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Currículo Escolar: Um Conjunto de Conhecimentos para a

Concretização de Objetivos Educacionais

OLIVEIRA, Rosane Machado de [1]

OLIVEIRA, Rosane Machado de. Currículo Escolar: Um Conjunto de Conhecimentos para a


Concretização de Objetivos Educacionais. Revista Científica Multidisciplinar Núcleo do
Conhecimento. Edição 8. Ano 02, Vol. 05. pp 52-73, Novembro de 2017. ISSN:2448-095

RESUMO

O presente trabalho aborda o estudo em relação ao currículo escolar, assim como, busca
refletir o currículo no conjunto de conhecimentos educacionais, e a influência curricular na
concretização de objetivos no âmbito escolar. Verifica-se por vezes, o quanto se faz
necessário em algumas escolas, um currículo escolar elaborado coletivamente,
democraticamente, “recheado” de valores, de respeito à diversidade, e de um ensino-
aprendizagem concreto, estruturado e significativo no ambiente formal. O objetivo geral da
pesquisa é desenvolver uma análise, uma reflexão a cerca da função socializadora do
currículo escolar, onde inúmeras vezes, a escola fragmenta o currículo, isto é, não o valoriza
como uma construção histórico-cultural, social e educacional. O objetivo específico é
compreender a importância e a abrangência do currículo escolar na aprendizagem
significativa dos discentes, tanto no contexto formal, quanto no contexto informal. O
procedimento metodológico é de natureza qualitativa desenvolvida através de pesquisa
bibliográfica exploratória. Através do resultado do assunto investigado, foi possível
compreender, que o currículo escolar é um eixo significativo na consecução de metas
estabelecida na escola, o qual deve ser repensado, analisado, elaborado e planejado
coletivamente, na busca da escola obter um ensino-aprendizagem construtivo, mais próximo
possível da vida e da realidade social dos educandos que chegam até a escola. O desafio
analisado contemporaneamente remete-se, a falta de coletividade e consciência crítica na
elaboração da proposta curricular da escola, onde se verifica, que muitos agentes do
processo educativo, ás vezes nem se fazem presente no planejamento curricular, assim
como se analisa, que algumas escolas dispõem de muito tempo para atividades
comemorativas/ festivas, (de fevereiro há dezembro).

Palavras-chave: Análise Curricular, Atividades, Festividades Escolares, Planejamento


Fragmentado, Disciplinas Isoladas.

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1. INTRODUÇÃO

O estudo realizado tem por objetivo analisar a importância do currículo escolar no meio
educacional, social e cultural, sendo o currículo, um conjunto benéfico de
saberes/conhecimentos, os quais devem ser analisados eticamente no contexto escolar,
como também, a influência do currículo na concretização de objetivos no ensino-
aprendizagem dos discentes. É necessário que a escola, juntamente com os
professores/educadores, pais e a comunidade escolar em geral, sejam capazes de refletir,
analisar, compreender e verificar, que o currículo escolar é um elemento de suma
importância no âmbito escolar e no planejamento concreto das atividades elaboradas pelo
professor/educador. Certamente, é o currículo escolar que permite uma melhor organização
dos conteúdos e das atividades a serem trabalhadas pelo docente de forma ética e
democrática. Desde então, deve-se haver o entendimento por parte daqueles que compõem
a equipe escolar, que o currículo vai além da compreensão de disciplinas isoladas, de
conteúdos, conhecimentos passivos e fragmentados. Não se pode negar, que os
conhecimentos fragmentados estão inseridos em muitas escolas da atualidade, onde muitas
vezes, escolas antidemocráticas buscam oferecer esse saber manipulável aos seus discentes.

Observa-se, que quando o ensino curricular é valorizado pela equipe escolar, certamente o
currículo oportuniza pontos significativos na ampliação e na concretização de saberes
construtivos, contribuindo para uma aprendizagem crítica, ativa, reflexiva e estruturada nos
diversos contextos sociais.

O tema proposto resultou de estudo, investigação, interesse, análise e reflexão crítica sobre
o assunto abordado (currículo escolar), assim, como de pesquisa ativa, e compreensão das
ideias de estudiosos que aprofundaram os estudos sobre o tema, na busca de verificar quais
soluções e conhecimentos pode-se obter para desenvolver uma consciência mais sólida e
abrangente sobre a importância do currículo escolar no contexto educacional e na
aprendizagem qualitativa dos discentes. Em análise a pesquisa, verificou-se a importância e
a abrangência do currículo escolar, na vida social, cultural e educacional dos discentes em
processo de ensino-aprendizagem, assim como, na construção de conhecimentos sólidos,
críticos, reflexivos, e fluentes para o viver bem, e interpretar a sociedade. A abordagem
metodológica é de natureza qualitativa, sendo desenvolvida através de pesquisa bibliográfica
exploratória (livros, metodologia científica, revistas, jornais, cadernos, jornais, etc.). Em

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relação à pesquisa exploratória, Gil (2010, p.27), descreve que, as pesquisas exploratórias
têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo
mais explícito ou a construir hipóteses.

Com base nos estudos sobre o currículo no contexto escolar e sua função social, elaborou–se
o seguinte problema de pesquisa.

Por que contemporaneamente muitas escolas utilizam o currículo escolar apenas para a
apropriação de conteúdos e disciplinas isoladas?

Em relação a tal problematização, analisa-se em algumas escolas, o descomprometimento


político, social, cultural, pedagógico, e educacional dos envolvidos no processo de ensino-
aprendizagem. Há um descomprometimento por parte da escola para com a comunidade
escolar pais/ alunos e sociedade, pois de fato, muitas escolas consideram o currículo escolar
uma simples grade de disciplinas e nada mais que isso. Infelizmente, quando o currículo é
visto dessa forma, certamente o ensino-aprendizagem dos educandos torna-se fragmentado
e desligado de suas realidades sociais, culturais, étnicas, políticas e religiosas.

Contudo, esse fato, não atende a diversidade cultural presente em nossa sociedade, onde, o
currículo escolar é histórico e não pode ser visto como disciplinas isoladas, e sim, que remete
uma série de valores que devem ser analisados corretamente por cada profissional da
educação. A prática educacional, não pode se distanciar da realidade escolar e da vida dos
discentes que a escola recebe, pois, para haver uma inclusão social concreta, o currículo
deve ser pensado para atender e abranger a diversidade cultural/ social, na busca de
valorizar os aspectos físicos, sociais, afetivos, cognitivos e emocionais de cada aluno.
Portanto, o currículo escolar é um conjunto de elementos/ conhecimentos que oportuniza
saberes muito preciso e qualitativos. O estudo apresentado visa contribuir positivamente
para com professores, educadores, tutores, diretores, equipe escolar, para que possam
refletir sobre a prática e a teoria curricular estabelecida nas escolas e na formação social,
cultural, afetiva e humana de todos os discentes.

2. CURRÍCULO ESCOLAR: UM CONJUNTO DE CONHECIMENTOS HÁ SER ANALISADOS NO


CONTEXTO EDUCACIONAL

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A palavra currículo deriva do latim curriculum (originada do verbo latino currere, que significa
correr) e refere-se ao curso, à rota, ao caminho da vida ou das atividades de uma pessoa ou
grupo de pessoas (GORDON apud FERRAÇO, 2005, p. 54). Já, conforme o Dicionário Aurélio
da língua portuguesa, Ferreira (1986, p. 512), define-se currículo como “a parte de um curso
literário, as matérias constantes de um curso”. De acordo com Zotti (2008), o termo foi
utilizado pela primeira vez, para caracterizar um plano estruturado de estudos, em 1963, no
Oxford English Dictionary.

É importante repensar, a função socializadora que o currículo escolar deve exercer no âmbito
educacional. Analisa-se contemporaneamente, que o currículo escolar não pode ser visto e
nem compreendido, como, um “acúmulo” de disciplinas isoladas, fragmentadas, com
conteúdos apresentados de modo tradicional, e transmitidos sem reflexão pelo
professor/educador em sala de aula. Verifica-se, que o currículo escolar é histórico, e vai
além de conteúdos e disciplinas, sendo que o currículo deve que ser elaborado de forma a
oportunizar condições de conhecimentos para os educandos, na busca de abranger e atender
as diversas realidades sociais existentes, de maneira ampla, real, significativa, reflexiva,
dinâmica, democrática, inclusiva, ética e moral.

Discutir sobre o currículo escolar na contemporaneidade, é de fato, analisar profundamente o


sistema educacional, como também, o que o ser humano produziu e contínua produzindo ao
longo do tempo, tempo esse, chamado história. Portanto, é necessário buscar compreender
os conhecimentos elaborados e apropriados por todos os membros da sociedade, assim
como, as diversas culturas existentes, ampliadas gradativamente ou até mesmo modificadas
de geração em geração.

O currículo é transformação, não apenas no que se refere a mudar o sentido, de ir por outro
caminho, mas de buscar novas alternativas, novas soluções, novas metas e novas
conquistas. O currículo consiste em transformar o impreciso em conhecido, e tal fato,
envolve um ensino-aprendizagem qualitativo.

O currículo nunca é simplesmente uma montagem neutra de conhecimentos, que de alguma


forma aparece nos livros e nas salas de aula de um país. Sempre parte de uma tradição
seletiva, da seleção feita por alguém, as visões que algum grupo tem do que seja o
conhecimento legítimo. Ele é produzido pelos conflitos, tensões e compromissos culturais,

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políticos e econômicos que organizam e desorganizam um povo. (APLLE, 2000, p. 53)

O currículo representa a caminhada que o sujeito irá fazer ao longo de sua vida escolar, tanto
em relação aos conteúdos apropriados, quanto ás atividades realizadas sob a sistematização
da escola. Nesse sentido, Sácristán e Gómez (1998, p. 125), afirmam que “a escolaridade é
um percurso para alunos/as, e o currículo é seu recheio, seu conteúdo, o guia de seu
progresso pela escolaridade”.

No contexto escolar, o currículo deve ter uma função formativa, educativa, social e cultural.
O currículo escolar, como prática de transformação da realidade e do conhecimento
concreto, precisa ser debatido e refletido constantemente, por todos aqueles que compõem a
equipe escolar, onde, todos os profissionais da escola devem estar preparados para
entenderem, que o currículo é essencial na práxis pedagógica e na vida escolar, social e
cultural de todos os alunos que chegam até a escola em busca de conhecimentos
significativos. De acordo com Krug (2001, p. 56).

O currículo surge, então, em uma dimensão ampla que o entende em sua função
socializadora e cultural, bem como forma de apropriação da experiência social acumulada e
trabalhada a partir do conhecimento formal que a escola escolhe, organiza e propõe como
centro as atividades escolares.

Atualmente, verifica-se que ainda há professores/educadores, que demostram compreender


o currículo escolar, como, uma área meramente técnica, passiva/ neutra. Segundo Moreira e
Silva (1994, p. 7), o currículo tem que possuir uma “tradição” crítica, pois:

O currículo há muito tempo deixou de ser apenas uma área meramente técnica, voltada para
questões relativas a procedimentos, técnicas, métodos. Já se pode falar agora em uma
tradição crítica de currículo, guiada por questões sociológicas, políticas e epistemológicas.
Embora questões relativas ao currículo continuem importantes, elas só adquirem sentido
dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem
pelo “por que” das formas de organização do conhecimento escolar.

É interessante recordar, que as definições de currículo até o século XIX, referiam-se


restritamente á matéria, conforme indica Zotti (2008):

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Inserido no campo pedagógico, o termo passou por diversas definições ao longo da história
da educação. Tradicionalmente o currículo significou uma relação de matérias/disciplinas
com seu corpo de conhecimento organizado numa sequência lógica, com o respectivo tempo
de cada uma (grade ou matriz curricular). Esta conotação guarda estreita relação com o
“plano de estudos”, tratado como o conjunto das matérias a serem ensinadas em cada curso
ou série e o tempo reservado a cada uma.

Após o século XIX, o significado de currículo vai tomado outra proporção, o que inclui não
apenas o conhecimento escolar, mas também, as experiências de aprendizagem. Sendo
assim, o currículo envolve tanto a construção, quanto o aprimoramento necessário para o
desenvolvimento do sujeito. Segundo Moreira e Candau (2008, p. 18).

Currículo associa-se, assim, ao conjunto de esforços pedagógicos desenvolvidos com as


intenções educativas. Por esse motivo, a palavra tem sido usada para todo e qualquer
espaço organizado para afetar e educar pessoas, o que explica o uso de expressões como o
currículo da mídia, o currículo da prisão etc. Nós, contudo, estamos empregando a palavra
currículo apenas para nos referirmos ás atividades organizadas por instituições escolares. Ou
seja, para nos referirmos á escola.

Podemos entender, que ao falarmos de currículo, estamos tratando da escola, ou seja, a


maneira como os conteúdos são dosados e sequenciados no processo pedagógico. Não existe
um currículo único a ser seguido por todas as instituições brasileiras, pois em seu art. 26 a
Lei n° 9.394/1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDBEN), define
disciplinas de Base Nacional comum, àquelas que devem ser ensinada em todo o país, e uma
parte diversificada, aquela exigida pelas características regionais e locais da sociedade, da
cultura, da economia e da clientela. Dessa forma, a Base Nacional Comum é o conjunto
mínimo de conteúdos articulados a aspectos da cidadania. Por ser obrigatória nos currículos
nacionais, a Base Nacional Comum deve predominar em relação à parte diversificada.

De acordo com o parecer CNE/CEB 4/98, que estabelece diretrizes curriculares para o Ensino
Fundamental, a parte diversificada “envolve os conteúdos complementares, escolhidos por
cada sistema de ensino e estabelecimentos escolares, integrados à Base Nacional Comum,
de acordo com as características regionais e locais da sociedade, da cultura e da economia,
refletindo-se, portanto, na Proposta Pedagógica de cada escola, conforme o artigo 26”.

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(BRASIL, 1992)

Além disso, ela constitui uma ampla faixa do currículo em que a escola pode exercitar toda a
sua criatividade, no sentido de atender às reais necessidades de seus alunos, considerando
as características culturais e econômicas da comunidade que atua, construindo-a,
essencialmente, mediante o desenvolvimento de projetos e atividades de interesse. A parte
diversificada pode tanto ser utilizada para aprofundar elementos da Base Nacional Comum,
como para introduzir novos elementos, sempre de acordo com as necessidades. No Ensino
Médio, é um espaço em que pode ser iniciada a formação profissional, mediante o
oferecimento de componentes curriculares passíveis de aproveitamento em curso técnico da
área correspondente.

Se para a escola é importante poder contar com uma parcela do currículo livremente
estabelecida, para o aluno essa pode ser uma importante oportunidade de participar
ativamente da seleção de um plano de estudos. Isso pode acontecer na escolha de
disciplinas optativas ou facultativas, por exemplo. “As disciplinas optativas são aquelas que,
sendo obrigatórias, admitem que o aluno escolha entre as alternativas disponíveis, não
podendo, porém, deixar de fazê-las […] A disciplinas facultativas são aquelas que o aluno
acrescenta a um plano de estudos que já satisfaz os mínimos exigidos pela escola.” (BRASIL,
2006). Ou seja, a disciplinas optativas fazem parte da base curricular obrigatória, enquanto
as disciplinas facultativas podem ser escolhidas livremente para complementar o currículo.

Contudo, a lei indica que compete á escola elaboração de sua proposta pedagógica. Em
continuação, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), identifica os
delineamentos gerais para a organização do trabalho pedagógico nas escolas. No art. 27 da
lei que trata da educação básica, podemos destacar as seguintes diretrizes no que se refere
aos conteúdos dos currículos escolares da educação básica.

Art. 27. Os conteúdos curriculares da educação básica observarão ainda, as seguintes


Diretrizes:

I – a difusão de valores fundamentais ao interesse social, aos direitos e deveres dos cidadãos,
de respeito ao bem comum e á ordem democrática:

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II – consideração das condições de escolaridade dos alunos em cada estabelecimento:

III – orientação para o trabalho;

IV – promoção do desporto educacional e apoio ás práticas desportivas não formais.

O currículo escolar é um elemento enriquecedor do trabalho do professor/educador no


contexto formal e no contexto não formal. O currículo é de suma importância para a vida e
para o planejamento do docente, pois é o currículo que possibilita ao professor uma
organização fixa dos conteúdos e das atividades de forma clara, crítica, autônoma, reflexiva,
ativa e democrática no contexto escolar, sendo o currículo, um recurso em prol ao ensino-
aprendizagem e ao desenvolvimento significativo dos discentes na sociedade.

É necessário refletir, sobre as diversas atividades elaboradas em algumas escolas, onde, se


observa a carga horária extensa utilizada para a realização de atividades festivas/
comemorativas no âmbito educacional. Sabe-se, que há muitas datas comemorativas que as
escolas adquirem como uma “tradição popular”, datas essas, que começam a ser celebradas
no início do ano no mês de fevereiro, no momento em que os alunos voltam ás aulas, sendo
que tais celebrações só se encerram no mês de dezembro, e assim finaliza-se o ano, com um
“recheio de festividades, sem reflexão para a vida humana dos alunos”. É preciso ressaltar,
que nem tudo que acontece ou realiza-se na escola, pode ser considerado do currículo
escolar, isso pelo fato, que inúmeras vezes, não há uma reflexão intencional sobre as
atividades elaboradas dentro do contexto educacional.

Saviani (2000), ao tratar sobre os conteúdos que são trabalhados na escola, afirma que,
muitas vezes, os professores dedicam bastante tempo ás questões secundárias em
detrimento da real necessidade da escola. Perde-se, muito tempo com atividades
descontextualizadas, como, por exemplo, as diversas comemorações realizadas durante o
ano letivo, que seguem desde o carnaval até as festas natalinas. Essas atividades, em sua
maioria, partem de ações isoladas, não vinculadas ao planejamento, e com uma concepção
de cunho ideológico que relegam para segundo plano as questões históricas que permeiam
tais festividades.

Segundo o mesmo autor, a escola poderia dedicar seu tempo para a apropriação do saber

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científico. Nas palavras de Saviani (2000, p. 1):

Dou apenas um exemplo: o ano letivo começa em fevereiro e logo temos a semana do índio,
a semana santa, a semana das mães, semana do folclore, as festas juninas, em agosto vem à
semana do soldado, depois a semana da Pátria, a semana da árvore, os jogos da primavera,
semana da criança, festa do professor, do funcionário público, semana da asa, semana da
República, festa da bandeira, e nesse momento já chegamos ao final de novembro. O ano
letivo se encerra e estamos diante da seguinte constatação: fez-se tudo na escola;
encontrou-se tempo para toda espécie de comemoração, mas muito pouco tempo foi
destinado ao processo de transmissão-assimilação de conhecimentos sistematizados. Mas,
pode-se perguntar: qual é o problema? Se tudo é currículo, se tudo o que a escola faz é
importante, se tudo concorre para o crescimento e aprendizagem dos alunos, então tudo o
que faz é válido e a escola não deixou de cumprir sua função educativa. No entanto, o que se
constata é que, de semana em semana, de comemoração em comemoração a verdade é que
a escola perdeu de vista a sua atividade nuclear que é a de propiciar aos alunos a aquisição
dos instrumentos de acesso ao saber elaborado.

É imprescindível repensar, a ideia crítica do autor Saviani (2000), ideia essa, que permite
analisar de fato, que a escola dispõe sim, de muito tempo para atividades comemorativas,
fragilizadas e secundárias. É importante acrescentar, que ninguém está afirmando que essas
atividades são desnecessárias no contexto escolar, muito pelo contrário, as atividades
comemorativas, históricas e culturais, tem que ser realizada, vivenciada, praticada e
compreendida verdadeiramente pelos discentes no ambiente escolar, onde tais atividades
devem ser praticadas de uma maneira mais real e reflexiva, e não apenas do professor
chegar à sala de aula e disser para os alunos, por exemplo: “hoje comemoramos o dia do
índio, vamos colorir em folha de papel sulfite, a aldeia, a qual representa a comunidade dos
povos indígenas”. Nota-se, que só dos alunos saber que tal data comemora-se o dia do índio,
e que a aldeia representa a comunidade dos povos indígenas, não vai contribuir para a
aprendizagem dos discentes, muito menos para ampliar qualquer conhecimento ou
entendimento, pois, o assunto precisa ser exemplificado, a história precisa ser contada com
valores, ensinamentos, princípios e principalmente com reflexão e análise crítica.

Não há como negar, que há um distanciamento das atividades escolares com a realidade
social dos discentes, a escola e os professores/educadores, precisam propor metodologias de

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ensino mais concreta, como também, estar mais abertos ao diálogo, na busca de obter uma
conversa sensibilizada com os pais e com os educandos que chegam até a escola, na
tentativa de conhecer concretamente a realidade dos discentes, para então, poder oferecer
uma aprendizagem de qualidade, sendo que esta aprendizagem deve atender as
necessidades e as diversas realidades dos alunos em processo de escolarização.

Contudo, observa-se que tais atividades comemorativas devem ter certos limites, pois é
muitas comemorações de fevereiro á dezembro na escola. Não há como contrariar a opinião
do autor Saviani (2000), quando o mesmo afirma que a escola desperdiça muito tempo com
atividades comemorativas e secundárias. Se pararmos para refletir, e analisar concretamente
cada data festiva que a escola comemora, e não consegue se “desligar um pouco”, nem
mesmo, deixar de lado nenhuma comemoração, certamente, entenderemos a carga horária
esbanjada com atividades repetitivas todo ano no contexto escolar, ano após ano, as
atividades comemorativas seguem o mesmo padrão, isto é, comemoração de fevereiro há
dezembro. Diante desse fato, é possível entender também, as muitas dificuldades de
aprendizagem que tantos alunos enfrentam durante o ano todo na escola, pois com tantas
comemorações e festividades, o tempo para reflexão e para a assimilação concreta do
conhecimento, é limitado.

Exemplo: as comemorações de festas juninas parecem ser simples, rotineiras, com pouco
tempo de ensaio, mas, se vamos á qualquer escola, e acompanhamos a turma, o
professor/educador nos ensaios, nas danças, no entendimento por parte dos alunos sobre
como dançar e entender a música apresentada pelo educador, nesse tempo, pode-se
observar quantas horas e quantas aulas se acabam apenas de explicações que se faz
necessário para a concretização da dança e para a compreensão da música. Nas festas
juninas, é interessante lembrar, que o ensaio por turma pode levar até um mês, obvio que
não é ensaiado todo dia na escola, mas é claro, que é ensaiado pelo menos duas vezes por
semana.

Obviamente, essa cultura curricular instalada dentro das escolas, prejudica gradativamente o
desenvolvimento científico dos alunos, a qual precisa ser modificada tempo ao tempo. É
quase “normal” visualizarmos ou lermos em jornais, livros ou revistas, o quanto é constante
em algumas escolas, os alunos não aprenderem nem o básico dos valores humanos e
educacionais, para então, poderem viver bem em sociedade. Infelizmente, o ensino-

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aprendizagem está muito fragilizado, passivo, fragmentado, e precisa sim, de uma


reestruturação na aprendizagem escolar de todos os alunos. A carga horária para atividades
comemorativas no contexto escolar deve ser levada em conta, isto é, precisa ser diminuída,
pois, se refletirmos um pouco sobre tantas comemorações o ano todo, chegaremos à
conclusão, que a escola não precisa comemorar cada data festiva, como destacada no
calendário tradicionalmente.

Na estruturação do currículo é importante a apropriada administração do tempo: da escola,


no que diz respeito ao cumprimento do ano letivo, do aluno, otimizando a utilização de sua
permanência no ambiente escolar; e do professor, para o correto aproveitamento da carga
horária de seu contrato de trabalho. Além disso, é necessário distribuir, ao longo dos
diferentes anos letivos – seja qual for a organização adotada na escola, em séries semestrais,
anuais, por ciclos, etapas ou módulos – os conteúdos programáticos, a planejada
complexificação de atividades e a crescente autonomia dos alunos no desenvolvimento de
tarefas, aquisição de habilidades e demonstração de competências (BRASIL, 2006).

A escola quando segue passo a passo o calendário tradicional, e uma grade curricular
baseada em conteúdos e disciplinas isoladas, causa á impressão, que tal escola pouco se
preocupa, ou se quer, reflete sobre a aprendizagem e as dificuldades encontradas no ensino
dos alunos, como também, no desenvolvimento científico, social, cultural, e ativo dos
discentes na sociedade, pois além de atividades comemorativas, os discentes precisam
primeiramente de um ensino-aprendizagem concreto, significativo, qualitativo, democrático,
autônomo e inclusivo nos diversos contextos sociais.

O currículo escolar quando bem elaborado pela comunidade escolar, este busca atender há
diversidade cultural presente na escola, e ao mesmo, oferece um conjunto significativo de
conhecimentos, o qual deve ser compreendido de maneira democrática no contexto escolar,
pois quando o currículo apresenta conteúdos passivos, certamente, é porque a escola
também é passiva frente ao processo de aprendizagem. A escola deve lutar incansavelmente
pela formação da consciência humana, científica, e não apenas desempenhar a tarefa de
preparar os discentes para ás necessidades do mercado de trabalho, pois nessa ênfase do
trabalho, a escola não é capaz de formar seus alunos para a cidadania, nem mesmo,
oportuniza aos educandos, o entendimento e a compreensão de seus direitos e deveres
enquanto pessoas humanas.

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Sobre essa questão, Wihby, Favaro e Lima (2007, p. 13) propõem:

A luta pela garantia de uma escola pública da melhor qualidade possível nas condições
históricas atuais, que supere os projetos pedagógicos capitalistas, o paradigma do mercado
aplicado á educação, indo além da função de preparar para o mercado de trabalho ou
universidade. O objetivo deve ser o de assegurar aos indivíduos a apropriação dos
conhecimentos sistematizados, ou seja, da ciência, propiciando o desenvolvimento de uma
concepção mais elaborada de mundo, que possibilite sua compreensão, a apreensão de suas
múltiplas e complexas dimensões, para uma atuação humana mais racional e consciente.

Nesse sentido, analisa-se que currículo escolar deve ser mais bem elaborado na escola, pois
o currículo é um conjunto de conhecimentos em prol ao ensino-aprendizagem dos
educandos, e quando o mesmo é bem planejado, organizado e elaborado coletivamente por
todos no contexto escolar, certamente os conhecimentos serão muito mais abrangentes,
qualitativos e gratificantes para todos que fazem parte do processo do aprender-aprender. O
que se analisa muitas vezes são instituições escolares que não sabem fazer um bom uso do
currículo escolar, onde acabam desvalorizando o mesmo, ou fragmentando-o. Contudo, a
escola passiva que não valoriza o currículo como fundamental na práxis pedagógica,
obviamente não consegue formar cidadãos críticos, não humaniza, não sensibiliza para com
o respeito ás diferenças, nem ativa o pensamento crítico/ reflexivo dos discentes, assim
como não atende aos interesses da comunidade, e muito menos, dos alunos em processo de
aprendizagem e conhecimento.

Diante desse fato, pode-se afirmar, que quando há na escola um ensino-aprendizagem sem
estratégia, sem estrutura e sem reflexão para o desenvolvimento humano, certamente tal
ensino, deve ser excluído totalmente da escola e da vida de todos que compõem o espaço
formal.

2.1 O CURRÍCULO ESCOLAR COMO UM EIXO NA CONCRETIZAÇÃO DE OBJETIVOS


EDUCACIONAIS

O currículo escolar é muito significativo na prática educativa, no dia-a-dia no âmbito


educacional, sendo o currículo, um eixo para a consecução/realização dos objetivos
propostos pela escola. O currículo escolar faz parte da história da educação brasileira,

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portanto o currículo é histórico, o qual passou por debates, transformações, alterações, e


modificações inúmeras vezes no contexto educacional.

Contemporaneamente, o currículo escolar tem um importante papel no ambiente formal, pois


o currículo é uma ferramenta indispensável e essencial ao conhecimento e á transformação
social, cultural, educacional e no ensino de crianças, jovens e adultos. O currículo deve ter
uma base e uma estrutura coletiva, inclusiva e jamais neutra. Por vez, o currículo deve
propiciar ao aluno o acesso ao conjunto de conhecimentos historicamente produzidos, tanto
para a vida escolar do educando, quanto para vida social do mesmo. O currículo tem que ser
olhado pelos educadores de forma diferenciada, bem mais que uma simples grade curricular
a ser cumprida, mas um compromisso ético no ensino-aprendizagem, na busca de investigar
e refletir sobre questões de natureza teórica e prática que norteiam a prática pedagógica
voltada a atender as demandas da atualidade, e principalmente a diversidade cultural
presente nas instituições de ensino.

O currículo escolar, sempre foi um elemento fundamental para as decisões e reflexões da


prática pedagógica no contexto escolar. É imprescindível, relatar um pouco da história da
educação, onde se analisa que, o primeiro modelo de educação brasileira foi caracterizado
pelos jesuítas, os quais chegaram ao Brasil no ano de 1549, e trouxeram consigo um
programa de educação bem definido, chamado Ratio Studiorum. A educação jesuítica era
baseada num ensino fragmentado, descontextualizado da realidade, e ideológico com base
no método tradicional, sendo que esse método de ensino tradicional valorizava á
memorização, a aprovação, o rendimento quantitativo e a decoreba dos alunos, onde,
apenas o professor/educador “era o dono do saber”, ou seja, a pessoa que possuía todo e
qualquer ensinamento/ conhecimento, sendo o professor o transmissor dos conhecimentos
fragmentados, sem reflexão nenhuma para com a vida dos discentes. O período jesuítico
durou 210 anos no Brasil, nessa época, o período foi marcado como educação jesuítica, onde
as disciplinas e os conteúdos escolares, já eram organizados de forma a manter certa
distância com realidade dos fatos. É essencial lembrar, que o termo currículo não se falava
no ensino dos jesuítas, pois o termo apareceu somente no ano de 1963, isto é, no tempo
jesuítico em 1549, os mesmos obtinham uma educação tradicional e moral, baseada em uma
grade de disciplinas estabelecidas pelos próprios jesuítas, disciplinas essas, que
contemporaneamente, entendemos por currículo escolar.

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É comum ouvirmos, as pessoas mais de idade falar, que no século passado ou nos “tempos
mais severos”, tudo era mais difícil para as pessoas, podemos então pensar no passado, e
refletir nitidamente, como por exemplo: como era a oportunidade de estudo de tantas
pessoas há décadas atrás? Ou, como era a vida das pessoas antigamente era mais benéfica
ou mais rigorosa que a nossa hoje?

Certamente, saberemos as repostas, se um dia questionados, pois, nossos bisavôs, avôs ou


qualquer outra pessoa mais de idade, nos acrescentaram fatos, ou contaram algumas
histórias sobre o tempo vívido por elas e por sua família.

Resumindo a tal reflexão, tantas pessoas não estudaram décadas atrás por falta de
oportunidades concretas no sistema de ensino, da dificuldade de transporte que não existia,
da pobreza extrema que viviam tais pessoas, sendo que hoje, muitos não se dedicam e não
estudam por falta de interesse e não de oportunidade, essa é uma real e triste situação a
qual enfrentamos na sociedade contemporânea.

É essencial relembrar, que ao final da Primeira República 80% da população brasileira era
analfabeta. Como comentado acima, esses oitenta por cento, pode-se concluir, que eram
pessoas da classe trabalhadora, do proletariado, as quais não tinham acesso á educação,
muito menos oportunidade para concretizar os seus estudos. Desde então, com a maioria da
população sem saber ler, escrever e fazer cálculos, o espanto e preocupação por parte do
governo de Getúlio Vargas foi ampla, pois o governo desejava a prosperidade/crescimento do
país, e com um povo analfabeto, Getúlio Vargas jamais conseguiria a tão sonhada
prosperidade para o Brasil. Portanto, em 1930, o governo do então Presidente Getúlio
Vargas, considerou a educação como fundamental para a qualificação do trabalho e para a
formação da pessoa humana, oferecendo educação pública gratuita para todos. Contudo,
observa-se que a educação escolar começou há se desenvolver com mais prioridade, durante
o governo de Getúlio Vargas, onde, ocorreu o processo de urbanização e industrialização do
Brasil, sendo que o trabalho e a educação passaram a ser necessário para o crescimento
significativo do país.

Percebe-se, então, que o currículo escolar tem finalidades políticas muito precisas. Zotti
(2004), afirma que os currículos oficiais foram elaborados ao longo da história, para
atenderem ás demandas econômicas. Nesse sentido, todas as mudanças no campo curricular

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que já foram realizadas seguiram os interesses políticos do modelo econômico vigente. A


autora nos conduz a refletir sobre as implicações político-econômicas que subsidiaram a
construção dos currículos oficiais durante toda a história da educação brasileira. Essa
maneira de pensar o currículo dá origem a questionamentos sobre o que já foi estabelecido
no campo curricular, as possíveis ideologias ocultas e as contradições eminentes, quando se
compara o discurso pedagógico com a realidade escolar.

Nesse enfoque, a escola, juntamente com os professores/educadores e a comunidade escolar


em geral, deve analisar a consecução do currículo na busca de objetivos específicos no
âmbito educacional, na intenção de oferecer novas possibilidades, aos alunos, e ao mesmo
tempo, criar oportunidades para todos através da aprendizagem, sendo que o ensino tem
que ser comprometido com os interesses de toda a sociedade, principalmente com os
interesses, e as diversas realidades dos discentes. O professor educador tem um papel
fundamental na elaboração do currículo na escola, sendo que o mesmo deve sempre se
envolver nos assuntos escolares. Para Moreira e Candau (2007).

O currículo é, em outras palavras, o coração da escola, o espaço central em que todos


atuamos o que nos torna, nos diferentes níveis do processo educacional, responsáveis por
sua elaboração. O papel do educador no processo curricular é, assim, fundamental. Ele é um
dos grandes artífices, queira ou não, da construção dos currículos construídos que
sistematizam nas escolas e nas salas de aula. (MOREIRA e CANDAU, 2007, p. 19).

O currículo escolar contemporaneamente está muito fragmentado, e sem relação nenhuma


para com a vida dos discentes que chegam até a escola. Analisa-se em muitas escolas, que o
currículo não é repensado e utilizado para concretizar o ensino-aprendizagem dos alunos de
forma diversificada, ativa, democrática, crítica e social.

Obviamente, muitas escolas insistem em utilizar o método de ensino tradicional no contexto


escolar. Observa-se, que as escolas quando buscam priorizar e oferecer um ensino
fragmentado e tradicional aos seus alunos, certamente são escolas que tem como foco, os
conteúdos passivos e as disciplinas a serem seguidas sem reflexão ativa, e, contudo, se
distanciam totalmente da realidade social dos educandos que frequentam a escola, assim
como da população em geral.

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Em relação há isso Mantoan declara:

O ensino curricular de nossas escolas, organizado em disciplinas, isola, separa os


conhecimentos, em vez de reconhecer suas inter-relações. Contrariamente, o conhecimento
evolui por recomposição, contextualização e integração de saberes em rede de
entendimento. O conhecimento não reduz o complexo ao simples, para aumentar a
capacidade de reconhecer o caráter multidimensional dos problemas e de suas soluções.
(MANTOAN 2006, p. 15).

As escolas, juntamente com seus educadores, precisam se organizar e verificar de forma


diferenciada o currículo escolar, focando a realidade social, e não apenas os conteúdos
enciclopédicos. Os conteúdos de forma geral devem ser trabalhados de acordo com as
diversas realidades encontradas em cada escola, em cada sala de aula, pois a escola precisa
formar cidadãos de consciência crítica, para o conhecimento humano e científico. Os
discentes precisam saber questionar as diversas realidades existentes, como também,
compreender as injustiças muitas vezes “mascaradas” em nossa sociedade, caso o ensino
curricular seja passivo, não teremos como desenvolver a consciência crítica no ensino-
aprendizagem, e, portanto, não atenderemos á diversidade cultural.

Sabe-se que a construção curricular é um projeto que deve levar em conta muitos fatores da
contemporaneidade, como por exemplo, (classe social, econômica, religião, família, raça,
gênero, valores, dificuldades de aprendizagem, até mesmo o emocional dos educandos),
Zotti (2004, p. 229) defende que:

O educador, então, não pode se limitar a desenvolver o que diversos agentes decidem, mas
deve estar atento aos diversos contextos em que são gestadas as propostas curriculares,
pois esse é o instrumento de intervenção e defesa de propostas coerentes com uma
educação e uma sociedade mais condizentes com os desejos da maioria da população.

A escola deve ter uma função socializadora, e o projeto curricular tem que ser elaborado com
base em ações práticas e educativas, ações essas, voltadas há coletividade, a interatividade,
e a intencionalidade no ensino-aprendizagem, na compreensão dos fatos históricos do
passado, como também, da diversidade cultural presente nos diversos contextos sociais. Em
relação ao projeto curricular, Pacheco (2001) afirma:

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[…] um projeto, cujo processo de construção e desenvolvimento é interativo, que implica


unidade, continuidade e interdependência entre o que se decide ao nível do plano normativo,
ou oficial, e ao nível do plano real, ou do processo de ensino e de aprendizagem. Mais ainda,
o currículo é uma prática pedagógica que resulta da interação e confluência de várias
estruturas (políticas, administrativas, econômicas, culturais, sociais, escolares…) na base das
quais existe interesses concretos e responsabilidades compartilhadas. (PACHECO, 2001, p.
20)

Compreender as diferenças e contemplar a multiplicidade de indivíduos que compõem a


mesma sala de aula é de fato saber incluir com valores e princípios como manda há
legislação educacional vigente. O currículo deve ser usado para possibilitar a transformação
social e não para ser guardado em uma gaveta e de vez em quando ser olhado, e verificado
a grade de disciplina que no currículo contém.

Desde então, como verificado no desenvolvimento do trabalho, o currículo escolar deve ser
visto como, “o coração da escola”, isto é, o currículo tem que ser respeitado, valorizado
coletivamente e democraticamente no âmbito educacional e social, pois é o currículo que
oportuniza a concretização de ações sociais, culturais e educacionais nas instituições de
ensino.

3. METODOLOGIA

Na procura de entender a importância do currículo escolar na concretização de objetivos


específicos no âmbito educacional, a realização e conclusão desde artigo baseou–se, em
pesquisa bibliográfica exploratória, realizada em bibliotecas e escolas públicas do município
de Bela Vista da Caroba – PR e Realeza – PR. Onde, utilizou-se de (livros de metodologia
científica, obras literárias e didáticas, artigos científicos, dicionários, revistas, jornais etc.).

Na pesquisa identificou-se, a necessidade da escola juntamente com os


professores/educadores, rever práticas pedagógicas, assim como, compreender nitidamente
a influência e importância do currículo escolar nos diversos contextos sociais. É
imprescindível, que a escola perceba a função significativa que o currículo exerce dentro do
espaço escolar, pois a função do currículo é ampla, e não se trata apenas de conteúdos, mas
sim, de experiências, valores, atitudes, saberes sociais, econômicos, culturais, e uma

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aprendizagem qualitativa, baseada nas diversas realidades de cada aluno que chega até
escola. A pesquisa bibliográfica como citada acima, foi realizada com base em material
bibliográfico referente ao assunto abordado, analisado em escritos meramente pedagógico
sob a visão de vários autores, assim como em suas obras.

Na busca por obter respostas aos questionamentos suscitados pela consecução das metas
estabelecidas, optou-se pelo estudo de natureza qualitativa, que de acordo com Silva e
Menezes (2005, p.20), a pesquisa qualitativa “considera que há uma relação dinâmica entre
o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a
subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números”.

O estudo de natureza qualitativa possibilitou um aprofundamento significativo e construtivo


sobre o currículo escolar e o conjunto de atividades desenvolvidas pela escola nos diversos
contextos sociais.

A pesquisa foi desenvolvida através de ações e investigações concretas, assim como de


leitura, conhecimentos precisos, reflexão, e com base em análise crítica sobre o tema
norteador do trabalho.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante o desenvolvimento do artigo científico, analisou-se, que o currículo escolar é muito


mais que uma simples grade de disciplinas há ser trabalhada/estudada ou engavetada no
ambiente escolar. O currículo é uma ferramenta que permite clareza e lucidez na
organização de conhecimentos, métodos, recursos, adaptações, entre outros. Portanto, o
currículo escolar envolve questões ambientais, políticas, econômicas, sociais, culturais e
educacionais, por este motivo, o currículo não pode ser utilizado pela escola como um
modelo de reprodução do conhecimento, nem mesmo, como um discurso de alienação sobre
as questões escolares.

É preciso haver o entendimento por parte de toda a equipe escolar, que o currículo não deve
ser organizado em matérias/disciplinas isoladas, pois tal forma de organização, separa,
fragmenta e empobrece as inter-relações entre professores, estudantes e comunidade
escolar, assim como empobrece o ensino-aprendizagem.

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As escolas, juntamente com os professores/educadores, precisam rever práticas pedagógicas


e reverter alguns modelos tradicionais de ensino e conteúdos baseados em métodos de
memorização, decoreba, alienação e sem relação nenhuma com a vida dos discentes.
Percebe-se, a necessidade de adequar o currículo escolar á realidade sócio-histórica dos
educandos que chegam até a escola, na busca de valorizar as diferenças culturais e sociais
de tais alunos. A adaptação curricular é essencial, sendo que a mesma favorece a
compreensão das diferenças no âmbito educacional, onde se analisa, que as escolas quando
buscam adquirir tais adaptações curriculares, de fato, são escolas capazes de contemplar e
respeitar a multiplicidade de sujeitos que compõem ou não a sala de aula, de forma
democrática, inclusiva, ética e moral.

Observa-se, que o currículo escolar é um instrumento indispensável na organização do


trabalho pedagógico (formativo). Nota-se ainda, que não há uma compreensão exata em
relação ao currículo escolar, pois, quando falamos em currículo em qualquer ambiente
educacional, ou, por exemplo, em uma reunião, muitas pessoas têm em mente, que currículo
significa a grade de disciplinas que devem ser estudadas, isto é, os conteúdos a serem
repassados aos discentes em sala de aula, mas, se analisarmos melhor a verdadeira função
curricular, veremos que não é bem isso, há um equívoco nesse pensamento que, (o currículo
é grade de disciplinas escolares), pois o currículo é o alicerce da escola, e não apenas
conteúdos há serem ensinados, transmitidos e memorizados. No entanto, a escola como
função social, deve fornecer base necessária para o entendimento, para a reflexão, para a
apropriação do currículo de forma sensibilizada e adequada.

Os resultados da pesquisa foram meramente qualitativos/ significativos, onde foi possível


verificar, que o currículo escolar é “o coração da escola”, isto é, se o currículo é bem
planejado e elaborado coletivamente com a participação da comunidade escolar, certamente
a escola conseguirá desenvolver uma aprendizagem crítica, reflexiva, autônoma, e
intencional com base em saberes pedagógicos precisos e epistemológicos. Diante disso, é
fundamental que todos os agentes que participam da elaboração do currículo, obtenham
alguns cuidados na hora da elaboração, pois, elaborar um currículo, não é apenas selecionar
conteúdos passivos, centralizados, prontos e acabados para serem trabalhados em sala de
aula.

Contudo, posso acrescentar que, o assunto abordado necessita de novos estudos científicos,

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pois, não há como negar que os currículos em algumas escolas públicas buscam atender aos
interesses da classe dominante, sendo, que tais interesses são ideológicos, e de fato causam
a exclusão social de milhares de crianças das escolas, pois quando a escola busca atender
aos interesses de uma dominada classe, como a burguesia, certamente essa mesma escola,
não atende a ampla diversidade que existe no espaço formal, sendo que a escola nesse
momento passa a inverter seu papel, isto é, ao invés da escola incluir os discentes que seria
sua obrigação enquanto educadora, a escola passa a excluir a maioria dos alunos,
certamente os educandos filhos da classe do proletariado.

Verifica-se, que há poucos estudos em torno do tema apresentado, como também, pouca
análise, reflexão/ conscientização sobre a importância curricular no meio educacional, social,
econômico, cultural entre outros, por este motivo, é recomendável novas pesquisas na área.

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__________. Sociedade, educação e currículo no Brasil: dos jesuítas aos anos de 1980.
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[1]
Graduada em Pedagogia pela Faculdade Internacional de Curitiba – PR, (FACINTER),
Graduanda de Licenciatura Plena em História (FACINTER), Especialização em Educação
Especial e Inclusiva (FACINTER), Especialização em Docência no Ensino Superior (Faculdade
de Educação São Luís), Pós-Graduanda em Gestão Escolar: Orientação e Supervisão
(Faculdade de Educação São Luís)

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