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LEGISLAÇÃO

GÁS NATURAL VEICULAR

LEGISLAÇÃO

2003

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 1


GÁS NATURAL VEICULAR

Gás Natural Veicular - Legislação

SENAI-SP, 2003

Trabalho elaborado e editorado pela Escola SENAI “Conde José Vicente de Azevedo”

Coordenação geral Arthur Alves dos Santos

Coordenação do projeto José Antonio Messas

Elaboração Fernando Landulfo

Editoração Maria Regina José da Silva


Teresa Cristina Maíno de Azevedo

Produção de imagens Mauro Alkmin da Costa

S47c SENAI. SP. Gás Natural Veicular - Legislação. São Paulo, 2003. 67p. il.

Apostila técnica

CDU 629.3.083.6:-032.31

SENAI Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial


Escola SENAI “Conde José Vicente de Azevedo”
Rua Moreira de Godói, 226 - Ipiranga - São Paulo-SP - CEP. 04266-060

Telefone (011) 6163-1988


Telefax (011) 6160-0219

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO 5

UM POUCO DE HISTÓRIA 7
• Gás no Brasil 8

COMPOSIÇÃO DE GASES COMBUSTÍVEIS 10


• Gás Natural 10

ASPECTOS ECONÔMICOS 12
• Os Diversos Mercados do Gás Natural 12
• Equipamentos Movidos a Gás Natural 13
• Vantagens da Utilização do Gás Natural 14
• Especificações do Gás para Consumo 16
• Reservas Naturais Brasileiras 16
• Transporte de Gás Natural 17

COMBUSTÃO DO GÁS NATURAL 19


• Relação Ar/Gás (Ar Teórico) 19

VEÍCULOS MOVIDOS A GÁS NATURAL 20


• O GNV e as Emissões Veiculares 20
• Vantagens e Desvantagens do Uso do Gás Natural em Veículos 21
• Pontos a serem Levados em Consideração 22
• Investimentos 22
• Postos de Abastecimento 23
• Aspectos Legais do GNV 24

REGISTRO DE INSTALADORES DE SISTEMAS DE GNV JUNTO AO INMETRO 28


• Generalidades 28

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INSTALAÇÃO EM VEÍCULOS 31
• Generalidades 31
• Veículos que podem ser Convertidos 31
• Componentes Básicos de um Sistema de GNV 32
• Normas e Regulamentos 34
• Legalização da Instalação 42
• Organismo de Inspeção Credenciado 44

NOÇÕES DE CUSTOS E GERENCIAMENTO 47


• Compras 47
• Controle de Estoques 48
• Formulação de Preços 49
• Planejamento Estratégico - Ponto de Equilíbrio 51
• Agregação de Valores ao Serviço 52

NOÇÕES SOBRE TRIBUTOS 54


• Tributos e Contribuições Federais 54
• Tributos e Contribuições Estaduais 57
• Tributos e Contribuições Municipais 57

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 59

ANEXOS 63

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INTRODUÇÃO

Esse módulo tem o objetivo de dar aos Instaladores registrados, Usuários e a Comunidade
em geral, um maior conhecimento teórico e prático a respeito de alguns aspectos legais do
uso do Gás Natural Veicular, de modo a facilitar os trabalhos de instalação, abastecimento,
operação e manutenção preventiva e corretiva de veículos que utilizam esse combustível.

O conteúdo desta apostila não pretende, obviamente, lançar a última palavra sobre este
assunto, mas se destina a contribuir para o pleno desenvolvimento do programa do GNV no
Brasil.

O desenvolvimento dos estudos desse módulo deve ocorrer em duas fases: aulas teóricas
e práticas.

A divisão do módulo em duas fases é apenas recurso de organização sendo que as aulas
de teoria e de prática devem ocorrer simultaneamente e a carga horária deve variar de
acordo com as necessidades didático - pedagógicas.

As aulas teóricas visam desenvolver nos alunos o domínio de conteúdos básicos e de


legislação necessários para a realização dos ensaios.

As aulas práticas caracterizam-se por atividades realizadas direta e exclusivamente pelos


alunos. Nessas aulas, o aluno vai aprender a inspecionar e orientar o processo de instalação
de equipamentos de GNV.

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UM POUCO DE HISTÓRIA

A primeira notícia que se tem do uso de substâncias gasosas como combustíveis foi feita
pelos chineses, por volta do ano 900. Segundo os registros da época, os chineses
canalizavam um gás combustível por meio de tubos de bambu e usavam-no para iluminação.

A primeira produção de um gás combustível proveniente do carvão ocorreu por volta de


1665, na Inglaterra, e sua primeira utilização foi também em iluminação, em 1792. Não
passou muito tempo e as companhias de distribuição de gás começaram a ser organizadas
e a fabricação começou a ser feita em bases comerciais. A descoberta de outras misturas
gasosas combustíveis, como o gás d’água e o gás de gerador ou gás de gasogênio, foram
novas etapas do desenvolvimento dessa indústria.

Desde a Revolução Industrial, no século 18, a expansão demográfica vem deixando cada
vez mais evidente que nem os recursos naturais, nem a força de recuperação da natureza
são ilimitados. Por isso, é preciso buscar, permanentemente, novas formas de aproveitamento
das fontes de energia. O gás natural é a opção que tem acumulado, nos últimos anos, os
melhores resultados operacionais e econômicos.

A utilização de gás natural como combustível para motores especialmente industriais, data
de muitas décadas. A escassez de combustíveis líquidos sobretudo nos países da Europa,
deu origem a aplicação de gás natural nos motores veiculares.

O gás natural volta a tona no fim da década de 60 e início da década de 70, quando a alta do
petróleo obriga os governos e fabricantes de veículos a buscar alternativas energéticas
técnico-econômicas viáveis. Das fontes alternativas de energia: solar, eólica, elétrica,
hidrogênio e biomassa, o gás natural é o que dispõe de tecnologia mais amadurecida e, o
que é melhor, com eficiência comprovada em operações regulares de transporte.

Como o consumo mundial de gás natural triplicou nos últimos trinta anos, consolida-se
cada vez mais como solução inteligente de aproveitamento de recursos energéticos
alternativos ao petróleo.

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O GÁS NO BRASIL

A utilização do gás, como combustível, pode ser divida em 3 fases:

1ª FASE: GÁS DE CARVÃO (1854-1970)


Este período iniciou com a 1ª fábrica de gás de carvão, em 1854, no Rio de Janeiro. Em
1872 podemos destacar a criação através de um decreto imperial, da “The São Paulo Gás
Company”. Nesta fase, o gás era utilizado apenas para a iluminação pública e no uso
doméstico.

2ª FASE: GÁS DE NAFTA (1970-1980)


Nesta época, o gás de nafta, derivado leve do petróleo, era de uso exclusivamente doméstico.
Em São Paulo, teve o início da construção do anel de alta pressão para sua distribuição.

3ª FASE: GÁS NATURAL (1980 EM DIANTE)


Com as descobertas de óleo e gás natural na Bahia, em 1947, iniciou-se o uso do gás
natural em industrias, desta região. Já em 1980, ocorreram grandes descobertas de óleo e
gás natural na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro. A distribuição para São Paulo iniciou
em 1988.

O programa brasileiro teve início no final da década de 80 com a elaboração do PLANGÁS -


Plano Nacional de Gás para uso no transporte. O plano tinha como objetivo a substituição
do óleo diesel, uma vez que esse combustível correspondia a aproximadamente 52% do
consumo energético do país, enquanto o gás natural representava apenas 1,8% desse total.

Nesta oportunidade foram criadas as primeiras comissões governamentais para o estudo


da substituição do óleo diesel, utilizado pelos veículos de transporte de carga e de passageiros
(ônibus).

Vários programas experimentais em veículos de carga e transporte foram postos em prática.


No entanto, a pequena diferença entre os preços do gás natural e do óleo diesel inviabilizou
economicamente a conversão da frota nacional.

Aliados a esses fatores, a falta de infra-estrutura de abastecimento dificultava a implantação


do programa. Para ampliar o projeto e criar uma estrutura de abastecimento, foi liberado no
final de 1991 o uso de gás natural para táxis e posteriormente para frotas cativas de empresas.
Também foi inaugurado o primeiro posto público de abastecimento no Brasil, no Rio de
Janeiro.

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Somente a partir desta medida, o programa de gás natural brasileiro iniciou seu
desenvolvimento efetivo. Viabilizou-se então, o gás natural como combustível alternativo
para o álcool, para a gasolina ou mesmo para o diesel, em função das suas qualidades, do
seu preço competitivo, reservas e aspectos positivos em relação ao meio ambiente.

A instalação de sistemas de gás natural tornou-se então, extremamente atrativa para os


proprietários de táxis. A demanda pelo combustível passou a ter um rítimo de crescimento
constante, estimulando as distribuidoras a investirem na abertura de novas estações de
abastecimento em vários estados do país.

A maior parte dos investimentos no programa de gás natural automotivo é proveniente do


capital privado, especialmente das companhias distribuidoras de petróleo. Ao contrário do
pró-álcool que foi criado, desenvolvido e controlado totalmente pelo governo.

O uso do gás natural veicular (GNV), no Brasil, está apenas começando, com a liberação
para veículos particulares no início de 1996 e a implantação das medidas sugeridas ao
Governo, o programa brasileiro poderá ser conduzido para valores bem maiores que os
atuais.

Apenas para complementar, o mercado de GNV fechou o ano de 2000 com um volume de
vendas de 251,8 milhões de metros cúbicos (dados do SINDICOM), apresentando um
crescimento de 94% em relação a 1999.

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COMPOSIÇÃO DOS GASES COMBUSTÍVEIS

GÁS NATURAL

O gás natural é uma fonte de energia encontrada em rochas porosas no subsolo, podendo
estar ou não associado ao petróleo.

Sua composição pode variar dependendo do fato do gás estar associado ou não ao óleo, ou
de ter sido ou não processado em unidades industriais. Sua
composição básica inclui metano, etano, propano e hidrocarbonetos
de maior peso molecular (em menores proporções). Normalmente
ele apresenta baixos teores de contaminantes como nitrogênio,
dióxido de carbono, água e compostos de enxofre.

Mais leve que o ar, dissipa-se facilmente na atmosfera em caso de vazamento. Para que
inflame, é preciso que seja submetido a uma temperatura superior a 620°C. Somente a
título de comparação, vale lembrar que o álcool se inflama a 200°C
e a gasolina a 300°C. Além disso, quando utilizado da maneira
correta, é um combustível pouco poluente, não provocando uma
grande degradação do meio ambiente.

GÁS NATURAL ASSOCIADO AO ÓLEO


É aquele que, nos reservatórios de óleo, está dissolvido no mesmo
ou sob a forma de uma capa de gás. Neste caso, a produção de
gás é determinada diretamente pela produção do óleo.

GÁS NÃO ASSOCIADO AO ÓLEO


É aquele que, nos reservatórios de óleo, está livre ou em presença
de quantidades muito pequenas do mesmo. Neste caso, só se
justifica comercialmente produzir o gás.

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COMPOSIÇÃO TÍPICA

1. Gás do campo de Garoupa, Bacia de Campos


2. Gás do campo de Miranga, na Bahia
3. Saída da UPGN-Candeias, na Bahia

PRODUÇÃO E PROCESSAMENTO
Na produção, o gás passa inicialmente por vasos separadores que retiram a água, os
hidrocarbonetos que estiverem em estado líquido e as partículas sólidas (pó, produtos de
corrosão e outros). Se estiver contaminado por compostos de enxofre, o gás é enviado para
unidades de dessulfurização para a retirada dos contaminantes. Na próxima fase uma parte
do gás é utilizada no próprio sistema de produção, em processos conhecidos como reinjeção
e gás lift, os quais, tem o objetivo de aumentar a recuperação de petróleo do reservatório.

A produção pode ocorrer em áreas de difícil acesso, distantes dos grandes centros de
consumo. Este motivo torna a produção e o transporte as etapas mais críticas do sistema.
O próximo passo é a chegada do gás nas unidades industriais, conhecidas como UPGN
(Unidades de Processamento de Gás Natural).

Nesta fase ele será desidratado e fracionado, gerando as seguintes correntes: metano e
etano (que formam o gás processado ou residual); propano e butano (que formam o GLP
- gás liquefeito de petróleo ou gás de cozinha); e um produto na faixa da gasolina, denominado
C5+ ou gasolina natural.

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ASPECTOS ECONÔMICOS

OS DIVERSOS MERCADOS DO GÁS NATURAL

O gás natural é utilizado como combustível para fornecimento de calor, geração e cogeração
de eletricidade e de força motriz; como matéria-prima nas indústrias
siderúrgica, química, petroquímica e de fertilizantes. Na área de
transportes é utilizado como substituto do óleo diesel, gasolina e
álcool.

GÁS DOMICILIAR
No uso em residências, o gás natural é chamado de “gás domiciliar”. É um mercado em
franca expansão, especialmente nos grandes centros urbanos de todo País. As companhias
distribuidoras estaduais têm planos de grande ampliação de suas redes, e o aumento do
consumo de gás domiciliar demanda investimentos expressivos em conversões e em
recebimento e adaptações nas residências.

GÁS VEICULAR
No uso em automóveis, ônibus e caminhões, o gás natural recebe o nome de “gás natural
veicular ou simplesmente GNV”, oferecendo vantagem no custo por quilômetro rodado. Não
provoca resíduos de carbono nas partes internas do motor, o que de um lado, aumenta a
vida útil do mesmo e o intervalo de troca do óleo e de outro, reduz significativamente os
custos de manutenção.

INDÚSTRIA
Utilizado como combustível, o gás natural proporciona uma combustão mais “limpa”, ideal
para processos que exigem a queima em contato direto com o produto final, como, por
exemplo, a indústria de cerâmica e a fabricação de vidro e cimento. O gás natural também
pode ser utilizado como redutor siderúrgico na fabricação de aço e, de formas variadas,
como matéria-prima: na indústria petroquímica, principalmente para a produção de metanol,
e na indústria de fertilizantes, para a produção de amônia e uréia.

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TERMELÉTRICAS
A participação em projetos de usinas termelétricas é uma prioridade da Gaspetro e se insere
na estratégia de ação definida para o Sistema Petrobrás, pelo Governo Federal, através do
Ministério de Minas e Energia, com o objetivo de contribuir para assegurar o suprimento de
energia elétrica nos próximos anos. Em turbinas termelétricas, combinadas com caldeiras
recuperadoras de calor, o gás pode ter dupla função: geração de energia elétrica e produção
de vapor. Esse processo tem o nome de cogeração e, por sua segurança operacional e
economia, vem sendo utilizado por diversas indústrias no País e no mundo.

EQUIPAMENTOS MOVIDOS A GÁS NATURAL


AQUECEDORES - Aquecedores de ar ambiente (convector, radiante), esterilizadores, forja-lingote,
galvanizadores, vidros, produtos e ampolas.

SECADORES - Secadores de cimento-cinzas, paredes pré-fabricadas, produtos químicos,


estruturas metálicas, couro, feltro, fio-cabo, madeira, malte, tratamento de plástico e borracha,
sal, papéis, pinturas, café, pó de ovos, areia, brita, sabão, minério, tinta, gesso, fibra de
vidro, tapetes e efluentes de cervejarias.

CALDEIRAS - Caldeiras de água tubular, chama tubular, produção de vapor. Caldeiras verticais
para efluentes, pressing e lavagem, gordura, destilação, piscina, soluções ácidas e jatos de
limpeza.

MÁQUINAS DE TORRAR - Máquinas de torrar café, cereais, de gaveta, móveis, torre e vulcanização.

FORNOS - Fornos para metais leves, chumbo, alumínio, magnésio e zinco.

QUEIMADORES À CHAMA ABERTA - Queimadores à chama aberta para limpeza de animais,


fornos, soldagem, limpeza por queima, cortina de fogo, churrasqueira, pizza, forja, crematório,
incinerador de fumaça, limpeza de praia e remoção de asfalto.

ESTERILIZADORES - De algodão, desinfecção, descontaminação e dessalinação.

CERÂMICA - Secadores de tijolo, telha e produtos de cerâmica. Forno túnel, forno de tratamento
e forno para poteria-cerâmica branca.

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ASFALTO - Fundição de asfalto, recondicionamento superficial de estrada (infravermelho ou


queimador), tanque e reator (queimador imerso ou externo) e secador de papel asfalto.

REFRIGERAÇÃO - Máquina de absorção, bomba de calor, ar condicionado, refrigeração de silos


(grãos e cereais), dessecador, gás refrigerante e refrigerador com motor à gás.

PANIFICAÇÃO - Forno de aquecimento, forno a placas, forno contínuo a correia, forno rodízio em
chaminé, forno móvel, forno circular e forno torre de secagem.

AGRICULTURA - Desidratação de produtos, incinerador e secadores de folhas, amendoim, nozes,


frutas, legumes, cereais, arroz, fumo e algodão.

GRANJAS - Aquecedores de ar ambiente, granjas de criação e incubadoras.

VEÍCULOS - Empilhadeiras, veículos comerciais , veículos de passeio e veículos de transporte coletivo.

GERAÇÃO ENERGÉTICA - Cogeneração (elétrica e calor), cogeneração (compressão e calor),


ambiente de estufa (CO2), termoelétrico e célula de combustíveis.

DIVERSOS - Camping, modelos reduzidos, iluminação especial, litografia, graxa, treinamento de


combate ao fogo, joalheiro,laboratórios, instrumentação de detecção de gás, dessalinização
de águas e vulcanização.

VANTAGENS DA UTILIZAÇÃO DO GÁS NATURAL

VANTAGENS MACROECONÔMICAS
• Diversificação da matriz energética
• Fontes de importação regional
• Disponibilidade ampla, crescente e dispersa
• Redução do uso do transporte rodo-ferro-hidroviário
• Atração de capitais de riscos externos
• Melhoria do rendimento energético
• Maior competitividade das indústrias
• Geração de energia elétrica junto aos centros de consumo

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VANTAGENS AMBIENTAIS DE SEGURANÇA


• Baixíssima presença de contaminantes
• Combustões mais completas (limpas)
• Não emissão de partículas (cinzas ou carvão)
• Rápida dispersão de vazamentos
• Emprego em veículos automotivos diminuindo a poluição urbana

VANTAGENS DIRETAS PARA O USUÁRIO


• Fácil adaptação das instalações existentes
• Menor investimento em armazenamento e uso de espaço (indústrias)
• Menor corrosão dos equipamentos e menor custo de manutenção
• Menor custo de manuseio de combustível (indústrias)
• Menor custo das instalações (indústrias)
• Combustão facilmente regulável
• Elevado rendimento energético
• Admite grande variação do fluxo
• Pagamento após o consumo (indústrias)
• Menores prêmios de seguro (indústrias)
• Custo bastante competitivo com relação a outras alternativas

SEGURANÇA NA UTILIZAÇÃO
O gás natural é muito seguro. Por ser mais leve que o ar, se dispersa rapidamente, evitando,
em caso de vazamento, os acúmulos de gás. Além disso, o gás natural necessita de uma
condição muito especial para inflamar. Uma das características que o tornam mais seguro
é a sua temperatura de ignição. Ela é superior a 620ºC, muito acima da temperatura de
ignição do álcool e da gasolina que estão na ordem de 200ºC a 300ºC, respectivamente.

Outro fator de segurança na utilização do gás natural como combustível é no momento da


transferência do “dispenser”, no posto para o veículo por exemplo. O abastecimento é feito
sem que o mesmo tenha contato com o ar, evitando assim qualquer possibilidade de
combustão expontânea. Além disso, os cilindros de armazenamento de gás natural são
dimensionados para suportar a alta pressão com que o gás é comprimido e ainda situações
eventuais como colisões, incêndios, etc. É justamente essa alta pressão de armazenamento
que faz com que o gás necessite de uma atenção especial no manuseio.

O conceito de segurança desse combustível já é reconhecido em todos os países do mundo


onde ele já é largamente utilizado. Nos EUA, por exemplo, um país sistemático em segurança,
o GNV é utilizado até mesmo em ônibus escolares.

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GÁS NATURAL VEICULAR

QUADRO COMPARATIVO ENTRE O GÁS NATURAL E OUTROS GASES

ESPECIFICAÇÕES DO GÁS PARA CONSUMO

As especificações técnicas do gás para consumo - editadas pela resolução Nº 17/87, emitida
pelo antigo Conselho Nacional do Petróleo em 1/12/87, são:
• Poder calorífico superior (PCS) a 20ºC e 1atm : 8.500 a 12.500 kcal/ m³
• Poder calorífico inferior (PCI) a 20ºC e 1atm: 7.600 a 11.500 kcal/ m³
• Densidade relativa do ar a 20ºC: 0,60 a 0,81
• Enxofre total: 110 mg/m³ máximo
• H2S: 29mg/m³ máximo
• Isento de hidrocarbonetos condensados, óleos e partículas sólidas

RESERVAS NATURAIS BRASILEIRAS

As reservas brasileiras de gás natural foram estimadas em janeiro de 97 em mais de 230


bilhões de metros cúbicos, incluindo as reservas dos campos
descobertos pela Petrobrás em Urucu e Juruá, no Amazonas, o que já
garante o abastecimento por mais de 30 anos. São produzidos no Brasil,
aproximadamente 22 milhões de metros cúbicos/dia, sendo automotivos,
é possível concluir que o volume queimado em 10 dias seria suficiente
para suprir o mercado automotivo por mais de 6 meses.

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Além de um melhor aproveitamento do gás, podemos esperar que nossas reservas


aumentem com a descoberta de novos campos. Contamos ainda com o gasoduto que já
está trazendo gás natural da Bolívia desde junho de 2000, conforme acordo firmado entre os
governos deste país e do Brasil. O fornecimento de gás é por 20 anos, sendo 8 milhões de
m3/dia nos 7 primeiros anos e 16 milhões de m3/dia a partir do oitavo ano.

TRANSPORTE DO GÁS NATURAL

O transporte do gás natural pode ser efetuado, desde a zona de produção até a região de
consumo, por três formas:
• gasodutos;
• sob a forma liquefeita (Gás liquefeito-GNL) em navios criogênicos;
• sob a forma de compostos derivados de líquidos ou sólidos.

Entre estas alternativas, os gasodutos são os mais utilizados. Nos Estados Unidos, por
exemplo, existem cerca de 500 mil km de dutos, atendendo um total de 50 milhões de usuários.

O sistema de transporte de gás no Brasil está composto de mais de 2.300Km de gasodutos,


não incluindo as linhas de distribuição locais. Estes gasodutos são
monitorados 24 horas/dia e 365 dias/ano. Para manter informação
constante sobre o gasoduto, as companhias de distribuição e
transportes utilizam supervisórios que controlam os sistemas de
aquisição de dados.

Estes são sistemas computadorizados, que permitem que os operadores do gasoduto


adquiram informação das seções distantes do gasoduto e também controlem o fluxo de gás
nas localidades distantes, usando computadores que estão ligados a satélites de
comunicação e sistemas de comunicação por telefone.

Estes sistemas não só permitem aos operadores do gasoduto obter uma informação
oportuna, mas também permitem aos produtores ter acesso a qualquer informação de forma
que eles possam comprar serviços de distribuição de acordo com o volume atual de gás
em um gasoduto.

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GÁS NATURAL VEICULAR

PRESSÃO DE GÁS NA REDE DO GASODUTO


• Trecho Rio Grande (Bolívia / Paulínia (SP) - 100 Kgf/cm2
• Trecho Paulínia (SP) / Araucária (PR) - 100 Kgf/cm2
• Trecho REPLAN / Guararema (SP) - 70 Kgf/cm2
• Trecho Araucária (PR) / Canoas (RS) - 70 Kgf/cm2

DISTRIBUIÇÃO
A distribuição e a entrega de gás natural de um gasoduto interestadual para consumidores
locais é executado através de companhias de distribuição locais.

Preço da commodity pela Port. MF/MME 03 - fev/2000 igual a R$/1000m3 180.80.


FONTE: Petrobras/Gás & Energia.

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COMBUSTÃO DO GÁS NATURAL

RELAÇÃO AR/GÁS (AR TEÓRICO)

Raramente, o Gás Natural é queimado com oxigênio puro. Na maioria dos casos industriais
e domésticos, o Gás Natural é queimado usando o ar atmosférico. O ar atmosférico é
composto, aproximadamente, por 21% de oxigênio e 79% de nitrogênio. O nitrogênio, como
não participa do processo, permanece sem alteração durante a combustão. Portanto, a
combustão pode ser representada pela equação:

Metano + Ar ¨ Gás Carbônico – Vapor de Água + Nitrogênio + Calor

A reação de combustão do Gás Natural, mostrada acima, se realiza numa relação teórica
ar/gás de 10/1.

RELAÇÃO TEÓRICA AR/GÁS


A combustão é dita completa quando a quantidade de ar utilizada na relação ar/gás é maior
que a teórica. Essa sobre alimentação de ar, acima do teórico é chamada de excesso de ar.

Por outro lado, a combustão é chamada incompleta quando a quantidade de ar é menor que
a teórica (ar insuficiente). Esta combustão dá origem a produtos tóxicos, como por exemplo
monóxido de carbono (CO), aldeídos, álcoois - além de gerar uma quantidade menor de
calor. Logo, na combustão incompleta, nem todo o gás sofre a reação de combustão.

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GÁS NATURAL VEICULAR

VEÍCULOS MOVIDOS A GÁS NATURAL

Um veículo movido a gás natural dedicado é constituído para rodar usando exclusivamente
gás natural. Já um veículo bi-combustível opera com combustíveis líquidos (gasolina ou
álcool) ou com gás natural e pode comutar os combustíveis através de uma chave. Um
veículo dual-combustível opera com uma combinação de gás natural e diesel. Na maioria
desses veículos, o gás natural é comprimido até uma pressão de 250 bar (por motivos de
segurança recomenda-se utilizar uma pressão de no máximo 220 bar). Para trabalhos
pesados, tais como ônibus, caminhões ou mesmo locomotivas, o gás natural pode ser
liquefeito, através de um processo criogênico.

A Chrysler Corporation vende veículos movidos a gás natural dedicados desde 1992, quando
lançou as vans e stationwagon RAM para gás natural. A partir desta data, a Chrysler passou
a oferecer as mini-vans Caravan e o Plymouth Voyager e o Dodge Dakota com a opção
para o gás natural. A Ford Motor Company oferece o Crown Victoria (dedicado) desde o ano
de 1996. Além disso, oferece também as série F de pickups e E de vans em opções bi-
combustível.

Os modernos veículos movidos a gás natural podem reduzir o monóxido de carbono em até
90% e as emissões de hidrocarbonetos reativos em até 85%, quando comparados com os
veículos movidos a gasolina. Mais de 500.000 veículos movidos a gás natural já rodam pelo
mundo todo, sendo que 40.000 deles nos E.U.A.

O gás natural também é usado em caminhões de grande e médio porte, ônibus escolares,
ônibus municipais e interestaduais. É também um excelente combustível para veículos fora
de estrada e até mesmo barcos.

O GNV E AS EMISSÕES VEICULARES

O gás natural quando corretamente utilizado é um combustível limpo, que não é tóxico nem
irritante. A queima do mesmo, quando comparada com outros combustíveis diminui
consideravelmente a emissões de poluentes, sobretudo a de monóxido de carbono.

20 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


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No mundo inteiro, inclusive no Brasil (*), as leis de controle de emissão de poluentes estão
se tornando cada vez mais rigorosas e a utilização do gás natural permite que os veículos
consigam atender aos mais rígidos controles. Nos Estados Unidos e no Canadá, por exemplo,
já existem automóveis originais de fábrica, planejados para o uso do gás natural veicular
(GNV), enquadrados na categoria de Ultra Low Emissions Vehicles (veículos com baixíssima
emissão de poluentes).
(*) A lei 8723 de 28 de Outubro de 1993, estabelece que todo veículo convertido para utilização do gás natural, deverá
atender os limites previstos no PROCONVE.

VANTAGENS E DESVANTAGENS DO USO DO GÁS NATURAL EM VEÍCULOS

VANTAGENS
• COMO FATOR DE INTERESSE NACIONAL
- economia de divisas pela redução da importação de petróleo;
- produto de origem nacional, com grande potencial de reservas e perspectivas de
produção cada vez maiores.

• COMO FATOR TÉCNICO


- maior vida útil do motor;
- menor carbonização e formação de depósitos,
- alta resistência a pressão, possibilitando trabalhar com taxas de compressão maiores,
resultando em maior rendimento térmico.

• COM RELAÇÃO À SEGURANÇA


- por ser mais leve que o ar, qualquer vazamento rapidamente se dissipa na atmosfera;
- tem temperatura de ignição alta, em torno de 650ºC;
- a faixa de mistura ar + gás que permite a ignição é bem estreita: 5 a 14% em volume de
gás;
- o gás natural é odorizado, de modo que, no caso de vazamentos, possa ser detectado
pelo olfato.

• COM RELAÇÃO AO MEIO AMBIENTE


- a utilização correta do gás natural, reduz sensivelmente a emissão de substâncias
poluentes provenientes de descarga dos veículos.

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GÁS NATURAL VEICULAR

DESVANTAGENS
Como desvantagens, salientamos o investimento inicial, a redução em torno de 30% do
volume do porta malas e a perda de 10% a 20% da potência do motor.

PONTOS A SEREM LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO

Para um melhor aproveitamento técnico-comercial da instalação do sistema GNV em um


veículo, alguns aspectos importantes devem ser levados em consideração:
• quilometragem acumulada do motor
• condições gerais de conservação do veículo
• condições de uso-potência
• carga transportada e espaço disponível
• quilometragem mensal rodada pelo veículo

INVESTIMENTOS

Os investimentos a serem realizados na “conversão” de um veículo para uso do GNV


consistem basicamente na aquisição do equipamento (kit) e na montagem do mesmo no
veículo. Existem diferentes fabricantes de “kits” no mercado, assim como diversas formas
de montagem, que são escolhidas de acordo com o tipo de veículo e sua utilização. Isto faz
com que os custos variem em cada caso.

A principal variável na composição destes custos é o arranjo físico da estocagem de gás a


ser instalada (quantidade e dimensão dos cilindros e local de fixação). Para cada veículo,
este arranjo será definido com base na autonomia desejada e no nível de comprometimento
do espaço de carga ou bagagem. Em alguns casos a não redução do espaço de carga é
vital na operação da frota, exigindo soluções não convencionais e, portanto, aumentando o
custo final da instalação. Influenciam também no custo da instalação a quantidade de artefatos
eletrônicos agregados ao sistema. É importante mencionar que alguns destes, apesar de
proporcionar um considerável aumento do custo da instalação, são indispensáveis ao bom
funcionamento do veículo.

Lembramos que o tempo de retorno do investimento varia de acordo com o tipo de veículo,
as condições que este se encontra quando ocorreu a instalação, tipo de combustível original
e principalmente a quantidade de quilômetros percorrida por mês.

22 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

POSTOS DE ABASTECIMENTO

Com o crescimento acelerado da demanda e em função de o tempo necessário para a


construção de um posto de GNV ser de aproximadamente 1 ano (entre identificação da rede
de gasoduto, do posto, negociações, projetos, aprovações e obras) houve, em determinado
momento, uma oferta insuficiente que fazia com que se levasse mais de uma hora para o
abastecimento. Todavia, a economia gerada compensava este tempo de espera e o número
de conversões continuava crescendo.

Através de pesados investimentos das distribuidoras de combustíveis (cada posto de GNV


custa aproximadamente R$1.000.000,00). Foi criada uma ampla rede de postos, passando
de 2 no final de 1991 para 154 em 03/2001.

INSTALAÇÕES DE POSTOS DE ABASTECIMENTO


O posto de abastecimento de GNV, que pode ser alimentado por gasoduto ou conjunto
móvel de GNV, é composto pelos seguintes componentes:
• Estação de medição e totalização de gás (para postos alimentados por gasoduto), equipada
com indicadores de pressão, válvulas de fechamento rápido, filtros para retenção de
impurezas e medidores;
• Conjunto de filtragem e secagem do gás, para retenção de impurezas e retirada de umidade;
• Área de compressão, composta por um ou mais compressores, conforme a capacidade
do posto;
• Estoque de gás comprimido para abastecimento rápido, por equalização de pressão;
• Tubulação para condução do gás às diversas instalações;
• Instalação elétrica;
• Área de abastecimento;
• Área de carregamento (quando previsto).

O local a ser utilizado para instalação de um posto de abastecimento de GNV deve ser
submetido aos órgãos competentes para aprovação.

O projeto para construção do posto deve ser encaminhado ao órgão competente para
aprovação. Cabe a este, a liberação para operação e inspeções periódicas.

Os fabricantes de equipamentos, materiais e demais componentes a serem empregados


devem ser qualificados por órgãos competentes ou entidades credenciadas.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 23


GÁS NATURAL VEICULAR

Deve ser consultada a empresa distribuidora de gás, objetivando a efetivação de ligação do


gás e a coleta de informações necessárias ao desenvolvimento do projeto do posto de
abastecimento de GNV, tais como pressão disponível, características do gás e da estação
de medição.

Deve ser consultada a concessionária de energia elétrica da localidade, de modo que o


projeto seja executado em conformidade com os padrões já existentes, visando a aprovação
deste.

ASPECTOS LEGAIS DO GNV


LEIS E REGULAMENTOS
No Brasil foram editadas várias leis, decretos, resoluções e portarias para a liberação do
uso do gás natural em veículos. Segue abaixo algumas das principais:

ESFERAS FEDERAL, ESTADUAL E MUNICIPAL


A) Resoluções nº 727, de 28/FEV/89 e nº 735, de 15/09/89 - Contran
⇒ Autoriza o uso do Gás Natural em frotas cativas, em veículos novos ou usados,
com motores do ciclo Diesel ou Otto.
⇒ Institui a obrigatoriedade da apresentação do certificado de homologação de
conversão, expedido pelo Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e
Qualidade Industrial (INMETRO), ou entidades por ele credenciadas, para
licenciamento junto às autoridades de trânsito.

B) Lei nº 10.950, de 24/01/91 - Prefeitura de São Paulo


⇒ Determina a conversão ou substituição de todos os ônibus do Município por Gás
Natural até o ano 2001 (sem estabelecer cronograma).

C) Portaria nº 107, de 13/05/91 - Minfra


⇒ Autoriza o uso do Gás Natural em:
• frotas de ônibus urbanos e interurbanos,
• frotas cativas de serviços públicos, e
• veículos de transporte de cargas.
⇒ Autoriza as companhias distribuidoras de combustíveis a distribuição de Gás
Natural, para fins automotivos.

24 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

D) Portaria nº 222, de 04/10/91 - Minfra


⇒ Libera o uso do Gás Natural em táxis.

E) Portaria nº 29, de 07/11/91 - DNC (Minfra)


⇒ Autoriza as companhias distribuidoras de combustíveis a distribuição de Gás
Natural, fornecido pela empresas distribuidoras de gás canalizado ou por
empresa estatal, para fins automotivos em postos de abastecimento.

F) Portaria nº 553, de 25/09/92 - Ministério de Minas e Energia


⇒ Autoriza o uso do Gás Natural em:
• frotas de ônibus urbanos e interurbanos
• táxis
• frotas cativas de Empresas e de Serviços Públicos
• veículos de Transporte de Carga

⇒ Autoriza distribuidores de combustíveis a também distribuir Gás Natural para


fins automotivos.

G) Lei nº 8.723, de 28/10/93 - Presidência da República


⇒ Dispõe sobre a redução dos níveis de monóxido de carbono, óxidos de
nitrogênio, hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, fuligem, material particulado e
outros compostos poluentes nos veículos comercializados no país.
⇒ Incentivo e priorização - combustíveis de baixo potencial poluidor
⇒ Comercialização permitida - LCVM

H) Resolução nº 775, de 25/11/93 - Denatran


⇒ Licenciamento mediante apresentação do Certificado de Homologação,
expedido por instituto técnico credenciado pelo INMETRO, aos veículos
convertidos para o uso do Gás Natural.

I) Lei nº 9.503/97
⇒ Institui o Código Nacional de Trânsito.

J) Decreto nº 38.789 de 17/06/94 - Governo do Estado de São Paulo


⇒ Instituição do Programa de Inspeção e Manutenção de Veículos em uso.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 25


GÁS NATURAL VEICULAR

L) Lei nº 11.603 de 12/07/94 - Prefeitura de São Paulo


⇒ Dispõe sobre a utilização do gás natural como combustível na frota de veículos
oficiais, público e coletivo de passageiros.
⇒ Decretada a adoção do GNV para a frota de veículos da PMSP em 13/06/96.

M) Lei nº 1.787 de 12/01/96 - Presidência da República


⇒ Dispõe sobre a utilização de Gás Natural em veículos automotores e motores
estacionários. (Uso permitido a todos os veículos)

N) Lei nº 12.140 de 05/07/96 - Prefeitura de São Paulo


⇒ Estabelece cronograma para a conversão ou substiuição dos ônibus do
Município por Gás Natural.
• 1997 e 1998 - 5% da frota ao ano
• 1999 em diante - 10% da frota ao ano
• no ano de 2008, 100% da frota de ônibus à Gás Natural Veicular.

ABNT
A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), em 1987/88, constitui uma Comissão
de Estudos para normalizar o uso do Gás Metano Veicular.

A Norma NBR 11353-1, de maio/1995: “Veículos rodoviários convertidos para uso de Gás
Metano Veicular (GMV) – Parte 1: Requisitos de segurança”, bem como seus documentos
complementares citados nesta, fixa as condições exigíveis na conversão de veículos
rodoviários, fabricados originalmente para uso de álcool, gasolina e diesel.

A Norma NBR 14040 de março/1998: “Inspeção de Segurança Veicular – Veículos leves e


pesados”, bem como seus documentos complementares citados nesta, fixa como deve
ser realizada a inspeção de segurança em veículos ou conjunto de veículos terrestres,
abrangendo os princípios, as obrigações e os controles básicos, que se aplicam às pessoas
jurídicas envolvidas nesta inspeção.

INMETRO
O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (INMETRO), do
Ministério da Indústria, Comércio e Turismo (MICT), iniciou em 1984 os estudos referentes
ao uso do GMV em veículos.

Devem ser observadas as seguintes regulamentações técnicas, publicadas nas seguintes


portarias do MDIC:

26 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

Portaria nº 74 de 29 de maio de 2001


• Regulamento técnico para cilindros de alta pressão para armazenamento de GMV como
combustível a bordo de veículos automotores e seus documentos complementares.

Portaria nº 171 de 28 de agosto de 2002


• Regulamento de avaliação de conformidade para cilindros de alta pressão e armazenamento
de GMV como combustível, a bordo de veículos automotores e seus documentos
complementares.

Portaria nº 102 de 20 de maio de 2002


• RTQ 33 revisão 1 - “Registro do Instalador de Sistemas de Gás Natural Veicular em Veículos
Rodoviários Automotores” e documentos complementares.

Portaria nº 203 de 22 de outubro de 2002


• RTQ-37 revisão1 – “Inspeção de Veículos Rodoviários Automotores com Sistemas de
Gás Natural Veicular” e documentos complementares.

Portaria nº 122 de 21 de junho de 2002


Institui a utilização do selo GNV para veículos que sofreram a instalação do sistema.

CONAMA
Resolução nº 7 de 31 de agosto de 1993
• Estabelece padrões para emissão de veículos em circulação.
• Estabelece os procedimentos para a inspeção dos veículos.

Resolução nº 291 de 25 de outubro de 2001


• Institui o Certificado Ambiental para uso do gás natural em veículosautomotores (CAGN).
• Estabelece os critérios e o cronograma para a implantação do CAGN.
• Obriga os veículos movidos a GNV a obedecer aos limites de emissão de poluentes
estabelecidos na resolução nº7.
• Faz outras considerações.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 27


GÁS NATURAL VEICULAR

REGISTRO DE INSTALADORES DE SISTEMAS DE GNV


JUNTO AO INMETRO

GENERALIDADES

A empresa interessada em habilitar-se ou manter-se como Instalador Registrado, deve


atender ao seguinte requisito:

“Ter sua capacitação técnica comprovada, através de um processo realizado pelo


INMETRO, por intermédio de seus representantes da rede de metrologia legal (IPEM),
conforme o Regulamento Técnico da Qualidade nº 33 revisão 1 (RTQ 33 revisão1)
“Registro do Instalador de Sistemas de Gás Natural Veicular em Veículos Rodoviários
Automotores”

Atualmente, o processo de registro ocorre, em resumo , da seguinte forma:

1. Envio ao INMETRO (IPEM), dos formulários “C”, “I”,“J” e “B” (anexos do RTQ 33 revisão1),
devidamente preenchidos e assinados. O anexo “B” deve apenas ser carimbado nos
campos 1 e 27 e assinado pelo responsável técnico pela empresa. Deve conter uma
tarja na sua diagonal com o dizer: MODELO
2. Aguardo do recebimento de um boleto, referente a taxa de registo, que será enviado
diretamente pelo INMETRO.
3. Coleta dos documentos constantes nos itens 7.1.1 e 7.1.2 do RTQ 33 revisão 1.
4. Adequação do leiaute da empresa conforme descrito no RTQ 33 revisão 1.
5. Aquisição dos equipamentos e ferramentas faltantes, de acordo com o exigido no RTQ
33 revisão 1.
6. Envio ao INMETRO (IPEM) dos documentos referidos no item 3, juntamente com o
boleto referente a taxa de registro devidamente pago.
7. Aguardo do posicionamento do IPEM, com relação aos documentos entregues. Em caso
de detecção de não conformidades nos mesmos, será fornecida uma listagem, assim
como um prazo para saneamento das mesmas.

28 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

8. Aguardo do recebimento do Certificado de Registro de Instalador de sistemas de GNV


(CRI), que será enviado diretamente do INMETRO. (Somente a partir deste momento é
que a empresa pode iniciar suas atividades como instalador).
9. Aguardo da auditoria do INMETRO (IPEM), para averiguação da veracidade das
informações anteriormente cedidas. No caso de detecção de não conformidades, a
empresa estará sujeita as sanções impostas pelo INMETRO.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
1. O processo de registro (desde o envio dos formulários até a auditoria), pode se prolongar
por aproximadamente 90 dias.
2. Somente o INMETRO pode registrar instaladores de GNV.
3. Somente o INMETRO e/ou seus representantes na rede de metrologia legal (IPEM),
podem inspecionar empresas.
4. O “Certificado de Registro de Instalador” (CRI) tem validade de 18 meses.
5. O mesmo processo se aplica aos atuais “Convertedores Homologados”, cujo
Comprovante de Capacitação Técnica (CCT), encontra-se com prazo de validade a
vencer e que deseja continuar atuando no ramo da instalação de sistemas de GNV.
6. Os Organismos de Inspeção Credenciados (OIC), estão proibidos de aceitar Atestados
de Qualidade de Instalação, provenientes de empresas cujo prazo de validade do CCT
esteja vencido.

Apenas a título de ilustração, podemos citar algumas das exigências, constantes do


regulamento RTQ 33 revisão 1 e que devem ser atendidas pelos interessados:

• Ser registrada na Junta Comercial ou no Cartório de Registro.


• Apresentar os números de Inscrição Municipal, Estadual e Federal.
• Possuir registro no Conselho Regional de Engenharia, Agronomia e Arquitetura – CREA
(registro de pessoa jurídica que deve ser obtido, atendendo-se as exigências deste órgão).
• Possuir uma área mínima para instalação e manutenção de GNV de 80 metros quadrados.
• Apresentar um laudo do Corpo de Bombeiros, de forma a se constatar a segurança das
instalações prediais.
• Apresentar um contrato de comercialização dos componentes do sistema de gás, rastreado
até o fabricante, bem como uma declaração que ateste a qualidade e aplicabilidade dos
mesmos, conforme a NBR 11.353-1 e RTQ 37 revisão 1
• Apresentar uma cartilha, destinada aos usuários, contendo informações quanto à segurança
e manuseio dos componentes do sistema de gás dos veículos convertidos, além daquelas
relativas ao reteste e manutenção dos componentes (segundo descrito no RTQ 33 revisão
1).

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 29


GÁS NATURAL VEICULAR

• Fornecer um “lay-out”, detalhado das instalações da empresa.


• Possuir um analisador de gases (4 gases infravermelho).
• Possuir um analisador de motores.
• Possuir uma “scanner” para sistemas de injeção eletrônica de combustível.
• Ter um pulmão de gás metano ou inerte, ou ainda outro tipo de gás, com características
similares, de forma a possibilitar a realização de testes de pressão e/ou vazamento, em
cada conversão efetuada, de forma, de forma segura (instalação de válvulas, manômetros
e outros). O manômetro de pressão do referido pulmão, deve ser calibrado segundo a
Rede Brasileira de Calibração (RBC).
• Ter um fosso e/ou elevador, de forma a oferecer as condições necessárias de segurança
operacional. A capacidade mínima do elevador deve ser de 2 toneladas.
• Possuir no seu quadro técnico, funcionários que possuam no mínimo 40 horas de
treinamento específico.
• A qualquer tempo, o Inmetro e/ou o Organismo de Inspeção poderão realizar auditorias no
Convertedor Homologado, para verificação do atendimento aos requisitos deste
Regulamento.

30 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

INSTALAÇÃO EM VEÍCULOS

GENERALIDADES

Podemos afirmar que a tecnologia do GNV está completamente dominada. Existe no mercado
um grande número de equipamentos que atendem, quando bem instalados, a todas as
necessidades dos usuários, possibilitando uma grande economia nos custos com
combustíveis, assim como uma significativa redução no custo das manutenções.

Uma instalação bem feita traz inúmeros benefícios ao veículo. Porém, uma montagem
mal executada, além de acarretar problemas mecânicos, pode comprometer a
segurança dos usuários e prejudicar o meio ambiente. Isso, desgasta significativamente
a imagem do produto “GNV” que passa a ser encarado como um combustível
inadequado para a utilização automotiva.

A instalação do sistema de GNV em um veículo é bastante simples. Uma montagem básica


consiste na instalação dos sistemas de: redução de pressão, dosagem, mistura,
abastecimento e armazenagem do GNV. Também devem ser instalados equipamentos de
segurança, controle de emissões (quando aplicável) e comutação dos combustíveis , sem
contudo remover qualquer equipamento original existente. Após a instalação, o veículo deve
estar apto a operar com os dois combustíveis isoladamente: GNV ou seu combustível líquido
original.

VEÍCULOS QUE PODEM SER CONVERTIDOS

Todos os veículos a gasolina e a álcool e alguns veículos a diesel podem ser convertidos
para gás natural. No entanto, é fundamental para seu desempenho o bom estado de
conservação e manutenção desses veículos. Originalmente projetados para uso de
combustível líquido (álcool ou gasolina) os veículos recebem equipamentos (também
chamados de kits) que são agregados ao veículo.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 31


GÁS NATURAL VEICULAR

COMPONENTES BÁSICOS DE UM SISTEMA DE GNV

Os componentes de um sistema de GNV, podem ter alguns detalhes construtivos variando


de fabricante para fabricante, mas basicamente são compostos de:

VÁLVULA DE ABASTECIMENTO - Componente destinado ao abastecimento do veículo com GNV. Podem


ser instaladas no lado interno ou externo do veículo. Possuem , incorporados às mesmas,
dispositivos de retenção, que impedem o retorno do fluxo de GNV. Podem ou não ter
incorporada as mesmas, uma válvula para interrupção do fluxo de GNV. Geralmente, são
fabricadas em latão ou aço, sendo seus dispositivos internos patenteados.

SUPORTE DOS CILINDROS DE ARMAZENAMENTO - Estrutura fixa destinada a sustentar rigidamente o


cilindro de armazenamento de GNV ao chassi ou a carroçaria do veículo automotor. São
fabricados em aço com tratamento superficial. Devem ser ancorados ao veículo através de
parafusos e porcas adequados.

CILINDROS DE ARMAZENAMENTO - Armazenam o GNV, sendo fabricados a partir de tubos de aço sem
costura, ou por embutimento em chapa plana. São utilizados materiais como aço médio
manganês ou aço cromo molibidênio. São confeccionados para uma pressão de trabalho
entre 200 Kgf/cm2 e 250 Kgf/cm2.

TUBULAÇÃO DE GÁS ALTA PRESSÃO - Fabricada a partir de tubos de aço trefilados sem costura com
espessura de parede compatível com a pressão de trabalho de 200 Kgf/cm2, podendo ser
de aço inoxidável ou aço carbono com tratamento superficial. Pode também ser revestida
por um elastômero. Transporta o GNV em alta pressão, da válvula de abastecimento para
os cilindros de armazenamento e desses para o redutor de pressão.

REDUTOR DE PRESSÃO - Reduz, por meio de alavancas e diafragmas, a pressão do gás armazenado
nos cilindros até a pressão de utilização no motor. São dotados de dispositivos para corte
automático do fluxo em caso de desligamento do motor e também de dosagem do GNV
para marcha lenta. Geralmente são fabricados em liga metálica, tendo seus mecanismos
internos protegidos por patentes.

VÁLVULAS DE CORTE AUTOMÁTICO DE COMBUSTÍVEL - Acionadas eletricamente, comandam a passagem


do combustível (original ou GNV) para o motor. As que comandam o fluxo de GNV, geralmente
se encontram incorporadas ao redutor de pressão.

32 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

CHAVE COMUTADORA DE COMBUSTÍVEL - Comanda eletricamente as eletro-válvulas de combustível


(original e GNV), controlando a passagem de um combustível para outro de dentro do veículo.
De um modo geral, possuem um indicador de baixa pressão de GNV no cilindro (reserva),
ou uma escala de “LEDS”, que informam ao condutor a quantidade de GNV remanescente
no cilindro. Comanda também os aparatos eletrônicos da instalação que só devem funcionar
quando o veículo está operando com GNV.

INJETORES/DOSADORES/MISTURADORES DE GÁS - Controlam a quantidade de gás para dentro do motor,


estabelecendo relação ar/combustível mais próxima da ideal. Podem ser, de acordo com
seu projeto e aplicação, de concepção simples (manuais) ou envolvendo eletrônica
embarcada (motores de passo ou eletro-válvulas de injeção).

VÁLVULA DE CILINDRO - Instalada na cabeça do cilindro de armazenamento, tem a função de interligar


e bloquear o fluxo de GNV do cilindro de armazenamento para a linha de alta pressão. É
dotada de dispositivos de segurança para o alivio do excesso de pressão, para o fechamento
rápido em caso de um excesso de fluxo de GNV e de drenagem de GNV e de resíduos.

INVÓLUCRO - Instalado junto a válvula de cilindro, tem por função evitar que possíveis vazamentos
de GNV se alastrem pelo veículo, direcionando - os para a atmosfera.

DISPOSITIVOS DIRECIONADORES DE VAZAMENTO DE GNV - Componentes destinados a direcionar os


vazamentos de GNV do invólucro para a atmosfera.

SISTEMA INTERNO DE DIRECIONAMENTO DE GNV DA VÁLVULA DE CILINDRO DE GNV - Conduz o GNV


proveniente de um vazamento, diretamente da válvula de cilindro para a para a atmosfera,
sem a necessidade do invólucro.

INDICADOR DE PRESSÃO - Componente destinado a indicar a pressão do GNV no sistema.

LINHA DE BAIXA PRESSÃO - Conduz o GNV a baixa pressão da saida do redutor até o misturador.

PONTO DE ATERRAMENTO - Proporciona o equilíbrio de potencial elétrico entre o veículo e o “dispenser”


de abastecimento de GNV, evitando possíveis centelhas por eletricidade estática durante o
abastecimento do veículo.

INDICADOR DA QUANTIDADE DE COMBUSTÍVEL (OPCIONAL) - Indica a quantidade de GNV disponível para


uso. Pode ser conjugado ao mostrador de combustível original do veículo, ou instalado sob
o painel de instrumentos.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 33


GÁS NATURAL VEICULAR

VARIADOR DE AVANÇO DA IGNIÇÃO - Promove um avanço fixo sobre a curva de avanço da ignição
original do veículo. Tende a melhorar o rendimento do motor, além de evitar o fenômeno do
“retorno de chama” ou “back fire” presente em algumas instalações.

SIMULADOR DE BICOS INJETORES - Simula a presença e o funcionamento dos injetores de combustível


líquido, durante o funcionamento do veículo com GNV, evitando que a unidade de comando
de injeção eletrônica original do veículo acione seus mecanismos de defesa.

SIMULADOR DE SONDA “LÂMBDA ” - Simula o funcionamento típico da sonda lâmbda, durante o


funcionamento do veículo com GNV, evitando que a unidade de comando de injeção eletrônica
original do veículo acione seus mecanismos de defesa. Permite também, através de uma
escala de “LEDS”, a regulagem da mistura em marcha lenta e marcha rápida (uma rotação
específica), próximo ao ponto estequiométrico, quando o sistema é dotado apenas de
regulagem manual da mistura.

GERENCIADOR ELETRÔNICO DE MISTURA - Controla eletronicamente a mistura de GNV enviada ao motor,


através de sinais coletados dos sensores do sistema de injeção eletrônica de combustível
original do veículo. A mistura é constantemente corrigida proporcionando economia e baixos
índices de emissão de poluentes.

TEMPO DE INSTALAÇÃO DO SISTEMA


Não existe um padrão definido. O tempo de uma instalação varia de acordo com a
complexidade da mesma, com o grau de treinamento e experiência do instalador e também
com a disponibilidade dos materiais necessários. Deve-se levar em conta o tempo gasto
com os detalhes (capricho) e com as verificações e testes do sistema. É bom ter sempre
em mente que, uma instalação feitas as pressas pode acarretar em retrabalho, caso o
veículo seja reprovado na inspeção realizada pelo Organismo de Inspeção Credenciado
INMETRO.

NORMAS E REGULAMENTOS

Como já mencionado anteriormente, o processo de utilização do gás natural em veículos


automotores, é regido por uma série de normas e regulamentos, que visam garantir a
qualidade dos produtos utilizados e dos serviços executados. Com isso, procura-se
salvaguardar a segurança e os interesses dos usuários, além do bem estar do meio
ambiente.

34 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

É de vital importância para o instalador registrado, o profundo conhecimento dos regulamentos


que se aplicam mais diretamente ao processo de instalação. Pois é a partir dele, que o
mesmo pode selecionar melhor seus fornecedores, e dirigir o seu trabalho a fim de atingir
um patamar de qualidade cada vez mais alto.

A seguir, apresentam-se os tópicos mais significativos do processo de instalação de GNV


em veículos, seguidos dos seus mais diretamente correlacionados regulamentos.

QUANTO AOS EQUIPAMENTOS


Os “kits” devem atender aos seguintes regulamentos:
• NBR 11353-1
• RTQ – 37 revisão1
• Resolução CONAMA 291

Os cilindros de armazenagem de GNV devem atender aos seguintes regulamentos:


• NBR 12790
• NBR 13973
• NBR 8469 (rosca)
• NBR 12176 (pintura)
• NBR 11353-1
• Portaria INMETRO nº 74 de 29 de maio de 2001
• Portaria INMETRO nº 171 de 28 de agosto de 2002
• RTQ 37 revisão 1

QUANTO AS INSTALAÇÕES
As instalações devem ser executadas seguindo-se os seguintes regulamentos:
• RTQ – 37 revisão1
• Resolução CONAMA 291
• Resolução CONAMA 7
• NBR 11353-1

QUANTO AO ESTADO GERAL DOS VEÍCULOS


Os veículos que sofrerão as instalações devem atender ao regulamento:
• NBR 14040 (partes 1 a 11)

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 35


GÁS NATURAL VEICULAR

CONSIDERAÇÕES E COMENTÁRIOS SOBRE OS REGULAMENTOS EM QUESTÃO


Os comentários e considerações que se serão feitos a seguir, fazem menção a alguns
pontos notáveis dos regulamentos, que mais se destacam atualmente no campo do GNV, e
que possam ser do interesse do instalador registrado. No entanto, esses breves resumos
não constituem uma substituição a leitura dos textos originais. Logo, recomenda-se a leitura
dos mesmos que poderão ser utilizados em futuras consultas, sempre que se fizer necessário.

É também muito importante, estar atento as atualizações que esses regulamentos possam
sofrer com o passar do tempo.

RTQ 37 – REVISÃO 1
O regulamento RTQ 37 revisão 1, tem como principal objetivo orientar processo de inspeção
dos veículos automotores que sofreram a instalação do equipamento de GNV.

É o principal documento utilizado, pelos Organismos de Inspeção Credenciados OIC / ITE),


como guia nas inspeções desses veículos. Porém no seu texto, são feitas menções a outras
normas e regulamentos, que também são utilizados. Logo, deve ser considerada como
sendo a “Carta Magna” do instalador registrado.

Basicamente, o seu texto está dividido em oito tópicos, como abaixo descrito:
1. Objetivos
Descreve os principais objetivos do regulamento.
2. Responsabilidade
Coloca o INMETRO como responsável pela revisão do regulamento.
3. Documentos Complementares
Relaciona todas as normas e regulamentos complementares, que devem ser
consultados e respeitados.
4. Siglas
Relaciona e descreve todas as siglas que se encontram no corpo do texto do
regulamento.
5. Definições
Relaciona e define de forma sucinta, todas as expressões técnicas constantes no
texto do regulamento, incluindo os nomes dos componentes do sistema de GNV.
6. Condições Gerais
Descreve em linhas gerais, quais os documentos que acompanham veiculo a ser
inspecionado, deverão ser examinados, retidos e copiados para arquivo. Ou seja, descreve
quais os documentos que deverão ser apresentados pelo condutor do veículo no ato da
inspeção.

36 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

Em resumo, podemos relacionar os seguintes documentos, que são de apresentação


obrigatória na inspeção do veículo:

DOCUMENTO FORMA DE APRESENTAÇÃO DESTINO

CRLV (porte obrigatório) Cópia ou original Retenção de uma cópia para arquivo

Atestado de qualidade do instalador Original Retenção de uma cópia para arquivo


Registrado

Manual do cliente Original Devolução ao condutor

Documentos (notas) fiscais do equipamento


Original ou cópia autenticada Retenção de uma cópia para arquivo
e da mão de obra da instalação

CSV vigente (somente em caso de


Original ou cópia autenticada Cancelamento e retenção
reinspeção do veículo)

Selo GNV vigente (somente em caso de


Original Inutilização
reinspeção do veículo)

Certificação dos componentes de GNV Original Devolução ao condutor

7. Condições específicas
Descreve os procedimentos para a inspeção do veículo. Em uma primeira parte, descreve
quais as normas e regulamentos que devem ser utilizados, quais os registros que devem
ser feitos para arquivo e quais os documentos que devem ser emitidos.

Como exemplo, podemos citar:

ITEM DO REGULAMENTO DESCRIÇÃO

“O OIC/ITE deve verificar a emissão de gases poluentes ou a verificação da


7.1.1.3
opacidade dos veículos automotores, utilizando os 02 (dois) tipos de combustível.”

“O OIC/ITE deve realizar o registro fotográfico do veículo automotor, de forma que


7.1.1.5
permita, ... , se evidenciar claramente a identificação de suas placas.”

“O OIC/ITE deve realizar a impressão de 02 (dois) decalques do número do chassis


7.1.1.6
dos veículos rodoviários automotores.”

Em uma segunda parte, descreve quais os critérios que devem ser utilizados para a
realização da inspeção.

Como exemplo, podemos citar:

ITEM DO REGULAMENTO DESCRIÇÃO

O OIC/ITE deve realizar as inspeções segundo


7.1.2.1
os critérios estabelecidos neste RQT 37.

“O OIC/ITE deve realizar as inspeções segundo


7.1.2.2
os critérios da NBR 14040 (partes 1 a 11).

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 37


GÁS NATURAL VEICULAR

Em uma terceira parte, descreve quais os itens a ser inspecionados, tanto com relação
ao veículo a ser transformado, como com relação ao equipamento de GNV.

Como por exemplo podemos citar:


• Com relação ao veículo a ser transformado

ITEM DO REGULAMENTO DESCRIÇÃO

Devem ser inspecionados os seguintes sistemas e componentes


dos veículos rodoviários automotores:
• Equipamentos obrigatórios e proibidos
• Sinalização
7.1.3.1 • Iluminação
• Freios
• Direção
• Eixos e suspensão
• Pneus e rodas
• Sistemas e componentes complementares
OBSERVAÇÃO
Por se tratarem de item relacionados exclusivamente ao veículo, a inspeção destes itens obedece aos critérios da
norma NBR 14040.

• Com relação ao equipamento de GNV instalado

ITEM DO REGULAMENTO DESCRIÇÃO

7.1.3.2 Devem ser inspecionados os seguintes sistemas e componentes:

7.1.3.2.1 Cilindro de GNV

7.1.3.2.2 Suporte do cilindro de GNV:


RTQ 37 anterior - Utilizar parafusos com no mínimo classe 8.8
RTQ 37 anterior - Utilizar porcas autotravantes
RTQ 37 anterior - Utilizar cintas de borracha entre o berço do suporte e o cilindro e entre as cintas
(determinação INMETRO) do suporte e o cilindro não devendo haver contato metal com metal.

7.1.3.2.3 Linha de alta pressão de GNV

7.1.3.2.4 Linha de baixa pressão de GNV

7.1.3.2.5 Válvula do cilindro de GNV

7.1.3.2.6 Válvula ou dispositivo de abastecimento de GNV

7.1.3.2.7 Válvula ou dispositivo externo de abastecimento de GNV

7.1.3.2.8 Válvula de corte da linha de alta pressão de GNV

7.1.3.2.9 Válvula automática de corte de GNV

7.1.3.2.10 Redutor de pressão

7.1.3.2.11 Dosador

7.1.3.2.12 Misturador

7.1.3.2.13 Chave comutadora

7.1.3.2.14 Indicador de pressão

7.1.3.2.15 Indicador da quantidade de GNV


(continua)

38 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

(continuação)

ITEM DO REGULAMENTO DESCRIÇÃO

7.1.3.2.16 Invólucro

7.1.3.2.17 Válvula de corte de combustível original

7.1.3.2.18 Dispositivos direcionadores de vazamento de GNV

7.1.3.2.19 Ponto de aterramento

7.1.3.2.20 Dispositivos eletrônicos


OBSERVAÇÃO
Os critérios utilizados para a inspeção são os constantes no texto do regulamento RTQ 37 revisão 1, com exceção ao suspensos pelo
parágrafo único, do artigo 3º da portaria INMETRO 203 de 22 de outubro de 2002.

• Com relação a inspeção de vazamentos de GNV

ITEM DO REGULAMENTO DESCRIÇÃO

7.1.3.3 Verificação de vazamentos no sistema de GNV

OBSERVAÇÃO
Os critérios utilizados para a inspeção são os constantes no texto do regulamento RTQ 37 revisão 1, com exceção
ao suspensos pelo parágrafo único, do artigo 3º da portaria INMETRO 203 de 22 de outubro de 2002.
2
Pressão mínima de GNV para inspeção de vazamentos: 18,0 MPa ou 180Kg/cm .

8. Resultado da inspeção
Descreve os procedimentos a serem adotados em caso de aprovação ou reprovação do
veículo. Descreve também quais formulários devem ser preenchidos.

NBR 14040
A norma NBR 14040 tem como principal objetivo orientar processo de inspeção de segurança
dos veículos automotores. É o principal documento utilizado pelos Organismos de Inspeção
Credenciados (OIC/ITE), como guia nas inspeções das condições gerais dos veículos.

A norma está dividida em 12 partes, cada uma tratando de um assunto específico:


1. Diretrizes básicas
2. Identificação
3. Equipamentos obrigatórios e proibidos
4. Sinalização
5. Iluminação
6. Freios
7. Direção
8. Eixos e suspensão
9. Pneus e rodas
10. Sistemas e componentes complementares
11. Estação de inspeção veicular
12. Habilitação de inspetores de segurança veicular

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 39


GÁS NATURAL VEICULAR

Em cada uma de suas partes, com exceção dos itens 1, 11 e 12 que tratam de questões
estruturais do processo de inspeção, estão descritos além de um breve prefácio, os objetivos
da mesma, as definições básicas necessárias, os requisitos e equipamentos necessários
para se realizar a inspeção, os procedimentos e por fim, os critérios de aprovação para
cada item inspecionado.

Deve ser mencionado que, para alguns dos itens inspecionados, além de serem realizadas
inspeções visuais, também são utilizados equipamentos automatizados, não tendo o inspetor
praticamente nenhuma influência sobre o resultado.

Como exemplo podemos citar:


• Parte 6: Freios
• Parte 7: Direção
• Parte 8: Eixos e suspensão

Os critérios de aprovação e reprovação adotados pela NBR 14040, podem ser considerados
progressivos, ou seja, quanto pior é o estado do item inspecionado, mais grave é considerado
o defeito encontrado.

Como exemplo podemos citar:

DEFEITO ENCONTRADO CLASSIFICAÇÃO

Eficiência total de frenagem entre 41% e 55% DEFEITO LEVE

Eficiência total de frenagem entre 25% e 40% DEFEITO GRAVE

Eficiência total de frenagem inferior a 25% DEFEITO MUITO GRAVE

Folga do volante entre 1/8 e 1/4 de volta DEFEITO LEVE

Folga do volante superior a 1/4 de volta DEFEITO GRAVE

A presença de um defeito do tipo grave implica obrigatoriamente na reprovação do veículo.


A presença de um defeito muito grave implicaria a princípio, na retenção do veículo pelas
autoridades competentes, mesmo que sua instalação de GNV esteja 100% de acordo com
o regulamento RTQ 33 revisão1. No entanto, os Organismos de Inspeção Credenciados limitam-
se apenas a reprovar o veículo, pois não compete aos mesmos reter ou apreender veículos.

Não existe, até o presente momento, um regulamento que estabeleça o número máximo de
defeitos do tipo leve que o veículo possa apresentar, para que seja aprovado na inspeção,
cabendo ao Organismo de Inspeção Credenciado utilizar o bom senso para decidir sobre
esta questão.

40 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

RESOLUÇÃO CONAMA 291


A resolução CONAMA 291 trata especificamente, em resumo, dos seguintes assuntos:
1. A criação, implantação e obrigatoriedade de apresentação as autoridades de trânsito
para fins de registro do veículo que possua um sistema de GNV instalado do Certificado
Ambiental para uso do Gás Natural em veículos automotores (CAGN).
2. Obrigatoriedade a todos os veículos equipados com sistemas de GNV, a obedecerem os
limites de emissão estabelecidos na Resolução CONANMA 7.
3. A imposição de determinadas condições às instalações de sistemas de GNV em veículos
que se enquadram a fase III do PROCONVE (Programa de Controle da Poluição do Ar
por Veículos Automotores) e posteriores.
4. Procedimentos básicos para a obtenção e manutenção do CAGN para os interessados
(fabricantes e importadores de sistemas de GNV).
5. A obrigatoriedade de que a instalação do sistema de GNV seja realizada por um instalador
registrado pelo INMETRO.
6. O obrigatoriedade de instalação de sistemas de GNV que apresentem o CAGN,
respeitando-se procedimentos aprovados pelo IBAMA.
7. A proibição da instalação de sistemas de GNV em motores super alimentados que não
sejam originais de fábrica.
8. A responsabilidade do instalador do sistema de GNV.
9. A proibição da alteração de parâmetros de calibração e controles originais do veículo.

RESOLUÇÃO CONAMA 7
A resolução CONAMA 7, trata basicamente dos procedimentos e limites de emissão de
poluentes para os programas de inspeção e manutenção de veículo automotores. Possui
no seu texto uma tabela de emissões máximas para monóxido de carbono corrigido (COc)
e hidrocarbonetos livres (HC), que devem ser medidos mantendo-se o motor do veículo
tanto em marcha lenta como a 2500 rotações por minuto. Incorpora também, o procedimento
que deve ser adotado para a medição desses poluentes, fazendo também outras
considerações a respeito.

NBR 11353-1
Trata-se do documento oficial da ABNT para o assunto Gás Natural Veicular. Esta norma
tem por objetivo estabelecer os requisitos mínimos de segurança para os componentes e
instalações de GNV. Não pode ser aplicada a instalações de GLP (gás liquefeito de petróleo),
motonetas e motocicletas. A mesma foi utilizada como bibliografia para normas e
regulamentos posteriores, publicados por outros órgãos. Contém uma série de definições
quanto aos componentes do sistema de GNV e parâmetros para instalação, teste e utilização
dos mesmos.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 41


GÁS NATURAL VEICULAR

Como exemplo podemos citar:


• Pressão máxima de abastecimento: 22 Mpa ou 220 bar.
• Momento de aperto da válvula do cilindro: 150Nm ou 15Kgfm (consultar o fabricante da
válvula, solicitando uma resposta por escrito, se forem recomendados pelo mesmo
momentos de aperto diferentes do especificado pela norma).

LEGALIZAÇÃO DA INSTALAÇÃO

A resolução n.º 25 / 98 do CONTRAN, define entre outros que:


• Algumas modificações podem e outras não podem ser realizadas em veículos automotores.
• Toda modificação feita em um veículo seja previamente autorizada pela autoridade de
trânsito.
• Determinados tipos de modificação, entre elas a instalação de sistemas de GNV, exigem
a emissão do “Certificado de Segurança Veicular”.
• A modificação deve ser regularizada junto as autoridades de trânsito (tal regularização
consiste na introdução da nova característica no prontuário do veículo, e na emissão de
novos DUT e CRLV, constando a nova característica).

Logo, torna-se óbvio que o veículo que sofreu a instalação de um sistema de GNV deve ter
seus documentos regularizados, junto as autoridades de trânsito, para evitar sanções como
multas e apreensão do veículo.

A regularização da documentação do veículo é tarefa para o seu condutor ou proprietário,


podendo fazê-lo por conta própria ou por intermédio de despachantes.

Cabe ao “bom instalador registrado”, além de realizar a instalação em acordo com os


regulamentos técnicos, emitir os documentos pertinentes e orientar seu cliente para a
execução do processo.

No caso de instalações de GNV o instalador registrado deve emitir e/ou entregar ao cliente
mediante protocolo:
• Documentos fiscais de venda do equipamento e da mão de obra de instalação.
• Manual do cliente (de acordo com o disposto no RTQ 33 revisão 1).
• Informativo do cliente (de acordo com o disposto no RTQ 33 revisão 1).
• Atestado de qualidade da instalação (de acordo com o disposto no RTQ 33 revisão 1).
• Certificados de conformidade dos cilindros e do equipamento de GNV.

42 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

Para evitar grandes perdas de tempo e aborrecimentos, recomenda-se seguir a seguinte


seqüência de operações. Essas medidas visam evitar atrasos com a regularização dos
documentos do veículo e, consequentemente, causar transtornos ao seu proprietário.

OPERAÇÕES
PROPRIETÁRIO DO VEÍCULO INSTALADOR REGISTRADO

1. Solicitarà autoridade de trânsito local, uma autorização 1. Orientar o proprietário do veículo para que obtenha, junto
prévia para a modificação das características originais do às autoridades de trânsito local, a autorização prévia
veículo. Nesta ocasião, também devem ser solicitados a para modificação das características originais do veículo.
lista de documentos, formulários e taxas a serem recolhidos Recomendar queo mesmo se informe quanto aos demais
e que serão exigidos para a regularização dos documentos documentos necessários à regularização do veículo após
do veículo. Providenciar o que for necessário. a instalação.

2. Instalar o sistema somente em uma empresa instaladora 2. Proceder uma verificação prévia do veículo, tendo como
registrada pelo INMETRO. Somente este tipo de empresa base a NBR 14040 e a resolução CONAMA nº7. Caso o
pode estar fazendo devidamente a instalação do sistema veículo não apresente as condições mínimas para
de GNV e emitindo o “Atestado de Qualidade da instalação, fornecer ao proprietário um relatório constando
Instalação” (este documento atesta que todas as normas as irregularidades. Se conveniente, fornecer o orçamento
técnicas estabelecidas pelo INMETRO e pelo CONAMA para execução dos reparos. Caso o proprietário se
foram cumpridas e que a instalação se encontra sob recuse a reparar o veículo e insista na instalação,
responsabilidade de um profissional registrado pelo CREA). fazer com que o mesmo assine uma declaração, onde
Em caso de uma reprovação prévia do veículo pelo consta ter sido alertado e estar ciente das condições do
instalador, no que se refere a itens de segurança e seu veículo, assumindo toda e qualquer responsabilidade
emissões de poluentes, proceder os reparos necessários pela segurança do mesmo e por possíveis futuras
e retornar para iniciar a instalação do sistema de GNV. reprovações nos Organismos de Inspeção Credenciados.
Proceder a instalação do sistema de GNV, seguindo o
disposto nos regulamentos: RTQ 37 revisão 1 e
Resolução CONAMA 291.

3. Conduzir com urgência o veículo já “convertido”, a uma 3. Fornecer ao proprietário do veículo:


entidade que seja simultaneamente um Organismo de - Atestado de Qualidade da Instalação
Inspeção Credenciado pelo INMETRO (OIC) e uma - Documentos fiscais de venda do equipamento e de
Instituição Técnica de Engenharia homologada pelo mão-de-obra de instalação.
DENATRAN (ITE). Essa entidade inspecionará: - Manual do proprietário do sistema de GNV.
- O sistema de GNV instalado. - Certificado de Qualidade ou reteste dos cilindros de GNV.
- Itens de Segurança do veículo como um todo. - Certificado de garantia do redutor e dos demais
- O nível de emissão de poluentes. componentes do sistema (se houvar).
Em caso de aprovação: - Listagem de todos Organismos de Inspeção
- Emissão do “Certificado de Segurança Veicular” (CSV). Credenciados (OIC/ITE) disponíveis na região ou cidade,
Em caso de reprovação: para que o mesmo selecione o de sua preferência.
- Emissão do “Relatório de Inspeção do Veículo” (onde Orientar o proprietário do veículo quanto:
constarão os itens que causaram a reprovação). - A obrigatotiredade e urgência da emissão do CSV e
- Proceder os reparos necessários e retornar ao mesmo regularização dos documentos do veículo.
organismo de inspeção para reavaliação do veículo. - A taxa cobrada pelo OIC/ITE.
- Os documentos solicitados pelo OIC/ITE.
- Conduzir o veículo ao OIC/ITE com o cilindro de GNV
cheio.

4. Conduzir com urgência o veículo, assim como todos os


documentos exigidos, à autoridade de trânsito, para que
seja realizada a vistoria de chassis e dada a entrada no
processo de regularização dos documentos.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 43


GÁS NATURAL VEICULAR

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
É muito importante deixar bem claro que: Tanto o “Atestado de Qualidade da Instalação”
assim como o “Certificado de Segurança Veicular” (CSV), são documentos técnicos
obrigatórios no processo de regulamentação da transformação do veículo junto as
autoridades de trânsito. Porém, os mesmos não constituem em uma autorização para
circulação do veículo, apesar de apresentarem prazo de validade. Ou seja, enquanto os
documentos do veículo não foram modificados para a sua nova condição (bi combustível), o
veículo estará sujeito a sanções legais (até mesmo apreensão) impostas pelas
autoridades de trânsito. Logo conclui-se que a regularização dos documentos do veículo,
junto as autoridades de trânsito, deve ser providenciada imediatamente após a instalação
do equipamento.

ORGANISMO DE INSPEÇÃO CREDENCIADO (OIC)

O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial INMETRO,


credencia entidades nacionais, públicas ou privadas, autorizando-as a vistoriar
veículos transformados, recuperados de sinistro e também, os que sofreram
instalação de sistemas de GNV por instaladores registrados. Essas entidades são chamadas:
“Organismos de Inspeção Credenciados” ou simplesmente “OIC”. Tais entidades, também
devem ser homologadas pelo DENATRAN, como Instituições Técnicas de Engenharia “ITE”,
para que os documentos emitidos pela mesma, tenham valor legal junto as autoridades de
trânsito em todo o país.

Todo “OIC/ITE” obrigatoriamente deve dispor de uma equipe técnica treinada, e de todos os
equipamentos necessários para execução das vistorias, para as quais está credenciado.
Além do mais, possuem um mecanismo de controle da qualidade (ISO 9000). Anualmente,
todos os “OIC” são inspecionados pelo INMETRO, tanto no que se refere ao mecanismo da
qualidade, na sua competência técnica e também na sua idoneidade.

Deve ser ressaltado que nem todo OIC/ITE pode realizar todos os tipos de inspeção. Cada
tipo de vistoria ou “escopo de atuação”, exige que o OIC/ITE cumpra uma série de
formalidades junto ao INMETRO. Logo ,antes de se dirigir a um organismo de inspeção,
deve-se previamente verificar se o mesmo se encontra autorizado a realizar a inspeção desejada.

44 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

Podemos citar como exemplo, alguns dos principais escopos de atuação dos OIC/ITE:
• RTQ 24: “Inspeção de veículos transformados / adaptados”.
• RTQ 37 revisão1: “Inspeção de Veículos Rodoviários Automotores com Sistemas de
Gás Natural Veicular”.
• NIE- DINQP – 097: “Regra específica para a inspeção de veículos recuperados de sinistros”.

Especificamente para o caso das inspeções realizadas segundo o RTQ 37 revisão 1, o


processo se divide basicamente em três partes distintas:

1. Exame da documentação apresentada pelo condutor do veículo


Trata-se da primeira etapa do processo, quando o condutor do veículo apresenta ao
responsável pela operação os documentos exigidos pelo RTQ 37 revisão 1. Nesta etapa,
quando também ocorre o pagamento dos serviços, serão retidos os documentos
pertinentes e devolvidos ao condutor aqueles que lhe são de direito.

2. Inspeção do veículo
Nesta etapa, o veículo é conduzido a linha de inspeção onde serão realizados os
procedimentos necessários, seguindo-se rigorosamente as normas e regulamentos
pertinentes.

3. Apresentação do resultado da inspeção


Em caso de aprovação, o condutor do veículo receberá o “Certificado de Segurança
Veicular”, atestando que os critérios adotados pelo INMETRO estão sendo cumpridos na
conversão. O condutor também receberá, um relatório técnico referente a inspeção
realizada.

Em caso de reprovação, o condutor receberá relatório o técnico referente a inspeção


realizada, contendo os pontos do veículo e/ou da instalação de GNV que deverão ser
corrigidos.

O condutor tem um prazo de trinta dias para retornar ao OIC/ITE, para refazer a inspeção,
sem que lhe seja cobrada uma nova taxa de serviço.

REMOÇÃO E REINSTALAÇÃO DO “KIT” EM OUTRO VEÍCULO


Caso o usuário queira trocar o veículo que foi transformado para o uso para o gás natural, o
kit poderá ser facilmente transferido para o carro novo, bastando apenas pequenas
modificações.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 45


GÁS NATURAL VEICULAR

No caso do veículo que recebeu o equipamento, o processo de regularização de seus


documentos é idêntico ao descrito anteriormente.

O veículo de onde foi retirado o equipamento, caso seja em caráter definitivo, também deve
sofrer um processo de regularização de seus documentos, pois o mesmo foi modificado da
condição “bi combustível” para a “mono combustível”. Novamente se faz necessária a
inspeção do veículo e emissão de um “CSV”.

OBSERVAÇÕES IMPORTANTES
1. Quando os veículos sofrerem a instalação do sistema de GNV, o processo de inspeção
ocorre obedecendo-se o disposto no RTQ 37 revisão 1. No entanto, quando ocorre o
caso inverso, ou seja, a remoção definitiva do equipamento, o veículo deve sofrer uma
vistoria seguindo-se o disposto no RTQ 24.
2. Ao ser solicitado a proceder uma instalação de um equipamento que não foi vendido por
sua empresa (novo ou usado), ou mesmo, para compra de um equipamento usado para
posterior revenda, o instalador registrado deve estar atento a um detalhe de extrema
importância, que se ignorado, poderá lhe trazer seríssimos problemas com as autoridades
policiais. Trata-se da origem do equipamento. Todo equipamento a ser reinstalado ou
adquirido, deve possuir um documento (nota fiscal de venda), que ateste a sua origem,
mesmo que seja oriundo de desmanches de veículos ou de veículos leiloados. A não
observância desse pequeno detalhe, pode levar o instalador a ser enquadrado no crime
de receptação de mercadorias roubadas.
3. Ao adquirir cilindros usados (de origem comprovada), submetê-los imediatamente ao
exame de requalificação, mesmo que o prazo para tal não tenha expirado. Afinal, não é
possível saber se este cilindro sofreu anteriormente qualquer tipo de avaria que possa
ter sido “disfarçada”.

46 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

NOÇÕES DE CUSTOS E GERENCIAMENTO

Com a presente crise na economia, é imperativo ao empresário que administre corretamente


os seus custos internos, se precavendo contra desperdícios de capital. As formas mais
comuns de se “perder” o capital circulante da empresa são:
• Compras mal realizadas;
• Falta de controle dos estoques;
• Formulação inadequada de preços;
• Falta de planejamento estratégico;
• Não agregação de valores ao seu produto ou serviço.

Como este trabalho não tem a pretensão de ser um curso de administração de empresas,
serão feitas apenas algumas considerações no tocante a cada um dos itens relacionados.
Com isso o empresário poderá ter algumas noções de como diminuir nas saídas
desnecessárias de capital, ou mesmo aumentar o seu faturamento e o seu lucro.

COMPRAS

As compras são um dos maiores “sangradores” de capital da empresa, logo devem ser
observadas com muito cuidado. Comprar bem nem sempre significa comprar pouco ou
comprar o produto mais barato.

Para realizar uma boa compra, deve-se ter sempre em mente:

A QUALIDADE DESEJADA DA MATÉRIA-PRIMA


Utilizar matérias-primas de baixa qualidade só por serem muito baratas, pode acarretar na
diminuição da qualidade do serviço prestado, o que pode provocar retornos de serviços
para retrabalho. A consequência mais imediata é a não utilização da mão obra produtiva em
um novo serviço. Além disso deve-se considerar o desgaste da relação com o cliente. É de
bom senso desconfiar de produtos muito baratos.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 47


GÁS NATURAL VEICULAR

NÚMERO DE COTAÇÕES E DIVERSIFICAÇÃO DE FORNECEDORES


Fazer o maior número de cotações possível, para a aquisição de um determinado material.
Uma boa compra não se faz com menos de cinco cotações. Deve-se levar em conta além
do preço oferecido, os prazos para pagamento, a possibilidade de entrega, os prazos para
fornecimento, garantias, etc. Não se acomodar com os mesmos fornecedores também é
um meio de evitar vazamentos de capital, pois muitas vezes o fornecedor usual, “reajusta”
seus preços, leve e vagarosamente. A consequência imediata é que após alguns meses, o
empresário descobre que está pagando mais caro por um produto do que a média do mercado.
Além disso, perde a oportunidade de participar de promoções. Pesquisar novas fontes de
fornecimento é muito bom para a saúde financeira da empresa. Outro ponto importante é
mapear e acompanhar a evolução dos preços dos diversos materiais, pois ele influenciam
diretamente no preço do produto ou serviço prestado.

ESTOCAR OU NÃO ESTOCAR


Talvez uma das mais difíceis decisões. Para tomá-la, deve-se levar em conta a necessidade
do material na empresa, se há tempo disponível para adquirí-lo somente na hora da realização
do processo ou serviço (Just in Time), os prazos para entrega dos diversos fornecedores,
as diferenças de preços entre atacado e varejo, custos com deslocamento e ou frete de
entrega cada compra e por fim, mas não menos importante o periodicidade do consumo
deste material. Lembrar sempre que estocar desnecessariamente diminui as disponibilidades
da empresa. No entanto, a falta de materiais pode acarretar no atraso da entrega do serviço,
o que desgasta a relação com o cliente.

PAGAR À VISTA OU A PRAZO


O prazo de recebimento de clientes (PRC) maior que o prazo de pagamento aos fornecedores
(PPF), garante um maior capital circulante líquido na empresa. Logo, comprar materiais de
aplicação imediata para recebimento imediato, somente se o preço oferecido for muito bom.
Comprar materiais de aplicação imediata ou mesmo estoques à vista para recebimento a
prazo, só em último caso. O ideal é que o prazo de pagamento ao fornecedor seja bem
maior que o prazo de recebimento do cliente.

CONTROLE DE ESTOQUES

Um estoque sem controle é igual a um cofre aberto. Fatalmente o empresário vai perder
capital, seja por furto, por deterioração, por depreciação, por adquirir mercadorias que já
possui, pela não correção do valor do seu produto pela variação do preço da mercadoria no
estoque (seja para cima ou para baixo), ou mesmo por uma autuação pelo Fisco.

48 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

O meio mais simples de controlar estoques é através de uma planilha eletrônica. Obviamente,
deve-se tomar os cuidados necessários para que o estoque físico não se movimente sem
que sejam feitos os devidos lançamentos na planilha de controle. Deve-se também realizar
periodicamente uma contagem física do estoque.

Um ponto importante com relação ao controle de estoques, é que o preço de lançamento da


mercadoria deve ser subtraído do valor dos impostos que podem ser recuperados. No caso
das empresas instaladoras de GNV (venda de mercadorias e prestadoras de serviço), o
imposto que pode ser recuperado é o ICMS. Logo, dos valores das mercadorias a serem,
lançados na planilha de estoque devem ser descontados os valores de ICMS destacados
na nota fiscal de aquisição.

Um exemplo de aplicação desse processo pode ser visualizado na Planilha 1 “Cálculo dos
valores de estoque”. Notar que o valor do IPI não é abatido, pois o mesmo não pode ser
recuperado por empresas comerciais.

Já com relação a movimentação do estoque (entradas e saidas), podemos utilizar o exemplo


exibido na Planilha 2 “Controle de estoques MPM”. Neste exemplo, o controle de estoques é
feito pelo sistema da média ponderada móvel (MPM). Apesar do mesmo não ser aceito pelo
Fisco na escrituração contábil da empresa, proporciona ao empresário uma boa visão do
seu estoque, fornecendo também elementos essenciais a formulação dos preços de seus
produtos e/ou serviços.

Observando a planilha, pode-se notar que o preço médio da mercadoria varia para maior ou
para menor, de acordo com a última compra realizada.

FORMULAÇÃO DE PREÇOS

Não existe uma regra única e onipotente para a formulação dos preços ao consumidor. O
processo varia de acordo o perfil de cada empresa e de cada empresário. O que não deve
ocorrer, é a estipulação dos preços sem qualquer base ou informação interna do que ocorre
na empresa, ou seja seus custos. O objetivo do preço ao consumidor é cobrir esses custos
e gerar algum lucro, que poderá ser utilizado para investimentos na própria empresa, ou
simplesmente ser revertido aos seus proprietários.

O primeiro passo para se formular um preço de uma mercadoria ou serviço é saber o


quanto ele custa para a empresa.

ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO” 49


GÁS NATURAL VEICULAR

No caso específico das empresas instaladoras de GNV, podemos dizer que o custo do
produto (equipamento e instalação) é basicamente composto por:
1. Redutor de GNV
2. Válvula de abastecimento de GNV
3. Válvula de cilindro de GNV
4. Tubulação de alta pressão
5. Tubulação de baixa pressão
6. Dosador
7. Mesclador
8. Cilindro para GNV
9. Suporte de cilindro para GNV
10. Elementos de fixação do suporte de GNV
11. Elementos de fixação das tubulações
12. Flanges de ventilação
13. Tubos de ventilação
14. Abraçadeiras de fixação do sistema de ventilação
15. Parafusos de fixação do sistema de ventilação
16. Fios e cabos.
17. Terminais elétricos
18. Aparatos eletrônicos
19. Revestimentos, fixadores e acessórios
20. Micro lubrificante, limpa contatos, massa de calafetar, solda de estanho, fluxo de solda
e outros materiais de apoio
21. Mão de obra com os devidos encargos sociais
22. Diferença de ICMS entre compra e venda dos materiais
23. Fretes (se houver)
24. Encargos financeiros para aquisição de materiais (se houver).

Levando-se em conta que o mercado atual é extremamente competitivo, é imperativo que a


formulação do custo do produto final, assim como o controle das despesas da empresa
sejam feitos com muito critério.

A Planilha 3 “Formulação de preços por veículo”, exibe um dos modos possíveis de formular
o preço de um equipamento instalado em um determinado veículo.

50 ESCOLA SENAI “CONDE JOSÉ VICENTE DE AZEVEDO”


LEGISLAÇÃO

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO - PONTO DE EQUILÍBRIO

PONTO DE EQUILÍBRIO - é o ponto onde o montante arrecadado pela somatória das vendas do
produtos e serviços, apenas cobre as despesas fixas e variáveis da empresa não gerando
lucro algum.

DESPESAS FIXAS - são aquelas que não variam ou variam muito pouco com o nível de atividade da
empresa.

DESPESAS VARIÁVEIS - são aquelas que variam proporcionalmente com o nível de atividade da empresa.

A classificação das despesas entre fixas e variáveis é muito difícil, variando de acordo com
o perfil da empresa. No entanto, podemos ilustrar o conceito com o exemplo abaixo.

EXEMPLO
Empresa instaladora registrada de GNV, que não possui serralheria e cujos funcionários
produtivos trabalham registrados, recebendo salário fixo e comissões sobre produção.

DESPESA CLASSIFICAÇÃO

Aluguel Fixa

Tributos sobre o imóvel Fixa

Energia Elétrica Variável

Água Fixa

Telefone Variável

Compras de materiais para revenda Variável

Compras de outros materiais em geral Variável

Depreciação de máquinas e equipamentos Fixa

Tributos federais, estaduais e municipais Variável

Salários do pessoal administrativo com encargos sociais Fixa

Parte fixa do salário dos produtivos com encargos sociais Fixa

Comissões aos produtivos com encargos sociais Variável

Taxas aos órgãos oficiais (CREA, INMETRO, SINDICATOS, ETC) Fixa

Pró-labore dos sócios com encargos sociais Fixa

Mensalidades (financiamentos, contador, etc.) Fixa

Benefícios obrigatórios aos funcionários Fixa

Pode-se facilmente deduzir que quanto menor a quantidade de despesas fixas, mais fácil
se torna atingir o ponto de equilíbrio. No entanto, deve-se manter um rígido controle sobre as
despesas variáveis.

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O ponto de equilíbrio pode ser representado graficamente:

AGREGAÇÃO DE VALORES AO SERVIÇO

Como já pode ser notado, está cada vez difícil fazer com que as empresas ultrapassem o
ponto de equilíbrio, gerando o tão esperado lucro.

Remédios como a otimização dos custos e redução das despesas são eficazes, no que se
refere a redução dos gastos.

No entanto, deve-se também levar em conta a possibilidade do aumento do faturamento.


Isso pode ser obtido de diversas formas, como por exemplo aumentando-se os preços.
Esse “remédio” em particular pode acabar matando o doente, pois um aumento de preços
significa em redução da demanda. Ou seja, em vez de aumentar o faturamento pode-se
acabar diminuindo o mesmo.

Um das alternativas mais bem sucedidas no momento, é a diversificação dos serviços,


através da agregação de valores ao produto principal.

Pois bem, no caso específico das instaladoras registradas de sistemas GNV, os principais
produtos são a venda dos equipamentos e da mão de obra de instalação. No entanto, o
veículo que sofrerá a instalação obrigatoriamente passará por uma inspeção de segurança
que, como já foi visto, engloba itens referentes ao sistema de GNV, segurança geral do
veículo e emissões de poluentes. Estatisticamente, constatou-se que muitos veículos que

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LEGISLAÇÃO

passam pelos OIC/ITE são reprovados em itens não relativos ao sistema de GNV. Tais
reprovações, geraram serviços e consequentemente faturamento à oficinas de reparação,
que não necessariamente foram as mesmas que instalaram os sistemas de GNV. Então
porque não “atrair” este faturamento para dentro da empresa instaladora, antes mesmo do
veículo ser inspecionado pelo OIC/ITE. De posse das normas e dos regulamentos, o instalador
pode ele mesmo fazer uma inspeção prévia no veículo, relatando ao seu proprietário ou
condutor, os fatores que poderão causar uma reprovação na inspeção oficial a ser realizada.
Poderá ser emitido um orçamento “sem compromisso”, para a execução dos reparos
necessários, acompanhado de um relato sobre os riscos para a segurança do veículo,
aumento do consumo de combustível, além dos problemas e perdas de tempo que uma
reprovação pode gerar. Caso o proprietário recuse a oferta naquele instante, ele pensará
com muito mais “carinho” na mesma após receber o relatório de reprovação.

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NOÇÕES SOBRE TRIBUTOS

Provavelmente o mais polêmico dos tópicos que até agora foram tratados. Geralmente são
taxados de vilões da administração empresarial, pois alega-se consumirem grandes
quantidades de recursos.

Geralmente, é atribuição do contador da empresa apurar os tributos, cabendo ao empresário


apenas o encargo de quitá-los. No entanto, como os mesmos pesam no orçamento da
empresa vale a pena discutir um pouco a respeito desse assunto, para que o empresário
tenha pelo menos alguma noção de quais tributos e porque ele os está pagando.

Existem basicamente três tipos de tributos pagos pelas empresas:


• Federais
• Estaduais
• Municipais

TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS

São aqueles pagos diretamente a União (governo Federal). Os mais conhecidos são:
• IRPJ (Imposto de Renda Pessoa Jurídica)
• CSL (Contribuição Social sobre o Lucro)
• PIS (Programa de Integração Social)
• COFINS (Contribuição para o Fim Social)
• IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados)

IRPJ E CSL
Podem ser tributados através de duas formas diferentes:
• Lucro real
• Lucro presumido

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LEGISLAÇÃO

TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL


Os tributos recolhido através da apuração do lucro real, tem como base de calculo o lucro
contábil da empresa, obtido através de balancetes, que sofre os alguns ajustes.

No caso do IRPJ, o lucro contábil é devidamente ajustado através de adições, reduções e


compensações, de acordo com regras específicas da Receita Federal.
Sobre está base de cálculo, aplica-se uma alíquota de 15%. Caso a base de calculo ultrapasse
o valor de R$ 20.000,00 mensais, aplica-se um adicional de 10% sobre a diferença.

No caso da CSL, o lucro contábil é devidamente ajustado através de compensações de


acordo com regras específicas da Receita Federal. Sobre esta base de cálculo, aplica-se
uma alíquota de 9%.

A Receita Federal fornece duas opções de forma de recolhimento, para aqueles que optam
pela tributação pelo lucro real:
• Lucro real trimestral
• Lucro real anual

• LUCRO REAL TRIMESTRAL


Quando se faz a opção por esta forma de tributação deve-se apurar e recolher os tributos
trimestralmente.

• LUCRO REAL ANUAL


Quando se faz a opção por esta forma de tributação, o contribuinte deve pagar mensalmente
o IRPJ e a CSL sobre o lucro calculado por estimativa (presumido). No entanto, é permitido
realizar, a qualquer tempo, um balancete, a de apuração do lucro real e o cálculo dos tributos,
como descrito anteriormente. Caso o valor das contribuições acumuladas sejam superiores
aos valores calculados pelo lucro real, o contribuinte poderá suspender ou reduzir a
contribuição mensal, até que seja compensado o excesso de pagamento.

TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO PRESUMIDO


Quando se faz esta opção de tributação, exime-se o contribuinte de calcular o seu lucro
real. Os tributos serão calculados estimando-se o lucro obtido nas suas operações.
Neste caso aplica-se uma tabela da Receita Federal, para cada tipo de receita, obtendo-se
assim a base de cálculo dos tributos.

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Especificamente para o caso das instaladoras de GNV, as receitas e respectivas alíquotas


são:
• Venda de mercadorias e produtos: 8%
• Prestação de serviços: 32%

Logo, a base de cálculo dos tributos será:

IRPJ
BC IRPJ = 8% x (soma de todas as N.F. de venda de produtos) + 32% x (soma de todas as
N.F. de venda de serviços)

A alíquota do tributo é a mesma utilizada na apuração pelo lucro real, logo:


IRPJ = 15% x BC
IRPJ adicional (se BC > R$ 20.000,00 mensais) = 10% x (BC – 20.000)

CSL
BC CSL = 12% x (soma de todas as N.F. de venda de produtos e serviços)
CSL = 9% x BC

PIS
O PIS deve ser apurado e recolhido mensalmente.
Sua base de cálculo é a soma dos faturamentos de vendas de mercadorias e serviços.
Sua alíquota é de 0,65%

BC PIS = (soma de todas as N.F. de venda de produtos e serviços)


PIS = 0,65% x BC

COFINS
O COFINS deve ser apurado e recolhido mensalmente.
Sua base de cálculo é a soma dos faturamentos de vendas de mercadorias e serviços.
Sua alíquota é de 3%.

BC COFINS = (soma de todas as N.F. de venda de produtos e serviços)


PIS = 3% x BC

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LEGISLAÇÃO

IPI
Sua base de cálculo é o valor da mercadoria constante na nota fiscal. No entanto sua alíquota
varia de produto para produto.
Seu recolhimento se faz no ato da compra, pois o mesmo já se encontra embutido no preço
do produto. Empresas como as instaladoras de GNV não podem recuperá-lo logo, devem
encará-lo como custo.

TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES ESTADUAIS

São aqueles pagos diretamente ao governo estadual. O mais conhecido é o ICMS (Imposto
sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços)

ICMS
Sua base de cálculo é o valor da mercadoria constante na nota fiscal.

Sua alíquota varia de região para região do país. No estado de São Paulo a alíquota é de
18%. No entanto mercadorias oriundas de outros estados, como por exemplo o Rio de
Janeiro, recolhem uma alíquota diferente, como por exemplo 12%.

Seu recolhimento se faz no ato da compra, pois o mesmo já se encontra embutido no preço
do produto.

Empresas como as instaladoras de GNV podem e devem recuperá-lo, pois recolhem ao


Fisco a diferença entre o ICMS recuperado (relativo as compras) e o ICMS calculado (relativo
as vendas de mercadorias e produtos).

Esta é mais uma tarefa destinada ao contador da empresa, que ao final de cada mês deve
apurar o ICMS devido ou a compensar.

TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES MUNICIPAIS

São aqueles pagos diretamente ao governo municipal. O mais conhecido é o ISS (Imposto
Sobre Serviços).

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ISS
Sua base de cálculo é a soma dos valores das notas fiscais de serviços.

Sua alíquota varia de município para município. Atualmente no município de São Paulo a
alíquota é de 5%.

Seu recolhimento se faz mensalmente.

Empresas como as instaladoras de GNV podem e devem recolhê-lo. Esta é mais uma
tarefa destinada ao contador da empresa, que ao final de cada mês deve apurar o ISS
devido.

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LEGISLAÇÃO

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ANEXOS

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