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RENATA PEREIRA DE ARAUJO

SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO:


UMA FERRAMENTA ORGANIZACIONAL

JOINVILLE
SANTA CATARINA – BRASIL

2006
UNIVERSIDADE DO ESTADO DE SANTA CATARINA – UDESC
CENTRO DE CIÊNCIAS TÉCNOLOGICAS – CCT
COORDENAÇÃO DE PÓS-GRADUAÇÃO – CPG

RENATA PEREIRA DE ARAUJO

SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO:


UMA FERRAMENTA ORGANIZACIONAL

Monografia apresentada à Coordenação dos


Cursos de Pós-Graduação o Centro de Ciências
Tecnológicas de Joinville da Universidade do
Estado de Santa Catarina, como requisito para
obtenção do Título de Especialista em
Engenharia de Segurança do Trabalho.

Orientador: Prof. Wilson José Mafra, Dr.

JOINVILLE
SANTA CATARINA – BRASIL

2006
RENATA PEREIRA DE ARAUJO

SISTEMAS DE GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO:


UMA FERRAMENTA ORGANIZACIONAL

Monografia aprovada com requisito parcial para obtenção do Título de Especialista, em


Engenharia de Segurança do Trabalho, do Programa de Pós-Graduação do Cro de Ciências
Tecnológicas – CCT, da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC.

Banca Examinadora

__________________________________
Dr. Wilson José Mafra
UDESC

Membro:

__________________________________
Dr. César Malutta
UDESC

__________________________________
Msc. Ascanio Pruner
UDESC
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO............................................................................................................................................ 2
1.1 JUSTIFICATIVA ...................................................................................................................................... 2
1.2 OBJETIVOS ............................................................................................................................................ 4
1.2.1 Objetivo geral.................................................................................................................................. 4
1.2.2 Objetivos específicos ....................................................................................................................... 4
1.3 ESTRUTURA DO TRABALHO................................................................................................................... 4
2 GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO ..................................................................... 6
2.1 FATORES QUE IMPLICAM NA SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL DAS ORGANIZAÇÕES ..................... 7
2.1.1 Custos .............................................................................................................................................. 8
2.1.2 Responsabilidade Social Empresarial ........................................................................................... 12
3 ORGANIZAÇÕES E SISTEMAS DE GESTÃO.................................................................................... 16
3.1 ESTRUTURA DAS ORGANIZAÇÕES ....................................................................................................... 16
3.2 ESTRATÉGIA ORGANIZACIONAL .......................................................................................................... 18
3.3 AMBIENTE ORGANIZACIONAL ............................................................................................................. 19
4 SISTEMAS DE GESTÃO DE SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL ....................................... 21
4.1 NORMA BS 8800 – SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL ................................................................... 25
4.2 NORMA OHSAS 18000 – GESTÃO DE SEGURANÇA E SAÚDE OCUPACIONAL ...................................... 28
4.3 PRINCIPAIS ELEMENTOS DOS SISTEMAS DE GESTÃO EM SEGURANÇA E SAÚDE NO TRABALHO........... 31
4.3.1 Política de Segurança e Saúde no Trabalho.................................................................................. 31
4.3.2 Identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos............................................................. 33
4.3.3 Exigências legais e outras ............................................................................................................. 35
4.3.4 Objetivos e Programas .................................................................................................................. 36
4.3.4.1 Objetivos e Programas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho .................................................36
4.3.5 Estrutura e Responsabilidade........................................................................................................ 39
4.3.6 Treinamento, conscientização e competência................................................................................ 41
4.3.7 Consulta e Comunicação............................................................................................................... 44
4.3.8 Documentação e controle de documentos e dados ........................................................................ 46
4.3.9 Controle Operacional.................................................................................................................... 48
4.3.9.1 Controle sobre as fontes .......................................................................................................................49
4.3.9.2 Controles sobre o meio.........................................................................................................................50
4.3.9.3 Controle sobre as pessoas.....................................................................................................................50
4.3.10 Preparação e atendimento a emergências................................................................................ 51
4.3.11 Medição e monitoramento do desempenho............................................................................... 54
4.3.12 Acidentes, incidentes, não-conformidades, ações preventivas e corretivas.............................. 58
4.3.13 Controle e Gestão de Registros ................................................................................................ 61
4.3.14 Auditoria ................................................................................................................................... 62
4.3.15 Análise Crítica pela Administração.......................................................................................... 66
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................................... 69
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .............................................................................................................. 71
2

1 INTRODUÇÃO

1.1 Justificativa

O surgimento de novas empresas, novos mercados e, conseqüentemente, o


desenvolvimento tecnológico visando à sobrevivência organizacional e o crescimento
econômico, faz com que muitos gestores não detenham suas atenções quanto ao ambiente de
trabalho oferecido a seus empregados. Onde, por muitas vezes, não percebem a agressão
constante a que estão expondo as pessoas em seu meio de trabalho e comunidade.
Nos últimos tempos diversas mudanças vêm ocorrendo em ambientes empresariais: as
empresas deixaram de ser apenas instituições econômicas com responsabilidades referentes a
seus problemas fundamentais o que produzir, como produzir e para quem produzir. Hoje as
organizações deparam-se com alterações nos ambientes empresariais, como resultado as
organizações devem ser pró – ativas frente aos novos papéis a serem desempenhados.
Esta mudança teve inicio com a preocupação com a qualidade, que passou de opção
para uma questão de sobrevivência. Posteriormente teve-se a gestão ambiental devido à
mudança de paradigmas vigentes no contexto da globalização estabelecida em âmbito de
competência da empresa. Progressivamente fala-se na gestão da saúde e segurança
ocupacional, considerando as mudanças dos paradigmas desencadeadas não apenas pelos
processos de inovação industrial e tecnológica, mas fundamentalmente pelos fatores de ordem
social e político-econômica que contribuíram para que isto se processasse de maneira mais
intensa nas organizações.
A evolução das questões relacionadas à saúde e segurança ocupacional datam da
revolução industrial, onde a preocupação fundamental era a reparação de danos à saúde física
do trabalhador. As ações, atitudes ou medidas de prevenção começaram em 1926, através dos
estudos de H. W. Heinrich verificando os custos com as seguradoras para reparar os danos
decorrentes de acidentes e doenças do trabalho. Em 1966 Frank Bird Jr. propôs o enfoque do
controle de danos, considerando o enfoque para a saúde e segurança a partir da idéia de que a
empresa deveria se preocupar não somente com os danos aos trabalhadores, mas também com
os danos às instalações, aos equipamentos e a seus bens em geral. Em 1970 Jonh Fletcher
ampliou o conceito de Frank Bird Jr. englobando também as questões da proteção ambiental,
de segurança patrimonial e segurança do produto, criando o controle total das perdas (Total
Loss Control) (CICCO, 1997).
3

Desta forma, as organizações não devem apenas preocupar-se com o foco principal de
sua atividade, mas para um bom desempenho empresarial é fundamental que a empresa
interaja com o contexto que está inserido, envolvendo preocupações de caráter político-social,
tais como proteção ao consumidor, controle da poluição, segurança e qualidade no ciclo de
vida do produto ou serviço e assistência médica e social. Como resultado da ampliação deste
contexto ocorrem novas pressões por parte da sociedade através de movimentos sociais
reivindicatórios, que resultam em novas leis, regulamentações e diretrizes, que provocam
mudanças no gerenciamento organizacional de empresas.
Atendendo a este novo contexto, a gestão da Segurança e Saúde do Trabalho tornou-se
importante instrumento gerencial para a criação de condições de competitividade para
organizações em todos os segmentos econômicos, além de fornecer grandes benefícios aos
empregados, à preservação ambiental, e as comunidades vizinhas.
Assim, a preocupação da Segurança e Saúde Ocupacional vêm deixando de ser uma
função exclusivamente dos profissionais desta área para tornar-se também uma função da
administração, contemplada na estrutura organizacional e parte integrante do planejamento
estratégico de organizações dos mais diversos setores.
As organizações devem garantir que suas operações e atividades sejam realizadas de
maneira segura e saudável para os seus empregados. As organizações devem atender aos
requisitos legais de saúde e segurança, regidos pela Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT)
e Normas Regulamentadoras que tratam de Segurança e Saúde ocupacional. Um sistema de
gestão de saúde e segurança eficaz ajuda a organização a manter seu comprometimento e
atendimento aos requisitos legais e regulatórios. O resultado de uma certificação é a
declaração pública desse compromisso. Dentro destas premissas básicas, fica claro que um
sistema de gestão voltado para os aspectos de segurança e saúde dos produtos, atividades e
serviços de uma organização, pode trazer inúmeros benefícios tanto do ponto de vista
financeiro quanto do ponto de vista motivacional.
Este trabalho discutirá a importância da Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho nas
organizações, através do suporte teórico que apresentará os principais Sistemas de Gestão da
Segurança e Saúde do Trabalho, seus requisitos e exemplos de indicadores, identificará os
principais motivos que devem ser considerados pelas organizações para investir em Segurança
e Saúde do Trabalho, bem como apresentar algumas boas práticas relacionadas a este tema
que justifiquem investimentos nesta área.
4

1.2 Objetivos

Considerando o tema e a justificativa de trabalho definidos anteriormente, foram


formulados os seguintes objetivos:

1.2.1 Objetivo geral

Discutir a importância dos Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho,


como uma ferramenta organizacional nas empresas.

1.2.2 Objetivos específicos

• realizar estudo teórico sobre organizações e Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde


no Trabalho;
• identificar os principais motivos para implantação de um Sistema de Gestão de
Segurança e Saúde no Trabalho;
• discutir os requisitos dos Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalhador e
apresentar exemplos de indicadores; e
• apresentar boas práticas relacionadas à segurança e saúde do trabalho.

1.3 Estrutura do Trabalho

Esta Monografia está estruturada conforme explicado a seguir:


O capítulo um apresenta o tema proposto para a discussão e a justificativa para a
realização deste trabalho.
O capítulo dois apresenta a fundamentação teórica sobre importância da gestão da
segurança e saúde nas empresas, os dois principais fatores que implicam na segurança e saúde
no trabalho, custo e responsabilidade social.
No capítulo três é apresentada a relação entre as organizações e os sistemas de gestão, a
criação de hábitos e a formação de um sistema de gestão, através da discussão sobre estrutura
das organizações, estratégia organizacional e ambiente organizacional.
5

O capítulo quatro apresenta uma discussão sobre as normas BS 8800 – Segurança e


Saúde Ocupacional e OHSAS 18001 – Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, abordando
os principais elementos dos sistemas de gestão de segurança e saúde do trabalho,
apresentando boas práticas utilizadas em empresas de diversas áreas e indicadores de
desempenho utilizados para monitorar e avaliar os sistemas de gestão.
O capítulo cinco apresenta as considerações finais sobre a implantação das normas BS
8800 – Segurança e Saúde Ocupacional e OHSAS 18001 – Gestão de Segurança e Saúde no
Trabalho em organizações, e sua importância como ferramenta de gestão organizacional.
6

2 GESTÃO DA SEGURANÇA E SAÚDE DO TRABALHO

O termo “Segurança” deve ser entendido como: “o estado de estar livre de riscos
inaceitáveis, de danos”, definição convergente com as normas BSI-OHSAS-18001 e BS-8800.
O termo “Saúde” será baseado na definição mais abrangente, que é a da Organização
Mundial da Saúde (OMS): estado de bem estar físico, mental e social e não meramente a
ausência de doenças ou enfermidades”.
Porém, perdas, injúrias, danos à propriedade e eventualmente causados pelas
atividades, produtos e serviços de uma organização, constituem problemas que podem
acarretar prejuízos através de várias formas, tais como processos de responsabilidade civil
pelo fato do produto ou serviço oferecer riscos aos trabalhadores, alto índices de absenteísmo
e afastamento de trabalho devido a acidentes.
Com base nessas três definições é possível estabelecer a definição de “Segurança e
Saúde no Trabalho” que é aplicada neste trabalho: o estado de estar livre de riscos inaceitáveis
de danos nos ambientes de trabalho, garantindo o bem estar físico, mental, e social dos
trabalhadores e partes interessadas”. Para minimizar ou eliminar tais prejuízos, muitas
organizações desenvolvem e implementam sistemas de gestão voltados para a segurança e
saúde ocupacional.
Segundo Frosini e Carvalho (1995), de uma maneira genérica, a segurança e saúde
ocupacional se preocupam, dentro do ambiente no qual o trabalho é conduzido, com a
identificação de fontes potenciais de acidentes ou incidentes e suas possíveis conseqüências
na segurança e saúde, bem como na aplicação de controles que minimizem ou eliminem a
probabilidade de ocorrência destes eventos e dos efeitos decorrentes.
Para tanto, os controles implementados devem ser capazes de identificar e examinar as
causas associadas aos acidentes e incidentes. Particularmente com relação aos incidentes, esta
análise é muito importante, pois pesquisas demonstram que a quantidade de acidentes que
causam injúrias e/ou danos pequenos, é muito superior à quantidade de danos sérios. Portanto,
a avaliação e o exame de tais incidentes fornecem dados que, se devidamente tratados através
de uma visão sistêmica, podem fornecer subsídios preciosos para a prevenção de acidentes e
incidentes futuros.

Para Fantazzin (1998), os motivos que alicerçam a implementação estratégica de um


sistema de gestão de saúde e segurança na empresa podem ser:
7

• atendimento a clientes que exigem o conhecimento de como seu fornecedor


gerencia a saúde e a segurança de seus funcionários;

• indicadores de excelência que permitem negociar taxas de seguro e outros


indicadores mais favoráveis que empresas “comuns” como operadoras de
seguro;

• para melhorar o seu desempenho em saúde e segurança de forma eficiente,


diminuindo ou eliminando falhas e acidentes no trabalho.

Devido aos motivos apresentados anteriormente, as funções gerenciais responsáveis


pelo controle dos aspectos de segurança e saúde da organização devem ter especial atenção ao
fator humano e tecnologia utilizada.
As decisões que afetam a segurança e a saúde no trabalho, desde o início da
organização do trabalho, na indústria, são tomadas, normalmente, pelos diretores e gerentes e
não pelas pessoas expostas diretamente aos perigos e riscos decorrentes das atividades
executadas no âmbito de uma empresa. Wagner (2002) diz que, “a partir dos modelos da
organização do trabalho é que surgem os problemas de segurança e saúde ocupacionais. E,
dessa forma, aparece também a necessidade de gerir, prevenir, reduzir e controlar essas
dificuldades”. Principalmente por que o resultado do descaso com saúde e segurança não está
reservado para determinados cargos e funções, pois um acidente pode envolver não apenas
uma pessoa e, sim, uma empresa na sua totalidade.

2.1 Fatores que implicam na Segurança e Saúde Ocupacional das Organizações

Independente do tipo de problema, os acidentes, incidentes e danos à saúde


constituem, muitas vezes, em eventos aleatórios que não podem ser evitados, mas sim
controlados de maneira preventiva através do planejamento, organização e avaliação do
desempenho dos controles aplicados. Na grande maioria dos casos, tais eventos estão
associados a inúmeras causas, e não apenas a uma causa específica. Análises simples e
rápidas podem levar à conclusão de que a causa imediata reside nos fatores humanos e/ou em
algum tipo de problema técnico. No entanto, a grande parte de tais eventos é decorrente de
falhas na gestão responsável pela segurança e saúde ocupacional aplicada a tais fatores
(humanos e técnicos). Devido a este motivo, enfatiza-se que as funções gerenciais
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responsáveis pelo controle dos aspectos de segurança e saúde da organização devem dar
especial atenção ao fator humano e a tecnologia utilizada.
A abordagem do fator humano constitui um ponto crítico. Um tratamento sistêmico
deste fator pode relevar três aspectos que influenciam diretamente no comportamento
humano.
• Trabalho: as tarefas e atribuições designadas aos funcionários devem levar em
consideração os princípios de ergonomia que podem limitar o desempenho de
cada indivíduo ou de um grupo de indivíduos. Incompatibilidades entre as
atividades e a capacidade e competência de quem as realiza podem aumentar a
probabilidade de erro humano e, consequentemente, a chance de um acidente
ou incidente. Portanto, ênfase deve ser dada aos aspectos físicos (ergonomia,
ambiente de trabalho, por exemplo) e aos mentais, como os princípios de
autocontrole que permitem ao funcionário julgar até que ponto seu trabalho
está sendo bem-feito.
• Pessoal: as características individuais de cada funcionário, quer sejam em
relação aos aspectos físicos (tais como força física ou limitações devido a
problemas de saúde) ou mentais (hábitos, atitudes, personalidades e
habilidades, por exemplo), influenciam o desempenho das atividades
designadas e, conseqüentemente, a probabilidade de acidentes e incidentes.
• Organização: a cultura da organização influência de maneira direta o
comportamento dos funcionários. Uma organização com uma cultura voltada
para o melhoramento contínuo de suas atividades, produtos e serviços, quer
seja em relação ao meio ambiente, garantia da qualidade ou segurança e saúde,
facilita a conscientização e a motivação do pessoal envolvido. Para tanto, a
liderança da organização possui o papel fundamental de demonstrar, através de
atos conscientes e sistemáticos, o comprometimento e a preocupação dos
gestores executivos em relação aos vários aspectos do sistema de gestão da
organização, tais como a política, os objetivos e metas fixadas.

2.1.1 Custos

Na época da Revolução Industrial, as preocupações na área de segurança não focavam


a prevenção de acidentes, e sim a reparação dos danos à saúde e a integridade física dos
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trabalhadores, cujos custos diretos eram conhecidos. Segundo Benite (2004), por volta de
1926 os estudos do norte-americano Heinrich já demonstravam uma relação entre os custos
indiretos e diretos da ordem de 4:1, ou seja, os custos indiretos eram muito mais altos do que
os custos diretamente associados aos acidentes evidenciando que somente a reparação não era
suficiente sendo necessários investimentos em prevenção.
Ainda cita que, o também norte-americano Bird, em 1969 propôs um novo enfoque
para as questões de segurança e saúde, a partir da idéia de que a empresa deveria se preocupar
não somente com os danos aos trabalhadores, mas também com os danos às instalações, aos
equipamentos e aos bens em geral, o que ampliava ainda mais a abrangência dos custos dos
acidentes e a necessidade de uma visão prevencionista nas organizações.
Assim, deve-se ter claro que qualquer acidente que ocorra, resultando ou não em
lesões aos trabalhadores, gera um prejuízo econômico significativo, pois todos os custos
diretos e indiretos resultantes são creditados no custo da produção, revertendo em ônus para a
empresa e conseqüentemente para todas as partes interessadas.
Para Benite (2004) os custos dos acidentes só existem quando a Segurança e a Saúde
no Trabalho é tratada de forma inadequada, ou seja, há uma relação de causa e efeito direta
que permite nomeá-los como custos da não-segurança.
A abrangência dos custos da não-segurança deve ser amplamente conhecida pelos
empresários, de modo que esses visualizem o volume de recursos que é desperdiçado para
cada vez que ocorre um acidente, servindo como um forte argumento para estimular
investimentos que reduzam ou eliminem a sua ocorrência.
Outro fato a ser considerado é que a maioria dos empresários ainda visualiza somente
os custos diretos relacionados aos acidentes, enquanto que os custos indiretos podem ser de 3
a 10 vezes maiores que o custo direto.
Para avaliar a abrangência desses custos, deve-se notar que sempre que ocorre algum
acidente, por mais simples que seja, dá-se inicio à geração de uma série de despesas diretas e
indiretas, que em geral, não são claramente percebidas e avaliadas pelas organizações. Benite
(2004) exemplifica alguns dos principais custos envolvidos com os acidentes, tanto diretos
como indiretos, e que podem possuir maior ou menor abrangência dadas as características do
acidentes, são eles:
• custos do transporte e atendimento médico do acidentado;
• prejuízos resultantes dos danos materiais a ferramentas, máquinas, materiais e
ao produto;
• pagamento de benefícios e indenizações ao acidentado e sua família;
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• pagamento de multas e penalizações;


• tratamento de pendências jurídicas, tais como processos criminais por lesões
corporais, indenizatórias e previdenciárias;
• tempo não trabalhado pelo acidentado durante o atendimento e no período que
fica afastado;
• tempo despendido pelos supervisores, equipes de segurança e saúde do
trabalho e médica durante o atendimento;
• baixa moral dos trabalhadores, perda de motivação e conseqüente queda de
produtividade;
• tempo de paralização das atividades pelo poder público e conseqüente prejuízo
à produção;
• tempo para limpeza e recuperação da área e reinício das atividades;
• tempo necessário para replanejamento das atividades;
• tempo dos supervisores para investigar os acidentes, preparar relatórios e
prestar esclarecimentos às partes interessadas: clientes, sindicatos, Ministério
do Trabalho e Emprego, imprensa, etc.;
• tempo de recrutamento e capacitação de um novo funcionário na função do
acidentado, durante seu afastamento;
• perda da produtividade do trabalhador após seu retorno;
• aumento dos custos dos seguros pagos pelas organizações (voluntários e
obrigatórios);
• aumento dos custos para a sociedade, resultante da maior necessidade de
recursos financeiros (tributações) para que o governo efetue o pagamento de
benefícios previdenciários (auxílio doença, pensões por invalidez, etc.), bem
como para manter toda a estrutura existente de fiscalização; e
• custos econômicos relativos ao prejuízo da imagem da empresa frente à
sociedade e clientes.

É possível notar que os custos são exatamente significativos não só para a empresa,
mas também para todas as partes interessadas. Deve-se destacar que o custo total da não-
segurança para as empresas, trabalhadores, famílias, sociedade e governo é de difícil
mensuração.
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Para se ter uma idéia da grandeza desses custos, Benite (2004) apresenta algumas
pesquisas e estudos desenvolvidos por algumas entidades, entre eles:
• O Health and Safety Executive (HSE), órgão do governo britânico responsável
pela Segurança e Saúde Ocupacional no país, indica que o custo global de
acidentes de trabalho é estimado entre, aproximadamente, 5 e 10% do lucro
bruto sobre as vendas de todas as empresas britânicas, desconsiderando os
acidentes que resultam apenas em danos materiais.
• Segundo a National Safety Council, organização norte-americana não
governamental, os EUA registram uma média de 13.000 mortes por acidentes
de trabalho por ano e mais de 2 milhões de feridos com afastamento
envolvendo um ou mais dias. Os prejuízos chegam a 30 bilhões de dólares.
• Segundo a Confederation of British Industry, as faltas ao trabalho por doenças
ocupacionais representaram na indústria do Reino Unido um prejuízo anual de
20 bilhões de Euros.
• Em 1993, as empresas da Alemanha pagaram aproximadamente 30,5 bilhões
de Euros para cobrir os seguros pagos pela seguridade social do país por faltas
ao trabalho.
• Nas 2.000 maiores empresas de Portugal houve uma perda de mais de 7,7
milhões de dias de trabalho resultante de doenças ocupacionais no ano de
1994, o que representa 5,5% de todos os dias de trabalho dessas empresas.

Além dos custos financeiros, deve-se destacar e dar grande importância às


conseqüências que os problemas dessa natureza trazem às famílias dos trabalhadores, gerando
sofrimento e prejuízo em qualidade de vida.
Enquanto os custos decorrentes da falta de segurança estão ligados ao tratamento das
conseqüências dos acidentes e as subseqüentes ações corretivas, os custos da segurança estão
relacionados com todo o tempo e recursos utilizados no planejamento da prevenção de
acidentes e nos controles implementados nos locais de trabalho.
Benite (2004) apresenta alguns dos principais custos da segurança. Esses custos
podem ser maiores ou menores, pois é em função do tipo de organização, processo produtivo,
serviço prestado, número de funcionários e da eficácia da gestão da segurança e saúde no
trabalho da empresa:
• tempo dos trabalhadores utilizado durante as atividades de treinamento;
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• custos dos treinamentos, conscientização e capacitação dos trabalhadores;


• custos com exames médicos de monitoramento de saúde;
• manutenção de equipes de segurança e saúde no trabalho e respectivos
encargos sociais;
• aquisição de equipamentos de proteção individual e coletiva;
• tempo para desenvolvimento de projetos e instalação de equipamentos de
proteção coletiva;
• placas de identificação e orientativas de segurança e saúde do trabalho;
• manutenção da infra-estrutura no ambiente de trabalho (áreas de vivência,
refeitório, alojamento, sanitários); e
• custo com realização de medições ambientais (ruído, iluminação, vapores, etc).

Deve-se notar que na avaliação desses custos, em geral, está embutido um conceito
questionável, no qual o mundo das organizações pode ser dividido em duas situações
distintas: uma que consiste em apenas trabalhar, e outra, trabalhar com segurança.
Essa visão dualista pode levar ao raciocínio de que uma operação necessita de
procedimentos de pura execução, complementados por mecanismos outros, garantidores de
segurança. Assim, um conceito mais adequado seria de que a execução correta de uma
determinada atividade traz em si o postulado da segurança desejada, ou seja, a falta de
segurança é sinônimo de uma atividade mal projetada ou executada de forma irregular e
incorreta.
No entanto, os diretores e gerentes das organizações almejam atingir suas metas de
maneira mais econômica e eficiente possível, não aceitando quaisquer restrições ou limitações
que afetem sua missão. Uma atitude comum é considerar os custos da segurança como
limitante, adotando-se um conceito completamente incorreto, pois as melhorias nas condições
de trabalho resultam em importantes reduções nos custos da não-segurança, tornando a
atividade mais eficiente e econômica.

2.1.2 Responsabilidade Social Empresarial

A responsabilidade social empresarial é a gestão da empresa baseada em princípios e


valores, expressos formalmente em seu código de ética e que devem nortear todas as suas
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relações, planos, programas e decisões. A empresa precisa mapear todos os públicos


impactados por suas atividades (funcionários, clientes, fornecedores, governo, comunidade,
acionistas, meio ambiente, concorrentes e credores) e traduzir seus valores em normas que
balizam as relações.
Uma empresa que busca implementar uma gestão socialmente responsável necessita
tomar suas decisões com base na ética e na transparência de suas ações. Caso contrário será
facilmente reprimida pelo seu público interno e externo.
Se o exercício da responsabilidade social corporativa vem crescendo e ganhando
visibilidade em todo o país, é preciso que as empresas saibam gerenciar com eficiência e
eficácia suas ações sociais. Autores como Melo, Neto e Froes (2001) afirmam que “o que falta
às empresas é uma prática gerencial bem estruturada, inovadora e condizente com as
demandas sociais de hoje”.
O enfrentamento das demandas sociais requer dinamismo na gestão da
responsabilidade social corporativa da empresa. Suas ações gerenciais devem se basear num
foco de atuação das ações sociais previamente definidas. Esta etapa faz parte de um longo e
contínuo processo que compreende a gestão da responsabilidade social corporativa.
Nesse caso, o exercício da cidadania empresarial se dá em duas dimensões: a gestão da
responsabilidade social interna e a gestão da responsabilidade social externa. Em outras
palavras, a gestão da responsabilidade social implica no gerenciamento das demandas de
todos os stakeholders.
Alguns autores acreditam que o exercício da responsabilidade social deve começar
com uma conduta exemplar junto ao público interno das empresas, para só depois abranger o
público externo. Todavia, nem sempre ocorre este movimento. É comum as organizações
inverterem este processo, causando o descontentamento dos empregados e, o que é pior,
criando um quadro de conflitos e de total desmotivação.
A responsabilidade social interna tem como foco trabalhar o público interno da
organização, desenvolver um modelo de gestão participativa e de reconhecimento de seus
empregados, promovendo comunicações transparentes, motivando-os para um desempenho
ótimo. Este modelo de gestão interna compreende ações dirigidas aos empregados e
dependentes, aos funcionários de empresas contratadas, terceirizadas, fornecedoras e
parceiras.
As ações socialmente responsáveis dirigidas a este público são desenvolvidas com o
objetivo de motivá-los para desempenhar com excelência suas funções. Para isso, é preciso
14

criar um ambiente de trabalho agradável, melhorando o clima organizacional e a interação


entre os funcionários e os membros do alto escalão da empresa.
Para o Instituto Ethos (2005), a prática da responsabilidade social revela-se
internamente na constituição de um ambiente de trabalho saudável e propício à realização
profissional das pessoas. A empresa, com isso, aumenta sua capacidade de recrutar e manter
talentos, fator chave para seu sucesso numa época em que criatividade e inteligência são
recursos cada vez mais valiosos.
Costa (2005) elenca algumas das ações que a empresa pode começar a implementar,
visando a prática da responsabilidade social interna:
• cuidar da qualidade de vida do empregado e investir nas instalações sanitárias;
• atender às necessidades básicas dos empregados fornecendo cestas básicas para
seus dependentes e realizando obras de infra-estrutura, como por exemplo a
criação de refeitório para seu público interno, para empresas terceirizadas e
contratadas;
• criar o hábito do uso de uniforme, contribuindo para melhorar as condições de
segurança no trabalho;
• buscar um Plano de Saúde e assistência odontológica que atenda a todos os
empregados e família;
• cuidar das condições de moradia dos empregados;
• implantar um Plano de Cargos e Salários;
• implantar programas de reconhecimento e valorização do empregado como:
Café com o Presidente, Empregado Destaque, Ginástica na Empresa,
Participação nos Resultados;
• investir na qualificação dos empregados através de programas de capacitação e
treinamento, internos e/ou externos, visando a sua melhor qualificação
profissional e a obtenção de escolaridade mínima.

Como afirmado anteriormente, algumas empresas preferem investir no exercício da


responsabilidade social externa, que tem como foco a comunidade. Suas ações se concentram
em áreas como a educação, a saúde, a assistência social e a ecologia.
Ainda de acordo com Costa (2005), a realização de ações de responsabilidade social
externa pode ocorrer através de:
• Doações de produtos, equipamentos e materiais em geral;
15

• transferência de recursos em regime de parceria para órgãos públicos e ONGs,


beneficiando escolas públicas, visando uma educação de qualidade, viabilizando
cursos técnicos, estágios e a formação de futuros profissionais;
• prestação de serviços voluntários para a comunidade pelos empregados da
organização, reformando creches e asilos;
• aplicação de recursos em atividades de preservação do meio ambiente, adotando uma
praça, reciclando o lixo da empresa ou através da coleta seletiva;
• patrocínio para projetos sociais do governo;
• investimento direto em projetos sociais criados pela própria organização;
• investimento em programas culturais através da lei do incentivo à cultura.

A visão do termo responsabilidade social está em constante mudança, como também


existem diferentes formas de implementá-la e avaliá-la adequadamente. O conceito está em
fase de amadurecimento sendo que lacunas sobre o assunto vêem dando lugar à construção de
indicadores associados às variáveis relacionadas às respectivas dimensões e relações da
empresa com seus diversos grupos de stakeholders.
16

3 ORGANIZAÇÕES E SISTEMAS DE GESTÃO

As organizações se fazem distinguir a partir de seus diferentes objetivos, suas estruturas e


finalidades. Para exemplificar, podem-se mencionar as organizações que se dedicam à
produção de bens e produtos, e as organizações que oferecem serviços especializados.
Ademais, existem empresas atuando nos mais variados ramos de atividade,
independentemente de seu tamanho.
Embora uma organização seja composta por pessoas que interagem entre si, é preciso
compreender que as organizações não fazem parte de uma unidade pronta e acabada, mas
constituem um organismo social vivo e sujeito a mudanças constantes.
Uma empresa é uma organização formal criada para um fim específico e, por ser uma
organização social, faz parte de um sistema aberto, com características próprias e diretamente
dependente do seu meio interno e externo. Em outras palavras, o funcionamento da empresa
está relacionado ao equilíbrio dos ambientes interno e externo, bem como ao cumprimento de
uma série de processos e normas que abrangem a complexidade organizacional, considerando
que a empresa se encontra em constante interação com todos os seus ambientes, absorvendo-
os e transformando-os em produtos e/ou serviços.
Isto porque o ambiente organizacional varia constantemente, oferecendo oportunidades e
vantagens competitivas, mas impondo também dificuldades e ameaças a qualquer empresa.

3.1 Estrutura das Organizações

Uma estrutura organizacional define como as tarefas são formalmente distribuídas,


agrupadas e coordenadas. Existem seis elementos básicos a serem focados pelos
administradores quando projetam a estrutura das suas organizações: a especialização do
trabalho, a departamentalização, a cadeia de comando, a amplitude de controle, a
centralização e descentralização e a formalização (ROBBINS, 2002).
Segundo Campos (2000), a velocidade e eficácia do aprendizado aumentaram muito
quando percebemos o conceito de Sistema Organizacional, o conceito do Sistema de Gestão,
o valor do Método, a função das Ferramentas, a importância do conhecimento técnico e o
papel fundamental e eliminatório da Liderança.
17

Todas as empresas são formadas por três componentes básicos: hardware (máquinas,
prédios, instalações etc.), humanware (pessoas e seus sentimentos, atitudes e
comportamentos) e software (procedimentos, métodos, regulamentos, tecnologia,
conhecimentos etc.). Analisando estes três componentes fundamentais, percebemos que toda a
área de recursos humanos, ao contrário do que se supõe, não faz parte de um sistema de
gestão, pois não é um método nem um procedimento. Dentro de uma organização, a área de
recursos humanos é mais importante que isso. Um sistema de gestão é apenas um dos
softwares utilizados pelas pessoas da empresa.
Campos (2000) cita a Teoria Geral de Sistemas, onde diz que todo sistema é constituído
de partes interligadas com uma função específica. O conceito de “partes interligadas” faz com
que o significado de sistema seja similar ao de processo. A função específica de um sistema
de gestão é produzir resultados, atingir metas ou resolver problemas. Portanto, o sistema de
gestão é constituído de partes interligadas com a função específica de produzir resultados para
a organização.
Ao construir a figura de um sistema de gestão (hardware, software e humanware), pode-se
facilitar a percepção de como as várias partes deste se relacionam entre si. Também fica mais
claro como deve ser as ações dos gestores. Se um gestor realizar um questionário interno, com
a ajuda de uma lista de verificação, poderá saber quais ações devem ser realizadas para
facilitar a implantação de um sistema de gestão. No entanto, poucos serão capazes de dizer o
que deve ser feito em primeiro lugar e convocar a equipe mais preparada para fazê-lo.
Segundo Campos (2000), a maioria dos gestores não sabe o que deve ser feito em
primeiro lugar, querem assegurar para si o direito de fazer tudo (e ganhar para isso), mesmo
que não sejam os mais competentes e porque é rara a organização que tem equipes
especializadas em todos os campos de um sistema de gestão.
A principal função de um gestor deveria ser a de definir onde iniciar o trabalho para que
se pudesse capitalizar o máximo de resultados à medida que se constrói o sistema de gestão.
Esse é o principio da gestão: tudo deve ser feito com o objetivo imediato de obter resultados.
Um sistema de gestão deve ser construído ao longo dos anos, pois depende da
compreensão das pessoas e de sua assimilação. O tempo é fator fundamental no aprendizado
das pessoas. A única condição é que se tenha resultado abundante a cada passo para que as
pessoas se animem a dar os passos seguintes.
18

3.2 Estratégia Organizacional

Para que as organizações façam a gestão de suas competências organizacionais, é


necessário que elas tenham suas estratégias definidas.
Nenhuma organização pode planejar pormenorizadamente todos os aspectos de suas ações
atuais e futuras, mas todas as organizações podem beneficiar-se ao ter uma noção para onde
estão dirigindo-se e, de como podem chegar lá. Todas as organizações precisam de alguma
direção estratégica.
Os conceitos existentes sobre “estratégia” indicam sempre a necessidade de escolha de
uma direção em um espectro temporal – de longo prazo anteriormente e curto prazo
atualmente -, de tal sorte que possa conduzir a empresa por um caminho mais seguro, com
menos turbulência, para consecução de seus objetivos. Definir uma estratégia significa criar
uma proposta única, com as atividades ajustadas em todas as áreas. Estratégia é sinônimo de
escolha (PORTER, 2000).
Segundo Mintzberg et al. (2000, p. 17) “[...] estratégia é um plano [...]; é um padrão, i.e.,
consistência em comportamento ao longo do tempo [...]; é uma posição [...]; uma perspectiva
[...], é um truque”.
Para Motta (1991, p. 82), estratégia é: o conjunto de decisões fixadas em um plano ou
emergentes do processo organizacional, que integra missão, objetivos e seqüência de ações
administrativas num todo interdependente. Portanto, estratégia tanto pode ser guias de ações
definidas a priori quanto o conjunto de resultados definidos a posteriori como produto de
comportamentos organizacionais específicos.
Mintzberg et al. (2000) identificaram os principais aspectos dessa visão emergente da
estratégia:
• as estratégias são incrementais e surgem ao longo do tempo;
• as estratégias pretendidas podem ser superadas pela realidade;
• a formulação e a implementação da estratégia se confundem;
• as idéias estratégicas podem surgir em todos os setores da organização e
• a estratégia é um processo.
As organizações que pretendem sobreviver à era do conhecimento e expandir-se no
espaço socioeconômico e político onde atuam, devem fazer escolhas claras, objetivas e fortes
de quais serão os fatores que farão com que o cliente ou usuário opte por esta e não por aquela
organização. No contexto contemporâneo as estratégias voltadas à gestão do conhecimento
serão prioritárias.
19

Para as organizações da era da informação, as estratégias não podem ser mais tão lineares
e rígidas como no passado. Os altos executivos precisam dar e receber constantemente
feedback instantâneo sobre o impacto das estratégias em ambientes competitivos e
turbulentos. As organizações precisam ter capacidade para o aprendizado que ocorre quando
os executivos questionam suas premissas e refletem sobre a teoria segundo a qual vinham
operando coerente com as evidências, as observações e a experiência atuais. Ocasionalmente,
precisam ser capazes de criar novas estratégias para aproveitar novas oportunidades, ou para
neutralizar novas ameaças não previstas quando da elaboração do plano estratégico inicial
(HAMEL, 2000).
Hamel (2000) alerta que o mundo está no limiar de uma era de revolução, onde a própria
natureza da mudança é diferente. Segundo esse autor, a organização que evolui lentamente
corre o risco de inviabilizar-se. Portanto, é necessário, que as estratégias sejam tão
revolucionárias como os novos tempos, e que é necessário os estrategistas compreenderem
que não são somente os ciclos de vida dos produtos que estão encolhendo; os ciclos de vida
das estratégias também estão cada vez mais curtos.

3.3 Ambiente Organizacional

As novas técnicas de trabalho, principalmente a informática, provocaram uma


modificação profunda na organização do trabalho. A progressiva superação do modelo
organizacional (taylorismo) do modelo mecânico racionalista (fordismo) pela nova cultura
organizativa, como a da qualidade total (toyotismo), é conseqüência, também, de tal
modificação tecnológica. Esta transformação técnica provocou a substituição do homem pela
máquina na execução de operações rotineiras e padronizadas, para torná-las mais rápidas e
eficazes. À redução da carga física de trabalhos físicos tem correspondido um aumento da
carga mental. O trabalhador é visto mais freqüentemente na supervisão e controle de
máquinas e/ou implantação.
O controle de sistemas de produção tornou indispensável à capacidade cognitiva de
resolução de problemas, de interpretação, de inferência e avaliação de dados, de formulação e
verificação de hipóteses. Em decorrência desse processo, a ergonomia cognitiva é
formalmente incorporada ao sistema organizacional, auxiliando na transformação do
conhecimento em força de produção, buscando, assim, dimensionar o trabalho para o homem.
20

A ergonomia pode contribuir para solucionar problemas sociais relacionados com a saúde,
segurança, conforto e eficiência que são alguns dos fatores geradores do estresse.
O ambiente organizacional, numa ampla concepção, determina se as pessoas podem
trabalhar sem distração, podem encontrar privacidade quando desejam, ou se estão à vista o
tempo todo. O ambiente também determina as oportunidades para mudanças sociais positivas
e processos de comunicação, incluindo o grau de conversação íntima e exposição social. A
habilidade dos trabalhadores para regular as interações sociais é altamente influenciada pelo
grau de acesso visual a exposição visual em conjunto, a proximidade dos colegas, a
disponibilidade e a localização dos ambientes de interação, pretendidos ou não.
Para Filho (2001), a estrutura conceitual fundamentada na relação entre pessoa e ambiente
de trabalho é a base de numerosos problemas de estresse, e é integrativa e orientada a
sistemas. Ela possui três componentes:
• identificação das necessidades humanas básicas, como elas são relatadas, para os
ambientes de trabalho;
• identificação das propriedades e atributos dos meios prováveis de afetar
satisfatoriamente aquelas necessidades e,
• identificação de indicadores de adaptação e desadaptação relacionada ao bem estar
no trabalho. Quando as pessoas estão em ambientes incompatíveis com suas
necessidades e preferências, elas experimentam uma dissonância, efeitos
negativos, incluindo respostas de estresse e descontentamento.

Muitos autores citam os fatores ambientais associados ao estresse no trabalho, incluindo:


ruído, enclausuramento, condições ambientais (luminosidade, qualidade do ar, temperatura) e
falta de controle, pelos agentes produtivos, sobre o meio ambiente, especialmente a
inabilidade para regular as condições sociais e encontrar privacidade quando desejada. A
moderação dos efeitos negativos das situações estressantes pode ser obtida se forem
fornecidos os meios para as pessoas os controlarem.
Outros itens como: saúde física (conforto e ausência de doenças); bem estar mental e
emocional (sentido de competência e desempenho satisfatório, estresse emocional mínimo,
sentido de identidade pessoal, sentimento de ligação); coesão social (altos níveis de contato
social, cooperação, satisfação com a organização e comunidade, alta qualidade de vida,
também devem ser considerados como. indicadores de adaptação da pessoa com o meio e bem
estar.
21

4 SISTEMAS DE GESTÃO DE SAÚDE E SEGURANÇA OCUPACIONAL

A busca por um método mais eficaz de se fazer a gestão das empresas tem sido
assunto recorrente ao longo de toda a história industrial. Foi possível perceber uma transição
dos princípios básicos aplicados na administração das organizações, da administração
científica de Taylor aos adotados pela abordagem sistêmica.
É evidente que os princípios anteriores contribuíram para os avanços tecnológicos
observados nas últimas décadas e são úteis para a resolução de problemas simples. No
entanto, a partir de um certo momento, a divisão de esforços passou a provocar dificuldades,
visto que os problemas existentes foram se tornando cada vez mais complexos e com
inúmeras variáveis e disciplinas envolvidas e inter-relacionadas, o que resultou na introdução
da teoria dos sistemas na administração.
Desta forma, os Sistemas de Gestão podem ser entendidos como um conjunto de
elementos dinamicamente relacionados que interagem entre si para funcionar como um todo,
tendo como função dirigir e controlar uma organização com um propósito determinado.
Assim, pode-se afirmar que o termo “Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no
Trabalho” apenas acrescenta o propósito ao sistema de gestão, no caso, segurança e saúde no
trabalho. Esta definição é válida para os demais sistemas de gestão (qualidade, ambiental,
etc.) apenas com propósitos diferenciados.
Segundo a Organização Mundial do Trabalho (OIT), o objetivo da Segurança e Saúde
no Trabalho é: “promover e manter um elevado grau de bem-estar físico, mental e social dos
trabalhadores em todas suas atividades, impedir qualquer dano causado pelas condições de
trabalho e proteger contra os riscos da presença de agentes prejudiciais a saúde.
Os sistemas de gestão da Segurança e Saúde no Trabalho também podem ser definidos
como um conjunto de iniciativas da organização, formalizado através de políticas, programas,
procedimentos e processos integrados ao negócio da organização para auxiliá-la a estar em
conformidade com as exigências legais e demais partes interessadas e, ao mesmo tempo, dar
coerência a sua própria concepção filosófica e cultual para conduzir suas atividades com ética
e responsabilidade social.
Um sistema de gestão de segurança e saúde ocupacional guarda certas similaridades
com outros sistemas de gestão, particularmente com relação a sistemas de gestão ambiental e
da garantia da qualidade. Alguns termos e definições também possuem certa semelhança,
sendo que outros são específicos à segurança e saúde ocupacional.
22

Deve-se destacar que o Sistema de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho


apresenta características orgânica e dinâmica, ou seja, seus elementos não são estáticos e
devem reagir e se adaptarem aos desvios (reais ou potenciais) que ocorram em relação aos
seus objetivos e propósitos, visando a melhoria contínua.
Na implantação do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional numa
empresa é possível destacar alguns aspectos importantes:
• o estabelecimento de um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional
propicia a identificação e o gerenciamento adequado dos riscos de segurança e
saúde ocupacional;
• a implementação do sistema torna possível que se atinja o máximo de segurança
dentro da organização, gerando em conseqüência uma maior qualidade e
produtividade dos empregados e dos processos fabris;
• melhoria da imagem pública da organização com a redução ou eliminação de
acidentes do trabalho perante a comunidade, imprensa e governo.
Por mais elaborado que seja um Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho
e por melhores que sejam as ferramentas por ele disponibilizadas para o diagnóstico e a
solução dos riscos do trabalho, se não houver disposição e participação compromissada de
todos os envolvidos em suas ações, especialmente do corpo gerencial da empresa, os
resultados por ele produzidos serão limitados, tanto do ponto de vista quantitativo, quanto
qualitativo. Pior do que os poucos resultados na correção dos riscos do trabalho é o baixo
desempenho na manutenção das medidas corretivas porventura implementadas.
A gestão da segurança e saúde deve ser considerada, através da garantia da integridade
física e da saúde dos funcionários, como fator de desempenho devendo ser incorporado à
gestão do negócio empresarial.
Embora a gestão da saúde e segurança ainda não exista como norma internacional,
como é o caso da ISO 9000 para qualidade (originada da BS 5750) e da ISO 14000 –
Ambiental, os especialistas da área acreditam que a questão da saúde e segurança trilhará o
mesmo caminho, considerando-se a série de normas britânicas BS 8800 para sistemas de
gestão de segurança e saúde. Diferente das normas de qualidade e ambiental que são
certificadoras, as normas de saúde e segurança vêm na forma de guia unificando todo um
conteúdo. No Brasil, há diversas empresas que já possuem ou trabalham para obter sistemas
integrados que incorporam os requisitos da ISO 9000, ISO 14000 e as diretrizes da BS 8800.
No paradigma atual das transformações pressupõe-se que o esforço de direcionamento
de uma organização deva estar votado para o aperfeiçoamento contínuo, e não para a
23

estabilidade de normas, padrões e regras previamentes instauradas e perenemente tornadas


rotineiras.
Nota-se que a retroação é convergente com o conceito do ciclo de melhoria contínua,
que consiste em utilizar o processo de aprendizagem de um ciclo para aprimorar e ajustar
expectativas para o ciclo seguinte. Esse aprendizado baseia-se não somente em problemas
reais, mas nos problemas potenciais que podem vir a ocorrer na organização.
Nesse sentido, Heinrich (apud Brauch, 1994), ainda na década de 30, introduziu um
importante princípio que fundamenta os atuais modelos de Sistemas de Gestão da Segurança e
Saúde no Trabalho. Este princípio estabelece que as ações de prevenção deveriam focar mais
a investigação e identificação antecipada das causas ao invés dos efeitos dos acidentes (lesões,
danos, etc.), tal prerrogativa demanda uma mudança da forma de atuação das organizações,
saído de uma ação exclusivamente reativa e que depende da ocorrência de acidentes reais para
tomada de ações corretivas, para uma ação pró-ativa, na qual existe a identificação e controle
dos perigos antes de se tornarem acidentes. A figura 1 procura representar essa mudança.

ATUAÇÃO REATIVA ATUAÇÃO PRÓ-ATIVA

IDENTIFICAÇÃO
ACIDENTE DOS
PERIGOS

AVALIAÇÃO
INVESTIGAÇÃO DOS
RISCOS

INVESTIGAÇÃO
MUDANÇA
ANÁLISE MEDIDAS DE
CONTROLE

MEDIDAS DE ACIDENTE
CONTROLE

Figura 1: Mudança de forma de atuação reativa para pró-ativa.

Para implementação do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho,


também é importante conhecer os níveis de desempenho em relação à Segurança e Saúde no
Trabalho que as organizações podem apresentar, visto que o propósito básico do sistema é
24

atuar sobre esse desempenho. Segundo Benite (2004), as organizações, em geral, se


encontram em um dos três níveis de desempenho apresentados a seguir:
• Ciclo dos Acidentes: sem esforços contínuos sem melhoria contínua;
• Patamar de Desempenho: esforços contínuos sem melhoria contínua; e
• Melhoria Contínua do Desempenho: esforços contínuos com melhoria
contínua.
No Ciclo dos Acidentes a atuação da organização em relação à Segurança e Saúde do
Trabalho baseia-se nas seguintes etapas:
• as elevadas taxas de acidentes disparam as ações;
• são aumentados os controles em Segurança e Saúde do Trabalho;
• o desempenho em Segurança e Saúde do Trabalho melhora;
• os recursos começam a ser desviados para outros assuntos;
• inicia-se um novo período de crescimento das taxas de acidentes.
Apesar do Ciclo de Acidentes levar a frustração, pelo menos apresenta uma razão para
o crescimento das taxas de acidentes, sedo que o seu desconhecimento seria uma posição
muito pior. Entretanto, apesar de uma empresa que esteja no ciclo dos acidentes encontra-se,
relativamente, estável em uma visão de longo prazo, ela não produzirá melhorias contínuas
em seu desempeno.
No Patamar de Desempenho, as empresas possuem um grande empenho em reduzir
suas taxas de acidentes, com uma constância de propósito e práticas adequadas em relação à
Segurança e Saúde do Trabalho, resultando em taxas de acidentes significativamente menores
do que as do Ciclo de Acidentes. Entretanto, pode-se notar que o esforço contínuo não é
suficiente para a obtenção da melhoria contínua do desempenho.
No nível Melhoria Contínua do Desempenho, as taxas de acidentes são reduzidas ao
longo do tempo de maneira ininterrupta sem retornar para os níveis anteriores. Esse nível de
fatores só pode ser alcançado pelas empresas por meio de três fatores essenciais na gestão da
Segurança e Saúde do Trabalho:
• Constância de propósitos;
• Existência de mecanismos sistêmicos de melhoria;
• Existência de mecanismos para uma atuação pró-ativa em Segurança e Saúde
do Trabalho.
Assim, os Sistemas de Gestão de Segurança e Saúde do Trabalho podem contribuir
efetivamente para que as empresas obtenham o nível da Melhoria Contínua de Desempenho,
25

visto que apresentam mecanismos sistêmicos de melhoria, fundamentaram-se em uma atuação


pró-ativa e podem deflagar a constância de propósitos.
As normas que serão apresentadas a seguir, foram desenvolvidos com base no ciclo
PDCA – Plan, Do, Check e Act, ou seja, possuem o princípio da melhoria contínua embutido.
A Figura 2 apresenta de modo explicativo o ciclo PDCA.

ACT PLAN

Definir
as
Atuar metas
corretivamente Definir os
métodos que
ajudarão a atingir
as metas
propostas
A P
C D Educar e
Treinar
Verificar os
resultados da tarefa
executada Executar a
tarefa
DO (Coletar
Dados)
CHECK

Figura 2: Ciclo PDCA para Melhoria Contínua

4.1 Norma BS 8800 – Segurança e Saúde Ocupacional

A norma BS 8800 foi criada em 1996 tem como objetivo ser uma ferramenta para os
administradores, empregados e profissionais envolvidos com a Segurança do Trabalho e
outras especialidades, para que esses possam ter à sua disposição uma “bússola” para seguir e
direcionar suas ações. Dentre os objetivos da norma destacam-se:
26

• valorização do Capital Humano;


• melhora do rendimento do trabalho;
• garantia do sucesso da organização;
• melhora da imagem da organização frente à sociedade.
Mesmo reconhecendo a existência de um embasamento legislativo inerente à
Segurança e Saúde no Trabalho (SST), determinando que as organizações adotem medidas
pró-ativas no gerenciamento de suas atividades, a fim de antecipar e prevenir circunstâncias
que possam resultar em lesão ou doença ocupacional, a BS 8800 apresenta o grande mérito de
sistematizar todos os programas (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – PPRA,
Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO, Programa de Condições e
Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção – PCMAT, Programa de Controle
Auditivo – PCA etc.) e ações referentes à área de segurança e saúde no ocupacional (SSO) de
forma estruturada.
Através da análise da BS 8800, verifica-se que os elementos básicos de um Sistema de
Gestão da SST são identificados na parte central da BS 8800, porém não os caracterizam de
forma suficientemente clara que permita a sua implementação em uma empresa. De fato, são
os anexos deste guia que fornecem os detalhes inerentes à implementação dos vários
elementos do sistema (definindo como fazer), constatando-se que a maior parte do seu
conteúdo encontra-se em seus seis anexos com a seguinte abordagem:
• Anexo A: apresenta o inter-relacionamento existente entre este guia e a ISO 9001,
fornecendo subsídios às organizações para a implantação das medidas de SSO em
conformidade com os Sistemas de Gestão da Qualidade implantados ou a serem
implantados, de forma a integrá-los em seu sistema global de gestão;
• Anexo B: fornece orientação sobre a alocação de responsabilidades e a
organização de pessoas, recursos, comunicações e documentações, para definir e
complementar a política e administrar eficazmente a Segurança e Saúde
Ocupacional;
• Anexo C: descreve o procedimento que as organizações podem usar para
desenvolver qualquer aspecto do seu Sistema de Gestão;
• Anexo D: explica os princípios e práticas da avaliação de riscos de Segurança e
Saúde Ocupacional, e porque ela é necessária;
• Anexo E: explica porque são necessárias a mensuração do desempenho da
Segurança e Saúde Ocupacional e as várias abordagens que podem ser adotadas;
27

• Anexo F: dá orientações sobre como estabelecer e operar um sistema de Auditoria


de SST.
Diante da inexistência de modelos pré-estabelecidos para o Sistema de Gestão da
Segurança e Saúde no Trabalho, o comitê britânico, responsável pela elaboração da norma,
desenvolveu duas abordagens para a utilização do guia, a fim de obter o consenso das partes
envolvidas: uma baseada no HSE guidance – Successful Health and Safety Management –
HS(G) 65 (já adotada amplamente por várias indústrias do Reino Unido), e outra, baseada na
ISO 14001 sobre Sistemas de Gestão Ambiental. Como a orientação apresentada em cada
abordagem é, essencialmente, a mesma, a única diferença significativa é a ordem de
apresentação. Neste sentido, no desenvolvimento desta monografia, optou-se pela abordagem
baseada na ISO 14001.
No quadro 1, serão apresentados os requisitos do Guia BS 8800, conforme a norma ISO
14001.

Quadro 1: BS 8800 – Elementos da Gestão bem Sucedida de Saúde e Segurança Ocupacional


com Base na Abordagem da ISO 14001
BS 8800, abordagem ISO 14001 – Requisitos
4.01 Generalidades
4.0 Introdução
4.02 Levantamento da situação inicial
4.1 Política de Segurança e Saúde
Ocupacional
4.2.1 Generalidades
4.2.2 Avaliação de Riscos
4.2 Planejamento 4.2.3 Requisitos Legais
4.2.4 Providências para o gerenciamento de
Segurança e Saúde Ocupacional
4.3 Implementação e operação 4.3.1 Estrutura e responsabilidade
4.3.2 Treinamento, conscientização e
competência
4.3.3 Comunicações
4.3.4 Documentação do sistema de
gerenciamento de Segurança e Saúde
Ocupacional
4.3.5 Controle de documentos
28

4.3.6 Controle operacional


4.3.7 Preparação e resposta a emergência
4.4.1 Monitoração e medição
4.4.2 Ação corretiva
4.4 Verificação e ação corretiva
4.4.3 Registros
4.4.4 Auditoria
4.5 Levantamento gerencial
Fonte: BSI BS 8800:1996

A BS 8800 foi criada com a intenção de proporcionar uma base e uma linguagem
comum para os sistemas de gestão de segurança e saúde ocupacional, auxiliando as empresas
a estabelecer uma plataforma universal para tratar e administrar questões de risco, higiene no
trabalho, comportamento e atitudes seguras em relação ao ambiente onde se exercem alguma
atividade.

4.2 Norma OHSAS 18000 – Gestão de Segurança e Saúde Ocupacional

A Norma Occupational Health and Safety Assessment Series (OHSAS 18000) –


apresenta os requisitos para um sistema em saúde e segurança ocupacional, para permitir a
uma organização controlar seus riscos em saúde e segurança ocupacional e melhorar seu
desempenho. Ela não estabelece critérios específicos de desempenho em saúde e segurança
ocupacional, nem fornece especificações detalhadas para a concepção de um sistema de
gestão (BSI – OHSAS 18001, 1999).
A OHSAS 18001:1999, além de ser compatível com as normas ISO 9000 e 14000 –,
também é formada pela seleção das melhores normas internacionais de saúde ocupacional.
Essa norma é um guia para a implementação de sistemas de gestão de segurança e higiene
ocupacional.
A série de avaliação de saúde e segurança ocupacional OHSAS 18001 foi projetada para
ajudar as organizações a formularem políticas e metas de saúde e segurança ocupacional. A
série inclui a norma 18002, Diretrizes para a implementação da OHSAS 18001. A norma se
aplica qualquer organização que queira:
29

• estabelecer um sistema de gestão em saúde e segurança ocupacional (sistema de


gestão em Segurança e Saúde Ocupacional);
• implementar, manter e melhorar continuamente um sistema de gestão em
Segurança e Saúde Ocupacional;
• assegurar-se de que está em conformidade com sua política de Segurança e Saúde
Ocupacional;
• demonstrar essa conformidade a terceiros;
• buscar a certificação de seu sistema de gestão em Segurança e Saúde Ocupacional
por uma organização externa; ou
• emitir uma alto declaração de conformidade com esta norma, após realizar uma
auto-avaliação.

Segundo a norma OHSAS 18001:1999, seus sistemas de gestão são avaliados em várias
dimensões. A abrangência da aplicação depende de fatores como política de saúde e
segurança ocupacional da organização, a natureza de suas atividades, e as condições sob as
quais opera. Deve-se fundamentar o sistema de gestão em:
• uma política de segurança e saúde apropriada para a companhia;
• a identificação dos riscos e exigências legais de saúde e segurança ocupacional;
• objetivos, metas e programas que assegurem o aperfeiçoamento contínuo;
• atividades de gestão que controlem os riscos de saúde e segurança ocupacional;
• monitorar o desempenho do sistema de saúde e segurança ocupacional; e
• revisões, avaliações e aperfeiçoamentos contínuos do sistema.
A seguir são descritos os elementos essenciais apresentados na norma OHSAS
18001:1999:

• Política de segurança e saúde no trabalho: A empresa deve definir, documentar


e endossar sua política de gestão de higiene, segurança e saúde no trabalho.
• Análise de Riscos: A organização deve empreender avaliação dos riscos incluindo
identificação de perigos em face da segurança dos trabalhadores.
• Requisitos legais e outros: A organização deve identificar os requisitos legais
além daqueles para avaliação de riscos, que lhes sejam aplicados e também
quaisquer outros requisitos aplicáveis à gestão da higiene, segurança e saúde no
trabalho.
30

• Providências para o gerenciamento da higiene, segurança e saúde no


trabalho: As providências a SST (segurança e saúde no trabalho) importam na
cobertura das áreas de objetivos e planos globais, conhecimento suficiente da SST
e controle de riscos.
• Estrutura e responsabilidade: Cabe a gestão superior a responsabilidade pela
higiene, segurança e saúde no trabalho. Implica na alocação de pessoa do nível
sênior para assegurar que o sistema encontra-se adequadamente implementado.
• Treinamento, conscientização e competência: A organização deve fazer arranjos
para identificar as competências requeridas, em todos os níveis da organização e
organizar qualquer treinamento necessário.
• Documentação do Sistema de Higiene, segurança e saúde no trabalho: É
necessário conhecer e documentar as informações sobre a SST.
• Controle de documentos: As organizações devem fazer arranjos para garantir que
os documentos sejam mantidos atualizados e aplicáveis aos propósitos para os
quais eles foram pretendidos.
• Controle operacional: É necessário que a higiene, segurança e saúde no trabalho
estejam integrados por toda a organização e dentro de todas as duas atividades.
• Prontidão e resposta emergências: Uma organização deve fazer arranjos para
estabelecer planos de contingências para emergências previsíveis e para mitigar os
seus efeitos.
• Monitoração e medição: É necessário para fornecer informações sobre a eficácia
do sistema de gestão da higiene, segurança e saúde no trabalho.
• Ação Corretiva: Onde deficiências sejam encontradas, as causas-raízes devem ser
identificadas e a ação corretiva tomada.
• Registros: A organização deve manter qualquer registro necessário para
demonstrar o cumprimento a requisitos legais e outros.
• Análise critica pela administração: A organização deve definir a freqüência e o
escopo das análises críticas periódicas do sistema de gestão da higiene, segurança
e saúde no trabalho de acordo com suas necessidades.
• Comunicação: A organização deve estabelecer e manter arranjos para que a
comunicação seja aberta e efetiva.
31

Os elementos de um sistema de saúde e segurança ocupacional exigem um processo


contínuo de revisão e avaliação, dentro do conceito de melhoria contínua, levando em conta o
aperfeiçoamento e a minimização de todas as não-conformidades em saúde e segurança. Nesta
avaliação, a identificação de um elemento com alto percentual ou indicador elevado em uma
não-conformidade, pode ser usado como indicador de prioridade para eliminar a não-
conformidade ou reduzi-la a padrões estabelecidos nas Normas Regulamentadoras.

4.3 Principais Elementos dos Sistemas de Gestão em Segurança e Saúde no Trabalho

Agora, serão apresentados os aspectos essenciais e às particularidades dos principais


elementos dos Sistemas de Gestão da Segurança e Saúde do Trabalho anteriormente
apresentados.

4.3.1 Política de Segurança e Saúde no Trabalho

O requisito 4.1 da norma BSI-OHSAS 18001 (Política de Segurança e Saúde no


Trabalho) diz que:

“A empresa deve implementar uma política de segurança e saúde no trabalho,


autorizada pela alta administração, que claramente estabeleça os objetivos gerais de segurança
e saúde e o comprometimento com a melhoria do desempenho em segurança e saúde.
A Política deve:
• Ser apropriada à natureza e à escala dos riscos de Segurança e Saúde da organização;
• Incluir o comprometimento com a melhoria contínua;
• Incluir o comprometimento em, pelo menos, atender à legislação vigente de segurança
e saúde no trabalho aplicável e a outros requisitos aos quais a organização está
submetida;
• Ser documentada, implementada e mantida;
• Ser comunicada a todos os empregados com a intenção de torná-los conscientes sobre
suas obrigações individuais em relação à Segurança e Saúde no Trabalho;
• Estar disponível à todas as partes interessadas;
32

• Ser periodicamente analisada de forma crítica para assegurar que esta permanecerá
pertinente e apropriada à organização.” (BSI-OHSAS 18001, 1999).

Através da implantação da Política de Segurança e Saúde no Trabalho, define-se um


direcionamento geral para a empresa e as diretrizes de atuação em relação à segurança e saúde
do trabalho. Estas diretrizes devem ser compostas por requisitos que efetivamente sejam
cumpridos pela empresa e que sejam evidenciados de maneira clara.
Uma das funções da política de Segurança e Saúde no Trabalho é a demonstração formal
do comprometimento da alta administração com o desempenho em Segurança e Saúde da
Empresa.
Desta forma, a alta diretoria deve adotar algumas medidas visando a efetiva
implementação desta política:
• estabelecer políticas de práticas de trabalho seguras;
• anunciar as políticas de segurança e expressar seu apoio a elas;
• participar ativamente dos esforços para implementar as políticas de segurança;
• reconhecer os trabalhadores que implementem as políticas;
• demonstrar continuamente o seu apoio às políticas às políticas de segurança;
• adotar as práticas implementadas de forma a realizar o “Exemplo pela Liderança”.

Para obter bons resultados nos programas de segurança e saúde é fundamental a


aderência entre as ações concretas que são desencadeadas na empresa e a política
estabelecida, pois se isto não ocorrer, o programa poderá perder sua credibilidade. Assim,
políticas que não expressam a realidade e objetivos exeqüíveis, podem provocar a
desmotivação dos funcionários.
A política de Segurança e Saúde no Trabalho deve ser de conhecimento e compreendida
por todas as pessoas da empresa e divulgada às partes interessadas da organização.
Esta divulgação pode ser realizada por diversas maneiras, como palestras, treinamentos,
informativos, periódicos, murais, cartazes, eventos, abertura da empresa às partes
interessadas, disponibilização na página eletrônica da organização.
33

4.3.2 Identificação de perigos, avaliação e controle dos riscos

A norma BSI-OHSAS 18001 (Política de Segurança e Saúde no Trabalho) diz que:

“A organização deve estabelecer e manter procedimentos para a contínua identificação


de perigos, avaliação de riscos e a implementação das medidas de controle necessárias.
Estes devem incluir:
• Atividades de rotina e não-rotina;
• Atividades de todo o pessoal que têm acesso ao local de trabalho (incluindo sub-
contratantes e visitantes);
• Instalações do local do trabalho, tanto fornecidas pela organização como por outros.
A organização deve garantir que os resultados dessas avaliações e os efeitos dos controles
sejam considerados para o estabelecimento dos objetivos de Segurança e Saúde no Trabalho.
A organização deve documentar e manter tais informações atualizadas.
A metodologia da organização para identificação de perigos e avaliações de risco deve:
• Ser definida com respeito a seu escopo, natureza e freqüência para assegurar que esta
seja pró-ativa ao invés de reativa;
• Fornecer, pela identificação e classificação dos riscos, quais devem ser eliminados ou
controlados pelas medidas definidas nos objetivos e programas;
• Ser consistente com a experiência operacional e a capacidade das medidas de controle
de riscos empregadas;
• Prover informações para a determinação de requisitos de instalação, identificação de
necessidades de treinamento e/ou desenvolvimento de controles operacionais;
• Subsidiar as ações de monitoramento necessárias para garantir a eficácia e os prazos
de sua implementação.” (BSI-OHSAS-18001)
Tomando como base o pressuposto de que é impossível ocorrer um acidente e suas
conseqüências sem a presença de um perigo, as empresas devem buscar o total conhecimento
dos perigos e riscos existentes em seus ambientes de trabalho. Assim, deve estabelecer uma
sistemática que permita a criação de um inventário dos perigos e riscos existentes,
contemplando a avaliação dos riscos envolvidos.
Para o real atendimento deste requisito, é necessário que o gerenciamento de riscos
seja sistemático, pró-ativo e tenha como objetivo garantir que todos os perigos atuais e futuros
sejam identificados e tratados adequadamente.
34

O gerenciamento de riscos é de fundamental importância, pois tem como objetivo


auxiliar a tomada de decisão na área de Segurança e Saúde e permitir melhor alocação de
recursos, além de subsidiar o processo de definição de medidas de controle.
A norma BS-8800 indica a necessidade de se elaborar uma lista com todas as origens
de perigos existentes, agrupando-os de forma racional e prática para facilitar a posterior etapa
de identificação dos perigos e avaliação dos riscos. Ela apresenta os seguintes exemplos de
classificação:
• Áreas geográficas dentro e fora da empresa;
• Estágios no processo de produção ou na provisão de um serviço;
• Trabalho planejado e reativo;
• Tarefas definidas (por exemplo, movimentação de cargas).
As etapas de identificação dos perigos nas origens e avaliação dos riscos não são
tarefas simples, pois estamos constantemente passando pelos perigos de forma despercebida.
Assim, é necessário treinamento e experiência para perceber condições inseguras e prever atos
inseguros, já que não é simples e direto perceber como a combinação de fatos e a
complexidade das operações e equipamentos podem conduzir a um evento indesejável.
A identificação dos perigos e a avaliação dos riscos devem ser realizadas por meio de
uma abordagem estruturada, que é possível pela aplicação de técnicas analíticas como:
• APR – Análise Preliminar de Risco;
• What/if;
• HAZOP – Hazard and Operability Studies;
• FMEA – Failure Mode and Effect Analysis;
• AAF – Análise de Árvore de Falhas.
Com a realização da identificação dos perigo e avaliação dos riscos, as empresas
podem avaliar quais riscos são toleráveis e quais devem ser controlados.
Todos os dados obtidos pelo gerenciamento de riscos permitem a priorização das
ações de Segurança e Saúde, ou seja, subsidiam o estabelecimento dos objetivos e programas,
direcionando os recursos para as áreas mais importantes, o que resulta em uma melhoria na
relação custo-benefício.
Além disso, os dados obtidos pelo gerenciamento de riscos podem ser utilizados para
outros propósitos relevantes:
• Treinamento e conscientização das equipes de trabalho sobre uma origem
específica, quanto a sua operação, requisitos de equipamentos, onde e como as
35

falhas podem ocorrer, quais são as conseqüências dos danos, e, principalmente,


o que deve ser continuamente monitorado para assegurar a Segurança e Saúde
no Trabalho;
• Investigação de acidentes, pois possuem muitas informações relevantes sobre a
origem;
• Comunicação, ou seja, se os dados obtidos forem ordenados de forma lógica e
compreensível servirão de base para a comunicação de equipes, gerências,
consultores externos, fornecedores, entre outros.
A implementação de um processo adequado de gerenciamento de riscos, estabelecido
em procedimento, é suficiente para o atendimento do requisito em questão. Porém, deve-se
notar a importância deste requisito pois o desempenho de Segurança e Saúde está diretamente
ligado à eficácia de sua implementação, ou seja, se os perigos e riscos forem mal identificados
ou avaliados, todas as ações decorrentes serão realizadas de forma inadequada.

4.3.3 Exigências legais e outras

A organização deve estabelecer e manter procedimento para identificar e acessar a


legislação e outras exigências de Segurança e Saúde no Trabalho que lhe são aplicáveis.
A organização deve manter estas informações atualizadas. Deve comunicar
informações relevantes sobre legislação e outras exigências aos seus empregados e a outras
partes interessadas. (BSI-OHSAS 18000, 1999).
Este requisito estabelece que as empresas devem ter consciência de como suas
atividades são, ou serão, afetadas pelas exigências legais e outras exigências relacionadas à
Segurança e Saúde no Trabalho, como também devem aplicá-las e comunicá-las aos
trabalhadores e às partes interessadas.
A falta de um processo adequado para identificação e disseminação das leis e normas
nas empresas contribui para o seu descumprimento e as conseqüentes multas, embargos e
acidentes.
Por isso, as empresas devem estabelecer um procedimento sistemático para identificar
e atualizar as normas relativas à Segurança e Saúde no Trabalho que lhes são aplicáveis,
considerando as suas origens. Este procedimento deve subsidiar a definição das medidas de
controle, possibilitando a efetiva disseminação das exigências na empresa e o conseqüente
cumprimento destas.
36

Diversas formas podem ser adotadas para a aplicação do requisito, e entre elas pode-se
citar:
• Consulta sistemática a páginas de Internet do governo que apresentam bancos
de dados com as legislações de Segurança e Saúde do Trabalho;
• Contratação de empresas de assessoria especializadas na identificação e
atualização de legislação e normas;
• Contratação de assessorias jurídicas.

O requisito não restringe sua aplicação a exigências legais, mas também a qualquer
outra exigência relacionada à Segurança e Saúde no Trabalho que a empresa esteja subscrita
ou que julgue pertinente para seu desempenho.

4.3.4 Objetivos e Programas

4.3.4.1 Objetivos e Programas de Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho

• Objetivos - requisito 4.3.3


A organização deve estabelecer e manter documentados os objetivos de Segurança e
Saúde no Trabalho para cada função e nível relevante da organização. (NOTA: Objetivos
devem ser quantificados sempre que praticável)
Durante o estabelecimento e análise crítica dos objetivos, a organização deve considerar a
legislação e outras exigências, seus perigos e riscos, suas opções tecnológicas, suas finanças,
requisitos operacionais e de negócios, e a visão das partes interessadas. Os objetivos devem
ser consistentes com a política de Segurança e Saúde no Trabalho, incluindo o
comprometimento com a melhoria contínua.

• Programas de gestão da Segurança e Saúde no Trabalho - requisito 4.3.4


A organização deve estabelecer e manter programas de gestão de Segurança e Saúde
no Trabalho para alcançar seus objetivos. Este deve incluir documentação com:
• A designação das responsabilidades e autoridades para o alcance dos objetivos
em funções e níveis relevantes da organização; e
• Os meios e prazos pelos quais tais objetivos são alcançados.
37

Os programas de gestão de Segurança e Saúde devem ser analisados criticamente em


intervalos regulares e planejados. Onde houver necessidade, estes programas devem ser
revisados para atender às mudanças nas atividades, produtos, serviços, ou condições
operacionais da organização (BSI-OHSAS 18001, 1999).
Planejamento pode ser definido como sendo a função administrativa que determina
antecipadamente qual os objetivos a serem alcançados, e o que deve ser feito para atingi-los
da melhor maneira possível. De forma semelhante a norma BSI-OHSAS 18001 institui no
processo de planejamento do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho o
requisito 4.3.3 que define a necessidade de se estabelecer objetivos, e o requisito 4.3.4 que
aponta a necessidade de programas de gestão da Segurança e Saúde no Trabalho para alcançá-
los.
Dessa forma, a empresa deve fundamentar, com base em sua política de Segurança e
Saúde no Trabalho, os objetivos e os respectivos planos para atingi-los (programas de gestão
da Segurança e Saúde no Trabalho).
O desdobramento da política e missão da empresa em objetivos quantificados feito
sucessivamente ao longo de todos os níveis da organização, de maneira a permitir que cada
pessoa saiba exatamente de que forma contribui, faz com que a empresa seja facilmente
manobrável, tornando-se mais ágil e dinâmica.
Desta forma, devem ser estabelecidos uma série de objetivos em Segurança e Saúde no
Trabalho que levem em consideração, entre outros, os seguintes itens:
• Resultados obtidos da identificação de perigos, avaliação e controle de riscos;
• Resultados da análise das exigências legais e outras;
• Opções tecnológicas existentes;
• Recursos da empresa em geral e, em particular, as condições financeiras e
operacionais nela existentes;
• Visões dos trabalhadores e outras partes interessadas;
• As condições do negócio (novos empreendimentos, novas áreas de atuação,
etc.);
• Dados existentes relativos aos acidentes, quase-acidentes e não conformidades.

Para que seja possível mensurar se os objetivos definidos estão sendo alcançados, é
necessário definir metas e indicadores de acompanhamento de progresso, conforme exemplos
apresentados no quadro 2.
38

Quadro 2: Exemplos de objetivos, metas e indicadores de Segurança e Saúde no Trabalho.


Objetivo Meta Indicador
Número de acidentes sem
Reduzir o número de afastamento apresentado no
No mínimo 50% até
acidentes de trabalho sem relatório anual de acidentes
Dez/2006
afastamento. de 2006 em relação ao de
2005.
Número de atividades de
Eliminar atividades de alto Eliminar 02 atividades de
alto risco realizadas em
risco na empresa alto risco até Dez/2006.
2006 em relação à 2005.
Número de Sistemas de
Implementação de Sistemas
No mínimo duas até Proteção Coletiva
de Proteção Coletiva
Dez/2006. inovadoras implementadas e
inovadoras
em operação no ano.
Número de horas de
Aumentar o número médio
Aumentar em treinamento de Segurança e
de horas dos treinamentos
2hr/funcionário até Saúde no Trabalho / número
de Segurança e Saúde no
Dez./2006 de funcionários (medido
Trabalho.
mensalmente).

Os objetivos a serem estabelecidos devem ser mensuráveis sempre quando praticável,


ou seja, somente é permitida a utilização de objetivos não mensuráveis quando a empresa não
encontrar formas adequadas para realizar o seu acompanhamento de forma qualitativa. Essa
recomendação tem como objetivo facilitar a análise crítica dos resultados pelos processos de
monitoramento e análise crítica pela alta direção (ver itens 4.3.12 e 4.3.15), possibilitando
avaliar o desempenho do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho de maneira
eficaz e baseada em fatos.
Os objetivos e suas respectivas metas devem ser estabelecidos para cada função e nível
relevantes da organização. Todas as pessoas que possuem responsabilidades para que um
determinado alvo seja atingido devem estar conscientes sobre quais são seus objetivos, suas
metas e como está a evolução ao longo do tempo. Isso indica que os objetivos devem ser
comunicados de forma eficaz a fim de que as pessoas possam contribuir para atingi-los.
39

Para que os objetivos e metas sejam atingidos é necessário o estabelecimento de


estratégias e planos de ação. Assim, devem ser estabelecidos Programas de Gestão da
Segurança e Saúde no Trabalho documentados que possibilitem a sua comunicação a todos os
envolvidos, e decorrente aplicação.
Os Programas de Segurança e Saúde no Trabalho devem contemplar os seguintes
itens:
• Identificação clara das responsabilidades de cada pessoa nos diversos níveis da
estrutura organizacional para o alcance dos objetivos e metas;
• Identificação de todas as atividades que devem ser desenvolvidas;
• Identificação de todos os recursos necessários;
• Identificação dos prazos para o desenvolvimento das atividades ou alocação de
recursos.

Os Programas de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho desenvolvidos devem ser


acompanhados e analisados criticamente em intervalos regulares e planejados, devendo ser
revisados para atender às mudanças nas atividades, produtos, serviços ou condições
operacionais.

4.3.5 Estrutura e Responsabilidade

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.4.1, que: “As funções,


responsabilidades e autoridades do pessoal que administra, executa e verifica atividades que
têm efeitos sobre os riscos de Segurança e Saúde no Trabalho atividades, instalações e
processos da organização, devem ser definidas, documentadas e comunicadas para facilitar a
gestão da Segurança e Saúde no Trabalho.
A responsabilidade final sobre segurança e saúde no trabalho pertence à alta
administração. A organização deve designar um membro da alta administração (por exemplo,
em uma grande organização, um diretor ou um membro do comitê executivo) com a particular
responsabilidade de assegurar que o sistema de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho seja
devidamente implementado e atende aos requisitos em todas situações e locais de operação da
organização.
A administração deve fornecer recursos essenciais para a implementação, controle e
melhoria do sistema de gestão de Segurança e Saúde no Trabalho.
40

(NOTA recursos incluem recursos humanos e atividades especializadas, recursos


tecnológicos e financeiros)
O membro designado pela administração deve ter função, responsabilidade e
autoridade definida para:
• Assegurar que os requisitos do sistema de gestão de Segurança e Saúde no
Trabalho estão estabelecidos, implementados e mantidos em acordo com esta
especificação da OHSAS;
• Assegurar que os relatos de desempenho do sistema de gestão de Segurança e
Saúde no Trabalho são apresentados à alta administração para análise crítica
como uma base para a melhoria do sistema de gestão de Segurança e Saúde no
Trabalho.
Todos que possuem responsabilidades administrativas devem demonstrar seu
comprometimento com a melhoria contínua do desempenho de Segurança e Saúde no
Trabalho”.(BSI-OHSAS 18001, 1999)
A efetiva implementação e manutenção do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde
no Trabalho dependem fundamentalmente das ações de cada uma das pessoas da empresa,
desde os membros da diretoria até os funcionários de menor nível dentro da estrutura
organizacional.
Desta forma, todas as funções, responsabilidades e autoridades devem ser claramente
definidas e comunicadas, para que cada um esteja ciente sobre como deve direcionar suas
ações em relação à Segurança e Saúde no Trabalho, devendo contemplar, entre outras, as
seguintes pessoas:
• Membros da diretoria;
• Gerentes de todos os níveis;
• Trabalhadores em geral;
• Responsáveis por gerenciar sub-contratados;
• Responsáveis pelos treinamentos de Segurança e Saúde no Trabalho;
• Equipes especializadas em Segurança e Saúde no Trabalho (técnico de
segurança, engenheiro de segurança, etc.);
• Representantes dos trabalhadores.
41

4.3.6 Treinamento, conscientização e competência

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.4.2, que: “As pessoas devem ser
competentes para executar tarefas que possam causar impacto na Segurança e Saúde no
Trabalho do local de trabalho. Competência deve ser definida em termos de educação
apropriada, treinamento e/ou experiência.
A organização deve estabelecer e manter procedimentos para assegurar que seus
empregados, trabalhando em cada função e nível pertinentes, estejam conscientes:
• Da importância da conformidade com os procedimentos e política de
Segurança e Saúde no Trabalho, e com os requisitos do sistema de gestão de
Segurança e Saúde no Trabalho;
• Das conseqüências de Segurança e Saúde no Trabalho, reais ou potenciais, de
suas atividades e dos benefícios da Segurança e Saúde no Trabalho pela
melhoria do seu desempenho pessoal;
• Das suas funções e responsabilidades em alcançar a conformidade com os
procedimentos, política de Segurança e Saúde no Trabalho e com os requisitos
do sistema de gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, incluindo os
requisitos de preparação e atendimento a emergências;
• As potenciais conseqüências da inobservância dos procedimentos operacionais
especificados.

Procedimentos de treinamento devem levar em conta os diferentes níveis de:


• Responsabilidade, habilidade e instrução; e
• Risco”. (BSI-OHSAS 18001, 1999)

Este requisito estabelece como exigência a criação de uma sistemática para garantir
que as pessoas tenham as competências necessárias e estejam adequadamente conscientizadas
para realizar suas atividades de modo que não afetem adversamente à Segurança e Saúde no
Trabalho. Pode-se imaginar os perigos existentes quando uma atividade de risco é exercida
por um trabalhador que não esteja capacitado para tal atividade.
Assim, a empresa deve estabelecer um procedimento para identificar e prover as
competências necessárias para se exercer cada um dos cargos existentes, podendo considerar
as seguintes fontes:
42

• Demandas relacionadas aos objetivos e programas de gestão de Segurança e


Saúde no Trabalho;
• Requisitos legais e outras exigências;
• Procedimentos e instruções de segurança;
• Resultados de avaliações de desempenho de equipes;
• Identificação dos perigos e avaliação dos riscos;
• Antecipação das necessidades de sucessão de gerentes e da força de trabalho;
• Alterações em processos, ferramentas e equipamentos.

As competências devem ser estabelecidas e documentadas minimamente em relação a:


• Educação: nível de formação escolar;
• Treinamento: cursos teóricos e práticos realizados;
• Experiência: tempo de experiência em determinada função.

As competências podem ser estabelecidas em documentos, que é utilizado como base


para a realização de novas contratações, mudanças de funções e para a identificação de
necessidades de novos treinamentos, para a garantia de que não haja pessoas inabilitadas
realizando atividades.
No estabelecimento de competências, as empresas devem reconhecer que o
desenvolvimento técnico e gerencial da empresa depende do desenvolvimento da capacidade
técnica e gerencial de cada um de seus trabalhadores.
Também deve ser estabelecido um procedimento para a realização de treinamentos que
tome como base as competências necessárias e aborde todo o processo de treinamento,
considerando o planejamento, a realização, o registro e a avaliação de sua eficácia.
Este requisito também exige que se estabeleça um procedimento para conscientizar
todos os trabalhadores sobre quatro tópicos básicos, os quais podem ser considerados
adequados para a eliminação ou redução de causas de acidentes.
Os quatro tópicos são detalhados a seguir.

• Da importância da conformidade com os procedimentos e política de


Segurança e Saúde no Trabalho, e com os requisitos do sistema de gestão da
Segurança e Saúde no Trabalho:
43

Todos devem conhecer a política de Segurança e Saúde no Trabalho, os procedimentos


e os requisitos do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho pertinentes à sua
função. Os colaboradores da empresa devem saber explicá-los e entender as suas relações
com as atividades do dia-a-dia, conhecendo claramente as conseqüências do seu
descumprimento.

• Das conseqüências de Segurança e Saúde no Trabalho, reais ou potenciais, de


suas atividades e dos benefícios da Segurança e Saúde no Trabalho pela
melhoria do seu desempenho pessoal:

Este item estabelece que todas as pessoas na empresa devem estar conscientes dos
perigos, riscos e danos existentes em seu ambiente de trabalho e os que são decorrentes de
suas atividades.

• Das suas funções e responsabilidades em alcançar a conformidade com os


procedimentos, política de Segurança e Saúde no Trabalho e com os requisitos
do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, incluindo os
requisitos de preparação e atendimentos a emergências;

Este item estabelece que todas as definições resultantes da implementação do item


4.3.4 deste trabalho, como, por exemplo, a definição das funções e responsabilidades em
manuais de funções e procedimentos, devem ser devidamente comunicadas para garantir a
conscientização na empresa.

• As potenciais conseqüências da inobservância dos procedimentos operacionais


especificados:

Este item estabelece que os trabalhadores devem ser conscientizados sobre as


conseqüências de não seguir as orientações estabelecidas nos procedimentos, como por
exemplo, a ocorrência de acidentes e conseqüentes efeitos negativos para sua família e
sociedade, multas e paralisações da empresa, advertências formais, demissões por justa causa,
perda de prêmios e benefícios, entre outros.
Deve-se destacar que o item não tem como objetivo apenas a conscientização do nível
operacional, mas também todos os demais níveis da organização (supervisores, gerentes,
44

diretoria, etc.), sendo que estes devem ser conscientizados acerca da responsabilidade pelas
conseqüências de Segurança e Saúde no Trabalho de suas decisões sobre os subordinados.
A sistemática de conscientização pode ser realizada de diversas maneiras, ficando a
critério da empresa a definição das ações que são mais eficazes, baseando-se em sua
experiência, cultura, disponibilidade de recursos, bem como na quantidade de pessoas a serem
conscientizadas. São exemplos de ações de conscientização:
• Realização de treinamentos;
• Apresentação de vídeos;
• Reuniões periódicas com equipes e conversas formalizadas;
• Realização de simulações de situações de emergência;
• Divulgação de resultados de investigações de acidentes na empresa ou
externos;
• Participação no processo de identificação de perigos e avaliações de risco;
• Realização de DDS – Diálogo Diário de Segurança.

4.3.7 Consulta e Comunicação

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.4.3, que: “A organização deve


possuir procedimentos para assegurar que as informações pertinentes de Segurança e Saúde
no Trabalho sejam comunicadas através dos e para os empregados e outras partes
interessadas.
O envolvimento dos empregados e os métodos de consulta devem ser documentados, e
as partes interessadas informadas.
Os empregados devem ser:
• Envolvidos no desenvolvimento e análise crítica das políticas e procedimentos
de gestão de riscos;
• Consultados onde houver qualquer mudança que afete a segurança e saúde no
local de trabalho;
• Representados nos assuntos de segurança e saúde; e
• Informados sobre quem é (são) o(s) representante(s) de Segurança e Saúde no
Trabalho e o representante designado pela administração”. (BSI-OHSAS
18001, 1999)
45

Este requisito determina que a empresa deve possuir um procedimento que estabeleça
a sistemática para assegurar uma boa comunicação: entre a gerência e os trabalhadores e vice-
versa, entre a empresa e todas as partes interessadas.
A comunicação entre os trabalhadores e a gerência deve ser desenvolvida por meio de
um procedimento que proporcione uma sistemática confiável, ou seja, que não haja temor de
represálias e que as respostas sejam apropriadas.
O envolvimento dos funcionários provê o modo pelo qual eles, nos diversos níveis
hierárquicos, desenvolvem e expressam o seu próprio comprometimento com a Segurança e
Saúde no Trabalho. Desta forma, devem ser criados mecanismos para encorajá-los nos
assuntos que venham afetar o desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho, o que pode ser
feito das seguintes maneiras:
• formação de comitês para representá-los nas questões de Segurança e Saúde no
Trabalho;
• envolvê-los na análise crítica de procedimentos e na política de Segurança e
Saúde no Trabalho;
• elaborar programas para recompensar aqueles que apresentam sugestões para a
melhoria dos processos da empresa;
• realização de pesquisas com os trabalhadores (questionários e entrevistas);
• envolvimento com os objetivos e metas durante a sua definição e análise;
• envolvimento nas atividades de investigação de acidentes e quase-acidentes;
• envolvimento nas atividades de treinamento de colegas de trabalho;
• envolvimento nos processos de identificação de perigos e avaliações de risco
de suas atividades, inclusive em situações que resultem de mudanças nos
ambientes de trabalho que podem afetá-los.
Este requisito também estabelece que os funcionários devam ser comunicados sobre
quem são seus representantes e quem é o Representante da Direção para o Sistema de Gestão
de Segurança e Saúde no Trabalho. Assim, eles sabem a quem se reportar no caso de
problemas ou sugestões relacionados à Segurança e Saúde no Trabalho. Os funcionários
também devem estar cientes de quem são os membros do corpo técnico de Segurança e Saúde
no Trabalho.
A empresa pode utilizar uma infinidade de meios para realizar suas comunicações e
consultas nos diversos sentidos da hierarquia organizacional, os quais podem servir
simultaneamente como ações de conscientização. São exemplos:
46

• murais informativos com apresentação de desempenho em Segurança e Saúde


no Trabalho e outras informações pertinentes;
• reuniões da CIPA;
• DDS – Diálogo Diário de Segurança;
• jornais mensais;
• sistema de correio eletrônico interno;
• divulgação de procedimentos do Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no
Trabalho;
• realização de treinamentos;
• comunicações verbais;
• cartas de advertência;
• formulários de comunicação interna – CI;
• regulamentos internos.

4.3.8 Documentação e controle de documentos e dados

• Documentação (BSI-OHSAS 18001, requisito 4.4.4)

A organização deve estabelecer e manter informações, em um meio adequado como


papel ou formulário eletrônico, que:
• Descreva os principais elementos do sistema de gestão e suas interações; e
• Forneça orientação sobre a documentação relacionada.
(NOTA: É importante que a documentação seja retida pelo período de tempo mínimo
requerido, para comprovação de sua eficácia e eficiência) (BSI-OHSAS 18001, 1999)

• Controle de documentos e dados (BSI-OHSAS 18001, requisito 4.4.5)

A organização deve estabelecer e manter procedimentos para controlar todos os


documentos e dados requeridos por esta especificação da OHSAS para assegurar que:
• eles possam ser localizados;
47

• eles sejam periodicamente analisados criticamente, revisados quando necessário e


aprovados quando adequados, por pessoal autorizado;
• versões atuais de documentos e dados relevantes estejam disponíveis em todos os
locais onde sejam essenciais para o efetivo funcionamento do sistema de Segurança e
Saúde no Trabalho;
• documentos e dados obsoletos sejam prontamente removidos dos locais de
distribuição e pontos de uso, ou de forma, para assegurar que não sejam utilizados
indevidamente; e
• o arquivo de documentos e dados retidos por motivos legais ou de preservação do
conhecimento adquirido ou ambos, sejam devidamente identificados (BSI-OHSAS
18001, 1999).

Estes requisitos estabelecem que o Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no


Trabalho deve ser baseado em documentos, pois parte do principio de que a documentação é
um elemento chave para a realização de qualquer processo que envolva comunicação,
permitindo que o conhecimento existente relativo à Segurança e Saúde no Trabalho seja
mantido e aperfeiçoado de forma contínua, mesmo com a mudança das pessoas.
Como o requisito estabelece a necessidade de se descrever os elementos mais
importantes do sistema de gestão e suas interações, além de fornecer orientações sobre a
documentação relacionada, fica evidente que deve ser desenvolvido um manual ou documento
similar que contemple essas informações, explicando o funcionamento do Sistema de Gestão
de Segurança e Saúde no Trabalho em linhas gerais.
O requisito também estabelece que todos os documentos desenvolvidos para o Sistema
de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho devem ser controlados por meio de um
procedimento que assegure que eles sejam criados e distribuídos de forma organizada,
permitindo a sua correta utilização. Tal procedimento deve contemplar:
• Forma de codificação dos documentos criados;
• Descrição da revisão que se encontra cada documento do Sistema de Gestão de
Segurança e Saúde no Trabalho;
• Definição formal dos responsáveis pela análise e aprovação de cada documento;
• Controle de distribuição com listas mestras, carimbos para controle de cópia e
protocolos;
48

• Definição formal do tempo de guarda de documentos que mesmo após o uso devem
ser retidos por exigências legais, contratuais ou por opção da própria empresa.

4.3.9 Controle Operacional

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.4.6, que: “A organização deve


identificar as operações e atividades que estão associadas aos riscos identificados, onde as
medidas de controle precisam ser aplicadas. A organização deve planejar essas atividades,
incluindo a manutenção, objetivando assegurar que elas sejam executadas sob condições
especificadas por meio:
• Do estabelecimento e manutenção de procedimentos documentados para
abranger situações onde a falta dos mesmos possa levar a desvios em relação à
política e aos objetivos de Segurança e Saúde no Trabalho;
• Da estipulação de critérios operacionais nos procedimentos;
• Do estabelecimento e manutenção de procedimentos relacionados aos riscos
identificados de Segurança e Saúde no Trabalho de bens, equipamentos e
serviços adquiridos e/ou relevantes aos fornecedores e contratados;
• Do estabelecimento e manutenção de procedimentos para o projeto do local de
trabalho, processos, instalações, equipamentos, procedimentos operacionais e
organização de trabalho, incluindo a adaptação às capacidades humanas, e
objetivando eliminar ou reduzir os riscos de Segurança e Saúde no Trabalho
nas suas fontes”. (BSI – OHSAS 18001, 1999)

Este requisito define que a empresa, baseando-se na identificação de perigos e


avaliação de riscos (item 4.3.2), deve identificar quais são os processos que podem contribuir
para a eliminação dos perigos ou para a redução dos riscos, e estabelecer os controles
necessários.
Porém, para selecionar os controles operacionais devem ser considerados diversos
fatores, entre eles: o nível de risco existente, os custos, a praticidade do controle e a
possibilidade de se introduzir novos perigos. Existem outros fatores que também podem ser
considerados durante o estabelecimento de controles operacionais, como por exemplo:
• número de pessoas expostas aos perigos;
49

• índice de utilização de equipamentos de proteção individual;


• exigências legais;
• exigências de clientes contratantes;
• histórico de ocorrências de acidentes ou quase-acidentes.
Assim, o processo de definição de controles deve levar em consideração a fonte
(perigo), o meio e o homem, e quanto mais próximos os controles estiverem das fontes mais
eficientes e efetivos eles serão.

4.3.9.1 Controle sobre as fontes

Os controles operacionais devem dar prioridade à eliminação dos perigos ou evitar que
eles existam, pois uma vez que não existe o perigo, não haverá o acidente.
São exemplos:
• Eliminação da necessidade de um equipamento cortante em uma determinada
atividade;
• Eliminação da atividade em que um trabalhador esteja exposto à altura;
• Eliminação do uso de produtos inflamáveis, explosivos ou tóxicos.

Caso não seja possível eliminar ou evitar o perigo, deve-se buscar a redução dos seus
riscos, ou seja, reduzir a gravidade dos danos que podem gerar, ou a probabilidade de sua
ocorrência. São exemplos:
• Redução do número de trabalhadores expostos à altura ou a locais com
possibilidade de soterramento;
• Aquisição de equipamentos (geradores, compressores, etc.) com menor nível
de ruído;
• Redução do tempo de exposição dos trabalhadores a produtos tóxicos;
• Utilização de produtos menos tóxicos.
Deve-se destacar que essa forma de controle, em geral, demanda a aplicação de novas
tecnologias, mudanças significativas nos processos e conseqüentemente maiores
investimentos para se obter resultados mais significativos.
50

4.3.9.2 Controles sobre o meio

Esses controles baseiam-se na criação de barreiras para prevenir que o homem fique
exposto a um determinado perigo, sem que este seja eliminado. Uma vez aplicadas, operando
corretamente e com as devidas manutenções, as barreiras não demandam ações por parte das
pessoas. São exemplos:
• Guarda-corpos de escadas e periferia de lajes;
• Colocação de cercas próximas a áreas de movimentação de veículos;
• Colocação de barreiras acústicas;
• Dispositivos de proteções de máquinas e equipamentos.
Uma das maiores dificuldades em relação a esse tipo de controle é que, muitas vezes,
as barreiras são removidas ou tornadas inoperantes, expondo as pessoas ao risco.
Esse tipo de controle, em alguns casos, pode criar uma falsa sensação de segurança,
como acontece no caso de obras que possuem guarda-corpos construídos sem a devida
estruturação, podendo gerar graves acidentes.

4.3.9.3 Controle sobre as pessoas

O controle sobre as pessoas baseia-se no estabelecimento de parâmetros para a forma


de pensar e agir dos trabalhadores, como intuito de que os processos ocorram de maneira
segura. Esse controle está diretamente ligado à eficácia da competência, conscientização,
comunicação e consulta, que foram apresentados nos itens 4.3.6 e 4.3.7 deste trabalho. São
exemplos:
• utilização de equipamentos de proteção individual – EPI;
• instruções de Segurança documentadas;
• folhetos orientativos;
• placas de segurança.
Esse controle deve ser utilizado como último recurso, ou seja, somente nos casos em
que não é possível conseguir uma forma praticável de tornar o ambiente de trabalho
intrinsecamente seguro. As seguintes situações, entre outras, justificam tal afirmação:
51

• os EPIs podem ser utilizados de maneira inadequada e de forma não detectável,


como é o caso de protetores auriculares mal instalados e que permitem a
exposição do trabalhador ao ruído;
• os EPIs podem deixar de ser utilizados pelos trabalhadores por serem
desconfortáveis e interferirem na habilidade de executar uma determinada
tarefa (ex: óculos de pintura que embaçam e cintos que prejudicam a
mobilidade);
• os procedimentos podem estabelecer operações não convergentes com as ações
naturais e instintivas humanas;
• os procedimentos podem ser complexos e morosos, resultando na tomada de
atalhos perigosos pelos trabalhadores;
• os protetores respiratórios podem prejudicar a comunicação entre os
trabalhadores.
Um importante princípio é o de que em qualquer posto de trabalho existe um grande
escopo para projetar o ambiente a fim de adequá-lo à forma de ser do homem. Contudo, há
um escopo muito limitado para se re-projetar a forma de ser do homem para adaptá-lo ao
ambiente. Assim, quando um erro é cometido por um operador não deve ter efeitos adversos
em um ambiente de trabalho projetado de maneira segura. No entanto, um erro similar e um
ambiente de trabalho mal projetado resultará em um desastre.

4.3.10 Preparação e atendimento a emergências

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.4.7, que: “A organização deve


estabelecer e manter planos e procedimentos para identificar o potencial e as respostas para
incidentes e situações de emergência, a fim de prevenir e mitigar as possíveis doenças e danos
que possam estar associados a estes.
A organização deve analisar criticamente os planos e procedimentos de preparação e
atendimento a emergências, especialmente após a ocorrência de incidentes ou situações de
emergência.
Quando praticável a organização também deve testar tais procedimentos
periodicamente”. (BSI-OHSAS 18001, 1999)
52

Quando as pessoas se confrontam com situações de emergência (que requerem ações


imediatas) a reação mais comum é o pânico. Além disso, como os acidentes não ocorrem o
tempo todo, as pessoas raramente se preparam para as emergências e no caso de uma situação
real não pensam de forma clara, e surge a incerteza do que se deve fazer primeiro. Assim,
para lidar com as emergências é preciso saber o que fazer, pois não importam quão seguras as
operações pareçam, sempre há a possibilidade de um acidente.
Nenhuma atividade pose ser realizada de maneira totalmente segura. Assim, o que
fazer em uma situação de emergência deve ser pensado, planejado, praticado e implementado
na empresa.
Desta forma, este requisito estabelece que a empresa deve ter planos ou procedimentos
que definam como agir em uma eventual situação de emergência, o que poderá se tornar a
diferença entre um pequeno acidente e evento catastrófico.
Com base nos perigos existentes, deve-se identificar as hipótese de emergências. Esta
identificação deve ser realizada de forma contínua e integrada com o processo de
identificação de perigos e avaliação de riscos, pois assim, é possível considerar todos os
novos perigos que possam surgir e suas decorrentes hipóteses de emergência, seja por fatores
de mudança internos ou externos, como por exemplo, novas instalações, novos equipamentos,
introdução de novos materiais e serviços.
Para cada hipótese identificada, devem ser desenvolvidos planos ou procedimentos de
emergência contemplando os seguintes elementos:
• Objetivo: qual o objetivo básico do plano, considerando a hipótese acidental;
• Preparação: estabelecimento dos recursos necessários que devem estar
disponíveis para uma eventual situação de emergência;
• Atendimento: como a empresa deve se mobilizar para atuar em uma situação
de emergência, ou seja, como é feita a detecção, comunicação, avaliação e
mobilização dos recursos disponibilizados para controlar a emergência.

Os planos ou procedimentos de emergência podem contemplar itens de preparação a


atendimento, tais como:
• Sinalização das rotas de fugas e saídas de emergências;
• Sistemas de iluminação de emergência;
• Sistemas de alarme de emergência;
53

• Atribuições e responsabilidades de cada um sobre as atividades que devem ser


desempenhadas durante emergências, como: quem coordena a evacuação,
quem presta os primeiros socorros, quem combate o princípio de incêndio,
quem aciona os agentes externos, etc.;
• Treinamentos e qualificações necessários das equipes de emergência;
• Definição da sistemática de comunicação adotada internamente (comunicação
verbal, rádio intercomunicadores, celulares, etc.) e externamente (contato com
corpo de bombeiros, comunidade, hospitais, defesa civil, órgãos ambientais,
etc.);
• Mapas e plantas com as rotas de fuga identificadas, e localização dos
equipamentos de combate à emergências (caixa de primeiros socorros, macas,
extintores, hidrantes, telefone de emergência, botões acionadores de alarme,
etc.);
• Forma de disponibilização e manutenção periódica dos equipamentos de
combate à emergência;
• Método de identificação dos brigadistas e socorristas;
• Orientações para visitantes e subcontratados;
• Procedimento de abandono de prédios;
• Procedimento de atendimento à vítimas;
• Definição da cadeia de comando e sua divulgação para que os trabalhadores
não tenham dúvidas sobre quem tem autoridade para tomar as decisões durante
a emergência.
Para a implementação dos planos ou procedimentos de emergência devem ser
realizados treinamentos dos trabalhadores para todas as hipóteses de emergência nas seguintes
situações:
• Inicialmente quando o plano foi desenvolvido;
• Para todos os novos trabalhadores;
• Quando houver modificações no processo ou serviço (novos equipamentos,
materiais ou processos);
• Quando houver atualização do plano ou procedimento;
• Anualmente.
54

Pode-se afirmar que a eficácia da resposta durante as emergências é uma função da


quantidade e qualidade do planejamento, dos treinamentos e simulados realizados.
O requisito discutido é de fundamental importância, pois possibilita a atenuação dos
eventuais impactos (danos materiais, lesões, impacto ambiental, etc.) decorrentes dos perigos
existentes. Entretanto, a prevenção por meio de controles operacionais continua sendo a forma
mais eficaz de controlar os perigos.

4.3.11 Medição e monitoramento do desempenho

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.4.11, que: a organização deve


estabelecer e manter procedimentos para periodicamente monitorar e medir o desempenho de
Segurança e Saúde no Trabalho. Estes procedimentos devem fornecer:
• Medidas qualitativas e quantitativas, apropriadas às necessidades da
organização;
• Monitoramento do grau de atendimento dos objetivos de Segurança e Saúde no
Trabalho da organização;
• Medidas pró-ativas do desempenho que monitorem a conformidade com os
programas de gestão da Segurança e Saúde no Trabalho, critérios operacionais,
legislação aplicável e regulamentos aplicáveis;
• Medidas reativas do desempenho para monitorar acidentes, doenças, incidentes
(incluindo quase-acidentes) e outras evidências históricas de deficiências no
desempenho de Segurança e Saúde no Trabalho;
• Registro de dados e resultados do monitoramento e medição suficientes para
facilitar a posterior análise das ações corretivas e preventivas.
Se for requerido equipamento para monitoramento e medição de desempenho, a
organização deve estabelecer e manter procedimentos para a calibração e manutenção de tal
equipamento. Registros das atividades de calibração e manutenção, e os resultados devem ser
mantidos. (BSI-OHSAS 18001, 1999)
As empresas devem aumentar sua capacidade de julgamento analítico por meio da
obtenção de informações atualizadas que lhes permitam construir estratégias consistentes para
abordar seus problemas. A obtenção de tais informações pode ser realizada pela
55

implementação deste requisito, visto que este exige a criação de uma sistemática para medir e
monitorar o desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho.
Porém, só é possível gerenciar aquilo que se pode medir, Benite (2004) define três
razões básicas para se medir e monitorar o desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho:
• Prestação de contas: a medição possibilita a prestação de contas por todos os
envolvidos.
• Indicadores: as empresas querem saber se estão evoluindo ou não, e em geral,
demandam ferramentas para realização de benchmarking, que é o processo de
melhoria contínua baseada na comparação dos processos e produtos de uma
organização com aqueles identificados como melhores práticas com o
propósito de estabelecer metas atingíveis para obter superioridade
organizacional. Este processo possibilita a comparação de desempenho entre
empresas (externo) ou entre setores de uma mesma empresa (interno).
• Retro-alimentação: criação de um mecanismo de retro-alimentação que possua
grande valor, pois reforça o bom desempenho e corrige os desempenhos que
apresentam falhas.
Assim, as empresas devem identificar quais elementos chave para o desempenho em
Segurança e Saúde no Trabalho (processos, programas, objetivos, procedimentos etc.) devem
ser medidos e monitorados, estabelecendo procedimentos para a coleta, processamento dos
dados e para a avaliação das informações de modo que permita a tomada de decisões e a
intervenção. Este requisito estabelece alguns elementos que devem obrigatoriamente ser
medidos e monitorados, como por exemplo, o atendimento dos objetivos e das leis e normas
aplicáveis, os acidentes e quase-acidentes.
A seguir serão apresentados alguns exemplos de medições e monitoramento:
• Indicadores de desempenho para avaliar o atendimento dos objetivos e metas
de Segurança e Saúde no Trabalho;
• Reuniões periódicas para o acompanhamento do desenvolvimento das ações
previstas nos Programas da Gestão da Segurança e Saúde no Trabalho;
• Taxa de gravidade dos acidentes;
• Número de quase-acidentes;
• Custos dos acidentes;
• Número de notificações e multas de organismos fiscalizadores;
56

• Número de ações trabalhistas movidas contra a empresa relacionada ao


ambiente de trabalho;
• Número de doenças do trabalho;
• Inspeções periódicas nos locais de trabalho, utilizando-se de listas de
verificação para identificar o cumprimento dos controles operacionais
estabelecidos;
• Inspeções de equipamentos e máquinas no recebimento e antes de sua
operação;
• Monitoramento da saúde dos trabalhadores pela realização de exames médicos
periódicos;
• Avaliações de atendimento das legislações pertinentes por meio de auditorias
externas;
• Entrevistas periódicas com os trabalhadores para avaliar sua percepção quanto
às condições de segurança e saúde de seu ambiente de trabalho;
• Avaliações comportamentais dos trabalhadores para identificar práticas
inseguras;
• Avaliação da eficácia dos treinamentos realizados;
• Avaliação do nível de limpeza e organização do ambiente de trabalho;
• Avaliações ergonômicas periódicas dos postos de trabalho;
• Medição do nível de ruído, iluminação, temperatura e qualidade do ar;
• Avaliações do desempenho da equipe de Segurança e Saúde no Trabalho
(número de inspeções realizadas, tempo despendido em investigações de
acidentes, número de treinamentos etc.).
Para o estabelecimento dos mecanismos, devem ser considerados tanto os
monitoramentos e medições que resultem em indicadores pró-ativos quanto reativos,
considerando-se suas respectivas abrangências.
Assim, recomenda-se que o Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho
contemple entre seus elementos mecanismos adequados para obter e processar informações
que sejam capazes de proporcionar não somente interpretações adequadas sobre os eventos
passados (medidas reativas), mas assegurar a compreensão dos processos organizacionais
(medidas pró-ativas) a fim de que essas informações possam ser incorporadas ao ciclo de
melhoria contínua.
57

Quando a avaliação do desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho é


tradicionalmente realizada e restrita às medidas de freqüência e gravidade dos acidentes,
embora tenham sua importância, não satisfazem os preceitos que vêm sendo preconizados
pelos modelos atuais de Sistema de Gestão em Segurança e Saúde no Trabalho, que requerem
uma avaliação sistemática que priorize indicadores pró-ativos, proporcionando informações
para que os tomadores de decisão possam agir preventivamente sobre os perigos e riscos
existentes nos locais de trabalho.
É importante ressaltar que todas as medições e monitoramento devem ser
estabelecidas sobre elementos controláveis ou gerenciáveis, isto é, aqueles sobre os quais as
pessoas envolvidas têm responsabilidades e podem atuar a correção de desvios para a
melhoria dos resultados. Caso isso não ocorra, haverá desperdício e a criação de burocracia
nos Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, pois se cria um mecanismo que
demanda recursos sem fornecer qualquer tipo de retorno.
Nesse sentido, pode-se destacar que a estrutura de monitoramento deve gerar relatórios
adequados a cada usuário, caso contrário tem-se um amontoado de “dados” (caracteres
descrevendo uma realidade) e pouca informação (dados úteis para a tomada de decisão).
Este requisito também exige que, com base em suas formas de medição e
monitoramentos, devem ser identificados e controlados os equipamentos de medição
utilizados. Essa exigência busca assegurar que os equipamentos utilizados estejam adequados
ao seu uso e com a precisão exigida, garantindo a confiabilidade das medições realizadas.
Para isso, a empresa deve estabelecer procedimentos para a calibração e manutenção desses
equipamentos, que devem considerar:
• Formas de identificação dos equipamentos;
• Periodicidade de calibração ou testes;
• Forma de registro das atividades de calibração (certificados, formulários etc.);
• Forma de acondicionamento dos equipamentos;
• Definição da precisão e exatidão requeridas para cada equipamento;
• Ações que devem ser tomadas em caso de identificação de equipamentos com
desvios.
Pode-se dizer que o processo de medição e monitoramento é de fundamental
importância para o Sistema de Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho, pois possibilita
avaliar os resultados da implementação dos demais elementos do sistema, bem como a
58

sinergia do sistema, subsidiando todos os processos, em especial, o de tomada de ações


corretivas e preventivas (item 4.3.12).

4.3.12 Acidentes, incidentes, não-conformidades, ações preventivas e corretivas

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.5.2, que: “A organização deve


estabelecer e manter procedimentos para definir responsabilidade e autoridade para:
a) tratar e investigar:
• Acidentes;
• Quase-acidentes;
• Não-conformidades;
b) tomar ações para mitigar quaisquer conseqüências originadas de acidentes,
incidentes ou não-conformidades;
c) iniciar e concluir as ações preventivas e corretivas tomadas;
d) confirmar eficácia das ações preventivas e corretivas tomadas.
Estes procedimentos devem requerer que toda ação preventiva e corretiva proposta
seja analisada criticamente durante o processo de avaliação de riscos antes de sua
implementação.
Qualquer ação preventiva ou corretiva tomada para eliminar as causas das não-
conformidades, reais ou potenciais, deve ser adequada à magnitude dos problemas, e
proporcional aos riscos de segurança e saúde no trabalho encontrados.
A organização deve implementar e registrar quaisquer mudanças nos procedimentos
documentados resultantes das ações preventivas e corretivas.” (BSI-OHSAS 18001, 1999)
Considerando o atendimento dos itens do Check (C) e Act (A) do ciclo PDCA do
sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho, este requisito exige que a empresa
estabeleça um procedimento com a sistemática para a identificação e para a análise das não-
conformidades, acidentes e quase-acidentes, e para a subsequente tomada de ações corretivas
e preventivas.
Quando a empresa cria um espaço facilitador para tratar dos problemas ali existentes,
nas suas dimensões de efeitos e causas, é possível melhorar, de forma considerável, a visão
dos problemas em sua verdadeira essência e dar-lhes a solução adequada.
Assim, este requisito tem ligação direta com o conceito de retroação, pois objetiva
garantir ao sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho uma melhoria do desempenho
59

com base nos problemas detectados, sejam eles reais ou potenciais. A figura 3 apresenta uma
representação da seqüência e a inter-relação do sistema.

Não-
conformidade Correção
Real

Investigação Ação
das causas Corretiva

Não-
conformidade Investigação Ação
Potencial das causas Preventiva

Acidente Investigação Ação


das causas Corretiva

Quase-acidente Investigação Ação


das causas Corretiva

Figura 3: Representação da seqüência e a inter-relação do sistema

O procedimento exigido pelo requisito deve contemplar os seguintes itens básicos:


• Formas de identificação das não-conformidades, acidentes e quase-acidentes;
• Técnicas utilizadas para a investigação das causas;
• Forma de planejamento das ações necessárias (de correção, corretivas ou preventivas),
incluindo a definição de prazos e responsáveis;
• Forma de acompanhamento da implementação das ações planejadas;
• Forma de avaliação da eficácia das ações implementadas.
60

O sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho provê uma série de informações


para a identificação de não-conformidades, acidentes e quase-acidentes, em especial as
resultantes do processo de medição e monitoramento do desempenho, que apóiam a tomada
de ações corretivas, preventivas e a realização das correções. São exemplos de fontes de
informação:
• Relatórios de inspeções de segurança e de equipamentos;
• Indicadores que apresentem desvios em relação ao atendimento dos objetivos e metas;
• Resultados das auditorias internas e externas;
• Ocorrências de acidentes e quase-acidentes;
• Notificações de organismos fiscalizadores;
• Reclamações de funcionários, sindicatos, sub-contratados e visitantes;
• Resultados de análises críticas pela diretoria.

Para a realização da investigação das causas das não-conformidades, acidentes e quase-


acidentes podem ser utilizados diversos métodos, dos mais complexos aos mais simples,
sendo que essa definição deve levar em consideração a complexidade e a gravidade do
problema identificado.
Para a investigação das causas, podem ser adotados Métodos de Análise e Solução de
Problemas (MASP) consagrados, tais como:
• Análise de Árvore de Falhas (AAF);
• Diagrama de Causa-Efeito;
• Brainstorming.
Com base nos resultados do processo de investigação das causas, deve ser estabelecido
o planejamento das ações necessárias para superá-las, e a forma de se acompanhar a sua
aplicação e sua eficácia.
Este requisito estabelece que as ações corretivas e preventivas devem ser analisadas
pelo processo de identificação de perigos e riscos, pois os acidentes ou quase-acidentes
poderem ser resultantes de um perigo que não foi identificado, ou que não foi controlado de
maneira eficaz, além da possibilidade de surgirem perigos resultantes das ações estabelecidas.
61

4.3.13 Controle e Gestão de Registros

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.3.5, que:”A organização deve


estabelecer e manter procedimentos para identificação, manutenção e disposição dos registros
de segurança e saúde no trabalho, bem como dos resultados de auditorias e análises críticas.
Os registros de segurança e saúde no trabalho devem ser legíveis, identificáveis e
rastreáveis às atividades envolvidas. Os registros de segurança e saúde no trabalho devem ser
arquivados e mantidos de maneira que possam ser rapidamente recuperados e protegidos
contra danos, deterioração ou perda. O tempo de retenção deve ser estabelecido e registrado.
Registros devem ser mantidos, de acordo com a necessidade do sistema e da
organização, para demonstrar conformidade com esta especificação OHSAS”. (BSI-OHSAS
18001, 1999)
O objetivo deste requisito é assegurar que a empresa mantém sob controle todos os
registros gerados, os quais comprovam a implementação e operação do sistema de gestão de
segurança e saúde no trabalho e servem como fontes de informação para a retroação do
sistema.
Desta forma, deve ser estabelecido um procedimento que assegure que o processo de
desenvolvimento da documentação do sistema (item 4.3.8) identifique quais os registros que
devem ser mantidos e quais devem ser os parâmetros para o seu controle. São exemplos de
registros:
• Registros de treinamentos (listas de presença e certificados);
• Relatórios de inspeção de segurança;
• Relatório de investigação de acidentes;
• Atestados médicos;
• Registro de entrega de equipamentos de proteção;
• Resultado de verificações de equipamentos;
• Atas de reunião.
Pode-se dizer que os parâmetros obrigatórios a serem definidos e formalizados para
cada registro são:
• Identificação: os registros devem apresentar títulos e/ou códigos atribuídos.
• Legibilidade: não são admitidos registros que não sejam legíveis para os
usuários. Também pode ser incluída a questão da falta de inteligibilidade que
62

pode ocorrer nos casos em que são utilizadas línguas estrangeiras, ou


representações gráficas desconhecidas pelos usuários.
• Recuperação: o processo de busca de qualquer registro deve ser fácil e rápido.
Assim, é necessário para cada registro gerado a definição do seu local de
arquivo (andar, sala, número da gaveta, endereço físico ou eletrônico etc.), e a
sua forma de indexação (ordem alfabética, por data, por obra etc.).
• Proteção: a forma de arquivamento deve evitar a deteriorização ou perda dos
registros, podendo ser feita a proteção por meio da utilização de pastas
suspendas, pastas tipo A-Z, caixa arquivo, realização de back-up de registros
eletrônicos, entre outros.
• Tempo de Retenção: deve ser definido por quanto tempo cada registro deve ser
guardado antes do seu descarte, devendo-se considerar as exigências legais
para tal definição.

4.3.14 Auditoria

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.5.4, que: a organização deve


estabelecer e manter um programa de auditorias e procedimentos para a execução de
auditorias periódicas do sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho, a fim de:
a) determinar se o sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho:
• Está conforme com as disposições planejadas para a gestão de segurança e
saúde no trabalho, incluindo os requisitos desta especificação da OHSAS;
• Está sendo devidamente implementado e mantido; e
• É efetivo no atendimento à política e aos objetivos da organização;
b) analisar criticamente os resultados das auditorias anteriores;
c) fornecer informação sobre os resultados das auditorias para administração.
O programa de auditoria, incluindo qualquer programação, deve ser baseado nos
resultados das avaliações de risco das atividades da organização, e nos resultados de
auditorias anteriores. Os procedimentos de auditoria devem abranger o escopo, a freqüência,
as metodologias, as competências, bem como as responsabilidades e requisitos para conduzir
auditorias e requisitos para conduzir auditorias e relatar os resultados.
63

Sempre que possível, as auditorias devem ser conduzidas por pessoal independente
dos que têm responsabilidade direta com a atividade que está sendo examinada (BSI-OHSAS
18001, 1999)
Este requisito estabelece que a empresa deve possuir um sistemática para realização de
auditorias internas do sistema e parte do pressuposto de que o sistema de gestão de segurança
e saúde no trabalho necessita mecanismos para sua avaliação a fim de garantir sua
implementação, manutenção e melhoria contínua.
Segundo esta norma, auditoria é um exame sistemático para determinar se as
atividades e os resultados relacionados estão conforme às disposição planejadas e se as
disposições planejadas e se as disposições estão implementadas efetivamente de forma a
atender à política e aos objetivos de segurança e saúde no trabalho. Desta forma, nota-se o
foco da auditoria na avaliação da eficácia (extensão na qual as atividades planejadas são
realizadas e os resultados planejados alcançados) do sistema de gestão de segurança e saúde
no trabalho, e não na avaliação de sua eficiência (relação entre o resultado alcançado e os
recursos usados). Contudo, nada impede que a empresa considere a questão da avaliação da
eficiência em suas auditorias internas.
Este requisito também estabelece a exigência de auditorias internas, também chamadas
de auditorias de primeira parte, ou seja, auditorias realizadas pela própria empresa, ou em seu
nome, para propósitos internos. As auditorias externas de segunda parte ou de terceira parte
não são exigidas.
As auditorias de sistema não podem ser confundidas com os mecanismos de medição e
monitoramento de desempenho apresentados no item 4.3.11. Os mecanismos têm como foco a
avaliação do desempenho da empresa, ou de alguns elementos específicos. As auditorias têm
como foco a avaliação do sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho como um todo.
Porém, as duas formas de avaliação são igualmente importantes e devem ser consideradas
como complementares, pois de forma conjunta permitem uma maior abrangência, avaliando
tanto a eficácia quanto à eficiência do sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho.
A avaliação do sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho é uma etapa
essencial para dar consistência ao ciclo de melhoria contínua e contribuir para a aprendizagem
organizacional. A regularidade desse processo é decisiva para o aprimoramento das
estratégias para assegurar a correção dessa rota. Assim, a auditoria deve contribuir para:
• Obter informações sobre o estágio de desempenho da segurança e saúde no
trabalho atual e tendências ou evoluções desses resultados ao longo do tempo;
64

• Julgar a funcionalidade e a eficácia do sistema de gestão de segurança e saúde


no trabalho para identificar oportunidades de melhorias que satisfaçam às
partes interessadas;
• Obter informações para a retroação sobre o sistema de gestão de segurança e
saúde no trabalho, visando à melhoria contínua do desempenho em segurança e
saúde no trabalho e ao aprendizado organizacional;
• Preparar a empresa para a certificação do sistema de gestão de segurança e
saúde no trabalho;
• Obter informações adicionais para justificar a priorização das inovações e
melhorias necessárias diante das circunstancias existentes;
• Proporcionar informações aos tomadores de decisão sobre a necessidade de
introduzir novas tecnologias a fim de assegurar a consolidação do processo de
melhoria contínua;
• Compreender como essas melhorias podem ser alcançadas frente às restrições
de recursos existentes;
• Gerar informações para realizar o balanço social, a fim de que possam
demonstrar às partes interessadas o cumprimento de sua responsabilidade
social quanto à segurança e saúde no trabalho;
• Dar transparência às partes interessadas sobre como a gestão da segurança e
saúde no trabalho é realizada e justificar o seu desempenho ao longo do tempo
frente aos objetivos estabelecidos;
• Reivindicar ao Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) a
redução do seguro acidente de trabalho, quando existir a melhoria do
desempenho da segurança e saúde no trabalho ao longo do tempo;
• Candidatar-se a prêmios de excelência em decorrência da melhoria do
desempenho da segurança e saúde no trabalho ao longo do tempo;
• Proporcionar os elementos para análise crítica do sistema de gestão pela
diretoria (ver 4.3.15), e a oportunidade para a revisão de valores, crenças e
pressupostos equivocados existentes na empresa;
• Construir as bases para o aprendizado organizacional e novas competências
que possam agregar valor ao sistema de gestão de segurança e saúde no
trabalho.
65

Para o atendimento do requisito, a empresa deve estabelecer um procedimento que


contemple os itens apresentados e detalhados no quadro 3, levando em consideração suas
características internas, como por exemplo, o número de operações realizadas, o número de
pessoas, a complexidade dos procedimentos e o nível de capacitação do seu pessoal.
Quadro 3: Itens de um procedimento de Auditorias Internas
Definição de quais atividades e setores serão
abrangidos pelas auditorias internas, e com
qual periodicidade cada um deles será
avaliado, baseando-se em fatores tais como:
• Resultados de auditorias anteriores;
• Grau de complexidade das atividades e
nível de risco evolvido;
• Existência de mudanças significativas
em atividades (novos métodos
Escopo e freqüência das auditorias operacionais, mudança de escritórios
etc.);
• Exigências legais e notificações de
órgãos finalizadores e sindicatos;
• Resultados de indicadores de
desempenho;
• Resultado do acompanhamento de ações
corretivas.
Essa definição pode ser estabelecida em
cronogramas detalhados de auditorias.
Definição da sistemática de realização das
auditorias detalhando os seguintes itens:
• Designação das equipes de auditores e
quais processos serão auditados (sempre
Metodologias e requisitos para conduzir e
que possível independentes);
relatar os resultados
• Definição dos responsáveis por cada
atividade do processo de auditorias
(reunião de abertura, elaboração do
relatório, apresentação dos resultados
66

etc);
• Método de agendamento e comunicação
dos auditados;
• Roteiros a ser seguidos nas auditorias;
• Métodos para coleta de dados (uso de
listas de verificação, entrevistas,
fotografias, filmagens, etc);
• Método de relatar os resultados
(relatórios, gráficos, etc);
• Formulários que devem ser utilizados.
Definição das competências necessárias de
cada membro da equipe de auditoria para
garantir sua eficácia. São exemplos de
competências necessárias:
• Ter conhecimento técnico dos processos
Competências necessárias
a serem auditados;
• Ter participado em duas auditorias como
ouvinte;
• Ter participado de cursos de formação
de auditores internos.

Deve-se destacar que o processo de auditorias internas por si só não garante a melhoria
do desempenho em segurança e saúde no trabalho. Porém, um processo eficaz de auditorias
internas fornece subsídios para a diretoria, as gerências e os trabalhadores com informações
valiosas para a definição das ações relacionadas à segurança e saúde no trabalho que,
consequentemente, resulta na melhoria do desempenho.

4.3.15 Análise Crítica pela Administração

A norma BSI-OHSAS 18001, cita no requisito 4.6, que: “A alta administração da


organização deve, em intervalos por ela determinados, analisar criticamente o sistema de
gestão de segurança e saúde do trabalho para assegurar sua contínua conveniência, adequação
67

e eficácia. O processo de análise crítica pela administração deve garantir que as informações
necessárias sejam coletadas para permitir que a administração realize a avaliação. Esta análise
crítica deve ser documentada.
A análise crítica deve abordar a possível necessidade de mudanças na política,
objetivos e outros elementos do sistema de gestão de segurança e saúde do trabalho, à luz dos
resultados das auditorias do sistema de gestão de V, das mudanças das circunstâncias e do
comprometimento com a melhoria contínua”. (BSI-OHSAS 18001, 1999)
Para que qualquer programa de prevenção de acidentes seja bem sucedido não se pode
deixar dúvidas para qualquer um dos funcionários que a diretoria esteja engajada na
prevenção de acidentes. Para isso, a diretoria deve sustentar seu comprometimento de forma
contínua e não apenas um envolvimento temporário durante o estabelecimento da Política de
Segurança e Saúde do Trabalho, ou na análise de relatórios de acidentes graves.
Assim, este requisito estabelece que a diretoria deve analisar criticamente o sistema de
gestão de segurança e saúde do trabalho como um todo, em intervalos pré-determinados,
avaliando o seu desempenho e direcionando os esforços da empresa para a melhoria do
desempenho.
A análise crítica pela administração tem como foco o desempenho global do sistema
de gestão de segurança e saúde do trabalho e não a análise de dados específicos, visto que
estes devem ser tratados pelos demais elementos do sistema (medição e monitoramento, ação
corretiva e preventiva etc.).
Desta forma, a análise crítica pela alta administração baseia-se em como as lideranças
percebem, pensam e sentem com relação à importância da segurança e saúde do trabalho, bem
como a visão assumida para definir os objetivos, caracterizar os problemas de segurança e
saúde do trabalho, identificar as oportunidades de integração com outros sistemas, definir
estratégias e implementar planos de ação.
A análise crítica, em geral, é realizada por meio de reuniões periódicas da diretoria.
Apesar disso, independente da periodicidade definida, podem ser realizadas novas reuniões no
caso de inserção de novas tecnologias, resultados inadequados de indicadores, resultados
deficientes em auditorias, mudanças do corpo técnico da empresa, reclamações de partes
interessadas, aumento de custos etc.
Segundo a BSI-OHSAS-18002, a análise crítica deve contemplar os seguintes
assuntos:
• Adequação da política de segurança e saúde no trabalho atual;
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• Definição ou atualização dos objetivos e metas de segurança e saúde no


trabalho para a melhoria contínua no próximo período;
• Adequação da identificação de perigos, análise de riscos e do processo de
controle dos riscos;
• Nível atual de risco e eficácia das medidas de controle existentes;
• Adequação dos recursos (financeiros, pessoais, materiais);
• Eficácia do processo de inspeções de segurança e saúde no trabalho;
• Eficácia do processo de relato de perigos;
• Dados relacionados aos acidentes e quase-acidentes que ocorreram;
• Resultados das auditorias internas e externas ocorridas desde a última análise
crítica e a eficácia destas;
• Estado da preparação para as emergências;
• Melhorias para o sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho (novas
iniciativas a serem introduzidas ou ampliação das ações existentes);
• Resultados das investigações dos acidentes e quase-acidentes;
• Avaliação de efeitos previsíveis de mudanças na legislação ou tecnológicas.
A diretoria deve receber todas as informações relevantes para efetuar esta análise de
maneira objetiva e factual. Tais informações podem ser disponibilizadas por meio de
relatórios específicos, ou pela efetiva participação de membros do corpo técnico de segurança
e saúde no trabalho, gerentes de setores e representantes dos trabalhadores na análise crítica.
Os resultados da análise crítica devem gerar adequações e ações corretivas sobre o
sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho, garantindo sua contínua adequação à
realidade da empresa e buscando a melhoria contínua do desempenho.
A influência da diretoria no sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho, em
especial na análise crítica, é de fundamental importância para o desempenho da empresa, pois
esta é:
• Responsável pelo estabelecimento dos objetivos;
• Responsável pelo desenvolvimento de estratégias para alcançar os objetivos;
• Responsável por todos os recursos e alocação destes;
• Responsável pelo desenvolvimento e implantação dos sistemas;
• Considerada como exemplo para os trabalhadores;
• Responsável por designar responsabilidades.
69

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através de pesquisa bibliográfica, foi possível estabelecer o objetivo principal dos


sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho, como sendo a constituição de uma
estrutura gerencial embasada no princípio da melhoria contínua e na atuação pró-ativa que
permita identificar, avaliar e controlar os perigos e riscos existentes nos ambientes de trabalho
de forma a mantê-los dentro de limites aceitáveis pelas partes interessadas e que não venham
a se tornar causas de acidentes.
Assim, o sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho pode ser visto como uma
ferramenta organizacional e que pode propiciar a melhoria de desempenho de segurança e
saúde no trabalho em organizações de diversos setores.
Neste trabalho, também foram apresentados e discutidos cada um dos requisitos do
sistema de gestão, tendo como base referencias bibliográficas da área e os conhecimentos
adquiridos pela autora. Assim, podem-se apresentar exemplos práticos para possibilitar uma
melhor compreensão e interpretação do sistema de gestão discutido, além de ferramentas
gerenciais importantes ao sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho.
A disseminação dos conceitos de forma adequada nas empresas propicia um ambiente
favorável à melhoria do desempenho em segurança e saúde no trabalho e para a
implementação dos sistemas de gestão. Porém, ainda existem desvios de interpretação que
devem ser tratados, como por exemplo:
• Crença de que os acidentes ocorrem por acaso;
• Preocupação exclusiva com a ocorrência dos acidentes, desconsiderando a
importância da investigação dos quase-acidentes e tratamento de suas causas;
• Crença de que os acidentes ocorrem pelo fato de os trabalhadores cometerem
atos inseguros, não considerando que o ambiente de trabalho pode estar sem as
condições de segurança necessárias.
Desta forma, pode-se concluir que quando os conceitos são poucos conhecidos ou mal
aplicados pelos profissionais responsáveis pelo sistema de gestão, influenciam de maneira
direta no desempenho em segurança e saúde no trabalho e repercutindo nos custos decorrentes
da falta de segurança e saúde nos ambientes de trabalho e na prática da responsabilidade
social.
70

Muitas empresas têm sua gestão de segurança e saúde voltada apenas em ações que
visam a conformidade legal, ou seja, voltadas para o atendimento aos requisitos legais
mínimos, atuando de forma reativa, não apresentando resultados significativos.
Esta realidade pode ser decorrência de não se adotar uma visão sistêmica na
abordagem da gestão de segurança e saúde no trabalho. Assim, a conceituação do sistema de
gestão da segurança e saúde no trabalho apresenta uma visão geral do assunto, que pode
subsidiar a criação de uma visão sistêmica, fator fundamental para a implantação e
perenização dos sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho de forma eficaz.
Porém, o modo como cada empresa introduz seu sistema de gestão de segurança e
saúde no trabalho pode, ou não, criar as condições favoráveis para que a melhoria do
desempenho ocorra. Se não houver uma adequação às suas necessidades, e, principalmente,
não existir a efetiva vontade de se mudar a cultura organizacional por parte da diretoria e de
todos os trabalhadores, o sistema de gestão de segurança e saúde do trabalho por si só não
pode trazer os resultados desejados.
A idéia de estabelecer uma cultura de segurança pode parecer simples, mas pode ser
difícil se todas as partes não estiverem completamente comprometidas com a segurança.
A demanda por uma mudança cultural e a quebra de uma série de paradigmas tornam o
tema sistema de gestão de segurança e saúde no trabalho complexo. No entanto, o tema
interessa, ou deveria interessar a todas, às empresas, ao governo, aos trabalhadores e à
sociedade, quer pelos elevadíssimos custos que os acidentes de trabalho geram, quer pelos
aspectos sociais e humanos que envolvem.
Assim, as empresas voltadas essencialmente para o atendimento legal devem adotar
uma nova postura, considerando o desempenho em segurança e saúde no trabalho como um
dos componentes fundamentais ao seu desempenho global, portanto, integrante de sua
estratégia.
Portanto, considera-se que este trabalho apresenta diversas informações, teóricas e
práticas, proporcionando conhecimentos essenciais para empresas desenvolverem seus
sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho, utilizando-o como uma ferramenta
gerencial para melhoria do desempenho visando a excelência operacional.
71

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