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Máquinas Síncronas

(Geradores)

Prof. Isaac Sousa

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1- MÁQUINAS SÍNCRONAS

Máquinas síncronas são máquinas de corrente alternada (CA) que


podem trabalhar como motor ou gerador. Na operação como motor,
a velocidade do seu eixo (Nr) é sincronizada com a do campo
magnético girante (Ns) que existe no seu interior, e quando
trabalham como gerador a frequência da tensão elétrica que ela
produz é proporcional à velocidade mecânica (Nr) imposta ao seu
eixo de rotação.

Gerador monofásico
Motor Síncrono Alternador Síncrono
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Devido a razões construtivas e ao seu custo maior em relação às
máquinas de indução, as máquinas síncronas são mais utilizadas
como geradores elétricos. Uma utilização típica da máquina
síncrona funcionando como gerador é em centrais elétricas,
independentemente do seu tipo (hídrica, térmica, eólica, etc...).

USINA HIDRELÉTRICA

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Nas centrais elétricas os geradores convertem a energia mecânica
(que pode ser devido a força das águas, vapor d’agua, vento, etc.)
aplicada nas suas turbinas em energia elétrica. Uma informação
importante sobre essas máquinas é que todas estão ligadas em
paralelo e juntas contribuem na maior parte de energia enviado para
a malha elétrica brasileira, constituído assim o Sistema Interligado
Nacional (SIN).
Conhecimento extra:

O sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil é


um sistema hidro-termo-eólico de grande porte, com predominância
de usinas hidrelétricas e com múltiplos proprietários. O Sistema
Interligado Nacional é constituído por quatro subsistemas: Sul,
Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte.

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Também encontramos geradores síncronos nos
alternadores automotivos (geradores de
monofásicos CA) e em grupos geradores de
emergência (GGE), os quais são instalados em
indústrias, hospitais, aeroportos etc., para uso em
caso de falta de energia elétrica. Nestas situações
Alternador
o gerador não está ligado à rede elétrica, mas automotivo
funciona de forma isolada.
Invólucro
Motor diesel acústico para
(máquina primária) gerador

Gerador

Grupo Gerador de Emergência Gerador de aluguel

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2- ASPECTOS CONSTRUTIVOS

ROTOR
É a parte rotativa destas máquinas e pode ser construído com pólos
lisos, salientes ou sólidos (feito com ímãs permanentes). Cada tipo
de rotor vai depender das características construtivas da máquina e
de sua aplicação.

Rotor de pólos lisos Rotor de pólos salientes

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Máquinas síncrona de pólos salientes: Em geral possuem grande
número de pólos (48 a 96 pólos), baixa rotação (150 a 75RPM), é
usada com turbinas hidráulicas (hidrogeradores) em potências
elevadas (até 800MW), mas são usadas também como geradores
de potência pequena e média (100kW a 5MW) acionados a partir
de motores diesel ou pequenas turbinas a vapor (Nestes casos
possuem reduzido nº de pólos: 4, 6 ou 8 pólos) e com rotações
médias ( 1800, 1200 e 900RPM).

Máquina síncrona de pólos lisos (rotor cilíndrico): Em geral


possuem reduzido número de pólos (2 ou 4 pólos), elevada rotação
(3600 a 1800RPM) uso com turbinas a vapor ou a gás
(turbogeradores ) em potências elevadas ( até 2000MW)

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Rotor de pólos lisos: Consiste num cilindro maciço com ranhuras onde
estão alojados condutores de um enrolamento monofásico. Nas
máquinas síncronas, geralmente o rotor possui anéis coletores onde são
colocados escovas de carvão* para permitir a circulação de corrente
elétrica.

* Atualmente, algumas máquinas não utilizam mais escovas de carvão para permitir a
circulação de corrente elétrica no rotor. Esse sistema é chamado de brushless (sem escovas) e
funciona por indução magnética.
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Rotor de pólos salientes: São rotores que apresentam descontinuidades
ao longo da periferia do núcleo. Nesses casos, existem as chamadas
regiões interpolares onde a massa de núcleo rotórico é maior, tornando
a saliência dos pólos visível.

Devido a sua forma construtiva, os rotores de polos salientes estão


sujeitos a variações de fluxo magnéticos que podem induzir correntes
elétricas no seu interior e estas por sua vez interferir no campo
produzido. Desta forma, utiliza-se enrolamentos amortecedores visando
atenuar essas possíveis variações de fluxo.
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Rotor sólido: é o rotor construído com ímãs permanentes fixados na
sua estrutura. Esses ímãs não são naturais, mas sim constituídos de
ligas metálicas, como por exemplo os produzidos pela combinação de
neodímio, ferro e boro (conhecidos também como ímãs de terras
raras) que são ímãs artificiais que passaram por um forte processo de
magnetização.
Rotor de imãs
permanentes

Máquina síncrona
As máquinas com rotor de ímãs permanentes não possuem
enrolamentos rotóricos, pois estes ímãs produzirão o campo
magnético do rotor, logo, elas não possuem anéis coletores para
permitir a circulação de corrente de excitação, tornando assim essa
máquina mais eficiente e com menor manutenção.
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No rotor sólido, os ímãs podem ser fixados na superfície externa ao
rotor ou no seu interior. Ambas as situações fazer a máquina
apresentar bom rendimento.

As desvantagens de uso do rotor construído com ímãs permanentes


estão relacionadas a alta susceptibilidade à corrosão e a grande
limitação no que diz respeito à temperatura de trabalho (risco de
desmagnetização). Fazendo assim, que máquinas que utilizam esse
tipo de rotor tenham aplicações ainda bastante restritas.

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ESTATOR

O estador das máquinas síncronas geralmente possui uma carcaça


cilíndrica sem aletas. Seu núcleo é constituído de chapas lâminadas de
material ferromagnético de alta permeabilidade.

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O enrolamento estatórico das máquinas síncronas são similares ao das
máquinas de indução (Exemplo: Enrolamento do MIT). Neste caso elas
são constituídas de três bobinas defasadas entre si de 120° mecânicos,
que podem ser ligadas em Y ou , porém, nestas máquinas esses
enrolamentos são chamados de enrolamentos de armadura ou
induzido.

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3- MAQUINA SÍNCRONA FUNCIONANDO COMO GERADOR

No funcionamento da máquinas síncrona como GERADOR, ela é


chamada de alternador ou gerador síncrono. Nesta situação, em
máquinas com rotor de pólos liso ou saliente, uma corrente
contínua (CC) é aplicada no enrolamento de campo localizado no
rotor, a qual produz um campo magnético fixo.

O rotor ao ser acionado


por uma máquina primária,
faz com que esse campo
gire no interior da
máquina, induzindo assim
o surgimento de uma FEM
(tensão) no enrolamento
de armadura.
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Nos geradores trifásicos quando o rotor gira surge em cada bobina
uma tensão elétrica. Tendo em vista os enrolamentos do estator
estarem defasados entre si de 120° mecânicos. As tensões geradas
também estarão defasadas de 120° (elétricos) e a frequência da tensão
será proporcional à rotação do rotor.

Máquina Gerador
primária síncrono

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3.1- Frequência da tensão gerada numa máquina síncrona

120 . f 120 . f Nr . P
Ns = Ns = Nr Nr = f=
P P 120
M.I.T M.S.

Exemplo: Cada gerador síncrono da Usina Hidrelétrica de Itaípu ( Ao todo


são 20 geradores 10x766MVA – 10 BRA[60Hz] e 10x823,6MVA -
PAR[50Hz]) apresenta tensão de 15kV nos seus terminais. Sabendo que
cada máquina do lado brasileiro possuem 96 pólos, qual a velocidade
dessas máquinas?
120 . 60
Nr = Nr = 75 RPM
96
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3.2- Condições necessárias para partida do gerador síncrono

Energia mecânica  Máquina primária;

Máquina Gerador
primária síncrono

Campo magnético indutor (excitação)  Tensão CC;


Localização da excitação:
- Interna  O circuito indutor (excitação) está no rotor e o
circuito induzido está no estator – GERADOR;
- Externa  A excitação está no estator e o circuito induzido está
no rotor – MOTOR;

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3.3- Tipos de excitação nas máquina síncronas
Similarmente ao que acontece nas máquinas CC, a máquina síncrona
também necessita de um circuito de excitação, ou seja, um circuito
que crie campo magnético no seu interior. Desta forma, podemos
destacar os principais tipos de excitação produzida por:
Independente.. Fonte CC externa;
Ímã permanente  Excitação feita com imãs naturais (campo
magnético fixo);
Auto-excitado.. Excitação feita pelo magnetismo residual ou
remanescente;
Axial.. Possui um dínamo ou um pequeno alternador auxiliar no
interior da máquina;

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4- CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DOS GERADORES SÍNCRONOS

Nos enrolamentos do gerador síncrono surgem três tensões


alternadas defasadas ente si de 120° (elétricos). Desta forma, nos
terminais de cada enrolamento da armadura haverá uma tensão
terminal VT.

VT1

Excitação Tensões na armadura


VT2
(No rotor) (sistema trifásico)

VT3

Circuitos do gerador síncrono


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4- CARACTERÍSTICAS ELÉTRICAS DOS GERADORES SÍNCRONOS

Nos enrolamentos do gerador síncrono surgem três tensões


alternadas defasadas ente si de 120° (elétricos). Desta forma, nos
terminais de cada enrolamento da armadura haverá uma tensão
terminal VT.

Tensões na
Excitação armadura
(No rotor) (sistema
trifásico)

Circuitos do gerador síncrono

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Fechamentos das bobinas da armadura
R
S

VL = VF .
Ligação estrela (Y): IL = IF

VL = VF
Ligação estrela ():
IL = I F .
S

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Circuito monofásico de um gerador síncrono

VT VT = EA – XS.IA – RA.IA
Onde:

VT - É a tensão nos terminais do gerador;


EA - É a tensão interna produzida no enrolamento de armadura;
XS - É a reatância síncrona referente ao enrolamento da armadura;
IA - É a corrente que circula pela armadura da máquina quando há
carga conectada nos terminais;
RA - É a resistência ôhmica dos condutores da armadura;
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Dependendo da carga conectada aos terminais do gerador, a
máquina responderá de uma forma diferente da outra. Desta forma,
os diagramas fasoriais nos ajudam a compreender o comportamento
dos elementos que atuam numa máquina síncrona COM CARGA.

Carga RESISTIVA

Carga INDUTIVA

Carga CAPACITIVA

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Diagrama do fluxo de potência num gerador síncrono

Considerando por fase, temos:

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Condições para a operação em paralelo de GERADORES SÍNCRONOS

 Mesmo valor de tensão (Valor Eficaz);


 Mesma frequência (Hz);
 Mesma sequência de fase (defasamento angular);
 Mesma forma de onda (tipo de onda);
 Mesmas condições combinadas em máquina primária e excitação
semelhantes (Recomendável);

~ ~
G1 G2

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OBRIGADO!

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