaco
removida nos dá a massa que foi retirada da matéria-prima da peça.

Antes de iniciarmos uma usinagem com uma fresadora, por exemplo, precisamos deter-
minar a velocidade de corte em função da operação e dos materiais envolvidos.

Em uma operação de faceamento, na qual a ferramenta realiza o corte na direção do raio,


com um torno CNC, por exemplo, a velocidade de corte deve ser a mais constante possível.
Mas fique atento a estes detalhes:

102
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

Conforme a peça é desbastada, o diâmetro do local


onde a ferramenta atua muda.Portanto, a velocidade
de corte tende a mudar também.

Para compensar essa mudança, o torno provoca uma


aceleração na peça, de forma a manter a velocidade
de corte.

Observe:

Nas operações de usinagem, um fator de extrema importância é a força de corte a ser


empregada:

Quando muito baixa, a operação fica muito


lenta ou não acontece.

Quando muito alta, pode: quebrar a ferramenta,


danificar a peça, ou ainda, o motor da máquina não
suportar o esforço e parar.

103
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Esta força de corte é estabelecida pelo operador da máquina ou pela programação, em


caso de máquinas computadorizadas.

Em uma operação de torneamento, o contato da ponta da ferramenta com a peça é


constante. Isso provoca um grande aumento da temperatura, tanto da peça quanto da fer-
ramenta na região do contato.

Para que a ferramenta corte o material, é preciso


que ela exerça uma pressão na peça superior à
pressão de contato do seu material.

Para que este aumento de temperatura não provoque danos


à peça ou à ferramenta, pode-se utilizar um fluido de corte.
Neste caso, é fundamental regular adequadamente a vazão
do fluido de corte que fica estocado em um recipiente da
máquina, com um volume adequado para um certo número
de operações de usinagem.

CONVERSÃO DE UNIDADES
Às vezes, ao aplicar uma grandeza na realização de uma atividade, verificamos que ela
está em uma unidade que não nos atende. Nestes casos, é necessário fazer a conversão
para outra unidade que seja mais adequada. Mas você sabe de que forma essa conversão
é feita?

Além de seguir três passos importantes, devemos consultar duas tabelas que mostram
como se converte unidades de força, tempo e pressão; também, massa, comprimento e
volume. Veja:

Para realizar a conversão, você deve seguir os seguintes passos:

1.Procurar na primeira coluna a unidade atual.

2.Em seguida, procurar na primeira linha a unidade para a qual deseja converter.

3.Multiplicar o número encontrado no cruzamento, pela quantidade que você tem.

Veja como você pode converter unidades de força, tempo e pressão:

104
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

Para Para→
converter
de ↓
N kgf s min h Pa MPa GPa kgf/mm2 kgf/cm2 psi
N 1 0,10194 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
kgf 9,81 1 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
s ‒ ‒ 1 0,01667 0,000278 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
min ‒ ‒ 60 1 0,01667 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
h ‒ ‒ 3600 60 1 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒

Pa ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1 1x10-6 1x10-9 1,019x10-7 1,019x10-5 0,000145


MPa ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1x106 1 0,001 0,10194 10,194 145,04
GPa ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1x109 1000 1 101,94 10194 1,45x105
kgf/mm2 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 9,81x106 9,81 9810 1 100 14223
kgf/cm2 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 9,81x104 0,0981 98,1 0,01 1 14,223
psi ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 6894,8 0,006895 6,895x10-6 7,031x10-5 0,07031 1

Por exemplo, para converter 400 N para kgf.

Localize na tabela o número do cruzamento, que é 0,10194.

Então temos 400 N = 400 * 0,10194 kgf, ou seja, 40,77 kgf

Agora, veja como você pode converter unidades de massa, comprimento e volume.

Para Para→
converter
de ↓
g kg lb mm cm m km mm³ m³ l
g 1 1000 0,0022 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
kg 0,001 1 2,203 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
lb ‒ ‒ 1 ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒
mm ‒ ‒ ‒ 1 0,1 0,001 1x10-6 ‒ ‒ ‒
cm ‒ ‒ ‒ 10 1 0,01 1x10 -5
‒ ‒ ‒

m ‒ ‒ ‒ 1000 100 1 0,001 ‒ ‒ ‒

km ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1x10 6
1 ‒ ‒ ‒
mm³ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1 1x10 -9
0,01
m³ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1x109 1 1000
l ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ ‒ 1000 0,001 1

!
Solução do Problematizando...

Vamos recordar o nosso problematizando? Como Lucas pode aplicar as principais gran-
dezas físicas na sua atividade profissional?

Lucas compreendeu os conceitos e percebeu o quanto as grandezas físicas como veloci-


dade, temperatura e outros parâmetros, são empregadas nas atividades de usinagem.

105
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Ótimo desempe-


nho para você!

106
UE1 | Física Aplicada: Grandezas Físicas

Anotações

107
Unidade de Estudo
02

FÍSICA APLICADA
EQUILÍBRIO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

110
UE2 | Física Aplicada: Equilíbrio

Contexto!
Ana, vou te encarregar da
montagem de um sistema que
será usado para o suporte de um
equipamento.

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
TÉCNICA

Então, analise as forças


A que altura o envolvidas nesse sistema
equipamento ficará? para dimensionar o cabo
que vai suportar a carga.

1,5 metro.

VALDOMIRO
GERENTE

OK!
ANA
ACINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
ACINCÉT

O sistema possui uma lança (OA),


sustentada por um cabo de aço
(CB).

A
B
C 1
60
º
2
O

500 kgf

ANA
TÉCNICA

111
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Ana pode encontrar os valores das forças envolvidas no sistema de suporte?

Conhecimento em pauta!

A FÍSICA NO DIA A DIA

Pense no seu dia a dia. Você, a toda hora, depara-se com números e grandezas. É o seu
peso, a quantidade de leite que você comprou, a velocidade de seu carro, o preço do com-
bustível...

800g

1,5 l ’

1l

Lidamos com isso e, às vezes, nem temos noção de tudo o que está por trás desses núme-
ros. Então, vamos entender um pouco melhor como a física utiliza essas grandezas e como
elas são aplicáveis à mecânica? Analisaremos vetores, equilíbrio de forças e momentos de
inércia e equilíbrio.

112
UE2 | Física Aplicada: Equilíbrio

VETORES
Todas as grandezas físicas podem ser classificadas em escalares ou vetoriais. Uma gran-
deza escalar é aquela que tem um valor, mas não possui ponto de aplicação, ou direção de
aplicação. Por exemplo, massa e temperatura são grandezas escalares.

Já um vetor é um pouco diferente. Uma grandeza vetorial, além do valor, que é chamado
de módulo, também apresenta uma direção de aplicação e, nesta direção, uma orientação
para um dos lados, ou seja, um sentido. Por exemplo, velocidade é uma grandeza vetorial,
pois além de seu valor, ela se orienta para algum lugar, tem direção e sentido.

Por exemplo, quando consideramos um carro passando em uma estrada, na velocidade


de 80 km/h, na horizontal, da esquerda para a direita, a velocidade é um vetor. Sendo a ve-
locidade um vetor, quando dizemos que o carro está na horizontal, estamos dando-lhe uma
direção e, quando dizemos que ele vai da esquerda para a direita, estamos atribuindo-lhe
um sentido.

Seta verde
indica o vetor
velocidade

Continuando com o exemplo do carro, vamos analisar outro vetor envolvido nessa si-
tuação, a aceleração. A aceleração ocorre com a variação da velocidade, por exemplo, se a
velocidade está aumentando, o carro está acelerando.

113
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Seta amarela Seta verde


indica o vetor indica o vetor
aceleração velocidade

Se a velocidade estiver diminuindo, o carro está desacelerando. É o que ocorre quando se


pressiona o pedal do freio, como na figura a seguir, na qual a seta verde representa o vetor
da velocidade e a seta amarela representa o vetor da aceleração.

As setas indicam que os vetores


velocidade e aceleração estão
em sentidos opostos.

Note que, desaceleração, é o mesmo que aceleração negativa, ou seja, o vetor da acelera-
ção tem sentido contrário ao da velocidade, é o que ocorre na frenagem.

Assim, podemos afirmar que todo vetor caracteriza-se por possuir um módulo (valor),
uma direção e um sentido.

Representa-se um vetor pelo seu símbolo com uma flecha em cima. Por exemplo, a velo-
cidade vetorial é representada como V ⃗.

114
UE2 | Física Aplicada: Equilíbrio

EQUILÍBRIO DE FORÇAS E MOMENTOS


Outra grandeza que nos interessa é o momento, também conhecido como torque. O mo-
mento existe quando se tem uma força (F) aplicada a um corpo, que tenta girar este corpo.
O valor do momento é calculado como a força multiplicada pela distância (d) entre a linha
da força e um ponto fixo, ou o centro de gravidade do corpo (C), conforme imagem a seguir.

d
F

Torque - momento

Na imagem, observamos a representação da cabeça de um parafuso e uma chave para


aperto, que demonstram uma situação comum quando há necessidade de apertar ou folgar
um parafuso. Temos uma força F aplicada a uma distância d, a partir de C, que representa
um ponto fixo.

Se F = 30 N (Newtons) e d = 0,4 m (metros), multiplicamos um pelo outro e temos o valor


do momento, representado pela letra M:

M = 30.0,4 = 12 N m (Newton metro)

115
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

INÉRCIA E EQUILÍBRIO
Através da inércia e do equilíbrio de forças, podemos encontrar e calcular as forças em
momentos envolvidos em várias situações do dia a dia na área da mecânica. Vamos acom-
panhar essa explicação no vídeo a seguir.

Vamos analisar uma situação em que é possível aplicar os conhecimentos obtidos nesta
aula de estudo, para realizar um cálculo de esforço.

30º
O C A
3 2

200 Kgf

!
Solução do Problematizando...

Voltando ao problema de Ana, ela precisa analisar as forças envolvidas em um sistema de


suporte de um equipamento que ficará em altura. Como ela pode encontrar os valores das
forças envolvidas?

116
UE2 | Física Aplicada: Equilíbrio

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Ótimo desempe-


nho para você!

117
Unidade de Estudo
01

O USO PRÁTICO DA
FÍSICA EM CÁLCULOS
DE ESFORÇOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

120
UE1 | O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços

Contexto!

Para atender ao novo leiaute da fábrica, Valdomiro solicitou que João


Pedro realizasse a movimentação de uma das máquinas.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

VALDOMIRO
GERENTE

Ele verificou, no manual da


máquina, que o peso dela
corresponde a 800 kg.

800 kg

João pensou em erguê-la do piso e apoiá-la sobre roletes para, com ajuda de
outros colaboradores, fazer o deslizamento até a nova posição.

121
AMARILDO
TÉCNICO

ORDEP OÃOJ
OCINCÉT
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

João pensou em erguê-la do piso e apoiá-la sobre roletes para, com ajuda de
outros colaboradores, fazer o deslizamento até a nova posição.

AMARILDO
TÉCNICO

ORDEP OÃOJ
OCINCÉT

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Ele sabe que, para levantá-la, vai precisar da ajuda de uma alavanca, fazendo força com seu
próprio peso, que é de (80 kg). Contudo, sem saber o comprimento da alavanca, João Pedro
fica em dúvida.

OICÉD
OCINCÉT

122
UE1 | O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços

?
Problematizando...

Como o técnico João Pedro pode calcular o comprimento da alavanca e saber se é possí-
vel levantar a máquina com o peso do corpo?

Conhecimento em pauta!

TORQUE

Você sabe o que é torque?

Torque é um esforço que se aplica a algo para efetuar uma torção ou um giro. Por exem-
plo, quando você abre uma tampa de garrafa, está aplicando na tampa um torque.

Tudo o que gira pode produzir torque. Um motor de automóvel, por exemplo, produz
torque, o qual é levado até as rodas para fazer o automóvel andar. Aliás, o torque é uma das
especificações do motor de um automóvel.

Para prender as rodas de um carro, apertam-se os parafusos nas rodas. Para isso, os para-
fusos são girados com a mão e, quando não se consegue mais, usa-se a chave de roda. E por
que será que é mais fácil com a chave de roda?

Nesse caso é mais fácil, porque


existe uma alavanca entre o
ponto onde você aplica a força
para girar a chave e o ponto
onde ela se encaixa no
parafuso.

123
Se quisermos levantar a pedra,
podemos usar uma alavanca,
onde ela se encaixa no
parafuso.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Se quisermos levantar a pedra,


podemos usar uma alavanca,
como mostrado. A alavanca é
colocada embaixo da pedra e
aplica-se força na extremidade
oposta.
O que vai permitir elevar o
peso é a relação entre a
distância do ponto de apoio na
pedra até a alavanca; e a
distância da alavanca até o
ponto de aplicação da força no
outro lado dela.

Já este princípio é igual ao de


uma gangorra. Quando temos
pesos diferentes, o mais
pesado tende a baixar seu lado.
Mas se o colocarmos mais
próximo do centro (ponto de
apoio), podemos compensar a
diferença de pesos e equilibrar
a gangorra.
Nesta gangorra temos mais
peso no lado direito, mas a
alavanca é menor deste
mesmo lado, o que compensa
o peso maior.

Então, podemos dizer que o torque é uma força aplicada em um ponto, que forma uma
alavanca em relação a um ponto de apoio. Definimos torque com a seguinte equação:

124
UE1 | O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços

T = F.d
(torque é igual à força multiplicada pela distância)

Onde, T representa o torque; F é a força aplicada; d é a distância do ponto de aplicação da


força até o ponto de apoio. Vamos ver um exemplo prático?

20N

10 m

Observe que, na imagem anterior, temos uma força de 20 N aplicada a 10 m de distância


do ponto de engaste da barra. Vamos ver qual o torque (T) que esta força exerce no ponto
de engaste.

Neste caso, aplicando a fórmula, temos:

T = 20.10 = 200N.m
(N.m = Newton metros)

Para entender melhor, vamos retomar o exemplo de apertar os parafusos da roda de um


veículo. Lembre-se que, ao rodar o parafuso, estamos aplicando um torque.

As montadoras de veículos sempre estabelecem o torque ideal para o aperto desses pa-
rafusos, pois:

125
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

• Um torque menor pode permitir um afrouxamento do parafuso e ele pode se soltar;

• Um torque muito alto vai introduzir forças excessivas no parafuso, e ele pode se romper.

Mas como controlar o torque? É o que vamos ver a seguir.

Existe um instrumento chamado torquímetro, usado para ajustar corretamente o torque


de aperto em um parafuso ou porca. Veja a figura do torquímetro a seguir.

Soquetes
T = F.d
(torque é igual à força multiplicada pela distância)

O torquímetro possui os soquetes para montagem nos parafusos que sofrerão o torque.
Neste dispositivo é possível regular o torque desejado e, ao aplicar a força, quando o valor
estabelecido é atingido, dispara um tipo de alerta tipo estalo, ou é medida a força em uma
escala ou outros tipos de medição.

Portanto, se um torque é aplicado em um corpo, este tende a girar, no sentido do esfor-


ço. Se, apesar do torque, o corpo fica parado, há outros esforços aplicados sobre ele que
fazem a compensação, ou seja, há um equilíbrio de forças. Neste caso, temos uma situação
estática. Caso houvesse movimentos, seria uma situação dinâmica. Veremos a seguir como
ocorre o equilíbrio de forças.

126
UE1 | O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços

EQUILÍBRIO DE FORÇAS

Em outras palavras,
Quando falamos de um equilíbrio de for-
equilíbrio de forças, te- Ou seja, têm uma in- ças requer que uma
mos que nos lembrar tensidade, uma dire- força compense outra,
de que as forças são ção e um sentido de atuando na mesma
grandezas vetoriais. aplicação. direção, mas sentido
contrário.

ITENSIDADE

DIREÇÃO

SENTIDO

A estática (área da mecânica) é muito empregada nos cálculos de resistência e no dimen-


sionamento de equipamentos. Vamos ver um exemplo para que compreenda melhor. Na
imagem a seguir temos uma ponte rolante, com capacidade de carga de 7,5 t.

Ao pendurarmos uma carga no gancho, todo o conjunto deve resistir.

127
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Lembre-se de que o limite de carga é de 7,5 t.


Então, supondo que o trilho que sustenta o
gancho se apoie em dois pontos, eles devem
suportar:

A carga de 7,5 t + O peso próprio da


estrutura (o conjunto)

Ou seja, cada ponto deve sustentar metade


desse peso. Entendeu?

A carga exerce uma força (seu peso) na direção vertical (direção) e para baixo (sentido).
Para haver um equilíbrio, a força que o gancho exerce sobre a carga deve ter a mesma in-
tensidade, a mesma direção, mas sentido contrário (para cima).

Um outro exemplo semelhante é o da empilhadeira.

Observe que os apoios da empilhadeira são as rodas. Como a carga vai na frente, as rodas
dianteiras da empilhadeira são os principais apoios. Então, se colocarmos uma carga muito
pesada no garfo, haverá o risco de ela tombar para a frente, levantando as rodas traseiras.
Ou seja, há um limite de carga para a empilhadeira funcionar corretamente.

Observe a figura a seguir.

128
UE1 | O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços

P 4.000 kgf
0,8 1

Veja que a carga máxima que a empilhadeira pode suportar é aquela que tende a fazê-la
tombar para a frente, ou seja, quando as rodas traseiras começam a perder contato com o
solo. Nessa condição, toda a carga é suportada pelas rodas dianteiras e a carga transportada
(P) é equilibrada pelo peso da empilhadeira (4.000 kgf).

Diante do exposto, vamos ver qual é a carga máxima que esta empilhadeira suporta?

Bem, pelo equilíbrio de forças, temos que o torque que a carga exerce em relação ao
eixo dianteiro deve ser compensado pelo peso da empilhadeira. Na forma de uma equação,
temos:

P.0,8 = 4000.1
fazendo as contas, temos:
P = 4000.1/0,8 = 5000kgf

A carga máxima para esta empilhadeira seria 5.000 kgf ou 5 toneladas.

É claro que o cálculo da carga máxima não é tão simples assim, afinal, para esse exemplo,
só levamos em conta a carga para não tombar a empilhadeira, sem levar em conta outros
parâmetros, como a resistência do garfo, dentre outros. Mas para termos uma ideia, foi
válido.

129
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Perceba que, nestes problemas de torque, empregamos o princípio da alavanca, de for-


ma que uma força pode ser aumentada ou diminuída, de acordo com os braços da alavanca.

Algumas ferramentas do nosso dia a dia, que também empregam esse princípio, são: a
tesoura, o alicate e a pinça.

!
Solução do Problematizando...

Retomando o nosso problematizando: Como o técnico João Pedro pode calcular o com-
primento da alavanca e saber se é possível levantar a máquina, com o peso do corpo? Assis-
ta ao vídeo.

Dm Dh

1 kg =consideramos
Pm.D 1 kgf
800.0,05
Dh= PmmNão
500mm .D=m=Ph.Dh = 0,5 a m
Ph 9,81 m/s2 80 da alavanca
resistência
AMARILDO
TÉCNICO

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

Pm Ph

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Ótimo desempe-


nho para você!

130
UE1 | O Uso Prático da Física em Cálculos de Esforços

Anotações

131
Unidade de Estudo
02

FÍSICA APLICADA
DILATAÇÃO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

134
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

Contexto!

FERNANDO
TÉCNICO

Fernando recebeu a tarefa de fazer a montagem de um


conjunto de peças e verificou que os diâmetros dos pinos
variavam de 25,03 mm a 25,05 mm; os furos 25,00 mm a
25,05 mm.

Hum... os furos são menores que os pinos, então, a


montagem não poderá ser feita manualmente...

FERNANDO
TÉCNICO

Então tenho que


... e também não podem acontecer por pensar em como será
meio de esforço porque as buchas são feita essa
de carboneto de tungstênio e podem montagem...
quebrar.

FERNANDO
TÉCNICO
135
Fundamentos da Tecnologia Mecânica FERNANDO
TÉCNICO

Então tenho que


... e também não podem acontecer por pensar em como será
meio de esforço porque as buchas são feita essa
de carboneto de tungstênio e podem montagem...
quebrar.

FERNANDO
TÉCNICO

136
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

?
Problematizando...

Como Fernando deve proceder para tornar possível a montagem desse conjunto?

Conhecimento em pauta!

DILATAÇÃO

Embora você não perceba, a dilatação está presente em muitas coisas em nosso dia a
dia. Por exemplo: quando usamos um termômetro comum para medir nossa temperatura,
estamos usando a dilatação do mercúrio para indicar a variação de temperatura naquele
pequeno reservatório da extremidade onde ele fica.

Nessa aula de estudo será possível reconhecer como a dilatação está presente no funcio-
namento de máquinas e equipamentos.

COEFICIENTE DE DILATAÇÃO

Quando uma peça de metal é aquecida, podemos notar que ela aumenta de volume, ou
seja, ela se dilata. E embora isso aconteça com todos os metais, alguns se dilatam mais que
outros. Por exemplo: alumínio se dilata mais que ferro e o cobre se dilata mais que alumínio.
Essa dilatação dos materiais, quando submetidos a uma diferença de temperatura, pode ser
calculada por meio de uma propriedade chamada coeficiente de dilatação linear. Este coe-
ficiente indica o quanto um material se dilata, por unidade de comprimento, quando exposto
a uma variação de temperatura.

Observe, no gráfico, esse coeficiente para dois metais, em função da temperatura.

137
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Coeficiente de dilatação linear x Temperatura


30
Coeficiente de dilatação linear (°C-1)
25

20
Ferro
15
Cobre
10

0
200 400 600 800 1000

Temperatura (°C)

Note que a curva é crescente com a temperatura. Apesar disso, para faixas de temperatu-
ra não muito grandes, pode-se usar um valor médio constante.

Para entender isso melhor, vamos considerar o ferro (Fe). Seu coeficiente de dilatação
linear é 11,4x10-6 °C-1. Isso quer dizer que o ferro se dilata 11,4 µm para cada metro de com-
primento quando a temperatura aumenta um grau Celsius. Por exemplo: se pegarmos uma
barra de ferro de 1 metro de comprimento à temperatura ambiente de 25 °C, e a aquecer-
mos até 100 °C, ela se dilatará 855 µm, ou seja, aumentará em 0,855 mm e o comprimento
será 1,000855 m. Isso pode ser facilmente calculado aplicando a seguinte fórmula:

∆l=l0.φ.∆t

Onde:

∆l é a variação de comprimento;

l_0 é o comprimento inicial;

φ é o coeficiente de dilatação térmica linear;

∆t é a variação de temperatura.

Da mesma forma, quando resfriamos o metal, ele diminui seu volume, ou seja, ele se con-
trai.

138
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

Você Sabia?
Um caso diferente de dilatação é a água. Entre 0 °C e 4 °C a dilatação da água é invertida,
ou seja, quando aquecida, ela diminui de volume e quando resfriada, ela aumenta. Fora
deste intervalo, seu comportamento é igual ao de outros materiais.

LÂMINAS BIMETÁLICAS

Uma aplicação da dilatação é para a construção de lâminas bimetálicas. Duas chapas re-
tangulares pequenas são soldadas em suas superfícies. Cada uma é de um metal específico,
por exemplo, aço e latão.

Com base na imagem a seguir, podemos compreender o que ocorre com essas chapas.

20 ºC 80 ºC

À temperatura ambiente, as chapas permanecem planas, mas ao sofrerem um aumento


de temperatura, como os coeficientes de dilatação são diferentes (o do latão é maior que o
do aço), as chapas sofrerão um encurvamento, porque uma vai dilatar menos que a outra.

APLICAÇÃO DAS LÂMINAS BIMETÁLICAS

As lâminas bimetálicas possuem diversas aplicações. Por exemplo: em alguns modelos de


ferros elétricos para passar roupas, este dispositivo é usado para controlar a temperatura,
como um termostato.

Quando o ferro elétrico ultrapassa a temperatura determinada no controle, o aquecimen-


to provoca o encurvamento da lâmina, o que desliga a passagem de corrente. Com isso, o
ferro esfria e a lâmina, aos poucos, volta ao normal. Então, a corrente é liberada novamente
e o ferro volta a aquecer, mantendo a temperatura até alcançar novamente a temperatura de
controle, e assim por diante, permitindo um bom controle sobre a temperatura.

139
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Os termômetros bimetálicos que usamos na indústria, para controle de processos, máqui-


nas e equipamentos ou para medir a temperatura ambiente, também utilizam o princípio das
lâminas bimetálicas. No termômetro da imagem seguinte, é possível observar que ele está
em meio ambiente gelado, marcando cerca de -15 °C.

Este termômetro funciona com duas lâminas de metais com diferentes coeficientes de
dilatação, porém unidas e em forma de espiral. Quando a temperatura varia, a dilatação dife-
rente dos materiais, faz com que uma lâmina se expanda ou se contraia mais do que a outra
e, com isso, a espiral gire, movimentando o ponteiro, como esquematizado a seguir.

140
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

RELÉS TÉRMICOS

Um relé térmico funciona da mesma forma que os dispositivos anteriores. Também se


baseia nas lâminas bimetálicas. Um uso muito comum desses relés é para a proteção de
motores elétricos. Um relé é conectado em série com o motor. Quando a corrente ultrapassa
determinado valor, a dilatação desigual dos materiais provoca uma curvatura das lâminas,
o que faz com que a alimentação de corrente seja cortada, protegendo o motor de uma
sobrecarga. A seguir podemos ver um relé térmico em seu invólucro e outro aberto, onde é
possível ver os componentes internos, inclusive a lâmina bimetálica ou bimetal.

Relé
Térmico

Lâmina
bimetálica

Parte interna
do relé térmico

Para que os processos industriais possam acontecer sem falhas, é importante considerar
os efeitos da dilatação. Vamos ver alguns casos a seguir.

DILATAÇÃO NOS PROCESSOS

Na mecânica, a dilatação está sempre presente e temos que lembrar dela nos processos
que estaremos envolvidos. Vamos analisar três processos que são influenciados pela dilata-
ção: a fundição, o controle dimensional e a montagem.

FUNDIÇÃO

No processo de fundição, o metal líquido, com temperaturas altíssimas (no caso do aço,
acima de 1700 °C) é vertido em moldes com cavidades no formato de peças.

141
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Quando solidificado o metal, essas peças, já em temperatura ambiente, podem ser remo-
vidas e utilizadas como produto.

Devido à grande variação da temperatura até chegar à temperatura ambiente, os moldes


devem ser feitos um pouco maiores que as peças que desejamos fabricar, pois a contração
do volume, causada pela redução de temperatura, se não for considerada, vai gerar peças
menores que o planejado. Observe a imagem que mostra o metal líquido sendo colocado
nos moldes.

142
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

CONTROLE DIMENSIONAL
Outra influência da dilatação é no controle dimensional. Vamos utilizar um exemplo para
compreender essa influência. Imagine que uma peça acaba de passar por alguma etapa de
produção.

Se a medição for realizada com instrumento e peças, em temperaturas diferentes, haverá


um erro no valor obtido que, dependendo da precisão da peça, poderá indicar que ela está
fora da tolerância.

Para a realização da medição, o ideal é que o instrumento e a peça estejam no mesmo


ambiente, com temperatura controlada e por um determinado tempo, para que a tempera-
tura possa se estabilizar, antes da medição.

Em alguns casos, quando há tolerâncias muito pequenas, é necessária a utilização de lu-


vas para manusear as peças, a fim de evitar que a temperatura da mão do operador cause
dilatação na peça e influencie na medida. Por isso, também, alguns instrumentos de medi-
ção possuem protetores térmicos na região de manuseio.

MONTAGEM
Em alguns casos de montagem, onde se deseja fixar uma peça em outra sem o uso de
cola, solda ou parafuso, a fixação pode ser feita por interferência, onde uma peça com di-
mensão externa maior é colocada em outra com dimensão interna menor. Isso é possível

143
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

através da dilatação, pois se alterarmos a temperatura de uma das peças, mudaremos suas
dimensões.

Para aquecer ou resfriar a peça, são necessários equipamentos específicos e com tempe-
ratura controlada. Por exemplo: para aquecer, podemos utilizar um equipamento chamado
aquecedor indutivo. Para esfriar podemos utilizar um processo criogênico de resfriamento
com nitrogênio.

Então, através de cálculos que aplicam a fórmula do coeficiente de dilatação do material


da peça, é possível determinar qual a temperatura necessária para aquecer ou resfriar uma
das peças, para que a dimensão externa de uma peça fique menor que a dimensão interna
da outra. Dessa forma, é possível encaixar uma na outra, e após retornarem a temperatura
ambiente, não se separam mais.

!
Solução do Problematizando...

Agora que já vimos bastante informação, vamos relembrar o problema inicial. Fernando
precisa fazer a montagem de um conjunto de peças, em que os diâmetros dos pinos cilíndri-
cos eram maiores que os dos furos das buchas.

Como Fernando deve proceder para tornar possível a montagem?

Será necessário aquecer a peça que contém o furo, de forma que ela se dilate. Com isso,
o furo aumentará seu diâmetro e o eixo poderá ser encaixado. Quando o conjunto resfriar,
haverá uma montagem com interferência.

144
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

Então tenho que pensar em como será feita essa


montagem... Ah... Claro! Dilatação!

FERNANDO
TÉCNICO

E aí, quando o conjunto resfriar,


Será preciso aquecer a peça para
poderemos fazer uma montagem
dilatar o furo, aumentando o
com interferência...BINGO!
diâmetro e permitindo o encaixe
do eixo!

FERNANDO
TÉCNICO

145
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Ótimo desempe-


nho para você!

Referenciando!

Callister Jr, William D. Ciência e Engenharia de Materiais: uma introdução 7 ed. Rio de
Janeiro LTC, 2012.

146
UE2 | Física Aplicada: Dilatação

Anotações

147
Unidade de Estudo
01

METAIS
FERROSOS
CONCEITOS; OBTENÇÃO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

150
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

Contexto!
O supervisor técnico, Valdomiro, delegou a
Fernando uma missão um tanto incomum.

AMARILDO
TÉCNICO

VALDOMIRO
GERENTE

Pediu para fazer a separação e


identificação das pequenas peças, como:
parafusos de alumínio e parafusos de aço,
que estavam misturadas em algumas
caixas no almoxarifado.

AMARILDO
TÉCNICO

Ao iniciar a tarefa, o técnico ficou pensando se não


haveria uma forma de tornar aquela tarefa mais fácil
e rápida.

FERNANDO
TÉCNICO

151
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como o técnico em mecânica pode facilitar e agilizar a tarefa de separar e identificar os


parafusos de alumínio que estão misturados com os parafusos de aço?

Conhecimento em pauta!

FERRO

Muitas vezes não percebemos, mas antes mesmo de conhecermos os metais ferrosos,
eles sempre estão pelo nosso caminho. Por exemplo, você já andou de trem? Mesmo que
não tenha andado, deve saber que os trens se movem sobre trilhos e esses trilhos são feitos
de ferro. Mas o que é ferro?|

Ferro é um elemento químico metálico, sólido e maleável, que compõe grande parte das
ligas metálicas que conhecemos, pois possui propriedades mecânicas e químicas e tem um
custo baixo de fabricação. Ele normalmente é encontrado na natureza, em dois principais
minérios: a hematita e a magnetita.

152
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

Hematita Magnetita

O ferro é um dos metais mais importante encontrado na natureza, que combinado com
outros elementos, dá origem a diversos materiais. Mas, antes de ampliarmos os conhecimen-
tos sobre o ferro, vamos primeiro analisar o que é o metal e suas características.

Os metais originam-se de substâncias minerais encontradas em grandes quantidades na


natureza, geralmente sob a forma de minério, que após passar por diversos processos, ob-
tém-se o metal. O brilho costuma ser uma de suas características, também são bons condu-
tores de eletricidade e calor.

São classificados em grupos e dentre eles estão os metais ferrosos, que é o foco da nossa
aula de estudo.

METAIS FERROSOS

Os metais ferrosos são ligas cujo principal elemento é o ferro. Estas ligas apresentam re-
sistência mecânica e podem ser encontradas com frequência no nosso dia a dia. Vamos ver,
no vídeo a seguir, alguns exemplos:

153
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

As propriedades químicas e físicas do ferro dependem principalmente da quantidade de


carbono e dos demais elementos que compõem a sua estrutura molecular.

Uma propriedade de destaque nos materiais que contêm o elemento ferro é o ferromag-
netismo, que dá a esses materiais a capacidade de magnetismo, ou seja, reagem ao campo
magnético. Isso quer dizer que se aproximarmos um ímã de uma peça em metal ferroso, ela
vai ser atraída pelo ímã.

Ímã ou magneto é um objeto que produz um campo magnético ao seu redor, possuindo
dois pólos, um de atração e outro de repulsão, que podem atrair ou repelir outros materiais
ferromagnéticos.

Bom! Agora que sabemos por que os metais ferrosos possuem esta denominação, vamos
compreender como se dá o processo de obtenção do metal ferro.

OBTENÇÃO DO FERRO

O ferro é obtido no processo de redução do minério de ferro, por meio de temperatura em


alto forno, o que pode ser entendido como um processo siderúrgico que transforma a rocha
em material metálico.

154
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

O principal equipamento
utilizado na redução do
minério de ferro é o alto
forno, que é uma estrutura
cilíndrica, de elevada altura,
composta de uma fundação
e forno.

No processo de redução no alto forno, o minério de ferro é colocado com outros materiais,
como o carvão coque e o calcário.

Carvão coque é rico em carbono e atua O calcário vai atuar como fundente com as
como o combustível para a queima e, também, impurezas incrustadas no minério e no carvão,
fornecendo carbono que servirá como principal reduzindo o ponto de fusão e formando o
elemento de liga. subproduto chamado escória.

FERRO-GUSA

O ferro-gusa é o produto resultante da fusão da carga.

155
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Ferro-gusa sólido
Em seu estado sólido, é a
principal matéria-prima para
a fabricação do ferro fundi-
do.

Ferro-gusa líquido
Enquanto no estado líquido
deve ser encaminhado para
as aciarias (local específico
na unidade siderúrgica),
para ser submetido a
processos mecânicos e de
incorporação de elementos
específicos para obtenção
do aço e suas ligas.

LINGOTES

As ligas obtidas nas aciarias dão origem aos lingotes.

156
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

Lingotes
Os lingotes são
transformados em placas,
tarugos e blocos, para
posteriormente serem
submetidos aos processos
mecânicos de conformação
e transformados em
produtos acabados.

Agora, vamos conhecer mais detalhes sobre os principais metais ferrosos utilizados na
indústria metalmecânica: o aço e suas ligas e o ferro fundido.

AÇO

O aço é uma liga de ferro que possui percentual inferior a 2% de carbono e impurezas
normais dos seguintes elementos: Fósforo (P) e Enxofre (S), Manganês (Mn) e Silício (Si). Tam-
bém possui percentuais controlados dos elementos: Cromo (Cr), Níquel (Ni), Molibdênio (Mo),
Vanádio (V), dentre outros.

Aço
O aço, dependendo do teor
de carbono em suas ligas,
apresenta grande resistência
à tração e boa resistência à
tensão e compressão. Além
dessas características, com a
incorporação dos outros
elementos, temos uma
variedade de tipos de aço.

157
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

CLASSIFICAÇÃO DO AÇO

A Society of Automotive Engineers (SAE), em português, Sociedade dos Engenheiros Automo-


tivos e a American Iron and Steel Institute (AISI), em português, Instituto Americano em Ferro e
Aço, classificam os aços conforme a tabela seguinte:

10XX Aços-carbono comuns

11XX Aços com alto teor de enxofre (S)

13XX Aços manganês com 1,75% Mn

23XX Aços níquel com 3,5% Ni

31XX Aços níquel-cromo com 1,25% Ni e 0,65% de Cr

40XX Aços molibdênio com 0,25% Mo

41XX Aços cromo-molibdênio com 0,9% Cr e 0,2% Mo

61XX Aço cromo-vanádio com 0,9% de Cr e 0,15% V

Para entender melhor, é preciso compreender que o aço-carbono e aços de baixa liga têm
a sua classificação composta por 4 dígitos, conforme podemos ver no exemplo seguinte:

O primeiro dígito - indica o O segundo dígito - indica o teor


elemento de liga no aço. desses elementos de liga. Nesse
Nesse exemplo, temos aço ao exemplo, nenhum tratamento ou
carbono. elemento de liga.

SAE1010
O terceiro e o quarto dígitos - representam o
teor de carbono multiplicado por 100. Nesse
exemplo, temos o percentual de
aproximadamente 0,10 % de carbono.

158
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

! Fique por dentro!


Os teores dos elementos Fósforo (P), Enxofre (S), Manganês (Mn) e Silício (Si) não preci-
sam ser representados na classificação.

Observe, a seguir, que por meio da adição de elementos específicos em diferentes por-
centagens em aços ferramenta, consegue-se obter características especiais. O carbono,
por exemplo, aumenta a dureza do aço ferramenta, melhorando a resistência ao corte e
ao desgaste. Outros elementos são adicionados para aumentar a tenacidade ou resistên-
cia mecânica.

PROPRIEDADES C Mn P S Si Ni Cr Mo V

Aumenta a dureza

Aumenta a resistência

Diminui a ductilidade

Diminui a soldabilidade

Aumenta a resistência
ao impacto

Aumenta a resistência
à corrosão

Aumenta a resistência
à abrasão

Aumenta a resistência
a altas temperaturas

FERRO FUNDIDO

O ferro fundido (Fofo) é uma liga ferro-carbono com percentual de carbono que varia de
2,1% até 4%.

159
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Esse alto teor de carbono a


torna uma das mais
importantes ligas de ferro,
sendo utilizada em larga
escala na indústria
metalmecânica,
automobilística e em geral.

O ferro fundido, por conter maior percentual de carbono, apresenta grande resistência à
tensão de compressão e baixa resistência à tensão de tração. Por isso, é bastante utilizado
para fabricação de blocos de motores automotivos, cabeçotes de cilindro, volantes, pistões,
tambores de freio e caixas de transmissão de tratores.

CLASSIFICAÇÃO E APLICAÇÕES DO FERRO FUNDIDO

Os ferros fundidos são classificados em alguns tipos, conforme a sua composição química
e o processo pelo qual passam. Basicamente, são eles:

Nodular
Branco Cinzento Maleável
(Dúctil)
Tem elevada O mais comum Obtido do tipo Devido à presença de esferas
dureza e é muito dos ferros branco por meio de ou nódulos de grafite em sua
difícil de ser fundidos. É fácil um processo de microestrutura, possui
usinado. de ser usinado e tratamento térmico. melhores características
tem baixo custo. mecânicas que o cinzento.
Utilizado onde
existe elevado Utilizado em caixas
desgaste. Utilizado na de engrenagens, Utilizado em engrenagens,
indústria em bielas, cubo de rodas válvulas e outras peças que
geral. automotivas. necessitam de maior
resistência mecânica, não
possibilitada por outros tipos
de ferros fundidos.

160
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

! Fique por dentro!


O minério de ferro é a matéria-prima básica para a produção do aço. O Brasil possui
enormes reservas desse minério com alto teor de ferro, e já ocupou a oitava posição
entre os produtores mundiais de aço em lingotes, com produção aproximadamente de
18,4 milhões de toneladas.

Fonte: Chiaverini, Vicente. Tecnologia Mecânica. 2 ed. Vol. III – São Paulo: McGraw-Hill,
1986.

!
Solução do Problematizando...

Enfim, depois dessas informações sobre metais ferrosos, vamos retomar e solucionar o
nosso problematizando? Fernando precisa separar e identificar os parafusos de alumínio que
estão misturados com os parafusos de aço. Como ele pode facilitar e agilizar essa tarefa?

161
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Amarildo pensou um pouco sobre como


deixar o processo de separação dos
elementos menos trabalhoso e teve uma
ideia excelente.

FERNANDO
TÉCNICO

Amarildo pode usar um ímã para separar os


parafusos de aço dos parafusos de alumínio,
aproveitando a propriedade ferromagnética
apresentada pelos metais ferrosos.

AMARILDO
TÉCNICO

Ao encostar o ímã nos parafusos que são


fabricados em aço, estes foram atraídos
rapidamente e assim a tarefa de separação dos
materiais foi realizada com mais facilidade.

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com aten-


ção. Sucesso!

162
UE1 | Metais Ferrosos: Conceitos;Obtenção

Referenciando!

CHIAVERINI, Vicente. Tecnologia Mecânica. 2 ed. Vol. III – São Paulo: McGraw-Hill, 1986

163
Unidade de Estudo
02

METAIS
FERROSOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

166
UE2 | Metais Ferrosos

Contexto!

João Pedro foi acionado para verificar um problema ocorrido em uma prensa
hidráulica. Após uma breve análise, ele constatou que o eixo de suporte da
base precisava ser substituído, pois apresentava um desgaste na sua estrutura
devido à carga de trabalho.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

Analisando o histórico de manutenção


da prensa, verificou que houve a troca
desse eixo há quase um mês, e o eixo
colocado foi feito internamente com um
aço de baixo carbono, tipo SAE 1010,
material que tinha no estoque.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

167
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual o material mais adequado para substituir o eixo de suporte da base da prensa?

Conhecimento em pauta!

AÇOS AO CARBONO

Ao sacar uma rolha, ou recolocá-la na garrafa do vinho, nem nos damos conta de que es-
tamos aplicando esforços mecânicos (tração, compressão e cisalhamento) sobre um corpo.
Dependendo da intensidade desses esforços, podemos danificar a rolha, por isso, a rolha
deve apresentar alguma resistência a esses esforços, para não ser danificada.

Assim também se comportam os metais ferrosos, por possuírem maior percentual do ele-
mento ferro na sua composição. Combinado com o carbono e outros elementos, apresen-
tam características e propriedades desejadas nas diversas aplicações, o que permite serem
conformados, cortados, curvados, dobrados, forjados, soldados, laminados ou estirados.

168
UE2 | Metais Ferrosos

CORTE POR
TORNEAMENTO

DOBRA
DE CHAPA

UNIÃO POR
SOLDAGEM

No vídeo a seguir, vamos entender um pouco sobre as características e propriedades dos


materiais ferrosos.

Mas, como os metais ferrosos adquirem as características vistas no vídeo?

Durante a fabricação, os elementos que constituem as ligas são combinados para melho-
rar as propriedades do produto final.

Fique de Olho?
Observe, no quadro, os elementos químicos: Carbono (C), Manganês (Mn), Fósforo (P) En-
xofre (S), Silício (Si), Níquel (Ni), Cromo (Cr), Molibdênio (Mo), Vanádio (V) e suas influências
nos materiais ferrosos como aço e suas ligas.

169
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

PROPRIEDADES C Mn P S Si Ni Cr Mo V

Aumenta a dureza

Aumenta a resistência

Diminui a ductilidade

Diminui a soldabilidade

Aumenta a resistência
ao impacto

Aumenta a resistência
à corrosão

Aumenta a resistência
à abrasão

Aumenta a resistência
a altas temperaturas

Agora que sabemos as propriedades e como as características dos materiais ferrosos são
obtidas, vamos para algumas aplicações típicas.

APLICAÇÕES DOS METAIS FERROSOS


Encontramos na indústria os materiais ferrosos em forma de:

Aços e suas ligas para fabricação de ferramentas de corte e matrizes;

Aço ao carbono para aplicação de uso geral;

Aços estruturais de baixos teores de carbono, aplicados em estruturas


metálicas;

Aços rápidos para ferramentas, utilizados para fabricação de brocas,


cossinetes, ferramenta para usinagem;

Aços resistentes ao choque usados em ferramentas de impacto, como martelos e os


ferros fundidos, e suas ligas com teor de carbono superior a 2,1%;

Aços especiais e suas ligas, usados para fabricação de punção e matriz


para estampagem, eixo, engrenagens, etc.

170
UE2 | Metais Ferrosos

Você Sabia?
Os materiais ferrosos são encontrados no mercado em forma de barras, chapas, tubos,
fios, produtos acabados, etc., e essas formas comerciais seguem uma padronização que
facilita a sua utilização pelos setores industriais.

Perfis diversos Chapas

Vamos conhecer um pouco mais sobre o ferro? No vídeo a seguir aprenda sobre a sua
influência na sociedade.

171
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Voltando ao nosso problema!

Qual o material mais adequado para substituir o eixo de suporte da base da prensa? O
material mais adequado é uma liga de aço com alto teor de carbono, contendo Níquel, Cromo
e Molibdênio.

João Pedro consultou o fabricante da prensa e recebeu a especificação correta da maté-


ria-prima para fabricar o eixo.

Assim, confeccionou o eixo utilizando um Com o eixo fabricado com material mais
aço com alto teor de carbono, que resistente, espera-se que o desgaste
apresenta como propriedade boa demore mais para ocorrer.
resistência mecânica e à abrasão.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Aplique-os com


sucesso!

172
UE2 | Metais Ferrosos

Anotações

173
Unidade de Estudo
01

METAIS
NÃO FERROSOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

176
UE1 | Metais Não Ferrosos

Contexto!
Durante o diálogo diário sobre segurança e saúde (DDS) da Metaltech, o técnico em mecânica,
João Pedro, prestava bastante atenção na explicação sobre a importância da reutilização da
água e teve uma grande ideia.

JOÃO
PEDRO

Ao término da reunião, João Pedro conversou com seu supervisor,


Valdomiro, sobre a ideia que teve de construir um sistema para captação
de água da chuva.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

Após autorização de Valdomiro, ele deu início ao projeto, composto por um


sistema de captação de água com tubos e chapas de metal, que será acoplado ao
telhado do galpão da empresa, direcionando a água do telhado para um
reservatório existente na área próxima ao galpão.

João Pedro sabe que diversos tipos de materiais poderiam ser


utilizados na confecção do sistema de captação de água, o que
despertou dúvida sobre qual material seria o mais adequado para
confecção do referido sistema.

JOÃO
PEDRO

177
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual o material deve ser considerado adequado, por João Pedro, para a confecção do
sistema de captação de água da chuva?

Conhecimento em pauta!

METAIS NÃO FERROSOS

No sistema de combate a incêndio, no sistema de irrigação do jardim, assim como nas


cozinhas das residências e empresas, as torneiras e conexões podem ser fabricadas em ligas
de latão e ficam em contato direto com a água ou expostas ao ambiente. Esses produtos e
acessórios são exemplos de metais não ferrosos.

Os metais não ferrosos são todos os metais que não contêm o elemento ferro na sua com-
posição ou apresentam em pequena quantidade.

178
UE1 | Metais Não Ferrosos

OBTENÇÃO DE METAIS NÃO FERROSOS

Os metais não ferrosos são obtidos a partir dos processos de separação por métodos me-
talúrgicos de uma variedade de matérias-primas. Quando primárias, as rochas extraídas das
jazidas minerais são moídas, britadas, peneiradas e refinadas para obtenção do elemento
desejado. As matérias-primas são enviadas para as metalúrgicas para serem submetidas aos
processos de forno e outros beneficiamentos.

Minério de Alumínio Minério de Cobre

As matérias-primas secundárias são resultantes do tratamento de sucatas de outros me-


tais para retirada dos resíduos dos metais não ferrosos ou que foram utilizados como reco-
brimentos superficiais.

179
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Reciclagem de placa-mãe Reciclagem de latas de alumínio

Você viu como os metais não ferrosos são úteis para a construção de vários objetos utili-
zados no nosso cotidiano? Veja agora os principais metais não ferrosos e sua aplicabilidade.

PRINCIPAIS METAIS NÃO FERROSOS

Veja no vídeo a seguir sobre os principais metais não ferrosos e sua aplicabilidade.

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o nosso problematizando? Qual o material deve ser considerado adequa-
do, por João Pedro, para a confecção do sistema de captação de água da chuva?

180
UE1 | Metais Não Ferrosos

Após realizar várias pesquisas, João Pedro


conheceu o conceito, características e
propriedades dos metais não ferrosos.

Com isso, concluiu que, para a confecção do sistema de ligação entre o telhado e o
reservatório destinado à captação de água da chuva, os materiais mais indicados seriam
tubos e chapa de aço revestidos com zinco, ou seja, tubos e chapas galvanizados.

Este tipo de material, além de fácil conformação, apresenta excelente resistência à corrosão,
podendo ser exposto ao ar livre ou na presença constante de água. Seu supervisor elogiou
sua iniciativa e o brilhante trabalho.

181
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos adquiridos nesta aula. Vamos praticar?

182
UE1 | Metais Não Ferrosos

Anotações

183
Unidade de Estudo
02

METAIS
NÃO FERROSOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

186
UE2 | Metais Não Ferrosos

Contexto!
Uma máquina misturadora de grãos de café
começou a apresentar problemas de
funcionamento.

Eixo giratório

Eixo fixo

Uma técnica em mecânica verificou que a junção de contato,


entre as partes metálicas do eixo central fixo e o eixo fixador
das pás giratório, apresentava uma resistência ao
deslizamento de rotação.

Relató rio

LAURA
TÉCNICA

Então, ela pensou em fabricar uma bucha espaçadora para


reduzir o atrito entre os eixos, utilizando um dos materiais
disponíveis no almoxarifado: cobre, bronze e alumínio.

ø120mm
+.030
ø60 mm
- .000
15mm

115mm

5x45º

+.002
90 mm
- .015

187
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual material a técnica em mecânica deverá utilizar para a fabricação da bucha espaça-
dora?

Conhecimento em pauta!

METAIS NÃO FERROSOS

Você já tentou arrastar um bloco de pedra sobre uma superfície plana? Claro que depen-
dendo do peso do bloco, você não conseguirá movê-lo. A superfície plana inferior do bloco,
em contato direto com o piso, tem o seu deslocamento dificultado pela ação do atrito.

Puxar

Empurrar

188
UE2 | Metais Não Ferrosos

As superfícies metálicas, quando em contato direto, também apresentam dificuldades de


deslizamento. Para minimizar ou eliminar este problema, são utilizados materiais lubrifican-
tes fluidos ou sólidos entre as partes da superfície. Mas, qual o conceito para lubrificantes?
São materiais com características e propriedades específicas de lubricidade, utilizados para
reduzir o atrito entre superfícies.

Entre os materiais que apresentam boas características de lubricidade, temos alguns me-
tais não ferrosos, isto é, metais que não apresentam o elemento ferro na sua composição.
Os metais não ferrosos e suas ligas apresentam uma variedade de propriedades mecânicas,
que possibilitam a sua utilização na fabricação de peças e acessórios para a indústria metal-
mecânica, segmentos elétricos, domésticos e até na área esportiva. Observe algumas dessas
propriedades:

01 Excelente resistência à corrosão.

02 Elevada condutividade térmica e elétrica.

03 Alguns, quando incorporados a outros elementos,


aumentam sua capacidade de lubricidade.

Agora você irá reconhecer as características básicas, propriedades e aplicações dos me-
tais não ferrosos utilizados na indústria.

189
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

COBRE
O cobre é um dos prim
eiros metais manipula
homem, utilizado prin dos pelo
cipalmente na indúst
ria elétrica.
Possui as seguintes
características:
• De aparência verme
lho-marrom;
• Excelente condutor
térmico e elétrico;
• Resistente à oxidaç
ão;
• Dúctil e maleável.

Por apresentar resistê


ncia mecânica e boa
pode ser estampad usinabilidade,
o ou esticado com mu
sendo utilizado par ita facilidade,
a fabricação de fios
ornamentais e utensí , produtos
lios domésticos.

BRONZE
O bronze é um metal
utilizado pela humani
milhares de anos. São dade há
ligas compostas de
cobre-zinco-estanh
o, com teor de estanh
a 11%. o variando entre 2

Observe algumas de
suas características:
• As ligas possuem ele
vada resistência à cor
ductibilidade; rosão e baixa
• Para melhorar as pro
priedades lubrificant
o elemento chumbo es, é adicionado
à liga;
• Possui resistência me
cânica e lubricidade;
• É encontrado, com
ercialmente, na forma
barras e tubos. de chapas,

Devido às suas proprie


dades lubrificantes,
bronze são empregad as ligas de
as na fabricação de
mancais de deslizame buchas para
nto.

Alumínio
O alumínio é o eleme
nto de maior abundâ
terrestre. É um metal ncia na crosta
de elevada condutibil
elétrica, com baixa idade térmica e
densidade que con
seção. fere menor peso por

Veja algumas caract


erísticas do alumínio:
•De aparência cinza
prateado e fosco;
•Muito resistente à cor
rosão e dúctil;
•É um metal não tóx
ico e não magnético
camada de oxidação , devido a ação da
que se forma de ma
quando exposto ao neira superficial
ar;
•É obtido a partir do
minério chamado bau
xita.
É encontrado, comerc
ialmente, na forma
tubos e muito empre de chapas, barras,
gado na confecção
domésticos. de utensílios

190
UE2 | Metais Não Ferrosos

Você Sabia?
Os metais não ferrosos, como o Titânio e as ligas de alumínio-titânio-estanho, são utiliza-
dos na composição de implantes ortopédicos e até em elementos de turbinas de aviões
e foguetes.

!
Solução do Problematizando...

De volta ao nosso problematizando: a técnica em mecânica precisa fabricar uma bucha


espaçadora para reduzir o atrito entre o eixo central e o eixo fixador das pás de uma máquina
misturadora de grãos de café. Qual material ela deverá utilizar para a fabricação da bucha
espaçadora?

191
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Dentre os materiais disponíveis para a confecção da bucha espaçadora, a técnica deverá


utilizar o bronze, que devido às suas propriedades mecânicas e de autolubrificação, irá
suportar o atrito entre o eixo central fixo e o eixo fixador das pás giratórias.

ø120mm
+.030
ø60 mm
- .000
15mm

115mm

5x45º

+.002
90 mm
- .015

Com a bucha instalada, os


problemas da misturadora de grãos
foram resolvidos.

Bucha espaçadora

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.

192
UE2 | Metais Não Ferrosos

Anotações

193
Unidade de Estudo
01

NÃO METAIS
POLIMÉRICOS E NATURAIS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

196
UE1 | Não Metais – Poliméricos e Naturais

Contexto!

A empresa Metaltech foi contratada para prestar manutenção em uma


válvula esfera, instalada na linha de produção de vapor de uma
empresa de fertilizantes.

O técnico em mecânica, João Pedro, ficou encarregado de realizar o


serviço.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

Ele deve identificar o material adequado para a fabricação do


anel sede, utilizado para vedação interna da válvula.

197
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual material João Pedro considerou mais adequado para a fabricação do anel sede da
válvula esfera?

Conhecimento em pauta!

POLÍMEROS

Você já reparou que, quando fritamos um ovo em uma frigideira antiaderente, ele não
gruda no fundo da frigideira?

E que as panelas com este tipo de revestimento são mais fáceis de limpar?

198
UE1 | Não Metais – Poliméricos e Naturais

Um tipo de revestimento utilizado nas frigideiras e panelas, priorizando a propriedade de


antiaderência, é o Teflon, que se trata de um polímero.

São compostos orgânicos de baixa densidade,


constituídos de moléculas muito grandes dos
elementos Carbono e Hidrogênio, ou de outros

Polímeros elementos não metálicos.

Naturais: quando são encontrados na natureza.

Sintéticos: quando produzidos pelo homem.

Podemos perceber que os polímeros estão em toda parte, não é mesmo? Eles podem ser
divididos relacionando seu comportamento mecânico em plásticos ou elastoméricos.

Portanto, os polímeros em temperatura ambiente podem ser:

• Flexíveis: podem ser deformados sem se romper, como as borrachas, embalagens plás-
ticas ou luvas;

• Rígidos: apresentam uma resistência mecânica a deformação, como as garrafas PET,


tubos PVC ou náilon.

Os plásticos são materiais artificiais de origem orgânica sintética. Quando aquecidos, po-
dem ser facilmente moldados, tornando-se sólidos em temperatura ambiente.

Os plásticos são classificados como termoplásticos e termofixos. No vídeo seguinte va-


mos conhecer cada um deles e suas aplicações, iniciando pelos termoplásticos.

199
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Além do tipo termoplástico, os plásticos também podem ser termofixos.

TERMOFIXOS
São plásticos que, ao passarem pelo processo de fabricação e ao adquirirem forma, tor-
nam-se rígidos e estáveis. Após esse processo, a deformação é irreversível.

Observe:

Poliéster insaturado: plástico reforçado com fibra de vidro.

Fenólicas: adesivos para abrasivos e rebolos, resinas para


fundição, espumas isolantes antichama e Bakelite.

Melamínicas: laminados decorativos, tintas de alta resistência.

Poliuretanos: espuma isolante, revestimentos anticorrosivos.

Poli-isocianurato: espumas isolantes.

Quando os polímeros plásticos são moldados com cadeias e direção orientadas, são for-
necidos para a indústria em forma de fios finos. Eles recebem a denominação de fibras e
são destinados para fabricação de materiais como mantas industriais, cordas, fibras óticas
e outros.

200
UE1 | Não Metais – Poliméricos e Naturais

ELASTÔMEROS
Os elastômeros são conhecidos como borrachas e muito utilizados na indústria mecâ-
nica. Em temperatura ambiente, podem sofrer deformações, como estiramento, de pelo
menos duas vezes o seu comprimento.

Alguns exemplos são os látex extraídos das árvores seringueiras ou as borrachas sintéti-
cas produzidas em laboratórios.

Esses polímeros dão origem a diversos materiais com características aplicadas nas indús-
trias. Veja:

Borrachas nitrílicas – NBR: usadas em peças aplicadas em máquinas ou


motores e podem ser expostos a fluidos tipo óleos ou combustíveis.

Policloropreno – CR: utilizado na fabricação de peças e luvas de proteção


contra agressões químicas.

Borracha butílica - IIR: borracha usada para fabricação de câmaras


de pneus, por possuir baixa permeabilidade a gases.

Borracha de isopreno – IR: são conhecidas como borracha natural


sintética, por ser bem próxima à borracha natural, muito usada na
fabricação de látex, carpetes e tapetes.

Estes são exemplos de polímeros produzidos pelo homem com base nas resinas ou polí-
meros naturais modificados.

Podemos perceber, então, que existem polímeros naturais. Vamos conhecê-los?

Polímeros naturais são encontrados na natureza sem a intervenção do homem e faz par-
te da nossa vida, como: madeiras, celulose, ceras, borrachas originadas das árvores, proteí-
nas, pele, chifre, seda e muitos outros.

As madeiras originadas das árvores são polímeros naturais, muito aplicadas nos segmen-
tos industriais e domésticos.

201
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Você Sabia?
A madeira possui composição química de aproximadamente 50% de Carbono, 44% de
Oxigênio, 6% de Hidrogênio, 1% de Nitrogênio e 1% de matéria mineral. Basicamente ce-
lulose e lignina (cadeias de Oxigênio e Hidrogênio).

Estas são as características físicas da madeira:

• A umidade constituída pela água contida nas células;

• O peso específico que depende da espécie da madeira;

• A retratilidade que corresponde ao grau de contrações lineares e de volumes.

A madeira, portanto, é utilizada de forma universal em várias aplicações, seja na cons-


trução civil, na carpintaria, marcenaria, indústria mecânica, indústria de transportes, de
veículos ou simplesmente para acabamento em geral.

!
Solução do Problematizando...

Agora que conhecemos as características básicas, propriedades e aplicações dos materiais


não metálicos, podemos, finalmente, solucionar o nosso problematizando.

Qual material João Pedro considerou mais adequado para a fabricação do anel sede da
válvula esfera?

202
UE1 | Não Metais – Poliméricos e Naturais

Após consultar os catálogos do fabricante da bomba esfera, João Pedro verificou que o
material mais adequado é o polímero PTFE, conhecido comercialmente como teflon.

Suas características lubrificantes e resistência térmica elevada tornam este material bas-
tante apropriado para o serviço.

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Vamos exercitar!

203
Unidade de Estudo
02

NÃO METAIS
COMPÓSITOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

206
UE2 | Não Metais – Compósitos

Contexto!
Anexo

João Pedr
TANQUE Anexo o
S.JPG

TANQU
ES.JPG

207
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como o técnico pode realizar a restauração do tanque de fibra?

Conhecimento em pauta!

COMPÓSITOS (CARACTERÍSTICAS, PROPRIEDADES E APLICAÇÕES)

Vamos acompanhar uma situação: durante a construção de uma casa, o pedreiro utiliza
uma massa que consiste basicamente em uma mistura de cimento, areia e água. Essa massa
é colocada entre os blocos para levantar as paredes e depois de um período confere uma
rigidez e resistência à união dos blocos. Esse produto é conhecido como argamassa e essa
combinação é feita para aproveitar as melhores propriedades de cada elemento adicionado.

Então, quando realizamos a combinação de elementos naturais ou artificiais, buscando


produzir novos produtos com melhores características, temos os compósitos. Nesta aula de
estudo será possível compreender suas características básicas, propriedades e aplicações.

COMPÓSITOS
Os compósitos são materiais constituídos por uma mistura de outros materiais na busca
das melhores qualidades de cada um, qualidades essas que não podem ser encontradas
nos materiais ferrosos, cerâmicos ou poliméricos.

Os compósitos podem ser constituídos de duas ou mais fases, que são chamadas de ma-
triz e o reforço.

208
UE2 | Não Metais – Compósitos

A matriz confere a estrutura para o compósito, como um polímero. O reforço adicionará


as propriedades químicas e físicas desejadas, que pode ser uma fibra de vidro, de carbono
ou materiais de origem mineral.

Você Sabia?
Os compósitos já eram utilizados pelo homem há milhares de anos, quando se adicionava
palha na argila para produzir uma mistura, que dava origem aos blocos e servia também
para revestir as paredes. Eles foram utilizados, por exemplo, para construção da muralha
da China, que resiste até a atualidade.

Atualmente, a busca por novos produtos tem impulsionado as pesquisas relacionadas


aos compósitos. Por isso, quando se deseja um produto com características mecânicas,
como: rigidez, tenacidade ou resistência a altas temperaturas, os diversos elementos e
materiais são combinados, produzindo uma nova geração de materiais.

Agora que já sabemos o que é um material compósito, vamos conhecer como são classi-
ficados.

COMPÓSITO REFORÇADO COM PARTÍCULAS


São elementos particulados que podem variar de tamanho e influenciar as propriedades
do produto final. Essa variação reduz a deformação plástica, conferindo maiores resistên-
cias às solicitações mecânicas no compósito final.

Os elastômeros são um bom exemplo: a borracha nos pneus dos carros é combinada
com pequenas partículas esféricas de carbono, fios de aço ou náilon, que concedem ao ma-
terial matriz maior resistência à ruptura e à abrasão.

209
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

COMPÓSITOS ESTRUTURAIS
São compósitos que aliam o baixo peso com a resistência mecânica.

Como exemplo, temos as placas de compósitos de fibras contínuas com matriz termor-
rígidas (matriz que suporta calor), que atribui resistência e redução de peso ao objeto. Por
isso, essas placas são bastante usadas em aeronaves.

COMPÓSITO REFORÇADO COM FIBRAS


As fibras são elementos finos, alongados ou picados que, quando combinados com ou-
tros materiais, fornecem resistência à tração. Esta resistência depende do alinhamento e
comprimento das fibras adicionadas. Neste grupo de compósitos, temos:

210
UE2 | Não Metais – Compósitos

• Resinas reforçadas com fibra de vidro, utilizadas para fabricação e revestimento de re-
cipientes;

• Os plásticos com fibra de carbono, usados na fabricação de películas, para-choques,


luvas de segurança;

• As resinas com fibras de algodão, como o material Celeron.

211
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

O compósito Celeron pode ser encontrado nas formas de barras ou chapas. Ele apre-
senta uma estrutura totalmente homogênea, obtido a partir da resina fenol, reforçada com
fibras de algodão, laminada a alta pressão e temperatura. Caracteriza-se por apresentar
uma superfície com baixa rugosidade e resistência aos diversos tipos de ambientes, baixa
condutividade e fator de fricção.

Por possuir grande resistência ao impacto e desgaste, este compósito é muito utilizado
nas aplicações mecânicas em peças que exigem:

• Precisão na usinagem;

• Menor contração;

• Melhor acabamento em peças de dimensões menores.

Você Sabia?
Para aprofundar os conhecimentos relacionados aos materiais compósitos, você pode
consultar o livro: Ciência e Engenharia de Materiais – Uma introdução, 5ª edição, de
William D. Callister Jr. Tradução Editora LTC, capítulo 17, pág. 358.

212
UE2 | Não Metais – Compósitos

!
Solução do Problematizando...

Retomando o nosso problema: Como o técnico pode realizar a restauração do tanque de


fibra?

ANA
TÉCNICA

Hum... Vou convocar Ana e


Décio para essa atividade.

A restauração está sendo feita aplicando um


compósito de resina plástica reforçada com
manta de fibra de vidro na área danificada do
tanque.

ANA
TÉCNICA

Serviço concluído. 213


Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Serviço concluído.

AMARILDO
TÉCNICO

ANA
TÉCNICA

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.

214
UE2 | Não Metais – Compósitos

Anotações

215
Unidade de Estudo
03

NÃO METAIS
CERÂMICOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

218
UE3 | Não Metais – Cerâmicos

Contexto!
A metalúrgica Metaltech acaba de receber a encomenda de um lote
de eixos em ferro fundido nodular de alta dureza. O técnico em
mecânica, João Pedro, ficou encarregado de atender essa demanda.

VALDOMIRO
GERENTE

METALTECH

João Pedro iniciou as atividades e uma delas era definir a


ferramenta de corte para ser utilizada na etapa de desbaste por
torneamento. Ao consultar o almoxarifado da empresa, João Pedro
verificou que tinha vários tipos de ferramentas de corte disponíveis
em estoque, o que gerou dúvida sobre qual seria o mais adequado.

219
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual ferramenta de corte João Pedro deverá definir como mais adequada para o proces-
so de desbaste por torneamento dos eixos em ferro fundido nodular de alta dureza?

Conhecimento em pauta!

A IMPORTÂNCIA DA CERÂMICA

Nesta aula você irá reconhecer as características básicas, propriedades e aplicações dos
materiais não metálicos cerâmicos.

As cerâmicas são materiais utilizados


pelo homem há
muito tempo. Ao misturar argila e
água, obtém-se uma massa
maleável que quando submetida ao
aquecimento
em forno, torna-se dura e resistente.

Esse processo dá origem a um


material bastante diversificado,
utilizado para fabricação de
utensílios domésticos como as
porcelanas, louças, jarros, xícaras e
vários outros produtos.

Com o avanço da tecnologia, o processo de


fabricação dos materiais cerâmicos foi sendo
aperfeiçoado e descobriu-se que, com o
aquecimento controlado e adição de novos
elementos, podia-se obter uma gama de
produtos com propriedades desejadas,
capazes de suportar tensão de compressão e
extremo calor.

Assim surgiu a fabricação das


ferramentas de corte de cerâmica,
capazes de cortar praticamente
qualquer material.
220
aperfeiçoado e descobriu-se que, com o
aquecimento controlado e adição de novos
elementos, podia-se obter uma gama de
produtos com propriedades desejadas, UE3 | Não Metais – Cerâmicos
capazes de suportar tensão de compressão e
extremo calor.

Assim surgiu a fabricação das


ferramentas de corte de cerâmica,
capazes de cortar praticamente
qualquer material.

FERRAMENTAS DE CORTE
Estas ferramentas de corte recebem um revestimento com um composto sólido inorgâ-
nico de materiais não metálicos, podendo ser óxidos, nitretos e carbetos, e uma variedade
de materiais minerais argilosos, cimento e vidro, que conferem as propriedades isolantes à
passagem de eletricidade e calor, resistência a altas temperaturas e a ambientes agressivos,
permitindo alto grau de dureza.

O material não metálico cerâmico do revestimento age como um isolante térmico. Pode-
mos fazer uma comparação com uma caneca de porcelana, pois ao colocar um líquido quen-
te na caneca com revestimento de porcelana, o calor não esquenta as paredes de fora. Isso
ocorre porque a porcelana age como isolante térmico, mantendo o calor no interior dela.

221
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Dessa forma, os materiais não metálicos cerâmicos, por serem materiais diversificados,
têm aplicação em quase todos os setores, como o industrial, aeroespacial, naval e doméstico.

Elas são utilizadas para revestimento de superfícies, eixos, discos, pisos e até facas utili-
zadas para cortes comuns. Esses materiais também são usados como refratários em fornos
e revestimos de turbinas a gás, motores a jato e até reatores nucleares.

Percebeu como os materiais cerâmicos podem ser utilizados em diversos setores da in-
dústria? Esses materiais apresentam propriedades específicas. Vamos ver!

PROPRIEDADES DOS MATERIAIS CERÂMICOS


Os materiais cerâmicos apresentam algumas propriedades específicas, que são: as pro-
priedades térmicas, mecânicas e elétricas. Veja a seguir as características de cada uma delas:

222
UE3 | Não Metais – Cerâmicos

Para a propriedade térmica, as cerâmicas


apresentam alta resistência ao calor, baixo
coeficiente de dilatação (as dimensões do
material não são afetadas pelo calor) e
baixa condutividade térmica, podendo ser
aplicadas em revestimentos de peças,
ferramentas, fornos e equipamentos.

Nas propriedades mecânicas, por


possuírem alto grau de resistência à
compressão, as cerâmicas podem
ser utilizadas na confecção de
ferramentas de corte, produtos
abrasivos para polimentos, discos
de rebolos, componentes para
motores e estruturas de aeronaves.

Como propriedade elétrica, são


isolantes, ou seja, apresentam
resistência ao fluxo de cargas
elétricas. Devido a esta propriedade,
são utilizadas na fabricação de
componentes eletrônicos,
revestimento e conectores isolantes
para materiais elétricos.

Além disso, as cerâmicas ainda podem ser utilizadas na fabricação de lentes, vidros para
janelas, implantes dentários e tubos de ensaios por apresentar variados graus de transpa-
rência. O seu grau de luminescência favorece a fabricação de lâmpadas e monitores, cabos
e fibras óticas, que também são fabricados em cerâmicas devido à propriedade de reflexão.

223
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Vimos no início dessa aula que João Pedro ficou encarregado de atender a demanda refe-
rente a fabricação de um lote de eixos de ferro fundido nodular de alta dureza. Diante disso
qual a ferramenta de corte ele deverá definir como mais adequada para o processo de des-
baste por torneamento dos eixos em ferro fundido nodular de alta dureza?

Para realizar o processo de desbaste por


torneamento dos eixos em ferro fundido
nodular de alta dureza, João Pedro precisou
adquirir conhecimento sobre as
propriedades, características e vantagens
dos materiais cerâmicos. Além disso,
consultou o catálogo disponibilizado pelo
representante das ferramentas de corte.

CATÁLOGO DO
FABRICANTE

Seguindo as orientações dispostas no catálogo,


selecionou na seção das ferramentas de cerâmica a
ferramenta mais adequada.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

224
UE3 | Não Metais – Cerâmicos

Agora é com você!

É hora de mostrar que você compreendeu os conhecimentos apresentados nesta aula,


vamos lá? Bom desempenho!

225
Unidade de Estudo
01

ELEMENTOS
DE FIXAÇÃO
ROSCAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

228
UE1 | Elementos de Fixação - Roscas

Contexto!
Hum...! Estas porcas de fixação
da base de válvulas estão
enferrujadas. Seria prudente
solicitar a troca.

JOÃO PEDRO - TÉCNICO EM


MECÂNICA DA METALTECH

Creio que vou pedir para


Argeu me ajudar.

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

ARGEU
TÉCNICO

Então, ele solicitou para Argeu, também técnico em mecânica, que


medisse o parafuso e abrisse uma requisição de material para a
retirada das porcas no almoxarifado.

Não demorou muito e Argeu trouxe as


ARGEU
TÉCNICO porcas para João Pedro.

229
ARGEU
TÉCNICO

Fundamentos daEntão, ele solicitou


Tecnologia para Argeu, também técnico em mecânica, que
Mecânica
medisse o parafuso e abrisse uma requisição de material para a
retirada das porcas no almoxarifado.

Não demorou muito e Argeu trouxe as


ARGEU
TÉCNICO porcas para João Pedro.

João Pedro, ao receber as porcas, tentou montá-las nos parafusos, mas teve
problema, pois não conseguiu encaixar as porcas nos parafusos.

?
Ué, as porcas não estão
encaixando nos parafusos.
Mas, por quê?

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

230
UE1 | Elementos de Fixação - Roscas

?
Problematizando...

O que pode ter ocorrido na requisição de Argeu ao solicitar as porcas no almoxarifado?

Conhecimento em pauta!

ROSCAS – CONCEITO, FUNÇÃO, NOMENCLATURA

As roscas estão presentes em nosso dia a dia, como na bisnaga do creme dental, na tampa
do refrigerante, no bocal de lâmpada, dentre outros.

Rosca

Estamos aqui falando de rosca, mas o que é uma rosca? A rosca é um conjunto de filetes
com perfis constantes e helicoidais ao redor de uma superfície cilíndrica ou cônica. As roscas
podem ser internas ou externas. As roscas internas são as que se encontram no interior de
furos, como nas porcas. As roscas externas localizam-se no corpo de um eixo cilíndrico, por
exemplo, os parafusos.
Rosca externa Filete
(parafuso)

Rosca interna
(porca)

231
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Você sabe quais são as funções das roscas? Elas têm as seguintes funções:

1) Possibilitar a união e resistência de fixação de peças e componentes mecânicos duran-


te a montagem e desmontagem de manutenção;

2) Para transmissão de força e movimento das peças fixadas.

Agora que vimos a função das roscas, vamos conhecer a sua nomenclatura. Observe a
figura a seguir:

P α
h1
h

d1 d2 d D D1

c f
i

- P = passo: distância entre a crista de um - i = ângulo da hélice, que é o ângulo de


filete e outro inclinação da rosca

- d = diâmetro externo do parafuso - c = crista do filete

- d1 = diâmetro interno do parafuso - D = diâmetro do fundo da porca

- d2 = diâmetro do flanco: é o diâmetro


- D1 = diâmetro do furo da porca
médio ou primitivo do parafuso

- α = ângulo do filete, que é o ângulo do


- h1 = altura do filete da porca
perfil da rosca

- f = fundo do filete - h = altura do filete do parafuso

- F = filete da rosca

SISTEMAS DE ROSCAS
A rosca é fabricada a partir de sistemas normalizados. Mas, que sistemas normalizados
são esses? Veremos a seguir três sistemas mais utilizados aqui no Brasil, são eles:

232
UE1 | Elementos de Fixação - Roscas

Crista plana Sistema métrico ou internacional (ISO)


60º As medidas das roscas são dadas em milímetros. Os filetes
têm forma triangular, ângulo de 60°, crista plana e raiz
arredondada. O passo deve ser informado após a bitola,
quando se tratar de rosca fina. Neste sistema a rosca
métrica fina possui um maior número de filetes do que
a rosca normal, em um determinado comprimento,
fazendo com que ocorra uma fixação melhor.
raiz arredondada

Sistema inglês ou Whitworth


Crista arredondada As medidas são dadas em polegadas. Os filetes têm a
forma triangular, ângulo de 55°, crista e raiz
55º
arredondadas. O passo é determinado dividindo-se uma
polegada pelo número de filetes contidos em uma
polegada. As suas dimensões são escolhidas nas duas
tabelas de Roscas Whitworth Normal, conhecida pela
sigla BSW (British Standard Whitworth - padrão
britânico para roscas normais) e Rosca Whitworth Fina,
conhecida pela sigla BSF (British Standard Fine – padrão
raiz arredondada
britânico para roscas finas).

Crista plana
60º Sistema Americano
As medidas são dadas em polegadas. Os filetes têm a
forma triangular, com ângulo de 60°, passo igual a 1
polegada dividida pelo número de fios, crista plana e raiz
arredondada. Neste sistema a rosca normal é
caracterizada pela sigla NC (National Coarse) e a rosca
fina pela sigla NF (National Fine).
raiz arredondada

Além desses, existem outros sistemas de roscas, que podem ser consultados em catálo-
gos ou manuais.

TIPOS DE ROSCAS
Os tipos de roscas variam de acordo com perfil e com o sentido de direção dos filetes.

• Variações de roscas conforme a perfil dos filetes:

233
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

- Nome do perfil: triangular


- Utilização: é o perfil mais comum. Bastante utilizado em parafusos, porcas,
uniões, tubos, etc.

- Nome do perfil: trapezoidal


- Utilização: é o perfil utilizado para transmissão de movimento suave e
uniforme. Tipo parafusos de máquinas operatrizes e prensas de estampar.

- Nome do perfil: dente de serra


- Utilização: é o perfil utilizado quando há uma solicitação de força muito
grande em um só sentido.

- Nome do perfil: quadrado


- Utilização: é o perfil utilizado quando a peça está sujeita a choques e
grandes esforços.

- Nome do perfil: redondo


- Utilização: é o perfil utilizado em parafusos de grandes diâmetros e que
devem suportar grandes esforços. É utilizado também pela facilidade na
estampagem, em lâmpadas e fusíveis.

• Variações de roscas conforme o sentido de direção do filete:

Tipo à esquerda Tipo à direita

- Descrição: quando o - Descrição: quando o


sentido de aperto é à sentido de aperto é à
esquerda, e o seu giro ao direita, e o seu giro ao
avançar é contrário ao avançar é igual ao
movimento dos movimento dos
ponteiros do relógio. ponteiros do relógio.

234
UE1 | Elementos de Fixação - Roscas

IDENTIFICAÇÃO DE ROSCAS
A identificação da rosca é realizada quando a mesma não traz especificações técnicas
necessárias para a atividade que será desenvolvida. Sendo assim, os seguintes instrumentos
são utilizados:

• Pente de rosca: para medir os ângulos dos filetes, passo em milímetro e dos filetes por
polegada.

• Escala e paquímetro: para identificar o passo em milímetro e dos filetes por polegada.

235
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

A identificação de rosca é de extrema importância para o processo de manutenção, que


envolve a montagem e desmontagem dos equipamentos. A utilização desta prática minimi-
za falhas, como danos na junção, entre os elementos de fixação e melhoria da produtividade
da tarefa do técnico. Veja no vídeo a seguir como realizar o processo de identificação de
rosca:

!
Solução do Problematizando...

Ocorreu a especificação errada da


rosca em relação ao parafuso.

? ? ?

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

ARGEU
TÉCNICO

Ao questionar como Argeu fez a requisição, o mesmo disse que mediu somente o
diâmetro externo do parafuso e foi ao almoxarifado com a requisição.

236
ALMOXARIFADO
ARGEU
TÉCNICO

Ao questionar como Argeu fez a requisição, o mesmo disse que mediuUE1 | Elementos
somente o de Fixação - Roscas
diâmetro externo do parafuso e foi ao almoxarifado com a requisição.

ALMOXARIFADO

E lá, diante de algumas opções, escolheu a


que mais lhe pareceu semelhante. No
entanto, eram de passo diferente, fazendo
com que não rosqueasse as porcas nos
parafusos.

ARGEU
TÉCNICO

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.


Sucesso!

237
Unidade de Estudo
02

ELEMENTOS
DE FIXAÇÃO
PARAFUSOS, PORCAS E ARRUELAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

240
UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas

Contexto!
O técnico em mecânica, Fernando, fez uma solicitação de materiais para a
área de manutenção das esteiras transportadoras da área de processamento
de alimentos e bebidas.

FERNANDO
TÉCNICO

Solicitação de compra de parafusos


sextavados, porcas e arruelas realizada!

Está na hora do
almoço...Vamos? ANA
TÉCNICA

FERNANDO
TÉCNICO

Após a chegada dos materiais, o supervisor Valdomiro vai verificar o controle de


estoque no almoxarifado e...

Esses elementos de fixação estão errados! O material PARAFUSOS


ARRUELAS
deles não é o correto para essa utilização. PORCAS
SEXTAVADOS
AÇO-CARBONO AÇO-CARBONO
AÇO-CARBONO

PARAFUSOS
ARRUELAS PORCAS
SEXTAVADOS
AÇO-CARBONO AÇO-CARBONO
AÇO-CARBONO

PARAFUSOS
ARRUELAS PORCAS
SEXTAVADOS
AÇO-CARBONO AÇO-CARBONO
AÇO-CARBONO
VALDOMIRO
GERENTE

PARAFUSOS
ARRUELAS PORCAS
SEXTAVADOS
AÇO-CARBONO AÇO-CARBONO
AÇO-CARBONO

241
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que Valdomiro condenou a utilização dos elementos de fixação em aço-carbono, para
a área de processamento de alimentos e bebidas da fábrica?

Conhecimento em pauta!

ELEMENTOS DE FIXAÇÃO

A aplicação de elementos de fixação, que são itens utilizados para fixar ou unir dois ou
mais componentes de um conjunto, pode acontecer tanto para aplicação doméstica ou apli-
cação industrial. Vamos ver?

Aplicação doméstica:

• Ao fixar uma cortina na parede de uma casa, utilizando parafusos e bucha plástica cra-
vada na parede.

E situações industriais de grande porte:

• Fixação de componentes de máquinas ou equipamentos;

• A união de tubos através de flanges.

242
UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas

Vamos conhecer mais um pouco sobre os elementos de fixação?

PARAFUSOS
Os parafusos são classificados como elementos de união não permanentes ou tempo-
rárias, isso porque podem ser colocados e retirados sempre que necessário. Normalmente
são formados por corpo ou haste, rosca, cabeça e tipo de acionamento, como é mostrado
na imagem a seguir.

Haste Rosca

Tipo de
Cabeça acionamento

243
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Imagine uma estrutura formada por chapas, barras quadradas e perfis metálicos. Estes
materiais precisam manter-se unidos, mas, por algum motivo de projeto, não pode ser usa-
do o processo de soldagem. Então, você precisará utilizar alguns elementos complementa-
res como parafusos, porcas e arruelas, para conseguir fazer essa união.

Rosca do parafuso
Peça 1

Peça 2
Corpo do parafuso

Observe que, nas uniões móveis, os elementos de fixação podem ser colocados ou retira-
dos do conjunto a qualquer momento, sem que os componentes sofram danos. É o caso de
uniões feitas com parafusos, porcas e arruelas, mostradas anteriormente.

Vamos ver como os parafusos são classificados?

CLASSIFICAÇÃO
Os parafusos são classificados em quatro grupos:

PASSANTES
São os parafusos que atravessam as peças a serem
unidas, de um lado ao outro, passando livremente. O
aperto é dado através de porca. Não há necessidade
de roscas nos furos das peças a serem unidas.

NÃO PASSANTES
Nesse caso, o parafuso não passa pela última peça
que será unida. O aperto é dado por furo cego
roscado, na última peça a ser unida. Não há
necessidade de porca.

PRESSÃO
Os parafusos desse grupo recebem aperto por244meio
da pressão exercida pela ponta do parafuso na peça
que será fixada.
NÃO PASSANTES
Nesse caso, o parafuso não passa pela última peça
que será unida. O aperto é dado por furo cego UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas
roscado, na última peça a ser unida. Não há
necessidade de porca.

PRESSÃO
Os parafusos desse grupo recebem aperto por meio
da pressão exercida pela ponta do parafuso na peça
que será fixada.

PRISIONEIRO
Esses parafusos são compostos de hastes cilíndricas
com rosca em todo o seu comprimento, ou apenas
nas extremidades. Podem ser rosqueados em um
furo roscado, com uma de suas extremidades,
deixando a outra extremidade livre para que outra
peça seja montada e fixada por porca. Dessa forma,
pode ficar permanentemente no furo roscado e,
quando for necessária a desmontagem, basta soltar
a porca.

Agora que você já sabe como os parafusos são classificados, veja a seguir alguns tipos de
parafusos existentes.

TIPOS DE PARAFUSOS
Existem diversos tipos de parafusos, pois podem variar de acordo com a finalidade pela:

• Rosca;

• Cabeça;

• Corpo;

• Ponta;

• Tipo de acionamento;

• Material e dimensões.

Para especificar um parafuso, é necessário informar qual o tipo de cabeça, acionamento,


rosca e também as dimensões, de acordo com a atividade a ser realizada.

Observe, a seguir, os tipos mais comuns de cabeças de parafuso:

245
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Tipo de cabeça Acionamento

- Fenda
Cilíndrica
- Fenda cruzada
Cônica
- Sextavado interno, conhecido como Allen

- Fenda
Sem cabeça - Sextavado interno, conhecido como Allen

- O próprio formato da cabeça


Sextavada
permite o acionamento

- Não é necessária uma ferramenta


Borboleta ou recartilhada
específica, permite o acionamento

Veja, a seguir, um quadro com algumas das representações dos tipos de parafusos:

- Parafuso cabeça

- Parafuso de cabeça cilíndrica com


sextavado interno.

- Parafuso de cabeça redonda com


sextavado interno.

- Parafuso de cabeça quadrada.

- Parafuso de cabeça cilíndrica com


fenda.
246
- Parafuso de cabeça quadrada.
UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas

- Parafuso de cabeça cilíndrica com


fenda.

- Parafuso de cabeça cônica com


fenda.

- Parafuso de cabeça cônica com


fenda cruzada.

- Parafuso de cabeça redonda com


fenda cruzada.

- Parafuso com rosca soberba, para


madeira, de cabeça cônica com fenda
cruzada.

- Parafuso prisioneiro.

- Parafuso borboleta.

Para saber mais!


Para ampliar os estudos sobre elementos de máquinas, assista à videoaula “Elementos
de Máquinas - Aula 06 - Parafusos I”, da coleção telecurso 2000.

Você viu como os parafusos têm uma grande utilidade, tanto na indústria como em nos-
sas atividades diárias? Chegou a hora de conhecer um pouco sobre as porcas.

247
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

PORCAS
Assim como os parafusos, as porcas também são compostas de roscas, porém internas.

As porcas são peças que podem ter um formato prismático ou cilíndrico, como você vai
ver no decorrer deste estudo. Diferente dos parafusos, para serem aplicadas as porcas, ne-
cessitam estar conectadas a parafusos, ou seja, não têm aplicação isolada.

TIPOS DE PORCAS
Existem vários tipos de porcas, que podem variar de acordo com a finalidade, pela rosca,
geometria, tipo de acionamento, material e dimensões.

Normalmente, para especificar uma porca, é necessário informar qual a sua geometria,
acionamento, rosca e dimensões de acordo com a necessidade.

Temos alguns tipos mais comuns de porcas, conforme a seguir:

Porca sextavada

Porca quadrada

Porca redonda com fenda

Porca redonda com entalhes

Porca redonda com furos


radiais

Porca redonda com dois


furos paralelos

248
UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas

• Porca castelo ou com fendas: esse tipo de porca é apropriado para situações em que há
grande risco da vibração soltar, ou diminuir o aperto da porca. Essas porcas são específicas
para serem aplicadas com um elemento chamado cupilha.

Porca e parafuso
com cupilha

Porca castelo ou
sextavada com fendas Cupilha

• Porca borboleta ou com recartilhado: são dois tipos de porcas que permitem o aciona-
mento manual, ou seja, não é necessária uma ferramenta específica.

Porca borboleta

Porca recartilhada

Agora que você já conheceu as porcas, seus tipos e aplicabilidade, vamos conhecer as
arruelas e como podemos utilizá-las. Vamos lá?

ARRUELAS
As arruelas são usadas na aplicação dos elementos de fixação. Tanto em equipamentos,
máquinas ou em meios de transporte, existe o risco de se perder o aperto na junta, em vir-
tude das vibrações.

249
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Para evitar esse inconveniente, utilizamos um elemento chamado arruela. As arruelas


são aplicadas sob a cabeça dos parafusos ou sob as faces das porcas e seus principais ob-
jetivos são:

• Proteger a face da junta contra danos;

• Fornecer uma superfície uniforme com um coeficiente de atrito consistente;

• Espalhar a carga sobre uma área maior (isso aumenta a rigidez da junta).

Trocando Ideias!

Imagine um conjunto de parafuso e porca montados e com a arruela instalada do lado da


porca. Você sabe por que ela não está instalada do lado da cabeça do parafuso? Isso ocorre
porque quem aperta ou folga o parafuso é a porca e, para evitar seu afrouxamento, a arrue-
la deve ser colocada do lado da porca.

Veja a seguir os tipos e as aplicações das arruelas.

TIPOS E APLICAÇÕES DAS ARRUELAS


Existem vários tipos de arruelas, como: lisas, de pressão, dentadas, serrilhadas, ondula-
das, de travamento com orelha e arruela para perfilados.

Para cada tipo de atividade, existe um tipo ideal de arruela. Observe:

ARRUELA LISA
Distribui o aperto de forma proporcional, mas
também tem função estética, melhorando o
aspecto do conjunto. A arruela lisa, por não ter
elemento de trava, é utilizada em órgãos  de
máquinas que sofrem poucas vibrações.

ARRUELA DE PRESSÃO
É o tipo de arruela aplicada em situações que
exijam maiores esforços. Possui sistema de
travamento possibilitando seu emprego em
equipamentos que vão sofrer maiores vibrações.
É também empregada em equipamentos que
sofrem variação de temperatura (automóveis,
prensas, etc.).

ARRUELA DENTADA
É muito empregada em equipamentos sujeitos a
grandes vibrações, mas com pequenos esforços,
250
como: eletrodomésticos, painéis automotivos,
equipamentos de refrigeração, etc. O travamento se
exijam maiores esforços. Possui sistema de
travamento possibilitando seu emprego em
equipamentos que vão sofrer maiores vibrações.
É também empregada em equipamentos que
UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas
sofrem variação de temperatura (automóveis,
prensas, etc.).

ARRUELA DENTADA
É muito empregada em equipamentos sujeitos a
grandes vibrações, mas com pequenos esforços,
como: eletrodomésticos, painéis automotivos,
equipamentos de refrigeração, etc. O travamento se
dá entre o conjunto parafuso/porca. Os dentes
inclinados das arruelas formam uma mola quando
são pressionados e se encravam na cabeça do
parafuso.

MATERIAIS DOS PARAFUSOS, PORCAS E ARRUELAS E SUAS APLICAÇÕES


Os materiais de fabricação são importantes na escolha dos elementos de fixação e cada
tipo de material aplicado possui características e limitações para cada aplicação.

Por exemplo, em um local que vai haver corrosão, mas que a fixação não vai exigir mui-
to esforço, então podem ser utilizados elementos de fixação fabricados em latão. Já se o
esforço for considerável, é necessário aplicar o aço inoxidável, pois tem maior resistência
mecânica e à corrosão.

Você viu como é importante escolher o material certo para fabricação dos elementos de
fixação e que essa atitude determina a sua aplicação? Veja, a seguir, os materiais mais usa-
dos pela indústria na fabricação de parafusos e onde podem ser aplicados.

MATERIAIS USADOS NA FABRICAÇÃO DE PARAFUSOS

AÇO AÇO AÇO LATÃO E


ZINCADO GALVANIZADO INOXIDÁVEL BRONZE
A FOGO

O revestimento de É um revestimento É resistente contra a São ligas de cobre e


zinco fornece de zinco mais corrosão, indicado têm boa resistência
resistência grosso, com maior para uso externo, à corrosão. Mais caro
moderada à resistência à em aplicações do que o aço, esses
corrosão. Ideal para corrosão. Indicado marítimas, e na materiais são,
ambientes fechados para uso externo. indústria de modo normalmente,
ou ambientes secos. Sua aparência geral, onde se utilizados para
Sua tonalidade varia possui um aspecto requer boa aplicações
de acordo com o áspero e cinza. resistência mecânica decorativas. As cores
processo utilizado, e à corrosão. Porém, podem variar
elementos é mais caro que o significativamente.
fabricados em aço revestimento de
de baixo carbono zinco.
para uso geral, tem
custo baixo.

251
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Você Sabia?
As máquinas e equipamentos utilizados nas indústrias de alimentos e bebidas são fabri-
cados em aço inoxidável. Pois é, este material evita a contaminação dos alimentos em
contato com ele.

!
Solução do Problematizando...

Vamos recordar o nosso problematizando? Por que Valdomiro condenou a utilização dos
elementos de fixação em aço-carbono, nas esteiras transportadoras da área de processa-
mento de alimentos e bebidas da fábrica?

Eu vi que foi você quem fez a solicitação desse


material e eu quero explicar pessoalmente por que
eles não podem ser utilizados.

ODNANREF
OCINCÉT

Ok...

VALDOMIRO
GERENTE

O fato de os materiais serem de


aço-carbono é o problema, pois não é
compatível para a aplicação nessa
área específica da fábrica.

Em uma fábrica de alimentos, os materiais de


fixação devem ser todos em aço inoxidável, para
não contaminar as comidas! 252
UE2 | Elementos de Fixação - Parafusos, Porcas e Arruelas
VALDOMIRO
GERENTE

O fato de os materiais serem de


aço-carbono é o problema, pois não é
compatível para a aplicação nessa
área específica da fábrica.

Em uma fábrica de alimentos, os materiais de


fixação devem ser todos em aço inoxidável, para
não contaminar as comidas!

VALDOMIRO
GERENTE

Entendi! Gostaria de pedir


desculpa pelo erro.

Ok... tudo bem,


mas preste mais
atenção.
ODNANREF
OCINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar em prática os conhecimentos estudados nesta aula! Bom de-
sempenho!

253
Unidade de Estudo
01

GUIAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Preciso falar com você sobre a adaptação


da porta de proteção em um torno antigo.
Pode passar na minha sala daqui a pouco?

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
TÉCNICO

Sim, claro!
Até já!

Preciso que seja feita a adaptação


para que esse torno proporcione a
mesma proteção que os tornos novos!

ANA
TÉCNICO
Ok!

Ana sabe que precisará de guias para o deslocamento da porta e que para solicitar
a compra deverá avaliar e especificar qual o tipo de guia é mais adequado.

ANA
TÉCNICO
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual o tipo de guia é mais adequado para o deslocamento da porta de proteção do torno?

Conhecimento em pauta!

GUIAS
Podemos iniciar o assunto sobre guias, lembrando dos trilhos por onde seguem os trens,
pois são um bom exemplo de como elas funcionam. Outro exemplo são as janelas de correr
que deslizam sobre um trilho, com o movimento de abrir e fechar.

Porta
corrediça

Trilho

Nas indústrias, as guias são utilizadas em equipamentos e máquinas operatrizes como


morsas, tornos, fresadoras, entre outros equipamentos, que se movimentam de forma con-
trolada e uniforme, deslizando em uma direção específica.

Veja na imagem seguinte um exemplo de como as guias podem ser utilizadas na indústria.

258
UE1 | Guias

APLICAÇÃO E CARACTERÍSTICAS DAS GUIAS


As guias são elementos utilizados em máquinas e equipamentos industriais, para assegu-
rar a direção e trajetória durante o deslocamento de conjuntos mecânicos, como cabeçotes,
mesas e portas de máquinas, por exemplo.

Veja como as guias são utilizadas na morsa:

Guias planas
da morsa

259
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

As guias podem ser abertas ou fechadas em relação à geometria de montagem.

Guia prismática aberta Guia prismática fechada

As guias classificam-se em dois grupos:

• Guias de deslizamento;
• Guias de rolamento.

Então, vamos aprender sobre esses tipos de guias?

GUIAS DE DESLIZAMENTO
As guias de deslizamento são utilizadas em máquinas operatrizes, como: tornos e fresadoras.

260
UE1 | Guias

As guias precisam de lubrificação, para um bom funcionamento, e podem ser emprega-


das por meio de combinações de vários perfis de guias de deslizamentos, conhecidos como
barramento.

As guias podem ser cilíndricas ou prismáticas, sendo que as prismáticas podem ser de
faces paralelas, rabo de andorinha ou em perfil V.

Formas Cilíndricas Par de faces paralelas

Rabo de andorinha Guias prismáticas em V

Em algumas situações, pode haver folga entre as partes da guia, mas é possível compen-
sá-las através das réguas de ajustes. Vamos aprender um pouco mais sobre isso?

RÉGUAS DE AJUSTE
Devido ao contato entre as faces da guia, pode haver desgaste entre as partes, gerando
folga excessiva e diminuindo a precisão do movimento. Por isso, as guias prismáticas costu-
mam ter mecanismo de compensação de folga, chamados régua de ajuste.

As réguas de ajustes devem ter o mesmo perfil da guia, na região em que será aplicada, e
podem ser ajustadas ao longo do comprimento da guia.

261
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Veja as seguir o detalhe da régua de ajuste:

Direção de aperto
Régua de ajuste para ajuste

Nas guias deslizantes, é necessário, além das réguas de ajustes, a lubrificação. Vamos
entender o porquê?

LUBRIFICAÇÃO
Para facilitar o deslizamento e diminuir o desgaste gerado pela fricção entre as faces, as
guias devem ser lubrificadas com óleo, de acordo com a frequência de uso.

Em situações que a área de contato é muito grande, é necessário que as guias tenham
ranhuras entre as faces, para possibilitar que o óleo atinja toda a extensão da guia, promo-
vendo a formação de uma película lubrificante entre as partes.

Nas figuras seguintes podemos ver de cima dos tipos de ranhuras.

Na imagem a seguir é possível identificar uma guia de deslizamento tipo rabo de andori-
nha, as ranhuras para lubrificação e a régua de ajuste. É possível também notar os parafu-
sos de ajuste.

262
UE1 | Guias

Parafusos de ajuste

Ranhura para lubrificação Régua de ajuste

Vamos, agora, analisar o outro tipo de guia, a guia de rolamento.

GUIA DE ROLAMENTO
As guias de rolamento geram menor fricção que as guias de deslizamento. Isto ocorre
porque os elementos rolantes giram entre as guias, permitindo o movimento com menor
área de contato. Os elementos rolantes podem ser esferas ou roletes.

Veja a seguir os tipos de guias de rolamento:

Guias em V com Guias deslizantes com Guias em V com


armadura de rolos armadura de agulhas armadura de esfera

As guias de rolamento proporcionam um movimento mais leve e com maior precisão. São
aplicadas em máquinas e dispositivos de medição, assim como máquinas automatizadas.

Veja as guias lineares de rolamento, muito utilizadas em máquinas a CNC:

263
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o nosso problematizando? Qual guia mais adequada para o deslocamen-
to da porta de proteção do torno?

Após avaliação da aplicação de cada tipo de guia, Ana optou pelas guias de deslizamento,
pois são as mais adequadas para o deslocamento da porta de proteção. Assim, ela irá con-
sultar nos catálogos de fornecedores e emitir a ordem de compra.

ANA
TÉCNICO

264
UE1 | Guias

Agora é com você!

Vamos aplicar esses conhecimentos! Afinal, essa ação é necessária para reforçar o pro-
cesso de aprendizagem! Sucesso!

265
Unidade de Estudo
02

MANCAIS DE
DESLIZAMENTO E
DE ROLAMENTO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Em uma indústria petroquímica, uma turbina apresentou problemas durante o funcio-


namento, ocorrendo vibração excessiva, o que veio a resultar em redução do seu desem-
penho. O técnico em mecânica foi chamado para analisar a causa e verificou que existe
uma folga muito grande entre o eixo e os mancais de deslizamento.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como o técnico pode ajustar a folga entre o eixo e os mancais de deslizamento?

Conhecimento em pauta!

EIXO
Talvez você ainda não tenha notado, mas tudo que gira em um centro fixo precisa de um
apoio para que o movimento ocorra em torno do próprio centro. Por exemplo, você já viu
como funciona a roda de uma bicicleta? Ela é montada em um eixo que está fixo no garfo da
bicicleta. A roda gira em torno desse eixo, apoiada em dois pontos.

Na indústria mecânica, as máquinas e equipamentos também usam elementos para


apoio a fim de permitir o movimento nos conjuntos mecânicos. Esses elementos são cha-
mados de mancais.

270
UE2 | Mancais de deslizamento e de rolamento

MANCAIS
Os mancais normalmente fazem parte da carcaça de uma máquina, componente ou são
corpos específicos exercendo a função de apoio.

Em equipamentos ou máquinas que usam componentes metálicos, se apoiarmos dire-


tamente no mancal o eixo que vai se movimentar sobre ele, os esforços do movimento vão
ocasionar desgaste entre as peças, comprometendo a função dessas máquinas ao longo do
tempo, principalmente se eixo e mancal forem feitos do mesmo material.

Imagine o prejuízo se a carcaça de uma máquina precisasse ser substituída devido ao


desgaste de um mancal que faz parte dela!

Para evitar o desgaste do mancal, foram desenvolvidos componentes para serem acopla-
dos entre o apoio e o eixo. Esses componentes são as buchas ou os rolamentos. Com isso,
temos dois tipos de mancais:

Mancal de Mancal de
Deslizamento Rolamento

271
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

MANCAIS DE DESLIZAMENTO
Os mancais de deslizamento funcionam por meio de buchas que possibilitam ao eixo
girar e deslizar pela parte interna da bucha. No entanto, esse deslizamento vai gerar um
aquecimento entre as peças, o que limita o uso desse tipo de mancal para aplicações de
maiores rotações. Por outro lado, eles suportam cargas grandes, podendo ser utilizados em
equipamentos de grande porte.

Bucha em latão
ou bronze

Mancal de
Deslizamento

BUCHAS
As buchas costumam ser feitas em material menos duro do que o do eixo que vai se
apoiar e movimentar nelas. Elas são feitas, por exemplo, de latão ou bronze. Dessa forma, as
buchas vão se desgastar mais rápido que o eixo e com isso podem ser substituídas, quando
houver necessidade, pois são de dimensões reduzidas comparadas às outras partes de má-
quinas e também de geometria simples.

272
UE2 | Mancais de deslizamento e de rolamento

Para diminuir o desgaste e ainda melhorar o deslizamento, é necessário o uso de lubrifi-


cantes como graxas ou óleos, podendo ser lubrificação forçada ou não, melhorando assim
o deslizamento.

Parasaber
Para saber mais!
mais!

Existem mancais deslizantes que podem ser lubrificados por ar, gás. Você pode pesquisar
na internet publicações técnicas, catálogos e artigos que falam sobre o assunto.

MANCAIS DE ROLAMENTO
Acoplando rolamentos aos mancais, é possível atingir maiores velocidades. Por outro
lado, eles suportam menos cargas e não são adequados para aplicações em que sofra cho-
que mecânico. Nesse caso, o rolamento é montado no mancal pelo anel externo e o eixo é
fixado no anel interno do rolamento e ambos giram juntamente.

273
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

ROLAMENTOS
Os rolamentos são intercambiáveis, podendo ser substituídos por outro sem a necessi-
dade de ajuste, bastando a especificação do rolamento de forma correta. Para isso, existem
normas e codificação específica.

Você certamente já pode ter se deparado com um rolamento. O mais comum deles é o
de esfera e basicamente é formado por quatro elementos: o anel externo, o anel interno, a
gaiola e as esferas.

Anel externo

Pista anel interno


Pista anel externo

Anel interno Esfera

Gaiola
Porta-esferas
Separador

Parasaber
Para saber mais!
mais!

A norma alemã, DIN 623-1, trata da designação dos rolamentos. Nela é possível identifi-
car a forma de especificar um rolamento corretamente.

ROLAMENTOS DE ESFERAS
Para iniciar o estudo sobre rolamento de esferas, vamos compreender dois conceitos
importantes: carga radial e carga axial. Veja:

274
UE2 | Mancais de deslizamento e de rolamento

Ocorre na direção do
raio, nos dois sentidos.
CARGA RADIAL

CARGA AXIAL

Ocorre na mesma direção


do eixo, nos dois sentidos.

Os rolamentos de esferas, além de suportarem carga radial, também permitem o apoio da


carga axial, em ambos os sentidos, porém em menor proporção. São adequados para aplica-
ções que requerem baixo ruído e vibração, e em aplicações de alta velocidade de rotação.

A seguir veremos as variedades mais comuns de rolamentos.

TIPOS DE ROLAMENTOS DE ESFERA


RÍGIDOS DE ESFERA CONTATO ANGULAR ROLAMENTOS AXIAIS

Possui pistas nos anéis


São rolamentos versáteis, Podem ser de escora
interno e externo, que podem
simples e não separáveis. simples ou dupla. São
ser deslocadas uma em
Indicados para velocidades projetados para suportarem
relação à outra, na direção do
elevadas. Resistentes em somente cargas axiais.
eixo do rolamento. Suporta
operação e exigem pouca
simultaneamente cargas
manutenção.
radiais e axiais.

275
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

ROLAMENTOS DE ROLOS
Os rolamentos de rolos possuem alta capacidade de carga radial porque os rolos e a pista
estão em contato linear. Esses rolamentos são adequados para aplicações que envolvem
uma pesada carga radial de impacto.

TIPOS DE ROLAMENTOS DE ROLOS


AUTOCOMPENSADORES
ROLOS CILÍNDRICOS ROLOS CÔNICOS
DE ROLOS

São constituídos, em sua Têm pistas de anel interno e Possuem duas carreiras de
maioria, de uma carreira externo, cônicas e também esferas ou rolos, com uma
de rolos com gaiola. possuem rolos cônicos. São pista esférica comum no
Podem suportar cargas adequados para suportar, anel externo e duas pistas
radiais pesadas, simultaneamente, cargas no anel interno, inclinadas
acelerações rápidas e axiais e radiais. As cargas em um ângulo em relação
velocidades elevadas. axiais são suportadas apenas ao eixo do rolamento. São
Podem ser utilizados em em um sentido. Esses rolos aplicados onde há grande
eixo-árvore de máquinas são aplicáveis onde as carga radial e também axial
operatrizes. velocidades são menores, em ambas as direções de
como exemplo, os impacto. Como exemplo,
contrapontas giratórios, podem ser usados em
utilizados em tornos peneiras vibratórias de
mecânicos. máquinas como britadores
moinhos da indústria de
britagem.

!
Solução do Problematizando...

Retomando o nosso problematizando, vimos que existe uma folga excessiva entre o eixo
e os mancais de deslizamento. Então, como o técnico pode solucionar esse problema?

Conforme vimos nessa unidade de estudo, o técnico deverá fazer a substituição das bu-
chas dos mancais, que trabalham em contato com o eixo e estão desgastadas causando
uma folga excessiva, por buchas novas que darão novamente a precisão necessária para a
operação da turbina.

276
UE2 | Mancais de deslizamento e de rolamento

Agora é com você!

Vamos aplicar esses conhecimentos! Afinal, essa ação é necessária para reforçar o pro-
cesso de aprendizagem! Sucesso!

Referenciando!
Referenciando!

FISCHER, Ulrich et al. Manual de tecnologia metalmecânica. 2. ed. Tradução Helga Ma-
dienderey. São Paulo: Blucher, 2011.

277
Unidade de Estudo
01

O USO DE CORREIAS,
CORRENTES E
CHAVETAS EM
TRANSMISSÕES

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Amarildo é técnico em mecânica na Metaltech e, hoje,


lhe foi dada a responsabilidade de realizar atividades
em um compressor recém-adquirido.

AMARILDO
TÉCNICO

Entretanto, ele identificou que a empresa


recebeu o compressor sem o motor.

AMARILDO
TÉCNICO

Amarildo, então, mandou comprar um motor


elétrico para movimentar o compressor.

ODNANREF
OCINCÉT

AMARILDO
TÉCNICO
Contexto!
Contexto!

Agora, Amarildo precisa decidir como


fazer o motor girar o compressor.

FERNANDO
TÉCNICO

Então, Amarildo, será que o sistema de


transmissão poderia ser feito por meio de
correias ou por correntes?
UE1 | O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões

?
Problematizando...

Que tipo de elemento de transmissão Amarildo deverá utilizar para transmitir o movi-
mento de giro do motor elétrico para o compressor?

Conhecimento em pauta!

ELEMENTOS DE TRANSMISSÃO
Podemos comparar a situação do motor e do compressor a uma bicicleta. Quando você
anda de bicicleta, como o movimento de suas pernas são transmitidos para a roda traseira
da bicicleta? Quando você pedala, você gira uma peça que transmite o movimento para a
roda traseira da bicicleta por meio de uma corrente. Então, existe uma roda dentada junto
aos pedais e outra no eixo traseiro da bicicleta e a corrente, que é um elemento de transmis-
são, pois leva o movimento dos pedais para a roda traseira.

De forma semelhante, o motor elétrico gira seu eixo e este movimento deve ser levado
para o compressor, que gira para comprimir o ar e armazená-lo no reservatório. Essa mo-
vimentação é realizada utilizando elementos como correias e polias, chavetas e correntes.

283
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Nessa aula analisaremos as características e aplicações desses elementos e como eles


atuam para transmitir movimento entre equipamentos.

CORREIAS
Correias são elementos flexíveis de transmissão de rotação. Permitem que os eixos que elas
conectam estejam relativamente distantes entre si. Veja a seguir uma imagem de uma correia.

Correias podem ser feitas de compósitos de borracha com fibras vegetais, ou de compó-
sitos de borracha com materiais metálicos.

Vocêsabia?!
Você sabia?!

No passado, as correias eram feitas de couro, mas


atualmente este material está em desuso e foi
substituído com vantagens por outros materiais.

284
UE1 | O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões

A seguir, vamos compreender o sistema de transmissão por correia, utilizando o motor


e o compressor como exemplo. Observe que o compressor e o motor estão afastados um
do outro. O giro que vem do motor elétrico é transmitido pela correia para o compressor.

Compressor

Correia Motor
Elétrico

Reservatório de ar

TIPOS DE CORREIAS
Existem vários tipos de correias: planas, em V, redondas e dentadas, conforme veremos
a seguir.

CORREIAS PLANAS
As correias planas permitem conectar dois eixos que estejam paralelos entre si e também
a conexão de eixos que não sejam paralelos, como na figura a seguir.

285
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Bucha em latão
ou bronze

Mancal de
Deslizamento

CORREIAS DENTADAS
Como as correias trabalham com atrito, há o risco de escorregamento, ou seja, uma parte
da potência se perde porque a correia escorrega sobre a polia. Para a maior parte dos casos,
este efeito é irrelevante; mas quando ele é importante, pode-se usar as correias dentadas,
que também são chamadas de “correias sincronizadoras”. Os dentes garantem que não haja
esse escorregamento. A figura a seguir ilustra essa correia.

286
UE1 | O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões

CORREIAS EM V
As correias mais empregadas são as correias em V. Isso ocorre porque a sua geometria
possibilita que o atrito entre a correia e a polia seja maior que no caso das correias planas.
Veja na figura um esquema de correia em V.

Ela é chamada de correia em V porque sua seção lembra a letra V. Note, na próxima figu-
ra, uma seção transversal típica desse tipo de correia.

287
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

POLIA
Para usar uma correia é preciso que haja uma polia no eixo do motor e outra no eixo do
compressor. A correia circulará entre as duas polias.

A polia onde se encaixa a correia deve ter o mesmo perfil da correia. Veja a seguir os prin-
cipais tipos de polias e os perfis de contato.

Polia de aro plano Esquema da região de contato

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
A polia deve ser feita de material leve e que resista ao esforço para o qual será solicitado.
Elas podem ser feitas de ferro fundido, vários tipos de aços, ligas leves, polímeros e ou-
tros materiais. A escolha do material vai depender do uso.

O processo para produzir a polia também pode variar:

Anel externo

Pista anel interno


Pista anel externo

Anel interno Esfera

288 Gaiola
Porta-esferas
Separador
Pista anel interno
Pista anel externo
UE1 | O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões

Anel interno Esfera

Gaiola
Porta-esferas
Separador

A polia possui um furo central, no qual é montado o eixo. Porém, se não houver uma co-
nexão de trava entre eles, os mesmos girariam em falso, ou seja, deslizariam. E como você
acha que a polia é travada ao eixo? Existem algumas formas, mas a mais comum é com o uso
de chaveta. A figura a seguir exemplifica o sistema de montagem e a utilização das chavetas.

Ocorre na direção do
raio, nos dois sentidos.
CARGA RADIAL

CARGA AXIAL
Vale salientar que, tanto no eixo quanto na roda, é preciso fazer um sulco (chamado ras-
go de chaveta) por onde a chaveta é colocada.

Ocorre na mesma direção


CHAVETAS
do eixo, nos dois sentidos.

Chavetas são elementos de máquinas usados para transmitir movimento entre um eixo
e uma estrutura (roda, por exemplo).

As chavetas podem ser de vários tipos. Entretanto, nem todas as fixações de rodas em
eixos podem ser feitas com chavetas. Usam-se as chavetas para torques baixos e médios,
apenas. Suas limitações são a resistência do material e seu tamanho. Os principais tipos de
chavetas são:

289
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

TIPOS DE ROLAMENTOS DE ESFERA


RÍGIDOS DE ESFERA CONTATO ANGULAR ROLAMENTOS AXIAIS

Possui pistas nos anéis


São rolamentos versáteis, Podem ser de escora
interno e externo, que podem
simples e não separáveis. simples ou dupla. São
ser deslocadas uma em
Indicados para velocidades projetados para suportarem
relação à outra, na direção do
elevadas. Resistentes em somente cargas axiais.
eixo do rolamento. Suporta
operação e exigem pouca
simultaneamente cargas
manutenção.
radiais e axiais.

Outra alternativa para a transmissão de potência desejada seria usar uma corrente que
ligaria duas rodas dentadas, assim como em uma bicicleta.

CORRENTES
Correntes fazem um trabalho semelhante ao das correias, que é realizar a transmissão
de rotação ou movimento. Normalmente, são feitas de aço, mas podem ser de outros mate-
riais, dependendo da sua aplicação.

290
UE1 | O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões

Embora as correntes atuem de forma parecida com as correias, normalmente suportam


cargas maiores, por isso, são usadas também para movimentar cargas, são sincronizadas,
mas fazem mais barulho e tendem a ser mais caras que as correias. Uma limitação das cor-
rentes é o fato de que as rodas dentadas devem ter eixos paralelos, diferente das correias
planas, onde os eixos podem ter até 90° de inclinação.

As correntes comuns são mais usadas para elevar ou movimentar cargas, mas pouco
empregadas para transmissão. As mais empregadas para isso são as correntes de rolos.
Podemos ver na imagem uma corrente desse tipo, com duas rodas dentadas.

Pelo fato de as correntes poderem transmitir torques grandes, é possível que um motor
mova mais de uma roda dentada, como na representação a seguir.

291
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

No início dessa Unidade de Estudo vimos que Amarildo precisa definir como fazer o mo-
tor girar o compressor e existem duas opções: os sistemas correias e corrente.

Então, já sabe que tipo de


elemento de transmissão
Amarildo deverá utilizar
para transmitir o movimento
de giro do motor elétrico
para o compressor?
FERNANDO
TÉCNICO

Décio verificou que a transmissão poderia ser feita por correntes ou por
correias. Entretanto, verificou também que, para este caso, uma correia
seria mais adequada, por ser mais barata e também mais silenciosa.

ODNANREF
OCINCÉT

AMARILDO
TÉCNICO

Depois de consultar os catálogos dos fabricantes de correias, Décio encontrou


a peça ideal! E como os próprios catálogos mostram como dimensionar as
correias e as polias necessárias, ficou fácil instalar e utilizar.

292
AMARILDO
TÉCNICO

UE1 | O Uso de Correias, Correntes e Chavetas em Transmissões

Depois de consultar os catálogos dos fabricantes de correias, Décio encontrou


a peça ideal! E como os próprios catálogos mostram como dimensionar as
correias e as polias necessárias, ficou fácil instalar e utilizar.

ogo
Catál

AMARILDO
TÉCNICO

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com


atenção.

293
Unidade de Estudo
02

ENGRENAGENS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Fernando foi designado para analisar o que


aconteceu com um redutor de velocidade
que parou de funcionar.

FERNANDO
TÉCNICO

Ao abrir o equipamento,
ele detectou que uma das
engrenagens havia se
quebrado.

Portanto, ela precisará ser substituída.


Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que Fernando deve conhecer sobre engrenagens para providenciar a substituição?

Conhecimento em pauta!

O QUE SÃO ENGRENAGENS?


Se você já viu um portão automatizado, desses de garagem, deve ter notado que ele abre
e fecha movido por um mecanismo comandado por um motor elétrico.

Esse mecanismo é composto por um sistema que funciona com duas engrenagens: pinhão
e cremalheira.

298
UE2 | Engrenagens

Mas, afinal, o que são engrenagens?

As engrenagens são consideradas elementos de máquinas, pois podem transmitir potên-


cia e movimento de maneira sincronizada, uma vez que elas são interligadas por eixos onde
há transmissão de torque e rotação entre eles, promovendo o funcionamento de diferentes
tipos de mecanismos.

As engrenagens podem ser fabricadas de diversos materiais: aços-liga, ferro fundido,


bronze, ligas poliméricas, entre outros.

E esse processo de fabricação pode ser bem variado. As engrenagens podem ser produ-
zidas por meio de fundição, usinadas a partir de uma peça fundida, forjada, de tarugos e de
inúmeras outras formas.

Existem fresadoras específicas para a produção de engrenagens. Elas são chamadas de


fresadoras geradoras de engrenagens, conforme exemplifica a figura seguinte.

299
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Hoje, dependendo do tipo de material, as engrenagens podem ser produzidas até mes-
mo por impressão 3D! A figura a seguir apresenta um exemplo.

300
UE2 | Engrenagens

Vocêsabia?!
Você sabia?!
De acordo com os diâmetros das duas engrenagens (pinhão e coroa), é possível aumentar ou
diminuir a rotação e o torque. Para isso, é necessário também alterar a relação de transmissão.

Perceba que, para especificar corretamente uma engrenagem, é necessário informar


suas dimensões, material, tipo, dentre outras, de acordo com a aplicação. E, para isso, é
fundamental conhecer muito bem suas características e funcionamento.

Sendo assim, vamos conhecer os tipos de engrenagens?

TIPOS DE ENGRENAGENS
Existem diversos tipos de engrenagens, como as cilíndricas de dentes retos, as helicoi-
dais, as cônicas, entre outros. Seus dentes, ao longo da largura das engrenagens, podem ser
retos ou helicoidais.

ENGRENAGENS CILÍNDRICAS DE DENTES RETOS

As engrenagens cilíndricas são as mais comuns. A figura seguinte apresenta um exemplo


de engrenagens cilíndricas de dentes retos de uma caixa de mudanças.

301
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Elas são usadas em transmissão de potência de um modo geral, possuem características


como dentes retos e, normalmente, são instaladas em eixos paralelos.

ENGRENAGENS CILÍNDRICAS COM DENTES HELICOIDAIS

Outro tipo de engrenagem são as cilíndricas com dentes helicoidais. A figura a seguir
exemplifica esse tipo de engrenagem em um sistema de transmissão automotiva.

Elas são bem mais silenciosas e suportam cargas elevadas, uma vez que possuem uma
superfície de contato maior entre os dentes.

ENGRENAGENS CÔNICAS

Quanto às engrenagens cônicas, um pinhão e uma coroa empregados em transmissão de


automóveis são bons exemplos. A figura seguinte evidencia um modelo.

302
UE2 | Engrenagens

Normalmente, são instaladas em eixos posicionadas a 90°, mas isso não exclui a possibi-
lidade de sua utilização em outros ângulos.

ENGRENAGEM PARAFUSO SEM FIM

A engrenagem chamada parafuso sem fim trabalha com uma coroa, transmitindo potên-
cia com uma grande redução de rotação e grande aumento de torque. Veja um exemplo na
figura a seguir.

Sem fim
Coroa

303
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Estes pares de engrenagens, normalmente, funcionam com eixos montados a 90°.

Agora que você já conhece os tipos de engrenagens, vamos entender um pouco melhor
sobre a transmissão de movimentos entre eixos paralelos e eixos perpendiculares.

PERFIL DOS DENTES DE ENGRENAGENS


O perfil mais comum quanto aos dentes de engrenagens é o de evolvente de círculo.

Parasaber
Para saber mais!
mais!
304
UE2 | Engrenagens

Para ampliar seus conhecimentos sobre os perfis dos dentes das engrenagens, consulte
a literatura:

ZAIONS, Douglas R. Elementos de máquinas. 3. Editora da UNESP.

Engrenagens são importantes para transmissão de movimento, certo? Não é à toa que os
carros têm uma caixa de câmbio. Você sabe por quê? Dê uma olhada:

COMPARATIVO
Comparando as engrenagens com os sistemas de polias/correias e rodas dentadas/cor-
rentes, as engrenagens apresentam alguns pontos positivos e outros negativos:

305
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Retomando à questão do problematizando, por que Fernando deve conhecer sobre en-
grenagens para providenciar a substituição?

Com certeza, você já sabe a resposta!

Porque conhecendo as características e aplicações, ele será capaz de especificar uma


nova engrenagem, considerando tudo que é necessário informar, como suas dimensões,
material e o tipo de engrenagem, de acordo com a aplicação.

Agora é com você!

É hora de aplicar os conhecimentos estudados nesta aula! Mãos à obra e um excelente


desempenho para você!

306
UE2 | Engrenagens

Anotações

307
Unidade de Estudo
01

ELEMENTOS DE
VEDAÇÃO
VEDANTES QUÍMICOS,
JUNTAS E GAXETAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

ANA
TÉCNICA

ANA
TÉCNICA
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Que tipo de vedação é mais adequado para utilizar em equipamentos como uma caldeira?

Conhecimento em pauta!

VEDAÇÃO
O que é vedação? Assista ao vídeo a seguir e confira a resposta!

VEDAÇÃO QUÍMICA
A vedação química é estática e realizada por meio de resinas anaeróbicas, que são substâncias
que endurecem na ausência de oxigênio. Em muitos casos, estes vedantes também funcionam
como uma espécie de cola, para manter os componentes unidos. É a adesão por trava química.

Parafusos, porcas e similares, quando em uso,


sofrem vibrações, impactos e dilatações, que
tendem a afrouxar o aperto existente. Quando
este afrouxamento é crítico, uma solução
simples é a vedação química.

312
UE1 | Elementos de Vedação − Vedantes Químicos, Juntas e Gaxetas

Local adequado
para aplicação

Para realizar a vedação química, a


substância líquida, geralmente muito
viscosa, penetra nas roscas e em todos os
espaços existentes.

Após a secagem, normalmente rápida, a


resina se torna uma película plástica que
cobre as peças em questão, propiciando
o travamento.

Local não adequado


para aplicação

Uma rosca com folga pode causar sérios problemas ao equipamento. Pode haver escape
de fluido, ou podem acontecer movimentos entre as partes, o que podem causar esforços
de fadiga, que podem romper as peças. Para evitar isso, o procedimento mais comum é uti-
lizar vedantes como fita veda rosca de teflon sisal ou massa veda rosca.

Em muitos casos, entretanto, esses materiais não preenchem totalmente as folgas, além
de poder provocar um posicionamento impreciso entre as partes. Com frequência, isso re-
quer torques de aperto mais elevados, que podem causar avarias nas peças.

Quando não for possível preencher totalmente as folgas com fita teflon, uma solução
pode ser o uso da vedação química.

313
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

VEDAÇÃO POR JUNTAS


Na vedação por juntas, que é estática, o material é colocado entre duas partes mecânicas
que precisam ficar juntas, com o objetivo de impedir a passagem de fluidos ou pó de um
lado para outro.

As juntas podem ser de materiais, como: elastômeros, fibras de celulose, papelão, cortiça,
teflon, amianto, metal e outros materiais.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
O amianto, entretanto, é um material cancerígeno e deve ser evitado sempre que possível.

Para escolher o melhor material para a junta, um dos critérios é empregar o fator de ser-
viço, ou PXT. Este fator é assim calculado:

Fator de serviço = P x T
Onde:

P = pressão a ser suportada pela junta, em kgf/mm2;


T = é a temperatura do fluido, em °C.

Fiquede de
Fique olho!olho!

Com referência no cálculo de fator de serviço, observe a tabela que indica a junta mais
adequada.

314
UE1 | Elementos de Vedação − Vedantes Químicos, Juntas e Gaxetas

PXT máximo Temperatura Material


(°C. kgf/mm²) máxima (ºC) da junta
530 150 Borracha

1150 120 Fibra vegetal


(velumoide)
2700 250 PTFE (teflon)

15000 540 Papelão hidráulico

25000 590 Papelão hidráulico com


tela metálica
> 25000 - Junta metálica

As indicações da tabela devem ser avaliadas juntamente com outros fatores, como tipo do
fluido, existência de choques, etc.

Vejamos a seguir as características e aplicações da vedação por juntas:


Juntas de elastômeros
São empregadas em baixas pressões
e temperaturas.

Aplicação:
panela de pressão e portas de
geladeira.

Juntas de papelão

Têm baixo custo e são muito empregadas


em equipamentos diversos. Podem ser
Juntas de fibras de celulose adquiridas já em seu formato desejado ou
podem ser confeccionadas de acordo
Conhecidas como guarnital ou velumoide: com as peças desejadas.
são muito utilizadas para derivados de
petróleo, gases e alguns solventes. Aplicação:
Suportam pressões moderadas e compressores, flanges de tubulações,
temperaturas até 120 °C. corpos de válvulas e tampas de caixas de
engrenagens.
Aplicação: compressores, flanges de
tubulações e caixas de engrenagens.

315
Juntas de cortiça
Apresentam boa resistência a derivados de
Suportam pressões moderadas e compressores, flanges de tubulações,
temperaturas até 120 °C. corpos de válvulas e tampas de caixas de
engrenagens.
Fundamentos daAplicação:
Tecnologiacompressores,
Mecânica flanges de
tubulações e caixas de engrenagens.

Juntas de cortiça
Apresentam boa resistência a derivados de
petróleo. Suportam pressões de até
3 bar e temperaturas até 120 °C.

Aplicação:
flanges de chapa fina ou de material frágil,
como cerâmica e vidro.

Juntas de teflon

São muito versáteis por ser o teflon um


material que apresenta alto isolamento
elétrico, antiaderência, baixo atrito e boa
resistência a impactos. Suportam
temperaturas de até 260 °C. São
empregadas com materiais quimicamente
agressivos.

Aplicação:
flanges em indústrias de alimentos, flanges
frágeis (vidro, cerâmica) e flanges em
indústrias
de medicamentos.

Juntas metálicas

Se aplicam onde haja altas pressões e


altas temperaturas. Suportam grandes
esforços de aperto, pois são fabricadas
em materiais como alumínio ou cobre.

Aplicação: flanges de caldeiras, flanges


de trocadores de calor, uniões de vasos
de pressão.

Juntas de amianto

Possui refratariedade, que é a


qualidade do material de suportar
altas temperaturas.

Aplicação:
fornos e equipamentos semelhantes

316
UE1 | Elementos de Vedação − Vedantes Químicos, Juntas e Gaxetas

VEDAÇÃO POR GAXETAS


Gaxetas são elementos vedantes que têm a vantagem de permitir ajustes à medida que
sofrem desgaste ou que a vedação perde sua eficácia. Podem ser de náilon, teflon, borracha,
cobre, latão, alumínio, algodão, juta e amianto. A esses materiais podem ser adicionados
outros para torná-los autolubrificados, tais como: óleo, sebo, graxa, silicone, grafite, mica,
etc. Assim, definem-se as gaxetas secas e as impregnadas.

Gaxetas são fabricadas já em forma de anel, prontas para o uso, ou como cordas para
que sejam cortadas no comprimento desejado, como nas imagens a seguir:

Gaxetas em anel Gaxetas em corda

As gaxetas normalmente trabalham para evitar o fluxo de fluidos entre os dois lados,
mas em alguns casos podem trabalhar para apenas restringir – e não impedir – o fluxo. Isso
ocorre quando o atrito entre a própria gaxeta e o eixo ao qual ela está conectada é muito
elevado. Nesse caso, é desejável a passagem de uma pequena quantidade de óleo para a
lubrificação desta região.

Gaxetas operam em uma caixa; o tipo mais simples dessas caixas pode ser visto na fi-
gura a seguir, em que um conjunto de gaxetas é pressionado contra a caixa por uma peça
chamada sobreposta. É esta peça que pode ser acionada para modificar a pressão sobre as
gaxetas, quando necessário.

317
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

SAÍDA

SOBREPOSTA

CAIXA DE GAXETAS

ANÉIS DE GAXETAS
ANÉL LANTERNA
ANÉL SEPARADOR
ANÉL DE EXPANSÃO
ANÉL DE COMPRESSÃO
ANÉLDE FUNDO

As gaxetas podem ser secas ou impregnadas. As gaxetas secas normalmente são usa-
das em vedações estáticas, como portas de fornos e estufas, isolamento de tubulações que
conduzam fluidos aquecidos e outros. As impregnadas aplicam-se para hastes de válvulas e
eixos de máquinas rotativas, como compressores e bombas.

Os perfis das gaxetas também podem variar dependendo da aplicação. Os fabricantes


tendem a criar seus próprios modelos, mas de um modo geral temos as gaxetas tipo U, as
tipo L e as tipo H, conforme pode ser visto na próxima figura.

GAXETA U GAXETA L GAXETA H

318
UE1 | Elementos de Vedação − Vedantes Químicos, Juntas e Gaxetas

!
Solução do Problematizando...

No início dessa aula ficou a pergunta: “Que tipo de vedação é mais adequado usar nas
tubulações da caldeira?”

Que tipo de vedação é mais


adequado para utilizar nas
tubulações da caldeira?

ANA
TÉCNICA

Na tubulação da caldeira existem flanges que são ligados por meio de juntas. As juntas
devem ser metálicas, devido à elevada pressão e temperatura. Para fazer a manutenção é
necessário, após fechadas as válvulas que controlam o fluxo da água, desmontar um dos
flanges, retirando os seus parafusos. Depois, deve-se substituir a junta com problema e
recolocar o flange.

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Aplique-os com


sucesso!

319
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Referenciando!
Referenciando!

SENAI. Departamento Nacional. Departamento Regional de São Paulo. Elementos de ve-


dação. Brasília: SENAI DN; Salvador: SENAI DR SP, 2010.

VEDVAL. Eco-Seal: sistema auxiliar de selagem. [20--]. Disponível em: <http://vedval.com.


br/produtos/teadit/outros-produtos/eco-seal-sistema-auxiliar-de-selagem>. Acesso em: 10
jul. 2018.

320
UE1 | Elementos de Vedação − Vedantes Químicos, Juntas e Gaxetas

Anotações

321
Unidade de Estudo
02

ELEMENTOS DE
VEDAÇÃO
ANÉIS DE VEDAÇÃO,
RETENTORES E
SELOS MECÂNICOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

No setor de caldeiraria da Metaltech, Valdomiro


instrui a técnica em manutenção para um serviço.

Ana, depois que terminar o serviço de


manutenção no elevador pantográfico, me
comunique. Estou preocupado com este
vazamento de óleo nos cilindros hidráulicos.

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
TÉCNICA
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como funciona a vedação dos cilindros hidráulicos para este tipo de elevador?

Conhecimento em pauta!

VEDAÇÃO
Vedação é o processo de evitar a passagem de um material sólido, líquido ou gasoso,
de um compartimento para outro. Por exemplo: temos os refrigerantes que possuem uma
tampa que evita que o líquido saia e não entre nenhum corpo estranho. Portanto, a tampa
serve com uma vedação.

Existem dois tipos básicos de vedação: a estática e a dinâmica. Vamos conhecer?

326
UE2 | Elementos de vedação − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos

VEDAÇÃO ESTÁTICA
Este tipo de vedação é usado nos casos em que as peças a serem isoladas não têm mo-
vimento relativo. Por exemplo, na cozinha da sua casa você sabe para que serve a borracha
da panela de pressão?

Em uma panela de pressão, a tampa possui uma vedação para impedir que o conteúdo
pressurizado escape para o ambiente externo. Ou seja, ela impede que o vapor escape, pro-
porcionando o aumento da pressão. Neste caso, aplica-se uma vedação estática.

VEDAÇÃO DINÂMICA
A vedação dinâmica é empregada quando as peças consideradas têm movimento relativo
entre si. Por exemplo, um eixo de motor, ao girar, deve ser lubrificado, mas o óleo usado não
deve sair do compartimento interno do motor. Neste caso, aplica-se uma vedação dinâmica.

327
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Alguns tipos de vedação como a junta da panela de pressão, citada anteriormente, somente
se aplicam a situações estáticas; enquanto outros como os anéis de vedação podem ser aplica-
dos tanto em situações estáticas (vedações secundárias em selos mecânicos), quanto nas dinâ-
micas (no êmbolo de um cilindro hidráulico), conforme nos mostra a imagem a seguir:

Anel de vedação em Anel de vedação em


situação estática situação dinâmica

ANÉIS
Os anéis de vedação são muito empregados na vedação de cilindros hidráulicos e pneumá-
ticos que funcionam a baixas velocidades. São feitos, normalmente, de borracha natural, bor-
racha nitrílica, silicone ou outros materiais elastômeros. Podem ser adquiridos em dimensões
padronizadas conforme catálogo de fornecedores ou podem ser adquiridos em bobina, de
forma a serem cortados no tamanho desejado. Neste caso, as pontas são coladas.

Os anéis mais empregados têm seção


circular e, por isso, são conhecidos
como O’ring, em inglês. Em português,
o nome é anel “O”, ou OR.

Outro tipo de anel utilizado é o H, que


suporta pressões maiores. São
conhecidos como H’ring, em inglês. Em
português, o nome é anel “H”, ou HR.

328
UE2 | Elementos de vedação − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos

Veja agora como se apresenta um anel antes da montagem, após a montagem e em uso,
sob pressão.

ETAPA 1 - Antes da instalação

Note que há um contato muito forte entre o anel e a superfície metálica. Então, para
que haja vedação, é fundamental que as superfícies que entrarão em contato com o anel
tenham baixa rugosidade.

Alguns usos típicos desses anéis são: cilindros pneumáticos, cilindros hidráulicos, bom-
bas de diversos tipos. A imagem a seguir ilustra um cilindro Pneumático dupla ação e os
elementos que o compõem.

329
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

1 Haste do pistão 5 Bucha guia 9 Anel de vedação Y 13 Tampa traseira

2 Porca da haste 6 Parafuso de ajuste 10 Anel magnético 14 Anel de vedação O

3 Retentor 7 Conjunto de vedação 11 Anel antifricção

4 Tampa dianteira 8 Pistão 12 Corpo de cilindro

Além do tipo circular, há outros tipos de anéis com seções variadas, quadradas, octogo-
nais, em X e várias outras. Essas seções não circulares são empregadas para pressões maio-
res, como podemos ver no item 9 da imagem anterior e sua escolha depende da geometria
da região de montagem do anel.

Parasaber
Para saber mais!
mais!
Para ampliar os seus conhecimentos sobre vedação, consulte o manual do usuário de
anéis Vedabrás: Manual Prático de Vedação. ISBN 978-85-65922-00-5.

Você já ouviu falar em retentores?


Trata-se de outro elemento de
vedação. Vamos conhecer algumas
de suas características e aplicações.

330
UE2 | Elementos de vedação − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos

RETENTORES
Os retentores são também chamados de vedadores de lábio, porque são compostos por
uma membrana polimérica (elastômero) em forma de lábio montada em uma estrutura me-
tálica. Esta estrutura é montada no mancal que suporta o eixo. A figura a seguir nos mostra
uma montagem típica de um retentor.

Retentor
Eixo

Mancal

Um retentor atua de forma dinâmica e tem a função de manter óleo, graxa ou outros fluidos
dentro de um equipamento. A montagem de um retentor deve ser feita com cuidado, para que
se obtenham os resultados de vedação esperados. Um dos maiores problemas que ocorre na
montagem do retentor é o descuido que provoca danos aos lábios de vedação. Este descuido
pode ser eliminado com a utilização de um chanfro na extremidade do eixo, lubrificação do eixo
e a utilização de ferramentas adequadas durante o processo de montagem.

Verifique a seguir os principais componentes de um retentor.

331
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Cobertura externa
Anel de reforço
elastomérica.
metálico ou carcaça.

Região interna do vedador,


eventualmente recoberta
por material elastomérico.

Mola de tração.
Membrana
elastomérica ou lábio.

O perfil dos retentores a ser utilizado deve ser escolhido de acordo com a aplicação e os
materiais envolvidos. Veja, na tabela a seguir, alguns perfis entre os mais empregados.

Modelo Características Aplicação

Extremamente rígido por


possuir dois anéis metálicos, Utilizado em grandes diâmetros,
é pouco sensível a erros de nas mesmas condições dos
montagem e exige retentores abaixo.
acabamento do alojamento.

Possui diâmetro externo de


anel metálico, é rígido e
pouco sensível a erros de
montagem, exigindo bom
acabamento do alojamento.

Apresenta o anel metálico de


borracha, o que lhe permite Usados em movimentos
no diâmetro externo um rotativos nas vedações de óleo
assento estanque, além da mineral, graxa e fluidos em
vantagem tanto em serviço geral, com ou sem pressão, ou
quanto em estoque não seja, em motores, em redutores,
sofrer ataques por corrosão, em veículos automotivos, em
evitando danificações no mancais, em máquinas de
alojamento e não exigindo construções e agrícolas, em
que o alojamento332
tenha laminadores e em uma
acabamento polido. infinidade de máquinas e
equipamentos.
Possui diâmetro externo de
anel metálico, é rígido e
UE2sensível
pouco | Elementos de vedação
a erros de − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos
montagem, exigindo bom
acabamento do alojamento.

Apresenta o anel metálico de


borracha, o que lhe permite Usados em movimentos
no diâmetro externo um rotativos nas vedações de óleo
assento estanque, além da mineral, graxa e fluidos em
vantagem tanto em serviço geral, com ou sem pressão, ou
quanto em estoque não seja, em motores, em redutores,
sofrer ataques por corrosão, em veículos automotivos, em
evitando danificações no mancais, em máquinas de
alojamento e não exigindo construções e agrícolas, em
que o alojamento tenha laminadores e em uma
acabamento polido. infinidade de máquinas e
equipamentos.

Este modelo com guarda-pó


apresenta excelente
desempenho em sistemas
que precisam de proteção
contra sujeira e pó abrasivo
do meio ambiente.

A especificação correta do material do retentor é fundamental para minimizar o desgaste


que ocorre normalmente nos lábios do retentor, devido ao contato existente entre ele e o
eixo da peça que ele veda, assim como, também as características dos fluidos e as tempe-
raturas do processo. A tabela a seguir mostra alguns tipos de elastômeros que podem ser
usados em retentores e suas aplicações.

Código dos
elastômeros de Temperatura Temperatura
acordo com as Tipo de borracha mínima de máxima de Aplicações gerais
normas ISO 1629 trabalho (°C) trabalho (°C)
e DIN 3761

Material bastante utilizado por


suas excelentes propriedades
de resistência à química,
NBR Borracha Nitrílica -40 -40
principalmente aos derivados
de petróleo, óleos hidráulicos,
água e álcoois.

Material largamente utilizado


para sistemas de freios
SBR Butadieno Estireno -40 -40
automotivos e em
encanamentos

Material usualmente
empregado em vedações
PVMQ Silicone -55 -55
estáticas associadas a altas e
muito baixas temperaturas.

Este material pode ser


empregado, na grande maioria
das situações, caso se consiga
PTFE Politetrafluorcarbono -200 -200
adaptar à forma construtiva da
peça. Porém, este material não
é resistente à radiação.

333
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Uma vedação por retentor, para ser eficaz, deve atender a alguns requisitos, dos quais os
principais são:

A superfície do eixo, que tem contato com


o lábio do retentor, deve ter rugosidade
baixa, na faixa de 2 a 4 µm, que deve ser
obtida por meio de retificação ou outro
processo que proporcione baixa
rugosidade, como polimento.

Por ocasião da Por ocasião da


montagem, o montagem, tanto o
retentor deverá retentor quanto o
ser lubrificado. eixo devem estar
muito limpos, livres
de qualquer tipo de
sujeira, oxidação ou
qualquer coisa que
possa interferir em
seu funcionamento.

O lábio do retentor, na região de


A dureza do eixo, na região de
trabalho, não pode apresentar
contato com o lábio do retentor,
sulcos, trincas, sinais de batidas,
deverá ser superior a 28 HRC
deformações, falhas de material
(Hardness Rockwell C).
ou outros tipos de falhas.

Dessa forma, quando um retentor apresenta vazamento, é preciso verificar o que causou o
problema e, provavelmente, o mesmo deverá ser substituído. As principais falhas que ocorrem
com este tipo de vedação são no lábio do retentor e/ou no eixo onde o mesmo está montado.

SELOS MECÂNICOS
O selo mecânico é um elemento de vedação considerado entre os melhores. Normalmente,
este sistema é utilizado com produtos perigosos que não podem vazar para o meio ambiente.
O selo mecânico trabalha em dois estágios: a vedação principal e a vedação secundária.

334
UE2 | Elementos de vedação − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos

Na imagem a seguir vemos uma bomba com corte parcial mostrando a posição que fica
o selo mecânico.

Observe, no vídeo a seguir, a câmara de vedação de um selo mecânico simples, para visu-
alizarmos o princípio de funcionamento do mesmo.

335
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vimos, no vídeo, um tipo de anel de selagem e uma sede de selagem específico, porém,
existem outros. Observe, na figura a seguir, outros tipos de sedes e anéis de selagem.

Anéis de selagem

Tipos de sedes

A vedação secundária, que se aplica à sede e ao anel de selagem, impede também que o
fluido passe para outro compartimento. Esse processo se faz por meio de anéis com perfis
diferentes. No vídeo vimos o tipo anel “O”, mas também são usados anéis retos, foles de
borracha e cunhas em teflon.

Veja a seguir alguns exemplos.

Cunhas Foles

336
UE2 | Elementos de vedação − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos

O processo de vedação por selo mecânico é bastante eficiente, podendo na sua mon-
tagem compensar automaticamente pequenos desvios axiais ou radiais na montagem do
eixo, além do que, os vazamentos normais de um selo mecânico são muito baixos, chegan-
do a ser 1% do que se observa em gaxetas, que é um outro tipo de vedação que permite
pequenos vazamentos.

!
Solução do Problematizando...

Vamos relembrar o nosso problematizando: Como funciona a vedação para este tipo de
elevador?

Ao analisar o equipamento, Ana verificou que a vedação


dos cilindros é feita por anéis de vedação tipo (OR).

Hum... Para fazer esta


manutenção, precisarei
desmontar o cilindro e
substituir os anéis. Moleza!

ANA
TÉCNICA

337
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Vamos colocar em prática os conhecimentos estudados nesta aula? Mostre que você
compreendeu os conteúdos apresentados. Bom desempenho!

338
UE2 | Elementos de vedação − anéis de vedação, retentores e selos mecânicos

Anotações

339
Unidade de Estudo
01

ELEMENTOS
ELÁSTICOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

O técnico em mecânica Fernando recebeu uma ordem de serviço para verificar o que
estava ocorrendo com a mola da trava do pino retrátil do aparelho divisor da fresadora,
pois sem este dispositivo, o operador terá dificuldade em posicionar corretamente a
manivela no disco divisor, na operação de dividir a peça em parte iguais.

Mola
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual tipo de mola é o mais adequado para o técnico em mecânica solucionar o problema
da trava da tampa de proteção do torno mecânico?

Conhecimento em pauta!

MOLAS
Você certamente já deve ter se deparado com alguma mola, não é mesmo? Se observar
ao seu redor, pode identificar as molas em vários locais. Na dobradiça da porta do armário,
em alguns brinquedos, no pregador de roupa, dentre outros.

Na mecânica, as molas também estão presentes na maioria das máquinas e equipamen-


tos industriais. Nesta aula vamos aprender um pouco mais sobre as molas e entender as
aplicações, tipos, formas e processo de fabricação.

Vamos começar entendendo o que são molas?

As molas são elementos elásticos que têm a função de absorver vibrações ou choques
mecânicos. Por possuírem grau de elasticidade elevado, podem ser deformadas pela aplica-
ção de uma força e se recompor quando esta é retirada.

344
UE1 | Elementos Elásticos

Geralmente, são fabricadas em aço ou outro material que apresente a propriedade elás-
tica e resiliência. Apresentam formas geométricas distintas, podendo ser planas ou helicoi-
dais, ou seja, em forma de hélice.

As molas helicoidais podem ser fabricadas a partir de uma haste de aço de seção circular,
quadrada ou retangular, passam por um processo de conformação, podendo ser a frio, ou
a quente, como no caso da imagem mostrada a seguir, para se obter um corpo de forma
enrolada em hélice, com geometria cilíndrica ou cônica.

Para melhor entendimento, conheça algumas molas helicoidais e os esforços aplicados


sobre elas:

MOLAS HELICOIDAIS
Helicoidal de compressão: esse tipo de mola se comprime
quando sofre ação de alguma força, ou seja, suas espirais
se aproximam umas às outras. Geralmente, são usadas em
situações onde requer uma ação contrária à força de
compressão, como nos amortecedores dos carros ou trens,
molas dos sofás, colchões ou nas botoeiras e travas das
máquinas operatrizes, entre outras aplicações.

Helicoidal de tração: neste tipo de mola as espirais se


afastam quando são esticadas. Usadas em situações onde
se requer uma ação contrária ao estiramento, como nas
345
máquinas em geral, camas elásticas, balanças manuais, etc.
quando sofre ação de alguma força, ou seja, suas espirais
se aproximam umas às outras. Geralmente, são usadas em
situações onde requer uma ação contrária à força de
Fundamentos da Tecnologia Mecânica compressão, como nos amortecedores dos carros ou trens,
molas dos sofás, colchões ou nas botoeiras e travas das
máquinas operatrizes, entre outras aplicações.

Helicoidal de tração: neste tipo de mola as espirais se


afastam quando são esticadas. Usadas em situações onde
se requer uma ação contrária ao estiramento, como nas
máquinas em geral, camas elásticas, balanças manuais, etc.

Helicoidal de torção: neste tipo de mola as espirais se


deformam quando recebem esforço de torção nas suas
extremidades. São usadas em sistemas de portas,
botoeiras, alicates, tesouras e outras situações que sejam
necessárias, onde ocorra movimento angular.

Agora que conheceu alguns tipos de molas helicoidais e suas aplicações, vamos ver al-
guns tipos de molas planas.

As molas planas são fabricadas partindo de um material de seção plana, por exemplo,
chapa ou fita de aço, podendo ser encontradas nos seguintes formatos:

Feixe de mola: Prato: Espiral:


Constituído por peças As molas prato têm o Constituída por uma tira de
planas de comprimentos formato de um prato ou seção retangular enrolada
diferentes, alinhadas e disco cônico. Trabalham em espiral, semelhante ao
empilhadas, uma sobre combinadas em forma de formato caracol. Tipo de
as outras. Tipo de mola coluna e são usadas em mola usado onde se requer
usado quando se requer motores de partida por ação de torção. Pode ser
respostas a altas cargas, mola, máquinas de encontrada em relógios de
como em amortecedores estampagem e corte, corda, sistemas de
de caminhões, máquinas entre outras. acionamento por mola.
operatrizes, vagões de
trem, etc.

346
UE1 | Elementos Elásticos

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Nos relógios comparadores e apalpadores, as molas em espiral são utilizadas para elimi-
nar a folga entre as engrenagens do mecanismo. Por serem de dimensões pequenas e
finas, são também conhecidas como mola cabelo.

A partir dos tipos de molas que vimos e suas formas, podem surgir outras formas de
molas. Veja no quadro:

MOLAS HELICOIDAIS

Tração paralela Tração cônica Tração bicônica

Compressão paralela Compressão cônica Compressão bicônica

347
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

MOLAS PLANAS

Lâmina Onda de lâmina Anel

!
Solução do Problematizando...

Voltando ao nosso problematizando: qual tipo de mola é o mais adequado para o técnico
em mecânica solucionar o problema do aparelho divisor?

Após uma breve inspeção, Fernando identificou que a mola do mecanismo de travamen-
to do pino retrátil do aparelho divisor da fresadora estava quebrada, o que impedia o po-
sicionamento correto da manivela. Com os conhecimentos adquiridos sobre os elementos
elásticos, Fernando selecionou a mola de compressão paralela e procedeu a substituição no
mecanismo que voltou a travar, tornando o aparelho divisor operacional novamente.

Agora é com você!

Chegou a hora de praticar! Mostre que você compreendeu os conteúdos disponibilizados


nesta aula de estudo! Bom desempenho!

348
UE1 | Elementos Elásticos

Anotações

349
Unidade de Estudo
01

ELEMENTOS DE
ELEVAÇÃO E
TRANSPORTE

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Amarildo foi chamado na área de cargas da Metaltech, pois uma carga especial precisa ser levantada.
Porém, o material possui elevado peso e não pode sofrer danos. Portanto, será necessário fazer o
içamento da carga.

?
?? ?
AMARILDO
TÉCNICO

AKIRE
AIRÁIGATSE
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual o procedimento adequado para içamento da carga?

Conhecimento em pauta!

ELEMENTOS DE ELEVAÇÃO E TRANSPORTE


Os elementos de elevação e transporte, como os cabos de aço e as cintas de içamento,
são utilizados em diversos ambientes e, principalmente, no ambiente de trabalho, para o
manuseio de cargas. Por isso é importante que para sua atuação como técnico em mecâni-
ca, você reconheça tipos, características e aplicações desses elementos de elevação e trans-
porte. É o que aprenderemos nesta aula de estudo, vamos lá?

CABOS DE AÇO
Os cabos de aço são elementos de elevação e transporte compostos de vários arames
de aço, enrolados sobre outro arame central, denominado alma. Essa estrutura forma um
conjunto capaz de suportar forças de tração vertical, horizontal ou inclinada.

O formato do cabo de aço é semelhante a uma corda trançada, construída de fios de aço,
como podemos observar nas imagens seguintes.

354
UE1 | Elementos de Elevação e Transporte

Quanto à constituição, os cabos de aço possuem alma, perna, arame central e arame,
conforme você pode observar na próxima imagem.

VISÃO ESTRUTURAL FLUXOGRAMA DA ESTRUTURA


DE UM CABO DE AÇO DOS CABOS DE AÇO

Cabo de aço
Arame central
Alma

Alma Perna
Arame
Perna

Cabo de aço Arame central Arame

Para identificar os principais tipos de cabos de aço, o técnico em mecânica precisa ficar
atento às formas como as pernas dos cabos são distribuídas. Na animação a seguir é possí-
vel observar como é feita essa distribuição.

355
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Fiquede de
Fique olho!olho!

Convencionalmente, os cabos de aço podem ser fabricados em algumas categorias. Ob-


serve, na tabela seguinte, as categorias de resistência à tração de arames (excluindo-se
arames centrais e de enchimento) para as seguintes categorias de resistência de cabos:

CATEGORIA DE FAIXA DE CATEGORIAS DE RESISTÊNCIA


RESISTÊNCIA DE CABOS À TRAÇÃO DE ARAMES N/mm2

1570 1370 – 1770

1770 1570 – 1960

1960 1770 – 2160

2160 1960 – 2160

Por serem pesados e difíceis de armazenar e transportar, os cabos de aço apresentam


limitações para algumas aplicações. Por isso, existem também as cintas de içamento, um
elemento de elevação e transporte que pode substituí-los ou trabalhar em conjunto.

CINTA DE IÇAMENTO
A cinta de içamento é produzida a partir das fibras de poliéster e náilon trançadas. Ela
tem o objetivo de suportar cargas de tração em qualquer direção.

As cintas de içamento se destacam em relação aos cabos de aço, por possuírem as van-
tagens de:

Se ajustar ao formato da carga devido à


sua elasticidade;

Apresentar alta resistência a ambientes


diversos, podendo trabalhar
submersos em líquidos;

Podem ser confeccionadas com


acabamentos especiais,
356
como
revestimentos em couro para evitar
Apresentar alta resistência a ambientes
diversos, podendo trabalhar
submersos em líquidos; UE1 | Elementos de Elevação e Transporte

Podem ser confeccionadas com


acabamentos especiais, como
revestimentos em couro para evitar
danos às cargas;

Podem ser armazenadas e


transportadas com facilidade, devido à
sua flexibilidade;

É de fácil manuseio.

Devido a essas vantagens, as cintas de içamento podem ser utilizadas em qualquer tipo
de trabalho, em especial no segmento industrial.

As cintas de içamento são classificadas por cores e seguem um padrão para seu dimen-
sionamento, conforme quadro a seguir:

357
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

ATÉ 45º DE 46º


ATÉ 60º
CARGAS DE
ELEVAÇÃO

CMT CORES FU = 1,0 FU = 0,8 FU = 2,0 FU = 1,4 FU = 1,0

1000 kg Violeta 1000 kg 800 kg 2000 kg 1400 kg 1000 kg

2000 kg Verde 2000 kg 1600 kg 4000 kg 2800 kg 2000 kg

3000 kg Amarelo 3000 kg 2400 kg 6000 kg 4200 kg 3000 kg

4000 kg Cinza 4000 kg 3200 kg 8000 kg 5600 kg 4000 kg

5000 kg Vermelho 5000 kg 4000 kg 10000 kg 7000 kg 5000 kg

6000 kg Marrom 6000 kg 4800 kg 12000 kg 8400 kg 6000 kg

8000 kg Azul 8000 kg 6400 kg 16000 kg 11200 kg 8000 kg

>10000 kg Laranja 10000 kg 8000 kg 20000 kg 14000 kg 10000 kg

CMT = CARGA MAXIMA TOTAL FU = FATOR DE USO

FONTE: ABNT NBR 15637-1 - Cintas têxteis para elevação de cargas - Parte
1: Cintas planas manufaturadas, com fitas tecidas com fios sintéticos de alta
tenacidade formados por multifilamentos.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!

Os cabos de aço e as cintas


de içamento são
dimensionadas levando em
consideração a capacidade de
resistência à ruptura e os
esforços que irão suportar.

AMARILDO
TÉCNICO

358
UE1 | Elementos de Elevação e Transporte

Parasaber
Para saber mais!
mais!
Para maiores informações sobre os elementos de elevação e transporte vistos nesta aula,
consulte as seguintes normas:

• ABNT NBR 3108 de 08/1998 – Cabos de aço para uso geral – Determinação da carga de
ruptura real.
• ABNT NBR 3108 de 10/2006 – Cabos de aço para uso geral – Requisitos mínimos.
• ABNT NBR 15637-1 de 12/2017 – Cintas têxteis para elevação de cargas.

!
Solução do Problematizando...

Vimos no início dessa Unidade de Estudo que Amarildo deve realizar o içamento de uma
carga especial. Qual o procedimento adequado para içamento da carga?

Com base em seus conhecimentos técnicos e em normas de segurança, Amarildo


encontrou a melhor solução para o içamento da carga.

AMARILDO
TÉCNICO

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Amarildo isolou a área por onde a carga seria deslocada. Depois, utilizou a cinta de içamento
com capacidade apropriada para a carga, em conjunto com os cabos de aço da ponte de
içamento, garantindo assim a segurança da carga e dos colaboradores.

359
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Amarildo isolou a área por onde a carga seria deslocada. Depois, utilizou a cinta de içamento
com capacidade apropriada para a carga, em conjunto com os cabos de aço da ponte de
içamento, garantindo assim a segurança da carga e dos colaboradores.

AMARILDO
TÉCNICO

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 3108: Cabos de aço para uso geral –
Determinação da carga de ruptura real.

ABNT NBR 3108 de 10/2006 – Cabos de aço para uso geral – Requisitos mínimos.

ABNT NBR 15637-1 de 12/2017 – Cintas têxteis para elevação de cargas.

360
UE1 | Elementos de Elevação e Transporte

Anotações

361
Unidade de Estudo
01

METROLOGIA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

FERNANDO
TÉCNICO

ICOS
SELOS MECÂN
LOTE 4
ÂNICOS
SELOS MEC
LO 3
TE

NICOS
MECÂ
SELOS TE 6
LO
ICOS
MECÂN
SELOS TE 5
LO

Pronto! Agora preciso conferir o


dimensional desses selos, para
certificar que estão de acordo com as
solicitações do cliente.

ICOS
SELOS MECÂN
LOTE 4
ÂNICOS
SELOS MEC
LOTE 3

NICOS
MECÂ
SELOS TE 6
LO

ICO S
MECÂN
SELOS TE 5
LO
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que o técnico em mecânica Fernando deve conferir o dimensional do lote de selos
mecânicos antes de enviar os produtos ao cliente?

Conhecimento em pauta!

METROLOGIA
Você sabe como a metrologia é aplicada aos processos produtivos? O vídeo a seguir te
ajudará a compreender.

Historiando!
Historiando!

Os egípcios usavam há mais de quatro mil anos a medida


conhecida como cúbito, que consistia na distância do
cotovelo do faraó até a extremidade do dedo médio,
para padronizar a grandeza que hoje conhecemos como
comprimento ou distância, que são obtidas com
instrumentos específicos e mais modernos.
Existem outras formas de medidas que foram usadas por
muito tempo e que ainda podem estar sendo utilizadas:

366
para padronizar a grandeza que hoje conhecemos como
comprimento ou distância, que são obtidas com
UE1 | Metrologia
instrumentos específicos e mais modernos.
Existem outras formas de medidas que foram usadas por
muito tempo e que ainda podem estar sendo utilizadas:

Pé Polegada Quarta / Alqueire

Para se fazer uso de padrões, é necessário realizar medições. Portanto, vamos entender
o que é medir.

APLICAÇÃO
Medir é comparar uma grandeza definida através de um instrumento com um padrão e
uma unidade de medida.

A unidade é um determinado valor em função do qual outros valores são estabelecidos.


E assim são criados os padrões quando se materializa a unidade em condições específicas.

367
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Como o desejo de padronização sempre esteve presente nas civilizações, durante anos
foram elaborados e aperfeiçoados os métodos de medidas, dando origem ao Sistema Inter-
nacional de Medidas (SI), criado com o intuito de padronizar as unidades de medida e facili-
tar as relações entre os países, seja de caráter mercadológico, tecnológico ou de informação.

Desta padronização, temos em destaque sete unidades conhecidas como Unidades Base.
Veja a tabela a seguir:

UNIDADES BASE SI
GRANDEZA FÍSICA SÍMBOLO UNIDADE
Comprimento m metro
Temperatura termodinâmica K kelvin
Massa kg quilograma
Corrente elétrica A ampere
Tempo s segundo
Quantidade de substância mol mol
Intensidade luminosa cd candela

E onde podemos aplicar os padrões da metrologia? A aplicação da metrologia abrange os


processos de produção industrial, seja na área produtiva, de manutenção ou de qualidade.
Veja com mais detalhes:

Na área produtiva, a metrologia controla variáveis do


processo através de valores referenciais, predeterminados,
e dimensiona seu espaço físico na etapa de
armazenamento. Além disso, tem a finalidade de controlar
o produto do início até o final da linha de produção.

Na área de manutenção, a metrologia serve para analisar o


desgaste mecânico das peças e das máquinas e auxiliar na
decisão de substituição.

Já na área da qualidade, a metrologia atua no intuito de


garantir a rastreabilidade dos padrões metrológicos e a
realização de calibrações e testes dos instrumentos e
equipamentos de medição.

368
UE1 | Metrologia

Trocando
Trocando Ideias!
Ideias!

O sistema métrico decimal foi adotado no


Brasil em 26 de junho de 1862, pela Lei
imperial nº 1.157. Você sabia?

O metro, unidade fundamental do sistema


métrico, criado na França no ano de 1795, é
igual à décima milionésima parte do quarto
do meridiano terrestre. Esse valor foi
escolhido por apresentar caráter mundial e
adotado em 20 de maio de 1875, como
unidade oficial de medidas por dezoito
nações.
O metro padrão universal é a distância
materializada pela gravação de dois traços
no plano neutro de uma barra de liga
estável, composta de 90% de Platina e 10%
de Irídio, cuja seção, de máxima rigidez, tem
a forma de um X.

Atualmente, o metro padrão é definido como o comprimento percorrido pela luz durante
um intervalo de tempo de 1 / 299792458 segundos.

369
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vocêsabia?!
Você sabia?!

As normas mais consultadas na Metrologia são: a ISO/IEC 17025 – Requisitos Gerais para a
Competência de Laboratórios de Ensaio e Calibração; a ABNT NBR 6158 – Tolerâncias e Ajustes.

!
Solução do Problematizando...

Vamos recordar o nosso problematizando? Por que o técnico em mecânica Fernando deve
conferir o dimensional do lote de selos mecânicos antes de enviar os produtos ao cliente?

Já verifiquei esses produtos e


estão todos de acordo com o
que foi solicitado pelo cliente.

E como foi que você fez essa


conferência e por quê? FERNANDO
TÉCNICO

SELOS MECÂNICOS SELOS MECÂNICOS


LOTE 3 LOTE 4
ESTAGIÁRIO

Ah! Comparei as medidas dos produtos com


as medidas especificadas no desenho de
fabricação com o auxílio de instrumentos de
medicação calibrados, conforme as normas
técnicas de metrologia.
Fiz isto porque é necessário comprovar que
realmente os produtos estão conforme
solicitado.

370
FERNANDO
TÉCNICO
UE1 | Metrologia

Ah! Comparei as medidas dos produtos com


as medidas especificadas no desenho de
fabricação com o auxílio de instrumentos de
medicação calibrados, conforme as normas
técnicas de metrologia.
Fiz isto porque é necessário comprovar que
realmente os produtos estão conforme
solicitado.

FERNANDO
TÉCNICO

SELOS MECÂNICOS SELOS MECÂNICOS


LOTE 3 LOTE 4

Agora é com você!

É hora de aplicar os conhecimentos aprendidos nesta aula. Mostre que você compreen-
deu e mãos à obra. Bom desempenho!

Referenciando!
Referenciando!

SENAI. Departamento Nacional. Departamento Regional do Espírito Santo. Metrologia Bá-


sica. Brasília: SENAI DN; Salvador: SENAI DR ES, 1996.

371
Unidade de Estudo
01

METROLOGIA

UNIDADES DE MEDIDA
E CONVERSÕES

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Fernando recebeu do supervisor técnico, Valdomiro,


a tarefa de gerar um relatório dimensional de
algumas peças importadas, conforme desenho com
medidas em polegadas fracionárias.

FERNANDO
TÉCNICO

VALDOMIRO
GERENTE

? 01

01
50

5
00

0
54

ODNANREF ODNANREF
OCINCÉT OCINCÉT
0
5
10

10
05
00
45

JOSÉ JOSÉ
ALMOXARIFE ALMOXARIFE

Porém, o almoxarife
disponibilizou um instrumento
com escala em milímetros.

“inch” “mm”

FERNANDO
TÉCNICO

0
5
10 10

05

00

45

Nesse caso, o técnico observou que será preciso


fazer a conversão entre essas unidades de medida.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que o técnico em mecânica precisa conhecer as formas de conversão de medidas


para realizar o relatório dimensional das peças importadas?

Conhecimento em pauta!

UNIDADES DE MEDIDA

Já se perguntou o por que a conversão de medidas é importante? Confira a resposta no


primeiro vídeo dessa aula.

Vocêsabia?!
Você sabia?!

No século XIV a polegada ja foi associada


ao tamanho de três grãos de cevada secos,
redondos e enfileirados.

Ela também já foi associada a medida do


dedo polegar do rei.

A partir do ano 1959 foi decretado que a CM

polegada teria a medida de 2,54 1 2 3 4 5 6 7

centímetros. 376
2,54cm
Ela também já foi associada a medida do
UE1 | Metrologia − Unidades de Medida e Conversões

dedo polegar do rei.

A partir do ano 1959 foi decretado que a CM

polegada teria a medida de 2,54 1 2 3 4 5 6 7

centímetros. 2,54cm

O sistema de medida por polegadas pode ser representado em forma de fração ou milesimal.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
O termo em inglês inch significa polegada. Usualmente, utiliza-se in para indicar que a uni-
dade está em polegada.

POLEGADA FRACIONÁRIA
Para compreendermos o que é a polegada fracionária, vamos relembrar os conceitos
sobre fração.

Quando dividimos um valor por outro, temos a representação de uma parte desse valor,
ou seja, uma fração, que pode ser representada das seguintes formas:

3 Numerador 3 Numerador
Inteiro 1
4 Denominador 4 Denominador

A fração deve ser representada da forma mais simples possível, ou seja, deve ser simpli-
ficada até a sua forma irredutível.

Assim, se dividirmos uma polegada em duas partes iguais e assim sucessivamente, tere-
mos sempre o resultado representando a metade do valor anterior.

377
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Observe o exemplo:

1, 1 , 1 , 1 , 1 , 1 , 1 , 1 ...
2 4 8 16 32 64 128

POLEGADA MILESIMAL
A polegada milesimal é o resultado da operação da divisão entre o numerador e o denomi-
nador para fração simples, e o somatório da parte inteira com a fracionada para frações mistas.

3 3
= 0,75 in 1 = 1,75 in
4 4

CONVERSÕES
No próximo vídeo, conheça os métodos para conversão das unidades de medidas padro-
nizadas pelo Sistema Internacional de Unidades (SI).

378
UE1 | Metrologia − Unidades de Medida e Conversões

CONVERSÕES – POLEGADA E MILÍMETRO


Agora que você sabe converter a unidade metro nos seus múltiplos e submúltiplos, va-
mos aprender as conversões usando a unidade polegada.

Fiquede de
Fique olho!olho!

Muitas vezes os técnicos se utilizam das tabelas prontas com os valores convertidos, con-
forme a tabela seguinte:

POLEGADA POLEGADA
MILÍMETRO
FRACIONÁRIA MILESIMAL
(mm)
(in) (in)

1/16 0,0625 1,5875

1/8 0,125 3,175


3/16 0,1875 4,7625

1/4 0,25 6,35


5/16 0,3125 7,9375
3/8 0,375 9,525

7/16 0,4375 11,1125

1/2 0,5 12,7


9/16 0,5625 14,2875
379

5/8 0,625 15,875


1/4 0,25 6,35
Fundamentos da Tecnologia Mecânica
5/16 0,3125 7,9375

3/8 0,375 9,525

7/16 0,4375 11,1125


1/2 0,5 12,7

9/16 0,5625 14,2875


5/8 0,625 15,875

11/16 0,6875 17,4625


3/4 0,75 19,05

13/16 0,8125 20,6375


7/8 0,875 22,225

15/16 0,9375 23,8125


1 1 25,4

Vocêsabia?!
Você sabia?!

A metrologia brasileira é membro do Bureau


Internacional de Pesos e Medidas (BIPM) e da
Organização Internacional de Metrologia Legal (OIML).
Isso garante total adequação às normas internacionais
usadas por todo o mundo como meio de padronizar os
produtos, o que torna o Brasil confiável como exportador
de produtos, seja pela qualidade disposta nos processos,
seja pelo regime de fiscalização metrológica e ainda pela
padronização das unidades de medida.

380
UE1 | Metrologia − Unidades de Medida e Conversões

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o problematizando? Por que Fernando precisa conhecer as formas


de conversão de medidas para realizar o relatório dimensional das peças importadas?

Fernando precisava conhecer as formas de conversão para


converter as medidas do desenho e comparar com as obtidas
nas medições da peça.

FERNANDO
TÉCNICO

Fernando converteu as medidas dos desenhos de polegada para o sistema


métrico, conferiu as peças com o instrumento disponibilizado e, com as
medidas tomadas, elaborou o relatório solicitado pelo seu supervisor.

FERNANDO
TÉCNICO

VALDOMIRO
GERENTE

381
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Avalie se você compreendeu bem os conhecimentos estudados nesta aula de estudo.


Responda às perguntas e bom desempenho!

382
UE1 | Metrologia − Unidades de Medida e Conversões

Anotações

383
Unidade de Estudo
01

METROLOGIA
TIPOS, CARACTERISTICAS,
APLICAÇÕES, USO E
CONSERVAÇÃO DOS
INSTRUMENTOS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Ana ficou encarregada de supervisionar


a estagiária em mecânica, Érica.

Tudo bem! Sim,


Olá, tudo bem? estou animada
Pronta para iniciar para começar.
os trabalhos?

ERIKA
ESTAGIÁRIA

ANA
ACINCÉT

Ela deverá apresentar os instrumentos de Aqui acontece a medição dos


medição e os gabaritos existentes do setor produtos fabricados pela empresa,
de metrologia da empresa para Érica. utilizando os instrumentos como
régua graduada, trena, mesa de
LABORATÓRIO DE desempeno, verificador de raio e
METROLOGIA rosca, entre outros.

ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Agora que já apresentei o


setor, peço que você confira
o passo dos vários tipos de
roscas dessas peças

Peça
Finalizada

ANA
ACINCÉT

ERIKA
ESTAGIÁRIA
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual instrumento Érica deverá utilizar para verificação do passo das roscas?

Conhecimento em pauta!

INSTRUMENTOS DE MEDIÇÃO

Você já observou que, para realizamos várias atividades do dia a dia, utilizamos o proces-
so de medição? Para instalar um aparelho de televisão na parede recorremos a uma régua
ou uma trena, medimos a altura e as distâncias dos parafusos de fixação e, após esta verifi-
cação, é que fazemos a furação da parede.

Para que ocorra exatidão nas medições que realizamos, as empresas do segmento de
mecânica devem possuir e manter seus instrumentos de medição em condições de uso. Pois
estes instrumentos são essenciais para a garantia da qualidade dos produtos fabricados.

Nas indústrias, a área responsável pelos instrumentos de medição é conhecida como se-
tor de metrologia. Nele é possível encontrar vários tipos de instrumentos, dos mais básicos
até os de alta tecnologia. Nesta aula de estudo conheceremos e analisaremos a aplicação de
alguns desses instrumentos.

388
UE1 | Metrologia − Tipos, Características, Aplicações, Uso e Conservação dos Instrumentos

ESCALA OU RÉGUA GRADUADA


A escala graduada é o instrumento mais básico utilizado para medições de distâncias linea-
res, quando não há exigência de grande precisão. Alguns modelos contêm as medidas nos dois
sistemas de medição, métrico e em polegada. Algumas características desse instrumento são:

• Podem ser confeccionadas a partir de uma chapa, preferencialmente em aço inoxidável;


• Possuem graduação crescente da extremidade esquerda para a direita;
• Podem ser encontradas em diversos comprimentos.

Após o uso, as réguas devem ser limpas com pano seco e, se necessário, antes de guar-
dar, caso a régua não seja de aço inoxidável, deve-se aplicar uma fina camada de óleo pro-
tetivo ou vaselina para melhor conservação.

TRENA
A trena é um instrumento de medição construído por uma fita de aço, fibra ou tecido.
Elas podem ser graduadas em metros e polegadas, por todo seu comprimento, com traços
transversais.

389
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

As trenas têm amplo campo de aplicação, porém limitado pela pouca precisão obtida. A
resolução da escala pode variar entre 0,5 e 1 mm. Na mecânica, é mais utilizada nos proces-
sos de manutenção, principalmente na instalação de máquina e equipamentos, para mar-
cação de furações.

TRAÇADOR DE ALTURA
O traçador de altura é um instrumento com leitura semelhante a do paquímetro. Seu
campo de trabalho se dá apenas de forma vertical, sobre uma base de apoio na horizontal.
Ele possui uma coluna na qual se desloca um cursor para medição da peça e tem como fun-
ção medir e traçar alturas.

Para conservar o traçador de altura, deve-se:

• Limpá-lo sempre após o uso, de preferência aplicar uma fina camada de óleo protetivo
ou vaselina na base, para evitar corrosão;
• Guardá-lo em local seco e seguro, imune a atritos e impactos;
• Calibrá-lo sempre que apresentar indicações de desvios acima das tolerâncias.

As bases necessárias para apoiar o traçador de altura são mesas destinadas aos traba-
lhos de metrologia, chamadas mesas de desempeno, ou simplesmente desempeno.

390
UE1 | Metrologia − Tipos, Características, Aplicações, Uso e Conservação dos Instrumentos

MESA DE DESEMPENO
A mesa de desempeno, normalmente, é retangular, fabricada em ferro fundido ou gra-
nito, usada para trabalhos de traçagem ou verificações de planos retos ou paralelos. Muito
utilizada como referência para realização de medições.

A superfície da mesa deve permanecer sempre limpa e quando não estiver em uso, caso
seja fabricada em ferro fundido, deve ser aplicada uma fina camada de óleo para garantir a
conservação.

VERIFICADOR DE RAIO
Os verificadores de raio são utilizados na área de mecânica para verificação de raios in-
ternos e externos de peças. Em cada uma das suas lâminas está gravado o valor do raio.
Geralmente são encontrados disponíveis com raios de 1 a 7, de 7 a 15, e de 15 a 25 milíme-
tros, variando de um em um milímetro a cada lâmina. Também podem ser encontrados na
unidade polegadas.

Como todo instrumento de precisão, deverá ser mantido limpo e armazenado em emba-
lagem que o proteja de umidade, oxidação e impacto.

391
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

VERIFICADOR DE ROSCA
O verificador de rosca, também conhecido como pente de rosca ou conta fios, é utilizado
para verificar roscas prontas ou durante o processo de fabricação. Com ele é possível identi-
ficar o passo da rosca, que é a distância em milímetros entre dois filetes de uma rosca (se for
no sistema métrico) ou identificar o número de fios por polegadas (se for no sistema inglês).

392
UE1 | Metrologia − Tipos, Características, Aplicações, Uso e Conservação dos Instrumentos

Para realizar a leitura do verificador de rosca, o profissional escolhe a lâmina do feixe cor-
respondente à rosca a ser verificada, e a sobrepõe à rosca da peça a medir. Quando todos
os filetes do verificador coincidirem com os filetes da peça medida, determinou-se o passo
que se encontra gravado na lâmina do instrumento.

O verificador de rosca deverá ser mantido limpo e armazenado em embalagem que o


proteja da umidade, oxidação e impacto.

393
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

CALIBRADOR TAMPÃO E ANEL

Os calibradores tipo tampão e anel, também conhecidos como calibradores passa não
passa, são de simples funcionamento.

No caso dos calibradores tipo tampão, existem duas extremidades. Uma tem o objetivo
de passar em um determinado furo e a outra não. Para que seja rapidamente diferenciada
qual extremidade não deve passar, ela é marcada de vermelho.

No corpo do calibrador tipo tampão, normalmente, são apresentadas as informações neces-


sárias como dimensão e tolerâncias das suas extremidades de controle. Como exemplo, veja-
mos as informações de um calibrador tampão passa não passa para ajuste no diâmetro 60H7:

Tolerância mínima Tolerância máxima


é igual a 0,00mm é igual a + 0,25mm

0 60 H7
+25

Diâmetro nominal
é igual a 60mm Tolerância classe H7

Já os anéis, servem para verificar cilindros ou eixos e devem ser usados em pares, sendo
que um passa e outro não passa. Por norma, o instrumento deve conter a informação sobre
a dimensão que se deseja verificar e as suas tolerâncias.

394
UE1 | Metrologia − Tipos, Características, Aplicações, Uso e Conservação dos Instrumentos

LADO NÃO PASSA

LADO PASSA

Para conservação destes instrumentos, uma fina camada de vaselina deve ser aplicada
nas extremidades calibradoras.

RUGOSÍMETRO
O rugosímetro é um instrumento de alta precisão que, através da eletrônica, é utilizado
para medir rugosidade em superfícies.

É composto de uma agulha deslizante cuja função é captar e transmitir as irregularida-


des da superfície medida para a memória interna do instrumento. Os valores identificados
serão analisados por um software e o valor médio da rugosidade será mostrado no visor do
instrumento, na escala de rugosidade determinada. Esse procedimento segue os padrões
normalizados conforme ABNT NBR ISO 4288 de 2008 e NBR 8404 de 1984.

395
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Observe alguns cuidados necessários no manuseio do instrumento:

• Desligar após o uso;


• Armazenar em local livre de umidade;
• Evitar contato direto com as mãos na agulha verificadora;
• O contato do instrumento com a peça deve ser realizado com atenção.

SÚBITO (COMPARADOR DE DIÂMETROS INTERNOS)


O súbito é um instrumento capaz de captar a variação circular de um diâmetro interno,
através de uma ponta móvel e transmitir o movimento dessa ponta para outra extremidade,
perpendicular ao eixo dessa ponta. Já na outra extremidade é acoplado um relógio compa-
rador que possibilita a medição do desvio através da variação do ponteiro.

Este instrumento é utilizado para:

• Medir as dimensões dos furos em qualquer ponto;


• Verificar diâmetros, defeitos, conicidade ou ovalização, ou seja, quando a peça não está
perfeitamente cilíndrica.

396
UE1 | Metrologia − Tipos, Características, Aplicações, Uso e Conservação dos Instrumentos

Vamos ver os cuidados no manuseio e conservação do súbito (comparador de diâmetros


internos):

• O instrumento deve ser previamente calibrado com base em uma medida padrão de
referência, um anel padrão, por exemplo, de acordo com a peça que será medida;
• Evitar choques e riscos nas extremidades de contato;
• Realizar a aproximação da ponta do contato suavemente na peça;
• Substituir a ponta quando gasta;
• Guardá-lo sempre em local e no estojo apropriado, livre de impurezas;
• Calibrar o instrumento periodicamente ou sempre que apresentar indicações de des-
vios acima das tolerâncias.

!
Solução do Problematizando...

Retomando a questão inicial, qual instrumento Érica deverá utilizar para verificação do
passo das roscas? Vimos nesta aula de estudo que o verificador de rosca ou pente de rosca
é o instrumento adequado para verificar roscas em diversos equipamentos mecânicos.

397
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Após a técnica em mecânica, Ana, ter apresentado


os instrumentos de medição e os gabaritos
existentes do setor de metrologia da empresa,
Érica escolheu o verificador de rosca.

ANA
ACINCÉT

Peça ERIKA
ESTAGIÁRIA

Finalizada

Instrumento de medição adequado


para a realização da tarefa.

ANA
ACINCÉT

Peça ERIKA

Finalizada
ESTAGIÁRIA

Com essa ferramenta posso


realizar tranquilamente a
verificação do passo das roscas.

E, assim, a estagiária pôde identificar e separar os


elementos de fixação por suas características técnicas.

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.

398
UE1 | Metrologia − Tipos, Características, Aplicações, Uso e Conservação dos Instrumentos

Anotações

399
Unidade de Estudo
02

METROLOGIA
INSTRUMENTOS
ESSENCIAIS PARA
INSPEÇÃO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

O técnico em mecânica, Fernando, foi


contratado para trabalhar no setor de
metrologia da metalúrgica Metaltech.

LABORATÓRIO DE
METROLOGIA

FERNANDO
TÉCNICO

Ao iniciar os trabalhos, Fernando percebeu que havia peças de diversos


tipos e em grande quantidade que deveriam ser inspecionadas.

Nossa, tem bastantes peças


com características diferentes,
como canais, furos, rebaixos,
cones, prismáticas e cilíndricas.
Essa inspeção tem que ser
bem detalhada.

FERNANDO
TÉCNICO

Fernando ficou imaginando como poderia fazer as


medições das peças com características específicas e quais
instrumentos seriam mais adequados para cada uma delas.

Para essa medição, preciso


escolher os instrumentos
corretos, uma vez que são
diversas peças com
características distintas.

FERNANDO
TÉCNICO
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que é importante que Fernando reconheça os instrumentos de medição conforme


suas características e aplicação?

Conhecimento em pauta!

INSTRUMENTOS PARA MEDIÇÃO


Ao tentar montar um jogo de quebra-cabeça composto por peças de diversos tamanhos,
geralmente sentimos dificuldade inicial, mas depois de algum tempo tentando, conseguimos.

A dificuldade acontece porque cada peça foi feita através de uma ferramenta fabricada
seguindo um rigoroso padrão de medidas, sendo que essas medidas foram inspecionadas
por instrumentos de medição.

Mas você já ouviu falar em instrumentos para medição? Nesta unidade de estudo vamos
conhecer alguns desses instrumentos e suas aplicações, lembrando que os instrumentos
de medição requerem cuidados especiais e a correta utilização e a conservação se fazem
necessários para mantê-los sempre prontos para o devido uso.

404
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

Assista a seguir o vídeo que nos mostra as características de um dos instrumentos mais
utilizados na atividade do técnico: o paquímetro.

Apesar de ser um instrumento simples, você viu quantos tipos de posições para medição
o paquímetro possui?

Por isso, é importante que o usuário tenha um conhecimento prévio para manuseá-lo,
para o seu armazenamento e para a devida manutenção.

VEJA ALGUNS CUIDADOS QUE O USUÁRIO DEVE TER

- Limpar o instrumento - Não aplicar força


sempre após o uso, de excessiva no cursor;
preferência aplicar uma
fina camada de óleo para
evitar problemas futuros - Não utilizar o paquímetro
com corrosão; como martelo ou afins.

- Guardar o paquímetro
em local seguro, imune a
atritos e impactos;

- Calibrar o instrumento
periodicamente, ou
sempre que apresentar
indicações de desvios.

405
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Outro instrumento de medição muito utilizado na indústria é o micrômetro. Vamos conhe-


cê-lo?

MICRÔMETRO
O micrômetro é um instrumento de medição de alta precisão e bastante utilizado na
indústria. Ele vem sendo aperfeiçoado desde a sua criação até os dias atuais. O micrôme-
tro é um instrumento mais preciso que o paquímetro porque trabalha com precisão de
centésimos ou milésimos de milímetros (0.01 mm, 0.001 mm, respectivamente); ou na casa
de 0.001” e 0.0001” (polegadas) quando trabalhado no Sistema Inglês de Unidades. Veja os
componentes do micrômetro:

Faces de medição
Tambor graduado
Bainha
Batente Encosto móvel

10
+ 5

0 5 10
0
Arco

Escala fixa Catraca


0,01mm
Trava
0 - 25mm

Isolamento térmico

Existem diversos tipos de micrômetro, cada um com sua função específica. Vamos ver
alguns tipos de medição que podem ser realizadas com ele.

O micrômetro é aplicado na medição de:

• Dimensões externas: para realizar essa medição, deve-se posicionar a peça entre a
haste móvel e a haste fixa. Em seguida, girar a catraca para que o encosto da haste mó-
vel toque a peça.

406
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

• Dimensões internas: para medir partes internas de peças, utiliza-se o micrômetro de


três contatos (ou micro) ou de dois contatos.

MICRÔMETRO
DE 3 CONTATOS

MICRÔMETRO
DE 2 CONTATOS

• Profundidade: dotado de uma haste de extensão centralizada no corpo do micrôme-


tro. A medição é realizada posicionando o batente do instrumento na base da peça a ser
medida, girando o tambor graduado enquanto a haste desce tocando o fundo da peça.

407
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

• Roscas: para medir roscas triangulares, utiliza-se esse micrômetro específico, suas has-
tes se acomodam nos passos da peça rosqueada, garantindo alta precisão na função
requerida.

10
0 5 10
05

00

45

408
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

Para uma boa conservação e utilização do instrumento, o usuário deve:

Ajustar o zero do Verificar se as Certifica-se que a Sempre limpe o


micrômetro. partes girantes se catraca de ajuste micrometro antes e
encontram em bom esteja trabalhando após o uso,
funcionamento. normalmente. evitando que
rebarbas estejam
presentes entre os
corpos girantes ou
entre os encostos.

RELÓGIO COMPARADOR
O relógio comparador é um instrumento de elevada precisão e sensibilidade, o que faz
com que sua ponta de contato reconheça mínimos desníveis a serem indicados pelo pon-
teiro, no mostrador. Seu princípio de funcionamento se dá através da medição por compa-
ração. Esse instrumento pode ser encontrado na forma analógica ou digital, sendo ambas
muito utilizadas no meio industrial.

Existem várias formas de realizar a medição com relógio comparador. Uma delas é ter em
mãos uma peça padrão, ou bloco padrão, que nada mais é do que uma peça que serve de
modelo para todas as outras a serem medidas e iniciar a medição.

Observe a imagem a seguir, que nos mostra medições em escala fixa utilizando esse ins-
trumento.

O relógio comparador requer alguns cuidados pelo usuário. Vamos ver?

409
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

O relógio comparador requer alguns cuidados pelo usuário. Vamos ver?

01 O instrumento deve estar montado no suporte


quando estiver sem uso;

02 Utilizar bases planas como a mesa de desempeno;

03 Evitar choques e riscos;

04 Deve-se realizar a aproximação da ponta de


contato suavemente na peça;

05 Substituir a ponta quando gasta;

06 Guardar sempre em local apropriado, livre de


impurezas;

07 Calibrar o instrumento periodicamente, ou sempre


que apresentar indicações de desvios.

BLOCO PADRÃO
Você já ouviu falar em bloco padrão? Os blocos padrão são utilizados nas operações de
inspeção e calibração de instrumentos de medição.

Os jogos são compostos por pequenos blocos no formato de paralelepípedos, padroni-


zados com espessuras a partir de 0,5 milímetros, conforme norma da ABNT NBR NM 215
de 2000, que podem ser fabricados em aço especial, tratados termicamente para garantir
a estabilidade dimensional ou material cerâmico, com base no Zircônio, elemento químico
que possui excelente estabilidade dimensional.

410
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

Para uma boa utilização dos blocos padrão, o usuário deve:

Manusear os blocos sempre com luvas para evitar oxidação


e aquecimento com o contato direto com as mãos;

Evitar quedas ou contato direto com os blocos sem as


devidas proteção;

Orientações
para uso Limpá-los após o uso com álcool isopropílico e secá-los
dos blocos com pano de tecido suave ou papel macio;

padrão:
Protegê-los com uma camada fina de vaselina, exceto os
fabricados em material cerâmico;

Guardá-los na caixa apropriada, em local seco, livre de


umidade.

Vamos conhecer o transferidor de grau e sua aplicação?

411
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

TRANSFERIDOR DE GRAU
O transferidor de grau é utilizado para medições de ângulos, com resolução da escala
normalmente com 1° grau. É um instrumento de estrutura simples à base de chapa de aço,
muito prático na aplicação mecânica.

Mas quando se necessita de maior precisão, como conferir ângulos de dobra em disposi-
tivos de estampagem, podemos usar o goniômetro.

GONIÔMETRO
Sabia que o goniômetro é um instrumento de medição, que tem como função principal
medir ângulos?

A leitura da escala fixa pode ser feita tanto em sentido horário quanto anti-horário, en-
quanto a leitura dos minutos dados pelo nônio só é lida em sentido anti-horário.

412
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

GONIÔMETRO DE ALTA PRECISÃO

RÉGUA

ESQUADRO

NÔNIO OU VERNIER

DISCO GRADUADO

VAMOS VER COMO O USUÁRIO DEVE


CONSERVAR ESSE INSTRUMENTO?

Prevenir quedas; Não utilizá-lo Sempre limpá-lo Guardá-lo em


com outra antes e após a local apropriado,
finalidade a não utilização; sem umidade.
ser o de
medição;

Percebeu como é importante conhecer as características dos instrumentos de medição


e a aplicação de cada um deles, para desenvolver as atividades de medição com segurança.
Vamos conhecer mais um instrumento de medição e sua funcionalidade.

RÉGUA E MESA DE SENO


Outros dois instrumentos muito usados na medição de ângulos são: a régua de seno e a
mesa de seno.

Uma régua de seno é esquematizada na figura a seguir.

413
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

mm
L

H mm
seno α = H/L

Observe, na figura anterior, que a distância L é calibrada e tem muita precisão. A distância
H é feita com a sobreposição de blocos padrão de dimensões conhecidas e obtém-se o seno
do ângulo alfa com grande precisão. Mas vamos ver como se usa este equipamento?

Bloco padrão

414
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

Note que o relógio comparador é essencial para o uso da régua de seno. Os blocos pa-
drão são usados para determinar a altura de um dos lados da régua.

Já uma mesa de seno pode fazer a mesma coisa, mas tem dimensões maiores. É bastante
utilizada também para fabricação de peças que tenham geometria em ângulo, por proces-
sos de usinagem.

Esses dois equipamentos utilizam os blocos padrão. Como existem vários tamanhos para
os blocos, qualquer dimensão pode ser conseguida pela combinação de alguns blocos.

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o problematizando? Por que é importante que Fernando reconheça os


instrumentos de medição conforme suas características e aplicação?

415
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Fernando percebeu a importância de reconhecer os instrumentos de medição e


suas características. Escolheu o instrumento mais apropriado para cada detalhe
a ser medido, com precisão e segurança, e organizou sua atividade planejando
todos os instrumentos que seriam necessários em cada etapa da medição.

FERNANDO
TÉCNICO

Agora é com você!

Chegou a hora de mostrar que os conhecimentos desta aula foram compreendidos. Bom
desempenho!

416
UE2 | Metrologia − Instrumentos Essenciais para Inspeção

Anotações

417
Unidade de Estudo
01

METROLOGIA
OS PADRÕES
PARA MEDIDAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

A Metaltech tem fabricado peças importantes para a indústria


automobilística. Seu controle de qualidade é bastante rigoroso.

Um dos requisitos da qualidade é a rugosidade


de uma das faces destas peças, que deve ser
inferior a 2 µm.

AMARILDO
TÉCNICO

Amarildo, chegou esse lote de amostragem.


Por favor, verifique a rugosidade destas
peças e se certifique de que estão sendo
produzidas dentro das especificações. Agora mesmo, chefe!

AMARILDO
TÉCNICO

ORIMODLAV
ETNEREG
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

O que Amarildo deve fazer para ter certeza de que os resultados das medidas que ele
obtém são corretos?

Conhecimento em pauta!

ERROS DE MEDIÇÃO

Quando fazemos uma medição, o resultado obtido está sujeito a vários erros. Mas o que
são esses erros de medição?

São procedimentos ou fatos que interferem na medição, de forma que provoquem um


afastamento da medida feita em relação ao resultado real. Então, vamos ver quais são os
principais erros cometidos?

De um modo geral, podemos dividir os erros de medição em erros sistemáticos e erros


aleatórios.

ERROS SISTEMÁTICOS

São os erros que sempre acontecem com a mesma tendência e podem ser
previstos. Para corrigi-los é preciso efetuar várias medições e verificar quanto a
média dessas medições está distante do valor real medido. Essa diferença é
chamada tendência e é usada como a correção das medições.

Por exemplo, se atirarmos flechas em um alvo e estas, devido ao vento, são


desviadas para a esquerda, não é difícil corrigi-las: basta mirar as flechas um
pouco para a direita.

ERROS ALEATÓRIOS

São os erros que não podem ser previstos nem compensados. Esses erros
fazem com que medições iguais em todos os aspectos apresentem resultados
diferentes. São identificados após ser feita a compensação dos erros
sistemáticos.

422
UE1 | Metrologia − Os Padrões para Medidas

Mas de que forma ocorrem os erros listados anteriormente? Vamos ver as principais fon-
tes de erros nas medições:

Operador:
Os principais fatores de erro introduzidos
pelo operador são sua habilidade, sua
técnica para fazer a medição, sua visão
(ou outros sentidos) e sua força aplicada
ao instrumento (e eventualmente à peça). 40

Por exemplo, se o operador segurar um


micrômetro no local errado, a temperatura 6.992

do micrômetro poderá aumentar, o que


pode provocar uma dilatação de suas
peças e, portanto, erros de leitura.

Retroação:
65º Significa que o simples ato de medir já
influencia o resultado.

Por exemplo, para medir a temperatura de


um líquido introduzindo nele um
termômetro, já interfere no resultado
22º
porque há uma troca de calor entre o
líquido e o termômetro.

70º 65º

Condições ambientais:
A temperatura, a pressão e a umidade
podem interferir na medição feita.

Por exemplo, se medirmos uma peça


de aço na oficina em temperatura
ambiente, 35°C, e depois medirmos
esta mesma peça no laboratório em
temperatura controlada, 20°C, os
resultados serão diferentes.

Oscilações na rede elétrica:


Para instrumentos elétricos, variações na
tensão da rede e sua frequência podem
interferir no resultado apresentado.

Por exemplo: ao realizar uma medição com


o multímetro dentro de uma subestação, o
campo magnético poderá influenciar na
leitura. Para realizar a leitura corretamente
é necessário um instrumento adequado
com blindagem contra o campo magnético.

423
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Contaminações:
Sujeiras, graxas e outras substâncias
podem alterar a medição feita.
Grão de sujeira
Por exemplo, ao medir uma distância com
um paquímetro, se na superfície sendo
medida houver uma partícula de poeira, o
resultado medido poderá ser afetado.

Imperfeições nos instrumentos de


medição:
Se os instrumentos empregados já
apresentam desgaste ou imperfeições, os
resultados serão afetados por essa
situação.

Por exemplo, se um paquímetro sofreu


Bico amassado uma queda que entortou levemente seu
bico, as medidas obtidas com ele
apresentarão um erro.

Princípios físicos mal-empregados:


Se os princípios físicos forem mal
aplicados, haverá erro nas medições.

Por exemplo, uma balança de precisão


apresentará resultados diferentes para o
peso da mesma peça ao nível do mar e a
4.000 m de altitude.

Outras condições externas:


Ventos, vibrações, campos eletromagnéticos,
luzes intensas e outros efeitos podem
interferir nas medições.

424
UE1 | Metrologia − Os Padrões para Medidas

Agora que você já tem conhecimento de como podem ocorrer erros sistemáticos e erros
aleatórios na medição, fique atento na animação a seguir e conheça outros conceitos impor-
tantes em metrologia:

Em todos os casos mostrados anteriormente, a resolução poderia ser considerada como


o tamanho da faixa colorida. Mas para ilustrar melhor o conceito de resolução, veja a figura
a seguir, que mostra uma régua comum.

Observe que a parte de cima da régua tem suas divisões maiores em centímetros e cada
centímetro está dividido em 5 espaços. Então, podemos dizer que a resolução desta régua
é de 2 mm.

CALIBRAÇÃO DE INSTRUMENTOS

Quando você vai a uma padaria e compra pão, ele é pesado e você paga um certo valor
por quilograma. Imagine que a balança desta padaria esteja descalibrada e, quando você
colocar sobre ela 1 kg de pão, ela marque 1,2 kg. Certamente você não gostaria disso, certo?
Neste caso, o que precisa ser feito é calibrar a balança, de forma que ela passe a indicar o
peso certo a partir do que se coloca sobre ela.

425
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Mas o que é calibração de um instrumento de medição?


?

É uma operação que visa comparar os valores obtidos em uma medição realizada por um
instrumento, com os mesmos valores, porém obtidos com um padrão de referência, e com
base nos resultados, se conheça os desvios dessa medição. A partir desse ponto, pode-se
realizar os ajustes necessários para adequar esse instrumento ao uso.

Por exemplo, no caso da balança, através de pesos de precisão são realizadas diversas
medidas e verificado se a variação existente está dentro do permitido ou se será necessário
realizar ajustes para adequar a balança.

426
UE1 | Metrologia − Os Padrões para Medidas

Cada instrumento tem um método para ser calibrado e a calibração deve ser realizada
em ambiente controlado, conforme determina a norma ABNT NBR ISO 17025, que indica
ou estabelece os critérios para controle de temperatura, umidade, pressão, vibração e o que
mais for necessário no ato da medição.

ABNT NBR ISO 17025

Para cada ponto a ser calibrado, é necessário repetir a medição três, cinco ou mais vezes.
Dessa forma, é possível analisar a repetibilidade, ou seja, se o valor medido se repete; e tam-
bém obter o erro médio, que será utilizado no cálculo da incerteza de medição.

Agora, vamos ver como os principais instrumentos são calibrados?

A calibração é feita através da medição de


bloco padrão para medições externas e anéis
padrão para as medições internas. Os blocos e
anéis devem ser selecionados de forma que
possam obter medidas em toda a faixa, ou
escala, de medição.

Também é necessário verificar a planicidade e


paralelismo entre as faces do bico e da orelha
do instrumento. Existem normas para serem
usadas como referência.

É possível observar, na imagem, a calibração de um paquímetro, no momento em que


está sendo medido um bloco padrão de 20 mm.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Os paquímetros possuem parafusos de ajuste no cursor, que em alguns casos, possibilitam
melhorar o paralelismo entre as faces de medição quando estas apresentam desgaste.

427
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Micrômetro:

costumam ter resolução de 0,01 ou 0,001 mm. Os digitais podem chegar a


0,0005 mm de resolução.

No caso dos micrômetros, os blocos padrão


devem ser selecionados não somente para obter
medições ao longo de sua faixa de medição, mas
também para obter medidas em todos os
quadrantes da rosca do fuso, ao longo da faixa
de medição. Dessa forma, como os valores não
são inteiros, os blocos devem ser montados, ou
pode-se utilizar kits específicos que já têm
blocos únicos com os valores para cada ponto da
faixa a ser calibrado.

Como existem micrômetros para verificação de medidas externas, medidas internas e de


profundidade, cada um deve ser calibrado de acordo com sua aplicação. Existem normas
para serem usadas como referência.

PLANICIDADE/PARALELISMO
É necessário, também, verificar a planicidade e o paralelismo entre as faces de medição.
Para os micrômetros, existem blocos óticos para essa verificação.

O bloco para medir a planicidade é chamado de plano ótico. Já para medição do parale-
lismo, são chamados paralelo ótico, sendo necessários quatro blocos para medição de cada
quadrante da rosca do fuso.

Essa verificação é feita acoplando a face do bloco à face do batente e através da reflexão,
por isso, as faces dos batentes devem ser lapidadas, observa-se o número de franjas (tipo de
reflexo) que aparece. Quanto menos franjas, melhor a condição de planicidade ou paralelis-
mo. Para os ajustes dimensionais, existe uma porca que serve para diminuir a folga do fuso.

4 blocos de medição: 1 Verificação da


para cada quadrante da Medição do plano quantidade de franjas
rosca do fuso

428
UE1 | Metrologia − Os Padrões para Medidas

Relógios comparador e apalpador:


com relação à resolução, os relógios costumam ser centesimais (0,01 mm) ou
milesimais (0,001 mm). Os digitais podem chegar a 0,0001 mm. No entanto, os
comparadores têm o curso, ou faixa de medição, bem maior que a dos apalpadores.
Mesmo assim, o princípio de calibração e o dispositivo utilizado é o mesmo para
ambos, variando apenas com a resolução.

O dispositivo padrão, chamado calibrador de


relógio, possibilita um deslocamento de forma
controlada com valores selecionados ao longo
da faixa de medição do relógio. Quando o
ponteiro do relógio atinge o ponto de
medição, a leitura do erro é feita em um disco
com escala padrão.

Não é comum dispositivos de ajustes nos relógios. Para ajustar o mecanismo, muitas ve-
zes é necessária uma intervenção mais complexa de manutenção.

Rugosímetro:
este instrumento permite medir a rugosidade de uma superfície e tem uma
calibração bastante simples.

Para a calibração do rugosímetro basta medir


a rugosidade da superfície de controle. Se a
medição resultar diferente do valor gravado, é
preciso fazer a regulagem do instrumento,
conforme as instruções do fabricante.

429
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o nosso problematizando: O que Amarildo deve fazer para ter certeza de
que os resultados das medidas que ele obtém são corretos?

Amarildo aprendeu que os rugosímetros sempre são


fornecidos com padrões de calibração e que esses
padrões têm uma superfície com rugosidade
conhecida, que vem gravada na própria peça.

AMARILDO
TÉCNICO

Hum, olha aqui onde está gravada


a rugosidade padrão.

AMARILDO
TÉCNICO

Dessa forma, antes de


Se estiver fora da faixa aceitável,
realizar as medições, ele
Amarildo deverá seguir as instruções
deve medir a
do fabricante para fazer a calibração.
rugosidade do padrão e
comparar com o valor
gravado no padrão.
AMARILDO
TÉCNICO
430
UE1 | Metrologia − Os Padrões para Medidas

Dessa forma, antes de


Se estiver fora da faixa aceitável,
realizar as medições, ele
Amarildo deverá seguir as instruções
deve medir a
do fabricante para fazer a calibração.
rugosidade do padrão e
comparar com o valor
gravado no padrão.
AMARILDO
TÉCNICO

AMARILDO
TÉCNICO

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não


perca tempo, aplique-os! Sucesso!

431
met

Unidade de Estudo
01

METROLOGIA
O CONTROLE GEOMÉTRICO
NA MECÂNICA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Amarildo, técnico em mecânica, recebeu uma matriz para


ser usada em um processo de estampagem.

Valdomiro pediu para te entregar essa


matriz e indicou que fosse utilizada no
processo de estampagem.

JOSÉ
ALMOXARIFE

AMARILDO
TÉCNICO

O funcionário informa a Amarildo que a matriz não estava em condições favoráveis


para o uso. Então, Amarildo indica que será preciso fazer uma verificação.

AMARILDO
FERNANDO
TÉCNICO
TÉCNICO

JOSÉ JOSÉ
ALMOXARIFE ALMOXARIFE

Esse equipamento está sem ser Então, será preciso conferir


utilizado há bastante tempo e não a perpendicularidade entre
foi armazenado corretamente. as superfícies da matriz.

Amarildo comenta ao funcionário sobre


o benefício dessa avaliação.

AMARILDO
TÉCNICO

JOSÉ
ALMOXARIFE

Tendo a certeza que a perpendicularidade


está conforme a tolerância, podemos
assegurar que os punções vão se encaixar
nas cavidades, evitando uma colisão entre
Esse equipamento está sem ser Então, será preciso conferir
utilizado há bastante tempo e não a perpendicularidade entre
Contexto!
Contexto!
foi armazenado corretamente. as superfícies da matriz.

Amarildo comenta ao funcionário sobre


o benefício dessa avaliação.

AMARILDO
TÉCNICO

JOSÉ
ALMOXARIFE

Tendo a certeza que a perpendicularidade


está conforme a tolerância, podemos
assegurar que os punções vão se encaixar
nas cavidades, evitando uma colisão entre
os punções e as cavidades e possível
quebra da matriz.
UE1 | Metrologia − O Controle Geométrico na Mecânica

?
Problematizando...

Que tipo de instrumento pode ser utilizado para verificar a perpendicularidade da matriz?

Conhecimento em pauta!

CONTROLE GEOMÉTRICO
Você já ouviu falar em controle geométrico?

Conheça um pouco sobre


controle geométrico

O QUE É? QUANDO USAR? EXEMPLO


Se uma peça tem
É a verificação das Quando são geometria quadrada,
formas ou estabelecidas é necessário que
características tolerâncias seus lados sejam
geométricas de peças geométricas, perpendiculares.
mecânicas. de forma Nesse caso, é preciso
ou posição. fazer o controle
geométrico da
perpendicularidade.

Os elementos geométricos, aos quais se Ponto Reta Plano


aplicam as tolerâncias geométricas, são:

437
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
É importante lembrar que controle geométrico é diferente de verificar as dimensões da
peça, pois no controle geométrico o que é verificado é a geometria.

Nesta unidade de estudo será possível reconhecer os tipos, características e aplicações


dos instrumentos de verificação aplicados ao controle geométrico na fabricação e manuten-
ção mecânica.

PLANEZA E RETILINEIDADE
Um instrumento muito importante nas verificações geométricas é a régua de controle,
também conhecida como régua de luz. Ela tem o fio de controle retificado e lapidado, com
grande precisão, também conhecida como régua de luz. Este equipamento é usado para
conferir a planeza ou a retilineidade de uma superfície.

Fio arredondado

Face retificada

Para usar a régua de luz, basta apoiá-la com o fio na superfície plana a ser verificada. Caso
a superfície seja bem plana, a régua ficará bem apoiada. Para garantir que isso ocorra, deve-se
observar a região de contato entre as superfícies. Se passar luz entre os dois elementos, então
a superfície não está totalmente plana.

438
UE1 | Metrologia − O Controle Geométrico na Mecânica

PERPENDICULARIDADE
Para verificar o perpendicularismo, utiliza-se o esquadro, um instrumento construído em
aço, ferro fundido ou granito, utilizado pelo técnico em mecânica para verificação de super-
fícies planas ou peças que necessitam estar perpendiculares uma à outra.

Esquadro de Esquadro de Esquadro de


aço ferro fundido granito

ESQUADRO DE LUZ
Assim como a régua de luz, o esquadro de luz, também conhecido como esquadro de fio,
é aplicado onde se requer maior precisão no controle da geometria.

Esse instrumento é construído em aço e recebe um tratamento térmico para elevar a du-
reza e resistir ao desgaste e deformações. Tem o fio de verificação bem fino e arredondado,
pois é retificado e lapidado, o que possibilita melhor percepção à passagem de luz, durante
a verificação de esquadrejamento entre superfícies.

439
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

O fio de medição deve ser protegido com vaselina, antes de ser armazenado. E deve ser
guardado em uma caixa própria, que o proteja do impacto e da umidade.

RELÓGIO APALPADOR
Você tem ideia de como pode ser o relógio apalpador? E o que ele é capaz de medir?

Observe, na imagem a seguir, um relógio apalpador fixado através de um suporte.

Ponta de
contato

O relógio apalpador é um instrumento com ponta de contato de alavanca. Por possuir


guias de fixação, ele pode ser fixado em diferentes posições, viabilizando a medição em
pontos de difícil acesso da peça.

O relógio apalpador é utilizado para medir pequenos desvios geométricos e dimensionais,


como:

• Planicidade;
• Paralelismo e perpendicularidade entre faces;
• Batimento em peças cilíndricas;
• Circularidade e cilindricidade, entre outros.

É através da sua ponta de contato que o relógio apalpador transmite a variação medida
por meio de alavancas e engrenagens do seu mecanismo interno. Isso resulta no giro do
ponteiro no mostrador do relógio.

440
UE1 | Metrologia − O Controle Geométrico na Mecânica

Nesta próxima imagem é possível observar uma montagem para medição de batimento,
com o relógio apalpador, em uma peça que está sendo retificada.

O manuseio do relógio apalpador requer alguns cuidados pelo usuário. Vamos ver?

• O instrumento deve estar precisamente montado no suporte, quando estiver em uso;


• Utilizar bases planas como a mesa de desempeno;
• Evitar choques e riscos;
• Deve-se realizar a aproximação da ponta do contato suavemente na peça;
• Substituir a ponta quando gasta;
• Guardar sempre em local apropriado, livre de impurezas;
• Calibrar o instrumento periodicamente, ou sempre que apresentar indicações de des-
vios acima das tolerâncias.

Vamos observar algumas aplicações do relógio apalpador:

Para medir a circularidade de uma peça, normalmente, fixa-se a peça em um dispositivo


rotativo e usa-se um relógio apalpador ou relógio comparador. Encosta-se o relógio na peça
e faz-se a mesma girar 360°. O relógio vai indicar a maior variação no raio, a qual pode ser
comparada à tolerância.

441
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Veja a seguir a representação dessa medição:

Dispositivo de
medição

Peça

Direção de
movimento
da haste

Placa giratória

Medida de tolerância de circularidade

Com base na próxima imagem, podemos perceber que a cilindricidade ocorre de forma
similar à circularidade. No entanto, na cilindricidade ocorre deslocamento da ponta de me-
dição ao longo do eixo da peça.

442
UE1 | Metrologia − O Controle Geométrico na Mecânica

Dispositivo de
Peça medição

Bloco
padrão

Desempeno

Outra forma de se medir circularidade e cilindricidade é usando um súbito, ou compara-


dor de diâmetros internos. Este instrumento tem uma haste longa, o que lhe permite fazer
medições em lugares mais difíceis.

443
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

A medição com este aparelho é mostrada na figura a seguir:

Embora o súbito seja usado para medir diâmetros internos, ao girá-lo em torno de sua
haste, é possível medir o diâmetro em vários pontos, de forma a detectar ovalizações ou er-
ros em circularidade. Após verificar um diâmetro, se deslocarmos o súbito mais para baixo
e repetirmos as medições, poderemos verificar a cilindricidade da peça.

CONCENTRICIDADE
A concentricidade é especificada quando duas cotas cilíndricas de uma mesma peça, ne-
cessitem ficar no mesmo centro, ou seja, concêntricas, conforme mostra este desenho:

Esse diâmetro deve


ser concêntrico aos
A

444
UE1 | Metrologia − O Controle Geométrico na Mecânica

Para medir a concentricidade apresentada na imagem, deve-se montar o eixo em um dis-


positivo com fixação entre pontas, que permita a rotação de forma concêntrica. Por exem-
plo, em uma mesa de seno entre pontas. Veja a seguir uma ilustração dessa medição na
mesa de seno.

Perceba, na imagem anterior, que com o dispositivo centrado em relação aos diâmetros
A e B, coloca-se a peça para girar e mede-se o desvio no diâmetro central com um relógio
comparador.

445
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Após concluir esta unidade de estudo, vamos retomar o nosso problematizando: que tipo
de instrumento pode ser utilizado para verificar a perpendicularidade da matriz?

Para verificar a perpendicularidade entre


Maravilha! O esquadro
duas superfícies, Amarildo poderá utilizar
de luz será de grande
o esquadro de luz ou o relógio apalpador.
ajuda nessa verificação,
mas sei que o relógio
apalpador me dará o
valor exato.
ILDO
AMAR
ICO
TÉCN

Também será necessário o apoio


da mesa de desempeno. Agora já posso iniciar
a avaliação da
perpendicularidade.

AMARILDO
TÉCNICO

446
UE1 | Metrologia − O Controle Geométrico na Mecânica

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não perca
tempo, aplique-os! Sucesso!

447
Unidade de Estudo
01

METROLOGIA
TOLERÂNCIAS DIMENSIONAIS,
GEOMÉTRICAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

O.
S FERNANDO
TÉCNICO

Na área de inspeção da Metaltech, o técnico Argeu recebeu uma


Ordem de Serviço (OS), que orientava para realizar a inspeção
no lote de peças que posteriormente seria encaminhada para a
montagem, pois elas trabalham em conjunto.

?
? ??
?

FERNANDO
TÉCNICO

Ele observa no desenho que as peças devem atender a requisitos


dimensionais e geométricos, para ser possível realizar a montagem.

0
5 10
10
05

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0
45 2
4
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2 1 in
3
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2 2
3 4 5
5 6 6
7 8 7 3
9 0 0.05m 8
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19 7
FERNANDO
TÉCNICO

Ele observa no desenho que as peças devem atender a requisitos


Contexto!
Contexto! dimensionais e geométricos, para ser possível realizar a montagem.

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19 7

ODNANREF
OCINCÉT

Logo, percebe que vai precisar de instrumentos e


dispositivos específicos para realizar a inspeção.
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

?
Problematizando...

Como será possível Argeu perceber os requisitos dimensionais e geométricos através do


desenho técnico?

Conhecimento em pauta!

NA HORA COMBINADA!
No nosso dia a dia, acontecem várias situações que envolvem tolerâncias e muitas vezes
não nos damos conta. Por exemplo, ao marcarmos um encontro, se a outra pessoa não
chegar na hora combinada, é possível estabelecer que podemos esperar mais dez minutos.

E se a pessoa não aparecer, podemos ligar para saber o que aconteceu. Esses dez minu-
tos são uma tolerância no horário que foi combinado para que ocorresse o encontro.

453
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Outra situação corriqueira é o uso de sinais ou símbolos para identificarmos alguma res-
trição ou predefinição onde estiver sinalizado. Como no caso dos sinais de trânsito, que
ajudam a organização do fluxo de veículos, ou ainda um símbolo de comunicação por rede
sem fio, como o Wi-Fi, ou o bluetooth, que são facilmente reconhecidos.

Na mecânica, as tolerâncias e os símbolos nos ajudam a identificar e interpretar muitas


necessidades, ou requisitos de um produto ou peça em um projeto.

Vamos ver como isso acontece para as tolerâncias dimensionais e geométricas no decor-
rer dessa aula de estudo.

DIMENSÕES TOLERADAS
No dia a dia da mecânica é necessária a realização de medições ou inspeções para con-
trole das dimensões em peças que estão passando, ou passaram pelo processo de fabrica-
ção, ou ainda, peças que já estão em uso, como o caso de alguma peça que deve ter o nível
de desgaste verificado para possível substituição em um processo de manutenção.

Mas apenas medir é suficiente? Ou é necessário conhecer outras informações?

454
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

? ???
?
FERNANDO
TÉCNICO

Sim, outras informações são necessárias, pois a medição vai dar o valor de uma determi-
nada característica de uma peça. Mas, se você não souber o quanto esta característica po-
derá variar, não vai poder dizer se a medida está boa ou não. Portanto, é necessário existir
uma tolerância.

455
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

A norma ABNT NBR ISO 2768-1 estabelece valores para tolerâncias gerais para dimen-
sões. Ou seja, são tolerâncias aplicáveis, por exemplo, em um desenho onde as cotas infor-
mam apenas os valores nominais de cada medida.

Dessa forma, é possível simplificar um desenho, não sendo necessária a indicação indivi-
dual da tolerância para cada cota.

Outra situação em que pode ser aplicada as tolerâncias gerais nas dimensões são em
casos onde uma peça é produzida com base nas medições de uma outra peça já existente.
Nesse caso, pode-se aplicar a norma de tolerâncias gerais, escolhendo a classe mais ade-
quada à aplicação da peça.

Como aplico?
Como aplico?

Imagine que uma peça a ser fabricada tem a informação no desenho que as tolerâncias
devem ser de acordo com a ISO 2768-1, ou que um cliente envia uma peça para fabricação
de outra igual e solicita que seja respeitada essa norma. Como saber as tolerâncias a serem
consideradas?

Nos dois casos, primeiramente é preciso ter acesso à norma e identificar a classe de
tolerância específica. Depois disso, verificar de acordo com cada dimensão qual o valor da
tolerância aplicável para fabricação da peça.

Dimensões em milímetros
Afastamentos admissíveis para intervalo de dimensões básicas
Acima
De Acima de Acima de Acima de Acima de Acima de Acima de
Classe de tolerância 0,51
de
6 30 120 400 1000 2000
3
até até até até até até até
até
3 30 120 400 1000 2000 4000
6
Designação Descrição
f fino ± 0,05 ± 0,05 ± 0,1 ± 0,15 ± 0,2 ± 0,3 ± 0,5 -
m médio ± 0,1 ± 0,1 ± 0,2 ± 0,3 ± 0,5 ± 0,8 ± 1,2 ±2
c grosso ± 0,2 ± 0,3 ± 0,5 ± 0,8 ± 1,2 ±2 ±3 ±4
muito
v - ± 0,5 ±1 ± 1,5 ± 2,5 ±4 ±6 ±8
grosso
1) Para dimensões nominais abaixo de 0,5 mm, o afastamento deve ser indicado junto à dimensão nominal correspondente.

Existem quatro classes de tolerância que estão relacionadas com o grau de precisão dos
processos de fabricação. São elas: fino, médio, grosso e muito grosso, sendo o fino adequa-
do aos processos mais precisos e o muito grosso aos menos precisos.

456
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

Sendo assim, se há uma cota com 10 mm, a tolerância será mais ou menos dois décimos, ou
seja, poderá variar um total de quatro décimos. Mas, para uma cota com valor 100 mm, a tole-
rância já estará em mais ou menos três décimos, nesse caso, a amplitude será de seis décimos.

Para evitar a consulta na norma em cada desenho, muitas empresas colocam uma tabela com
as faixas de medidas e as tolerâncias correspondentes, no próprio desenho, junto à legenda.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Quando se trata de peças que trabalham em conjunto, onde é necessária alguma precisão,
o ajuste é indicado através das tolerâncias dimensionais, nas cotas das características que
vão trabalhar em conjunto, de acordo com a precisão necessária para o ajuste funcionar.

457
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

ø20 H7/f6
Agora que já conhecemos as formas de tolerâncias para as dimensões, vamos conhecer
as tolerâncias para geometrias, seus símbolos, como aplicá-las e realizar as medições.

GEOMETRIAS TOLERADAS
Assim como para controlar dimensões é necessário especificar as tolerâncias dimensio-
nais em desenhos técnicos, para controlar geometrias, também é necessário especificar to-
lerâncias. A norma ABNT NBR ISO 2768-2 estabelece as tolerâncias gerais para geometrias.

Porém, no caso de peças que vão trabalhar em conjunto, ou de necessidade de maior


rigor em alguma característica específica, o controle da geometria pode ser feito por indica-
ção através de simbologia adequada. Nesse caso, a norma aplicável é a NBR 6409.

Vamos conhecer algumas dessas simbologias? Começaremos pela planeza ou planicidade.

458
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

PLANEZA
Também conhecida como planicidade de uma superfície, tem como símbolo um paralelo-
gramo. Indica a necessidade de uma superfície ser plana. Como é referente à própria forma,
não há necessidade de elemento de referência associado.

1,0

O controle visual dessa característica, normalmente, é feito com régua de luz, porém,
quando se necessita maior precisão, ou um valor definido, a medição pode ser realizada
através de relógio comparador, relógio apalpador, máquina de medir por coordenadas, ou
ainda máquina de medir perfil.

459
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

As medições de planicidade devem ser realizadas apoiando a peça em três pontos ajus-
táveis, por exemplo em calços reguláveis (macaquinhos), e ajustar as alturas na mesma re-
ferência para todos, ou seja, colocar os três pontos em zero. Depois, deslocar o relógio ao
longo de toda a superfície para a verificação da planicidade.

PARALELISMO
Essa característica tem como símbolo duas linhas retas inclinadas e paralelas. Indica a
necessidade de uma linha ou superfície ser paralela em relação a outra linha ou superfície.
Nesse caso, há necessidade de uma das superfícies ser o elemento de referência.

0,1 A

35
180
A

250
0,2 B

A medição pode ser feita através de instrumentos como paquímetro, micrômetro, reló-
gios comparador ou apalpador, medindo pontos diferentes nas linhas ou superfícies que
serão toleradas.

460
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

PERPENDICULARIDADE
O símbolo é formado por duas linhas a 90° uma da outra, formando um T ao contrário.
Indica a necessidade de uma característica estar a 90° de outra, ou seja, perpendicular.

0,2 A

35
180
A

Para essa característica, também pode ser usado o controle visual, através do esquadro
de luz. Mas, quando se necessita maior precisão, ou um valor definido, a medição pode ser
realizada através de relógio comparador, relógio apalpador, máquina de medir por coorde-
nadas, ou ainda, máquina de medir perfil.

Relógio comparador Plano a medir

Esquadro de precisão
Plano de referência da peça

Peça Plano de referência

Desempeno de granito

461
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

CIRCULARIDADE
Uma circunferência é o símbolo que representa essa característica. É aplicável em peças que
sejam circular, quando se deseja indicar o quanto uma linha deve ser circular. Por se tratar da
própria forma de uma linha, também não há necessidade de um elemento de referência.

1,0

Portanto, a medição pode ser feita com apoio em dispositivos, utilizando blocos prismá-
ticos, ou outro suporte que tenha precisão e permita que a peça gire, através do relógio
comparador ou apalpador.

Também é possível ser realizada em máquinas de medir coordenadas ou específicas de


medição de erro de forma.

Apalpador da
máquina
Peça

Base giratória

462
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

CONCENTRICIDADE
Essa característica é representada por uma circunferência menor, dentro de uma maior,
de maneira centralizada. Indica exatamente a necessidade de uma circunferência estar con-
cêntrica com outra, por isso, é necessário que uma delas seja o elemento de referência.

Ø0,2 A
A

O apoio para medição dessa característica pode ser feito da mesma forma que na circu-
laridade, porém, nesse caso, temos que usar uma das circunferências como referência para
medir a outra.

A medição pode usar relógio comparador ou apalpador. Também é possível ser realizada
em máquinas de medir coordenadas ou específicas de medição de erro de forma.

463
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

CILINDRICIDADE
Para essa característica, o símbolo utilizado parece a mistura de dois outros símbolos já
vistos, os do paralelismo e da circularidade. Pois bem, para obtenção do valor da cilindricida-
de, é necessário o giro da peça em simultâneo com o deslocamento do relógio, ou sistema
apalpador utilizado, lembrando bem a forma de medir paralelismo e circularidade.

1,0

A medição pode usar relógio comparador ou apalpador. Também é possível ser realizada
em máquinas de medir coordenadas ou específicas de medição de erro de forma.

Relógio
Comparador Deslocamento Axial
Comparador
Peça

Régua
o
en
mp
se
De

464
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

Assim como na circularidade, a medição pode ser feita com apoio em dispositivos, utili-
zando blocos prismáticos, ou outro suporte que tenha precisão e permita que a peça gire.

INCLINAÇÃO
O símbolo que representa essa característica é formado por duas retas interligadas por
um ponto, formando exatamente um ângulo entre elas. Indica a necessidade de uma linha ou
superfície estar inclinada em relação a uma outra linha ou superfície, por isso, há necessidade
de indicar uma referência e também da tolerância estar relacionada ao valor de um ângulo.

0,2 A

50º

A medição pode ser feita através de instrumentos como goniômetro, relógios compa-
rador ou apalpador, utilizando a mesa de seno, medindo pontos diferentes nas linhas ou
superfícies que serão toleradas.

465
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

BATIMENTO E BATIMENTO TOTAL


Parece caso genérico de circularidade, concentricidade e cilindricidade, porém, sempre
haverá a necessidade de referência. Há o batimento radial, batimento axial e batimento
total. Uma seta inclinada representa o batimento simples que pode ser radial, por exemplo,
no diâmetro de um cilindro, ou axial, como na face de um cilindro. Duas setas inclinadas e
interligadas representa o batimento total.

0,2 A

0,1 D

!
Solução do Problematizando...

Você ainda se lembra da questão feita no início desta aula? Se não, vamos relembrar. Como é
possível perceber os requisitos dimensionais e geométricos através do desenho técnico?

466
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

É possível através do reconhecimento das simbologias específicas para


representação das tolerâncias dimensionais e geométricas definidas em
normas ou procedimentos, nos desenhos técnicos.

Conhecendo os requisitos dimensionais e geométricos, Argeu pode selecionar


os dispositivos e instrumentos necessários para realizar as inspeções.

ODNANREF
OCINCÉT

0 2 4 6 8 1/128in

1 2 3 4 5 6 7
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 0 0.05mm

45

00

05
10 5 0
10

467
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.


Sucesso!

468
UE1 | Metrologia − Tolerâncias Dimensionais, Geométricas

Anotações

469
Unidade de Estudo
01

METROLOGIA
MÁQUINAS DE MEDIÇÃO
POR COORDENADAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Ana ficou responsável por fazer as medições de uma


peça complexa que a Metaltech passou a fabricar.

ANA
TÉCNICA

Erika, Valdomiro me solicitou a medição


dessa peça. A medição é necessária
para a montagem do conjunto.

ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Como as medições devem ser feitas em lotes


grandes, foi decidido que a melhor maneira de
cumprir a tarefa seria com o uso de uma
Máquina de Medição por Coordenadas – MMC.

Aqui temos algumas


dessas máquinas
disponíveis.
ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Qual tipo de máquina MMC Ana deve usar para realizar as medições dos lotes de peças?

Conhecimento em pauta!

O QUE SÃO MÁQUINAS DE MEDIR COORDENADAS?


Antes de mais nada, precisamos entender o que são as máquinas de medir coordenadas.
A medição de uma peça de forma manual requer habilidade do operador dos instrumentos
e tempo. Vários instrumentos de medição podem ser usados em uma mesma peça, depen-
dendo de sua complexidade. Veja o bloco de motor, a seguir, que é uma peça complexa e
fabricada em grandes quantidades.

Já imaginou ter que medir esta peça manualmente? Seriam necessários diversos instru-
mentos diferentes! Para solucionar isso, foram criadas máquinas que conseguem medir
com facilidade dimensões tipo: diâmetro do furo ou diâmetro do eixo; dimensão entre fu-
ros, dimensões externas ou internas da peça, entre outras, com muita facilidade. Portanto,
a medição do bloco de motor pode ser realizada em uma máquina de medir coordenadas.

474
UE1 | Metrologia − Máquinas de Medição por Coordenadas

Medição de bloco
de motor em MMC

Nesta aula vamos abordar uma dessas máquinas, que é a Máquina de Medir por Coor-
denadas (MMC), também chamada de máquina tridimensional. Reconheceremos os tipos,
características e aplicações dessas máquinas empregadas no controle e verificação dimen-
sional de peças e conjuntos mecânicos.

COMO FUNCIONA UMA MMC?


Normalmente, a máquina tem um dispositivo de contato, ou apalpador, que toca na peça
e envia as coordenadas do ponto de contato para o computador da máquina, que calcula as
coordenadas exatas daquele ponto.

475
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

O apalpador é montado em um cabeçote que pode se mover nas três direções, em planos
perpendiculares entre si, formando os eixos X, Y e Z, para poder medir peças tridimensio-
nais. Para reconhecer a sua localização, cada eixo tem um guia com sensor ótico que, atra-
vés de uma escala de vidro com graduações, reconhece a posição de cada eixo.

A máquina tem uma base, que normalmente é uma mesa de granito, que serve de re-
ferência para todas as medições, pois é onde se colocam e apoiam as peças ou conjuntos
mecânicos que serão medidos.

476
UE1 | Metrologia − Máquinas de Medição por Coordenadas

Os eixos se deslocam através de um fino colchão de ar gerado por um sistema pneumá-


tico, nas sapatas ou mancais aerostáticos de cada eixo, eliminando assim o contato entre as
partes da máquina que se movem, dando maior precisão às medições.

TIPOS DE MMC
Desde que foram inventadas, no final dos anos 50, as máquinas MMC mudaram muito.
Com a evolução dos computadores e o aumento da precisão das máquinas de usinagem, a
precisão e a velocidade de medição das máquinas MMC aumentaram consideravelmente.

Atualmente temos basicamente dois tipos de MMC:

• MMC manual: é uma máquina em que os movimentos do apalpador são totalmente


guiados manualmente pelo operador. As coordenadas obtidas, entretanto, são envia-
das ao computador da máquina que processa todas as informações.
• MMC automatizada: é uma máquina operada por Comando Numérico Computadorizado
(CNC), em que o operador apenas faz um programa para a movimentação do apalpador.
Durante a operação, todos os movimentos ocorrem automaticamente, sem intervenção do
operador. É uma máquina ótima para peças complexas produzidas em série.

Vocêsabia?!
Você sabia?!

Existe um tipo de máquina de medir coordenadas que utiliza os princípios de movimento


de um braço, dando maior flexibilidade à medição. É o braço de medir coordenadas: os
movimentos do braço de medição são controlados pelo operador, que toca os pontos da
peça a ser medida com o apalpador do braço de medição. As coordenadas obtidas são en-
viadas ao computador da máquina, que processa todas as informações.

477
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Existem outras classificações de máquinas MMC que levam em conta a estrutura da má-
quina e os componentes que se movimentam. Nessas imagens vemos que as setas repre-
sentam o sentido do movimento dos componentes.

Cantiléver Ponte móvel Ponte fixa

Coluna Braço horizontal Pórtico Duplo braço horizontal

478
UE1 | Metrologia − Máquinas de Medição por Coordenadas

QUANDO USAR UMA MMC


Pelo que foi dito até agora, talvez você acredite que a MMC deva ser utilizada sempre,
pois ela tem muitas vantagens. Mas não é bem assim. Afinal, uma máquina dessas tem um
custo muito elevado. Veja alguns fatores que devem ser considerados na decisão quanto ao
uso dessas máquinas:

Alto custo de aquisição, visto que os preços


são variados.

Para escolher o tipo de MMC, deve-se levar


em conta sua aplicação.

A operação dessas máquinas deve ser


realizada por mão de obra qualificada, que
também tem custo mais elevado.

Em MMC totalmente automatizadas, para se


fazer uma medição, é preciso, antes, gravar
um programa, que deve ser feito pelo
operador ou pela medição monitorada de
uma peça padrão. E isso toma muito tempo.

A MMC é viável somente em casos de grande quantidade de medições iguais. Ou em si-


tuações de medições complexas, difíceis de serem realizadas pelos instrumentos comuns.
Para poucas medições é mais econômico usar pessoas com os instrumentos adequados, de
acordo com a necessidade.

A viabilidade de uma MMC deve ser estudada com cuidado, levando-se em conta custos
de aquisição, manutenção e treinamento de pessoal, tempos de medição, espaço ocupado
pela máquina, precisão necessária, medição em locais de difícil acesso, quantidade de peças
a serem medidas e outros.

479
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Vamos relembrar a situação vivida por Ana? Ela precisa realizar a medição de grandes lo-
tes de peças e deve escolher a máquina para realizar essas medições. Qual tipo de máquina
MMC ela deve usar para realizar essa tarefa?

Para a peça em questão, considerando que é


um lote de peças complexas e em grande
quantidade, Ana usará a Máquina de Medição
por Coordenadas comandada por CNC.

ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Nesse caso, é feito um programa


para o deslocamento do sensor,
que é gravado na máquina.

ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA

E, depois, é só colocar as
peças na máquina e rodar
esse programa, né?

Exatamente!

ANA
TÉCNICA

480
TÉCNICA

UE1 | Metrologia − Máquinas de Medição por Coordenadas


ERIKA
ESTAGIÁRIA

E, depois, é só colocar as
peças na máquina e rodar
esse programa, né?

Exatamente!

ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Agora é com você!

É hora de aplicar os conhecimentos aprendidos nesta aula. Mostre que você compreen-
deu e mãos à obra. Bom desempenho!

481
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

De que maneira o técnico pode transmitir essa informação de forma objetiva, para evitar
dúvidas e erros na fabricação da peça?

Conhecimento em pauta!

DESENHO TÉCNICO
Às vezes, pensamos em algo que julgamos ser bom e queremos compartilhar a ideia com
algumas pessoas. Podemos fazer isso através de uma conversa ou de um texto.

Mas muitas vezes pode ser difícil transmitir o que estamos pensando, principalmente
se for algo complexo, com muitos detalhes. Nesse caso, o que frequentemente nos ocorre
é pegar em um lápis e papel e rascunhar a nossa ideia de forma gráfica, ou seja, fazer um
esboço do que estamos pensando.

Quando se trata de algo técnico e profissional, esse rascunho pode ser chamado de cro-
qui, que é o primeiro passo para uma ideia ser representada por meio de um desenho.
Cada área específica (arquitetura, engenharia, mecânica, eletrônica...) tem meios próprios
para representar algo através de desenho, que são chamados desenho técnico.

486
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

Historiando!
Historiando!

Observe na imagem alguns marcos históricos referentes ao desenvolvimento dos desenhos:

ESCRITA EM CAVERNAS
A representação por
meio de desenho é
utilizada pelos nossos
antepassados desde INVENÇÃO DO PAPEL
quando viviam em A invenção do papel e
cavernas. Em suas aprimoramento das
paredes faziam tintas, ceras e grafite,
desenhos e símbolos tornou muito fácil a DESENHOS EM SOFTWARES
que nos possibilitam ter representação de uma Nas décadas finais do
noção de como viviam e ideia através de um século XX (vinte)
se comunicavam. desenho. começaram a surgir os
softwares de computador,
conhecidos atualmente
como softwares CAD (do
inglês Computer Aided
Design), que passaram a ser
utilizados para a elaboração
de desenhos técnicos.

DESENHO TÉCNICO
O desenho técnico é uma representação gráfica normatizada, que utiliza de simbologias e
procedimentos específicos para reproduzir no desenho as características exatas do objeto.

A representação por desenho técnico é feita através de pontos, de linhas, ligadas de for-
ma geométrica, e projeções em diversos planos, que de maneira simplificada representam
com exatidão um objeto, componentes estruturais ou elementos de máquinas, inclusive
com a definição de dimensões e tolerâncias.

487
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Para você entender, observe


a foto da caneca. Vamos
compreender o processo de
representação do desenho
técnico para a sua
confecção?

Os desenhos técnicos são


elaborados em 2D (duas
dimensões), ou seja, são
feitos como se passassem
um plano cortando o objeto
na metade e a projeção
desse corte no plano é
representada por linhas.
Para representar as
características de um objeto,
são utilizados diversos tipos
de linhas, como pode ser
observado na imagem do
desenho da caneca.

Em alguns casos, uma característica de um componente, ou um elemento de máquina,


pode ter sua representação simplificada, de modo que não é necessário representar todos
os seus detalhes, como é o caso das roscas e engrenagens, que podem ser vistas a seguir.

488
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

TIPOS DE LINHAS
Os tipos de linhas mais comuns são a contínua, tracejada e traço e ponto, e suas varia-
ções. Veja na imagem seguinte os tipos e variações de linha, com base na NBR 8403: Aplica-
ções de linhas em desenho - Tipos de linha - Larguras das linhas.

LINHA DENOMINAÇÃO APLICAÇÃO GERAL

- Contínua larga - Contornos visíveis


- Arestas visíveis

- Contínua estreita - Linhas de interseção


imaginárias
- Linhas de cotas
- Linhas auxiliares
- Linhas de chamadas
- Hachuras
- Contornos de seções
rebatidas na própria vista
- Linhas de centros curtas

- Contínua estreita à mão livre - Limites de vistas ou cortes


parciais ou interrompidas se
o limite não coincidir com
linhas traço e ponto

- Esta linha destina-se a


- Contínua estreita em desenhos confeccionados
zigue-zague por máquinas

- Tracejada larga - Contornos não visíveis


- Arestas não visíveis
- Contornos não visíveis
- Tracejada estreita - Arestas não visíveis

- Traçado e ponto estreita - Linhas de centro


- Linhas de simetrias
- Trajetórias

- Traço e ponto estreita, larga - Planos de cortes


nas extremidades e na
mudança de direção

- Traço e ponto largo - Indicação das linhas ou


superfícies com indicação
especial

- Traço dois pontos estreita - Contornos de peças


adjacentes
- Posição limite de peças
móveis
- Linhas de centro de
gravidade
- Cantos antes da
conformação
- Detalhes situados antes do
plano de corte

489
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

As diferentes espessuras tornam possível representar diversas características de um ob-


jeto como o contorno, eixo de simetria ou centro, contorno ou aresta não visível, cotas, ha-
churas e outras representações que se fizerem necessárias.

Parasaber
Para saber mais!
mais!
Consulte a norma específica para padronizar os tipos de linha e suas aplicações, que é a
ABNT NBR 8403 – Aplicações de linhas em desenho - Tipos de linha – Larguras das linhas.

INSTRUMENTOS PARA DESENHO TÉCNICO


Para executar um desenho técnico é preciso utilizar alguns instrumentos específicos. Veja
o vídeo a seguir para aprender mais sobre eles.

Agora vamos dar continuidade aos estudos com os caracteres usados na escrita dos de-
senhos técnicos.

CARACTERES DE ESCRITA EM DESENHO TÉCNICO


A escrita em um desenho técnico deve ser clara e entendida por qualquer pessoa. É pre-
ciso também que ela seja legível e uniforme. Por isso, foi desenvolvida a caligrafia técnica,
que é uma forma de escrita própria para desenho técnico, devendo ser aplicada quando
necessárias palavras ou textos, e nos valores das cotas.

490
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

c
d a e a

b
h

A caligrafia técnica deve ter os caracteres separados, não devendo haver nenhum carac-
tere que se confunda com outro. Em alguns casos, quando o desenho é feito à mão livre, ou
através de normógrafos (gabaritos), aplica-se uma pequena inclinação, cerca de 15 graus à
direita, nos caracteres.

!
Solução do Problematizando...

Como vimos no início desta unidade de estudo, o técnico se viu em uma situação compli-
cada, pois eram muitas instruções para serem passadas ao setor de fabricação da peça. De
que maneira ele pode transmitir essas informações de forma objetiva, para evitar dúvidas e
erros na fabricação da peça?

491
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Avalie se você compreendeu bem os conhecimentos estudados nesta aula de estudo.


Responda às perguntas e bom desempenho!

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 8402: Aplicações de linhas em de-


senho - Tipos de linha - Larguras das linhas.

492
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

Anotações

493
Unidade de Estudo
02

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
FORMATOS DE PAPÉIS, DOBRAS
MARGENS E LEGENDAS,
NORMAS APLICADAS AO
DESENHO TÉCNICO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Fernando recebeu a tarefa de arquivar todos estes desenhos técnicos em pastas,


seguindo sua codificação e, em seguida, armazená-los nos armários adequados.

FERNANDO
TÉCNICO

VALDOMIRO
GERENTE

Mas, logo percebeu um problema: existiam desenhos


em formato muito grande!
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como é possível organizar os desenhos em pastas que são menores que o formato dos
desenhos?

Conhecimento em pauta!

DESENHO TÉCNICO MECÂNICO


Antes de mais nada, é preciso entender o conceito de desenho técnico mecânico. Por
isso, assista ao primeiro vídeo desta Unidade de Estudo.

FORMATOS DOS DESENHOS


Na indústria mecânica, os principais formatos para elaboração dos desenhos técnicos são
os formatos da série A. Dessa série, os 5 formatos mais utilizados são: A0, A1, A2, A3 e A4.

Estes formatos se diferenciam pelas suas dimensões. Vamos conhecer cada um deles no
próximo vídeo.

498
UE2 | Desenho Técnico Mecânico - Formatos de papéis, dobras, margens e legendas, normas aplicadas ao desenho técnico

Uma vez que conhecemos os diversos formatos da série A, podemos escolher o mais
adequado para realizar o desenho técnico.

No formato escolhido, traçamos um contorno delimitando suas margens para definir o


espaço do desenho. Estas margens devem ser maiores no lado esquerdo, prevendo a fura-
ção para arquivamento.

FORMATO MARGEM

Esquerda Direita
A0 25 10

A1 25 10

A2 25 7

A3 25 7

A4 25 7

Além das margens, a folha de desenho deve ter uma legenda contendo a identificação
deste desenho e as demais informações, como título, data, origem, etc. A legenda deve
estar situada no canto inferior direito, tanto nas folhas posicionadas horizontalmente, como
verticalmente. Veja:

499
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

GUIA
10 9 8 7 6 5 POSICAO
4 13 - COLUNA 3 2 1
13 4 DE GUIA SAE 8620
REVISÃO
SEÇÃO C-C 12 1
POSICAO 12 - BUCHA DE
ZONE REV. DESCRIÇÃO
P20 DATA APROVADO
H H
INJECAO
E
11 1 POSICAO 11 - BUCHA DE P20

36,00 22,00
EXTRACAO
26 H7/g6
17,00
POSICAO 10 - POSTICO
10 20 H7/g62 MACHO P20
20 H7/g6 POSICAO 09 - ANEL DE

36,00 36,00
G 9 1 SAE 1045 125 x 12 G
CENTRAGEM

227,00
POSICAO 08 - PLACA
8 1 SAE 1045 200 x 250 x 22
BASE INFERIOR
7 2 POSICAO 07 - SAE 1045NOTAS GERAIS
200 x 66 x 40
40,00

12,0033,00
15,00 ESPACADOR

66,00
6 1
POSICAO 06 - PLACA
SAE 1045 200 x 115 x 17 D
F EXTRATORA16 F

17,00
POSICAO 16 - BUCHA DE
4 SAE 8620
GUIA EXTRATORA
POSICAO 05 - PLACA

22,00
POSICAO 15 - COLUNA
5 1 SAE 1045 200 x 115 x 12

4,00
15 4 SAE 8620
CONTRA EXTRATORA DE GUIA EXTRATORA
170,00

134,00
86,00
20 H7/g6 34,00 POSICAO 14 - BUCHA DE
115,00 14 4
GUIA
POSICAO 04 - PLACA
4 1 SAE 1045
POSICAO 13 - COLUNA 200 x 200 x 36
SUPORTE13 4 DE GUIA SAE 8620
SEÇÃO A-A SEÇÃO C-C POSICAO 12 - BUCHA DE
POSICAO 03 - PLACA
12 1
INJECAO
P20
E 3 1 MACHO 11 SAE 1045
POSICAO 11 - BUCHA DE
200 x 200 36 E
1 EXTRACAO P20
17,00 POSICAO 02 - PLACA
2 1 MATRIZ 10 2 P20
POSICAO 10 - POSTICO
MACHO
200
P20 X 200 X 36
POSICAO 09 - ANEL DE
9 1 SAE 1045 125 x 12
POSICAO 01 - PLACA CENTRAGEM
C
1 1 SAE 1045 250 X 200 X 22
BASE SUPERIOR
8 1
POSICAO 08 - PLACA
BASE INFERIOR SAE 1045 200 x 250 x 22
POSICAO 07 -
PS. QUANT DENOMINAÇÃO
7 2
MATERIAL
ESPACADOR DIMENSÕES
SAE 1045
200 x 66 x 40
REFERÊNCIA
D 6 1 POSICAO 06 - PLACA SAE 1045 200 x 115 x 17 D
EXTRATORA

5 LISTA
1 DE MATERIAL
POSICAO 05 - PLACA
CONTRA EXTRATORA SAE 1045 200 x 115 x 12

170,00

134,00
84,00

86,00
200,00

154,00

66,00 4 1
POSICAO 04 - PLACA SAE 1045 200 x 200 x 36
SENAI CIMATEC | Sistema FIEB
SUPORTE
POSICAO 03 - PLACA
3 1 Desenvolvimento
MACHO SAE 1045de Produtos
200 x 200 36Industriais
POSICAOAv.
02 - Orlando
PLACA Gomes, 1845200- Piatã
2 1 P20 X 200 X 36
Salvador - Bahia - Brasil - CEP 41650-010
MATRIZ
C 1 1 POSICAOwww.senai.fieb.org.br
01 - PLACA SAE 1045 250 X 200 X 22 C
BASE SUPERIOR
PROJETO: PROJEÇÃO
PS. QUANT DENOMINAÇÃO MATERIAL DIMENSÕES REFERÊNCIA
COPO DE CAFÉ LISTA DE MATERIAL
B
153,00 66,00
CLIENTE: FORMATO
SENAI CIMATEC | Sistema FIEB
160,00
A2
Desenvolvimento de Produtos Industriais
250,00 SENAI Av. Orlando Gomes, 1845 - Piatã
Salvador - Bahia - Brasil - CEP 41650-010
www.senai.fieb.org.br
PROJETO: PROJEÇÃO
TÍTULO: FOLHA
B COPO DE CAFÉ B
CONJUNTO - Sheet1 CLIENTE: FORMATO 1/1
SENAI A2
RESPONSÁVEL: DATA:
TÍTULO:
NÚMERO DO CONTRATO: ESCALA
J. Speglich
FOLHA

PROJETO:
CONJUNTO - Sheet1
DATA: COMPONENTE:
1/1
1:2
V. Azevedo 03/07/2009
RESPONSÁVEL:
J. Speglich CONJUNTO/Default
DATA: NÚMERO DO CONTRATO: ESCALA

DESENHO: DATA:
PROJETO:
NÚMERO
DATA:
DO DOCUMENTO SENAI:
COMPONENTE: 1:2
REVISÃO
V. Azevedo 03/07/2009 CONJUNTO/Default
A. Ferreira 21/08/2018
DESENHO:
A. Ferreira
SEN-CIM-DPI-XXX-XX-XX-XXX-XXX
DATA: NÚMERO DO DOCUMENTO SENAI:
SEN-CIM-DPI-XXX-XX-XX-XXX-XXX
REVISÃO
21/08/2018
A VERIFICADO:
V. Azevedo
DATA:
VERIFICADO:
V. Azevedo
NÚMERO
DATA: DO DOCUMENTO CLIENTE:
NÚMERO

XXXX.XXXXXXX.XXX-XX
DO DOCUMENTO CLIENTE:
XXXX.XXXXXXX.XXX-XX A A
APROVADO: DATA: TIPO DE EMISSÃO:
APROVADO: V. DATA:
Beal TIPO DE EMISSÃO: CONHECIMENTO/INFORMAÇÃO
V. Beal CONHECIMENTO/INFORMAÇÃO
AS INFORMAÇÕES CONTIDAS NESTE DOCUMENTO NÃO PODEM SER USADAS, COPIADAS, CEDIDAS OU UTILIZADAS PARA OUTRA FINALIDADE SENÃO AQUELA CONSTANTE NOS
TERMOS CONTRATUAIS

10 9 8 7 6 AS INFORMAÇÕES
5 CONTIDAS NESTE DOCUMENTO
4 NÃO PODEM SER USADAS, COPIADAS,
3 CEDIDAS OU UTILIZADAS PARA
2 OUTRA FINALIDADE SENÃO AQUELA
1 CONSTANTE NOS
TERMOS CONTRATUAIS

6 5 4 3 2 1

ORGANIZAÇÃO DOS DESENHOS


Mas como é possível dobrar os desenhos e organizá-los, se eles podem ter tamanhos tão
grandes e diferentes um do outro?

A norma da ABNT NBR 13142 padroniza a maneira de dobrar os desenhos do formato da


série A, de maneira que, após dobrados, todos respeitem as dimensões A4.

No próximo vídeo vamos ver na prática a aplicação desses padrões, por meio do dobra-
mento de um desenho em formato A2.

500
UE2 | Desenho Técnico Mecânico - Formatos de papéis, dobras, margens e legendas, normas aplicadas ao desenho técnico

Parasaber
Para saber mais!
mais!

Além da ABNT NBR 13142 – Desenho técnico - dobramento de cópia, a Associação Brasi-
leira de Normas Técnicas (ABNT) determina algumas Normas Brasileiras Regulamentadoras
(NBR) quanto a isso. Veja algumas:

a) NBR 10068 – Folha de desenho - leiaute e dimensões;


b) NBR 10582 – Apresentação da folha para desenho técnico.

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o nosso problematizando?

Fernando precisa arquivar os desenhos em pastas e armazená-las no armário. Mas existe


um problema: como é possível organizar os desenhos em pastas que são menores que o
formato dos desenhos?

Aprendemos que existem métodos de dobragem que permitem que os formatos de de-
senhos caibam em pastas de um único formato.

Fernando lembrou que existe uma norma específica para o dobramento de desenhos.
Consultou essa norma e utilizou os conhecimentos adquiridos para organizar os desenhos
nas pastas e arquivá-las nos armários.

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.


Sucesso!

501
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

A Metaltech recebeu de um cliente a solicitação


de fabricação de um tanque de combustível.

No entanto, o desenho de fabricação deve


ser confeccionado no mesmo modelo de um
tanque disponível na sua planta fabril.

E o resultado de seu trabalho foi positivo!

JOÃO PEDRO
TÉCNICO

ORIMODLAV
ETNEREG

Pode contar comigo, Valdomiro.


Como o tanque é bem grande, vou
João Pedro, preciso que analisar e escolher a escala mais
você faça o desenho adequada para fazer o desenho.
desse tanque.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que o técnico em mecânica deve elaborar o desenho usando escala?

Conhecimento em pauta!

REPRESENTAÇÃO GRÁFICA – ESCALA


Imagine a seguinte situação: um grupo de pessoas pretende fazer uma aventura de trilha.
Qual será um dos itens que é indispensável na bagagem deles? Vamos descobrir no primeiro
vídeo da nossa unidade de estudo.

Os mapas são usados para que as pessoas se localizem em um determinado local. Eles
podem ser encontrados em formato impresso ou digital.

506
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

00:00 MIN 55:00 MIN 00:00 MIN 00:00 MIN

6KM 20M

Outra forma de representar qualquer tipo de objeto, independentemente das suas di-
mensões, é utilizar técnicas de representação gráfica como a escala. Mas, você sabe o que
significa escala?

Escala é o resultado obtido da relação entre as medidas gráficas de um objeto e a medida real.

MEDIDA GRÁFICA DO OBJETO = ESCALA


MEDIDA REAL DO OBJETO

Partindo deste princípio, podemos obter três resultados possíveis, logo, três escalas dis-
poníveis. São elas:

Escala natural

Escala ampliada

Escala reduzida

507
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vamos conhecer um pouco mais sobre cada uma delas? Assista ao vídeo!

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Conforme a norma da ABNT 8196 de 1999, os desenhos representados em escala devem
obrigatoriamente indicar sua razão na legenda ou carimbo da folha de desenho (parte da
folha onde constam as informações do desenho).

Veja novamente a planta baixa:

508
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

Perceba que a razão precedida da palavra ESCALA, em alguns casos, pode aparecer de
forma abreviada ESC., seguida dos valores (unidade e fator natural, redução ou ampliação),
dessa forma:

ESCALA: 1:50 ou ESC.:1:50

Após aplicar as regras de escala nas representações gráficas, é importante indicar os va-
lores, ou seja, realizar a cotagem do objeto. Vamos ver de que forma?

COTAGEM
Tanto a representação gráfica, quanto o desenho técnico, seguem regras padronizadas
que visam facilitar a leitura e a interpretação dos desenhos, lembra?

Para fabricar um objeto conforme seu desenho, devemos estar atentos para os requisitos
básicos da representação gráfica, as regras de cotagem.

REGRAS DE COTAGEM
A NBR 10126, de 1987, determina que as regras de cotagem devem “caracterizar o dese-
nho através de linhas, símbolos, notas e valor numérico numa unidade de medida”.

Na mecânica, os desenhos são cotados em milímetros e, por este motivo, não é preciso
indicar a medida após as cotas. Caso haja necessidade de cotar em outra unidade de medi-
da, ela deve ser indicada logo após o valor numérico da cota no desenho. Observe:

509
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

COTA

50
Ø10,2

3/4 in
UNIDADE
SÍMBOLO

LINHA AUXILIAR 17

LINHA DE COTAGEM

REPRESENTAÇÃO DAS COTAS


De acordo com a NBR 8402, de 1994, as cotas devem ser representadas de forma legível
para facilitar a sua leitura e interpretação.

Existem dois métodos de cotagem, mas somente um deles deve ser utilizado no mesmo
desenho. Vamos conhecê-los?

1º método:
As medidas cotadas devem ser dispostas da
esquerda para a direita e de baixo para cima,
preferencialmente paralelas e ao centro das
Ø20

Ø26

Ø10

linhas de cotagem.
As indicações das cotas podem ser feitas
dentro ou fora dos objetos cotados,
mantendo a clareza das informações, como
nos mostra a figura.

2º método:
Ø20 Ø30
Observe, na figura, que as cotas podem ser
Ø50 escritas ao centro das linhas de cotagem ou
em seu prolongamento, quando o espaço
não for suficiente para a escrita com clareza
das mesmas.
26 10
75

510
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

SÍMBOLOS E CONVENÇÕES
Para facilitar a interpretação das formas dos objetos no desenho, podemos utilizar os
símbolos padronizados. Observe:

Ø Diâmetro

R Raio

Ø ESF Diâmetro esférico

R ESF Raio esférico

Quadrado

Agora, veja como estes símbolos são aplicados nas representações gráficas:

Representação do símbolo Representação do símbolo


Diâmetro Raio
0
R1 R1
5

Ø20 Ø30
Ø50

Representação do símbolo Representação do símbolo


Quadrado Diâmetro Esférico
40

ØESF 50

Representação do símbolo Raio Esférico


2
F1
ES
R
60
SF
RE

511
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

COTAGEM DE DETALHES
As localizações das cotas devem ser adaptadas para melhor aplicação e clareza de leitura
nos objetos cotados. Vejamos alguns exemplos:

Ø310

Ø250

Linha de centro

1,5 1

2,5
Ø400
5

Representação de meio corte Representação com pouco espaço

Se a representação do objeto for em Quando não há espaço suficiente para


meio corte, podemos cotar a partir da representação da cota, podemos es-
linha de centro. crever sobre o prolongamento da linha
de cotagem.

Parasaber
Para saber mais!
mais!

Para enriquecer seus conhecimentos sobre as regras de execução das representações


gráficas em desenho técnico, consulte as normas:

ABNT NBR 8196 de 1999 – Desenho técnico – Emprego de escalas.

ABNT NBR 10126 de 1987 – Cotagem em desenho técnico.

ABNT NBR 8402 de 1994 - Execução de caracter para escrita em desenho técnico.

512
UE1 | Desenho Técnico Mecânico

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o nosso problematizando: por que o técnico em mecânica deve elaborar
o desenho usando escala?

Porque os desenhos em escala possibilitam a representação de objetos muito grandes ou


pequenos de forma gráfica, em uma folha de papel, por exemplo.

João Pedro percebeu a importância do conhecimento das normas e procedimentos do


desenho técnico mecânico para o desenvolvimento dos trabalhos de representação gráfica.

Então, o técnico elaborou o desenho do tanque em escala reduzida, pois é a mais in-
dicada para representar o tanque - que apresenta grandes dimensões - em uma folha de
dimensão bem menor.

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos até aqui. Bom desem-
penho!

Referenciando!
Referenciando!

SHUTTERSTOCK. 2018. Disponível em: <https://www.shutterstock.com/pt/>. Acesso em:


01 ago. 2018.

ABNT NBR 8196 de 1999 – Desenho técnico – Emprego de escalas.

ABNT NBR 10126 de 1987 – Cotagem em desenho técnico.

ABNT NBR 8402 de 1994 - Execução de caracter para escrita em desenho técnico.

Livro Fundamentos de Mecânica - SENAI/DN, 2015 - Série Mecânica, v. 1. pág. 131

513
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
TOLERÂNCIA DIMENSIONAL

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Erika, torneira mecânica, recebeu o desenho de um


eixo e de uma bucha que vão trabalhar em conjunto,
havendo movimento entre elas.

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Ela observou que a dimensão do diâmetro


do eixo é igual ao do furo da bucha.

Formato

Ferramenta Molde
NOTAS GERAIS Folha

Bucha Guia
MATERIAL -- AÇO
POSIÇÃO N. 05.2
DIMENÇÕES DO BRUTO: 35x76 mm
QUANTIDADE -- 04 PEÇAS
TOLERÂNCIA NÃO ESPECIFICADAS: 0,2 mm
CHANFROS NÃO ESPECIFICADOS : 0,5X45º

C C

Formato

Ferramenta Molde
NOTAS GERAIS
Coluna Guia
MATERIAL -- AÇO
POSIÇÃO N. 09.1
DIMENÇÕES DO BRUTO: 35x140 mm
QUANTIDADE -- 04 PEÇAS
TOLERÂNCIA NÃO ESPECIFICADAS: 0,2 mm
CHANFROS NÃO ESPECIFICADOS : 0,5X45º

Por causa das medidas iguais,


pode ser que tenhamos uma
dificuldade para a montagem
do conjunto.
Formato

Ferramenta Molde
NOTAS GERAIS

Contexto!
Coluna Guia
MATERIAL -- AÇO

Contexto!
POSIÇÃO N. 09.1
DIMENÇÕES DO BRUTO: 35x140 mm
QUANTIDADE -- 04 PEÇAS
TOLERÂNCIA NÃO ESPECIFICADAS: 0,2 mm
CHANFROS NÃO ESPECIFICADOS : 0,5X45º

Por causa das medidas iguais,


pode ser que tenhamos uma
dificuldade para a montagem
do conjunto.

ERIKA
ESTAGIÁRIA

E, como te falei, chamei


você aqui para me ajudar
a resolver essa questão.

ANA
TÉCNICA

ERIKA
ESTAGIÁRIA
UE1 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Dimensional

?
Problematizando...

Como evitar que as medidas iguais apresentadas no furo da bucha e no diâmetro do eixo
causem dificuldades para a montagem desse conjunto mecânico?

Conhecimento em pauta!

TOLERÂNCIAS
Na especificação de uma dimensão qualquer no desenho, estabelecemos o valor nominal
dessa dimensão. É esse valor que se utiliza como base para fabricar e controlar esta dimen-
são qualquer.

Mas será que conseguimos fabricar uma peça exatamente com as dimensões nominais?
A resposta é não, pois devido às anomalias do processo, como deformações de máquinas,
erros de medição e falhas de operador, as medidas sempre terão uma diferença entre o
valor nominal e o valor real. O valor real é aquele que obtemos através da medição da peça.

519
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Então, é possível dizer que sempre vai existir um erro. Mas não podemos aceitar um erro,
se ele interferir na aplicação final do produto. Então, temos que definir um valor tolerável,
no qual uma determinada dimensão é aceitável dentro de um limite. Ou seja, se temos uma
cota com 10 mm, deverá ser estabelecido um limite, pois não queremos aceitar se a peça
sair com 5 mm ou 15 mm, por exemplo. Mas, se a mesma medida no desenho for 10,0 mm,
entendemos que o seu valor pode variar no máximo entre 10,0 mm e 10,9 mm.

Agora, pense na situação de um conjunto mecânico que tem duas peças, uma com pino
e outra com furo, montadas entre si. O furo nunca poderá ser menor que o pino para haver
movimento entre eles.

Historiando!
Historiando!

Século XX
Produção em série Primeira guerra mundial

No início do século XX, com o surgimento da produção em série e da primeira


guerra mundial, surgiu a necessidade de produzir itens que pudessem ser trocados
sem a necessidade de ajustes, que fossem fabricados em um local ou região, mas
pudesse ser comprado e utilizado em qualquer outro local do mundo, ou que
pudessem ser fabricados em diversos locais diferentes, e que se encaixassem no
conjunto ao qual fizessem parte perfeitamente, como munições para armamentos,
por exemplo. Isso só foi possível com o uso das tolerâncias.

TOLERÂNCIA DIMENSIONAL
Para definirmos no desenho técnico o quanto uma dimensão pode variar, usamos a tole-
rância dimensional. Esse tipo de tolerância é aplicado diretamente na cota, ao lado do valor
nominal, indicando assim o quanto aquele valor pode variar.

520
UE1 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Dimensional

Essa indicação pode ser positiva ou negativa e é sinalizada pelos sinais de mais (+), de
menos (–), ou ainda mais ou menos (±), quando o desvio pode ser aceito nas duas situações.

Cota

Tolerância

- 0,02
+0,03
ø45

Valor
nominal

Em um desenho técnico, as tolerâncias dimensionais são aplicadas de forma individual


ou geral, para: dimensões lineares, raios e chanfros e dimensões angulares.

Parasaber
Para saber mais!
mais!

Consulte a norma da ABNT NBR ISO 2768-1, que estabelece critérios para definir a to-
lerância para as cotas de um desenho, mesmo sem a indicação ao lado do valor nominal.
Existem também as seguintes normas que tratam sobre desenho:

• ABNT NBR ISO 2768-1 - Tolerâncias gerais – Parte 1: Tolerâncias para dimensões linea-
res e angulares sem indicação de tolerância individual;
• ABNT NBR ISO 2768-2 – Tolerâncias gerais – Parte 2: Tolerâncias geométricas para ele-
mentos sem indicação de tolerância individual;
• ABNT NBR 6409 - Tolerâncias geométricas – Tolerâncias de forma, orientação, posição e
batimento – Generalidades, símbolos, definições e indicações em desenho.

521
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

As tolerâncias podem ser aplicadas para controlar dimensões específicas em componen-


tes mecânicos. Observe, na imagem a seguir, que existe um limite máximo e mínimo que
evita que uma característica de uma peça fique fora da dimensão aceitável.

MAX. 10,2

10,0 ± 0,2
MIN. 9,8

Existem algumas formas de se apresentar a tolerância dimensional na cotagem do de-


senho. Ela deve aparecer após o valor nominal da cota e pode ser: simétrica, por desvio ou
por limite.

SIMÉTRICA

O valor da tolerância deve ser


precedido pelo sinal ± (mais ou 01
menos).
50±0,02

DESVIO

O valor positivo fica acima do


valor negativo. 02
+0,02
50-0,01

LIMITE O valor nominal é omitido,


apresentando-se o valor
máximo e o valor mínimo, 03
sendo o mínimo apresentado
abaixo do máximo.
50,02
49,99

522
UE1 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Dimensional

TOLERÂNCIA GERAL
As cotas que não apresentarem tolerâncias individuais vão automaticamente adotar a
tolerância geral do desenho. Deve-se indicar essa tolerância ou a norma que a define, por
exemplo: tolerância geral conforme a norma da ABNT NBR ISO 2768-1. Essa indicação, nor-
malmente, aparece como observação no desenho ou como nota na legenda do desenho.

Ø40

Ø40
+0,01
50
+0,01
50

Obs.: Tolerâncias geral ±0,1 mm

UNLESS OTHERWISE SPECIFIED, NAME SIGNATURE DATE


DIMENSIONS ARE IN MILLIMETERS
DRAWN VINICIUS BORGES
2018-04-05
ANGULAR = ± ° DIAS

CHECKED
----
TITLE
SURFACE FINISH
APPROVED

DO NOT SCALE DRAWING


----
BREAK ALL SHARP EDGES AND
----

Obs.: Tolerância geral ±0,1 mm


REMOVE BURRS SIZE DWG NO. REV.
FIRST ANGLE PROJECTION MATERIAL FINISH
A4 ---- -
SCALE WEIGHT SHEET
1:1 1 of 2

!
Solução do Problematizando...

Enfim, vamos retomar e solucionar nosso problematizando? Como evitar que as medidas
iguais apresentadas no furo da bucha e no diâmetro do eixo causem dificuldades para a
montagem desse conjunto mecânico? A resposta é que se deve aplicar tolerâncias nas di-
mensões dos diâmetros do furo da bucha e do eixo.

Ah! Entendi, aqui está


tranquilo, olha...

ANA
ACINCÉT

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Ana explica para Erica que o diâmetro sendo 10 mm é possível fazer o desenho do furo com
-0,1
dimensão Ø10,0+0,1 e para o desenho do eixo utilizar a dimensão Ø10,0-0,2 .
523
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Ana explica para Erica que o diâmetro sendo 10 mm é possível fazer o desenho do furo com
-0,1
dimensão Ø10,0+0,1 e para o desenho do eixo utilizar a dimensão Ø10,0-0,2 .

ANA
ACINCÉT

ERIKA
ESTAGIÁRIA

ø 9,9

ø 10

Então, se o furo ficar na medida


mínima e o eixo na medida máxima,
ainda assim, eles se encaixarão pois
haverá 0,1 mm de folga entre eles.

Ah! Então
tudo certo!

ANA
ACINCÉT

ERIKA
ESTAGIÁRIA

524
UE1 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Dimensional

Agora é com você!

Avalie se você compreendeu bem os conhecimentos estudados nesta aula de estudo.


Responda às perguntas e bom desempenho!

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 2768-1: tolerâncias gerais:


parte 1: tolerâncias para dimensões lineares e angulares sem indicação de tolerância indivi-
dual. Rio de Janeiro, 2001.

FISCHER, Ulrich et al. Manual de tecnologia metal mecânica. 2. ed. São Paulo: Blucher,
2011.

525
Unidade de Estudo
02

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
TOLERÂNCIA GEOMÉTRICA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que as peças não se encaixavam?

Conhecimento em pauta!

GEOMETRIAS
Você já percebeu a geometria dos móveis e das casas? É algo que muitas vezes nos passa
despercebido, não é verdade?

Mas ela está presente em nossas vidas desde os primeiros anos. Percebemos isso, por
exemplo, nas lojas de brinquedos para crianças, onde existem diversos jogos de peças de
encaixe. Nesses jogos começamos a observar que um círculo não se encaixa em um quadra-
do ou em um triângulo, por isso, precisamos fazer as associações corretas das geometrias
para que se encaixem.

530
UE2 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Geométrica

Na indústria mecânica, acontece algo similar. Os mecanismos são compostos por peças que
têm como uma das principais características sua forma geométrica. As peças, muitas vezes, tra-
balham em conjunto com outras e, em muitos casos, elas devem ter a mesma forma geométrica.

A diferença entre o jogo de criança e as peças na indústria é a precisão, pois para garan-
tir a intercambiabilidade ou a funcionalidade de um mecanismo, são exigidos processos
especiais de fabricação e de medição. Imagine, por exemplo, que um eixo redondo que vai
trabalhar deslizando em uma bucha fique com a geometria um pouco ovalizada. Isso poderá
causar dificuldades na montagem e irregularidades durante o deslizamento, fazendo com
que o resultado esperado no funcionamento não seja atingido.

TOLERÂNCIA GEOMÉTRICA
Um desenho técnico é representado da forma mais correta possível, entretanto, quando
a peça desenhada passa pelos processos de fabricação, além dos desvios dimensionais,
pode haver alguns desvios geométricos. Por isso, para minimizar os erros, podemos sinali-
zar o desenho com os desvios admissíveis para determinadas características, estabelecendo
uma tolerância geométrica.

Atenção!
Atenção!
Além do valor da tolerância, existe uma simbologia para especificar o tipo de tolerância para
uma geometria.

531
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Esse tipo de tolerância é aplicado na cota, através de seta indicativa diretamente na linha
de chamada.

B
Tolerância
geométrica

250
// 0,2 B

Também pode ser aplicada diretamente na linha de contorno que represente um perfil
ou superfície do desenho, nos casos de elementos isolados.

Tolerância
geométrica

1,0

532
UE2 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Geométrica

De acordo com a ABNT ISO NBR 6409:1997 – Tolerâncias Geométricas, as tolerâncias de


forma e posição devem ser indicadas quando necessárias, ou seja, para assegurar requisitos
funcionais, intercambiabilidade e processos de manufatura. Isso quer dizer que:

Requisitos Processos de
Intercambiabilidade
funcionais manufatura

Para peças que vão Para peças que Para confecção de


trabalhar em conjunto, deverão ser dispositivos de fixação,
movimentando-se ou intercambiáveis, que que serão utilizados na
de forma estática, na montagem de um manufatura de
porém com encaixes conjunto final poderão produtos em série e na
precisos. ser montadas e especificação da
trocadas entre si, ou matéria-prima (bloco,
substituídas, sem a barra ou tarugo) desse
necessidade de produto.
ajustes.

Essa norma estabelece também a simbologia e a forma de apresentação para as tolerân-


cias geométricas. Veja o quadro com a simbologia, de acordo com a característica tolerada:

CARACTERÍSTICA TOLERADA SÍMBOLO

Retitude

Para elementos
isolados Planeza

Circularidade
Forma
Cilindricidade

Perfil de linha
Para elementos qualquer
isolados ou
associados Perfil de superfície
qualquer

Paralelismo

Orientação Perpendicularidade

Inclinação

Posição
533

Para elementos
Concentricidade
Perfil de linha
Para elementos qualquer
Fundamentos da isolados
Tecnologiaou
Mecânica
associados Perfil de superfície
qualquer

Paralelismo

Orientação Perpendicularidade

Inclinação

Posição

Para elementos
Concentricidade
associados
Posição
Coaxilidade

Simetria

Circular
Batimento
Total

Fonte: ABNT NBR 6409,1997.

Nessa norma da ABNT vimos as classificações para agrupar as características toleradas


em uma peça. Essas classificações são forma, orientação, posição e batimento.

Vamos abordar, no vídeo a seguir, as tolerâncias de forma. Está preparado para obter
mais esse conhecimento?

534
UE2 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Geométrica

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
A norma ABNT NBR ISO 2768-2 estabelece critérios para, que de maneira geral, seja conside-
rada uma tolerância para as geometrias de um desenho, mesmo sem a indicação direta no
desenho. Isso é bom, pois evita que o desenho fique poluído, com muita informação.

!
Solução do Problematizando...

Com os conhecimentos estudados nesta aula, podemos entender o que aconteceu e res-
ponder à questão inicial. Por que as peças não se encaixavam? Confira a resposta no vídeo
a seguir!

Agora é com você!

Vamos aplicar esses conhecimentos! Afinal, essa ação é necessária para reforçar o pro-
cesso de aprendizagem! Sucesso!

535
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6409: Tolerâncias geométricas: to-


lerâncias de forma, orientação, posição e batimento: generalidades, símbolos, definições e
indicações em desenho. Rio de Janeiro, 1997.

______. NBR ISO 2768-2: tolerâncias gerais: parte 2: tolerâncias geométricas para elemen-
tos sem indicação de tolerância individual. Rio de Janeiro, 2001.

536
UE2 | Desenho Técnico Mecânico - Tolerância Geométrica

Anotações

537
Unidade de Estudo
01

ESTADOS DE
SUPERFÍCIE

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Fernando, técnico responsável pela inspeção de um lote de produtos,


percebeu que havia uma variação muito grande de acabamento
entre as peças, comparando-as visualmente e através do tato.

FERNANDO
TÉCNICO

Ao rastrear a fabricação, observando os registros de operações


na ordem de serviço, ele notou que o lote de peças foi feito por
máquinas e operadores diferentes.

FERNANDO
TÉCNICO

Além disso, o desenho técnico não apresentava informações sobre o acabamento.


FERNANDO
TÉCNICO

Contexto!
Contexto!

Além disso, o desenho técnico não apresentava informações sobre o acabamento.

Por isso, Fernando comunicou o problema imediatamente ao seu


supervisor, Valdomiro.

Como o Senhor pode


ver, nós temos um Essas peças não
problema. podem ser aprovadas
dessa forma!

ODNANREF
OCINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE

Fernando, descubra por


que isso aconteceu, pois
precisamos tomar uma
ação para garantir que
esse tipo de problema
não ocorra novamente.

ODNANREF
OCINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE
UE1 | Estados de Superfície

?
Problematizando...

Como um problema desse tipo poderia ter sido evitado, mesmo com a fabricação das
peças por diferentes máquinas e operadores?

Conhecimento em pauta!

TEXTURAS - LISO OU ÁSPERO

Você já percebeu como é comum nos referirmos à textura de algo como liso ou áspero?

Por que temos este tipo de percepção? Quando temos a percepção de que algo é áspero
ou liso, estamos lidando com sensações detectadas pelo nosso tato.

LISO ÁSPERO

Na mecânica, essas sensações se referem ao estado de superfície, que é definido pela


rugosidade e muito importante na manufatura de produtos industrializados.

Quanto mais lisa uma superfície, menos rugosa ela é. E quanto mais áspera, mais rugosa.

Por isso, os desenhos técnicos de peças ou conjuntos mecânicos devem prever o acaba-
mento, rugosidade ou estado de superfície, necessário para o funcionamento ou aplicação
determinada.

543
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Nesta unidade de estudo vamos perceber o quanto é importante, através de simbologia


específica e valores padronizados, indicar o estado de superfície no desenho técnico. Mas,
para começar, vamos entender um pouco mais de rugosidade.

RUGOSIDADE

A palavra rugosidade remete à característica de algo que possui rugas, ou aspecto rugo-
so. Na mecânica, no entanto, a rugosidade é observada em escala micrométrica e pode ser
definida como um conjunto de irregularidade, picos e vales, em uma determinada superfície.

Podemos sentir, por meio do tato, quando se trata de uma rugosidade maior, mas uma
superfície lisa também tem sua rugosidade. Então, para medição dessa característica, é ne-
cessário um aparelho eletrônico nomeado rugosímetro.

As características de acabamento podem fornecer vários aspectos a uma superfície. Se apoiar-


mos um objeto em uma superfície lisa, por exemplo, esse objeto poderá facilmente deslizar.

Mas se colocarmos em uma superfície mais áspera, com maior rugosidade, o deslizamen-
to se torna mais difícil. Este é um aspecto muito importante a ser considerado no desenvol-
vimento de produtos e peças que trabalham em conjunto.

Assista ao vídeo e veja alguns efeitos que envolvem a rugosidade:

544
UE1 | Estados de Superfície

Historiando!
Historiando!

No passado, quando ainda não havia os instrumentos eletrônicos, a verificação da rugo-


sidade era feita através do Rugotest. Você já ouviu falar neste procedimento?

É um padrão confeccionado em metal com vários tipos de acabamentos feitos por pro-
cessos de usinagem diferentes, como torneamento, fresamento ou retificação, cada um
com graus de rugosidade diferentes.

A verificação era realizada por meio do tato. Ou seja, inicialmente, era preciso observar
quais tipos se aproximavam mais visualmente para, em seguida, passar o dedo na peça e
comparar a sensação tátil entre esses tipos, sendo possível identificar nesta comparação o
grau de rugosidade da peça.

N10 N9 N8 N7 N6 N5 N4 N3 N2

RETIFICADO

FRESADO

TORNEADO

545
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Atualmente, existem rugosímetros portáteis que possibilitam uma ampla aplicação nas
situações mais críticas, desde a verificação da rugosidade durante a usinagem na própria
máquina, até em peças de grandes dimensões. No entanto, o padrão Rugotest ainda pode
ser encontrado e utilizado.

PARÂMETROS DE RUGOSIDADE
É possível aplicar parâmetros diferentes para medir a rugosidade. Os mais comuns são:

• O Ra: é o valor obtido a partir da média aritmética das ordenadas do perfil obtido na
medição. Esse parâmetro é o mais utilizado no Brasil;
• O Rz: é o valor obtido da soma do pico mais alto e o vale ou depressão mais profunda,
no perfil obtido na medição.

SIMBOLOGIA DE INDICAÇÃO
É muito importante que os desenhos técnicos mecânicos tragam informações sobre o
acabamento das superfícies. A simbologia mostra onde é aplicada determinada rugosidade,
como ela deve ser obtida, qual processo deve ser utilizado e qual valor da rugosidade, entre
outras informações que podem ser acrescentadas ou omitidas.

546
UE1 | Estados de Superfície

Vamos ver como tudo isso pode ser representado?

Este símbolo indica que a obtenção da superfície pode ser


realizada por qualquer processo de fabricação, havendo a
necessidade, ou não, de remoção de material.

Nesse caso, é necessária a remoção de material para


obtenção da superfície, por exemplo, um cilindro
fabricado por fundição, onde seus topos serão faceados.

Este símbolo indica que a remoção de material não é


permitida ou que a superfície deve permanecer da forma
que foi recebida.

Finalmente, a circunferência nessa posição indica que


toda a superfície do contorno deve ter o mesmo
acabamento superficial.

Além da variação dos símbolos, também existem as indicações que podem ser feitas para
passar mais informações da superfície desejada.

(a) Indica o parâmetro e o valor da rugosidade expresso em


mícrons (µm).

(b) Segunda exigência de acabamento superficial, assim


como em “a”. Aplicável, quando necessário.

c
a (c) É o processo de fabricação, ou tratamento superficial,
pelo qual deverá passar a superfície. Ou ainda o
e db revestimento, a cobertura que a superfície deverá ter, como
o cromado, por exemplo.

(d) É o tipo de acabamento ou sentido requerido do entalhe.

(e) Sobremetal, acréscimo para usinagem, em mm.

547
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vamos ver alguns exemplos:

Ra 3.2 Se necessário, pode ser usinado para se obter a


rugosidade especificada 3.2 Ra.

Ra 0.8 A rugosidade especificada, 0.8 Ra, deve ser obtida com


remoção de material.

fundido
Ra 3.2 A rugosidade especificada deve ser obtida sem remoção
de material e pelo processo de fundição.

Percebeu como a simbologia é de extrema importância para o acabamento das superfícies?

Agora, vamos conhecer alguns tipos de acabamento.

TIPOS DE ACABAMENTO
A simbologia permite indicar o tipo de acabamento ou sentido de entalhe na superfície.
Para isso, existem alguns símbolos que abrangem as possibilidades de entalhes mais comuns.

Observe:

Paralelo ao plano de projeção

Perpendicular ao plano de projeção

548 Cruzado em duas direções oblíquas


angulares
Perpendicular ao plano de projeção

UE1 | Estados de Superfície

Cruzado em duas direções oblíquas


angulares

Multidirecional

Aproximadamente concêntrico em
relação ao centro

Aproximadamente radial em relação ao


centro

Superfície não entalhada, irregular

Sendo assim, vamos analisar como ficaria um desenho com a devida simbologia.

549
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

REPRESENTAÇÃO EM DESENHO
Normalmente, a indicação em um desenho técnico é feita de maneira geral e vem após o
número de identificação da peça no desenho.

Nos casos em que mais de uma superfície necessita de diferentes tipos de acabamento,
a indicação geral deve abordar a situação e no contorno que representa a determinada su-
perfície, deve conter a simbologia com sua devida indicação.

Observe como neste primeiro caso o desenho pode sugerir a fabricação ou cotação da
peça 1. A indicação de acabamento determina que a peça deve ser obtida pelo processo de
fundição e não deve passar por outro processo posteriormente.

fundido

46

4
6,0º 6,0º
100

Neste segundo caso, vamos imaginar que este é um desenho para o produto final de uma
empresa metalúrgica. Esta empresa comprou a peça fundida para finalizar com recursos
próprios até o produto encomendado.

550
UE1 | Estados de Superfície

1
Ra 1.6

44
3
Ra 3.2

6,0º 6,0º
100

Perceba que agora o acabamento geral informa que o material não deve ser removido, a
não ser onde for especificado. E vemos que as superfícies indicadas são as que deverão ficar
afastadas entre si, com dimensão igual a 44 mm.

!
Solução do Problematizando...

Relembrando a questão inicial, como um problema desse poderia ter sido evitado, mes-
mo com a fabricação por diferentes máquinas e operadores?

Podemos resolvê-lo por meio de um desenho com a devida indicação da rugosidade,


usando a simbologia adequada.

Diante da situação, o supervisor Valdomiro fez um comunicado para todos os funcioná-


rios do setor de produção informando a importância do desenho, assim como, o emprego
das simbologias adequadas de acordo com a atividade a ser desenvolvida.

551
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Agora é com você!

Vamos aplicar esses conhecimentos! Afinal, exercitar é necessário para reforçar o proces-
so de aprendizagem! Sucesso!

552
UE1 | Estados de Superfície

Anotações

553
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
REPRESENTAÇÃO
EM CORTE

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Recebemos uma demanda para


usinagem de um acoplamento,
sendo necessário, representar em
desenho técnico todos os detalhes.

FERNANDO
TÉCNICO

VALDOMIRO
GERENTE

A peça é bem complexa


e eu preciso organizar
bem a minha semana,
para não atrasar nada!

CALENDÁRIO

FERNANDO
TÉCNICO

Pronto, agora posso começar


a elaborar os procedimentos
para fabricação... Essa peça é
realmente bem complexa.

FERNANDO
Contexto!
Contexto!

Pronto, agora posso começar


a elaborar os procedimentos
para fabricação... Essa peça é
realmente bem complexa.

FERNANDO
TÉCNICO

Fernando precisará fazer um desenho


técnico com todos os detalhes da peça.
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Representação em Corte

?
Problematizando...

Como Fernando deve elaborar o desenho técnico contemplando todos os detalhes da peça?

Conhecimento em pauta!

DESENHO TÉCNICO MECÂNICO: REPRESENTAÇÃO EM CORTE


Nesta aula você irá reconhecer os requisitos que orientam o emprego dos elementos
básicos e essenciais utilizados em representações em corte.

Para iniciarmos o entendimento sobre esse assunto, pense no seguinte: em um dia de


calor, nada melhor que um suco refrescante ou uma fruta! Uma fatia de melancia seria uma
boa opção! Sim, boa opção! Então, escolhemos uma melancia que apresente uma casca bem
verdinha e, então cortamos ela ao meio e depois em partes menores, não é isso? Ao separar
as metades da melancia, podemos visualizar a polpa vermelha, além disso, se está boa para
o consumo, ou seja, podemos ver todos os detalhes internos.

Assim, quando cortamos algo, estamos separando ou dividindo em partes. Dessa ma-
neira, podemos utilizar os recursos do corte para facilitar o entendimento dos objetos nas
diversas áreas de estudo.

559
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Mas, e na área de mecânica, como podemos usar este recurso? Ele pode ser utilizado
para analisar os detalhes internos de um equipamento.

Veja a representação de uma caixa de redução cortada fisicamente, pois podemos visua-
lizar os componentes internos.

560
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Representação em Corte

Quando aplicamos o corte físico, temos acesso aos detalhes internos e podemos ver e
analisar todos os componentes da caixa de redução. Mas se fizermos isso, iremos danificar
o equipamento e, para que isso não ocorra, podemos utilizar os recursos da representação
gráfica, ou seja, utilizar as técnicas de desenho técnico mecânico e procedimentos que se-
guem normas e regras.

Devemos nos familiarizar com os recursos de corte disponibilizados pelo desenho técnico
mecânico. Aplicando estas técnicas, podemos representar todos os detalhes dos objetos, sejam
simples ou complexos, sem cortar fisicamente os objetos.

Para aplicar os recursos de corte, temos primeiro que conhecer o que é um plano. Em
desenho técnico, um plano é um conjunto de retas dispostas de forma infinita. Um plano
possui somente duas dimensões (comprimento e largura). Podemos representar um plano
como a superfície de uma mesa ou a superfície de um quadro, conforme figuras:

561
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Devemos conhecer também outros elementos de desenho, importantes para a represen-


tação dos cortes.

HACHURAS
Os objetos, quando são representados pelos cortes, mostram os detalhes das seções
interceptadas ou não pelos planos e essas representações dependem do material que os
objetos são constituídos, pois para cada material, existe uma representação denominada
como hachura.

A hachura utilizada para representar a textura da maioria dos materiais é composta por
linhas estreitas inclinadas a 45º das linhas de contorno ou de simetria, conforme ABNT NBR
12298 de 1995 – Representação de área de corte por meio de hachuras em desenho técnico.

Observe, nas imagens seguintes, que de acordo com os materiais, podemos utilizar ou-
tros modelos de hachuras nos desenhos técnicos mecânicos, conforme classificações da
ANSI (American National Standards Institute).

562
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Representação em Corte

Ferro fundido Aço

Cobre, latão, bronze, etc. Alumínio e ligas leves.

Borracha, plástico e isolante. Chumbo, zinco

Agora que você já conhece a hachura, aprenda, a seguir, sobre algumas representações
de corte.

CORTE TOTAL
Imagine um plano como uma folha bem fina, passando por um objeto de uma extremida-
de a outra, separando e expondo a área interna. Nesse caso, temos uma representação de
corte total ou pleno do objeto, conforme pode ser visto nas imagens a seguir.

563
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

A seção cortada é representada por uma linha, constituída de traços largos e pontos e
setas que indicam a direção do corte, acompanhada de duas letras maiúsculas do alfabeto.
Veja, na figura seguinte, a representação correta da linha de corte e a seção com hachura.

A CORTE A-A

O corte total pode ser classificado em longitudinal, transversal e horizontal. Veja:

Corte longitudinal: é criado a partir da interceptação do objeto pelo plano imaginário,


ao longo do comprimento.

A
CORTE A-A

564
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Representação em Corte

Corte transversal: é criado a partir da interceptação do objeto pelo plano imaginário, ao


longo da seção transversal.

A CORTE A-A

Corte horizontal: é criado a partir da interceptação do objeto pelo plano imaginário, na


direção horizontal.

A A

CORTE A-A

565
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

OUTROS TIPOS DE CORTE


Caso o objeto apresente simetria, ou seja, suas extremidades sejam iguais, no corte, uma
parte do objeto não é representada em detalhe. Podemos utilizar a representação em corte
de 1/4 do objeto, assim, teremos uma representação de meio corte.

Corte de ¼ do objeto Vista em meio corte

Quando a peça a ser representada não é simétrica, o plano de corte precisa desviar-se
para captar a maior parte dos detalhes. Neste caso, a linha indicativa do corte é contínua e
larga, tanto nos extremos, quanto nas mudanças de trajetórias. Neste caso, temos o corte
em desvio, como podemos ver a seguir.

CORTE BB

B
B

566
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Representação em Corte

Se o objeto apresenta detalhes internos, podemos realizar uma representação de corte


de uma pequena seção, onde existem os detalhes de interesse. Assim, se o corte for realiza-
do em uma pequena parte do objeto, teremos o corte parcial.

Como pôde ser observado, diferente dos demais cortes, o limite do corte parcial pode ser
representado através da linha contínua à mão livre.

Nesta unidade de estudo foi possível perceber como é importante para o técnico em me-
cânica ter o conhecimento do emprego dos elementos básicos e essenciais, utilizados em
representações em corte.

Parasaber
Para saber mais!
mais!

Para aumentar o seu conhecimento, pesquise nos sites especializados em desenhos téc-
nicos mecânicos e consulte as normas da ABNT sobre as técnicas de representação gráfica.

567
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

De volta ao nosso problematizando: como Fernando deve elaborar o desenho técnico


contemplando todos os detalhes da peça?

Fernando deve fazer uma análise


minuciosa da peça para identificar
cada detalhe interno e externo.

FERNANDO
TÉCNICO

E, depois da análise, utilizar representação gráfica para elaborar o desenho


técnico, contemplando todos os detalhes em corte total, parcial, em desvio e
outros, caso sejam necessários para fabricação.

FERNANDO
TÉCNICO

568
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Representação em Corte

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não


perca tempo, aplique-os! Sucesso!

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 12298/1995: Representação de


área de corte por meio de hachuras em desenho técnico.

569
Unidade de Estudo
02

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
OMISSÃO DE CORTE,
SEÇÕES, RUPTURAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Este é Fernando, o mais novo técnico em mecânica da metalúrgica


Metaltech, alocado no setor de projetos mecânicos.

FERNANDO
TÉCNICO

Nesta função, Fernando deverá representar


graficamente um eixo longo com 2000 mm de
comprimento em um desenho padrão. Vamos ver
como ele irá desenvolver esta atividade?
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Fernando deverá proceder para representar graficamente o eixo longo com 2000
mm de comprimento em um desenho padrão?

Conhecimento em pauta!

RUPTURA
Imagine a seguinte situação: um fotógrafo quer fotografar uma paisagem, onde nas ex-
tremidades estão duas ilhas e no meio tem o mar. Mas, ele está muito próximo e quer que
as duas ilhas apareçam. O que fazer?

Para capturar a imagem das duas ilhas, ele vai aproveitar o recurso da máquina fotográfi-
ca chamado de panorâmica, bastando dar um click com a máquina apontada na direção de
uma das ilhas, e com o botão do click acionado, deslocar a direção da máquina até a outra e
conseguirá uma foto em que apareça as duas ilhas.

Para as técnicas de desenho técnico mecânico, não é diferente. Quando se tem peças de
grandes dimensões, para melhor aproveitamento do espaço e tempo, pode-se fazer uma
representação simplificada da peça empregando a ruptura, que consiste em criar uma “que-
bra” imaginária na peça e aproximar suas extremidades, mantendo suas dimensões em
verdadeira grandeza, ou seja, as medidas se mantêm originais.

574
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Omissão de Corte, Seções, Rupturas

Bem similar, não é? Esta técnica de representação de corte é chamada de ruptura. Veja
alguns exemplos:

297

ø25

EIXOS

TUBOS

PEÇAS CÔNICAS

Nesta aula você irá reconhecer os pressupostos que orientam o emprego dos elementos
básicos e essenciais, utilizados em representações em corte no desenho técnico mecânico,
vamos lá!

575
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

OMISSÃO DE CORTE
Você sabia que alguns objetos, ao serem representados por desenho técnico, podem
ter alguns dos seus detalhes suprimidos? Vamos ver alguns desses objetos e o porquê da
omissão de corte.

As representações gráficas dos desenhos técnicos seguem normas específicas. Veja a


seguir as condições específicas de omissão de corte estabelecidas pela norma:

De acordo com a NBR 10067 de 1987,


somente os objetos contendo os
elementos como orelhas, nervuras,
braços de polias, dentes e braços de
engrenagens, quando cortados
longitudinalmente, devem ter
omitidos as partes hachuradas nas
representações dos cortes.

As engrenagens são elementos de transmissão dotados de dentes e podem ter o corpo


maciço ou compostos por braços. As polias também seguem os mesmos detalhes e devem
ser representadas seguindo os procedimentos da Norma 10067.

Primeiro, vamos comparar duas polias, uma maciça e outra com braços.

576
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Omissão de Corte, Seções, Rupturas

Ao executar os cortes, as suas representações serão semelhantes, gerando assim erros


de interpretações na leitura da informação. Observe que nas figuras em corte, as partes com
hachuras são idênticas. Mas de que forma podemos evitar esse tipo de situação?

B A

B CORTE B - B A CORTE A - A

Seguindo os padrões da Norma 10067, podemos diferenciar as representações das polias


aplicando a omissão do corte, evitando o erro de interpretação na leitura da estrutura da
peça. Observe como é representado o corte aplicando os padrões da norma:

Omissão de corte

A CORTE A - A

577
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Para a representação do objeto engrenagem e seus elementos, devemos seguir a mesma


norma 10067. Os elementos, dentes e braços foram representados sem a área hachurada.

Dente

Braço

A
Dente

Braço

A CORTE A - A

578
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Omissão de Corte, Seções, Rupturas

Porém, quando os objetos de apoio possuem reforços tipo nervuras, devemos aplicar
procedimentos específicos, conforme as condições apresentadas a seguir:

Nervura

Quando o elemento nervura é


interceptado pelo plano de
corte, pode apresentar uma
certa confusão quando o corte
é projetado, ou seja, passaria
a impressão de que se trata
de uma peça sólida.

Para resolver este problema, devemos seguir os mesmos


padrões aplicados no elemento de transmissão engrenagem.
Na projeção do corte deverá ter a omissão da hachura do
elemento nervura.

Omissão
de corte

A Corte A-A

579
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

A norma 10067 contempla também como os objetos que apresentam a combinação dos
elementos nervura e orelha devem ser representados.

A
Nervura

Orelha

A Corte A-A

As técnicas do desenho técnico são aplicadas para representar os objetos de forma sim-
ples, prática e com o maior número de informações possíveis.

CORTES DE SEÇÃO
Quando temos que representar peças longas ou com detalhes internos, utilizamos os
cortes de seção. Esta técnica de representação facilita a interpretação dos desenhos de for-
ma rápida e simples.

Mas como aplicar esta técnica? Sua aplicação segue os mesmos padrões dos cortes, que
faz uso de um plano imaginário que intercepta os objetos, expondo seus detalhes internos.

Sendo que nos cortes das seções os detalhes expostos ficam limitados às áreas maciças
cortadas, suprimindo as demais informações.

Veja como são aplicados os cortes das seções. Mas, antes, vamos entender as diferenças
entre corte e corte de seção:

580
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Omissão de Corte, Seções, Rupturas

Corte Seção

Observe que foram mostrados todos os detalhes na representação do corte, até as áreas
não interceptadas pelo plano de corte.

Já na representação do corte em seção, os detalhes não interceptados são suprimidos.


Para a técnica de corte de seção, o foco de interesse é somente a área atingida pelo plano
de corte. Veja:

581
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Esta técnica também é usada para cortes de objetos longos, mostrando as áreas de inte-
resse, como pode ser visto na próxima figura.

197 98

!
Solução do Problematizando...

De volta ao nosso problematizando: como Fernando deverá proceder para representar


graficamente o eixo longo com 2000mm de comprimento em um desenho padrão?

Para cumprir a tarefa dada pelo seu supervisor, Fernando


estudou as normas referentes às representações gráficas,
para identificar a técnica mais adequada para o seu trabalho.

FERNANDO
TÉCNICO

Técnica identificada. Fernando já está elaborando


582 o desenho do
eixo longo aplicando um encurtamento do comprimento, conforme
procedimento de quebra por ruptura, o que facilitará a visualização
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Omissão de Corte, Seções, Rupturas

Técnica identificada. Fernando já está elaborando o desenho do


eixo longo aplicando um encurtamento do comprimento, conforme
procedimento de quebra por ruptura, o que facilitará a visualização
do eixo representado em uma folha de papel.

Ø80
Ø50 Ø60 FERNANDO
TÉCNICO

1800
1850
2000

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos adquiridos nesta aula. Vamos exercitar?

Referenciando!
Referenciando!

https://www.shutterstock.com/

Livro: U:\00. Serviços em Andamento - ISO\14. PSEAD\Etapa 2\5.QB_Desenhista_Mecani-


co\3_Desenvolvimento\UC_01_DTM\2_Livro\2_Producao\Pdfs\7

Fonte das imagens: elaboradas a partir do site para desenho: https://cad.onshape.com/signin

583
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
PERSPECTIVAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Érica, estudante do curso técnico em


mecânica, atua como estagiária no setor
AKIRE
AIRÁIGATSE

de Projetos da empresa Metaltech.

O supervisor Valdomiro designou Érica para criar esboços que representem,


de maneira simples, alguns objetos mecânicos existentes no almoxarifado.

Érica, por favor, gostaria que você


desenhasse alguns esboços de objetos
lá do almoxarifado. Vai te servir como
um bom treinamento para aplicações
futuras aqui na empresa. Claro, Senhor Valdomiro,
pode deixar.

ORIMODLAV
ETNEREG

ERIKA
ESTAGIÁRIA

Vou fazer o melhor possível,


pois é uma boa chance de
mostrar minhas qualidades.
Sala de engenharia
Metaltech

ERIKA
ESTAGIÁRIA
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que Érica precisa conhecer as formas de representação em perspectivas para realizar
a tarefa delegada pelo seu supervisor?

Conhecimento em pauta!

PERSPECTIVA
Se você já foi em um estádio, assistir ao seu time de futebol favorito, observou que quan-
to mais longe estamos do campo, menor são os detalhes percebidos. Isso ocorre porque a
nossa visão percebe melhor os detalhes de relevo e profundidade quando estamos próxi-
mos dos objetos. Esta forma detalhada de percepção é conhecida como perspectiva.

A perspectiva é um recurso gráfico usado também para representar, de forma tridimen-


sional, cenas e objetos do dia a dia. Esta técnica consegue atribuir a um desenho carac-
terísticas como volume e profundidade. Observe a noção de profundidade e volume nas
seguintes imagens:

588
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Perspectivas

Artisticamente, a perspectiva sempre foi usada para dar realismo às obras clássicas.

Quando utilizamos a perspectiva em desenho mecânico, o objetivo é fazer com que o ob-
servador entenda o modelo, para que tenha uma ideia mais próxima do objeto real. Veja as
figuras a seguir e compare o desenho feito em perspectiva e a peça real ao seu lado:

589
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

O desenho técnico costuma utilizar este recurso com frequência. Vamos ver os tipos de
perspectivas mais utilizados?

PERSPECTIVA ISOMÉTRICA
A palavra Isométrica (ISO = igual; métrica = medida) indica que deve existir proporciona-
lidade entre as partes do desenho, o que faz com que o grau de distorção visual seja menor
do que nos demais tipos apresentados.

Por isso, a perspectiva isométrica é a mais utilizada no desenho técnico. Sua representa-
ção ocorre quando consideramos três eixos coordenados que determinam entre si o com-
primento, a altura e a largura de um objeto. Somadas, as angulações desses eixos equivalem
a 120°, ou seja, são afastados simetricamente por 60°.

590
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Perspectivas

Para compreender melhor, observe a imagem a seguir:

ALTURA

60° 60°

30° 30° LARGURA COMPRIMENTO


O

Y X

Eixo axonométrico

Para construirmos uma representação em perspectiva, comumente recorremos aos es-


boços, que são desenhos feitos manualmente e utilizados para transmitir, de forma rápida
e objetiva, a ideia de um objeto.

Para facilitar o entendimento, podemos usar o papel reticulado. Veja a seguir como é forma-
da uma malha isométrica contendo linhas que, associadas, correspondem ao eixo isométrico.

Malha isométrica

591
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

doAgora que você já sabe o que é o papel reticulado, vamos aprender a usá-lo?

X Y

1° PASSO 2° PASSO
Traçar os três eixos Traçar linhas paralelas
a partir dos eixos e
obteremos as linhas
isométricas

Assim, com a combinação e auxílio de instrumentos de desenho, como régua, esquadros


e compasso, podemos representar os diversos tipos de objetos em perspectiva com muita
facilidade. Confira de que forma assistindo ao vídeo!

592
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Perspectivas

A perspectiva isométrica é a que demonstra menor distorção na visualização da peça. Por


conta disso, é a mais utilizada em desenho técnico. Entretanto, outro tipo de perspectiva
também pode ser utilizado para a representação das peças, a perspectiva cavaleira que você
irá conhecer a partir de agora.

PERSPECTIVA CAVALEIRA
Na perspectiva cavaleira, o observador localiza-se em frente a uma das faces e, para que
possa realizar o desenho minimizando possíveis distorções, usa fatores de redução para
determinar a equivalência entre largura e ângulo de formação da peça.

ALTURA

LARGURA
½a

a
45°
COMPRIMENTO

Na perspectiva cavaleira, o objeto tem uma das faces paralela ao plano de projeção e o
eixo que representa a profundidade é denominado de eixo fugante (largura).

Dependendo do ângulo de inclinação do eixo de fuga, o objeto pode apresentar grandes


deformações.

Veja como o eixo fugante apresenta redução da profundidade de acordo com o valor do
ângulo de inclinação aplicado.

593
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Redução do Forma
Ângulo de inclinação eixo fugante geométrica

15º

15º

30º

30º

45º
45º

60º dois terços

60º

75º
75º

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
A perspectiva cavaleira é considerada como um método de representação em perspectiva rá-
pida em virtude da facilidade em se obter o esboço de dimensões reduzidas, principalmente
se o objeto possuir superfícies planas.

Portanto, para garantir uma melhor interpretação, podemos escolher esboçar o objeto na
perspectiva que melhor representar seus detalhes, com menor grau de deformação.

594
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Perspectivas

!
Solução do Problematizando...

Vamos retomar o problema do início dessa aula? Porque Érica precisa conhecer as for-
mas de representação em perspectivas para realizar a tarefa delegada pelo seu supervisor?

Porque ela precisa aplicar uma das formas de representação, pois cada uma delas tem
características específicas para cada tipo de representação, dessa forma Érica optou por
representar os objetos mecânicos graficamente através da perspectiva isométrica, pois esta
técnica representa os objetos com menor grau de deformação, e usando apenas uma vista,
passa mais características e detalhes de uma peça.

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Bom desempenho!

595
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
PROJEÇÕES

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Ana, um cliente do
Canadá nos enviou um
desenho para avaliação.

ANA
TÉCNICO

Aqui está. Preciso que você


prepare um orçamento
para este projeto.

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
TÉCNICO

Analisando o desenho, Ana logo se deparou com


uma situação que não lhe era habitual.

ANA
TÉCNICO
Contexto!
Contexto!

ANA
TÉCNICO

As informações estavam todas em inglês, idioma


que ela não dominava.

Mas outro fato chamou sua atenção: as vistas estavam


colocadas de forma diferente, deixando o desenho confuso.

Acho que o desenho está


errado, Valdomiro.

VALDOMIRO
GERENTE
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Projeções

?
Problematizando...

O que pode dar essa impressão de que o desenho foi realizado de forma incorreta?

Conhecimento em pauta!

PROJEÇÕES ORTOGONAIS
Na mecânica, quando queremos observar os detalhes de uma peça, realizamos as suas
projeções ortogonais em um plano. Elas são representadas em um desenho técnico.

Para entender seu conceito, podemos pensar em uma ação bastante comum, como a do
nosso primeiro vídeo.

Agora você pode estar se perguntando: o que são projeções ortogonais?

É simplesmente a observação de forma perpendicular ao plano de base do objeto. Como


olhar um celular de lado, por exemplo.

601
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Existem dois métodos para fazer as projeções em um desenho técnico:

1 A projeção no primeiro diedro.

2 A projeção no segundo diedro.

O símbolo do diedro deve aparecer na legenda do desenho, indicando em qual dos mé-
todos a projeção foi realizada.

O método mais comum é o do 1° diedro. Pronto para conhecê-lo?

No primeiro diedro é possível denominar seis vistas para realizar as projeções. Elas são
dispostas dessa maneira:

602
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Projeções

Visita inferior

D A C F

Vista lateral Visita frontal Vista lateral Vista posterior


direita esquerda

Visita superior

Parasaber
Para saber mais!
mais!

A NBR 10067 – Princípios gerais de representação em desenho técnico – determina como


são as projeções no primeiro diedro e no terceiro diedro, além de outras informações rele-
vantes sobre o tema.

MÉTODOS DE PROJEÇÕES
Existem quatro diedros. Eles são classificados como primeiro, segundo, terceiro e quarto
diedro, sendo que cada um transmite projeções ortográficas de formas diferentes.

A projeção no primeiro diedro é o mais comum no Brasil. Um desenho em primeiro diedro


deve especificar em sua legenda o símbolo adequado para esse método de projeção. Veja:

603
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Escala 1:1

A4 Peça: Peç

Data: 19/08/18 Aluno: Fr

Vamos entender um pouco melhor como esse processo funciona? Confira o vídeo a seguir.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Alguns países, como os Estados Unidos da América, Canadá, Japão e Austrália, utilizam o mé-
todo de projeção no 3º diedro. Neste método temos as mesmas seis vistas, porém projetadas
de maneira diferente, como podemos ver:

604
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Projeções

Visita superior

D
F C A

Vista posterior Vista lateral Visita frontal Vista lateral


esquerda direita

Visita inferior

DEFINIÇÕES DAS VISTAS


Normalmente, a vista mais importante de uma peça é usada como vista frontal ou prin-
cipal no desenho técnico. Ela quase sempre é a que possui maior superfície ou a que repre-
senta a peça em sua posição de utilização. Também é bastante comum empregar as vistas
superior e lateral esquerda para representarem todas as características de uma peça.

Um desenho pode ter quantas vistas forem necessárias para representar todas as carac-
terísticas de uma peça. No entanto, quanto menos vistas, melhor, uma vez que há casos em
que apenas uma vista pode representar uma peça, como nos mostra o exemplo a seguir.

605
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

(21,88)

30º

ø30

ø20

ø16
ø6
48

!
Solução do Problematizando...

Vamos solucionar o nosso problematizando.

Por isso, ela relatou a situação para Valdomiro como se


o desenho estivesse errado.

ANA
TECNICA

VALDOMIRO
GERENTE

606
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Projeções

O que pode dar essa impressão de que o desenho foi realizado de forma incorreta?

Aprendemos que os desenhos técnicos podem ser feitos por dois métodos de projeções:
o do 1º diedro e o do 3º diedro.

Valdomiro mostrou à Ana que ela estava habituada com desenhos no 1º diedro e, quando
pegou o desenho de uma empresa canadense, não percebeu que ele estava no 3º diedro.

Por isso, ela achou que o desenho estava errado.

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Boa sorte!

607
Unidade de Estudo
02

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
VISTAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

E aí, Guilherme? Como


você está? E a empresa?

VALDOMIRO
GERENTE

Está tudo bem! Mas


apareceu um problema
e, por isso, estou aqui!

Estou com essa peça


aqui e preciso que vocês Sim, pode falar. Vamos
confeccionem mais dela! resolver tudo!

Ah! Mas isso


VALDOMIRO
GERENTE

não é problema,
meu amigo.

É que... não posso deixar essa


peça aqui, preciso voltar com
ela! Tirei de uma máquina
que estava em produção!

Hum... Entendi! Vou precisar ORIMODLAV


ETNEREG

fazer a medição agora então.


Sem problemas! Deixe-me VALDOMIRO
GERENTE

pegar aqui papel.

Valdomiro precisava fazer a medição completa da peça e representá-la


por completo no papel, em folha formato A4 que tinha à disposição.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Valdomiro pode representar a peça em uma folha formato A4, representando to-
das as informações necessárias para a sua confecção?

Conhecimento em pauta!

E AGORA? VAI TER QUE DESENHAR!


Se observarmos uma casa ou um prédio, podemos perceber que podem haver entradas pela
frente, pelas laterais ou ainda pelos fundos. Quem mora na casa sabe desses detalhes, mas
quem passa na rua, não sabe onde estão as entradas que não são visíveis pela frente do imóvel.

Com as peças na indústria mecânica pode ocorrer a mesma situação. Em uma peça pode
haver tantos detalhes, que um desenho apenas com a vista frontal não seria suficiente para
mostrar e possibilitar a fabricação da peça por completo, a exemplo da bomba que vemos
na imagem. Observe que somente uma vista não é o suficiente para representar todos os
seus detalhes.

612
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Vistas

Desenho da vista frontal


Bomba D’água
da bomba de pistão

Então, muitas vezes são necessárias muitas vistas e um desenho em formato muito gran-
de, para que todas as vistas com detalhes e informações da peça sejam transmitidas.

Quando vamos criar um desenho mecânico, o mais importante é que as informações es-
tejam claras e objetivas e que a pessoa que vai usar o desenho para fabricar, ou consultar,
encontre todas as informações de forma prática.

Nesta aula de estudo vamos conhecer algumas regras que podem facilitar a elaboração e
interpretação de um desenho. Analisaremos regras que orientam o emprego dos elementos
básicos e essenciais em representações em projeções ortogonais.

ABNT NBR 10067/1995 – PRINCÍPIOS GERAIS DE REPRESENTAÇÃO


EM DESENHO TÉCNICO
Para dar suporte e regulamentar a elaboração de desenhos técnicos, existem normas
que definem regras para que as informações sejam confeccionadas com clareza.

A norma ABNT NBR 10067/1995 trata dos princípios gerais de representação em desenho
técnico, e traz no tópico 4.4.2 Outras Vistas, a informação de que devemos usar o mínimo de
vistas possíveis, para representar algo.

Vamos acompanhar, com base nessa norma, como realizar representações em projeções
ortogonais utilizando supressão de vistas, vistas auxiliares e desenho ampliado.

SUPRESSÃO DE VISTAS
Supressão de vistas pode ocorrer quando uma vista está repetida devido à simetria,
como ocorre, por exemplo, em peças cilíndricas ou quando a vista não é necessária para a
compreensão do desenho técnico.

613
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Observe uma peça em perspectiva isométrica. Como você faria para representá-la?

Agora, observe essa peça representada com as vistas convencionais:

D A C F

Fonte: ABNT NBR 10067/1995.

614
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Vistas

Mas para atender à norma NBR 10067/1995, devemos suprimir algumas vistas. Como
fazer isso? A norma sugere que as vistas com linhas tracejadas devem ser evitadas. Desta
forma, observe que todas elas foram retiradas do desenho seguinte:

D A C F

Fonte: ABNT NBR 10067/1995 (Adaptado).

Nesta mesma norma, no tópico 4.6.1 Vista Fora de Posição, é apresentada a possibilidade
de alterar o posicionamento das projeções para melhorar a apresentação do desenho. Para
isso, basta identificar com uma seta a vista que teve sua posição modificada. Veja a seguir
como ficou a representação desta peça.

D
A D

Fonte: ABNT NBR 10067/1995 (Adaptado).

615
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

VISTAS AUXILIARES
Quando temos em uma peça, detalhes que não são bem representados em nenhuma
das vistas convencionais, utilizamos o recurso das vistas auxiliares, que é uma vista feita no
plano do detalhe da peça para melhor demonstrá-lo.

Nesta peça que tem um formato oblíquo, a representação do detalhe da peça nas projeções
ortogonais normais não ficaria clara, pois parte da peça iria se sobrepor a outras partes da peça.

Fonte: ABNT NBR 10067/1995 (Adaptado).

Observe uma sugestão de vista auxiliar, para melhorar o detalhamento desta peça:

Fonte: ABNT NBR 10067/1995.

616
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Vistas

Com a projeção de um plano auxiliar, o detalhe que se faz necessário pode ser visto de
forma simples. Mas você observou que nessa vista auxiliar o detalhe da peça não aparece
totalmente? Você sabe por quê?

Na norma NBR 10067/1995, no tópico 4.6.2 Vistas Auxiliar, deixa bem claro que a vista do
plano auxiliar pode ser representada de forma parcial para melhorar a interpretação.

DETALHE AMPLIADO
Quando existe a necessidade de detalhar uma região do desenho que é muito pequena
para a escala atual do desenho, podemos usar o recurso de ampliação. E como fazemos isso?

Na região onde queremos ampliar, fazemos um círculo e tudo o que estiver dentro do círculo
pode ser desenhado em outro lugar em escala ampliada, viabilizando o detalhamento da peça.

É importante haver uma identificação, normalmente uma letra maiúscula, tanto na região
destacada, como nesta vista de detalhe ampliado. No detalhe ampliado deve ser inserida a
escala.

A (5:1)

Fonte: ABNT NBR 10067/1995.

617
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Voltando ao problematizando, como Valdomiro pode representar a peça em uma folha


formato A4, representando todas as informações necessárias para a sua confecção?

618
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Vistas

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não


perca tempo, aplique-os! Sucesso!

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10067/1995: Princípios gerais de


representação em desenho técnico.

619
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
DESENHO DE CONJUNTOS
E ELEMENTOS DE MÁQUINAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

A técnica em mecânica, Nina, tem em mãos


desenhos técnicos de peças diversas.

E todas essas peças fazem parte de um mecanismo


e deverão trabalhar em conjunto.

Ela está preocupada, pois para realizar a


montagem desse mecanismo, com tantas
peças, pode ser muito difícil para a produção.
Que tal ajudá-la?
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Nina pode facilitar a montagem de um mecanismo com tantas peças?

Conhecimento em pauta!

DESENHOS DE CONJUNTOS MECÂNICOS


Você já percebeu que a maioria dos produtos que usamos são formados por mais de uma
peça? Por exemplo, se pensarmos em uma simples garrafa, veremos que além da parte que
armazena um líquido, que é a própria garrafa, há também a tampa. As duas juntas formam
um conjunto, que tem a finalidade de armazenar.

Na mecânica, os equipamentos, ferramentas, dispositivos e maquinários do dia a dia, em


sua maior parte, também são conjuntos. Para fabricar cada componente de um conjunto, é ne-
cessário especificar cada um representando suas características por meio de desenho técnico.

624
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos e Elementos de Máquinas

E como será na etapa de montagem do conjunto? Também é necessário um desenho


técnico. Porém, as informações que esse desenho contém são um pouco diferentes dos
desenhos de componentes individuais. É isso que vamos ver nessa aula.

Para realizar o desenho de um conjunto mecânico, é necessária uma boa compreensão


de todos os elementos que o compõem.

Fiquede de
Fique olho!olho!

No desenho seguinte, é possível ver o detalhamento de um eixo, onde constam informa-


ções como: características geométricas, dimensões, tolerâncias dimensionais e geométri-
cas e acabamento superficial.

625
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Já no próximo do desenho, vemos a representação da montagem do dispositivo, onde o


eixo será montado e, além dele, são representados diversos componentes, como: porcas,
parafusos, rolamentos e outras peças.

No entanto, essas informações são referentes à montagem, como por exemplo:

• A forma de montagem entre as diversas peças;


• A posição que elas ocupam no mecanismo;
• Dimensões entre uma peça e outra;
• Os elementos de máquina, como rolamentos e parafusos, e a identificação de cada item.

Além disso, as informações mostram todas as peças, tanto internamente como externa-
mente, usando cortes e detalhes quanto forem necessários.

626
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos e Elementos de Máquinas

A figura a seguir nos mostra um desenho de conjunto típico.

3
5

4
1

5 2 GARRA SAE 1020 0,16 kg


4 1 PARAFUSO SAE 1020 0,09 kg
3 1 GARRA SAE 1020 0,16 kg
2 1 PARAFUSO SAE 1020 0,09 kg
1 1 MANÍPULO SAE 1020 0,02 kg
ITEM QTDE. DENOMINAÇÃO MATERIAL PESO
MASSA: 0,530 kg ÁREA: 26370,84 mm2 VOLUME: 67455,56 mm2
ESCALA: REF. CLIENTE: REV. 0
GRAMPO FIXO
DESENHISTA: KBO DATA: 28/07/2015 FOLHA: A3

Percebeu como os desenhos técnicos são importantes para a confecção das peças e
montagem dos conjuntos mecânicos com precisão? Vamos conhecer o que deve compor
um desenho de montagem.

627
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

LISTAS E LEGENDA
Na legenda do desenho, deve conter em algum campo a informação de que se trata de
um desenho de conjunto.

Também é necessária uma lista de peças que contenha um número que identifique cada
peça, ou item. Assim como, a descrição, a quantidade, o material e, se for possível, as dimen-
sões da matéria-prima e o peso.

Em algumas situações, para se ter maior controle das alterações, pode-se utilizar uma
lista de revisões, que deverá ser atualizada a cada revisão contendo as informações do que
foi alterado.

COTAS
Desenhos de conjunto não necessitam da cotagem detalhada. Podem ser necessárias as
cotas referentes a montagens, dimensões máximas ou mesmo as que são importantes para
se entender o posicionamento relativo dos componentes.

AJUSTE
Montagens de peças envolvem tolerâncias e ajustes. Essas tolerâncias são especificadas
no projeto de cada peça. Eventualmente, pode ser necessário representar uma tolerância
em um desenho de conjunto. Mas como fazer isso?

628
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos e Elementos de Máquinas

Uma montagem de um eixo com uma bucha, por exemplo, pode ser representada da
maneira mostrada a seguir, no desenho de conjunto, para indicar a medida e a tolerância:

ø20 H7/f6
Note que se coloca a medida nominal, mais as tolerâncias para o furo e para o eixo,
respectivamente, conforme norma NBR 6158 – Sistemas de Tolerâncias e Ajustes. Esta re-
presentação é simples e eficaz, e ajuda o técnico que executará a montagem a entender as
condições do ajuste entre uma peça e outra.

HACHURAS
Para representar duas peças juntas em corte, que tem a mesma hachura, o ângulo de
uma delas deve ser invertido. A figura a seguir ilustra essa situação.

629
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Se houver 3 peças ou mais em corte, além da inversão mostrada anteriormente, devemos


mudar o espaçamento das hachuras de forma a deixar claro que as peças são diferentes.
Veja o exemplo a seguir.

Ainda falando de peças em corte, podemos distinguir dois tipos de corte: o corte total e
o corte parcial.

Em um desenho de conjunto, um corte parcial, geralmente, mostra detalhes de uma


montagem, como mostra a figura a seguir.

Corte parcial para


mostrar a fixação das
peças por parafuso

630
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos e Elementos de Máquinas

Também é possível observar na figura que os elementos de máquinas não recebem ha-
churas. Ou seja, não são representados em corte como no caso do parafuso e da chaveta
mostrados.

E as peças em movimento? Como são representadas? Vamos ver a seguir.

PEÇAS COM MOVIMENTO


Esse é um outro ponto importante no desenho de conjuntos. Por exemplo, o curso de um
cilindro pneumático, cujos limites precisam ser mostrados. Neste caso, representa-se a has-
te do cilindro em sua posição inicial e na mesma vista representa-se, com linhas tracejadas
(traço e dois pontos), a haste em sua posição final, indicando.

48

631
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Retomando o problema de Nina, como ela pode facilitar a montagem de um mecanismo


com tantas peças?

Nina estava em uma situação complicada, sem saber


como encaixar as peças do mecanismo.

Para resolver seu problema, Nina precisou ter acesso a um desenho de


conjunto, onde foi possível reunir as informações das peças como
posição de montagem, tolerâncias, necessidade de ajustes, entre outras,
necessárias para a montagem.

632
Para resolver seu problema, Nina precisou ter acesso a um desenho de
conjunto,UE1
onde foi possível
| Desenho reunir
Técnico as informações
Mecânico dasConjuntos
− Desenho de peças como
e Elementos de Máquinas
posição de montagem, tolerâncias, necessidade de ajustes, entre outras,
necessárias para a montagem.

Agora sim! Nina poderá realizar seu trabalho com precisão!

Agora é com você!

Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não


perca tempo, aplique-os! Sucesso!

633
Unidade de Estudo
02

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
DESENHO DE CONJUNTOS,
VISTAS EXPLODIDAS

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Ana, técnica em mecânica, recebeu uma demanda para elaborar o manual de


montagem de um equipamento fabricado pela empresa. São muitos componentes
e todos precisam ser montados na ordem correta, para não haver problema no
funcionamento do equipamento.

VIÇO
E M D E SER ontagem.
ORD ual de
n
m
rar ma
Elabo
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Ana pode representar, em uma vista, um desenho que mostre a sequência de
montagem?

Conhecimento em pauta!

DESMONTAR E MONTAR NOVAMENTE


Se você já desmontou alguma coisa para descobrir como funciona, sabe que se não pres-
tar atenção na ordem que removeu as peças, pode ter dificuldade para montar novamente.

Pode ser complexa a montagem de equipamentos como bombas, redutores, motores a com-
bustão, entre outros, que são realizados com muitos componentes sem uma orientação.

638
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos, Vistas Explodidas

Para fabricação de itens com muitos componentes, é comum que os fabricantes estabe-
leçam procedimentos, métodos e dispositivos para facilitar a etapa de montagem, mas é
essencial, nesta etapa, o uso de um desenho técnico de montagem, em vista explodida.

Nessa aula de estudo iremos abordar formas de expor em desenho técnico, componentes de
uma montagem, através de vista explodida, possibilitando mostrar a sequência de montagem.

VISTA EXPLODIDA
Existem vários tipos de desenhos de conjuntos, mas o que melhor mostra a montagem
de um conjunto de peças ou componentes é a vista explodida, também conhecida como
perspectiva explodida.

Neste tipo de representação, as peças são mostradas de forma tridimensional e posicio-


nadas na forma de montagem. Este tipo de vista é empregado em catálogos de máquinas,
para montagem de equipamentos, para manutenção e outros tipos de instruções técnicas.

Na figura a seguir, de uma vista explodida, é possível notar que se movimentarmos as


peças segundo o eixo indicado, teremos a montagem do cilindro. Aliás, esta é a ideia deste
tipo de vista: mostrar como as peças se encaixam e sua ordem. Em conjuntos mais simples
como este, todas as peças são alinhadas na mesma direção.

639
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Desenho com vista


em 3D da montagem
de um cilindro de
compressor.

Desenho com vista


em explosão da
montagem de um
cilindro de
compressor.

Em conjuntos mais complexos, são necessários vários eixos em diferentes direções, como
pode ser visto na figura a seguir, de uma rebitadeira manual.

10
9

12 15
16
11

14
20
8 13
21

19
7

6 3

17
8
18
4
7

15
2
5
1

640
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos, Vistas Explodidas

Observe, na imagem, que o conjunto das peças 10, 11 e 12 vai ser montado no alto da
peça 9. E as peças 19 e 20 são montadas na mesma peça 9, mas em um ponto mais abaixo.

Note que neste próximo caso, a vista explodida ocorre em blocos, ou subconjuntos. Isso
permite que a distribuição das peças caiba no formato de papel, além disso, facilita a com-
preensão para quem visualiza esta perspectiva de montagem das peças.

8 7 6 5 4 3 2 1

F
31 61 5 24 60 23 32 62 58 F
Z: 13
M: 1,25

55
Z: 4 16 56
M: 2,65

41 11
77
54
52
E 53 E
2
51

18 39 40 59 57

D D

C 50 17 28 14 63 15 25 C
Z: 30
M: 2,65
27 64 26 19 65 29 12 13

50 ROLAMENTO DE ROLOS 1 SKF NUNU 306 EC


41 CHAVETA 1 DIN 6885 - A 4 x 4 x 12
40 CHAVETA 1 DIN 6885 - A 4 x 4 x 10
39 CHAVETA 1 DIN 6885 - A 5 x 5 x 22
32 EIXO DE TRANSMISSÃO 1 DIN 15 Cr Ni 6
31 ENCOSTO 1 DIN 15 Cr Ni 6
29 TAMPA GRADUADA 1 DIN EN GJL 200
28 FLANGE DO ROLAMENTO 1 DIN EN GJL 200
27 FLANGE DO RETENTOR 1 DIN EN GJL 200
B 26 DISCO GRADUADO 1 DIN EN GJL 200 B
25 PORCA PARA EIXO 1 DIN 981 - KM 5
24 GUIA DA CREMALHEIRA 1 DIN 15 Cr Ni 6
23 CREMALHEIRA 1 DIN 15 Cr Ni 6
19 MOLA ESPIRAL 1 DIN - 55 Cr 3
18 EIXO GUIA 1 DIN EN GJL 200
77 ROLAMENTO DE AGULHAS 1 DIN 617 SKF - SKF NA 49/22 17 CORÔA 1 DIN - Cu Sn13Zn2Pb
65 PINO REGULADOR DE CURSO 1 AÇO PRATA 16 PARAFUSO SEM-FIM 1 DIN 15 Cr Ni 6
64 RETENTOR 1 DIN 3760 - A - 20 x 35 x 7 - NBR 15 ARRUELA DE SEGURANÇA 1 DIN 981 - MB5
63 ROL. DE CONTATO ANGULAR 1 CSN 02 4665 - 3205 14 PARAFUSO ALLEN 6 DIN 912 - M6 x 16
62 ESPASSADOR 1 DIN 40 Cr Ni Mo 6 13 PORCA SEXTAVADA 3 DIN 934 - M10
61 ROLAMENTO DE AGULHAS 1 DIN 617 SKF - SKF NA 4904 12 ARRUELA 3 DIN 125 - A 10,5
60 PARAFUSO ESCARIADO 15 DIN 7991 - M4x12 11 FLANGE DO PARAFUSO SEM FIM 1 DIN EN GJL 200
59 RETENTOR 1 DIN 3760 - A - 85 x 110 x 12 - NBR 5 RÉGUA DE ENCOSTO 2 CHAPA DC 06
58 CHAVETA 1 CHAVETA 28 x 5 x 5 2 CORPO DO REDUTOR 1 DIN EN GJL 200
A 57 PARAFUSO DE AJUSTE 2 DIN 913 - M10 x 10 N° NOME QUA MATERIAL E DESCRIÇÃO A
56 RETENTOR 1 DIN 3760 - A - 18 x 35 x 7 - NBR
55 PARAFUSO ALLEN 3 DIN 912 - M5 x 16
54 PORCA PARA EIXO 1 DIN 981 - KM 4 OCUPAÇÃO Nº 5: DESENHO DE ENGENHARIA MECÂNICA
53 ARRUELA DE SEGURANÇA 1 DIN 981 - MB4 PROJETO: OCUPAÇÃO Nº: UNIDADE:
mm
SUBCONJUNTO REDUTOR 05
52 ANÉL ELÁSTICO 1 DIN 6799 - 15 ESCALA:
1:1
NOME/CÓD:
51 ROLAMENTO DE ESFERAS 2 Bearing - SKF 6204 Felipe Duarte FOLHA Nº:
1/1
DATA:
07/2012
8 7 6 5 4 3 2 1

641
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Atualmente, através de softwares de computador, é possível também fazer a animação da


montagem e desmontagem, a partir de uma vista explodida. Assista ao vídeo e observe como
esse recurso pode facilitar o entendimento da sequência de montagem de um equipamento.

!
Solução do Problematizando...

No início dessa aula de estudo vimos que Ana, técnica em manutenção, precisou elaborar
o manual de montagem de um equipamento com muitos componentes. Então, como ela
pode representar, em uma vista, um desenho que mostre a sequência de montagem?

Ela pode fazer o desenho técnico de montagem em vista explodida e utilizá-lo para elabo-
rar o manual. Dessa forma, ficará bem mais fácil visualizar a ordem de montagem.

0 cm
1
2
3
4

5
6

7
8
9
10
11
12
13
14
15

642
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho de Conjuntos, Vistas Explodidas

Agora é com você!

Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.


Sucesso!

643
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
SIMBOLOGIA
DE SOLDA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

ANA
TÉCNICA

Durante a construção do desenho, Ana percebeu que a peça será


feita através da união de três partes por solda.

Partes que Região


serão soldadas de solda
VALDOMIRO
GERENTE

Ficou acertado,
então, que você
ANA
TÉCNICA

fará o desenho
técnico da peça Ok... farei usando
que conversamos... um programa de
desenho, aqui no
computador.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Considerando que as soldas são em ângulo, quais símbolos de soldagem devem ser utili-
zados por Ana, para melhor representar essa união no desenho?

Conhecimento em pauta!

SÍMBOLOS BÁSICOS DE SOLDAGEM


Nesta aula, vamos conhecer as simbologias que podem ser utilizadas em desenhos técni-
cos para representar a união de peças pelos processos de soldagem.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Para unir peças, podemos usar parafusos, rebites, pregos e até mesmo cola, mas também
podemos usar a soldagem. Ela é muito utilizada porque, além de ser uma união definitiva
entre as peças, quando bem realizada tende a deixar a região da solda tão resistente quanto
o resto do material.

Veja a seguir, na tabela, os símbolos básicos de soldagem e sua localização, de acordo


com a norma AWS A2.4:2012. A sigla AWS significa American Welding Society, ou Sociedade
Americana de Soldagem.

648
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Simbologia de Solda

Símbolos Básicos de Soldagem e Localização do Cordão de Solda

Localização
Sem Indicação
Lado da Seta Lado Oposto Ambos os Lados
de Lado
Solda

Em ângulo Não Utilizado

Tampão
Não Utilizado Não Utilizado
ou fenda

Por ponto ou
Não Utilizado
projeção

Costura Não Utilizado

Suporte Não Utilizado Não Utilizado

Revestimento Não Utilizado Não Utilizado Não Utilizado

Encaixe para
Não Utilizado
junta brasada

Entre
peças
Não Utilizado Não Utilizado
Fechamento de Aresta

curvas ou
flangeadas

Entre
uma peça
curva ou
flangeada Não Utilizado Não Utilizado
e uma
peça
plana

Mas de que forma encontrar o símbolo mais adequado para utilização? Vamos ver?

• Primeiro, procure na coluna “Solda” o tipo de solda que você vai empregar.
• Depois, procure na primeira linha “Localização” como será feita a solda.
• No cruzamento estará o símbolo a ser usado.

649
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Por exemplo, se quisermos indicar no desenho uma solda a ponto, de forma que a solda
fique no lado oposto ao lado da indicação, usaremos o símbolo a seguir.

O símbolo de soldagem pode conter várias informações sobre a solda que ajudam muito
os executores do trabalho.

Fiquede de
Fique olho!olho!

Uma solda em ângulo, por exemplo, recebe como símbolo um triângulo. Se a seta aponta
para o local da solda, esse triângulo vai na parte de baixo da linha de referência; se a seta
aponta para o outro lado, o triângulo vai na parte de cima da linha. Se a solda é nos dois
lados da peça, usa-se um triângulo abaixo e acima da linha. Na cauda do símbolo pode-
mos colocar o processo de soldagem a ser usado.

B 15 C
A

10 - 15
10

10 - 15

650
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Simbologia de Solda

Observe que no desenho A temos duas soldas ao longo do comprimento da peça. O de-
senho B nos mostra que as pernas da solda são diferentes: uma tem 10 mm (vertical) e a
outra 15 mm (horizontal). Então, o símbolo a ser usado é o mostrado no desenho C. Note
que, como se coloca solda nos dois lados da peça, o triângulo é duplo.

Agora veja outro exemplo onde se deve unir duas chapas com comprimento de 70 mm,
usando um cordão de solda pelo processo MIG que terá 5 mm de largura, mas que, ao invés
de se aplicar a toda a largura da peça, somente terá um comprimento de 40 mm. Na figura
a seguir, o desenho superior mostra a região da solda. O desenho inferior mostra o símbolo
adequado para esta situação.
70

40

5
5 MIG
40

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Para trabalhar bem com desenhos que tenham símbolos de solda, você deve ter em mãos a
norma AWS e praticar bastante!

!
Solução do Problematizando...

Então, vamos lembrar a questão inicial do nosso problematizando. Considerando que as


soldas são em ângulo, quais símbolos de soldagem devem ser utilizados por Ana para me-
lhor representar essa união no desenho?

651
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Ana concluiu que, para melhor representar as soldas no desenho técnico


mecânico, os símbolos que deve utilizar são os de solda em ângulo.

ANA
TÉCNICA

No caso do cilindro, por exemplo, que se une


ao corpo principal da peça, a solda é em toda
a volta e ocorre no ponto onde a seta está.

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
TÉCNICA

VALDOMIRO
GERENTE

ANA
TÉCNICA

No caso da peça de nervura, os cordões


ocorrem em ambos os lados, tanto na
horizontal quanto na vertical.

652
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Simbologia de Solda

Agora é com você!

É hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não perca tem-
po, bom desempenho!

Referenciando!
Referenciando!

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5874: Símbolos básicos de solda-


gem e sua localização.

653
Unidade de Estudo
01

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
DESENHO ASSISTIDO
POR COMPUTADOR

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Décio recebeu uma peça modelo de um cliente e, agora,


precisa elaborar um modelo 3D e um desenho com
detalhamento técnico.

DÉCIO
TÉCNICO

O modelo 3D e o detalhamento técnico devem


ser feitos em um programa de computador.

DÉCIO
TÉCNICO

Quando o desenho técnico estiver pronto, seguirá


para o setor de produção com a ordem de produção.

DÉCIO
TÉCNICO
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que o técnico precisa conhecer as técnicas e métodos de elaboração de desenho para
poder executar a tarefa?

Conhecimento em pauta!

DESENHO COM AUXÍLIO DO COMPUTADOR


Hoje em dia, muitas das nossas tarefas domésticas podem ser executadas por computa-
dores pessoais, como a escrita de uma carta. Nesse caso, é usado um programa ou aplicati-
vo, também conhecido por software editor de texto, onde podemos digitar o conteúdo e sal-
var em um arquivo eletrônico. Conforme a necessidade, esse arquivo pode ser enviado por
e-mail, ou impresso em papel e enviado ao destinatário por correio, ou algum outro meio.

Evolução

O mesmo aconteceu com os desenhos técnicos na indústria. Com o surgimento dos com-
putadores, logo foram desenvolvidos programas para ajudar nas tarefas. Esses programas
passaram a ser conhecidos como programas de auxílio e ganharam a sigla CAx. Dentre eles,
surgiram os programas específicos para desenho técnico, conhecidos por softwares de CAD,
uma sigla muito utilizada atualmente.

658
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

Evolução

Historiando!
Historiando!

Da prancheta para a telinha! Veja alguns marcos dessa evolução do CAD.

1950

Surgimento da primeira geração 1970


de programas CAD.
Desenvolvimento dos
microprocessadores, que deram
maior velocidade e capacidade
gráfica aos computadores.

1980

Surgimento no Brasil da primeira 1990


geração de programas CAD.
Popularização do CAD no Brasil,
substituindo as pranchetas e
instrumentos de desenho por
monitores e mouses de computador.

659
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

CAD
Nessa aula de estudo aprenderemos um pouco sobre os softwares de CAD, mas antes de
qualquer coisa, assista ao vídeo a seguir para entender o significado dessa sigla, não apenas
pela sua tradução, mas também pelo seu conceito.

A partir do entendimento sobre o conceito de CAD, é possível afirmar que usar um programa
para desenho mecânico no computador não significa mais apenas sair fazendo linhas e figuras
geométricas com um mouse, mas sim conhecer as metodologias que envolvem o uso de CAD
para planejar e escolher a maneira mais adequada para executar uma modelagem.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Atualmente, os softwares CAD incorporaram a função de outros softwares que usam os mo-
delos gerados através de CAD para realizar a sua função, como os CAE (Computer Aided En-
gineering) que fazem simulação de esforços e resistência de materiais; e os CAM (Computer
Aided Manufacturing) que fazem a estratégia, simulação e programação para máquinas de
usinagem automatizadas.

MODELAGEM GEOMÉTRICA DE SÓLIDO


Vamos entender um pouco a modelagem de objetos com CAD e as possíveis formas de
realizá-las.

660
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

MODELAGEM POR ARAME

Os primeiros programas de modelagem usavam o método de modelagem por arame,


conhecido por wireframe, em que são utilizadas linhas para representar um objeto em 3D.

MODELAGEM POR SUPERFÍCIE

Na modelagem por superfície é possível criar um modelo fechado que não é calculado
pelo programa como sólido.

661
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

MODELAGEM SÓLIDA

O método de modelagem sólida considera que o modelo fechado tem um volume e todo
o seu interior tem um preenchimento.

A partir de um esboço, ou sketch (2D), de uma geometria fechada, é gerada uma carac-
terística (3D) de um modelo ou peça. A partir da primeira característica, outras podem ser
adicionadas ou removidas, conforme necessidade.

A modelagem sólida exige cálculos pelos processadores do computador utilizado, por-


tanto, o uso de uma máquina com boa configuração é recomendável. De preferência, que
atenda o mínimo especificado pelo fabricante do software.

Mas existem mais detalhes sobre modelagem em CAD. Pois é, você já ouviu falar em mo-
delagem paramétrica? Vamos descobrir do que se trata.

MODELAGEM PARAMÉTRICA
Imagine que você esteja modelando uma peça com 500 características e, perto do final, per-
cebe que algumas delas, feitas no início, precisam ser alteradas. Você teria que utilizar diversos
comandos para essa alteração. Se fosse diminuir o diâmetro de um furo, por exemplo, seria
necessário primeiramente fechar o furo existente para depois reabrir com o diâmetro correto.
Se tivessem muitos furos para realizar esse procedimento, seria um grande retrabalho.

662
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

Na modelagem não paramétrica, acontecia exatamente dessa forma: após gerar alguma
característica de uma peça, caso fosse necessário alterá-la, seria necessário gerar outra carac-
terística, pois não havia forma de armazenar as informações sobre as características da peça.

Com a modelagem paramétrica, isso já não é um problema, pois as informações de cada


feature gerada são armazenadas, possibilitando a alteração sempre que necessário. Mas
como isso é possível? Vamos entender melhor.

Os softwares paramétricos registram, a partir de um sistema conhecido como árvore ou


linha do tempo (timeline), todas as etapas de construção do modelo, permitindo o acesso
e alteração, caso necessário. Também permitem vincular características, tanto no esboço
quanto no modelo, entre si, assim como, estabelecer relações geométricas e matemáticas,
como restrições e fórmulas.

Árvore

Timeline

Autodesk Fusion 360

Conforme ocorre a construção do modelo, também é gerada uma lista dos parâmetros que
foram utilizados. Cada parâmetro recebe um código, ou nome, que vai identificá-lo em toda mo-
delagem. Sempre que esse parâmetro for referenciado, o valor atribuído a ele será considerado.

25

20

663
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Observe, na imagem, que para o modelo do paralelepípedo com furo, foram atribuídos
seis parâmetros, de d0 a d6. Observe, também, que existe uma coluna para o valor nominal
(Nominal Value) e uma para equação (Equation), que nesse caso, tem o mesmo valor da
nominal, pois não foi associado a nenhuma equação. Mas é bem interessante a coluna que
mostra onde o parâmetro está sendo utilizado (Cosumed by), de forma que podemos saber
em qual esboço ou característica o parâmetro está sendo utilizado.

Percebeu que é importante conhecermos alguns tipos de características mais comuns,


usadas nos softwares CAD, e os comandos para construí-las? Basicamente, existem as de
extrusão ou protusão, as de revolução, varredura e loft.

Vocêsabia?!
Você sabia?!

664
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

EXTRUSÃO
O comando extrusão, também conhecido por protusão, cria features a partir de um sketch
fechado gerado em um plano. A geometria do sketch é expandida no eixo perpendicular ao
plano da geometria.

665
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

REVOLUÇÃO
O comando revolução cria features a partir de um sketch fechado, feito em um plano e um
eixo. A geometria do sketch é revolucionada em torno do eixo.

666
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

VARREDURA
A varredura, também conhecida por sweep, é um comando parecido com o de extrusão,
porém a expansão do perfil ocorre ao longo de um caminho, ou um outro perfil de geome-
tria aberta ou fechada.

LOFT

Loft é um comando bem específico, que realiza transições entre perfis de sketch em pla-
nos diferentes. O resultado mais simples de um loft é uma extrusão, mas com esse comando
é possível obter perfis bem mais complexos.

667
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

No início desta Unidade de Estudo vimos que o técnico precisa elaborar um desenho 3D.
Então, vamos lembrar a pergunta feita inicialmente. Por que o técnico precisa conhecer as
técnicas e métodos de elaboração de desenho para poder executar a tarefa?

Décio precisa conhecer as técnicas e métodos de elaboração de desenho para poder rea-
lizar a tarefa, porque é preciso conhecer as metodologias que envolvem o uso de CAD para
planejar e escolher a maneira mais adequada para executar uma modelagem.

Agora é com você!


Chegou a hora de colocar o conhecimento aprendido em prática. Aplique-o com atenção.

668
UE1 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

Anotações

669
Unidade de Estudo
02

DESENHO TÉCNICO
MECÂNICO
DESENHO ASSISTIDO
POR COMPUTADOR

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

O técnico em mecânica, Fernando,


recebeu uma ordem de serviço para
desenhar uma família de produto.

FERNANDO
TÉCNICO

São dez peças semelhantes que,


conforme o comprimento
aumenta, o diâmetro do furo
também aumenta,
proporcionalmente.

Cada uma das 10 peças deve ter um


desenho técnico próprio, o que
deixa Fernando preocupado, pois
serão dez modelagens.
Contexto!
Contexto!

Cada uma das 10 peças deve ter um


desenho técnico próprio, o que
deixa Fernando preocupado, pois
serão dez modelagens.

FERNANDO
TÉCNICO

Mas com seus conhecimentos e


experiência, Fernando logo pensa
em uma solução.

FERNANDO
TÉCNICO
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

?
Problematizando...

Como o técnico Fernando pode facilitar a realização da atividade e fazer apenas um mo-
delo em que consiga realizar o desenho de todas as peças?

Conhecimento em pauta!

FACILITANDO AS COISAS
Uma das reações mais naturais do ser humano é evitar trabalho repetitivo, ou pelo me-
nos, tentar facilitá-lo, não é? Considere que você tem que transportar 10 caixas de um deter-
minado local para outro local distante e só consegue carregar uma caixa de cada vez. Você
tem a opção de levar uma por uma, ou conseguir um carrinho onde possa colocar todas de
uma vez e carregar até o local de destino, fazendo a viagem apenas uma vez.

675
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Na indústria mecânica essa necessidade é muito comum em diversos processos. Pode-


mos citar como exemplo a elaboração de desenhos mecânico com CAD, onde é essencial
pensar na melhor forma de realizar uma modelagem, montagem e os desenhos técnicos de
um produto, seja ele já existente ou que está sendo projetado.

Sendo assim, é possível poupar recursos do computador e tempo de processamento e


de execução. Afinal, foi dessa forma, pensando em evitar, ou diminuir trabalho repetitivo ou
retrabalho, que os programas CAD foram desenvolvidos.

Vamos ver, no decorrer dessa aula, como podemos usar a parametrização para criar vín-
culos, condições, restrições, e até mesmo modelos adaptativos, na construção de modelos
geométricos com programas CAD.

PROJETANDO EM CAD
Ao iniciar um modelo em CAD, uma regra importante é ter conhecimento dos processos
de fabricação que envolvem a peça que está sendo projetada. Isso facilita muito as etapas
em que os envolvidos no processo utilizarão o desenho elaborado, assim como, evita retra-
balhos e revisões.

Por exemplo, uma peça a ser fabricada pelo processo de fresamento. A fresa é uma fer-
ramenta redonda e o seu perfil é deixado na peça. Então, se em um canal não passante,
por exemplo, um rasgo de chaveta em um eixo for desenhado com paredes retas, isso vai
dificultar a confecção da peça, pois o fresamento não faz isso.

Então, terá que ser adicionado outro processo para fabricar a peça, ou o desenho ser
modificado, o que exige retrabalho e revisão do anterior.

NÃO É POSSÍVEL POR FRESA POSSÍVEL POR FRESA

676
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Buscar conselhos com pessoas mais experientes e discutir detalhes com a equipe que estará
envolvida nas etapas do processo de fabricação podem favorecer muito o planejamento da
confecção de um bom modelo e desenho técnico.

PARAMETRIZAÇÃO
Vamos entender um pouco melhor a construção de um esboço ou sketch, de forma para-
metrizada? Assista ao vídeo.

Para o reconhecimento das restrições ou relações, existem alguns símbolos que servem tan-
to para identificar o comando, quanto onde foi aplicado no esboço. Esses símbolos podem até
variar entre os diversos softwares, mas não fogem muito do que é mostrado a seguir:

Linhas / pontos colineares

Linhas paralelas

Ponto médio

Igualdade

Concentricidade

Tangente

Coincidente
677

Perpendicular
Concentricidade
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Tangente

Coincidente

Perpendicular

Linha horizontal

Linha vertical

Perceba que, quando usamos o comando para desenhar um retângulo, por exemplo, esse
comando já vem com algumas restrições predefinidas. Veja que há paralelismo entre as linhas,
uma das linhas tem restrição horizontal e duas linhas estão perpendiculares entre si.

Dessa forma, a geometria está garantida, necessitando apenas ser dimensionada, como
pode ser visto na sequência.

fx : d1 = 2 * d0

d0 = 20 mm

678
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

É possível observar que as dimensões também estão vinculadas através de parâmetros.


Nesse caso, foram usados dois parâmetros, d0 e d1. E o parâmetro d1 é uma função que usa
o parâmetro d0, ou seja, a equação que determina o resultado de d1 é d1 = 2*d0. Isso signifi-
ca que o valor de d1 é o dobro de d0. Sendo assim, se d0 for igual a 20 mm, d1 será 40 mm.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Normalmente, os programas CAD permitem alterar o nome dos parâmetros. Isso quer dizer
que, se uma dimensão tem nome d0, como na figura anterior, é possível alterá-lo para ALTU-
RA, por exemplo, assim como d1 pode ser alterado para LARGURA. Isso pode facilitar o uso
dos parâmetros, principalmente quando se trata de família de produto.

Vamos dar continuidade,


conhecendo algumas
técnicas de construção
de modelos em CAD? Elas
são muito importantes
para definição da forma
de construir um modelo.

TÉCNICAS DE CONSTRUÇÃO DE MODELO COM CAD


Antes de iniciar um modelo no programa CAD, também é necessário ter em mente a for-
ma como ele vai ser construído. Existem alguns métodos que podem ser úteis para ajudar a
definir a melhor forma de construir um modelo. Vamos analisar a modelagem de um cilin-
dro escalonado, onde é possível observar as diferenças entre alguns deles.

679
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vamos iniciar por Camada de bolo, que é um método de simples construção, porém,
pode levar a algumas complicações. Como o modelo é construído parte por parte, se tiver
muitas partes, pode exigir muito processamento pelo computador. Além disso, a alteração
de alguma característica pode impactar todas as outras que foram construídas após ela.

É possível visualizar que serão necessárias seis características de extrusão, na estrutura


de árvore do modelo. Sendo assim, nota-se que para modelos com duas ou três caracterís-
ticas semelhantes, pode ser uma boa opção.

O método por Fabricação é outra forma para construir modelos onde a estrutura das
características é similar ao processo para fabricar a peça, no caso, se for por usinagem.

680
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

Supondo que o processo de fabricação seja por torneamento, na sequência, temos pri-
meiramente a modelagem do tarugo bruto; posteriormente, a remoção de material para
o segundo diâmetro; depois, a execução do canal; por fim, a remoção de material para o
terceiro diâmetro.

Dessa forma, a estrutura de árvore do modelo também terá um bom número de caracte-
rísticas, mas será mais fácil controlar as alterações do que no método anterior.

Essa maneira é muito utilizada por quem teve vivência com processos de usinagem de
peças, principalmente torneamento e fresamento, pois acaba associando à forma de mode-
lar a mesma forma que usinaria uma peça, por ter mais facilidade.

Já o método por Revolução, é uma forma de construção de modelos onde podemos dizer
que não é tão simples, pois o esboço de um modelo complexo pode ter muitos detalhes.
Porém, permite a modelagem de uma peça toda, através de apenas um esboço.

681
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Sendo assim, a estrutura de árvore não fica muito carregada, pois com apenas um recur-
so, o modelo pode ser construído, tornando o processamento melhor. E em caso de altera-
ções, é possível modificar qualquer parte da peça em apenas um esboço.

No entanto, é preciso ter atenção, pois pode acontecer, principalmente, em casos de


família de produtos, que uma construção com mais features (características) pode ser mais
flexível para alterações, do que todos os detalhes da peça em apenas uma feature.

Esta forma de modelar é essencialmente aplicada para peças de perfil cilíndrico.

Vocêsabia?!
Você sabia?!
Nos softwares CAD paramétricos, o desenho 2D é feito através da concepção do modelo
3D e, dessa forma, as alterações ocorrem de maneira associada. Isso quer dizer que qual-
quer alteração realizada no modelo, seja ele de peça ou de montagem, é automaticamente
transmitida ao desenho. Da mesma forma, dependendo de como foi construído o modelo,
é possível, através do desenho 2D, realizar a alteração de dimensões que automaticamente
serão atualizadas no modelo 3D. Isso permite que a alteração de desenhos ocorra de ma-
neira muito dinâmica.

Agora que já vimos algumas formas de criar o modelo, vamos conhecer um pouco
do comportamento de modelos em montagens.

MODELO DE MONTAGEM
No caso das montagens, elas são elaboradas a partir de dois ou mais modelos. O posi-
cionamento de cada modelo na montagem se dá por restrições aplicadas às características
comuns entre cada um deles. Por exemplo, você pode fixar a face de um modelo com a face
de outro. Ou o eixo de um furo, em um modelo com o eixo de um pino de outro modelo.

Nas imagens a seguir vemos a peça menor sendo posicionada internamente pela face e
pelo eixo da peça maior.

682
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

ADAPTATIVIDADE

Também é possível construir um modelo em ambiente de montagem, a partir de uma ou-


tra peça já modelada. Imagine que você tem um bloco com furo no ambiente de montagem
e quer desenhar o eixo, que vai ser montado nesse furo. Através da geometria do próprio
furo, é possível iniciar o esboço do eixo e realizar uma extrusão. Dessa forma, o eixo será
adaptativo ao furo, ou seja, qualquer alteração que for realizada no diâmetro do furo será
transmitida ao eixo.

Observe a circunferência amarela da figura do lado esquerdo, ela é adaptativa ao furo de


uma peça já existente. Na figura do lado direito, a região entre a circunferência amarela e a
circunferência azul escuro será utilizada para gerar uma nova peça.

683
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Como vimos inicialmente, o técnico precisa elaborar os desenhos de uma família de produ-
tos. Então, como ele pode fazer apenas um modelo e realizar o desenho de todas as peças?

Com seu conhecimento e experiência, Fernando logo


entendeu que para realizar o desenho de todas as peças,
o modelo deverá ser parametrizado.

FERNANDO
TÉCNICO

Assim, Fernando executará sua tarefa com


rapidez e precisão, utilizando apenas um modelo.

FERNANDO
TÉCNICO

684
UE2 | Desenho Técnico Mecânico − Desenho Assistido por Computador

Agora é com você!


Chegou a hora de aplicar os conhecimentos adquiridos nesta unidade de estudo. Não
perca tempo, aplique-os! Sucesso!

685
Unidade de Estudo
01

QUALIDADE
CONCEITO, APLICAÇÃO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

2:00 00

Havia, na Metaltech, uma pessoa que dominava o torno com precisão, que
conseguia preparar o equipamento para realizar uma nova operação em exatos
dois minutos cronometrados.

São, realmente, dois


minutos cravados.

FERNANDO
TÉCNICO

ANA
ACINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE

Impressionante!

A SRA
EFICIÊNCIA!

ANA
ACINCÉ
T

Quando o turno de operação era dela, os demais


colegas já sabiam que o torno seria a máquina de
maior produtividade.

Argeu, visando à melhoria dos processos, sempre solicitava que


ela registrasse quais foram as alterações realizadas, que deram
resultados tão bons na redução de tempo.

FERNANDO FERNANDO FERNANDO


Quando o turno de operação era dela, os demais
Contexto!
Contexto! colegas já sabiam que o torno seria a máquina de
maior produtividade.

Argeu, visando à melhoria dos processos, sempre solicitava que


ela registrasse quais foram as alterações realizadas, que deram
resultados tão bons na redução de tempo.

FERNANDO FERNANDO FERNANDO


TÉCNICO TÉCNICO TÉCNICO

ANA ANA
TÉCNICA TÉCNICA
ANA
TÉCNICA

Já mostrei para as pessoas, várias vezes, como


deveriam efetuar as trocas de ferramentas.
Não precisa de todos esses documentos que o
departamento de qualidade pediu. Só não
aprendeu quem não quis!

FERNANDO
TÉCNICO

ANA
ACINCÉ
T

Porém, o departamento da qualidade proibiu a operação do torno, até


que o procedimento de troca de ferramenta fosse escrito por Ana.

Quadro de Avisos

PROIBIDO USO
DO TORNO
UE1 | Qualidade − Conceito, Aplicação

?
Problematizando...

Por que é preciso documentar e registrar todas as alterações realizadas nas atividades?

Conhecimento em pauta!

O QUE É QUALIDADE?
Você já parou para pensar em quantas vezes você deixou de comprar algo mais barato e
comprou algo mais caro? Por que tem mais qualidade? Ou você deixou de comprar uma roupa
porque estava muito cara, e você compraria outra com qualidade inferior, porém mais barata?
Essas questões nos levam a pensar que a qualidade influencia muito nas nossas decisões.

ANA
TÉCNICA

Historiando!
Historiando!
O conceito de qualidade evoluiu ao longo dos anos. Ele começou com o foco apenas no pro-
duto, ou seja, qualidade era atender os requisitos do produto. E com o avanço da tecnologia,
globalização e aumento da concorrência, o conceito de qualidade deixa de olhar apenas para o
produto e passa a enxergar o cliente. Assim, busca atender as necessidades do cliente.

691
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Então, se a qualidade nos leva a comprar ou não um produto, você já pensou ou tentou
definir o que é qualidade?

Pois bem, dentre uma infinidade de conceitos, podemos resumir que qualidade é pro-
duzir o produto correto (dentro das especificações exigidas), desde a primeira vez, e que o
cliente esteja disposto a pagar.

NTROLE ALIDADE DE GARA


CO D QU DA N
LI
E

TI
E

A
QU

NTROLE D

DA
QU
CO

ALIDADE
N T R OLE

ADO
OV
CO

A
QU

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LI T
AP
D

QU
R

DA N
A

A LID A D E DE GARA

Com esse conceito, você percebe o quanto a qualidade é importante para os processos
de uma empresa? Isso reforça a importância dessa unidade de estudo, em que você poderá
reconhecer a aplicabilidade dos princípios da qualidade e da qualidade total, em contextos
e circunstâncias do mundo do trabalho.

Vocêsabia?!
Você sabia?!
Não se sabe ao certo quando se originou a qualidade, mas sabe-se que, no Código de
Hamurabi, datado do século XVIII a.C., já se apresentava preocupação com a qualidade:

692
UE1 | Qualidade − Conceito, Aplicação

Cláusula 229º - Se um
arquiteto constrói
para alguém e não o
faz solidamente e a
casa que ele construiu
cai e fere de morte o
proprietário, esse
arquiteto deverá ser
morto.

Hoje, os clientes não buscam mais apenas as características específicas do produto, mas,
aliado a isso, buscam:

Inovação

Preço Tecnologia

Prazo Pontualidade

693
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Além dessas características, existe uma infinidade de requisitos que são particulares de
cada usuário. Mas como atender essa demanda de objetivos?

Aí surge o conceito de qualidade total, que nada mais é do que a busca da satisfação de
todas as pessoas e ecossistema que envolvem a empresa. Ou seja, a qualidade total busca
atender as necessidades dos clientes, fornecedores, colaboradores, acionistas e vizinhos
(sociedade e meio ambiente).

Vocêsabia?!
Você sabia?!
Cliente é qualquer pessoa, empresa ou processo que se utiliza do serviço, produto ou
informação disponibilizada ou fabricada pela empresa.

Agora ficou fácil! É só descobrir e atender o que todo mundo deseja, simples assim, não
acha? Pois é, atender ao desejo e necessidades de todos, e ainda ter lucro, não é tão simples.
É por isso que existem os princípios da qualidade total, para nos auxiliar a atender todas
essas expectativas.

694
UE1 | Qualidade − Conceito, Aplicação

PRINCÍPIO DA QUALIDADE TOTAL

Disseminação de Informação
Aperfeiçoamento contínuo
Total Satisfação do Cliente

Constância de propósito

Garantia de Qualidade

Gerência de Processos
Gerência Participativa
Desenvolvimento de
recursos humanos

Delegação

Erro Zero
!
Solução do Problematizando...

Retomando a nossa pergunta, por que é preciso documentar e registrar todas as altera-
ções realizadas nas atividades?

Como vimos, devemos registrar e definir procedimentos para garantir que nenhuma mudan-
ça (de pessoal, de turno, de escala...) prejudique ou altere a qualidade do produto ou serviço.
O

GA I
D

RAN T

695
Unidade de Estudo
01

QUALIDADE

FERRAMENTAS
DA QUALIDADE

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

A situação é essa, seu Valdomiro.


Frequentemente a rosca está vindo com o
diâmetro fora de especificação. Por isso, a
gente tem enviado o lote inteiro para ajustar.

Preciso que você descubra a


causa desse problema e me
traga uma solução, Fernando.
ODNANREF
OCINCÉT
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Fernando poderá identificar a causa do problema de qualidade da rosca?

Conhecimento em pauta!

FERRAMENTAS DA QUALIDADE
Para investigar e descobrir as causas de um problema, contamos com as ferramentas da qua-
lidade, técnicas ou métodos que usamos para medir, controlar, verificar, investigar e melhorar a
produção ou o produto. Assista ao vídeo seguinte para compreender mais sobre esse assunto.

Existem várias ferramentas da qualidade, dentre elas os 5 porquês, o brainstorming e o


5W2H. Vamos conhecê-las um pouco melhor.

5 PORQUÊS
5 Porquês trata-se de uma ferramenta que nos ajuda a descobrir a causa raiz de um pro-
blema por meio de um hábito que crianças e pessoas curiosas em geral adoram: perguntar
várias vezes o porquê daquela situação.

Mas, o que é causa raiz mesmo? Bem, causa raiz é a origem de todo o problema, a causa
principal.

700
UE1 | Qualidade − Ferramentas da Qualidade

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Atenção! Algumas vezes, em problemas mais complexos, existem mais de uma causa raiz.
Nestes casos podemos também utilizar mais de uma ferramenta para identificá-las.

Veja o próximo vídeo para entender um pouco melhor como funciona os 5 porquês:

Trocando
Trocando Ideias!
Ideias!

Mas eu sempre tenho que fazer 5 perguntas?

Não. 5 é a quantidade de vezes que, na maioria dos problemas, você precisa perguntar
para garantir que encontrou a causa raiz. Porém, existem problemas mais simples. Nestes
casos, 3 ou 4 perguntas podem ser suficientes para identificar a causa raiz.

Outros problemas, no entanto, podem ser mais complexos, exigindo 6 ou 7 porquês para
chegar à sua causa raiz.

Mas, cuidado! Se começarmos a perguntar demais, pode ser que o problema seja muito
complexo e precisaremos lançar mão de outra ferramenta para solucionar.

Agora que você já sabe como identificar a causa raiz, vamos conhecer mais uma ferramenta?

701
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

BRAINSTORMING
Brainstorming pode ser traduzido como “tempestade de ideias”. Como o próprio nome já
diz, nada mais é que um grupo de pessoas “despejando” todas as soluções, ideias, pensa-
mentos e causas possíveis para a resolução do problema posto em questão.

É uma ferramenta que pode ser utilizada em situações como:

• Na concepção de um produto novo;


• Na busca pela causa raiz de um problema;
• Na busca de soluções para este problema.

O objetivo principal do brainstorming é gerar o máximo possível de ideias para resolver o


assunto em debate.

Mas como isso funciona? Simplesmente ficamos lá, pensando em várias coisas?

Bom, tem a lgumas regrinhas para que o brainstorming ocorra de forma proveitosa:

702
UE1 | Qualidade − Ferramentas da Qualidade

Essas pessoas irão falar todas Depois desta “chuva de


O processo deve ser feito em
as ideias que vêm à cabeça, ideias”, é preciso discutir e
grupo. É preciso reunir todas
mesmo que pareçam bobas esclarecer tudo o que foi dito
as pessoas envolvidas na
ou impossíveis, para resolver e, assim, chegar na solução.
questão.
aquela questão.

Tanto os 5 porquês quanto o brainstorming são excelentes ferramentas para encontrar a


causa raiz e propor soluções para problemas simples ou até mesmo complicados.

Mas, como essas soluções podem ser colocadas em prática? Isso pode ocorrer por meio
de um plano de ação.

5W2H
Essa aparente sopa de letrinhas e números, o 5W2H, na realidade são as iniciais, em in-
glês, para as palavras que orientam o que deve ser feito para solucionar o problema.

Esta ferramenta nada mais é do que um plano de ação, com informações precisas do que
será realizado. Veja como é simples:

Pergunta a
Passo O que responder
ser respondida
What? ( O que?) O que será feito? Informe a ação que será realizada.

Why? ( Por que?) Por que será feito? Informe o motivo de realizar essa ação.

Informe o local onde será realizada a


Where? (Onde?) Onde será feito? ação. Pode ser um departamento, um
posto de trabalho ou mesmo em uma
máquina
5W

Informe a data exata, o dia em que será


When? (Quando?) Quando será feito? realizada ou uma data limite para a
finalização.

Informe o nome do responsável pela


Who? (Quem?) Por quem será feito? ação. Se for realizado por um grupo,
colocar o nome do líder ou responsável.

Detalhe como será realizada a ação.


How? (Como?) Como será feito? Tente ser objetivo.
703
H
When? (Quando?) Quando será feito? realizada ou uma data limite para a
finalização.

Fundamentos da Tecnologia Mecânica Informe o nome do responsável pela


Who? (Quem?) Por quem será feito? ação. Se for realizado por um grupo,
colocar o nome do líder ou responsável.

Detalhe como será realizada a ação.


How? (Como?) Como será feito? Tente ser objetivo.

2H
Informe quanto irá custar a ação. Inclua
todas as despesas com mão de obra,
How Much? (Quanto?) Quanto vai custar? equipamentos, insumos e outros
elementos.

Vocêsabia?!
Você sabia?!
Algumas vezes, as empresas excluem o How much e utilizam o 5W1H. Outras vezes, usam
o 5W3H, no qual se inclui o How many (quantos).

Todos esses tipos de plano de ação podem ser úteis e o que vai definir qual deles será
utilizado é a necessidade de detalhamento exigida pela situação.

!
Solução do Problematizando...

Diante de tudo que você aprendeu até agora, como Fernando poderá identificar a causa
do problema de qualidade que ele identificou?

Vimos que as ferramentas da qualidade são técnicas ou métodos que nos auxiliam nas
investigações, resolução de problemas e planejamento de ações. Nesse caso, Fernando po-
derá aplicar uma ou mais de uma dessas ferramentas, os 5 porquês, o brainstorming e o
5W2H para chegar à causa e resolver o problema detectado.

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Aplique-os com


sucesso!

704
UE1 | Qualidade − Ferramentas da Qualidade

Anotações

705
Unidade de Estudo
01

ORGANIZAÇÃO
NO AMBIENTE
LABORAL

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

9 3

UEGRA
OCINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE

Você tem que dar um jeito


aqui. Está tudo bagunçado e
sua produtividade também
vem caindo bastante!
0

9 3

UEGRA
OCINCÉT

VALDOMIRO
GERENTE
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Como Argeu deverá agir para mudar a sua postura na empresa?

Conhecimento em pauta!

ORGANIZAÇÃO E DISCIPLINA
Já parou para pensar nos mecanismos que possibilitam o funcionamento de um veículo?
É necessário que um conjunto de peças esteja funcionando perfeitamente e em sincronia. A
falha de uma peça, geralmente, compromete o funcionamento de todo o conjunto e influên-
cia no desempenho ou simplesmente faz com que o carro pare de funcionar.

710
UE1 | Organização no Ambiente Laboral

Da mesma forma que o veículo precisa que todas as peças estejam trabalhando em sin-
cronia e perfeição para que possa funcionar e percorrer o trajeto normalmente, assim tam-
bém é o ambiente de trabalho.

Todo trabalho executado de forma correta e de forma organizada gera resultados, pois
quando as metas são cumpridas, há satisfação por parte da empresa e do trabalhador.

PRODUTIVIDADE

100%

0%

No momento em que as pessoas passam a confiar no seu trabalho, você se torna peça
importante e indispensável, pois toda a equipe e liderança prefere trabalhar com pessoas
comprometidas e que, através da organização do trabalho, cumpram tudo o que foi propos-
to, caso contrário, teriam consequências negativas para a empresa.

Nessa unidade de estudo vamos analisar princípios, requisitos e estratégias para a orga-
nização do tempo, de compromissos e de atividades de trabalho.

ORGANIZE SEU SETOR DE TRABALHO


Procurar ferramentas, dispositivos, documentos e relatórios pode exigir bastante tempo do
seu período de trabalho. Para que essas ações não diminuam a sua produtividade, sempre dei-
xe seus equipamentos de trabalho organizados e tudo em seu devido lugar. Um ambiente limpo
e organizado facilita o desempenho e passa uma boa impressão do profissional.

711
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

METALTECH

LISTA DE PRIORIDADES
Procure organizar o tempo e definir, dentre as diversas tarefas, aquelas que são impor-
tantes, urgentes e as que aparecem de vez em quando, ou seja, eventualmente.

Vamos conceituar estas tarefas?

TAREFAS IMPORTANTES TAREFAS URGENTES TAREFAS EVENTUAIS

São todas as tarefas com São aquelas tarefas que São as tarefas com pouca
importância e necessidade ficaram para última hora necessidade ou que
e que possam trazer ou já estão fora do prazo ocorrem ocasionalmente.
resultados em curto, médio estabelecido. Estas não Estas podem ser
ou longo prazo. Estas têm têm mais a opção de circunstanciais para você,
um impacto direto no serem realizadas em mas importantes ou
resultado do seu trabalho outro momento. Também urgentes para outra
ou desempenho. podem afetar o seu pessoa. Precisam ser
desempenho. tratadas, porém, somente
após as demais. Não
afetam diretamente o seu
desempenho.

Faça uma lista quanto a prioridades das tarefas e, à medida que for executando-as, elimine
ou risque da relação.

712
UE1 | Organização no Ambiente Laboral

URGÊNCIA E EMERGÊNCIA
Quando você deixa as atividades para serem feitas de última hora, dependendo da gravi-
dade da situação, essa ação se tornará crítica.

AGENDA | SEMANA 12

Assim, uma tarefa que poderia ter sido feita com calma e tranquilidade, acaba sendo exe-
cutada às pressas e, geralmente, ocorrendo falhas.

FOCO
Quando estamos no ambiente de trabalho devemos sempre evitar coisas que tirem a
nossa atenção, pois elas afetam e muito o desempenho profissional.

PRODUTIVIDADE - ana HA HA
HA
100%

HA
0%

713
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Atividades pessoais paralelas ao trabalho, como: telefonemas, redes sociais e desabafos


com colegas, tiram a concentração e influenciam na qualidade e no prazo final da atividade.

TRABALHO EM EQUIPE
A habilidade de trabalhar em equipe é essencial! Ao sentir dificuldade em estipular um
prazo, por exemplo, peça ajuda para a sua equipe de trabalho ou colegas e faça uma lista
das prioridades com a ajuda do seu superior imediato ou líder da equipe.

A partir do momento em que mais de uma pessoa está focada nas tarefas, as atividades
poderão ser distribuídas de forma otimizada, reduzindo o tempo de execução. Encontrar
as pessoas certas para dividir um trabalho demorado pode trazer mais satisfação do que
quando temos que realizar um trabalho de forma individual.

714
UE1 | Organização no Ambiente Laboral

!
Solução do Problematizando...

Após utilizar as estratégias


de organização do tempo,
compromissos e atividades,
Argeu está mais focado e
sua disciplina melhorou
bastante. Ele se tornou
muito mais produtivo.

Agora é com você!


Chegou a hora de você aplicar o que aprendeu! Responda aos itens de avaliação e amplie
seus conhecimentos! Sucesso!

715
Unidade de Estudo
01

QUALIDADE

ORGANIZANDO O
AMBIENTE DE TRABALHO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

O que Cris poderá fazer para encontrar tudo o que precisa para a realização do trabalho
de forma rápida, prática e fácil?

Conhecimento em pauta!

PRATICANDO O 5S
Sabe aquele dia que você acorda super atrasado, e no auge da correria da manhã, abre
o guarda-roupas e não tem uma camisa do uniforme no cabide? E depois de meia hora de
busca incansável, acha a camisa e ela está toda amassada? Pois bem, o 5S é uma ferramenta
da qualidade que pode te ajudar a evitar essa complicação.

O 5S é um conjunto de técnicas que têm como objetivo transformar o comportamento


das pessoas e, com isso, a cultura da empresa desenvolvendo um senso de responsabilida-
de no uso de recursos, cuidado com o ambiente de trabalho e preocupação com o outro,
melhorando assim o clima da organização, a produtividade e, consequentemente, a satisfa-
ção dos funcionários.

720
UE1 | Qualidade − Organizando o Ambiente de Trabalho

Vocêsabia?!
Você sabia?!
Após a Segunda Guerra Mundial, os Japoneses, com poucos recursos começaram uma
corrida com o objetivo de melhorar a produção. Eles buscaram informações no Sistema de
Produção em Massa, usado pelos americanos, porém viram que esse não se adequaria aos
Japoneses, e que eles teriam que adaptar e aperfeiçoar o que haviam aprendido nos EUA.

Desenvolveram programas voltados à qualidade, com o objetivo de buscar a melhoria


contínua dos processos e produtos. Dentre esses programas, foi desenvolvido o 5S, que tem
a função de criar um ambiente agradável na empresa que proporcione a busca contínua por
essa melhoria.

Há quem diga que o 5S já era praticado há muito tempo pelas donas de casa japonesas,
a fim de envolver todos os membros da família nas atividades da casa, e foi apenas incorpo-
rado pela indústria.

AFINAL O QUE SÃO OS 5S?


O termo 5S representa as cinco palavras japonesas que são os cinco níveis de implan-
tação do 5S, por não ter palavras em português que representam o seu significado, e para
manter os “S”, foram traduzidos como sensos:

SEIRI
Utilização

SEITON
SHITSUKE Organização
Autodisciplina

5S
SEIKETSU SEISOU
Higiene Limpeza

721
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Como já vimos, o 5S está associado a uma mudança de comportamento, que podemos


dividir em duas categorias: o jeito de agir e o jeito de ser.

de Aut
nso od
Se is

cip
Três sensos para o jeito de agir,
Dois sensos para

lina
de colocar a mão na massa
o jeito de ser.

Um senso baseado
Senso de Senso de na razão. Estimula
Utilização Organização o compromisso.

Senso de Se
ns Um senso baseado na
o de Higie n

e
Limpeza emoção, no sentimento
sobre a prática. Promove
a padronização saudável.

Agora que você já sabe que o 5S vem lá do Japão, e que significa vários sensos, é hora de
colocar em prática e melhorar o seu comportamento no ambiente de trabalho. Vamos ver
o que são esses sensos?

O SEIRI, O SEITON E O SEISO


Vamos considerar agora apenas os três primeiros: o Seiri, o Seiton e o Seiso, que na prática
são atividades que precisamos realizar.

Seiri – Senso de utilização


É separar tudo o que você precisa, do que
você não precisa. O que você precisa,
mantém. O que não, reaproveita em outro
lugar ou descarta.
Pode ser utilizado um método de
classificação para determinar o que será
mantido e o que será descartado:
- Se usa a todo momento, mantém próximo
a você;
- Se usa todo dia, mantém no posto de
DESCARTE
RECICLAGEM trabalho, mas pode ser num lugar em que
você precise se levantar ou algo assim;
- Se usa toda semana, mantém no
almoxarifado, por exemplo;
- Se não usa, descarta ou reaproveita em
outro lugar.

722
UE1 | Qualidade − Organizando o Ambiente de Trabalho

Seiton – Senso de organização

É uma atividade para arrumar o que Contratos


Currículos

ficou do Seiri:

- Após separar o que você precisa, Manuais Técnicos

deverá colocar tudo no seu devido


lugar; Catálogos de Parceiros

- É importante colocar identificação


visual de onde cada coisa deve
ficar, pode ser etiqueta ou desenho
do contorno da ferramenta,
qualquer coisa que identifique
onde fica cada objeto e que consiga
perceber se o objeto não estiver ali.

Contratos
Currículos Seiso – Senso de limpeza

Manuais Técnicos
É manter tudo em seu lugar e apenas o
necessário:

- Devemos manter o ambiente limpo;


Catálogos de Parceiros

- Não devemos acumular poeira, muito


menos coisas desnecessárias.

Mais importante do que limpar, é NÃO SUJAR.

À medida que vamos avançando nessas etapas, devemos ir incorporando o hábito de


realizar essas atividades automaticamente, ou seja, elas não serão realizadas apenas um
único dia, “o dia de fazer o 5S”, como é conhecido em várias empresas, mas deve ser realiza-
do no dia a dia, a cada atividade que for executada.

Agora que você já sabe as atividades que deve fazer, veja quais comportamentos deve
mudar ou adquirir.

723
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

SEIKETSU E SHITSUKE
O sucesso de implantação do 5S depende de uma mudança real de comportamento e
atitude dos colaboradores. E, com isso, entramos nos dois S restantes.

Seiketsu – Senso de higiene


Que lugar
agradável e
organizado! Contratos Esse senso não tem o objetivo de deixar você
Currículos

limpo e arrumado, como pode ter pensado.


Manuais Técnicos
Trata-se de um senso de padronização, de
saúde, de conservação, dentre outras
Catálogos de Parceiros nomenclaturas.

O objetivo é manter os três sensos anteriores,


não como um checklist, consultado
diariamente, mas como um hábito que lhe
fará identificar de imediato quando algo não
estiver de acordo com os sensos.

Shitsuke – Senso de autodisciplina

Esse senso é a manutenção dos 4S


anteriores, através de um
comportamento natural, instintivo e que
faça parte da sua vida.

Você faz os 4S anteriores, mesmo quando


não tem ninguém vendo.

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
Um bom parâmetro para saber se você está aplicando o conceito 5S na sua vida profissional,
é perceber que está aplicando esse conceito na organização de seu ambiente de trabalho,
estendendo também para a vida pessoal.

724
UE1 | Qualidade − Organizando o Ambiente de Trabalho

!
Solução do Problematizando...

Então, voltando à nossa pergunta, o que Cris pode fazer para encontrar tudo o que pre-
cisa para a realização do trabalho de forma rápida, prática e fácil? Assista ao vídeo a seguir.

Agora é com você!

Chegou a hora de você aplicar o que aprendeu! Responda aos itens de avaliação e amplie
seus conhecimentos! Sucesso!

725
Unidade de Estudo
01

MEIO AMBIENTE
PRESERVAÇÃO
AMBIENTAL COM OS
PROCESSOS DE FABRICAÇÃO
E MANUTENÇÃO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Fernando foi recém-contratado para


coordenar os serviços no setor de usinagem
da Metaltech. Ele recebeu, de seu supervisor,
uma OS (Ordem de Serviço) para fabricar uma
peça em alumínio.

FERNANDO
TÉCNICO

Mas que sujeira! O que vou fazer


com essa quantidade de resíduos?
Vou perguntar a Valdomiro.

FERNANDO
TÉCNICO

Porém, a máquina onde a peça


iria ser fabricada estava
usinando peças em aço e tinha
bastante resíduo.

Ele pediu orientação ao Gostaria de saber como


supervisor, pois precisava lidar com os resíduos do
saber onde descartar os torno, Valdomiro. Onde
resíduos gerados pelo posso descartá-los?
processo de usinagem
anterior, antes de iniciar a ODNANREF
OCINCÉT

próxima OS.
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

De que forma Fernando deve descartar esses resíduos?

Conhecimento em pauta!

3 RS – REDUZIR, REUTILIZAR E RECICLAR


A todo momento vemos movimentos que buscam produtos “ecologicamente corretos”,
não é mesmo? Sejam produtos reciclados, grupos de compra e venda de produtos usados,
até mesmo leis que buscam um desenvolvimento sustentável, como por exemplo, a lei que
proíbe o uso das sacolinhas plásticas no supermercado. Isso ocorre devido à crescente pre-
ocupação com a preservação do meio ambiente.

Nesta aula iremos estudar os princípios da preservação ambiental, os tipos de resíduos e


suas formas de descarte.

730
UE1 | Meio Ambiente − Preservação Ambiental com os Processos de Fabricação e Manutenção

Uma das medidas para se alcançar a preservação ambiental é o


princípio dos 3 Rs (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), que busca
estimular a prevenção à poluição ambiental através da redução do
consumo exagerado dos recursos naturais e artificiais, a reutilização
desses recursos quando possível ou então a sua reciclagem.

Na indústria, essas ações podem ser percebidas através da economia do consumo de


água e energia; da reutilização dos resíduos na própria linha de produção, ou para a fabrica-
ção de outros produtos, assim como, na reciclagem dos produtos ao fim do seu ciclo de vida.

731
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Vale ressaltar que a prevenção parte do princípio da não degradação do meio ambiente,
ou seja, a não geração de resíduos. Porém, quando não é possível evitar a geração de resídu-
os, devemos reaproveitá-los e reutilizá-los ao máximo, para reduzir o que será descartado.
Quando atingirmos o limite de utilização, devemos encontrar uma forma de descarte cons-
ciente, minimizando o impacto no meio ambiente.

Portanto, vamos conhecer um pouco sobre a gestão de resíduos, a fim de saber como
podemos tratar os resíduos, para conservar o meio ambiente, aprofundando-nos na Política
Nacional de Resíduos Sólidos, assistindo o vídeo a seguir.

POLÍTICA NACIONAL DE RESÍDUOS SÓLIDOS (LEI Nº 12.305/10)

732
UE1 | Meio Ambiente − Preservação Ambiental com os Processos de Fabricação e Manutenção

Parasaber
Para saber mais!
mais!

Consulte a NBR 10004:2004 para conhecer a classificação das atividades e agentes peri-
gosos, a fim de localizar em qual classe o resíduo está classificado.

Vamos ver como a NBR 10004:2004 classifica os resíduos?

Classe I: resíduos perigosos, aqueles que apresentam riscos à saúde, capazes de


gerar doenças, aumentar suas incidências ou provocar a morte; e/ou riscos ao
meio ambiente, caso o resíduo seja descartado de forma inadequada, é capaz de
gerar impactos ambientais.

Classe II: resíduos não perigosos. Eles são subdivididos em não inertes, aqueles
que possuem características de solubilidade em água, biodegradabilidade ou
combustibilidade; ou inertes, aqueles que não apresentam a capacidade de
solubilidade em água. Esses resíduos são subdivididos em não inerte (classe II A),
quando apresentam características de solubilidade, biodegradabilidade ou
combustibilidade; ou inertes (classe II B) que não possuem característica de
solubilidade a uma determinada concentração estabelecida por norma.

Agora que você já conhece a classificação dos resíduos, imagine que você precisa descartar
um líquido sem identificação! Como você deve proceder?

O seu primeiro passo é identificar de onde veio esse resíduo, qual a


atividade que o originou. Se for de uma fonte conhecida, deve
verificar se já existe alguma classificação quanto à periculosidade do
mesmo. Caso seja classificada como resíduo perigoso, classificá-lo
como classe I e tratá-lo de acordo com a orientação para este tipo de
resíduo.

Caso não exista uma pré-classificação deste resíduo, verificar se ele


apresenta características como inflamabilidade, reatividade,
patogenicidade, toxicidade ou corrosividade. Caso apresente algum
desses itens, classificá-lo como Classe I e dar os encaminhamentos
necessários.

Caso o resíduo não se enquadre em nenhuma das opções anteriores,


pode ser classificado como classe II. Porém, deve verificar se ele
apresenta a característica de ser solubilizado em água, caso não seja,
ele é classe II B, resíduo inerte, ou se apresentar as características de
solubilidade, biodegradabilidade ou combustibilidade, ele será classe II
A, resíduo não inerte.

733
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Como aplico?
Como aplico?

Você precisa descartar o fluido de corte de uma máquina fresadora, o que fazer? O primeiro
passo é consultar a NBR 10004 e verificar se o fluido tem alguma classificação prévia.

Após consulta à lista de produtos perigosos, verifica-se que “óleo de corte de usinagem
usado” é classificado como tóxico. Esse fluido é classificado como resíduo classe I e deve-
rá ser descartado atendendo aos cuidados, conforme legislação vigente, referente a esse
tipo de resíduo.

Veja a seguir como ocorre o processo de descarte dos resíduos.

734
UE1 | Meio Ambiente − Preservação Ambiental com os Processos de Fabricação e Manutenção

DESTINAÇÃO DE RESÍDUOS
Antes de qualquer coisa, precisamos compreender que nem todo resíduo é descartado,
pois, como já vimos, o resíduo ainda pode passar por alguns tratamentos a fim de ser reutili-
zado, e apenas quando se esgotam as opções de tratamento é que este deve ser descartado.

Sabendo disso, para os processos de fabricação, temos alguns fins de destinação dos
resíduos:

Destinação de Resíduos
Reciclagem: é o reaproveitamento dos resíduos, que
pode ser na própria fabricação retornando os resíduos
para a linha como matéria-prima ou insumo, ou na
fabricação de produtos novos, sendo enviado como
matéria-prima para outra fábrica ou linha. Por
exemplo, a separação dos retalhos provenientes do
corte de uma chapa, para serem utilizados como
insumo para a conformação de outros tipos de peças.
O ponto chave dessa forma de destinação é a coleta
seletiva, onde cada tipo de resíduo é separado por
grupos.

Incineração: é a queima dos resíduos em câmaras de


combustão. É uma opção de alto custo, pois, a
depender da composição do material que está sendo
incinerado, tem-se a emissão de gases tóxicos e, com
isso, deve-se ter um robusto tratamento dessa
emissão. Porém, alguns resíduos são obrigados, por
lei, a serem incinerados, por exemplo, rejeitos
contaminados com bactérias ou outros agentes
biológicos.

Aterro sanitário: local onde os resíduos são


compactados e aterrados (cobertos por uma camada
de areia ou argila). Os aterros são a destinação final
ambientalmente adequada, porém, as empresas
devem tentar ao máximo minimizar o descarte de
resíduos, dando prioridade à reutilização e ao
reaproveitamento dos mesmos.

735
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

!
Solução do Problematizando...

Retomando o nosso problematizando, de que forma Fernando deve descartar esses re-
síduos?

Para realizar o descarte dos


Torno Limpo
resíduos, antes de qualquer
coisa, Fernando deve fazer a
limpeza completa da máquina...

Tudo separado ... separando os resíduos em


e classificado coletores seletivos e
classificando o tipo de
resíduo que ele está tratando.

Feito isso, deve verificar a possibilidade


de reaproveitá-lo, seja na própria linha
de produção, ou como matéria-prima
de algum outro produto.

736
UE1 | Meio Ambiente − Preservação Ambiental com os Processos de Fabricação e Manutenção

Feito isso, deve verificar a possibilidade


de reaproveitá-lo, seja na própria linha
de produção, ou como matéria-prima
de algum outro produto.

Ao esgotar todas as possibilidades de


reaproveitamento, ele deve destinar ao aterro
sanitário regulamentado para, então, atender
a ordem de serviço que recebeu de Valdomiro.

FERNANDO
TÉCNICO

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conteúdos aprendidos nesta aula. Bom desempenho!

737
Unidade de Estudo
01

MEIO AMBIENTE
CAUSAS DE PROBLEMAS
AMBIENTAIS EM PROCESSOS
DE FABRICAÇÃO MECÂNICA

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Hum... Realmente está


vazando óleo, como
Valdomiro indicou.

OICÉD
OCINCÉT
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Por que é importante que João Pedro resolva o problema do vazamento de óleo?

Conhecimento em pauta!

FONTES DE PROBLEMAS AMBIENTAIS


O meio ambiente é de extrema importância para todos nós. Dessa forma, é preciso reco-
nhecer circunstâncias e situações de risco que podem prejudicá-lo, especialmente aquelas
causadas pelos processos de fabricação e manutenção mecânica.

RISCOS AMBIENTAIS GERADOS POR RESÍDUOS


Você sabe onde se localizam os riscos ambientais na área de fabricação e manutenção
mecânica? Eles estão presentes nos processos de usinagem, por exemplo.

Sempre que um processo de usinagem é realizado, materiais da peça são removidos.


Esses resíduos são chamados de cavaco.

Em empresas de usinagem, um dos grandes problemas é o descarte desses cavacos con-


taminados com fluido de corte, uma vez que eles podem, entre outros problemas:

• Alterar a qualidade do ar;


• Contribuir com o efeito estufa;
• Contaminar a água e o solo.

Devido aos riscos ao meio ambiente, devemos reciclar os cavacos o máximo possível.
Entretanto, isso não será possível se eles forem misturados com materiais diversos, como
madeira, tecidos e plásticos.

Além disso, mesmo quando separamos os cavacos metálicos de outros materiais, se não
houver uma separação dos diversos metais (aço, alumínio, bronze, etc.), a reciclagem desses
cavacos fica prejudicada.

742
UE1 | Meio Ambiente − Causas de Problemas Ambientais em Processos de Fabricação Mecânica

RISCOS AMBIENTAIS GERADOS NA FABRICAÇÃO


E MANUTENÇÃO MECÂNICA
Vamos analisar dois fatores de riscos gerados na fabricação e manutenção mecânica: os
vazamentos de óleo e a água gerada nos processos industriais.

VAZAMENTOS
As máquinas-ferramenta, como tornos, fresadoras ou mandriladoras, devem estar bem
reguladas e receber manutenção periódica.

Alguns tipos muito comuns de vazamento que podem ser encontrados em ambientes
industriais são os vazamentos de óleo hidráulico, de lubrificação, de corte da máquina, nas
juntas, nas conexões, nas tampas ou mesmo nas tubulações e mangueiras.

Vazamentos de óleo podem causar sérios danos à saúde, para a empresa e para a nature-
za. Além disso, óleo pode ser inflamável. Por isso, faíscas, chamas ou o próprio calor gerado
nos processos pode causar incêndios. Ao identificar uma situação de vazamento, é preciso
entrar imediatamente em contato com os técnicos de segurança da empresa.

Vazamentos do fluido de corte, por sua vez, costumam escorrer pelo chão da fábrica.
Mas, neste caso, é possível coletá-lo. Há empresas que colocam ralos no chão da fábrica, de
maneira que todo resíduo que escorrer seja descartado em um grande reservatório instala-
do sob o local. Isso garante que os fluidos contaminados gerados na fábrica não serão joga-
dos no esgoto comum, promovendo a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente.

743
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
É preciso projetar adequadamente este sistema de coleta, porque havendo líquido inflamável
dentro do reservatório, pode ocorrer incêndios causados por faíscas ou chamas diversas.

De qualquer maneira, manter o chão da fábrica limpo e sem manchas de óleo é sempre
a atitude mais recomendável.

ÁGUA
Além dos vazamentos de óleo, a água utilizada nos processos de fabricação e manuten-
ção mecânica também pode causar riscos ao meio ambiente.

Em uma indústria, além da água utilizada para consumo humano (para beber e para
higiene), também existe a água empregada para resfriamento de equipamentos, das peças
que estão sendo produzidas ou ainda para outros fins junto às máquinas.

Toda essa água utilizada na empresa nos processos industriais pode estar contaminada
e deve ser coletada separadamente da água usada para fins de consumo humano. Seu des-
carte deve ser feito, preferencialmente, por meio de empresas especializadas.

É muito importante que o descarte dos resíduos seja feito de forma segura ao meio am-
biente, uma vez que, mesmo com todos os cuidados, ainda podem acontecer acidentes.

A contaminação do solo e dos lençóis freáticos pode causar doenças e mortes, além de gerar
multas altas para a empresa por parte dos órgãos ambientais responsáveis pela fiscalização.

744
UE1 | Meio Ambiente − Causas de Problemas Ambientais em Processos de Fabricação Mecânica

Soluções de emergência devem ser planejadas de modo a conter a contaminação e evitar


que ela se alastre.

!
Solução do Problematizando...

Agora já temos condição de responder à questão do problematizando. Vamos relembrá-la?

Por que é importante que João Pedro resolva


o problema do vazamento de óleo?

OICÉD
OCINCÉT

745
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Porque vazamentos de óleo causam prejuízo para a empresa e prejudicam a natureza.


Além disso, eles podem ser perigosos, uma vez que o óleo é inflamável, possibilitando que
faíscas, chamas ou o próprio calor gerado nos processos provoque incêndios.

Para resolver o problema, João Pedro deve proceder da seguinte forma:

• Conter o vazamento;
• Sinalizar o local;
• Sugerir uma manutenção corretiva nas máquinas, para identificar as fontes de vaza-
mento e corrigi-las;
• E, finalmente, fazer um planejamento para manutenção periódica dos equipamentos,
que pode ser preventiva ou preditiva.

746
UE1 | Meio Ambiente − Causas de Problemas Ambientais em Processos de Fabricação Mecânica

Agora é com você!

É hora de colocar em prática os conhecimentos aprendidos nesta aula. Aplique-os


com sucesso!

747
Unidade de Estudo
01

SAÚDE
E SEGURANÇA
IDENTIFICANDO
SITUAÇÕES DE RISCO

Unidade Curricular
Fundamentos da
Tecnologia Mecânica
Contexto!
Contexto!

Nós recebemos uma ordem de


serviço para usinagem de um
lote grande de peças de Celeron.

FERNANDO
TÉCNICO
DÉCIO
TÉCNICO

ANA
TÉCNICO

A usinagem desse material


libera muito pó, não é?

É justamente com isso


que estou preocupado.
ORDEM Preciso rever os riscos
D
SERVIÇ E existentes nessa
O
situação!
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

?
Problematizando...

Quais riscos Décio pode identificar nessa situação?

Conhecimento em pauta!

SITUAÇÕES DE RISCO
Um acidente de trabalho é algo que sempre deve ser evitado. Veja a seguir a definição de
acidente de trabalho de acordo com a lei 8213/91, que dispõe sobre os planos e benefícios
da previdência social.

De acordo com a lei


8.213/91, no Art. 19
"acidente de trabalho é o
que ocorre pelo exercício do
ACIDENTE DE trabalho a serviço da
empresa ou pelo exercício do
TRABALHO trabalho dos segurados
LEI 8213/91 referidos no inciso VII do art.
11 desta lei, provocando
lesão corporal ou
perturbação funcional que
cause a morte ou a perda ou
redução, permanente ou
temporária, da capacidade
para o trabalho.".

Agora que você já sabe o que é acidente de trabalho, observe a diferença entre acidente
de trabalho e incidente de trabalho.

752
UE1 | Saúde e Segurança− Identificando Situações de Risco

Acidente de trabalho Incidente de trabalho

Ocorre quando uma pessoa se É a situação em que a pessoa


envolve em uma situação e “quase” sofre um acidente.
sofre um acidente.

VAMOS VER UM EXEMPLO PRÁTICO?


Imagine que você esteja andando em uma fábrica e se depara com uma condição insegu-
ra, que é uma situação que favorece à possibilidade de acontecer um acidente, por exemplo:
uma mancha de óleo no chão. Como ninguém se acidentou por causa dela, podemos dizer
que este evento (você se deparar com a mancha) é um incidente de trabalho. Mas se você
tivesse caído por causa da mancha, seria um acidente de trabalho.

CUIDADO!

753
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

ATO INSEGURO
Temos também o conceito de ato inseguro, que caracteriza algo que uma pessoa faz e
que pode levar a um acidente. Por exemplo: imagine que você veja um soldador trabalhan-
do sem usar os EPI (bota de segurança, perneira, luva de raspa, entre outros). Se nada de
mau aconteceu até o momento, então não houve um acidente, mas eles estão expostos a
diversos tipos de radiações que podem provocar danos à saúde do soldador, como queima-
duras na pele e nos olhos. Em outras palavras, ao operar a máquina de solda desta maneira,
ele está operando de forma insegura, ou seja, realizando um ato inseguro.

754
UE1 | Saúde e Segurança− Identificando Situações de Risco

Desta forma, atos inseguros e condições inseguras devem ser evitados para não causar
acidentes. Mas há também os agentes agressores à saúde, que podem nos trazer danos.

AGENTES AGRESSORES À SAÚDE


Agentes agressores à saúde são os agentes físicos, químicos e biológicos, considerados
como riscos ambientais quando estão presentes no ambiente de trabalho em determinadas
concentrações ou intensidade, acima de limites predeterminados.

Os agentes agressores à saúde, como o próprio nome sugere, podem colocar em risco a
saúde dos trabalhadores. Por exemplo: se a empresa utiliza substâncias ácidas, essas são
agentes agressores e, portanto, os trabalhadores devem evitá-los ou poderão se ferir se
tiverem contato com esses ácidos.

Outros exemplos de agentes agressores são:

• Cavacos de usinagem;
• Fluido de corte;
• Fios elétricos energizados e expostos.

Poeira, névoa e respingos também podem ser considerados agentes agressores, dependen-
do da situação. Como exemplo, a usinagem de alguns materiais, como Celeron, grafite e outros,
ao invés de produzir cavacos, produz pó. E este pó pode ser muito prejudicial à saúde.

755
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

Para não se prejudicarem com esses agentes agressores, os trabalhadores devem usar
os equipamentos de proteção individual (EPI) e os equipamentos de proteção coletiva (EPC).

Então, a pergunta agora é: como podemos identificar uma situação de risco?

Para que um trabalhador se encontre em uma situação de risco, é preciso que esteja pre-
sente pelo menos um dos 3 fatores definidos anteriormente:

• Um ato inseguro;
• Uma condição insegura;
• Um agente agressor.

Você já conheceu alguns conceitos que envolvem acidentes de trabalho. Agora, veja algu-
mas situações que podem levar uma pessoa a sofrer um acidente de trabalho e que devem
ser evitadas:

756
UE1 | Saúde e Segurança− Identificando Situações de Risco

Observe o técnico operando uma furadeira. Repare que o operador não está usando os
óculos de segurança e também está usando manga comprida. Essa imagem caracteriza dois
atos inseguros, pois um cavaco pode facilmente voar para os olhos do operador e a manga
comprida pode encostar no mandril girando, considerando uma situação de risco.

Veja, a seguir, outra situação, na qual é possível ver um grande vazamento na tubulação.
Se o líquido vazando é água, temos uma situação insegura, pois o chão nas proximidades
tende a ficar escorregadio. Se há terra, forma lama e alguém pode cair. Se o líquido vazando
é um produto químico, ele se torna um agente agressor por ser prejudicial à saúde, ou seja,
temos nesse exemplo uma condição insegura.

A próxima situação envolve energia elétrica. Vamos ver? Imagine que um trabalhador
tenha verificado que o cabo, como mostrado na figura, está alimentando uma fresadora da
empresa em que trabalha. Nitidamente, podemos ver que houve ruptura da capa dos fios e,
se energizados, há riscos de choque elétrico para quem se aproximar.

757
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

! Fique pordentro!
Fique por dentro!
O choque não é a única coisa que pode acontecer com uma pessoa, devido a correntes elétri-
cas. Além do choque, uma corrente elétrica elevada pode gerar um arco elétrico e provocar
queimaduras sérias na pele da pessoa e, em alguns casos, queimaduras internas.

Além disso, quando uma corrente elétrica circula por um fio, é gerado em volta dele um
campo eletromagnético que pode interagir com as células do organismo humano. Depen-
dendo da intensidade deste campo, pode haver consequências para a pessoa, como leuce-
mia e câncer em diversos órgãos do corpo.

Por tudo isso, é bom ficar afastado da eletricidade. Assim, se você vir um cabo caído, ou
um fio descascado, procure imediatamente alguém da CIPA (Comissão Interna de Prevenção
de Acidentes) e relate o ocorrido.

758
UE1 | Saúde e Segurança− Identificando Situações de Risco

Fiquede de
Fique olho!olho!

Será que esta situação é segura? Certamente, não. Observe que há uma empilhadeira
com carga manipulada por um operador e bem próximo há outro trabalhador.

Nesse tipo de situação o operador da empilhadeira deve usar sinalização para manter
a distância das pessoas, de forma que, se algo acontecer, por exemplo, se a carga cair dos
garfos, não causará ferimentos a ninguém.

Infelizmente, é muito comum as pessoas se aproximarem da empilhadeira nessa situa-


ção, o que caracteriza uma condição insegura.

759
Fundamentos da Tecnologia Mecânica

E quando nós transportamos coisas pesadas? Como devemos nos comportar para ter
segurança?

Observe que o homem está transportando várias caixas