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BRINCANDO SE FAZ ARTE: a importância da construção de materiais pedagógicos adaptados

para trabalhar as múltiplas deficiências na Escola Estadual Manoel Marçal de Araújo.

Professora Autora: Ainda Greice Silva

Professora Co-Autora: Simone Helen Drumond Ischkanian

Resumo:
Brincando se faz arte é um projeto que busca refletir a produção artística de significados
relacionados ao universo lúdico e a importância da arte com ênfase no brincar, destacando a
importância dos recursos didáticos e pedagógicos, adaptados no processo de aprendizagem dos
alunos da EEMMA. Os recursos adaptados oportunizam a ampliação das capacidades funcionais
dos educandos, promovendo a autonomia, a independência e a inclusão para o desenvolvimento de
habilidades para vida cotidiana. Os trabalhos lúdicos e artísticos, realizados com as crianças
objetivam valorizar a arte lúdica, repensando a realidade vivida e buscando uma forma diferente
de brincar e aprender, transformando os espaços da instituição EEMMA, em fontes de
conhecimentos e descobertas do brincar artístico, brinquedo artístico, dos jogos artísticos e das
brincadeiras embasadas na arte de construir e reconstruir. Assim, surge o desejo de expandir para
que todos os educadores e educandos da SEDUC AM, as possibilidades de desfrutar as diferentes
possibilidades do brincar e aprender com a arte. Neste sentido destacamos que segundo a gestora
Ainda Greice Silva, “o brincar com a arte, desenvolve elementos fundamentais para a formação da
personalidade, além de promover oportunidades dos educandos experimentarem situações
sensoriais fantásticas”. Brincar artisticamente é criar uma situação imaginária, onde as crianças
podem assumir diferentes facetas, indo além do seu comportamento habitual. A arte elucida o
papel de relevância de construir, aflorando o imaginário. Para que os objetos tivessem a força
motivadora na transposição do projeto, quanto ao mundo real escolar, para um universo
imaginário, permitindo que todos os envolvidos atuem de forma diferente em relação que pode ser
visto na prática. Na EEMMA desde o início do projeto, os educandos demonstraram interesse pelo
brincar, construir e aprender com a arte, revelando o resgate da trajetória das personalidades de
nossos alunos PCDs. Estes participaram de várias atividades que tiveram como temática a arte
lúdica, mas que possibilitaram trabalhar diferentes conteúdos. Na culminância do projeto
apresentamos as obras artísticas de nossos educandos, o que permitiu uma ampla liberdade aos
envolvidos para que fizessem suas análises de acordo com suas percepções, tentando não interferir
entendendo que seriam capazes. Neste processo de apreciação e construção de brincar e aprender
com a arte permitiu aos educandos perceberem que em nosso cotidiano, estamos rodeados por
imagens e que somos portadores de um saber específico, portanto, temos que possibilitar
ampliação deste saber, divulgando a sociedade sua expressão artística, ou seja, o conhecimento
democrático, para que a prática em sala de aula seja cotidianamente produtiva e enriquecedora,
para fazer arte lúdica pensando, raciocinando e sentindo sobre o trabalho que se realiza e assim
garantir um aprendizado na inclusão, mais efetivo, significativo e em evidencia com a expressão
individual e sensorial, para além de sua habilidade artística.

Palavras-chave: Artes Visuais - Apreciação artística - Lúdico, Inclusão - Educação.


Introdução:
A Escola Estadual Manoel Marçal de Araújo, está localizada na Avenida Parintins 832
Cachoeirinha, atendemos crianças com múltiplas deficiências na idade de 06 a 14 anos, nos turnos
matutinos e vespertinos, no referido ano estamos encerrando com 174 alunos efetivamente
matriculados, tendo como atual gestora a professora Aida Greice Silva. O projeto “BRINCANDO
SE FAZ ARTE: a importância da construção de materiais pedagógicos adaptados para trabalhar as
múltiplas deficiências na Escola Estadual Manoel Marçal de Araújo” está em sua oitava edição e a
cada ano superamos todas as dificuldades encontradas durante o processo. Viabilizamos atividades
globalizantes, com foco no desenvolvimento da sociabilidade e de habilidades criativas e
expressivas, por meio de atividades artísticas, sempre enfocando a importância do brincar para o
desenvolvimento infantil; assim como a formação continuada de seus professores, possibilitando o
acesso ao mundo lúdico do brinquedo, das brincadeiras de diferentes grupos sociais e faixas
etárias. Nossas oficinas pedagógicas ajudaram os educadores que atuam diretamente com as
crianças PCDs no sentido de uma formação teórico e prática para ampliar seus conhecimentos em
relação às necessidades das crianças no mundo da arte.

A contextualização histórica e
cultural do projeto tornou-se
extremamente relevante para que
os educandos percebessem em que
momento histórico, cultural e
social foram criadas as obras
estudadas. Os artistas viveram ou
vivem em algum tempo, munidos
de alguma experiência de vida que
inevitavelmente são transportadas
para suas obras. Daí a importância
que a EEMMA, destacou aos
professores, de estar atento ao processo de ensinar e aprender arte, pois há a necessidade de
percepção e construção de conceitos artísticos fundamentados no tempo e espaço. O delineamento
de todo o projeto é feito com muito amor e totalmente produzido por nossos educandos com
múltiplas deficiências.

Nossa escola trabalha integrada com as famílias, onde a parceria entre família e escola é um
verdadeiro sucesso, uma vez que formamos uma única família. As equipes integrativas do projeto
contam com os responsáveis que se envolvem coesamente, trazendo novidades que ampliam as
perspectivas na caminhada do projeto, para nossos educandos é uma alegria ter os pais inseridos
no cotidiano de suas descobertas, uma vez que as experiências passam a ser fonte de aprendizado e
estímulo para outras buscas de conhecimentos e desenvolvimento de habilidades. A arte, o
brinquedo, a brincadeira e o construir lúdico ressaltam a importância do projeto para o
desenvolvimento global dos educandos da EEMMA. Na antiguidade, segundo Àries (1981), tanto
crianças, quanto adultos participavam de atividades lúdicas e isso representava um aspecto
essencial na vida dos indivíduos. As trocas grupais eram de grande relevância, onde crianças
tinham seus espaços livres para jogos, porém participavam também dos jogos dos adultos.
Estudos demonstram que a arte de brincar é essencial para a sobrevivência do ser humano, tanto
quanto a nutrição. O brincar é fundamental para o desenvolvimento físico, social, intelectual e
afetivo da criança Piaget (1971) destaca que enquanto a criança brinca, assimila o mundo ao seu
redor, sem compromisso com a realidade, passa a atribuir aos objetos funções própria, não
dependendo da natureza dos mesmos. O que fundamenta as ações do projeto na EEMMA, uma
vez que podemos observar que nossos educandos, conseguem articular a contextualização com
o fazer artístico estabelecendo relações com a leitura de imagens por eles observadas, juntamente
com as experiências vivenciadas no lúdico, destacando que mesmo inseridos no contexto da
inclusão, conseguiram “desenvolver a capacidade de formular hipóteses, julgar, justificar e
contextualizar julgamentos diferentes acerca de imagens de arte” (Barbosa, 1988 p. 24)

Objetivo:
 Desperta nas crianças o gosto pela pintura, desenvolvendo a imaginação, a criatividade,
expressão artística, percepção visual, noção espacial, utilizando materiais recicláveis:
 Contribuir com o processo de alfabetização artística;
 Despertar a criatividade e o interesse pela arte lúdica;
 Estimular habilidades globalizantes e as do senso perceptivo artístico;
 Valorizar o hábito de brincar artístico, como forma de desenvolver princípios de
solidariedade, companheirismo, parceria, união, desenvolvimento físico, mental e social;
 Promover a expressão criativa artística e as habilidades de tomar decisões baseadas em
valores necessários à formação equilibrada do ser humano, construindo valores e a diferenciação
do criar, construir e comprar.

Materiais e Método:
É interessante observar os educandos criando e recriando com os mais diversos materiais
recicláveis. Neste sentido eles revelam que no cotidiano escolar “o brincar artístico é desvendar o
fantástico mundo da imaginação, é trilhar por mundos desconhecidos, projetando em cada ação
saberes relevantes as suas especificidades” (Ischkanian, 2017 p.107). Os brinquedos, as
brincadeiras e todos os métodos empregados no projeto, evidenciam que a arte contribui na
formação de indivíduo. Permitindo que nossos educandos possam ultrapassam os limites da
atividade física, elas se baseiam numa certa imaginação da realidade, onde os educandos têm
liberdade de criar, de ser um personagem, de viajar sem sair do lugar, dramatizar e fazer parte de
um cenário.

Resultados e Discussão:
BRINCANDO SE FAZ ARTE: a importância da construção de materiais pedagógicos adaptados
para trabalhar as múltiplas deficiências na Escola Estadual Manoel Marçal de Araújo - evidencia
que nossos educandos são capazes de perceber que o ato de confeccionar seu próprio material
pedagógico, utilizando materiais que seriam descartados no lixo. Em nossa escola eles se
transformaram arte, para aprendizagem globalizante. Neste sentido “A formação continuada é uma
das principais estratégias para a conquista de uma educação de qualidade, sendo a formação inicial
insuficiente para atender as exigências impostas pela sociedade atual e não o único espaço onde os
docentes aprendem sobre a profissão. A formação continuada emerge então como uma
necessidade da profissionalização para a inclusão da criança. O processo de formação do educador
engloba a interação entre o conhecimento teórico e prático, fazendo-o desenvolver habilidades
para saber lidar com as diferentes situações que surgem na atuação da prática (...). As dimensões
pessoal, profissional e organizacional devem ser consideradas aspectos necessários a formação de
profissionais da educação, já que os saberes docentes provêm de várias e diversificadas fontes, o
que requer uma atitude de compromisso. (Ischkanian, 2017 p. 109). O brincar com a arte facilita
os caminhos das múltiplas aprendizagens, uma vez que os educandos aprendem e despertam
equilíbrio motor, social e emocional. O projeto propiciou a ampliação da sensibilidade, da
criatividade, da originalidade, da inventividade, do senso crítico, além de possibilitar que os
educandos reconheçam as diversidades de cada indivíduo, o que coincide com a proposta dos
PCNS de Arte (Brasil, 1997 p.69), quando relata que a disciplina de Arte “propicia e amplia o
repertório cultural do aluno a partir do conhecimento estético, artístico e contextualizado,
aproximando-o do universo cultural da humanidade nas suas diversas representações.” O que
presume que este aspecto lúdico artístico relacionado às brincadeiras estimula o corpo e a mente,
de forma a propiciarem aos educandos desenvolverem habilidades que envolveram identificação,
análise e comparação.
Conclusões:
O brincar com a arte para construir e reconstruir uma amplitude de materiais que promovem
aprendizagens possibilita aos envolvidos enfatizar olhares diferenciados para o desenvolvimento
global da criança inserida no contexto da inclusão. Elas ampliam as formas e os entendimentos
quanto à valorização do ser humano PCD, à socialização e o crescimento enquanto pessoa. O
coletivo pedagógico da Escola Estadual Manoel Marçal de Araújo está sempre disposta a trilhar
um caminho em que a infância se traduz como potencialidade e o brincar artístico tem um papel
fundamental para o desenvolvimento de habilidades. Considerando que o ensino em Arte amplia o
repertório cultural dos educandos, a partir do conhecimento estético e artístico é que se propôs
nesta pesquisa uma estratégia de aprender Arte relacionada com o ato de brincar. Este projeto
inclui uma prática pedagógica significativa para os alunos, uma vez que consideramos importante
e fundamental os espaços de construções e descobertas nas salas de aulas, e buscamos como uma
ramificação de mobilidade artística. Acreditamos que como educadores devemos enfatizar o
respeito pelas múltiplas aprendizagens de nossos educandos e caracterizamos a criação, a
imaginação, a fantasia, as brincadeiras e todo fazer artístico, como compreensão de mundo e
apropriação de conhecimentos específicos e científicos pela criança.

Referências:

ARIÉS, Phillipe. História Social da Criança e da Família. Rio de Janeiro: Zahar, 1981.
BARBOSA, Ana Mae Bastos. A imagem no ensino de arte. Porto Alegre: Perspectiva, 1991.
CURY Augusto. O Vendedor de Sonhos. São Paulo: Ed. Acadêmica da Inteligência, 2008.
ISCHKANIAN, Simone Helen Drumond. Jogos, brinquedos e brincadeiras na aprendizagem
de autistas. ISBN: 2178-7018. Livro de Anais da III Socialização de Práticas Formativas da
Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério 2017 - Tecendo diálogos: “Formação
continuada e experiências didáticas”. Revista Mutações Ufam. 2ª edição: fevereiro de 2017.
KISHIMOTO, Tizuko Morchida (org). Jogo, brinquedo, brincadeira e educação. São Paulo:
Cortez, 1999.
PIAGET, Jean A. A Formação do Símbolo na Criança: Jogos, sonhos e imitação. Rio de
Janeiro: Zahar, 1971.
TIBA,Içami – Quem Ama, Educa. São Paulo: Editora Gente., 2002.
V BARBOSA, Ana Mae Tavares Bastos (org.) Arte educação: leitura de subsolo. 2. São Paulo:
Cortez, 1999.
YGOTSKY, Lev Semenovich. Psicologia da arte. São Paulo: Martins Fontes, 1987.
Biografia 1
Ainda Greice Silva

Biografia 2

Simone Helen Drumond Ischkanian é PCD, formada magistério pelo Instituto de Educação do
Amazonas e pedagogia pela UFAM, pós-graduada em Educação Infantil e
NeuroPsicopedagogia em formação. Professora e pedagoga concursada da SEMED Manaus.
trabalha como professora tutora na Universidade do Estado do Amazonas no curso de pós-
graduação em Tecnologias EAD, mestra em Ciências da Educação pela Universidade São
Carlos e Doutoranda pela UNISAL- em NeuroTecnologias Assistivas - e-mail:
simone_drumond@hotmail.com