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APOSTILA DE LÓGICA

Elaboração:
Renato A. T. Mendes

Araçatuba-SP
2019
6

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Exemplo de Tabela Verdade .................................................................... 11


Tabela 2 – Tabela Verdade com o conetivo “e” ........................................................ 13
Tabela 3 – Tabela Verdade com o conetivo “ou” inclusivo ...................................... 13
Tabela 4 – Tabela Verdade com o conetivo “ou” exclusivo ..................................... 14
Tabela 5 – Tabela Verdade da Condicional............................................................... 17
Tabela 6 – Operador bicondicional ............................................................................ 18
Tabela 7 – Negação de proposições compostas .......................................................... 20
Tabela 8 – Tautologia .................................................................................................. 29
Tabela 9 – Contradição................................................................................................ 29
Tabela 10 – Contigência .............................................................................................. 30
Tabela 11 – Tabela Verdade com o Operador Bicondicional .................................. 34
Tabela 12 – Representação de duas proposições equivalentes através da Tabela-
verdade .......................................................................................................................... 35
Tabela 13 – Equivalências notáveis ............................................................................ 35
Tabela 14 – Tabela Verdade com os Argumentos Formais...................................... 39
Tabela 15 – Verdade 2 com os Argumentos Formais ............................................... 39
Tabela 16 – Verdade sobre a Validade de um argumento ....................................... 40
Tabela 17 – Verdade 2 sobre a Validade de um argumento .................................... 41
Tabela 18 – Tabela Verdade sobre Modus Ponens ................................................... 42
Tabela 19 – Tabela Verdade sobre Modus Tollens ................................................... 43
Tabela 20 – Tabela Verdade sobre Silogismo Disjuntivo ......................................... 44
Tabela 21 – Tabela Verdade sobre Silogismo Hipotético ......................................... 44
Tabela 22 – Tabela Verdade sobre Conjunção ......................................................... 45
Tabela 23 – Tabela Verdade sobre Adição ................................................................ 45
Tabela 24 – Tabela Verdade sobre Simplificação ..................................................... 46
Tabela 25 – Segunda Tabela Verdade sobre Simplificação ..................................... 46
Tabela 26 – Tabela Verdade sobre Dilema Construtivo........................................... 47
Tabela 27 – Regras básicas de inferência................................................................... 48
7

SUMÁRIO

1 PROPOSIÇÕES, CONECTIVOS E VALORES LÓGICOS ............................... 8


2 OPERAÇÕES LÓGICAS SOBRE PROPOSIÇÕES ............................................ 11
3 CONSTRUÇÃO DE TABELA-VERDADE ........................................................... 24
4 TAULOGIA, CONTRADIÇÃO E CONTIGÊNCIA ............................................ 29
5 IMPLICAÇÃO LÓGICA E EQUIVALENCIA LÓGICA ................................... 34
6 ARGUMENTOS FORMAIS E REGRAS DE INFERÊNCIA ............................. 37
7 REFERÊNCIAS ........................................................................................................ 53
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1 PROPOSIÇÕES, CONECTIVOS E VALORES LÓGICOS

1.1 Proposição
Proposição é toda sentença declarativa que admite apenas um dos dois possíveis
valores-verdade (verdadeiro ou falso).
Exemplo:
1. Os gatos não voam.
2. Qual o seu nome?
3. Não se esqueça de estudar.
4. Feliz aniversário!
5. Curitiba é capital do Paraná.
6. 1 + 2 = 7.
7. Ana é fisioterapeuta.
8. Ele é médico.
9. 7 – 2.
10. Quero café!
11. Você não gosta de mim?
12. X > 10.

Das sentenças acima citadas, as numeradas com os valores 2,3,7,8,9,10,11 e 12 não


possibilitam que sejam assumidas com um dos dois possíveis valores-verdade
(verdadeiro ou falso), não há sentido em classifica-las, devido a sentença analisada
ser interrogativa, exclamativa, imperativa ou sentença aberta.

1.2 Paradoxo
É uma sentença declarativa que assume os dois valores lógicos (verdadeiro e falso)
de forma simultânea.

Exemplo:
Analise a sentença: essa sentença é falsa.

Ela poderia ser classificada como verdadeira ou falsa? Se a classificarmos como


verdadeira, iremos concluir que ela é falsa. Por outro lado, se a classificarmos como
falsa iremos concluir que ela é verdadeira.
9

Analise a sentença: sou mentiroso.

Verifica-se que a mesma também assume a condição de paradoxo por ser uma
sentença contraditória, se por exemplo a frase é verdadeira, e coloquemos um sujeito
chamado José na frase, então é verdadeiro que José é mentiroso, pois é isto que ele
assume. Porém, se José fosse realmente mentiroso, jamais afirmaria que é mentiroso.
Por outro lado, se a sentença é falsa, então é falso que José é mentiroso, mas se ele
não é mentiroso então não deveria mentir. De uma forma geral:

 A frase é falsa, se e somente se, ela é verdadeira;


 A frase é verdadeira, se e somente, ela é falsa.

Exercícios:
1. No conjunto de todas as frases, as proposições encontram-se entre aquelas classificadas
como declarativas e verbais, ou seja, entende-se como proposição todo conjunto de
palavras ou símbolos que exprimam um pensamento de sentido completo, para o qual seja
possível atribuir, como valor lógico, ou a verdade ou a falsidade. Assim, as proposições
transmitem pensamentos, isto é, afirmam fatos ou exprimem juízos que se formam a
respeito de determinados entes. Com base nessas informações, julgue se os itens a seguir
são proposições.

1. Que excelente local de trabalho!

Esta é uma frase exclamativa. Não é, portanto, uma proposição. O item está errado.

2. Marcos não e´ um político desonesto, pois não e´ um político.

Observe que esta frase não exprime uma opinião. Por quê? É impossível Marcos ser um
político desonesto, sabendo que ele não é um político. Percebeu? Não é a questão de ele
ser ou não uma pessoa honesta. A questão é que ele não é um POLÍTICO DESONESTO,
já que ele não é um político. Como Marcos não é um político, podemos afirmar que ele
não é um político desonesto e também podemos afirmar que ele não é um político honesto.
10

Esta frase é uma oração declarativa que pode ser classificada em V ou F. Esta frase é uma
PROPOSIÇÃO. O item está certo.

3. Todo governante toma decisões, tendo como principal preocupação sua


conservação no poder.

Esta frase é uma oração declarativa que pode ser classificada em V ou F. Esta frase é uma
PROPOSIÇÃO. O item está certo.

4. Esta afirmação é falsa.

Como já vimos, este é um exemplo clássico de paradoxo. É uma oração declarativa, mas
que não pode ser classificada em V ou F. Não é uma proposição e o item está errado.

5. O pior atentado terrorista da história ocorreu no dia 11 de setembro de 2011?

Frases interrogativas não são proposições. O item está errado.

6. Elabore hoje o parecer técnico para concessão de direitos relativos ao registro da


marca.

Frases imperativas não são proposições. O item está errado.


11

2 OPERAÇÕES LÓGICAS SOBRE PROPOSIÇÕES

2.1 Negação
A negação de uma proposição é utilizada para dar a ideia contrária.
Assim, se p for uma preposição verdadeira, a proposição p’ a torna falsa.
Exemplo:
- A Alemanha é um país europeu (V): p.
- A Alemanha não é um país europeu (F): p’.
- É falso que a Alemanha é um país europeu (F): p’.
- Não é verdade que a Alemanha é um país europeu (F): p’.
- Não é verdade que é falso que a Alemanha é um país europeu (V): (p’)’ .

- Vou fazer algo (V): p.


- Vou fazer nada (F): p’.
- Não vou fazer nada (F): (p’)’.

A Tabela 1 a seguir apresenta o operador de negação.

Tabela 1 - Exemplo de
Tabela Verdade
p p’ (p’)’
V F V
F V F
Fonte: Própria.

Exercícios:

1. Indique quais sentenças são proposições atribuindo-lhes o valor lógico


correspondente. As que não forem marque com um “x”.

( ) Zero é um número par.


( ) 7 + 3.
( ) Todos os brasileiros são cariocas.
( ) Amanhã choverá?
( ) Felicidades!
( ) X > 2.
( ) X = 3 é raiz de X2 – 3X = 0.
12

2. Julgue o item a seguir, relativos a raciocínio lógico. A sentença “Bruna, acesse a


Internet e verifique a data da aposentadoria do Sr. Carlos!” é uma proposição
composta que pode ser escrita na forma p ^ q.

3. Qual sentença a seguir é considerada uma proposição?

a. O copo de plástico.
b. Feliz Natal!
c. Pegue suas coisas.
d. Onde está o livro?
e. Francisco não tomou o remédio.

4. Se alguém disser: “Não nego que jamais deixarei de beber”, continuará a beber ou
não?

5. Um avião caiu em uma área não coberta pelo radar. Apenas o piloto se salvou,
conseguindo alcançar a praia de uma ilha. Nessa ilha morava um aborígene que
mentia às terças, quartas e quintas, e falava a verdade nos outros dias da semana.
Um dia o piloto encontrou o aborígene que lhe disse: " Ontem foi um dos meus
dias de mentir. A partir dedução correta da informação do aborígene, que dias da
semana poderiam ser?

2.2 Conectivo “e”


O conectivo “e” é utilizado para dar a ideia de simultaneidade.
Considere as proposições:
p: José completou 20 anos.
q: José sabe dirigir.
Interligando ambas pelo conectivo “e”:
p ^ q: José completou 20 anos e sabe dirigir.
O símbolo ^ é utilizado para o conetivo “e”.
13

Uma conjunção p ^ q é dita verdadeira apenas quando ambas forem verdadeiras,


nos demais casos é falsa. A Tabela 2 a seguir apresenta o uso do conectivo e.

Tabela 2 - Tabela Verdade


com o conetivo “e”
p q p^q
V V V
V F F
F V F
F F F
Fonte: Própria.

Exemplo:
- A leitura estimula o pensamento (V) e 10 é múltiplo de 5 (V): V.
- São Paulo fica no Nordeste (F) e o fumo pode causar câncer (V): F.
- 5 – 2 ≠ 3 (F) e todo número inteiro é positivo (F): F.

2.3 Conectivo “ou”


A operação “ou” pode ser utilizada no sentido inclusivo ou exclusivo.

2.3.1 “Ou” inclusivo


A inclusão abrange as possibilidades em que pelo menos uma das proposições
simples ocorre podendo ocorrer as duas.

Exemplo:
- Pedro é alto: p.
- Pedro joga basquete: q.
- Pedro é alto ou joga basquete: p v q.

A Tabela 3 apresenta o uso do ou inclusivo.

Tabela 3 - Tabela Verdade


com o conetivo “ou”
inclusivo
p q pvq
14

V V V
V F V
F V V
F F F
Fonte: Própria.

O símbolo v é utilizado para o ou inclusivo.


Uma proposição p v q é falsa apenas quando ambas forem falsas, nos demais casos
é verdadeira.
Exemplo:
- Uma semana tem 8 dias (F) ou o esporte mais praticado no Brasil é o tênis
(F): F.
- Roma é a capital italiana (V) ou 6 × 2 = 42 (V): V.
- O elefante é o maior mamífero (F) ou o hexágono tem 9 lados (F): F.

2.3.2 “Ou” exclusivo


O “ou” no sentido exclusivo da a ideia de uma proposição excluindo a outra.
O “ou” deve ser utilizado mais de uma vez na frase.

Exemplo:
- Caso: p.
- Compro uma bicicleta: q.
- Ou caso ou compro uma bicicleta: p ⊻ q.

A tabela 4 apresenta o uso do ou exclusivo.

Tabela 4 - Tabela Verdade


com o conetivo “ou”
exclusivo
p q p⊻q
V V F
V F V
F V V
F F F
Fonte: Própria.
15

O símbolo ⊻ é utilizado para denotar o “ou” exclusivo.

Exercícios:
1. Considere as proposições A sendo falsa, B verdadeira e C falsa. Determine o
valor lógico das proposições a seguir.
a) A ^ (B v C).
F ^ (V v F) = F ^ V = F.
b) (A ^ B) v C.
(F ^ V) v F = F v F = F.
c) (A ^ B) v C’.
(F ^ V) v V = V v V = V.
d) (A v B’) v B.
(F v F) v V = F v V = V.
e) (B v (C’)’) ^ A’.
(V v F) ^ V = V ^ V = V.

2. Considere as seguintes proposições:


p: O Brasil situa-se na América do Norte.
q: Quatro é múltiplo de oito.
r: A adição e a subtração são operações inversas.
Com base nos valores lógicos das proposições p, q e r, atribua um valor lógico às
seguintes proposições:
a) (V) ~p.

b) (F) q ^ r.

c) (F) p v q.

d) (F) r ^ p.

e) (F) q v ~r.

3. Considere as seguintes proposições:


p: “Brito pilota aviões”;
q: “Brito pilota motos”;
r: “Brito pilota carros”.
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Assinale a alternativa que apresenta uma possível linguagem simbólica para a


sentença: “Brito pilota aviões e carros ou Brito não pilota aviões e não pilota
motos”.
a) (p ^ r) v [(~ p) v (~ q)]

b) (p v r) v ~(p ^ q)

c) (p ^ r) v ~(p v q)

d) (p ^ r) ^ ~(p ^ q)

e) (p ^ r) v [(~ p) ^ (~q)]

2.4 Operador Lógico “Se... Então”

Este operador lógico é também denominado condicional.


Utiliza-se o símbolo → para representar esta operação lógica.

Exemplo: Se nasci em São Paulo, então sou paulista.

Cada um de vocês pode adaptar essa frase acima à sua realidade: troque São Pauo pelo
nome da sua cidade natal, e troque paulistano pelo nome que se dá a quem nasce no seu
Estado. Por exemplo:

 Se nasci em São Paulo, então sou paulista.


 Se nasci em São Paulo, então sou carioca.

E assim por diante. Pronto? Agora me responda: qual é a única maneira dessa proposição
estar incorreta? Ora, só há um jeito desta frase ser falsa: se a primeira parte for verdadeira,
e a segunda for falsa. Ou seja, se é verdade que eu nasci em São Paulo, então
necessariamente é verdade que eu sou paulistano. Se alguém disser que é verdadeiro que
eu nasci em São Paulo, e que é falso que eu sou paulistano, então este conjunto estará
todo falso.
17

É interessante notar que na estrutura da condicional a primeira parte é denominada


condição necessária e a segunda condição suficiente. A primeira parte não precisa ter
realmente relação com a segunda. Por exemplo:

 Se sou brasileiro então o papa é Africano.

Note que as proposições simples componentes não possuem uma relação, porém ainda
assim o que torna a proposição composta falsa é o fato da primeira ser verdadeira e a
segunda ser falsa. Uma condição suficiente gera um resultado necessário. Observa-se
o uso do operador condicional na Tabela 5 a seguir.

Tabela 5 - Tabela verdade da condicional.

Fonte: Própria.

Se for dito: Jogar bem é condição suficiente para ganhar o jogo. Reescreve-se da seguinte
forma na estrutura da condicional: Se jogar bem então ganho o jogo.

Agora, se for dito: Morrer é condição necessária para não tomar cuidado. Reescreve-se
da seguinte forma na condicional: Se não tomar cuidado então morrerei.

Exemplo:
- Se eu ganhar na mega-sena então eu fico rico.
- Condição suficiente: ganhar na mega-sena.
- Condição necessária: ficar rico.
18

2.5 Operador lógico “Se e somente se”

Vamos analisar a seguinte sentença que utiliza o bicondicional: Mario fica alegre se e
somente se Juliana sorri. Esta sentença ainda equivale a dizer que: Se Mario fica alegre
então Juliana sorri e se Juliana sorri então Mario fica alegre ou Mario fica alegre somente
se Juliana sorri e Juliana sorri somente se Mario fica alegre. De forma intuitiva, está
proposição composta é verdadeira apenas quando o antecedente e o consequente, isto é,
as duas proposições forem ambas verdadeiras ou ambas falsas.

O conectivo lógico de bicondicional em expressões é representado por uma seta dupla


bidirecional e em sentenças sempre pelos termos Se...e somente se. A Tabela 6 apresenta
o funcionamento do operador.

Tabela 6 – Operador bicondicional.

Fonte: Própria.

Qual seria a validade das seguintes proposições?

• A terra é redonda se e somente se a faca corta;


• O leão ruge se e somente se o gato late;
• O elefante coacha se e somente se coca-cola é refrigerante;
• A água não é molhada se e somente se a régua é redonda.

2.6 Negação de proposições compostas

Negação de uma proposição conjuntiva: (p^q)’


19

Para se negar a proposição p^q, deve-se fazer (p^q)’. Para tal é necessário primeiro negar
p e q individualmente e trocar o sinal de conjunção (^) pelo de disjunção (v), resultando:
p’ v q’.
Portanto a representação (p^q)’ equivale a p’ v q’.

Exemplo: João é alto e Marcos é Gordo.

Negação:
o João é baixo ou Marcos é magro;
o Joao não é alto ou Marcos não é gordo.

Negação de uma proposição disjuntiva: (p v q)’

Para se negar a proposição p v q, deve-se fazer (p v q)’. Para tal é necessário primeiro
negar p e q individualmente e trocar o sinal de disjunção (v) pelo de conjunção (^),
resultando: p’ ^ q’.

Portanto a representação (p v q)’ equivale a p’ ^ q’.

Exemplo: O rio é raso ou o professor é bom.

Negação:
 O rio é fundo e o professor é ruim;
 O rio não é raso e o professor é ruim.

Negação de uma proposição condicional: (p→q)’

Para se negar uma proposição p→q , deve-se fazer (p→q)’. Para tal mantem-se a primeira
proposição, troca-se o condicional pelo ^ e nega-se a segunda proposição, resultando:
p^q’.

Exemplo: Se fizer frio então levarei meu agasalho.


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Negação: Faz frio e não levo meu agasalho.

A Tabela 7 apresenta as negações de proposições compostas.

Tabela 7 – Negação de proposições compostas.

Negue as seguintes proposições:

• Se ganho muito dinheiro guardo bastante;


• A terra é redonda e a agua molha;
• O mecânico é bom ou o conhecimento é grande.

Exercícios:
1. Sejam ~, ˅, ˄ e ↔ os símbolos, respectivamente, dos seguintes conectivos
lógicos: negação, disjunção, conjunção e bicondicional. Considere as
proposições p e q a seguir:

p: O Brasil é o maior país da América do Sul;

q: A França é um país asiático.

Pode-se afirmar sobre o valor lógico da proposição composta R: ~(p ˄ q) ˅ ~ (q ↔


p) que:

a) Não é possível determinar o valor lógico de R.

b) O valor lógico de R é a falsidade.

c) R não tem valor lógico.

d) R é verdadeiro e falso ao mesmo tempo.

e) O valor lógico de R é a verdade.


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2. Assinale a alternativa que apresenta a negação da seguinte afirmação: “Se o DNA


encontrado for compatível e se as digitais forem as mesmas, o crime estará
solucionado.”.

a) “O DNA encontrado é compatível e as digitais são as mesmas, e o crime não foi


solucionado.”.

b) “O DNA encontrado é compatível e as digitais são as mesmas ou o crime não foi


solucionado.”.

c) “O DNA encontrado não é compatível e as digitais não são as mesmas, e o crime


não foi solucionado.”.

d) “Se o DNA encontrado não for compatível e se as digitais não forem as mesmas,
o crime não estará solucionado.”.

e) “Se o DNA encontrado for compatível e se as digitais forem as mesmas, o crime


não estará solucionado.”.

3. Sejam as proposições p: João joga futebol e q: João joga tênis. Escrever na


linguagem usual as seguintes proposições:

a) p v q.

b) p ^ q.

c) p ^ q’.

d) p’ ^ q’

e) (p’)’

f) (p’ ^ q’)’

4. Dadas as proposições p: Maria é bonita e q: Maria é elegante, escrever na


linguagem simbólica as seguintes proposições:

a) Maria é bonita e elegante.

b) Maria é bonita, mas não é elegante.


22

c) Não é verdade que Maria não é bonita ou elegante.

d) Maria não é bonita nem elegante.

e) Maria é bonita ou não é bonita e elegante.

f) É falso que Maria não é bonita ou que não é elegante.

5. Classificar as proposições compostas abaixo, como conjunção, disjunção,


condicional, bicondicional ou negação.

a) (p ^ q’)’.

b) p v (q ^ r’).

c) p ^ (q → r).

d) p ^q → r’.

e) (p ^ q’)’ v (r v s).

f) (p v q’) ↔ (r ^ s).

g) [p → (q ^ r)] ^ s.

h) [p → (q ^ r)]’.

i) [p v (q ^ r)]’ → s’.

j) (p ↔ q) → r’

6. Se V(p) = V(q) = 1 e V(r) = V(s) = 0, determinar os valores lógicos das seguintes


proposições:

a) p’ v r.

b) [r v (p → s)].

c) [p’ v (r ^ s)’].

d) [q ↔ (p’ ^ s)]’.

e) (p ↔ q) v (q → p’).
23

f) (p ↔ q) ^ (r’ → s).

g) {[q’ ^ (p ^ s’)]’}’.

h) p’ v [q ^ (r → s’)].

i) (p’ v r) → (q → s).

j) [p’ v (q ^ s)]’ v (r → s’).

l) q’ ^ [(r’ v s) ↔ (p → q’)].

m) [p → (q → r)]’ → s.
24

3 CONSTRUÇÃO DE TABELA-VERDADE

As tabelas-verdade apresentam todos os valores lógicos possíveis das proposições


compostas a partir dos valores lógicos das proposições simples componentes e dos
conectivos utilizados.

Número de linhas: 2n onde n é o número de proposições.

Exemplo 1: na expressão p’^q, existem duas proposições, portanto tem-se 4 linhas


(22 linhas). Então o início da montagem se dá com a inserção de todas as possibilidades
de combinações entre V e F para as proposições p e q.

p q
V V
V F
F V
F F

Então na sequencia se resolve a expressão nas próximas colunas, seguindo a ordem


precedência de resolução dos operadores lógicos:

1º) ( )
2º) ‘
3º) ^
4º) v
5º) →
6º) ↔

Prosseguindo:

p q p’ p’^q
V V F F
V F F F
F V V V
25

F F V F

Observe que de acordo com a correta ordem de precedência de resolução dos conectivos
lógicos, as negações devem ser resolvidas antes das operações de conjunção, daí a razão
da coluna de p’ ter aparecido antes da coluna de p’^q.

Exemplo 2: Na expressão, (p^q) →r três 3 proposições portanto tem-se 8 linhas


(23 linhas). Então o início da montagem se dá com a inserção de todas as possibilidades
de combinações entre V e F para as proposições p, q e r.

p q r
V V V
V V F
V F V
V F F
F V V
F V F
F F V
F F F

Prosseguindo:

p q r p^q (p^q) →r
V V V V V
V V F V F
V F V F V
V F F F V
F V V F V
F V F F V
F F V F V
F F F F V
26

Para se resolver a última coluna deve-se observar primeira a coluna de (p^q) →r (a da


direita) para depois observar a de p^q (a da esquerda), devido a ordem em que os termos
na expressão.

Exercícios:
1. Construir as tabelas-verdade a seguir.
a) p v q’.
p q q’ p v q’
V V F V
V F V V
F V F F
F F V V

b) q ^ p’.
p q p’ q ^ p’
V V F F
V F F F
F V V V
F F V F

c) p v p’.
p p’ p v p’
V F V
F V V

d) p → q’.
p q q’ p → q’
V V F F
V F V V
F V F V
F F V V
27

2. Utilizando o operador lógico “e”, a tabela-verdade a seguir terá sua equivalência


completada na ordem:
A B C’ AeBeC
V V F
F V F
V F V
V V V
F V V

a) V, V, V, V, V.
b) F, F, F, F, F.
c) V, V, V, F, V.
d) F, F, F, V, F.

3. Na tabela verdade abaixo, R representa o valor lógico da operação P condicional


Q (Se P, então Q), em que P e Q são proposições e V(verdade) e F(falso). Nessas
condições, o resultado na coluna R deve ser, de cima para baixo, respectivamente:
P Q R
F F
F V
V F
V V
a) FFFV
b) FVVV
c) VFFV
d) VVFV
e) FVVF

4. Na tabela a seguir, P e Q são duas sentenças, e as letras V e F representando,


respectivamente, os significados Verdadeiro e Falso.
28

P Q (1) (2) (3)


V V V V F
V F V F F
F V V F V
F F F F V

Considerando os símbolos ¬ (negação), ∧ (conjunção) e ∨ (disjunção), as


expressões condizentes com (1), (2) e (3) são, respectivamente,
a) P∨Q, P∧Q e ¬P.
b) P∧Q, P∨Q e ¬Q.
c) ¬P, P∨Q e P∧Q.
d) ¬Q, ¬P e P∧Q.
e) ¬Q, P∧Q e P∨Q.
29

4 TAULOGIA, CONTRADIÇÃO E CONTIGÊNCIA

4.1 Proposições Especiais


4.1.1 Tautologia
Tautologia é uma expressão composta sempre verdadeira. A Tabela 8 apresenta
este tipo de proposição.
Exemplo:
- Paulo é dentista ou não é dentista.

Tabela 8 - Tautologia
p p’ p v p’
V F V
F V V
Fonte: Própria.

4.1.2 Contradição
Contradição é uma expressão composta sempre falsa. A Tabela 9 apresenta este
tipo de proposição.

Exemplo:
- Paulo é dentista e não é dentista.

Tabela 9 - Contradição
p p’ p ^ p’
V F F
F V F
Fonte: Própria.

4.1.3 Contigência
É uma proposição que pode assumir valores lógicos variados (V ou F). A Tabela
10 apresenta este tipo de proposição.
30

Exemplo:

Tabela 10 - Contigência
p q q’ p v q’
V V F V
V F V V
F V F F
F F V V
Fonte: Própria.

Exercícios:
1. Construir as tabelas-verdade a seguir. Note quaisquer contigência, contradição
ou tautologia.
a) (A ^ B) v C → A ^ (B v C).
Contigência:
A B C A^B BvC (A ^ B) v C A ^ (B v C) (A ^ B) v C → A ^ (B v C)
V V V V V V V V
V V F V V V V V
V F V F V V V V
V F F F F F F V
F V V F V V F F
F V F F V F F V
F F V F V V F F
F F F F F F F V

b) A ^ (A’ v B’)’.
Contigência:
A B A’ B’ A’ v B’ (A’ v B’)’ A ^ (A’ v B’)’
V V F F F V V
V F F V V F F
F V V F V F F
F F V V V F F
31

c) A ^ B → A’.
Contigência:
A B A’ A^B A ^ B → A’
V V F V F
V F F F V
F V V F V
F F V F V

d) A → B [(A v C) → (B v C)].
Tautologia:
A B C AvC BvC [(A v C) → (B v C) A→B A → B [(A v C) → (B v C)]
V V V V V V V V
V V F V V V V V
V F V V V V F V
V F F V F F F V
F V V V V V V V
F V F F V V V V
F F V V V V V V
F F F F F V V V

e) A → (B → A).
Tautologia:
A B B→A A → (B → A)
V V V V
V F V V
F V F V
F F V V

f) (A v B’) ^ (A ^ B)’.
Contigência:
32

A B B’ A v B’ A^B (A ^ B)’ (A v B’) ^ (A ^ B)’


V V F V V F F
V F V V F V V
F V F F F V F
F F V V F V V

2. Construir as tabelas-verdade a seguir. Note quaisquer contigência, contradição


ou tautologia.
a) A v A’.
b) A → A v B.
c) A ^ B → B.
d) (A v C) → (B’ ^ C)’.
e) (A ^ B) → (C v D’).

3. Qual das proposições abaixo é uma contradição?


a) (P → Q) v ~Q.
b) (P ^ ~P) → Q.
c) ~(P v Q) ↔ (P v Q).
d) (P ↔ P) ^ (P v Q).
e) (P ↔ Q) v (Q v ~Q).

4. Assinale a alternativa que apresenta uma tautologia.


a) p ^ p.
b) p v p.
c) p ^ ~p.
d) p v q → p ^ q.
e) p v ~p.

5. Trata-se de uma tautologia a proposição apresentada na alternativa:


a) Chove e faz frio.
b) Pedro estuda ou não estuda na Uergs.
c) Se é verão então faz calor.
33

d) Maria é alta e gosta de estudar.


e) Jorge estuda ou joga futebol.

6. Considere a seguinte proposição:


"Se um Auditor-Fiscal Tributário não participa de projetos de aperfeiçoamento,
então ele não progride na carreira."
Essa proposição é tautologicamente equivalente à proposição:

a) Não é verdade que, ou um Auditor-Fiscal Tributário não progride na carreira


ou ele participa de projetos de aperfeiçoamento.
b) Se um Auditor-Fiscal Tributário participa de projetos de aperfeiçoamento,
então ele progride na carreira.
c) Não é verdade que, um Auditor-Fiscal Tributário não participa de projetos de
aperfeiçoamento e não progride na carreira.
d) Ou um Auditor-Fiscal Tributário não progride na carreira ou ele participa de
projetos de aperfeiçoamento.
e) Um Auditor-Fiscal Tributário participa de projetos de aperfeiçoamento e
progride na carreira.
34

5 IMPLICAÇÃO LÓGICA E EQUIVALENCIA LÓGICA


5.1 Operador Bicondicional
O Operador Bicondicional é utilizado na linguagem corrente através da expressão “se
somente se”.
Utiliza-se o símbolo ↔ para realizar esta operação lógica.
Exemplo:
- Vou ficar rico (p), se somente se, estudar muito (q).
- Simbologia: p ↔ q.
- Equivalência: (p → q) ^ (q → p).

A Tabela 11 apresenta sua tabela-verdade.

Tabela 11 - Tabela
Verdade com o Operador
Bicondicional
p q p↔q
V V V
V F F
F V F
F F V
Fonte: Própria.

5.2 Equivalência Lógica


Duas expressões lógicas são denominadas equivalentes se possuírem a última coluna
de suas tabelas-verdade iguais. A Tabela 12 ilustra esta situação de equivalência.
Símbolo de equivalência: ⇔.
Exemplo:
p ↔ q ⇔ (p → q) ^ (q → p).
35

Tabela 12 – Representação de duas proposições equivalentes através da Tabela-


verdade

p q p→q q → p (p → q) ^ (q → p) p↔q p ↔ q ⇔ (p → q) ^ (q → p)
V V V V V V V
V F F V F F V
F V V F F F V
F F V V V V V

Equivalência Lógica Equivalência Tautológica

Fonte: Própria.

As equivalências notáveis são apresentadas na Tabela 13 a seguir.

Tabela 13 – Equivalências notáveis.

Fonte: Nicholas, 2019.


36

Exercícios:
1. Verificar se as expressões a seguir são equivalentes.
a) (p ^ q)’ ⇔ p’ v q’.
b) (p ^ q)’ ⇔ p’ v q’.
c) p ⇔ (p v q).
d) (p’)’ ⇔ p.
e) p ^ q ⇔ q ^ p.
f) p v (q v r) ⇔ (p v q) v r.

2. Mostre que as proposições ~(p ^ q) e (~p v ~q) são equivalentes.


p q ~p ~q p^q ~(p ^ q) (~p v ~q)
V V F F V F F
V F F V F V V
F V V F F V V
F F V V F V V
37

6 ARGUMENTOS FORMAIS E REGRAS DE INFERÊNCIA

Argumentos dedutivos formais:

 Pode-se determinar a sua validade inspecionando apenas a sua forma lógica;


 Quando uma forma lógica é dedutivamente válida todos os argumentos com essa
forma serão válidos*;
 Os silogismos e os argumentos proposicionais são argumentos dedutivos formais;
 São estudados pela Lógica Formal.

*Todavia, o inverso já não é verdadeiro: quando uma forma lógica é dedutivamente


inválida alguns argumentos com essa forma poderão ser válidos – validade informal.

Argumentos dedutivos informais:

 A determinação da sua validade implica inspecionar o conteúdo, temos de


considerar os conceitos utilizados;
 A sua forma pode ser inválida e no entanto o argumento ser válido;
 Essa validade é, por isso, informal;
 Essa validade é dedutiva, pois a verdade das premissas implica a verdade da
conclusão; é uma questão de necessidade e não de probabilidade*;
 Os argumentos semânticos são argumentos dedutivos informais;
 São estudados pela Lógica Informal.

Argumentos não dedutivos:

 São todos informais;


 A determinação da sua validade implica inspecionar o conteúdo;
 Essa validade é não dedutiva, pois a verdade das premissas torna provável (e não
necessária) a verdade da conclusão;
 Os argumentos indutivos (generalizações e previsões), os argumentos por
analogia e os argumentos de autoridade são argumentos não dedutivos;
 São estudados pela Lógica Informal (PIRES,2009).

Nesta apostila o foco se encontra no estudo de argumentos dedutivos formais.


38

6.1 Argumentos Dedutivos Formais

Um argumento formal, ou simplesmente, argumento, é uma sequência de fórmulas


P1, P2, ..., Pn , Q quaisquer, simples ou compostas, na qual a última fórmula, Q,
chamada conclusão, é tida como decorrente das outras, chamadas premissas.

Um argumento formal possui a forma:


P1 ^ P2 ^ P3 ^ ... ^ PN → C

Ou, expresso de outra forma:


P1
P2
P3
.
.
.
PN
C
Onde P1 ... PN são denominadas premissas ou hipóteses e C é denominada a conclusão
do argumento.
Um argumento é denominado válido na seguinte situação: quando todas as suas
premissas forem verdadeiras a conclusão também o seja.

Exemplo:
P1: Se eu ganhar na Mega-Sena (p) então eu fico rico (q).
P2: Ganhei na Mega-Sena (p).
C: Fiquei rico (q).

P1: p → q.
P2: p.
C: q.

A Tabela 14 apresenta a análise de um argumento válido.


39

Tabela 14 -Tabela Verdade


com os Argumentos Formais
p (p2) q (c) p → q (p1)
V V V
V F F
F V V
F F V
Fonte: Própria.

Argumento válido: observe que na linha onde todas as premissas são verdadeiras,
a conclusão também é verdadeira.

P1: p → q’.
P2: p.
C: q.

A invalidade de um argumento é representada na Tabela 15.

Tabela 15 - Verdade 2 com os


Argumentos Formais
p(p2) q(c) q’ p → q’ (p1)
V V F F
V F V V
F V F V
F F V V
Fonte: Própria.
Argumento inválido: na linha onde as premissas são verdadeiras, a conclusão não
é verdadeira.

6.2 Validade de um argumento


Apresenta-se a seguir os passos necessários para a verificação da validade de um
argumento.
1º) Construir a tabela-verdade referente as premissas e a conclusão;
2º) Considerar as linhas em que todas as premissas são verdadeiras (linhas críticas).
40

3º) Verificar nas linhas críticas se a conclusão resulta verdadeira (para todas as linhas
críticas):
- Caso afirmativo: argumento válido.
- Caso negativo: argumento inválido.

Verificar a validade dos argumentos a seguir:

Exemplo 1:

P1: Caso (p) ou compro uma bicicleta (q).


P2: Não caso (p’).
C: Compro uma bicicleta (q).

P1: p v q.
P2: p’.
C: q.

A montagem da tabela e análise da validade é apresentada na Tabela 16.

Tabela 16 - Verdade sobre a Validade de


um argumento
p q (c) p’ (p2) p v q (p1)
V V F V
V F F V
F V V V
F F V F
Fonte: Própria.

Argumento válido.

Exemplo 2:

Se Ana for bonita ou Bruno for magro então Carlos será recompensado.
Bruno é magro.
Portanto, Carlos será recompensado.
41

P1: (p v q) → r.
P2: q.
C: r.

A análise é apresentada na Tabela 17.

Tabela 17 - Verdade 2 sobre a Validade de um argumento

p q (p2) r (c) (p v q) (p v q) → r (p1)


V V V V V
V V F V F
V F V V V
V F F V F
F V V V V
F V F V F
F F V F V
F F F F V

Argumento válido.

Exercício 1: Verificar a validade do argumento.

P1: Se o jardim não é florido então o gato mia. Se o jardim é florido então o
passarinho não canta.
P2: O passarinho canta.
C: Logo se o passarinho canta então o gato mia.

Exercício 2: Verifique se os argumentos a seguir são válidos.

a) Se eu fosse artista, seria famoso.


Não sou famoso.
Logo, não sou artista

b) Se eu fosse artista, seria famoso.


42

Sou famoso.
Logo, sou artista

c) Se neva, então faz frio.


Não está nevando.
Logo, não está frio

d) Gosto de dançar ou cantar.

Não gosto de dançar.

Logo, gosto de cantar

6.3 Formas válidas de argumentos

Apresenta-se a seguir uma série de argumentos válidos com seus respectivos nomes.

6.3.1 Modus Ponens (Método de afirmar)


P1: Se estudar muito (p) então terei boas notas (q).
P2: Estudei bastante (p).
C: Tirei notas boas (q).

P1: p → q.
P2: p.
C: q.

A forma válida é apresentada na Tabela 18.

Tabela 18 – Tabela Verdade


sobre Modus Ponens
p (p2) q (c) p → q (p1)
V V V
V F F
F V V
43

F F V
Fonte: Própria.

6.3.2 Modus Tollens (Método de negar)


P1: Se estudar bastante (p) então tiro boas notas (q).
P2: Não tirei boas notas (q’).
C: Não estudei bastante (p’).

P1: p → q.
P2: q’.
C: p’.

A forma válida é apresentada na Tabela 19.

Tabela 19 - Tabela Verdade sobre Modus Tollens

p q p’ (c) q’ (p2) p → q (p1)


V V F F V
V F F V F
F V V F V
F F V V V
Fonte: Própria.

6.3.3 Silogismo Disjuntivo


P1: Estudo (p) ou saio (q).
P2: Não sai (q’).
C: Estudei (p).

P1: p v q.
P2: q’.
C: p.

A forma válida é apresentada na Tabela 20.


44

Tabela 20 - Tabela Verdade sobre


Silogismo Disjuntivo
p (c) q q’ (p2) p v q (p1)
V V F V
V F V V
F V F V
F F V F
Fonte: Própria.

6.3.4 Silogismo Hipotético


P1: Se estudar bastante (p) então tiro boas notas (q).
P2: Se tiro boas notas (q) então sou aprovado (r).
C: Se estudar bastante (p) então sou aprovado (r).

P1: p → q.
P2: q → r.
C: p → r.

A forma válida é apresentada na Tabela 21.

Tabela 21 - Tabela Verdade sobre Silogismo Hipotético

p q r p → q (p1) q → r (p2) p → r (c)


V V V V V V
V V F V F F
V F V F V V
V F F F V F
F V V V V V
F V F V F V
F F V V V V
F F F V V V
Fonte: Própria.

6.3.5 Conjunção
P1: Nada (p).
P2: Corra (q).
C: Nada (p) e corra (q).
45

P1: p.
P2: q.
C: p ^ q.

A forma válida é apresentada na Tabela 22.

Tabela 22 - Tabela Verdade


sobre Conjunção
p (p1) q (p2) p ^ q (c)
V V V
V F F
F V F
F F F
Fonte: Própria.

6.3.6 Adição
P1: Nado (p).
P2: Corro (q).
C: Nado (p) ou corro (q).

P1: p.
P2: q.
C: p v q.

A forma válida é apresentada na Tabela 23.

Tabela 23 - Tabela Verdade


sobre Adição
p (p1) q (p2) p v q (c)
V V V
V F V
F V V
F F F
Fonte: Própria.
46

6.3.7 Simplificação
P1: Nado (p) e corro (q).
C: Nado (p).
P1: p ^ q.
C: p.
A forma válida é apresentada na Tabela 24.

Tabela 24 - Tabela Verdade


sobre Simplificação
p (c) q p ^ q (p1)
V V V
V F F
F V F
F F F
Fonte: Própria.

P1: Nado (p) e corro (q).


C: Corro (q).

P1: p ^ q.
C: q.

A forma válida é apresentada na Tabela 25.

Tabela 25 – Segunda Tabela


Verdade sobre Simplificação
p q (c) p ^ q (p1)
V V V
V F F
F V F
F F F
Fonte: Própria.
47

6.3.8 Dilema Construtivo

P1: p → q.
P2: r → s.
P3: p v r.
C: q v s.

A forma válida é apresentada na Tabela 26.

Tabela 26 - Tabela Verdade sobre Dilema Construtivo

p q r s p→q r→s pvr qvs


V V V V V V V V
V V V F V F V V
V V F V V V V V
V V F F V V V V
V F V V F V V V
V F V F F F V F
V F F V F V V V
V F F F F V V F
F V V V V V V V
F V V F V F V V
F V F V V V F V
F V F F V V F V
F F V V V V V V
F F V F V F V F
F F F V V V F V
F F F F V V F F
Fonte: Própria.

6.4 Prova por dedução

Regras de inferência: são regras que nos permitem inferir, validamente, proposições
de outras proposições. A série de argumentos válidos apresentados na seção anterior
em conjunto com outros apresentados na Tabela 27 são utilizados na verificação da
validade de argumentos através do sistema de dedução natural realizando-se sua prova
por dedução
48

Tabela 27 - Regras básicas de inferência

Fonte: Souza, 2014.

De acordo com Galdino (2015), o sistema de dedução natural que iremos descrever
em seguida é composto por dois elementos fundamentais:

1) um conjunto de regras de inferência;


2) um formato para apresentar as provas ou demonstrações.

Cada demonstração é apresentada sob a forma de uma tabela com um número variável
(mas finito) de linhas e com três colunas, onde:

1. Cada linha corresponde a um passo na demonstração. Nas primeiras linhas são


escritas as premissas e na última linha será escrita a conclusão. Entre as primeiras
linhas e a última linha são escritos os passos intermédios que, autorizados pelas
regras, nos conduzem dedutivamente das premissas à conclusão;

2. A primeira coluna é reservada à numeração sucessiva das linhas. Isso nos permite
em qualquer momento, referirmo-nos à fórmula inscrita numa certa linha
indicando apenas o número dessa linha;

3. A segunda coluna (a contar da esquerda) é a principal: é nela que, em cada linha,


é escrita a fórmula que exibe a forma lógica cuja verdade está sendo afirmada;
49

4. A terceira coluna é a coluna das justificações. Uma vez que em cada linha estamos
afirmando que certa frase é verdadeira, na terceira coluna temos de indicar o que
é que nos autoriza a fazer essa afirmação. Há apenas três gêneros de justificação
possíveis. Em primeiro lugar, a afirmação pode estar sendo feita porque se trata
de uma premissa da demonstração. Em segundo lugar, a afirmação pode justificar-
se porque existe uma regra que permite inferi-la a partir do que está escrito nas
linhas anteriores. Note-se que, em cada passo, podemos aplicar somente uma
regra. Em terceiro e último lugar, pode tratar-se de uma suposição que estamos
fazendo para ver que conseqüências se seguiriam daí. No primeiro tipo de caso,
escrevemos premissa na quarta coluna da linha em causa. No segundo tipo de
caso, temos de indicar a regra que estamos aplicando e a linha ou as linhas às quais
essa aplicação é feita. No terceiro tipo de caso, escrevemos simplesmente
suposição.

Apresenta-se alguns exemplos da prova de argumentos por dedução utilizando o sistema


descrito e regras de inferência. Lembrando que o símbolo ^ ou a vírgula podem indicar a
separação de premissas em um argumento e o símbolo |— pode indicar a consequência,
isto é, preceder a conclusão. Então também podemos escrever um argumento na forma:

P1,P2,P3,...,Pn |— C

Obs: Regras de equivalência notáveis também podem ser utilizadas para fins de
simplificação de alguns passos durante a prova por dedução.

a) r  p  q, r, p’ |— q

1. r  p  q
2. r
3. p’
----------------------

4. p  q MP em 1 e 2

5. q SD em 3 e 4

b) p  q, q’, p  r |— r
50

1. p  q
2. q’
3. p  r
----------------------

4. p’ MT em 1 e 2

5. r SD em 3 e 4

c) p  q, p  r, r’ |— q  s

1. p  q
2. p  r
3. r’
----------------------

4. p’ MT em 2 e 3

5. q SD em 4 e 1

6. q  s AD em 5

d) t, t  q’, q’  s’ |— s’

1. t
2. t  q’
3. q’  s’
----------------------

4. t  s’ SH em 2 e 3

5. s’ MP em 1 e 4

e) a’  b, b  c, c’ |— a

1. a’  b
2. b  c
3. c’
----------------------

4. a’  c SH em 1 e 2

5. (a’)’ MT 3 e 4

6. a Dupla negação em 5

Exemplo: Provar a validade do seguinte argumento.

(p → q) ^ (r → q’) → (p → r’) ≡ (p → q) ^ (r → q’) ^ p → r’


51

1. p → q (hip).
2. r → q’ (hip).
3. p (hip).
4. q (1, 3 mp).
5. r' (2, 4 mt).

Exercício 1: Provar a validade do argumento a seguir através do uso de regras de


inferência/equivalência.

Se o time joga bem então ganha o campeonato.


Se o time não joga bem então o técnico é culpado.
Se o time ganha o campeonato os torcedores ficam contentes.
Os torcedores não estão contentes.
Logo, o técnico é culpado.

Exercício 2: Provar a validade do argumento a seguir através de regras de


inferência/equivalência.

a) A’ ^ B ^ (B → (B → (A v C)) → C.
b) (P v Q) ^ P’ → Q.
c) (A → B) ^ A ^ (A → (B → C)) → C.
d) (A’ v B) ^ (B → C) ^ A → C.
e) (P → Q) ^ (Q → R) → (P → R).
f) (P → Q) ^ (Q → R) → (P’ v R).

P1 ^ P2 ^ P3 ^ ... ^ PN → (r → s) ≡ P1 ^ P2 ^ P3 ^ ... ^ PN ^ r → s

Exercício 3: Provar a validade do argumento a seguir através de regras de


inferência/equivalência.

a) (p → q) ^ (q → r) → (p → r).
b) (p’ → q’) ^ q → p.
c) (p → q’) ^ q → p’.
52

d) (p → q’) ^ (r → q) ^ r → p’.
e) (p → q) ^ q’ ^ (p’ → r) → r.
f) (p’ → q’) ^ q ^ (p → r’) → r’.
53

7 REFERÊNCIAS

DAHGLIAN, J. Lógica e Álgebra de Boole. São Paulo, Ed. Atlas, 1995.

ALENCAR FILHO, Edgar de Introdução a Lógica Matemática. Ed. Nobel, 2002.

BARBIERI FILHO, P. Lógica para a Computação. Ed. LTC, 2013

NICOLAS, F. Operadores, simbolismo, tabela verdade e equivalência. 2019. Disponível


em: https://pensamentosesqueciveis.wordpress.com/2019/01/18/operadores-simbolismo-
tabela-verdade-e-equivalencia-2/ Acesso em: 21 de dez. de 2019.

PIRES, C. Argumentos: formais e informais, dedutivos e não dedutivos - as várias


combinatórias. 2009. Disponível em: http://duvida-
metodica.blogspot.com/2008/10/argumentos-dedutivos-formais-e.html. Acesso em: 21
de dez. de 2019.

SOUZA, H. Lógica Matemática. 2014. Disponível em:


https://pt.slideshare.net/hugosouza/lgica-aula8. Acesso em: 22 de dez. 2019.

NEVES, G. O que é uma proposição lógica? 2016. Disponível em:


https://www.pontodosconcursos.com.br/artigo/13683/guilherme-neves/o-que-e-uma-
proposicao-logica. Acesso em: 25 de jan. 2020.

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