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A.A.

Logunov

HENRI POINCARÉ
EA
TEORIA DA RELATIVIDADE

Traduzido por Ayni R. Capiberibe


editado por Ayni R. Capiberibe
Posfácio por Ayni R. Capiberibe
Página | 2

Logunov A.A.
Henri Poincaré e a teoria da relatividade. – C. G.: Alrisha, 2020.

O livro apresenta ideias de H. Poincaré e H. Minkowski segundo os
quais a essência e o conteúdo principal da teoria da relatividade são as
seguintes: o espaço e o tempo formam um continuum quadridimensional
unicamente fornecido pela geometria pseudo-euclidiana. Todos os
processos físicos ocorrem exatamente neste espaço quadridimensional.
Comentários sobre trabalhos e citações relacionados a este assunto por L.
de Broglie, P. A. M. Dirac, A. Einstein, V. L. Ginzburg, S. Goldberg, P.
Langevin, H. A. Lorentz, L. I. Mandel'stam, H. Minkowski, A. Pais, W.
Pauli, M. Planck, A. Sommerfeld e H. Weyl são apresentados no livro.
Também é mostrado que a teoria especial da relatividade foi criada não
apenas por A. Einstein, mas até em maior extensão por H. Poincaré.
O livro foi desenvolvido para trabalhadores científicos, pós-graduados
e estudantes do ensino superior, formados em física teórica.

ISBN Todos os direitos reservados


© A.A. Logunov
© Traduzido por Ayni R. Capiberibe
editado por Ayni R. Capiberibe
posfácio por Ayni R. Capiberibe
capiberibe@gmail.com

© Desenvolvido por Nauka Pubishers, 2005.


© Distribuído por Alrisha, 2020.
www.alrisha.webnode.com
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CONTEÚDO
PREFÁCIO ....................................................................................... 04
1. GEOMETRIA EUCLIDIANA ..................................................... 06
2. MECÂNICA NEWTONIANA CLÁSSICA .................................... 08
3. ELETRODINÂMICA. GEOMETRIA ESPAÇO-TEMPORAL. ........ 24
4. A RELATIVIDADE DO TEMPO E A CONTRAÇÃO DO
COMPRIMENTO............................................................................... 69
5. ADICIONANDO VELOCIDADES ............................................... 80
6. ELEMENTOS DA ANÁLISE VETORIAL E TENSORIAL NO ESPAÇO
DE MINKOWSKI .............................................................................. 81
7. GRUPO DE LORENTZ ............................................................. 86
8. INVARIÂNCIA DAS EQUAÇÕES DE MAXWELL-LORENTZ. .... 89
9. MECÂNICA RELATIVÍSTICA DE POINCARÉ ......................... 113
10. O PRINCÍPIO DA AÇÃO ESTACIONÁRIA NA
ELETRODINÂMICA ........................................................................ 161
11. MOVIMENTO INERCIAL DE UM CORPO DE PROVA.
DIFERENCIAÇÃO COVARIANTE.................................................... 171
12. MOVIMENTO RELATIVÍSTICO COM ACELERAÇÃO
CONSTANTE. O PARADOXO DO RELÓGIO. EFEITO SAGNAC ........ 180
13. SOBRE A VELOCIDADE LIMITE .......................................... 201
14. PRECESSÃO DE THOMAS. .................................................. 215
15. AS EQUAÇÕES DE MOVIMENTO E AS LEIS DE CONSERVAÇÃO
NA TEORIA CLÁSSICA DE CAMPOS ............................................... 221
16. ESPAÇO DE VELOCIDADE DE LOBACHEVSKY ................... 242
PROBLEMAS E EXERCÍCIOS ......................................................... 262
BIBLIOGRAFIA ............................................................................. 265
POSFÁCIO ..................................................................................... 267
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Dedicado aos 150 anos de Henri Poincaré—


o maior matemático, mecanicista,
físico teórico

Prefácio

A teoria especial da relatividade “resultou dos esforços


conjuntos de um grupo de grandes pesquisadores: Lorentz,
Poincaré, Einstein, Minkowski” (Max Born).
“Einstein e Poincaré se basearam no trabalho preparatório de
H.A. Lorentz, que já havia chegado muito perto do resultado, sem
contudo alcançá-lo. Na concordância entre os resultados dos
métodos seguidos independentemente por Einstein e Poincaré,
discerniu um significado mais profundo de uma harmonia entre o
método matemático e a análise por meio de experimentos
conceituais (Gedankenexperimente), que se apoiam em
características gerais da física experiência” (W. Pauli, 1955).
H. Poincaré, baseado no princípio da relatividade formulado por
ele para todos os fenômenos físicos e na obra de Lorentz, descobriu
e formulou tudo o que compõe a essência da teoria especial da
relatividade. A. Einstein estava chegando à teoria da relatividade do
lado do princípio da relatividade formulado anteriormente por H.
Poincaré. Nisso, ele se baseou nas ideias de H. Poincaré na definição
da simultaneidade de eventos que ocorrem em diferentes pontos
espaciais por meio do sinal de luz. Por essa razão, ele introduziu um
postulado adicional - a constância da velocidade da luz. Este livro
apresenta uma comparação do artigo de A. Einstein de 1905 com os
artigos de H. Poincaré e esclarece qual é o novo conteúdo
apresentado por cada um deles. Um pouco mais tarde, H. Minkowski
desenvolveu ainda mais a abordagem de Poincaré. Como a
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abordagem de Poincaré foi mais geral e profunda, nossa


apresentação seguirá exatamente Poincaré.
Segundo Poincaré e Minkowski, a essência da teoria da
relatividade consiste no seguinte: a teoria especial da relatividade é
a geometria pseudo-euclidiana do espaço-tempo. Todos os processos
físicos ocorrem exatamente nesse espaço-tempo. As consequências
deste postulado são leis de conservação de momento-energiae de
momento angular, a existência de sistemas de referência inercial, o
princípio da relatividade para todos os fenômenos físicos,
transformações de Lorentz, a constância da velocidade da luz nas
coordenadas galileus da estrutura inercial, o retardo com o tempo, a
contração de Lorentz, a possibilidade de explorar sistemas de
referência não inerciais, o paradoxo do relógio, a precessão de
Thomas, o efeito de Sagnac e assim por diante. Séries de
consequências fundamentais foram obtidas com base neste
postulado e nas noções quânticas, e a teoria quântica de campos foi
construída. A preservação (invariância da forma) de equações físicas
em todos os sistemas de referência inercial significa que todos os
processos físicos que ocorrem nesses sistemas sob as mesmas
condições são idênticos. Por esse motivo, todos os padrões naturais
são os mesmos em todos os sistemas de referência inercial.
O autor expressa profunda gratidão ao acadêmico da Academia
Russa de Ciências Prof. S. S. Gershtein, Prof. V. A. Petrov, Prof. N.
E. Tyurin, Prof. Y. M. Ado, pesquisador associado A. P. Samokhin,
que leu o manuscrito e fez uma série de comentários valiosos, e
também a G. M. Aleksandrov pelo trabalho significativo na
preparação do manuscrito para publicação e preenchimento de
índices de autores e assuntos.

A.A. Logunov
Janeiro 2004
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1. Geometria euclidiana

No terceiro século a.C, Euclides publicou um tratado sobre


matemática, os "Elementos", no qual resumiu o desenvolvimento
anterior da matemática na Grécia antiga. Foi precisamente neste
trabalho que a geometria do nosso espaço tridimensional - geometria
euclidiana - foi formulada.
Este foi o passo mais importante no desenvolvimento da
matemática e da física. O ponto é que a geometria se originou de
dados observacionais e experiência prática, i. e surgiu através do
estudo da natureza. Mas, como todos os fenômenos naturais ocorrem
no espaço e no tempo, a importância da geometria para a física não
pode ser superestimada e, além disso, a geometria é realmente uma
parte da física.
Na linguagem moderna da matemática, a essência da
geometria euclidiana é determinada pelo teorema de Pitágoras.
De acordo com o teorema de Pitágoras, a distância de um ponto com
coordenadas cartesianas x, y, z a partir da origem do sistema de
referência é determinada pela fórmula
2
 x2  y 2  z 2 (1.1)

ou na forma diferencial, a distância entre dois pontos


infinitesimalmente próximos é

d    dx    dy    dz 
2 2 2 2
(1.2)

Aqui dx, dy, dz são diferenciais das coordenadas cartesianas.


Geralmente, a prova do teorema de Pitágoras é baseada nos axiomas
de Euclides, mas acontece que ele pode realmente ser considerado
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uma definição da geometria euclidiana. O espaço tridimensional,


determinado pela geometria euclidiana, possui as propriedades de
homogeneidade e isotropia. Isso significa que não existem pontos
singulares ou direções singulares na geometria euclidiana.
Realizando transformações de coordenadas de um sistema de
referência cartesiano, x, y, z, para outro, x', y', z', obtemos:
2
 x2  y 2  z 2  x2  y2  z2 (1.3)

Isso significa que a distância quadrada ℓ2 é invariável, enquanto


suas projeções nos eixos de coordenadas não são. Observamos
especialmente essa circunstância óbvia, uma vez que será visto
também que essa situação também ocorre no espaço-tempo
quadridimensional, portanto, dependendo da escolha do sistema de
referência no espaço-tempo, as projeções nos eixos espaciais e
temporais serão relativo. Daí surge a relatividade de tempo e
duração. Mas esse problema será tratado mais tarde.
A geometria euclidiana tornou-se uma parte composta da
mecânica newtoniana. Por cerca de dois mil anos, a geometria
euclidiana foi considerada a geometria única e imutável, apesar do
rápido desenvolvimento da matemática, mecânica e física.
Foi apenas no início do século XIX que o matemático russo
Nikolai Ivanovich Lobachevsky deu o passo revolucionário -
uma nova geometria foi construída - a geometria Lobachevsky.
Um pouco mais tarde, foi descoberta pelo matemático húngaro
Bolyai.
Cerca de 25 anos depois, as geometrias riemannianas foram
desenvolvidas pelo matemático alemão Riemann. Surgiram
numerosas construções geométricas. À medida que novas
geometrias surgiram, a questão da geometria do nosso espaço foi
levantada. De que tipo? Euclidiano ou não euclidiano?
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2. Mecânica newtoniana clássica

Todos os fenômenos naturais procedem no espaço e no tempo.


Precisamente por esse motivo, ao formular as leis da mecânica no
século XVII, Isaac Newton definiu antes de tudo esses conceitos:
"O Espaço Absoluto, por natureza, sem considerar nada
externo, permanece sempre semelhante e imóvel".
"O Tempo Absoluto, Verdadeiro e Matemático, por si só,
e de sua própria natureza, flui de maneira equitativa, sem
considerar nada externo, e por outro nome é chamado
Duração".
Como a geometria do espaço tridimensional, Newton realmente
aplicou a geometria euclidiana, e ele escolheu um sistema de
referência cartesiano com sua origem no centro do Sol, enquanto
seus três eixos eram direcionados para estrelas distantes. Newton
considerou precisamente esse sistema de referência como "imóvel".
A introdução do espaço imóvel absoluto e do tempo absoluto acabou
sendo extremamente proveitosa na época.
A primeira lei da mecânica, ou a lei da inércia, foi formulada por
Newton da seguinte maneira:
“Todo corpo persevera em seu estado de repouso ou de
movimento uniforme na linha reta, a menos que seja
compelido a mudar esse estado por forças impressas nele”.
A lei da inércia foi descoberta pela primeira vez por Galileu. Se,
no espaço imóvel, se define um sistema de referência cartesiano,
então, de acordo com a lei da inércia, um corpo solitário se moverá
ao longo de uma trajetória determinada pelas seguintes equações:

x  vx t , y  vyt, z  vz t . (2.1)
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Aqui, vx, vy, vz são as projeções de velocidade constante, seus


valores também podem ser iguais a zero.
No livro "A Ciência e a Hipótese", H. Poincaré formulou o
seguinte princípio geral:
“A aceleração de um corpo depende apenas de sua
posição e de corpos vizinhos e de suas velocidades. Os
matemáticos diriam que os movimentos de todas as
moléculas materiais do universo dependem de equações
diferenciais de segunda ordem. Para deixar claro que isso
é realmente generalização da lei da inércia, podemos
recorrer novamente à nossa imaginação. A lei da inércia,
como já disse acima, não se impõe a priori; outras leis
seriam igualmente compatíveis com o princípio da razão
suficiente. Se o corpo não é acionado por uma força, em
vez de supor que sua velocidade é inalterada, podemos
supor que sua posição ou sua aceleração seja inalterada.
Vamos por um momento supor que uma dessas duas leis é
uma lei da natureza e substituí-la pela lei da inércia: qual
será a generalização natural? Um momento de reflexão nos
mostrará. No primeiro caso, podemos supor que a
velocidade do corpo dependa apenas de sua posição e da
dos corpos vizinhos; no segundo caso, que a variação da
aceleração do corpo depende apenas da posição do corpo
e dos corpos vizinhos, de suas velocidades e acelerações;
ou, em termos matemáticos, as equações diferenciais do
movimento seriam de primeira ordem no primeiro caso e
de terceira ordem no segundo”.
Newton formulou a segunda lei da mecânica da seguinte forma:
“A alteração do movimento é sempre proporcional à
força motriz impressa; e é feito na direção da linha reta em
que essa força é impressa”
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E, finalmente, a terceira lei da mecânica de Newton:


“Para toda ação sempre se opõe uma reação igual: ou
as ações mútuas de dois corpos uma sobre a outra são
sempre iguais e direcionadas a partes contrárias”.
Com base nessas leis da mecânica, no caso de forças centrais, as
equações para um sistema de duas partículas em um sistema de
referência “em repouso” são:

d 2 r1 r r
M1  F  r2  r1  2 1 ,
dt 2
r2  r1
(2.2)
d 2r r r
M 2 22   F  r2  r1  2 1 .
dt r2  r1

Aqui M1 e M2 são as respectivas massas da primeira e da segunda


partículas, r1 é o raio do vetor da primeira partícula, r2 é o raio do
vetor da segunda partícula. A função F reflete o caráter das forças
que atuam entre os corpos.
Na mecânica newtoniana, consideram-se principalmente forças
de dois tipos: de gravidade e de elasticidade.
Para as forças da gravidade newtoniana

F  r2  r1   G
M 1M 2
, (2.3)
r2  r1
2

G é a constante gravitacional.
Para forças de elasticidade, a lei de Hooke é

F  r2  r1   k r2  r1 (2.4)

k é o coeficiente de elasticidade.
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As equações de Newton são escritas em forma de vetor e,


consequentemente, são independentes da escolha do sistema de
referência tridimensional. A partir das equações (2.2), observa-se
que o momento de um sistema fechado é conservado.
Como foi observado anteriormente, Newton considerou as
equações (2.2) válidas apenas em um sistema de referência em
repouso. Mas, se alguém pegar um sistema de referência em
movimento em relação ao que está parado com uma velocidade
constante
r  r  vt (2.5)
acontece que as equações (2.2) não são alteradas, i. e., eles
permanecem invariantes à forma, e isso significa que nenhum
fenômeno mecânico poderia permitir verificar se estamos em
estado de repouso ou de movimento uniforme e retilíneo. Essa é
a essência do princípio da relatividade descoberto pela primeira
vez por Galileu. As transformações (2.5) foram denominadas de
Galileu.
Como a velocidade v em (2.5) é arbitrária, existe um número
infinito de sistemas de referência, nos quais as equações mantêm sua
forma. Isso significa que em cada sistema de referência a lei da
inércia é válida. Se em qualquer um desses sistemas de referência
um corpo estiver em estado de repouso ou em movimento uniforme
e retilíneo, em qualquer outro sistema de referência, relacionado ao
primeiro por transformação (2.5), ele também estará em um estado
de movimento retilíneo uniforme ou em estado de repouso.
Todos esses sistemas de referência foram denominados
inerciais. O princípio da relatividade consiste na conservação da
forma das equações da mecânica em qualquer sistema de
referência inercial. Devemos enfatizar que na base da definição
de um sistema de referência inercial está a lei da inércia de
P á g i n a | 12

Galileu. Segundo ele, na ausência de forças, o movimento do corpo


é descrito por funções lineares do tempo.
Mas como deve ser definido um sistema de referência inercial? A
mecânica newtoniana não respondeu a essa pergunta. No entanto, o
sistema de referência escolhido como um sistema inercial teve sua
origem no centro do Sol, enquanto os três eixos foram direcionados
para estrelas distantes.
Na mecânica newtoniana clássica, o tempo é independente da
escolha do sistema de referência; em outras palavras, o espaço e o
tempo tridimensionais são separados, eles não formam um contínuo
quadridimensional único.
As ideias de Isaac Newton sobre espaço absoluto e movimento
absoluto foram criticadas no século 19 por Ernst Mach. Mach
escreveu:
“Ninguém é competente para predicar coisas sobre
espaço absoluto e emoção absoluta; são coisas puras de
pensamento, construções mentais puras, que não podem ser
produzidas na experiência”.
E mais:
“Em vez disso, agora, ao referir um corpo em
movimento K ao espaço (isto é, a um sistema de
coordenadas), vamos ver diretamente sua relação com os
corpos do universo, pelos quais somente um sistema de
coordenadas pode ser determinado...
Mesmo no caso mais simples, no qual aparentemente
lidamos com a ação mútua de apenas duas massas, é
impossível negligenciar o resto do mundo... Se um corpo
gira em relação ao céu de estrelas imóveis, surgem forças
centrífugas, enquanto que se gira em torno de outro corpo,
em vez do céu de estrelas imóveis, nenhuma força
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centrífuga surgirá. Não tenho nada contra chamar a


primeira revolução de absoluta, se pelo menos não
esquecermos que isso significa apenas revolução em
relação ao céu das estrelas imóveis”.
Por isso, Mach escreveu:
"... Não há necessidade de relacionar a lei da inércia a
algum espaço absoluto especial”.
Tudo isso está correto, uma vez que Newton não definiu a relação
de um sistema de referência inercial com a distribuição da matéria e,
na verdade, era bastante impossível, dado o nível de
desenvolvimento físico da época. A propósito, Mach também não
teve sucesso. Mas sua crítica foi útil, chamou a atenção dos cientistas
para a análise dos principais conceitos da física.
Como trataremos ainda mais dos conceitos de campo, será útil
considerar os métodos da mecânica analítica desenvolvidos durante
os séculos 18 e 19. Seu principal objetivo, estabelecido na época,
consistia em encontrar a formulação mais geral para a mecânica
clássica. Essa pesquisa se mostrou extremamente importante, pois
deu origem a métodos que mais tarde foram generalizados com
facilidade para sistemas com um número infinito de graus de
liberdade. Precisamente dessa maneira, foi criado um sério começo
teórico, usado com sucesso nos séculos 19 e 20.
Em sua "Mecânica Analítica", publicada em 1788, Joseph
Lagrange obteve suas famosas equações. Abaixo apresentaremos sua
derivação. Em um sistema de referência inercial, as equações de
Newton para um conjunto de N pontos de material que se deslocam
em um campo potencial U têm a forma
dv U
m  ,   1, 2, ,N (2.6)
dt r
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No nosso caso, a força f é:

U
f   . (2.7)
r

Para determinar o estado de um sistema mecânico a qualquer


momento, é necessário fornecer as coordenadas e as velocidades de
todos os pontos do material em um determinado momento. Assim, o
estado de um sistema mecânico é totalmente determinado pelas
coordenadas e velocidades dos pontos do material. Em um sistema
de referência cartesiano as Eqs. (2.6) assumem a forma

dv1 dv2 dv3


m  f1 , m  f2 , m  f3 . (2.8)
dt dt dt
Se alguém passa para outro sistema de referência inercial e faz
uso de coordenadas que não sejam cartesianas, é fácil perceber que
as equações escritas nas novas coordenadas diferem essencialmente
na forma das equações (2.8). Lagrange encontrou para a mecânica
de Newton uma formulação tão covariante para as equações de
movimento que elas mantêm sua forma, quando é feita a transição
para novas variáveis.
Vamos introduzir, em vez de coordenadas r , novas
coordenadas generalizadas qλ, λ = 1, 2, ... , n, aqui n = 3N. Vamos
assumir relações

r  r  q1 , , qn , t  (2.9)

Após multiplicação escalar de cada equação (2.6) pelo vetor


dr
(2.10)
dt
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e realizando a adição obtemos


dv dr U r
m    ,   1, 2, ,n (2.11)
dt dq r q

Aqui, a soma é realizada sobre índices idênticos σ.


Escrevemos a parte esquerda da equação (2.11) como

d  dr  d  dr 
m  m v   m v  . (2.12)
dt  dq  dt  dq 

Desde que
dr r r
v  q   , (2.13)
dq q t

portanto, diferenciando (2.13) em relação a q obtemos a igualdade

r v
 (2.14)
q q

Diferenciando (2.13) em relação a qν obtemos

v  2 r  2 r
 q  . (2.15)
q q q t q

Mas, por outro lado, temos

d  r   2 r  2 r
  q  . (2.16)
dt  q  q q t q

Comparando (2.15) e (2.16), encontramos


P á g i n a | 16

d  r  v
  . (2.17)
dt  q  q
Nas fórmulas (2.13), (2.15) e (2.16), a soma é realizada sobre os
índices idênticos λ.
Fazendo uso das igualdades (2.14) e (2.17), representamos a
expressão (2.12) na forma

d    m v2     m v2 
      (2.18)
dt  q  2   q  2 

Como (2.18) é a parte esquerda das equações (2.11), obtemos as


equações de Lagrange

d  T  T U
   ,   1, 2, , n. (2.19)
dt  q  q q

Onde T é a energia cinética do sistema de pontos materiais

m v2
T (2.20)
2
A soma é realizada sobre índices idênticos σ. Se alguém introduzir a
função Lagrangiana L da seguinte maneira
L  T U (2.21)
Então as equações de Lagrange assumem a forma

d  L  L
   0,   1, 2, , n. (2.22)
dt  q  q
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O estado de um sistema mecânico é totalmente determinado pelas


coordenadas e velocidades generalizadas. A forma das equações de
Lagrange (2.22) é independente da escolha das coordenadas
generalizadas. Embora essas equações sejam totalmente
equivalentes ao conjunto de equações (2.6), essa forma das equações
da mecânica clássica acaba sendo extremamente proveitosa, pois
abre a possibilidade de sua generalização para fenômenos que estão
muito além dos limites da mecânica clássica.
A formulação mais geral da lei do movimento de um sistema
mecânico é dada pelo princípio de mínima ação (ou pelo princípio
da ação estacionária). A ação é composta da seguinte maneira
t2

S   L  q, q  dt. (2.23)
t1

A integral (funcional) (2.23) depende do comportamento das


funções q e q dentro dos limites dados. Assim, essas funções são
argumentos funcionais da integral (2.23). O princípio de menos ação
é escrito na forma
t2

 S    L  q, q  dt  0 (2.24)
t1

As equações de movimento da mecânica são obtidas de (2.24)


variando a expressão do integrando

 L L 
t2

  q  q  q  q  dt  0
t1
(2.25)

Aqui δq e  q representam variações infinitesimais na forma das


funções. A variação comuta com diferenciação, então
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d
q   q  (2.26)
dt
Integrando por partes no segundo termo de (2.25) obtemos
t2
L  L d L 
2 t

 S   q        qdt  0 (2.27)
q t1 t1 
q dt q 

Como as variações δq nos pontos t1 e t2 são zero, a expressão (2,27)


assume a forma

 L d L 
t2

S       qdt  0 (2.28)
t1 
q dt q 

A variação δq é arbitrária dentro do intervalo de integração; portanto,


em virtude do lema principal do cálculo variacional, a partir daqui a
condição necessária para um extremo segue na forma de
igualdade a zero da derivada variacional.

 L L d  L 
  0
 q q dt  q 
(2.29)

Tais equações foram obtidas por Leonard Euler no decorrer do


desenvolvimento do cálculo variacional. Para nossa escolha da
função L, essas equações de acordo com (2.21) coincidem com as
equações de Lagrangiana.
Pela consideração acima, é evidente que o movimento mecânico
que satisfaz as equações de Lagrange fornece extremo da integral
(2.23) e, consequentemente, a ação tem um valor estacionário.
A aplicação da função lagrangiana para descrever um sistema
mecânico com um número finito de graus de liberdade também se
P á g i n a | 19

mostrou proveitosa ao descrever um campo físico que possui um


número infinito de graus de liberdade. No caso de um campo, a
função ψ que o descreve depende não apenas do tempo, mas também
das coordenadas espaciais. Isso significa que, em vez das variáveis
q , q de um sistema mecânico, é necessário introduzir as variáveis

  x  ,  . Assim, o campo é considerado como um sistema
x
mecânico com um número infinito de graus de liberdade. Veremos
mais adiante (Seções 10 e 15) como o princípio da ação estacionária
é aplicado na eletrodinâmica e na teoria clássica de campos.
A formulação da mecânica clássica dentro da estrutura da
abordagem hamiltoniana tornou-se muito importante. Considere
uma certa quantidade determinada da seguinte forma

H  p q  L, (2.30)

e denominada Hamiltoniana. Em (2,30), a soma é realizada sobre


índices idênticos σ. Definimos o momento generalizado da seguinte
forma:
L
p  , (2.31)
q

Tomando o diferencial de expressão (2.30)


L L L
dH  p dq  q dp  dq  dq  dt. (2.32)
q q t

Fazendo uso de (2.31) obtemos


L L
dH  q dp  dq  dt. (2.33)
q t
P á g i n a | 20

Por outro lado, H é uma função das variáveis independentes qσ, pσ e


t e, portanto,
H H H
dH  dq  dp  dt. (2.34)
q p t

Comparando (2.33) e (2.34) obtemos


H L H L H
q  ,  ,  (2.35)
p q q t t

Essas relações foram obtidas pela transição das variáveis


independentes q , q e t para as variáveis independentes qσ, pσ e t.
Agora, levamos em conta as equações de Lagrange (2.22) nas
relações (2.35) e obtemos as equações de Hamilton
H H
q  , p   (2.36)
p q

Quando o Hamiltoniano H não depende explicitamente do tempo,


H
0 (2.37)
t
temos
dH H H
 q  p . (2.38)
dt q p

Considerando as equações (2.36) na expressão acima, obtemos


dH
0 (2.39)
dt
P á g i n a | 21

isto significa que o hamiltoniano permanece constante durante o


movimento.
Obtivemos as equações de Hamilton (2.36) utilizando as
equações de Lagrange. Mas eles também podem ser encontrados
diretamente com o auxílio do princípio da menor ação (2.24), se,
como L, considerarmos, de acordo com (2.30), a expressão

L  p q  H ,

 H 
t2

 S    p  dq  dt  
t1  p 
 H 
t2 t2

   q  dp  dt   p  q 0
t1  q  t1

Como as variações δqσ nos pontos t1 e t2 são zero, enquanto no


intervalo de integração as variações δqσ, δpσ são arbitrárias, então,
em virtude do principal lema do cálculo variacional, obtemos as
equações de Hamilton
H H
q  , p  
p q

Se durante o movimento o valor de uma determinada função


permanecer constante

f  q, p, t   0 (2.40)

então é chamado como parte integrante do movimento. Vamos


encontrar a equação do movimento para a função f.
Agora tomemos a derivada total em relação ao tempo de
expressão (2.40):
P á g i n a | 22

df f f f
  q  p  0 (2.41)
dt t q p

Substituindo as equações de Hamiltonian (2.36) em (2.41), obtemos


df f f H f H
     0 (2.42)
dt t q p p q

A expressão

f f
q p f g f g
 f , g      (2.43)
g g q p p q
q p

foi denominada de parêntesis de Poisson. Em (2.43), a soma é


realizada sobre o índice σ.
Com base em (2.43), a Eq. (2.42) a função f pode ser escrita na
forma

f f
f q p
 f ,H  0 (2.44)
t g g
q p

Os parêntesis de Poisson têm as seguintes propriedades

 f , g     g, f 
 f1  f 2 , g    f1 , g    f 2 , g  (2.45)
 f1 f 2 , g   f1  f 2 , g   f 2  f1 , g 
P á g i n a | 23

 f ,  g , h     g ,  h, f     h ,  f , g    0 (2.46)

A relação (2,46) é chamada de identidade de Jacobi. Com base em


(2.43)
f f
 f , q    ,  f , p   (2.47)
p q

Portanto, encontramos

 q , q   0,  p , p   0,  q , p     . (2.48)

No curso do desenvolvimento da mecânica quântica, por analogia


com os colchetes clássicos de Poisson (2,43), originaram colchetes
quânticos de Poisson, que também satisfazem todas as condições
(2,45), (2,46). A aplicação de relações (2.48) para colchetes
quânticos de Poisson permitiu estabelecer relações de comutação
entre coordenadas e momento.
A descoberta dos métodos lagrangeanos e hamiltonianos na
mecânica clássica permitiu, na época, generalizá-los e estendê-los a
outros fenômenos físicos. A busca por várias representações da
teoria física é sempre extremamente importante, pois, com base
nisso, pode surgir a possibilidade de sua generalização para
descrever novos fenômenos físicos. Nas profundezas da teoria
criada, podem ser encontrados brotos formais da teoria futura. A
experiência da mecânica clássica e quântica testemunham essa
afirmação.
P á g i n a | 24

3. Eletrodinâmica. Geometria espaço-temporal

Após as descobertas feitas por Faraday no eletromagnetismo,


Maxwell combinou fenômenos magnéticos, elétricos e ópticos e,
assim, concluiu a construção da eletrodinâmica escrevendo suas
famosas equações.
H. Poincaré no livro "O Valor da Ciência" escreveu o seguinte
sobre os estudos de Maxwell:
Quando Maxwell começou seus trabalhos, as leis da
eletrodinâmica até então admitidas explicavam todos os
fatos conhecidos. Não foi uma experiência nova que veio
invalidá-las. Porém, ao enfocá-las sob um novo ângulo,
Maxwell percebeu que as equações se tornam mais
simétricas quando a elas acrescentamos um termo, e por
outro lado esse termo era pequeno demais para produzir
efeitos apreciáveis com os métodos antigos.
Sabe-se que os pontos de vista a priori de Maxwell
esperaram vinte anos por uma confirmação experimental;
ou, se preferirem, Maxwell adiantou-se à experiência em
vinte anos. Como foi obtido esse triunfo?
É que Maxwell estava profundamente impregnado do
sentido da simetria matemática...
Segundo Maxwell, não existem correntes, exceto correntes
fechadas. Ele conseguiu isso introduzindo um pequeno termo - uma
corrente de deslocamento, que resultou na lei da conservação de
cargas elétricas após as novas equações.
Ao formular as equações da eletrodinâmica, Maxwell aplicou a
geometria euclidiana do espaço tridimensional e do tempo absoluto,
idêntica para todos os pontos desse espaço. Guiado por um profundo
senso de simetria, ele complementou as equações da eletrodinâmica
P á g i n a | 25

de tal maneira que, ao mesmo tempo em que explicava os fatos


experimentais disponíveis, eram as equações das ondas
eletromagnéticas. Naturalmente, ele não suspeitava que as
informações sobre a geometria do espaço-tempo estivessem ocultas
nas equações. Mas seu complemento das equações da eletrodinâmica
mostrou-se tão indispensável e preciso que levou claramente H.
Poincaré, que confiava no trabalho de H. Lorentz, à descoberta da
geometria pseudo-euclidiana do espaço-tempo. Abaixo,
descreveremos brevemente como isso aconteceu.
Ao mesmo tempo, mostraremos que o impressionante desejo de
alguns autores de provar que H. Poincaré "não deu o passo decisivo"
para criar a teoria da relatividade se baseia no mal-entendido da
essência da teoria da relatividade e na conhecimento superficial das
obras de Poincaré. Mostraremos isso abaixo em nossos comentários
a essas declarações. Apenas por essa razão, neste livro, apresento
resultados, descobertos e elucidados pela luz da consciência por H.
Poincaré, minuciosamente. Aqui surge a necessidade de comparar o
conteúdo da obra de A. Einstein de 1905, tanto com os resultados
das publicações [2, 3] de H. Poincaré, como com seus trabalhos
anteriores, naturalmente. Após essa comparação, fica claro o que
cada um deles produziu.
Como poderia acontecer que as pesquisas destacadas do
século XX - obras [2,3] de H. Poincaré - fossem usadas de várias
maneiras, ao mesmo tempo em que foram diligentemente
consignadas ao esquecimento? Já é tempo, pelo menos agora, cem
anos depois, de devolver a todos os seus bens. Também é nosso
dever.
Estudos das propriedades das equações da eletrodinâmica
revelaram que eles não retêm sua forma sob as transformações
galileanas (2.5), i. e., não ser invariável em relação às transformações
de Galileu. Portanto, conclui-se que o princípio da relatividade
galileu é violado e, consequentemente, surge a possibilidade
P á g i n a | 26

experimental de distinguir entre um sistema de referência inercial e


outro com o auxílio de fenômenos eletromagnéticos ou ópticos.
Entretanto, vários experimentos realizados, especialmente os de
Michelson, mostraram que é impossível descobrir, mesmo por
experimentos eletromagnéticos (ópticos), com uma precisão de até
(v/c)2, se o sistenma está em estado de repouso ou uniforme e
movimento retilíneo. H. Lorentz encontrou uma explicação para os
resultados desses experimentos, como observou H. Poincaré,
"apenas acumulando hipóteses".
Em seu livro "A Ciência e a Hipógtese" (1902), H. Poincaré
observou
“E agora permita-me fazer uma digressão; Devo
explicar por que não acredito, apesar de Lorentz, que
observações mais exatas tornarão evidente qualquer outra
coisa além dos deslocamentos relativos dos corpos
materiais. Foram feitos experimentos que deveriam ter
evidenciado os termos de primeira ordem; os resultados
foram nulos. Isso poderia ter sido por acaso? Ninguém
admitiu isso; procurou-se uma explicação geral e Lorentz
a encontrou. Ele mostrou que os termos da primeira ordem
devem se cancelar, mas não os termos da segunda ordem.
Em seguida, foram feitas experiências mais exatas, também
negativas; nem isso poderia ser o resultado do acaso. Uma
explicação era necessária, e era iminente; eles sempre são;
hipóteses são o que menos nos falta. Mas isto não é o
suficiente. Quem é que acha que isso deixa ao acaso um
papel importante demais? Não seria também possível que
essa concorrência singular faça com que certas
circunstâncias destruam os termos da primeira ordem, e
que circunstâncias totalmente diferentes, mas muito
oportunas, façam desaparecer as da segunda ordem? Não;
a mesma explicação deve ser encontrada para os dois
P á g i n a | 27

casos, e tudo tende a mostrar que essa explicação serviria


bem à equidade para os termos de ordem superior, e que a
destruição mútua desses termos será rigorosa e absoluta”
Em 1904, com base em fatos experimentais, Henri Poincaré
generalizou o princípio da relatividade de Galileu para todos os
fenômenos naturais. Ele escreveu [1]:
“O princípio da relatividade, segundo o qual as leis dos
fenômenos físicos devem ser as mesmas, quer para um
observador fixo, quer para um observador em movimento
de translação uniforme; de modo que não temos, nem
podemos ter, nenhum meio de discernir se somos ou não
levados num tal movimento.”
Justamente esse princípio se tornou a chave para o
desenvolvimento subsequente da eletrodinâmica e da teoria da
relatividade. Pode ser formulado da seguinte maneira. O princípio
da relatividade é a preservação da forma por todas as equações
físicas em qualquer sistema de referência inercial.
Mas se essa formulação usa a noção do sistema de referência
inercial, significa que a lei da inércia física de Galilei já está
incorporada nessa formulação do princípio da relatividade. Esta é
apenas a diferença entre esta formulação e as formulações dadas por
Poincaré e Einstein.
Declarando esse princípio, Poincaré sabia precisamente que uma
de suas consequências era a impossibilidade de movimento
absoluto, porque todos os sistemas de referência inercial eram
equivalentes. Daqui resulta que o princípio da relatividade de
Poincaré não requer uma negação do éter em geral, apenas priva o
éter da relação com qualquer sistema de referência. Em outras
palavras, remove o éter no sentido de Lorentz. Poincaré não exclui o
conceito de éter, porque é difícil imaginar coisas mais absurdas que
P á g i n a | 28

o espaço vazio. Portanto, a palavra éter, que pode ser encontrada nos
artigos de Poincaré mesmo após sua formulação do princípio da
relatividade, tem outro significado, diferente do éter de Lorentz.
Apenas o éter de Poincaré tem que satisfazer o princípio da
relatividade. Einstein também chegou à ideia de éter em 1920.
Em nosso tempo, esse papel é desempenhado pelo vácuo físico.
Nomeadamente, esse ponto até agora não é compreendido por alguns
físicos (mantemos silêncio sobre filósofos e historiadores da
ciência). Por isso, atribuem erroneamente a Poincaré a interpretação
do princípio da relatividade como impossibilidade de registrar o
movimento uniforme de translação em relação ao éter. Embora,
como o leitor possa ver, não exista a palavra "éter" na formulação do
princípio da relatividade.
É preciso distinguir entre o princípio da relatividade de Galileu
e as transformações de Galileu. Enquanto Poincaré estendeu o
princípio da relatividade galileana a todos os fenômenos físicos
sem alterar sua essência física, as transformações galileanas
acabaram valendo apenas quando as velocidades dos corpos são
pequenas quando comparadas à velocidade da luz.
Aplicando esse princípio da relatividade aos fenômenos
eletrodinâmicos na ref. [3], H. Poincaré escreveu:
"Essa impossibilidade de revelar experimentalmente o
movimento da Terra parece representar uma lei geral da
natureza; naturalmente chegamos a aceitar esta lei, que
chamaremos de postulado da relatividade, e a aceitá-la
sem reservas. É irrelevante, seja este postulado, que até
agora seja consistente com experimentos, será ou não mais
tarde confirmado por medições mais precisas; atualmente,
de qualquer forma, é interessante ver que consequências
podem ser deduzidas dele”.
P á g i n a | 29

Em 1904, após as observações críticas feitas por Poincaré, H.


Lorentz deu um passo mais importante ao tentar novamente escrever
equações eletrodinâmicas em um sistema de referência e mostrando
que a equação de onda da eletrodinâmica permanece inalterada
(invariável) sob as transformações das coordenadas e tempo a seguir:

 v 
X     X  vT  , T     T  2 X  , Y   Y , Z   Z , (3.1)
 c 
Lorentz nomeou T′ como o tempo local modificada, em contraste
com o tempo local τ = T′/γ introduzida no início de 1895;
1
 (3.2)
v2
1 2
c
onde c é a constante eletrodinâmica.
H. Poincaré denominou essas transformações de Lorentz. As
transformações de Lorentz, como é evidente em (3.1), estão
relacionadas a dois sistemas de referência inercial. H. Lorentz não
estabeleceu o princípio da relatividade para fenômenos
eletromagnéticos, pois não conseguiu demonstrar a invariância de
forma de todas as equações de Maxwell-Lorentz sob essas
transformações.
A partir das fórmulas (3.1), conclui-se que a equação de onda
independente do movimento uniforme de translação do sistema de
referência é alcançada apenas alterando o tempo. Portanto, surge a
conclusão, naturalmente, de que para cada sistema de referência
inercial é necessário introduzir seu próprio tempo físico.
Em 1907, A. Einstein escreveu sobre isso:
P á g i n a | 30

≪Surpreendentemente, porém, verificou-se que era


necessária uma concepção suficientemente aguçada do
tempo para superar a dificuldade discutida. Bastava-se
perceber que uma quantidade auxiliar introduzida por H.
A. Lorentz, e nomeada por ele como "tempo local", poderia
ser definida como "tempo" em geral. Se alguém adere a
essa definição de tempo, as equações básicas da teoria de
Lorentz correspondem ao princípio da relatividade...≫
Ou, falando mais precisamente, em vez do tempo verdadeiro,
surgiu o tempo local modificado por Lorentz diferente para cada
sistema de referência inercial.
Mas H. Lorentz não percebeu isso, e em 1914 ele escreveu sobre
isso no artigo detalhado “Os dois papers de Henri Poincaré sobre
física-matemática”:
“Essas considerações publicadas por mim em 1904
estimularam Poincaré a escrever seu artigo sobre a
dinâmica do elétron, onde ele deu meu nome à
transformação mencionada. Devo observar que uma
transformação semelhante já foi dada em um artigo da
Voigt publicado em 1887 e não tirei todos os benefícios
possíveis disso. De fato, não dei a transformação mais
apropriada para algumas quantidades físicas encontradas
nas fórmulas. Isso foi feito por Poincaré e mais tarde por
Einstein e Minkowski. Eu não tinha pensado no caminho
reto que os levava, pois considerava que havia uma
diferença essencial entre os sistemas de referência x, y, z,
te x', y', z', t'. Em um deles foram utilizados - como era o
meu raciocínio - eixos coordenados com uma posição
definida no éter e o que poderia ser chamado de tempo
verdadeiro; no outro, pelo contrário, tratava-se
simplesmente de quantidades subsidiárias introduzidas
P á g i n a | 31

com o auxílio de um truque matemático. Assim, por


exemplo, a variável t' não poderia ser chamada de tempo
no mesmo sentido que a variável t. Dado esse raciocínio,
não pensei em descrever fenômenos no sistema de
referência x', y', z', t' exatamente da mesma maneira, como
no sistema de referência x, y, z, t. Mais tarde, vi no artigo
de Poincaré que, se tivesse agido de maneira mais
sistemática, poderia ter conseguido uma simplificação
ainda mais significativa. Não tendo notado isso, não
consegui obter invariância total das equações; minhas
fórmulas continuavam confusas com termos em excesso,
que deveriam ter desaparecido. Esses termos eram
pequenos demais para influenciar os fenômenos
visivelmente, e por esse fato eu pude explicar sua
independência do movimento da Terra, revelada por
observações, mas não estabeleci o princípio da relatividade
como uma verdade rigorosa e universal. Pelo contrário,
Poincaré alcançou invariância total das equações da
eletrodinâmica e formulou o postulado da relatividade - um
termo introduzido pela primeira vez por ele. . . Posso
acrescentar que, embora corrigisse os defeitos do meu
trabalho, ele nunca me censurou por eles.
Não consigo apresentar aqui todos os belos resultados
obtidos por Poincaré. No entanto, deixe-me enfatizar
alguns deles. Primeiro, ele não se restringiu demonstrando
que as transformações relativísticas deixaram a forma de
equações eletromagnéticas imutáveis. Ele explicou esse
sucesso de transformações pela oportunidade de
apresentar essas equações como consequência do princípio
de menor ação e pelo fato de que a equação fundamental
que expressa esse princípio e as operações utilizadas na
derivação das equações de campo são idênticas nos
P á g i n a | 32

sistemas x, y, z, te x', y', z', t'. Existem algumas novas noções


nesta parte do artigo, devo marcá-las especialmente.
Poincaré observa, por exemplo, que, considerando as
quantidades x, y, z, t√−1 como coordenadas de um ponto
no espaço quadridimensional, as transformações
relativísticas reduzem-se a rotações nesse espaço. Ele
também teve a ideia de adicionar aos três componentes X,
Y, Z da força uma quantidade
T  X   Y  Z
que nada mais é do que o trabalho da força em uma
unidade de tempo e que pode ser tratado como uma quarta
componente da força em algum sentido. Ao lidar com a
força que atua em uma unidade de volume de um corpo, as
transformações relativísticas alteram as quantidades X, Y,
Z, T√−1 de maneira semelhante às quantidades x, y, z,
t√−1. Lembro essas ideias de Poincaré, porque elas estão
fechadas aos métodos usados mais tarde por Minkowski e
outros cientistas para facilitar as ações matemáticas na
teoria da relatividade. ”
Como se vê, durante o estudo do artigo de Poincaré, H. Lorentz vê e
aceita a possibilidade de descrever fenômenos no sistema de
referência x', y', z', t' exatamente da mesma maneira que em o sistema
de referência x, y, z, t, e que tudo isso cumpre plenamente o princípio
da relatividade, formulado por Poincaré. Portanto, os fenômenos
físicos são idênticos, se ocorrerem em condições idênticas nos
sistemas de referência inercial (x, y, z, t) e (x', y', z', t'), movendo-se
um em relação ao outro com uma velocidade v. Tudo isso foi uma
consequência direta das equações físicas que não se alteraram sob as
transformações de Lorentz, que juntamente com as rotações
espaciais formam um grupo. Precisamente tudo isso está contido,
também, nos artigos de Poincaré [2, 3].
P á g i n a | 33

H. Lorentz escreve em 1915 em uma nova edição de seu livro


"Teoria dos Elétrons", no comentário 72∗:
“A principal razão do meu fracasso foi que eu sempre
pensei que apenas a quantidade t poderia ser tratada como
um tempo real e que o meu tempo local t' era considerado
apenas como um valor matemático auxiliar. Na teoria de
Einstein, exatamente oposto, t' está desempenhando o
mesmo papel que t. Se queremos descrever os fenômenos
como dependentes de x', y', z', t', então devemos operar com
essas variáveis da mesma maneira que com x, y, z, t”.
Compare esta citação com a análise detalhada do artigo de Poincaré
dado por Lorentz em 1914.
Além disso, ele demonstra neste comentário a derivação das
fórmulas de composição de velocidade, exatamente da mesma forma
que é feita no artigo [3] de Poincaré. No comentário 75, ele discute
a transformação de forças, explora invariante (3,22) da mesma
maneira que é feito por Poincaré. O trabalho de Poincaré é citado
apenas em conexão com um ponto particular. É surpreendente, mas
Lorentz, ao lidar com a teoria da relatividade, nem mesmo cita os
artigos de Poincaré [2; 3] O que pode acontecer com Lorentz no
período após 1914? Como podemos explicar isso? Para dizer a
verdade, devemos mencionar que, devido à guerra, o artigo de
Lorentz, escrito em 1914, só foi publicado em 1921. Mas foi
impresso da mesma forma que Lorentz o escreveu em 1914. De fato,
ele parece confirmar por isso que sua opinião não mudou. Mas tudo
isso a longo prazo não significa nada substancial, porque agora
podemos examinar mais profundamente e com mais detalhes
quem fez o trabalho, o que foi feito e qual é o nível desse
trabalho, sendo informado sobre o estado moderno do a teoria e
o artigo de comparação de 1905 de Einstein aos artigos de Poincaré.
P á g i n a | 34

A escala dos trabalhos pode ser melhor estimada a partir da


distância temporal. As lembranças dos contemporâneos são
valiosas para nós como um testemunho de como novas ideias foram
admitidas pela comunidade física da época. Além disso, pode-se
obter algum conhecimento sobre a ética da ciência para alguns
cientistas, sobre interesses de grupos e talvez até algo mais, que é
absolutamente desconhecido para nós.
É necessário mencionar que Lorentz em seu artigo de 1904 no
cálculo de suas transformações cometeu um erro e, como resultado,
as equações de Maxwell-Lorentz em um referencial móvel se
tornaram diferentes das equações eletrodinâmicas no restante. Essas
equações foram sobrecarregadas por termos supérfluos. Mas
Lorentz não se incomodou com isso. Ele veria facilmente o erro se
não se afastasse do princípio da relatividade. Afinal, apenas o
princípio da relatividade exige que as equações sejam iguais nos dois
quadros de referência. Mas ele destacou um quadro de referência
diretamente conectado ao éter.
Agora, seguindo os primeiros trabalhos de H. Poincaré,
trataremos da definição de simultaneidade, na sincronização de
relógios ocupando diferentes pontos do espaço, e esclareceremos o
sentido físico do tempo local, introduzido por Lorentz. No artigo “A
Medição do Tempo”, publicado em 1898, Poincaré discute a questão
da medição do tempo em detalhes. Este artigo foi especialmente
observado no livro “A Ciência e a Hipótese”, de Poincaré, e,
portanto, é bastante compreensível para um leitor curioso.
Neste artigo, por exemplo, foi dito o seguinte:
“Mas passemos a exemplos menos artificiais; para nos
dar conta da definição implicitamente admitida pelos
cientistas, vamos observá-los enquanto trabalham, e
busquemos as regras segundo as quais investigam a
simultaneidade...
P á g i n a | 35

Quando um astrônomo me diz que determinado


fenômeno estelar — que seu telescópio lhe revela naquele
momento — ocorreu contudo há cinquenta anos, busco o
que ele quer dizer com isso: pergunto-lhe de início como o
sabe, isto é, como ele mediu a velocidade da luz.
Começou por admitir que a luz tem uma velocidade
constante, e em particular que sua velocidade é a mesma
em todas as direções. Esse é um postulado sem o qual
nenhuma medida dessa velocidade poderia ser tentada.
Esse postulado jamais poderá ser verificado diretamente
pela experiência; poderia ser contradito por ela, se os
resultados das diversas medidas não fossem concordantes.
Devemos nos considerar felizes por essa contradição não
ter ocorrido, e pelo fato de poderem explicar-se facilmente
as pequenas discordâncias que podem acontecer.
Em todo caso o postulado, em conformidade com o
princípio da razão suficiente, foi aceito por todos; o que
quero lembrar é que ele nos fornece uma nova regra para
a pesquisa da simultaneidade (destacada por mim - A.L.),
inteiramente diferente daquela que havíamos enunciado
acima.
Segue-se a partir deste postulado que o valor da velocidade da
luz não depende da velocidade da fonte dessa luz. Essa afirmação
também é uma consequência direta da eletrodinâmica da Maxwell.
O postulado acima, juntamente com o princípio da relatividade
formulado por H. Poincaré em 1904 para todos os fenômenos físicos,
tornam-se precisamente as afirmações iniciais no trabalho de
Einstein de 1905.
Lorentz lidou com as equações de Maxwell-Lorentz em um
sistema de referência "imóvel" relacionado ao éter. Ele considerou
as coordenadas X, Y, Z como absolutas e o tempo T como o tempo
verdadeiro.
P á g i n a | 36

Em um sistema de referência que se move ao longo do eixo X com


uma velocidade v em relação a um sistema de referência "em
repouso", as coordenadas em relação aos eixos que se movem juntos
com o sistema de referência têm os valores
x  X  vT , y  Y , z  Z , (3.3)

enquanto o tempo no sistema de referência móvel foi denominada


pelo tempo local de Lorentz (1895) e definida da seguinte forma:
v
 T  X. (3.4)
c2
Ele introduziu esse tempo para poder, de acordo com dados
experimentais, excluir da teoria a influência do movimento da Terra
nos fenômenos ópticos na primeira ordem sobre v/c.
Desta vez, como ele observou, "foi introduzido com a ajuda de
um truque matemático". O significado físico do tempo local foi
descoberto por H. Poincaré.
No artigo "A teoria de Lorentz e o princípio da igualdade de ação
e reação", publicado em 1900, ele escreveu sobre o tempo local τ,
definindo-o da seguinte maneira (Tradução do francês por V.A.
Petrov):
“Suponho que observadores, situados em pontos
diferentes, comparem seus relógios com o auxílio de sinais
de luz; eles corrigem esses sinais pelo tempo de
transmissão, mas, sem saber o movimento relativo em que
estão passando e, consequentemente, considerando que os
sinais se propagam com a mesma velocidade nas duas
direções, eles se limitam a realizar observações enviando
sinais de A para B e de B a A. O tempo local τ é o tempo
lido nos relógios assim controlados. Então, se c é a
velocidade da luz e v é a velocidade do movimento da
P á g i n a | 37

Terra, que eu assumo ser paralela ao eixo X positivo,


teremos:
v
 T  X.” (3.5)
c2
Tendo em conta (3.3) em (3.5), obtemos

 v2  v
  T 1    x. (3.6)
 c2  c2

A velocidade da luz em um sistema de referência "em repouso" é c.


Em um sistema de referência móvel, nas variáveis x, T, será igual,
na direção paralela ao eixo X, a
c  v, (3.7)

no positivo, e
cv (3.8)
- na direção negativa.
Isso é facilmente verificado, se alguém recordar que a velocidade
da luz em um sistema de referência “em repouso” é, em todas as
direções, igual a c, i. e
2 2 2
 dX   dY   dZ 
c 
2
     . (λ)
 dT   dT   dT 
Em um sistema de referência móvel x = X - vT, a expressão
superior assume, nas variáveis x, T, a forma
P á g i n a | 38

2 2 2
 dx   dY   dZ 
c2    v     .
 dT   dT   dT 
Portanto, é evidente que, em um sistema de referência móvel, a
dx
velocidade de coordenadas de um sinal de luz paralelo ao eixo
dT
X é dada da seguinte maneira
dx
 cv
dT
na direção positiva,
dx
cv
dT
- na direção negativa.
A velocidade coordenada da luz em um sistema de referência
móvel ao longo do eixo Y ou Z é igual à quantidade

c2  v2
Observamos que, se tivéssemos feito uso das transformações de
Lorentz inversas a (3.1), levando em consideração a igualdade
2
 v 
c   dT   2 dX     dX   vdT    c 2  dT     dX   ,
2 2 2 2 2

 c 
teríamos obtido da Eq. (λ) a expressão

 dX    dY    dZ  
2 2 2

c 
2
     . (ρ)
 dT    dT    dT  
P á g i n a | 39

o que significaria que a velocidade da luz é igual a c em todas as


direções em um sistema de referência móvel também. Vamos
mencionar também que a equação do cone de luz permanece a
mesma após multiplicar o lado direito das Eqs. (3.1) (transformações
de Lorentz) por uma função arbitrária φ(x). A equação do cone de
luz preserva sua forma sob transformações conformes.
Seguindo Poincaré, realizaremos a sincronização dos relógios em
um sistema de referência móvel com o auxílio do tempo local de
Lorentz. Considere um sinal de luz saindo do ponto A com
coordenadas (0, 0, 0) no momento τa:

 v2 
 a  T 1   (3.9)
 c2 

Este sinal chegará ao ponto B com coordenadas (x, 0, 0) no momento


τb

 x  v2  v x
b  T   1  2   2 x   a  (3.10)
 cv  c c  c

Aqui, levamos em conta o tempo de transmissão do sinal de A


para B. O sinal foi refletido no ponto B e chegou ao ponto A no
momento τ′a

 x x   v2  x

 a  T    1  2    b  (3.11)
 c  v c  v  c  c

Com base em (3.9), (3.11) e (3.10), temos


 a   a
 b (3.12)
2
P á g i n a | 40

Assim, a definição de simultaneidade foi introduzida, que mais


tarde foi aplicada por A. Einstein para derivar as transformações de
Lorentz. Verificamos que o “tempo local” de Lorentz (3.6) atende à
condição (3.12). Utilizando (3.12) como equação inicial para definir
o tempo em um sistema de referência móvel, Einstein chegou ao
mesmo "tempo local" de Lorentz (3.6) multiplicada por uma função
arbitrária, dependendo apenas da velocidade v. De (3.10), (3.11)
vemos que em um sistema de referência que se move ao longo do
eixo X com o tempo local τ, o sinal luminoso tem velocidade c ao
longo de qualquer direção paralela ao eixo X. As transformações,
inversas a (3.3) e (3.4), serão as seguintes
v
 x
x  vt
T c2 , X , Y  y, Z  z. (3.13)
v2 v2
1 2 1 2
c c
Como a velocidade da luz em um sistema de referência “em
repouso” é c, nas novas variáveis τ, x, y, z encontramos nas Eqs. (λ)
e (3.13)
2 2 2
 dx   dy   dz 
           2c2
2
(3.14)
 d   d   d 
Podemos ver do acima exposto que, para ter a velocidade da luz
igual c em qualquer direção no sistema de referência móvel, também
é necessário multiplicar os lados direito das transformações (3.3) e
(3.4) para x e τ por γ e dividir os lados do lado direito em
transformações (3.13) para T e X por γ. Assim, esse requisito leva ao
aparecimento das transformações de Lorentz aqui.
H. Lorentz em 1899 usou a transformação da seguinte forma
 v 
X     X  vT  , Y  Y, Z  Z, T    2  T  2 X  , (3.15)
 c 
P á g i n a | 41

para explicar o experimento de Michelson. As transformações


inversas são
v
X   X   vT , Y  Y, Z  Z, T  T  X .
c2
Se H. Lorentz propusesse o princípio da relatividade para todos
os fenômenos físicos e exigisse, com relação a isso, que uma onda
esférica tivesse a mesma forma em sistemas de referência não
preparados e preparados, ele chegaria às transformações de Lorentz.
Vamos ter um sistema de referência sem forças impressas:

c2T 2  X 2  Y 2  Z 2  0
então, de acordo com suas fórmulas, essa expressão em novas
variáveis é a seguinte
2
 v 
c  T   2  X      X   vT    Y 2  Z 2  0.
2 2

 c 
e depois de algumas simplificações obtemos
2
 v 
c T  1  2   X 2  Y 2  Z 2  0.
2 2

 c 
Vemos que, para garantir a mesma forma de onda esférica em
novas variáveis, como nas antigas, é necessário alterar a variável T',
substituindo-a pela nova variável τ
1
T .

Após a transição para a nova variável, obtemos transformações
de Lorentz
P á g i n a | 42

 v 
X     X  vT  , Y  Y, Z   Z ,    T  2 X  ,
 c 
e as transformações inversas
 v 
X    X   vT  , Y  Y , Z  Z , T     2 X   ,
 c 
Mas H. Lorentz não viu isso em 1899. Ele obteve essas
transformações apenas em 1904, depois também se aproximou da
teoria da relatividade, mas não deu o passo decisivo. As
transformações de Lorentz (3.1) foram obtidas em 1900 por Larmor.
Mas ele também não propôs o princípio da relatividade para todos
os fenômenos físicos e não exigiu invariância de forma das equações
de Maxwell sob essas transformações. Portanto, Larmor também não
deu um passo decisivo para construir a teoria da relatividade.
Precisamente a constância da velocidade da luz em qualquer
sistema de referência inercial é o que A. Einstein escolheu para
fundamentar sua abordagem à eletrodinâmica dos corpos em
movimento. Mas é fornecido não pelas transformações (3.3) e (3.4),
mas pelas transformações de Lorentz.
A. Einstein partiu do princípio da relatividade e do princípio da
constância da velocidade da luz. Ambos os princípios foram
formulados da seguinte maneira:
≪ 1. As leis que governam as mudanças de estado de
qualquer sistema físico não dependem de qual dos dois
sistemas de coordenadas em movimento translacional
uniforme um em relação ao outro a que essas mudanças de
estado são referidas.
2. Cada raio de luz se move no sistema de coordenadas
“em repouso” com a velocidade definida V,
P á g i n a | 43

independentemente de esse raio de luz ser emitido por um


corpo em repouso ou um corpo em movimento≫.
Observemos que o princípio da relatividade de Galileu não está
incluído nesses princípios.
É necessário enfatizar especialmente que o princípio da
constância da velocidade da luz, sugerido por A. Einstein como o
segundo postulado independente, é realmente uma consequência
especial dos requisitos do princípio da relatividade de H. Poincaré.
Este princípio foi estendido por ele em todos os fenômenos físicos.
Para se convencer disso, basta considerar os requisitos do princípio
da relatividade para um processo elementar - propagação da onda
esférica eletromagnética. Discutiremos isso mais tarde.
Em 1904, no artigo “O presente e o futuro da física matemática”,
H. Poincaré formula o princípio da relatividade para todos os
fenômenos naturais, e no mesmo artigo ele volta novamente à ideia
de Lorentz sobre o tempo local. Ele escreve:
≪ Imaginemos dois observadores que desejem acertar
seus relógios por sinais ópticos; eles trocam sinais, mas
como sabem que a transmissão da luz não é instantânea,
tomam o cuidado de cruzá-los. Quando a estação B percebe
o sinal da estação A, seu relógio não deve marcar a mesma
hora que a da estação A no momento da emissão do sinal,
mas essa hora aumentada de uma constante que representa
a duração da transmissão. Suponhamos, por exemplo, que
a estação A envie seu sinal quando seu relógio marca a
hora zero, e que a estação B o perceba quando seu relógio
marca a hora t. Os relógios estão acertados se o atraso
igual a t representar a duração da transmissão, e, para
verificá-lo, a estação B expede por sua vez um sinal quando
seu relógio marca zero; a estação A deve então percebê-lo
quando seu relógio marcar t. Então os relógios estão
P á g i n a | 44

acertados. E, de fato, eles marcam a mesma hora no mesmo


instante físico, mas com a condição de estarem fixas as
duas estações. Caso contrário, a duração da transmissão
não será a mesma nos dois sentidos, já que a estação A, por
exemplo, vai ao encontro da perturbação óptica emanada
de B, enquanto a estação B foge diante da perturbação
emanada de A. Portanto, os relógios acertados desse modo
não marcarão o tempo verdadeiro (o tempo no sistema de
referência "em repouso" - A.L.); marcarão o que podemos
chamar de tempo local, de modo que um deles se atrasará
em relação ao outro. Pouco importa, já que não temos
nenhum meio de perceber isso. Todos os fenômenos que se
produzirem em A, por exemplo, estarão atrasados, mas
todos terão o mesmo atraso, e o observador não perceberá,
já que seu relógio atrasa; assim, como manda o princípio
de relatividade, ele não terá nenhum meio de saber se está
em repouso ou em movimento absoluto. Infelizmente isso
não basta, e são necessárias hipóteses complementares; é
preciso admitir que os corpos em movimento sofrem uma
contração uniforme no sentido do movimento. ≫
Essa era a situação anterior à obra de Lorentz, que também
apareceu em 1904. Aqui Lorentz apresenta novamente as
transformações que conectam um sistema de referência "em
repouso" a um sistema de referência que se move com uma
velocidade v em relação à "em repouso", que foram denominado por
Poincaré as transformações de Lorentz. Neste trabalho, Lorentz, em
vez do tempo local (3.4), introduziu o tempo T′, igual a
T    . (3.15)

Lorentz chamou o tempo T' de tempo local modificado.


Precisamente esse tempo estará presente em qualquer sistema de
P á g i n a | 45

referência inercial nas coordenadas de Galileu. Não viola a condição


de sincronização (3.12)
Abaixo, veremos a seguir Lorentz que a equação da onda não
altera de fato sua forma nas transformações de Lorentz. Vamos
verificar isso. A equação de onda da eletrodinâmica tem a forma:

 1 2 2 2 2 
        0 (3.16)
 c t x 2 y 2 z 2 
2 2

Aqui φ é uma função escalar no espaço quadridimensional, que


muda sob transformações de tempo de coordenadas de acordo com
a regra φ′ (x′) = φ(x), c é a constante eletrodinâmica que tem a
dimensão da velocidade.
Vamos estabelecer a invariância de forma do operador em
relação às transformações (3.1). Representamos parte do operador
na forma
1  2  2  1    1   
          (3.17)
c 2 t 2 x 2  c t x  c t x 

Calculamos as derivadas nas novas coordenadas, aplicando


fórmulas (3.1)

1  1 t   1 x  1  v  
            ,
c t c t t  c t x  c t  c x 

 t   x   v   
       2   .
x x t  x x  c t  x 
Portanto, encontramos:

1    v  1   
    1     , (3.18)
c t x  c  c t  x 
P á g i n a | 46

1    v  1   
    1     , (3.19)
c t x  c  c t  x 
Substituindo essas expressões em (3.17) obtemos

1 2 2 1 2 2
     (3.20)
c 2 t 2 x 2 c 2 t 2 x2
Considerando que as variáveis y e z de acordo com (3.1) não
mudam, com base em (3.20) temos~

1 2 2 2 2
    
c 2 t 2 x 2 y 2 z 2
(3.21)
1 2 2 2 2
 2 2 2 2 2
c t  x y z 

Isso significa que a equação de onda (3.16) permanece


invariável em relação às transformações de Lorentz (3.1). Em
outras palavras, é o mesmo nos dois sistemas de referência inercial.
Assim, por exemplo, segue-se que a velocidade de uma onda de luz
é igual a c, tanto em um sistema de referência "em repouso" quanto
em qualquer outro sistema de referência que se mova em relação ao
"em repouso" com uma velocidade v.
Mostramos que as transformações de Lorentz deixam o operador
inalterado, i. e., eles conservam a invariância da forma da equação
da onda. Por outro lado, esse cálculo pode ser considerado uma
derivação exata das transformações de Lorentz, com base na
invariância da forma do operador . Na eletrodinâmica, a equação
de onda é válida fora da fonte, tanto para os potenciais escalares
quanto vetoriais,  e A , respectivamente.
P á g i n a | 47

Nesse caso,  é definido como um escalar em relação às


transformações de coordenadas tridimensionais e A é definido como
um vetor em relação às mesmas transformações. Para que a equação
da onda seja invariante da forma sob as transformações de Lorentz,
é necessário considerar as quantidades  e A como componentes

do vetor quadridimensional A   , A . 
A  0,   0,1, 2,3.
Em 1905, Henri Poincaré estabeleceu [2, 3] a invariância das
equações de Maxwell-Lorentz e das equações de movimento de
partículas carregadas sob a ação da força de Lorentz em relação às
transformações de Lorentz (3.1) com base em o trabalho de 1904 de
Lorentz, no qual as transformações de Lorentz foram descobertas, e
sobre o princípio da relatividade, formulado por Poincaré no mesmo
ano para todos os fenômenos naturais. Todas as opções acima serão
demonstradas em detalhes nas seções 8 e 9.
H. Poincaré descobriu que essas transformações, juntamente
com as rotações espaciais, formam um grupo. Ele foi o primeiro
a introduzir a noção de quadridimensionalidade de várias
quantidades físicas. A descoberta desse grupo, juntamente com
ideias quânticas, criou os fundamentos da física teórica moderna.
 
Poincaré estabeleceu que o potencial escalar e vetorial  , A , a
densidade e a corrente de carga  c  ,  v  , as quatro velocidades
 ,  v c  , o trabalho por unidade de tempo e força normalizado para

o volume unitário, f  v c , f  bem como a transformação de quatro
forças, como as quantidades  ct , x  . A existência do grupo Lorentz
significa que, em todos os sistemas de referência inercial, as
P á g i n a | 48

equações de Maxwell-Lorentz nas coordenadas de Galileu


permanecem invariáveis da forma, i. e;, o princípio da relatividade é
satisfeito. Portanto, segue-se diretamente que as descrições dos
fenômenos são as mesmas no sistema de referência x, y, z, t e no
sistema de referência x', y', z', t', portanto, consequentemente, no
tempo t, outras variáveis x, y, z são relativas. Assim, o tempo relativo
é uma consequência direta da existência do grupo, que surge como
uma consequência da exigência de cumprir o princípio da
relatividade para os fenômenos eletromagnéticos.
A existência desse grupo levou à descoberta da geometria do
espaço-tempo. H. Poincaré descobriu vários invariantes do
grupo e entre eles - os invariantes fundamentais

J  c2T 2  X 2  Y 2  Z 2 , (3.22)

que surgiu na exploração da transformação de Lorentz. Ele


testemunha que o espaço e o tempo formam um continuum
quadridimensional único de eventos com propriedades métricas
determinadas pela invariante (3,22). O espaço-tempo
quadridimensional descoberto por H. Poincaré, e definido pelo
invariante (3.22), foi posteriormente chamado de espaço Minkowski.
Precisamente, essa é a essência da teoria da relatividade especial. É
por isso que está relacionado a todos os fenômenos físicos. É o
espaço-tempo determinado pela invariante (3.22) que prevê a
existência de sistemas de referência inercial fisicamente iguais na
Natureza. No entanto, como anteriormente na mecânica clássica,
ainda não está claro como os sistemas de referência inercial estão
relacionados à distribuição da matéria no Universo. Da expressão
(3.22), segue-se que em qualquer sistema de referência inercial, uma
determinada quantidade J em coordenadas galileanas (cartesianas)
permanece inalterada (invariável à forma), enquanto suas projeções
nos eixos mudam. Assim, dependendo da escolha do sistema de
P á g i n a | 49

referência inercial, as projeções X, Y, Z, T são quantidades relativas,


enquanto a quantidade J para qualquer X, Y, Z, T determinado tem
um valor absoluto. Um intervalo positivo J pode ser medido por um
relógio, enquanto um negativo - por uma haste. De acordo com
(3.22), de forma diferencial temos

 d   c 2  dT    dX    dY    dZ  .
2 2 2 2 2
(3.23)

A quantidade dσ é chamada de intervalo.


A geometria do espaço-tempo, i. e o espaço de eventos (o
espaço de Minkowski) com a medida (3.23) foi denominado
geometria pseudo-euclidiana.
Como pode ser visto a partir da estrutura da invariante J, escrita
em coordenadas ortogonais (galileanas), é sempre possível
introduzir um tempo único T para todos os pontos do espaço
tridimensional. Isso significa que o espaço tridimensional de um
determinado sistema de referência inercial é ortogonal às linhas do
tempo. Como, como veremos a seguir, o invariante J em outro
sistema de referência inercial assume a forma (3.27), portanto, nesse
sistema de referência, o tempo único já será diferente, sendo
determinado pela variável T'. Mas o comprimento mudará
simultaneamente. Assim, a possibilidade de introduzir
simultaneidade para todos os pontos do espaço tridimensional é uma
consequência direta da geometria pseudo-euclidiana do espaço
quadridimensional de eventos.
Concluindo tudo isso, vemos que H. Lorentz encontrou as
transformações (3.1), que conservam a forma da equação de onda
(3.16). Com base no princípio da relatividade para todos os
fenômenos físicos formulados por ele em 1904 e nas transformações
de Lorentz, Henri Poincar estabeleceu a invariância de forma das
equações de Maxwell-Lorentz e descobriu a geometria pseudo-
P á g i n a | 50

euclidiana do espaço-tempo, determinada por o invariante (3.22) ou


(3.23).
Uma breve exposição do artigo detalhado [3] foi dada por H.
Poincaré nos relatórios da Academia Francesa de Ciências [2] e
publicada antes mesmo de o trabalho de Einstein ser submetido para
publicação. Este artigo continha uma descrição precisa e rigorosa da
solução para o problema da eletrodinâmica dos corpos em
movimento e, ao mesmo tempo, uma extensão das transformações
de Lorentz a todas as forças naturais, independentemente de sua
origem. Nesta publicação, H. Poincaré descobriu o grupo de Lorentz
de acordo com o qual surgiu um conjunto de valores físicos
quadridimensionais transformando-se semelhantes a t, x, y, z. A
presença do grupo Lorentz fornece automaticamente a sincronização
de relógios em qualquer sistema de referência inercial. Portanto, o
horário físico adequado surge em qualquer sistema inercial de
referência - o tempo local modificado por Lorentz. No artigo [2], as
fórmulas relativísticas para adicionar velocidades e a lei de
transformação para forças surgiram pela primeira vez. Foi prevista
a existência de ondas gravitacionais propagando-se à velocidade da
luz.
Deve-se enfatizar que apenas a descoberta do grupo de Lorentz
forneceu a uniformidade da descrição de todos os efeitos físicos em
todos os sistemas de referência inercial, em total conformidade com
o princípio da relatividade. Tudo isso forneceu automaticamente a
relatividade de tempo e duração.
H. Poincaré descobriu o invariante (3.22) com base nas
transformações de Lorentz (3.1). Por outro lado, aplicando a
invariante (3.22), é fácil derivar as transformações reais de Lorentz
(3.1). Deixe o invariante J em um sistema de referência inercial ter
a forma (3.22) nas coordenadas de Galileu. Agora, passamos para
outro sistema de referência inercial
P á g i n a | 51

x  X  vT , Y   Y , Z  Z, (3.24)

então o invariante J assume a forma


 v2 
J  c 2 1  2  T 2  2 xvT  x 2  Y 2  Z 2 . (3.25)
 c 
Por isso, temos
2
 
 
2  v2 xv  
J c 1 2 T 
 c v2 
 c 2
1   (3.26)
 c2 
 v2 
 x 2 1  2 2   Y 2  Z 2 .
 c v 
A expressão (3.26) pode ser escrita no formato
J  c2T 2  X 2  Y 2  Z 2 . (3.27)
onde
v
T X
v2 xv c2
T   1 2 T   (3.28)
c v2 v2
c 2
1 2 1 2
c c

x X  vT
X   (3.29)
v2 v2
1 2 1 2
c c
P á g i n a | 52

Vemos pela expressão (3.27) que a invariância da forma do


invariante J é fornecida pelas transformações de Lorentz (3.28) e
(3.29). Ao derivar as transformações de Lorentz da expressão para o
invariante (3,22), aproveitamos o fato de que o invariante J pode
assumir um valor real arbitrário. Precisamente essa circunstância nos
permitiu considerar as quantidades T e X como variáveis
independentes, que podem assumir quaisquer valores reais. Se nós,
seguindo Einstein, soubéssemos apenas um valor de J, igual a zero,
não poderíamos, em princípio, obter transformações de Lorentz da
forma geral, pois as variáveis espaciais estariam relacionadas à
variável tempo.
Nesse caso, a seguinte abordagem heurística pode ser realizada.
A equação da onda eletromagnética esférica que tem seu centro na
origem do sistema de coordenadas tem a seguinte forma

c2T 2  X 2  Y 2  Z 2  0
onde c é a constante eletrodinâmica, se usarmos as coordenadas
galileus do sistema de referência K em “repouso”. Esse fato decorre
das equações de Maxwell-Lorentz.
Vamos considerar dois sistemas de referência inercial K e K′ com
coordenadas galileus movendo-se uma em relação à outra com
velocidade v ao longo do eixo X. Faça suas origens coincidirem no
momento T = 0 e deixe que uma onda eletromagnética esférica seja
emitida neste momento a partir de sua origem comum. No sistema
de referência K é dado pela equação

c2T 2  X 2  Y 2  Z 2  0
Como o sistema de referência K' está se movendo com a velocidade
v, podemos usar as transformações galileanas
x  X  vT , Y   Y , Z  Z,
P á g i n a | 53

e reescreva a equação anterior da onda esférica da seguinte forma

 v2  2
J  c 1  2  T  2 xvT  x 2  Y 2  Z 2 .
2

 c 
O requisito do princípio da relatividade aqui é reduzido à
necessidade de que a onda eletromagnética em um novo sistema de
referência inercial K' também seja esférica, tendo seu centro na
origem desse sistema de referência.
Tendo isso em mente, transformamos a equação acima (como
feito anteriormente) na seguinte forma

c2T 2  X 2  Y 2  Z 2  0
Então, derivamos as transformações de Lorentz.
v
T X
c2 , X  vT
T  X  , Y  Y, Z  Z
v2 v2
1 2 1 2
c c
mas apenas no cone de luz.
Agora, vamos às coisas mais importantes. Vamos tratar as
variáveis T, X, Y, Z, que aparecem nas transformações derivadas
como independentes. Depois de inserir essas expressões no lado
direito da equação (3.27) podemos ver que elas deixam a quantidade

c2T 2  X 2  Y 2  Z 2
inalterada devido ao caráter linear das transformações. Chegamos,
portanto, à invariante fundamental J, e também à geometria pseudo-
euclidiana do espaço-tempo. Resulta do exposto, em particular, que
a velocidade da luz no sistema K e no sistema K' é a mesma e,
P á g i n a | 54

portanto, o princípio da constância da velocidade da luz é uma


consequência particular do princípio da relatividade. Precisamente
essa circunstância permaneceu despercebida por A. Einstein em sua
obra de 1905, na qual as transformações de Lorentz foram derivadas.
Anteriormente, mostramos, após Poincaré, que o "tempo local"
de Lorentz permite executar a sincronização de relógios em um
sistema de referência móvel em diferentes pontos espaciais com o
auxílio de um sinal de luz. Exatamente a expressão (3.12) é a
condição para a sincronização de relógios em um sistema de
referência móvel. Introduz a definição de simultaneidade de eventos
em diferentes pontos do espaço. Poincaré estabeleceu que o "tempo
local" de Lorentz satisfaz essa condição.
Assim, a definição de simultaneidade de eventos em diferentes
pontos espaciais por meio de um sinal de luz e a definição de
tempo em um sistema de referência móvel por meio de sinal de
luz foram consideradas por Poincaré em seus documentos de
1898, 1900 e 1904. Portanto, ninguém tem motivos para
acreditar que essas ideias foram tratadas pela primeira vez por
A. Einstein em 1905.
Mas vamos ver, por exemplo, o que foi escrito pelo acadêmico L.
I. Mandel'stam em suas palestras [8]:
“Então, a grande conquista de Einstein consiste em
descobrir que o conceito de simultaneidade é um conceito...
que nós temos que definir. As pessoas tinham o
conhecimento do espaço, o conhecimento do tempo, tinham
esse conhecimento há muitos séculos, mas ninguém sugeriu
essa ideia. ”
E o seguinte foi escrito por H.Weyl:
“... devemos descartar nossa crença no significado
objetivo da simultaneidade; foi a grande conquista de
P á g i n a | 55

Einstein no campo da teoria do conhecimento ele ter


banido esse dogma de nossas mentes, e é isso que nos leva
a classificar seu nome com o de Copérnico”.
É possível que L. I. Mandel'tstam e H. Weyl não tenham lido
artigos e livros de Poincaré?
O acadêmico V. L. Ginzburg em seu livro “Sobre física e
astrofísica” (Moscou: Nauka, 1985) no artigo “Como e quem criou
a Teoria da Relatividade Especial?”1 escreveu:
“Por outro lado, em trabalhos anteriores, em artigos e
comunicações de Poincaré, há um conjunto de comentários
que parecem quase proféticos. Refiro-me tanto à
necessidade de definir um conceito de simultaneidade
quanto à oportunidade de usar sinais de luz para esse fim,
e ao princípio da relatividade. Mas Poincaré não
desenvolveu essas ideias e seguiu Lorentz em seus
trabalhos de 1905-1906”.
Vamos fazer alguns comentários sobre esta citação.
Para ser preciso, deve-se dizer que Poincaré foi o primeiro a
formular o princípio da relatividade para todos os processos
físicos. Ele também definiu o conceito de simultaneidade em
diferentes pontos espaciais por meio do sinal de luz em seus
artigos 1898, 1900 e 1904. Nas obras de Poincaré [2; 3] esses
conceitos foram adequadamente realizados na linguagem do grupo
Lorentz, que fornece tanto o requisito do princípio da relatividade
quanto a introdução de seu tempo de Lorentz local modificado em
todos os sistemas de referência inerciais. Tudo isso forneceu
automaticamente uma sincronização única de relógios por meio do
sinal luminoso em todo sistema de referência inercial. Devido a isso,

1
Todas as citações do acadêmico V. L. Ginzburg apresentadas aqui e abaixo são
retiradas deste artigo. - A. L.
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nenhum desenvolvimento adicional desses conceitos foi


necessário após o trabalho de H. A. Lorentz de 1904.
Foi necessário apenas introduzir esses conceitos no seio da teoria.
Foi precisamente isso que foi realizado com nas obras [2; 3] por meio
do grupo Lorentz, descoberto por H. Poincaré. Poincaré não segue
Lorentz, ele desenvolve suas próprias ideias usando as realizações
de Lorentz e completa a criação da teoria da relatividade dessa
maneira. Exatamente em trabalhos [2; 3] ele estende a invariância de
Lorentz a todas as forças da natureza, incluindo a gravitacional; ele
descobre equações da mecânica relativística; ele descobre invariante
fundamental

c 2t 2  x 2  y 2  z 2

que determina a geometria do espaço-tempo.


A abordagem de H. Poincaré é transparente e contemporânea,
embora tenha sido realizada há quase cem anos. Como é possível não
entender isso depois de ler as obras de Poincaré [2; 3]?
No artigo (1905) “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em
movimento” (§ 3) A. Einstein tomou a relação (3.12) como a equação
inicial na busca pela função τ. Entretanto, não se pode obter nada
naturalmente, além do "tempo local" de Lorentz. Escrevemos a
equação obtida por ele na forma

a  v 2  v 
  1  2  T  2 x  ,
v2  c  c 
1 2
c
onde a é uma função desconhecida, dependendo apenas da
velocidade v.
Portanto, percebe-se que essa expressão difere do “tempo local”
de Lorentz (3.6) apenas por um fator que depende da velocidade v e
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que não é determinada pela condição (3.12). É estranho ver que A.


Einstein sabe que esse é o tempo local de Lorentz, mas ele não se
refere ao autor. Essa atitude não é uma exceção para ele.
Assim, para um feixe de luz que deixa a fonte no momento τ = 0
na direção do aumento dos valores de ξ, Einstein escreve:
  c .
ou
ac  v 2  v 
 2 
1 2 T  2 x , (β)
1  2 
v c  c 
c
Posteriormente ele encontra
x  c  v T . (δ)
Substituindo este valor de T na equação para ξ, Einstein obtém
a
 x.
v2
1 2
c
Como, como será visto mais adiante no artigo de Einstein, a
quantidade a é dada da seguinte forma

v2
a  1 ,
c2
então, tendo em conta essa expressão, obtemos:
1
 x.
v2
1 2
c
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Substituindo, em vez de x, seu valor (3.3),


x  X  vT . (ν)
Einstein obtém para ξ uma expressão da forma:
X  vT
 ,
v2
1 2
c
que ele considera como a transformação de Lorentz para ξ,
implicando que X e T são arbitrárias e independentes. No
entanto, isso não é verdade. Ele não leva em conta que, de acordo
com (δ) e (ν), existe a igualdade

X  vT   c  v  T ,
daí segue-se que
X  cT .
Portanto, segue-se que Einstein obteve as transformações de
Lorentz para ξ apenas para o caso parcial de X = cT:

v
1
X c.
v
1
c
Isso pode ser verificado diretamente, se na fórmula (β)
substituirmos ξ, em vez do valor de T da fórmula (δ), como feito por
Einstein, para o valor de x na mesma fórmula. Então obtemos:
a
 X, X  cT .
v
1
c
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Levando em conta a expressão para a, chegamos novamente à


fórmula encontrada anteriormente,

v
1
X c, X  cT .
v
1
c
Mas ainda mais no texto do artigo A. Einstein explora a forma
geral das transformações de Lorentz sem nenhum comentário. A.
Einstein não observou que o princípio da relatividade, em conjunto
com a eletrodinâmica, obrigatório requer uma construção de
quantidades físicas quadridimensionais, de acordo com o grupo de
Lorentz. Como resultado, isso requer a presença de invariantes do
grupo atestando a geometria pseudo-euclidiana do espaço-tempo. Só
por isso, Einstein não conseguiu encontrar equações relativísticas da
mecânica, porque não descobriu a lei da transformação da força de
Lorentz. Ele também não entendeu que a energia e o momento de
uma partícula constituem uma quantidade unificada e que eles se
transformam sob as transformações de Lorentz da mesma maneira
que ct, x, y, z. Deve-se enfatizar especialmente que Einstein, em seu
trabalho de 1905, em contraste com Poincaré, não estendeu as
transformações de Lorentz a todas as forças da natureza, por
exemplo, à gravitação. Ele escreveu mais tarde que "no quadro da
teoria da relatividade especial, não há lugar para uma teoria
satisfatória da gravitação". Mas como é mostrado em [5], esta
afirmação não está correta.
Devido às equações de Maxwell-Lorentz, o princípio da
relatividade para sistemas de referência inercial levou Poincaré [3]
e, posteriormente, Minkowski [4] a descobrir a geometria pseudo-
euclidiana do espaço-tempo. Precisamente por isso, em dívida com
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Poincaré e Minkowski. Em 1908, H. Minkowski, dirigindo-se à 80ª


reunião de naturalistas e médicos alemães em Cologne, observou [4]:
“As visões de espaço e tempo que desejo apresentar
antes de você surgir do solo da física experimental, e aí
reside a força delas. Eles são radicais. Daí em diante o
espaço por si só, e o tempo por si só, estão fadados a
desaparecer em meras sombras, e apenas um tipo de união
dos dois preservará uma realidade independente”.
Portanto, a essência da teoria da relatividade especial consiste no
seguinte (é um postulado): todos os processos físicos prosseguem
no espaço-tempo quadridimensional  ct , x  , cuja geometria é
pseudo-euclidiana e é determinada pela intervalo (3.23).
As consequências deste postulado são leis de energia-momento e
angular de momento angular, existência de sistemas de referência
inerciais, princípio de relatividade para todos os fenômenos físicos,
transformações de Lorentz, constância da velocidade da luz nas
coordenadas galileanas de um sistema inercial, retardo de tempo, a
contração de Lorentz, a oportunidade de usar sistemas de referência
não inerciais, o "paradoxo do relógio", a precessão de Thomas, o
efeito de Sagnac e assim por diante. Com base neste postulado e nas
ideias quânticas, um conjunto de conclusões fundamentais foi obtido
e a teoria quântica de campos foi construída.
No centenário da teoria da relatividade, é mais do que tempo de
deixar claro que a constância da velocidade da luz em todos os
sistemas de referência inerciais não é uma afirmação fundamental da
teoria da relatividade.
Assim, a investigação dos fenômenos eletromagnéticos,
juntamente com o princípio da relatividade de Poincaré, resultou na
unificação do espaço e do tempo em um continuum
quadridimensional único de eventos e permitiu estabelecer a
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geometria pseudo-euclidiana desse continuum. Esse espaço-tempo


quadridimensional é homogêneo e isotrópico.
Essas propriedades do espaço-tempo fornecem validade das leis
fundamentais de conservação de energia, momento e momento
angular em um sistema físico fechado. A geometria pseudo-
euclidiana do espaço-tempo reflete as propriedades dinâmicas
gerais da matéria, que a tornam universal. A investigação de
várias formas de matéria, destas leis do movimento é, ao mesmo
tempo, investigação do espaço e do tempo. Embora a estrutura real
do espaço-tempo tenha sido revelada a nós como resultado do estudo
da matéria (eletrodinâmica), às vezes falamos do espaço como uma
arena, na qual alguns ou outros fenômenos ocorrem. Aqui, não
cometeremos erros, se lembrarmos que essa arena não existe por si
só, sem matéria. Às vezes, diz-se que o espaço-tempo (espaço de
Minkowski) é dado a priori, pois sua estrutura não muda sob a
influência da matéria. Essa invariabilidade do espaço Minkowski
surge devido à sua universalidade para todos os campos físicos, de
modo que a impressão é criada de que existe como se fosse
independente da matéria. Provavelmente apenas devido a uma
imprecisão da essência da teoria da relatividade especial para ele A.
Einstein chegou à conclusão de que "dentro da teoria da relatividade
especial não há lugar para uma teoria satisfatória da gravidade".
Na teoria da relatividade geral de Einstein, a teoria da relatividade
especial certamente não é satisfeita, é considerada um caso limite.
Em 1955, A. Einstein escreveu:
≪ Uma conquista essencial da teoria da relatividade
geral consiste em salvar a física da necessidade de
introduzir um "sistema de referência inercial" (ou
"sistemas de referência inercial") ≫.
No entanto, mesmo agora, não existe absolutamente nenhum fato
experimental ou observacional que possa testemunhar a violação da
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teoria da relatividade especial. Por essa razão, não se justifica


renúncia, em qualquer extensão, à sua aplicação rigorosa e precisa
nos estudos dos fenômenos gravitacionais. Especialmente
considerando que todos os efeitos gravitacionais conhecidos são
explicados precisamente dentro da estrutura da teoria da relatividade
especial [5]. A renúncia à teoria da relatividade especial leva à
renúncia às leis fundamentais de conservação de energia,
momento e momento angular. Assim, tendo adotado a hipótese de
que todos os fenômenos naturais procedem no espaço-tempo
pseudo-euclidiano, cumprimos automaticamente todos os requisitos
das leis fundamentais de conservação e confirmamos a existência de
sistemas de referência inerciais.
O continuum espaço-tempo, determinado pelo intervalo (3.23),
também pode ser descrito em coordenadas arbitrárias. Na transição
para coordenadas arbitrárias, a geometria do espaço-tempo
quadridimensional não muda. No entanto, o espaço tridimensional
não será mais euclidiano em coordenadas arbitrárias. Para
simplificar nossa escrita, devemos, em vez das variáveis T, X, Y, Z,
introduzir as variáveis Xν, v = 0, 1, 2, 3, X0 = cT. Agora realizamos
a transição das variáveis Xν para as variáveis arbitrárias xν com o
auxílio das transformações
X   f v  x  . (3.30)

Essas transformações geralmente levam a um sistema de referência


não inercial. Cálculo dos diferenciais

f v 

dX   dx (3.31)
x
(de agora em diante a soma é realizada de 0 a 3 sobre índices
idênticos λ) e, substituindo-os em (3.23), obtemos uma expressão
para o intervalo no sistema de referência não inercial
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 d      x  dx  dx 
2
(3.32)

Aqui, γμλ(x) é o tensor métrico do espaço-tempo quadridimensional,


é dado da seguinte maneira
3
f  f 
   x    
 ,    1, 1, 1, 1 (3.33)
 0 x  x 

A expressão (3.32) é invariável em relação às transformações


arbitrárias de coordenadas. A expressão (3.33) representa a forma
geral da métrica pseudo-euclidiana.
A diferença entre uma métrica da forma (3.23) e a métrica (3.32)
é geralmente, de acordo com as ideias de Einstein, atribuída à
existência do campo gravitacional. Mas isso está incorreto. Nenhum
campo gravitacional está presente em uma métrica da forma (3.32).
As ideias de sistemas de referência acelerado no espaço de
Minkowski desempenharam um importante papel heurístico nas
reflexões de Einstein sobre o problema da gravitação. Eles
contribuíram para que ele chegasse à ideia de descrever o campo
gravitacional com a ajuda do tensor métrico do espaço Riemanniano,
e por essa razão Einstein tentou retê-los, embora eles não tenham
nada a ver com o campo gravitacional. Precisamente tais
circunstâncias o impediram de revelar a essência da teoria da
relatividade especial. Do ponto de vista formal e matemático,
Einstein apreciou muito o trabalho de Minkowski, mas ele nunca
penetrou na essência física profunda do trabalho de Minkowski,
embora o artigo tenha lidado com uma descoberta mais importante
da física - a descoberta da estrutura pseudo-euclidiana do espaço
e tempo.
Einstein considerou a teoria da relatividade especial apenas
relacionada a um intervalo da forma (3.23), enquanto atribuía (3.32)
à teoria da relatividade geral. Lamentavelmente, esse ponto de vista
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ainda prevalece em livros e monografias que expõem a teoria da


relatividade.
Considere um certo sistema de referência não inercial, onde o
tensor métrico do espaço-tempo é dado como γμλ(x). É, então,
demonstrado prontamente que existe um número infinito de sistemas
de referência, nos quais o intervalo (3.32) é o seguinte

 d      x  dx dx
2
(3.34)

Um caso parcial dessas transformações é representado pelas


transformações de Lorentz, que relacionam um sistema de referência
inercial a outro. Vemos que as transformações de coordenadas, que
deixam a forma métrica invariável, resultam em que os fenômenos
físicos que procedem em tais sistemas de referência em condições
idênticas nunca podem permitir distinguir um sistema de referência
de outro. Portanto, pode-se dar uma formulação mais geral do
princípio da relatividade, que não apenas diz respeito a sistemas
de referência inercial, mas também a sistemas não inerciais [6]:
“Qualquer que seja o sistema de referência físico
(inercial ou não inercial) que escolhermos, é sempre
possível apontar para um conjunto infinito de outros
sistemas de referência, como todos os fenômenos físicos
procedem exatamente como no sistema de referência
inicial, portanto, não temos, e não pode ter nenhum meio
experimental para distinguir, ou seja, em qual sistema de
referência desse conjunto infinito estamos”.
Deve-se notar que, embora o tensor métrico γμλ(x) em (3.33)
dependa de coordenadas, no entanto, o espaço permanece pseudo-
euclidiano. Embora isso seja evidente, deve-se salientar, já que
mesmo em 1933 A. Einstein escreveu completamente o oposto [7]:
P á g i n a | 65

≪Na teoria especial da relatividade, como Minkowski


havia mostrado, essa métrica era quase-euclidiana, i. e., o
quadrado do “comprimento” ds do elemento de linha era
uma função quadrática dos diferenciais das coordenadas.
Se outras coordenadas são introduzidas por meio de
transformação não linear, ds2 permanece uma função
homogênea dos diferenciais das coordenadas, mas os
coeficientes dessa função (gμν) deixam de ser constantes e
se tornam certas funções das coordenadas. Em termos
matemáticos, isso significa que o espaço físico
(quadridimensional) possui uma métrica riemanniana≫.
Isso é, naturalmente, errado, uma vez que é impossível
transformar a geometria pseudo-euclidiana em geometria
Riemanniana aplicando as transformações de coordenadas (3.30).
Tal declaração de A. Einstein tinha profundas raízes físicas. Einstein
estava convencido de que a métrica pseudo-euclidiana em
coordenadas arbitrárias, γμλ(x), também descreve o campo
gravitacional. Essas ideias, apresentadas por Einstein, restringiram o
arcabouço da teoria da relatividade especial e, dessa forma,
tornaram-se parte do material exposto em livros didáticos e
monografias, que impediram a compreensão da essência da teoria da
relatividade.
Assim, por exemplo, o acadêmico L. I. Mandel'stam, em suas
palestras sobre teoria da relatividade [8], destacou especialmente:
“O que realmente acontece, como um relógio em
movimento acelerado mostra o tempo e por que diminui ou
faz o contrário não pode ser respondido pela teoria da
relatividade especial, porque ela absolutamente não lida
com a questão dos sistemas de referência em movimento
acelerado”.
P á g i n a | 66

As fontes físicas de uma compreensão tão limitada da teoria da


relatividade especial se originam de A. Einstein. Vamos apresentar
algumas de suas afirmações sobre a teoria da relatividade especial.
Em 1913, ele escreveu [9]:
"No caso da teoria da relatividade costumeira, apenas
substituições ortogonais lineares são permitidas".
No próximo artigo do mesmo ano, ele escreve [10]:
“Enquanto na teoria original da relatividade, o
independente das equações físicas da escolha especial do
sistema de referência se baseia na postulação do invariante
fundamental ds 2   dxi2 , estamos preocupados em
i

construir uma teoria na qual o elemento de linha mais geral


da forma
ds 2   gik dxi dx k
i ,k

desempenha o papel de invariante fundamental”.


Mais tarde, em 1930, A. Einstein escreveu [11]:
“Na teoria especial da relatividade, são permitidas essas
alterações de coordenadas (por transformação), para as
quais também no novo sistema de coordenadas a
quantidade ds2 (invariante fundamental) é igual à soma dos
quadrados da coordenada. Tais transformações são
chamadas de transformação de Lorentz”.
Embora Einstein, aqui, aproveite o invariante (intervalo)
descoberto por Poincaré, ele o entende apenas em um sentido
limitado (estritamente diagonal). Para A. Einstein, era difícil
perceber que as transformações de Lorentz e a relatividade do tempo
ocultavam um fato fundamental: o espaço e o tempo formam um
contínuo quadridimensional único com geometria pseudo-
euclidiana, determinada pelo intervalo
P á g i n a | 67

 d      x  dx  dx  , det        0
2
(3.35)

com o tensor métrico γμλ(x), para o qual o tensor de curvatura


Riemanniano é igual a zero. Mas, precisamente, a existência do
espaço quadridimensional de eventos com uma métrica pseudo-
euclidiana permitiu estabelecer que várias quantidades vetoriais no
espaço tridimensional euclidiano são ao mesmo tempo componentes
de quantidades quadridimensionais juntamente com certos escalares
em espaços euclidianos.
Isso foi realizado por H. Poincaré e posteriormente desenvolvido
por H. Minkowski. Muitas vezes, sem entender a essência da teoria,
algumas pessoas escrevem que Minkowski supostamente deu a
interpretação geométrica da teoria da relatividade. Isso não é
verdade. Com base no grupo descoberto por Poincaré, H.
Poincaré e H. Minkowski, revelaram a geometria pseudo-
euclidiana do espaço-tempo, que é precisamente a essência da
teoria da relatividade especial.
Em 1909, H. Minkowski escreveu sobre isso no artigo "Espaço e
Tempo":
“Nem Einstein, nem Lorentz lidaram com o conceito de
espaço, talvez porque no caso da transformação especial
acima mencionada, sob a qual o plano x′, t′ coincida com o
plano x, t, pode-se entender que o eixo x de o espaço
mantém sua posição. A tentativa de escapar ao conceito de
espaço poderia, de fato, ser considerada uma certa
insolência do pensamento matemático. Mas, depois de dar
esse passo, certamente inevitável para a verdadeira
compreensão do grupo Gc (o grupo Lorentz - A.L.), o termo
"postulado da relatividade" por exigir invariância em
relação ao grupo Gc me parece muito insípido. Como o
significado do postulado se reduz ao dos fenômenos, temos
P á g i n a | 68

apenas o mundo quadridimensional no espaço e no tempo,


mas que as projeções desse mundo no espaço e no tempo
podem ser tomadas com certa arbitrariedade, prefiro dar a
essa afirmação o seguinte: título “postulado do mundo
absoluto” ou, em suma, postulado do mundo”.
É surpreendente, mas no trabalho de H. Minkowski não há
referência aos artigos [2] e [3] de H. Poincaré, embora apenas dê os
detalhes do que já foi apresentado nas referências. [2] e [3]. No
entanto, pela brilhante exposição diante de uma ampla audiência de
naturalistas, atraiu atenção geral. Em 1913, na Alemanha, uma
coleção de artigos sobre relatividade por H.A. Lorentz, A. Einstein,
H. Minkowski foi publicado. Os trabalhos fundamentais [2] e [3] de
H. Poincaré não foram incluídos na coleção. Nos comentários de A.
Sommerfeld à obra de Minkowski, Poincaré é mencionado apenas
em relação a particulares. É difícil entender essa ocultação dos
trabalhos fundamentais de H. Poincaré na teoria da relatividade.
E. Whittaker foi o primeiro a chegar à conclusão da contribuição
decisiva de H. Poincaré para esse problema ao estudar a história da
criação da teoria da relatividade especial, há 50 anos. Sua
monografia causou uma reação notavelmente irritada de alguns
autores. Mas E. Whittaker estava principalmente certo. H.
Poincaré realmente criou a teoria especial da relatividade
fundamentada no trabalho de Lorentz de 1904 e deu a essa teoria
um caráter geral, estendendo-a a todos os fenômenos físicos. Em
vez de um estudo mais aprofundado e uma comparação do trabalho
de Einstein de 1905 e dos trabalhos de Poincaré (é a única maneira
de estudo objetivo do problema), foi escolhido o caminho da rejeição
completa das conclusões de Whittaker. Assim, a ideia de que a teoria
da relatividade foi criada de forma independente e exclusiva por A.
Einstein foi propagada na literatura sem investigações detalhadas.
Essa também foi minha opinião até meados dos anos 80, até que li
os artigos de H. Poincaré e A. Einstein.
P á g i n a | 69

4. A relatividade do tempo e a contração do


comprimento

Considere o curso do tempo em dois sistemas de referência


inercial, um dos quais será considerado em repouso, enquanto outro
se moverá em relação ao primeiro com velocidade v. De acordo com
o princípio da relatividade, a mudança no tempo mostrada por os
relógios (para uma determinada escala de tempo) nos dois sistemas
de referência são os mesmos. Portanto, os dois contam seu próprio
tempo físico da mesma maneira. Se o relógio no sistema de
referência móvel estiver parado, seu intervalo nesse sistema de
referência será

 d   c 2 dt 2 ,
2
(4.1)

t' é o tempo mostrado pelo relógio neste sistema de referência.


Como esse relógio se move em relação ao outro sistema de
referência com a velocidade v, o mesmo intervalo, mas agora no
sistema de referência em repouso, será

 v2 
 d   c 2 dt 2 1  2  ,
2
(4.2)
 c 
aqui t é o tempo mostrado pelo relógio em repouso neste sistema de
referência e
2 2 2
 dx   dy   dz 
v2          . (4.3)
 dt   dt   dt 
Nas relações (4.1) e (4.2), encontramos a relação entre as
durações de tempo nesses sistemas de referência inercial na
descrição do fenômeno físico
P á g i n a | 70

v2
dt   dt 1  (4.4)
c2
Costuma-se ler que ocorre um retardo de relógios móveis. Está
errado, porque tal afirmação contradiz o princípio da relatividade. A
taxa dos relógios em todos os sistemas de referência inerciais não
muda. Os relógios medem igualmente o tempo físico de seu próprio
sistema de referência inercial. Isso não é uma alteração da taxa dos
relógios, mas uma alteração da duração do processo físico. A
duração de um processo físico local de acordo com o relógio deste
sistema inercial ou com um relógio em outro sistema inercial é em
geral diferente. É mínimo no sistema em que o processo está
localizado em um ponto espacial. Precisamente esse significado está
implícito em dizer sobre o atraso do tempo.
Integrando essa relação, obtemos

v2
t   t 1  (4.5)
c2
Essa expressão é uma consequência da existência do invariante
fundamental (3.22). A “dilatação do tempo” (4.5) foi considerada já
em 1900 por J. Larmor. Como observado por W. Pauli, "recebeu sua
primeira declaração clara só por Einstein" da "transformação de
Lorentz".
Aplicaremos essa igualdade a uma partícula elementar com uma
vida útil em repouso igual a τ0. A partir de (4.5) após definir △t′ = τ0,
encontramos a vida útil da partícula em movimento
0
t  , (4.6)
v2
1 2
c
P á g i n a | 71

Precisamente devido a esse efeito, é possível transportar feixes de


partículas de alta energia no vácuo por grandes distâncias do
acelerador para os dispositivos experimentais, embora sua vida útil
no estado de repouso seja muito pequena.
No caso considerado acima, lidamos com um intervalo de tempo
dσ2 > 0. Vamos agora considerar outro exemplo, quando o intervalo
entre os eventos é do espaço, dσ2 < 0. Novamente, consideramos dois
desses sistemas de referência inercial. Considere a medição, em um
sistema de referência móvel, do comprimento de uma haste que está
em repouso em outro sistema de referência. Primeiro determinamos
o método para medir o comprimento de uma haste móvel. Considere
um observador no sistema de referência móvel, que registra as
extremidades da haste, X′1 e X′2, no mesmo momento do tempo
T1  T2 (4.7)

isso permite reduzir o intervalo S122 no sistema de referência móvel


apenas para a parte espacial

S122    X 2  X 1   
2 2
(4.8)
Portanto, em nosso método de determinar o comprimento de uma
haste móvel, é bastante natural considerar a quantidade ℓ como seu
comprimento.
O mesmo intervalo no sistema de referência em repouso, em que
a haste está em estado de repouso, é dado da seguinte maneira

S122  c 2 T2  T1    X 2  X 1 
2 2
(4.9)

Mas, de acordo com as transformações de Lorentz, temos

T2  T1   T2  T1   2  X 2  X 1 


v
(4.10)
 c 
P á g i n a | 72

de onde, para o nosso caso (4.7), encontramos


v v
T2  T1   2 
X 2  X1   2 0 (4.11)
c c
ℓ0 é o comprimento da haste no sistema de referência em repouso.
Substituindo esta expressão em (4.9) obtemos

 v2 
S122   2
0 1  2  (4.12)
 c 
Comparando (4.8) e (4.12), encontramos

v2
 0 1 2 (4.13)
c
Das relações (4.7) e (4.11), vemos que eventos que são
simultâneos em um sistema de referência inercial não serão
simultâneos em outro sistema de referência inercial; portanto, a
noção de simultaneidade é relativa. A relatividade do tempo é
uma consequência direta da definição de simultaneidade para
diferentes pontos espaciais do sistema de referência inercial por
meio de um sinal de luz. A contração (4.13) é uma consequência da
natureza relativa da simultaneidade, ou, para ser mais preciso, da
existência do invariante fundamental (3.22).
A contração do comprimento (4.13), como uma hipótese para
explicar o resultado negativo do experimento de Michelson-Morley,
foi inicialmente sugerida por G. F. FitzGerald em 1889. Mais tarde,
em 1892, a mesma hipótese foi formulada por H.A. Lorentz.
Assim, estabelecemos que, de acordo com a teoria da relatividade
especial, o intervalo de tempo entre os eventos para um objeto local
e o comprimento de uma haste, dado o método de medição de (4.7),
é relativo. Eles dependem da escolha do sistema de referência
P á g i n a | 73

inercial. Somente o intervalo entre os eventos tem um sentido


absoluto. Deve-se notar especialmente que a contração do
comprimento de uma haste (4.13) é determinada não apenas pela
estrutura pseudo-euclidiana do espaço-tempo, mas também por
nosso método de medir o comprimento, portanto contração,
diferentemente da desaceleração do tempo (4.5), não possui um
significado físico essencial. Isso se deve ao fato de a lentidão do
tempo estar relacionada a um objeto local, e esses objetos existem
na Natureza, e são descritos pelo intervalo de tempo dσ2 > 0;
consequentemente, uma relação causal é realizada aqui. A contração
do comprimento está relacionada a diferentes pontos no espaço e,
portanto, é descrita pelo intervalo espacial dσ2 <0, quando nenhuma
relação causal está presente
Voltemos à questão da contração de Lorentz, determinada pela
fórmula (4.13). Vimos que, no caso considerado acima, quando a
haste está em repouso no sistema de referência inercial sem primer e
tem um comprimento ℓ0, para todos os observadores em outros
sistemas de referência inercial ocorre, dado o método adotado de
medir o comprimento (4.7), a contração, e o comprimento será
determinado pela fórmula (4.13). É bastante evidente que aqui nada
acontece com a haste. Alguns autores chamam esse efeito de
contração de cinemático, já que a haste não sofre deformação aqui.
E eles estão certos neste caso, e não há razão para criticá-los. No
entanto, deve-se notar que essa cinemática é uma consequência da
estrutura pseudo-euclidiana do espaço, que reflete as propriedades
dinâmicas gerais da matéria - as leis de conservação.
Em 1905, H. Poincaré escreveu o seguinte sobre esta situação:
“Se aceitássemos o princípio da relatividade,
encontraríamos uma constante comum na lei da gravidade
e nas leis eletromagnéticas, a velocidade da luz.
Precisamente da mesma maneira, também a
P á g i n a | 74

encontraríamos em todas as outras forças de qualquer


origem, o que só pode ser explicado de dois pontos de vista:
ou tudo o que existe no mundo é de origem eletromagnética
ou essa propriedade, ou seja, dizer, comum a todos os
fenômenos físicos, nada mais é do que uma aparência
externa, algo relacionado aos métodos de nossas medidas.
Como realizamos nossas medições? Antes teríamos
respondido da seguinte maneira: carregando corpos,
considerados sólidos e imutáveis, um para o outro; mas na
teoria moderna, levando em consideração a contração de
Lorentz, isso não está mais correto. De acordo com essa
teoria, dois segmentos são, por definição, iguais, se a luz
os cobrir ao mesmo tempo (destacados por mim. - A. L.)”.
Uma situação totalmente diferente surge no caso de movimento
com aceleração. Se, por exemplo, a haste, que está em repouso no
sistema de referência inercial sem primer e tem um comprimento ℓ0,
começa a se mover com aceleração ao longo de seu comprimento,
de modo que ambas as extremidades começam a se mover
simultaneamente, então no sistema de referência, relacionado ao
haste, seu comprimento aumentará de acordo com a lei

L 0

v2 t 
1
c2
ou, se a fórmula (12.3) for levada em consideração, pode-se
expressar a velocidade v(t) através da aceleração a e obter a
expressão

a 2t 2
L 0 1
c2
P á g i n a | 75

dos eventos sendo os mesmos no sistema de referência inercial em


repouso e no sistema de referência movendo-se com a aceleração a,
em que a haste está em repouso. Isso significa que a haste sofre
tensões de ruptura.
Anteriormente, encontramos as transformações de Lorentz para o
caso, quando o movimento de um sistema de referência em relação
a outro sistema de referência inercial prosseguia com uma
velocidade constante ao longo do eixo X. Agora, considere o caso
geral, quando o movimento ocorre com uma velocidade v em uma
direção arbitrária

r  R  vT . (4.14)
A transformação (4.14) fornece a transição para o sistema de
referência inercial cuja origem se move com uma velocidade
constante v relacionada ao sistema de referência inicial.
Vamos decompor vetores R , R no sistema de referência inicial
galileano ao longo da direção da velocidade v e a direção
perpendicular à velocidade v
v v
R R  R , R  R  R (4.15)
v v
Com base nas transformações de Lorentz (3.1), pode-se esperar
que apenas as grandezas longitudinais sejam alteradas, enquanto as
grandezas transversais permanecem sem mudanças.

 v 
R    R  vT  , T    T  2  R , R  R (4.16)
 c 
De acordo com (4.15) nós achamos
P á g i n a | 76

R 
 vR  , R  R 
 .
v vR
(4.17)
v v2
Substituindo (4.17) em (4.16) e, em seguida, em (4.15) obtemos

R  R     1
 vR  v   vT , (4.18)
v2

 vR 
T    T  2 
  (4.19)
 c 
 
Ao obter as fórmulas (4.18) e (4.19), consideramos que, sob a
transformação geral (4.14), apenas a componente R do vetor ao
longo da velocidade v muda, de acordo com as transformações de
Lorentz (3.1), enquanto a componente transversal continua sem
alteração.
Vamos verificar se esta afirmação está correta. Para esse fim,
tomaremos como ponto de partida o invariante (3.22). Substituindo
(4.14) em (3.22) obtemos

 v2 
J  c T   r  vT   c T 1  2   2  v r  T  r 2 .
2 2 2 2 2
(4.20)
 c 
No invariante J, destacamos a parte temporal

T v r   2
J  c2    2   r 2  2  v r  .
2
(4.21)
 c  c

Nosso objetivo é encontrar essas novas variáveis T′ e R , nas quais


essa expressão possa ser escrita na forma diagonal
P á g i n a | 77

J  c2T 2  R2 . (4.22)


Da comparação de (4.21) e (4.22), encontramos o tempo T′ no
sistema de referência móvel:
T 
T   v r . (4.23)
 c2

Expressando a parte direita em (4.23) através das variáveis T, R


obtemos

 vR 
T    T  2 . (4.24)
 c 
Também expressamos a parte espacial do invariante J em termos
de variáveis

2 2
 v r   R2   vR   
2
r2   2 2 vR T   2v 2T 2 .
2
2 2
(4.25)
c c
Pode-se verificar facilmente que os dois primeiros termos em
(4.25) podem ser escritos no formato

 
2
2  v vR 
 vR    R     1 2  ,
2
R2  (4.26)
c2  v 
 
e, consequentemente, a expressão (4.25) assume a forma

 
2
2  v vR 
r  v r    R     1 2  
2 2

c2  v  (4.27)
 
 
2 2 vR T   2v 2T 2 .
P á g i n a | 78

A parte direita de (4.27) pode ser escrita como

 
2
 2  v vR 
r2  v r    R     1 2   vT  .
2
(4.28)
 
2
c v
 
Assim, a parte espacial do invariante J assume uma forma
diagonal

2
v r   
2
r2   R .
2
2
(4.29)
c
onde

R  R     1
v vR     vT . (4.30)
v2
As fórmulas (4.24) e (4.30) coincidem com as fórmulas (4.18) e
(4.19); isso atesta que nossa suposição, feita anteriormente no curso
de sua derivação, está correta.
Deve-se enfatizar especialmente que derivamos acima as

fórmulas gerais que relacionam coordenadas T , R do sistema de 
referência inercial inicial com coordenadas T , R  do sistema de
referência que se move com velocidade constante v em relação ao
primeiro sistema. Usamos a invariância de forma invariante (3.22) e
apenas transformações idênticas. Se, por meio das transformações
(4.24) e (4.30), passarmos de um sistema de referência inercial S
para um sistema S' e posteriormente para um sistema S''', então, após
essas duas transformações subsequentes, obteremos transformações
que serão diferentes das transformações (4.24) e (4.30) por uma
rotação no espaço tridimensional. Isso significa que as
transformações (4.24) e (4.30) não formam um subgrupo do grupo
P á g i n a | 79

Lorentz. A rotação mencionada acima reduz os eixos do sistema de


referência S para a mesma orientação que os eixos do sistema S'''. O
efeito de Thomas, que será considerado na Seção 14, é causado
apenas por esta circunstância.
A derivação geral das transformações de Lorentz do princípio da
relatividade, do princípio de inércia galileu e da equação da frente
de onda foi feita pelo acadêmico V. A. Fock em sua monografia [12,
Apêndice A]. Sua análise demonstra que é impossível derivar
transformações de Lorentz apenas dos dois postulados de Einstein
(ver p. 41-42 deste livro).
P á g i n a | 80

5. Adicionando velocidades

Diferenciando as transformações de Lorentz (3.1) em relação à


variável T, obtemos as fórmulas relativas às velocidades

v2 v2
1 1 
u v c 2 , u  u c2 .
ux  x , uy  u y z z (5.1)
uv uv uv
1  x2 1  x2 1  x2
c c c
Aqui
dX dY dZ
ux  , uy  , uz  , (5.2)
dT dT dT
dX  dY  dZ 
ux  , uy  , uz  . (5.3)
dT  dT  dT 
Na derivação (5.1), utilizamos a fórmula

dT   v 
  1  2 u x  (5.4)
dT  c 
É possível, de maneira semelhante, obter fórmulas gerais, também,
se alguém tirar proveito das expressões (4.18), (4.19):

u     1
v u  v   v
v2 dT   v u  
u  ,  1  2  . (5.5)
 v u   dT  c 
 1  2 
 c 
Veremos ainda (Seção 16) que o espaço de velocidade é o espaço de
Lobachevsky.
P á g i n a | 81

6. Elementos de análise vetorial e tensorial no


espaço de Minkowski

Todas as grandezas físicas devem ser definidas de maneira a ter


seu significado físico independente da escolha do sistema de
referência.
Considere um certo sistema de referência xν, ν = 0, 1, 2, 3
fornecido no espaço quadridimensional de Minkowski. Em vez deste
sistema de referência, é possível escolher outro, definido pela
expressão
x  f   x  . (6.1)

Consideraremos as funções como contínuas e diferenciáveis.


Se em algum momento jacobiano da transformação

f 
J  det (6.2)
x

difere de zero, então, sob essa condição, as variáveis x serão


independentes e, consequentemente, as variáveis iniciais x podem
ser inequivocamente expressas em termos das novas

x     x  . (6.3)

As quantidades físicas não devem depender da escolha do sistema


de referência; portanto, deve ser possível expressá-las em termos de
objetos geométricos. O objeto geométrico mais simples é escalar
  x  , que em transição para novas variáveis se transforma da
seguinte forma:
   x     x  x   . (6.4)
P á g i n a | 82

O gradiente da função escalar   x  se transforma pela regra para


diferenciar funções compostas

   x   x
   (6.5)
x x x
aqui e abaixo, a soma é realizada sobre índices idênticos σ de 0 a 3.
Um conjunto de funções que transforma, sob transformação de
coordenadas, pela regra (6.5) é chamado de vetor covariante

x
A  x   A  x  (6.6)
x
Consequentemente, uma quantidade Bμν, que se transforma pela
regra

x x 
  x  
B  B , (6.7)
x x
é chamado de tensor covariante do segundo ordem, e assim por
diante.
Vamos agora passar para outro grupo de objetos geométricos.
Considere a transformação dos diferenciais de coordenadas:

x 
dx  dx (6.8)
x
Um conjunto de funções que transforma, sob transformações de
coordenadas, pela regra (6.8) é chamado de vetor contravariante:

x x 
B  x    B , (6.9)
x x 
P á g i n a | 83

Consequentemente, uma quantidade Bμν, que se transforma pela


regra

x 
A  x   A  x (6.10)
x
foi denominado tensor contravariante de segunda ordem, e assim por
diante. A partir das propriedades transformacionais de um vetor ou
tensor, segue-se que, se todos os seus componentes forem zero em
um sistema de referência, eles serão zero, também, em qualquer
outro sistema de referência. Observe que as coordenadas xν não
formam um vetor, enquanto o diferencial dxν é um vetor. As
coordenadas xν formam apenas um vetor em relação às
transformações lineares.
Agora, calculamos a quantidade A  x  B  x 

x  x
A  x  B  x    A  x  B  x  , (6.11)
x x 
mas é fácil ver que

x  x 0, para   


       (6.12)
x x 1, para   

O símbolo   é um tensor misto de segundo ordem e é conhecido


como símbolo Kronecker.
Levando em conta (6.12) na expressão (6.11), encontramos

A  x  B  x   A  x  B   x  , (6.13)

Portanto, é evidente que essa quantidade é escalar, geralmente


chamada de invariante.
P á g i n a | 84

Ao escrever a expressão (3.32), lidamos com a invariante


fundamental

d 2    dx  dx  , det        0. (6.14)

A existência do tensor métrico do espaço de Minkowski, que tem


a forma geral (3.33), permite aumentar e diminuir índices de
quantidades de vetores e tensores, por exemplo:

A     x  A , A    A , A A    A A (6.15)

       . (6.16)

Os tensores podem ser adicionados e subtraídos, por exemplo,


  
C  A  B (6.17)

Eles também podem ser multiplicados, independentemente de sua


estrutura
 
C  A  B (6.18)

Aqui é necessário observar tanto a ordem da multiplicação quanto a


ordem dos índices.
As transformações (6.9) formam um grupo. Considere

x  x 
A  x   A  x, A  A  x  , (6.19)
x x
por isso temos

x x  x 


A  x    A  x   A  x. (6.20)
x x x
P á g i n a | 85

Observe que o cálculo do tensor não depende das propriedades


métricas do espaço. Ele persiste, por exemplo, na geometria
Riemanniana, onde o grupo de movimento do espaço-tempo está
ausente, no caso geral. Por outro lado, o grupo de transformações
gerais de coordenadas (6.19-6.20) é totalmente válida, pois é
independente das propriedades métricas do espaço, mas não tem
nenhum significado físico.
P á g i n a | 86

7. Grupo de Lorentz

H. Poincaré descobriu que as transformações de Lorentz,


juntamente com todas as rotações espaciais, formam um grupo.
Considere, por exemplo,
 v 
x   1  x  v1t  , t    1  t  12 x , (7.1)
 c 
 v 
x   2  x  v2t   , t    2  t   22 x  . (7.2)
 c 
Substituindo (7.1) em (7.2) obtemos
 vv 
x   1 2 1  1 22  x   1 2  v1  v2  t , (7.3)
 c 
 vv  v v 
t    1 2 1  1 22  t   1 2  1 2 2  x , (7.4)
 c   c 
Mas como
 v 
x    x  vt  , t     t  2 x . (7.5)
 c 
Da comparação de (7.3) e (7.4) com (7.5) obtemos

 v1v2 
   1 2 1  ,  v   1 2  v1  v2  . (7.6)
 c2 

Das relações (7.6) encontramos


v1  v2
v . (7.7)
v1v2
1 2
c
P á g i n a | 87

É fácil ver que

1  vv 
   1 2 1  1 22  . (7.8)
v2  c 
1 2
c

Assim, estabelecemos que a transição do sistema de referência x


para o sistema de referência x e, subsequentemente, para o sistema
de referência x é equivalente à transição direta do sistema de
referência x para o sistema de referência x . Precisamente neste
caso, pode-se dizer que as transformações de Lorentz formam um
grupo. Poincaré descobriu [2] esse grupo e o nomeou de Lorentz.
Ele encontrou os geradores do grupo e construiu a álgebra de
Lie do grupo Lorentz. Poincaré foi o primeiro a estabelecer que,
para que a invariância universal das leis da Natureza em relação
às transformações de Lorentz seja válida, é necessário que os
campos físicos e outras características dinâmicas e cinemáticas
formem um conjunto de quantidades transformadas sob as
transformações de Lorentz de acordo com o grupo ou, para ser
mais preciso, de acordo com uma das representações do grupo
de Lorentz.
Várias palavras gerais sobre um grupo. Um grupo é um conjunto
de elementos A, B, C... para o qual a operação de multiplicação é
definida. Os elementos podem ser de qualquer natureza. O produto
de quaisquer dois elementos de um grupo produz um elemento do
mesmo grupo. No caso de um grupo, a multiplicação deve ter as
seguintes propriedades.
1. A lei da associatividade

 AB  C  A  BC  .
P á g i n a | 88

2. Um grupo contém um elemento unitário E


AE  A
3. Cada elemento de um grupo tem seu elemento inverso

AB  E, B  A1 ,

As transformações do grupo Lorentz podem ser dadas sob a forma


de matriz
X   AX ,
onde
   vc   x  x 
A v , X   , X   
 c     x0   x0 
x0  ct , x0  ct

É fácil ver que o conjunto de todas as transformações de Lorentz


satisfaz todos os requisitos listados de um grupo.
As transformações de coordenadas que preservam a forma do
tensor métrico formam o grupo de movimentos do espaço. Em
particular, o grupo Lorentz é um desses grupos.
P á g i n a | 89

8. Invariância das equações de Maxwell-Lorentz

As equações de Maxwell-Lorentz em um sistema de referência


inercial, dito estar "em repouso", têm a forma

4 1 E 1 H
rot H  v   , rot E   
c c t c t (8.1)
div E  4 div H  0

1

f  E   v  H
c
 (8.2)

O segundo termo na parte direita da primeira equação de (8.1) é


precisamente esse pequeno termo - a corrente de deslocamento,
introduzida por Maxwell nas equações da eletrodinâmica.
Nomeadamente, foi mencionado na Seção 3. Como a divergência de
um cacho é zero, a primeira e a terceira equações de (8.1) seguem a
lei de conservação da corrente.

 div j  0, j   v. (8.3)
t
Como se vê em (8.3), a corrente de deslocamento permitiu
alcançar a concordância entre as equações da eletrodinâmica e a lei
de conservação da carga elétrica. Para que a quarta equação de (8.1)
seja satisfeita identicamente, representamos H na forma

H  rot A (8.4)

Assim, introduzimos o potencial vetorial A . Substituindo a


expressão (8.4) na segunda equação de (8.1) obtemos
P á g i n a | 90

 1 A 
rot  E     0 (8.5)
 c t 

Para que a equação (8.5) seja satisfeita de forma idêntica, a


expressão entre parênteses deve ser gradiente de alguma função

1 A
E     grad  . (8.6)
c t
Assim, introduzimos a noção de potencial escalar  . Para
determinados valores de E e H , os potenciais  e A , como
veremos abaixo (Seção 10), são determinados de forma ambígua.
Então, escolhendo-os para fornecer a validade da condição L. Lorenz
1 
  div A  0, (8.7)
c t
das equações (8.1), considerando as fórmulas

div grad    2 , rot rot A  grad div A   2 A,

 2  2  2
 2   
x 2 y 2 z 2

e relação (8.7), também encontramos equações para os potenciais 


e A da seguinte forma:
4
A j,   4 . (8.8)
c
P á g i n a | 91

Para que a equação de conservação de carga seja invariável em


relação às transformações de Lorentz, é necessário que a densidade
ρ e a corrente sejam componentes do vetor contravariante Sν


S   c  , j   S 0 , S ,  j  v (8.9)

O vetor contravariante Sν se transforma sob as transformações de


Lorentz da mesma maneira que  ct , x  . A equação (8.3) da
conservação de carga assume a forma

S
0 (8.10)
x
a soma é realizada sobre índices idênticos ν. Tendo em conta a Eq.
(8.9) reescrevemos as Eqs. (8.8) como se segue
4 4 0
A S,  S . (8.11)
c c
Para que essas equações não alterem sua forma nas transformações
de Lorentz, é necessário que os potenciais escalar e vetorial sejam
componentes de um vetor contravariante

  
A  A0 , A   , A  (8.12)

Como, como mostramos anteriormente, o operador não altera


sua forma nas transformações de Lorentz, as Eqs. (8.11) em qualquer
sistema de referência inercial terá a seguinte forma
4 
A  S ,   0,1, 2,3. (8.13)
c
P á g i n a | 92

Os vetores Sν e Aν foram introduzidos pela primeira vez por


Henri Poincaré [3].
A unificação de  e A no quatro vetores Aν é necessária, pois,
como a parte direita de (8.13) representa o vetor Sν, a parte esquerda
também deve se transformar como um vetor. Portanto, segue-se
diretamente que, se em um determinado sistema de referência
inercial existe apenas um campo elétrico, em qualquer outro sistema
de referência será encontrado, juntamente com o campo elétrico, um
campo magnético, também, devido a Aν se transformar como um
vetor. Esta é uma consequência imediata da validade do princípio da
relatividade para fenômenos eletromagnéticos.
As transformações de Lorentz para o vetor Sν têm a mesma forma,
como no caso do vetor  ct , x 

 u   u 
S x    S x  S0  , S 0    S 0  S0  . (8.14)
 c   c 

Considerando as componentes do vetor Sν (8.9), encontramos

 u 
    1  vx  ,  vx    vx  u  . (8.15)
 c2 
onde
1
 , (8.16)
u2
1 2
c
onde u é a velocidade do sistema de referência.
As transformações para as componentes Sy, Sz têm a forma
 vy   v y ,  vz   vz . (8.17)
P á g i n a | 93

Todas essas fórmulas foram obtidas pela primeira vez por H.


Poincaré [2]. Destas, seguem as fórmulas para adição de velocidade

v2 v2
1 1 
v u c 2 , v  v c2 .
vx  x , vy  v y z z (8.18)
vu vu vu
1  x2 1  x2 1  x2
c c c
Introduzimos agora o vetor covariante Sν

S    S  . (8.19)

Considerando que γνλ = (1, −1, −1, −1), obtemos

S0  S 0 , Si   S i , i  1, 2,3. (8.20)

Agora componha o invariante

 v2 
S S  c 2  2 1  2   c 2 02 , (8.21)
 c 
aqui ρ0 é a densidade de carga no sistema de referência, onde a carga
está em repouso. Por isso, temos

v2
0   1  (8.22)
c2
H. Minkowski introduziu tensor antissimétrico Fμν

A A
F   ,   0,1, 2,3, (8.23)
x  x
que satisfaz automaticamente a equação
P á g i n a | 94

F F F



   0 (8.24)
x x  x

1 A
Como H  rot A, E     grad  , as seguintes equações são
c t
facilmente verificadas
 H x  F23 ,  H y  F31 ,  H z  F12 ,
(8.25)
 Ex  F10 ,  E y  F20 ,  Ez  F30 .

O conjunto de equações (8.24) é equivalente ao conjunto de


equações de Maxwell

1 H
rot E    , div H  0 (8.26)
c t
Com o auxílio do tensor Fμν, o conjunto de equações (8.13) pode
ser escrito da seguinte maneira:

F  4 

 S . (8.27)
x c

O tensor Fμν está relacionado às componentes de campo E e H


pelas seguintes relações:

 H x  F 23 ,  H y  F 31 ,  H z  F 12 ,
(8.28)
Ex  F 10 , E y  F 20 , Ez  F 30 .

Tudo isso pode ser apresentado no formulário de tabela a seguir,


onde o primeiro índice μ = 0, 1, 2, 3 numera as linhas e o segundo
índice ν – as colunas
P á g i n a | 95

 0 Ex Ey Ez 
 
 Ex 0 H z Hy 
F   ,
 Ey Hz 0 H x 
 
  Ez H y Hx 0 

 0  Ex Ey  Ez 
 
Ex 0 H z Hy 
F   .
 Ey Hz 0 H x 
 
 Ez H y Hx 0 

Portanto, é visto que as quantidades E e H mudam sob as


transformações de Lorentz como componentes individuais do tensor
Fμν. Nem Lorentz, nem Einstein estabeleceram isso; portanto, eles
não conseguiram demonstrar a invariância das equações de
Maxwell-Lorentz em relação às transformações de Lorentz, nem no
espaço sem cargas, nem no espaço com cargas.
Enfatizamos que a aparência idêntica de equações em dois
sistemas de coordenadas sob transformações de Lorentz ainda
não significa sua invariância de forma sob essas transformações.
Para provar a invariância da forma das equações, devemos
verificar que as transformações de Lorentz formam um grupo e
as variáveis de campo (por exemplo, E e H ) se transformam de
acordo com alguma representação desse grupo.
Considerando a relação entre as componentes do tensor Fμν e as
componentes dos campos elétrico e magnético, é possível obter a lei
de transformação para as componentes do campo elétrico
P á g i n a | 96

 u 
Ex  Ex , E y    E y  H z  ,
 c 
(8.29)
 u 
Ez    Ez  H y  ,
 c 
e para as componentes do campo magnético

 u 
H x  H x , H y    H y  Ez  ,
 c 
(8.30)
 u 
H z    H z  E y  ,
 c 

Essas fórmulas foram descobertas pela primeira vez por


Lorentz, no entanto, nem ele nem, mais tarde, Einstein
estabeleceram sua natureza de grupo. Isso foi feito pela primeira
vez por H. Poincaré, que descobriu a lei de transformação para
os potenciais escalar e vetorial [3]. Como  e A se transformam
como  ct , x  , H. Poincaré encontrou, com o auxílio das fórmulas
(8.4) e (8.6), o procedimento de cálculo para as quantidades E e H
em transição para qualquer outro sistema de referência inercial.
A partir das fórmulas para transformar os campos elétrico e
magnético, segue-se que, se, por exemplo, em um sistema de
referência K′, o campo magnético é zero, em outro sistema de
referência já difere de zero e é igual a
u u 1
H y   Ez , H z  E y , ou H  u  E
c c c
  (8.31)

A partir das componentes de campo, é possível construir dois


invariantes em relação às transformações de Lorentz.
P á g i n a | 97

E2  H 2, E, H (8.32)

Esses invariantes do campo eletromagnético foram


descobertos pela primeira vez por H. Poincaré [3].
Os invariantes (8.32) podem ser expressos através do tensor anti-
simétrico do campo eletromagnético Fμν
1 1 
E2  H 2  F F  , E , H   F F 
(8.33)
2 4
com
 1

F     F (8.34)
2
εμνσλ é o tensor de Levi-Civita, ε0123 = 1, a transposição de quaisquer
dois índices altera o sinal do tensor de Levi-Civita.
De acordo com a segunda invariante (8.32), os campos E e H ,
que são reciprocamente ortogonais em um sistema de referência,
mantêm essa propriedade em qualquer outro sistema de referência.
Se no sistema de referência K os campos E e H são ortogonais, mas
não iguais, é sempre possível encontrar um sistema de referência em
que o campo seja puramente elétrico ou puramente magnético,
dependendo do sinal do primeiro invariante de (8.33).
Agora vamos considerar a derivação da equação de Poynting
(1884). Para fazer isso, multiplicamos ambas as partes da primeira
equação das Eqs. (8.1) pelo vetor E , e ambas as partes da segunda
equação das Eqs. (8.1) - pelo vetor H ; subtraímos os resultados e
obtemos
 E H 
1
4
E

H

    vE 
c


H rot E  E rot H . 
 t t  4
P á g i n a | 98

Usando a seguinte fórmula da análise vetorial

 
div a  b  b rot a  a rot b ,

obtemos a equação de Poynting

  E2  H 2 
     vE  div S ,
t  8 
onde

S
c
4
EH 
é chamado de vetor de Poynting. Após a integração da equação de
Poynting sobre o volume V e usando o teorema de Gauss, obtemos

 E2  H 2
t V 8
dV     vE dV   Sd .
V 

O termo permanente no lado esquerdo determina uma mudança


de energia eletromagnética no volume V em uma unidade de tempo.
O primeiro termo no lado direito caracteriza o trabalho realizado
pelo campo elétrico em cargas no volume V. O segundo termo no
lado direito determina o fluxo de energia do campo
eletromagnético através da superfície Σ, limitada pelo volume V.
A formulação da lei de conservação de energia com a ajuda da
noção de fluxo de energia foi proposta pela primeira vez por N. A.
Umov. A noção do fluxo de energia tornou-se uma das mais
importantes da física. Com a ajuda da equação de Poynting, é
possível provar o teorema da unicidade na seguinte formulação
(ver: I. E. Tamm, Fundamentos da teoria da eletricidade. Moscou:
“Nauka”, 1976 (em russo), pp. 428-429):
P á g i n a | 99

"... o campo eletromagnético em qualquer instante de


tempo t1 > 0 e em qualquer ponto do volume V, delimitado
por uma superfície fechada arbitrária S, é determinado
exclusivamente pelas equações de Maxwell, se os valores
iniciais dos vetores eletromagnéticos E e H forem
prescritos em toda essa parte do espaço no tempo t = 0 e se
também para um desses vetores (por exemplo, E ) os
valores de contorno de seus componentes tangenciais na
superfície S são dados durante todo o intervalo de tempo
de t = 0 a t = t1.
Suponhamos o contrário, i. e suponha que existem dois
sistemas diferentes de soluções das equações de Maxwell
E , H  e E , H  , satisfazendo as mesmas condições iniciais
e de contorno. Devido ao caráter linear das equações de
campo, a diferença dessas soluções E  E  E e
H   H   H  também deve satisfazer as equações de
Maxwell sob as seguintes condições adicionais:
a) E extra  0
b) no momento t = 0 em cada ponto do volume V:
E   0, H   0 (porque em t = 0 E , E  e H , H  têm, por
construção, iguais valores),
c) durante todo o intervalo de tempo de t = 0 a t = t1 em
todos os pontos da superfície, as componentes tangenciais
do vetor E ou vetor H  são iguais a zero (pelo mesmo
motivo).
Vamos aplicar o teorema de Poynting (que é uma
consequência das equações de Maxwell) a este campo
E , H  e colocar o trabalho de forças estranhas P iguais
P á g i n a | 100

a zero. A integral de superfície que entra na equação de


Poynting é igual a zero durante todo o intervalo de tempo
de t = 0 a t = t1, por causa da Eq. c) Daqui resulta que na
superfície S


S n  E   H   n
 0;

portanto, para qualquer instante durante esse intervalo,


obtemos
W  j2
  dV . 2
t V

Como o integrando é estritamente positivo, temos
W 
0
t
i. e., a energia de campo W''' pode diminuir ou permanecer
constante. Mas em t = 0, de acordo com a Eq. (b), a energia
W''' do campo E , H  é igual a zero. Também não pode se
tornar negativo, portanto, durante todo o intervalo
considerado 0 ≤ t ≤ t1 a energia

  E  H 2  dV
1
W   2

8 V

deve permanecer igual a zero. Isso pode ocorrer apenas se


E  e H  permanecerem iguais a zero em todos os pontos
do volume V. Portanto, os dois sistemas de soluções do

2 j    E 
P á g i n a | 101

problema inicial E , H  e E , H  , supostamente diferentes


por nós, são necessariamente idênticos. Portanto, o
teorema da singularidade é provado.
É fácil convencer-se de que, no caso de todo o espaço
infinito, a fixação dos valores dos vetores de campo na
superfície delimitadora S pode ser substituída colocando as
seguintes condições no infinito:
ER2 e HR2 em R → ∞ fique finito.
De fato, decorre dessas condições que a integral do
vetor Poynting sobre uma superfície infinitamente distante
é zero. Esse fato nos permite provar a aplicabilidade da
desigualdade acima em todo o espaço infinito, partindo da
equação de Poynting. Também a singularidade de soluções
para as equações de campo decorre dessa desigualdade”.
Para consistência com o princípio da relatividade de todos os
fenômenos eletromagnéticos, além do requisito de que as equações
de Maxwell-Lorentz permaneçam inalteradas sob as transformações
de Lorentz, é necessário que as equações de movimento de partículas
carregadas sob a influência da força de Lorentz também
permaneçam inalteradas.
Todo o exposto acima foi realizado apenas em trabalhos [2, 3] de
H. Poincaré. A invariabilidade das equações físicas em todos os
sistemas de referência inercial é exatamente o que significa a
identidade dos fenômenos físicos nesses sistemas de referência em
condições idênticas. Precisamente por esse motivo, todos os padrões
naturais são idênticos em todos os sistemas de referência inercial.
Assim, por exemplo, segue a igualdade das constantes da rede
cristalina de NaCl consideradas em repouso em dois sistemas de
referência inercial movendo-se um em relação ao outro. Essa é
apenas a essência do princípio da relatividade. O princípio da
P á g i n a | 102

relatividade também foi entendido exatamente dessa maneira na


mecânica clássica. Portanto, só podemos nos surpreender com o que
o acadêmico V. L. Ginzburg escreve no mesmo artigo (ver nesta
edição, nota de rodapé na página 54):
“Acrescento que, depois de reler agora (70 anos depois
de serem publicadas!) As obras de Lorentz e Poincaré, só
consegui com dificuldade e conhecer o resultado de
antemão (que é conhecido por facilitar extremamente a
apreensão) para entender por que a invariância das
equações da eletrodinâmica em relação às transformações
de Lorentz, demonstradas nesses trabalhos, poderia, na
época, ser considerada evidência de validade do princípio
da relatividade”.
Embora A. Einstein tenha escrito em 1948
“Com a ajuda da transformação de Lorentz, o princípio
da relatividade especial pode ser formulado da seguinte
forma: as leis da natureza são invariantes em relação à
transformação de Lorentz (ou seja, uma lei da natureza não
deve mudar, se for referida uma nova referência inercial
sistema obtido com o auxílio da transformação de Lorentz
para x, y, z, t)”.
Agora, compare o acima com o escrito por H. Poincaré em 1905:
“... Se é possível dar movimento translacional geral a
todo um sistema sem que ocorram mudanças visíveis nos
fenômenos, isso significa que as equações do campo
eletromagnético não mudarão como resultado de certas
transformações, que chamaremos de transformações de
Lorentz; dois sistemas, um em repouso e outro em
movimento de translação, representam, portanto, uma
imagem exata um do outro”.
P á g i n a | 103

Vemos que obras clássicas exigem leitura atenta, sem mencionar


contemplação.
Vamos agora estabelecer a lei para a transformação da força de
Lorentz em transformação de um sistema de referência inercial para
outro. As equações de movimento serão estabelecidas na Seção 9. A
expressão para a força de Lorentz, referida ao volume unitário, terá,
no sistema de referência K, a forma (8.2)
1
f  E   v  H
c
  (8.35)

Então, no sistema de referência K', devemos ter uma expressão


semelhante
1

f    E     v  H 
c
 (8.36)

Substituindo todas as quantidades pelos valores (8.15), (8.17),


(8.29), (8.30) e (8.35), obtemos

 u   u 
f x    f x  f  , f     f  fx  (8.37)
 c   c 

f y  f y , f z  f z , (8.38)

aqui por f denotamos a expressão


1
f  f ,v (8.39)
c
Essas fórmulas foram encontradas pela primeira vez por
Poincaré. Nós vemos que o escalar f e vetor f se transformam como
P á g i n a | 104

as componentes de  x0 , x  . Agora vamos estabelecer a lei para a


transformação de uma força referida para uma carga unitária

F E
1
c

vH ,  F
f

, F
f

(8.40)

Utilizando (8.37), (8.38) e (8.39), encontramos

 u   u 
Fx    Fx  F  , F     F  Fx  (8.41)
  c    c 
 
Fy  Fy , Fz  Fz (8.42)
 
Com base em (8.15), temos

v2
1
 c2
 (8.43)
 1 u v
2 x
c
Para simplificar (8.43), derivaremos uma identidade. Considere
um certo sistema de referência inercial K, em que existem dois
corpos com 4-velocidades U1 e U 2 (ver (9.1)), respectivamente

 v   v 
U1    1 , 1  1  , U 2    2 , 2  2  ; (8.44)
 c   c 

então, no sistema de referência K', em que o primeiro corpo está em


repouso, suas 4-velocidades serão

 v 
U1  1, 0  , U 2    ,    . (8.45)
 c 
P á g i n a | 105

Como o produto de quatro vetores é invariável, obtemos


 v1v2 
    1 2 1  . (8.46)
 c2 
Definindo nesta expressão v2  v , e v1  u (velocidade ao longo
do eixo x), encontramos

u2 v2
1 
c 2  1   v 
1 2
c2 (8.47)
uv
1  2x c2
c
Com base em (8.43) e (8.47), obtemos~

 v 
2

1
 c2
 (8.48)
 v2
1 2
c
onde v é a velocidade da carga no sistema de referência K'.
Substituindo (8.48) em (8.41) e (8.42) obtemos a 4-força Rν
determinado pela expressão
F F
R , R (8.49)
2
v v2
1 2 1 2
c c
que se transforma sob as transformações de Lorentz como

 u   u 
Rx    Rx  R  , R    R  Rx  ,
 c   c  (8.50)
Ry  Ry , Rz  Rz .
P á g i n a | 106

Tal 4-vetor de força foi introduzido pela primeira vez por


Poincaré [2, 3].
Com o auxílio das fórmulas (8.28) e (8.9), a força de Lorentz
(8.35) pode ser escrita como
1
f   F  S  ; (8.51)
c
Da mesma forma, para os 4-vetor da força Rν, temos
1
R  F U  ; (8.52)
c
Agora vamos calcular o tensor de momento de energia do campo
eletromagnético. Por meio das Eqs. (8.51) e (8.27) obtemos

  F F    F   F  .


1
f   (8.53)
4  

Com a ajuda da identidade (8.24), o segundo termo pode ser


escrito da seguinte maneira
1
F   F    F  F
4
Tendo em conta esta equação, obtemos

f   T (8.53)

onde T é tensor de momento de energia do campo eletromagnético

1 1  
T  F F    F F ,
4 16
P á g i n a | 107

ou na forma simétrica
1   1  
T    F F     F F , (8.53)
4 16
Para mais detalhes, consulte a Seção 15 p. 217

Os componentes do temporizador de energia podem ser expressos


através de E e H da seguinte maneira

T 00 
8
1
 E2  H 2 ,

cT 0i  S i 
c
4
 EH ,  i

1  2 
 Ei Ek  H i H k   ik  E  H   .
1
T ik   2

4  2 
Da Eq. (8.54), integrando-o em todo o espaço que obtemos

F   dV f  
d

1
dt 4 c

E  H dV . 
Este resultado coincide com a expressão obtida por H. Poincaré
(consulte a Seção 9, p. 116)
Assim, todo o conjunto de equações de Maxwell-Lorentz é escrito
através de vetores e tensores do espaço-tempo quadridimensional. O
grupo de Lorentz, que foi descoberto com base em estudos de
fenômenos eletromagnéticos, foi estendido por H. Poincaré [2, 3] a
todos os fenômenos físicos.
Na ref. [3] desenvolvendo as ideias de Lorentz que ele escreveu:
P á g i n a | 108

"... Todas as forças, de qualquer origem que sejam, se


comportam devido às transformações de Lorentz (e,
consequentemente, devido ao movimento translacional)
exatamente como forças eletromagnéticas".
H. Poincaré escreveu:
“O princípio da relatividade física pode nos servir na
definição do espaço. Dá-nos, por assim dizer, um novo
instrumento para medição. Deixe-me explicar. Como um
corpo sólido pode nos servir na medição ou, para ser mais
correto, na construção do espaço? O ponto é o seguinte:
transferindo um corpo sólido de um lugar para outro,
percebemos que ele pode, primeiro, ser aplicado a uma
figura e, depois, a outra, e concordamos em considerá-las
iguais. Esta convenção deu origem à geometria... A
geometria não é nada, mas uma doutrina sobre as relações
recíprocas entre essas transformações ou, para usar a
linguagem matemática, uma doutrina sobre a estrutura do
grupo composto por essas transformações, i. e., o grupo de
movimentos de corpos sólidos.
Agora, pegue outro grupo, o grupo de transformações,
que não altera nossas equações diferenciais. Obtemos uma
nova maneira de determinar a igualdade de duas figuras.
Não dizemos mais: duas figuras são iguais, quando um e o
mesmo corpo sólido podem ser aplicados tanto a uma
figura quanto a outra. Diremos: duas figuras são iguais,
quando um e o mesmo sistema mecânico, suficientemente
distante do vizinho para que possa ser considerado isolado,
sendo acomodado primeiro para que seus pontos materiais
reproduzam a primeira figura e depois para que eles
reproduzam a segunda figura, comporta-se no segundo
P á g i n a | 109

caso, como no primeiro. Essas duas visões diferem uma da


outra em essência? Não...
Um corpo sólido é praticamente o mesmo sistema
mecânico que qualquer outro. A única diferença entre
nossas definições anteriores e novas de espaço consiste em
que o último é mais amplo, permitindo que o corpo sólido
seja substituído por qualquer outro sistema mecânico. Além
disso, nosso novo acordo convencional não apenas define
o espaço, mas também o tempo. Isso nos explica quais são
dois momentos simultâneos, quais são dois intervalos
iguais de tempo ou qual é um intervalo de tempo duas vezes
maior que outro intervalo”.
Além disso, ele observa:
“Apenas transformações do “grupo de Lorentz” não
alteram equações diferenciais da dinâmica. Se supusermos
que nosso sistema não se refere a eixos em repouso, mas a
eixos no movimento translacional, temos que admitir que
todos os corpos estão deformados. Por exemplo, uma esfera
é transformada em um elipsoide cujo menor eixo coincide
com a direção do movimento de translação dos eixos
coordenados. Nesse caso, o próprio tempo passa por
profundas mudanças. Vamos considerar dois
observadores, o primeiro está conectado aos eixos em
repouso, o segundo - aos eixos móveis, mas ambos se
consideram em repouso. Observamos que não apenas o
objeto geométrico tratado como esfera pelo primeiro
observador parecerá um elipsoide para o segundo
observador, mas também dois eventos tratados como
simultâneos pelo primeiro não serão simultâneos pelo
segundo.”
P á g i n a | 110

Tudo o que foi formulado por H. Poincaré (sem mencionar o


conteúdo de seus artigos [2, 3]) contradiz completamente as palavras
de A. Einstein escritas em sua carta ao professor Zangger (diretor do
Instituto de Medicina da Universidade de Zurique) 16.11.1911, que
H. Poincaré “assumiu uma posição de negação infundada (da teoria
da relatividade) e revelou uma compreensão insuficiente da nova
situação”. (B.Hoffmann "Einstein", Moscow: Progress, 1984, p. 84
(em russo)).
Se alguém refletir sobre as palavras de H. Poincaré, poderá
perceber imediatamente a profundidade de sua penetração na
essência da relatividade física e na relação entre geometria e grupo.
Precisamente assim, partindo da invariabilidade das equações de
Maxwell-Lorentz sob as transformações do grupo de Lorentz, que
previa consistência com o princípio da relatividade física, H.
Poincaré descobriu a geometria do espaço-tempo, determinada pelo
invariante (3.22).
Esse espaço-tempo possui as propriedades de homogeneidade e
isotropia. Ele reflete a existência na Natureza das leis fundamentais
de conservação de energia, momento e momento angular para um
sistema fechado. Assim, a “nova convenção” não é arbitrária, é
baseada nas leis fundamentais da Natureza.
Agora vamos citar uma declaração impressionante de Hermann
Weyl. Está escrito em seu livro “Raum. Zeit. Materie” publicado em
1918:
“A solução de Einstein (aqui está a referência ao artigo
de 1905 de A. Einstein – A. L.), que de uma só vez supera
todas as dificuldades, é a seguinte: o mundo é um espaço
afim quadridimensional cuja estrutura métrica é
determinada por um forma quadrática não definida
Q  x   x, x
P á g i n a | 111

com tem uma dimensão negativa e três dimensões


positivas”.
Então ele escreve:

“ OA, OA   x02  x12  x22  x32 ,

em que os xi são as coordenadas de A”.


Mas tudo isso mencionado por H. Weyl foi descoberto por H.
Poincaré (ver artigos [2, 3]), e não por A. Einstein. No entanto, H.
Weyl não vê isso e muito mais, ele escreve em sua nota de rodapé:
“Dois trabalhos quase simultâneos de H. Lorentz e H.
Poincaré estão intimamente relacionados a ele (artigo de
A. Einstein de 1905 - A.L.). Eles não são tão claros e
completos ao apresentar os principais problemas, como é
o artigo de Einstein. "
Em seguida, são fornecidas referências a obras de Lorentz e
Poincaré. Lógica muito estranha. H. Weyl formulou exatamente a
solução, "que de uma só vez supera todas as dificuldades", mas isso
está contida nos artigos de H. Poincaré [2, 3], e não nos de
Einstein. É surpreendente como ele não viu isso durante a leitura
dos artigos de Poincaré, porque, como ele menciona corretamente, a
essência da teoria da relatividade é a seguinte. Todas as principais
consequências disso decorrem trivialmente, incluindo a definição do
conceito de simultaneidade para diferentes pontos espaciais por meio
do sinal luminoso, introduzido por H. Poincaré em seus artigos
publicados em 1898, 1900 e 1904.
Que clareza e completude da apresentação dos principais
problemas é adicionalmente necessária para Weyl quando ele
próprio demonstrou o que "de uma só vez supera todas as
dificuldades". H. Weyl deveria estar mais atento na leitura e mais
preciso na citação da literatura.
P á g i n a | 112

Acima, convencemo-nos de que o conjunto simétrico de equações


da eletrodinâmica, (8.1), (8.2), que é invariável em relação a
coordenar transformações ortogonais tridimensionais, ao mesmo
tempo também se mostrou invariante em relação a Transformações
de Lorentz no espaço-tempo quadridimensional. Isso se tornou
possível devido a várias quantidades vetoriais de espaço euclidiano
que se tornaram, juntamente com certas quantidades escalares do
mesmo espaço, componentes de quantidades quadridimensionais.
Ao mesmo tempo, algumas quantidades vetoriais, como, por
exemplo, E , H , são derivadas dos componentes de quantidades
quadridimensionais, o que é a evidência de que são componentes de
um tensor de segunda ordem no espaço de Minkowski. O último leva
ao resultado de que conceitos como as intensidades do campo
elétrico e magnético não são absolutos.
P á g i n a | 113

9. Mecânica relativística de Poincaré

Na Seção 3, vimos que o requisito de cumprimento do princípio


da relatividade para a eletrodinâmica leva à transição de um sistema
de referência inercial para outro, movendo-se em relação ao primeiro
ao longo do eixo x com velocidade v, sendo realizado não por
transformações galileus (2,5), mas pelas transformações de Lorentz
(3.1). Portanto, segue-se, necessariamente, que as equações da
mecânica devem ser alteradas para torná-las invariantes à forma em
relação às transformações de Lorentz. Como espaço e tempo são
quadridimensionais, as quantidades físicas descritas pelos vetores
terão quatro componentes. O único 4-vetor que descreve um corpo
em forma de ponto tem a forma

dx
U  (9.1)
d
Aqui, o intervalo dσ em coordenadas da Galileu é o seguinte

2 v2 
   
2 2
d c dt  1 2 
(9.2)
 c 
Substituindo a expressão por dσ em (9.1) obtemos

vi dxi
U ,
0
U  ,
i
v 
i
, i  1, 2,3. (9.3)
c dt
Esse vetor de velocidade foi introduzido pela primeira vez por
Poincaré [3].
Introduzimos agora o 4-vetor de momento

P  mcU (9.4)
P á g i n a | 114

onde m é a massa de repouso de um corpo pontual.


As equações relativísticas da mecânica podem ser intuitivamente
escritas na forma

dU 
mc 2  F , (9.5)
d
aqui Fν é o vetor de quatro forças, que ainda deve ser expresso
através da força newtoniana comum f . Verifica-se prontamente que
a quatro força é ortogonal à de quatro velocidades, i. e.

F  U  0 (9.5)

Com base nas equações (9.2) e (9.3), (9.5) pode ser escrita na
forma

 
 
d  mv  v2
 F 1 2 (9.6)
dt  v2  c
 1 2 
 c 

 
  2
d  mc   F 0 1 v (9.7)
dt  v2  c2
 1  
 c2 
Como a partir do princípio da correspondência na equação de
pequenas velocidades (9.6) deve coincidir com a equação de
Newton, é natural definir F da seguinte forma:
P á g i n a | 115

f
F (9.8)
v2
1 2
c

aqui f é a força tridimensional usual.


Agora vamos verificar que a equação (9.7) é uma consequência
da equação (9.6). Multiplicando a equação (9.6) pela velocidade v
e diferenciando em relação ao tempo, obtemos

f  dv 
  v   f v. (9.9)
 dt 
3/2
 v  2

1  2 
 c 
Por outro lado, mediante diferenciação em relação ao tempo, a
equação (9.7) assume a forma

f  dv  v2

3/2 
v   cF 0
1  . (9.10)
 v 2   dt  c2
1  2 
 c 
Comparando (9.9) e (9.10), encontramos

v 
 f
F  
0 c 
. (9.11)
v2
1 2
c
Com base nas relações (9.8) e (9.11), as equações da mecânica
relativística assumem a forma
P á g i n a | 116

 
 
d  mv 
 f (9.12)
dt  v2 
 1 2 
 c 

 
 
d  mc  f v (9.13)
dt  v2 
 1  
 c2 
Essas equações foram obtidas pela primeira vez por H. Poincaré
[3]. A equação (9.13) relaciona a mudança na energia das partículas
e o trabalho realizado por unidade de tempo.
Tendo obtido essas equações, Poincaré as aplicou para explicar
as anomalias no movimento de Mercúrio. Nesse contexto, ele
escreveu:
“Assim, a nova mecânica ainda está em solo instável.
Por isso, desejamos novas confirmações. Vamos ver o que
as observações astronômicas nos dão nessa conexão. As
velocidades dos planetas são, sem dúvida, relativamente
muito pequenas, mas, por outro lado, as observações
astronômicas exibem um alto grau de precisão e se
estendem por longos intervalos de tempo. Aparentemente,
pequenas ações podem somar tanto que adquirem valores
que permitem estimar. O único efeito, com relação ao qual
se pode esperar que seja perceptível, é o que realmente
vemos: quero dizer as perturbações do mais rápido de
todos os planetas - Mercúrio. De fato, mostra tais
anomalias em seu movimento que ainda não podem ser
explicadas pela mecânica celeste. A mudança de seu
P á g i n a | 117

periélio é muito mais significativa do que calculada com


base na teoria clássica. Muito esforço foi aplicado com o
objetivo de explicar esses desvios... A nova mecânica
corrige um pouco o erro na teoria do movimento de
Mercúrio, baixando-o para 32'', mas não atinge total
concordância entre a observação e o cálculo. Esse
resultado, portanto, não é a favor da nova mecânica, mas,
de qualquer forma, também não é contra. A nova doutrina
não contradiz diretamente as observações astronômicas”.
Pode-se ver aqui o quão cuidadoso H. Poincaré foi em sua
estimativa de resultados. Isso era bastante compreensível, pois a
teoria ainda estava em desenvolvimento e, portanto, eram
necessários testes experimentais atentos e múltiplos de suas
conclusões. Descobriu-se que essas equações eram válidas apenas
quando a gravidade era negligenciada. Mais tarde A. Einstein
explicou a anomalia no movimento de Mercúrio com base na teoria
geral da relatividade, na qual a gravidade é uma consequência da
curvatura do espaço-tempo. Mas para explicar a anomalia no
movimento de Mercúrio, Einstein realmente teve que renunciar à
teoria da relatividade especial e, como consequência, às leis
fundamentais de conservação do momento-energia e do momento
angular.
A partir das equações (9.12), segue-se que as equações da
mecânica clássica são válidas somente quando a velocidade v é
pequena quando comparada à velocidade da luz. É apenas o caráter
aproximado das equações da mecânica clássica que levou à origem
das transformações galileanas, que mantêm as equações da mecânica
inalteradas em todos os sistemas de referência inercial.
Na forma tridimensional, o momento e a energia têm a forma

p   mv , E  p0c   mc2 . (9.14)


P á g i n a | 118

De (9.12) e (9.13) segue-se que para um sistema fechado a energia


e o momento são conservados. Como vemos na fórmula (9.14), a
energia E não é invariável. Ela tem sido e continua sendo um
invariante apenas em relação às transformações de coordenadas
tridimensionais e, ao mesmo tempo, é a componente zero do 4-
vetor momento em Minkowski.
Como exemplo, vamos calcular a energia de um sistema de duas
partículas a e b em dois sistemas de referência diferentes. Para
prosseguir, vamos considerar o invariante

V =  pa  pb  .
2

No sistema de referência em que uma partícula está em repouso,

pa = 0

temos

V = 2mE  2m2c2 .
Aqui tomamos massas para a partícula ae para a partícula b como
iguais. O mesmo invariante é

V =  pa  pb   4
2  2

c2
quando estimado no sistema de referência em que o centro de massa
está em repouso

pa + pb = 0,

e  é uma energia de partículas calculada neste sistema de referência.


P á g i n a | 119

Ao comparar essas expressões, obtemos uma conexão entre as


energias desses dois sistemas de referência:

E2
 2
 mc 2
mc 2
A energia de colisão de duas partículas é usada com mais
eficiência quando o centro de massa das duas partículas está em
repouso no sistema de referência do laboratório. Apenas esta
situação é percebida em colisores. Não há perda de energia para o
centro do movimento de massa.
Alguém que sentiu a quadridimensionalidade do espaço-tempo,
poderia ter percebido imediatamente que energia e momento são
combinados no quadridimensional. Além disso, ele teria entendido
que, no caso de um sistema fechado, eles obedecem à lei de
conservação de energia e momento.
Em 1905, A. Einstein propôs quanta realmente existentes da
energia da luz para explicar o efeito de foto. Se ele entendesse
profundamente a existência e o significado do grupo, e assim o
requisito do princípio da relatividade de que as quantidades físicas
deveriam ser quadridimensionais, ele poderia introduzir à luz o
quantum de momento alinhado com o quantum de energia. Além
disso, naquele tempo, já estava provado experimentalmente (P. N.
Lebedev, 1901) que a luz carregava não apenas a energia, mas
também o momento e, por isso, exercia pressão sobre corpos sólidos.
Mas A. Einstein não fez isso. O momento do quantum de luz foi
introduzido por J. Stark em 1909. Ele o levou em consideração na lei
de conservação do momento. Assim, o quantum de luz, o fóton,
apareceu (como uma partícula).
Energia e momento de acordo com (9.4) se transformam da
seguinte forma sobre as transformações de Lorentz
P á g i n a | 120

 E
px =  px  v 2  , py  p y , pz  pz , E     E  vpx  .
 c 

Uma onda de luz plana monocromática é caracterizada pela



frequência ω e pelo vetor de onda K  n . Juntos, eles são
c
componentes do vetor de onda quadridimensional

  
K   , n  .
c c 
O quadrado desse vetor de onda quadridimensional é zero devido
à equação de onda
K  K  0
O significado desse fato é que a massa restante é zero. A
frequência ω e o vetor de onda K se transformam sob
transformações de Lorentz da mesma maneira que  ct , x  , i. e., do
seguinte modo

 v 
    1  nx  ,
 c 

 v
 nx    nx   ,
c 

 ny   n y ,  nz   nz .

Apenas as mesmas fórmulas permanecem válidas para o fóton


cuja massa de repouso é zero. O 4-vetor de momento do fóton é o
seguinte
P á g i n a | 121

  
p   , K ,
 c 
onde é a constante de Planck.
Resulta do exposto que a energia E e a frequência ω se
transformam da mesma maneira. As fórmulas dadas acima explicam
o efeito Doppler, i. e., a alteração da frequência da luz quando é
emitida por uma fonte em movimento. O efeito Doppler ocorre
também quando a direção do movimento da fonte de luz é
perpendicular à direção da observação  nx  0  . Assim sendo:

 v 
    1  nx  ,
 c 
obtemos para o efeito Doppler transversal o seguinte resultado

   1  v2 c2 ,

Este efeito é pequeno o suficiente em comparação com o


longitudinal. A partir das fórmulas acima, também é possível
determinar como a direção do feixe de luz muda sob transformação
para outro sistema de referência inercial
v
nx 
nx  c ,
v
1  nx
c
Esta fórmula mostra o efeito da aberração. Voltaremos a esse
assunto na Seção 16.
O vetor covariante de quatro velocidades é Uν = Uσγσν, mas como
nas coordenadas galileanas γσν = (1, -1, -1, -1), obtemos
P á g i n a | 122

U  U 0 , U i  . (9.15)

Levando em conta (9.1) e (9.15), é possível compor o invariante

U U   U 0   U 
2 2
 1, (9.16)

que, em virtude da definição do Uν de quatro vetores, será a unidade.


Isso é facilmente verificado, se os valores determinados pelas
fórmulas (9.3) forem substituídos por (9.16). Assim, temos

p p   mc  , ou E  c p 2  m 2c 2 .
2
(9.17)

Na fórmula (9.17), retivemos para a energia apenas o sinal positivo;


no entanto, o sinal negativo de energia também tem sentido. Isso
acaba sendo significativo no caso da unificação da teoria da
relatividade e das ideias quânticas. Isso levou o Dirac a prever a
partícula (pósitron) com a massa do elétron e a carga positiva, igual
à carga do elétron. Surgiram então as ideias da criação de partículas
"elementares" no processo de interação, do vácuo físico, das
antipartículas (V. Amartzumyan, D. Ivanenko, E. Fermi). Ele abriu
a possibilidade de transformação da energia cinética das partículas
em colisão na substância material que possui massa de repouso.
Portanto, surgiu a necessidade de construir aceleradores para altas
energias para estudar os mistérios do microcosmo.
Com base na (9.14), a equação (9.12) assume a forma

dE  E dv v dE
 v   f , ou 2   f  2 . (9.18)
dt  c 2  c dt c dt

De (9.18) segue-se que a aceleração de um corpo, determinada pela


dv
expressão , não coincide em direção à força de atuação f . A
dt
P á g i n a | 123

partir das equações da mecânica relativística de Poincaré, temos com


base em (9.17), para um corpo em estado de repouso

E0  mc 2 ,

onde E0 é a energia, m é a massa do corpo em repouso.


A partir de (9.17) é evidente que a massa m é invariável. Essa
relação é uma consequência direta da estrutura pseudo-euclidiana da
geometria espaço-temporal. A conexão entre energia e massa surgiu
primeiro em relação à propriedade inerte da radiação
eletromagnética. A fórmula E = mc2 para radiação foi encontrada
pela primeira vez no artigo por H. Poincaré em 1900, de forma clara
e exata.
Vamos citar algumas extrações do artigo de H. Poincaré
publicado em 1900 "Teoria de Lorentz e princípio da igualdade de
ação e reação" (inseridas em notações modernas por V.A. Petrov):
Vamos encontrar a soma de todas as forças ponderáveis
aplicadas a todos os elétrons situados no interior de um
determinado volume. Esse resultado, ou melhor, a sua
projeção no eixo X, é representado pela integral:

1 
F    dV  v  H  E 
c 
Onde a integração é feita sobre todos os elementos dV
do volume em questão, e v velocidade do elétron.
Das equações:

4 1 E
v     H
c c t
4  E
P á g i n a | 124

1
E adicionando e subtraindo o termo H 2 , eu posso
8
escrever a seguinte equação:
4
F   Fi
i 1
onde:

1  E 
4 c  
F1  dV  H  ,
t 

F2 
1
4 

dV H  H , 
1
F3  
4  dV H 2 ,

F4 
1
4 
dVE div E .  
A integração por parte nos fornece:

F2 
1
4  
d H nˆ  H  1
4 
dVH div H  
1
F3  
8  d nˆ  H 2

Onde as integrais duplas são tomadas sobre todos os


elementos d da superfície que engloba o volume
considerado, e onde n̂ denota o vetor normal a superfície
deste elemento. Levando em consideração que:
div H  0
P á g i n a | 125

Portanto, podemos escrever o seguinte:

F2  F3 
1
8 
  
d 2 H nˆ  H  nˆ  H 2  (A)

Vamos agora transformar a expressão F4 . A


integração por partes nos dá:

F4 
1
4   
d E nˆ  E 
1
4 
dV E E  
Vamos agora denotar as integrais do lado direito da
equação por F4 e F4 .
F4  F4  F4

De acordo com a seguinte equação:

1 H
 E  
c t
nós podemos obter as seguintes expressões:

F4  Y  Z

onde:
1
8 
Y dV E 2

1  H 
Z
4 c  dV  E 


t 
que resulta em:
P á g i n a | 126

1
Y
8  d nE
ˆ 2,

F1  Z  
d dV
dt 4 c
H E  
Finalmente, nós obtemos a seguinte equação:

F
d dV
dt  4 c
  
H  E  F2  F3  F4  Y   
 
onde F2  F3 é dado pela equação (A), enquanto que:

F4  Y 
1
8    
d 2 E nˆ  E  nˆ  E 2 
 
O termo F2  F3 representa a força exercida sobre os
diferentes elementos dS da superfície que engloba o volume
em consideração. Percebe-se imediatamente que a força
não é senão a pressão magnética de Maxwell, introduzida
por esse estudioso em sua famosa teoria.
Do mesmo modo, o termo F4  Y   representa o efeito
da pressão eletrostática de Maxwell. Sem a presença do
primeiro termo:
d dV
dt  4 c

H E 
A força ponderável não seria outra que a resultante das
pressões de Maxwell.
P á g i n a | 127

Se as nossas integrais são tomadas em todo o espaço, as


integrais duplas em F2 , F3 , F4 e Y desaparecem e tudo o
que resta é:

F
d dV
dt  4 c

H E 
Se, portanto, denotarmos por M a massa de uma das
partículas em questão e denotarmos por v a sua
velocidade, se levarmos em conta o princípio da reação,
então deveríamos ter:

 Mv  const. 3

Para oposto, nós teremos:

 Mv  dt  4 c  H  E   const.
d dV

Observe que:


c
4

H E 
é o vetor de Poynting da radiação.
Se definirmos:

J
1
8
 H 2  E2 

A equação de Poynting nos fornece a seguinte relação:

3
A matéria é considerada apenas aqui. - A. L.
P á g i n a | 128

 dt dV   d 4 nˆ  H  E    dV   vE 
dJ c
(B)

A primeira integral no lado direito representa, como


sabemos, a quantidade de energia eletromagnética que
entra no volume em consideração através da radiação que
passa pela superfície e o segundo termo representa a
quantidade de energia eletromagnética que é criada dentro
do volume por transformação de outras formas de energia.
Podemos considerar a energia eletromagnética como
um fluído fictício de que a densidade é J e que viaja através
do espaço de acordo com a lei de Poynting. Precisamos
apenas perceber que o fluido não é indestrutível e, no
elemento de volume dV, durante uma unidade de tempo,
 
uma quantidade dV  vE é destruída (ou, se o sinal for
negativo, uma quantidade idêntica, mas com sinal oposto é
criada). Essa é a razão que nos impede de considerar nosso
fluído fictício como uma espécie de fluido "real".
A quantidade de fluido que passa através do quadrado
da unidade de uma superfície orientada perpendicular aos
eixos i, a cada unidade de tempo, é igual à:
JU i

onde U i correspondem as componentes da velocidade do


fluído.
Ao compararmos com a equação de Poynting,
encontramos:

JU 
c
4
EH 
P á g i n a | 129

E, consequentemente, nossas equações se tornam:

JU
 Mv   dV c2
 const. 4 (C)

Estas equações expressam o fato de que o momentum da


substância propriamente dita, mais o de nosso fluído
fictício, é representado por um vetor constante.

4
4 Na Eq. (C) o segundo termo no lado esquerdo. determina o momento total da
radiação eletromagnética. Apenas aqui o conceito de densidade de momento de
radiação surge
J
g  2 U,
c

e também o conceito de densidade de massa do campo eletromagnético


J
m 2
,
c
onde J é a densidade de energia eletromagnética. Também é fácil ver daqui que a
densidade de energia da radiação
c
S E  H ,
4
está relacionado à densidade de momento

S
g 2
.
c
Então, as noções de energia e momento local apareceram. Tudo isso foi obtido
primeiramente por H. Poincaré. Posteriormente esses itens foram discutidos no
trabalho de Planck (Phys. Zeitschr. 1908. 9. S. 828) - A. L
P á g i n a | 130

Na mecânica comum, se o momentum for constante,


então se pode concluir que o movimento do centro de
gravidade é retilíneo e uniforme.
No entanto, neste caso não temos o direito de concluir
que o centro de gravidade do sistema formado pela
substância e pelo nosso fluído ficcional está se movendo em
uma trajetória retilínea e uniformemente; devido ao fato
que o fluido não é indestrutível.
A posição do centro de gravidade do fluido fictício é
dada pela integral:

 x J dV ,
Realizada sobre todo o espaço. A derivada dessa
integral é:

 x dt dV   x div  JU  dV    x  Ev  dV .
dJ

Mas a primeira integral no lado direito torna-se, por


integração por partes:

 JUdV
ou
 C   Mv  c 2

onde C denota a constante da soma dos vetores da


equação (C).

Usaremos M 0 para representar a massa total da


substância, usaremos R0 para designar coordenadas de seu
centro de gravidade, usaremos M1 para representar a
P á g i n a | 131

massa total do fluído fictício, usaremos R1 para designar


as coordenadas de seu centro de gravidade, usaremos M 2
para a massa total do sistema (matéria mais fluído fictício),
R2 para designar o seu centro de gravidade, e então
teremos:
M 2  M 0  M1 , M 2 R2  M 0 R0  M 1 R1
J
xc 2
dV  M 1 R1 5

Então obtemos a seguinte equação:

 vE  
d
dt
 
M 2 R2  C   x
c2
dV (D)

Podemos expressar a equação (D) nos seguintes termos:


Se a energia eletromagnética não for criada nem
destruída em qualquer lugar, o último termo desaparecerá;
Então, o centro de gravidade do sistema que consiste na
substância e na energia (considerada como um fluido
fictício) tem movimento linear e uniforme.
Então H. Poincaré escreve:
“Então, a energia eletromagnética se comporta como
um fluido tendo inércia do nosso ponto de vista. E temos
que concluir que, se algum dispositivo que produz energia
eletromagnética o envia por meio de radiação em uma
direção definida, esse dispositivo deve experimentar um

5
H. Poincaré também explora nesta fórmula o conceito de densidade de massa
do campo eletromagnético introduzido por ele anteriormente. - A. L.
P á g i n a | 132

recuo, como um canhão que dispara um tiro. Certamente,


esse recuo estará ausente se o dispositivo irradiar energia
isotropicamente em todas as direções; exatamente o
oposto, estará presente quando essa simetria estiver
ausente e quando a energia for emitida em uma única
direção. É exatamente o mesmo que isso ocorre, por
exemplo, para o emissor H. Hertz situado em um espelho
parabólico. É fácil estimar numericamente o valor desse
recuo. Se o dispositivo tiver massa de 1 kg e enviar três
bilhões de Joules em uma única direção com a velocidade
da luz, a velocidade devida ao recuo será igual a 1 cm/s ”.
Ao determinar a velocidade do recuo H. Poincaré novamente explora
a fórmula
E
M  2.
c
No § 7 do artigo [3], H. Poincaré deriva equações da mecânica
relativística. Se mudarmos o sistema de unidades neste parágrafo de
M = 1, c = 1 para o sistema de unidades Gaussiano, é fácil ver que a
massa inerte de um corpo também é determinada pela fórmula:
E
M .
c2
Portanto, resulta dos trabalhos de H. Poincaré que a massa inerte,
tanto da substância quanto da radiação, é determinada por sua
energia. Tudo isso foi consequência da eletrodinâmica e da mecânica
relativística.
Em 1905, Einstein publicou o artigo "A inércia de um corpo
depende da energia contida nele?". Max Jammer escreveu sobre este
artigo em seu livro "O conceito de massa na física clássica e
moderna" (Harvard University Press, 1961.):
P á g i n a | 133

≪Em geral é dito que “o teorema da inércia da energia


em sua generalidade total foi afirmado por Einstein
(1905)” (Max Born. “Física atômica”. Blackie, Londres,
Glasgow ed. 6, p. 55). O artigo mencionado é o artigo de
Einstein, "A inércia de um corpo depende de seu conteúdo
energético?". Com base nas equações de Maxwell-Hertz do
campo eletromagnético, Einstein sustentou que "se um
corpo emite a energia E na forma de radiação, sua massa
diminui em E/c2". Generalizando esse resultado para todas
as transformações energéticas, Einstein conclui: “A massa
de um corpo é uma medida do seu conteúdo energético”.
É um incidente curioso na história do pensamento
científico que a derivação da fórmula E = mc2 de Einstein,
conforme publicada em seu artigo na "Annalen der
Physik", foi basicamente falaciosa. De fato, o que para o
leigo é conhecido como "a fórmula matemática mais
famosa já projetada" na ciência (William Cahn. "Einstein,
uma biografia pictórica". Nova York: Citadel. 1955. p. 26)
foi apenas o resultado de petitio principii, a conclusão
apresentada na pergunta≫.
"A ilegitimidade lógica da derivação de Einstein foi
demonstrada por Ives (Journal of the Optical Society of
America. 1952. 42, pp. 540-543)".
Vamos considerar abaixo o artigo de Einstein de 1905: "A inércia
de um corpo depende da energia contida nele?" Einstein escreve:
“Seja um corpo em repouso no sistema (x, y, z), cuja
energia, referida ao sistema (x, y, z), seja E0. A energia do
corpo em relação ao sistema (ζ, η, ς), que se move com a
velocidade v como acima, deve ser H0.
Faça esse corpo emitir simultaneamente ondas planas
de luz de energia L/2 (medidas em relação a (x, y, z)) em
P á g i n a | 134

uma direção que forma um ângulo ϕ com o eixo x, e uma


quantidade igual de luz na direção oposta. Durante todo o
tempo, o corpo deve permanecer em repouso em relação ao
sistema (x, y, z). Esse processo deve satisfazer o princípio
da energia, e isso deve ser verdadeiro (de acordo com o
princípio da relatividade) em relação aos dois sistemas de
coordenadas. Se E1 e H1 denotam a energia do corpo após
a emissão de luz, medida em relação aos sistemas (x, y, z)
e (ζ, η, ς), respectivamente, obtemos, usando a relação
indicada acima,
L L
E0  E1     ,
2 2
 
 1  v cos  1  cos  
v
L V L 
H 0  H1      V 
2  
2 2  
2
 1  
v
1   
v
 V  V  
L
 H1  .
2
v
1  
V 

Subtraindo, obtemos dessas equações

 
 
 1 
 H 0  E0    H1  E1   L   1 ” (D)
 
2
v
 1  V  
   
P á g i n a | 135

A. Einstein tenta obter o seguinte apenas dessa relação. Vamos


fazer uma análise elementar da equação derivada por ele. De acordo
com a teoria da relatividade
E0 E1
H0  , H1  ,
2
v v2
1 2 1 2
V V
Einstein aparentemente não levou em conta essas fórmulas. Segue-
se então que
   
   
1 1
H 0  E0  E0   1 , H1  E1  E1   1 ,
 v2   v2 
 1 2   1 2 
 V   V 
e consequentemente o lado esquerdo da equação de Einstein é igual
ao seguinte
 
 
1
 H 0  E0    H1  E1    E0  E1    1 ;

v2
 1 2 
 V 
então Eq. (N) assume uma forma aparente

E0  E1  L.

Portanto, é impossível obter algo mais substancial a partir da


equação inicial de Einstein (N). Neste trabalho, A. Einstein não
conseguiu descobrir argumentos físicos nem um método de cálculo
para provar essa fórmula.
P á g i n a | 136

E
M .
c2
Que é válida pelo menos para radiação. Portanto, as críticas dadas
por Ives ao trabalho de A. Einstein estão corretas. Em 1906, Einstein
volta mais uma vez a esse assunto, mas seu trabalho reproduz os
resultados de Poincaré de 1900, como ele próprio observa.
Posteriormente, Planck em 1907 e Langevin em 1913 revelaram,
nessa base, o papel da energia de interação interna (energia de
ligação), que levou anomalia da massa, fornecendo condições
para possível liberação de energia, por exemplo, na fissão e fusão
de núcleos atômicos. A mecânica relativística tornou-se uma
disciplina de engenharia. Aceleradores de partículas elementares são
construídos com a ajuda dele.
As "refutações" da teoria especial da relatividade que aparece às
vezes estão relacionadas à apresentação imprecisa e inexata de seus
fundamentos em muitos livros didáticos. Muitas vezes, seu
significado é profundamente oculto por muitos detalhes menores ou
mesmo desnecessários apresentados. A teoria especial da
relatividade é surpreendentemente simples em seus fundamentos,
quase como a geometria euclidiana.
Sobre as transformações da força.
De acordo com (9.8) e (9.11), 4- força é:

 vf 
F    ,  f . (9.19)
 c 

 vf 
F    ,  f  . (9.20)
 c 
P á g i n a | 137

Como observamos acima, a força como um 4-vetor se transforma


como as quantidades ct e x, portanto,

  
 vf      1  vf 
v 
f x  1  fx   f  ,  c f x (9.21)
  c  

 
f y  f , f z  f. (9.22)
 y  z
onde
u 1
  , 1  , (9.23)
c u2
1 2
c
u é a velocidade ao longo do eixo x.
Considere duas partículas no sistema de referência inercial sem
forças impressas com as 4-velocidades

 v  u
U1    ,   , U 2    1 ,  1  . (9.24)
 c  c

Então, no sistema de referência inercial, no qual a segunda


partícula está em repouso, temos as seguintes expressões para os
respectivos quatro vetores:

 v 
U1    ,    , U 2  1, 0  .
 c

Portanto, com base na invariância da expressão U1 U 2 , temos a


seguinte igualdade:
P á g i n a | 138

 vu 
    1 1  . (9.25)
 c2 

Assim, obtemos
 1
 . (9.26)
  vu 
 1 1  2 
 c 
No nosso caso, quando a velocidade ~ u é direcionada ao longo
do eixo x, temos
 1
 . (9.27)
  v u
 1 1  x2 
 c 

Substituindo (9.27) em (9.21) e (9.22) obtemos


v
fx   f fy 1  2 fz 1  2

fx  c , f y  , f z  (9.28)
v v v
1  x 1  x 1  x
c c c

f  v 
 f v    cf x
. (9.29)
v
1  x
c

Portanto, é evidente que, se a força f em um determinado


sistema de referência inercial de Galileu é zero, é, então, nulo em
qualquer outro sistema de referência inercial também. Isso significa
que, se a lei da inércia é válida em um sistema de referência inercial,
ela também é obedecida em qualquer outro sistema de referência
P á g i n a | 139

inercial. Além disso, a conclusão relativa à força é válida não apenas


para um sistema de referência inercial, mas também para qualquer
sistema de referência acelerado (não inercial). A força não pode
surgir como resultado de transformações de coordenadas. Se o
movimento por inércia em um sistema de referência inercial
prosseguir em uma linha reta, em um sistema de referência não
inercial o movimento livre prosseguirá ao longo da linha geodésica,
que nessas coordenadas não será mais uma linha reta.
Na mecânica clássica, a força f é a mesma em todos os sistemas
de referência inercial, na mecânica relativística isso não é mais o
caso, os componentes da força, neste caso, variam de acordo com
(9.28).
Agora, vamos nos debruçar sobre um comentário geral sobre
sistemas de referência inercial. Sistemas de referência inercial sendo
equitativos significam que, se criarmos em cada sistema de
referência condições idênticas para a evolução da matéria,
naturalmente teremos a mesma descrição de um fenômeno em cada
sistema de referência, ou seja, não conseguiremos destacar qualquer
um dos sistemas de referência inercial. Mas, se tivermos fornecido
algumas condições para o movimento da matéria em um sistema de
referência inercial, então, ao descrever o que acontece nesse sistema
de referência observando de qualquer outro sistema de referência
inercial, já obteremos outra imagem. Isso não viola a igualdade dos
sistemas de referência inercial, pois, neste caso, o sistema de
referência inicial foi destacado pela formulação real do problema.
Precisamente surge uma situação assim, quando consideramos o
Universo. Nesse caso, existe um sistema de referência inercial
único e fisicamente destacado no Universo, que é determinado
pela distribuição da matéria. O tempo neste sistema de
referência terá um status especial em comparação com outros
sistemas de referência inercial. Esse tempo pode ser chamado de
P á g i n a | 140

"tempo verdadeiro" do universo. Como exemplo de um sistema


de referência tão especial, pode-se escolher um sistema de
referência, no qual a radiação eletromagnética residual seja
homogênea e isotrópica (ver ref. [5]).
Da exposição acima, especialmente das Seções 3, 5, 7, 8 e 9, é
evidente que Henri Poincaré descobriu todos os elementos essenciais
que compõem o conteúdo da teoria da relatividade especial.
Qualquer pessoa que tenha se formado em física teórica e tenha lido
atentamente pelo menos os seus dois artigos “Sobre a Dinâmica do
Elétron”, pode verificar isso.
Existem, também, outros pontos de vista: “Poincaré não deu o
passo decisivo” (de Broglie), “Poincaré estava, muito
provavelmente, muito perto de criar o TRE, mas não chegou ao fim.
Só se pode imaginar por que isso aconteceu.” (V. L. Ginzburg). Mas
essas declarações caracterizam o nível de entendimento dos próprios
autores sobre o assunto, em vez das proeminentes realizações de H.
Poincaré na teoria da relatividade. O que surpreende é que os autores
não apresentam nenhum indício de dúvida ao considerar sua própria
incompreensão, ou a dificuldade que tinham na compreensão, como
critério na avaliação dos estudos proeminentes realizados por
Poincaré. Neste caso, não há necessidade de “especular”. Só é
necessário ler os dois artigos de Poincaré [2,3] e pensar.
O professor A. Pais escreveu o seguinte em seu livro “Subtle is
the Lord: the science and the life of Albert Einstein”, Oxford
University Press, 1982:
“É evidente que, em 1909, Poincaré não sabia que a
contração de hastes é uma consequência dos dois
postulados de Einstein. (grifado por mim – A. L.) Poincaré,
portanto, não entendeu um dos traços mais básicos da
relatividade especial”.
P á g i n a | 141

Observamos imediatamente que a declaração grifada está errada.


Mas falaremos sobre isso depois.
De tudo que A. Pais escreveu, segue-se claramente que ele
próprio não entendia os fundamentos da relatividade especial.
Deixe-me explicar. Poincaré demonstrou a invariância das equações
de Maxwell-Lorentz com relação às transformações de Lorentz, o
que era consistente com o princípio da relatividade, formulado por
Poincaré em 1904 para todos os fenômenos físicos da natureza.
Como já observamos, H. Poincaré descobriu a invariante
fundamental:
J  c2T 2  X 2  Y 2  Z 2 ,

que estabelece a geometria do espaço-tempo. Ou seja, segue-se que


a velocidade da luz ser constante é uma consequência particular
desta fórmula, quando o invariante J é nulo. A. Pais tinha que
entender que a contração de Lorentz está relacionado com um J
negativo, i. e. para um intervalo do tipo espaço de J, não igual a zero.
Quanto a dilatação do tempo, está relacionado com J positivo, isto é,
J de um intervalo tipo tempo, mas certamente não igual a zero.
Assim, a partir do exposto, fica claro que a contração das
dimensões das hastes não é uma consequência apenas dos dois
postulados de Einstein. Isto é o resultado de um conhecimento
superficial dos fundamentos da teoria da relatividade.
Assim, com tal conhecimento do assunto, A. Pais tentou provar
nas páginas de seu livro que H. Poincaré não havia feito o passo
decisivo para criar a teoria da relatividade! Ele, um físico, “reforçou”
sua visão sobre a contribuição de H. Poincaré pela decisão da Sessão
de Paris da Sociedade Filosófica Francesa em 1922.
Tão simples que é! Os filósofos se encontraram e tomaram uma
decisão, ao passo que provavelmente não estudaram obras de
Poincaré sobre a teoria da relatividade. Mas tal estudo exigi um nível
P á g i n a | 142

profissional adequado. Duvido que seu nível profissional deles tenha


sido superior a um de A. Pais nesse campo. Devemos dizer que A.
Pais era um cientista excepcional, independentemente dessas
críticas, e fez muitas investigações notáveis.
Quanto à contração de Lorentz, no artigo de 1906 [3] (§6 “A
contração de elétrons”), H. Poincaré trata detalhadamente dessa
questão, fazendo uso das transformações de Lorentz. Tudo isso é
claramente apresentado no artigo [3]. Precisamente a unificação da
relatividade e a eletrodinâmica de Maxwell-Lorentz permitiram a
Poincaré formular nos seus artigos [2] e [3] os fundamentos da teoria
da relatividade. Quanto ao postulado sobre a constância da
velocidade da luz, mostrou-se apenas um simples dispositivo
heurístico, mas não fundamental da teoria. É uma consequência da
exigência de que os fenômenos eletrodinâmicos, descritos pelas
equações de Maxwell-Lorentz nas coordenadas galileanas, sejam
consistentes com o princípio da relatividade.
A. Pais, mencionando o caráter do grupo das transformações de
Lorentz, escreve (ver p. 130 do livro citado acima):
“Ele, é claro, não sabia que algumas semanas antes
alguém (Entende-se que seja A. Einstein. - A. L.) tinha
notado independentemente as propriedades do grupo das
transformações de Lorentz.”.
Mas tudo isso está absolutamente incorreto. O artigo [2] de H.
Poincaré apareceu no “Comptes Rendus” em 5 de junho de 1905, ao
passo que o artigo de A. Einstein foi enviado à editora em 30 de
junho de 1905. H. Poincaré, descobriu o grupo e nomeou-o como
grupo de Lorentz. Ele escreveu no artigo [2]:
“Todas essas transformações, juntamente com todas as
rotações, devem formar um grupo”.
P á g i n a | 143

Nos artigos [2, 3] por H. Poincaré, as propriedades do grupo são


amplamente utilizadas para a construção de quantidades físicas
quadridimensionais, fornecendo a invariância de equações
eletrodinâmicas sob o grupo de Lorentz. Enquanto no artigo de A.
Einstein apenas o seguinte é dito:
“... a partir disso, vemos que tais transformações
paralelas formam um grupo - como de fato deve ser”.
Não há outra palavra sobre o grupo no artigo de Einstein. A partir
daqui, sua incompreensão de que as quantidades eletrodinâmicas
devem ser transformadas de acordo com o grupo, a fim de fornecer
a invariância das equações exigidas pelo princípio da relatividade,
segue naturalmente. Mas tudo isso leva à consequência de que
algumas grandezas físicas se tornam quadridimensionais, por
exemplo, densidade de corrente, potenciais, momentum e força.
Impressionantes "descobertas" são feitas por certos historiadores
perto da ciência. Aqui segue, por exemplo, uma “obra-prima” de tal
atividade criativa. S. Goldberg escreveu o seguinte em seu artigo
(“The British Journal for the History of Science”. 1970. Vol. V, No.
17, p. 73):
“Poincaré manteve a noção de espaço absoluto em sua
obra, quer esse espaço fosse ou não acessível à
observação”.
“Havia na mente de Poincaré um sistema de referência
privilegiado em que a velocidade da luz era realmente uma
constante e apenas nesse sistema”.
S. Goldberg atribui tudo isso a Poincaré sem nenhum
fundamento. Já que, em 1902, no livro “A Ciência e a Hipótese”,
Poincaré escreveu:
“O espaço absoluto não existe. Nós só percebemos
movimentos relativos”.
P á g i n a | 144

“Tempo absoluto não existe”.


Em 1904, Poincaré formulou o princípio da relatividade para
todos os fenômenos físicos (ver seção 3, p. 26) e em 1905
estabeleceu que, de acordo com o princípio da relatividade, as
equações do campo eletromagnético permanecem as mesmas em
todos os sistemas inerciais de referência devido às transformações
de Lorentz.
Assim, a igualdade e a constância da velocidade da luz são
fornecidas para qualquer sistema de referência inercial. Tudo isso é
exposto nos artigos de H. Poincaré [2, 3], que deveriam ter sido
cuidadosamente estudados por S. Goldberg antes de escrever uma
opinião sobre Poincaré.
Na avaliação das obras [2] e [3], bem como nos primeiros
trabalhos de H. Poincaré em física, é necessário proceder apenas a
partir do seu conteúdo, comparando-o com as ideias
contemporâneas, e não para ser guiado por afirmações externas sobre
o assunto, mesmo que feita por cientistas de renome,
contemporâneos de Poincaré, já que o nível de muitos deles era
insuficiente para apreender plenamente o que Poincaré escreveu. Na
época, sua personalidade era especialmente manifesta na medida em
que, para ele, os problemas físicos e sua formulação matemática
adequada se uniam naturalmente e compunham um único todo.
Justamente por esse motivo, suas criações são exatas e modernas
mesmo depois de cem anos. H. Poincaré foi um daqueles
pesquisadores raros, para quem as ciências naturais e a matemática
permeia toda sua existência. Os jovens de hoje, diplomados em física
teórica, podem facilmente perceber isso, se pelo menos eles lerem as
obras de Poincaré de [2] e [3]. Quanto às afirmações do professor A.
Pais e do doutor S. Goldberg, é o que já comentamos uma vez, o que
vimos anteriormente é uma clara tentativa de atribuir sua própria
incompreensão ao autor.
P á g i n a | 145

Alguns autores que desejam enfatizar o caráter precedente dos


artigos de H. Poincaré de [2], [3] sobre a relatividade, damos duas
citações seguintes do livro de W. Pauli “Teoria da Relatividade”
escrito por ele em tenra idade em 1921:
“Foi Einstein, enfim, que de certa forma completou a
formulação básica dessa nova disciplina”.
"Ele inclui não apenas todos os resultados essenciais
contidos nos outros dois artigos, mas mostra uma
compreensão inteiramente nova e muito mais profunda de
todo o problema".
Abaixo, vamos dar uma citação de W. Pauli relacionada ao
mesmo assunto, mas escrita mais tarde, em 1955.
À primeira citação de Pauli, deve-se dizer que as obras de [2] e
[3] de H. Poincaré não precisam de qualquer conclusão adicional.
Todos os principais resultados que servem para a formulação
completa da teoria da relatividade são estabelecidos ali e de forma
muito mais definitiva.
E quanto à segunda declaração de Pauli, o caso é exatamente o
oposto. É suficiente comparar o conteúdo dos trabalhos de Poincaré
e Einstein para concluir que os artigos de [2], [3] de Poincaré contêm
não apenas todo o conteúdo essencial do artigo de Einstein de 1905
(além disso, Poincaré apresentou sua formação detalhadamente em
contraste com Einstein), mas também contém partes essenciais do
trabalho posterior de Minkowski. E sobre as palavras de Pauli:
“profunda compreensão de todo o problema”, é justamente o que
está presente nos artigos de [2], [3] de Poincaré. Por exemplo:
“Todas as forças se comportam da mesma maneira que
as forças eletromagnéticas, independentemente de sua
origem. Isto é devido às transformações de Lorentz (e
consequentemente devido ao movimento de translação)”.
P á g i n a | 146

Em outras palavras, a invariância de Lorentz é universal. Tudo


que foi exposto pode ser dito sobre forças gravitacionais.
Além disso, Poincaré descobriu a geometria pseudo-euclidiana do
espaço-tempo, revelando a quadridimensionalidade das grandezas
físicas. Ele construiu as equações da mecânica relativista, previu a
existência das ondas gravitacionais, propagando-se com a
velocidade da luz.
Então, que tipo de mais “profunda compreensão de todo o
problema” ele estava falando?
Há uma declaração surpreendente de L. de Broglie feita em 1954:
“Um pouco mais e seria H. Poincaré, e não A. Einstein,
que primeiro construiu a teoria da relatividade em toda a
sua generalidade e que daria à ciência francesa a honra
desta descoberta. Mas Poincaré não deu o passo decisivo e
deixou a Einstein a honra de descobrir todas as
consequências decorrentes do princípio da relatividade e,
em particular, por meio de uma análise profunda das
medidas de comprimento e tempo, para descobrir a
verdadeira natureza física da relação entre espaço e tempo
mantida pelo princípio da relatividade”.
Na verdade, é exatamente o completo oposto do que de L. de
Broglie escreveu. H. Poincaré apresentou uma análise detalhada das
medições de tempo já em seu artigo de 1898 “A Medida do Tempo”,
em particular, por meio do uso de um sinal luminoso.
Posteriormente, em artigos de 1900 e 1904, ele descreve um
procedimento para determinação da simultaneidade em diferentes
pontos do espaço por meio de um sinal luminoso em um sistema
inercial de referência em movimento, e, portanto, revela o
significado físico do tempo local por Lorentz. Em 1904, no artigo
[1], ele foi o primeiro a formular o princípio da relatividade para
todos os fenómenos físicos. Em 1905, baseando-se no artigo de
P á g i n a | 147

Lorentz, H. Poincaré descobriu o grupo de Lorentz nos artigos [2; 3]


e neste campo provou invariância das equações de Maxwell-Lorentz
sob as transformações de Lorentz em total concordância com o
princípio da relatividade. H. Poincaré extrapolou o grupo de Lorentz
para todas as forças físicas. Portanto, a invariância de Lorentz
tornou-se universal e válida também para fenômenos gravitacionais.
No artigo [3], baseando-se no grupo de Lorentz, H. Poincaré
introduziu a geometria espaço-temporal pseudo-euclidiana. Assim,
surgiu o espaço-tempo homogêneo e isotrópico que foi definido pelo
invariante
c2t 2  x2  y 2  z 2 ,

A partir dele foi desenvolvido a relatividade dos conceitos de tempo


e comprimento, a simetria das leis físicas, as leis de conservação, a
existência da velocidade limite para corpos materiais, a
quadrimensionalidade das grandezas físicas. A conexão entre espaço
e tempo foi determinada por completo pela estrutura da geometria.
Não encontramos uma percepção tão profunda sobre a essência do
assunto no artigo de A. Einstein. Seguindo essas ideias, H. Poincaré
descobriu as equações da mecânica relativista e previu a existência
de ondas gravitacionais propagando-se com a velocidade da luz.
Portanto, H. Poincaré deduziu todas as consequências mais gerais do
princípio da relatividade. Não há uma ideia do trabalho de 1905
de A. Einstein, que não esteja presente nos artigos de H.
Poincaré. O trabalho de A. Einstein é bastante elementar no
desenvolvimento das ideias. Embora, de fato, o desenvolvimento das
ideias exigisse um alto nível de análise. Nas obras de H. Poincaré [2;
3] não há apenas uma análise e uma realização de alto nível, mas elas
contêm também muitas novidades que não estão presentes no artigo
de A. Einstein e que determinaram o desenvolvimento ulterior da
teoria da relatividade. Como Louis de Broglie não viu tudo isso ao
P á g i n a | 148

ler os artigos de Poincaré? Compare os escritos de Louis de Broglie


com os escritos de W. Pauli de 1955 (ver na presente edição, p. 148).
É evidente que Louis de Broglie não obteve uma compreensão da
essência do assunto. Apesar de ser o diretor do Instituto Henri
Poincaré, por essa razão, tivesse que ter adquirido essa compreensão.
Baseando-se em opiniões de Louis de Broglie, o acadêmico V. L.
Ginzburg escreve:
“Como se vê, a posição de L. de Broglie, referindo-se à
memória de H. Poincaré com um profundo respeito e com
uma gentileza elevada, deve ser considerada como mais um
testemunho de que o principal autor do TRE é A. Einstein”.
Tudo isso é estranho. Alguém poderia pensar que tudo é simples
aqui: se você estiver qualificado, então pegue o artigo de A. Einstein
de 1905 e os artigos de H. Poincaré, compare-os e tudo ficará claro.
E justamente isso que será discutido em detalhes em outras seções.
E quanto à citação de L. de Broglie, isso demonstra claramente seu
conhecimento superficial das obras de H. Poincaré.
P. A. M. Dirac escreveu em 1979 (Proceedings of the 1979
Einstein Centennial Symposium: Some Strangeness in the
Proportion. Addison-Wesley MA 1980. p. 111.):
“Em um aspecto Einstein foi muito além de Lorentz,
Poincaré e os outros, e isso foi afirmar que a transformação
de Lorentz se aplicaria a toda a física e não apenas aos
fenômenos baseados na eletrodinâmica. Quaisquer outras
forças físicas que possam ser introduzidas no futuro terão
que se conformar às transformações de Lorentz, que está
indo muito além do que as pessoas que estavam
trabalhando com a eletrodinâmica estavam pensando”.
Mas justamente sobre isso, H. Poincaré escreveu em 1905-1906
em seus artigos [2; 3]:
P á g i n a | 149

“...Todas as forças, apesar da natureza que podem ter,


comportam-se de acordo com as transformações de Lorentz
(e consequentemente, de acordo com o movimento
translação), exatamente como as forças eletromagnéticas”.
Comparando a citação de Poincaré com as palavras de Dirac, fica
fácil convencer-se de que tudo que foi considerado por Dirac como
a conquista de Einstein está contido integralmente no artigo [2] de
Poincaré. Portanto, a declaração citada por Dirac: “Em um aspecto,
Einstein foi muito além de.... Poincaré ” é simplesmente incorreto.
Poincaré foi o primeiro que extrapolou as transformações de Lorentz
para quaisquer forças da natureza, inclusive as gravitacionais. O que
se segue, por exemplo, é o que Richard Feynman escreveu (ver o seu
livro The Character of Physical Law, BBC, 1965):
“Foi a sugestão de Poincaré de criar essa análise do
que você pode fazer com as equações e deixá-las em paz.
Foi a atitude de Poincaré de prestar atenção às simetrias
das leis físicas”.
Em 1955, em conexão com o 50º aniversário da teoria da
relatividade, W. Pauli escreveu:
“Einstein e Poincaré tomaram a mesma posição sobre
o trabalho preparatório da H.A. Lorentz, que já havia
chegado bem perto do resultado, sem contudo alcançá-lo.
Na concordância entre os resultados dos métodos seguidos
independentemente um do outro, por Einstein e Poincaré,
eu discerni um significado mais profundo de uma harmonia
entre o método matemático e a análise por meio de
experimentos mentais (Gedankenexperimente), que se
baseiam em características gerais da física experimental”.
Compare esta citação de W. Pauli com palavras de L. de Broglie
de 1954.
P á g i n a | 150

Os artigos de [2, 3] de Henri Poincaré são extremamente


modernos tanto em conteúdo e forma quanto na exatidão da
exposição. Na verdade, eles são joias da física teórica.
Agora vamos retornar às palavras do Acadêmico V. L. Ginzburg
(ver nesta edição, p. 101), adiante ele fala sobre o princípio da
relatividade:
“... Além disso, Lorentz e Poincaré interpretaram esse
princípio apenas como uma afirmação sobre a
impossibilidade de se medir o movimento uniforme de um
corpo em relação ao éter”
Isto é absolutamente incorreto em relação a Poincaré. Deixe-me
explicar. Este princípio foi formulado por Poincaré da seguinte
forma em [1]:
“O princípio da relatividade, segundo o qual as leis dos
fenômenos físicos devem ser as mesmas, quer para um
observador fixo, quer para um observador em movimento
de translação uniforme; de modo que não temos, nem
podemos ter, nenhum meio de discernir se somos ou não
levados num tal movimento”
Não há termo “éter” nesta formulação do princípio da
relatividade. Portanto, a declaração de V. L. Ginzburg é um simples
mal-entendido. Vamos apresentar algumas explicações triviais dessa
citação. Segue-se da formulação do princípio da relatividade que um
observador que executa um movimento de translação uniforme pode
se mover com qualquer velocidade constante e, portanto, há um
conjunto infinito de sistemas de referência equivalentes com as
mesmas leis para os fenômenos físicos. Este conjunto de sistemas de
referência equivalentes inclui também um sistema de referência
tomado como um sistema de repouso.
Então V. L. Ginzburg continua:
P á g i n a | 151

“... É possível começar pela consideração de que todos


os sistemas inerciais de referência são completamente
equivalente (este é o tratamento moderno do princípio da
relatividade) sem esforços especiais apenas se nós
entendermos as transformações de Lorentz como
transformações correspondentes à transição para o
sistema de referência em movimento (grifado por mim. –
A. L.)”.
Ter em mente que Poincaré não entendeu que as transformações de
Lorentz correspondem à transição do sistema de referência em
"repouso" para o em movimento é também um mal-entendido. Essa
trivialidade é consequência direta das transformações de Lorentz.
A partir das transformações de Lorentz
x    x   t 

Segue-se que a origem do novo sistema de referência

x  0, y  0, z  0
Move-se ao longo do eixo x com velocidade ε:
x   t

em relação a outro sistema de referência.


Por conseguinte, as transformações de Lorentz conectam as
variáveis (t, x, y, z) referentes a um sistema de referência com
variáveis (t’, x’, y’, z’) referindo-se a outro sistema que se move
uniformemente e estritamente com velocidade ε ao longo do eixo x
relativamente ao primeiro sistema. As transformações de Lorentz
tomaram o lugar das transformações galileanas falando
figurativamente.
P á g i n a | 152

Vamos analisar mais detalhadamente a declaração de V. L.


Ginzburg. Ele observa que “se entendermos as transformações de
Lorentz como transformações correspondentes à transição para um
sistema de referência em movimento”, então “é possível sem
esforços especiais” prosseguir com “o tratamento de todos os
sistemas inerciais de referência como completamente equivalentes
(o tratamento moderno do princípio da relatividade)”.
Mas não é assim. Isso não é suficiente para o cumprimento dos
requisitos do princípio da relatividade. É necessário provar (e isso é
o mais importante) que as transformações de Lorentz, juntamente
com as rotações espaciais, formam um grupo. Mas à essa descoberta
somos gratos unicamente a Poincaré. Somente depois de descobrir o
grupo, é possível dizer que todas as equações físicas permanecem
idênticas em qualquer sistema de referência inercial. Então todas as
características físicas correspondentes se transformam exatamente
de acordo com o grupo. Apenas isso fornece o cumprimento dos
requisitos do princípio da relatividade.
Em conexão com a citação de Ginzburg (ver nesta edição, p. 149-
150), faremos alguns comentários. Admitamos que o princípio da
relatividade é tratado como uma declaração de impossibilidade de se
medir um movimento de translação uniforme de um corpo em
relação ao éter. O que segue daqui? Primeiro, daqui segue-se
diretamente que as equações físicas são as mesmas, tanto no sistema
de referência associado ao éter quanto em qualquer outro sistema de
referência, movendo-se com velocidade constante em relação ao
sistema associado ao éter. A invariância das equações é fornecida
pelas transformações de Lorentz. Segundo, como as transformações
de Lorentz formam um grupo, é impossível privilegiar um sistema
de referência a outro. O sistema de referência associado ao éter será
um membro dessa totalidade de sistemas inerciais equivalentes.
Portanto, deixará de fazer sentido a ideia do sistema fixo de
P á g i n a | 153

referência. Mas isso deve-se ao fato de que o éter no sentido de


Lorentz desaparece.
Muitas vezes, para enfatizar que Poincaré não criou a teoria da
relatividade, cita-se suas palavras:
“A importância desse assunto me fez voltar à ele; os
resultados obtidos por mim estão em correspondência com
os de Lorentz em todos os pontos mais importantes. Eu só
tentei modificar um pouco e ampliá-los”.
Geralmente conclui-se que Poincaré seguiu estritamente as
concepções de Lorentz. Mas Lorentz, como ele mesmo observa, não
estabeleceu o princípio da relatividade para a eletrodinâmica. Assim,
conclui-se que também Poincaré não deu o passo decisivo. Mas isso
está incorreto. Os autores que escrevem isto não leram
cuidadosamente os artigos de Poincaré de [2, 3]. Vamos dar mais
algumas explicações. H. Poincaré escreve em seu artigo [2]:
“A ideia de Lorentz é que as equações do campo
eletromagnético são invariantes sob algumas
transformações (que eu chamarei pelo nome de H.A.
Lorentz) da seguinte forma...”
Poincaré escreve: “a ideia de Lorentz”, mas Lorentz nunca
escreveu antes de Poincaré. Aqui Poincaré formulou sua própria
ideia fundamental, mas atribuiu a Lorentz. Ele sempre apreciou e
celebrou com grande estima alguém que estimulasse o seu
pensamento, uma alegria da criação, provavelmente como ninguém
mais. Ele era absolutamente desapegado de sentimentos pessoais de
prioridade. Mas os que vieram depois são obrigados a restaurar a
verdade e pagar o débito ao criador.
No mesmo artigo (ver nesta edição, a nota de rodapé na p. 54), o
acadêmico V. L. Ginzburg escreve:
P á g i n a | 154

“Pode-se suspeitar que Poincaré não tenha estimado a


contribuição de Einstein como muito substancial, e talvez
até tenha acreditado que ele ‘fez tudo sozinho’. Mas isso é
apenas uma questão que estamos tentando adivinhar sobre
os sentimentos de Poincaré a partir de seu silêncio e não a
partir de algumas alegações ditas por ele.”
Pode-se facilmente descobrir o que Poincaré fez na teoria da
relatividade: para um físico teórico, basta ler seus artigos [2, 3].
Portanto, não é necessário “adivinhar” os sentimentos de Poincaré
para responder à pergunta: o que ele realmente fez. O acadêmico V.
L. Ginzburg geralmente cita escritos de W. Pauli de 1921, mas
surpreendentemente não cita escritos de W. Pauli de 1955. Algumas
pessoas, por algum motivo, querem ver apenas A. Einstein sendo
tratado como o criador da teoria da relatividade especial. Mas
devemos seguir fatos e somente eles.
Agora vamos considerar as palavras do professor Pais escritas no
mesmo livro na p. 169:
“Por que Poincaré não mencionou Einstein em suas
palestras no Göttingen? Por que não há artigos de
Poincaré em que Einstein e relatividade estão associados?
É inconcebível que Poincaré tivesse estudado os artigos de
Einstein de 1905 sem entendê-los. É impossível que em
1909 (o ano em que ele falou na Göttingen) ele nunca
tivesse ouvido falar das atividades de Einstein nessa área.
Devo escrever sobre petulância ou inveja profissional?”
Existe uma única resposta para essas questões. Depois de ler os
artigos e livros publicados por Poincaré até 1905, é fácil convencer-
se de que nada havia de novo para Poincaré no artigo de Einstein.
Baseando-se em seus próprios trabalhos anteriores e nas
investigações de Lorentz, Poincaré formulou todo o principal
conteúdo da teoria da relatividade especial, descobriu as leis da
P á g i n a | 155

mecânica relativista, estendeu as transformações de Lorentz a todas


as forças da natureza. Mas tudo isso ele atribuiu ao Grande Monstro
H.A. Lorentz, porque só seu artigo de 1904 forneceu um estímulo
para o pensamento de Poincaré. Essa era sua prática usual. É
estranho que o professor Pais só faça perguntas a Poincaré e não a
Einstein. Como Einstein decidiu submeter seu trabalho sobre a
eletrodinâmica dos corpos em movimento se ele só conhecia os
trabalhos de Lorentz de dez anos atrás e os trabalhos de Poincaré de
apenas cinco anos atrás? O que impediu Einstein de conhecer as
resenhas publicadas na revista “Beiblätter Annalen der Physik” se
ele próprio preparou muitas resenhas para este periódico? Só em
1905 foram publicados 21 resenhas de Einstein.
A revista “Beiblätter Annalen der Physik” foi impressa em
Leipzig em edições separadas. 24 edições foram publicadas em um
ano. A revisão do artigo de Lorentz que apareceu no jornal “Versl.
K. Ak. van Wet. ”(1904, 12 (8). S. 986–1009) foi publicado na 4ª
edição de 1905. Esta resenha continha também as transformações de
Lorentz.
Uma revisão de Einstein sobre o artigo de M. Ponsot da edição de
maio da revista francesa “Comptes Rendus” 1905. 140. S. 1176–
1179 foi publicado na 18ª edição de 1905. A mesma edição (S. 1171–
1173) contém o artigo de P. Langevin “Sobre a Impossibilidade
Física de Detectar uma Evidência do Movimento de Translação da
Terra”. Neste artigo P. Langevin refere-se aos artigos de Lorentz de
1904 e Larmor de 1900.
Por que Einstein nunca se refere aos artigos [2, 3] de Poincaré? A
propósito, ele escreveu muitos artigos sobre a teoria da relatividade
durante os próximos 50 anos. Quais qualidades pessoais explicam
isso? Como é possível não se referir a artigos, se eles foram
publicados anteriormente e se você explorou ideias e conceitos
deles? Os acadêmicos V. L. Ginzburg e Ya. B. Zel’dovich
escreveram em 1967 (ver “Zel’dovich — known and unknown <in
P á g i n a | 156

the recollections of his friends, colleagues, students>”. Moscow:


“Nauka”, 1993, p. 88):
“Por exemplo, apesar do quanto uma pessoa faria
sozinho, ele não poderia fingir ter uma prioridade, se
depois ficaria claro que o mesmo resultado foi obtido
anteriormente por outras pessoas”.
Esta é uma visão bastante acertada. Nós devemos segui-la. Ideias
e resultados devem ser creditados à pessoa que os descobriu
primeiro.
Quão estranho foi o destino, se é que se pode dizer isso, das obras
de Henri Poincaré, “Sobre a Dinâmica do Elétron”, publicadas em
1905-1906. Esses trabalhos notáveis de H. Poincaré tornaram-se
uma fonte peculiar a partir da qual ideias e métodos foram
elaborados e depois publicados sem referências ao autor. Quando
referências a esses artigos foram feitas, elas nunca estão em
consonância com a essência deles. Todas aquelas descobertas feitas
por Poincaré, nos artigos de 1905 e 1906 podem ser facilmente
encontrados de uma ou outra forma em artigos de outros autores
publicados posteriormente. M. Planck escreveu em artigo de 1906
“Das Prinzip der Relativität und die Grundgleichungen der
Mechanik”:
“O princípio da relatividade, sugerido por Lorentz e na
formulação mais geral de Einstein, significa..."
Mas tudo isso está incorreto. O princípio da relatividade foi
formulado pela primeira vez na forma geral por Poincaré, em 1904.
Então, M. Planck deriva as equações da mecânica relativista, mas
não há referências ao artigo [3] de Poincaré, embora as equações da
mecânica relativista tenham sido derivado anteriormente. Se alguma
vez M. Planck não estava ciente sobre o trabalho de Poincaré naquela
ocasião, ele poderia consultá-lo mais tarde. Mas tal referência ao
P á g i n a | 157

artigo [3] não apareceria nem posteriormente. Artigos de Poincaré,


[2; 3], não apareceram também na coleção alemã dedicada à teoria
da relatividade. Como alguém poderia explicar tudo isso?
Segundo B. Hoffmann (Proceedings of the 1979 Einstein
Centennial Symposium: Some Strangeness in the Proportion.
Addison-Wesley MA 1980. P. 111):
“Estou imaginando se as pessoas teriam descoberto a
teoria da relatividade especial sem Einstein. É verdade que
Poincaré tinha toda a matemática e um pouco mais do que
Einstein em seu artigo de 1905, mas na obra de Poincaré
havia sempre a implicação de que havia um sistema de
repouso - algo imóvel em relação ao éter - e assim você tem
a impressão de que Poincaré e quaisquer seguidores teriam
dito, sim, se algo está se movendo em relação ao éter, ele
sofre uma contração. Mas, é claro, as pessoas que
acreditam nisso pensariam que nossas hastes estacionárias
foram expandidas, em vez de serem contraídas, e Poincaré
teria um relógio mais lento, mas o outro mais rápido. Essa
reciprocidade foi um ponto muito sutil, e é bem provável
que as pessoas nunca tenham percebido que era uma
relação recíproca”.
Tudo isso é impreciso ou resulta de um mal-entendido dos
princípios básicos da TRE. Primeiro, a TRE já havia sido descoberta
por Poincaré nos artigos [2; 3] em concordância com o princípio da
relatividade formulado por Poincaré em 1904 para todos os
fenômenos físicos. De acordo com o princípio da relatividade, as
equações físicas são as mesmas em todos os sistemas de referência
inerciais. Todos os sistemas de referência inerciais são equivalentes
e, portanto, a existência de um sistema de referência em repouso é
excluída. Disso resulta que a reversibilidade é pode ser realizada. Em
segundo lugar, Poincaré descobriu o grupo de Lorentz e a existência
P á g i n a | 158

do elemento inverso segue daqui, consequentemente, a


reversibilidade segue da existência do grupo. Terceiro, na TRE
construída por Poincaré realmente esse fato - “a natureza reversível
dessa conexão é um ponto muito sutil” - é uma consequência trivial,
então escrever “que as pessoas nunca reconheceriam isso” é uma
intenção do autor de ver um problema onde não existe. Além disso,
é um absurdo atribuir o próprio mal-entendido dele a Poincaré.
É surpreendente ler uma citação de A. Einstein fornecida por G.
Holton (Proceedings of the 1979 Einstein Centennial Symposium:
Some Strangeness in the Proportion. Addison-Wesley MA 1980. P.
111):
“O próprio Einstein disse que nem Poincaré ou
Lorentz, mas Langevin poderia ter desenvolvido a teoria da
relatividade especial”.
Se confiarmos em G. Holton, então veremos que A. Einstein sem
dúvida pensava que foi exclusivamente ele quem descobriu a teoria
da relatividade especial. Seria possível que ele não tivesse lido os
artigos de Poincaré [2; 3] onde todo o conteúdo principal da teoria
da relatividade especial foi apresentado em forma extremamente
objetiva e geral? Por isso, é bastante estranho este tipo afirmação de
A. Einstein. Mas se admitirmos que A. Einstein realmente não leu
artigos de Poincaré [2; 3] durante depois de cinquenta anos, então
isso também é surpreendente. Como isso poderia estar relacionado
com a “honestidade meticulosa de Einstein” como cientista, que é
expressamente descrita por G. Holton?
A omissão dos artigos de Poincaré [2; 3] continuou por todo o
século XX. O senso comum estabelecido é de que a teoria da
relatividade especial foi criada somente por A. Einstein. Isto está
escrito em livros didáticos, incluindo aqueles usados na escola, em
monografias, em livros de divulgação científica, em enciclopédias.
Os físicos alemães, diferente dos físicos franceses, fizeram muitos
P á g i n a | 159

esforços para organizar a situação quando A. Einstein, por si só, foi


considerado o criador da teoria da relatividade especial, e essa
realização científica como um fruto da ciência alemã. Mas,
felizmente, "os manuscritos não mentem". Artigos [2; 3]
demonstram claramente a contribuição fundamental de Poincaré
para a descoberta da teoria da relatividade especial. Tudo o que veio
depois nessa direção foram aplicações e desenvolvimentos de suas
ideias e métodos.
Em 1913, uma coleção das obras de Lorentz, Einstein e
Minkowski sobre a teoria da relatividade especial foi publicada na
Alemanha. Mas os trabalhos fundamentais de H. Poincaré não foram
incluídos nesta coleção. Como isso poderia ser explicado?
Em 1911, o físico francês Paul Langevin publicou dois artigos
sobre a teoria da relatividade: “A Evolução do Conceito de Espaço e
Tempo”; “O Tempo, o Espaço e a Causalidade na Física Moderna”.
Mas nesses artigos, H. Poincaré nem sequer é mencionado, embora
tratem do princípio da relatividade, o grupo de Lorentz, o espaço e o
tempo, determinado pelo intervalo. Em 1920, no artigo de P.
Langevin, “O Desenvolvimento Histórico do Princípio da
Relatividade”, H. Poincaré também não é mencionado. Como pôde
P. Langevin fazer isso?
Em 1935 uma coleção “The relativity principle”, editada pelos
professores V. K. Frederix e D. D. Ivanenko foi publicada, que pela
primeira vez continha trabalhos na teoria da relatividade de Lorentz,
Poincaré, Einstein e Minkowski. No entanto, o primeiro trabalho de
H. Poincaré, “Sobre a Dinâmica do Elétron”, não foi incluído. E
somente em 1973, na coletânea “The relativity principle” (com um
artigo introdutório pelo membro correspondente do Professor D. I.
Blokhintsev da Academia de Ciências da URSS; a coleção foi
compilada pelo Professor A. A Tyapkin), os trabalhos de H. Poincaré
sobre a teoria da relatividade foram apresentados de forma mais
completa, o que permitiu a muitas pessoas apreciar a contribuição
P á g i n a | 160

crucial feita por Poincaré na criação da teoria da relatividade


especial. Algum tempo depois, o acadêmico V. A. Matveev e eu
decidimos reescrever as equações dos artigos de H. Poincaré, “Sobre
a Dinâmica do Elétron” em notações modernas, de modo a facilitar
o estudo desses artigos.
Em 1984, aos 130º aniversário de H. Poincaré, seus artigos “Sobre
a Dinâmica do Elétron”, juntamente com os comentários, foram
publicados Publishing Department of the Joint Institute for Nuclear
Research (Dubna), e, mais tarde, em 1987, foram publicados pelo
Publishing Department of the M.V. Lomonosov Moscow.
Henri Poincaré é uma das personalidades mais raras da história
da ciência. Um grande matemático, especialista em mecânica, físico
teórico; suas obras fundamentais deixaram uma marca brilhante em
muitos campos da ciência moderna. Ele, além disso, possuía o raro
dom de uma visão profunda da ciência como um todo. No início do
século passado (1902-1912) foram publicados vários livros de
Poincaré: “A Ciência e a Hipótese”; “O Valor da Ciência”; “Ciência
e Método”; “Últimos Pensamentos”. Alguns deles foram quase
imediatamente traduzidos para o russo. Esses livros são
maravilhosos tanto no conteúdo quanto na maneira leve,
extremamente brilhante e ilustrativa de apresentação. Eles não se
tornaram obsoletos e, para todos aqueles que estudam matemática,
física, mecânica, filosofia, seria extremamente útil familiarizar-se
com eles. É bastante lamentável que, por várias razões, eles não
tenham sido republicados por um longo tempo. E somente devido
aos persistentes esforços do acadêmico L. S. Pontriadin, eles foram
republicados e tornaram-se disponíveis para os leitores atuais na
Rússia.
Também gostaríamos de observar que alguns livros interessantes
dedicados a vários aspectos e visões “não ortodoxas” da história da
teoria da relatividade foram publicados recentemente no Ocidente
[12].
P á g i n a | 161

10. O princípio da ação estacionária na eletrodinâmica

Muitas equações da física teórica são obtidas exigindo a ação


funcional, denominada, para atingir um extremo. Anteriormente
(Seção 2), o princípio de mínima ação foi aplicado na mecânica,
resultando nas equações de Lagrange. No caso da eletrodinâmica,
também devemos compor a ação para ter sua variação em relação
aos campos que conduzem às equações de Maxwell-Lorentz.
A ação é construída com o auxílio de escalares compostos por
funções do campo e da corrente. Introduzimos tensor do campo
eletromagnético

A A
F   , (10.1)
x  x
que por construção satisfaz a equação

F F F



   0, (10.2)
x x  x
isso é equivalente às equações de Maxwell-Lorentz (8.26).
Precisamos ainda mais dos dois invariantes mais simples
A S  , F F  (10.3)

Aqui Sν é o 4-vetor da corrente (8.9).


A ação procurada terá a forma
1
c
S Ld , (10.4)

L é a densidade da função Lagrangiana, igual a


P á g i n a | 162

1 1
L   A S  F F  , d   dx 0 dx1dx 2 dx3 (10.5)
c 16
Na busca pelas equações de campo, variaremos apenas os potenciais
de campo na ação funcional, considerando as fontes de campo Sν
como dadas.
Então
1 1  1 
S    
c c
S  A  F   F  d   0
8 
(10.6)

Como as variações comutam com diferenciação, obtemos

    
F     A    A   2 F    A (10.7)
 x x  x
Substituindo (10.7) em (10.6) encontramos

1 1  1   
S    
c c
S  A 
4
F
x 
 A  d   0

(10.8)

Integrando no segundo termo por partes e levando em


consideração que as variações de potenciais nos momentos inicial e
final do tempo são zero, enquanto o campo desaparece no infinito,
obtemos

1 1  1 F  
c   c
S      A d   0 (10.9)
4 x  
S

Portanto, devido à arbitrariedade de δAσ, encontramos

F  4

  S (10.10)
x c
P á g i n a | 163

Assim, justifica-se nossa escolha de densidade da função


Lagrangiana (10.5), uma vez que obtivemos exatamente o segundo
par de equações de Maxwell-Lorentz

4 1 E
rot H  S  , div E  4 . (10.11)
c c t
É preciso ter em mente que a escolha da densidade da função
Lagrangiana na ação funcional não é ambígua, no entanto, verifica-
se prontamente que, acrescentando à densidade da função
Lagrangiana um termo adicional na forma de divergência
quadridimensional de um vetor não influencia a forma das equações
de campo. As equações de Maxwell-Lorentz (10.2), (10.10) são
invariantes em relação às transformações de calibre dos potenciais,
f
A  A  (10.12)
x
aqui f é uma função arbitrária.
A densidade do Lagrangiano (10.5) que construímos não é
invariável nas transformações (10.12). Com base na lei de
conservação do atual Sν (8.10), ela varia apenas por divergência,
1 f
L  L   
c x
f S 
(10.13)

que não afeta as equações de campo.


Do ponto de vista da eletrodinâmica clássica, o potencial Aν não
tem sentido físico, uma vez que apenas a força de Lorentz atua sobre
a carga e é expressa pela força do campo E , H . No entanto, na
mecânica quântica, isso não é mais verdade. Acontece que o
potencial vetorial age no elétron em uma determinada situação. Este
é o efeito Aharonov-Bohm. Foi observado em 1960. O experimento
P á g i n a | 164

foi realizado da seguinte forma: foi utilizado um solenóide longo e


estreito, o campo magnético fora do solenóide era zero; no entanto,
o movimento dos elétrons fora do solenóide foi influenciado. O
efeito é explicado pelo solenóide que viola a conexão simples do
espaço-tempo, o que deu origem à influência do potencial Aν, como
deveria ocorrer na teoria quântica de calibre.
Vamos agora encontrar as equações de movimento para partículas
carregadas em um campo eletromagnético. Para obtê-las, é
necessário compor uma ação com uma parte relacionada às
partículas e, também, a parte já conhecida que contém a interação do
campo com as partículas. Como para uma partícula com carga e as
seguintes equações são válidas

dxi
  e  r  r0  , j  e   r  r0  ,
i
(10.14)
dt
temos
1 e
2 
 S A d     A dx (10.15)
c c
A ação de uma partícula em um campo eletromagnético é
e
S  mc  d 
c
A dx (10.16)

Variando sobre as coordenadas das partículas, obtemos

 e e 
 S     mcU d x  A d x   A dx   0 (10.17)
 c c 
Integrando por partes nos dois primeiros termos e ajustando as
variações de coordenadas para zero nas extremidades, obtemos
P á g i n a | 165

 e e 
 S    mcdU  x  dA  x   A dx   0 (10.18)
 c c 
Tendo em conta as relações óbvias
A  A
dA  dx ,  A   x , (10.19)
x  x 
A expressão (10.18) assume a forma

 dU e  A A  


 S    mc     U  d x  0

(10.20)
 d c  x x   
portanto, devido à arbitrariedade da variação δxν ser arbitrária, temos
dU
mc 2  eFU  (10.21)
d
ou
dU 
mc 2  eF U  (10.22)
d
Na forma tridimensional (10.22) assume a forma

d 1 e
mc  v, E (10.23)
dt v2 c
1 2
c

 
 
d  mv
dt   c

  eE  e v  H  (10.24)
v2
 1 2 
 c 
P á g i n a | 166

Vamos calcular a perda de energia para um elétron em movimento


com aceleração. No caso de velocidade de elétrons pequena em
comparação com a velocidade da luz, a perda de energia de radiação
é dada pela seguinte fórmula devido a Larmor:

E 2e2  dv 
2

    . (10.25)
t 3c3  dt 

No sistema de referência em que o elétron está em repouso, esta


fórmula assume a forma

E 2e2  dv 
2

    , (10.26)
t 3c3  dt 0

onde a aceleração é calculada no sistema de referência fornecido.


No sistema de referência fornecido, o momento total irradiado é
zero devido à simetria da radiação:

p i
 0 (10.27)
t
Para encontrar a fórmula para perda de energia de radiação de uma
carga em alta velocidade, é necessário aplicar o grupo Lorentz,
segundo o qual é fácil fazer a transição de um sistema de referência
para outro. Para isso, consideramos o vetor de quatro vetores de
aceleração, que é o seguinte, de acordo com (9.5)

dU  dU 
a  c 2 c (10.28)
d d
Por meio dessa relação e também das fórmulas (9.3) obtemos
P á g i n a | 167

 v dv  dv v  dv 
a0   4  , a 2  v 4 2  v  . (10.29)
 c dt  dt c  dt 
Usando (10.29), achamos invariáveis

 dv   v dv  
2 2

a   a 
0 2 2
         .
6
(10.30)
 dt   c dt  
No restante sistema de referência, temos

 dv 2  v dv 2   dv 2
 6           . (10.31)
 dt   c dt    dt 0
Vamos agora escrever as fórmulas (10.26) e (10.27) na forma
covariante
p 2e 2
2
 dv  
  3   U . (10.32)
 3c  dt 0

Substituindo agora (10.31) nessa relação obtemos

E 2e2 6  dv   v dv  
2 2

          , (10.33)
t 3c3  dt   c dt  

p 2e2 6  dv   v dv  
2 2

  5 v        (10.34)
t 3c  dt   c dt  
A fórmula (10.33) foi derivada primeiro por Liénard em 1898.
As equações de movimento (10.22) em um campo
eletromagnético externo não são responsáveis pela reação da
radiação.
P á g i n a | 168

Portanto, essas equações são válidas apenas para o movimento de


uma partícula carregada em campos fracos. Em 1938, Dirac levou
em consideração as forças de reação, e isso levou à equação

dU 
mc 2  eF U  
d
(10.35)
2  d 2U  
  dU  dU 

 e2   U     ,
3  d 2
 d d  
denominada de equação de Dirac-Lorentz.
Vamos aplicar essas fórmulas ao movimento de uma carga ultra-
relativística com massa m em um campo magnético uniforme
constante forte H. Nós admitimos que o movimento de carga circular
é determinado apenas pela força de Lorentz. Por isso,
negligenciamos pela influência da força da reação no movimento.
Vamos escrever as equações (10.35) na forma de Eqs. (9.12), (9.13):
d
dt
e
 
 m v   v  H  f R ,
c
(10.36)

2e2  d 2U  dU  dU   
fR   2 U    , (10.37)
3  d  d d  
dE 2e2c  d 2U  dU dU   
 2 U  2  U 2      , (10.38)
dt 3  d  d d  
onde E é a energia da partícula.
Como em nossa aproximação, as equações de movimento são as
seguintes
P á g i n a | 169

mc 
dU e

  U H ,
d c
 U, H  0 (10.39)

segue-se daqui que


2
 dU   eH 
2

U 
2
   2  U ,
4
(10.40)
 d   mc 
2
d 2U  eH 
U    2  U 2 , (10.41)
d 2
 mc 

onde U é o comprimento do vetor U . Para partículas ultra-


relativísticas
E
U (10.42)
mc 2
Como U2 ≫ 1, podemos negligenciar o primeiro termo (10,41) em
comparação com o segundo (10,40) na expressão (10,38). Em nossa
aproximação, também podemos negligenciar pelo seguinte termo
2
 dU 0 
U 2
 (10.43)
 d 
no segundo mandato (10,38) devido à sua pequenez em comparação
com (10,40). A expressão (10.38) após levar em conta (10.40) e
(10.42) é a seguinte

dE 2 e4 H 2 E 2
   (10.44)
dt 3 m4c 7
P á g i n a | 170

No que diz respeito ao fato de que, para o movimento de uma carga


sobre o círculo R, ocorre a seguinte equação
E
H (10.45)
eR
podemos reescrever a fórmula (10.44) da seguinte forma
4
dE 2e 2 c  E 
    (10.46)
dt 3R 2  mc 2 

Se a energia dos elétrons e o valor do campo magnético forem


grandes o suficiente, as perdas de energia da radiação síncrotron
tornam-se bastante substanciais. A radiação síncrotron é amplamente
utilizada em biologia e medicina, na produção de esquemas integrais
e assim por diante. Anéis especiais de armazenamento para geração
de raios-X intensos são construídos (ver mais detalhes em: Ya. P.
Terletsky, Yu. P. Rybakov "Eletrodinâmica". Moscou: "Vysshaja
Shkola", 1980 (em russo)).
P á g i n a | 171

11. Movimento inercial de um corpo de prova.


Diferenciação covariante

Em um sistema de referência arbitrário, o intervalo é conhecido


por ter a forma

d 2     x  dx  dx , det        0. (11.1)

A métrica pseudo-Euclidiana γμν é determinada pela expressão


(3.33). Precisamente para essa métrica, o tensor de curvatura
Riemanniano é zero. A ação para um corpo de massa m semelhante
a um ponto de movimento livre m tem a forma

S  mc  d (11.2)

Devido ao princípio da ação estacionária, temos

 S  mc    d   0, (11.3)

  d 2   2d  d       x  dx  dx  
  (11.4)
  x dx dx  2  dx   dx
    

x 
Como

  dx   d  x  (11.5)

da expressão (11.4) encontramos


P á g i n a | 172

1 
  d     U  dx  x     U  d  x  (11.6)
2 x
onde

dx 
U  (11.7)
d
Substituindo (11.6) em (11.3) obtemos

 1   d  x  
 S  mc    U U   x     U   d  0. (11.8)
 2 x

d 

Como

d  x 
  U 

d

d
d
   U  x    x
d
d
 U   , (11.9)

então, considerando as variações nos limites da região como zero,


encontramos

 1     dU      
 S  mc    U U      U U  d x   0.
 2 x

d x 
(11.10)
Representamos o último termo em (11.10) como

  1        

U U      U U (11.11)
x 2  x x 

Com o relato de (11.11), a expressão (11.10) assume a forma


P á g i n a | 173

 1           dU  
  2  x  x   x U U    d  d x  0. (11.12)

Como os fatores δxλ são arbitrários, encontramos

dU  1          
          U U  0. (11.13)
d 2  x x x 

Multiplicando (11.13) por γλν, obtemos

dU 
 U U   0, (11.14)
d
aqui  é o símbolo de Christoffel

               
1 
  (11.15)
2
Vemos que o movimento inercial de qualquer corpo de teste,
independentemente de sua massa, prossegue ao longo da linha
geodésica, determinada pela equação (11.14). É absolutamente
evidente que em coordenadas arbitrárias as linhas geodésicas não
poderiam ser tratadas como linhas diretas, isso é confirmado pela
dependência não linear das coordenadas espaciais xi (i = 1, 2, 3) na
variável de tempo x0. O movimento ao longo de uma linha geodésica
(11.14) no espaço de Minkowski é um movimento livre. Assim,
forças de inércia não podem causar nenhuma deformação por si
mesmas. Sob sua influência, o movimento livre ocorre. A
situação muda quando existem forças de reação que neutralizam
as forças de inércia. Neste caso, a deformação é inevitável. Na
ausência de gravidade, em um satélite, a deformação não existe,
porque, devido ao campo gravitacional ser homogêneo, em cada
P á g i n a | 174

elemento do volume de um corpo a compensação da força da


gravidade pelas forças da inércia ocorre. As forças da gravidade e as
forças da inércia são forças de volume.
As forças físicas são quatro vetores no espaço de Minkowski. Mas
as forças de inércia não são, uma vez que podem ser tornadas iguais
a zero pela transição para um sistema de referência inercial no espaço
de Minkowski.
Agora vamos nos debruçar sobre a questão da diferenciação
covariante. Nas coordenadas cartesianas xλ a diferenciação ordinária,
por exemplo, de um vetor Aν resulta em uma quantidade tensorial

A

 B (11.16)
x
no que diz respeito às transformações lineares. Nas coordenadas
arbitrárias yλ essa propriedade não é conservada e, portanto, a
quantidade ∂Aν/∂yλ não será mais um tensor.
É necessário introduzir o derivado covariante, que fornecerá
novamente a diferenciação de um tensor que produz um tensor. Isso
nos permitirá render facilmente covariantes quaisquer equações
físicas. A covariância não é um requisito físico, mas sim
matemático.
Anteriormente (ver 6.13) vimos que, dos dois vetores Aν, Bν, é
possível construir um invariante
A  x  B  x  . (11.17)

Vamos considerar invariável uma forma particular


A  x  U   x  , (11.18)
onde
P á g i n a | 175

dx 
U  (11.19)
d
satisfaz a Eq. (11.14).
Diferenciando (11.18) em relação a dσ, obtemos também um
invariante (um escalar)

dU 
d
d
 AU     U   A
dA
d d
.

Substituindo a expressão (11.14) na parte direita, encontramos


A
d
d
 AU     U U   U U  A , i. e
x

 A 
d
d
 AU        A U U  ,
 x 
(11.20)

Como (11.20) é invariável, Uλ é um vetor, portanto, a quantidade


A

  A
x
é um tensor covariante de segunda ordem Aλ; α;
DA A
A ;     A (11.21)
x x
Aqui e doravante, o ponto e vírgula denota diferenciação covariante.
Assim, definimos a derivada covariante do vetor covariante Aν.
Agora, definiremos a derivada covariante do vetor contravariante Aν.
Para este fim, escrevemos o mesmo invariante que
P á g i n a | 176

A   U  
d
d
 A  
U    
x 
U U    A 
 

 AU  U   .
x
Substituindo a expressão (11.14) pela parte direita, obtemos

 A    
d
d
 A U     
x 
 A   

 A 
x  
U U . (11.22)

Levando em consideração a definição (11.15), encontramos

A                .
1 
A      A   

 (11.23)
2
Substituindo esta expressão em (11.22) e aplicando a expressão
Uαγαν, em vez de Uν, obtemos

 A 
d
d
 A U       A  U U .

(11.24)
 x 

Como (11.24) é invariante (escalar) e Uν é um vetor, de (11.24),


segue-se que o primeiro fator na parte direita é um tensor.
Portanto, segue-se que a derivada covariante do vetor
contravariante Aν é

DA A
A;  
    A . (11.25)
x x
Utilizando as fórmulas (11.21) e (11.25), também é possível obter as
derivadas covariantes de um tensor de segunda ordem.
A
A ;  
  A   A , (11.26)
x
P á g i n a | 177

A
A;
  

  A   A , (11.27)
x
 A
A  ;  
  A   A . (11.28)
x
Vemos que as regras estabelecidas para (11.21) e (11.25) são
aplicadas independentemente para cada índice do tensor.
Precisamente desta maneira, pode-se obter a derivada covariante de
um tensor de qualquer ordem.
Com o auxílio da expressão (11.26), é fácil mostrar que a derivada
covariante de um tensor métrico é zero,
  ;   0. (11.29)

Aplicando a técnica da diferenciação covariante, pode-se escrever


facilmente as equações da mecânica relativística e da eletrodinâmica
em coordenadas arbitrárias do espaço de Minkowski.
Assim, substituindo a derivada covariante pela ordinária em (9.5),
encontramos a equação da mecânica relativística em coordenadas
arbitrárias

DU   dU  
mc 2  mc 2   U U    F  , (11.30)
d  d 

onde

                
1 
  (11.31)
2
De maneira semelhante, também é possível escrever as equações de
Maxwell-Lorentz em coordenadas arbitrárias. Para esse fim, é
P á g i n a | 178

necessário substituir os derivados covariantes por derivados comuns


nas equações (8.24) e (8.27),
D F  D F  D F  0 (11.32)

4 
D F    S (11.33)
c
Pode-se verificar prontamente, que as seguintes igualdades são
válidas:
F  D A  D A    A   A , (11.34)

D F  D F  D F   F    F   F . (11.35)

Com base em (11.31), encontramos


1 
      (11.36)
2
Mas, como as seguintes igualdades são válidas:

1    1
         ,     , (11.37)
 x   2

[aqui γ = det (γμν) < 0], nós obtemos

1 
      ln  . (11.38)
2 x 
Utilizando (11.27), encontramos

D F    F   

F    F  , (11.39)
P á g i n a | 179

O segundo termo em (11.39) é igual a zero, devido ao tensor Fαν ser


anti-simétrico. Com base em (11.38), a expressão (11.39) pode ser
escrita como

D  
 F     
 F  . (11.40)

Assim, a equação (11.33) assume a forma


4 
1

  
 F   
c
S . (11.41)

As equações de movimento de partículas carregadas podem ser


obtidas substituindo-se os derivados covariantes pelos derivados
comuns em (10.22)

DU 
mc 2
 eF U  . (11.42)
d
Assim, estabelecemos que a transição no espaço de Minkowski das
coordenadas de Galileu em um sistema de referência inercial para
coordenadas arbitrárias é um procedimento matemático simples, se
a diferenciação covariante tiver sido definida.
A propriedade de covariância das equações não tem nada a
ver com o princípio da relatividade. Isso há muito tempo foi
esclarecido pela V.A. Fock [13].
Portanto, não existe um “princípio geral da relatividade”,
como princípio físico.
P á g i n a | 180

12. Movimento relativístico com aceleração


constante. O paradoxo do relógio. Efeito Sagnac

O movimento relativístico com aceleração constante é um


movimento sob a influência de uma força f , que é constante em
valor e direção. De acordo com (9.12), temos

 
 
d v   f  a. (12.1)
dt  v2  m
 1 2 
 c 
Integrando a equação (12.1) ao longo do tempo, obtemos

v
 at  v0 . (12.2)
v2
1 2
c
Ajustando a constante v0 para zero, que corresponde à velocidade
inicial zero, encontramos após o quadrado

1 a 2t 2
 1  . (12.3)
v2 c2
1 2
c
Levando em consideração essa expressão em (12.2), obtemos

dr at
v  . (12.4)
dt a 2t 2
1 2
c
P á g i n a | 181

Integrando esta equação, encontramos

ac 2  a 2t 2 
r  r0   1  2  1 . (12.5)
a2  c 

Como o intervalo ds é

v2
ds  cdt 1  , (12.6)
c2
o tempo próprio dτ para um corpo de teste em movimento é

ds v2
d   dt 1  2 . (12.7)
c c
Considerando (12.3), da equação (12.7) encontramos o tempo total
próprio τ

c  at a 2t 2 
  t0  ln   1 . (12.8)
a  c c2 

A partir desta fórmula, conclui-se que, à medida que o tempo t


aumenta em um sistema de referência inercial, o tempo próprio para
um corpo em movimento flui lentamente, de acordo com uma lei
logarítmica. Consideramos o movimento de um corpo com
aceleração a em relação a um sistema de referência inercial nas
coordenadas de Galileu.
Agora considere um sistema de referência em movimento com
aceleração constante. Permita que os sistemas de referência inercial
e móvel tenham eixos de coordenadas orientados da mesma maneira
e que um deles se mova em relação ao outro ao longo do eixo x.
P á g i n a | 182

Então, se considerarmos que suas origens coincidiram em t = 0, a


partir da expressão (12.5) obtemos a lei do movimento da origem do
sistema de referência que se move relativisticamente com aceleração
constante,

c2  a 2t 2 
x0   1  2  1 . (12.9)
a  c 

Portanto, a fórmula para transformação de coordenadas, quando a


transição é realizada do sistema de referência inercial (X, T) para o
sistema de referência (x, t) movendo-se relativisticamente com
aceleração constante, terá a forma

c2  a 2t 2 
x  X  x0  X   1   1 . (12.10)
a  c2 

A transformação do tempo pode ser definida arbitrariamente. Seja o


mesmo nos dois sistemas de referência
t  T. (12.11)
No caso das transformações (12.10) e (12.11), o intervalo dσ assume
a forma

c 2 dt 2 2a t dtdx
d 
2
2 2
  dx 2  dY 2  dZ 2 . (12.12)
at at2 2
1 2 1 2
c c
Vamos agora passar a lidar com o "paradoxo do relógio".
Considere dois sistemas de referência. Se dois observadores, que
estão nesses sistemas de referência, compararam seus relógios no
momento t = 0 e se afastaram um do outro, e após algum período de
P á g i n a | 183

tempo eles se encontraram novamente em um ponto no espaço, que


horas seus relógios aparecerão? A resposta a esta pergunta é a
solução do chamado "paradoxo do relógio". No entanto, dois
observadores, que estão em sistemas de referência inercial
diferentes, depois de comparar seus relógios em um e no mesmo
ponto do espaço, nunca poderão se encontrar no futuro em qualquer
outro ponto do espaço, porque, pelo menos, um deles teria que
interromper seu movimento inercial e, por algum tempo, passar para
um sistema de referência não inercial. Na literatura científica e
também nos livros didáticos, muitas vezes está escrito que a resposta
a essa pergunta não pode ser dada dentro da estrutura da teoria da
relatividade especial.
Isso é, naturalmente, errado, a questão é resolvida precisamente
dentro da estrutura da teoria da relatividade especial. O ponto é que
os sistemas de referência que se movem com aceleração na
geometria pseudo-euclidiana, ao contrário do ponto de vista de A.
Einstein, não têm nada a ver com o campo gravitacional e, por esse
motivo, a teoria da relatividade geral não é necessária para explicar
o "paradoxo do relógio".
Ilustremos esta afirmação através de uma computação concreta.
Suponha que tenhamos dois relógios idênticos (ideais) no mesmo
ponto de um sistema de referência inercial. Considere que suas
leituras coincidem no momento inicial T = 0. Deixe um desses
relógios sempre descansar no ponto inicial e, portanto, ser inercial.
Sob a influência de uma força aplicada, no momento t = 0, o outro
relógio começa a se mover relativisticamente com uma aceleração
constante a ao longo do eixo x, e continua se movendo até o
momento t = T1, mostrado pelo relógio em repouso. Além disso, a
influência da força no segundo relógio cessa e, durante o intervalo
de tempo T1 ≤ t ≤ T1 + T2, ele se move com velocidade constante.
Depois disso, uma força de desaceleração é aplicada a ele e, sob a
influência dessa força, começa a se mover relativisticamente com
P á g i n a | 184

aceleração constante a e continua a se mover até o instante


t  2T1  T2 , como resultado da qual sua velocidade com respeito ao
primeiro relógio vira zero. Então, todo o ciclo é revertido e o
segundo relógio chega no mesmo ponto, no qual o primeiro relógio
está.
Calcularemos a diferença nas leituras desses relógios no sistema
de referência inercial, no qual o primeiro relógio está parado. Em
virtude da simetria do problema (quatro segmentos de movimento
com aceleração constante e dois segmentos de movimento retilíneo
uniforme), a leitura do relógio em repouso, no momento em que os
dois relógios se encontrarem, será

T  4T1  2T2 . (12.13)

Para o segundo relógio

T   4T1 2T2. (12.14)

Aqui T1 é o intervalo de tempo entre o momento em que o segundo


relógio começou a acelerar e o momento em que a aceleração parou,
medida pelo relógio em movimento. T2 é o intervalo do tempo
adequado do segundo relógio entre a primeira e a segunda
aceleração, durante as quais o movimento do segundo relógio é
uniforme e retilíneo.
Em um sistema de referência inercial, o intervalo para um corpo
em movimento é

v2 t 
ds  cdt 1  . (12.15)
c2

Portanto
P á g i n a | 185

T1
v2 t 
T1   1  2 dt. (12.16)
0
c

Com base em (12.3), obtemos


T1
dt
T1   . (12.17)
a 2t 2
1 2
0

c
Por isso, encontramos

c  aT1 a 2t 2 
T1  ln   1 2 . (12.18)
a  c c 

O movimento do segundo relógio durante o intervalo de tempo
T1  t  T1  T2

devido à Eq. (12.4) prossegue com a velocidade

aT1
v , (12.19)
a 2T 2
1  21
c
e, portanto, de acordo com (12.15), obtemos

T2
T2  , (12.20)
a 2T 2
1  21
c
P á g i n a | 186

Consequentemente, no momento em que os dois relógios atenderem


à leitura do segundo relógio, será

4c  aT1 a 2T 2  2T2
T  ln   1  21  (12.21)
a  c c 
 a 2T 2
1  21
c
Subtraindo (12.13) de (12.21), encontramos

4c  aT1 a 2T 2 
T  T   T  ln   1  21 
a  c c 

  (12.22)
 
1
4T1  2T2   1 .
 a 2T12 
 1  
 
2
c

Pode-se verificar que para qualquer a > 0, T1 > 0, T2 > 0, a


quantidade T é negativa. Isso significa que, no momento em que os
relógios atendem à leitura do segundo relógio, será menor que a
leitura do primeiro relógio.
Agora considere o mesmo processo no sistema de referência,
onde o segundo relógio está sempre parado. Este sistema de
referência não é inercial, uma vez que parte do tempo o segundo
relógio se move com uma aceleração constante em relação ao
sistema de referência inercial relacionado ao primeiro relógio,
enquanto na parte restante do tempo seu movimento é uniforme. Na
primeira etapa, o segundo relógio se move com aceleração constante,
de acordo com a lei (12.9)
P á g i n a | 187

c2  a 2t 2 
x0   1  2  1 .
a  c 

Portanto, neste segmento da jornada, o intervalo no sistema de


referência não inercial, de acordo com (12.12), tem a forma

c 2 dt 2 2a t dtdx
d  2
2 2
  dx 2  dY 2  dZ 2 . (12.23)
at at2 2
1 2 1 2
c c
Neste sistema de referência, o segundo relógio está parado no ponto
x = 0, enquanto o primeiro relógio se move ao longo da linha
geodésica determinada pelas Eqs. (11.14)

dU 
 U U   0,   0,1, 2,3. (12.24)
d
Destas quatro equações, apenas três são independentes, pois a
seguinte relação é sempre válida:

   dx
  U U  1, U  . (12.25)
d
Da expressão (12.23) encontramos

1 at
 00  ,  01   ,  11  1 (12.26)
a 2t 2 a 2t 2
1 2 c 1 2
c c
Da Eq. (12.26) e a seguinte equação
P á g i n a | 188

        ,

Encontramos

at 1
 00  1  01   ,  11   .
a 2t 2 a 2t 2
c 1 1 2
c2 c

Por meio dessas fórmulas e também das Eqs. (11.31) e (12.26) é fácil
ver que existe apenas um símbolo diferente de zero de Christoffel
1
100  3/2
.
 a 2t 2 
c 1  2 
2

 c 

Não precisamos resolver a equação (12.24), apenas aproveitaremos


a relação (12.25)

 00 U 0   2 01U 0U 1  U 1   1,
2 2
(12.27)

Considerando a equação (12.27) (12.26), encontramos uma solução


parcial

at
U1   , U 0  1, (12.28)
2 2
at
c 1 2
c
É fácil que ela também satisfaz as Eqs. (12.24). De (12.28) segue que
P á g i n a | 189

dx1 at
 (12.29)
dt a 2t 2
c 1 2
c
Resolvendo esta equação com as condições iniciais x  0   0 ,
x  0   0 , obtemos

c2  a 2t 2 
x  1  1  2  (12.30)
a  c 

Assim, temos todo o necessário para determinar as leituras de


ambos os relógios até o momento final da primeira etapa de seu
movimento. O tempo adequado dτ do primeiro relógio neste estágio
do movimento, em virtude de (12.29), coincide com o tempo dT do
sistema de referência inercial
ds
d   dT , (12.31)
c
portanto, ao final desta etapa da jornada, a leitura τ1 do primeiro
relógio será T1
 1  T1. (12.32)

Como o segundo relógio está parado em relação ao sistema de


referência não inercial, seu tempo adequado pode ser determinado a
partir da expressão

d    00 dt. (12.33)
P á g i n a | 190

Como a primeira etapa da jornada ocupa o intervalo 0 ≤ t ≤ T1 do


tempo de inércia, no final desse segmento, a leitura τ′1 do segundo
relógio será
T1
c  aT a 2T12 
 1    00 dt  ln  1
 1  (12.34)
0
a  c c2 

No final da primeira etapa da jornada, ao atingir a velocidade

aT1
v , (12.35)
a 2T12
1 2
c
a ação da força aceleradora cessa, isso significa que o sistema de
referência relacionado ao segundo relógio será inercial. O intervalo
neste sistema de referência, de acordo com (12.23), no momento T1,
terá a forma

 v2  2
d  c 1  2  dt  2vdxdt  dx 2  dY 2  dZ 2 ,
2 2
(12.36)
 c 

aqui

aT1
v , (12.37)
a 2T 2
1  21
c
Aproveitando, para a métrica (12.36), da identidade

dx
  U U   1, U  . (12.38)
d
P á g i n a | 191

nós achamos

dx1
 v (12.39)
dt
Tendo em conta (12.39) em (12.36), obtemos
d
d   dt , (12.40)
c
i. e., o tempo, mostrado pelo primeiro relógio nesta fase, coincide
com o tempo
 2  T2 . (12.41)

Como o segundo relógio está parado, sua leitura do tempo


apropriado é

d    00 dt (12.42)

Daí segue
T1 T2
T2
 2    00 dt 
a 2T 2
(12.43)
1  21
T1

c
Devido à simetria do problema, as informações obtidas são
suficientes para determinar as leituras dos relógios no momento em
que eles se encontram. De fato, a leitura do primeiro relógio τ,
determinada no sistema de referência, relacionada ao segundo
relógio, é

  41  2 2 , (12.44)
P á g i n a | 192

que, com base em (12.32) e (12.41), fornece

  4T1  2T2 . (12.45)

A leitura do segundo relógio τ′, determinada no mesmo sistema de


referência, onde o segundo relógio está parado, é

   41  2 2 , (12.46)

que, com base em (13.34) e (13.43), fornece

4c  aT1 a 2T 2  2T2
  ln   1  21  (12.47)
a  c c  a 2T 2
1  21
c
Subtraindo de (12.47) a expressão (12.45), obtemos

4c  aT1 a 2T 2 
       ln   1  21 
a  c c 
  (12.48)
 
1
4T1  2T2   1 .
 a 2T 2 
 1  21 
 c 
Comparando (12.22) e (12.48), vemos que o cálculo realizado no
sistema de referência inercial, onde o primeiro relógio está em
repouso, produz o mesmo resultado que o cálculo realizado no
sistema de referência não inercial relacionado ao segundo relógio.
Assim,
  T  0 (12.49)
P á g i n a | 193

Portanto, não existe paradoxo, uma vez que o sistema de referência


relacionado ao primeiro relógio é inercial, enquanto o sistema de
referência, no qual o segundo relógio está parado, é não inercial.
Precisamente por esse motivo, a desaceleração do segundo
relógio, em comparação com o primeiro relógio, é um efeito absoluto
e não depende da escolha do sistema de referência no qual esse efeito
é calculado.
Os argumentos relativos à relatividade do movimento, que foram
usados anteriormente, neste caso, não podem ser aplicados, uma vez
que os sistemas de referência não são equivalentes.
Qualitativamente, a desaceleração do segundo relógio, em
comparação com o primeiro, pode ser explicada da seguinte maneira.
Sabe-se que em coordenadas arbitrárias o movimento livre de um
corpo de teste prossegue ao longo de uma linha geodésica, i. e a linha
extremal, que no espaço pseudo-euclidiano é a distância máxima
entre dois pontos, se em toda a linha que une esses pontos a
quantidade dσ2 é positiva. No caso, quando escolhemos um sistema
de referência inercial nas coordenadas de Galileu, relacionado ao
primeiro relógio, isso significa que o primeiro relógio descreve uma
linha geodésica, enquanto o segundo relógio, devido à influência da
força, se move ao longo de uma linha diferente do geodésico e,
portanto, diminui a velocidade. O mesmo acontece também quando
o sistema de referência está relacionado ao segundo relógio. No caso
de transição para este sistema de referência, o intervalo muda de
forma. Nesse caso, o primeiro relógio descreve novamente uma linha
geodésica em uma métrica alterada, enquanto o segundo relógio está
parado e, consequentemente, não descreve uma linha geodésica e,
portanto, diminui a velocidade.
Consideramos a influência do movimento acelerado nas leituras
dos relógios e mostramos sua desaceleração. Mas esse efeito diz
respeito não apenas aos relógios, mas a todos os fenômenos físicos
ou, para ser mais geral, a todos os fenômenos naturais. Nesta base,
P á g i n a | 194

os voos interestelares tornam-se fantasticamente fascinantes. Em


1911, Paul Langevin discutiu em um artigo [14] a viagem de um ser
humano em alta velocidade, próxima à velocidade da luz, retornando
posteriormente à Terra. Em princípio, isso é possível, mas ainda
permanece apenas uma fantasia.
Vamos agora prestar atenção ao efeito Sagnac (ver mais detalhes
em: Uspekhi Fiz. Nauk. 1988. Vol. 156, edição 1, pp. 137-143. Em
colaboração com Yu. V. Chugreev). Como é sabido, o efeito Sagnac,
em consonância com o experimento de Michelson, é um dos
experimentos básicos da teoria da relatividade. Mas até agora é
possível ler explicações incorretas desse efeito com a ajuda de sinais
que se propagam mais rápido que a luz ou com a ajuda da
relatividade geral (ver mais detalhes abaixo). Portanto,
consideramos necessário enfatizar mais uma vez a natureza
relativista puramente especial do efeito Sagnac.
Vamos primeiro descrever o experimento de Sagnac. Existem
espelhos situados nos ângulos de um quadrilátero em um disco. Os
ângulos de sua disposição recíproca são tais que o feixe de uma fonte
monocromática após reflexões sobre esses espelhos passa um círculo
fechado e retorna à fonte. Com a ajuda de uma placa
semitransparente, é possível dividir o feixe proveniente de uma fonte
em dois feixes que se movem em direções opostas sobre esse círculo
fechado.
Sagnac descobriu que, se o disco estiver sujeito a rotação, o feixe
com a direção da sua volta coincidindo com a direção da rotação
retornará à fonte mais tarde que o feixe com a volta oposta,
resultando em uma mudança na imagem de interferência a placa
fotográfica. Depois de trocar o sentido de rotação, as faixas de
interferência mudam na direção oposta.
Que explicação foi dada para esse efeito? O próprio Sagnac
obteve um valor teórico para a magnitude do efeito pela adição
P á g i n a | 195

puramente clássica da velocidade da luz com a velocidade linear de


rotação do feixe movendo-se oposto à rotação e subtração
correspondente para o feixe se movendo na direção da rotação. A
discrepância desse resultado com o experimento foi de ordem
percentual.
Essa explicação dos resultados experimentais permaneceu mais
tarde menos invariável ou até se tornou obscura. Como exemplo
típico, apresentamos uma citação retirada do "Óptica" de A.
Sommerfeld:
"O resultado negativo do experimento de Michelson, é
claro, não tem relação com o problema da propagação da
luz em meios rotativos. Para discutir esse problema, deve-
se usar não a teoria especial da relatividade, mas sim a
geral, com seus termos adicionais que correspondem às
forças centrífugas centrífugas mecânicas. No entanto,
tendo em vista que nas experiências a seguir (por Sagnac e
outros. – A. L.) ocorrem apenas velocidades v ≪ c e
somente efeitos de primeira ordem em v / c são importantes,
a teoria da relatividade pode ser totalmente dispensada e
os cálculos podem ser realizada classicamente”
Veremos abaixo que a explicação do efeito Sagnac reside na plena
competência da teoria especial da relatividade e nem a teoria geral
da relatividade nem as velocidades superluminais não são
necessárias, assim como quaisquer outros postulados adicionais.
Consideraremos detalhadamente como calcular a diferença de tempo
entre as chegadas dos dois feixes à fonte no sistema de referência de
descanso inercial. Também faremos isso na rotação com o sistema
de referência não inercial do disco. Os resultados dos cálculos
coincidirão conforme o esperado. Para simplificar os cálculos,
consideraremos o movimento da luz em um guia de luz sobre
P á g i n a | 196

trajetória circular que corresponde ao caso de número infinito de


espelhos no experimento de Sagnac.
Começamos com o caso do sistema inercial de referência. Vamos
expressar o intervalo em coordenadas cilíndricas:

ds 2  c2 dt 2  dr 2  r 2d 2  dz 2 . (12.50)

Seja como foi dito antes que os feixes de luz se movam no plano
z = 0 sobre o círculo de raio r = r0 = const. O intervalo é exatamente
igual a zero para a luz, então obtemos o seguinte

d  t  c
 (12.51)
dt r0

O feixe que se move na direção da rotação é marcado pelo índice "+"


e o feixe que se move na direção oposta é marcado por "-".
Considerando as condições iniciais  +(0) = 0,  −(0) = 2π,
 

encontramos a lei do ângulo  ± dependência dos dois feixes no


tempo t:

c
  t    ,
r0
(12.52)
c
  t   2  .
r0

Os feixes se encontrarão no tempo t1, quando  +(t1) =  −(t1).


 

Substituindo (12.52) obtemos


  t1     t1    .

Tomando o tempo t1 como o tempo inicial e repetindo nossa


argumentação, descobriremos que o próximo encontro de vigas
P á g i n a | 197

ocorrerá exatamente no ponto espacial em que foram emitidas, i. e


no ponto com coordenadas  = 0, r = r0, z = 0.
Enfatizamos que esse resultado não depende da velocidade
angular de rotação do sistema de referência, que é o sistema de
descanso da fonte e dos espelhos.
A lei da dependência da coordenada angular da fonte, por
definição, é a seguinte (para a condição inicial  s(0) = 0):
s  t    t . (12.53)

Portanto, a reunião da fonte com o feixe “+” ocorrerá no tempo


do instante t+ determinado pela condição  s(t+) =  +(t+) − 2π, i. e
2
t  , (12.54)
 c r0   
e com o feixe "−" - no tempo do instante t− determinado pela
condição  s(t−) =  −(t−):
2
t  . (12.55)
 c r0   
Pode parecer da forma das Eqs. (12.54), (12.55) que a velocidade da
luz é aqui anisotrópica e é diferente de c. Mas isso está incorreto. A
velocidade da luz é a mesma para os dois feixes e é igual a c, e o
tempo de retorno diferente à fonte é explicado pelo fato de a fonte
ter se movido a certa distância durante o tempo de propagação dos
feixes (feixe “+”) viajou por distâncias maiores).
Vamos agora encontrar o intervalo de tempo adequado entre as
chegadas dos dois raios para um observador sentado na fonte. Por
definição, é igual a
P á g i n a | 198

st  t
1  1  ds
c st  c t dt
 ds  dt , (12.56)

onde s é o intervalo. Como valor do intervalo após o uso (12.53),


obtemos

 r 2 2 
ds 2  c 2 dt 2  r02 d 2  c 2 dt 2 1  0 2  ,
 c 

onde  2 r02 c 2  1.
Substituindo isso na Eq. (12.56) encontraremos o valor exato do
efeito Sagnac6:
1/2
 r 2 2  4 r02
   1  0 2    t  t   . (12.57)
c 1   r0  c 
1/2
 c  2
 2 2 2

Notemos que, na derivação da Eq. (12.57) usamos apenas


conceitos absolutos de eventos de encontro de feixes (entre si e com
a fonte), e não o conceito de velocidade da luz em relação ao sistema
de referência rotativo
Vamos considerar agora o mesmo processo físico de propagação
de feixes sobre o círculo, um em direção ao outro, girando com
velocidade angular ω sistema de referência não inercial. Para
descobrir a forma do intervalo neste sistema, faremos uma
transformação de coordenadas:

6
No cálculo do efeito Sagnac realista, quando a trajetória do feixe de luz é uma
linha poligonal, é necessário levar em consideração a deformação da centrífuga
devido a forças centrífugas.
P á g i n a | 199

novo  velho   tvelho ,


tnovo  tvelho ,
(12.58)
rnovo  rvelho ,
znovo  zvelho .

Em novas coordenadas, tnovo, rnovo novo e znovo, obtemos (após


rebaixar o índice "novo" por simplicidade) o intervalo da seguinte
forma
 r 2 2  2 r 2
ds 2  1  2  c 2 dt 2  d cdt
 c  c (12.59)
dr 2  r 2 d 2  dz 2 .
Observemos que o tempo t nesta expressão é o tempo de coordenadas
do sistema de referência rotativo.
Depois de considerar as condições iniciais  +(0) = 0,  −(0) = 2π,
 

obtemos:
ct   r0 
  t   1  ,
r0  c 
(12.60)
ct   r 
  t   2  1  0  ,
r0  c 
a primeira reunião dos feixes ocorrerá no tempo t1, quando
  t1     t1  , i. e quando a variável angular será igual a
1   1   r0 c   . Após um raciocínio análogo, concluímos que o
segundo encontro dos feixes ocorrerá "no ângulo"

 r 
2  2 1  0  , (12.61)
 c 
P á g i n a | 200

i. e., na distância angular 2πr0ω/c da fonte. A dependência da


coordenada angular da fonte é trivial  s = const. = 0.
O instante de tempo de coordenada t+ correspondente ao encontro
do feixe “+” com a fonte pode ser encontrado, como antes, a partir
da relação  s (t+) = 0 =  + (t+) – 2π:

2 r0
t  , (12.62)
c   r0

e da mesma forma encontramos o momento t:


2 r0
t  . (12.63)
c   r0

O intervalo de tempo adequado entre dois eventos de chegada dos


feixes no ponto em que a fonte está disposta pode ser calculado com
a ajuda da definição (12.56) e do intervalo (12.59):
1/2
  2r 2 
t
1  ds
   dt  1  2 0    t  t  
c t dt  c 
4 r02
 .
c 1   r02 2 c 2  
1/2
2

i. e., chegamos à mesma expressão (12.57).


Portanto, demonstramos que, para explicar o efeito de Sagnac,
não é necessário modificar a teoria especial da relatividade, nem usar
velocidades superluminais, nem aplicar a teoria geral da relatividade.
Em apenas tem que seguir rigorosamente a teoria especial da
relatividade.
P á g i n a | 201

13. Sobre a velocidade limite

O intervalo para geometria pseudo-euclidiana, em coordenadas


arbitrárias, tem, de acordo com (3.32) e (3.33), a seguinte forma
geral:

d 2     x  dx  dx ,   det      0 (13.1)

O tensor métrico γμν é igual a


3
f  f 
   x      
  ,    1, 1, 1, 1 . (13.2)
 0 x x

Aqui f  são quatro funções contínuas arbitrárias com derivadas


contínuas, que relacionam as coordenadas galileanas com o xλ
arbitrário.
Dependendo do sinal de dσ2, os eventos podem ser identificados
como tipo- tempo

d 2  0 (13.3)
tipo- espaço

d 2  0 (13.4)
e isotrópico

d 2  0 (13.5)
Essa divisão de intervalos é absoluta, não depende da escolha do
sistema de referência.
P á g i n a | 202

Para um intervalo temporal dσ2 > 0, existe sempre um sistema de


referência inercial, no qual é determinado apenas pelo tempo

d 2  c2dT 2 .
Para um intervalo espacial dσ2 < 0 sempre pode ser encontrado
um sistema de referência inercial, no qual é determinado pela
distância entre pontos infinitesimamente próximos

d 2  d 2 , d 2
 dx2  dy 2  dz 2 .

Essas asserções também são válidas no caso de um intervalo finito


σ.
Quaisquer dois eventos, relacionados a um determinado corpo,
são descritos por um intervalo de tempo. Um intervalo isotrópico
corresponde a um campo sem massa de repouso. Vamos ver que
conclusões resultam de um intervalo isotrópico

  dx  dx   00  dx 0   2 0i dx 0 dx i   ik dx i dx k  0
2
(13.6)

Destacamos (14.6) a parte temporal


2
  dxi      i k
c   00 dt  0i
2
    ik  0i 0 k  dx dx  0 (13.7)
 c  00    00 

A quantidade

 0i dxi 1   0 dx  
d   00 dt     (13.8)
c  00 c   00 

deve ser considerado como tempo físico, o qual, como veremos a
seguir, é independente da escolha da variável de tempo. No caso
P á g i n a | 203

geral (sistemas de referência não inerciais), a quantidade dτ não é um


diferencial total, pois as seguintes condições não serão atendidas:

 1    0i 
xi
  00   
c t   00
,


(13.9)
   0i     0k 
  i  .
x k    x   00 
 00  

O segundo termo em (13.7) não é nada, mas a distância quadrada


entre dois pontos infinitesimalmente próximos do espaço
tridimensional, que é independente da escolha de coordenadas
nesse espaço:

d 2
  ik dx i dx k , (13.10)

aqui o tensor métrico do espaço tridimensional, χik, é


 0i 0 k
ik   ik  (13.11)
 00
Com o relato de (13.8) e (13.10), da expressão (13.7) encontramos
2
d
 c. (13.12)
d
As quantidades dℓ e dτ são de caráter local. Nesse caso, o conceito
de simultaneidade perde sentido para eventos em locais diferentes,
porque é impossível sincronizar relógios com o auxílio de um sinal
luminoso, pois depende do caminho da sincronização. A partir de
(13.12), segue-se que o campo em cada ponto do espaço de
P á g i n a | 204

Minkowski, de acordo com as características locais de dℓ e dτ, tem


uma velocidade igual à constante eletrodinâmica c. Essa é a
velocidade limite, que não é possível para partículas com massa em
repouso, pois para elas

d 2  0.
Essa desigualdade é a condição de causalidade. O princípio da
causalidade não está contido nas equações de Maxwell-Lorentz. É
imposto como uma condição complementar natural. Em 1909, H.
Minkowski o formulou como o principal axioma da seguinte
maneira:
“Uma substância encontrada em qualquer ponto do
mundo, dada a definição apropriada de espaço e tempo
(isto é, dada a escolha correspondente do sistema de
referência no espaço Minkowski. - A. L.) pode ser
considerada em repouso. O axioma expressa a ideia de que
em cada mundo aponta a expressão
c2 dt 2  dx2  dy 2  dz 2
é sempre positivo ou, em outras palavras, que qualquer
velocidade v é sempre menor que c”.
H. Poincaré demonstrou o profundo significado físico da
velocidade limitante em seu artigo [1] publicado em 1904, mesmo
antes de seus trabalhos fundamentais [2; 3] Ele escreveu:
≪De todos esses resultados, se fossem confirmados,
proviria uma mecânica inteiramente nova, que seria
sobretudo caracterizada pelo fato de que nenhuma
P á g i n a | 205

velocidade poderia ultrapassar a da luz7, assim como


nenhuma temperatura pode cair abaixo do zero absoluto.
Para um observador, ele mesmo arrastado numa
translação que não percebe, também nenhuma velocidade
aparente poderia ultrapassar a da luz; e essa seria uma
contradição, se não nos lembrássemos de que esse
observador não utilizaria os mesmos relógios que um
observador fixo, mas vários relógios marcando o “tempo
local”≫.
Apenas esses pensamentos de H. Poincaré e seu princípio de
relatividade foram relatados por ele em uma palestra proferida no
Congresso de Arte e Ciência em Saint-Louis (em setembro de 1904)
e encontraram sua realização em artigos [2; 3] Eles sustentam o
trabalho de A. Einstein de 1905.
O sinal de um objeto para outro só pode ser transferido por meio
de uma substância material; Pelo exposto, fica claro que c é a
velocidade máxima para a transferência de interação ou
informação. Como as partículas correspondentes ao campo
eletromagnético - fótons - são geralmente consideradas sem massa,
a quantidade c é identificada com a velocidade da luz. A existência
de uma velocidade máxima é uma consequência direta da geometria
pseudo-euclidiana do espaço-tempo.
Se escolhermos a função f ν em (13.2) de uma maneira especial,
como segue

f 0  x  , f i  xk  , (13.13)

7
Pois os corpos oporiam uma inércia crescente às causas que tendessem a acelerar
seu movimento; e essa inércia se tornaria infinita quando nos aproximássemos da
velocidade da luz.
P á g i n a | 206

então, devido a essa transformação, não deixamos o sistema de


referência inercial.
Nesse caso, o tensor métrico γμν, de acordo com (13.2) e (13.13),
assume a forma
2
 f 0  f 0 f 0
 00   0  ,  0i  0  i , (13.14)
 x  x x

f 0 f 0 3 f f
 ik     . (13.15)
xi x k 1 x  x 
Substituindo os valores dos coeficientes métricos γ00, γ0i de (13.14)
em (13.8) obtemos, levando em conta (3.30) e (13.13),

1  f 0  1 1
d    dx   dx 0  dX 0 . (13.16)
c  x  c c

Vemos que o tempo adequado, neste caso, é um diferencial total,


pois nosso sistema de referência é inercial. Substituindo (13.14) e
(13.15) por (13.11), obtemos
3
f n f n
ik   i  k . (13.17)
n 1 x x
Portanto, considerando (3.30) e (13.13), encontramos

 ik dx dx    df     dX  .
3 3
2 i k n 2 n 2
d (13.18)
n 1 n 1

Em um sistema de referência inercial, existe ambiguidade na


descrição de coordenadas do espaço de Minkowski, dependendo da
escolha das funções (13.13). Esta é a razão da arbitrariedade na
P á g i n a | 207

adoção de um acordo relativo à simultaneidade em diferentes pontos


do espaço. Todos esses acordos são convencionais. No entanto, essa
ambiguidade e, consequentemente, a arbitrariedade na obtenção de
um acordo não influenciam as quantidades físicas. Eqs. (13.16) e
(13.18) mostram que, em um sistema de referência inercial, as
quantidades físicas de tempo (13,8) e distância (13,10) não
dependem da escolha do acordo em relação à simultaneidade. Deixe-
me esclarecer. Nas fórmulas (13.16) e (13.18), dada qualquer
escolha de funções (13.13), apenas surgem as coordenadas
galileanas X0, Xn do espaço Minkowski, que correspondem ao
invariante (3.22). É exatamente isso que remove, nas quantidades
físicas de tempo (13,8) e distância (13,10), a arbitrariedade na
escolha de um acordo convencional relativo à simultaneidade. Além
disso, nenhuma quantidade física pode, em princípio, depender da
escolha deste acordo de simultaneidade. E se alguém escreveu ou
escreve o contrário, isso só atesta a incompreensão dessa pessoa
pela essência da teoria da relatividade. É preciso distinguir entre
quantidades coordenadas e quantidades físicas. Para detalhes sobre
esse problema, consulte a ref. [6]
Vamos demonstrar um exemplo especial específico da convenção
de simultaneidade. Permita que a sincronização dos relógios em
diferentes pontos espaciais seja fornecida pelo sinal de luz com
velocidade c1 na direção paralela ao semi-eixo positivo X e
velocidade c2 na direção do semieixo negativo X. Em seguida, o sinal
enviado de o ponto A no momento tA chegará ao ponto B no
momento tB, que é dado da seguinte maneira

X AB
tB  t A  . (M)
c1

O sinal refletido chegará ao ponto A no momento t A


P á g i n a | 208

X AB
t A  t B  .
c2

Após substituir nesta expressão o valor tB, determinado pela fórmula


(M), obtemos
1 1
t A  t A  X AB    .
 c1 c2 
A partir daqui segue

 cc 
X AB   1 2   t A  t A  .
 c1  c2 

Aplicando esta expressão à Eq. (M) encontramos

c2
tB  t A   t A  t A  .
c1  c2

Então chegamos à sincronização proposta por Reichenbach (ver seu


livro: "A filosofia do espaço e do tempo". Dover Publications, Inc.
Nova York. 1958, p. 127):
t B  t A    t A  t A  , 0    1.

A convenção condicional sobre a sincronização de relógios e,


portanto, sobre a simultaneidade em diferentes pontos espaciais
aceitos por nós corresponde à escolha do intervalo no sistema de
referência inercial da seguinte forma:
P á g i n a | 209

c  c1  c2  0
d 2   dx 0  
2
dx dx 
c1c2
(K)
c2
  dx    dy    dz  .
2 2 2

c1c2

Aqui lidamos com a coordenada temporal t = x0/c e outros valores


de coordenadas.
Os coeficientes métricos do intervalo (K) são os seguintes:

c  c1  c2 
 00  1,  01   ,
2c1c2
(L)
c2
 11   ,  22  1,  33  1.
c1c2
Com a ajuda de Eqs. (13.14), (13.15) e também (L), obtemos
funções de transformação (13.13) para o nosso caso:

x c  c1  c2 
f 0  X 0  x0   ,
2 c1c2
c  c1  c2 
f1  X  x ,
2c1c2
f 2  Y  y, f 3  Z  z.

Derivando do acima as funções de transformação inversa,


calculando com eles os diferenciais dx0, dx e depois substituindo-os
em (K), encontramos

d 2   dX 0    dX    dY    dZ  .
2 2 2 2
(H)
P á g i n a | 210

Portanto, o tempo físico dτ em nosso exemplo é dado da seguinte


forma:
dx c  c
d  dt   1 2 ,
2 c1c2
dX 0  cd ,
e não depende da escolha das funções (13.13), porque é
completamente determinado apenas pelo intervalo (H). Qualquer
alteração nos valores de coordenadas, como (13.13), leva apenas à
alteração da conexão entre o tempo físico e os valores das
coordenadas.
Para qualquer convenção condicional sobre a simultaneidade,
corresponderá uma escolha definitiva do sistema de coordenadas em
um sistema inercial de referência do espaço Minkowski. Portanto,
uma convenção condicional sobre a simultaneidade nada mais é
do que uma escolha definitiva do sistema de coordenadas em um
sistema inercial de referência do espaço de Minkowski.
Uma contribuição importante para a compreensão de algumas
questões fundamentais da teoria da relatividade relacionadas à
definição de simultaneidade em diferentes pontos espaciais foi
fornecida pelo Professor A.A. Tyapkin (Uspekhi Fiz. Nauk. 1972.
Vol. 106, edição 4.).
Agora, voltemos à análise do tempo físico dτ. A quantidade dτ
caracteriza o tempo físico, independente da escolha da coordenada
temporal. De fato, vamos introduzir uma nova variável x , de modo
0

que
x0  x0  x 0 , xi  , xi  xi  x k  . (13.19)

Então, devido ao caráter tensorial da transformação γμν


P á g i n a | 211

x x 
    
   ,
x x
obteremos para o nosso caso
2
 x 0  x 0 x 
 00   00  0  ,  0   0   0 ; (13.20)
 x  x x

da mesma forma
x 
dx  dx . (13.21)
x
Explorando o símbolo delta Kronecker
x  x
    , (13.22)
x x

Nós temos
 0 dx  0 dx
cd   . (13.23)
 00
  00
Podemos ver que o tempo físico dτ não depende da escolha do
sistema de coordenadas em um sistema inercial de referência do
espaço de Minkowski.
O tempo físico determina o fluxo de tempo em um processo
físico; no entanto, a quantidade dτ exibe caráter local em um sistema
de referência não inercial, uma vez que não é um diferencial total e,
portanto, não existe uma variável τ.
Nesse caso, não existe tempo físico exclusivo com linhas
ortogonais ao espaço tridimensional. Num sistema de referência não
inercial, o intervalo dσ é expresso através das grandezas físicas dτ,
dℓ da seguinte forma:
P á g i n a | 212

d 2  c2d 2  d 2 .
Não existem variáveis τ, ℓ neste caso. Aqui surgem quantidades
coordenadas que permitem descrever quaisquer efeitos no espaço e
no tempo no sistema de referência não inercial.
Em um sistema de referência inercial dτ coincide, nas
coordenadas da Galileu, com o diferencial dt, de modo que no espaço
de Minkowski pode-se introduzir um tempo único t. Será físico. A
introdução da simultaneidade para todos os pontos do espaço
tridimensional é uma consequência da geometria pseudo-euclidiana
do espaço quadridimensional dos eventos.
Só se pode falar da velocidade da luz ser constante, a mesma em
todas as direções e idêntica à constante eletrodinâmica c em um
sistema de referência inercial nas coordenadas de Galileu. Em
um sistema de referência inercial, em quaisquer outras coordenadas
admissíveis, a velocidade da luz será a mesma, se o tempo for
definido de acordo com a fórmula (13.8) e a distância pela fórmula
(13.10). Em um sistema de referência não inercial, a constante
eletrodinâmica c é expressa apenas através das quantidades locais dτ,
dℓ. Não existem variáveis τ, ℓ neste caso. Costuma-se escrever que o
princípio da constância da velocidade da luz está subjacente à teoria
da relatividade especial. Isto está errado. Nenhum princípio de
constância da velocidade da luz existe como primeiro princípio
físico, porque esse princípio é uma simples consequência do
princípio da relatividade de Poincaré para todos os fenômenos da
natureza.
Basta aplicá-lo à emissão de uma onda eletromagnética esférica
para se convencer de que a velocidade da luz em qualquer sistema
de referência inercial é igual à constante eletrodinâmica c. Portanto,
essa proposição, tendo apenas papel secundário, como já
observamos (ver as Seções 3 e 9), não subjaz à teoria da relatividade.
Precisamente da mesma maneira, a sincronização de relógios em
P á g i n a | 213

diferentes pontos do espaço também tem um sentido limitado, uma


vez que é possível apenas em sistemas de referência inercial. Não se
pode realizar a transição para sistemas de referência acelerada com
base no princípio da constância da velocidade da luz, porque o
conceito de simultaneidade perde o sentido, pois a sincronização de
relógios em diferentes pontos do espaço depende do caminho da
sincronização. Surge a necessidade de descrever efeitos por meio de
quantidades coordenadas.
Agora, definimos a coordenada velocidade da luz
dxi
v 
i
 v i, (13.24)
dt
aqui ℓi é um vetor unitário que satisfaz a condição
 ik i k
 1. (13.25)
Com a consideração das fórmulas (13.8), (13.10) e (13.25), a
expressão (13.12) assume o seguinte formato
v
 c. (13.26)
v  0i i
 00  
c  00
Portanto, encontra-se a velocidade de coordenadas
 00
v  c . (13.27)
 0i i
1
 00
No caso geral, a coordenada velocidade varia, tanto em valor
quanto em direção. Pode assumir qualquer valor que satisfaça a
condição
0v (13.28)
P á g i n a | 214

Nas coordenadas Galileanas de um sistema de referência inercial,


a velocidade de coordenadas coincide com a velocidade física.
Em um sistema de referência não-inercial arbitrário, para
descrever processos físicos, é possível introduzir um tempo de
coordenada exclusivo no espaço de várias maneiras. Nesse caso, a
sincronização de relógios em diferentes pontos do espaço deve ser
realizada com o auxílio da velocidade de coordenadas. Em sistemas
não inerciais, é necessário usar quantidades coordenadas para
descrever processos físicos, porque neste caso as quantidades físicas
são determinadas apenas localmente.
P á g i n a | 215

14. Precessão de Thomas

Considere uma partícula com seu próprio momento angular (spin)


ν
S . Em um sistema de referência, onde a partícula está em repouso,
seus quatro vetores de momento angular (spin) têm as componentes
 
0, J . Em qualquer sistema de referência inercial arbitrário, temos
a relação
S U  0. (14.1)

Quando uma força f sem torque atua sobre a partícula, a seguinte


relação deve ser válida
dS
 ZU  , (14.2)
d
aqui Uν é o 4-vetor de velocidade; τ é o tempo próprio,

1
d  dt . (14.3)

Se a velocidade Ui não for zero, a quantidade Z pode ser determinada
a partir da relação

dS
d 
d
 S U  
d
dU
U   S  0.
d
(14.4)

Substituindo (14.2) por (14.4), obtemos

 dU  
Z    S , (14.5)
 d 
P á g i n a | 216

o vetor covariante Sμ tem as componentes


S   S 0 , S 1 , S 2 , S 3  . (14.6)

Com conta para Eq. (14.5) a equação de movimento do vetor spin


(14.2) assume a forma
dS  dU   
   S U . (14.7)
d  d 

Nosso objetivo adicional será tentar fornecer os detalhes dessas


equações usando as transformações de Lorentz. Considere uma
partícula de spin J movendo-se com uma velocidade v em um
sistema de referência inercial de laboratório. Nesse caso, o sistema
de referência inercial de laboratório se moverá em relação ao sistema
de referência inercial, no qual a partícula está em repouso, com uma
velocidade v . Aplicando as transformações de Lorentz (4.18) e
(4.19) e levando em consideração o sinal da velocidade, obtemos

v, J  1
S0   , SJ v v, J . (14.8)
c v2
dU 
Os 4-vetores U , têm as seguintes componentes:
d

 v dU   d   dv v d  
U   , ,

 ,    . (14.9)
 c d  d c d c d 
Aplicando (14.6), (14.8) e (14.9), obtemos
P á g i n a | 217

 dU   v , J d
 
S     
 d  c d
(14.10)
  dv v d     1 
        J  2 v v, J .
 c d c d   v 
Os cálculos na parte direita da expressão (14.10) deixarão apenas
os termos obtidos pela multiplicação do primeiro termo entre
colchetes e os dois termos no segundo par de colchetes, enquanto
todos os outros termos serão cancelados mutuamente.

 dU    dv  1 dv 
 S     J,  2 v, J v, . (14.11)
 d  c d v d 

Utilizando (14.8) e (14.11), escrevemos a equação (14.7)


separadamente para a componente zero do 4-vetor de spin Sν e para
sua parte vetorial,

d  dv  2  dv  1 dv 
 J ,     J,  2 v, J v,  , (14.12)
d  d   d v d 

d   1 
J  2 v v, J  
d  v 
(14.13)
 
2
dv  1 dv 
 2 v  J,  2 v, J v, .
c  d v d 

Das equações (14.12) e (14.13) encontramos

d   1  v d
J  2 v v, J   2
d  v  c d

 v, J   0. (14.14)
P á g i n a | 218

Da equação (14.12) encontramos

 1
2
v2
v, J v,
dv
d

d
d
 v, J   2
J,
dv
d
. (14.15)

Agora escrevemos o primeiro termo da equação (14.14) em forma


expandida

dJ 4 dv
 4 v v, J v, 
d c 1   2 d
(14.16)
v 2
 2
d
c 1    d

 v, J   2
c 1   
v, J
dv
d
.

Para o cálculo, levamos em conta as igualdades

 1 2 d  3 dv
 ,  2 v, . (14.17)
v2 c 2 1    d c d

O segundo termo em (14.16) pode ser transformado, aproveitando-


se de (14.15), na forma

4 dv
v v, J v, 
c 4 1    d
2

(14.18)
 2
v d
c 1     d
 v, J   2
J,
dv 
d 
.

Aplicando (14.18), vemos que o segundo termo, juntamente com o


terceiro termo em (14.16), pode ser reduzido à forma
P á g i n a | 219

2
v d

c 2 d

 v, J  c 2
1   
v J,
dv
d
. (14.19)

Com a conta (14.16) e (14.19), as equações (14.14) são reduzidas da


seguinte forma:

dJ 2  dv dv 
 2  v, J  v J ,   0. (14.20)
d c 1     d d 

Usando a fórmula

 
a  b  c  b a, c  c a, b (14.21)

e escolhendo os vetores
dv
a  J, b , c v (14.22)
d
a equação (14.20) é reduzida para a forma

dJ
d

 J  ,  (14.23)
onde
  1  dv 
 v  , (14.24)
v 2  d 
Quando a partícula se move ao longo de uma trajetória
curvilínea, o vetor de spin J passa por uma precessão na direção
 com velocidade angular |  |. Este efeito foi descoberto pela
primeira vez por Thomas [15].
P á g i n a | 220

A equação da mecânica relativística (9.12) pode ser escrita na


forma
dv v
m  f  2 v, f . (14.25)
d c
Considerando essa equação, a expressão (14.24) assume a forma
 1

mv 2
v  f . (14.26)

Assim, uma força sem torque, em virtude da estrutura pseudo-


euclidiana do espaço-tempo, gera a precessão do spin, se sua ação
resultar em um movimento curvilíneo no sistema de referência
inercial dado. No caso, quando a força é direcionada, em um
determinado sistema de referência, ao longo da velocidade da
partícula, nenhuma precessão do spin ocorre. Mas o paralelismo dos
vetores de força f e de velocidade v é violado, quando a transição
é realizada de um sistema de referência inercial para outro. Portanto,
o efeito da precessão, igual a zero para um observador em um
sistema de referência inercial, será diferente de zero para um
observador em algum outro sistema de referência inercial.
P á g i n a | 221

15. As equações de movimento e as leis de


conservação na teoria clássica de campos

Anteriormente, vimos que, com a ajuda da abordagem


lagrangiana, é possível construir todas as equações de Maxwell-
Lorentz. Essa abordagem possui um caráter covariante geral
explícito. Permite obter equações de campo das leis de movimento e
conservação de uma forma geral sem concretização explícita da
função de densidade Lagrangiana. Nesta abordagem, cada campo
físico é descrito por uma função de coordenadas e tempo de um ou
vários componentes, chamada função de campo (ou variável de
campo). Como variáveis de campo, são escolhidas quantidades que
se transformam em relação a uma das representações lineares do
grupo Lorentz, por exemplo, escalar, spinor, vetor ou mesmo tensor.
Além das variáveis de campo, um importante papel é atribuído,
também, ao tensor métrico do espaço-tempo, que determina a
geometria do campo físico, bem como a escolha de um ou outro
sistema de coordenadas, no qual a descrição dos processos físicos é
realizado. A escolha do sistema de coordenadas é, ao mesmo tempo,
uma escolha do sistema de referência. Naturalmente, nem toda
escolha de sistema de coordenadas altera o sistema de referência.
Quaisquer transformações em um determinado sistema de referência
da forma

x0  f 0  x 0 , x1 , x 2 , x3  ,
(15.1)
xi  f i  x1 , x 2 , x3  ,

deixa-nos sempre neste sistema de referência. Qualquer outra


escolha de sistema de coordenadas levará necessariamente a uma
alteração no sistema de referência. A escolha do sistema de
coordenadas é feita a partir da classe de coordenadas admissíveis,
P á g i n a | 222

 00  0,  ik dxi dx k  0, det      0. (15.2)

O ponto de partida do formalismo lagrangiano é a construção da


função de ação. Normalmente, a expressão que determina a função
de ação é escrita da seguinte maneira

L  x 0 , x1 , x 2 , x 3  dx 0 dx1dx 2 dx 3 ,
1
c 
S (15.3)

onde a integração é realizada sobre uma certa região


quadridimensional arbitrária do espaço-tempo. Como a ação deve
ser invariável, a função de densidade Lagrangiana é a densidade de
um escalar de peso +1. A densidade de um escalar de peso +1 é o
produto de uma função escalar e a quantidade  . A escolha da
densidade Lagrangiana é realizada de acordo com vários requisitos.
Uma delas é que a densidade lagrangiana deve ser real.
Assim, a densidade lagrangiana pode ser construída com a ajuda
dos campos estudados,  , o tensor métrico γμν e derivadas parciais
em relação às coordenadas,
L  L  A ,    A ,   ,      . (15.4)

Por simplicidade, assumiremos que o sistema com o qual estamos


lidando consiste em um campo vetorial real. Consideraremos que o
campo Lagrangiano não contém derivadas de ordens mais altas que
a primeira. Essa restrição resulta em todas as nossas equações de
campo sendo de segunda ordem,
L  L  A ,   A ,   ,      . (15.5)

Observe que, se o Lagrangiano for construído, a teoria está


definida. Encontramos as equações de campo a partir do princípio
de mínima ação.
P á g i n a | 223

1 4
c 
S  d x  L  0. (15.6)

A variação δL é
L L
L   A     A  , ou (15.7)
A    A 

L  L 
L   A     A  (15.8)
 A     A  
Aqui, denotamos a derivada variacional de Euler por

L L  L 
     (15.9)
 A A     A  
Ao obter a expressão (15.8), levamos em consideração que

   A     A  (15.10)

Substituindo (15.8) em (15.6) e aplicando o teorema de Gauss


obtemos

1  L  1  L 
L   d d 4x    A   ds   A .
c   A  c     A  

Como a variação do campo na fronteira de  é zero, temos

1  L 
L 
c d d 4x 
  A
  A  0.

(15.11)
P á g i n a | 224

Devido às variações δAν serem arbitrárias, obtemos, com o auxílio


do lema principal do cálculo variacional, a equação para o campo

L L  L 
      0. (15.12)
 A A     A  
Vemos que, se o Lagrangiano for encontrado, então a teoria
foi definida. Além das equações de campo, o método fornece a
possibilidade, também, de obter leis diferenciais de conservação:
forte e fraca. Uma lei de conservação forte é uma relação
diferencial, que é válida em virtude da invariância da ação sob a
transformação de coordenadas. Leis de conservação fracas são
obtidas de leis fortes, se a equação de campo (15.12) for levada em
consideração.
Deve-se enfatizar especialmente que, no caso geral, fortes leis
diferenciais de conservação não estabelecem a conservação de nada,
nem local nem global. Para o nosso caso, a ação tem a forma

S
1 4
c 
 
d xL A ,  A ,   ,     . (15.13)

realizaremos a transformação infinitesimal das coordenadas,

x  x   x , (15.14)

onde δxν é um 4-vetor infinitesimal.


Como a ação é escalar, nessa transformação ela permanece
inalterada e, consequentemente,
1 1
c S   d 4 xL  x    d 4 xL  x   0, (15.15)
c  c

onde
P á g i n a | 225


L  x   L A ,  A  x  ,  
  x  ,    
  x  .

O primeiro termo em (15.15) pode ser escrito como

d
4
xL  x    Jd 4 xL  x , (15.16)
 

onde o jacobiano da transformação

  x0 , x1 , x2 , x3  x


J  det . (15.17)
  x 0 , x1 , x 2 , x3  x 

No caso de transformação (15.14), o jacobiano tem a forma

J  1    x  . (15.18)

Expandindo L′(x′) em uma série de Taylor, temos


L
L  x    L  x    x  . (15.19)
x 
Considerando (15.16), (15.18) e (15.19), reescrevemos a variação
(15.15) como

 L 
d 4 x  L L  x     x  L  x     0;
1
c S 
c  x 
(15.20)

onde denotamos

 L L  x   L  x   L  x 

Essa variação é geralmente chamada de variação de Lie. Comuta


com diferenciação parcial
P á g i n a | 226

 L  v   v L . (15.21)

A variação de Lie da função de densidade Lagrangiana é


L L
LL  x   L A   L  A 
A    A 
(15.22)
L L
  L    L     .
  
     
A seguinte identidade

LL  x  .  x  L  x    0, (15.23)
x 
é uma conseqüência da Eq. (15.20) devido a arbitrariedade do
volume. Foi obtido por D.Hilbert em 1915.
Ao realizar transformações elementares, obtemos

 L L 
cS   d 4 x   L A   L   D J    0, (15.24)
   A   

onde

L L  L 
    ,
           
 
L L
J   L x   L A   L  . (15.25)
   A       
Como Jν é a densidade de um vetor de peso +1, então, de acordo
com (11.25) e (11.28), encontramos
P á g i n a | 227

 J   D J  . (15.26)

onde Dν é uma derivada covariante no espaço-tempo pseudo-


euclidiano. Deve-se ressaltar que as variações δLAλ, δLγμν se originam
da transformação de coordenadas (15.14), para que possam,
portanto, ser expressas através das componentes δxλ.
Vamos encontrar a variação de Lie das variáveis de campo,
devido à transformação de coordenadas. De acordo com a lei de
transformação do vetor Aλ

x
A  x   A  x   ,
x
temos

 x
A  x   x   A  x   A  x  . (15.27)
x 

Expandindo a quantidade A  x   x  em uma série de Taylor,


encontramos
A 
A  x   x   A  x   x . (15.28)
x
Substituindo (15.28) em (15.27) obtemos

A   x
 L A  x     x  A  
x , (15.29)
x x 
ou, na forma covariante

 L A  x    x D A  A D  x , (15.30)
P á g i n a | 228

Agora vamos encontrar a variação de Lie do tensor métrico γμν da


lei de transformação

x  x
  x  
      x 
x x
nós obtemos
  x   x          x       x ,
  (15.31)

portanto, encontramos

 L       x       x   x    . (15.32)

Tendo em conta a igualdade

      

     , (15.33)

escrevemos expressão (15.32) através de derivados covariantes,

 L     D  x    D x . (15.34)

Substituindo expressões (15.30) e (15.34) em ação (15.24), obtemos

 L L
 c S   d 4 x   x  D A  A D  x 
   A  A  
(15.35)
L 
    D  x    D x   D J    0.
  

Nós apresentamos a seguinte nota:


L
T   2 . (15.36)
 
P á g i n a | 229

Como veremos mais adiante, essa quantidade, introduzida pela


primeira vez por Hilbert, é a densidade do tensor do momento-
energia do campo.
Integrando por partes na expressão (15.35) obtemos


  L
 c S   d 4 x  x   D A 
 
   A
 L  
 D  A   D T       (15.37)
  A  
 L 
 D  J   A  x   T     x    0.
  A 

Substituindo na expressão (15.25) pela densidade do vetor Jν os


valores das variações δLAλ (x), δLγμν (x), de acordo com as fórmulas
(15.30) e (15.34), e agrupando os termos em δxν e Dλδxν, obtemos
L
J  A  x      x   
 D  x ,

(15.38)
 A 

onde denotamos
L L
    L  D A  A. (15.39)
   A   A 

Essa quantidade é geralmente chamada de densidade do tensor de


momento de energia canônico, enquanto a quantidade
L L
 
 2    A (15.40)
         A 

é chamada de densidade tensorial de spin.


P á g i n a | 230

Se a função L depender apenas de γμν, Aμ, ∂νAμ, quantidade  


 de

acordo com a Eq. (15.40) pode ser escrito da seguinte forma

 L 
 
 
    A   A
(15.40a)
   

Com base em (15.38), representamos a divergência covariante em


(15.37) como

 L 
D  J   A  x   T  x  
  A 
 x  D T  D     D  x   
  
(15.41)
 T     D     
 D D  x .

Aproveitando essa expressão, a variação da ação (15.37) pode ser


escrita na forma

  L  L  
 c S   d 4 x   x   D A  D  A   D    
    A   A   (15.42)
 D  x    T     D      
 D D  x   0.

Como o volume de integração é arbitrário, segue-se que a função


integrando é zero.

 L  L  
 x   D A  D  A   D    
  A   A   (15.43)
 T     D   D  x    
 D D  x  0.

P á g i n a | 231

Esta expressão volta a zero para δxλ arbitrário independentemente da


escolha do sistema de coordenadas. Precisamente isso permite
estabelecer prontamente que o tensor    é antissimétrico em
relação a ν, λ. Devido à antissimetria da quantidade  
 nos índices

superiores ν, λ obtemos da Eq. (15.40), o seguinte

 L L 
    0.
    A      A  
Resulta do exposto que a função L depende de derivadas, neste caso,
da seguinte maneira

L  F  ,

F  D A  D A .

Este resultado foi obtido por D. Hilbert em 1915. Obviamente, isso


não exclui uma dependência explícita de L na variável Aν.
Em virtude da lei de transformação de tensores, se ela se tornar
zero em um sistema de coordenadas, será igual a zero em qualquer
outro sistema de coordenadas. Daí as identidades a seguir:

L  L 
D    D A  D  A   0 (15.44)
 A     A 

T     D   0,  


    .

(15.45)

Quanto ao último termo em (15.43), ele deve se tornar zero


devido às quantidades  
 serem antissimétricas em relação aos

índices superiores. A partir da antisimetria do tensor de rotação,


segue-se que
P á g i n a | 232

D T  D   . (15.46)

As identidades (15.44) e (15.45) são chamadas de leis fortes de


conservação; são obedecidas em virtude da ação ser invariável sob
transformações de coordenadas. Aplicando relação (15.46),
expressão (15.44) pode ser escrita no formato

L  L 
D T  F  A D  0
 A   A  (15.47)
F  D A  D A .

Se levarmos em conta as equações de campo (15.12), obteremos

D T  0, T     D  , (15.48)

aqui a quantidade   é igual a

L
    L   D A . (15.49)
   A 

A existência de uma lei de conservação fraca do tensor simétrico de


momento-energia fornece a conservação do tensor de momento
angular do campo. Ao definir o tensor de momento angular nas
coordenadas galileus de um sistema de referência inercial

M   x T   x T  (15.50)
é fácil, com a ajuda de (15.48), estabelecer que

  M   0 (15.51)

As leis fracas de conservação que obtivemos para o tensor


momento-energia e para o tensor momento angular ainda não
P á g i n a | 233

testemunham a favor da conservação de momento-energia ou


momento angular para um sistema fechado.
A existência de leis de conservação integral para um sistema
fechado é devida às propriedades do espaço-tempo, a saber, à
existência do grupo de movimentos espaço-tempo. A existência
do grupo de Poincaré (o grupo de Lorentz e o grupo de
traduções) para o espaço pseudo-euclidiano prevê a existência de
leis de conservação de energia, momento e momento angular
para um sistema fechado [6]. O grupo de movimento no espaço-
tempo fornece invariância de forma do tensor métrico γμν do espaço
de Minkowski.
Vamos considerar isso com mais detalhes. A densidade da
substância tensor momento-energia de acordo com a Eq. (15.36) é o
seguinte
L
T   2 , (15.52)
 

L L  L 
     .
     
  , 
Esta densidade tensorial satisfaz a Eq. (15,48)

D T   0 (15.53)

que pode ser escrito da seguinte maneira


1
 T  T   g   0 (15.54)
2
No caso geral, a Eq. (15.53) não poderia ser escrito como uma
igualdade de uma divergência comum para zero e, portanto, não
P á g i n a | 234

demonstra nenhuma lei de conservação. Mas uma expressão da


forma

D A , (15.55)

onde Aν é um vetor arbitrário, é fácil converter em uma forma de


divergência, mesmo no espaço Riemanniano.
Da Eq. (11.25) tem-se

D A    A    A . (15.56)

Por meio da Eq. (11.38) obtém-se

D  
 A      A . (15.57)

Vamos explorar isso abaixo. Multiplique a densidade de momento-


energia pelo vetor ην

T  . (15.58)

De acordo com a Eq. (15.57) obtemos

D T      T   . (15.59)

A quantidade (15,58) já é uma densidade vetorial no nosso caso.


Portanto, não devemos substituir  na Eq. (15,59) Reescrevemos
a Eq. (15.59) da seguinte forma

T  D  D      T   .


1 
(15.60)
2
Após a integração da Eq. (15,60) sobre o volume que contém a
substância que obtemos
P á g i n a | 235


dV T   D  D    0  T   dV .
1

0
(15.61)
2V x V

Se o vetor ην cumpre a equação de Killing


D  D   0, (15.62)

então temos integral de movimento

T  dV  const.
0
(15.63)
V

Já derivamos a Eq. (15.34):

 L     D  x  D  x  . (15.64)

Das Eqs. (15.62), segue-se que, se forem cumpridas, a métrica será


invariável
 L   0. (15.65)

No caso de geometrias pseudo-euclidianas (espaço de


Minkowski). (15.62) pode ser escrito em um sistema de coordenadas
galileu (cartesiano):
      0. (15.66)

Esta equação tem a seguinte solução geral

  a   x ,    , (15.67)

contendo dez parâmetros arbitrários aν, ωμν. Isso significa que


existem dez vetores Killing independentes e, portanto, existem dez
integrais de movimento. Levando
P á g i n a | 236

  a (15.68)

e substituindo isso pela Eq. (15.63), encontramos quatro integrais de


movimento:
1 0
c V
P  T dV  const. (15.69)

Aqui P0 é a energia do sistema e Pi é o momento do sistema.


Tomando o vetor Killing na seguinte forma

   x (15.70)

e substituindo-o na expressão inicial (15.63), obtém-se a seguinte


expressão para o tensor momento angular:

P 
1
cV  T  0 x  T  0 x  dV . (15.71)

As quantidades Pi0 são integrais do centro de massa do movimento


e Pik são integrais do momento angular do movimento.
Em correspondência com a Eq. (15.50) introduzimos a seguinte
quantidade

P   T  x  T  x  dV ,
1
(15.72)
cV
em que
M   T  x  T  x (15.73)
é a densidade do tensor, satisfazendo a seguinte condição

  M   0 (15.74)
P á g i n a | 237

Portanto, estamos convencidos, derivando Eqs. (15.69) e (15.71),


que todas essas dez integrais de movimento surgem na base da
geometria pseudo-euclidiana do espaço-tempo. Nomeadamente, esta
geometria possui dez vetores Killing independentes. Também pode
haver dez vetores de Killing em um espaço Riemanniano, mas
apenas no caso de um espaço de curvatura constante [6].
Observe que as leis de conservação são satisfeitas
automaticamente para uma densidade escalar (Lagrangiana)
arbitrária da forma L(ψλ, ∂σψμ) no espaço Minkowski, que prevê que
a energia do campo seja positiva, se considerarmos apenas as
equações de campo de segunda ordem. Lembro-me especialmente
disso aqui, desde que vi discussões com certos acadêmicos que
trabalham em física teórica, que isso é desconhecido até para eles.
Agora vamos encontrar, como exemplo, o tensor simétrico do
momento eletromagnético de energia do campo. De acordo com
(10.5), a densidade lagrangiana para este campo é
1
Lf    F F  . (15.75)
16
Nós o escrevemos em termos das variáveis Fμν e os coeficientes
métricos
1
Lf    F F     . (15.76)
16
De acordo com (11.37), temos

  1
    . (15.77)
  2

Com a ajuda de (15.77) obtemos


P á g i n a | 238

 L 1
    F F  . (15.78)
  32

∗ indica que a diferenciação é realizada em relação a γμν, presente na


expressão (15.76).
Similarmente

 L 1
  F F 
 
16
(15.79)
     
           .
   

Desde que
  1  
        
 
2

então usando as propriedades antissimetria do tensor Fαβ = −Fβα, nós


obtemos

 L 1
  F F   . (15.80)
 
8

Ao obter (15.78) e (15.80), consideramos as quantidades γμν, γλσ


como independentes.
Como não existem derivadas do tensor métrico na densidade do
campo eletromagnético Lagrangiano, a densidade do tensor
simétrico momento-energia será

L   L   L   
T   2  2     . (15.81)
        
P á g i n a | 239

Da relação

      , (15.82)

encontramos

 
             .
1
(15.83)
  2

Substituindo esta expressão em (15.81), obtemos

L   L   L   
T 
 2  2       . (15.84)
      

Usando as expressões (15.78) e (15.80), encontramos a densidade


do tensor de momento de energia do campo eletromagnético

    1   
T  
4   F F    4  F F  . (15.85)

Portanto, é facilmente verificado que o traço do tensor de


momento de energia do campo eletromagnético se torna zero, i. e

T    T   0.

Vamos agora construir o tensor de momento de energia da


substância. A densidade da massa ou carga conservada é

   0U 0 ,   
 0U   0, (15.86)

devido à Eq. (11.41), em que μ0 é a densidade no sistema de


referência em repouso. A velocidade quadridimensional Uν é
definida pela expressão
P á g i n a | 240

 v dx

U  , v  , v 0  c. (15.87)
  v v  dt

Portanto, é claro que


U U     1.

Tome a variação da expressão (15.86) em relação ao tensor


métrico. A quantidade μ é independente do tensor métrico, portanto,

  U 0  
 0   0  U 0  0, (15.88)
onde
c v v  
 
U  
0
. (15.89)
2   v v  3/2


Das expressões (15.88) e (15.89) encontramos

  1
 0   0 U U    .
2
(15.90)

Como a densidade do Lagrangiano da substância tem a forma

L    0 c 2 , (15.91)

a densidade do tensor de momento de energia da substância pode ser


determinada como
L
t   2 . (15.92)
 

Com base em (15.90) obtemos

t   0 c 2U U  . (15.93)
P á g i n a | 241

Tendo em conta a Eq. (15.86) obtemos no sistema de coordenadas


cartesianas:

U  dx 2 dU

 t   0c 2    c . (15.94)
x ds
0
ds
Vamos reescrever a Eq. (10.22) para densidades de massa e de carga:

dU 
0 c 2  0 F U   f  . (15.95)
ds
Depois de comparar as Eqs. (15.94) e (15.95) temos

f   t . (15.96)

Das Eqs. (8.54) e (15.96), podemos observar que a lei da


conservação do sensor de momento energético para o campo
eletromagnético e as fontes de carga tomadas em conjunto ocorre:

 T  t   0. (15.97)

Como observamos acima, a adição à densidade Lagrangiana de


uma divergência covariante não altera as equações de campo.
Também é possível mostrar [6], que também não altera a densidade
do tensor de momento de energia de Hilbert. Pelo contrário, a
densidade do tensor canônico (15.49) muda. Mas, ao mesmo tempo,
a divergência da densidade do tensor de spin também muda com ela.
A soma da densidade do tensor canônico e da divergência da
densidade do spin permanece intacta.
P á g i n a | 242

16. Espaço de velocidade de Lobachevsky

Lembremos que a lei relativística da composição de velocidades


(ver Eq. (9.26)) tem a seguinte forma:

 v2   u 2 
1  2  1  2 
v 2  c   c 
1 2  2
. (16.1)
c  vu 
1  2 
 c 

Observe que essa expressão é uma consequência direta da existência


dos seguintes invariantes
 u  v 1  uv   inv.

onde  u 1  u 2  ,  v  1  v 2 
1/2 1/2

Esta invariante foi demonstrada primeiro no artigo de H. Poincaré


[3] (ver § 9, Eq. (5)), onde o sistema de unidades é tomado de modo
que a velocidade da luz seja igual a 1.
Daqui resulta que, no espaço-tempo pseudo-euclidiano, o espaço
de velocidade segue a geometria de Lobachevsky.
Para uma apresentação posterior, será mais conveniente
introduzir a seguinte notação:
v  va , v  vb , u  vc , (16.2)
1 va va
cosh a  , sinh a  , tanh a  . (16.3)
v 2
v 2 c
1 a
2
c 1 a
2
c c
Substituindo (16.2) e (16.3) em (16.1) obtemos
P á g i n a | 243

cosh a  cosh b  cosh c  sinh b  sinh c  cos A, (16.4)


A é o ângulo entre as velocidades vb e vc . Na verdade, isso não é
nada, mas a lei dos cossenos para um triângulo na geometria de
Lobachevsky. Expressa o comprimento de um lado de um triângulo
em termos dos comprimentos dos outros dois lados e do ângulo entre
eles. Descobrindo, portanto, cos A e, então, sin A etc., estabelece-se
assim a lei dos senos da geometria Lobachevsky
sin A sin B sin C
  (16.5)
sinh a sinh b sinh c
Abaixo, seguindo Lobachevsky, obteremos a lei dos cossenos
para um triângulo na forma
cos A   cos B cos C  sin B sin C cosh a. (16.6)
Escrevemos (10.4) na forma
cosh a
tanh b tanh c cos A  1  . (16.7)
cosh b cosh c
Da lei de senos (16.5) temos
1 sin A tanh c
  . (16.8)
cosh c sin C sinh a
Substituindo esta expressão em (16.7) encontramos
sin A tanh c
tanh b tanh c cos A  1   . (16.9)
sin C cosh b tanh a
Desta maneira, encontramos a tanh c
tanh a sin C
tanh c  . (16.10)
1
cos A sin C tanh a tanh b  sin A
cosh b
P á g i n a | 244

Com a ajuda da lei dos cossenos, Lobachevsky estabeleceu


posteriormente a identidade
1
1  tanh b tanh c cos A1  tanh a tanh b cos C   . (16.11)
cosh 2 b
Aplicando (16.10), encontramos
1
sin A
1  tanh b tanh c cos A  cosh b . (16.12)
1
cos A sin C tanh a tanh b  sin A
cosh b
A substituição desta expressão na identidade (16.11) produz
1 sin A  sin A cos C tanh a tanh b
 . (16.13)
cosh b cos A sin C tanh a tanh b  1 sin A
cosh b
Levando em conta que
1
1 2
 tanh 2 b, (16.14)
cosh b
Eq. (16.13) assume a forma
tanh b sin C
 cos C  cot A . (16.15)
tanh a cosh b
De maneira semelhante, obtém-se a relação
tanh a sin C
 cos C  cot B . (16.16)
tanh b cosh a
Da lei dos senos temos
1 sin A tanh b
  . (16.17)
cosh b sin B sinh a
P á g i n a | 245

Substituindo esta expressão em (16.15), obtemos


tanh a cos A sin C
1 cos C  . (16.18)
tanh b cosh a sin B
Aplicando expressões (16.16) em (16.18), encontramos
cos A   cos B cos C  sin B sin C cosh a. (16.19)
De maneira semelhante, obtém-se as relações:
cos B   cos A cos C  sin A sin C cosh b,
(16.20)
cos C   cos A cos B  sin A sin B cosh c.
Portanto, o espaço de velocidades na geometria pseudo-
euclidiana é o espaço Lobachevsky.

Para um triângulo retângulo C  , de acordo com (16.4), temos
2
cosh c  cosh a cosh b. (16.21)
Dos teoremas de senos (16.5) e de cossenos (16.4) obtemos
sinh a tanh b
sin A  , cos A  . (16.22)
sinh c tanh c
De acordo com a igualdade óbvia

sin 2 A  cos2 A  1 (16.23)


pode-se, utilizando as expressões (16.22) e (16.21), obter a relação
1
sin 2 A cosh 2 b  cos 2 A  1. (16.24)
cosh 2 a
P á g i n a | 246

Considere, como exemplo [16], o fenômeno da aberração da luz,


i. e., a mudança na direção de um feixe de luz, quando a transição
ocorre de um sistema de referência inercial para outro. Portanto, em
dois sistemas de referência, movendo-se um em relação ao outro, as
direções em direção a uma e a mesma fonte C serão diferentes. Seja
θ e θ′ os ângulos em que a luz da fonte no ponto C é vista a partir de
dois sistemas de referência inercial A e B, movendo-se um em
relação ao outro com uma velocidade v. No espaço de velocidade de
Lobachevsky, construiremos o triângulo ACD (ver Fig. 1), com
ângulo C igual a zero, uma vez que a luz tem a velocidade limite.
Agora, juntamos os pontos A e B por uma linha e baixamos uma
perpendicular à esta linha do ponto C. Ele cruzará a linha no ponto
D. Denotamos a distância do ponto A ao ponto D por x e a distância
do ponto D para B por y.
P á g i n a | 247

Aplicando a um triângulo dado a lei dos cossenos (16.20),


obtemos
1 cos 
cosh x  , sinh x  , (16.25)
sin  sin 
consequentemente

tanh x  cos   cos        cos  , (16.26)

similarmente
tanh y  cos  . (16.27)

De acordo com a fórmula (16.3), tanh (x + y) é a velocidade de um


sistema de referência em relação ao outro em unidades da velocidade
da luz
v tanh x  tanh y cos   cos  
 tanh  x  y    . (16.28)
c 1  tanh x tanh y 1  cos   cos  

Portanto, siga as fórmulas conhecidas para a aberração


v
cos  
cos    c . (16.29)
v
1  cos 
c

v2 sin 
sin    1   . (16.30)
c  v
2

1  cos  
 c 
Aplicando as fórmulas (16.29) e (16.30) obtemos
P á g i n a | 248

 v v2
 cos    cos   1  sin 2 
cos        
2
c c (16.31)
.
v
1  cos 
c
Vamos determinar a distância quadrada entre pontos
infinitesimalmente próximos no espaço Lobachevsky. De (16.1)
encontramos
1
u  v   2 u  v 
2 2

v 
2 c , (16.32)
2
 uv 
1  2 
 c 
v' é a velocidade relativa.
Definindo u  v  dv e substituindo (16.32) encontramos

c 2
 v 2   dv    vdv 
2 2

d v  c
2 2
. (16.33)
c  v2 
2 2

espaço de velocidade Passagem para coordenadas esféricas no


espaço de velocidade
vx  v sin  cos  , v y  v sin  sin  , vz  v cos  , (16.34)

nós obtemos

 c 2 dv 2 
  v2
d v 
2
c 
2

  c 2  v 2 2  c 2  v 2 
 d  sin  d  . (16.35)
2 2 2 

 
Portanto, é evidente que a relação entre o comprimento do círculo
e o raio é
P á g i n a | 249

2
 , (16.36)
v v2
1 2
c
e é sempre maior que 2π.
Agora, apresentemos a nova variável
cv
r , (16.37)
c  v2
2

cujo intervalo se estende de zero ao infinito. Nas novas variáveis


temos

dr 2
d 2
v   r 2  d 2  sin 2  d 2  ; (16.38)
r2
1 2
c
se introduzirmos a variável
r  c sinh Z , (16.39)

nós obtemos

d 2
v  c 2 dZ 2  c 2 sinh 2 Z  d 2  sin 2  d 2  . (16.40)

Geralmente, a métrica espacial da cosmologia é escrita dessa forma,


quando se lida com o universo aberto.
Além disso, abordaremos, de maneira descritiva, certos teoremas
da geometria de Lobachevsky, seguindo o livro de NV Efimov
("Geometria superior" M.: Nauka, 1978 (em russo)) e as palestras
de NA Chernikov realizadas no estado de Novosibirsk Universidade
e publicada como uma pré-impressão em 1965.
P á g i n a | 250

Na geometria Lobachevsky, através do ponto A, que não está na


linha reta a, passa um número infinito de linhas retas, que não
cruzam a linha a, mas nem todas essas linhas retas são consideradas
paralelas à linha a. Seja a uma linha reta no plano e seja um ponto A
fora dele (ver a Fig. 2), b e c são linhas retas da fronteira que não
cruzam a linha reta a. Qualquer linha reta que passa pelo ponto A
dentro do ângulo β também não cruza a linha reta a, enquanto
qualquer linha reta que passa pelo ponto A dentro do ângulo que
contém o ponto B necessariamente cruza a linha reta a. A linha reta
b é chamada de linha reta do limite direito e c, a linha reta do limite
esquerdo. Acontece que essa propriedade é conservada para
qualquer ponto na linha reta b. Precisamente, essa linha reta de limite
b é paralela a a na direção da direita e c, na direção da esquerda.

Assim, duas linhas retas paralelas a podem ser traçadas através de


qualquer ponto: um indo para a direita e outro para a esquerda. Na
geometria Lobachevsky, o teorema da reciprocidade é comprovado:
se uma das duas linhas retas é paralela à outra em uma determinada
direção, a segunda linha reta é paralela à primeira na mesma direção.
De maneira semelhante, é estabelecido que duas linhas retas
paralelas a um terço em uma determinada direção são paralelas uma
P á g i n a | 251

à outra, também, na mesma direção. Duas linhas retas,


perpendiculares a uma terceira linha reta, divergem. Duas linhas
retas divergentes sempre têm uma perpendicular comum, dos dois
lados das quais divergem indefinidamente uma da outra.
Linhas retas paralelas, recuando indefinidamente uma da outra
em uma direção, aproximam-se assintoticamente uma da outra. O
ângulo α é chamado ângulo de paralelismo no ponto A em relação à
linha reta a.
Da lei dos cossenos (16.6) encontramos
1  sin  cosh x.
Ao obter essa expressão, levamos em conta que a linha reta b se
aproxima assintoticamente da linha reta a; portanto, o ângulo entre
as linhas retas aeb é zero. Portanto, obtemos a fórmula de
Lobachevsky

  x   2 arctan e  x ,

onde  é a distância do ponto A à linha reta a. Esta função


desempenha um papel fundamental na geometria Lobachevsky. Isso
não é visto em nossa exposição, porque obtivemos a geometria
Lobachevsky como a geometria do espaço de velocidade.
procedendo da geometria pseudo-euclidiana do espaço-tempo. A
função α(x) diminui monotonamente. A área do triângulo é

S  d 2    A  B  C  , (16.41)

onde d é um valor constante. Abaixo derivaremos esta fórmula. A


partir da fórmula, é evidente que na geometria Lobachevsky não
existem triângulos semelhantes.
Seguindo Lobachevsky, expressamos a função
P á g i n a | 252

cos , onde 2  A  B  C, (16.42)

pelas laterais do triângulo. Aplicando a lei dos cossenos (16.6) e,


também, as fórmulas
A 1  cos A A 1  cos A
sin 2  , cos 2  , (16.43)
2 2 2 2
nós achamos

A sinh  p  b   sinh  p  c 
sin 2  , (16.44)
2 sinh b sinh c

A sinh p  sinh  p  a 
cos 2  , (16.45)
2 sinh b sinh c
aqui p é o semi-perímetro do triângulo
2 p  a  b  c.

Com o auxílio das fórmulas (10.44) e (10.45) obtemos

A B sinh  p  b  C
sin cos  cos , (16.46)
2 2 sinh c 2

B A sinh  p  a  C
sin cos  cos . (16.47)
2 2 sinh c 2
Assim sendo, temos

 a b 
cosh  
A B  2  C
sin  cos . (16.48)
2 c 2
cosh
2
P á g i n a | 253

Aplicando as fórmulas
A B sinh p C
cos cos  sin , (16.49)
2 2 sinh c 2

A B sinh  p  c  C
sin sin  sin , (16.50)
2 2 sinh c 2
nós achamos
 ab
cosh  
A B  2  sin C .
cos  (16.51)
2 c 2
cosh
2
De (16.48) e (16.51) temos

a b
sinh   sinh  
cos  2 2  2  sin C cos C . (16.52)
c 2 2
cosh
2
C C
Substituindo sin cos em (16,52) pelas expressões das Eqs.
2 2
(16.44) e (16.45) encontramos

sinh p sinh  p  a  sinh  p  b  sinh  p  c 


cos  . (16.53)
a b c
2 cosh cosh cosh
2 2 2
De (16.41) temos a igualdade
S
sin  cos . (16.54)
2d 2
P á g i n a | 254

Comparando (16.53) e (16.54) obtemos

S sinh p sinh  p  a  sinh  p  b  sinh  p  c 


sin 2
 . (16.55)
2d a b c
2 cosh cosh cosh
2 2 2
Em nossas fórmulas, os lados a, b, c são quantidades
adimensionais, de acordo com a definição (16.3). Eq. (16,55) é o
análogo da fórmula de Heron na geometria euclidiana. De (16,52) a
expressão para a área do triângulo pode ser escrita, também, na
forma
a b
sinh sinh
S 2 2 sin C.
sin  (16.56)
2d 2 cosh
c
2
A área S é expressa em unidades sem dimensão, pois os lados do
triângulo não têm dimensão. Em nossa exposição, a constante d é a
unidade, com base na lei dos cossenos (16.4).
Da fórmula (16.41), segue-se que na geometria Lobachevsky a
área de um triângulo não pode ser indefinidamente grande, está
restrita à quantidade d2π. Assim, admitir a existência de um triângulo
de área indefinidamente grande é equivalente ao axioma do
paralelismo de Euclides. As áreas dos polígonos podem ser
indefinidamente grandes na geometria Lobachevsky. A área de um
triângulo esférico na geometria euclidiana é

S  R2  A  B  C   . (16.57)

aqui R é o raio da esfera. Comparando esta expressão com a fórmula


(16.41), vemos que a fórmula (16.41) pode ser derivada da fórmula
P á g i n a | 255

(16.57), se o raio da esfera for escolhido para ser imaginário e igual


ao valor R = id. Essa circunstância já foi observada por Lambert.
Se for introduzidas as variáveis

vx vy vz
x , y , z , (16.58)
c c c
portanto, a fórmula (16.33), para a geometria Lobachevsky, no plano
x, y assume a forma

1  y    dx 
2 2
 2 xydxdy  1  x 2    dy 
2

d v  c
2 2
, (16.59)
1  x 2
y 
2 2

as quantidades x, y são chamadas coordenadas de Beltrami na


geometria Lobachevsky.
Passando para novas variáveis ξ, η com o auxílio de fórmulas
tanh 
x  tanh  , y , (16.60)
cosh 

e calculando os diferenciais
d 1 tanh 
dx  , dy  d  sinh  d ,
cosh 2  cosh  cosh 
2
cosh 2 

ao executar os cálculos necessários, encontramos

d v   c 2  cosh 2  d  2  d 2  .
2
(16.61)

A rede de linhas de coordenadas


  const ,   const , (16.62)
P á g i n a | 256

é ortogonal. A área do triângulo nessas variáveis é

S   cosh  d d . (16.63)


Para calcular a área de um triângulo pela fórmula (16.63), é


necessário encontrar a linha geodésica (extremal) na geometria
Lobachevsky nas coordenadas ξ, η. Para esse fim, tiraremos proveito
do princípio da ação estacionária.
O comprimento é
2
L   ds   cosh  d  d   d cosh 2    2  1. (16.64)
2 2 2

1

Portanto, a curva extremal é encontrada de acordo com a condição


2
   cosh 2       d
L  
 cosh 2    2  1
 d  0,  
d
. (16.65)
1

A variação δ comuta com diferenciação, i. e

       ' (16.66)

levando isso em conta e integrando por partes da integral (16.65)


obtemos

d  cosh 2     
2
 L    d    0. (16.67)
d  cosh 2    2  1 
1  
Aqui, é levado em consideração que as variações δξ nos pontos
limites da integração são zero.
Da igualdade (16.67), como à variação δξ ser arbitrária, segue-se
P á g i n a | 257

d  cosh 2     
   0. (16.68)
d  cosh 2    2  1 
 
Portanto, encontramos a equação para a linha geodésica

cosh 2    
 c. (16.69)
cosh 2    2  1

linhas geodésicas, como as mais curtas da geometria Lobachevsky,


são linhas retas nela. Resolvendo essa equação, obtemos
d
  0  c  . (16.70)
cosh  cosh 2   c 2

Alterando a variável de integração


u  tanh , (16.71)

nós achamos
cdu dv
  0        arcsh v. (16.72)
1  c   c u
2 2 2
1  v2

Onde
cu
v . (16.73)
1  c 2 
É adequado tomar para a variável c a seguinte notação:
c  sin  . (16.74)
Desse modo, a equação de uma linha geodésica tem a forma
P á g i n a | 258

sinh    0    tan   tanh  . (16.75)

Vamos agora construir um triângulo no plano ξ, η (Fig. 3). As


linhas AB e AC são linhas geodésicas que passam pelo ponto (ξ0, 0).
Os ângulos A1 e A2 são inferiores ao ângulo de paralelismo α:
A  A1  A2 .

Na expressão (16.75), encontramos a derivada da linha geodésica AC


no ponto ξ0
 0   tan  2 . (16.76)

Portanto, e do ALP temos


2   A2 , (16.77)
2

Da mesma forma, do AKP, também encontramos para a linha


geodésica AB
P á g i n a | 259


1   A1. (16.78)
2
Assim, a constante c para cada geodésica é expressa através dos
ângulos A1, A2. As linhas geodésicas AB e AC cruzam o eixo η nos
pontos 10 ,  20 .
De acordo com (16,63), a área do triângulo ABC é
0  2   0
S   d
0

1  
cosh   d  0   sinh    sinh   d .
0
2 1

(16.79)
Aproveitando a expressão (16,75), encontramos

sinh   0 
sinh    . (16.80)
cos   cosh 2   0 
2

Por isso, encontramos

sinh   0 
sinh 2     , (16.81)
sin 2 A2  cosh 2   0 

sinh   0 
sinh 1    . (16.82)
sin 2 A1  cosh 2   0 

Então, os pontos de interseção das linhas geodésicas com a linha


reta η (ξ = 0) são
sinh 0
sinh 20    , (16.83)
sin 2 A2  cosh 2 0
P á g i n a | 260

sinh 0
sinh 10     . (16.84)
sin 2 A1  cosh 2  0

Da lei de senos (16.5) temos

sin A1
sin B  sinh 0  . (16.85)
sinh 10

Substituindo nesta expressão o valor de η0 1 (16,84) obtemos

sin B  1  sin 2 A1 cosh 2  0 , cos B  sin A1 cosh 0 . (16.86)


Similarmente
cos C  sin A2 cosh 0 . (16.87)

Introduzindo a variável
u  cosh    0  (16.88)

na integral (16,79), obtemos

cosh 0 
 1 1 

S    2

sin 2 A2  u 2
 du. (16.89)
 sin A1  u
 
2
1 

Daí segue que

S  arcsin  sin A1 cosh 0  


(16.90)
 arcsin  sin A2 cosh 0    A1  A2 

Levando em consideração (16,86) e (16,87), obtemos


P á g i n a | 261

S  arcsin  cos B   arcsin  cos C   A. (16.91)

Por fim, temos


S    A  B  C. (16.92)

Obtivemos a expressão para a área de um triângulo S na


geometria Lobachevsky, que utilizamos anteriormente (16.41) para
encontrar a fórmula (16.55).
Do exposto, vimos que a geometria Lobachevsky, criada por ele
como uma “geometria imaginária”, se tornou uma parte composta da
física dos movimentos relativísticos, como a geometria do espaço de
velocidade.
A descoberta de Lobachevsky teve um grande impacto no
desenvolvimento de várias partes da matemática. Assim, por
exemplo, o matemático francês G. Hadamard, no livro "Geometria
não-euclidiana", na seção dedicada à teoria das funções
automórficas, observou:
“Esperamos ter conseguido mostrar como a descoberta
de Lobachevsky permeia toda a notável criação de
Poincaré, para a qual serviu, pela ideia do próprio
Poincaré, como base. Temos certeza de que a descoberta
de Lobachevsky terá um grande papel, também, nos
estágios posteriores do desenvolvimento da teoria que
consideramos.”
Beltrami levantou a questão: "É possível realizar a planimetria
de Lobachevsky na forma de uma geometria interna de uma
determinada superfície no espaço euclidiano?" Hilbert mostrou que,
no espaço euclidiano, não existe superfície, que é isométrica para
todo o plano Lobachevsky. No entanto, parte do plano da geometria
Lobachevsky pode ser realizada no espaço euclidiano.
P á g i n a | 262

Problemas e exercícios

Seção 2
2.1 Uma carga elétrica está em um elevador em queda. Emite ondas
eletromagnéticas?
2.2 Uma carga está em um estado de ausência de gravidade em uma
nave espacial. Irá irradiar?

Seção 3
3.1 Deixe o tensor métrico do espaço de Minkowski em um sistema
de coordenadas não inerciais ter a forma γμν (x). Mostre que existe
um sistema de coordenadas x′, no qual o tensor métrico tem a mesma
forma γμν (x′) e que as transformações não lineares relacionadas a
esses sistemas constituem um grupo.

Seção 4
4.1 A declaração a seguir está correta: “Em um sistema de referência
móvel (com velocidade constante v), o tempo flui mais lento do que
em um sistema de referência em repouso”?
4.2 A contração de Lorentz de uma haste (4.13) é real ou aparente?
4.3 É possível, usando o efeito da contração de Lorentz, obter uma
alta densidade de substância acelerando uma haste?

Seção 8
8.1 A carga elétrica de um corpo é independente da escolha do
sistema de referência. Com base nessa afirmação, encontre a lei de
transformação da densidade de carga, quando ocorrer a transição de
um sistema de referência inercial para outro.
P á g i n a | 263

8.2 Com o auxílio das transformações de Lorentz, encontre o campo


de uma carga em movimento uniformemente acelerado.

Seção 9
9.1 Três pequenos foguetes espaciais A, B e C estão flutuando
livremente em uma região do espaço distante de outra matéria, sem
rotação e sem movimento relativo, e B e C são equidistantes de A.
Quando um sinal é recebido de A, os motores de B e C estão ligados
e começam a acelerar sem problemas. Que os foguetes B e C sejam
idênticos e tenham programas idênticos de aceleração. Suponha que
B e C tenham sido conectados desde o início por um fio fino. O que
acontecerá com o fio? Será que vai romper ou não? (Problema de J.
Bell)
9.2 Deixe que algum dispositivo emita energia eletromagnética com
potência de 6000 Watt em uma direção definida. Que força é
necessária devido ao recuo para manter o dispositivo em repouso?

Seção 10
10.1 Aplicando o princípio da ação estacionária, obtenha a seguinte
fórmula para a força de Lorentz:

 
f   E  c v  H ,

onde ρ é a densidade da carga elétrica.

Seção 11
11.1 Uma carga, movendo-se ao longo de uma linha geodésica em
um sistema de referência de aceleração uniforme, irradia?
11.2 Uma carga, movendo-se ao longo de uma linha geodésica em
um sistema de referência não inercial arbitrário, irradia?
P á g i n a | 264

11.3 Uma carga que está em repouso em um sistema de referência


não inercial irradia?
11.4 Um elevador, cuja corda foi rasgada, representa um sistema de
referência inercial?

Seção 12
12.1 Encontre a geometria do espaço em um disco, girando com uma
velocidade angular constante ω.
12.2 Considere um astronauta em uma nave espacial movendo-se
com aceleração constante a uma distância da Terra. Ele poderá
receber informações do Centro de Controle durante sua viagem?

Seção 16
16.1 Encontre uma superfície na geometria Lobachevsky, na qual a
planimetria euclidiana é realizada.
16.2 Explique a precessão de Thomas com o auxílio da geometria
Lobachevsky.
16.3 Existe um triângulo na geometria Lobachevsky, cujos ângulos
são iguais a zero?
16.4 Encontre a área de um triângulo em uma esfera de raio R na
geometria euclidiana.
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Bibliografia

1. Poincaré, H. The present and future of mathematical physics.


Talk to Congress of arts and science at Saint-Louis (September
1904) // Bulletin des Sciences Mathematiques. December
1904. Vol. 28, Ser. 2. P. 302; The Monist. January 1905. Vol.
XV, No. 1.
2. Poincaré, H. Sur la dynamique de l’électron // Comptes
Rendues. 1905. Vol. 140. P. 1504; Logunov. A. A. On the
articles by Henri Poincaré ON THE DYNAMICS OF THE
ELECTRON. Publishing Department of the Joint Institute for
Nuclear Research. Dubna. 1995.
3. Poincaré, H. Sur la dynamique de l’électron // Rendiconti del
Circolo Matematico di Palermo. 1906. Vol.XXI. P. 129;
Logunov, A. A. On the articles by Henri Poincaré ON THE
DYNAMICS OF THE ELECTRON. Publishing Department
of the Joint Institute for Nuclear Research. Dubna. 1995;
Veja também a tradução em francês:
Anatoly A. Logunov. Sur les articles de Henri Poincaré “Sur la
dynamique de l’électron”. Le texte fondateur de la Relativité,
em langage scientifique moderne. (Traduction française par
Vladimir Petrov et Christian Marchal). ONERA Pub. 2000-1.
4. Minkowski, H. Raum und Zeit // Phys. Zs. 1909. B. 10. S. 104.
5. Logunov, A. A. THE THEORY OF GRAVITY. Moscow.
NAUKA. 2001; Logunov A. A. The Theory of Gravity, gr-
qc/0210005, 2002.
6. Logunov A. A. LECTURES IN RELATIVITY AND
GRAVITATION. PERGAMON PRESS. 1990.
P á g i n a | 266

7. Einstein A. Ideas and Opinions. Crown Publishers Inc. 1954.


P. 288.
8. Mandel’stam L. I. Lectures in optics, relativity theory and
quantum mechanics. M.: Nauka. 1972. P. 218. (em Russo)
9. Einstein A. The Collected Papers Albert Einstein. English
translation. Princeton University Press. 1996. Vol. 4. Doc. 13.
10. Einstein A. The Collected Papers Albert Einstein. English
translation. Princeton University Press. 1996. Vol. 4. Doc. 16.
11. Einstein A. Ideas and Opinions. Crown Publishers Inc. 1954.
P. 283.
12. Auffray J.-P. Einstein et Poincaré. Sur les traces de relativité.
Éditions Le Pommier. Paris. 1999;
Bjerknes C. J. Albert Einstein: The Incorrigible Plagiarist.
XTX Inc. Downers Grove. 2002;
Leveugle J. La Relativité, Poincaré et Einstein, Planck, Hilbert.
Histoire veridique de la Théorie de la Relativité. Éditions
L’Harmattan. Paris. 2004.
13. Fock V. A. Theoriya prostranstva, vremeni i tyagoteniya. M.:
Gostekhizdat. 1961 (em Russo);
Tradução inglesa: V. Fock. The Theory of Space, Time and
Gravitation. Pergamon Press. 1964.
14. Langevin P. // Scientia. 1911. 10, 31.
15. Thomas L.H. // Nature. 1926. 117, 514.
16. Smorodinsky Ya. A. The Lobachevsky geometry and Einstein’s
kinematics // Einstein collection. M.: Nauka. 1972. P. 290 (em
Russo).
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Posfácio

Quem deveria escrever sobre história da ciência? A resposta


óbvia, mas nem sempre posta em prática é: um historiador da ciência.
Com raríssimas exceções, obras que visam o status de histórica e são
escritas por não historiadores, costumam a prestar um desserviço e
contribuem para propagação de mitos e anacronismos. A. A.
Logunov não foi um historiador, mas um proeminente físico teórico
russo, contudo não tenho dúvidas que ele pertença ao grupo seleto
das raríssimas exceções.
Quando iniciei minha pesquisa histórica sobre Henri Poincaré,
minha revisão de literatura secundária levou ao livro de Logunov.
Chamou minha atenção existir um livro avançado de relatividade
cujo enfoque são os trabalhos de Poincaré. Ao estudar sua obra fiquei
impressionada como autor, mesmo sem ser historiador, faz um
trabalho historiográfico impecável, apresentando uma leitura e uma
narrativa sincrônica e diacrônica. Logunov responde as diversas
críticas a Poincaré recorrendo as fontes primárias e apresenta as
consequências da nova mecânica (relatividade) sempre indicando
suas relações com os trabalhos de Poincaré. Nesse sentido o livro
transcende seu objetivo de ser um curso avançado de relatividade
que resgata as contribuições de Poincaré, mas também se torna um
exemplar raro de curso de história e historiografia.
A inspiração de Logunov é bastante curiosa e surgiu da física
dura: incomodado com o fato da Teoria da Relatividade Geral violar
os princípios de conservação do momento e da energia, Logunov e
seu grupo de pesquisa buscavam uma alternativa a relatividade que
preservasse os principais resultados da TRG, fosse localmente
compatível com a Teoria da Relatividade Especial, estruturasse no
conceito de espaço curvo e ainda conservasse o momento e a energia.
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Essa busca levou Logunov a buscar as obras que originaram a


relatividade especial e geral. Nessa pesquisa Logunov se deparou,
além de Einstein, com Lorentz, Hilbert, Minkowski, Planck e,
principalmente Poincaré. Ao ler os trabalhos de Poincaré e comparar
com os trabalhos de Einstein e as visões populares entre acadêmicos
de físico, Logunov descobriu que em Poincaré já se encontrava toda
a relatividade, e até resultados que foram negligenciados por
Einstein e apareceriam em trabalhos posteriores de outros físicos.
Logunov passou a admirar a Poincaré e sentiu a necessidade de fazer
justiça histórica a esse personagem, tão importante, mas olvidado
pelos seus contemporâneos.
Essa atividade foi duplamente proveitosa: inspirado por Poincaré
e absorvendo a essência do princípio da relatividade, Logunov e seus
colegas foram capaz de elaborar o seu modelo alternativo: a Teoria
Relativística da Gravitação. Em linhas gerais, a nova teoria é uma
extensão da relatividade especial, mas incluindo a gravitação. A
Teoria da Relatividade Geral não pode alegar do status de extensão
já que diversos princípios da relatividade especial são perdidos,
enquanto a teoria relativística preserva todos eles. Infelizmente, a
Teoria Relativística da Gravitação ainda é pouca difundida.
O segundo resultado desta atividade foi a tarefa historiográfica
empreendida por Logunov, evitando os anacronismos e fazendo uma
síntese rigorosa, que até os historiadores alcançam com certa
dificuldade e depois de anos de experiência acadêmica. O resultado
é esse livro que o leitor tem em mãos.de tudo, em queLogunov nos
provoca e cumpre a missão dos historiadores de “dizer à sociedade
contemporânea algumas coisas das quais ela poderia se beneficiar,
ainda que hesite em aprendê-las.” (Eric Hobsbawm, Sobre História).

Ayni R. Capiberibe

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